(52\252 Edi\347ao.qxd) - Canal : O jornal da bioenergia

canalbioenergia.com.br

(52\252 Edi\347ao.qxd) - Canal : O jornal da bioenergia

CARTA DO EDITOR

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

14

alberto gonzaga

22

12

28

22 BIODIESEL

Grandes tradings multinacionais de commodities têm investido em novas usinas

de biodiesel em várias regiões brasileiras, atraídas pelo mercado em expansão.

petrobras/divulgação

petrobras/divulgação

rogério porto

Novas conquistas

Encerramos o ano com a certeza de que

importantes avanços foram alcançados e nos

preparamos para começar 2011 confiantes em

conquistas ainda maiores. É certo que os

desafios também são grandes, mas com

profissionalismo e paixão pelo que se faz não

há obstáculos intransponíveis, principalmente

quando se acrescenta a essas qualidades

disciplina e criatividade.

Essa receita vale igualmente para a

cobertura jornalística especializada que

realizamos no dia a dia, onde estão presentes

todos os ingredientes citados acima, e para o

setor produtivo, que dá provas reiteradas de

competitividade e capacidade de inovação.

Cada nova edição do CANAL, como esta que

chega às suas mãos, caro leitor, mostra o vigor

e o dinamismo desta cadeia produtiva, sempre

alinhada com os avanços tecnológicos e com a

responsabilidade social e ambiental.

Os assuntos abordados nas páginas

seguintes tratam de aspectos importantes da

evolução do setor sucroenergético e de

produção de biodiesel em diferentes níveis de

repercussão: político, científico, produtivo e de

mercado, entre outros.

A cada nova reunião de pauta, a equipe de

jornalismo do CANAL discute e elege os temas

de maior interesse para os agentes que atuam

no setor de produção de biocombustíveis,

açúcar e bioeletricidade para oferecer

informações úteis e de qualidade, ajudando a

formar opiniões sobre esta importante

revolução produtiva que o Brasil lidera em

busca de uma matriz energética cada vez mais

limpa.

Boa leitura e feliz 2011!

14 INFORMÁTICA

A Tecnologia da Informação Digital

está cada vez mais presente nas

usinas e é pré-requisito para a gestão

eficaz dos processos industriais.

12 NOVO COMBUSTÍVEL

Previsto para ser lançado

comercialmente em 2013, o

biobutanol promete vantagens em

relação à gasolina e ao etanol.

28 MAIS BRASIL

Festival de Gastronomia e Cultura da

Cidade de Goiás é oportunidade

imperdível para fazer turismo histórico

e saborear delícias do Cerrado.

04 ENTREVISTA

Pedro Alves de Oliveira, presidente da

Fieg, fala sobre políticas de incentivo,

infraestrutura e diversos outros temas

relacionados à indústria.

CANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação da

MAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41

DIRETOR EXECUTIVO: César Rezende - diretor@canalbioenergia.com.br

DIRETORA EDITORIAL: Mirian Tomé DRT-GO-629- editor@canalbioenergia.com.br

GERENTE ADMINISTRATIVO: Patrícia Arruda- financeiro@canalbioenergia.com.br

GERENTE DE ATENDIMENTO COMERCIAL: Beth Ramos - comercial@canalbioenergia.com.br

ATENDIMENTO: Ana Carolina Vasconcellos - assinaturas@canalbioenergia.com.br

EDITOR: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694 - redacao@canalbioenergia.com.br

REPORTAGEM: Evandro Bittencourt, Fernando Dantas,

Luisa Dias e Mirian Tomé

DIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santos - arte@canalbioenergia.com.br

REPRESENTANTE: SÁ PUBLICIDADE E REPRESENTAÇÕES LTDA. BRASÍLIA,

GOIÁS, TOCANTINS, MATO GROSSO, MATO GROSSO DO SUL, REGIÕES NORTE

E NORDESTE. Thiago Sá Thiago@sapublicidade.com.br (61) 3201 0073 (62) 3275 7678

BANCO DE IMAGENS: UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo:

www.unica.com.br; SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de

Goiás: www.sifaeg.com.br; / REDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano

Center, Setor Bueno - Goiânia - GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62)

3093 4084 - email: canal@canalbioenergia.com.br / TIRAGEM: 9.000 exemplares /

IMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.br / CANAL, o Jornal da

Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos nas reportagens e

artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores. É autorizada

a reprodução das matérias, desde que citada a fonte.

www.twitter.com/canalBioenergia

Assine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.br

O CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível na

internet no endereço: www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.br

“Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina

o que é útil, e te guia pelo caminho em

que deves andar." (Isaías 48:17)


ENTREVISTA - Pedro Alves de Oliveira, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás

Infraestrutura

para crescer

DESAFIO DO NOVO PRESIDENTE DA FIEG É BUSCAR

INVESTIMENTOS QUE GARANTAM MAIS DESENVOLVIMENTO

PARA O SETOR INDUSTRIAL GOIANO

Evandro Bittencourt

Natural de Patrocínio (MG), Pedro Alves de

Oliveira é administrador de empresas e

empresário do setor agroindustrial, onde

atua por meio da Cerealista Lagoinha Importação

e Exportação Ltda, fundada em 1973. Suas

atividades como empresário também se estendem

à pecuária de corte em Goiás.

Em sua experiência sindical e de representação

do empresariado destaca-se o trabalho desenvolvido

como presidente do Sindicato da Indústria do Arroz

e Feijão no Estado de Goiás – Siago (oito mandatos,

sendo dois alternados) e como vice-presidente

da Federação das Indústrias no Estado de Goiás –

Fieg (dois mandatos). É também sócio fundador da

Bolsa de Mercadorias de Goiás e o primeiro representante

da Fieg junto ao Conselho Deliberativo do

Programa Fomentar.

Como o senhor avalia a rápida expansão do setor

sucroenergético no Estado de Goiás nesses

últimos anos

Goiás possui um potencial enorme de produção

agrícola e tem uma disponibilidade muito grande

de terras, que hoje são utilizadas em sua

maioria como pastagens degradadas, ou seja,

você tem uma taxa de ocupação muito pequena

nos pastos. A indústria da cana está exatamente

ocupando estes espaços, criando uma

possibilidade de que ele seja mais produtivo, gerando

maior contribuição, emprego e desenvolvimento

para o Estado.

Vale destacar que a bioenergia tem um grande

papel na questão ambiental, pois o etanol não

polui tanto quanto os combustíveis derivados

do petróleo, e a cana-de-açúcar, durante seu

crescimento, tem uma alta absorção de carbono,

o que colabora para a diminuição do aquecimento

global.

Quais as ações da Fieg são voltadas especificamente

para esse setor

A Fieg atua no sentido de dar apoio político aos

sindicatos (Sifaeg e Sifaçúcar) e nas ações diretas

realizadas junto às empresas, principalmente

na formação de mão de obra e na discussão

das questões ambientais.

Hoje, é comum, por exemplo, você ter cursos

técnicos da área ministrados dentro das próprias

indústrias. Em Quirinópolis, uma usina firmou

parceria com o Senai para fazer exatamente isso,

formar mão de obra e atender às empresas

da região. Há um relacionamento estreito entre

a federação, entidades e o setor sucroenergético.

Os sindicatos mencionados são muito atuantes

e contribuem de forma significativa na

articulação da Fieg, de uma forma geral.

Qual o papel atual da Fieg no desenvolvimento

industrial do Estado de Goiás

São dois papéis básicos, o de representar o segmento

industrial e o de defender os interesses

da indústria e da sociedade de uma forma geral.

A produção industrial está atrelada a questões

complexas, como o meio ambiente, a infraestrutura,

tributos, créditos, entre outros. A federação

canaliza e encaminha soluções junto aos

órgãos públicos, com o apoio do Fórum Empresarial

Goiano.

O Sistema Fieg, hoje, tem uma proposta de desenvolvimento

para o Estado de Goiás, que é o

Mapa Estratégico da Indústria Goiana, que trata

dos grandes temas relacionados ao Estado,

não só pertinentes à indústria, mas também à

sociedade. Cito como exemplo educação, saúde

A infraestrutura básica de

Goiás é, hoje, a mesma da

década de 1980, o que a

torna insuficiente e, em

muitos casos, inadequada.

O transporte hidroviário,

ideal para movimentação

de grandes volumes a

grandes distâncias, (...)

é quase inexistente.

e emprego. Atualmente, a federação transcende

os interesses da indústria e pensa no desenvolvimento

de Goiás, pois se o Estado estiver se desenvolvendo,

a indústria também terá condições

de se desenvolver.

Qual será o trabalho desenvolvido pela Fieg no

sentido de promover as exportações

O fortalecimento da indústria passa por uma

maior inserção das empresas no comércio exterior,

que é estratégico, tanto pelo aproveitamento

de novas oportunidades de negócios, como

por estimular a inovação e o aumento de

produtividade.

Nesse sentido, está previsto, dentro do Mapa

Estratégico da Indústria Goiana, a elaboração

de um estudo de oportunidades de investimento

em Goiás, voltado para investidores nacionais

e internacionais; a criação do Projeto Goiás

Exporta, que buscará criar mecanismos para

facilitar o comércio exterior em Goiás, por

meio da desoneração nas exportações e importações,

promoção comercial, desenvolvimento

de imagem e marcas e efetiva participação

institucional do governo estadual em feiras internacionais.

Também está prevista a criação

de uma agência para atração de investimentos

estrangeiros diretos. De maneira geral, o setor

industrial fomentará o crescimento da participação

nos mercados interno e externo com

oferta de produtos e serviços de maior valor

agregado. Para tanto, se faz necessário promover

a cultura do comércio exterior dentro da

gestão empresarial.

Qual é a importância dos programas estaduais

de atração de investimentos

A industrialização tardia de Goiás se alicerça

nos programas Fomentar e Produzir, implementados

a partir da década de 1980. São eles os

grandes responsáveis pelo desenvolvimento industrial

da região, que continua em plena expansão.

É necessária a manutenção desses dois

programas, que são estratégicos e fundamentais

para o equilíbrio da competitividade das nossas

indústrias em relação aos grandes centros já

consolidados. Dessa forma, deverá ser garantida

a continuidade e a modernização da atual política

de incentivos, inclusive desenvolvendo esforços

especiais para sua validação perante os

demais Estados brasileiros.

Qual a avaliação do senhor em relação aos investimentos

já realizados e os já programados

para os próximos anos, visando a correção das

deficiências de infraestrutura que reduzem a

competitividade dos produtos brasileiros

Os investimentos já realizados estão muito

aquém do que deveria ter sido feito. A infraestrutura

básica de Goiás é, hoje, a mesma da década

de 1980, o que a torna insuficiente e, em

muitos casos, inadequada. O transporte hidroviário,

ideal para a movimentação de grandes

volumes a grandes distâncias, sendo mais barato

que o escoamento por rodovia ou ferrovia, é

04 CANAL, Jornal da Bioenergia


quase inexistente. Discutimos há anos sobre hidrovias,

mas não avançamos. As rodovias são

estreitas, super transitadas e com buracos por

conta da má qualidade do asfalto. O Estado é

carente de transporte ferroviário, bastante

competitivo quando comparado a outros modais

brasileiros, que integre o território nacional

aos principais portos.

Os impactos negativos da falta de investimentos

na infraestrutura também são sentidos diretamente

no suprimento de energia – vide Celg –,

saneamento, habitação e armazenamento. São

setores que a Fieg acompanha de perto e propõe

o equacionamento de seus gargalos.

E essa é uma área em que a Fieg sempre trabalhou

e continuará a fazê-lo, realizando a interlocução

junto aos órgãos responsáveis. Os governos

funcionam bem quando a sociedade civil

se organiza e cobra. E a federação está mobilizada

para contribuir institucionalmente na busca

de soluções.

O Mapa Estratégico da Indústria Goiana prevê

que o investimentos do Estado na área de infraestrutura

salte de 1,5% para 3% do PIB, ou seja,

temos que dobrar nossa capacidade de investimento

e isso num curto espaço de tempo.

E no que diz respeito aos portos, aeroportos e à

ferrovia Norte-Sul, especialmente

Os portos, para nós, são essenciais. Nossa maior

expectativa está no porto de Itaqui, no Maranhão,

pois com a viabilização da Norte-Sul reduziremos

o tempo da viagem para atingir tanto a

Europa quanto a Ásia e a América do Norte.

Temos uma grande expectativa quanto a esta

ferrovia, há inclusive um projeto que está sendo

preparado, em parceria com a China, para exportação

de soja, produtos agrícolas e de produtos

alimentícios industrializados, que deve revolucionar

o norte do Estado. E isso será feito em função

do aproveitamento da Ferrovia Norte-Sul.

Quanto ao aeroporto, ficou até cansativo falar

sobre isso. É impensável receber investidores da

Ásia , por exemplo, para desembarcar aqui. A

primeira impressão é péssima.

Outra questão relacionada à infraestrutura é a

plataforma logística multimodal, que criará um

ponto de encontro do transporte rodoviário, ferroviário

e aeroviário, otimizando o atendimento

logístico de armazenamento, de manutenção de

veículos, entre outros aspectos, o que será muito

importante para o desenvolvimento do Estado.

Como o senhor vê a intenção do governo federal

de recriar a CPMF sob outro nome (Contribuição

Social da Saúde), com alíquota de 0,1%

Esse não é o caminho, a medida não resolverá o

problema da saúde. Temos que priorizar a melhoria

da gestão ao invés da criação das novas receitas. A

recriação da CPMF está na contramão da redução

da carga tributária brasileira, um dos pontos negativos

para a perda de competitividade da indústria.

É contestável a informação de políticos líderes do

Os portos, para nós, são

essenciais. Nossa maior

expectativa está no Porto de

Itaqui, no Maranhão, pois

com a viabilização da Norte-

Sul reduziremos o tempo da

viagem para atingir tanto a

Europa quanto a Ásia e a

América do Norte.

movimento de recriação da CPMF, segundo a qual

o impacto do imposto nos custos seria muito pequeno,

de 0,15%. Na realidade, dependendo da cadeia

produtiva, esse valor pode chegar a 8%.

