estoques - Canal : O jornal da bioenergia

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estoques - Canal : O jornal da bioenergia

Carta

do editor

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

12 CAPITAL DE GIRO

Disponibilização dos estoques de etanol e açúcar para geração de caixa e busca por recursos

mais atrativos, como os oferecidos pelo BNDES, são saídas para as usinas sucroalcooleiras

20 ESTOCAGEM

Programa para financiamento de estoque de

etanol será reativado. Recursos, da ordem de R$

2,5 bilhões, são do BNDES e servirão para bancar

a estocagem de cerca de cinco bilhões de litros.

09 MOTO FLEX

A incorporação da tecnologia flex-fuel

em motocicletas se consolida com mais

um produto no mercado. Trata-se da CG

150 Titan Mix, lançamento da Honda.

15 UNIDUTO

Produtores de etanol unidos criam projeto

de novo alcoolduto. Detalhes da obra foram

apresentados recentemente na Secretaria de

Planejamento do Estado de Goiás.

4 ENTREVISTA

Martinho Seitti Ono, diretor da

Sociedade Corretora de Álcool,

faz análise dos mercados

interno e externo de etanol e

das perspectivas para o setor

sucroalcooleiro.

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Boas notícias

Com o avançar de 2009, o horizonte se torna

mais claro e a cautela provocada pelas incertezas

típicas de momentos de crise começa a dar lugar à

execução de estratégias de crescimento. Se há

problemas, é hora de enfrentá-los e também de

aproveitar as oportunidades que surgem.

Constatamos, com satisfação, a reação do setor

de bioenergia. Seguem os programas de

investimentos em infra-estrutura, por parte do poder

público e da iniciativa privada, e novas soluções

surgem para que a atividade industrial e

consequentemente toda a economia retomem o

ritmo normal. A cada dia nos sentimos mais seguros

quanto à solidez dos fundamentos da economia

brasileira como um todo e da atividade

sucroalcooleira e de produção de biodiesel,

especificamente.

Como o leitor poderá constatar em nossa

reportagem de capa, o crescimento da produção

sucroalcooleira se mantém na safra que se inicia e as

perspectivas são boas, graças ao aumento da

demanda interna por etanol e à reação dos preços do

açúcar. Nesta edição, publicamos com satisfação

várias outras boas notícias para o setor produtivo.

São sinais claros de que estão sendo criadas as

condições necessárias para que atividade econômica

reaqueça no País.

Uma proveitosa leitura e até a próxima edição!

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ENTREVISTA - Martinho Seiiti Ono, diretor da SCA Etanol do Brasil

Turbulência passageira

MARTINHO ONO FAZ UMA ANÁLISE DO MERCADO ATUAL DE ETANOL, DE SUAS PERSPECTIVAS

E DESTACA VANTAGENS COMPETITIVAS DO BRASIL NA ATIVIDADE SUCROALCOOLEIRA

Evandro Bittencourt

FEconomista e pós-graduado

em Marketing, Martinho

Seiiti Ono atualmente é responsável

pela direção da

Sociedade Corretora de Álcool

(SCA). Com mais de 30 anos de sólido

conhecimento do mercado brasileiro

de combustíveis e etanol carburante

e amplo relacionamento com

os setores privados, públicos, sindicatos

e entidades ligadas ao setor de

derivados de petróleo e álcool carburante,

Martinho concedeu entrevista

exclusiva ao CANAL Bioenergia, em

que fala sobre os aspectos mais atuais

e relevantes dos mercados interno

e externo do etanol.

Qual a situação do mercado interno

para o etanol

A demanda no mercado brasileiro

de etanol continua ainda sem nenhum

reflexo da crise. A venda de

carros flex-fuel, que teve uma pequena

retração nos meses de dezembro

e janeiro, praticamente retomou

a normalidade em fevereiro.

Acho que o grande impacto do

etanol que podemos atribuir à crise

financeira mundial está nas

Unidades Produtoras. Muitas delas

fizeram investimentos pesados ou

tiveram um nível alto de endividamento

em dólar e em derivativos.

Essas sim, tiveram debilitado o seu

fluxo de caixa e estão encontrando

uma dificuldade maior.

Essa situação foi a responsável pela

entressafra atípica que tivemos

Sim, deveríamos estar vivendo

uma entressafra com um cenário

de preços melhor e isso só não está

acontecendo porque as usinas

que sofreram influência direta da

crise no seu caixa exercem uma

pressão vendedora, causando uma

depreciação no valor do produto

que está sendo comercializado

neste período de entressafra.

As usinas têm lançado mão de seus

estoques para produzir o capital de

giro necessário

A grande maioria das usinas tem usado os

estoques para a geração de caixa

A grande maioria das usinas tem

usado os estoques para a geração

de caixa, algumas de forma mais

acelerada e outras menos, dependendo

da saúde financeira de cada

um. De modo geral, podemos dizer

que as usinas sofrem com restrição

de linhas de crédito, necessitando

obter liquidez num tempo

mais rápido do que o planejado.

Tivemos, no ano passado, aumento

do preço do gás natural veicular

no Estado de São Paulo, onde o

consumo é muito maior do que

nos outros Estados, e que fez a demanda

do etanol crescer. Além

disso, o dólar valendo R$ 2,30 a R$

2,40 inibiu de alguma maneira viagens

internacionais e acabou fazendo

com que o brasileiro usasse

mais o automóvel nas suas férias,

no Natal e ano-novo, no território

nacional, e isso também gerou demanda

adicional no mercado.

De uma forma geral, podemos dizer

que, se alguma demanda de

etanol retraiu, ela foi compensada

por alguns outros fatores dentro do

mercado brasileiro como um todo.

Até o aspecto do preço menor em

relação à previsão fez com que a

demanda continuasse aquecida.

Não houve retração em nenhum

momento

A única retração se refere à nossa

expectativa de exportação. As vendas

externas estavam bastante fortes

e aceleradas até os meses de setembro

e outubro e cairam de uma

forma bastante acentuada em novembro

e dezembro, se estendendo

até hoje. Isso aconteceu porque o

preço internacional do barril de petróleo

– que chegou ao pico de 150

dólares – caiu ao nível de 40 dólares

e tirou toda uma atratividade

que o consumo de etanol vinha

tendo no mercado internacional.

Nós vínhamos comercializando

normalmente 400 milhões de metros

cúbicos de etanol por mês e esse

volume caiu para 100 milhões

nos meses de janeiro e fevereiro.

lia lubango

E há uma perspectiva de recuperação

desse mercado em curto prazo

Está muito difícil definir um cenário

futuro. O resultado altamente

positivo das exportações brasileiras,

que atingiram 5 bilhões de litros

na última safra, deve ter uma

retração, mas esperamos alcançar

algo entre 3,5 bilhões e 4 bilhões

em 2009. Os mercados que mais

importaram nosso etanol foram,

em primeiro lugar, os Estados Unidos

e, em segundo, a Europa.

A retração está concentrada em algum

segmento do mercado

Eu diria que a queda acentuada

está diretamente atrelada ao etanol

para fins automotivos. O álcool

que exportamos para outros tipos

de utilização, que não o automotivo,

segue o seu curso normal.

Quais têm sido os preços praticados

nesse começo de 2009 pelas usinas

na comercialização de etanol

Em São Paulo, que serve como um

parâmetro, a remuneração média

era de, aproximadamente, 900 reais

o metro cúbico, até os meses

de setembro e outubro, e tínhamos

uma expectativa de comercializar

o etanol nos primeiros

meses de 2009 a mais de 1 mil reais

o metro cúbico. Porém, em razão

da crise de crédito, acabamos

não conseguindo esses patamares

e estamos mantendo os mesmos

níveis de preços que tínhamos antes

da crise (em setembro e outubro).

Havia uma expectativa de

aumento da ordem de 20%, que

não se materializou e causou

frustração para quem segurou o

produto pensando numa remuneração

melhor, pois não obteve a

vantagem econômica de armazenar

o etanol por tanto tempo.

Os valores praticados hoje para o

etanol remuneram o produtor

Esses preços, durante a safra, remuneram

levemente o custo de

produção, mas se considerarmos a

comercialização no período da

entressafra, imaginando que ele

carregou mais quatro ou cinco

04 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


meses de custo financeiro em estoques,

a remuneração de 90 centavos

pelo litro (com impostos, em

São Paulo), no mês de fevereiro e

março, não remunera.

Como está a situação dos estoques

de etanol no Brasil

Todas as usinas estão procurando

se desfazer dos estoques para, a

partir de abril, receber a nova safra.

Entretanto, o estoque é bastante

justo para atender o que o

mercado consumirá até o fim de

abril. A cadeia produtiva e os próprios

consumidores estão vivendo

uma entressafra bastante atípica.

A crise de crédito criou essa situação,

impedindo melhor precificação.

Houve, pela necessidade

de caixa, uma prorrogação da finalização

da safra que normalmente

se encerra em meados de

novembro e, nessa safra, na grande

maioria das usinas, a moagem

seguiu até o Natal, com algumas

unidades moendo durante os

meses de janeiro e fevereiro. Outro

prenúncio que se tem é que

uma boa quantidade de usinas

estaria antecipando o início da

moagem em relação ao período

normal, o que só faz encurtar o

tamanho da entressafra.

O aumento na produção de açúcar

pode ser uma saída para melhorar

os resultados em usinas que também

fabricam o produto

Certamente. Nesta safra que se inicia,

nós teremos maior fabricação

de açúcar do que nas últimas duas

ou três safras, exatamente pelo fato

de, depois de três ou quatro

anos, nós estarmos vendo esse produto

remunerar em um nível bem

Vivemos, como todos os outros segmentos,

um momento de arrefecimento

melhor do que o etanol. Em 2009

,Temos a percepção de que haverá

um pequeno recuo no percentual

de crescimento da produção do

etanol em relação ao açúcar.

