etanol - Canal : O jornal da bioenergia

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etanol - Canal : O jornal da bioenergia

Carta

do editor

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

28 LUBRIFICANTES

Mercado de lubrificantes cresce significativamente no Brasil, impulsionado pela expansão do

setor sucroalcooleiro. Desses produtos dependem o bom desempenho das máquinas agrícolas.

usina jalles machado

usina crv

09 SEGUROS

Seguros para usinas ganham espaço no

mercado. Destaque é a diversidade de

produtos, inclusive os que oferecem garantia

de preços em leilões de energia.

13 COOPERATIVAS

Fornecedores de cana-de-açúcar apostam

no associativismo para conseguir insumos

mais baratos e melhores oportunidades de

negócios para vender a produção.

cnh latin america

Contra a crise, crescimento

A crise nos Estados Unidos preocupa os mercados

em todo o mundo, mas, no Brasil, superados os

primeiros momentos de apreensão, o que se percebe

é que, apesar de alguns efeitos danosos , realmente

estamos em situação um pouco privilegiada. Afinal,

os mais diversos segmentos da economia dão sinais

de vigor e crescimento. A escassez de crédito no

mercado financeiro mundial não deverá causar

maior impacto ao setor sucroalcooleiro, como

explica Antônio de Pádua, diretor técnico da Unica,

em entrevista exclusiva ao CANAL.

A procura por mão-de-obra qualificada cresce

em diversas regiões do País para atender à

expansão da agroindústria. Os mercados de

seguros, lubrificantes e máquinas agrícolas, só para

citar alguns exemplos, estão aquecidos, como o

leitor poderá constatar em matérias sobre os

temas. Nesta 26ª edição, o CANAL traz ainda outras

reportagens de interesse para os agentes que atuam

direta ou indiretamente no setor de bioenergia,

como as vantagens da fertirrigação nas lavouras de

cana e o primeiro teste com a certificação de etanol

no Brasil. A informação de qualidade é um recurso

estratégico para quem quer se posicionar com

segurança em sua área de atuação. Para que

possamos oferecê-la a você, leitor, estamos sempre

atentos aos fatos e tendências que determinam os

rumos do setor de bioenergia no Brasil e no mundo.

Boa leitura e até a próxima edição.

fotos: divulgação

19 CERTIFICAÇÃO

Primeiro teste de certificação do etanol de

cana-de-açúcar começa neste mês, sob

responsabilidade do Inmetro. Processo

engloba toda a cadeia produtiva.

04 ANTÔNIO DE PÁDUA

Diretor técnico da Unica concede

entrevista exclusiva ao CANAL,

em que fala dos reflexos da crise

dos EUA no setor sucroalcooleiro.

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ENTREVISTA - Antônio de Pádua Rodrigues , Diretor técnico da Unica

Efeitos da crise mundial

NA OPINIÃO DO DIRETOR DA UNICA, APENAS OS INVESTIMENTOS DO SETOR SUCROALCOOLEIRO

QUE AINDA ESTÃO EM FASE DE PROJETO DEVERÃO SENTIR EFEITOS DA CRISE FINANCEIRA

Evandro Bittencourt

Membro da equipe da

Unica desde 1990, Antônio

de Pádua Rodrigues

exerce o cargo de

diretor técnico desde 2003. É bacharel

em administração pela Faculdade

de Administração de Empresas, Serviço

Social e Educação de Americana

(SP), com especialização em Administração

de Projetos na Faculdade

de Economia e Administração (FEA))

da Universidade de São Paulo. Em

entrevista exclusiva ao CANAL, ele

fala sobre assuntos do setor sucroalcooleiro

que mais estão repercutindo

atualmente.

A crise mundial terá reflexos negativos

nos investimentos no setor

Eu diria que haverá reflexos indiretos,

pela escassez de crédito e capital

de giro, para investimentos de

curto prazo, pois a crise afetou os

bancos e com isso deve haver reflexos

na economia como um todo.

No setor sucroalcooleiro, a crise

está mais relacionada à questão do

excesso de oferta, o que faz com

que os preços, tanto para o etanol,

quanto para o açúcar, estejam baixos

desde a safra passada e essa situação

deve perdurar até 2010, o

que deixa o setor vulnerável até este

período, pois a produção não está

compatível com a demanda.

Novos projetos podem ser paralisados

em razão desses fatores

As indústrias que já iniciaram

seus investimentos não, pois elas

já têm o dinheiro disponível.

Aqueles projetos que ainda não

têm podem ter de esperar, pela

dificuldade de obtenção de crédito,

que é provocada não só pela

crise nos Estados Unidos, mas

também pelo fato de o mercado

No setor sucroalcooleiro, a crise está mais

relacionada à questão do excesso de oferta,

o que faz com que os preços tanto para o

etanol quanto para o açúcar estejam baixos

não ser remunerador. Qualquer

atividade sofre com a falta de

crédito numa situação como essa.

A partir de 2010, vai haver a um

equilíbrio entre oferta e demanda,

o que tornará os preços dos produtos

mais remuneradores.

Qual é a relação entre consumo de

álcool combustível e da gasolina

Depende de como se faz essa conta.

O consumo da gasolina C é o

dobro do consumo do etanol nos

postos. Mas se consideramos os

25% de álcool anidro misturados

à gasolina, o consumo de álcool

passa a ser maior.

divlgação

Como fica o mercado de combustíveis

no Brasil no que se refere à concorrência

entre álcool e gasolina

Isso vai se dar por preço e qualidade

dos combustíveis. De um lado,

há a Petrobras, que tem o monopólio

do mercado de combustíveis

fósseis e, do outro, o mercado

do etanol, que é altamente concorrencial.

Sempre que o preço do

etanol estiver numa relação 70%

inferior ao preço da gasolina ele

vai continuar competitivo. Isso

dependerá também de a Petrobras

continuar mantendo os níveis de

preço da gasolina abaixo do mercado

internacional, como vem fazendo,

para não perder mais mercado,

e da carga tributária sobre o

etanol. A maneira como se definirá

o espaço para cada combustível

depende também das políticas

públicas para esse setor.

Quais fatores estão relacionados

à competitividade do etanol em

relação à gasolina

Em São Paulo, estamos vivendo

uma realidade nas bombas de

combustíveis em que o consumo

de etanol varia de 50% a 55%,

em razão da competitividade proporcionada

pela carga tributária,

que aqui é de 12%. Essa situação

poderia ser a mesma em outros

Estados se o ICMS fosse igual ao

de São Paulo e não os 25% que

são praticados. Essa competitividade

também está relacionada às

diferentes realidades de logística.

O que o etanol tem representado

para o consumidor brasileiro em

termos de economia

Por uma questão de mercado ele

tem beneficiado a todos, seja

proprietário de carros flex-ful ou

de gasolina, pois para não perder

mais mercado, a Petrobras têm

mantido estável o preço da gasolina.

Isso é ruim para o produtor

de etanol, pois se o preço da gasolina

seguisse o preço internacional

ela seria no mínimo 10%

mais cara e o biocombustível seria

mais competitivo. Os proprietários

de carros à gasolina estão

felizes, pois sabem disso.

Caso haja grande demanda mundial

pelo etanol o consumidor

brasileiro pode sair prejudicado

com o aumento de preços

O consumidor nunca sairá prejudicado,

pois a qualquer momento

ele pode optar pela gasolina.

04 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


Como a Reforma Tributária poderia

fomentar a produção e o consumo

de combustíveis renováveis

A tributação em São Paulo é

compatível com um produto renovável.

Essa tributação deveria

ser unificada em todo o País,

pois são claros os benefícios à

saúde e ao meio ambiente proporcionado

pelo consumo do

etanol. Com a Reforma, essa tributação

poderia ser reduzida em

relação à gasolina.

É preciso saber que a atividade agrícola no

Brasil é movida por preço e por lucro.

Ninguém vai ser obrigado a plantar uma

cultura que não remunera.

Como o senhor avalia a movimentação

da pesquisa pública e da iniciativa

privada no Brasil em relação

ao desenvolvimento de tecnologia

para a produção do etanol

celulósico ou de segunda geração

O Brasil investe pouco em pesquisa,

há algum investimento privado

e muito pouco estudo patrocinado

pelo governo em relação aos

Estados Unidos. Acho que o governo

deveria investir em uma

política pública de aproximação

com empresas de pesquisa americanas,

viabilizando a vinda para

cá dessas empresas para o Brasil,

onde há grande quantidade de biomassa

disponível. Já existem entendimentos

entre os dois governos

e os EUA estão abertos a isso.

O governo de São Paulo divulgou

recentemente o seu próprio zoneamento

agroambiental para a cana

e as licenças ambientais ficaram

suspensas desde o mês de

maio até o fim de setembro, enquanto

eram estabelecidas regras

mais claras para definir a aprovação

das mesmas. Isso pode inibir

a implantação de novos empreendimentos

no Estado. Temos ainda

um potencial enorme em São

Paulo, onde é possível até triplicar

a área plantada de cana-de-açúcar.

O zoneamento não inibe o crescimento

da atividade no Estado, ele

dá mais instrumentos para o poder

público administrar a expansão.

A exigência maior está na

renovação das licenças de operação,

que vai iniciar agora. Se isso

for gerenciado dentro do bom

senso, não há motivo para criticar

o zoneamento e nem as regras

que foram elaboradas. A

atividade canavieira em São

Paulo é a única do agronegócio

que tem uma regra clara. As demais

não têm regra nenhuma, ou

seja, o setor sucroalcooleiro

sempre está na frente como

exemplo daquilo que é positivo

na questão da expansão produtiva,

por isso é que começamos

com o protocolo ambiental

Qual a posição da Unica em relação

à regulamentação da expansão

da cana

No zoneamento do Governo federal

foram mapeados Estados em

que se vai ter algumas exigências

e restrições. Em algumas regiões

não será permitido produzir cana.

Acho que isso trouxe uma clareza

maior, embora o setor ainda não

tenha todas os detalhes desse

trabalho. Se estiver dentro do

bom senso, levando-se em consideração

as questões técnicas de

solo, clima e vegetação, ele é

bem-vindo, dá transparência e, de

uma vez por toda, acaba com essa

discussão de que a cana está

invadindo a Amazônia ou expulsando

a pecuária. É preciso saber

que a atividade agrícola no Brasil

é movida por preço e por lucro.

Ninguém vai ser obrigado a plantar

uma cultura que não remunera.

O governo pode fazer políticas

incentivando ou não determinadas

culturas, mas não se pode esquecer

que onde a cana está sendo

plantada é porque ela está remunerando

melhor. Se amanhã a

soja tiver um preço melhor, ela vai

ocupar a área da cana.

A rápida expansão da cana-deaçúcar

tem sido acompanhada de

críticas e de algumas ações que

visam restringir a área ocupada

pelas lavouras. A que o senhor

atribui isso

Os eventos contrários são movidos

por grupos econômicos, que têm

interesse em manter a concentração

da cultura que lá existe.

Qual a sua opinião sobre os esforços

para aumentar a produtividade

da cana

Qualquer commodity precisa de

pesquisa e de ganhos de produtividade.

Não se pode repassar custo

para preço. A atividade sobrevive

por ser competitiva no nível

de preço que o mercado está praticando.

Há diversas pesquisas

desenvolvidas por empresas privadas,

como a CanaVialis, investindo

fortemente em novas variedades,

e pelo próprio setor, como

o Centro de Tecnologia Canavieira,

em busca da cana transgênica,

por exemplo, além de investimentos

na busca da melhor eficiência

na extração e na fermentação do

caldo. Busca-se o tempo todo o

ganho de produtividade, na área

agrícola e industrial.

Ainda existem denúncias de problemas

relacionados às condições

precárias de trabalho na colheita

manual da cana. Por que

São problemas pontuais em algumas

unidades e que, às vezes, são

colocados como se fosse uma

questão estrutural. Acho que

quando houver uma questão pontual

como essa, a empresa que

está desobedecendo a legislação

deve ser severamente punida. Outra

questão do trabalho degradante,

que é muito subjetiva, está

relacionada à interpretação de

quem vai na lavoura fiscalizar e

vale para qualquer cultura. Se

houvesse uma maior clareza sobre

o que é o trabalho degradante,

muitos desses eventos não

chegariam à mídia. Recentemente,

houve um evento numa unidade

que nem é produtora de etanol

e açúcar, mas ganhou manchete

em nível mundial.

Qual a sua avaliação do ritmo da

mecanização da colheita da cana

no Brasil

Ela está se dando de forma rápida.

Provavelmente, a questão da

mecanização e do fim da colheita

manual da cana queimada deve

se dar antes do prazo estabelecido.

Primeiro, porque já há escassez

de mão-de-obra, além disso o

custo da colheita mecanizada é

menor. E quanto mais pressão tiver

dos ministérios Público e do

Trabalho, a contrapartida será a

mecanização. Além disso, tem a

questão ambiental, relacionada

ao fim da queima da palha.

