grandes consumidores de energia elétrica - Nuca - UFRJ

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grandes consumidores de energia elétrica - Nuca - UFRJ

RELATÓRIO DE CONJUNTURA:

GRANDES CONSUMIDORES DE

ENERGIA ELÉTRICA

Abril de 2009

Nivalde J. de Castro

Felipe dos Santos Martins

PROJETO PROVEDOR DE INFORMAÇÕES ECONÔMICAS–

FINANCEIRAS DO SETOR ELÉTRICO

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PROJETO PROVEDOR DE INFORMAÇÕES

SOBRE O SETOR ELÉTRICO

RELATÓRIO MENSAL

ACOMPANHAMENTO da CONJUNTURA:

GRANDES CONSUMIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA

ABRIL de 2009

Nivalde J. de Castro

Felipe dos Santos Martins

PROJETO PROVEDOR DE INFORMAÇÕES ECONÔMICAS – FINANCEIRAS DO SETOR

ELÉTRICO

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Índice

1 – SIDERURGIA.................................................................................................................4

1.1 – ALUMÍNIO, COBRE, NÍQUEL E OUTROS METAIS .......................................... 4

1.2 – AÇO...........................................................................................................................5

2 – MINERAÇÃO................................................................................................................. 6

3 – SETOR AUTOMOTIVO...............................................................................................8

4 – PAPEL e CELULOSE ................................................................................................... 9

5 – QUÍMICA e PETROQUÍMICA .................................................................................10

6 – GERAL..........................................................................................................................10

Relatório Mensal de Acompanhamento da Conjuntura de Grandes Consumidores (1)

Nivalde J. de Castro (2)

Felipe dos Santos Martins (3)

(1)

Participaram da elaboração deste relatório como pesquisadores Roberto Brandão, Bruna de Souza

Turques, Rafhael dos Santos Resende, Diogo Chauke de Souza Magalhães, Débora de Melo Cunha e

Luciano Análio Ribeiro.

(2) Professor do Instituto de Economia - UFRJ e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico

(3) Assistente de Pesquisa do GESEL-IE-UFRJ

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1 – SIDERURGIA

1.1 – ALUMÍNIO, COBRE, NÍQUEL E OUTROS METAIS

O mês de Abril foi marcado pela propagação dos problemas da desaceleração

econômica mundial.

A queda nos preços das commodities fez com que algumas subsidiarias de

companhias como a Alcoa e a Vale tivessem suas operações paralisadas, pois com os

preços atuais – cerca de 1,4 mil dólares por tonelada de alumínio – não é possível

sustentar os custos de produção, principalmente o elétrico, o qual possui maior peso.

Outro problema foi a queda da demanda, implicando numa queda na produção.

Segundo a ABAL, a produção de alumínio sofreu uma queda de 4.3% em relação ao

primeiro trimestre do ano passado, ficando em torno de 140 mil toneladas.

A Rio Tinto registrou uma queda, na produção de alumínio, ainda maior, 6%, na

de ferro um recuo de 15 % contudo na de cobre uma alta de 33% e se esforça para

equilibrar a oferta com a demanda global.

Quanto ao cobre, segundo estimativas do Macquarie Group, essa alta na

demanda se deve principalmente a China, a maior demandante mundial, que concordou

em estocar ate 400 mil toneladas do metal. Assim, mesmo com a alta apresentada no

primeiro trimestre, a expectativa e de queda de aproximadamente 20% no próximo

trimestre.

Já o níquel, o principal projeto da Vale sofreu um adiamento da previsão de

inicio de operações no seu principal projeto no Brasil, em Onça Puma, no Pará.

Contudo, as ações da empresa não se restringiram ao Brasil, a sua suas minas e plantas

de beneficiamento em Sudbury, em Ontário, no Canadá, serão paralisadas durante os

mês de julho.

O ferro passou por um processo similar ao cobre. No inicio do ano teve recordes

de importação por parte da China, principalmente para a produção de aço, contudo a

demanda por aço não subiu e a produção se converteu em estoques. Logo, a demanda

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pelo minério pro parte da China deve cair no restante do ano, segundo informou Liang

Shuhe, um representante do governo chinês.

Contudo, a queda das importações é de um modo geral, não proporcional entre

os paises. Ela foi mais acentuada na Austrália, o que acabou gerando no Brasil um

efeito contrário e as exportações do minério aumentaram.

