Ed. 103 - NewsLab

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Ed. 103 - NewsLab

Editorial

A

multinacional americana BD (Becton Dickinson)

é o motivo da nossa capa nesta edição.

Líder em tecnologia médica e maior fabricante

de sistemas de coleta e transporte de amostras biológicas

no mundo, a empresa celebra mais de 60 anos de

desenvolvimento do primeiro sistema de coleta a vácuo.

Entre outros aspectos, a matéria mostra o pioneirismo

e a inovação que marcam a história da bd na fase préanalítica

do laboratório clínico.

Em nossa coluna Opinião, o empresário e despachante

aduaneiro João Moraes fala das dificuldades no desembaraço

aduaneiro. Como o mercado de importação está passando

por algumas dificuldades, são encontrados problemas

em processos da Anvisa em portos, aeroportos e nas zonas

secundárias, que estão gerando um custo adicional aos

importadores no momento de liberar suas cargas.

Estreando na nossa coluna Texto Jurídico, a advogada

Ivani Pereira Baptista dos Santos escreve sobre “TV em sala

de espera enseja pagamento de direitos autorais”. Ela aborda

os aspectos da Lei de Direito Autoral (Lei Federal 9.610/98)

que é aplicada nos locais que mantêm TV com canal aberto

ou por assinatura e/ou rádio ligado, como consultórios,

clínicas e hospitais.

A nossa querida coluna Analogias em Medicina, escrita

pelo patologista José de Souza Andrade Filho, traz nesta edição

o tema “Garrafa de champanhe invertida”, uma alusão

a doenças que se manifestam principalmente por alterações

nos membros inferiores, criando deformidades comparadas

ao formato de uma garrafa de champanhe.

Um artigo para a sessão Panorama mostra uma reunião

que ocorreu com entidades do setor de saúde para discutir alternativas

que minimizem os impactos burocráticos impostos

pela norma RDC 25. A norma, que entrou em vigor em 22 de

maio passado, obriga as empresas fornecedoras de produtos

para a saúde a apresentarem junto à Anvisa, no momento da

solicitação ou revalidação do registro do produto, a Certificação

de Boas Práticas de Fabricação emitida pela agência.

Isso e muito mais você só encontra aqui, na NewsLab.

Boa leitura!

Diretor Executivo: Sylvain Kernbaum - (11) 8357-9857 - (revista@newslab.com.br) • Editora: Andrea Manograsso (Mtb 18.120) - (11) 8357-9850 - (redacao@newslab.

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Conselho Editorial:

Luiz Euribel Prestes Carneiro, farmacêutico-bioquímico, Depto. de Imunologia e de Pós-graduação da Universidade do Oeste Paulista, Mestre e Doutor

em Imunologia pela USP/SP • Prof. Dr. Carlos A. C. Sannazzaro - Professor Doutor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP • Dr. Amadeo Saéz-

Alquézar - Farmacêutico-Bioquímico • Dr. Marco Antonio Abrahão – Biomédico e Presidente do Conselho Regional de Biomedicina em São Paulo – CRBM

- 1ª Região • Prof. Dr. Antenor Henrique Pedrazzi - Prof. Titular e Vice-Diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP • Prof.

Dr. Morton Scheinberg - PHD em Imunologia pela Universidade de Boston e Livre Docente em Imunologia pela Universidade de São Paulo • Prof. Dr. José

Carlos Barbério - Professor Titular da USP (aposentado) • Dr. Silvano Wendel - Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês • Dr. Paulo C. Cardoso de

Almeida - Doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina da USP • Dr. Jacques Elkis - Médico Patologista, Mestre em Análises Clínicas - USP • Dr. Zan

Mustacchi - Prof. Adjunto de Genética da Faculdade Objetivo - UNIP • Dr. José Pascoal Simonetti - Biomédico, Pesquisador Titular do Depto de Virologia

do Instituto Oswaldo Cruz - FIOCRUZ - RJ • Dr. Sérgio Cimerman - Médico-Assistente do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Responsável Técnico pelo

Laboratório Cimerman de Análises Clínicas • Dra. Suely Aparecida Corrêa Antonialli - Farmacêutica-bioquímica-sanitarista. Mestre em Saúde Coletiva • Dra.

Gilza Bastos dos Santos - Farmacêutica-bioquímica • Dra. Leda Bassit - Biomédica do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa da Fundação Pró-Sangue

Colaboraram nesta edição:

José de Souza Andrade Filho, João Moraes, Ivani Pereira Baptista dos Santos, Elidiana de Bona, Lucinara Regina Cembranel, Estefania Luiza

Bernardi, Carlos Henrique Sguissardi, Alexandre M. Fuentefria, Sílvia Maria Santos Carvalho, Yasmine Barbosa de Souza, Sinval Pinto Brandão-

Filho, Rosine Zeltzer, Felipe Pletsch, Liane Nanci Rotta, Alita Moura de Lima, Eveleise Samira de Jesus Martins, João Vicente Braga de Souza,

Julia Ignez Salem, Tatiane Funari Chrusciak, Amanda Regina Nichi de Sá, Letícia Mika Fusano, Alvaro Largura, Alisson Marassi, Maria Cristina

de Martino, Marcia Cristina Feres, Alexandre Gabriel Jr. (in memorian), Paulo Campana, Sergio Tufik, Cláudia Brollo, Rejane Giacomelli Tavares

Impressão: Prol Gráfica

Editoração: Fmais

NewsLab

A revista do laboratório moderno

ANO XVII - Nº 103

(Dezembro 2010/janeiro 2011)

Redação e administração:

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A Revista NewsLab é uma publicação bimestral

da Editora Eskalab, com distribuição

dirigida a laboratórios, hemocentros e universidades

de todo o país. Os artigos assinados

são de responsabilidade de seus autores e

não representam a opinião da revista. Da

mesma forma, os Informes Publicitários são

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Filiado à Anatec


04 Editorial

06 Índice

10 Notícias

40 Nossa Capa - Pioneirismo, inovação e liderança marcam história da

bd na fase pré-analítica do laboratório clínico

46 Panorama - RDC 25: Medida judicial ou diálogo político

48 Opinião - Dificuldades no Desembaraço Aduaneiro, por João Moraes

50 Perfil - Roche completa 80 anos de Brasil

58 Informe de Mercado

90 Comunicado ao Mercado

92 Texto Jurídico - TV em sala de espera enseja pagamento de direitos

autorais, por Ivani Pereira Baptista dos Santos

94 Analogias em Medicina – Garrafa de champanhe invertida

98 Prevalência e Perfil de Resistência de Escherichia coli em Uroculturas

Positivas no Período de 2007-2008, em Hospital de Médio Porte

no Oeste de Santa Catarina - Elidiana de Bona, Lucinara Regina

Cembranel, Estefania Luiza Bernardi, Carlos Henrique Sguissardi,

Alexandre M. Fuentefria

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Ano 12

Nº 06

Dez 2010/

Jan 2011

Há mais de

10 anos

informando.

A vida faz as perguntas,

nós buscamos as respostas.

Leia ainda na Roche News:

Artigo Científico: Medicina

Personalizada - Adequando o tratamento ao paciente

Biologia Molecular: A importância

de um teste NAT completo

80 anos da Roche no Brasil.

É tempo de comemorar.

BIOLOGIA

MOLECULAR

ENTREVISTA DICAS

Parceiros da Roche comentam

a atuação da empresa na evolução

da Saúde.

A importância de um Roche avalia satisfação

teste NAT completo. de clientes.

104 Situação da Leishmaniose Tegumentar Americana na área urbana de Ilhéus, BA -

Sílvia Maria Santos Carvalho, Yasmine Barbosa de Souza, Sinval Pinto Brandão-Filho

110 Melhoria do Sistema da Qualidade: Auditoria Interna - Rosine Zeltzer

118 Cistatina C: um Novo Marcador de Função Renal - Felipe Pletsch, Liane Nanci Rotta

134 Meios de Cultivos Aplicados ao Diagnóstico Laboratorial da Tuberculose - Alita

Moura de Lima, Eveleise Samira de Jesus Martins, João Vicente Braga de Souza, Julia

Ignez Salem

140 Avaliação de Método para Detecção de Anticorpos Anti-HIV em Papel Filtro -

Tatiane Funari Chrusciak, Amanda Regina Nichi de Sá, Letícia Mika Fusano, Alvaro

Largura, Alisson Marassi

150 Padronização de Critérios Visuais de Aceitação e Rejeição de Amostras Hemolisadas

em Laboratório Clínico - Maria Cristina de Martino, Marcia Cristina Feres, Alexandre

Gabriel Jr. (in memorian), Paulo Campana, Sergio Tufik

158 Alterações Hematológicas em Amostras Armazenadas e Analisadas em Condições

de Tempo e Temperatura Distintos - Gabriel Ferreira Bazé Neto, Miguel Machado

de Araújo

164 Avaliação Comparativa dos Parâmetros Hematológicos RDW-CV

e RDW-SD - Cláudia Brollo, Rejane Giacomelli Tavares

170 Biblioteca NewsLab

172 Agenda

174 Classificados

175 Endereços dos Anunciantes


Ação em prol da doação de medula óssea

No Brasil, 1.200 pessoas aguardam na fila por um transplante

Para muitos portadores de doenças do sangue, como leucemia,

a única possibilidade de cura está no transplante de

medula óssea. Apesar do Brasil ter o terceiro maior banco de

medula óssea do mundo, com 1.700.000 doadores - segundo

o Ministério da Saúde, 1.200 pessoas aguardam na fila por um

transplante. Pensando nisso, a indústria farmacêutica Eli Lilly

do Brasil incluiu o cadastramento de medula óssea para a Santa

Casa de São Paulo como uma de suas ações pelo Dia Mundial do

Servir, iniciativa global de cidadania e solidariedade, que reune

20 mil colaboradores, entre funcionários, estagiários, prestadores

de serviço e aposentados de 32 países no trabalho social.

Só no Brasil, cerca de 700 pessoas participaram do Dia

Mundial do Servir, que beneficiará os seguintes locais: Associação

de Pais e Amigos de Excepcionais - APAE; Associação

de Assistência à Criança Deficiente - AACD; Associação Centro

Social Brooklin Paulista; Grupo de Apoio ao Adolescente e

à Criança com Câncer - GRAACC; Casa do Zezinho; Centro

Rotário Educacional, Social, Cultural e Recreativo - CRESCER;

Hemocentro São Lucas; Santa Casa de São Paulo e Parque

Estadual do Jaraguá.

De acordo com a Associação da Medula Óssea - AMEO,

mais de 60% dos pacientes que necessitam do transplante não

possuem familiares compatíveis e buscam um tecido adequado

no banco de doadores do INCA. Cada pessoa pode ter de 100 a

um milhão de doadores compatíveis. Entre irmãos de mesmos

pais, a chance de compatibilidade aumenta para 25%.

SBAC realiza importante evento em Manaus

No período de 13 a 16 de outubro de 2010, a SBAC, Sociedade

Brasileira de Análises Clínicas, realizou, no Centro

de Convenções Studio 5, em Manaus (AM), o 1º Congresso

Regional de Análises Clínicas da Região Norte.

Apesar de ser o primeiro evento da área laboratorial deste

porte na região, o 1º CRACRN reuniu profissionais e estudantes

das áreas de farmácia e biomedicina da região, que

aproveitaram para se atualizar e confraternizar com a agenda

social do evento.

O evento reuniu mais de 850 participantes vindos não

apenas de toda a região norte do país, mas também de vários

estados, que aproveitaram as excelentes oportunidades

de negócios apresentadas pelos 25 expositores e lotaram as

salas de aula das 29 palestras proferidas por profissionais de

renome no cenário laboratorial nacionalExpositores nacionais,

como a Bioeasy, Laboratórios Hermes Pardini e a Laborclin

levaram excelentes oportunidades a todos os farmacêuticos

e biomédicos da região que compareceram em bom número.

“Foi uma excelente oportunidade para todos os participantes,

e uma grande experiência para nossa Delegacia da

SBAC”, afirmou dra. Karla Regina Lopes Elias. “Já começamos

a pensar no próximo. É aguardar e conferir.”

“Foi mais uma importante missão cumprida. A SBAC preza

pela difusão do conhecimento através de profissionalismo a

cada oportunidade e eventos como este aqui em Manaus tem

uma importância bastante significativa para todos, sejam

sócios da SBAC ou não”. disse o Dr. Ulisses Tuma, Presidente

da SBAC, na época do evento.

Dr. Irineu Grinberg, atual vice-presidente da SBAC e presidente

eleito para o próximo mandato, afirma: “A Sociedade

Brasileira de Análises Clínicas tem plena consciência de que

muitos dos profissionais que aqui vieram saíram satisfeitos

com as grandes oportunidades, tanto de fazer negócios,

quanto de se atualizarem com o que existe de mais moderno

e importante na área laboratorial”.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Pesquisa da DASA do Paraná revela dados sobre Aids na terceira idade

Levantamento foi analisado no Dia Internacional do Idoso

Durante quase duas décadas, a ocorrência da Aids entre

idosos foi um assunto ignorado. E a resistência da sociedade

em admitir que pessoas com mais de 50 anos continuem tendo

vida sexual ativa contribuiu para o aumento do número de

infectados. Em dez anos, de 1996 para 2006, a taxa de incidência

de Aids duplicou entre pessoas com mais de 50 anos,

passando de 7,5 casos por 100 mil habitantes para 15,7. Dos

47.437 casos notificados nessa faixa etária desde o início da

epidemia, 29.393 (62%) foram registrados entre 2001 e 2008.

A maioria (63%), em homens.

Segundo pesquisa feita pela DASA do Paraná, com levantamento

de pacientes maiores de 60 anos, observou-se que

foram solicitados 482 exames de HIV no período de novembro

de 2009 a setembro de 2010. Das 283 mulheres testadas foi

observado um caso positivo. Dos 199 homens, três amostras

mostraram-se positivas, o que evidencia a prevalência maior

de contaminação masculina.

Segundo Clóvis Cechinel, geriatra da DASA, que em São

Paulo atua pelas marcas Delboni Auriemo e Lavoisier Medicina

Diagnóstica, a escassez da inclusão deste grupo etário em

campanhas de prevenção fez com que estas pessoas se sintam

à margem dos riscos de serem contaminadas pelo HIV e,

assim, continuem se expondo, desprotegidas em suas relações

sexuais. “O preservativo, para este grupo etário, é um artefato

pouco utilizado ao longo de suas vidas, e apresenta dificuldade

técnica na sua utilização. Alia-se a este desuso a ideia de que

a camisinha é uma ferramenta meramente anticonceptiva e

o receio de perda de ereções efetivas”, pondera o médico.

Cechinel lembra que o atual uso de drogas corretivas de

distúrbios eréteis passou a ser fator relevante, encorajando

os idosos no aumento do número de exposições sexuais, com

consequente desproteção, fato que repercutirá ainda mais, futuramente,

na elevação das estatísticas de HIV. Um levantamento

realizado pelo Ministério da Saúde sobre o comportamento sexual

dos brasileiros mostrou que 67% da população entre 50 e

59 anos se diz sexualmente ativa. No grupo acima de 60 anos,

o índice também é expressivo: 39%. A média de relações na

parcela acima de 50 anos é de 6,3 ao mês. “A responsabilidade

por isso se deve, em parte, à difusão dos remédios para disfunção

erétil. A longevidade sexual da população está aumentando

e a prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis precisa

ser intensificada”, reforça o geriatra.

Para Cechinel, a inibição, tanto do médico quanto do próprio

idoso, em falar sobre a vida sexual, são fatores que fazem

com que o diagnóstico seja mais tardio. “O diagnóstico tardio

é uma das principais razões de morte precoce. Os médicos

costumam associar os sintomas a outras doenças, como Alzheimer,

câncer e tuberculose, e passam meses em investigações

infrutíferas até desconfiar de Aids. Mesmo quando se

tem o diagnóstico, tende a crer que a contaminação foi por

transfusão de sangue”, afirma.

O geriatra lembra que as interações do coquetel com outros

medicamentos já utilizados pelos idosos também produzem

reações indesejáveis. “Com a imunidade enfraquecida, eles

morrem por qualquer resfriado banal. Envergonhados, isolados

e censurados pela família”, finaliza.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Celíacos são 300 mil no Brasil. Sintomas podem ser confundidos e o diagnóstico demorado

Doença celíaca ataca o intestino delgado, mas sintomas são tão variados

que confundem pacientes e especialistas, tornando o diagnóstico demorado

Embora não haja números oficiais, estima-se que há cerca

de 300 mil celíacos no Brasil, de acordo com informações da

Acelbra - Associação dos Celíacos do Brasil. Um estudo realizado

recentemente pela Unifesp - Universidade Federal de São

Paulo, com doadores de sangue, indicou que existe em São

Paulo um celíaco em cada grupo de 214 moradores da capital.

A doença celíaca (ou enteropatia sensível ao glúten) é

autoimune e caracteriza-se pela intolerância ao glúten, proteína

presente na semente de muitos cereais, que provoca

irritação na parede do intestino delgado e lesões intestinais,

prejudicando a absorção de nutrientes provenientes da alimentação.

Se não identificada e tratada, as lesões aumentam

em extensão, levando ao emagrecimento. Devido aos graus

variados de desnutrição, surgem sintomas como fraqueza,

cansaço, fadiga e distensão abdominal. “Não é comum, mas

o paciente pode, muitas vezes ter náuseas e vômitos. Inclusive,

apresentar distúrbios psicogênicos, como depressão,

ansiedade e uma tendência ao suicídio, principalmente nas

mulheres”, explica o cirurgião do aparelho digestivo do Hospital

9 de Julho, o Dr. Evandro Pinheiro.

No Brasil, a lei 10.674 de 2003 obriga os fabricantes

de alimentos a informar na embalagem os produtos que

contem ou não o glúten, evitando que os celíacos consumam

a substância sem saber. No entanto, ainda existem

muitas falhas na fiscalização dessa lei, de modo que alguns

alimentos não trazem essa especificação e outros

são contaminados por glúten no processo de fabricação,

prejudicando a vida dos milhares de celíacos.

Diagnóstico complexo - De acordo com o Dr. Evandro,

apesar de estar relacionada ao intestino delgado, os sintomas

da doença celíaca muitas vezes não aparecem nesse órgão,

sendo comumente identificada como outras patologias. “O

paciente, por desconhecer, acaba procurando especialistas

de diversas áreas, em uma verdadeira peregrinação por consultórios

médicos, até obter o diagnóstico definitivo”, explica.

Por outro lado, os especialistas também encontram

dificuldades no diagnóstico da doença, pois ela apresenta

quadro clínico variado, podendo se manifestar em sua forma

clássica, não clássica, latente e assintomática. Além disso,

muitos sintomas podem ser comuns de outras doenças, por

vezes sem qualquer relação com o intestino, como dermatite,

prurido, dor articular, entre outros.

O diagnóstico é feito por meio da história clínica detalhada

e exames para comprovar ou não a existência da

doença. Eis alguns: exame de sangue com perfil bioquímico

completo, testes sorológicos específicos para anticorpos antigliadina,

anti-endomíseo e antitransglutaminase. Também

são utilizadas provas de absorção intestinal, da dexilodase,

determinação de gordura fecal, teste de tolerância e absorção

da lactose - a proteína presente no leite -, e o exame

de trânsito intestinal, que pode identificar alterações das

vilosidades intestinais sugestivas da doença.

“O exame ‘padrão ouro’ para o diagnóstico da doença celíaca

é a biopsia feita por meio da endoscopia. Vários fragmentos

das áreas suspeitas de lesão são retirados do intestino para o

estudo fisiopatológico dos tecidos”, explica o médico.

FMUSP lança coleção de livros “Da Pesquisa à Prática Clínica”

As três primeiras obras foram lançadas durante o evento pelo

coordenador da iniciativa, o professor Alberto Duarte, apresentou

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

(FMUSP) acaba de lançar a coleção de livros “Série da

Pesquisa à Prática Clínica”, publicada pela Editora Atheneu,

que busca facilitar a transferência do conhecimento gerado

nos laboratórios da Universidade para a prática médica.

Dos cerca de 20 volumes previstos para serem publicados,

três foram lançados durante o 4º Simpósio “Avanços

em Pesquisas Médicas”, no Centro de Convenções Rebouças,

em São Paulo. Os livros tratam de patologias nas áreas de

Urologia (Patologias Urológicas da Bancada ao Leito), Neurologia

(Neurociência Aplicada à Prática Clínica) e Doenças

Infectocontagiosas (HIV/AIDS).

“Com o lançamento desta coleção, queremos suprir

uma lacuna na comunicação e tradução de nossos

achados, já publicados em revistas científicas, em uma

linguagem mais acessível”, afirma o professor Alberto

Duarte, coordenador da Série. “A iniciativa visa facilitar

a aplicação pelos médicos das novas descobertas nas

diferentes especialidades médicas”.

As pesquisas foram selecionadas de aproximadamente

quatro mil trabalhos desenvolvidos nos Laboratórios de

Investigação Médica (LIMs) nos últimos anos. “O objetivo

é facilitar a transferência deste conhecimento para a prática

do dia-a-dia dos médicos”, aponta.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Genes que podem agravar a osteoartrite do joelho

Um estudo apontou associações entre nove genes e progressão da osteoartrite do joelho

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da

Carolina do Norte anunciaram os resultados de um estudo

clínico que avaliou o desempenho de fatores genéticos no

agravamento da osteoartrite, durante o Congresso Mundial de

Osteoartrite, evento promovido pela Sociedade Internacional

de Pesquisa em Osteoartrite (Osteoarthritis Research Society

International - OARSI), realizado em Bruxelas, Bélgica, entre

os dias 23 e 26 de setembro.

O estudo mostrou que pacientes com evidência radiológica

de osteoartrite no joelho que haviam herdado um padrão genético

específico no receptor antagonista interleucina-1 (IL-1Ra)

tinham duas vezes mais chances de apresentar agravamento

no quadro da doença.

Para este estudo, 1.154 pacientes participantes do Johnston

County Osteoarthritis Project foram monitorados por um

período que variou de 4 a 11 anos, de forma a envolver o início

e a evolução da doença. Os pacientes tiveram seus genes

avaliados no início do estudo e também foram monitorados

por radiografias. Nove genes estariam associados à progressão

da osteoartrite, na maior parte das vezes, eles estavam

associados a variações no gene IL-1Ra.

A interleucina-1 (IL-1) é um dos principais compostos químicos

envolvidos na destruição de cartilagens e ossos. Padrões

genéticos que determinam a inibição da fabricação deste composto

contribuem para a progressão da osteoartrite. O estudo

americano demonstrou que três padrões genéticos específicos

comumente encontrados na população mundial são preditivos

de diferentes riscos para a progressão da osteoartrite.

A pesquisa foi conduzida por Joanne Jordan, chefe da

Divisão de Reumatologia, Alergia e Imunologia do Thurston

Arthritis Research Center, localizado na Universidade da

Carolina do Norte, em Chapel Hill. O estudo é o primeiro do

tipo a incluir afrodescendentes americanos e caucasianos,

bem como o pioneiro também na inclusão de fatores genéticos,

exames radiológicos, sorológicos, físicos e funcionais

de seus participantes.

“A forte ligação entre a osteoartrite progressiva e as

variações do gene IL-1Ra, demonstrada por este estudo, e

por dados provenientes de pesquisas anteriores, sugere que

esta informação genética pode ajudar a identificar pacientes

de alto risco e isso, por sua vez, auxiliaria os cientistas no

desenvolvimento de drogas de combate à doença”, explica

o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto

de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).

A osteoartrite é a doença reumática mais comum no mundo

e não há, até o momento, nenhuma droga que, comprovadamente,

possa reverter sua progressão. Um dos desafios para o

desenvolvimento de medicamentos para combater esta doença

tem sido exatamente a falta de ferramentas que permitam prever

quais pacientes são mais propensos a apresentar quadros

mais graves de osteoartrite.

Há um forte potencial no uso de padrões genéticos IL-1Ra

na seleção de pacientes para estudos clínicos que possam

levar à descoberta de medicamentos mais eficazes. “A descoberta

destes marcadores genéticos também é muito útil para

médicos acompanharem mais de perto pacientes com maior

propensão ao agravamento da doença e que, provavelmente,

necessitarão de cirurgia”, explica o reumatologista.

Dia Mundial do Diabetes tem testes gratuitos em São Paulo

Atividade no colégio Madre Cabrini possibilitou 10 mil testes grátis de glicemia

A Associação Nacional de Assistência

ao Diabético (ANAD) realizou no

dia 7 de novembro, em São Paulo, um

grande evento gratuito para detecção

precoce e conscientização sobre o diabetes,

por conta do Dia Mundial contra

a doença. Segundo a Organização

Mundial de Saúde, o diabetes atinge

mais de 200 milhões de pessoas e vem

crescendo de forma epidêmica em todo o mundo.

Foram oferecidos, no prédio do colégio Madre Carbini, em

São Paulo, 10 mil testes de glicemia, orientação nutricional e

outros testes que confirmam o diagnóstico da doença, como

colesterol, exame de fundo de olho, de boca e pé diabético,

além de avaliação física, nutricional e fisioterápica. Além disso,

o evento teve outros serviços gratuitos, como orientação e

encaminhamento profissionais para as pessoas com risco de

desenvolver o diabetes.

Realizada como forma de contribuir para a conscientização

sobre o problema e antecipar o diagnóstico, a atividade promovida

pela ANAD em São Paulo teve apoio da Roche Diagnóstica

e faz parte da campanha global promovida pela Federação

Internacional do Diabetes, que inclui a iluminação em azul de

monumentos em grandes cidades de todo o mundo.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Avanços para tratar o câncer do colo do útero

Congresso reúne especialistas e oferece oficinas de capacitação

para enfrentar a doença e suas lesões precursoras

De 7 a 10 de outubro, o XV Congresso Brasileiro de Genitoscopia

debateu temas de interesse no diagnóstico e tratamento

do câncer do colo do útero e de outras doenças genitais, no

Centro de Eventos da PUC, em Porto Alegre. Mais de 40 palestrantes

brasileiros, além de seis convidados estrangeiros,

como o professor Albert Singer, do Whittington Hospital da

Inglaterra, e Walter Prendiville, do Coombe Women’s Hospital,

da Irlanda, estiveram presentes ao evento.

Mesmo com o aumento da cobertura de rastreamento

(investigação em mulheres sem sintomas) das lesões precursoras

do câncer do colo do útero na população brasileira,

ainda são altas as taxas de incidência e de mortalidade pela

doença. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de

Câncer (INCA), em 2010, são esperados 18.430 casos novos

de câncer do colo do útero, gerando um risco estimado de 18

casos a cada 100 mil mulheres.

O Ministério da Saúde recomenda o rastreamento para as

mulheres a partir dos 25 anos em nosso país. Ana Ramalho,

chefe da Divisão de Atenção Oncológica do INCA, abordou no

congresso o Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo

do Útero. “Debatemos evidências científicas que dão suporte

às diretrizes do programa, condutas terapêuticas recomendadas

nas lesões precursoras e novas tecnologias no controle

da doença”, acrescenta Ana Ramalho.

Para avaliar técnicas de diagnóstico e tratamento da doença,

um dos destaques do evento foi a promoção de duas

oficinas, pela Rede Colaborativa para o controle do câncer

do colo do útero. A médica Paula Maldonado, presidente da

Associação Brasileira de Genitoscopia, que promove o evento,

destaca a importância de abordar, na teoria e na prática, o

tratamento e a detecção precoce do câncer do colo do útero.

“O congresso é uma ação que integra diversos profissionais

para falar de uma doença que se pode prevenir”, destaca.

Também em debate o Protocolo do Ministério da Saúde

para o rastreamento do câncer do colo do útero, elaborado em

1988, a partir de consenso promovido pelo INCA, envolvendo

especialistas internacionais, representantes das sociedades

científicas e de diversas instâncias ministeriais. O objetivo é

a detecção precoce da doença e o diagnóstico de seus precursores

no maior número possível de mulheres.

O tratamento dos estágios iniciais do câncer aponta para

excelente prognóstico e manutenção da qualidade de vida

das mulheres. Como explica Fábio Russomano, médico

do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo

Cruz, a realização a cada três anos do exame Papanicolaou

(preventivo), após dois exames normais com intervalo

de um ano, garante que três vezes mais mulheres

possam ser atendidas pelas ações de rastreamento do

Programa com segurança e eficiência. "Essa conduta

otimiza a utilização dos recursos do Sistema Único de

Saúde (SUS)", pontua.

Segundo Fábio, vários estados vêm cumprindo metas de

aumento de cobertura populacional com o Papanicolaou. Sul e

sudeste estão mais adiantados na aplicação destas recomendações.

Nessas regiões, dados mostram redução na mortalidade

pelo câncer do colo e aumento dos diagnósticos de lesões

precursoras, que são o objeto do Programa para, detectadas

e tratadas, prevenir esta doença.

Bíblia do laboratório clínico chega à quinta edição

Lançamento da Artmed Editora, Técnicas

Básicas de Laboratório Clínico, quinta

edição, é uma revisão da quarta edição

do livro Técnicas Básicas de Laboratório

Médico. Escrita por Barbara H. Estridge

e Anna P. Reynolds, a obra teve seu

título alterado para refletir a evolução

da tecnologia médica para a disciplina

chamada ciência do laboratório clínico.

“O texto foi extensamente revisado,

mas seu objetivo permanece o mesmo, ou seja,

proporcionar o fundamento da teoria, das práticas e das

técnicas necessárias para a compreensão e execução de

testes laboratoriais de rotina”, explicam as autoras. “Fizemos

uma ampla pesquisa para garantir que as informações

que as informações do livro fossem completas, precisas e

atualizadas”, completam.

A teoria e o passo a passo das técnicas básicas dos procedimentos

realizados em laboratório clínico são apresentados na

obra, que é amplamente ilustrada. O texto é dividido em oito

unidades independentes, que podem ser estudadas em qualquer

ordem. Entre os destaques da edição, várias perguntas de

revisão permitem que os leitores avaliem seu conhecimento.

Além disso, o uso de ícones para chamar atenção para aspectos

de segurança, controle de tempo crítico, uso de habilidades

matemáticas, técnicas para avaliação da qualidade e outras

questões importantes que exigem atenção especial evitam

prejuízos e garantem resultados de qualidade.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Anvisa estabelece regras para a Certificação de

Boas Práticas e registros de produtos para saúde

A medida da Anvisa tenta conter as reclamações de que a expedição da

Certificação de Boas Práticas de Fabricação inviabilizaria a aplicação da norma

Uma nota técnica publicada pela Gerência Geral de Tecnologia

de Produtos para a Saúde (GGTPS) da Anvisa, no

último dia 5 de outubro, estabelece e define critérios para

a apresentação da Certificação de Boas Práticas de Fabricação

(CBPF) quando dos processos de registro e revalidação

de produtos para a saúde, nos termos da RDC 25/09.

O texto explica que nos casos em que o processo de

registro ou revalidação teve início antes da vigência da

RDC 25/09, em 22 de maio de 2010, serão válidos os protocolos

e não será necessária a apresentação do Certificado

de Boas Práticas. Já os pedidos posteriores a esta data serão

indeferidos caso a empresa não apresente o Certificado.

De acordo com Evaristo Araújo, sócio do Gandelman

Sociedade de Advogados e diretor da ABECbpf, “a medida

da Anvisa tenta conter as reclamações de que a expedição

da Certificação de Boas Práticas de Fabricação por parte da

Agência inviabilizaria a aplicação da norma.”

O advogado esclarece ainda, que “o protocolo não substitui

o certificado”. Após a análise do registro, a empresa

será comunicada da conclusão do procedimento e encaminhamento

para a publicação no Diário Oficial da União,

que ocorrerá apenas em momento posterior à expedição

do Certificado de Boas Práticas de Fabricação.

“A apresentação do protocolo apenas impede que o pedido

de registro seja indeferido de ofício, mas a publicação

do registro fica vinculada à expedição da CBPF”, finaliza

Evaristo Araújo.

Acordo não libera empresa americana da inspeção

- Um acordo firmado entre a Anvisa e o FDA não altera a

necessidade atual de inspeção local da agência brasileira

para a concessão da Certificação de Boas Práticas de Fabricação

ao fabricante americano. Esse é o entendimento

do advogado Evaristo Araujo.

Ele explica que o referido acordo entre o Brasil e os

Estados Unidos não libera o fabricante de medicamento

ou produto para saúde sediado nos Estados Unidos de

registrar seus produtos na Anvisa para fins de operações

no Brasil, assim como a certificação BPF, necessária para

medicamentos e produtos para a saúde, independentemente

da classe de risco. “A certificação será publicada

apenas após a inspeção de técnicos brasileiros à planta

industrial americana”, destaca.

O advogado lembra ainda que o papel do acordo entre

as duas agências reguladoras é o de agilizar pontos

relativos a registro de medicamentos e produtos para a

saúde, inspeções e vigilância pós-mercado, centralizando

informações e economizando tempo nos procedimentos

administrativos entre os dois países.

“A grande vantagem e o diferencial que advém deste

acordo é a possibilidade das agências trocarem informações

em um mesmo banco de dados, que facilitará o trâmite

regulatório, ainda muito moroso, principalmente quando

se trata de inspeções internacionais”, finaliza.

DASA anuncia a aquisição do Cerpe Diagnósticos em Pernambuco

Companhia inicia operação no Estado e amplia sua atuação no nordeste do País

A DASA, maior empresa de medicina diagnóstica na América

Latina e quarta maior deste segmento no mundo, anuncia

a aquisição do Cerpe Diagnósticos, o maior laboratório de

análises clínicas do nordeste.

Fundado em 1969, o Cerpe Diagnósticos se consolidou

como o mais importante laboratório de análises clínicas da

região. Atualmente, o laboratório conta com mais de 500

colaboradores que trabalham nas 41 unidades situadas em

Pernambuco. A DASA também adiciona mais um centro de

processamento técnico, em Olinda (PE), que abriga avançadas

plataformas de processamento de exames, inclusive com robotização

e integração das áreas de Bioquímica e Imunoensaios,

ampliando o já reconhecido grupo técnico da DASA.

Segundo Carlos Alberto Moura, vice-presidente Corporativo,

esta aquisição contribui para o fortalecimento das

companhias e reforço da presença da DASA no nordeste do

País. “A trajetória de sucesso do Cerpe, sua relevância para

o mercado de saúde na região e sua equipe de qualidade,

nos motivaram a firmar esta operação. Pernambuco possui

excelentes perspectivas de crescimento para o futuro e, a

partir de agora, nos juntamos para desenvolver uma medicina

diagnóstica ainda melhor”, comenta Moura.

No nordeste, a empresa atua na Bahia, por meio da marca

Image Memorial, e no Ceará com a LabPasteur e a Unimagem.

Com a aquisição do Cerpe, a presença da DASA no nordeste

atinge 65 unidades de atendimento/hospitalares.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Brasil marca Dia Nacional de Combate à Sífilis

Departamento incentiva testagem para prevenção de doença que

ainda é subnotificada. Tratamento precoce pode evitar sequelas

Dia 16 de outubro é o Dia Nacional de Combate

à Sífilis. A data é lembrada todo terceiro

sábado do mês de outubro.

De acordo com o último Boletim Epidemiológico

Aids/DST, foram registrados em 2008,

no Brasil, 5.506 casos de sífilis congênita em

menores de um ano de idade. De 2005 a junho

de 2009, foram 25.202 casos ao todo. Já

durante o pré-natal, somente no ano de 2008,

foram 6.955 notificações de sífilis. Desde 2005,

no total, foram 19.608 gestantes diagnosticadas

com a doença.

Em 2010, uma medida vai permitir o aprimoramento

da notificação da sífilis adquirida, conforme a Portaria nº

2.472/2010. Os dados serão compilados no próximo boletim

epidemiológico a ser divulgado em dezembro de 2010.

Testagem- Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar

o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes

no 1º trimestre da gestação, pois as principais complicações da

sífilis congênita são aborto, má formação do feto e/ou morte

ao nascer. O recomendado é fazer o teste duas vezes durante

a gravidez e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade.

Quem não fez pré-natal, deve realizar o teste antes do parto.

A sífilis é uma doença silenciosa que, na maioria das vezes, as

mulheres não têm sintomas e só vão descobrir após o exame.

Uma vez testadas e tratadas, é possível impedir a transmissão

da mãe para o feto do Treponema pallidum.

O risco varia de acordo com o estágio da

doença na gestante: fase primária e secundária

– 70 a 100%, fase latente ou terciária – 30%.

De acordo com a técnica do departamento,

Eveline Fernandes, é muito importante que o

teste da sífilis seja feito também no homem, pois

não adianta tratar a mulher e o bebê, e o homem

continuar infectado. “Essa medida impede novas

infecções pela bactéria”, reforça.

O tratamento da doença depende muito

da fase em que é feito o diagnóstico. Em geral

utiliza-se a penicilina benzatina (velha benzetacil) para tratar a

sífilis congênita, medicação barata e de fácil acesso no Sistema

Único de Saúde (SUS).

Em 2007, um plano do Ministério da Saúde, em parceria

com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)

firmou o compromisso de desenvolver ações de redução da

transmissão vertical da sífilis e do HIV em estados e municípios

brasileiros. O Plano Operacional para Redução da Transmissão

Vertical (de mãe pra feto) do HIV e da Sífilis vai aumentar a

cobertura da testagem para HIV e sífilis no pré-natal, aumentar

a cobertura de tratamento nas gestantes com sífilis, incluindo

os parceiros sexuais, ampliar a cobertura das ações de profilaxia

da transmissão vertical do HIV e da sífilis em gestantes/

parturientes e em crianças expostas.

Roche recebe selo “Investimos na Vida” 2010/2011 da Abrale

No dia 27 de outubro, a Roche recebeu o selo “Investimos

na Vida” 2010/2011 da Abrale (Associação Brasileira

de Linfoma e Leucemia) e foi certificada como uma empresa

que contribui com o trabalho da Associação na promoção da

saúde no País.

A iniciativa marca o reconhecimento da Roche como uma

das empresas-parceiras da Abrale, colaboradora no trabalho de

auxílio e assistência aos pacientes de doenças onco-hematológicas

(leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e mielodisplasia)

e seus familiares. O evento de entrega do selo “Investimos

na Vida” da Abrale para empresas que investem em projetos

sociais na área da saúde é de extrema importância para

estimular outras organizações a participar de iniciativas que

visam o auxílio e a melhoria de vida da população.

Para a Roche, desenvolvimento sustentável significa crescimento

econômico, equilíbrio ecológico e progresso social.

Além disso, apoiar ações de grupos de pacientes traz à empresa

um melhor conhecimento das doenças e tratamentos,

melhor entendimento dos processos das doenças, os desafios

do tratamento com medicamentos e o papel da autoadministração

como suporte para melhorar o acesso à saúde. Por

isso, a Roche estimula o diálogo com pacientes e grupos de

pacientes, profissionais médicos e cientistas, pesquisadores e

autoridades, para discutir interesses em comum.

Vale destacar que, pelo segundo ano consecutivo, a Roche

foi apontada como a companhia líder no ranking global do

Setor de Saúde pelo Índice Dow Jones de Sustentabilidade. O

reconhecimento deste ano ressalta o compromisso da empresa

de criar valor sustentável a longo prazo, sempre visando seus

funcionários, comunidades e meio ambiente. A classificação do

Índice Dow Jones é baseada em uma profunda análise de desempenho

econômico corporativo, ambiental e social, levando

em conta elementos como governança corporativa, gestão de

risco, acesso a medicamentos, mudanças climáticas, padrões

da cadeia de suprimentos, envolvimento dos interlocutores e

práticas trabalhistas.

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Hospital da PUC-Campinas é o primeiro do Brasil certificado pela ONA

A instituição conta com 353 leitos ativos e, destes, 243 são

destinados exclusivamente ao convênio do Sistema Único de Saúde (SUS)

O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP) da PUC-

Campinas é o primeiro Hospital Universitário do Brasil,

vinculado a uma Universidade, que passa a integrar a

lista de hospitais com certificação de qualidade e garantias

no atendimento com a obtenção do Nível 1 do processo

de Acreditação Hospitalar - concedida pela Organização

Nacional de Acreditação (ONA), que foca a segurança na

Instituição.

A Acreditação é um sistema de avaliação e certificação

de qualidade de serviços de saúde, periódico, reservado e

voluntário e significa mais segurança para pacientes, colaboradores

e para a própria instituição, que aprimora a

qualidade dos serviços oferecidos pelo Hospital. Atualmente,

no Brasil, existem mais de 6,5 mil hospitais e 133

são certificados.

O processo de Acreditação da ONA pode ser comparado

à certificação ISO e possui três níveis, sendo o primeiro

alcançado pelo Hospital e Maternidade Celso Pierro da

PUC-Campinas.

Para essa certificação da ONA o HMCP implantou, em

2006, o Serviço da Qualidade, que tem como política a

promoção de ações de melhoria contínua em conformidade

com os fundamentos da Missão, Visão e Valores, que tem

como objetivo a excelência no atendimento ao cliente, e

desde então auxilia as áreas na definição dos processos,

metodologias e ferramentas adequadas para ações que

envolvem colaboradores, acompanhantes, familiares,

visitantes, professores e alunos que trabalham, atuam e

usam o Hospital.

