do editor - Canal : O jornal da bioenergia

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do editor - Canal : O jornal da bioenergia

Carta

do editor

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

10 POTENCIAL TOCANTINENSE

Com extensa área agricultável e grandes investimentos em infra-estrutura, o Estado

do Tocantins se consolida como futuro pólo de produção de biocombustíveis

ctc/divulgação

paulo venturini

19 TECNOLOGIA

Sistema desenvolvido pelo CTC

permite triplicar a produtividade

no processo fermentativo de

produção de etanol

08 MERCADO EM CRESCIMENTO

Até 2015, a produção de etanol no Brasil

precisará ser superior à de gasolina, afirma

Maurício Tomalsquim, presidente da EPE,

Empresa de Pesquisa Energética

elson caldas

Cenário em movimento

Acrescente participação do capital estrangeiro

no setor sucroalcooleiro nacional tem sido

recebida com preocupação por uns e com

otimismo por outros. Os que defendem a chegada

de dinheiro externo alegam que essa é a maneira

mais certa e rápida de transformar o álcool numa

commodity. Os que vêem com reserva esse

movimento temem a transferência da expertise

brasileira na produção do etanol. Nesta edição, o

CANAL Bioenergia aborda essa discussão, dando

ao leitor elementos adicionais para que possa

formar a sua própria opinião.

Em outra matéria sobre os desafios à

sustentação dos programas de biocombustíveis,

abordamos os principais aspectos relacionados à

pesquisa de matérias-primas para a produção do

biodiesel e do etanol e à definição de arranjos

produtivos bem planejados, que dêem

sustentabilidade a esses programas.

Dando seqüência ao nosso compromisso de

acompanhar de perto os investimentos na nova

fronteira da agroenergia, trazemos uma

reportagem sobre o Estado do Tocantins.

Novas tecnologias para a produção de

biocombustíveis, as opiniões e previsões de

lideranças e analistas renomados e muitos outros

assuntos relacionados à agroenergia também o

aguardam nas páginas seguintes.

Boa leitura e até a próxima edição !

divulgação/unica

18 INVESTIMENTOS

Otimismo sim, euforia não,

dizem empresários sobre as

perspectivas de investimentos

no setor sucralcooleiro,

apesar do crescimento

do mercado

divulgação/usina camen

12 ZONEAMENTO

Goiás toma a iniciativa de apresentar

ao FCO proposta de zoneamento

econômico-ecológico com foco nas

matérias-primas dos biocombustíveis

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ENTREVISTA - Ângelo Bressan Filho, diretor do Ministério da Agricultura

O futuro da agroenergia

OS GRANDES MERCADOS PARA O ÁLCOOL NO MUNDO SÃO OS ESTADOS UNIDOS, UNIÃO

EUROPÉIA, JAPÃO E CHINA. A ÁFRICA TENDE A SER UM PARCEIRO NO PROCESSO DE PRODUÇÃO

Evandro Bittencourt

antonio cruz/abr

Ângelo Bressan Filho, 57 anos de idade, é

Diretor do Departamento da Cana-de-

Açúcar e Agroenergia do Ministério da

Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Economista,

com mestrado em Teoria Econômica pela

Faculdade de Economia e Administração da

Universidade de São Paulo, ocupa o cargo desde

abril de 2001. Nesta entrevista concedida ao

CANAL ele enfatiza a necessidade de organização

e de discussão da cadeia sucroalcooleira.

CANAL - Como o senhor vê o interesse internacional

pela experiência e tecnologia brasileiras

de produção e uso do etanol.

Ângelo Bressan - A agroenergia virou tema de

discussão no mundo inteiro, pois o etanol vai

responder em breve por 50% do consumo de

combustíveis de carros leves no Brasil e o mundo

inteiro quer saber a causa desse nosso sucesso.

Ao mesmo tempo, o crescimento interno

do consumo, por conta do carro flex, está bastante

acentuado. No mundo todo também está

crescendo o consumo de etanol, só o comércio

é que não cresce na mesma proporção.

E como harmonizar o crescimento da produção

e da demanda

Essa é uma preocupação. Estamos discutindo

essa oportunidade, que não é só de negócios, é

de mudança de paradigmas do mundo, de mudanças

da própria matriz energética, uma

oportunidade de transformar isso em desenvolvimento

para o nosso País.

O Brasil vai conseguir aumentar o nível de produção

para atender esse mercado crescente ou

existe o risco de problemas de abastecimento

semelhante ao que ocorreu no passado

Isso não vai mais acontecer porque nos anos

90 nós tínhamos um tipo de veículo que usava

álcool como combustível e houve um problema

de desarranjo entre produção e consumo.

Hoje o consumidor brasileiro é o único no

mundo que tem chance de chegar num posto

de serviço e escolher o combustível que quer

comprar. Estamos num estágio superior do desenvolvimento

da indústria automobilística,

que é o carro que funciona com combustíveis

múltiplos. O ideal é que esse mesmo carro

também pudesse usar diesel e outro combustível,

mas é claro que a tecnologia não chega

nisso hoje ainda.

Qual a avaliação que o senhor faz da tecnologia

de produção de etanol e o estágio das pesquisas

brasileiras

O açúcar atualmente é a pior opção, pois as usinas

que estão sendo instaladas são mistas e o mercado de

açúcar cresce de uma maneira muito moderada

O Brasil está na fronteira. Já fizemos um acordo

com os Estados Unidos exatamente para

trocar informação e conhecimento na área de

pesquisa das matérias-primas que serão usadas

para a produção de álcool no futuro.

O senhor acredita que os EUA, caso dominem

primeiramente a tecnologia do etanol celulósico,

a compartilharão com o Brasil

Em princípio sim, o nosso acordo é nessa linha.

É claro que nessa questão de tecnologia há

sempre uma parte meio obscura e isso também

vale para nós. Não queremos simplesmente doar

nosso conhecimento para eles. O acordo não

é exatamente esse, pois obviamente se tivermos

um produto novo vamos vendê-lo ou cobrar

royalties e eles vão fazer a mesma coisa. O

importante são as linhas de pesquisa, onde trabalhamos

e com que equipamento. É preciso

estar sempre na fronteira do conhecimento.

Obviamente, cada país vai querer tirar um bom

proveito disso.

Existe algum risco de o Brasil perder a supremacia

tecnológica na produção do etanol

Em algum momento podemos até ficar em segundo

lugar nessa questão da tecnologia. Os

americanos investem bilhões de dólares por

ano e nós investimos muito menos. A produção

de matérias-primas para fazer os biocombustíveis

de fonte renovável é assunto de país tropical

e que tem disponibilidade de terra em boas

condições de serem agricultadas. Temos

chuva, sol e espaço suficientes. Qualquer que

seja o modelo de evolução da tecnologia do

mundo, necessariamente o Brasil vai ser um

País proeminente. O Brasil é importante pelo

que foi, pelo que é e pelo que será.

É possível haver expansão das lavouras de cana

sem aumento do impacto ambiental

Pela informação que tenho, em Goiás, por

exemplo, existem cerca de 5 milhões de hectares

de pastagem degradadas e isso também

ocorre em vários outros estados brasileiros. E

mesmo que seja ocupada alguma área de lavoura,

certamente será de soja e milho, não vai

faltar comida por conta disso.

Como fica a questão do açúcar num cenário de

produção crescente e preços ruins no mercado

Uma indústria que processa caldo de cana pode

gerar quatro produtos, o açúcar, o álcool, a

bioeletricidade a partir da cogeração e o crédito

de carbono. O açúcar atualmente é a pior

opção, pois as usinas que estão sendo instaladas

são mistas e o mercado de açúcar cresce de

uma maneira muito moderada. E se a produção

4 CANAL


cresce rápido, como o Brasil é o maior exportador

de açúcar, cria-se um forte efeito no mercado

internacional. E a tendência é que no futuro

deixe de crescer essa produção, pois não

há espaço nos mercados.

Quais podem ser as conseqüências do crescimento

da produção brasileira de etanol e inexistência,

até agora, de um grande mercado

internacional

Nós temos dados que indicam um crescimento

do consumo doméstico bem paralelo com o

crescimento da produção, pelo menos por enquanto,

pois estamos substituindo muito rapidamente

a frota de veículos por carros flex.

Vamos chegar próximo a 4 milhões de carros

bicombustíveis rodando, para uma frota de 20

milhões. E com o álcool barato, a tendência é

usar o álcool e não gasolina. E isso está dando

sustentação ao mercado. O problema é que o

modelo todo tem de ser sustentável e a abertura

de mercados é importante para criar uma

válvula de segurança. Se tem muito álcool

aqui, você exporta e se tem pouco, eventualmente,

reduz a exportação, montando um

equilíbrio de forma que os preços sejam remuneradores,

pois nessa fase de expansão não se

pode admitir preços de liqüidação. Numa situação

imaginária de álcool a 20 ou 30 centavos

pára-se todo o processo de investimentos e isso

não é desejável. O Brasil exporta cerca de 3

bilhões de litros de álcool, mas o interessante

é, sempre que precisar; aumentar as exportações,

para evitar crises de superoferta.

Se tem muito álcool, você

exporta e se tem pouco, reduz

a exportação, montando um

equilíbrio de forma que os

preços sejam remuneradores

Quais são os mercados mais desejáveis para o

Brasil exportar e qual deve ser o papel da

África no esforço pela criação de um mercado

mundial para o etanol

Os grandes mercados para o álcool no mundo

são quatro, os Estados Unidos, União Européia,

Japão e China. A África tende a ser

um parceiro no processo de produção, pois é

uma oportunidade para eles desenvolverem

uma indústria nova. E se eles começarem a

produzir muito álcool para a exportação quebra-se

uma restrição a esse mercado que é o

fato de se ter poucos fornecedores. Países como

o Japão, a Coréia e outros países que não

têm como produzir álcool poderiam fazer

programas de uso do álcool tendo a segurança

que o mercado internacional estará disponível

para abastecê-lo.

E o projeto do alcoolduto para escoar essa

produção, principalmente o etanol da Região

Centro-Oeste

O cronograma da Transpetro é começar essa

construção em 2008. Para construir o alcoolduto

é preciso ter produção e para isso é preciso

agir em várias frentes, uma é abrindo os

mercados e a outra na retaguarda, montando,

pois não é só o duto. É preciso ter um sistema

de ligação com os dutos, um sistema de bombeamento,

a produção tem de estar disponível

e isso vai acontecendo aos poucos. Acho que

isso está razoavelmente bem resolvido e vamos

ver se agora em 2008 as obras são iniciadas.

Diante da demora na construção do alcoolduto,

alguns usineiros já falam em eles mesmos

construírem essa obra.

Nesse mercado, quando se é pequenino, fazse

um duto também pequeno, de cinco polegadas

no máximo. Mas se tiver como parceiro

a Petrobras, faz-se um de 20 polegadas, é tudo

uma questão de negociação. Esse é um

mundo novo que tem de ser construído e é

preciso abrir a cabeça, pois não é fácil fazer

isso. É preciso ter representação coletiva, sindicatos

e associações fortes, unidas e com

propostas. E no Brasil, o setor do açúcar e do

álcool certamente já é o mais bem organizado

de todas as cadeias agrícolas.

Como deve se dar essa discussão

É preciso ter um processo de discussão muito

mais amplo, para saber o que interessa e

juntar o que é local, regional e nacional. É

trabalhando de forma ordenada e planejada

que é possível resolver os problemas de uma

forma permanente.


PANORAMA

Ministro da Embaixada do

Japão visita o Tocantins

O ministro da Embaixada do Japão no

Brasil, Tatsuo Arai, visitou o Estado do

Tocantins no mês passado. Acompanhado

de Takahiro Yamamoto, secretário para

assuntos econômicos da Embaixada e de

Márcio Kajima, presidente da Associação

Cultural Nipo Brasileira no Tocantins, o

ministro conheceu as potencialidades do

Estado através de apresentações feitas pelo

secretário de Indústria e Comércio Eudoro

Pedroza, e da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento Roberto Sahium.

