Elementos de simetria - IFSC
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Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo<br />
Instituto <strong>de</strong> Física <strong>de</strong> São Carlos - <strong>IFSC</strong><br />
SFI 5800 Espectroscopia Física<br />
Simetria e Teoria <strong>de</strong> Grupos<br />
Prof. Dr. José Pedro Donoso
Simetria molecular e Teoria <strong>de</strong> Grupos<br />
A aplicação <strong>de</strong> argumentos <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> a átomos e moléculas começou nos<br />
anos 20 e 30, e teve origen na Teoria <strong>de</strong> Grupos <strong>de</strong>senvolvida pelos<br />
matemáticos no século XIX. Ela constitui uma ferramenta essencial para<br />
compreen<strong>de</strong>r as proprieda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> sistemas atômicos e moleculares.<br />
Depois <strong>de</strong> <strong>de</strong>screver as proprieda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> das moléculas<br />
analisaremos o efeito das transformações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> sobre os estados<br />
(vibracionais e eletrônicos) e veremos que é possível <strong>de</strong>duzir regras <strong>de</strong><br />
seleção que governam as transições espectroscópicas.<br />
Transições espectroscópicas permtidas e proibidas po<strong>de</strong>m ser i<strong>de</strong>ntificadas<br />
pelos criterios <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> para que o momento <strong>de</strong> transição entre os<br />
estados inicial e final não seja nulo (regra <strong>de</strong> seleção)
<strong>Elementos</strong> <strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
Uma operação que <strong>de</strong>ixa a aparência <strong>de</strong><br />
um corpo inalterada <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> efetuada<br />
é uma operação <strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
As operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> típicas são as<br />
rotações, as reflexões e as inversões.<br />
Para cada operação <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> há um<br />
elemento <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> correspon<strong>de</strong>nte,<br />
que é um ponto, uma linha (eixo <strong>de</strong><br />
<strong>simetria</strong>) ou um plano, em relação ao<br />
qual se faz a operação <strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
Molecular Physics and Elements of<br />
Quantum Chemistry. Haken & Wolf
Operação <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> σ<br />
A figura mostra o efeito das<br />
operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> σ 1<br />
, σ 2<br />
e σ 3<br />
(reflexões num plano)<br />
num arranjo molecular <strong>de</strong><br />
<strong>simetria</strong> triangular
A figura mostra o efeito da uma operação C 3<br />
(rotação) seguida <strong>de</strong><br />
uma operação <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> σ 2<br />
(reflexão num plano)<br />
Molecular Physics and Elements of Quantum Chemistry. Haken & Wolf
Rotação em torno <strong>de</strong> um eixo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
Mo<strong>de</strong>rn Spectroscopy. J.M. Hollas
Mo<strong>de</strong>rn Spectroscopy. J.M. Hollas
Espectroscopia Molecular. J.C. Teixeira Dias
Mo<strong>de</strong>rn Spectroscopy<br />
J.M. Hollas
<strong>Elementos</strong> <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> no CH 4<br />
e no SF 6<br />
Mo<strong>de</strong>rn Spectroscopy. J.M. Hollas
Simetria molecular<br />
Físico Química. Atkins & <strong>de</strong> Paula
Tabela <strong>de</strong> multiplicação do Grupo C 3v<br />
Os elementos são obtidos pelo produto dos elementos <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>. Este produto<br />
envolve a aplicação sucessiva das operações. De esta forma é possivel construir uma<br />
tabela <strong>de</strong> multiplicação. O conjunto completo das operações formam um grupo.
