Ed. 102 - NewsLab

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Ed. 102 - NewsLab

Editorial

capa da NewsLab desta edição traz estampada

A a Biometrix, empresa que vem se destacando

no cenário nacional desde 1990 pela filosofia que alia

qualidade e atualidade, buscando sempre oferecer o que

há de mais avançando na sua área de atuação.

Entre as diversas novidades divulgadas pela empresa,

está o Departamento de Desenvolvimento de Produtos,

cujo foco é trazer sempre soluções de ponta para

seus clientes. Para cada produto lançado no mercado

mundial é instituída uma equipe especializada que irá

gerenciar o projeto e avaliar diversos fatores, como a

viabilidade de investimento, inovação, oportunidade de

mercado, custo-benefício, logística de fornecedores e

aplicação do produto, visando atender as necessidades

dos clientes da empresa.

Nossa coluna Opinião traz neste número um artigo

assinado pelo Dr. Carmino Antonio de Souza, titular

da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de

Hematologia e Hemoterapia (ABHH), que discorre com

muita propriedade sobre a insegurança da transfusão

de sangue no Brasil. De acordo com o especialista, os

recursos oferecidos à população não são compatíveis ao

atual estágio de desenvolvimento econômico do País e, o

pior, é que eles são concentrados demasiadamente na área

de custeio e de pessoal.

Não menos interessante, a coluna Panorama, escrita

pelo Professor Titular pela UNESP, Dr. Paulo Cesar

Naoum, fala sobre o DNA e seus incríveis números

e segredos. Segundo o biomédico, em cada célula do

nosso organismo o filamento estendido de DNA chega

a ter cerca de 2 metros. Se imaginarmos que em nosso

corpo há perto de 10 trilhões de células, teremos uma

ideia da enormidade de DNA que possuímos.

A nossa bem-humorada coluna Analogias em

Medicina, escrita pelo patologista José de Souza Andrade

Filho, aborda desta vez a questão do Arroz nas Juntas.

Conforme explicação do especialista, as articulações

- ou juntas - são regiões de união entre dois ou mais

ossos e apresentam uma variedade de formas e funções.

As articulações sinoviais, em algumas artropatias

degenerativas e inflamatórias, podem conter na cavidade

pequenas formações esbranquiçadas que lembram a

forma, o tamanho e a cor branca do grão de arroz polido.

Isso e muito mais você só encontra aqui, na NewsLab.

Boa leitura!

Diretor Executivo: Sylvain Kernbaum - (11) 8357-9857 - (revista@newslab.com.br) • Editora: Andrea Manograsso (Mtb 18.120) - (11) 8357-9850 - (redacao@newslab.

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Conselho Editorial:

Luiz Euribel Prestes Carneiro, farmacêutico-bioquímico, Depto. de Imunologia e de Pós-graduação da Universidade do Oeste Paulista, Mestre e Doutor

em Imunologia pela USP/SP • Prof. Dr. Carlos A. C. Sannazzaro - Professor Doutor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP • Dr. Amadeo Saéz-

Alquézar - Farmacêutico-Bioquímico • Dr. Marco Antonio Abrahão – Biomédico e Presidente do Conselho Regional de Biomedicina em São Paulo – CRBM

- 1ª Região • Prof. Dr. Antenor Henrique Pedrazzi - Prof. Titular e Vice-Diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP • Prof.

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Carlos Barbério - Professor Titular da USP (aposentado) • Dr. Silvano Wendel - Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês • Dr. Paulo C. Cardoso de

Almeida - Doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina da USP • Dr. Jacques Elkis - Médico Patologista, Mestre em Análises Clínicas - USP • Dr. Zan

Mustacchi - Prof. Adjunto de Genética da Faculdade Objetivo - UNIP • Dr. José Pascoal Simonetti - Biomédico, Pesquisador Titular do Depto de Virologia

do Instituto Oswaldo Cruz - FIOCRUZ - RJ • Dr. Sérgio Cimerman - Médico-Assistente do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Responsável Técnico pelo

Laboratório Cimerman de Análises Clínicas • Dra. Suely Aparecida Corrêa Antonialli - Farmacêutica-bioquímica-sanitarista. Mestre em Saúde Coletiva • Dra.

Gilza Bastos dos Santos - Farmacêutica-bioquímica • Dra. Leda Bassit - Biomédica do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa da Fundação Pró-Sangue

Colaboraram nesta edição:

José de Souza Andrade Filho, Carmino Antonio de Souza, Paulo Cesar Naoum, Michele Wilmen Barcelos, Luciana Araújo, Vanessa Salete de

Paula, Livia Melo Villar, Reginaldo dos Santos Pedroso, Mário Paulo Amante Penatti, Claudia Maria Leite Maffei, Regina Celia Candido, Rita

de Cássia Ródio, Luciane Calil Mylius, Andréia Buffon, Vanusa Manfredini, Graziella Alebrant Mendes, Fabiana de Cássia Romanha Sturmer,

Diógenes Luis Basegio, Márcia Aparecida Pozo Pereira, Flavia Silva Palomo, Marina R. M. Rover, Emil Kupek, Rita de C. B. Delgado, Liliete C.

Souza, Maria de Lourdes Pires Nascimento, Jaqueline Vieira Carletti, Carolina de Marco Veríssimo, Ronaldo Silva, Caroline Dani, Alice Dahmer

Goncalves, Katherine Oliveira Sandow, Mariní Cristófoli, Tuany Di Domenico, Gustavo Müller Lara

NewsLab

A revista do laboratório moderno

ANO XVII - Nº 102

(outubro/novembro 2010)

Redação e administração:

Av. Paulista, 2.073

Ed. Horsa I - Cj. 2315.

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ISSN 0104-8384

Home Page: www.newslab.com.br

A Revista NewsLab é uma publicação bimestral

da Editora Eskalab, com distribuição

dirigida a laboratórios, hemocentros e universidades

de todo o país. Os artigos assinados

são de responsabilidade de seus autores e

não representam a opinião da revista. Da

mesma forma, os Informes Publicitários são

de exclusiva responsabilidade das empresas

que compram o espaço na revista.

Impressão: Prol Gráfica

Editoração: Fmais

Filiado à Anatec


Ano 12

Nº 05

Out/Nov 2010

Há mais de

10 anos

informando.

A vida faz as perguntas,

nós buscamos as respostas.

04 Editorial

06 Índice

10 Notícias

Leia ainda na Roche News:

Artigo Científico: Eletroquimioluminescência,

anos-luz à frente

Entrevista: Dr. Fernando Soares, diretor do

Departamento de Anatomia Patológica

do Hospital A.C.Camargo

Parte integrante da Revista NewsLab102

Tecnologia

em saúde:

muito mais que

um conceito.

BIOLOGIA MOLECULAR

GS Junior - Solução em

sequenciamento de nova geração

ARTIGO CIENTÍFICO

Eletroquimioluminescência

Anos luz à frente

ENTREVISTA

Dr. Fernando Soares

Fala sobre o diagnóstico e tratamento do

câncer e explica porque a tecnologia é a

grande aliada nessa batalha

Diretor do Departamento de Anatomia Patológica do Hospital A.C.Camargo

34 Nossa Capa – Biometrix: oferecendo soluções porque, afinal, a vida não pode esperar

40 Opinião – A transfusão de sangue no Brasil é insegura, por Carmino Antonio de Souza

44 Informe de Mercado

82 Panorama – O DNA, seus incríveis números e seus segredos, por Paulo Cesar Naoum

84 Analogias em Medicina – Arroz nas Juntas

86 Eventos – Medicina Laboratorial, da Concepção à Terceira Idade

90 Prevalência de Anticorpos Contra o Vírus da Hepatite C e da Imunodeficiência Humana no Norte do Estado do Rio

de Janeiro – Michele Wilmen Barcelos, Luciana Araújo, Vanessa Salete de Paula, Livia Melo Villar

96 Infecções Causadas por Cryptococcus albidus e C. laurentii: implicações clínicas e identificação laboratorial –

Reginaldo dos Santos Pedroso, Mário Paulo Amante Penatti, Claudia Maria Leite Maffei, Regina Celia Candido

108 Avaliação do Padrão Citológico e Microbiológico Detectado pela Coloração de Papanicolaou – Rita de Cássia

Ródio, Luciane Calil Mylius, Andréia Buffon, Vanusa Manfredini

120 Utilização dos Marcadores CA 15.3 e CEA no Seguimento de Pacientes com Neoplasia Mamária – Graziella

Alebrant Mendes, Fabiana de Cássia Romanha Sturmer, Diógenes Luis Basegio

128 Análise do sistema automatizado para coloração de Gram desenvolvido pela Hemogram – Márcia Aparecida Pozo

Pereira, Flavia Silva Palomo

136 A Importância da Avaliação de Fatores de Risco para Aterosclerose na Infância e Adolescência. Revisão – Marina R.

M. Rover, Emil Kupek, Rita de C. B. Delgado, Liliete C. Souza

146 Anemias Microcíticas Hipocrômicas, Metabolismo do Ferro e Zinco Protoporfirina Eritrocitária.

Revisão de Literatura – Maria de Lourdes Pires Nascimento

154 Diagnóstico de Enteroparasitoses em Crianças de um Centro Comunitário da Periferia de Porto Alegre/Rs,

segundo o Método de Mariano e Carvalho – Jaqueline Vieira Carletti, Carolina de Marco Veríssimo, Ronaldo

Silva, Caroline Dani

162 Febre Amarela. Revisão – Alice Dahmer Goncalves, Katherine Oliveira Sandow, Mariní Cristófoli, Tuany Di

Domenico, Gustavo Müller Lara

172 Agenda

173 Biblioteca NewsLab

174 Endereços dos Anunciantes

177 Classificados

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Fiocruz identifica ocorrência de casos de coinfecção por HIV-1 e HIV-2 no Brasil

A OMS estimou, em 2008, que a epidemia por HIV-1 atingia 34 milhões de pessoas no mundo,

enquanto que o HIV-2 alcançava 2 milhões de pessoas

A maioria dos casos da epidemia

global de Aids é causada pelo retrovírus

humano tipo 1 (HIV-1). No entanto, o

HIV-2, o outro retrovírus associado à

Aids, é epidêmico e endêmico em alguns

países da África Ocidental, como

Guiné Bissau, Gâmbia, Costa do Marfim

e Senegal, entre outros. Pesquisadores

do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

identificaram a presença do vírus no

Brasil, em situações de coinfecção com

o HIV-1. O estudo, divulgado no 2º Congresso

de Infectologia do Estado do Rio

de Janeiro, recebeu o Prêmio Adrelírio

Rios como um dos melhores trabalhos

apresentados durante o evento.

O HIV-2 foi identificado pela primeira

vez em 1985, em pacientes do Senegal, e,

logo após, casos foram detectados também

em Cabo Verde. Hoje, sabe-se que

HIV-1 e HIV-2 constituem vírus distintos,

com diferenças significativas entre seus

genomas e biologia. Em relação ao HIV-

1, a infecção pelo tipo 2 difere por ter uma

evolução mais lenta para os quadros clínicos

relacionados. Também há evidências

de que a transmissão vertical e sexual não

seja tão eficiente quando comparada ao

HIV-1. Enquanto a Organização Mundial

da Saúde (OMS) estimou, em 2008, que

a epidemia por HIV-1 atingia 34 milhões

de pessoas no mundo, calcula-se que o

HIV-2 seria responsável pela infecção

de 2 milhões de pessoas.

O HIV-2 ocorre, sobretudo, em países

da África Ocidental de língua portuguesa

e francesa. Nesta região, foi o tipo preponderante

durante o início da pandemia

de Aids, mas veio perdendo espaço para

o HIV-1. Na Europa, casos de HIV-2

são descritos em países como Portugal,

França e Espanha.

Na literatura científica, a presença do

HIV-2 no Brasil começa a ser discutida

em trabalhos de 1987 e 1989. Os estudos

publicados na época, indicando a

presença de casos, foram alvo de muito

debate, uma vez que as metodologias

então aplicadas permitiriam resultados

falsos-positivos e falsos-negativos. Já um

estudo de 1991, realizado por um grupo

do Centro de Controle de Doenças dos

Estados Unidos (CDC) em colaboração

com pesquisadores do Rio de Janeiro,

traz evidências sorológicas e também

moleculares quanto à presença do HIV-2

em coinfecção com o HIV-1.

Novos dados

No estudo que acaba de ser premiado,

pesquisadores do Laboratório de Genética

Molecular de Micro-organismos do IOC

confirmaram a presença de coinfecção por

HIV-1 e HIV-2 em 15 amostras, de diversos

estados brasileiros. “Este é um trabalho

que vem sendo desenvolvido há alguns

anos e, agora, conseguimos chegar a um

resultado bastante robusto. A princípio, o

projeto foi fruto de um financiamento do

Programa das Nações Unidas para Aids/

Unaids, via Ministério da Saúde, com foco

na vigilância do HIV-2 no Brasil”, detalha a

chefe do Laboratório de Genética Molecular

de Micro-organismos do IOC e líder da

pesquisa, Ana Carolina Vicente. O estudo

foi desenvolvido em colaboração com pesquisadores

do Laboratório Sérgio Franco,

do Hospital Universitário Gafreé e Guinle

e do Laboratório de Virologia Molecular

do Instituto de Biologia da Universidade

Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Foram analisadas amostras de sangue

que na primeira etapa de testagem

para HIV apresentaram resultados indicativos

da presença dos dois vírus. Como

preconizado pelo Ministério da Saúde,

estes resultados devem ser confirmados

por reagentes específicos tanto para o

HIV-1 quanto para o HIV-2. No entanto,

no momento não há disponíveis no

mercado reagentes específicos para o

HIV-2, só para o HIV-1. Foi neste ponto

que a pesquisa básica participou, aplicando

testes moleculares e imunológicos

ainda restritos à pesquisa. “Todos os

testes disponíveis hoje no Brasil, sejam

os laboratoriais ou do tipo rápido, são

absolutamente sensíveis para detectar

a presença do HIV e tipar o HIV-1. No

entanto, não indicam de forma específica

se o tipo 2 está presente”, descreve.

Estes achados têm impacto principalmente

na questão do tratamento, já

que o HIV-2 é naturalmente resistente

aos antirretrovirais do tipo não-nucleosídeos.

Apesar de responder muito bem

à classe dos inibidores de proteases, nos

casos de infecção pelo HIV-2 a resposta

costuma ter duração pequena e algumas

mutações de multirresistência são selecionadas

rapidamente.

Nova técnica contra o HIV

Pesquisadores israelenses afirmam ter descoberto uma

nova forma de eliminar células infectadas com HIV, por meio

da autodestruição de células contaminadas. Desenvolvida por

cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém, a técnica faz

com que as células infectadas com HIV recebam um DNA viral

que as mata, sem afetar as células não-infectadas.

Até agora, a técnica foi desenvolvida em pequena escala e

ainda não foi testada em seres humanos. Segundo os pesquisadores,

essa técnica poderia levar a um tipo de tratamento mais

eficiente contra o vírus HIV. O melhor tratamento disponível

atualmente - à base de antirretrovirais - é eficaz no combate à

replicação de células infectadas, mas não consegue eliminá-las.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Mayo Clinic desenvolve novas linhas de células para estudar

um tratamento para o câncer anaplástico de tireoide

A edição online do Jornal de Endocrinologia

Clínica e Metabolismo

(http://jcem.endojournals.org/) de

agosto, traz relato de pesquisadores

da Mayo sobe a criação bem-sucedida

de quatro novas linhas de células de

ATC – Câncer Anaplástico de Tireoide,

cada uma delas com um conjunto

diferente de mutações moleculares

que provocam essa forma agressiva

de câncer.

A sobrevivência de pacientes com

ATC é tipicamente curta: de três a quatro

meses, em média. Os pesquisadores

estão compartilhando as novas células

de ATC com outros pesquisadores, em

diversas partes do mundo, segundo

informa um dos principais coautores

do estudo, John Copland, Ph.D., biólogo

da Clínica Mayo de Jacksonville,

Flórida, especializado em câncer. Esta

descoberta poderá possibilitar o desenvolvimento

de tratamentos específicos

para este tipo de câncer.

Há alguns anos, os pesquisadores

da Clínica Mayo descobriram que as

amostras de câncer anaplástico de

tireoide (ATC), que estavam usando

em laboratório para encontrar novas

formas de tratamento para essa doença

letal, eram provavelmente de algum

outro tipo de câncer. Descobriram, então,

que a situação em seu laboratório

era comum em todo o mundo: cerca

de metade das linhas de células que,

supostamente, deveriam ser originárias

de pacientes com esse tipo raro

de câncer da tireoide eram, na verdade,

de câncer de cólon ou melanoma.

Assim, com a cooperação de muitos

pesquisadores de todo o país, os pesquisadores

da Mayo decidiram criar,

em laboratório, um novo conjunto de

células de ATC, derivadas de tumores

doados por pacientes.

“Como as linhas de células são

imortais e podem viver para sempre,

elas constituem um elemento crítico

para a pesquisa. E um grande problema

é a contaminação da linha de célula,

pois ela leva à falsa identificação de

tipos específicos de câncer e a conclusões

incorretas sobre eles”, diz o

biólogo. “Nós adotamos altos padrões

para a caracterização de novas linhas

de células em níveis genômico e molecular,

que pode retroceder ao tecido

original do tumor”, afirma.

O estudo mostra, em detalhes, as

“pegadas” moleculares que ligam as

mutações genéticas encontradas nos

tumores dos pacientes às linhas de

células derivadas desses tumores. Se

surgir alguma dúvida no futuro, como

se as linhas de células criadas recentemente

foram contaminadas por outros

tipos de câncer, os pesquisadores

podem usar os dados da Clínica Mayo

para confirmar a origem das células.

Isso é importante, dizem os pesquisadores,

porque os avanços no

tratamento do câncer dependem dos

testes que são feitos, em primeiro lugar,

nas linhas de células e, portanto,

as linhas de células têm de ser puras.

“Nós queremos testar medicamentos

diferentes para cada linha de células,

nas quais vias específicas são ativadas,

para observar os efeitos”, diz o médico

endocrinologista Robert Smallridge, o

outro coautor principal do estudo. O

endocrinologista acredita que, dentro

de alguns anos, será possível analisar

geneticamente cada tumor de pacientes

com ATC, em tempo real, e prescrever

medicamentos potenciais para

seu perfil molecular.

Para saber mais:

intl.mcj@mayo.edu

Julio Cezar Junior assume a diretoria geral do Grupo Biofast

O administrador de empresas Julio Cezar Junior assume

a diretoria geral do Grupo Biofast, uma das principais

redes de laboratórios de análises clínicas do País. Com

vasta experiência nas áreas de finanças, controladoria,

estratégia empresarial e reorganização, o executivo

atuou na diretoria de grandes organizações nacionais e

internacionais.

“O Grupo Biofast vem crescendo muito e precisávamos

de uma pessoa com experiência para controlar e

acompanhar todos os procedimentos da empresa”, explica

Rogério Saladino, presidente.

“Tenho papel decisório na estruturação da companhia

e a missão de determinar, junto às equipes, as

estratégias para atingir o objetivo de nos tornarmos

líderes em atendimento com excelência diagnóstica.

Sou responsável, ainda, por assegurar nossa qualidade

e a padronização dos nossos processos, que devem ser

continuamente melhorados e controlados por equipes

capacitadas e comprometidas em fazer sempre o melhor”,

diz Julio Cezar Junior, diretor geral da companhia.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Salomão & Zoppi apresenta novos testes de Biologia Molecular na XV da Sogesp

Entre eles, duas novas técnicas de triagem molecular para investigar as alterações

genéticas que podem causar síndromes congênitas ou esclarecer abortos de repetição

O Salomão & Zoppi Medicina Diagnóstica

(SZMD) apresentou as mais

recentes contribuições da Biologia Molecular,

na XV edição do Congresso Paulista

de Ginecologia e Obstetrícia, organizado

pela Sogesp (Associação de Ginecologia

e Obstetrícia do Estado São Paulo).

Este ano, no estande do centro de

diagnósticos, tiveram destaque os mais

novos exames baseados na investigação

molecular do próprio tumor ou de alterações

no código genético. Há exames

que podem ajudar no tratamento dos

cânceres de mama e colo do útero, bem

como duas novas técnicas de triagem

molecular para investigar mais a fundo

as alterações genéticas que podem, por

exemplo, causar síndromes congênitas

ou esclarecer abortos de repetição.

MLPA e Array-CGH verificam ganhos

e perdas de material genético e são

indicados para o diagnóstico de “malformações”

congênitas e atraso de desenvolvimento

neuropsicomotor. A maior

diferença entre os dois é o número de

regiões investigadas. “O MLPA, além de

ter menor custo, permite-nos investigar

45 regiões genômicas de uma única vez

e, se atrelado ao cariótipo, cobre quase

70% das alterações cromossômicas existentes”,

explica Fernanda Sarquis Jehee,

pós-doutora em Genética Humana pela

USP e responsável pela área no SZMD.

Ainda segundo Fernanda, o Array-CGH,

realizado em colaboração com o Instituto

de Biociências da USP, identifica 99%

das alterações possíveis e já é a primeira

opção diagnóstica para este grupo

de pacientes na comunidade europeia,

Canadá e Estados Unidos.

O Amplichip ® é um teste farmacogenético

capaz de detectar 28 alterações

nos genes usados pelo organismo para

a metabolização de medicamentos:

CYP2D6 e CYP2C19. Ele verifica, por

exemplo, se o Tamoxifeno é eficaz em

determinadas mulheres, pois este é um

medicamento que pode não ser ativado

em mulheres com alteração no CYP2D6.

O Amplichip é eficaz, ainda, na verificação

de 25% dos medicamentos no

mercado, pois esta é a fatia das drogas

metabolizadas por estas enzimas.

Teste E6-E7 é um novo exame que

detecta se as proteínas oncogênicas E6-

E7 encontram-se em atividade nas células

do colo-uterino. Presentes no HPV do

grupo B (o cancerígeno) são as proteínas

que favorecem o desenvolvimento do

câncer cervical. “Detectando a presença

de E6-E7 é possível conhecer, até, o grau

de agressividade do HPV e indicar, com

mais assertividade, o tratamento”, diz

o professor-doutor Ismael Dale Cotrim

Guerreiro da Silva, chefe da divisão de

medicina biomolecular de SZMD.

Teste KRAS - com este exame, portadores

de tumores colorretais e pulmonares

podem evitar o uso desnecessário de

alguns medicamentos indicados nestes

tratamentos. Basta fazer a pesquisa de

mutações somáticas, aquelas que geram

a proteína K-ras alterada e são responsáveis

pelo crescimento desgovernado

das células até causar um tumor. Isto

porque, estudos recentes demonstraram

que a proteína K-ras alterada pode

determinar a ausência de resposta a

Panitumumabe (Vectibix) e Cetuximabe

(Erbitux), terapias indicadas a tumores

pulmonares e colorretais metastáticos.

Laboratório Central do Hospital das Clínicas conquista acreditação inédita na América Latina

No mundo, apenas 7 mil laboratórios são reconhecidos pela excelência

O Laboratório Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade

de Medicina da USP, conquista acreditação do Colégio Americano

de Patologistas – CAP e se destaca no cenário internacional ao

oferecer ao paciente uma medicina laboratorial à altura do que

é praticado nos melhores centros do mundo.

O laboratório é o primeiro da rede pública do Brasil e da

América Latina a obter a certificação pelo desenvolvimento de

boas práticas e segurança. No Brasil, oito instituições privadas

possuem a titulação. No mundo, são apenas 7 mil entidades,

adianta Carlos Suslik, diretor executivo do Instituto Central do HC.

O serviço realiza, em média, 7 milhões de exames por ano

e atende 3,5 mil pacientes por dia. Com o reconhecimento

internacional, o Laboratório Central passa a fazer parte de um

seleto grupo de laboratórios que praticam serviços de excelência

em todo o mundo.

O CAP é uma sociedade médica que congrega mais de 17

mil médicos e membros da comunidade laboratorial ao redor do

mundo, sendo pioneiro em garantia de qualidade laboratorial

mundial.

O programa de acreditação da sociedade teve início nos anos

1960 e é reconhecido pelo governo americano. Além disso, os

padrões de inspeção determinados pelo Colégio Americano de

Patologistas são rígidos, tendo por princípio a inspeção por pares.

Pioneira na busca de práticas de gestão inovadoras dentro da

Medicina Laboratorial Nacional, a transformação do Laboratório

Central do HC em centro de excelência teve início em 1980.

Hoje conta com a certificação NBR ISO 9001, NBR ISO 14001 e

acreditada do PALC – Programa de Acreditação em Laboratórios

Clínicos, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina

Laboratorial, entre outros.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Dr. Ghelfond Diagnóstico investe em tecnologia para aprimorar

serviços prestados e aumentar a participação de mercado

Rede estabelece parceria estratégica com AGFA para ampliar recursos disponibilizados aos pacientes

O Dr. Ghelfond Diagnóstico Médico

firmou uma parceria com a Agfa HealthCare,

líder mundial em sistemas

de imagem e informação hospitalar,

para implementar soluções de alta

tecnologia nas unidades de sua rede.

O objetivo da iniciativa é posicionar o

centro e diagnósticos como referência

de mercado.

Com aporte de mais de US$ 1 milhão

em recursos na área de Radiologia

Digital, o Dr. Ghelfond adotou um completo

sistema que permite disponibilizar

online os resultados dos exames,

minimizando o volume de material

descartado e os impactos ambientais

decorrentes da utilização do sistema

convencional de Raio-X. A medida colabora

ainda com a preservação do meio

ambiente, já que dispensa utilização de

aditivos químicos durante o processo.

Arnaldo Pescuma, superintendente

do Dr. Ghelfond, explica que o objetivo

da empreitada é tornar a tecnologia

acessível aos pacientes, além de agilizar

o processo dos exames e elevar a

qualidade do resultado obtido. “Trabalhamos

focados na busca pela excelência”,

enfatiza o executivo.

Além disso, o superintendente

também destaca os benefícios proporcionados

aos pacientes com as novas

medidas: “Com a adoção do processo

digital reduzimos o tempo de exposição

durante o procedimento e ainda

obtemos maior rapidez e acurácia nos

resultados, fator decisivo para o correto

diagnóstico e tratamento das doenças”.

Maior capacidade tecnológica

Uma das recentes aquisições feitas

pelo centro de diagnóstico foi o

equipamento AGFA CR 85-X. Multiuso

e multiaplicação, o modelo é o único

digitalizador com capacidade de

carregamento totalmente automático

para 10 cassetes, eliminando o tempo

de espera, além de aumentar a produtividade.

Indicado para ambientes

centralizados, a solução oferece suporte

para o processamento de imagens de,

ao menos, três salas de Raios-X.

“Nossa meta com a adoção do recurso

é ampliar a capacidade produtiva

e de atendimento aos pacientes do

centro de diagnóstico em 25%”, explica

Pescuma. Além disso, os exames

realizados com o novo sistema ficam

online, à disposição para consulta em

um banco de dados, podendo, inclusive,

ser acessados por médicos das unidades

de atendimento remotamente, diz

o executivo.

Para saber mais:

www.ghelfond.com.br

Pesquisadores descobrem o gene da dor

O gene Cacgn2 é o mais provável candidato

Pesquisadores israelenses e de outras nacionalidades

identificaram o gene responsável pela suscetibilidade à dor

crônica, abrindo novas perspectivas de tratamento desse mal

que afeta cerca de 20% dos adultos em todo o mundo e pode

variar da dor de cabeça persistente, dor nas costas, dor da

artrite e até mesmo dores psicogênicas.

Embora se saiba que algumas pessoas são mais suscetíveis

do que outras às dores crônicas, ninguém sabia as razões disso.

Agora, pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém,

da Universidade de Toronto, do Canadá, da Sanofi-Aventis, da

Alemanha, e do Centro de Biologia Oral do Instituto Karolinska,

da Suécia, acreditam ter encontrado a resposta na genética.

"O significado imediato é a consciência de que as diferenças

na percepção da dor podem ter uma predisposição genética",

diz o professor Ariel Darvasi Alexander Silberman, do Instituto

de Ciências Biológicas da Universidade Hebraica.

“A descoberta pode fornecer insights para o tratamento

da dor crônica com mecanismos até hoje não pensados". Em

um relatório publicado na semana passada na Genome Research,

Darvasi e seus colegas identificaram uma região do

cromossomo 15 do rato que provavelmente continha uma

ou mais variantes genéticas que contribuem para a dor. Eles

identificaram o gene Cacgn2 como o provável candidato.

Em experimentos com ratos, os pesquisadores confirmaram

que o Cacgn2 tem um papel funcional na dor. Para saber

se a versão humana do gene também tem algum um papel na

dor crônica, os cientistas analisaram um grupo de pacientes

com câncer de mama que apresentaram dor crônica mais de

seis meses depois de terem sido submetidas à remoção ou

remoção parcial da mama. Descobriu-se que as variações

genéticas do Cacng2 foram significativamente associadas a

essa dor crônica.

Para saber mais:

http://www.israel21c.org/201008238246/health/the-gene-atthe-heart-of-pain

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NewsLab - edição 102 - 2010


São Paulo ganha rede online de diagnóstico por imagem

Com inauguração do Sedi, na capital, 24 serviços estarão integrados a

sistema de transmissão de exames em tempo real

A Secretaria da Saúde entregou, em agosto, uma rede

online de diagnósticos por imagem envolvendo 24 unidades

de saúde de todo o Estado de São Paulo.

Com a inauguração do Sedi (Serviço Estadual de Diagnóstico

por Imagem), em parceria com a Fundação IDI (Fundação

Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem),

maior instituição sem fins lucrativos especializada nesta área

em todo o Brasil, São Paulo amplia um sistema que permite a

rápida transmissão e emissão de laudos de exames de raio-x,

tomografia, ressonância magnética e tomografia, entre outros,

agilizando o diagnóstico dos pacientes e permitindo aos médicos

acesso rápido ao histórico de exames de cada usuário. Quando

foi criado em 2009, o projeto-piloto contava apenas com oito

unidades integradas.

Nos próximos dois anos todos os hospitais e AMEs (Ambulatórios

Médicos de Especialidades) do Estado deverão

estar conectados às unidades do Sedi, transmitindo imagens

para a rápida emissão de laudos.

Na central de laudos do Sedi, que possui 22 estações de

diagnóstico, uma equipe de médicos radiologistas está de

prontidão 24 horas. Assim que um exame é realizado em

um hospital estadual, a imagem é transmitida em poucos

segundos para esta central, via ondas de rádio, fibra ótica

ou cabo. Os médicos avaliam as imagens e emitem o laudo

para a unidade de origem, em média, após 30 minutos de

ter recebido a solicitação.

No Sedi há, ainda, uma hotline (linha telefônica direta)

para que os profissionais possam tirar dúvidas e analisar os

casos conjuntamente. O médico da central poderá, inclusive,

orientar o técnico da unidade solicitante sobre como

posicionar melhor o paciente para a realização do exame.

Com esse modelo, São Paulo elimina distâncias e,

no futuro, permitirá que unidades do interior do Estado,

inclusive aquelas que não tenham radiologistas, estejam

integradas ao sistema.

No total, a rede, lançada em 2009, tem capacidade para

processar até 15 milhões de exames por ano. Para isso, conta

com o sistema Pacs (Picture Archiving Communications

System) para aquisição, armazenamento e distribuição de

imagens digitalizadas de exames médicos.

Aliado do diagnóstico precoce de câncer

PET-CT consegue avaliar a extensão da doença e auxiliar na decisão do

melhor tratamento em diversos tipos de câncer

O diagnóstico precoce é essencial para

o tratamento e cura de muitas doenças.

Na Oncologia, o exame de diagnóstico por

imagem PET/CT (tomografia por emissão

de pósitrons/tomografia computadorizada)

consegue diagnosticar determinados

tipos de tumores de forma precoce e com

maior precisão. “O PET/CT é um exame

de alta precisão e tem indicações em

diversos tipos de câncer, como: linfoma,

melanoma, sarcomas, câncer de pulmão,

mama e colorretal. Além disso, o exame

apresenta ainda indicações na Cardiologia

e Neurologia”, explica o médico nuclear

Dr. Juliano Cerci, diretor do Serviço de

PET/CT da Quanta Diagnóstico Nuclear,

que acaba de adquirir o equipamento, o

segundo no estado do Paraná.

A Tomografia por Emissão de Pósitrons

(PET) é um método de obtenção de imagens

que utiliza a emissão de partículas

do núcleo do átomo integrado com a tomografia

computadorizada convencional

(CT). Com isso, é possível avaliar o funcionamento

dos órgãos e tumores e não

apenas sua anatomia. Em alguns casos,

pode-se detectar as alterações funcionais

antes de se observar as anatômicas na

tomografia convencional. Assim, o exame

permite avaliar a extensão da doença e

auxiliar na definição do melhor tratamento

para cada paciente. “Também podemos

acompanhar a resposta terapêutica, ou

seja, analisar se o tratamento está sendo

efetivo, podendo potencialmente minimizar

os efeitos tóxicos do tratamento”,

ressalta Dr. Juliano Cerci.

A Quanta Diagnóstico Nuclear passa

também a oferecer a tomografia computadorizada

convencional e a realizar

biópsia guiada por tomografia. “A tomografia

computadorizada convencional é

um exame de Radiologia com diversas

indicações, como suspeita de câncer,

acidente vascular cerebral, traumas,

avaliação de vasos sanguíneos entre

muitos outros”, observa Dr. Juliano Cerci.

A biópsia, retirada de um pedaço da lesão

para análise laboratorial, é fundamental

para identificar o câncer em pacientes

com suspeita da doença. Antigamente, o

procedimento era realizado apenas por

meio de cirurgia aberta. Hoje, a biópsia

pode ser orientada pela tomografia convencional,

um procedimento moderno,

minimamente invasivo, já utilizado por

muitas clínicas. “No entanto, também realizamos

a biópsia guiada pelas imagens de

PET/CT. Em muitos casos, existem massas

residuais no término do tratamento. Pela

tomografia convencional é difícil diferenciar

se essas massas são apenas cicatriz ou

se ainda existe o câncer. Com o exame de

PET/CT é possível distinguir e definir qual

pedaço deve ser retirado para a biópsia”,

afirma Dr. Juliano.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Lançada a 3ª versão do livro

“Procedimentos Básicos em

Microbiologia Clínica”

Carmen Paz Oplustil, sócia

da Formato Clínico, consultoria

especializada no desenvolvimento

de projetos de gestão para vários

segmentos de empresas de saúde,

e as autoras Cássia Maria Zoccoli,

Nina Reiko Tobouti e Sumiko Ikura

Sinto, lançam a terceira edição do

livro “Procedimentos Básicos em

Microbiologia Clínica”.

A obra traz uma visão atualizada

dos inúmeros processos diários de um laboratório

de microbiologia clínica e tem sido desde

sua primeira versão referência na obtenção de

resultados confiáveis e clinicamente relevantes.

Setor cresceu 12% e gerou 5 mil empregos

no primeiro semestre deste ano

Só em julho, foram criadas 457 novas vagas

O segmento de equipamentos médicos e para

diagnóstico laboratorial cresceu 12% no primeiro

semestre deste ano, comparado ao mesmo período

de 2009. A notícia mais animadora foi a geração de

mais de 5 mil empregos, de acordo com números do

Ministério do Trabalho.

O balanço do setor neste primeiro semestre mostrou

números ainda mais satisfatórios. As vendas continuaram

aquecidas, com índices superiores ao ano passado, na

casa dos 17%. O volume de importações, beneficiadas

pelo câmbio, teve um incremento de 29% nos primeiros

seis meses de 2010, se comparado ao ano anterior.

De acordo com Liliana

Perez, presidente da Câmara

Brasileira do Diagnóstico

Laboratorial, CBDL,

entidade que reúne mais

de 40 empresas que representam

mais de 70% desse

mercado, apesar de 2010 ser

um ano de eleições, o setor manteve seu aquecimento,

superando as expectativas. “O ponto mais positivo

deste superávit foi a criação de milhares de postos de

trabalho e a perspectiva ainda mais otimista até o final

do ano”, prevê Liliana.

Lab Tests Online: explicando os exames de

laboratório clínico

O Lab Tests Online, criado em

2001 pela American Association

of Clinical Chemistry (AACC), dos

Estados Unidos, beneficia hoje milhões

de pessoas em onze países

e, em agosto, chegou ao Brasil,

gratuitamente, via internet, em

versão brasileira autorizada,

através da Sociedade Brasileira

de Patologia Clínica, SBPC/ML, e

Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, CBDL.

A ferramenta apresenta para o público leigo a melhor

maneira de compreender os resultados de um exame de laboratório

e tira as dúvidas quanto à necessidade de fazê-los,

bem como a sua relação com inúmeras doenças. O objetivo é

fornecer informações confiáveis e avalizadas pelas entidades

que representam o setor no Brasil.

O Lab Tests Online também traz informações sobre os exames

genéticos, última fronteira da medicina que possibilita a individualização

de diagnósticos e consequente tratamento personalizado.

A SBPC/ML e a CBDL apresentaram o novo portal para a

mídia especializada em agosto, na sede da Associação Médica

Brasileira, com a presença do Dr. Carlos Alberto Franco

Ballarati, presidente da SBPC/ML, Liliana Perez, presidente da

CBDL, Dr. Murilo Rezende Melo, vice-diretor científico da SBPC/

ML, e Dr. Alvaro Martins, presidente do conselho da SBPC/ML.

A produção e desenvolvimento do Lab Tests Online-BR conta

com a participação permanente de médicos patologistas clínicos

com larga experiência. O portal não pretende substituir a prescrição

médica ao paciente, mas servir como uma fonte de auxílio

a profissionais e ao público leigo.

De acordo com o Dr. Murilo Rezende Melo, via de regra o

público leigo busca na internet informações sobre seus exames

e essa consulta aleatória, ou em sites sem referência médica

e científica, pode ser prejudicial já que as informações são

fragmentadas e, algumas vezes, até incorretas ou incompletas.

Desta forma, o Lab Tests Online-BR foi concebido especialmente

para que essa parcela da população compreenda o

significado dos nomes dos exames, sua finalidade, para quais

doenças eles se aplicam, como se preparar para fazer o exame

(por exemplo, se precisa ou não de jejum, se é necessário

colher a amostra em horários determinados), qual é o tipo de

amostra necessária (sangue, urina, fezes etc.) e como as amostras

são coletadas pelo técnico do laboratório (por exemplo,

por uma punção na veia do braço, ou em um frasco especial).

Os profissionais de saúde também encontram no portal

uma fonte atualizada e confiável para informar-se sobre

diversos exames laboratoriais, doenças e estados clínicos

relacionados.

Para saber mais:

www.labtestsonline.org.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


Investimento do Fleury em pesquisa já apresenta resultados

Novos produtos e melhorias em testes já existentes foram introduzidos no portfólio

Os recursos captados pelo Fleury junto à Financiadora de

Estudos e Projetos (FINEP), órgão vinculado ao Ministério da

Ciência e Tecnologia, e investidos em projetos de pesquisa

aplicada e desenvolvimento de novos produtos e novas metodologias

na área de Saúde, já começam a dar resultados.

A dosagem de testosterona por espectrometria de massas

(método muito mais sensível e acurado do que os métodos

convencionais) e a genotipagem do HPV por microarray (método

que permite a identificação simultânea de 24 diferentes

subtipos do vírus) estão entre os 46 novos produtos e melhorias

em testes já existentes que passaram a ser oferecidos

em 2010 aos clientes.

“Esses resultados reafirmam o comprometimento da empresa

com o desenvolvimento contínuo de projetos de pesquisa

e inovação em saúde, um dos diferenciais do Fleury”, afirma a

gerente de Pesquisa e Desenvolvimento, Jeane Mike Tsutsui.

Sede da empresa no Jabaquara, São Paulo

Merck Millipore inaugura novo centro tecnológico em São Paulo

O investimento em infraestrutura e aquisição de equipamentos foi de meio milhão de dólares

A Merck Millipore, divisão Life Science da alemã Merck

KGaA, inaugurou o Centro Tecnológico Latino Americano

(LATC) em Alphaville, Grande São Paulo. O novo centro, que

integra laboratórios com tecnologia de ponta e instalações de

treinamento, atenderá os laboratórios produtores de vacinas

e as indústrias farmacêuticas da região, ajudando a garantir

a segurança e eficácia dos seus processos.

“O LATC possibilitará que nossos clientes validem seus

processos de esterilização por filtração de acordo com normas

e exigências governamentais e regulatórias”, disse João Luiz

Buitron, Gerente Regional, América Latina, da Merck Millipore.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exigiu

que os laboratórios sejam inspecionados anualmente e comprovem

a eficácia e segurança de seus processos de filtração.

Essas exigências aumentaram as preocupações da indústria

em relação à validação dos processos de filtração de seus

produtos, que são executados através de procedimentos específicos

e ensaios laboratoriais.

“Esses processos asseguram que líquidos injetáveis estejam

livres de bactérias e impurezas e certificam a integridade

química e compatibilidade do filtro com o produto filtrado”,

explicou Roberto Takashi Uchimura, Gerente de Tecnologia de

Soluções para Processos da Merck Millipore.

“Antes, as amostras dos clientes eram enviadas para o nosso

centro de tecnologia biofarmacêutica nos Estados Unidos,

que pode ser um processo lento e oneroso”, disse Uchimura.

“A facilidade, praticidade e agilidade de um serviço local nos

permitirão atender um número ainda maior de clientes.”

O Centro Tecnológico Latino Americano recebeu meio milhão

de dólares em investimentos para sua infraestrutura e aquisição

de equipamentos. Os laboratórios realizam testes com o propósito

de validar a esterilização por filtração, fazem estudos para dimensionar

e otimizar sistemas de filtração, qualificam metodologias

de monitoramento microbiológico e fornecem treinamento na

utilização de sistemas de citometria de fluxo para análise celular

e, ainda, para a análise “Multiplex” de proteínas. As instalações

incluem ainda um auditório com capacidade para 60 pessoas.

A inauguração coincidiu com o 35 º aniversário de negócios

da Millipore no Brasil. A Millipore Corporation, agora parte da

Merck KGaA, foi fundada em 1954 e, em 1975, estabeleceu

uma subsidiária brasileira com sede em São Paulo. O escritório

com sede na área comercial de Alphaville há três anos, atende

aproximadamente 3.000 clientes.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Brasil inaugura décima unidade da

Rede BrasilCord em Porto Alegre

Rio Grande do Sul ganha primeiro Banco Público

de Sangue de Cordão Umbilical e eleva chances de

transplantes de medula

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre recebe a décima unidade da

Rede BrasilCord – de bancos públicos de sangue de cordão umbilical

e placentário. A ampliação da rede no país tem entre seus principais

objetivos aumentar as chances de realização de transplantes de medula

óssea. Nesse cenário, é fundamental a inauguração de um Banco Público

de Sangue no Sul do Brasil, em que parte expressiva da população

tem miscigenação europeia, predominantemente alemã e polonesa.