Os secretários ressaltaram a situação

favorável do Estado para a produção

agrícola, pecuária, mineral e as

possibilidades de crescimento industrial,

em função, principalmente, da localização

estratégica, dos investimentos em infraestrutura

e logística de transporte,

condições de solo e de clima, dos recursos

hídricos, da oferta de energia elétrica e das

políticas públicas, como os incentivos

fiscais. No que tange à produção de

biocombustíveis, tanto Eudoro Pedroza

quanto Roberto Sahium deixaram claro a

preocupação do governo de promover o

crescimento ordenado do setor, projetando,

até 2026, um total de 660 mil hectares

cultivados com cana e de outros materiais

para produção de etanol, em 22 usinas, e de

165 mil hectares para produção de

matérias-primas para o biodiesel, sem risco

à produção de alimentos.

fotos: divulgação

Minas Gerais ganhará mais quatro usinas

Foram assinados no Banco de

Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG),

os protocolos de intenção de instalação de

mais quatro usinas em Minas Gerais, com

investimentos em torno de R$ 1,3 bilhão. O

Grupo Santa Elisa assinou o protocolo da

usina Platina Bioenergia, em Ituiutaba, no

Triângulo Mineiro, com investimentos de R$

410 milhões e capacidade de produzir, a partir

da terceira safra, 105 milhões de litros de

álcool e 175 mil toneladas de açúcar por ano.

A estimativa da empresa é que sejam criados

1,5 mil empregos diretos e indiretos.

O grupo já conta com duas usinas no

Estado: Campina Verde e Ituiutaba

Bioenergia Ltda.A Companhia Energética

Vale do São Simão vai implantar sua unidade

no distrito de Chaveslândia, no município de

Santa Vitória, também no Triângulo

Mineiro. Os investimentos previstos são de

R$ 350 milhões e capacidade de produção de

144 milhões de litros e 300 mil toneladas de

açúcar por safra.

Tecnologia para produzir energia do lixo

A Equipalcool começou fabricando e

projetando equipamentos de metalurgia,

utilizando caldeiraria leve e pesada e,

rapidamente, passou a ser reconhecida

mundialmente pela excelência da sua

tecnologia. Com tecnologia própria e

100% brasileira, a Equipalcool se prepara

para mostrar ao mercado uma de suas

maiores inovações, a caldeira para

combustível derivado de resíduos.

"Esse é um dos grandes e inovadores

projetos em desenvolvimento pela nossa

empresa na atualidade.

A caldeira utiliza o lixo selecionado,

também chamado de CDR - Composto

Derivado de Resíduos, como combustível.

Essa caldeira resolverá um dos maiores

canal

Serão gerados cerca de 1,2 mil empregos.

O terceiro protocolo assinado é da Central

Energética Monte Alegre de Minas

(Cemam), de sociedade com a Maubisa, de

Maurílio Biagi Filho.

Os investimentos são de R$ 450 milhões e

produção de 150 milhões de litros de álcool a

partir do quarto ano de operação e 170 mil

toneladas a partir do segundo ano.

O número de empregos gerados quando a

usina atingir sua capacidade máxima chegará

a 4,3 mil postos.A Maubisa já tem duas

unidades em Minas, a Usina Itapagipe e

Frutal Açúcar e Álcool S/A.

problemas ambientais da atualidade. Ela se

tornará uma alternativa para a geração de

vapor e até de energia, e será produzida

através da tecnologia que está sendo

desenvolvida pela Equipalcool", diz Sérgio

Vanzella, diretor da empresa.

6 CANAL


DATAGRO

Cenários para o etanol

TÉCNICOS E LIDERANÇAS DO SETOR SUCROALCOOLEIRO DISCUTEM OS PRINCIPAIS ASPECTOS

DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DOS BIOCOMBUSTÍVEIS NO BRASIL E NO MUNDO

Cerca de 800 pessoas, entre empresários,

consultores e profissionais ligados ao

setor de bioenergia, incluindo representantes

de países como Japão, Alemanha,

Inglaterra e Estados Unidos, discutiram na VII

Conferência Internacional Datagro, em São Paulo,

temas ligados à produção e comercialização

de açúcar e álcool no Brasil e no mundo.

O evento, realizado em outubro, no Gran

Hyatt Hotel, serviu para balizar análises e discussões

sobre questões como: avanço da produção

sucroalcooleira nacional, necessidade de

ampliação do mercado interno, criação de novos

mercados e busca de soluções para os problemas

de logística.

Um dos palestrantes da conferência, o presidente

da Empresa de Pesquisa Energética

(EPE), do Ministério de Minas e Energia, Maurício

Tolmasquim, afirmou que até 2015 cerca

de 85% dos novos carros da frota brasileira serão

fabricados com motor flex fuel, o que exigirá

que a produção de etanol no Brasil seja

bem superior à de gasolina, com previsão de

crescimento anual de 7%.

Sobre a polêmica criada diante do crescimento

da atividade canavieira, que segundo alguns

especialistas pode levar a uma redução

das áreas destinadas à produção de grãos, o

presidente da EPE foi taxativo: "Dos 851 milhões

de hectares de terras do Brasil, 43% são

agricultáveis, mas a cana ocupa apenas 0,6%

desse espaço, ou 6,2 milhões de hectares. Ainda

há muito espaço, diz, para o crescimento do

plantio da cana-de-açúcar, que tende a expandir

cada vez mais nos Estados de Goiás, Minas

Gerais, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato

Grosso do Sul".

Maurício Tolmasquim lembrou que hoje

44,5% da matriz energética brasileira é renovável

e esse é o maior percentual do mundo, enquanto

a média mundial é de apenas 13%. Ela

está constituída em 33,6% de petróleo e seus

derivados, 14,9% de energia produzida por hidrelétricas

e 13,7% da energia vinda da canade-açúcar.

A previsão da Empresa de Pesquisa

Energética é que essa divisão se altere nos próximos

25 anos no Brasil, com crescimento do

espaço da cana em 18%, e queda da participação

da matriz do petróleo e das hidrelétricas.

divulgação

Plínio Nastari, promotor do evento, falou

sobre o crescimento da produção do setor

elza fiúza/abr

Tolmasquim disse que até 2015 cerca de

85% da frota de carros novos será flex

divulgação/sifaeg

Segundo Martinez, do Sifaeg, falou da

logística precária para o transporte

Líderes sindicais debatem

maiores desafios do setor

A produção brasileira de etanol, hoje em torno

de 17 bilhões de litros/anuais, deverá passar para

67 bilhões de litros em 2030, segundo previsões

feitas por Plínio Nastari, da Datagro. Durante a

conferência, os presidentes dos sindicatos das

indústrias do açúcar e do álcool de vários Estados

participaram de um painel cujo tema foi "O

Posicionamento Estratégico da Indústria

Brasileira Frente à Expansão do Mercado e às

Crescentes Exigências da Sociedade".

Entre alguns dos desafios apontados pelas lideranças

do setor, Pedro Robério, presidente do

Sindicato de Alagoas, destacou ser fundamental

e estratégico que a produção sucroalcooleira seja

feita de maneira cada vez mais sustentável,

preservando o meio ambiente e garantindo o

cumprimento pleno da legislação trabalhista. "O

mundo está de olho nos produtores brasileiros e

temos que fazer tudo certo para quebrar e acabar

definitivamente com o preconceito que hoje

existe em relação ao setor".

Luiz Custódio Cotta Martins, presidente do

Sindicato de Minas Gerais, disse que o crescimento

da atividade sucroalcooleira em seu

Estado segue um ordenamento, através do

Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE). Os

investimentos são direcionados para áreas adequadas,

com solo apropriado e respeitando a

preservação ambiental. "A iniciativa pode ser

adotada em outros Estados para evitar problemas

futuros em decorrência da falta de planejamento

dos novos investimentos".

Renato Cunha, presidente do Sindicato de

Pernambuco, disse ser preciso que exista no Brasil

uma uniformidade fiscal para o setor sucroalcooleiro.

"As alíquotas diferenciadas amarram o

setor. O ideal seria 12% em todo o País". Segundo

Braoios Martinez, presidente do Conselho

Deliberativo do Sifaeg/Sifaçúcar, ressaltou: "os

gargalos do setor precisam ser resolvidos para

que a nossa produção seja transportada de forma

ágil e eficiente. O alcoolduto ainda é apenas uma

esperança num cenário onde estão acontecendo

pesados investimentos na construção de novas

unidades produtoras de açúcar e álcool."

8 CANAL


NOVA FRONTEIRA

Tocantins

no foco dos investimentos

INVESTIMENTOS NO ESTADO JÁ ESTÃO BENEFICIANDO A ECONOMIA E

PROPORCIONANDO O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA REGIÃO

Flávia Quirino

Aindústria dos biocombustíveis é

uma opção cada vez mais promissora

para as empresas que

desejam investir na energia alternativa.

E no Estado do Tocantins este cenário

não é diferente.

Com uma área agricultável de 6,6 milhões

de hectares e grandes investimentos,

o Estado promete ser um futuro pólo

de produção do setor. "Temos terras

que podem ser destinadas tanto à produção

do etanol quanto do biodiesel,

sem agredir o meio ambiente e sem

ocupar espaços de áreas de preservação",

ressalta o secretário estadual de

Indústria e Comércio, Eudoro Pedroza.

Estimativas indicam que o Estado do

Tocantins tem grande potencial para

obter matéria-prima como girassol, mamona,

pinhão-manso, babaçu, cana-deaçúcar

e até mesmo o sebo bovino. Já

existem dois grandes empreendimentos

em funcionamento, que irão utilizar como

matéria-prima óleos vegetais e gorduras

animais: Brasil Ecodiesel e Biotins

Energia. Juntas somam investimentos

de mais de R$ 36 milhões.

BENEFÍCIOS

Os investimentos no Tocantins beneficiam,

além da economia, a agricultura

familiar e proporcionam o desenvolvimento

sustentável da região, afirma o

presidente da Federação das Indústrias

do Estado do Tocantins (FIETO), Eduardo

Machado. A Brasil Ecodiesel Indústria

e Comércio de Biocombustíveis e Óleos

Vegetais, por exemplo, fica na cidade

de Porto Nacional, distante 60 km de

Palmas, capital, e foi inaugurada oficialmente

em junho deste ano, com a

presença do presidente Lula. A companhia,

que gera cerca de 100 empregos

diretos, terá capacidade para produzir

120 milhões de litros/ano, com produção

do biodiesel à base de semente de

girassol e mamona.

Com sede em Paraíso do Tocantins, a

Biotins Energia - Companhia Produtora

de Biodiesel do Tocantins, será inaugurada

agora em novembro. A usina, que já está

produzindo desde o início de outubro, tem

como principais matérias-primas o sebo

bovino, soja e girassol, e tem produção inicial

prevista de 8 milhões de litro/ano.

De acordo com o diretor geral Eduardo

Bundyra, a expectativa é de trabalhar

no futuro com o pinhão-manso, que possui

características peculiares, como, por

exemplo, elevado teor de óleo e surge como

uma alternativa de produção para os

produtores. "Também já estamos testando

em laboratório a experimentação com

o pequi, macaúba e outras palmáceas para

a produção do biodiesel”.

A capacidade de produção agrícola para

produtos energéticos, devido ao nível

de insolação e precipitação das chuvas,

mais a topografia e a logística, tornam o

Estado especial", diz o diretor, que ainda

acrescenta: "Esperamos fomentar a criação

de mais de 4.000 pequenos empresários

rurais, em 9 municípios que fornecerão

a matéria-prima para a usina".

AGROENERGIA EM EXPANSÃO

Até o ano de 2020, serão

plantados no Tocantins cerca de

660.000 hectares de cana-deaçúcar,

prevendo-se a instalação de

22 usinas sucroalcooleiras

Já para a produção do

biodiesel estão disponíveis 165.000

hectares, com previsão para a

instalação de 11 usinas

Atualmente, o Tocantins possui 2

usinas inauguradas para a produção

de biodiesel, com investimentos que

ultrapassam R$ 36 milhões

Até 2008, serão mais 5

usinas inauguradas com

produção direcionada para o setor

de biodiesel e sucroalcooleiro

As matérias-primas mais

utilizadas para o biodiesel são a

mamona, soja, girassol e, mais

recentemente, o pinhão-manso.

Ainda se prevê a utilização do

pequi e babaçu, por possuírem alto

teor de óleo

10 CANAL


Produção de

álcool e biodiesel

Grande parte dos investimentos

na área de biocombustíveis no

Estado do Tocantins está direcionada

para biodiesel, como a usina

Brasil Bioenergética, produtora de

álcool e açúcar, situada em Gurupi,

região Sudoeste do Tocantins.