Exemplo: operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> na molécula <strong>de</strong> água<br />
A molécula <strong>de</strong> água tem dois planos <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>.<br />
Ambos são verticais (contem o eixo principal)<br />
e são simbolizados por σ. O grupo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
da molécula tem o elemento i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> (E) e um<br />
eixo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> C 2<br />
correspon<strong>de</strong>nte a uma<br />
operação <strong>de</strong> uma rotação <strong>de</strong> (2π/2). Por ter<br />
planos <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> verticais, ela pertence ao<br />
Grupo C 2v<br />
constituido pelos seguintes elementos:<br />
C<br />
2 v<br />
=<br />
{ E, C ,2 σ }<br />
2<br />
v<br />
A or<strong>de</strong>m do grupo, ou seja o número <strong>de</strong> seus elementos, é h = 4
Exemplo <strong>de</strong> Grupo pontual<br />
H 2 C – CH 2<br />
Operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>: C 2 , σ, I<br />
Grupo pontual: D 2h<br />
D 2h<br />
= {E, C 2<br />
(x), C 2<br />
(y), C 2<br />
(z), I, σ(x,y), σ(x,z), σ(y,z)}<br />
Molecular Physics and Elements of Quantum Chemistry. Haken & Wolf
Um Grupo pontual é um grupo <strong>de</strong> operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> que <strong>de</strong>ixa pelo menos um<br />
ponto inalterado. Para classificar as moléculas pelas respectivas <strong>simetria</strong>s,<br />
relacionamos os elementos <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> que elas possuem e reunimos num grupo<br />
todas as moléculas que epresentam esses elementos.<br />
Exemplo: Grupo C n<br />
: uma molécula pertence a este grupo se tiver um eixo n-ário
Simetria molecular e grupo pontual<br />
Inorganic Chemistry. Shriver & Atkins
Inorganic Chemistry. Shriver & Atkins
Mais exemplo <strong>de</strong> grupos pontuais
Symmetry and Spectroscopy. Harris & Bertolucci
Diagrama para <strong>de</strong>terminação do grupo<br />
pontual <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> <strong>de</strong> uma molécula<br />
A i<strong>de</strong>ntificação começa pelo<br />
reconhecimento dos grupos<br />
especiais <strong>de</strong> elevada <strong>simetria</strong><br />
(lineares, tetraédricas, octaédricas)<br />
A seguir se reconhece se possui ou<br />
não algum eixo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>. Por<br />
ultimo se verifica se a molécula<br />
possui um eixo S 2n . Caso não<br />
satisfaça, se verifica se ela admite<br />
eixos binários perpendiculares. No<br />
caso afirmativo ela pertenecerá aos<br />
grupos D n , D nh ou D nv . Caso<br />
contrario ela pertenecerá aos grupos<br />
C n , C nh ou C nv<br />
Espectroscopia molecular<br />
Jose C. Teixeira Dias
Tabelas <strong>de</strong> caracteres<br />
Para dar expressão matemática às operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> é necessário consi<strong>de</strong>rar<br />
a sua aplicação a vetores e funções. Consi<strong>de</strong>remos a representação matricial das<br />
operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> na molécula <strong>de</strong> água na base <strong>de</strong> vetores (x, y)<br />
E<br />
⎛1<br />
= ⎜<br />
⎝0<br />
0⎞<br />
⎟<br />
1⎠<br />
2<br />
⎛−1<br />
= ⎜<br />
⎝ 0<br />
0⎞<br />
⎟<br />
1⎠<br />
⎛1<br />
=<br />
⎝0<br />
'<br />
C σ ( ) ⎜ ⎟ ( yz) = ⎜ ⎟<br />
v<br />
xz<br />
0⎞<br />
1⎠<br />
σ v<br />
⎛−1<br />
⎝<br />
0<br />
0⎞<br />
1⎠<br />
A soma dos elementos da diagonal <strong>de</strong> uma matriz constitui o caracter da matriz (χ)<br />
O carater <strong>de</strong> uma representação é o conjunto dos carateres das matrizes que<br />
compõem essa representação. A notação matricial têm gran<strong>de</strong> utilida<strong>de</strong> na Teoria<br />
<strong>de</strong> Grupos porque é possível <strong>de</strong>compor uma representação numa soma direta das<br />
representações constituidas pelas submatrizes correspon<strong>de</strong>ntes. Uma<br />
representação in<strong>de</strong>componível em outras <strong>de</strong> menores dimensões se chama<br />
representação irredutível.