O investimento médio no banco de sangue de Porto Alegre foi de

R$ 3,5 milhões, e a unidade pode armazenar 3.600 bolsas de sangue

de cordão, com perspectiva de dobrar essa capacidade em até cinco

anos. Como os demais bancos já inaugurados no país, este também

foi viabilizado por meio de convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES) em 2008. A Fundação do

Câncer administra financeiramente o projeto, que é implementado em

parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Hoje, já estão em funcionamento no país nove bancos públicos

de sangue de cordão umbilical, sendo quatro em São Paulo, um no

Rio de Janeiro, um no Distrito Federal, um em Santa Catarina, um no

Ceará e um em Belém. Atualmente, o país conta com cerca de 7.500

unidades de cordão armazenadas.

O Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Hospital de Clínicas vai

coletar, testar, processar, armazenar e liberar células-tronco para a

realização de transplantes em pacientes que não dispõem de doador

aparentado (ou seja, em sua família). Assim, ampliam-se as chances

de realização de transplantes de medula óssea no Brasil.

O hematologista e hemoterapeuta João Pedro Marques Pereira,

chefe da Unidade de Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário

do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, ressalta que o uso de

sangue de cordão umbilical é uma terapia que cresce no mundo inteiro.

O diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer, Luiz Antonio

Santini, ressalta a importância da inovação tecnológica decorrente da

inauguração dos bancos de cordão. “É um incremento para a infraestrutura

local em pesquisa, além de enriquecer a rede com informações

genéticas que são características dessa região do país”, observa.

Criada em 2004, a Rede BrasilCord hoje é abastecida com material

genético de todas as regiões do país. A meta é atingir, até 2011, 13

bancos em todo o Brasil. “A miscigenação étnica da população brasileira

dificulta a localização de medulas para transplantes nos registros

de doadores voluntários existentes. A Rede BrasilCord torna-se estratégica

para facilitar as buscas”, afirma Luís Fernando Bouzas, diretor

do Centro de Transplante de Medula Óssea do INCA e coordenador

da Rede BrasilCord.

Para saber mais:

www.inca.gov.br

Fundação Cafu e Roche oferecem

testes gratuitos para Hepatite C

Campanha Procura-C, que já

passou pelas principais capitais

brasileiras, realiza 600 testes

com resultados imediatos

A Fundação Cafu recebeu, no dia 25 de setembro,

a campanha Procura-C, com apoio da

Roche, que realizou 600 testes gratuitos para

diagnóstico da Hepatite C. Os exames foram

realizados na sede da entidade, no Jardim Irene,

em São Paulo.

Por serem os testes de resultado imediato,

todos os pacientes com teste positivo foram

encaminhados para acompanhamento no Centro

de Referência e Treinamento DST/Aids (CRT)

Santa Cruz, sob a supervisão do Dr. Dimas

Carnaúba Junior.

Hepatite C infecta 170 milhões no mundo

- Popularmente conhecida como “doença

silenciosa”, a hepatite C raramente apresenta

sintomas e pode não se manifestar no organismo

por mais de 20 anos. Cerca de 90% dos

infectados não sabem que estão com a doença e

só descobrem quando o problema já está muito

avançado, podendo apresentar quadros graves

como cirrose ou câncer.

De acordo com estimativas da Organização

Mundial da Saúde (OMS), cerca de 170 milhões de

pessoas em todo o mundo estão infectadas pela

hepatite C. A doença é hoje a principal causa de

transplantes de fígado no Brasil.

O vírus HCV, causador desta forma da doença,

é transmitido pelo contato com sangue contaminado.

As formas mais comuns de contágio

são o uso de agulhas e seringas compartilhadas

e a manipulação com materiais contaminados

que cortem ou perfurem a pele, como lâminas,

bisturis e alicates.

Além disso, todas as pessoas que receberam

transfusão de sangue antes de 1992, inclusive

transplantados, podem estar infectadas. Antes

dessa data, o sangue das doações não era analisado

para detecção desta forma de hepatite.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado

são dois fatores importantes para a recuperação

dos pacientes com hepatite C. Cerca de

20% dos infectados eliminam o vírus espontaneamente.

Entre os 80% restantes, quase dois

terços se recuperam se tratados corretamente.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Genética é uma das áreas mais prejudicadas pelos planos de saúde no Brasil

Algumas operadoras pagam só uma pequena parte ou sequer realizam

o pagamento aos prestadores de serviço

Uma pesquisa recente do Datafolha,

encomendada pela Associação Paulista

de Medicina (AMP), aponta que 93% das

operadoras de planos de saúde interferem

em sua autonomia no exercício da medicina.

Segundo os médicos entrevistados, as

empresas de planos e/ou seguros de saúde

promovem ainda interferência na relação

com os pacientes, pressões para redução

de internações, de exames e outros procedimentos.

Na pesquisa foram ouvidos médicos de

todas as especialidades, todos cadastrados

no Conselho Federal de Medicina (CFM) que

atendam a planos ou seguros de saúde

particulares e tenham trabalhado com, no

mínimo, três planos ou seguros-saúde nos

últimos cinco anos.

Segundo a Sociedade Brasileira de

Genética Médica (SBGM), uma das especialidades

mais prejudicadas é a própria

Genética, para a qual os planos impõem

maiores restrições aos médicos e pacientes.

“Isso acontece porque existem exames

de genética que são considerados de alto

custo pelas operadoras. Porém, todos

independente do custo ser baixo ou alto,

são de cobertura obrigatória por todos os

planos de saúde, contanto, é claro, que

haja uma indicação clínica adequada para a

solicitação destes exames ou procedimentos

terapêuticos”, explica o geneticista Dr.

Salmo Raskin, da SBGM.

Dr. Salmo diz ainda que ao não aceitar

os reajustes nos valores das consultas,

exames e procedimentos terapêuticos, as

operadoras fazem com que a pequena rede

de prestadores de serviços nesta área se

desestimule. “Quem sai perdendo é principalmente

o usuário”, conclui.

Entre as principais dificuldades impostas

aos pacientes, está o fato de eles serem

muitas vezes informados erroneamente

que seu plano não tem cobertura de genética

médica, quando todos obrigatoriamente

têm, além de também serem direcionados

para atendimento por médicos que aceitam

pressões para não solicitar exames ou procedimentos

terapêuticos.

Segundo Dr. Salmo, o que é mais comum

acontecer é os auditores de certos

planos determinarem que os pacientes

têm uma doença pré-existente quando os

pacientes nem sequer sabiam que tinham

uma determinada doença quando assinaram

contrato com a operadora de plano de

saúde. “As doenças genéticas são determinadas

no momento da fecundação, ou seja,

nove meses antes do nascimento”, diz.

Além disso, na maioria das vezes, o

paciente tem uma enorme dificuldade

para conseguir a liberação de exames e

procedimentos e é direcionado para realizar

exames ou procedimentos terapêuticos no

prestador de serviço mais barato. “Não por

coincidência, geralmente o que tem menor

controle sobre a qualidade destes exames

e procedimentos terapêuticos”, diz o especialista.

“A consequência é a necessidade

frequente de repetições destes exames,

gerando mais demora no diagnóstico e

problemas para os usuários”, explica o

especialista.

Para tentar reduzir o conflito direto com

os usuários de planos de saúde, algumas

operadoras concordam que os procedimentos

sejam realizados, mas algumas pagam

só uma pequena parte ou sequer realizam

o pagamento aos prestadores de serviço.

Com isto, o foco do conflito é deslocado do

eixo usuário/operadora para o eixo operadora/prestador,

sendo que a operadora

tem muito mais poder de pressão sobre um

prestador de serviço do que sobre o usuário,

que afinal, é o cliente da operadora.

Para o Dr. Salmo Raskin, a melhor

saída para impedir essas dificuldades aos

pacientes é a Agência Nacional de Saúde

Suplementar passar a fiscalizar estas situações,

sempre com rapidez e imparcialidade

nas avaliações das denúncias que são

feitas à entidade, não somente impedindo

aumentos por parte das operadoras, mas

punindo exemplarmente.

Para saber mais:

Sociedade Brasileira de

Genética Médica (SBGM)

www.sbgm.org.br

Roche Diagnóstica tem novo diretor de Finanças e Serviços

O suíço/mexicano Rodrigo Diaz de Vivar, que atuava como gerente de auditoria

na sede da empresa, na Suíça, chega ao Brasil para mais um desafio profissional

Rodrigo Diaz de Vivar acaba de chegar

para o time da Roche Diagnóstica no Brasil.

O profissional assumiu, em junho de 2010,

a função de Diretor de Finanças e Serviços

da empresa. Respondendo diretamente à

presidência, o executivo assumirá as áreas

de Finanças e Serviços, que englobam

Controladoria, Planejamento Financeiro e

de Serviços, Logística e Suprimentos, Serviços

ao Cliente, Compras, Infraestrutura e

Tecnologia da Informação.

Rodrigo iniciou sua carreira na Roche

no Grupo de Auditoria Interna, na

Suíça, em abril de 2007. Durante esses

três anos, o engenheiro participou de

processos de auditorias corporativas

nas áreas de manufatura e órgãos

corporativos na sede do Grupo Roche,

em Basileia (Suíça), e em afiliadas da

empresa na Europa e América Latina.

Antes da Roche, Rodrigo atuou

por mais de três anos como auditor

externo na PricewaterhouseCoopers,

também na Basileia.

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NewsLab - edição 102 - 2010


DASA tem a recertificação do CAP e reforça sua excelência na realização de exames

Maior empresa de medicina diagnóstica

na América Latina e quarta maior do segmento

no mundo, a DASA conquista por

mais dois anos o certificado internacional

de qualidade concedido pelo Colégio Americano

de Patologia (CAP), uma das principais

instituições certificadoras de laboratórios

clínicos em todo o mundo.

A acreditação, válida para as marcas

da DASA em São Paulo - Delboni Auriemo,

Lavoisier e Club DA Medicina Diagnóstica -

audita o processo produtivo e a qualidade

analítica dos exames, além do sistema de

segurança de informação, aquisição de materiais,

unidades de coleta, áreas técnicas

e setores de suporte.

Segundo Fabiana Barini, diretora

de Processos e Qualidade da DASA, a

companhia tem um imenso orgulho em

anunciar a renovação do certificado CAP.

Além de ser uma das primeiras instituições

a receber essa certificação no mercado

brasileiro de medicina diagnóstica,

é a quinta vez consecutiva que a DASA

recebe a acreditação. “O CAP é muito

importante para o nosso negócio. A cada

processo de renovação somos avaliados

em novos critérios e conquistar a aprovação

reforça a qualidade dos serviços

oferecidos e o orgulho dos colaboradores

de pertencerem à empresa.”, comenta

Fabiana.

A qualidade no atendimento e na prestação

de serviços de medicina diagnóstica

da DASA é atestada por diversas acreditações

de renomados órgãos nacionais e

internacionais de qualidade. Em São Paulo,

a companhia é certificada pela ISO 14001,

ISO 9001, OHSAS 18001, pelo Programa de

Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC)

e também pelo National Glycohemoglobin

Standartization Program (NGSP).

“Esta renovação do CAP em conjunto

com as demais certificações da DASA

concede também maior segurança e confiabilidade

aos nossos clientes, que buscam

cuidar da saúde e realizar exames em instituições

renomadas, que possam garantir

maior qualidade nos laudos de resultados”,

acrescenta a diretora.

Sobre a DASA - A DASA é a maior

empresa de medicina diagnóstica na América

Latina em termos de receita bruta e

população e a quarta maior rede no mundo.

Com mais de 11,5 mil colaboradores, atende

aproximadamente 55 mil pacientes por

dia em 322 unidades. Processa em média

10 milhões de exames por mês.

Oferece mais de três mil tipos de exames

de análises clínicas e diagnóstico por

imagem. Atualmente, o grupo é formado

por 18 marcas em 12 estados brasileiros

e no Distrito Federal – Delboni Auriemo e

Lavoisier (SP), Bronstein, Lâmina e MedImagem

(RJ); Club DA (RJ e SP); Pasteur e

Exame (DF), MedLabor (TO), Frischmann

Aisengart e Álvaro (PR), CientíficaLab (ES,

MG, RJ e SP), Image Memorial (BA), Lâmina

(SC), Atalaia (GO), Cedic e Cedilab (MT)

e LabPasteur e Unimagem (CE).

*Informações atualizadas de acordo com

os resultados do 2T10.

BCRI alavanca a pesquisa clínica no país

Com apoio do Duke Clinical Research Institute, BCRI ganha sede

própria e sedia curso de Master of Health Science

No dia 16 de setembro foi inaugurada, em São Paulo, a nova

sede do Brazilian Clinical Research Institute (BCRI). Fundado

em 2009, o BCRI é uma instituição sem fins lucrativos que

trabalha junto aos mais conceituados centros de pesquisa do

Brasil, coordenados por profissionais de ponta que possuem

experiência comprovada em pesquisa clínica, área de atuação

que desponta nos dias de hoje.

Um dos principais centros vinculados ao BCRI é o Centro de

Pesquisa Clínica das Disciplinas de Clínica Médica e Cardiologia

da Unifesp (CPCMC). Recém-inaugurado, mas já em franca

atividade, possui mais de 20 estudos em andamento e estrutura

de última geração para a realização de pesquisas clínicas.

O Brazilian Clinical Research Institute tem como meta colaborar

para a melhoria da saúde, qualidade de vida e dignidade

da pessoa humana, gerando assim, conhecimento por meio

de pesquisa em diversos segmentos, sempre com vistas na

melhoria da saúde dos cidadãos.

“O BCRI representa uma grande oportunidade para o

país, que ganha, ao mesmo tempo, um instituto completo, a

mais alta tecnologia da informação e um novo paradigma na

pesquisa clínica, que passa a ser institucionalizada”, revela o

Prof. Antonio Carlos Lopes, que preside o BCRI.

A entidade nasceu e foi estruturada em interface com o

Duke Clinical Research Institute (DCRI), da Duke University

(EUA). Após passar por auditoria da universidade norte-americana,

fato inédito no país, o Instituto foi reconhecido como

o braço da Duke no Brasil, comprovando a elevada qualidade

na condução dos estudos clínicos já realizados, ou em andamento,

e nivelando-se aos principais centros internacionais

equivalentes.

Master of Health Science, Duke University - Também

fruto da parceria com a universidade norte-americana, o BCRI

em sua nova sede irá promover o curso de Master of Health

Science, que hoje é ministrado na Duke University e será

também transmitido no Brasil via teleconferência.

“Prova do imenso respeito daquela instituição pelo trabalho

que vem sendo feito no Brasil, e também pelo grande profissionalismo

e potencial, teremos o privilégio de sediar a aula

inaugural da próxima turma, que será então transmitida para

vários estados americanos e demais países que oferecem o

curso”, revela o Prof. Antonio Carlos Lopes.

Para saber mais:

www.bcri.org.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


Biometrix

oferecendo soluções porque, afinal, a vida não pode esperar

34

NewsLab - edição 101 102 - 2010


Atuando no mercado diagnóstico desde 1990, a empresa

preza pela qualidade e atualidade, buscando sempre oferecer

o que há de mais avançando na sua área de atuação

Serviço, rapidez, segurança

e soluções de ponta. Com

uma equipe de profissionais

com mais de 20 anos de experiência

no mercado de reagentes para

diagnóstico e equipamentos laboratoriais,

a Biometrix entende a qualidade

como referencial e realiza, em

laboratório próprio, testes internos

de validação garantindo a qualidade

dos produtos que comercializa.

Para tanto, é representante exclusiva

do Q PCR Alert Kit Chlamydia

trachomatis, da Nanogen, realizado

com PCR em tempo real. A infecção

por C. trachomatis constitui a

doença sexualmente transmissível

(DST) mais comum em países

desenvolvidos. A estimativa publicada

pela Organização Mundial

da Saúde (OMS) e pelo Center of

Disease Control (CDC), em 2005,

prevê 50 milhões de novos casos/

ano no mundo e 4 milhões/ano nos

EUA, infectando 9% das mulheres

e 14% das adolescentes. No Brasil,

os dados são mais escassos, e a

estimativa publicada em 2001 pela

Coordenação Nacional de DST/

AIDS foi de 1,6 milhões de casos

diagnosticados naquele ano, dado

subestimado pela inclusão somente

de pacientes sintomáticos que buscaram

atendimento na rede pública.

O grande problema da infecção

por Chlamydia trachomatis é a morbidade

e o custo a ela associados.

Entre as mulheres com infecção

do trato genitourinário baixo, 20%

desenvolvem doença inflamatória

pélvica (DIP), 4% dor pélvica tificação de anticorpos têm a des-

PCR). “Os testes baseados na iden-

crônica e 3% infertilidade. Essa vantagem da baixa sensibilidade e

infecção é a principal causa prevenível

de infertilidade e também é imunofluorescência direta depende

baixa especificidade diagnóstica. A

causa importante de complicações do treinamento do técnico, porém

gestacionais.

tem a desvantagem de apresentar

A infecção por Chlamydia trachomatis

apresenta todas as característivos)

além de exigir cuidados para

ligações inespecíficas (falsos-positicas

que justificam uma estratégia com a amostra e rapidez entre colheita

e análise, o que muitas vezes

de “triagem populacional” com o

objetivo de reduzir a morbidade e o compromete o resultado”, explica.

custo decorrente das complicações O sucesso do tratamento de

tardias. A estratégia de triagem infecções geralmente subclínicas

dessas infecções pode reduzir em e com alta morbidade, como as

até 56% a incidência de doença causadas pela C. trachomatis,

inflamatória pélvica.

depende de uma ótima estratégia

Segundo a doutora em patologia,

especialista em diagnóstico utilização da PCR em tempo real

diagnóstica. “O custo-benefício da

genético e molecular e especialista para este diagnóstico é inequívoco,

em histocompatibilidade, Tatiana evitando estigmas e tratamentos

Michelin, existem diversas metodologias

diagnósticas: imunofluote,

promovendo a prevenção da

desnecessários, mas, principalmenrescência

direta e indireta, imunoensaio

enzimático e identificação do cionais e neonatais desfavoráveis”,

infertilidade e de desfechos gesta-

ácido nucleico (biologia molecular, comemora Tatiana.

Detalhe da sede da empresa, em Curitiba

NewsLab - edição 102 - 2010

35


Foco no cliente

Produtos de acordo com as Boas

Práticas de Fabricação

Com base nos resultados de um

estudo com 2.500 alunas de 16 a

27 anos de idade, pesquisadores da

Universidade de Londres concluíram

que as mulheres devem ser examinadas

para detectar a presença de

clamídia - que pode levar à doença

inflamatória pélvica e à infertilidade

- cada vez que mudam de parceiro.

O trabalho foi publicado no periódico

British Medical Journal.

A clamídia é a DST mais comum

no Reino Unido e entre adolescentes

americanas. Quando o tratamento

é realizado precocemente, torna-se

possível reduzir a probabilidade de

uma doença pélvica em até 80%.

O teste Q PCR Alert Kit Chlamydia

trachomatis, representado

no Brasil pela Biometrix, oferece

resultados em menos de 6 horas e

faz com que o tratamento seja ágil e

focado na causa, diminuindo o risco

de avanço da doença.

Lançamentos

Com o objetivo de estar à frente

dos lançamentos e tecnologias

inovadoras do mercado mundial de

diagnóstico, em 2010 a Biometrix

lançou o Departamento de Desenvolvimento

de Produtos, trazendo

sempre soluções de ponta para

seus clientes.

Sala para reciclagem e treinamento

A atenção ao futuro é a base

da cultura de inovação, por isso as

ações do Departamento baseiamse

na busca constante pelo novo

e na identificação de tendências

tecnológicas que se constituam em

negócios. Para cada produto lançado

no mercado mundial é instituída

uma equipe especializada que irá

gerenciar o projeto e avaliar diversos

fatores, como a viabilidade de investimento,

inovação, oportunidade de

mercado, custo-benefício, logística

de fornecedores e aplicação do produto,

visando atender as necessidades

dos clientes da empresa. É

relevante destacar ainda que, antes

do lançamento, todos os produtos

são testados rigorosamente no laboratório

próprio da Biometrix.

O novo Departamento procura

e avalia lançamentos de produtos

de diagnóstico e busca estabelecer

parcerias com produtos inovadores

e empresas que tenham os mesmos

objetivos e padrão de qualidade

oferecidos pela Biometrix.

Deste modo, todos os produtos

incorporados na representação da

Biometrix estão de acordo com as

Boas Práticas de Fabricação exigidas

pela Anvisa. São produtos com

tecnologias inovadoras, agregando

diferenciais imprescindíveis no tratamento

de seus clientes.

Com abrangência nacional, a

Biometrix atua de forma comercial

regionalizada com atendimento do

Suporte Técnico Científico (STC)

segmentado por linha de produtos,

identificando as necessidades específicas

de cada região e cliente,

determinando estratégias, otimizando

tempo, agilizando processos

e garantindo o melhor atendimento

especializado para cada cliente.

Esse modelo de negócio já mostra

bons resultados para a empresa.

O foco está sempre no cliente,

que conta com um atendimento

exclusivo na empresa. O cliente é

acompanhado pelo seu atendimento

exclusivo, otimizando o tempo de

atendimento, já que cada contato

conhece a trajetória do cliente dentro

da empresa. “Reestruturamos

o famoso STC e passamos a atuar

com vendedores consultivos segmentados

por linha. Cada vendedor

consultivo passou, então, a contar

com um suporte técnico e dois

cientistas para atender seus clientes”,

explica o diretor da empresa,

Hallison Passos de Almeida. “Assim,

cada cliente passou a contar com

apenas um contato na empresa.

Com isto, agilizamos todo o atendimento

e aumentamos nosso índice

de satisfação do cliente”, completa.

Atuando no mercado diagnóstico

desde 1990, a empresa preza pela

qualidade e atualidade e oferece

atendimento in loco para todo o país

em até 24h. A cada dia são apresentadas

novas tecnologias no mundo e

a Biometrix busca sempre oferecer

o que há de mais avançando na sua

área de atuação. Por conta disso,

36

NewsLab - edição 102 - 2010


a empresa se compromete com a

atualização de seus colaboradores

através de workshops, congressos,

treinamentos em laboratório

próprio, implementação de novas

metodologias e muito mais.

Presença global

Problemas de saúde não escolhem

quem, nem onde, nem

quando. Por isso, a Biometrix está

presente em todo território nacional,

seja para vendas ou serviços

especializados. Com sede em Curitiba

(PR), a Biometrix possui uma

equipe completa para o atendimento

ao cliente, que conta com atendimento

e soluções em até 24 horas:

seja para apoio técnico, comercial

ou laboratorial. Afinal, a vida não

pode esperar.

Para oferecer ainda mais possibilidades

para os negócios, a

Biometrix conta com laboratório de

pesquisa exclusivo que visa geração

de conhecimento e otimização dos

produtos comercializados. Treinando

e capacitando profissionais, o

laboratório realiza um grande trabalho

de pesquisa e acompanhamento

dos protocolos, sanando todas as

dúvidas que possam surgir antes,

durante e após os procedimentos.

Através deste, a Biometrix também

presta consultoria para laboratórios

comerciais, estando à disposição

Equipe Biometrix

para atender demandas externas. É

a Biometrix à frente do mercado na

busca por soluções que melhorem

a qualidade de vida.

Representações

A Biometrix é representante

exclusiva de todas as marcas e produtos

com que trabalha. A empresa

oferece mais serviços, rapidez e segurança,

além de produtos de ponta

e com qualidade comprovada. Conheça

as principais representações:

• One Lambda

Pioneira na área de HLA (Human

Leucocyte Antigen), a One Lambda é

uma empresa norte-americana que

produz reagentes e equipamentos

utilizados na tipagem HLA. Esta

tipagem é de extrema importância

para a seleção de células-tronco hematopoiéticas

e de órgãos sólidos. A

One Lambda trabalha também com

a linha de reagentes para determinação

do Painel Reativo de Anticorpo

utilizado em pré e pós-transplante.

• Nanogen

Pioneira no desenvolvimento

de diagnóstico em biologia molecular

por PCR em tempo real, a

Nanogen é uma empresa italiana

que produz e comercializa kits

e reagentes para detecção de

agentes infecciosos e alterações

genéticas humanas associadas a

diferentes patologias, dando destaque

às doenças infecto-contagiosas

relacionadas a transplante.

• Biopur

Kit para extração de DNA e

RNA, Biopur é uma metodologia

com procedimento seguro e rápido.

Atendendo tanto amostras de

sangue fresco quanto congelado,

não apresenta risco de erro.

• Inova

Para diagnóstico de doenças

autoimunes, a linha Inova

oferece kits para detecção de

doenças gastrointestinais, doenças

do fígado, coagulação,

artrite reumatoide e disfunções

no tecido conjuntivo.

NewsLab - edição 102 - 2010

37


A transfusão de sangue

no Brasil é insegura

Por: Dr. Carmino Antonio de Souza

O

Brasil vai mal de saúde. Os

recursos oferecidos à população

não são compatíveis

ao atual estágio de desenvolvimento

econômico do País. Embora tenhamos

o oitavo maior PIB do mundo,

os investimentos em saúde ainda

são baixos se comparados a países

com desenvolvimento social e econômico

inferior ao nosso, casos do

Caribe e de países vizinhos como

Argentina, Uruguai e Chile, para citar

apenas alguns exemplos. Os Estados

Unidos aplicam US$ 5 mil per capita/

ano na saúde, os europeus e o Canadá

entre US$ 2,5 mil e US$ 3 mil,

enquanto no Brasil o número chega

a US$ 300 per capita/ano. O pior é

que os recursos são concentrados

demasiadamente na área de custeio

e de pessoal.

Essa tímida aplicação de recursos

impacta de várias formas:

na qualidade da assistência, no

retardo da incorporação de novas

tecnologias, tanto na área diagnóstica

quanto na terapêutica, assim

como na área de investigação de

saúde. Hoje, no Brasil, este tema

tem se destacado principalmente

nas universidades públicas. Mais da

metade da produção científica é feita

em três universidades paulistas,

que recebem apoio da Fundação de

Amparo à Pesquisa no Estado de

São Paulo (FAPESP) e, parcialmente

do CNPQ. Uma das áreas mais

atingidas pelo descaso dos governos

é a hematologia. Até hoje não

conseguimos resolver o problema

dos hemoderivados e aumentar a

segurança nas transfusões.

O Brasil é altamente dependente

de hemoderivados importados.

Gasta entre US$ 180 milhões e

US$ 200 milhões por ano, para

subtratar seus pacientes, principalmente

os hemofílicos, que recebem

os fatores 8 e 9, entre outros. Em

função dessa situação temos uma

redução importante no uso de imunoglobulinas,

de linfoglobulinas e

de albumina. Um dos critérios que

caracterizam os países avançados

na área da saúde é a quantidade

de albumina per capita, utilizada

na assistência médica. No Brasil

esse índice é baixíssimo. A questão

dos hemoderivados é crítica.

A Hemobrás, que foi criada pelo

Governo Federal com esse objetivo,

lamentavelmente, não passa hoje

de um grande terreno vazio, um

grande escritório burocrático. Tem

orçamento anual espetacular que

não tem servido as suas finalidades.

Nenhum de nós nunca viu um

“frasquinho” de um hemoderivado

com a inscrição “Hemobrás”.

40 NewsLab - edição 102 - 2010


Outro ponto nessa área que

considero crítico é a não introdução

do teste NAT (sigla em inglês para

Teste de Ácido Nucleico) como medida

para controlar as transfusões no

Brasil. O exame encurta o prazo de

detecção dos vírus HIV e da Hepatite

C no sangue doado, em suas janelas

imunológicas. Hoje, com a utilização

dos testes por técnica Elisa, o vírus

HIV pode ser detectado em aproximadamente

22 dias após a infecção.

Com o NAT, esse período cai para

próximo de sete dias. No caso da

hepatite C, a técnica reduz o intervalo

de 70 para 11 dias, em média.

A adoção do teste já consagrado

em países desenvolvidos colocaria o

Brasil no grupo de nações da Europa

Ocidental, América do Norte e Ásia

que seguem um padrão rigoroso de

controle do sangue, hemocomponentes

e hemoderivados.

Com o NAT proporcionaremos

maior segurança aos pacientes. Hoje,

a transfusão brasileira é insegura e,

lamentavelmente, há quase dez anos

o governo reluta em não criar mecanismos

de introdução dessa tecnologia

para controlar a transmissão de

infecções pelo sangue. A Associação

Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

(ABHH) acompanha com muita

preocupação a demora na distribuição

do NAT no país. Na década de 1980

também houve demora na implantação

do teste Elisa, o que gerou um

grave problema social com aumento

expressivo de infecções pelo vírus HIV

durante as transfusões. O governo

cometeu um erro no passado que

não pode continuar repetindo agora,

sob pena de ser responsabilizado em

várias instâncias.

Infelizmente, todos os dias

no Brasil, alguém está se contaminando

pela falta do NAT e eu

imagino que, por exemplo, no meu

Centro em Campinas (Unicamp)

que faz aproximadamente 10 a 15

mil transfusões por mês, onde a

probabilidade de contágio é de um

paciente a cada trimestre. Isso é

inaceitável porque a tecnologia é

disponível no Brasil. O custo é mais

alto que o do Elisa, mas muito inferior

ao tratamento de um paciente

contaminado, muito inferior ao

custo de perda de vidas que podem

ser poupadas. O teste Elisa apesar

de ser extremamente bom, diria um

dos melhores que a humanidade já

desenvolveu, não oferece a mesma

segurança. O programa de transfusão

no Brasil perdeu a prioridade.

Não há programas e investimento

de capital orgânico, de modo que a

hemoterapia brasileira não vai bem.

Para propor soluções para melhorar

a segurança das transfusões,

entre outros temas, faremos em

conjunto entre a ABHH e a Associação

Médica Brasileira (AMB), em São

Paulo, um simpósio denominado “A

Hemoterapia que queremos”, que

é para balizar aquilo que os especialistas

julgam fundamental para

desenvolver uma hemoterapia de

qualidade. Esse dilema, essa falta de

priorização ocorre nas áreas pública

e privada.

A saúde é uma área órfã do Governo

Federal. Pela Constituição de

1988, a saúde estaria dentro do orçamento

da seguridade social. Então,

35% do orçamento da seguridade

social deveriam ser destinados para

este setor, o que não ocorre. A Emenda

29, ainda não aprovada “carimba”

os recursos para a saúde. É claro que

o Governo não quer isso, nenhum

governo gosta de congelar recurso.

À medida que se gasta menos do

que está na lei se incorre em crime

de responsabilidade.

Quando analisamos a aplicação

de recursos por meio das prefeituras

e dos governos estaduais, vemos que

há um enorme esforço. Muitas prefeituras

hoje aplicam 30% dos seus

orçamentos. Os governos estaduais

têm a obrigatoriedade, particularmente

em São Paulo, de aplicar 12%

do orçamento em saúde. O Governo

Federal não. Parece estar acima de

tudo e de todos.

Dr. Carmino Antonio de Souza

é médico, professor titular

da Unicamp e presidente

da Associação Brasileira de

Hematologia e Hemoterapia

(ABHH). Foi secretário da

Saúde de São Paulo no

governo Luiz Antonio Fleury

Educação, saúde e segurança pública

são ótimos temas para ganhar

eleição, mas depois, os que vencem

os pleitos, procuram se livrar do que

classificam como “gastos”. Se a expectativa

de vida no Brasil aumentou

mais de 50% nos últimos 50 anos é

porque a saúde deu uma extraordinária

colaboração. O Brasil hoje

se destaca pela qualidade dos seus

médicos, dos seus trabalhadores da

área da saúde, que poucos países no

mundo têm. Acho que o Brasil tem

hoje um nível assistencial comparável

ao do primeiro mundo, mas sem

a mesma estrutura. Tem que haver

um esforço para acertar as despesas

correntes, do dia a dia. É necessário

um investimento expressivo de capital

para reformar, construir e aparelhar

as diversas unidades de saúde

que, ao longo do tempo, ficaram

extremamente sucateadas. O brasileiro

merece ter acesso às modernas

tecnologias e aos tratamentos de

última geração disponíveis. O desenvolvimento

econômico não pode estar

dissociado da evolução na qualidade

da saúde oferecida à população.

NewsLab - edição 102 - 2010

41


Novidade Abbott: Accelerator Automated Processing System (APS)

Dedicado à melhoria do processo, redução

de custos operacionais, redução do

tempo de liberação de resultados (TAT) e

otimização da produtividade nos laboratórios,

a Abbott Diagnostics apresenta o

Accelerator - Automated Processing Systems

(APS).

Accelerator é um sistema de automação

total do processo laboratorial, incluindo

todas as etapas pré-analítica, analítica e

pós-analítica, criando uma solução única

e completa de automatização e oferecendo

melhorias em custos, produtividade e

eficiência.

Accelerator configurável

Accelerator é altamente configurável,

flexível e composto por

hardware (módulos e analisadores

Architect) e software (middleware

Instrument Manager).

Os componentes Accelerator

(módulos e analisadores) disponíveis

atualmente são:

• Etapa pré-analítica: Módulo Entrada e

Saída, Módulo Centrífuga e Módulo Destampador

• Etapa analítica: Carregador RFID, Esteira

Transporte, Analisadores Architect

Bioquímica (Architect c8000 e Architect

c16000), Analisadores Architect Imunoensaio

(Architect i2000SR), Conectores LAS

(Architect-Track)

• Etapa pós-analítica: Módulo Selador

Tubo, Módulo Soroteca Refrigerada, Módulo

Deselador

Com o Accelerator, a empresa desenvolve

projetos e soluções customizáveis para

as necessidades e objetivos do laboratório.

Accelerator Workcell

Considerando que cada laboratório

apresenta um processo específico, assim

como necessidades e objetivos diferentes,

a Abbott Diagnostics propõe um plano para

desenvolvimento do projeto de automação

laboratorial Accelerator:

• Projeto Workflow Analysis: conhecimento

do processo e identificar oportunidades

• Desenvolvimento solução Accelerator:

simulação da capacidade produtiva e layout

• Projeto Accelerator: implantação da solução

Accelerator

: brazil_add_marketing@abbott.com

Labtest segue investindo em Pesquisa e Desenvolvimento

e lança novos produtos e equipamentos

A Labtest continua investindo na ampliação

do seu portfólio de produtos e está

apresentando ao mercado novos reagentes

e analisadores. Uma das novidades é o

Lactato Liquiform da linha bioquímica. A

determinação da concentração do lactato no

sangue auxilia na avaliação da oxigenação

dos tecidos. Após atividades físicas intensas,

o lactato aumenta consideravelmente

e, por isso, o teste também é utilizado para

monitorar o desempenho de atletas.

O novo Cloretos Liquiform foi desenvolvido

especialmente para aplicação em

automação. A alteração da concentração de

cloretos nos fluidos corporais pode indicar,

por exemplo, distúrbios metabólicos, fibrose

cística e nefropatias.

Buscando sempre a inovação tecnológica,

a Labtest lança um novo produto para o

controle da qualidade da água deionizada.

Trata-se do Silicato MA, produto de baixo

custo e alta eficácia na determinação da

presença da sílica em amostra de água,

cujo controle é essencial para garantir

confiabilidade aos resultados das análises

nos laboratórios.

A Labtest também apresenta novidades

na linha de Uroanálises: o novo Uriquest

Plus possui, a partir de agora, mais uma

área reagente - o ácido ascórbico; totalizando

11 parâmetros. A nova tira detecta

a presença de ácido ascórbico que, como

se sabe, pode interferir na determinação de

nitrito, bilirrubina e glicose.

O Diretor de Inovação e Tecnologia, Dr.

Márcio Basques, destaca que “a Labtest se

dedica há quatro décadas ao aprimoramento

contínuo de seus produtos e serviços”.

E é buscando apresentar sempre soluções

cada vez mais eficazes que a Labtest acaba

de lançar dois modernos analisadores

semiautomáticos para a leitura de tiras de

urina: o Uriquest R100 e o Uriquest R500,

com capacidade para medir até 120 ou até

500 pacientes/hora, respectivamente.

Além de eliminar a subjetividade inerente

da leitura visual, os equipamentos são

compactos, possuem alta performance e

dispõem de software amigável, impressora

integrada, sistema de alerta ao operador

sobre resultados alterados, podendo ser

acoplados a um leitor de código de barras e

facilmente conectados ao sistema de gestão

da informação do laboratório.

É o rigor científico e metodológico que

torna a marca Labtest reconhecida nacional

e internacionalmente. Uma empresa

presente em todos os estados do Brasil,

na América Latina e em países da África

e da Ásia.

: 0800 0313411

: sac@labtest.com.br

: www.labtest.com.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


AR.SMS é forma mais eficaz e moderna de comunicação com os pacientes

Para um centro de diagnósticos moderno,

ganhar agilidade é uma forma eficaz

de otimizar resultados. Ao simplificar

processos rotineiros ganham-se tempo

e recursos que podem ser utilizados de

forma mais proveitosa, centrando esforços

num atendimento mais completo,

ou mesmo emprestando maior atenção

aos procedimentos que resultam efetivamente

na qualidade dos resultados

oferecidos pelo laboratório.

Buscar soluções efetivas e conferir

mais qualidade e agilidade aos laboratórios,

hospitais e clínicas do país, esse

tem sido o trabalho da empresa AR

Informática.

Com o AR.SMS o envio de informações*

aos pacientes ocorre de forma

muito mais segura e prática. De forma

simples e eficaz, o laboratório passa a

oferecer mensagens importantes como a

disponibilidade de resultados, e a necessidade

de novas coletas, diretamente no

celular dos pacientes, através de mensagens

sms.

O AR.SMS é uma ferramenta simples e

moderna, que torna a comunicação entre

pacientes e laboratórios muito mais moderna,

e totalmente integrada à era da internet.

Principais vantagens do software

AR.SMS:

• Envio de mensagens sms que alertam o

paciente sobre a disponibilidade de seus

resultados.

• Mais agilidade na entrega dos resultados

• Possibilidade de aviso sobre a necessidade

de realizar novas coletas

• Alta tecnologia que integra seu laboratório

à internet, de forma plena

A AR Informática trabalha para levar a

seus parceiros ferramentas que garantam

o aproveitamento máximo do potencial

de laboratórios de todo o Brasil.

*Obs.: O envio das informações estará

sujeito à contratação de um provedor de SMS

por parte do usuário do software.

: (11) 4193-8885 / 4193-8617

: www.ar.inf.br

Randox lança no mercado novos

Controles de Qualidade

A Randox Laboratories é um das maiores fabricantes

de controle de qualidade do mundo. O Acusera, como é

chamada a linha de controle, atualmente abrange mais de

290 parâmetros e vem se expandindo com a introdução de

vários Controles de Qualidade novos.

O controle de qualidade Randox garante ótima performance

e certifica que seus resultados têm alta qualidade

e confiabilidade. De fato, os controles da Randox são bem

conhecidos pela alta qualidade e precisão, estabilidade e

consistência dos seus controles no mercado.

Os novos controles incluem: Coagulação, Triagem maternal,

Bioquímica Premium, Imunoensaio Premium e Premium

Plus, Controles Especiais, Marcadores Tumorais e HbA1c.

Os Controles de Qualidade Randox são descritos como o

verdadeiro controle de terceira opinião, pois não são desenvolvidos

ou otimizados para uso específico em nenhum tipo

de instrumento, calibrador ou reagente.

A Randox também pode fornecer Controle de Qualidade

Customisado de acordo com as especificações e necessidades

dos clientes.

Agregado ao seu extensivo menu de Controles de Qualidade,

a Randox fornece o 24/7, um software para gerenciamento

da qualidade com sistema de relatório peer group via

internet, que possibilita ao cliente verificar sua performance

24 horas, 7 dias por semana e ainda possui o RIQAS, um

Programa de Avaliação Externa da Qualidade, fornecendo

Testes de Proficiência através de 15 diferentes programas.

: (11) 5181-2024 / 5181-0817

: brasil.mail@randox.com

Lab Consultoria assessora o

Laboratório Santa Cruz

O Laboratório Santa Cruz, situado na cidade de São João

Del-Rei, MG, possui uma “pequena grande trajetória”. No

mercado laboratorial desde 2004, conta hoje com cinco filiais.

Suas sócias-proprietárias possuem TEAC (Título de Especialista

em Análises Clínicas pela SBAC), são pós-graduadas em

Análises Clínicas pela UFMG, além de contar com funcionários

em constante aperfeiçoamento dentro de suas funções.

Preocupado com a qualidade de vida e a preservação do

meio ambiente, o Laboratório Santa Cruz incentiva a coleta

seletiva, o reaproveitamento de resíduos sólidos, utilizando

em seus impressos papéis reciclados.

As mudanças não estão apenas na qualidade e em novos

exames, mas na evolução tecnológica, no investimento em

novos equipamentos e na constante busca pela excelência no

atendimento de seus pacientes.

Considerado Laboratório Referência na cidade de São João

Del-Rei e região, participando há seis anos do PNCQ, tendo

sua classificação como Excelente em todas as suas avaliações,

está preparando-se para mais um desafio: a conquista da

Acreditação Laboratorial.

Cientes de que a Acreditação melhora os resultados e

agrega credibilidade e reconhecimento público às organizações,

o Laboratório Santa Cruz conta com a assessoria da

Lab Consultoria.

Essa assessoria auxilia os líderes a desenvolver estratégias

para o aprimoramento das práticas laboratoriais, obtendo uma

melhor efetividade no atendimento, bem como a racionalização

da utilização dos recursos financeiros, humanos e tecnológicos.

: www.labconsultoria.com

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NewsLab - edição 102 - 2010


Labclin de Cataguases conta

com o apoio do Lab Consultoria

Precisão e confiabilidade em exames laboratoriais. Assim

define-se o Labclin – laboratório de Análises Clínicas do Hospital

de Cataguases/MG. Coordenado por uma equipe de especialistas,

realiza exames gerais e especializados nos diversos tipos

de materiais biológicos, proporcionando segurança e agilidade

ao auxílio do diagnóstico médico.

Participante do Programa Nacional de Controle de Qualidade,

da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, submete-se aos rígidos

parâmetros de qualidade exigidos pela entidade, o que reforça

o compromisso com a qualidade e a saúde dos seus pacientes.

Atualmente, conta com a assessoria permanente da Lab

Consultoria, empresa especializada em gestão laboratorial

sediada em Juiz de Fora/MG, que promove juntamente com

a equipe Labclin, capacitação e treinamento nas práticas de

gerenciamento da rotina e melhoria contínua de processos.

Para um maior conforto de seus pacientes, disponibiliza

atendimento na Unidade Hospitalar todos os dias da semana,

durante as 24h.