"Entre os fatores que contribuem

para a implantação da indústria

no Tocantins estão a logística,

condição favorável de solo, posições

geográficas, facilidade para

escoamento da produção e infraestrutura.

Temos encontrado boas

condições, a cana está se adaptando

bem na região. E pretendemos

atender o mercado local e Estados

vizinhos", ressalta o Diretor Executivo,

Carlomberto Alves.

Com investimentos que ultrapassam

os R$ 7 milhões, a usina

Indústria Biodiesel do Tocantins,

localizada no município de Axixá

do Tocantins, extremo norte do

Estado, tem previsão de inauguração

para o primeiro semestre de

2008, e utilizará o babaçu como

matéria-prima para a produção do

biodiesel. "Temos boas perspectivas

na região. A parte civil da obra

já está pronta e iremos gerar cerca

de 200 empregos diretos e 800 indiretos",

ressalta o presidente da

usina, Iramar Neves.

De acordo com a Assessoria de

Comunicação da Secretaria Estadual

de Indústria e Comércio, atualmente

existem duas indústrias

produtoras de álcool no Tocantins:

a destilaria Tocantins, localizada

em Arraias, região Sudeste do

Estado, (que em 2006 produziu

290 toneladas de cana-de-açúcar

e já ampliou sua área de produção

para 2008), e a usina Zihuatanejo

do Brasil, em fase de implantação,

cuja inauguração já está prevista

para o ano que vem.

Logística do Estado oferece vantagens

O Programa de Industrialização

Direcionada (Proindústria),

instituído em 2003, tem como

objetivo estimular a instalação de

indústrias extrativas e de transformação

nas regiões produtoras

de matéria-prima, com incentivos

fiscais, como por exemplo, a isenção

do ICMS - Imposto sobre Circulação

de Mercadorias e Serviços,

permitindo a instalação de

indústrias de grande e pequeno

porte no Estado.

"A nossa inclusão no Proindústria

colaborou muito para a instalação

da Usina aqui no Estado,

pois além da isenção do ICMS

possibilitou a abertura de crédito

para aquisição de equipamentos",

diz o Presidente da Indústria

Biodiesel do Tocantins.

Além destes benefícios, o Tocantins

possui logística privilegiada.

Para o Presidente da

Fieto, este será o grande salto

do Tocantins para o desenvolvimento.

"Com a rodovia

BR-010, a Ferrovia Norte-Sul

e a Hidrovia Araguaia-Tocantins,

alcançaremos o

mercado interno e externo com

mais rapidez. Nos próximos 10

anos o Tocantins será um Estado

pólo no desenvolvimento do biocombustível",

assegura.

A Ferrovia Norte-Sul é a grande

promessa para escoamento da

produção no Estado. No início de

outubro a Vale do Rio Doce arrematou

a subconcessão da ferrovia

por mais de R$ 1 bilhão e terá

o direito de explorar comercialmente

um trecho de

720 km entre Palmas (TO) e

Açailândia (MA).

Serão 1.550 quilômetros de estrada

de ferro, ligando o Maranhão,

Tocantins e Goiás. O Tocantins

será o maior beneficiado,

com 724 km de ferrovia atravessando-o

de ponta a ponta.

"Com a chegada da Ferrovia

Norte-Sul em Palmas, prevista

para o final de 2009, os investidores

terão a garantia de um

transporte rápido e econômico",

afirmou o Secretário de Indústria

e Comércio.

georgya laranjeira/wanderley lima/joão di pietro

Brasil Ecodiesel, localizada no município de Porto Nacional,

foi inaugurada em junho, com a presença do presidente Lula

CANAL 11


PLANEJAMENTO

Goiás quer zoneamento

econômico-ecológico

INTENÇÃO É CRIAR FERRAMENTA PARA DELINEAR COM CLAREZA QUAIS AS CONDIÇÕES MAIS

ADEQUADAS PARA O CULTIVO DE MATÉRIAS-PRIMAS DOS BIOCOMBUSTÍVEIS

Rhudy Crysthian

OEstado de Goiás vai apresentar uma

proposta ao Conselho Deliberativo do

Fundo Constitucional do Centro-Oeste

(Condel/FCO) para que o Ministério

da Integração Nacional promova o zoneamento

econômico-ecológico de todos os Estados da

região. O foco é nas culturas utilizadas como

matérias-primas para produção de energias renováveis,

em especial a cana-de-açúcar.

O objetivo, segundo o secretário de Planejamento

e Desenvolvimento do Estado, José Carlos

Siqueira, quem está à frente da proposta, é

garantir uma ferramenta para delinear, com

mais clareza, quais áreas, locais, microclimas e

períodos do ano são propícios ao plantio das

diversas culturas. A última reunião do Condel

estava agendada para o último dia 26, em Goiânia,

mas foi alterada. A previsão é para o início

de dezembro.

"A idéia é fazer os plantios para obter os melhores

rendimentos, sem agressão ao meio ambiente",

garante. O secretário afirma não temer

que a ação seja mal interpretada pelo setor. "O

que não queremos é promover o crescimento de

forma desenfreada, penalizando áreas de proteção

ambiental, comprometendo recursos hídricos

e afetando a qualidade de vida das pessoas".

joão faria

CRITÉRIOS TÉCNICOS

A proposta seria para que o próprio Ministério

da Integração Nacional, em parceria com o

Ministério da Agricultura, com o Ibama e com

os órgãos ambientais do Centro-Oeste, coordenassem

esse trabalho. "Tivemos informações

que o zoneamento agrícola para a cana-deaçúcar

já vem sendo realizado. Queremos que

seja feito de forma mais célere, em todo o Centro-Oeste,

para ser uma ferramenta de ordenamento

da produção, de forma racional e sustentável",

defende.

Siqueira diz que irá propor a realização do

Seminário do Centro-Oeste de Energias Renováveis

para serem discutidos dados de forma

mais aprofundada. "Também é nossa intenção

sugerir a criação de grupos de trabalho, constituídos

por técnicos de governo (federal, estadual

e municípios), estudiosos, representantes

do mundo acadêmico e dos segmentos empresariais

para aprofundar o debate".


Não queremos promover o

crescimento de forma

desenfreada, penalizando

áreas de proteção ambiental,

comprometendo recursos

hídricos e afetando a

qualidade de vida

Jose Carlos Siqueira

Secretário de Planejamento e Desenvolvimento de Goiás

RIO VERDE

O Ministério Público de Goiás, com o apoio da

Prefeitura e do Sindicato Rural de Rio Verde,

promoveu no fim do mês um debate jurídico para

discutir a expansão da monocultura da canade-açúcar

em Goiás e seus aspectos jurídicos.

Rio Verde ficou conhecido por ser o primeiro

município do Estado a levantar a polêmica sobre

a produção de etanol em áreas de alimentos. Para

barrar o avanço da cana, a prefeitura da cidade

apostou numa lei que impõe limites locais

para a cultura, em novembro do ano passado.

O canavial rio-verdense não poderá superar

50 mil hectares, cerca de 10% do território

agricultável do município. Com a medida, a

prefeitura espera garantir o espaço de culturas

tradicionais, como soja, milho e sorgo, que formaram

a base da economia do município e o

transformaram num dos maiores pólos de processamento

de grãos da América Latina. Essa

imposição já chegou ao Poder Judiciário. O Sindicato

das Indústrias de Fabricação de Álcool

do Estado de Goiás alega que a medida é inconstitucional,

pois fere a autonomia dos produtores

em escolher o que plantam.


USINAS

Cerona vai investir R$ 1,5 bi em duas unidades no Mato Grosso do Sul

ACompanhia de Energia Renovável (Cerona),

grupo formado por investidores

americanos e brasileiros, vai investir R$ 1,5

bilhão para a construção de duas usinas produtoras

de açúcar e álcool no Mato Grosso

do Sul. Os municípios escolhidos são Nova

Andradina e Batayporã.

Cada unidade terá capacidade de processar

5 milhões de toneladas de cana. A Cerona também

anunciou que vai atuar na área de cogeração

de energia a partir do bagaço da cana e

do eucalipto. Os acionistas da nova companhia

são a Brazilian Energy Partners (BEP), um fundo

especializado em energia renovável, com

95% de participação na empresa, além de sócios

nacionais, que respondem pelos 5% restantes.

A usina de Nova Andradina deve iniciar

a produção em 2010. Já a planta de Batayporã

deve iniciar suas atividades em 2011.

As duas primeiras unidades do grupo deverão

produzir cerca de 700 mil toneladas de açúcar

e 450 milhões de litros de álcool por safra,

quando essas unidades estiverem operando a

pleno vapor.

12 CANAL


PESQUISA

Hidrólise do bagaço de cana

PESQUISADORES DA USP/ESALQ ESTIMAM QUE A UTILIZAÇÃO DESSE MÉTODO PODE GERAR

UM AUMENTO SUPERIOR A 30% NA ATUAL PRODUÇÃO DE ÁLCOOL COMBUSTÍVEL

Queimar bagaço de cana-de-açúcar

para produzir energia e mover turbinas

é coisa do passado. Além de diversas

tecnologias já consolidadas

para o uso desse resíduo, o laboratório de Açúcar

e Álcool, pertencente ao departamento de

Agroindústria, Alimentos e Nutrição, da Escola

Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"

(USP/ESALQ), está desenvolvendo uma metodologia

para utilizar fungos na hidrólise do bagaço,

com a finalidade de extrair etanol da celulose

contida nesse que é o mais abundante

resíduo gerado pela cadeia sucroalcooleira.

A pesquisa estima que a utilização desse método

pode gerar um aumento superior a 30%

na atual produção de álcool combustível e, dessa

forma, conquistar um acréscimo significativo

da produção sem precisar expandir a área plantada

de cana-de-açúcar. Subproduto gerado

por usinas e destilarias, o bagaço é composto

por hemicelulose, lignina e, em grande quantidade

por celulose, produto rico em açúcares para

obtenção de etanol. "Utilizar a celulose para

obter etanol é possível através da hidrólise do

bagaço, a fim de se atingir um produto que pos-

marcelo basso

Professora Sandra Helena da Cruz, no

laboratório da USP/Esalq: pesquisa com fungos

sa ser fermentado pelas leveduras responsáveis

por este processo", explica a professora Sandra

Helena da Cruz, co-orientadora da dissertação

de mestrado da pós-graduanda Denise de Souza

Machado, intitulada 'Seleção de fungos capazes

de hidrolisar bagaço de cana-de-açúcar

pré-tratado visando obtenção de etanol'.

Através de um processo biológico, o estudo

visa utilizar um fungo que possui propriedades

de degradar a lignina contida no bagaço. "Com

este sistema de hidrólise, as camadas de lignina

são destruídas, separando-se das fibras de celulose,

liberando e disponibilizando as moléculas

de açúcar existentes no resíduo", informa a

professora. A forma mais comum de hidrólise

do bagaço, para uso como ração animal, é feita

por meio de calor e pressão, aproveitando o

vapor gerado na própria usina. Já o sistema

pesquisado na Esalq utiliza ácido e fungos para

alcançar esses resultados. Uma vez hidrolisado,

uma lavagem extrai o açúcar fermentescível,

ou seja, aquilo que a levedura vai fermentar

para gerar o etanol.

Mesmo sendo queimado, e apesar do contínuo

aumento do leque de subprodutos gerados

a partir de sua sobra, o excesso de bagaço só

cresce na usina, o que faz dele uma matériaprima

barata. "Futuramente, com o advento de

novas tecnologias, as caldeiras deverão gerar

mais energia com menos bagaço sendo queimado,

o que vai acarretar numa sobra de bagaço

ainda maior. E isso afeta diretamente o nosso

trabalho, que visa utilizar o excesso de bagaço

para aumentar a produção de álcool e, o mais

importante, sem a necessidade de se expandir a

área plantada de cana-de-açúcar. Claro que para

isto será necessário diminuir o custo do álcool

produzido por hidrólise do bagaço."