O HMCP também é certificado pelo Programa de Acreditação

de Laboratórios Clínicos (PALC) e conta com a

recertificação. O Centro de Hematologia e Hemoterapia da

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que inclui

a Unidade PUC-Campinas, alocada no HMCP, também é

certificado de acordo com as Normas ISO 9001:2008, do

órgão certificador Bureau Veritas Certification.

jornada Científica da USP encerra ciclo em Minas Gerais

Projeto gera aprendizado para estudantes e benefícios para municípios carentes

Em janeiro de 2011 acontece a última viagem da Jornada

Científica, projeto de extensão da USP, ao município

de Córrego Fundo, em Minas Gerais. A viagem encerra um

ciclo de quatro anos de experiências tanto para a cidade

quanto para os voluntários. Os “jornadeiros mirins”, crianças

da cidade mineira que receberão ensinamentos sobre

higiene, saúde e alimentação para evitar doenças e ajudar

a melhorar a qualidade de vida da sua cidade, são a novidade

do próximo ano.

A Jornada Científica dos Acadêmicos de Farmácia e

Bioquímica, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da

Universidade de São Paulo (FCF-USP), é um projeto de

extensão universitária, no qual alunos voluntários atuam

numa cidade carente, utilizando conhecimentos da área de

Atenção Farmacêutica. Outro ponto a ser ressaltado sobre

o projeto é que ele proporciona aprendizado científico,

humanitário e social, a seus voluntários, conhecidos como

jornadeiros.

Na viagem, os alunos, além de dividir seus conhecimentos

com a população, realizam exames parasitológicos, de

diabetes, hipertensão, colesterol e anemia. Para participar

do projeto, cerca de 150 alunos passam por treinamentos

teóricos e práticos feitos durante o segundo semestre.

Depois dos treinamentos há uma prova, que seleciona os

36 voluntários que viajam para Córrego Fundo.

Para saber mais

http://jcafb.blogspot.com/

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Adolfo Lutz completa 70 anos de combate a epidemias

Laboratório faz um milhão de exames por ano, ajudando SP e outros estados a

monitorar doenças como dengue, febre amarela, HIV, meningite e gripe A H1N1

A tela do computador piscou diferente, e os

técnicos do Instituto Adolfo Lutz, ligado à Secretaria

de Estado da Saúde, foram os primeiros a

saber, em 8 de maio de 2009, que o primeiro caso

de gripe A H1N1 do Estado de São Paulo estava

confirmado.

Depois daquela data, virou rotina a chegada

de amostras de secreções colhidas pacientes

suspeitos, de hospitais paulistas e de outros sete

estados e o Distrito Federal, à recepção do número

351 da avenida Dr. Arnaldo, zona oeste da capital.

O movimento na porta do maior laboratório

de saúde pública do país já voltou à normalidade.

Mas o Adolfo Lutz, que completou 70 anos

de existência em 26 de outubro, tem muitas outras doenças

para cuidar: dengue, febre amarela, tuberculose, rotavírus,

febre maculosa, hepatites, infecções bacterianas, coqueluche,

hantavirose, meningite, HIV, botulismo. Tudo passa por lá.

São mais de um milhão de exames por ano, realizados para

monitorar e controlar surtos e epidemias, no Estado de São

Paulo e no Brasil.

Pouco mais de um mês após o primeiro caso da nova gripe,

o Adolfo Lutz foi o primeiro e único laboratório da América

Latina a anunciar o isolamento e o sequenciamento do vírus

pandêmico. O Influenza A/São Paulo/H1N1, como foi denominado,

apresentou pequenas modificações genéticas em relação

ao primeiro vírus isolado, na Califórnia (EUA). Um feito e tanto,

que repercutiu na imprensa mundial.

Esta não foi a primeira vez que a equipe do Adolfo Lutz

surpreendeu. O Instituto já foi responsável, nos últimos anos,

pela descoberta de novos tipos de vírus da rubéola, febre

amarela e caxumba em circulação no Estado, contribuindo

com novas informações para o programa de vacinação em

massa da Secretaria.

Desde 2007, o Lutz desenvolveu testes rápidos (PCR Real

Time) diagnósticos de caxumba, meningites e coqueluche,

além de técnicas para genotipagem (identificação do tipo de

vírus) de dengue, hantavírus, sarampo, hepatite B, hepatite

C, Influenza, enterovírus e rubéola e técnicas avançadas para

detectar marcadores moleculares de resistência para tuberculose,

enterobactérias e fungos.

Mas nem só de identificar doenças vive o Adolfo Lutz. O

instituto também desenvolve extensa produção de pesquisas

científicas e participa ativamente do trabalho de prevenção

e vigilância sanitária desenvolvido pela Secretaria, com programas

específicos para análise dos mais diversos tipos de

produtos adquiridos pelos consumidores: água, alimentos

industrializados, medicamentos, cosméticos e

produtos de limpeza (saneantes), entre outros.

Foi com base nas análises do Adolfo Lutz que

a Secretaria proibiu, no final de 2007, a venda

e a distribuição do anticoncepcional Contracep,

do laboratório EMS Sigma-Pharma, constatando

problemas de solubilidade que poderiam comprometer

a absorção do medicamento pelo organismo

das mulheres que desejam evitar a gravidez.

Além disso, todos os alimentos interditados pela

Vigilância Sanitária Estadual, como lotes de

palmitos e outros produtos, passam por exames

específicos nos laboratórios do Adolfo Lutz.

Com orçamento de R$ 12,5 milhões anuais, o

Instituto Adolfo Lutz conta hoje com cerca de 900 profissionais,

entre os quais 144 técnicos de laboratórios, 263 pesquisadores

e 61 biologistas. Além do instituto central, outros 11 laboratórios

regionais realizam exames de forma descentralizada no

litoral e interior do Estado.

O instituto é responsável, entre outros programas, pela

coordenação do programa de qualidade para diagnóstico de

HIV em laboratórios públicos e privados, fornecendo padrões

e controles, e do grupo de fungos na rede de monitoramento

de resistência microbiana da Anvisa (Agência Nacional de

Vigilância Sanitária). Também participa de programas internacionais

de controle de qualidade laboratorial desenvolvidos

em países como Dinamarca, Bélgica, Espanha, Portugal e

Peru, entre outros.

Em fase de reforma e ampliação, o Adolfo Lutz comprou

equipamentos de última geração para aprimorar a qualidade

de seus exames, como centrífugas refrigeradas, cromatógrafo

líquido de alta eficiência e um microscópio eletrônico capaz

de ampliar imagens em até um milhão de vezes, podendo

inclusive mostrar estruturas internas de vírus, reduzindo o

tempo de análises de exames.

O Adolfo Lutz é fruto da união entre o Instituto Bacteriológico

e o Laboratório de Análises Químicas e Bromatológicas.

O Instituto Bacteriológico, inaugurado em 1892, teve como

primeiro diretor o médico Adolpho Lutz, já então renomado

cientista e doutor em medicina pela Universidade de Berna.

Desde os primeiros anos o trabalho da instituição teve grande

impacto nas condições de saúde da população brasileira,

ajudando a controlar a difusão da febre amarela em quase

todo o Estado, debelando uma epidemia de febre bubônica em

Santos e combatendo o cólera e a febre tifoide que atingiam a

capital. Já o Laboratório de Análises Químicas e Bromatológicas

atuava no controle de fraudes e contaminações de alimentos.

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A.C.Camargo e Johns Hopkins debatem tumores de pâncreas,

neuroendócrinos e metástases hepáticas

São Paulo recebe Simpósio Internacional que reúne alguns dos principais

profissionais em cirurgia oncológica do aparelho digestivo do Brasil

Dois dos principais centros de ensino, pesquisa e tratamento

em câncer do mundo, A.C.Camargo e Johns Hopkins,

promoveram no dia 6 de novembro, em São Paulo, o 3º

Simpósio Internacional em Oncologia Gastrointestinal, que

é parte do Programa de Educação Continuada em Oncologia

Gastrointestinal do Departamento de Cirurgia Abdominal

do A.C.Camargo (PECOGI), com organização do Centro

Internacional de Pesquisa e Ensino da instituição.

Dentre os palestrantes, o chefe do Serviço de Cirurgia

Oncológica e professor do Johns Hopkins University Hospital,

de Baltimore, nos Estados Unidos, Michael Choti.

Em três aulas, Choti apresentou a experiência do Johns

Hopkins com técnicas de duodenopancreatectomias

para diminuição de morbidade e mortalidade; atuação

individualizada em tumores císticos pancreáticos e abordagem

terapêutica de metástases hepáticas de tumores

neuroendócrinos.

O evento reuniu também especialistas da Unicamp,

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP,

Escola Paulista de Medicina, Hospital Brigadeiro e os Especialistas

do Hospital A.C.Camargo. “Foram discutidas

todas as modalidades de tratamento envolvendo estes

tumores, passando pela cirurgia, quimioterapia, radioterapia,

medicina nuclear e biologia molecular”, afirma o

diretor de Cirurgia Abdominal do Hospital A.C.Camargo e

coordenador do PECOGI, Felipe José Fernandez Coimbra.

DMED: quem deve declarar essa nova obrigação acessória

Presidente do CRC SP, Domingos Orestes Chiomento, ensina a maneira correta de preencher a declaração

Aproximadamente 130 mil empresas que operam no serviço

de saúde, como hospitais, laboratórios, operadoras de planos

de saúde, clínicas médicas ou odontológicas de qualquer especialidade,

terão que fornecer à RFB (Receita Federal do Brasil)

os valores recebidos de pessoas físicas no ano-calendário de

2010. A Dmed (Declaração de Serviços Médicos), que deverá

ser entregue até o dia 28 de fevereiro de 2011, foi instituída

pelo órgão com o intuito de coibir a sonegação de impostos.

De acordo com o presidente do CRC SP (Conselho Regional

de Contabilidade do Estado de São Paulo), Domingos Orestes

Chiomento, os dados da Dmed serão cruzados com as informações

na declaração do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física).

“A Receita verificará quem está usando as despesas médicas

como via de sonegação e quem de fato gastou com questões

relacionadas à saúde”.

Segundo dados da RFB, 12% das declarações que caíram na

malha fina em 2009 estavam relacionadas a despesas médicas

suspeitas. No ano passado, aproximadamente um milhão de

contribuintes tiveram declarações retidas. Desse número, 120

mil tinham problemas com recibos médicos.

Na Dmed dos prestadores de serviços de saúde tem que

conter o número do CPF (Cadastro de Pessoa Física), o nome

completo do responsável pelo pagamento e do beneficiário do

serviço, e os valores recebidos de pessoas físicas, individualizados

por responsável pelo pagamento.

Já as operadoras de plano privado de assistência à saúde

devem entregar o documento com o número de inscrição do

CPF, o nome completo do titular e dos dependentes, os valores

recebidos das pessoas físicas, individualizados por beneficiário

titular e dependentes, bem como a quantia reembolsada à

pessoa física beneficiária do plano, individualizados por beneficiário

titular ou dependente e por prestador de serviço.

“No caso de plano coletivo por adesão, se houver participação

financeira da pessoa jurídica contratante no pagamento, devem

ser informados apenas os valores cujo ônus financeiro seja

suportado pela pessoa física”, observa o conselheiro do CRC

SP, Sebastião Gonçalves.

A Declaração de Serviços Médicos deverá ser apresentada

pela matriz da pessoa jurídica, contendo os dados de

todos os estabelecimentos, em meio digital, mediante um

aplicativo que será disponibilizado na página da Receita, até

o último dia útil do mês de fevereiro. “Quem não entregar o

documento no prazo estabelecido está sujeito à multa de R$

5 mil por mês-calendário ou fração. No caso de informações

inexatas, incompletas ou omitidas, será estabelecida multa

de 5%, não inferior a R$ 100,00, do valor das transações

comerciais, por transação”, pontua o presidente do órgão

Domingos Chiomento.

“É importante salientar que a prestação de informações

falsas ou a omissão de dados na Dmed configura hipótese

de crime contra a ordem tributária, prevista no artigo 2º

da Lei nº 8.137/1990, e pode resultar em detenção de seis

meses a dois anos, além de multa”, finaliza o conselheiro

Sebastião Gonçalves.

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Doenças tropicais negligenciadas afetam ‘silenciosamente’ 1 bilhão de pessoas

Brasil é apontado como tendo incidência da maioria das doenças listadas

Doenças tropicais geralmente negligenciadas, como o mal

de Chagas, a lepra, a dengue e a leishmaniose, ainda afetam

cerca de 1 bilhão de pessoas em 149 países do mundo, mas

de forma “silenciosa”, segundo relatório divulgado pela Organização

Mundial da Saúde (OMS).

O Brasil é apontado como tendo incidência da maioria das 17

doenças tropicais listadas, que podem causar problemas como

cegueira, úlceras e cicatrizes, dor severa, deformidades e danos

em órgãos e no desenvolvimento físico e mental do paciente. O

relatório afirma que o controle desses males, mais comuns em

áreas rurais e em favelas urbanas, é “viável”. O presidente da

Fiocruz, Paulo Gadelha, participou da reunião da OMS.

A OMS pede a continuação da ajuda de empresas farmacêuticas

no controle das doenças, recomenda que os sistemas

públicos de saúde fiquem atentos a mudanças nos padrões das

doenças por conta de fatores climáticos e ambientais e sugere

a coordenação entre agentes de saúde pública e agentes veterinários

– para controlar a incidência de raiva, por exemplo.

O órgão lista “sucessos” no controle de males, como a

erradicação da doença conhecida como “verme da Guiné”,

não por conta de vacinas, mas por educação em saúde e por

mudanças comportamentais. “Essas doenças debilitantes,

às vezes horríveis, são muitas vezes aceitas

como parte da vida das pessoas pobres”, diz

Margareth Chan, diretora-geral da OMS. “Mas

estratégias podem quebrar o ciclo da infecção,

da deficiência e da perda de oportunidades que

mantém as pessoas na pobreza”.

O Brasil apresenta incidência de males

tropicais como dengue, mal de Chagas, raiva, conjuntivite

granulosa, leishmaniose, cisticercose, esquistossomose, tênia,

hidática policística e “cegueira dos rios”. O relatório diz que o

Brasil vivenciou um aumento nos casos de leishmaniose desde

1999. A doença, antes mais comum nas zonas rurais, “agora

também aparece em áreas urbanas”, por conta da migração

de pessoas do campo às periferias das cidades. “No Brasil,

os cães são o hospedeiro do parasita” da leishmaniose, que

provoca, entre outros problemas, febre, fraqueza e anemia.

No caso da dengue, a OMS afirma que a doença ressurgiu

na América Latina porque as medidas de controle não foram

mantidas após a campanha para erradicar o Aedes aegypti,

seu principal vetor, durante os anos 1960 e 70. “Grandes

surtos acontecem atualmente a cada três ou cinco anos”,

afirma o relatório.

São Paulo proíbe mercúrio na rede estadual de saúde

Medida impede a compra de novos equipamentos

imediatamente e, até 2012, uso ficará totalmente vetado

A Secretaria de Estado da Saúde

de São Paulo decidiu proibir

a compra de qualquer equipamento

contendo mercúrio pelos

hospitais, ambulatórios e demais

serviços de saúde ligados à pasta

em todo o Estado.

Com a medida, os estabelecimentos

estarão impedidos de

comprar ou adquirir, por quaisquer

outros meios, dispositivos de medição

de temperatura ou pressão, tais como termômetros,

esfigmomanômetros e similares que contenham mercúrio.

Para uso odontológico, só será permitida a aquisição

de mercúrio pré-dosado e pré-acondicionado em cápsulas

seladas. Nesses casos, o metal só poderá ser preparado

em aparelhos amalgamadores apropriados para tal fim,

que não impliquem a abertura prévia das cápsulas seladas.

Os estabelecimentos terão

de fazer a troca dos equipamentos

já existentes. A partir

de 2012, todos os hospitais da

rede pública estadual de saúde

não poderão utilizar ou armazenar

dispositivos de medição de

pressão ou temperatura contendo

mercúrio, bem como o metal

para uso odontológico que não

seja em cápsulas seladas.

“O uso de dispositivos contendo mercúrio implica

risco à saúde dos trabalhadores e dos pacientes em caso

de acidentes, bem como potenciais impactos no meio

ambiente. Por isso estamos dando um primeiro passo

para banir este componente dos hospitais paulistas,

começando pelas unidades de saúde estaduais,” explica

Nilson Ferraz Paschoa, secretário de Estado da Saúde.

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São Paulo promove mutirão para teste de HIV

Cerca de 120 mil exames foram realizados gratuitamente no estado, incentivando o diagnóstico precoce

A Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com os

municípios paulistas, promoveu em novembro um mutirão

de testes gratuitos de HIV. A campanha “Fique Sabendo”

2010 teve como objetivo incentivar o diagnóstico precoce da

infecção pelo vírus da Aids, que é considerado fundamental

para o sucesso do tratamento.

Mais de 460 municípios aderiram à campanha, num total

de 3,5 mil unidades de saúde. Ao todo foram mobilizados

para a ação cerca de 40 mil profissionais de saúde de diferentes

áreas, entre enfermeiros, psicólogos, assistentes

sociais e técnicos de laboratório, entre outros.

Além de oferecer exames à população mais vulnerável

ao HIV, como homens que fazem sexo com homens,

usuários de drogas, travestis e transexuais, a campanha

também pretendeu incentivar pessoas que nunca realizaram

o teste a conhecerem o seu status sorológico verdadeiro,

independentemente de sua sexualidade.

“É fundamental que as pessoas com vida sexual ativa

façam o teste, para descobrirem se são ou não portadora

do vírus HIV e, em caso de positividade, iniciarem imediatamente

o tratamento”, afirma Maria Clara Gianna, coordenadora

do Programa Estadual de DST/Aids.

Instituto Butantan

organiza seminário sobre

ciências biomédicas

Nova nanopartícula pode ajudar a diagnosticar

diabetes e a captar energia solar

O Instituto Butantan, órgão da

Secretaria de Estado da Saúde,

realizou no próximo dia 4 de novembro

o 28º Seminário Temático

do CAT/Cepid. Com o tema “Perspectivas

em Biologia Sistêmica”,

o evento apresentou palestras em

inglês sobre genoma, proteoma,

bioinformática e integração de

dados, modelagem e desenho de

redes de interação.

Voltado para pesquisadores,

professores e estudantes da graduação

e pós-graduação ligados às

ciências biomédicas, o encontro faz

parte do programa de difusão de

conhecimento desenvolvido pelo

CAT/Cepid.

“A difusão do conhecimento

faz parte do nosso escopo de

atuação, assim como a pesquisa

e a inovação. Eventos como o Seminário

Temático são importantes

porque permitem que cada vez

mais pessoas tenham acesso ao

que é produzido em nossos laboratórios”,

afirma o coordenador

do CAT/Cepid, Hugo Armelin.

Pesquisadores israelenses da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriram

um novo tipo de nanopartícula, no formato de uma estrela de David,

que pode abrir novos caminhos tanto para ajudar na detecção da glicose no

diagnóstico da diabetes quanto para prover um catalisador capaz de captar

a energia solar e transformá-la em combustível limpo.

A pesquisa contribui para a compreensão de como se formam as nanopartículas

híbridas, que combinam dois ou mais materiais diferentes nas

mesmas partículas e possibilitam que elas tenham múltiplas funções. As

nanopartículas em formato de estrela de David têm um diâmetro dez mil

vezes menor que um fio de cabelo e foram descobertas pela equipe de Uri

Banin, diretor do Centro Harvey M. Kruger Family para Nanociência e Nanotecnologia

da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Para saber mais:

http://www.hunews.huji.ac.il/spa/articles.aspcat=33

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NewsLab - edição 103 - 2010


Pesquisa Sindhosp/Vox Populi faz um raio-X do mercado da saúde

Mais da metade dos hospitais pesquisados afirmam que planos transferem pacientes para rede própria;

estabelecimentos levam até 134 dias para receber por serviço prestado

Resultados da pesquisa encomendada pelo Sindhosp

(Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado

de São Paulo) e Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e

Laboratórios do Estado de São Paulo) ao Vox Populi mostram

que o relacionamento comercial entre operadoras de planos

de saúde e prestadores de serviços – hospitais, clínicas e

laboratórios – está ruim.

Os problemas afetam a sustentabilidade do mercado, ferem

direitos dos usuários e podem comprometer a qualidade

da assistência, conforme demonstram os resultados. Demora

na autorização de procedimentos, glosas (corte nas faturas),

dificuldades em negociar reajustes, transferência de pacientes

para hospitais próprios, atrasos de pagamento e dificuldades

de contato com as centrais de atendimento foram os principais

entraves apontados pelos pesquisados.

O levantamento ouviu 194 estabelecimentos de saúde (49

hospitais, 105 clínicas e 40 laboratórios). Foram entrevistados

os profissionais responsáveis pela negociação com as operadoras

de planos de saúde, como diretores comerciais e gerentes.

A margem de erro é de 5,2%. Essa é a terceira pesquisa de

avaliação do relacionamento entre as partes, realizada a pedido

do Sindicato.

Um dos dados que chama a atenção é que mais da metade

dos hospitais pesquisados (54,9%) afirmam que há transferências

de pacientes para hospitais próprios das operadoras.

A Amil é apontada como a operadora que mais transfere pacientes

para sua rede própria, seguida da Green Line, Medial

e Intermédica. Nas duas pesquisas anteriores encomendadas

pelo Sindhosp ao Instituto DataFolha (2003 e 2007), esse

problema já tinha sido detectado. O novo estudo mostra que

ele persiste.

Somando-se o tempo médio de pagamento das faturas (40

dias), o prazo médio para resposta aos recursos de glosas (45

dias) e o pagamento da glosa (49 dias), os estabelecimentos de

saúde esperam por até 134 dias para recebimento do serviço.

“Isso acontece em mais de 5% de todo o faturamento mensal

das instituições de saúde, o que é um absurdo. Infelizmente

é um problema que se arrasta há anos e que, no entender

do SINDHOSP, tem o intuito claro de gerar fluxo de caixa às

operadoras, prejudicando toda a rede que presta assistência”,

ressalta Dante Montagnana, presidente do Sindhosp/Fehoesp.

O estudo ainda levantou quantos hospitais receberam reajuste

nas diárias e taxas nos últimos três anos. Mais da metade,

75,5% dos entrevistados, afirma ter recebido reajuste nesse

período, porém, cerca de 1/3 das operadoras credenciadas não

reajustaram esses valores. O reajuste médio recebido em três

anos foi de 4,5%. “De julho de 2007 a julho de 2010, período

pesquisado, o IGP-M foi de 21,31%, e o INPC de 17,84%. Isso

demonstra claramente que os hospitais não estão conseguindo

recompor a inflação nas diárias e taxas”, frisa Montagnana.

As diárias e taxas hospitalares representam aproximadamente

30% do total de receita dos hospitais.

A situação dos laboratórios é ainda mais preocupante.

Segundo mostra o estudo, 72,5% dos pesquisados afirmam

não ter recebido reajuste de CH (Coeficiente de Honorários)

nos últimos três anos. Dos 27,5% que receberam, o reajuste

foi concedido por apenas 41% das operadoras credenciadas

(pouco mais de 10). E o percentual foi de 6,6% em três anos

para um IGP-M de 21,31% no mesmo período. Um quarto

dos entrevistados ainda teve redução de aproximadamente

13,4% no valor do CH. SulAmérica, Bradesco, Medial Saúde e

Intermédica são as operadoras que, segundo os laboratórios,

reduziram o valor do CH.

No segmento das clínicas, 53,3% afirmam ter recebido

reajuste de 6,3% de CH nos últimos três anos. Da mesma

forma, nem todas as operadoras concederam reajuste. 9,5%

das clínicas também tiveram o valor do CH reduzido em

aproximadamente 20%, por parte da Sul América, Bradesco

e Medial Saúde.

Outros dados

• 58,6% dos entrevistados afirmam que a TISS (Troca de

Informações em Saúde Suplementar) melhorou o relacionamento

das empresas com as operadoras de planos de saúde.

Mas houve aumento do custo interno das organizações para

55,1% dos pesquisados; aumento da utilização e circulação

de papéis (66,8%); e elevação do custo com tecnologia da

informação (63,2%).

• Para 64,8% não houve diminuição no prazo de pagamento

com a implantação da TISS (esse percentual sobe para 93,9%

entre os hospitais); e as glosas não diminuíram para 54,2%

(entre os hospitais o percentual é bem mais alto: 91,8%).

• O setor está otimista com a implantação da Terminologia

Unificada em Saúde Suplementar (TUSS): 58,3% dos entrevistados

acreditam que ela irá facilitar a rotina diária da empresa.

• 68,2% são favoráveis à ideia da ANS redigir um contrato

padrão entre as partes; esse percentual sobe significativamente

entre as clínicas (71,4%) e laboratórios (75%).

• SulAmérica, Bradesco e Porto Seguro são os planos que

estabelecem melhor relacionamento na opinião dos hospitais,

clínicas e laboratórios. Quanto ao pior plano, não há homogeneidade:

os hospitais queixam-se mais do Bradesco, enquanto

os laboratórios citam a Medial Saúde e, as clínicas, a Amil.

• entre os principais problemas, as glosas aparecem em

primeiro lugar, com 44,9% das citações. Para os hospitais, a

demora para liberação de procedimentos como internação,

cirurgias e exames, vem em primeiro lugar com 51% das

respostas. Outros problemas apontados: demora no pagamento

(16,1%); dificuldades de contato com as centrais de

atendimento (15,8%); dificuldades para negociar reajustes

(13,9%); e outros.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Hermes Pardini inaugura um dos maiores centros de análises laboratoriais da América Latina

Empresa inaugura Núcleo Técnico Operacional, parque tecnológico automatizado que eleva capacidade produtiva em 50%

Samuel Gê

O Hermes Pardini consolida sua posição

como um dos maiores laboratórios

da América Latina em volume de análises

realizadas. Com investimentos de

R$ 60 milhões, a empresa mineira está

ampliando sua capacidade produtiva,

com a aquisição de novas tecnologias e

a capacitação de profissionais para dar

continuidade ao projeto.

Com os novos investimentos, a empresa

será capaz de processar mais de

três milhões de exames por mês. Estes

objetivos serão alcançados com a inauguração

do Núcleo Técnico Operacional

(NTO), que ocupa uma área total de 100

mil m 2 e foi concebido de acordo com o

moderno conceito de horizontalização e

uniformização das plataformas da produção,

integração e consolidação plena dos

processos produtivos.

A transferência das áreas técnicas

para o NTO, localizado em Vespasiano

(MG), significa o início de uma nova fase

na realização de exames laboratoriais

para o Hermes Pardini. Os setores técnicos

passam a ser trabalhados de acordo

com as particularidades dos processos

produtivos, possibilitando maior integração

entre as diferentes áreas. Além disso,

o espaço foi construído com base em um

projeto exclusivo, que atende a 100%

das regulamentações legais, sanitárias e

técnicas necessárias. A mudança também

teve motivações estratégicas - a proximidade

com o aeroporto de Confins, pelo

qual chega grande parte das amostras, é

uma delas -, além da busca pela melhoria

dos serviços prestados.

Atualmente, o Hermes Pardini oferece

um menu com aproximadamente 2

mil procedimentos nas áreas veterinária

e humana, incluindo Patologia Clínica,

Anatomia Patológica e Citologia, Biologia

As linhas de produção são totalmente

automatizadas e possuem capacidade

para 4 mil tubos/hora

Samuel Gê

Com a inauguração do NTO, a empresa

poderá processar mais de três milhões de

exames/mês

Molecular, Genética e Citogenética, Criopreservação,

Vacinas, Departamento de

Imagem e Diagnóstico Molecular.

O novo modelo adotado facilita a

gestão dos processos produtivos e possibilita

a implantação da automação total

na realização de grande parte dos exames,

aumentando a capacidade produtiva e a

segurança dos processos, dois dos principais

diferenciais oferecidos pela empresa.

“Desta maneira, poderemos realizar um

maior número de exames de laboratórios

conveniados, com redução do TAT (Turn

Around Time), mantendo a rastreabilidade

em todas as etapas de produção, o que

garante a confiabilidade, já reconhecida,

de nossos resultados”, explica o gerente

executivo do Núcleo Técnico, Guilherme

Collares.

Atualmente, entre 55% e 60% dos

exames realizados pelo Hermes Pardini

são feitos por meio da parceria entre laboratórios

mineiros e de outros estados.

No total, cerca de cinco mil conveniados

submetem amostras diariamente à empresa,

motivo pelo qual a concentração

das atividades passa a ser um diferencial

importante.

De acordo com o gerente técnico do

Core Lab do NTO, Aureliano Fagundes,

a integração e automação das fases

pré-analítica, analítica e pós-analítica,

sistema conhecido como TLA (Total Lab

Automation), é a tecnologia mais moderna

na realização de exames laboratoriais,

pois reduz a manipulação de amostras,

aumenta a produtividade e agrega maior

segurança à produção, pilares que representam

o diferencial da automação.

“As linhas de produção totalmente

automatizadas possuem capacidade para

4 mil tubos por hora, e a chegada deste

Samuel Gê

A nova sede fica estrategicamente próxima

ao aeroporto de Confins, por onde chega

grande parte das amostras analisadas

sistema ao Brasil é um marco para as

análises clínicas. É importante ressaltar

também que o conhecimento humano

continua sendo uma de nossas principais

características e que esta qualidade, associada

às inovações tecnológicas, são um

dos nossos maiores diferenciais competitivos”,

garante Fagundes.

No setor de Exames Especializados,

a integração dos profissionais é um dos

principais ganhos registrados. Composta

por aproximadamente 140 profissionais,

a área prevê a análise manual ou

semiautomatizada das amostras, daí a

importância da integração dos processos.

A empresa também prevê, como estratégia

adotada desde a sua fundação, a

aquisição de equipamentos que permitirão

a inclusão de novas análises no menu de

serviços prestados. “Com isso, teremos a

otimização dos resultados. A expectativa

é que a capacidade de produção cresça

consideravelmente, com reengenharia de

processos que fizemos”, explica a gerente

Maria Beatriz Oliveira.

O setor de Genética Molecular, composto

pelas áreas de Biologia Molecular,

Genética Humana e Veterinária, cujo

menu inclui mais 250 exames da área

humana, veterinária e de doenças infecciosas,

também tem a interação entre os

profissionais e a geração de conhecimento

como maior ganho. Serão cerca de 70

profissionais trabalhando 24 horas por

dia, em uma das maiores áreas de análise

com técnicas de análise de DNA/RNA da

América Latina, na avaliação da gerente

do Departamento, Fabíola Caxito. “A garantia

de bons resultados, propiciados por

esta integração, é um benefício que poderá

ser sentido tanto pelos laboratórios

conveniados, quanto pelos clientes finais”.

36

NewsLab - edição 103 - 2010


Pioneirismo, inovação e liderança

marcam história da bd na fase

pré-analítica do laboratório clínico

A BD (Becton Dickinson), multinacional americana líder em

tecnologia médica e maior fabricante de sistemas de coleta e

transporte de amostras biológicas no mundo, celebra mais de 60

anos de desenvolvimento do primeiro sistema de coleta a vácuo

40

NewsLab - edição 101 103 - 2010


A

atuação exclusiva no mercado

de tecnologia médica

reforça a credibilidade da

BD nos 50 países em que

está presente. Fundada há mais

de 110 anos, a BD emprega 29 mil

funcionários no desenvolvimento

e na aplicação de tecnologias em

busca de soluções para importantes

problemas de saúde.

Uma das unidades de negócios

que vem ganhando cada vez mais

destaque é a de Preanalytical Systems

(PAS), ligada à Área de BD

Diagnostics. A atuação deste segmento

ocorre na fase pré-analítica

dos laboratórios clínicos. Trata-se de

uma fase fundamental para o sucesso

do diagnóstico correto e precoce

de doenças. O sistema de coleta a

vácuo, BD Vacutainer ® , está entre

os produtos da unidade de negócio.

Segundo Rodrigo Hanna, presidente

da BD Brasil, o diagnóstico

rápido e preciso acelera o tratamento

de possíveis doenças. “Facilitar o

diagnóstico de uma doença é um pilar

que assegura nosso propósito de ajudar

as pessoas a viverem vidas mais

saudáveis”, completa.

Além dos fatores que interferem

no diagnóstico e tratamento de doenças,

os pilares da BD estão baseados

também em promover a descoberta

e o desenvolvimento de terapias médicas

mais rápidas e eficientes, além

de fornecer equipamentos exclusivos

e acessíveis de forma segura e eficaz

para a prevenção e o combate aos

mais diversos males.

Desta forma, a BD tem grandes

oportunidades de desenvolvimento

dentro de suas potencialidades, como

a redução da disseminação de infecções

entre os trabalhadores de saúde

e pacientes, a imunização segura e o

diagnóstico seguido de tratamentos

mais eficazes de males como a AIDS,

a tuberculose, o câncer e o diabetes,

além do permanente trabalho voltado

à pesquisa.

Prática da BD no mundo

A BD atua em hospitais, laboratórios

clínicos, bancos de sangue,

instituições de saúde pública, laboratórios

de microbiologia de alimentos

e apoio aos pesquisadores. Os

negócios da empresa estão divididos

em três segmentos: BD Diagnostics,

BD Medical e BD Biosciences.

O segmento da BD Diagnostics

é composto pelas unidades de

Preanalytical Systems (PAS) e de

Diagnostic Systems (DS). Líder

no mercado de produtos voltados

ao diagnóstico de doenças, este

segmento conta com um portfólio

composto por linhas de produtos

para coleta e transporte de amostras

biológicas e outras modalidades

de testes microbiológicos,

além de instrumentos para análise

precisa de uma série de moléstias

e sistemas de citologia em base

líquida para a detecção de câncer

de colo de útero.

O segmento BD Medical é líder

mundial no fornecimento de dispositivos

médico-hospitalares, como seringas

e agulhas convencionais e com

dispositivos de segurança, entre outros

materiais. Já o segmento Biosciences

produz instrumentos de pesquisa para

o trabalho dos cientistas, dos profissionais

de laboratórios e dos clínicos que

estão envolvidos em pesquisas de base,

descoberta e desenvolvimento de medicamentos,

produção biofarmacêutica

e gestão de doenças.

A BD em números

No mundo, a BD fatura 7,2 bilhões

de dólares ao ano (dados 2009),

sendo que mais de 55% desse faturamento

ocorre fora dos Estados

Unidos. Deste total do faturamento, a

BD Medical representa a maior parte

com 3,8 bilhões de dólares seguido

da BD Diagnostics com 2,2 bilhões

de dólares e da BD Biosciences com

1,2 bilhão de dólares.

O reconhecimento

da empresa é chancelado

por importantes

selos mundiais obtidos

recentemente,

como a participação

entre as Empresas

mais Admiradas no

Mundo pela Revista

Fortune; e entre as

Top100 nos Rankings

Verdes inaugurais

da Newsweek dentre as 500 das

maiores empresas americanas. Foi

incluída também no índice mundial

de sustentabilidade Dow Jones.

Entre os selos conquistados

pela BD estão: o “Medical Design

Excellence Awards”, promovido

pela UBM Canon - uma empresa de

mídia que reconhece as realizações

de fabricantes de produtos médicos

pelas inovações que transformam a

saúde - e o “Green Power Partner”,

um programa voluntário em parceria

com a EPA - agência de proteção

ambiental dos Estados Unidos para

Fábrica da

BD em Curitiba

NewsLab - edição 103 - 2010

41


organizações em busca de reduzir os

custos de compra de energia verde e

reduzir a pegada de carbono.

A empresa ganhou também o selo

do Ethisphere, pólo que reúne mais

de 200 corporações para a partilha de

melhores práticas em ética empresarial,

que classifica as Empresas mais

Éticas do Mundo.

Como uma empresa global, a BD

atua para beneficiar a expansão na

área de saúde de países em diferentes

fases de desenvolvimento econômico.

Assim, a empresa procura oportunidades

para fazer a diferença nas

comunidades onde atua.

A BD no Brasil

Prestes a completar 55 anos no

Brasil, a BD emprega 1.600 funcionários

no País. Há uma fábrica instalada

em Juiz de Fora (MG) para a

fabricação de três linhas específicas

de produtos (seringas de vidro para

anestesias, cânulas para agulhas

e descartáveis para a aplicação de

medicamentos, tais como dosadores

orais, cateteres e escalpes).

Historicamente, a fábrica se destaca

por ser responsável pela primeira

seringa descartável produzida no

Brasil, na década de 1970.

Desde 1986, funciona também

uma fábrica em Curitiba (PR), responsável

pela fabricação de seringas

descartáveis e esterilização de todos

os produtos fabricados no Brasil.

Detalhe da fábrica da empresa, em Juiz de Fora

Entre os destaques da unidade paranaense

estão as ações voltadas

à sustentabilidade, com práticas de

redução de energia, consumo consciente

de água, redução da emissão

de poluentes e gestão de resíduos das

áreas de produção e administrativa.

Possui as certificações: ISO 9001

(voltada à gestão da qualidade), ISO

14001 (focada em meio ambiente),

ISO 13485 (para produtos de saúde)

e ISO 18001 (para segurança e saúde).

Para pulverizar esta produção,

um centro de distribuição em Osasco

garante a entrega dos produtos a

todos os clientes BD não somente no

Brasil, mas também no exterior, uma

vez que as fábricas instaladas no País

exportam 25% de sua produção para

países como Espanha, Estados Unidos,

Canadá, México, diversos países

da América do Sul, Japão, China, entre

outros. Há também um escritório

central em São Paulo.

Preanalytical Systems (PAS):

franco crescimento

Com foco na etapa inicial do processo

de análises clínicas, a unidade

de PAS inclui sistemas para coletas

de sangue, urina e outras amostras,

assim como sistemas de transporte.

Segundo Vitor Muniz, diretor de negócios

de PAS no Brasil, o momento préanalítico

é crucial em todo o processo

de detecção das doenças. “Esta fase

engloba desde o pedido médico, as

recomendações que o laboratório faz

ao paciente, até os cuidados básicos

no momento do exame, o que inclui

a preparação do paciente para coleta

da amostra. Daí nosso empenho em

oferecer produtos com a máxima

qualidade e treinar os profissionais

responsáveis pela coleta e triagem

das amostras”, comenta.

Na fase pré-analítica, o treinamento,

a reciclagem do profissional

de saúde - principalmente a equipe

de coleta dos laboratórios -, o recebimento

da amostra, o preparo para

transporte e finalmente o trajeto da

amostra interferem no resultado do

diagnóstico de um exame.

Segundo o artigo científico intitulado

Errors in clinical laboratories

or errors in laboratory medicine,

de M. Plebani, nesta fase ocorre a

maior parcela de erros que variam

de 46 a 69,2%.

Em seguida, na fase analítica,

ocorre o processamento dos testes

que exigem um controle de qualidade

rigoroso. Esta é a fase com índice de

erro que ainda varia de 7 a 13%. Depois

disso, a fase final (pós-analítica)

inclui o armazenamento das informações

e os relatórios com variação de

18,5 a 47% de erros nesta etapa.

Produtos de PAS

Atualmente, a BD conta com três

linhas principais de produtos para o

atendimento na fase pré-analítica: o

Sistema Vacutainer ® , o Sistema Microtainer

® (para microcoleta) e de Biologia

Molecular e Proteoma – com tubos para

coleta de sangue a vácuo e sistemas

direcionados à pesquisa e diagnóstico.

O sistema para coleta de sangue

a vácuo foi desenvolvido de forma

pioneira pela BD no final da década de

1940, como uma demanda do período

de guerra, fruto da necessidade de

colher sangue de forma ágil e segura.

Entre os principais diferenciais

do sistema de coleta da BD estão: a

tampa hemogard, que possui duas

42

NewsLab - edição 103 - 2010


partes: uma rolha interna e uma

tampa protetora externa que protege

os profissionais de saúde do efeito

aerosol ao abrir o tubo e também é

livre de látex, promovendo mais cuidado

ao paciente que possui alergia

a este componente.

Com design inovador, todas as

agulhas BD possuem a tecnologia

BD Precision Glide. Trata-se de uma

agulha siliconizada com o bisel trifacetado

e o corte a laser para proporcionar

conforto ao paciente. Além

disso, as agulhas com dispositivos de

segurança BD Vacutainer ® Eclipse TM ,

os escalpes BD Vacutainer ® Safety-

Lok TM e BD Vacutainer ® Push Button

possuem a parede interna da agulha

mais fina para proporcionar a entrada

facilitada do sangue na coleta a

vácuo, reduzindo a probabilidade de

hemólise da amostra.

Para Kurt Wicker, diretor de negócios

de PAS na América Latina, o objetivo

da BD no segmento Preanalytical

Systems é proporcionar um diagnóstico

rápido com inovações nos produtos

de alta qualidade e alta tecnologia

nos exames clínicos, resultando num

cuidado superior ao paciente.

No Brasil, todos os produtos da

linha PAS são importados e os tubos

coleta de sangue a vácuo estão presentes

há 15 anos.