: www.labconsultoria.com.br

Formato Clínico oferece cursos de

atualização em medicina laboratorial

A Formato Clínico inicia seu calendário de cursos de atualização

em medicina laboratorial, com temas atuais e que

englobam toda a cadeia envolvida. Os temas iniciais abordarão

as áreas de atendimento ao cliente e coleta, microbiologia e

anatomia patológica, setores onde a educação continuada dos

colaboradores agrega valor ao resultado da empresa e, também,

temas que sempre geram dúvidas como marcadores tumorais,

exame de urina e diagnóstico e acompanhamento do paciente

diabético, além de atualizações sobre diferentes fases da gestão

da qualidade e da gestão técnica e de processos.

Para isso, a empresa inaugurou um espaço dedicado ao

treinamento e capacitação de profissionais na área de medicina

diagnóstica. O centro de treinamento conta com uma sala de

aula com capacidade para 18 pessoas, modernos recursos audiovisuais,

climatização e ótima acústica. O local é de fácil acesso

e conta com estacionamento no local. A inscrição pode ser feita

pelo site, cujo pagamento confirma, automaticamente, a vaga

para o profissional que se inscreveu. Para todos os cursos serão

fornecidos material didático do curso e certificado de participação.

Além dos cursos de atualização, o setor de Educação Continuada

oferece cursos “in company”, os quais são desenhados

para oferecer uma carga horária diferenciada, distribuída nos

melhores dias e horários e um conteúdo voltado às necessidades

da empresa, e que podem ser realizados na própria empresa ou

no centro de treinamento da Formato Clínico.

À frente dos cursos sempre estará um profissional da Formato

Clínico, com ampla experiência em sua área de atuação e

reconhecido como palestrante assíduo em eventos nacionaisNo

site da empresa é possível acessar a agenda completa de cursos

e realizar as inscrições.

: (11) 3568-2020

: formatoclinico@formatoclinico.com.br

: www.formatoclinico.com.br

Atualmente, um tema que

está em evidência e é carente de

informações é o correto transporte

de produtos perecíveis e

as dificuldades encontradas para

manter a cadeia fria. São produtos

de extrema importância

para a saúde do paciente, tais

como: insulinas, vacinas, produtos

oncológicos, entre outros,

que necessitam de temperatura

controlada desde a fabricação

até o cliente final. Esses produtos

possuem uma faixa de

temperatura específica para o transporte de 2 a 8°C.

Empresas do ramo farmacêutico, diagnóstico e de produtos para

a saúde buscam constantemente aprimorar seus processos de qualificação

no transporte de produtos perecíveis, para que cheguem ao

cliente final com a mesma qualidade de quando saíram da empresa

fabricante. Uma vez que o produto é transportado incorretamente,

pode facilmente sofrer danos e causar consequências irreversíveis

quando administrado em um paciente enfermo.

São encontradas diversas dificuldades para manter a cadeia fria

de forma eficaz e segura, bem como para desenvolver estudos de

embalagens térmicas que atendam aos requisitos necessários dos

produtos perecíveis para o transporte.

A temperatura externa é um dos fatores que dificulta a manutenção

dos parâmetros ideais de transporte, pois não se tem

controle sobre ela, o que torna os estudos de embalagens térmicas

invalidáveis e sempre influenciará diretamente sobre a carga

exposta no transporte. No compartimento de carga de um avião, a

temperatura pode atingir picos negativos e as embalagens sofrerão

influência baixando sua temperatura interna.

O Brasil é um país tropical que apresenta diferentes temperaturas

ao longo de sua extensão e não possui estações do ano

bem definidas.

A falta de critérios pela inexistência de resoluções para estabelecer

parâmetros para o desenvolvimento dos estudos de qualificação

de embalagens térmicas é um fator de risco para os resultados. A

temperatura externa a ser selecionada para expor a carga durante

os testes influenciará a embalagem a ser aprovada, podendo trazer

ao sistema registros de temperaturas indesejáveis e não como

quando as cargas forem de fato expostas ao transporte no dia a dia.

Os profissionais envolvidos na cadeia fria devem cada vez mais

buscar conhecimento e informações a respeito do que ocorre com

sua carga durante o transporte, com o objetivo de, constantemente,

otimizar e aperfeiçoar suas embalagens que transportam produtos

perecíveis de alto valor agregado, e com isso, obter uma cadeia

fria mais segura e confiável.

Diante deste cenário, a Polar Técnica, há dez anos, vem se

aprimorando para desenvolver estudos de qualificação de embalagens

térmicas cada vez mais robustas e eficazes. Trata-se de uma

empresa competente para solucionar as dificuldades e desafios

encontrados na cadeia fria.

: (11) 4341-8600

: info@polartecnica.com.br

: www.polartecnica.com.br

Principais dificuldades

encontradas na cadeia fria

48

NewsLab - edição 102 - 2010


Variações genéticas próximas ao gene IL28B: a contribuição

da farmacogenômica na abordagem da Hepatite C

O vírus da Hepatite C (HCV) se estabelece no

fígado de pessoas que foram infectadas principalmente

através do contato com sangue contaminado.

Uma pequena parcela de indivíduos consegue

depurar espontaneamente o vírus do organismo,

ao passo que a maioria dos indivíduos, em torno de

85% dos infectados, evolui para o estado de infecção

crônica. A infecção crônica pelo HCV (Vírus da

Hepatite C) é fator de risco para o desenvolvimento

da cirrose e hepatocarcinoma, contribuindo com

uma boa taxa de transplantes deste órgão.

O tratamento disponível para esta doença se

baseia na associação de duas drogas: interferon

alfa e ribavirina. O tratamento é longo e não isento

de efeitos colaterais importantes. Ao mesmo tempo,

o tratamento pode apresentar chances modestas de sucesso

na dependência de alguns fatores como gênero, índice de massa

corpórea, nível de replicação viral e o genótipo viral. Estudos

clínicos apontam uma chance de sucesso de tratamento entre

40 a 50% para os indivíduos infectados pelo Genótipo 1 do HCV.

O gene IL28B codifica a interleucina 28, também conhecida

como Interferon Lambda tipo III (IFN-λ3), que se constitui um

mensageiro químico das reações imunológicas e que apresenta

também atividade antiviral (citocina relacionada ao interferon

alfa). Na proximidade deste gene foram encontrados alguns

SNP que se constituem em alterações genéticas de ocorrência

natural na população e que têm se relacionado estatisticamente

com diferenças interpessoais no que refere a diferentes

aspectos do fenótipo como, por exemplo, na resposta a uma

medida terapêutica.

Os SNP constituem a troca de uma base (exemplo: no lugar

de uma Citosina, pode-se encontrar uma Timina em uma parcela

dos indivíduos) em pontos bem localizados do DNA. Diferentes

SNP desta região do cromossomo 19 onde está localizado o

IL28B estão sendo estudados e se mostram promissores na

sua relação com a resposta terapêutica da infecção pelo HCV

e mesmo na depuração espontânea deste agente em pacientes

que alcançam a cura sem tratamento.

O SNP conhecido como rs12979860, localizado 3 mil bases

antes do gene IL28B, mostrou uma associação com uma chance

maior de clareamento viral espontâneo e de resposta ao tratamento.

Quando um indivíduo apresenta o genótipo C/C naquela

posição do genoma, apresenta maiores chances de depuração

espontânea do vírus quando comparado aos indivíduos C/T e

T/T (OR: 0,33 [0,25-0,45; 95% IC; P=3x10-13]).

Este mesmo genótipo C/C também está

relacionado a uma chance duas vezes maior de

resposta ao tratamento da infecção pelo HCV

com interferon e ribavirina. Como o genótipo

C/C é mais frequente entre os europeus, este

achado explica, em parte, por que os índices

de resposta são melhores entre as populações

de origem europeia, quando comparadas às de

descendência africana.

Outro SNP, o rs8099917, ficou conhecido

como “alelo de risco” e tem se tornado unanimidade

entre os grupos de pesquisadores. A presença

de pelo menos uma das versões de G (Guanina)

deste SNP em um dos alelos já é o suficiente

para aumentar significativamente o risco de o paciente não

responder à terapia combinada de interferon e ribavirina,

principalmente entre os indivíduos de ascendência europeia

e asiática. Os valores estatísticos variam entre os estudos de

acordo com a população estudada, mas todos representam

um risco significativo dos portadores de pelo menos um alelo

G, nesta posição do genoma, se tornarem não respondedores.

Um estudo conduzido pela Universidade de Nagoya, com

pacientes japoneses, observou um risco significativo de uma

paciente se tornar um não respondedor (OR: 27,1 [14,6-50,3;

95% IC; P=2,86x10-32]) quando este for portador do alelo

em questão do rs8099917.

Os estudos dos SNP relacionados à cura espontânea e da

resposta ao tratamento são muito recentes, mas se mostram

promissores para a condução dos pacientes cronicamente

infectados pelo HCV. Este estudo genético deverá ser incorporado,

em breve, às diretrizes de manuseio da infecção crônica

pelo HCV, na decisão sobre início do tratamento vis a vis os

novos medicamentos que vêm sendo desenvolvidos e testados.

Mais um passo é dado em direção à Medicina Personalizada,

trazendo uma característica do hospedeiro como a mais relevante

no tratamento de um patógeno viral.

O Centro de Genomas ® é o primeiro laboratório a oferecer,

na rotina, a pesquisa dos SNP rs12979860 e rs8099917, na esperança

de estar contribuindo com prática de uma medicina de

vanguarda no atendimento dos pacientes infectados pelo HCV.

: (11) 5079-9593

: www.centrodegenomas.com.br

50

NewsLab - edição 102 - 2010


São Paulo sedia o lançamento do Sistema

Imunodiagnóstico Vitros ® 3600* para bancos de sangue

A renomada cooperação entre REM e Ortho

Clinical Diagnostics (divisão de Johnson

& Johnson Medical Brasil) no atendimento

ao mercado de bancos de sangue voltou

a demonstrar sua força durante evento

recente para apresentação do Sistema

Imunodiagnóstico Vitros ® 3600*.

O evento realizado em julho no Johnson

& Johnson Medical Innovation Institute, um

espaço dedicado a promover o avanço contínuo

da qualidade nos cuidados com a saúde

na América Latina, contou com a presença

de 50 líderes de opinião brasileiros. Durante

apresentações e workshop, profissionais de

todo o Brasil puderam conhecer as características

únicas deste novo Sistema para

Triagem Sorológica de Doadores.

Como palestrantes, Matthew Stephenson,

Gerente de Marketing para Integração e Automação

da Ortho Clinical Diagnostics – EUA, e

o Dr. Ricardo Antonio d’Almeida Pereira, médico

responsável pelo Setor de Sorologia no

Banco de Sangue do Hospital Israelita Albert

Einstein, ofereceram diferentes perspectivas

sobre o sistema e a forma inovadora como

diferentes e consagradas tecnologias foram

incorporadas a uma única plataforma.

Tomando como ponto de partida a

revolucionária tecnologia Microwell (quimioluminescência

amplificada e estendida

no tempo), o Vitros ® 3600 assegura maior

precisão e qualidade aos testes sorológicos.

Utilizando diferenciais como a tecnologia Intellicheck

® , que executa a verificação e registro

inteligente de cada etapa do processo

de execução dos testes, o sistema fornece

ao usuário informações sobre qualidade e

rastreabilidade em tempo real.

Outra característica singular é a função

eConnectivity ® , um sistema de monitoramento

e manutenção preditiva, mediante

conexão remota e criptografada com a

central de operações da Ortho Clinical

Diagnostics. Essa tecnologia permite a

monitoração remota do equipamento para

verificação de seu funcionamento, sem necessidade

de acesso a dados que permitam

identificação de pacientes.

O Sistema Vitros ® 3600 oferece produtividade

para execução de até 189 testes/

hora, com processamento automatizado de

testes para infecção por HIV, HCV, HBsAg

(com detecção de cepas mutantes) e Anti-

HBc nas amostras de sangue de doadores

para transfusões.

Sempre comprometidas com a satisfação

de seus clientes, a REM e a Ortho trazem

para o mercado um produto de ponta,

acompanhado de atendimento e serviço

altamente especializado e eficiente. Traba-

lhando em conjunto, as empresas contam

com 70 profissionais treinados e capacitados

para atender a todo o mercado nacional,

oferecendo inovação tecnológica e serviço

especializado aos Bancos de Sangue.

* Sistema Imunodiagnóstico Vitros ® 3600 - registro

Anvisa nº 80145901224

Marcas registradas de Johnson & Johnson

Ortho Clinical Diagnostics

: (11) 3030-1260

: OCDLA_Custserv@its.jnj.com

: www.orthoclinical.com

REM Indústria e Comércio Ltda.

: (11) 3377-9922

: labo.comercial@rem.ind.br

: www.rem.ind.br

Nova Biocolor Bioeasy com película protetora em nylon

A tira reagente para Urianálise Biocolor agora também apresenta

uma película protetora, um revestimento em nylon para

cada área reagente, proporcionando uma melhoria na qualidade

da rotina laboratorial.

Uma das vantagens da nova Biocolor é a maior estabilidade

nos resultados obtidos, evitando o escorrimento da urina entre

as áreas reagentes, impedindo a interação e minimizando os

resultados falsos.

Os parâmetros usualmente analisados em tiras de urina,

tais como glicose, sangue, bilirrubina e nitrito, são passíveis de

contaminação pelo ácido ascórbico, gerando possíveis resultados

falsos-negativos. Esse tipo de problema é reduzido em produtos

que contêm a malha protetora de nylon, promovendo uma maior

resistência ao produto.

Vantagens das tiras que possuem a proteção de nylon:

• Frasco com 100 tiras

• Malha em nylon laminada, evitando absorção do excesso de

urina, eliminando uma etapa extraprocessual

• Não ocorre escorrimento da urina e interação entre as áreas

reagentes, impedindo resultados falsos-positivos

Imagem ilustrativa da tira Biocolor

• Melhor saturação da urina na almofada para uma cor uniforme

e fácil leitura visual

• Alta resistência ao ASC, impedindo resultados falsos-negativos

para GLU, BLO, NIT, BIl

: biomolecular@bioeasy.com.br

: www.bioeasy.com.br

Película protetora

Revestimento em Nylon

Área Reagente

Base da Tira

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NewsLab - edição 102 - 2010


Lançamento Abbott

Laboratórios: marcadores

cardíacos

A Abbott Laboratórios amplia o menu

de marcadores cardíacos no instrumento

Architect, atendendo todos os laboratórios

de acordo com a demanda de suas

rotinas.

O equipamento Architect utiliza uma

tecnologia de ponta, a quimioluminescência

acoplada às micropartículas, designada

também como Chemiflex, onde todos os

reagentes, calibradores e controles são

prontos para uso. A maioria dos testes é

de duas etapas, com um tempo de reação

de 18 minutos para os protocolos Stat e de

29 minutos para os restante dos ensaios.

Menu de marcadores cardíacos:

• Architect Stat Mioglobina: imunoensaio

quimioluminescente por micropartículas

(CMIA) para a determinação

quantitativa da mioglobina em soro ou

plasma humano no sistema Architect i

com capacidade de protocolo STAT. Os

valores de mioglobina são utilizados

para auxiliar no diagnóstico do infarto

do miocárdio (IM).

• Architect Stat Troponina: CMIA para

a determinação quantitativa da troponina-I

cardíaca em soro ou plasma humano

no Architect i com capacidade de protocolo

STAT. Os valores de troponina-I são

utilizados para auxiliar no diagnóstico do

infarto do miocárdio (IM) e na estratificação

de risco de pacientes com síndromes

agudas coronarianas (incluindo angina

instável e elevação não-ST) relativas ao

risco relativo de mortalidade, infarto do

miocárdio ou probabilidade aumentada

de eventos isquêmicos.

• Architect Homocisteína: CMIA

para a determinação quantitativa da

L-homocisteína total em soro ou plasma

humano no Sistema Architect i. Os valores

de homocisteína podem ajudar no

diagnóstico e tratamento de pacientes

suspeitos de possuírem hiperhomocisteinemia

e homocistinúria.

• Architect Stat CK-MB: CMIA para a

determinação quantitativa da isoenzima

MB da creatina quinase (CK-MB) em soro

e plasma no Architect i com capacidade

de protocolo STAT (urgência). Os valores

de CK-MB são usados para avaliar o

diagnóstico de infarto do miocárdio (IM).

• Architect BNP: CMIA para a determinação

quantitativa do peptídeo natriurético

humano tipo-B (BNP) em plasma

humano obtido com EDTA no Architect

i. Os valores de BNP são utilizados como

auxiliares no diagnóstico e na avaliação

da gravidade da insuficiência cardíaca.

: brazil_add_marketing@abbott.com

Reagente CKMB Liquiform da Labtest

A utilização da medição da creatina quinase total (CK total) e da CK-MB pelo método

com inibição por anticorpos está disponível para todos os laboratórios brasileiros e latinoamericanos,

oferecendo facilidades operacionais e baixo custo.

Baseando-se na cinética de elevação dessas enzimas, a utilização delas para exclusão

do diagnóstico do IAM deve ser realizada em duas amostras colhidas no intervalo de tempo

entre 10 e 20 horas após o início da dor precordial, com intervalo de 4 a 6 horas entre

as amostras, pois no intervalo acima se espera que essas enzimas estejam elevadas. É

importante que as amostras não estejam hemolisadas, pois isso pode produzir resultados

falsamente elevados.

A associação de CK total elevada, maior que o valor superior do intervalo de referência

para homens e mulheres, e CK-MB maior que 6% da CK total até um valor de 20% pode

confirmar um diagnóstico de IAM com 98% de probabilidade. É importante enfatizar que

a atividade da CK-MB no músculo cardíaco é 1/5 da atividade total da CK total. Portanto,

no IAM, uma CK-MB plasmática não pode atingir valores mais elevados que 20% da CK

total. Quando o percentual da CK-MB for maior que 20% da CK total a causa mais provável

é a presença de CK-BB ou presença de macro CK, também conhecida com CK atípica,

que é um complexo de CK-BB ligada a IgG ou complexo polimérico de CK mitocondrial.

Essas formas de CK não são inibidas pelo anticorpo anti CK-M e geram resultados como

se fossem CK-MB. Tipicamente, a macro CK pode representar 12 a 57% da CK total, além

de estar associada a valores de CK total dentro do intervalo de referência, apresentando

um comportamento estacionário que não se modifica significativamente no intervalo entre

10 e 20 horas, como ocorre de forma dramática com a CK total e CK-MB no IAM.

O sistema CK-MB Liquiform - Ref. 118 da Labtest Diagnóstica S.A. é rastreável ao

método de referência da IFCC e ao material de referência ERM ® -AD455/IFCC do Institute

for Reference Materials and Measurements. O sistema possui inibidor da enzima adenilato

quinase, presente na amostra, para minimizar a obtenção de valores falsamente elevados.

Estudos de comparação de métodos foram realizados utilizando o reagente CK-MB Liquiform

como método teste, e o Método de Referência da IFCC* e também um reagente CK-

MB de um fabricante concorrente como método comparativo. Vinte amostras de soro com

concentrações dentro do intervalo operacional dos métodos foram avaliadas em duplicata.

É possível ver a correlação entre os dois métodos através do diagrama de dispersão

(Gráfico 1 e 2). A linha azul (de equivalência) corresponde à dispersão dos pontos quando

os valores obtidos com o reagente CK-MB são exatamente iguais aos obtidos com o Método

de Referência da IFCC (Gráfico 1) ou exatamente iguais àqueles obtidos com o fabricante

A (Gráfico 2). A linha preta (de tendência ou de regressão), corresponde à dispersão

verdadeira dos valores obtidos para o reagente CK-MB Liquiform em relação ao método

de Referência da IFCC ou em relação ao fabricante A.

Quanto menor a diferença entre os valores obtidos com o reagente teste e o método

comparativo, isto é, quanto menor o erro sistemático (bias), mais semelhante à linha de

equivalência será a linha de tendência.

A linha de tendência (preta) encontra-se muito próxima à de equivalência (azul), indicando

que os resultados do produto CK-MB Liquiform são substancialmente equivalentes

ao Método de Referência da IFCC e também ao fabricante A.

Método Teste: CK-MB Liquiform – Ref. 118

Método Comparativo: CK-MB IFCC

Gráfico 1. Correlação entre o método de referência

da IFCC e CK-MB Liquiform - Ref. 118

Método Comparativo: CK-MB Fabricante A

Gráfico 2. Correlação entre o fabricante A e CK-MB

Liquiform - Ref. 118

* Reagente original da IFCC utilizado como método de referência para CK total com adição do anticorpo inibidor

(anti-CK-M) na mesma concentração utilizada no reagente CK-MB Liquiform.

Método Teste: CK-MB Liquiform – Ref. 118

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NewsLab - edição 102 - 2010


Novo analisador hematológico Sysmex XE-5000 é apresentado durante o 44º CBPC/ML

Sysmex e Roche Diagnóstica estiveram

presentes no 44º Congresso Brasileiro de

Patologia Clinica e Medicina Laboratorial,

que foi realizado entre os dias 14 e 17 de

setembro, no Rio de Janeiro. A novidade

Sysmex apresentada durante o congresso

foi o Analisador Hematológico XE-5000.

O equipamento, que estava em exposição

no estande da Roche, realiza a

contagem diferencial de 7-partes que

inclui a contagem de Granulócitos Imaturos

(IG # - %) e também a contagem de

Eritroblastos (NRBC # - %). O XE-5000

auxilia no monitoramento de anemias e

alterações plaquetárias através de seus

parâmetros clínicos de detecção do Conteúdo

de Hemoglobina Reticulocitário (RET-

He) e Fração de Plaquetas Imaturas (IPF),

respectivamente. Ele também conta com

exclusivo módulo de análises de líquidos

biológicos.

Já no estande da Sysmex foram exibidos

o equipamentos CellaVision DM96, sistema

digital automatizado para exame de Morfologia

Celular e o analisador hematológico

XS-1000i, que realiza contagem diferencial

de 5-partes utilizando a mesma tecnologia

Dra. Silva Martinho deu a “receita” para um

hemograma bem feito

de Citometria de Fluxo Fluorescente de seu

irmão maior XE-5000.

Paralelamente, a Sysmex promoveu

palestras sobre diferentes temas em seu estande

como: “Receitas para um Hemograma

bem feito”, com a apresentação pela Consultora

Científica da Sysmex América Latina

e Caribe, Maria Silvia Martinho. Outro tema

que mereceu destaque pela procura foi a

palestra ministrada pelo Dr. Claudio Brandão,

coordenador do laboratório do Hospital

Aliança e do laboratório de hemostasia do

Dr. Claudio Brandão durante palestra no estande

da Sysmex

Hospital Ana Nery, intitulada “Contagem de

Plaquetas: Uma nova abordagem”.

“Ficamos imensamente satisfeitos

com a procura pelas palestras ministradas

pela Sysmex, bem como pelo número de

visitações em nosso estande. Recebemos

muitas pessoas interessadas em conhecer o

CellaVision e saber mais sobre o analisador

hematológico XS-1000i”, afirma Leonardo

Amaral da Sysmex América Latina e Caribe.

: marketing@sysmex.com.br

Horiba anuncia a contratação de especialista

em Hematologia e Hemoterapia

A Horiba, multinacional japonesa especializada

no desenvolvimento de tecnologias para medição e

análise e líder no segmento de hematologia no Brasil,

anuncia a contratação de Denise Carvalho Rezende.

A profissional é doutoranda em Hematologia

e Hemoterapia pela Escola Paulista de Medicina –

Unifesp/EPM e tem pós-graduação em Hematologia

Clínica pela Unesp de São José do Rio Preto. Na

Horiba, Denise integrará a equipe de profissionais

da área científica. Entre suas atribuições está o

contato e suporte aos parceiros, bem como aos

clientes. Também ministrará cursos durante Congressos e Simpósios dos

quais a multinacional costuma participar.

A especialista tem entre suas experiências anteriores, passagens pela

Universidade Bandeirantes (Uniban), onde ministrava aulas de Laboratório

Clínico, para o curso de Farmácia. Também atuou no Fleury Medicina Diagnóstica,

Laboratório Médico da Real e Benemérita Associação Portuguesa

de Beneficência, no Hospital Geral do Exército de São Paulo, entre outras

instituições e empresas.

Denise já publicou inúmeros trabalhos pela Revista de Fitopatologia

Brasileira e pela Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia,

participou de projetos de pesquisa da Academia Brasileira de Ciências e

pelo Cnpq da Unifesp. Além disso, apresentou alguns trabalhos durante

congressos da área.

Nova linha de controles

externos – Maxline

A Medmax apresenta a nova linha de controles

externos Maxline, para analisadores de eletrólitos

e gasometrias de várias marcas e modelos. Os novos

controles externos Maxline trazem na bula valores

de referência de várias marcas e modelos de

analisadores de eletrólitos e de gases sanguíneos.

A Medmax possui uma linha completa de

produtos, tais como soluções, calibradores, limpadores

enzimáticos, tubulações, papéis térmicos

entre outros, específicos para analisadores de

gases sanguíneos e eletrólitos. Com equipe de

mais de 15 anos de experiência no mercado de

gasometria e eletrólitos, a empresa fornece os

melhores produtos para estes equipamentos.

: (11) 4191-0170 / : (11) 4191-0257

: vendas@medmaxnet.com.br

: www.medmaxnet.com.br

: www.gasometria.com.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


Lançamentos da Greiner Bio-One

A Greiner Bio-One é uma multinacional do segmento de

produtos médicos hospitalares com unidade fabril instalada

em Americana, SP, e busca constantemente a melhoria de

seus serviços e produtos, oferecendo as melhores soluções

disponíveis no mercado mundial.

Seguindo essa linha de atuação, a Greiner Bio-One apresentou

nos grandes eventos voltados à área de saúde (37º

Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, 17ª Hospitalar e

44º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica) os lançamentos

para o ano de 2010.

• Torniquete descartável: de uso único, utilizado na

preparação para punção venosa. Produzido em material

isento de látex, prevenindo alergias e irritações de pele,

com revestimento especial garantindo maior aderência à

pele, evita o risco de contaminação cruzada e atende aos

requisitos da NR 32.

• Adaptador de segurança Quickshield: sistema com

adaptador para coleta de sangue a vácuo com proteção

contra acidentes com perfurocortantes. Produzido em polipropileno,

descartável, com design ergonômico, não interfere

na punção, sistema de travamento de agulha com “clique” de

alerta que não permite reutilização. Exclusivo para utilização

com agulhas Vacuette ® , obedece aos requisitos da NR 32.

• Sistema Vacuette ® Quickshield Complete: adaptador

de segurança Quickshield mais agulha Vacuette ® . Embalado

em unidades individuais, pronto para uso, elimina o procedimento

de montagem do conjunto, fácil manuseio e atende

aos requisitos da NR 32.

• Tubo para transporte de amostras fotorresistente: na

cor âmbar, em PET, tamanho 13x75, descartável, com tampa

de borracha, siliconizada e capa protetora na cor branca.

Ideal para o transporte de amostras fotossensíveis sem a

necessidade de proteção adicional do tubo. Adequado aos

equipamentos de automação pré-analíticos disponíveis no

mercado.

• Tubo para preservação da homocisteína: em PET,

contém solução tamponada de citrato de sódio/ácido cítrico,

descartável, incolor, com tampa de borracha, siliconizada

e capa protetora na cor branca. Garante a estabilidade da

homocisteína por até 6 horas em temperatura ambiente ou

72 horas a 4°C sem centrifugação.

• Tubos Premium Vacuette ® : para coleta de sangue a vácuo

com sistema de rosca de segurança na tampa. Abertura

higiênica do tubo, transporte seguro de amostras, elimina

efeito aerosol, torna a rotina de coleta e manipulação mais

segura e rápida e evita acidentes de trabalho.

• Recipientes de descarte de perfurocortantes: embalagens

em polipropileno rígido, com espessura de parede que

atende às normas ABNT NBR, ANFOR, UN e BSI, resistente

contra eventuais perfurações e vazamentos, disponíveis em

diversos tamanhos com variação entre 0,6 e 50 litros de volume.

Possui alças para transporte seguro, tampa com sistema

de fechamento que dificulta a violação e suporte opcional.

Os produtos relacionados à linha Safety combinam as

principais necessidades de mercado, com a praticidade do

manuseio, além de assimilarem o conceito de produtos de

alta tecnologia, com percepção nítida aos usuários do sistema

de saúde.

: info@br.gbo.com / : www.gbo.com

Dengue: diagnóstico rápido

para um tratamento eficaz

A Medivax, junto com a Panbio,

fornece um painel completo

para diagnóstico da Dengue.

Dengue Early Teste Rápido é

um ensaio imunocromatográfico

para a detecção qualitativa de

antígeno NS1 no soro. O diagnóstico

precoce da dengue permite

implementação da terapia de

suporte e monitoramento precoce

dos pacientes.

Suas características são: resultados

em 15 minutos; armazenamento

do kit: 2 a 8ºC;

apresentação 25 testes: 25 tiras,

tampão, conjugado e tubos.

Dengue IgM/IgG – teste rápido:

detecção simultânea de

anticorpos IgG e IgM do vírus da

dengue no soro, plasma e sangue

total humanos.

Características: resultado em

15 minutos; pode ser armazenado

entre 2 e 30ºC; apresentação 25

testes: 25 cassetes e tampão;

pode ser usado para diferenciação

entre infecção primária de

secundária.

Dengue Early Elisa – marcador

de infecção aguda. O antígeno

NS1 circula em altos níveis no

soro dos pacientes com infecção

primária e também secundária,

podendo ser detectado no soro

um dia após o aparecimento dos

sintomas. Detecta o antígeno antes

da soroconversão reduzindo

o risco de complicações como

febre hemorrágica da dengue ou

a síndrome do choque por dengue.

Dengue IgM Captura Elisa -

diagnóstico de dengue, detecta os

anticorpos IgM para os sorotipos

1, 2, 3 e 4 no soro.

Dengue IgG Indireto Elisa -

detecta os anticorpos IgG para

os sorotipos 1, 2, 3 e 4 no soro.

A combinação de Dengue

IgM Captura Elisa e Dengue IgG

Indireto Elisa é importante para

o diagnóstico de dengue em

pacientes em áreas endêmicas,

pois parte dos pacientes reinfectados

podem não apresentar

elevações de IgM.

Apresentação Elisa: microplacas

com poços quebráveis

de 96 testes; controles positivo,

negativo, calibrador (cut-off) e

fator de calibração específico a

cada lote; armazenamento de 2

a 8ºC; reagentes codificados por

cor e prontos para uso.

: medivax@medivax.com.br

: www.medivax.com.br

A RCR Rinaldi, tradicional fornecedora de produtos para laboratórios,

acaba de inaugurar a atividade de e-commerce via site

da empresa (www.rcrrinaldi.com.br).

Em sua página da internet, os clientes terão acesso aos produtos

oferecidos e terão ainda a vantagem de pagar com os vários

cartões de crédito relacionados e com facilidades de negociação.

Este é mais um serviço que a empresa coloca à disposição de

sues clientes e parceiros.

: (11) 3833-9898

: www.rcrrinaldi.com.br

RCR Rinaldi disponibiliza

e-commerce em seu site

60

NewsLab - edição 102 - 2010


Pathfinder 350S: melhoria de eficiência

e segurança no laboratório clínico

O Abbott Laboratórios pensando sempre na melhoria do fluxo de trabalho,

bem como no aumento da qualidade dos laboratórios, vem agregar

mais um equipamento ao seu portfólio de produtos: Pathfinder 350S.

O Pathfinder 350S sorter é um sistema de bancada, simples, completamente

automatizado e autônomo para o processamento de tubos de

ensaio. Ele foi projetado para controlar o processamento, a armazenagem

e a localização pré e pós-analítica em um laboratório.

Este equipamento está sendo direcionado para trabalhar junto com

os sistemas de hematologia, imunologia e bioquímica, de maneira dedicada

a um deles ou em um mix de sistemas, facilitando e assegurando

a qualidade e eficiência do processo.

Esta unidade de bancada é de fácil instalação e fácil de manusear.

Com funcionalidade simples e resistente, o Pathfinder 350S pode ajudar

os laboratórios a corresponder a vários dos desafios relacionados com

o manuseio de amostras.

: brazil_add_marketing@abbott.com

Grupo Biofast inaugura nova Central Técnica

O Grupo Biofast, uma das principais redes de laboratórios de análises

clínicas do País, inaugurará em breve sua nova Central Técnica. O espaço,

com quatro mil metros quadrados, passará a ser o Laboratório Central da

empresa, com a área administrativa e máquinas e equipamentos de última

geração, que farão exames de baixa, média e alta complexidades. Desta forma,

o Grupo ampliará sua capacidade de processamento de análises clínicas

em 100%, em relação às atuais instalações.

“A mudança para esta nova casa é muito importante para o Grupo Biofast

porque nos dá a possibilidade de crescer e alçar voos mais altos no segmento

em que atuamos. O crescimento planejado, com estrutura adequada e

em instalações modernas, traz benefícios para todo o time e possibilita um

atendimento ainda melhor ao cliente”, afirma o presidente do Grupo, Rogério

Saladino.

Com a nova unidade, a empresa ampliará as atividades do Laboratório

Escola Biofast (LAEB), em parceria com universidades e com governos municipais

e estaduais. O projeto tem o objetivo de desenvolver mão-de-obra especializada,

com foco em estudantes e profissionais de companhias parceiras.

A unidade, localizada na Rua Torres de Oliveira, 123 - entre as pontes

do Jaguaré e da Cidade Universitária, foi estrategicamente posicionada por

ter fácil acesso a Marginal do Pinheiros, que facilita a logística dos serviços

processados.

Fundado em 2002, o Grupo Biofast é uma das principais redes de laboratórios

de análises clínicas do País. Em 2007, o empresário Rogério Saladino

assumiu a presidência e a missão de prestar serviços acessíveis em medicina

diagnóstica. Sinônimo de cordialidade, respeito e boa vontade, o Grupo tem

como missão prestar serviços laboratoriais de forma precisa e ágil, unindo

excelência na qualidade e preços acessíveis.

Desde sua criação, a empresa vem conquistando experiência, reconhecimento

e uma estrutura cada vez mais equipada para atender seus clientes nos

setores público e privado. O Grupo Biofast tem a sua excelência comprovada

pelos principais institutos e organizações da área de saúde, como o Programa

de Acreditação de Laboratórios Clínicos da Sociedade Brasileira de Patologia

Clínica (PALC) e a Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, a

empresa possui os selos nacionais de controle externo da Sociedade Brasileira

de Análises Clínicas (SBAC).

BioTécnica disponibiliza kit para

dosagem de Antígeno Prostático

Específico - PSA

O antígeno prostático específico, ou PSA é uma

enzima glicoproteica, que foi isolada de células

epiteliais da glândula prostática em 1979. É um marcador

tumoral, sendo utilizado para o diagnóstico,

monitorização e controle da evolução do carcinoma

de próstata. Vários pesquisadores afirmam que essa

enzima é específica quanto a sua origem prostática,

embora tenham sido relatados alguns casos isolados

de elevação em tumores não prostáticos.

Aproximadamente 25 a 46% dos homens com

hiperplasia prostática benigna têm concentração

elevada de PSA. Pacientes com prostatite, com

infecção urinária e que estão usando medicações

antiandrogênicas também exibem elevações do

PSA. O diagnóstico do câncer de próstata pode ser

feito pela velocidade de elevação do PSA. Para tal,

é necessário que o paciente tenha um histórico, ou

seja, medições de PSA semestrais ou anuais.

Na prática, um aumento de 0,75 ng/ml ou mais

por ano alerta fortemente a presença de um nódulo

na próstata. A quantidade de PSA detectado no paciente

é que pode definir a propensão de um tumor

prostático. O diagnóstico da doença, geralmente,

está associado a uma quantidade de PSA dez vezes

superior ao valor de referência de 0,1- 4,0 ng/ml.

Atualmente o PSA é um teste muito importante para

a detecção precoce do câncer de próstata, mas a

combinação com o toque retal ou biopsia de próstata

é fundamental, pois alguns pacientes com tumores

podem registrar um PSA menor que 4,0 ng/ml.

Atualmente o tumor de próstata é a modalidade

da doença que mais atinge os homens, sendo

responsável por 21% do total de casos. No Brasil,

a cada ano, são registrados 22 novos casos por 100

mil habitantes. Raro em homens com menos de 50

anos, o câncer de próstata costuma se manifestar

dos 50 aos 80, quando são registrados 60% dos

diagnósticos. Em fase inicial, o tumor prostático não

causa nenhum incômodo ao paciente.

Os sintomas são obstrutivos como jato fino,

fraco, intermitente, com presença de um esforço

inicial e retenção urinária aguda e irritativos como

aumento da frequência miccional, disúria e urgência

miccional. Tais sintomas aumentam a necessidade

de realizar os exames preventivos como a dosagem

do PSA e o toque retal em todos os homens acima de

45 anos ou acima de 40 anos, se tiver antecedentes

familiares de câncer de próstata.

A BioTécnica disponibiliza no mercado um kit

imunoenzimático para a detecção e quantificação

de PSA total no soro humano, com capacidade de

detecção de 0,050 ng/mL.

: (35) 3214-4646 / : sac@biotecnicaltda.com.br

: www.biotecnicaltda.com.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


SBAC E-Learning oferece grande oportunidade aos associados da SBAC

Com o objetivo de atender aos inúmeros pedidos de seus

associados e parceiros, que não podem se deslocar até os

eventos presenciais realizados pela SBAC, sejam congressos

ou cursos em suas regionais, a Sociedade Brasileira de Análises

Clínicas vem mais uma vez cumprir seu objetivo, como difusora

de conhecimento, através de seu programa de educação à distância,

o SBAC E-Learning, oferecendo uma grande vantagem

aos associados e parceiros da SBAC.

Os eventos do Programa SBAC E-Learning, sejam ao vivo

e/ou gravados, têm sido atualmente oferecidos a valores de R$

78,00 para sócios e R$ 120,00 para não sócios da SBAC. Como

a SBAC realiza atualmente uma média de dois cursos por mês,

isso significa um investimento mensal da ordem de R$ 156,00

para sócios e R$ 240,00 para não sócios SBAC.

É um valor inferior a um mês de cursos sem a assinatura.

Mas essa promoção é por tempo limitado.

Programa SBAC E-Learning - Desde 2008, a Sociedade

Brasileira de Análises Clínicas oferece ao mercado laboratorial

cursos de educação continuada à distância em diversos níveis e

ministrados por professores de alto nível através do Programa

SBAC E-Learning.

Neste período, o Programa SBAC E-Learning se tornou o

maior portal de educação em análises clínicas do Brasil e um

dos maiores do mundo. O Programa SBAC E-Learning realiza

cursos de atualização em todas as áreas do laboratório clínico,

além de palestras

e transmissões de

w o r k s h o p s d o s

Congressos Brasileiros

de Análises

Clínicas, sempre

no formato “webstreaming”

ao vivo

e em tempo real,

com interação dos

espectadores através de sistema de chat moderado.

Além disso, os cursos oferecidos pelo Programa SBAC

E-Learning podem ser assistidos posteriormente no formato

“gravado e editado”, possibilitando a todos os colegas que se

atualizem, independentemente de onde residam, necessitando

apenas de conexão de internet banda larga.

Como participar - A SBAC enviou a todos os seus associados

uma carta contendo esta promoção e um boleto bancário

para que os interessados possam efetuar o pagamento. Basta

efetuar o pagamento do boleto e entrar em contato com a

SBAC informando os dados.

: (21) 2187-0800 / : (21) 2187-0805

: geral@sbac.org.br / : www.sbac.org.br

Horiba marca presença em congressos e simpósios em universidades brasileiras

Os últimos meses têm sido bastante

movimentados para as equipes de marketing

e comercial da Horiba, multinacional

japonesa líder no mercado brasileiro de

hematologia desde 2001. A empresa vem

participando ativamente dos eventos da

área e de simpósios realizados nas universidades

brasileiras.

No mês de agosto, a empresa marcou

presença no V Congresso Sul Mineiro de

Laboratórios Clínicos, realizado em São

Lourenço, MG. A participação aconteceu

em parceria com a Labshopping, distribuidora

de produtos para laboratórios.

Paula Coutinho, executiva de negócios da

Horiba Medical, divisão especializada na

fabricação de equipamentos e reagentes

destinados à área médica, contou que durante

o evento foram apresentados quatro

equipamentos: o Micros ES 60, Micros 60,

Pentra 60 e Start 4. Durante o Congresso,

a Horiba e a Labshopping promoveram

palestras no estande. A especialista da

Horiba em hematologia, Denise Rezende,

falou aos visitantes sobre novas tecnologias

em hematologia e conheceram mais

detalhes e todas as funcionalidades e facilidades

disponibilizadas pelo Micros 60.

O primeiro compromisso do mês de setembro

foram as aulas ministradas durante

a Semana Acadêmica de Biomedicina da

Universidade Metodista de São Paulo. Os

estudantes foram brindados com palestras

e novidades relacionadas à área de análises

clínicas. A primeira aula foi ministrada

por Rafael Abdel Hak, gerente de produtos,

e teve como tema “Atualização no Diagnóstico

Laboratorial do Anticoagulante Lúpico”.

Já Denise Rezende ministrou a aula sobre

“Automação em Hematologia”. Cerca de

400 alunos participaram das palestras.

Ainda em setembro, a Horiba participou

do 44º Congresso Brasileiro de

Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, no

Centro de Convenções SulAmérica, no Rio

de Janeiro. A Horiba apresentou equipamentos

que prometem agilidade e qualidade

aos profissionais de análises clínicas,

como os modelos Pentra 400, Micros ES,

Pentra 120 DX com SPS e STA-R Evolution,

reconhecidos pela performance e entrega

de resultados com alta qualidade. Ana

Paula Carrieres, gerente comercial e de

marketing da Horiba, destaca a importância

do mercado carioca para a empresa,

bem como do nordeste brasileiro. “As regiões

são estratégicas para o crescimento

da Horiba e mercados potenciais muito

importantes. Nosso principal objetivo é estabelecer

parcerias com empresas locais.

Assim, podemos crescer juntos”, afirma.

Em outubro, a empresa apresentou

suas novidades ao mercado pet, durante

o PET South America 2010. A presença

foi marcada no stand da Cnagai VET

Consulting, especializada em gestão de

empresas para o segmento veterinário. A

Horiba apresentou o ABX Micros ESV60,

analisador automático de células sanguíneas.

Na sequência, a multinacional foi

ao 1º Congresso de Análises Clínicas da

Região Norte, que aconteceu em Manaus.

Na ocasião, Denise Rezende e Rafael Abdel

Hak também apresentaram aulas aos

participantes do evento.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Hotsoft no 44 o Congresso Brasileiro de Patologia Clínica

De 14 a 17 de setembro de 2010

as atenções da comunidade laboratorial

brasileira estiveram voltadas

para o 44º Congresso Brasileiro de

Patologia Clínica, que aconteceu no

Centro de Convenções SulAmérica, no

Rio de Janeiro. Mais de uma centena

de empresas se fizeram presentes e o

público visitante foi recorde. A Hotsoft,

que participa dos congressos da SBPC

há 20 anos, aproveitou o evento para

fazer dois grandes lançamentos: uma

nova geração do software de gestão

laboratorial Labplus e o programa de

vantagens Business Advantages.