O setor sucroalcooleiro vive diferentes

realidades tributárias. Em

São Paulo, por exemplo, onde ela é

menor, as indústrias estão numa situação

mais tranquila, com melhores

resultados financeiros

Infelizmente não, pois no Estado

de São Paulo, onde poderíamos

estar vendendo etanol a um nível

de preço superior, não estamos

conseguindo isso. Nós vendemos

o etanol em São Paulo a

um nível que varia de 50% a

53% em relação ao preço da

gasolina, enquanto o Estado de

Goiás trabalha com 60% e o Rio

Grande do Sul com 65%. Não

comercializamos álcool segmentado

por mercado, vendemos na

base PVU (posto/veículo/usina)

ao mesmo preço para qualquer

localidade. Isso faz com que o

preço de venda para o Rio Grande

do Sul, Distrito Federal ou

São Paulo seja o mesmo. O ideal

é que fosse criado um mecanismo

de remuneração melhor, ou

seja, poder repassar na hora da

venda um preço melhor para um

Estado onde a carga tributária é

menor e um preço dentro do

equilíbrio de 65% em relação ao

preço da gasolina em Estados

onde a carga tributária é maior.

Os mecanismos de comercialização,

infelizmente, estabelecem o

preço na usina sem levar em

consideração os aspectos tributários

e logísticos.

E se o governo criasse mecanismos

de apoio, a exemplo da oferta de linhas

de crédito para estocagem de

etanol, seria positivo

Com certeza, o estoque regulador é

um mecanismo que nós precisamos

hoje para que tenhamos o

ajuste numa eventual sobra ou falta

de etanol. Além disso, é preciso

saber como liberar esse produto no

futuro e é preciso também considerar

a questão logística, ou seja,

onde esse álcool será guardado.

Fundamentalmente, o que eu

acho que a gente precisa é desenvolver

um trabalho mais profundo

e criar um estoque regulador de 3

a 5 bilhões de litros de etanol para

fazer um "colchão" do estoque

de passagem. Ele calibraria a oferta

e a demanda no mercado, pois

trabalhamos com o álcool de uma

forma muito insegura. Imagine

que em abril começa a safra e cada

usina está definindo o seu mix

de produção sem nenhuma certeza

de quem vai comprar, qual volume

e a que preço.

O esforço para conquistar novos

mercados para o etanol está sendo

prejudicado pela crise

Sim, o setor como um todo tem

feito um trabalho expressivo, especialmente

a entidade que representa

o setor e que mantém escritórios

na Europa e nos Estados

Unidos. O presidente da República

e seus ministros vêm fazendo visitas

em todo o mundo. Temos feito

um trabalho bastante forte no sentido

de fazer a propaganda e a colocação

do produto em nome do

meio ambiente. Nesse cenário, a

gente percebe que vários países,

nesse momento, não querem tomar

uma posição mais agressiva na

política de utilizar um produto sustentável

e, por outro lado, o Brasil

também fica numa situação difícil,

porque o custo logístico no País,

com portos e navios, é muito alto.

Estamos sentindo uma redução

natural daquele ímpeto de investimentos

acelerados que assistimos

nos últimos 24 meses. As empresas

tomaram uma posição de mais

cautela, para esperar um melhor

cenário ou até porque a fonte de

recursos se esgotou.

Há razões para otimismo em relação

à evolução desse cenário

Acho que sim, os fundamentos do

setor sucroalcooleiro são altamente

positivos. Com a retomada da

economia e com o crescimento do

preço do barril do petróleo a um

nível entre 20% a 30% melhor do

que hoje, já nos colocamos novamente

em situação de competitividade.

Temos tecnologia, clima e

extensão agrícola suficiente para

competir muito melhor na colocação

de etanol e açúcar no mundo.

Nossa vantagem é muito grande,

razão pela qual nós acreditamos

fortemente na atividade canavieira.

Vivemos no momento atual,

como todos os outros segmentos,

um arrefecimento que, esperamos,

seja rápido.

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 05


Protocolo

Agroambiental

A Secretaria de Meio

Ambiente de São Paulo está

renovando o certificado das

usinas que aderiram ao

Protocolo Agroambiental em

2007. O Protocolo trata dos

principais pontos de redução

de impactos da cultura da cana

de açúcar, como a antecipação

dos prazos de eliminação da

queima da palha da cana, a

proteção de nascentes e dos

remanescentes florestais, o

controle de erosões e o

adequado gerenciamento das

embalagens de agrotóxicos.

Para renovar o certificado de

2007, as usinas que aderiram

ao Protocolo deveriam

preencher uma planilha

eletrônica fornecida pelo

Programa Etanol Verde, com

base nos dados da safra

2008/2009. Segundo o

gerente de planejamento e

controle agrícola, José Carlos

Berto, a Nardini preencheu

todos os requisitos dentro do

prazo e garantiu o novo

certificado que tem validade

até novembro de 2009.

Biocana- 1ª turma Master of Technology

Fruto de uma parceria entre a

Biocana e a Universidade Federal de

São Carlos / DTAISER, o curso MTA

- Master of Technology

Administration - em Gestão da

Produção Industrial Sucroenergética

teve a primeira turma encerrada no

dia 14/02.A solenidade de

encerramento (foto) reuniu mais de

200 pessoas em Catanduva - SP,

entre alunos, professores,

autoridades, convidados e imprensa

especializada no setor. Um total de 65

profissionais integrou a primeira

turma. Homenageado especial do

curso, o presidente da Biocana,

Luciano Sanches Fernandes, lembrou

em seu discurso que Catanduva é um

dos centros de referência do setor

sucroalcooleiro.A segunda turma do

MTA está prevista para ter início em

28 de março. Outras informações

podem ser obtidas pelo site:

www.biocana.com.br.

Safra do Grupo USJ mantém crescimento

O Grupo USJ planeja dobrar a

moagem de cana-de-açúcar na

safra 2009/2010 da Usina São

Francisco em Quirinópolis,

Goiás.A unidade vai passar de 2,

628 milhões de toneladas de cana

processadas na safra passada,

para 4,2 milhões de toneladas em

2009. Já a unidade de Araras, São

Paulo, planeja processar 3,7

milhões de toneladas de cana

durante a safra. A Usina São

João está preparada para atingir

picos de moagem de até 23 mil

toneladas/dia.A usina vem

apresentando crescimento

constante nas últimas safras. No

ciclo 2007/08 o processamento

total de cana foi de mais de 3,5

milhões de toneladas, passando

para 3,6 milhões de toneladas na

safra 2008/09.A safra no Grupo

USJ será mais açucareira.A

produção total está estimada em

6 milhões de sacas de açúcar e

108,5 milhões de litros de álcool.

Brasil/EUA e os

biocombustíveis

Os biocumbustíveis foram

destaque na agenda da reunião

ocorrida esse mês na Casa

Branca, em Washington, entre

os presidentes Luiz Inácio Lula

da Silva e Barack Obama . O

presidente Lula pediu a

derrubada das barreiras de

importação pelos EUA para o

etanol brasileiro. O presidente

americano tem uma agenda

ambiental positiva, mas para

que o Brasil possa se beneficiar

disso, exportando mais álcool

para o mercado americano, é

necessário que ocorram

mudanças na legislação norteamericana.

O presidente

Obama disse a Lula que esse

processo deve ser um pouco

demorado. De acordo com o

Chefe-geral da Embrapa

Agroenergia, Frederico

Durães, o Brasil pode atender

parte da demanda americana

por etanol, com incremento de

área e produtividade de canade-açúcar

e eficiência de

conversão em etanol. No curto

prazo, o Brasil deverá cuidar da

logística de transporte e

escoamento da produção para

novos mercados.

06 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


OPINIÃO

Contra-sensos da Reforma Tributária

Apregoada como solução para

a crise econômico-financeira

do momento, a proposta de

Reforma Tributária em curso no

Congresso tem poucas chances de

sucesso. Primeiro, pela falta de consenso

entre os congressistas acerca

dos benefícios prometidos. Segundo,

pela desconfiança dos governadores

em relação às mudanças implementadas

pela alteração proposta no pacto

federativo. Terceiro, porque empresários

e especialistas enxergam a

proposta de emenda constitucional

sob a ótica da sempre crescente carga

tributária, que, de fato, ocorrerá.

Na realidade, a proposta perdeu a

oportunidade de simplificar o processo

tributário no país. A criação do

IVA-F com a extinção das contribuições

do Salário Educação, PIS e CO-

FINS e da redução da Contribuição

Patronal sobre a Folha, é muito pouco

para a magnitude de nosso sistema,

principalmente ao deixar de fora

o IPI, a CIDE combustíveis e mais do

que isto, em não fechar a porta para

que as mesmas contribuições extintas

sejam recriadas no futuro.

Ao definir a incidência do IVA-F

como sendo operações com bens e

serviços, a proposta alarga e muito a

sua hipótese de incidência possibilitando

a cobrança em qualquer transação

ou bem. Há, ademais, uma ampliação

da sujeição passiva, na medida

em que até mesmo pessoas físicas

ficaram sujeitas ao mesmo, além de

definir que operação com direitos serão

caracterizadas com serviços, o

que é um contra-senso.

Incidirá ainda sobre operações

'não onerosas', ampliando ainda

mais a base de arrecadação do imposto.

Esta possibilidade aumenta a

insegurança em relação ao IVA, pois

a qualquer momento pode ser promulgada

uma nova lei tributando

operações até então não sujeitas à tributação;

além de que, as operações

não onerosas não denotam riqueza

ou capacidade contributiva.

Se o problema em relação ao IVA

é o receio de aumento da carga tributária

e ampliação da base de arrecadação,

em relação ao ICMS podemos

enumerar uma série de outros igualmente

preocupantes.

A começar pelas alterações no pacto

federativo. Ao unificar a legislação

do principal tributo estadual a proposta

retira dos Estados e do Distrito

Federal a autonomia de gestão de suas

receitas e de planejamento e implementação

de programas de desenvolvimento

regional destinados à

atração e instalação de seus parques

industriais. Vale recordar que os programas

regionais implementados

por estados periféricos nos últimos

vinte anos são responsáveis não apenas

pela dinamização da economia

brasileira, mas pela inserção de parcela

significativa da população nos

mercados de trabalho e consumidor.