Estrutura das tabelas <strong>de</strong> caracteres<br />
Símbolo<br />
do grupo<br />
Espécies <strong>de</strong><br />
<strong>simetria</strong><br />
operações<br />
<strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
Funções<br />
base<br />
Cada linha correspon<strong>de</strong> a uma dada representação (espécie). Na espectroscopia<br />
vibracional vamos associar cada modo normal <strong>de</strong> vibração a uma <strong>de</strong>stas espécies, <strong>de</strong><br />
acordo com suas proprieda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> frente as operações do grupo. Na<br />
espectroscopia eletrônica se faz o mesmo com os orbitais moleculares. Na mecânica<br />
quântica analisamos as proprieda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> das funções <strong>de</strong> onda e dos<br />
operadores, e os associamos a especies <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> <strong>de</strong> grupo correspon<strong>de</strong>nte.<br />
Consi<strong>de</strong>rando como transforma o operador <strong>de</strong> uma transição, por exemplo,<br />
po<strong>de</strong>remos i<strong>de</strong>ntificar quais transições são permitidas e proibidas.
Estrutura das tabelas <strong>de</strong> caracteres<br />
Símbolo<br />
do grupo<br />
Espécies <strong>de</strong><br />
<strong>simetria</strong><br />
operações<br />
<strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
Funções<br />
base<br />
Caracteres<br />
As representações (espécies) unidimensionais são rotuladas por A e B; as<br />
bi-dimensionais por E (não confundir com E : operação i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>) e as<br />
tri-dimensionais por T ou F. Na espectroscopia eletrônica usam-se os símbolos<br />
Σ, Π, ∆, Φ correspon<strong>de</strong>ntes ao numero quântico <strong>de</strong> momento angular.
Símbolo<br />
do grupo<br />
Espécies <strong>de</strong><br />
<strong>simetria</strong><br />
operações<br />
<strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
Funções<br />
base<br />
Caracteres<br />
As funções <strong>de</strong> base resumem as proprieda<strong>de</strong>s das tranformação da espécie.<br />
Elas po<strong>de</strong>m ser lineares (x, y, z; funções <strong>de</strong> traslação T x , T y e T z ) ou quadráticas<br />
(x 2 , y 2 , z 2 , xy,xz, yz). R x , R y e R z indicam rotações em torno <strong>de</strong> eixos <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>.
Caracteres χ<br />
1 - Espécies unidimensionais que são simetricas em relação ao eixo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> são<br />
rotuladas A (carater χ(C n<br />
) = +1). Caso contrario são rotuladas B (χ(C n<br />
) = -1).<br />
2 - Os sub-indices 1 ou 2 referem-se a <strong>simetria</strong> em relação aos eixos C n<br />
ou S n<br />
.<br />
No grupo C 2v<br />
estes sub-índices indicam a <strong>simetria</strong> em relação ao plano σ(xz).<br />
3 - A <strong>simetria</strong> em relação ao centro <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> é indicada pelos sub-índices g<br />
(gera<strong>de</strong>) e u (ungera<strong>de</strong>)<br />
4 – Os carateres da operação i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> (E) revelam a <strong>de</strong>generescência da espécie.
Símbolo<br />
do grupo<br />
Espécies <strong>de</strong><br />
<strong>simetria</strong><br />
operações<br />
<strong>de</strong> <strong>simetria</strong><br />
Funções<br />
base<br />
Caracteres χ<br />
1- As espécies do grupo C 2v<br />
são A 1<br />
, A 2<br />
, B 1<br />
e B 2<br />
. A espécie A 1<br />
transforma como z. As<br />
espécies B 1<br />
e B 2<br />
transformam como x e y, respectivamente.<br />
2 - A função <strong>de</strong> base z na linha da espécie A 1<br />
indica que a coor<strong>de</strong>nada z não muda<br />
<strong>de</strong> sinal quando são aplicadas todas as operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>: E, C 2<br />
, σ v<br />
(xz), σ’ v<br />
(yz)<br />
Os carateres, então: χ(E) = +1, χ(C 2<br />
) = +1, χ(σ v<br />
) = +1 e χ(σ’) = +1<br />
3 - A função <strong>de</strong> base x na linha da espécie B 1<br />
indica que a coor<strong>de</strong>nada x muda <strong>de</strong><br />
sinal se é aplicada uma rotação C 2<br />
ou uma reflexão σ’(yz): χ(C 2<br />
) = -1 e χ(σ’) = -1
Tabelas <strong>de</strong> caracteres do grupo C 3v<br />
utilizado para <strong>de</strong>screver a molécula NH 3<br />
As colunas da Tabela i<strong>de</strong>ntificam as operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>. Os números que<br />
multiplicam cada operação sào os números <strong>de</strong> membros <strong>de</strong> cada classe.<br />
Vemos que as duas rotações C 3<br />
(<strong>de</strong> 120 o ) pertencem à mesma classe.<br />
As três reflexões σ v<br />
(uma para cada um dos três planos verticais <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>)<br />
também pertencem à mesma classe.