A nova geração do Labplus mantém

a mesma facilidade de instalação e

operação que consagrou o produto no

mercado brasileiro, agregando inúmeras

novas funcionalidades. A gestão

dos exames está mais sofisticada,

permitindo a configuração de diferentes

versões para o mesmo exame.

O trabalho de recepção fica facilitado

e os resultados contemplam automaticamente

os valores de referência

das diferentes metodologias aplicadas

na execução do exame, seja manual,

automatizada, realizada pelo apoio “a”

ou apoio “b”. A gestão de laudos foi

ampliada, automatizando o processo

de entrega ou envio dos resultados

para pacientes, médicos e convênios.

O emprego de wizards e filtros também

constituem funcionalidades exclusivas

da Hotsoft.

Além disso, o uso da tecnologia

cliente-servidor aumenta a rapidez e

a segurança no manuseio dos dados.

O Business Advantages é um

conjunto de soluções que viabilizam a

evolução da comunicação, da integração

e dos negócios entre laboratórios

e fornecedores, trazendo benefícios

para toda a cadeia produtiva da área

laboratorial. Os usuários Labplus e Labmaster,

além dessas facilidades, conquistam

importante redução de custos.

O módulo que despertou maior interesse

dos congressistas foi o BA Canais.

O veículo de comunicação da Hotsoft

com os seus clientes evoluiu para a integração

com outros fornecedores. Os

usuários passam a se beneficiar de uma

comunicação mais efetiva com seus

parceiros e continuam a desfrutar dos

softwares e serviços de alta qualidade

a custos cada vez menores.

: (44) 3302-4455

: negocios@labplus.com.br

: www.hotsoft.com.br

Biosystems traz vantagens com

novo programa fidelidade

Os clientes da Biosystems contam agora com mais

um incentivo para comprar com a empresa: o BioPoints.

Trata-se de um programa de fidelidade implantado

em setembro de 2010, onde todo o valor faturado com

equipamentos e materiais de consumo geram pontos que,

acumulados, dão direito a prêmios. Esses prêmios, por sua vez, podem ser materiais

para uso em laboratório – vendidos pela própria empresa – ou até mesmo

produtos para uso pessoal.

Para maiores informações, cadastro e consulta de pontos e relação de prêmios,

a empresa disponibilizou um e-mail exclusivo, o fidelidade@biosystems.com.br.

Segurança na transferência

de dados via internet

Trafegar documentos importantes (legais,

comerciais ou pessoais) via internet já é normalmente

utilizado no mundo, mas como fica

a questão do sigilo e da segurança dos dados

A facilidade que a internet trouxe em enviar

informação de maneira precisa e rápida, fez com

que a criptografia se tornasse uma ferramenta

importante para permitir que apenas o emissor

e o receptor tenham livre acesso à informação.

Ela já é utilizada por muitas empresas para

evitar ação de terceiros não autorizados e assim

proteger o sistema quanto à ameaça de perda

de confiabilidade e integridade.

Esse processo é utilizado a fim de garantir:

• Sigilo: somente os usuários autorizados têm

acesso à informação

• Integridade: garantia oferecida ao usuário de

que a informação correta, original, não foi alterada,

nem intencionalmente, nem acidentalmente

• Autenticação do usuário: permite ao sistema

verificar se a pessoa com quem está se

comunicando é de fato a pessoa que alega ser

• Autenticação de remetente: permite a um

usuário certificar-se que a mensagem recebida

foi de fato enviada pelo remetente

• Autenticação do destinatário: permite a um

usuário certificar-se que a mensagem será de

fato enviada para o destinatário desejado

• Autenticação de atualidade: prova que a mensagem

é atual, não se tratando de mensagens

antigas reenviadas

Chave de autenticação é a técnica mais conhecida

para garantir tudo isso, que é baseada

em determinada função matemática, e garante

acesso aos documentos trafegados. Se o receptor

da mensagem usar uma chave de autenticação

incompatível com a do emissor, não terá

acesso à informação.

Resumidamente, se o laboratório tem um

conteúdo que não deve ser exposto para qualquer

pessoa, como um resultado de exame,

basta criar uma chave única de acesso para

cada paciente, onde apenas ele e seu laboratório

conhecem essa chave.

Para garantir essa segurança na transferência

de dados tão importantes como exames

médicos, a S_Line trabalha com esse processo

de criptografia baseado em chaves emitidas no

momento da impressão do comprovante.

: (27) 3205-6868 / : (27) 3315-1689

: sline@sline.com.br / : www.sline.com.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


Formato Clínico: Gestão inovadora no setor de saúde

A medicina diagnóstica é responsável

por cerca de 70% das decisões médicas

e absorve em torno de 10% dos custos

em saúde, o que demonstra a importância

e potencial deste setor. Porém, seu

crescimento sustentado será pautado por

transformações no modelo de gestão das

empresas do setor.

Criada no início de 2009 com a missão

de desenvolver e gerenciar projetos técnicos

e de gestão em medicina diagnóstica, a

Formato Clínico acumula cases de sucesso.

Neste período, implementou soluções inovadoras

nas áreas de desenvolvimento de

novos produtos, serviços e novos negócios;

gestão de qualidade; desenvolvimento humano

e redesenho de processos.

O número de projetos realizados pela

Formato Clínico mais que dobrou em 2010,

chegando a 15 novos clientes até o 3º trimestre

do ano. Entre eles, a inauguração

do Daia Medicina Diagnóstica, que investiu

R$ 15 milhões para se tornar referência

para exames e análises clínicas por imagem

em Porto Velho, RO; a implementação da

Unidade São Paulo do DLE – Diagnósticos

Laboratoriais Especializados, principal

prestador de serviços de triagem neonatal

no país; e a inauguração do laboratório

especializado na coleta e análise do líquido

cefalorraqueano (LCR), Senne Líquor

Diagnósticos, na cidade de Campinas.

Nestes projetos, a Formato foi responsável

pela gestão dos projetos de expansão,

com estudos de mercado, implementação

das operações e colaborou na formação e

treinamento da equipe contratada.

Já no Quaglia Laboratório de Análises

Clínicas, o trabalho foi atualizar o setor de

microbiologia com implementação de novos

exames e melhoria nas rotinas executadas,

possibilitando a diminuição de desperdícios

e reduzindo o prazo dos resultados.

Realizou diversos estudos de viabilidade

de novos serviços ou negócios, entre estes o

projeto de expansão do Laboratório Sepac,

em São Paulo, e do Laboratório Unilab, em

Maceió; e de novos serviços para a Unimed

Litoral Sul, no RS e para o Hospital Santa

Izabel, na Bahia.

Por meio de palestras realizadas por

seus consultores, assessorou diferentes

setores dentro da cadeia de medicina diagnóstica,

como as indústrias de diagnóstico

in vitro e empresas desenvolvedoras de softwares

para laboratórios, além de gerenciar

um programa de educação continuada em

microbiologia em parceira com a Siemens.

Ainda em 2010, contribuiu para os laboratórios

Genoa Biotecnologia, especializado

em genética molecular, e o Laboratório de

Patologia Cirúrgica – LPC, conquistarem a

acreditação pelo CAP – Colégio Americano

de Patologia.

A Formato Clínico participou também do

44º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica

e Medicina Laboratorial, onde ganhou

o prêmio de melhor trabalho científico, em

parceira com o Laboratório Quaglia. O tema

abordou uma metodologia que avalia processos,

produtos e serviços dos laboratórios

de análises visando alcançar a ecoeficiência.

Em linha com esse crescimento, a empresa

mudou de escritório no início do ano,

contratou novos profissionais e passou a

oferecer outros serviços, como um projeto

de educação continuada.

Segundo estimativa da Formato Clínico,

há 17 mil empresas de medicina diagnóstica

no Brasil que somam um faturamento de R$

12 bilhões ao ano. A Formato Clínico espera

seguir contribuindo para o desenvolvimento

do segmento no País.

: (11) 3568-2020

: formatoclinico@formatoclinico.com.br

: www.formatoclinico.com.br

Garrafas para cultura de células - Easypath

Com a característica principal de

sempre oferecer soluções ao mercado

laboratorial, a EasyPath inova mais uma

vez e coloca à disposição sua linha de materiais

plásticos descartáveis para cultura

celular. Com este lançamento, a EasyPath

visa oferecer aos seus clientes e parceiros

uma nova opção em qualidade, destacando

nesta linha as garrafas para cultura de

células, com qualidade óptica e de cultivo

aprovadas por instituições de renome no

âmbito nacional.

As garrafas para cultura de células

EasyPath reúnem em sua composição e

design as principais características necessárias

para um ótimo desempenho nas culturas

realizadas, destacando as seguintes:

• Confeccionadas em poliestireno de alta

transparência, permitindo ótima visualização

em microscopia nas técnicas de cultura.

• Material esterilizado por radiação gama,

livre de componentes tóxicos que poderiam

interferir no desempenho da técnica.

• Possui bocal com inclinação ideal para

facilitar a manipulação das amostras.

• Sua base é lisa, livre de estrias, permitindo

a utilização máxima da sua área útil

de tratamento.

• Superfície tratada para o cultivo de uma

ampla variedade de células.

• Tampas com indicação da posição “Vent”

ou com filtros com porosidade de 0.22um,

viabilizando o cultivo além de controlar a

esterilidade nas trocas gasosas.

Basta solicitar uma amostra à empresa,

para comprovar a qualidade do produto.

: (11) 5034.2227

: www.erviegas.com.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


A evolução e a inovação nas técnicas de extração de DNA/RNA

A ciência deu um grande salto após

a descoberta da estrutura tridimensional

do DNA, a molécula de dupla hélice que

armazena informações genéticas; a sua

descoberta impulsionou outros grandes

momentos que chamaram a atenção da

comunidade cientifica, e mostrou oportunidades

promissoras no estudo desta molécula,

como o sequenciamento do genoma

humano, a criação das terapias celulares,

o diagnósticos de doenças, teste de paternidade,

melhoramento genético entre

outras aplicações.

Para o sucesso destas pesquisas é preciso

extrair o material genético de dentro das

células, realizar amplificações e a partir daí

iniciar os estudos e análises.

Mas, a evolução da técnica da extração

do DNA/RNA da célula até sua análise final,

teve muitos erros e acertos, incansáveis

testes e intermináveis etapas e, mesmo

assim, nem sempre os resultados eram o

esperado, pois geravam baixo rendimento,

moléculas impuras, perda de amostras e

reagentes, baixa qualidade na amplificação.

Sendo assim, considera-se que a extração

de DNA/RNA é uma das etapas mais críticas

para um bom resultado final.

Pensando na qualidade e na importância

desta etapa e a fim de eliminar os erros durante

o procedimento, a Axygen, utilizando

técnicas inovadoras, desenvolveu os kits de

extração e purificação de DNA e RNA.

São kits completos e de total confiança

para a extração e purificação de DNA e RNA

em amostras de sangue, vírus, plasmídios,

géis de agarose entre outros, que garantem

um perfeito desempenho e resultado

garantido.

• O kit vem com todos os reagentes e

consumos a serem utilizados, evitando a

aquisição destes produtos separadamente.

• Alto rendimento, garantindo maior

aproveitamento da amostra.

• Protocolos rápidos, reduzindo o tempo

de preparo.

• Não necessita refrigeração, câmaras

frias ou gelo para manuseio, transporte e

armazenamento.

A marca Axygen possui uma linha

completa de produtos para uso na área

de biologia celular e molecular, como:

ponteiras, microplacas, tubos para PCR e

centrifugação; todos com certificação de

qualidade, fabricados em polipropileno

99,9% de pureza, livres de DNAse, RNAse

e pirogênios; a marca ainda conta com o

termociclador Maxygene, de ótimo desempenho

nas amplificações.

: www.axygenbiosciences.com

: www.axygen.com.br

Alças calibradas Newprov

Nos anos 1960 foram desenvolvidas alças calibradas para a

inoculação de diferentes materiais com finalidade de quantificar

micro-organismos. Os materiais utilizados atualmente para confecção

de alças compreendem a platina e a liga níquel-cromo por

não interferirem no crescimento microbiano. Uma extremidade da

alça ou agulha é inserida num cabo cilíndrico (cabo de Kohle) para

facilitar o uso. A Newprov eliminou o cabo tradicional, fixando a

alça diretamente numa haste metálica mais adequada.

A técnica de inoculação utilizada para culturas semiquantitativas

compreende imergir uma alça calibrada de 0,01 ou 0,001

ml de fluido no líquido a ser cultivado, não centrifugado e bem

homogeneizado. A alça deve ser imersa no líquido em posição

vertical e logo abaixo da superfície, para evitar carreamento de

líquido excedente pela haste da alça. O líquido retido pela alça

é depositado na superfície de uma placa de ágar, fazendo uma

única estria de cima a baixo da placa, passando pelo centro. O

inóculo deve ser então espalhado perpendicularmente à estria

inicial, de cima a baixo da placa .

Interpretação da contagem de colônias - Após 18 a 24 horas de

incubação, o número de bactérias na amostra é calculado contando

as colônias que cresceram na superfície do meio. Quando utilizada

uma alça calibrada de 0,01 ml, o número de UFC/ml é obtido

multiplicando-se o número de colônias por 100. Da mesma forma,

para uma alça calibrada de 0,001 ml, o número de UFC/ml é obtido

multiplicando-se o número de colônias por 1000.

Composição e diferencial

Newprov - As

alças bacteriológicas

Newprov acham-se disponíveis

em liga níquelcromo

ou platina. As

alças de platina são

confeccionadas com liga

de metal apropriado

para possibilitar uma dureza adequada necessária a semeadura.

As alças de níquel-cromo são confeccionadas com tecnologia que

propicia o enrolamento do fio, possibilitando uma maior adequação

do produto com maior durabilidade da calibração. Apresentações:

0,01ml e 0,001ml.

Como escolher a alça adequada - Na maioria das vezes a alça

de níquel-cromo é adequada. Quando se realiza a prova da oxidase

recomenda-se utilizar alça de platina.

Controle da qualidade do produto - Cada alça calibrada produzida

é testada pelo método colorimétrico preconizado pelo Clinical

Laboratory Standards Institute (CLSI) para verificação da calibração.

São emitidos certificados de calibração a cada lote produzido,

constando o fator de calibração obtido no controle.

: (41) 3888-1300 / : vendas@newprov.com.br

: www.newprov.com.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


Deliberato: buscando a

melhoria contínua

com a automação Siemens

Atualmente com seis unidades localizadas

nas cidades de Itaquaquecetuba, Poá,

Arujá, Santa Isabel e Suzano, o Laboratório

Deliberato possui modernas instalações e

equipamentos de última geração que possibilitam

a realização desde exames de rotina

até diagnósticos de alta complexidade. Na

busca da melhoria contínua, optou pelo

VersaCell da Siemens como solução para

automação laboratorial.

A implementação do Sistema de Automação

VersaCell promoveu a consolidação

dos exames de sorologia e hormônios,

promovendo maior agilidade no processamento

da rotina.

O VersaCell através de seu braço robótico

faz a distribuição dos tubos de amostras

para os equipamentos Immulite 2000 e Advia

Centaur. Com um único ponto de entrada

de amostras, consegue-se otimizar o tempo

da equipe de profissionais do laboratório,

evitando tarefas repetitivas.

Com menos de dois meses de utilização

já foi possível observar uma redução significativa

no tempo de liberação dos resultados

(TAT), garantindo uma melhoria na qualidade

do processo. A automação possibilitou, entre

outras coisas, a ampliação do menu de testes

de imunohormônios, como testes de alergia,

marcadores de hepatite, cortisol, etc.

“Já tínhamos uma parceria com a Siemens,

utilizando o Immulite 2000. Com

o desenvolvimento de novos projetos de

expansão e realização da maioria dos

exames no nosso próprio Centro Técnico,

foi necessária a implantação do Advia Centaur

Classic, o que acabou evoluindo para

a implantação do sistema de automação,

que agilizou e otimizou a nossa rotina de

hormônios e sorologia. Desse modo, os

30.000 exames/mês realizados neste setor,

ganharam agilidade, segurança e mais

qualidade”, afirmou Dr. Eugênio Deliberato,

diretor técnico.

: (11) 3817-3000

Delta inaugura, em Salvador, sua nova sede

O Delta Laboratório de Apoio realizou

no dia 22 de outubro a inauguração oficial

da sua nova sede. A data foi comemorada

com uma grande festa onde todos os

colaboradores, clientes e fornecedores

reuniram-se, em uma charmosa casa de

eventos, próximo a um dos mais belos

pontos turísticos de Salvador, o Farol da

Barra. Os grandes homenageados do evento

foram os sócio-fundadores Luiz Leone e

Miralva Leone, que há mais de uma década

vêm mantendo sua política de apoio e de

não concorrência com os clientes parceiros.

“Este é um marco na nossa história. Reconhecemos

a importância da participação

de cada colaborador, cliente e fornecedor,

na construção do que somos hoje. Por isso,

preparamos com muita dedicação um momento

especial para comemorar esta data

tão inesquecível.” Afirma Luiz Leone.

A principal atração da festa realmente

foi a nova sede que deixou os convidados

maravilhados com a moderna estrutura e

com os avançados equipamentos laboratoriais.

As novas instalações e as novas

tecnologias aplicadas aumentam substancialmente

a capacidade produtiva da

empresa, gerando melhor qualidade dos

serviços oferecidos.

: www.deltaapoio.com.br

PNCQ Gestor comemora um ano de sucesso

em prol da acreditação

Com um ano de vida,

o software PNCQ Gestor

tem obtido um resultado

mais do

que positivo para

o Programa Nacional

de Controle de

Qualidade (PNCQ),

responsável por sua concepção e disseminação

entre os laboratórios participantes

que desejam atender à Norma do Sistema

Nacional de Acreditação – DICQ.

Em novembro de 2009, quando foi lançado

o programa desenvolvido pelo PNCQ

para o gerenciamento e obtenção de documentos

necessários para a implantação de

um Sistema de Gestão da Qualidade, o objetivo

era transformá-lo em uma inovadora

ferramenta para auxiliar laboratórios a se

prepararem para a Auditoria de Acreditação.

E foi o que aconteceu.

Até outubro de 2010, mais de 300 laboratórios

haviam participado dos cursos de

capacitação do PNCQ Gestor realizados país

afora, sendo que deste montante uma boa

parcela já está acreditada ou em processo

de auditoria para acreditação.

O serviço fez sucesso entre os participantes

do programa, que se inscreveram nos

cursos de capacitação e solicitaram consultorias

presenciais promovidas por assessores

do PNCQ. Um dos pioneiros a participar dos

treinamentos do PNCQ Gestor e a receber

consultoria presencial foi o Laboratório Central

de Altamira – LCA, no Pará.

Em cinco meses, o LCA tornou-se o

primeiro laboratório da região norte a

ser acreditado pelo DICQ. Carlos Nauber,

diretor geral do LCA, atesta a eficiência

do PNCQ Gestor. “A ferramenta melhorou

processos e o fluxograma do nosso laboratório,

reunindo os documentos necessários

para a acreditação. Agora tenho confiança

e controle de tudo o que é analisado, o

que vai me ajudar também na obtenção

da ISO”, afirma.

72

NewsLab - edição 102 - 2010


BD Diagnostics no 44º Congresso da SBPC/ML

Mais uma vez, a BD participou com destaque

do Congresso da Sociedade Brasileira

de Patologia Clínica, realizado no mês de

setembro no Rio de Janeiro. A divisão Diagnostic

Systems apresentou o equipamento

BD PrepStain para o preparo e coloração

de lâminas de citologia em meio líquido e

também seu grande lançamento do ano, o

BD Bactec FX. Repleto de inovações, modulado

e com um design moderno, o equipamento

de microbiologia atraiu a atenção

dos congressistas.

A divisão PAS apresentou seus lançamentos

da linha safety com o Escalpe

BD Vacutainer ® Push Button e Agulha BD

Vacutainer ® EclipseTM, visando atender

todos os critérios

necessários e preservando

a integridade

dos profissionais

de saúde

e dos pacientes,

de acordo com o

item 32.2.4.16 da

NR-32, que entrará

em vigor no dia 18

de novembro de

2010. Além disto,

apresentou o novo

Sistema de Transporte

BD T&T ® , BD Bactec FX

o

qual possibilita o monitoramento da amostra

desde o momento da coleta de sangue, até

o transporte para o laboratório, disponibilizando

todos materiais necessários para o

monitoramento das mesmas.

Por meio de um Comitê Global de renomados

médicos e pesquisadores, a BD lançou

o site specimencare.com, que engloba

vários assuntos da fase pré-analítica, inclusive

com a publicação de artigos científicos

e apresentações em português.

O Comitê LASC, que representa o Comitê

Científico Pré-analítico Latino Americano do

site Specimencare, lançou neste congresso

o Notas Pré-analíticas Volume 2 – Variáveis

Pré-analíticas no Laboratório de Bioquímica.

Neste congresso, a BD investiu no

conhecimento e educação de diversos assuntos.

Foram promovidos dois workshops:

a “Conferência Regional do Profissional de

Saúde”, com a participação da Dra. Cristiane

Rapparini, Doutora em Infectologia e

Coordenadora do Projeto Risco Biológico, e a

Dra. Noeli Martins, Médica do Trabalho e coordenadora

do Grupo Técnico que elaborou a

NR-32; e o “Fórum Soro vs. Plasma – Novas

Tendências”, com a presença de palestrantes

internacionais como Dr. Sol Green, membro

do IFCC e a Dra. Ana Stankovic, PhD em

Imunologia, certificada em Patologia Clínica

e Banco de Sangue/Medicina Transfusional

Sistema de Transporte

e Professora do Departamento de Patologia

da Escola de Medicina Nashville, Tennessee.

Em parceria com a SBPC, a BD promoveu

três grandes ações. Apoiou a Conferência

Magna, com o Prof. Gian Luca Salvagno, da

Itália, e a mesa-redonda, com Dr. Alejandro

Ruiz-Argüelles, México, e o Dr. Sol Green,

EUA, além da importante presença do Dr.

Nairo Sumita, Diretor científico da SBPC/ML.

A BD também se destacou por participar

do lançamento do binder Gestão da fase Préanalítica,

no qual colaborou com a elaboração

de três artigos científicos, “Prevenção

de Acidentes por material perfurocortante

no laboratório clínico”, “Gestão de risco no

Laboratório Clínico – Transporte de Amostras

e Controle de Temperatura” e “Coleta,

Transporte e Armazenamento de Amostras

para Diagnóstico Molecular”.

: www.bd.com

Controles de qualidade independentes ou de terceira opinião

Os controles de terceira opinião ou independentes

têm valores não tendenciosos,

por não serem intensificados pelos fabricantes

de reagentes para funcionar apenas

com um método específico. Os controles

Bio-Rad são utilizados para diversos ensaios

e metodologias.

A maioria dos aspectos relacionados

aos cuidados com o paciente se dá fora

do âmbito do laboratório que, no entanto,

fornecem os laudos dos testes que permitem

aos médicos fazer diagnósticos e

tomar decisões terapêuticas, que só serão

tão boas quanto os dados fornecidos pelo

laboratório. Esses laudos, por sua vez, são

somente confiáveis na medida em que forem

confiáveis os instrumentos e sistemas

de reagentes utilizados. Por isso, o controle

de qualidade desses instrumentos é mais do

que um exercício de boa prática laboratorial,

é fundamental para o tratamento de cada

paciente.

A utilização dos Controles de Qualidade

Bio-Rad aperfeiçoa o trabalho do laboratório

consolidando as compras com um só

fornecedor credenciado para maximizar

a eficiência de custo, gerenciando menos

controles no estoque e utilizando um

mesmo material de controle em diversas

plataformas de teste.

A comparação dos resultados de seus

controles com os de outros laboratórios

como parte de um plano amplo de garantia

de qualidade, permite que o laboratório faça

a comparação contínua dos métodos de

teste, gere informações úteis e confiáveis,

e aumente a credibilidade dos resultados

entregues.

Participar de um programa de comparação

Interlaboratorial internacional da

Bio-Rad permitirá saber exatamente como

os resultados se comparam aos de outros

laboratórios que utilizam os mesmos métodos

e instrumentos.

: (21) 3237-9422 / : (11) 5044-5699

: atendimento@bio-rad.com

: www.bio-rad.com

74

NewsLab - edição 102 - 2010


J. Moraes recebe certificação ISO 9001:2008

A J. Moraes Solução em Logística Internacional

recebeu, em julho, a certificação

ISO 9001:2008 da Fundação Carlos Alberto

Vanzolini. Isso significa dizer que a empresa

implementou e mantém um sistema de

gestão de qualidade para a comercialização

e prestação de serviços destinados às

atividades de despacho aduaneiro.

Segundo João Moraes, diretor presidente,

a ideia de receber a certificação

surgiu há quatro anos, quando vislumbrou

o crescimento da empresa e a necessidade

de estabelecer procedimentos para as tarefas

a serem executadas pelos funcionários.

Na mesma ocasião, a J. Moraes foi também

certificada pelo IQNet, que referencia

a qualidade da empresa para outros 32

países, além do Brasil.

Com a ISO estabelecida, os indicadores

demonstram desde erros nas Licenças e

Declarações de Importação, até a agilidade

nas ações dos órgãos intervenientes nos

diversos modais.

A certificação é válida por dois anos e,

anualmente, um auditor acompanhará os

procedimentos da empresa, o que pressupõe

que todos estejam empenhados na

busca constante pela qualidade na prestação

de serviços.

A International Organization for Standardization

(ISO) ou Organização Internacional

de Padronização é uma instituição

não governamental, criada em 1946, com

sede em Genebra, Suíça, e com representantes

em 147 países.

Sua principal finalidade é implantar

nas empresas um sistema de gestão de

qualidade e garantir seus processos com

rígido controle.

A J. Moraes entende que a conquista da

ISO 9001:2008 legitima seus processos e

os ganhos passam a ser visíveis.

: www.jmoraes.com.br

Laboratórios querem tecnologia certificada

Atualmente, uma infinidade de segmentos

de mercado instituiu seus programas de certificação

(ou acreditação, como no caso dos

laboratórios clínicos) para atestar a qualidade

dos produtos ou serviços prestados pelas

empresas.

No segmento tecnológico, especificamente

de desenvolvimento de software, as exigências

são rígidas. Uma das principais certificações do

mercado brasileiro de software é o MPS.Br – Melhoria de Processo

do Software Brasileiro, programa desenvolvido pela Softex – Associação

para Promoção da Excelência do Software Brasileiro para

o aprimoramento da indústria de software. As bases conceituais

desse modelo são fundamentadas no CMMI - Capability Maturity

Model Integration, referência mundial nas práticas de disciplinas

específicas, como o desenvolvimento de softwares, e está em

conformidade com as Normas Internacionais ISO/IEC 12207 e

ISO/IEC 15504.

A Shift, marca já consagrada no segmento de automação

para laboratórios clínicos, foi a primeira do setor a conquistar

uma certificação do MPS.Br. Em dezembro de 2009, a empresa

colheu os resultados de dois anos de intensos investimentos

para atingir o primeiro Nível de Maturidade do MPS.Br, o Nível

G, mas conseguiu subir um degrau a mais e conquistou o Nível

F do programa, destacando-se entre as 50 empresas brasileiras

com esse título, à época da certificação. Os Níveis de Maturidade

do MPS.Br indicam o estágio evolutivo ao qual a empresa se

encontra. O Nível A é o ápice do programa.

“Para conquistar um Nível de Maturidade,

a empresa tem que se dedicar muito, aplicar

ferramentas, envolver pessoas e investir em

consultorias especializadas”, conta Gustavo Vaz

Nascimento, analista de Qualidade de Software

da Shift. “Uma empresa pode demorar uma

década para conquistar o Nível A”, comenta

o especialista. No caso da Shift, Nascimento

aposta numa segunda ousadia para os próximos

dois anos: “Estamos certos que, em 2012, conquistaremos o Nível C”.

Investir em qualidade de software é uma iniciativa inerente

à filosofia de trabalho da Shift. A empresa persegue a perfeição

desde seus primeiros passos, há quase vinte anos. “Fornecemos

tecnologia para um setor de negócios altamente crítico e exigente”,

comenta Marcelo Lorencin, diretor da empresa, que acaba de voltar

do Pathology Informatics 2010, congresso internacional do setor

tecnológico para a área da Saúde, realizado em Boston, EUA. Todo

ano a Shift se faz presente em eventos setoriais internacionais,

como participante em busca de novidades e até levando sua experiência

para outras empresas. “É uma forma de manter nossa

equipe equiparada com o que há de mais inovador no mundo,

para que possamos transformar essas experiências em vivências

reais com nossos clientes. Afinal, se o paciente de um laboratório

precisa de qualidade extrema, o laboratório, por sua vez, precisa

de tecnologia igualmente excelente”, conclui o diretor.

: (17) 2136-1555

: www.shift.com.br

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NewsLab - edição 102 - 2010


O DNA, seus incríveis números e seus segredos

Paulo Cesar Naoum

la, ele é, por assim dizer, “inanimado”.

Não é reativo e quimicamente inerte.

Por essas razões pode ser recuperado

de restos de sangue, de sêmen, ou de

pele secos há muito tempo – milhares

de anos, até.

Diante dessas informações é possível

concluir que todo ser vivo é um

aprimoramento de um plano original

único formado por átomos de carbono,

hidrogênio, nitrogênio e oxigênio. Esses

átomos conseguiram formar uma

molécula inerte, mas capaz de originar

vida, há quase 4 bilhões de anos.

Como seres humanos, somos

apenas o resultado de um aumento

do plano original que sofreu seguidos

ajustes, adaptações, modificações e

reformulações providenciais. Nesse

O

DNA existe por um único motivo

– criar mais DNA. Em cada

célula do nosso organismo, o

filamento estendido de DNA chega a

ter cerca de 2 metros. Se você imaginar

que em nosso corpo há perto de 10

trilhões de células, você terá uma ideia

da enormidade de DNA que nós possuímos.

Assim, se todo o seu DNA fosse

emendado em um único filamento, seria

tão comprido que se estenderia da Terra

à Lua, ida e volta, várias vezes. Pudera,

você é proprietário de 20 milhões de

quilômetros de DNA. Seu corpo, em

suma, é uma máquina de produzir DNA

e sem ele você não conseguiria viver.

Mas o próprio DNA, apesar de ser considerado

“a base da vida”, não está vivo.

Ao contrário de qualquer outra molécuprocesso

adaptativo, certamente a

molécula que mais trabalhou em nosso

organismo foi o DNA. Milhares de “pedaços”

de DNA ao longo desses bilhões

de anos foram se especializando em

produzir proteínas e enzimas.

Esses “pedaços“ de DNA que representam

apenas 3% dos 2 metros

de DNA que possuímos são conhecidos

cientificamente por “genes”. Não é por

acaso que a palavra “gene” vem de

“gênesis” que significa “o início”. Esses

genes foram se especializando ao longo

desses bilhões de anos até que há cerca

de 70 milhões de anos surgiram os

nossos ancestrais denominados por hominídeos.

Durante 70 milhões de anos

os hominídeos foram se transformando

e crescendo em tamanho até que

82

NewsLab - edição 102 - 2010


surgiu a espécie humana por volta de

2,5 milhões de anos. Você já imaginou

quantas vezes nossos genes tiveram

de modificar para se adaptar ao meio

ambiente, às diferentes alimentações,

ao clima, às infecções etc. dentro do

processo evolutivo da espécie humana

Os mais recentes estudos mostram

que cada célula do nosso corpo tem

cerca de 25 mil genes distribuídos nos

23 pares de cromossomos formados

pelos quase dois metros do filamento

estendido do DNA. Em média, cada

gene produz quatro diferentes tipos

de proteínas, portanto, acredita-se

que cada ser humano tem cerca de

100 mil proteínas. Diante dessa breve

apresentação, faço cinco perguntas e

eu mesmo escrevo as respostas, que

estão fundamentadas na literatura

científica.

1 – Das 100 mil proteínas que

acreditamos existir no nosso corpo,

quanto delas você imagina que seu

médico conhece

R: Um médico bem informado é

capaz de listar entre 20 e 30 proteínas.

2 – Das 100 mil proteínas que

acreditamos possuir, quantas delas

podem ser analisadas na rotina de

um laboratório de análises clínicas

R: Um bom laboratório dispõe a

analisar, em média, 10 a 20 proteínas

diferentes. Somando todas as pesquisas

em todo o mundo, os laboratórios

de pesquisas científicas conseguiram

desvendar apenas sete mil proteínas

do nosso corpo.

3 – Você sabia que entre os 25 mil

genes conhecidos, muitos deles estão

relacionados com doenças, virtudes,

comportamentos etc. Como se explica

as funções desses genes

R: Doenças, comportamentos e virtudes,

por exemplo, depende da qualidade

dos genes e do meio ambiente em

que cada um de nós estamos inseridos.

Há genes excepcionalmente bem formados,

há outros que são defeituosos

desde o nascimento e há, também,

os genes que se tornam defeituosos

durante a vida. Esses últimos, muitas

vezes se tornam defeituosos pela influência

do meio ambiente.

4 – Cite dois exemplos: um de

gene defeituoso e outro de qualidade

excepcional.

R: O primeiro exemplo é com

referência ao vício pela cocaína. No

cromossomo 11 de nossas células

existe um gene especializado em

produzir proteínas para compor

o canal da vesícula receptora dos

neurônios que recebem a substância

neurotransmissora, naturalmente

produzida por nosso organismo,

conhecida por dopamina. Caso uma

pessoa tenha um defeito no DNA do

gene que produz essas proteínas do

canal das vesículas dos neurônios,

alterando, por exemplo o seu diâmetro,

haverá menos absorção de

dopamina e, consequentemente,

a “sobra” deste neurotransmissor

entre os neurônios induz a um grau

de euforia que dura um tempo maior

que o normal. Pessoas com esse defeito

e que fazem o uso de cocaína

têm a manifestação da euforia de

forma desproporcional, pois alguns

componentes químicos da cocaína

têm a capacidade de “entupir” os

canais – já, por si, defeituosos. Assim,

haverá uma excessiva “sobra”

de dopamina entre os neurônios, fato

que provoca a mudança de humor e a

agressividade de forma prolongada.

Esse fato poderia explicar por que

alguns viciados cometem crimes e

outros apenas se satisfazem do momento

de forma “prazerosa”.

O segundo exemplo se refere ao

DNA da virtude auditiva e que motiva

o aparecimento de gênios musicais

(Mozart, Beethoven, Jimi Hendrix,

entre outros) ou dos mateiros que

são capazes de ouvir o rastejar de

uma cobra a mais de 20 metros de

distância. Todos nós temos no nosso

cromossomo 10 um gene que produz

proteínas que vão compor as células

capilares da cóclea do ouvido médio.

Essas células, quando formadas com

qualidades excepcionais, estimulam

os sensores das vibrações sonoras.

Essa é a razão pela qual pouquíssimas

pessoas têm a capacidade de ouvir

um som, distingui-lo e guardar na

memória por muitos e muitos anos.

5 – O que mais o DNA pode explicar

R: O estudo do DNA que compõe

os genes explica ainda o câncer,

Alzheimer, resistência física, obesidade,

diabetes, doenças do coração,

anemias hereditárias, hemofilias,

maldade, entre outros. Entretanto,

é necessário que se esclareça: todas

essas e outras relações com o DNA

estão no início do seu entendimento.

A tecnologia disponível para o avanço

sobre os conhecimentos do DNA se

desenvolveu muito mais rapidamente

do que o conhecimento que se

dispõe atualmente para entender o

DNA. Apesar disso, nesses próximos

dez anos muitos conceitos genéticos,

médicos, biológicos e filosóficos serão

modificados e atualizados. Para que

esse processo ocorra de forma adequada

é importante que os estudiosos

proporcionem informações sensatas e

responsáveis aos leitores interessados.

Por essa razão a Editora Livraria

Médica Paulista publicou o livro “Em

nome do DNA”, de minha autoria, com

o objetivo de esclarecer professores,

médicos, profissionais da saúde e

público interessado, sobre as reais

possibilidades do nosso DNA. É um

começo, mas de grande importância

para aqueles que se interessam por

entender os segredos da vida.

Paulo Cesar Naoum é biomédico, Professor

Titular pela UNESP, ex-assessor da

OMS e diretor da Academia de Ciência e

Tecnologia de São José do Rio Preto, SP.

NewsLab - edição 102 - 2010

83


ESPECIAL Especial

Especial

ESPECIAL

Especial

ESPECIAL

Especial ESPECIAL

ESPECIALEspecial

Arroz nas juntas

As articulações ou juntas

são regiões de união entre

dois ou mais ossos e

apresentam uma variedade

de formas e funções.

São classificadas pela

maioria dos anatomistas

em sinartroses e diartroses

ou articulações sinoviais.

Estas últimas situam-se geralmente

entre dois ossos longos, como, por

exemplo, no joelho e cotovelo, e são dotadas de grande mobilidade.

Apresentam uma cápsula e um espaço ou cavidade

articular que permite a mobilidade. São revestidas por uma

membrana especial denominada sinovial e que sintetiza um

líquido claro e viscoso (fluido ou líquido sinovial).

As doenças articulares – artropatias – são muito comuns

e, frequentemente dispendiosas, constituindo em uma das

principais causas de incapacidade física, temporária ou

permanente. Em uma citação sobre o problema da osteoartrose

nos Estados Unidos, é estimada uma despesa anual

de mais 30 bilhões de dólares para tratamento e para

compensar a abstenção ao trabalho. O número de doenças

englobadas pelo termo reumatismo é muito grande e de

difícil sistematização. Algumas associações internacionais

sobre doenças ósteo-articulares reconhecem mais de uma

centena de “transtornos reumatológicos”.

As articulações sinoviais, em algumas artropatias degenerativas

e inflamatórias, podem conter na cavidade pequenas

formações esbranquiçadas que lembram a forma, o tamanho

e a cor branca do grão de arroz polido (Ingl. grains

of polished white rice).

– A artrite reumatoide provoca edema e infiltrado inflamatório

de plasmócitos, linfócitos e macrófagos na membrana

sinovial e exsudação de fibrina no espaço articular. A

deposição de fibrina pode resultar em pequenos nódulos

fibrinosos que flutuam dentro da articulação. O aparecimento

de vilos hipertróficos alongados, como evento terminal,

pode também se destacar e configurar corpúsculos de arroz

(Ingl. rice bodies), pois são esbranquiçados. Na osteoartrose

(osteoartrite nos livros de língua inglesa) podem surgir

pequenas fraturas e fragmentos de cartilagem e de osso

subcondral deslocados caem na cavidade, formando os

chamados corpos livres intra-articulares ou corpúsculos de

arroz. Outras denominações, especialmente em tratados

na língua inglesa, são corpos livres intra-articulares (Ingl.

loose bodies), camundongos articulares (Ingl. joint mice),

corpos orizoides (Lat. corpora oryzoidea) ou ainda corpos

oriziformes, isto é, que têm a forma de grão de arroz.

Com o tempo, tais corpúsculos podem sofrer condrificação

e calcificação.

– Os corpos oriziformes são observados em várias outras

artropatias, incluindo as de fundo infeccioso, como a

tuberculose articular. Aliás, segundo relatos da literatura

médica, os corpúsculos de arroz foram descritos em 1895,

originalmente, na artrite tuberculosa. Nesta doença variam

em número, forma e consistência e, com a maturação,

contêm tecido com fibras colágenas, reticulina e elastina.

Através da fibrogênese, eles contribuem para a cronicidade

do processo inflamatório articular.

– Partículas ou flocos ovoides de calcificação também

semelhantes a grãos de arroz podem ocorrer nos tecidos

moles, sobretudo nos músculos esqueléticos, e são muito

característicos de cisticercose (relação com infecção por Taenia

solium). Quando a resposta inflamatória do hospedeiro

mata as larvas, isto é, os cisticercos, verifica-se inflamação

granulomatosa e, em seguida, um processo de calcificação

distrófica. O estudo radiológico, em radiografias simples,

mostra múltiplas lesões radiopacas, esbranquiçadas, tipo

arroz intumescido (Ingl. puffed-rice) ou grãos de arroz (Ingl.

rice grains or rice bodies).

(Texto baseado principalmente em Andrade-Filho, JS, Aymoré IL,Barbosa,

CSP e Lemos, C. Sistema ósteo-articular. Brasileiro Filho, G. Bogliolo

Patologia, 7ª Ed. 2006- Guanabra Koogan, Rio de Janeiro, RJ) e Resnick,

D. Diagnosis of bone and joint disorders. Saunders, 3ª Ed. 1995)

José de Souza Andrade Filho - Patologista, membro da Academia

Mineira de Medicina e professor de anatomia patológica da

Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

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NewsLab - edição 102 - 2010


Medicina Laboratorial - da

Concepção à Terceira Idade

Este foi o tema do 44º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial,

que reuniu 4.600 pessoas no Rio de Janeiro

Centro de Convenções SulAmérica,

no Rio de Janeiro, sediou

O

a 44ª edição do Congresso Brasileiro

de Patologia Clínica/Medicina

Laboratorial, entre os dias 14 e 17

de setembro.

Com um público estimado em

4.600 pessoas, o tema principal

do evento foi Medicina Laboratorial

- da Concepção à Terceira Idade.

Além da intensa programação

de palestras e workshops, foram

apresentados mais de 400 pôsteres

de trabalhos científicos.

Uma feira comercial foi realizada

simultaneamente, onde 100 empresas

do setor apresentaram suas

novidades técnicas e científicas,

como equipamentos, produtos e

serviços para laboratórios clínicos.

Os médicos Gian Luca Salvagno,

da Itália, e Donald Young, dos

EUA, apresentaram as conferências

magnas do evento, atividades que

Exposição científica

Entrada do Centro de Convenções

aconteceram isoladamente, sem

outra simultânea, para que todos

pudessem assisti-las.

Salvagno é um pesquisador e

especialista em Química Clínica e

Medicina Laboratorial da Universidade

de Verona (Itália) e falou

sobre o impacto dos erros préanalíticos

na avaliação laboratorial

de crianças, adultos e idosos.

Para ele, a falta de procedimentos

padronizados para a coleta é

responsável pela maioria dos erros

que ocorrem nas análises clínicas,

que incluem o uso impróprio dos

instrumentos de coleta, estase

sanguínea na punção venosa, centrifugação

e tempo incorretos e

armazenamento inadequado.

“Muitos erros são provocados

por falhas do sistema e falta de

treinamento adequado dos técnicos

envolvidos com a coleta e manuseio

de amostras”, alertou.

Segundo Salvagno, a gestão

das variáveis pré-analíticas reduz

os custos do laboratório, melhora a

relação com o médico e, especialmente,

diminui o impacto dos erros

pré-analíticos na avaliação laboratorial

de crianças, adultos e idosos.