Quais são os principais aspectos a serem discutidos

para que o País promova uma Reforma Tributária

que desonere e promova o setor produtivo

Depois da reforma política, a tributária talvez seja a

coisa mais controversa que exista no país. Os interesses

dos Estados são diferentes. Quem tem não quer

perder e quem não tem quer atrair outros para ter. Há

um conflito de interesses que precisa ser resolvido. O

grande desafio é, primeiramente, ter a disposição de

fazer a reforma. Tem de haver uma decisão política

clara e uma grande habilidade de negociar isso no

congresso e com os governadores, para chegar a um

resultado positivo, que melhore a situação atual, resguardando

determinados interesses locais.

Qual tem sido o impacto da guerra cambial no setor

industrial

Esse é outro grande desafio para a indústria e para o

próximo governo. Há grandes países no mercado internacional,

como China e Estados Unidos, que adotaram

uma política de desenvolvimento baseada na

desvalorização de suas moedas, ou de mantê-las

desvalorizadas. Isso dificulta para a indústria brasileira

exportar e prejudica o produto nacional, pois os

produtos entram no país com preço muito baixo.

Essa é uma questão complexa, pois depende de

outros países. A posição da indústria nacional é a

de manter uma política de dólar flutuante aqui,

para que a coisa não seja engessada e traga problemas

muito maiores.

Fala-se muito em apagão da mão de obra no Brasil

e vemos que em setores que experimentam

grande expansão, como o sucroenergético, é preocupante

a falta de trabalhadores qualificados.

Como os representantes das indústrias têm lidado

com esse problema

Acreditamos que a formação humana, calcada em

educação de qualidade e formação profissional

para o alto desempenho, associada à oferta de

condições dignas de vida para o trabalhador, torna-se

fator vital à cidadania e também para as indústrias,

que deverão atuar com firmeza para que

sejam disponibilizados os recursos humanos necessários

e adequados ao crescimento esperado

pelo setor na próxima década.

O Senai Goiás tem priorizado a ampliação das vagas

em todas as suas ações de formação e as mais

de 140 escolas técnicas, anunciadas pelo governo

federal, que deverão ser criadas em 2011, contribuirão

para minimizar o problema.

Goiás, assim como outros Estados e o País como

um todo são grandes produtores de matérias-primas

para as indústrias, mas em grande parte esses

produtos não são processados aqui e sim em outros

centros, onde geram riquezas e empregos. O

que é possível fazer para mudar essa realidade

São necessárias duas providências básicas. A primeira

é desenvolver e fortalecer as cadeias produtivas

– uma das proposições do Mapa Estratégico da

Indústria –, criando elos faltantes no Estado. Por

exemplo, Goiás possui indústrias automobilísticas,

mas não há produção de peças; produzimos medicamentos,

mas temos de importar a matéria-prima;

produzimos algodão e temos polos de confecção,

mas não produzimos tecidos.

A outra providência é investir pesado em desenvolvimento

e inovação tecnológica, o que cabe ao governo

e às empresas. Sem isso é impossível agregar

valor aos produtos e competir no mercado.

CANAL, Jornal da Bioenergia 05


As empresas têm dificuldades para obter crédito

e investir em atividades produtivas, o que se tornou

ainda mais grave com a crise econômica, que

teve seu auge em 2008. Como os representantes

das indústrias têm se articulado para tentar resolver

ou amenizar esse gargalo

A questão do crédito tem dois gargalos, a alta taxa

de juros e a dificuldade de acesso a esse crédito.

Hoje, as exigências feitas para a tomada de

crédito tornam quase inviáveis para as empresas

obtê-lo. Para tanto, é necessária a criação de

fundos de avais que garantam, em parte, os empréstimos.

Assim, os médios e pequenos empresários

ofereceriam garantias menores, dentro de

seus recursos.

É necessário que o Brasil comece a desenvolver

cooperativas setoriais, pois elas são uma boa saída.

A Fieg está negociando com os governos federal,

estadual e com o Sebrae a criação de uma

sociedade garantidora de crédito para amenizar a

questão das garantias que as empresas são obrigadas

a ter.

Em Goiás, temos linhas de crédito do BNDES e do

FCO, com juros compatíveis aos investimentos.

No que se refere ao FCO, Goiás é o Estado que

mais recursos aplicou e o que tem menor inadimplência,

fato que nos fortalece para reivindicar

cada vez mais recursos.

Qual foi o crescimento da indústria no Estado

nos últimos dez anos e sua contribuição para a

geração de empregos

Durante os últimos dez anos, alguns setores industriais

passaram a figurar entre os mais importantes

do País. São eles mineração, fármacos, sucroenergético

e de alimentos. O polo farmacêutico,

no eixo Aparecida de Goiânia – Anápolis, hoje

é o terceiro maior do País em volume de produção.

Da mesma forma a indústria sucroenergética,

que há 12 anos estava nascendo, figura hoje

entre as três maiores produtoras de álcool e

açúcar do Brasil.

O setor automobilístico se consolidou. E algumas

empresas nascidas no Estado tiveram crescimento

vertiginoso, como a JBS e a Hypermarcas. Goiás

passou de exportador de leite in natura para

importador, devido ao crescimento da indústria

O desenvolvimento

socioeconômico do Estado

deve ocorrer de forma

sistêmica, contemplando

todos os setores de atividade

econômica e toda a

população, independentemente

da classe social a

que pertençam (...).

de laticínios e se estabeleceu como grande exportador

de carnes bovina, suína e de frangos.

No período de 1999 a 2009, o número de indústrias

aumentou 80%, de 9.020 para 16.271. Os

empregos formais no setor saltaram de 121.901,

em 1999, para 310.000, em setembro de 2010,

crescimento de 154%. A arrecadação do ICMS da

indústria, em 1999, registrou R$ 444,65 milhões.

Em 2009, aumentou para R$ 1, 634 bilhões, crescimento

de 270%.

Enquanto o PIB industrial brasileiro registrou aumento

de 55,4% em quatro anos – período de

2003 a 2007 -, em Goiás e crescimento foi de

77,6%, passou de R$ 8,734 bilhões em 2003, para

R$ 15,512 bilhões em 2007.

As exportações apresentaram superação recorde.

Em 1999, a movimentação foi de US$ 325,9 milhões.

Já em 2009, foi registrado o valor de US$

3,614 bilhões em transações, crescimento de

1.108%, observando que, no mesmo período, o

Brasil cresceu 218,6%. A evolução das importações

goianas também apresentou números significativos:

crescimento de 795% de 1999 a 2009.

Os valores saltaram de US$ 318,6 milhões para

US$ 2,85 bilhões. No mesmo período, o Brasil

cresceu 158%.

Como a questão da sustentabilidade ambiental

vem sendo tratada pelo setor industrial

O desenvolvimento socioeconômico do Estado

deve ocorrer de forma sistêmica, contemplando

todos os setores de atividade econômica e

toda a população, independentemente da

classe social a que pertençam, microregião em

que estejam radicados, cor, religião ou outro

fator de diferenciação. Esse processo de desenvolvimento

deve respeitar os princípios de

sustentabilidade ambiental e funcionar como

indutor de progresso para a população na geração

de emprego e renda e melhoria da qualidade

de vida.

De acordo com as metas do Mapa Estratégico

da Indústria Goiana, que será prioridade na

gestão da nova diretoria, a indústria goiana deverá

ser reconhecida, a longo prazo, pela sua

capacidade de geração de emprego e renda, de

valorização dos trabalhadores, do uso de tecnologias

limpas, de relações transparentes com

a sociedade e minimização dos impactos ambientais

decorrentes do processo produtivo.

FERROVIA NORTE-SUL

Trecho goiano adiado para 2011

Ficou para 2011 a inauguração do

trecho da Ferrovia Norte-Sul em

Goiás. A entrega da obra estava no

calendário de inaugurações do último

mês do governo do presidente

Luiz Inácio Lula da Silva. O trecho

que chega a Anápolis deve ser liberado

somente no segundo semestre

de 2011, de acordo o ministro dos

Transportes, Paulo Sérgio Passos.

Este foi o segundo adiamento da

obra previsto no Programa de Aceleração

do Crescimento (PAC) do

governo federal, mas, segundo as

autoridades, as obras mais importantes

terão continuidade no próximo

governo. "Estamos trabalhando

de forma aplicada para que ela chegue

a Anápolis, o que ainda não

aconteceu por causa da influência

das chuvas. Mas é uma obra que

trará grandes benefícios ao Estado

do Tocantins, que a ferrovia corta

de ponta a ponta", explicou Passos.

No balanço da obra, ainda resta

26% de execução do trecho Palmas

(TO) a Uruaçu (GO) e 14% entre Uruaçu

e Anápolis (GO), considerando a

situação esperada no balanço para 31

de dezembro deste ano. A previsão

inicial era de que o trecho Palmas-

Anápolis teria sido inaugurado em julho

de 2010.

O governo federal entregou o

trecho norte da ferrovia, com 719

quilômetros, em agosto, cujos investimentos

passam de R$ 1,6 bilhão.

O trecho sul terá 1,5 mil quilômetros

e prevê investimentos totais

de R$ 6 bilhões. A Ferrovia Norte-Sul

terá 1.728 quilômetros e sua

construção emprega 11 mil pessoas.

(CANAL, com informações da

Agência Brasil).

06 CANAL, Jornal da Bioenergia


MEIO AMBIENTE REFLORESTAMENTO

Sistema Faeg/Senar

planta árvores para

neutralizar CO²

divulgação/faeg e senar

AFederação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Sistema

Faeg/Senar) promoveu no dia 10 de dezembro a campanha

Carbono Zero. A iniciativa, que está em sua segunda edição, tem

como objetivo a neutralização dos Gases de Efeito Estufa (GEEs) emitidos

ao longo do ano devido às atividades diárias realizadas na sede

do Sistema Faeg/Senar, em Goiânia. No dia do evento, 120 colaboradores

da Faeg e do Senar plantaram 521 mudas de árvores nativas

do Cerrado, no Centro Pastoral Dom Fernando, que neutralizará

81,26 toneladas de CO² emitidas no ano de 2010. Os GEEs emitidos

serão "sequestrados" pelas árvores por meio da fotossíntese.

O assessor técnico para área de meio ambiente da Faeg,

Marcelo Lessa, explica que para se chegar ao número de mudas

necessário para a compensação do carbono emitido foi levado em

consideração dados como a utilização de veículos automotores, o

consumo de energia, a geração de resíduos, o gás, o lixo, o gasto de

água, entre outros. "Com os cálculos, chega-se às toneladas de carbono

equivalente (tCO2e), índice que é convertido em número de

árvores", diz. O plantio das mudas deixará o balanço entre emissões

e absorções de gases de efeito estufa igual a zero.

CANAL, Jornal da Bioenergia 07


Terminal para açúcar no

Triângulo Mineiro

O município de Uberlândia receberá

investimentos na ordem de R$ 20 milhões para

a construção de um terminal de transbordo de

açúcar na linha da Ferrovia Centro-Atlântica

(FCA), subsidiária da Vale.O investimento faz

parte da ampliação da parceria entre a

Copersucar,uma das maiores produtoras de

açúcar,etanol e bioenergia do país,e a FCA. Foi

firmado um contrato para o transporte anual de

3 milhões de toneladas de açúcar por ano até

2015.A Copersucar possui 43 unidades

produtoras associadas,das quais 40 são

instaladas no Estado de São Paulo,uma no

Paraná e duas no Triângulo Mineiro, a Usina

Uberaba, em Uberaba, e a Cerradão,em Frutal.

Esalq tem novo diretor

José Vicente Caixeta Filho, docente do

Departamento de Economia, Administração e

Sociologia (LES), foi designado pelo reitor da

Universidade de São Paulo (USP), João

Grandino Rodas, a ser o novo diretor da

Escola Superior de Agricultura "Luiz de

Queiroz" (USP/Esalq). Caixeta é graduado

em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da

Universidade de São Paulo (USP) (1984), tem

mestrado em Economia – University of /New

England (Austrália, 1989), doutorado em

Engenharia de Transportes pela Escola

Politécnica da USP (1993) e pósdoutoramento

na Christian-Albrechts

Universitat zu Kiel (Alemanha, 1994).

Novas usinas planejadas

para o Mato Grosso do Sul

Cerca de 10 indústrias estão planejadas para

entrar em operação nos próximos anos no Mato

Grosso do Sul. Hoje, são 25 usinas de açúcar e

álcool em funcionamento no Estado. Segundo a

Secretaria Estadual da Produção, da Indústria,

do Comércio e do Turismo, a última safra de

cana-de-açúcar em MS registrou uma produção

de 38 milhões de toneladas. Em 10 anos,a

produção teve um crescimento de 387%.A área

plantada no Estado passou de 104 mil hectares,

em 2000, para 430 mil hectares este ano. Em

MS, essas usinas geram em torno de 35 mil

empregos diretos e mais de 120 mil indiretos.

Comitiva internacional conhece

Usina S. Francisco, do Grupo USJ

A Usina S.Francisco, do Grupo USJ, localizada

em Quirinópolis (GO), recebeu, no dia 2 de

dezembro a visita de uma comitiva liderada pelo

embaixador do Reino Unido no Brasil, Alan

Charlton. Além do embaixador participaram os

adidos agrícolas da Alemanha, França, Bélgica,

Países Baixos e México e Paula Abreu, do Reino

Unido. O objetivo foi conhecer a produção

sustentável de etanol, energia e açúcar em Goiás.

A delegação foi recebida pelo presidente do

Grupo USJ, Hermínio Ometto Neto e pelo

presidente executivo dos Sindicatos de

Fabricação de Açúcar e Etanol de Goiás

(Sifaeg/Sifaçúcar), André Luiz Baptista Lins

Rocha. O embaixador do Reino Unido no

Brasil, Alan Charlton, elogiou as

potencialidades de Quirinópolis e afirmou que a

comitiva levou uma boa impressão do trabalho

realizado na usina. "Fiquei impressionado com

a tecnologia de ponta usada na Usina S.

