Avaliação e monitoramento da restauração - SIGAM

sigam.ambiente.sp.gov.br

Avaliação e monitoramento da restauração - SIGAM

TREINAMENTO: RECUPERAÇÃO DE

ÁREAS DEGRADADAS

Jaú – 22 a 26 de março de 2010

Avaliação e monitoramento da restauração

Antônio Carlos Galvão de Melo

acgmelo@gmail.com


Restauração ecológica

‘‘Restauração

ecológica é o processo de

assistir a recuperação de um ecossistema

que tenha

sido

degradado

danificado

ou

destruído (SER 2004).

Objetivo final: criar eccossistema auto

suficiente, resiliente a perturbações sem

assistência (Urbanska

et al. 1997; SER

2004).

Como saber se atingimos o objetivo


Estação Ecológica dos Caetetus

um dia


Ecossistema restaurado

(SER 2004)

Contém recursos bióticos e abióticos suficientes para

continuar seu desenvolvimento sem mais assistência

ou subsídios

Auto sustentável, estrutural e funcionalmente

Demostra resiliência às variações normais de stress

ambiental e distúrbios

Interage com ecossistemas contíguos em termos de

fluxos bióticos e abióticos


MONITORAMENTO

JUSTIFICATIVA

Demandas e custos

Estimativa de 600 mil hectares a restaurar no

Estado de São Paulo

Fiscalização: recuperação de 900 ha/ano

Custos chegando a R$ 12 mil por hectare

Financiamentos com recursos públicos - R$

4,3 milhões em 4 anos pelo FEHIDRO

Objetivos da restauração


Desafio do manejo

Restauração ainda é área nova do

conhecimento, e sujeita a incertezas,

riscos e surpresas

Como atingir as metas de restauração

Correção de rotas


Manejo Adaptativo (Nyberg, 1999)

Diagnóstico

Ajuste

Planejamento

Avaliação

Implementação

Monitoramento


Variáveis a considerar

Atributos

Curto prazo: serviços ambientais (estrutura)

Médio prazo: biodiversidade e processos

ecológicos (estrutura, diversidade e processos)

Longo prazo: estabilidade e sustentabilidade (idem)

Viabilidade

Ecológica

Financeira

Sócio-culturalcultural


Estratégias para conduzir

avaliação e monitoramento

ecológico

Comparação direta (ecossistemas de

referência)

Análise de atributos (lista de atributos

SER)

Análise de trajetórias


Ecossistemas

de referência:

• riqueza;

• espécies típicas;

• formas de vida;

• estrutura;

• dinâmica;

• ciclagem;

• biomassa.


México, campos agrícolas

abandonados (Breugel,

Martínez-Ramos & Bongers

2007)


Ecossistemas de

referência

Melo e Durigan (2007)


Análise de trajetórias

dados coletados periodicamente para definir tendências

Restoration Ecology: Repairing the Earth’s Ecosystems in the New Millennium. Hobbs, R. J.; Harris, J. A.

Restoration Ecology , 9:2 (239–246). 2001.


Análise de trajetórias

Suporte ao manejo adaptativo

Grant, C.D. State-and-transition successional model for bauxite mining rehabilitation in the Jarrah forest

of Western Australia. Restoration Ecology , 14:1 (28–37). 2006


S

U

B

J

E

T

I

V

I

D

A

D

E


EXEMPLOS DE INDICADORES

Físicos e estruturais

Sobrevivência e crescimento das árvores

Cobertura de copas e I.A.F

Área basal

Estrutura do dossel

Cobertura de gramíneas

Variáveis meio físico (microclima, solo, etc.)


Área 2 (1 ano)

Área 5 (3 anos)

Área11 (13 anos)

Capoeira (23 anos)


EXEMPLOS DE INDICADORES

Biodiversidade

Riqueza e diversidade

Estoques de regeneração natural

Formas de vida

Fauna

Grupos funcionais

Invasoras

Bordas (permeabilidade e fluxos)


Carbono (Mg.ha

-1 )