O norte-americano Donald

Young, médico, PhD e professor

do Departamento de Patologia e

Medicina Laboratorial da Universidade

da Pensilvânia, apresentou a

conferência “Otimizando a eficiência

do laboratório”.

De acordo com o especialista,

a direção do laboratório precisa

manter-se próxima da sua equipe

e interagir com ela sempre que

possível. Mais importante ainda é

conhecer seus clientes, médicos e

pacientes.

Em sua apresentação, Young

falou sobre a importância dos

programas de gestão da qualidade

acompanharem todas as

fases envolvidas na realização de

86

NewsLab - - edição 102 93 - 2009


exames. Os erros detectados devem

ser usados como referência

para aperfeiçoar os processos no

laboratório.

“Otimizar os processos aumenta

a eficiência e melhora a qualidade

dos testes, sem aumentar os custos

operacionais do laboratório”, acrescenta

o médico.

Lab Tests Online BR é lançado durante

o congresso

O primeiro dia do congresso foi

marcado pelo lançamento oficial

do site Lab Tests OnLine BR (www.

labtestsonline.org.br).

Lab Tests Online BR apresenta

informações sobre exames

laboratoriais, doenças e estados

clínicos relacionados, informações

sobre como o paciente deve ser

preparar para cada tipo de exame,

como é colhida a amostra, entre

outras informações. O site também

tem perguntas frequentes e um

glossário de termos mais usados e

exames laboratoriais.

O site é voltado principalmente

para o público leigo porque oferece

informações corretas e confiáveis,

com o aval de uma sociedade de

especialidade médica, revisadas e

atualizada por patologistas clínicos.

Festa de encerramento

Os profissionais de saúde também

encontram no Lab Tests Online

BR uma fonte de informações útil

e precisa.

Participaram do lançamento o

presidente da Sociedade Brasileira

de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

(SBPC/ML), Carlos Ballarati,

os membros do corpo editorial do

site Alvaro Martins e Murilo Melo, o

editor executivo do Lab Tests Online

dos EUA, George Linzer, e o secretário-executivo

da Câmara Brasileira

de Diagnóstico Laboratorial (CBDL),

Carlos Eduardo Gouvêa.

George Linzer elogiou a iniciativa

da SBPC/ML ao fazer do Brasil

o 13º país a oferecer o site à sua

população. “Certamente, o Lab

Tests Online terá, no Brasil, o mesmo

sucesso que já alcançou nos 12

países em que está em operação”.

Fase pré-analítica é abordada em livro

Outro acontecimento de destaque

foi o lançamento, no estande

da SBPC/ML, do livro “Gestão da

Fase Pré-analítica - Recomendações

da SBPC/ML”.

A publicação reúne artigos

de médicos patologistas clínicos,

farmacêuticos-bioquímicos, biomédicos

e enfermeiros, em um

trabalho sem precedentes no Brasil.

Os capítulos são escritos de forma

didática e útil para uso no dia a

dia do laboratório, com ilustrações

e gráficos.

Os temas abordados incluem coleta

de sangue em pediatria, gestão

de riscos, prevenção de acidentes

por material perfurocortante, coleta,

transporte e armazenamento

de amostras para diagnóstico molecular,

exame de urina de rotina e

urina 24 horas, a fase pré-analítica

Sessão de pôsteres

na visão do PALC – SBPC/ML e

RDC 302 e a Norma PALC versão

2010, com um item inédito sobre

“Gestão dos riscos e da segurança

do paciente”.

“A fase pré-analítica concentra

a grande maioria dos erros que

culminam muitas vezes em resultados

laboratoriais inconsistentes.

Muitos desses erros não podem

ser controlados ou detectados pelo

laboratório clínico. No entanto, o

laboratório clínico pode atuar de

forma pró-ativa para minimizar

este tipo de erro. O processo de

educação continuada, por meio de

documentos de recomendações, é

a contribuição maior que a SBPC/

ML oferece para incrementar a

qualidade no laboratório clínico”,

diz o diretor científico da SBPC/

ML, Nairo Sumita, que coordena a

publicação.

O livro é editado como um fichário

com fascículos que contêm

um ou mais capítulos. Esse formato

facilita a consulta e o manuseio.

Em breve, o livro estará disponível

para consulta e download

gratuito no site da SBPC/ML e na

Biblioteca Digital.

Anote:

A próxima edição do Congresso da

SBPC/ML será de 16 a 19 de agosto de

2011, na cidade de Florianópolis, SC.

NewsLab - edição 93 102 - - 2009

87


Publieditorial

Congrelab 2010: Laborsys

com apoio master

O

final do mês de outubro (dias 28 a 30) foi marcado

por momentos de atualização para os profissionais de

laboratórios clínicos do Rio Grande do Sul. No Centro

de Eventos Plaza São Rafael em Porto Alegre ocorreram com

sucesso as atividades 2010 do Congrelab, onde a Laborsys

mostrou seu apoio como expositor master.

O Congrelab é promovido pelos Laboratórios Associados

(LAS), uma rede de cooperação de médios e pequenos laboratórios

(33) de análises clínicas do Rio Grande do Sul, que

tem como missão proporcionar o desenvolvimento e o aumento

da competitividade aos seus associados. Dra. Adriana Simões

Pires Martins, na posição de Presidente da LAS, ressalta que o

alicerce da rede é “acreditar na união” para o desenvolvimento

dos profissionais e dos laboratórios associados.

Assim, desde a 1ª Jornada Científica organizada pelo Dr.

Sérgio Dantas (2º Vice Presidente) em Rosário do Sul, RS, em

1997, a LAS congrega profissionais de análises clínicas para

atualização, aprimoramento científico, capacitação técnica e em

gestão laboratorial.

Já na 13ª Jornada Científica de Análises Clínicas, o Congrelab

2010 foi realizado com o apoio institucional do Alpha Laboratório,

localizado em Marau, RS. Na condição de associado

do LAS, esse laboratório exerceu coordenação geral do evento

sob a Presidência do Dr. Manoel Jesus M. Feijó. O Presidente

do evento destacou dentre as diversas atividades, palestrantes

com referências nacionais e internacionais, a realização da 1ª

Jornada Sul – Brasileira de Citologia Clínica com apoio da Sociedade

Brasileira de Citologia Clínica e a abordagem de temas

atuais sobre esta área especializada em laboratórios análises

clínicas. Além desses, foi destaque o curso de “Atualização

Técnico-Administrativa em Laboratórios de Análises Clínicas”,

o número de inscrições de estudantes (45% dos inscritos) na

graduação de cursos da área laboratorial e o espetáculo teatral

Encontro de amigos: Dr. Sérgio Dantas (Direção - LAS), Dra. Adriana Simões

Martins (Presidente do LAS), Eduardo Moraes (Diretor Laborsys – RS),

Dr. Manoel Feijó (Presidente CONGRELAB), Dr. José Fabri Junior (Palestrante –

InCor/USP), Zaluar Pereira (Supervisor – Laborsys) e Angelo Tirone (Executivo

de Contas – Roche)

Estande da Laborsys: momento de rever amigos e de atualização sobre

novas tecnologias

Romeu e Julieta, que confraternizou os participantes na

noite do dia 29 de outubro.

Dr. Manoel ainda ressalta a realização da 9ª Feira de

Produtos e Serviços de Laboratório, com a abertura para patrocinador

master. Desta forma, a organização proporciona

uma maior credibilidade ao evento, além de investir cada

vez mais na programação científica, trazendo palestrantes

de alto nível.

A Laborsys, como um modelo em distribuição e

soluções para laboratórios clínicos, participou de forma

ativa em todas as iniciativas do LAS para congregar seus

associados. O Sr. Eduardo Moraes, Diretor Geral da Laborsys

– RS, salienta que o interesse no apoio à rede LAS é de

“fomentar a troca de experiências técnicas/administrativas

e favorecer o relacionamento, sempre em busca de uma

condição maior do que cliente/fornecedor”. Portanto, as

participações da empresa em todos os eventos foram oportunidades

para rever amigos, demonstrar que a parceria é

real e gerar novos negócios.

Todo ano há uma expectativa crescente por parte dos

colaboradores da Laborsys em relação ao Congrelab, fato

caracterizado pela dedicação especial para cobertura do

evento. Como patrocinador master, o estande da empresa

tornou-se um local de encontro de atuais e novos clientes,

mostrando seus diferenciais, tais como: equipes de venda

e assessoria técnica/científica, lançamentos, soluções

para laboratórios clínicos e produtos a favor de condutas

médicas (point of care).

Em visita ao estande da Laborsys, a Diretora Técnica

do Laboratório Clínico do Hospital Tachini (Bento Gonçalves,

RS), Dra. Roselane Paula Romão, elogiou a programação

científica do evento, a oportunidade de interagir com

outros profissionais de laboratório, a maior aproximação

dos fornecedores e o fácil acesso às novas tecnologias.

Ademais, os colaboradores da Laborsys reconhecem

o trabalho brilhante realizado pela atual direção da LAS,

dando continuidade aos ideais traçados pelos fundadores.

Fotografias: Sidnei Schirmer

Edição: LORD & fer.


Artigo

Prevalência de Anticorpos Contra o Vírus da Hepatite C e da

Imunodeficiência Humana no Norte do Estado do Rio de Janeiro

Michele Wilmen Barcelos 1 , Luciana Araújo 1 , Vanessa Salete de Paula 2 , Livia Melo Villar 3

1 - Laboratório de Hepatites Virais, Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz, Rio de Janeiro

2 - Curso de Ciências Biológicas, Faculdade Redentor, Itaperuna

3 - Laboratório de Desenvolvimento Tecnológico Viral, Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz, Rio de Janeiro

Resumo

Summary

Prevalência de anticorpos contra o vírus da hepatite

C e da imunodeficiência humana no norte do estado do

Rio de Janeiro

Os vírus da hepatite C (HCV) e da imunodeficiência humana

(HIV) são graves problemas de saúde pública no Brasil. Neste estudo,

determinou-se a frequência de anticorpos anti-HCV e anti-HIV

em indivíduos atendidos em um hospital público de Campos dos

Goytacazes (RJ). A prevalência global de anti-HCV foi de 0,7% e

predominou em mulheres com idade superior a 40 anos, enquanto

que o anti-HIV foi observado em 4% dos indivíduos, principalmente

em mulheres na faixa etária de 21 a 40 anos. As prevalências de

anti-HCV e anti-HIV em gestantes foram 0,2 e 0,4%, respectivamente.

A taxa de coinfecção HCV-HIV foi de 7,4%. Observamos

baixa prevalência de HCV e HIV nesta população, possivelmente

devido ao alto número de gestantes no estudo. Estes dados podem

auxiliar na prevenção e assistência de grupos de elevado risco de

exposição a estes vírus.

Prevalence of antibodies against hepatitis C virus

and human Immunodeficiency virus in the North of Rio

de Janeiro State

Hepatitis C virus (HCV) and human immunodeficiency

virus (HIV) are a great public health problem in Brazil. In this

study, the frequency of antibodies against HCV and HIV were

determined among individuals referred to a public hospital in

Campos dos Goytacazes (RJ). The global anti-HCV prevalence

was 0.7% and predominates in women aging more than 40

years-old, while anti-HIV was observed in 2% of individuals

principally in women aging 21 to 40 years-old. Anti-HCV and

anti-HIV prevalence in pregnant women were 0.2 and 0.4%,

respectively. The HCV and HIV co-infection rate was 7.4%. We

observed low prevalence of HCV and HIV in this population

possibly due to the high number of pregnant women in the study.

These data may help in prevention and care of groups at high

risk of exposure to these viruses.

Palavras-chave: Vírus da hepatite C, vírus da imunodeficiência

humana, prevalência

Keywords: Hepatitis C virus, human immunodeficiency virus,

prevalence

Introdução

O

vírus da hepatite C (HCV) e

o vírus da imunodeficiência

humana (HIV) podem ser

transmitidos pela exposição parenteral

a sangue ou hemoderivados

contaminados e através de objetos

perfurocortantes (1).

Estima-se que em todo o mundo

existam 130 milhões de pessoas infectadas

pelo HCV (2) e em torno de

39,5 milhões de pessoas com HIV (3).

No Brasil, a prevalência de anti-HCV

e anti-HIV entre doadores de sangue

varia de 0,3 a 0,9% (4-6) e 0,1% a

0,4% (7-9), respectivamente.

A coinfecção do HCV em portadores

de HIV é frequentemente observada

devido à transmissão parenteral

dos dois vírus (1) e, no sul do Brasil,

21% dos indivíduos com HIV estão

coinfectados com o HCV (10).

Nos indivíduos coinfectados, a

progressão da doença pelo HCV é

geralmente mais agressiva e com

maior nível de viremia e maior risco

de associação do HCV com a cirrose

hepática e/ou hepatocarcinoma (1).

Devido à morbidade e mortalidade

destas infecções e ausência de

estudos em determinados segmentos

populacionais, torna-se necessário

realizar estudos de prevalência para

determinar a distribuição de indivíduos

infectados e suscetíveis, a fim

de estabelecer medidas preventivas

e de controle. Por este motivo, o objetivo

deste trabalho foi determinar

90

NewsLab - edição 102 - 2010


a frequência de anticorpos anti-HCV

e anti-HIV em indivíduos atendidos

em um hospital público localizado em

Campos dos Goytacazes, norte do

estado do Rio de Janeiro.

Materiais e Métodos

Foi realizado estudo retrospectivo

entre os indivíduos atendidos na

Unidade de Patologia Clínica (UPC)

do Hospital Geral de Guarus (HGG)

localizado em Campos dos Goytacazes,

para fins de diagnóstico do HCV e

HIV entre julho a dezembro de 2006.

Campos dos Goytacazes é um município

localizado no norte do estado

do Rio de Janeiro (Brasil) com aproximadamente

430.000 habitantes. É

a maior cidade do interior fluminense,

décima maior do interior do Brasil e

o município com a maior extensão

territorial do estado.

As amostras de soro foram testadas

utilizando-se kits comerciais

de terceira geração Hepanostika ®

HCV Ultra (BioMérieux, França) para

a pesquisa de anticorpos anti-HCV e

Elisa de terceira geração (Cobas Core

Anti HIV1+2+O, Roche Diagnostics

Corporation, Indianápolis, USA) para

a pesquisa de anticorpos anti-HIV. Não

foram realizados testes confirmatórios

para as infecções. Consequentemente,

os resultados se referem à positividade

para os testes de Elisa.

Os dados epidemiológicos da população

estudada foram obtidos no

próprio serviço, a partir da ficha de

notificação do Sistema de Informação

de Agravos de Notificação (SINAN).

Os resultados dos exames sorológicos

solicitados para o HCV foram obtidos

a partir do banco de dados da UPC.

Em seguida, estes dados foram codificados

e digitados em um banco de

dados criado no programa Excel. Os

seguintes critérios foram utilizados

para inclusão do indivíduo no estudo:

possuir resultado de sorologia para

HCV e HIV; e informações referentes

a sexo, idade e, em caso de gestantes,

o período gestacional.

O estudo foi aprovado pelo Comitê

de Ética em Pesquisa da Faculdade Redentor

e pela Direção Geral do Hospital

e cumpriu as recomendações da Resolução

196/96 do Conselho Nacional

de Saúde que regulamenta a pesquisa

com seres humanos no Brasil.

Resultados

Foram incluídos 3.679 indivíduos

no estudo de acordo com os critérios

de inclusão. A maioria dos indivíduos

era do sexo feminino (83,5%) na

faixa etária de 21 a 40 anos de idade

(59,9%) (Tabela 1). A média de idade

da população foi 29,2 anos, variando

de 01 a 87 anos com desvio padrão

de 12,05 anos. Dentre as mulheres

incluídas no estudo, 2.007 eram gestantes

e a maioria (1.005) estava no

primeiro trimestre da gravidez.

A soroprevalência global de anti-

HCV foi de 0,7%, representando 27

indivíduos. A maioria dos indivíduos

positivos era do sexo feminino

(51,8%) e tinha idade superior a 40

anos (55,5%) (Tabela 2). Somente

cinco gestantes eram positivas para

anti-HCV, representando 0,2% de

prevalência (5/2.007).

Na tabela 2, podemos observar

que 76 indivíduos apresentavam anticorpos

anti-HIV, representando 2%

da população estudada. A maioria

dos indivíduos era do sexo feminino

(60,5%), com faixa etária entre 21

a 40 anos (média de idade de 35,3

anos) e não gestantes. Somente nove

gestantes eram positivas para anti-

HIV, demonstrando uma prevalência

de 0,4% (9/2.007).

Dos 27 indivíduos com sorologia

positiva para anti-HCV, somente dois

indivíduos também apresentavam

anticorpos anti-HIV, um de cada sexo

e com mais de 40 anos. Levando em

consideração somente os indivíduos

anti-HCV positivos, a taxa de coinfecção

HIV/HCV foi de 7,4%.

Tabela 1. Distribuição da população estudada de acordo com o sexo e a faixa etária, Campos dos Goytacazes, 2006

Sexo

Faixa Etária

(anos)

Feminino Masculino Total

n % n % n %

0 – 20 795 25,9 89 14,7 884 24,1

21 – 40 1.862 60,6 343 56,5 2.205 59,9

> 40 415 13,5 175 28,8 590 16

Total 3.072 83,5 607 16,5 3.679 100

NewsLab - edição 102 - 2010

91


Tabela 2. Positividade para os marcadores sorológicos para infecção pelo vírus da hepatite C (HCV) e da imunodeficiência humana (HIV)

na população estudada de acordo com sexo e idade

Variável

Anti-HCV

Anti-HIV

n % n %

Sexo

Feminino 14 51,8 46 60,5

Masculino 13 48,2 30 39,5

Idade (anos)

0-20 1 3,7 8 10,5

21-40 11 40,8 46 60,5

>40 15 55,5 22 29,0

Discussão

Neste estudo, a prevalência de

anti-HCV foi igual a 0,7%, valor inferior

ao observado em doadores de

sangue de São Paulo (1,2%) (6), Rio

de Janeiro (0,9%) (5) e Paraná (0,9%)

(4), indicando que apesar da ausência

de testes confirmatórios, a prevalência

de anticorpos anti-HCV nesta

população é relativamente baixa. Já

a prevalência de anticorpos anti-HIV

neste estudo (2%) foi superior àquela

observada em bancos de sangue

do país (7-9), porém menor do que

havia sido observado previamente

em mulheres não gestantes (8,1%)

e homens de Campos de Goytacazes

(12,6%) (11), demonstrando que a

prevalência desta infecção tem diminuído

nos últimos anos.

As soroprevalências das infecções

pelo HCV e HIV variam de acordo com

o grupo populacional e região estudada.

Em nosso estudo, houve maior

frequência de mulheres, o que levou

à maior frequência destas infecções

neste grupo. A maioria da população

era gestante (2.007/3.679), deste

modo ao avaliarmos a prevalência

destas infecções na população não

gestante, verificamos que a prevalência

de anti-HCV seria de 1,3%

(22/1.672) e de anti-HIV seria 4%.

Verificamos que estas prevalências

são maiores do que aquelas observadas

em bancos de sangue (4-9), porém

menores do que aquelas relatadas

em laboratórios de saúde pública (12),

indicando baixa prevalência destas

infecções nesta região.

As prevalências de anti-HCV e anti-

HIV no grupo de gestantes foi baixa

(0,2% e 0,4%) comparada a estudos

de prevalência de anti-HCV em

gestantes de Cuiabá (MT) (13) e de

prevalência de anti-HIV em gestantes

do Distrito Federal (14). O diagnóstico

destas infecções na população em

geral, e em especial em gestantes, é

extremamente importante, devido ao

risco de transmissão perinatal. Por

este motivo, testes de diagnóstico devem

ser realizados de forma precoce.

A maioria dos indivíduos com anticorpos

anti-HCV tinha idade superior

a 40 anos, tal como observado entre

gestantes (13), doadores de sangue

(4) e indivíduos atendidos em laboratórios

públicos (12). Isto pode estar

associado a transfusões sanguíneas

antes do estabelecimento de testes

de triagem sorológica para HCV em

bancos de sangue a partir de 1993.

A frequência de anticorpos anti-

HIV foi maior em indivíduos entre 21

a 40 anos de idade, provavelmente

devido à via de transmissão sexual.

Em estudo realizado anteriormente

neste grupo (11), observou-se maior

frequência de anti-HIV em indivíduos

com idade acima de 40 anos, indicando

que pode estar ocorrendo uma

mudança na endemicidade da infecção

nesta população.

Visto que a maioria da população

infectada desconhece seu estado sorológico,

é assintomática, não apresenta

alterações no exame clínico, não tem

comportamento de risco, e não acredita

que seus parceiros possam ser considerados

de risco, é importante a realização

de testes de triagem para que possa

conhecer seu estado sorológico.

A taxa de coinfecção HCV e HIV

observada (7,4%) foi inferior à documentada

na região sul do Brasil (10),

provavelmente devido ao alto índice de

gestantes em nossa população de estudo

que pode ter levado a números subestimados

de coinfecção nesta região.

Embora não possam ser extrapolados

para o conjunto da população,

dados dos serviços de saúde são importantes

para a vigilância epidemiológica

destas infecções. Estes dados

podem auxiliar na prevenção e assistência

de grupos sob maior exposição

a estes vírus, pois são relativamente

baratos e de fácil implementação no

nível local de gerenciamento do cuidado

em saúde.

92

NewsLab - edição 102 - 2010


A exatidão destas estimativas pode ser melhorada

com estudos periódicos sorológicos de base populacional

e com estudos de comportamento, especialmente

para monitorar tendências temporais.

Correspondências para:

Dra. Livia Melo Villar

liviafiocruz@gmail.com

Referências Bibliográficas

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de testagem e aconselhamento em Aids. Rev Saúde Pública. 41:

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NewsLab - edição 102 - 2010

93


Artigo

Infecções Causadas por Cryptococcus albidus e C. laurentii:

implicações clínicas e identificação laboratorial

Reginaldo dos Santos Pedroso 1 , Mário Paulo Amante Penatti 1 , Claudia Maria Leite Maffei 2 , Regina Celia Candido 3

1 - Curso Técnico em Análises Clínicas, Escola Técnica de Saúde, Universidade Federal de Uberlândia

2 - Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de

São Paulo

3 - Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade

de São Paulo

Resumo

Summary

Infecções causadas por Cryptococcus albidus e C.

laurentii: implicações clínicas e identificação laboratorial

Atualmente os relatos de infecções causadas por Cryptococcus

albidus e C. laurentii têm se tornado mais frequentes na literatura

internacional. Estas espécies são conhecidas como saprófitas,

porém têm sido relacionadas a infecções em indivíduos com

deficiência da imunidade celular e existem, inclusive, relatos de

resistência à terapia antifúngica. As manifestações clínicas são

semelhantes às que ocorrem com as infecções causadas por C.

neoformans e C. gattii. O conhecimento do envolvimento desses

agentes em infecções, tanto em humanos como em animais, e a

correta identificação das espécies pelo laboratório, são importantes

para o esclarecimento da epidemiologia da doença.

Palavras-chave: Cryptococcus albidus, C. laurentii

Infections caused by Cryptococcus albidus and C. laurentii:

clinical implications and laboratory identification

At the present time, the reports of infections caused by Cryptococcus

albidus and C. laurentii have become more frequent in

the literature. These species are known as saprophytes, but they

have been related to infections in people with impaired cellular

immunity and there are even reports of resistance to antifungal

therapy. The clinical manifestations are similar to which take

place with the infections caused by C. neoformans and C. gattii.

The knowledge of the involvement of these agents in infections in

the human beings and animals, and the correct identification of

species by the laboratory is important for the understanding the

epidemiology of the disease.

Keywords: Cryptococcus albidus, C. laurentii

Introdução

As leveduras do gênero Cryptococcus

apresentam ampla

distribuição na natureza e

podem ser isoladas de diversas fontes,

como ar, água, solo, excretas de aves,

mucosas e superfícies de animais,

folhas e flores de diversos vegetais,

e da madeira em decomposição. São

isoladas, ainda, das mais diversas

regiões do mundo, como Caribe, Himalaia

e Antártica (1-4).

A maioria das espécies é considerada

de vida livre e poucas apresentam

importância na micologia médica. As

duas principais espécies que causam

doença no homem e em animais são

Cryptococcus neoformans e C. gattii,

que juntas formam o complexo

C. neoformans. A primeira é agente

de criptococose principalmente em

indivíduos imunocomprometidos e, a

segunda, em indivíduos imunocompetentes

(5, 6).

As demais espécies do gênero Cryp-

tococcus geralmente são consideradas

saprófitas, no entanto, nas últimas

décadas houve um aumento no relato

de infecções causadas principalmente

por C. albidus e C. laurentii. Estas duas

espécies juntas são responsáveis por

80% dos casos relatados de criptococose

não-neoformans e não-gattii. Os

outros casos referem-se a C. uniguttulatus,

C. curvatus, C. adeliensis, C.

humiculus, C. luteolus e C. macerans,

que também têm sido encontrados em

materiais clínicos (3, 7).

96

NewsLab - edição 102 - 2010


Os atuais relatos de infecções causadas

por espécies de fungos pouco

frequentes, como espécies de Cryptococcus,

podem refletir aumento de

número de casos, no entanto, podem

ser reflexo da melhoria das técnicas de

cultura e de identificação ocorridas nos

laboratórios, que contribuíram para o

diagnóstico.

O aumento do número de indivíduos

portadores de imunodeficiências

expostos aos agentes potencialmente

infecciosos também pode estar contribuindo

para o aumento da frequência

desses isolamentos (3, 8).

A maioria dos indivíduos acometidos

por criptococose não-neoformans

e não-gattii apresenta algum tipo de

imunodepressão, geralmente envolvendo

a imunidade celular, como a que

ocorre na síndrome da imunodeficiência

adquirida (AIDS), nos neutropênicos,

naqueles que recebem terapia

prolongada com corticosteróides e

também nos portadores de dispositivos

invasivos (3, 5, 7, 9).

A virulência de C. neoformans e

C. gattii está relacionada a vários

fatores, como a presença da cápsula

polissacarídica, a capacidade de

produzir melanina, de crescer à temperatura

de 37ºC, e de sintetizar as

exoenzimas fosfolipase, proteinase e

urease (10-12). Alguns relatos informam

que isolados de C. laurentii e C.

albidus, principalmente ambientais,

apresentam os fatores de virulência

descritos para C. neoformans e C.

gattii (13-15).

Os fatores de virulência contribuem

de modos diferentes para a instalação

da levedura no hospedeiro. A

presença da cápsula polissacarídica é

relacionada à defesa da levedura, por

ser uma estrutura antifagocitária (9),

a deposição de melanina na parede

celular favorece a evasão do sistema

imune e diminui a sensibilidade à terapia

antifúngica (16), e a capacidade

de crescimento à temperatura de 37ºC

auxilia na colonização de tecidos e

órgãos animais (14).

Cryptococcus laurentii

C. laurentii é uma levedura que

apresenta células ovoides, capsuladas,

geralmente de tamanhos menores que

C. neoformans. Foi isolada dos mais

diferentes ecossistemas, como de

vegetais, excretas de aves, e colonizando

a pele humana (14, 17, 18). O

material fecal de aves sadias parece

ser reservatório da espécie (19).

Análises da composição das bases

de DNA nuclear e dos padrões de

eletroforese das proteínas celulares

mostraram que C. laurentii representa

um grupo heterogêneo, sendo denominado

de complexo C. laurentii.

O sequenciamento da região D1/D2

do rDNA 26S e regiões ITS (internal

transcribed spacer) permitiu a divisão

deste complexo em dois grupos

filogenéticos, I e II, que podem ser

separados por algumas características

fisiológicas e bioquímicas, como

padrões de assimilação de carboidratos

e fontes de nitrogênio, e ainda

por requerimentos vitamínicos.

Deste modo, diferentes espécies

foram reclassificadas, sendo umas

transferidas para outros gêneros e

outras incluídas no complexo C. laurentii

(20, 21). A heterogeneidade

desta espécie também foi mostrada

por diferentes isolados obtidos do ambiente

na Antártica, que apresentaram

temperaturas ótimas de crescimento

variando de 15 a 30ºC, enquanto que

isolados clínicos e de outros ambientes

crescem a 37ºC (17, 22).

Atualmente C. laurentii é caracterizado

como patógeno humano

emergente, sendo que as infecções

ocorrem quase que exclusivamente

em indivíduos imunocomprometidos,

especialmente naqueles com

deficiências da imunidade celular,

como AIDS, doenças linfoproliferativas

e doenças hematológicas

malignas (3, 23).

Outros fatores de risco incluem

uso de esteróides ou agentes quimioterapêuticos,

transplantes de órgãos

e exposição direta a excretas de aves

(3). Os casos de criptococose por C.

laurentii descritos no homem incluem

doença disseminada no sistema

nervoso central, lesões na pele em

adulto imunocompetente, fungemia

em neonato, fungemia em paciente

com câncer refratário à terapia com

fluconazol, pneumonia e infecção de

orofaringe em paciente com leucemia

e infecção cutânea (7, 8, 24-28).

Cryptococcus albidus

C. albidus apresenta células globosas

ou ovoides, com cápsulas. É

encontrado no ambiente relacionado

a vegetais, excretas de aves, podendo

transitoriamente colonizar a pele

humana (17, 18).

Estudos das características fisiológicas,

bioquímicas e moleculares

revelaram a diversidade genética

desta espécie, apesar de ser menos

pronunciada em comparação a C.

laurentii (29, 31).

Os relatos de infecções em humanos

e animais são raros, e geralmente

ocorrem em indivíduos com

deficiência da imunidade celular. No

homem foi isolado de indivíduos com

meningite, osteomielite, sepse e infecções

de pele, pulmonar e ocular.

Em animais há relatos de infecção

genital e ceratite micótica em equinos,

e infecção sistêmica em cães (7,

17, 18, 26, 31-34).

As apresentações clínicas que

ocorrem nos pacientes com infecções

por C. albidus são similares àquelas

que ocorrem com C. laurentii (3).

98

NewsLab - edição 102 - 2010


Características laboratoriais

C. albidus e C. laurentii podem

ser isolados de variados espécimes

clínicos, sendo mais comuns o líquido

cefalorraquidiano, sangue e do

trato respiratório (escarro, lavado

bronco-alveolar e biópsia do pulmão).

Outras amostras incluem swabs de

lesões de pele, aspirados de lesões e

de infiltrados nodulares, líquidos do

espaço pleural, urina e esperma (3).

No exame direto aparecem leveduras

arredondadas, às vezes ovais, com

cápsula de espessura variável.

A cultura é realizada em meios de

rotina em micologia, como ágar Sabouraud

dextrose, evitando-se meios

que contenham ciclo-heximida, pois

esta inibe o crescimento da maioria

dos isolados.

O resultado do teste de aglutinação

do látex é bastante variável, sendo

que os estudos existentes mostram

uma positividade em cerca de 25%

dos casos (99% quando se trata de

C. neoformans), o que pode ocorrer

devido às diferenças antigênicas entre

as espécies, ou baixa carga microbiana

quando se trata de espécies nãoneoformans

e não-gattii (3).

As colônias de C. laurentii em

ágar Sabouraud dextrose, incubadas

a 25ºC, são lisas, brilhantes, com coloração

variando de creme, amarela,

rosa ou laranja, conforme o tempo de

incubação e o isolado considerado.

A micromorfologia obtida a partir

de ágar fubá-tween 80, após 72 horas

de incubação a 25-30ºC revela ausência

de filamentos, células ovoides ou

alongadas, blastoconídios isolados,

aos pares ou em pequenas cadeias, e

cápsula visível em preparações com

tinta nanquim (17).

A identificação laboratorial de

isolados de C. laurentii se baseia na

realização de provas clássicas: o teste

de tubo germinativo é negativo, hidrólise

de urease positiva, crescimento

variável em meio com ciclo-heximida.

Crescimento a 37ºC é variável e não

fermenta carboidratos.

Em testes de assimilação de fontes

de carbono e de nitrogênio, assimilam

glicose, galactose, maltose, trealose,

xilose, lactose, celobiose, arabinose,

rafinose, melibiose, inositol, manitol e

ramnose. Não assimilam sorbose nem

nitrato de potássio, e conforme o isolado,

apresentam resultados variáveis

para eritritol e glicerol (17, 35).

Podem formar melanina nos meios

contento substratos fenólicos, geralmente

colônias com pigmentação

menos intensa que C. neoformans e C.

gattii, e em um período de incubação

mais prolongado, conforme o isolado,

de três a oito dias (15, 16).

As colônias de C. albidus em ágar

NewsLab - edição 102 - 2010

99


Sabouraud dextrose, a 25ºC, apresentam

coloração bege ou rosa claro, e

podem ser lisas, rugosas, mucoides,

brilhantes ou opacas. A micromorfologia

em ágar fubá-tween 80, após 72

horas de incubação a 25-30ºC, mostra

células globosas ou ovoides, sem

pseudo-hifas ou hifas verdadeiras,

com cápsula (17).

Os testes para a identificação

laboratorial de isolados de C. albidus

mostram tubo germinativo

negativo, hidrólise de ureia positiva,

crescimento variável em meio com

ciclo-heximida. Crescimento a 37ºC é

variável e não fermenta carboidratos.

Assimilam nitrato, glicose, maltose,

trealose, xilose, rafinose, celobiose,

inositol, arabinose e manitol.

Não assimilam eritritol e glicerol;

apresentam resultados variáveis

para lactose, galactose, melibiose

e ramnose (17, 35). Podem formar

melanina nos meios contento substratos

fenólicos, com intensidade de

pigmentação variável, conforme o

tempo de incubação (15-17). C. albidus

assimila metil-alfa-D-glicosídeo, o

que o diferencia de C. diffluens, com o

qual é estreitamente relacionado (17).

A Tabela 1 mostra as características

das leveduras do gênero

Cryptococcus de interesse médico. A

reação da canavanina-glicina-azul de

bromotimol (CGB) é útil na diferenciação

de C. neoformans e C. gattii.

Estudos realizados por Tay e Tajuddin

(36) mostraram que a maioria dos

isolados de C. laurentii pode ter reação

CGB positiva, enquanto que todos os

isolados de C. albidus por eles estudados

apresentaram reação negativa.

Sensibilidade aos antifúngicos e

tratamento

As infecções pulmonares causadas

por C. neoformans e C. gattii sintomáticas

geralmente são tratadas com

fluconazol, e os casos de neurocriptococose

ou outra apresentação sistêmica

grave são tratados com anfotericina

B, seguido de terapia continuada com

fluconazol (37).

A 5-fluorocitosina não é utilizada

como terapia única porque pode levar

à seleção de células resistentes

durante a terapia. A associação de

anfotericina B com 5-fluorocitosina

apresenta efeito sinérgico e diminui

a frequência de efeitos colaterais da

primeira (38-40).

O tratamento das infecções causadas

pelas espécies emergentes

de Cryptococcus segue o mesmo

protocolo utilizado para C. neoformans

e C. gattii, considerando que

as informações são limitadas devido

ao número relativamente pequeno de

casos reportados, que foram tratados

empiricamente (3).

O amplo uso de azóis em pacientes

imunocomprometidos tem contribuído

para o aparecimento de resistência

a este grupo de antifúngicos. A resistência

primária em isolados de

Cryptococcus não-neoformans e nãogattii

parece ser mais frequente para

fluconazol e 5-fluorocitosina.

A resistência ao fluconazol apareceu

em pacientes que haviam recebido

profilaxia anterior com esta classe de

droga (3). Manfredi et al. (41) relataram

um caso de meningoencefalite

por C. laurentii resistente a anfotericina

B, ocorrido após dois episódios

de meningite por C. neoformans, que

haviam sido tratados com esta droga.

Tabela 1. Características bioquímicas das principais espécies de leveduras do gênero Cryptococcus de interesse clínico

Assimilação

Espécie Cápsula Urease

glucose

lactose

sacarose

inositol

xilose

celobiose

trealose

maltose

melobiose

galactose

rafinose

nitrato

de

prata

KNO 3

canavaninaglicina-azul

de

bromotimol

C. neoformans + + + - + + + V V + - + V - -

C. gattii + + + - + + + V V + - + V - +

C. laurentii + + + + + + + + + + V + V - V

C. albidus V + + V + V + + V + V V V + -

C. luteolus + + + - + + + + + + + + + - NT

C. uniguttulatus + + + - + + + V V + - V V - NT

C. terreus + + + V - + + + V V - V - + NT

NT = não testado; Adaptado de Lacaz et al. (35).

100

NewsLab - edição 102 - 2010


Estudo realizado por Pfaller et al.

(42) mostrou que 16,4% de 55 isolados

de C. laurentii e 43,5% de 23 isolados

de C. albidus foram resistentes

ao fluconazol, enquanto que 11,2%

de 2.824 isolados de C. neoformans e

9,4% de 32 de C. gattii apresentaram

resistência. Ainda neste estudo, os

isolados de C. laurentii e C. albidus

apresentaram maior frequência de

resistência ao voriconazol que C. neoformans

e C. gattii.

Bernal-Martinez et al. (43) relataram

que 5-fluorocitosina e as candinas

foram inativas contra espécies nãoneoformans,

não-gattii, enquanto que

a anfotericina B foi a droga mais ativa.

Estratégias de prevenção da infecção

A literatura relata pelo menos três

estratégias para a prevenção de infecções

causadas por C. neoformans, que

podem ser estendidas às demais espécies:

evitar contato com ambientes ricos

em propágulos do fungo (por exemplo,

excretas de aves), melhorar as defesas

dos hospedeiros imunocomprometidos

(pelo uso de medicamentos, terapia

antirretroviral combinada em pacientes

infectados pelo HIV), profilaxia antifúngica

em pacientes de risco (3).

Conclusão

Com o aumento do número de

pacientes imunocomprometidos e o

amplo uso de agentes imunossupressores,

a incidência de infecções fúngicas

tem crescido em todo o mundo,

e entre elas, aquelas causadas por

espécies de Cryptococcus emergentes,

como C. albidus e C. laurentii. Estas

espécies apresentam distribuição geográfica

diversa e os indivíduos mais

expostos são aqueles com deficiência

da imunidade celular ou com dispositivos

invasivos.

A identificação mais detalhada e a

realização de testes de sensibilidade

para os isolados clínicos de espécies

de Cryptococcus poderiam ser incluídas

na rotina de laboratório clínico,

considerando o perfil heterogêneo

dos isolados, especialmente quanto à

sensibilidade aos antifúngicos.

As estratégias sugeridas para prevenção

de doenças causadas por leveduras

oportunistas e emergentes são

evitar contato com fontes do agente

infeccioso, como os ambientes ricos

em propágulos, promover a recuperação

das defesas do hospedeiro, e

a profilaxia antifúngica em indivíduos

imunocomprometidos.

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104

NewsLab - edição 102 - 2010


Artigo

Avaliação do Padrão Citológico e Microbiológico

Detectado pela Coloração de Papanicolaou

Rita de Cássia Ródio 1 , Luciane Calil Mylius 2 , Andréia Buffon 2 , Vanusa Manfredini 3

1 - Acadêmica do Curso de Farmácia, Bioquímica Clínica da Universidade Regional Integrada do

Alto Uruguai e das Missões - Campus Erechim, RS

2 - Professor Adjunto do Departamento de Análises da Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

3 - Professor titular da disciplina de Citologia Clínica da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões -

Campus Erechim, RS, Departamento de Ciências da Saúde

Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões

Campus de Erechim, RS

Resumo

Summary

Avaliação do padrão citológico e microbiológico

detectado pela coloração de Papanicolaou

A prevenção e o diagnóstico precoce são as formas ideais para

reduzir as infecções cérvico-vaginais e a morbi-mortalidade decorrente

do câncer do colo uterino, já que este representa a segunda

causa de morte por câncer em mulheres no Brasil, superado apenas

pelo câncer de mama. O objetivo deste estudo foi verificar o perfil

citológico e microbiológico, detectado pela coloração de Papanicolaou,

em mulheres atendidas na Unidade Básica de Saúde (UBS)

do Bairro Progresso do Município de Erechim, RS. Foram coletadas

100 amostras de secreção cérvico-vaginal de mulheres que compareceram

para o exame de rotina na UBS e que responderam a um

questionário individual. As mulheres atendidas tinham idade entre 30

e 50 anos, 67% eram casadas e 63% tinham o 1º grau incompleto.

Neste estudo, as pacientes reconheceram a necessidade e periodicidade

do exame citopatológico. Ainda, das 100 amostras coletadas,

73% foram consideradas satisfatórias e 27% insatisfatórias para

análise microscópica. Os micro-organismos mais prevalentes foram

Gardnerella vaginalis, seguido de Actinomyces sp.. Foi observado

também, um elevado índice de lesões intraepiteliais de baixo grau

(LSIL/HPV), o que justifica a detecção precoce destas lesões iniciais

e o acompanhamento das mesmas.

Palavras-chave: Exame citopatológico, infecções cérvicovaginais,

lesões intraepiteliais

Avaliation of citologic and microbiology patterns

detected by Papanicolaou collored smears

Prevention and early diagnosis are the best way to reduce

cervical-vaginal infections and the morbid-mortality caused by colon

uterine cancer, since this is the second cause of death by cancer

in women in Brazil, overcome only by breast cancer. The aim of

this paper was to verify the cytological and microbiological profile

detected by Papanicolaou coloration in women users of Unidade

Básica de Saúde (UBS) of Progresso neighborhood in Erechim, RS.

100 samples were collected of cervical-vaginal secretion of women

who had the exam of routine at the UBS and also responded to an

individual questionnaire. The women presented age 30 to 50, 67%

were married and 63% had only high school graduation. Participants

recognized the importance of necessity and periodicity of citopathological

exam. 73% of the samples were considered satisfactory and

27% were unsatisfactory for microscopic analysis. The most prevalent

microorganisms were Gardnerella vaginalis followed by Actinomyces

sp in the patients age 30 to 50. High index of citopathological signs

related to human Papilomavirus (HPV) was also observed. Because

of these findings, cytological exam is important in preventing and

early diagnosing the alterations which damage vaginal epithelium.

Keywords: Citopathology, cervico-vaginal infections, Pap

smears

108

NewsLab - edição 102 - 2010


Introdução

Aprevenção e o diagnóstico

precoce são as formas ideais

para reduzir a morbidade e a

mortalidade decorrentes do câncer do

colo uterino, principalmente nos países

em desenvolvimento. Programas

de rastreamento desta neoplasia têm

importância pelo fato de interromperem

o curso natural da doença, pois

são capazes de detectar neoplasias

ainda em fase pré-invasora (1, 2).

As doenças sexualmente transmissíveis

(DST's) são causadas por

vários tipos de agentes e representam

um grave problema de saúde

pública. São transmitidas, principalmente,

pelo ato sexual sem o uso de

preservativo, com uma pessoa que

esteja infectada e se manifestam,

geralmente, por meio de feridas,

corrimentos, bolhas ou verrugas (3).

