Êxito da planta industrial depende da elaboração de um plano ...

canalbioenergia.com.br

Êxito da planta industrial depende da elaboração de um plano ...

Goiânia/GO fevereiro de 2013 Ano 7 N° 76

www.canalbioenergia.com.br

Mala Direta Postal

Básica

9912258380/2010-DR/GO

Mac Editora

REMETENTE

Caixa Postal 4116

A.C.F Serrinha

74823-971 - Goiânia - Goiás

Construção de usinas

Do projeto ao

início da operação

Êxito da planta industrial depende da

elaboração de um plano diretor agrícola eficaz

IMPRESSO - Envelopamento autorizado. Pode ser aberto pelo ECT


Valley

10 Cana-de-açúcar

Sucesso da irrigação

depende de uma série de

fatores, a exemplo da

escolha da variedade que

mais se adapta ao

ambiente.

04 Entrevista

Luiz Carlos Corrêa

Carvalho, presidente da

Associação Brasileira do

Agronegócio (ABAG), fala

sobre o cenário do setor

sucroenergético.

20 coluna perfil

De origem humilde,

Ricardo Amadeu, líder do

conglomerado All

Group, hoje emprega

centenas de pessoas em

seus diversos negócios.

14 Água

ONU elegeu 2013 como o

ano dedicado à

cooperação pela água,

recurso fundamental

para a produção

sucroenergética.

26 Mais Brasil

Turismo esotérico ou

místico está em alta.

Saiba quais são os

principais destinos do

País com essa

proposta.

canal, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação da MAC Editora e

Jor na lis mo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41

Diretor Executivo: César Rezende - diretor@canalbioenergia.com.br

Diretora Editorial: Mirian Tomé DRT-GO-629 - editor@canalbioenergia.com.br

Gerente Administrativo: Patrícia Arruda - financeiro@canalbioenergia.com.br

gERENTE de atendimento COMERCIAL: Beth Ramos - comercial@canalbioenergia.com.br

Executiva de atendimento COMERCIAL: Tatiane Mendonça - atendimento@canalbioenergia.com.br

atendimento comercial: Bruno Santos - opec@canalbioenergia.com.br

Editor: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694 - redacao@canalbioenergia.com.br

Reportagem: Evandro Bittencourt, Fernando Dantas, Igor Augusto Pereira e Mirian Tomé

Estagiário pelo convênio ufg/canal bioenergia:

Guilherme Barbosa - jornalismo@canalbioenergia.com.br

DIREÇÃO DE ARTE: Fernando Rafael - arte@canalbioenergia.com.br

Banco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo: www.unica.com.

br; SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás: www.sifaeg.com.

br; / Redação: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno - Goiânia -

GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084 - email: canal@canalbioenergia.

com.br / Tiragem: 9.000 exemplares / Impressão: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.

br / CANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos

nas reportagens e artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores.

É autorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte .

Capa: Fernando Rafael. Foto: A. Yoshii

“Àquele que é capaz de fazer

infinitamente mais do que tudo o que

pedimos ou pensamos, de acordo com o

seu poder que atua em nós.” (Efésios 3:20)

Carta do editor

Sustentável do início ao fim

Mi ri an To mé

edi tor@ca nal bi o e ner gia.com.br

À medida que avançamos em

2013, percebemos sinais diversos

de que este ano será melhor que

os anos anteriores, confirmando

que o setor sucroenergético

realmente está em ritmo de recuperação. Os produtores

vêm fazendo a sua parte, investindo na renovação dos

canaviais e em tecnologias capazes de proporcionar

aumento de produtividade.

E ainda que de forma tímida, o governo vem dando

sinais de que adotará medidas para dar novo impulso ao

setor, a começar pelo já realizado reajuste do preço da

gasolina, que apesar de ser considerado insuficiente,

mostra sensibilidade diante da grande defasagem imposta

ao produto fóssil e que custou uma significativa perda de

competitividade do etanol. Essa situação levou à redução

da participação de um combustível limpo e renovável em

nossa matriz energética, com graves prejuízos ao meio

ambiente e à saúde humana, sobretudo nos grandes

centros urbanos, onde a emissão de gases poluentes

aumenta o número de vítimas de doenças respiratórias.

O esforço pela desoneração da cadeia produtiva do

etanol começa a ganhar corpo. Quando se tonar real, da

um novo sopro de competitividade ao biocombustível,

somando-se às iniciativas pela redução de custos e

aumento de produtividade nas usinas. Este assunto é um

dos destaques da entrevista concedida ao CANAL por Luiz

Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag e da Canaplan.

Em nossa reportagem de capa, mostramos a

complexidade da construção de uma usina sucroenergética

e todos os cuidados adotados em relação ao meio

ambiente durante esse processo, mostrando que essa

cadeia produtiva é sustentável do início ao fim.

Boa leitura e até a próxima edição!

www.twitter.com/canalBioenergia

Assine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.br

O CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível na internet nos endereços:

www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.br

Fevereiro de 2013 • 3


Entrevista Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio

‘Precisamos de

equilíbrio e transparência‘

O senhor defende o imposto zero para a

cadeia produtiva do etanol. Como poderia ser

feito esse processo de desoneração

Sempre dissemos que, para que o País

possa manter sua matriz energética limpa,

pois isso vai nos trazer muitos frutos num

futuro próximo, é muito importante que

tenhamos uma valorização das chamadas

externalidades positivas do combustível

renovável em relação ao fóssil. Em 2002, a

política pública definida pelo governo da

época criou a Contribuição de Intervenção

no Domínio Econômico (Cide) e, de lá para

cá, sem o aumento da gasolina, o que

aconteceu foi que o governo a zerou. Hoje

o etanol paga tanto tributo quanto a gasolina.

A valorização das externalidades positivas

poderia se dar via preço, mas como o

preço da gasolina é mantido como política

de governo, isso não é possível, pois o consumo

vai todo para a gasolina, o que já está

acontecendo. Diante disso, ela pode se dar

via imposto, ou seja, a partir da criação de

um mecanismo que, incidindo sobre a

gasolina ou retirado do etanol, dê competi-

essa situação. O problema está sendo elevado

a uma escala para a Petrobras que ela

não tem como resolver e nem recursos.

Afinal, quando o governo faz uma política

pública de preços que privilegia o consumo,

ela obviamente está tirando da Petrobras os

recursos fundamentais para que ela possa

fazer investimentos. O que está acontecendo

é um caos.

O ministro Edson Lobão afirmou, recentemente,

que o governo está estudando a redução do

Pis/Cofins, entre outras medidas, para

estimular o setor de etanol. O senhor acredita

que este é um sinal de que o governo

finalmente acordou para o problema

Esse é um sinal importante e acho que

governo deve tomar medidas para estimular

o setor não só em relação ao Pis/Cofins.

Mostra que o governo está assustado com

o problema, pois ele realmente assusta.

Que outras medidas o governo deveria adotar

para estimular os investimentos no setor

sucroenergético

A produção de etanol hidratado é considerada,

atualmente, a pior opção para o usineiro, do

ponto de vista econômico, e já se fala na falta do

biocombustível em dois anos. Que prejuízos essa

situação acarretaria ao setor sucroenergético e à

sociedade brasileira se ela, de fato, se confirmar

Se continuarmos da forma como está, sem

dúvida alguma o problema não será apenas a

falta de combustível. Na verdade, em 2012 nós

já tivemos um mercado de 10 bilhões de litros

não atendido, ou seja, o problema já existe,

pois não estamos atendendo o potencial do

mercado. Isso está levando à poluição em São

Paulo, em Belo Horizonte, em Porto Alegre e

em todas as outras grandes cidades. Se continuar

assim, também vai faltar gasolina, pois

não vamos ter condições de trazer o combustível

que precisa para colocar aqui dentro.

Além da perda de empregos, estaríamos sujando

a matriz energética brasileira. O não investimento

em cana significa o não investimentos

em fibras que, pela cogeração, são transformadas

em energia elétrica limpa.

O senhor acredita que o processo de “anidrização”

da produção é realmente uma tendência

Sim, vemos claramente os dados, pois quando

cresce o consumo de gasolina, naturalmente

cresce o consumo de anidro e cai o consumo

de hidratado. Ou seja, num cenário de continuidade

da situação que aí está, isso naturalmente

acontece, ou seja, o hidratado vai

sumindo e o carro flexível começa a virar um

carro bobo, pois vai virar um carro para gasolina,

o que não faz o menor sentido. Mas eu

acredito muito numa mudança, num pacote

que deverá vir para que nós possamos voltar

ao que tínhamos no início da década.

Muitas indústrias operam com capacidade ociosa.

O que é possível fazer em curto prazo para que a

capacidade instalada seja aproveitada

Temos individualmente diferentes tipos de

indústria com capacidade ociosa. É como se o

setor atuasse quase em sua plena capacidade

na produção de açúcar e toda a capacidade

ociosa estivesse no etanol. No processo de

moagem nós temos limites que fazem com

que esse crescimento de demanda nos deixe

muito assustados com o atendimento via oferta

dessa demanda. Com isso, a primeira medida

que venha a dar estímulo ao etanol já

tende a cobrir a capacidade ociosa com o

plantio de cana para uma produção maior de

etanol. Além disso, também é necessária uma

maior capacidade de moagem, porque o mercado

internacional de açúcar depende muito

do Brasil, ou seja, temos dois mercados excepcionais.

Se houver uma mudança de política

para o etanol nessa safra já vai haver uma

redução da capacidade ociosa relacionada ao

etanol e, provavelmente, ainda ficaremos com

alguma capacidade ociosa no açúcar. De todo

modo essa redução só virá com investimentos

no campo e também na capacidade de moagem,

pois temos ociosidade no processo, mas

não na moagem.

O senhor acredita que a imagem do Brasil no

exterior fica prejudicada devido à falta de apoio

do governo federal ao setor produtivo, depois de

toda propaganda sobre o etanol feita pelo

governo anterior

Não tenho dúvida. Viajei muito, durante toda

a minha vida e tenho muitos contatos lá fora.

Posso dizer que todos estão estupefatos com o

que está acontecendo, pois sabem da nossa

capacidade competitiva. Isso, inclusive, é um

fator negativo até para outros países abrirem

sua demanda para o produto, pois estão vendo

que o Brasil está andando de lado. Os Estados

Unidos passaram, em 2012, por um processo

incrível de pressão vindo de vários setores da

sociedade, inclusive das indústrias de alimentos.

O preço do milho estava muito alto e eles

tentaram jogar a culpa no etanol. Mesmo com

toda a pressão que sofreram e com os problemas

econômicos que enfrentam, eles mantiveram

o programa. Essa fragilidade brasileira de

política pública não pode continuar. Precisamos

Evandro Bittencourt

Luiz Carlos Corrêa Carvalho é engenheiro agrônomo

formado pela Escola Superior de

Agricultura Luiz de Queiroz – Esalq/USP, com

cursos de pós graduação em Agronomia e em

Administração pela Faculdade de Economia e

Administração da USP e Vanderbilt University

(USA). Foi Executivo de organizações públicas

(Planasucar; IAA; Cenal) e privadas (Aiaa, Unica)

ligadas à agroindústria canavieira, de 1985 a 2002.

Foi presidente da Câmara Setorial da Cadeia

Produtiva do Açúcar e do Álcool; conselheiro do

Centro de Tecnologia Canavieira (CTC ) e da

Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz

(Fealq) e da Universidade de São Paulo. Desde 1983

é diretor da Canaplan, empresa de consultoria e

projetos para o setor sucroenergético.

É diretor de relações com o mercado das Usinas do

Grupo Alto Alegre S/A. É presidente da Associação

Brasileira do Agronegócio (Abag); sócio da

Bioagencia, empresa comercializadora de etanol e

açúcar nos mercados interno e externo; membro

do Conselho Superior do Agronegócio, da Federação

das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). É

Conselheiro da União dos Produtores de Bioenergia

(Udop); membro do Comitê Estratégico do

Agronegócio do Ministério da Agricultura. Luiz

Carlos Corrêa Carvalho é detentor dos prêmios

Fundação Bunge 2007 (Obra e Vida - Agroenergia);

Medalha Fernando Costa (setor privado); Medalha

Walter Accorsi; SAE Brasil 2008 (categoria Máquinas

Agrícolas) e do Prêmio Engenheiro Agrônomo do

ano 2011 pela Associação dos Engenheiros

Agrônomos do Estado de São Paulo (Aeasp).

“O fundamental, sem dúvida alguma,

são os impostos. A questão tributária

no setor de combustíveis é muito

complicada e gera vários problemas.”

tividade ao biocombustível. Como isso vai

se dar, se com a redução do PIS/Cofins, o

retorno da Cide ou o aumento do preço da

gasolina o governo deve decidir. Essas

seriam medidas que tornariam o etanol

viável de novo, como ele já foi, até começar

essa política maluca de não subir preço de

derivado fóssil.

Como evitar as consequências dessa política

adotada pelo governo

É preciso, primeiro, que nós tenhamos uma

política transparente de longo prazo, para

atrair capital, pois o Brasil é riquíssimo em

recursos naturais, mas não é em capital. E o

que vem acontecendo de um tempo para

cá é que não tem mais entrado capital

externo no setor. Não há novas usinas,

novos greenfields, ou seja, há uma estagnação

de investimentos. Também está havendo

um aumento enorme do consumo de

gasolina, aumentando demais a importação,

que é altamente gravosa. Além disso, o

próprio governo já reconhece que a

Petrobras não tem logística para manter

O fundamental, sem dúvida alguma, são os

impostos. A questão tributária no setor de

combustíveis é muito complicada e gera vários

problemas, ou seja, o governo precisaria de

fato tomar essas medidas, sempre buscando

uma cadeia produtiva em equilíbrio, pois de

nada adianta se ele fizer isso só para um setor

e deixar os outros de lado. Isso tem de ser feito

e talvez explique porque o governo demora a

tomar a decisão. Nós temos que ter um equilíbrio

para que os investimentos realmente

aconteçam. A questão das terras para estrangeiros,

que está atualmente na Advocacia

Geral da União (AGU), trouxe uma trava enorme

em investimentos do capital externo no

Brasil e isso precisa ser reajustado também. A

terceira questão, para que esses investimentos

voltem, além da transparência, é o crédito. É

preciso fazer uma análise do impacto todo

que houve nos últimos anos, ou seja, definir

como é que poderemos ajustar esse endividamento

que, em muitas empresas, está muito

grande e assim gerar condições para a renovação

de canaviais numa escala maior do que

temos hoje.

4 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 5


Entrevista Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio

Açúcar

de uma política transparente, que o mundo

todo saiba. Se o Brasil não fizer isso, não vão

mais acreditar em nós.

Unica

Cenário de incertezas

Ainda há espaço para a redução dos custos de

produção nas indústrias e nas áreas agrícolas

ou o setor sucroenergético já está

suficientemente ajustado nestes tempos de

baixa remuneração pelos seus produtos

Nós tivemos um crescimento de custos

impressionante por uma série de razões:

câmbio, preços do petróleo alto, com pressão

sobre determinados insumos utilizados

na produção, e também a pressão que vem

do aumento dos salários acima da produtividade

efetiva da mão de obra. Tudo isso,

junto com o processo de mecanização e

aprendizado, em escala, aumentou custos.