Atualmente, cabe ao Senado, órgão

representativo, a afixação das

alíquotas do ICMS, a proposta transfere

esta competência para o CON-

FAZ, órgão meramente técnico formado

por Secretários de Fazenda

dos Estados. Transfere também a

competência de regulamentação a

idiossincrasia deste órgão.

Não bastassem as questões de ordem

política e legislativa, a proposta

também altera a dinâmica de arrecadação

dos Estados e do Distrito Federal,

ao transferir a cobrança do ICMS

da origem para o destino. Assim, os

estados perdem ao mesmo tempo

autonomia, gestão e recursos.

Em que pese constarem da proposta

dois fundos destinados a manter

os níveis de arrecadação - FER -

Fundo de Equalização - e a promoção

de investimentos em infra-estrutura

e programas de desenvolvimento -

FNDR - Fundo Nacional de Desenvolvimento

Regional - a verdade é que

tomando por base o Estado de Goiás,

a perda anual, em números atuais,

supera a casa de R$ 2 bilhões, inviabilizando

tanto a manutenção dos investimentos

em infra-estrutura como

a atração de novos empreendimentos

para o Estado.

O avanço, se que é existe, se dá

por conta da convalidação de todos

os programas de incentivos contratados

até a data de 05/07/2008 e a

manutenção pelo prazo de doze

anos, a partir de sua aprovação, para

os programas destinados a indústria

e construção civil.

No cômputo geral, no entanto, a

proposta gera mais incertezas e insegurança

jurídica do que avança no

que deveria ser sua premissa primeira,

a simplificação do sistema tributário

nacional e redução da carga tributária,

instrumentos necessários ao desenvolvimento

nacional. Ao constitucionalizar

a matéria tributária no país

a proposta torna ainda mais complexo

o sistema, onerando a atividade

econômica. Donde se conclui que,

embora necessária, esta não é a reforma

tributária que o país precisa.

FLÁVIO RODOVALHO

advogado nas áreas tributária, societária

e comercial, sócio de Rodovalho

Advogados. flavio@rodovalho.com.br

divulgação

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 07


CG 150 TITAN MIX

Moto flex,

economia e desempenho

NOVO MODELO DA

HONDA PERMITE QUE O

MOTOCICLISTA ESCOLHA

ABASTECER COM O

COMBUSTÍVEL QUE

MELHOR ATENDA ÀS

SUAS NECESSIDADES

Aincorporação da tecnologia flexfuel

em motocicletas se consolida

no mercado brasileiro com o

lançamento da CG 150 Titan

Mix. O veículo de duas rodas da Honda

permite que motociclistas escolham o

combustível (gasolina ou álcool) na hora

de abastecer a moto.

A CG 150 Titan Mix possui componentes

exclusivos e dispensa qualquer tipo de

adaptação, permitindo o uso da gasolina,

do álcool ou da mistura álcool e gasolina.

De acordo com pesquisas realizadas pela

Honda com proprietários da CG 150 Titan,

a maioria dos entrevistados compraria

uma motocicleta bicombustível. Entre as

vantagens citadas pelos usuários, as principais

são a possibilidade de escolha do

combustível e a economia de dinheiro.

Com relação ao desempenho, a utilização

da gasolina permite um funcionamento

mais linear e progressivo do motor.

Já o álcool favorece um comportamento

mais vigoroso, ligeiramente mais

potente. Enquanto a motocicleta desenvolve

1,32 kgf.m de torque a 6.500 rpm e

14,2 cv de potência a 8.500 rpm, quando

08 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


abastecida com gasolina, estes

valores sobem para 1,45 kgf.m e

14,3 cv, respectivamente, quando

utilizado o álcool

.

LIBERDADE DE ESCOLHA

No momento de abastecer a

motocicleta, o usuário avalia

suas necessidades e prioridades

para poder escolher o combustível

que melhor se encaixe em

sua realidade. O etanol é mais

indicado para aqueles que buscam

economia e desejam fazer

sua parte quanto à preservação

do meio ambiente, além de

atender ao motociclista que

busca melhor desempenho da

motocicleta.

Por outro lado, se o consumidor

deseja autonomia para percorrer

distâncias mais longas,

deve optar pela gasolina, uma

vez que o menor poder calorífico

do álcool, quando comparado

ao combustível fóssil, implica

em um maior consumo para

gerar a mesma queima. Caso o

objetivo seja rodar por mais

quilômetros gastando menos

dinheiro, deve-se analisar os

preços de cada combustível, à

época, na região.

Esta versão da CG 150 Titan

foi denominada "Mix". A fabricante

explica que, em situações

de temperatura ambiente abaixo

dos 15ºC, recomenda-se que

o próprio tanque contenha um

mínimo de 20% de gasolina para

que se garanta a partida a

frio. Tanto nas motocicletas

movidas a etanol disponíveis no

mercado no início da década de

80, quanto nos automóveis flex

comercializados atualmente, a

presença de um reservatório de

gasolina é que permite a partida

a frio em qualquer situação

de temperatura ambiente – o

que os torna totalmente flexíveis

quanto à utilização dos

combustíveis.

No entanto, durante o desenvolvimento

da CG 150 Titan

Mix, optou-se por não incluir

esse sistema – também conhecido

como subtanque. A Honda

justifica essa escolha como uma

solução para obter um conjunto

mais leve e compacto, que

não interfere na dinâmica da

motocicleta. Além disso, afirma

proporcionar mais segurança ao

motociclista, uma vez que este

subtanque ficaria exposto a

eventuais impactos.

A moto mix da Honda chega

às concessionárias de todo o

Brasil em três versões: A KS,

com partida a pedal; ES, com

partida elétrica; e ESD, com

partida elétrica e freio dianteiro

a disco com cáliper de dois

pistões. Sua expectativa de

venda para 2009 é de aproximadamente

164 mil unidades.

Seu preço será de R$ 6.340,00

(KS), R$ 6.890,00 (ES) e R$

7.290,00 (ESD). Estes valores

têm como base o Estado de São

Paulo e não incluem custos de

frete e seguro.

(CANAL com dados da

assessoria de imprensa da Honda)

Especificações técnicas da CG 150 Titan Mix

Categoria

Utility

Motor

OHC, monocilíndrico, 4 tempos, arrefecido a ar

Cilindrada

149,2 cc

Potência Máxima

10,4 kW (14,2 cv) a 8.500 rpm (gasolina)

10,5 kW (14,3 cv) a 8.500 rpm (álcool)

Torque Máximo

12,9 N.m (1,32 kgf.m) a 6.500 rpm (gasolina)

14,2 N.m (1,45 kgf.m) a 6.500 rpm (álcool)

Sistema de Alimentação

Injeção Eletrônica PGM-FI

(Programmed Fuel Injection)

Ignição

Eletrônica

Bateria

12V - 4Ah (versão KS)

12V - 5Ah (versões ES e ESD)

Sistema de Partida

Pedal (versão KS)

Elétrica (versões ES e ESD)

Tanque de Combustível

16,1 litros

Óleo do Motor

1,2 litro

Transmissão

5 velocidades

Embreagem

Multidisco em banho de óleo

Suspensão Traseira

Braço oscilante com 101 mm de curso

Preço público sugerido

R$ 6.340,00 (versão KS)

R$ 6.890,00 (versão ES)

R$ 7.290,00 (versão ESD)

Moto bicombustível da

Honda apresenta

design moderno e

liberdade de escolha ao

encher o tanque

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 09


CANA-DE-AÇÚCAR

Saldo positivo em novas usinas, faturamento e empregos

OBrasil possui hoje 420 fábricas de açúcar e

de etanol, segundo levantamento do Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

(Mapa). São 248 unidades mistas,157

destilarias e 15 produtoras apenas de açúcar.

São Paulo é o primeiro do ranking de maior

número de plantas industriais, com 200 usinas.

Em segundo lugar vem Minas Gerais, com

37 fábricas, Paraná, com 33 e Goiás, com 29.

Alagoas e Pernambuco ocupam a quinta posição,

com 24 unidades cada estado.

O faturamento da safra 2008/09 também registrou

aumento. Fechou em R$ 51 bilhões,

10,8% maior que no ciclo anterior. A elevação

da receita reflete sobretudo o maior volume de

cana processado, mas também a recuperação

dos preços médios do açúcar nos últimos meses.

A expectativa para a nova safra, a 2009/10,

é de que a receita do setor aumente até 12%,

atingindo R$ 57 bilhões, impulsionada pela

valorização do açúcar no mercado internacional.

Esse valor considera as vendas de açúcar,

álcool, energia a partir da biomassa, melaço,

levedura e outros subprodutos da cana de 373

usinas em operação no País.

No que tange ao número de empregos novos

gerados no País, no setor agrícola, o cultivo

de cana-de-açúcar foi o que mais gerou

novos postos de trabalho em fevereiro, com

8.228 vagas. Destas, a maior parte foi criada

também em São Paulo, com acréscimo de

6.918 vagas formais. Goiás aparece em segundo

lugar, com 1.832 vagas, e Minas Gerais em

terceiro, com 1.253 novos postos de trabalho.

Os dados fazem parte do balanço de fevereiro

do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados

(Caged).

O cultivo de soja também aparece entre os

segmentos de melhor desempenho, com a geração

de 3.402 empregos com carteira assinada,

em especial no Estado de Mato Grosso, onde

foram abertas 2.306 vagas.

Mas nem tudo são flores no setor sucroalcooleiro.

A situação delicada das usinas colocou

os aportes em novos projetos para segundo

plano, concentrados apenas em grupos

mais capitalizados. A estimativa do setor é de

que os investimentos das usinas no ciclo

2009/10 deverão ficar em R$ 6 bilhões, os

mesmos valores da safra passada.

10 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


ESTOQUES

Dinheiro que chega

em boa hora

PROGRAMA DO GOVERNO

FEDERAL PREVÊ 2,5

BILHÕES DE REAIS PARA

FINANCIAMENTO DE

ESTOCAGEM DE ETANOL,

RECURSOS QUE AJUDAM

A ALIVIAR PROBLEMAS

DE CAIXA DAS USINAS

Maiara Dourado

Após cinco anos desativado, o programa

para financiamento de estocagem

de etanol voltará a funcionar

para amenizar dificuldades do setor

sucroalcooleiro. A liberação de 2,5 bilhões será

para bancar a estocagem de cerca de cinco

bilhões de litros do combustível. O objetivo do

governo é auxiliar as usinas no custeio do armazenamento

de etanol e aliviar o cenário de

tensão no setor, que tem sofrido com a falta

de crédito e financiamento para capital de giro.