Alguns processos infecciosos na

vagina são resultados de desequilíbrio

da flora vaginal normal, ou

de causa hormonal, como ocorre

durante a gestação (4). Embora

o principal propósito da citologia

cérvico-vaginal seja a detecção das

lesões precursoras do câncer cervical,

o achado de condições infecciosas e

reativas pode também ter uma contribuição

para a saúde da paciente.

O câncer do colo do útero representa

a terceira causa de morte por

câncer em mulheres no Brasil, sendo

superado apenas pelo câncer de pele e

pelo câncer de mama (5). Segundo a

Organização Mundial de Saúde (OMS),

estima-se 15 milhões de novos casos

de câncer ao ano a partir de 2020 (6).

A colpocitologia oncótica, introduzida

na década de 40 por George

Papanicolaou, possibilitou um grande

avanço no controle do carcinoma uterino.

O exame é indolor, barato, eficaz

e pode ser realizado por profissional

da saúde habilitado, sem que haja

uma infraestrutura sofisticada.

O emprego da colpocitologia corada

pelo método de Papanicolaou

tem se mostrado eficaz para verificar

pacientes com lesões precursoras e

câncer de colo uterino, tornando-se

imprescindível seu uso (7,8). Esta técnica

de coloração é uma metodologia

clássica e padrão- ouro na citologia

hormonal. Possui boa especificidade,

principalmente na detecção de

Gardnerella vaginalis, Candida sp.,

Trichomonas vaginalis e Chlamydia

trachomatis (9).

O Papilomavírus humano (HPV)

é um vírus de DNA, do grupo Papovavírus,

que estão divididos em três

grupos, de acordo com seu potencial

de oncogenicidade. Os tipos de alto

risco oncogênico, quando associados

a outros cofatores, têm relação com

o desenvolvimento das neoplasias

intraepiteliais e do câncer invasor do

colo uterino (5).

O HPV provoca verrugas, com aspecto

de “couve-flor” e de tamanhos

variáveis, nos órgãos genitais. Pode

ainda estar relacionado ao aparecimento

de alguns tipos de câncer,

principalmente no colo do útero,

mas também no pênis e no ânus.

Entretanto, nem todos os casos

de infecção pelo HPV irão levar ao

desenvolvimento do câncer, sendo

já bem determinada a presença de

cofatores como mulheres jovens,

principalmente aquelas com coitarca

precoce, número de parceiros, tabagismo,

gestação, ou uso contraceptivos

orais (4, 5, 10, 11).

O exame citopatológico não diagnostica

a infecção pelo HPV nem o seu

tipo, entretanto, pode ser um indicativo

da infecção, pela detecção de alterações

citológicas causadas pelo vírus.

Neste caso, sugere-se a repetição do

exame, ou a realização de técnicas de

envolvendo biologia molecular, que

permitam a identificação do grupo a

que pertence e sua respectiva carga

viral (4,12).

As alterações verrugosas causadas

pelo HPV são identificadas pela presença

de células conhecidas como coilócitos

no esfregaço, que são células

escamosas apresentando um grande

vacúolo citoplasmático ao redor de um

núcleo anormal (13,14).

O exame citopatológico possui um

papel importante na prevenção do

câncer do colo do útero, pois permite

detectar lesões precursoras do câncer

que, quando diagnosticado precocemente,

há grande chance de cura

(7,15). Sendo assim, o objetivo deste

estudo foi verificar o perfil citológico e

microbiológico de mulheres atendidas

na Unidade Básica de Saúde (UBS) do

Bairro Progresso do Município de Erechim

– RS e correlacionar a idade da

paciente com tipo de micro-organismo

patogênico encontrado.

Pacientes e Métodos

No presente trabalho, realizamos

um estudo transversal e prospectivo

em mulheres que compareceram para

exame citopatológico de rotina na Unidade

Básica de Saúde (UBS) do Bairro

Progresso, no município de Erechim/

RS, no período de novembro de 2007

a março de 2008.

Este estudo foi aprovado pelo

Comitê de Ética, em Pesquisa (CEP)

da Universidade Regional Integrada

do Alto Uruguai e das Missões – URI

– Campus de Erechim/RS. Após as

pacientes terem assinado o Termo

de Consentimento Livre e Esclarecido

(TCLE) e responderem a um questionário,

foram coletadas amostras de

secreção vaginal de 100 mulheres. A

coleta foi realizada pela enfermeirachefe

da UBS.

110

NewsLab - edição 102 - 2010


Foram incluídas no estudo mulheres

sexualmente ativas, com idade

entre 30 e 50 anos. A colheita do

material para citologia foi feita com o

auxílio do espéculo na vagina. A coleta

da amostra ectocervical foi realizada

com a espátula de Ayre, e do material

endocervical com a escova citológica,

em lâminas corretamente identificadas,

fixadas com álcool etílico e encaminhadas

para coloração, em caixas

próprias para seu armazenamento.

O tempo previsto para a coloração

de Papanicolaou foi de, no máximo, 10

dias em temperatura ambiente, para

não degradar as células e permitir

melhor visualização. A análise microscópica

foi realizada no laboratório

de Citologia Clínica da Universidade

Regional Integrada do Alto Uruguai e

das Missões do Campus de Erechim.

Os resultados foram expressos em

taxa de frequência utilizando o recurso

do Microsoft Office Excel 2003.

Resultados

No presente estudo, foram analisadas

amostras de material cérvicovaginal

de 100 mulheres, coradas

pelo método de Papanicolaou, que

compareceram para o exame citológico

de rotina na Unidade Básica de

Saúde (UBS) do Bairro Progresso, no

município de Erechim/RS.

As características sócio-comportamentais

das mulheres atendidas pela

UBS estão descritas na Tabela 1. Foi

observado que mulheres entre 12 e 83

anos foram as que mais procuraram a

UBS para a coleta, 53% (53/100), e

que grande parte das pacientes, 67%

(67/100), eram casadas. Evidencia-se

um perfil de baixa escolaridade, sendo

que 63% (63/100) declararam ter o

primeiro grau incompleto.

Foi observado que 50% (50/100)

das mulheres tiveram até dois filhos,

24% (24/100) tiveram de três a

quatro filhos, 13% (13/100) tiveram

acima de cinco filhos e 13% (13/100)

não tiveram filhos. Dentre os métodos

contraceptivos utilizados pelas

pacientes, 45% (45/100) utilizavam

anticoncepcional, 10% (10/100) utilizavam

preservativo, 4% (4/100) faziam

associação de anticoncepcional e

preservativo, 10% (10/100) delas declararam

terem realizado laqueadura,

2% (2/100) das pacientes utilizavam

DIU e 29% (29/100) não utilizavam

nenhum método contraceptivo.

Para 18% (18/100) das pacientes,

era a primeira vez que procuravam a

UBS para realizar o exame preventivo

do câncer do colo uterino e das mulhe-

Tabela 1. Características sócio-comportamentais das pacientes atendidas na UBS do Bairro

Progresso do Município de Erechim/RS

Características n#

N 100

Idade

< 30 anos 35

30-50 anos 53

> 50 anos 12

Estado Civil

Solteira/Separada 27

Casada 67

Viúva 6

Escolaridade

Nenhuma 4

1° Grau incompleto 63

1° Grau completo 13

2° Grau incompleto 9

2° Grau completo 10

3° Grau completo 1

Filhos

Nenhum 13

Até 2 50

De 3 a 4 24

Acima de 5 13

Método contraceptivo

Anticoncepcional 45

Preservativo 10

Anticoncepcional + Preservativo 4

Laqueadura 10

DIU* 2

Nenhum 29

Primeira vez que realiza a coleta citopatológica

Sim 18

Não 82

Tempo da última coleta

Até 6 meses 3

1 ano 40

2 anos 20

Mais de 2 anos 37

#Casos com informações para cada item. *Dispositivo Intrauterino

112

NewsLab - edição 102 - 2010


es que lembravam da última coleta,

a maior parte delas (40%) havia realizado

no intervalo de um ano.

Quanto à adequabilidade do material

cérvico-vaginal, das 100 lâminas

analisadas, 73% (73/100) foram

consideradas satisfatórias e 27%

(27/100) insatisfatórias, uma vez que

não havia material representativo necessário

para a análise microscópica

(Figura 1).

Das amostras consideradas satisfatórias,

41% (30/73) apresentaram metaplasia,

45% (33/73) lesão intraepitelial

de baixo grau (LSIL) e 14% (10/73)

das amostras foram classificadas como

negativas para lesão intraepitelial ou

malignidade (Figura 2). Além disso,

nenhum caso de lesão intraepitelial de

alto grau (HSIL) e carcinoma escamoso

foi encontrado neste estudo.

Em relação à análise microbiológica,

o micro-organismo mais frequentemente

encontrado foi Gardnerella

vaginalis (Tabela 2), em 28,8% das

lâminas observadas. Em três pacientes

(4,1%), aliadas à Gardnerella vaginalis,

foram encontradas alterações

compatíveis com Actinomyces sp..

Em uma lâmina, foram encontradas

alterações citológicas compatíveis

com três micro-organismos, Actinomyces

sp., Gardnerella vaginalis e

bactérias não identificadas pela coloração

de Papanicolaou. A infecção

por Candida sp. esteve presente em

apenas uma paciente e na mesma

amostra estiveram presentes também

outras bactérias não identificadas pela

coloração de Papanicolaou. Observamos

que a presença de Actinomyces

sp. foi mais prevalente em mulheres

com idades entre 30 e 50 anos.

Na Tabela 3, estão listados os

achados microbiológicos associados

à citologia cérvico-vaginal de acordo

com a faixa etária das pacientes.

Os achados compatíveis com a

27%

73%

amostras satisfatórias

amostras insatisfatórias

Figura 1. Percentual de amostras consideradas satisfatórias e insatisfatórias para a análise

microscópica

Tabela 2. Distribuição dos micro-organismos encontrados nas amostras satisfatórias

Micro-organismos encontrados n %

Gardnerella vaginalis 21 28,8

Outros* 18 24,6

Nada encontrado 13 17,8

Gardnerella vaginalis + Outros* 8 10,9

Actinomyces sp. 6 8,2

Actinomyces sp. + Gardnerella vaginalis 3 4,1

Actinomyces sp. + Outros* 2 2,8

Actinomyces sp. + Gardnerella vaginalis + Outros* 1 1,4

Candida sp. + Outros* 1 1,4

Total 73 100

*Bactérias (cocos e bacilos) não identificados pela coloração de Papanicolaou

14%

45%

41%

LSIL Metaplasia Negativo para lesão intraepitelial

Figura 2. Porcentagem de amostras com alterações no epitélio vaginal encontradas nas

amostras analisada

NewsLab - edição 102 - 2010

113


Tabela 3. Achados microbiológicos ao exame citológico, conforme a faixa etária estudada

Faixa etária Actinomyces sp. Gardnerella sp. Outros*

Gardnerella vaginalis, foram mais

prevalentes em pacientes na faixa

etária entre 30 e 50 anos. Bactérias

não identificadas pela coloração de

Papanicolaou foram mais prevalentes

nas pacientes com até 50 anos, e menos

frequentes em mulheres acima

de 50 anos. Em 12, das 73 amostras

satisfatórias, não foram encontrados

micro-organismos.

Discussão

Os dados relacionados ao perfil

sócio-comportamental das mulheres

atendidas na UBS do Bairro Progresso

em Erechim/RS mostraram que

a maioria das pacientes era casada,

com faixa etária de 30 a 50 anos, de

baixa escolaridade, e possuía de dois

a quatro filhos.

As mulheres atendidas na UBS

reconheceram a importância de se

fazer periodicamente o exame preventivo

do câncer de colo do útero

e o tempo da última coleta, para a

maioria delas, foi de um ano. Um

estudo realizado por Pias e colaboradores

(16), que determinou o perfil

das mulheres que realizam exame

de Papanicolaou na liga feminina

de combate ao câncer do município

de Santo Ângelo/RS, os resultados

demonstraram que a maioria das

mulheres apresentava idade de 26

a 55 anos, 71,42% eram casadas,

41,42% possuíam de dois a quatro

filhos e 48,57% não faziam nenhum

tipo de contracepção.

Nada

encontrado

< 30 3 7 13 4

30-50 7 19 16 6

>50 1 3 4 2

*Bactérias (cocos e bacilos) não identificados pela coloração de Papanicolaou

Quanto à contracepção, observamos

que nossos dados foram superiores

aos encontrados por Pias e

colaboradores (16), mostrando que

71% das pacientes faziam uso de

algum método contraceptivo.

A qualidade do esfregaço é parte

fundamental para coerência diagnóstica

e conduta terapêutica. Assim, conforme

o Sistema de Bethesta (2001)

são quatro os elementos importantes

para a adequação da amostra em

análise: identificação da amostra,

informações clínicas relevantes, interpretação

técnica, número de células

e amostra representativa da zona de

transformação (16, 17).

Amaral e colaboradores (17) avaliaram

fatores que poderiam comprometer

a qualidade dos exames

citopatológicos no rastreamento do

câncer do colo do útero. Analisando

6.000 exames em mulheres atendidas

na UBS de Goiânia, verificaram

58,27% de esfregaços classificados

como “satisfatórios, mas limitados”

(onde inclui ausência de células endocervicais,

dessecamento, presença de

sangue, etc.), e 0,92% de esfregaços

classificados como “insatisfatórios”

(amostras purulentas, áreas espessas,

dessecamento, escasso ou hemorrágico).

No nosso estudo, foi observado

um maior índice de amostras insatisfatórias,

de 27%, ou seja, a ausência da

região endocervical na lâmina.

Com relação ao diagnóstico microbiológico,

no estudo realizado por Pias

e colaboradores (7, 13, 16), do total

das amostras analisadas, 21,57%

apresentaram Gardnerella vaginalis,

3,92% Candida sp., 5,88% cocobacilos

e 13,73% flora não visualizada. Da

mesma forma, Motta e colaboradores

(18), estudando mulheres atendidas

no ambulatório de ginecologia

preventiva do Hospital das Clínicas

da Faculdade de Medicina da Universidade

de São Paulo, no período de

janeiro de 1994 a dezembro de 1998,

encontraram Gardnerella vaginalis

em 8,6%, Trichomonas vaginalis em

2,8%, Candida sp. em 2,6% Chlamydia

sp. em 0,2%.

Gardnerella vaginalis é o agente

causal de vaginose bacteriana, uma

vaginite não específica, caracterizada

por secreção vaginal acinzentada,

de odor fétido, com pH mais

elevado do que o normal e mínima

inflamação (18,19).

Em nosso estudo, das 73 amostras

satisfatórias, apenas uma apresentou

Candida sp. Gardnerella vaginalis foi

verificada em 21 amostras, alterações

compatíveis com Actinomyces sp. em

seis amostras, cocos e bacilos (“outros”)

não identificados pela coloração

de Papanicolaou em 18 amostras, e

flora não visualizada em 13 amostras.

Gardnerella vaginalis juntamente

com “outros” (bactérias não identificadas

pela coloração de Papanicolaou)

foi encontrada em oito amostras, Gardnerella

vaginalis e Actinomyces sp. em

três, Gardnerella vaginalis, Actinomyces

sp. e “outros” em duas, e Actinomyces

sp. juntamente com “outros” em uma

amostra. Verificou-se, portanto, a

prevalência de Gardnerella vaginalis

sozinha ou acompanhada na maioria

dos casos. Este dado vem corroborar ao

encontrado por outros autores (17-19)

que verificaram a predominância deste

agente em seus estudos.

Um estudo, realizado por Discacciati

e colaboradores (8), demonstrou

114

NewsLab - edição 102 - 2010


que a frequência de anormalidades

citológicas cervicais após a conização

foi maior nas pacientes com vaginose

bacteriana, quando presente anteriormente

à conização, em comparação

com as mulheres sem vaginose bacteriana.

Isto demonstra uma associação

positiva entre as anormalidades e as

alterações na flora vaginal.

A vaginose bacteriana resulta

de mudanças na microbiota vaginal

normal, causando um aumento dos

organismos anaeróbicos e uma diminuição

dos Lactobacillus sp., sendo

muito comum em mulheres na idade

reprodutiva (18-20). A presença deste

agente foi maior na faixa etária entre

30-50 anos, sendo menor nas mulheres

mais velhas.

Na verdade, isto se constitui em

um paradoxo, já que nesta faixa etária

o decréscimo da ação de lactobacilos

e aumento do pH vaginal são fatores

que predispõem as infecções vaginais

com pH superiores a 4,5, como a vaginose

bacteriana. No estudo desenvolvido

por Hasenack e colaboradores

(30), foi observado um predomínio semelhante

deste agente nas mulheres

não menopausadas e menopausadas.

Actinomyces sp é uma bactéria

anaeróbica gram-positiva e filamentosa.

Espécies de Actinomyces sp.

estão relacionadas com Doença Inflamatória

Pélvica (DIP), envolvendo

útero, ovário, cólon e outros órgãos

anexos. A colonização ginecológica por

Actinomyces sp pode ser detectada

em usuárias de dispositivo intrauterino

(DIU), por ocasião do exame

preventivo através da coloração por

Papanicolaou (8, 21-24). Neste estudo

não questionamos a respeito do uso

de metodologias contraceptivas; entretanto,

as pacientes portadoras de

Actinomyces sp. possivelmente fazem

uso do DIU.

Um dado interessante em nosso

estudo foi não termos encontrado nenhum

caso de Trichomonas vaginalis.

Este parasita tem sido descrito como

a infecção não viral mais comumente

encontrada (25, 26). A presença

deste protozoário causa alterações

citológicas no epitélio cervical que

tem sido relacionada com o aparecimento

de lesões pré-malignas do colo

uterino (26-29).

Em nosso estudo, observamos um

elevado índice LSIL, que foi encontrado

em 33 do total de 73 amostras

analisadas como satisfatórias. Conforme

descrito na revisão escrita por

Wolschick e colaboradores (31), o

diagnóstico citológico é amplamente

utilizado e a presença inequívoca de

coilócitos ou disqueratócitos sugere a

infecção produtiva por este vírus.

As técnicas moleculares, de hibridização,

captura híbrida ou da reação em

cadeia da polimerase (PCR) permitem

a identificação do DNA ou RNA viral e

sua tipagem (30, 31). Entretanto, neste

estudo, apenas a análise citomorfológica

foi realizada, o que já possibilita um

alerta para as pacientes com alterações

repetirem seu exame, ou realizarem

uma colposcopia (30-32). Assim,

destaca-se a importância da realização

periódica do exame citopatológico para

prevenir e/ou diagnosticar alterações

precoces que possam evoluir e, assim,

comprometer o epitélio vaginal.

Conclusão

Com o presente trabalho, concluise

que o micro-organismo mais

prevalente na população estudada

foi a Gardnerella vaginalis, seguido

de Actinomyces sp.. Foi observado

um elevado índice de LSIL em 33

amostras do total de 73 lâminas satisfatórias.

Para tanto, destaca-se a

importância da qualidade na colheita

da secreção vaginal para a amostra

ser considerada representativa para

análise microscópica. Alguns dos fatores

podem ser minimizados através

de programas de capacitação para os

funcionários da rede básica de saúde,

responsáveis pela coleta do exame

citopatológico.

Correspondências para:

Prof. Dra. Vanusa Manfredini

vanusa@uri.com.br

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118

NewsLab - edição 102 - 2010


Artigo

Utilização dos Marcadores CA 15.3 e CEA no

Seguimento de Pacientes com Neoplasia Mamária

Graziella Alebrant Mendes, Fabiana de Cássia Romanha Sturmer, Diógenes Luis Basegio

Universidade Luterana do Brasil

Resumo

Summary

Utilização dos marcadores CA 15.3 e CEA no seguimento

de pacientes com neoplasia mamária

O câncer de mama é um grave problema de saúde em todo o

mundo. Objetivos: Analisar a correlação entre a positividade dos marcadores

tumorais CA 15.3 e CEA com o tipo histológico do tumor, o

estadiamento tumoral inicial e o desenvolvimento de metástases. Material

e métodos: Conforme o Protocolo de Coleta de Dados analisaram-se

prontuários de 62 pacientes com câncer de mama diagnosticado entre

janeiro de 2003 e janeiro de 2008 em um serviço médico privado. Os

marcadores foram considerados positivos quando a sua quantificação

resultou acima do valor normal. Utilizaram-se estatísticas descritivas

como frequência, média e desvio-padrão e análises exploratórias como

tabelas e Teste de Correlação. Resultados: A média de idade foi de

56,6 anos. O estádio clínico II correspondeu a 46,8% da amostra.

O carcinoma ductal invasor representou 75,8% dos casos. Detectouse

positividade do CA 15.3 em cinco pacientes (8%) e do CEA em

três pacientes (4,8%). Metástases a distância foram diagnosticadas

em nove pacientes, sendo que 4 (44,4%) tiveram positividade para

CA 15.3 ou CEA. Na análise de correlação entre a positividade dos

marcadores com a presença de metástase, obteve-se significância

estatística para CA 15.3. Conclusão: O uso de marcadores tumorais é

útil para a detecção de metástases à distância. O CA 15.3 parece ser

mais eficiente quando comparado ao CEA. O acompanhamento das

pacientes com câncer mamário após tratamento cirúrgico utilizando

apenas marcadores tumorais é insuficiente.

Palavras-chave: Marcadores tumorais, câncer de mama,

CA 15.3, CEA

Use of CA 15.3 and CEA markers in the follow up of

breast cancer patients

Breast cancer is a serious health problem in world. Objectives:

To asses the correlation between the marker´s positivity CA

15.3 and CEA with histological type, initial clinical stage and

metastase´s development. Methods: According to the Protocol for

Data Collection were analyzed medical records of 62 patients with

breast cancer diagnosed between January 2003 and January 2008

in a private medical service. The markers were considered positive

when their quantification was above the normal value. It was used

descriptive statistics as frequency, average e standard deviation

and analysis exploratory as tables and Test Correlation. Results:

The average age was 56.6 years. The clinical stage II accounted for

46.8% of the sample. The infiltrating ductal carcinoma accounted

for 75.8% of cases. It turned out positive for markers in 5 patients

(8%) for CA 15.3 and in 3 patients (4.8%) to CEA. Distance metastases

were diagnosed in 9 patients, of which 4 (44.4%) were

positive for CA 15.3 or CEA. In the correlation analysis between

the markers’ positivity and the presence of metastases were obtained

statistical significance for CA 15.3. Conclusion: The use of

tumor markers is useful for the detection of distant metastasis. The

CA 15.3 seems to be more efficient when compared to CEA. The

monitoring of patients with breast cancer after surgery using only

tumor markers is insufficient.

Keywords: Tumor markers, breast cancer, CA 15.3, CEA

Introdução

O

câncer de mama é um grave

problema de saúde em todo

o mundo. A Organização

Mundial de Saúde estima que, por ano,

ocorram mais de 1.050.000 casos novos

de câncer de mama, constituindo

a principal causa de morte por câncer

entre as mulheres (1).

A determinação de marcadores

tumorais é uma ferramenta útil para

a detecção de recidivas e metástases

à distância. Segundo a literatura, o

marcador mais sensível e específico

para o câncer de mama é o CA 15.3,

cuja sensibilidade varia de acordo

com a massa tumoral e estadiamento

120

NewsLab - edição 102 - 2010


clínico, sendo de 88 a 96% na doença

disseminada (2).

A grande utilização do CA 15.3 é

para o diagnóstico precoce da recidiva,

precedendo os sinais clínicos em até

13 meses (3). Segundo a American

Society of Clinical Oncology (ASCO),

ainda não se têm dados suficientes

para recomendar o uso de CA 15.3 na

triagem, diagnóstico e estadiamento

do câncer de mama, assim como

detectar recorrência após a terapia

do câncer primário, devido à falta de

ensaios clínicos randomizados prospectivos.

O marcador é recomendado para

monitoramento de pacientes com

doença metastática em conjunto com

imagem, história e exame físico. Seu

aumento durante o tratamento pode

indicar falha terapêutica (4).

O antígeno carcinoembrionário

(CEA) está elevado em diversas doenças

malignas, especialmente de

linhagem epitelial. Encontra-se em

níveis elevados em 25 a 50% dos

tumores gástricos e da mama, 60 a

90% dos carcinomas colorretais e 50

a 80% dos cânceres pancreáticos (5).

A ASCO também não recomenda

o antígeno carcinoembrionário para

triagem, diagnóstico, estadiamento ou

avaliação da sobrevida em pacientes

com câncer de mama devido à falta

de estudos relevantes e, assim como

o CA 15.3, pode auxiliar no monitoramento

de pacientes com doença

metastática em conjunto com outros

dados clínicos (4).

Estudos sugerem que a combinação

de CA 15.3 e CEA é útil no monitoramento

da progressão do câncer

mamário durante o período que se

segue após a primeira linha de quimioterapia,

funcionando como alerta

para a interrupção de um tratamento

ineficaz, evitando assim efeitos colaterais

desnecessários (6,7).

O uso combinado de dois marcadores

pode aumentar a sensibilidade para

detecção de metástases em 60-80%

das pacientes (8). Em estudo realizado

por Guadagni et al (2001) (9), a mensuração

combinada de CEA e CA 15.3

resultou em um melhoramento mínimo

da sensibilidade, tanto para doença

metastática quanto para recidiva local.

Este estudo é justificado devido à

alta incidência do câncer de mama na

população, pelas evidências de que

elevações dos marcadores possam

indicar evolução para doença metastática,

e ainda pela falta de estudos que

avaliem o uso dos marcadores CEA e

CA 15.3 em pacientes brasileiras com

neoplasia mamária.

O objetivo deste estudo foi analisar

a correlação entre a positividade dos

marcadores tumorais CA 15.3 e CEA

com o tipo histológico do tumor, o

estadiamento tumoral inicial e o desenvolvimento

de metástases.

Material e Métodos

Estudo transversal descritivo,

onde foram analisados prontuários

de pacientes com câncer de mama

diagnosticado entre janeiro de 2003

e janeiro de 2008 em um serviço

médico privado de saúde, localizado

ao norte do Rio Grande do Sul.

Os dados foram coletados de

acordo com o Protocolo de Coleta de

Dados, no qual constam a idade da

paciente, a histologia do tumor e o

estadiamento tumoral no momento

do diagnóstico. Durante o seguimento

cirúrgico foram coletadas informações

quanto à positividade ou negatividade

dos marcadores CA 15.3 e CEA e

se houve evolução para metástases.

Nenhuma das pacientes incluídas no

estudo apresentava metástase à distância

no momento do diagnóstico.

Os marcadores séricos foram

considerados positivos quando a

sua quantificação resultou acima

do valor normal, conforme descrito

no Protocolo de Coleta de Dados.

Para a mensuração dos marcadores

tumorais foi utilizado um dos métodos

a seguir:

A - Quimioluminescência, cujos valores

de referência para mulheres são:

• CA 15.3: ≤ 51U/mL

• CEA: < 3ng/mL para não fumantes

e < 5ng/mL para fumantes

B - Eletroquimioluminescência,

cujos valores de referência para mulheres

são:

• CA 15.3: ≤ 30ng/mL

• CEA: de 0,8 a 2,5ng/mL para não

fumantes e 1,3 a 4,9ng/mL para

fumantes

No caso de pacientes tabagistas foi

considerado o valor de referência próprio

do grupo. A histologia do tumor foi

classificada de acordo com os critérios

da Organização Mundial da Saúde e o

estadiamento de acordo com a classificação

dos Tumores Malignos TNM,

proposta pela União Internacional Contra

o Câncer (UICC). As características

da amostra são descritas na Tabela 1.

Para esta pesquisa foi utilizado o

pacote estatístico SPSS 10.0 e Windows

Microsoft Excel. Foram analisadas estatísticas

descritivas como frequência,

média e desvio-padrão, assim como

análises exploratórias como tabelas e

Teste de Correlação entre as variáveis.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê

de Ética em Pesquisa da Universidade

Luterana do Brasil, conforme o

protocolo 2008-502H.

Resultados

A amostra foi composta por 62

prontuários de pacientes do sexo feminino

que possuem câncer de mama.

A média de idade obtida foi de 56,6

anos, com desvio-padrão de ±13,54.

122

NewsLab - edição 102 - 2010


Tabela 1. Características clínicas iniciais da amostra (idade, tipo histológico, tamanho do tumor, linfonodos acometidos, metástase à distância e estádio clínico)

Reg. Idade Tipo Histológico Tamanho Linfonodos Metástase à Distância Estádio

1 42 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

2 45 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

3 45 Carcinoma ductal Invasão parede torácica 10 ou mais Ausência IIIC

4 57 Outros ≤2cm Ausência Ausência I

5 37 Carcinoma ductal ≤2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

6 41 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

7 61 Carcinoma ductal ≤2cm 1 a 3 Ausência IIA

8 39 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

9 43 Carcinoma ductal ≤2cm 1 a 3 Ausência IIA

10 79 Outros >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

11 64 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

12 74 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

13 50 CDIS* Carcinoma in situ 0

14 39 Outros ≤2cm 1 a 3 Ausência IIA

15 69 Carcinoma ductal ≤2cm Ausência Ausência I

16 50 Carcinoma ductal ≤2cm Ausência Ausência I

17 40 CDIS* Carcinoma in situ 0

18 31 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

19 82 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 10 ou mais Ausência IIIC

20 86 Carcinoma ductal >5cm 10 ou mais Ausência IIIC

21 34 Outros ≤2cm Ausência Ausência I

22 63 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 4 a 9 Ausência IIIA

23 65 Carcinoma lobular ≤2cm Ausência Ausência I

24 53 Carcinoma lobular >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

25 71 Carcinoma ductal Invasão parede torácica 1 a 3 Ausência IIIB

26 83 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

27 56 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

28 51 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 4 a 9 Ausência IIIA

29 55 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

30 58 Carcinoma lobular >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

31 75 Carcinoma lobular ≤2cm Ausência Ausência I

32 42 Carcinoma ductal ≤2cm Ausência Ausência I

33 46 Carcinoma lobular ≤2cm Ausência Ausência I

34 55 Carcinoma ductal ≤2cm Ausência Ausência I

35 43 Carcinoma ductal ≤2cm 1 a 3 Ausência IIA

36 55 Carcinoma lobular ≤2cm Ausência Ausência I

37 58 CDIS* Carcinoma in situ 0

38 50 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

39 68 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

40 53 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

41 60 Carcinoma lobular ≤2cm Ausência Ausência I

42 40 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

43 39 Carcinoma ductal ≤2cm 1 a 3 Ausência IIA

44 44 Carcinoma ductal >5cm 1 a 3 Ausência IIIA

45 62 Carcinoma ductal ≤2cm Ausência Ausência I

46 47 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

47 57 Carcinoma lobular >5cm 1 a 3 Ausência IIIA

48 65 Carcinoma ductal ≤2cm Ausência Ausência I

49 78 Carcinoma ductal ≤2cm Ausência Ausência I

50 55 Carcinoma lobular >2cm e ≤5cm 10 ou mais Ausência IIIC

51 64 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm Ausência Ausência IIA

52 43 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 10 ou mais Ausência IIIC

53 76 Carcinoma ductal Invasão parede torácica 4 a 9 Ausência IIIB

54 54 Carcinoma lobular >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

55 69 Carcinoma lobular >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

56 51 Carcinoma lobular >5cm 10 ou mais Ausência IIIC

57 77 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 10 ou mais Ausência IIIC

58 68 Carcinoma ductal Invasão parede torácica Ausência Ausência IIIB

59 60 Carcinoma ductal >5cm Ausência Ausência IIB

60 73 Carcinoma ductal >2cm e ≤5cm 4 a 9 Ausência IIIA

61 63 Outros >2cm e ≤5cm 1 a 3 Ausência IIB

62 53 Outros ≤2cm Ausência Ausência I

NewsLab - edição 102 - 2010

123


Tabela 2. Pacientes com negatividade de marcadores e presença de metástase

Negatividade dos marcadores Presença de metástase Porcentagem

CEA 8 pacientes 13%

CA 15.3 6 pacientes 9,70%

Tabela 3. Pacientes com negatividade de marcadores e ausência de metástase

Negatividade dos marcadores Ausência de metástase Porcentagem

CEA 51 pacientes 82%

CA 15.3 50 pacientes 81%

Tabela 4. Pacientes com positividade dos marcadores e presença de metástase

Positividade dos marcadores Presença de metástase Porcentagem

CEA 1 paciente 1,60%

CA 15.3 3 pacientes 4,8%*

* Dentre as pacientes com presença de metástase, 33,3% apresentaram positividade para CA 15.3 e

11,1% para CEA

Tabela 5. Pacientes com positividade dos marcadores e ausência de metástase

Positividade dos marcadores Ausência de metástase Porcentagem

CEA 1 paciente 1,6%**

CA 15.3 1 paciente 1,60%

**Um paciente com ausência de metástase apresentou positividade tanto para CA 15.3 quanto para

CEA e um paciente teve ausência de metástase, mas apresentou positividade para CA 15.3

Na distribuição dos estádios clínicos

iniciais encontrados na amostra

notou-se que o estádio II foi o mais

evidente, correspondendo a 46,8%.

Já para os estádios avançados, 24,2%

das pacientes corresponderam ao

estádio III, sendo que não ocorreram

casos em estádio IV.

Em relação aos tipos histológicos

mais frequentes encontrados na

amostra, percebeu-se que a maioria

dos carcinomas mamários é do tipo

ductal invasor, representando 75,8%

dos casos, seguido pelo carcinoma

lobular que totalizou 19,4%.

Foi verificada positividade do

marcador CA 15.3 em cinco pacientes

(8%) e CEA em três pacientes (4,8

%). Todas as pacientes positivas para

os marcadores possuíam carcinoma

ductal invasor ou seus subtipos. O

desenvolvimento de metástase à

distância foi detectado em nove pacientes,

sendo que quatro (44,4%)

tiveram positividade para CA 15.3

ou CEA.

Quando comparado à positividade

dos marcadores com a presença ou

ausência de metástase, foram encontradas

as situações expostas nas

Tabelas 2, 3, 4 e 5.

Quanto à análise de correlação

entre a positividade dos marcadores

tumorais com a presença de metástase,

obteve-se significância estatística

apenas para CA 15.3, ao valor p =

0,03. Contudo, não houve significâncias

estatísticas para a amostra

quando se correlacionou a positividade

dos marcadores tumorais com o estadiamento

e o tipo histológico. Também

não ocorreu significância estatística

na correlação entre a histologia e

metástase.

Discussão

A média de idade encontrada em

nosso estudo, assim como o tipo histológico

predominante, é semelhante à

encontrada em outros estudos (10-13).

Em nossa amostra foi percebida

uma porcentagem menor de pacientes

em estádios avançados (III e IV) quando

comparado a outros estudos (13,

14). Esta diferença pode estar ligada ao

fato de que nossa amostra foi originada

de serviço médico privado e, portanto,

provavelmente tenha acesso mais

facilitado aos procedimentos médicos.

Estudos demonstram que a elevação

dos marcadores tumorais pode ser

o primeiro sinal da recorrência. Este

aumento pode ser observado até 13

meses antes do diagnóstico clínico da

recidiva, sendo que em torno de 40%

das pacientes apresentam elevação

do CEA, e mais de 70% apresentam

elevação do CA 15.3. Estes dados demonstram

a superioridade do CA 15.3

quando comparado ao CEA (15, 16).

Em relação à doença metastática,

a positividade do CA 15.3 chega a

mais de 80%. Quando associado à

imagem, a mensuração do marcador

pode ajudar a implementar o tratamento

precoce de metástases (17).

No presente estudo, observou-se uma

porcentagem menor de pacientes que

desenvolveram metástase e tiveram

positividade deste marcador. Entretanto,

percebe-se a necessidade de

estudo com maior número amostral

para avaliar melhor estes parâmetros.

Sabe-se que concentrações mais

elevadas dos marcadores CA 15.3 e

CEA se associam com estádios mais

avançados da doença, nos quais se observam

maior massa tumoral e maior

comprometimento nodal (18, 19).

Embora as concentrações de CA

15.3 possam detectar recorrência e

doença metastática, não está claro

124

NewsLab - edição 102 - 2010


se ocorre melhora significativa na

sobrevida livre de doença, na sobrevida

global e na qualidade de vida das

pacientes (20). Autores demonstram

que o monitoramento da terapia na

doença avançada parece ser a maior

utilidade do CA 15.3 (20, 21).

A mensuração de marcadores tumorais

é uma ferramenta para detecção

de metástases à distância, sendo que o

marcador CA 15.3 parece ser mais eficiente

quando comparado ao CEA. Devido

ao alto número de pacientes que

não elevam os marcadores na presença

de doença metastática, percebe-se

que o acompanhamento das pacientes

com câncer mamário após tratamento

cirúrgico utilizando apenas marcadores

tumorais é insuficiente.

Correspondências para:

Graziella Alebrant Mendes

grazi_mendes@hotmail.com

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126

NewsLab - edição 102 - 2010


Artigo

Análise do Sistema Automatizado para Coloração de Gram

Desenvolvido pela Hemogram

Márcia Aparecida Pozo Pereira, Flavia Silva Palomo

Revisão e Aprovação: Eliete Aguiar de Miranda Frigatto, Antonia Maria Oliveira Machado

Universidade Federal de São Paulo – Unifesp

Resumo

Summary

Análise do sistema automatizado para coloração de

Gram desenvolvido pela Hemogram

A coloração de Gram é um dos mais importantes métodos de

coloração utilizados em laboratórios de microbiologia, sendo quase

sempre o primeiro passo para a caracterização de amostras das

bactérias. A automação deste sistema tem como objetivo a otimização

do processo utilizando reagentes suficientes para corar o

esfregaço de cada lâmina, sem desperdício, e sem contaminação

ambiental, proporcionando melhores condições de segurança,

reduzindo o esforço ou a interferência humana. Sua autonomia é

de 60 lâminas por hora. Foi realizado o preparo de lâminas em

duplicatas (300 amostras) contendo cepas ATCC e diversos tipos de

amostras biológicas, com e sem flora bacteriana. As lâminas foram

submetidas à coloração pelo método automatizado SlideInk Gram

- Hemogram e pelo método manual de coloração de Gram, sendo

este usado como técnica padrão para a correlação das lâminas.

As lâminas foram analisadas por dois técnicos, considerando flora

bacteriana, formação de precipitado, tempo e gasto de reagentes.

Os resultados foram comparados. Houve concordância em 100%

das amostras contendo bacilos Gram negativos, cocobacilos Gram

negativos, cocos Gram positivos agrupados e leveduras; 90% dos

bacilos Gram positivos; 68% dos cocos Gram positivos aos pares

e em cadeia. A técnica automatizada mostrou melhores resultados,

menos formação de precipitado nas lâminas, menor gasto de reagentes

e otimização do tempo. A técnica de Gram deve ser muito

bem avaliada e executada, dada sua importância clínica uma vez

que muitas das bactérias associadas a infecções são prontamente

observadas e caracterizadas como Gram positivas ou Gram negativas,

pois esta informação permite ao clínico iniciar o tratamento

empírico mais adequado e precoce e monitorar a infecção até que

dados de cultura estejam disponíveis. A automação desta técnica

trará também para o laboratório de microbiologia padronização,

precisão e menor emissão de resíduos.

Palavras-chave: Gram positivo, Gram negativo, bactérias,

coloração de Gram

Analyses of automated method for Gram stain

developed by Hemogram

The Gram stain is one o the most important staining methods

used in microbiology laboratories, being almost always the first

step for the characterization o samples of bacteria. The automation

of this system aims to optimize the process using sufficient

reagents to stain each glass microscope slide, with no waste

and no environmental contamination, providing better security

and reducing the effort or human interference. Their autonomy

is 60 slides per hour. Duplicated slides were prepared of 300

samples, containing various types of biological samples, with

and without bacterial flora, and ATCC strains. The microscope

slides were stained using the automated method SlideInk Gram

- Hemogram and the manual method of Gram stain. The manual

method was used as a standard technique for the correlation

of the results. The slides were analyzed by two technicians,

considering bacterial flora, precipitate, time and expense of

reagents. The results were compared. There was agreement on

of the samples containing 100% Gram Negative Bacilli, Coccobacilli

Gram Negative, Gram Positive Cocci Grouped and

Yeasts, 90% of Gram Positive Bacilli, 68% Gram Positive Cocci

in Pairs and Chain. The automated technique showed the best

results for the formation of precipitate on the slides, lower cost

of reagents and optimization time. Gram’s technique must be

carefully evaluated and implemented, given its clinical importance,

since many of the bacteria associated with infections are

readily observed and characterized as Gram-positive or gram

negative bacteria. This information allows the clinician to start

empirical treatment and monitor the infection until the culture

results become available. The automation of this technique will

also bring to the microbiology laboratory standardization, accuracy

and lower emissions of waste.

Keywords: Gram Stain, Gram Negative, Gram Positive,

bacterial

128

NewsLab - edição 102 - 2010


Introdução

Nos últimos anos tem sido

notável o avanço no diagnóstico

da microbiologia médica

humana. O advento da automação e

das técnicas moleculares veio facilitar

e agilizar o diagnóstico das doenças.

A coloração de Gram tem importância

crucial na microbiologia de urgência

quando o exame bacterioscópico pode

direcionar corretamente a antibioticoterapia

empírica, diagnóstico rápido e

presuntivo de um agente infeccioso e

também para avaliar a qualidade da

amostra clínica recebida pelo laboratório

(1, 2).

Em geral, são necessárias colorações

especiais para a visualização de

bactérias de modo adequado e demonstração

dos detalhes finos das suas estruturas.

O advento da coloração representa,

em grande parte, o fundamento

dos principais avanços produzidos em

microbiologia clínica e em outros campos

da microscopia diagnóstica durante

os últimos 100 anos (3).

Nesse sentido, a automação desta

técnica tem como objetivo a padronização

do resultado, otimização do processo

utilizando reagentes suficientes

para corar cada lâmina, sem desperdício

de reagentes, e sem contaminação

ambiental, proporcionando melhores

condições de segurança, reduzindo o

esforço ou a interferência humana (4).

Hans Christian Joachim Gram, bacteriologista

dinamarquês, graduado em

Medicina em 1978, descobriu em Berlin,

em 1884, o método de coloração de

bactérias, amplamente utilizado para

classificá-las, e que leva seu nome.

Gram seguiu o método de Paul Erlich,

utilizando uma solução de anilina

e violeta de genciana. Após um tratamento

com lugol (iodo em iodeto de

potássio aquoso) e etanol, observou

que algumas bactérias retinham o corante,

enquanto outras não o faziam.

Isto permitiu dividir as bactérias em

Gram positivas, as que se coravam de

roxas, e Gram negativas, as que se

coravam de vermelhas (1).

A coloração de Gram é o método

bacterioscópico direto mais importante

e mais utilizado atualmente e sua

finalidade principal é a classificação

de micro-organismos com base em

suas características tintoriais, tamanho,

forma e arranjo celular (1, 5).