Nós sofremos nos últimos anos com produtividade

baixa e temos que recuperar com

muita força a produtividade para poder

baixar esses custos. Em 2004 nós tínhamos

o custo do açúcar em torno de 8 a 9 cents

por libra/peso. Agora estamos com o dobro

disso. O espaço é enorme para a redução de

custos e o Brasil vai fazer isso.

Quais as perspectivas em relação à renovação

dos canaviais em 2013

Em 2012 a renovação foi alta, em relação ao

que aconteceu nos últimos anos e a nossa

expectativa é que em 2013 isso também ocorra.

Estamos um pouco assustados porque o

regime de chuvas em fevereiro atrasou muito

a renovação. Nós temos dois períodos de

renovação, o da cana que é produzida em 18

meses e o da que é produzida em 12 meses. A

de 18 meses é a mais produtiva, a mais importante

e a de 12 meses nem em todas as regiões

ela vai bem. A renovação de canavial em

2013 tende a ser novamente positiva, pois há

uma correlação direta entre a idade do canavial

e a produtividade, por isso é fundamental

renová-los. Acredito que todos estão com um

plano de renovação alto em 2013, como foi

em 2012. Essa é a perspectiva, mas vamos ver

o que o clima vai permitir. Acredito que ele vai

ficar próximo do que foi no ano passado,

cerca de 10% para a cana de 12 meses e

também 10% para a cana de 18 meses.

E quanto ao porcentual de aumento do preço

da gasolina. Ele é suficiente para restabelecer

a competitividade do etanol em curto prazo

O porcentual de aumento não foi suficiente

nem para a Petrobras e nem para o produtor

de etanol. O aumento da gasolina sozinho é

pífio para a recuperação da competitividade.

Eu espero que outro aumento aconteça, não

só para a Petrobras, mas também para ajudar

na competitividade do etanol, pois o

que aconteceu foi muito pequeno.

A participação do BNDES na concessão de

crédito para a renovação das lavouras está

apresentando o impacto esperado

Não. Apesar da boa vontade do BNDES e da

política correta de renovação de lavouras, a

obtenção do crédito é muito lenta e seletiva.

O impacto ainda está no discurso, ele não

aconteceu de fato.

Apesar da boa

vontade do BNDES e

da política correta de

renovação de

lavouras, a obtenção

do crédito é muito

lenta e seletiva.”

Por qual motivo, em sua opinião, o governo

tarda em definir que papel o etanol deve ter na

matriz energética brasileira

Eu acho que o governo precisa definir prioridades.

Se o governo olhar o século 21 e imaginar

os países e a importância deles no mundo

– falando um pouco de geopolítica – e analisar

a nossa balança comercial e a nossa realidade

podemos ver que, de fato, o mundo

selecionou para o século 21 dois grandes

temas prioritários: a segurança alimentar e a

segurança energética. A segurança alimentar,

que está diretamente relacionada a ter produtos

que alimentem a população que cresce e

atendam ao crescimento da renda per capita e

do processo de urbanização, requer muito

mais produção. Tanto o CDE quando a FAO

dizem que só o Brasil tem que responder por

40% desse aumento. Esses programas sociais,

como o Bolsa-Família, significam também um

crescimento de demanda que exige uma política

de oferta para atender. E por causa do

crescimento do consumo é preciso produzir

muito mais energia. E é importante destacar a

dependência que muitos países têm do Oriente

Médio, que é cada vez mais instável, e a questão

das mudanças climáticas, ou seja, à medida

que você passa a consumir muito mais

energia fóssil gera-se uma complexidade futura

para as gerações que virão. O processo do

agronegócio para a produção de etanol, biodiesel,

energia elétrica e derivados de fibras

será fundamental para essa mudança. Se o

governo entender a importância dessa situação

ele colocará o agronegócio como prioridade,

mas ele não está fazendo isso.

Como o senhor avalia a estratégia e estrutura de

estocagem de etanol no Brasil, considerando a

necessidade de evitar grandes oscilações de

preços

Temos uma variabilidade muito grande entre

as empresas. Temos empresas que têm capacidade

de manter estocada apenas 45% da

produção e outras que têm 100% de capacidade.

Isso representa uma diferença de partida

muito grande em termos de oscilação de preços

e de poder, de fato, aproveitar mais ou

menos as oportunidades de preços mais altos.

A estrutura de estocagem de etanol no Brasil

tem dois problemas. Um é a questão de investimento:

muitos não têm como fazer os investimentos

que deveriam fazer e essa é uma questão

privada. O outro é a estratégia do foco de

política de estocagem no Brasil. No caso do

petróleo, as políticas são claras, mas no caso do

etanol não há política nenhuma. Do lado público

é preciso que haja financiamento no momento

e no volume adequados e o governo não está

conseguindo fazer isso nos últimos 10 anos.

Outra possibilidade, via iniciativa privada e

com apoio do governo, seria viabilizar uma

liquidez através de contratos e de mercado

futuro, na BMF, para poder dar um certo equilíbrio

em relação ao etanol, de modo que o

produtor tenha acesso aos recursos no início

da safra, para que possa vender mais tarde, ou

mesmo viabilizar um processo de escoamento

referente ao volume necessário do mês para

poder equilibrar os preços. Esse é um dos

aspectos mais estratégicos que já deveria estar

contemplado, pois se trata de energia. Se não

existe nenhuma estratégia, toda a pressão fica

em cima do produtor e essa estocagem tem

um custo. Até melhorou agora, porque caíram

os juros, mas durante anos vivemos com aqueles

juros malucos que inviabilizavam a manutenção

dos estoques.

Para aumentar

produtividade e

elevar preços na safra

2013/2014, mercado de

açúcar dependede

resultados alcançados

em safras anteriores e

de fatores como clima,

investimentos e previsões

internacionais

Praticamente no fim, a safra 2012/2013 de

cana-de-açúcar, que se encerra no mês de

março, terá particularidades que devem comprometer

o cenário para os mercados de etanol

e açúcar na safra 2013/2014. A instabilidade climática,

com chuvas inesperadas em junho, e seca nos meses

em que normalmente chove, como outubro e novembro,

interferiu no crescimento da cana e no perfil da

safra. Somado à questão climática estão os investimentos

em renovação de canaviais e no plantio, que

podem contribuir para comprometer o início da próxima

safra e, inclusive, a produtividade.

A previsão é do presidente da Associação Brasileira

do Agronegócio (ABAG), Luiz Carlos Corrêa Carvalho,

que reforça ainda a necessidade de aguardar o que

vai ocorrer nos meses de fevereiro e março para,

assim, dimensionar a recuperação em produtividade

para a safra 13/14. “A possibilidade de termos chuvas

normais significa que a safra pode não começar tão

cedo como aconteceu em anos anteriores. Isso tudo

leva a crer que, novamente, teremos uma safra com

características diferentes”, reforça.

De acordo com Luiz, apesar de tudo isso, a produção

será relativamente surpreendente, com previsão

de concluir a safra com 531 milhões de toneladas de

cana, 34 milhões de toneladas de açúcar e 21.3

bilhões de litros de etanol. “Mesmo sem conseguir

prever cenários, a tendência é que se tenha na safra

2013/2014 uma produtividade um pouco maior que

a do ano passado, principalmente por causa de

investimentos, já que metade dos produtores conseguiu

investir em plantio, por exemplo, e muito pouco

foi investido em indústria”, enfatiza.

Mercado internacional

Com base na produtividade e resultados das últimas

safras, o Brasil continuará a ser o principal produtor

de açúcar no mundo, seguido pela Índia. Os

dois países serão, inclusive, responsáveis por definir a

questão dos preços do açúcar no mercado internacional.

A Índia, por ser um País de produção açucareira,

tem grande peso nos excedentes ou na falta de

açúcar no mercado. “São dois países que, pelo tamanho

do seu agronegócio, acabam tornando muito

complexa a previsão do que deve acontecer. A expectativa

que nós temos é que o excedente de açúcar

está indo para o terceiro ano. Quando isso acontece,

normalmente os preços ficam menores como vão ser

esse ano. Com isso, a Índia tende a reduzir plantio

esse ano e só teremos recuperação de preço neste

mercado em 2014”, acrescenta Luiz Carlos.

Mais etanol, menos açúcar

Na última safra, que está terminando, o perfil do

mix de produção foi de 49,64% de açúcar, enquanto

na safra 11/12 foi 48,44%. Com esse número, houve

um crescimento de 1,2% na safra 2012/2013 para a

anterior em açúcar. “É um perfil bastante alto.

Podemos dizer que nós atingimos o teto do perfil

nessa safra. Na safra que vem, as indicações são que

o preço do açúcar no mercado internacional deve

sofrer muito a pressão dos excedentes. Com isso, o

perfil maior vai depender justamente das medidas do

governo em relação ao etanol, principalmente a

questão do aumento do preço da gasolina, alguma

política no campo tributário e até no aumento da

mistura. Essas são questões básicas que vão definir o

cenário complexo que a gente está esperando para a

safra 13/14”, destaca.

Para o ex-ministro da Agricultura e presidente

honorário do Congresso da ISSCT (International

Society of Sugar Cane Technologists), Roberto

Rodrigues, mesmo com todas as incertezas em relação

aos cenários, é certo que na próxima safra será

preciso aumentar a produtividade da cana, especialmente

na produção de ATR (Açúcar Total Recuperável).

“O setor sucroenergético necessita de novos e vigorosos

trabalhos de pesquisa em todos os elos da

cadeia que contribuirão para o aumento da produtividade,

um dos grandes desafios para o desenvolvimento

do segmento. Novas variedades mais ricas e

de menor custo virão com a engenharia genética e

as nanotecnologias, com certeza”, afirma.

6 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 7


Panorama

Pesquisa sobre efeitos da

chuva na produção de cana

Madson Maranhão

Parque eólico em

expansão no RS

A Companhia Nacional de Abastecimento

(Conab) vem realizando, desde o dia 20 de

fevereiro passado, o estudo do 6º levantamento

da safra 2012/2013. Os técnicos da Companhia

estão focando nos principais setores ligados à

produção agrícola e verificando os efeitos

climáticos sobre as culturas de verão, incluindo a

cana-de-açúcar. O levantamento pretende

apurar o calendário das chuvas, a situação das

pastagens, a disponibilidade de água nos açudes,

barragens e rios e as perspectivas para a safra

2012/13. O resultado sairá em abril.

Petrobras vai aumentar

produção de etanol

A Petrobras Biocombustível deverá aumentar a

produção de etanol nas dez usinas e destilarias

com participação acionária da companhia. A meta

é crescer 29% na safra 2013/2014. Com isso, a

oferta deve sair de em torno de 900 milhões de

litros, superar pela primeira vez 1 bilhão de litros,

atingindo a marca de 1,15 bilhão de litros no

período. Na produção de etanol e açúcar, a

Petrobras é sócia minoritária da francesa Tereos

nas usinas da Guarani no Estado de São Paulo e

em Moçambique, do Grupo São Martinho na

Nova Fronteira, no Estado de Goiás, e ainda detém

o controle da Usina Total, em Minas Gerais

Tocantins quer fortalecer cadeia de Biodiesel

A Secretaria da Agricultura, da Pecuária e do

Desenvolvimento Agrário do Tocantins está

realizando ações visando o fortalecimento da

cadeia produtiva do biodiesel no Estado. Já foram

fechados acordos com as prefeituras de Porto

Nacional e Santa Rosa para a realização de

seminários que divulguem a produção de

oleaginosas nas regiões. De acordo com o diretor

de Agroenergia da Seagro, Luiz Eduardo Leal, essa

parceria com as prefeituras tem o objetivo de

aumentar a produção de biodiesel no Estado.

“Precisamos fortalecer a produção de

oleaginosas, como a soja e amendoim, nas

pequenas propriedades, para aumentar nossa

produção de biodiesel”, explicou Leal,

acrescentando que a matéria-prima tem venda

certa, já que as empresas precisam comprar de

pequenos produtores para conseguir o Selo

Combustível Social.

O Governo do Tocantins firmou uma parceria

com o Governo Federal, através do MDA -

Ministério do Desenvolvimento Agrário para

garantir a execução do projeto “Fortalecimento

da Cadeia Produtiva do Biodiesel no Tocantins”.

Orçado em R$ 222.979,40, o projeto começará a

ser executado em março e é voltado para o

fortalecimento da produção de oleaginosas em

dez municípios que integram o Polo de Produção

de Santa Rosa, que inclui: Santa Rosa, Palmas,

Porto Nacional, Natividade, Monte do Carmo,

Brejinho de Nazaré, Ipueiras, Natividade, São

Valério e Chapada de Areia.

O Rio Grande do Sul tem 12

parques eólicos em operação, com

potência de 390 MW e outros 17

parques, com capacidade de gerar

cerca de 1 mil MW, em diferentes

fases de implantação, devem

entrar em funcionamento até

2016. Os novos empreendimentos

representarão investimento de R$

4,8 bilhões. Desse total, cerca de

R$ 2,2 bilhões são investimentos

da Eletrosul, que tem projetos

prontos, em andamento ou prestes

a serem iniciados e que vão

responder por 570 MW, quase 30%

da capacidade atual do país. É

energia suficiente para abastecer

uma cidade com cerca de 3,5

milhões de habitantes. A

Odebrecht Energia também investe

no segmento de energia eólica no

Estado. Dos 16 parques projetados

pela companhia para os próximos

anos, que devem gerar 365 MW,

seis estarão no Rio Grande do Sul e

o restante, no Ceará.

MS moeu 37,29 milhões de toneladas de cana

O Estado do Mato Grosso do Sul moeu na safra

passada 37,29 milhões de toneladas de cana-deaçúcar.

“Garantimos um crescimento. Nessa safra,

o clima atrapalhou menos, mas tivemos um

pequeno atraso no início, quando tivemos chuvas

acima das médias históricas”, apontou o

presidente da Biosul – Associação de Produtores

de Bioenergia de MS, Roberto Hollanda Filho. A

safra em MS encerrou-se em 31 de janeiro de

2013, o Estado foi um dos últimos no Centro Sul a

terminar a moagem de cana.

O crescimento da produção 2012/2013 foi

10,04% maior que o anterior (2011/2012),

quando o Estado teve um volume de 33,85 mi t.

Os dados atuais mantem o MS na quinta posição

entre os estados produtores de cana. “Estamos

numa evolução de produção, essa última safra

foi de recuperação.”, apontou Hollanda. Nesta

safra, São Paulo colheu 330 mi t; Goiás, 53 mi t;

Minas Gerais, 52 mi t e o Paraná, 40 mi t.

O etanol hidratado teve um crescimento de

18,61% na produção em relação a safra anterior,

com uma produção de 1,43 bilhão de litros. MS já

é o terceiro maior produtor de etanol hidratado.

Já o anidro teve crescimento de 13,9%, com o

total de 485 mi de litros. A produção do açúcar

cresceu 9,70% em relação à safra anterior, com

um volume de 1,74 milhão de toneladas. Mato

Grosso do Sul tem 22 usinas que produzem

etanol, açúcar e bioeletricidade.

Senai vai produzir etanol em evento

O Congresso da International Society of Sugar

Cane Technologists (ISSCT), que será realizado de

24 a 27 de junho, no Transamérica Expo Center,

em São Paulo, terá como um dos atrativos a

produção de etanol em plena exposição. A

representação alagoana do Serviço Nacional de

Aprendizagem Industrial (Senai) vai montar uma

microdestilaria projetada com o intuito de

atendimento in loco, com segurança, grande

mobilidade e flexibilidade que facilita a locomoção

e transporte, com o objetivo de possibilitar

experimentos e pesquisas em laboratórios fora dos

grandes centros, explica Marcelo Carvalho, diretor

técnico do Senai Alagoas.

