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iv<br />

A Doença do Século XXI – Alergia – Perguntas e Respostas<br />

Copyright © 2012 by Livraria e Editora Revinter Ltda.<br />

ISBN 978-85-372-0339-2<br />

Todos os direitos reservados.<br />

É expressamente proibida a reprodução<br />

deste livro, no seu todo ou em parte,<br />

por quaisquer meios, sem o consentimento<br />

por escrito da Editora.<br />

Contato com os autores:<br />

asbairj@asbairj.org.br<br />

A precisão das indicações, as reações adversas e as relações de dosagem para as drogas citadas nesta<br />

obra podem sofrer alterações.<br />

Solicitamos que o leitor reveja a farmacologia dos medicamentos aqui mencionados.<br />

A responsabilidade civil e criminal, perante terceiros e perante a Editora Revinter, sobre o conteúdo total<br />

desta obra, incluindo as ilustrações e autorizações/créditos correspondentes, é do(s) autor(es) da mesma.<br />

Livraria e Editora REVINTER Ltda.<br />

Rua do Matoso, 170 – Tijuca<br />

20270-135 – Rio de Janeiro – RJ<br />

Tel.: (21) 2563-9700 – Fax: (21) 2563-9701<br />

livraria@revinter.com.br – www.revinter.com.br


Dedicamos este livro a todos os pacientes com doenças alérgicas<br />

e seus familiares.


Pequenas mudanças para você livrar-se de grandes problemas.<br />

Hugh Prather


EDITOR<br />

Diretoria da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia<br />

Regional do Rio de Janeiro – ASBAI-RJ (Biênio 2011 – 2012)<br />

Presidente: Solange Oliveira Rodrigues Valle<br />

Diretora Secretária: Ekaterini Simões Goudouris<br />

Diretora Tesoureira: Flávia Salles Costa Janolio<br />

AUTORES<br />

Ekaterini Simões Goudouris<br />

Professora do Departamento de Pediatria da UFRJ-RJ<br />

Médica do Serviço de Alergia e Imunologia do IPPMG – UFRJ<br />

Diretora Secretária da ASBAI-RJ<br />

Doutoranda em Educação em Ciências e Saúde – NUTES/UFRJ<br />

Fábio Chigres Kuschnir<br />

Professor Adjunto do Departamento de Pediatria da UERJ<br />

Mestrado e Doutorado pela UFRJ<br />

Professor do Curso de Pós-Graduação de Alergia e Imunologia da<br />

Clínica da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FASE) –<br />

Policlínica do Rio de Janeiro<br />

Flávia Salles Costa Janolio<br />

Professora-Associada da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio<br />

Diretora Tesoureira da ASBAI-RJ<br />

MariadeFátimaE.Emerson<br />

Assistente da Clínica de Alergia da PGRJ<br />

Professora do Curso de Pós-Graduação de Alergia e Imunologia da<br />

Faculdade de Medicina de Petrópolis<br />

Norma de Paula Mota Rubini<br />

Professora-Associada de Alergia e Imunologia da HUGG – EMC – UNIRIO<br />

Professora Livre-Docente em Alergia e Imunologia pela<br />

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO<br />

Professora-Associada de Alergia e Imunologia da<br />

Escola de Medicina e Cirurgia – UNIRIO<br />

Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Alergia e Imunologia – UNIRIO<br />

Chefe do Serviço de Alergia e Imunologia do<br />

Hospital Universitário Gaffrée e Guinle – UNIRIO<br />

vii


viii<br />

Solange Oliveira Rodrigues Valle<br />

Médica do Serviço de Imunologia do HUCFF-UFRJ<br />

Professora do Curso de Especialização em Imunologia da UFRJ<br />

Mestrado em Imunologia pela UFRJ<br />

Doutoranda da Clínica Médica da UFRJ<br />

Médica da Gerência de Programas de Saúde da Criança da SMSDC-RJ<br />

Presidente da ASBAI-RJ


SUMÁRIO<br />

COLABORADORES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .xi<br />

AGRADECIMENTOS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .xiii<br />

PREFÁCIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .xv<br />

INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .xvii<br />

ALERGIA RESPIRATÓRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1<br />

ALERGIA E GRAVIDEZ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9<br />

ALERGIA DERMATOLÓGICA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11<br />

ALERGIA ALIMENTAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17<br />

ANAFILAXIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .23<br />

REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS . . . . . . . . . . . . . 27<br />

AMBIENTE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29<br />

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33<br />

TRATAMENTO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37<br />

ix


COLABORADORES<br />

COMISSÃO DE ASSUNTOS COMUNITÁRIOS<br />

Coordenadora: MariadeFátimaE.Emerson<br />

Claudia Soído Falcão do Amaral<br />

Chefe do Setor de Alergia e Imunologia Dermatológica do<br />

Instituto Professor Rubem David Azulay<br />

Mestrado pela UFRJ<br />

Fernanda Pinto Mariz<br />

Doutorado em Medicina – Setor da Saúde da Criança e do Adolescente<br />

Professora Adjunta de Pediatria do IPPMG/UFRJ<br />

José Leonardo Sardenberg<br />

Assistente da Clínica de Alergia da PGRJ<br />

Professor do Curso de Pós-Graduação de Alergia e Imunologia da<br />

Faculdade de Medicina de Petrópolis<br />

Médico do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro –<br />

CBMERJ<br />

Mestrando em Clínica Médica pela UFRJ<br />

Kleiser Aparecida Pereira Mendes<br />

Preceptora do Setor de Alergia e Imunologia Dermatológica do<br />

Instituto Professor Rubem David Azulay<br />

Meire Alverne Garcês<br />

Médica-Imunologista e Preceptora da Residência Médica em<br />

Alergia e Imunologia do Hospital dos Servidores do<br />

Estado do Rio de Janeiro<br />

Mônica Soares de Souza<br />

Imunologista e Preceptora da Residência Médica de Imunoalergia do<br />

Serviço de Pediatria do Hospital dos Servidores do<br />

Estado do Rio de Janeiro<br />

Médica do HMMC da SMSDC – RJ<br />

xi


xii<br />

COLABORADORES<br />

Neide Freire Pereira<br />

Assistente da Clínica de Alergia da PGRJ<br />

Professora do Curso de Pós-Graduação de Alergia e Imunologia da<br />

Faculdade de Medicina de Petrópolis<br />

Sandra Maria Bastos Pinto<br />

Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Alergia e Imunologia do<br />

