Ed. 116 - NewsLab

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Ed. 116 - NewsLab

Editorial

O Laboratório Lenzi de Análises Clínicas, de Jaraguá do Sul,

SC, é o assunto de nossa matéria de capa nesta edição. Como

boa parte dos laboratórios brasileiros, iniciou suas atividades

a partir de uma sociedade familiar e vem prosperando desde

o início, em 1988. Sua trajetória, que já completou 25 anos,

tem sido marcada pelo investimento em equipamentos e no

treinamento da equipe de trabalho, o que lhe garantiu conquistar

as mais importantes acreditações e certificações do

segmento laboratorial, tornando-se referência em excelência

de qualidade na região.

Ainda nesta edição, trazemos em nossa seção de Notícias

informações relevantes sobre o mercado diagnóstico, como

uma pesquisa desenvolvida na Fiocruz Pernambuco, onde o

RNA mensageiro do Mycobacterium tuberculosis é avaliado

como marcador de cura em pacientes com tuberculose pulmonar,

utilizando a técnica molecular de transcrição reversa,

seguida de PCR quantitativa em tempo real (RT-qPCR).

O resultado de um trabalho de pesquisa conduzida por profissionais

do Hemocentro de Ribeirão Preto culminou em um kit

de diagnóstico molecular para confirmar a infecção pelo retrovírus

HTLV 1 e 2, em casos de resultados positivos de exames

feitos na rotina sorológica dos hemocentros e bancos de sangue.

Na nossa coluna Analogias em Medicina, o patologista

José de Souza Andrade Filho transcorre sobre Verruma

na Doença de Chagas. Para tanto, dá uma verdadeira

aula sobre a história da Microbiologia e seu criador, o

médico húngaro David Gruby (1810-1898). Algumas das

observações microscópicas iniciais de Gruby em morfologia

patológica foram incluídas em sua dissertação, que contém

observações microscópicas sobre a patologia de líquidos

orgânicos e compara achados normais com patológicos. Sua

tentativa de diferenciação microscópica do pus de outras

substâncias foi uma investigação original e cuidadosa em

novo campo da medicina. Gruby demonstrou que cada um

dos líquidos orgânicos estudados continham elementos

vivos (leucócitos).

Os artigos científicos deste número abordam assuntos como

“Exame Parcial de Urina: Interferências da Refrigeração no

Exame Físico, Químico e Sedimentoscópico” e “Correlação

Clínico-Laboratorial entre Métodos para Dosagem de Tiroxina”,

entre tantos outros.

Isso e muito mais Ciência da Saúde você só encontra aqui,

na NewsLab.

Boa leitura!

@revista_newslab


R$ 13,90

Ano 15 | Número 01 | Fevereiro/Março 2013

Leia ainda na Roche News:

Segurança e saúde para a mulher

Parte integrante da Revista Newslab edição 16

é ciência

Rastreio primário do câncer

cervical com teste de HPV

FaZEnDO a DiFEREnÇa

Laboratório IPOG aumenta quantidade

de exames, especialmente de HPV, e

cresce 17% em apenas seis meses

Segurança e

saúde para

a mulher

04 Editorial

06 Índice

08 Notícias

28 Nossa Capa – Laboratório Lenzi: há 25 anos conquistando a

qualidade e a excelência laboratorial

34 Informe de Mercado

62 Analogias em Medicina – Verruma na Doença de Chagas, por José de

Souza Andrade Filho

64 Exame Parcial de Urina: Interferências da Refrigeração no Exame Físico, Químico e

Sedimentoscópico – Carla Simone Vasconcelos Pacheco Costa, Ana Maria Guedes de Brito, Renata Rego de

Souza, Francine Ferreira Padilha, Malone Santos Pinheiro, Kariny Souza Pinheiro

72 Avaliação de Esfregaços Cérvico-Vaginais Insatisfatórios como Rotina de Controle Interno

da Qualidade – Luiz Mário da Silva Silveira, Heliana de Araújo Morais, Vanda Maria Furtado Pinheiro,

Rosana Maria Costa Rabelo

82 Isolamento de Enterococcus Spp com Resistência a Altas Concentrações de Aminoglicosídeos em

Ambiente Nosocomial e Comunitário na Cidade de Passo Fundo, Rs – Odilon Carpes de Fraga

90 Correlação Clínico-Laboratorial entre Métodos para Dosagem de Tiroxina – Carlos Augusto Haas,

Gustavo Müller Lara

96 Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde: uma perspectiva atual – Fábio Alexandre Alff,

Adriane Bombassaro

104 Prevalência de Parasitoses em Escolares da Escola Estadual de Ensino Fundamental Paso de los Libres

no Município de Uruguaiana, RS – Fernanda Comarú da Silva de Mello, Bruna Cocco Pilar,

Deise Jaqueline Ströher, Vanusa Manfredini

118 Análise Bibliográfica dos Microrganismos Encontrados com Maior Frequência em

Infecções do Trato Urinário – Guilherme de Oliveira Cezar, Vanessa Danesi dos Santos, Cláudia Funchal

125 Agenda

128 Biblioteca NewsLab

129 Endereços dos Anunciantes

NewsLab Número 116 Fevereiro/Março 2013

ISSN 0104-8384 Ano XX – Nº 116 – Fev/Mar 2013

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A revista do laboratório moderno

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Novo teste de proteínas é o primeiro a medir taxa de progressão da doença de Lou Gehrig

O teste pode ajudar a identificar os pacientes com riscos de uma progressão mais rápida da doença

Um novo teste, que mede proteínas fragmentadas por

lesão do sistema nervoso e que são depositadas no sangue

e no líquido cefalorraquidiano, revela a taxa de progressão

da esclerose lateral amiotrófica (ELA), como informam

pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, na Flórida,

da Universidade de Emory e da Universidade da Flórida.

O estudo, publicado na versão online do Journal of Neurology,

Neurosurgery & Psychiatry, sugere que esse teste,

se aperfeiçoado, pode ajudar os médicos e pesquisadores a

identificar os pacientes com maior risco de progressão rápida

da doença. A esses pacientes seria oferecida, então, alguma

nova terapia em fase de desenvolvimento ou de teste.

A ELA – também conhecida como doença de Lou Gehrig –

é uma doença neurodegenerativa progressiva, causada pela

degeneração dos neurônios motores (as células do sistema

nervoso central), que controlam os movimentos voluntários

dos músculos. A taxa de progressão varia muito entre os

pacientes e a sobrevivência, a partir da data do diagnóstico,

pode ser de meses a 10 anos ou mais, diz o diretor-médico da

Clínica de ELA da Clínica Mayo de Jacksonville, Kevin Boylan.

“No tratamento de pacientes com ELA, há necessidade

de formas mais confiáveis para determinar a rapidez da

progressão da doença”, diz Boylan, que é o principal pesquisador

do estudo. “Muitos pesquisadores da ELA têm buscado

desenvolver um teste com biomarcador molecular para a

lesão do sistema nervoso desse tipo; é encorajador saber

que esse teste pode fazer isso. Como amostras de sangue

são coletadas mais facilmente do que o líquido cefalorraquidiano,

estamos especialmente interessados em fazer ainda

mais essa avaliação no sangue periférico, em comparação

com o líquido cefalorraquidiano”, declara.

“Não existem medicamentos que levem à cura ou mesmo

a benefícios significativos para o tratamento da ELA, no

momento, mas há muitos em desenvolvimento”, diz Boylan.

Um teste como esse pode ajudar a identificar os pacientes

com riscos de uma progressão mais rápida da doença. Com

tratamentos experimentais que, basicamente, reduzem a

progressão da ELA, a detecção de uma resposta ao tratamento

em pacientes com progressão mais rápida pode

ser conseguida mais facilmente, diz Boylan. No momento,

pacientes com diversas taxas de progressão participam

de estudos clínicos, o que pode tornar difícil a análise do

benefício de um medicamento, ele afirma.

“Se houver uma maneira de identificar pessoas que possam

ter uma progressão mais rápida, deverá ser possível

conduzir estudos terapêuticos com um número menor de

pacientes, em menos tempo do que o exigido atualmente”,

diz Boylan.

Um objetivo para um prazo mais longo é desenvolver

testes desse tipo para se avaliar com que eficácia um paciente

responde a terapias experimentais.

O teste mede a forma pesada dos neurofilamentos no

sangue e no líquido cefalorraquidiano. São proteínas que

fornecem uma estrutura para os neurônios motores e, quando

os nervos são lesionados pela doença, as proteínas se

fragmentam e flutuam livremente no soro sanguíneo e no

líquido cefalorraquidiano. Uma pesquisa anterior foi conduzida

pelo neurocientista da Universidade da Flórida, Gerry

Shaw, que é o pesquisador mais experiente do grupo e que

desenvolveu o ensaio com neurofilamentos usado no estudo.

Os pesquisadores mediram a forma pesada de neurofilamentos

em amostras de sangue e de líquido cefalorraquidiano

de pacientes da Clínica Mayo e da Universidade de Emory,

correlacionando os níveis de proteína e a taxa de progressão.

“Demonstramos uma associação sólida entre níveis mais altos

de proteína e a progressão mais rápida do enfraquecimento

dos músculos”, explica. Também houve evidências de que

pacientes da ELA, com níveis mais altos de proteínas, tinham

uma sobrevivência mais curta, ele informa.

O trabalho foi financiado pela Associação da ELA, pelo

Centro Packard para a Pesquisa da ELA, pelos Fundos de

Doadores do Centro da ELA MCF e pela Fundação Mayo.

IV Congresso Brasileiro de Genética Forense

O IV Congresso Brasileiro de Genética Forense está

próximo: 7 a 10 de maio. Evento ímpar, que reúne os mais

renomados cientistas e profissionais da Genética Forense,

será realizado na cidade de São Paulo, no Memorial da

América Latina. A Escola Paulista de Medicina, Universidade

Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP), a Faculdade de Medicina

da Universidade São Paulo (FMUSP) e o Instituto de

Criminalística de São Paulo (IC/SP) sediarão o Congresso,

com o apoio da Sociedade Brasileira de Genética (SBG).

O site do Congresso (www.sbg.org/eventos) tem as

informações sobre o programa do conteúdo científico, taxa

de inscrição, prazo e normas para a apresentação dos resumos,

informações sobre hotéis, alojamentos próximos ao

local do evento, locais turísticos e atrações.

O comitê científico reuniu um interessante programa

que vai cobrir plenamente o interesse dos participantes. Os

congressistas poderão também desfrutar de um programa

social completo.

Este ano haverá ainda premiação de melhor trabalho

em quatro diferentes categorias: Melhor Dissertação de

Mestrado, Melhor Tese de Doutorado, Melhor Relato de Caso

e Melhor Pôster.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Programas da SBPC/ML são referências em dissertações de mestrado

PALC, Indicadores e PELM são citados em trabalhos

O Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos

(PALC) e o Programa de Indicadores Laboratoriais são referências

na dissertação “Impacto da implantação de um

programa de acreditação laboratorial”, avaliado por meio de

indicadores de processo, num laboratório clínico de médico

porte, apresentada na defesa de mestrado no programa de

Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da

Universidade de São Paulo.

O trabalho aborda a implantação do PALC e os resultados,

avaliados pelo Programa de Indicadores da SBPC/ML e

ControlLab. A autora conclui que os resultados foram muito

positivos após a implantação do PALC.

O orientador é o diretor Científico da SBPC/ML, Nairo

Sumita. Ele participou da banca examinadora, junto com

os patologistas clínicos Vera Lucia Pagliusi Castilho e Nelson

Medeiros Junior. As suplentes foram as patologistas clínicas

Maria Elizabete Mendes e Aparecida de Cássia Carvalho.

Todos são associados da SBPC/ML.

Em fevereiro, o PALC e o PELM (Proficiência em Ensaios

Laboratoriais), também da SBPC/ML, foram citados na

dissertação “Erros laboratoriais e segurança do paciente:

Revisão Sistemática”, apresentada na Escola Nacional de

Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fiocruz, no Rio de Janeiro,

pelo diretor de Acreditação e Qualidade da SBPC/ML, Wilson

Shcolnik, na obtenção de seu título de Mestre em Ciências

na área de Saúde Pública.

O objetivo desse trabalho do patologista clínico foi

“identificar estudos sobre erros laboratoriais relacionados

à segurança do paciente e seus efeitos, entendendo-se

segurança do paciente como ´a redução, ao mínimo

aceitável, do risco de dano desnecessário associado à

assistência à saúde´”.

“Esses trabalhos colocam os Programas da SBPC/ML em

destaque no meio acadêmico e demonstram sua eficiência

na gestão de processos e no desenvolvimento dos serviços

de medicina laboratorial”, comemora Nairo Sumita.

Células-tronco do cordão umbilical ajudam no tratamento de linfomas

Com a utilização de células-tronco do cordão umbilical

a medicina tem grandes avanços em tratamentos de linfomas

Nos últimos anos aumentaram

cada vez mais os casos de linfomas,

principalmente em pessoas com mais

de 60 anos, porém a população jovem

não está livre desta doença. Um

caso que ficou muito conhecido e que

comoveu diversas pessoas é o ator

Reynaldo Gianecchini, que descobriu

estar com linfoma de células T não-

-Hodgkin. O linfoma não-Hodgkin é

um câncer que atinge o sistema linfático,

que é responsável por produzir e armazenar linfócitos,

sendo que as células T presentes protegem o organismo

contra vírus, fungos e algumas bactérias.

Na maioria dos casos o linfoma é tratado com quimioterapia,

radioterapia ou ambos. Entretanto, o que muita

gente não sabe é que o transplante de células-tronco hematopoéticas

é uma opção extremante eficaz para tratar

a doença. Este tipo de célula é encontrado no sangue do

cordão umbilical e placentário (SCUP) e, por não ter sofrido a

ação de fatores externos como o estresse, o tempo, o uso de

medicamentos, etc., tem uma ótima eficácia no tratamento

de linfoma e de várias outras moléstias hematológicas.

Devido a esta importante utilidade na medicina é de suma

divulgação

importância que seja incentivada a

coleta e armazenamento de células

do SCUP. Além de serem fáceis de

coletar, não causam rejeição, é um

processo indolor e também não ferem

os princípios éticos e religiosos. “As

células-tronco do cordão umbilical

e placentário são muito importantes

para o tratamento do câncer de

linfoma e de muitas outras doenças,

por isso não devem ser descartadas.

Mesmo que uma família não tenha condições financeiras de

armazenar as células em um banco privado ela pode doar

para um banco público”, afirma a Dra. Adriana Homem, responsável

técnica do Banco do cordão umbilical (BCU Brasil).

Outra vantagem do armazenamento das células-tronco

do cordão umbilical é o fato de elas poderem ficar guardadas

por tempo indeterminado, ou seja, por toda a vida, o que

garante mais uma esperança de vida para quem decide por

esta opção. Além disso, as constantes pesquisas em andamento

com este tipo de célula já têm apresentado resultados

positivos no tratamento de mais de 200 doenças, o que a

torna, atualmente, como o que há de mais avançado na

medicina regenerativa.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Abracro prevê extinção das pesquisas clínicas no Brasil

Instituição avalia que, se a burocratização e o sistema de aprovação de pesquisas não mudarem

no País, os estudos em seres humanos se tornarão inviáveis e chegarão ao fim

A demora de cerca de um ano para aprovar uma pesquisa

clínica em seres humanos é um dos principais entraves

que o Brasil enfrenta atualmente para empreender estudos

clínicos. Apesar dos incentivos ao setor constantemente

divulgados pelo Governo, o que se vê na prática é uma

burocratização na aprovação dos estudos, agravada pela

implementação da Plataforma Brasil, em janeiro deste

ano. Se esse cenário se mantiver, a previsão da Abracro

– Associação Brasileira de Organizações Representativas

de Pesquisas Clínicas – é que os estudos clínicos em seres

humanos no País se tornarão inviáveis e chegarão ao fim.

“A Plataforma Brasil acabou dificultando a submissão

de estudos à CONEP. O sistema ainda é deficitário e há a

necessidade de um treinamento adequado dos pesquisadores

para a utilização da ferramenta. Além disso, o canal de

comunicação direto entre os pesquisadores e os técnicos da

ferramenta dentro da CONEP precisa ser mais eficaz, uma

vez que a falta de comunicação dificulta o esclarecimento

de dúvidas”, alerta Daniel Lang, presidente da Abracro.

Lang reforça que a dificuldade para aprovar estudos é

ainda anterior à Plataforma Brasil. O País é um dos poucos

a exigir aprovação de protocolos em três instâncias: duas

éticas (do CEP – Comitê de Ética local da instituição que

vai empreender o estudo – e da CONEP) e uma técnica (da

Anvisa). “Esse caminho retarda o processo e é considerado

desnecessário e redundante, uma vez que é a CONEP quem

capacita os CEPs”, afirma. De acordo com ele, pouco ágil e

com rara colaboração entre as instituições, o processo faz

com que o Brasil tenha um prazo lento em comparação a

países da Europa, que levam até 80 dias para aprovar um

estudo clínico, e aos Estados Unidos, que demoram apenas

60 dias. Por esse motivo, muitos pacientes brasileiros

perdem a oportunidade de participar de pesquisas, principalmente

globais, que levam em conta a agilidade para a

inclusão de pacientes.

“Sem um prazo compatível para a aprovação, o

Brasil perde terreno para outros polos de pesquisas. Se

levarmos em conta que a grande maioria de estudos

clínicos realizados no País vem de fora, teremos cada

vez menos pesquisas com a população brasileira”, ressalta

Lang, ao alertar que a participação de brasileiros

em estudos multicêntricos é de extrema relevância,

visto que um novo medicamento pode agir de maneira

distinta em regiões diferentes, devido às influências de

raça, hábitos e clima. “Os dados científicos gerados serão

mais representativos e seguros para o Brasil se a nossa

população for incluída no estudo, além de possibilitar o

acesso a medicamentos que ainda não estão disponíveis

no mercado e que, muitas vezes, são a única possibilidade

de tratamento de nossos pacientes”, conclui.

Defesa em prol da pesquisa clínica no Brasil - O

que a Abracro defende, juntamente com médicos, pesquisadores

e profissionais do setor, é uma maior autonomia dos

Comitês de Ética locais (CEPs), para que possam conceder

a aprovação ética da pesquisa juntamente com o aval técnico

da Anvisa, cabendo à CONEP o papel de capacitador

desses comitês. De acordo com Lang, parte do problema

também seria resolvido se houvesse um treinamento para

a utilização da Plataforma Brasil pelos pesquisadores, bem

como o aperfeiçoamento dos órgãos responsáveis pelas

aprovações, com revisão de fluxos, aumento do número

de profissionais e incentivo à participação de voluntários

nos CEPs. “A colaboração entre essas instituições, com o

estímulo à troca de informações entre elas, investigadores

e patrocinadores também é fundamental para a desburocratização

que hoje acomete o setor e prejudica o andamento

das pesquisas clínicas no País”, completa Lang.

Para saber mais:

www.abracro.org.br

Roche anuncia projeto StemBANCC, que usa tecnologia de

células-tronco para desenvolver medicamentos

A Roche anunciou o lançamento do projeto Stem-

BANCC, que vai utilizar a tecnologia de células-tronco

para descobrir e aprimorar o desenvolvimento de novos

medicamentos.

A Roche lidera e coordena esse projeto junto com a

Universidade de Oxford (Reino Unido). O projeto também

reúne outras nove empresas farmacêuticas e 23 instituições

acadêmicas e conta com o apoio da União Europeia.

O objetivo é criar um dos maiores depósitos de células-

-tronco adultas do mundo, que poderão ser usadas, por

exemplo, para desenvolver novos medicamentos para

doenças cardiovasculares e neurológicas.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Empresas de medicina diagnóstica formam associação com foco em Qualidade

O objetivo da instituição é prestar esclarecimentos e informações à sociedade

e fazer com que o setor seja reconhecido mundialmente

Fundada em julho de 2010, a Associação Brasileira

de Medicina Diagnóstica (Abramed) é uma associação

representativa das instituições privadas do setor de

medicina diagnóstica, laboratorial e por imagem.

Com sede em São Paulo, capital, e abrangência nacional,

a Abramed foi criada para ser referência no segmento

laboratorial e, para este fim, reuniu os principais

atores do segmento, cujo foco central é a primazia pelo

alto padrão de qualidade. Deste modo, propõe a troca

de expertises técnicas e científicas, assim como empresariais,

que possibilitem o crescimento deste mercado

em nível nacional e internacional.

Entre as empresas associadas da Abramed estão

o Albert Einstein Medicina Diagnóstica, Alliar Medicina

Diagnóstica, Boris Berenstein Imagem e Exames Laboratoriais,

Cdpi Clínica de Diagnóstico por Imagem,

Cedi Tomografia Macaé, Cepem - Centro de Pesquisa da

Mulher, Cetac Centro de Tomografia Computadorizada,

Dasa Diagnósticos da América , Grupo Delfin, Grupo

Fleury, Instituto Hermes Pardini, Laboratório Sabin de

Análises Clínicas, Salomão Zoppi Diagnósticos, Laboratório

Médicos Santa Luzia, Senne Líquor, Sidi Serviços

de Investigação Diagnóstico e Hospital Sírio Libanês.

Para cuidar dos assuntos convergentes e relevantes

para o mercado, seja no campo da pesquisa científica,

assim como no âmbito regulatório, a associação conta

com duas câmaras especiais: a Câmara Técnica, que

é dirigida pelo Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, e a Câmara

Jurídica, sob a direção da Dra. Lilian Pacheco Lira. A

presidência da Abramed está sob responsabilidade da

Dra. Cláudia Cohn, eleita em 2010.

Entre os temas tratados pela Abramed durante os

últimos dois anos (2011/2012) está a contribuição que a

instituição conferiu à logística de transportes de amostras

– sua Câmara Técnica proveu informações necessárias

para a segurança no transporte de amostras biológicas e

materiais perigosos no cinturão da cidade de São Paulo.

Além disso, em conjunto com empresas fornecedoras de

reagentes, equipamentos médicos e insumos hospitalares

e outras associações, teve um papel relevante na greve da

Anvisa, onde o setor foi afetado pelo desabastecimento provocado

pela retenção de produtos nos portos e aeroportos

do país. “Estabelecemos um diálogo com outras entidades

de produtos para saúde e, juntas, apresentamos à direção

da agência, um cenário real dos problemas enfrentados,

que foram sanados com medidas urgentes. A mobilização

foi importante para garantir atendimento à população”,

ressaltou a presidente da Abramed.

Recentemente, a Abramed inaugurou, em sua sede,

um auditório especial voltado à contribuição científica

e criado para servir aos seus associados e integrar as

empresas do setor de diagnóstico.

Dasa disponibiliza Teste de Ácido Nucleico (NAT) a hospitais,

clínicas e bancos de sangue de todo o país

Exame que torna mais seguras a transfusões de sangue

está prestes a se tornar obrigatório pelo Ministério da Saúde

O risco de transmissão de HIV e Hepatite do tipo C e B

diminuiu significativamente nos últimos 20 anos graças à

evolução dos testes de sorologia. Porém, o risco de contaminação

ainda existe devido à janela imunológica, fase em que

o anticorpo que luta contra o vírus não é detectado no organismo.

Para tornar as transfusões mais seguras, o Ministério

da Saúde está tornando obrigatória a aplicação do Teste de

Ácido Nucleico (NAT) antes de todas as transfusões de sangue

realizadas no país.

“Trata-se de um teste que utiliza a tecnologia da biologia

molecular para detectar a presença do vírus precocemente, possibilitando

rapidez diagnóstica e a prevenção da contaminação

por transfusão”, afirma o Dr. Nelson Gaburo, diretor responsável

pelo setor de biologia molecular da Dasa. Ele reforça que a

companhia já se antecipou a este cenário e disponibiliza o teste

NAT para hospitais, clínicas e bancos de sangue. “Com o teste,

a janela imunológica fica reduzida de 21 para nove dias no caso

do HIV, de 56 para sete dias, no caso de hepatite C, e de 32 para

15 dias, no caso de Hepatite B”.

Para a realização do NAT, a Dasa utiliza o sistema cobas s201

Roche, que a partir da extração do material genômico viral e da

amplificação por PCR multiplex em tempo real, detecta qualitativamente

e simultaneamente o DNA do vírus da Hepatite B e

RNA do vírus da Hepatite C e Imunodeficiência Humana (HIV).

De acordo com o Dr. Gaburo, o teste NAT da Dasa possui

cinco alvos virais em um único teste (HIV-1 GrupoO e M, HIV-2,

e Hepatites C e B). “Como segurança adicional, é realizado o

rastreio total por código de barras”, ele revela, lembrando que

a tecnologia utilizada na Dasa é a mesma de ponta já presente

em mais de 275 Bancos de Sangue em todo o mundo.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Células embrionárias podem se transformar em quaisquer células humanas

A pesquisa foi realizada pela Universidade Hebraica de Jerusalém

Pesquisadores israelenses descobriram mecanismos que

permitem que células-tronco embrionárias se transformem

em qualquer tipo de célula do corpo humano, tornando

possível, deste modo, a cura de doenças como Alzheimer,

Parkinson, diabetes e outras doenças degenerativas. A

pesquisa, realizada pela Universidade Hebraica de Jerusalém

(UHJ), lança uma nova luz sobre a pluripotência, isto é, a

capacidade de células-tronco embrionárias de se renovarem

indefinidamente em quaisquer tipos de células maduras.

“Este importante desafio da biologia moderna pode acelerar

o uso de células-tronco embrionárias em terapia celular

e medicina regenerativa. Se os cientistas podem reproduzir

os mecanismos que permitem a pluripotência, podem criar

as células no laboratório para a cura de doenças humanas

caracterizadas pela morte da célula, como Alzheimer, Parkinson,

diabetes e outras doenças degenerativas”, explica

o Dr. Eran Meshorer, chefe do Laboratório de Cromatina do

Departamento de Genética do Instituto Alexander Silberman,

de Ciências da Vida, da UHJ.

A equipe de Eran Meshorer concentrou-se nas vias

epigenéticas (que causam alterações biológicas sem uma

mudança correspondente na sequência de DNA), específicas

das células-tronco embrionárias. A base molecular de

mecanismos epigenéticos é a cromatina. Os pesquisadores

descobriram que a cromatina é menos condensada em

células-tronco embrionárias, permitindo a flexibilidade ou

«plasticidade funcional», para se transformar em qualquer

tipo de célula.

Consulta à Anvisa com base na Lei de Acesso à Informação aponta caos

enfrentado pelo setor de diagnóstico in vitro

Agência estima um prazo de 845 dias entre o protocolo do processo de CBPF e a publicação da certificação

Uma das primeiras consultas à Anvisa com base na Lei

de Acesso à Informação (Lei 12.527/11) trouxe para o setor

de diagnóstico in vitro – representado pela Câmara Brasileira

de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) – uma fotografia real dos

problemas que as empresas do segmento vêm enfrentando,

no que diz respeito às inspeções extrazona para obtenção da

Certificação de Boas Práticas de Fabricação (CBPF).

Os dados mostram que:

a. 1.213 processos aguardam por inspeção na agência;

b. No momento, a Anvisa está realizando as inspeções

protocoladas no mês de junho de 2010;

c. Tomando como base as certificações publicadas no DOU,

em outubro de 2012, a Anvisa estima um prazo de 845

dias entre o protocolo do processo de CBPF e a publicação

da certificação;

d. Em média, 37 novos pedidos por mês são protocolados na

agência, que realiza, em média, 18 inspeções por mês;

e. Na agência há 100 inspetores capacitados para fazer as

inspeções;

f. R$ 44.881.000,00 é o valor que a Anvisa arrecadou, até

o momento, em taxas de fiscalização, sendo que neste

total estão inclusas as 1.213 inspeções pendentes. Cada

pedido de inspeção custa às empresas R$ 37.000,00.

“O cenário é caótico, não há ainda medidas concretas da

Anvisa para ao menos equacionar o problema, e fica difícil

não prever um `apagão tecnológico´, com graves consequências

para os sistemas públicos e privados de saúde

e, consequentemente, para os pacientes”, alerta Carlos

Eduardo Gouvêa, secretário executivo da CBDL.

Ele explica que no caso de diagnóstico in vitro, há uma

indústria nacional muito pequena e concentrada em poucos

segmentos que não conseguiria suprir as demandas do mercado,

pois os novos produtos levariam mais de quatro anos

para entrar no mercado brasileiro, considerando o tempo

para a inspeção e posterior registro sanitário.

O dirigente lembra ainda, que os números fornecidos

pela Anvisa se referem apenas ao setor de produtos para

saúde. “Há inspeções pendentes também de outros setores,

como o de medicamentos, realizados por outra equipe,

porém competindo com estas inspeções no caso de ser

necessária a utilização dos 100 inspetores capacitados”, diz.

Entre as sugestões por ele apontadas para contornar o

problema estão: que a Anvisa reconhecesse as Certificações

Internacionais emitidas por outros países, tal como era

feito anteriormente ou até mesmo a ISO 13.485, enquanto

se estrutura para dar conta da demanda; e que aceitasse

o protocolo de pagamento da taxa de inspeção para os

processos de registro de produtos novos, possibilitando

a análise e efetivo deferimento do registro. Além disto,

se fossem adotadas medidas simples como concentrar as

inspeções apenas às fábricas de produtos de maior risco

sanitário, geraria um efeito imediato e positivo em termos

de redução da fila de espera.

“Seria importante ainda, que a Anvisa passasse a fazer

uso efetivo da Avaliação de Impacto Regulatório (AIR),

instrumento de extrema relevância para apoiar e instruir,

com dados empíricos, a tomada de decisão dos agentes

reguladores. No âmbito da regulação em saúde, a AIR possibilita

uma avaliação do impacto das medidas regulatórias

não só em relação às indústrias e empresas reguladas, mas

também sobre os usuários dos sistemas públicos e privados”,

finaliza Carlos Eduardo Gouvêa.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Setor de produtos para a saúde cresce 4,2% em vendas e gera

mais de cinco mil postos de trabalho no ano

A greve da Anvisa impactou o desempenho do setor

O mercado de produtos para a saúde registrou aumento

de vendas de 4,2 % e crescimento da produção

industrial de 3,2%. Embora inferiores à projeção inicial do

setor para o ano – que esperava um crescimento de dois

dígitos – os resultados indicam um desempenho acima

da média da economia nacional. Com faturamento de

U$ 16,5 bilhões, o setor manteve estável em 0,6% sua

participação no PIB nacional.

Os dados são relativos ao período entre outubro de

2011 e setembro de 2012 e revelam ainda que o crescimento

veio acompanhado de uma expansão de 4% no

número de empregos. Foram gerados 5,3 mil novos postos

de trabalho, elevando para 120 mil o total de empregados

na indústria e no comércio.

Os resultados foram divulgados pela Abimed - Associação

Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Equipamentos,

Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares. A

entidade congrega 124 empresas de tecnologia avançada,

que respondem por cerca de 60% do mercado médico-

-hospitalar brasileiro.

Segundo Carlos Goulart, presidente-executivo da Abimed,

além do fraco desempenho da economia nacional, o

setor da saúde também foi impactado pela greve da Anvisa

(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) – que prejudicou

o abastecimento do mercado de saúde por cerca de quatro

meses – e da dificuldade da agência em realizar inspeções

nas fábricas no exterior, requisito para a concessão de registro

de novos produtos.

“Este foi um ano difícil, mas acreditamos que existe

espaço para voltarmos a crescer ao redor de 10% em 2013.

O Brasil é a sexta economia do mundo com participação

de 2,8% no PIB Mundial, mas representa apenas 0,5% do

mercado mundial de produtos para a saúde. Além disso,

apostamos na recuperação da economia”, explica Goulart.

Trabalho indica o uso do RNA Mensageiro em casos de tuberculose

Técnica é mais rápida e supera algumas limitações dos exames atualmente utilizados

Uma das dificuldades no

tratamento da tuberculose (TB)

é quando os pacientes, por

motivos diversos, desenvolvem

uma resistência ao mesmo.

Hoje, utilizando-se métodos

convencionais de diagnóstico,

leva-se de um a dois meses para

obter um resultado confiável

da redução do bacilo, ou seja,

para a confirmação de que o

paciente está reagindo bem às

drogas. Interessada em reverter

este quadro, a bióloga Rosana

Montenegro avaliou em sua tese de doutorado em saúde

pública, da Fiocruz Pernambuco, o RNA mensageiro do

Mycobacterium tuberculosis como marcador de cura em

pacientes com tuberculose pulmonar, utilizando a técnica

molecular transcrição reversa, seguida de PCR quantitativa

em tempo real (RT-qPCR).

Como resultado, ficou constatado que a referida técnica

além de mais rápida (o resultado pode ser dado em 48

horas), é capaz de superar algumas limitações dos exames

atualmente utilizados. Embora seja um método caro – não

indicado para ser utilizado como rotina – ao se identificar

precocemente o paciente que desenvolveu uma TB resistente,

pode-se alterar a medicação mais cedo, evitando

Divulgação/Fiocruz

Imagens de Mycobacterium tuberculosis

que o mesmo receba uma carga

pesada de medicamentos que

não estão dando resultado, piorando

seu quadro. Além disso,

existe o agravante é que nesse

período ele continua transmitindo

a doença. O estudo foi

orientado pela pesquisadora

da Fiocruz Pernambuco Haiana

Schindler e as análises foram

realizadas no Núcleo de Plataformas

Tecnológicas (NPT) da

instituição.

Atualmente, os exames

mais utilizados para monitorar a resposta ao tratamento

anti-TB são a baciloscopia (a partir de esfregaço do escarro)

– que, segundo estudos, apresenta baixa sensibilidade

(podendo resultar em falso negativo) e a cultura de M.

tuberculosis, que necessita de um a dois meses para chegar

a um resultado, devido ao crescimento lento do bacilo.