06 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


PETROBRAS I

Estudos para nova

usina de biodiesel

A Petrobras Biocombustíveis planeja a

implantação de uma nova unidade de

biodiesel.As três já instaladas ficam em

Candeias, na Bahia (que já iniciou a venda do

biocombustível), Quixadá, no Ceará, e em

Montes Claros, Minas Gerais.A empresa

ainda não definiu a localização da quarta

unidade nem o investimento previsto, mas já

sabe que a nova usina processará até 30% de

mamona, com o objetivo de gerar a oferta de

um produto para ser misturado a outros

óleos, como a soja e o girassol, obtendo assim

um biocombustível com especificações

semelhantes ao utilizado na União Européia.

PETROBRAS II

Produção de etanol no Centro-Oeste

A primeira usina de

produção de etanol a

contar com a parceria da

Petrobras deverá entrar

em operação no início de

2010, no município de

Itarumã, Região Sudoeste

de Goiás, com produção

inicial prevista de 95

milhões de litros. A partir

de 2014, na segunda fase,

a produção será de 200

milhões de litros. A meta

de exportação anual de

álcool combustível pela

estatal, já em 2012, é de

4,75 bilhões de litros. Para

a produção do etanol, a

Petrobras Biocombustível

criou um modelo de

negócio baseado nos

chamados Complexos

Bioenergéticos (CBios),

que buscam parcerias com

empresas internacionais.

Na associação com a

brasileira Itarumã

Participações, a Petrobrás

formou uma joint

venture com a japonesa

Mitsui. O projeto da

Itarumã custará U$ 227

milhões. A usina será

totalmente voltada para a

produção de etanol e para

a geração de energia. Com

o bagaço da cana-deaçúcar

terá condição de

gerar 50 megawatts/hora.

Desse total, usará 20 MW

para girar todo o

complexo industrial. Os

30 MW excedentes serão

leiloados. A exportação de

energia deverá começar

em 2010. O plantio

e a colheita da cana serão

mecanizados.

Crianças participam

do projeto "Nardini

sempre verde"

Para comemorar o Dia

da Árvore, a Nardini

Agroindustrial Ltda realizou

no mês passado mais uma

etapa do projeto sócioambiental

"Nardini Sempre

Verde". Este ano, a escola

municipal convidada foi

"Prof. Wilson Antônio

Gonçalves", do município de

Taiaçu (SP), que compareceu

com aproximadamente 100

crianças, que fizeram o plantio

de 700 mudas de árvores em

uma área da usina.

fotos: nardini/petrobras/divulgação

08 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


SEGUROS

Proteção que garante lucro

canal/divulgação

SEGURADORAS

COMEMORAM

DESEMPENHO

NO SETOR DE

BIOENERGIA

Rhudy Crysthian

Desenvolvido para atender

um dos segmentos que

mais cresce atualmente no

Brasil, o seguro agrícola

para usinas processadoras de canade-açúcar

faz parte de um pacote de

produtos voltados para investidores

preocupados com o bom andamento

dos trabalhos na empresa porque, independente

do problema, a moagem

não pode parar. São coberturas como

incêndio, vendaval, quebra de

máquina, danos elétricos, entre outras,

que protegem a planta industrial

de qualquer problema.

O setor não tem números exatos de

quanto este produto movimenta hoje

no País, mas a expectativa de seguradoras

é efetuar muitas vendas a partir

do começo de 2009, quando as

usinas fecham por cinco meses para

manutenção dos equipamentos.

Segundo o sócio-diretor da Marista

Corretora de Seguros, Hailton Costa

Neves, o mercado hoje tem seguros

para todas as necessidades do setor

sucroalcooleiro, cobrindo desde o seguro

de vida dos funcionários, passando

pelo seguro das lavouras, equipamentos,

até os seguros financeiros

que, segundo ele, visam proteger o

fluxo de caixa das usinas ou que podem

lastrear as operações de cogeração

de energia.

Costa é um dos pioneiros em oferecer

apólices para usinas em Goiás.

"Nossa expectativa é de crescimento

gradual e consistente no volume de

seguros para o setor. Esta afirmação

se baseia no fato de existirem vários

projetos de empreendimentos em andamento

no Estado e na Região Centro-Oeste".

Ele afirma que, na região

onde atua, a contratação de seguros

para o setor têm aumentado expressivamente,

principalmente nos últimos

12 meses, inclusive produtos relacionados

à cogeração de energia.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 09


A importância de escolher bem diante da diversidade de opções de seguros

Hailton Costa Neves

recomenda avaliação

dos diversos produtos

disponíveis antes da escolha

TIPOS DE SEGURO PARA USINAS

Seguro de risco de

engenharia - na fase de

construção da usina

Seguro de risco

operacional: cobre

eventuais problemas como

incêndio, raios, vendavais,

danos eletrônicos,

explosão, implosão

entre outros

Seguro da frota e

quebra de máquinas

Seguro de

responsabilidade civil

Seguro de colheitadeiras

Seguros de vida e saúde

para colaboradores

Seguro do estoque contra

incêndios e explosões

Seguros de transporte de

máquinas

Seguros de importação de

equipamentos, etc

divulgação

Diante de tantas opções de seguros, o usineiro

deve ficar atento na hora de contratar a melhor

apólice. "E esta seleção deve ser vista sob o

prisma de que existem vários produtos disponíveis

no mercado e a diferença entre eles, às vezes,

é muito sutil. Então, o empresário pode

acabar adquirindo um produto que, na hora da

necessidade, pode não atendê-lo conforme a

sua expectativa", alerta Hailton Costa Neves, da

Marista Corretora de Seguros.

De acordo com o diretor da AD Corretora de

Seguros, Álvaro Dabus, as opções de cobertura

são muitas (veja quadro), mas o usineiro precisa

se certificar qual o melhor produto para sua

empresa. Dabus explica que os valores das

apólices oscilam de acordo com o sistema protegido

e a análise de risco. "Mas é preciso fazer

o seguro de forma bem cautelosa para evitar

problemas em caso de sinistros", alerta.

Ele atribui a injeção de capital externo em

novos investimentos no País ao fato de o mercado

de seguros para usinas estar em uma fase

de crescimento. "Esse perfil de cliente estrangeiro

sempre exige uma segurança garantida

em suas aplicações no setor", explica. Outro

movimento que também tem impulsionado

o segmento de seguros no setor é a cobertura

de garantia para leilões de energia.

O mesmo fato é observado por outras seguradoras

que registram um crescimento na procura

por este tipo de produto nos últimos 12

meses. Mas Dabus não espera um crescimento

vertiginoso para este segmento para o próximo

ano. Ele vê o cenário com precaução, já

que a cana passa por uma fase de cotação baixa

de preços. "Hoje há muitas unidades revendo

orçamentos de seguros", lamenta.

Mas isso não preocupa Dabus. Ele acredita

ser um fenômeno passageiro e ressalta que o

seguro para as usinas é uma garantia de funcionamento

quando o empresário tem consciência

da importância de contratar apólices para seu

empreendimento.

SEGURO AGRÍCOLA

No que se refere a seguro agrícola para a lavoura,

Dabus reclama que esta é uma barreira

cultural no Brasil. "Hoje, o produtor só faz seguro

da lavoura se algum órgão de financiamento

de crédito rural exigir", explica.

O governo federal subsidia 40% do seguro

para lavouras de cana-de-açúcar. De acordo

com diretor da AD Corretora de Seguros, Álvaro

Dabus, esse tipo de seguro é um dos mais

importantes instrumentos de política agrícola,

por permitir ao produtor proteger-se contra

perdas decorrentes de fenômenos climáticos

adversos, principalmente.

Contudo, especialistas destacam que a cobertura

pode ser mais abrangente se contratada para

proteger não só a atividade agrícola, mas também

o patrimônio do produtor rural, seus produtos, o

crédito para comercialização desses produtos, além

do seguro de vida dos próprios produtores.

usina jalles machado

10 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


OPINIÃO

O sucesso depende de todos

Goiás vive um momento inédito

na sua história econômica,

com garantia de investimentos

bem-sucedidos. Sua produção

industrial, na maioria dos casos,

é superior à sua capacidade de

consumo, mas tem compradores

certos dentro e fora do Brasil. Isso

ocorre, sobretudo, no setor sucroalcooleiro,

exigindo das empresas e

dos governos - federal, estadual e

municipais - uma estratégia mercadológica

complexa, com transformações

constantes na infra-estrutura,

para as adequar a novas exigências

e as ajudar na expansão dos sucessos.

Neste aspecto, por exemplo,

está a necessidade de um bom sistema

viário, incluindo estradas vicinais

interligando fazendas, usinas e

rodovias principais; menos demora

na implantação do alcoolduto; determinação

na execução das obras

da Ferrovia Norte-Sul e garantia de

um sistema de distribuição de energia

elétrica eficiente.

O Sindicato das Indústrias de Fabricação

de Álcool no Estado de Goiás

(Sifaeg) já conta com 42 empresas

associadas, 27 das quais em produção

e 15 outras em diferentes fases

de implantação, demonstrando a

pujança desse segmento entre nós,

grande fonte geradora de empregos

e arrecadação. Está prevista a entrada

em operação de uma dezena de

usinas de álcool e açúcar até 2011,

com a geração de mais de 6 mil empregos

diretos.

Os reflexos positivos desse setor

produtivo são cada vez mais notados

na agricultura e manutenção, no

comércio e nos transportes. Pelo lado

social, ele é altamente benéfico

como gerador de postos de trabalho

e renda, distribuídos nas principais

regiões do Estado, favorecendo pequenas

cidades e áreas rurais.

A discussão, a essa altura, sobre

monocultura de cana no Estado, vai

se tornando irrelevante, ante a pequenez

de sua expansão no território

goiano, contrastando com a

enorme disponibilidade de espaços

antropizados - já modificados pelo

homem -, principalmente pastagens

degradadas.

Embora ainda não alcance a condição

de commodity, a perspectiva

de internacionalização do mercado

de álcool é uma possibilidade real,

tendo em vista as preocupações

mundiais com a poluição que agrava

o efeito estufa no planeta e as

vantagens ambientais do combustível

produzido a partir da cana. Além

disso, são evidentes as condições de

sua produção em países pobres, na

África e no Caribe, onde se tornaria

poderoso fator de geração de riquezas

e avanço social.

O essencial, nesta hora, é que

cada um faça sua parte, com o poder

público atuando decididamente

no aperfeiçoamento da infra-estrutura

indispensável e na busca

da criação do mercado mundial do

álcool, sem esquecer apoio à formação

profissional, para que não

falte a indispensável mão-de-obra

a um segmento em permanente e

acelerada expansão. Por tudo isso,

o setor sucroalcooleiro representa

enormes possibilidades e desafios

em Goiás.

Ciente de suas responsabilidades,

o Sistema Federação das Indústrias

do Estado de Goiás - FIEG, SESI, SE-

NAI, IEL e ICQ Brasil - se antecipou

nesse atendimento, constituindo

parceiro dinâmico das empresas sucroalcooleiras

e desdobrando-se em

atividades que lhes facilitam a consolidação.

Cursos de mecânica de manutenção

industrial, de habilitação técnica

e de aperfeiçoamento do SENAI estão

sendo ministrados dentro das

próprias usinas, enquanto a instituição

investe na aquisição de novos

equipamentos e na contratação de

mais pessoal técnico, para interiorização

maior de suas ações, extensivas

à área de gestão. O SENAI constantemente

se reúne com empresas,

o Sifaeg e o Sifaçucar, discutindo e

acertando novas parcerias, que representam

serviços prestados em

municípios como Goianésia, Quirinópolis,

Mineiros, Cachoeira Alta,

Jataí, Santa Helena de Goiás, Paranaiguara

e Maurilândia. Já o SESI,

atento aos anseios do segmento, oferece

a seus trabalhadores atendimentos

nas áreas de educação, saúde

e lazer.

Estamos contribuindo - o que

nos deixa muito felizes -, com a

disposição de servir cada vez mais

e melhor.

PAULO AFONSO FERREIRA,

é presidente da Federação das

Indústrias do Estado de Goiás

silvio simões

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 11


Alerta contra a ferrugem laranja

OMinistério da Agricultura Pecuária e Abastecimento

(Mapa) está recomendando atenção especial

à dispersão da ferrugem laranja, considerada

uma das principais pragas da cultura da cana-deaçúcar

e ainda não registrada no Brasil. O fungo P.

kuehnni, patógeno causador da ferrugem laranja,

apresentava distribuição restrita (Indonésia, Austrália,

Índia e China) e menor importância econômica

por ocorrer esporadicamente e por nunca haver

atingido proporções epifíticas. Entretanto, ao final

da década de 1990, alastrou-se pelos canaviais da

Austrália, atingindo a variedade Q124, que representava

45% da área plantada naquele País, diminuindo

sua produtividade e causando sérios prejuízos

ao setor açucareiro australiano, estimados em 24%

na produção de açúcar.