As bactérias apresentam três tipos

morfológicos básicos: os cocos, os

bacilos e os espirilos. A estrutura responsável

pela forma da bactéria é a

parede celular. Como é essa estrutura

que tem afinidade com os corantes no

método de Gram, podemos observar

com a coloração as variações morfológicas

descritas (5).

As bactérias são organismos unicelulares

envoltos pela parede celular,

sob a qual se encontra a membrana

plasmática, uma estrutura que, por

servir de barreira seletiva entre o citoplasma

e o ambiente exterior da célula,

é essencial para todas as células.

Embora a parede celular das bactérias

seja constituída pelo peptidioglicano,

sua estrutura difere nas bactérias

Gram positivas e Gram negativas (6).

A parede das bactérias Gram positivas

é basicamente constituída por

uma única camada espessa de peptidioglicano

adjacente à parte exterior

da membrana plasmática e grande

quantidade de ácido teicoico. Essas

bactérias não sofrem descoloração

pelo álcool, retendo o corante inicial

e tingindo-se de violeta escuro – roxo

(1, 6) (Figura 1).

Proteína de

membrana

Ácido teicoico

Ácido lipoteicoico

Peptidioglicano

Membrana

citoplasmática

Figura 1. Esquema ilustrando o espesso peptideoglicano de bactérias Gram positivas

Fonte: http://vsites.unb.br/ib/cel/microbiologia/morfologia1/morfologia1.html

130

NewsLab - edição 102 - 2010


O-polissacarídeo

Polissacarídeo

interno

Fora

Membrana

externa

Porina

lipoproteica

A

Lipopolissacarídeo (LPS)

Periplasma

Lipoproteína

Peptidioglicano

Fosfolipideos

Membrana

citoplasmática

Dentro

Fonte: http://vsites.unb.br/ib/cel/microbiologia/morfologia1/morfologia1.html

Figura 2. Esquema da parede celular de organismos Gram negativos

As paredes celulares das bactérias

Gram negativas possuem uma única

camada de peptidioglicano ligada a

uma membrana externa constituída

de duas camadas assimétricas de

lipopolissacarídeos e fosfolipídios, intercalados

com proteínas. A membrana

externa sofre ação do descorante

alcoólico permitindo que o complexo

cristal violeta-iodo seja substituído

pelo contracorante (1, 6) (Figura 2).

Materiais e Métodos

Inicilamente foram realizadas

lâminas de cepas padronizadas (American

Type Culture Colection – ATCC)

de Escherichia coli ATCC 25923 e

Staphylococcus Aureus ATCC 25922,

a cada rodada de coloração (manual

e automatizada). Ambas as lâminas

ATCC eram coradas para garantir a

qualidade dos corantes e das metodologias.

Foi realizado o preparo de lâminas

em duplicatas (300 amostras) de diversos

tipos de materiais biológicos,

tais como: hemoculturas, líquor, aspirado

traqueal, exsudatos, escarro,

urina, lavados bronquio alveolar,

líquidos orgânicos, secreção vaginal,

uretral, esperma.

As amostras de líquor foram centrifugadas

a 3.000 rpm e realizou-se

o esfregaço com o sedimento e para

os demais materiais biológicos foi feita

a confecção da lâmina direta.

Trezentas lâminas foram coradas

pelo método manual através do seguinte

protocolo:

Solução

Tempo

Cristal de violeta 1minuto

Lavagem com água

Lugol

1 minuto

Lavagem com água

Até o momento que

não desprenda mais

Álcool-acetona

a cor violeta do

esfregaço

Lavagem com água

Fucsina de Gram 30 segundos

Lavagem com água

As outras 300 lâminas foram coradas

pelo método automatizado SlideInk

Gram – Hemogram, seguindo as

orientações do fabricante. As lâminas

foram inseridas no equipamento com

sua face voltada para o lado esquerdo

do operador.

São duas espirais paralelas com rotações

opostas que locomovem a lâmina

no decorrer da mesa. A lâmina ativa

o sensor de presença de lâminas e

neste momento o reagente é liberado.

O Kit Colorgram é composto por cinco

reagentes: Cristal de Violeta, Solução

de Limpeza, Solução de Iodo, Solução

descorante (álcool etílico) e Solução de

Fucsina. São consumidos 10 minutos

para corar a primeira lâmina e 1 minuto

para cada uma da sequência, sendo a

produtividade do sistema a coloração

de 60 lâminas por hora.

As lâminas foram analisadas microscopicamente

em objetiva de imersão.

Foram lidas por dois técnicos. O

registro das lâminas lidas foi computado

e posteriormente comparado entre

as duas metodologias empregadas.

Resultados

Todas as lâminas de ATCC coraram-se

adequadamente.

NewsLab - edição 102 - 2010

131


Tabela 1. Controle de qualidade da coloração de Gram

Cepa Resultado esperado Resultado encontrado

Staphylococcus aureus ATCC 25923 Coco Gram positivo Coco Gram positivo

Escherichia coli ATCC 25922 Bacilo Gram negativo Bacilo Gram negativo

Tabela 2. Resultados da avaliação das 300 lâminas coradas pelo Gram pelo método manual e das 300 coradas pelo sistema automatizado

SlideInk Gram – Hemogram

Morfologia bacteriana

N° de vezes em que a morfologia

bacteriana foi visualizada em 300 lâminas

% de concordâncias entre os dois

métodos (manual e automatizado)

Bacilo Gram negativo 70 100%

Cocobacilo Gram negativo 30 100%

Diplococo Gram negativo 01 100%

Coco Gram positivo agrupado 79 100%

Coco Gram positivo aos pares e cadeia 56 68%

Bacilo Gram positivo 30 90%

Leveduras 10 100%

Ausência de bactéria corada pelo Gram 90 100%

Foi avaliada a concordância entre

as duas metodologias, quanto à

qualidade da coloração, presença de

precipitados de corante na lâmina,

economia de reagentes e tempo gasto.

A formação de precipitado foi

menor nas lâminas coradas pelo

método automatizado, sendo que

este também possui um menor

consumo de reagentes. O método

automatizado mostrou uma melhor

otimização do tempo.

Na avaliação do esfregaço corado

obtivemos concordância entre as duas

metodologias em: 100% dos bacilos

Gram negativos, cocobacilos Gram

negativo, diplococos Gram negativo,

leveduras e coco Gram positivo agrupados;

90% dos bacilos Gram positivos

e 68% dos cocos Gram positivo

aos pares e em cadeia. Em relação às

lâminas sem a presença de flora bacteriana,

a concordância foi de 100%.

Dados apresentados na Tabela 2.

O Gráfico 1 mostra a porcentagem

de adequação quanto à qualidade da

coloração nas metodologias avaliadas.

Figura 3. Comparação das metodologias (automatizada X manual):

A e B células epiteliais e bacilos Gram positivos; C e D cocobacilos

Gram negativos

Figura 4. Lâminas coradas pelo sistema automatizado: A cocos Gram

positivos agrupados; B cocos Gram positivos agrupados, leveduras e

pseudohifas; C e D bacilos Gram negativos

132

NewsLab - edição 102 - 2010


coloração

manual

coloração

automatizada

Gráfico 1. Nota-se que bacilos Gram negativos, cocobacilos Gram negativos, diplococos Gram negativos, cocos Gram positivo agrupado e

leveduras, ambas as metodologias alcançaram os resultados esperados, já para cocos Gram positivos em cadeia e bacilos Gram positivo ambas

as técnicas tiveram uma porcentagem de inadequação.

Discussão

O método tintorial predominante

utilizado em bacteriologia é o método

de Gram. A bacterioscopia, após

coloração pelo método de Gram, é

utilizado como diagnóstico presuntivo,

triagem, ou até mesmo definitivo

em alguns casos. Essa técnica

é simples, rápida, de baixo custo

e tem capacidade de resolução,

permitindo o correto diagnóstico

em cerca de 80% dos pacientes em

caráter de pronto-atendimento em

nível local (7).

A metodologia manual necessita

de uma sala com disponibilidade de

água, onde deverá ser instalado um

balcão com pia e capela para exaustão

de gases. Para a metodologia

automatizada, necessita-se apenas

de um local para a instalação do

equipamento com fonte de energia

próxima.

O método automatizado também

mostrou menores riscos de contaminação

ambiental e de contaminação

pessoal com os reagentes, já que

esses são nocivos por inalação e por

ingestão; irritantes para os olhos;

vias respiratórias e pele; e a fucsina

também pode provocar danos genéticos

e hereditários. O equipamento

possui um reservatório para coleta

dos reagentes sobressalentes que

devem ser descartados em local

adequado.

Há um menor desperdício de

reagentes pelo método automatizado,

pois essa metodologia utiliza

apenas a quantidade de reagentes

necessária para corar cada lâmina

(aproximadamente 0,2mL de cada

reagente por lâmina), enquanto

que na coloração manual utiliza-se

em média 1mL por lâmina. Com um

kit para coloração automatizada,

coram-se 600 lâminas.

Finalmente, e mais importante,

são necessários técnicos de laboratório

treinados para a coloração

manual, já no automatizado é só

colocar as lâminas na posição correta

do corador, não necessitando

a presença do profissional enquanto

a lâmina percorre o tempo de

coloração. Isso também permite o

melhor aproveitamento do tempo

pelo técnico, pois ele fica livre para

realizar outras atividades.

A formação de precipitados que

podem ser confundidos com morfologia

de bactérias foi menor nas

lâminas coradas pelo sistema automatizado

quando comparadas com

a coloração pelo método manual.

Nas duas metodologias observou-se

com muita frequência células

de Gram positivos descoradas.

Várias podem ser as causas para

esta descoloração. É claro que na

etapa de descoloração é o mais

provável a causa de problemas na

coloração de Gram, porém outros

fatores podem estar envolvidos

listados abaixo segundo o site The

Microbiology Network (8).

• O calor excessivo durante a fixação

altera a morfologia celular

e faz as células se descorar mais

facilmente.

134

NewsLab - edição 102 - 2010


• A baixa concentração de cristal

violeta. As concentrações de

cristal violeta até 2% podem ser

utilizadas com sucesso. A solução-padrão

de 0,3% é boa, se a

descoloração geralmente não for

superior a 10 segundos.

• A lavagem excessiva entre as

etapas, a coloração de cristal violeta

é suscetível à lavagem com

água (mas não o complexo cristal

violeta-iodo). Não é recomendada

a lavagem com água superior a 5

segundos, em qualquer fase do

procedimento.

• Exposição insuficiente de iodo,

quanto menor a concentração,

mais fácil de descolorir (0,33%

- 1% comumente usado). Além

disso, o controle de qualidade do

reagente é importante porque as

exposições ao ar e temperaturas

elevadas aceleram a perda de

iodo de Gram de solução. Uma

garrafa fechada (0,33% a partir

da concentração) em temperatura

ambiente vai perder mais de 50%

de iodo disponível em 30 dias, uma

garrafa aberta de 90%.

• Descoloração prolongada, etanol

a 95% descora mais lentamente,

e pode ser recomendada para os

técnicos inexperientes, enquanto

os trabalhadores experientes podem

usar a mistura álcool – acetona,

habilidade é necessária para

avaliar quando a descoloração está

completa.

• Excesso de fucsina, à medida que

o contraste também é um corante

básico, é possível substituir o complexo

cristal violeta-iodo nas células

Gram positivas, com um excesso de

exposição ao contraste. O contraste

não deve ser deixado sobre a lâmina

por mais de 30 segundos.

• Bactérias não recentemente

isoladas, pois elas podem perder

as características tintoriais.

Quanto às demais bactérias, a

concordância entre as duas metodologias

foi adequada, em quase

todas, 100%. As Gram negativas

coram-se em rosa claro e as bactérias

Gram positivas agrupadas

coram-se de roxo escuro, assim

como descreve a técnica.

Conclusão

A técnica de Gram deve ser

muito bem avaliada e executada,

dada sua importância clínica, uma

vez que muitas das bactérias associadas

a infecções são prontamente

observadas e caracterizadas

como Gram positivas ou Gram negativas,

pois esta informação permite

ao clínico iniciar o tratamento

empírico mais adequado e precoce

e monitorar a infecção até que dados

de cultura estejam disponíveis.

A automação desta técnica trará

também para o laboratório de microbiologia

padronização, precisão

e menor emissão de resíduos.

Correspondências para:

Márcia Aparecida Pozo Pereira

marcia.pozo@unifesp.br

Referências Bibliográficas

1. Stinghen AEM, Albini CA, Souza HAPHM. Coloração de Gram: Como fazer, Interpretar e Padronizar. Curitiba: Microscience, 2002.70p

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3. Koneman EW, Allen SD, Janda WM, Schreckenberger PC, Winn JRWC. Diagnóstico Microbiológico: Texto e Atlas Colorido 5.ed. Rio de Janeiro:

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4. Manual do Equipamento: SlideInk Gram – Hemogram.

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7. Técnica de Coloração de Gram. Brasília: Ministério da Saúde, Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS (Brasil), Série

TELELAB 2001> Disponível em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/115_03gram.pdf. Acesso em: 27/01/2010.

8. The Microbiology Network: The Gram Stain. Disponível em: http://www.microbiol.org/white.papers/WP.Gram.htm. Acesso em: 27/07/2010.

NewsLab - edição 102 - 2010

135


Artigo

A Importância da Avaliação de Fatores de Risco para

Aterosclerose na Infância e Adolescência - Revisão

Marina R. M. Rover 1 , Emil Kupek 2 , Rita de C. B. Delgado 3 , Liliete C. Souza 4

1 - Mestre em Farmácia, Farmacêutica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Florianópolis, SC

2 - Doutor em Saúde Pública, Professor, Departamento de Saúde Pública,

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Florianópolis, SC

3 - Farmacêutica, Especialista em Análises Clínicas

4 - Doutora em Farmácia, Professora, Departamento de Análises Clínicas,

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Florianópolis, SC

Resumo

Summary

A importância da avaliação de fatores de risco para

aterosclerose na infância e adolescência - Revisão

As doenças cardiovasculares, como a aterosclerose, estão entre

as maiores causas de morbidade e mortalidade de adultos em todo

o mundo. A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica, que se

inicia já na primeira década de vida, mas possui um longo período

assintomático. Essa doença é de origem multifatorial e quanto maior

o número de fatores de risco, maior a gravidade da doença. Entre

os fatores de risco podemos citar as dislipidemias, a obesidade, a

hipertensão arterial sistêmica e o diabetes melito. Alguns estudos

demonstram que cerca de 50% das crianças têm, ao menos, um

desses fatores de risco. A avaliação, intervenção e controle sobre

estes fatores de risco visam reverter lesões ateroscleróticas em sua

fase inicial. Com base nesses estudos, as instituições comprometidas

com a Saúde Pública podem implementar estratégias para controlar

os fatores de risco e diminuir a incidência da aterosclerose. Embora

não se tenha comprovação que o controle dos fatores de risco para

aterosclerose na criança diminua sua prevalência na vida adulta,

supõe-se que isso é muito provável. Ao mesmo tempo, a adoção

de hábitos saudáveis na infância tem maior chance de sucesso do

que intervenções na idade adulta.

Palavras-chave: Aterosclerose, fatores de risco, crianças

e adolescentes

Risk factors for atherosclerosis in childhood and

adolescence - Review

Cardiovascular diseases such as atherosclerosis are among the

major causes of morbidity and mortality of adults worldwide. Atherosclerosis

is a chronic inflammatory disease, which begins in the

first decade of life, but has a long asymptomatic period. This disease

is of multifactorial origin and the higher the number of risk factors,

the greater the severity of the disease. Among the risk factors we can

cite the dyslipidemias, obesity, systemic hypertension and diabetes

mellitus. Some studies show that about 50% of children have at least

one of these risk factors. The assessment, intervention and control of

these risk factors designed reverse atherosclerotic lesions in their initial

phase. Based on these studies, the institutions committed to the Public

Health can implement strategies to control risk factors and reduce

the incidence of atherosclerosis. Although no evidence has been that

the control of risk factors for atherosclerosis in children reduced its

prevalence in adulthood, it seems that it is very likely. At the same

time, the adoption of healthy habits in childhood has a greater chance

of success than interventions in adulthood.

Keywords: Atherosclerosis, risk factors, children and adolescents

Introdução

As doenças cardiovasculares

(DCV) estão entre as maiores

causas de morbidade e

mortalidade no mundo ocidental (1).

Dentre as DCV, destaca-se a doença

arterial coronariana (DAC), da qual

a aterosclerose é a mais expressiva

representante (2).

A aterosclerose é uma doença

inflamatória crônica, que se inicia

já na primeira década de vida, mas

possui um longo período assintomático,

caracterizado por obstrução

136

NewsLab - edição 102 - 2010


progressiva da luz arterial por placas

de ateroma e trombos, disfunção

endotelial e processo inflamatório

(3, 4). As doenças decorrentes do

agravamento da aterosclerose, como

o infarto agudo do miocárdio e o acidente

vascular cerebral, estão entre

as principais causas de morbidade

e mortalidade em adultos de todo o

mundo, com tendência a acometer

pessoas cada vez mais jovens, em

especial nos países em desenvolvimento

(5).

Necropsias de crianças e jovens

demonstraram que as lesões ateroscleróticas

iniciam-se na infância,

sendo diretamente proporcionais à

idade, aos valores de CT e LDL-COL,

à pressão arterial média, à exposição

ao fumo e ao IMC (6). Alguns trabalhos

encontraram estrias gordurosas

na aorta de crianças, a partir de três

anos de idade (7, 8).

Da mesma forma, foram encontradas

estrias gordurosas, placas

fibrosas, células espumosas e infiltrações

lipídicas em células musculares

lisas nas artérias coronárias

de crianças e adolescentes (6, 7,

9). De fato, a patogênese da aterosclerose

começa na infância e tem

sido observada, inclusive, durante o

desenvolvimento fetal, associada à

hipercolesterolemia materna durante

a gravidez (10).

A aterosclerose é uma doença de

origem multifatorial e quanto maior o

número de fatores de risco, maior a

gravidade da doença (5, 11).

Segundo projeções da Organização

Mundial de Saúde (OMS), se medidas

preventivas não forem tomadas, é

possível prever para o futuro uma

epidemia de DCV (1).

O quadro mundial acima exposto

decorre das alterações promovidas no

estilo de vida da população mundial

no último século, com dietas ricas

em gorduras e sedentarismo e, consequentemente,

aumento das taxas

de obesidade, hipertensão, diabetes

e dislipidemias (12, 13).

Estudos Populacionais

O estudo de maior impacto sobre

os fatores de risco para DAC na infância

e a tendência de se perpetuarem

até a vida adulta foi desenvolvido na

cidade de Bogalusa com início em

1972. Nesse estudo, ficou claro que

os fatores de risco para a aterosclerose

e a hipertensão arterial sistêmica

iniciam-se na infância e que, para

cada idade pediátrica, há valores

considerados normais para índice de

massa corporal (IMC), lípides séricos

e pressão arterial. Também foi

observada a influência da dieta, do

sedentarismo e do tabagismo sobre

esses fatores, sugerindo que, através

da educação precoce, pode-se modificar

o risco de doença aterosclerótica

coronariana (14, 15).

Estudos epidemiológicos nacionais

têm mostrado avanço das dislipidemias

em crianças e adolescentes (16,

17), com prevalência de hipercolesterolemia

(18, 19, 20). Outros estudos

demonstraram que crianças e adolescentes

com excesso de peso têm risco

maior de desenvolver dislipidemia; o

mais preocupante, porém, foi o fato

da prevalência da obesidade ser maior

quanto menor a idade, mostrando a

tendência de aumento desses índices

no futuro (17, 19).

Com base nesses estudos, as

instituições comprometidas com a

Saúde Pública podem implementar

estratégias para controlar os fatores

de risco e diminuir a incidência

da aterosclerose. Em vários países

da Europa Ocidental e nos EUA, a

incidência das DCV tem decrescido

nas últimas décadas; porém, elas

continuam sendo a causa principal

da morbi-mortalidade na população

adulta desses países (21).

Fatores de risco para a

aterosclerose

Define-se como fator de risco uma

característica ou elemento, endógeno

ou exógeno, que se associa à maior

probabilidade de desenvolvimento de

uma enfermidade. As medidas preventivas

dependem do reconhecimento

dos fatores de risco, sendo necessário

definir a importância de cada um e as

associações entre eles (22).

Embora não exista nenhuma classificação

de fatores de risco específica

para crianças e adolescentes, pode-se

utilizar, embora com ressalvas, a classificação

para adultos proposta pela

Conferência de Bethesda (23).

Na 27ª Conferência de Bethesda,

do Colégio Americano de Patologia,

definiu-se critérios sobre o papel dos

vários fatores predisponentes e a necessidade

de seu controle na prevenção

e/ou estabilização da doença aterosclerótica

cononária, distribuindo-os

em quatro classes (3):

• Classe I - São aqueles em que

as intervenções empregadas seguramente

reduzem o risco de doença

coronariana: LDL; dietas hiperlipídicas;

hipertensão arterial; hipertrofia

ventricular esquerda; tabagismo e

fibrinogênio sérico.

• Classe II - São aqueles em que

as intervenções provavelmente reduzem

o risco: diabetes; sedentarismo;

HDL; triglicerídeos; obesidade e pósmenopausa.

• Classe III - São fatores associados

a risco de doença aterosclerótica

coronariana, e que, se modificados,

talvez reduzam suas consequências:

fatores psicossociais; lipoproteína (a);

homocisteína; estresse oxidativo e

ingestão de bebidas alcoólicas.

• Classe IV - São os fatores que se

NewsLab - edição 102 - 2010

137


associam a aumento do risco de doença

aterosclerótica coronariana, porém

sem possibilidade de modificação, ou

se modificados, raramente produzirão

alterações na sua história natural:

idade; sexo; estado socioeconômico

e história familiar de doença arterial

coronária precoce.

Alguns trabalhos demonstram

que cerca de 50% das crianças

têm, ao menos, um desses fatores

(24, 25). Além disso, os fatores

de risco para doença coronariana

têm tendência de se apresentar em

conjunto (obesidade, dislipidemia,

hipertensão arterial); tendência que

se mantém durante o crescimento e

a vida adulta (26).

Dislipidemias

As dislipidemias são os fatores

de risco mais importantes na aterogênese,

aumentando de duas a

três vezes o risco de insuficiência

coronariana nos pacientes com hipercolesterolemia,

em relação aos que

não possuem essa alteração. Essas

são as bases fisiopatológicas para

as doenças atero-trombóticas e suas

complicações (27).

Conceitua-se dislipidemia quando

os valores séricos estão acima do desejável

para CT, LDL-COL, TG, relações

CT/HDL-COL e LDL-COL/HDL-COL e

para a fração não-HDL-COL, ou abaixo

do desejável no caso do HDL-COL

(28, 29, 30).

Há descrições de que os valores de

colesterol das crianças coincidem com

a prevalência de doença coronariana

nos adultos de sua região ou país,

guardando relação direta entre si;

sabe-se também que as frações lipídicas

tendem a seguir o fenômeno de

tracking (trilha), isto é, a maioria das

crianças se mantém com os mesmos

percentis em relação aos lípides até a

vida adulta (31, 32).

Histórico familiar de DAC

A associação entre história familiar

de DAC e a presença de fatores de

risco para a aterosclerose em crianças

e adolescentes descendentes, como

sobrepeso e valores não desejáveis

de lípides, está bem documentada.

Além disso, o histórico familiar de

DAC é considerado fator de risco independente

para doença coronariana

(33, 34).

Obesidade

Muito se tem estudado sobre o

impacto da obesidade no risco de vida

em geral; porém, a maioria desses

estudos foi relacionada com o risco

para doença coronariana. Essa preocupação

é maior, atualmente, pelo

aumento assustador da obesidade

durante a infância (35, 36). Além do

impacto direto, sabe-se que a obesidade

associa-se a outros fatores de

risco para a mesma doença, como

hipertensão arterial, sedentarismo,

diabetes, hiperinsulinismo e dislipidemia

(37, 38, 39). A distribuição

centrípeta da gordura corporal em

crianças tem sido relacionada à

dislipidemia, caracterizada principalmente

por hipertrigliceridemia e baixo

HDL-COL (40, 41).

Dieta aterogênica

O tipo de alimentação é um dos

fatores também implicados com a

aterosclerose. Estudos populacionais

demonstram relação entre dieta rica

em gorduras e pobre em fibras com

ocorrência de dislipidemia (42, 43).

Vale ainda ressaltar que a dieta rica

em gorduras com alta concentração

calórica predispõe as crianças à obesidade

(44, 45).

Sedentarismo

O sedentarismo é considerado,

atualmente, um agravo à saúde. A

atividade física representa fator de

proteção para a doença aterosclerótica,

à medida que controla vários

fatores de risco como obesidade, hipertensão

arterial, baixos valores de

HDL-COL, altos valores de LDL-COL,

de apolipoproteína B, de insulina e de

glicose (46). A inatividade na criança

é motivo de crescente preocupação,

por ser uma característica cada vez

mais comum na infância (47) e pela

tendência da criança inativa se tornar

um adolescente e adulto inativo (48).

Síndrome Metabólica

A associação de vários fatores

de risco para doenças metabólicas

e cardiovasculares é denominada de

síndrome metabólica. O paciente típico

é caracterizado pela obesidade, vários

graus de intolerância à glicose, hipertensão

e dislipidemia. O estilo de vida

da população está fortemente ligado

à incidência da síndrome metabólica.

A epidemia de obesidade e sedentarismo

provê solo fértil para a

síndrome. Entre as más consequências

está o aumento do risco de DCV. A

prevalência da síndrome metabólica é

crescente em crianças e adolescentes

e está ligada ao aumento da obesidade

nessa população. A síndrome metabólica

em crianças promove o desenvolvimento

de aterosclerose prematura e

produz significante aumento do risco

de DCV precoce (49-52).

Diabetes Melito

Os dados resultantes do Framingham

Heart Study confirmam, mais

uma vez, as muitas implicações cardiovasculares

do DM, tanto em seu

tipo 1, insulino-dependente, como

no tipo 2, não insulino-dependente.

Evidências sugerem a existência de

uma epidemia mundial de diabetes

tipo 2 em crianças, embora dados da

incidência sejam pouco comuns.

138

NewsLab - edição 102 - 2010


O aumento de casos de diabetes

tipo 2 na infância e adolescência é

decorrência da epidemia mundial de

obesidade (53, 54). O DM é um fator

de risco independente para DCV. Outros

fatores de risco para DCV, como

a hipertensão, a obesidade e a dislipidemia,

também tendem a ser mais

comuns nos pacientes com diabetes

(37, 55).

Tabagismo

O tabagismo é considerado pela

OMS a principal causa de morte evitável

em todo o mundo. Além de estar

associado a um risco elevado de DCV

e outras condições patológicas, o tabagismo

é um dos fatores de risco em

que a intervenção na infância é mais

efetiva. A exposição ao tabaco está

relacionada com baixas concentrações

plasmáticas de HDL-COL e associada a

uma disfunção endotelial significativa

dose-dependente (29, 56).

Hipertensão arterial sistêmica

A maioria das crianças com alteração

na pressão arterial tem sobrepeso

e histórico familiar de hipertensão. O

fator de risco cardiovascular que pode

estar associado à hipertensão em

crianças é a dislipidemia. Segundo The

Fourth Report on the Diagnosis, Evaluation,

and Treatment of High Blood

Pressure in Children and Adolescents,

a hipertensão arterial na infância,

assim como a hipercolesterolemia,

também é preditora da hipertensão

na vida adulta, isto é, crianças e

adolescentes com níveis pressóricos

acima do percentil 90 frequentemente

se tornam adultos com hipertensão

arterial (57).

No adulto, a hipertensão eleva em

duas a três vezes o risco individual

de desenvolvimento de morbidade

cardiovascular, explicando 62% das

mortes por acidente vascular cerebral

e 49% daquelas por doença arterial

coronariana (58).

Prematuridade, baixo peso

ao nascer e ausência de

aleitamento materno

Recentes divulgações científicas

apontam para novos fatores de risco

das DCV: a prematuridade, o baixo

peso ao nascer e a falta de aleitamento

materno.

A idade gestacional tem importante

efeito sobre a concentração

dos lípides séricos e de apolipoproteínas,

pois, com o aumento da

maturidade fetal, as concentrações

de CT e da apolipoproteína B diminuem

(59).

O baixo peso ao nascer, resultado

da subnutrição fetal, leva a adaptações

das células em períodos críticos

do crescimento, o que altera permanentemente

o seu metabolismo, pois o

feto, na tentativa de preservar tecidos

nobres, como o cérebro, promove alterações

hormonais visando adaptar

o organismo ao baixo aporte calórico

e proteico (60).

Singhal e colaboradores sugerem

que a nutrição na infância afeta permanentemente

o perfil lipoprotéico

da criança e que o leite materno

apresenta efeito protetor sobre esse

perfil (61).

Essas evidências trazem novas

preocupações à Saúde Pública, tanto

para os países ricos, que ainda

mantêm elevadas taxas de desmame

precoce, mas principalmente para os

países mais pobres que, associada à

curta duração do aleitamento materno,

ainda apresentam elevado número de

crianças com baixo peso ao nascer (9).

Prevenção da aterosclerose na

infância e adolescência

Há grandes evidências de que a

ocorrência de DAC pode estar associada

com o estilo de vida das culturas

ocidentais, com dieta rica em gorduras

saturadas e calóricas, uso de cigarros

e pouca atividade física, assumindo

um importante papel nas causas de

ocorrência maciça de DAC na população

(62).

As duas principais tentativas de

controle das dislipidemias são as

intervenções no estilo de vida e a

terapêutica farmacológica. As modificações

no estilo de vida perfazem

a primeira linha de intervenção em

indivíduos com risco de desenvolver

DCV. Assim, indivíduos que respondem

fracamente a intervenções no

estilo de vida e aqueles com alto risco

de desenvolver aterosclerose em curto

prazo são sérios candidatos para a

terapia medicamentosa (63).

A intervenção nos fatores de risco

visa reverter lesões ateroscleróticas

em sua fase inicial, por meio de modificação

do estilo de vida da criança,

de sua família e de sua escola. Embora

não se tenha comprovação que

o controle dos fatores de risco para

aterosclerose na criança diminua sua

prevalência na vida adulta, supõe-se

que isso é muito provável.

Ao mesmo tempo, a adoção de

hábitos saudáveis na infância tem

maior chance de sucesso do que

intervenções na idade adulta. Porém,

vale ressaltar que o controle

dos fatores de risco e a intervenção

sobre eles devem ser muito criteriosos,

dadas as possíveis implicações

físicas ou emocionais que tais procedimentos

podem acarretar na fase

de crescimento e desenvolvimento

da criança (64).

Correspondências para:

Profa. Marina Raijche

Mattozo Rover

marinarover@yahoo.com.br

140

NewsLab - edição 102 - 2010


Referências Bibliográficas

1. Reddy KS. Cardiovascular diseases in the developing countries: dimensions, determinants, dynamics and directions for public health actions. Publ Health

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4. Stulc T, Ceska R. Cholesterol lowering and the vessel wall: new insights and future perspectives. Physiol Res 2001, 50 (5): 461-71.

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144

NewsLab - edição 102 - 2010


Artigo

Anemias Microcíticas Hipocrômicas,

Metabolismo do Ferro e Zinco

Protoporfirina Eritrocitária - Revisão de Literatura

Maria de Lourdes Pires Nascimento

Médica, Hematologista, Universidade Federal da Bahia - UFBa

Resumo

Summary

Anemias microcíticas hipocrômicas, metabolismo

do ferro e zinco. Protoporfirina eritrocitária - Revisão

de literatura

Anemias por deficiência de ferro, talassemia menor, anemias

de doenças crônicas e intoxicação por metais pesados (chumbo e

cádmio) são as principais representantes das anemias microcíticas

hipocrômicas. Nesta revisão são analisadas as variações do zinco

protoporfirina em relação ao status do ferro neste grupo de anemias

microcíticas hipocrômicas.

Palavras-chave: Zinco protoporfirina, anemia ferropriva,

talassemia menor, anemias de doenças crônicas, intoxicação por

chumbo, intoxicação por cádmio.

Microcytic and hypochromic anemias: Iron metabolism

and zinc protoporphyrin (review article)

Iron deficiency anemia, thalassemia trait, chronics diseases anemias

and contaminated with heavy metals (lead and cadmium) are

the main representatives of microcytic and hypochromic anemias. In

this review article how zinc protoporphyrin vary as a function of iron

status in a group of microcytic and hypochromic anemias.

Keywords: Zinc protoporphyrin, iron deficiency anemia, thalassemia

trait, chronics diseases anemias, lead poisoning, cadmium

poisoning

Introdução

A

p rincipal função dos eritrócitos

maduros é a oxigenação dos

tecidos, realizada através da

molécula da hemoglobina. A quantidade

de hemoglobina dos eritrócitos

é determinada por ações coordenadas

entre as sínteses adequadas da globina

e do heme, associadas à disponibilidade

do ferro. As alterações em uma destas

três condições resultam em anemias

microcíticas hipocrômicas (12).

As anemias microcíticas hipocrômicas

são as mais frequentes anemias

no mundo, tendo como principais

diagnósticos: anemias ferroprivas,

talassemias menor (α e β), anemias

de doenças crônicas e intoxicação por

metais pesados (chumbo e cádmio).

Estas anemias nas suas fisiopatologias

têm em comum: a produção inadequada

das hemácias (microcíticas e

hipocrômicas), com diminuição da

quantidade de hemoglobina.

Estas anemias, direta ou indiretamente,

comprometem a disponibilidade

do ferro: diminuição do fornecimento

do ferro na anemia ferropriva,

diminuição na expressão genética da

hemoglobina nas talassemias, inadequada

utilização do ferro nas anemias

por doenças crônicas e competição

com o ferro nas intoxicações por metais

como o chumbo e o cádmio (4,

19, 23, 24, 41, 48, 53).

Em vista da grande frequência destas

anemias, os exames que facilitam a diferenciação

entre elas passam a ter grande

importância, porque a conduta terapêutica

é específica para cada uma destas

anemias microcíticas hipocrômicas.

Síntese da formação da

hemoglobina: protoporfirina

eritrocitária e zinco

protoporfirina eritrocitária

Durante a formação das hemácias

na medula óssea, no interior dos eritroblastos

acontece, de modo separado,

a síntese do heme e da globina.

O precursor do heme é a protoporfirina

que, sob a atuação da ferroque-

146

NewsLab - edição 102 - 2010


latase, se une ao ferro e se transforma

em heme (24, 46).

O principal tipo de hemoglobina

normal na espécie humana é denominado

de hemoglobina A, cuja globina

é formada por dois tipos de cadeias

de aminoácidos: α e β. Existem outras

hemoglobinas, que também são

normais. Quando estão em pequenas

quantidades, elas possuem cadeias de

aminoácidos específicas: hemoglobina

F com a cadeia γ e a hemoglobina A2

com a cadeia Δ.

A cadeia α é comum para todos os

três tipos de hemoglobinas normais

dos humanos (A, A2 e F) e se combina

com as cadeias que são específicas

das outras hemoglobinas (A = α +

β, A2 = α + Δ e F = α + γ). Todas

as cadeias de globinas (α, β, γ e Δ)

têm a produção de suas sequências

de aminoácidos e a quantidade das

produções sob o comando de genes

específicos (27, 58).

O heme se une à globina, surgindo

assim a hemoglobina.

O zinco, assim como o ferro, tem

“facilidade” em se combinar com a

protoporfirina livre, surgindo então o

zinco protoporfirina que é um produto

metabólico, existente em pequenas

quantidades, durante a biossíntese

do heme (22).

Situações que comprometem

o metabolismo do ferro

nas anemias microcíticas

hipocrômicas e a relação com a

protoporfirina eritrocitária

Deficiências de Ferro

Nas deficiências de ferro, não

existe quantidade suficiente de ferro

para se combinar com a protoporfirina

e formar o heme. Por este motivo, o

excedente da protoporfirina que não

teve ferro para se combinar, fica livre

no interior das hemácias, surgindo a

protoporfirina livre. Esta protoporfirina

eritrocitária livre com valores

relativos, mais elevados se combina

com o zinco surgindo então valores

mais elevados de zinco protoporfirina,

que serão bons indicadores das

deficiências de ferro hemoglobina.

Por estes motivos é que resultados

acima do valor normal para o zinco

protoporfirina evidenciam o diagnóstico

pré-anêmico das deficiências de

ferro (22, 24-26, 48).

A microcitose e hipocromia da

anemia ferropriva é uma consequência

do estímulo que aumenta o número

das divisões eritroblásticas durante a

eritropoiese (37, 38).

Talassemias

As talassemias são um grupo

de doenças genéticas heterogêneas

tendo em comum a diminuição da

produção de uma das cadeias da globina.

Por este motivo nós podemos

ter talassemias alfas (diminuição das

cadeias α) e talassemias betas (diminuição

das cadeias β).

Na dependência da intensidade da

diminuição de produção das cadeias

de globinas, através da sintomatologia

e de exames laboratoriais existem as

seguintes classificações (5, 32, 58):

• Talassemia mínima é assintomática,

geralmente com deficiência

de cadeia alfa (α), o eritrograma

apresenta valores numéricos normais,

podendo existir discreta alteração na

morfologia eritrocitária.

• Talassemia menor pode ser por

deficiências de cadeias α e/ou β. Geralmente

o paciente é assintomático,

mas pode apresentar cansaço e desconforto.

São estes tipos de talassemias

que apresentam microcitose, hipocromia

e número mais elevado para

a contagem de hemácias/mm 3 . São

nestes casos que existe a necessidade

do diagnóstico laboratorial diferencial

com a anemia ferropriva quando em

estágio inicial.

• Talassemia intermédia tem manifestações

clínicas e laboratoriais

específicas e mais evidentes, eventualmente

podem ter necessidade de

receber transfusão de sangue.

• Talassemia maior, é a forma mais

grave das talassemias.

Na talassemia menor existe pequena

diminuição de um dos tipos de

cadeia da globina. A protoporfirina se

une normalmente ao ferro, se transformando

em heme. Entretanto, não

existe quantidade suficiente de globina

para se unir ao heme, por este motivo

tem “aumento relativo de heme”.

No interior das hemácias, o heme

livre sem globina fragiliza as hemácias

que são precocemente hemolisadas.

A protopofirina que foi “normalmente”

transformada em heme, não dá

origem à maior quantidade de zinco

protoporfirina. Na talassemia menor, a

zinco protoporfirina estará com os valores

normais ou diminuídos (19, 53).

A hemólise precoce na talassemia

menor é um estímulo para o aumento

da intensidade de fabricação eritrocitária

e do número de divisões celulares.

Estes fatos têm como consequência

maior número de hemácias que serão

microcíticas e hipocrômicas (19, 38, 45).

Pelo exposto até aqui vemos que os

valores de zinco protopofirina eritrocitária

ajudam na diferenciação entre estes

dois tipos de anemias microcíticas

hipocrômicas: anemia ferropriva com

zinco protoporfirina elevada e talassemia

menor com zinco protoporfirina

normal ou diminuída (40, 53).

Intoxicação por Metais Pesados:

Chumbo e Cádmio

• Chumbo: Em consequência do

desenvolvimento industrial, a intoxicação

pelo chumbo é encontrada

em diversos municípios onde existem

NewsLab - edição 102 - 2010

147


polos industriais, sendo considerado

um problema de saúde pública global

(30, 33, 47, 52, 55). A intoxicação

pelo chumbo compromete o sistema

nervoso, a medula óssea e os rins. As

alterações hematológicas na intoxicação

pelo chumbo servem como indicador

metabólico para se detectar precocemente

a exposição ao chumbo antes

do aparecimento dos sintomas clínicos.

O chumbo inibe a união do ferro

com a protoporfirina, competindo com

a enzima ferroquelatase, que diminui a

sua ação catalisadora na união do ferro

com a protoporfirina. Existirá menor

quantidade de heme. A protoporfirina

livre se liga ao zinco, surgindo o aumento

do zinco protoporfirina. O ferro

não hemoglobínico livre aumenta, se

deposita nos eritrócitos, diminuindo a

vida média das hemácias. Em resposta

à destruição precoce das hemácias,

surge um estímulo que aumenta o

número de divisões celulares, então

teremos microcitose com hipocromia

(3, 7, 20, 31, 51).

• Cádmio: Nesta intoxicação a

deficiência de ferro surge em consequência

da competição do cádmio com

o ferro durante a absorção intestinal

do ferro. No intestino existem duas

proteínas que, em condições normais,

transportam o ferro (DMT1 e MTP1).

Na presença de cádmio estas proteínas

passam a transportá-lo (43, 50, 54).

As principais consequências da intoxicação

pelo cádmio são: hemólise, deficiência

de ferro e diversas alterações,

entre elas têm o comprometimento

renal (com a diminuição da eritropoietina,

que aumenta a anemia) e acúmulo

hepático de cádmio (16, 29). A hemólise

ocorre no início da intoxicação, por

causa da presença de cádmio no interior

das hemácias (28, 29). Esta destruição

precoce das hemácias associada à diminuição

da hemoglobina (consequência

da diminuição do fornecimento do

ferro) será responsável pelo estímulo

na eritropoiese (aumento do número

de divisões celulares e menor teor de

hemoglobina), gerando maior número

de hemácias que serão microcíticas e

hipocrômicas.

O aumento do zinco protoporfirina

em pacientes com o comprometimento

renal, como é o caso das

intoxicações por cádmio, pode surgir

em consequência de diferentes mecanismos

patogênicos, entre os quais

temos: inflamação crônica, presença

de fatores urêmicos. Estes são fatores

que potencialmente também inibem a

biosíntese do heme (3).

Anemias de Doenças Crônicas

Nas doenças crônicas, as anemias

passam a ser um dos sinais ou sintomas

associados à doença básica, por

isso também é chamada de anemia

secundária. Geralmente denomina-se

doença crônica quando a sua evolução

já está acima de dois meses. é uma

anemia refratária à terapêutica antianêmica

e a sua melhora coincide com

a da doença básica. São comuns em

doentes hospitalizados.

A fisiopatologia desta anemia está

ligada à diminuição do ferro no soro

e aumento do ferro nos depósitos. A

diminuição do ferro não é específica e

parece estar ligada à invasão de microorganismos

(6, 10, 18, 23, 56, 59).

Pacientes com deficiência de ferro

têm diminuição da resistência às

infecções, sendo comprometida a

imunidade humoral. A liberação da

lactoferrina dos neutrófilos também

está envolvida neste tipo de anemia.

Os neutrófilos apresentam menor número

de granulações em consequência

da ferropenia, sendo estes os três

principais fatos (4, 14, 57):

• Diminuição da capacidade bactericida

através das enzimas que contêm

ferro (fosfatase alcalina, mieloperoxidase,

cis-aconitase e desidrogenase

succínica).