Apesar de ter tratamento e medidas eficazes de controle,

a tuberculose é um dos grandes problemas de saúde pública

no Brasil e no mundo, devido as suas altas taxas de

morbimortalidade e índices de transmissão. O tratamento

é longo, dura seis meses e a interrupção pode resultar no

surgimento de cepas do transmissor, o Mycobacterium

tuberculosis, resistentes às drogas.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Delboni implementa nova metodologia para identificação de bactérias patogênicas

Método pode identificar em poucos minutos perfis de proteínas

específicos que permitem o reconhecimento da bactéria

O Delboni Medicina Diagnóstica acaba de implementar

uma nova metodologia capaz de identificar micro-organismos

no laboratório clínico. Esta metodologia é chamada

de Maldi-TOF MS (ou Matrix Assisted Laser Desorption /

Ionization Time-of-Flight Mass Spectrometry). Trata-se de

uma espectrometria de massas especial que pode identificar

em poucos minutos perfis de proteínas específicos, permitindo

o reconhecimento de determinadas bactérias. “Assim,

bactérias patogênicas podem ser identificadas rapidamente,

com significativa redução de tempo em relação às metodologias

atualmente utilizadas. Basta que haja crescimento

bacteriano prévio em meios de cultura”, afirma Dr. Cláudio

Pereira, diretor de análises clínicas do Delboni.

Segundo o Dr. Pereira, diversos estudos realizados desde

o início dos anos 2000 têm mostrado o potencial de aplicação

dos perfis obtidos pelo Maldi-TOF para a caracterização

de bactérias. “Muitos softwares foram desenvolvidos pelos

fabricantes dos equipamentos e por parceiros para ajudar

a comparar os padrões repetidos e a identificar os micro-

-organismos com precisão”, explica ele. “Assim, pode ser estabelecido

um fluxo de trabalho que permita a identificação

imediata, em questão de minutos, a partir do crescimento

do patógeno nos meios de cultura”, diz Dr. Pereira.

O médico afirma que, além da identificação de micro-

-organismos, que já está bem consolidada, a utilização

da técnica de Maldi-TOF poderá auxiliar em outra linha de

estudos, como a detecção de marcadores de resistência e

outras macromoléculas. Esta possibilidade permitirá mais

rapidez na obtenção de alguns resultados de sensibilidade

aos antimicrobianos e até mesmo de vigilância epidemiológica

do micro-organismo isolado.

Benefícios observados - Trabalhos mostram que a

identificação precoce dos micro-organismos reduz o risco de

mortalidade, tempo de internação e o custo do tratamento

das infecções adquiridas nos hospitais.

A utilização da metodologia de Maldi-TOF permite

uma redução expressiva do turn around time (TAT) até a

identificação do micro-organismo. “Trabalho recentemente

publicado realizado com hemoculturas demonstrou uma

redução de 23 a 83 horas para a identificação completa

de bactérias Gram positivas e 34 a 51horas para Gram

negativas”, exemplifica o Dr. Pereira.

“Acreditamos que a disponibilidade desta nova metodologia

permitirá a obtenção de identificações mais rápidas

e precisas. Médicos poderão ter acesso aos resultados e

iniciar ou modificar a antibioticoterapia com maior eficácia.

Pacientes poderão se beneficiar com melhor prognóstico e

menor tempo de internação, enquanto o sistema de saúde

receberá um menor custo e maior eficiência pela otimização

dos tratamentos”, ele finaliza.

Formiga transporta bactérias patogênicas em hospitais

Animais podem transportar agentes patogênicos a pessoas debilitadas

Formigas podem ser vetoras mecânicas de micobactérias

patogênicas, segundo a pesquisa de doutorado da veterinária

Ana Paula Macedo Ruggiero Couceiro, realizado na

Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP em 2011. Análises

microbiológicas realizadas por amostragem em um hospital

no interior de São Paulo apontaram ocorrência de micobactérias

ambientais, relacionadas às infecções oportunistas.

Essas infecções podem ocorrer na pele, por exemplo, com a

formação de abscessos, além de não responderem à terapia

convencional com antibióticos.

O hospital, pertencente à Secretaria Estadual de Saúde,

é especializado na assistência a pacientes com tuberculose.

Justamente em centros como esse, os internos estão fragilizados

imunologicamente devido à convalescença e, por

isso, a infestação com esses patógenos implica em mais

riscos. As formigas foram coletadas num tubo estéril em

diversos pontos das instalações do hospital.

Segundo a pesquisadora, as micobactérias ambientais

estão amplamente distribuídas, inclusive em hospitais. O

monitoramento destas micobactérias não é habitual. No

entanto, com o aumento de surtos relacionados às mesmas

em estabelecimentos de saúde, a preocupação com estes

agentes aumentou.

Desde 2003, enquanto fazia seu projeto de mestrado,

Ana Paula verificou que formigas contribuíam para

contaminação de testes de diagnósticos e disseminação

de partículas. No levantamento para seu doutorado, notou

que algumas características inerentes às formigas

facilitavam a sua dispersão, como o fato de andarem até

200m a partir do seu ninho em um único dia. Por ter uma

dieta generalista, o inseto é um animal de fácil adaptação,

convivendo bem em diversos ambientes. Pesquisas anteriores,

segundo ela, descrevem a formiga em ambiente

hospitalar como transportadora de microrganismos, porém

seu trabalho é o primeiro que investiga a disseminação

de micobactérias desta maneira. As formigas, neste caso,

podem contaminar roupas, alimentos e água utilizados

pelas pessoas internadas.

NewsLab - edição 116 - 2013

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Kit facilita a identificação do retrovírus HTLV

O teste molecular confirmatório nacional permite reduzir a janela imunológica

Pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto, ligado

ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão

Preto (HCFMRP) da USP, em parceria com a empresa

Gene ID SA, desenvolveram um kit de diagnóstico molecular

para confirmar a infecção pelo retrovírus HTLV 1 e 2, em

casos de resultados positivos de exames feitos na rotina

sorológica dos hemocentros e bancos de sangue. O teste

confirmatório nacional, além de mais sensível, o que permite

reduzir a janela imunológica (tempo entre a infecção e a

produção de anticorpos contra o retrovírus), terá um custo

17 vezes menor do que o usado atualmente, chamado de

Western Blot (WB), que é importado.

Estima-se que 2,5 milhões de pessoas, no Brasil, tenham

o retrovírus, mas apenas entre 1% e 5% desenvolvam algum

tipo de doença. O preço do teste importado WB é de

cerca de R$170,00 e ainda, em muitos casos, não consegue

solucionar o diagnóstico do paciente. Devido ao preço, sensibilidade

e o fato de não ser obrigatório, apenas algumas

instituições realizam o teste confirmatório. O nacional, em

desenvolvimento, utiliza outra metodologia e além de mais

eficaz, terá custo de cerca de R$10,00, ou seja, apenas 6%

do valor do importado. Outro fator tão importante quanto

o preço é a redução da janela imunológica, que hoje varia

de 36 a 72 dias.

Desde 1993, os hemocentros fazem testes para identificar

entre os doadores de sangue possíveis portadores

do retrovírus HTLV. Se no primeiro exame for constatada

a presença do HTLV, a bolsa é descartada e o doador é

chamado pela equipe médica dos hemocentros. Mas algumas

instituições realizam, para reduzir as dúvidas sobre o

resultado inicial, mais um teste para confirmar o resultado

do primeiro. Mas a maioria das instituições não realiza o segundo

teste, considerando apenas o resultado do primeiro.

“Este conjunto de fatores permitirá a conclusão segura

do diagnóstico para o correto aconselhamento e tratamento

dos pacientes, aumento da segurança em transplantes e

transfusões sanguíneas e evitará a transmissão vertical

(de mãe para filho), principal via de transmissão”, explica

o pesquisador Mauricio Rocha, do Laboratório de Biologia

Molecular do Hemocentro, comandado pela pesquisadora

Simone Haddad. A coordenação da pesquisa é do professor

Dimas Tadeu Covas, da Faculdade de Medicina de Ribeirão

Preto (FMRP) da USP.

Infectados - Estudos indicam que existem no mundo

cerca de 20 milhões de pessoas infectadas pelo HTLV.

Desses, aproximadamente dois milhões e meio estão no

Brasil, que tem o maior número absoluto de infectados em

todo o mundo. Entre 1% e 5% desse total irá desenvolver

alguma doença relacionada ao HTLV. Entre elas, a mielopatia

paraparesia espástica tropical associada ao HTLV, uma das

prevalentes no Brasil, para a qual ainda não há cura, mas

se descoberta em estágio inicial o tratamento promove uma

melhora no quadro do paciente.

“É uma doença neurológica que afeta a medula óssea

em adultos entre 50 e 60 anos e que leva à fraqueza muscular

das pernas. A pessoa tem dificuldade em caminhar e

dificuldade no controle urinário. É uma doença lentamente

progressiva. Não é uma doença com evolução rápida, o

paciente demora muitos anos para precisar da cadeira de

roda. A infecção é transmitida por vários mecanismos, entre

eles, o leite materno, transfusão sanguínea e relação sexual.

Não existe tratamento específico. O que se faz é fisioterapia

e outras medidas para reabilitação”, explica o neurologista

do HCFMRP, Osvaldo Massaiti Takayanagui, especialista no

tratamento da doença.

O próximo passo da pesquisa é testar amostras de sangue

de Salvador (Bahia), África do Sul e Peru. “A proposta é

ampliar o número de exames de outras regiões para garantir

a eficiência do teste. As amostras testadas indicam eficácia

de 100%, no entanto, outras amostras necessitam ser examinadas,

pois nenhum teste diagnóstico é 100% eficiente”,

explica Rocha. Nessa primeira fase foram realizados 180

exames com amostras do banco de dados do Hemocentro

de Ribeirão Preto.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) está investindo

R$ 1 milhão na produção do teste confirmatório nacional.

A empresa Gene ID será a responsável pela produção

do kit, depois de concluída a pesquisa. “Com preço menor

e resultado mais eficiente, nós esperamos que depois de

concluídas todas as etapas da pesquisa o kit seja utilizado

na rotina diagnóstica confirmatória de todos os hemocentros

do país”, explica Rocha.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Moderno exame identifica micro-organismos com precisão

Reduzir o tempo para a obtenção de resultados e fornecer

com precisão e rapidez informações sobre o quadro clínico do

paciente. Estes são os diferenciais do novo exame Maldi Tof.

O teste feito hoje, através de cultura de urina ou

sangue, após a coleta, leva 12 horas para identificar a

bactéria que está causando a infecção no paciente. O

Maldi Tof reduz o tempo para menos de 1 hora, o que

possibilita resultados precisos de infecções graves, além

da vantagem de identificar qualquer tipo de bactéria, o

que no exame “antigo” não era possível.

Hélio Magarinos Torres Filho, patologista clínico,

presidente regional da Sociedade Brasileira de Patologia

Clínica/RJ e diretor médico do laboratório Richet, explica

que o Maldi Tof é, no momento, o método mais moderno

do teste de cultura, permitindo que os resultados sejam

passados para o médico com maior rapidez, e que o

paciente inicie o tratamento com antibióticos específicos

para combater a infecção diagnosticada.

Cientistas do Canadá e Brasil unem forças para combater doenças infecciosas

Workshop permitiu o encontro de pesquisadores da

York University com seus principais parceiros da USP e do Consórcio Biomat

Cientistas canadenses da York

University e cientistas brasileiros

promoveram um encontro em fevereiro,

sobre o controle de várias

doenças, incluindo a Dengue, o

vírus West Nile e tipos de tuberculose

resistentes a medicamentos.

O workshop de dois dias organizado

pelo Centro de Modelos de

Doenças da York University permitiu

o encontro de pesquisadores canadenses com seus principais

parceiros da Universidade de São Paulo e também do

Consórcio Biomat, uma organização sem fins lucrativos de

estudos avançados em biosistemas formada pela associação

de membros internacionais de universidades e centros de

pesquisa com base principal no Brasil.

“Esse encontro proporcionou uma oportunidade

única para que o Centro de Modelos de Doenças e seus

parceiros brasileiros possam desenvolver programas de

pesquisa e intercâmbio acadêmico na área de doenças

infecciosas”, afirmou o diretor do centro Dr. Jianhong Wu,

um renomado pesquisador da York University e líder no

Canadá em pesquisa nas áreas de matemática industrial

e aplicada. O Workshop Canadá/Brasil proporcionou uma

plataforma para o desenvolvimento de uma base científica

e de ferramentas técnicas que serão usadas no controle

de doenças transmitidas por vetores e na resistência a

múltiplos medicamentos.

Essa iniciativa é financiada pelo programa Going Global

do governo do Canadá. O objetivo é ampliar a colaboração

entre pesquisadores canadenses e brasileiros nas áreas

de informática e saúde e modelos de doenças infecciosas.

Também foram discutidos vários tópicos

relacionados aos desafios à saúde humana

e à economia, incluindo: a constante

ameaça de novas doenças infecciosas,

a incidência de doenças associadas ao

vírus da dengue, ao vírus west nile, à

leishmaniose nas Américas, à tuberculose

e à resistência de medicamentos que

são problemas globais de saúde pública.

A cooperação internacional é necessária

para resolver esses problemas, uma vez que os

mesmos têm sido exacerbados pela globalização, mudanças

climáticas e degradação ambiental. Nesse encontro,

os pesquisadores estabeleceram parcerias e exploraram

oportunidades comercias de interesse mútuo. Discutiram a

implementação de ferramentas computacionais específicas

que podem ser usadas para avaliar rapidamente estratégias

de intervenção e tratamento.

Dr. Robert Tsushima, Decano Associado de Pesquisa e

Parcerias na Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade

York, juntamente com a Dra. Margaret Hough,

Diretora de Pesquisa e Relações Internacionais também

da mesma instituição, participaram do encontro com as

autoridades universitárias e pesquisadores em São Paulo.

Eles ressaltam que, a longo prazo, a parceria Canadá/

Brasil irá promover o intercâmbio de estagiários, de conhecimento

e de tecnologia. “Nós seremos capazes de desenvolver

novas parcerias de pesquisa num momento em que

o governo brasileiro está comprometido com o investimento

no treinamento de estudantes e pós-doutores brasileiros

no exterior através do programa Ciência Sem Fronteiras,”

afirmou Tsushima.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Pesquisadores adaptam teste imunoenzimático para diagnóstico rápido de hepatite A

O segredo está na substituição da imunoglobulina G pela imunoglobulina Y

O acesso limitado à água potável,

ao saneamento e até mesmo à vacina

e aos kits de diagnóstico, que têm alto

custo, são alguns dos fatores responsáveis

por manter em cerca de 1,5 milhão

o índice de novos casos de hepatite A

por ano, segundo dados da Organização

Mundial da Saúde (OMS). Com a meta

de oferecer ferramentas de diagnóstico

mais acessíveis, pesquisadores do Laboratório

de Desenvolvimento Tecnológico

em Virologia do Instituto Oswaldo

Cruz (IOC/Fiocruz) adaptaram um teste

imunoenzimático mais simples, mais barato e bioético. O

segredo está na substituição do anticorpo específico utilizado

no insumo – a imunoglobulina G (IgG), obtida a partir

de mamíferos imunizados – pela imunoglobulina Y (IgY),

sua correspondente nas aves e répteis. A estratégia já foi

concluída e o processo de validação está em andamento.

Em curto prazo, o teste poderá ser empregado em estudos

de prevalência ou mesmo para seleção de indivíduos que

necessitam ser vacinados contra hepatite A.

A inovação é fruto da dissertação de mestrado de Alexandre

dos Santos da Silva, aluno do Programa de Pós-

-Graduação em Biologia Parasitária do IOC, em parceria

com a Escola de Medicina Veterinária do Centro Universitário

Serra dos Órgãos (Unifeso). Os pesquisadores Marcelo Alves

Pinto, chefe do Laboratório e coorientador e Vanessa Salete

de Paula, orientadora do estudante, explicam que o insumo

de um teste imunoenzimático - também conhecido como - é

formado pelo antígeno e pelo seu anticorpo específico, extraído

de um animal previamente vacinado em laboratório,

como camundongo ou coelho. Este anticorpo funciona como

uma “cola”, pois ao se conectar ao antígeno, o mantém preso

à placa de titulação, composta por pequenos poços. Quando

recebe o soro de uma pessoa infectada, o vírus presente

no insumo também se conecta ao anticorpo do paciente,

possibilitando, assim, a detecção da doença.

A IgY pode ser extraída da gema dos ovos de frangas

vacinadas contra o agravo. Assim como acontece com os

humanos, as aves imunizadas produzem anticorpos antivírus

da hepatite A e o transferem ativamente para a gema do ovo,

processo que se assemelha ao do colostro em mamíferos, já

que o embrião se alimenta do mesmo durante seu desenvolvimento.

“Mas uma gema tem concentração de anticorpo

três vezes maior do que o mesmo volume de soro de coelho,

animal comumente usado para este fim. Além disso, a extração

da IgY poupa a ave de qualquer stress”, explica Alves.

Mais produtividade, menos sofrimento - A produção

da IgG, anticorpo homólogo ao humano utilizado

nos insumos disponíveis no mercado, exige procedimentos

invasivos para os animais, como a retirada de sangue de

coelhos e camundongos vacinados. “A bioética norteou nossa

busca, que resultou em um processo mais produtivo e que

reduz o seu custo”, diz o coorientador do estudo. Para a

Divulgação/fiocruz

O teste imunoenzimático criado é mais

simples, mais barato e bioético

avaliação inicial do novo insumo, foram

realizados testes com 100 amostras de

soro positivas para o vírus da hepatite

A (HAV) e 81 negativas, coletadas na

cidade de Três Rios, RJ, durante um

surto ocorrido em 2009. O resultado

aponta que o teste tem especificidade

e sensibilidade acima dos 95% - níveis

considerados ideais para kits imunoenzimáticos.

Parcerias para um novo desafio

- A equipe liderada por Marcelo

Alves Pinto se dedica agora ao

desenvolvimento de novos imunoterápicos a base de IgY,

que podem ser utilizados para o tratamento de infecções.

No rol de doenças a serem combatidas estão viroses de

transmissão entérica, como as hepatites tipos A e E, além

de gastroenterites, como as causadas por rotavírus, adenovírus

e norovírus.

Para estes três últimos, os pesquisadores buscam desenvolver

um imunoterápico de administração oral. “Nas gastroenterites,

a replicação do vírus ocorre apenas na mucosa

intestinal e, por isso, é possível neutralizá-los no próprio trato

digestivo com uma cápsula ou solução”, explica Alves. Na

nossa hipótese, em casos de surto, a transmissão também

poderá ser interrompida porque, uma vez neutralizadas, as

partículas de vírus secretadas nas fezes do paciente deixam

de ser infecciosas. O Laboratório de Virologia Ambiental e

Comparada do IOC, com os pesquisadores José Paulo Gagliardi

e Eduardo de Melo Volotão, especialistas em rotavírus, atuam

como parceiros do projeto e também como coorientadores do

doutorando Gentil Bentes e a mestranda Juliana Guimarães,

ambos do curso de pós-graduação em biologia parasitária.

Para teste da IgY como imunoterápico o grupo de pesquisadores

estabeleceram o macaco cinomolgos como modelo

experimental para a infecção pelo rotavírus humano. Ainda

no começo deste ano a IgY será administrada nos macacos

cinomolgos infectados com rotavírus humano. Comprovada

sua eficácia, os pesquisadores estimam que a estratégia de

imunoterapia poderia ser disponibilizada em cinco anos.

Já no caso da hepatite A, em que quadros agudos e

fulminantes são marcados por intensa replicação viral na

corrente sanguínea, o grupo conta com a colaboração do

pesquisador Jacob Pitcovisk, um dos cabeças do Instituto

Tecnológico Galileu (Migal), de Israel. O objetivo dos parceiros

é “encapar” a imunoglobulina uma molécula denominada

mannosamine-biotin, que possui função proteger a IgY de

um ‘ataque’ dos anticorpos produzidos pelo próprio paciente,

aumentando o tempo de atividade do mesmo no organismo.

“Este é um problema recorrente na imunoterapia. Esperamos

que, com a molécula conjugada, a IgY fique disponível o

suficiente para neutralizar o vírus na circulação”, ressalta.

Para saber mais:

www.fiocruz.br

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NewsLab - edição 116 - 2013


Laboratório Lenzi: há 25 anos

conquistando a qualidade e

a excelência laboratorial

Completando 25 anos de atividades, laboratório é

referência de profissionalismo na região sul do país

O

Laboratório Lenzi de Análises Clínicas, localizado na cidade de Jaraguá

do Sul em Santa Catarina, iniciou suas atividades em 1988

e tornou-se referência em excelência de qualidade na região.

Sua história tem início com o casal Dúlcio e Terezinha Lenzi, que investiram

na ideia dos filhos, Dúlcio Teodonir Lenzi Filho, economista, e Rosangela

Margarida Lenzi, farmacêutica/analista clínica, em empreender um negócio

de alto nível em análises clínicas. Assim, o principal foco do empreendimento

foi o investimento em equipamentos e no treinamento da equipe de trabalho,

com o objetivo de sempre atender da melhor forma seus clientes.

Em pouco tempo, e com foco total nessa premissa, o laboratório

conquistou a certificação ISO 9001. Sem se desviar desse caminho, o

laboratório vem obtendo desde 1992 o conceito “Excelente” no Programa

Nacional de Controle de Qualidade, da Sociedade Brasileira de Análises

Clínicas/SBAC, conquistando assim, os certificados nas categorias

Prata, Ouro, Platina e Diamante.

De acordo com os dirigentes do Laboratório Lenzi, a conquista

dessa certificação de Excelência Laboratorial na Categoria

Diamante deve-se ao excelente desempenho durante

20 anos consecutivos. “Somente 11 laboratórios no Brasil

entre 15.000 conquistaram este certificado”, relatam

os sócios e irmãos.

Em complemento à política de qualidade

total, em 2012 o Laboratório Lenzi obteve a

Acreditação pelo DICQ - Departamento

de Inspeção e Credenciamento da

Qualidade, conquistada junto

à Sociedade Brasileira de

Análises Clínicas.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Além disso, participa do Programa Nacional

de Proficiência em Ensaios Laboratoriais

(PELM), da Sociedade Brasileira de Patologia

Clínica/Medicina Laboratorial, desde 2005.

“A qualidade é um fator obrigatório no

Laboratório de Análises Clínicas. É com este

embasamento que o Laboratório Lenzi trabalha”,

afirmam Dúlcio e Rosangela Lenzi.

Segundo o relato dos Lenzi, para implantar

a qualidade deve haver o interesse e total

comprometimento dos responsáveis para

implementar os processos necessários. O

complexo processo começa com a cultura de

buscar continuamente a qualidade, passando

pelo treinamento dos profissionais do laboratório,

bem como garantir que a empresa

tenha um forte laço humanitário entre seus

colaboradores e clientes. Desde os serviços

mais simples até as mais sofisticadas técnicas

de realização dos testes laboratoriais, atendendo

a todas as normas regulatórias para

o funcionamento do laboratório. Entre essas

normas, estão as regulamentações da Anvisa,

ANS e requisitos técnicos da Boas Práticas de

Laboratório Clínico (BPLC).

Também fazem parte do processo atualizar

os conhecimentos existentes em

congressos, cursos e seminários, tanto no

Brasil como no exterior. É necessário ainda

o exato cumprimento de um sistema de

controle interno e externo da qualidade com

equipamentos modernos e automatizados,

com interfaceamento por código de barras

nas amostras coletadas e recebidas, aumentando

a qualidade e diminuindo riscos, a fim

de permitir a emissão de laudos confiáveis,

necessários ao diagnóstico, tratamento e

acompanhamento das patologias humanas.

“Para a nossa equipe, a qualidade se conquista

todos os dias. Essa é uma das metas

que o laboratório busca na prestação de seus

serviços e no atendimento ao cliente”, concluem

Dúlcio e Rosangela Lenzi.

E o laboratório não deixa de fazer sua

parte para se tornar uma empresa com uma

forte política de sustentabilidade. Além de

trabalhar com um centro de reciclagem,

onde todos os itens recicláveis têm uma

destinação correta, a empresa participa

todos os anos como voluntária na Ação Comunitária

WEG, importante iniciativa da região

que leva informações, orientações e serviços

gratuitos à comunidade.

A gestão do Laboratório Lenzi

• Realiza exames e tem conquistado a qualidade e

a excelência laboratorial desde 1988

• Acreditação DICQ – Sistema de Gestão da

Qualidade e Competência Técnica

• Equipe qualificada, com experiência e suporte

científico

• Treinamento constante da equipe de trabalho

• Certificação ISO 9001

• Participante do Programa Nacional de Controle

de Qualidade da Sociedade Brasileira de Análises

Clínicas (PNCQ) e da Sociedade Brasileira de

Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (PELM)

• Agilidade no atendimento e na entrega dos

resultados

• Resultados via internet para convênios e

consultórios médicos

• Realiza um grande número de exames, sendo

80% em equipamentos de última geração

automatizados e interfaceados com amostras

identificadas por código de barras

• Constante investimento em equipamentos,

acompanhando a evolução tecnológica do setor

• Intercâmbio com centros de pesquisa

nacionais/internacionais para realização de

exames especializados

• Soroteca

• Responsabilidade social

• Centro de reciclagem

Os irmãos Dúlcio e

Rosangela Lenzi

NewsLab - - edição 116 - 2013

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Cronologia das certificações

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NewsLab - edição 116 - 2013


Sociedades das quais o

Laboratório é membro

• Sociedade Brasileira de Análises Clínicas,

participante do Programa Nacional de

Controle da Qualidade, conquistando os

certificados de Excelência Laboratorial

categoria Prata, Ouro, Platina e Diamante

• Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/

Medicina Laboratorial como Participante

do Programa Nacional de Proficiência em

Ensaios Laboratoriais (PELM)

• Latin American Quality Institute

• Certificação ISO 9001

• Empresa Amiga da Criança – Fundação ABRINQ

• ACIAG – Associação Empresarial de

Guaramirim/SC

• ACIJS – Associação Comercial e Industrial de

Jaraguá do Sul/SC

• CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas de

Jaraguá do Sul/SC

• Sindilab– Sindicato dos Laboratórios de

Análises Clínicas, Patologia Clínica e Anatomo-

Citopatologia no estado de Santa Catarina

• Prêmio Qualidade Empresarial Estadual 2007

a 2010 – Jotapê Pesquisas

• Prêmio Top of Empreendedor – 2010

• Troféu Marketing Empreendedores Top of

Business – 2009

• Prêmio Excelência Master Pesquisas Nacional

– 2008

• Prêmio Nacional Integrado Master Pesquisas

– 2008

• Prêmio Qualidade Empresarial Nacional 2007

– Jotapê Pesquisas

• Prêmio Destaque Empresarial 2007 Jaraguá do

Sul – Platinum Pesquisas

• Prêmio Master Empresarial Municipal, Estadual

e Nacional – 2007

• Prêmio Top of Mind Nacional – 2005 a 2007

Prêmios conquistados

• Certificação de Proficiência 2012 – SBPC/ML

• Prêmio Excelência Laboratorial Categoria

Diamante 2011 – SBAC

• Global Quality Certification – Latin American

Quality Institute – Buenos Aires – 2011

• Prêmio Top of Quality Platinum 2011– Ordem

dos Parlamentares do Brasil

• Prêmio Gestão e Qualidade 2011 – Instituto

de Pesquisas

• Prêmio Mérito Empresarial

Estadual – 2005 a 2011

• Prêmio Destaque 2011 Jaraguá do Sul –

Premier Pesquisas

• Brasil Quality Certification – Latin American

Quality Institute – São Paulo 2010

• Prêmio Top of Quality2010 – Ordem dos

Parlamentares do Brasil

• Gran Prêmio Empreendedores do Mercosul

2010 – Assis Chataubriand – Orkut TV

• Prêmio Sustentabilidade 2010 – Ordem dos

Parlamentares do Brasil

• Prêmio Mérito Liderança Sul

Brasil – 2009 e 2010

A origem da família Lenzi

A família Lenzi é originária da Itália. O braço

brasileiro da família começa com Verdi Francisco

Lenzi, que nasceu em Jaraguá do Sul, Santa

Catarina, em 1903. Casou-se com Guilhermina

Pereira Lima, com quem teve seis filhos.

Seu filho Dúlcio Teodonir Lenzi casou-se

com Terezinha Murara, também em Jaraguá

do Sul, e tiveram seis filhos. Ele, um empreendedor,

trabalhou desde cedo com a família na

lavoura e aos 13 anos foi trabalhar na indústria

de Jaraguá do Sul. Um trabalho duro, mas aos

17 anos foi ser caixeiro viajante onde obteve

experiência e conhecimento para montar a

Fazendeiro Automóveis, uma revenda de carros

novos e usados, juntamente com uma oficina,

onde comprava carros usados para reformá-los

e vendê-los, um serviço diferenciado para época.

Sua esposa, Terezinha Murara Lenzi, além

de ajudar na revenda de carros, montou uma

fábrica de chocolate, cujo nome era Chocolate

Caseiro Jaraguá, muito famosa na cidade.

NewsLab - - edição 116 - 2013

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Opinião de quem é parte da história

Dúlcio Teodonir Lenzi Filho,

Diretor Administrativo/Financeiro

“Agradeço a Deus o criador,

incriado de todas as coisas, pela

permissão de chegar até aqui e

por tudo que foi realizado. Pode

ter ficado algo a ser feito, mas como disse Chico Xavier

‘ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo,

mas todos podemos começar agora e fazer um novo fim’.

Sempre temos a oportunidade de começar novamente

fazendo mais e melhor”.

Rosangela Margarida

Lenzi, Direção Técnica

“Desde o primeiro dia de trabalho

guardo forte na lembrança

a preocupação de realizar os

exames seguindo os cuidados

preconizados na literatura nacional

e internacional. Ler, estudar e

escolher o melhor, sempre foram o lema desta empresa.

Esta busca por excelência na qualidade dos resultados

proporcionou muitos dias de intenso trabalho, estudo e

também muitos desafios, geralmente sem horário para

terminar. Questionavam-me sempre o que me fazia ir mais

além. Perfeccionismo Desafio Dever cumprido A resposta

é simples, foi o amor! O amor pela profissão fez-me

ver que atrás de cada frasco, tubo de amostra biológica,

havia um ser humano buscando uma resposta para o que

o estava afligindo. Mantendo esta certeza, continuarei

por tempo aprimorando o que já foi realizado e buscando

inovar sempre. Agradeço a minha família, colaboradores,

clientes e amigos que acreditaram nesta jornada”.

Angela Maria Piccinini,

Gestora da Qualidade

“Desde o início no meu trabalho,

percebi que a política

do laboratório era voltada para

a qualidade e o atendimento

diferenciado ao cliente. Com o

passar dos anos a qualidade foi

intensificada e tanto eu quanto todos os colaboradores

criamos hábitos voltados diretamente à excelência da

qualidade. O trabalho é árduo, mas muito gratificante,

podendo ser medido através das nossas certificações e

da confiança dos clientes e médicos. A cada dia temos

novidades tecnológicas, um contínuo desafio na busca por

novos treinamentos, equipamentos e por consequência

o crescimento profissional”.

Geraldina Aparecida Pereira

Giovanella, Responsável pela

Recepção e Coleta

“Participar do desafio dessa

empresa sempre foi gratificante,

mesmo começando ainda jovem

e agora com 22 anos de empresa,

aprendi e gosto do que faço. Saber

que é desse local de trabalho

que passei grande parte da minha vida, me faz refletir o

quanto sou grata por tudo e por todos que fizeram parte

desse caminho que percorri até agora”.

Grupo Reação, um parceiro em

apoio laboratorial

“Atuando na região sul do Brasil,

mais fortemente no estado de

Santa Catarina, o Grupo Reação

entende que é um privilégio ter

entre seus associados um laboratório

referência como o Laboratório

Lenzi. Uma das bases do

modelo de negócio do Grupo visa o desenvolvimento de

reservas de mercado entre os laboratórios associados. É

por isso que o Reação apoia e fomenta as iniciativas do

Lenzi, enxergando-o como um associado que contribui

não apenas com volume de amostras enviadas, mas

principalmente com sua postura ética e sua participação

significativa no mercado e no próprio Reação. Com os

desafios impostos pelo mercado, o Reação acredita que

cooperar para competir é sempre o melhor caminho

para longevidade dos laboratórios e, desta forma, os

25 anos de história do Laboratório Lenzi são fonte de

inspiração com modelo e conduta a serem seguidos. O

grupo Reação parabeniza a família Lenzi pois confia em

todo seu trabalho prestado e reconhece que suas práticas

vão ao encontro do engrandecimento do setor de

análises clínicas”.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Alere valida automação para triagem de microbiologia no HC da UFPR

Em 2012 a Alere realizou a validação do sistema de automação

para triagem de microbiologia com os instrumentos Alfred

60 e HB&L no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do

Paraná (UFPR). Ambos os sistemas realizam a triagem de microbiologia,

permitindo a liberação dos resultados negativos em

até 3 horas e a prévia de positividade em até 45 minutos com

contagem de colônias, possibilitando assim uma rápida intervenção

clínica e redução dos custos de terapia antimicrobiana

inadequada e internação hospitalar.

A Dra. Gislene Maria Botão Kussen, farmacêutica do Hospital

das Clínicas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e responsável

pelo setor de Microbiologia fez um depoimento sobre o processo

de validação e os benefícios da automação para o paciente:

“A automação, em todos os sentidos, veio para ajudar a rotina

de grandes e médios laboratórios. A agilidade na liberação de

resultados e prévias de positividade com contagem de colônias

é a ferramenta que faltava na microbiologia. Há uma grande

pressão dos clínicos para agilizar os resultados, o que sem a

automação é inviável.