Tabelas <strong>de</strong> caracteres do grupo C ∞v<br />
utilizado para <strong>de</strong>screver moléculas lineares
Exemplo da análise das proprieda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> <strong>de</strong> um orbital atômico<br />
Symmetry and Spectroscopy. Harris & Bertolucci
Regras <strong>de</strong> seleção e momentos <strong>de</strong> transição<br />
A interação entre uma molécula e a componente elétrica (oscilante) da<br />
radiação eletromagnética, para a absorção ou emissão <strong>de</strong> um foton <strong>de</strong><br />
frequência ν, só ocorre se a molécula tiver um dipolo elétrico oscilando na<br />
frequência do campo. Na mecânica quântica, isto se expressa em termos do<br />
momento <strong>de</strong> dipolo da transição, M fi<br />
M<br />
fi<br />
=<br />
ψ<br />
∗<br />
f<br />
ˆ µ ψ<br />
i<br />
=<br />
∫<br />
ψ<br />
∗<br />
f<br />
ˆ µψ dτ<br />
i<br />
µˆ<br />
é o operador momento <strong>de</strong> dipolo elétrico (na espectroscopia infravermelha<br />
e eletrônica) ou o operador polarizabilida<strong>de</strong> (na espectroscopia Raman)<br />
A teoria <strong>de</strong> perturbações <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte do tempo estabelece que a probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
transição é proporcional a |M fi<br />
| 2 . Somente se o momento <strong>de</strong> transição for diferente<br />
<strong>de</strong> zero a transição contribuirá para o espectro.
Espectroscopia infravermelha<br />
A regra <strong>de</strong> seleção para a absorção <strong>de</strong> radiação por uma vibração<br />
molecular é a <strong>de</strong> que o momento <strong>de</strong> dipolo elétrico da molécula varie<br />
quando os átomos forem <strong>de</strong>slocados ums em relação aos outros.<br />
As vibrações <strong>de</strong>sse tipo são ditas ativas no infravermelho A base da regra é<br />
a da geração <strong>de</strong> um campo eletromagnético oscilante <strong>de</strong>vido à vibração <strong>de</strong><br />
um dipolo variável, e vice-versa.<br />
A regra não impõe a existência <strong>de</strong> um dipolo permanente, mas somente a<br />
variação do momento <strong>de</strong> dipolo.<br />
Algumas vibrações não afetam o momento <strong>de</strong> dipolo da molécula (por<br />
exemplo, a vibração <strong>de</strong> estiramento <strong>de</strong> uma molécula diatômica<br />
homonuclear), e são chamadas <strong>de</strong> inativas no infravermelho.