A professora diz ainda que, uma vez dominada

por completo a tecnologia da hidrólise,

outras biomassas que contenham celulose poderão

ser utilizadas para gerar etanol. "A produção

do etanol através do bagaço só não é

maior devido a técnica ainda não permitir. Porém,

vencendo essa etapa, poderemos atingir

um aumento muito superior a 30% em relação

ao volume produzido atualmente", conclui.

Marcelo Basso - Assessoria de Imprensa da Unicamp

CANAL 13


OPINIÃO

O solo fértil da cana-de-açúcar

Osetor sucroalcooleiro do Brasil

passa por um de seus melhores

momentos, recebendo

novos investidores e projetos que

apontam para horizontes otimistas.

Isso ocorre, em especial, a partir do

uso intenso do álcool no setor de

transportes, a partir do lançamento

dos carros flex fuel. Mesmo com toda

a pujança, a produção da cana-deaçúcar

já recebeu críticas, baseadas

principalmente em alguns mitos

que foram disseminados pelo senso

comum. Caso essas informações não

sejam esclarecidas, há o risco de se

criar uma imagem equivocada do setor

diante da sociedade.

Um dos mitos sobre a cana está

relacionado ao uso do solo que, segundo

uma visão superficial, seria

danificado pelo canavial até o esgotamento

de sua fertilidade natural. O

que ocorre é justamente o contrário,

pois a cana-de-açúcar é uma cultura

conservacionista. Classificada como

semi-perene, ela tem ciclo econômico

de cinco anos ou mais, apresentando

preocupação constante com a

conservação e fertilidade do solo. Para

se alcançar boa produtividade

com a cana, é necessário um profundo

preparo do solo, além de técnicas

de conservação como a construção

de terraços e manejo da época de

plantio. É importante, ainda, realizar

adubações e correções, como calagem,

gessagem e fosfatagem.

Outra crítica diz respeito aos subprodutos

originados da matéria-prima

processada. É verdade que a vinhaça,

por exemplo, é altamente poluente

se for lançada em rios ou lagos.

A cada litro de álcool são produzidos,

em média, 13 litros de vinhaça.

Por isso, quem assessora a construção

de uma usina deve lembrar o

investidor da importância de canais

para escoar a vinhaça até a área de

cultivo. Dessa forma, e se usada na

quantidade ideal, a vinhaça ajuda na

adubação, pois é uma excelente fonte

de potássio, além de fornecer água

em períodos secos.

A torta de filtro é outro subproduto

da cana e pode ser utilizado em

pré-plantio, no sulco ou na entrelinha

da cana, servindo como uma importante

fonte de fósforo e cálcio. Na

fabricação de açúcar, a cada tonelada

de cana processada são produzidos

em média 35 kg de torta de filtro. O

uso direcionado dessa sobra de vinhaça

e torta de filtro contribui para

melhorar as condições do solo e consequentemente

o desenvolvimento

da cultura, além de contribuir para a

conservação do meio ambiente.

O uso de máquinas é outro fator

que ajuda na preservação do solo. A

colheita mecanizada trouxe um beneficio

importante ao setor sucroalcooleiro,

uma vez que a palha da cana

colhida com máquina permanece

no campo, o que contribui para a

manutenção da umidade, e evita a

erosão em épocas chuvosas. Além

disso, a cana não é queimada como

ocorre na colheita manual, o que

conserva os microorganismos e a

matéria orgânica do solo.

A cultura de cana exige que, a cada

cinco anos, em média, seja feita a

reforma do canavial. Nessa reforma

é utilizada a adubação verde, que

promove a melhoria dos atributos

físicos, químicos e biológicos do solo,

melhorando sua capacidade produtiva.

Geralmente são utilizadas as

culturas da soja, crotalária e amendoim,

que ajudam a proteger contra

erosão e infestação de plantas daninhas.

Essa rotação de cultura proporciona

um aumento da biomassa,

o que ocasiona em maior acúmulo

de matéria orgânica, armazenamento

de água no solo e recuperação de

áreas degradadas.

Essas leguminosas possuem sistema

radicular pivotante, o que contribui

para descompactação, estruturação

e aeração do solo, além da reciclagem

de nutrientes percolados e fixação

do nitrogênio, o que reduz

custo na adubação nitrogenada.

Se a cana fosse uma cultura esgotante,

ela não estaria sendo cultivada

há quase um século em regiões como

Piracicaba e Ribeirão Preto, e intensificando

sua produtividade. Grande

parte do que é extraído do solo volta

para ele, seja na forma de vinhaça, torta

de filtro, palha ou por meio da adubação

verde ou mineral. O Brasil possui

área agricultável que soma 90 milhões

de hectares, sendo que 22 milhões

podem ser cultivados com cana.

Além disso, possui tecnologias, seja

no melhoramento e transgenia de variedades,

seja na obtenção de etanol a

partir de bagaço, que segundo os pesquisadores,

poderia quadruplicar a

produção de etanol sem aumentar a

área plantada. Não deixemos que mitos

e a falta de conhecimento impeçam

o País de se tornar líder mundial

na produção de álcool.

Estela Marques é engenheira agrônoma

da Sucral Engenharia e Processos,

empresa que há mais de 40 anos presta

consultoria técnica e administrativa para

o setor sucroalcooleiro


SETOR SUCROALCOOLEIRO

Grupos internacionais

mostram confiança

INVESTIMENTOS EXTERNOS AUMENTARAM RAPIDAMENTE E DEVEM

CONTINUAR CRESCENDO COM O AMADURECIMENTO DO MERCADO

Evandro Bittencourt

Aparticipação do capital estrangeiro no setor

sucroalcooleiro registra aumento expressivo

nos últimos anos e deverá se manter forte a

partir de agora, com o amadurecimento da indústria

brasileira de açúcar e álcool. Os grandes grupos

estrangeiros, que antes se mostravam ressabiados, temendo

uma onda aventureira de investimentos no setor,

se revelam mais confiantes e interessados, avalia o

economista e analista Gil Barabach, da Safras & Mercado.

No fim de agosto deste ano, grupos e investidores

de outros países detinham o controle de 12% da cana

processada, contra um índice de apenas 5,7% um ano

antes, conforme levantamento da consultoria Datagro.

O responsável pelo setor sucroalcooleiro da

KPMG, empresa de consultoria empresarial, André

Castello Branco, atribui esse crescimento principalmente

à preocupação com o meio ambiente, o que

despertou o interesse de grupos estrangeiros - a

maior parte dos Estados Unidos - no etanol. "A Europa

tem interesse focado no açúcar, enquanto os

Estados Unidos estão com os olhos voltados para o

etanol", afirma Castello Branco.

Ele acredita que esse movimento provocará efeitos

positivos num mercado altamente pulverizado, em que

o fortalecimento depende de capital abundante. "A

demanda por investimentos é tão grande que qualquer

capital é bem-vindo".

Também o economista e analista Gil Barabach, da Safras

& Mercado, acredita que a tendência apresenta vários

aspectos favoráveis, na medida em que proporcionará

ao setor a chance de criar uma visão empresarial mais

estratégica e de longo prazo, com dinâmicas diferentes e

mais maduras, aspectos considerados indispensáveis para

o desenvolvimento de uma matriz energética originária

do álcool. "Ainda trabalhamos de uma forma muito imediatista",

alerta

.

EXPANSÃO

O movimento de expansão do capital estrangeiro no

setor sucroalcooleiro começou a ser anunciado

anos, mas os investimentos continuaram concentrados

no capital interno. O interesse maior se limitava ao

açúcar até que, em 2005, voltou-se o foco para o

álcool. O boom no mercado passou, os preços das commodities

caíram, mas o interesse continua forte. O

economista Gil Barabach enxerga nessa acomodação

dos preços um processo de amadurecimento do mercado,

sem custos e retornos tão elevados, mudança que

teria dado segurança aos grupos internacionais.

Por isso ele acredita que a tendência de participação

é crescente, bem como a de aumento de concentração

da propriedade, com usinas menores sendo adquiridas

e fundidas em um mesmo grupo. O pólo produtivo,

afirma, deve continuar ainda em São Paulo por um

bom tempo, mas possivelmente surgirá um maior

número de usinas em outras regiões do País, como no

Centro-Oeste e no Triângulo Mineiro, com a propriedade

concentrada.

Otimista, o economista acha que os recentes acontecimentos

vão fortalecer o mercado. "O setor hoje tem

muita pretensão e precisa ganhar uma chacoalhada",

sentencia. André Castello Branco, da KPMG, também

vislumbra um cenário favorável para o País e defende

um crescimento contínuo, com moderação, sem a

explosão inicialmente verificada no setor, o que acaba

provocando incertezas.


Transferência não representa risco

A transferência da produção de etanol

para o capital estrangeiro, nos níveis atuais,

não representa risco para o Brasil, afirma

Ângelo Bressan Filho, diretor do

Departamento de Açúcar e Agroenergia do

Ministério da Agricultura Pecuária e

Abastecimento. "É claro que se eles vierem

aqui para produzir 80% do nosso álcool, nós

temos que ficar preocupados. Mas essa

transferência tem um lado positivo: esses

capitais é que vão nos ajudar a abrir os mercados

internacionais."

Essa parceria com o capital internacional,

defende Ângelo Bressan, deve ser monitorada.

Ele defende regras que evitem a desnacionalização

do setor, que tradicionalmente

é de brasileiros. "Pensando no setor de energia,

entretanto, não é possível ser pequenino.

Nenhum usineiro, isoladamente, é

importante na área de energia. Temos a

chance de mudar a nossa postura. Não queremos

mais ser usineiros de açúcar, nós

temos que ser empresários da energia e isso

implica uma nova visão de todo o processo."

Nessa visão, segundo Ângelo Bressan, a

produção de açúcar perde espaço, o que já se

percebe na atual safra. "A produção de etanol

este ano responde por 55%, a de açúcar 45%

e essa diferença tende a crescer no futuro".

PONTOS VULNERÁVEIS

O economista e analista Gil Barabach

admite que o capital estrangeiro pode

deixar o País vulnerável em alguns pontos,

na medida em que o álcool é considerado

uma solução estratégica para o Brasil. "Mas

acho que é pouco provável o risco de um

desabastecimento interno, por exemplo. O

setor oferece espaço suficiente para o

crescimento voltado para a exportação e

para o mercado interno".

Os investimentos vindos do exterior, também

na visão de Gil Barabach, criam a possibilidade

de difundir o etanol e transformá-lo

em commodity internacional. "O Brasil quer

o etanol conhecido, difundido no mercado

mundial, e essa é uma oportunidade interessante",

afirma André Castello Branco.


A demanda por

investimentos é tão

grande que qualquer

capital é bem-vindo

André Castello Branco

responsável pelo setor

sucroalcooleiro da KPMG


TRANSAÇÕES NO SETOR SUCROALCOOLEIRO NO BRASIL (2006-2007)

INTERESSE CRESCENTE DO CAPITAL ESTRANGEIRO PODE SER CONSTATADO NAS AQUISIÇÕES DOS ÚLTIMOS ANOS

Ano Mês Alvo Estado Comprador / Origem do capital majoritário

2006 Janeiro Destilaria Araguaia MS Grupo EQM

2006 Fevereiro Usina Corona SP Cosan

2006 Fevereiro Usina Monte Alegre MG Adeco Agropecuária (Argetina)

2006 Março Coopernavi MS Kidd&Company (EUA)

2006 Abril Usina Bom Retiro[8] SP Cosan

2006 Maio Cristal Destilaria de Àlcool (Cridasa) ES Evergreen(Reino Unido)

2006 Junho Cevasa SP Cargill (EUA)

2006 Junho Cocamar Cooperativa Agroindustrial SP Grupo Santa Terezinha

2006 Setembro Usina em construção do Grupo Petribu SP Grupo Tereos (Açúcar Guarani) (Francês)

2007 Fevereiro Petribu Paulista SP Noble Group (Hong Kong)

2007 Fevereiro Tavares de Melo RN, PB e MS (2) Louis Dreyfuss (França)

2007 Março Destilaria Paranapanema SP Biofuel AS (Noruega)

2007 Março Usaciga PR Clean Energy Brazil (CEB) (Reino Unido)

2007 Março Usina Boa Vista GO Mitsubishi Corporation (Japão)

2007 Abril Santa Luiza SP Etanol Participações (holding formada

por São Martinho, Cosan e Santa Cruz S.A.)