Com a automação uma amostra de urina que chega ao setor

para cultura e parcial de urina pode ter os resultados liberados

praticamente ao mesmo tempo. O resultado de uma amostra

negativa permite agilidade e maior segurança para o clínico

dispensar o paciente de um tratamento antimicrobiano desnecessário

ou inadequado, além de poder investigar outras causas

para elucidar a clínica apresentada pelo paciente com rapidez,

levando um grande benefício para a população.

Quanto aos pacientes

hospitalizados, o teste de

Atividade Antimicrobiana

Residual (RAA) se torna

útil ao clínico, excluindo

a possibilidade de um

resultado falso-negativo.

O teste de RAA, quando

positivo, pode levar a uma

ausência de crescimento

microbiano na urocultura

devido à presença de

antibióticos no paciente.

A automação da cultura associada ao teste de RAA evidencia

mais facilmente uma provável cultura negativa com grande

rapidez e eficácia.

Os sistemas Alfred 60 e HB&L liberam a contagem de colônias

em UFC/mL de forma real, excluindo as variabilidades

operacionais, quando realizada a cultura em placa (calibração da

alça e exatidão de contagem), além da eliminação do manuseio

da amostra pelo operador. A amostra de urina identificada com

código de barras é colocada imediatamente no equipamento e

liberada sem nenhum manuseio do operador, garantindo assim

a segurança, confiabilidade e precisão do resultado com contagem

exata das colônias presentes em UFC/mL na amostra em

apenas 3 horas”.

Referência:

Albini CA, Souza HAPHM, Silveira ACO, Kussen GMB. Pesquisa de

substâncias antimicrobianas em urinas destinadas a cultura. In:

Albini CA, Souza HAPHM, Silveira ACO (Org.). Infecções urinárias:

uma abordagem multidisciplinar. Infecções urinárias: uma abordagem

multidisciplinar.. 1ed.Curitiba: Editora CRV, 2012.

: (11) 2131-5100

: contato.br@alere.com

: www.alerebrasil.com.br

Lâmina para automação tipo Sysmex e cubeta para aparelho tipo Konelab: novidade Cral

A lâmina para automação

tipo Sysmex,

entre outros, é fosca

lapidada, de tamanho

26x76mm, espessura

de 1,0 a 1,2mm e é

produzida em vidro

ótico especial, transparente

de alta qualidade

e sem imperfeições.

A caixa vem com 50 unidades revestidas com embalagem

plástica, sem seda entre as lâminas. Encaixe perfeito nos

equipamentos de hematologia da marca Sysmex.

Cubeta para

aparelho tipo Konelab:

encaixe perfeito

nos analisadores de

química clínica Konelab

20, Konelab

Prime 60, Thermo

Scientific, entre outros.

É comercializada

em caixas com

30 racks, contendo em cada rack 30 cubetas com 12 orifícios.

/: (11) 3454-7000 / (11) 2712-7000

: vendas@cralplast.com.br / : www.cralplast.com.br

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NewsLab - edição 116 - 2013


ioMérieux: parceira no diagnóstico de doenças infecciosas

A bioMérieux confirma seu constante

compromisso na luta contra doenças

infecciosas oferecendo uma plataforma

que utiliza a tecnologia Boom ® de extração

com alta flexibilidade e versatilidade:

NucliSENS TM easyMAG.

O NucliSENS TM easyMAG ajuda a

otimizar o fluxo de trabalho e produtividade,

com a possibilidade de

extrair diferentes tipos de amostras

em uma mesma corrida: 40 minutos

para 24 extrações. Além disso, possui um protocolo genérico

para extração de ácidos nucleicos total (DNA e RNA) com

um único conjunto de reagentes para todas as aplicações.

A alta flexibilidade do NucliSENS TM easyMAG permite

que o usuário selecione para cada tipo

de amostra, em uma mesma corrida,

os volumes a serem extraídos em um

range de 10 a 1.000 microlitros e os

volumes de eluição em um range de 25

a 110 microlitros.

Recentemente a bioMérieux desenvolveu

no NucliSENS TM easyMAG, um

protocolo para sangue total específico

para diagnóstico viral, com o objetivo

de atingir o melhor equilíbrio entre desempenho

e usabilidade. Este protocolo oferece excelentes

resultados para quantificação de carga viral em testes para

Citomegalovírus, Epstein-Baar entre outros, apresentando

alta sensibilidade clínica.

Produto Código Apresentação Reg MS

NucliSENS easyMAG Extraction Buffer 1 280130 4 x 1.000mL 10158120566

NucliSENS easyMAG Extraction Buffer 2 280131 4 x 1.000mL 10158120570

NucliSENS easyMAG Extraction Buffer 3 280132 4 x 1.000mL 10158120567

NucliSENS easyMAG Magnetic Silica 280133 48 x 0,6mL 10158120569

NucliSENS easyMAG Lysis Buffer 280134 4 x 1.000mL 10158120568

NucliSENS easyMAG Disposable 280135 16 x 24 vessels 10158120564

: 0800 0 264848

: contato@biomerieux.com

: www.biomerieux.com.br

Mantas aquecedoras Biomixer

O aquecimento de substâncias é uma

operação rotineira no ambiente laboratorial e

fundamental em determinados procedimentos,

como gerar interações moleculares e provocar

reações, tornando-se indispensável o uso de

equipamentos que facilitem e garantam a segurança

do processo.

Especialmente projetada para essa finalidade,

emprega-se a manta aquecedora, um

aparelho calorífico que promove o aquecimento

controlado de soluções. O ajuste de intensidade

de temperatura, caraterístico desse equipamento,

torna-o adequado para processos de destilação e filtração

a quente, em operações que exijam forte aquecimento e na

manipulação de substâncias como solventes e soluções inflamáveis,

pois não produz faísca. Suas aplicações abrangem diversas

áreas desde faculdades a laboratórios médicos até indústrias

petroquímicas.

A Biomixer disponibiliza uma linha de mantas

aquecedoras com capacidades variadas (de

100 a 1.000 mL), que atingem temperaturas

até 380ºC, ideais para balões volumétricos de

fundo redondo. Seu revestimento interno de

fibra de vidro de alta resistência evita a perda

de calor para o ambiente, proporcionando

aquecimento rápido e uniforme. Além da função

de aquecimento, as mantas aquecedoras

da Biomixer oferecem a opção simultânea de

agitação, o que torna o processo ainda mais

eficaz. A combinação dessas características garante maior economia

de tempo e custo, proporcionando conforto e segurança

ao usuário e resultados garantidos.

: contato@biomixer.net.br

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NewsLab - edição 116 - 2013


Semana de Educação Continuada no laboratório: uma forma interessante de

atualizar os colaboradores em Medicina Diagnóstica

A constante necessidade de capacitação dos funcionários nas

diferentes áreas do laboratório de Análises Clínicas, as exigências

cada vez maiores para manter os padrões internos de qualidade

elevados e a necessidade de ter um processo de retenção dos

profissionais, fazem com que as empresas se preocupem cada

vez mais com a educação continuada dos seus profissionais.

Para auxiliar nessa tarefa a Formato Clínico oferece um

programa de educação continuada formatado para as necessidades

dos laboratórios e colaboradores e alinhado à estratégica

da empresa.

A exemplo da semana da CIPA e semana da qualidade, que

muitas empresas adotaram, por que não fazer a semana de

Educação Continuada no laboratório Como o nome já diz, tem

duração de uma semana (cinco dias) e tem como objetivo atingir

todos os colaboradores da empresa nos diversos assuntos técnicos

e de gestão, com foco em laboratórios de análises clínicas.

Como funciona A Formato Cínico, junto com os responsáveis

pela área de capacitação da empresa, desenham uma grade a

partir da lista de cursos disponibilizados. É determinado o dia

de início da semana e os horários apropriados. São cinco dias

de aulas e cursos para todos os colaboradores da empresa. Um

exemplo pode ser observado na Tabela.

Desta forma, a Formato Clínico espera seguir contribuindo

para o crescimento sustentável do setor de Medicina Diagnóstica.

: (11) 3528-7405

: formatoclinico@formatoclinico.com.br

Veolia Water assume 100% do negócio Elga no Brasil

A Veolia Water Brasil adquire o negócio Elga Labwater da

Nova Analítica e passa a cuidar de 100% da operação no mercado

nacional. Elga é uma marca global de purificadores de água para

laboratório pertencente à Veolia, sendo que no Brasil os produtos

eram comercializados pela

Nova Analítica, que atua em

distribuição de equipamentos

e acessórios laboratoriais. No

Brasil, a tecnologia Elga está

presente em clientes industriais

e nos principais laboratórios da

área diagnóstica.

Francisco Faus, gerente

geral da divisão Solutions da

Veolia Water Brasil, destaca

que o mercado se beneficia

com a centralização do negócio

Elga na Veolia. “O cliente passa

a ter uma única entidade de

contato, pois até então a linha

era comercializada pelas duas

empresas. Além disso, Elga

terá incremento de investimentos

por parte do grupo, para

aumentar o reconhecimento

da marca dentro

dos padrões da Veolia.

Por fim, é importante

ressaltar que a sinergia

entre as duas empresas

continuará, pois a Nova

Analítica tem uma vasta

base instalada, na qual

outros serviços da Veolia

podem ser oferecidos”,

avalia.

A linha Elga Labwater

é formada pelas tecnologias

Purelab, concebida para oferecer a pureza da água

indicada para as aplicações laboratoriais específicas; Centra,

cuja função é produzir e distribuir água purificada para laboratórios

individuais; Medica, que garante a analisadores clínicos

um fornecimento constante e confiável de água compatível para

produzir e reproduzir testes de diagnóstico com precisão; e

Biopure, voltada para limpeza e esterilização de equipamentos

médicos reutilizáveis.

: www.veoliawaterst.com.br

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NewsLab - edição 116 - 2013


Laboratório Samaritano de Goiânia utiliza equipamentos de última geração da Horiba

O Laboratório Samaritano de Goiânia,

referência na região há 42 anos, atesta a

qualidade do equipamento da Horiba Medical

chamado Micros ES60. O analisador hematológico

possibilitou resultados precisos em

relação à contagem das células do sangue,

com a exibição do perfil completo do paciente.

“Após adquirir o equipamento da Horiba

notamos que os resultados tornaram-se

mais precisos, o que diminuiu a quantidade

de amostras recoletadas para confirmação

de resultados no laboratório. Os pacientes

internos do hospital também se beneficiaram

com o novo equipamento, visto que, com a

utilização do mesmo, notamos que a confiabilidade nos exames

por parte dos médicos aumentou, o que também contribuiu para

a diminuição do número de recoletas, permitindo assim que o

laboratório pudesse, inclusive, entregar os resultados com mais

rapidez”, relata o Dr. Rogério Evaristo Chaveiro Fam, biomédico

e responsável técnico pelo Laboratório Samaritano de Goiânia.

Com o Micros ES60 (utilizado no laboratório desde meados

de 2010), a rotina mudou e os resultados são

precisos. O equipamento possui o diferencial

da tela sensível ao toque, responsável por

oferecer completa integração do biomédico

ao sistema, de fácil interpretação. Além do

Micros ES60, o laboratório utiliza mais dois

equipamentos da companhia japonesa, o

Pentra 80 e o Pentra 400, sendo o último

utilizado no departamento de bioquímica.

O Dr. Rogério ainda citou o auxílio que

recebeu durante a greve da Agência Nacional

de Vigilância Sanitária (Anvisa), que teve

início em julho de 2012 e afetou diversos

laboratórios do País por conta da falta de

reagentes para a realização de exames. Na hematologia, o Laboratório

Samaritano não foi afetado porque a Horiba produz

os reagentes do Micros ES60 nacionalmente. “Recebemos todos

os kits para os exames e enfrentamos a greve da Anvisa sem

nenhum problema”, finaliza o biomédico.

: www.horiba-abx.com

Dislipidemias em Diabetes*

Um dos temas de estudo nos últimos anos são as causas

de morbimortalidade de pessoas com diabetes melito

(DM), que estão diretamente relacionadas às complicações

cardiovasculares e nestas as dislipidemias associadas intervém

de maneira decisiva. Foi observado que pacientes

com diabetes melito tipo 1 compensados metabolicamente

e que não apresentem lesões renais apresentam as taxas

de lipídeos em concentrações similares às da população em

geral. Nos pacientes diabetes melito tipo 2 (DM2) a prevalência

de hipercolestoremia isolada é similar à da população

em geral, enquanto a elevação moderada do triglicérides e

a diminuição do HDL Colesterol pode chegar a taxas duas a

quatro vezes superior.

As principais causas de morte dos pacientes com DM2

(60-80%) são devidas aos problemas cardiovasculares e a

incidência de infarto agudo de miocárdio é de duas a cinco

vezes maior que em pessoas com tolerância normal à glicose.

Estima-se que até 80% dos pacientes com DM2 apresenta uma

ou mais anomalias lipídicas.

A avaliação e o diagnóstico das dislipidemias devem ser

realizados com base nos dados obtidos com a anamnese,

pelo exame físico, pela avaliação metabólica do DM e pelos

os estudos bioquímicos de lipídeos e lipoproteínas.

A anamnese tem como finalidade a obtenção de dados

acerca dos antecedentes pessoais (tipo de diabetes, duração

e controle glicêmico, enfermidade cardiovascular e fatores

de risco aterogênicos, idade, tabagismo, hipertensão e hiperlipidemia,

etc), dos antecedentes familiares (diabetes,

enfermidade cardiovascular fatal ou não, dislipidemias, fatres

de risco aterogênico), das dislipidemias secundárias (insuficiência

renal, síndrome nefrótica, enfermidade hepática,

lupus, obesidade, gravidez, endocrinopatias, medicamentos,

etc) e das dislipidemias adquiridas (álcool, cigarro, hábitos

alimentares, dieta etc.).

No exame físico é verificada e avaliada a antropometria.

Na avaliação metabólica e das complicações da DM são

realizados: a ecografia abdominal, o exame de fundo de olhos,

a tomografia, níveis bioquímicos de lipídeos, glicemia, HbA1c,

microalbuminúria, proteinúria e creatinina.

Os estudos bioquímicos dos lipídeos e lipoproteínas são

conduzidos de forma a obter resultado e taxas dos parâmetros

do perfil, que são: colesterol total e frações, apoliproteína A-1

e apolipoproteína B, triglicérides, eletroforese de lipoproteínas,

lipoproteína A.

O risco cardiovascular global em pessoas com DM deve ser

estimado mesmo antes do aparecimento dos sintomas.

A Biotécnica possui uma variada linha de produtos que contempla

os kits para a determinação da maioria dos lipídeos e

lipoproteínas e para a determinação do perfil diabético.

Bibliografia:

Garcia AB, Brites F & Cols. Consenso de Dislipidemias en Diabetes.

Rev. Soc. Arg. de Diabetes. 46(3): 139-152, 2012.

* Por Baby Maria

: (35) 3214-4646

: sac@biotecnicaltda.com.br

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NewsLab - edição 116 - 2013


Linha Safety Vacuette ® : evolução em segurança contra

acidentes com materiais perfurocortantes

A Greiner Bio-One, preocupada com a saúde do profissional

que atua na área de coleta de sangue, assim como a dos

pacientes, apresenta uma gama de produtos inovadores que

atendem a NR-32. A linha Safety Vacuette ® foi criada para

prevenir acidentes durante o manuseio de agulhas e materiais

perfurocortantes, que muitas vezes resultam na transmissão de

doenças infectocontagiosas.

No setor da saúde, acidentes provocados por materiais

perfurocortantes são a maior causa da transmissão de doenças

infecciosas, sendo os de maior risco aqueles ocasionados por

agulhas. Isto representa, de forma significativa, um grande

perigo para muitos colaboradores que atuam nesta área. Mais

de 50% de todos os casos registrados são relativos à equipe de

enfermagem, seguidos pelas equipes de laboratório de análises

clínicas e médicos.

Atualmente existem aproximadamente 30 patógenos que

são transmitidos pelo sangue, sendo os mais perigosos: HBV

(Hepatite B), HCV (Hepatite C) e HIV (Vírus da Imunodeficiência

Humana). Recentes estudos mostram que as infecções

ocorrem dez vezes mais em hospitais e laboratórios do que em

ambientes externos.

Por esse motivo, a Greiner Bio-One continua investindo no

desenvolvimento de produtos seguros e funcionais, que respeitam

as medidas de segurança, atendendo a NR-32 e protegendo

tanto a saúde do paciente quanto a do profissional que atua

na área de coleta de sangue, disponibilizando atualmente os

seguintes produtos no mercado brasileiro:

• Escalpe com trava de segurança Vacuette ® estéril, de fácil

manuseio e a ativação do mecanismo é realizada com um único

movimento.

• Recipientes para descarte de materiais perfurocortantes,

produzidos com material plástico impermeável, são mais resistentes

e seguros, possuem alças para transporte e tampa com

sistema de fechamento que dificulta sua violação e estão de

acordo com a norma ABNT NBR 13853.

• Adaptador de segurança QuickShield Vacuette ® de plástico

polipropileno, é descartável e de uso único, projetado com um

dispositivo de segurança lateralizado (escudo protetor integrado),

o qual é ativado para cobrir a agulha imediatamente após a

punção venosa auxiliando na proteção de um possível encontro

acidental com a agulha, possui a rosca e o bico centralizados

possibilitando a escolha da posição do escudo, facilitando o procedimento

de coleta. Disponível também nas versões QuickShield

Complete que possui agulha para coleta a vácuo Vacuette ® pré-

-encaixada, em uma única embalagem, e QuickShield Complete

Plus que possui agulha para coleta a vácuo Visio Plus Vacuette ® ,

com antecâmara que permite a visualização do fluxo sanguíneo

após a punção, pré-encaixada, em uma única embalagem.

• Torniquete descartável Vacuette ® que reduz o risco de

contaminação cruzada, possui um revestimento especial no

lado interno que garante maior aderência à pele, é isento de

látex, o que previne alergias e irritações na pele, e é indicado

para uso único.

: www.gbo.com

G-6-PDH da Randox: elevado desempenho nos ensaios de detecção da deficiência de G-6-PDH

A deficiência de G-6-PDH (Glicose-6- fosfato desidrogenase)

é uma doença hereditária, caracterizada pela lise das células

vermelhas do sangue - conhecida como hemólise. Indivíduos

que possuem deficiência de G-6-PDH sofrem frequentemente

de anemia hemolítica, que ocorre quando as hemácias são destruídas

mais rapidamente que a capacidade de produção pelo

organismo para repô-las. Consequentemente, o suprimento de

oxigênio para as células do corpo diminui.

A anemia hemolítica pode ser desencadeada por infecções

bacterianas e virais, estresse grave, consumo de alguns medicamentos,

como por exemplo antibióticos e por determinados

alimentos, em particular, a fava. Os síntomas da anemia hemolítica

incluem urina escurecida, cansaço extremo, aumento da

frequência cardiaca, falta de ar e ictericia. Nos casos graves, a

anemia hemolítica pode causar insuficiência renal.

A Randox oferece um teste de alta performance para a detecção

da deficiência de G-6-PDH. Os benefícios do kit de G-6-PDH

da Randox incluem:

• Reagentes liofilizados - proporcionam maior estabilidade

• Excelente sensibilidade - capaz de detectar baixas concentrações

de G-6-PDH

• Boa estabilidade após reconstituição - minimiza perdas de

reagentes

• Aplicações disponíveis - protocolos específicos para uma

ampla gama de equipamentos de bioquímica

• Controles disponíveis para G-6-PDH - proporcionam maior

confiabilidade aos resultados

: (11) 5181-2024 / : www.randox.com

: marketing@randox.com

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NewsLab - edição 116 - 2013


Screening para Malária usando o analisador hematológico automatizado BC6800 Mindray

A malária é uma das principais doenças transmitidas por

vetores em países tropicais e subtropicais com alta taxa de

morbidade e mortalidade. Normalmente é utilizada a técnica

gold standard gota-espessa na identificação do parasita. Isso é

um fato estabelecido e conhecido que trata de uma abordagem

que perde muitos casos de infecção por malária.

Devido ao hemograma ser sempre solicitado em casos de

febre e com o aumento da oferta de analisadores hematológicos

nos países em desenvolvimento, diversos estudos reportam os

benefícios em usar dados numéricos e gráficos desses analisadores

para a suspeita ou detecção de malária.

Um método confiável na detecção de malária incorporado na

análise da série vermelha, como um alerta ou mensagem podem

ajudar a detectar precocemente e até reduzir potencialmente os

casos relatados como infecção por malária.

O objetivo do estudo* foi analisar através do BC6800 da

Mindray Medical International Co. Ltda. – China, os dados dos

parâmetros de CBC, reticulócitos, eritroblastos e também o flag

dedicado “InfectedRBC”(InR#), que é um parâmetro somente

para pesquisa, que acusa de acordo com o número de células

vermelhas infectadas pelo parasita, se presente na amostra. O

que nos levou à realização desse estudo, avaliando a utilização

desse método na triagem em áreas endêmicas de malária.

Foram analisadas 497 amostras, sendo 248 positivas e

249 negativas para malária. Essas amostras foram analisadas

no BC6800 usando somente reagentes dedicados, calibrador

controle do fabricante. O desempenho do analisador foi monitorado

com dois níveis de controle de qualidade. A sensibilidade

e especificidade do flag “InfectedRBC” gerado pelo analisador

BC6800 foi avaliada.

Das 248 amostras de malária confirmadas, 74% (184) foram

P. vivax e 26% (64) foram P. falciparum. A microscopia revelou

a presença de formas esquizontes em 169 casos e trofozoítas em

79 casos. O número de grumos correlacionou com a parasitemia

estimada na gota espessa desses pacientes.

O analisador BC6800 gerou flags “InfectedRBC” em 156 de

169 casos confirmados com formas esquizontes, ou seja, 93,7%

dos casos. Com isso é possível monitorar pacientes em tratamento.

Amostras com malária, especialmente com esquizontes e ou

gametócitos, mostraram um grumo distinto e com localização

única no SFCube ® . Já as amostras com trofozoítas foram difíceis

de detectar, pois se mostraram altamente dependentes do

tamanho e número de parasitas presentes na amostra.

Estabelecer um protocolo de trabalho para examinar as

amostras com flag gota-espessa ou testes de imunocromatografia

reduzirão consideravelmente o tempo na intervenção

terapêutica com grandes chances de melhora desses pacientes.

*Bhide M¹ e Parekh V²

1. Consultor Patologista, Dr. Bhide Laboratory, Mumbai-India

2. Diretor Científico, Shenzhen Mindray Medical International Co.

LTD., Shenzhen-CHINA

Tradução: Erica Campardo

Este material foi apresentado como pôster na conferência ISLH –

Nice-França

: (11) 3124-8026

: (11) 3078-8035

: ivdbrasil@mindray.com

: www.mindray.com

WBC Diff – Grumo distinto InR# (amarelo) SFCube ® Scatter- outro ângulo InR# (amarelo) Célula vermelha infectada por malária

Alere finaliza processo de integração

A Alere S.A., líder mundial em Point Of Care (POC), concluiu

no início deste ano a integração das companhias do grupo no

Brasil (Bioeasy Diagnóstica S/A e Prodimol Biotecnologia S/A).

No dia 07 de janeiro deste ano, a Bioeasy Diagnóstica S/A

e a Prodimol Biotecnologia S/A deixaram de existir como sociedades

independentes, subsistindo apenas a denominação

social Alere S/A.

Sérgio Oliveira, presidente da companhia no Brasil, informa

ainda a todos os clientes, parceiros e fornecedores que todos os

negócios, atividades e obrigações da Bioeasy e Prodimol serão

incorporados e assumidos integralmente pela Alere. Dessa forma,

a empresa reafirma o compromisso em fornecer produtos de alta

tecnologia e performance com qualidade e eficiência.

: (11) 2131-5100 / : contato.br@alere.com

: www.alerebrasil.com.br

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NewsLab - edição 116 - 2013


Usa Diagnóstica: quimioluminescência para todos

A USA Diagnóstica tem uma linha completa de kits com a

metodologia Quimioluninescência (CLIA) e é a única empresa

no mercado nacional com a exclusividade da marca Monobind.

A quimioluminescência é uma metodologia de alta sensibilidade

e especificidade. Ideal para rotinas de pequeno e médio portes,

pois permite testes manuais, de curto tempo de incubação.

Além dos kits, a USA Diagnóstica possui um equipamento

específico para CLIA, com a marca Monobind, que além da excelente

qualidade, possui baixo custo.

Para maior confiabilidade nos resultados, a USA Diagnóstica

oferece o Multi-Ligand, um soro controle específico para as

metodologias de quimioluminescência e Elisa.

Anti-TPO T3 Total PSA Total FSH CKMB

Anti-TG T4 Livre TSH LH Troponina I

TG T4 Total CEA PRL Ferritina

T3 Livre PSA Livre AFP HCG IgE Total

: (31) 3226-3330

: usadiag@usadiagnostica.com.br

: www.usadiagnostica.com.br

Medivax oferece diagnóstico de Dengue por PCR em tempo Real

Simplexa TM Dengue é o primeiro kit comercial

no mercado brasileiro, desenvolvido

para a detecção qualitativa e discriminação

dos sorotipos DENV-1, 2, 3 e 4 por RT-PCR

em tempo real em reações multiplex.

O kit Simplexa TM Dengue foi idealizado

para utilização no Termociclador Integrado

3M*. É o primeiro kit comercial que permite,

através de PCR em tempo real, a detecção e

identificação dos sorotipos do vírus em reações

multiplex. A detecção precoce através do teste molecular

é importante, pois possibilita o diagnóstico em fase aguda,

tornando o trabalho mais fácil e ágil. O produto permite ainda

a liberação de resultados com maior rapidez e confiabilidade.

Ensaio comparativo entre resultados obtidos com o Simplexa Dengue

e dados do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC-EUA)

n %

DENV-1 Sensibilidade 32 100%

Especificidade 147 92,5%

DENV-2 Sensibilidade 30 96,7%

Especificidade 149 99,3%

DENV-3 Sensibilidade 29 100%

Especificidade 150 100%

DENV-4 Sensibilidade 38 97,4%

Especificidade 141 94,3%

Os resultados são obtidos em até 1 hora e

relatórios gerados diretamente do programa

integrado ao equipamento.

O quadro epidemiológico atual da dengue

no país caracteriza-se pela ampla distribuição

do Aedes aegypti em todas as regiões, com

uma complexa dinâmica de dispersão do seu

vírus e circulação simultânea de três sorotipos

virais (DENV1, DENV2 e DENV3), já com a

introdução do sorotipo DENV4.

A detecção precoce para identificação e/ou confirmação da

infecção por DENV é importante principalmente em períodos

de surto ou epidemia, para o tratamento de pacientes e eficiente

implementação de medidas de controle pelos órgãos de

saúde pública. Neste contexto, o RT- PCR em tempo real é um

excelente método para o diagnóstico precoce de infecção por

DENV devido à elevada sensibilidade e especificidade, além

da facilidade do processamento de grande número de reações

e da rápida detecção de quantidades mínimas de material

genético do vírus nas amostras dos pacientes.

* Termociclador para PCR em Tempo Real que realiza análises

qualitativas e quantitativas de ácidos nucleicos em amostras

biológicas.

: (21) 2622-4646

: medivax@medivax.com.br

: www.medivax.com.br

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Dengue: abordagem clínico-laboratorial

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda que pode

ser de curso benigno ou grave, dependendo da forma como se

apresenta. O agente da dengue é um vírus de RNA do gênero

Flavivírus, pertencente à família Flaviviridae, e que se apresenta

sob quatro sorotipos distintos: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4.

A família Flaviviridae possui 70 espécies, dentre elas o vírus da

febre amarela. Um dado de importância diagnóstica é que todos

os flavivírus têm epítopos em comum no envelope proteico, o

que possibilita reações cruzadas em testes sorológicos.

A dengue em sua forma clássica ocorre após um período de

incubação de 5 a 7 dias e inicia-se com febre alta (39º a 40º),

acompanhada de calafrios, cefaleia, mialgia, prostração intensa,

rash cutâneo e, às vezes, escarlatiniforme. A intensidade e

a gravidade das manifestações estão relacionadas à idade do

paciente. Crianças tendem a apresentar formas mais leves da

doença, sendo em 80% dos casos assintomática. Entretanto,

quando se manifesta clinicamente, a criança apresenta febre alta

acompanhada de apatia, sonolência, recusa alimentar, vômitos e

diarreia, sintomas semelhantes a outras viroses, o que dificulta

a diferenciação clínica.

As manifestações iniciais da dengue hemorrágica são as

mesmas da forma clássica. Entretanto, após o 3º dia, quando

a febre começa a ceder, aparecem sinais de hemorragia, como

sangramento nasal, gengival, vaginal, rompimento dos vasos

superficiais da pele, dentre outros. Em casos raros, podem

ocorrer sangramentos no aparelho digestivo e nas vias urinárias.

Após a infecção, a imunidade permanente é adquirida apenas

para um mesmo sorotipo do vírus, sendo possível a ocorrência

de reinfecções pelos outros sorotipos. Entretanto, após a primoinfecção,

ocorre imunidade cruzada transitória entre sorotipos

diferentes. Distinguem-se dois tipos de resposta imune ao vírus

da dengue: a primária, em que prevalece a IgM em relação à IgG

e a secundária, em que prevalece a produção de IgG. Pacientes

que já apresentaram infecções por flavivírus, vacinados contra

febre amarela e crianças que receberam anticorpos da mãe, por

exemplo, apresentarão padrão de resposta secundária.

O diagnóstico da dengue em humanos é feito com base em

dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. O diagnóstico

laboratorial é realizado tanto com exames inespecíficos (hemograma,

contagem de plaquetas, coagulograma, provas de função

hepática e dosagem de albumina sérica), como específicos (testes

de isolamento viral, sorológicos para pesquisa de anticorpos,

pesquisa de genoma do vírus, pesquisa de antígeno NS1 ou ainda

estudo anatomopatológico seguido de pesquisa de antígenos

virais por imunohistoquímica). Como principal exame inespecífico,

o hemograma mostrando leucopenia, por vezes intensa

(contagens inferiores a 2,0x10 9 /l leucócitos), neutropenia com

presença de linfócitos atípicos e trombocitopenia, com valores

abaixo de 100x10 9 /l plaquetas. Dentre os exames específicos, os

testes sorológicos para pesquisa de anticorpos e antígenos como

sendo os mais rápidos e mais utilizados. Conforme apresentado

no gráfico, níveis de IgM apresentam-se aumentados após o 6º

dia do início da doença até o seu pico máximo, que ocorre em

torno do 10º dia, com posterior declínio até se tornarem não

detectáveis por volta do 70º dia. Já as imunoglobulinas IgG, aparecem

um ou dois dias após as IgM, e geralmente permanecem

em níveis detectáveis pelo resto da vida, conferindo imunidade

permanente para o sorotipo específico. O antígeno NS1, por sua

vez, aparece já no 1º dia de infecção mantendo-se em níveis

detectáveis aproximadamente até o 9º dia.

Estudos demonstram que o método de pesquisa de antígeno

NS1 tem alta sensibilidade e especificidade em comparação

com outras técnicas diagnósticas. Além disso, por possibilitar a

confirmação diagnóstica precoce da doença, permite o aprimoramento

do manejo clínico dos pacientes.

A Bioclin disponibiliza em sua linha dois produtos distintos

para o diagnóstico da dengue: os kits Dengue NS1 e Dengue Bio.

Dengue NS1: Método imunocromatográfico para detecção

qualitativa de antígeno NS1 em sangue total, soro ou plasma.

Sensibilidade clínica de 94,39% e especificidade de 99%.

Dengue Bio: Método imunocromatográfico rápido para

detecção qualitativa de anticorpos IgM e IgG para o vírus da

Dengue em sangue total, soro ou plasma. A presença destes

anticorpos ajuda a diferenciar entre infecção primária e secundária.

Sensibilidade clínica de 95,8% e especificidade de 100%.

: www.bioclin.com.br

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Em crescimento, mercado de Medicina Personalizada

recebe investimentos do Hermes Pardini

A medicina personalizada, especialidade na qual o Hermes

Pardini amplia sua atuação a partir de 2013, é um dos campos

que mais crescem dentro do diagnóstico clínico. O avanço da

medicina permitiu uma conclusão simples: por mais que todos

os indivíduos se pareçam geneticamente, o DNA de cada um

possui pequenas particularidades que podem ser fundamentais

e decisivas para a eficácia dos tratamentos e cuidados com a

saúde de cada indivíduo.

Essa área de pesquisa e atuação se utiliza dos novos métodos

de análise molecular do genoma humano para administrar

melhor o tratamento de doenças ou da predisposição às doenças

apresentada pelo paciente. Essa abordagem inovadora tem

o objetivo de alcançar melhores resultados na prática clínica,

ajudando médicos e pacientes a escolher as formas de tratamentos

da doença com maior probabilidade de sucesso, dentro do

contexto do perfil genético individual e ambiental do paciente.

Por este motivo, cada paciente possui reações diferentes

aos tratamentos aos quais é submetido, especialmente se forem

considerados os tratamentos contra o câncer. Seguindo essa

concepção, cada vez mais médicos de centros diagnósticos e

hospitais de todo o mundo recomendam tratamentos personalizados

aos seus pacientes. A previsão é de que a curva deste

gráfico continue a crescer.

Recentemente, o Hermes Pardini juntou-se à Progenética,

empresa referência em diagnósticos superespecializados, e

passou a oferecer soluções em medicina personalizada, como

o Estudo do Polimorfismo do Gene IL28B (para tratamento da

Hepatite C) e o exame para detecção da Mutação v600e no Gene

BRAF, que é relacionado a diferentes tipos de câncer, principalmente

melanoma, câncer de tireoide e câncer colorretal.