Inovação de PAS para 2011

Para a melhoria no cuidado ao

paciente e consequente eficiência dos

laboratórios clínicos, a BD traz novas

tecnologias em 2011.

O primeiro produto a ser lançado

será o Tubo BD Microtainer ® MAP

(Microtainer for Automated Process)

EDTA. É o único tubo primário com a

tampa perfurável desenvolvido para

microcoleta para hematologia, que

elimina o processo manual porque

pode ser utilizado no módulo de

automação dos instrumentos de hematologia.

Além disso, possui uma

apresentação padrão 13x75 mm que

facilita a identificação do paciente por

meio de um código de barras comum.

O outro lançamento é voltado

para Áreas de Urgências dos Hospitais,

com o objetivo de trazer mais

cuidado ao paciente. A novidade é

o Tubo BD Vacutainer RST (Rapid

Serum Tube), que possibilita a melhora

do TAT (Turn Around Time)

em até 28 minutos.

O tubo tem um ativador de coágulo

diferenciado que promove a

coagulação do sangue em apenas

5 minutos. Com isso, o laboratório

tem aumento da eficiência através

de redução significativa do tempo

na fase pré-analítica.

A alta performance dos produtos

da BD PAS conta com o desenvolvimento

constante de estudos clínicos

em parcerias com laboratórios,

hospitais de referência e universidades

renomadas mundialmente.

Há também forte investimento em

projetos educacionais e clínicos que

promovem a difusão de conhecimentos

aos profissionais de Saúde

em todo o mundo. Um dos destaques

fica por conta do site www.

specimencare.com, patrocinado

pela BD. É um recurso on-line para

identificar, avaliar e promover a

aplicação das melhores práticas da

fase pré-analítica.

Geração de Conhecimento

A unidade de negócio PAS mantém

um Comitê Científico Pré-Analítico

latino-americano, denominado

LASC, composto por renomados

especialistas na fase pré-analítica

atuantes na região da América Latina.

Sua missão é “colaborar para a

melhoria das práticas laboratoriais

na região latino-americana através

de uma ampla gama de atividades

educativas para os profissionais

de saúde, gerando e disseminando

informações técnicas e clínicas relevantes

para promover a qualidade e

segurança na fase pré-analítica dos

testes laboratoriais”.

Futuro Visionário da BD no mundo

Meta

Tornarmos a organização melhor conhecida por eliminar o sofrimento

desnecessário e a morte por doença e, ao fazermos isto, tornamo-nos

numa das empresas com melhor desempenho no mundo.

O que vamos fazer

Vamos melhorar de forma fundamental a saúde e o bem-estar da

população mundial.

Como vamos fazê-lo

Vamos fornecer tecnologias de custos acessíveis e informações fundamentais

que tenham um impacto potencial nas principais causas de

doenças e morte. Ao mesmo tempo, disponibilizaremos uma grande variedade

de soluções, desde bilhões de dispositivos com baixo custo até

inovações revolucionárias que ajudem a entender melhor as doenças e

terapias existentes. Para isso, criaremos uma cultura de melhoria contínua,

que nos posicionará a frente das organizações mais avançadas, diversas

e rica em conhecimentos.

NewsLab - edição 103 - 2010

43


RDC 25: Medida judicial ou diálogo político

Entidades do setor saúde discutiram alternativas para

minimizar impactos burocráticos impostos pela norma

Elaborar uma agenda para

negociação junto à Anvisa

mostrando que a burocracia

da agência está impedindo a entrada

de produtos novos e, portanto, o

acesso de pacientes à tecnologia

na área da saúde - ou seja, que a

regulação sanitária está interferindo

no mundo econômico. Esta foi a proposta

apresentada pelo Dr. Gonzalo

Vecina, durante mesa redonda ocorrida

em novembro, no Instituto de

Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio

Libanês, no workshop que discutiu

“Os Impactos e Desafios da RDC 25”.

A norma, que entrou em vigor em 22

de maio passado, obriga as empresas

fornecedoras de produtos para a

saúde a apresentarem junto à agência,

no momento da solicitação ou

revalidação do registro do produto,

a Certificação de Boas Práticas de

Fabricação emitida pela Anvisa.

O médico sugeriu que as quatro

Dr. Sérgio Madeira, Dr. Gonzalo Vecina e Carlos Gouvêa

entidades que promoveram o evento,

a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial

(CBDL), a Associação Brasileira

de Importadores e Distribuidores

de Implantes (Abraidi), a Associação

Brasileira dos Importadores de Equipamentos,

Produtos e Suprimentos

Médico Hospitalares (Abimed) e a

Associação Brasileira das Empresas

de Ciências da Vida (ABCV) construam

esta agenda na qual sugeriu a colocação

de dois pontos: a questão do

acesso à tecnologia e a importância

desta atividade econômica como geradora

de empregos.

Gonzalo Vecina, que já foi presidente

da Anvisa, observou ainda a

possibilidade das entidades contestarem

a norma juridicamente porque as

exigências legais estão acima daquilo

que a realidade suporta, caso o caminho

do diálogo não surta efeito.

Tais sugestões ocorreram após

a apresentação de um balanço feito

pelos dirigentes da CBDL, da Abraidi

e da Abimed relatando a demora da

Anvisa na realização das inspeções

internacionais.

De acordo com Carlos Gouvêa,

secretário-executivo da CBDL, no

caso de diagnóstico in vitro, a média

para quem solicitou as inspeções antes

da entrada em vigor da RDC 25

é de nove meses, enquanto os novos

pedidos devem levar 12 meses para

obter a certificação. Somados esses

períodos ao tempo de análise de três

meses para a concessão do registro

do produto (caso dos diagnósticos in

vitro), são de 12 a 15 meses para que

o produto possa ser comercializado.

No caso de equipamentos, a situação

fica ainda mais agravada, já que o

prazo médio de análise de pedido de

registro é superior a 18 meses... “A

situação pode provocar um verdadeiro

apagão tecnológico, com um

grande risco de falta de acesso a novas

tecnologias pelo usuário”, alertou.

Gil Pinho, diretor da Abraidi,

relatou que há um período de moratória

nos registros. Afirmou que, no

segmento que representa, “há uma

concentração de médias e pequenas

empresas que não conseguirão

absorver os impactos do pagamento

dos R$ 37 mil da taxa de inspeção,

desproporcional ao seu porte”.

Para Carlos Goulart, presidente

executivo da Abimed, a média de

tempo para inspeção da área por

ele representada é de 8 a 10 meses.

“Entre a inspeção, emissão da

certificação e análise do registro de

um novo produto, temos uma média

de 30 meses. Ou seja, quando sair o

46

NewsLab - edição 103 - 2010


produto, ele já estará obsoleto”, ressaltou.

Ele expôs também, que diante

desse quadro, a Anvisa já pensa em

acabar com a revalidação de produtos

e em um registro para tempo de vida

útil válido para cinco anos.

Já na opinião de Irineu Grinberg,

vice-presidente da Sociedade Brasileira

de Análises Clínicas (SBAC), entidade

que representa 4 mil laboratórios

e tem 11 mil sócios, a Anvisa deve se

adaptar a um sistema real brasileiro.

“Hoje, já há desabastecimento de kits

Elisa”, informou. Lembrou ainda que

“um país que pretende ser centro de

referência laboratorial não pode remunerar

em R$ 1,85 os laboratórios por

um teste de glicemia”.

Antes de abrir o debate aos participantes,

Carlos Gouvêa, da CBDL,

observou que a solução aos entraves

burocráticos provocados pela RDC

25 passa por um caminho político e

jurídico. “A negociação política e técnica

deve ser feita em sua plenitude”,

defendeu.

Entre as propostas apresentadas

durante o debate, destacaram-se:

- Revalidação por um prazo mais

estendido e isenta de inspeção internacional

- Certificação por meio de organismos

certificadores independentes - tal

como ocorre na Europa

- Fazer uso dos pontos que serão

discutidos na reunião que será realizada

pela Abimed em 10/11 para

que eles componham uma agenda de

negociação

- Aproveitar a nova administração para

construir novo caminho para o diálogo

Aspectos regulatórios

A abertura do workshop foi realizada

por Roberto Latini, diretor da

Latini & Associados, especialista em

regulação, que abriu o bloco para

discussão deste tema.

Em sua intervenção, Latini enfatizou

que o problema com a RDC 25

Workshop reuniu mais de 100 representantes

de empresas filiadas às associações

organizadoras do evento

é o tempo despendido pela Anvisa

nas inspeções, de seis a dez meses,

somados a mais dois meses para a

concessão do registro do produto.

Questionou esse tempo e o valor de

R$ 37.000 que as empresas devem

dispor para o pagamento da inspeção,

independentemente de seu porte.

Dando continuidade ao tópico

Regulação, Fátima Marques Pereira,

da Roche Diagnostics, empresa associada

à CBDL, relatou sua experiência

no acompanhamento de inspeções

para produtos de diagnóstico in vitro.

A associada dividiu o processo

em três fases, a da pré-inspeção, a

da inspeção propriamente dita, e o

relatório final, emitido pela Anvisa e

alertou que, nas inspeções, embora

não seja obrigatório, é recomendável

o acompanhamento por alguém da

empresa do Brasil, é importante o

conhecimento sobre o produto e que

o aviso de inspeção deve ser assinado

pelo responsável pela planta lá fora.

Sobre a terceira fase, a do relatório da

Anvisa, avisou que o documento será

emitido sempre em português.

Fechando o bloco, Dr. Sérgio Madeira,

diretor da Abraidi, relatou como

têm sido as inspeções para produtos

para saúde, no geral. Avaliou alguns

riscos e cuidados a serem tomados

com relação ao contexto como a

língua; os processos envolvendo

pessoas, julgamentos, cultura, etc.;

conhecimento técnico e experiência;

comunicação interpessoal; empatia;

segurança; pontualidade; e o código

de conduta do servidor. Como pontos

positivos das inspeções, enfatizou a

independência, o aprendizado, a visão

crítica e o reconhecimento. Sobre os

pontos negativos, a heterogeneidade,

a independência, a intransigência, o

timing e a “esquizofrenia regulatória”.

A abordagem do segundo tema,

Mercado, foi feita pelo secretário executivo

da CBDL, Carlos Gouvêa. Ele

informou que as entidades promotoras

do evento somam 381 empresas,

que representam de 75% a 80% do

mercado, cuja cadeia produtiva envolve

desde a prevenção (diagnóstico

in vitro) até a reabilitação. Sobre o

posicionamento destas, as definiu,

principalmente, como garantidoras do

acesso a novas tecnologias em saúde.

Aspectos jurídicos

Três advogados, Dra. Patrícia

Fukuma, Dr. Alexandre Nemer e Dr.

Rodrigo Correia da Silva, apresentaram

seus pontos de vista sobre a

RDC 25.

Segundo Rodrigo Correia da Silva,

embora a certificação seja uma exigência

mundial, “a RDC 25 é ilegal.

Não está prevista em lei e pode ser

questionada”.

Para o advogado Alexandre Nemer,

há pontos questionáveis na RDC

25. “Um deles é o pagamento da taxa

anual para uma contraprestação de

serviços a cada dois anos”.

Patrícia Fukuma reafirmou posição

já manifestada em uma assembleia da

CBDL, de que é possível entrar com

medida judicial, mas sem assegurar o

resultado. “Se a Anvisa funciona mal,

o Judiciário funciona pior”, avaliou. Ela

propõe uma solução política com base

no diálogo, além de um lobby lúcido

junto ao Congresso Nacional.

O evento reuniu mais de 100 representantes

de empresas associadas

às entidades promotoras.

NewsLab - edição 103 - 2010

47


Dificuldades no Desembaraço Aduaneiro

Por João Moraes

O

mercado de importação

está, atualmente, passando

por algumas dificuldades.

Problemas encontrados em

processos da Anvisa em portos,

aeroportos e nas zonas secundárias

estão gerando um custo

adicional aos importadores no

momento de liberar suas cargas.

Um ponto que contribui para isso

é o número inexpressivo de fiscais

nesses postos, o que ocasiona atraso

ou demora na liberação dos processos.

No entanto, a simples contratação

de novos fiscais é apenas

um paliativo, pois a RDC 81/2008

precisa ser reformulada uma vez

que existem inúmeras exigências,

ocasionando sobrecarga de trabalho

para o servidor da Anvisa.

Posso citar como exemplo a obrigatoriedade,

por parte da agência

reguladora, de autorização de embarque

(que deve acontecer anteriormente

ao embarque da mercadoria

no exterior), para determinados

produtos, que constam de alguns

procedimentos desta legislação.

Isso ocasiona ao servidor uma

análise dupla do processo: uma

antes do embarque e outra após a

chegada da mercadoria. Entendo

que a análise deveria ser feita uma

única vez: ou antes do embarque

ou após a chegada da carga. Nunca

em dois momentos do processo de

importação. O Estado não pode

disponibilizar servidores para a

reanálise. Não tem lógica!

Outro fator que contribui para

esses atrasos é a exigência de

inúmeros documentos a serem

apresentados no ato de cada desembaraço.

Ora, uma vez que esses

produtos são registrados no país de

origem e no Brasil, toda a análise do

produto já foi feita. É preciso levar

em conta a boa fé do importador,

no que diz respeito às informações

prestadas no Licenciamento de

Importação, no documento de embarque

do exportador e na própria

rotulagem do produto, onde o fiscal

encontra todas as informações sobre

o produto importado (número

do lote, validade, fabricante, nome

comercial, etc). A análise de muitos

papéis ocupa em demasiado o fiscal

e tempo para isso ele não tem.

É preciso haver coerência: ou

exige-se a apresentação de todos

os documentos pertinentes aos produtos

e não vistoria-se a carga, ou,

simplesmente, vistoria-se a carga. O

que não pode acontecer é a cada importação

ser necessário uma análise

antes do embarque, com apresentação

de todos os documentos, e uma

reanálise após a chegada da carga,

com apresentação documental e

também com a vistoria da carga.

O que poderia ser seguido é o

exemplo da própria Receita Federal,

que parametriza as importações em

canais, sendo o Canal Verde livre

de apresentação de documentos e

conferência; o Canal Amarelo, com a

João Moraes é despachante

aduaneiro, especialista em

produtos para a Saúde.

É também contabilista e

administrador de empresas

liberação mediante, apenas, a análise

documental, e o Canal Vermelho,

com a análise documental e física da

mercadoria.

Outro ponto fundamental para

o bom andamento das importações

é a padronização dos entendimentos

da RDC 81/2008 por parte dos

fiscais da Anvisa, lotados em todos

os portos, aeroportos, fronteiras e

zonas secundárias. Isso evitaria a

diversidade de procedimentos em

cada ponto de fiscalização.

Cabe ao Sindicato dos Despachantes

Aduaneiros, juntamente

com as entidades de classe dos

importadores, a missão de solicitar

a revisão dessa legislação

com propostas para a melhoria de

todo o sistema de desembaraço

aduaneiro de cargas, passíveis de

anuência da Anvisa.

48 NewsLab - edição 103 - 2010


Roche completa 80 anos de Brasil

Empresa se consolida como detentora da mais alta tecnologia em Saúde

Tudo começou em 14 de

março de 1931, quando

a empresa suíça Roche

iniciou suas atividades no

Brasil com a inauguração de seu

primeiro escritório, no Rio de Janeiro.

O Brasil ensaiava os primeiros

passos para o progresso e existiam

apenas 16 indústrias estrangeiras

no País. Era a semente de um futuro

promissor na saúde brasileira.

Após inaugurar a sede de sua

matriz local, no bairro do Maracanã

em 1951, a Roche viveu um período

de inovações ao longo da década de

1960. Em 1969, o grupo comprou

as instalações da família Matarazzo

no Jaguaré, São Paulo, onde anos

mais tarde construiria sua atual

sede administrativa.

Em 1972, foi criada a Roche

Diagnóstica Brasil, fortalecendo

os investimentos e a atuação do

grupo no Brasil para essa área, que

contribui consideravelmente com

as decisões clínicas e proporciona

maior valor médico às soluções

oferecidas pela organização.

Desde então, a empresa fornece

no país uma ampla gama de instrumentos

diagnósticos e testes,

para que laboratórios, médicos

e pacientes possam detectar e

monitorar doenças de maneira

mais rápida e confiável. Essa é

a condição que permitiu à Roche

assumir a posição de líder global

em diagnósticos in vitro.

Em 2004, a Roche Diagnóstica

recebeu três prêmios Frost & Sullivan

e foi escolhida como a “Empresa

de Diagnósticos do Ano de 2003”.

O endereço nº 1 da empresa, no Rio de Janeiro

A empresa sempre investiu fortemente em pesquisa e controle da qualidade

50

NewsLab - edição 103 - 2010


Detalhe do antigo prédio ocupado pela Divisão Diagnóstica, no complexo do Jaguaré, São Paulo

A medicina no século 21 avançar em Medicina Personalizada.

O tratamento é desenvolvido a

Atualmente, graças ao desenvolvimento

da biotecnologia, a partir das características clínicas

medicina está focada no indivíduo. individuais das pessoas, identificadas

por testes genéticos. Durante

Cada paciente é único e o tratamento

se tornará cada vez mais esse período, pode-se acompanhar,

personalizado. A Roche compreendeu

esse conceito e o aplicou em dições de saúde de uma paciente

por exemplo, a evolução das con-

suas rotinas. Por isso, é pioneira e com câncer de mama. Por meio de

líder na área, com testes inovadores

e medicamentos de ponta para um biomarcador, ou seja, um pa-

um teste diagnóstico, chega-se a

doenças como câncer, Aids e hepatite

e problemas como a rejeição possível desenvolver um medicarâmetro

exato, a partir do qual é

a transplantes. Além disso, conta mento capaz de atacar as células

com um sistema completo para o afetadas pela doença com maior

gerenciamento do diabetes.

precisão e eficiência”.

Esses avanços permitiram o desenvolvimento

de diversas soluções a melhorar o índice de resposta dos

A biotecnologia também ajudou

terapêuticas que se tornam viáveis pacientes às drogas. A Roche desenvolveu,

em forma de microchip,

dentro do conceito de medicina

personalizada, conforme explica o o primeiro teste diagnóstico capaz

presidente da Roche Diagnóstica de determinar 30 variações genéticas

responsáveis pela sensibilidade

Brasil, Pedro Gonçalves. “Começamos

a investir muito cedo em biologia

molecular e o conhecimento tos. Uma gota de sangue permite

dos pacientes a vários medicamen-

que adquirimos nos coloca, hoje, determinar se os pacientes metabolizam

bem ou mal os em uma posição muito sólida para

medicamentos

que usam, levando à prescrição de

dosagens mais acuradas.

Em 2003, o grupo deu início a

uma nova geração de testes inovadores

à base de genes e, graças

a acordos com empresas de ponta

na área de tecnologia, vem conseguindo

importantes progressos na

identificação de várias doenças.

Nessa área, destacam-se os testes

moleculares que utilizam a tecnologia

PCR (Reação em Cadeia da

Polimerase, na sigla em inglês) em

tempo real, que permitem melhorar

a identificação de vírus como

o HPV, que causa o câncer de colo

de útero, com maior segurança e

confiabilidade.

Todos esses avanços foram possíveis

graças à sinergia que existe

entre a Roche Farmacêutica e a

Diagnóstica. Juntas, as duas divisões

proporcionam soluções personalizadas

para salvar vidas, atuando

desde a prevenção e o diagnóstico

de doenças até o tratamento e o

monitoramento da terapia.

Roche Diagnóstica

Atualmente, a Roche Diagnóstica

oferece um extenso portfólio

de produtos exclusivos, serviços e

testes inovadores para pesquisadores,

médicos, pacientes, hospitais

e laboratórios. A empresa tem o

compromisso de desenvolver tecnologias

que proporcionem mais

conforto aos pacientes, benefícios

clínicos e precisão na tomada de

decisão, além do melhor uso dos

recursos financeiros. Esse é o verdadeiro

valor médico das melhores

soluções em diagnóstico.

Nesse sentido, a consultoria

NewsLab - edição 103 - 2010

51


O novo prédio da Roche Diagnóstica, no Jaguaré, São Paulo

laboratorial e as soluções que permitem

a otimização de processos

são serviços estratégicos oferecidos

pela empresa no Brasil, com ganhos

de produtividade, eficiência e qualidade

para clientes que prestam

serviço à população em todas as

regiões do país.

Um dos destaques no ano de

2009 foi o início da realização de

diagnósticos em tecidos, por meio

de equipamentos de ponta, que

permitem detectar precocemente

a doença e, assim, orientar

as ações para um tratamento

mais eficaz, proporcionando mais

qualidade de vida aos pacientes.

Esses testes são essenciais para

o tratamento de diversos tipos de

câncer, especialmente no conceito

de medicina personalizada.

Além disso, a divisão diagnóstica

da Roche trouxe ao Brasil sua

tecnologia de sequenciamento

genético. Esses equipamentos

são destinados a pesquisadores incluindo estagiários, contratados,

temporários e terceiros. As

das diversas ciências biológicas

e contribuem com o desenvolvimento

de novos produtos e ge-

estão divididas em cinco Unidades

atividades da Divisão Diagnóstica

ração de conhecimento relevante de Negócios: Roche Professional

para toda a sociedade.

Diagnostics, Roche Diabetes Care,

A divisão encerrou o ano de Roche Molecular Diagnostics,

2009 com 245 funcionários e 350 Roche Applied Science e Roche

colaboradores em seu quadro, Tissue Diagnostics.

Linha do tempo

1934 Primeiros Tempos

1972 Inaugurada Roche Diagnóstica Brasil

2000 Era da biotecnologia

2010 e Futuro A medicina personalizada

52

NewsLab - edição 103 - 2010


Controle de qualidade em análises urinárias

A análise laboratorial da urina é um

importante exame não invasivo, disponível

para estudo das diferentes patologias, principalmente

aquelas ligadas ao sistema renal.

Quando bem executado e propriamente

interpretado, o exame de urina auxilia no

diagnóstico, tratamento e monitoramento

de patologias que podem evoluir para insuficiência

renal.

A prática clínica tem abordado cada vez

mais a utilização da monitoração de parâmetros

biológicos na urina. Se antes essas avaliações

estavam restritas à dosagem de íons,

proteínas e glicose, atualmente uma gama

cada vez maior de analitos é monitorada com

extrema utilidade para avaliação do paciente.

Neste contexto é imprescindível que o

laboratório estabeleça práticas de conservação

e avaliação deste material, de forma a

garantir que os resultados liberados estejam

condizentes com a realidade do paciente.

Se os cuidados pré-analíticos são

considerados cada vez mais o ponto mais

suscetível a erros na atividade laboratorial,

nas análises urinárias essa questão

se torna ainda mais importante dada a

elevada labilidade deste material e ao

fato da coleta ser realizada sem acompa-

nhamento do laboratório. Garantir que a

amostra recebida seja adequada e, consequentemente,

que o resultado liberado

esteja livre de interferentes, depende de

uma orientação clara aos pacientes sobre

o procedimento adequado de coleta, bem

como sua correta conservação.

Além dos cuidados pré-analíticos, a

atenção para as unidades de medida em

que são avaliados esses exames deve ser

rigorosa, pois geralmente envolve prédiluições

e correções em relação ao volume

urinário colhido.

Outra questão importante nas análises

urinárias reside na utilização de controles

internos da qualidade. Todo laboratório clínico

deve manter um programa de controle

interno da qualidade que defina claramente

os objetivos, procedimentos, normas e critérios

para limites de tolerância. Assim, a

utilização de controles constituídos da mesma

matriz do material biológico que se deseja

dosar garante ao laboratório uma maior

segurança na liberação de seus resultados.

Simulando os efeitos que a matriz urinária

apresenta utilizando o controle adequado, o

laboratório poderá ter discernimento no que

tange à adaptação de seu sistema analítico,

sua calibração

e seu desempenho

frente ao

material urinário.

Adequados a

essa realidade,

as entidades de

controle externo

da qualidade

já apresentam

em seu portfólio

de exames parâmetros

para serem avaliados na urina,

assim deve tornar-se rotina no laboratório

que trabalha com análises urinárias a participação

nesses programas.

A Biotécnica oferece em sua linha

de produtos o Controle Urinário (CAT

BT1300500), que traz valores específicos

tanto para equipamentos automatizados,

quanto para equipamentos manuais e semiautomáticos,

auxiliando o laboratório na

avaliação de suas análises urinárias.

: (35) 3214-4646

: sac@biotecnicaltda.com.br

: www.biotecnica.ind.br

Architect Chagas: uma realidade na triagem sorológica em banco de sangue

A Abbott Laboratórios, líder do mercado

sorológico em Banco de Sangue,

preocupada em proporcionar aos Serviços

de Hemoterapia e a população em

geral, produtos de altíssima qualidade,

para o ano de 2011 lançará o ensaio

Architect Chagas*.

No mercado transfusional mundial já

são mais de 900 equipamentos Architect

instalados em bancos de sangue em 60

diferentes países. No Brasil, já são 36

Architects instalados em 22 diferentes

clientes.

A Doença de Chagas é uma zoonose

causada pelo protozoário flagelado

Trypanossoma cruzi, que encontra-se

restrita ao continente americano, em

particular nos países tropicais e subtropicais

da América latina, acometendo

diretamente cerca de 20 milhões de pessoas,

estimando-se ainda que outros 200

milhões vivam sob o risco de infecção.

Um dos principais problemas relacionados

à doença é que ela pode

Architect ® i2000SR

manifestar-se em uma variedade de

formas clínicas que compreendem desde

uma infecção fulminante aguda até uma

forma crônica inaparente. A migração de

indivíduos rurais, a transmissão pelo sangue

e a infecção congênita são fatores que

transformaram a Doença de Chagas em

uma endemia urbana.

O Architect Chagas é um imunoensaio

qualitativo de duas etapas através de

quimioluminescência por micropartículas

(CMIA), totalmente automatizado para a

detecção de anticorpos contra o T. cruzi em

amostras de soro e plasma, apresentando

as seguintes características:

• Imunoensaio baseado em quatro antígenos

recombinantes representando

14 diferentes epitopes da estrutura do

T. cruzi

• Altíssima especificidade e sensibilidade

• Bem adaptado para a triagem sorológica

em banco de sangue

• Facilidade de execução

• Eliminação da subjetividade na interpretação

do resultado

• Reagentes prontos para uso

• Documentação e controle de todo o

processo

• Acesso randômico e contínuo de

amostras com primeiro resultado em

36 minutos após a entrada da amostra

: brazil_add_marketing@abbott.com

*produto em fase de registro na Anvisa

58

NewsLab - edição 103 - 2010


Soluções para o diagnóstico de carbapenemase e NDM – 1

A bioMérieux está comprometida com

a luta contra a resistência bacteriana e

oferece uma gama completa de produtos

para a detecção e rastreamento dos mecanismos

de resistência mais frequentemente

encontrados.

Em agosto de 2010, um artigo do The

Lancet Infectious Diseases destacou o

surgimento de um novo gene de resistência

a antibióticos que produz uma enzima

chamada NDM-1.

NDM-1 está sendo chamado como a

nova superbactéria do mundo, uma vez que

tem conferido alta resistência a quase todos

os antibióticos, incluindo os carbapenens.

Confira a solução bioMérieux para diagnóstico

deste novo “superbug”.

Screening

chromIDESBL (ref. 43481 - 20

placas)/Reg. MS: 10158120554: meio cromogênico

para screening de enterobactérias

produtoras de β-lactamase de escpectro

estendido (ESBL)

• Leitura rápida: (diferenciação das colônias

através da cor)

• Identificação direta e imediata

• Inibição seletiva de bactérias grampositivas

e fungos

• Melhor especificidade comparada aos

meios convencionais

• Resultados rápidos (18-24 horas de

incubação)

Detecção

Sistemas Vitek ® 2 ( Re g . M S :

10158120303): a resistência aos carbapenens

e produção de carbapenemase

conferida pelo bla NDM-1

é detectada com alto

nível de confiança por métodos fenotípicos

usados comumente nas rotinas laboratoriais,

incluindo Vitek 2 e Etest.

• O Advanced Expert System (AES) é capaz

de detectar o fenótipo de resistência

aos carbapenens.

• O bioART (Advanced Reporting Tool)

presente no software dos sistemas Vitek

2 alerta o usuário quando um fenótipo

deste tipo for detectado pelo Vitek 2.

E t e s t ® M B L ( I P / I P I ) ( r e f.

534.208/534.200 – 100/30 tiras)/Reg.

MS: 10158120263: esta tira pode ser usada

tanto para detecção de resistência MBL

quanto para NDM-1 em Enterobacteriaceae.

• Assim como todas as outras tiras Etest ® :

fácil de usar e de interpretar.

Para mais informações sobre NDM-1 acesse:

http://www.biomerieux-diagnostics.com

www.biomerieux.com/besmart

: 0800 026 4848

: www.biomerieux.com.br

: brasil.contato@biomerieux.com

Reação em Cadeia da Polimerase (PCR)

A Reação em Cadeia da Polimerase

(PCR) é uma técnica aplicada à Biologia

Molecular que permite a replicação in vitro

das sequências de DNA de interesse.

Através da PCR, pequenas quantidades de

material genético podem ser amplificadas

em poucas horas.

A capacidade de obter altas quantidades

de material genético permitiu grandes

avanços científicos e aumentou o potencial

tecnológico na área industrial, de pesquisa

e da saúde.

Esta técnica envolve três etapas, que

são repetidas em vários ciclos:

Desnaturação

Nesta etapa, devido ao aumento significativo

de temperatura e desestabilização

das ligações, ocorre a separação da cadeia

de DNA em duas fitas.

Hibridização ou Anelamento

Com a diminuição da temperatura, os

iniciadores (ou primers), que são sequências

curtas de nucleotídeos, ligam-se

as extremidades da sequência alvo, para

marcar o início do fragmento a ser copiado.

Extensão

Após a ligação dos primers, a temperatura

é elevada novamente e a enzima Taq

polimerase (enzima termoestável recombinante

do organismo Thermus aquaticus)

replica a cadeia de DNA, incorporando os

nucleotídeos complementares à sequência

alvo, utilizando as dNTPs em solução.

No final dos ciclos de PCR, encontram-se

milhões de novas cadeias de DNA idênticas

à original, com o comprimento definido

pelos primers.

Todo este processo é regido pela variação

de temperatura em cada ciclo, que é

realizado utilizando um termociclador. Este

equipamento controla e alterna as temperaturas

durante períodos programados de

tempo para o número apropriado de ciclos

de PCR.

Para o bom desempenho da técnica,

além de um termociclador de qualidade,

ainda são necessários consumos de

confiança, que garantem a estabilidade e

integridade do material.

Pensando na qualidade e na importância

desta técnica, a Axygen, possui uma

linha completa de produtos para uso na

área de biologia celular e molecular, como:

ponteiras, microplacas, tubos para PCR e

centrifugação; todos com certificação de

qualidade, fabricados em polipropileno

99,9% de pureza, livres de DNAse, RNAse

e Pirogênios; a marca ainda conta com o

termociclador Maxygene, de ótimo desempenho

nas amplificações.

: www.axygen.com.br

: www.axygenbiosciences.com

60

NewsLab - edição 103 - 2010


REM apresenta a estação robótica Microlab Star

A REM, representante exclusiva da

Hamilton Company, líder mundial no desenvolvimento

e produção de estações de

trabalho robóticas, apresenta ao mercado

o mais novo componente da linha Microlab.

O Microlab Star é um sistema de pipetagem

que foi desenvolvido para adequar-se a

qualquer metodologia analítica que possua

como fundamento a manipulação de líquidos

de qualquer natureza.

Por sua versatilidade, a Estação Robótica

Microlab Star pode ser configurada para

executar as mais diversas atividades como:

• ADMET

• PCR

• Sequenciamento

• Microensaios

• Purificação de ácidos nucleicos

• Ensaios de solubilidade

• Manutenção de culturas celulares

• Aliquotagem/“Pooling”

• Manipulação de líquidos voláteis

• Análises químicas

• Testes de drogas

• Elisa

• MALDI

• Tipagem sanguínea

O sistema de pipetagem pode ser configurado

com canais individuais (variando

de 1 a 16) ou múltiplos (com 96 ou 384

canais), sendo que estas configurações podem

operar simultaneamente adaptando-se

às necessidades de cada etapa do protocolo

a ser realizado.

O sistema de canais individuais pode

utilizar ponteiras descartáveis de 10, 50,

300, 1000 ou 5000µL (com ou sem filtro de

acordo com modelo) ou ponteiras fixas laváveis

de 10, 300 ou 1000 µL. Já os sistemas

múltiplos de 96 e 384 canais podem utilizar

ponteiras descartáveis de 10, 50, 300, ou

1000µL e 30 ou 50µL, respectivamente.

A Estação permite ainda a utilização de

um módulo especial de nanopipetagem que

opera com ponteiras especiais de cerâmica,

possibilitando a dispensação de volumes de

20 a 20.000nL.

Toda a variabilidade de opções tem sua

qualidade e precisão garantidas pelos sistemas

CORE (Compressed O-ring Expansion),

MAD (Monitored Air Displacement) e DPS

(Dynamic Positioning System).

O Microlab Star possui um sistema,

denominado CORE (Compressed O-ring

Expansion), que consiste de um exclusivo

dispositivo de encaixe das ponteiras que elimina

a formação de aerossóis e a utilização

de líquidos para manutenção do vácuo no

sistema, garantindo 100% de segurança

nas etapas de aspiração e dispensação e

evitando contaminações.

Totalmente versátil, o Microlab Star permite

o uso de uma variada gama de suportes

reacionais (tubos, placas, reservatórios,

etc.) e dispositivos técnico-operacionais

(agitadores, incubadoras, leitoras, etc.),

para adequação dos mais diversos protocolos,

além da possibilidade de customização

da Estação para atendimento de necessidades

específicas dos clientes.

Versatilidade da Estação

Robótica permite

aplicações diversas

A Estação Robótica Microlab Star

pode ainda ser integrada a dispositivos

auxiliares externos como termocicladores,

luminômetros, sistemas refrigerados, etc.,

conectando-os diretamente à área interna

do equipamento ou via esteira externa de

comunicação.

Por toda a sua flexibilidade e comprovada

alta performance, a Estação Microlab

Star apresenta-se como uma ferramenta

completa com aplicações nas mais diversas

áreas industriais como química (solventes,

detergentes, tintas, aromas, pigmentos,

etc.), farmacêutica, cosmética, veterinária,

agronômica, alimentos, bebidas entre

outras.

: (11) 3377-9922

: labo.comercial@rem.ind.br

: www.rem.ind.br

Mettler Toledo entra no mercado brasileiro de pipetas e ponteiras

Com sua nova linha de pipetas e ponteiras Rainin, a Mettler

Toledo, empresa líder mundial na fabricação e venda de

instrumentos de precisão para uso profissional em laboratórios

e aplicações industriais nos mais diversos segmentos, busca

alcançar uma parte do mercado nacional de instrumentos

para manipulação de líquidos (pipetas e ponteiras) nos próximos

anos.

Projetadas para uso em laboratórios de pesquisa, universidades,

indústrias, além da utilização em investigações

forenses e desenvolvimento de biocombustíveis (biodiesel),

o carro chefe da linha é a pipeta Pipet Lite com o sistema

LTS, que favorece uma vedação consistente e resulta em uma

grande redução da força necessária para encaixe e ejeção

da ponteira. Seu design mais ergonômico, com o conjunto

de molas totalmente avançado torna o uso mais leve e confortável,

evitando possíveis sintomas de lesões por esforço

repetitivo (LER).

Para entrar de vez no mercado de pipetas, a Mettler

Toledo disponibiliza uma linha completa de pipetas manuais

ou eletrônicas, seus acessórios e ponteiras tradicionais, préesterilizadas

ou com filtro nas mais diversas embalagens. O

operador pode optar por pipetas monocanais com intervalos

de volume de 0,1 μL a 20 mL ou multicanais (para uso em

rotinas onde o volume de amostras é pequenos o trabalho é

realizado em microplacas), com volumes que vão de 1μL até

1.200 μL, o que facilita o manuseio para um desempenho

maior para todas as rotinas e as mais variadas aplicações que

dependem de alta produtividade.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Randox: revolucionando a saúde pela melhoria contínua nas soluções diagnósticas

A Randox Laboratories desenvolve, fabrica e comercializa

produtos e equipamentos para o diagnóstico clínico em todo o

mundo há 30 anos, e é considerado um dos melhores fornecedores

de reagentes para bioquímica e, em particular, controle

de qualidade.

A Randox vem melhorando continuamente e seguindo rigorosos

procedimentos de qualidade, comprometimento reconhecido

pela ISO 13485, acreditação para os fabricantes de kits para

teste diagnóstico. Estando presente em 30.000 laboratórios em

130 países no mundo, a experiência da empresa permite oferecer

produtos de alta qualidade, confiança e rapidez no diagnóstico.

A Randox é um dos maiores fabricantes de controle de qualidade

do mundo, linha chamada de Acusera, que compreende

controles e calibradores, teste de proficiência e ainda material

customizado às necessidades do laboratório.

A linha Acusera oferece mais de 220 parâmetros, garantindo

excelente performance a todos eles. Os principais controles dessa

linha são bioquímica, imunoensaio, urina, proteínas, lípides,

cardíacos e drogas terapêuticas.

Agregado ao seu extensivo menu de controles de qualidade,

a Randox fornece o 24/7, um software para gerenciamento da

qualidade com sistema de relatório peer group via internet, que

possibilita ao cliente verificar sua performance 24 horas, sete

dias por semana.

: (11) 5181-2024

: (11) 5181-0817

: brasil.mail@randox.com

Hotsoft amplia controle de pendências no Labplus e Labmaster

Uma atividade administrativa importante no laboratório é a

de restringir a entrega de laudos a pacientes com pendências

financeiras.

Para auxiliar na execução e controle desta tarefa o software

laboratorial tem sido exigido cada vez mais. Primeiramente, em

razão das mudanças na forma e responsabilidade pelo pagamento

dos serviços laboratoriais. De uma situação na qual os

pacientes pagavam pela execução dos exames no momento em

que apanhavam os laudos, passou-se à era dos convênios, que

assumiram o pagamento, em alguns casos de forma integral,

em outros na modalidade de coparticipação com o paciente.

No que se refere ao modo pelo qual são entregues os resultados,

também houve grandes mudanças. Hoje os pacientes não

precisam voltar ao laboratório para apanhar os laudos, que

são disponibilizados por fax, na internet e até no celular. Para

tornar o processo ainda mais complexo, acrescente-se o fato

de que os setores financeiro e técnico do laboratório trabalham

com certa autonomia e sem sincronia suficiente para garantir

o pleno controle das pendências.

Uma boa solução de controle de pendências deve começar no

LIS, por uma gestão de laudos capaz de monitorar todas as fases

do processo, desde a solicitação do tipo de laudo a ser enviado

ao paciente (internet, impresso, fax, correio, etc) até sua efetiva

emissão e entrega. Nas novas versões do Labplus e do Labmaster,

o conceito de controle de pendência ficou mais amplo, onde na

prática pode se configurar e controlar qualquer tipo de pendência

que de alguma forma impacte na entrega do laudo ao paciente,

seja qual for o meio de entrega.

Desta forma, a pendência pode ser mais ampla do que a financeira,

para contemplar a falta de guia ou carteirinha do convênio

e outros documentos, registros ou processos que o laboratório

julgue fundamentais na sua rotina ou exigíveis no cumprimento de

contratos. As pendências podem ser configuradas como uma regra

geral que vale para todo o laboratório (ex: pendência financeira

do paciente), assim como especificamente para um determinado

local de atendimento ou convênio (ex: convênio X requer um documento

específico, ou laudos gerados para a clínica Y exigem o

cumprimento de determinado processo preliminar). E, seja qual for

o nível de pendência configurada no sistema, o registro histórico

de sua ocorrência é mantido e vinculado ao histórico do paciente,

podendo ser recuperado a qualquer momento.

Com esse novo controle de pendências, integrado de forma

natural à rotina dos usuários, a Hotsoft atende mais uma vez à

exigência dos clientes que não querem apenas mais uma funcionalidade

no software, mas estão atentos à maneira em que ela é

implementada.

: www.hotsoft.com.br

Configuração dos tipos de laudos que se deseja

controlar pendências

Aviso e bloqueio da impressão de laudos para pacientes

com pendências

Aviso de pendências do paciente, durante uma nova

recepção

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NewsLab - edição 103 - 2010


Laboratório DLE inaugura

unidade em São Paulo

O Laboratório DLE - Diagnósticos Laboratoriais Especializados,

com sede no Rio de Janeiro e referência na área de

Triagem Neonatal, doenças genéticas e exames raros, inaugurou

no início de dezembro a primeira unidade ambulatorial

em São Paulo, parte do plano de expansão elaborado pela

consultoria Formato Clínico, especializada no desenvolvimento

de projetos de gestão para vários segmentos de empresas

da área de saúde.

“O segmento de nicho de laboratórios especializados

tem apresentado um crescimento importante. O DLE já é

referência no segmento B2B e agora inicia sua atuação no

B2C em São Paulo”, ressalta Gustavo Campana, sócio da

Formato Clínico. A consultoria realizou o estudo para identificar

a melhor oportunidade para o negócio, assessorou todo

o processo de implementação da unidade e acompanhará a

gestão da unidade nos primeiros meses de operação.