IFF/FIOCRUZ/RJ<br />

Chefe do Setor de Alergia e Imunologia do IFF/FIOCRUZ/RJ<br />

Mestrado em Saúde da Criança e da Mulher pelo IFF/FIOCRUZ/RJ<br />

Professora-Assistente em Alergia e Imunologia da Escola Médica de<br />

Pós-Graduação da PUC-Rio<br />

Soloni Afra Pires Levy<br />

Imunologista<br />

Assistente do Serviço de Alergia do Hospital São Zacharias


AGRADECIMENTOS<br />

A toda equipe da Thermo Fisher Scientific e Sanofi Aventis,<br />

pelo apoio incondicional à realização deste livro.<br />

Aos autores, colaboradores e à coordenadora da Comissão<br />

de Assuntos Comunitários da ASBAI-RJ que, com suas experiências<br />

clínicas e conhecimento científico, responderam de<br />

forma criteriosa e com uma linguagem acessível, permitindo<br />

uma leitura agradável, clara e sem tecnicismo para a nossa<br />

comunidade.<br />

Aos pacientes e familiares que, por meio do envio de suas<br />

perguntas para o site da ASBAI-RJ, colaboraram com a elaboração<br />

deste material.<br />

xiii


PREFÁCIO<br />

Q<br />

ual a diferença entre bronquite e asma<br />

Esta é uma das muitas dúvidas ou dificuldades que costumamos<br />

ouvir em nossa prática diária no atendimento aos<br />

pacientes que sofrem de doenças alérgicas. Outra pergunta<br />

que também frequentemente nos fazem é sobre quanto tempo<br />

vai levar o tratamento, ou melhor, se é preciso tomar remédio<br />

para a “vida toda”.<br />

Para ajudar a resolver estas e tantas outras questões que<br />

angustiam o paciente alérgicoeasuafamília, a equipe de especialistas<br />

em Alergia da Associação Brasileira de Alergia e<br />

Imunopatologia Regional do Rio de Janeiro (ASBAI-RJ) mantém<br />

um fórum de perguntas e respostas em seu site na internet.<br />

A prevalência das doenças alérgicas cutâneas, respiratórias<br />

ou causadas por drogas tem aumentado no mundo inteiro<br />

e no Brasil o panorama não é diferente.<br />

Apesar disto, a falta de informação, o desconhecimento<br />

sobre o tratamento mais adequado e sobre as melhores medidas<br />

de prevenção para as diversas doenças alérgicas continua<br />

muito grande. Nesta área, é grande o número de falsos<br />

conceitos causados pela desinformação; ou pior, pela informação<br />

parcial.<br />

Com o objetivo de esclarecer muitas destas questões, é<br />

que a ASBAI-RJ está lançando este livro de orientação para<br />

todos os interessados em alergia, sejam médicos ou leigos.<br />

Com base nas perguntas mais frequentes, os autores procuram<br />

responder os diversos tópicos relacionados com as doenças<br />

alérgicas em uma linguagem clara e objetiva, evitando<br />

um tecnicismo exagerado.<br />

xv


xvi<br />

PREFÁCIO<br />

A diretoria da ASBAI-RJ está de parabéns por esta iniciativa.<br />

Esperamos que as diversas questões aqui respondidas contribuam<br />

para desmistificar os muitos preconceitos que cercam as doenças<br />

alérgicas e que sirvam principalmente para aliviar a ansiedade<br />

e ajudar em uma boa orientação de tratamento para os que<br />

sofrem de alergias.<br />

João Negreiros Tebyriçá<br />

Presidente da ASBAI


INTRODUÇÃO<br />

A<br />

s doenças alérgicas são bastante comuns, acometendo<br />

cerca de 30% da população mundial, podendo causar relevante<br />

comprometimento da qualidade de vida de crianças e<br />

adultos. Frequentemente, os sintomas não são valorizados<br />

pelo paciente e seus familiares. Por outro lado, é comum que<br />

os pacientes e seus responsáveis tenham muitas dúvidas sobre<br />

o diagnóstico e o tratamento das doenças alérgicas.<br />

Em 2007, a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia<br />

Regional do Rio de Janeiro criou em seu site um canal de<br />

comunicação interativo com os pacientes e seus familiares<br />

Fórum Comunidade, onde especialistas respondem as dúvidas<br />

enviadas. Este livro é uma compilação das dúvidas mais<br />

frequentes e relevantes respondidas neste período.<br />

Nosso objetivo é oferecer um material educativo que contribua<br />

para esclarecer as dúvidas mais comuns da população<br />

sobre as doenças alérgicas.<br />

www.asbairj.org.br<br />

xvii


A palavra alergia deriva do grego allos (outro) + ergia<br />

(ação, eficácia). Assim, alergia quer dizer “ação diferente”.<br />

O ser humano está exposto a uma série de<br />

agentes como ácaros, fungos, insetos, alimentos e medicamentos<br />

que, em indivíduos geneticamente predispostos,<br />

podem desencadear uma resposta exagerada<br />

do sistema imunológico, também conhecida como hipersensibilidade.<br />

É como se o sistema imunológico considerasse<br />

o agente mais agressivo do que realmente é.<br />

A herança genética é a base para ter alergia, mas é<br />

necessária a associação com fatores do ambiente. A<br />

doença alérgica pode manifestar-se em qualquer idade,<br />

pois vai depender do ambiente em que a pessoa<br />

vive ou do momento em que se expõe a um determinado<br />

agente.<br />

As doenças alérgicas hoje são um problema de saúde<br />

pública, pois ocorrem em cerca de 10% a 20% da população<br />

mundial.<br />

Alergistas são médicos especialistas, capacitados para<br />

o diagnóstico, a prevençãoeotratamentodedoenças<br />

alérgicas. Dentre estas destacam-se: asma, rinite,<br />

sinusite, conjuntivite, urticária, reações a medicamentos,<br />

alergia a picada de insetos, eczemas (contato, atópica)<br />

e anafilaxia.<br />


ALERGIA RESPIRATÓRIA<br />

Alergias podem acometer o sistema respiratório, desde o nariz<br />

até os brônquios, sendo a asmaearinitealérgicaasdoenças<br />

mais comuns.<br />

Asma é uma doença que se caracteriza por crises de<br />

falta de ar, chiado e sensação de aperto no peito, geralmente<br />

acompanhadas de tosse.<br />

A rinite alérgica manifesta-se por crises de espirros,<br />

coriza, coceira e entupimento nasal, podendo atingir<br />

também os olhos, os ouvidos e a garganta.<br />

Ambas têm muito em comum: cerca de 80% das pessoas<br />

que têm asma, apresentam também rinite. Por<br />

outro lado, a rinite alérgica é considerada um fator de<br />

risco para a asma, sendo observado que em torno de<br />

40% dos pacientes com rinite apresentam asma.<br />

Aasmaearinitesãodoenças inflamatórias crônicas<br />

das vias respiratórias, desencadeadas pela exposição<br />

frequente e repetida aos alérgenos inaláveis e agravada<br />

por poluentes ambientais.<br />

✔<br />

Meu filho desde que foi para creche começou a ter resfriados<br />

repetidos. Já tomou vários medicamentos e antibióticos,<br />

que só amenizam. Ele ficou de férias em casa comigo e não<br />

sentiu nada. Mas foi só voltar para creche, pegou outra gripe<br />

e necessitou novamente do antibiótico. O que eu faço<br />

Crianças pequenas são imaturas do ponto de vista imunológico<br />

e, por isso, tendem a apresentar mais infecções respirató-<br />

1


2 ALERGIA RESPIRATÓRIA<br />

rias comparadas com crianças maiores e com adultos. O seu<br />

relato sugere que sua filha possa ser portadora de rinite alérgica.<br />

Os sintomas principais da rinite são: espirros, coriza, coceira<br />

e congestão nasal, podendo confundir-se com resfriados<br />

repetidos. Parece uma doença simples, mas a repetição<br />

das crises pode acarretar complicações como infecções, levando<br />

à necessidade do uso repetido de antibióticos. Vale<br />

lembrar que quando a criança apresenta infecções recorrentes,<br />

o médico deve investigar também se ela pode ser portadora<br />

de algum tipo de imunodeficiência ou se é uma reação<br />

normal para sua idade.<br />

Quais são os sintomas da rinite alérgica<br />

Os sintomas clássicos da rinite alérgica são: espirros em salva;<br />

coriza abundante e clara; coceira (em nariz, olhos, ouvidos, garganta)<br />

e obstrução nasal. A tosse pode acompanhar a rinite nos<br />

casos de gotejamento de secreção pós-nasal e sinusite associada,<br />

sendo, em geral, seca e com piora noturna acentuada.<br />

Fico sempre gripada. Agora passei a ter sinusite e infecção<br />

repetida da garganta. Será que minha imunidade está baixa<br />

É provável que você apresente um quadro de rinite alérgica, ou<br />

seja, uma alergia nasal que tem sintomas muito semelhantes às<br />

gripes e resfriados: espirros em série, coriza abundante, nariz<br />

sempre escorrendo, congestão nasal. Contudo, são doenças<br />

bem diferentes.<br />

Resfriados e gripes são doenças contagiosas, causadas<br />

por vírus. A rinite é uma doença herdada, ou seja, tem origem<br />

genética (hereditária) e suas crises repetidas podem complicar<br />

o problema e acometer outros locais vizinhos ao nariz: seios da<br />

face, olhos, ouvidos, garganta e pulmões. Dessa forma, mesmo<br />

que a imunidade esteja normal, podem surgir infecções respiratórias,<br />

sinusite, amigdalite, faringite etc. O tratamento adequado<br />

da rinite permite o controle adequado do problema.