Garrafas para cultura de células Easypath

Com a característica principal de

sempre oferecer soluções ao mercado

laboratorial, a EasyPath* inova mais

uma vez e coloca à disposição sua linha

de materiais plásticos descartáveis para

cultura celular. Com este lançamento, a

EasyPath visa oferecer aos seus clientes e

parceiros uma nova opção em qualidade,

destacando nesta linha as Garrafas para

Cultura de Células, que reúnem em sua

composição e design as principais características necessárias

para um ótimo desempenho nas culturas realizadas, destacando

as seguintes:

• Confeccionadas em poliestireno de alta transparência,

permitindo ótima visualização em microscopia nas técnicas de

cultura.

• Material esterilizado por radiação gama, livre de componentes

tóxicos que poderiam interferir

no desempenho da técnica.

• Possui bocal com inclinação

ideal para facilitar a manipulação das

amostras.

• Sua base é lisa, livre de estrias,

permitindo a utilização máxima da sua

área útil de tratamento.

• Superfície tratada para o cultivo

de uma ampla variedade de células.

• Tampas com indicação da posição “Vent” ou com filtros com

porosidade de 0.22um, viabilizando o cultivo além de controlar

a esterilidade nas trocas gasosas.

* Uma amostra pode ser solicitada

: (11) 5034-2227 / : www.erviegas.com.br

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Doença de Chagas: a importância do diagnóstico imunológico

A doença de Chagas é causada pelo

protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida

por inseto hematófago da família

Reduviidae, popularmente conhecido

pelo nome de “barbeiro”.

O diagnóstico imunológico é importante

não só pela facilidade de execução

como também por fornecer um

resultado rápido, diferentemente dos

métodos parasitológicos. O uso deste

método é mais indicado na fase crônica

da infecção, contribuindo para: 1) fazer

diagnósticos individuais; 2) levantar níveis de endemicidade;

3) avaliar medidas de controle de transmissão; 4) selecionar

doadores de sangue; 5) avaliar atividades de drogas terapêuticas

e acompanhar suas respostas.

É considerada uma doença silenciosa e por esse motivo é

necessário um diagnóstico preciso e seguro. Atualmente a detecção

de anticorpos contra antígenos do Trypanosoma cruzi pela

metodologia Elisa tem sido amplamente

utilizada como triagem de pacientes em

laboratórios, bancos de sangue e em levantamentos

epidemiológicos, pela sua

simplicidade metodológica, eficiência e

baixo custo.

O kit Chagas Symbiosys tem o objetivo

de otimizar o trabalho dos profissionais

nos laboratórios, diminuindo o

tempo da rotina e mantendo a qualidade

dos resultados. Possui apresentação

de 96 testes, com tiras quebráveis e

sem necessidade de diluição previa da amostra. Após a adição

da amostra, ocorre mudança de cor do diluente facilitando o

manuseio do kit.

O kit Chagas Symbiosys apresenta ótima performance com

100% de sensibilidade e 99,3% de especificidade.

: www.alka.com.br

Diagnósticos do Brasil comemora resultados comerciais acima da expectativa

A equipe do DB – Diagnósticos do Brasil – iniciou 2013 comemorando

os grandes resultados alcançados no ano passado.

Durante três dias, os profissionais da equipe comercial participaram

da Convenção de Vendas, realizada no Mabu Parque

Resort, em Curitiba. Além da apresentação dos resultados, a

equipe conheceu as expectativas e diretrizes comerciais para

2013. No evento também foram premiados os profissionais que

tiveram melhor performance em 2012. O grande vencedor foi

Carlos Becker que atua na região de Porto Alegre (RS), que levou

para casa um automóvel novo.

Para Tobias Thabet Martins, diretor comercial do DB, o crescimento

em número de análises e faturamento do laboratório

é resultado do trabalho, envolvimento e dedicação de todos os

representantes. “Com uma equipe comercial preparada, onde a

média de experiência em apoio é acima de 10 anos, o DB cumpre

seu compromisso e oferece aos seus clientes muito mais que

apoio, oferece também soluções em análises clínicas», salienta

o diretor. «Desde o início de nossa atuação buscamos não ser

apenas um prestador de serviço, mas um parceiro dos laboratórios

apoiados» complementa.

O DB iniciou seu atendimento comercial em 2011 apenas

nas regiões sul e sudeste e vem expandindo sua área de atuação

que já tem atendimento em todas as regiões do país.

Em meados de 2012 três novos estados passaram a contar

com a instalação comercial do Diagnósticos do Brasil: a Paraíba,

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mesmo com o pouco

tempo de atuação nestes três locais, o DB vem ganhando

mercado e credibilidade, se tornando um dos principais laboratórios

de apoio nessas regiões. Os números apresentados

na Convenção não deixam dúvidas sobre a excelência dos

serviços prestados pelo DB e sua competitividade em seu

mercado de atuação.

: www.diagnosticosdobrasil.com.br

Equipe comercial do DB no encerramento da Convenção de Vendas 2012

Premiação para o melhor representante de vendas 2012

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Icemaster: nova máquina automática de gelo em escamas

Com a intenção de proporcionar boas

experiências na aquisição de produtos a

seus clientes, a Biosystems traz mais uma

inovação do mercado.

Em 2013 apresenta seu lançamento: a

máquina automática de produção de gelo

em escamas da Icemaster para produção de

até 40 kg em até 24 horas. Utilizado para

preservação e armazenamento de amostras

biológicas, analíticas, tecidos, culturas celulares

e outras aplicações que necessitam

de manutenção da temperatura abaixo da

temperatura ambiente, o novo modelo IMS-

40 é compacto, completamente automático,

com interface amigável e painel de controle

fácil de operar. Seus indicadores luminosos sinalizam produção

de gelo, falta de água e tanque cheio de gelo.

Possui estrutura externa em aço inoxidável

AISI 304 e interior com isolamento térmico,

alta capacidade de produção de flocos de gelo

a partir da água filtrada (pressão da água

entre 1,5 e 3bar), compressor livre de CFC e

baixo consumo de energia. Exclusivo sistema

de segurança que desliga automaticamente

quando há escassez de água e quando atinge

a capacidade máxima de armazenamento do

tanque de gelo.

A Icemaster possui excelência na fabricação

de máquinas de gelo em escama projetadas

para diversas aplicações, incorporando os mais

modernos conceitos de tecnologia da produção.

: www.biosystems.com.br

AFIP Medicina Diagnóstica oferece apoio em Genética Molecular

A AFIP Medicina Diagnóstica coloca à disposição dos clientes

uma série de exames nas diversas linhas de atuação da Genética

Molecular. Os testes moleculares têm ganhado importância a

cada dia, por oferecerem uma série de recursos fundamentais,

que proporcionam a possibilidade de um diagnóstico preciso

e de um atendimento mais individualizado. Metodologias e

equipamentos modernos estão disponíveis para a realização

de exames que permitem o diagnóstico e o acompanhamento

de doenças em onco-hematologia e oncologia molecular, assim

como a identificação de doenças hereditárias e de predisposições

genéticas. A área atua ainda em nutrigenômica e em reprodução

e identificação humana.

Para disponibilizar o amplo menu de exames realizados

com a mais avançada tecnologia, a AFIP Medicina Diagnóstica

conta com uma equipe experiente e qualificada, supervisionada

por especialistas com doutorado nas melhores universidades

do Brasil e do exterior.

Outro diferencial de qualidade é o cuidado com a liberação

dos laudos. Os resultados dos exames são correlacionados ao

histórico do paciente e os laudos são elaborados com informações

detalhadas e interpretações práticas dos resultados,

de acordo com literatura científica internacional. Caso haja

necessidade, a equipe médica do laboratório entra em contato

com o solicitante do exame. Uma central de atendimento exclusiva

está à disposição dos clientes, preparada para esclarecer

dúvidas e oferecer total suporte.

Além do apoio em Genética Molecular, o setor de Medicina

Molecular da AFIP Medicina Diagnóstica oferece exames em

Citogenética e em Biologia Molecular, com foco em doenças

infecciosas.

: contato@apoioafip.com.br

: www.apoioafip.com.br

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Rotina de Faturamento no Labplus: fácil e segura

Ao desenvolver o seu primeiro LIS, na década de 80, a Hotsoft

já havia incluído o Faturamento como parte integrante do

sistema. Nas novas gerações do software, até chegar ao atual

Labplus 8, muitas melhorias foram agregadas a este módulo,

deixando-o cada vez mais funcional, rápido e confiável.

Um dos diferenciais do Labplus 8 está na Recepção, onde inicia

o ciclo do Faturamento. O sistema permite atribuir a cobrança

dos exames de uma requisição a diferentes convênios. Assim,

se o paciente for realizar exames por dois ou mais convênios

distintos e ainda quiser fazer alguns exames por conta (particular),

pode-se manter a mesma requisição, sem a necessidade

de desmembrá-la, evitando retrabalho, desperdício de tempo,

duplicidade de informações e aumento de esforço administrativo.

A administração das tabelas de honorários é muito flexível.

O sistema já é fornecido com todos os dados das principais tabelas

(Particular, SUS, AMB e CHBPM). É possível duplicar uma

tabela, derivando uma nova tabela a partir de outra e alterando

o valor das variáveis (CH, UCO, descontos etc.), por exemplo.

Esses recursos são muito úteis quando da negociação de um

convênio com empresas privadas.

Visão dos filtros para geração de faturas, com controle de glosas

Para garantir uma correta cobrança dos convênios, o sistema

armazena os valores dos exames na data da requisição. Desta

forma, quando há mudança de tabela no meio do período faturado,

são mantidos os preços negociados, com fidelidade de datas.

As faturas podem ser impressas ou podem ser gerados

arquivos eletrônicos para envio. Em ambos os casos a Hotsoft

disponibiliza diversos modelos e layouts.

No momento da emissão das faturas surgem os filtros, com

toda a sua flexibilidade. E ainda há um completo controle de

glosas para garantir que o Laboratório receberá por todos os

procedimentos realizados.

Para os usuários do módulo Financeiro (opcional) o fechamento

das faturas enseja ainda o lançamento direto do valor

final no Contas a Receber. Todas essas funcionalidades fazem

do Labplus 8 uma poderosa ferramenta de garantia de faturamento

correto e seguro, com sensível redução de custos para

o laboratório.

Configuração da tabela de honorários (exemplo CBHPM)

: (44) 3302-4455 /

: negocios@labplus.com.br

: www.hotsoft.com.br

Lançamento Cral: adaptador de agulha para coleta de sangue a vácuo Vacuplast

Fabricado pela Cral, empresa certificada ISO 9001 e BPF (Boas práticas de Fabricação),

os adaptadores de agulha para coleta de sangue a vácuo Vacuplast seguem rigorosos

padrões de qualidade.

Características:

• Apoio para a agulha de coleta múltipla de sangue

• Utilizado como guia para introdução do tubo na agulha

• Formado por um cilindro feito em polipropileno

• Possui adaptação de rosca para encaixe de agulhas

/: (11) 3454-7000 / (11) 2712-7000

: vendas@cralplast.com.br

: www.cralplast.com.br

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Sebia destaca a importância clínica do teste de eletroforese de proteínas séricas e urinárias

O que é a eletroforese Eletroforese é uma metodologia

laboratorial usada para fracionar proteínas, enzimas, DNA, etc.,

de amostras (sangue, urina, fluídos, células, etc.) submetidas

a um campo elétrico contínuo, onde as proteínas carregadas

eletricamente são atraídas para os polos positivo ou negativo -

atrações opostas às cargas das substâncias analisadas.

Por que o teste de eletroforese de proteínas é tão

importante Não tem como falar da importância clinica do

teste de eletroforese de proteínas séricas e urinárias sem antes

falar dos avanços dos avanços que esta técnica vem sofrendo

até hoje.

Desde que foi desenvolvida, a eletroforese tem se modernizado

a cada dia e hoje pode-se afirmar que é imprescindível a

sua realização nos laboratórios clínicos. Não se pode esquecer de

uma época em que todos os insumos necessários, bem como os

equipamentos, eram feitos manualmente. Os profissionais mais

antigos e que já tiveram contato com a eletroforese devem se

lembrar de uma época em que os géis eram secados utilizando

um secador de cabelos e também de quando o acetato de celulose

(que veio antes do gel de agarose), depois da migração

eletroforética realizada, era cortado com tesoura, depois eluído e

posteriormente lido através de um espectrofotômetro. Realmente

nesta época era uma técnica muito trabalhosa e pouco eficiente.

Muitos profissionais da área da saúde ainda têm em mente

que a eletroforese ainda é assim e que seus resultados não

auxiliam o médico em nada. Com isto, esta importante técnica

fica subestimada.

Você sabia

1 – Que a eletroforese de proteínas é a única técnica capaz

de detectar e monitorar componentes monoclonais em pequena,

média e grande quantidades

2 – Que somente pela quantificação dos componentes monoclonais

fornecida pela eletroforese o médico terá como medir

a eficácia do tratamento e/ou evolução da doença

3 – Que pela eletroforese urinária pode-se saber qual o tipo

de dano renal o paciente apresenta

4 – Que a avaliação da resposta ao tratamento, tal como:

remissão completa (RC), remissão parcial muito boa (RPMB),

remissão parcial (RP) ou recaída, no caso de pacientes com

Mieloma Múltiplo, somente poderá ser feita por eletroforese

5 – Que o teste de eletroforese de proteínas urinárias, em

alguns casos, complementa o de soro

5 – Que se recomenda fazer o teste de eletroforese de proteínas

como rotina, assim como: teste de glicemia, hemograma,

etc., em pessoas a partir de 45 anos

São inúmeras as aplicações do teste de eletroforese de

proteínas séricas e urinárias, porém o objetivo é capacitar cada

vez mais os profissionais envolvidos na liberação destes testes

no que diz respeito à interpretação para que chegue no médico

o melhor e mais fidedigno resultado possível.

Na figura, um exemplo do gel de eletroforese de proteínas e

as principais proteínas que migram em cada zona.

: (11) 3849-0148

Cral lança linha de esparadrapos Copertina

Com mais de 35 anos de experiência e tradição no segmento, a Cral lança

sua nova linha de esparadrapos Copertina, perfeitos para fixação de curativos

e produtos médico-hospitalares.

Estão disponíveis nas versões branco, transparente e microporoso, em

diversos tamanhos.

Esparadrapo branco: impermeável, nas dimensões: 1,2cm x 4,5m, 2,5cm x

0,9m, 2,5cm x 4,5m, 5cm x 4,5m, 10cm x 4,5m

Esparadrapo transparente: hipoalergênico e deixa a pele respirar. Dimensões

disponíveis: 1,2cm x 4,5m, 2,5cm x 4,5m, 10cm x 4,5m

Esparadrapo microporoso: hipoalergênico e deixa a pele respirar. Dimensões

disponíveis: 1,2cm x 4,5m, 1,2cm x 10m, 2,5cm x 0,9m, 2,5cm x 4,5m, 2,5cm

x 10m, 5cm x 4,5m, 10cm x 4,5m

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ESPECIAL Especial

Especial

ESPECIAL

Especial

ESPECIAL

Especial ESPECIAL

ESPECIALEspecial

Verruma na Doença

de Chagas

Verruma é instrumento de

mão para perfurar pequenos

orifícios, principalmente

na madeira. Consiste

de uma ponta metálica em

saca-rolha em uma das extremidades

e uma haste de

madeira em ângulo reto na

outra extremidade. As bordas

do corte na madeira ou

outro material são feitas em

espirais. O nome verruma

origina-se do francês antigo.

O termo é ainda usado figurativamente para descrever

uma perfuração e para o movimento de torção da verruma.

David Gruby (1810-1898), um médico e microbiologista

húngaro, é considerado o fundador da microbiologia médica.

Era filho de um pobre camponês judeu residente em pequena

vila em Baczka, um distrito fértil no sudoeste da Hungria.

Recebeu suas primeiras instruções de um estudante de medicina

que lecionava como professor substituto. Em 1824 ou

1825 deixou sua pequena cidade Kis-Kér e procurou melhor

educação na cidade de Pest. Seus primeiros anos foram

marcados por grande pobreza, privações e preconceito.

Contudo, seu grande talento e determinação permitiram-lhe

completar com sucesso os estudos secundários no Piarist

Gymnasium em Pest. Em 1828, Gruby, então no quinto ano

de seus estudos, foi para Viena estudar medicina. Era um

estudante muito dedicado e, particularmente, interessou-se

em estudar anatomia sob a orientação de Christian Joseph

Berres (1796-1844), professor de Anatomia Macroscópica.

Graduou-se em 05 de agosto de 1839.

Algumas das observações microscópicas iniciais de Gruby

em morfologia patológica foram incluídas em sua dissertação,

que contém observações microscópicas (103 ilustrações) sobre

a patologia de líquidos orgânicos – muco, escarro, pus,

pseudomembranas, coágulos e saliva – e compara achados

normais com patológicos. Sua tentativa de diferenciação

microscópica do pus de outras substâncias patológicas foi

uma investigação original e cuidadosa em novo campo da

medicina. Gruby demonstrou, entre outras coisas, que cada

um dos líquidos orgânicos estudados continham elementos vivos

(leucócitos). Ele republicou sua dissertação como primeira

parte de um grande tratado sobre Microscopia Patológica,

mas as outras partes planejadas nunca apareceram. Recebeu

o doutorado em Viena e continuou suas pesquisas em Paris.

Em 1843 Gruby descobriu um parasito animal no sangue

de um sapo, que ele chamou de Trypanosoma porque o

movimento do organismo vivo lhe lembrou a ação de uma

verruma/saca-rolha. São suas palavras, em francês: “Je

propose de nommer cet hématozoaire trypanosome” (usando

os elementos gregos: trypanon = verruma + soma = corpo).

Obviamente, apresentou a sua descoberta inédita na Académie

des Sciences, em Paris. Portanto, o termo tripanosoma

criado por Gruby foi aplicado a um gênero de protozoários

compreendendo muitos flagelados parasitos em invertebrados

e vertebrados, incluindo o ser humano. Várias espécies

são patogênicas. Em nosso meio a doença de Chagas

tripanossomíase americana é causada por um protozoário

flagelado denominado Trypanosoma cruzi (Chagas, 1909).

É amplamente distribuída no continente Americano desde o

sul dos Estados Unidos até o sul da Argentina.

Gruby foi também um dos mais populares médicos praticantes

em Paris, famoso por suas curas extravagantes prescritas

para seus pacientes, sendo muitos notáveis. Entre eles,

incluem-se Frédéric Chopin (compositor polonês e pianista

virtuoso de ascendência franco-polonesa), Alexandre Dumas

(romancista histórico que escreveu Os Três Mosqueteiros e O

Conde de Monte Cristo), George Sand (romancista francês e

memorialista), Alphonse de Lamartine (um francês estadista

político-poeta e historiador) e Franz Liszt (compositor húngaro

e pianista virtuoso, considerado pela maioria como o maior

pianista de todos os tempos). Suas prescrições foram na realidade

aplicações inteligentes de medicina psicossomática.

Texto baseado em Biografia de David Gruby. Disponível em:

www.whonamedit.com/ doctor.cfm/3066.html

José de Souza Andrade Filho - Patologista, membro da Academia

Mineira de Medicina e professor de anatomia patológica

da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

62

NewsLab - edição 116 - 2013


Artigo

Exame Parcial de Urina: Interferências da Refrigeração no

Exame Físico, Químico e Sedimentoscópico

Carla Simone Vasconcelos Pacheco Costa 1 , Ana Maria Guedes de Brito 2 , Renata Rego de Souza 3 , Francine Ferreira Padilha 4 , Malone

Santos Pinheiro 5 , Kariny Souza Pinheiro 6

1 – Biomédica, Hospital do Coração, Aracaju, SE

2 – Farmacêutica, Professora de Análises Clínicas. Universidade Tiradentes, UNIT, Aracaju, SE

3 – Estudante do curso de Biomedicina da UNIT

4 – Bióloga, Coordenadora do Mestrado em Biotecnologia, UNIT

5 – Biomédico, Professor de Análises Clínicas, UNIT

6 – Biomédica, coordenadora técnica LACEN-SE

Resumo

Summary

Exame parcial de urina: interferências da refrigeração

no exame físico, químico e sedimentoscópico

O exame parcial de urina (EPU) é uma importante ferramenta

diagnóstica de triagem utilizada rotineiramente pelos clínicos. A

preocupação com a conservação dessas amostras é de fundamental

importância, pois afeta a eficiência da análise. O presente

estudo teve por objetivo avaliar a influência da refrigeração na

análise física, química e sedimentoscópica da urina, com intuito de

detectar possíveis interferências desencadeadas por esse método.

Amostras de urina humana (n = 122) procedentes de um laboratório

ambulatorial em Aracaju, SE, foram analisadas conforme

o seguinte protocolo: uma primeira análise foi realizada com as

amostras antes da refrigeração, enquanto a segunda e terceira

análises foram feitas após armazenamento a 2-8°C, avaliando

o estabilidade durante dois períodos de tempo (4 e 8 horas). Os

resultados indicaram que este método de preservação foi eficiente

em manter a maioria das características essenciais das amostras,

no que se refere às análises físicas, químicas e sedimentoscópicas.

No entanto, o mesmo não foi observado com a coloração, aparência

e formação de cristais. É interessante notar que a análise

de cristais pode fornecer informações úteis relativas ao índice de

saturação da amostra, bem como a formação de cálculos renais

preexistentes. Com base nos resultados, conclui-se que a condição

ideal para realizar a análise é utilizando amostras livres de conservantes,

visando manter a estabilidade dos parâmetros analisados

na amostra, especialmente para avaliar a cristalúria, a qual pode

fornecer importantes informações clínicas.

Palavras-chave: Exame parcial de urina, refrigeração,

interferentes

Urinalysis: influence of cooling conservation on

physical, chemical and sedimentoscopic evaluation

The urinalysis is an important clinical diagnostic tool routinely

used in screening tests performed in laboratories. The

storage of urine samples is a crucial factor in changing the

chemical structure of these proteins. This study aimed to evaluate

the cooling influence on the physical, chemical and sedimentoscopic

analyses of urine samples in order to determinate the

cooling effect on its stability. Human urine samples (n = 122)

from a clinical ambulatory in Aracaju were tested according

to the following procedure: a first analysis with samples free

of preservatives, while the second and third samples were

analyzed after storage at 2 to 8 °C , evaluating the stability

during two time periods (4 and 8 h). The results indicated

that this preservation method was efficient in maintaining the

essential characteristics of urine samples, concerning to the

physical, chemical and sedimentoscopic analyses. However,

the same was not observed with respect to urine color and

appearance, as well as crystalluria. It is worth noting that the

crystal analysis can provide relevant information concerning

to the saturation index of the sample, as well as the formation

of a pre-existing renal hypercalciuria. Based on the results, it

concludes that the optimal condition to perform the analysis is

with preservative-free samples, in order to maintain the sample

stability, especially for the crystalluria evaluation, which can

provide important clinical information.

Keywords: Urinalysis, refrigeration, interfering

64

NewsLab - edição 116 - 2013


Introdução

O

estudo de amostras urinárias

é o exame laboratorial mais

antigo e começou a ser elucidado

no século V Antes de Cristo,

quando Hipócrates iniciou a descrição

das características físicas da urina e

correlacionou-as a algumas manifestações

clínicas (1, 2).

Desde então a análise de urina

vem evoluindo e somando as peculiaridades

físicas, outros aspectos investigativos

foram incorporados como

a análise química e sedimentoscópica,

originando o exame parcial de urina

(EPU) (2).

Historicamente, o EPU é um dos

exames laboratoriais mais solicitados

devido a sua capacidade de

produzir informações úteis acerca

de funções metabólicas, agravos

renais, infecções urinárias, distúrbios

sistêmicos e grau de hidratação tanto

no homem como em outros animais

(3). A escolha de técnicas sensíveis

e específicas torna-se fator preponderante

para o bom desenvolvimento

do exame citado. Com o advento das

tiras reativas, as provas químicas,

anteriormente complexas e laborosas,

foram substituídas, todavia, vez

por outra é necessária a utilização de

métodos químicos para a confirmação

de alguns achados (4, 5).

Para uma interpretação semiológica

correta do exame EPU é indispensável

a obtenção de uma amostra

de urina adequada e que os métodos

laboratoriais sejam criteriosamente

aplicados (6-9).

A coleta de urina deve obedecer

a uma série de preceitos básicos, a

fim de obterem-se amostras que possuam

as alterações físico-químicas

e microbiológicas que se propôs

analisar. O jato médio da primeira

micção matinal propícia uma amostra

de urina relativamente volumosa,

bem conservada, já que ficou retida

na bexiga durante a noite, caracterizando-se

como um espécime ideal

para realização do exame (2, 5, 10).

Segundo a Associação Brasileira

de normas técnicas – ABNT, 2005

(11) o exame deve ser realizado em

um prazo máximo de duas horas

após a coleta e na impossibilidade

da execução nesse período, deve-

-se lançar mão de conservantes que

possam evitar a deteriorização da

amostra. Para Strasinger et al (12),

o conservante ideal deve ser bactericida,

inibir a urease, preservar os

elementos figurados do sedimento

e não interferir nos testes químicos

realizados, porém, esse conservante

ainda não foi desenvolvido.

Existem vários tipos de conservantes

como: refrigeração, timol,

ácido bórico, formalina (formaldeído),

clorofórmio, tolueno, fluoreto de

sódio e fenol, porém mesmo com as

interferências geradas por eles torna-

-se importante sua utilização devido

às alterações que ocorrem quando a

urina não é preservada (7, 13).

O conservante mais utilizado para

amostras de urina destinadas à realização

do EPU é a refrigeração sob

a temperatura de 2º a 8ºC que evita

a decomposição dos constituintes da

amostra por aproximadamente 12

horas, por possuir menos inconvenientes

quando comparadas aos demais

conservantes, além de apresentar

melhor relação custo/benefício. Esse

procedimento, contudo, pode provocar

aumento na densidade, bem como

a precipitação de fosfatos e uratos

amorfos, que dificultam consideravelmente

a observação dos demais

elementos presentes no sedimento

urinário (6, 7, 14, 15).

Diante do exposto, o presente

artigo objetivou avaliar a ação da

refrigeração sob as urinas destinadas

à realização do EPU, com o intuito

de detectar os possíveis interferentes

desencadeados por esse tipo de

conservação.

Materiais e Métodos

No presente trabalho foi realizado

um estudo transversal de 122 amostras

de urina, entre fevereiro e maio

de 2009, obtidas através de micção

espontânea e encaminhadas ao setor

de urinálise do Laboratório Central de

Biomedicina da Universidade Tiradentes,

Aracaju, SE, para realização do

exame parcial de urina (EPU).

As urinas analisadas foram oriundas

de usuários de diversas faixas

etárias e gêneros, coletadas em recipientes

próprios para o acondicionamento

dessas amostras, padronizados

pela Organização Mundial de Saúde.

O protocolo das análises física,

química e sedimentoscópica constaram

de três etapas: no ato do recebimento

da amostra sem a adição

de qualquer tipo de conservante,

após quatro horas em refrigeração à

temperatura entre 2°C e 8°C e após

oito horas nas mesmas condições

citadas anteriormente.

Na caracterização dos parâmetros

físicos da urina foram observadas coloração

e aspecto. A descrição química

foi obtida através de tiras reativas

Biocolor 10 da marca Bioeasy, lote:

urs 8070048, através da determinação

de proteína, densidade, cetona, ph,

glicose, urobilinogênio, bilirrubina,

leucócito-esterase, sangue, (hemácias

e hemoglobina) e nitrito, bem como

a densidade.

Para a realização da análise sedimentoscópica

baseou-se no “protocolo

da liberação dos exames sedimentoscópicos

da urina” proposto pelo

NewsLab - edição 116 - 2013

65


Programa nacional de controle de

qualidade (PNCQ), elaborado pela Sociedade

Brasileira de Analises Clínicas

(SBAC) e utilizado atualmente pelo

seu controle externo da qualidade.

No estudo do sedimento urinário,

avaliado após o retorno a temperatura

ambiente das amostras refrigeradas,

observou-se 10 campos aleatórios em

aumento de 100X com a meta de semiquantificar

células epiteliais, cilindros

e cristais e aumento de 400X para determinação

dos demais elementos figurados

passíveis de serem encontrados

em amostras urinárias como: piócitos,

hemáceas, bactérias, filamentos de

muco, leveduras, hifas e Trichomonas

sp. O equipamento ótico utilizado nesse

estudo foi o microscópio de luz.

Este estudo obteve a dispensa da

assinatura do termo de consentimento

livre e esclarecido, uma vez que os testes

laboratoriais foram realizados com

o excedente das amostras de urina,

dos pacientes atendidos no laboratório.

Analisando a densidade antes e

após a refrigeração, tal parâmetro

não demonstrou diferenças expressivas

no universo das urinas estudadas.

Na determinação das características

químicas como pH, glicose,

urobilinogênio, bilirrubina, cetonas,

esterase leucocitária, nitrito, sangue

e proteínas, não foram observadas

alterações na expressão dos resultados

influenciadas pela refrigeração nas

condições desse estudo.

O estudo dos sedimentos urinários

100

90

80

Frequência absoluta

70

60

50

40

30

20

10

para pesquisa dos elementos figurados,

após submetidos ao método de

conservação em questão, não revelou

diferenças na expressão dos resultados

para células epiteliais, filamento

de muco, contagem de piócitos, contagem

de hemácias e de bactérias.

Quando realizada a análise semiquantitativa

e qualitativa do sedimento

urinário para cristais, pode-se observar

um aumento no aparecimento

desses elementos, proporcional ao

tempo de refrigeração, em especial de

0h

4h

8h

Resultados

0

Am.

claro

Am.

citrino

Am.

escuro

Am.

alaranjado

Âmbar

Os resultados obtidos após a análise

física das amostras estudadas

sem conservantes, após quatro e oito

horas de refrigeração entre 2ºC e 8ºC,

demonstraram que a coloração dessas

manteve-se constante durante esse

período, com exceção da cor amarela-

-alaranjada que demonstrou uma

maior prevalência no terceiro tempo

de análise (Figura 1).

Quando analisada a turbidez após

refrigeração, os resultados demonstraram

que a maioria das urinas

analisadas possuía um aspecto límpido,

contudo, pode-se notar um

aumento da frequência do aspecto

ligeiramente turvo após quatro horas

de refrigeração e do turvo após oito

horas, conforme Figura 2.

Figura 1. Distribuição da frequência de cores em urinas sem conservantes, após quatro e

oito horas de refrigeração

Frequência absoluta

80

70

60

50

40

30

20

10

0

Límpido Lig. Turvo Turvo

Figura 2. Frequência absoluta das alterações relacionadas à turbidez das amostras

durante as três análises

0h

4h

8h

66

NewsLab - edição 116 - 2013


Tabela 1. Número absoluto de achados dos cristais em urinas não refrigeradas (tempo zero) e após refrigeração (quatro e oito horas)

Cristais

Oxalato de Cálcio

Urato amorfo

Fosfato amorfo

Fosfato triplo

Fosfato de cálcio

Ácido úrico

Tempo

Classificação

0 h 4 h 8 h

Raros 6 4 3

Alguns 7 4 12

Numerosos 8 4 23

Raros 1 0 3

Alguns 1 0 4

Numerosos 0 0 11

Raros 1 1 2

Alguns 0 1 3

Numerosos 0 1 3

Raros 0 0 0

Alguns 2 0 0

Numerosos 0 1 2

Raros 0 0 0

Alguns 0 0 1

Numerosos 0 0 1

Raros 0 0 0

Alguns 0 0 1

Numerosos 0 0 1

cristais de urato amorfo e oxalato de

cálcio, com uma maior predominância

desse último (Tabela 1).

Discussão

Os resultados expressaram que em

geral a coloração da maioria das urinas

não foi influenciada pelo método

de conservação em estudo, porém,

pode-se constatar uma elevação na

frequência do aparecimento da cor

amarela-alaranjada após oito horas

de refrigeração, que conforme Maya

e Gomez, está associada à presença

de cristais de urato amorfo (2).

Para Jeff et al, o uso de alguns

medicamentos, fatores metabólicos,

infecções do trato urinário e precipitação

de cristais amorfos após a conservação

da urina sob refrigeração, pode

desencadear o surgimento de cores

anormais nas amostras urinárias. Esse

fato pode explicar a correlação existente

entre o aumento da frequência

da cor amarela-alaranjada e turvação

após a oitava hora de refrigeração com

a concomitante elevação da presença

de cristais de urato amorfo classificados

como numerosos nesse mesmo

tempo (16).

O surgimento de cristais de urato

amorfo na urina não demanda atenção

especial do clínico pelo fato de

não estar relacionado à indicação de

agravos nefrológicos nem urológicos

e, portanto, seu achado é classificado

como normal (1). Todavia, o

achado de numerosos cristais de

urato amorfo, desencadeado principalmente

pela conservação sob refrigeração,

dificulta expressivamente

a observação dos demais elementos

figurados do sedimento urinário,

que podem sugerir ao clínico alguns

quadros não fisiológicos (1, 14, 16).

Segundo Vallejo et al, a cristalização

é potencializada pela refrigeração,

porém depois da urina

alcançar a temperatura ambiente ela

tendem a se redissolver na amostra.

Esse fenômeno não foi observado

nas condições do presente trabalho,

pois as amostras analisadas

em temperatura ambiente, depois

de submetidas à refrigeração, não

apresentaram diminuição do quantitativo

de cristais (14).