O DLE possui tecnologias avançadas para realizar testes

de triagem neonatal, erros inatos do metabolismo e testes

genéticos, entre elas, por exemplo, um moderno equipamento

que permite a realização de exames a partir de material colhido

em papel de filtro, conhecido como “dried blood spot”.

Esta inovação representou um grande avanço na Medicina

Laboratorial e permitiu que, a partir de qualquer região

do país, o material biológico pudesse ser coletado e enviado

sem demandar os cuidados convencionais normalmente

exigidos para um exame laboratorial, principalmente no que

diz respeito à temperatura e armazenagem.

Hoje, alguns dos exames oferecidos pelo DLE como

Teste do Pezinho Expandido e Teste de Surdez Genética são

exclusivos e protegidos por registro de marca própria.

: www.formatoclinico.com.br

“Procedimentos Básicos

em Microbiologia Clínica”

Este é o título da terceira edição do livro escrito por Carmen

Paz Oplustil, Cássia Maria Zoccoli, Nina Reiko Tobouti e Sumiko

Ikura Sinto. Carmen é sócia da Formato Clínico, consultoria

especializada no desenvolvimento de projetos de gestão para

vários segmentos de empresas

de saúde.

A obra traz uma

visão atualizada dos

inúmeros processos

diários de um laboratório

de microbiologia

clínica e tem sido

desde sua primeira

versão referência na

obtenção de resultados

confiáveis e clinicamente

relevantes.

Software deve aumentar rentabilidade do

laboratório

Quem adquire um software LIS – Laboratory Information

System, deve ponderar duas variáveis estratégicas para o

laboratório, além da simples automação: potencializar seus

recursos, diminuindo custos operacionais, e contribuir para

a alavancagem estratégica, aumentando a competitividade

da empresa.

A Central Sorológica de Vitória, laboratório capixaba para

exames de apoio, comemorou em setembro o primeiro ano

de implantação das soluções para automação laboratorial que

realmente fizeram diferença na história da empresa. Segundo

o bioquímico Silvio Foletto, diretor do laboratório, esse

tempo foi suficiente para sentir os resultados positivos, tanto

no aumento da produtividade, quanto na redução de custos

operacionais. “Ao escolhermos o novo sistema, optamos por

um investimento no futuro”, explica. “Decidimos pela Shift

e isso contribuiu muito com o aumento do faturamento e do

volume de exames, além da redução de custos operacionais”,

conta Foletto, citando duas variáveis importantes dos processos

internos: papelaria e pessoas. “O sistema gerou uma

economia substancial na racionalização de pessoal, porque

várias alternativas do sistema nos permitiram enxugar tarefas

e gerar mais tempo para treinamento dos colaboradores”.

A CSV também sentiu impacto positivo na gestão dos

ativos tecnológicos. “Através da Shift, nós alojamos nossos

dados num datacenter em São Paulo. Isso gerou uma

economia imensa em aporte de servidores e profissionais

especializados”, conta o diretor, que menciona também a neutralização

de problemas tecnológicos. “Quanto custa ter que

solucionar um problema Não tem só o custo do profissional,

mas também a insatisfação do cliente e isso quase não dá

para mensurar. Eu não tenho mais problemas”.

Um ano de experiência com um LIS pode ser determinante

para o laboratório alavancar ou obstruir sua vocação para o

sucesso. Um laboratório como a CSV, que se compromete com

a excelência, precisa tomar a decisão certa no momento em que

opta por um software corporativo. “Quando decidimos pela Shift,

optamos por uma empresa de ponta, que se ocupa realmente

do seu cliente. Uma empresa transparente como poucas, nas

ações e na postura de seus profissionais. Uma empresa que

tem atingido nossas expectativas por completo”, conta Foletto.

O diretor do laboratório conta que o sistema chega até a

impactar na competitividade da empresa. “Nós temos uma

central de atendimento que registra não só reclamações como

manifestações espontâneas de satisfação do cliente. E várias

delas estão relacionadas à nossa evolução e à ferramenta

Shift”, relata. “Hoje, diante da concorrência, a gente não deve

nada a ninguém. Pelo contrário! Temos algumas facilidades

com a Shift que os concorrentes não têm”.

Para Mário Júlio Novais, coordenador de Negócios da

Shift, o case da CSV prova que é possível avaliar um software

corporativo em pouco tempo, mas aconselha: “Melhor investigar

muito e colher a opinião de outros laboratórios antes

de tomar uma decisão”.

: (17) 2136-1555

: www.shift.com.br

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Kit Hemostat D-Dimer: novidade da In Vitro Diagnóstica

O teste de D-Dímero é solicitado junto com outros testes de

laboratório e imagem, para ajudar a descartar, diagnosticar e monitorar

doenças e condições que causam hipercoagulabilidade, uma

tendência de formação de coágulo inapropriada. A mais comum

é a Trombose Venosa Profunda (TVP) que envolve a formação de

coágulo nas veias profundas do organismo, mais frequentemente

nas pernas. É possível que uma parte do coágulo se quebre, causando

Embolismo Pulmonar.

A maioria dos coágulos é formada nas veias das pernas, mas

também podem ser formados em outras áreas, como nas artérias

coronárias. Coágulos também podem ser formados no revestimento

do coração e suas válvulas, particularmente quando o coração está

batendo de maneira irregular ou quando as válvulas estão danificadas.

Também se formam nas artérias grandes como resultado

de dano proveniente da aterosclerose. Pedaços destes coágulos

também podem se quebrar e causar um êmbolo que bloqueia uma

artéria de outro órgão, como no cérebro ou nos rins. As medições de

D-Dímero podem também ser usadas para a detecção de coágulos

nestes outros locais.

O teste de D-Dímero também é solicitado com outros testes para

ajudar no diagnóstico da Coagulação Intravascular Disseminada

(CID). A CID pode ser resultado de uma variedade de situações:

procedimentos cirúrgicos, choque séptico, veneno de cobra, doenças

hepáticas, pós-parto. Com a CID, os fatores de coagulação são

ativados e então usados por todo o corpo. Isso cria vários coágulos

por minuto e ao mesmo tempo deixa o paciente vulnerável a hemorragias

excessivas. Os níveis de D-Dímero podem ser usados

para monitorar a efetividade do tratamento da DID.

O D-Dímero pode ser solicitado quando um paciente apresenta

sintomas de TVP, como dor nas pernas, inchaço, descoloração,

edema; ou sintomas de EP, como dificuldade de respirar, tosse e

dor no peito relacionada com pulmão. O D-Dímero é especialmente

útil quando o médico pensa que existe outra causa que não TVP ou

EP causando os sintomas.

Quando o paciente apresenta sintomas de CID, o teste de

D-Dímero pode ser solicitado, junto com TP, aPTT, fibrinogênio e

plaquetas para ajudar no diagnóstico. O D-Dímero também pode

ser solicitado em intervalos quando o paciente está em tratamento

de CID para ajudar a monitorar seu progresso.

Um teste de D-Dímero positivo indica a presença de nível anormalmente

alto de produtos de degradação da fibrina no organismo.

Isso indica a ocorrência significativa da formação de coágulo e sua

quebra no organismo, mas não diz a localização ou a causa. Um D-

Dímero elevado pode ser devido a TVP ou CID, ou à cirurgia recente,

trauma, ou infecção. Níveis elevados também são vistos em doenças

hepáticas, gravidez, eclampsia, doenças cardíacas e alguns cânceres.

Um teste de D-Dímero normal significa que provavelmente não

existe uma doença ou condição aguda causando a formação anormal

de coágulo e sua quebra. A maioria dos médicos concorda que um

D-Dímero negativo é mais válido e útil quando o teste é feito em

pacientes que são considerados de baixo risco. O teste é útil para

descartar a formação de coágulo como a causa para os sintomas.

HemoStat D-Dimer

• Metodologia: imunoturbidimetria

• Kit para 40 testes

• Apresentação: RGT 2 x 1 mL, BUF 2 x 2,5 mL, CAL 1 x 1 mL,

DIL 1 x 6 mL

• Dosagem quantitativa

• Resultado em menos de 3 minutos

• Cut-ff de 200 ng/mL

• Faixa de medição: 100 - 5000 ng/dL

• Estabilidade da curva de calibração de 3 meses

• Reagente de látex: 4 semanas depois do frasco aberto entre 2-8°C

HemoStat D-Dimer Control High/Low

• Controle positivo liofilizado 2 níveis, alto e baixo

• Apresentação: High 2 x 1 mL, Low: 2 x 1 mL

• 24 horas de estabilidade depois de reconstituído entre 15-25°C

• Estabilidade maior se congelado em alíquotas a –20°C.

/: (31) 3067-6400 / : suportedsa@invitro.com.br

: www.invitro.com.br

A Horiba, multinacional japonesa especializada no desenvolvimento

de tecnologias para realização de medição e análise em

segmentos diversos, líder do mercado de hematologia no Brasil,

anuncia a chegada de dois profissionais que vão reforçar a equipe

de assessores científicos da unidade brasileira.

Os novos profissionais são Bárbara Lima dos Anjos e Fábio Luiz

de Oliveira. Ambos integram o departamento de Customer Care e se

reportam diretamente ao gerente da área, Ronaldo Borba. Bárbara

tem Mestrado em Ciências Médicas, pela Unicamp, e passagens pelo

Laboratório de Hematologia e pelo serviço de coleta do Laboratório

de Patologia Clínica, ambos da Faculdade de Ciências Médicas, da

Unicamp. Na Horiba, Bárbara atuará diretamente com automação

no departamento de treinamentos.

Fábio é Pós-Graduado em Perfusão, pela Unifesp. Tem passagens

por empresas como Diagnósticos da América (Dasa), onde

atuou como Biomédico no setor de Hematologia e, posteriormente,

como Supervisor do mesmo setor. Antes, passou pela Exame

Ehrlich Medicina Diagnóstica e pela Hemognosis – Casa de Saúde

Horiba anuncia novas contratações

de Santos. Na Horiba, Fábio ocupa o cargo de Assessor Científico,

tendo como principais responsabilidades dar suporte aos clientes.

O grupo Horiba é líder mundial na fabricação e distribuição

de equipamentos de medição e análise para diversas aplicações.

Com sede no Japão e 43 filiais em 23 países, divide sua atuação

global em cinco segmentos: Médico, Científico, Semicondutores,

Automotivo e Meio Ambiente. Foi fundada em 1945 e tem em

seu histórico de crescimento fusões e aquisições de grande porte

realizadas ao longo das décadas. Mais de cinco mil colaboradores

formam o time da empresa. No Brasil, a Horiba atua em quatro

das cinco áreas – Médica, Científica, Automotiva e Meio Ambiente,

este último indiretamente através de agentes comerciais – e atende

também à demanda das demais nações da América Latina. Além

da distribuição dos equipamentos – oriundos das fábricas japonesa,

norte-americana e francesa – possui um parque tecnológico

produtor de reagentes químicos, localizado em São Paulo. A filial

nacional, líder no segmento hematológico, é dirigida pelo CEO

Hamilton Ibanes e conta com time de 80 colaboradores.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Nova linha de produtos Bioeasy para determinação de grupos sanguíneos

Em 1900, final do Século 19, o imunologista

austríaco Karl Landsteiner descobriu

que os glóbulos vermelhos de algumas

pessoas tinham a capacidade de se aglutinar

com os glóbulos vermelhos de outras e

que este fenômeno podia ser utilizado para

classificar as pessoas em distintos fenótipos

de grupos sanguíneos.

Os grupos podiam ser classificados em

A, B, AB ou O conforme a presença (grupos

A, B ou AB) ou ausência (grupo O) de antígenos

altamente reativos em sua superfície.

Landsteiner também demonstrou que existem

anticorpos (aglutininas) para os antígenos

A e B e que o soro de um indivíduo não

contém anticorpos para o antígeno presente

Linha completa da Bioeasy

Reagente Descrição Aplicação Apresentação

Anti A

Anti B

Mistura de anticorpos monoclonais

Microplacas

Placas

Frasco de 10 ml

Anti AB

Tubos

Anti D (Anti - Rho) Mistura monoclonal IgM + IgG

Microplacas

Placas

Frasco de 10 ml

Tubos

Anti IgG-C3d

Mistura de soros poliespecíficos

Anti-IgG e anticorpos monoclonais

Anti-C 3

d

Tubos

Frascos de 10 ml

em seus próprios glóbulos vermelhos, mas

sim, contra os que não possuem.

Na atualidade foram detectados

subgrupos dos grupos A e B com diferentes

especificidades. As características

anteriores demonstraram a importância

da compatibilidade ABO na prática

transfusional.

Por este motivo, a tipificação dos grupos

sanguíneos ABO é a prova principal

que se baseiam os outros ensaios prétransfusionais.

Futuros lançamentos:

• Controle Rh

• Albumina 22%, solução de Liss

• Microplaca para tipagem ABO/Rh

• Cartões em gel para tipagem

: biomolecular@bioeasy.com.br

: www.bioeasy.com.br

Purelab Flex: novo

ultrapurificador de água da

Analítica

A Analítica traz ao Brasil o novo lançamento

da Elga, marca especializada em

sistemas de purificação e ultrapurificação

de água: o Purelab Flex. Aliado à tradicional

confiabilidade e qualidade dos produtos

Elga, possui um design inovador e tecnologia

de ponta para atender às mais diversas

aplicações de laboratório.

Suas características são:

monitoramento de TOC (Carbono

Orgânico Total) em tempo real,

produção de água ultrapura a

18,2 MΩ-cm, dispensa manual

e volumétrica com dispensador

móvel e flexível, display no próprio

dispensador que exibe volume

e qualidade da água e entrada

USB para captura de dados.

: (11) 2162-8080

: www.analiticaweb.com.br

Cronômetro digital Erviegas

Em toda rotina laboratorial é cronômetro digital portátil que, além

comum exercer simultaneamente de proporcionar grande facilidade no

diversas atividades, sendo de grande manuseio, ainda está com um preço

importância a organização e controle “inacreditável”.

do tempo em cada etapa dos procedimentos.

• Apenas três botões para controle

Fácil manuseio

Para que você não tenha dificuldade

para controlar o tempo, • Estrutura ergonômica e com

de todas as funções

a EasyPath coloca à disposição o ranhuras laterais que facilitam o

manuseio

• Cordão longo, ideal para colocar

no pescoço

Funções

• Cronômetro: 1/100 seg

• Relógio digital: 12/24h

• Data: dia/mês/ano

Dimensões

• Cordão com 55cm de comprimento

• 60mm x 72mm x 11mm

• Peso: 24,5gr

Ótima visualização

• Display com 22mm de diâmetro

: www.erviegas.com.br

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Produção mais limpa (PmaisL): a ecoeficiência em um laboratório de análises clínicas

A sustentabilidade está na pauta das empresas no mundo

todo. Depois de diversas transformações advindas com a modernidade,

acarretando séria degradação do meio ambiente,

aumentou consideravelmente a preocupação de empresas em

crescer de forma sustentável e respeitando o meio ambiente.

A humanidade sempre utilizou os recursos naturais sem

nenhuma preocupação, porém atualmente a sociedade e as

corporações já estão se conscientizando de que o aspecto ambiental

é fundamental para sua sobrevivência, até porque hoje,

a capacidade do planeta se regenerar é menor que a quantidade

de recursos que são retirados pelo homem anualmente.

Com base nesse cenário, surgiu o programa de Produção mais

Limpa (PmaisL), que alia benefícios econômicos, ambientais e

sociais para as empresas. Por meio de uma metodologia, são

avaliados processos e serviços para diagnosticar quantitativamente

a ecoeficiência daquela companhia. Segundo o World

Business Council for Sustainable Development, a ecoeficiência é

alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços a preços

competitivos, que satisfaçam as necessidades humanas, tragam

qualidade de vida e reduzam progressivamente o impacto ambiental

e o consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo,

equivalente à capacidade de sustentação estimada do planeta.

A implantação de um modelo ecoeficiente traz várias vantagens

para as empresas, entre elas a redução de custos devido

à otimização do uso de recursos, melhoria da eficiência e

competitividade, favorecendo a inovação; melhoria da imagem

e do relacionamento com os órgãos ambientais e com a comunidade;

minimização dos danos ambientais, reduzindo os riscos

e responsabilidades derivadas destes e promovendo condições

ótimas de segurança e saúde ocupacional.

O PmaisL, desenvolvido pela consultoria Formato Clínico, permite

desde uma simples reflexão crítica sobre as possibilidades

de aprimorar processos visando à diminuição de desperdícios,

até a efetiva implementação de um Programa. O laboratório

Quaglia, em São José dos Campos, foi o primeiro a aderir ao

projeto, o que o ajudou na manutenção do seu programa ISO

14.000, uma vez que com o certificado conquistado, a companhia

precisa propor melhorias contínuas.

Os laboratórios de análises clínicas, como qualquer outra

empresa, têm processos que consomem recursos naturais, além

de gerarem efluentes líquidos, que precisarão ser tratados, e

resíduos sólidos, tanto perigosos como não perigosos, que necessitam

de um descarte adequado. No caso do Quaglia, foram

analisadas as instalações e os processos e identificado onde

estavam as oportunidades de melhoria em quesitos ambientais

e consequente economia de recursos financeiros. No final, após

aplicação da metodologia de PmaisL, foram propostas medidas

de baixo custo que trariam benefícios ambientais, econômicos

e retorno à curto prazo.

Com a aplicação efetiva da metodologia no laboratório, a

estimativa é de que haja redução de 30% no consumo de água

e redução de 27,4% no valor da conta de água, sendo que o

investimento necessário para as mudanças necessárias terá um

“Pay Back” de 2,7 meses. Com relação à energia elétrica, foi

feita uma proposta somente para área da recepção e projetou-se

uma redução do consumo de energia em KW de 55% e economia

de 20% no total gasto com energia, incluindo reposição de

lâmpadas, reatores e descarte adequado dos resíduos e o valor

necessário para implementação do novo sistema.

A conclusão com essa primeira experiência utilizando a metodologia

de PmaisL deixa claro que a empresa pode alcançar o

desempenho econômico desejado associado a um bom desempenho

ambiental, otimizando o consumo de recursos naturais

e reduzindo seu custo com medidas simples e de baixo custo,

sem esquecer que está contribuindo de forma importante na

consciência ambiental dos seus funcionários e colaboradores.

: www.formatoclinico.com.br

Assessor científico da Horiba ministra workshop em parceria com a CientificaLab

O assessor científico da Horiba, Robson Miranda, ministrou workshop sobre os equipamentos Pentra 60 e Micros, no IASERJ

(Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro), entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro.

A atividade aconteceu em parceria com a CientificaLab, o que possibilitou a realização de treinamentos também para instituições

do setor público (Estados e Municípios), uma vez que a empresa é especializada em serviços para a rede pública do SUS

(Sistema Único de Saúde).

O treinamento foi dividido em duas partes: teórico e prático. Durante as aulas, o especialista da Horiba levou aos profissionais

presentes as principais informações e funcionalidades do Pentra 60 e do Micros na prática. O objetivo foi sanar todas as dúvidas

possíveis para que os presentes estivessem habilitados a atingir a melhor performance dos produtos. “Este tipo de suporte é fundamental

para garantir o uso adequado de nossos equipamentos. Levamos para a prática o Pentra 60 e o Micros, porque são os mais

usados”, ressalta Miranda.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Consultorias presenciais do PNCQ Gestor aumentam pedidos de Acreditação no DICQ

Criado para atender à demanda de laboratórios

que participam dos treinamentos do

PNCQ Gestor e desejam solicitar a Acreditação

do Sistema de Gestão da Qualidade, o

serviço de consultorias presenciais oferecido

pelo Programa Nacional de Controle de Qualidade

– PNCQ superou expectativas. De novembro

de 2009 a novembro de 2010 foram

realizados 16 cursos do programa PNCQ Gestor

em várias cidades do país, contabilizando

623 participantes de 314 laboratórios. Destes,

boa parte já contratou a consultoria para implantar

o PNCQ Gestor e já está Acreditado

ou em processo de Acreditação pelo DICQ.

O serviço consiste em levar a expertise

dos consultores

até os

laboratórios requerentes

para

que auxiliem na

organização da

Laboratório

Central de

Altamira, primeiro

laboratório da

Região Norte a

ser acreditado

pelo DICQ

Consultor Luiz Fernando Barcelos em uma das aulas

do curso

documentação necessária para solicitar a

Auditoria de Acreditação. As Consultorias

Presenciais são um serviço especializado,

executado geralmente em dois dias de

acompanhamento por consultores do PNCQ

que vão até o laboratório, fazendo com que

o processo de Implantação do Sistema de

Gestão da Qualidade ocorra de maneira

ágil, eficaz e segura. Há casos em que o

laboratório solicita também treinamentos

personalizados para a equipe – como os de

“Formação de Auditores Internos”, “Biossegurança”

e “Gerenciamento de resíduos”.

Entre os que contrataram o serviço e

obtiveram a Acreditação no DICQ está o

Laboratório UNILAB, no Paraná. Segundo o

Consultores de qualidade do PNCQ

sócio-diretor do laboratório, Dr. Edgar Netzel,

a distância era um dos entraves para a execução

de serviços especializados. “Fazemos

o Controle de Qualidade com o PNCQ há 20

anos, e quando resolvemos entrar com o

pedido de Acreditação chegou um momento

em que as dúvidas foram se acumulando e

sentimos que eram necessários a opinião e

o conselho de alguém especializado”, afirma.

Para Netzel, além de esclarecer dúvidas, o

serviço também foi útil para promover uma

mudança de postura dos colaboradores em

relação a mudanças. “Com a Consultoria,

nossos colaboradores agregaram os conhecimentos

e mudaram radicalmente a cultura

que tinham até então”, ressalta.

Nos anos 1960 foram desenvolvidas alças

calibradas para a inoculação de diferentes

materiais com finalidade de quantificar

micro-organismos. Os materiais utilizados

atualmente para confecção de alças compreendem

a platina, a liga níquel-cromo por

não interferirem no crescimento microbiano.

Uma extremidade da alça ou agulha é

inserida num cabo cilíndrico (cabo de Kohle)

para facilitar o uso. A Newprov eliminou o

cabo tradicional, fixando a alça diretamente

numa haste metálica mais adequada.

A técnica de inoculação utilizada para

culturas semiquantitativas compreende

imergir uma alça calibrada de 0,01 ou 0,001

ml de fluido no líquido a ser cultivado, não

centrifugado e bem homogeneizado. A alça

deve ser imersa no líquido em posição vertical

e logo abaixo da superfície, para evitar

carreamento de líquido excedente pela haste

da alça. O líquido retido pela alça é depositado

na superfície de uma placa de ágar,

fazendo uma única estria de cima a baixo da

placa, passando pelo centro. O inóculo deve

ser então espalhado perpendicularmente à

estria inicial, de cima a baixo da placa.

Alças calibradas Newprov

Interpretação da contagem de colônias

Após 18 a 24 horas de incubação, o

número de bactérias na amostra é calculado

contando as colônias que cresceram na

superfície do meio. Quando utilizada uma

alça calibrada de 0,01 ml, o número de UFC/

ml é obtido multiplicando-se o número de

colônias por 100. Da mesma forma, para

uma alça calibrada de 0,001 ml, o número

de UFC/ml é obtido multiplicando-se o número

de colônias por 1000.

Composição e diferencial Newprov

As alças bacteriológicas Newprov

acham-se disponíveis em liga níquel-cromo

ou platina. As alças de platina são confeccionadas

com liga de metal apropriado para

possibilitar uma dureza adequada necessária

à semeadura.

As alças de níquel-cromo são confeccionadas

com tecnologia que propicia o

enrolamento do fio, possibilitando uma

maior adequação do produto com maior

durabilidade da calibração. Apresentações:

0,01ml e 0,001ml.

Como escolher a alça adequada

Na maioria das vezes a alça de níquelcromo

é adequada. Quando se realiza a

prova da oxidase recomenda-se utilizar

alça de platina.

Controle da qualidade do produto

Cada alça calibrada produzida é testada

pelo método colorimétrico preconizado

pelo Clinical Laboratory Standards Institute

(CLSI) para verificação da calibração. São

emitidos certificados de calibração a cada

lote produzido, constando o fator de calibração

obtido no controle.

: (41) 3888-1300

: vendas@newprov.com.br

: www.newprov.com.br

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Cadeia fria: vantagens de um sistema eficaz

O correto transporte de produtos de temperatura controlada

e as dificuldades encontradas para manter a cadeia

fria são temas que atualmente estão em evidência e são

carentes de informações. São produtos de extrema importância

para a saúde do paciente, tais como: medicamentos

oncológicos, vacinas, reagentes para linha diagnóstico, entre

outros que necessitam de temperatura controlada até chegar

ao cliente final.

Empresas do ramo farmacêutico, diagnóstico e de produtos

para a saúde vêm buscando constantemente aprimorar

seus processos de qualificação de transporte de produtos

perecíveis para que cheguem ao cliente com a mesma qualidade

de quando saiu da empresa fabricante. Uma vez que

seu produto é transportado incorretamente, pode facilmente

sofrer danos e causar consequências irreversíveis quando

utilizado.

As embalagens para transporte destes produtos devem

ser qualificadas de acordo com a temperatura especificada

pelo fabricante e com o tempo necessário para a entrega

ao cliente.

Quanto maior o tempo de manutenção térmica que a

embalagem suporta, maior a segurança no processo estabelecido

para transporte e menor o custo com a distribuição.

Quanto maior o tempo e a performance da embalagem

térmica nas condições preconizadas, maiores as opções de

tipos e formas mais econômicas de transporte. Pode-se, por

exemplo, aumentar o raio de distribuição pelo transporte

rodoviário que apresenta custos consideravelmente inferiores

ao transporte aéreo.

O curto prazo que uma embalagem térmica pode oferecer

ao sistema de transporte, não sendo este suficiente para

chegar ao destino de entrega, permite que o mesmo seja

passível de falhas. Em alguma parte do trajeto deverá ocorrer

a troca de elementos refrigerantes pelas bases das filiais das

transportadoras ou operadores logísticos, com o objetivo da

embalagem receber mais carga de elementos refrigerantes,

renovando o tempo de transporte. Este procedimento não é

considerado ideal, pois expõe a carga a riscos, tais como: o

não cumprimento correto do procedimento de montagem da

embalagem, o não congelamento ideal dos elementos refrigerantes,

ser manipulado por pessoas que não estão treinadas

e capacitadas para executar o procedimento e ainda existe

o risco de avarias, extravios e até mesmo a substituição

dos produtos por outros falsificados. Ou seja, não é possível

manter o controle das condições em que isto irá ocorrer.

Os profissionais envolvidos na cadeia fria devem constantemente

otimizar e aperfeiçoar embalagens que transportam

produtos perecíveis de alto valor agregado e com isso garantir

que a cadeia fria seja segura e confiável.

Diante deste cenário, a Polar Técnica há dez anos vem

se aprimorando para desenvolver estudos de qualificação

de embalagens térmicas cada vez mais robustas e eficazes.

Trata-se de uma empresa competente para solucionar as

dificuldades e desafios encontrados na cadeia fria.

Biocon, novidades para o setor laboratorial

Com uma estratégia comercial definida para ser uma

empresa exclusiva em testes rápidos, a Biocon, em conjunto

com os seus parceiros internacionais, lança no Brasil os seus

produtos em Point of Care e Home Care

Os produtos Biocon são fabricados com o que há de mais

moderno em P&D, seguindo rigorosos padrões de certificações

internacionais, sendo aprovados pela Anvisa, FDA e Comunidade

Europeia. As linhas de produtos são divididas em kits

para detecção de doenças infecciosas, marcadores tumorais,

marcadores cardíacos, drogas de abuso, hormônios e uroanálise.

A empresa está desenvolvendo novas possibilidades

para 2011, quando ampliará o seu mix de produtos, todos

com tecnologia POCT.

“A tecnologia POCT lançada nos EUA na década de 1970

expandiu-se para o restante do mundo nas décadas de 1980

e 90, e o seu uso vem se destacando cada vez mais, mostrando

seu importante papel junto à área

laboratorial, por fornecer resultados

confiáveis, com rapidez, portabilidade,

redução de custos e com muitas

possibilidades de intervenção precoce

nas ações médicas. Estes são apenas

alguns dos benefícios promovidos pela

tecnologia”, afirma Giuliano Araújo,

diretor comercial da Biocon.

: (31) 2552-8384 / : comercial@biocondiagnosticos.com.br

: www.biocondiagnosticos.com.br

Especialista em Hematologia da Horiba

ministra curso em Natal

A assessora científica da Horiba, Denise Carvalho Rezende,

foi convidada a ministrar curso com o tema “Hematologia:

o papel do analista clínico no diagnóstico de doenças hematológicas”.

Denise ministrou uma palestra sobre as atualizações

no diagnóstico de coagulação e homeostasia.

A profissional é doutoranda em Hematologia e Hemoterapia

pela Escola Paulista de Medicina – Unifesp/EPM e tem

pós-graduação em Hematologia Clínica pela Unesp de São

José do Rio Preto.

O evento aconteceu entre os dias 01 e 03 de dezembro,

no Hotel Praiamar, em Natal, RN. O Congresso foi realizado

em homenagem aos 90 anos da faculdade de Farmácia da

Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

: www.polartecnica.com.br

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NewsLab - edição 103 - 2010


Laboratórios LPCM e Genoa recebem Certificação

O Laboratório de Patologia Cirúrgica e Molecular (LPCM) e

o Genoa Biotecnologia, ambos do Hospital Sírio Libanês, receberam

a certificação da Comissão de Acreditação do College of

American Pathologists (CAP), uma sociedade médica americana

que serve mais de 17.000 médicos membros e a maior comunidade

laboratorial em todo o mundo, baseado nos resultados

da recente inspeção de seus laboratórios. Os dois estão agora

entre os 7.000 laboratórios certificados no mundo inteiro e entre

os 11 certificados no Brasil.

O Programa de certificação de Laboratório CAP, iniciado em

1960, é reconhecido pelo governo federal americano como sendo

o mais igualitário e exigente que o próprio programa federal de

inspeção. A certificação foi possível pela parceria com a Formato

Clínico, consultoria especializada no desenvolvimento de projetos

de gestão para vários segmentos de empresas da área de saúde,

que assessorou os laboratórios no processo de adequação aos

requerimentos do programa.

Durante o processo de acreditação os registros dos laboratórios

e os procedimentos de qualidade passam por uma análise

detalhada. Os inspetores examinam as qualificações da equipe,

assim como equipamentos, plantas físicas, registros e programas

de segurança, além do gerenciamento geral do laboratório. Este

rigoroso programa de inspeção é desenhado para assegurar o

mais alto padrão de atendimento aos pacientes.

BioSys/Kovalent: linha completa de reagentes imuno-hematológicos

A BioSys/Kovalent oferece uma linha completa de reagentes para serem

utilizados em tipagens sanguíneas ABO e Rh, e outros sistemas de grupos

sanguíneos, lectinas, antiglobulina humana e reagentes complementares, tais

como LISS, albumina, enzimas e tampão PBS.

Medicina transfusional segura começa com reagentes imuno-hematológicos

de qualidade:

ABO Lectinas Rh Controles

Anti-A Anti-A 1

Anti-D Duoclone

Anti-B

Anti-AB

Anti-H

Anti-D IgM Clone 1

(Clone RUM – 1)

Anti-D IgM Clone 2

(Clone MS-201)

Anti-D

Monoclonal

Control

Antiglobulinas humanas

(Coombs)

ELITE Polyspecific

AHG-Clear e Green

Reagentes

complementares

LISS

Rh Control Serum Anti-IgG AHG-Clear e Green Albumina 22%

Enzimas

Papenzyme

(Papaína)

Bromelite

(Bromelina)

Soros raros

Anti-M

Anti-N

Precise Anti-D Anti-Human C 3

d Monoclonal PBS Anti-S

Anti-C Inert Group AB Serum Anti-s

Anti-c

Anti-E

Anti-e

Anti-C+D+E

Anti-Cw

Anti-Fya

Anti-Fyb

Anti-K

Anti-k

Anti-Kpa

Anti-Kpb

Anti-Jka

Anti-Jkb

Anti-Lua

Anti-Lub

Anti-Lea

Anti-Leb

Anti-P1

: sac@biosys.com.br / : www.kovalent.com.br / : www.biosys.com.br

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NewsLab - edição 103 - 2010


Análise apresenta o Interlab G26: automação completa para eletroforese “Gold Standard”

Reconhecida por seus produtos inovadores

e serviços de qualidade, a Análise

mais uma vez inova, trazendo ao mercado

brasileiro o Interlab G26.

Um sistema totalmente automático de

eletroforese, com a tecnologia e qualidade

exigidas pelo mercado mundial, o Interlab

G26 é um equipamento compacto e completo

para eletroforese clínica em gel de

agarose, “gold standard” de acordo com

órgãos internacionais como American College

of Patologists.

Desde a aplicação até a leitura sem

intervenção do operador, o Interlab G26

possui um braço mecânico com cabeçote

magnético que controla o movimento automático

de todos os géis, nas diferentes

etapas do preparo e durante a leitura. A

aplicação de amostras é automatizada e

extremamente precisa. Mesmo a proteína

mais viscosa é aplicada no gel, sem perda

de proteína e sem pré-tratamento.

A migração ocorre em câmara seca com

controlador tipo Peltier, garantindo uma

migração rápida, com excelente focalização

de bandas e com ótima reprodutibilidade.

Leitura por densitometria automatizada, o

sistema contra com densitômetro integrado,

não há necessidade de trocas de lâmpadas

ou ajustes, graças à fibra ótica que alimenta

o sistema de densitometria. Tudo isto, com

a incrível produtividade de 117 amostras de

proteínas do soro por hora.

Menu completo de testes inclui proteínas,

hemoglobinas, lipoproteínas, proteínas

de alta resolução, imunofixação, Bence

Jones e proteinúria.

: www.analiselaboratorios.com.br

IL promove workshop internacional

A IL Brasil promoveu no último dia 25 de novembro, no

Teatro da Faculdade de Medicina da USP, um evento internacional

cujo tema principal foi a Trombofilia.

O palestrante convidado foi o Prof. Dr. Armando Tripodi,

do Laboratório de Medicina Angelo Bianchi Bonomi, Centro de

Hemofilia e Trombose do Departamento de Medicina Interna

da Universidade de Milão, Itália. E para mediar os debates,

a empresa convidou o Dr. Elbio Antonio D´Amico, Professor

Livre-Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de

São Paulo e Médico Assistente do serviço de Hematologia do

Hospital das Clínicas de São Paulo.

Com sua apresentação versando sobre o tema “Síndrome

Antifosfolipídica e as Novas Guidelines ISTH para Detecção de

Anticoagulante Lúpico”, o Dr. Tripodi explicou aos participantes

as principais resoluções do Congresso da Sociedade Internacional

de Hemostasia e Trombose que houve em Boston recentemente

e que resultou em um consenso. “A ideia do grupo

multidisciplinar que participou da confecção dos guidelines é

possibilitar uma padronização da pesquisa do anticoagulante

lúpico para evitar fatores que possam interferir nos resultados

e fazer com que o exame seja interpretado de maneira errada.

Os novos guidelines na verdade não estão procurando mudar

o conceito diagnóstico, mas explicam como deve ser feito o

teste para uma melhor interpretação”, enfatizou Dr. Tripodi.

Com grande experiência laboratorial e de aplicação desses

testes na clínica, Dr. Tripodi explicou detalhadamente a

finalidade desses testes, que é identificar as pessoas com

uma trombofilia hereditária ou adquirida e, num primeiro

momento, orientar o tratamento e o tempo de tratamento da

maneira mais adequada.

Dr. Elbio D´Amico complementou afirmando que existe

uma certa falta de conhecimento sobre a maneira correta de

fazer e interpretar esses testes. “Os novos guidelines explicam

quando esses testes devem ser pedidos e como eles devem

ser interpretados. Isto porque nos testes de anticorpos antifosfolípides,

por exemplo, um exame só não é conclusivo.

Depende-se de um novo exame feito, em tempo hábil, e que

se for positivo confirma o diagnóstico. Com a interpretação

parcial dos resultados, uma pessoa que tem um exame positivo

já é rotulada como portadora da síndrome antifosfolípide e isso

tem uma implicação psicológica e terapêutica, já que, muitas

vezes, é apenas um exame transitório”, explicou Dr. Elbio.

Outros aspectos abordados foram os relacionados à técnica

em si, que exige conhecimentos específicos, como a dupla

centrifugação. Além disso, os profissionais de laboratório devem

ser treinados sobre os melhores critérios pré-analíticos

para a boa realização do teste.

Os organizadores explicam ainda que neste workshop

internacional abordou-se a importância da implementação de

novos testes que são já um consenso internacional e amplamente

utilizados, como o teste Cromogênico para detecção

de fator VIII e o teste de Geração de Trombina.

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NewsLab - edição 103 - 2010


Bio-Rad: triagem de hemoglobinas e doadores de sangue

De acordo com o descrito na RDC 153 /

2004, “toda transfusão traz em si um risco,

seja imediato ou tardio, devendo, portanto,

ser criteriosamente indicada”.

Com relação à detecção de hemoglobinas

anormais, a RDC, determina que “é

obrigatória a investigação de hemoglobina

S e de outras hemoglobinas anormais nos

doadores de sangue”. Pela riqueza da miscigenação

populacional, existe uma perspectiva

de aumento significativo dos casos das

diversas hemoglobinopatias no País, sejam

elas assintomáticas ou não. Por este motivo

a Bio-Rad acredita que “trabalhar” com o

universo de doadores proverá informações

preciosas para a elaboração de ações específicas

nesta área.

A Bio-Rad não poderia deixar de atentar

para este segmento, no qual tanto pode

contribuir com a saúde pública. A empresa

entende que este tipo de triagem não

somente protege o transfundido, como

também fornece subsídios para um trabalho

muito mais amplo no que diz respeito às

hemoglobinopatias. E este trabalho deve

ser implementado de forma muito séria em

várias frentes, que são elas: a triagem, o

diagnóstico, o monitoramento e a orientação.

A Bio-Rad tem mais de 30 anos de

evolução no campo de separação por

cromatografia de troca iônica, alcançando

uma das mais importantes metodologias do

mercado, que é a Cromatografia Líquida de

Alta Pressão (HPLC), a qual fornece sensibilidade,

especificidade, facilidade de operação,

velocidade, robustez e automação para

qualquer rotina, estando completamente

apta a desempenhar um excelente trabalho

neste segmento.

A Bio-Rad não poupará esforços para

agregar mais esta ferramenta à saúde

pública do País.

: (21) 3237-9400 / : (11) 5044-5699

: atendimento@bio-rad.com

: www.bio-rad.com

Expansão da citologia em meio líquido ganha impulso com a metodologia BD SurePath

Depois da implementação em 100% dos EUA e estando, também, bastante difundida na Europa, a citologia em meio líquido

vem crescendo cada vez mais no Brasil.

Nos últimos meses, dois renomados laboratórios de São Paulo, como o Instituto

Adolfo Lutz, receberem o equipamento BD PrepStain e começaram a trabalhar a

tecnologia BD SurePath.

A responsável pelo novo impulso na implementação dessa metodologia é a BD, líder

mundial na fabricação de suprimentos e dispositivos médicos, equipamentos laboratoriais

e produtos para diagnóstico.

Reforçando sua missão de ajudar as pessoas a viverem vidas saudáveis, em 2010 a BD

passou a atuar no segmento Saúde da Mulher e Câncer por meio da unidade de negócio

Diagnostic Systems. Constantemente preocupada com o investimento em avanços tecnológicos

para oferecer produtos e serviços de alto valor agregado a seus clientes, este segmento, em um futuro próximo, contará

com outros produtos que complementarão seu portfólio.

: www.bd.com

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NewsLab - edição 103 - 2010


Roche promove o II Fórum Latino-Americano de Diagnóstico In Vitro

A Roche Diagnóstica realizou em São

Paulo, nos dias 2 e 3 de dezembro, o 2º

Fórum sobre Diagnóstico in Vitro para

clientes da região que engloba América

Latina e Península Ibérica.

No evento, cerca de 200 especialistas

da área de diagnóstico in vitro de 13 países

reuniram-se para discutir sobre inovação,

eficiência clínica e valor médico do

setor de diagnóstico para o processo de

assistência à saúde. O fórum contou com

a presença de reconhecidos palestrantes

vindos de centros de pesquisa nos EUA,

Canadá, Argentina, Panamá e Espanha.

A primeira edição do Fórum aconteceu

no México em 2008 e tornou-se uma

extraordinária plataforma para que especialistas,

técnicos e gerentes da área de

saúde debatessem seus pontos de vista

e estratégias para enfrentar os desafios

que surgem atualmente com a melhora

da qualidade dos serviços para o setor de

atendimento à saúde.