Francisco em todo o processo produtivo, desde a

colheita da cana até a transformação da

matéria-prima em etanol, açúcar e energia

elétrica. Já visitei outras usinas, mas estou

surpreso com a visão futurista do Grupo e do

município", disse Allan.

O presidente do Grupo USJ, Hermínio

Ometto Neto, disse que receber a visita do

embaixador e de representantes de outros

países foi uma responsabilidade muito grande

para a Usina S.Francisco, pois a unidade

representou todas as unidades sucroenergéticas

brasileiras. "Acredito que os visitantes saíram

satisfeitos com o que viram, pois o mundo

ainda tem uma ideia vaga sobre a tecnologia

existente no Brasil".

Para André Luiz Rocha, a visita do embaixador

e da comitiva foi uma boa oportunidade para

apresentar os avanços do setor sucroenergético

brasileiro e as vantagens da bioenergia.

ERB assina contrato para

fornecimento de energia limpa

A ERB – Energias Renováveis do

Brasil S.A (ERB), assinou contrato para

fornecimento de vapor por um período de

20 anos para uma das maiores indústrias

químicas do país, a Dow Brasil S/A. O projeto

está avançando rapidamente.A ERB já

comprou terras na Bahia para plantio de

floresta de eucalipto dedicada ao projeto. Estão

previstos para o início do ano as atividades de

plantio, a finalização de projeto básico de

engenharia e o processo de licenciamento

ambiental.

O combustível a ser usado será o cavaco de

eucalipto, em substituição ao gás natural,

atualmente utilizado pela Dow. Tal

substituição permitirá a redução de emissões

de dióxido de carbono em aproximadamente

180 mil toneladas por ano. Em seu complexo

de Aratu, a Dow será a primeira petroquímica

no Brasil e uma das pioneiras no mundo a

utilizar biomassa como fonte de energia.

Otávio Lage Filho conquista

Prêmio Keep Walking na

categoria Negócios

O diretor-presidente da Jalles Machado,

Otávio Lage de Siqueira Filho (à esquerda),

conquistou o Prêmio Keep Walking na categoria

Negócios.A entrega da premiação foi realizada

no último dia 7 de dezembro,em Goiânia. "O

trabalho em equipe,a dedicação de todos às

empresas do Grupo,a união e a observância dos

princípios defendidos pelo meu pai, Otávio Lage,

fazem a diferença e nos levam a essas grandes

conquistas", afirmou.A premiação,promovida

pela marca Johnnie Walker em parceria com o

jornal O Popular,celebra trajetórias de progresso

pessoal e,pela primeira vez, premiou exemplos

do espírito Keep Walking no Brasil.

O CANAL–Jornal da Bioenergia tem parceria com o CEISE (Centro Nacional das Indústrias do

Setor Sucroalcooleiro e Energético). Associados têm DESCONTO especial em anúncio no jornal.

Informações:comercial@canalbioenergia.com.br

Interatividade com o leitor

Participe das nossas pautas! Mande

suas sugestões de assuntos para o

CANAL-Jornal da Bioenergia.

Envie e-mail para:

editor@canalbioenergia.com.br

redacao@canalbioenergia.com.br

08 CANAL, Jornal da Bioenergia


OPINIÃO

André Ribeiro Lins de Albuquerque

é Phd e diretor da Pentagro Soluções

Tecnológicas, de São Carlos

divulgação

Uma oportunidade para o Brasil

Asociedade depende cada vez mais de um elevado

consumo energético para sua subsistência

e evolução. Por isso a energia é uma

questão estratégica para qualquer país, pois desta

dependem o crescimento produtivo e econômico.

Deste modo, para garantir a sustentabilidade e viabilidade

dos processos produtivos, foram sendo desenvolvidas,

ao longo do tempo, diversas tecnologias

para obtenção de energia a partir de fontes renováveis,

bem como formas de transporte e armazenamento.

A partir de fontes renováveis citam-se: os

sistemas fotovoltaicos, os aerogeradores, as hidrelétricas,

a combustão da biomassa, dentre outros. No

transporte podem-se citar as linhas de transmissão.

Já no armazenamento, tem-se a energia potencial

das águas em barragens, acúmulo de materiais

(combustíveis) com alto poder calorífico como óleo,

gás, capim elefante, bagaço e hidrogênio.

Atualmente a matriz energética brasileira apresenta

uma considerável vantagem competitiva, onde

a participação de fontes renováveis (48%) é três

vezes superior à média mundial. Especificadamente

no setor elétrico brasileiro, como se sabe, o abastecido

preponderantemente é pela geração hídrica. Do

total de energia elétrica ofertada durante o ano,

aproximadamente 506 TWh, a energia hidráulica é

responsável por cerca de 76,9% da carga elétrica total

(EPE, 2010). É uma participação significativa e

com certo nível de risco de abastecimento, sobretudo

quando se leva em conta as irregularidade das

chuvas, concentradas no verão e início de outono,

entre dezembro e abril.

É por isso que serão cada vez mais necessários

recursos alternativos de geração de energia, principalmente

durante os períodos secos. Essa nova característica

do sistema elétrico brasileiro indica a rápida

transição para um sistema hidrotérmico (Unica,

2009). A forma mais simples de efetivar essa transição

seria acionar as geradoras termoelétricas nos

meses secos. Entretanto, esta alternativa apresenta

um custo elevado, além de geralmente utilizar como

matérias-primas combustíveis fósseis e poluentes. É

aí que, como complemento à energia de origem hídrica,

entra a alternativa da biomassa da cana-deaçúcar,

que é nada mais do que o conhecido bagaço,

além da palha. O Brasil gera, anualmente, cerca

de 27 TW.h de energia elétrica proveniente de biomassa

em geral, ou seja, 5.4% do total (EPE, 2010).

Número ainda muito tímido frente a todo o seu potencial.

A bioeletricidade tem diversas vantagens.

Além de ser sabidamente limpa e renovável é, em

grande parte, gerada perto dos maiores centros de

demanda por energia elétrica. Mas, igualmente importante

e estratégico, é o fato de se complementar

à hidrologia em termos sazonais: o maior potencial

de eletricidade da biomassa da cana-de-açúcar é

concentrado entre os meses de abril a novembro,

exatamente no período de maior estiagem.

As usinas sucroalcooleiras sempre contaram com

uma grande vantagem competitiva. O custo energético

para a produção de açúcar e etanol, na grande

maioria das vezes, tem sido praticamente inexistente.

Isso porque o bagaço é utilizado como combustível

em caldeiras para produção de vapor em diferentes

níveis de pressão, oferecendo energia térmica

e mecânica necessária ao processo de produção de

açúcar e etanol. Como a energia era até então barata

e suficiente para tocar os processos, nunca houve

a preocupação em prestar conta do seu consumo.

Porém, esse cenário começou a mudar a partir da

década de 90 (Leis 8987/95 e 9074/95) e ficou ainda

mais intenso em meados de 2006, com a regulamentação

que autoriza e incentiva a produção e comercialização

da bioeletricidade por meio da cogeração

de energia, viabilizando a aquisição do excedente

de eletricidade das usinas, agora chamadas

sucroenergéticas, pelas concessionárias.

Apesar das dificuldades enfrentadas dentro dos

leilões de bioeletricidade, essa possibilidade de exportar

energia elétrica tem levado as usinas a aprimorar

suas tecnologias de produção, no sentido de

diminuir o consumo energético da planta e maximizar

a eletricidade gerada. Segundo projeções da Empresa

de Pesquisa Energética, a potência instalada

até 2015 será comparável à da Usina Hidrelétrica de

Itaipu, ou seja, de 14 GW. Atualmente, com moagem

de cana-de-açúcar inicialmente prevista de 600 milhões

de toneladas, já seria possível ter uma capacidade

instalada de 14 GW. Isso, caso todas as usinas

em território nacional já estivessem cogerando

energia com aproveitamento de 100% do bagaço e

25% da palha da cana-de-açúcar, utilizando ainda,

caldeiras de alta pressão para geração de vapor e

turbinas de contrapressão, condensação e extração.

O potencial atual deste mercado é de, aproximadamente,

R$ 10 bilhões/ano, para valores praticados

de R$ 150,00/MWh. Para valores diferentes de venda,

basta aplicar a proporcionalidade para simular

novos cenários do potencial do mercado de bioeletricidade,

respeitando as limitações e condições impostas

neste artigo. Nos dias atuais, do total de

energia contida no bagaço e na palha utiliza-se menos

do que 50%. O restante é perdido devido às ineficiências

energéticas dos processos ou, simplesmente,

não utilizado.

A inserção de mudanças tecnológicas ao processo

produtivo traz consigo mudanças no balanço

energético global da planta. Uma destas mudanças

em potencial é a adoção da cogeração de ciclo combinado

a partir do uso do bagaço e da palha da cana

como combustíveis (gaseificação da biomassa).

Outra significante oportunidade é a obtenção do biogás

a partir da biodigestão da vinhaça.

Algumas usinas, através de melhorias já implantadas,

tais como: controles avançados de processos,

homogeneização da demanda de vapor pela fábrica,

integração energética, simuladores de processos sucroenergéticos,

gestão da eficiência energética, eletrificação

das moendas ou utilização de difusores,

minimização das harmônicas e do fator de potência

nos sinais elétricos, têm obtido sobras significativas

de bagaço que, direcionadas à geração de energia,

incrementaram os excedentes de energia elétrica. O

Brasil tem tudo para ter uma cadeia energética cada

vez mais sustentável. Não somente pela utilização

de biocombustíveis, mas também pela otimização

da geração de bioeletricidade, pois esta se encontra

em um estágio inicial de crescimento e desenvolvimento

tecnológico.

Algumas iniciativas encontradas, como na Usina

Santa Cruz, sinalizam que a busca pela otimização

e excelência operacional já se iniciou. À medida que

as boas práticas começarem a ficar estabelecidas no

mercado, a busca pelo aproveitamento máximo da

energia contida na biomassa da cana-de-açúcar vai

fazer parte da gestão da rotina operacional da maioria

das usinas em território nacional. O desafio está

lançado!

CANAL, Jornal da Bioenergia 09


SIFAEG EM AÇÃO

Saúde e segurança

para o trabalhador

CUIDADO COM OS COLABORADORES É OPÇÃO CONSCIENTE DOS EMPRESÁRIOS DO SETOR

divulgação/sifaeg

Membros do Grupo Temático de Saúde e Segurança no

Trabalho reunidos em uma de suas primeiras atividades

Daniel Barbeiro Alves, coordenador do grupo e gerente

de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da usina CNAA

Osetor sucroenergético gera cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos

em Goiás. São colaboradores das áreas industrial, agrícola e administrativa,

que atuam na produção de etanol, açúcar e bioeletricidade. Uma força

de trabalho que ajuda a fazer do Estado o segundo maior produtor de etanol

do Brasil. No dia a dia das usinas, além da produção de qualidade, programas eficientes

reduzem os índices de acidentes de trabalho e a ocorrência de doenças

ocupacionais.

Estas são as principais pautas do recém criado Grupo Temático de Saúde e Segurança

no Trabalho dos Sindicatos de Fabricação de Etanol e Açúcar do Estado

de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar). De acordo com o coordenador do grupo, Daniel Barbeiro

Alves, que também é gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da usina

CNAA (Itumbiara/GO), a nova comissão foi formada a partir do Grupo Temático

de Recursos Humanos pela necessidade de ampliar as discussões sobre saúde

e segurança no trabalho.

Um dos itens da discussão mensal é o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar

as Condições de Trabalho no cultivo da Cana-de-açúcar, lançado em 2009 por

representantes dos trabalhadores, indústrias e Governo Federal, com a anuência

de todos os empresários do setor, associados ao Sifaeg/Sifaçúcar, em Goiás. "Essa

área está muito em evidência, o que gera exposição para o negócio, principalmente

por causa da sustentabilidade das ações. Antes de ter o recurso para produzir,

os profissionais desta área precisam resguardar a empresa com o cumprimento

das leis vigentes e garantir que o negócio vai se sustentar com condições básicas

para saúde e segurança, evitando perdas patrimoniais e risco à vida humana".

A primeira ação do grupo elegeu como foco as discussões sobre segurança

no manuseio de produtos químicos, em especial herbicidas, prevenção de incêndios

e atendimento de emergência e condições de vivência nas áreas agrícolas

com fornecimento de água potável, abrigo para intempéries, área para higiene

e alimentação. Neste último item, segundo Alves, é importante que as usinas

busquem oferecer a mesma qualidade da área industrial para os colaboradores

da área agrícola.

A condição de trabalho no campo é um dos temas de maior troca entre os

membros do grupo, que usam os exemplos de boas práticas para buscar a melhoria

constante em suas empresas. As referências têm sido compartilhadas pela internet,

onde foi criado um grupo de discussão só para membros da comissão.

FISCALIZAÇÃO

O Grupo Temático de Saúde e Segurança no Trabalho também troca informações

sobre a fiscalização da legislação vigente, que confere o uso de proteções e a

documentação legal das empresas no que se refere à saúde do trabalhador. "Quando

uma usina é fiscalizada, buscamos saber o que foi fiscalizado, os pontos observados,

o que pode ser feito para não ocorrer a mesma falha em outros lugares".

Alves explica que esta área de atuação nas usinas conta com profissionais de

diversas formações, como engenheiros de segurança, técnicos de segurança do

trabalho, enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem, dentre outros. A orientação

é que todos busquem atuar sempre de forma preventiva. "Temos que dar

valor à vida, garantir um ambiente de trabalho adequado e oferecer condições de

trabalho dignas às pessoas que fazem deste setor um sucesso".

10 CANAL, Jornal da Bioenergia


CANA-DE-AÇÚCAR COTAÇÃO

Consecana completa 13 anos

divulgação

Oseminário "Sistema Consecana: 13 anos de

evolução no Estado de São Paulo," realizado

dia 25 de novembro, em Piracicaba, São Paulo,

avaliou os resultados obtidos desde a implantação

da metodologia do Conselho dos Produtores de

Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São

Paulo. O conselho que compõe o Consecana criou

um sistema de pagamento da cana-de-açúcar pelo

teor de sacarose, com critérios técnicos para

avaliar a qualidade da cana-de-açúcar entregue

pelos plantadores às indústrias e para determinar o

preço a ser pago ao produtor rural.