Segundo ele, a Microdestilaria Didática de

Etanol tem seu principio de funcionamento

baseado no controle do processo com utilização

de sensores, motores, válvulas e bombas

centrifugas monitorados via lógica de CLP e

supervisionado por programas dedicados,

tornando-se fácil acompanhar, monitorar e

controlar de modo simulado todas as fases do

processo produtivo. “Todo o processo é

automatizado, desde o acionamento da moenda,

passando pelo tratamento do caldo, fermentação

até a destilação final para a obtenção do álcool

combustível, garantindo um total controle e

supervisão em todas as etapas de fabricação

compatível a uma destilaria industrial”, explica.

O equipamento pode ser amplamente utilizado

pela indústria e por instituições de pesquisa para

formulação e experimentos de produção de etanol

permitindo, em escala e custo reduzidos, o

desenvolvimento de novas tecnologias de

produção. Através da Microdestilaria é possível

formar profissionais nas áreas de Instrumentação

e Controle de Processo; Operador de Produção de

Álcool; Operados de Sistemas de Destilação e de

Processo de Fabricação, entre outros. “Com a

expansão das usinas, a procura pelos cursos

profissionalizantes aumentou. O equipamento,

desenvolvido na unidade de Alagoas e que foi o

vencedor do prêmio Inova Senai 2010, já vem

sendo utilizado por 14 estados produtores de

cana-de-açúcar do País”, explica Carvalho,

Arquivo SENAI Alagoas

ressaltando a importância em participar do

Congresso ISSCT, o principal evento técnico do

setor sucroenergético.

Realizado pela STAB Nacional (Sociedade dos

Técnicos Açucareiros Alcooleiros do Brasil) e com

operação da Reed Multiplus, marca associada à

Reed Exhibitions Alcantara Machado, o Congresso,

que está em sua 28ª edição, sendo esta a terceira

vez realizado no Brasil, é composto também pelo

pré e pós-congresso e por uma exposição

internacional com os principais fabricantes de

tecnologia aplicada à agroindústria de cana de

açúcar. Mais informações pelo site www.

issct2013.com.br .

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

8 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 9


Irrigação

Planejar, investir e irrigar

Para especialistas,

projeto bem

estruturado, com

avaliações desde

preparo do solo até

tecnologias aplicadas

nos canaviais, garante

resultados positivos

Fernando Dantas

Soja, milho, algodão, sorgo, cana-deaçúcar,

enfim, em qualquer cultura o

uso da técnica de irrigação promove

aumento de produtividade e melhoria

da qualidade dos atributos tecnológicos do

cultivo. Entretanto, o sucesso da implantação

de um sistema de irrigação em canaviais

depende de particularidades da cultura e de

fatores como boas práticas agrícolas, preparo

apropriado do solo, escolha da variedade de

cana que mais se adapta ao ambiente, data de

plantio, qualidade dos componentes do sistema

e tecnologia aplicada.

Hoje, no Brasil, existem áreas que demandam

mais atenção do produtor rural para que

o resultado seja favorável na cultura de cana-

-de-açúcar. Apesar da concentração maior no

Centro-Sul, os canaviais estão espalhados por

diversas regiões do País. Segundo o diretor

Comercial da Pivot Equipamentos Agrícolas e

Irrigação, Leonardo Ubiali Jacinto, a necessidade

de irrigação é presente em todas as regiões,

pois as chuvas não são uniformes, resultando

na alteração de produtividade de ano para

ano. Ele destaca que Estados tradicionais na

cultura, como São Paulo, tiveram queda de

20% na produtividade nos últimos dois anos

por causa das chuvas irregulares e falta de

irrigação adequada. “Existem regiões em que é

quase inviável a produção de cana-de-açúcar

sem irrigação, como Nordeste e em parte do

Centro-Oeste, onde temos chuvas em apenas

seis meses do ano, causando um estresse hídrico

grande, além de redução nos estandes dos

canaviais colhidos de maio até outubro, quando

a umidade do solo é quase inexistente, e a

rebrota fica extremamente comprometida”,

ressalta.

Para o analista de Infraestrutura e Recursos

Hídricos da Secretaria Nacional de

Irrigação do Ministério da

Integração Nacional, Cristiano Egnaldo Zinato,

em locais onde a precipitação média é superior

às necessidades hídricas da cultura e o nível

tecnológico do canavial é elevado, a irregularidade

da distribuição das chuvas dificulta o

atingimento da produtividade potencial dos

canaviais. Na maioria das áreas irrigáveis, normalmente

é ministrada apenas uma lâmina de

50 a 100 milímetros, para garantir a germinação

da cana-planta ou a brotação da soqueira.

Com a irrigação com lâminas, de acordo com a

demanda da cultura, o rendimento agroindustrial

pode ser mais elevado, tornando a atividade

mais rentável. Essa situação pode ser

considerada como área de maior potencial de

expansão da irrigação na cana.

Em termos de irrigação, o mais comum nas

usinas é a utilização da vinhaça e de outras

águas residuárias provenientes do processamento

da cana-de-açúcar para fazer a fertirrigação,

técnica com a qual parte das necessidades

hídricas e nutricionais da cultura é satisfeita,

além de servir como medida de mitigação

dos impactos ambientais da atividade. “Se não

fosse esta destinação, as águas residuárias

seriam potenciais poluentes. A aplicação normalmente

é feita para garantir ou acelerar a

brotação das soqueiras. A produção de mudas

de cana é garantida com a irrigação, o que

permite uma melhor distribuição do plantio ao

longo do ano, resultando num período de

colheita e otimização das instalações industriais”,

informa. Em regiões de clima semi-árido,

como no norte de Minas Gerais e no

Nordeste, a viabilidade técnica e econômica do

cultivo de cana-de-açúcar (e de outras culturas

perenes) só se dá com o uso de irrigação.

Vantagens

Segundo o analista Cristiano Egnaldo

Zinato, a irrigação em canaviais oferece vantagens

e benefícios em diferentes aspectos,

inclusive socioeconômico, com a geração de

empregos e capitalização para o produtor

rural. No aspecto da produção e da tecnologia,

a irrigação dos canaviais possibilita a

garantia da produção nas secas e estiagens,

o aumento da produtividade e a melhoria da

qualidade da matéria-prima. “Com irrigação,

a produção de mudas é assegurada, viabilizando

o plantio em qualquer época e acelerando

o processo de diversificação varietal,

além de disponibilizar a oferta de matériaprima

para safras mais longas”, ressalta.

Além disso, destaca o analista, contribui

com a segurança energética, permite a

inclusão produtiva de áreas semiáridas ou

com precipitação pluviométrica irregular e

alavanca o desenvolvimento tecnológico.

Já no aspecto socioeconômico, a irrigação

dos canaviais promove a geração de

empregos estáveis e a baixo custo, proporciona

maior atratividade para o agronegócio

e capitalização do produtor rural, permitindo

o aproveitamento dos vazios de produção

de açúcar e álcool e garantindo a oferta

desses produtos com melhores preços ao

produtor. Ainda sob esse aspecto, Cristiano

destaca o desenvolvimento regional, o fortalecimento

da economia, a maior arrecadação

de impostos, a redução da pressão

inflacionária dos combustíveis pelo aumento

da oferta e contribuição com o PIB

(Produto Interno Bruto) e com o superávit

da balança comercial.

Outro aspecto citado pelo analista é o

ambiental, já que a irrigação da cana permite

uma produção mais sustentável e de

baixo impacto ambiental. “Com o uso das

águas residuárias industriais e da vinhaça na

fertirrigação, a cana, por meio da extração

dos nutrientes presentes na água ao longo

do seu ciclo de desenvolvimento, retém

parte desta água para sua constituição e

devolve o resto à atmosfera no processo da

evapotranspiração. Desta forma, as águas

servidas retornam ao ciclo hidrológico com

melhor qualidade”, enfatiza Cristiano. Ele

acrescenta que, com o auxílio de boas práticas

agrícolas, a irrigação da cana promove

uma melhor conservação do solo e da água,

devido ao uso mais sustentável desses recursos

ambientais, contribuindo para a recuperação

de áreas anteriormente degradadas e

pouco produtivas. “A irrigação é muito

importante por reduzir a pressão por abertura

de novas áreas para cultivo, inclusive

reduz o desmatamento, por meio da verticalização

da produção. A cana irrigada promove

contínuo e intenso sequestro de carbono,

resultando num saldo positivo de fixação de

matéria orgânica a cada ciclo de corte sem

a queima da palhada que fica no campo,

contribuindo, consequentemente, para

redução do aquecimento global e para o

enriquecimento da microfauna do solo e

reciclagem de nutrientes”, finaliza.

Cana-de-açúcar irrigada, com apenas sete meses de idade, e padrão

de desenvolvimento similar ao de plantas com 10 meses

ESTA É A PALAVRA

QUE GUIA NOSSAS AÇÕES

E NOSSOS RESULTADOS.

Fotos: Leonardo Ubiali Jacinto

Excelência nas ações, na busca de soluções,

no relacionamento com o cliente, mercado,

comunidade e governo.

EXCELÊNCIA PARA ENTENDER O

NEGÓCIO DOS NOSSOS CLIENTES,

INTERAGIR COM O SEU AMBIENTE

E ENTREGAR RESULTADOS.

TRIBUTÁRIO SOCIETÁRIO CONTRATOS INVESTIMENTOS

AGRO TRABALHISTA AMBIENTAL INTERNACIONAL

GOIÂNIA-GO, RUA 1.129, N 710, SETOR MARISTA

CEP: 74175-140 FONE (62) 3281-0606

BRASÍ LIA/DF, SHIS QI 25 CONJUNTO 9

CASA 6, LAGO SUL CEP 71.660-290

10 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 11


Equipamentos e técnicas

Sem desperdício no canavial

Apesar de não ser novidade, o sistema de irrigação

por gotejamento é a técnica recente que tem

sido aplicada nos canaviais, segundo o sub-coordenador

do Programa de Pós-Graduação em

Agronomia (PPGA) da Universidade Federal de

Goiás (UFG), Adão Wagner Pêgo Evangelista. O

professor explica que, além de aumentar a produtividade,

eleva a longevidade do canavial. “Esse

sistema garante o fornecimento de água e nutrientes

em todo o ciclo da cultura e possibilita aplicação

de material orgânico líquidos, como vinhaça e

ácidos húmicos, e ainda aplicação de defensivos.

Alguns fabricantes têm produzidos gotejadores

universais que podem ser integrados num amplo

intervalo de configurações de diâmetros de tubo e

espessuras e ainda com dispositivos especiais para

evitar obstruções, pois se trata de um sistema

enterrado”, reforça.

Já o analista Cristiano Egnaldo Zinato acena

que o setor precisa de investimentos para melhorar

o retorno em produtividade nos canaviais. De

acordo com ele, em termos de pesquisa agronômica,

o mercado necessita do desenvolvimento de

variedades que respondam melhor à irrigação. Na

parte de desenvolvimento de equipamentos, são

desejáveis a redução na demanda energética, a

melhoria da distribuição da água, a redução de

custo e a facilidade de operação e manutenção.

“Com a crescente demanda, é necessário que os

órgãos públicos que cuidam do licenciamento

ambiental e da outorga se preparem para analisar

e atender as novas solicitações no menor intervalo

de tempo. Também é importante que mais

profissionais habilitados e capacitados estejam

disponíveis para atender a demanda na elaboração

de projetos com qualidade, na assistência técnica

em manejo de irrigação e das culturas sob irrigação

de forma adequada e na regularização socioambiental

das propriedades”, completa.

No segmento de irrigação há mais de 20 anos,

a Pivot Equipamentos Agrícolas e Irrigação tem

atuado no setor sucroenergético há oito anos. A

empresa tem buscado conhecer as demandas do

mercado e atender as necessidades dos produtores

rurais. Para canaviais, a Pivot oferece carretel

enrolador, equipamento mais usado para irrigação

de salvamento. Possui alta necessidade de mão de

obra, alto consumo de energia ou óleo diesel ,

custos por milímetro aplicado superiores a R$8,00,

e pode aplicar água, água e vinhaça, ou vinhaça.

Outro equipamento da empresa é o pivot central

rebocável, com círculos de 5 a 70 hectares.

Segundo o diretor comercial Leonardo Ubiali

Jacinto, é útil para irrigação de salvamento - em

áreas que permitem fazer várias mudanças do

equipamento durante o período seco -, e usado

também para irrigação complementar. Entre as

vantagens estão a pouca necessidade de mão de

obra e baixo consumo de energia por milímetro

aplicado. Nessa área de pivot, a empresa oferece

no mercado o central fixo, ideal para irrigação

complementar, – com déficit de 50%, e irrigação

complementar sem déficit – por causa da baixa

necessidade de mão de obra e consumo de energia.

A Pivot Equipamentos Agrícolas e Irrigação

também trabalha com sistema de irrigação tipo

linear de mangueira, usado para salvamento e

para irrigação complementar, de baixo consumo

de energia e de utilização média de mão de obra

em função da frequência de mudança das mangueiras

e ideal para áreas planas e cumpridas. Já

no sistema tipo gotejamento subterrâneo, utilizado

apenas para irrigação complementar, com

lâminas sem déficit hídrico, é ideal para áreas em

que se deseja fazer irrigação complementar, onde

não é possível colocar o pivot central ou linear em

função da geometria do terreno e para as áreas

entre pivots.

Projeto X Custo

Viabilidade técnica, ambiental, socioeconômica

e financeira são fatores fundamentais que devem

integrar o projeto de irrigação. Por outro lado, o

custo é variável e depende, por exemplo, do ponto

de captação de água desde a fonte até a área a ser

irrigada, da quantidade de água necessária para

suprir a necessidade de evapotranspiração do cultivo,

e de outros itens como topografia da área e

atributos do solo.

Considerando o equipamento de irrigação propriamente

dito, o valor pode oscilar entre

R$800,00/ha a R$10.000,00/ha. Entre os fatores

que interferem no custodestacam-se o sistema

escolhido (sulco, localizada ou aspersão), tipo de

equipamento (gotejamento, pivô central, montagem

direta, autopropelido), frequência e a intensidade

de aplicação, percentual do déficit hídrico

da cultura a ser suprida por irrigação (que interfere

no rendimento agrícola desejado), fonte de

energia, nível de automação (fixo, móvel, com

linha de espera, com atuadores automáticos, etc.),

inclusão de equipamentos de fertirrigação, desnível,

tamanho e forma da área, espaçamento das

linhas de cultivo, entre outros.

A implantação de infraestruturas necessárias

ao funcionamento do projeto, que pode incluir

barragens, canais e adutoras, linhas de energia,

vias de acesso, etc., também deve ser considerada

no custo. O Ministério da Integração Nacional, por

meio da Secretaria Nacional de Irrigação – SENIR/

MI, está recebendo projetos de irrigação de pessoas

jurídicas interessadas no enquadramento do

projeto ao Regime Especial de Desenvolvimento

da Infraestrutura – Reidi. Este benefício possibilita

uma redução de até 9,25% no preço de aquisição

de equipamentos, materiais de construção e serviços

necessários à implantação de projetos privados.