Os recursos são do Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES),

com prazo de financiamento de seis meses.

Para Miguel Biegai, analista da Safras &

Mercado, o programa é uma boa notícia, já

que corrige uma imperfeição do mercado.

Ele explica que em período de safra, quando

o preço do etanol cai significativamente,

o produtor precisa vender, pois está descapitalizado.

Por esse motivo, as usinas são

obrigadas a comercializar seus estoques a

preços pouco favoráveis.

Biegai acredita que o programa de estocagem

do Ministério da Agricultura se equipara

a outro programa do governo federal, o Empréstimo

do Governo Federal. O EGF é um financiamento

para indústrias, beneficiadores e

cooperativas que industrializam a produção

no intuito de formar estoque de matéria-prima

reservada para o processo industrial, como

algodão, soja, milho e trigo. "Não será feito

um EGF, mas a intenção é parecida, ou seja,

ajudar as usinas a pagarem suas contas", esclarece

o consultor.

Usinas e produtores têm visto com bons

olhos a liberação de recursos para estocagem,

mas ainda não é a solução de todos os problemas

do setor e, como brincou Biegai, nem

chega perto de ser uma "panacéia".

Acionado quatro vezes desde sua criação

em 2002, o programa de estocagem no âmbito

sucroalcooleiro se desenvolve, no ano atual,

em contexto diferente dos anos anteriores.

Em 2004, última vez em que foi ativado, a

produção no setor era menor.

A atual intervenção governamental se

mostra válida mediante a enorme oferta e

frente à situação do mercado interno. Biegai

explica que não houve redução na demanda

atual e sim uma demanda menor do

que a esperada, frustrando a expectativa

dos produtores.

Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico

da União da Indústria de Cana-de-açúcar

(Unica), acredita que a política de financiamento

de estoque deveria ser uma política

habitual e ser aplicada não só em momentos

de crise, mas em todo período de safra. Segundo

ele, o governo já encaminhou a emenda

do programa. A expectativa agora é de que

o dinheiro esteja disponível nos bancos até

maio e que se efetue o programa até o esgotamento

da verba. "Por enquanto,tudo está

andando dentro da velocidade que o governo

se comprometeu", completa Rodrigues.

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 11


CAPACITAÇÃO

Sectec assina

convênio com prefeituras

leo iran

TELECURSO É

INSTRUMENTO DE

FORMAÇÃO

PROFISSIONAL

PARA ATENDER À

CRESCENTE

DEMANDA DO

MERCADO

Secretário Joel Braga Filho, durante a solenidade

de assinatura do convênio com as prefeituras

OGoverno de Goiás, por meio da Secretaria

de Ciência e Tecnologia (Sectec), assinou

convênio com cerca de 80 prefeituras

goianas que manifestaram interesse

em oferecer à população de seus municípios a

oportunidade de fazer gratuitamente um curso

técnico de nível médio com aulas pela televisão. A

solenidade aconteceu no Palácio Pedro Ludovico

Teixeira, com as presenças do governador Alcides

Rodrigues, do secretário de Ciência e Tecnologia,

Joel Braga Filho, dos gerentes de Desenvolvimento

Institucional e de Teleducação da Fundação

Roberto Marinho, Ricardo Piquet e Nelson Santonieri,

e da diretora superintendente Centro Paula

Souza, do Estado de São Paulo, Laura Laganá.

O Telecurso TEC, uma iniciativa da Fundação

Roberto Marinho em parceria com o Centro de

Educação Tecnológica Paula Souza, do Estado de

São Paulo, oferece cursos de administração empresarial,

gestão de pequenas empresas e secretariado

e assessoria na área de gestão. As aulas são

apresentadas às 5h25, nas filiais da TV Globo, e às

7h15 e 11h30 nas filiais da TV Cultura.

Para obter o certificado, o aluno se cadastra no

site www.telecursotec.org.br, assiste às aulas nos

horários das TV's abertas ou nas salas especiais

instaladas pelas prefeituras conveniadas e depois

faz o exame ao final de cada semestre. Graças à

parceria entre a Sectec, a Fundação Roberto Marinho

e o Centro Paula Souza, a prova para certificação

do curso será realizada no próprio Estado,

com acompanhamento da Secretaria de Ciência e

Tecnologia. Os cursos, de qualificação e habilitação

profissional, são de 800 horas de estudo, sendo

que cada módulo tem duração de 15 semanas.

Vários prefeitos louvaram a iniciativa, destacando

que o Telecurso TEC ajudará os municípios

na resolução de um de seus maiores problemas,

que é a formação de mão-de-obra para atender

ao mercado de trabalho. Para o secretário Joel

Braga Filho, "o Telecurso é uma oportunidade de

formação profissional para atender às demandas

de um mercado cada vez mais exigente". Segundo

ele, a meta é ampliar e democratizar a oferta,

abrindo chances para que mais pessoas busquem

formação profissional de qualidade e com rapidez.

O governador Alcides Rodrigues reafirmou a sua

confiança na adesão de todas as prefeituras à iniciativa

da Secretaria de Ciência e Tecnologia que

visa criar oportunidades de formação profissional

de qualidade para jovens do interior, ressaltando o

pioneirismo de Goiás ao buscar a parceria da FRM

e do Centro Paula Souza para oferecer o que existe

de mais moderno e avançado na modalidade de

ensino à distância.

12 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


ALCOOLDUTO

Novo projeto é

apresentado

em Goiás

Maiara Dourado

Após o anúncio da primeira fase de

construção do alcoolduto da Uniduto

S.A., o presidente da empresa, Sérgio

van Klaveren, apresentou em Goiânia,

Goiás, o projeto para a Secretaria de

Planejamento do governo do Estado (Seplan)

e para produtores da região. O projeto, em sua

etapa inicial, pretende ligar Sertãozinho (interior

de São Paulo) até o Porto de Santos e

prevê, em sua segunda fase, a construção de

pontos coletores no Estado de Goiás e Minas

Gerais, ligando o centro do País ao litoral.

A apresentação, realizada no dia 13 de

março, contou com a participação de produtores

do setor sucroalcooleiro, do secretário

de Planejamento do governo de Goiás, Othon

Nascimento, além do presidente e conselheiro

da Uniduto, Sérgio van Klaveren e Narciso

Berthold, respectivamente. Klaveren revelou

detalhes do projeto, que terá início em abril

do ano que vem, com investimento inicial de

R$ 1,8 bilhão. A primeira etapa terá uma rede

de dutos com aproximadamente 600 km

de extensão e capacidade para escoar 21 milhões

de litros de etanol ao ano.

Atualmente, o projeto está em fase de licenciamento,

de engenharia básica e de recebimento

de recursos financeiros, mas já vem

estabelecendo relações com outros Estados

vistos como áreas promissoras para capitanear

o crescimento da produção no Brasil.

Segundo Berthold, representante do

conselho da empresa, esses Estados são

Mato Grosso do Sul, Goiás e Triângulo Mineiro.

"Já estamos mostrando o projeto na

fase atual para que essas áreas entendam

como participar desse crescimento", explica

o conselheiro.

Para Othon Nascimento, secretário de Planejamento

de Goiás, a ideia de construção do

alcooduto é bem-vinda, principalmente porque

se baseia em parceria com a iniciativa privada.

UNIDUTO

Há cerca de dois anos e meio, produtores sucroalcooleiros

esperam pela construção do alcoolduto

da Petrobras, que deve ligar Senador Canedo

à Paulínia. Cansados da espera, produtores

de etanol de São Paulo, Minas Gerais e Goiás criaram

a empresa Uniduto que, com apenas um

ano de atuação, já reúne mais de 80 unidades

produtoras do País e tem como princípio básico

a busca por soluções logísticas para o etanol,

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 13


SETOR SUCROALCOOLEIRO

Fernando Dantas

VEM AÍ MAIS UMA

SUPERSAFRA

AUMENTO DA DEMANDA INTERNA DE ETANOL, QUE DEVE

CRESCER 11% AO ANO, E PREÇO MELHOR DO AÇÚCAR NO

MERCADO INTERNACIONAL ANIMAM O SETOR

Na safra 2009/10, o setor sucroalcooleiro

deverá seguir na contramão do pessimismo

que assola a economia brasileira sob os

efeitos da crise mundial. Apesar disso, especialistas

e representantes de entidades alertam que

é preciso ficar atento a aspectos negativos que podem

influenciar nos resultados das usinas

O otimismo para a safra 2009/2010, que em muitas

usinas teve início antecipado em março, tem chegado

por meio das expectativas de aumento da demanda

interna de etanol, que deve crescer 11% ao

ano, e o preço melhor do açúcar no mercado internacional

– em razão do déficit, melhorando a exportação

do produto. O motivo da antecipação da safra é

que cerca de 32 milhões de toneladas de cana ficaram

em pé na safra anterior, segundo dados da Datagro.

Os atuais números da safra 2008/2009 também ajudam

a renovar as esperanças de que o setor não sofrerá

tanto com a crise financeira mundial. A produção

de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, que

compreende os Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato

Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, deve

superar a marca de 500 milhões de toneladas na sa-

14 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


fra 2008/2009, revelam dados da União da Indústria

de Cana-de-Açúcar (Unica). Este volume é quase 16%

maior em relação à safra 2007/2008. Os números não

são finais, pois cerca de 45 usinas mantiveram o processamento

da cana até fevereiro e cerca de 10% das

312 usinas do Centro-Sul devem "emendar" o final da

safra 2008/2009, que oficialmente termina em abril,

com o início da safra 2009/2010 (ver quadro).