ALERGIA RESPIRATÓRIA<br />

3<br />

Meu filho tem 2 anos e desde muito cedo fica doentinho, tem<br />

rinite e asma. Com esta idade já posso tratá-lo com um especialista<br />

O tratamento da asma e da rinite alérgica com especialista<br />

pode ser feito em qualquer idade. Quanto mais cedo o diagnóstico<br />

for definido e estabelecido as causas do processo alérgico,<br />

melhores os resultados obtidos no controle da doença.<br />

Meu filho dorme com a boca aberta e ronca como se fosse<br />

um adulto. É normal<br />

O ronco pode ocorrer na vigência de resfriados ou gripes. Mas,<br />

quando torna-se repetido ou crônico, deve ser investigado, pois<br />

não é normal. Crianças que roncam apresentam obstrução de<br />

vias respiratórias superiores (nariz e garganta). A causa mais<br />

comum de roncos na infânciaéarinitealérgicae/ouaumentono<br />

tamanho de amígdalas e adenoides. Vale ressaltar que o diagnóstico<br />

é importante.<br />

Que tipo de exame é feito para descobrir a causa da rinite<br />

O diagnóstico da rinite alérgica não se baseia somente em<br />

exames. O médico-alergista analisa o histórico de cada paciente,<br />

seus sintomas, dados de sua saúde pregressa, pessoal<br />

e familiar, aliados aos achados do exame físico. Os testes realizados<br />

na pele ou no sangue definem o diagnóstico.<br />

Minha filha tem rinite. Qual o melhor tratamento para ela<br />

O tratamento da rinite alérgica baseia-se em 4 pontos: 1) pesquisa<br />

e controle de fatores que possam causar ou agravar a<br />

doença, 2) controle dos ácaros da poeira no ambiente da<br />

casa, em especial no dormitório do alérgico, 3) uso de medicamentos,<br />

que podem ser utilizados para alívio das crises,<br />

bem como para controlar a doença e prevenir novas crises,<br />

4) imunoterapia (ou vacina para alergia), único tratamento ca-


4 ALERGIA RESPIRATÓRIA<br />

paz de modificar a história natural da doença e controlar a rinite<br />

alérgica a longo prazo.<br />

Quais são os sintomas da sinusite<br />

Sinusite é a complicação mais comum da rinite alérgica. Trata-se<br />

de um processo inflamatório, de origem alérgica ou não,<br />

que acomete os seios da face causando dor de cabeça, sensação<br />

de peso ou pressão facial com movimentos de abaixar<br />

e levantar a cabeça, secreção nasal, obstrução nasal, tosse,<br />

podendo vir acompanhada de febre dependendo da origem.<br />

A rinite alérgica acomete crianças e adultos, provocando<br />

desconforto, falta às aulas e ao trabalho, prejudicando<br />

o sono e interferindo no lazer e nas brincadeiras.<br />

Tratar a rinite melhora a qualidade de vida do paciente.<br />

✔<br />

Minha filha de 3 anos tem crises de tosse, na madrugada, que<br />

terminam por provocar vômitos. Durante o dia, normalmente<br />

ela fica bem. Qual o melhor remédio para esta tosse<br />

A tosse noturna infantil pode ter várias causas, mas as principais<br />

são: rinite, sinusite, refluxo gastroesofágico e asma. Xaropes e<br />

medidas caseiras não resolverão, se a causa não for detectada<br />

e controlada.<br />

O que é tosse alérgica<br />

A tosse, em princípio, é um mecanismo de defesa que o organismo<br />

lança mão para expulsar agentes nocivos das vias respiratórias,<br />

como, por exemplo: muco, agentes infecciosos,<br />

substâncias estranhas, secreções, poeira etc. A expressão<br />

“tosse alérgica” é empregada quando o sintoma surge em<br />

consequência de uma doença alérgica. Por exemplo, a rinite


ALERGIA RESPIRATÓRIA<br />

5<br />

alérgica pode ocasionar a chamada secreção pós-nasal, ou<br />

seja, gotejamento de catarro da parte posterior do nariz em<br />

direção à garganta, provocando tosse.<br />

Como saber se minha tosse é alérgica<br />

O diagnóstico da tosse baseia-se na análise clínica feita pelo<br />

médico-especialista em cada paciente, seja uma criança, um<br />

adulto ou um idoso. Os dados do histórico clínico; a forma com<br />

que a tosse se manifesta; se a tosse é seca ou se tem expectoração;<br />

horário predominante; associação a outras doenças;<br />

uso concomitante de medicamentos etc. aliados às alterações<br />

detectadas no exame físico. Com base nesta avaliação,<br />

o médico solicitará os exames complementares (testes alérgicos,<br />

exame de sangue, radiografias etc.) para a confirmação<br />

do diagnóstico.<br />

Tossir não é doença, mas é um sinal de alerta. Seatosse<br />

perdura, procure atendimento médico. A melhor maneira<br />

de tratar a tosse é detectar e controlar a causa.<br />

✔<br />

Gostaria de saber a diferença entre asma e bronquite alérgica.<br />

Asma, bronquite alérgica e bronquite asmática são nomes diferentes<br />

utilizados para denominar a mesma doença – asma.<br />

A asma pode manifestar-se de formas diferentes, variando<br />

desde sintomas leves e quase imperceptíveis, até crises graves<br />

e ameaçadoras. No passado o termo bronquite foi muito<br />

utilizado para designar formas leves de asma, por médicos<br />

não especialistas.<br />

O médico falou que tenho asma. O que pode causar minhas<br />

crises<br />

A asma é uma doença multifatorial e as causas são variáveis em<br />

cada pessoa. Um dos motivos para isso é que os fatores desenca-


6 ALERGIA RESPIRATÓRIA<br />

deantes de crises são diversos. As causas mais comuns são:<br />

1) alergia: o alérgeno mais importante é o ácaro da poeira de<br />

casa. Citam-se ainda: fungos (mofos), pelos de animais, baratas,<br />

pólens, entre outros, 2) fatores irritantes: odores fortes, mudanças<br />

de tempo, fumaças, poluição etc, 3) infecções causadas<br />

por vírus ou por bactérias, 4) alguns tipos de medicamentos,<br />

5) fatores emocionais, 6) exercícios físicos, 7) refluxo gastroesofágico,<br />

8) fatores relacionados com o trabalho. Na verdade,<br />

estes são apenas os principais desencadeantes de crises<br />

de asma e podem ocorrer juntos em uma mesma pessoa. Conhecê-los<br />

e buscar controlá-los é importante para prevenção<br />

das crises, ao lado do tratamento com medicamentos e imunoterapia<br />

(vacina para alergia), quando indicado.<br />

Meu filho tem asma e teve uma crise. Foi medicado com<br />

Prednisolona e melhorou logo. Posso repetir toda vez que ele<br />

tossir ou tiver outra crise<br />

Não recomendo. Prednisolona é um corticoide usado para tratar<br />

as crises de asma, mas sempre com supervisão médica.<br />

Como qualquer medicamento, pode ocasionar efeitos colaterais<br />

com o uso prolongado e/ou indevido. É um medicamento<br />

eficaz, mas tem de ser utilizada de forma correta. Converse<br />

com o médico de seu filho para que trace um plano terapêutico,<br />

ou seja, um passo a passo sobre o que fazer nas crises.<br />

Tenho 60 anos e sou portador de asma grave. Faço uso dos remédios,<br />

mas melhorei muito pouco. O que devo fazer<br />

Se o medicamento prescrito está sendo usado corretamente<br />

e não houve melhora, é preciso investigar se existem fatores<br />

que possam contribuir para o agravamento da doença e impedir<br />

sua melhora. Como toda doença crônica, a asma requer<br />

exame clínico regular, monitoramento do uso correto do medicamento<br />

e avaliação a cada consulta do nível de controle<br />

da doença.


ALERGIA RESPIRATÓRIA<br />

7<br />

Minha filha tem bronquite e usa uma “bombinha” todos os<br />

dias. Esse remédio faz mal para o coração<br />

“Bombinha” é o nome popular para aerossóis utilizados no<br />

tratamento da asma. Este tipo de medicamento é seguro, tem<br />

atuação rápida e eficaz, podendo ser usada em qualquer idade.<br />

Existem “bombinhas de alívio”, contendo broncodilatadores<br />

que servem especificamente para alívio das crises. Mas,<br />

também existem as “bombinhas preventivas”, para uso diário<br />

e prolongado, que atuam na inflamação dos brônquios e, assim,<br />

evitam que novas crises ocorram. Estes remédios não<br />

fazem mal ao coração.<br />

Estou tratando minha asma e uso uma “bombinha” de corticoide<br />

todos os dias. Mas, às vezes, tenho a impressão, que<br />

não inalei direito. Como posso saber<br />

Alguns fatores podem interferir no tratamento da asma. Em<br />

primeiro lugar, é importante verificar se a técnica da inalação<br />

do seu medicamento preventivo está correta. Sugiro que leve<br />

no dia da consulta e mostre para seu alergista como está utilizando<br />

o medicamento. A técnica incorreta pode interferir com<br />

a eficácia do tratamento, pois o medicamento precisa atingir<br />

os brônquios a fim de controlar a inflamação que acompanha<br />

a doença.<br />

O médico falou que meu filho tem adenoide. O que isso quer<br />

dizer<br />

Adenoides são tecidos linfoides com função de defesa. Situam-se<br />

na região de trás das narinas, onde passa o ar proveniente<br />

do nariz, e popularmente são chamadas de “carne no nariz”,<br />

embora esta denominação seja inadequada. Adenoides<br />

são normais na infância e diminuem a partir da adolescência. O<br />

aumento destas estruturas pode acarretar problemas, como<br />

obstrução nasal, roncos, amigdalites, otites, entre outros.


ALERGIA E GRAVIDEZ<br />

A evolução da alergia durante a gestação é variável. É<br />

fato que, se a doença é controlada, há uma redução de<br />

crises, de atendimentos em pronto-socorro, internações<br />

hospitalares, diminuindo, também, as complicações<br />

na gravidez e no parto. Logo, o controle adequado<br />

das doenças alérgicas oferece melhores resultados<br />

para gestantes e seus bebês.<br />

✔<br />

Estou grávida, tenho rinite e asma. Posso tomar os remédios,<br />

ou prejudicam meu bebê<br />

A gestante pode e deve ser tratada durante a gravidez com total<br />

segurança para ela e para o desenvolvimento do feto. No<br />

caso da asma, o tratamento é sempre recomendado, pois o risco<br />

da doença sem controle é muito maior do que os possíveis<br />

efeitos colaterais dos remédios. O controle da rinite na gravidez<br />

também é importante, e o tratamento é escolhido de acordo<br />

com a gravidade, pesando-se os riscos e os benefícios.<br />

Tenho asma desde criança e quero saber se posso engravidar.<br />

A asma controlada com tratamento adequado não impede a gravidez.<br />

9


10 ALERGIA E GRAVIDEZ<br />

Usar bombinha na gravidez pode afetar meu bebê<br />

Existem medicamentos inalados com bom perfil de segurança<br />

na gestação. A asma sem controle ocasiona uma baixa da<br />

oxigenação, gerando riscos para o feto.<br />

Nunca fui alérgica, mas desde que engravidei estou sempre<br />

com o nariz entupido. Será que me tornei alérgica<br />

A gestação vem acompanhada de modificações hormonais,<br />

que podem influenciar a mucosa nasal, ocasionando edema e<br />

congestão nasal, independente da existência de alergia ou<br />

não.