Em julho de 2007 foi confirmada a primeira detecção

da ferrugem laranja no hemisfério ocidental, em

canaviais no Estado da Flórida, Estados Unidos. Em setembro

de 2007, a ferrugem laranja foi relatada na

Guatemala, ocorrendo principalmente sobre a variedade

CP72-2086, e, semanas depois, na Nicarágua,

afetando consideravelmente a indústria sucroalcooleira

desses países.

A dispersão dos fungos causadores de diferentes tipos

de ferrugens por curtas, médias ou longas distâncias

ocorre principalmente por correntes de ventos.

AGRICULTURA

MEDIDAS PREVENTIVAS

Cuidados a serem tomados em caso de

visitas a canaviais infestados

Lavar e passar suas roupas no hotel do

país visitado antes de retornar ao Brasil;

Ao fim de qualquer dia, ao retornar ao hotel e tomar banho,

separe as vestimentas e as coloque em um saco de plástico e

limpe bem os sapatos; repita isto todos os dias que for ao campo;

Mantenha uma roupa limpa separada para o retorno ao Brasil,

embale todas as roupas usadas na mala e somente depois tome

banho e se vista com a limpa

Efetuar a limpeza dos calçados antes do retorno

Não trazer nenhum tipo de material vegetal em sua bagagem

Ao retornar ao Brasil abra as malas apenas em sua casa e imediatamente

envie as roupas para lavagem, também providenciando

a limpeza das malas e calçados.

Fonte: Mapa

Por esse motivo, a chegada dessa nova praga ao território

brasileiro é considerada uma questão de tempo.

Outro vetor importante de pragas é o próprio homem,

que, inconscientemente, pode transportar propágulos

de pragas em suas roupas, calçados, bagagem

e por meio de movimentação de material vegetal.

Para evitar ou retardar ao máximo a introdução da

doença no País, as pessoas que venham a visitar países

onde a ferrugem laranja esteja estabelecida devem

adotar medidas preventivas, caso visitem canaviais

infestados (veja quadro), recomenda o Ministério

da Agricultura.

Zoneamento

agroecológico da

cana-de-açúcar

E

m no máximo 3 meses, o governo

federal concluirá o estudo

do zoneamento agroecológico

da cana-de-açúcar, que

envolve o trabalho da Embrapa,

Unicamp e instituições estaduais

de pesquisa. A previsão é do

ministro da Agricultura, Reinhold

Stephanes. Para a elaboração

do zoneamento foram

consideradas as aptidões de solo,

clima, restrições ambientais e

declividade. Atualmente, existem

sete milhões de hectares

plantados com cana-de-açúcar.

A meta para os próximos oitos

anos é ampliar mais cinco milhões

de hectares. O estudo técnico

e científico concluiu que

existem 65 milhões de hectares

aptos para a produção de cana,

sendo 37 milhões de hectares de

áreas de pastagens que serão

consideradas prioritárias.

12 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


MATÉRIA-PRIMA

Produção cooperada

PRODUTORES SE UNEM PARA ATENDER

CRESCENTE DEMANDA POR CANA-DE-AÇÚCAR

Rhudy Crysthian

arquivo sifaeg

BENEFÍCIOS

Acesso a pesquisas

Maior facilidade

de comercializar o

produto com grandes

compradores

Assistência

médico-hospitalar

Descontos em

estabelecimentos comerciais

Melhores preços de insumos

Assistência agronômica

Orientações de mercado

Treinamentos

*Os benefícios variam de acordo com cada associação

Os fornecedores particulares de

cana-de-açúcar estão mais organizados.

Eles passaram a enxergar

na união uma forma de

conseguir insumos mais baratos e melhores

oportunidades de negócios. E dessa

união nasce, cada vez com mais força, as

associações de produtores de cana que

representam os interesses de um determinado

grupo em sua região. Os benefícios

são para os dois lados do balcão de negócios,

tanto para os produtores quanto para

os compradores.

De acordo com Paulo Lyra, diretor da

Associação dos Fornecedores de Cana de

Goiás (Aprocana), na questão comercial o

que diferencia produtores associados dos

demais fornecedores é na hora da compra

dos insumos (adubo, herbicidas e corretivos).

Devido ao grande volume comercializado

em conjunto, é possível negociar

um preço menor para o produto. Para o

comprador de matéria-prima (cana-deaçúcar),

obviamente, os benefícios são

outros. "Ele – o comprador – negocia a

cana em conjunto, ao invés de negociar

com cada fornecedor separadamente,

poupando tempo. E ainda conta com a

certeza de ter a matéria-prima em um

volume considerável", argumenta.

Lyra afirma que essas medidas dão mais

embasamento para o usineiro seguir seu

planejamento de moagem diário, semanal,

mensal ou anual já pré-definido.

TRAJETÓRIA

Fortalecidas com a extinção do Instituto do Açúcar

e Álcool (IAA) logo após a década de 30, época

do retorno do comando da produção para a iniciativa

privada, as associações de produtores tiveram

crescimento numérico com a expansão das áreas de

plantio para o Oeste paulista e para Estados vizinhos.

A Aprocana foi fundada em 2006 para orientar

seus associados na realização de suas atividades

agrícolas, com as melhores tecnologias, na busca do

sucesso e do bem-estar da coletividade onde atua,

gerando assim, emprego e renda com responsabilidade

sócio-ambiental. Possui hoje 47 associados,

abrangendo uma área em torno de 12 mil hectares.

Os associados da Aprocana representam ainda

1,2 milhão de toneladas de cana na safra 2008/09.

O volume da matéria-prima a ser processada neste

ano equivale a cerca de 8% dos 30 milhões de toneladas

previstas para a safra vigente naquele Estado,

tamanha a representatividade da entidade.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores

de Cana do Vale do Mogi (Assomogi) em São

Paulo, Antônio Sodré, o principal motivo da criação

dessas associações é o espírito associativista, ou seja,

a busca de uma união para fortalecer as reivindicações

dos produtores. Além dos benefícios comerciais,

Sodré destaca as melhorias no bem-estar

do produtor na realização de seus trabalhos."A união

proporciona também grandes melhorias nas

questões de saúde e educação", destaca.

A Assomogi foi criada em 2004, com três produtores

de cana. Hoje conta com mais de 250 associados.

Das terras desses produtores saem mais de 4 milhões

de toneladas de cana que são dirigidas para seis

usinas na região do Vale do Mogi. A área total destinada

ao cultivo da cana pelos associados da Assomogi

é de 500 mil hectares, e mais 20% desse total com

feijão, soja ou amendoim, nos períodos de renovação.

Em ambas as associações o produtor tem benefícios

ao se filiar. Na Aprocana, por exemplo, o produtor

conta com vários serviços. Entre eles, assessoria

jurídica e contábil, técnicos agrícolas e industriais

à disposição, técnico de segurança do trabalho,

fiscalização pelos técnicos nos laboratórios industriais,

controle de viagem de cana analisada, conferência

de balança, acompanhamento do plantio à

colheita, representatividade perante aos órgãos da

classe e defesa do produtor canavieiro.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 13


EVENTOS

Vitrine de oportunidades

SETOR DE

BIOCOMBUSTÍVEIS

ARRASTA MULTIDÕES

EM FEIRAS E EVENTOS

NACIONAIS E

INTERNACIONAIS

Considerado muitas vezes

como um dos melhores

investimentos em termos

de visibilidade, a promoção

e participação de empresas ligadas

à cadeia de biocombustível

em feiras e eventos do setor é uma

oportunidade impar para se conhecer

os fornecedores de máquinas,

equipamentos, implementos agrícolas,

insumos, serviços e tecnologias

para a produção de bioenergia.

Afinal, esse é um setor que movimenta

milhões, em que os brasileiros

dominam o conhecimento e que

começa a ganhar importância internacional

cada vez maior.

De modo geral, o mercado de feiras

de negócios é estimado em mais

de R$ 3,2 bilhões/ano no Brasil, dois

terços deles resultado da atuação

dos promotores na cidade de São

Paulo. Envolve perto de 150 grandes

feiras, que representam cerca de 50

segmentos diferentes.

De acordo com Amando Campos

Mello, diretor superintendente da

União Brasileira dos Promotores de

Feiras (Ubrafe), não é possível presumir

quanto desse montante girado

nas feiras pelo País é oriundo

do setor bioenergético, já que nem

todos os promotores divulgam o

volume de negócios fechado dentro

dos pavilhões.

Ele destaca quatro das principais

feiras. A FIMAI - Feira Internacional

de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade;

a Fenasucro - Feira Internacional

da Indústria Sucroalcooleira;

a Agrocana - Feira de Negócios

e Tecnologia da Agricultura da

Cana-de-Açúcar e a Agrishow - Feira

Internacional de Tecnologia Agrícola

em Ação. "Essas quatro feiras

são realizadas em uma área de cerca

de 375 mil metros quadrados, com

1,5 mil expositores e aproximadamente

195 mil visitantes profissionais",

calcula.

De acordo com o diretor da Multiplus

Eventos, Fernando Barbosa, os

negócios gerados durante um evento

das proporções da Fenasucro &

Agrocana, podem chegar até R$ 2

bilhões. "Os empresários que expõem

em eventos desse setor conseguem

realizar contatos comerciais

significativos, ampliando sua rede de

atuação e sua visibilidade no mercado",

garante.

DESTINO

O maior palco dessas feiras e encontros

ainda é São Paulo, mas, segundo

Barbosa, feiras mais consolidadas

como Fenasucro & Agrocana,

começam a se expandir para outras

regiões. "A Mostra Fenasucro Centro-Oeste,

que acontece em Goiânia

(GO), veio para se instalar em um

mercado de usinas que já estava

consolidado naquele Estado e que

agora expande com a construção de

diversas novas unidades até 2010. A

Mostra Fenasucro Nordeste também

entra em um mercado já montado,

já que acontece simultaneamente ao

13º Seminário Mundial Sobre a Cana-de-Açúcar,

promovido pela STAB

Setentrional".

Ele conta que no setor de biocombustíveis,

estando bom ou ruim,

as feiras continuam em alta. Isso

porque, segundo ele, as feiras servem

também como uma ferramenta

para sair de um momento desfavorável

ou para consolidar-se num

mercado estável. Barbosa alerta que

uma empresa expositora deve entrar

na feira pensando que é muito difícil

bater metas durante o evento. "É

preciso saber que as vendas serão

iniciadas na feira e terão prosseguimento

nos 12 meses subseqüentes. É

claro que diversos negócios são fechados

mesmo durante as feiras,

mas isso não deve ser tomado como

regra. Boas feiras trarão, antes de tudo,

excelentes contatos comerciais e

possibilidade de fechamento de

contratos num futuro próximo".

mutiplus eventos/divulgação

14 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


Feiras têm

calendário 2009

As projeções para o próximo

ano do setor de feiras e eventos

de negócios no Brasil já estão

traçadas. Comemorando 20 anos

da publicação, a UBRAFE lançou

a edição 2009 do Calendário

"Principais Feiras de Negócios do

Brasil", uma referência de promoção

comercial para empresas

de todos os portes.

Sediadas em 23 cidades, as

147 principais feiras de negócios

do Brasil em 2008 reunirão

40 diferentes macro-segmentos

econômicos: do setor sucroalcooleiro

ao de embalagens,

do mercado de produtos

orgânicos ao de automóveis.

Há ainda um evento de negócios

no exterior, que totaliza as

148 feiras do anuário, ponto de

encontro para 4,6 milhões de visitantes

profissionais. Os maiores

players do mercado promoverão

feiras de negócios em uma área

total de 2,5 milhões de metros

quadrados, palco da exposição

de produtos e serviços para 35

mil empresas de todos os portes.

"Fechamos o Calendário

UBRAFE 2009 com 148 feiras,

mas, dada a antecedência de seu

lançamento, esperamos que este

número cresça significativamente,

atingindo o número de 172

grandes feiras de negócios em

2009", explica Armando Campos

Mello, diretor da Ubrafe.

Fenasucro, uma das maiores feiras do setor, atrai investidores de diversas regiões do País e do exterior

INTERNACIONAL

O setor tem ganhado tanta

expressividade que originou

eventos internacionais também.

O 4º Congresso Internacional de

Bioenergia tem o propósito de

discutir sobre o aproveitamento

racional dos resíduos das indústrias

de base.

Já a BIO Tech Fair - Feira Internacional

de Tecnologia em

Bioenergia e Biodiesel tem o

propósito de expor os novos produtos

e serviços tecnológicos no

que diz respeito ao aproveitamento

racional dos resíduos das

indústrias de base.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 15


INOVAÇÃO

Transformar

idéias em lucro

CONGRESSO ABORDA FORMAS DE

CONTRIBUIR PARA GERAÇÃO DE

RENDA A PARTIR DE BONS PROJETOS

Apalavra inovação deixou de

ser um conceito e se tornou

uma das principais metas a

serem alcançadas por empresas

de diversos setores. Inovação tecnológica,

de idéias ou qualquer outra

forma de transformar bons projetos

em lucro para a empresa é hoje um

atrativo indiscutível. Com o objetivo

de fortalecer os laços de cooperação

entre as instituições de pesquisa científica

e tecnológica nacionais e seus

respectivos núcleos de inovação, pesquisadores

e representantes dos governos

federal e estadual de Goiás estiveram

reunidos naquele Estado no

último mês para tratar do tema.