As primeiras sessões concentraram-se

na inovação e no papel desempenhado

pelos recentes desenvolvimentos na

área da genômica. Roger Paredes, chefe

de Epidemiologia Molecular do Hospital

Germans Trias i Pujol Badalona, Espanha,

analisou o rápido desenvolvimento

das técnicas de sequenciamento e as

investigações que se encontram em andamento

na Espanha. “A personalização da

medicina se transforma, com estas novas

técnicas, em um objetivo que ajudará não

apenas na melhor qualidade de vida dos

pacientes afetados por certas doenças,

com baixos resultados nos tratamentos

aplicados, mas também na redução dos

efeitos colaterais”.

Dr. Eric Walk, vice-presidente Senior

e Chefe do Setor Médico Roche Tissue

Diagnostics, EUA, destacou que, no caso

de câncer, o patologista desempenha um

papel cada vez mais importante na aplicação

de tratamentos individualizados,

fornecendo informações mais detalhadas

sobre os tumores, usando avanços da

biologia molecular que ajudam a identificar

mais claramente diferentes tipos,

subtipos e mutações de tumores.

Daniel O’Day, COO da Roche Divisão

Diagnóstica, Basileia, Suíça, em sua

exposição enfatizou a contribuição indispensável

do diagnóstico in vitro para o

sistema de saúde como um todo, porque

fornece assistência personalizada ao

paciente e subsídios para que o médico

possa tomar as melhores decisões terapêuticas.

“A Roche é líder mundial em

diagnóstico in vitro e a primeira também

em biotecnologia e oncologia. Para manter

essa posição, são investidos 9 bilhões

de euros todos os anos”, explica O´Day.

Também participaram do evento os

seguintes palestrantes:

• Jaime Vives, gerente geral da Roche

Diagnóstica, Espanha, e Diretor de Região

América Latina

• Dr. William LaRochelle, Desenvolvimento

de Negócios em Saúde Roche 454

LifeSciences Brandford, EUA

• Michael Kulling, gerente da Consultoria

de Projetos Roche Diagnostics

Mannheim, Alemanha

• Ariovaldo Mendonça, diretor técnico

do Instituto Hermes Pardini

• Dra. Lydia Blanco, diretora técnica

e gerente do Centro de Hemoterapia e

Hemodoação Castilla e León, Espanha

• Dr. Pablo Mokfaldi, Diretor Técnico

do Centralab, Buenos Aires, Argentina

• Pola Ramírez, diretora do Laboratório

Seguro Social, Panamá

• Dr. Francesc Moreu, Consórcio de

Saúde e Assistência Social da Catalunha

Barcelona, Espanha

• Dr. Eduardo Franco, professor dos

Departamentos de Oncologia, Epidemiologia

e Bioestatística e Diretor da Divisão

de Epidemiologia do Câncer Mc Gill University,

Montreal, Canadá

• Dr. Leandro Gustavo de Oliveira,

PhD em Imunologia da Gestação Pesquisador

Associado do Depto. de Obstetrícia

e Laboratório de Imunologia Clínica e

Experimental Unifesp

• Dr. Fernando López-Ríos, chefe do

Laboratório de Alvos Terapêuticos Centro

Integral Oncológico Clara Campal Hospital

Universitário Madrid Sanchinarro Madrid,

Espanha

Biosystems apresenta sua nova linha de vidrarias TWA

Muito utilizada nas rotinas de diversas práticas de laboratórios biológicos, químicos e farmacêuticos, a linha de vidrarias da

marca TWA possui certificado de qualidade e é feita de vidro em borosilicato classe A, com graduações.

Completa, a linha possui produtos como:

• Balão volumétrico • Bureta • Copo de Becker • Dessecador a vácuo

• Erlenmeyer • Frasco reagente • Proveta • Pipeta sorológica

• Pipeta volumétrica • Tubo de ensaio (com e sem borda)

: www.biosystems.com.br

84

NewsLab - edição 103 - 2010


Delta inaugura nova sede e supera todas as expectativas

A inauguração da nova sede do Delta

Laboratório de Apoio realizada no dia 22

de outubro foi um sucesso. O evento reuniu

mais de 200 pessoas, onde estavam

presentes clientes, colaboradores, amigos,

fornecedores e representantes de grandes

marcas da área de diagnóstico.

Um momento de muita alegria e emoção,

comemorada em grande estilo, em que

todos tiveram a oportunidade de conhecer

as modernas instalações de um laboratório

de apoio onde os investimento em equipamentos

e estrutura foram feitos para garantir

uma maior excelência no atendimento

aos parceiros e aos seus funcionários. Tudo

isso é fruto de um trabalho muito bem organizado

por toda a Diretoria Executiva, sob

a presidência do Dr. Luiz Leone.

Após receber seus clientes e parceiros

para uma visita ao laboratório, promoveuse

uma grande festa onde os convidados

apreciaram boa música e um cardápio

muito bem elaborado.

Ao início da solenidade, os dirigentes

do Delta, Luiz Leone e Dra. Miralva Leone,

falaram sobre a história de sucesso do

Delta e da alegria de estar compartilhando

essa nova conquista com os amigos

presentes no evento.

"Hoje é um dia muito feliz, um dia de

realização da conquista de um sonho compartilhado

com muitas pessoas que sempre

estiveram envolvidas com o crescimento

do Delta. O setor de diagnóstico ganha,

agora, um laboratório de apoio com padrões

internacionais e com um layout exclusivo”,

diz Luiz Leone.

Roberto Ferrarini, da Siemens, só teve

elogios para a organização do evento e parabenizou

o Delta pelo avanço tecnológico

e pela excepcional estrutura apresentada.

"Nós, da Siemens, estamos muito honrados

de sermos parte desta festa e desejamos

muito sucesso para o Delta”.

: www.deltaapoio.com.br

O diagnóstico correto para a identificação dos principais parasitas

Manifestações clínicas de giardíase,

amebíase e criptosporidiose variam de

indivíduos assintomáticos aos com diarreia

crônica debilitante, perda de peso e má

absorção. O diagnóstico pela microscopia

tem sido o método mais comumente

utilizado. Entretanto, esse procedimento

requer a presença de organismos intactos

nas fezes. A metodologia por Elisa é

um teste alternativo em amostras fecais,

apresentando uma sensibilidade superior

quando comparado à microscopia, portanto

a detecção de antígenos por Elisa confere

maior acurácia ao diagnóstico parasitário.

Características Giardia

• Detecção qualitativa de antígenos de

Giardia lamblia

• Sensibilidade 100% e especificidade

100%

• Amostras frescas, congeladas ou em

meio conservantes com formalina 10%

ou acetato de sódio-formalina (SAF)

Características: Cryptosporidium

• Detecção qualitativa do antígeno de

Cryptosporidium

• Sensibilidade 100% e especificidade

100%

• Amostras frescas, congeladas ou em

meio conservante com formalina 10%

ou SAF

Características: Entamoeba histolytica

• Detecção qualitativa do antígeno da E.

histolytica

• Sensibilidade 88% e especificidade

100%

• Utilizar amostras frescas e congeladas

• Não utilizar amostras conservadas em

formalina 10% ou SAF

Em todos os kits os reagentes estão

prontos para uso, exceto a Solução de

Lavagem, os controles estão incluídos, as

incubações são realizadas em temperatura

ambiente, possuem pipetas de amostra, o

que facilita o manuseio e a leitura poderá

ser visual ou automatizada. Para leitura

visual o kit fornece cartão de interpretação.

: (21) 2622-4646

: medivax@medivax.com.br

:www.medivax.com.br

86

NewsLab - edição 103 - 2010


Comunicado ao mercado

Aos amigos, fornecedores,

representantes, colaboradores

e clientes

Comunicamos que após 4 anos e 9 meses de trabalhos junto a empresa DASA

(Diagnósticos da América) solicitamos o nosso desligamento da Cia. Contribuímos para

o crescimento da marca de Apoio e Referência ampliando o faturamento da empresa

em 30% ao ano, com aproximadamente 4.200 Laboratórios Clientes e 2,2 milhões de

testes mês. Realizamos o nosso trabalho, com dedicação e ética, respeitando sempre as pessoas,

sempre fazendo melhor o que já fazíamos anteriormente.

Agradecemos a todos os nossos clientes, fornecedores, representantes, colaboradores, sociedades

e amigos pela convivência harmoniosa e pelo apoio recebido nestes 43 anos de participação no

mercado de análises clínicas através da marca Alvaro – Centro de Analises e Pesquisas Clínicas.

Agora é um novo momento em nossas vidas. Além de outras atividades e empreendimentos,

continuaremos a atuar na área de diagnóstico, pois acreditamos no presente e futuro desta

atividade. Por força contratual ficaremos afastados da área de Apoio a Laboratórios durante o

período acordado, mas dentro das possibilidades de atuação no mercado de análises clínicas,

permitidas contratualmente, seguramente estaremos ativos no próximo ano.

Exatamente com o mesmo espírito de pesquisa e curiosidade científica continuaremos nossos

estudos sobre a insuficiência de Vitaminas D e a sua relação com diversas patologias, assim

como a aplicação da biologia molecular na farmacogenômica. A constante busca de novos

biomarcadores para auxiliar no diagnóstico, monitoramento de patologias e a busca na inclusão

deles na rotina laboratorial será o nosso desafio nos próximos anos.

Paralelamente ao desenvolvimento científico, aproveitaremos a determinação e relacionamento

para disseminar os conhecimentos administrativos, que serão agora cada vez mais

disponibilizados aos nossos colegas e clientes. Todos os diferenciais competitivos serão

reativados e buscaremos criar um ambiente adequado para ajudar e facilitar o crescimento dos

pequenos e médios laboratórios de análises clínicas em todo o Brasil.

Concluindo este comunicado, aproveitamos o

momento para desejar a todos os nossos amigos,

colegas, clientes e fornecedores, um próspero Ano

Novo.

Marco Antonio Largura e Alvaro Largura


TV em sala de espera enseja

pagamento de direitos autorais

A

Lei de Direito Autoral (Lei

Federal 9.610/98) é aplicada

nos locais que mantêm

TV com canal aberto ou por assinatura

e/ou rádio ligado. A partir

de agora, consultórios, clínicas e

hospitais que tiverem TV ou aparelhos

de som nas salas de espera

terão de pagar uma taxa de direitos

autorais para o Escritório Central

de Arrecadação e Distribuição,

instituição criada para representar

compositores, intérpretes, músicos,

editores e produtos fonográficos.

A Súmula 63 do S.T.J. assegura

o pagamento de direitos autorais

pela retransmissão de músicas em

estabelecimentos comerciais. Para

a fruição da obra intelectual, há

duas situações distintas:

a) pelas empresas de rádio e

televisão e

b) nos estabelecimentos comerciais

quando recebem as emissões

e as divulgam para o seu público

frequentador

A captação posterior, em lugares

públicos, depende de nova autorização

para que o direito autoral seja

protegido, ressalvadas as exceções

de não pagamento nos casos previstos

em lei: transmissões domiciliares

ou para fins didáticos. A cobrança do

direito autoral apoia-se nos artigos

73 e parágrafos, e 35 da Lei nº 5.

938/73, além de no art. 52, incisos

XXVII e XXVIII, letra ‘b’ da Constitu-

ição Federal, assim como nos artigos

11 e 11-bis da Convenção de Berna,

ratificada pelo Brasil através do Decreto

75.699, de 06.05.75

“A turma confirmou o entendimento

do tribunal a quo de que é

devido o pagamento de direitos autorais

em razão da exibição de programas

televisivos nas dependências

de clínica médica pediátrica,

pois elas se caracterizam como ambientes

de frequência coletiva, tais

como os hotéis, academias, bares

e restaurantes. Contudo, no caso,

não é devida a multa do art. 109

da Lei n. 9.610/1998 (vinte vezes

o valor que originariamente deveria

ser pago), visto que, conforme precedentes,

ela só é devida nos caso

em que exista comprovada má-fé

e ação deliberada para usurpar o

direito autoral. Precedentes citados:

REsp 791.630-RJ, DJ 4/9/2006;

REsp 556.340-MG, DJ 11/10/2004;

REsp 111.105-PR, DJ 10/2/2003;

REsp 329.860-RJ, DJ 1/2/2005;

AgRg no EDcI no Ag 938.715-RJ,

DJe 23/5/2008 , e REsp 439.441-

MG, DJ 10/3/2003. REsp 742.426-

RJ, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior,

julgado em 18/2/2010.”

Para STJ, exibir TV paga em

ambientes coletivos requer pagamento

de direito autoral. A exibição

de programas transmitidos por

emissoras de TV a cabo em ambientes

de frequência coletiva, como

clínicas de saúde hospitais, hotéis,

academias, bares, restaurantes e

outros, está sujeito ao pagamento

de direitos autorais. O entendimento

é do STJ (Superior Tribunal de

Justiça), ressaltando que a exibição

dos programas televisivos produz

beneficio indireto e valoriza os

serviços oferecidos onerosamente.

O cálculo do valor é feito por

metro quadrado de área sonorizada,

nos locais onde existe aparelho de

TV. O menor valor é para uma área

sonorizada de até 30 metros quadrados,

cuja taxa mensal é de R$ 46,96.

Se a área for entre 111 a 481

metros quadrados, o valor pula

para R$ 234,80 por mês, no qual o

valor varia sempre de acordo com

a metragem de área sonorizada.

Simulando uma área de 500

metros quadrados, a cobrança passa

para R$ 258,00. Num estabelecimento

de até 1.000 metros quadrados,

o valor será de R$ 516,00 e

assim, sucessivamente.

O pagamento pode ser feito

mensalmente ou a cada três ou seis

meses. Qualquer pessoa física ou

jurídica que quiser colocar som ou TV

onde serão veiculadas músicas em

um ambiente coletivo terá de solicitar

autorização prévia para o Ecad.

Ivani Pereira Baptista dos Santos

Advogada

ivanipbsantos@hotmail.com

92

NewsLab - edição 103 - 2010


ESPECIAL Especial

Especial

ESPECIAL

Especial

ESPECIAL

Especial ESPECIAL

ESPECIALEspecial

Garrafa de champanhe invertida

O champanhe ou champanha

(Fr. champagne) é um

vinho branco espumante,

produzido na região de

Champagne, nordeste da

França, através da fermentação

da uva. A região

administrativa é Champagne-Ardenne,

cuja capital é

Epernay. Segundo relatos

históricos, foi próximo a

Epernay, no povoado de Hautvillers, que os monges

Dom Pérignon e Dom Ruinart se esforçaram para domar

os vinhos que fermentavam novamente nas garrafas,

fazendo-as explodir. A região de Champagne produz,

em grande maioria, vinhos espumantes (brancos ou

rosados), à base das uvas chardonnay, pinot noir e

chamados simplesmente de champanhe.

Atribui-se aos romanos o fato de terem plantado as vinhas

na região, embora haja documentos históricos que atestem

que a cultura da vinha vem de muito antes, segundo o

famoso escritor Plínio. Os romanos teriam apenas iniciado

a produção dos espumantes em França.

Um dos motivos que elevaram a fama deste vinho foi o

fato de que, em Reims, cidade mais importante de Champagne,

foram coroados quase todos os grandes reis da

França. A coroação ocorria na catedral de Notre-Dame

de Reims, construída em 1225, e o champanhe era servido

nas comemorações. Por este motivo, ficou conhecido

como o vinho dos reis.

O caráter espumante do vinho se deve à fermentação associada

à produção de gás carbônico (dióxido de carbono).

Garrafa, como se sabe, é vaso de vidro cilíndrico, com gargalo

estreito, e destinado a conter líquidos. A de champanhe,

tradicionalmente, tem forma peculiar, com gargalo estreito,

sem ombros, de curvas suaves e de vidro grosso para suportar

a pressão interna. É bastante conhecida da população como

“marca registrada” do famoso vinho espumante.

Em algumas doenças que se manifestam principalmente

por alterações nos membros inferiores, as deformidades

instaladas foram comparadas ao formato de uma gar-

rafa de champanhe. Uma destas condições é a doença

de Charcot-Marie-Tooth ou atrofia muscular peroneal ou

NHSM tipo I (neuropatia hereditária sensitivo-motora;

ingl. hereditary motor and sensory neuropathy-HMSN).

É a neuropatia periférica mais comum, acometendo

cerca de 1:2.500 indivíduos e de herança autossômica

dominante. A maioria dos casos resulta de mutações

em PMP22 (ingl. peripheral myelin protein-22). O início

dos sintomas ocorre geralmente na 2ª ou 3ª décadas,

isto é, em adolescentes e adultos jovens. O distúrbio é

predominantemente motor, caracterizando-se pela atrofia

progressiva dos músculos distais dos membros inferiores.

Há atrofia dos pés (pés cavos) e dos músculos fibulares

das pernas, que se tornam finas e desproporcionais ao

volume das coxas, relativamente preservadas. O aspecto,

à ectoscopia, lembra a forma de uma garrafa de

champanhe invertida. Mais tarde há atrofia das mãos e

antebraços. Ocorre também perda da sensibilidade distal,

porém discreta em relação ao déficit motor. A velocidade

de condução nervosa medida por eletroneurografia está

reduzida a 10-30 m/s (normal seria 50-60 m/s no membro

superior). A doença dura várias décadas, podendo

parar de progredir espontaneamente.

Outra condição em que ocorre o aspecto acima descrito

é aquele observado em úlceras crônicas da perna e na

lipodermatosclerose resultantes de distúrbios de vascularização

da perna. Os tecidos edemaciados podem

ser invadidos por fibroblastos, com endurecimento do

terço inferior da perna e com edema acima da área de

constrição, configurando também o aspecto de garrafa

de champanhe invertida (Ingl. champagne bottle legs).

Alguns tratados em língua inglesa citam também, como

análogos, perna de cegonha (ingl. stork leg deformity)

ou perna de piano (ingl. piano leg appearance).

(Texto baseado, em parte, em publicações nacionais e americanas).

José de Souza Andrade Filho - Patologista, membro da Academia

Mineira de Medicina e professor de anatomia patológica da

Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

94

NewsLab - edição 103 - 2010


Artigo

Prevalência e Perfil de Resistência de Escherichia coli em

Uroculturas Positivas no Período de 2007-2008, em Hospital de

Médio Porte no Oeste de Santa Catarina

Elidiana de Bona 1 , Lucinara Regina Cembranel 2 , Estefania Luiza Bernardi 3 , Carlos Henrique Sguissardi 4 , Alexandre M. Fuentefria 5

1 - Farmacêutica - Universidade Comunitária Regional de Chapecó

2 - Centro de Ciências da Saúde - Universidade Comunitária Regional de Chapecó

3 - Farmacêutica Especialista em Microbiologia Clínica - Pontifícia Universidade Católica do Paraná

4 - Farmacêutico Especialista em Análises Clínicas - Universidade Comunitária Regional de Chapecó

5 - Departamento de Análises, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Resumo

Summary

Prevalência e perfil de resistência de Escherichia coli

em uroculturas positivas no período de 2007-2008, em

hospital de médio porte no oeste de Santa Catarina

Examinar e cultivar amostras visando à detecção de micro-organismos

e realizar as provas de suscetibilidade aos antibióticos são algumas

das funções do laboratório de microbiologia. As infecções do

trato urinário são um dos quatro tipos mais frequentes de infecções,

tendo como agente etiológico prevalente a Escherichia coli, sendo

visto como um problema de saúde pública mundial, razão pela qual

o diagnóstico microbiológico é relevante, visando correto tratamento.

O estudo objetiva identificar o agente etiológico mais frequente nas

uroculturas realizadas em laboratório de um hospital na cidade de

Chapecó-SC, no período de 01/2007 a 03/2008. Foi realizado um

levantamento de todas as culturas de pacientes internos e externos

realizadas no setor de microbiologia do laboratório de um hospital

de médio porte no oeste de Santa Catarina. Foram selecionadas as

uroculturas do período e realizada a verificação das positividades

e perfil de resistência para amostras com crescimento de E. coli,

considerando os antimicrobianos de escolha, quinolonas (ácido

nalidíxico, ácido pipemídico), fluoroquinolonas (ciprofloxacina,

norfloxacina) ampicilina, gentamicina, sulfametoxazol/trimetoprim.

Foram realizadas 1.661 uroculturas, sendo que 39,43% das amostras

demonstraram crescimento de algum tipo bacteriano patogênico

e 60,57% de cultivos não apresentaram crescimento algum. Das

amostras positivas (440), 68,18% (300) tiveram como resultado o

crescimento de E. coli. Em relação à resistência aos antimicrobianos,

37% das amostras positivas para E. coli apresentaram resistência

ao ácido nalidíxico, 36,67% ao ácido pipemídico, 20,33% ao

ciprofloxacino, 24,33% ao norfloxacino, 58,67% à ampicilina,

27,33% à gentamicina e 53,67% a sulfametoxazol/trimetoprim.

Palavras-chave: Análise microbiológica, resistência bacteriana,

urocultura

Prevalence and resistance profile of Escherichia coli in

positive urine cultures during the period of 2007-2008,

in a medium size hospital of Santa Catarina

Examine and cultivate samples aimed at the detection of

microorganisms and carry out tests of susceptibility to antibiotics

are some of the functions of the microbiology laboratory.

The urinary tract infections are one of the four most common

types of infections, with the most frequent causative agent with

Escherichia coli. Considered a public health problem worldwide,

the microbiological diagnosis is relevant, seeking proper treatment.

The study aims to identify the causative agent most often

performed on urine culture in the laboratory of hospital mid-size

in the west of Santa Catarina, in the period from 01/2007 to

03/2008. It was conducted a survey of all cultures of patients

carried out internal and external sector of the microbiology laboratory

of the hospital, selected the urine culture of the period,

and made the verification of positivities and profile of resistance

for samples with growth of E. coli considering the antimicrobial

of choice, quinolones (nalidixic acid, acid pipemídico), fluoroquinolones

(ciprofloxacin, norfloxacin) ampicillin, gentamicin,

sulfamethoxazole / trimethoprim. 1661 urine culture were held,

with 39,43% of the samples showed growth of any bacterial

pathogen and 60,57% of crops did not show any growth. Of

the positive samples (440) 68,18% (300) led to the growth of

E. coli. For antimicrobial resistance, 37% of the samples positive

for E. coli showed resistance to nalidixic acid, 36,67% to acid

pipemídico, 20,33% to ciprofloxacin, 24,33% to norfloxacin,

58,67% to ampicillin, 27,33% to gentamicin and 53,67% to

sulfamethoxazole / trimethoprim.

Keywords: Microbiological analysis, resistance, urine culture

98

NewsLab - edição 103 - 2010


Introdução

As principais funções do laboratório

de microbiologia clínica é

examinar e cultivar amostras

para detecção de micro-organismos,

identificar com precisão espécies

envolvidas em isolamentos e realizar

as provas de suscetibilidade aos antibióticos

quando indicadas. Os dados

microbiológicos são importantes para

avaliar o curso da antibioticoterapia e

proporcionar informações epidemiológicas

para definir fontes comuns de

infecção (1).

As infecções que acometem o trato

urinário (ITU) pertencem ao grupo

dos quatro tipos mais frequentes

de infecções, sendo caracterizadas

pela invasão de micro-organismos

em qualquer tecido da via urinária

(2). Essas podem ser divididas em

inferior, onde a presença de bactérias

se limita à bexiga (cistite), e do trato

superior (pielonefrite), que se define

como aquela que afeta a pélvis e o

parênquima renal.

Sua prevalência e etiologia dependem

de fatores do tipo epidemiológico,

geográfico, idade, sexo, existência de

patologias de base, entre outros (3),

sendo os agentes etiológicos mais

envolvidos a E. coli, outras enterobactérias

como Proteus spp., Klebsiella

spp., e Staphylococcus saprophyticcus,

tendo a primeira como a mais

isolada (2).

Trata-se de um importante problema

de saúde pública, sendo a

segunda maior causa de patogenias

na população mundial (4). Razão pela

qual a urocultura quantitativa, que

indica além do crescimento bacteriano

no trato urinário, permite também o

isolamento do agente etiológico e o

estudo de sua sensibilidade aos antimicrobianos

através do antibiograma

(4), é tão relevante.

O principal objetivo do uso de um

antimicrobiano é prevenir ou tratar

uma infecção, diminuindo ou eliminando

os organismos patogênicos e,

se possível, preservando os germes

da microbiota normal. As bactérias resistentes

a múltiplos antimicrobianos

representam um desafio no tratamento

de diversas infecções causadas por

esses agentes (5).

Estudos mostram o aumento da

frequência de resistência de E. coli

aos vários antimicrobianos de uso nas

infecções do trato urinário, entre eles

as quinolonas, fluoroquinolonas, sulfa/

trimetoprim, ampicilina e gentamicina

(3, 4, 6-9). Estudos mostram que a

resistência às quinolonas geralmente é

resultado de mutações cromossômicas

ou mediada por plasmídeos.

As formas dos micro-organismos

adquirirem resistência antimicrobiana

são muitas, sendo destacada a presença

de um gene para a resistência

ao ciprofloxacino em isolados de E.

coli (6).

Visto que muitos profissionais da

saúde prescrevem e dispensam antibióticos

sem o procedimento laboratorial

de isolamento e identificação, bem

como de sensibilidade antimicrobiana

ao agente causal nas infecções do

trato urinário, é importante analisar

como se encontra o comportamento

bacteriano de resistência aos antimicrobianos

de escolha para o tratamento

de infecções do trato urinário

no oeste de Santa Catarina.

Baseado neste contexto, este estudo

tem como objetivo identificar o

agente etiológico mais frequente nas

uroculturas realizadas pelo laboratório

de um hospital de médio porte, na

cidade de Chapecó-SC, no período

de 2007 a 2008, analisando o perfil

de resistência aos antimicrobianos

de escolha em amostras onde houve

crescimento de E. coli, bem como

o comportamento dessa resistência

durante o período de estudo.

Materiais e Métodos

Para elaboração do trabalho, foi

realizado um levantamento de todas

as culturas mês a mês, de pacientes

internos e externos, realizadas no setor

de microbiologia de um hospital de

médio porte no oeste de Santa Catarina,

no período de 01/2007 a 03/2008.

Foram selecionadas as uroculturas

do período que não apresentavam

duplicidade, e feita verificação da

positividade (crescimento bacteriano

de qualquer espécime apresentado no

laudo), bem como o perfil de resistência

para cada amostra onde houve

crescimento de E. coli considerando os

antimicrobianos de escolha, quinolonas

(ácido nalidíxico, ácido pipemídico),

fluoroquinolonas (ciprofloxacina,

norfloxacina), ampicilina, gentamicina,

sulfametoxazol/trimetoprim.

Os antimicrobianos de escolha

foram selecionados pelo critério de

maior uso para o tratamento de infecções

do trato urinário.

Os dados foram coletados do arquivo

do hospital, não sendo consideradas

características como sexo, idade

ou clínica do paciente. Por tais razões,

os dados são analisados sem especificações

de gênero, clínica ou idade.

Resultados e

Discussões

No período de janeiro de 2007

a março de 2008, foram realizadas

1.661 uroculturas, sendo 39,43% de

amostras com crescimento de algum

tipo bacteriano patogênico e 60,57%

de cultivos que não apresentaram

crescimento (Gráfico 1). Das 440

amostras positivas, 68,18% (300)

tiveram como resultado o crescimento

NewsLab - edição 103 - 2010

99


Gráfico 1. Uroculturas realizadas no período de 01/2007 a 03/2008, considerando crescimento de micro-organismos patogênicos para

amostras positivas e não crescimento para amostras negativas

de E. coli, o que corroba com resultados

de outros achados (3, 4, 7, 8, 10)

e diverge com resultados encontrados

por Dias Neto et al. (2008), cujo percentual

para E. coli foi de 26%.

Em relação à resistência aos antimicrobianos,

no período de janeiro de

2007 a março de 2008, as amostras

apresentaram 37% (11) de resistência

ao ácido nalidíxico, 36,67% (110)

ao ácido pipemídico, 20,33% (61) ao

ciprofloxacino, 24,33% (73) ao norfloxacino,

58,67% (176) à ampicilina,

27,33% (82) à gentamicina e 53,67%

(167) a sulfametoxazol/trimetoprim.

Esse percentual encontrado em nosso

estudo (Figura 1) demonstra o crescimento

da resistência mês a mês para

os antimicrobianos.

Em estudos anteriores (8, 10), a

resistência de E. coli à gentamicina

mostrou-se diferente dos valores encontrados

em nosso estudo (Figura

1d), que iniciou com resistência de

11,54% das amostras e, ao final,

apresentou 23,08% de resistência,

tendo oscilações relevantes durante

todo período, indo de uma mínima de

6,25% (uma amostra) em agosto de

2007 a 41,18% (sete amostras) em

abril de 2007. Diferente do estudo realizado

no Triângulo Mineiro (8), onde a

resistência à gentamicina manteve-se

baixa durante todo período, sem que

houvesse oscilações importantes, chegando

ao máximo de 21,5% em 1993.

No estudo realizado em um Hospital

Universitário de Brasília (10) entre

os anos de 2001 a 2005, a resistência

média apresentada foi de 3,8%,

diferente do estudo realizado, que

mostrou média de 27,33% de E. coli

resistentes à gentamicina.

Em relação à resistência apresentada

às fluoroquinolonas, o mesmo

estudo realizado em Brasília (10),

obteve resultados diferentes que os

apresentados em nossos resultados

(Figura 1b), que tiveram média de

22,33% para fluoroquinolonas com

oscilações significativas e perfil de

resistência aumentados, variando de

um mínimo de 4,55% a 30,77%, comparando

com uma resistência média

de 9,65% para as fluoroquinolonas do

estudo em Brasília.

Lopes et al. (1998) demonstraram

o crescimento de bactérias resistentes

às fluoroquinolonas, ressaltando o aumento

da resistência à norfloxacino e

ciprofloxacino de bactérias isoladas de

uroculturas ao longo de alguns anos.

Entretanto, verificou-se também que

a E. coli não apresentou resistência

significativa, dado relevante, visto que

é o patógeno mais frequente em ITU.

Vale ainda salientar que outros

estudiosos falam com preocupação

em relação ao aumento da resistência

devido ao uso dessa classe de antimicrobianos

na profilaxia das ITU. Essa

preocupação tem fundamento em

nosso estudo, devido ao resultado de

crescimento progressivo em muitos

meses, mantendo uma média elevada

em relação a outros estudos.

Outro estudo mostrou resistência

de E. coli para ciprofloxacino e nitrofurantoína

em 10,4% das amostras do

estudo (11). Pereira et al. (2007) (6),

em pesquisa sobre a resistência ao ciprofloxacino

em uroculturas positivas

para E. coli, encontraram o gene de

resistência em apenas uma das amostras.

Comparado com o percentual

de resistências das nossas amostras,

visto que a resistência apresentada

foi de 20,33%, destaca-se uma preocupação

de saúde pública, devido

principalmente ao fato de ser um dos

100

NewsLab - edição 103 - 2010


antibióticos mais utilizados para tratamentos,

empíricos ou não, às ITU.

Em relação aos achados de E. coli

resistentes às quinolonas, nosso estudo

mostrou uma aumentada resistência

ao ácido pipemídico e ao ácido nalidíxico,

mantendo ambos uma média de

36,84% no período de estudo (Figura

1a). Entretanto, em estudo realizado

no nordeste, o nível de resistência é

ainda maior para o ácido pipemídico,

sendo em média de 60% dos pacientes

com infecção urinária (3).

Em relação à sulfametoxazol/trimetoprim,

nossa pesquisa mostrou elevada

resistência, com média de 53,67%

sem oscilações significativas (Figura

1e), o que corroba com outros autores

(8-10) e difere com valores encontrados

realizados a respeito do uso empírico

em mulheres com infecção do trato

urinário complicada em tratamento que

mostrou 19% de resistência (12).

A resistência de E. coli para ampicilina

encontrada em Chapecó

teve média elevada de 58,67% de

amostras resistentes, mas manteve

oscilações consideráveis em todo

período de amostragem, iniciando

em janeiro de 2007 com 53,85% de

amostras resistentes e, ao fim do

estudo, encontrava-se 26,92% de

amostras resistentes (Figura 1c). Ao

se comparar com outros estudos (8-

10), os valores encontram-se muito

próximos da média.

Em um desses estudos (8), a resistência

tendeu para o crescimento

contínuo, iniciando em 1986 com 9%,

chegando a 93,9% em 1995, assim

como em outro estudo realizado (10)

entre 2001 a 2005, que iniciou em

99,4% em 2001 e tendeu a diminuir,

mas manteve alta de 62% em 2005.

Mais uma vez, demonstrando a

necessidade do correto diagnóstico do

agente causal de infecções do trato

urinário, nosso estudo mostrou o

crescimento da resistência bacteriana

aos antimicrobianos mais receitados

para infecções que acometem essa via

e que ocupam uma grande fatia em

se tratando de saúde pública.

Esse tipo de crescimento não se

deve apenas a fatores do indivíduo

doente, também é de responsabilidade

do uso empírico e, às vezes,

incorreto de antimicrobianos para

tratamento de infecções sem o correto

diagnóstico do micro-organismo causal,

bem como do teste de sensibilidade/resistência

aos antimicrobianos.

O uso prévio de quinolonas para

prevenção de ITU é um fator relevante

nos resultados encontrados, visto que

essa prática é comumente adotada

por profissionais da saúde.

Ressalta-se, sobretudo que, em

relação à prevalência de E. coli com

Figura 1. Comportamento de resistência aos antimicrobianos de uroculturas positivas para Escherichia coli no período de 01/2007 a 03/2008

102

NewsLab - edição 103 - 2010


esistência a múltiplos antimicrobianos, estudos epidemiológicos

devem ser constantemente realizados, devido ao grande

crescimento da resistência, bem como as consequências

futuras ao âmbito da saúde pública brasileira.

Correspondências para:

Alexandre M. Fuentefria - alexmf77@gmail.com

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urinary tract infections, in a geographical area with a high

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34: 1165-1169, 2002.

NewsLab - edição 103 - 2010

103


Artigo

Situação da Leishmaniose Tegumentar

Americana na área urbana de Ilhéus, BA

Sílvia Maria Santos Carvalho 1 , Yasmine Barbosa de Souza 2 , Sinval Pinto Brandão-Filho 3

1 - Universidade Estadual de Santa Cruz, Departamento de Ciências Biológicas – Ilhéus, BA

2 - Mestrado em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Viçosa, MG

3 - Centro de pesquisas Aggeu Magalhães / Unidade Fiocruz – PE

Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus – BA

Resumo

Summary

Situação da Leishmaniose Tegumentar Americana

na área urbana de Ilhéus, BA

Na área urbana de Ilhéus, localizada no sul do estado da

Bahia, são registrados casos humanos de Leishmaniose Tegumentar

Americana. Essa pesquisa avaliou as notificações entre os anos

2000 e 2006; e, nas buscas entomológicas não foram encontrados

flebotomíneos vetores. Considerando improvável um ciclo de

transmissão na ausência do vetor, admite-se que não há casos

autóctones dessa área.

Palavras-chave: Leishmaniose Tegumentar Americana,

flebotomíneos, Ilhéus, área urbana

Situation of the American Cutaneous Leishmaniasis

in the urban area of Ilheus, Bahia

In the urban area of Ilheus/Bahia are registered human cases of

American Cutaneous Leishmanisis. This research evaluated the notifications

between the years 2000 and 2006; and in the entomologic

searches phlebotomine vectors had not been found. Considering

improbable a cycle of transmission in the absence of a vector, it is

admitted that there aren’t cases originary of this area.

Keywords: American Cutaneous Leishmaniasis, phlebotomine,

Ilheus, urban area

Introdução

ALeishmaniose Tegumentar

Americana (LTA) é uma doença

infecto-parasitária de caráter

zoonótico, cuja importância lhe coloca

entre as seis enfermidades de maior

expressão nas Américas (2). No Brasil,

a LTA é endêmica em todos os estados,

sendo conhecida na Bahia desde

o início do século 19, período correspondente

à expansão da cultura de

cacau na região sul do estado (6).

A transmissão se dá através da

picada de insetos pertencentes ao

gênero Lutzomyia, cuja presença já

foi relatada no município de Ilhéus,

BA (1, 4). Conforme registros da

Secretaria de Saúde, o município é

endêmico para a doença e, no decorrer

dos anos, os registros tiveram

uma tendência ao decréscimo, mas

ainda preocupa o sistema de saúde

municipal.

Esse trabalho objetivou analisar

a situação da LTA no município

de Ilhéus entre os anos 2000 e

2006, considerando aspectos clínicos,

epidemiológicos, laboratoriais

e entomológicos. A pesquisa foi

desenvolvida dentro dos padrões

éticos estabelecidos pela Resolução

n o 196/96, aprovado pelo Comitê de

ética em pesquisa com seres humanos

do Centro de Pesquisas Aggeu

Magalhães, unidade Fiocruz, PE.

As notificações de casos humanos

foram avaliadas no período de estudo

proposto, analisando os resultados

clínico-laboratoriais e epidemiológicos.

Em adicional, os endereços de

todos os indivíduos foram checados

e digitalizados para proceder à busca

ativa, realizada em duas etapas:

abril a julho de 2003 e abril a outubro

104

NewsLab - edição 103 - 2010


Tabela 1. Distribuição anual de casos humanos de Leishmaniose Tegumentar Americana notificados na área urbana de Ilhéus, BA

Anos

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Total

Número de casos 39 75 108 77 70 05 05 379

de 2006, para conferir a existência

das residências. Com periodicidade

anual, desde o ano 2000, coletas

entomológicas foram realizadas na

busca por insetos flebotomíneos.

Foram 491 notificações de casos

humanos entre os anos 2000 e 2006,

onde 97,35% corresponderam à forma

cutânea da doença, e 2,65% à forma

mucosa. Na consulta aos prontuários

disponíveis referentes a esse período,

112 registros foram de procedência

rural; os demais 379 foram de origem

urbana, com um quantitativo anual

demonstrado na Tabela 1. Apenas

13,12% das residências foram localizadas

na busca ativa.

A aparição de insetos flebotomíneos

ocorreu nos anos 2001 (19 exemplares),

2004 (92 exemplares) e 2006

(01 exemplar), onde ficou evidenciada

apenas a presença da L.utzomyia

cortelezzii, sem capacidade comprovada

de transmitir a doença. Nenhum

exemplar foi capturado nos demais

anos, nesse período de estudo.

Em discussão acerca da LTA em

Ilhéus, Santana (7) sugere o estabelecimento

de um ciclo urbano de transmissão,

baseando-se nas condições sociodemográficas

e ambientais dos pacientes

notificados durante o ano 2001,

além de mencionar um surto ocorrido

em 1994. Entretanto, em avaliação

minuciosa das fichas de notificação dos

anos 2000 e 2001, ficou demonstrado

que as mesmas apresentavam campos

incompletos, notadamente aqueles

referentes ao endereço do paciente.

Em adicional, não foi possível avaliar

os dados referentes ao surto de 1994

(5), já que essas informações já não

constam nos arquivos do serviço de

saúde do município.

A partir de 2002, com a informatização

do SINAN, as fichas passaram

a apresentar nítida melhora em

seu preenchimento. Mas isso, em

princípio, não foi suficiente, já que

na busca ativa apenas 13,12% dos

pacientes foram localizados na área

urbana da cidade. E vale ressaltar

que o trabalho de busca realizado

pela equipe foi impecável na determinação

de encontrar cada endereço,

em cada bairro.

Há a possibilidade de indivíduos

procedentes da área rural terem dado

endereço urbano de algum familiar

ou fictício; ou indivíduos de outros

municípios terem se apresentado

como residentes de Ilhéus, já que no

passado, apenas a estes era prestado

atendimento – hoje, é praxe prestar

atendimento a todo e qualquer cidadão

que busque o serviço, dando-lhe

a tranquilidade em informar o município

de origem, salvaguardado o

direito de ser atendido (11).

Ficou evidenciado que os casos

registrados foram submetidos à

avaliação clínico-laboratorial, através

da IDRM (Intradermorreação de

Montenegro), ou à avaliação clínicoepidemiológica.

Vale ressaltar que a

importância da IDRM não a sentencia

como único critério diagnóstico

recomendável, sendo sugerida a

associação com o clínico-epidemiológico.

Entretanto, é fundamental o

teste parasitológico, tendo em vista

as doenças que necessitam de um

diagnóstico diferencial com a LTA (3).

Considerando que as notificações

de casos humanos, condições ambientais

favoráveis à permanência

de insetos vetores e a presença de

hospedeiros intermediários são premissas

importantes para a manutenção

do ciclo de transmissão, dúvidas são

levantadas quanto à autoctonia dos

casos urbanos em Ilhéus, já que apenas

ficou evidenciada a presença da L.

cortelezzii, cuja densidade populacional

registrada não é suficiente para infectar

humanos e não possui capacidade

vetorial comprovada no Brasil (4).

É possível que a superior diferença

numérica quanto a coleta desses

insetos no ano de 2004 se justifique

pela abrangência das atividades na

cidade, onde foram trabalhados,

simultaneamente, os sete bairros

com os maiores números de casos

humanos. Nos demais anos, um único

bairro era escolhido para desenvolvimento

das atividades. Ademais,

a presença da L. cortelezzii já foi

relatada em áreas urbanizadas, mas

em associação com demais espécies

reconhecidamente vetoras (8, 10).