ALERGIA DERMATOLÓGICA<br />

Apeleéomaiorórgãodocorpohumanoepode ser acometida<br />

por doenças alérgicas nas pessoas que tenham tendência<br />

hereditária (genética). As principais manifestações<br />

são: dermatite atópica, dermatite de contato, urticária, angioedema<br />

e estrófulo (alergia a picada de mosquito e pulga).<br />

A dermatite atópica (DA) manifesta-se como um eczema, ou<br />

seja, por lesões inflamatórias crônicas e/ou recorrentes da pele<br />

acompanhadas de coceira intensa. No bebê (lactente): as lesões<br />

tendem a aparecer na face (bochechas), no pescoço e,<br />

eventualmente, no couro cabeludo, no dorso e nos membros<br />

(braços e pernas). Em crianças maiores, adolescentes e adultos:<br />

as lesões tendem a se concentrar nas dobras dos cotovelos<br />

e dos joelhos, podendo também aparecer em outras regiões,<br />

como o pescoço. Pode manifestar-se de diversas formas, desde<br />

casos leves, com discreto acometimento da pele, até casos<br />

graves, onde as lesões são intensas e disseminadas.<br />

A dermatite de contato caracteriza-se pelo aparecimento<br />

da lesão limitada na área da pele que entrou em contato<br />

com o alérgeno.<br />

Na urticária, as lesões manifestam-se em forma de placas<br />

avermelhadas que coçam muito, de localização variável e<br />

duração fugaz. Denomina-se angioedema quando atingem<br />

camadas mais profundas da pele, atingindo lábios, pálpebras,<br />

mãos, pés, área genital e face.<br />

A urticária é multifatorial, podendo ser desencadeada por alimentos,<br />

medicamentos, picada de abelhas, marimbondos e formigas-de-fogo,<br />

infecções, doenças autoimunes, doenças hematológicas<br />

e distúrbios hormonais, entre outros.<br />

Estrófulo é o nome dado a alergia por picadas de insetos, como<br />

pernilongos, borrachudos e mosquitos-pólvora e pulgas.<br />

✔<br />

11


12 ALERGIA DERMATOLÓGICA<br />

Minha filha sofre de dermatite atópica e asma. Como essas<br />

duas doenças se relacionam<br />

A asma e a dermatite atópica são manifestações de atopia<br />

que ao lado da rinite alérgica compõem a tríade atópica. Estas<br />

manifestações estão relacionadas com uma predisposição<br />

genética (hereditária) para maior produção do anticorpo da<br />

alergia – IgE. Na asma ocorre uma hiper-reatividade das vias<br />

aéreas e na dermatite atópica uma hiper-reatividade da pele,<br />

ou seja, os pacientes reagem exageradamente aos estímulos<br />

ambientais (alérgenos e irritantes).<br />

Tenho angioedema e minha mãe também tem. Estou tendo<br />

muitas crises seguidas (mais de 1/mês) e já usei vários anti-histamínicos<br />

sem resultados. Gostaria de uma orientação.<br />

Crises de angioedema recorrentes, resistentes aos anti-histamínicos<br />

em duas pessoas da mesma família, sugere a hipótese diagnóstica<br />

de angioedema hereditário. O angioedema hereditário<br />

é uma doença genética, ou seja, que os filhos herdam de um dos<br />

pais, ocasionada por deficiência de uma proteína que se chama:<br />

inibidor de C1 esterase. O angiodema hereditário caracteriza-se<br />

pelo aparecimento de um inchaço na pele em qualquer parte do<br />

corpo, mas em especial no rosto, nos órgãos genitais, no tórax,<br />

nos olhos, na boca, na língua e nas extremidades, sobretudo<br />

mãos e pés. O inchaço, que não coça, não dói, nem deixa a pele<br />

vermelha, atinge também a mucosa de órgãos como intestinos,<br />

pulmão e laringe. As crises de edema são desencadeadas principalmente<br />

por traumas, procedimentos cirúrgicos, estresse e<br />

uso de medicamentos como inibidores da ECA (para hipertensão<br />

arterial) e anticoncepcional oral. Este tipo de angioedema não<br />

desaparece com o uso de anti-histamínicos ou corticosteroides.<br />

Tenho alergia a esmalte e perfumes, meu rosto fica todo inchado<br />

e com coceiras nos locais de contato.<br />

O seu relato sugere o diagnóstico de dermatite de contato. Pelo<br />

hábito de levar as mãos à face, é comum que as lesões resul-


ALERGIA DERMATOLÓGICA<br />

13<br />

tantes do uso do esmalte localizem-se no rosto em especial nas<br />

pálpebras. Contudo, para confirmação, está indicada a realização<br />

de um teste de contato com as substâncias suspeitas.<br />

As reações a substâncias em contato com a pele podem<br />

ser produzidas de duas maneiras: 1) pela ação direta<br />

sobre a pele – dermatite por irritante primário, p. ex.:<br />

detergentes e água sanitária, 2) por mecanismos alérgicos,<br />

p. ex.: bijuterias e esmaltes. A base do tratamento<br />

é a descoberta da causa e seu afastamento.<br />

✔<br />

Tenho alergia a bijuterias. Se eu furar meu umbigo e nariz<br />

com um material apropriado (aço cirúrgico) poderá trazer<br />

complicações<br />

O níquel é o principal componente sensibilizante das bijuterias.<br />

Os piercings de aço cirúrgico possuem, em sua composição,<br />

baixa quantidade dessa substância. Por esta razão, a chance<br />

de complicação existe, porém é baixa.<br />

Tenho alergia a várias marcas de tinta de cabelo e tonalizante.<br />

Gostaria de saber se meu caso tem solução e se existe alguma<br />

tinta que eu possa pintar meu cabelo<br />

Tinturas de cabelo frequentemente causam dermatite de contato,<br />

sendo a parafenilenodiamina a principal responsável por<br />

estas reações. Esta substância também é utilizada nos cosméticos<br />

de cor escura e em alguns tipos de tatuagem de henna.<br />

É recomendado realizar um teste de contato, visando uma<br />

orientação específica para seu caso.<br />

Você sabia que a alergia à tintura de cabelo nunca ocorre<br />

da primeira vez, mas sim com o passar do tempo<br />


14 ALERGIA DERMATOLÓGICA<br />

Tenho dermografismo. Quero saber como é o tratamento desta<br />

doença.<br />

Dermografismo é um tipo de urticária desencadeada quando<br />

se pressiona a pele. É uma doença benigna, porém de longa<br />

duração e bastante incômoda. O principal sintoma é a coceira<br />

na pele e, por isso, o tratamento inclui o uso de anti-histamínicos<br />

(antialérgicos), bem como: 1) evitar situações que causem<br />

atrito ou pressão na pele, 2) hidratação cutânea, 3) detecção<br />

e combate aos possíveis fatores agravantes do problema.<br />

Geralmente, é necessário o uso prolongado dos medicamentos<br />

antialérgicos.<br />

Tiveurticáriaeomédicodissequeeraalergiaàdipirona.<br />

Sempre tomei este remédio e nunca tive reação, posso fazer<br />

um teste para ter certeza<br />

Ao contrário do que se pensa, a alergia não surge da primeira<br />

vez que se usa um remédio, mas sim com o uso repetido no decorrer<br />

do tempo. O organismo primeiro precisa conhecer a<br />

substância química, para depois se sensibilizar e, assim, surgir<br />

a reação alérgica.<br />

Meus olhos incham ao tomar dipirona, aspirina e alguns anti-inflamatórios.<br />

Gostaria de saber o que é isso, e se posso<br />

desenvolver alergia a novas substâncias<br />

A aspirina, a dipirona e alguns anti-inflamatórios têm ação<br />

química semelhante. Assim, pessoas intolerantes a uma destas<br />

substâncias tendem a reagir à outra. Por conta disso, é importante<br />

que você mantenha consigo uma lista com os nomes<br />

dos medicamentos a serem evitados.<br />

Há 1 mês apresento um quadro com uma coceira irritante, pele<br />

avermelhada e grossa em algumas regiões, que foi diagnosticado<br />

como urticária. A médica receitou antialérgico e pediu<br />

que eu retornasse em 2 meses. Estou tomando o medicamento e


ALERGIA DERMATOLÓGICA<br />

15<br />

não sinto melhoras; ao contrário, às vezes, sinto como se meu<br />

corpo estivesse sendo “alfinetado”. É uma sensação muito incômoda.<br />

Como posso saber o que levou a esse quadroeoque<br />

evitar para me sentir melhor<br />

Urticária é uma doença alérgica bastante comum e que se<br />

acompanha de lesões na pele, em geral, coçando bastante. A<br />

urticária pode ter duração curta e desaparecer em dias (chamada,<br />

neste caso, de urticária aguda) ou as lesões podem persistir<br />

mesmo com tratamento (chamada de urticária crônica, quando<br />

passa de 6 semanas). O mais importante no tratamentoéabusca<br />

da causa que originou o problema, com base na história clínica<br />

e em exames complementares. O antialérgico (anti-histamínico),<br />

serve para alívio dos sintomas. O tratamento da urticária<br />

tende a ser prolongado, necessitando de persistência e uma relação<br />

de confiança com seu médico.<br />

De 1 ano para cá, quando faz frio, as partes de meu corpo que<br />

não estão cobertas por blusa e estão em contato com o vento<br />

frio começam a coçar sem parar e a ficar vermelhas. O que pode<br />

estar acontecendo.<br />

O seu relato sugere que possa ser uma urticária ao frio, em<br />

que o contato com água, vento ou objetos gelados faz surgir<br />

na pele vermelhidão e placas que coçam. Enquanto<br />

aguarda a consulta, evite exposição ao frio, como mergulhar<br />

em águas geladas, viajar para lugares frios e contato<br />

direto com gelo.<br />

Há 5 meses estou com urticária. Todos os dias eu fico com o<br />

corpo cheio de placas que coçam muito. Fiz os exames solicitados<br />

(sangue, urina e fezes) e nada foi encontrado. Tomo<br />

antialérgicos, mas não melhoro. Não consigo sequer sair de<br />

casa para trabalhar devido ao rosto e corpo todo deformado.<br />

A urticária parece uma doença simples, já que suas lesões<br />

são características, facilmente reconhecidas e diagnostica-


16 ALERGIA DERMATOLÓGICA<br />

das. No entanto, tudo muda de figura quando se fala nas causas<br />

da doença, que podem envolver fatores variados, como:<br />

medicamentos, alimentos, agentes físicos (roupas apertadas,<br />

frio, calor, luz solar, suor etc), parasitoses, infecções variadas,<br />

doenças internas etc. Além disso, existe uma parcela de casos<br />

de urticária que são considerados “idiopáticos”, ou seja,<br />

onde a causa não é detectada ou não identificável. Pode ser o<br />

seu caso. É recomendável manter o tratamento, sendo muito<br />

importante que se estabeleça um clima de diálogo e confiança<br />

entre o médico e o paciente. Mesmo que não se tenha a<br />

cura, é possível conquistar melhor qualidade de vida.<br />

Eu tenho urticária. Não posso me expor ao sol que fico toda<br />

empolada. Eu uso um antialérgico há mais de 10 anos. Será<br />

que eu posso continuar tomando por mais tempo<br />

Um dos diagnósticos possíveis no seu casoéaurticáriasolar,<br />

que é uma resposta alérgica da pele a diferentes comprimentos<br />

de onda de luz, que se acentua no verão. A exposição progressiva<br />

por curto intervalo de tempo à luz do sol ou à radiação ultravioleta<br />

antes da estação pode ajudar a diminuir ou evitar a reação.<br />

Os anti-histamínicos costumam controlar bem o problema, e seu<br />

uso prolongado não está associado a efeitos colaterais significativos.<br />

Os produtos mais antigos podem provocar sonolência e<br />

comprometer a atenção nas pessoas que dirigem e/ou trabalham<br />

com máquinas. Os compostos mais modernos são mais<br />

bem tolerados e seguros para a maioria das pessoas.