Mais informações podem ser obtidas no

endereço eletrônico http://www.integracao.gov.

br/reidi-apresentacao.

A maneira de irrigar sem desperdícios se resume

na realização de um manejo adequado das

irrigações, ou seja, na aplicação da quantidade de

água necessária à planta, no momento correto.

De acordo com o sub-coordenador do Programa

de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA) da

Universidade Federal de Goiás (UFG), Adão

Wagner Pêgo Evangelista, na prática pode-se

monitorar a umidade do solo realizando as irrigações

sempre que o teor de água no solo atinja

níveis críticos para o ideal desenvolvimento da

planta e de maneira que o solo alcance a umidade

correspondente à capacidade de campo. Outra

maneira, destaca o professor, é monitorar as irrigações

com base no monitoramento do clima,

aplicando água com base na evapotranspiração

da cultura. “Por último, pode-se conciliar os dois

métodos, ou seja, aplicar a quantidade de água

que a planta necessita por meio da determinação

da evapotranspiração da cultura, sempre que o

teor de água no solo atinja o nível considerado

crítico para a planta”, explica.

Ou seja, para evitar desperdício são fundamentais

que o projeto seja bem dimensionado, que a

instalação seja criteriosa, que o manejo da irrigação

seja adequado e haja manutenção sistemática

dos equipamentos. De forma mais ampla, o

planejamento do processo produtivo é o ponto

inicial. Decidindo-se pelo uso da irrigação, é fundamental

que o projeto seja elaborado por profissionais

habilitados (engenheiro agrícola ou agrônomo).

A legislação ambiental, que prevê necessidade

de licenciamento e de outorga do direito de uso

de água, pecisa ser observada. São importantes

para o dimensionamento as características qualitativas

e quantitativas dos recursos e condições

ambientais (solo, água e clima), da planta (necessidades

hídricas, duração do ciclo de produção,

potencial produtivo, técnicas de cultivo e manejo,

etc.) e do equipamento (capacidade de aplicação

dos emissores/sistema, pressão de serviço, demanda

energética, necessidade de mão de obra, nível

de automação e controle, programa operação e

manutenção, previsão de equipamentos para fertirrigação,

entre outras).

É fundamental que a montagem do projeto no

campo seja criteriosa e que haja um bom programa

de manutenção e operação do sistema, de

modo que a eficiência da irrigação se aproxime

de 100%, independente do sistema escolhido.

Perdas por aplicação em excesso, vazamentos,

evaporação, arraste pelo vento e distribuição da

água desuniforme são indesejáveis e acarretam

sérios desperdícios, além de comprometer a produtividade

e encarecer os custos de produção.

Irrigação nos canaviais

• Salvamento - é a aplicação de uma lâmina

que varia de 30 a 60 mm, feita após a colheita

no período seco para garantir uma rebrota

mínima do canavial. Ajuda a garantir uma

produtividade mínima em torno de 80 ton./ha

e uma vida do canavial de mais ou menos 5

cortes.

• Complementar com aplicação de apenas

50% do déficit hídrico - com este tipo de

irrigação é possível chegar em produtividade,

no Centro-Oeste, de 110 a 115 ton./ha,

permitindo vida útil de 6 a 7 cortes.

• Complementar com aplicação de lâmina

que atenda a pelo menos 95% do déficit

hídrico – possibilita, no Centro- Oeste, por

exemplo, obter produtividade média e superior

a 140 ton./ha, com vida útil do canavial que

pode passar de 8 anos.

12 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 13


Água

Recurso estratégico

para a produção

Tecnologias para

uso racional da

água avançam

no campo.

Assunto ganha

lugar nobre nas

discussões sobre

sustentação

social e

econômica

da agricultura

brasileira

Igor Augusto Pereira

Comparado a outros países, o Brasil

goza de certo privilégio quanto o

assunto é sua disponibilidade hídrica.

Além de abrigar grandes bacias

hidrográficas, que contabilizam uma capacidade

de armazenamento próxima a 690

bilhões de metros cúbicos e totalizam 12%

da água potável do mundo, o País conta

com índices regulares de chuvas em boa

parte do ano.

Por outro lado, grande parte da água

própria para consumo está concentrada na

região amazônica, onde há menos gente e

menor produção agrícola. Por isso mesmo, a

dimensão continental do País dá margem a

distorções entre níveis de produtividade. Se

a safra se manteve estável no Centro-Sul no

último ano, a seca devastou mais de 1/3 do

volume de cana-de-açúcar no Nordeste,

forçando o governo federal a rever o programa

de subvenção econômica para o

setor.

No fim de fevereiro, representantes do

setor fizeram uma cruzada pelos gabinetes

dos parlamentares que compõem a comissão

mista que analisa os aspectos da Medida

Provisória 587, que dispõe sobre a renegociação

de dívidas e subvenções a produtores

de regiões afetadas pela seca. A peregrinação

tem justificativa. “Hoje, diversas cidades

do Nordeste decretaram Estado de

emergência. Só na região da Zona da Mata,

são pelo menos nove”, explica o presidente

da União Nordestina dos Produtores de

Cana (Unida), Alexandre Andrade Lima.

Em Vicência (PE), o déficit no índice pluviométrico

chegou a 50% nos meses de

desenvolvimento da cana. “A chuva de

verão começou, mas os agricultores estão

descapitalizados, porque perderam metade

do faturamento com a estiagem”, diz Lima.

Os fatores que explicam os prejuízos na

safra nordestina acentuam a importância

estratégica que a água vem tomando para a

sustentação do negócio agrícola.

Ao passo que o setor industrial é responsável

por 40% do consumo nacional de

energia, quando se trata de recursos hídricos

ocupa apenas 7% do total. Principal

aliada do agricultor, a irrigação utiliza, de

longe, a maior fatia do bolo (veja o infográfico).

Essa atividade resulta, entretanto, em

aumento da oferta de alimentos e preços

menores que os praticados em áreas onde

não há produção irrigada.

Assim, quanto maior o índice de irrigação,

maior a contribuição da agricultura

para o desenvolvimento socioeconômico

global. O setor sucroenergético desfruta de

particularidades, como a possibilidade de

lançar mão de água residual e vinhaça.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-

Açúcar (Unica), cerca de 90% da água utilizada

no processo sucroenergético é reutilizada.

Além disso, enquanto nas últimas

duas décadas a produção canavieira dobrou,

a demanda por água foi reduzida em ¼.

Uma das explicações para esse cenário

positivo está nas novas tecnologias para o

tratamento de água. Há inovações que prometem

desde a ultrafiltragem do líquido,

permitindo que a água poluída se torne

novamente própria para o consumo humano,

até sistemas de exaustão para banheiros,

que evitam a disseminação do odor e

reduzem a necessidade de várias lavagens

ao longo do dia.

No campo, as principais tecnologias são

relacionadas ao armazenamento de água da

chuva. São grandes tanques equipados com

sistemas de microfiltragem e desinfecção,

que permitem que ele seja reinserido no

processo produtivo.

“Essas inovações são ambientalmente

corretas, pois utilizam uma água que voltaria

ao lençol freático sem beneficiar a produção”,

conta o engenheiro ambiental

Antônio Pereira. Apesar da aparente simplicidade,

o armazenamento do recurso deve

obedecer a uma série de parâmetros sanitários.

O objetivo é evitar a contaminação

por algas. Além disso, em plantações

próximas às áreas urbanas, um

dos cuidados é com a ploliferação do

mosquito da dengue nos tanques.

“Consumo sustentável significa

saber como utilizar os recursos naturais

para satisfazer nossas necessidades

sem comprometer as necessidades e

aspirações das gerações futuras. Para

isso, precisamos dar mais atenção ao

que está em torno de nós”, avalia o

diretor comercial da Sergam, Sérgio

Gama Filho. A empresa é uma das pioneiras

no tratamento de efluentes no

País e reúne as principais invenções do

pesquisador Sérgio Gama.

Para a operação industrial no setor

sucroenergético, um dos sistemas mais

recentes é o GE Mobile Water, plataforma

móvel de tratamento que fornece

água desmineralizada para alimentar

caldeiras e torres de resfriamentos. O

equipamento foi desenvolvido para

atender emergências e intempéries,

oferecendo uma capacidade adicional

de tratar água sem interromper o funcionamento

da usina.

O tema deve continuar ganhando

destaque nos próximos meses. A

Organização das Nações Unidas (ONU)

elegeu 2013 como o ano dedicado à

cooperação pela água e espera criar

uma agenda positiva entre governos,

setores produtivos e sociedade civil. A

iniciativa conta com uma série de

mecanismos práticos recomendados

aos países membros. No centro dessas

discussões estão temas como o manejo

racional, o reúso e o fim do desperdício.

Em sua Declaração Universal dos

Direitos da Água, a ONU sinaliza que a

proteção dos recursos hídricos é uma

“obrigação jurídica” para todo ser

humano. Mais que uma questão legal e

uma estratégia fundamental para a

perpetuação de cada atividade econômica,

a atenção à água é um desafio

que desempenha um papel central no

estabelecimento do futuro da humanidade.

Como é consumida

a água no Brasil

• 72% Irrigação

• 11% Animal

• 9% Urbano

• 7% Industrial

• 1% Rural

Fonte: Conjuntura

dos Recursos

Hídricos no Brasil -

Informe 2012

(Agência Nacional

de Águas)

14 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 15


Construção de usinas

A. Yoshii

Planejamento deve incluir

possíveis erros e imprevistos

Processo envolve

diferentes áreas do

conhecimento, com

destaque para as

engenharias

Hiroshi Itikawa, diretor de Expansão

da A. Yoshii Empreendimentos

Fernando Dantas

Quem visita uma unidade industrial de

produção de etanol e açúcar e tem a

oportunidade de acompanhar de perto

rotinas como processamento de cana,

análise de matéria-prima, recepção e descarga,

turbinas e caldeiras em funcionamento, geração

de vapor, tratamento de caldo e Centros de

Operações Integradas (COIs) atuando para conexão

das áreas de processo, industrial, operação e

manutenção não deve imaginar como é trabalhoso

construir uma usina, implantar toda a infraestutruta

e colocar tudo para funcionar sem riscos e

com produtividade. Somente no processo de execução

da obra e estruturação da unidade são, em

média, 18 meses ininterruptos de trabalho. Para

que a usina consiga atuar com 30% a 50% de sua

capacidade total, o prazo é ainda maior, de 24 a 30

meses. Isso sem falar nas etapas anteriores, já que

não se constrói uma unidade industrial assim, de

repente. É preciso estruturar um planejamento que

envolva diferentes áreas – engenharias civil, elétrica,

ambiental, mecânica, agrícola, química, agrária,

logística, de produção, biotecnologia, mercadológica,

arquitetura etc - e que contemple desde o

regime pluviométrico da região, a capacidade

produtiva esperada e até conhecimento sobre fornecedores

locais da matéria-prima.

O investimento industrial de construção de uma

usina de médio a grande porte pode variar entre

R$ 250 milhões a R$ 800 milhões, para capacidade

de 1 milhão a 4 milhões de toneladas de cana-deaçúcar

processadas por safra. A estrutura necessária

para a implantação é similar a requerida por um

projeto agropecuário, acrescido da estrutura para

construir uma planta química de médio porte.

Com a experiência de 24 usinas já construídas no

Brasil, a Raízen adota todos os procedimentos e

entende que, para ter êxito com a planta industrial,

o passo inicial – e fundamental – é elaborar

um projeto ou plano diretor agrícola eficaz.

Segundo o gerente Agroindustrial da Unidade da

Raízen, em Jataí (GO), Walter Ventura Ferreira

Júnior, nada se faz sem um excelente planejamento,

que contenha detalhes da obra, e inclusive

possíveis erros e imprevistos que venham acontecer.

“Não é só escolher a área, contratar a empresa

para executar a obra e começar a erguer a estrutura”,

enfatiza.

Walter lista que no plano da empresa para construção

de usinas são observadas disponibilidade de

áreas, regime pluviométrico, análise de solos (fertilidade),

planialtimetria (inclinação da área), georreferenciamento,

agricultura de precisão, irrigação – disponibilidade

de água x distância x custos –, programa

varietal, prospecção de áreas para produção de cana

(próprias e fornecedores) e outras avaliações e providências.

“Especificamente na área industrial, o projeto

ou plano diretor deverá avaliar, antes de tudo, local

ideal, que preferencialmente deve ser o ponto mais

alto, facilitando o escoamento da vinhaça por gravidade

ou ainda economizando na potência de motores

instalados, direção predominante do vento, logística

de acesso para transporte da matéria-prima e

produtos acabados, disponibilidade de água para

captação, condições do terreno no que se refere a

relevo, formação geológica, avaliação arqueológica e

aquisição de licenças e programas ambientais, além

da aprovação do projeto”, revela.

Cuidado: em obras

Com projeto aprovado e documentação necessária

em mãos, o processo entra na fase de estruturação

do canteiro, ou seja, da construção da obra

física. Assim como as anteriores, trata-se de uma

etapa complexa e que exige cuidados e atenção

redobrada com os processos.

São vários profissionais envolvidos, de diferentes

áreas, que trabalham diariamente na terraplanagem,

estaqueamento, construção de bases,

levantamento de prédios e no manuseio de material

pesado. Segundo Walter, o canteiro de obras

para a construção de uma unidade industrial

chega a receber 30 profissionais, entre engenheiros,

projetistas e técnicos, fora trabalhadores

como pedreiros, eletricistas, entre outros, que

elevam para 400 pessoas o número de colaboradores

na obra. Ele orienta que, junto à fase de

erguer o alicerce da planta industrial, são adotados

procedimentos integrados para infraestrutura

de água, energia elétrica, restaurantes, ambulatório,

segurança, almoxarifados, dimensionamento,

avaliação, compra dos serviços e equipamentos,

gerenciamento financeiro, gerenciamento das

várias especialidades (mecânica, civil, etc.), gerenciamento

de cronograma, gerenciamento de destinação

de resíduos, gerenciamento de Saúde,

Segurança e Meio Ambiente (SSMA).

O trabalho de construção exige ainda integração

entre áreas da engenharia, administrativa, agrícola,

entre outras, para que a obra não ‘corra’ o risco,

literal, de desmoronar. O Gerenciamento de Processo

e a Engenharia Conceitual, por exemplo, avaliam a

melhor tecnologia (relação performance x custos),

além de dimensionar e especificar os equipamentos

e periféricos do parque industrial. Já a Engenharia

de Suprimentos é responsável pela aquisição desses

equipamentos e periféricos, e a contratação de serviços.

O Departamento de Administração de

Contratos gerencia custos, prazos de entrega e

cronograma de realização.

A área de Engenharia Civil atua na avaliação da

estrutura do solo e de quais técnicas devem ser

usadas, verificando situação local, custos, prazos,

etc., enquanto a Mecânica acompanha toda montagem,

caldeiraria, soldagem, instalação de equipamentos,

ensaios e testes como raios X, nível, alinhamento,

lubrificação, hibernação, ajustes, comissionamento,

start-up (início), etc. Existem também as

engenharias Elétrica e de Automação, que exercem

papel fundamental no gerenciamento e acompanhamento

da especificação, montagem, comissionamento

e star-up da planta. Por último, o conhecido

‘Underground’, que é a infraestrutura, realizando

a terraplanagem, instalação de galerias, asfaltamento

e demais itens de urbanização.