Os cristais de oxalato de cálcio

demonstraram ser o tipo mais frequente

no pré e pós-refrigeração nas

condições desse trabalho. O achado

desses cristais nas amostras de urina

destinadas a realização do EPU,

está relacionado à hipercalciúria,

à ingestão de alimentos ricos em

ácidos oxálicos, à intoxicação por

produtos químicos e ao uso de altas

doses de ácido ascórbico (1, 17).

A hipercalciúria idiopática pode

estar relacionada ao desenvolvimento

de cálculos renais compostos

principalmente por oxalato de cálcio,

sendo esse agravo responsável por

68

NewsLab - edição 116 - 2013


70 a 80% dos casos de nefrolitíase,

que se configura em um importante

problema de saúde pública, acometendo

milhões de pessoas em todo

o mundo (5, 10, 18).

O EPU torna-se importante nesse

contexto, pois, apesar da inespecificidade

do achado de hiperoxalúria

para o diagnóstico de cálculos

renais, esse exame pode fornecer

ao clínico indícios sobre o estado

de saturação da urina, sendo útil

na avaliação de pacientes litiásicos,

bem como o relato do tipo de cristal

pode auxiliar na identificação da

constituição do cálculo existente que

é uma importante informação para

decisões terapêuticas (10, 17).

Em estudo realizado por Froom

et al, foi observado que as amostras

conservadas sob refrigeração por 24

horas mantiveram um excelente padrão

de estabilidade para avaliação das

características químicas pesquisadas,

trabalho no qual demonstrou-se homogeneidade

dos resultados da análise

química expressos após os três tempos

pesquisados, como também para os

demais elementos figurados descritos

no exame sedimentoscópico (19).

Conclusão

Pode-se concluir, portanto, que a

refrigeração demonstrou um padrão

de conservação das urinas destinadas

ao EPU sob as condições estudadas,

com exceção da turbidez, coloração

e cristais urinários que configuram

uma perda na estabilidade do exame

para avaliação do índice de saturação

das amostras por substância com

potencial litisiático, na avaliação

semiquantitativa da cristalúria e na

impossibilidade de visualização de

elementos de grande importância

diagnóstica quando ocorre a cristalização

maciça de urato amorfo, reforçando

a indicação para realização

do EPU sem a utilização do método

de conservação estudado.

Correspondências para:

Malone Santos Pinheiro

malonepinheiro@hotmail.com

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70

NewsLab - edição 116 - 2013


Artigo

Avaliação de Esfregaços Cérvico-Vaginais Insatisfatórios

como Rotina de Controle Interno da Qualidade

Luiz Mário da Silva Silveira 1,2 , Heliana de Araújo Morais 1,2 , Vanda Maria Furtado Pinheiro 2 , Rosana Maria Costa Rabelo 3

1 – Docentes do Departamento de Farmácia. Universidade Federal do Maranhão

2 – Farmacêuticos-Bioquímicos do Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão

3 – Graduanda do Curso de Especialização em Citologia Clínica, Sociedade Brasileira de Citologia Clínica

Resumo

Summary

Avaliação de esfregaços cervicovaginais insatisfatórios

como rotina de controle interno da qualidade

A citologia cervicovaginal é uma importante ferramenta para a

redução de mortalidade de câncer do colo do útero. Neste trabalho

realizou-se levantamento retrospectivo e releitura de esfregaços

classificados como insatisfatórios pelo Laboratório Central de

Saúde Pública do Maranhão (LACEN-MA), no período de janeiro

a julho de 2007, como parte do controle interno da qualidade do

laboratório. No período da análise foram detectados 161 (3,6%)

esfregaços diagnosticados como insatisfatórios. Após releitura, três

casos (1,9%) modificaram o diagnóstico para inflamatório e 16

casos (9,9%) foram considerados insatisfatórios, porém por causas

diferentes da leitura inicial (primeira leitura). O dessecamento foi

a principal causa da rejeição do exame, apresentando percentual

geral de 73,9%. A análise estatística demonstrou que não houve

diferença significativa quanto à mudança no diagnóstico.

Palavras-chave: Câncer cervical, colpocitologia, insatisfatório

Evaluation of unsatisfactory cervical smears as

routine of internal quality control

Cervical cytology is an important tool for the reduction of

mortality of cervical cancer. In this work we made a retrospective

study and rescreening of smears classified as unsatisfactory

in the Central Laboratory of Public Health of the Maranhão

(LACEN-MA) in the period of January to July of 2007, as

part of the internal quality control of the laboratory. It was

detected 161 (3.6%) unsatisfactory cases. After rescreening,

three cases (1.9%) modified the diagnosis for inflammatory

and 16 cases (9.9%) had been fit in another category of unsatisfactory.

Poor fixation was the main cause of rejection of

Pap test (73.9%). We did not observe significant differences

under statistical analysis.

Keywords: Cervical cancer, Pap test, unsatisfactory

Introdução

O

programa de combate ao

câncer de colo de útero,

baseado em triagem por

citologia cervicovaginal, representa

uma estratégia eficaz para a redução

da morbidade e da mortalidade provocadas

por essa doença (21).

A incidência de câncer ginecológico

está na dependência direta da

existência ou não de ações primárias

atuando no controle dos fatores de

risco e na detecção precoce de lesões

precursoras, através de exame

citológico, realizado periodicamente

por todas as mulheres expostas ao

risco (4, 32).

A estimativa de casos novos de

câncer de colo do útero para o Brasil

em 2006 foi de 19.260, com um risco

estimado de 20 casos a cada 100 mil

mulheres (8).

Apesar da eficácia dos programas

de controle, o câncer cervical

mantém-se como doença de alta

prevalência, incidência e mortalidade,

não sendo esta situação exclusiva do

Brasil, pois a cada ano meio milhão de

mulheres são acometidas por câncer

de colo uterino e cerca de metade

delas morre pela doença em todo o

mundo, sendo assim a segunda neoplasia

mais frequente e também a segunda

causa de morte por câncer em

mulheres. Nesse cenário, assumem

importância capital as atividades de

controle e garantia da qualidade do

exame citológico (14, 34)

72

NewsLab - edição 116 - 2013


O rastreamento do câncer do

colo do útero por meio da citologia

cérvico-vaginal tem sido reconhecido

como o método mais bem-sucedido

na história da medicina. Porém, a

efetividade do exame de Papanicolaou

depende de uma sequência de

eventos que vão desde o convencimento

da mulher a submeter-se ao

“exame preventivo”, até a adequada

abordagem das lesões eventualmente

identificadas (7, 27, 35).

A literatura tem mostrado que

existem aproximadamente 2% a 62%

de resultados falsos-negativos e as

principais causas são atribuídas a erros

na coleta de material, no escrutínio

do esfregaço ou na interpretação dos

diagnósticos (3, 28).

Entre os indicadores propostos

para avaliar a qualidade da citologia

cérvico-vaginal destacam-se a distribuição

percentual de diagnóstico

de células escamosas atípicas de

significado indeterminado (ASCUS),

o número de casos insatisfatórios e

o número de lesões intraepiteliais

escamosas de alto grau (35).

As amostras para o exame cervicovaginal

podem ser classificadas em

satisfatórias ou insatisfatórias. Este

último critério pode ser justificado

por material acelular ou hipocelular

ou pela leitura prejudicada devido a

sangue, piócitos, artefato de dessecamento,

contaminantes externos,

intensa superposição celular ou outras

causas (14).

Todos os laboratórios de citopatologia

têm a responsabilidade de

manter um programa de qualidade,

o qual deve basear-se no monitoramento

contínuo através de diversas

estratégias de avaliação (24).

No Brasil, o Ministério da Saúde

preconiza que todos os laboratórios

que realizam os exames citopatológicos

ao Sistema Único de Saúde (SUS)

devem submeter-se ao Sistema de

Monitoramento Externo da Qualidade.

Para isso, são selecionados no

mínimo 10% do total dos exames

realizados, obedecendo aos critérios:

todas as lâminas positivas, todas as

insatisfatórias e no mínimo de 5%

dos exames normais (9).

Um dos maiores problemas que os

laboratórios de citopatologia enfrentam

em sua rotina são concernentes à

sensibilidade e falhas no processo, que

podem ocorrer em qualquer método

laboratorial, incluindo a colpocitologia

oncótica (2).

Dessa forma, este trabalho teve

por objetivo realizar monitoramento

interno da qualidade, através de releitura

dos casos insatisfatórios, para

avaliar o grau de concordância entre

observadores.

Metodologia

Amostras

Realizou-se estudo retrospectivo

de 161 casos diagnosticados como insatisfatórios

no Laboratório Central de

Saúde Pública do Maranhão (LACEN-

-MA), no período de janeiro a julho de

2007. Foi realizada a releitura cega

de todos os casos para avaliação do

controle interno da qualidade.

Coleta de dados

Os dados foram coletados do Sistema

de Informações do Câncer do Colo

do Útero - SISCOLO (Ministério da

Saúde - MS), versão 4.02, pertencente

ao Setor de Citologia do LACEN-MA.

São classificados como insatisfatórios

de acordo com o Programa SIS-

COLO: material acelular ou hipocelular

em menos de 10% do esfregaço; sangue

em mais de 75% do esfregaço; piócitos

em mais de 75% do esfregaço;

artefatos de dessecamento em mais

de 75% do esfregaço; contaminantes

externos em mais de 75% do esfregaço;

intensa superposição celular em

mais de 75% do esfregaço e outros.

Análise de dados

A análise de dados consistiu na

avaliação da concordância e não-

-concordância dos resultados entre o

diagnóstico produzido no LACEN-MA

(primeira leitura) e a releitura dos

esfregaços (segunda leitura).

As taxas de concordância entre

as leituras foram estimadas para os

casos insatisfatórios coletados no

serviço, comparando os resultados

emitidos na leitura 1 com aqueles

emitidos na leitura 2. Foi utilizado o

coeficiente Kappa, com seu respectivo

intervalo de confiança de 95% e

classificado da seguinte forma: menor

que zero - sem concordância; de

zero a 0,19 - concordância ruim; de

0,20 a 0,39 - concordância razoável;

de 0,40 a 0,59 - concordância boa;

de 0,60 a 0,79 - concordância muito

boa; e de 0,80 a 1,00 - concordância

excelente (30). Os cálculos estatísticos

foram realizados utilizando o

Programa BioEstat ® , versão 3.0.

Resultado e Discussão

Foram analisados exames referidos

no diagnóstico inicial apresentando

laudo insatisfatório, correspondendo

a 161 (3,6%) casos

durante o período avaliado. Os 161

exames analisados, como parte da

rotina adotada no LACEN-MA, foram

submetidos à releitura. Estes esfregaços

foram submetidos a releituras

para possível detecção de casos

falsos-negativos.

Na Tabela 1 encontra-se ilustrada

as categorias de insatisfatórios, conforme

descrito no Manual SISCOLO (9).

NewsLab - edição 116 - 2013

73


Tabela 1. Distribuição dos casos insatisfatórios de acordo com a categoria (LACEN-MA,

janeiro a julho de 2007)

Nº de insatisfatórios %

Dessecamento 119 73,9

Piócitos 11 6,8

Sangue 11 6,8

Hipocelular 15 9,3

Superposição celular 2 1,3

Danificada/Ausente 3 1,9

Total 161 100

Na mesma instituição, em 2004,

foram registrados 3,2% de casos

inadequados para diagnóstico (33).

A literatura tem registrado percentuais

equivalentes aos encontrados

no presente trabalho. Davey et al.

(11), Kapila et al. (17), Prandi et al.

(25), Boon et al. (5) e Kirschner et

al. (18) relataram percentuais de

insatisfatórios na ordem de 3,1%,

3,9%, 2,03%, 2,62%, 2,3%, respectivamente.

Valores mais elevados

também têm sido relatados, sendo

que McCredie et al. (22) e Roberto

Neto et al. (29) encontraram percentual

de 9% e 12,5%, respectivamente.

Maeda et al. (21), fazendo um estudo

preliminar do Siscolo no estado de

São Paulo, encontraram percentual de

5%. Todavia, a avaliação do Siscolo

em nível nacional, realizado em 2002,

revelou taxa de insatisfatório de apenas

1,66% (35). A mais baixa taxa de

insatisfatórios registrados na literatura

é de 0,3% (26).

O aprimoramento e garantia da

qualidade do exame citopatológico

abrange todas as etapas do processo,

desde a coleta do material até a emissão

dos laudos incluindo todos os diagnósticos

negativos, insatisfatórios,

pré-malignos e malignos. Com a introdução

do Programa Viva Mulher pelo

Ministério da Saúde para atendimento

da população em nível nacional para

prevenção de câncer na rede pública,

tem sido possível correlacionar diagnóstico

e qualidade da amostra em

citopatologia. Sabe-se que as falhas

de amostragem são provavelmente

a causa mais importante de diagnóstico

falso-negativo. Um esfregaço

cervicovaginal em condições adequadas

de processamento e confecção

é fundamental para a interpretação

diagnóstica do escrutinador; já um

esfregaço pouco adequado prejudica

consideravelmente a correta interpretação

diagnóstica podendo, inclusive,

inviabilizar a avaliação (12, 19).

A categoria dessecamento foi o

fator predominante para rejeição do

exame (73,9%), seguido de material

hipocelular (9,3%), piócitos (6,8%),

sangue (6,8%), danificada/ausente

(1,9%) e superposição celular

(1,3%). A categoria danificada/ausente

representou, sempre, ausência

da lâmina quando do recebimento do

exame, conforme registros internos

do LACEN-MA.

O esfregaço ideal contém número

suficiente de células epiteliais,

refletindo os componentes endo e

ectocervicais, já que a maioria dos

processos neoplásicos se inicia na

zona de transformação. Devem estar

uniformemente distribuídas na

lâmina, bem preservadas e fixadas.

É fundamental que o esfregaço seja

imediatamente imerso na solução

fixadora, impedindo distorções dos

detalhes celulares. A fixação é um

fator de grande importância para a

qualidade do exame citopatológico

e este é um dos grandes problemas

que os laboratórios de citopatologia

enfrentam em sua rotina.

Uma amostra adequada necessita

de eficiência nas etapas pré-analíticas,

tais como coleta, fixação, coloração,

montagem e identificação da lâmina.

Silva et al. (31) relataram que os

principais fatores limitadores de escrutínio

de esfregaços cervicovaginais

são sangue (27,08%), dessecamento

(19,97%), piócitos (16,21%) e superposição

celular (1,68%). Os valores

registrados no presente trabalho

apontaram dessecamento como a

principal causa de esfregaços insatisfatórios,

fato observado em material

enviado por todos os municípios analisados.

Entretanto, Amaral et al. (2)

relataram que os principais fatores

que comprometeram a qualidade dos

esfregaços cervicovaginais, tornando-

-os insatisfatórios para análise foram

purulento (38,19%), superposição

celular (32,73%) e dessecamento

(18,18%).

Dentre as principais causas de

dessecamento destaca-se a fixação

do esfregaço. A finalidade do fixador

é evitar ao máximo as alterações

da constituição química celular, fixar

proteínas e inativar as enzimas

proteolíticas, que são responsáveis

pelo processo de autólise, permitindo

o estudo da célula ou tecido na sua

íntegra. A fixação deve ser imediata,

no máximo 20 segundos após a coleta;

isso evitará o ressecamento do

material coletado (20).

O índice de amostras inadequadas

no Instituto Adolfo Lutz tem

variado ao redor de 3%. Alves et al.

(1) destacam que, dependendo da

habilidade das equipes de coleta, até

20% das amostras recebidas na rotina

74

NewsLab - edição 116 - 2013


Tabela 2. Distribuição (%) de concordância/discordância dos casos insatisfatórios após a segunda leitura (LACEN-MA, janeiro a julho de 2007)

Nº de casos %

Concordantes 158 98,1

Não concordantes 3 1,9

Total 161 100

Tabela 3. Distribuição de modificação de laudo entre as categorias de insatisfatórios na primeira e segunda leitura (LACEN-MA, janeiro a

julho de 2007)

Primeira

Leitura

Segunda Leitura

Inflamatório Dessecamento Sangue Piócitos Hipocelular Superposição Total

Dessecamento 3 113 - 2 1 - 119

Sangue - 3 8 - - - 11

Piócitos - 1 - 8 1 1 11

Hipocelular - 6 - - 9 - 15

Superposição - 1 - - - 1 2

Total 3 124 8 10 11 2 158

dos laboratórios de citopatologia são

inadequadas. No México, as amostras

inadequadas são pelo menos parcialmente

responsáveis por 35% dos

casos falsos-negativos (16).

Com o aprimoramento e a conscientização

dos profissionais envolvidos

na fase pré-analítica, através de

programas de capacitação e educação

permanente, os resultados dos diagnósticos

citopatológicos poderão ser

mais fidedignos e um número maior

de lesões pré-malignas poderá ser

diagnosticado, contribuindo com a

redução da incidência do câncer do

colo do útero (2).

A Tabela 2 registra a concordância/discordância

dos casos insatisfatórios

após a releitura. Dos 161

exames reavaliados com resultados

insatisfatórios, 16 esfregaços foram

reclassificados em outra categoria de

insatisfatório (9,9%) e três (1,9%)

tiveram diagnósticos modificados para

inflamatório. Este fato ressalta a importância

da correta classificação dos

esfregaços obscurecidos por sangue,

piócitos e artefatos de dessecamento,

visto que tais situações podem ocultar

alterações celulares, conduzindo a

diagnósticos falsos-negativos.

É importante ressaltar que um

esfregaço insatisfatório pode potencialmente

ocultar alterações celulares

significativas. Ransdell et al. (26)

verificaram que 26% dos esfregaços

insatisfatórios eram oriundos de mulheres

com uma história anterior de

anormalidades epiteliais. Os mesmos

autores verificaram ainda que 16%

das mulheres que fizeram novo exame

apresentaram diagnóstico de lesão

intraepitelial cervical ou carcinoma.

Na Tabela 3 está ilustrada a modificação

da categoria de insatisfatório

após a segunda leitura, onde se observou

que dessecamento permaneceu

com o maior número de casos, pois

dos 119 esfregaços avaliados, houve

uma modificação de categoria em apenas

seis casos. Estes dados mostram

que os diagnósticos citopatológicos

referentes à leitura 1 e leitura 2 não

apresentaram divergências significativas;

o nível de concordância entre as

leituras foi considerado muito bom de

acordo com o coeficiente kappa que

foi de 0,70 (30).

Embora não se tenha encontrado

nenhum caso de esfregaço com

presença de alterações citológicas

evidentes, é necessário o permanente

envolvimento da equipe profissional

no sistema de monitoramento interno

da qualidade.

Ficou demonstrado neste trabalho

que a categoria dessecamento foi a

principal causa para rejeição do exame

citopatológico convencional. Estudo

realizado por Fagundes et al. (15)

mostrou que o maior percentual de

amostras insatisfatórias era devido a

problemas relacionados com fixação.

Diante de um quadro em que a mulher

ainda tem receio de ir ao médico,

deve-se evitar ao máximo o pedido de

novo material. Quando justificado por

fatores que não se reportam exclusivamente

ao profissional, é aceitável que

haja erro, mas quando isso acontece

por pura inobservância do profissio-

76

NewsLab - edição 116 - 2013


nal, é uma questão a ser analisada,

que tipo de recurso humano se está

recrutando para o serviço ou se a educação

continuada não está a contento.

Esfregaços inadequados conduzem a

perdas de recursos, e mais importante,

provocam ansiedade na paciente (13),

sendo portanto necessária a adoção de

medidas que possam reduzir o número

de amostras inadequadas.

Uma característica do exame

citopatológico é o predomínio do

trabalho manual, desde a coleta do

material até a emissão e liberação do

resultado pelo laboratório. Portanto,

o desempenho pode estar relacionado

com a qualidade dos recursos

humanos envolvidos. A participação

desses profissionais em programas de

educação continuada, aprimoramento

individual e testes de proficiência são

fundamentais (2).

A redução dos índices de insatisfatórios

depende de um conjunto

de ações direcionadas à equipe

multidisciplinar envolvida no exame

citopatológico, através de uma análise

programada, contínua, incluindo

todas as etapas do processo. A revisão

crítica dos esfregaços cervicovaginais

é um exercício eficiente de educação

continuada e permite entender melhor

as causas de diagnósticos incorretos,

bem como planejar formas de melhorar

o desempenho do laboratório.

Embora não tenha sido objetivo

deste estudo, cabe ressaltar que

técnicas de citologia em base líquida

(LBC) têm consistentemente reduzido

o número de casos insatisfatórios, aumentado

a eficiência na visualização

da imagem celular (11, 23, 36), embora

Davey et al. (11) tenham mostrado,

baseados em estudo de revisão,

não haver diferença entre citologia

convencional e LBC quanto ao quantitativo

de insatisfatórios gerados no

laboratório. Boon et al. (6) ressaltam

que LBC elimina muitos dos problemas

pré-analíticos que limitam ou mesmo

invibializam o exame citopatológico,

embora aumente em cerca de quatro

vezes os problemas relacionados a

material hipocelular.

No LACEN-MA não se observou

nenhum caso dentre os insatisfatórios

com alteração celular, mesmo

havendo mudança diagnóstica e consequentemente

de conduta em três

dos 161 casos reavaliados. Esforços e

ações junto às equipes de coletas são

necessários para redução dos casos

insatisfatórios por dessecamento, motivo

principal da rejeição dos exames

observados neste trabalho.

Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio da

UFMA e LACEN-MA para a realização

deste trabalho.

Correspondências para:

Luiz Mário da Silva Silveira

luizmariosilveira@yahoo.com.br

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80

NewsLab - edição 116 - 2013


Artigo

Isolamento de Enterococcus Spp com Resistência a Altas

Concentrações de Aminoglicosídeos em Ambiente Nosocomial e

Comunitário na Cidade de Passo Fundo, Rs

Odilon Carpes de Fraga

Universidade Luterana do Brasil*

Resumo

Summary

Isolamento de Enterococcus Spp com resistência a

altas concentrações de aminoglicosídeos em ambiente

nosocomial e comunitário na cidade de Passo Fundo, Rs

Os Enterococcus spp são bactérias ubíquas e devido à facilidade

de adquirir mecanismos de resistência surgiram nos últimos

anos como agente etiológico de infecções comunitárias e nosocomiais

sérias exibindo mecanismos de resistência para a maioria

dos antimicrobianos utilizados nos tratamentos, principalmente

a estreptomicina e gentamicina de alta concentração. Durante o

período de julho até a metade de novembro avaliou-se as espécies

de Enterococcus spp, o material clínico e a resistência bacteriana

nosocomial e comunitária em 12 cepas de Enterococcus spp isoladas

de vários materiais clínicos no Laboratório de Análises Clínicas

do Hospital da Cidade de Passo Fundo. Enterococcus faecalis foi

a espécie mais isolada (91,6% dos casos) e a urina foi o material

clínico mais frequente no isolamento de Enterococcus. O artigo

encontrou o perfil HLR-ST em 33,3% dos isolados, tanto em ambiente

nosocomial quanto comunitário, perfil de resistência HLAR, HLR-GE;

a vancomicina e teicoplamina não foram encontradas em nosso estudo

tanto para cepas nosocomiais quanto comunitárias. A ausência

de resistência a HLR-GE, HLAR, vancomicina e teicoplamina tanto

em cepas de origem nosocomial como de origem comunitária gera

opções terapêuticas eficazes no tratamento de infecções enterocócicas.

Devido à igualdade de prevalência de resistência no tocante

a HLR-ST entre cepas nosocomiais e comunitárias sugere-se ações

que promovam o uso racional de antimicrobianos e programas

de vigilância para monitoramento, como rastreamento de cepas

resistentes colonizadoras de indivíduos hospitalizados.

Palavras-chave: Enterococcus, resistência bacteriana,

aminoglicosídeos

Isolation of enterococcus spp with resistance to high

concentration of aminoglycoside on nosocomial environment

and community in the city of Passo Fundo, RS

The Enterococcus spp bacteria are ubiquitous and because of

the easiness to acquire mechanisms of resistance acted in the last

years as agent of communitarian infections and serious hospital

environment, showing mechanisms of resistance for most of the

antimicrobial used in the treatments, principally the streptomycin

and gentamicin of high concentration. During the period of July

until half of November we valued species of Enterococcus spp.

Clinical and bacterial material in hospital environment and

communitarian in 12 strains of Enterococcus spp were isolated

of several clinical materials in the Laboratory of Clinical Analyses

of the Hospital of the city of Passo Fundo. Enterococcus

faecalis was the species more isolated in 91,6% of the cases;

the urine was the more frequent clinical material of the isolation

of Enterococcus. The article found the profile HLR-ST in 33.3%

of isolates in both nosocomial and community environment,

resistance profile HLAR, HLR-GE; vancomycin and teicoplanin

were not found in our study for both strains as nosocomial community.

The lack of resistance HLR-GE, HLAR, vancomycin and

teicoplanin both strains as nosocomial origin from the Community

generates effective treatment options for treating enterococcal

infections. Due to the equal prevalence of resistance regarding

HLR-ST strains between nosocomial and community we suggest

actions to promote the rational use of antimicrobial agents and

surveillance programs for monitoring, as screening of resistant

strains colonizing in hospitalized patients.

Keywords: Enterococcus, bacterial resistance, aminoglycoside

*Monografia apresentada à Universidade Luterana do Brasil como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel

em Biomedicina. Orientadora: Fabiana de Cássia Romanha Sturmer. Coorientadora: Elisete Maria Pedron Moro.

82

NewsLab - edição 116 - 2013


Introdução

Os Enterococcus spp são

bactérias dispostas aos pares

ou cadeias, apresentam

cor violeta na coloração de Gram,

são catalase-negativas e toleram

elevadas temperaturas e variação

de pH. Vivem de forma comensal no

trato gastrintestinal, vesícula biliar

e em menor proporção na vagina e

canal uretral masculino. Também são

encontradas no solo, água, plantas

cruas como a batata, mandioca,

salsa, repolho e produtos de origem

animal como a carne crua, leite e

queijo colonial (1, 2).

Devido à facilidade de adquirir

mecanismos de resistência, os Enterococcus

ssp surgiram nos últimos anos

como agentes etiológicos de infecções

comunitárias e nosocomiais sérias,

causando principalmente infecções

urinárias, bacteremia, septicemia,

endocardite infecciosa e infecções de

feridas em indivíduos idosos, imunocomprometidos,

com doenças ou

condições primárias, internados por

um grande período, com passagem

por unidade de tratamento intensivo,

internados próximos a indivíduos

infectados, colonizados por micro-

-organismo multirresistente ou que

foram tratados com antimicrobianos

de forma imprudente (1, 3, 4, 5).

Furumura et al. (6) observaram

que o Enterococcus faecalis tem

capacidade de formar biofilmes em

poliestireno e sugerem que o principal

mecanismo de virulência desta bactéria

consiste na produção dos mesmos

e concomitantemente liberação de

hemolisina, caseinase e lípase que

danificam a célula do hospedeiro.

Os Enterococcus spp exibem mecanismos

de resistência para a maioria

dos antimicrobianos utilizados nos tratamentos

atualmente. Tal resistência

pode ser constitutiva, intrínseca nos

cromossomos, como para as lincosaminas,

cefalosporinas, estreptograminas

e aos betalactâmicos pela reduzida

afinidade das proteínas ligantes

de penicilinas (PBPs) e a baixos níveis

de aminoglicosídeos decorrentes da

minimizada permeabilidade celular ou

alteração de sítio ligante ribossomal.

A resistência adquirida ocorre por

mutação ou obtenção de material genético

externo, através de plasmídeos

e transposons, como nos casos de

resistência a altos níveis de betalactâmicos,

glicopeptídeos, e resistência

a altas concentrações dos aminoglicosídeos

gentamicina e estreptomicina

(HLAR). Somente a estreptomicina

(HLR-ST) ou a gentamicina (HLR-GE)

que decorre da síntese de enzimas

modificadoras de aminoglicosídeos

inativa o fármaco antes da ligação no

receptor ribossômico (7-10).

O método mais comumente aplicado

no tratamento de infecções por

Enterococcus spp é o sinergismo entre

um antimicrobiano que atua na parede

celular, como os betalactâmicos ou

glicopeptídeos e um aminoglicosídeo,

como a gentamicina, porém com o

atual quadro de ascensão HLAR por

parte do mesmo, esta terapia combinada

tornou-se ineficaz, gerando um

grande desafio no tratamento destas

bactérias multirresistentes. Cepas

resistentes produtoras de betalactamases

podem ser tratadas com gentamicina,

ampicilina-clavulanato ou

vancomicina. Para os isolados HLAR

a monoterapia com vancomicina produz

efeito bacteriostático, porém não

é muito recomendada pela possível

aquisição de resistência ao mesmo;

se suscetível, utiliza-se ampicilina,

penicilina ou piperacilina (1, 9).

Os Enterococcus spp resistentes

à vancomicina (VRE) podem ser

suscetíveis à ampicilina, tetraciclina,

cloranfenicol, em combinação de dois

a três antimicrobianos. Atualmente a

alternativa para esses casos é a administração

de linezolida, quinupristina-

-dalfopristina e daptomicina. A escolha

do antimicrobiano não leva em conta

apenas a susceptibilidade, mas o tipo

de infecção, a severidade e a resposta

clínica do paciente (4, 7, 8, 9).

Realizou-se a caracterização fenotípica

das espécies de Enterococcus

spp, prevalência de resistência HLAR,

HLR-ST, HLR-GE e perfil de resistência

aos antimicrobianos de uso comum,

bem como o espécime clínico mais

frequente, fonte de isolamento de

Enterococcus. Os testes de resistência

foram realizados pelo método de

discodifusão no Hospital da Cidade de

Passo Fundo.

Devido ao aumento de isolamentos

deste organismo, à importância na

farmacoterapia, à resistência crescente

e à ausência de dados sobre o

isolamento de Enterococcus spp HLAR

na região, justifica-se a realização

desta pesquisa.

Material e Métodos

Realizou-se um estudo observacional

descritivo e experimental, após

a aprovação pelo Comitê de Ética

em Pesquisa em Seres Humanos e

Animais da Universidade Luterana do

Brasil, sob protocolo número 2010-

309H. No período de julho à metade

de novembro de 2010 foram coletadas

amostras de Enterococcus spp, de

origem nosocomial e comunitária de

diferentes espécimes clínicos, oriundos

do Laboratório de Análises Clínicas

do Hospital da Cidade de Passo Fundo.

Após identificação do gênero

por testes convencionais, as cepas

gentilmente cedidas foram inoculadas

em Ágar Soja-Tripticaseína

NewsLab - edição 116 - 2013

83


(TSA) marca Newprov ® e mantidas

em estufa à temperatura de 37°C

por 24-48 horas para crescimento.

Além disso, concomitantemente

obtiveram-se os dados de identificação

da amostra: origem nosocomial

ou comunitária, gênero bacteriano,

tipo de material clínico e resultado

do antibiograma. Após crescimento

no TSA as amostras foram transportadas

sob condições de assepsia

segundo Brasil, 2006 (11), ao Laboratório

Escola de Biomedicina da

ULBRA Carazinho, RS.

Todas as cepas foram submetidas

novamente aos testes de identificação

de gênero, em seguida as espécies

foram identificadas através de testes

da Probac do Brasil ® e posteriormente

foi realizado o teste de discodifusão

para fenótipo HLAR conforme o CLSI,

2010 (12).

Os testes para identificação de

espécies usados nesta pesquisa consistem

na capacidade de metabolização

de manitol, arabinose, sorbitol,

arginina e motilidade. O resultado é

interpretado por sistema numérico

tabelado. Possíveis cepas de Enterococcus

dispar, Enterococcus durans,

Enterococcus hirae, Enterococcus

columbae, Enterococcus raffinosus,

Enterococcus avium, Enterococcus

saccharolyticus, Enterococcus pseudoavium,

Enterococcus maldoratus

foram classificadas como Enterococcus

spp pela limitação apresentada

pela metodologia de identificação.

Todos os testes foram realizados

a partir de colônias isoladas primariamente

de semeadura por esgotamento

em Ágar Sangue de carneiro

5% Marca Barth ® com incubação

a temperatura de 37ºC por 18-24

horas. O controle de qualidade para

identificação das espécies foi realizado

com cepa Enterococcus faecalis

American Type Culture Collection

(ATCC) 29212 marca Newprov ® .

Já para o controle de qualidade de

amostras suscetíveis e resistentes

no teste para detecção de fenótipo

HLAR, utilizou-se Enterococcus faecalis

ATCC 29212 e Enterococcus faecalis

ATCC 51299 marca Newprov ® ,

respectivamente.

Os resultados da origem nosocomial

ou comunitária, prevalências

das espécies, materiais clínicos fonte,

resistência HLAR, HLR-GE (120µg),

HLR-ST (300µg) e perfil aos antimicrobianos

ampicilina (10µg), ciprofloxacina

(5µg) somente isolados de urina,

vancomicina (30µg) e teicoplamina

(30µg) foram expressos em tabelas,

analisados por porcentagem.

Resultados

Durante o período proposto para

a pesquisa isolou-se 12 cepas de

Enterococcus spp, sendo seis (50%)

de origem nosocomial e seis (50%)

comunitária.

Dentre as espécies, a prevalência

foi Enterococcus faecalis com 11

(91,6%) dos isolados e apenas um

(8,3%) Enterococcus gallinarum,

de acordo com a Tabela 1. Entre os

Enterococcus faecalis, cinco tiveram

origem nosocomial e seis origem comunitária,

já o Enterococcus gallinarum

teve origem nosocomial.

No tocante ao material clínico fonte

de isolamento de Enterococcus spp,

destaca-se urina, com 11 (91,6%),

seguida de escarro, com um (8,3%)

dos isolados, conforme mostra a Tabela

2. Entre os materiais clínicos, cinco urinas

tiveram origem nosocomial e, seis,

origem comunitária, já a única amostra

de escarro teve origem nosocomial.