2007 Maio Agroindustrial Tabu PA Alcotra Bioenergy (Belga)

2007 Junho Usina Andrade SP Grupo Tereos (Açúcar Guarani) (Francês)

2007 Junho Cosan SP Investors

2007 Junho SHL Holding n.a. Grupo Tereos (Açúcar Guarani) (Francês)

2007 Junho Unialco (participação dos minoritários) SP Acionistas majoritários

2007 Junho Alcídia SP Odebrecht

2007 Julho Cosan SP Wellington Management (EUA)

2007 Julho Vale do Rosário/Santa Elisa SP Santelisa.Vale (Brasil - majoritário - e EUA)

2007 Julho Açúcar Guarani SP Ventoria Limited (Reino Unido)

2007 Agosto Dedini Agro SP Abengoa Bioenergia (Espanha)

Fonte: KPMG


LEVEDURAS

Seqüenciado o genoma da CAT1

CONCLUSÃO DO TRABALHO REALIZADO EM PARCERIA PELA FERMENTEC, ESALQ,

UFSC E UNIVERSIDADE DE STANFORD DÁ INÍCIO A UMA NOVA ERA NAS PESQUISAS

Na última safra, as leveduras

transformaram

32 bilhões de quilos de

açúcar em 18 bilhões

de litros de álcool. Agora, uma

dessas leveduras, conhecida como

CAT1, teve seu genoma totalmente

seqüenciado. O trabalho foi

uma parceria entre a Fermentec

(Piracicaba, SP), ESALQ-USP, Universidade

Federal de Santa Catarina

(UFSC) e Universidade de

Stanford (Estados Unidos).

A CAT1 é a primeira levedura

para a produção de álcool combustível

a ter seu código genético

desvendado. Em 2007, a CAT1

e a PE2, outra levedura selecionada

pela Fermentec, foram utilizadas

por 134 usinas e destilarias

no Brasil e serão responsáveis

por 60% da produção brasileira

de álcool, correspondendo a 13,4

bilhões de litros. Toda a pesquisa

da levedura CAT1 foi financiada

pela Fermentec.

SELEÇÃO DAS LEVEDURAS

Durante muitos anos as destilarias

brasileiras usaram leveduras

de panificação e de laboratório. O

fermento (como são chamadas as

leveduras) mudava ora para melhor,

ora para pior. Pouco se conhecia

sobre as razões destas mudanças

e os prejuízos para a indústria

eram grandes durante a safra.

Em 1989, a Fermentec e a

ESALQ começaram a trabalhar

com uma tecnologia inovadora, a

cariotipagem, que permite identificar

as leveduras pelo seu DNA.

A parceria com as usinas possibilitou

duas descobertas. "A primeira

revelou que os fermentos

de panificação e as leveduras de

laboratório eram rapidamente

substituídos por leveduras selvagens.

A segunda descoberta foi a

possibilidade de monitorar e selecionar

novas leveduras mais

eficientes para os processos industriais

de fermentação alcoólica",

afirma o presidente da Fermentec,

Henrique Vianna de

Amorim. Entre as leveduras selecionadas

estava a CAT1, isolada

da Usina Virgolino de Oliveira de

Catanduva, SP.

Os tubos da esquerda e do meio são leveduras selvagens, mais

espumantes. O da direita é a levedura selecionada CAT1, que

forma pouca espuma na fermentação

Benefícios de uma levedura selecionada

Eficiência na usina

O presidente da Fermentec,

Henrique Vianna de Amorim,

alerta que o investimento em

pesquisa e a integração entre as

áreas agrícola e industrial são

imprescindíveis para garantir a

eficiência na produção e evitar

perdas. Atualmente a consultoria

investe 20% de seu faturamento

em pesquisa para aprimorar

a qualidade no atendimento

às usinas. "Não adianta

ter uma cana-de-açúcar de boa

qualidade genética e pôr tudo a

fermentec/divulgação

Os principais benefícios alcançados

com o uso das leveduras

selecionadas são o aumento

do rendimento fermentativo,

maior economia com

antiespumantes (as leveduras

selecionadas fazem pouca espuma)

e por não serem floculantes

deixam menos açúcar

sem fermentar. Portanto, uma

levedura selecionada, além de

não espumar e flocular, ainda

resiste ao estresse da fermentação

(altos níveis alcoólicos) e

predomina sobre as leveduras

selvagens. As usinas que usavam

apenas leveduras de panificação

e de laboratório tinham

prejuízos maiores porque

essas eram substituídas rapidamente

por leveduras selvagens

mais adaptadas ao processo

industrial. As leveduras

selecionadas, como a CAT1 e a

PE2, foram isoladas de processos

industriais de fermentação

alcoólica e têm uma capacidade

muito maior de se implantar

e permanecer nas fermentações

industriais, competindo

melhor com as espécies selvagens

contaminantes. "Esses estudos

vão permitir identificar

fatores que limitam a produtividade

industrial e facilitar a

obtenção de linhagens de leveduras

mais apropriadas à fermentação

conduzida no Brasil",

afirma o professor da

ESALQ, Luiz Carlos Basso.

perder na usina utilizando uma

levedura desconhecida", aconselha

Amorim. A Fermentec é

uma consultoria especializada

em fermentação alcoólica e

controle laboratorial de todas

as etapas de produção de açúcar

e álcool. Ao aplicar ciência

na indústria, a Fermentec desenvolveu

novas tecnologias

para o setor sucroalcooleiro colocando

usinas e destilarias em

posições de destaque no cenário

internacional.

Estudos foram

iniciados em 2005

Após 18 anos da primeira aplicação

da técnica de cariotipagem

começa uma nova era nas pesquisas

com o seqüenciamento do genoma

da CAT1. Segundo o professor

da UFSC, Boris Stambuk, até

agora era conhecido que as leveduras

eram eficientes fermentadoras

e, com a pesquisa, será possível

descobrir o porquê desta eficiência.

O professor Stambuk, em

colaboração com a Fermentec e a

Universidade Stanford (Estados

Unidos), iniciou em 2005 os estudos

que culminaram com o seqüenciamento

do genoma da levedura

industrial.

As primeiras revelações do genoma

se referem a capacidade da

CAT1 de predominar sobre outras

leveduras, como as selvagens e de

laboratório. Essa competitividade

da CAT1 foi revelada por causa de

um número maior de genes relacionados

ao metabolismo das vitaminas

B1 e B6. A análise inicial do

genoma foi realizada utilizando

chips de DNA. Este trabalho na

universidade norte americana foi

feito em parceria com os doutores

Gavin Sherlock e Barbara Dunn do

Departamento de Genética da

Universidade de Stanford.

Posteriormente o professor Boris

Stambuk trabalhou no seqüenciamento

completo do genoma da levedura

CAT1 em colaboração com a

Fermentec e os Drs. Mostafa Ronaghi

e Baback Gharizadeh do

Centro de Tecnologia do Genoma

da Universidade de Stanford. "É importante

salientar que o genoma

da CAT1 constitui um primeiro passo

que permitirá conhecer melhor a

fisiologia da levedura e as adaptações

necessárias que permitem

produzir álcool combustível mesmo

nas condições estressantes do ambiente

industrial. O genoma será

disponibilizado a toda a comunidade

científica, o que permitirá desenvolver

estratégias visando o melhoramento

genético das leveduras

industriais", conclui Stambuk.

Texto de Juliana Servidoni

18 CANAL


ETANOL

Sistema otimiza processo fermentativo

PROCESSO REDUZ CUSTOS DE PRODUÇÃO E PODE SER CONTROLADO À DISTÂNCIA POR UM

SOFTWARE. PATENTE JÁ FOI DEPOSITADA PELA AGÊNCIA DE INOVAÇÃO INOVA UNICAMP

Daniel Atala, Engenheiro de alimentos do CTC, à frente do sistema inovador que criou

divulgação


A fermentação

alcoólica libera

muito calor e,

por isso, é

necessário um

sistema de

resfriamento,

pois a temperatura

elevada prejudica

os microrganismos.


Um sistema inovador que

permite triplicar a produtividade

no processo

fermentativo de produção

de etanol promete substituir a

maneira tradicional de destilar o

caldo de cana. Além de reduzir a

produção de vinhaça e, ainda, diminuir

os custos no processo industrial.

Ao contrário do processo

tradicional, em que a concentração

de etanol do meio de fermentação

é de 9% ou 10%, no novo

processo o valor do condensado

pode ser de 50%, o que também

elimina uma etapa de destilação.

O método criado pelo engenheiro

de alimentos Daniel Atala,

que trabalha no Centro de Tecnologia

Canavieira (CTC), parte da

premissa que o etanol formado

durante a fermentação diminui a

atividade do microorganismo (levedura)

e que o mesmo pode ser

retirado do processo utilizando

uma condição de baixa pressão

(vácuo), eliminando assim este

efeito indesejável. Quando o caldo

fermentativo entra no tanque

flash, - tanque a vácuo - uma fração

do álcool evapora, sendo, posteriormente,

condensada.

Tradicionalmente, as destilarias

brasileiras adotam um sistema de

fermentação chamado de descontínuo

ou de batelada alimentada,

em que os tanques precisam ser

esvaziados ao término de cada

fermentação. Este processo foi

aprimorado durante anos e hoje

se encontra estagnado tecnologicamente.

Por este motivo, várias

usinas vêm adotando os sistemas

contínuos, que funcionam sem

parar, e que representam um

grande ganho de produtividade.

Um dos principais ganhos econômicos

deste método é a eliminação

da necessidade de resfriamento

das dornas de fermentação,

uma vez que a evaporação da

fração de etanol retira a energia

térmica do meio, diminuindo, assim,

a temperatura do sistema. "A

fermentação alcoólica libera muito

calor e, por isso, é necessário

um sistema de resfriamento, pois

a temperatura elevada prejudica

os microrganismos", diz Atala.

Segundo o engenheiro, como

as dornas são muito grandes, o

resfriamento só é possível com

trocadores de calor a placas, por

onde circula água fria como fluido

refrigerante. "Os trocadores

são um dos equipamentos mais

caros de uma usina e têm uma

manutenção de alto custo".

Outra importante vantagem do

novo processo é que ele pode ser

totalmente controlado por computador,

pois possui um software,

também projetado por Atala, que

permite que a tomada de dados e

o controle geral do processo sejam

feitos a distância.

CANAL 19


AGROENERGIA

Sustentação dos biocombustíveis

CONSOLIDAÇÃO DOS

PROGRAMAS DE

BIOCOMBUSTÍVEIS

DEPENDE DE ESFORÇO

CONJUNTO DOS

SETORES PÚBLICO

E PRIVADO

As perspectivas para Agroenergia no

Brasil e no mundo estão diretamente

relacionadas às potencialidades, à

competitividade dos mercados, à pesquisa

e à capacitação de pessoal para o desenvolvimento

de tecnologias que proporcionem

sucessivos aumentos de produtividade na obtenção

de matérias-primas e nos rendimentos industriais

obtidos a partir de seu processamento.

Nesse cenário, apresenta-se como desafio a definição

de arranjos tecnológicos e produtivos cada

vez mais competitivos.

O chefe-geral da Embrapa Agroenergia, unidade

da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,

Frederico Ozanan Machado Durães, lembra

que o programa biodiesel, por exemplo, está

começando e depende do esforço público-privado

para se estabelecer com competência no Brasil,

onde há fortes nuances regionais. Entre as

várias demandas por pesquisa em que estão envolvidas

as diversas instituições que se dedicam

ao tema agroenergia, destacam-se sistemas de

produção mais eficientes para as áreas de expansão

da cana-de-açúcar, por exemplo, o que envolve

estudos transversais de monitoramento

por satélite e o zoneamento agroclimático de

risco para que se possa definir a gestão territorial

com propriedade.

Para Ozanan Machado Durães, questões como

o planejamento do entorno das plantas industriais

e inovações dos processos agroindustriais para

etanol, florestas energéticas e biodiesel, especialmente,

devem ser baseadas em um conceito

forte, diferenciado e novo de balanço energético.

“Isso significa que há focos de atenções que

o Brasil precisa reconhecer como necessários no

curto, médio e longo prazos.”

