Sistematização, correção e adubação adequadas dão ao solo as ...

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Sistematização, correção e adubação adequadas dão ao solo as ...

Goiânia/GO julho de 2013 Ano 7 N° 81

Solos

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alta produtividade

Sistematização, correção e adubação adequadas dão ao solo

as condições para que as lavouras alcancem seu potencial máximo

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da cultura da cana. Efetivo na soca-seca e na

soca-úmida, ele controla as plantas daninhas de

folhas estreitas com eficácia, promovendo melhor

produtividade. Sua facilidade de manuseio

e flexibilidade inigualável possibilitam o trabalho

de aplicação durante a safra da cana, todos os

dias, o ano todo.

Provence. Indispensável o ano todo.

08 Entrevista

Adhemar Altieri, diretor

de Comunicação

Corporativa da Unica,

fala sobre a divulgação

do etanol e de suas

vantagens em relação à

gasolina.

26 Vida silvestre

Preservação e

restabelecimento de

vegetação nativa, aliadas

ao fim das queimadas,

favorecem recomposição

da vida silvestre.

13 Máquinas

Setor de máquinas e

implementos agrícolas

registra crescimento

nas vendas, amparado

pelo desenvolvimento

da agricultura

brasileira

24 trabalho

Ginástica laboral e

uso de EPIs estão

entre as medidas

preventivas adotadas

para reduzir

enfermidades.

30 Mais Brasil

Manaus, cidade

incrustada no coração da

Floresta Amazônica, é

destino que desperta

interesse e a imaginação

de turistas do Brasil e do

exterior.

Aplicação

em todas

as épocas

canal, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação da MAC Editora e

Jor na lis mo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41

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e ao meio ambiente. Leia atentamente e siga rigorosamente

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por menores de idade.

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no controle das

gramíneas

Longo período

de controle

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de uso

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nas reportagens e artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores.

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Capa: Fernando Rafael Salazar

“Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o

meu refúgio, a minha fortaleza, e nele

confiarei.” (Salmos 91:2)

Boa safra sinaliza recuperação

Mi ri an To mé

edi tor@ca nal bi o e ner gia.com.br

À medida que avança a colheita

da safra de cana-de-açúcar e

aumenta a oferta de etanol, o

mercado se reequilibra e o

biocombustível torna-se

novamente competitivo frente à gasolina em várias regiões do

País. O crescimento da produção da matéria-prima anuncia

uma fase de recuperação do setor sucroenergético, apesar da

crise que afeta várias usinas e indústrias fornecedoras do setor.

A retomada da divulgação das vantagens do etanol na

mídia revela que o setor se preocupa em se comunicar melhor

com o consumidor. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar

(Unica) anuncia que essa presença, sob a forma de campanhas

publicitárias, se tornará permanente, alcançando todos os

veículos de comunicação e as redes sociais.

O objetivo é divulgar informações qualificadas,

ressaltando à população os benefícios que o biocombustível

proporciona ao meio ambiente, à saúde e à economia do

País. Esse tema é explorado em entrevista concedida ao

CANAL pelo diretor de Comunicação Corporativa da

Unica, Adhemar Altieri.

Em nossa reportagem de capa abordamos os

procedimentos necessários para a implantação de

lavouras de cana-de-açúcar em área de expansão, a

exemplo de pastagens degradadas, e a importância das

amostragens períodicas do solo, orientando, assim, a sua

correção e a construção da fertilidade.

Em outra matéria de destaque, mostramos como as

ações de preservação e recuperação de áreas de vegetação

nativas, aliadas à eliminação da queima dos canaviais,

favorecem a vida silvestre. Uma prova de que ações bem

planejadas e executadas podem dar resultados

surpeendentes em curto espaço de tempo.

Boa leitura!

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Julho de 2013 • 3


Entrevista Adhemar Altieri, diretor de Comunicação Corporativa da Unica

Etanol terá exposição

constante na mídia

Evandro Bittencourt

Quais ações promocionais já foram deflagradas

pela Unica este ano para estimular o consumo

de etanol

Nós estamos com a campanha Etanol o

Combustível Completão em andamento.

Essa campanha foi lançada no ano passado,

foi uma campanha curta, o material

foi preservado e relançado este ano. Nós

estamos com ela no ar desde maio, casando

com o início da safra e essa campanha,

agora, precisa ser algo permanente. Não é

mais de curta duração. Uma das conclusões

a que a gente chegou é que é importante

o etanol não parar mais de ter

algum tipo de exposição perante o consumidor,

pois a publicidade favorecendo a

gasolina, que é concorrente do etanol,

permanece e é muito pesada. Nós chegamos

à conclusão que o que se investe em

uma campanha como a do etanol é superado

em 40 a 50 vezes em relação à gasolina.

A exposição poderá ter períodos mais

aquecidos, períodos menos intensos, mas

não para mais.

momento. Agora, por exemplo, estamos mais

fortes no rádio e na internet.

O público consumidor tem a percepção clara de

que o governo subsidia a gasolina em

detrimento do etanol e de que a falta de

políticas públicas para o biocombustível é, em

grande parte, a responsável pelo recuo no

consumo e oferta de etanol

Na publicidade nós temos procurado priorizar

os pontos positivos a respeito do etanol.

Nós estamos procurando chegar ao consumidor

com essa mensagem, embora alguns

possam dizer que o consumidor já sabe disso.

Mas o fato é que o consumidor não está

agindo como se ele soubesse. E não é porque

alguém já sabe alguma coisa que você deixa

de dizer. Não estamos entrando na questão

do preço na publicidade paga, mas no diálogo

nas redes sociais sim, pois é ali que as

pessoas se colocam com perguntas a respeito

desse aspecto levantado nessa questão. E daí

podemos perceber que as pessoas têm toda a

sorte de pontos de vista errados e por isso é

Adhemar Altieri juntou-se à equipe da Unica em

novembro de 2007, após dois anos e meio como

diretor de Assuntos Institucionais da Amcham-

Brasil. Foi diretor de Comunicação do Fórum

Mundial de Turismo para Paz e Desenvolvimento

Sustentável e do Instituto de Hospitalidade, em Salvador.

Ao longo da carreira jornalística iniciada em 1978, atuou

em grandes veículos de comunicação do Brasil, Canadá,

Estados Unidos e Inglaterra. Foi editor-Chefe da rede

canadense de telejornalismo CTV Newsnet, editor de

Especiais e editor de Internacional da CTV News, editor de

Internacional e editor-Chefe de Telejornais do canal global

de telejornalismo CBC Newsworld International, da rede

pública canadense Canadian Broadcasting Corporation

(CBC). No Brasil, foi diretor de Telejornais Regionais do SBT

e co-autor do projeto jornalístico que instituiu o telejornalismo

ancorado no Brasil em 1988, com Boris Casoy. Foi

diretor de Jornalismo da Rádio Eldorado de São Paulo,

repórter da Rede Globo de Televisão, correspondente freelancer

no Brasil e no Canadá da principal rede americana

de rádio e TV, CBS News, e comentarista para assuntos

brasileiros do BBC World Service. Foi professor de telejornalismo

da Faculdade Cásper Líbero de São Paulo, da

Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São

Paulo, e do Humber College of Applied Arts and Technology,

no Canadá, onde presidiu o Conselho Consultivo de profissionais

da mídia para o curso de jornalismo. É fundador

e editor do site InfoBrazil.com e conselheiro das revistas

BSP, da Business School São Paulo, e SAX Magazine.

Formado em Jornalismo pelo Humber College, de Toronto,

é também Bacharel em Comunicação/Jornalismo pela

ECA/USP, com Mestrado em Jornalismo pela Northwestern

University, de Chicago, onde foi agraciado pelo corpo

docente com o principal reconhecimento daquela instituição,

o Harrington Memorial Award.

Uma das conclusões a que a gente

chegou é que é importante o etanol não

parar mais de ter algum tipo de

exposição perante o consumidor.”

Essas campanhas ficaram paralisadas durante

quanto tempo

A Unica, pelo menos, não fazia uma campanha

para o etanol desde o fim de 2008, ou

seja, são quatro anos até a retomada, em

2012. Isso acaba beneficiando a propagação

de ideias equivocadas, de mitos a respeito do

produto ou de mal-entendidos sobre o que

acontece, a exemplo dos motivos do sobe e

desce dos preços. As pessoas acabam se

baseando em informações que vêm de todo

lado, pois hoje temos uma situação em que

todo mundo pode contribuir para a formação

de uma ideia, por meio de redes sociais,

internet, etc. Por isso não podemos ficar fora

dessa seara, precisamos apresentar a nossa

informação, mostrar que ela é qualificada e

que é ela que deve perdurar e permanecer,

interferir no que acontece nas redes sociais,

como estamos fazendo agora, inclusive com

uma página no Facebook. Estamos trabalhando

com TV aberta, fechada, rádio, internet,

jornais e revistas, ou seja, muitas mídias

diferentes, cada uma com seu peso, dependendo

do que a campanha pretende naquele

preciso explicar continuamente. E essa talvez

seja essa a justifica mais clara de nós não

sairmos da mídia

Caso o consumo aumente muito, a tendência é

o preço subir, o que, mais uma vez, afastaria o

consumidor do biocombustível. Como lidar com

esse risco numa campanha de publicidade

Não estamos entendendo esse risco como

real nesse momento porque, de fato, essa vai

ser uma safra bastante grande. O crescimento

no consumo teria que se dar num patamar

muito forte para gerar esse tipo de problema.

E mesmo que o problema venha a ocorrer,

isso é apenas o mercado em atividade, ou

seja, o próprio consumidor vai regular. Se ele

perceber que o produto subiu e passou do

ponto em que ele é interessante é evidente

que ele tem a opção de ir para a gasolina. É

para isso que foi criado o carro flex, mas

quanto mais etanol a gente conseguir colocar

no mercado, melhor para todos, não só

para o setor, mas para o consumidor, para a

qualidade do ar, para os empregos que a

indústria gera e para a atividade econômica

4 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Entrevista Adhemar Altieri, diretor de Comunicação Corporativa da Unica

Panorama

dentro do Brasil, pois é aqui que é feito o etanol.

Ou seja, os ganhos vão muito além do preço na

bomba e eles precisam ser compreendidos pelo

consumidor que, invariavelmente, faz uma análise

simplista, baseada no preço do etanol e da

gasolina na bomba, mas isso não inclui as perdas

enormes que estão ocorrendo hoje na Petrobras,

por ela ser obrigada a vender gasolina abaixo do

custo. E quem paga essa conta, a Petrobras não

pertence a todos nós E se é assim, quando ela

tem um imenso prejuízo, como vem tendo,

quem paga por isso é o público. Esse é o preço

de o governo utilizar a Petrobras para dar encaminhamento

à sua política de controle da inflação.

Temos que trabalhar para que o consumidor

preste atenção nos detalhes e perceba tudo que

há nesse meio de campo. Não é meramente o

preço na bomba, pois o preço do etanol não

reflete os benefícios que ele gera, por isso a

campanha prioriza os benefícios. As pessoas,

primeiro, têm que ter muito claro que esse é um

combustível que te dá um ar mais limpo, mais

empregos e gera divisas, ou seja, nós não queimamos

divisas brasileiras para ter esse combustível,

nós ganhamos divisas, pois essa indústria

também faz açúcar e 70% do açúcar produzido

no Brasil é exportado, é o quinto item da pauta

de exportações brasileira. São mais de US$ 15

bilhões por ano que o setor traz para dentro do

Brasil.

Qual a região do País onde esse esforço promocional

é mais intenso

No momento a campanha está centrada em São

Paulo, porque o Estado consome 70% do etanol

brasileiro e é onde está a maior oportunidade de

expansão das vendas. Essa campanha pode ir

para outros Estados. Isso está sendo discutido,

pois existem mais três outros Estados onde,

habitualmente, o etanol é competitivo no mercado,

ou seja, tem preço abaixo de 70% do preço

da gasolina na bomba.

Minas Gerais também está desenvolvendo esse

esforço de incentivar o consumo. O Estado vai

aderir à campanha da Unica

Minas está discutindo se vai aderir à campanha

da Unica. Quem já decidiu aderir é o Paraná, por

meio da Alcopar, e outros Estados onde o preço

está competitivo. Goiás, Mato Grosso e Mato

Grosso do Sul também estão examinando essa

possibilidade. Minas Gerais têm dificuldades,

pois o ICMS ainda é elevado e lá tem uma gasolina

barata, o que dificulta a competitividade do

etanol. Mas de qualquer forma é um dos grandes

Estados brasileiros em termos de população

e de consumo de combustíveis, por isso seria

importante fazer a campanha lá para transmitir

um recado para o consumidor, de modo que ele

também tome conhecimento dos aspectos favoráveis

do etanol. Essa é uma decisão de cada

Estado e temos que aguardar o que cada um

pretende fazer nessa safra.

Que avaliação o senhor faz da comunicação

institucional do setor sucroenergético com outros

setores estratégicos da sociedade

Eu acho que houve uma evolução muito grande

e o que marca isso é que hoje se tem, na

grande mídia, uma certeza sobre onde buscar

informações quando se tem uma dúvida sobre

Há provas bastante

claras de que o

setor está mais

aberto, mais

disposto ao diálogo

para receber

pessoas que

querem ver como é

que ele funciona.”

o setor. E talvez a principal evidência de que

isso melhorou é que raramente se vê, atualmente,

matérias com ataques gratuitos, com

acusações infundadas e isso era muito comum.

Hoje, em algum lugar, é possível que haja

alguma atuação que não esteja 100% de acordo

com regras estabelecidas, mas quando se vê

alguma coisa negativa, são casos isolados,

numa proporção menor, no contexto de um

setor que emprega mais de 1 milhão de pessoas.

E até não muito tempo atrás, o setor era

definido pelos seus problemas. Se existia um

erro, uma atuação equivocada em algum

lugar, virava uma manchete e aquilo passava a

retratar o setor. Isso nós não vemos mais. Há

provas bastante claras de que o setor está mais

aberto, mais disposto ao diálogo para receber

pessoas que querem ver como é que ele funciona

e saber se essa produção é mesmo sustentável.

Isso tem acontecido de uma forma

intensa e crescente. Cada vez mais empresas

estão se estruturando, por exemplo, para ter

profissionais qualificados para cuidar da

comunicação. E isso até cinco, seis anos atrás

era uma raridade, eram pouquíssimas empresas

que tinham. No agregado eu diria que o

resultado é muito positivo e que tende a continuar

melhorando, o que mostra uma melhora

da imagem e mais compreensão por parte

da opinião pública em relação ao setor.

Reprodução/Unica

O interesse de jornalistas estrangeiros pelo etanol

brasileiro arrefeceu em relação à grande demanda

verificada nos anos de intensa expansão

Com certeza diminuiu. Nós temos isso acompanhado

mês a mês pela Unica e esse interesse,

que há alguns anos era de cerca de 30% a 35%

do atendimento que prestávamos, hoje está

entre 18% e 20% das demandas. E o motivo é

simples. Antigamente, os jornalistas vinham ao

Brasil atraídos pelas denúncias, atrás da matéria

negativa, mas com o tempo começou a ficar

claro que não era daquele jeito. E se um veículo

é serio, ele não perde mais tempo indo atrás de

algo que é um detalhe e não o todo. Hoje, quando

recebemos jornalistas estrangeiros, podemos

perceber que as reportagens são muito mais

bem estruturadas, embasadas e não redundam,

necessariamente, em matérias contrárias ao

setor, o que era muito comum.