ALERGIA ALIMENTAR<br />

Alergia alimentar é um grande desafio quanto ao diagnóstico<br />

e tratamento. A princípio, qualquer pessoa, em<br />

qualquer idade, pode apresentar reações adversas à<br />

alimentos e, nem sempre, tais reações são verdadeiramente<br />

alérgicas.<br />

Na alergia alimentar verdadeira, o sistema imunológico<br />

monta uma resposta exagerada e anormal contra<br />

constituintes dos alimentos independente da quantidade<br />

ingerida. Por isso, é muito importante a exclusão<br />

total do alimento e de seus derivados no indivíduo com<br />

diagnóstico comprovado.<br />

As principais manifestações da alergia alimentar são:<br />

urticária, angioedema, dermatite atópica e anafilaxia.<br />

Ao contrário do que se pensa, a maior parte das reações<br />

aos alimentos não são de origem alérgica. As mais<br />

comuns são as reações tóxicas decorrentes da presença<br />

de substâncias ou contaminantes no alimento (p. ex.:<br />

diarreia após ingerir alimento com toxinas bacterianas<br />

em virtude da má conservação). Outras dependem de<br />

intolerância individual, por dificuldade de digestão do<br />

alimento, como nos casos de intolerância a lactose.<br />

✔<br />

Gostaria de saber como identificar nos produtos industrializados<br />

a presença do leite de vaca, pois, muitas vezes, não é<br />

fácil a identificação dos constituintes do leite nos rótulos.<br />

Tenho um bebê de 1 ano e 6 meses e foi prescrita pelo médico<br />

17


18 ALERGIA ALIMENTAR<br />

a substituição do leite e derivados por produtos à base de<br />

soja.<br />

A sua preocupação é correta e muito importante. Vários alimentos<br />

industrializados contêm leite de vaca earotulagem<br />

nem sempre permite aos leigos a identificação da presença de<br />

leite. As principais substâncias presentes na rotulagem de alimentos<br />

industrializados e que indicam a presença de quantidades<br />

variáveis de alérgenos do leite de vaca são: caseína, caseinato<br />

de cálcio, caseinato de magnésio, caseinato de sódio, caseinato<br />

de potássio, soro de leite, soro animal, soro, lactoalbumina,<br />

lactose, sabor artificial de manteiga, creme, creme azedo,<br />

proteína animal e gordura animal. Alguns termos, como flavorizante<br />

natural sabor caramelo e corante caramelo podem<br />

conter ou não proteínas do leite. Recomendo que a fim de evitar<br />

uma restrição alimentar excessiva para o seu filho, você proceda<br />

da seguinte forma. Primeiro, leia com atenção o rótulo dos<br />

produtos que deseja incluir na dieta e, caso haja um termo suspeito<br />

ou duvidoso da presença de leite, entre em contato com a<br />

indústria alimentícia fabricante para obter a informação precisa<br />

da presença ou não de proteínas do leite no produto.<br />

Meu filho de 2 anos tem asma, com muita tosse e catarro.<br />

Disseram-me que o leite de vaca aumenta a produção de catarro.<br />

Devo parar de dar leite para ele<br />

As principais manifestações clínicas de alergia ao leite de<br />

vaca são dermatológicas (dermatite atópica, urticária), gastrointestinais<br />

(diarreia, vômitos) e anafilaxia. A asma como manifestação<br />

isolada de alergia ao leite de vaca é rara. Os principais<br />

fatores desencadeantes de crises de asma em crianças<br />

pequenas são as viroses respiratórias e a alergia aos ácaros<br />

da poeira. Por outro lado, não existem evidências científicas<br />

de que o leite aumente a produção de catarro em crianças e<br />

adultos que não sejam alérgicos ao leite. O leite de vaca, especialmente,<br />

para as crianças de baixa idade, é um compo-


ALERGIA ALIMENTAR<br />

19<br />

nente de grande valor nutricional e não deve ser retirado da<br />

dieta desnecessariamente.<br />

ALERGIA AO LEITE É DIFERENTE DA<br />

INTOLERÂNCIA À LACTOSE<br />

✔<br />

Nos casos de intolerância, o organismo não tem capacidade<br />

para digerir a lactose, que é o açúcar do leite. Na<br />

alergia ao leite, há uma reação imunológica às proteínas<br />

do leite. - Os sintomas da intolerância são restritos ao trato<br />

digestório (diarreia, prisão de ventre, dor etc.), enquanto<br />

na alergia os sintomas podem acometer de forma ampla<br />

e atingir pele, trato digestório, respiratório etc.<br />

Tenho notado que ao comer alguma comida que contenha pimenta,<br />

depois de algumas horas fico com os olhos inchados e<br />

apresento descamação nas pálpebras. Essas alterações ocorrem<br />

também no pescoço e quanto mais eu coço, mais vermelho<br />

fica e a pele se solta. Isto pode ser alergia à pimenta<br />

A pimenta é um alimento que contém uma substância chamada<br />

capsaicina, responsável pela sensação de ardor na boca. Esta<br />

substância provoca dilatação de vasos capilares, aumento do<br />

fluxo sanguíneo e estimula ramificações nervosas, promovendo<br />

uma série de alterações. A pimenta pode provocar reações<br />

no organismo sem que haja um mecanismo alérgico envolvido.<br />

Fui a uma festa, comi vários salgadinhos (croquete de camarão,<br />

bolinho de bacalhau, quibe), doces (cajuzinho, brigadeiro,<br />

bolo de nozes) e tomei refrigerantes. No meio da festa, fiquei<br />

com os olhos inchados e cheia de manchas vermelhas pelo<br />

corpo. Pode ter sido alergia a algo que eu comi Será que foi o<br />

croquete de camarão, o chocolate do brigadeiro ou o corante<br />

dos refrigerantes Como posso saber o que causou a alergia<br />

Vários alimentos que você citou podem causar reações alérgicas,<br />

especialmente o camarão. O camarãoéaprincipalcausa<br />

de alergia alimentar nos adultos em nosso país. Contudo, o ba-


20 ALERGIA ALIMENTAR<br />

calhau, as nozes e o amendoim também são alimentos com alto<br />

potencial alergênico. Embora exista a crença popular de que<br />

os corantes e o chocolate causam alergia, as reações alérgicas<br />

a estes alimentos são muito raras. A investigação diagnóstica<br />

de alergia a camarão, bacalhau, nozes e amendoim pode<br />

ser realizada mediante exames laboratoriais (dosagem de IgE<br />

específica) ou testes cutâneos alérgicos.<br />

Tenho alergia a camarão e terei que realizar uma urografia excretora<br />

com contraste iodado. Tenho medo de ter uma reação<br />

alérgica grave por causa do iodo. Posso realizar o exame sem<br />

problemas<br />

A alergia a camarão não é um fator de risco para reações adversas<br />

aos exames com contraste iodado. A alergia ao camarão<br />

está relacionada com proteínas constituintes do camarão e<br />

não ao iodo. As reações adversas aos meios de contraste são,<br />

na maioria das vezes, decorrentes de mecanismos não alérgicos<br />

e relacionadas com a alta osmolaridade dos contrastes. Os<br />

principais fatores de risco para reações adversas aos contrastes<br />

iodados são: histórico de reação prévia a contraste, doença<br />

cardiovascular, insuficiência renal e idade acima de 50 anos.<br />

Minha filha, que está com 4 anos, tem dermatite atópica e<br />

quando tinha 1 ano apresentou uma reação alérgica grave ao<br />

ingerir ovo. Realizou exames de sangue que confirmaram este<br />

diagnóstico. Agora vamos residir em Manaus e ela precisa tomar<br />

a vacina contra febre amarela. O pediatra informou que<br />

esta vacina tem proteínas do ovo e é perigosa. Podemos aplicar<br />

a vacina Quais os cuidados que devemos ter<br />

As vacinas cultivadas em embrião ou tecidos embrionários de<br />

pintos apresentam quantidades variáveis de proteínas do ovo.<br />

As principais vacinas cultivadas em embrião de pinto são as<br />

seguintes: antifebre amarela, antirrábica, anti-influenza e tríplice<br />

viral. As recomendações para pacientes alérgicos a ovo


ALERGIA ALIMENTAR<br />

21<br />

que necessitarem receber estas vacinas baseiam-se na quantidade<br />

de proteína do ovo presente na vacina e no histórico do<br />

paciente. No caso da vacina antifebre amarela, recomenda-se<br />

aos pacientes com alergia comprovada ao ovo testar a vacina,<br />

em ambiente hospitalar, antes de sua administração.


