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Centro de Educação Superior Barnabita – CESB

Curso de Administração

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ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

EMPRESARIAL

Felipe Henrique Marques Rosado 1

Núbia Braga Ribeiro (Orientadora) 2

Resumo

O foco deste trabalho é explicitar, de forma objetiva, a implantação do conceito de

responsabilidade social pelas empresas a partir das discussões e questionamentos

na área empresarial e no campo dos estudos acadêmicos. Também, reflete-se sobre

o impacto deste assunto junto a sociedade e as conseqüências positivas para as

organizações que adotam a ideia de “ser responsável socialmente”. Além disso,

observa-se a importância de se criar projetos capazes de contribuir com a formação

de uma sociedade auto-sustentável. Assim, este artigo é fundamentado numa

revisão bibliográfica a partir de alguns estudiosos sobre a responsabilidade social,

abordando desde seu início até sua melhor e atual forma de entendimento. Concluise

que as empresas e a sociedade estão caminhando para uma melhor

compreensão deste tema, mas ainda trazem consigo dúvidas sobre sua importância

no mundo.

Palavras-chave: Responsabilidade Social, Ética, Moral, Desenvolvimento,

Sociedade.

INTRODUÇÃO

A responsabilidade social desde seu início vem sendo matéria de estudos e

discussões no meio organizacional das empresas e na sociedade, por ser um tema

importante para formação da sustentabilidade de nosso meio de vida social,

1 Felipe Henrique Marques Rosado – Graduando no curso de Administração da Faculdade Padre

Machado – FAPEM.

2 Núbia Braga Ribeiro –Doutora pela USP-SP em Ciências na área de Historia Social; professora da

disciplina Fundamentos Filosóficos e Sócio-antropológicos das Organizações Empresariais, do Módulo

de Formação Hum,anística para o Exercíco da cidadania, do curso de Administração da Faculdade

Padre Machado – FAPEM.


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econômico e ambiental. Com o passar dos tempos os estudiosos vêm descobrindo

como este assunto tornou-se indispensável para melhorar o desenvolvimento da

sociedade. A partir de diferentes situações os estudos comprovam que a empresa

que age ética e moralmente correta, preocupando-se em ser responsável

socialmente, gera um grande impacto positivo. Além disso, esta conduta tornou-se

uma das estratégias na formação de uma imagem respeitável que é difundida pela

empresa.

O tema responsabilidade social vai além da filantropia, pois abrange a ideia

de sustentabilidade, de preservação ambiental e de inclusão social.

O objetivo deste artigo é analisar a compreensão, em geral, da empresa que

aborda o tema discutido, seu pensamento e a credibilidade que lhe é dada pelo

reconhecimento de sua participação e ações junto ao meio ambiente e a sociedade.

1. História e Evolução do Conceito de Responsabilidade Social

A partir do final do século XIX e início do século XX, este tema foi inserido no

mundo dos negócios, com discussões e versões acerca da melhor forma das

empresas atuarem de acordo com o papel socialmente responsável para a

sociedade. Uma dessas discussões defende que a responsabilidade deveria ser próativa,

onde os ricos deveriam ajudar os menos afortunados como forma de “princípio

da caridade,” destacando que os ricos e as empresas deveriam se tornar

responsáveis por multiplicar a riqueza da sociedade. Neste contexto o empresário,

Robert Owen (1771-1858) foi apontado como um dos pioneiros quanto a prática da

responsabilidade social. Ele procurava beneficiar seus empregados de forma mais

humana, descartando o uso do trabalho infantil e propiciando a inclusão de pessoas

desfavorecidas no meio social.

Friedman (apud ARAÚJO; KALB, 2008, p.3) na década de 70 do século XX,

tinha uma visão diferente da acima citada, pois afirmava que a empresa socialmente

responsável era aquela que visava a expectativa de seus acionistas e de lucros. A

partir dai desencadeou-se outra conclusão, como a de Ackerman que “difundiu a

idéia de que, a responsabilidade social deveria ser compreendida como a capacidade

da empresa em responder aos problemas sociais”. (ACKERMAN apud ARAÚJO;

KALB, 2008, p.3).