Em relação à variação dos preços do petróleo,

por exemplo, Ozanan destaca que o programa de

biodiesel enfrentará um futuro que pode ser incerto

ou incerto de risco calculado. "Desde a década

de 70 tivemos aumento, decréscimo, estagnação e

novo aumento, mas as tendências de preço do petróleo

mantém os programas de combustíveis renováveis

no Brasil com possibilidades e ganhos de

competitividade no curto prazo, até que haja lastro

para sustentá-los com outros coeficientes."

Em relação às matérias-primas, Durães destaca

a necessidade de pensar os vários arranjos

produtivos, como a cana-de-açúcar e o sorgo sacarino,

que têm forte apelo num Brasil continental,

e outras espécies, a exemplo dos amiláceos,

com inovações em biologia e um complemento

agroindustrial competente, com escala, e os materiais

lignocelulósicos.

Durães diz que também é preciso considerar a

possibilidade de rotas que tenham o sentido da

construção. “Temos hoje poucas oportunidades

diante da velocidade do avanço dos biocombustíveis.

As matérias-primas disponíveis para a produção

do biodiesel, por exemplo, são tipicamente

originadas na agricultura de alimentos. Atualmente,

85% da matéria-prima produtora de biodiesel

no Brasil é composta de soja. Isso significa

uma oportunidade, mas também um risco. Criase,

então, o desafio de oportunizar um decréscimo

relativo da participação dessa oleaginosa no programa

de biodiesel."

montagem sobre foto: stock.xchng/incaper)/embrapa

20 CANAL


SISTEMAS DE PRODUÇÃO

O chefe-geral da Embrapa Agroenergia

destaca a necessidade de se ter a clara compreensão

de que há requerimentos legais,

tecnológicos e estratégicos para que seja

incorporada uma nova matéria-prima ao

sistema produtivo. "É preciso que haja um

zoneamento agrícola para identificar a capacidade

potencial daquela espécie e resultar

em rendimentos úteis. É preciso que haja

um sistema de produção pronto para que

os investidores possam atuar não só por

conta e risco, mas tenham informações mínimas

para poder saber como é que se conduz

e como resulta a produção dessa espécie.

É preciso que haja material certificado

para que não compremos gato por lebre."

Durães destaca ainda a necessidade de

infra-estrutura de produção de sementes

para que se tenha garantias da identidade

genética do que se está produzindo. "Em relação

à mamona, ao algodão, ao girassol e à

soja, nós já temos essas compreensões. E no

que se refere ao dendê temos domínio tecnológico

em determinadas regiões, especialmente

em alguns clusters da Amazônia

Tropical Úmida, onde temos ordenamento

territorial identificado. São regiões em que

temos o zoneamento agro-climático definido

e em aprofundamento nesse momento."

Além do dendê, que difere de todas as

demais matérias-primas pela alta capacidade

potencial de produção de óleo por hectare,

há outras palmáceas potencialmente

importantes, mas ainda não há domínio

tecnológico sobre elas. "Em relação ao pinhão-manso

sabemos que a iniciativa

privada trabalha com a

espécie por conta e risco e a pesquisa

deve informações. No momento,

o mercado participa de uma

conversação sobre isso e a pesquisa

mais do que nunca precisa acelerar caminhos

para poder dar sustentação."

O pinhão-manso, embora seja considerada

uma espécie de alto potencial de óleo e que

pode, efetivamente, contribuir como matéria-prima

para a produção do biodiesel, não

é uma espécie de alta adaptabilidade para

todo o Brasil. Isso significa, explica Durães,

que a espécie não vai apresentar o mesmo

comportamento em todas as regiões do País.

"Ela pode não apresentar fluxo contínuo de

matéria-prima para a indústria por ser caducifólia,

ter problemas de frutificação e assim

por diante. Esse lado tecnológico precisamos

discutir mais à miúde e identificar nesses parâmetros

mínimos oportunidades para essas

espécies que têm potencial."

Do ponto de vista de acesso à tecnologia,

variedades agrícolas com maior produtividade

e desenvolvimento, a otimização

de rotas tecnológicas e novos processos, a

agregação de valor aos co-produtos e instrumentos

para a redução de riscos agrícolas

no mercado são tópicos amplos que representam

o grande cenário para os projetos

de pesquisa e desenvolvimento, sejam

eles da iniciativa pública ou privada. "Isso

significa que a idéia de compartilhamento

de esforços, mais do que nunca, é a palavra

de ordem."

CANAL 21


Esforços estendem-se à iniciativa privada

A CanaViallis, empresa privada de pesquisa

dedicada ao melhoramento genético da canade-açúcar,

busca a criação de novas variedades

adaptadas aos mais variados ambientes de produção

no Brasil. Um dos principais focos do trabalho

desenvolvido na empresa é a criação de

variedades superprecoces que possam dar uma

contribuição maior em termos de rendimento

industrial no início de safra.

A pesquisa da CanaViallis, segundo o pesquisador

Sizuo Matsuoka, em apresentação dos trabalhos

realizados pela empresa durante a 2ª

Enerbio, também está focada na obtenção de

variedades mais adaptadas aos solos de Cerrado,

variedades com alto teor de sacarose em qualquer

época da safra e variedades tolerantes à seca,

considerada o grande problema das áreas novas.

"Trabalhamos também com variedades de

cana para o plantio e colheita mecanizada crua,

que é a nova demanda do setor. A colheita manual

é um trabalho árduo, que tende aos poucos

a ser abandonado, principalmente porque a exigência

da não-queima da cana durante a colheita

torna necessária a colheita por máquina."

A CanaViallis também enfoca em suas pesquisas

a energy cane, termo mundial para um novo

arranjo produtivo baseado na cana fibrosa para

a produção do etanol. "Temos uma série de clones,

materiais que ainda não são variedades e

que têm grande potencial para aumentar a produtividade".

O etanol celulósico esse é considerado um novo

e grande desafio para as próximas décadas,

destaca Sizuo Matsuoka. "Buscamos matériasprimas

de alta produtividade que sejam mais

adaptadas a essas condições extremas de clima e

solo, de forma que esses materiais produzidos

em áreas agrícolas menos nobres que as tradicionais

permitam atender à demanda por etanol

sem comprometer áreas para a produção de alimentos,

o que se constitui em um grande desafio

para as próximas décadas."

22 CANAL


EXPANSÃO

Investir, mas com os pés no chão

PREÇOS POUCO REMUNERADORES PARA AÇÚCAR E ETANOL NÃO DESESTIMULAM

EMPRESÁRIOS QUE POSSUEM PROJETOS DE CONSTRUÇÃO E AMPLIAÇÃO DE USINAS


A flutuação dos

preços depende do

mercado em

qualquer

segmento

Domingos de Ávila Júnior,

diretor da Cotril



Sempre digo que

o investidor deve

ser no máximo

um otimista e

jamais eufórico

Eduardo Farias,

presidente do Grupo Farias

fotos: divulgação

Apesar dos fundamentos

positivos com relação às

boas expectativas para o

setor sucroalcooleiro, o

mercado ainda enxerga com ressalvas

a euforia com a bioenergia.

O setor se divide em uma tradicional

commodity, o açúcar, e outra

que aos poucos se consolida, o

etanol. O problema é que elas

sempre apresentaram ciclos e volatilidade

de preço.

Essas alterações devem ser interpretadas

com atenção pelo empresário.

"Sempre digo que o investidor

deve ser no máximo um otimista

e jamais eufórico", afirma o presidente

do Grupo Farias, Eduardo

Farias. Ele acredita que mesmo com

as dificuldades brasileiras como logística

de distribuição, a entrada de

capital estrangeiro servirá como um

contraponto ao Brasil. Mas alerta

que é engano o País acreditar que os

investimentos estrangeiros estão

vindo somente pelos menores custos

de produção. "Estão interessados

também no nosso mercado de consumo,

que tem crescido de forma

estruturada", ressalta.

Para o usineiro Maurílio Biaggi

Filho, presidente do Grupo Maubisa,

o mercado exportador de etanol

apenas se abrirá para o Brasil quando

os Estados Unidos atingirem seu

limite de produção de etanol de milho.

"Aí as vendas brasileiras para o

exterior irão deslanchar", acredita.

Biaggi afirma também que todos

os investimentos estrangeiros

que estão sendo feitos no País ainda

não geraram uma só gota de

etanol. Mas devem começar a operar

a partir de 2009. Também é em

2009 onde estão depositadas as

expectativas do diretor da Cotril,

Domingos de Ávila Júnior. A empresa,

há mais de 40 anos no mercado

de automóveis e máquinas

pesadas, pretende investir no setor

sucroalcooleiro.

O empresário diz que não foram

calculados ainda os valores do investimento,

mas adianta que a nova

usina ficará no norte do Estado

de Goiás. "Temos uma programação

empresarial de começar a trabalhar


com cana no final de 2008, início

de 2009 e estender até o ano seguinte.

O mercado do etanol já está

concreto. É uma realidade. Estudamos

nosso projeto desde 2005 e

acreditamos que quem pretende

entrar para este setor não deve ir

pela euforia e sim com os pés no

chão, aconselha.

PREÇOS

Ele afirma que um dos principais

problemas vividos pelo setor hoje

é a volatilidade dos preços dos

produtos atrelados à cana. Mas

acredita que apesar da momentaneidade

das baixas cotações, a comercialização

do setor está embasada.

"A flutuação dos preços depende

do mercado em qualquer

segmento, mas tudo leva tempo

para se estabelecer", conta.

Domingos Júnior acredita que o

momento é favorável para quem

deseja investir no setor, mas desde

que este investimento seja feito

com cautela e planejamento. O presidente

do Grupo Farias, Eduardo

Farias, afirma que até a solidificação

do setor muita coisa ainda irá

ocorrer no território nacional, como

fusões e aquisições, com a formação

de grupos e conglomerados que

irão oferecer confiabilidade ao

mercado. "O empresário do setor

não pode ficar isolado, pois irá contra

os princípios da macroeconomia

e essa luta sempre mostrou ser desigual

do lado individual".

Nardini participa de Audiência Pública em Aporé, Goiás

ANardini Agroindustrial Ltda.

participou no dia 31 de outubro,

em Aporé (GO) da Audiência

Pública promovida pela Agência

Ambiental de Goiás. A realização

da Audiência Pública é uma das

exigências dos órgãos públicos de

Goiás para aprovar a liberação da

Licença Prévia da segunda unidade

industrial da empresa em Aporé.

A Nardini apresentou o projeto

da nova unidade, fundamentado

nos estudos sócio-ambientais realizados

pela DBO Engenharia que

mostrou tecnicamente e cientificamente

os benefícios que a instalação

da usina pode trazer à região.

"Nosso objetivo em investir

numa segunda unidade é buscar o

crescimento sustentável, aumentando

a escala de produção da

empresa, e trazer desenvolvimento

a uma nova região", afirmou Ricardo

Nardini, diretor da empresa.

"A escolha por Aporé para sediar a

nova unidade aconteceu porque já

conhecíamos a região, onde possuímos

recria de gado na Fazenda

Santa Lúcia e posto de captação

de leite em Itajá desde 2002",

complementou Ricardo.

O evento contou com a presença

de pessoas da comunidade,

além de autoridades e representantes

do governo estadual e da

diretoria da empresa.

CANAL 23


LOGÍSTICA

Estudo indica vantagens

do transporte fluvial

TRABALHO COMPAROU IMPACTOS ECONÔMICO E AMBIENTAL DE MODAIS FLUVIAL E RODOVIÁRIO

caramuru/divulgação

Porto de São Simão, no Estado de Goiás, um dos pontos indicados para

instalação de terminal distribuidor para o escoamento do etanol

Oescoamento da produção

de etanol, hoje feito

por transporte rodoviário,

poderia ser muito

mais barato se fosse feito por

comboios fluviais. No caso específico

da produção paulista, o custo

seria oito vezes menor se o escoamento

fosse realizado pela hidrovia

Tietê-Paraná. É o que revela

um estudo apresentado durante o

XX Congresso Pan-Americano de

Engenharia Naval, Transporte Marítimo

e Engenharia Portuária

(Copinaval), realizado no mês de

outubro, em São Paulo.

O estudo comparou os impactos

econômico (valor do frete) e

ambiental (esgotamento de combustíveis

fósseis, aquecimento local

e global, eutrofização da água

e poluição do ar) na operação de

comboios fluviais pela hidrovia Tietê-Paraná

com uma frota de caminhões-tanques

em rotas correlatas.