O encontro foi durante o Congresso

Goiano em Inovação Tecnológica,

Bioenergia e Desenvolvimento Sustentável

que discutiu qual a melhor

forma de contribuir para a capacita-

fotos: stock.xchng/fieg

16 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


ção e qualificação dos participantes em temáticas

sobre gestão da inovação, desenvolvimento

energético e sustentabilidade.

Segundo a organização do evento, a inovação

tecnológica e o conhecimento passaram a

ser requisitos fundamentais da competição internacional,

definindo a competitividade dos

indivíduos, passando pelas empresas, até as

nações e demais regiões. A Rede de Pesquisa

em Propriedade Intelectual e Transferência de

Tecnologia (REPPITTEC), da qual faz parte a

Universidade Federal de Goiás, foi a promotora

do encontro.

Autoridades discutem em encontro maneiras

de transformar inovação em lucro para o setor

FINANCIAMENTO

Segundo o responsável por políticas de inovação

do Ministério de Desenvolvimento Industrial

e Comércio Exterior, Marcos Vinícius

de Souza, a inovação só é funcional quando

ela transforma conhecimento em melhoria para

a sociedade. Souza conta que o Governo Federal

dispõe de R$ 6 bilhões até 2010 para serem

aplicados em projetos de inovação tecnológica

em diversas áreas de pesquisa, inclusive

em bioenergia.

Mas ele reclama que o setor carece de bons

projetos para usar essa verba. "Dinheiro não

falta, o que falta são boas idéias", garante. Ele

alerta que o setor tem que se ater para as barreiras

criadas por governos internacionais para

a comercialização do biocombustível brasileiro.

De acordo com Souza, é necessário

transformar os riscos em oportunidades. Isso

significa usar esses obstáculos como incentivador

de novas alternativas de captação de

soluções. Para o ex-assessor jurídico da Comissão

Técnica Nacional de Biossegurança

(CTNBio), Reginaldo Minaré, seja em qualquer

setor da economia, a inovação como geradora

de negócios tem dois pontos cruciais: pesquisa

e familiarização do profissional com as tecnologias

discutidas.

Mas para ter resultados positivos em inovação

transformada em geração de negócios no

setor de biocombustível, por exemplo, o professor

e secretário especial de ciência e tecnologia

do Instituto Goiano de Direito Ambiental,

Nivaldo dos Santos, afirma que o governo

precisa atuar como regulador e incentivador

desses projetos. "Não adianta somente ter verba

disponível, é necessário encontrar uma forma

que aproxime o setor de pesquisa da classe

empresarial, de forma mais eficaz", sugere.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 17


ETANOL

Certificação sai em outubro

AINDA SERÁ UM TESTE, MAS BRASIL PODE SAIR NA FRENTE EM RELAÇÃO

À SUSTENTABILIDADE NA PRODUÇÃO DE ETANOL COM A NOVA MEDIDA

Depois de ser adiada a publicação do

certificado para o etanol por duas vezes,

o acordo sai este mês. Será o primeiro

teste de certificação do álcool

produzido a partir de cana-de-açúcar. O programa

está a cargo do Instituto Nacional de Metrologia,

Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Essa certificação tem por objetivo atestar

que o etanol brasileiro atende aos requisitos

de sustentabilidade.

De acordo com o diretor de Qualidade do Inmetro,

Alfredo Lobo, o programa de certificação

está focado em três pontos. Físico-químicos

de qualidade, questões socioambientais, como,

por exemplo, o respeito à legislação trabalhista,

e se é fator de redução das emissões de gases de

efeito estufa.

A certificação engloba toda a cadeia produtiva.

A verificação vai da usina até o ponto de destino

do biocombustível. De acordo com Lobo, as

certificadoras já foram, inclusive, cadastradas. O

Inmetro levou em conta a necessidade de desenvolvimento

de padrões metrológicos, com obtenção

de material de referência, levando em conta

os padrões já existentes em outros países, como

os Estados Unidos, e o estabelecimento de norma

técnica na elaboração do projeto. O programa, no

entanto, foi desenvolvido totalmente no Brasil.

A maior dificuldade dos especialistas do Inmetro

foi estabelecer um nível de equilíbrio entre as

exigências técnicas e as de caráter social e ambiental

do programa para que ele fosse o menos

excludente e respeitado internacionalmente.

O dirigente do Inmetro acredita que com a

certificação o Brasil deixa de estar a reboque da

discussão sobre etanol. "Como principal ator

nesse segmento, o País não pode abdicar de seu

papel de pautar as discussões sobre a sustentabilidade

dos biocombustíveis", disse. Mas, apesar

de o trabalho já estar pronto, não está assegurada

a implementação da certificação. Alguns especialistas

acreditam que é melhor adiar o processo,

pois ele poderia excluir, no momento, alguns

produtores nacionais.

Na construção do programa brasileiro de certificação,

o Inmetro interagiu com instituições

de vários países. Lobo afirma que a relação

construída com as instituições internacionais

ao longo da elaboração do programa brasileiro

assegura a incorporação de vários aspectos defendidos

por técnicos brasileiros à base que deverá

servir para a criação, na Europa, de um fórum

internacional para certificação de programas

nacionais. Quando adotado, o programa,

cuja adesão é voluntária, deverá atrair primeiramente

o setor exportador.

montagem sobre foto

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 19


FERTIRRIGAÇÃO

Água e nutrientes na medida

NA BUSCA DE AUMENTO

DA PRODUTIVIDADE

NOS CANAVIAIS,

TECNOLOGIAS DE

IRRIGAÇÃO SE MOSTRAM

EFICAZES PARA SUPRIR

DÉFICITS HÍDRICO

E NUTRICIONAIS

DAS PLANTAS

Evandro Bittencourt

Airrigação é uma prática pouco difundida

nos canaviais brasileiros. Estima-se que dos

aproximadamente 7 milhões de hectares de

cana-de-açúcar cultivados no País, apenas

120 mil hectares sejam irrigados. As exceções ficam

por conta de algumas usinas localizadas em regiões

onde o regime hídrico não é bem distribuído ao longo

do ano. A necessidade de destinação adequada à

vinhaça, resultante da produção de álcool e açúcar,

no entanto, faz com que a totalidade das unidades a

utilizem para prover parte da lavoura com água e

nutrientes, aplicando o insumo com a utilização de

equipamentos de irrigação.

A fertirrigação com vinhaça começou em 1970,

com o Proalcool, quando foi proibido o despejo

desse resíduo nos rios, explica Edgar de Beauclair,

professor doutor da Escola Superior de Agricultura

Luiz de Queiroz (Esalq). "Descobriu-se que era uma

excelente solução aplicar a vinhaça no canavial,

pois houve uma resposta positiva na produtividade

e redução dos custos com adubação.

Na década de 80, a vinhaça passou a ser considerada,

verdadeiramente, um insumo. Logo, casos de

contaminação do lençol freático por nitratos e potássio,

lixiviados para águas profundas, despertaram para

a importância de se aprimorar o manejo desse resíduo

nas lavouras. Na época, para se evitar o custo de

transporte e o bombeamento de grandes volumes

desse material, as aplicações eram realizadas com doses

muito elevadas. "Mesmo quando a aplicação era

feita com doses razoáveis, os canais de condução da

vinhaça, como não eram revestidos, acabavam ficando

com alta concentração e havia a contaminação

dessas águas subterrâneas." explica o professor.

A legislação evoluiu e os canais utilizados para o

manejo da vinhaça passaram a ser permanentes,

com revestimentos de plástico ou concreto. Por outro

lado, também houve a necessidade de melhorias

no processo industrial, buscando a redução da produção

de resíduos por litro de etanol, a exemplo da

água na vinhaça. A aplicação pode ser feita como

uma adubação orgânica, direcionada, com um custo

de transporte e aplicação menor, permitindo que se

distribua o resíduo numa área maior, trabalhando

com doses mais baixas. As lavouras, no entanto, estão

sendo expandidas para muitas outras áreas onde

o regime de chuvas é diferente de São Paulo e

onde é necessária a irrigação. Nesses locais, segundo

Edgar de Beauclair, não há a preocupação de concentrar

a vinhaça. "É até preciso colocar mais água

para bombear e irrigar a cana, pois como o objetivo

principal é fornecer água à planta, aproveita-se e

põe a vinhaça junto. Esta é uma forma de reciclar

todos os nutrientes."

fotos: unica/divulgação

20 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


Aproveitamento total do resíduo

Atualmente, a totalidade da vinhaça

produzida nas usinas é aproveitada,

pois além do descarte indiscriminado

ser um crime ambiental,

o resíduo representa um importante

recurso para ser aproveitado nas lavouras

de cana. "Em São Paulo, o último

acidente que gerou multa pela

Cetesb relacionado à vinhaça tem

mais de 15 anos. O que a gente reconhece

é que podem haver vazamentos

no sistema, de forma não

deliberada, que precisam ser melhor

avaliados, com isenção", afirma

o professor Edgar de Beauclair.

A vinhaça é gerada no período de

seca, quando há um aporte de água

no sistema. Sua estocagem por períodos

prolongados e em grande

quantidade é considerada inviável,

pois seriam necessários tanques

muito grandes e revestidos. "Se não

for assim, nitratos e potássio, principalmente,

serão lixiviados e vão

atingir águas subterrâneas, o que se

tornaria um problema. A distribuição

imediata é mais interessante”.

Edgar de Beauclair destaca que

a vinhaça é certificada pelos institutos

de agricultura orgânica. "É

importante que se saiba que, com

a aplicação da vinhaça, nós não

estamos agredindo o meio ambiente.

Do mesmo modo como as

pessoas podem se incomodar com

o odor da vinhaça, também se incomodam

com o esterco de curral,

pois são matérias orgânicas, que

fazem parte da agricultura e representam

uma forma sustentável de

se conduzir a lavoura." A questão

da sustentabilidade da produção

de etanol, segundo o professor, baseia-se

também na reciclagem dos

nutrientes contidos na vinhaça.

"Estamos tentando resolver tecnicamente

os gargalos que ainda

existem na operação, como o excesso

de volume e dificuldades de

distribuição para termos condições

de aproveitamento ainda mais racionais

para esse recurso."

Outra alternativa de aproveitamento

que se encontra em fase de

pesquisas é a utilização da vinhaça

para a produção de biogás, de modo

a explorar o seu potencial energético,

sem prejuízo para o uso como

fertilizante. "Temos muitas alternativas

que estão sendo estudadas para

avaliar a relação custo-benefício.

Por isso, estamos criando um leque

de tecnologias para uso e disposição

desse material, de forma a ter um

retorno econômico sem risco para o

meio ambiente."

Aumento da produtividade

O aumento da produtividade

da cana-de-açúcar é a maneira

mais racional de aumentar a

produção de etanol e açúcar,

pois reduz a necessidade de abrir

novas áreas para o cultivo. Para

enfrentar esse desafio, recursos

como a irrigação e a fertirrigação

mostram-se eficientes, principalmente

nas novas fronteiras

agrícolas, onde há concentração

do período chuvoso.

Segundo o engenheiro agrônomo

Flávio Luís de Aguiar, gerente

nacional da divisão de Bioenergia

e Novos Negócios da Netafim, na

Usina Agrovale, em Juazeiro (BA),

localizada às margens do Rio São

Francisco, irriga-se 17 mil hectares

de cana durante todos os dias

do ano em que não há a ocorrência

de chuvas. A prática de cultivo

de cana na região é inviável em

condições naturais. Algumas outras

pequenas áreas de irrigação

na região de Campos, no Estado

do Rio de Janeiro, segundo Luís,

também adotaram tecnologias

miscigenadas entre irrigação de

salvação, por aspersão, e irrigação

VANTAGENS DA FERTIRRIGAÇÃO

A fertirrigação é uma técnica

de aplicação simultânea de fertilizantes e

água, através de um sistema de irrigação

É uma das maneiras mais eficientes e

econômicas de aplicar fertilizante nas

plantas, principalmente em regiões de

climas árido e semi-árido

por sulco, similar ao que se que

se pratica na Usina Agrovale.

Desde o início da fertirrigação da

lavouras de cana com vinhaça,

nos anos 70, a prática da irrigação

evoluiu pouco no Brasil se

comparada a de outros países

que adotaram tecnologias diversas,

em busca de aumento da

produtividade agrícola. "Ao longo

desse anos de grande expansão

do setor sucroalcooleiro, o

desenvolvimento genético de variedades

no Brasil se direcionou

no sentido de promover aquilo

que o setor queria plantar, ou seja,

variedades rústicas, resistentes

à seca, para a metodologia de

cultivo que o setor adotou: o cultivo

da cana no sequeiro.