ANAFILAXIA<br />

A anafilaxia é uma reação alérgica grave, generalizada,<br />

podendo acometer diversos órgãos e sistemas. É<br />

uma emergência médica que requer cuidado imediato<br />

e um acompanhamento posterior com o alergista.<br />

Acompanha-se de placas vermelhas na pele, falta de ar,<br />

chiados, cólicas abdominais, aceleração cardíaca, alteração<br />

da pressão arterial, podendo evoluir para choque<br />

e óbito. As causas mais comuns de anafilaxia são: alimentos,<br />

medicamentos, látex e venenos de insetos. É popularmente<br />

conhecida como “choque anafilático”.<br />

O choque anafilático pode ser evitado em muitos casos<br />

por meio da correta investigação de reações alérgicas<br />

anteriores e pela adoção de cuidados preventivos. O<br />

uso da adrenalina pode salvar vidas quando aplicada<br />

precocemente evitando as reações mais graves<br />

✔<br />

Tenho 37 anos e sempre comi camarão sem qualquer problema.<br />

Recentemente, comi uma moqueca de camarão, tive um<br />

edema de glote e fui parar na emergência. Fiquei no soro e<br />

recebi vários medicamentos (adrenalina e corticoide). Desde<br />

então nunca mais comi camarão. Será que foi mesmo<br />

alergia ao camarão Posso comer caranguejo<br />

A alergia alimentar pode iniciar-se em qualquer idade e, em<br />

geral, ocorre após um período de consumo do alimento alergênico<br />

sem problemas. Este período é conhecido como período<br />

de sensibilização, ou seja, uma fase em que o sistema imunológico<br />

está desenvolvendo a resposta alérgica ao alimento.<br />

23


24 ANAFILAXIA<br />

O edema de glote é uma manifestação grave de anafilaxia, em<br />

que existe risco de vida. O tratamento com adrenalina é necessário<br />

e altamente eficaz. Os corticosteroides são utilizados<br />

principalmente para prevenir a recorrência dos sintomas<br />

horas após ao quadro inicial. No casos de anafilaxia associados<br />

à ingestão de camarão, o recomendável é a confirmação<br />

do diagnóstico mediante dosagem de IgE específica no sangue.<br />

É importante também que seja avaliada a sensibilização<br />

aos demais frutos do mar (lagosta, lagostim, caranguejo e<br />

siri). O risco de reação aos demais frutos do mar em pacientes<br />

com alergia e camarão é alto.<br />

Estava no sítio de minha família e fui picada por um marimbondo.<br />

Tive inchaço no rosto, falta de ar e dor de barriga. Fui a um<br />

postodesaúdeeomédicomeexaminou, mediu a minha pressão<br />

(estava baixa) e disse que era choque anafilático. Fui medicada<br />

com várias injeções e fiquei bem, mas estou com muito<br />

medo de voltar ao sítio por causa dos marimbondos. O que devo<br />

fazer Tem algum tratamento para prevenir estas reações<br />

O quadro que você apresentou após a picada de marimbondo<br />

é designado anafilaxia, uma reação alérgica grave que pode<br />

acometer vários aparelhos e sistemas simultaneamente; no<br />

seu caso, a pele, o aparelho respiratório, o trato digestório e o<br />

aparelho cardiovascular, e que pode evoluir para choque<br />

anafilático. É importante que a causa do choque anafilático<br />

seja confirmada por meio da dosagem da IgE específica para<br />

marimbondo. O tratamento preventivo das reações anafiláticas<br />

à picada de marimbondos é realizado através da imunoterapia<br />

(vacinas hipossensibilizantes) com extratos de marimbondo.<br />

Este procedimento é bastante efetivo, entretanto é demorado.<br />

A principal medida, a curto prazo, para a proteção<br />

dos pacientes com anafilaxia à picada de insetos é o autoaplicador<br />

de adrenalina, para ser administrada em uma situação<br />

de emergência (nova reação à picada de inseto).


ANAFILAXIA<br />

25<br />

Fui realizar uma cirurgia de mioma e apresentei um quadro<br />

de alergia grave durante a cirurgia, que foi suspensa. Não<br />

lembro de nada, pois já estava anestesiada quando tudo<br />

aconteceu. Foi alergia ao anestésico<br />

Várias substâncias podem ocasionar reações adversas durante<br />

os procedimentos cirúrgicos, destacando-se as seguintes:<br />

bloqueadores neuromusculares (utilizados na indução da<br />

anestesia), anestésicos gerais, anestésicos locais, opioides,<br />

antibióticos, coloides e látex. A investigação diagnóstica do<br />

agente causador de uma reação anafilática durante uma cirurgia<br />

deve ser meticulosa, baseando-se na revisão do prontuário<br />

médico, características da reação e momento de sua<br />

ocorrência, bem como todos os medicamentos e materiais<br />

utilizados. Em uma etapa posterior, de acordo com a suspeita<br />

clínica, serão realizados testes cutâneos, laboratoriais ou de<br />

provocação com a(s) substância(s) suspeita(s).<br />

O médico mandou comprar uma caneta aplicadora de adrenalina.<br />

Meu sobrinho começou o ano escolar e precisamos do<br />

medicamento sempre a mão, caso ocorra uma emergência. O<br />

queéisso<br />

São dispositivos contendo adrenalina para a autoadministração<br />

(ou administração por familiares/cuidadores, no caso de<br />

crianças) em situações de emergência alérgica – anafilaxia,<br />

que estão disponíveis em duas apresentações – adulto e pediátrico.<br />

Este produto, assim como qualquer outro medicamento,<br />

só deve ser adquirido por orientação médica. A sua<br />

principal indicação é para pacientes com histórico de anafilaxia<br />

por alergia a alimentos e/ou insetos (abelha, marimbondo<br />

e formiga-de-fogo ou formiga-lava-pés). Igualmente importante,<br />

é que o paciente e familiares/cuidadores sejam orientados<br />

sobre sinais e sintomas da anafilaxia, visando o reconhecimento<br />

rápido do quadro, bem como aplicação correta da<br />

adrenalina.


REAÇÕES ADVERSAS A<br />

MEDICAMENTOS<br />

Reação adversa a um medicamento é, por definição, qualquer<br />

efeito indesejável relacionado com o uso de um medicamento<br />

diferente do seu efeito farmacológico almejado.<br />

As reações alérgicas ocorrem como resultado do reconhecimento<br />

e resposta do sistema imune a um determinado<br />

medicamento. Estas reações ocorrem em pessoas<br />

com predisposição genética, sendo mais frequentes em<br />

indivíduos atópicos. Desordens do sistema imunológico<br />

(p. ex.: infecção pelo HIV), distúrbios circulatórios (p. ex.:<br />

insuficiência cardíaca) e desordens metabólicas (p. ex.: insuficiência<br />

hepática) também são condições favorecedoras<br />

de reações adversas a medicamentos. Os principais<br />

medicamentos envolvidos são: antibióticos, analgésicos,<br />

anti-inflamatórios, anticonvulsivantes, anti-hipertensivos,<br />

anestésicos, contrastes iodados, hormônios e soros.<br />

Podemos citar como exemplos de reações adversas não<br />

alérgicas as reações tóxicas (uso de dose excessiva),<br />

efeitos colaterais (gastrite decorrente do uso de anti-inflamatórios),<br />

interação medicamentosa (sonolência pelo<br />

uso simultâneo de antialérgico e tranquilizante).<br />

✔<br />

Em duas ocasiões me senti mal após receber anestesia no dentista.<br />

Nos dois episódios apresentei, cerca de meia hora após a<br />

aplicação, sensação de mal-estar súbito, pés muito gelados,<br />

tremedeira e crise de choro. Na primeira vez achei que era<br />

emocional. Tive um segundo episódio e me levaram para o<br />

pronto-socorro imediatamente, onde recebi soro e fiquei bem.<br />

Pode ser alergia ao anestésico<br />

Anestésicos locais podem provocar diversos tipos de reações,<br />

incluindo reações vagais, reações tóxicas, superdosagem e<br />

27


28 REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS<br />

reações alérgicas. As reações alérgicas são raras e o seu relato<br />

sobre as manifestações clínicas apresentadas não sugere<br />

que tenha ocorrido uma alergia. A confirmação do diagnóstico<br />

da alergia ao anestésico é realizada por meio do teste de<br />

provocação em ambiente hospitalar.<br />

É verdade que existe um teste feito no sangue para verificar a<br />

quais medicamentos uma pessoa é alérgica<br />

O diagnóstico da alergia a medicamentos é feito pelo médico-alergista,<br />

avaliando em conjunto: 1) dados da história clínica<br />

(anamnese), 2) dados do exame físico, 3) dados obtidos por<br />

meio de exames complementares, incluindo os testes cutâneos<br />

(puntura e contato), os testes de provocação e/ou exames<br />

laboratoriais (sangue).<br />

A investigação diagnóstica de alergia a medicamentos por<br />

meio de exames de sangue é limitada. Os métodos laboratoriais<br />

disponíveis só permitem a investigação de alergia a um pequeno<br />

número de medicamentos, destacando-se os seguintes: penicilina,<br />

amoxacilina, insulina e suxametônio (relaxante muscular<br />

utilizado em anestesia geral).<br />

Tenho uma filha de 5 anos que ficou alérgica a todos os antibióticos.<br />

Li um artigo sobre a dessensibilização a medicamentos<br />

e achei interessante. Isto funciona<br />

A dessensibilização a medicamentos pode ser utilizada, mas este<br />

procedimento tem indicação restrita, em razão das limitações<br />

e dos riscos. A principal indicação para a dessensibilização a um<br />

medicamento é a necessidade imperiosa do uso deste fármaco<br />

e a ausência de um medicamento substituto. A maior limitação<br />

da dessensibilização é que os seus efeitos não perduram após a<br />

suspensão do medicamento, ou seja, cada vez que o paciente<br />

necessitar utilizar o produto terá de ser submetido a nova dessensibilização.<br />

A alergia a todos os antibióticos é extremamente<br />

rara. Acho que o mais importante para a sua filha é definir a quais<br />

antibióticos ela é alérgica.