A resistência apresentada entre as

seis cepas de origem nosocomial em

relação à HLR-ST ocorreu em duas

(33,3%) das amostras, já para HLR-

-GE e HLAR não foram encontrados

isolados resistentes. Porém, no que se

refere à ampicilina foram observadas

três (50%) amostras resistentes e

Tabela 1. Prevalência de espécies de Enterococcus isolados durante julho a metade de novembro de 2010

Espécies n. (%)

Enterococcus faecalis 11 (91,6%)

Enterococcus gallinarum 1 (8,3%)

Total 12 (100%)

Tabela 2. Material clínico fonte de isolamento de Enterococcus spp

Material clínico n. (%)

Urina 11 (91,6%)

Escarro 1 (8,3%)

Total 12 (100%)

84

NewsLab - edição 116 - 2013


Tabela 3. Perfis de resistência a antimicrobianos de acordo com origem nosocomial/comunitária, das amostras de Enterococcus spp isoladas

Nosocomial n. total n. (%) Comunitária n. total n. (%)

Antimicrobiano

Antimicrobiano

EST (300µg) 6 2 (33,3%) EST (300µg) 6 2 (33,3%)

GEN (120µg) 6 0 (0%) GEN (120µg) 6 0 (0%)

AMP (10µg) 6 3 (50%) AMP (10µg) 6 0 (0%)

CIP (5µg) 5 2 (40%) CIP (5µg) 6 1 (16,6%)

VAN (30µg) 6 0 (0%) VAN (30µg) 6 0 (0%)

TEI (30µg) 6 0 (0%) TEI (30µg) 6 0 (0%)

EST: Estreptomicina, GEN: Gentamicina, AMP: Ampicilina, CIP: Ciprofloxacina, VAN: Vancomicina, TEI: Teicoplamina.

para ciprofloxacina, duas (40%), mas

para a vancomicina e teicoplamina não

foi encontrado resistência. Dentre as

seis amostras oriundas da comunidade,

dois isolados apresentaram fenótipo

HLR-ST; para HLR-GE e HLAR nenhum

nível de resistência encontrado,

ocorrendo o mesmo com ampicilina,

porém ciprofloxacina apresentou um

(16,6%) isolado resistente. Quanto

aos glicopeptídeos, vancomicina e

teicoplamina não apresentaram resistência,

conforme descrito na Tabela 3.

Discussão

O número de amostras compreendidas

neste estudo é razoável

e o período de coleta curto. Deste

modo, não permite-se uma análise

e discussão mais detalhada sobre os

resultados, no entanto, não invalida o

estudo realizado.

A prevalência das espécies de

Enterococcus isoladas está de acordo

com pesquisas brasileiras em relação

ao predomínio do Enterococcus faecalis,

que permanece em torno de 80 a

90% e no presente estudo identificou-

-se em 91,6% das cepas (3, 13, 14,

15), porém ocorre desacordo com a

segunda espécie mais isolada, onde a

literatura indica Enterococcus faecium

(1, 16, 17, 18) e, na presente pesquisa,

detectou-se Enterococcus gallinarum

em 8,3% dos isolados. Tal evento

também ocorreu em estudo realizado

na Índia (19) e em Niterói, Rio de

Janeiro. Isso pode ser explicado pelas

diferenças no carreamento intestinal

das espécies, a localização geográfica

e os métodos de detecção (3).

A ausência de isolados de Enterococus

faecium reflete uma menor

prevalência de resistência, pois é

sabido que esta espécie apresenta

com mais frequência mecanismos de

resistência, apesar de ser identificada

em cerca de 5 a 10% dos isolados de

Enterococcus (1, 20).

O material clínico pesquisado para

isolamento de Enterococcus mais

frequente foi a urina (91,6%), confirmando

assim que a infecção urinária

é a patologia mais frequente causada

pela bactéria do gênero Enterococcus

(10, 21, 22, 23). No Japão um estudo

que avaliou infecções urinárias pelo

período de 20 anos demonstrou que

o gênero Enterococcus foi o patógeno

mais prevalente entre os cocos Gram

positivos (24).

Nos últimos anos ocorreu um aumento

na frequência de isolamento

e na aquisição de mecanismos de

resistência por parte dos Enterococcus

(4). Destaca-se atualmente HLAR para

ambos aminoglicosídeos, HLR-ST e

HLR-GE que leva a perda da eficácia do

tratamento sinérgico entre aminoglicosídeos

e antimicrobianos de atuação

na síntese de parede celular como os

betalactâmicos e glicopeptídeos, gerando

um grande desafio terapêutico

(1, 8, 9, 15, 16).

Dentre as cepas de origem nosocomial,

referente ao perfil HLR-ST o

presente estudo apresentou 33,3%

de resistência, o que está de acordo

com o encontrado por estudo realizado

em Porto Alegre e Niterói (3, 15),

porém esta taxa é considerada elevada

quando comparada a D’Azevedo

et al. (16) e Almeida et al. (25). Tal

dado apresenta concordância quando

confrontado com o estudo turco (17)

e próximo ao encontrado na Espanha

por Casal et al. (22), todavia quando

relacionado aos 72% de resistência

reportados no Irã é considerado de

baixa prevalência (23).

A ausência de fenótipo HLAR para

ambos aminoglicosídeos e HLR-GE

está em discordância com o encontrado

no Brasil, que varia de 2,8 a 14,6%

para HLAR e 22 a 36,4% para HLR-GE

(3, 15, 16). Na Europa apresenta em

média 35%, com exceção da França

que apresenta 13,4% (26). A resistência

de 50% à ampicilina é considerada

alta para os padrões brasileiros, que

variam de 2,5 a 11,8% (15, 16, 25),

e europeus, que variam de 0,2 a 4,7%

(26). Tal prevalência pode ser explicada

pela forma rápida com que as

cepas adquirem resistência a betalactâmicos.

A exposição a cinco doses é

86

NewsLab - edição 116 - 2013


suficiente para induzir tolerância, este

fato remete à utilização indevida desta

classe de antimicrobianos (8).

A ciprofloxacina testada, apenas

em isolados de urina, apresentou 40%

de resistência. Este valor está próximo

ao encontrado em estudos realizados

em Porto Alegre (15, 16) e em Santa

Maria (14) e baixo quando confrontado

com os 78,9% demonstrado em

Brasília (25). Em relação aos Estados

Unidos, Canadá, Itália e Alemanha a

resistência está próxima e elevada em

relação à França (26). A ausência de

resistência à vancomicina e teicoplamina

acompanha os estudos brasileiros

que variam entre 0 e 0,5% (14, 15,

16, 25), os níveis europeus variam de

de 0,2 a 4,5% para vancomicina e 0,1

a 2,4% para teicoplamina (26). Em

contraponto, no Irã já foi verificada

prevalência de 12% (23). As cepas VRE

têm sido reportadas de forma lenta,

porém progressiva, gerando sérios

vieses terapêuticos (21).

Vigani et al. (27) verificaram em

Campinas um índice de mortalidade

durante hospitalização por Enterococcus

faecalis causadores de bacteremias

em 46,2% dos 145 pacientes, enquanto

Karlowsky et al. (20) demostraram

que o Enterococcus spp é o terceiro

agente etiológico mais isolado em

bacteremias adquiridas nos hospitais

dos Estados Unidos. Estes dados refletem

a gravidade da atual situação

das infecções enterocócicas.

As cepas comunitárias apresentaram

para HLR-ST 33,3% de resistência,

que está de acordo com Andrade

et al. (28). A ausência de cepa HLAR

para ambos aminoglicosídeos e HLR-

-GE apresenta-se em desacordo com

os 24% na Espanha (29), 23,5% na

América Latina (28) e 51% na Itália

(30) no que refere a HLR-GE. A ausência

de resistência ao betalactâmico

ampicilina está de acordo com o

encontrado na Espanha (29), muito

próximo ao publicado na Itália (30)

e considerada baixa quando confrontada

com a resistência de 11,8% em

estudo latino-americano (28).

A resistência de 16,6% à ciprofloxacina

assemelha-se ao encontrado

por De Francesco et al. (30) e López

et al. (29) e é considerada baixa em

relação a Andrade et al. (28). O fato

de não haver resistência perante a

vancomicina e teicoplamina está muito

próximo aos baixos níveis relatados:

2,9% por Andrade et al. (28) e 1% por

De Francesco et al. (30) para ambos

glicopeptídeos. Segundo D’Azevedo

et al. (16) os dados obtidos por diferentes

estudos variam de acordo

com a região e instituição pesquisada.

A exposição à pressão seletiva e a

propagação de elementos genéticos

móveis explicam tal fenômeno.

Quando comparado o perfil de

resistência das cepas de origem nosocomial

com as de origem comunitária

é esperada uma maior prevalência

naquelas nosocomiais (3). Esta tendência

foi confirmada em relação

aos antimicrobianos ampicilina e

ciprofloxacina, porém no tocante ao

fenótipo HLR-ST neste estudo as cepas

demonstraram resistências semelhantes,

como encontrado por Casal et al.

(22). Andrade et al. (28) indicam que

estudos sobre a prevalência de resistência

em patógenos urinários devem

ser realizados por regiões geográficas

para posterior confecção de guias de

tratamento específico da região, pois

a tendência mundial pelo tratamento

empírico gera resistência comunitária

e frequente fracasso terapêutico.

Conclusão

O presente estudo demonstrou

que o Enterococcus faecalis é a espécie

mais prevalente de Enterococcus

isolada no Hospital da Cidade de Passo

Fundo, RS, sendo agente etiológico

principalmente de infecções urinárias.

O perfil de resistência apresentado

pelas cepas isoladas no estudo

demonstra níveis variados de resistência

quando comparados a outras

cidades do país. Contudo, destaca-se

a ausência de resistência a HLR-GE,

HLAR, vancomicina e teicoplamina

tanto em cepas de origem nosocomial

como de origem comunitária, gerando

opções terapêuticas eficazes no tratamento

de infecções enterocócicas.

Devido à igualdade de prevalência

de resistência no tocante a HLR-ST,

entre cepas nosocomiais e comunitárias

sugere-se ações que promovam

o uso racional de antimicrobianos e

programas de vigilância para monitoramento,

como rastreamento de

cepas resistentes colonizadoras de

indivíduos hospitalizados.

Recomenda-se ampliação do estudo

para nível regional, estendendo

o tempo de pesquisa para melhor

visualização da prevalência na região

norte do Rio Grande do Sul.

Agradecimentos

Meus sinceros agradecimentos ao

Laboratório de Análises Clínicas do

Hospital da Cidade de Passo Fundo

por fornecer as amostras e permitir a

coleta de dados.

Os autores informam que não há

conflitos de interesse na construção

deste artigo de qualquer natureza,

principalmente financeiros. A pesquisa

foi custeada pelo autor principal.

Correspondência para:

Odilon Carpes de Fraga

odiloncarpes@gmail.com

NewsLab - edição 116 - 2013

87


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88

NewsLab - edição 116 - 2013


Artigo

Correlação Clínico-Laboratorial entre

Métodos para Dosagem de Tiroxina

Carlos Augusto Haas 1 , Gustavo Müller Lara 2

1 – Acadêmico do curso de Biomedicina, Feevale, RS

2 – Professor mestre, supervisor de estágio do setor de Imunologia e professor da disciplina de Imunologia Clínica, Feevale, RS

Resumo

Summary

Correlação clínico-laboratorial entre métodos para

dosagem de tiroxina

Alterações na tiroxina (T4) afetam diretamente o metabolismo.

O T4 total tem grande utilidade no acompanhamento de pacientes

com transtornos tireoidianos. Devido à variabilidade de métodos

torna-se importante correlacionar as dosagens de T4. Foram comparadas

80 amostras séricas do laboratório Exame Ltda., dosadas

pelo método de imunoensaio de fluorescência polarizada (FPIA),

contra o método de quimioluminescência (QUIA) utilizado no laboratório

de Biomedicina da Feevale. O coeficiente de correlação

encontrado foi 0,9841 e o índice Kappa foi 0,858. Apesar da

excelente correlação laboratorial e a substancial associação clínica

é necessária uma avaliação médica mais criteriosa dos pacientes

com valores de T4 próximos dos limites inferiores e superiores

quando avaliados pelo método de FPIA comparados pelo QUIA.

Palavras-chave: Tireoide, hipertireoidismo, hipotireoidismo

Clinical and laboratorial correlation between methods

for determination of thyroxin

Changes in thyroxin (T4) affect directly the metabolism.

Total T4 is useful in monitoring patients with thyroid disorders.

Because of the variability of methods it´s important to correlate

the levels of T4. We compared 80 samples of serum from

Exame laboratory, measured by the method of fluorescence

polarization immunoassay (FPIA), against the method of chemiluminescence

(QUIA) used in the laboratory of Biomedicine

of Feevale. The correlation coefficient found was 0.9841 and

the Kappa index was 0.858. Despite the excellent substantial

laboratory correlation and clinical association it´s necessary

a more careful medical evaluation of patients with T4 values

close to lower and higher limits when measured by FPIA method

compared by QUIA.

Keywords: Thyroid, hyperthyroidism, hypothyroidism

Introdução

A

lterações relativas tanto em

relação à produção insuficiente

de tiroxina (T4) quanto

à produção exagerada, afetam diretamente

o metabolismo (1, 2). O T4

influencia vários sistemas orgânicos,

entre eles: cardiovascular, nervoso e

digestivo (3). A produção de tiroxina é

regulada através do eixo hipotálamo-

-hipófise-tireoide, basicamente pela

ação do TSH (2).

Os transtornos tireoidianos que

chamam mais atenção, tanto na

clínica quanto na pesquisa, são o

hipertireoidismo e o hipotireoidismo,

podendo ser de caráter autoimune

ou não (4). Um dos fatores

responsáveis pelo aparecimento de

transtornos tireoidianos é a deficiência

de um micronutriente, o iodo,

essencial para a produção hormonal

(5). A prevalência de hipertireoidismo

é de aproximadamente 3,6

casos em cada 1.000 mulheres e

cerca de 0,4 casos em cada 1.000

homens, enquanto que a prevalência

de hipotireoidismo é de cerca de 15

casos em cada 1.000 mulheres e

aproximadamente 10 casos em cada

1.000 homens (5, 6).

Embora o marcador de escolha

Trabalho desenvolvido no laboratório de Biomedicina da Feevale (RS) em conjunto com o

laboratório Exame Ltda. de Novo Hamburgo (RS)

90

NewsLab - edição 116 - 2013


para transtornos tireoidianos seja a

tireotropina (TSH), avaliar os hormônios

tireoidianos, principalmente

o T4 total, uma vez que existe muita

variação entre as metodologias para

T4 livre, é de grande valor principalmente

no acompanhamento do

tratamento do hipotireoidismo (7).

Portanto, devido aos diversos métodos

disponíveis para dosagem de

T4, é de fundamental importância

conhecer a associação entre as características

quantitativas para um

melhor acompanhamento clínico-

-laboratorial do paciente. Sendo

assim, esse estudo tem como objetivo

verificar a correlação entre os

métodos de quimioluminescência

(QUIA) e imunoensaio por fluorescência

polarizada (FPIA).

Materiais e Métodos

Foi realizado um estudo de

acurácia entre testes diagnósticos

usando 80 amostras séricas selecionadas

de pacientes atendidos

no Laboratório Exame de Análises

Clínicas Ltda., localizado na cidade

de Novo Hamburgo (RS), no período

de março a junho de 2009.

O T4 foi determinado utilizando

dois imunoensaios comerciais conforme

escrito no Quadro 1, sendo um

ensaio de fluorescência polarizada

(método A) e um quimioluminescente

(método B). O método A será utilizado

como critério de referência para classificar

as amostras nas três categorias:

≤4,4 μg/dL, 4,5 a 12,0 μg/dL e ≥11,6

μg/dL, enquanto que os intervalos

para o método B serão utilizados para

as seguintes categorias: ≤6,0 μg/dL,

6,1 a 12,2 μg/dL e ≥12,3 μg/dL.

Para a comparação entre os

métodos utilizados serão utilizados

os métodos estatísticos descritivos,

teste t de Student, correlação de

Pearson e a concordância diagnóstica

pela estatística Kappa. Será adotado

o nível de significância de 5%. O

programa SPSS 13.0 será utilizado

para a análise dos dados.

Resultados

Um total de 80 amostras séricas

foi submetido à comparação entre os

métodos de QUIA e FPIA e a análise

descritiva para os métodos pode ser

observada na Tabela 1 que mostra valores

de tendência central e dispersão

semelhante entre as dosagens.

Os resultados foram analisados

para se verificar a existência ou

não de correlação entre ambas as

técnicas. A Figura 1 mostra que as

técnicas guardam uma relação positiva

e significativa (p


Tabela 1. Análise descritiva entre as dosagens de T4 para o método de FPIA e QUIA (n = 80)

Método Média Desvio Padrão Mínimo Máximo

FPIA 9,2 4,4 1,6 23,1

QUIA 9,0 4,4 1,4 22,8

Figura 1. Diagrama de dispersão e reta de regressão ajustada pela relação entre as técnicas

Tabela 2. Análise descritiva do controle de qualidade nas dosagens de QUIA (n = 8)

Parâmetro

T4 (µg/dL)

Média 6,9

Desvio Padrão 0,4

Mínimo 6,5

Máximo 7,6

Tabela 3. Resultado da estatística Kappa sobre o intervalo de referência entre os métodos

QUIA

Hipotireoidismo Eutireoidismo Hipertireoidismo

Hipotireoidismo 14 0 0

FPIA

Eutireoidismo 3 48 1

Kappa = 0,858 (correlação substancial)

Hipertireoidismo 0 2 12

NewsLab - edição 116 - 2013

93


Discussão e conclusão

Nos últimos anos tem sido observado

um crescente aumento

na diferenciação entre os métodos

para a dosagem de T4, assim como

a diversificação dos equipamentos

imunológicos entre laboratórios de

análises clínicas.

A dosagem deste exame é muito

utilizada para o acompanhamento no

tratamento de transtornos tireoidianos

(7) e embora seja uma análise usual, a

falta de padronização entre os valores

de referência para os métodos disponíveis

é um fator a ser considerado

quando for necessária a troca de um

método por outro.

Em relação aos valores de referência

para as duas metodologias,

podemos observar haver variações

principalmente nos limites inferiores

de normalidade, sendo os valores da

FPIA, mais amplos, porém discordando

dos valores considerados aceitos no

estudo de (8), 5,3 a 12,6 µg/dL, que

se aproximam dos valores de QUIA.

Este estudo mostrou que apesar

da excelente correlação laboratorial (r

= 0, 9841) e a substancial associação

clínica (k = 0,858) é necessária uma

avaliação médica mais criteriosa dos

pacientes com valores de T4 próximos

dos limites inferiores e superiores

quando avaliados pelo método de FPIA

comparados pelo QUIA.

Correspondências para:

Gustavo Müller Lara

gustavoml@feevale.br

Referências Bibliográficas

1. Huang YH, Tsai MM et al. Thyroid hormone dependent regulation of target genes and their physiological significance. Chang Gung Med

J, 31(4): 325-34. 2008.

2. Iglesias P, Diez JJ. Thyroid dysfunction and kidney disease. Eur J Endocrinol, 160(4): 503-15. 2009.

3. Yamanaka H, Nakajima M et al. Glucuronidation of Thyroxine in Human Liver, Jejunum, and Kidney Microsomes. Drug Metab Dispos,

35(9): 1642-8. 2007.

4. Larson J, Anderson EH et al. Thyroid disease: a review for primary care. J Am Acad Nurse Pract, 12(6): 226-32. 2000.

5. Lazarus JH, Obuobie K. Thyroid disorders an update. Postgrad Med J, 76(899): 529-36. 2000.

6. Dw Felice M, Di Lauro R. Thyroid development and its disorders: genetics and molecular mechanisms. Endocr Rev, 25(5): 722-46. 2004.

7. Joffe RT, Brimacombe M et al. Treatment of clinical hypothyroidism with thyroxine and triiodothyronine: a literature review and metaanalysis.

Psychosomatics, 48(5): 379-84. 2007.

8. Surks MI, Chopra IR, Mariash CN, Nicoloff JT, Solomon DH. American Thyroid Association guidelines for use of laboratory tests disorders.

JAMA 263:1529-32, 1990.

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NewsLab - edição 116 - 2013


Artigo

Gerenciamento dos Resíduos de Serviços

de Saúde: uma perspectiva atual

Fábio Alexandre Alff, Adriane Bombassaro

Faculdade Assis Gurgacz, PR

Resumo

Summary

Gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde:

uma perspectiva atual

Ao transformar matéria e energia que nelas entram, as cidades

produzem resíduos e rejeitos de vários tipos. A preocupação

como senso popular com o tratamento e o destino final dos resíduos

ainda se resume na adoção de soluções imediatistas, quase

sempre fundamentadas no simples descarte. Uma proposta atual

apresentada aos gestores da saúde é a da Rede Internacional

para a Administração Ambiental (INEM) e que serve de motivação

para as empresas decidirem por adotar uma política com cuidado

ambientalista: “senso de responsabilidade ecológica, exigências

legais, proteção dos interesses da empresa, imagem, proteção dos

funcionários, proteção do mercado, qualidade de vida e o lucro”.

Com objetivo de minimizar a produção de resíduos, proporcionar

o encaminhamento seguro e eficiente, visando proteger o trabalhador,

preservar a saúde pública e os recursos naturais do meio

ambiente, o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de

Saúde (PGRSS) constitui-se de um conjunto de procedimentos, a

partir de bases científicas, normativas e legais, que servem como

base para nortear o trabalho do gestor e de seus colaboradores.

A exigência de cuidado com o meio ambiente do ponto de vista

político e comunitário, o enfoque nos problemas de saúde na dimensão

ecológica, tem se projetado cada vez mais para o cidadão. À

medida que cada indivíduo busca a satisfação com o emprego, ela

será maior se a consciência for de que o trabalho de cada indivíduo

seja efetuado com menor prejuízo possível ao meio ambiente, saúde

pessoal e melhor oportunidade para futuras gerações.

Palavras-chave: Resíduos, saúde, gerenciamento, meio

ambiente

Waste Management of health services: a current

perspective

In order to transform all sort of matter that is used in a city,

it produces several kinds of wastes. There is a social concern

about the treatment and the final destination of these wastes

which still result from embracing immediate solutions always

based on discarding them. A present proposal presented to

the health managers is from (INEM) International Network for

Environmental Administration, and it works as a motivation to

the companies that decide to adopt a regarding environmentalist

policy, “ecoconsciousness, legal demands, to protect the

interests and image of the company, protection of employees,

to protect the business, quality of life and profit.” Aiming to

diminish the production of wastes, providing an effective and

safe conduction of them, trying to protect the employees,

preserving the public health and the natural resources of the

environment, the Waste Management Health Service Plan –

WMHSP constitutes an ensemble of procedures that work as

a model to managers and their associates. The need of the

environment care seen by political and communitarian points of

view, the approach on the health problems in an environmental

dimension has been projected once more to the citizens. By

the time that one searches for satisfaction with his work, it will

be even better if the conscience that each one’s work must be

done trying to diminish the environmental harm, personal health

and better opportunity to coming generations.

Keywords: Waste, health care, management, environment

Artigo apresentado ao Corpo Docente do Curso de Pós-Graduação em Análises Clínicas da Faculdade

Assis Gurgacz como requisito para obtenção do título de Especialista em Análises Clínicas

96

NewsLab - edição 116 - 2013


Introdução

A

concentração demográfica

e o grande aumento do

consumo de bens geram

uma enorme quantidade de resíduos

de todo o tipo, procedentes tanto

das áreas residenciais como das

atividades públicas e dos processos

comerciais e industriais. Todos esses

materiais recebem a denominação

de lixo, e sua eliminação e possíveis

reaproveitamentos são um desafio

a ser vencido pela sociedade moderna

(1).

Lixo é basicamente definido como

todo e qualquer resíduo sólido proveniente

das atividades humanas.

No entanto, de acordo com Bidone e

Povinelli (2), o conceito mais recente

de lixo é aquilo que ninguém quer

ou não tem valor comercial. “Neste

caso, pouca coisa descartada pode

ser chamada de lixo”. Atualmente

o adequado é que ao invés de lixo

usemos o termo resíduo.

No Brasil, os resíduos de serviço

de saúde foram definidos como todos

aqueles que resultam de atividades

exercidas dos serviços que tem relação

com o atendimento à saúde, tanto

humana quanto animal, o que inclui

os serviços de assistência domiciliar

e de trabalhos de campo; laboratórios

analíticos de produção para a saúde;

necrotérios, funerárias, serviços de

embalsamamento (tanatopraxia e

somatoconservação), medicina legal;

drogarias e farmácia (incluindo as de

manipulação); estabelecimentos de

ensino e pesquisa que abrangem a

área de saúde; centros de controles

de zoonoses; distribuidores de produtos

farmacêuticos; importadores, distribuidores

e produtores de materiais

e controles para diagnóstico in vitro;

unidades móveis de atendimento a

saúde; serviços de acupuntura, tatuagem

e similares (3).

O gerenciamento inadequado de

serviços de saúde produzidos diariamente,

aliado ao aumento significativo

de sua produção, vem agravando

os riscos à saúde e à população.

A probabilidade e a severidade da

ocorrência de efeitos adversos são

definidas como risco, que pode ser:

econômico, para a vida, para a saúde

e para o meio ambiente. À saúde, o

risco é a aquisição, direta ou indireta,

de doenças infecciosas em virtude

do gerenciamento inadequado de

resíduos de serviços de saúde, que

pode ocorrer em seu manuseio,

acondicionamento, coleta, transporte,

armazenamento, tratamento ou

destino final (3).

Conforme Resolução da Diretoria

Colegiada, da Agência Nacional de

Vigilância Sanitária/Anvisa - RDC Nº

306, de 7 de dezembro de 2004, não

somente classifica e define o tratamento

dos resíduos, como também

define que compete ao gerador de

Resíduos de Serviços de Saúde elaborar

um PGRSS, que consiste em um

documento que aponta e descreve

as ações relativas ao manejo dos

resíduos sólidos, observando suas

características e riscos, no âmbito

dos estabelecimentos (4).

O Programa de Gerenciamento

dos RSS constitui-se em um conjunto

de procedimentos de gestão,

planejados e implementados a partir

de bases científicas e técnicas, normativas

e legais, com o objetivo de

minimizar a produção de resíduos e

proporcionar aos resíduos gerados

um encaminhamento seguro, de

forma eficiente, visando à proteção

dos trabalhadores, a prevenção da

saúde pública, dos recursos naturais

e do meio ambiente. O gerenciamento

deve abranger o planejamento de

recursos físicos, recursos materiais e

a capacitação de recursos humanos

envolvidos no manejo do RSS. 5

A Resolução n º 358 do Conselho

Nacional de Meio Ambiente (Conama),

de maio de 2005, determina

que caberá ao responsável legal pelo

estabelecimento gerador a responsabilidade

pelo gerenciamento de resíduos,

desde a geração até a disposição

final. De acordo com a mesma

resolução deve ainda o responsável

legal dos estabelecimentos prestadores

de serviço de saúde disponibilizar

o PGRSS para os órgãos ambientais,

dentro de suas respectivas esferas de

competência (6).

A Anvisa apresentou no início de

2006 o “Manual de Gerenciamento

de Resíduos de Serviços de Saúde”,

que orienta os estabelecimentos

sobre como se adequarem de forma

devida (3).

O gerenciamento inicia pelo planejamento

dos recursos físicos e dos

recursos materiais necessários, culminando

na capacitação dos recursos

humanos envolvidos. Na sequência

abordaremos individualmente cada

etapa do Plano de Gerenciamento de

Resíduo de Saúde.

NewsLab - edição 116 - 2013

97


Manejo

O manejo dos resíduos de serviços

de saúde é o conjunto de ações

voltadas ao gerenciamento dos

resíduos gerados. Deve focar os aspectos

intra e extraestabelecimento,

desenvolvendo-se desde a geração

até a disposição final, incluindo as

etapas citadas a seguir (7).

Segregação

Consiste na separação dos resíduos

no momento e local de sua

geração, de acordo com as características

físicas, químicas, biológicas

e os riscos envolvidos (7).

Acondicionamento

Ato de embalar de forma adequada

os resíduos segregados, em

sacos ou recipientes que evitem

vazamentos e resistam às ações de

punctura e ruptura. A capacidade

dos recipientes de acondicionamento

deve ser compatível com

a geração diária de cada tipo de

resíduo. Os resíduos sólidos devem

ser acondicionados em sacos

resistentes à ruptura, vazamento

e impermeáveis, de acordo com a

Norma Brasileira (NBR) 9191/2000

da Associação Brasileira de Normas

Técnicas (ABNT). Deve ainda ser

respeitado o limite de peso de cada

saco, sendo proibido o seu esvaziamento

ou reaproveitamento. Os

sacos devem estar contidos em coletores

de material lavável, resistente

ao processo de descontaminação,

com tampa provida de sistema

de abertura sem contato manual,

e possuir cantos arredondados e

serem resistentes ao tombamento.

Os resíduos perfurocortantes devem

ser acondicionados em recipientes

resistentes à punctura, ruptura e

vazamento, e ao processo de descontaminação

utilizado pelo laboratório

ou empresa especializada (7).

Identificação

Esta etapa do manejo dos resíduos

permite o reconhecimento dos resíduos

contidos nos sacos e recipientes,

fornecendo informações ao correto

manejo dos RSS.

A identificação deve estar exposta

nos sacos de acondicionamento,

nos recipientes de coleta interna e

externa, nos recipientes de transporte

interno e externo, e nos locais

de armazenamento, em local de

fácil visualização, de forma indelével,

utilizando-se símbolos, cores e

frases, atendendo aos parâmetros

referendados na norma NBR 7.500

da ABNT, além de outras exigências

relacionadas à identificação de conteúdo

e ao risco específico de cada

grupo de resíduos.

O Grupo A de resíduos é identificado

pelo símbolo internacional de

risco infectante, com rótulos de fundo

branco, desenho e contornos pretos,

conforme NBR 7500 da ABNT.

O Grupo B é identificado através

do símbolo de risco associado, de

acordo com a NBR 7500 da ABNT

e com discriminação de substância

química e frases de risco.

O Grupo C é representado pelo

símbolo internacional de presença

de radiação ionizante (trifólio de cor

magenta) em rótulos de fundo amarelo

e contornos pretos, acrescido da

expressão “Rejeito Radioativo”.

O Grupo E é identificado pelo

símbolo de infectante, e deve conter

a inscrição de resíduo perfurocortante,

indicando o risco que apresenta o

resíduo (7).

Transporte Interno

Esta etapa consiste no translado

dos resíduos dos pontos de geração

até local destinado ao armazenamento

temporário ou armazenamento

externo com a finalidade de apresentação

para a coleta.

O transporte interno de resíduos

deve ser realizado atendendo roteiro

previamente definido e em horários

não coincidentes a períodos de maior

fluxo de pessoas ou de atividades.

Deve ser feito separadamente de

acordo com o grupo de resíduos e em

recipientes específicos a cada grupo

de resíduos.

Os carros para transporte interno

devem ser constituídos de material

rígido, lavável, impermeável, resistente

ao processo de descontaminação

determinado pelo laboratório,

provido de tampa articulada ao próprio

corpo do equipamento, cantos e

bordas arredondadas, identificados

com o símbolo correspondente ao

risco do resíduo neles contidos. Devem

ser providos de rodas revestidas

de material que reduza o ruído. Os

recipientes com mais de 400 L de

capacidade devem possuir válvula de

dreno no fundo. O uso de recipientes

desprovidos de rodas deve observar

os limites de carga permitidos para

o transporte pelos trabalhadores,

98

NewsLab - edição 116 - 2013


conforme normas reguladoras do

Ministério do Trabalho e Emprego (7).

Armazenamento Temporário

Consiste na guarda temporária

dos recipientes contendo os resíduos

já acondicionados, em local próximo

aos pontos de geração, visando

agilizar a coleta dentro do estabelecimento

e otimizar o deslocamento

entre os pontos geradores e o ponto

destinado à apresentação para coleta

externa. Não pode ser feito armazenamento

temporário com disposição

direta dos sacos sobre o piso, sendo

obrigatória a conservação dos sacos

em recipientes de acondicionamento.

O armazenamento temporário

pode ser dispensado nos casos em

que a distância entre o ponto de

geração e o armazenamento externo

justifique.

A área destinada à guarda dos

carros de transporte interno de resíduos

deve ter pisos e paredes lisas,

laváveis e resistentes ao processo

de descontaminação utilizado. O

piso deve, ainda, ser resistente ao

tráfego dos carros coletores. Deve

possuir ponto de iluminação artificial

e área suficiente para armazenar, no

mínimo, dois carros coletores, para

translado posterior até a área de armazenamento

externo. Quando a sala

for exclusiva para o armazenamento

de resíduos, deve estar identificada

como “Sala de Resíduos”.

Não é permitida a retirada dos

sacos de resíduos de dentro dos recipientes

ali estacionados.

Os resíduos de fácil putrefação

(decomposição) que venham a ser

coletados por período superior a 24

horas de seu armazenamento, devem

ser conservados sob refrigeração

e, quando não for possível, serem

submetidos a outro método de conservação.

O armazenamento de resíduos

químicos deve atender à NBR 12235

da ABNT (7).

Tratamento

O tratamento preliminar consiste

na descontaminação dos resíduos

(desinfecção ou esterilização) por

meios físicos ou químicos, realizado

em condições de segurança e eficácia

comprovada, no local de geração, a

fim de modificar as características

químicas, físicas ou biológicas dos

resíduos e promover a redução, a

eliminação ou a neutralização dos

agentes nocivos à saúde humana,

animal e ao ambiente.