A produtividade no Brasil, na

média nacional, gira em torno de

72 toneladas por hectare. Em algumas

regiões em São Paulo, favorecidas

por solos férteis e com

melhor distribuição de chuvas do

que a maioria das regiões canavieiras,

algumas usinas obtém médias

superiores a 100 toneladas

por hectare, com cinco cortes.

Na fertirrigação aplica-se os fertilizantes

em menor quantidade por vez, mas com

maior freqüência

A tecnologia permite manter um teor

uniforme de nutrientes no solo durante o

ciclo da planta, o que aumenta a eficiência

do uso de nutrientes e a produtividade

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 21


Tempo variável para a recuperação do investimento

Segundo o engenheiro agrônomo Flávio de

Aguiar, dependendo da tecnologia empregada,

somente com o incremento na produção de álcool

é possível recuperar 100% do investimento

em duas a cinco safras, descontados o custos

operacionais e de amortização, o que segundo

o engenheiro agrônomo depende da

produtividade da lavoura, ou seja, quanto menor

ela for, mais rápido será o retorno. Segundo

Aguiar, o setor tem feito algumas reflexões

e a procura pela implantação ou extensão do

uso da tecnologia nas áreas de cultivo tem aumentado

ultimamente.

Para o engenheiro agrônomo, não é mais

concebível que se continue a produzir 72 toneladas

de cana, em média, no Brasil. Para ele,

com a a utilização da irrigação e da fertirrigação,

não há dúvida de que é possível dobrar

essa produção e a longevidade do canavial. Na

África do Sul, onde se irriga 45% de toda a cana

plantada, há um projeto numa área de 12

mil hectares, em área contínua e em uma única

usina, onde os canaviais estão na décima

segunda colheita.

TECNOLOGIAS

Todas as tecnologias de irrigação aumentam

a produtividade da cana, entretanto, a

escolha por um delas depende de uma análise

profunda da região onde a lavoura é cultivada

e a quantidade de água a ser reposta.

Em segundo lugar, deve-se considerar o capital

disponível para se fazer o investimento e,

em seguida, a visão empreendedora para

adotar a tecnologia mais eficiente, com o

melhor custo-benefício.

No final das contas, o que mais interessa saber

é o custo do milímetro aplicado por tonelada de

cana produzida. "Nessas comparações, o gotejamento

tem desempenho de 15 a 25% melhor que

o pivô central; entre 30 a 50% superior ao carretel

enrolador e de 70 a 80% a mais que a irrigação

por sulco. Os métodos de gotejamento permitem

que se tenha um eficiência de 95%, o que

unica

equivale à quantidade de água retirada do manancial

que, de fato, chega à raiz da planta", explica

Flávio de Aguiar.

DESEMPENHO

Para comparar o desempenho das lavouras

submetidas à irrigação, Flávio cita projetos em

São Paulo, conduzidos em parceria pela Netafim,

Usinas São Martinho e CTC Copersucar, em que

foram realizadas oito colheitas consecutivas,

com média de 155 toneladas por hectare. "Outros

experimentos espalhados em Minas e em

São Paulo também projetam produtividades

médias superiores a 8 ou 10 colheitas, com produtividades

médias entre 130 e 145 toneladas de

cana por hectare, na média de dez colheitas.”

No Nordeste, segundo o agrônomo há registros

de oito colheitas consecutivas, com média

de 138 toneladas por hectare na Usina Porto Rico,

em Alagoas. “Na Usina Seresta, também em

Alagoas, a projeção é de 110 toneladas por hectare

em 11 colheitas consecutivas. Em campos

experimentais dentro da Usina Estivas, no Rio

Grande do Norte, atualmente do grupo Dreyfus,

num primeiro corte, com 12 meses de idade, por

meio de um experimento onde foi adicionado

não só fertilizantes, via sistema de irrigação, mas

também matéria orgânica, atingiu-se 243 toneladas

de cana por hectare."

fotos: fátima costa/revista rual

22 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


PESQUISA

Álcool de batata-doce

rende prêmio nacional

Miniusina de produção de

etanol de batata-doce,

instalada na UFT (Palmas).

fotos: kelly costa/canal

Oprojeto de produção de etanol a partir

da batata-doce, do pesquisador

Márcio Antônio da Silveira, doutor em

agronomia e pró-reitor de pesquisa e pósgraduação

da Universidade Federal do Tocantins

(UFT), está entre os selecionados

da 5ª edição do Prêmio Professor Samuel

Benchimol, instituído pelo Ministério do

Desenvolvimento, Indústria e Comércio

(MDIC). O prêmio distribuirá R$ 195 mil

para projetos que promovam o desenvolvimento

sustentável na Amazônia.

A divulgação dos selecionados saiu em

setembro no portal do Ministério do Desenvolvimento

Indústria e Comércio Exterior

(www.amazonia.desenvolvimento.gov.br).

Silveira ficou em segundo lugar na Categoria

Social do prêmio, com o trabalho “Alternativa

de produção de etanol a partir da batata-doce

voltada à realidade dos pequenos

e médios agricultores da Região Norte”. O

pesquisador receberá R$ 20 mil para a realização

do projeto, que conta com um miniusina

experimental, localizada no campus

da UFT, em Palmas. A unidade produz 150 litros/dia

de etanol, com custo de produção

de R$ 0,47 por litro.

A produtividade obtida com a batata-doce

pode chegar a 40 toneladas por hectare.

Fácil de ser cultivado, o tubérculo, também

chamado de batata-da-terra, é de fácil cultivo,

representando uma boa opção para

produção em pequenas e médias propriedades.

O subproduto resultante da moagem da

batata tem 17% de proteínas, servindo como

opção para a alimentação de animais.

O professor Isaac Samuel Benchimol,

que dá nome ao prêmio, foi um intelectual,

empresário e inovador que propôs o

desenvolvimento sustentável da Amazônia

respeitando quatro parâmetros: ser

economicamente viável, ecologicamente

adequado, politicamente equilibrado e socialmente

justo.

24 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


Produtores de São Paulo vão

produzir etanol certificado

Um grupo de produtores uniu-se a

uma usina no interior de São Paulo para

produzir álcool e etanol certificados. A

experiência inovadora e piloto acontece

na região de Bariri, a 321 quilômetros de

São Paulo. Cerca de 50 produtores de

cana-de-açúcar e a Usina Della Coletta

assinaram um protocolo socioambiental

e contrataram a Organização

Internacional Agropecuária (OIA) para

desenvolver uma certificação própria

para o produto. As normas entraram em

vigor no dia 30 de agosto. Eles devem

produzir cerca de 260 mil toneladas de

cana certificada por ano. O Sebrae em

São Paulo é parceiro dessa iniciativa. Em

um primeiro momento, vai capacitar 50

produtores e também integrantes da

Associação para que, no futuro, possam

repassar a metodologia a outros

produtores de forma autônoma.

Investimento de R$ 350

milhões em Alto Garças

O grupo americano Gordian Bioenergy

planeja a instalação de uma usina de

álcool no município de Alto Garças, Mato

Grosso. O investimento será de R$ 350

milhões na implantação do projeto, que

prevê área de plantio de 40 mil hectares de

cana-de-açúcar. Serão produzidos 250

milhões de litros de etanol por ano.Além

disso, a indústria terá capacidade de

geração de 80 megawatts de energia e

beneficiamento de 3 milhões de toneladas

por ano, por meio de esmagamento. O

grupo, com sede no Rio de Janeiro, possui

investimentos de 3 bilhões na área de

biocombustíveis em todo o País. São oitos

projetos de produção de etanol nos

Estados da Bahia, Piauí, Mato Grosso e

Mato Grosso do Sul.

Etanol será 80% do combustível usado em 2017

O etanol representará, já em 2017, 80% do

volume total de combustíveis líquidos

consumidos nos veículos leves.A previsão é

da EPE-Empresa de Pesquisa Energética, que

considera a taxa média anual de crescimento

da frota de veículos leves de 4,8%, com

participação de 88,2% dos flex-fuel.A frota

de veículos passará de 23,2 milhões este ano

para 37,5 milhões em 2017.A parcela dos

carros flex avançará de 29,6% para 73,6%,

sendo que o álcool será o preferido por quem

for abastecer o tipo de carro, com 75,5% de

participação.Ainda segundo a EPE, a

demanda pelo álcool carburante evoluirá a

Embrapa lança inseticida biológico

A Embrapa Recursos Genéticos e

Biotecnologia lançou no mês passado um

inseticida totalmente biológico capaz de

controlar pragas, sem fazer mal à saúde

humana, de animais e ao meio ambiente. O

bioinseticida foi desenvolvido em parceria com

a empresa Bthek Biotecnologia (DF) e é capaz

O presidente dos Estados Unidos, George

Bush, estará no Brasil, no mês que vem,

para participar da Conferência Mundial

sobre Biocombustíveis. O evento reunirá

ministros de dezenas de países para discutir

vantagens e desvantagens do uso do etanol.

Os primeiros-ministros da Indonésia e da

Dinamarca também confirmaram presença

na conferência. O governo brasileiro espera

uma taxa anual de 11,3% no

período a que se refere o plano,

saltando de 20,3 bilhões de litros para

53,2 bilhões de litros em dez anos.A

demanda pelo etanol no País, por sua vez,

mais que dobrará (alta de 150%) entre 2008 e

2017, evoluindo de 25,5 bilhões de litros para

63,9 bilhões de litros. Em relação às

exportações, o volume negociado com outros

mercados deve duplicar no período analisado,

chegando a 8,3 bilhões de litros em 2017, ante

4,2 bilhões este ano. Os EUA, atualmente

principal comprador, perderão espaço para o

Japão, que terá representatividade de 36,2%.

de controlar diversas lagartas que atacam

culturas agrícolas. Com apenas um litro por

hectare, o produto é capaz de matar as lagartasalvo,

preservando insetos benéficos ao

ambiente, como as “joaninhas” e as

“tesourinhas”, que também são eficientes

como predadoras de lagartas e pulgões.

Bush vem de novo ao Brasil para reunião sobre biocombustíveis

fotos: parauna cana/divulgação

tirar do encontro um consenso em favor do

desenvolvimento de tecnologias

sustentáveis para o uso do etanol de canade-açúcar

como combustível. A Presidência

da República instituiu em julho passado o

grupo de trabalho encarregado de preparar

a Conferência Internacional sobre

Biocombustíveis, prevista para o período de

17 a 21 de novembro.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 25


MÁQUINAS AGRÍCOLAS

Na contramão da crise

Mesmo em um momento de crédito mais

restrito e receio dos produtores rurais com

a receita da safra 2008/09, marcada por aumento

dos custos, a crise financeira ainda não

atingiu o setor de máquinas agrícolas. No último

mês, as vendas no mercado interno cresceram

a ponto de fazer de setembro o melhor período

nesse quesito em todo o ano de 2008.

Nem o recuo dos preços das commodities

agrícolas e tampouco o dólar em alta impediram

a produção de quase 5,5 mil unidades comercializadas

de máquinas agrícolas em setembro.

As vendas cresceram 7,5% em relação ao

mês anterior e 52,4% em comparação com setembro

de 2007. No acumulado de 2008, as

vendas no mercado interno atingiram 41 mil

unidades em setembro, volume 48,4% superior

ao do mesmo período do ano anterior.

A produção da indústria teve um leve decréscimo

em setembro, de 0,2%, para 7,9 mil

máquinas, em relação a agosto. Ainda assim,

foi o segundo melhor mês do setor em 2008.

Em comparação com setembro de 2007, o

crescimento foi de 37,9%. No acumulado do

ano, o crescimento chegou a 32,7%, ou 63,4

mil unidades, segundo dados da Associação

Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores

(Anfavea).

"Todos os fatores que fizeram o setor de máquinas

agrícolas iniciarem sua retomada, há

dois anos, continuam presentes", diz Milton

Rego, vice-presidente da entidade. A compra

de máquinas é, em grande medida, dependente

do financiamento pelo Moderfrota (linha de

crédito do BNDES para a renovação de máquinas

agrícolas). Até agosto, segundo os dados

mais recentes do banco, a liberação do Finame

Agrícola chegou a R$ 1,66 bilhão, montante

34% superior ao do mesmo período de 2007 e

praticamente o dobro registrado entre janeiro

e agosto de 2006.

Porém o avanço do dólar em setembro, contudo,

não impediu que a indústria encerrasse o

mês com decréscimo nas vendas ao exterior. As

vendas externas de máquinas atingiram 2,4 mil

unidades em setembro, volume 18,7% menor

que o do mês anterior e 5,5% mais baixo que o

de setembro de 2007.

fotos: divulgação

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 27


MANUTENÇÃO

Máquinas lubrificadas,

rendimento garantido

O IMPORTANTE É IDENTIFICAR AQUELES PRODUTOS QUE TRAZEM A

MELHOR RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO NO USO DOS EQUIPAMENTOS

Rhudy Crysthian

Tratores, colhedoras, máquinas

industriais e implementos

agrícolas se tornam a cada dia

mais sofisticados, exigindo lubrificantes

de boa qualidade para seu

uso eficiente. Deles dependem a durabilidade,

o desempenho e a disponibilidade

desses equipamentos. Tanto

que os setores de lubrificantes e combustíveis

vêm crescendo vertiginosamente,

cerca 15% no último ano.