"O trabalho realizado até aqui nos torna uma

referência para que outros setores utilizem o modelo

do Consecana, mostra que a metodologia é

madura, criteriosa e que contempla tanto os fornecedores

de cana quanto os produtores de etanol

e açúcar," ressalta Antonio de Padua Rodrigues,

diretor técnico da UNICA, entidade que organizou

o seminário juntamente com a Organização

dos Plantadores de Cana da Região Centro-

Sul do Brasil (Orplana) e o Centro de Pesquisas

Econômicas da Escola Superior de Agricultura Luiz

de Queiroz (Cepea).

O Consecana define o valor da cana-de-açúcar

com base no Açúcar Total Recuperável (ATR), que

corresponde à quantidade de açúcar disponível na

matéria-prima subtraída das perdas no processo

industrial, e nos preços de venda do açúcar e etanol

pelas usinas nos mercados interno e externo.

Segundo a Unica, na safra 1998/99, primeiro

ano da implantação do sistema, São Paulo contava

com 11.570 fornecedores de cana. Neste período,

51,5 milhões de toneladas de cana foram

analisadas e o Estado processou 199,5 milhões de

toneladas. Já na safra 2009/2010 foram computados

18.078 fornecedores de cana, o que correspondeu

a 124,0 milhões de toneladas de cana de

fornecedores e uma moagem de 361,3 milhões de

toneladas de cana no Estado.

No encontro em Piracicaba, os pesquisadores do

Cepea informaram que está em processo de certificação

ISO 9001, uma certificação de qualidade, a

metodologia de cálculo dos diversos índices elaborados

pela instituição. São esses índices que compõem

a formação de preço do Kg de ATR mensal do

Consecana. Já a Orplana lembrou a importância do

Sistema ATR e reforçou a necessidade de envio das

informações por parte das usinas e fornecedores.

Esse trabalho é crucial para a consolidação de um

banco de dados eficiente e que dê respaldo ao modelo

Consecana.

CANAL, Jornal da Bioenergia 11


TECNOLOGIA FUTURO

O fim da

PESQUISAS EM ANDAMENTO

A patente do produto está sendo desenvolvida

pela companhia britânica Butamax, uma associação

entre a British Petroleum (BP) e a americana

DuPont. A empresa inaugurou em Paulínia (SP),

em uma unidade da Dupont, um laboratório para

adaptar a produção do novo biocombustível às

condições brasileiras, incluindo a sua exposição à

microbiologia local e às variedades de cana existentes

no País.

Segundo a gerente de Desenvolvimento Comercial

da Butamax, Regina Antunes, o laboratório figura

como um importante passo nos planos da

empresa para a comercialização do biobutanol a

partir de cana-de-açúcar. "O laboratório fará o desenvolvimento

e otimização da tecnologia do biobutanol

de cana e nos permitirá realizar estudos e

analisar impactos das características específicas da

cana, tanto em relação à sua composição química

quanto aos seus componentes biológicos naturais,

como leveduras e bactérias", assegura.

Ela afirma que o laboratório também fará a caracterização

da vinhaça resultante do processo de

produção do biobutanol, necessária para o processo

regulatório relacionado à produção deste

novo biocombustível. A vinhaça produzida no laboratório

será analisada e testada em casas de vegasolina

PESQUISAS RECENTES APONTAM

PARA UMA NOVA GERAÇÃO DE

BIOCOMBUSTÍVEL QUE PROMETE

SUBSTITUIR O ETANOL E A GASOLINA

Vantagens do biobutanol

Densidade de energia apenas 10%

inferior a da gasolina.

Octanagem 25% maior do que a gasolina.

Não corrói as peças de plástico ou borracha

do motor (como fazem etanol / metanol).

Pode ser bombeado / armazenado /

transportado nos mesmos equipamentos

usados atualmente para gasolina.

Qualquer percentagem de gasolina+

biobutanol (10-100%), é viável nos carros

de hoje, não sendo necessárias alterações, ao

contrário de carros movidos a etanol.

O biobutanol não absorve água, como o

etanol e o metanol (armazenamento a

longo prazo).

O biobutanol tem queima mais limpa que a

gasolina (sem NOx, SOx e monóxido

de carbono).

Fonte: Embrapa Agroenergia

Rhudy Crysthian - Especial para o CANAL

Ademanda por fontes de energia mais

limpas, renováveis e de melhor performance

faz surgir no mercado novas alternativas

que refletem esse apelo. Neste

cenário, surge um combustível menos corrosivo

e menos propenso à contaminação da água,

que pode ser misturado com gasolina ou utilizado

isoladamente em motores de combustão interna

e, principalmente, possui mais energia por litro

que o etanol. A novidade tem nome e data para

lançamento. Trata-se do biobutanol, que está

previsto para comercialização em 2013.

O biobutanol é um álcool com quatro carbonos

- o etanol tem dois - e promete deixar a gasolina

e o etanol que conhecemos hoje no chinelo. Para

realizar a fermentação dos açúcares para biobutanol

são utilizadas espécies de bactérias do gênero

Clostridium acetobutylicum. Mas antes de a

bactéria executar esse trabalho, a palha deve ser

pré-tratada e hidrolisada. A hidrólise utiliza enzimas

para separar a celulose e a hemicelulose. Isto

liberta os açúcares simples.

Quando as enzimas hidrolisam a palha e liberam

os açúcares, as bactérias iniciam a fermentação.

Ao final, o etanol e a acetona são retirados,

purificando o biobutanol. O rendimento industrial

é de 379 litros de biobutanol por tonelada de

palha. Ele possui poder calorífico de 7893 kcal/kg,

cerca de 15% a mais que o etanol, o que, na prática,

significa poupar 12% do combustível em relação

ao etanol.

O biobutanol é quimicamente mais parecido

com a gasolina do que o etanol, e isso o torna mais

estável quando utilizado pelos veículos. "O novo

biocombustível é menos hidrofílico, possui menos

afinidade com a água, assim como a gasolina e, em

teoria não há necessidade de converter ou adaptar

os carros convencionais", afirma a pesquisadora da

Embrapa Agroenergia, Cristina Machado. A composição

química do biobutanol também permite

elevar o teor de mistura com combustíveis fósseis,

percentual que pode chegar a 24%.

Segundo a pesquisadora, no momento ainda

não há vantagem econômica para o consumidor.

"O butanol derivado de petróleo é muito mais barato

que o biobutanol produzido a partir de qualquer

matéria prima renovável. Logicamente, por

suas qualidades como biocombustível, existem

muitos grupos no mundo estudando o processo e

tentando ver se conseguem um produto economicamente

viável, seja por modificação genética

ou seleção de microrganismos para deixá-los mais

rápidos ou para habilitá-los a utilizar outras matérias

primas ainda mais baratas", diz

A pesquisadora é um tanto cautelosa ao imaginar

o biobutanol como uma substituta da

gasolina no futuro. "Assim como os outros bicombustíveis,

o biobutanol é uma alternativa à

gasolina. Mas acho temerário falar de uma

completa substituição. Por várias razões, a primeira

delas, econômica. Hoje, o único biocombustível

que tem custo equivalente aos combustíveis

de origem fóssil é o etanol de cana-deaçúcar,

produzido no Brasil".

Mas ela acredita que esse quadro pode mudar,

caso haja uma mudança de paradigmas, seja por

um aumento significativo de custo dos combustíveis

fósseis ou pelo desenvolvimento de tecnologias

mais baratas de produção de bicombustíveis,

usando matérias primas residuais.

12 CANAL, Jornal da Bioenergia


Biobutanol para aviação

O consultor de emissões e tecnologia da União

da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Alfred

Szwarc, acredita que o uso do biobutanol pode ser

uma opção ao combustível de aviação ou substituto

para o óleo diesel em motores, desde que o produto

atinja a viabilidade comercial. "A iniciativa da

Butamax em desenvolver uma tecnologia inovadora

para produção do biobutanol a partir da cana

é mais um passo para ampliar o uso da canade-açúcar.

Confirmada a viabilidade comercial e a

possibilidade de produção em grande escala, não

haverá dificuldade em se encontrar aplicações

vantajosas para o biobutanol," afirma Szwarc.

getação com o objetivo de demonstrar a sua

segurança e eficiência na aplicação como fertilizante

em lavouras de cana-de-açúcar.

A Butamax também está pesquisando matérias-primas

mais avançadas como macro-algas

e fontes celulósicas. De acordo com Regina,

os dois combustíveis possuem várias semelhanças.

Ambos podem ser utilizados na frota

de veículos atualmente disponível, mesmo sem

a tecnologia flex, podem ser transportados

utilizando a mesma infra-estrutura existente e

refinados nas mesmas instalações.

"Além disso, o biobutanol possui, aproximadamente,

92% da energia da gasolina e atinge,

praticamente, a mesma quilometragem

por litro. O biobutanol possui, ainda, as vantagens

de ter uma baixa pressão de vapor, um

alto ponto de ignição e pode ser produzido a

partir de fontes renováveis. Por este motivo, o

biobutanol ajuda a reduzir as emissões de gases

de efeito estufa", enumera.

De acordo com a gerente, o novo biocombustível

produzido no Brasil deve ser exportado aos

Estados Unidos para ser misturado à gasolina. A

Butamax estima que o Brasil poderá exportar 7,6

bilhões de litros de biobutanol entre 2013 e 2020.

As pesquisas em torno do biobutanol começaram

em 2003, mas ganharam força em 2005,

quando as duas empresas – BP e DuPont – intensificaram

esforços em torno do desenvolvimento

do biocombustível. Atualmente, a Butamax detém

cerca de 70 patentes de biobutanol.

Em novembro, o biobutanol produzido pela

empresa americana GEVO foi reconhecido pela

Agência de Proteção Ambiental dos Estados

Unidos (Environmental Protection Agency –

EPA) como um aditivo de combustível. Isto significa

que o produto já pode ser misturado à

gasolina, por exemplo.

O biobutanol produzido pela GEVO também

pode ser usado diretamente como uma substância

química específica, ou matéria-prima para

mistura na gasolina e querosene de aviação.

Também é possível converter o biobutanol em

plásticos, fibras, borracha e outros polímeros.

Pesquisadores da companhia britânica em

laboratório de testes na cidade de Paulínia (SP)

divulgação

CANAL, Jornal da Bioenergia 13


TECNOLOGIA INFORMAÇÃO

Quando a máquina

serve ao homem

A TRADIÇÃO DOS

ANTIGOS ENGENHOS DÁ

LUGAR A INDÚSTRIAS

HI-TECH E TECNOLOGIAS

DE PONTA NO SETOR

SUCROENERGÉTICO

SAIBA MAIS

A Gatua é um grupo que discute e

debate os desafios e soluções que

envolvem a dinâmica de trabalho dos

T.Is do setor sucroenergético, em fóruns

on line. Um espaço de relacionamento e

troca de informação entre gestores de

informáticas de usinas de todo o País.

A entidade se divide em Gatua Norte e

Gatua Sul. Ambas, de forma separada, se

reúnem bimestralmente. O grupo se

reúne, também, anualmente, em

encontro de três dias, com palestras e

feira em que há interação entre T.Is do

Sul e Norte. Hoje, o grupo possui a

média de 150 usinas cadastradas.

Maiara Dourado

Ohomem a serviço da máquina ou a máquina

a serviço do homem A informática viveu

esse dilema décadas passadas, mas há muito

deixou a ideia tão propalada do "cérebro

eletrônico" e se aliou à informação, ao evoluir como

tecnologia que permite ao homem usufruir de suas

mais belas e grandiosas vantagens e benefícios.

É nesse contexto que, ao longo da história, os antigos

engenhos de cana-de-açúcar abandonaram a moagem

manual e adotaram a automação informatizada

para todo seu parque energético. O boom da informatização

do setor de cana começou entre os anos de

1996 e 1997, muito forte no uso de ERP, um antigo

sistema de gestão integrada, hoje difundido e consolidado

no âmbito sucroenergético.

Atualmente, a usina como um todo faz uso da informática,

desde o registro de ponto do colaborador

até uma requisição de compra. Para Fernando Bortolazzo,

diretor de Tecnologia da Informação da Gatec,

a Tecnologia da Informação Digital, ou simplesmente

TI, está bem completa no setor e, hoje em dia, é um

pré-requisito para a gestão desses processos. "As usinas

utilizam softwares de grande porte, como o SAP,

de tecnologia alemã, um sistema de gestão integrada

que atua na partes de vendas, financeiro, contabilidade,

suprimentos, entre muitos outros departamentos",

explica Elvis Evangelista da Silva, um dos

coordenadores do Grupo das Áreas de Tecnologia das

Usinas de Açúcar e Álcool (Gatua).

Além do SAP, existem outros softwares de mercado

que atuam, também, como sistema de gestão integrada,

como o Oracle, de fabricação norte-americana, e o Data

Sul, de fabricação nacional. O sistema permite a manutenção

de todo o negócio da empresa, pagamento, recebimento

e fornecimento de produtos. "Cada empresa

tem sua realidade, mas o sistema de gestão integrada é

algo básico em qualquer usina", afirma Evangelista.

A informática está presente em todos os processos

agroindustriais, podendo ajudar desde a escolha de

uma variedade de cana para o plantio até a comercialização

do produto final. "Uma das últimas áreas a

receber a TI foi a área agrícola, que hoje já conta com

computadores de bordo nas máquinas, como também

equipamentos para coleta de informação direta

do campo", explica Bortolazzo.

A evolução tecnológica no mundo pós-revolução industrial

ganhou proporções que surpreendem pelo seu

alto poder de inserção em mercados consumidores e rapidez

em evolução. O celular, como outras mídias portáteis,

é exemplo disso, ao entrar nos canaviais substituindo

os coletores de dados.

Chamadas e envio de SMS dão espaço a outras funções,

a exemplo do envio de informações sobre o desenvolvimento

de tarefas que o operador de máquina

realiza. Todo e qualquer celular que possua capacidade

de armazenamento e envio de dados pode ser utilizado

para tal finalidade, proporcionando, assim, agilidade

e redução de custos. Tudo isso em tempo real.