Modos normais ativos no infravermelho<br />
A probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> transição da molécula <strong>de</strong> um estado vibracional inicial (função <strong>de</strong><br />
onda Ψ i<br />
) para um estado final (função <strong>de</strong> onda Ψ f<br />
) <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> do operador momento<br />
<strong>de</strong> dipolo elétrico, <strong>de</strong> componentes ex, ey e ez. Dizemos então que o operador<br />
transforma como as coor<strong>de</strong>nadas x, y, z<br />
M<br />
x<br />
fi<br />
= −e<br />
∫<br />
ψ<br />
∗<br />
f<br />
xψ<br />
dτ<br />
i<br />
As funções <strong>de</strong> onda vibracionais tem a <strong>simetria</strong> dos polinómio <strong>de</strong> Hermite, ou seja a<br />
<strong>simetria</strong> <strong>de</strong> uma coor<strong>de</strong>nada. O operador dipolo elétrico transforman como os<br />
produtos cartesianos x, y, z. Se a espécie <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> <strong>de</strong> um modo normal <strong>de</strong><br />
vibração tem a espécie <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> <strong>de</strong> uma coor<strong>de</strong>nada (x, y, z) esta vibração será<br />
ativa no infravermelho. Por tanto, para saber se um dado modo normal é ativo no<br />
infravermelho basta observar na tabela <strong>de</strong> carateres se sua espécie <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> tem<br />
alguma coor<strong>de</strong>nada como função base.
Espectroscopia Raman<br />
A regra <strong>de</strong> seleção para a espectroscopia Raman <strong>de</strong> uma vibração é a <strong>de</strong> que<br />
a polarizabilida<strong>de</strong> da molécula <strong>de</strong>ve mudar durante a vibração.<br />
Moléculas diatômicas<br />
Como as moléculas diatômicas homonucleares e heteronucleares se<br />
expan<strong>de</strong>m e se contraem durante a vibração, a polarizabilida<strong>de</strong> da molécula<br />
se altera e as vibrações são ativas no Raman.<br />
Moléculas poliatômicas<br />
Os modos normais <strong>de</strong> vibração são ativos no Raman se forem acompanhados<br />
por mudança na polarizabilida<strong>de</strong>. Em geral, é necessário o uso da Teoria <strong>de</strong><br />
Grupos para prever se um modo é ativo no infravermelho ou no Raman. Se a<br />
molécula tiver um centro <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> (i), nenhum modo <strong>de</strong> vibração po<strong>de</strong> ser<br />
simultaneamente ativo no infravermelho e na espectroscopia Raman.
Modos normais ativos no Raman<br />
A polarizabilida<strong>de</strong> α me<strong>de</strong> a <strong>de</strong>formação da molécula num campo elétrico E.<br />
O momento da transição, M fi<br />
é dada por:<br />
M<br />
fi<br />
=<br />
v<br />
f<br />
α<br />
( x) v E<br />
i<br />
O operador tensorial da polarizabilida<strong>de</strong> têm seis componentes: α xx<br />
, α yy<br />
, α zz<br />
, α xy<br />
, α xz<br />
e α yz<br />
. Estas componentes transforman como os produtos cartesianos quadráticos<br />
(x 2<br />
, y 2<br />
, z 2<br />
, xy, etc.). A Teoria <strong>de</strong> Grupos proporciona uma regra explícita para<br />
analisar a ativida<strong>de</strong> Raman <strong>de</strong> um modo normal <strong>de</strong> vibração: se a espécie <strong>de</strong><br />
<strong>simetria</strong> <strong>de</strong> um modo normal tem a espécie <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> <strong>de</strong> uma forma quadrática<br />
(x 2 , y 2 , z 2 , xy, etc.) essa vibração será Raman ativa. Por tanto, para saber se um<br />
dado modo normal <strong>de</strong> vibração é Raman ativo basta observar na tabela <strong>de</strong><br />
carateres se sua espécie <strong>de</strong> <strong>simetria</strong> tem uma função base <strong>de</strong> forma quadrática.