E quanto ao Projeto Agora, há novidades

programadas

O projeto está com a programação desta

safra em pleno andamento, com um novo

programa educacional que vai priorizar a

bioeletricidade. A próxima edição do Top

Etanol está para ser lançada e o próximo

Agroenergia em Curso vai ser realizado nesse

segundo semestre. Já estamos procurando

uma empresa parceira para acolher a próxima

visita, com seminários e tudo mais, entre

diversas outras iniciativas. Estamos fazendo

um esforço para expandir o Projeto Agora.

Nós conseguimos atrair de volta o Ceise BR,

que representa a indústria de base e já foi

parceiro do Projeto Agora. A entidade saiu,

agora voltou e como estamos vendo o setor

com pouca atividade em termos de expansão,

construção de usinas novas, é evidente que

esse é um setor que está um pouco complicado.

Mesmo assim, eles fizeram um esforço

para voltar ao projeto agora, pois é importante

para eles e para nós, no meu pensamento,

que eles continuem envolvidos e ativos

para que possamos superar essas dificuldades.

Com isso, o Agora cresce, chegando a

11 entidades e cinco empresas. Na medida

em que empresas novas aderirem e o caixa do

projeto aumentar, novas iniciativas serão

lançadas.

Presidente do Sifaeg é novo

presidente do Fórum Nacional

Sucroenergético

O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de

Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André

Rocha, foi eleito, por unanimidade, para presidir o Fórum

Nacional Sucroenergético. A instituição representa as 16

maiores entidades de 15 estados produtores de açúcar,

etanol e bioenergia.

Entre as metas de trabalho do executivo goiano está a

atuação conjunta com os ministérios, poder legislativo e

governo federal, na busca de políticas públicas para o uso

do etanol, e consequentemente, a volta de investimentos

no setor. “Desde 2008 não há construção de novas

usinas”, afirma André Rocha. O mandato é de dois anos.

Como vice foi escolhido o presidente do Sindaçúcar (PE),

Renato Cunha.

Conferência

Internacional Datagro

A 13ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar

e Etanol será realizada nos dias 21 e 22 de outubro, no

hotel Grand Hyatt, em São Paulo (SP). O tradicional evento

terá como tema principal “Diversificação, Biotecnologia e

Logística – na rota do futuro”. O objetivo da conferência é

reunir especialistas na área e promover debates sobre as

perspectivas do mercado, planejamento estratégico e

comercial para os diferentes elos da cadeia de produção e

comercialização do setor sucroenergético mundial. O

encontro dará, mais uma vez, suporte ao Sugar Dinner São

Paulo, reconhecido como um dos eventos sociais e de

negócios de maior prestígio para o setor sucroenergético.

Mais informações sobre o programa preliminar e

cadastramento pelo site www.conferenciadatagro.com.

br ou pelos números (11) 4195-6659 e (11) 4191-4116.

Características dos novos clones potenciais

de cana RB são apresentadas pela Ridesa

No início do mês de abril, a Rede

Interuniversitária para o Desenvolvimento

do Setor Sucroenergético (Ridesa)

promoveu uma Reunião Técnica no

auditório do Centro de Ciências Agrárias

da Universidade Federal de São Carlos

(UFSCar), localizado em Araras (SP). Na

ocasião, os pesquisadores apresentaram

aos fornecedores de cana de 13

associações vinculadas à rede, seis novas

possíveis liberações de variedades da

Ridesa: RB 975157, RB 975184, RB 975201,

RB 975242, RB 975932 e RB 975952.

Desconto em equipamentos de irrigação

Os empresários do meio rural com intenção

de investir na agricultura irrigada podem

adquirir equipamentos, serviços e materiais com

desconto de até 9,25%. A redução é garantida

pelo Regime Especial de Incentivos para o

Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi).

O desconto é resultado da suspensão da

exigência das contribuições do PIS/Pasep

(1,65%) e Cofins (7,6%). No setor agrícola,

podem aderir ao benefício do governo federal

projetos de irrigação em áreas a partir de 5

hectares. “Com este benefício o produtor poderá

ampliar a área irrigada em praticamente 10%,

sem ter que fazer nenhum outro investimento;

apenas com a desoneração”, explica Cristiano

Zinato, analista de Infraestrutura da Secretaria

Nacional de Irrigação do Ministério da

O coordenador do Programa de

Melhoramento Genético da cana-deaçúcar

(PMGCA) da UFSCar, Hermann

Paulo Hoffmann, explicou que

“apresentamos as variedades que serão

liberadas e as recomendações de uso”. Foi

publicado, ainda, um boletim específico

sobre as possíveis liberações.

De acordo com o censo varietal dos

canaviais de São Paulo e do Mato Grosso

do Sul, os tipos de cana RB ocupam 63,2%

da área de plantio e 59,7% da área de

cultivo nesses estados.

Integração Nacional (Senir/MI), ressaltando que

a desoneração vale tanto para novos projetos

quanto para ampliação e modernização dos já

existentes.

Criado em 2007, pela Lei n° 11.488, o Reidi é

um instrumento importante para o

fortalecimento da agricultura irrigada no País.

“O aumento do número de projetos estimula a

fabricação de mais equipamentos, o que gera

mais emprego, mais produção agrícola e mais

renda, além de contribuir para a redução da

pressão inflacionária”, disse Zinato.

Os produtores rurais, pessoa jurídica,

interessados em aderir ao Reidi devem

encaminhar a solicitação de enquadramento no

regime e o escopo do projeto à Secretaria

Nacional de Irrigação.

6 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 7


GOIÁS

Usina Santa Helena retoma

atividades com previsão de moagem

de 1,2 milhão de toneladas de cana

Considerada

uma das mais

antigas unidades

industriais do setor

sucroenergético,

USH retoma

processo de

recuperação

judicial

Cejane Pupulin e Fernando Dantas

Importante geradora de emprego, renda e

recursos para o Estado de Goiás, em especial

para a população de Santa Helena de Goiás

(GO), município localizado a 200 quilômetros

da capital goiana, a Usina Santa Helena de

Açúcar e Etanol retomou as operações no dia 13

de julho, após período de suspensão das atividades.

O retorno ocorreu durante solenidade na

própria unidade, que contou com a presença do

presidente da USH, Munir Naoum, prefeito da

cidade, Judson Lourenço, representantes de instituições,

além de gestores, administradores,

assessores e colaboradores da usina.

No final de 2012, a Justiça de Anápolis decretou

a paralisação de toda a unidade, por entender

que a USH, que estava em processo de

recuperação judicial, não teria como arcar com

as despesas. Entretanto, o Superior Tribunal de

Justiça (STJ) declarou nulas todas as decisões e

o processo, antes avaliado em Anápolis, foi

remetido para a juíza de Santa Helena, Bianca

de Melo Cintra. A juíza deferiu pela recuperação

judicial da usina, que pode retomar suas operações

normais.

Já a usina Pantanal, localizada em Jaciara, no

Mato Grosso e que também teve as atividades

paralisadas, iniciou a safra no ndia 15 de julho,

totalizando 1,1 milhão de toneladas. A expectativa

da atual gestão é que, nos próximos dois

anos, a Usina Pantanal tenha moagem de quatro

milhões de toneladas. A Usina Jaciara, localizada

no município de mesmo nome, não operará

nesta safra, com previsão de que volte às atividades

em 2014. Mas a cana produzida na unidade

será processada na Usina Pantanal.

Produção

Com o retorno, a previsão é de moagem de 1,2

milhão de toneladas de cana-de-açúcar para a

safra 2013/2014, enquanto para a próxima a

estimativa é de superar os dois milhões de toneladas

de cana moídas. Como é tradição da USH,

a cana processada será dividida em 60% para a

produção de açúcar e 40% para a de etanol. Com

o início da operação de moagem, os ex-funcionários

foram recontratados, somando total de

1.500 colaboradores e mais de seis mil famílias

beneficiadas.

Já a usina Pantanal, localizada em Jaciara, no

Mato Grosso, iniciará a safra na próxima segunda-

-feira (15), totalizando 1,1 milhão de toneladas. A

expectativa da atual gestão é que nos próximos

dois anos a Usina Pantanal tenha moagem de

quatro milhões de toneladas. A Usina Jaciara,

localizada no município de mesmo nome, não

operará nesta safra, a previsão é que ela volte às

atividades em 2014. Mas a cana produzida na

unidade será processada na Usina Pantanal.

História

Durante o evento, o presidente da USH,

Munir Naoum, relembrou o início de atuação da

unidade em Santa Helena e a importância da

usina para a economia goiana. Ele disse que na

época da compra da empresa, em 1965, teve

que ir contra todos da família, pois eles achavam

que o negócio não daria certo. “Naquele

período, Santa Helena não tinha estrutura para

o funcionamento da usina. Mas aceitamos o

desafio e colocamos a unidade para funcionar”,

destaca. Munir Naoum relatou também que foi

comparado a personalidades e políticos como

Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek por causa

do espírito e a vontade em desenvolver o interior

do Brasil.

Nos primeiros anos, ressaltou o empresário, a

unidade produzia 30 mil toneladas de cana por

ano, enquanto nos dias de hoje a usina tem

capacidade para produção de 30 mil toneladas

de cana por dia. O mesmo caso da produção de

açúcar, que no início era de 45 mil sacas por ano,

atualmente chega a 60 mil sacas por dia.

Ele disse que, por causa da relevância da usina

para a região, na década de 80 precisou fazer

investimentos, com a aquisição dos equipamentos

mais modernos da época. “A usina passou a

gerar energia elétrica suficiente para atender

demanda própria. Além disso, fomos responsáveis

por 50% do total do açúcar consumido no

Estado de Goiás”, enfatizou.

Em 2008, com a crise econômica que afetou o

setor sucroenergético, a unidade passou por

Solenidade realizada no dia 13 de julho marcou o retorno das atividades da Usina Santa Helena

Os números da última safra nas usinas

Usina de Santa Helena (GO)

• Área: 25 mil hectares

• Índice de produtividade agrícola: alto

• Toneladas de cana por hectare: 90

• Colheita mecanizada (crua): 90%

• Capacidade de produção: 18 mil sacas por dia de

açúcar e 400 mil litros de etanol hidratado

• Capacidade de estocagem: 600 mil sacas de

açúcar e 25 milhões de litros de etanol

• Energia gerada: 5 mil KW/h

• Supre a demanda interna Sim

Usina Pantanal (MT)

• Área: 25 mil hectares

• Índice de produtividade agrícola: alto.

• Toneladas de cana por hectare: 80

• Colheita mecanizada (crua): 75%

• Capacidade de produção: 13 mil sacas por dia

e 400 mil litros de etanol

• Capacidade de estocagem: 500 mil sacas de

açúcar e 25 milhões de litros de etanol

• Energia gerada: 4,5 mil KW/h

• Supre a demanda interna Sim

dificuldades, inclusive com falta de investimentos,

incentivo financeiro e linha de crédito, além das

questões climáticas que prejudicaram as plantações.

“Mesmo assim continuamos na atividade, desenvolvendo

até os projetos sociais e ambientais que sempre

fizeram parte da USH. Olhando para trás, percebo

que a usina ajudou diversas famílias a se desenvolverem.

Isso é muito mais importante”, destacou.

8 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 9


Informe Sifaeg

Fotos: Datagro

Você faz tudo para ajudar

a salvar o meio ambiente.

E sabe quem também faz

parte dele As pessoas.

Por isso, seja você também um doador de sangue e ajude a salvar a

vida de milhares de brasileiros que, assim como o Olívio, precisam

receber sangue.

Presidente-executivo do Sifaeg

ministra palestra em Londres

O

presente e o futuro do açúcar e do etanol

brasileiros foram discutidos em Londres

durante o 2nd Sugar & Ethanol Summit

– Brazil Day. Organizado em conjunto

pela Datagro e o Ministério das Relações Exteriores,

através da Rebraslon (Representação Permanente

do Brasil junto aos Organismos Internacionais

sediados em Londres), o evento contou com 176

participantes de 22 países. Entre os especialistas

estava o presidente-executivo do Sindicato da

Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de

Goiás (Sifaeg), André Rocha.

Segundo o presidente da Datagro, Plínio Nastari,

a participação do executivo de Goiás com o painel

sobre como as recentes crises mudaram o setor, e

como o Estado de Goiás tem se destacado na

expansão da capacidade industrial e na moagem

de cana foi um dos pontos altos do evento.

Para André Rocha Goiás é um “ponto fora da

curva” nesse cenário de crise mundial. “Apesar do

momento econômico, crescemos acima da média

nacional em vários setores produtivos, graças ao

bom acesso das entidades empresariais ao governo

estadual. Nosso Estado tem desempenho melhor

do que as demais unidades da federação na produção

de etanol e açúcar. Tivemos aumento expressivo

de usinas nos últimos dez anos, com destaques

para os investimentos da BP e da Raízen(Shell/

Cosan)”, afirma.

O encontro

As discussões em Londres confirmaram que,

embora o mercado mundial de açúcar passe pelo

terceiro ano consecutivo de excedentes, a demanda

continua crescendo rapidamente e deve passar,

até 2020, dos atuais 166 para 201 milhões de

toneladas de açúcar, e de 95 para 167 bilhões de

litros de etanol. Esse aumento na demanda do

açúcar deverá ocorrer principalmente nos países da

Ásia. Já do etanol, nos EUA e no Brasil.

Na Europa, há discussões em curso sobre o

impacto do uso indireto da terra e a capacidade

de substituir gases do efeito estufa por biocombustíveis

produzidos de diferentes fontes de

biomassa. Também é debatida a demanda por

etanol, que deverá expandir consideravelmente

para atender os objetivos definidos pelo

Parlamento Europeu.

10 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Representantes de 22 países prestigiaram o evento promovido pela consultoria Datagro

André Rocha, do Sifaeg, falou sobre os reflexos da

crise e a expansão do setor no Estado de Goiás

No Brasil

Embora uma parte do setor sucroenergético ainda

esteja apresentando um nível razoável de endividamento,

ações positivas do governo federal, como a

retomada da mistura padrão de 25% de anidro na

gasolina, e linhas de crédito para renovação de canaviais

e investimentos em mecanização, inovação e

novas tecnologias, permitiram uma rápida recuperação

da produção no Brasil. Apesar dos atuais baixos

preços internacionais do açúcar e da política de pre-

ços da gasolina, que mantém artificialmente baixo o

preço da gasolina nas bombas, a indústria não parou

de investir pesadamente na renovação de canaviais,

com a utilização de variedades mais modernas e produtivas,

na mecanização do plantio e colheita, em

logística de transporte e na infraestrutura portuária e

dutoviária. As exportações de açúcar e etanol e o

valor da gasolina importada substituída pelo etanol

permitem um impacto positivo de 26,5 bilhões de

dólares na balança comercial brasileira em 2012, e de

12,1 bilhões de dólares apenas nos primeiros seis

meses de 2013. A economia de divisas com substituição

de gasolina pelo etanol desde 1975 monta a

279,6 bilhões de dólares, o que equivale a 75% das

atuais reservas de divisas do País.