Os sistemas para tratamento de

resíduos de serviços de saúde devem

ser objeto de licenciamento ambiental,

de acordo com a Resolução CO-

NAMA nº. 237/1997 e são passíveis

de fiscalização e de controle pelos

órgãos de vigilância sanitária e de

meio ambiente.

O processo de esterilização por

vapor úmido, ou seja, autoclavação,

não necessita de licenciamento ambiental.

A eficácia do processo deve

ser feita através de controles químicos

e biológicos, periódicos, e devem

ser registrados.

Os sistemas de tratamento térmico

por incineração devem obedecer

ao estabelecido na Resolução CONA-

MA nº. 316/2002.

Os rejeitos podem sofrer tratamento

adequado no local de geração

ou outrem desde que devidamente

regulamentados (7).

Armazenamento Externo

Consiste na guarda dos recipientes

de resíduos até a realização da

etapa de coleta externa, em ambiente

exclusivo com acesso facilitado

para os veículos coletores. Neste

local não é permitida a manutenção

dos sacos de resíduos fora dos recipientes

ali estacionados (7).

Coleta e Transporte Externo

Consistem na remoção dos RSS

do abrigo de resíduos (armazenamento

externo) até a unidade

de tratamento ou disposição final,

utilizando-se técnicas que garantam

a preservação das condições de

acondicionamento e a integridade

dos trabalhadores, da população e

do meio ambiente, devendo estar

de acordo com as orientações dos

órgãos de limpeza urbana. 7

A coleta e o transporte externos

dos resíduos de serviços de saúde

devem ser realizados de acordo com

as normas NBR 12.810 e NBR 14652

da ABNT (7).

Disposição Final

Consiste na disposição de resíduos

no solo, previamente preparado

para recebê-los, obedecendo

a critérios técnicos de construção e

operação, e com licenciamento ambiental

de acordo com a Resolução

Conama nº. 237/97 (7).

O homem produz lixo desde a

100

NewsLab - edição 116 - 2013


sua origem na terra. Este, portanto,

não é um problema atual, atual é a

consciência para o assunto e as consequências

da sua produção e do seu

armazenamento incorreto (1).

Em relação aos benefícios da administração

com consciência ecológica

são enumerados fatores como: sobrevivência

humana, senso público,

oportunidade de mercado, redução de

riscos, redução de custos, integridade

pessoal (8).

Discussão

Frente à problemática dos resíduos

nas instituições de saúde, as

soluções apontadas concentram-se

predominantemente na implantação

do seu manejo, sem que o processo

como um todo seja abordado. Parece

ser predominantemente a preocupação

com a saída do produto dos

ambientes geradores, sem considerar

todos os fatores que envolvem

as etapas do processo de manejo,

desde o próprio preparo dos profissionais

que muitas vezes encontram

desinstrumentalizados para lidar com

os resíduos provenientes das suas

atuações (9).

Desta forma faz-se necessário

que os participantes (gestores) destes

espaços tenham uma visão mais

abrangente para o enfrentamento

dessa problemática (9).

O manejo inadequado dos RSS

representa uma fonte de degradação,

oferecendo risco ao ambiente

e à saúde. Enfatizar esta questão

no processo de formação requer

considerar os indivíduos (colaboradores)

que atuam nestes espaços,

na construção de uma consciência

ética, em busca da qualidade de vida

e sustentabilidade (9).

É a partir da vida cotidiana, das

necessidades e interesses pessoais

que as exigências de uma sociedade

global precisam ser pedagogicamente

trabalhadas. É a partir ainda do

dia-a-dia que se constrói a cultura

da sustentabilidade de valorização

da vida. Ao refletir sobre o seu

fazer diário, o ser estará, simultaneamente,

autotransformando-se e

automodificando-se (9).

Correspondências para:

Fábio Alexandre Alff

fabioalff76@hotmail.com

Referências Bibliográficas

1. Silva RFS, Soares ML. Gestão dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde com Responsabilidade Social. 2004.

2. Naime R, Sartor I, Garcia A C. Uma abordagem Sobre a Gestão de Resíduos de Serviço de Saúde. 2004. 18 p

3. Zamoner M. Modelo para Avaliação de Planos de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saude (PGRSS) para Secretarias Municipais

da Saúde e/ou do Meio Ambiente.2006.

4. Pilger RR, Schenato F. Classificação dos Resíduos de Serviços de Saúde de um Hospital Veterinário. 2008. 23 p

5. Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”- Unesp. Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos dos Serviços de

Saúde – PGRSSS Faculdade de Odontologia de São Jose dos Campos – UNESP. 2004.

6. Nascimento CS. Gerenciamento dos Serviços de Saúde: Uma Questão de Responsabilidade. 2008.

7. Agencia Nacional de Vigilância Sanitária BR. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC. N° 306 07 de Dezembro de 2004. 4,5 e 6 p.

8. Erdtmann BK. Gerenciamento dos Resíduos de Saúde: Biossegurança e o Controle das Infecções Hospitalares. 2004. 88 p

9. Corrêa LB, Lunardi VL, Conto SM. O processo de Formação em Saúde: o Saber Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde em Vivencia

Praticas. 2006.

10. Ministério do Meio Ambiente BR. Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama. Resolução Nº 358 de 29 abril de 2005.

11. Ministério da Saúde BR. Grupo de Assessoramento Técnico em Gerenciamento de Resíduos dos Serviços de Saúde – GAT. Portaria Nº

381 de fevereiro de GAT, 2007.

102

NewsLab - edição 116 - 2013


Artigo

Prevalência de Parasitoses em Escolares da Escola

Estadual de Ensino Fundamental Paso de los Libres

no Município de Uruguaiana, RS

Fernanda Comarú da Silva de Mello¹, Bruna Cocco Pilar¹, Deise Jaqueline Ströher¹, Vanusa Manfredini²

1 – Acadêmica do Curso de Farmácia. Universidade Federal do Pampa

2 – Docente do Curso de Farmácia. Universidade Federal do Pampa

Resumo

Summary

Prevalência de parasitoses em escolares da Escola

Estadual de Ensino Fundamental Paso de los Libres no

município de Uruguaiana, RS

Crianças em idade escolar são as mais atingidas e prejudicadas

pelas doenças parasitárias, visto que seus hábitos de higiene são,

na maioria das vezes, inadequados e sua imunidade não está

totalmente fortalecida. Com o objetivo de analisar a prevalência

de parasitoses em escolares e determinar o índice de parasitados

e/ou poli parasitados, cujos dados servirão para informar o nível

de sanidade em que se encontram estas crianças, foi realizada a

análise coproparasitológica das amostras de 78 crianças do 1° ao

3° ano da escola Paso de Los Libres no município de Uruguaiana.

As amostras foram analisadas no Laboratório de Parasitologia da

Unipampa, através do Método de Hoffman, Pons & Janer. Para a

coleta das amostras foram utilizados coletores universais e, para a

análise, filtros com gaze e copos de sedimentação, ambos descartáveis.

Das 78 amostras analisadas, 33,3% apresentaram resultado

negativo para parasitose e 66,7% foram consideradas parasitadas;

dentre elas, 34,65% apresentaram quadro de poliparasitose e

65,35% de parasitose. Concluiu-se que o quadro de parasitoses

intestinais apresenta-se bastante elevado entre os escolares desta

instituição, apresentando alto índice de infestações gastrintestinais

por helmintos e infestações por cistos de protozoários; sendo estes

últimos os de maior prevalência.

Palavras-chave: prevalência, parasitoses, escolares, saneamento

básico

Prevalence of parasitic infections in schoolchildren

from Escola Estadual de Ensino Fundamental Paso de

los Libres in the city of Uruguaiana, RS

Schoolchildren are most affected and impaired by parasitic

diseases, since their hygiene habits are most often

inadequate and their immunity is not fully strengthened. In

order to analyze the prevalence of parasitic infections in

schoolchildren and determine the index of parasitized and/

or poly parasitized, whose data will serve to inform the level

of sanity in finding these children, parasitological analysis

was performed from the samples of 78 children from the 1st

to the 3rd year of Paso de Los Libres school in the city of

Uruguaiana. The samples were analyzed at the Laboratory

of Parasitology Unipampa using the method of Hoffman,

Pons & Janer. To collect the samples they were used universal

collectors and for the analysis, filters with gauze and

sedimentation cups, both disposable. From the 78 samples

analyzed, 33.3% were tested negative for parasites and

66.7% were considered parasitized; among them 34.65%

were poly parasitized diagnosed and 65.35% parasited. We

concluded that the number of intestinal parasites was high

among the students of this institution, showing a high rate

of gastrointestinal helminthes infestations and infestations of

protozoa cysts, this one being the most prevalent.

Keywords: prevalence, parasitic, schoolchildren, sanitation

Introdução

B

aseado em estudos que relatam

o índice de parasitoses

que acometem crianças em

idade escolar como sendo extremamente

alto, principalmente em escolas

que possuem em sua maioria alunos

de classe média baixa, com hábitos

de higiene inadequados, e muitas

vezes sem qualquer possibilidade de

acesso ao saneamento básico, surgiu

a necessidade da realização deste

trabalho. Desta forma, identificou-

-se o nível de sanidade em que se

encontram estes estudantes quanto à

situação de infestação de parasitas e,

individualmente, verificaram-se quais

as parasitoses mais decorrentes, para

fins principalmente de reconhecimento

para futura extinção das mesmas.

104

NewsLab - edição 116 - 2013


Os parasitas intestinais estão entre

os patógenos mais frequentemente

encontrados em seres humanos. Dentre

os helmintos, os mais frequentes

são os nematelmintos Ascaris lumbricoides

e Trichuris trichiura e os

ancilostomídeos Necator americanus e

Ancylostoma duodenale. Já dentre os

protozoários, destacam-se Entamoeba

histolytica e Giardia duodenalis (1).

Apesar da alta frequência de enteroparasitoses

causadas à população

em geral, ressalta-se a escassez de

estudos acerca do problema, visando

um melhor dimensionamento e elaboração

de medidas de combate por

parte das autoridades sanitárias (2).

O desenvolvimento do trabalho

deu-se através de análises coproparasitológicas

de amostras, coletadas

pelos pais/responsáveis pelos estudantes

e, posteriormente, os dados

obtidos foram tabulados, obtendo-se o

percentual de alunos parasitados, não

parasitados e poliparasitados.

Crianças parasitadas tendem

a diminuir bruscamente seu nível

intelectual e decorrente disto, seu

aprendizado. O principal dano das

parasitoses intestinais em crianças

em idade escolar é o acometimento

do desenvolvimento físico e mental,

dificultando assim o começo do

aprendizado.

Assim, este trabalho teve como

objetivo a identificação dos diversos

parasitas intestinais que são albergados

por crianças, estudantes do

1º ao 3º ano, da E.E.E.F. Paso de Los

Libres no município de Uruguaiana,

RS, escola pública, situada no centro

da cidade, porém com seus alunos

residindo quase que em sua totalidade,

aproximadamente 80%, no bairro

Mascarenhas de Moraes, periferia da

cidade, cujo tratamento de esgoto

local verifica-se ser inadequado e, em

alguns locais, precário. Além disso, o

trabalho também objetivou fornecer

dados à Secretaria Municipal de Saúde

e Meio Ambiente, quanto a situação

de sanidade em que se encontram

estas crianças, relacionando índices

de parasitados e idade escolar.

Fundamentação Teórica

As parasitoses intestinais constituem-se

num grave problema de saúde

pública, sobretudo nos países do

terceiro mundo, sendo um dos principais

fatores debilitantes da população,

associando-se frequentemente a quadros

de diarreia crônica e desnutrição,

comprometendo, como consequência,

o desenvolvimento físico e intelectual,

particularmente das faixas etárias

mais jovens da população (3).

Está bem estabelecido que as parasitoses

intestinais são mais frequentes

em regiões menos desenvolvidas,

considerado o sentido mais amplo da

palavra. Nos países subdesenvolvidos

as parasitoses intestinais atingem

índices de até 90%, ocorrendo um

aumento significativo da frequência

à medida que piora o nível socioeconômico.

No Brasil, os problemas envolvendo

as enteroparasitoses tomam

uma grande proporção, especialmente

devido às condições socioeconômicas,

à falta de saneamento básico, educação

sanitária e hábitos culturais.

O último levantamento multicêntrico

das parasitoses intestinais, realizado

no país, revelou uma prevalência de

28,5% em escolares com idade de

sete a 14 anos (3), apresentando

maior prevalência em populações de

nível socioeconômico mais baixo e

condições precárias de saneamento

básico (4, 5, 6).

Segundo Pinheiro et al (7), o parasitismo

intestinal ainda se constitui

num dos mais sérios problemas de

Saúde Pública no Brasil, principalmente

pela sua correlação com o

grau de desnutrição das populações,

afetando especialmente o desenvolvimento

físico, psicossomático e social

de escolares (8).

É relevante que no meio social,

onde as crianças desenvolvem a maior

parte de suas atividades lúdicas,

sejam promovidas lições de higiene,

como medida de prevenção das enfermidades

intestinais, dessa forma,

é de fundamental importância que,

além da orientação sobre higiene,

o ambiente social e cultural dessas

crianças propicie as condições básicas

de saúde para uma vida saudável e

produtiva (9).

De acordo com Hickman et al

(10), a infecção normalmente acontece

quando são ingeridos ovos com

vegetais crus ou quando as crianças

põem seus dedos ou brinquedos sujos

de terra em sua boca, por isso a população

de maior risco é constituída de

crianças de menor faixa etária.

A frequência das parasitoses tem

relação direta com as condições socioeconômicas,

sendo o aumento da

prevalência uma consequência direta

do empobrecimento da população. No

Brasil, apesar de diferenças regionais,

a contaminação do meio ambiente é

intensa, com elevada prevalência das

parasitoses intestinais e associação

dos vários parasitas (11).

A ausência ou insuficientes condições

mínimas de saneamento básico

e inadequadas práticas de higiene

pessoal e doméstica são os principais

mecanismos de transmissão dos parasitas

intestinais. Aproximadamente

um terço da população das cidades

dos países subdesenvolvidos vive

em condições ambientais propícias

à disseminação das infecções parasitárias.

Embora apresentem baixas

taxas de mortalidade, as parasitoses

NewsLab - edição 116 - 2013

105


intestinais ainda continuam representando

um significativo problema

de saúde pública, haja vista o grande

número de indivíduos afetados e

as várias alterações orgânicas que

podem provocar, inclusive sobre o

estado nutricional (12).

Cimerman et al (13) citam que

alguns parasitos representam grave

problema de saúde pública, sendo a

maioria das vezes ao lado da má nutrição

os responsáveis por deficiência

no aprendizado das crianças e no desenvolvimento

físico, podendo causar

incapacidade funcional.

As espécies mais comuns encontradas

no Método de centrífugo-flutuação

são: Ascaris lumbricoides, Giardia

lamblia, Strongyloides stercoralis,

Trichuris trichiura e Ancilostomideos e

teníases, entre elas a Taenia saginata,

Taenia solium, Hymenolepis nana, em

menor frequência (14).

A espécie Ascaris lumbricoides é a

melhor conhecida entre os nematódeos

por ser muito comum na espécie

humana. As crianças são as mais atingidas

e apresentam as repercussões

clínicas mais significativas da infecção

parasitária (15).

É a infecção helmíntica mais comum

em humanos. Estima-se que

25% da população mundial abriga o

Ascaris lumbricoides. No Brasil estima-

-se que em torno de 50 milhões de

pessoas possam estar afetadas. Esta

prevalência é explicada pela alta capacidade

de a fêmea gerar prole (uma

só fêmea é capaz de liberar até 27

milhões de ovos durante o curso da

infecção) e pela alta resistência dos

ovos ao meio externo (16).

Trata-se do nematelminto de maior

tamanho, com o adulto variando de

15 a 40 cm de comprimento, sendo

as fêmeas maiores e mais cilíndricas,

podendo chegar até 49 cm. Localiza-

-se preferencialmente no intestino

delgado, em especial na luz do jejuno

e no íleo médio (8).

O Ascaris lumbricoides é um

geohelminto, isto é, necessita de

hospedeiro intermediário, mas a maturação

dos ovos ou das larvas se faz

no meio ambiente (solo). Em temperaturas

ótimas (entre 20 e 30°C),

pode completar-se em duas semanas.

Experimentalmente, comprovou-se a

infectividade após sete anos de permanência

no solo, mas em condições

naturais a viabilidade dos ovos deve

ser bem menor. As fases larvárias

dividem-se em cinco estádios. As

larvas do primeiro, segundo e terceiro

estádios ficam no interior do ovo,

sendo esta última responsável pela

infecção no homem após a ingestão

dos ovos larvados (17).

A transmissão para o homem

ocorre através da ingestão dos

ovos infectantes do parasita, procedentes

do solo, água ou alimentos

contaminados com fezes humanas.

Após a ingestão dos ovos infectados,

estes eclodem no duodeno,

liberando as larvas que atravessam

a parede intestinal e penetram no

sistema venoso portal, de onde são

levadas ao fígado, coração e pulmões,

transformando-se em larvas

do quarto estádio. Ao atravessarem

os alvéolos, passam a ser larvas de

quinto estádio e migram para as vias

aéreas superiores e faringe, sendo

deglutidas e levadas até o intestino

delgado. Neste local tornam-se adultos

jovens cerca de 20 a 30 dias após

a ingestão dos ovos larvados. Inicia-

-se, então, o processo de maturação

sexual e a oviposição (18).

A patogenia do verme adulto se

deve à ação mecânica na luz intestinal,

ação traumática e espoliadora, ação

antiinflamatória, tóxica e alergizante.

A mobilidade do Ascaris lumbricoides

é exacerbada em situações de estresse.

Ele costuma se exteriorizar pelas

aberturas do corpo humano (oral,

nasal e anal), em presença de febre ou

ausência prolongada de alimentação

oral (19).

Grande número de vermes maduros

pode causar sintomas intestinais

severos. A complicação mais comum

é a obstrução intestinal. Os pacientes

se apresentam com obstrução parcial

ou completa do intestino delgado e

frequentemente têm uma história de

eliminação de vermes adultos nas

fezes ou vômitos 20 .

A teníase é de distribuição universal,

havendo no mundo aproximadamente

70 a 80 milhões de

indivíduos infectados pela Taenia

(sendo a prevalência da Taenia saginata

maior que a da Taenia solium)

e cerca de 300 mil infectados por

Cysticercus cellulosae. No Brasil, os

dados disponíveis sinalizam para os

estados do Rio Grande do Sul, Paraná

e Santa Catarina como os de maior

incidência dessa parasitose. Uma das

medidas mais eficazes no controle da

teníase/cisticercose é a promoção

de trabalho educativo da população,

com aplicação prática dos princípios

básicos de higiene pessoal e o conhecimento

dos principais meios de

contaminação (21).

Segundo o autor Goldman (22),

a amebíase humana é causada pelo

protozoário entérico Entamoeba histolytica.

Esse parasito infecta 1% da

população mundial e a doença atinge

especialmente as regiões pobres e em

desenvolvimento.

Os cistos de Entamoeba sp de

acordo com Neves (23) são esféricos

ou ovais, medindo 8 a 20 μm de diâmetro.

Em preparações sem coloração

ou a fresco, eles aparecem como

corpúsculos hialinos, claros, às vezes

de coloração palha, com as paredes

refrigentes. Os núcleos são pouco

106

NewsLab - edição 116 - 2013


visíveis. Quando corado pelo lugol ou

pela hematoxilina férrica, os núcleos

tornam-se visíveis e variam de um a

quatro, tomando a cor escura. Veronesi

(24) explica que sob condições adversas

os trofozoítos passam para os

estágios pré-císticos e císticos dentro

do cólon (...). Os cistos são redondos

e contêm quatro núcleos.

A Giardia lamblia é um protozoário

que possui uma distribuição

geográfica muito ampla e é em geral

assintomática, mas também pode

estar relacionada com quadros clínicos

de diarreia aguda ou com formas

crônicas e má absorção intestinal

além do que, os quadros sintomáticos

predominam em crianças menores de

cinco anos (18).

A giardíase é uma parasitose

intestinal de distribuição universal,

afetando tanto países desenvolvidos

como subdesenvolvidos. No Brasil,

sua maior prevalência está nas regiões

de clima temperado, como a região

sul. A transmissão dessa doença está

relacionada com a capacidade de o

cisto se manter no ambiente externo

por dois a três meses e de ser resistente

à cloração habitual da água e à

umidade. Geralmente são destruídos

pelo calor (3).

A ingestão de cistos infectantes se

dá por meio de água e alimentos crus

contaminados, mas a via fecal-oral

também pode ser realizada diretamente,

de indivíduo para indivíduo,

sendo frequente em asilos e creches.

A infecção pode ocorrer também pelo

contato com animais domésticos infectados

(cão e gato), pois a Giardia

lamblia parasita o trato intestinal

desses animais e o ser humano é infectado

pelo contato fecal-oral, porém

alguns pesquisadores discutem essa

forma de transmissão (5).

Após um período de incubação,

que varia de uma ou duas semanas,

as manifestações clínicas do paciente

infectado vão depender dos fatores

relacionados com o parasito (cepa,

número de cistos ingeridos), da resposta

do hospedeiro (idade, exposição

prévia, estado imune, nutrição, ph

do suco gástrico) e da duração da

infecção. De uma maneira didática

pode-se classificar a giardíase em

três manifestações clínicas principais:

forma assintomática, forma aguda e

diarreia crônica (14).

A forma assintomática (portador

assintomático) caracteriza-se por ser

a mais encontrada em crianças e adultos

e o indivíduo infectado pode continuar

eliminando cistos nas fezes por

um período de até seis meses (17).

A maioria dos pacientes tem queixas

gastrointestinais inespecíficas.

Sintomas relatados em ordem decrescente

de frequência incluem diarreia,

fadiga, dor abdominal, distensão,

flatulência, perda de peso, febre e

vômitos (25).

O diagnóstico clínico é feito pela

história de diarreia prolongada, sem

muco, pus ou sangue, com perda

ponderal, intolerância à lactose e pela

história epidemiológica (17).

O diagnóstico laboratorial é feito

pela identificação de cistos ou trofozoítos

no exame direto de fezes ou

identificação de trofozoítos no fluído

duodenal, obtido através de aspiração.

A detecção de antígenos pode ser

realizada pelo Elisa, com confirmação

diagnóstica. Em raras ocasiões, poderá

ser realizada biópsia duodenal,

com identificação de trofozoítos (10).

Esses agentes etiológicos apresentam

ciclos evolutivos que contam

com períodos de parasitose humana,

períodos de vida livre no ambiente

e períodos de parasitose em outros

animais. A infecção humana é mais

comum em crianças, por meio da via

oral-fecal, sendo águas e alimentos

contaminados os principais veículos

de transmissão (26).

Araújo et al (21) citam que a

elevada prevalência das enteroparasitoses

provoca o desenvolvimento

das patogenias que são quase sempre

negligenciadas e esquecidas, já que

os sintomas clínicos são inespecíficos

ou confundidos com os de outras

doenças, ficando os indivíduos parasitados

por longos anos, de forma

silenciosa e inaparente, causando

danos principalmente às crianças.

A Câmara Municipal de Uruguaiana

(27) afirma que cerca de

90% da área urbana da cidade de

Uruguaiana não está atendida pelo

serviço de saneamento básico, com

isso destaca-se a importância da

pesquisa, alertando a comunidade

sobre os problemas relacionados com

saneamento básico.

Acredita-se que o primeiro trabalho

publicado do município de

Uruguaiana foi realizado por Chaves

et al (28), onde os dados levantados

indicam um elevado índice de parasitismo

devido à falta de saneamento

básico na cidade.

Devem-se analisar os fatos experimentais

para que se chegue a um

ponto de partida do problema e a

partir daí exporem-se os resultados

aos governantes municipais para

que tomem as devidas providencias,

pois Ferreira (11) salientou que há

mais de 25 anos há necessidade de

desenvolvimento de uma política

sanitária nacional para o combate

às parasitoses intestinais, uma vez

que as infecções estão vinculadas

ao subdesenvolvimento, à falta de

saneamento ambiental, a falhas na

educação e informação sanitária.

Com o agregamento destes conhecimentos

pode-se prevenir epidemias

e chegar a um melhor suporte

para futuros diagnósticos eficazes.

108

NewsLab - edição 116 - 2013


Métodos

Divulgações do trabalho

O trabalho deu-se principalmente

com a colaboração dos pais/responsáveis

pelos alunos, pois eles foram

as pessoas encarregadas em trazer

as amostras coletadas. Devido à

necessidade de compreensão da importância

do trabalho realizado e da

sua importância como agente decisivo

no processo, foram efetuadas primeiramente

palestras para informações

sobre a importância de se prevenir

e/ou exterminar as parasitoses e

eventuais esclarecimentos sobre como

transcorreria o trabalho, bem como

deveriam ser coletadas as amostras.

As palestras ocorreram entre a segunda

quinzena de abril e a primeira

semana de maio de 2011.

Durante palestra realizada com

cada grupo de pais (grupo 1: 1 os

anos, grupo 2: 2 os anos e grupo 3:

3 os anos) foi fornecido o coletor

(coletor universal estéril, Marca J.

Prolab, todos sob o lote n°13885,

capacidade 80g, sem conservante)

e acordada a data que cada um dos

grupos deveria proceder a coleta

da amostra e o horário em que deveriam

encaminhá-la à escola. Salientando

sempre a necessidade de

obterem-se amostras frescas, muito

bem armazenadas e devidamente

identificadas. Quando da entrega

destas amostras, as mesmas foram

levadas ao laboratório para análise

o mais breve possível.

Aos pais que não haviam frequentado

as reuniões e como forma

de alertá-los para a importância da

melhoria da saúde de seus filhos,

foram confeccionados uma faixa e

um banner, que foram colocados na

fachada da escola e em sua entrada,

respectivamente.

Após a colocação da faixa e do

banner, o interesse dos pais aumentou

muito, pois alguns não haviam

demonstrado intenção em participar

das reuniões quando do envio dos

bilhetes de chamamento e alegaram

estar em horário de serviço quando do

horário das mesmas. Então buscou-

-se um horário alternativo para estes

pais e fomos ao seu encontro. Em

alguns casos agendaram-se horários

extras em grupos. Muitos dos pais

que participaram ficaram como multiplicadores

do projeto, e recebemos

a ajuda muito bem-vinda do CPM da

escola, principalmente por parte do

presidente, que foi quem intermediou

com os pais algumas coletas. Ao participar

das rematrículas dos filhos e

quando das reuniões, eram coletadas

as autorizações dos pais para que

se fizessem as análises e os mesmos

eram orientados que poderiam

desistir do procedimento a qualquer

momento. A partir das autorizações

com os pais, passamos ao trabalho

de conscientização e esclarecimento

com os pequenos, a respeito de seus

hábitos de higiene e de como deveriam

proceder para que não houvesse

uma infestação por parasitas ou para

que não os adquirissem através da

falta de higienização das mãos após

as evacuações.

Para que as conversas e orientações

com os pequenos se tornassem

mais interessantes e lúdicas, foram

utilizadas ilustrações dos bichinhos que

foram a temática da faixa e do banner.

As turmas foram organizadas de

forma que se pudesse atender a todas

sem distinção e com datas próximas.

As crianças receberam a novidade

com bastante empolgação e também

receberam as orientações de como

deveriam proceder para a coleta do

material em seu devido “potinho”.

Muitos pais demonstraram interesse

em proceder a coleta após o interesse

de seus filhos, o que facilitou

bastante o procedimento. Os bilhetes

para a solicitação das autorizações

eram enviados na mochila dos alunos

e os pais retornavam com o bilhete

devidamente assinado, autorizando a

para o recebimento do coletor, o que

proporcionou aos pais que não podiam

frequentar as reuniões ou estar em

determinado horário a escola, pudessem

participar.

Critérios para a inclusão e para

exclusão

Consideraram-se como critérios de

inclusão no grupo de estudo, a criança

ser aluno(a) do 1° ao 3° ano da E. E.

E. F. Paso de Los Libres e o livre consentimento

dos pais ou responsáveis

após o esclarecimento. Foram excluídas

do estudo as crianças das quais

não foram obtidas as amostras.

Do recebimento das amostras

De acordo com as reuniões, foram

estabelecidas as datas por turma a

serem entregues as amostras, ficando

as orientações agendadas com as

professoras e também com envio de

bilhetes em datas anteriores à coleta

para não haver esquecimento.

As datas foram agendadas conforme

organizado anteriormente para

coincidir com as datas disponíveis para

o trabalho de análise no Laboratório

de Parasitologia.

As amostras foram entregues entre

a primeira semana do mês de maio e a

primeira semana do mês de junho de

2011. Todas agendadas para segunda-

-feira pela parte da manhã (para alunos

do turno da manhã) e quinta-feira

ou sexta-feira à tarde (para alunos do

turno da tarde). As amostras eram

recebidas e encaminhadas para análise,

visto que havia a necessidade de

aguardar sua sedimentação por no

mínimo 2h.

NewsLab - edição 116 - 2013

109


Materiais utilizados

para as análises

• Coletor universal sem conservante,

marca J.Prolab, capacidade 80g,

Lote: 13885, válidos até 06/13.

• Filtros com gaze, descartáveis, marca

Descarplas.

• Copos de sedimentação descartáveis.

• Lâminas Perfecta.

• Lamínulas Perfecta.

• Pipeta.

• Palitos de madeira.

• Bastão de vidro.

• Água destilada.

Realização das análises

Após o recebimento das amostras

em coletor universal, estando

sem conservante, as amostras foram

mantidas refrigeradas para sua conservação,

enquanto do preparo dos

utensílios utilizados. Foi utilizado o

Método de Hoffman, Pons & Janer ou

HPJ – (centrifugação e sedimentação

espontânea). Utilizado para identificação

das diversas infestações parasitárias

(ovos e larvas de helmintos e

cistos de protozoários) e na triagem

das infecções intestinais. A intensidade

do parasitismo influi no número de

formas parasitárias eliminadas.

Foi retirado do material fecal de 2 a

4 g, homogeneizadas com água destilada

e palito de madeira. Em seguida,

esta suspensão foi coada através de

um funil descartável com gaze incorporada

para sua adequada filtração,

para um cálice de sedimentação de

200 ml e seu volume completado com

água destilada. Esta suspensão foi

deixada em repouso para que ocorresse

uma sedimentação espontânea

das estruturas parasitárias e só então,

depois de passado 2 a 4 horas, com a

ajuda de uma pipeta automática, foram

coletadas amostras do sedimento,

colocadas entre lâmina e lamínula

para serem *examinadas ao microscópio

(marca Olympus, pertencentes amostras parasitadas (parasitadas,

e oito amostras do 3° ano. Das 34

ao Laboratório de Parasitologia) em neste estudo adotou-se a designação

de albergadas por apenas um

objetivas de 10 x e 40 x.

*Todas as análises foram realizadas

em triplicata.

cistos de Giárdia lamblia e quatro

parasita), 30 encontravam-se com

com presença de ovos de Ascaris

Resultados

Foram entregues 100 coletores

universais durante as entrevistas e

via pedidos por autorização. Destes,

retornaram 78 com as amostras para

análise. Das 78 amostras analisadas,

26 (33,3%) apresentaram resultado

negativo para parasitose e 52 (66,7%)

foram consideradas parasitadas;

dentre elas, 18 (34,65%) apresentaram

quadro de poliparasitose e 34

(65,35%) de parasitose (Gráfico 1).

Tabulação dos resultados

encontrados

Os dados encontrados foram tabulados

de acordo com a série e sexo

dos indivíduos participantes, bem

como o nível de parasitose em que

se encontravam. Foram encontradas

26 amostras não parasitadas, sendo

oito do 1° ano, 10 amostras do 2° ano

lumbricoides. Das 18 amostras poliparasitadas,

seis encontravam-se no

1° ano, estando cinco delas com cistos

de Giardia lamblia e presença de

ovos de Ascaris lumbricoides e uma

delas infestada com cistos de Giárdia

lamblia, cistos de Entamoeba sp. e

presença de ovos de Ascaris lumbricoides,

quatro delas estavam no 2°

ano, sendo três amostras contendo

cistos de Giárdia lamblia e presença

de ovos de Ascaris lumbricoides e

um com cistos de Giardia lamblia,

cistos de Entamoeba sp e ovos de

Ascaris lumbricoides (chegando-se a

visualizar 12 unidades por campo), o

que caracteriza uma infecção maciça.

No 3° ano estavam localizadas oito

amostras poliparasitadas, sendo cinco

infestadas por cistos de Giardia lamblia

e ovos de Ascaris lumbricoides

e três albergavam cistos de Giardia

lamblia, cistos de Entamoeba sp e

ovos de Ascaris lumbricoides.