Segundo Giancarlo Bianchi, especialista em custos

da Gatec, desde o fim da década de 80 até os dias

de hoje pouco se investiu no planejamento das

implantações de TI, devido ao gestores terem sempre

cronogramas e orçamentos apertados. As empresas

se limitaram em atender pedidos e requisitos pontuais

de seus usuários, o que resultou para a "Era da

Informação" do setor sucroenergético em um cenário

de "ilhas" de informação. "O grande desafio dos

gestores de TI para os próximos anos será o de integrar

essas ilhas de informação em benefício do negócio

e da gestão do conhecimento da organização

a que pertencem. E um grande potencial para este

mercado é a utilização de ferramentas de extração

de informações gerenciais para auxiliar na tomada

de decisão", explica Bortolazzo.

divulgação/jalles machado

14 CANAL, Jornal da Bioenergia


MERCADO CAPITAL ESTRANGEIRO

Competitividade do setor

sucroenergético aumenta

investimentos no Brasil

AVANÇO DA ENTRADA DO CAPITAL ESTRANGEIRO NO PAÍS

OCORRE RAPIDAMENTE. ATÉ 2015, 40% DO ETANOL

BRASILEIRO SERÁ DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS

Fernando Dantas e Luisa Dias

Aentrada do capital estrangeiro nos negócios

do setor sucroenergético brasileiro

já revela ser uma garantia de

competitividade para o País e soma

forças para dar continuidade ao crescimento

do mercado de açúcar e etanol nos próximos

10 anos. O setor, que atualmente é considerado

fragmentado por estar na mão de cerca de

150 empresas, começa a vislumbrar nas operações

de aquisição e fusão e nos investimentos

realizados pelas petroleiras a consolidação do

seu lugar no mercado nacional e internacional.

Nos últimos três anos, foram realizadas cerca

de 50 operações envolvendo quase 100 usinas

brasileiras. Neste período, a participação

do capital estrangeiro no setor passou para

25%. O maior consenso entre analistas é que, a

partir da próxima safra, o crescimento do setor

será alavancado por grandes grupos, que devem

investir mais de 60 bilhões de dólares durante

a próxima década.

Grupos estrangeiros, como Louis Dreyfus e

Bunge, foram atraídos pelas vantagens do biocombustível,

que é considerado uma fonte alternativa

de energia e de combate ao aquecimento

global. Além disso, o Brasil é o maior

produtor mundial de cana-de-açúcar e disputa

com os Estados Unidos a liderança na produção

do etanol. No caso dos americanos, o produto é

feito à base de milho.

O Brasil leva vantagens no negócio, porque

possui terras abundantes e de qualidade, e

mesmo com o Zoneamento da Cana-de-Açúcar

ainda há uma grande área a ser explorada

pelo cultivo da planta. Além disso, o País é pioneiro

na criação de tecnologias de ponta na

produção do etanol e da bioeletricidade.

NOVOS INVESTIDORES

Um estudo da Dextron Management Consulting,

publicado em novembro, mostra que

quatro dos cinco maiores grupos sucroenergéticos

atuantes no Brasil já têm 50% de suas

operações controladas por estrangeiros (ver

box). As operações de maior destaque são a fusão

da Cosan com a Shell, a aquisição de 14

usinas brasileiras pela Louis Dreyfus e a Bunge,

que incorporou seis unidades. Outro exemplo

de fusão ocorreu em abril deste ano entre a

16 CANAL, Jornal da Bioenergia


ETH Bioenergia e a Brenco, quando houve a

conclusão da operação de combinação de ativos

que levou à criação da empresa brasileira

considerada líder na produção de etanol e cogeração

de energia, a partir da biomassa. A nova

empresa, que manterá o nome ETH Bioenergia,

terá um total de nove unidades agroindustriais,

das quais cinco já estão em operação em

São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás e produzirá

3 bilhões de litros de etanol e 2.700

Gwh/ano de energia elétrica em 2012. Sua capacidade

de moagem será equivalente a 40

milhões de toneladas de cana por safra, com

operações agrícolas 100% mecanizadas. A ETH

Bioenergia tem agora 7,6 mil integrantes. Com

o processo de expansão e a conclusão de quatro

usinas que estão em construção em Mato

Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, chegará a

10 mil integrantes em 2012.

O investimento total no negócio foi de R$

7,3 bilhões, dos quais R$ 3,8 bilhões já foram

aplicados. Um adicional de R$ 3,5 bilhões será

investido no período de 2010/2012, para levar

as nove unidades à capacidade máxima de produção.

"A conclusão desta transação foi decisiva

nos planos de crescimento da ETH de se tornar

líder no setor de bioenergia, combinando

solidez financeira, competitividade e sustentabilidade",

diz José Carlos Grubisich, presidente

da ETH Bioenergia.

No acordo, a Odebrecht S.A., em associação

com a Sojitz Corporation, terá 65% do capital

da ETH Bioenergia, e os demais acionistas participam

com 35%. Quanto à governança corporativa,

será formado um conselho de administração

com a participação de 10 membros, sendo

sete indicações dos acionistas Odebrecht/Sojitz

e três indicações dos demais acionistas.

Além destes casos, a Guarani, tradicional em

produção de açúcar, foi incorporada pela Tereos,

da França e o grupo indiano Shree Renuka Sugars

negocia a compra da usina de cana-de-açúcar

da Cooperativa Agroindustrial Corol, localizada

em Rolândia (PR) nos primeiros meses de

2011. A cooperativa procura por um comprador

para sua usina já há alguns meses. De acordo

com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar

(Unica), em 2007, o capital estrangeiro controlava

7% de toda a cana processada no Brasil. Com

as transações de 2010, esse percentual chegou a

22%. A expectativa da entidade é que até 2015,

40% do etanol produzido no Brasil seja de empresas

estrangeiras. O dado foi divulgado no

Congresso Mundial de Etanol, em Genebra.

PRINCIPAIS TRANSAÇÕES

DO SETOR SUCROENERGÉTICO

Bunge e Moema Group

Petrobras e São Martinho

Santa Elisa e Louis Dreyfus

Tropical e BP

Cosan, Nova América, Esso e Shell

Petrobras, Guarani, Usina Mandú e Tereos

ETH e Brenco

Fonte: Unica

CANAL, Jornal da Bioenergia 17


ATRAÇÃO FATAL

$ O etanol brasileiro foi apresentado para o mundo como

uma das soluções para os desafios do combate ao

aquecimento global. O biocombustível também recebeu da

agência ambiental dos Estados Unidos, a Environmental

Protection Agency (EPA) o título de "biocombustível

avançado".

$ O setor apresenta um ganho expressivo de eficiência na

produção de açúcar e etanol nos últimos anos.

$ O Brasil apresenta condições climáticas favoráveis à

produção da cana-de-açúcar e tem disponibilidade de terra

para expansão mesmo depois da lei de zoneamento da cana.

$ Sustentabilidade do sistema produtivo brasileiro já é

referência internacional.

$ No Brasil, o avanço do carro flex, a partir de 2003, acelerou

o crescimento do setor sucroenergético e o consumo do

etanol.

$ A Unica recebeu, em 2008 e 2009, mais de 320 delegações

estrangeiras em busca de informações sobre o setor

sucroenergético brasileiro. A procura manteve-se aquecida

em 2010.

$ A cana-de-açúcar já é responsável pela produção de

bioeletricidade, dos bioplásticos e de hidrocarbonetos como

diesel e querosene de aviação.

$ As novas empresas têm mantido as relações com

fornecedores de cana e proprietários de terras nos moldes

tradicionais e o crescimento na participação de produtores

agrícolas independentes no fornecimento de cana;

$ A presença de grupos mais capitalizados garante o capital

de giro necessário ao setor, o que evita a comercialização do

etanol no mercado interno a preços abaixo do custo.

Fonte: (Com informações da Unica)


TENDÊNCIA

Para o diretor técnico da Unica, Antonio

Pádua, que participou do 1º Seminário de

Cana-de-Açúcar de Goiás, realizado pela

Stab Regional Centro, esta é uma tendência

crescente que dará perspectivas para novos

investimentos no setor sucroenergético brasileiro.

"Há uma tendência de internacionalização

do setor com busca de ganhos de

competitividade", explica ele. A estratégia

usada pelas tradings tem sido a verticalização

da cadeia produtiva, visando à geração

de economias de escala e escopo em várias

frentes de trabalho e aquisição de unidades

produtivas já existentes.

As fusões e incorporações com empresas

estrangeiras podem melhorar o posicionamento

brasileiro no exterior e potencializar a

imagem do Brasil como um fornecedor confiável

de etanol. O capital externo pode ser um

"fiel da balança" nas ações que visam tornar o

etanol uma commodity. De acordo com o presidente

da Unica, Marcos Sawaya Jank, a presença

de capital externo no setor sucroenergético

do País ganhou força este ano com a

aquisição do Grupo Moema pela Bunge e a

chegada ao setor do Shree Renuka Sugars,

maior grupo refinador de açúcar da Índia.

A entrada do capital estrangeiro no setor

sucroenergético foi fortalecida pela crise internacional,

iniciada em 2008, quando inúmeras

usinas tiveram dificuldades financeiras

para a conclusão dos seus projetos de etanol

por conta da escassez de crédito no mercado

internacional. Um dos exemplos claros da

falta de capital foi o entrave na construção

de 45 novas usinas projetadas para a safra

2009/10, que não saíram do papel. Agora, o

setor sucroenergético parte para mais uma

safra contando com novos atores importantes

para a consolidação do etanol como uma

opção sustentável e internacional.

18 CANAL, Jornal da Bioenergia


RESPONSABILIDADE SOCIAL

divulgação/cosan

Fundação Cosan

lança pedra

fundamental

em Jataí

INSTITUIÇÃO TEM O OBJETIVO DE

PROMOVER O ACESSO À EDUCAÇÃO,

CULTURA E DESENVOLVIMENTO

PROFISSIONAL NA CIDADE

AFundação Cosan lançou no início de dezembro (fotos) a

pedra fundamental que marca a construção de suas instalações

em Jataí (GO). Criada em 2002, a instituição é uma

sociedade-civil sem fins lucrativos, que tem o objetivo de

promover a cidadania entre os filhos dos colaboradores da Cosan

e os membros das comunidades em que a empresa atua. A inauguração

da Fundação Cosan em Jataí está prevista para o segundo

semestre de 2011. A unidade terá capacidade de atender 150

alunos. A Cosan mantém em Jataí moderna usina de etanol do

mundo, onde trabalham 2 mil colaboradores diretos.

Participaram da solenidade o prefeito de Jataí, Humberto de

Freitas Machado, e representantes das secretarias Social e de

Educação, além de Pedro Mizutani, presidente da Cosan Açúcar e

Álcool, Rodolfo Geraldi, diretor executivo agrícola da companhia,

e Luis Carlos Veguin, diretor de Recursos Humanos da Cosan. "Esta

cerimônia reafirma o compromisso da Cosan com as pessoas e com

o desenvolvimento dos locais nos quais está instalada", diz Luis

Carlos Veguin. "Com a instalação da Fundação Cosan, os jovens

jataienses poderão contar com qualificação profissional e disputar

boas vagas no mercado de trabalho. Além disto, contarão com

excelência educacional e diversas atividades extracurriculares que

trarão conhecimento fundamental em suas vidas".

ATIVIDADES

A Fundação Cosan empreende atividades sócio-educativas e

profissionalizantes em parceria com escolas técnicas e cursos

locais. Os beneficiados pela Fundação Cosan são jovens entre 14

a 18 anos, provenientes de famílias de baixa renda. Eles poderão

participar de cursos de mecânica automotiva, elétrica, hotelaria

e assistência administrativa, entre outros. Além dos cursos, a

Fundação promove também palestras e campanhas de conscientização

sobre temas como reciclagem, meio ambiente e qualidade

de vida.

20 CANAL, Jornal da Bioenergia


CASA NOVA

Trabalhadores

ganham biblioteca

Embrapa Agroenergia

tem nova sede

Colaboradores da Usina Jalles Machado

e seus dependentes e alunos

do projeto Educação para o Trabalhador

já podem contar com uma

biblioteca, inaugurada no último dia

4 de dezembro. A implantação faz

parte do programa “Centro de Convivência:

biblioteca na empresa e inclusão

digital”, uma iniciativa do

Serviço Social da Indústria – Sesi com

o apoio, em Goianésia, do Grupo

Otávio Lage.

A nova biblioteca possui um grande

acervo de livros e possibilita pesquisa

por meio da internet. O presidente

da Fieg, Pedro Alves, afirmou

que, em reconhecimento às ações da

Jalles Machado em benefício dos colaboradores

e da comunidade, fez

questão de prestigiar o evento.

O projeto é feito em parceria, sendo

que o Sesi cedeu dez computadores,

uma impressora, o software de gerenciamento

de bibliotecas, a assessoria

técnica e um acervo no valor de

R$ 8 mil, composto por livros, periódicos

e multimeios. A Jalles Machado é

responsável pelo espaço físico, mobiliário,

pontos para acesso à internet,

funcionários para atuar junto ao Projeto

e demais despesas necessárias para

o funcionamento da biblioteca.

De acordo com o presidente do

Conselho de Administração da Jalles

Machado, Ricardo Fontoura de Siqueira,

este é mais um investimento

do Grupo Otávio Lage na educação

dos seus colaboradores. "Essa biblioteca

e outros projetos que o Grupo

mantém na área educacional dão

continuidade à filosofia de meu pai,

fundador das empresas. Ele acreditava

que a educação trazia crescimento

pessoal e profissional, por isso

sempre se preocupou em possibilitar

aos colaboradores o acesso ao conhecimento",

ressaltou.

A inauguração teve a participação

de autoridades locais, pessoas ligadas

à área da Educação, acionistas, diretores

e colaboradores da Jalles Machado

e representantes da Federação

das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg),

do Sesi e do Sindicato das Indústrias

de Fabricação de Etanol do Estado

de Goiás (Sifaeg).