AMBIENTE<br />

Os ácaros são seres microscópicos com cerca de 0,3<br />

mm cujo alimento principal é a descamação da pele.<br />

Nas suas fezes (bolotas fecais) estão seus principais<br />

alérgenos. Vivem cerca de 10 semanas, período em que<br />

a fêmea põe de 40 a 60 ovos. As condições ideais para<br />

seu desenvolvimento são a umidade relativa do ar maior<br />

que 50% e clima quente e úmido. Atenção especial deve<br />

ser dada ao dormitório do alérgico, uma vez que colchões,<br />

travesseiros, roupas de cama, carpetes e estofados<br />

são reservatórios de descamações da pele humana,<br />

principal fonte alimentar dos ácaros.<br />

Calcula-se que devam existir de 500 mil a 2 milhões de<br />

ácaros no interior de um colchão, independente das<br />

condições de higiene da casa.<br />

Quero saber se quem tem hístória clínica de asma, sinusite,<br />

rinite alérgica e amigdalite pode usar umidificador de ar no<br />

quarto de dormir, principalmente à noite.<br />

Os umidificadores produzem névoa de água, com o objetivo de<br />

aumentar a umidade do ar e não estão indicados para uso nos<br />

quartos de pessoas alérgicas, a não ser em casos especiais indicados<br />

pelo médico-especialista. A umidade aumentada no<br />

ambiente do quarto pode favorecer o crescimento de ácaros e<br />

fungos que são desencadeantes de alergia respiratória.<br />

Minha esposa tem asma e parece ter alergia a cachorros,<br />

mas ela insiste em manter o animal. O que devemos fazer<br />

A asma pode ser desencadeada por vários fatores, inclusive<br />

por epitélio de cão. Existem exames tanto para a confirmação<br />

✔<br />

29


30 AMBIENTE<br />

da asma, quanto para detectar se sua esposa é sensível ao<br />

alérgeno do cão Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento<br />

inclui medicamentos para alívio e prevenção das crises. Associado<br />

ao medicamento, alguns cuidados são importantes, como<br />

banhar o animal semanalmente e restringir sua circulação nos<br />

dormitórios, evitando que suba em camas e estofados. A imunoterapia<br />

(vacina para alergia) complementa o tratamento.<br />

Meu marido será transferido para uma cidade que tem clima<br />

muito frio. Será que a nossa filha vai piorar Ela é muito alérgica<br />

e tem asma e rinite.<br />

Não há como afirmar qual seria a condição climática ideal para<br />

um alérgico, pois certamente esbarraríamos na resposta do organismo,<br />

que é sempre individual. O fato de ser um local frio<br />

não implica que piorará a alergia. Temos muitos exemplos de<br />

pessoas que foram favorecidas com a mudança para locais<br />

com temperaturas mais baixas, porém com menores índices de<br />

poluição. Além disso, não importa apenas a condição climática,<br />

mas também as condições dentro da residência.<br />

Um ambiente com pouca poluição e que favoreça a vida ao ar<br />

livre é melhor, sem dúvidas, para todos. Ácaros crescem mais em<br />

ambientes úmidos e não se desenvolvem tão bem em ambientes<br />

mais secos.<br />

Meu filho de 9 anos tem asma desde pequeno e atualmente<br />

está controlada com medicamento e vacina. Gostaria de saber<br />

se ele pode fazer exercício físico e qual o esporte estaria<br />

mais indicado para ele.<br />

A asma bem controlada não é uma doença incapacitante, e<br />

seu filho deve praticar o esporte de sua preferência. O exercício<br />

físico estimula o sistema cardiorrespiratório, contribui<br />

para elevar a autoestima e, consequentemente, a qualidade<br />

de vida.


AMBIENTE<br />

31<br />

Gostaria de saber se pessoas portadoras de rinite alérgica<br />

devem fazer natação. Caso possam, devemos escolher piscina<br />

aquecida ou não, e com água salinizada ou com cloro<br />

Em primeiro lugar, é preciso analisar a gravidade da rinite do paciente.<br />

Natação é um excelente esporte, porém não deve ser indicada<br />

sem uma avaliação criteriosa. A escolha do tipo de piscina<br />

depende de cada caso. Em locais de clima quente ou temperado,<br />

recomenda-se a piscina sem aquecimento. Alguns pacientes<br />

não se adaptam às piscinas cloradas, que podem provocar<br />

irritação da mucosa nasal e agravar sintomas da rinite.<br />

PARA TER UMA CASA SAUDÁVEL, LIVRE DE ALERGIAS:<br />

✔<br />

Melhorar ventilação: manter janelas abertas durante o dia.<br />

Não tenha receio: vento não faz mal!<br />

Limpeza diária dos cômodos, com pano úmido. Evitar produtos<br />

de limpeza com odor forte.<br />

Limpeza de ventiladores e dos filtros do ar condicionado.<br />

Evitar animais no quarto de dormir.<br />

Consertar focos de infiltração e umidade.<br />

Mobiliário simples e de fácil limpeza.<br />

Encapar travesseiros e colchões. Trocar a roupa de cama<br />

semanalmente.<br />

Cuidados no armazenamento de roupas: lavar roupas<br />

guardadas antes do uso.<br />

Controle de fatores irritantes: fumaça de cigarro, odores e<br />

umidade.


MÉTODOS DIAGNÓSTICOS<br />

O diagnóstico das doenças alérgicas é realizado principalmente<br />

por meio da anamnese (histórico clínico) e<br />

do exame físico do paciente. Quando necessário, exames<br />

são utilizados para complementação e/ou confirmação<br />

do diagnóstico clínico. Os principais exames<br />

utilizados em alergia são: testes cutâneos de leitura<br />

imediata e de contato, exames laboratoriais (dosagem<br />

de IgE total e IgE específica no sangue), diagnóstico<br />

por imagem (p. ex.: radiografias, tomografias), testes<br />

de provocação, dietas de eliminação, entre outros.<br />

✔<br />

O exame de sangue para detectar alergia é tão eficaz quanto<br />

o exame feito na pele<br />

A indicação para realizar a investigação diagnóstica de alergia<br />

por intermédio do teste cutâneo ou do exame de sangue depende<br />

de vários fatores, dentre os quais: a idade do paciente, o tipo<br />

de manifestação alérgica, a gravidade da doença, o agente causador,<br />

a gravidade da doença, a interferência de medicamento<br />

concomitante, a presença de doenças acometendo áreas extensasdapeleeadisponibilidade<br />

regional. Ambos têm boa acurácia<br />

diagnóstica quando bem diagnosticadas.<br />

Meu filho fez um teste alérgico na pele eoresultadofoioseguinte:<br />

positivo para Dermatophagoides farinae e pteronyssinus,<br />

Blomia tropicalis, enfim, é muito alérgico. A que ele tem<br />

alergia exatamente<br />

Seu filho tem sensibilização a ácaros da poeira domiciliar que<br />

são os principais vilões das alergias respiratórias, como a ri-<br />

33


34 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS<br />

niteeaasma.Estes seres microscópicos se alimentam de descamações<br />

de nossa pele (Dermato = pele; Phagoydes = ”comedor”)<br />

e, por esta razão, habitam principalmente o colchão e<br />

o travesseiro de seres humanos. Estes resultados são de extrema<br />

importância no auxílio de medidas de controle ambiental<br />

(contra ácaros neste caso) e para a indicação de tratamento<br />

com imunoterapia específica (vacinas para alergia).<br />

Meusobrinhotemalergiarespiratóriaeomédicodelepediu<br />

uns exames de sangue e um deles se trata da dosagem de<br />

Imunoglobina E. O resultado deste exame foi 151UI/mL, mas<br />

para a idade dele, 4 anos, o normal seria de 60 UI/mL. Agora<br />

eu pergunto, o que poderá acontecer com esta criança<br />

Níveis elevados de IgE são caracteristicamente observados<br />

em pacientes com doenças alérgicas, como asma, rinite alérgica,<br />

eczema atópico ou em pessoas com uma predisposição<br />

genética (familiar) para alergia mesmo sem doença evidente.<br />

Os resultados devem ser interpretados em conjunto com a<br />

presença de história pessoal e/ou familiar de alergia em conjunto<br />

alterações detectadas no exame físico do paciente.<br />

Assim, de posse destes dados é possível avaliar adequadamente<br />

o significado clínico deste valor de IgE. Contudo, de um<br />

modo geral, valores deste nível são frequentes em crianças<br />

alérgicas.<br />

É verdade que existe um teste feito no sangue para verificar a<br />

qual medicamento sou alérgica Onde posso fazê-lo<br />

A investigação diagnóstica de alergia a medicamentos através<br />

de exames de sangue é limitada. Os métodos laboratoriais<br />

disponíveis só permitem a investigação de alergia a um pequeno<br />

número de medicamentos, destacando-se os seguintes:<br />

penicilina e alguns de seus derivados, insulina e suxametônio<br />

(relaxante muscular utilizado em anestesia geral).