Essa maré de bons negócios também

é impulsionada pelo setor sucroalcooleiro.

Existem hoje 24 grandes

empresas fornecedoras de lubrificantes

com esse perfil, contra três

há menos de meia década. "Isso

mostra que os fabricantes também

vêem agora um grande potencial.

Até mesmo as grandes companhias

multinacionais voltaram seu foco

para esse mercado, fato que não

ocorria há bem pouco tempo", diz

Júlio Oliveira, gerente comercial da

Grax, uma empresa de lubrificantes.

A companhia registra entre 20% e

35% do seu faturamento advindo do

segmento de usinas. Ele afirma que o

operador das máquinas deve ficar

atento quanto ao momento adequado

de aplicação do lubrificante, pois

cada equipamento possui em suas

especificações técnicas as informações

que determinam as características

do produto que deve ser utilizado,

bem como a periodicidade de

aplicação. "O importante é observar

corretamente estas informações com

o objetivo de garantir a integridade

dos equipamentos".

Segundo Julio, é dada ao cliente a

oportunidade de testar os produtos e

assim poder identificar aqueles que

trazem a melhor relação custo/benefício.

"Hoje, há um apelo forte por

preço baixo e isso pode significar risco

aos equipamentos, pois não é

possível fazer mágica. Não há fidelidade,

comprar com preço baixo é a

regra. Acredito que isso mudará em

breve, pois um fornecedor que oferece

produtos de qualidade, atendimento

rápido e eficaz, que assume

suas responsabilidades e leva benefícios

técnicos e comerciais às usinas

vale mais do que um centavo", diz.

De acordo com John Kennedy

Gonçalves dos Santos, da Chevron

Global Lubrificantes, a linha automotiva

tem uma maior participação no

perfil de consumo numa usina de

açúcar e álcool, devido à alta taxa de

consumo por questões operacionais.

Porém, segundo ele, os lubrificantes

industriais têm um papel importante,

pois é crítico para a operação da

planta. "Enquanto a parada de um

caminhão ou trator agrícola pode ser

minimizada com a substituição por

um outro equipamento, o mesmo não

se pode fazer - pelo menos tão facilmente

- com relação a uma turbina,

engrenagem de acionamento ou

mancal de moenda", exemplifica.

A empresa ainda conta com perspectivas

positivas junto ao setor sucroalcooleiro

para o próximo ano.

Ele afirma que o uso de lubrificantes

automotivos e industriais com

alta performance (que dão maior

proteção aos equipamentos e promovem

baixo consumo) já se tornou

realidade. "A questão é que,

devido à necessidade de aumentar a

produtividade, as indústrias de açúcar

e álcool buscam por parceiros

que forneçam lubrificantes e serviços

de valor agregado", diz.

fotos: divulgação

28 CANAL, o Jornal da OUTUBRO - 2008


NOVIDADES

A Chevron está introduzindo no Brasil a linha

de produtos especiais Talcor. Trata-se de

um novo conceito de lubrificantes com tecnologia

inovadora, à base de espessante sintético

em gel, resinas poliméricas, aditivos não reativos

ao caldo e sem solventes. "Destina-se à lubrificação

de mancais da moenda, engrenagens

abertas e engrenagens de acionamento envelopadas",

anuncia.

Na linha industrial os destaques da Chevron

são o Starplex 2 (graxa à base de Complexo de

lítio que confere alta estabilidade mecânica.

Também pode ser usada nos veículos automotivos).

O Cygnus Alc EP 2 (graxa a base de

Complexo de Alumínio, do tipo Grau Alimentício).

Além do Sugartex SS (óleo lubrificante

semi-sintético para uso em mancais de moenda,

e engrenagens de acionamento envelopadas).

"O Sugartex SS é disponibilizado nas viscosidades

ISO 7000 e ISO 12500 e promove excelente

proteção contra o desgaste", destaca.

Segundo o diretor de negócios e marketing

da Silubrin, Maurício José Preto, com a profissionalização

das usinas do setor, os novos profissionais

de manutenção passaram a romper paradigmas

do passado e começaram a enxergar

uma série de oportunidades em valorizar e desenvolver

a atividade de lubrificação dentro do

negócio da manutenção. "Atualmente possuímos

clientes do setor de açúcar e álcool, que estão

em processo de implantação da lubrificação

avançada", informa.

Alguns dos produtos em destaque da Silubrin

são as Graxas de Alta performance, que permitem

ao usuário diminuir a freqüência de lubrificação

em pelo menos cinco vezes. "Estamos

experimentando uma espécie de 'propaganda

boca-a-boca', ou seja, os profissionais deste setor

tem uma forte ligação com os demais, e

dentro desta rede divulgam o que está dando

certo". A empresa oferece produtos e serviços

na área de engenharia da lubrificação, consultoria,

análise de óleo, planos de software de lubrificação,

lubrificação avançada, e toda uma

linha de filtros absolutos, entre outros.

FALHAS

Falhas na lubrificação podem causar vários tipos de problemas

para os motores de tratores, veículos e máquinas

agrícolas, e, normalmente, são devidas à utilização de óleos

de baixa qualidade, intervalo de troca muito longo e filtragem

inadequada. Essa situação pode provocar depósito de

verniz, formação de borra, diminuição da vida do óleo e do

filtro, aumento de desgaste de anéis, cilindros, mancais e válvulas,

anéis presos e aumento dos custos de manutenção.

A presença de água no óleo pode ocorrer devido a trincas

no cabeçote, vazamentos na junta do cabeçote, ventilação do

carter deficiente, temperatura do óleo muito baixa, serviço

intermitente (liga/desliga) e contaminações externas. A baixa

viscosidade se deve a intervalos de trocas muito longos, sobrecarga

no motor, arrefecimento deficiente, filtragem de

óleo ou do ar deficientes ao mau estado dos anéis, contaminações

ou uso de óleo de baixa qualidade.

Segundo o gerente de negócios de lubrificantes para agricultura

da Shell, Paulo Ferreto, o lubrificante é o sangue do trator.

É ele que mantém as peças protegidas contra as contaminações

externas. "Falhas na lubrificação pode acelerar o desgaste dos

componentes do trator como motor, sistema hidráulico, caixas

de transmissão e mudanças, entre outros, além de fazer com o

que o trator ou colheitadeira pare no momento mais importante

do trabalho. O custo de uma perfeita lubrificação

(óleo e graxa na quantidade e tempo recomendados),

comparado com o custo total envolvido

no plantio ou colheita de alimentos,

é insignificante", diz.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 29


Alerta para as necessidades de cada máquina

Júlio Oliveira, gerente comercial e de marketing

da Grax, diz que para definir qual o melhor

lubrificante recomenda-se negociar com

empresas sérias, éticas e que apresentem boas

referências. De acordo com ele, o produto mais

indicado indicado para cada equipamento é informado

nos manuais. Os lubrificantes líquidos,

também conhecidos como óleos lubrificantes,

são os mais usados em máquinas agrícolas.

Os pastosos são utilizados em locais onde

os óleos não conseguem parar para fazer

uma completa lubrificação.

De acordo com o gerente de negócios de lubrificantes

para agricultura da Shell, Paulo Ferreto,

o agricultor deve seguir a recomendação do

fabricante do equipamento na hora de escolher

o produto. "Características como viscosidade,

cor, entre outras, estão vinculadas ao lubrificante

recomendado pelo fabricante do trator. Por isso,

qualquer tentativa de buscar um outro produto

é um risco muito alto. Outro ponto importante

é, sempre que possível, comprar esse lubrificante

no revendedor autorizado", alerta. Algumas

características são importantes para a escolha

e uso adequado dos lubrificantes. A viscosidade

é considerada a propriedade mais importante

dos óleos lubrificantes. Ela mede a dificuldade

com que um líquido escorre. Quanto mais

viscoso for um lubrificante, mais difícil de escorrer,

portanto será maior a sua capacidade de

manter-se entre duas peças móveis.

A consistência do óleo indica se uma graxa é

dura ou mole, isto é, se ela é difícil ou facilmente

penetrável ou deformável. É importante avaliar

também o ponto de gota, que é a temperatura na

qual a graxa começa a gotejar, isto é, derreter, uma

fotos: divulgação/stock.xchng

característica importante para os equipamentos

que trabalham a altas temperaturas. É necessário

também observar a resistência à água pelo fato de

algumas máquinas trabalharem em ambientes

com muita umidade, afirmam os especialistas.

Ferreto afirma que uma análise cuidadosa deve

ser realizada por um técnico especializado, com

ferramentas especiais para essa avaliação. Dificilmente

o agricultor poderá fazer essa análise. O

que pode e deve ser feito é uma avaliação da condição

geral do trabalho da máquina.

"Se o trator ou colheitadeira estão tendo uma

resposta satisfatória para o trabalho executado é

um sinal de que o lubrificante está fazendo a sua

parte. Um ponto muito importante é a troca do

óleo. Diferente do que muitos pensam, é necessário

trocar o lubrificante, pois ele também envelhece

e deve dar lugar para um novo". A Shell

pretende lançar no próximo ano o Shell Donax

TD, óleo lubrificante de alta performance para

sistemas hidráulicos, transmissões e freios úmidos

de tratores importados.

CUIDADOS NA LUBRIFICAÇÃO

GERAIS

• Não fazer a lubrificação com

a máquina funcionando

• Não deixar óleo ou graxa derramados

nos locais de trabalho

• Usar panos que não soltem fiapos

• Usar vasilhames limpos para

evitar contaminações

• Manter em ordem os extintores de incêndio

• Fazer a lubrificação nos períodos

recomendados pelo fabricante

• Consultar sempre o manual do equipamento

ÓLEOS

• Verificar o nível do óleo

lubrificante periodicamente

• Completar, se necessário

• Não misturar diferentes tipos ou

marcas de lubrificantes

• Trocar o óleo lubrificante no período

especificado pelo fabricante

• Não remontar óleo lubrificante

• Limpar as tampas de abastecimento

antes de abrir

• Fazer a troca com o motor ou câmbio quentes,

para facilitar o escoamento do óleo

• Ao trocar o óleo, troque também o filtro

GRAXAS

• Limpar bem os pinos graxeiros

antes da lubrificação

• Substituir os pinos graxeiros entupidos

• Retirar o excesso de graxa dos pinos graxeiros e

mancais, para evitar o acúmulo de poeira

FUNÇÃO DOS LUBRIFICANTES

• Reduzir a fricção e o desgaste das peças

• Diminuir o calor gerado pela fricção das peças

• Auxiliar na refrigeração, no caso dos motores

• Auxiliar a vedação ou perda de

pressão dos motores

• Evitar a entrada de impurezas nos mancais

• Fazer a limpeza das peças

• Proteger contra a corrosão

• Transmitir força e movimento através

de cilindros hidráulicos

PRINCIPAIS TIPOS DE ADITIVOS

• Antioxidantes: reduzem a oxidação do

lubrificante em contato com ar

• Anticorrosivos: protegem as partes do ataque

de contaminantes ácidos dos óleos lubrificantes

• Detergentes-dispersantes: mantêm as

superfícies metálicas limpas e evitam a

formação de borras nos óleos lubrificantes

• Agentes de Extrema Pressão

(EP ou HD): formam uma

camada protetora resistente

que protege as peças

do contato metal contra metal

• Melhoradores do Índice de

Viscosidade (I.V.): diminuem a variação da

viscosidade com a temperatura

• Abaixadores do Ponto de fluidez:

evitam que o óleo congele.

• Antiespumantes: evitam a

formação de espuma

• Antiferrugem: protegem da ferrugem

as peças feitas de metais ferrosos

• Agentes emulsificantes: tornam

os óleos emulsionáveis (erradamente

ditos "solúveis") em água

Fonte: Empresas fabricantes de lubrificantes

30 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


MÃO-DE-OBRA

Procuram-se profissionais

qualificados

CARÊNCIA DE MÃO-DE-OBRA

QUALIFICADA REPRESENTA

GARGALO PARA AS

INDÚSTRIAS DE BASE E

SUCROALCOOLEIRA E

OPORTUNIDADES PARA O

BRASILEIRO QUE BUSCA

INSERÇÃO NO MERCADO

DE TRABALHO

Evandro Bittencourt

Ocrescimento da demanda por

mão-de-obra para as diversas

atividades desenvolvidas no setor

sucroalcooleiro é um dos reflexos

mais notáveis da expansão da atividade

canavieira no Brasil. O mercado de

trabalho nesta área está aquecido como

nunca e na maioria das unidades industriais

os administradores de recursos humanos

se deparam com a carência de pessoal

capacitado para exercer funções que

exigem maior nível de especialização.