"O resultado mostra que o

valor anual do frete dos caminhões-tanque

é oito vezes maior

que o comboio fluvial. Já o impacto

ambiental é três vezes maior",

afirmam os autores do estudo,

o pesquisador Newton Narciso

Pereira e o professor Hernani Luiz

Brinati, ambos da Escola Politécnica

da Universidade de São

Paulo (Poli/USP).

Para tornar o transporte fluvial

viável, o trabalho de Pereira indica a

necessidade de quatro rotas, em

que seriam instalados terminais distribuidores:

um em São Simão (GO)

e os demais nas cidades paulistas de

Presidente Epitácio, Araçatuba, Jaú.

Essas rotas terminariam em um terminal

receptor localizado em Conchas

(SP), de onde o álcool seria

transportado por duto até a refinaria

de Paulínia (SP), e de lá para os

portos de São Sebastião (SP) ou Ilha

Grande (RJ). "Essas rotas estão localizadas

nas regiões de maior produtividade

de álcool e com fácil acesso

à hidrovia", explica Pereira. "Com

a vantagem de que na ida o comboio

levaria álcool, e na volta derivados

de petróleo", acrescenta.

MEIO AMBIENTE

Para chegar à conclusão de que

o transporte fluvial é muito mais

barato que o rodoviário, Pereira levou

em consideração todos os custos

envolvidos na operação para

cada rota (veículos, capital, seguro,

tripulação, manutenção e reparo,

administração, combustível e lubrificante,

uso da via, porto e terminal).

No rodoviário, também considerou

o número de caminhõestanque

necessários para levar a

mesma quantidade de álcool que o

comboio de navios. Já com relação

ao meio ambiente, o pesquisador

contabilizou todos os impactos gerados

pela queima de combustível

fóssil e, em seguida, quantificou os

valores dessas substâncias para cada

modal nas diferentes rotas.

A conclusão de que o transporte

fluvial gera menos impacto ambiental

é de extrema importância

para o setor. Pereira explica que,

embora a produção brasileira tenha

um custo muito competitivo,

já existem movimentos em outros

países para que sejam aplicadas ao

etanol brasileiro restrições que

não se limitarão às tarifas alfandegárias.

"Ou seja, muito em breve

será exigido que o produto brasileiro

seja certificado e tenha selo

de qualidade. Inclui-se aí a questão

do meio ambiente, em que a

pesquisa mostra que o pior impacto

do transporte rodoviário é justamente

o aquecimento global".

24 CANAL


CANA-DE-AÇÚCAR

Embrapa vai pesquisar cultivo no Cerrado

AEmbrapa, por razões históricas, desde a

sua criação, envolveu-se muito pouco na

pesquisa em cana-de-açúcar. Contudo, o potencial

de crescimento do setor de agroenergia

em todo o País está levando a empresa a

fortalecer a sua atuação na pesquisa agronômica

e tecnológica com espécies para produção

de biocombustíveis.

Com a expansão esperada do setor sucroalcooleiro,

especificamente na região Centro-

Norte do País, a Embrapa Cerrados, associada a

outras instituições, está trabalhando na formatação

de uma proposta de pesquisa em canade-açúcar

nos Cerrados. Os principais assuntos

contemplados nessa proposta são: manejo da

fertilidade dos solos; fixação biológica de nitrogênio;

diagnose da compactação do solo e necessidade

de subsolagem; manejo da irrigação

plena e de salvação; avaliações das principais

cultivares; impactos socioeconômicos e ambientais

da indústria sucroalcooleira. Aspectos

do manejo fitossanitário da cultura serão eventualmente

contemplados.

Parte das ações de pesquisa propostas poderá

ser viabilizada apenas por intermédio de

parcerias com usinas e outros grupos empresariais

da região, que tenham interesse e disponibilidade

quanto à condução de experimentos

de campo em suas propriedades. A formação

de uma rede abrangente de experimentação

na região será essencial para a generalização

dos resultados obtidos e o estabelecimento de

recomendações técnicas específicas para a região,

com características de clima e solos diferenciadas

em relação às regiões tradicionais de

cultivo de cana-de-açúcar.

Os experimentos propostos serão adaptados

de acordo com as condições locais, para atender

aos questionamentos específicos dos eventuais

parceiros. A Embrapa Cerrados está buscando o

apoio de grupos empresariais da região interessados

em compor essa rede de pesquisa. Informações

adicionais poderão ser obtidas pelo telefone:

61-3388-9821. Thomaz A. Rein - Embrapa

stock.xchng

Cana proibida

na Amazônia

Ozoneamento ambiental da

cana-de-açúcar vai proibir

o cultivo da planta na Região

Amazônica e no Pantanal. O

trabalho de zoneamento fica

pronto em junho do ano que

vem. A decisão, tomada no fim

do último mês, foi o desfecho

para o mais recente embate

encabeçado pela ministra do

Meio Ambiente, Marina Silva,

depois que o ministro da Agricultura,

Reinhold Stephanes,

admitiu a possibilidade da cultura

da cana-de-açúcar nas

áreas degradadas da Amazônia.

O veto foi uma decisão pragmática

do governo.

Ao mesmo tempo em que o

aumento da produção de etanol

é um dos projetos mais caros

ao presidente Luiz Inácio

Lula da Silva, a ameaça de que,

pela primeira vez em três anos,

o desmatamento na Amazônia

pode ter voltado a crescer assusta

a quem tenta vender a

idéia do Brasil como um País

ecologicamente correto.

Essa não foi a primeira crise

enfrentada pela ministra com

relação à ambigüidade do governo

quando se trata de desenvolver

o País e, ao mesmo tempo,

proteger o meio ambiente. O

primeiro embate, ainda em

2003, foi em torno do projeto

que definiria como seria feita a

liberação do plantio de transgênicos

no País: enquanto a área

agrícola queria a liberação, o

Meio Ambiente queria tornar

mais dura a legislação e ter o

poder de veto.

CANAL 25


MEIO AMBIENTE

Usinas sucroalcooleiras aderem

ao Protocolo Agroambiental

DOCUMENTO ESTABELECE A ADOÇÃO DE PROCEDIMENTOS TÉCNICOS POR PARTE DAS

INDÚSTRIAS VISANDO A PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DO ETANOL E DO AÇÚCAR

Os primeiros Certificados de

Conformidade Ambiental

foram entregues Pela União

da Indústria de Canade-Açúcar

(Unica) e as Secretarias

Estaduais de Meio-Ambiente e de

Agricultura e Abastecimento de São

Paulo às 79 unidades produtoras de

açúcar e álcool que aderiram ao

Protocolo Agroambiental, cujo objetivo

é reconhecer e estimular as

boas práticas ambientais e sociais

das empresas do setor produtivo de

açúcar e álcool, por meio da concessão

de um Certificado de Conformidade

Ambiental. O documento estabelece

a adoção de dez procedimentos

técnicos pelas unidades

produtoras de açúcar e álcool, com

o intuito de promover a produção

sustentável de etanol.

Com a adoção desse programa, as

companhias passarão anualmente

por um processo de acompanhamento

técnico liderado pelo Comitê Executivo

do protocolo, composto pelas

Secretarias de Agricultura e Meio-

Ambiente e pela direção da Unica.

Entre os procedimentos, sobressai

o compromisso de antecipação

dos prazos legais para o fim da colheita

da cana-de-açúcar com o uso

prévio do fogo nas áreas cultivadas

pelas usinas. Anteriormente prevista

para acabar em 2021, a queima

da palha da cana nas áreas mecanizáveis

será completamente eliminada

até 2014. No caso das áreas nãomecanizáveis,

a antecipação será

ainda mais radical: de 2031 para

2017. E mais, as novas áreas ocupadas

pela cana a partir de novembro

de 2007 serão integralmente colhidas

sem o uso do fogo.

Além do fim do emprego do fogo,

o Protocolo dispõe sobre outros

temas de enorme relevância - conservação

do solo e dos recursos hídricos,

proteção de matas ciliares,

recuperação de nascentes, redução

de emissões atmosféricas e cuidados

no uso de defensivos agrícolas,

entre outros.

No mês de setembro a Cosan S/A

Indústria e Comércio recebeu a certificação

para as suas 17 unidades

produtoras de açúcar e álcool, o

que totaliza 96 unidades industriais

no Estado de São Paulo.

De acordo com o presidente da

Unica, Marcos Sawaya Jank, as adesões

ao Protocolo sinalizam um novo

período para o setor de açúcar e

álcool, marcado por avanços contínuos.

"Vamos iniciar um programa

de requalificação de mão-de-obra

para funções como tratorista e caldeireiro,

visando aproveitar parte

da mão-de-obra que estará disponível

após a mecanização. Teremos

50 mil novos empregos no plantio/colheita

e 20 mil novos empregos

na indústria sucroalcooleira até

2020", exemplifica Jank.

SUSTENTABILIDADE

O secretário de Meio-Ambiente,

Francisco Graziano, entende que o

Protocolo Agroambiental terá impacto

decisivo para a proteção das

matas ciliares e nascentes. "Com o

acordo que põe fim à queima, garantiremos

a proteção dessas áreas

e sua preservação para as gerações

futuras. O Protocolo permitirá o desenvolvimento

de ações voltadas à

recuperação da vegetação ciliar no

Estado", explica Graziano.

João Sampaio, secretário de Agricultura

e Abastecimento, acredita

usina são domingos/divulgação

Proteção de cobertura vegetal também está contemplada no protocolo

que o Protocolo Agroambiental trará

ganhos de imagem ao setor produtivo

de açúcar e álcool e ao próprio

processo de produção de etanol.

"O mundo está de olho não só em

quanto o Estado de São Paulo produz,

mas também onde e, principalmente,

como. Então, precisamos

mostrar que temos responsabilidade

social e ambiental. Além deste Protocolo,

o passo seguinte é termos

uma agenda voltada à capacitação

dos trabalhadores e profissionalização

do setor como um todo. Dentro

da Comissão de Bioenergia, a Secretaria

tem trabalhado com a indústria

para estabelecermos um plano de

ação coordenado nesta direção".

26 CANAL


INFRA-ESTRUTURA

Petrobras planeja

intensificar investimentos

PLANO ESTRATÉGICO DA EMPRESA INCLUI ELEVAR PRESENÇA NO MERCADO DE ETANOL,

COM INVESTIMENTOS EM LOGÍSTICA E PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA EM EMPREENDIMENTOS

Rhudy Crysthian

silvio simões

APetrobras vai investir pesado

para participar mais ativamente

da expansão no setor

sucroalcooleiro. E com o objetivo de

liderar esse mercado, a estatal quer

fazer o escoamento do álcool produzido

no Centro-Oeste pela hidrovia

Tietê-Paraná e por um outro duto

ligando o Porto de Paranaguá

(PR) ao Mato Grosso. Além de oferecer

os maiores e melhores terminais

marítimos, segundo a avaliação

do gerente de Comercialização

de Álcool e Oxigenados da Petrobras,

Paulo de Tarso Costa, a empresa

quer ainda reduzir a dependência

do petróleo e promover uma diversificação

energética no País.

Para alcançar essas metas a Petrobras

volta suas atenções para a

abertura de novos mercados, incentivando

o consumo em outros países.

Paulo de Tarso afirma que a Venezuela,

Chile, Equador e Colômbia

já fazem parte desse hall. "Estamos

agora estudando com o México novas

parcerias", diz.

Já o mercado europeu tem alta

taxação e muitas exigências. Mas

para continuar atendendo a esses

mercados e formar novas parcerias

a empresa afirma ser crucial a instalação

do alcoolduto que será

construído entre Senador Canedo

Paulo de Tarso Costa, da Petrobras: empresa promete grandes investimentos na diversificação energética no País

(GO) e o Porto de São Sebastião

(SP). O gerente diz que o plano estratégico

da empresa inclui elevar a

participação no mercado de etanol,

com logística e participação acionária

em empreendimentos.

Mas é justamente em logística,

onde a empresa anuncia os maiores

investimentos, onde estão os ma-iores

entraves para o setor. O alcoolduto

está praticamente parado, por

mais que a empresa afirme o contrário.