As estatísticas da safra 2008/2009 apontam

tendências positivas para a safra 2009/2010. A estimativa

do consultor da G7Agro Consultoria, João

Baggio, é que, em 2009, 520 milhões de toneladas

serão moídas na região Centro-Sul e 588 milhões de

toneladas em todo o País. Segundo ele, o destaque é

a produção de açúcar, que deverá subir de 30,4 milhões

de toneladas para 32,9 milhões de toneladas na

safra 2009/2010. João Baggio diz que o déficit entre

a oferta e o consumo mundial é um ponto positivo

para o crescimento da produção do açúcar no Brasil.

"Hoje, o déficit mundial está em torno de 3,6 milhões

de toneladas, podendo atingir 5,5 milhões, caso se

confirme a quebra em outros países produtores“.

SUPORTE AOS PREÇOS

No caso do etanol, a demanda internao deverá dar

suporte aos preços do combustível no mercado interno,

garante Baggio. O consultor revela que a produção

do combustível será maior em 2009, superando

a marca de 2 bilhões de litros por mês. A produção de

álcool hidratado para a próxima safra deverá atingir

20 bilhões de litros, 12% a mais do que a atual.

O consumo de álcool hidratado sobe para 16,4 bilhões

de litros, 16% a mais em relação a 2008. Ele estima

que a produção total de álcool na safra

2009/2010 (anidro, hidratado e industrial) será de

27,7 bilhões de litros e o consumo, incluindo a exportação,

será de 27,8 bilhões de litros. O consultor estima

ainda que do mix de produção para a região Centro-Sul,

de 60,5% de cana para o etanol, a safra

2009/2010 terá um mix de 59,9% para a produção

do combustível renovável.

O que falta melhorar para o Brasil, diz o presidente

da Unica, Marcos Jank, é a abertura do mercado internacional

de álcool. "Hoje, cerca de 70% do açúcar

é exportado para 160 países. No caso do álcool, apenas

15% está sendo exportado, em razão do protecionismo

dos países compradores".

Crescimento na maioria dos Estados

Os dados parciais da safra 2008/2009 da

União da Indústria de Cana-de-Açúcar

(Unica) revelam que 88% da produção de

cana do Brasil pertence à região Centro-Sul

do País. Para a safra 2009/2010, a expectativa

é de crescimento na produção para alguns

Estados, enquanto outros estimam alcançar

o mesmo resultado da safra anterior.

Em Minas Gerais, a estimativa é que a produção

na safra 2009/2010 aumente em torno

de 15%, se comparado com a última safra.

O destaque, segundo o presidente do

Sindicato da Indústria do Açúcar de Minas

Gerais (Sindaçúcar) e Sindicato da Indústria

da Fabricação de Álcool de Minas Gerais (Siamig),

Luiz Custódio Cotta Martins, é a boa

remuneração do açúcar, diante da previsão

de déficit no mercado para este produto. No

Estado de Mato Grosso do Sul, o otimismo

também tem sido a palavra de ordem no setor.

A expectativa no Estado é a produção de

18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar,

mais de 1 bilhão de litros de álcool e 700 mil

toneladas de açúcar, de acordo com dados do

presidente da Associação dos Produtores de

Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Bio-MS),

Paulo Aurélio Arruda de Vasconcelos. "Apesar

da crise, a safra 2009/2010 terá crescimento

significativo, ultrapassando os números da

última safra que já são recordes, mesmo sem

ter sido encerrada ainda, pois temos quatro

unidades em produção", revela.

Já o presidente do Sindicato das Indústrias

Sucroalcooleiras do Mato Grosso (Sindalcool-MT),

Piero Vicenzo Parini, está mais

cauteloso quando o assunto são as estimativas

para a safra 2009/2010. Ele revela que

a expectativa de área plantada e produção

de cana-de-açúcar no Estado deverá se

manter estável e no mesmo patamar da safra

2008/2009, ou seja, ao redor de 236

hectares, com produção de 15 milhões de

toneladas. "As estatísticas devem se manter

em Mato Grosso devido à redução de 50%

nos tratos culturais em 2008, que refletirá

em menor produtividade". Ele informa ainda

que só não haverá redução por causa da

introdução da Brenco, em Alto Taquari.

fotos: unica/niels andreas

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 15


Henrique Penna, da Jalles:

cenário otimista para o futuro

Em Goiás, o cenário para

a próxima safra é de bons

preços, revela Henrique Penna,

diretor técnico da Jalles

Machado S/A, empresa localizada

em Goianésia, no

Centro Goiano. "Depois de 2

anos trabalhando no vermelho,

o setor sucroalcooleiro

finalmente passa a visualizar

um cenário mais otimista

para o futuro", confia. Um

exemplo dessa confiança é a

própria Jalles Machado S/A,

que estima em 2009 a produção

de aproximadamente

200 mil toneladas de açúcar,

90 mil metros cúbicos de

etanol e 120 mil MWH de

energia exportada, que serão

entregues para a CPFL

Energia e Eletrobrás. O diretor

técnico da empresa diz

que a Jalles Machado vai

cumprir o cronograma de

manutenção da indústria e

que começará a moer a partir

do dia 1º de abril.

Sobre futuros investimentos

da empresa para as próximas

safras, Henrique é

mais prudente e afirma que

a atual conjuntura do mercado

financeiro só permitirá

que a Jalles Machado invista

no setor se contar com recursos

de longo prazo, como

os do BNDES. Ele revela que

a empresa sempre procurou

realizar investimentos com

linhas de recursos de longo

prazo. "Nas duas últimas safras,

por exemplo, ampliamos

a produção utilizando

linha de recursos do BNDES,

com prazo total de 8 anos",

informa. O diretor técnico

acrescenta que a Jalles Machado

tem focado os esforços

para atingir a máxima

eficiência da empresa, tanto

no solo quando na indústria,

e assim evitar transtornos financeiros

com a crise econômica

mundial.

fotos: unica/niels andreas/agra fnp/divulgação

Consequências da crise

Os números apresentados na safra

2008/2009 e previsões sobre a demanda

por etanol e açúcar são fatores positivos,

que têm trazido otimismo para algumas

entidades representativas do setor sucroalcooleiro

no Brasil. Porém, outras têm

atuado com mais cautela, avaliando sob

diferentes perspectivas o mercado mundial.

Segundo o presidente da Unica, Marcos

Jank, o Brasil será menos atingido pela

crise, mas vai sentir os reflexos dela. "Nós

tivemos dois anos de preços muito ruins,

acompanhados de um volume imenso de

investimentos. Para se ter uma ideia, o setor

sucroalcooleiro foi o número um no

País em volume de investimento em relação

ao seu faturamento", acrescenta. Jank

diz que tudo isso foi motivado pelo entusiasmo

pelo etanol.

Mesmo confiante com as perspectivas

para o setor, o consultor João Baggio

também acredita que o setor sucroalcooleiro

deve sentir o peso da crise, principalmente

na falta de capital de giro para

a safra e na não renovação dos tradicionais

20% dos canaviais, o que significa

que ficará cana velha para ser moída na

safra 2009/2010. "Estimamos para a próxima

safra menos de 16% em renovação,

o que afeta a produtividade média. Aumentos

nos custos de produção, falta de

crédito para o capital de giro e baixa

aplicação de insumos nas lavouras também

vão impactar no rendimento industrial

da safra 2009/2010. A produção estimada

para o setor poderia ser ainda

maior se não fossem esses fatores", completa.

Ele acrescenta que a não renovação

dos canaviais trará resultados de produtividade

menores no rendimento das safras

2010/2011 e 2011/2012.

Outra consequência da crise mundial é

a retração nos investimentos para o setor.

Das 43 novas usinas previstas para

entrar em operação na safra 2009/2010,

apenas 25 deverão começar a moer. Em

Minas Gerais, as cinco usinas previstas

para implantação este ano deverão demandar

investimentos em torno de R$

300 milhões a R$ 350 milhões cada uma,

segundo o presidente da Siamig, Luiz

Custódio. "Quem já conseguiu financiamento

e começou a construção da usina

deve moer a cana. Quem não fez isso,

possivelmente terá que postergar os investimentos",

acrescenta.

Já em Mato Grosso, a previsão é mesmo

de poucos investimentos.

"Com exceção da

Brenco, as 11 unidades

produtivas

que operam no

Estado desde a

década de 80 só

fizeram investimentos

na otimização

das práticas

sócio-ambientais

e em

manutenção", diz

Piero Vicenzo, Jacqueline Bierhals:

presidente do efeito“inércia”

Sindalcool.

Para a gerente

de Agroenergia da AGRA FNP Consultoria,

Jacqueline Bierhals, o setor sucroalcooleiro

está sofrendo um efeito "inércia", ou

seja, algumas empresas estão apenas executando

o planejamento traçado há três

anos, quando o momento era favorável, e

não devem investir no setor. "Com a descapitalização,

observam-se aquisições de

usinas já montadas, ofertadas no mercado

a preços mais baixos, e um adiamento de

projetos green-field", acrescenta.

16 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


Demanda maior

por etanol

O Ministério de Minas e Energia

divulgou em fevereiro o Plano Decenal

de Expansão de Energia (PDE),

revelando que a demanda por etanol

de cana-de-açúcar no Brasil, que

hoje responde por 35% da produção

mundial, continuará em ascensão

nos próximos dez anos, crescendo

cerca de 11,3% ao ano, até 2017. A

produção deverá saltar de 25,5 bilhões

de litros por ano, em 2008, para

63,9 bilhões de litros em 2017.

Segundo dados da Associação

Nacional dos Fabricantes de Veículos

Automotores (Anfavea), também

divulgados em fevereiro, as

vendas de veículos flex aumentaram

3,01% no mês de janeiro, em

relação a dezembro do ano passado,

respondendo por 86,2% dos

189.712 automóveis comercializados.

Com isso, a previsão da entidade

é do aumento da fabricação

de veículos flex durante o ano.