A Embrapa Agroenergia começa

2011 com nova sede, inaugurada

no último dia 2 de dezembro,

em Brasília (DF). A nova estrutura

possibilita ampliar a realização de

pesquisas para transformação da

biomassa em biocombustíveis e

coprodutos e resíduos de alto valor

agregado. O novo espaço possui

quatro laboratórios temáticos,

uma central de análises químicas

e instrumentais e um complexo

de plantas-piloto.

A nova unidade possui quase

10 mil m². O projeto foi desenvolvido

segundo conceitos ecológicos,

incluindo iluminação natural,

reaproveitamento das águas da

chuva, estudo do regime de ventos

locais, tratamento das águas

provenientes de laboratório,

aproveitamento de resíduos sólidos,

climatização por resfriamento

evaporativo, cobertura verde,

além de aquecimento de água por

meio de placa solar.

"Com as pesquisas e o conhecimento

gerado, a Embrapa poderá

contribuir cada vez mais

para a tomada de decisões públicas

e privadas com dados técnicos

consistentes", afirma o chefe-geral

da Embrapa Bioenergia,

Frederico Durães. Ele acredita

que será fundamental que o Brasil

amplie a aplicação de recursos

em pesquisa, desenvolvimento e

inovação, visando obter saltos de

competitividade no setor de

energias renováveis.

divulgação/jalles machado

Autoridades prestigiam inauguração da biblioteca em Goianésia

Biblioteca conta com vasto acervo de livros e acesso à internet

CANAL, Jornal da Bioenergia 21


BIODIESEL MERCADO

Grandes tradings

investem em

usinas de

biodiesel

Fernando Dantas

VOLUME DE PRODUÇÃO NACIONAL É

DE 2,4 BILHÕES DE METROS CÚBICOS,

MAS DEVE AUMENTAR JÁ EM 2011

Omercado brasileiro de biodiesel está em

crescente expansão. É o que revela a

pesquisa O biodiesel e sua contribuição

ao desenvolvimento brasileiro, realizada

pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e União

Brasileira de Biodiesel (Ubrabio). As informações

levantadas mostram que, atualmente, o volume de

produção nacional é de 2,4 bilhões de metros cúbicos,

com perspectivas de crescimento por causa da

entrada do novo marco regulatório do setor. Desde

o início de 2010 é obrigatória a mistura de 5% de

biodiesel no óleo diesel vendido nos postos de

combustíveis. A medida seria adotada a partir de

2013, mas foi antecipada em três anos. A expectativa

é aumentar, nos próximos anos, o índice de

biodiesel de 5% para 20%.

O levantamento da FGV e Ubrabio revela que

nessa trajetória de adoção de 20% de mistura até

2020 poderão ser criados 532 mil empregos diretos

e 6 milhões de ocupações indiretas. Outra informação

relevante é que, com o biodiesel, o Brasil

poderá exportar, aproximadamente, 28 milhões de

toneladas de farelo de soja e obter uma receita de

US$ 8,4 bilhões em 2020.

Os números e perspectivas apresentadas na

pesquisa impressionam e mostram porque

grandes tradings multinacionais de commodities

têm investido em novas usinas de biodiesel no

Brasil. Em 2010, empresas como Cargill, Vale, ADM

e Noble anunciaram investimentos na construção

de usinas em várias regiões brasileiras. A Cargill

investirá, aproximadamente, R$ 130 milhões na

construção de uma usina para produção de

biodiesel na cidade de Três Lagoas (MS), com previsão

de operação para 2012. A nova fábrica funcionará

anexa à atual unidade de esmagamento

de soja da Cargill e terá capacidade anual de produção

de 200 mil toneladas de biodiesel.

Já o Noble Group, grupo chinês que está pre-

22 CANAL, Jornal da Bioenergia


POR QUE É VANTAJOSO INVESTIR

NO MERCADO DE BIODIESEL

Para zerar as importações de diesel no

país, que hoje são de 3,5 milhões de

metros cúbicos, a produção de biodiesel

teria que incrementar mais de 7,86% do

total do diesel consumido, ou seja, com a

mistura B10 o Brasil praticamente não

necessitaria realizar mais importações de

diesel mineral;

Com o B10, o Brasil evitaria o gasto

com a importação do diesel mineral de

US$ 1,67 bilhão ou 52 milhões de metros

cúbicos;

Com geração de um emprego a cada

dez hectares, conclui-se que serão criados

154 mil empregos diretos com a adoção

do B10 em 2014, total que chegará a 531

mil empregos em 2020, com o B20;

Com uma mistura de 10% de biodiesel

ao diesel, o país teria tido uma economia

de US$ 2,2 bilhões somente de janeiro a

junho de 2010 por não importar diesel.

sente em 38 países e atua em diferentes segmentos

como algodão, minério de ferro, soja, carvão,

café e açúcar, investirá US$ 200 milhões em sua

primeira esmagadora de soja e produção de

biodiesel no país. A fábrica será construída a partir

de 2012, em uma área de, aproximadamente,

40 hectares no Distrito Industrial de

Rondonópolis, município a 212 quilômetros de

Cuiabá (MT), e deverá ter produção anual de 200

mil toneladas. A previsão é que sejam criados

cerca 600 empregos na região.

SEGUNDA UNIDADE

A norte-americana Archer Daniels Midland

(ADM) construirá sua segunda fábrica de

biodiesel no Brasil, que deverá produzir cerca de

164 mil toneladas do combustível por ano. A

nova planta será em Joaçaba (SC). A construção

da fábrica será iniciada em março de 2011 e completada

até meados de 2012.

A usina de biodiesel Joaçaba será construída

ao lado da unidade de esmagamento de soja da

ADM e da refinaria de óleo vegetal. Adquirida

da Sadia em 1998, essas operações tratam,

atualmente, de cerca de 475 mil toneladas de

soja e podem refinar cerca de 73 mil toneladas

de óleo de soja por ano. "O Brasil tem sido um

líder mundial na criação de uma robusta indústria

nacional de combustíveis renováveis, que

suporta tanto o meio ambiente e objetivos

sociais. E a implementação de 5 % de mistura

de biodiesel em 2010 – três anos antes do previsto

– faz com que a demanda por biodiesel no

Brasil continue a crescer", informa Domingo

Lastra, presidente da ADM do Brasil Ltda. Esta

será a primeira usina de biodiesel no estado de

Santa Catarina, que possui uma ampla oferta

de soja produzida, principalmente, por pequenas

fazendas familiares.

REGIÕES BENEFICIADAS

Apesar das unidades produtoras estarem

distribuídas de forma mais ou menos

homogênea nas regiões Sul, Sudeste e

Centro-Oeste, que respondem por 25%, 17%

e 12% da produção, respectivamente, as

regiões Norte e Nordeste deverão ser beneficiadas

com a instalação de novas usinas de

biodiesel, segundo o coordenador de projetos

da FGV Projetos, Cleber Lima Guarany. "A

usina de biodiesel precisa estar próxima da

produção da matéria-prima e essas regiões

têm grande potencial de produção de oleaginosas",

destaca. Ele cita como exemplo o

estado do Pará, onde deverão ser plantados

cerca de 1 milhão de hectares nos próximos

10 a 15 anos, quantidade suficiente para

abastecer 80 usinas de biodiesel.

Atenta a essa oportunidade, a Vale está

com projeto no Pará para produção de

biodiesel. Segundo Cleber Lima Guarany,

serão 360 mil toneladas ano de óleo de palma

destinadas prioritariamente para a produção

de biodiesel.

CANAL, Jornal da Bioenergia 23


BIOCOMBUSTÍVEL INOVAÇÃO

Tocantins pesquisa

biodiesel a partir de algas

MICROALGAS SÃO RETIRADAS

DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE

ESGOTO PARA EXTRAÇÃO DE ÓLEO

E TRANSFORMAÇÃO EM BIODIESEL

Geórgya Laranjeira Corrêa

Aprodução de biodiesel a partir de algas é mais uma alternativa

promissora na corrida por fontes de energia limpas e

mais baratas no Estado do Tocantins. O uso de algas como

matéria-prima na produção do biocombustível vem sendo

pesquisado pela Universidade Federal do Tocantins.

No Estado, o trabalho está sendo realizado por um aluno do

Curso de Engenharia Ambiental do Campus de Palmas (TO), Aderlânio

da Silva Cardoso, que desenvolveu uma pesquisa sobre a obtenção

de biodiesel a partir de microalgas coletadas na estação de

tratamento de esgoto da região das Arnos, em Palmas, capital do

Tocantins.

A pesquisa consiste em retirar microalgas da estação de tratamento

para extração de óleo e a obtenção de biodiesel. Uma das

vantagens é a diminuição de impactos ambientais que podem ser

gerados pela grande quantidade de microalgas no meio ambiente e

a utilização desses organismos para a produção de combustíveis

limpos, como biodiesel, etanol, biogás e o hidrogênio.

Para Cardoso, a pesquisa representa um avanço econômico e social

de forma sustentável. "É muito importante mostrar que o Tocantins,

em especial a Universidade Federal do Tocantins, possui pesquisas

de qualidade, investimentos que podem proporcionar o desenvolvimento

da região. O Estado possui recursos naturais abundantes,

que podem ser utilizados para a obtenção de bicombustíveis",

explicou.

Segundo a professora pesquisadora da UFT, Gláucia Eliza Gama

Vieira, doutora em química, orientadora de Aderlânio da Silva Cardoso,

a pesquisa é inovadora e começou a ser desenvolvida em 2007.

O trabalho tornou-se parte da monografia do acadêmico e ainda

poderá gerar vários desdobramentos na produção de bicombustíveis.

PREMIAÇÃO

O estudante, Aderlânio da Silva Cardoso, tem 24 anos e, recentemente,

conquistou o 3º lugar (categoria estudante de graduação) no

Prêmio Jovem Cientista - Edição 2010. Sua orientadora, a professora

Gláucia Eliza Gama Vieira, também obteve sucesso com a 3ª colocação

na categoria Projeto de Natureza Ambiental (que destaca os

trabalhos inovadores) do Prêmio Professor Samuel Benchimol e

Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente.

ORIGEM

Segundo o jovem pesquisador, inicialmente pensava-se em cultivar

as microalgas (que é a forma mais realizada nos EUA e Europa).

No entanto, várias dificuldades foram encontradas pelos produtores,

principalmente em relação aos elevados custos do processo. Baseado

nisto, a forma mais viável encontrada foi a utilização da biomassa

nova (as microalgas) existentes. Desta maneira foi-se retirando

naturalmente as algas da lagoa de estabilização para reduzir gastos

com energia e nutrientes, estes últimos já presentes no esgoto.

Atividades da pesquisa desenvolvidas no laboratório da UFT: microalgas da

estação de tratamento de esgoto fornecem o óleo para a obtenção de biodiesel

24 CANAL, Jornal da Bioenergia


Maeda e Brasil Ecodiesel

A Maeda Agroindustrial, um dos maiores

grupos agrícolas do país, fechou acordo para

fusão com a Brasil Ecodiesel, o maior

produtor de biodiesel do país. As duas

empresas acertaram uma troca de ações que

tornará a Maeda subsidiária da Ecodiesel. A

incorporação das ações da Maeda resultará

num aumento do capital social no valor de R$

320,1 milhões. Com a fusão, os atuais

acionistas da Maeda passarão a deter

aproximadamente 33% do total de ações de

emissão da Brasil Ecodiesel. A incorporação

depende de aprovação dos acionistas em

assembleia.

Livro resgata trajetória

do etanol brasileiro

A União da Indústria de

Cana-de-Açúcar (Unica) lançou o livro

Do álcool ao etanol: trajetória única

sobre história e as conquistas do

combustível verde brasileiro. Os

detalhes do surgimento,o

desenvolvimento e a consolidação

do inovador projeto brasileiro de

substituição da gasolina por etanol

são relatados na obra de Margarida

Cintra Gordinho. O livro ainda traz

entrevistas com personagens

marcantes da indústria da cana,

realizadas nos últimos anos, a

pedido da Unica, pelo jornalista Mário

de Almeida.

Marcos Jank entre os mais

influentes do Brasil

divulgação

O presidente da Unica, Marcos Jank, foi

escolhido como um dos 100 brasileiros

mais influentes, em lista construída pela

revista Época, da Editora Globo.A

justificativa pela escolha de um dos

principais líderes do setor sucroenergético

foi apresentada pelo empresário Rubens

Ometto Silveira Mello, presidente do

Conselho Administrativo da Cosan. No

texto, publicado pela editora, ele diz: “A

liderança jovem e dinâmica de Jank

inseriu o etanol brasileiro de maneira

definitiva na discussão mundial sobre a

produção de combustíveis limpos e

renováveis”.

MS ganha nova usina de biodiesel

Inaugurada a Delta Biocombustíveis,

primeira unidade produtora de biodiesel do

Grupo Delta Energia, no Mato Grosso do Sul.

A usina fica no município de Rio Brilhante.A

usina, instalada numa área de 70 mil metros

quadrados, tendo área edificada de 12 mil

metros quadrados, recebeu investimentos de

R$ 25 milhões. A capacidade de

processamento da indústria é de 1,2 mil

litros/dia de óleo vegetal e de 1.650 litros/dia

de biodiesel. A princípio serão utilizados

apenas soja, mas a expectativa é que outros

grãos sejam transformados, e que a indústria

também possa conceber biocombustível com

sebo suíno e gordura animal.

Etanol estável

durante todo o ano

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que

foi mantido no time titular da nova presidente,

Dilma Rousseff, garante que a presidente eleita

vai trabalhar pela estabilidade nos preços do

etanol durante o ano todo. Rossi afirmou que vai

discutir com o setor produtivo na busca pelo

equilíbrio e pela estabilidade de preços. Ele

avaliou ainda que a redução da oferta na

entressafra de cana-de-açúcar no Centro-Sul,

entre dezembro e março de 2011, será suprida

pelo estoque das destilarias, financiado pelo

governo federal.