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Atualmente, percebe-se que mesmo com toda informação e cobrança feita

por estudiosos, algumas empresas consideradas de médio e pequeno porte

carregam consigo uma concepção de pouca preocupação com a sociedade e com o

meio ambiente. Na maioria das vezes alguns dirigentes dessas corporações afirmam

que é responsável com o meio social, mas sem se quer ter uma base sobre tal

assunto, pois praticam muitas vezes o que é denominado de filantropia e não de

caráter sustentável. Em contrapartida, grandes empresas se empenham em usar a

responsabilidade social como forma de divulgação de suas imagens e enquanto

forma de realização de grandes projetos de percepção da sociedade.

Boeira (2005) cita alguns exemplos de parecerias de organizações privadas

e governamentais que investem na implantação da responsabilidade social no

ambiente de trabalho, além de iniciativas para se criar uma nova forma de informar

a sociedade e colaboradores sobre o assunto. Estas parcerias podem resultar em

sucesso se forem corretamente transpostas, de forma esclarecedora e objetiva,

para sociedade.

O objetivo maior da ideia de RSE é que, futuramente, sociedade e empresas

possam andar lado a lado para a melhoria da vida social e ambiental, tornando

cidade, estado e país mais sustentáveis.

2. Ética, Moral e Responsabilidade Social nas Empresas

Segundo Ashley (2005) moral e ética se complementam quando as

organizações passam a considerar valores e regras de comportamentos coletivos e

visto como desejáveis. A ética corresponde a uma teoria de ação rigidamente

estabelecida e a moral menos rigidamente pode variar de acordo com o indivíduo ou

com o seu ambiente. Sendo assim, a empresa ou a organização que souber

desenvolver melhor sua relação com seu meio social ou ambiental, poderá ter maior

êxito quando ao se tratar de responsabilidade social.

Com a globalização tornou-se crescente a preocupação das empresas com

a responsabilidade social, já que estão sendo analisadas pela sociedade. Assim,

percebe-se que a grande parte vem melhorando a cada dia a prática da

responsabilidade sócio-ambiental para manter-se no mercado de forma reconhecida

pela sociedade em função de seu padrão ético- moral, pois “A ética afeta desde os


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lucros e a credibilidade das organizações até a sobrevivência da economia global”.

(COSTA apud ASHLEY, 2005, p. 5). Esse padrão vem sendo formalizado para

servir a sociedade não de forma caridosa, mas sim pelo apoio e incentivo ao

desenvolvimento local.

No mundo atual repleto de ambientes culturais e de trocas de informações

forçam as grandes organizações a se portarem atentamente para agir de forma

responsável, se transformando em diferencial fundamental para se tornarem mais

produtivas e respeitadas pelo público. Em contraponto, o que preocupa são as

pequenas e médias empresas que em grande parte desconhecem toda importância

da responsabilidade social, não visando a importância e o significado de valores

como ética e moral, e por não terem grande visibilidade no cenário nacional acabam

não se empenhando em projetos que auxiliam na melhoria das comunidades que

estão em torno delas.

3. Responsabilidade Social: Novo Modelo de Credibilidade e Sobrevivência

das Empresas

Para Araújo e Kalb a responsabilidade social está diretamente relacionada a

ética e a moral, pois envolve a maneira como a empresa conduz os seus

relacionamentos internos e externos. (2008 p.4). Há pouco tempo, assim como a

qualidade dos negócios, a responsabilidade social passou a ser encarada pelas

empresas como fator positivo, sendo capaz de reduzir custos e aumentar a

competitividade (PORTER apud ARAÚJO; KALB, 2008, p.5).