Apesar de o Brasil estar gastando R$ 1,7 por litro

de gasolina importada (US$ 0,797/litro em 2012, e

US$ 0,751/litro em 2013), o etanol é atualmente vendido

no Brasil a R$ 1,32 por litro de etanol anidro e

R$ 1,12 por litro de etanol hidratado. A internalização

nos preços das vantagens ambientais e de promoção

de desenvolvimento econômico descentralizado e

sustentado do etanol devem fazer com que o produto

se valorize no futuro. Caso os preços internos e externos

reflitam o cenário de excesso de demanda projetado

para o futuro, o setor poderá voltar a expandir

novamente sua capacidade de moagem, para continuar

atendendo o desafio de suprir a demanda mundial

crescente por açúcar e etanol.

Olívio França, 46 anos.

Tem doença falciforme e precisa de doação de sangue.

Coloque o assunto em pauta e leve essa mensagem para junto

das causas sociais. O seu apoio vai aumentar a conscientização da

população sobre a importância de tornar a doação de sangue um

hábito e mostrar as pessoas que, seja para quem for, o importante

mesmo é ser doador. Entre nessa com a gente. Participe da

campanha e ajude o Ministério da Saúde a aumentar o número

de doações de sangue em nosso país. Faça o download das peças

da campanha no www.saude.gov.br e divulgue também.

Para sugestões e novas propostas de parceria, envie um e-mail

pra gente: parcerias@saude.gov.br

Seja para quem for,

seja doador.

Procure o Hemocentro mais próximo.


Máquinas e equipamentos

dessa área foi colhida com máquinas na safra

2012/2013. Nos últimos anos, houve uma adoção

muito grande da colheita mecanizada,

principalmente pelo custo mais baixo e pelo

incremento na produção. Segundo dados da

Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), a

utilização de máquinas para evitar a queima na

hora da colheita ficou em 85% nas usinas.

Fabricantes e concessionárias de máquinas

têm lucrado com o crescimento do setor. Se o

mercado está comprando, as concessionárias

precisam adquirir mais para revender aos seus

clientes. Para a John Deere, por exemplo, o

mercado interno está em alta e vive um

momento especial de consolidação e crescimento

estratégico no Brasil. Segundo o gerente

de Marketing Estratégico de Cana-de-

Açúcar da empresa para a América Latina,

Marco Ripoli, são mais de 250 pontos de venda

atendendo todas as regiões do Brasil. “A John

Deere busca estar cada vez mais próxima ao

agricultor e oferecer-lhe soluções integradas,

do preparo do solo à colheita, passando pela

irrigação, cobrindo todas as necessidades da

sua lavoura e dando assistência e treinamento

aos clientes para um constante ganho de produtividade”,

ressalta.

Mundialmente, a John Deere investe 3

milhões de dólares por dia em inovação. Isso

reflete, segundo Marco, na produtividade em

campo e do produtor, que ganha em investimento

total e em maior controle da sua lavoura.

Ele acrescenta que hoje existem condições muito

favoráveis à compra de máquinas. “Todos os

modelos de colhedoras de cana da John Deere

comercializados no Brasil são fabricados em

Catalão (GO) e podem ser financiados pelo

Finame”, diz. O Banco John Deere também destina

linhas de crédito específicas para o incremento do

agronegócio, ampliando o acesso às máquinas e

às mais modernas tecnologias de produção.

Plantadora de cana PCP 6000, da DMB, responde por 54% do mercado de plantio mecanizado

Setor pega carona

no bom momento do

Colhedora de

Cana 3520

No mercado

A John Deere possui linha de produtos direcionados

para cana. Entre os destaques estão as duas

versões de colhedoras: a 3520 para uma linha de

plantio simples, e a 3522 para duas linhas para um

plantio duplo alternado. A empresa também

conta com tratores para preparo de solo, plantio,

pulverização, além do trator 6180 utilizado para o

transbordo de cana. A marca oferece ainda ao

produtor o GreenSystem, uma linha de produtos

complementares ao portfólio, desenvolvidos a

partir de alianças com empresas externas. Faz

parte do GreenSystem a distribuidora de cana

BD1102, com um novo conceito para o plantio,

baseado na separação de operações para um

resultado mais eficiente.

Além disso, a John Deere conta com um sistema

de irrigação de precisão por gotejamento, monitores

de colheita Auteq e o simulador de colhedora de

cana-de-açúcar, que aprimora e reduz os custos do

treinamento, aumentando a produtividade nos

canaviais. O simulador é de extrema importância na

adaptação dos produtores à proibição do corte

manual da cana-de-açúcar.

O gerente de Marketing da DMB Máquinas e

Implementos Agrícolas, Auro Pardinho, diz que a

empresa está preparada para o crescimento do

setor sucroenergético e de máquinas e equipamentos.

Ele informa que a DMB possui uma linha

de produtos diversificada para o plantio e tratos

culturais da cultura da cana-de-açúcar, sendo a

plantadora de cana PCP 6000 o principal produto,

que responde por 54% de participação do mercado

de plantio mecanizado da cana.

Destaque

A localização territorial, clima, topografia, disponibilidade

de água para irrigação e de áreas

fazem com que o Centro-Sul tenha condições

ideais para crescimento no setor sucroenergético.

É nessa região, principalmente em Goiás, que a

Casa do Pica-Pau tem atuação. Com crescimento

na ordem de 35% em 2012, hoje a empresa possui

sistemas mecanizados, que vão do preparo à

colheita, com características de interagirem por

meio de gerenciamento agrícola via satélite; além

de contar com um sistema de irrigação por gotejamento

de ultima geração, que aumenta a produção

e longevidade do canavial. Entre as novidades

da empresa para o mercado estão colhedora

de duas linhas, que ajuda a reduzir, em média, de

40%, o pisoteio via trafego de máquinas pesadas

– um dos principais problemas do segmento -, e

um sistema de irrigação por gotejamento, que já

faz também a adubação.

Segundo o gerente Corporativo da Casa do

Pica-Pau, Davidson Mauriz, as estimativas para

esta safra são similares aos números registrados

em 2012, ou seja, 35%, mas com um agravante.

“Nossos fornecedores não estão conseguindo nos

disponibilizar os produtos por nós planejados.

Talvez isso possa nos atrapalhar no atingimento

de nossas metas. Estamos em compasso de recuperação

de nossos números”, relata.

segmento sucroenergético

Brasil tem

9 milhões de

hectares cultivados

com cana-de-açúcar.

Desse total, 72,6%

foram colhidos com

máquinas na safra

2012/2013

Fernando Dantas

Apesar de problemas registrados em

anos anteriores na região Centro-Sul,

o setor sucroenergético vem se recuperando,

tendo apresentado números

positivos na safra 2012/2013 e com previsões

favoráveis para 2013/2014. A União da

Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em conjunto

com o Centro de Tecnologia Canavieira

(CTC), sindicatos e associações do setor sucroenergético,

estima para os estados da região

Centro-Sul uma moagem de 589,60 milhões

de toneladas, crescimento de 10,67% em relação

aos 532,76 milhões de toneladas processadas

na safra anterior. Os dados compilados

pela Unica, assim como o mapeamento com

imagens de satélite da região Centro-Sul feitas

pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

(CANASAT – INPE), indicam uma expansão de

6,50% na área de cana-de-açúcar disponível

para a colheita na safra 2013/2014.

De carona nessas estatísticas está o setor de

máquinas e implementos agrícolas, que registrou

nos primeiros quatro meses deste ano um

crescimento de 30% nas vendas, amparado

principalmente pelo desenvolvimento da agricultura

brasileira nos mercados interno e externo

– o que inclui o segmento sucroenergético.

Hoje, o Brasil tem uma área de 9 milhões de

hectares de cana-de-açúcar, sendo que 72,6%

A TERMOMECANICA TAMBÉM ESTÁ

TRANSFORMANDO A VIDA NO CAMPO.

Líder no mercado de transformação de cobre e suas ligas há mais de 50

anos, a Termomecanica oferece soluções para diversos segmentos.

No setor sucroenergético, o destaque são as Capas de Bronze

TM23 para moendas de cana. Produzidas com uma liga de bronze

exclusiva da Termomecanica, as Capas de Bronze TM23 apresentam

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12 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 13


Cenários

Gargalos do setor

tentável. As melhoras na biotecnologia podem

aumentar a produtividade, reduzindo o custo

de produção e fazendo o produto brasileiro

competitivo em relação às energias alternativas.

sucroenergético

em debate

Arnaldo

Luiz Corrêa,

gestor de riscos

em commodities

e diretor da

Archer

Consulting

Especialistas discutem

afirmações da presidente da Unica

sobre desafios do setor até 2020

Cejane Pupulin

Os destinos dos carros flex, as perspectivas

da produção do etanol celulósico

em escala comercial, a cooperação

entre os países consumidores e produtores

e as questões de natureza regulatória

são, no entender da presidente da União da

Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA),

Elizabeth Farina, os principais gargalos do

setor sucroenergético até 2020.

Especialistas do setor concordam com a

executiva. O sócio-diretor da Canaplan

Consultoria, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, destaca

que esses quatro pontos são as questões

prioritárias e fundamentais para o setor produtivo,

mas ressalta que existem outras questões

que devem ser priorizadas.

O gestor de riscos em commodities e diretor

da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa,

destaca que, com as discussões levantadas no

evento, é perceptível que o setor terá que lutar

por um preço de energia mais barato. “As perspectivas

de preços de energia com o advento

do shale gas (gás de xisto) pode mudar a

matriz energética mundial. Ainda não sabemos

a extensão disso, mas certamente os pontos

citados pela presidente são importantes,

embora não sejam os únicos”, explica.

O presidente da Datagro, Plínio Nastari,

concorda com a presidente da Unica. Nastari

acredita que ela se refere, em primeiro lugar, à

importância de se manter o mercado de etanol

hidratado utilizado pelos veículos flex. “É o

ponto mais importante hoje para o setor, visto

que a demanda por etanol hidratado cumpre a

função de regular o mercado dos demais produtos

– etanol anidro e açúcar”, afirma.

No entanto, Nastari destaca que é preciso que

haja um melhor planejamento desta demanda

frente a de gasolina, para que variações muito

grandes e abruptas na demanda de hidratado e

gasolina não causem distorções e imprevisibilidades,

tanto para os produtores de etanol quanto

para as empresas que atuam na área de

petróleo e derivados, principalmente a Petrobras.

Os carros flex

Atualmente existem 20 milhões de carros

flex nas ruas brasileiras. Mas apenas um terço

abastece com o etanol hidratado. Para Plínio

Nastari, a escolha de combustível é uma opção

do consumidor, que precisa estar ciente das

diferenças inerentes a cada um. “O combustível

renovável gera empregos locais, distribuição

de renda, melhorias no meio ambiente em

nível local e global, mas precisa ter preço

competitivo para o consumidor”, explica. E isso

é papel dos governos, que necessitam criar

medidas que permitam a internalização no

preço de mercado destas vantagens.

Nos últimos anos, o governo tem feito ao

contrário do preconizado ao eliminar a tributação

específica sobre a gasolina (CIDE). “É

preciso reverter esta política e ter compromisso

com o meio ambiente e com o desenvolvimento

sustentado”, protesta.

Assim, para o consultor da Datagro, falta a

redução da tributação sobre a gasolina e a sua

equiparação ao etanol na área fiscal. Já no

planejamento energético, falta a definição do

papel do etanol na matriz de combustíveis e a

perseguição deste objetivo.

O diretor da Archer Consulting concorda

que falta apoio do governo federal. “Distorções

na formação de preço do petróleo causada

pela miopia do governo que congela o preço

da gasolina desde 2005 destrói qualquer possibilidade

de investimento no setor que cresce

apesar do governo que não favorece”, explica.

Outra importante prioridade levantada pela

presidente da Unica é a cooperação entre países

produtores e consumidores. “É necessária

para ampliar origens de produção e mercados,

abrindo a possibilidade de ampliação do

comércio internacional de etanol”, ressalta.

O consultor Arnaldo Luiz Corrêa complementa

que o etanol é energia renovável e sus-

Outros gargalos

A quinta questão para o sócio-diretor da

Canaplan Consultoria e presidente da

Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) é

a produtividade. “Ser competitivo é a necessidade

zero”, afirma. Quando se aumenta a produtividade

há redução de alguns custos, o que

é fundamental para o setor e os produtores

sobreviverem. E esse crescimento não depende

do governo, mas do setor privado, com a aplicação

da tecnologia existente e de recursos

humanos capacitados.

Para Luiz Carlos Corrêa Carvalho, entre os

anos de 2004 até 2013 houve um período de

grande investimento, mas a produtividade

apresentou declínio a partir de 2009. “Essa

queda levou a um aumento de custo acentuado.

E não falamos apenas de álcool, mas também

do açúcar. É preciso ser competitivo também

na comercialização para não se perder o

esforço da produção”, observa.

O sócio-diretor da Canaplan destaca que,

historicamente, o setor sucroenergético tem

dois produtos: o açúcar – produto com mais

de 500 anos de existência - e o etanol – que

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag

e sócio-diretor da Canaplan Consultoria

se destacou após o Programa Nacional do

Álcool. “Como é um produto antigo, já existe

um mercado internacional para o açúcar, que já

se tornou uma commodity. O produto segue a

oferta e a demanda e o Brasil é o grande ator

do mercado.”

Diferentemente, o etanol vem ensaiando para

ser uma commodity. Segundo Luiz Carlos, o etanol

e a energia elétrica em cogeração competem diretamente

com o petróleo, que são coordenados e

estabelecidos pelo governo federal. “Faltam políticas

públicas coerentes. Houve uma paralisação

total de apoio do governo federal”. O consultor

explica que o auge do bom relacionamento do

mercado foi no primeiro governo Lula, mas a partir

da segunda fase desse e no governo de Dilma o

Plinio Nastari, da consultoria Datagro:

prioridade ao mercado de etanol hidratado

distanciamento foi intensificado.

Assim, outro ponto que deve ser prioridade é o

aproveitamento dos resíduos da cana de forma

econômica e eficiente, com a cogeração de energia

elétrica. “Iniciamos a produção elétrica com o

apoio federal, com contratos com bons preços, mas

depois houve uma mudança no comportamento

do governo, com leilões de energias alternativas

misturadas, o que impossibilitou um preço competitivo

da energia por cogeração”, fala Luiz Carlos.

Para Nastari, o aproveitamento dos resíduos da

cana é importante para aumentar a competitividade

do setor e representa o aproveitamento de uma

energia que, em grande parte, é desperdiçada. “O

etanol celulósico é uma das possibilidades para uso

desta energia primária”.