Tempo X Capacidade total

24 a 30 meses

30% a 50%

da capacidade total

Tecnologias

As inovações tecnológicas representam importante

aliado na construção de unidades industriais

de açúcar e etanol no Brasil. De acordo com o vicepresidente

de Tecnologia e Desenvolvimento da

Dedini, José Luiz Olivério, as novidades aplicadas nos

processos, principalmente em softwares, são as

mesmas utilizadas em projetos petroquímicos,

acrescidas de tecnologias específicas e de ponta

para a área agrícola e georreferenciamento, que

contribuem para redução de custo e tempo e ganho

em produtividade.

A empresa está há 93 anos no mercado sucroenergético,

oferecendo todos os serviços relacionados

a atividade industrial, desde a prestação de

serviços especializados de engenharia e estudos de

viabilidade, projetos de usinas completas, fornecimento

de peças/ equipamentos/ sistema/ plantas

completas e serviços de manutenção e de peças de

reposição. “Praticamente todas as usinas existentes

no território nacional já utilizam algum tipo de

produto da Dedini. No exterior podemos citar a US

Sugar, onde a empresa participou e venceu uma

concorrência internacional para o fornecimento do

maior conjunto de extração de caldo de cana-deaçúcar

do mundo, com capacidade de processar até

30 mil toneladas de cana dia”, explica. No mercado

nacional, a Dedini já forneceu 104 usinas completas

pelo regime “turn key”, e 29 plantas fornecidas no

exterior.

Outra empresa que tem atuado no setor sucroenergético

na construção de unidades industriais,

mas com foco apenas na execução da obra, é a A.

Yoshii Empreendimentos. Com sede em Londrina

(PR), a empresa já construiu oito usinas na região

Centro-Sul do País, sempre com a parte física da

obra. Segundo o diretor de Expansão da A. Yoshii,

Hiroshi Itikawa, a empresa faz toda a concretagem

da obra e constrói os prédios que integram a planta.

“É um trabalho em conjunto. A gente não precisa

terminar a construção para o pessoal começar a

montar outras estruturas. É simultâneo”, destaca.

Hiroshi ressalta ainda que todo o processo de construção

segue preceitos sustentáveis e sociais, com

reaproveitamento de materiais na própria obra,

como premoldados, e com ações de segurança no

trabalho.

3 a 4 anos

65% a 75%

da capacidade total

Etapa por etapa

• Estudo de viabilidade técnico e econômico

do negócio como um todo, com a elaboração

de um plano completo de negócios;

• Escolha do local de implantação, sem

despertar especulação imobiliária, e aquisição

de terras;

• Estudo de impacto ambiental e obtenção de

licenças de implantação, assim como de

benefícios fiscais;

• Desenvolvimento do projeto completo da

usina, envolvendo várias etapas de projeto e

engenharia e de arquitetura, elaboração e

aprovação dos projetos legais;

• Início do desenvolvimento da atividade

agrícola (preparo do solo, plantação para

produção da cana para replantio; etc);

• Acordo e/ou desenvolvimento de parcerias

de médio e longo prazos com produtores

locais de cana e futuros produtores;

• Início do projeto industrial (usualmente 1 a

2 anos após início do desenvolvimento da

atividade agrícola);

• Construção da usina propriamente dita;

• Testes eletromecânicos, partida da usina e

testes de desempenho;

• Operação da usina.

5 a 7 anos

100%

da capacidade

Fonte: Dedini

16 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 17


Construção livre de danos ao meio ambiente

Antes de iniciar a construção ou ampliação de

um empreendimento do setor sucroenergético, o

empreendedor precisa saber os riscos ambientais

da obra, realizar levantamentos e diagnósticos e

conseguir licenças ambientais que permitam a

implantação da unidade industrial. Nada é feito

de obra física sem antes passar pela análise da

localização e da área de influência do empreendimento,

quando são realizados estudos para a

implantação do complexo agrícola e industrial.

Segundo o engenheiro Tuko Nakahodo, da TN

Ambiental Engenheira Química S/S Ltda., são levados

em consideração disponibilidade hídrica,

estradas próximas para entrega da matéria-prima

na indústria e escoamento da produção, mão de

obra disponível, rede de distribuição de energia

elétrica, terras disponíveis para a implantação da

área agrícola e apoio da população local e das

autoridades públicas municipais e estaduais. “Um

ponto importante em relação à área agrícola é

obedecer ao Zoneamento Agroambiental Estadual

e Federal, que tem como objetivo possibilitar um

efetivo planejamento da cultura da cana-de- açúcar,

levando em conta a sustentabilidade da produção

nos principais Estados produtores da cana-

-de-açúcar”, destaca. No Estado de São Paulo,

Engenheiro Tuko Nakahodo, da TN

Ambiental Engenheira Química S/S Ltda.

Tuko exemplifica que é preciso ser levado em

consideração o Zoneamento Agroambiental do

Estado (Resolução Conjunta SMA/SAA-006), que

tem como proposta possibilitar um efetivo planejamento

da cultura da cana-de-açúcar no Estado.

Já em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é necessário

seguir o zoneamento estabelecido pela

legislação federal, que restringe o plantio da

cana-de-açúcar no bioma Amazônia, no Pantanal

e na bacia do Alto Paraguai.

No caso da implantação de um complexo

industrial sucroenergético, é de responsabilidade

do empreendedor a conciliação do desenvolvimento

econômico associado à conservação do

meio ambiente, desde as etapas iniciais do planejamento

e instalação até a sua efetiva operação.

Esse é o início para que a empresa consiga realizar

o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), elaborar o

Relatório de Impacto do Meio Ambiente (RIMA) e

conseguir a Licença Prévia, concedida na fase

preliminar do planejamento do empreendimento

ou atividade aprovando sua localização e concepção,

e atestando a viabilidade. Para entender

melhor os passos que devem ser seguidos para

conseguir a licença ambiental, posturas que

devem ser adotadas e preceitos sustentáveis que

podem ser seguidos, confira a entrevista do o

engenheiro Tuko Nakahodo, da TN Ambiental

Engenheira Química S/S Ltda.

Quanto tempo, em média, leva para a produção

desse Estudo

A consultoria ambiental contratada para o

licenciamento do novo empreendimento realiza

a elaboração do Estudo de Impacto

Ambiental entre 90 a 120 dias. Depois é realizada

sua análise pelo órgão ambiental responsável

pela sua aprovação, o que demanda um

prazo de, aproximadamente, 180 dias ou mais,

dependendo do Estado em que se encontra o

empreendimento.

Os profissionais que participam do estudo

também acompanham a construção,

posteriormente, para saber se tudo está sendo

feito de acordo com EIA-RIMA

Após a emissão da Licença Ambiental Prévia,

o empreendimento contrata a consultoria

ambiental para continuar o processo de licenciamento,

onde são elaborados detalhadamente

os planos e programas de controle

ambiental, requisitados para a emissão da

Licença Ambiental de Instalação. Após a aprovação

desses planos pelo órgão ambiental,

serão executados pelo empreendimento para

a requisição da emissão da Licença Ambiental

de Operação.

A consultoria

ambiental realiza

a elaboração do

Estudo de Impacto

Ambiental entre 90

a 120 dias.”

Durante a construção de usinas, que procedimentos

ambientais têm sido aplicados

É implantado o Programa de Gerenciamento de

Obras, que deverá ser executado pelo empreendimento

seguindo subprogramas de controle

como Higiene, Segurança e Medicina do

Trabalho, gerenciamento de Efluentes

Domésticos, gerenciamento de Resíduos Sólidos

da Construção Civil, controle de Material

Particulado, Gases e Ruídos, combate à Poluição

Sonora e Visual; e redução do Desconforto e

Acidentes na Fase de Obras.

A TN Ambiental atua na prestação desse

serviço

Sim. É uma empresa especializada em consultoria

ambiental, execução de projetos e prestação

de serviços para usinas de açúcar, etanol e

geração de energia. Fundada em 2001, a TN

Ambiental, com sede Piracicaba (SP), viabiliza a

ampliação e implantação de empreendimentos

sucroenergéticos nos moldes que as leis pertinentes

determinam e, principalmente, para

promover a boa qualidade ambiental.

Quantas unidades já tiveram consultoria da TN

Ambiental

A TN Ambiental realizou e teve seus processos

de licenciamentos aprovados referentes

a 19 Relatórios Ambientais de Unidades

Termoelétricas a partir da queima do bagaço

da cana-de-açúcar nas caldeiras, 12

processos de licenciamentos aprovados por

meio da elaboração do Relatório Ambiental

Preliminar (RAP), 20 processos de

Licenciamentos aprovados através de EIA-

RIMA ambientais de instalação ou de

ampliações de usinas de açúcar e etanol

aprovados pelos órgãos dos Estados de São

Paulo, Paraná, e Mato Grosso do Sul.

Entrevista

Tuko Nakahodo,

engenheiro da TN

Ambiental Engenharia

Química S/S Ltda.

Como é feito o Estudo de Impacto Ambiental (EIA)

de uma usina

Trata-se de um estudo quantitativo e técnico

desenvolvido por diversos especialistas – geólogos,

biólogos, engenheiros, arqueólogos, sociólogos,

administradores, entre outros – avaliando

todas as alterações que a instalação pode causar

na região. O EIA deve atender às diretrizes estabelecidas

na Resolução Conama 01/86 e 237/97

e nos Termos de Referência a serem emitidos

pelos órgãos ambientais dos Estados onde será

instalado o empreendimento, a partir de levantamentos

básicos primários e secundários, desde

que não haja prejuízo na qualidade das informações.

Este estudo tem por objetivo subsidiar a

equipe técnica responsável pelo licenciamento

ambiental, fornecendo as informações necessárias

que permitam ao órgão competente a emissão

da Licença Prévia que autoriza a implantação

produtiva projetada pelo empreendedor.

Mas quais são as etapas

Inicialmente, é realizada a caracterização do

empreendimento e definida a Área de Influência.

Depois, deverá ser elaborado o Diagnóstico

Ambiental, tudo por meio de análise integrada,

multi e interdisciplinar a ser realizada por profissionais

especializados em processo industrial e

agrícola, com amplo conhecimento do setor

sucroenergético, dos meios físico, biótico e

socioeconômico e cultural. Após essas etapas,

será elaborado o Prognóstico Ambiental, onde

são detalhados todos os impactos ambientais

(fauna, flora, ar, água, solo, resíduos sólidos,

efluentes domésticos, efluentes industriais, mão

de obra, infraestrutura municipal e patrimônio

histórico, com suas respectivas medidas mitigadoras.

Por fim, são apresentados os Programas

Ambientais e a Conclusão do Estudo. Concluído

o EIA, é elaborado o Relatório de Impacto do

Meio Ambiente (Rima), que é uma versão reduzida

e simplificada do EIA, voltada ao público

geral, visando explicar as alterações e as medidas

mitigadoras e servindo também de base para

a Audiência Pública.

Feito o Estudo, qual é o passo seguinte

Finalizado, o EIA-RIMA é protocolado no órgão

ambiental responsável pela sua análise, que

pode ou não requisitar informações complementares

do Estudo, que deverão ser atendidas

pela consultoria contratada. O passo seguinte é

a realização da Audiência Pública, que tem como

finalidade a comunicação da implantação do

empreendimento à sociedade. Estando tudo

dentro das conformidades como a legislação

exige, é emitida a Licença Prévia, que é concedida

na fase preliminar do planejamento do

empreendimento ou atividade, aprovando sua

localização e concepção, e atestando a sua viabilidade.

Só com a Licença Prévia já é possível iniciar as

obras

Acompanhado da Licença Prévia, o atendimento

de exigências técnicas deverá ser protocolado na

solicitação da Licença de Instalação. Atendidas e

aprovadas todas “exigências técnicas”, é emitida a

Licença de Instalação. Somente com a emissão da

Licença é que a empresa poderá finalmente iniciar

a sua implantação ou atividade. Com a

Licença, são solicitadas novas exigências técnicas,

que deverão ser protocoladas antes da solicitação

da Licença de Operação do empreendimento. A

de Operação é a licença que autoriza a operação

do empreendimento ou atividade, cumpridas as

restrições e condicionantes das licenças anteriores

e resguardadas as medidas de controle

ambiental do projeto. Apenas os empreendimentos

que afetam a jurisdição de dois ou mais

Estados são licenciados pelo Ibama, por meio da

Diretoria de Licenciamento Ambiental. Aqueles

que se restringem a apenas um Estado devem ser

licenciados de acordo com a legislação específica

desse Estado e pelo seu órgão competente.

Caso o EIA-RIMA não seja aprovado, o que acontece

É preciso refazer o Estudo de Impacto Ambiental

atendendo a todas as exigências faltantes que

levaram à sua reprovação. Se for pelo fato de

não ter atendido ao zoneamento estadual ou

federal, o projeto deverá ser arquivado e a

empresa terá que procurar uma nova área.

18 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 19


Perfil

Inspiração para a vida

Filho de um

caminhoneiro,

Ricardo Amadeu

deu continuidade à

jornada do pai. Hoje,

não comanda apenas

um veículo, mas uma

equipe de mais de

460 colaboradores na

holding All Group

Igor Augusto Pereira


claro. As boas histórias a gente precisa

contar, até para inspirar quem

sonha.

Foi assim que, abordado pela

equipe do CANAL – Jornal da Bioenergia, o

empresário Ricardo Amadeu respondeu ao convite

para contar a própria “boa história” na coluna

Perfil. A postura aberta revela um inegável orgulho

da própria trajetória, construída às custas de

muito trabalho e um passo a passo cheio de

nuances.

Quem vê em ação o presidente da holding All

Group (conglomerado que reúne as empresas

TransEspecialista, Aliança Service, Assessora

Consult, Mult Ambiental e Qualy Service) pode

não desvendar, a princípio, o que há por trás de

toda sua assertividade e visão de negócios.

As raízes explicam, porém, grande parte do

homem que Amadeu é hoje, aos 39 anos. Foi com

o pai, José Hermenegildo, o seu Zelão, que descobriu

a possibilidade de contribuir com o setor

sucroenergético, a paixão pelo empreendedorismo

e o gosto pelos transportes. Mais tarde, essas

três aptidões virariam um projeto que é referência

20 • CANAL, Jornal da Bioenergia

no ramo de logística nacional.

“O sonho do meu pai era ter uma transportadora,

cresci ouvindo isso. Ele almejava se desenvolver

e nos proporcionar uma vida melhor,”

afirma Ricardo.

A herança deixada pelo pai reside, sobretudo,

no campo dos valores espirituais. Para construir o

que hoje é a All Group, Amadeu precisou fazer as

próprias escolhas – e concessões. Oriundo de uma

família de operários, foi um trabalhador assalariado

em diversas empresas. Há treze anos, tornou

realidade o antigo desejo de empreender. Se essa

história fosse um jogo de tabuleiro, este seria o

ponto A.

No ponto B, o personagem central gerencia

uma equipe de mais de 460 colaboradores. Nesta

edição, o Perfil reconstitui o espaço entre as duas

posições e reconhece um exemplo de sucesso que,

se por um lado não tem a pretensão de revelar

fórmulas para chegar lá, por outro, demonstra a

importância de ser o senhor das próprias decisões.