Apesar de tudo, a previsão e de melhora na demanda pelas commodities

metálicas no segundo semestre, puxada principalmente pela recuperação da economia

chinesa e em menor grau pela economia mundial como um todo segundo companhias

com a Rio Tinto e a Nubu Su.

1.2 – AÇO

O mercado do aço sofreu uma queda brusca com a desaceleração econômica

mundial. A produção ainda se encontra muito abaixo dos níveis de 2008 e os estoques

se adaptando a nova quantidade demandada.

No Brasil, o desempenho das siderúrgicas esta abaixo da media mundial. A

produção, em comparação ao primeiro trimestre do ano passado, registrou uma queda de

42.1% em aço bruto e 46.6% em laminados. Na comparação com o mês, a queda foi

menor, 41,5% no geral.

Contudo, a demanda de aço para a construção civil e indústria subiram 16% em

março, comparada com o mês de fevereiro, indicando um inicio de recuperação do

mercado interno, segundo a IBS.

Assim, a ação de antecipar a manutenção das unidades produtivas realizadas

pela Gerdau e pela Usiminas nos meses de janeiro, fevereiro e março se mostraram

eficazes, e começam a voltar à atividade, embora não tenha sido revelado o ritmo atual

de utilização da capacidade instalada.

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No mercado externo, as siderúrgicas brasileiras estão perdendo mercado na

América Latinas para as chinesas. A primeira registrou uma queda de 38.5% nos

últimos dois anos, enquanto a segunda registrou um acréscimo de 90%, segundo o

Instituto Latino-Americano de Ferro e Aço (Ilafa) e o IBS. Este quadro é preocupante,

pois com o mercado norte americano e europeu em crise, a América Latina foi a única

região onde a China registrou algum incremento em suas vendas.

Ainda na China, o governo divulgou que planeja realizar a fusão de quatro

siderúrgicas estatais em um novo grupo, que somam uma capacidade produtiva de 23

milhões de toneladas, aproximadamente a capacidade da Gerdau instalada no Brasil,

com a finalidade de aumentar o poder de barganha frente as produtoras de minério de

ferro.

Segundo o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA), o volume das

vendas se igualará ao consumo apenas no segundo semestre. "O primeiro trimestre foi

direcionado para os ajustes de estoques. Com isso, o estoque caiu, mas ainda está alto

em relação ao nosso volume de vendas. Tranquilamente ainda teremos os meses de abril

e maio para mais ajustes", afirmou o presidente do Inda, Carlos Loureiro. O inicio da

melhora deve começar pelo mês de julho e o consumo de aço no Brasil deve aumentar

ainda mais, contudo não será suficiente para manter o mesmo ritmo de 2008.

2 – MINERAÇÃO

O setor ainda sofre duramente com a instabilidade econômica internacional, o

qual derrubou a demanda e fez as companhias reverem planos de investimentos e de

produção. Mas apesar de tudo, o cenário parece esta se adaptando bem ao novo ritmo da

economia e as expectativas são de melhora da demanda ainda nesse ano.

O diretor executivo de finanças da Vale, Fabio Barbosa disse que apesar de um

inicio de ano conturbado devido a instabilidade econômica, mas sua expectativa é de

melhora para os próximos meses. Muito disso é devido a melhoras na demanda

impulsionada pela China.

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Outro ponto positivo para o setor foi a retomada do crescimento na América do

Norte. A região é responsável por aproximadamente um quarto da demanda mundial de

ferro, o que a torna essencial quanto a alterações nos preços, os quais despencaram

desde o inicio da crise.

Tendo em vista essa futura melhora, a Dubai Aluminium, dos Emirados Árabes

Unidos, adquiriu junto a Vale, uma parcela minoritária da companhia brasileira, na

Companhia de Alumina do Pará (CAP), um projeto milionário de exploração de

alumínio. A Vale passara a ter 61% (anteriormente possuía 80%), a norueguesa Hydro

Aluminium 20% e a Dubai com os 19% restantes.

A Vale também vendeu sua parte na Usiminas (5,9%), essa para os próprios

acionistas da companhia, dentre as quais estão Camargo Corrêa, Mitsubishi, Nippon e

Votorantim, os quais pagaram 40 reais por ação, totalizando aproximadamente R$ 590

milhões.