2013© Spectrum Art Company

14 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 15


Rolamentos industriais

Cuidados

De acordo com o representante

da NTN-SNR Rolamentos, Tiago

Boldt, o acompanhamento de

milhões de rolamentos nas mais

diversas aplicações disponíveis no

mercado permitiu que estabelecer

estatísticas precisas quanto a origem

das falhas que ocorrem, como

55% de lubrificação inadequada;

18% de contaminação; 17% de

montagem incorreta; 10% de

fadiga.

A NTN-SNR é uma multinacional

japonesa que foi fundada em

1918 e começou no Brasil por

volta de 1973, através da importação

de rolamentos diretamente do

Japão para fazer a manutenção

em máquinas japonesas utilizadas

principalmente na mineração e

siderurgia. Somente por volta de

1993, a empresa começou trabalho

forte, especialmente em usinas

do interior de São Paulo. Hoje, a

marca conta com duas fábricas e

um escritório de vendas com aproximadamente

240 funcionários e

com investimentos em andamento

da ordem de R$ 100 milhões no

Brasil.

Como deve

ser feita a

manutenção

• Confecção

de relatório de

inspeção e medidas

antes dos serviços ser

executado

• Desmontagem

• Retíficas dos anéis e

confecção dos

elementos rolantes

• Montagem

• Elaboração

do relatório final

e medições

• Embalagem

Fotos: Intacta Rolamentos

Equipamentos movimentam

a engrenagem das usinas

Eles estão presentes

em praticamente

todas as partes do

processo produtivo

e devem estar,

sempre, em boas

condições de

funcionamento

Fernando Dantas

Para que toda a engrenagem de uma usina

possa funcionar direito e com bom

desempenho, é preciso que cada área

execute bem sua função. Uma falha em

qualquer etapa do processo, compromete todas

as outras. Entre os equipamentos que são fundamentais

para manter tudo funcionando estão

os rolamentos industriais. Onde há movimento

na unidade ou mesmo na área agrícola, há a

necessidade de aplicar qualquer tipo de equipamento

que facilite o movimento.

Empresas que atuam nesse segmento chegam

a destacar que o rolamento é o ‘coração’ da usina

e deve estar presente em 100% dos processos, seja

nas complexas colheitadeiras, nos caminhões

transportadores ou nas máquinas do processo

produtivo dos derivados cana. Até na queima do

bagaço para geração de energia elétrica tem a

presença dos rolamentos industriais. Por ser um

sistema linear, a falha prematura de um rolamento

pode parar toda a produção, resultando em prejuízos

significativos.

As usinas utilizam todos os tipos de rolamentos,

mas os vitais, que merecem mais atenção, são

os auto-compensadores de rolos utilizados nos

picadores, rolamentos radiais de esferas utilizados

nas bombas hidráulicas e motores elétricos, e os

de contato angular utilizados em centrífugas. Na

grande maioria dos casos os rolamentos são

importados do Japão, EUA, Itália, França e Taiwan.

Segundo o diretor da Intacta Rolamentos,

Weber Capozzi, o Brasil tem uma enorme

dependência externa destes equipamentos. “Isso

porque apresentam grande valor estratégico.

Tanto é que Adolf Hitler suspendeu o fornecimento

de rolamentos para os países inimigos na

guerra, causando um grande atraso na produção

mundial”, destaca. A Intacta atua no mercado

na realização de serviços de otimização de

rolamentos. A empresa possui um portfólio de

mais de 300 usinas como cliente, além de indústrias

da área de mineração, papel etc.

Weber explica que toda reposição deste tipo

de equipamento é feita no período da entressafra.

“Relativo à época da manutenção programada

das usinas, com exceção dos

fatos imprevisíveis. Percebe-se que os imprevistos

estão diminuindo a cada ano que passa,

revelando uma clara melhora da manutenção

do setor”, enfatiza.

16 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 17


Agricultura

Preparo do solo em áreas

de expansão da cana

Estrutura

retilínea do solo

permite um corte

rente do colmo

no processo de

colheita

Cejane Pupulin

Plantar não é apenas jogar a semente ou

colocar a muda na terra. Para qualquer

tipo de agricultura é muito importante a

preparação do solo, principalmente

quando a colheita é mecanizada. Para a canade-açúcar

este preparo é fundamental, já que é

uma lavoura semi-perene, isto é, possui um

ciclo longo com mais de cinco anos.

Segundo o assessor técnico para a área de

cana-de-açúcar e biodiesel da Federação da

Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg),

Alexandro Alves dos Santos, dois critérios

devem ser considerados no preparo para transformar

uma pastagem degradada em uma

lavoura. O primeiro é a sistematização do solo.

Não é qualquer solo que pode receber uma

lavoura de cana-de-açúcar, principalmente

devido à mecanização do plantio e da colheita.

A colhedora, por exemplo, não suporta declives

e aclives acentuados, por isso o alinhamento

do solo é fundamental no trabalho de preparo

da área. A estrutura retilínea do solo também

permite um corte rente do colmo, permitindo a

rebrotagem da soca.

Outro ponto a ser considerado é o regime

pluviométrico. Santos explica que se a área

selecionada não apresentar acúmulo de água

durante o período chuvoso pode representar

problemas para a lavoura no futuro.

Outra opção é a escolha de uma região próxima

a usina, na qual existe a possibilidade de fazer

a “irrigação de salvamento”, isso é, usar o resíduo

da cana-de-açúcar - a vinhaça- como adubo.

Mãos a obra

Depois de selecionada a terra, o primeiro

passo é fazer as correções das imperfeições do

pasto e a limpeza da área. Antes desse passo, o

produtor rural necessita solicitar junto ao órgão

estadual de meio ambiente a licença para a limpeza

da área. O asseio pode ser mecânico ou

químico – com o uso de herbicidas.

O professor da Universidade Federal de São

Carlos (Ufscar), Victorio Laerte Furlani Neto,

explica que as estradas antigas, os carreadores de

gado, as erosões, as valetas e outras deficiências

do solo devem receber tratamento com trator de

esteiras com lâminas frontais. “Também é importante

o uso de uma grade pesada para picar o

pasto e arrancar raízes e expô-las ao sol para

matá-las, impedindo brotação”, complementa.

Como a cana-de-açúcar é uma planta que

precisa de muitos nutrientes, o passo seguinte é

a aplicação de corretivos no solo. O professor

explana que é recomendado fazer uma análise

do solo, em que são retiradas amostras em vários

pontos da área, de zero a 30 centímetros de

profundidade, misturando-os bem e, assim, formando

uma subamostra. “Sem essa amostragem

é impossível fazer a correção do solo, principalmente

saber qual a necessidade de uso de

calcário para a correção do PH do mesmo”,

orienta o assessor técnico da Faeg.

Após a aplicação dos corretivos, a ação

seguinte é a gradagem intermediária. Esta fase

tem como objetivo incorporar os nutrientes

inseridos ao solo e os resíduos da pastagem, que

também servem de adubo.

Em seguida faz-se a subsolagem - prática

Mathias Arakaki

Alexandro Alves dos Santos, assessor técnico para

a área de cana-de-açúcar e biodiesel da Faeg

que tem por objetivo romper as camadas compactadas

do solo, estejam elas na superfície ou

localizadas em maior profundidade. “Esta ação é

agressiva e ‘rasga’ o terreno, permitindo a infiltração

de água e de nutrientes no solo.” Após a

descompactação, é hora da gradagem de nivelamento.

Essa ação tem como função proporcionar

uma área mais homogênea. Os insetos devem

sem combatidos neste momento, principalmente

os cupins. “Como os cupins vivem no subsolo, os

inseticidas devem ser aplicados com orientação

de um profissional”, salienta o técnico.

Terreno pronto

Após todas essas fases, já se pode entrar com

as mudas de cana-de-açúcar, mas para o consultor

da Faeg ainda é importante construir a fertilidade

do solo. Alexandro diz ser necessário entrar

com uma cultura anual, como leguminosas,

amendoim entre outras.

“As pastagens geralmente são áreas muito

degradadas. A construção de um solo para receber

uma lavoura de cana requer tempo e muito

trabalho” destaca o técnico. Após a colheita da

cultura pioneira, o solo está pronto para receber a

cana. “Os restos da cultura ajudam a construir a

fertilidade”, constata.

A fase final é a sistematização da lavoura. Com

a ajuda de um engenheiro é feito o levantamento

topográfico, assim, são definidos a construção

Dez passos para preparar o

solo para receber a cana-de-açúcar:

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Sistematização do solo

Requisição de licenças ambientais para a limpeza do solo

Asseio da terra e preparo do solo com análises do mesmo por amostragem

Aplicação dos corretivos

Gradagem intermediária para incorporação dos corretivos

Subsolagem do solo

Gradagem de nivelamento

Plantação de uma cultura anual para construção da fertilidade

Levantamento topográfico e construção de terraços e dos talhões

Plantação das mudas de cana-de-açúcar

dos terraços e o tamanho dos talhões. “Se a área

tiver declividade maior que 5% deveremos consultar

um agrônomo conservacionista para indicar o

controle de erosões”, alerta o professor da Ufscar.

Depois de todo o processo finalmente chega o

momento das máquinas entrarem em ação e de

preparar os sulcos para receber as mudas da

cana-de açúcar. Todo o preparo da terra beneficiará

não apenas o crescimento da lavoura, mas

também na colheita.

Mathias Arakaki

Custos e tempo

O preparo da terra para a plantação de cana-deaçúcar

pode demorar até um ano e meio, dependendo

do estado do solo. Esse trabalho é condizente com o

tempo que a cana fica no solo, geralmente por mais

de cinco anos.

Segundo a Faeg, o custo de implantação de

uma lavoura de soja por hectare é de aproximadamente

R$ 1.200, já o da cana-de-açúcar é 483%

superior, chegando a R$ 7 mil.

18 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 19


Análise de solo

A amostragem

é realmente

necessária

ção. Os micronutrientes também devem estar

presentes na adubação de acordo com a análise

de solo, pois proporcionam ganhos na produtividade

e interagem com outros nutrientes para

uma melhor absorção por parte das plantas.

A agricultura de precisão (AP) pode ajudar

muito na correção do solo. Com ela é possível

identificar fatores que interferem na produtividade

da lavoura e também promover maior eficiência

no uso de fertilizantes e corretivos.

Outros benefícios que o sistema de AP proporciona

são a compra dos insumos adequados e

nas quantidades corretas, com a aplicação localizada

do insumo necessário em cada ponto da

propriedade, que possibilita a redução de custos,

aumento no rendimento operacional e na produtividade,

maior número de informações e

registro de dados da fazenda e também a redução

no impacto ao meio ambiente.

Graciela Mognol, gerente de

Marketing para Cana-de-Açúcar,

Citros & Amendoim da Unidade de

Proteção de Cultivos da Basf

Para uma boa

safra é importante

reabastecer o solo de

nutrientes adequados

Cejane Pupulin

O

preparo do solo para receber uma lavoura

é fundamental para o bom desenvolvimento

e brotação da mesma. Em um mercado

tão competitivo quanto à agricultura,

a necessidade do aumento da eficiência na cadeia

produtiva é fundamental. E uma dúvida comum é a

quantidade de adubo e calcário, que devem ser

aplicados para a correção do solo e aumento da

produtividade. Essa questão é facilmente resolvida

após a amostragem de solo, mas nem sempre é feita

pelo agricultor.

Segundo o engenheiro agrônomo e consultor

Márcio Sena Pinto, anualmente é preciso fazer a

análise do solo e adubar a terra. “Como identificar a

adubação sem o cálculo da amostragem Como

fazer um histórico de fertilidade”, questiona. O

engenheiro agrônomo e Proprietário da Soyus,

Marcelo Fercundini, explica que esse processo também

é denominado amostragem de solo, uma definição

mais precisa, segundo ele.

O consultor Márcio Sena explica que é importante

colher amostras de solo de diversos pontos para

a construção de uma amostragem composta –

parte de terra de dez a quinze áreas da lavoura.

Ele ressalta a necessidade de fazer anualmente a

análise química, que permite verificar a quantidade

de macronutrientes, matéria orgânica e o zinco.

Márcio revela que a análise física – que identifica as

propriedades físicas do solo, como se ele é argiloso

ou barroso – pode acontecer com um espaçamento

de tempo superior. “A análise dos micronutrientes

– potássio, magnésio, fósforo – pode ser realizada a

cada três anos”, explica.

Outras culturas

O pesquisador da Embrapa Solos, Pedro Freitas,

afirma que cada cultura tem um processo próprio.

Pedro Freitas, pesquisador da Embrapa: “Cada

cultura tem um processo próprio.”

Por exemplo, o solo da soja e do sorgo deve ser

analisado pelo processo de amostragem todos os

anos, logo após a safrinha.

Mas o pesquisador destaca que existem vários

tipos de sorgo e cada um necessita de uma adubação

diferenciada. O sorgo em grão carece de uma

avaliação variável de nitrogênio, sódio e potássio

(NPK). Já o usual para a alimentação animal não

precisa de adubação, pois deixa resíduos no solo. O

sacarino, similar à cana-de-açúcar, deve ser adubado

nos mesmos moldes da cana.

Fercundini complementa que, no caso de grãos, a

amostragem deve ser feita no período entre as culturas

estabelecidas, ou seja, quando está sem as

plantas. “No caso de grãos, entre o plantio do milho

Márcio Sena, engenheiro agrônomo, destaca a

importância de uma amostragem composta

ou sorgo, na safrinha e no plantio de verão. Em

áreas de cana, a amostragem deve ser feita no

período de reformas do canavial ou logo após o

primeiro corte, de preferência.”

De forma geral, para todas as culturas, sejam elas

a cana de açúcar, sorgo, milho ou soja, é indispensável

um preparo do solo adequado, tornando todos

nutrientes disponíveis e em quantidade adequada às

plantas para que elas completem seu ciclo de vida.

Os macronutrientes são os principais elementos

que devem ser corrigidos para uma boa colheita e

sua variabilidade no solo é muito grande, por isso a

correta aplicação de calcário e gesso agrícola deve

ser utilizada, além de uma adubação NPK que forneça

nutrientes suficientes para uma perfeita produ-

O fim da monocultura

A Embrapa Solos orienta que mesmo com

adubação e análises o produtor não pode deixar

de fazer a rotação de culturas. “Não se pode

falar em monocultura. Não se fala mais em adubação

de uma cultura, mas de um sistema. Por

exemplo, plantar sorgo com braquiara. O adubo

é para ambas as culturas. O equilibro da rotação

é fundamental para conhecer o solo”, afirma

Pedro Freitas.

Os riscos

Uma adubação incorreta pode ocasionar

danos à terra. “A adubação é feita de acordo as

com metas. Deve-se inserir no solo o que ele

necessita, já que os grãos absorvem os nutrientes

”, conclui o agrônomo Márcio Sena Pinto.