Ponto A

“Somos uma família de caminhoneiros.

Quando nasci, em Sertãozinho (SP), meu pai trabalhava

na Usina São Martinho, com meu avô.

Morávamos em uma casa muito simples na colônia

Santo Antônio. Minha infância, apesar de

humilde, foi feliz. Não tínhamos luxos, nem brinquedos

caros, mas tínhamos a amizade dos vizinhos

das colônias, além de liberdade para brincar,

caçar com estilingue, jogar bola...”

Quando Ricardo tinha oito anos, o pai comprou

seu próprio veículo. “Era um caminhão

100% financiado. Ele saiu da usina e aventurouse

em seu grande sonho”, conta. “Nas férias

escolares, eu ajudava na manutenção e sempre

viajava com ele e meus tios, que também estavam

no ramo. Foi um grande aprendizado cortar o

Brasil nas boleias dos caminhões.”

As viagens foram interrompidas quando, aos

13 anos, sua irmã mais velha, Rosana, hoje braço

direito e diretora financeira do grupo, conseguiu

um emprego para Ricardo como office boy da

extinta Zanini Comércio Internacional. “Ouvir os

conselhos dos diretores da empresa, José Rossi e

Maurílio Biagi, deu-me grande bagagem.”

Trabalhou em uma loja de eletrodomésticos,

em uma transportadora e duas usinas. Entre

um e outro emprego formal, fazia “bicos” para

complementar a renda familiar. Assim, foi garçom,

lavador de automóveis e vendedor ambulante.

Nesse meio tempo, não deixou que a

rotina cansativa lhe tirasse o foco: aprendeu

inglês, informática e fez curso técnico em

administração de empresas.

“Tudo o que fiz antes foi com a mente fixa em

alvo maior, que era montar a transportadora. Ter

sido do ‘chão de fábrica’ me deu oportunidade de

fazer uma análise mais abrangente do negócio e

das pessoas”, assegura.

A primeira grande virada aconteceu após cinco

anos trabalhando em vários setores da administração

da Usina Bela Vista. Largou o emprego e

abriu a primeira empresa, a TransEspecialista,

experiência que coroaria o sonho antigo de ser

dono do próprio negócio.

A abertura da firma coincidiu com o nascimento

do primeiro filho, fator que trouxe à causa

uma responsabilidade ainda maior. Mesmo com

um planejamento rigoroso, o caminho não foi

simples.

“Os primeiros anos foram extremamente difíceis,

mas quando se trabalha com amor no que se

faz, mesmo quando os resultados não são os

melhores, temos força para superar os obstáculos

e mais chances de alcançar o êxito. Fazer o projeto

dar certo era a única oportunidade, minha

única saída naquele momento – tanto para coroar

os esforços do meu pai, quanto para proporcionar

ao meu filho, recém-nascido, a vida que ele

havia desejado me dar. Sentia que não tinha o

direito de falhar.”

É o momento em que, encurralado entre a

necessidade de vencer e a pressão de não falhar,

dá início ao ponto B.

Ponto B

– Bom dia, Ricardo. Sou repórter do CANAL –

Jornal da Bioenergia e estou com a pauta aberta

para a coluna Perfil, da edição que circula em

março. Seu nome surgiu pela indicação de nossa

gerente comercial, que ficou impressionada com

sua história e nos alertou sobre a possibilidade de

tê-lo como personagem central da coluna. Topa

contar um pouco da sua vida

– É claro. As boas histórias a gente precisa contar,

até para inspirar quem sonha.

Os contatos seguintes, feitos por e-mail e telefone,

revelam a harmonia entre o homem de negócios,

capaz de interpretar cenários econômicos e traçar

estratégias com grande competência, e o sonhador,

que não abandona o espírito inquieto.

“Certamente, escolher trabalhar com o que gosto

e com o que sei fazer é um acerto em minha trajetória.

Atender usinas está no meu DNA. Cada um de nós

possui habilidades diferentes, que são desenvolvidas

durante a vida conforme o meio em que vivemos. Na

minha visão, essas experiências, quando canalizadas,

possuem grande força.”

O sucesso, garante Amadeu, não chegou fácil, nem

pode ser alcançado com receitas pré-formatadas.

Para ele, cada empreendedor deve encontrar sua

própria forma de trabalhar. Ainda assim, deixa escapar

algumas dicas para aqueles que desejam se engajar

em projetos profissionais.

Um dos diferenciais da TransEspecialista é a criação

de serviços customizados, de acordo com padrões

Acesse: www.fuzil.com.br

Televendas (19) 3641-5900

Ferramentas Manuais e

Acessórios

- Adubadeiras, Alicates

- Alviões, Ancinhos

- Aplicador de Silicone

- Arcos de Serra / Poda

- Cavadeiras, Chibancas

- Chaves de Fenda / Philips

- Colheres de Pedreiro

- Cortadores de Piso/Azulejo

- Desempenadeiras, Enxadas

- Enxadões, Espátulas

- Foices, Formões, Facões

- Forcados, Graxeiras

- Martelos, Níveis, Pás

- Picaretas, Regadores

- Transformadores de Solda

- Pulverizadores, Baldes

- Escadas, Balanças...

Linha Pet Shop

- Anêmonas, Bebedouros

- Bolas, Canecas

- Comedouros, Conchas

- Frisbees, Halteres

- Ossos, Pneus, Puxadores..

Linha Hidráulica

- Acabamentos - Duchas

- Cabeçotes - Chuveiros

- Mangueiras - Torneiras

- Registros - Canos

- Tubos - Caixa de Gordura

E muito mais!!!

Desde 1914

“Certamente, escolher

trabalhar com o que

gosto e com o que sei

fazer é um acerto em

minha trajetória.

Atender usinas está

no meu DNA”

internacionais. Ao aprimorar constantemente a infraestrutura

e tecnologia de seus produtos, a empresa

acabou revolucionando o transporte de insumos nas

usinas do Centro-Sul brasileiro.

“Em qualquer setor, o principal ingrediente do

sucesso é o equilíbrio entre qualidade e preço. No

sucroenergético, não é diferente, embora isso tenha

sido mais desafiador nos últimos anos. A instabilidade

do mercado tem exigido muita flexibilidade.

Precisamos romper esses desafios com ganhos em

escala.”

Especialista em Logística, Amadeu é uma personalidade

recorrente em matérias da mídia especializada

e discute as inovações para o segmento em eventos

por todo o País. A experiência lhe rendeu um convite

para dirigir o Comitê Técnico de Logística e Transportes

do Centro Nacional das Indústrias do Setor

Fuzil é a 1° fabricante Brasileira de

ferramentas manuais que garante seus

produtos de forma ilimitada ou seja

Por Toda Vida!!!

Carrinhos, Cariolas

Botas PVC Bracol

Esmerilhadeiras

Makita

Enxadas Fuzil

Canavieira

Óculos de

Segurança

Chaves Fuzil

Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise BR).

Na instituição, colaborou para antecipar o alargamento

e duplicação das rodovias SP-326 e

BR-364, fundamentais para o escoamento da produção

do coração do Brasil. A iniciativa não contribuiu

apenas para seu negócio e o setor que atende,

mas ajudou a reduzir drasticamente os índices de

acidentes no trecho.

A evolução desse processo chegou com a criação

da Aliança Soluções Agrícolas e Industriais, empresa

de manutenção em máquinas de campo e revenda de

peças e assessórios agrícolas. Em seguida, veio a

Assessora Consult, a parceria com a Mult Ambiental

e com a Qualy Service. O conglomerado ganhou o

nome de All Group, que emprega centenas de pessoas

e realiza parcerias estratégicas no setor de bioenergia.

Pouco a pouco, Ricardo vai incorporando novos

elementos ao sonho inicial. Em um e-mail encaminhado

recentemente aos colaboradores da holding,

ao comentar os desafios desta entressafra, o empresário

faz uma exortação ao entusiasmo, apresentando

fotos da própria trajetória (incluindo, até mesmo, o

holerite do primeiro salário recebido como office boy).

A conclusão chega em um tom que poderia ser até

interpretado como evangelizador, mas que não soa

estranho se proferido por alguém que viveu, de fato,

aquilo que diz.

“Tenha consciência de que o sucesso está no poder

de unir. De que, conforme você cresce, a força coletiva

é que fará a diferença. Todas as soluções que

buscamos estão dentro de nós mesmos,” afirma o

empresário.

Enxadões Fuzil

Pulverizadores

Fuzil

Alicates Fuzil

98 anos produzindo e importando produtos de alta qualidade e garantia!!!

Fevereiro de 2013 • 21

2.013

Linha Cercamento

- Batentes, Cabos

- Castanhas, Catracas

- Chaves, Eletrificadores

- Eletrodutos, Esticadores

- Ferrões, Fios, Ganchos

- Guias, Isoladores, Placas

- Porteiras, Proteções

- Repelentes, Telas

- Tubos, Voltímetros...

Linha Colheita de Café

- Caixa Multiuso

- Carros, Peneiras

- Rastelos, Torradores

- Vaquinhas...

Linha Diamantados

- Brocas, Discos...

Linha Esquadrias

- Portas, Vitrôs

- Venezianas...

Linha Ferragens e Aces.

- Abraçadeiras, Arames

- Blocos de Espuma

- Buchas, Caixa de Correio

- Caixas para Argamassa

- Caixas de Ferramentas

- Carrinhos, Carriolas

- Chapéus, Cordas...


Energia eólica

Perspectiva de

crescimento constante

Em 2013, Brasil deverá

sair da 16ª posição

e se colocar entre os

dez países com maior

capacidade eólica

instalada no mundo.

Entretanto, País terá

que vencer desafios

como estrutura e

transmissão

Fernando Dantas

Apagões frequentes em todo o Brasil e

questões ambientais têm suscitado em

especialistas e na própria população

questionamentos sobre o atual cenário

da geração de energia elétrica no País. Isso porque

a principal fonte é a hídrica – gerada em

usinas hidrelétricas – e o que temos visto é o

Brasil sofrendo com variações climáticas, principalmente

com secas em diversas regiões, levando

reservatórios a estados críticos de abastecimento.

Se por um lado existe a preocupação em relação

à energia gerada por meio hídrico, por outro

as expectativas são extremamente favoráveis.

De acordo com relatórios e números de instituições

que congregam o setor eólico nacional,

como a Associação Brasileira de Energia Eólica

(Abeeólica), os avanços dos últimos anos vão

impulsionar o setor de energia eólica no Brasil,

que poderá encerrar 2013 com 4 GW de potência

eólica instalada, reposicionando o País da

16ª para a 10ª posição no ranking internacional.

“Este ano será de crescimento econômico, o que

permitirá contratação maior de energia por

parte do sistema elétrico nacional”, ressalta a

presidente executiva da Abeeólica, Elbia Mello.

Dados mais ambiciosos do Plano Decenal de

Energia (PDE 2021) prevêem que a participação

eólica na matriz elétrica terá um crescimento

constante, chegando a 9% em 2021, com 16 GW

instalados.

A explicação para o otimismo está, exatamente,

nos resultados alcançados em anos

anteriores. A capacidade instalada saltou de 1

gigawatt (GW), em 2011, para 2.4 GW no ano

passado, número suficiente para abastecer uma

cidade com 3,6 milhões de habitantes. Somente

em 2012 foram instalados 38 novos parques

Elbia Mello, da Abeeólica, destaca

processo de consolidação da fonte

Selma Akemi Kawana, representante da

Excelência Energética

eólicos, o que totaliza 106 empreendimentos.

Além disso, 15 mil empregos

diretos foram criados por conta dos parques

eólicos e a quantia aproximada de

R$ 7 bilhões de reais foi investida no

segmento.“Estamos em um processo de

consolidação e maturidade da fonte no

País. Tivemos um crescimento considerável

desde 2009, quando foi feito o primeiro

leilão”, explica a presidente executiva

da Abeeólica, Elbia Mello.

Nesse cenário, a região Nordeste tem

se destacado e continuará a manter-se

em evidência por causa das condições do

vento, fator importante de competitividade

frente a projetos de outras regiões. Os

estados nordestinos, principalmente Rio

Grande do Norte e Ceará, possuem mais

da metade do potencial identificado no

Atlas Eólico. Do montante contratado de

energia gerada pelos ‘ventos’ entre 2007 e

2011, 82,6% foi do Nordeste.

Desafios e barreiras

As perspectivas são excelentes, com

números que, realmente, revelam as possibilidades

de manter a curva de crescimento,

porém é preciso ficar atento às

barreiras do mercado. Para a presidente

executiva da Abeeólica, Elbia Melo, o processo

de implantação dos parques eólicos

ainda é o principal entrave do setor. “Pelo

crescimento, temos dificuldade com a

logística de equipamento, de campo etc.

Existem ainda os desafios da mão de obra

preparada para atender as demandas”,

acrescenta.

Já para a representante da Excelência

Energética, Selma Akemi Kawana – especialista

em análises de viabilidade de

projetos de geração, de transmissão e de

avaliações da financiabilidade de projetos

e empresas -, a viabilidade não é o principal

problema, mas sim a compatibilização

da disponibilidade do sistema de transmissão

com a operação comercial dos

projetos. “Hoje, esse descasamento está

sendo bancado pelo consumidor cativo,

pois a geradora continua a receber receita

fixa quando o atraso é por culpa da transmissora”,

revela.

O poder do vento

Atualmente, são 106 parques eólicos

espalhados por todo o Brasil. Para chegar até

a estrutura em funcionamento, são várias as

etapas e fatores avaliados. Segundo Aristarco

Sobreira, diretor da Mercurius Engenharia –

empresa responsável pela montagem de 53

parques eólicos no Brasil -, normalmente, o

escopo é dividido em três grandes atores

dentro de um parque. Primeiro, existe o fornecedor

da usina eólica, que fabrica a usina

e a transporta até o local da obra, que monta

sobre a fundação e a coloca para funcionar.

O segundo é a construtora que faz as obras

civis, que prepara todas as fundações e bases

que vão receber os aerogeradores e prepara

todas as estradas, acessos que servem tanto

para montar os aerogeradores quanto para

usar no período de operação e manutenção.

O terceiro envolvido é a empresa que executa

os serviços eletromecânicos para conectar

o parque à rede de distribuição elétrica do

País.

Ele explica que a Mercurius, por exemplo,

atua na construção das obras civis dos parques

eólicos, que envolve estradas, fundações

e bases que vão receber os aerogeradores.

“Eventualmente, é preciso fazer uma associação

com a empresa que faz a parte elétrica e

nós entregarmos o pacote, ou seja, obras civis

e serviços que compõem o escopo da elétrica”,

reforça.

No caso da produção de estradas são utilizadas

tecnologias de terraplanagem e pavimentação.

Já para as fundações, a melhor

tecnologia é na parte de bases, que complementa

as fundações mais profundas e menos

profundas e recebe todas as cargas.

“Normalmente, as fundações são em concreto

e cada base pode ter um volume de até 600

metros cúbicos desse material. Para se ter

uma ideia, quatro bases dessas devem suportar

o peso equivalente a um prédio de 14

andares. O concreto dissipa muita energia e

pode ocasionar problema de controle de temperatura,

de gelo, de retração, de fissura, etc.

Por isso, requer uma tecnologia muitíssimo

refinada e importante porque não pode dar

problema”, orienta.