A ultima negociação do mês, ficou por conta da Vale e a CSN, sobre uma antiga

briga judicial envolvendo a produção excedente de minério de ferro da mina de Casa de

Pedra, em Minas Gerais. “Pelo acordo, as empresas desistem das ações judiciais que

envolvem o contrato do direito de preferência e o descruzamento de ações. Dos 16

milhões de toneladas/ano de minério produzidos em Casa de Pedra, a CSN consome 8

milhões de toneladas. Segundo a Vale, ficou acertada "a flexibilização, por parte da

CSN, na execução do contrato que compreende o fornecimento de minério de ferro" da

Casa de Pedra, "que poderá ser suspenso ou cancelado definitivamente até o final de

2009". Em troca, a CSN se comprometeu a comprar da Vale 3 milhões de toneladas de

pelotas de minério entre 2009 e 2014”

Contudo, a crise ainda gera instabilidade e revisões no setor. Segundo o Instituto

Brasileiro de Mineração, os investimentos, que no inicio do ano de 2009 estavam

orçados em US$ 57 bilhões, sofreu uma revisão e ficou estimado em US$ 47 bilhões.

Os mais afetados foram os projetos que envolvem a produção e exploração de minério

de ferro, alumina, zinco e níquel.

A revisão também ocorreu nos investimentos lidados a logística, os quais saíram

de US$ 12 bilhões para US$ 11,4 bilhões. A diferença se deve ao aumento no tempo

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para a negociação de preços com fornecedores de equipamentos e serviços, do câmbio e

também de mudanças na forma de executar o projeto de engenharia no sistema norte,

conseguindo assim reduzir os custos nos projetos da ampliação da Estrada de Ferro de

Carajás e do porto de Ponta da Madeira, em São Luiz, no Maranhão.

Quanto a produção, e cenário também não se mostrou favorável e a Vale acabou

registrando uma queda de 37.1% no minério de ferro em comparação com o inicio de

2008. Na tentativa de diminuir as perdas, a companhia decidiu ajustar em 25% sua

produção do minério em 2009, assim pretende produzir 225 milhões de toneladas nesse

ano.

A queda na produção, nada mais é do que uma queda provocada pela

demanda. Para evitar um problema maior e garantir os maiores mercados, a Vale

começou a vender minério com desconto provisório de 20%para as siderúrgicas

chinesas. Contudo, isso só ocorre, segundo Roger Agnelli, em siderúrgicas onde a Vale

já havia firmado contratos, não no mercado a vista, onde a companhia ainda defende o

sistema de referencia anual.

Assim, apesar da instabilidade generalizada, o setor de mineração começa a se

adaptar e a expandir com estrema cautela, mas com expectativas de melhoras no futuro

próximo.

3 – SETOR AUTOMOTIVO

O setor automotivo começa a apresentar fortes sinais de recuperação. A

produção de veículos subiu 34,2% do mês de fevereiro para março, segundo a

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Comparando

com o ano passado, ainda há uma leve queda, de 4%, quanto ao trimestre se revela um

pouco maior, 16,9%.

Contudo, o licenciamento de veículos cresceu, evidenciando o efeito positivo da

redução do IPI. O crescimento em relação ao mês anterior foi de 14% e em relação ao

primeiro trimestre de 2008 foi de 3,1%, atingindo 668.314 veículos.

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Desta forma, as montadoras começam a retomar o ritmo pré-crise, algumas,

como a GM e a Volkswagen já trabalham em regimes de horas extras.

A Volkwagen já anunciou que investirá em geração de energia nesse ano. Nos

planos da empresa, está o investimento de R$ 50 milhões na implementação da PCH

Anhanguera (2.68 MW) no rio Sapucaí. O empreendimento atenderá a 15%da demanda

da montadora, a qual visa ampliar as suas fontes de energias limpas.

4 – PAPEL e CELULOSE

Depois da Suzano Papel e Celulose e da Aracruz, esse mês foi a vez da

Votorantim Celulose e Papel anunciar um prejuízo bilionário no ano de 2008, fechando

com uma perda de R$ 1,3 bilhão. Grande parte deste resultado foi atribuída à

desvalorização do real frente ao dólar, afetando diretamente as dívidas contraídas em

moeda estrangeira. Outro problema foram os derivativos cambias, onde assim como a

Sadia e a Aracruz, a VCP teve um resultado negativo.

Apesar das companhias não apresentarem um resultado muito bom no ano de

2008, principalmente por efeitos da instabilidade econômica internacional, esse ano a

demanda por celulose esta se recuperando. Segundo dados divulgados pela Associação

Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), houve um aumento nas exportações da

commodity, refletindo na produção, a qual teve um crescimento de 0,4% no primeiro

bimestre, comparado com o ano anterior, num cenário pré-crise.