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 17


Por trás do uso do etanol e do aumento

na fabricação de veículos, existe

ainda a questão ambiental. Os veículos

flex foram responsáveis por evitar,

desde seu lançamento no Brasil em

2003, a emissão de 45 milhões de toneladas

de gás carbônico (CO2) na atmosfera,

de acordo com dados da Unica,

adquiridos pelo Carbonômetro, dispositivo

que acompanha, por meio de

atualizações mensais, o volume de CO2

que deixou de ser emitido graças ao

etanol. Na última atualização do Carbonômetro,

realizada em janeiro deste

ano, foi revelado que o uso do etanol

por veículos flex equivale ao plantio e

manutenção, por 20 anos, de mais de

143 milhões de árvores nativas.

INVESTIMENTOS EM ENERGIA

O Plano Decenal de Expansão de

Energia também revelou as expectativas

de investimentos para o setor elétrico,

que chegarão a R$ 181 bilhões

de 2009 a 2012, sendo R$ 142 bilhões

para a área de geração e R$ 39 bilhões

para transmissão. Esses recursos serão

utilizados para instalar uma capacidade

adicional de 51 mil megawatts

(MW), o que representa uma média de

mais de 5 mil MW por ano. As fontes

alternativas, como biomassa e eólica,

contribuirão com 4.977 MW do total

no período de dez anos, com média

anual de 500 MW por ano.

O assessor de bioeletricidade da

Unica, Zilmar José de Souza, revela

que a geração de eletricidade a partir

da queima do bagaço de cana representa

um diferencial para o desenvolvimento

sustentável no País. Ele acrescenta

que o Brasil avançou muito nessa

questão, já que 48 usinas no País,

sendo 33 da região Centro-Sul e 15 no

Norte-Nordeste, são vendedoras de

energia para a rede elétrica, geradas a

partir da biomassa. "Hoje, 100% dessas

usinas são auto-suficientes, ou seja,

são capazes de produzir a energia que

consomem por meio da utilização dos

resíduos do processo industrial, o bagaço

da cana", diz. Zilmar informa que

agora as usinas precisam investir na

eficiência energética para poder aumentar

a venda de energia ao sistema

de distribuição de eletricidade.

Safras foram emendadas por situação atípica

O clima favorável, a produtividade acima da

média, o excesso de cana disponível e a necessidade

de manter fluxo de caixa foram fatores determinantes

para uma situação "fora do comum"

no setor sucroalcooleiro. Pela primeira

vez, cerca de 10% das 312 usinas da região Centro-Sul

do País vão emendar uma safra na outra.

A safra 2008/2009 tem previsão de término

no último dia do mês de março, e a safra

2009/2010 deverá começar em abril. O diretor

técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues,

explica que esta não é uma característica do

setor. "As usinas não conseguiram processar toda

a cana disponível e muitas tiveram que continuar

operando para manter o volume de caixa.

Essa atitude vai implicar na falta de manutenção,

que pode prejudicar as empresas na safra

2009/2010", diz.

fotos: unica/niels andreas

18 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


UE investe em etanol

de segunda geração

A União Européia irá destinar

€ 1,6 milhão para a pesquisa e

desenvolvimento do etanol de segunda

geração no Brasil.A Universidade

Federal do Paraná, o Centro de

Tecnologia Canavieira, de Piracicaba -

SP e a fabricante de enzimas

industriais Novozymes Latin América

são algumas das instituições brasileiras

integrantes da parceria, que envolve

também a Novozymes da Dinamarca,

dos Estados Unidos e a Universidade

de Lund, na Suécia.

Unica cria grupo

para bioeletricidade

A Unics criou o Grupo de Trabalho

da Bioeletricidade (GTBio), para

discutir temas técnicos, comerciais e

institucionais relacionados à geração de

energia elétrica com as usinas

associadas. De acordo com a ANEEL,

apenas dez agentes de geração

dominam quase 70% da capacidade

instalada de geração do País, o setor

sucroenegético representa 3%.

Mudanças climáticas preocupam investidores

Investidores americanos

estão pressionando o

Congresso dos Estados Unidos

para a aprovação de leis que

incentivem o avanço da

produção de energias limpas e

renováveis para reduzir os

efeitos das mudanças

climáticas, tornando assim

melhor a competitividade das

empresas do país. Um grupo de

35 investidores elabou um

documento que foi entregue

aos congressistas, pedindo que

sejam adotadas as seguintes

políticas: um Padrão Nacional

de Eficiência Energética

(Energy Efficiency Resource

Standard), um Padrão de

Portfólio de Renováveis

(Renewable Portfolio

Standard), uma política

nacional obrigatória para

redução de emissões de gases

do efeito estufa e um padrão de

combustíveis de baixas

emissões de carbono. O

documento foi assinado por

presidentes de grandes

administradoras de ações, como

a BlackRock e o Deutsche Asset

Management; de fundos de

pensão de trabalhadores e

outros investidores.

Escoamento de etanol

O presidente da Uniduto,

Sergio Van Klaveren, afirma que

em abril de 2010, deverá ser

iniciada a primeira fase do

alcoolduto que ligará

Sertãozinho, no interior de São

Paulo, ao Porto de Santos.Ao

final das duas fases, deverão ter

sido investidos cerca de R$ 2,5

bilhões, e construídos 1 mil

quilômetros de dutos. Participam

do projeto da Uniduto 12

grandes grupos do setor.

Boraquímica conquista

certificação ISO 14001.

A Boraquímica acaba de

receber a certificação ISO

14001:2004, que estabelece as

diretrizes para a implantação de

sistemas de gestão ambiental.A

conquista desta certificação,

somada a ISO 9001:2000 -

voltada para sistemas de

qualidade - consolida o Sistema

de Gestão Integrada da

Boraquímica.

EVENTO

Ethanol

Summit

2009

A2ª edição do Ethanol Summit, que se propõe a debater

as questões do setor sucroenergético, ligadas à

produção, utilização e sustentabilidade, com foco especial

no etanol, será realizado nos dias 1, 2 e 3 de junho,

no Sheraton WTC Hotel, em São Paulo. De acordo com

a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), promotora

do evento, além de 130 palestrantes de diversos

países, ligados a entidades públicas, privadas, instituições

de ensino e de pesquisa, participarão também dos debates

chefes de Estado, CEOs de grandes corporações, cerca

de 400 jornalistas da imprensa nacional e estrangeira

e um público estimado em 1,5 mil pessoas. "Nesta edição

do evento, serão abordados temas críticos para o setor,

que exigem planejamento e definições rápidas, como a

certificação destes produtos e a viabilidade do etanol em

outros países", afirma Marcos Jank, presidente da Unica.

A programação inclui seis plenárias e 25 palestras divididas

por temas macro: Tecnologia, Sustentabilidade,

Mercados e Investimentos. Serão enfocados assuntos como:

plásticos verdes, etanol de segunda geração, biocombustíveis

na aviação, sustentabilidade na produção

de combustíveis renováveis, processos de certificação de

biocombustíveis, barreiras tarifárias e não-tarifárias entre

os países. Na programação de painéis e plenárias se

destacam os seguintes palestrantes:

Entre as principais novidades do Summit 2009 está a

participação do The Economist Group, responsável pela

publicação da revista "The Economist" e que organizará

uma plenária especial sobre o Futuro do Etanol, e a realização

de um evento paralelo, o Brazil Ethanol Trade

Show, onde cerca de 80 expositores apresentarão novas

tecnologias para aplicação em energias renováveis.

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 19


CAPITAL DE GIRO

'Oxigênio'

para as usinas

DISPONIBILIDADE DE

DINHEIRO NO

MERCADO TEVE FORTE

RETRAÇÃO COM A

CRISE MUNDIAL.

PROGRAMA ESPECIAL

DO BNDES PODE SER

UMA SAÍDA PARA

ALIVIAR A ASFIXIA

FINANCEIRA

Evandro Bittencourt

Acrise mundial impactou de diferentes

formas o setor industrial e a atividade

canavieira não escapou dessa realidade.

Uma das dificuldades geradas para

as indústrias que atuam no setor de agroenergia

está na alavancagem de recursos para serem

utilizados como capital de giro. A asfixia financeira

provocada pela crise econômica mundial

traz dificuldades para que as empresas possam

quitar os principais compromissos de sua rotina

administrativa.

Algumas empresas se encontram em dificuldade,

inclusive, para quitar folhas de pagamento

e fornecedores. Para José Américo Rubiano,

diretor da empresa de consultoria J. A Rubiano

Consultores Associados, uma das soluções que

se têm atualmente no mercado e que é especialmente

atrativa para o setor sucroalcooleiro é

a oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social. O BNDES está financiando,

excepcionalmente, apenas o capital de

giro, pois tradicionalmente esse recurso era

atrelado ao investimento em produção.

O novo produto, com dotação orçamentária

de R$ 6 bilhões, é denominado Programa Especial

de Crédito (PEC) e foi anunciado no fim de

2008 pelo BNDES. Desde então, para José Rubiano,

houve uma evolução importante. "Inicialmente,

falava-se de 12 meses de carência e

mais 12 meses para amortizar. Agora, além dos

12 meses de carência, o prazo para a amortização

subiu para 24 meses e 12,5% de juros, em

média, dependendo da análise de risco de cada

financiado."

ATUAÇÃO DO BNDES

O BNDES, segundo José Rubiano, atua no

mercado de duas maneiras diferentes na concessão

de financiamentos. Na operação direta, a

empresa proponente encaminha a solicitação do

financiamento diretamente à instituição, sem a

intermediação de outro banco. A operação indireta

é aquela em que a empresa proponente faz

esse pedido por meio de um outro agente financeiro,

a exemplo do Banco do Brasil.

Quando se faz uma operação por meio de um

banco que se torna o agenciador da operação de

financiamento junto ao BNDES, esse agente passa

a ser avalista da operação. Nesse caso, se a

empresa tomadora não pagar, o banco é acionado.

E se há uma dificuldade de limite de crédito

dos bancos para o setor privado, ela também

acaba refletindo no resultado do agenciamento.

Essas possíveis dificuldades, constata Rubiano,

acabam ensejando uma maior procura por

operações diretas junto ao BNDES. Muitos proponentes

de financiamento reclamam da extensão

do prazo entre a solicitação do financia-

20 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


mento e a liberação dos recursos.