A resposta das instituições voltadas para

capacitação técnica e ensino, públicas

e privadas, têm sido a criação de cursos

técnicos de graduação e pós-graduação e

ampliação das já existentes. Neste cenário

de disputa por profissionais escassos no

mercado, busca-se, com a rapidez que a

situação requer, um melhor equilíbrio entre

oferta e demanda de mão-de-obra.

Dentro das usinas, os profissionais de nível

superior mais demandados são os engenheiros,

nas diversas áreas de especialização,

o administrador, o profissional de

química (bacharel) e o pesquisador, geralmente

com títulos de mestre e doutor. O

administrador, por exemplo, tem assumido

um papel de importância cada vez maior,

segundo Flávio Marques Vicari, diretorexecutivo

do Centro Nacional das Indústrias

do Setor Sucroalcooleiro e Energético

(Ceise), pois as unidades têm investido na

profissionalização para atuarem em um

mercado cada vez mais competitivo.

MUDANÇAS NAS USINAS

A valorização desse profissional, explica

Vicari, tem se dado em razão da mudança

no perfil administrativo das usinas.

No passado recente, todos os membros

da cúpula eram parentes dos proprietários.

"Agora, os grupos começam a empregar

profissionais-chave, como diretores

para as áreas industrial, administrativa

e um executivo que cuide da administração

geral, que realmente conduza a

empresa com o objetivo de lucro. Seguem

outros setores da economia brasileira,

como o automobilístico e o bancário,

com diretores bem remunerados e estratégias

muito bem estabelecidas."

Flávio Vicari acredita que em muitas

empresas ainda falta a presença desses

profissionais no corpo administrativo para

melhorar resultados. "Na parte da produção,

muito da produtividade de uma

usina pode ser aumentada. Fala-se muito

em construir novas unidades, mas com a

melhoria da estrutura de produção a

mesma usina pode produzir 20% a mais."

Há determinados perfis de formação

profissional que, mais do que desejáveis,

são necessários, mas praticamente não

existem no mercado, a exemplo do gestor

de produção, conhecedor dos processos

sucroalcooleiros. "O controle adequado

da temperatura, por exemplo, aumenta

em 6% o rendimento do caldo e isso é

muita coisa quando se fala em bilhões de

litros. O profissional com essa característica

no mercado, atualmente, é o engenheiro

de produção que foi trabalhar numa

usina e aprendeu fazendo, mas o profissional

formado para isso não tem."

Outra carência no mercado observada

pelo o diretor executivo do Ceise é o engenheiro

químico, tanto o pesquisador,

com título de mestre ou doutor, que faz

amostras de processos de fermentação e

de análise de geração de outros elementos

a partir da cana de açúcar, quanto o

químico, que trabalha no processo produtivo.

"A produção alcoolquímica, nos

moldes da indústria petroquímica, vem

ganhando força", lembra Vicari.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 31


Treinamento e qualificação técnica

A demanda por recursos humanos com

formação técnica para atuar no setor sucroalcooleiro

é certamente o maior problema

quantitativo do gargalo que por alguns já é

chamado de 'apagão da qualificação'. Profissionais

como operadores de colhedoras de

cana-de-açúcar e mão-de-obra capacitada

para operar e manter máquinas agrícolas, como

tratores e pulverizadores de defensivos

mecanizados, são demandados em grande

número pelo setor.

A procura por cursos de qualificação de

pessoal, por parte das usinas sucroalcooleiras,

nunca foi tão grande, afirma Lauro Lúcio

Viana, chefe do Departamento Técnico do

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar),

em Goiás, um dos Estados que mais têm

recebido investimentos em novas plantas industriais

para a produção de etanol e açúcar.

"A demanda maior é na área de máquinas

agrícolas, principalmente para treinamento

em operação e manutenção de tratores, com

duração de 24 horas. Outro treinamento solicitado

é a aplicação de defensivos agrícolas

mecanizado em pulverizador tratorizado de

barras; aplicação de defensivos agrícolas por

meio de pulverizador costal e o treinamento

em colhedoras de cana-de-açúcar, uma demanda

forte e que se torna cada vez mais

aquecida."Para atender à crescente procura

por curso de operadores de colhedoras, o

Senar em Goiás se preparou e está começando

agora esse trabalho. "Estamos, paulatinamente,

preparando mais pessoal para

atender as usinas."

A VEZ DAS MULHERES

A novidade no Senar em Goiás são os

cursos de qualificação. Eles diferem dos

treinamentos por formarem profissionais

técnicos, com carga horária extensa, de 160

horas no caso do tratorista, por exemplo. "É

como se ele entrasse na auto-escola de trator

para se tornar um profissional para

operar essas máquinas. Este ano, já realizamos

três cursos de qualificação para a Usina

Jalles Machado, de Goianésia".

Segundo Lauro Viana, tem chamado a

atenção o ingresso de mulheres nesses cursos,

que até então eram freqüentados quase

que exclusivamente por homens. As informações

repassadas pelas empresas é que a

mão-de-obra feminina tem sido muito bem

avaliada pelo cuidado com a manutenção

das máquinas e o senso de organização demonstrado

na realização das atividades.

senar-go/divulgação

32 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


Grupo de trabalhadores

rurais recebendo

treinamento de técnicos

do Senar-GO

Hiato na formação superior

A identificação de um hiato de formação profissional

superior na área de bioenergia, levou o professor

Gustavo Isaia a criar o curso de graduação em

Engenharia Bioenergética. O curso teve início este

ano na Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec),

na Universidade do Oeste de Santa Catarina

(Unoesc) e no Centro Universitário de Araraquara

(Uniara), em São Paulo.

Para Gustavo Isaia, engenheiro civil coordenador do

curso na Fumec, há uma série de profissionais que trabalham

na área, mas nenhum com uma formação específica.

"Numa usina de etanol, por exemplo, há o

agrônomo que entende do cultivo de cana, o engenheiro

químico, que entende do processo de transformação

do caldo em etanol, e profissionais da área de mecânica

e elétrica, mas não há um profissional que tenha o

que denominamos de uma visão holística, que domine

o ciclo como um todo," constata.

O mercado está ávido por esse tipo de profissional,

afirma. "Os profissionais que estão atuando no mercado

são excelentes. O engenheiro mecânico, por

exemplo, é muito bom, mas ele só entende da área

dele. Qualquer coisa que saia um pouco para um lado

ou para o outro, ele não vai entender e no setor bioenergético

essa é uma realidade nas mais diversas áreas."

Para o professor, a disponibilidade de profissionais

especializados, apenas, cria dificuldades neste momento

em que há necessidade de pesquisas e desenvolvimento

de novas tecnologias. "Sozinho, ele não

resolve o problema. É preciso um profissional que tenha

uma visão multidisciplinar, como o papel desempenhado

pelo médico na medicina. Há uma série de

profissionais altamente qualificados como o nutricionista,

o enfermeiro e o fisioterapeuta, mas é o médico

quem faz essa ponte entre as diferentes áreas de

conhecimento."

DESVIO DE FUNÇÃO

Gustavo Isaia considera que profissionais, como o

engenheiro químico, por exemplo saem da universidade

– alguns com título de mestrado e doutorado – e são

formados na marra nas usinas. "Hoje, no mercado de

energia, todo mundo que está trabalhando, de uma

forma ou de outra, está em desvio de função, porque

ele foi preparado nos bancos da universidade para atuar

numa determinada área e mais nada." Apesar das dificuldades,

o professor admite que o setor tem se adaptado

bem a essa situação, mas acredita que o desempenho

seria muito melhor se esses profissionais, desde a

formação universitária, já fossem direcionados para ter

uma visão mais ampla da produção. A habilidade de um

profissional formado para ter uma formação mais completa,

segundo o professor, é construída a partir de uma

grade curricular que contempla diversas áreas. “A partir

da graduação, o profissional escolhe o nicho de

atuação para se especializar”, explica.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 33


Demanda na construção de usinas

Na região de Sertãozinho (SP)

estão instaladas sete usinas e

550 indústrias metalúrgicas. A

demanda por mão-de-obra é

crescente já há três anos consecutivos.

De janeiro a agosto, esse

aumento foi 29, 26%, superior à

média nacional, como um todo,

e a do setor metalúrgico.

Com o crescimento do setor

alcooleiro, aumentou significativamente

a necessidade de pessoal

qualificado para atuar na fabricação

de equipamentos para

as usinas, como moendas, caldeiras

e tubos de destilação. "A cidade

de Sertãozinho é a única do

País onde se fabrica uma usina

completa, destaca Flávio Vicari,

diretor executivo do Centro Nacional

das Indústrias do Setor

Sucroalcooleiro e Energético."

Segundo Vicari, indústrias de base

como a de construção de usinas,

exigem numerosa mão-deobra,

pois ela não é automatizada.

"Quando se produz o equipamento

de uma usina, uma caldeira

ou moenda, por exemplo,

elas são feitas sob medida, pois é

elaborado um projeto para cada

unidade. Não existe uma usina

igual a outra, embora existam

projetos similares, por isso não

dá para padronizar e mecanizar

totalmente o processo", explica.

Os trabalhadores que atuam

na indústria de base têm perfil

diferente da mão-de-obra agrícola

ou mesmo do pessoal empregado

nas usinas. "O trabalhador

da usina metalúrgica,

que nós chamamos de metalmecânica,

precisa ser especializado

tecnicamente. Um bom

solador, por exemplo, não nasce

da noite para o dia. Para formálo

num curso técnico é necessário,

no mínimo, dois anos. Esse

profissional precisa entender de

física, de química e isso depende

de uma série de conhecimentos

básicos, para que depois

ele possa aprofundar conhecimentos,"

explica do diretor executivo

do Ceise.

usina grupo farias

34 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


ENERGIA

CELG facilita a cogeração

ENERGIA DA BIOMASSA PRODUZIDA NAS USINAS SUCROALCOOLEIRAS DE GOIÁS TERÁ

MONTANTE SUPERIOR À CAPACIDADE INSTALADA NA HIDRELÉTRICA DE CACHOEIRA DOURADA

Abiomassa surge, com

força, como nova fonte

de energia elétrica em

Goiás. A capacidade de

geração no Estado terá,

até 2010, um reforço de

mais de quinhentos megawats (500 MW)

com a cogeração da energia produzida

nas usinas do setor sucroalcooleiro através

da queima do bagaço da cana. Essa

nova fonte de energia é um complemento

à geração hidráulica.

Para garantir o aproveitamento deste

excedente de geração, a CELG Distribuição

S.A. (CELG D), ao longo dos últimos

meses, buscou as mais diversas soluções

para permitir o escoamento desta energia

através de seu sistema. Respaldada pela

legislação que regulamenta o acesso de

geradores aos sistemas de transmissão e

distribuição, a CELG D emitiu autorização

para 23 empreendimentos de cogeração

se conectarem ao seu sistema. A autorização

para conexão é registrada em documento

específico, denominado ‘Parecer

de Acesso’, onde se estabelecem o ponto

de conexão, o nível de tensão e o montante

a ser exportado. Ao todo, a CELG D

autorizou a exportação de 852 MW, montante

superior à capacidade instalada na

usina hidrelétrica de Cachoeira Dourada.

O superintendente de sistemas elétricos

da CELG D, o engenheiro Luiz Fernando de

Moraes Torres, explicou que, apesar de ser

um montante significativo, várias outras

solicitações não puderam ser atendidas.

Dessa forma, o Ministério de Minas e

Energia, por meio da EPE - Empresa de

Pesquisa Energética responsável pelo planejamento

da Rede Básica (instalações

com nível de tensão igual ou superior a

230KV) no Brasil, definiu um sistema coletor

de energia que permitirá a conexão

dos outros acessantes. Estas coletoras estão

localizadas em Edéia, Jataí e Quirinópolis,

todas cidades goianas. Associadas a

estas coletoras, serão construídas as chamadas

sub-coletoras em nível de tensão

de 138 KV. À sub-coletora de Mineiros,

Sudoeste de Goiás, estarão conectadas as

usinas do grupo Brenco, e à sub-coletora

de Jataí deverá se conectar um empreendimento

da Cosan.

A conexão de usinas de biomassa ao

sistema, explica o superintendente, não é

uma novidade para a CELG D, já que empreendimentos

como a Jalles Machado e a

Goiasa estão conectados e comercializando

sua energia há mais de três anos e,

mais recentemente, as usinas Boa Vista

(do Grupo São Martinho) e Quirinópolis

(do Grupo São João) concluíram o processo

de conexão à subestação Quirinópolis

da CELG D. Luiz Fernando diz ainda que o

desenvolvimento tecnológico da indústria

sucroalcooleira tem permitido a instalação

de unidades geradoras com potência

cada vez maiores, podendo chegar a unidades

de até 120 MW.

Segundo ele, o Estado de Goiás é autosuficiente

em geração de energia elétrica,

com um potencial instalado de cerca de

8200 MW, incluindo as usinas limítrofes

com outros Estados, para uma demanda

local de 1800 MW.