Crescimento esse puxado pela produção de celulose fibra curta, a qual

apresentou um crescimento de 1.8% na relação com o primeiro bimestre de 2008. Já as

fibras longas, o desempenho foi pior que o anterior, registrando uma queda de 5.9%.

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5 – QUÍMICA e PETROQUÍMICA

Em meio a um cenário internacional instável, onde a desvalorização do real

frente ao dólar favoreceu a competitividade das indústrias petroquímicas brasileiras,

contudo dificultou a tomada de recursos, a Odebrecht anunciou a captação de US$ 200

milhões no exterior. Capital este que será destinado, principalmente, ao segmento de

infraestrutura e a áreas de energia, entre elas a construção de unidades de perfuração de

poços para a Petrobrás.

Embora a Petrobrás continue se expandindo no setor de extração de petróleo, no

setor Petroquímico foi anunciada a incorporação da Triunfo pela Braskem. O presidente

da Braskem ainda ressaltou que com essa incorporação dói o ultimo passo da

integralização dos ativos petroquímicos da Petrobrás pela Braskem.

6 – GERAL

A instabilidade internacional parece não ter afetado os investimentos ligados à

geração e transmissão de energia elétrica. Por outro lado, a demanda de energia por

parte do segmento industrial sofreu um pouco com a crise e a tendência é piorar um

pouco devido ao reajuste tarifário.

No Mato Grosso do Sul, a Empa S/A foi autorizada pela Aneel a se estabelecer

como produtora independente de energia, mediante a implementação e exploração de

duas pequenas centrais hidroelétricas, a de Indaiá Grande e a Indaiazinho, localizadas

no município de Cassilândia. Cada uma terá potencia instalada de respectivamente 18,3

MW e 11,8 MW. O projeto está previsto para entrar em operação no inicio de 2011 e

caso a produção não ultrapasse os 30 MW, os empreendimentos terão uma redução de

50% nas tarifa de uso do sistema elétrico de transmissão e distribuição.

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Em Santa Catarina, a Celesc vai instalar uma linha elétrica de 138 KV para

atender a nova unidade da Votorantim, no município de Vidal Ramos. O projeto esta

orçado em aproximadamente R$ 20 milhões, tem previsão de inicio nos próximos 6

meses e de entrega antes do inicio de operações da usina.

No Rio de Janeiro, a MPX divulgou que tem a intenção de participar dos

próximos leiloes de energias renováveis, oferecendo energia eólica, a qual seria

instalada no Porto do Açu, em São João da Barra. A iniciativa ainda depende do preçoteto

estabelecido pela EPE, mas se for adiante, esse não será o único projeto de geração

eólica da MPX. A companhia também pretende competir nos leiloes de energia

proveniente de gás natural e carvão, o objetivo seria aproveitar a infraestrutura instalada

de gasodutos.

Na Paraíba, a Coteminas S/A foi autorizada pela a Aneel e iniciara as obras para

a instalação de linhas de transmissão que ligara a subestação Coteminas a LT Campina

Grande II – Pau Ferro, de propriedade da Chest, com a finalidade de permitir a sua

unidade de produção conectar-se com o consumidor livre. Isso ocorreu devido a

necessidade de aumento de carga de sua planta industrial, prevista para 33 MW.

No Equador, a Odebrecht garantiu que não recebeu qualquer notificação do

governo local sobre o processo por falhas nas obras da hidroelétrica e novamente negou

as acusações. O governo equatoriano pretende apresentar um processo contra a

construtora brasileira exigindo 210 milhões de dólares por falhas estruturais, erros de

projeto e fraudes na construção, baseado em um relatório contratado pelo governo

equatoriano do qual a empresa brasileira não tem nenhum conhecimento.

No Ceará, a Aneel realizou os registros das duas fases do projeto da Companhia

Siderúrgica do Pecém. As fases I e II contam com 260 MW cada. As usinas funcionarão

a gás de alto forno e gás de processo da coqueria.

Pelo lado da demanda, os reajustes tarifários concedidos pela Aneel chegam a

até 21,22%, e segundo a Abrace, vão impactar diretamente nas atividades industriais.

De acordo com o presidente-executivo da Abrace, Ricardo Lima, o aumento das tarifas

foi ocasionado, principalmente, pela variação anual dos custos de aquisição de energia,

com destaque para a proveniente de Itaipu, os encargos do Proinfa e o encardo do

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Serviço do Sistema, sem mencionar os gastos com operações das termoelétricas. Ainda

segundo ele, não e razoável que sejam concedidos aumentos tão significativos assim.

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