Apesar de pesquisadores demonstrarem

uma tendência à urbanização

da LTA no Brasil (9), ao

menos em Ilhéus, até o presente,

essa realidade não se confirma,

especialmente pela ausência de um

vetor. Mas essa possibilidade para

o futuro não é descartada, uma vez

que as áreas periféricas da cidade

estão avançando desordenadamente

para áreas que tracejam limites que

constituem a transição rural/urbano.

NewsLab - edição 103 - 2010

105


Diante dessas evidências, é possível

que o agente causal da enfermidade

seja, de fato, a Leishmania

braziliensis, com transmissão rural,

como proposto por Azevedo et al (1),

especialmente por se apresentar sob

as duas formas: cutânea e mucosa.

Além disso, a área rural possui insetos

dotados de capacidade vetorial,

o que reforça essa suposição.

Após avaliação do histórico da

LTA em Ilhéus, pôde-se notar que a

inserção de demais profissionais no

sistema de saúde da cidade a partir

do ano 2004, especialmente entre

o corpo médico e de enfermeiros,

coincidiu com o declínio no número

de casos, o que figura maior rigor no

diagnóstico e acompanhamento dos

indivíduos.

Estudos complementares estão

sendo realizados a partir da captura

de insetos flebotomíneos, para

dissecá-los, na busca por infecção

natural. Além disso, os pacientes

vêm sendo submetidos a um inquérito

soroepidemiológico. Essas medidas

irão contribuir para uma melhor

discussão do processo de urbanização

da doença, constituindo-se em

tentativa de esclarecer a improvável

autoctonia urbana dos casos humanos

notificados no município.

Agradecimentos

Aos colegas de trabalho do Núcleo

de Entomologia da 6 a DIRES, Ilhéus/

BA; ao médico, Dr. Humberto Barreto

e às enfermeiras Maurícia Lino e Karla

Anne Santos Souza.

Correspondências para:

Sílvia Maria Santos Carvalho

sissa@uesc.br

Referências Bibliográficas

1. Azevedo ACR, Vilela ML, Souza NA, Andrade-Coelho CA, Barbosa AF, Firmo ALS, Rangel EF. The sand fly fauna (Diptera: Psychodidae:

Phlebotominae) of a focus of cutaneous leishmaniasis in Ilhéus, state of Bahia, Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. 91(1):75-

79, 1996.

2. Lemos JC, Lima SC, Costa MB, Magalhães MJ. Leishmaniose Tegumentar Americana: fauna flebotomínica em áreas de transmissão no

município de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Revista on-line Caminhos de Geografia. 2(3):57-73, 2001.

3. Brasil, Ministério da Saúde. Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana. – 2ª edição, p71, 2007.

4. Carvalho SMS, Guimarães EM, Souza YB, Braga VBF, Vianna LC, Santos PRB, Souza S, Silva R, Pereira A, Leite MH. Primeiro relato de

Lutzomyia cortelezzii (Brètes, 1923) na cidade de Ilhéus, BA. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 38(5), 2005.

5. Carvalho SMS, Souza YB, D’Afonseca RS, Santos TF, Santos PRB. Leishmaniose Tegumentar Americana na Cidade de Ilhéus - BA. Revista

Laes & Haes 3:128-130, 2006.

6. Follador I, Araújo C, Cardoso MA, Tavares-Neto J, Barral A, Miranda JC, Bittencourt A, Carvalho EM. Surto de Leishmaniose Tegumentar

Americana em Canoa, Santo Amaro, Bahia, Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 32(5)497-503, 1999.

7. Santana MNS. Perfil dos casos de Leishmaniose Tegumentar Americana na zona urbana de Ilhéus – BA: Aspectos sócio-demográficos

e ambientais. Dissertação de mestrado, Universidade estadual de Santa Cruz, Ilhéus, BA, 2003.

8. Oliveira AG, Filho JD, Falcão AL, Brazil RP. Estudo de flebotomíneos (Díptera: Psychodidae: Phlebotominae) na zona urbana da cidade

de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, 1999-2000 Caderno de Saúde Pública. 19(4), 2003.

9. Salomón OD, Orellano PW, Lamfri M, Scavuzzo M, Dri L, Farace MI, Quintana DO. Phlebotominae spatial distribution asssociated with a

focus of tegumentary leishmaniasis in Las Lomitas, Formosa, Argentina, 2002. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 101(3):295-299, 2006.

10. Salomón, OD, Quintana, MG, Zaidenberg, M. Urban distribution of Phlebotominae in a cutaneous leishmaniasis focus, Argentina. Memórias

do Instituto Oswaldo Cruz. 103(3):282-287, 2008.

11. Souza, YB. Leishmaniose Tegumentar Americana no município de Ilhéus – BA: Caracterização de casos humanos e fatores de risco

associados. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 2007.

106

NewsLab - edição 103 - 2010


Artigo

Melhoria do Sistema da Qualidade: Auditoria Interna

Rosine Zeltzer

Pós-graduada em MBA – Gestão pela Qualidade Total pela Universidade Federal Fluminense

Quando se avalia o Sistema da

Qualidade, é necessário que algumas

questões básicas sejam verificadas em

relação a cada um dos processos que

está sendo avaliado:

1. O processo está identificado e

adequadamente definido

2. As responsabilidades estão

atribuídas

3. Os procedimentos estão implementados

e mantidos

4. O processo é eficaz para atender

os resultados requeridos

As auditorias internas são usadas

para determinar em que grau os

requisitos do Sistema da Qualidade

estão sendo atendidos. As constatações

das auditorias internas são

usadas para avaliar a eficácia do

SQ implementado e para identificar

oportunidades de melhoria.

Preparando uma Auditoria

Interna

Diretrizes

1.1 – Planejamento e

Programação das Auditorias

Internas (AI)

1.1.1 – O planejamento das AI

é realizado periodicamente pelo Representante

da Administração (RA),

considerando:

• Que a AI deve ser executada a

fim de garantir que os vários elementos

dentro do sistema sejam adequados

e efetivos para atingir os objetivos

estabelecidos.

• Que os recursos físicos, humanos

e financeiros destinados à execução

das AI estejam adequadamente dimensionados

e efetivamente alocados

para atingir o escopo pretendido.

• Que a programação das AI deva

propiciar a análise das várias áreas

incluídas no sistema.

1.1.2 – Como forma e meio de

consubstanciar o programa de auditorias,

o RA emite o “Plano de Auditoria

Interna da Qualidade” (Anexo 1).

1.1.3 – O Plano de Auditoria deve

considerar as Auditorias de acompanhamento

e as auditorias extraordinárias

sempre que necessário.

1.2 – Qualificação da Equipe de

Auditores (EQ)

1.2.1 – O RA providencia a qualificação

das equipes de auditores

considerando:

• Avaliação dos candidatos e auditores

internos. Os critérios de avaliação

poderão ser definidos com base

na ABNT ISO 10011.

• Qualificação do Auditor Líder.

1.2.2 - Definição das Equipes de

Auditores:

• Com base no plano de auditoria

interna, o RA deve determinar o escopo

geral, a abrangência da auditoria

interna e a equipe de auditores, emitindo

e enviando a todos envolvidos

com antecedência de pelo menos

cinco dias a “Notificação de Auditoria

Interna” (anexo II).

Nota: A Auditoria interna poderá ser

realizada por Auditores Externos, de empresas

contratadas para este fim, porém

o procedimento de esclarecimento para as

equipes a serem auditadas deve permanecer

o mesmo, através da “Notificação de

Auditoria Interna”.

1.3 – Preparação para a Execução

de Auditoria Interna

1.3.1 – Na preparação para a execução

da auditoria interna, o auditor

líder, com base na “Notificação de

Auditoria Interna” deve:

• Notificar, por escrito, o responsável

pela área a ser auditada, com

antecedência mínima de cinco dias.

• Incluir na notificação se há necessidade

de providenciar equipamentos

de segurança individual.

• Solicitar ao responsável pela área

a ser auditada, a disponibilização das

documentações, definições técnicas,

listas de verificações ou das atividades

que facilitem o percurso e esclarecimentos

advindos da auditoria.

1.4 – Execução da Auditoria

Interna

1.4.1 – Reunião de abertura:

Tendo por base na “Notificação de

Auditoria Interna”, a reunião deve ser

coordenada pelo Auditor Líder e ter

a participação mínima dos membros

da equipe de auditores e dos responsáveis

pelas áreas a serem auditadas

ou um substituto por ele resignado.

1.4.2 – As evidências objetivas

devem ser coletadas através de entrevistas,

exames documentais, observações

das atividades e condições

da área de interesse. Para facilitar o

desempenho da auditoria, o auditor

poderá descrever uma lista de verifi-

110

NewsLab - edição 103 - 2010


cação das tarefas auditadas.

Nota 1: Durante a execução da

auditoria, o auditor líder poderá fazer

alterações nas distribuições dos auditores

e na sequência dos trabalhos, para

a otimização dos objetivos da auditoria

interna. Essas alterações deverão ser em

comum acordo com os representantes das

áreas a serem auditadas.

Nota 2: Quando a auditoria torna-se

inexequível, o auditor líder deve informar

as razões ao Representante da Administração

(RA) e ao responsável da área

auditada, para as providências cabíveis.

1.5 – Conclusão da Auditoria

Interna

1.5.1 – Sob a coordenação do Auditor

Líder, a equipe auditora realiza a

“Reunião de Análise e Fechamento da

Auditoria Interna”, para a elaboração

do “Relatório de Auditoria Interna” a

ser enviado ao responsável pela área

auditada e ao Representante da Administração

(RA).

1.5.2 – Sob a coordenação do Auditor

Líder, a equipe auditora promove

a Reunião de Encerramento com a

área auditada para a apresentação de

Resultado da Auditoria e das eventuais

Solicitações de Ações Corretivas/

Preventivas.

1.5.3 – O Auditor Líder deve disponibilizar

em no máximo dois dias úteis,

para o responsável da área auditada

o Relatório de Auditoria, com as solicitações

das ações a serem tomadas.

1.6 – Implementação das Ações

Corretivas/Preventivas

Ação corretiva é tomada para prevenir

repetição da não-conformidade,

enquanto ação preventiva é tomada

para prevenir a ocorrência

1.6.1 - Esta implementação segue

o determinado no procedimento

específico para o tratamento de

não-conformidades, consideradas

as características especiais das NC

registradas em Auditoria Interna

(anexo III).

1.7 – Avaliação da Auditoria

A avaliação da Auditoria Interna

é feita pelo Representante da Administração,

com base no Relatório

de Auditoria e no “Questionário de

Avaliação de Satisfação do Auditado”

(anexo IV), preenchido pelo

responsável pelo acompanhamento

da equipe de auditores na área. Os

resultados desta avaliação são considerados

na formação das Equipes

Auditoras.

Competências

• Compete aos Auditores da Qualidade

avaliar se as atividades da área

auditada estão de acordo com o planejamento

do Sistema da Qualidade

e participar das reuniões de Abertura,

de Análise e Fechamento da Auditoria

Interna e de Encerramento.

• Compete ao Auditor Líder planejar

e coordenar a Auditoria Interna, comunicar

ao responsável da área auditada

a realização da Auditoria Interna, coordenar

as Reuniões de Abertura, Análise

e Fechamento da Auditoria Interna e de

Encerramento, produzir e disponibilizar

o Relatório de Auditoria.

• Compete ao responsável da

área auditada ou pessoa resignada

por ele, disponibilizar os documentos

necessários à auditoria interna,

acompanhar a auditoria e participar

das reuniões de abertura e encerramento

da auditoria interna.

• Compete ao Representante da

Administração o gerenciamento do

“Programa de Auditorias Internas”.

Considerações

Perfil do Auditor

• Capacidade de análise

• Flexível e hábil no trabalho em

grupo

• Habilidade para comunicação

oral e escrita

• Organizado e pontual

• Humilde – posição de “assessor”

• Discreto, tolerante, polido, cuidadoso

e com personalidade

• Íntegro em seus princípios morais

• Honestidade de propósitos

Comando da Auditoria

O Auditor deve adotar as seguintes

posturas:

• Insistir com os auditados que

respondam por si próprios

• Deixar os outros falarem, falando

o mínimo possível

• Não permitir que o auditado imponha

o ritmo da auditoria

• Reformular perguntas mal entendidas,

até que sejam claramente

entendidas

• Saber agradecer

Principais características de uma

Auditoria:

• Evitar surpresas

• Buscar objetividade

• Obter dados reais

• Operar com bases éticas e de

confiança

• Atacar os problemas e não as

pessoas

• Motivar as pessoas das áreas

auditadas para a melhoria

• Vetar o uso do resultado das

auditorias como base para ações

punitivas

• Avaliar a adequação global do

programa da qualidade

Benefícios das Auditorias

Internas da Qualidade

• Verificação do funcionamento do

sistema da qualidade e da eficácia de

seus elementos

• Obtenção de dados reais para as decisões

gerenciais (management review)

112

NewsLab - edição 103 - 2010


• Identificação dos potenciais de

melhoria

• Avaliação do estado e capacidade

dos equipamentos

• Identificação de situações de

risco em relação a contratos ou a

legislações

• Avaliação dos custos da qualidade

em relação à efetividade do sistema

Dicas para uma Boa Auditoria

• Não faça perguntas que possam

ser respondidas com um SIM ou NÃO.

Use as palavras: COMO, ONDE, QUAN-

DO, POR QUE, QUEM; estas são as

melhores perguntas do auditor.

• Se você tiver recusa, o auditado

pode estar sendo obstrutivo ou tentando

testá-lo. Persista, permanecendo

cortês e polido, fica mais difícil para

as pessoas serem obstrutivas.

• É importante manter a pessoa

falando quando ela está passando

as informações. Dê total atenção,

mantenha contato “olho no olho”,

movimente a cabeça mostrando

interesse.

• Somente escreva suas notas

após a pessoa ter terminado de falar.

• Não confie na sua memória, ela

vai deixá-lo na mão, você não vai se

lembrar dos detalhes.

• Cuidado para não se envolver

em discussões. Se a pessoa que está

sendo auditada se alterar, controle-se

mude de assunto e mais tarde volte

ao problema.

Lembre-se, é o sistema da qualidade

que está sendo avaliado e não

as pessoas!

Correspondências para:

Rosine Zeltzer

rosa.z@globo.com

pLANO DE aUDITORIA

Tipo da Auditoria Interna

Prevista

Acompanhamento

N o da Auditoria

Dia / /

Horário Área Abrangência da Auditoria Auditores

Auditor-Líder: .........................................................................................................

Aprovação

Nome:

Ass:

Data:

NOTIFICAÇÃO DE AUDITORIA

Data: / / NAI ____/____

Para: Nome do Auditor Líder

De: RA – Sistema de Auditorias

Comunicamos a realização de Auditoria Interna conforme especificado abaixo:

Área Auditoria N o Equipe Data

Grato,

________________________

RA – Sistema de Auditorias

NewsLab - edição 103 - 2010

113


RELATÓRIO DE NÃO-CONFORMIDADE

N 0 do RNC:

Item:

Norma:

DESCRIÇÃO DA NÃO-CONFORMIDADE

Auditor: Rubrica: Data:

ANÁLISE E DISPOSIÇÃO DO RESPONSÁVEL DO SETOR AUDITADO:

Ação Planejada Responsável Data prevista

Responsável: Rubrica: Data:

AVALIAÇÃO DE SATISFAÇÃO DO AUDITADO

Marque a pontuação que você atribui a cada uma das questões abaixo:

1 - O responsável pela área auditada foi informado com antecedência mínina de 5 dias da data, hora e objetivos

da auditoria

( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5

2 - O comportamento da equipe auditora, durante a auditoria dói satisfatório

( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5

3 - As atividades de encerramento da auditoria foram satisfatórias

( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5

4 - O relatório de auditoria foi suficientemente claro e legível, e atendeu às suas expectativas

( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5

5 - Que pontos necessitam de melhorias

___________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________

Área Auditada Responsável pela área auditada Rubrica Data

114

NewsLab - edição 103 - 2010


Artigo

Cistatina C: um Novo Marcador de Função Renal

Felipe Pletsch 1 , Liane Nanci Rotta 2

1 - Acadêmico, Curso de Farmácia, Universidade Luterana do Brasil, Canoas/RS

2 - Professora, Cursos de Farmácia e de Biomedicina, Universidade Luterana do Brasil, Canoas/RS

Resumo

Summary

Cistatina C: um novo marcador de função renal

A Cistatina C é um inibidor fisiológico da cisteína protease

- as proteinases ou proteases são enzimas cuja atividade é regulada

por seus inibidores. É uma proteína básica não-glicosilada

e é removida pela circulação através da filtração glomerular

e quase completamente reabsorvida e catabolisada pelas

células do túbulo proximal. A Cistatina C é formada de uma

única cadeia polipeptídica com 120 resíduos de aminoácidos,

com 13 kDa e pode ser usada como um teste laboratorial de

marcador para filtração glomerular. A Cistatina C é produzida

em uma taxa constante por células nucleares e tem sido identificada

em uma ampla quantidade de órgãos e tipos celulares.

A avaliação da função renal é um dos mais antigos desafios

da medicina laboratorial. Muitos avanços foram feitos nesse

campo desde a primeira dosagem de creatinina feita por Jaffé,

em 1886, porém, ainda há espaço para o desenvolvimento

de marcadores laboratoriais da função renal. A preocupação

com a avaliação da taxa de filtração glomerular (TFG) é antiga,

mas o interesse por essa discussão ressurgiu diante do

crescimento exponencial da população portadora de doença

renal crônica em todo o mundo. A concentração de Cistatina

C sérica correlaciona bem com depuração de creatinina, um

método que está sujeito às incertezas na coleta de urina durante

24 horas e interferências analíticas diversas, que precipitou

a conclusão de vários estudos nos últimos anos, avaliando

este novo marcador renal. A literatura aponta a quantificação

sérica da Cistatina C como um bom marcador da função de

filtração glomerular e um ensaio potencial para ser incluído

na rotina do laboratório.

Palavras-chave: Cistatina C, marcador de função renal,

taxa de filtração glomerular

Cystatin C: a new marker of renal function

Cystatin C is a physiological inhibitor of cysteine protease

- the proteinases or proteases are enzymes whose

activity is regulated by their inhibitors. Is a basic protein

non-glycosylated and is removed from the circulation by

glomerular filtration and almost completely reabsorbed and

catabolized by proximal tubule cells. Cystatin C is composed

of a single polypeptide chain with 120 amino acid residues,

with 13 kDa and can be used as a test laboratory marker

for glomerular filtration. Cystatin C is produced at a constant

rate by the nucleated cells and has been identified in

a numerous organs and cell types. The evaluation of renal

function is one of the oldest challenges in laboratory medicine.

Considerable progress has been made in this field since

the first serum creatinine made by Jaffe in 1886, however,

there is still room for the development of laboratory markers

of renal function. The concern with the assessment of glomerular

filtration rate (GFR) is old, but interest in this discussion

emerged on the exponential growth of the population with

chronic kidney disease around the world. The concentration

of serum Cystatin C correlated well with creatinine clearance,

a method that is subject to uncertainties in the collection of

urine for 24 hours and several analytical interference, which

precipitated the conclusion of several studies in recent years,

this new marker assessing impairment. The literature shows

the quantification of serum Cystatin C as a good marker

of glomerular filtration function and a test potential to be

included in the routine laboratory.

Keywords: Cistatyn C, marker of renal function, glomerular

filtration rate

118

NewsLab - edição 103 - 2010


Introdução

At ualmente a doença renal

é um grande problema de

saúde pública que acomete

milhares de pessoas no Brasil e no

mundo. O estudo da função e dos

diversos processos patológicos renais

tem despertado o interesse de muitos

pesquisadores, principalmente no

campo do desenvolvimento de testes

que auxiliem os médicos a estabelecer

um diagnóstico precoce e a classificar

a doença de base. A avaliação da

função renal é um dos mais antigos

desafios da medicina laboratorial.

Muitos avanços foram feitos nesse

campo desde a primeira dosagem de

creatinina feita por Jaffé, em 1886.

Porém, ainda há espaço para o desenvolvimento

de marcadores laboratoriais

da função renal (1).

A doença renal crônica (DRC) é definida

como dano renal ou função renal

diminuída por três ou mais meses

(recomendação de nível A), sendo um

problema de saúde mundial. A medida

da taxa de filtração glomerular (TFG)

é o método de escolha para classificar

o estágio da gravidade da DRC (2).

Medir adequadamente a função

renal é importante não só para fazer o

diagnóstico e proceder ao tratamento

de doenças renais, mas, entre outras

aplicações, para administrar doses

adequadas de medicações, definir

prognóstico, interpretar possíveis

sintomas urêmicos e tomar decisão

no que se refere a iniciar terapêutica

renal substitutiva (3).

Os rins exercem múltiplas funções

que podem ser didaticamente caracterizadas

como filtração, reabsorção,

homeostasia, funções endocrinológica

e metabólica. A função primordial dos

rins é a manutenção da homeostasia,

regulando o meio interno predominantemente

pela reabsorção de substâncias

e íons filtrados nos glomérulos e

excreção de outras substâncias (1). A

deficiência da função renal está fortemente

relacionada com a morbidade e

a mortalidade. O laboratório fornece

informações essenciais para a caracterização

das enfermidades renais,

através de investigações bioquímicas

rotineiras e especializadas, sendo um

importante aliado do clínico no campo

da nefrologia (4).

Para médicos em geral, patologistas

clínicos e, sobretudo, nefrologistas, é

grande a preocupação com a determinação

da real função renal, visto que

com certa frequência eles precisam

definir se um dado indivíduo tem ou

não filtração glomerular normal diante

do achado casual de um sedimento

urinário anormal, de proteinúria isolada

ou de uma alteração anatômica em

exame de imagem (3). A preocupação

com a avaliação da TFG é antiga, mas o

interesse por essa discussão ressurgiu

diante do crescimento exponencial da

população portadora de DRC em todo

o mundo (3).

É preciso fazer um trabalho de

diagnóstico populacional dessas doenças;

há a necessidade de definir os

melhores testes de triagem e a forma

adequada de interpretá-los, assim

como de estabelecer sua populaçãoalvo

(3). A determinação da TFG é um

importante parâmetro para a avaliação

da função renal em pacientes com DRC

e transplante renal. A função renal ao

final do primeiro ano após o transplante

em receptores de transplante renal demonstrou

ser um preditor de sobrevida

tardia do enxerto (5).

Discussão

Histórico

A proteína Cistatina C foi descoberta

em 1961, como traço γ numa banda

eletroforética de fluido cerebrospinal,

sendo também, no mesmo ano, descoberta

na urina. Recebeu o atual

nome em 1984: Cistatina C – inibidor

da cisteína protease (2).

O primeiro imunoensaio para sua

determinação aconteceu em 1979 e foi

o radioimunoensaio (RIA), que tinha

como limite de detecção a concentração

de 30 μg, nível este suficiente

para detectar a Cistatina C no soro em

indivíduos saudáveis (5).

Em 1985, demonstrou-se pela primeira

vez a forte correlação inversa da

Cistatina C com a TFG. Desde então,

tem havido um interesse crescente

na Cistatina C como marcador de

TFG, sendo um forte concorrente da

creatinina (2).

Características da Cistatina C

A Cistatina C é um inibidor fisiológico

da cisteína protease - as proteinases

ou proteases são enzimas cuja

atividade é regulada por seus inibidores

(5). é um membro da superfamília

de cisteína humana, que tem uma

função como gene conservado, com

uma produção estável pela maioria

das células nucleadas (6).

Acredita-se que seu papel seja

inibir tais proteases secretadas ou que

vazaram dos lisossomos das células

doentes ou rompidas, protegendo o

tecido conjuntivo (2) e estando envolvida

no catabolismo intracelular de

proteínas (7), além de desempenhar

um papel importante na regulação de

danos proteolíticos nas cisteínas proteases

(8). Ela inibe a família catepsina

de protease lisossomal (catepsina

B, H, L, e S) (9).

O gene da Cistatina C humana está

localizado no cromossomo 20p 11.2

(4). Até o momento foram descritas

pelo menos três famílias de cistatinas:

família 1, com cistatinas A e B; família

2, com cistatinas C, D, E/M, F, S, SN e

AS; e família 3, com os cininogênios

NewsLab - edição 103 - 2010

119


de alto e baixo peso molecular (3).

Além disso, a Cistatina C é uma

proteína básica não-glicosilada (6) e

é removida da circulação através da

filtração glomerular e quase completamente

reabsorvida e catabolisada

pelas células do túbulo proximal (10). A

partir dos 60 anos de idade ocorre aumento

significativo da Cistatina C por

causa da queda da filtração glomerular

causada pelo envelhecimento (11).

A Cistatina C é formada de uma

única cadeia polipeptídica com 120

resíduos de aminoácidos, com 13 kDa

e pode ser usada como um teste laboratorial

de marcador para filtração

glomerular (12), que é menos afetada

pela idade, sexo ou pela massa muscular

e é o indicador mais sensível do

início de disfunção renal (13). Apresenta

um ponto isoelétrico de 9,3 e uma

carga positiva no pH fisiológico, o que

facilita a filtração glomerular (14). A

concentração sérica de Cistatina C é

uma nova medida da função renal (13).

Ela não sofre interferência de

outras proteínas de baixo peso molecular,

tais como a proteína ligada ao

retinol (PRL) e a β-2-microglobulina,

que também são utilizadas para a

avaliação da capacidade de filtração

glomerular em vigência dos processos

de desnutrição grave, inflamatórios

e infecciosos (15). Apenas poucas

condições e drogas parecem afetar a

produção e a excreção de cistatina C

(7). A literatura aponta que apenas a

metilprednisolona aumenta os níveis

da Cistatina C, enquanto que a ciclosporina

causa sua diminuição (15).

A Cistatina C é, desse modo, um

bom candidato para marcador sérico

ideal da medida de TFG (10).

Avaliação da Taxa de Filtração

Glomerular versus Cistatina C

Em geral, os exames laboratoriais

que avaliam a função renal tentam

estimar a TFG, definida como o volume

plasmático de uma substância

que pode ser completamente filtrada

pelos rins em uma determinada

unidade de tempo. A TFG é uma das

mais importantes ferramentas na análise

da função renal, sendo também

um indicador do número de néfrons

funcionais. Como medida fisiológica,

ela já provou ser o marcador mais

sensível e específico de mudanças na

função renal (1).

A TFG é difícil de ser medida na

prática clínica. O marcador ideal para

o laboratório deveria ser de síntese

endógena, com uma taxa de produção

regular, eliminado apenas por filtração

glomerular e, sem secreção ou reabsorção

tubular (16).

A maneira mais fidedigna de se

avaliar a TFG é por meio da medida

da depuração renal de marcadores

exógenos, como a inulina, ou por

componentes radioativos, como o

cromo-EDTA ou iotalamato. No entanto,

esses métodos são utilizados

apenas em situações especiais, pois

consomem tempo, requerem equipamentos

sofisticados e são radioativos.

Dessa forma, para estimar a TFG, a

opção rotineira é medir a concentração

de creatinina sérica.

A Fundação Nacional Renal (em

inglês: Nacional Kidney Foundation

– NKF, Inglaterra) estipula que a creatinina

sérica não deva ser usada de

maneira isolada para avaliar a função

renal, visto que é alterada por outros

fatores que não a TFG, como massa

muscular e ingestão de proteínas,

além de sofrer secreção tubular e

excreção extrarrenal (11).

A medida da depuração de inulina,

um polímero da frutose com peso molecular

de 5.200 dáltons e inerte ao

túbulo, é considerada como método

padrão-ouro para avaliação da TFG.

Entretanto, seu uso clínico apresenta

limitações, em função da necessidade

de infusão venosa contínua do marcador

(5). É insolúvel e é difícil para

analisar, especialmente em diabéticos,

devido à interferência com glicose (7).

A dosagem da ureia, por sua

vez, é usada tradicionalmente para

verificação da função renal e é um

teste facilmente disponível; todavia,

é preciso ter em mente que sua precisão

é baixa quando se destina à

avaliação da TFG, uma vez que não

tem taxa de produção estável, sofre

reabsorção tubular e seu nível sérico

é altamente dependente da alimentação

do indivíduo e do catabolismo

protéico (3).

A ureia foi um dos primeiros indicadores

da era moderna da avaliação

da medida de função renal para

determinar a TFG, tendo sido isolada

em 1773, mas somente introduzida

no diagnóstico em 1903 e é filtrada

livremente no glomérulo, pelo seu pequeno

peso molecular (2). No entanto,

apresenta poucos dos atributos de um

marcador ideal (17).

Apesar de superestimar a TFG

e depender da massa muscular, a

depuração de creatinina (DCE) continua

sendo um dos marcadores mais

usados na avaliação da função renal.

Ele pode ser dosado diretamente

com uma amostra de sangue e outra

de urina em 24 horas consecutivas,

aplicando-se a fórmula TFG = (concentração

urinária X volume)/concentração

plasmática (1). As fórmulas são

sujeitas a erros de medição produzida

pela variabilidade da creatinina intraensaio

e intraindividual, a falta de

padronização nas calibrações entre

laboratórios diferentes, e erros de

medição das restantes variáveis nas

equações (18).

Existem duas fórmulas para estimar

a TFG, uma é derivada do estudo

Modificação da Dieta na Doença Renal

120

NewsLab - edição 103 - 2010


(MDRD) e a outra é a equação de

Cockcroft-Gault. A equação do estudo

MDRD inclui muitas variáveis,

entre elas creatinina sérica, ureia

sérica, albumina, idade, gênero e

raça. Essa equação, pela complexidade

dos cálculos, requer relativo

conhecimento de matemática ou um

programa de computação capaz de

realizar o cálculo.

Apesar dos estudos conduzidos,

principalmente nos Estados Unidos

da América (EUA), demonstrarem

que essa equação é mais eficaz em

detectar alterações em pacientes

na fase inicial da doença renal a

dificuldade de categorizar indivíduos

brasileiros quanto à raça tem dificultado

seu uso na população nacional

(1). Abaixo mostra como se calcula

através das equações de MDRD e

Cockcroft-Gault.

* Cockroft-Gault:

- Equação de Cockcroft-Gault =

[(140-Idade) x peso]/ (72 x SCr)

- Idade = Anos

- Peso = Kg

- SCr = Concentração de

Creatinina no soro em mg/dL

Se sexo feminino, multiplicar

pelo fator de correção 0,85 (5)

* MDRD:

- Equação de MDRD abreviada:

TFG (ml/min) = 186 x (SCr) -1.154 x

(Idade) -0.203 x (0.742 se sexo

feminino) x (1.21 se raça negra)

- SCr = Concentração de

creatinina no soro em mg/dL (5)

- Equação de MDRD completa:

TFG (mL/min-1) = 170 x creatinina

sérica -0,999 x idade -0,176

x BUN -0,170 x albumina sérica

0,318 x 0,762 (se mulher) x 1,18

(se afro-americano) (3).

- BUN = uréia/ nitrogênio uréico

A primeira fórmula do MDRD é

uma versão simplificada, que possibilita

o seu uso na prática, já que a

segunda fórmula, que é a completa,

há necessidade de utilizar três analitos

ao mesmo tempo (dosagens

séricas de creatinina, nitrogênio

uréico e albumina), o que implica em

planejamento prévio para que todos

estejam disponíveis e também em

maior custo. A fórmula de Cockcroft-

Gault estima a DCE; é preciso corrigir

o resultado obtido com ela para uma

superfície corporal de 1,73m 2 (3).

Não se pode esquecer que a utilização

de equações baseadas no nível

sérico da creatinina, ou de qualquer

outra substância, pressupõe que o

método utilizado para a determinação

desta seja equivalente ao

utilizado no serviço que desenvolveu

a equação. Caso contrário, as correções

necessitam ser introduzidas (3).

Existe outra fórmula para obtenção

da TFG estimada que pode ser

utilizada: TFG (mL/min-1) = 69.3 x

cistatina C (mg/L-1) (19).

A introdução de um marcador

mais sensível poderia favorecer o

diagnóstico precoce da injúria renal,

possibilitando condutas terapêuticas

mais eficientes que possam

aumentar a sobrevida do órgão com

disfunção (5).

São características de um marcador

ideal para a medida da Filtração

Glomerular (FG): produção constante,

com pronta difusão no espaço

extracelular, ser livremente filtrado,

sem ligação a proteínas, sem reabsorção

nem secreção tubular, sem

eliminação extrarrenal ou degradação,

dispondo de ensaio acurado e

reprodutível, sem interferência de

outros componentes, de baixo custo,

sendo o mais próximo possível dos

valores reais de FG (17).

Cabem alguns comentários sobre

a cistatina C como marcador indireto

de filtração glomerular, que vem

ganhando grande aceitação mundial

(3).

A concentração de Cistatina C

sérica correlaciona bem com a DCE,

um método que está sujeito às incertezas

na coleta de urina durante

24 horas e interferências analíticas

diversas, que precipitou a conclusão

de vários estudos nos últimos anos,

avaliando este novo marcador renal

(20).

Uma vantagem adicional da cistatina

C se deve à possibilidade de

usar uma única faixa de referência,

desconsiderando sexo, idade e

massa corporal. Porém, um estudo

transversal avaliou 8.058 indivíduos

e observou que idade mais elevada,

sexo masculino, maior peso, maior

altura, hábito de fumar e altos níveis

de proteína C reativa (PCR) estavam

positivamente associados com níveis

mais altos de Cistatina C, após o

ajuste para a DCE (17).

A Cistatina C não é uma proteína

de fase aguda, mas em um estudo

com infecção pelo vírus da imunodeficiência

humana (HIV) tem sido

correlacionada com as concentrações

séricas elevadas de cistatina C. No

presente estudo os pacientes continuaram

com tratamentos médicos,

incluindo vários anti-hipertensivos

e insulina, o que naturalmente pode

ter influenciado os níveis de Cistatina

C no soro. Para nosso conhecimento,

nenhuma droga, foi notificada na influência

da concentração de cistatina

C sérica na prática clínica (7).

Conforme Bilzer e colaboradores

(21), pacientes com cirrose, especialmente

os pacientes do Child-Pugh

de classe C – que é uma classificação

da gravidade da cirrose com cinco

parâmetros distintos: encefalopatia

hepática, ascite, bilirrubina total,

122

NewsLab - edição 103 - 2010


albumina, e tempo de pró-trombina,

e são atribuídos em escores de 1 a

3, sendo que o 3 é o mais grave – a

determinação dos níveis de cistatina

C é uma valiosa ferramenta para o

diagnóstico precoce do prejuízo da

função renal moderada.

Uma clara vantagem da Cistatina

C sobre a determinação de creatinina

ou ureia foi encontrada para

pacientes do Child-Pugh C. Para

este subgrupo, as curvas ROC (em

inglês: Receiver-operator characteristics)

- uma ferramenta poderosa

para medir e especificar problemas

no desempenho do diagnóstico -

mostraram uma superioridade mais

acentuada do marcador de Cistatina

C do que para o total da população.

Isto reflete uma tendência para o

aumento da sensibilidade diagnóstica

de cistatina C em pacientes

do Child-Pugh C e ao mesmo nível

a especificidade é alcançada pelos

outros dois parâmetros. Portanto,

em pacientes do Child-Pugh C, a

determinação de cistatina C parece

ser de benefício clínico e deve ser

mais investigada (21).

A associação entre idade e níveis

séricos de Cistatina C contrasta com

alguns relatos, embora outros estudos

tenham mostrado que níveis

séricos de Cistatina C são maiores

em indivíduos mais velhos. As associações

observadas entre o gênero

masculino, maior peso e tabagismo

e elevados níveis séricos de cistatina

C são consistentes com as observações

de um estudo, mas o estudo

não foi ajustado para o nível de

função renal (22).

Em uma amostra da população

geral, fatores relacionados à produção

e/ou catabolismo da Cistatina C

sérica podem ter mais influência nos

níveis séricos da Cistatina C do que

a TFG. Portanto, é importante notar

que não só idade avançada, sexo

masculino e maior peso e altura,

mas também usos atuais do cigarro

e níveis de proteína C reativa (PCR)

mais elevados foram associados

independentemente com maiores

níveis séricos de Cistatina C após o

ajuste para a DCE (22).

De acordo com estudo recente,

a Cistatina C sérica aumentou com

a diminuição da TFG. No grupo de

pacientes com diversas doenças

nos rins e uma variação da função

renal, encontramos quase a mesma

correlação entre a depuração de

99mTc-DTPA e 1/cistatina C sérica,

1/creatinina sérica e DCE (7).

A previsão da precisão de TFG

é crucial na população com idade

pediátrica para evitar os efeitos em

longo prazo sobre o rim, causados

pelo tratamento tardio. Nessa população,

a medida da TFG é muito

difícil devido a riscos de exposição

à radiação e à coleta de urina de 24

horas que é difícil e imprecisa (23).

Mostrou-se que a Cistatina C não foi

somente um melhor indicador de TFG

do que a creatinina, mas também

foi o parâmetro que apresentou a

melhor correlação (r = 0,66) com

mudanças na TFG até dois anos,

tornando-se um instrumento útil

para analisar o acompanhamento dos

pacientes com diabetes. A Cistatina C

também foi encontrada sendo capaz

de predizer a progressão pra os estágios

de pré-diabetes em indivíduos

normoglicêmicos (23).

Chew e colaboradores (23) investigaram

os efeitos da quimioterapia

com cisplatina sobre os níveis de

Cistatina C e observaram que mudanças

nas concentrações séricas de

Cistatina C correlacionam com a TFG,

bem como medida pela diminuição

da depuração da inulina.

Um estudo observou a relação

entre a Cistatina C e a TFG em diversas

populações, inclusive em

pacientes receptores de transplante

renal e apontou a Cistatina C como

melhor marcador da função renal ou,

ao menos, igual à creatinina sérica,

inclusive quando se avalia pacientes

receptores de rins transplantados (5).

A Cistatina C é um marcador

que vem ganhando grande aceitação

mundial, apesar de ainda não

se mostrar adequado para uso nas

avaliações rotineiras da função renal,

devendo ser também respeitadas as

suas limitações; deve ser solicitada

apenas nas situações em que de fato

sua utilidade foi testada, em que as

pesquisas mostraram sua real contribuição

(3).

O custo do exame e a não-inserção

do procedimento laboratorial

nas principais tabelas dos planos de

assistência suplementar de saúde

inviabilizam o seu uso clínico. Contudo,

acreditamos que em breve será

impossível incluir esse procedimento

nas tabelas e viabilizar esse avanço

para seu completo uso médico (1).

Cistatina C versus Creatinina

A principal vantagem da Cistatina

C sobre a creatinina é a sua maior

precisão para detectar pequenos a

moderados decréscimos da função renal,

especialmente em pacientes com

redução da massa muscular (24).

A Cistatina C parece ser um índice

superior à creatinina para avaliar a

TFG em diversas situações como:

diabetes melito, transplante renal,

câncer, síndrome hepatorenal, hipertensão

essencial, além de ser um

marcador de risco precoce para doenças

cardiovasculares. Entretanto,

mais estudos são necessários para

estabelecer em que situação clínica

a Cistatina C pode sofrer interferências

(2).

124

NewsLab - edição 103 - 2010


A Cistatina C é um marcador endógeno

mais sensível que a creatinina

sérica para detectar lesão renal

precoce. É também um teste confiável

para estimar a TFG em indivíduos

sintomáticos que apresentam valores

normais de creatinina sérica e TFG

diminuída, de modo que pode ser

usado como um teste de rotina em

pacientes com fatores de risco para

desenvolver insuficiência renal (25).

A Cistatina C tem se mostrado

superior à creatinina sérica ou à taxa

de filtração glomerular estimada, na

predição da falência cardíaca (FC)

incidente em adultos idosos (13).

Também usada como um indicador

precoce de avaliação possivelmente

superior à creatinina do prejuízo da

função renal (21).

A creatinina foi descoberta em

1926, tendo sido usada inicialmente

por Rehberg para medir a depuração

renal como estimativa da TFG. No

entanto, apresenta algumas desvantagens

na avaliação da função

renal: sofre secreção tubular levando

a uma superestimativa de TFG em

pacientes com função renal diminuída;

quando avaliada através da DCE

é considerada pouco sensível, pois

não possibilita a detecção de quedas

de 50% e nem alterações rápidas na

função renal (2).

Nas últimas quatro décadas a

creatinina sérica tem sido utilizada

como marcador de preferência para

avaliar a função renal. A creatinina

é um produto metabólico da creatina

presente no tecido muscular e a sua

concentração sérica é afetada pela

idade, sexo e massa muscular. A

creatinina sérica é livremente filtrada

pelos glomérulos, não é reabsorvida

no túbulo proximal, porém é

secretada em pequena quantidade

neste (4).

A quantidade secretada não é

constante e depende do indivíduo e

da concentração plasmática desse

analito, dificultando sobremaneira a

determinação de uma constante de

secreção. Em termos gerais, 7-10%

da creatinina presente na urina é

secretada (1).