Há 31 anos atuando como consultor

para operações junto a

agências de fomento nacionais e

internacionais, Rubiano reconhece

que, além do prazo longo, há

uma série de dificuldades a serem

vencidas.

Em relação ao capital de giro,

entretanto, o consultor afirma

existir uma orientação no BNDES

para que essas operações do Programa

Especial de Crédito tenham

um processamento mais rápido.

"Se a empresa está espremida por

falta de capital de giro, ela não pode

esperar seis, sete meses até concluir

a operação. Por isso, existe

uma preocupação de resolver esses

pedidos entre 30 a 60 dias, prazo

que acho bastante razoável."

O Programa Especial de Crédito

do BNDES, explica José Rubiano,

não é permanente. Foi criado em

caráter provisório para atender a

uma situação emergencial. Questionado

pela reportagem do CA-

NAL se já se pode notar uma maior

fluidez na liberação desses recursos,

José Rubiano diz que ainda

é muito recente a evolução das

condições do programa. "Atuamos

fortemente no setor de açúcar e

álcool e estamos estudando algumas

operações, mas ainda não temos

nenhuma solução, pois o

anúncio da evolução do programa

foi há poucas semanas."

Segundo Rubiano, em operações

dessa natureza é preciso fazer

um trabalho preliminar, para

não criar uma falsa expectativa.

"Estamos estruturando algumas

operações e quero crer que dentro

de 60 dias já tenhamos alguma

operação contratada."

Fôlego na crise

As usinas que conseguem trabalhar comercialmente

seus estoques e fazer o caixa

necessário para atender suas necessidades

geralmente são aquelas mais bem estruturadas

do ponto de vista de capital, ou seja, podem

ter um estoque reservado para enfrentar

períodos de entressafra, começo de safra

e até momentos adversos de mercado. "Como

o preço do açúcar apresenta uma melhora

que parece ser consistente, quero crer que

empresas com esse perfil vão conseguir atravessar

essa crise com um pouco de dificuldade,

mas nada que impossibilite a elas cumprirem

seus compromissos." Já aquelas empresas

que por alguma razão tenham uma dificuldade

maior em relação à disponibilidade

de capital, acredita José Rubiano, deveriam

procurar imediatamente um agente financeiro

ou uma empresa de consultoria que trabalhe

com o BNDES para discutir uma operação

de capital de giro.

Para José Rubiano, mesmo outras empresas

que não tenham premência de dinheiro

neste momento, mas que pensam em investimentos,

precisam estar cientes de como devem

se preparar para ter condições de cumprir

as exigências do BNDES para a concessão

de financiamentos.

José Rubiano lembra que cada projeto tem

sua especificidade, tanto que afirma nunca

ter visto um projeto elaborado para a obtenção

de investimento que fosse igual ao outro.

"As normas do BNDES são únicas. A forma como

cada empresa tem de se enquadrar dentro

das normas é que é diferente", explica.

“Se a empresa está

espremida por falta de

capital de giro, ela não

pode esperar seis, sete

meses até concluir a

operação de crédito. Por

isso, existe uma

preocupação de resolver

esses pedidos entre 30 a

60 dias, prazo que acho

bastante razoável.”

José Rubiano, Consultor em financiamentos

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 21


Estoques convertidos em capital de giro

Perfil da empresa proponente

Para se apresentar ao BNDES em condições de obter

financiamento com mais facilidade, a empresa

proponente precisa ter todas as suas certidões em ordem,

um histórico de balanço que indique ser bem

gerenciada do ponto de vista financeiro, uma administração

saudável, compromisso e efetividade na sua

interação com o meio ambiente e preocupações sociais,

destaca José Américo Rubiano, diretor da J. A Rubiano

Consultores Associados. "Esses são pré-requisitos

básicos que a instituição exige para conceder financiamento",

diz.

Há casos em que a empresa não atende a todas

exigências, mas isso, necessariamente, não a impede

de obter sucesso em seu pleito junto à instituição financeira.

"Se o BNDES entender que a empresa tem

condições de superar essas dificuldades, ele vai analisar

e aprovar a operação e, na hora de contratar, vai

exigir da empresa o compromisso de atender aos

itens que faltam. A instituição é exigente, mas, acima

de tudo, tem um compromisso com a iniciativa privada

brasileira. Ela contribui para que as empresas superem

suas dificuldades."

QUESTÃO AMBIENTAL

O sucesso na obtenção de financiamentos junto ao

BNDES, destaca José Rubiano, está diretamente relacionado

à questão ambiental, principalmente no que

se refere ao licenciamento. "O Brasil é um dos países

mais avançados em termos de legislação ambiental e

o BNDES tem como exigência que a empresa opere de

acordo com as normas ambientais."

A principal fonte de recursos das

usinas sucroalcooleiras para a obtenção

de capital de giro eram as tradings

que, inseridas numa roda financeira

de crédito abundante e barato, irrigavam

as indústrias. Com a eclosão da

crise financeira mundial, no entanto,

a maior parte desse dinheiro tornouse

indisponível, situação que acabou

levando à valorização do dólar, explica

Miguel Biegai, analista da consultoria

Safras e Mercado.

No Brasil, como as instituições financeiras

privadas e oficiais trabalham

com altas taxas de juros e também

passaram a restringir os recursos

para a concessão de crédito, algumas

empresas, sobretudo as usinas sucroalcooleiras,

se viram obrigadas a formar

o capital de giro com a própria

produção, ofertando grandes quantidades

do produto no mercado, o que

acabou por aviltar o preço do biocombustível,

forçando outras unidades industriais

a negociar a produção a preços

abaixo do desejável.

As usinas precisaram transformar estoque

em dinheiro para quitar suas folhas

de pagamento e para isso tiveram

que vender a preços baixos, para não

arcar com o alto custo do dinheiro disponibilizado

pelos bancos. Além disso,

o crescimento do consumo interno do

biocombustível foi abaixo do esperado,

ressalta o analista da Safras e Mercado.

Miguel Biegai ressalta ainda as dificuldades

e morosidade para a obtenção

de crédito em instituições financeiras.

A concessão de crédito ainda está atrelada

a garantias e à negociação de dívidas

anteriores ainda pendentes. Os

investimentos são feitos em cima de financiamentos

e, consequentemente,

de endividamentos.

Miguel Biegai acredita que a restauração

do crédito no mercado financeiro

mundial e a disponibilização de dinheiro

pelas tradings que atuam no setor

de álcool e açúcar devem acontecer

lentamente, a partir do final de 2009,

quando surgirem os primeiros sinais de

que a recessão econômica está retrocedendo.

Entres esses sinais, o analista

destaca a recuperação do mercado

imobiliário americano, a recuperação

dos empregos e das bolsas.

Enquanto isso, acredita o analista da

Safras e Mercado, muitas empresas do

setor de bioenergia terão como uma

das melhores opções de obtenção de

capital de giro a venda de seus estoques

para conseguirem a liquidez necessária.

Nesse caso, as unidades que

também se dedicam à produção de

açúcar e não só de etanol terão maior

desenvoltura para enfrentar os tempos

difíceis, já que o preço do produto é

considerado bom no mercado mundial

e os indicativos futuros são positivos, a

exemplo da queda na produção de

açúcar na Índia. Essa situação, acredita

Miguel Biegai, deve levar a um maior

equilíbrio no mix de produção etanol e

açúcar, reduzindo a participação porcentual

do primeiro na safra 2009.

22 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


CANA-DE-AÇÚCAR

CTC terá a primeira

biofábrica de mudas

NOVA INSTALAÇÃO DEVE MULTIPLICAR VINTE VEZES A

CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE MATERIAL PROPAGATIVO

Maiara Dourado

Aeficiência brasileira no desenvolvimento

de tecnologias inovadoras destinadas

ao setor sucroalcooleiro se

destaca mais uma vez. A novidade

vem do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC),

que prevê até o final do mês a inauguração da

primeira biofábrica para produzir viveiros de

mudas de cana-de-açúcar.

Para colocar o plano em prática, o CTC investiu

cerca de R$ 1 milhão na nova instalação e,

ainda, contratou novos técnicos e pesquisadores.

A idéia é concentrar em um único espaço o

processo de multiplicação de mudas de cana.

Segundo informações da empresa, a área de

cerca de mil metros quadrados foi adaptada

para abrigar a produção mensal da biofábrica,

que será vinte vezes maior que o número de

mudas de cana produzidas no CTC.

O centro de pesquisa produz cerca de 500

mil mudas ao ano. No entanto, com a nova instalação,

a expectativa é que se produza um milhão

de mudas ao mês, a partir de setembro. O

interessante ganho com a pesquisa se dá por

meio da redução da área de viveiros necessária

para o plantio das mudas diretamente no solo.

O processo de multiplicação de cana-deaçúcar

migra do campo para o laboratório, onde

as plantas fornecidas pelo CTC terão garantia

de sanidade, o que o cultivo no campo não

pode assegurar, devido a infestações de pragas.

O centro de pesquisa ainda desenvolveu técnica

capaz de reproduzir uma média de vinte novas

mudas por planta. Tecnologia às mãos de

quase 180 associados da entidade.

Atuação científica do

centro de pesquisa

Criado em 1969, o CTC com sede em

Piracicaba, São Paulo, desenvolve tecnologia

para o setor sucroalcooleiro, de

forma a beneficiar desde o cultivo da

cana-de-açúcar até o processo industrial

da produção. De acordo com dados

fornecidos pela unidade, a tecnologia

desenvolvida pelo centro de pesquisa

responde por aproximadamentee 60%

da cana-de-açúcar moída no país.

A principal atuação científica do

CTC é na área de melhoramento genético

através de um programa que resulta

em novas variedades de cana-deaçúcar

e consome anos de estudos. A

entidade chega a lançar uma média de

três a quatro novas variedades de cana

por ano.Cada novo material lançado

representa um salto tecnológico para o

setor produtivo nacional.

ctc/divulgação

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 23


BIOCOMBUSTÍVEL

Babaçu

tem amplo

potencial

PESQUISA NO MARANHÃO AVALIA

POTENCIAL DA OLEAGINOSA

PARA A PRODUÇÃO DE BIODIESEL

Geórgya Laranjeira Corrêa, do Maranhão

Na corrida por matérias primas alternativas para

produção de biocombustiveis, o Maranhão entra

na linha de frente da pesquisa avaliando as propriedades

da soja e do babaçu sob baixas temperaturas

com o propósito de melhorar a qualidade de ignição

do biodiesel nestas condições. Os estudos giram em torno

de fatores que determinam o cultivo da oleaginosa na região,

tida como potência econômica.