MÉTODOS DIAGNÓSTICOS<br />

35<br />

Tenho uma filha de 1 ano e 8 meses e gostaria de saber se ela<br />

já pode fazer o teste de alergia<br />

Não existe idade limite para a realização de testes alérgicos<br />

na pele. O fundamental é saber qual é a indicação para a realização<br />

dos testes e interpretá-los de modo adequado. O médico,<br />

especialista em alergia e imunologia clínica, é o profissional<br />

mais capacitado para realizar este procedimento.<br />

O médico falou que devo fazer um exame chamado ImmunoCAP.<br />

O que é isso<br />

ImmunoCAP é um método para dosar a IgE específica contra<br />

alérgenos no sangue, que utiliza um método quantitativo enzimático<br />

não radioativo. Este exame, além de diagnosticar a<br />

presença de uma determinada sensibilização, permite determinar<br />

o grau de sensibilização ao alérgeno testado. É mais<br />

sensível e específico quando comparado com os métodos<br />

mais antigos.


TRATAMENTO<br />

É verdade que o uso da bombinha faz mal ao coração O meu<br />

marido já usa há muito tempo. Ele é maratonista, tem 52 anos,<br />

corre há 20 anos e nunca teve nada.<br />

“Bombinha” é uma forma genérica de chamar todos os remédios<br />

inalados utilizados no tratamento da asma. Existem diferentes<br />

tipos de medicamentos para uso inalatório: que podem<br />

ser broncodilatadores – que servem para aliviar os sintomas<br />

agudos da asma – ou medicamentos que atuam na inflamação<br />

dos brônquios e que são utilizados para controle da doença.<br />

Os broncodilatadores são utilizados por atletas de modo<br />

preventivo, imediatamente antes do exercício programado e<br />

seu uso é permitido pelo COI (Comitê Olímpico Internacional),<br />

pois não causam problemas de saúde, nem interferem na performance<br />

esportiva dos asmáticos.<br />

É perigoso fazer nebulizações em uma criança de 2 anos, várias<br />

vezes ao dia Fiquei sabendo que seca o pulmão. É verdade<br />

Para responder a sua pergunta, é necessário conhecer que<br />

tipo de medicamento está sendo feito por meio da nebulização.<br />

Por exemplo, remédios broncodilatadores só devem ser<br />

utilizados nos momentos de crises, para alívio dos sintomas<br />

(tosse, chiado no peito). Se for preciso utilizá-los várias vezes<br />

ao dia, é um sinal de descontrole da doença e necessidade<br />

imediata de avaliação médica. Já os corticoides inalados são<br />

utilizados de modo contínuo, em uma ou duas tomadas diárias<br />

para controle e prevenção da asma. Ambos medicamentos<br />

são liberados para uso inalatório em lactentes e pré-escola-<br />

37


38 TRATAMENTO<br />

res (crianças de 0-6 anos) e são seguros quando seguem um<br />

plano de ação prescrito por um médico.<br />

Uso bombinha de corticoides inalados há 4 anos e também<br />

faço controle com vacina antialérgica. Depois que comecei<br />

a usar esses medicamentos, não tive mais crises fortes. Vou<br />

ter que tomar remédio para o resto da vida<br />

A interrupção do uso dos medicamentos preventivos depende<br />

do grau de controle da asma. Este controle leva em conta a<br />

frequência das crises de asma, presença de sintomas noturnos<br />

(chiado no peito, tosse) e a interferência nas atividades<br />

diárias da pessoa (trabalho/lazer/esportes etc.) nos últimos<br />

meses ou anos. Sempre que possível, esta avaliação deve ser<br />

acompanhada de uma prova de função pulmonar que avalia<br />

diretamente o funcionamento dos pulmões. Já o tratamento<br />

de vacinas é utilizado, em média, por 3 a 5 anos mesmo com a<br />

doença bem controlada e deve ser realizado conjuntamente<br />

com o tratamento medicamentoso.<br />

Qual é o mecanismo de ação da cortisona no nosso organismo<br />

Corticoide, corticosteroide ou cortisona são nomes diferentes<br />

para um mesmo medicamento muito utilizado no tratamento<br />

das doenças alérgicas. É sintetizado a partir de um hormônio<br />

produzido por uma pequena glândula chamada suprarrenal<br />

ou adrenal. Este hormônio, chamado de cortisol, é essencial<br />

para a vida, contribuindo para manter o equilíbrio no organismo<br />

humano. Tem potente ação anti-inflamatória natural, e<br />

atua sobre diversas funções do organismo, como no metabolismo<br />

ósseo dos açúcares, sais minerais, gorduras, proteínas,<br />

exercendo também ação estimuladora no cérebro. Estas ações<br />

são muito importantes para gerar energia necessária para<br />

manutenção das atividades diárias e, em especial, nas situações<br />

de estresse, tanto físico como emocional.


TRATAMENTO<br />

39<br />

Há um tempo fiz um tratamento utilizando cortisona por via<br />

intramuscular mensal por aproximadamente 6 meses. Tive<br />

Síndrome de Cushing. Existe algo que eu possa fazer para<br />

evitar isso<br />

A Síndrome de Cushing, insuficiência da glândula suprarrenal,<br />

está geralmente relacionada com o uso prolongado de cortisona<br />

e também depende da sensibilidade do paciente ao medicamento.<br />

O uso da cortisona deve ser sempre acompanhado de<br />

perto por um médico experiente. O uso por períodos inferiores<br />

a 10 dias é bastante seguro, não havendo efeitos colaterais importantes.<br />

A via intramuscular deve ser evitada sempre que<br />

possível, pois o medicamento pode permanecer no organismo<br />

por período de tempo indeterminado.<br />

Gostaria de saber com que frequência posso administrar a<br />

prednisolona, pois meu filho tem crises frequentes de bronquite<br />

asmática. Hoje administro a cada 3 meses, para que as<br />

crises venham pelo menos mais leves. Tenho receio de que<br />

isso possa prejudicá-lo a longo prazo.<br />

A utilização frequente de corticoides orais como a prednisolona<br />

pode causar efeitos adversos. Por esta razão, estes medicamentos<br />

só devem ser utilizados nas crises de asma sob<br />

prescrição médica. Atualmente, dispomos dos corticoides inalados<br />

que utilizados de modo continuado e em baixas doses,<br />

são seguros e eficazes no controle da asma, reduzindo a frequênciaeaintensidade<br />

das crises e a necessidade de medicamentos<br />

por via oral.<br />

Qual é o medicamento intranasal que provoca menos efeitos<br />

colaterais e que seja mais eficaz para rinite alérgica<br />

Os corticoides intranasais são considerados os medicamentos<br />

mais eficazes no controle dos sintomas da rinite alérgica, sendo<br />

bastante seguros com relação aos efeitos colaterais. Embora<br />

difiram quanto à potênciaeàpropriedades químicas, de um


40 TRATAMENTO<br />

modo geral, sua ação é bastante semelhante. A indicação de<br />

qual tipo de corticoideéomelhorparacada paciente dependerá<br />

principalmente da idade e da aceitação individual, pois cada<br />

pessoa pode reagir de forma própria a um determinado medicamento.<br />

Gostaria de saber se gotas nasais fazem mal para o coração,<br />

pois me disseram isso e eu já estou usando há uns 4 meses e<br />

não consigo parar. Meu nariz resseca facilmente, além de entupir<br />

direto.<br />

As gotas para uso intranasal pertencem a um grupo de medicamentos<br />

classificados como “vasoconstritores tópicos nasais”.<br />

Como o nome sugere, têm a capacidade de contrair os<br />

vasos sanguíneos da mucosa nasal, “desinchando” o local,<br />

melhorando a passagem do ar e, assim, aliviando a obstrução.<br />

Diferentemente das gotas de soro fisiológico, estes medicamentos<br />

contêm em sua formulação substâncias como a nafazolinaeaoximetazolina,quetêmummecanismo<br />

de ação alfa-adrenérgica<br />

a, implicando no risco de efeitos adversos. O<br />

uso continuado pode provocar vício e piorar a obstrução nasal,<br />

causando a chamada rinite medicamentosa. Além disso,<br />

podem acarretar efeitos no resto do organismo, como, por<br />

exemplo: alteração de sono, tontura, tremor, dor de cabeça,<br />

taquicardia e hipertensão arterial.<br />

O que é um anti-histamínico<br />

Anti-histamínicos, também chamados de antialérgicos, são<br />

indicados no tratamento de diversas doenças alérgicas,<br />

como, por exemplo, a rinite alérgica, a alergia ocular e a urticária.<br />

Como o próprio nome sugere, eles agem inibindo a histamina<br />

que é uma substância derivada do aminoácido histidina,<br />

que fica “estocada” em células do sistema imunológico.<br />

Durante uma reação alérgica, a histamina é liberada causando<br />

dilatação e permeabilidade de pequenos vasos sanguíne-


TRATAMENTO<br />

41<br />

os, o que se traduz na pele por uma vermelhidão, inchaço e<br />

coceira, e na rinite por espirros, coriza e coceira no nariz e<br />

olhos. De um modo geral, tem um início de ação rápido, sendo<br />

muito utilizados para alívio imediato dos sintomas, porém<br />

também podem ser utilizados por tempo prolongado, quando<br />

necessário.

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