Devido a muitos problemas com

as medições da creatinina (por causa

da idade, sexo, massa muscular,

coleta de amostra urinária) e sua

utilização como uma estimativa de

TFG, a Cistatina C tem sido proposta

como um marcador alternativo para

avaliar a função renal. A utilidade

potencial da medida da cistatina C

sérica reside na sua capacidade de

detecção precoce da insuficiência renal,

ou seja, na fase 2 da DRC (nível

da TFG entre 60 a 90 mL/ min /1,73

m 2 ). Por isso revisaram-se evidências

para cistatina C e sua potencial

utilidade clínica como um marcador

da função renal (23).

Cistatina C associada a outras

patologias

Há relatos que demonstram que

a função tireoidiana tem um impacto

tanto nos níveis de Cistatina C,

quanto nos de creatinina. Os valores

de creatinina sérica têm se mostrado

mais elevados no hipotireoidismo

e mais baixos no hipertireoidismo,

quando comparados ao estado eutireóideo.

Para os níveis de Cistatina

C, o contrário foi reportado neste

grupo de pacientes. Estas alterações

na cistatina C são provavelmente

devido a mudanças na síntese de

Cistatina C, mas também podem ser

devido a mudanças na depuração,

como sugerido para a creatinina.

Não há estudos sobre correlação,

entre alterações na Cistatina C em

pacientes hipertireoideos, com medidas

da TFG utilizando um marcador

exógeno (26).

Em pacientes com doença cardiovascular,

a DRC concomitante é

uma condição comum e aumenta

substancialmente a morbidade e a

mortalidade como um fator de risco

independente. Recentemente, para

acessar a avaliação da função renal,

as fórmulas baseadas na creatinina

têm sido alteradas pelas medidas da

Cistatina C, as quais mostram a Cistatina

C sendo potencialmente superior

para medir a função renal. (27).

A aterosclerose e o aneurisma da

aorta abdominal (AAA) são doenças

inflamatórias que envolvem extensa

degradação da matriz extracelular

e remodelação da parede vascular.

Eventos cardiovasculares correlacionam

com a presença de inflamação

e o ateroma tende a romper-se nos

sítios de remodelamento de matriz.

As proteases exatas que envolvem

nesses eventos patológicos são

atualmente desconhecidas. Estudos

prévios têm implicado em ambas as

matrizes metaloproteases e proteases

séricas (28).

Como indicador de função renal,

a Cistatina C avalia risco de eventos

cardiovasculares e mortalidade em

indivíduos ambulatoriais com doença

arterial coronariana (DAC), melhor

que as medidas de função renal.

Achados similares foram reportados

em pacientes com síndrome coronária

aguda com elevação não-ST

com os riscos mais altos observados

em pacientes com concentrações de

cistatina C de 1.25 mg/L. Em adição,

a determinação de Cistatina C parece

ser mais sensível a pequenas alterações

na TFG e pode ser um indicador

superior em sujeitos com dano renal

brando, o qual não é detectado pela

medida da creatinina (27).

A Cistatina C também é revelada

como preditora de risco cardiovascular

e de desenvolvimento de diabetes.

126

NewsLab - edição 103 - 2010


Em um estudo caso-controle, foram

acompanhados 1.466 pacientes nãodiabéticos

com doença cardiovascular

basal e evidenciou-se aumento de

três vezes o risco de desenvolver diabetes

naqueles pacientes que apresentavam

concentrações elevadas de

Cistatina C no início do estudo (11).

A Cistatina C também mostrou

ser um bom marcador na avaliação

da função renal em pacientes que

apresentavam artrite reumatoide

por um período superior a 50 meses.

Em 56 pacientes (62,1 ± 13,8 anos)

usuários de medicação com potencial

nefrotóxico, foram realizadas as determinações

de Cistatina C, creatinina

sérica e DCE. Destes pacientes,

60% exibiram níveis elevados de

Cistatina C, enquanto apenas três

pacientes mostraram aumento nos

níveis de creatinina sérica, sendo

que a DCE mostrou-se reduzida em

57% dos pacientes, evidenciando

uma correlação superior da Cistatina

C com a DCE quando comparada a

creatinina sérica (4).

Uma forma mutante de Cistatina

C constitui a proteína amiloide cerebral

na hemorragia cerebral hereditária

com amiloidose, tipo irlandês,

devido a uma substituição de leucina

por glutamina na posição 68. No

entanto, a Cistatina C é encontrada

em apenas um subconjunto de depósitos

de amilóide cerebral, em casos

esporádicos de angiopatia amilóide

cerebral. Nestes casos, o amiloide

é principalmente composta de peptídeo

Aβ com 4-kd, os depósitos de

amiloide também são encontrados

no parênquima cerebral de pacientes

com doença de Alzheimer (DA) (9).

A Cistatina C é localizada no cérebro

com β-amilóide dos pacientes

com DA. Além disso, vários estudos

têm relatado uma associação entre

um polimorfismo comum do gene

cistatina C e risco de DA (30).

Os processos metastáticos constituem

um dos principais motivos para

o fracasso do tratamento em pacientes

com câncer. A invasão tecidual é

uma marca característica da metástase

e requer alterações na adesão

de células tumorais, na migração

celular e na degradação proteolítica

da matriz dos tecidos. Em geral, uma

diminuição dos níveis de inibidor de

cisteína proteases também é encontrada

em tumores metastáticos,

contribuindo para maiores níveis de

cisteína proteases (29).

Características Laboratoriais

Nas últimas décadas numerosos

NewsLab - edição 103 - 2010

127


avanços foram feitos no desenvolvimento

de marcadores laboratoriais

de função e de lesão renal. Muitos

deles já foram validados e estão

sendo empregados amplamente no

auxílio ao diagnóstico, no monitoramento

terapêutico, na análise de

progressão das doenças renais e

no prognóstico destas e de outras

patologias. Outros se encontram em

fase inicial de desenvolvimento e, ao

longo dos próximos anos, certamente

estarão disponíveis como novas

ferramentas clínicas e propedêuticas.

Apesar de tudo, muito há de ser feito

ainda nesse campo (1).

No que diz respeito à avaliação

de filtração glomerular propriamente

dita, o uso de fórmulas com o

objetivo de sensibilizar o resultado

da creatinina sérica, a dosagem da

Cistatina C sérica e a medida da

depuração de marcadores iodados

e/ou radiativos são todos recursos

com que podemos contar, cada um

com maior ou menor indicação em

situações específicas (3).

A Cistatina C é produzida numa

taxa constante por células nucleares

(8) e tem sido identificada em uma

ampla quantidade de órgãos e tipos

celulares (10). A análise de seus níveis

é realizada em diversos fluidos

biológicos (líquido cefalorraquidiano,

sêmen, saliva, leite, urina, líquidos

amnióticos e sinovial, soro e lágrima)

(10).

Amostras de soro e plasma podem

ser armazenadas em geladeira

(4ºC) ou congeladas por semanas ou

meses, sem qualquer degradação.

Curiosamente, essa estabilidade não

é observada em amostras de líquor

ou de urina (3). No líquor esta proteína

pode ser degradada rapidamente,

possivelmente pela ação das serinas

proteases produzidas por microrganismos

contaminantes, ou liberação

das enzimas dos granulócitos durante

o processo inflamatório (5).

Seu nível sérico não difere de

forma expressiva entre crianças,

mulheres e homens adultos; por isso,

tem sido indicada como um possível

substituto para a creatinina como

marcador da TFG (3). A dosagem em

plasma heparinizado também é adequada,

embora a turbidez decorrente

de lipemia ou material particulado

presente na amostra sejam fatores

interferentes para os ensaios nefelométricos

e turbidimétricos (4).

Sua concentração sérica é independente

da massa muscular e do

gênero do indivíduo, mas seus níveis

se elevam em caso de doenças

inflamatórias e linfoproliferativas, o

que limitou a sua aplicação nesse

contexto (3).

De acordo com o fabricante, a

estabilidade à temperatura ambiente

é de sete dias; a -20ºC, de um a dois

meses; e -80ºC, seis meses. Além

disso, resiste a um mínimo de sete

ciclos congelamento/descongelamento.

Pode ser mantida sem separação

do sangue total por até 24 horas sem

alteração da quantidade de Cistatina

C presente na amostra (17).

A dosagem na urina não fornece

informações úteis devido à baixa

concentração urinária. Tal fato decorre

do processo de reabsorção

pelas células do túbulo proximal e

de provável degradação por enzimas

urinárias (5).

A razão entre a variabilidade biológica

intraindividual (CVI) e interindividual

(CVG), definida como índice

de individualidade (I.I.=CVI/CVG),

fornece informações relevantes na

escolha de um ensaio laboratorial (4).

O elevado índice de individualidade

da Cistatina C, incomum em

ensaios laboratoriais, sugere que a

determinação de Cistatina C pode

ser mais útil no diagnóstico da lesão

renal, enquanto a creatinina

sérica, que apresenta baixo índice

de individualidade, pode ser melhor

no monitoramento da enfermidade

renal (4).

Os métodos de medida para a

Cistatina C devem ser automatizados

e livres de interferências conhecidas.

Após diversas tentativas de padronização,

foram desenvolvidos, em

1994, dois métodos de imunoturbidimetria.

Após, desenvolveu-se o

método nefelométrico (17).

Mais recentemente, métodos

imunológicos baseados na turbidimetria

e na nefelometria, mais simples,

acurados e rápidos, vêm ganhando

espaço no laboratório clínico para

quantificar a Cistatina C. As técnicas

turbidimétricas e nefelométricas

requerem pequenas quantidades

de amostra, são métodos rápidos,

precisos e apresentam a com possibilidade

de automação (4).

Totalmente automatizados, imunoensaios

– imunonefelométrico com

partícula reforçada (PENIA – em inglês:

particle enhanced nephelometric

immunoassay) – para cistatina

C estão agora disponíveis utilizando

as mesmas metodologias que são

utilizadas para analisar os níveis de

creatinina (31).

O método de PENIA necessita de

80 μL de amostra de plasma, o tempo

de duração do ensaio é de 6 minutos

e tem coeficientes de variação (CV)

intra e interensaio de 1,8 e 1,1%

respectivamente (17).

Estes imunoensaios devem ser

isentos de bilirrubinas, cetonas e de

hemoglobina, devido a problemas

de icterícia neonatal e a hemólise in

vitro que ocorre com a coleta de pequenas

amostras pediátrica, e utiliza

apenas alguns microlitros de soro ou

plasma (31).

128

NewsLab - edição 103 - 2010


As vantagens de utilizar o PETIA

(ensaio imunoturbidimétrico com

partícula reforçada – em inglês: particle

enhanced turbidimetric imunoassay)

e PENIA incluem a rapidez, a

ausência de interferência por outras

substâncias e a maior precisão (23).

A maioria dos estudos mostra

uma pequena diferença entre concentrações

de Cistatina C sérica

em homens e mulheres, sugerindo

intervalos de referência específicos

para os gêneros não são precisos.

No entanto, a Cistatina C apresenta

níveis mais elevados no primeiro ano

de vida e após começa a diminuir.

Em crianças maiores de um ano o

intervalo de referência do adulto

pode ser utilizado (23).

Os valores de referência (VR) de

Cistatina C foram obtidos usando o

PENIA e os resultados normais de

cistatina C sérica estão na faixa de

0,6 a 1 mg/L (8) Conforme Betensky

e colaboradores (32), a Cistatina C

urinária foi medida conforme relatado

anteriormente com o kit Cistatina

C N látex (Dade Behring, Marburg,

Alemanha), utilizando um nefelômetro

BN II.

Os valores de referência do PE-

NIA são pouco menores (entre 0,60

a 1,45 mg/L) que o PETIA e uma

vantagem do PETIA, da Dako, é que

ele pode ser utilizado em qualquer

espectrofotômetro automatizado,

ou analisador clínico, enquanto que

o PENIA é somente foi desenvolvido

para os seus analisadores do mesmo

fabricante (2).

Verificou-se que os valores da

cistatina sérica distribuem- se de

acordo com uma curva de Gauss

e sofrem apenas pequenas alterações

de acordo com o sexo e a

faixa etária, o mesmo ocorrendo em

adolescentes do sexo masculino ou

feminino, ou em mulheres que usam

métodos contraceptivos, reposição

hormonal, ou ainda que estejam em

menopausa. No final da gestação

a Cistatina C sérica fetal varia de

0,64 a 2,30 mg/l. Ao nascimento,

os valores vão de 1,17 a 3,06 mg/l,

valores estes que diminuem entre o

terceiro e o quinto dias de vida, não

existindo correlação com os níveis

maternos (15).

Portanto, a dosagem de Cistatina

C é um teste totalmente automatizado,

rápido e não-invasivo, características

que o tornam uma ferramenta

útil na prática clínica. O custo da

medição da Cistatina C é superior

ao da creatinina, mas o seu valor

diagnóstico é muito maior (25).

A literatura aponta a quantificação

sérica da Cistatina C como

um bom marcador da função de

filtração glomerular e um ensaio

potencial para ser incluído na rotina

do laboratório. Vários estudos

apontam a quantificação sérica da

Cistatina C como superior às determinações

de creatinina sérica e à

depuração da creatinina quanto à

sensibilidade e à especificidade (4).

Concluímos que a utilidade da

determinação de Cistatina C sérica

como marcador de filtração

glomerular está bem documentada,

tendo, para a maioria dos

estudos, vantagens sobre outros

parâmetros. Portanto, a Cistatina

C é apresentada como uma alternativa

para avaliar a função renal,

especialmente no que diz respeito

à creatinina.

Em casos de pacientes criticamente

doentes, pessoas idosas

ou sob certas condições em que a

síntese de creatinina é comprometida,

a determinação da Cistatina

C seria interessante e justificaria

os seus custos mais elevados em

comparação com a determinação

de creatinina (20).

Correspondência para:

Profa. Liane Nanci Rotta

lianerotta@hotmail.com

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132

NewsLab - edição 103 - 2010


Artigo

Meios de Cultivos Aplicados ao Diagnóstico

Laboratorial da Tuberculose

Alita Moura de Lima, Eveleise Samira de Jesus Martins, João Vicente Braga de Souza, Julia Ignez Salem

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)

Laboratório de Micobacteriologia, Coordenação de pesquisa em ciências da saúde

Resumo

Summary

Meios de cultivos aplicados ao diagnóstico laboratorial

da Tuberculose

Um dos alvos para o controle global da TB é o diagnóstico,

sendo esse vital para a quebra da cadeia de transmissão da

doença. O meio ideal para o cultivo de agentes causadores da

tuberculose deve ser econômico, de fácil preparo e capaz de inibir

o crescimento de bactérias contaminantes. Os meios atualmente

utilizados podem ser preparados a base de ovos e a base de ágar.

Os meios a base de ovos são mais difundidos (Lowenstein-Jensen e

Ogawa) enquanto que, os meios a base de ágar (extrato de algas

capaz de solidificar o meio) são mais caros, de difícil preparo, e

exigem o uso de antibacterianos, pois apresentam maior contaminação

(Middlebrook 7H10 e o 7H11), no entanto, apresentam

resultados mais rápidos. Apesar das técnicas semi-automatizadas

e automatizadas oferecerem uma real vantagem em relação ao

tempo reduzido para liberação do diagnóstico, as desvantagens

quanto à manutenção, operacionalização e valor do material de

consumo tornam essas técnicas uma utopia diagnóstica para a rede

básica de saúde. O objetivo desta revisão é fazer uma discussão

crítica sobre os meios de cultivos utilizados para o diagnóstico

laboratorial da tuberculose.

Culture mediums used for the laboratorial diagnosis

of tuberculosis

The tuberculosis diagnosis is essential for inhibit the transmission

of this disease. The ideal culture medium for the cultivation of the

tuberculosis agents must to be inexpensive, easy to prepare and

able to inhibit contaminants. The culture mediums are prepared using

eggs and agar as jellification agents. The eggs culture mediums are

more recognized (Lowenstein-Jensen e Ogawa) and the agar ones

are more expensive, difficult to prepare and require the utilization of

antibiotics (Middlebrook 7H10 e o 7H11), however present sooner

results. The semi-automatic and automatic techniques offer a real

advantage reducing time for the diagnosis and some disadvantages

as difficult operation and expensive reagents, becoming these techniques

unreal for the diagnosis in the public services. The aim of

this review was to discuss about the utilization of culture mediums

for the laboratorial diagnosis of tuberculosis.

Keywords: Culture medium, tuberculosis, diagnosis

Palavras-chaves: Meios de cultivo, tuberculose, diagnóstico

A“Perene” Tuberculose

A Tuberculose (TB) é uma doença

infecto-contagiosa que acomete principalmente

os pulmões (90% dos casos),

mas pode ocorrer em qualquer

outro órgão ou ainda, se desenvolver,

ao mesmo tempo, em vários órgãos

do corpo humano. A TB humana pode

ser causada por quatro espécies de

bactérias pertencentes ao gênero

Mycobacterium: M. tuberculosis, M.

bovis, M. africanum e M. microti. Todas

as espécies do gênero possuem a

capacidade de reter um corante como

a fucsina, mesmo após a tentativa

de descoloração pelo uso de soluções

álcool-ácido. Por esse motivo

as micobactérias são consideradas

Bacilos Álcool-Ácido Resistentes,

que na prática clínica e laboratorial

são transcritos BAAR. Assim, vale

ressaltar que o encontro de BAAR

em amostras clínicas humanas não

significa que se trata especificamente

de uma das espécies causadoras da

tuberculose humana.

As espécies responsáveis pela

134

NewsLab - edição 103 - 2010


tuberculose humana estão agrupadas

e definidas como “complexo M. tuberculosis”

(1). No Brasil, quase todos

os casos têm como agente etiológico

o M. tuberculosis, conhecido como

bacilo de Koch (BK) devido à sua

morfologia e o nome do pesquisador

que o descreveu (2, 3).

Descrita desde a antiguidade, a

tuberculose tem maior incidência

em países sub-desenvolvidos, porém

ainda é significante em vários países

desenvolvidos da Europa e também

nos Estados Unidos, que na década

de noventa apresentou significativo

aumento nos casos de TB (4, 5). A

Organização Mundial da Saúde (OMS)

atribuiu o aumento de casos de TB a

diversos fatores como: surgimento

da Aids, resistência às drogas, condições

socioeconômicas inadequadas,

imigrações de pessoas de países onde

a TB é endêmica e ineficiência dos

programas de controle da TB (6). Os

fatores de risco mencionados criaram

condições para o aparecimento do

bacilo resistente a multidrogas, que

funcionaria como um “novo agente”,

mas que na realidade não é. Segundo

autor o surgimento de bacilos

resistentes a multidrogas é fruto do

descaso consentido das políticas de

saúde em alguns países (7).

Vale ressaltar que um elemento a

contribuir com os fatores de risco é a

“fácil” transmissão aerógena. A transmissão

ocorre por gotículas de saliva

expelidas pela tosse, fala ou espirro

de doentes ainda não diagnosticados

e tratados (8).

Os registros atuais constatam

aproximadamente nove milhões casos/ano,

classificando essa doença

como um problema de saúde pública

e uma das mais preocupantes do

planeta (9, 10).

Segundo a Organização Mundial

da Saúde (11), um dos alvos para o

controle global da TB é o diagnóstico,

sendo esse vital para a quebra da

cadeia de transmissão da doença.

Assim quando há diagnóstico, os

pacientes infectados são submetidos

à aplicação imediata de uma

terapêutica específica permitindo

anular rapidamente a maior fonte

de infecção. Poucos dias após o inicio

da quimioterapia, os bacilos da

TB praticamente perdem seu poder

infectante. Assim os doentes multibacilares

(baciloscopia positiva) não

precisam ser segregados do convívio

familiar e comunitário (2).

Diagnóstico da Tuberculose

Para o diagnóstico da tuberculose

são utilizados os dados epidemiológicos,

clínicos e os resultados laboratoriais,

sendo esses últimos os mais

comumente usados na rotina médica.

Nos laboratoriais, e até o presente

momento, são aceitos como métodos

diagnósticos a Baciloscopia e o Cultivo

do agente etiológico.

O método prioritário para o diagnóstico

e acompanhamento dos casos

de TB pulmonar é a baciloscopia (12).

Trata-se da pesquisa microscópica de

BARR nas em amostras clínicas como

o escarro. Além de ser uma técnica

rápida, com baixo custo (em torno

de R$2,50), e de fácil realização,

permite diagnosticar de 25% a 65%

dos pacientes portadores de TB (1,

13, 14). O método é considerado de

baixa sensibilidade, uma vez que para

obter o sucesso estimado necessita

de uma quantidade mínima de 5.000

bacilos/mL de escarro (1, 5).

Contribuindo para a problemática

da referida sensibilidade, dados

epidemiológicos do programa estadual

de controle à TB mostram que

1/3 das amostras dos pacientes são

consideradas paucibacilares, isso

é, apresentam menos que 5.000

bacilos/mL de escarro (2, 3). Além

disso, a visualização e quantificação

dos BAAR variam quando realizados

por diferentes profissionais (16, 17).

Nestes casos é importante realizar o

isolamento do Mycobacterium tuberculosis

para confirmação diagnóstica.

Diagnóstico laboratorial da

tuberculose com meios de cultivo

Os métodos de cultivo são métodos

sensíveis e específicos para o

diagnóstico da TB, seja pulmonar e/

ou extrapulmonar. Permitem a multiplicação

e o isolamento do agente

etiológico, a partir de semeadura da

amostra clínica em meios de cultura

específicos para micobactérias (1).

Existem vários meios capazes de

cultivar o bacilo, sendo eles classificados

em três grupos principais: Meio

à base de ovo, Meio a base de Agar e

os Meios líquidos.

No entanto, o meio ideal para o

cultivo deve ser econômico, de fácil

preparo e capaz de inibir o crescimento

de bactérias contaminantes.

Atendendo a esses quesitos o meio

considerado de primeira escolha são

os meios à base de ovo (6, 1, 18). O

ovo solidifica o meio (após ser submetido

à temperatura de 80 o C), é um

fornecedor de fonte proteica, sendo

ideal para o crescimento micobacteriano

e identificação de cepas, por

provas bioquímicas. Como exemplos

tem-se o Lowenstein-Jensen (LJ),

Ogawa e Petragnani (1, 2, 19).

Os meios a base de Agar (extrato

de algas capaz de solidificar

o meio) são economicamente mais

caros, de difícil preparo e exigem o

uso de antibacterianos para evitar a

contaminação por outros agentes microbianos

que não as micobactérias.

Estão disponíveis comercialmente,

tais como o Middlebrook 7H10 e o

7H11, e utilizados para antibiogra-

NewsLab - edição 103 - 2010

135


ma, estudos de morfologia colonial e

cultivo primário.

Os meios líquidos, como o Herman

Kirchner, 7H9 e 7H12 de Middlebrook,

são mais enriquecidos que os sólidos

e por isso indicado para isolamento

de amostras paucibacilares, como:

sangue, LCR (Líquido Encéfalo Raquidiano)

e macerados de tecidos. Apesar

de fornecerem maior percentual

de contaminação, são incluídos no

esquema de isolamento primário das

micobacterias e também utilizados

para subcultivos e armazenamento

de cepas em freezer.

Nos Métodos Clássicos são utilizados

todos os tipos de meio, enquanto

que nos Semi-automatizados e Automatizados

são utilizados apenas

meios líquidos.

Apesar da diversidade de meios

existentes para o isolamento de

micobactérias, a Organização Mundial

de Saúde (OMS) considera os

meios a base de ovo como padrão

de referência para o diagnóstico

da TB (18, 20). Tal fato é devido à

facilidade na produção, baixo custo

para os laboratórios e poderem ser

armazenados em refrigeração por

até oito semanas. Porém, a grande

desvantagem está no longo tempo de

crescimento micobacteriano, de 30 a

60 dias, necessários para liberação do

resultado final. Neste sentido, a busca

por métodos que proporcionem resultados

em menor espaço de tempo é

competitiva (6, 10, 20).

De acordo com Sato (21) o método

automatizado Bactec 460TB

(Becton & Dickinson), baseado no

sistema de detecção radiométrico,

utilizava o meio líquido Middlebrook

7H12 acrescido de ácido palmítico

marcado com o radioisótopo carbono

14 ( 14 C), oferecendo uma resposta

em aproximadamente 7 a 10 dias.

Contudo, aparentemente promissor,

o Bactec 460TB apresentava desvantagens.

Entre estas, são relatados

resultados falso-positivos entre 1,4%

e 4%, devido à contaminação por

outras espécies de microrganismos

durante a leitura pelo equipamento,

além de um sério problema quanto

ao descarte de material radioativo

(18). Diante disso, este sistema

vem sendo substituído por métodos

semiautomatizados, como o MGIT –

Mycobacteria Growth Indicator Tube

(Becton & Dickinson) e MB/Bact que

não utilizam radioisótopos (22).

O Sistema MGIT permite a detecção

do consumo de oxigênio das

micobactérias, em tubos de ensaio

contendo meio líquido Middlebrook 7H9

e o rutênio, metal que funciona como

um sensor químico fluorescente (21).

Em amostras clínicas multibacilares, o

resultado pode ser obtido a partir de

cinco dias (23). Em contrapartida, estudos

realizados (22, 24) mostram que

as taxas de contaminação são quase

o dobro (5%) das que ocorrem nos

métodos clássicos que utilizam o meio

de Lowenstein-Jensen (2,7%). Além

disso, para a identificação da espécie,

se faz necessário a transferência do

crescimento micobacteriano para um

meio sólido, ampliando sensivelmente

o tempo de emissão do resultado.

O sistema MB/BacT desenvolvido

pela Organon Teknika para o isolamento

de micobactérias utiliza o meio

de Middlebrook 7H9 e um sensor

colorimétrico para detecção de CO 2

produzido pelo metabolismo das cé-

Quadro 1. Principais métodos de cultivo automatizados para diagnóstico do M. tuberculosis

Método

Princípio

Tempo Médio de

detecção (dias)

Meio de

cultivo

Desvantagens

Referências

Bactec 460TB 14C (Radioisótopo) 9.6 7H12

Descarte do material radiativo; alto custo;

falso positivo, fácil contaminação

(18, 22, 24, 26)

MGIT 960

Fluorescência pelo

rutênio

10.3 7H9

Taxa de contaminação superior a 5%,

alto custo

(18, 22, 26, 27)

Bactec 9000 Fluorescência 9 7H9 Alto custo, alta taxa de contaminação (18, 27, 28)

MB/Bact System

ou Bact/Alert 3D

Colorimétrico 5

7H9

Modificado

Alta taxa de contaminação (10, 18, 21, 29)

MB-Redox Colorimétrico 7

Meio Kirchner

(Enriquecido)

Não permite diferenciação (18, 21, 24)

Versa Trek System

ou ESP II

Indicador de

mudança da pressão

9

Meio líquido*

Discordância de resultados, não permite

diferenciação

(10, 18, 30,31)

* não relatado

136

NewsLab - edição 103 - 2010


lulas (21, 25). Apesar de proporcionar

um resultado em torno de cinco dias,

tem os mesmos agravantes descritos

para o Sistema MGIT.

Além dos sistemas automatizados

e semi-automatizados mencionados, a

indústria tecnológica apresenta, cada

vez mais, modernos equipamentos

para um diagnóstico mais rápido,

como: Bactec 9000 ® , MB Redox ® (Heipha

Diagnostika Biotest, Alemanha),

Sistema de cultura ESP II ® (Trek Diagnostic

Systems), esses entre outros,

apresentados no Quadro 1.

Apesar das técnicas semiautomatizadas

e automatizadas oferecerem

uma real vantagem em relação ao

tempo reduzido para liberação do

diagnóstico, as desvantagens apresentadas

tornam essas técnicas uma

utopia diagnóstica para a rede básica

de saúde. Além disso, a utilização de

equipamentos modernos e complexos

exigirá capacitação de pessoal para

manuseio correto dos mesmos, bem

como, o treinamento rigoroso para a

interpretação dos resultados.

Entretanto, na rede de saúde

pública de países em desenvolvimento,

a maioria dos laboratórios

que trabalham no controle de tuberculose

usa métodos clássicos de

isolamento, por causa do custo alto

de equipamento e manutenção dos

automatizados métodos bacteriológicos.

Assim, os métodos clássicos

deveriam ser melhorados para uso

aperfeiçoado em laboratórios com

recursos limitados.

Neste sentido, Salem et al. (32)

elaboraram um método de cultivo

alternativo, denominado PKO. Esta

técnica foi realizada com amostras de

escarro isoladas em meio de cultivo

ogawa-modificado, submetidas a um

curto período de descontaminação

e isenta da etapa de neutralização.

Tal método reduziu não somente o

tempo de manipulação das amostras,

mas também de detecção do

M. tuberculosis em amostras clínicas

paucibacilares (≤15 dias). Diante

disso, fazem-se necessárias outras

pesquisas com diferentes tipos de

amostra para validação do método,

uma vez que a TB acomete diferentes

órgãos do corpo humano.

Conclusão

Fazem-se necessários mais estudos

com a finalidade de formular

meios de cultivo que promovam uma

diminuição no tempo de detecção de

desenvolvimento do M. tuberculosis e

que possam ser viáveis para a rotina

do serviço público. Com o avanço da

biotecnologia e a biologia molecular,

grupos de pesquisa ligados a esta questão

devem ter em desenvolvimento

linhas de pesquisa com esta temática,

uma vez que, os resultados de novas

pesquisas podem levar a um diagnóstico

sensível e rápido da tuberculose

promovendo um grande benefício para

a população mundial.

Correspondências para:

Alita Moura de Lima

alitamlima@yahoo.com.br

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NewsLab - edição 103 - 2010

139


Artigo

Avaliação de Método para Detecção de

Anticorpos Anti-HIV em Papel Filtro

Tatiane Funari Chrusciak¹, Amanda Regina Nichi de Sá¹, Letícia Mika Fusano¹, Alvaro Largura², Alisson Marassi³

1 - Acadêmicas do curso de Especialização em Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade Assis Gurgacz

2 - Farmacêutico Bioquímico Diretor do Laboratório Alvaro - Cascavel/PR

3 - Farmacêutico Bioquímico do Laboratório Alvaro de Cascavel/PR, professor e orientador deste Trabalho de Conclusão de Curso

Resumo

Summary

Avaliação de método para detecção de anticorpos Anti-HIV em

papel filtro

O presente trabalho foi realizado a fim de confirmar a reprodutibilidade

do teste para HIV utilizando-se de amostras coletadas de

recém-nascidos em papel filtro. Para o teste, utilizou-se de sangue

total sem anticoagulantes, sendo duas das amostras conhecidamente

reagentes (A 1

e A 4

) e duas conhecidamente não reagentes (A 2

e A 3

)

para o HIV. A avaliação foi realizada no setor Neonatal do Laboratório

Alvaro – Cascavel/PR, através do método de Elisa. No teste

intraensaio, A 1

e A 2

foram dosadas 20 vezes consecutivas em uma

única rotina. No teste interensaio, A 3

e A 4

foram dosadas cinco vezes

consecutivas, em quatro rotinas diferentes e também consecutivas.

Os resultados foram avaliados através de sistemas não numéricos

(reagente e não reagente). Na análise intraensaio, ambas as amostras

tiveram resultados coerentes, sendo A 1

reagente e A 2

não reagente,

tendo reprodutibilidade satisfatória com o coeficiente de variação das

amostras e do controle igual a zero. No teste interensaio, as amostras

A 3

(não reagente) e A 4

(reagente) apresentaram todas as leituras

corretas, tendo também reprodutibilidade confirmada. Os resultados

demonstram que as amostras se mantiveram estáveis, garantindo a

detecção de anticorpos anti-HIV em amostras coletadas em papel filtro.

Method evaluation for anti-HIV antibodies detection

in filter paper

The present work was performed in order to confirm the reproducibility

of HIV test using samples collected of just-been born in

filter paper. For the test, was used samples of total blood without

anticoagulants being two of them reacting (A 1

and A 4

) and two not

reacting samples (A 2

and A 3

) for the HIV. The evaluation was done in

the Neonatal sector of the Laboratory Alvaro - Cascavel/PR, through

ELISA method. In the intraassay test, A 1

and A 2

were dosed 20 times

in an only routine. In the interassay test, A 3

and A 4

were dosed 5

times, in 4 different and also consecutive routines. The results were

evaluated through non numerical systems (reacting and not reacting).

In the intraassay analysis, both samples had coherent results, being

reacting A 1

and non reacting A 2

, having satisfactory reprodutibility

with the samples and control’s coefficient of variation equal zero. In

the interassay test, the samples A 3

(non reacting) and A 4

(reacting) presented

all the correct readings also having confirmed reprodutibility.

The results showed that the samples when kept steady, guaranteeing

the detention of antibodies anti-HIV in samples collected in filter paper.

Keywords: HIV, paper filter, stability, Elisa

Palavras-chave: HIV, papel filtro, estabilidade, Elisa

Introdução

A

qualificação de um método

analítico, sua implementação

e adaptação envolvem um

processo de avaliação que estime sua

eficiência na rotina do laboratório (1).

A validação é essencial para definir se

os métodos desenvolvidos estão completamente

adequados aos objetivos

a que se destinam, a fim de se obter

resultados confiáveis que possam ser

satisfatoriamente interpretados.

Dessa forma, possibilita o conhecimento

das limitações e da confiabilidade

nas medidas realizadas nas análises (2).

Para que os resultados sejam confiáveis,

é necessário que as variações

analíticas sejam mantidas dentro de

limites preestabelecidos por critérios baseados

na finalidade de análise, sistemas

analíticos e estudos estatísticos (1, 3).

A validação de um método assegura

a especificidade, exatidão e preci-

140

NewsLab - edição 103 - 2010


são de um ensaio analítico e estima

a estabilidade do analito durante a

estocagem e manipulação (4).

Estatísticas

Os critérios a serem aplicados para

a validação de um determinado método

dependem da sua natureza e propósito.

A Síndrome da Imunodeficiência

Adquirida (AIDS) leva, em média, oito

anos para se manifestar (5). De acordo

com Unaids/WHO (16), o número

estimado de pessoas infectadas pelo

vírus da imunodeficiência humana em

todo o mundo é de 33,2 milhões, sendo

que um terço destes reside no Brasil,

onde desde a identificação do primeiro

caso de AIDS, em 1980, até junho de

2007, já foram identificados cerca de

470 mil casos da doença.

Até metade da década de 1990, as

taxas de incidência foram crescentes,

chegando a alcançar, em 1998, cerca

de 20 casos por 100 mil habitantes.

Do total de casos, aproximadamente

80% estavam concentrados nas regiões

sudeste e sul. Contudo, apesar das

altas taxas de incidência e de serem as

regiões mais atingidas desde o início

da epidemia, o sudeste e o sul são as

regiões que seguem em um processo,

ainda que lento, de estabilização

desde 1998 (5).

Detecção

Em um exame de HIV, o ideal seria

conjugar uma sensibilidade de 100%

com uma especificidade de 100%. Dada

a impossibilidade disso, na triagem privilegia-se

a sensibilidade em detrimento

da especificidade, devido às consequências

que um teste falso-negativo pode

trazer para o paciente (6).

As técnicas usualmente empregadas

no diagnóstico da infecção pelo

HIV se baseiam na detecção de anticorpos

anti-HIV e são usadas para

triagem inicial.

A estratégia convencional para o

diagnóstico da infecção pelo HIV-1

no Brasil inclui a combinação de dois

imunoensaios de enzima (EIA) diferentes

mais um ensaio confirmatório,

o Western Blot ou imunofluorescência,

conhecido também como “padrãoouro”.

Este sistema de diagnóstico é

altamente específico e sensível para

a detecção de anticorpos anti-HIV-1,

requisitando técnicos de laboratório

altamente capacitados e infraestrutura

laboratorial avançada.

O método de Elisa (Enzime Linked

Immunosorbent Assay, ou Ensaio de

Imunoadsorção Ligado à Enzima) é o

teste de triagem mais utilizado, pois

sua automação é simples, possui baixo

custo e sua sensibilidade e especificidade

são elevadas (7).

As características de execução de

uma metodologia são expressas em

termos de parâmetros analíticos que

devem ser determinados durante a

validação do mesmo. Estes parâmetros

visam verificar a linearidade, a

precisão, a exatidão, a especificidade,

os limites de detecção e quantificação

e a robustez do método de análise

proposto (8).

Dependendo do propósito do método,

alguns dos parâmetros apresentados

podem deixar de ser avaliados.

Deve-se ressaltar que o método pode

ser considerado validado, mesmo que

alguns parâmetros não se enquadrem

nos limites estabelecidos na literatura,

mas que sejam criteriosamente conhecidos

e, portanto, adequados aos objetivos

do estudo a ser realizado (2, 9).

De acordo com o Ministério da

Saúde e Agência Nacional de Vigilância

Sanitária (6), as características de um

teste que devem ser consideradas em

um programa de triagem são a sua

precisão, acurácia e a reprodutibilidade,

que é a capacidade de um teste

de reproduzir sempre os mesmos resultados

levando-se em consideração

que as condições técnicas e biológicas

sejam iguais quando se repete o teste.

Consideram-se também as características

operacionais fixas e inerentes

de um teste diagnóstico que são

representadas pela sensibilidade e

especificidade, onde esses referem-se

à proporção de acertos em relação a

um padrão (percentual de reativos e

não reativos em relação aos reativos

e não reativos segundo o exame ou

condição padrão).

Os valores preditivos referem-se à

proporção de exames corretos entre o

total de exames reativos e não reativos

(percentual de exames reativos e

não reativos que estão corretos, em

relação ao total de exames).

O objetivo deste trabalho é avaliar a

estabilidade de um método para detecção

de anticorpos anti-HIV em amostras

de sangue em papel filtro, de pacientes

recém-nascidos, através do método de

Elisa, o qual é amplamente utilizado

como teste inicial para detecção de

anticorpos contra o HIV em sangue.

Metodologia

A avaliação foi realizada no setor

Neonatal do Laboratório Alvaro –

Cascavel/PR, utilizando-se amostras

de sangue total sem anticoagulantes

coletadas em papel filtro (amostra de

sangue seco) pertencentes à rotina

do setor. Foram selecionadas duas

amostras reagentes (A 1

e A 4

) e duas

não reagentes (A 2

e A 3

) para o HIV.

Foi verificada a qualidade da coleta

e a integridade da amostra, ou

seja, amostras que apresentavam

qualquer indício de contaminação ou

diluição (álcool, hidratantes, óleos ou

pomadas que permanecem no pé do

recém-nascido durante a coleta, ou

até mesmo acidentes durante o transporte

da amostra ao laboratório), se-

NewsLab - edição 103 - 2010

141


cagem forçada, papel filtro impróprio

e também nas quais o sangue não se

encontrava vazado nos dois lados do

papel filtro, foram recusadas.

A metodologia utilizada para a

realização dos exames foi manual,

através do método de Elisa (Imunoensaio

Enzimático), com os reagentes

do Kit Comercial Q-Preven HIV 1+2

– DBS, da Symbiosis Diagnóstica

Ltda., específico para detecção de

anticorpos contra HIV 1+2 em amostras

coletadas em papel filtro, com

capacidade para 96 testes. Todas as

determinações foram realizadas com

kits do mesmo lote (1022000100),

com data de fabricação de 05/08/08

e vencimento em 29/08/09.

No procedimento intraensaio, foram

dosadas ambas as amostras A 1

(reagente) e A 2

(não reagente) 20

vezes consecutivas em uma única

rotina. O objetivo deste procedimento

foi verificar a reprodutibilidade de

resultados entre os testes de uma

mesma rotina, realizados no mesmo

dia, utilizando-se os mesmos controles.

Estas dosagens foram realizadas

no dia 28/04/09.

No procedimento interensaio,

foram dosadas as amostras A 3

(não

reagente) e A 4

(reagente) cinco vezes

consecutivas, em quatro rotinas

diferentes e também consecutivas. O

objetivo deste procedimento foi verificar

a reprodutibilidade de resultados

entre os testes em rotinas diferentes,

realizadas em dias e, portanto, com

controles diferentes entre si. Estas

dosagens foras realizadas nas rotinas

dos dias 28/04, 30/04, 05/05 e 07/05

do ano de 2009.

Como se trata de um método

qualitativo, os resultados foram avaliados

através da reprodutibilidade de

sistemas não numéricos (reagente e

não reagente). Os resultados foram

tabulados e analisados.

Tabela 1. Resultados das análises intraensaio para amostras reagentes e não reagentes

para o HIV

Nº Data Amostra 1 (A1) Amostra 2 (A2)

1 28/4/2009 Reagente Não Reagente

2 28/4/2009 Reagente Não Reagente

3 28/4/2009 Reagente Não Reagente

4 28/4/2009 Reagente Não Reagente

5 28/4/2009 Reagente Não Reagente

6 30/4/2009 Reagente Não Reagente

7 30/4/2009 Reagente Não Reagente

8 30/4/2009 Reagente Não Reagente

9 30/4/2009 Reagente Não Reagente

10 30/4/2009 Reagente Não Reagente

11 5/5/2009 Reagente Não Reagente

12 5/5/2009 Reagente Não Reagente

13 5/5/2009 Reagente Não Reagente

14 5/5/2009 Reagente Não Reagente

15 5/5/2009 Reagente Não Reagente

16 7/5/2009 Reagente Não Reagente

17 7/5/2009 Reagente Não Reagente

18 7/5/2009 Reagente Não Reagente

19 7/5/2009 Reagente Não Reagente

20 7/5/2009 Reagente Não Reagente

Resultados

As dosagens intraensaio realizadas

com as amostras A 1

e A 2

no dia

28/04/09 estão representadas pela

Tabela 1. Nas 20 análises realizadas

na mesma rotina, ambas as amostras

tiveram resultados coerentes,

sendo que amostra A 1

obteve como

resultado reagente e a amostra A 2

como não reagente em todos os

testes, conforme esperado. A análise

das amostras e dos controles

foi considerada satisfatória quanto

à reprodutibilidade, pois se observa

que o coeficiente de variação foi

igual a zero.