Apesar de depender do tamanho do parque

eólico, o número de profissionais envolvidos

na estruturação pode variar de 500 a 1.200

funcionários. O custo também é variável. “A

Mercurius é líder nesse processo, fez obras do

Rio Grande do Sul até o Piauí. E o que a gente

observa é que não existe um custo padrão

que se utilize de uma obra para outra, porque

os aspectos são extremamente variáveis em

função da topografia dos terrenos, dos recursos

e das legislações ambientais. Varia muito

também em função do tipo de aerogerador

que o cliente está colocando. Tudo isso interfere

nas localizações e fundações”, afirma.

22 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 23


ABEEólica compartilha experiência

brasileira na Mexico WindPower 2013

A

ABEEólica - Associação Brasileira de

Energia Eólica, instituição que congrega

e representa o setor de energia eólica

no País, marcou presença na Mexico

WindPower 2013, realizada nos dias 30 e 31 de

janeiro. A mais importante feira e conferência de

energia eólica no País é organizada, anualmente,

pelo Conselho Global de Energia Eólica (Global

Wind Energy Council – GWEC) e a Associação

Mexicana de Energia Eólica (Asociación Mexicana

de Energía Eólica – A.C.).

No primeiro dia de evento, a presidente

executiva da ABEEólica, Elbia Melo, participou

de um painel sobre a criação de políticas para

o crescimento sustentável do setor eólico, que

foi mediado pelo secretário geral do GWEC,

Steve Sawyer. “Entre os poucos países no

mundo que vêm apresentando crescimento

nos investimentos em energias renováveis, o

México se destacou no ano passado. As discussões

da conferência surgem em um

momento importante para os países em

desenvolvimento, que mantém ou estão

aumentando os investimentos, principalmente

em energia eólica. O México entra agora para

a lista na qual já estavam presentes a China,

Índia, Brasil e África do Sul. Levar a experiência

do Brasil e ouvir os demais países nesse

evento é muito importante para o setor eólico

brasileiro”, destaca.

Segundo a executiva, um dos pontos altos de

discussão no evento foi como garantir o crescimento

sustentável, no longo prazo, para a

indústria eólica mexicana. Nesse contexto, o

Brasil foi convidado para compartilhar sua

experiência, já que o País é considerado um

caso de sucesso no setor eólico mundial.

“Ressaltamos que o fator central para o sucesso

da eólica no Brasil é a sua competitividade.

Hoje a fonte eólica é considerada a mais competitiva

no País, temos uma cadeia produtiva

em estágio de consolidação e sinais claros de

um futuro virtuoso, na medida em que o

potencial brasileiro de energia eólica é de 300

GW e a demanda nacional cresce 6 GW ao ano”,

ressalta Elbia.

Além do painel com a participação da

ABEEólica, a Mexico WindPower 2013 apresentou

fóruns de discussão sobre temas relevantes

para o setor, como as perspectivas de mercado

para a indústria mexicana até 2030, oportunidades

e desafios para o suprimento próprio,

requisitos e soluções de financiamento, análise

e medição de vento, experiências e perspectivas

para os desenvolvedores, os desafios e as estratégias

para a construção de uma cadeia de

suprimentos no México, a construção de parques

eólicos, operação e manutenção, microgeração

e pequena geração eólica, entre outros

assuntos.

Atualmente, o México está entre os países

que mais cresce em investimentos em fonte

eólica, seguindo China, Índia, Brasil e África do

Sul. A capacidade eólica instalada mexicana é

de 1.2 GW, o que corresponde a 2.1% da matriz,

e seu potencial eólico é de 50 GW. “O México

vem se destacando no cenário eólico mundial.

Esse tipo de evento proporciona uma troca

muito relevante e enriquecedora entre os países

que buscam desenvolver a energia eólica,

uma fonte limpa, renovável, geradora de

empregos e renda”, avalia Elbia.

Senar em Ação

De olho em cenário mais mecanizado, Senar Goiás capacita trabalhadores

A mecanização das colheitas

de cana-de-açúcar é uma tendência

que vem se confirmado há

várias safras no Brasil. Se por um

lado, esse cenário assegura um

nível maior de sustentabilidade

aos processos vivenciados pelo

setor sucroenergético, por outro

sinaliza a importância de encontrar

talentos humanos aptos a

lidar com equipamentos com alta

tecnologia. “As usinas mais novas

estão sendo projetadas para uma

colheita 100% mecanizada, mas

não existe mão de obra pronta

para isso no mercado”, explica o

instrutor de Máquinas agrícolas

do Senar Goiás, Ronaldo Ribeiro

Rocha.

Atenta a essa demanda, a instituição

tem viabilizado oportunidades

de inserir profissionais que

atuam em outras áreas, como

corte manual e manutenção, em

um cenário em que a mecanização

ganha importância. Uma dessas

iniciativas é o Curso de

Operação e Manutenção de

Colhedoras de Cana-de-Açúcar,

projeto pioneiro formatado recentemente

no Estado. As primeiras

turmas se formaram no fim do

ano passado, graças a uma parceria

entre Senar Goiás e Usina Jalles

Machado. Cerca de 30 colaboradores

da empresa receberam treinamento

para a tecnologia, integrando

lições teóricas e práticas

divididas em seis módulos, com 24

horas-aula cada. A expectativa da

empresa é que esse contingente já

reforce os trabalhos na próxima

moagem.

A capacitação deve ser estendida

a outras usinas este ano.

Segundo Rocha, uma das exigências

é que a empresa disponibilize

uma colhedeira durante todos os

módulos. “Realizamos atividades

práticas em todos os módulos,

oferecendo, além das informações

sobre a operação dos painéis,

noções básicas de manutenção”,

explica. O instrutor destaca,

ainda, que já existe uma demanda

de outros Estados pelo formato

de treinamento implantado

em Goiás. “O nosso know-how no

setor sucroenergético é reconhecido

em todo o País. Com um

agronegócio cada vez mais dinâmico,

as empresas sabem que a

formação de profissionais pode

ser seu diferencial competitivo.”

Fotos: Divulgação/Senar

24 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 25


Fotos: reprodução

Viagens para

outro mundo

Aproveitando a

curiosidade gerada

pelo calendário

maia, as cidades

esotéricas atraem

cada vez mais

turistas – crédulos

ou não

Guilherme Barbosa

Eis que o mundo não teve seu fim no dia 21

de dezembro de 2012. A despeito de alguns,

que se preparavam para a data há anos, e da

alegria de muitos, no dia 22 de dezembro

acordamos com a Terra girando normalmente. Na

verdade, seguindo a leitura do famoso calendário

Maia, tudo não passou de uma mudança de eras.

Saímos da Era de Peixes, que teve início há dois mil

anos, e demos passagem para a Era de Aquário. O

que esta alteração zodiacal significa é discutível,

porém uma coisa é certa: o turismo esotérico

nunca esteve tão em alta como agora.

Também conhecido por turismo místico, essa

categoria engloba aqueles que estão em busca de

paz, espiritualidade e autoconhecimento. As cidades

que fazem parte deste grupo são selecionadas

por serem esotéricas devido à sua localização, pela

presença de cristais em seu solo ou por terem abrigado

antigas civilizações (como maias e astecas,

por exemplo). O que interessa é que, nestes locais,

os turistas são recepcionados por guias espirituais,

meditam e recebem tratamentos como reiki (canalização

de energia com as mãos), reflexologia (trabalho

com pontos energéticos da planta dos pés),

cristalterapia (cristais melhoram a energia interna)

e a cura xamânica (técnicas realizadas através de

conhecimentos indígenas e elementos naturais).

Além dos aspectos citados, as cidades aqui selecionadas

se assemelham por serem polos onde os

turistas podem atingir um nível diferente de consciência.

Alto Paraíso e Pirenópolis, em Goiás, Vale

do Amanhecer, no Distrito Federal, São Thomé das

Letras e Aiuruoca, em Minas Gerais, e Céu do

Mapiá, no Amazonas, colecionam histórias muito

além da imaginação.

Pirenópolis

Pirenópolis é uma cidade pequena, porém seus

atrativos são conhecidos pela grandiosidade histórica.

Em seu centro, estão localizadas construções coloniais

preservadas, como sobrados e igrejas. Já em seus arredores,

escondidas em meio à natureza privilegiada,

estão as reservas ecológicas repletas de cachoeiras e

fazendas do século passado. A Serra dos Pirineus, que

envolve a região, abriga as mais variadas cachoeiras,

sendo possível até mesmo a prática de esportes radicais,

como rapel e canoagem.

O local também recebe as comemorações da Festa

Alto Paraíso

Não seria possível falar sobre turismo

esotérico sem citar Alto Paraíso. Com

pouco menos de sete mil habitantes, a

cidade abriga mais de 40 grupos místicos,

filosóficos e religiosos - característica

que a transformou na Capital

Brasileira do Terceiro Milênio. Construída

sob uma gigantesca placa de quartzo,

com cerca de quatro mil metros quadrados,

Alto Paraíso emana uma energia

especial. Acredita-se que a região seja

um ponto de convergência de energia e,

por estar localizada no Paralelo 14, o

mesmo de Machu Picchu (Peru), facilitaria

o contato com extraterrestres.

Considerado portão de entrada para

o Parque Nacional da Chapada dos

Veadeiros, o município agrega ao redor

de si inúmeras cachoeiras, piscinas

naturais, minas de cristais de quartzo e

recantos. Constituindo-se uma autêntica

“trilha astral”, o parque promete

acalmar o mais estressado dos viajantes.

O Jardim Zen, que abriga o local

exato do Parelelo 14, remete a um jardim

japonês, permitindo uma experiência

visual e contemplativa, em uma

verdadeira comunhão com a natureza.

Outras paisagens também valem à pena

serem visitadas, como o Morro da Baleia

e o Jardim Maytréia.

Como chegar: De Brasília, pegue a BR-020 até

Planaltina e depois a GO-118.

do Divino, considerada uma das manifestações folclóricas

mais bonitas do Brasil. São três dias de evento,

sendo a cavalhada o ponto alto das celebrações. O

evento representa uma encenação, onde os cavaleiros

revivem lutas medievais envolvendo mouros e cristãos.

A festa tem data móvel e acontece 45 dias após a

Páscoa.

Como chegar: De Brasília, siga em frente pela BR-070, até Águas

Lindas. Pegue a BR-414 até Cocalzinho de Goiás e, depois, a

GO-225 até Pirenópolis.

Vale do Amanhecer

Situado na cidade de Planaltina, a 42 km de

Brasília, o Vale do Amanhecer abriga cerca de

duas mil pessoas de diferentes crenças e religiões.

Fundada em 1959, pela clarividente Neiva

Zelaya, a comunidade reúne médiuns que participam

de rituais de cura e de desenvolvimento

mediúnico. Seguindo uma cartilha inspirada no

espiritismo, no local se prega a devoção a espíritos

diversos, incluindo os de índios, pretosvelhos

e até de seres de outros planetas.

Os trabalhos do templo, que ocorrem diariamente,

a partir das 10h, têm o propósito de

purificar espíritos atormentados. Aos incrédulos

e curiosos de plantão, vale a pena visitar apenas

pelo deleite estético. São centenas de homens e

mulheres com roupas coloridas, próximos a um

lago, rumo a uma colina enfeitada por esculturas,

entoando cânticos e orações em um ritual

único e diferente de tudo que possa ser encontrado

pelo País.

Como chegar: De Brasília, pegue a BR-020 rumo a

Planaltina, e de lá siga pela DF-15.

São Thomé das Letras

Acredita-se que a cidade seja um dos sete

pontos energéticos da Terra, o que atrai para o

lugar sociedades espiritualistas, científicas e

alternativas. Tal característica, somada à sua

proximidade com a Serra da Mantiqueira, teria

dado a São Thomé das Letras o papel de campo

de pouso de naves extraterrestres. Para reforçar

tal ideia, muitos moradores afirmam que uma

das colinas da região envolve os turistas em uma

espécie de labirinto, prendendo-os para sempre,

e, ainda, que uma das ladeiras da cidade faz com

que os carros subam invés de descerem. Eles

garantem, também, que existe uma conexão

direta, via uma complexa rede de grutas e cavernas,

entre São Thomé das Letras e Macchu

Picchu.

Fora estas questões, existem diversas atrações

obrigatórias. São cachoeiras, grutas e formações

rochosas, sendo a mais famosa a da Bruxa. Seu

centro histórico foi tombado, em 1996,

pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico

e Artístico de Minas Gerais, com igrejas do século

XVIII marcadas pelo estilo rococó e por pinturas

coloniais.

Como chegar: Pegue a Rodovia Fernão Dias, ou BR-381,

em Três Corações. Na estrada para São Bento Abade,

existe uma placa que indica a entrada da cidade.

Aiuruoca

Muitos afirmam que esta cidade é como São

Thomé das Letras, no entanto com menos intervenção

humana. O misticismo do local é representado

por uma comunidade Daime e por várias pousadas

que promovem encontros de meditações. Ao contrário

de sua conterrânea, Aiuruoca não soma

tantas histórias fantásticas, mas suas cachoeiras,

vales e montanhas prometem impressionar. O Pico

do Papagaio, por exemplo, tem 2100 metros de

altitude e, em seu cume, uma vista exuberante.

Como chegar: Siga pela BR-381 até São Gonçalo do Sapucaí

e, depois, basta pegar a BR-267.

Céu do Mapiá

Padrinho Sebastião recebeu, há quase 30

anos, um chamado vindo diretamente da floresta,

pedindo para que ele saísse da cidade.

Essa experiência resultou na fundação da

aldeia Céu do Mapiá, em uma região tão afastada

da civilização que são necessários dois

dias de viagem em embarcações conhecidas

como “voadeiras”. A notícia se espalhou rapidamente

e logo começaram a aparecer discípulos

das mais diversas origens, tornando a

aldeia um centro de peregrinação de adeptos

da doutrina do Santo Daime.

Atualmente, a vila ecológica possui mais de

cem casas, além de prédios públicos como

escola, posto de saúde, armazém, casa de farinha,

cozinha comunitária, oficina de motores

e casa de artesanato. As construções são feitas

de madeira serrada pelos próprios moradores

da comunidade. Como Padrinho

Sebastião foi um discípulo direto do Mestre

Raimundo Irineu Serra, o criador da doutrina

do Santo Daime, a comunidade é considerada

a mais tradicional entre os daimistas.

Como chegar: A comunidade fica entre Boca do Acre e

Pauini, no sul do Amazonas. O acesso é realizado

apenas por avião e barco.

26 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 27


Empresas e Mercado

Caldema realiza ações socioambientais

Cerradinho Bioenergia-GO recebe colunas de destilação

A Caldema Equipamentos industriais, empresa

localizada em Sertãozinho (SP) e com forte

presença no setor sucroenergético, realiza ações

socioambientais que agregam qualidade de vida

a seus colaboradores e dependentes. Uma das

atividades desenvolvidas nesse sentido é o

evento Material Amigo. Tradicionalmente

conhecido por valorizar e estimular a educação,

distribui kits de materiais escolares, além de

promover ações de conscientização dos

colaboradores e de seus dependentes, estudantes

da pré-escola à pós- graduação.