Carbono acumulado em árvores de reflorestamentos

EXEMPLOS DE INDICADORES

160

140

Serviços ambientais e processos

120

100

80

60

40

20

0

Aguillon 1

Demografia e dinâmica

Serapilheira, decomposição e ciclagem

76

44 41 65

46 47 49 53

Biomassa, produtividade e 38

estoques de carbono

Conservação e melhoria parâmetros físico-

12 12 13

16 22 24

químicos dos solos

1 2

Produtividade, qualidade de água

Obara 1

Canatuba 3

S Sebastião 3

Muller 3

28

47

33

Itaguagé 5

Itaguagé 6

N Destino 7

N Destino 9

Rosana 9

Itaguagé 10

Rosana 10A

Canaçu Misto

Canaçu 50%

Canaçu Pio

Rosana 10B

Rosana 11

S. Agueda 13

Rosana 14

Rosana 15

95

Cananéia 18

Cananéia 28

134


EXEMPLOS DE INDICADORES

Econômicos e sociais

Custos e rendimentos operacionais

Taxas incremento e produtividade

Renda Líquida e Valor Líquido Presente

Aceitação da comunidade envolvida

Densidade de plantas de valor etnobotânico


Avaliação por Indicadores


Indicadores são parâmetros que permitem avaliar

atributos de uma área ou processo com o objetivo de

comparar tais resultados com resultados anteriores,

metas ou objetivos pré-estabelecidos ou, ainda, para

comparar áreas ou processos similares


Características dos

indicadores

indicadores (Manoliadis 2002)

estar intimamente ligada aos objetivos do projeto;

propiciar a abordagem efetiva do processo;

ser definida claramente de forma a evitar

confusões na aplicação ou interpretação;

ser realista e considerar os custos para sua coleta;

ter alta qualidade e confiabilidade, e

considerar escala temporal e espacial adequadas.


Critérios para seleção de

indicadores ecológicos (Dale e Beyeler 2001)

ser facilmente mensurados,

ser sensíveis a estresses no sistema,

responder a estresses de maneira previsível,

ser preventivos, predizer mudanças que podem ser

evitadas por ações de manejo,

ser integrativos,

ter resposta conhecida a distúrbios,

ter baixa variabilidade de resposta.

captar as complexidades do ecossistema

permanecer simples para serem fácil e

rotineiramente utilizados


ESCOLHA DE INDICADORES

Representatividade

representam processos ou outras características importantes

da comunidade em restauração

São adequados à etapa da trajetória da restauração

Entendimento e aplicação de medidas de

manejo

quais são os valores de referência

quem vai analisar

Dificuldade de obtenção

quem vai coletar

quanto vai custar


Monitoramento Sistemas de

Nucleação


Monitoramento Sistemas de

Nucleação

Os parâmetros utilizados permitirão a avaliação das

FUNÇÕES de cada técnica para o sistema de restauração:

• diversidade de espécies

• fluxos biológicos

• polinizadores

• dispersores

• cobertura vegetal

• regeneração natural

• efeito de eliminação da contaminação biológica


Monitoramento da Nucleação

Até UM ano após implantação:

Avaliação de cada um dos sistemas e levantar

informação por sistema;

Regeneração natural entre núcleos , por

AMOSTRAGEM;

Após Um ano da implantação:

Avaliação por sistema, por AMOSTRAGEM;

Regeneração natural, entre núcleos, por

AMOSTRAGEM


Nucleação – Planejamento da

amostragem


TRANSPOSIÇÃO DE

SOLO E

SERRAPILHEIRA

Riqueza total: quantificar todas as espécies emergentes

(morfotipos).

Densidade total: quantificar todos os indivíduos emergentes.

Formas de vida: indicar quais estão presentes (ervas, arbustos,

árvores, cipós, epífitas).

Fenologia: quantificar as espécies em floração e em frutificação

e/ou presença/ausência


TRANSPOSIÇÃO DA

CHUVA DE SEMENTES

(ainda não aplicada em SP)

Riqueza total: quantificar todas as espécies emergentes.

Densidade total: quantificar todos os indivíduos emergentes.

Formas de vida: indicar quais estão presentes (ervas,

arbustos, árvores, cipós, epífitas).

Fenologia: quantificar as espécies em floração e em

frutificação e/ou presença/ausência


POLEIROS ARTIFICIAIS (VIVOS OU SECOS)

Visualização de avifauna: quantificar as

espécies visualizadas e quando possível,

qualificar.