Finalizando, o superintendente deu

exemplos de benefícios advindos com a

implantação de usinas naquele Estado,

sejam elas hidráulicas ou de biomassa.

Como primeiro exemplo, cita a região de

Catalão, que apesar de estar conectada

diretamente à UHE Emborcação, na divisa

dos Estados de Goiás e Minas Gerais, está

com sua capacidade de oferta estrangulada

pela única linha existente. Para aumentar

a oferta ao município e região, a

CELG D está construindo a segunda linha

entre Emborcação e Catalão. Além disto,

em 2010 deverá entrar em operação a

UHE Serra do Facão, localizada a 40 km de

Catalão, com uma potência instalada de

210 MW. Esta usina irá se conectar diretamente

à subestação de Catalão, da CELG

D. Com estas obras, a região de Catalão

receberá um reforço de mais 330 MW – o

triplo da atual disponibilidade.

A potencialidade de aproveitamentos hidrelétricos

no Nordeste do Estado levou a

região a ser exportadora de energia. Com

empreendimentos já implantados, ou em

implantação, totalizando mais de 60 MW,

mas com uma carga inferior a 20 MW, o

Nordeste permite a confirmação da flexibilidade

do sistema de distribuição. "A linha

Planaltina-Iaciara, construída para levar

energia para o Nordeste, está agora com a

função de trazer energia para Planaltina e

Formosa", conclui o superintendente.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 35


Software ajuda empresas na área de segurança do trabalho

O engenheiro Reginaldo Pedreira

desenvolveu uma metodologia de

identificação de perigos e avaliação

de riscos ocupacionais. Fruto de sua

dissertação de mestrado no Departamento de

Minas e de Petróleo

da Escola Politécnica da Universidade de São

Paulo (PMI/Poli/USP), a metodologia

recebeu Prêmio "Empreendedores

Criativos" da Fundação Ibero-Americana de

Seguridade e Saúde Ocupacional (FISO).

Para facilitar sua aplicação a metodologia foi

recentemente incorporada em um software,

que registra e trata os dados dos acidentes de

trabalho, de forma a gerar parâmetros

efetivos para sua prevenção. Um dos

diferenciais é a geração de indicadores de

risco, que mudam conforme as medidas

preventivas adotadas. O software foi

concebido para agregar também informações

que facilitam o gerenciamento de medidas de

prevenção e proteção ao trabalhador, além de

auxiliar no atendimento dos requisitos da

legislação brasileira, tais como andamento

das investigações de acidentes e capacitação

dos funcionários.

Brenco adota Sistema Oris para gerenciar departamentos de RH

A Brenco - Companhia Brasileira

de Energia Renovável possui Pólos

Bioenergéticos em Goiás, Mato Grosso

e Mato Grosso do Sul. Desde o ano

passado a empresa vinha buscando uma

solução de gestão de recursos humanos.

Para a companhia era imprescindível

que todos os parâmetros de recursos

humanos específicos do setor

sucroalcooleiro e as diretrizes de

governança corporativa fossem atendidos.

Assim, a Arquiteta Software, empresa

brasileira de capital nacional, sediada em

Barueri, São Paulo, desenvolveu para a

Brenco o sistema Oris, uma solução

completa capaz de maximizar o tempo e

os recursos de um departamento de

recursos humanos. O Oris integra, em

uma única base de dados, desde folha de

pagamento, benefícios até soluções

gerenciais para cargos e salários e,

medicina e segurança do trabalho.

fotos: divulgação

New Holland estabelece

recorde mundial de colheita

A colheitadeira CR9090 da New Holland,

fabricada na Bélgica, estabeleceu um novo

recorde mundial. No final de julho, a

máquina colheu 451,2 toneladas de trigo em

um período de oito horas, com taxas de pico

de até 78 toneladas por hora, estabelecendo

um novo recorde mundial, reconhecido pelo

Guiness, o livro dos recordes. O desafio foi

enfrentado com a máquina operando

continuamente e sem reabastecimento, com

o consumo de combustível médio de 15,14

l/ha, em uma fazenda na Alemanha. O

recorde mundial foi alcançado com níveis de

perda de apenas 1,6%. O recorde anterior,

estabelecido no Reino Unido em 1990, ficou

em 358,09 toneladas em oito horas.A

CR9090 colheu 451,2 toneladas no mesmo

período de tempo chegando a um total de

569,44 toneladas em dez horas.

SKF apresenta rolamentos que reduzem o consumo de combustível

A SKF do Brasil apresentou durante o

XVII Congresso e Exposição

Internacionais de Tecnologia da

mobilidade SAE Brasil, que aconteceu de

7 a 9 de outubro no Expo Center Norte,

em São Paulo, o E2, novo tipo de

rolamento automotivo. O rolamento tem

condições de rodar com maiores

velocidades, o que permite ao usuário

reduzir em até 5% o nível de consumo de

combustível do veículo. Além disso, a peça

se torna ecologicamente correta, uma vez

que diminui a emissão de gás carbônico

no meio ambiente. O novo rolamento E2

da SKF é intercambiável, ou seja, pode ser

usado para substituir qualquer outro já

existente, independente do quanto antigo

seja e do modelo do carro.

36 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008


Santal tem linha completa para a mecanização das lavouras de cana

A Santal Equipamentos S/A, com sede em

Ribeirão Preto (SP), oferece um sistema

completo de mecanização agrícola para as

lavouras de cana-de-açúcar. A Santal Tandem

Industrial oferece sistema de tração 6 x 4

(sistema tandem) que proporciona maior

estabilidade na colheita e baixa compactação

no solo - 50% menor que o sistema de pneu

convencional. A Santal Tandem Mudas é a

única colhedora do mercado especialmente

desenvolvida para a colheita de mudas. Já a

plantadora PCP2L realiza duas funções.

Durante a época do plantio, planta cana, e

fora desse período, aplica torta de filtro,

reduzindo o custo fixo do equipamento. A

Santal ainda oferece a carregadora de canade-açúcar

CMP Master que é líder na

categoria. O equipamento tem como função

carregar a cana cortada manualmente e

1° transbordo automotriz de cana do Brasil

O Transcana é o primeiro transbordo

automotriz do mercado brasileiro e foi

desenvolvido pela Servspray, pioneira na

fabricação de pulverizadores automotrizes no

Brasil e pela Sermag, especialista há 30 anos

em implementos para cana. Somente na

Austrália existe uma versão automotriz.

Atualmente é utilizado o transbordo de

arraste, que depende de um trator ou

caminhão.A máquina automotriz proporciona

uma melhor dirigibilidade visto que um chassi

monobloco (uma única peça) elimina o efeito

vagão / carreta (uma máquina com tração

puxando uma ou mais carretas sem tração).

Por ter um eixo único, as manobras do

Transcana são mais fáceis, inclusive as de

marcha ré, proporcionando ganhos de

colocá-la nos caminhões e reboques

canavieiros. Neste segmento a Santal

também desenvolveu a nova Carregadora

Bitola Larga, totalmente adaptada para

terrenos com alta declividade.

produtividade pelo fato de gastar menos

tempo com o abastecimento.

Por ser máquina projetada especificamente

para a função de transbordo, o motor necessita

de menor potência e por isso consome menos

combustível (diferentemente do trator ao qual

o transbordo de arraste é acoplado).

Copersucar agora é S.A.

A Copersucar, maior cooperativa de

açúcar e álcool do mundo, agora é

Copersucar S.A . As 33 usinas associadas à

cooperativa são agora acionistas da holding

Produpar, que passa a controlar a gigante. A

empresa nasce com faturamento anual de

R$ 5,7 bilhões e programa investimentos de

US$ 1 bilhão para os próximos três anos,

sobretudo em logística. A meta do grupo é

triplicar de tamanho até 2018, saindo das

atuais 70 milhões de toneladas de cana

processada para 200 milhões de toneladas -

crescimento que deverá acontecer com a

entrada de novas na holding.

Congresso de Nanotecnologia

Nos dias 12, 13 e 14 de novembro próximo,

simultaneamente à Nanotec Expo 2008, no

Centro de Eventos Imigrantes, em São Paulo,

será realizado o 4º Congresso Internacional de

Nanotecnologia. O objetivo é atualizar os

conhecimentos sobre os avanços da

nanotecnologia e suas aplicações em produtos

e em processos industriais, além de ampliar o

relacionamento entre as comunidades

científica e empresarial. Este ano, os

seminários do Congresso serão setorizados e

apresentarão vários projetos de pesquisa e de

desenvolvimento nanotecnológicos

atualmente em andamento na Universidade

de São Paulo (USP), na Universidade Estadual

de Campinas (Unicamp), na Universidade

Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na

Universidade Federal de Minas Gerais

(UFMG), na Universidade Federal do Rio

Grande do Sul (UFGRS) e na Universidade

Federal de Pernambuco (UFPE), de interesse

direto de vários setores da indústria.

CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008 37


OPINIÃO

Problema do Bush

Oestouro da bolha especulativo-financeira

começou

nos EUA e logo se alastrou

pelo mundo, colocando em xeque

as estruturas de um capitalismo

que privatiza os lucros e socializa

os prejuízos. Mais do que um problema

de liquidez, o maior obstáculo

é a crise de credibilidade que

se instalou no mercado financeiro,

o que nos faz questionar se o caso

da Enron foi mesmo isolado. De

certo é que numa economia globalizada,

quando a principal potência

entra em parafuso, o mundo

sente os seus efeitos.

Para amenizar os efeitos desta

crise, algo que deve ficar mais evidente

no início de 2009, o Governo,

o Congresso Nacional e o Banco

Central precisam se debruçar

na elaboração de um pacote de

medidas preventivas, sobretudo

em relação à questão cambial, a

política de juros (que continuam

os mais altos do mundo e inibem

sobremaneira o setor produtivo),

além da questão tributária, ainda

mais agora que o crédito em todo

mundo começa a escassear.

A revisão no câmbio será fundamental

para respaldar e apoiar o

fluxo das exportações diante de

uma eminente queda do preço das

commodities. O governo precisa

utilizar o câmbio como um instrumento

de desenvolvimento, por

meio do fortalecimento de programas

já existentes como o Proex

(Programa de Crédito à Exportação)

e oferecer mais linhas de Adiantamento

de Contratos de Câmbio

(ACC), além de elaborar um

Plano de Exportação, capaz de

identificar novos mercados, promover

a "Marca Brasil" e buscar

investir em produtos de maior valor

agregado.

Este governo tem se notabilizado

pelo aumento dos gastos correntes,

ano a ano, o que pode comprometer

a sua capacidade de investimentos,

mesmo batendo recordes

sucessivos de arrecadação

de impostos. Ou seja, o inchaço da

máquina pública pode comprometer

ainda mais a liberação dos recursos

para as obras estruturais do

PAC. Por isso, o controle fiscal é

uma medida de extrema importância

para assegurar os investimentos

em infra-estrutura e das

Parcerias Público Privadas (PPPs).

Afinal, é preciso garantir o fluxo

de investimentos e de crédito, para

atender os grandes empreendimentos

no plano da logística, da

infra-estrutura, dos desafios da exploração

de petróleo e gás que exigem

investimentos fartos e a custo

adequado.

O caminho é ampliar a oferta de

crédito oficial, sem o comprometimento

da estabilidade fiscal. Neste

ponto, o BNDES pode desempenhar

um papel ainda mais destacado

na oferta de crédito, mas precisa

reavaliar suas políticas de concessão

de empréstimos sob a ótica

do interesse público.

No Congresso Nacional, devemos

rever não só a LDO (Lei de Diretrizes

Orçamentárias) como

também a LOA (Lei Orçamentária

Anual), diante da previsão de desaceleração

da economia, para que

a execução orçamentária não enfrente

os mesmos problemas do

início deste ano. Além disso, os

parlamentares precisam se mobilizar

para a aprovação da Reforma

Tributária, a Lei Geral das Agências

Reguladoras e a Lei do Gás, no

sentido de prover estabilidade regulatória

necessária para multiplicar

os investimentos e mantermos

o crescimento econômico.

No médio prazo, proponho ainda

o abatimento da nossa dívida

pública interna, que chega a

40,8% do PIB, enquanto em economias

que atingiram o grau de

investimento a média é de 30%.

Para isso, poderíamos fazer uso

das nossas reservas em moeda estrangeira

(hoje, na casa de US$

200 bilhões), para readquirir títulos

da dívida interna, mantendo o

aquecimento da economia e escorando

uma redução pragmática

dos juros.

Temos de abrir mão da "visão escapista"

propagada pelo Governo.

É hora de tomarmos as medidas

necessárias, com a agilidade que a

gravidade do momento requer, para

que seus efeitos não contaminem

a nossa estabilidade econômica

conquistada a duras penas ao

longo dos últimos 15 anos.

DEPUTADO ARNALDO JARDIM,

vice-líder do PPS na Câmara Federal

silvio simões

38 CANAL, o Jornal da Bioenergia - OUTUBRO 2008

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