Simetria dos modos <strong>de</strong> vibração da molécula <strong>de</strong> água<br />
Número <strong>de</strong> modos normais <strong>de</strong> vibração: (3N - 6) = 3<br />
Simetria dos três modos normais (no Grupo C 2v<br />
):<br />
E<br />
C 2<br />
σ(xz)<br />
σ(yz)<br />
ν 1<br />
1 1 1 1 = A 1<br />
ν 2<br />
1 1 1 1 = A 1<br />
ν 3<br />
1 -1 -1 1 = B 2<br />
O modo normal <strong>de</strong> vibração ν 1<br />
transforma como a espécie A 1<br />
em C 2v<br />
, ν 2<br />
também<br />
transforma como A 1<br />
, e ν 3<br />
transformam como B 2
Como a espécie A 1 tem uma coor<strong>de</strong>nada (z) como função base, os modos<br />
<strong>de</strong> vibração ν 1 e ν 2 são ativos no infravermelho. E como B 2 também tem<br />
uma coor<strong>de</strong>nada como função base (y) ν 3 também é ativo no<br />
infravermelho. Consultando a tabela <strong>de</strong> carateres <strong>de</strong> C 2v verificamos que<br />
todos os três modos normais da H 2 O também são ativos na espectroscopia<br />
Raman (as espécie A 1<br />
e B 2<br />
tem produtos quadráticos como funções base).
Modos normais <strong>de</strong> vibração na molécula <strong>de</strong> água<br />
Banda (cm -1 )<br />
1595.0<br />
3151.4<br />
3651.7<br />
3755.8<br />
5332.0<br />
6874<br />
Intensida<strong>de</strong><br />
very strong<br />
medium<br />
strong<br />
vs<br />
m<br />
weak<br />
I<strong>de</strong>ntificação<br />
ν 2<br />
(A 1<br />
)<br />
2ν 2<br />
ν 1<br />
(A 1<br />
)<br />
ν 3<br />
(B 2<br />
)<br />
ν 2<br />
+ ν 3<br />
2ν 2<br />
+ ν 3<br />
A banda em 5332 cm -1 resulta da combinação ν 2<br />
+ ν 3<br />
Espectroscopicamente ν 2<br />
+ ν 3<br />
= 1595 + 3755.8 = 5350.8 cm -1<br />
Verifica-se que A 1<br />
× B 2<br />
= B 2<br />
, espécie ativa no infravermelho:<br />
E<br />
C 2<br />
σ(xz)<br />
σ(yz)<br />
Physical Chemistry<br />
Alberty & Silbey<br />
A 1<br />
1 1 1 1<br />
B 2<br />
1 -1 -1 1<br />
A 1<br />
× B 2<br />
1 -1 -1 1
Modos normais <strong>de</strong> vibração da molécula CH 4<br />
Grupo: T d<br />
Graus <strong>de</strong> liberda<strong>de</strong>: 3N = 15<br />
Modos normais <strong>de</strong> vibração: 3N – 6 = 9<br />
Operações <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>:<br />
Sob E, nenhuma coor<strong>de</strong>nada se altera, χ(E) = 15<br />
Sob C 3<br />
, nenhuma coor<strong>de</strong>nada fica imutável, χ = 0<br />
Sob C 2<br />
, as componentes x e y trocam <strong>de</strong> sinal<br />
Sob S 4<br />
, a coor<strong>de</strong>nada z do étomo central é<br />
invertido, <strong>de</strong> modo que χ(S 4<br />
) = -1<br />
Sob σ d<br />
, y é invertido
Caracteres da representação total:<br />
E<br />
8C 3<br />
3C 2<br />
6S 4<br />
6σ d<br />
Γ tot<br />
15<br />
0<br />
-1<br />
-1<br />
3<br />
A 1<br />
+E+T 1<br />
+3T 2<br />
Translações: Γ tras<br />
= T 2<br />
Rotações: Γ rot<br />
= T 1<br />
⇒ vibrações Γ v<br />
= Γ tot<br />
- Γ tras<br />
- Γ rot<br />
= A 1<br />
+ E + 2T 2<br />
Consultando a tabela <strong>de</strong> Carateres verificamos<br />
que somente os modos T 2<br />
são ativos no IR. O<br />
modo simetrico <strong>de</strong> “respiração” A 1<br />
é inativo no IR.<br />
Os modos A 1<br />
, E e T 2<br />
são todos ativos no Raman.<br />
(Ref: Fisico Quimica, Atkins & <strong>de</strong> Paula)
Molécula trans-N 2 F 2<br />
estrutura planar não linear<br />
Caracteres da representação total:<br />
Γ tot<br />
E<br />
C 2<br />
i<br />
σ h<br />
12 0 0 4 4A g<br />
+2B g<br />
+2A u<br />
+4B u<br />
Translações e rotações: Γ = A g<br />
+ 2B g<br />
+ 2A u<br />
+ 2B u<br />
⇒ vibrações Γ v<br />
= Γ tot<br />
- Γ tras<br />
- Γ rot<br />
= 3A g<br />
+ A u<br />
+ 2B u<br />
Consultando a tabela <strong>de</strong> Carateres verificamos que os<br />
modos A u<br />
e B u<br />
são ativos no Infravermelho.<br />
O modo A g<br />
é ativo na espectroscopia Raman.<br />
Chemical Applications of Group Theory, Cotton
Os <strong>de</strong>slocamentos observados nas bandas<br />
ν 4<br />
e ν 1<br />
na amostra <strong>de</strong>uterada (CDCl 3<br />
) em<br />
relação a CHCl 3<br />
permite i<strong>de</strong>ntificar estes<br />
modos como C-H bending e C-H stretching,<br />
respectivamente.