Através de pesquisas, autores destacam que a responsabilidade social é

objeto de uso constante para sobrevivência das empresas no mercado. Afinal, a

empresa que não se preocupa com o bem estar de seus colaboradores e nem com a

sociedade, tem sérios problemas quanto a sua imagem. Já que os clientes estão

ficando mais exigentes quanto ao assunto as organizações têm que se preocupar

em promover o bem estar de todos a sua volta, pois quando a empresa se volta para

tal interesse ela naturalmente ganha mais espaço e visibilidade resultando no

aumento de seus lucros e no reconhecimento de sua marca. “Responsabilidade

Social é, portanto, conceito estratégico e quem não enxergar isso vai rapidamente


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deixar o convívio social, isto é, vai sair do mercado.” (GUEDES; GARCIA;

FOMBRUN apud ARAÚJO; KALB, 2008, p.6).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo limitou-se a análise organizacional a partir de comentários sobre a

visão de vários estudiosos em torno da responsabilidade social das empresas que

vem aumentado consideravelmente a cada dia.

O termo responsabilidade social, na atualidade, tem apontado para o fato de

como é importante o papel das organizações. Nota-se que algumas grandes

empresas estão implementando projetos neste sentido, que por sua vez participam

de forma proativa junto ao meio ambiente e sociedade. Essa participação transformase

em credibilidade como ponto positivo para a imagem da empresa no mercado

consumidor, conduzindo projetos e parcerias que destacam as atitudes tomadas pela

mesma a partir de sua divulgação pela propaganda. Como exemplo, as pessoas que

têm conhecimento do assunto podem optar por um produto ou serviço de uma

organização que exerce de forma responsável, social e sustentável suas atividades,

pois assim colaboram de forma indireta para realização de projetos socialmente

responsáveis.

Percebe-se através dos meios de comunicação quais são as organizações

ou pelo menos a pequena parte dessas que praticam a RSE com freqüência. No

entanto, também, observa-se que são as grandes empresas e até as multinacionais

que mantém está freqüência por terem pessoas capacitadas para desenvolverem

este tema, o que resulta no aumento da visibilidade da marca da empresa através do

marketing.

Em contrapartida, pode-se afirmar que comunidades carentes, desprovidas

de conhecimento, e, principalmente, empresas de pequeno porte carregam consigo

uma visão equivocada deste tema, somando-se a despreocupação e a falta de

interesse.

A sociedade, em sua grande maioria, por ser desprovida de informações que

possam ajudá-la a conhecer e a questionar tal assunto acaba por não auxiliar a

implementação de exigências que são observadas por estudiosos quanto a RSE.

Apesar disso, percebe-se que parcela da sociedade vem buscando aprimorar seu

conhecimento sobre o tema para ter consciência do que é possível e cabível


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reivindicar, levando as empresas a desenvolverem projetos produtivos com base em

sustentabilidade. Já as pequenas empresas ainda confundem o tema com filantropia

fazendo somente pequenas doações financeiras ou participando de eventos que não

resultam em benefícios para toda uma região ou para toda comunidade que estão

próximas.

Este artigo foi elaborado através de estudos bibliográficos para contribuir

com a disseminação do conhecimento sobre a responsabilidade social

organizacional. Também, buscou-se indicar previsões e preocupações dos

estudiosos sobre o desenvolvimento de um tema tão importante para sociedade.

Concluiu-se que organizações e sociedade caminham na busca de se ter

uma sincronia para um melhor entendimento e compreensão da implantação do que

vem sendo chamado de responsabilidade social.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Geraldino Carneiro de; KALB, Naira Denise. Análise do conceito de

responsabilidade social: um ensaio teórico. Revista DCS ON LINE, Três Lagoas, v.

3, n.1, p. 1-15, nov. 2008. Disponível em:


Acesso em: outubro de 2011.

ASHLEY, Patrícia Almeida. Ética e responsabilidade social nos negócios. 2. ed.

São Paulo: Saraiva, 2005.

BOEIRA, Sérgio. Ética empresarial & capital social: aproximações conceituais.

Revista Internacional Interdisciplinar Interthesis, Florianópolis, v.2, n.2, jul/dez,

2005. Disponível em:


Acesso em: outubro de 2011.

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