Para a pesquisadora e professora do Curso de Engenharia

de Alimentos da UFMA - Universidade Federal do Maranhão,

campus de Imperatriz, que desenvolve pesquisa sobre soja e

babaçu, Marta Célia Dantas Silva, um dos objetivos da pesquisa

é evitar o congelamento do biodiesel em baixas temperaturas.

Atualmente, o biocombustível apresenta essa limitação,

o que prejudica sua aplicação como fonte energética.

Para a professora Marta Silva, o babaçu e a soja poderão

atender a demanda do mercado de biocombustiveis pois o Estado

do Maranhão possui condições favoráveis à produção de

espécies de plantas ricas em óleos, dentre as quais se destaca

a palmeira de babaçu, encontrada também nos Estado do

Mato Grosso, Tocantins e Piauí, chamados de Região dos Babaçuais,

que somam 18,5 milhões de hectares. "Entretanto, é

no Maranhão que está concentrada a maior quantidade de

palmeiras, com cerca de 10,3 milhões de hectares. Por toda

essa extensão de terras o Estado tem grande potencial de ser

um grande produtor de biodiesel." afirmou.

Babaçu está presente em

cerca de 25% do territíório

do Estado do Maranhão.

Palmeira nativa produz

frutos com alta

concentração de óleo

PERSPECTIVA

Até o momento, ainda não foram mapeadas as áreas de

maior potencial de soja e babaçu na região do Maranhão,

mas o cenário é promissor. O coco de babaçu é o principal

produto do extrativismo vegetal do Estado. Cerca de 25%

do território maranhense é coberto por esta palmeira nativa.

Já região do município de Balsas tem grande produção

de soja.

Além do babaçu, outras culturas podem ser empregadas

na produção de óleo para a fabricação do biodiesel, tais como

mamona, algodão, amendoim, pinhão-manso e gorduras

animais (sebo bovino, gordura de frango e de suínos). Ao

ser questionada sobre a vantagem do babaçu em relação ao

pinhão manso, por exemplo, a professora Marta relatou que

as pesquisas têm mostrado que o óleo de pinhão-manso tem

excelente qualidade e um elevado potencial para a produção

do biodiesel e que esta cultura possui boa adaptação

em diversas regiões do Brasil. No entanto, relata que dados

24 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009


da Embrapa mostram que é ainda é prematuro

concluir quais regiões são melhores

para a cultura.

A pesquisadora ressalta que todas as

oleaginosas são aproveitáveis e que o território

brasileiro ainda possui um grande

número de variedades distintas de palmeiras

que, devidamente exploradas, podem

desempenhar um papel de importância na

economia brasileira. "Portanto, a viabilidade

econômica para produção de energia

a partir de recursos da biomassa disponíveis

no Brasil favorece novas pesquisas,

consolidando a indústria do biodiesel",

ressalta Marta.

Os pesquisadores acreditam que o biodiesel

produzido futuramente será uma

mistura de óleos vegetais. A soja e o babaçu

vão contribuir neste processo e cada

localidade vai produzir um biodiesel

mais favorável à sua região.

Outro fator importante do projeto do

babaçu e da soja é que boa parte da população

rural do Maranhão se dedica à coleta

de coco e a produção do biodiesel, que

fomenta o sistema de produção agro-extrativista,

gera empregos diretos e indiretos

e contribui com a melhoria da qualidade

de vida da população urbana e rural.

"No momento, ainda não dispomos de infra-estrutura

suficiente para capacitação.

É necessário entender e amadurecer a

idéia da inclusão social como um todo"

explica a pesquisadora.

EXTRATIVISMO

No Maranhão, o babaçu é tido como o

principal produto do extrativismo vegetal,

sendo responsável por quase 80% da produção

brasileira. A matéria-prima possibilita

o aproveitamento de 68 subprodutos,

tais como óleo, carvão, leite e ração

para o gado, além dos inúmeros trabalhos

de artesanato que podem ser feitos, como

bolas, colares e brincos. Na zona rural, as

folhas são usadas para cobrir casas. Também

é possível fazer cestos e esteiras. Do

produto também se obtém a celulose para

a industrialização do papel. Com grande

potencial, do babaçu também são extraídas

substâncias para a fabricação de detergentes,

sabão, margarina, cosméticos e

até asfalto. O uso do biodiesel, por sua

vez, suscita um interesse cada vez maior,

não só devido às vantagens ecológicas e

sociais, como também pelo baixo custo.

PESQUISA

A pesquisa aponta que o óleo de babaçu

(Orbignya phalerata) possui características

excelentes para produção de biodiesel,

devido ao alto teor de óleo existente nesta

matéria-prima. Os últimos levantamentos

mostram que o percentual de óleo babaçu

e soja tornam viáveis essas matérias-primas.

O coco de babaçu possui, em média,

65% de óleo, enquanto na soja esse procetual

varia de 35% a 40%.

O trabalho de pesquisa da UFMA -

Universidade Federal do Maranhão,

campus de Imperatriz (MA) vem sendo

feito com a aprovação de projetos no

CNPq, desenvolvidos no Instituto Federal

de Educação, Ciência e Tecnologia

do Maranhão (Campus do Bacanga). O

interesse de outros professores do Campus

favoreceu a formação de um grupo

de pesquisa na área.

A atividade envolve parcerias com o Núcleo

de Biodiesel do Campus do Bacanga e

outras universidades, como a Unicamp e a

Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Foram solicitadas bolsas à Fundação de

Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento

Tecnológico do Maranhão (Fapema) para

incluir os discentes na pesquisa.

fotos: kleiber arantes/sulafailde.wordpress.com

CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009 25


APC desenvolve

estratégias para 2009

A APC, unidade de negócios de

soluções e serviços para ambientes

críticos de energia e refrigeração da

Schneider Electric, está confiante em

relação a 2009. Segundo o vicepresidente

para a América Latina da

APC, Fernando Garcia, a empresa

tem como prioridade aproveitar a

situação econômica atual para

crescer. O executivo enfatiza que o

Brasil é o País mais importante da

América Latina para a empresa. "O

Brasil é uma oportunidade para

seguir mantendo o crescimento

positivo na região. Os investimentos

provenientes do governo para

equilibrar a crise serão muito sadios

para a recuperação da economia”,

afirma Garcia.

Faturamento da

Heringer cresce 56,6%

A Fertilizantes Heringer, uma das

pioneiras na produção, comercialização

e distribuição de fertilizantes e uma

das três maiores empresas de

fertilizantes do Brasil, registrou, em

2008, um crescimento de 56,6% em

sua receita bruta de vendas, que

totalizou R$ 3,6 bilhões. No último

trimestre do ano, esse crescimento foi

de 12,2% sobre o mesmo período do

ano passado, somando R$ 935,3

milhões. A Heringer manteve as

vendas de seus produtos diversificadas

entre as principais culturas produzidas

no País, como soja, milho,

cana-de-açúcar e café.

Viabilidade técnica da mamona

A mamona é

tecnicamente viável à

produção de biodiesel.

Quem garante é o

pesquisador Francisco

Brito, da Embrapa Meio-

Norte, pioneiro nas

pesquisas com mamona

no Estado do Piauí.

Segundo ele, o óleo,

quando transformado,

pode ser misturado ao

diesel mineral na

proporção de até 50%,

com uma viscosidade de

5,9 cP (unidade de

referência de viscosidade),

ficando no limite

estabelecido pela Agência

Nacional de Petróleo, que

vai de 3 a 6 cP. Hoje, no

Brasil, só é permitido 3%

Rolamento rígido reduz o

consumo de energia

A SKF do Brasil lança

no País o rolamento

rígido de esferas E2,

fabricado com uma gaiola

de polímero especial que

permite uma lubrificação

perfeita e melhor

acabamento das

superfícies, que lhe

garante um menor

coeficiente de atrito. Desta

forma, o usuário do novo

rolamento consegue

reduzir o consumo de

de mistura de óleo vegetal

ao diesel. É meta do

Governo Federal atingir,

até 2014, 5% de mistura.

(CANAL com dados da

Assessoria de Imprensa da

Embrapa Agroenergia)

energia em até 30% em

relação aos existentes no

mercado. Desenvolvido

pelo grupo SKF para

aplicações de carga leve a

normal, tanto para uso em

sistemas automotivos ou

em máquinas e

equipamentos industriais,

os novos rolamentos

rígidos de esferas SKF E2

podem ter até o dobro da

vida útil em relação a uma

peça comum.

fotos: divulgação

Hyundai participa

da Feicana

A Hyundai Equipamentos de

Construção, representada no

Brasil pelo Dealer Master, BMC –

Brasil Máquinas de Construção, e

em Goiás e Distrito Federal pela

Tesco Equipamentos, apresentou

na Feicana/ FeiBio 2009 as pás

carregadeiras HL 740-7 e HL 757-

7, a escavadeira R210LC-7, da

Hyundai, e o trator de esteiras

Bulldozer SD16, da Shantui. Esses

equipamentos colocaram a BMC e

a sua rede de distribuidores entre

os que mais venderam

equipamentos no Brasil em 2007

e 2008. Na edição da feira em

2008, foram gerados negócios de

R$ 4 milhões para a empresa. O

faturamento geral da rede de

distribuidores com a venda de

máquinas em 2008 superou as

expectativas. “A estimativa inicial

era vender pouco mais de 1 mil

unidades até o final do ano, mas a

elevada procura pelos

equipamentos fez esse número

dobrar para surpreendentes 2000

unidades, ou seja, um crescimento

de 150% sobre as 800 unidades

comercializadas em 2007”, diz o

diretor geral da BMC, Felipe

Cavalieri.

26 CANAL, Jornal da Bioenergia - MARÇO 2009

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