No evento deste ano, realizado no dia 18 de

janeiro, os destaques foram uma palestra sobre

Educação e Cidadania ministrada pelo Sr. Ciro

(diretor do Centro de Atividades do Sesi), a

divertida presença dos palhaços Salgadinho e

Mequetrefe, apresentações teatrais com

bonecos de ventríloquo que ilustrarão o tema,

sorteio de brindes e passeio de trenzinho. Após

Edra do Brasil começa o ano com 90 contratações

A Edra do Brasil começou 2013 com 90

contratações, devido ao crescimento da demanda

pelos produtos da empresa, considerada atípica

para a época do ano. Os novos profissionais irão

atuar nas áreas de produção de tanques e tubos,

caldeiraria, manutenção, almoxarife e controle de

qualidade.

Segundo José Carlos Barbosa, gerente

comercial da Edra, esse aumento na demanda,

gerado pela grande quantidade de pedidos de

clientes e novos clientes, também fez com que a

empresa implantasse o 3º turno. “Essas pessoas

irão trabalhar divididas em turnos para atender

aos pedidos de entrega e os demais pedidos de

carteira. Na área de tanques, temos uma demanda

muito grande, prazos curtos e já estamos

qualificando os profissionais para atuar nos

setores de montagem e laminação”, comenta.

Entre os setores que contribuíram para o

aumento de pedidos, estão o setor

as atividades e brincadeiras foi servido um

delicioso lanche.

Realizado há mais de 10 anos, o Projeto

Material Amigo conta com a presença ilustre de

parceiros e autoridades da Prefeitura e Câmara

Municipal, das Secretarias do Desenvolvimento

Social e Cidadania, da Indústria e Comércio e da

Educação, do CEISE Br, do SESI e do Senai.

sucroenergético e petróleo e gás. “O setor

sucroenergético é tradicional comprador dos

nossos produtos e sua tendência é de crescimento

gradativo. O segmento veio de um ano de menor

investimento em estrutura, mas em novembro do

ano passado projetos que estavam parados foram

retomados, o que gerou o crescimento nos pedidos

desse setor. Já o setor de petróleo e gás deverá

representar de 20% a 25% do faturamento da

empresa com a perspectiva de projetos para

substituição da tubulação de aço por fibra”,

explicou José Carlos.

Para garantir a qualidade dos produtos e a

segurança desses novos profissionais, a empresa

realizou integrações e treinamentos de segurança.

“Temos uma cultura de segurança que prioriza o

conhecimento da forma correta de utilizar tantos

os equipamentos de segurança quanto os

equipamentos que eles irão manusear”, explica o

técnico de segurança Eduardo Teixeira do Amaral.

Renk Zanini amplia

parque fabril e inaugura

retífica de última geração

A Renk Zanini agregou investimentos de

mais de € 2 milhões em inovações e

renovações do parque fabril nos últimos

dois anos, visando evoluir e trazer para

seus acionamentos o que há de estado da

arte em precisão de caixas de engrenagens

e dentados. A empresa inaugurou uma

nova retífica de dentes da marca Gleason

PFAUTER, com capacidade até módulo 50 e

qualidade 3 DIN 3962/3, o que

proporcionará, além do aumento de

capacidade fabril para atender seus novos

compromissos e contratos, um salto de

qualidade, como também gerar aumento

de produtividade.

De acordo com Rafael Barreto, Gerente

Industrial da Renk Zanini, “esta nova aquisição

irá pontuar mais um marco na empresa para o

atendimento de altíssima qualidade

demandado nos setores de óleo e gás,

cogeração, naval, açúcar e etanol, eólico,

dentre outros mercados que tradicionalmente

atendemos”. Esta nova máquina retifica

engrenagens cilíndricas e helicoidais com

infinitas formas de correções de perfil de

dentes, além de utilizar um sistema de

alinhamento inovador que otimiza o contato

entre os rebolos e os flancos das peças de

trabalho, trazendo ganhos de ponta para

qualidade final das peças, que se traduz em

maior vida útil do redutor.

As colunas de destilação para produção de

álcool hidratado, com capacidade para

1.300.000 litros/dias, encomendadas pela

Cerradinho Bioenergia – GO, partiram de

Sertãozinho (SP), para Chapadão do Céu (GO)

no dia 25 de janeiro. As colunas foram

projetadas e fabricadas pela JW

Equipamentos.

Segundo Fabiano Ruiz, gerente comercial da

JW, o projeto foi consolidado em meados de

agosto de 2012 e sua fabricação levou

Visando ampliar o seu portfólio de serviços com

foco em agricultura de excelência, a Unidade de

Proteção de Cultivos da BASF apresenta aos

produtores mais uma novidade: é o AgroDetecta,

que oferece a assistência necessária para um

melhor manejo da lavoura. Trata-se de um serviço

de apoio à decisão que se baseia em

monitoramento agrometeorológico associado ao

processamento das informações por modelos

matemáticos de previsão de ocorrência de

doenças. A partir destas informações, o agricultor

consegue saber o momento mais indicado para

realizar o controle fitossanitário na lavoura.

O AgroDetecta pode ser utilizado para o

monitoramento de diversas doenças nas culturas

de soja, milho, feijão, algodão e trigo. O sistema

monitora o ambiente destas culturas desde o

plantio até a colheita, possibilitando o

gerenciamento fitossanitário da propriedade com

o mapeamento simultâneo da ocorrência de

doenças. Dieter Schultz, gerente de Serviços e

Sustentabilidade da Unidade de Proteção de

Cultivos da BASF, alerta que não existe no

mercado nada similiar. “O serviço é exclusivo da

BASF e, por enquanto, será utilizado na detecção

e monitoramento de doenças, mas nossa

pretensão é utilizá-lo também em outras

atividades na fazenda que tenham alguma

correlação com agrometeorologia”, argumenta o

gerente.

aproximadamente 5 meses. Fabiano acredita

ser esse um dos maiores aparelhos de

destilação do mundo. “Se não for o maior”.

A JW Equipamentos é referência no

mercado sucroenergético e é uma das maiores

fabricantes de plantas de destilação,

desidratação, unidades de fermentação e

concentração de vinhaça. Reconhecida pela

alta tecnologia e credibilidade, ela exporta

seus produtos para países de quase todos os

continentes e seu slogan é “Inovando Sempre”.

Serviço exclusivo da BASF contribui para a agricultura de precisão

O sistema do AgroDecta atua em rede e cada

estação é alocada de acordo com o

georreferenciamento. Ou seja, de acordo com o

município em que se deseja monitorar lançam-se

dados em um software que, baseado em tamanho

da área e diferenças de altitude, indica quantas e

em que lugares as estações devem ser alocadas

para maior abrangência de monitoramento. “A

capacidade de informar com antecedência de 10

dias se uma doença pode ou não ocorrer resulta em

menos perdas de lavouras, otimização de custos e

logística de aplicação e uma maior rentabilidade ao

agricultor”, argumenta Dieter. Oídio e ferrugem da

soja, ferrugem do milho, manchas, ferrugem,

giberela e bruzone em trigo, antracnose e mancha

angular em feijão além de ramulose em algodão,

são algumas das doenças já mapeadas pela

tecnologia.

Cada estação é composta pelos seguintes

equipamentos: pluviômetro, que mede a quantidade

de chuva; sensores de umidade foliar; sensores de

solo; sensores de radiação solar, de umidade do ar e

temperatura; anemômetro, que mede a velocidade do

vento. O sistema também possui o Datalogger, que

armazena os dados e transmite via sinal de celular de

hora em hora para o servidor onde esses dados são

inseridos no Modelo Matemático de Previsão. Apesar

dos dados serem mandados de hora em hora, eles são

coletados em tempo real e armazenados formando

uma média de 15 em 15 minutos, depois remetidos.

Pivot inaugura

nova loja de irrigação

No ultimo dia 22, a maior

área irrigada da América Latina

ganhou uma loja exclusiva e

completa para irrigação do

Grupo Pivot. A Pivot já atendia

seus clientes nas dependências

da loja Case IH do Grupo em

Cristalina, mas diante do

grande potencial da região

inaugurou uma loja focada em

irrigação. Com um estoque

completo, os clientes poderão

sempre encontrar produtos a

pronta entrega.

A loja conta com uma

identificação e sinalização

interna especial da Valley, que

apoiou totalmente o projeto de

sua maior revenda no Brasil. Os

clientes foram convidados para

um churrasco de inauguração,

realizado no dia 22 de fevereiro,

em que estiveram presentes os

diretores Jorge Campos e

Marcelo Silveira. A nova loja

está localizada na Avenida José

de Alencar, Qd. 03, Lt 03, Jardim

Planalto.

VENDE-SE PLANTADORAS DE CANA USADAS:

FONE: (62)3933-6500

CONTATO PELOS

TELEFONES:

(16) 9785-6315

(16) 9785-8597

(16) 9788-8208

A MAESTRI ATUA NA

DISTRIBUIÇÃO DE

PEÇAS NAS LINHAS

( LEVE, PESADA E

AGRÍCOLA) NO

SEGMENTO ELÉTRICO

E ACESSÓRIOS.

01

SMI 10.000

SERMAG

TROPICANA

01 AUTO-MOTRIZ SERMAG

PTX 7000

01 TRACAN

Rua das Espatodias Qd 1 A Lt 17 H Bairro: Jardim da Luz Goiânia GO.

Email: maestri@maestridistribuidora.com.br

Site: www.maestridistribuidora.com.br

28 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fevereiro de 2013 • 29


Eficiência agroindustrial

Fotos: divulgação/GEMEA

MAC ASSESSORIA

E JORNALISMO

A qualificação de pessoas para a consolidação do setor sucroenergético foi um dos temas da primeira reunião do ano, promovida pelo Gemea

Nós ajudamos

Gemea discute novas tecnologias

Palestra sobre sistemas de limpeza de cana a seco e uso da palha

na geração de energia foi um dos destaques da programação

você a se comunicar

com mais energia

Os membros do Grupo de Estudo de

Maximização da Eficiência Agroindustrial

(Gemea) voltaram a se encontrar para debater

formas de incrementar o dia-a- dia do

setor sucroenergético. A primeira reunião de 2013

aconteceu em 22 de fevereiro, em Goiânia, trazendo

discussões sobre o papel da qualificação de pessoas

para a consolidação do segmento. Em pauta, informações

atualizadas sobre o uso de novas tecnologias

no campo e nas usinas. “Para sobreviver em um mercado

competitivo e dinâmico, exige-se que as usinas

sejam de alta performance, com profissionais polivalentes,

que colaborem para a sustentabilidade do

negócio”, defende o diretor de Marketing e Assuntos

Institucionais do Gemea, Hélio Belai.

O primeiro tema do dia foi o diagnóstico de redutores

planetários, em palestra conduzida pelo engenheiro

Anderson Andrade Thiago, diretor da Spectra.

Especialista no assunto, o profissional discorreu sobre

a importância de investir em uma manutenção de

classe mundial. “Por evitar paradas não programadas

e quebras de máquinas, ela é fundamental para

aumentar a produtividade e reduzir custos. Assim,

monitorar a vibração dos redutores planetários é

imprescindível nesse processo”, argumenta.

Em seguida, o consultor Cláudio Fabro, da Nalco,

apresentou a tecnologia 3DT Boiler, responsável pelo

gerenciamento online em sistemas de geração de

vapor. A inovação é capaz de proteger a caldeira de

corrosão, além de reduzir o desperdício de água e

energia. “Ajustando automaticamente a dosagem do

supressor de oxigênio, garantimos esse controle”,

explica. A tecnologia também monitora e regula a

concentração dos inibidores de incrustação e deposição,

uma vez que determina a concentração das

moléculas.

O engenheiro Afrânio Lopes integrou a da reunião

do Gemea, apresentando um programa de melhorias

contínuas em caldeiras criado pela empresa Caldema.

O profissional justificou a importância do tema apresentando

dados sobre o aumento das impurezas na

matéria-prima em virtude do aumento da mecanização

da colheita de cana-de-açúcar. Para evitar a

entrada de terra, areia e até mesmo combustível, a

30 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Hélio Belai e Paulo Dalben, proferem palestras. Número de participantes nas reuniões já chega a 2,5 mil

empresa reuniu tecnologias para melhorar a performance

do processo. “Um desses destaques são os

alimentadores de bagaço shark teeth, que evita o

‘encabelamento’ e ‘embuchamento’ do bagaço e da

palha”, define.

Um dos destaques da programação foi a palestra

sobre sistemas de limpeza de cana a seco e uso da

palha na geração de energia, com o engenheiro Paulo

Dalben. Focando a importância de aproveitar os subprodutos

das usinas sucroenergéticas para o incremento

de receita, o profissional apontou as tecnologias

mais modernas para preservar o material. “A

exportação de energia já representa uma segunda

fonte de renda em algumas unidades. Acredita-se que,

no futuro, ela será um fator prioritário para as usinas

que desejam se manter em atividade”, ressalta Dalben.

As tecnologias e soluções para melhor eficiência

na geração de energia foram o alvo do engenheiro

Carlos Paletta, gerente da TGM. O assunto deu continuidade

à palestra anterior, agregando conhecimentos

sobre turbinas econômicas e tecnologias aplicadas

para economia de vapor e eficiência de tempo de

aproveitamento. “Cada vez mais, reduzimos o prazo

de manutenção para elevar a disponibilidade e aproveitar

o máximo de ATR da cana-de-açúcar”, justitifica.

“Dessa forma, uma otimização energética é fundamental

para a sobrevivência das usinas do futuro”.

Uma das principais preocupações de gestores do

setor sucroenergético é o impacto financeiro do uso

de insumos do processo produtivo. Atento a essa

demanda por informações qualificadas, o engenheiro

Daniel Micheli, da Lubritech, trouxe dados sobre o

retorno financeiro do uso de óleos lubrificantes de

classe mundial, analisando a expressiva redução de

paradas e perdas antes e depois desses investimentos.

O dia de atividades do Gemea foi encerrado com

uma palestra motivacional coordenada pelo psicólogo

Luiz Carlos Canelhas. Ao contextualizar seu discurso

a partir do atual momento do setor sucroenergético,

ele apresentou técnicas para avaliar talentos

individuais e trazer reflexos positivos ao trabalho.

Para isso, simulou entrevistas com os participantes e

fez orientações sobre cada caso. “Saber os anseios de

seus colaboradores facilita o relacionamento, evita o

estresse no trabalho, dispensas indevidas e desconforto

no clima interno”, sinaliza.

Recorde

O número de participantes que já passaram pelas

reuniões do Gemea chega a 2,5 mil. São técnicos e

gestores do setor, estudantes, fornecedores e representantes

da sociedade civil. O foco, explica Hélio

Belai, é “treinar profissionais capacitados tecnologicamente

para suprir as necessidades do setor, principalmente

no Centro-Oeste”. Os temas são escolhidos

de acordo com as discussões mais estratégicas para o

momento, respeitando o calendário das usinas. Para

2013, o objetivo é contribuir para mudanças de paradigma.

Uma das prioridades para este ano é a redução

do turn over (rotatividade de pessoal), fenômeno

que dificulta a consolidação de uma cultura perene

nas usinas.

Consultoria em assessoria de imprensa e comunicação empresarial

MACJORNALISMO.COM.BR

Agência associada à ABRACOM (Associação Brasileira de Agências de Comunicação)

Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno

Goiânia - GO - Cep 74 230-100 - Fone (62) 3093 4082

macjornalismo@terra.com.br


32 • CANAL, Jornal da Bioenergia

More magazines by this user
Similar magazines