Teoria <strong>de</strong> Grupos Aplicada, Nussbaum
CHCl 3 (cloroformio)<br />
Grupo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>: C 3v<br />
Modos normais <strong>de</strong> vibração: 3N – 6 = 9<br />
1 - os seis modos normais <strong>de</strong> vibração são ativos no infravermelho e na<br />
espectroscopia Raman<br />
2 - As bandas ν 1<br />
, ν 2<br />
e ν 3<br />
em 3033, 667 e 364 cm -1 correspon<strong>de</strong>m as vibrações<br />
totalmente simétricas da espécie A 1,<br />
e são Raman polarizadas<br />
3 - As bandas ν 4<br />
, ν 5<br />
e ν 6<br />
em 1205, 760 e 260 cm -1 pertencem a espécie E<br />
Physical Methods for Chemists, Drago<br />
Teoria <strong>de</strong> Grupos Aplicada, Nussbaum
BF 3<br />
(molecula plana)<br />
Grupo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>: D 3h<br />
Modos normais <strong>de</strong> vibração: 3N – 6 = 6
BF 3<br />
(molecula plana)<br />
Grupo <strong>de</strong> <strong>simetria</strong>: D 3h<br />
Correspondência modos normal e<br />
representação (espécie):<br />
A 1<br />
→ ν 1<br />
A 2<br />
’ → ν 2 E → ν 3 e ν 4<br />
Infravermelho : ν 2<br />
, ν 3<br />
, ν 4<br />
ativas<br />
Raman : ν 1<br />
, ν 3<br />
, ν 4<br />
ativas
Modos normais <strong>de</strong> vibração ativos em IR e Raman<br />
Infrared and Raman Spectroscopy, Schra<strong>de</strong>r (ed.)
Ativida<strong>de</strong> IR e Raman dos modos normais <strong>de</strong> vibração<br />
Numero <strong>de</strong> bandas Raman ativas (n R<br />
), Raman polarizadas (n P<br />
), bandas IR ativas (n I<br />
)<br />
e bandas coinci<strong>de</strong>ntes IR e Raman (n C<br />
). Banda inativa: ia<br />
Raman Spectroscopy, Szymanski
Bibliografia<br />
1 - Atkins & <strong>de</strong> Paula, Físico Química.<br />
2 - Haken & Wolf, Molecular Physics and Elements of Quantum Chemistry.<br />
3 - Harris & Bertolucci, Symmetry and Spectroscopy.<br />
4 – Nussbaum, Teoria <strong>de</strong> Grupos Aplicada.<br />
5 – Cotton, Chemical Applications of Group Theory.<br />
6 – Sala, Fundamentos da espectroscopia Raman e Infravermelha<br />
7 – Teixeira Dias, Espectroscopia molecular.<br />
8 – Schra<strong>de</strong>r (editor) Infrared and Raman Spectroscopy.<br />
Tabelas <strong>de</strong> Caracteres:<br />
www.oup.com/uk/orc/bin/9780198700722/01stu<strong>de</strong>nt/tables/