Plínio Nastari é eleito

CanaSauro Rex 2011

O presidente da Datagro Consultoria,

Plínio Nastari, foi eleito pela Safra

Eventos e pela Udop o CanaSauro Rex

2011, premiação que reconhece o trabalho

destacado do consultor no

desenvolvimento do setor sucroenergético

brasileiro. A premiação será entregue

durante o jantar CanaSauro, no dia 14 de

fevereiro, na semana Feicana/FeiBio em

Araçatuba. Nastari acompanha o setor

sucroenergético desde 1978. "Como o

Proálcool surgiu em 1976, tive

oportunidade de conhecer pessoas que

participaram da concepção inicial desse

programa, e que lutaram para o seu

desenvolvimento. Como economista,

como assessor de pessoas ilustres convivi

com pessoas que prestaram serviços

enormes para este setor, nestas mais de

três décadas".

Tecnologias com foco

em sustentabilidade

A Braskem e a Secretaria de Ciência,

Tecnologia e Inovação da Bahia assinaram dois

convênios e um protocolo de intenções voltados

ao estímulo da pesquisa em inovação

tecnológica, dando continuidade à busca da

empresa por novas formas de atender à demanda

por plástico com competitividade e o menor

impacto ambiental possível.

- A reciclagem recupera materiais que foram

descartados, podendo ser transformados

novamente em matéria prima para a

fabricação de um novo produto.

- Ao reciclar alguns materiais, você evita a

contaminação do solo e das águas, colabora

com a limpeza e a higiene das cidades,

economiza energia elétrica e propicia a

geração de empregos.

- Reduza o uso de papel. Para isso, revise o

texto no computador antes de imprimir, não

aceite folhetos na rua ou no carro que não

seja do seu interesse e faça apenas o número

necessário de fotocópias.

- Para imprimir, escrever ou fazer fotocópias,

use as duas faces do papel.

- Reaproveite, sempre que possível,

envelopes, sacolas, papéis de embrulho e

outras embalagens.Para isso, ao abrir um

presente ou uma embalagem, tente não

rasgá-la ou amassá-la.

- Faça a separação do material reciclável. Evite

jogar papel já usado na mesma lixeira onde

joga os restos de comida.

- Não amasse o papel. Para facilitar a

reciclagem, rasgue ou dobre as folhas.

- Busque informações sobre a reciclagem de

lixo na sua cidade. Em muitos municípios,a

reciclagem funciona apenas em dias

específicos. Caso não exista reciclagem, tente

repassar o material separado para os

catadores de lixo.

- Algumas entidades assistenciais, como

hospitais e associações, aceitam doações de

papel para comercializar.

CANAL, Jornal da Bioenergia 25


Sabores e delícias do Cerrado

Fernando Dantas – Da cidade de Goiás

Guariroba com pernil de panela

servido com puxadinho de tomates

rústicos e arroz vermelho. Capivara

em crosta de baru ao molho de

jabuticaba. Chorão envolvido sobre

uma cama de caju. Posta de pintado

grelhada acompanhado com purê de

mandioquinha coberto com pérolas

de taperebá. Essas combinações

gastronômicas podem soar estranhas

à primeira vista, mas quando

degustadas são de "tirar o chapéu",

como diz o ditado popular. São

pratos que misturam ingredientes

típicos do Cerrado e que são

responsáveis por enriquecer a

culinária goiana.

28 CANAL, Jornal da Bioenergia


Uma grande e deliciosa diversidade de sabores

esteve presente no Festival de Gastronomia e Cultura

da Cidade de Goiás, evento tradicional que é

realizado na antiga capital do Estado de Goiás,

Patrimônio Histórico da Humanidade, localizada a

148 quilômetros de Goiânia (GO) e 328 quilômetros

de Brasília (DF). Em 2010, o Festival chegou à

sua sétima edição reunindo o que há de melhor

na culinária misturado à cultura popular do Estado

de Goiás.

Foram mais de cinco mil pessoas que visitaram a

cidade de Goiás, no início de novembro, e que tiveram

a oportunidade de desfrutar de pratos típicos

da gastronomia goiana, que ganharam novas características,

contornos e, por que não dizer, sabores,

com o uso de frutos típicos da região do Cerrado,

como cagaita, cajuzinho, guariroba e pequi, entre

outros. Esses ingredientes fizeram diferença no

paladar de quem ainda não conhecia a gastronomia

local e contribuíram para divulgar um pouco mais

da cultura e cozinha goiana para diversas regiões

do Brasil. O palco para a degustação dos pratos foi

a Vila Gastronômica, estrutura montada na Praça

de Eventos da antiga Vila Boa pelo Serviço de Apoio

às Micro e Pequenas Empresas em Goiás (Sebrae em

Goiás), que contou com dois espaços e capacidade

para 350 pessoas cada.

Entre os nove pratos servidos na Vila Gastronômica

e que concorreram no Festival, o Chorão na

cama de cajuzinho foi o que mais chamou a atenção

do público e, por isso, foi o campeão da edição

deste ano do evento (ver receita). O prato foi elaborado

pelo chef Nauara Fonseca para o restaurante

Espaço Braseiro. Nauara, que também venceu

em 2009 com a Costela de porco ao perfume de

mangaba, disse que o maior desafio do chef é harmonizar

o fruto do Cerrado aos outros ingredientes.

"Se há essa harmonia dos ingredientes, o resultado

é positivo", esclareceu.

ÁGUA NA BOCA

Pamonha, cural, broa, canjica, bolo e outras

guloseimas feitas a partir do milho são delícias

difíceis de resistir. Esses quitutes tão saborosos e

que enriquecem a culinária goiana foram alguns

dos pratos servidos na Tarde do Milho, evento que

integrou a programação da 7ª edição do Festival

de Gastronomia e Cultura da Cidade de Goiás.

Ingrediente típico da alimentação não só do goiano,

mas do brasileiro, o milho recebeu uma atenção

especial da grande poetisa Cora Coralina

(1889-1985), que transcreveu para o papel a Oração

do Milho: "Senhor, nada valho. Sou a planta

humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.

Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce

na terra descuidada. Ponho folhas e haste, e se me

ajudardes, senhor, mesmo planta. De acaso, solitária,

dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão

perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou...".

Imortalizada por Cora, a Oração do Milho

foi recitada pelo chef Aloízio Godinho, filho

ilustre da cidade de Goiás, que prestou em palavras

uma singela homenagem a essa poetisa que tanto

orgulho traz aos moradores da antiga Vila Boa de

Goiás, do Estado e do Brasil.

O chef Aloízio Godinho foi responsável também

por manter outra tradição da velha capital do Estado.

Juntamente com a Banda da Polícia Militar,

Aloízio percorreu as ruas do centro histórico da cidade

de Goiás durante a Alvorada do Bolo de Arroz

para distribuir a quitanda aos moradores e turistas.

Disposição é o que não faltou aos participantes

desse tradicional evento, já que o moço do

bolo de arroz, assim como é conhecido, caminha

pelas ruas às seis horas da manhã cantarolando a

seguinte estrofe: "Olha o bolo de arroz, quem vai

querer. Olha o bolo de arroz...".

RECONHECIMENTO

Culinária, poesia e artes plásticas. Combinação

perfeita! E por que não homenagear uma personalidade

que representa tudo isso com sua arte Foi o

que fez os organizadores do Festival de Gastronomia

na edição deste ano do evento. Conhecida mundialmente,

a artista plástica Goiandira do Couto teve seu

trabalho reconhecido em uma exposição de arte no

Palácio Conde dos Arcos; por meio de canções interpretadas

pelo cantor goiano Marcelo Barra ou até

mesmo através do cartaz de divulgação do evento.

Goiandira do Couto, hoje com 95 anos, nasceu

em Catalão, na região Sul de Goiás, mas pequena

mudou-se para a cidade de Goiás, onde começou a

pintar quadros a óleo e areia. Isso a tornou conhecida

internacionalmente por trabalhar com 551 tonalidades

de cores diferentes de areia. De acordo

com a presidente da Associação de Restaurantes,

Pousadas, Hotéis e Similares da Cidade de Goiás

(Arphos), Antolinda Borges, conhecida por toda a

população da antiga Vila Boa como Tia Tó, quando

se pensou em alguém para ser homenageado na

edição deste ano do Festival, foi unânime a escolha

de Goiandira do Couto. "Ela representa muito

bem a cidade de Goiás, suas características e diferenciais",

destacou.

fotos: rogério porto

Alvorada do Bolo de Arroz:

distribuição de quitandas

aos moradores e turistas

Goiandira do Couto,

artista plástica

reconhecida

internacionalmente,

foi a homenageada

do festival

CANAL, Jornal da Bioenergia 29


Muito mais que culinária

Receita do Festival

A cidade de Goiás é conhecida por seus casarões antigos,

ruas de pedras, Rio Vermelho, Festival de Cinema e

Vídeo Ambiental (FICA), Procissão do Fogaréu e terra da

poetisa Cora Coralina. O turista que visita a cidade tem a

oportunidade de conferir outras características peculiares

da antiga capital de Goiás, como a arquitetura barroca do

município, que rendeu o título de Patrimônio Histórico da

Humanidade à antiga Vila Boa, em 2001, concedido pela

Unesco. A hospitalidade é outro ponto forte do local, que

conta com cerca de 27 mil habitantes.

CHORÃO ESCONDIDO NA CAMA DE CAJU

Ingredientes (seis porções)

Creme de mandioca

300 g de mandioca cozida com 01 colher de sopa de açúcar e 01 fio de óleo

350 ml de leite de castanha de baru (na falta use leite de coco)

100 g de requeijão moreno (ou requeijão cremoso)

O QUE VISITAR NA CIDADE DE GOIÁS

Monumentos

• Casa de Bartolomeu Bueno: residência histórica

do Anhanguera, a sua fachada conserva as

características do estilo colonial

• Chafariz de Cauda: localizado no Largo do

Chafariz, é uma construção com padrões do século

XVIII (1778).

• Igreja de Nossa Senhora do Rosário: conhecida

como antiga igreja dos pretos, foi demolida e

reconstruída em estilo neogótico em 1733. No seu

interior, encontram-se afrescos realizados por

Nazareno Confaloni na segunda metade do século

XX.

• Catedral de Santana: localizada na Praça do

Coreto, é um edifício feito de adobe e recémrestaurado.

• Igreja Nossa Senhora da Abadia: capela do século

XVIII, tem afrescos no teto.

• Igreja de Santa Bárbara: apresenta retratos de

compositores goianos do século XIX feitos pelo

artista Amaury Meneses.

• Igreja Nossa Senhora do Carmo: edifício que é

sede da Irmandade Senhor Jesus dos Passos.

Museus

fotos: rogério porto

• Museu das Bandeiras: funciona na

antiga Casa de Câmara e Cadeia, tem

acervo com peças e mobiliário do

século XVIII.

• Palácio Conde dos Arcos: tem

acervo com obras do século XVIII,

utensílios domésticos, pertences,

artes decorativas e mobiliário dos

antigos governantes.

• Museu de Arte Sacra da Igreja da

Boa Morte: tem o maior acervo do

escultor barroco Veiga Vale, nascido

em Pirenópolis, reunindo mais de 100

peças, e também coleções de prataria.

A igreja foi construída em 1779.

• Casa de Cora Coralina: museu

permanente com objetos pessoais da

poetisa de mesmo nome.

Concentrado de cajuzinho

100 g de cajuzinho do cerrado

01 lt de água

01 colher de sopa de açúcar

Peixe

01 kg de filé de mandi

suco de 01 limão

03 colheres de sopa de vinagre

pimenta do reino a gosto

sal a gosto

farinha de trigo para empanar

óleo para fritar

Molho

150 g de pimentão vermelho cortado em cubos pequenos

150 g de pimentão amarelo cortado em cubos pequenos

500 g de tomate sem pele e sem semente cortados em cubos pequenos

300 g de cebola cortados em cubos pequenos

02 dentes de alho amassado

30 g de açafrão da terra fresco, cortado finamente

02 pimentas de cheiro

cheiro verde a gosto

04 pimentas biquinha

500 ml de caldo de peixe

sal a gosto

Receita: Chef Nauara Fonseca

30 CANAL, Jornal da Bioenergia


EVENTOS OTIMISMO

Negócios devem

movimentar mais de

R$ 4 bilhões em 2011

BUSCA POR NOVAS TECNOLOGIAS TÊM

ESTIMULADO O SETOR DE FEIRAS

Com faturamento anual bruto

de US$ 23 bilhões, o setor

sucroenergético brasileiro

ganha, a cada ano, destaque

no cenário nacional e internacional.

O País é um dos principais produtores

e exportadores de etanol e açúcar,

além de conquistar espaço na cogeração

de energia elétrica. Este aquecimento

do setor e a busca constante

por aprimoramento e renovação

da cadeia produtiva têm contribuído

para a expansão de um filão de mercado

que até pouco tempo não era

tão explorado, que são os eventos

voltados para a área do agronegócio.

São feiras, simpósios, workshops e

congressos ligados ao setor sucroenergético,

que movimentaram mais

de R$ 4 bilhões no ano de 2010, com

perspectivas de crescimento para

2011. Houve ainda a diversificação de

locais, já que os eventos ultrapassaram

os limites da região Centro-Sul,

migrando para Estados localizados na

região Nordeste, por exemplo.

Organização, infraestrutura adequada,

profissionalismo e oferta de

novidades tecnológicas são características

que também têm chamado a

atenção do público que visita os

eventos. São fatores explorados pela

Multiplus Feiras e Eventos, que somente

neste ano realizou oito feiras e

15 eventos simultâneos às feiras. Segundo

o diretor da Multiplus, Fernando

Barbosa, a expectativa é que

em 2011 a empresa consolide os formatos

de sucesso de alguns eventos,

com a realização de seis feiras, sendo

duas delas no setor industrial, três no

setor sucroenergético e uma no setor

moveleiro.

Um dos eventos organizados pela

Multiplus, e que é aguardado pelo público,

é a Fenasucro&Agrocana, considerado

o maior encontro do setor sucroenergético.

"Na 19ª e 9ª edição,

respectivamente, as feiras devem receber

mais de 30 mil profissionais

qualificados com poder de decisão

dentro das empresas e usinas do mundo.