• Aumento do ferro livre na mucosa,

que facilita a “alimentação” para

determinadas bactérias. A lactoferrina

presente nos grânulos dos neutrófilos é

uma proteína transportadora de ferro. É

através da ação da lactoferrina, liberada

pelos neutrófilos, que existe uma defesa

na superfície da mucosa gastrintestinal,

impedindo o aumento do ferro livre, que

é um elemento importante para a vida

e o desenvolvimento de determinadas

bactérias, ex. E. coli, pseudomonas.

Na anemia da doença crônica haverá

diminuição do ferro sérico, aumento

do ferro livre na mucosa intestinal e

maior facilidade para a sobrevivência

de determinadas bactérias.

• Diminuição do estímulo das células

NK que são linfócitos assassinos,

em conseqüência da deficiência de

lactoferrina. Em condições normais,

a lactoferrina quando liberada pelos

neutrófilos, também aumenta a função

das células NK.

Em relação à protoporfirina, Hasta

et al. (14) avaliando pacientes com

anemias de doenças crônicas (artrite

reumatoide, tuberculose, endocardite,

lupus eritematoso, polimialgia reumática,

sarcoidose, polimiosite) encontrou

valores elevados para o zinco

protoporfirina. Estes mesmos autores

(14) sugerem que a dosagem de zinco

protoporfirina pode ser útil, associada

a outros exames, no diagnóstico das

anemias de doenças crônicas.

Conclusões: critérios para

avaliação das anemias

microcíticas hipocrômicas

Os critérios mais difundidos para

a identificação de anemias ferroprivas

são aqueles recomendados pela Organização

Mundial de Saúde (42), que

considera anemia os valores de he-

148

NewsLab - edição 102 - 2010


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152

NewsLab - edição 102 - 2010


Artigo

Diagnóstico de Enteroparasitoses em Crianças de um

Centro Comunitário da Periferia de Porto Alegre/Rs,

Segundo o Método de Mariano e Carvalho

Jaqueline Vieira Carletti 1 , Carolina de Marco Veríssimo 1 , Ronaldo Silva 1 , Caroline Dani 2

1 - Acadêmicos do Curso de Biomedicina do Centro Universitário Metodista - IPA

2 - Professor Orientador

Centro Universitário Metodista do Sul – IPA

Resumo

Summary

Diagnóstico de enteroparasitoses em crianças de um

Centro Comunitário da periferia de Porto Alegre/Rs,

segundo o Método de Mariano e Carvalho

As parasitoses intestinais em crianças vêm sendo amplamente

estudadas nas mais diversas regiões brasileiras. Estas infecções

representam um sério problema de saúde pública, diretamente

relacionado com a falta de higiene e saneamento básico. Nosso

estudo teve como objetivo avaliar a prevalência de enteroparasitoses

em crianças, com idade entre dois e seis anos, de um Centro

Comunitário da periferia da Zona Sul de Porto Alegre/RS, bem

como correlacionar o índice de positividade ao número de amostras

entregues. Amostras de 27 crianças, coletadas em dias alternados,

foram analisadas em triplicata utilizando-se o método de Mariano

e Carvalho. Observou-se uma frequência de infecções na ordem

de 19 (70,37%). Entre esses, 9 (33,33%) estavam poliparasitados.

Dentre os parasitos observados, a G. lamblia apresentou a maior

frequência, 17 (89,47%), seguido de 36,84% para A. lumbricoides,

26,31% para Entamoeba sp. e 5,26% para T. trichiura. Quanto

ao índice de positividade por número de amostras entregues, nos

casos em que foram entregues duas ou três amostras e os resultados

foram positivos, se somente a primeira amostra fosse analisada,

72,72% dessas infecções deixariam de ser diagnosticadas. Os

resultados observados indicam a relação existente entre as más

condições socioeconômicas e higiênico-sanitárias e a prevalência

de parasitoses na população avaliada, e indicam a importância

de requerer mais de uma amostra para realização e liberação de

laudos de exames parasitológicos.

Prevalence of enteroparasitoses in children from a

Community Centre in the South of Porto Alegre/Rs, according

to Mariano e Carvalho method

Infections by intestinal parasites in children have been widely

studied in many Brazilian regions. This type of infections represents

a serious public health problem and is direct related to the lack of

basic hygienic and sanitary conditions. The aims of this study were

to evaluate the prevalence of enteroparasitoses in children aged

between two and six years attending a Community Centre located in

the south of Porto Alegre, Rio Grande do Sul, and also to correlate

the rate of positivity with the number of samples given. In this study

we analyzed samples from 27 children, harvested in alternated days,

using the method proposed by Mariano and Carvalho. Three samples

were analyzed from every child. Samples were positive in 70.37%

of the subjects and in 47.37% we found poliparasitism. We found

the parasites Giardia lamblia representing the highest frequency

(89.47%), followed by Ascaris lumbricoides (36.84%), Entamoeba

sp. (26.31%) and Trichuris trichiura (5.26%). Our results are in accordance

with other studies in the literature suggesting that the poor

social-economical and sanitary conditions are directly related to the

prevalence of parasites in children aged between 2 and 6 years.

According to our analysis there is a high incidence of parasitizes in

this community in the south of Porto Alegre and it is essential to the

evaluation of more than one sample to obtain more reliable results.

Keywords: Intestinal parasites, Mariano-Carvalho method, G.

lamblia, A. lumbricoides, Entamoeba sp., T. trichiura.

Palavras-chave: Parasitoses intestinais, Mariano e Carvalho,

G. lamblia, A. lumbricoides, Entamoeba sp., T. trichiura

154

NewsLab - edição 102 - 2010


Introdução

A

ocorrência de parasitoses

intestinais em crianças de

diversas regiões brasileiras e

do mundo tem sido alvo de discussão

em diversos estudos (1-6), não somente

devido ao problema de saúde

pública que representa, diretamente

relacionado com a falta de saneamento

básico e educação sanitária, como

também pela relação que apresenta

com patologias variadas, que nem

sempre são diretamente associadas

com essa etiologia, como é o caso

de doenças respiratórias, deficiências

nutricionais como anemia, diarreias,

cólicas abdominais, mal-estar, reações

de hipersensibilidade, entre outras.

Os resultados do PNSB (Pesquisa

Nacional de Saneamento Básico), realizada

pelo IBGE (Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística) revelam

que o esgotamento sanitário é o serviço

de saneamento básico de menor

cobertura nos municípios brasileiros,

alcançando apenas 52,2% das sedes

municipais (7). Em países subdesenvolvidos,

onde o nível socioeconômico

é mais baixo, observa-se uma alta

ocorrência de parasitoses, demonstrando

a forte associação desse fator

com a prevalência destas doenças,

que sofrem variações conforme as

regiões do país (8).

O diagnóstico dos parasitos intestinais

pelo exame parasitológico

de fezes (EPF) é, sem dúvida, de

alto interesse laboratorial, onde é

indispensável para a exata avaliação

da atividade dos diferentes agentes

terapêuticos. Além disso, trata-se de

um meio de informar acerca do índice

de contaminação de verminoses no indivíduo

através da coleta de fezes (9).

Desta forma, tem-se a importância

da realização deste exame como forma

de diagnosticar e, desta maneira,

tratar individualmente aqueles que

necessitem, evitando prejuízos maiores

ao indivíduo.

Crianças em idade pré-escolar e

escolar estão mais sujeitas às infecções

parasitárias, por não possuírem

ainda consciência dos hábitos corretos

de higiene (10). Além disso, constituem

um grupo onde são observados

os maiores problemas físicos, mentais

e sociais associados às infecções por

parasitas (11).

Neste contexto, tivemos como objetivo

avaliar a prevalência de enteroparasitoses

em crianças, com idade entre

dois e seis anos, de um Centro Comunitário

da Periferia da Zona Sul de Porto

Alegre/RS, bem como correlacionar o

índice de positividade com o número

de amostras entregues para análise.

Materiais e Métodos

O estudo foi realizado em um Centro

Comunitário da Zona Sul de Porto

Alegre/RS. Este local funciona em dois

turnos, atendendo 25 crianças em cada

um deles. Deste grupo, 27 crianças,

de dois a seis anos, participaram do

estudo, após assinatura do Termo de

Consentimento Livre e Esclarecido por

seus respectivos responsáveis. Somado

a isto, os responsáveis responderam

a um questionário simples para avaliação

das condições socioeconômicas.

Cada criança forneceu três amostras

de fezes em dias alternados,

que foram analisadas pelo Método de

Mariano e Carvalho (12), em triplicata,

por diferentes observadores, no

Laboratório de Parasitologia do Centro

Universitário Metodista – IPA.

O método de Mariano e Carvalho

baseia-se na sedimentação da amostra

em um copo cônico, com água

a 45°C, por duas horas. Durante a

primeira hora, o parasito-filtro contendo

a amostra deve permanecer em

contato com a água para que, no caso

da presença de larvas na amostra,

estas migrem para a água, devido

ao termo-hidrotropismo positivo que

apresentam.

Os resultados obtidos foram repassados

aos responsáveis e todos

aqueles que necessitassem eram

encaminhados para uma consulta na

Unidade Básica de Saúde do bairro

onde moravam.

Resultados

Das 27 crianças avaliadas, 19

(70,37%) estavam parasitadas (Figura

1). Conforme observa-se na

Figura 3, a prevalência de parasitos

encontrados nas amostras variou,

tendo sido observada maior prevalência

para Giárdia lamblia, seguida pelo

Ascaris lumbricoides, Entamoeba sp.

e Trichuris trichiura, respectivamente.

Nove crianças estavam parasitadas

por mais de um parasito, obtendo-se

um índice de 33,33% de poliparasitismo

(Figura 2).

Pode-se perceber que a frequência

de positividade foi maior entre os

meninos e que a mesma não foi muito

diferente quando se observaram os

diferentes grupos etários (Figura 4

e Tabela 1).

Com relação à entrega das amostras

de acordo com o planejado, por

vezes houve a impossibilidade das

crianças fornecerem as três amostras

e, desta maneira, em muitos casos,

pode ter havido prejuízo nos resultados

(Figuras 5 e 6). Nestes casos,

analisamos quantas amostras foram

entregues e o diagnóstico foi dado em

relação às mesmas. Observa-se que a

frequência de resultados positivos está

bastante relacionada com o número de

amostras entregues.

A Figura 6 relaciona os resultados

positivos encontrados com a respec-

156

NewsLab - edição 102 - 2010


tiva amostra em que se obteve o resultado,

primeira, segunda ou terceira

amostra analisada. Obtivemos uma

frequência de resultados positivos na

ordem de 37,50% na primeira amostra,

87,50% na segunda e 81,81% na

terceira, demonstrando que a entrega

de mais de uma amostra pode garantir

resultados mais fidedignos.

26,31%

5,26%

29,63%

70,37%

33,33%

37,04%

36,84% 33,33%

89,47%

Parasitados

Não-Parasitados

Figura 1. Frequência de crianças

parasitadas no centro comunitário da

periferia de Porto Alegre

Monoparasitados

Poliparasitados

Figura 2. Índice de monoparasitados e

poliparasitados na população pesquisada

Giardia lamblia

Ascaris lumbricoidis

Entamoeba coli

Trichuris trichiura

Figura 3. Prevalência de parasitos em

crianças do centro comunitário da periferia

de Porto Alegre/RS

16

14

12

Tabela 1. Resultados observados para as diferentes faixas etárias

avaliadas

Faixa Etária Positivo Negativo N

Frequência

10

8

6

4

De 2 a 4 anos 09 06 15

2

0

Meninos

Meninas

De 5 a 6 anos 10 02 12

Negativo

Positivo

N 19 08 27

Figura 4. Frequência de resultados de acordo com o sexo

1 Amostra

2 Amostras

3 Amostras

40,74%

29,63%

29,63%

Figura 5. Frequência do número de amostras entregues pelas crianças

participantes do estudo

Frequência de Resultados Positivos

100,00%

90,00%

80,00%

70,00%

60,00%

50,00%

40,00%

30,00%

20,00%

10,00%

0,00%

0

1 2 3

Número de Amostras

Figura 6. Frequência de resultados positivos em relação ao número

da amostra

NewsLab - edição 102 - 2010

157


Discussão

A idade média das crianças avaliadas

neste estudo foi de 4,26 anos,

sendo que 48,14% eram do sexo

feminino. A aplicação do questionário

socioeconômico permitiu uma avaliação

superficial das condições de vida

dos participantes do estudo. Dentre

os itens abordados, a renda familiar

relatada por 85% dos responsáveis

variou de 100,00 a 500,00 reais.

Entre os outros tópicos respondidos,

todos relataram possuir banheiro em

casa, bem como água encanada.

Observa-se que o bairro onde

esta população reside é um local

humilde, que carece, sobretudo, de

atenção sanitária. Sobre isso, FER-

REIRA et al. (2000) (13) referem que

reduções substanciais da prevalência

de enteroparasitoses apenas são

obtidas com mudanças positivas de

determinantes distais (renda familiar

e escolaridade materna) e intermediárias

(moradia, saneamento do meio

e acesso a serviços de saúde).

A frequência de infecções observada

em outros inquéritos parasitológicos

é bastante variável e

muito influenciada pela região. No

estudo de FONTES et al. (2003) (3),

observa-se uma frequência de 92%

de positividade entre a população

estudada. Já no estudo de OGLIARI

& PASSOS (2002) (14), a frequência

foi de 55,4%, valor muito próximo

ao encontrado por BRITO et al.

(2007) (15), que foi de 57,89%.

Neste último estudo, os autores

ainda observaram uma frequência

de poliparasitismo igual a 38,33%.

No Rio de Janeiro, analisando

amostras de grupos etários diversos

da população do estado, foi verificada

uma frequência de resultados

positivos na ordem de 30,8%, sendo

que 71,8% estavam monoparasitados

(5).

Machado et al. (1999) (16)

avaliaram a presença de parasitos

intestinais em crianças e adolescentes

de escola pública e privada,

tendo observado uma frequência de

61,1% de giardíase. Este resultado,

tal como o nosso, demonstra a alta

prevalência desta parasitose nesse

grupo populacional. Percebe-se que

o nível socioeconômico influencia

as condições de higiene pessoal e

cuidados com a água, onde a contaminação

leva à disseminação dessa

patologia (17).

Os pais de 21,05% das crianças

parasitadas relataram problemas

respiratórios nas mesmas (asma ou

bronquite) e, consequentemente, o

uso de corticoides para tratamento.

Apenas uma criança sofria de anemia

e fazia uso de sulfato ferroso. Na

mesma foi verificada a infecção por

G. lamblia e Entamoeba sp.. Sobre

isto, WANI et al. (2008) (6) referem

que deficiências nutricionais tendem

a ser agravadas pelas infecções parasitárias,

levando a estados anêmicos.

Das crianças participantes da

pesquisa, 44,40% haviam sido tratadas

com antiparasitários nos últimos

seis meses. Dentre as crianças parasitadas,

47,37% fizeram uso destes

medicamentos no mesmo período,

fazendo perceber que somente o uso

do medicamento não é eficiente para

conter estas infecções na população

estudada.

Relacionando-se a entrega de

amostras aos resultados, observase

que nos casos em que foram

entregues duas ou três amostras

e os resultados foram positivos,

se tivéssemos recebido somente a

primeira amostra, deixariam de ser

diagnosticadas 72,72% das infecções.

Estes resultados podem estar

relacionados com ciclo de vida dos

parasitos e ovoposição inconstante

dos vermes, justificando a coleta das

três amostras em dias intercalados.

O EPF é o método indicado para

o diagnóstico de protozoários e helmintos,

sendo referida na literatura a

importância da aplicação de métodos

adequados, que garantam a confiabilidade

dos resultados (18). Em

nosso estudo, utilizamos o método

de Mariano e Carvalho para realização

das análises, pois este método

possui como singularidade a união de

dois princípios, o da sedimentação

espontânea (Lutz) e o de Baermann-

Moraes, sendo adequado para busca

de ovos e larvas de helmintos e cistos

e trofozoítos de protozoários (12).

Conclusão

A alta frequência de indivíduos

parasitados no presente estudo reafirma

a relação existente entre as

más condições socioeconômicas e

higiênico-sanitárias e a prevalência de

parasitoses na população, tendo que

estas são distais que invariavelmente

influenciam no tratamento de água e

cuidado com os alimentos.

A idade é um fator que contribui

para infecções por parasitas intestinais,

levando em consideração que

as crianças na faixa etária avaliada

ainda não desenvolveram hábitos

adequados de higiene.

Pelos resultados observados, percebe-se

a importância da solicitação de

mais de uma amostra para realização e

liberação de laudos de exames parasitológicos,

pois é nítida a redução de resultados

falsos-negativos com a análise

de pelo menos duas amostras.

Correspondências para:

Profa. Caroline Dani

caroline.dani@metodistadosul.edu.br

158

NewsLab - edição 102 - 2010


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160

NewsLab - edição 102 - 2010


Artigo

Febre Amarela - Revisão

Alice Dahmer Goncalves 1 , Katherine Oliveira Sandow 1 , Mariní Cristófoli 1 , Tuany Di Domenico 1 , Gustavo Müller Lara 2

1 - Acadêmicos de Biomedicina do Centro Universitário Feevale

2 - Professor titular - Centro Universitário Feevale

Resumo

Summary

Febre amarela - Revisão

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda não

contagiosa que se mantém endêmica ou enzootica nas florestas

tropicais da América e África, sendo transmitida mediante a

picada de insetos hematófagos da família Culicidae, em especial

dos gêneros Aedes e Haemagogus. O vírus causador pertence ao

grupo dos arbovírus e apresenta-se em sua forma clássica com

febre hemorrágica de elevada letalidade global, que varia de 5%

a 10%. Sob o ponto de vista epidemiológico, divide-se a febre

amarela em duas formas, silvestre e urbana, que diferem entre si

quanto à natureza dos transmissores, dos hospedeiros vertebrados

e do local de ocorrência. O diagnóstico pode ser realizado pelo

isolamento do vírus, detecção de antígenos virais e do RNA viral,

identificação viral por imunofluorescência indireta, fazendo o uso

de anticorpos monoclonais, pesquisando anticorpos específicos IgM

ou alternativamente mediante testes de fixação do complemento.

Não há tratamento específico para a doença, portanto campanhas

de prevenção e a aplicação da vacina antiamarílica 17D mostramse

de extrema importância para a saúde pública.

Palavras-chave: Febre amarela, Flavivirus, Aedes, vacina

17D, isolamento viral

Yellow fever - Review

Yellow fever is an acute fever infectious disease, noncontagious,

that keeps self-endemic in America and Africa forest rains. It is spread

through the bite of an infected hematophagous mosquito from Culicidae

family, especially from the king Aedes and Haemagogus. The virus

belongs to the arbovirus group and presents itself in its classic form

with hemorrhagic fever that with high global lethality, from 5% to 10%.

About the epidemiology, Yellow Fever is divided in two ways, wild

and urban. The difference between them is the nature of the transmitters,

hosts and place of occurrence.

The diagnose is accomplished by isolating the virus, detection

of viral antigens and viral RNA, viral identification by indirect immunofluorescence,

using monoclonal antibodies, researching specific

antibodies IgM or using tests of complement fixation. There is no

specific treatment for the disease. Because of that, it´s very important

for the Public Health that campaigns of prevention that place and that

the immunization with the 17D vaccine is accomplished.

Keywords: Yellow fever, Flavivirus, Aedes, 17D vaccine, viral

isolation

Conceito

A

f ebre amarela é uma doença

infecciosa febril aguda não

contagiosa que se mantém

endêmica ou enzootica nas florestas

tropicais da América e África, causando

periodicamente surtos isolados ou

epidemias de maior ou menor impacto

em saúde pública, sendo transmitida

ao homem mediante a picada de insetos

hematófagos da família Culicidae,

em especial dos gêneros Aedes e Haemagogus.

Insere-se o vírus da febre

amarela no grupo dos arbovírus e ele

apresenta-se em sua forma clássica

com febre hemorrágica de elevada

letalidade (1, 2).

A letalidade global varia de 5% a

10%, mas entre os casos graves que

evoluem com síndromes ictero-hemorrágica

e hepatorenal pode chegar a

50%. Os pacientes mais acometidos são

geralmente indivíduos jovens, do sexo

masculino, realizando atividades agropecuárias

e de extração de madeira, bem

como ecoturistas que se embrenham nas

matas sem vacinação prévia (3).

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Sob o ponto de vista epidemiológico,

divide-se a febre amarela em

duas formas, silvestre e urbana, que

diferem entre si quanto à natureza

dos transmissores e dos hospedeiros

vertebrados e o local de ocorrência.

Eliminou-se a forma urbana na América

em 1954, mas ainda hoje ela ocorre

na África (1, 4, 5).

Pode ser prevenida pelo uso da

vacinação antiamarílica mediante aplicação

da vacina 17D, uma das vacinas

de vírus vivo atenuado mais seguras e

eficazes; recomenda-se a revacinação

a cada 10 anos (5, 6). Embora estudos

sorológicos em populações vacinadas

uma única vez e vivendo fora da área

de risco tenham demonstrado índices

neutralizantes por várias décadas,

sugere-se que uma única vacinação

confere imunidade de longa duração,

talvez por toda a vida (7).

Etiologia

O vírus da febre amarela pertence

ao gênero Flavivirus (Flavus = amarelo)

da família Flaviviridae, pertence ao

mesmo gênero e família de outros vírus

responsáveis por doenças no homem,

entre os quais Dengue, West Nile,

Rocio e encefalite St. Luís. É o agente

causal da febre amarela, doença que

hoje é encontrada basicamente nas

bacias dos rios Amazonas e Araguaia-

Tocantins, na América do Sul, e dos rios

Nilo e Congo na África (8).

O vírus da febre amarela possui

um genoma constituído de RNA de fita

simples não segmentado, polaridade

positiva, com cerca de 11 kilobases de

comprimento, com 10.800 nucleotídeos

que codificam 3.411 aminoácidos.

O vírion mede cerca de 25-30nm de

diâmetro e é envolto por um envelope

originário da célula hospedeira, onde

o vírus se reproduziu.

A partícula íntegra (vírion mais

envelope) mede cerca de 40nm. O

RNA viral expressa sete proteínas não

estruturais (NS1, NS2A, NS2B, NS3,

NS4A, NS4B e NS5) e três proteínas

estruturais prM, E e C. As proteínas

estruturais codificam a formação da

estrutura básica da partícula viral, o

precursor da proteína da membrana,

envelope e capsídeo, respectivamente,

enquanto as proteínas não estruturais

são responsáveis pelas atividades

reguladoras e da expressão do vírus.

O estudo do genoma do vírus da febre

amarela é importante para estabelecer

as diferenças genéticas entre as cepas

isoladas. Assim, estudos filogenéticos

têm mostrado a existência de sete

genótipos do vírus, sendo cinco na

África e dois nas Américas (9).

Epidemiologia

A febre amarela é um importante

problema de saúde pública que causa,

em média, 200.000 casos e 30.000

mortes a cada ano (10). Apresenta

dois ciclos epidemiologicamente distintos:

febre amarela silvestre (FAS)

e febre amarela urbana (FAU). A forma

silvestre é endêmica nas regiões

tropicais da África e das Américas.

Em geral, apresenta-se sob a forma

de surtos com intervalos de cinco a

sete anos, alternados por períodos

com menor número de registros. Na

população humana, o aparecimento

de casos é precedido de epizootias.

No Brasil, a partir do desaparecimento

da forma urbana em 1942, só há

ocorrência de casos de febre amarela

silvestre e até 1999 os focos endêmicos

estavam situados nos estados

das regiões norte, centro-oeste e área

pré-amazônica do Maranhão, além de

registros esporádicos na parte oeste

de Minas Gerais (11).

Na FAS, os mosquitos responsáveis

pela transmissão diferem na América

e na África, enquanto que na FAU, o

mosquito Aedes aegypti é o responsável

pela disseminação da doença

nos dois continentes. Neste ciclo, a

transmissão pelo Ae. aegypti é feita

diretamente ao homem. Este, uma

vez infectado, e se não for vacinado,

pode desenvolver a doença e serve

de fonte de infecção para novos mosquitos

(Ae. aegypti) e, assim, o ciclo

se perpetua, até que se esgotem os

suscetíveis ou se realize vacinação em

massa da população para interromper

a transmissão. É importante salientar

que a última grande epidemia urbana

em território brasileiro ocorreu em

1929 na cidade do Rio de Janeiro (4).

O ciclo silvestre, além de complexo

é ainda imperfeitamente compreendido

e varia de acordo com a região

onde ocorre. Na África, por exemplo,

várias espécies de mosquitos do gênero

Aedes têm sido associadas com a

transmissão, sendo Ae. africanus, Ae.

furcifer e Ae. simpsoni, os mais importantes.

Os mosquitos, além de serem

transmissores, são os reservatórios do

vírus, desde que uma vez infectados

assim permanecem por toda a sua

vida, ao contrário dos macacos que,

como os homens, ao se infectarem

morrem ou se curam, e ficam imunes

para sempre. Portanto, os macacos

atuam tão somente como hospedeiros

amplificadores da virose (8).

Na África, a transmissão ocorre em

diferentes níveis, (transmissão silvestre,

transmissão rural ou peri-urbana

e transmissão urbana) e é responsável

por cerca de 90% de todos os casos

notificados de febre amarela à OMS.

Em alguns países, ainda ocorre transmissão

urbana. Outro aspecto próprio

da África é a existência de um vetor de

ligação entre os ciclos urbano e silvestre,

o mosquito Ae. simpsoni, que sai

da mata indo picar os indivíduos nas

periferias das cidades, podendo inclusive,

manter uma transmissão contínua,

ainda que limitada nessas áreas (8).

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Nas Américas o ciclo silvestre é

distinto do africano. Os responsáveis

pela transmissão são os mosquitos

dos gêneros Haemagogus (Hg. janthinomys,

Hg. albomaculatus, etc.) e Sabethes

(Sa. chloropterus, Sa. soperi,

etc.). O Hg. janthinomys é o principal

responsável pela transmissão da febre

amarela (12). Este é um mosquito

que apresenta a maior distribuição

geográfica, mas que possui hábitos

estritamente silvestres, ou seja, só

pica o indivíduo quando este penetra

em seu nicho ecológico.

Esta espécie apresenta as condições

ideais para transmitir o vírus

amarílico, pois é extremamente suscetível

ao vírus. Em infecções experimentais,

se infecta com baixas doses

infectantes; é primatófilo, ou seja, se

alimenta preferencialmente em macacos

e secundariamente no homem,

e apresenta atividade diurna, período

em que a maioria dos que adoecem da

enfermidade realizam suas atividades

nas matas.

E mais, durante as epidemias

frequentemente são encontrados

infectados. Tais características explicam

por que esta espécie é tão hábil

em transmitir a virose, e torna este

mosquito, por conseguinte, o principal

transmissor da febre amarela no Brasil

e em muitos países da América do Sul

(3, 7, 12, 13, 14).

Tanto na África quanto na América,

os hospedeiros silvestres do

vírus amarílico são os primatas não

humanos (3, 8). No continente africano,

os macacos são geralmente

mais resistentes ao vírus e, ainda que

desenvolvam a infecção, raramente

sucumbem à mesma.

Na América, ao contrário, todas

as espécies de macacos identificadas

e infectadas experimentalmente se

mostraram sensíveis e suscetíveis ao

vírus amarílico. Ademais, é comum

a presença de anticorpos contra febre

amarela em símios capturados.

Alguns macacos mostram grande

suscetibilidade, como por exemplo o

guariba (gênero Allouatta), enquanto

outros mostram considerável resistência,

como é o caso do macaco

prego (gênero Cebus). Nos primeiros,

doses mínimas do vírus da febre

amarela levam ao desenvolvimento

de infecção fulminante e invariavelmente

fatal, em muito similar aos

casos humanos fatais. O máximo que

se consegue é retardar o desfecho

fatal diminuindo a dose infectante.

Já os segundos, infectados com doses

elevadas, quando muito desenvolvem

febre. O macaco prego geralmente

desenvolve a infecção, faz viremia e

produz anticorpos que neutralizam

reinfecções, mas raramente manifesta

qualquer sintoma ou sinal de

enfermidade (3).

Essa doença acomete com maior

frequência o sexo masculino e a faixa

etária mais atingida situa-se acima

dos 15 anos, em função da maior

exposição profissional, relacionada

à penetração em zonas silvestres da

área endêmica de FAS. Outro grupo

de risco são as pessoas não vacinadas

que residem próximas aos ambientes

silvestres, onde circula o vírus, além

de turistas e migrantes que se expõem

a estes ambientes.

A maior frequência da doença

ocorre nos meses de janeiro a abril,

período com maior índice pluviométrico,

quando a densidade vetorial é

elevada, coincidindo com a época de

maior atividade agrícola (11).

A letalidade global situa-se entre

5-10%, mas, nos casos graves que

necessitam de hospitalização, oscila

entre 40%-60%. No Brasil, admitemse

três áreas epidemiológicas de risco,

a saber: área endêmica, área de

transição (também conhecida como

epizootica ou de emergência) e área

indene (15, 16, 17). Atualmente, a

área endêmica inclui as regiões norte e

centro oeste e o estado do Maranhão.

Essa área corresponde a mais de 2/3

do território nacional onde vive uma

população de cerca de 30 milhões de

habitantes (18).

Nos últimos anos, devido ao significativo

aumento na ocorrência e

circulação do vírus amarílico, a área

epizootica aumentou, passando a

incluir além da parte ocidental de

Minas Gerais, São Paulo e Paraná,

classicamente consideradas áreas de

risco, as partes ocidentais dos estados

do Piauí e Bahia no nordeste, e

Santa Catarina e Rio Grande do Sul

na região sul (15).

Este aumento da área de transição

deveu-se ao reconhecimento pelo Ministério

da Saúde da necessidade de

estender a faixa de proteção às áreas

com circulação epizootica recente,

inclusive em áreas com coberturas

florestais rarefeitas, os capões de

mato e, também, devido à grande

mobilidade observada na população. A

área de transição corresponde a uma

população de cerca de 18 milhões de

habitantes. Já a área indene corresponde

às áreas da costa brasileira indo

desde o Piauí até o Rio Grande do Sul,

onde vivem cerca de 118 milhões de

habitantes (18).

A imunidade das populações vivendo

nessas áreas varia consideravelmente.

Na área endêmica estimase

que 95% da população já esteja

vacinada contra a febre amarela.

Observa-se índice similar ou ligeiramente

inferior na área de transição.

Já na área indene, a cobertura vacinal,

ressalvadas raras exceções, é muito

baixa ou praticamente nula (18).

A febre amarela urbana não ocorre

no país desde 1942. Enquanto o Aedes

aegypti encontrava-se erradicado,

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havia uma relativa segurança quanto

a não possibilidade de reurbanização

do vírus amarílico. Entretanto, a reinfestação

de extensas áreas do nosso

território por este vetor, inclusive já

presente em muitos dos centros urbanos

das áreas endêmicas, epizooticas

e enzooticas, coloca a população brasileira

sob o risco de restabelecer este

ciclo do vírus.

Recentemente, o diagnóstico de

casos infectados em área de transmissão

próxima ao Distrito Federal,

demandou a execução de ampla

campanha vacinal em função da presença

de Aedes aegypti em centros

urbanos do DF, inclusive da capital

federal (11).

No Brasil, nos surtos ocorridos no

período de 2000/2003, observou-se

uma expansão da circulação viral no

sentido leste e sul do país, detectandose

sua presença em áreas silenciosas

há várias décadas, o que impôs uma

redefinição das áreas de risco. Além

da ampliação da área de transição foi

estabelecida uma nova área, denominada

de indene de risco potencial,

onde há maior risco para circulação

do vírus, contígua à área de transição

e com ecossistemas semelhantes,

compreendendo municípios do sul de

Minas Gerais e da Bahia e a região

centro-norte do Espírito Santo (11).

O número anual de notificações

de FAS é muito variável. No período

entre 1980 e 2003, foram diagnosticados

657 casos, dos quais 337 evoluíram

para óbito, o que corresponde

a uma letalidade média de 51,3%,

com uma variação de 22,9% a 100%.

Todas as unidades federadas da região

norte vêm registrando casos,

sendo responsáveis por 39,9% das

notificações do país, nas duas últimas

décadas (11).

Até o dia 02/04/08, a situação

epidemiológica no país era de 70

notificações de casos suspeitos de

febre amarela silvestre. Destes, 40

casos foram confirmados, dos quais

21 evoluíram para óbito (taxa de

letalidade de 53%). Outros 26 foram

descartados para febre amarela e

quatro permanecem em investigação.

Os prováveis locais de infecção dos

casos confirmados ocorreram em áreas

silvestres do Goiás, 52% (21/40),

Distrito Federal, 12% (5/40), Mato

Grosso do Sul, 23% (9/40), Mato

Grosso, 5% (2/40), Paraná, 5%

(2/40), e Pará, 2% (1/40) (10).

Clínica

A febre amarela pode se apresentar

na forma assintomática, oligossintomática,

moderada, grave e maligna (3, 6).

A forma assintomática ocorre na metade

dos infectados e as formas leves

ou moderadas com doença febril não

específica ou mesmo acompanhada de

icterícia ocorrem em 30% dos casos

e as formas ictéricas graves em 20%

dos pacientes. Podem ser observadas

formas malignas e de alta letalidade

com icterícia, disfunção de múltiplos

órgãos e hemorragias (3, 19).

Entre os fatores que influenciam na

gravidade da febre amarela podemos

citar: diferenças entre as cepas dos

vírus, quantidade dos vírus infectantes,

exposição anterior a outros

flavivírus (10).

Após a inoculação pelo mosquito

infectado, existe um curto período de

incubação que dura de três a seis dias

(20, 21). O vírus infecta e se multiplica

em células dendríticas, epidérmicas,

fibroblastos, miócitos estriados e macrófagos

de linfonodos regionais (19)

e, posteriormente, as partículas virais

são liberadas pelas células e levadas

pelos vasos linfáticos até a corrente

sanguínea (período de viremia) e

a partir da via hemática atingem o

fígado (6).

O quadro clínico é caracterizado

por insuficiência hepática e renal,

tendo em geral um período inicial

podrômico (infecção) e um toxêmico

que ocorre após aparente remissão e

frequentemente evolui para o óbito.

O período de infecção dura três

dias, tem sintomas gerais como febre,

calafrios, lombalgia, mialgias generalizadas,

cefalalgia, prostração, náuseas

e vômitos e o período de remissão

caracteriza-se pelo declínio da temperatura

e diminuição dos sintomas,

provocando uma melhora aparente no

paciente, enquanto que no período toxêmico

reaparece a febre, diarreia e os

vômitos têm aspecto de borra de café.

Instala-se um quadro de insuficiência

hepato-renal representado por

icterícia, oligúria, anúria e albuminúria,

manifestações hemorrágicas

(gengivorragias, epistaxes, otorragias,

hematêmese, melena, hematúria,

sangramentos em locais de punção

venosa), prostração, comprometimento

do sensório, com obnubilação mental

e torpor, com evolução para coma e

morte. O pulso pode ficar mais lento,

apesar a temperatura estar elevada

(Sinal de Faget) (11).

Nos casos graves de febre amarela,

dano endotelial, microtrombose,

coagulação intravascular

disseminada (CIVD), anóxia tissular,

oligúria e choque devem-se a um

desbalanço nos teores de TNF-α e

de outras citocinas produzidas por

macrófagos, bem como à ação de

células T citotóxicas. Hemorragias

na febre amarela ocorrem por síntese

hepática diminuída de fatores

da coagulação vitamina K dependentes.

Também, a CIVD e a função

plaquetária alterada contribuiriam

nas hemorragias dos casos graves

de febre amarela. Nestes casos,

ao choque sucede-se a falência de

múltiplos órgãos (19).

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Laboratório e Diagnóstico

Após a introdução do vírus amarílico

na circulação pela picada do

transmissor, este, em horas atinge os

linfonodos regionais e desaparece da

circulação nas 24 horas seguintes (6).

Nos seres humanos, os achados

histopatológicos decorrem principalmente

de exames de necropsia. Esses

mesmos achados podem ser observados

em outras viroses como o dengue

e mesmo em alguns casos de hepatite

fulminante, porém, predomina na infecção

amarílica.

Consistem em uma área hepática

necrosada com infiltrado inflamatório,

presença de células mononucleares

e vários tipos de lesões

degenerativas. A mais característica

e tida como indicativa de febre amarela,

ainda que não patognomônica,

pois, tem sido descrita também na

malária por Plasmodium falciparum,

nas hepatite virais, no dengue, na

mononucleose infecciosa e em outras

febres hemorrágicas virais, é

a degeneração hialina, acidófila dos

hepatócitos, conhecida como corpúsculo

de Councilman-Rocha Lima (22).

O diagnóstico definitivo da febre

amarela pode ser feito pelo isolamento

(exame de cultura) do vírus,

detecção de antígenos virais e do RNA

viral. Faz-se o isolamento do vírus em

diferentes sistemas: camundongos

recém-nascidos ou cultivo celular (células

VERO, clone C6/36). O resultado

é obtido após a inoculação da amostra

suspeita, em torno do quinto ao sétimo

dia (8, 23, 24).

Ao ser isolada, a amostra viral é

identificada em testes de imunofluorescência

indireta, usando-se anticorpos

monoclonais ou alternativamente

mediante testes de fixação do complemento

(5, 8, 25).

Métodos sorológicos: dosagem de

anticorpos específicos pelo método de

IgM-Elisa que captura anticorpos IgM

em ensaio enzimático. Os métodos

sorológicos que identificam IgM específica,

como é o caso do IgM-Elisa, podem

fornecer o diagnóstico presuntivo

rápido em uma amostra sorológica, se

a mesma for obtida a partir do quinto

dia de doença (3, 6, 17).

Exames inespecíficos: diversos

exames devem ser realizados durante

a evolução do quadro de febre amarela.

No hemograma, nos primeiros

dias da doença, há leucopenia com

neutropenia e linfocitose. As plaquetas

usualmente se encontram com valores

em torno de 50.000/cm 3 de sangue,

mas podem apresentar valores ainda

menores (3, 14).

Diversos fatores de coagulação

são consumidos e quando dosados

apresentam-se alterados. Os mais

consumidos durante a infecção amarílica

são a protrombina, o fator VIII

e a tromboplastina. Portanto, os

tempos de sangria e de coagulação

prolongam-se (26).

Os que sobrevivem se recuperam

lenta, mas completamente, e sem

sequelas. Durante a convalescência,

astenia, indisposição e dores musculares

costumam perdurar por até duas

semanas.

Ao comparar os resultados sorológicos

das amostras aguda e convalescente,

os títulos de anticorpos

aumentados quatro vezes ou mais na

amostra convalescente em comparação

aos títulos da amostra da fase

aguda, depõem a favor de infecção

pelo vírus amarílico (27).

Raramente, porém, podem ocorrer

mortes tardias devidas ao vírus, nos

casos em que a icterícia é intensa e os

níveis séricos de bilirrubina são muito

elevados, a encefalopatia é frequente

e é um sinal de mau prognóstico.

A maioria dos pacientes morre por

insuficiência hepato-renal, ou em

decorrência das hemorragias, muitas

vezes incontroláveis e, com menor

frequência, o óbito está associado a

lesões cardíacas tardias (3, 8).

Tratamento

Não há tratamento específico

para a doença, logo, o tratamento

de apoio deve ser iniciado em caso

de suspeita clínica dessa virose.

Recomenda-se o internamento do

paciente com as formas graves em

hospitais com boa infraestrutura,

pois há necessidade de uma série de

procedimentos (3).

A medicação tem por objetivo

combater os sintomas e os sinais da

doença. Portanto, a medicação a ser

prescrita depende das manifestações

clínicas, mas é comum o uso de analgésicos

e antitérmicos. Geralmente

são contraindicados medicamentos

que contenham ácido acetil-salicílico

ou seus derivados, devido às suas

propriedades anticoagulantes. Devem

ser prescritos antiemético para

controlar os vômitos e medicamentos

para proteger a mucosa gástrica

(bloqueadores H2), para a prevenção

de sangramentos gástricos, uma das

mais fatais complicações da febre

amarela (3, 6).

Na sugestiva de insuficiência renal

é importante prescrever diuréticos. A

avaliação do paciente deve ser contínua

e inclui a verificação dos sinais

vitais, da diurese e o acompanhamento

diário de pelo menos os seguintes

exames: hemograma, plaquetas, fatores

de coagulação, sumário de urina

e verificação das funções hepática

(dosagem das aminotransferases, bilirrubina

e gama GT) e renal (dosagem

de ureia e creatinina, e monitoramento

do balanço hídrico). Nos casos em

que a insuficiência renal já está instalada,

o uso de diálise peritoneal ou

hemodiálise se faz necessário. Níveis

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de creatinina acima de 4mg/dL associado

ou não à ureia sérica de 200mg/

dL são parâmetros razoáveis (3, 6).

O tratamento da febre amarela

deve ser feito pela via endovenosa.

A ribavirina tem se mostrado um

fármaco eficiente, porém, apenas

está disponível no mercado brasileiro

para tratamento da hepatite C, em

comprimidos e, assim, requer mais

estudos para definir dose e tempo de

uso (6, 28).

Prevenção

A febre amarela faz parte da lista

de doenças de notificação compulsória,

sendo assim, qualquer caso

suspeito deve ser imediatamente

notificado às autoridades sanitárias

local, estadual ou nacional. Após a

confirmação laboratorial, a notificação

do caso é confirmada e a autoridade

nacional ratifica a autoridade sanitária

internacional (6, 29).

Contra a picada do mosquito, recomenda-se

nas áreas com maior risco,

que se faça uso de repelente, uso de

roupas fechadas (é preciso levar em

conta a temperatura do local), colocar

telas em portas e janelas (30).

Outro procedimento que pode prevenir

a ocorrência da febre amarela

é o combate aos vetores. O combate

ao vetor silvestre é inviável, restando

assim o combate ao vetor urbano, o

Aedes aegypti. Com a complexidade

das áreas urbanas, a elevada concentração

populacional, pobreza, falta de

saneamento básico e deficiência no

fornecimento de água estão sendo um

grande problema de saúde pública ao

combate contra o mosquito da febre

amarela (6).

O governo federal adotou através

do Plano de Intensificação do

Controle da Febre Amarela, medidas

como: campanhas de vacinação para

febre amarela, aumento nos recursos

ao SUS para exames diagnósticos,

capacitação de profissionais da área

da saúde para o combate à febre

amarela. Esse plano visa também

uma vacinação 100% na população

brasileira (18).

Vacina

O método mais eficaz para prevenir

a febre amarela é a vacinação com a

amostra 17D. Ela possui duas subcepas

sendo que a 17DD é utilizada

no Brasil e a 17D-204 no restante do

mundo. Recomenda-se que sejam

vacinadas todas as pessoas hígidas

com mais de seis meses de idade que