Por exemplo, a aplicação de quantidades maiores

que o necessário de calcário provoca a diminuição

da acidez, o que leva à menor disponibilização

de micronutrientes no solo, como ferro,

cobre, magnésio e zinco. Com pH acima de 7, a

disponibilidade de boro, nitrogênio, enxofre e fósforo

fica prejudicada. “Fertilizantes em excesso

também podem prejudicar a absorção de outros

nutrientes, pois competem por sítios de absorção,

além de alguns poderem provocar a salinização do

solo e desequilíbrio no meio”, conclui Fercundini.

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especializar-se cada vez mais no atendimento a usinas e

indústrias do segmento sucroenergético.

A tecnologia pode ser uma parceira importante

na produção de cana-de-açúcar. Uma multinacional

desenvolveu um sistema de monitoramento

de captura imagens via satélite e as converte

em um mapa georreferenciado, permitindo

o monitoramento mais eficiente das áreas dos

canaviais.

O equipamento, nomeado como Harpia - faz

alusão a ave mitológica em forma de coruja que

enxerga de longe e por cima - foi lançado pela

BASF. Segundo a gerente de Marketing para

Cana-de-Açúcar, Citros & Amendoim da Unidade

de Proteção de Cultivos da empresa, Graciela

Mognol, a imagem do satélite cobre uma área

nas dimensões que a usina ou o produtor tenha

interesse de monitorar.

O serviço permite quantificar as áreas com

falhas, sem a presença de plantas, auxiliando nas

estratégias para manejos futuros, na melhoria do

gerenciamento do uso de fertilizantes, defensivos

agrícolas, de mão de obra e dos insumos em geral.

O sistema de monitoramento permite que o

agricultor verifique se há mudas de plantas suficientes

em uma área, ou se há baixa biomassa.

“Andando pelos canaviais, a pé ou de carro, não

é possível identificar se toda a área de plantação

está estabelecida e com alta produção. Por

exemplo, em um canavial de 30 mil hectares, o

sistema identifica se uma parte está com problemas

de produção. Os nossos técnicos vão à

área e identificam a causa e orientam os funcionários

do local”, explica a gerente. O objetivo

do Harpia é identificar e tratar em tempo hábil

as imperfeições do canavial, otimizar a mão de

obra e o tratamento correto.

O período

O monitoramento pode começar em qualquer

fase do canavial. Mas o indicado é que seja realizado

por um período mínimo de três anos. Para

iniciar o trabalho, é recuperada uma imagem de

meses anteriores da área selecionada.

O valor do sistema depende do tamanho da

região escolhida. “É um serviço acessível e customizado

para as usinas que trabalham com a precisão”,

ressalta a gerente da empresa.

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20 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 21


Safra 2013/14

Produção de etanol é maior nos

meses iniciais da safra 2013/2014

Balanço da União da Indústria de Cana-de-Açúcar

(Unica) e dos Estados do Centro-Sul mostra

predominância da produção de etanol, alcançando

7,03 bilhões de litros até metade de julho

As vendas de etanol pelas unidades produtoras

da região Centro-Sul do Brasil somaram

1,09 bilhão de litros na primeira

quinzena de julho, crescimento de 27,11%

sobre o volume registrado no mesmo período de

2012. Do total vendido nos primeiros quinze dias do

mês de julho, 147,77 milhões de litros destinaramse

à exportação e 938,26 milhões de litros foram

comercializados no mercado interno - alta de

38,88% comparativamente ao montante observado

em igual quinzena do ano anterior.

No mercado doméstico, as vendas de etanol anidro

atingiram 396,34 milhões de litros na primeira

metade de julho, enquanto as de etanol hidratado

totalizaram 541,92 milhões de litros - expressivo

aumento de 29,93% em relação aos 417,07 milhões

de litros apurados em idêntico período da safra

2012/2013. Para o diretor técnico da União da

Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de

Padua Rodrigues, “o crescimento nas vendas de

etanol anidro já era esperado devido ao aumento no

nível de mistura em maio deste ano. Já a expansão

no consumo de etanol hidratado reflete os preços

atrativos do produto em boa parte do mercado

consumidor nacional”. Nos últimos 30 dias, o

aumento nas vendas internas de etanol hidratado

foi surpreendente, atingindo 22,72% na segunda

metade de junho e quase 30% nesta quinzena,

acrescentou o executivo.

De fato, o levantamento de preços conduzido

pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e

Biocombustíveis (ANP) mostra que há oito semanas

abastecer com etanol hidratado é mais econômico

nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato

Grosso e Goiás. O diretor da Unica atenta que

“na última semana o levantamento publicado

pela Agência indicou uma relação entre os preços

praticados nos postos de combustíveis para

o etanol hidratado e para a gasolina inferior a

65% em Goiás e São Paulo”. Em algumas cidades,

essa relação ficou abaixo de 60%, estimulando a

opção do consumidor pelo biocombustível,

acrescentou.

No acumulado desde o início de abril até 16 de

julho, as vendas de etanol alcançaram 7,03 bilhões

de litros, alta de 25,98% sobre o volume verificado

em 2012. Deste total, 945,38 milhões de litros direcionaram-se

às exportações e 6,09 bilhões de litros

ao mercado interno (aumento de 23,10% relativamente

ao mesmo período da safra 2012/2013). As

vendas internas de etanol anidro, acumuladas desde

abril deste ano até 16 de julho, somaram 2,46

bilhões de litros. Por sua vez, o volume comercializado

de etanol hidratado no mercado doméstico

totalizou 3,63 bilhões de litros, crescimento médio

de 16,18% quando comparado ao valor registrado

no mesmo período do último ano.

Moagem de cana

O volume de cana-de-açúcar processado pelas

unidades produtoras da região Centro-Sul atingiu

42,66 milhões de toneladas na primeira quinzena

de julho, alta de apenas 1,10% sobre a quantia

registrada na mesma quinzena de 2012 (42,20

milhões de toneladas). No acumulado desde o início

da atual safra até 16 de julho, o volume processado

de matéria-prima alcançou 223,82 milhões de

toneladas. Essa quantia supera em 53,25 milhões

de toneladas aquela verificada no mesmo período

de 2012, mas ainda permanece 12,29% menor em

relação à safra 2010/2011 (255,19 milhões de toneladas),

quando as usinas localizadas na região processaram

556,95 milhões de toneladas ao final

daquela safra.

Qualidade da matéria-prima

Nos primeiros quinze dias de julho, a quantidade

de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por

tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu

130,07 kg, valor praticamente idêntico aquele

observado na mesma data da safra anterior

(130,43 kg por tonelada de cana-de-açúcar). No

acumulado desde o início da safra 2013/2014 até

16 de julho, o teor de ATR por tonelada de

matéria-prima alcançou 124,58 kg, 2,62% acima

dos 121,40 kg registrados em igual período do

último ano.

Produção de açúcar e de etanol

Mantendo a tendência observada nas quinzenas

anteriores, as unidades produtoras da região

Centro-Sul continuaram priorizando a produção

de etanol no início de julho. Na primeira quinzena

do mês, a proporção de matéria-prima

direcionada à fabricação de açúcar apresentou

redução significativa, alcançando 45,43%, contra

50,24% no mesmo período da safra

2012/2013.

Com isso, a produção de etanol alcançou 1,77

bilhão de litros nos primeiros quinze dias de

julho deste ano, aumento de 10,42% em relação

ao volume apurado na mesma data de 2012. A

produção de açúcar, por sua vez, recuou 8,84%

nesta quinzena, totalizando 2,40 milhões de

toneladas, contra 2,63 milhões de toneladas

computadas em igual período da safra 2012/2013.

Do volume total de etanol produzido na primeira

metade de julho, 965,19 milhões referem-

-se ao etanol hidratado (alta de 3,87% em relação

à mesma quinzena de 2012) e 806,43

milhões de litros ao etanol anidro (crescimento

de 19,44% sobre o volume produzido em

2012/2013). No acumulado desde o início da

safra 2013/2014 até 16 de julho, a fabricação de

açúcar atingiu 11,30 milhões de toneladas,

enquanto a produção de etanol alcançou 9,39

bilhões de litros, sendo 5,61 bilhões de litros de

etanol hidratado e 3,78 bilhões de litros de etanol

anidro.

Goiás

A safra 2013/2014 no estado goiano segue a normalidade.

Segundo o diretor presidente do Sindicatos

das Indústrias de Fabricação de Etanol e Açúcar do

Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), André Rocha, é

cedo para qualquer avaliação e que um balanço mais

completo pode ser realizado na segunda quinzena de

agosto. Porém, André Rocha afirma que as chuvas

incomuns para o período paralisaram, em parte, o

trabalho. “Com as precipitações se reduziu o número

de matéria prima. Mas a chuva vai trazer aumento de

produtividade da cana que será colhida no mês de

setembro, além de melhorar o plantio”, explica.

No mês de maio de 2013 foram moídas 10 milhões

de toneladas de cana-de-açúcar pelas usinas goianas,

o que representa 20% das estimativas da Sifaeg. Mas

o diretor presidente destaca que a safra se desenvolve

mais entre os meses de julho a setembro.

“Normalmente neste período é moído de 50% a 60%

da safra”, explica. Das 37 usinas que vão funcionar

nesta safra, 34 já estão em atividade. Duas começam

os trabalhos ainda no mês de junho e a terceira na

segunda quinzena de julho. A Usina Santa Helena de

Açúcar e Etanol, uma das mais tradicionais do Estado

e que estava paralisada por medidas judiciais, retomou

as atividades no início de julho.

Mato Grosso do Sul

O volume de cana-de-açúcar processado nas unidades

produtoras de Mato Grosso do Sul teve queda

de 61,3% na segunda quinzena de junho, em relação

ao mesmo período da safra 2012/2013. Os dados são

referentes ao levantamento quinzenal realizado pela

Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de

Mato Grosso do Sul), que apontam produção de 690

mil toneladas, contra 1,7 milhão de toneladas na

mesma quinzena do ano passado. “As chuvas que

atingiram algumas regiões produtoras dificultaram a

operacionalização da colheita e reduziram a oferta de

matéria-prima para as usinas”, explica o presidente

da Biosul, Roberto Hollanda Filho.

O Estado atingiu a moagem de 12,4 milhões de

toneladas de cana no acumulado até a segunda

quinzena de junho, 48,2% a mais do que o registrado

no mesmo período da safra anterior, quando

foram processadas 8,4 milhões de toneladas de

matéria-prima. Isso acontece porque, no ciclo

anterior, as chuvas também prejudicaram a colheita.

Ainda assim, a fabricação de açúcar aumentou

25,58% no acumulado até a segunda quinzena de

junho frente ao mesmo período do ciclo passado, e

chegou a 409 mil toneladas. Para o processamento

de etanol, o salto foi maior, de 59,06%, atingindo

647 milhões de litros, dos quais 484 milhões de

litros do hidratado e 163 milhões de litros do anidro.

O mix de produção - quantidade de matéria-

-prima destinada a fabricação de diferentes produtos

nas usinas - está em 72,05% para o etanol e

27,95% para o açúcar.

Minas Gerais

Até a segunda quinzena de junho, já foram moídas

no Estado mineiro 19,08 milhões de toneladas de

cana, 37% acima da moagem acumulada neste

mesmo período da safra passada. A moagem efetiva

até início de julho já ultrapassou um terço do estimado

para a atual safra de 57 milhões de toneladas. A

moagem dessa quinzena ultrapassou as 4 milhões de

toneladas pela primeira vez nesta safra, chegando a

4,29 milhões. Essa moagem foi superior à moagem

do mesmo período da safra base de 2010/2011, onde

foram processadas 4,1 milhões (safra comparativa e

recorde histórico de MG). Com relação a 2012, a

moagem foi consideravelmente superior, já que na

segunda quinzena de junho do ano passado somente

foram processadas 3,5 milhões de toneladas.

Nessa quinzena a qualidade da cana se recuperou,

alcançando 128 kg/tc, o que já superior a safra (125

kg/tc), mas ainda inferior a safra 2010/2011, que

alcançou 143 kg/tc. Apesar dessa recuperação, o ATR/

tc ainda não atingiu aos 130 kg/tc observados na

segunda quinzena de maio e que até agora foi o

maior número da safra. Porém, com o clima seco, a

tendência é que esse número aumente no decorrer

das próximas semanas. No acumulado, o ATR deste

ano continua bom, com cerca de 3,6% de crescimento,

alcançando 119,91 kg/tc. O mix de produção

continua bastante alcooleiro atingindo 58,78% para

etanol e 41,22% para açúcar. (Com informações da

Unica, Sifaeg/Sifaçúcar, Biosul e Siamig)

22 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 23


Doenças ocupacionais

Foco na prevenção

Condições de saúde

do trabalhador estão

diretamente relacionadas

à produção e à

assiduidade do mesmo.

Empresas trabalham

com a prevenção de

doenças para evitar

o absenteísmo e os

afastamentos

Todos os funcionários da Araporã

Bioenergia, seja nas instalações

da empresa ou no campo,

participam do programa de

ginástica laboral diariamente

Cejane Pupulin

É

muito comum um trabalhador reclamar de

dores pelo corpo e até mesmo perda de audição.

Esses sinais podem indicar alguma doença

ocupacional. Este tipo de enfermidade é causado

por fatores relacionados com o ambiente de trabalho.

Para evitar, a melhor forma é a prevenção.

Uma doença ocupacional normalmente é adquirida

quando um trabalhador é exposto acima do

limite permitido por lei a agentes químicos, físicos,

biológicos ou radioativos, sem proteção compatível

com o risco envolvido. Os trabalhadores do setor

sucroenergético também são suscetíveis a esses

tipos de doenças.

Segundo a Associação Nacional de Medicina do

Trabalho (Anamt), na indústria, por exemplo –

desde as moendas da cana-de-açúcar até a destilação

e armazenagem final – as principais moléstias

que acometem os trabalhadores são as perdas

auditivas induzidas pelo ruído e afecções osteomusculares.

No campo, particularmente no corte de cana, os

principais agravos à saúde estão relacionados com

afecções osteomusculares, câimbras e fadiga. Para o

professor doutor Ildeberto Muniz de Almeida, da

disciplina de Medicina do Trabalho do Departamento

de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de

Botucatu (Unesp), o corte manual ou queima da

cana tem associado formas de organização que

visam intensificação do trabalho com exigências

biomecânicas, ao longo de toda a jornada de

trabalho, que chegam a ultrapassar as de

esportistas, como os maratonistas.

O professor complementa que outro

grande problema da atualidade nesse setor

refere-se à quimificação da atividade. “A

utilização em larga escala de venenos

agrícolas traz não só impactos

de instalação imediata, como as intoxicações

agudas, para trabalhadores e populações próximas

às áreas de aplicação, como também riscos de intoxicações

subagudas e crônicas para populações

afetadas”, explica.

Outro tipo de contaminação pode ocorrer com os

trabalhadores que desenvolvem atividades com a

palha da cana. Esses profissionais podem contrair

bagaçose, doença que afeta os pulmões e está relacionada

à exposição a cana-de-açúcar mofada.

Segundo o diretor e especialista da Associação

Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), João

Anastacio Dias, também é importante a empresa

cumprir rigorosamente com a NR-31 (Norma

Regulamentadora Nº 01 do Ministério do Trabalho e

Emprego) e investir em Tecnologia de Proteção

Coletiva e Equipamentos de Proteção Individual.