"Quando vemos anúncios de

investimentos da Petrobras para escoamento

da produção de biocombustíveis

ficamos animados. Isso

porque o gasto com a falta de logística

é muito alto e onera o setor",

garante o gerente executivo

do Banco do Brasil, Márcio Augusto

Montella. Ele afirma que o País está

perto de assegurar uma maior segurança

para atrair investimentos

fixos estrangeiros. "Mas de que adianta

plantar cana se não tivermos

capacidade de escoamento", reclama.

Montella diz ainda que existem

no Brasil 90 milhões de hectares

para produção agrícola aptos à produção

de etanol sem que seja necessário

expandir para a área da

Amazônia legal.

USINAS

A Petrobras também estuda a formação

de parcerias acionárias com

usinas desta nova fronteira de produção,

ajudando as indústrias a

atender os mercados que se formam.

A meta da Petrobras é investir em

novas áreas de produção de álcool,

como Goiás, Mato Grosso, Mato

Grosso do Sul e Triângulo Mineiro.

A empresa exportou 2,5 milhões

de metros cúbicos de álcool até

agosto deste ano, contra 2,7 milhões

durante todo o ano passado.

Atualmente, a Petrobras tem capacidade

para escoar mais de 2 milhões

de metros cúbicos de álcool

por ano pelo Porto do Rio de Janeiro.

Esse e outros temas ligados a expansão

dos biocombustíveis, questões

ambientais e trabalhistas foram

debatidos no II Seminário Sucroalcooleiro

do Centro-Oeste, em

Goiânia, no mês passado.


BIODIESEL

Dependência da soja

preocupa empresários

A OLEAGINOSA É COTADA INTERNACIONALMENTE E TEVE AQUECIDO O

SEU MERCADO COM O CRESCIMENTO DA DEMANDA POR ALIMENTOS

Rhudy Crysthian

Uma possível escassez da

soja para a fabricação

de biodiesel, a provável

alta nos preços do diesel

causada pela falta da commodity

e logística insuficiente são, atualmente,

os principais problemas

discutidos pelo segmento de produção

de biodiesel.

Por ser uma commodity, a soja

é cotada internacionalmente e o

crescimento da demanda por alimentos

aqueceu o seu mercado. O

argumento é que a produção do

grão já está estabilizada na agricultura

brasileira e para se preparar

para o aumento da demanda

na produção do combustível, o

País levaria cerca de 10 anos.

Segundo o chefe geral da Empresa

Brasileira de Pesquisa Agropecuária

(Embrapa Agroenergia),

Conferência em que foi discutida, em Brasília, o desenvolvimento da

agroenergia no País, no contexto das pequenas e grandes empresas

Frederico Ozanan Machado Durães,

85% do biodiesel produzido

hoje no Brasil tem a soja como

matéria-prima. Ele acredita ser um

risco a nação ficar apoiada apenas

nessa commodity. Para ele, o mapeamento

do sistema de produção

de um novo produto para o biodiesel,

além de zoneamento agroclimático

e, principalmente, a obtenção

de uma infra-estrutura para a

produção de sementes são mais

canal

que alternativas e sim necessidades

do setor.

Mas ele acredita que será o mercado

que irá ajustar a problemática

e muito provavelmente será o

biodiesel de soja que irá ser utilizado

na entrada em vigor da obrigatoriedade

da mistura de 2% de

biodiesel no diesel mineral a partir

de janeiro de 2008. "Embora outras

plantas tenham um teor de óleo

muito superior, elas ainda preci-

monsanto

28 CANAL


sam de pesquisa e de oferta em

escala, o que não existe neste

momento", completa.

PREÇO

O preço também preocupa o

setor. Ozanan prevê que o diesel

mineral ficará mais caro

quando for adotado o projeto

B2. A projeção é confirmada

pelo representante do Ministério

de Minas e Energia, Nelson

Hubner. Mas de acordo

com o presidente da União

Brasileira do Biodiesel (Ubrabio),

Odacir Klein, o aumento

deve incidir apenas sobre os

2% de biodiesel adicionados

ao diesel mineral e não sobre o

produto final.

Mas Klein prevê positivamente

que serão as empresas

como a BR Distribuidora ou a

Petrobras que irão absorver a

maior parte do aumento e não

o consumidor. Mas por se tratarem

de duas empresas públicas,

significa dizer que o contribuinte

pagará parte da conta

indiretamente.

A perspectiva de aumento

foi confirmada pelo gerenteexecutivo

da BR Distribuidora,

Alcides Santoro. Atualmente,

95% da produção da BR já é

feita com a mistura de 2%, e o

aumento não foi repassado

para as bombas. A diferença,

segundo Santoro, é absorvida

pela estatal.

Quanto a uma possível falta

de soja no mercado para a

produção de biodiesel, o presidente

da Ubrabio afirma que

apenas os associados da entidade

têm condições de oferecer,

atualmente, a matériaprima

necessária, inclusive,

para o B4. Outro ponto positivo

no programa destacado por

ele é o fato de as regras dos

próximos leilões de biodiesel

priorizarem a venda do produto

da agricultura familiar com

"selo social", o que em sua

opinião deve ser visto como

uma maneira de o governo incentivar

os pequenos produtores,

criando demanda cativa

para sua produção.

Esses e outros temas foram

destacados em Brasília na segunda

edição da Conferência

Internacional dos Biocombustíveis

(Enerbio), no último mês. O

objetivo do encontro foi discutir

o desenvolvimento da agroenergia

no País no contexto

das pequenas e grandes empresas.

Foram debatidos ainda as

energias renováveis, os impactos

ambientais, a nova matriz

energética, as perspectivas e os

cenários sobre produção e distribuição

de energia para outros

mercados.

85%

do biodiesel

produzido hoje no

Brasil tem a soja

como matéria-prima

INFRA-ESTRUTURA

Ferrovia Norte-Sul deve

ser concluída em 2010

Opresidente da Valec - Engenharia,

Construções e Ferrovias,

José Francisco das Neves,

garantiu na reunião da Diretoria

Plena da Federação da Indústria

do Estado de Goiás que a Ferrovia

Norte-Sul será concluída em

2010. Ele se mostrou confiante no

término da obra em, no máximo,

três anos. Para isso, conta com a

participação do capital privado.

No início de outubro, a Valec

promoveu leilão para a subconcessão

de trecho de 720 quilômetros

da Ferrovia entre Açailândia

(MA) e Palmas (TO), vencido

pela Vale do Rio Doce, que desembolsará

R$ 1,478 bilhão e será

responsável pelos serviços de

conservação, manutenção, melhoramentos

e adequação do trecho

licitado. Para março de 2008

está programado um novo leilão

de subconcessão de um trecho de

1 mil quilômetros da ferrovia entre

Palmas (TO) a Aparecida do

Taboado (MT).

RECURSOS

Aos industriais que questionaram

o presidente da Valec sobre a

existência de recursos para garantir

a conclusão da Norte-Sul,

ministerio dos transportes/valec

ele disse que a experiência do leilão

vencido pela Vale foi bem sucedida

e deve se repetir em outros

trechos da obra. Até o fim do

ano, a Valec licitará a concessão

do trecho de Palmas (TO) a Santa

Fé (SP), que deve contar com cerca

de R$ 2,2 bilhões de recursos

privados, além de R$ 800 milhões

do governo federal. O trecho da

Norte-Sul em Goiás terá 949 km,

entre Porangatu e São Simão.

A Ferrovia Norte-Sul representa

uma alternativa mais econômica

para os fluxos de longa distância

hoje existentes - inclusive para o

escoamento da produção sucroalcooleira

- e uma logística exportadora

mais competitiva, através

do Porto de Itaqui (MA). Em Goiás,

são projetados pólos de carga

em Porangatu, Uruaçu, Santa Isabel,

Jaraguá e Anápolis.

CANAL 29


EMPRESAS E MERCADOS

Novas máquinas na frota

New Holland

Nove novas máquinas chegam ao Brasil

para complementar a frota New Holland.

Com os lançamentos, a Cotril Máquinas

oferece a mais completa linha de

equipamentos destinados aos mercados da

construção, indústria, extração mineral,

usinas sucroalcooleiras e agricultura.

"É impressionante como a marca evoluiu.

Essa frota é um marco na história da New

Holland", afirma o Diretor Comercial da

Cotril, Domingos Pereira de Ávila Júnior, que

esteve presente no lançamento oficial dos

novos equipamentos, no último dia 23, em

São Paulo.

Entre os lançamentos, o destaque é para as

pás-carregadeiras, com refrigeração

diferenciada, cabine confortável e projeto

industrial moderno: W170B, W170BTC e

W190B. Outra novidade são as escavadeiras

hidráulicas com raio de giro traseiro reduzido:

E50.2SR, E130SRLC e E175BLC.

Para festejar o aniversário de 35 anos das

mini-carregadeiras, a New Holland lançou o

modelo L175, com carga operacional de 907

quilos. E pela primeira vez em sua

história no Brasil, a New

Holland oferta um

manipulador telescópico, o

M428.

Guerra comemora sucesso do Bitrem Tanque

A Guerra S.A., uma das maiores

fabricantes de implementos rodoviários da

América Latina, projeta um faturamento

de R$ 420 milhões até o final de 2007, o

que significa um incremento de vendas na

ordem de 31% sobre o ano anterior. De

acordo com a empresa, só na Fenatran

2007 foram fechados mais de R$ 15

milhões em vendas e novos negócios a

serem firmados até o final do ano.

Considerado um recorde histórico da

participação da companhia em todas as

edições da feira.

Um dos maiores sucessos de produto da

empresa no evento foi o Bitrem Tanque

Fórmula G, como divulgou o CANAL na

edição passada. O produto foi desenvolvido

no Centro Tecnológico da empresa que é a

A Aesa, uma das maiores empresas do

setor de reposição de molas e peças para

veículos de carga do Brasil, com 57 anos e

sede em Cambé, norte do Paraná, lançou os

primeiros produtos da linha de molas

parabólicas - o tipo mais utilizado nos países

europeus e nos Estados Unidos - para os

mercados interno e externo. A meta é

conquistar novos mercados e alavancar

principalmente as exportações que já

representam 20% do volume de produção.

Ano passado, a empresa cresceu 40% nas

vendas para o mercado externo, que inclui

países da América Central, América do Sul e

África. Dos R$ 40 milhões faturados em

única implementadora brasileira a

participar em 2007 da elaboração da norma

técnica da ABNT para transporte e

armazenamento de biodiesel, elaborada

com o objetivo de evitar contaminações do

produto e garantir a qualidade do óleo.

Indústria investe em pesquisa e tecnologia de molas

2006, R$ 30 milhões vieram da venda de

molas, principal produto da indústria que

também fabrica grampos, espigões

e pinos de olhete para o setor de autopeças

e expanders para o setor de bicicletas.

Neste ano, a empresa projeta um

crescimento de 20%. Para dar início à

produção das parabólicas, a Aesa investiu em

pesquisas em parceria com os centros

tecnológicos como a USP de São Carlos e as

Universidades Federais de Santa Catarina e

do Rio Grande do Sul, e na análise de

desempenho de equipamentos para produção

das molas parabólicas em países como a

Alemanha, Inglaterra, China e Turquia.

fotos: divulgação

Motores WEG: menores e mais silenciosos

Motores WEG refrigerados com manto

de água apresentam baixo nível de ruído e

dimensões externas reduzidas: tecnologia

inovadora para as aplicações mais exigentes.

Mercados cada vez mais exigentes

demandam aperfeiçoamentos constantes. A

redundância é pré-requisito em qualquer

fornecimento e produtos que garantam

perfeito funcionamento, oferecendo ainda

vantagens como menor tamanho e ruídos

cada vez mais imperceptíveis, ganham força.

A linha WGM ou WAM de motores de alta

tensão, por exemplo, disponibiliza, nas

carcaças 315 a 630, de 125 a 3500 kW de

potência. "Num ambiente limitado e que

pede total autonomia, os motores dessa linha

são refrigerados com manto de água,

tecnologia que garante independência nas

aplicações mais peculiares, como as dos

segmentos naval, mineração e siderurgia",

afirma Fredemar Rüncos, gerente da

engenharia de produto da unidade de

Energia da WEG. Os motores WEG contam

com grau de proteção até IP65W e estão

disponíveis tanto com rotor de gaiola como

bobinado e de 2 a 12 pólos. (WEG)

30 CANAL

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