Amostras Analisadas = 78

35

30

25

20

15

10

5

0

Parasitadas

Não Parasitadas

Poliparasitadas

Gráfico 1. Comparação entre as amostras não parasitadas, parasitadas e as poliparasitadas

110

Amostras analisadas

NewsLab - edição 116 - 2013


Tabela 1. Análises realizadas com amostras dos alunos do 1° ano da E.E.E.F. Paso de Los Libres entre maio-junho/2011 (1° Ano: Turmas 11 e 12)

Sexo Não parasitados Parasitados Poliparasitados

Feminino 04 08 02

Masculino 04 02 04

Total 08 10 06

Tipos de parasitas encontrados: Giardia lamblia, Entamoeba sp e Ascaris lumbricoides

Tabela 2. Análises realizadas com amostras dos alunos do 2° ano da E.E.E.F. Paso de Los Libres entre maio-junho/2011 (2° Ano: Turmas 21 e 22)

Sexo Não parasitados Parasitados Poliparasitados

Feminino 06 08 01

Masculino 04 02 03

Total 10 10 04

Tipos de parasitas encontrados: Giardia lamblia, Entamoeba sp e Ascaris lumbricoides

Tabela 2. Análises realizadas com amostras dos alunos do 3°ano da E.E.E.F. Paso de Los Libres entre Maio-Junho/2011 (3° Ano: Turmas 31 e 32)

Sexo Não parasitados Parasitados Poliparasitados

Feminino 05 08 04

Masculino 03 06 04

Total 08 14 08

Tipos de parasitas encontrados: Giardia lamblia, Entamoeba sp e Ascaris lumbricoides

Discussão

Através dos resultados apresentados

podemos perceber que das

26 amostras não parasitadas, oito

(30,7%) encontravam-se no 1° ano,

10 (38,6%) estavam no 2° ano e

oito (30,75%) encontravam-se no

3° ano, demonstrando pouca diferença

entre o nível escolar e a não

incidência de parasitose. Pelo fato de

o nível onde houve o menor número

de infestações ser intermediário,

desconsidera-se o fato de com o

aumento da idade haver um cuidado

maior com os hábitos de higiene.

Analisando os dados dos alunos

parasitados (que albergavam apenas

um parasita) obtivemos como total

34 amostras, sendo elas 10 (29,5%)

no 1° ano, 10 (29,5%) também no

2° ano e 14 (41%) no 3° ano, verificando

que os 3 os anos possuem um

índice bem maior de infestação por

um parasita, levando a pesquisar

sua relação como decorrente de uma

maior infestação por não haver cuidados

necessários, ou interpretar os

valores de poliparasitados para poder

avaliar se encontram-se em nível de

superioridade ou inferioridade.

Levando-se em conta os resultados

obtidos para os alunos poliparasitados,

houve um número total de

18 crianças, sendo elas, 6 (33,3%)

do 1° ano, 4 (22,2%) do 2° ano e

8 (44,5%) do 3° ano, estando este

bem acima dos demais, demonstrando

haver um nível de necessidade de

medidas educativas e de tratamento,

bem elevados neste nível de ensino.

Analisando-se todos os níveis de

escolaridade aqui apresentados e

correlacionando com os resultados

das amostras, pode-se perceber

claramente o quanto estes escolares

encontram-se com sua saúde

prejudicada, comprometendo seu

desenvolvimento intelectual e cognitivo,

bem como desencadeando

uma cascata de reações adversas

pertencentes a estas infestações. Por

resultados deste tipo e considerando

a situação de moradia em que se

encontra a maioria destes escolares,

tomamos por base as razões para

tais infestações. Das 52 amostras

112

NewsLab - edição 116 - 2013


Não Parasitados

1º ano

2º ano

3º ano

Gráfico 2. Distribuição das amostras não parasitadas entre os alunos participantes

Parasitados

1º ano

2º ano

3º ano

Gráfico 3. Comparativo de alunos parasitados em todos os anos

Poliparasitados

1º ano

2º ano

3º ano

Gráfico 4. Distribuição de poliparasitados entre os escolares

Espécies de Parasitas Encontrados

Giardia lambia

Ascaris lumbricoides

Entamoeba sp

Gráfico 5. Distribuição das espécies de parasitas encontrados

positivas, sendo elas parasitadas e

poliparasitadas, podemos perceber

o predominante índice de infestações

por Giardia lamblia, seguido

por infestações referentes a Ascaris

lumbricoides, com uma pequena

parcela de indivíduos infectados por

Entamoeba sp.

Ao nos confrontarmos com estes

dados e analisando o público-alvo

do trabalho, pode-se constatar que

trata-se da camada mais frágil e

desassistida de nossa sociedade,

nossas crianças. Temos a responsabilidade

como profissionais e

cidadãos de promover algo para

que o esclarecimento chegue a diversas

partes de nossa sociedade,

principalmente a menos assistida,

aquela que se encontra abaixo da

linha da pobreza, ou em situação

de extrema necessidade, como é o

caso dos estudantes dessa escola.

O que falta é principalmente esclarecimento

e interesse por parte da

sociedade em melhorias de condições

de vida.

Em países em desenvolvimento,

a infecção por Giardia lamblia

é a causa mais comum de diarreia

em crianças, por ser um parasito

cosmopolita, relacionado com nível

socioeconômico, cultural e os hábitos

de higiene pessoal. Cada residência

abriga vários moradores, vivendo assim

com poucos recursos financeiros,

o que pode interferir nas condições

de higiene favorecendo aparecimento

de parasitoses (19). Ainda para

Neves (23), o encontro dos cistos

é feito utilizando-se técnicas de

concentração como a de flutuação

e centrifugação em éter. Pode usar

também o método de sedimentação

espontânea em água. Ressaltando

que foi utilizada a técnica correta

para a detecção dos cistos de Giardia

lamblia e Entamoeba sp..

NewsLab - edição 116 - 2013

113


Segundo Crompto & Savioli

(29), parasitas como Giardia

lamblia, Ascaris lumbricoides e

Trichuris trichiura são mais fáceis

de transmitir (via oral) e os mais

encontrados nas investigações de

populações urbanas residentes em

áreas de pobreza e miséria.

De acordo com estes pesquisadores

e de posse de todos os

conhecimentos já estabelecidos,

torna-se inviável não acreditar que

se alguma providência não for tomada

na saúde pública e também

na conscientização da população, as

infestações se tornarão ainda mais

severas, podendo causar estragos

ou lesões ainda maiores.

Devido à facilidade de transmissão

de cistos ao meio ambiente e

de não possuirmos uma imunidade

protetora completa, a prevenção

da infecção requer medidas de

saúde pública eficientes no tratamento

da água, como fervê-la por

um minuto, tratá-la com cloro ou

tintura de iodo a 2% (0,5ml) em

60 minutos ou por toda noite antes

de consumi-la (19).

Mesmo nos países desenvolvidos,

ainda encontramos grande

disseminação da E. histolytica,

indicando ser o portador assintomático

o grande responsável, por

isso seria de grande valia o exame

frequente dos manipuladores

de alimentos para a detecção e

tratamento dos portadores assintomáticos.

Outro fator profilático

importante é o combate às moscas.

Com finalidade doméstica, é

possível evitar a ingestão de cistos

viáveis, procurando lavar bem todos

os alimentos crus. Com esse

procedimento os cistos morrem.

Em seguida, lavam-se as verduras

em água potável (22).

Por sua capacidade de resistência,

Veronesi (24) ainda relata:

“Cloração de água e a desinfecção

pela luz ultravioleta são eficientes

para destruir os cistos, evidenciada

em surtos, em piscinas e fontes de

abastecimento de água. É necessário

o aquecimento da água acima de

60ºC”. Explicitando que, com cuidados

simples, poderemos deixar

que mais crianças e suas famílias

se contaminem, disseminando surtos

de doenças parasitárias tanto

em locais mais, quanto em locais

menos favorecidos.

Giardia lamblia é mais frequentemente

encontrada em regiões de

clima temperado com prevalência de

4% a 30%. A incidência aumenta,

nas crianças, em grupos populacionais

com condições higiênicas

precárias, em instituições fechadas

e animais domésticos. É sabido que

os surtos são provenientes da contaminação

de centros de abastecimento

de água e, pode disseminar

vários agravos. Quanto à infecção,

Rey (17) diz:

“(...) a infecção pode provir do

consumo de água poluída com dejetos

humanos e, menos frequentemente,

de alimentos contaminados

com matéria fecal; ou das mãos

sujas de indivíduos infectados, ao

prestar serviços pessoais; assim

como de relações entre homossexuais

e, portadores sãos parecem

mais importantes na transmissão

que os doentes”.

Assim, podemos observar que as

parasitoses intestinais ou enteroparasitoses

permanecem como um dos

grandes problemas de saúde pública

em todo o mundo, com agravo significativo

nos países em desenvolvimento.

Elas decorrem da presença

de macroparasitas, os helmintos,

ou microparasitas, os protozoários,

no intestino e comprometem de

forma heterogênea 25% da população

mundial. Para o controle da

doença, além das medidas gerais de

educação em saúde e saneamento,

são importantes as medidas específicas:

evitar as possíveis fontes

de infecção, bem como noções de

higiene pessoal e na manipulação

dos alimentos.

Os resultados apresentados tendem

a melhorar com um trabalho de

conscientização e indicação por parte

de pessoas capacitadas, da prescrição

de medicamentos adequados

ao extermínio destas parasitoses.

O principal ponto é o interesse por

parte de pessoas que detenham os

conhecimentos necessários, pois a

comunidade mobiliza-se em prol de

seu objetivo.

O trabalho somente obteve êxito

porque possuiu como parceiros

a própria comunidade, unida em

função de conhecer sua situação

como responsáveis por crianças em

situação de risco de seu aprendizado

e de sua sanidade em geral,

pois são expostas diariamente a

esgotos a céu aberto e a moradias

sem a mínima estrutura e condição

sanitária.

Após a realização destas análises,

não foi possível por motivo de

tempo hábil, concretizar o desejo

de extinguir as parasitoses conhecidas,

porém, o próximo passo será

juntamente com a Secretaria de

Saúde do Município que disponibilizará

o profissional da medicina

capacitado para a prescrição dos

medicamentos que serão fornecidos

pelos pesquisadores.

Correspondências para:

Fernanda Comarú da Silva de Mello

fernandacomaru@hotmail.com

114

NewsLab - edição 116 - 2013


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NewsLab - edição 116 - 2013

115


Artigo

Análise Bibliográfica dos Microrganismos Encontrados com

Maior Frequência em Infecções do Trato Urinário

Guilherme de Oliveira Cezar 1 , Vanessa Danesi dos Santos 2 , Cláudia Funchal 3

1 – Biomédico, graduado pelo Centro Universitário Metodista do IPA

2 – Biomédica, graduada pelo Centro Universitário Metodista do IPA

3 – Farmacêutica e Bioquímica, Mestre e Doutora em Ciências Biológicas: Bioquímica,

Professora do Centro Universitário Metodista do IPA

Resumo

Summary

Análise bibliográfica dos microrganismos encontrados

com maior frequência em infecções do trato urinário

A infecção do trato urinário é uma resposta inflamatória frente

à invasão bacteriana. Esta patologia atinge cerca de 6% dos indivíduos,

sendo caracterizada como a infecção bacteriana mais

comum. Neste contexto, este estudo tem como objetivo identificar

quais os patógenos mais encontrados pela literatura em infecções

do trato urinário. De acordo com diversos dados na literatura,

observa-se que a Escherichia coli é o principal patógeno relacionado

a infecções do trato urinário e que o gênero Klebsiella sp. é

o segundo mais encontrado em infecções urinárias. Portanto, é de

grande importância o conhecimento dos microrganismos encontrados

em infecções do trato urinário para que os profissionais da

área da saúde possam garantir um diagnóstico rápido e preciso

e um tratamento eficaz.

Palavras-chave: infecção, trato urinário, etiologia, microrganismos

Literature review of the microorganisms found more

frequently in urinary tract infections

The urinary tract infection is an inflammatory response

against the bacterial invasion. This disorder affects about 6% of

individuals, characterized as the most common bacterial infection.

In this context, this study aims to identify the pathogens most

commonly found in the literature on urinary tract infections. According

to several published data, it is observed that Escherichia

coli is the major pathogen related to urinary tract infections and

that Klebsiella sp. is the second most commonly found in urinary

infections. Therefore, it is of great importance to knowledge the

microorganisms found in urinary tract infections so that health

professionals can ensure a rapid and accurate diagnosis and

effective treatment

Keywords: Infection, urinary tract, etiology, microorganisms

Introdução

A

infecção do trato urinário

(ITU) é uma resposta inflamatória

do organismo frente

à invasão bacteriana (1). Esta patologia

atinge cerca de 6% dos indivíduos,

sendo caracterizada como a infecção

bacteriana mais comum. É considerado

um importante problema pediátrico,

sendo a segunda maior causa

de infecção bacteriana em crianças. A

prevalência deste tipo de infecção até

o 1º ano de vida é maior em indivíduos

do sexo masculino, atingindo 2,7%.

Após esta idade torna-se superior no

sexo feminino (1).

A maior prevalência em recém-

-nascidos do sexo masculino é explicada

pelo aparecimento de mal-

-formações congênitas na válvula

da uretra superior (2). Sabe-se que

a frequência da infecção urinária

aumenta conforme a idade. Para as

mulheres atinge cerca de 35% entre

36 e 65 anos, e 40% acima dos 65

anos. Para os homens a frequência é

baixa até os 35 anos, posterior a isso

ela sobe para 20% e atinge 35% dos

homens acima de 65 anos (1).

Esta patologia pode apresentar-

-se de forma assintomática ou com

a presença de sintomas, variando

de acordo com: sexo, idade, órgão

atingido e características anatômicas

do trato urinário. Nas crianças

entre dois meses e dois anos esta

patologia é bastante frequente e

gera riscos de lesões renais, porém

os sintomas são bastantes inespecíficos

(3). Em adultos, os sintomas

clínicos característicos são a disúria,

aumento da frequência e urgência

ao urinar, dor no baixo ventre, calafrios

e, eventualmente, dor lombar.

118

NewsLab - edição 116 - 2013


Nos idosos e nas crianças o principal

sintoma é dor abdominal (2).

Diversos fatores podem predispor

à infecção urinária, como por exemplo,

a obstrução do trato urinário, a

cateterização urinária, a gravidez,

pacientes com Diabetes Melitos, refluxo

vésico-uretral, relações sexuais,

prostatismo, idade avançada e transplante

renal (2).

Para o diagnóstico utiliza-se como

padrão-ouro a cultura quantitativa

de urina, e a amostra mais confiável

seria a coletada por punção suprapúbica.

Porém, esta é uma metodologia

invasiva e desconfortável, dando-se

preferência à coleta do jato intermediário

de urina ou, para menores de

dois anos de idade, o saco coletor de

urina. Alguns outros testes prévios

podem ser realizados já que a cultura

leva no mínimo 24h para a liberação

do resultado, como por exemplo: a

visualização de leucócitos e bactérias

no microscópio, pesquisa de esterase

leucocitária e a presença de nitrito na

urina (4). Estes testes não devem ser

utilizados em substituição à cultura de

urina, pois apresentam elevado número

de resultados falsos-negativos (5).

Dos agentes etiológicos contaminantes

do trato urinário, as bactérias

gram negativas representam

95% dos casos e as gram positivas

apenas 5% (6). O agente etiológico

mais comumente encontrado é a

Escherichia coli. Esta maior frequência

é explicada pelo fato de este

microrganismo apresentar estruturas

(fímbrias) que facilitam a colonização.

Outros agentes que podemos

citar são o Proteus sp., Klebsiella sp.,

Enterobacter sp., Acinetobacter sp.,

Pseudomonas sp. e Staphylococcus

saprophyticus, os quais aparecem

em menor frequência (2).

Neste contexto, devido à grande

frequência desta patologia, este estudo

tem como objetivo identificar

quais os patógenos mais encontrados

pela literatura em infecções do trato

urinário, visando ampliar o conhecimento

científico na área e permitir um

maior direcionamento das técnicas de

diagnóstico utilizadas na identificação

do agente etiológico, bem como o

tratamento.

Materiais e Métodos

Para contemplar o objetivo, buscou-se

fazer uma revisão de literatura

em bases de dados de artigos científicos

como Pubmed, Science Direct,

Scopus e Scielo. A busca de artigos

nestas bases de dados foi limitada

a publicações com os indexadores:

infecção urinária e agentes etiológicos.

Foram incluídos os artigos em

língua inglesa e portuguesa publicados

entre o ano de 1997 e 2010. Com a

finalidade de compararmos o perfil

etiológico encontrado nas infecções

do trato urinário com o decorrer dos

anos, dividiu-se este estudo em dois

grupos: estudos realizados até 2005

e após 2005.

Resultados e Discussão

Prevalência dos diferentes agentes

etiológicos no período de 1993

a 2005

Foram analisados seis estudos

publicados entre os anos de 1993 e

2005. Na Tabela 1 podemos observar

de forma resumida as prevalências

de alguns dos agentes etiológicos

mais encontrados neste período nos

estudos analisados.

Estudo realizado por Larson et al.

(7) utilizou 159 pacientes maiores

de 18 anos que apresentavam sintomas

de ITU e com resultado positivo

na urocultura. O agente etiológico

mais encontrado foi a Escherichia

coli (61%), seguida pela Klebsiella

sp. (14%), Proteus sp. (11%) e Enterococcos

sp. (7%). Em 17% dos

casos foram identificados mais de um

agente etiológico.

Outro estudo, realizado por Stamm

e Coutinho (8) no Hospital Universitário

da Universidade Federal de Santa

Catarina (UFSC), no período de maio

a dezembro de 1993, analisou a urina

de 136 pacientes maiores de 15

anos submetidos a cateterismo. Dos

pacientes analisados 15 (11%) apresentaram

resultado positivo na urocultura,

caracterizando a presença de

ITU. O microrganismo mais frequente

foi a Escherichia coli, encontrada em

40,2% dos casos, seguida de Enterobacter

sp. (26,8%), Staphylococcos

sp. (13,4%), Staphylococcos aureus

(6,7%) e Candida albicans (6,7%).

Menezes (9), em estudo realizado

com 1.197 amostras de urina de

pacientes da Santa Casa, Ceará, encontraram

positividade para bactérias

do gênero Serratia sp. em 15 (1,3%)

amostras. As espécies encontradas

foram S. liquefaciens, S. adorifera e

S. rubidaea.

Já em estudo realizado com crianças

africanas menores de um ano de

idade, Adjei & Opoku (10) analisaram

amostras de 150 crianças com sintomas

de UTI das quais 45 (30%) foram

positivas. Assim, como os demais estudos

já mencionados, a Escherichia

coli foi a mais prevalente atingindo

33,3% dos casos, Proteus sp. 22,2%,

S. aureus e Klebsiella sp. 11,1%.

Estudo realizado entre janeiro e

dezembro de 2001 analisou 858 amostras

de urina coletada por cateter de

pacientes com sondagem vesical de

demora. Destes, 674 (78,6%) foram

positivos para a presença de bactérias

superior a 100.000 UFC/mL. O tipo

NewsLab - edição 116 - 2013

119


acteriano mais encontrado foi o Bacilo

Gram Negativo não fermentador

(BGN-NF) aparecendo em 49,2% dos

casos, as Enterobactérias estiveram

presentes em 42,6% dos casos e os

Cocos Gram Positivos e as leveduras

em 8,3%. O agente etiológico mais

prevalente foi a Pseudomonas aeroginosa

(42,77%). A Escherichia coli

atingiu 13,7%, Cândida sp. 7,8%,

Acinetobacter sp. 6,4%, Klebsiella

pneumoneae 6,4%, Enterobacter sp

4% e os demais patógenos encontrados

apresentaram índices inferiores a

3,1% (11).

Sato et al. (12), no período de

abril/2004 a março/2005, analisaram

3.426 amostras de pacientes maiores

de 18 anos, na Secretaria da Saúde

de Maringá, Paraná. Eles encontraram

positividade em 13,1% (448) das

amostras, as idades dos pacientes

variaram entre 18 e 94 anos.

Os microrganismos responsáveis

pela infecção foram de diversas

espécies, porém a Escherichia coli

predominou, sendo responsável por

61,2% das infecções. A segunda bactéria

mais encontrada foi a Klebsiella

pneumoneae (6,9%), seguida pelo

Enterobacter clocae (3,5%), Proteus

mirabilis (2,9%), Enterococcos faecalis

(2,9%), Streptococcos epidermidis

(2,7%), Citrobacter koseri (2,7%),

Streptococcos agalacteae (2,5%),

Staphylococcos saprophyticos (2,2%),

Staphylococcos aureus (1,1%), além

de outros microrganismos com incidência

menor que 1%.

Prevalência dos diferentes agentes

etiológicos no período de 2005

a 2010

Para o período compreendido entre

o ano de 2005 e 2010 foram igualmente

analisados seis diferentes estudos.

Na Tabela 2 podemos encontrar os

resultados destes estudos.

Nesher et al. (13) realizaram

um estudo com pacientes do Centro

Universitário Soroka, em Israel, que

apresentavam sintomas de ITU. Ao

total foram analisadas 223 amostras

das quais 54 (24,2%) apresentaram

urocultura positiva. A Escherichia coli

foi o agente etiológico presente em

56% das amostras, a Klebsiella sp.

em 10%, Enterococcos sp. em 9% e

Pseudomonas aeroginosa e Proteus

mirabilis 7% cada um.

Entre janeiro de 1992 e dezembro

de 2001 foi realizado um estudo no

Departamento da Faculdade de Medicina

de Botucatu, da Universidade

Estadual de São Paulo (UNESP), onde

foram utilizadas amostras de 95 crianças

entre 0 e 11 anos com infecção

urinária. As amostras foram coletadas

por cateterização vesical em menores

de dois anos, e por jato intermediário

nas crianças maiores de dois anos.

Encontrou-se que 49,5% das crianças

apresentaram infecção urinária recorrente,

no período de um ano após o

1º episódio, sendo mais frequente em

crianças maiores de dois anos. A Escherichia

coli foi encontrada em 83,3%

das crianças que não apresentaram

Tabela 1. Frequência dos agentes etiológicos mais encontrados em infecções do trato urinário (ITU) em estudos realizados no período

entre 1997 e 2005

Estudos/

Agentes

Etiológicos

Escherichia

coli

Klebsiella

sp.

Proteus

sp.

Enterococcos

sp.

Enterobacter

sp.

Staphylococcos

sp.

Candida

sp.

Serratia

sp.

Pseudomonas

aeroginosa

Acinetobacter

sp

Larson et

al., 1997

Stamm &

Coutinho,

1999

Menezes et

al., 2004

Adjei &

Opoku,

2004

Luchetti et

al., 2005

61 14 11 7 -- -- -- -- -- --

40 -- -- -- 26,8 20,1 6,7 -- -- --

-- -- -- -- -- -- -- 1,3 -- --

33,3 11,1 22,2 -- -- 11 -- -- -- --

13,7 6,4 -- -- 4 -- 7,8 -- 42,8 6,4

Sato et

al., 2005

61,2 6,9 2,9 2,9 3,5 3,3 -- -- -- --

Média 41,8 7,7 7,2 2 6,9 6,9 2,9 0,2 5,6 1,3

120

NewsLab - edição 116 - 2013


Tabela 2. Frequência dos agentes etiológicos mais encontrados em infecções do trato urinário (ITU) em estudos realizados no período

entre 2006 e 2010

Estudos/

Agentes

Etiológicos

Escherichia coli Klebsiella sp. Proteus sp. Enterococcos sp. Enterobacter sp.

Staphylococcos

sp.

Streptococcos

B-hemolíticos

Pseudomonas

aeroginosa

Nesher

et al., 2006

56 10 7 9 -- -- -- 7

Riyuzo et

al., 2007*

70,6 10,5 10,5 -- 2,1 -- -- 3,6

Braoios et

al., 2009

65,9 6,1 5,5


Canadá, analisou-se 628 pacientes

entre 0 e 18 anos, com sintomas

indicativos de ITU, no período entre

dezembro de 2004 a agosto de

2005. Das amostras analisadas 173

apresentaram urocultura positiva,

onde 74% com presença de Escherichia

coli, 5,2% Enterococcos sp.,

3,5% Streptococcos epidermidis,

2,3% Enterobacter clocae e Proteus

mirabilis, 1,7% Klebsiella pneumoneae,

Pseudomonas aeroginosa e

Streptococcos B-hemolíticos e outros

microrganismos com prevalência

menor que 0,6% (18).

Considerações finais

Conforme podemos observar

nos resultados encontrados pelos

estudos analisados, a Escherichia

coli é o principal patógeno relacionado

a infecções do trato urinário.

Estes dados estão apresentados na

Figura 1 onde são demonstradas as

frequências de Escherichia coli em

infecções urinárias, nos diferentes

estudos analisados.

A Escherichia coli é o mais prevalente

em todos os estudos, com

exceção de Lucchetti et al. (11) onde o

mais prevalente foi a Pseudomonas aeroginosa.

O diferencial deste é que foi

realizado com pacientes com cateterização

crônica e pode ser explicado pelo

fato deste microrganismo necessitar

de grande quantidade de água para se

multiplicar, tornando a bolsa coletora

de urina um ambiente propício (11).

Podemos, então, observar a mudança

do perfil de agentes etiológicos

encontrados até o ano de 2005 e após

esta data. Tais dados podem ser observados

na Figura 2.

Podemos verificar ainda que a Escherichia

coli apresentou maior prevalência

quando analisadas as médias

90,0

88,0

Larson et al., 1997

80,0

70,6

Stamm & Coutinho, 1999

74,0

65,9

Adjei & Opoku, 2004

70,0 61,0

61,2

Luchetti et al., 2005

60,0

56,0

54,5

Sato et al., 2005

50,0

40,0

Nesher et al., 2006

40,0

33,3

Riyuzo et al., 2007*

30,0

Braoios et al., 2009

Guneysel et al., 2009

13,7

20,0

Ismaili et al., 2010

10,0

Weisz et al., 2010

0,0

1

Figura 1. Frequência de Escherichia coli nos diferentes estudos analisados. Os resultados

são apresentados em porcentagem (%) de casos

1997 a à 2005 2006 a à 2010

80

68,1

70

60

50 41,8

40

30

20

7,7 6,6 7,2 6,9 6,9

10

4,2

5,6

1,7 1,0 2,4 2,9 2 2,7 1,3

0,0

0,0

0

Escherichia coli

Klebsiella sp.

Proteus sp.

Enterobacter sp.

Staphylococcos sp.

Pseudomonas aeroginosa

Candida sp.

Enterococcos sp.

Acinetobacter sp.

Figura 2. Comparação entre a média das frequências encontradas nos estudos analisados

entre 1997 e 2005 e os realizados entre 2006 e 2010. Os resultados são apresentados em

porcentagem (%) de casos

encontradas nos estudos entre 1997 e gundo mais encontrado em infecções

2005 e os estudos posteriores a 2006. urinárias nos estudos analisados,

No primeiro grupo a média ficou em mantendo suas prevalências entre

41,8%, já no segundo atingiu 68,1%. 1,7% (18) e 14% (7). Observa-se

As bactérias do gênero Enterococcos que no primeiro estudo analisado, no

sp. também demonstraram crescimento

em sua prevalência ao longo espécie atingiu cerca de 14%, sendo

ano de 1997 (7) a prevalência desta

dos anos quando comparados os dois o segundo mais encontrado. Já em

grupos, já aos demais gêneros houve estudo mais recente, esta prevalência

foi bem menor, cerca de 1,7%,

uma queda nesta prevalência.

O gênero Klebsiella sp. é o se-

colocando-se na quinta posição (18).

NewsLab - edição 116 - 2013

123


Segundo Lucchetti et al. (11) os

cocos gram positivos representam

apenas 8,3% das infecções urinárias,

o mesmo é observado por

Braoios et al. (15), onde este índice

atinge 8,6%. Os dados analisados

no presente estudo demonstram

uma média ainda menor: aproximadamente

3,5.

É de grande importância o conhecimento

dos microrganismos

encontrados em infecções do trato

urinário para que se possa garantir

um diagnóstico rápido e preciso.

Podemos concluir então que a Escherichia

coli continua sendo a espécie

mais importante neste aspecto, mas

que algumas espécies menos encontradas

podem vir a causar infecções

urinárias. Deve-se tomar cuidado na

hora do diagnóstico para que todos

os testes de identificação sejam realizados

permitindo a identificação

do agente etiológico.

Correspondências para:

Cláudia Funchal

claudia.funchal@metodistadosul.edu.br

Referências Bibliográficas

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Nefrologia, 24: 71-80, 2002.

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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 37:70-71, 2004.

10. Adjei A, Opoku C. Urinary tract infections in Africans infants. International Journal of Antimicrobial Agents, 24: 32-34, 2004.

11. Lucchetti G, Silva AJ, Ueda SMY, Perez CD, Mimica LMJ. Infecções do trato urinário: análise da freqüência e do perfil da sensibilidade

dos agentes causadores de infecções do trato urinário em pacientes com cateterização vesical crônica. Jornal Brasileiro de Patologia

Médica Laboratorial, 41: 383-389, 2005.

12. Sato AF, Svidzinski AE, Consolaro MEL, Boer CG. Nitrito urinário e infecção do trato urinário por cocos gram positivos. Jornal Brasileiro

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15. Braoios A, Turatti TF, Meredija LCS, Campos TRS, Denadai FHM. Infecção do trato urinário em pacientes não hospitalizados: etiologia e

padrão de resistência aos antimicrobianos. Jornal Brasileiro de Patologia Médica e Laboratorial, 45:449-456, 2009.

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study. The Journal of Pediatrics, 158: 91-94, 2010.

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to first – and third – generation cephalosporines. The Journal of Emergency Medicine, 39: 6-12, 2010.

124

NewsLab - edição 116 - 2013


AGENDA

IV Congresso Brasileiro

de Genética Forense

Data: 7 a 10 de maio

Local: Memorial da América Latina. São

Paulo. SP

Informações: www.sbg.org/eventos

Realização: EPM/Unifesp, FMUSP e Instituto

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20ª Feira Internacional de Produtos,

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Hospitais, Laboratórios, Farmácias, Clínicas

e Consultórios

Data: 21 a 24 de maio

Local: Pavilhões do Expo Center Norte. São

Paulo. SP

Informações: www.hospitalar.com.br

27º Congresso Mundial de Patologia

e Medicina Laboratorial

Data: 8 a 11 de junho

Local: Quebec, Canadá

Realização: World Association for Pathology

and Laboratory Medicine - WASPaLM

Evento simultâneo: 63º Congresso da

Associação Canadense de Patologia

Informações: www.waspalm.org

39º Congresso Brasileiro

de análises Clínicas

Data: 16 a 19 de junho

Local: Costão do Santinho. Florianópolis. SC

Realização: Sociedade Brasileira de

Análises Clínicas

Informações: www.sbac.org.br

AACC 2013

Data: 28 de julho a 1 de agosto

Local: Houston. EUA

Realização: American Association

for Clinical Chemistry

Informações: www.aacc.org

2013 ASCP Annual Meeting

Data: 18 a 21 de setembro

Local: Chicago (EUA)

Realização: American Society

for Clinical Pathology

Informações: www.ascp.org

47º Congresso Brasileiro de PATOLOGIA

Clínica/MEDICINA LABORATORIAL

Data: 22 a 25 de setembro

Local: Parque Anhembi. São Paulo. SP

Realização: Sociedade Brasileira de

Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

Informações: www.cbpcml.org.br

Analitica Latin America

Feira Internacional de Tecnologia para

Laboratórios, Análises, Biotecnologia e

Controle de Qualidade

Data: 24 a 26 de setembro

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Informações: www.analiticanet.com.br

NewsLab - edição 116 - 2013 125


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que este brilhante profissional lhes proporcionou

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que estão todos muito felizes. Por quê

Porque eles sabem que com o negócio

de laboratório de análises clínicas

pode-se obter lucratividade, desde que

haja uma gestão financeira profissional.

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continua crescendo pela forma como

ele se coloca sempre disponível e dar

a seu profissionalismo a uma humanidade

marcada e tratar seu interlocutor

com profundo respeito.

Na Assembléia Francesa uma vez me

deparei com esta frase: “Os homens

procuram a luz em um jardim frágil,

onde fervilham as cores”.

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para que alguns possam encontrar sua

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Interpretação do

Leucograma

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– Controvérsias

em Exames

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PNCQ – Programa Nacional de

Controle de Qualidade

R. Vicente Licínio, 191 A

20270-902. Rio de Janeiro. RJ

Fone/Fax: (21) 2569-6867

pncq@pncq.org.br

www.pncq.org.br

Página: 7

Quibasa / Bioclin

R. Teles de Menezes, 92

31565-130. Belo Horizonte. MG

Fone: (31)3439 5454

Fax: (31) 3439 5465

bioclin@bioclin.com.br

www.bioclin.com.br

Página: 49

Randox Brasil Ltda.

R. Fernandes Moreira, 415

04716-000. São Paulo. SP

Fone: (11) 5181-2024

Fax: (11) 5181-0817

brasil.mail@randox.com

www.randox.com

Página: 43

Roche Diagnóstica Brasil Ltda.

Av. Engenheiro Billings, 1729 -

prédio 38

05321-010. São Paulo. SP

Fone: (11) 3719-8341

Fax: (55) 11 3719-7796

www.roche.com

Revista Roche News

Sebia Brasil

R. Barão do Triunfo, 73 – cj 51

04602-000. São Paulo. SP

Fone: (11) 3849-0148

Fax: (11) 3841-9816

sebia@sebia.com.br

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Shift Consultoria e Sistemas

R. Independência, 3281

15010-110. São José do

Rio Preto. SP

Fone: (17) 2136-1555

Fax: (17) 2136-1590

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www.shift.com.br

Página: 99

Sociedade Brasileira de

Análises Clínicas

R. Vicente Licínio, 95

20270-340. Rio de Janeiro. RJ

Fone: (21) 2187-0800

Fax: (21) 2234-4881

E-mail: congresso@sbac.org.br

www.cbac.org.br

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Sociedade Brasileira de

Patologia Clínica/Medicina

Laboratorial

R. Dois de Dezembro, 78 –

salas 909/910

22220-040. Rio de Janeiro. RJ

Fone: (21) 2558-1024

Fax: (21) 2205-3386

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Indústria e Comércio Ltda.

R. do Paraíso, 148 – cj 31

04103-000. São Paulo. SP

Fone: (11) 3145-4300

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04001-140. São Paulo. SP

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Laboratórios Ltda.

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13560-971. São Carlos. SP

Fone: (16) 3377-9977

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