Segundo números do Ministério da Previdência

Social, 785.210 trabalhadores foram afastados da

atividade em 2011. Destes, mais de 35,4% sofreram

algum tipo de acidente de trabalho. A previdência

social não informa como foi a distribuição desses

afastamentos no campo e na cidade.

Como evitar

A prevenção inclui atividades no ambiente do

trabalho e também fora dele, com a prática de atividades

físicas. O médico do trabalho, André Bayeh,

destaca a importância do uso dos equipamentos de

proteção individual (EPI) e os equipamentos de proteção

coletiva (EPC). “Se o funcionário trabalha no

sol, ele deve usar protetor solar e chapéu. Se há risco

de contaminação, luvas, máscaras, botas e assim por

diante”. Ele complementa que o profissional deve se

vestir e calçar adequadamente para a função desenvolvida.

O médico também explica que a ginástica laboral

pode melhorar a qualidade de vida dentro e fora do

ambiente de trabalho. O colaborador que permanece

muito tempo em pé fica predisposto a desenvolver

varizes. O indicado é que este profissional

use meias elásticas e, assim, evite o retorno

venoso.

Já para o profissional que passa boa parte

do tempo sentado é importante observar a

postura. “O mobiliário deve ser adequado,

com cadeira e mesa ergonômicas”.

O médico destaca que nem toda dor significa a

existência de uma doença. “A dor é uma defesa do

músculo quando ele está cansado”, explica. O trabalhador

deve procurar o atendimento médico

quando estranhar a dor ou o corpo apresentar

algum inchaço.

Também é indicado o uso de aparelhos destinados

à avaliação quantitativa para o monitoramento

ambiental. “Há aparelhos para medição de

ruído e poeiras, entre outros”, exemplifica João

Anastácio Dias.

No campo, em especial na colheita da cana, é

normal o trabalho repetitivo. O especialista indica a

realização da ginástica laboral e alongamento

todos os dias. É isso que a Araporã Bioenergia, usina

localizada na Divisa de Goiás com Minas Gerais, faz.

Bom exemplo

Desde o ano de 2010, a Araporã Bioenergia reativou

o programa de ginástica laboral. Todos os

funcionários, seja nas instalações da empresa ou no

campo, desenvolvem a atividade diariamente.

A iniciativa foi uma parceria desenvolvida com o

Serviço Social da Indústria (Sesi). Segundo o analista

de Recursos Humanos da Araporã Bioenergia,

Edimar Lourenço, os próprios cortadores de cana se

transformaram em multiplicadores da ginástica

laboral. “Antes desse tipo de atividade os números

de funcionários que se afastavam por dores no

corpo e na coluna era assustador. Este ano só registramos

um afastamento”, compara.

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2013 – R$ 120 milhões - 20 mil km

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2013 – R$ 592,7 milhões – 2.178 km

2012 – R$ 457,9 milhões – 2.119 km

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2012/2014 - R$ 2,4 bilhões – 2.400 km

Rodovida Urbano

2012 – R$ 112 milhões

E mais: 101.290 mil veículos

já foram abordados pela Balada Responsável.

E nas férias essa operação será intensificada

em todos os pontos turísticos.

Identificação de doenças frequentes

A saúde é uma preocupação constante da

Araporã Bioenergia. Em parceria com o Sesi

também foi implantado o Programa Diagnóstico

em Saúde, do Programa Indústria Saudável.

Segundo a coordenadora do programa do

Sesi, Marcela Alves Andrade, a ação é gratuita

e faz um mapeamento da saúde do trabalhador,

ao identificar as doenças de maior frequência,

que causam impactos à saúde e, em

consequência disso,na perda de produtividade

para as empresas.

Em cada empresa a ação é baseada em um

questionário com 80 perguntas repassadas

para os trabalhadores. “Além das respostas dos

profissionais, o Sesi afere a pressão arterial,

verifica as condições da saúde bucal e até

mesmo o índice de massa corporal (IMC) dos

trabalhadores”, explica.

Em 2012, o programa foi aplicado em 15.358

colaboradores de 40 empresas goianas. O levantamento

revelou que 22% dos entrevistados já

faltaram ao trabalho por algum motivo relacionado

à saúde e incidência de doenças crônicas

não-transmissíveis, que representam as principais

causas de morte e afastamento do ambiente

de trabalho, como problemas de coluna

(7,8%), hipertensão (6,1%), tendinite ou LER

(2,5%), depressão (2,0%), doença renal (0,8%),

diabetes (1,4%) e obesidade (15,6%).

O diagnóstico também revelou comportamentos

preocupantes dos trabalhadores: 1,5%

dos entrevistados não praticam atividades

físicas e são sedentários, 18,2% não consultaram

um médico nos últimos 12 meses, 65,7%

não consomem frutas e verduras diariamente,

6,4% consomem sal em excesso, 57,1% consomem

refrigerantes mais de três vezes por

semana, 81,5% não praticam atividades físicas

em quantidade suficiente para beneficiar a

saúde, 61,3% não praticam atividades físicas

no lazer e 9,6% são fumantes.

Após o levantamento de dados em cada

empresa, o Sesi repassa o relatório detalhado

com as condições de saúde de cada trabalhador

e um com as informações gerais.

“Com esses números a empresa pode melhorar

a saúde do seu funcionário”, explica a

coordenadora Marcela.

A participação da Araporã Bioenergia no programa

resultou na Semana da Saúde. Segundo o

analista de recursos da usina, Edimar Lourenço,

o programa detectou doenças em vários trabalhadores

que foram orientados a fazer um tratamento.

“Uma senhora fazia preventivos ginecológicos

com frequência e sempre apresentavam

resultados regulares. Durante os exames na

semana foi identificado um problema no colo do

útero que foi rapidamente tratado”, finaliza.

24 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 25


Sustentabilidade

Modernização agrícola abre

espaço para a vida silvestre

Eliminação das

queimadas

favorece o retorno

gradativo de

espécies diversas

nas áreas de

conservação das

usinas

Fernando Dantas

Reprodução: Kassius Santos/Ecobiolife

A

manutenção e a recomposição de

matas, em especial Áreas de

Preservação Permanente (APPs), e o

estabelecimento legal em alguns

Estados para a redução e o fim da queima controlada

de cana-de-açúcar têm promovido alterações

profundas nos métodos e procedimentos

aplicados no setor sucroenergético, principalmente

no que diz respeito às questões ambientais.

Isso porque as normas que estabelecem o

fim da queima, como é o caso da Lei nº

15.834/2006, de Goiás, e a Lei Estadual de São

Paulo, de nº 11.241/2002, exigem um planejamento

a ser realizado pelas empresas do setor e

que deve ser entregue anualmente aos órgãos

responsáveis de fiscalização, de modo a adequar

as áreas de produção ao plano de eliminação de

queimadas. Com isso, velhas práticas estão

sendo abandonadas e, gradativamente, vão

dando lugar a técnicas e ações mais eficientes e

modernas, como é o caso da colheita mecanizada.

Esse fator leva a outra realidade ambiental

que, neste caso, é menos agressiva ao meio

ambiente.

Com a eliminação das queimadas em escala

cada vez maior até a sua extinção, por exemplo,

o que se percebe é o retorno gradativo de animais

que foram prejudicados não só com a

prática da queima, mas também com a supressão

de seu hábitat natural para a implantação

de canaviais. Antes sumidos de matas e áreas

próximas de usinas, agora é possível avistar a

presença de gatos do mato, onças-pardas,

lobos-guará, veados, tamanduás, tatus, cobras,

capivaras, pacas, além de um grande número de

outros integrantes da fauna, como insetos,

pequenos roedores e pássaros - pombas, nhambus,

codornas, perdizes etc.

O resgate e o incremento da fauna são, com

certeza, um dos impactos positivos sobre o meio

ambiente de maior significado, pois, com o fim

da queima, além de reduzir o impacto sobre

muitas espécies – já que a cana colhida crua

permite que a fauna tenha maior tempo para

fuga –, se proporciona maiores índices de preservação

e eliminação de ameaças de extinção de

animais nativos das respectivas regiões do País. O

retorno dos animais ao seu hábitat natural e a sua

reprodução e multiplicação são consequências

naturais do fim da prática da queima. Porém,

deve-se alertar para o fato de que esse fenômeno

seja devidamente acompanhado pelos órgãos e

autoridades competentes, pois existe o risco de

ocorrência de um desequilíbrio entre as espécies.

Ao mesmo tempo em que esses animais retornam,

sobram dúvidas de produtores rurais e de

representantes de usinas do que fazer nessas

situações. Por esse motivo, a União da Indústria

de Cana-de-Açúcar (Unica) e o Instituto Chico

Mendes de Conservação da Biodiversidade

(ICMBio), órgão ligado ao Ministério do Meio

Ambiente, assinaram em junho deste ano acordo

para a proteção da onça-parda, considerado o

segundo maior felino do Brasil e que corre perigo

de extinção no Estado de São Paulo. A escolha

deste animal foi feita porque a onça-parda está

passando por um ressurgimento que pesquisadores

atribuem, em grande medida, às mudanças

dos últimos anos nos canaviais paulistas.

Especificamente, à redução no uso do fogo e à

manutenção e recomposição de matas.

Segundo a analista ambiental da Unica, Beatriz

Secaf, a proposta do trabalho e parceria que será

desenvolvida é de alertar todo o público envolvido

– desde canavieiros aos colaboradores de usinas

– sobre como proceder em caso da ocorrência

desses animais, principalmente a onça-parda.

Durante dois anos, o acordo vai viabilizar três

eixos de atuação: a capacitação de técnicos das

empresas associadas à Unica por meio de

workshops; a elaboração de um manual de procedimentos;

e apoio à construção de um centro

para reabilitação de animais para que sejam posteriormente

reintegrados à natureza e monitorados

via satélite. “A parceria reforça o crescente

envolvimento das empresas associadas à entidade

com o manejo e a conservação da biodiversidade

que habita os canaviais e seus arredores. Além

disso, esta pode ser uma oportunidade para

ampliarmos o impacto destas ações e, com o

apoio do ICMBio, aperfeiçoarmos o que já vem

sendo feito,” explica Beatriz.

O projeto visa contribuir ainda com o processo

de renovação populacional da espécie e permitir

que os animais cumpram seu papel no ecossistema,

como predadores de topo da cadeia alimentar

da região. Essa ação beneficiará indiretamente os

produtores de cana-de-açúcar, uma vez que a

onça-parda se alimenta de espécies menores

como javalis, lebres e capivaras, responsáveis por

perdas significativas de produtividade, já que se

alimentam dos brotos da cana-de-açúcar. “O

envolvimento do setor sucroenergético, que já

vem contribuindo para a recuperação da fauna no

Estado, é essencial em iniciativas como essa para

a conservação da biodiversidade por meio da

adoção de melhores práticas,” acredita a analista

do ICMBio, Márcia Rodrigues.

Mudança de postura

Há alguns anos, as usinas do setor sucroenergético

começaram a se adaptar às novas exigências

ambientais. Existe uma maior consciência

ambiental e da necessidade de preservação do

meio ambiente, tanto é que a expressão desenvolvimento

sustentável nunca foi tão dita e

praticada quanto agora. Algumas empresas têm

estabelecido em sua Licença Ambiental ou no

Estudo de Impacto Ambiental (EIA) - e no

relatório resultado desse estudo, conhecido

como Relatório de Impacto

Ambiental (RIMA) -, a necessidade de

monitorar a fauna e a flora. Nada impede

também que empresas do setor façam

parcerias com ONG´s que atuam na proteção

dos animais, no sentido de resguardar

e preservar a fauna, principalmente

aquelas espécies atingidas pelas queimadas

ou ameaçadas de extinção.

É o caso da Odebrecht Agroindustrial,

empresa da Organização Odebrecht, que

reúne nove unidades produtivas, sendo

três delas em Goiás. A empresa adota o

compromisso de preservação da biodiversidade

e de conservação dos biomas locais

onde atua. A Organização Odebrecht possui

parceria com o Instituto Onça Pintada

(IOP) para o monitoramento de espécies

da fauna no entorno de suas unidades em

Alto Taquari (MT) e Mineiros (GO). São

locais próximos da nascente do Araguaia e

do Parque Nacional das Emas.

Segundo o supervisor do Polo Araguaia,

Fabiano Zillo, a proposta é avaliar se há

equilíbrio e desequilíbrio da fauna na

região. O acompanhamento é feito por

meio de armadilhas fotográficas, que

detectam populações, e colares georreferenciados,

que ajudam a identificar os

hábitos dos animais, principalmente da

onça pintada. Ele explica que a onça foi

escolhida como foco porque se há a presença

do animal na região, significa que

toda a cadeia está preservada. “É porque a

onça pintada está no topo da cadeia. O

registro desse animal circulando pelos

canaviais e áreas próximas, representa que

a população continua em equilíbrio”,

explica.

Fabiano informa que o trabalho de

monitoramento começou há quase sete

anos, época em que as unidades passaram

a atuar no Polo Araguaia. Antes desse

período, orienta o supervisor, o Instituto

Onça Pintada tinha informações apenas

do impacto causado pela entrada da produção

de grãos. “Como a cana-de-açúcar

é mais recente, decidimos por essa parceria

para entender como seria a relação da

fauna com a produção, se seria positiva e

para ter dados comportamentais”, diz. Ele

enfatiza também que todo o monitoramento

e estudo serão a longo prazo, e que

os resultados que vão surgir ajudarão a

desenvolver trabalhos posteriores de preservação

da fauna e da flora. “Exemplo

disso são os corredores ecológicos. Por

meio do monitoramento, poderemos identificar

as áreas preferenciais dos animais”,

reforça.

Você vai alimentar o mundo

e nós vamos estar ao seu lado.

Agora e POR GERAÇÕES.

28 de julho. Dia do Agricultor.

26 • CANAL, Jornal da Bioenergia Julho de 2013 • 27


Próximo do fim

A questão da queima da palha da canade-açúcar

sempre foi alvo de polêmica no

setor sucroenergético, principalmente por

estar ligada a um tema sempre em discussão,

como é a preservação do meio

ambiente, hoje uma questão extremamente

importante não apenas no plano interno

dos países, mas também de âmbito

internacional. Os que defendem a prática

destacam a utilização desse procedimento

até mesmo para garantir a segurança do

trabalhador, o aumento do rendimento do

corte, a melhoria no cultivo e em novos

plantios, assim como a eliminação de

impurezas.

Entretanto, problemas podem surgir da

queima. O principal deles é a emissão de

gases na atmosfera, principalmente o gás

carbônico (CO2), como também o monóxido

de carbono (CO), óxido nitroso (NO2),

metano (CH4) e a formação do ozônio

(O3), que acabam por poluir o ar atmosférico

pela fumaça e com a fuligem. Outra

situação agravante é a influência que a

queima exerce na flora e na fauna, inclusive

quando ocorrem eventuais incidentes

e o fogo atinge outras áreas como matas

e florestas. Nesse aspecto há a diminuição

da biodiversidade animal por meio da

perda do hábitat natural ou morte de

espécies que utilizam o canavial para

construir ninhos ou alimentação.