Sinais: presença/ausência de fezes e sementes.

Germinação: quantificar as espécies vegetais

emergentes sob o poleiro.


TRANSPOSIÇÃO DE

GALHARIA OU

ABRIGOS DE FAUNA

Tempo de decomposição da matéria orgânica (da galharia)

Riqueza total: quantificar todas as espécies emergentes.

Densidade total: quantificar todos os indivíduos emergentes.

Formas de vida: indicar quais estão presentes (ervas,

arbustos, árvores, cipós, epífitas).

Ocupação: medir área que ocupa e área/raio de ação

(irradiação) com trena.


PLANTIO DE MUDAS

EM GRUPOS

Sobrevivência: quantificar as mudas sobreviventes.

Cobertura das mudas: medir o diâmetro de copas, avaliando

separadamente as mudas pioneiras da muda central

(climácica).

Riqueza total das regenerantes dentro do núcleo.


Método

Monitoramento PRMC

(Guia)


OBJETIVOS DO PROJETO ORIGINAL

Identificar indicadores estruturais de sucesso

de reflorestamentos para restauração de

matas ciliares com idade entre um e três anos

Elaborar sistema de monitoramento dos

reflorestamentos de restauração que possa ser

utilizado por técnicos envolvidos com este

tipo de projeto.


Diretrizes do sistema de

monitoramento

possibilitar monitoramento

do

início

do

restabelecimento da estrutura e dos processos

ecológicos;

prioridade para 3 primeiros anos de implantação;

avaliação por indicadores;

abrangência;

precisão;

aplicabilidade.


Indicador Estrutural

Cobertura de copas

determinante para micro-habitat

interno da

floresta (luz, umidade do ar e solo, temperatura

do ar e solo);

controle de processos erosivos;

controle de ervas invasoras;

métodos para fácil estimação (interseção de

linhas e de pontos).


Estimativa da cobertura pelo

método da intersecção em linha

desenvolvido por Canfield (1941);

soma das interseções de copas em uma linha pré

determinada;

utilização de uma trena, e

cálculos simples.


Cobertura por interseção na linha

Reflorestamento 1 ano

Estrato herbáceo em vereda - DF


EXEMPLO DE UTILIZAÇÃO

Cobertura% =

(A + B + C)

x 100

comprimento trena

A = 2,3m

B = 1,5m

(2,3 + 1,5 + 3,1)

x 100

Cobertura =

12

Cobertura% = 57,5%

C = 3,1m

Trena = 12m


Avaliação do método de linhas -

correlações

Idade

Densidade

plantio

Altura

média

DAP

médio

Área Basal

Cobertura

(linhas)

Idade 1,0000

Densidade plantio 0,4820* 1,0000

Altura média 0,9195* 0,3970 1,0000

DAP médio 0,8736* 0,2393 0,9120* 1,0000

Área Basal 0,9084* 0,4701* 0,8434* 0,9027* 1,0000

Cobertura (linhas) 0,8140* 0,5860* 0,8002* 0,7234* 0,7949* 1,0000

* = significativa a 1%


Modelo idade X cobertura

Cobertura = 219,67 – 2294,92/x

Y = cobertura (%)

X = idade (meses)

R2 = 0,722

Syx% = 31,8


Sistema de avaliação

Conjuntos de indicadores

nível de preparo da área para restauração

nível de manutenção do plantio

estrutura do plantio

Níveis de adequação

Recomendações técnicas

Guia + Matriz


MATRIZ MONITORAMENTO


Recomendações técnicas

Níveis 2 e 3 pressupõem necessidade de

correções

Recomendações que atendam a mais de

um indicador (ex: mortalidade X formigas

X necessidade de alteração do conjunto

de espécies)


Gerenciamento projetos em

escala regional

2,5

2,0

Avaliação

1,5

1,0

0,5

0,0

2008

2009

Indicador


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O guia e a matriz devem ser usados de forma contínua e

propiciando a análise dos reflorestamentos

Os resultados devem ser analisados:

possibilitando a orientação daqueles envolvidos com o

reflorestamento e

permitindo ao avaliador a compreensão do processo de evolução

dos reflorestamentos

Os dados de monitoramento permitirão o aprimoramento

da análise de projetos (normas de licenciamento e

financiamento)


!

.

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