A expectativa de negócios é cerca

de R$ 2,4 bilhões, podendo ser superados

durante os seis meses seguintes

às feiras", reforça Fernando.

Outra feira de grande repercussão

no setor sucroenergético é a Feicana

FeiBio 2011– Feira de Negócios do

Setor de Energia, que será realizada

no período de 15 a 17 de fevereiro,

em Araçatuba (SP). A Feira é voltada

para o setor de bioenergia na região

Centro-Sul, onde empresários, colaboradores

e políticos se reúnem para

conhecer as novidades tecnológicas

que surgem no mercado e discutir os

novos rumos e demandas do setor

sucroalcooleiro. "Feiras de negócios

são uma vitrine para a agroindústria

da cana e demonstram a força do setor

como um todo, unindo compradores

e fornecedores", revela o diretor

da Safra Eventos, Flávio Nasser.

Considerada a maior feira de tecnologia

rural da região Centro-Oeste,

a Tecnoshow Comigo já tem data

marcada para a próxima edição. O

evento será realizado entre os dias 12

e 16 de abril de 2011, no Centro Tecnológico

Comigo (CTC), em Rio Verde

(GO). Segundo a coordenadora do

Departamento Comercial da Feira,

Mariluce Siqueira de Azevedo, a comercialização

dos estandes deverá

superar a edição de 2010, quando

mais de 350 expositores de diversos

segmentos marcaram presença. A expectativa

é positiva, também, em relação

à comercialização, que, de acordo

com os organizadores, certamente

ultrapassará os R$ 210 milhões.

PROGRAME-SE PARA OS PRINCIPAIS EVENTOS EM 2011

Feicana Feibio 2011

15 a 17 de fevereiro

Recinto de Exposições Clibas de Almeida

Prado – Araçatuba (SP)

ForInd NE - Feira de Fornecedores Industriais

para a Região Nordeste e Sucronor - Mostra

Sucroenergética para a Região Nordeste

12 e 14 de abril

Centro de Convenções de

Pernambuco – Recife (PE)

Tecnoshow Comigo 2011

12 a 16 de abril

Centro Tecnológico Comigo

(CTC) – Rio Verde (GO)

Agrishow 2011

2 a 6 de maio

Polo Regional de Desenvolvimento

Tecnológico dos Agronegócios do

Centro-Leste / Centro de

Cana – Ribeirão Preto (SP)

Feicana Canasul

24 a 26 de maio

Centro de Eventos Albano

Franco – Campo Grande (MS)

Fenasucro & Agrocana 2011

30 de agosto a 2 de setembro

Centro de Eventos

Zanini - Sertãozinho (SP)

divulgação/multiplus

divulgação/cairo fagundes

CANAL, Jornal da Bioenergia 31


Armo recebe prêmio

Visão Brasil 2010

Fornecedora de suprimentos industriais,

a Armo do Brasil recebeu o prêmio Visão

Brasil 2010 na categoria destaque em

abrasivos. O produto em questão é um dos

itens mais vendidos pela empresa de

Ribeirão Preto e integra uma variada linha

de produtos para manutenção industrial,

como adesivos, borrachas, mangueiras,

mangotes, papelões hidráulicos, plásticos

industriais e outros.

"Fazemos questão de trabalhar com as

melhores marcas em suprimentos

industriais e de mostrar de que forma

esses produtos podem fazer a diferença na

empresa do meu cliente em custo,

segurança e tranquilidade também",

explicou Hércules Tchechel, diretor

presidente da Armo do Brasil.

Brumazi fornece

equipamentos para ETH

Bioenergia

A Brumazi entregou, este mês, oito

aquecedores de caldo convencional, modelo

vertical, para a Usina Rio Claro, da ETH

Bioenergia, em Caçu (GO) que está

ampliando sua produção para a safra 11/12.

ABrumazi possui tecnologia própria na

fabricação de aquecedores. Este

equipamento é formado por um conjunto

de tubos por onde o caldo passa, enquanto o

vapor, vindo das turbinas, percorre o lado

externo do tubo. As câmaras dos

aquecedores obrigam o caldo a passar de

cima para baixo e de baixo para cima,

garantindo maior rendimento e

aproveitamento do vapor nesta troca

térmica.

Tratores flex

A AGCO Sisu Power, fabricante de motores

para equipamentos agrícolas, está

desenvolvendo um motor flex, que funciona

com diesel e etanol, pensado especialmente para

o mercado brasileiro. O novo motor deve estar

disponível a partir de 2012 e será utilizado em

tratores e colheitadeiras das marcas Valtra e

Massey Ferguson – pertencentes ao grupo

americano AGCO. Segundo o Portugal Digital

– Brasil/Portugal, os equipamentos com

motores flex visam atender a demanda do

mercado sucroalcooleiro no Brasil, mas devem

ser vendidos também no exterior,

principalmente em países de clima quente, já

que o etanol apresenta um desempenho melhor

em temperaturas mais altas. Ricardo Huhtala,

diretor da AGCO Sisu Power, acredita que os

países árabes do Oriente Médio e Norte da

África possam ter interesse nos equipamentos

brasileiros.

Universidade Corporativa do Setor Sucroenergético

A Uniceise, Universidade Corporativa do

Setor Sucroenergético, uma iniciativa do

Centro Nacional das Indústrias do Setor

Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise

Br) e do Instituto de Ensino e Pesquisa em

Administração (Inepad), foi lançada no dia

10 de dezembro, no Centro Empresarial

Zanini, em Sertãozinho (SP).

O evento contou com a presença de mais

de 100 pessoas e do Ministro da Agricultura

Wagner Rossi, que considerou o presidente

do Ceise Br, Adézio José Marques, uma das

lideranças promissoras no setor: “O seu

trabalho à frente do Ceise Br merece ser

destacado, pois além de uma visão

estratégica ele tem procurado trabalhar em

defesa de todo o setor”.

O projeto conta também com o apoio da

União da Indústria da Cana-de-Açúcar

(Unica) e da Organização dos Plantadores de

Cana da Região Centro Sul (Orplana) e tem

como objetivo principal fornecer mão de obra

Adézio José Marques e ministro Wagner

Rossi, durante o lançamento da Uniceise

divulgação

especializada para o setor sucroenergético.

Serão desenvolvidos programas de extensão

direcionados a atender demandas técnicas de

formação, MBAs, cursos gerenciais temáticos

com nível Latu Sensu e um Programa For

Presidents, voltado exclusivamente a

presidentes, vice-presidentes e diretores de

empresas do setor de bioenergia.

Inovações em caldeiras

A Equipaalcool Sistemas apresentou para o

mercado, no final de 2010, novidades para

caldeiras, entre elas o regenerador, que aumenta a

eficiência dos equipamentos. No último encontro,

promovido pelo Grupo de Estudos em Gestão

Industrial do Setor Sucroalcooleiro (Gegis), no dia

26 de novembro, em Sertãozinho (SP), a empresa

mostrou várias inovações desenvolvidas em

caldeiras e resultados da regulagem e controle de

combustão.

32 CANAL, Jornal da Bioenergia


SAFRA CANA-DE-AÇÚCAR

Clima seco

prejudicou resultados

UNICA DIVULGOU

BALANÇO PARCIAL

DA SAFRA COM

QUEBRA DE

PRODUTIVIDADE

Novamente o clima foi culpado

pelos resultados distantes do

que foi projetado para a safra

2010/2011 pela União da Indústria

de Cana-de-Açúcar (Unica).

Desta vez o vilão foi o longo período de

estiagem, que reduziu o crescimento

projetado inicialmente pela entidade

para a região Centro-Sul. Na safra

2009/2010, o longo período de chuvas

também reduziu os resultados da moagem

de cana-de-açúcar.

Segundo dados do Centro de Tecnologia

Canavieira (CTC), em novembro, a produtividade

agrícola caiu 18,71% em relação ao

mesmo mês de 2009. No acumulado desde

o início da safra até 1º de dezembro, a

quebra foi de 7,26% comparada com igual

período da safra 2009/2010. De acordo

com o diretor técnico da Unica, Antonio

de Pádua Rodrigues, a queda na disponibilidade

de matéria-prima foi tão grande

que o volume de cana processado até meados

de dezembro foi praticamente o

mesmo observado em toda a safra passada.

"O crescimento da moagem na atual

safra será determinado pela pouca cana a

ser processada nas próximas quinzenas",

disse, se referindo às usinas que adiaram o

final da safra para janeiro.

Desde o início da safra, na região Centro-Sul,

a moagem de cana totalizou

543,67 milhões de toneladas, um crescimento

de 8,86% em relação as 499,40 milhões

de toneladas registrados no mesmo

período de 2009. Porém, segundo a Unica,

na segunda quinzena de novembro, a moagem

ficou em 18,40 milhões de toneladas,

uma queda de 27,95% em relação ao mesmo

período do ano anterior, quando foram

processadas 25,54 milhões de toneladas.

A desaceleração no ritmo de processamento

de cana, registrada nos dados, é

reflexo da falta de matéria-prima e do

número de usinas que adiantou o encerramento

da safra. Até o final de novembro

deste ano, 138 unidades tinham finalizado

o processamento de cana, número

significativamente superior às 25 unidades

que concluíram a moagem até essa

data no ano anterior.

Em agosto, a projeção da safra atual

anunciada pela entidade era de 570,19 milhões

de toneladas, mas o total não deve

ultrapassar 543 milhões de toneladas de

cana moída. "Nesse cenário de queda de

produtividade, final precoce de safra em

muitas regiões e início das chuvas de final

de ano, será muito difícil atingirmos 560

milhões de toneladas de cana processadas

na região Centro-Sul", explicou Rodrigues.

PRODUÇÃO

Desde o início da safra 2010/2011, a produção

de açúcar totalizou 33,02 milhões de

toneladas, enquanto a de etanol alcançou

24,72 bilhões de litros, crescimento de

14,04% comparado ao mesmo período de

2009. Do total produzido de etanol, 17,51

bilhões de litros foram de etanol hidratado

e 7,21 bilhões de litros de etanol anidro.

As vendas de etanol pelas unidades produtoras

da Região Centro-Sul, acumuladas

de abril até o final da segunda quinzena de

novembro, somaram 17,75 bilhões de litros,

3,86% abaixo do total para o mesmo

período do ano passado. Deste total, 1,50

bilhões de litros destinaram-se à exportação

– volume 40,42% inferior ao exportado

em 2009 – enquanto 16,26 bilhões de

litros ficaram no mercado doméstico.

(CANAL com informações da Unica).

CANAL, Jornal da Bioenergia 33


SEGURANÇA TRABALHO

divulgação/usina nardini

A entressafra é o período ideal para reposição de EPI’s, segundo Alexandre Ruy, engenheiro de segurança

Hora de repor EPI’s

A REPOSIÇÃO E

TROCA DOS EPI´S

POSSIBILITAM MAIOR

SEGURANÇA PARA

OS COLABORADORES

E TRANQUILIDADE

PARA AS EMPRESAS

Maiara Dourado

Quando o assunto é segurança, usinas

produtoras de açúcar, etanol e bioletricidade

devem estar atentas à reposição

e à substituição dos equipamentos de

proteção individual, os EPI´s. A crescente mão de

obra no setor e o rápido crescimento de produção

exigem, hoje, das empresas, maior cuidado com o

manuseio desses dispositivos. Para Robson Iwamoto,

engenheiro de segurança do trabalho do

Serviço Social da Indústria (Sesi) é importante

que se defina um estoque mínimo mensal, já que

a produção da indústria sucroenergética apresenta

variações durante o ano. "Com base em um

histórico de informações de anos anteriores fica

mais fácil programar a reposição de estoques mês

a mês" explica Iwamoto.

Alexandre Ruy, engenheiro de segurança do

trabalho do grupo Nardini, ainda alerta para a

importância de se trabalhar com a programação

anual da empresa, ou seja, conferir o pessoal que

está trabalhando, comparar o quadro de colaboradores

com os do ano anterior e verificar a contratação

de novos funcionários. Ao final dessa

avaliação a usina obterá melhor planejamento

para reposição, troca ou substituição dos EPI´s.

A reposição exige programação, principalmente,

pela especificidade que muitos desses equipamentos

possuem. "No setor sucroenergético, muitos

EPI's são fabricados especialmente sob medida

para atender a particularidade de cada empresa

e de cada atividade que ela desenvolve. Sendo

assim, requer entre 35 e 40 dias de antecedência

para realização do pedido, tempo suficiente para

a empresa fazer a grade de programação para repor

os dispositivos", recomenda Alexandre. Esse

tempo já inclui o período de entrega.

Desgaste, perda, validade e contratação de novos

colaboradores são alguns dos motivos para se

trocar, repor ou substituir os EPI´s. "É imprescindível

o gerenciamento de giro do estoque, pois

muitos EPI's acabam perdendo a validade ou se

deteriorando. Exemplo disso é o cartucho ou filtro

da máscara de proteção contra vapores orgânicos,

que tem validade definida" relata Alexandre.

Outro caso é o solado em poliuretano (P.U),

uma espécie de plástico com propriedades antiderrapantes,

da botina de segurança para o corte

da cana. Com o tempo, o solado sofre deterioração

pela hidrólise. No entanto, Iwamoto lembra

que o EPI não evita acidentes, mas protege o trabalhador

da ocorrência do dano físico.

Alexandre recomenda, ainda, após a implantação

de campanhas de segurança, através de treinamentos,

a instalação de alguns dispositivos de

proteção coletiva, os chamados EPC's. A ventilação

dos ambientes de trabalho, isolamento acústico

de fontes de ruídos, sinalização de segurança

e proteção de partes móveis de máquinas são alguns

desses dispositivos de proteção.

A proteção contra possíveis agentes agressivos

e exposições ao risco permitem a empresa e

ao colaborador a preservação da integridade física,

a promoção da saúde, o bem estar do trabalhador

e o cumprimento da legislação, além

da garantia de melhor eficiência de trabalho

dentro da empresa.

34 CANAL, Jornal da Bioenergia - SETEMBRO 2009

More magazines by this user
Similar magazines