Por meio de uma análise crítica da situação,

realmente existem aspectos favoráveis

e desfavoráveis à queima em canaviais

sob diversos pontos de vista, como

agronômico, industrial, econômico, operacional,

energético, ambiental etc. Com o

avanço tecnológico do setor, hoje não

faltam opções e meios mais benéficos

para a colheita da cana sem a queima

prévia e que não causam uma interferência

tão acentuada no meio ambiente.

Segundo o advogado e mestre em

Direito Constitucional, Luciano

Meneguetti, no tocante à mudança da

realidade do setor com o fim da queima é

possível afirmar que houve e está em

andamento um processo de transformação

radical nas atividades das empresas

que atuam neste segmento, inclusive com

a intensificação da mecanização do corte

de cana, que é inevitável devido à evolução

tecnológica e uma realidade cada vez

mais presente nas lavouras.

Ele explica que, por ser um tema diretamente

ligado ao meio ambiente, podem

ocorrer normas editadas tanto pela União

como pelos Estados, pois são questões

não só de interesse local, mas também

regional e até mesmo nacional.

“Atualmente, não existe uma norma geral

editada pela União para regulamentar o

fim da queima da cana-de-açúcar. O que

há são normas de âmbito estadual, sendo

que os Estados de São Paulo, Minas Gerais

e Mato Grosso do Sul já produziram leis

nesse sentido, valendo ressaltar que há

Estados que ainda continuam com a prática

da queima sem restrições”, destaca.

Em 1997, em São Paulo, o Decreto

Estadual n. 42.056/97 inaugurou a legislação

ambiental específica para o setor,

normatizando a queima da cana-de-açúcar.

O diploma normativo proibiu a queima

como método auxiliar para a colheita

no Estado de São Paulo e dispôs que seria

admitida apenas em caráter excepcional e

transitório, estabelecendo um cronograma

para o fim da prática nos canaviais.

Posteriormente, ainda no Estado de São

Paulo, a Lei Estadual nº 11.241/2002 abordou

o assunto, dispondo sobre a eliminação

do uso do fogo como método despalhador

e facilitador do corte da cana-deaçúcar.

Foi feito ainda no Estado de São Paulo,

em 2007, um acordo voluntário pioneiro

chamado de Protocolo Agroambiental do

Corredor das Onças

Estado de São Paulo. Este acordo foi

assinado pelo governo do Estado, secretários

de Meio Ambiente e de Agricultura

e Abastecimento, e presidentes da União

da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica)

e da Organização de Plantadores de

Cana da Região Centro-Sul do Brasil

(Orplana). O protocolo antecipa os prazos

legais paulistas para a eliminação da

prática da queima, de 2021 para 2014

nas áreas onde já é possível a colheita

mecanizada, e de 2031 para 2017 nas

áreas em que não existe tecnologia adequada

para a mecanização. “Trata-se de

um acordo muito positivo que contou

com a adesão de mais de 170 unidades

agroindustriais e 29 associações de fornecedores,

que juntos representam mais

de 90% da produção paulista”, defende

o advogado.

Em consequência disso, a colheita da

cana sem o uso do fogo para queimar a

palha atingiu 65,2% dos canaviais do

Estado de São Paulo no ano de 2012,

segundo dados do Instituto Nacional de

Pesquisas Espaciais (INPE). Esse compromisso

do setor com o meio ambiente

ajudou a elevar a área colhida de forma

sustentável de 1,8 milhão de hectares

para 3,5 milhões no Estado de São

Paulo, de um total de 5,4 milhões de

hectares.

Em Goiás

,

De acordo com o presidente da Comissão de

Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do

Brasil – seção Goiás (OAB/GO), Victor Alencar

de Mendonça, a edição da Lei nº 15.834 de

2006, estabeleceu que a prática de queimada

deve ser progressivamente reduzida, até ser

totalmente eliminada, no ano de 2028, no

Estado de Goiás. “A matéria tem sido regulamentada,

com maior ou menor rigor, por diversos

municípios como Uruaçu, Pilar de Goiás,

Chapadão do Céu, Santa Isabel, Rianópolis,

Mazargão, Rio Verde, Catanduva e Caldas

Novas”, orienta.

Victor explica que, no que diz respeito à

competência legislativa ambiental, a regra é

que a União edite normas gerais a serem

suplementadas pelas leis estaduais, que, por

sua vez, são suplementadas pelas leis municipais.

No entanto, cada município pode estabelecer

normas específicas relacionadas à prática

da queima de cana-de-açúcar e preservação

da fauna, mas desde que em observância ao

que foi estabelecido pelos Estados. “Nada

impede que o município estabeleça padrões ou

índices mais rigorosos do que os definidos na

legislação estadual ou federal, devendo ficar

atento ao limite mínimo imposto pelos demais

entes federados”, informa.

O presidente da Comissão de Direito

Ambiental da OAB/GO informa também que,

para operar, a usina precisa, obrigatoriamente,

observar a legislação ambiental estabelecida.

“O setor, de forma geral, tem sim se adaptado

às exigências estabelecidas e possui um

grande potencial, em termos de sustentabilidade,

para contribuir com um novo modelo

de plataforma energética mediante a chamada

cogeração, tanto em se tratando de biomassa

quanto em relação ao aproveitamento

da energia térmica oriunda do sistema de

produção”, enfatiza.

De acordo com Victor, cabe aos órgãos integrantes

do Sistema Nacional de Meio Ambiente

(Sisnama), o poder e dever de exercer a fiscalização

das atividades efetiva ou potencialmente

poluentes, resguardadas as previsões legais

referentes. “Assim sendo, em regra, o órgão

nacional, o órgão estadual e os órgãos municipais

compartilham tal responsabilidade. Não

bastando, o Ministério Público também tem a

prerrogativa de zelar pelo efetivo cumprimento

das normas ambientais, agindo de forma

integrada com as forças policiais, como a

Delegacia Estadual de Repressão a Crimes

Contra o Meio Ambiente - DEMA e o Batalhão

Florestal da Polícia Militar”, conclui.

28 • CANAL, Jornal da Bioenergia Julho de 2013 • 29


Renan Rigo

A Amazônia é,

disparada, a mais

conhecida atração

natural brasileira

mundo a fora. A

imensidão verde

da floresta e a

abundância de

água correndo pelos

leitos dos rios fazem

com que a região

seja campeã em

superlativos – e

elogios também!

Bem-vindos

Renan Rigo

à selva!

Renan Rigo

É

fato! Suponhamos que você passe uma

temporada no exterior e faça novos amigos

de outros países. Mais cedo ou mais

tarde um deles vai chegar para você e

perguntar: “Você é brasileiro Ah... então você

conhece a Amazônia, né”. Pois é! Por mais longínqua

e distante da realidade da maior parte

da população brasileira, especialmente no eixo

Centro-Sul do País, a Amazônia povoa o imaginário

do mundo quando o assunto é Brasil. A

maior floresta tropical do planeta é rica em

biodiversidade, umidade e grandiosidade! Tudo

é conjugado no superlativo neste lugar: a maior

floresta, o maior rio, a maior

bacia hidrográfica, a maior biodiversidade

em floresta tropical...

Mas não se deixe enganar, são

nos detalhes que o lugar encanta

seus viajantes. Cada árvore de

floresta, cada gota d’água

impregnada no ambiente, extremamente quente

e úmido, são partes importantíssimas de um

quebra-cabeça divino. E a composição completa

é literalmente de tirar o fôlego.

Situada em um território compartilhado

por nove países, a floresta amazônica encanta

por sua beleza. Gigantes verdes espalham-se

em copas frondosas cerca de 30 metros acima

do solo e a intensidade da floresta em vastidão

dá a impressão de que se trata de uma selva

sem fim. Permeada por rios, a visibilidade da

mata, observada de cima, seduz de dentro do

avião e chega ao ápice quando as árvores

abrem espaço para a corrente de águas do

Amazonas. O rio serpenteia e corre toda a

extensão da floresta, desde suas tímidas manchas

verdes próximas aos Andes – onde nasce

–, passando pela densa mata brasileira, até

desembocar em sua foz junto à Ilha de Marajó,

no Pará. Em termos gerais, nenhum outro rio

ou floresta conseguiu superar essa conjugação

de águas e selvas. E nesse ponto, o pedaço

brasileiro é um show à parte.

Distâncias

Belém - 3.088 Km

Brasília - 3.379 Km

São Paulo - 3.880 Km

Rio de Janeiro - 4.277 Km

De Manaus, luxo e decadência

Há duas formas convencionais de se chegar

a Manaus, a capital brasileira incrustada no

coração da floresta: de barco ou de avião. Pelo

rio, vindo de Belém, por exemplo, o clima pode

ser sentido já nos primórdios de sua aventura

partindo de uma região já próxima à Linha do

Equador. Agora, meu amigo, se você vem de

avião proveniente de latitudes mais longínquas,

se prepare! Ao primeiro pé fora da aeronave

você é arrebatado pelo calor/vapor/

FERVOR desta sauna ao ar livre! É uma experiência

diferente aos menos acostumados. A

umidade da cidade combinada com as altas

temperaturas dá a impressão de que você está

derretendo por alguns momentos

– e olha que meu vôo chegou

pela madrugada. Não é

exagero, prova disso é o eterno

ar-condicionado circulante em

automóveis e dentro de prédios

e construções. Manaus é quente

– e também interessante!

É claro que você vai se encantar pelos

deslumbres de construções datadas do

luxuoso Ciclo da Borracha, próximos ao

fim do século XIX e início do XX, como o

Teatro Amazonas – construção mais

conhecida da capital – e o Palácio Rio

Negro. Aliás, foi nessa época que a capital

amazonense viveu seu ápice em glamour

e beleza pela economia proveniente da

exploração das seringueiras, com a maioria

dos grandes monumentos erguidos

junto a essa explosão de prosperidade.

Historicamente, tudo veio à decadência

após a exploração iniciada na Ásia e o fim

do poderio econômico brasileiro na extração

do látex. Muita coisa ficou deixada de

lado e de longe lembram a riqueza exalada

em palacetes, cassinos e construções

modernas para a época. No entanto, o

charme da cidade ainda permanece e vale

lembrar o principal: a cidade é a porta de

entrada para a floresta!

Manaus é banhada pelo Rio Negro, mas

reserva um show particular em seus domínios. É

junto à cidade que as águas cor de Coca-Cola do

Negro se unem às barrentas correntes do Solimões.

O famoso Encontro das Águas é atração turística

obrigatória ao visitante e você entende o porquê ao

avistar o fenômeno: elas não se misturam de imediato

– o que é muito bonito! Segundo o guia

Nilson, que acompanhava o grupo em visita a essa

atração, isso ocorre pela composição química das

duas correntes – densidade, acidez e temperaturas

diferentes – o que faz com que estes irmãos corram

lado a lado por cerca de seis quilômetros antes do

Solimões vencer a batalha e receber o nome de

Amazonas, em definitivo. Particularmente, pegue

um barquinho não tão pequeno. Isso porque a visão

do encontro é mais bonita se vista mais do alto. A

divisão das águas é pontilhada por uma linha tênue,

porém marcante. Incrivelmente, ali está parte da

formação do maior rio do mundo – e, por sorte,

você pode até avistar um boto no local pra completar

essa belezura!

Pelo Rio Negro, próximo a Manaus aproveite

também para desfrutar a visão da cidade pelo lado

de fora. É possível ver o porto, as construções históricas,

a cúpula do Teatro Amazonas (inconfundível

em suas cores verde-amarela) e um contraste entre

casas simples de palafitas, com prédios novos e mais

Partindo para o rio,

o encontro e a floresta

modernos. E por falar em modernidade, subindo o

Negro, pouco antes da Praia de Ponta Negra, você

avistará uma das novas e mais modernas construções

no Norte brasileiro: a ponte estaiada da rodovia

AM-070 que liga a capital ao município de Iranduba.

Considerada a maior ponte fluvial e estaiada do

Brasil e a segunda maior ponte fluvial do mundo, a

construção tem 3,6 quilômetros de extensão, sendo

importante elo na integração da região metropolitana

manauara.

Há quem aproveite o passeio oferecido pelas

diversas companhias turísticas da região e visite,

também, o Parque Janauary, pelo lado do Solimões.

Em pequenas canoas motorizadas, os guias seguem

por entre igapós e várzeas alagadas observando a

fauna e a flora locais, com destaques para um lago

repleto de vitórias-régias. Dessa vez, no entanto,

partimos de barco, pelo Rio Negro acima, até um

hotel de selva, onde o visitante pode se hospedar, ou

melhor, se isolar no meio da Floresta Amazônica. O

breu do rio em contraste ao verde da mata, que

também se reflete no espelho d’água, é um deslumbre!

Aliás, como toda a extensão das belezas naturais

do Amazonas, o Eldorado procurado há muitos

anos pelos exploradores ficou escondido por aqui –

o que explica o inconformismo dos gringos ao

pensar que você, brasileiro, ainda não conhece essa

maravilha. Aventure-se!

O Teatro

Amazonas

Em pensar que no meio da selva floresceu

uma cultura tão exuberante e requintada aos

moldes europeus, talvez tenhamos como maior

expressão desse momento o Teatro Amazonas.

Inaugurado em 1896, no auge do ciclo econômico

da borracha, a construção é, de longe, o principal

patrimônio cultural arquitetônico do Estado. Com

pinturas do Pano de Boca de Crispim do Amaral e

do Salão Nobre pelo italiano Domenico de Angelis, o

teatro foi tombado em 1966 como patrimônio

histórico, tendo sido restaurado em 1990 pelo

Governo do Estado. Sua grandiosidade e beleza são

magnânimas e representam um período áureo na

história brasileira, abrigando, hoje, espetáculos

clássicos e populares de dança, música e teatro de

artistas locais, nacionais e internacionais.

Berço de vida

De acordo com a ONG WWF-Brasil, na Amazônia

vivem e se reproduzem mais de um terço das

espécies existentes no planeta, apesar do ecossistema

local ser bastante frágil, já que a floresta vive do seu

próprio material orgânico, em meio a um ambiente

úmido, com chuvas abundantes. No total, a selva

abriga 2.500 espécies de árvores (um terço da

madeira tropical do planeta) e 30 mil das 100 mil

espécies de plantas que existem em toda a América

Latina – fora as que ainda não foram catalogadas!

Além disso, a floresta é dividida em estratos vegetais

que carregam, à cada nível, uma diversidade absurda

de insetos, répteis, anfíbios, mamíferos e aves, além

da fauna aquática representada por peixes de água

doce típicos, desde o tambaqui, muito apreciado na

culinária, até o gigantesco pirarucu, um dos maiores

do mundo.

Daniella Barbosa

Daniella Barbosa

Dicas

Tribos indígenas: Algumas operadoras de

turismo oferecem passeios na região para

tribos indígenas. Para o turista que gosta de

conhecer de perto a cultura local, é uma ótima

oportunidade de se encantar pelas danças

folclóricas e pinturas corporais. Não deixa de ser

também mais uma oportunidade de entrar na

selva e ver de perto animais da floresta, como o

bicho preguiça, jacarés e jibóias;

Culinária regional: grande parte dos

pratos típicos tem como ingredientes

principais os frutos e raízes da região amazônica.

Se puder aproveite para experimentar o sorvete

de açaí, a banana chips, o guaraná – original da

Amazônia – e a variedade de peixes em diversas

refeições e modos de preparo. Destaque para o

pirarucu, que chega a ganhar até uma versão

defumada em alguns restaurantes;

Parintins: Se por um acaso você estiver na

região na época do festival, pode ter certeza

que vai encontrar Manaus muito vazia. Todo

mundo viaja, no mês de junho, para Parintins, a

cidade dos bois Garantido e Caprichoso. Com uma

rivalidade bem parecida com a dos times gaúchos

do Internacional e do Grêmio, os bois disputam a

festa. O espetáculo anima as torcidas locais e, com

certeza, é uma maravilha de se admirar.

Julho de 2013 • 31


Empresas e Mercado

Rally dos Sertões recebe pela primeira vez

automóvel movido a diesel de cana-de-açúcar

O Rally dos Sertões deste ano traz

novidades em um dos carros competidores.

Com a largada marcada para o dia 25 de

julho em Goiânia (GO) e retorno no dia 3 de

agosto, o piloto Klever Kolberg e o

navegador Flavio Marinho de França vão

correr em um automóvel movido

exclusivamente a diesel produzido a partir

da cana-de-açúcar. O combustível ainda é

utilizado em testes e não está disponível

comercialmente. A iniciativa teve apoio da

União da Indústria de Cana-de-Açúcar

(UNICA).

Em sua 21ª edição, o evento percorrerá

um total de 4.115 quilômetros. Ao todo,

haverá um prólogo e mais nove etapas com

até 746 quilômetros totais. Nos

O Instituto ASA encerra o semestre com

100% de aproveitamento na sua

programação. No dia 10 de julho mais de

110 profissionais passaram o dia na ASA

Alumínio para assistir ao 4° módulo do

Curso Intensivo do Empreendedor

Serralheiro (CIES), onde puderam assimilar

lições sobre qual o sistema correto de

esquadrias para cada obra: Sistema Mega,

20, 25 ou 32.

Ao longo do semestre, as aulas ocorreram

tanto na sede da ASA como em outras

cidades paulistas, atingindo um público

superior ao previsto, incluindo empresas do

Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, como

100

acampamentos o carro será abastecido com

os 1.100 litros de diesel de cana-de-açúcar

que a equipe irá transportar dia após dia.

Isso porque não se trata de um produto

disponível para venda nos postos de

combustível que estão no roteiro da prova,

como explica Kolberg.

O carro utilizado será o protótipo T-Rex

da equipe Mobil MEM Motorsport. Ele é

equipado com um MWM 3.0 Turbo Diesel

Intercooler e quatro cilindros, que

desenvolve 240 cavalos de potência.

Kolberg e equipe contam com o apoio da

Mobil, Amyris Biotecnologia, Dakar –

Inovação e Empreendedorismo, Artfix,

Sparco, MWM e Borg Warner, além da

UNICA.

Instituto ASA cumpre 100% da sua programação

a Port’s Serralheria, Alumivali, Struturas e

Alumiarts, entre outras. Vários palestrantes

de peso enriqueceram a programação, entre

eles Luís Viesti, Diretor Técnico da Afeal,

Emílio Rizzi, Diretor Comercial da

Emmegisoft Sistemas, e Edir Miranda,

Gerente de Marketing da Fise.

Quem não aproveitou a oportunidade

ainda pode se inscrever na próxima turma,

que começará no dia 21 de agosto, para o

Cies. Se você é profissional, não perca esta

chance de se atualizar, e se você é

empresário, venha adquirir as melhores

soluções de alumínio para a construção

civil.

Alstom fornecerá turbinas

para projeto eólico no México

A Alstom assinou o primeiro contrato de um

projeto de energia eólica no México, que será

conduzido com a empresa ENEL Green Power. O

projeto prevê o fornecimento e o início das

operações de 34 turbinas eólicas no novo

parque de geração de energia eólica Sureste I,

Fase II, em Oaxaca. A obra foi concedida à ENEL

através de uma licitação pública da Comissão

Federal de Eletricidade, nos moldes de “produtor

externo de energia”.

O parque eólico estará em funcionamento

no final de 2014 e vai gerar, anualmente, mais

de 350 GW/h, equivalentes à quantidade total

de energia consumida por mais de 60.000

pessoas. Contribuirá também com a redução

de 238 toneladas de emissões de CO2 ao meio

ambiente. De acordo com dados da Associação

Mexicana de Energia Eólica, a capacidade

instalada atual desse tipo de energia no

México é de 1,4 GW, e a meta é chegar a 12

GW até 2020.

Alfonso Faubel, vice-presidente sênior global

da Alstom Wind, comentou: “na Alstom,

estamos muito satisfeitos por poder contribuir

com a diversificação energética do País e

participar ativamente da realização dos

objetivos fixados pelas autoridades para

aumentar a energia proveniente de fontes

renováveis”.

O parque será equipado com turbinas eólicas

ECO 100 de 3 MW, que contam com a

tecnologia ALSTOM PURE TORQUE®, que protege

a transmissão contra esforços de flexão

causados por cargas do rotor, garantindo

melhor desempenho e confiabilidade, e ainda

reduzindo os custos de manutenção.

A Alstom já instalou mais de 2.500 turbinas

em 150 parques eólicos ao redor do mundo,

fornecendo assim mais de 4.000 MW de energia.

A Alstom projeta e fabrica turbinas eólicas em

terra e no mar (offshore), com uma capacidade

de 1,67 a 6 megawatts, proporcionando

soluções para todos os climas e todas as

condições geográficas.

Grupo Arakaki entrega prêmios da Gincana Recóleo

Os colaboradores participantes da

Gincana Recóleo promovida pelo Grupo

Arakaki em comemoração ao Dia Mundial

do Meio Ambiente (5 de junho)

receberam seus prêmios no dia 15 de

julho. Durante todo o mês de junho, os

colaboradores arrecadaram óleo de

cozinha usado e entregaram nos pontos

de coleta.

O 1º colocado, Claudio Roberto

Olímpio, recebeu uma TV 24” entregue

pelo Sr. Kosuke Arakaki. Juçara O.

Marvitubos – Peças e serviços hidráulicos

A Marvitubos Tubos e Peças Hidráulicas

desenvolve a manutenção de cilindros

hidráulicos. O objetivo da empresa é reduzir a

zero o tempo parado dos equipamentos de

manutenção.

A empresa dispõe de matéria-prima básica

para o cliente montar ou reformar 100% dos

cilindros hidráulicos de 100 % dos

equipamentos Mobis disponíveis no mercado.

No hall de produtos e serviços a Marvitubos

disponibiliza para os clientes camisas e hastes

semi-prontas. Os materiais são preparados e

montados em um moderno Centro de

Usinagem e Soldagem.

A empresa mantém um amplo estoque de

tubos de aço brunidos para camisas, barras

temperadas e cromadas para hastes, tubos

de aço para circuito hidráulico de média e

Zagato, 2º colocada, recebeu das mãos

de Luis Arakaki um kit churrasco. O 3º

colocado Edson Mendes, também

recebeu do diretor Mauro de Sá um kit

churrasco.

A Gincana Recóleo teve adesão de

vários colaboradores. Todos

participantes receberam um funil,

doados pela Sabesp, para continuarem

recolhendo óleo de cozinha usado e,

assim, participarem de um sorteio no

final do ano.

alta pressão e kits de componentes para

cilindros.

Pensando na versatilidade e no grau de

agregação, a emprsa fornece também os

materiais básicos como tubos de aço brunidos

para camisa, barras cromadas e ou temperadas

por indução para hastes, além de peças

componentes para montagem de cilindros

hidráulicos móbis, como munhões, cabeçotes,

êmbolos, fundos, rótulas e terminais para

haste.

Outro diferencial é o acabamento interno

dos tubos para camisa, no qual o processo de

roletamento permite um ótimo acabamento e

maior precisão dimensional ao tubo e aumenta

a vida útil do mesmo.

A entrega na Marvitubos é imediata e sem

exigência de lote mínimo de compra.

Odebrecht Agroindustrial

completa 6 anos e segue

com investimentos

A Odebrecht Agroindustrial, empresa

da Organização Odebrecht que atua na

produção e comercialização de etanol,

energia elétrica e açúcar, completou

seis anos de atuação em julho. A

empresa, que tem nove unidades nos

Estados de São Paulo, Mato Grosso,

Mato Grosso do Sul e Goiás, emprega

hoje 17 mil pessoas, e já ocupa a

segunda posição entre os maiores

produtores de etanol do País.

Na safra atual (2013/2014), a

empresa pretende investir R$ 1 bilhão e

aumentar a área plantada pela

empresa em mais de 100 mil hectares.

Este montante também inclui

investimentos significativos a serem

realizados pela empresa na área

industrial das unidades.

Está prevista a instalação de novas

unidades de desidratação de etanol nas

Unidades Santa Luzia, do polo Mato

Grosso do Sul e Costa Rica, do polo

Taquari, ambas localizadas no Estado

de Mato Grosso do Sul, que

aumentarão a capacidade de produção

de etanol anidro nas unidades,

permitindo melhor flexibilidade do mix

de produtos e, assim, aproveitar as

oportunidades de negócio. As duas

fábricas devem ser inauguradas ainda

nesta safra.

Já na Unidade Rio Claro, em Goiás

será desenvolvido um projeto de

Manejo de Cana Irrigado, que irá

melhorar a produtividade, por meio da

introdução de um sistema de irrigação

por pivô em uma área de cerca de 5 mil

hectares.

Além disso, projetos de melhoria de

eficiência energética, por meio da

separação e recuperação da palha de

cana a seco, estão sendo executados

em três unidades: Alto Taquari,

localizada em município homônimo no

Mato Grosso, Conquista do Pontal e

Santa Luzia.

A previsão é que as nove unidades da

Odebrecht Agroindustrial totalizem a

moagem de 25 milhões de toneladas de

cana, 29% a mais que o volume

processado na safra 2012/2013, o que a

permitirá produzir 1,78 bilhão de litros

de etanol, cogerar 2,7 mil GWh de

energia elétrica e fabricar mais de 580

mil toneladas de açúcar.

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32 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Julho de 2013 • 33


Opinião

E v e n t o o fi cial

d e a b e r t u r a d a

FENASUCRO

O desperdício da energia eólica

Mikio Kawai Jr é conomista pela

FEA-USP e mestre em economia pela

Unicamp. Desde 2008 ocupa o cargo de

diretor executivo do Grupo Safira.

Senar em Ação

A estiagem característica do inverno volta a

ameaçar o fornecimento de energia em muitas

cidades brasileiras. E mesmo a pouca chuva que

cai não tem sido suficiente para abastecer os reservatórios

das hidrelétricas.

Enquanto campanhas são promovidas no intuito

de conscientizar a população

a economizar água em casa,

algumas soluções que poderiam

contribuir para os problemas

previsíveis nesse período

não podem ser colocadas

em prática por pura ineficiência

e, como quase tudo,

falta de planejamento.

Estou me referindo à

energia eólica, que seria

uma dessas soluções. Após

os últimos leilões, em que a

fonte foi sucesso de vendas, superando as fontes

térmicas e usinas a gás natural nas disputas, várias

usinas eólicas foram erguidas, especialmente

na região Nordeste, porém muitas delas não foram

colocadas em atividade por falta de linhas

Mudanças estão

sendo estudadas

para garantir que a

produção seja

realmente bem

aproveitada.”

Mão de obra agrícola recebe qualificação

em operação e manutenção de máquinas

de transmissão e subestações. Não houve sequer

o início das obras, resultando em um grande desperdício,

uma vez que a usina está lá podendo

produzir energia suficiente para abastecer Estados

inteiros, e prejuízo ao consumidor final, que agora

se vê ameaçado por racionamentos e falta de

energia.

Um próximo leilão de

oferta de energia eólica

está previsto para agosto

deste ano e mudanças estão

sendo estudadas para

garantir que a produção

seja realmente bem aproveitada.

Entre as mudanças,

será determinado pela

Empresa de Pesquisa Energética

(EPE), responsável

pelo leilão, em que só poderão

competir empreendimentos em áreas onde

há subestações e linhas de transmissão já prontas.

Mesmo afetando a competitividade da energia

eólica, neste momento é a solução mais acertada

para evitar novas perdas.

Inscreva-se já! Entrada franca

27 Agosto

2013

Sertãozinho, SP

P E R S P E C T I V A S D O M E R C A D O M U N D I A L E A V A L I A Ç Ã O D A S A F R A 2 0 1 3 / 1 4 N O B R A S I L

Com o objetivo de capacitar a

mão de obra para atuar nas usinas

do setor sucroenergético e do segmento

agropecuário, o Serviço

Nacional de Aprendizagem Rural

(Senar Goiás) oferece curso de qualificação

em operação e em manutenção

de máquinas agrícolas. Os

participantes são escolhidos pelas

empresas, que utilizam de critério

próprio para fazer a triagem dentro

de seu quadro de funcionários e

formar as turmas.

Para se inscrever, é preciso ter

ensino fundamental completo e

idade mínima de 18 anos, não sendo

exigida experiência com máquinas

agrícolas. Cada turma é composta

por 16 participantes e tem carga

horária de 200 horas, divididas em

nove módulos.

Ao término da capacitação, o

treinando está habilitado a operar a

máquina, fazer as manutenções preventivas,

programadas e corretivas

do motor, sistema de transmissão,

sistema hidráulico, sistema de direção,

sistema de freios, sistemas elétricos,

rodados, bem como os imple-

Participantes, com idade mínima de 18 anos, são escolhidos pelas empresas

mentos de arrasto e montados nos três

pontos, conhecer suas regulagens,

velocidade de trabalho adequada, bem

como rendimento operacional. Além

disso, são ensinadas técnicas de segurança

no trabalho.

O instrutor do Senar Goiás, André

Pippi, ressalta que os encontros abordam

a parte teórica e realizam a

pratica do que foi explicado em

sala de aula. “À medida que o

aluno passa a ter segurança, ele

começa operar a máquina sozinho”.

André explica que ações

incorretas, como descansar o pé

na embreagem, rotação e marcha

inadequada, são corrigidas por

meio de instruções repassadas

através de aparelhos de rádio.

“Imediatamente faço as observações

corrigindo, independente da

distância. Assim, as correções

operacionais são executadas na

hora e, consequentemente, o

aprendizado é melhor”.

O curso visa o desenvolvimento

das habilidades técnicas e estimula

o crescimento pessoal, para que

participantes avancem em sua

empregabilidade e qualidade de

vida. Observa-se melhoria na

oferta de mão de obra qualificada

na região atendida, bem como

uma crescente procura da mão de

obra urbana por este curso de

qualificação para atuar no setor

rural.

P a t r o cinio

Patrocinio

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