Para avaliar a reprodutibilidade do

teste interensaio, as amostras A 3

(não

reagente) e A (reagente) também

4

142

NewsLab - edição 103 - 2010


Tabela 2. Resultados das análises interensaio para amostras reagentes e não reagentes

para o HIV

Nº Data Amostra 4 (A4) Amostra 3 (A3)

1 28/4/2009 Reagente Não Reagente

2 28/4/2009 Reagente Não Reagente

3 28/4/2009 Reagente Não Reagente

4 28/4/2009 Reagente Não Reagente

5 28/4/2009 Reagente Não Reagente

6 30/4/2009 Reagente Não Reagente

7 30/4/2009 Reagente Não Reagente

8 30/4/2009 Reagente Não Reagente

9 30/4/2009 Reagente Não Reagente

10 30/4/2009 Reagente Não Reagente

11 5/5/2009 Reagente Não Reagente

12 5/5/2009 Reagente Não Reagente

13 5/5/2009 Reagente Não Reagente

14 5/5/2009 Reagente Não Reagente

15 5/5/2009 Reagente Não Reagente

16 7/5/2009 Reagente Não Reagente

17 7/5/2009 Reagente Não Reagente

18 7/5/2009 Reagente Não Reagente

19 7/5/2009 Reagente Não Reagente

20 7/5/2009 Reagente Não Reagente

mostraram todas as leituras corretas

nas cinco dosagens em quatro rotinas

diferentes e consecutivas, como

mostra a Tabela 2.

mostrado estável, além da facilidade

que a coleta em papel filtro oferece,

como a dispensa na necessidade de

refrigeração do material, ou mesmo

Discussão

Tem-se acreditado cada vez mais

na dosagem de anticorpos contra o

HIV em papel filtro. O analito tem se

a facilidade de transporte da amostra

ao laboratório de apoio, que pode ser

enviada até mesmo pelo correio, sem

causar alteração dos resultados.

Resultados semelhantes foram

obtidos por uma pesquisa iniciada

pela Universidade de Caxias do Sul

(UCS), onde em nota pelo Ministério

da Saúde (10) mostram que o transporte

das amostras convencionais de

sangue, em tubos de ensaio, pode

alterar as características do sangue se

não houver refrigeração adequada e

ainda há chances de ocorrer acidentes

com o material. A coleta do material,

também, é considerada pelos pais do

recém-nato mais aceitável, na maioria

das vezes, quando comparada à coleta

venosa (10).

Além disso, a adoção de uma estratégia

apropriada poderia ampliar a

disponibilidade e a aceitabilidade do

aconselhamento e testagem em HIV,

o que poderia aumentar o número de

indivíduos alcançados e incentivados a

adotar comportamentos de redução de

risco (6), conforme mostra o Gráfico 1.

Deve-se lembrar que, assim como

os outros exames realizados por

setores neonatais, esta dosagem é

considerada de triagem e de maneira

nenhuma deve ser utilizada como

teste confirmatório, dado que, em

presença de uma amostra positiva,

deve-se encaminhar o paciente para

a realização de exames padrão ouro,

e só então confirmar o diagnóstico.

É importante ressaltar que o protocolo

de diagnóstico atualmente utilizado

pelo Ministério da Saúde é válido

para pacientes com mais de dois anos

de idade, já que em crianças abaixo

desta idade, os anticorpos detectados

ainda podem ser provenientes da mãe

(transmissão vertical) e não necessariamente

produzidos pela própria

criança, o que ocasionaria um resultado

falso positivo.

Sendo assim, a confirmação de

infecção nestes casos se dá pela

realização do teste de quantificação

de RNA viral plasmático, seguindo o

fluxuograma do Ministério da Saúde

para diagnóstico da infecção pelo HIV

144

NewsLab - edição 103 - 2010


Quantidade de exames

325

300

275

250

225

200

175

150

125

100

75

50

25

0

Gráfico 1. Comparativo no recebimento de amostras para dosagem de anticorpos anti-HIV

pelo setor de Neonatologia do Laboratório Alvaro, no primeiro semestre de 2008 e no mesmo

período em 2009

em crianças, de acordo com a Portaria

n.º 488/98/SVS/MS (11), ou também

através de testes de quarta geração.

De acordo com Rouet (17), o diagnóstico

definitivo de infecção por HIV é

possível utilizando apenas uma técnica

avançada como a PCR para confirmar

a presença do vírus no sangue. Nossos

estudos de triagem por Elisa utilizando

o papel filtro apoiam os resultados

obtidos pelos pesquisadores do LPHA

(Laboratório de pesquisas em HIV/

AIDS – Universidade Caxias do Sul)

onde também obtiveram confirmação

dos resultados comparando os dados

iniciais, feitos pelo método Elisa,

confrontando e confirmando que os

resultados são os mesmos obtidos

pelo Western Blot, um dos exames

confirmatórios para HIV (10).

Como anteriormente mostrado, a

dosagem do HIV se apresentou estável

e com 100% de reprodutibilidade

na mesma rotina (intraensaio), assim

como em rotinas diferentes (interensaio).

Mesmo que para a validação

do exame a reprodutibilidade possa

Dosagens de HIV em 2008 x 2009

meses

2008

2009

jan fev mar abr mai jun

apresentar, no máximo, apenas uma

leitura discordante (com 95% de

concordância), os resultados mostram

que todas as leituras foram exatas,

ou seja, sem discordâncias entre uma

leitura e outra.

De acordo com o Ministério da

Saúde (10), pela pesquisa realizada na

UCS testando o uso do papel filtro no

diagnóstico do HIV, a validação confirmou

que este tem a mesma eficácia

da coleta via punção venosa e apontou

outros fatores de segurança. A avaliação

de sensibilidade no papel filtro para

teste anti-HIV apresentou 100% de

aproveitamento e a de especificidade

teve 99,5% de resultados favoráveis.

Ao todo, os estudos mostraram que

o papel filtro pós-coleta tem estabilidade

de até 35 dias sem condições

especiais de armazenagem, ou seja,

se adapta bem à temperatura ambiente,

podendo ser armazenado por

até 53 semanas em temperaturas de

4ºC, - 20º e -70ºC. (12)

O papel filtro possui pontos positivos,

se comparado à coleta convencional

(em tubo), como a facilidade na

coleta e no armazenamento, necessidade

de pouca estrutura e recursos

humanos, capacidade de gerar respostas

rápidas e baixo custo (13;14).

De Souza (18), em estudo semelhante

ao nosso, onde utiliza o método

de Elisa com o mesmo kit Q-Preven

HIV 1+2 – DBS, afirma que esta metodologia

possui um alto desempenho,

requerendo pouco volume de sangue,

além de que, pela coleta em papel filtro,

onde a armazenagem e transporte

são facilitados, conclui que este ensaio

é ideal para amostras que são enviadas

de longe do local de execução,

especialmente com recursos limitados.

Novas tecnologias têm sido constantemente

desenvolvidas e disponibilizadas

para laboratórios clínicos, sendo

de fundamental importância conhecer

o desempenho de cada nova metodologia,

como a utilização de amostras

secas coletadas em papel filtro no

diagnóstico de HIV. Fatores como a

coleta, armazenamento da amostra e

escolha do método para o diagnóstico

são imprescindíveis, interferindo diretamente

na confiabilidade dos resultados

emitidos pelo laboratório.

O imunoensaio de quarta geração

foi desenvolvido a partir da combinação

do teste de terceira geração,

que detecta anticorpos anti HIV-1,

inclusive subtipo O, anticorpos anti

HIV-2 e, simultaneamente, detecta

também o antígeno p24 do HIV-1.

Utilizando-se este método, diminui-se

a janela imunológica, além de reduzir

o número de resultados falsos positivos,

como a detecção de anticorpos

maternos na amostra do recém-nato,

e em populações de baixa prevalência,

como a de doadores de sangue (15).

As amostras se mostraram estáveis

durante o estudo. A reprodutibilidade

foi de 100% em ambos os

métodos de avaliação. Ou seja, os

146

NewsLab - edição 103 - 2010


esultados não obtiveram coeficiente

de variação entre as consecutivas dosagens

e também entre as dosagens

em rotinas diferentes, caracterizando

que as amostras se mantiveram estáveis

e com total reprodutibilidade

durante este período, garantindo

resultados confiáveis.

Uma das dificuldades obtidas para

a realização de estudos como este

para testes do pezinho está na rastreabilidade

do paciente, já que quando a

amostra em papel filtro chega ao laboratório

de apoio, geralmente utiliza-se

o nome da mãe, antecedido de “RN

de”. Quando a amostra confirmatória

(soro) é enviada, o nome utilizado

como identificação já é o do recémnascido,

impossibilitando, portanto,

a comparação entre os resultados

(papel filtro x soro).

Conclui-se, portanto, que este

trabalho ressalta a importância de

um estudo comparativo para metodologias

de diagnóstico na triagem

neonatal, onde haja rastreabilidade

completa do paciente, para que se

permita a comparação entre os métodos

utilizados. É relevante também

realizar um estudo com amostras

coletadas em papel filtro utilizandose

o teste de quarta geração, para

que se comprove que a escolha do

método de coleta (papel filtro) não

irá interferir nos resultados.

Desta maneira, criar-se-ia confiança

em amostras em papel filtro,

que são mais econômicas, estáveis e

fornecem facilidades que a amostra em

tubo não permite, como o transporte,

principalmente para exames específicos,

os quais geralmente são realizados

somente em laboratórios de apoio.

Correspondência para:

Tatiane Funari Chrusciak

tatifunari@hotmail.com

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148

NewsLab - edição 103 - 2010


Artigo

A Padronização de Critérios Visuais de Aceitação e Rejeição

de Amostras Hemolisadas em Laboratório Clínico

Maria Cristina de Martino 1 , Marcia Cristina Feres 2 , Alexandre Gabriel Jr. (in memorian) 3 , Paulo Campana 4 , Sergio Tufik 5

Trabalho realizado na Associação Fundo de Incentivo a Psicofarmacologia/Medicina Laboratorial – AFIP/ML – São Paulo

1 - Bióloga, Coordenadora Técnica dos setores Analítico, Validação e Pesquisa da AFIP/ML

2 - Biomédica, Especialista em Análises Clínicas pela Unifesp, Mestre em Farmácia e

Bioquímica pela USP e Pesquisadora da Unifesp e AFIP/ML

3 - Médico, Professor Doutor em Clínica Médica da Unifesp, Coordenador Clínico da AFIP/ML

4 - Médico, Especialista em Patologia Clínica, Coordenador Clínico da AFIP/ML

5 - Médico, Diretor-Presidente da AFIP/ML

Resumo

Summary

Padronização de critérios visuais de aceitação e rejeição

de amostras hemolisadas em laboratório clínico

Objetivo: Originada na fase pré-analítica devido à contaminação

da parte líquida da amostra de sangue com o conteúdo eritrocitário,

a hemólise in vitro é o interferente mais comum e a principal

causa de rejeição de amostras em ensaios analíticos no laboratório

de análises clínicas. Analisamos a influência da hemólise in vitro nas

dosagens laboratoriais de diferentes metodologias e equipamentos e

padronizamos critérios de rejeição de amostras.

Material e Métodos: Partindo de uma solução matriz de hemólise

contendo 13,0 g/dL de hemoglobina, obteve-se 12 concentrações

seriadas (v/v em água reagente Tipo I), que foram misturadas (v/v)

com um “pool” de soros límpidos, dentro dos valores de referência

normais e também com amostras de valores positivos ou alterados.

A análise dos resultados foi feita com base no Erro Total Permitido

calculado entre as replicatas sem e com hemólise, para cada concentração

de hemoglobina em todos analitos estudados (quantitativos).

A concordância simples foi utilizada para os ensaios qualitativos.

Resultados: Para química líquida, química seca, imunoturbidimetria

e quimioluminescência, a interferência da hemólise foi observada a

partir de 0,05g/dL para todos os analitos, exceto bilirrubinas e insulina

(>0,025 g/dL) e gamaGT (> 0,00625g/dL). Para nefelometria, Elisa

e imunofluorescência indireta, a interferência foi a partir de 0,8 g/

dL. Com estes dados foi elaborada uma escala visual contendo as

12 concentrações de Hb com suas respectivas cores e valor de corte

para rejeição.

Conclusão: Com os resultados encontrados foi possível conhecer

a interferência real da hemólise nas dosagens analíticas em nosso

laboratório. Também definimos e padronizamos, de forma simples

e visual, os critérios de rejeição de amostras por este interferente.

Palavras-chave: Hemólise, interferência, rejeição, influência

Standardization of visual criteria for acceptation and

rejection of hemolysis assays in clinical laboratory

Objective: Caused pre-analysis by contamination of blood sample’s

erythrocytes liquid phase, hemolysis is the most common in vitro

interference in blood assays and is the major cause of blood sample

rejection for analytic assays in the clinical laboratory. We studied its

influence in vitro on laboratory assays at different methods and equipments

and thereby standardized the blood sample rejection criteria.

Material and Method: Using a hemolysis stock solution of

13,0 g/dL of hemoglobin (Hb), we obtained a series of 12 solution

concentrations diluted (v/v) in reagent water type I, mixed (v/v) with

clean pooled serum that had normal reference values, or with serum

positive and altered values. Analysis of results was performed based

on the Total Error Acceptable (TEA) for all the quantitative analytes studied,

using duplicate samples one with and the other without hemolysis

solution for each hemoglobin concentration. Simple concordance was

used for qualitative assays.

Results: With chemical liquid, dry chemical, immuneturbidimetry

and chemiluminescence positive hemolysis interferences were

observed in assays with concentrations ≥ 0,05g/dL for all analytes,

with the exception of bilirrubin and insuline (> 0.025 g/dL) and

gamma GT (> 0.00625 g/dL). For nephelometry, ELISA and indirect

immunofluorescence (IIF) the interference was detected at ≥ 0.8 g/

dL. A visual colored scale was generated to identify Hb concentrations,

allowing for matching of sample values with cut-off values for

sample rejection.

Conclusion: These results allowed improved the understanding of

the influence of hemolysis with analytic assays in our laboratory. We

also established and standardized a simple and visual method to apply

the rejection criteria of this interference to blood samples.

Keywords: Hemolysis, interference, rejection, influence

150

NewsLab - edição 103 - 2010


Introdução

Ahemólise in vitro é uma causa

de erro prevalente em rotina

laboratorial definida como

um fenômeno que ocorre antes da

análise laboratorial da amostra de

sangue propriamente dita, isto é,

na fase pré-analítica, levando a uma

contaminação da parte líquida do

sangue com o conteúdo eritrocitário.

Este fenômeno comum pode resultar

em importantes problemas técnicos

comprometendo os resultados das

análises (1, 2).

A hemólise in vitro pode ser de

várias origens. As mais comuns são

físicas e decorrentes de fluxos mais

rápidos, as que se submetem às

amostras de sangue, isto é, em geral

decorrem de problemas na coleta e,

consequentemente, aplicação de vácuo

excessivo, quer na retirada, quer

na transferência da amostra (3).

Recente trabalho demonstrou que

6,5% de 353 amostras estudadas

apresentaram hemólise causada pela

permanência do torniquete no braço

do paciente por mais de 1 minuto na

hora da coleta de sangue (4). Outra

razão pode ser a existência de quantidades

mesmo diminutas de água no

tubo, o que também ocasionaria graus

variáveis de hemólise (5).

Na literatura são relatados diversos

estudos evidenciando a influência

de hemólise em testes bioquímicos,

em soro ou plasma. Os resultados

da maioria dos exames bioquímicos

sofrem interferência deste tipo de

condição que atinge a parte líquida do

sangue, isto é, quando falamos que

a hemólise causa uma interferência

nos resultados dos exames, queremos

dizer que é uma condição ou processo

que falseia e altera os resultados dos

ensaios (6).

Os mecanismos pelos quais a hemólise

interfere são, em primeiro lugar,

devido à liberação para o soro ou

plasma não apenas da hemoglobina,

mas de conteúdo intracelular como K,

LDH e AST. Além disso, a hemoglobina

liberada dificulta a leitura de absorbância

por método de espectrofotocolorimetria

em comprimentos de onda

de 415, 540 e 570nm e ainda atua

negativamente em determinações de

sódio, potássio e cloro (7).

Vários estudos realizados ressaltaram

a interferência da hemólise

em análise de determinados analitos.

Estudos com enzimas musculares (8)

demonstraram que CPK, LDH, aldolase

e aminotransferases foram suscetíveis

à hemólise.

Outros estudos demonstraram que

a hemólise transfere também uma

quantidade significativa de enzimas

proteolíticas e, desta maneira, as determinações

mais suscetíveis são as

dos hormônios peptídicos (5). Estudos

com os hormônios insulina, glucagon,

PTH, ACTH e calcitonina, entretanto,

sofreram influência significativa da

hemólise e, particularmente, o ensaio

para insulina apresentou maior sensibilidade

na presença da hemólise,

invalidando a dosagem, levando a resultados

falsamente mais baixos (8).

Geralmente a liberação de constituintes

intracelulares para o conteúdo

extracelular também interfere substancialmente

nos níveis de detecção

principalmente de AST, DHL, ALT,

HDL-colesterol, potássio e CPK como

foi demonstrado por vários autores

(9, 10). Outros autores quantificaram

a concentração de hemoglobina que

seria crítica para cada analito individualmente

e concluíram que determinados

analitos são muito mais sensíveis

na presença de hemoglobina, como

AST, cloro , LDH, sódio e potássio,

e apresentaram uma diminuição em

seus resultados quando as amostras

possuíam uma concentração de hemoglobina

a partir de 0,6 g/l (10), enquanto

que CK, ALT, fosfatase alcalina,

albumina e gama GT apresentaram

influência da hemoglobina para níveis

acima de 0,8 g/l como já havia sido

demonstrado por outros autores desde

a década de 1980 (11).

Vale a pena lembrar que alterações

mais relevantes causadas por

este interferente são, sem dúvida,

o aumento do potássio sérico, fato

de extrema importância na avaliação

clínica diagnóstica (7). Também

em estudos com lipídeos, os autores

demonstraram que a influência da

hemólise está fortemente relacionada

com diferentes metodologias e diferentes

equipamentos para dosagens

de vários analitos (13).

Na rotina dos laboratórios o material

hemolisado é reconhecido macroscopicamente,

isto é, apenas a olho

nu, e o laboratorista aceita ou rejeita

a amostra de acordo com os critérios

das Boas Práticas Laboratoriais e

procedimentos com critérios estabelecidos

por cada laboratório.

A quantificação de hemólise é

relativamente simples, existindo alguns

equipamentos automáticos que

avaliam o seu grau por espectrometria.

Entretanto, a importância prática

deste procedimento é questionável

uma vez que níveis baixos de hemólise

podem ser de extrema importância

para determinações de alguns analitos

e indiferentes para outros (14, 15).

Com o advento de várias metodologias

e equipamentos, observamos

que amostras com níveis baixos de hemólise

podem ser aceitas em ensaios

de determinados analitos. Recentes

trabalhos estudaram as dosagens de

amostras hemolisadas em vários modernos

equipamentos que corrigem a

hemólise para analisar as plataformas

analíticas destes equipamentos frente

152

NewsLab - edição 103 - 2010


a esta condição. Eles concluíram que

apresentaram resultados satisfatórios

corrigindo a hemólise de acordo com

os índices de hemólise estabelecidos,

conseguindo liberar resultados dos

analitos descontando a concentração

de hemólise como se as amostras

fossem isentas de hemoglobina (15).

Portanto, seria conveniente que

todo laboratório tivesse critérios

bem estabelecidos para aceitação/

rejeição de amostras (14), principalmente

aqueles que não possuem

equipamentos que corrigem esta

interferência, e manter um registro

escrito desses critérios, incluindo

aqueles relacionados com condições

ideais para coleta, acondicionamento,

transporte e armazenamento de

amostras biológicas.

No presente trabalho, os autores

estudaram em diversos níveis de

hemólise as suas implicações sobre

as dosagens de analitos bioquímicos

de maiores demandas em laboratório

clínico, considerando a metodologia

empregada e estabeleceram critérios

visuais bem definidos para aceitação

e rejeição de amostras hemolisadas.

Material e Métodos

Preparação de solução hemolisada:

sangue total EDTA contendo 13g/

dL de hemoglobina foi centrifugado a

3.500 rpm; o plasma foi descartado

e por três vezes foi acrescentado à

“papa” de hemácias, solução fisiológica

0,85% e centrifugado a 3.500

rpm. Uma solução hemolisada – denominada

de solução matriz – foi obtida

colocando igual volume de água tipo I

e “papa” de hemácias e a partir desta

foi elaborada uma série de 12 diluições

contendo 6,5; 3,2; 1,6; 0,8; 0,4; 0,2;

0,1; 0,5; 0,025; 0,0125; 0,00625 e

0,003125 g/dL de hemoglobina.

Indução da hemólise in vitro: cada

concentração de hemoglobina foi misturada

com igual volume de uma solução

“pool” de 80 soros, com resultados

dentro dos valores de referência para

os analitos propostos neste estudo.

Como controle foi utilizada mistura

de igual volume de “pool” de soros e

água tipo I. Cada tubo de “pool” de

soro com sua respectiva concentração

de hemoglobina (v/v) e controle foi

submetido aos testes laboratoriais em

diferentes métodos.

No equipamento Advia 1650/Siemens,

Inc. foi realizada bioquímica

líquida para dosagens de ácido úrico,

albumina, cálcio, colesterol, CPK, creatinina,

ferro, fosfatase ácida total,

fosfatase alcalina, fósforo, glicose,

HDL - colesterol, magnésio, proteínas

totais, AST, ALT, GGT, triglicérides,

ureia e bilirrubinas; método de eletrodo

seletivo para sódio, potássio e cloro e

imunoturbidimetria para transferrina e

α-1 glicoproteína ácida. No equipamento

Fusion-Vitros /Johnson&Johnson foi

realizada bioquímica seca para dosagens

de lípase e amilase.

Os ensaios imunoquímicos foram

realizados no equipamento Advia Centaur,

Immulite 2000, Siemens, Inc.,

metodologia quimioluminescência

para estradiol, LH, FSH, prolactina,

progesterona, TSH, T3 total, T3 livre,

T4 total, T4 livre, insulina, peptídeo

C, IgE, cortisol, androstenediona,

SDHEA, testosterona total, tireogloblunina,

ferritina, CA 125, CA 15-3,

CA 19-9, α-fetoproteína, PSA total,

homocisteína, fenobarbital. No Immage,

Beckman Coulter metodologia

nefelometria foram realizadas dosagens

séricas de α-1 anti-tripsina, C3,

C4, IgG, IgM, IgA, apolipoproteína A,

apolipoproteína B e lipoproteína (Lpa).

Para ensaios qualitativos, o teste

escolhido foi HIV–Elisa Adaltis e para

os semiquantitativos escolhemos o FAN

(Fator Antinuclear) por imunofluorescência

indireta (IFI) e utilizamos para

análise amostras positivas com densidade

ótica conhecida e com padrões

e títulos definidos, respectivamente.

A análise dos resultados foi feita

por comparação com os valores do

Erro Total Permitido (ETP) (16) para

cada analito que está baseado no

cálculo de Coeficiente de Variação (CV

em %), que engloba variação biológica,

variação analítica para chegar

a um CV máximo aceitável, ou seja,

o maior erro permitido entre duas

dosagens. Os CVs encontrados entre

as dosagens do controle (pool sem

hemólise) e pool/hemólise-induzida

para cada concentração de hemoglobina

foram comparados com este

valor máximo permitido de erro e a

concentração de hemoglobina aceitável

foi identificada para cada analito.

Resultados

Os resultados obtidos para bioquímica

líquida mostram que em todos os

analitos estudados o nível de hemólise

aceito foi para uma concentração de

hemoglobina de até 0,05g/dL, exceto

para bilirrubinas e gama GT cujas concentrações

aceitáveis foram até 0,025

g/dL e 0,00625 g/dL, respectivamente.

O mesmo pôde ser visto para a bioquímica

seca, onde o corte para aceitação

para a amilase e lipase também foi

hemoglobina até 0,05 g/dL.

Quando analisamos os resultados

das dosagens quantitativas imunoquímicas,

isto é, imunoturbidimetria,

quimioluminescência e nefelometria,

observamos que todos os analitos

para as duas primeiras metodologias

apresentaram resultados aceitáveis

com concentrações de hemoglobina de

até 0,05 g/dL, já para a nefelometria

não encontramos alteração nos resul-

154

NewsLab - edição 103 - 2010


Figura 1. Critérios de rejeição de amostras por hemólise para as metodologias bioquímica líquida e seca, imunoturbidimetria,

quimioluminescência, nefelometria, Elisa e imunofluorescência indireta

tados a nível de hemólise até 0,8g/dL

de hemoglobina.

Nos ensaios qualitativos e semiquantitativos,

enzimaimunoensaio

(Elisa) e imunofluorescência indireta,

respectivamente, os resultados são

confiáveis até 0,8 g/dL de hemoglobina.

A Figura 1 mostra a tabela com

os resultados encontrados para os

analitos testados nas metodologias

já descritas.

Discussão

Consideramos que é essencial que

haja diretrizes para coleta de amostras

e para a avaliação das mesmas porque

a aceitação de amostras biológicas

inadequadas para análise pode levar

a informações incorretas capazes de

afetar o tratamento dos pacientes.

Somente com o monitoramento regular

das amostras recusadas a identificação

de fatores associados para

evitar erros e promover a melhoria

ininterrupta da qualidade nos serviços

prestados pelos laboratórios, é que

demonstraria esta preocupação.

Entretanto, para casos os quais

não conseguimos controlar, achamos

necessário identificar para os principais

analitos o impacto da hemólise

sobre seus resultados. Este estudo

teria como utilidade também não somente

para hemólise “in vitro” como

para hemólise fisiológica/patológica

(amostras de sangue de recém-nascido,

anemias hemolíticas e outras condições

endógenas do paciente) (17).

O presente trabalho mostrou que

os níveis de hemoglobina aceitáveis

para realização de testes bioquímicos

e imunoquímicos estão dentro

da discrição relatada na literatura

(9, 10, 13, 15). Embora os valores

de hemoglobina para bilirrubinas e

insulina apresentassem um comportamento

particular de sensibilidade

nesta condição.

O modelo de utilização dos componentes

da Variação Biológica para

definir as especificações da qualidade

analítica tem flexibilidade para se

adaptar às tecnologias atualmente

disponíveis e tem sido recomendado

por especialistas dedicados ao

estudo da qualidade no Laboratório

Clínico (18, 19).

A escolha de valor de corte para cada

metodologia entre todas as concentrações

de hemoglobina e todos os analitos

testados foi feita por uma média, pois

na maioria dos casos houve variação de

mais de um título na concentração de

hemoglobina e tivemos o cuidado de dar

uma margem de segurança.

Vale ressaltar que alguns analitos

que não se encontravam disponíveis

na tabela de erro total permitido

(ETPm) (16) foram aceitos por pertencerem

ao grupo de metodologia

empregada. O mesmo se aplica aos

analitos que não fizeram parte do

grupo escolhido para teste.

NewsLab - edição 103 - 2010

155


Embora vários trabalhos tenham

surgido na literatura enfocando este

tema, nenhum apresentou uma aplicabilidade

tão rápida, fácil e de baixo

custo para critérios de aceitação e

rejeição de amostras de sangue por

hemólise.

Atualmente, encontramos vários

equipamentos que apresentam plataformas

analíticas que corrigem o

grau de interferência da hemoglobina

da amostra biológica e liberam os

resultados corrigidos para este fator

de interferência como foi demonstrado

na literatura (15). Entretanto,

muitos laboratórios não possuem

estes equipamentos e neste caso

seria conveniente que cada serviço

tivesse seus critérios de aceitação e

rejeição de amostras baseadas em

procedimentos escritos e devidamente

documentados (18, 20).

O desenvolvimento de um sistema

de qualidade accessível para potenciais

interferentes na rotina laboratorial

envolve treinamento de equipe

(laboratoristas, coletores, equipe

clinica), desenvolvimento de procedimentos

operacionais, estabelecimento

de processos de detecção de

alertas, em checagem de resultados,

limites aceitáveis, resultados discrepantes

e a necessidade de consulta.

Uma vez que um novo e significante

interferente seja identificado, é necessário

discutir o possível caminho

para neutralizá-lo.

Correspondências para:

Márcia Cristina Feres

marcia.feres@afip.com.br

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156

NewsLab - edição 103 - 2010


Artigo

Alterações Hematológicas em Amostras Armazenadas e

Analisadas em Condições de Tempo e Temperatura Distintos

Gabriel Ferreira Bazé Neto¹, Miguel Machado de Araújo²

1 – Biomédico pela Unigran – Dourados, MS

2 – Especialista em Análises Clínicas pela Universidade Estadual de Londrina – UEL, Bacharel

em Biomedicina pelo Centro Universitário da Grande Dourados-UNIGRAN, Dourados-MS

Resumo

Summary

Alterações hematológicas em amostras armazenadas

e analisadas em condições de tempo e temperatura

distintos

As análises hematológicas provenientes de amostras estocadas

são passíveis de alterações pelo acondicionamento do sangue.

Na rotina laboratorial inexiste um consenso entre os profissionais

da área sobre as condições ideais para a estocagem de amostras

sanguíneas destinadas à análise hematológica. O presente trabalho

tem por objetivo evidenciar as alterações do eritrograma geradas

por estocagem das amostras de sangue e averiguar condições

ideais para a estocagem dessas amostras. Para realização do estudo

foi efetuado o hemograma automatizado das amostras recémcolhidas

e posteriormente estas foram submetidas à 4ºC por 48

horas e, no decorrer destas horas, as amostras foram avaliadas de

12 em 12 horas, através das análises do eritrograma. As amostras

mostraram alterações pouco significativas em alguns parâmetros,

porém os índices hematimétricos revelaram alterações significativas

principalmente no decorrer das 12 primeiras horas de estocagem.

Hematological changes in stored and examined

samples in terms of distinguished time and temperature

The hematological analysis from stored samples can change due

to the packaging of the blood. In the laboratory routine does not

exist a consensus among professionals about the ideal conditions

for the storage of blood samples for the hematological analysis.

This paper aims to highlight the changes of erythrocyte generated

by storage of blood samples and determine optimal conditions for

the storage of these samples. To conduct the study was made of the

automated blood samples freshly harvested and then subjected to

4°C for forty-eight hours and, during these hours the samples were

evaluated in twelve hours, by the erythrocyte analysis. The samples

showed minor changes in some parameters, but the erythrocyte

index showed significant changes especially during the first twelve

hours of storage.

Keywords: Erythrogram, blood sample storage, hemogram

Palavras-chave: Eritrograma, amostra de sangue, estocagem,

hemograma

Introdução

Ohemograma completo é um

dos exames mais solicitados

dentro da rotina de um laboratório

de análises clínicas. É uma avaliação

dos componentes sanguíneos

e sua realização se torna importante

para a monitoração do funcionamento

do sistema orgânico de cada indivíduo,

pois qualquer alteração patológica

tende a refletir nas séries analisadas

neste exame de sangue (1).

Como componentes do sangue

estão incluídos os eritrócitos ou células

vermelhas, leucócitos, também

denominados de células brancas e

as plaquetas. No exame de sangue

a avaliação das células vermelhas é

denominada de eritrograma e é enunciada

por três valores quantitativos: o

hematócrito (Ht), a hemoglobina (Hb)

e a contagem global das hemácias

(He). Três índices adicionais elaboram

as características qualitativas

do eritrograma: volume corpuscular

médio (VCM), hemoglobina corpuscular

média (HCM) e a concentração

de hemoglobina corpuscular média

(CHCM) (2, 3).

158

NewsLab - edição 103 - 2010


O hemograma surgiu quando, em

1929, Wintrobe idealizou o hematócrito,

e no ano de 1932 edificou as fórmulas

matemáticas para o cálculo dos

índices hematimétricos, que além de

se basearem no hematócrito, dependiam

da dosagem de hemoglobina e

da contagem global dos eritrócitos em

hemocitômetro (aparelho outrora usado

para a contagem dessas células).

Dessa forma foi criado o eritrograma e,

juntamente com ele, as classificações

das anemias. Posteriormente aliaramse

ao eritrograma as determinações

dos leucócitos, concretizando o hemograma

conhecido atualmente (4).

No decorrer do século 20, houve

um avanço do mercado tecnológico que

possibilitou a inclusão de novos aparatos

eletrônicos e juntamente com este

avanço foram criados os equipamentos

eletrônicos capazes de contar células

sanguíneas, que posteriormente chegaram

à rotina dos laboratórios de

análises clínicas, implantando a automação

hematológica aos laboratórios

de diversos portes (5, 6).

Além dos parâmetros comuns do

hemograma manual, essa tecnologia

adicionou ao exame de sangue outros

parâmetros de análises como o PDW

(Patelet Distribution Width), RDW

(Red Cell Distribution Width) e histogramas

de distribuição de volumes das

células, e são capazes de realizar de

8 até 23 parâmetros no hemograma.

Possuem no mínimo dois canais, sendo

um com diluente para as hemácias e

outro com lisante, para os leucócitos e

determinação da concentração de hemoglobina.

Outros canais são impreteríveis

para a contagem diferencial e

utilizam princípios diversificados como

impedância, absorbância ou desvio da

luz polarizada (7).

Mesmo contando com todo o

aparato tecnológico e os benefícios

oferecidos por este durante a fase

analítica do hemograma, é necessário

que se tenha conhecimento das

alterações que ocorrem depois da

coleta do sangue e durante toda a

fase pré-analítica. Entre as alterações

mais frequentes, encontramos

após a coleta um aumento do volume

celular e da fragilidade osmótica das

hemácias. Os neutrófilos e monócitos

mostram-se degenerados, com vacúolos

no citoplasma e lobulação nuclear.

E os fatores de coagulação do sangue

diminuem suas atividades (3, 8).

Depois da coleta, as amostras de

sangue devem ser estocadas a baixas

temperaturas para exames que não

serão realizados imediatamente, pois

no eritrograma, o VCM e o CHCM mostraram

importantes alterações quando

as amostras de sangue foram estocadas

em temperatura ambiente (25ºC) por

24 horas, indicando desta forma que

ocorreu um aumento do valor médio

dos volumes dos eritrócitos, sem haver

alterações na quantidade interna de

hemoglobina. De acordo com o anticoagulante

utilizado, o prazo para a análise

do sangue pode variar (5, 9, 10).

Pode ser realizado o acondicionamento

de amostras, para a determinação

laboratorial do eritrograma,

com a condição de que após a coleta

as amostras devam ser estocadas a

uma temperatura de 4 ºC e as determinações

devem ser realizadas no

prazo máximo de 24 horas, para que

não ocorram alterações artefatuais

significativas pela estocagem (11).

Apesar de estudos já realizados,

como o citado anteriormente, enfocando

a estocagem de sangue para

o hemograma, ainda ocorre uma discrepância

dentro da rotina laboratorial

quanto à estocagem das amostras

destinadas à hematologia, e leva-se

em consideração o número limitado

de publicações sobre o assunto. Dessa

forma, este estudo objetiva evidenciar

as alterações do eritrograma geradas

por estocagem das amostras de sangue

e averiguar condições ideais para

a estocagem dessas amostras.

Materiais e Métodos

O trabalho foi conduzido no laboratório

de análises clínicas da Unigran

na cidade de Dourados, MS. O projeto

foi aprovado pelo Conselho de Ética e

Pesquisa com Seres Humanos, e as

análises só foram iniciadas posteriormente

à aprovação.

A coleta dos dados ocorreu entre

agosto a setembro de 2009. O número

total de amostras analisadas foi de 102

tubos de sangue com anticoagulante

EDTA K3, contendo 5 ml de sangue em

cada tubo, provenientes de pacientes

com idade variante entre 15 a 40 anos,

de ambos os sexos. Utilizou-se como

critério de exclusão da pesquisa, as

amostras de pacientes especiais, como

os deficientes mentais, indígenas,

pacientes considerados anêmicos, e

amostras com concentração de hemoglobina

menor que 11 g/dl.

As amostras foram analisadas com

a metodologia de automação hematológica

pelo aparelho KX-21N de 19

parâmetros da marca Sysmex. Dentre

os 19 parâmetros, foram utilizados:

RBC (quantidade total de hemácias),

HGB (concentração de hemoglobina),

HCT (hematócrito), VCM (volume médio

dos eritrócitos da amostra), HCM

(concentração média de hemoglobina

por hemácia), CHCM (concentração

média dos glóbulos vermelhos da

amostra), RDW-CV (amplitude de

distribuição dos eritrócitos, coeficiente

padrão) (12).

Logo após a coleta das amostras foi

realizado o eritrograma em (0h), e em

seguida as mesmas foram estocadas a

4ºC por 12 horas. E realizado o eritro-

NewsLab - edição 103 - 2010

159


grama, em seguida, foram realizadas

quatro análises do eritrograma com

intervalos de 0h/12h/24h/48h.

Para a tabulação dos dados obtidos

foram utilizados média e porcentagem

e estes foram apresentados por gráficos

e tabelas.

Resultados e Discussão

Os resultados obtidos demonstraram

alterações pouco significativas.

Variando entre os parâmetros analisados,

podemos verificar a percentagem

de alterações encontradas durante o

período de análise (figura 1).

Das 102 amostras em relação à

contagem de hemácias, não houve

alteração significativa no decorrer das

48 horas de análise (tabela 1).

Quanto ao parâmetro Hemoglobina

as alterações foram irrelevantes,

portanto não significativas (tabela 2).

Os valores do Hematócrito sofreram

poucas alterações no período

das analises, observando-se que as

alterações foram maiores no período

de 0h e essas alterações diminuíram

com o decorrer do tempo (tabela 3).

Dentre os índices hematimétricos,

o VCM sofreu alteração de

quase cinco pontos percentuais entre

as primeiras 12 horas, variando

de 14,7% para 19,6%. O HCM não

apresentou variação significativa.

O CHCM demonstrou maior nível

de alteração entre as análises,

apresentando queda dos índices

percentuais a partir da 12ª hora,

mantendo os níveis baixos até o

final da pesquisa (figura 2).

30,00%

27,45%

CHCM

30%

RDW He

6% 6% Hb

10%

HCM

18%

VCM

21%

Ht

9%

25,00%

20,00%

15,00%

10,00%

5,00%

1,96%

3,92% 3,92%

0,00%

1

0h 12h 24h 48h

Figura 1. Percentual de alterações por parâmetro do eritrograma

Figura 2. Valores percentuais alterados de CHCM

Tabela 1. Valores percentuais de glóbulos vermelhos

Horas 0h 12h 24h 48h

Normal (%) 94,12% 95,10% 97,06% 96,08%

Alterados (%) 5,88% 4,90% 2,94% 3,92%

Tabela 2. Valores percentuais de hemoglobina

Horas 0h 12h 24h 48h

Normal (%) 92,16% 92,16% 91,18% 92,16%

Alterados (%) 7,84% 7,84% 8,82% 7,84%

Tabela 3. Valores percentuais de hematócrito

Horas 0h 12h 24h 48h

Normal (%) 92,16% 94,12% 96,08% 95,10%

Alterados (%) 7,84% 5,88% 3,92% 4,90%

160

NewsLab - edição 103 - 2010


Pelo fato de ser um valor

médio, o VCM é um parâmetro

que estaria menos propenso a

alterações. Em estudos anteriores

foram encontrados resultados de

média de variação em torno de 1%

quando as amostras foram estocadas

a 4ºC por 48 horas. Quando

as amostras foram submetidas à

agitação mecânica e a temperaturas

distintas por mais de uma

hora, o VCM mostrou alterações

significativas (11, 13).

Conclusão

Concluímos com a pesquisa, que a

estocagem de amostra para o hemograma

completo deve ser realizada no

menor prazo possível, até a execução

do exame, pois aferimos que em

alguns parâmetros houve pequenas

alterações que subjetivam e indicam

novas pesquisas acerca do assunto

para a identificação de alterações

mais significativas, comparando com

um grupo ou tempo maior.

Observamos com os resultados

alcançados, que os laboratórios e

centros de pesquisas hematológicas

devem se beneficiar com resultados

nesta esfera da pesquisa, pois a

mesma indica que existem alterações

geradas nas amostras por motivos de

estocagem e armazenamento.

Correspondências para:

Gabriel Ferreira Bazé Neto

gabriel_baze@yahoo.com.br

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162

NewsLab - edição 103 - 2010


Artigo

Avaliação Comparativa dos Parâmetros

Hematológicos RDW-CV e RDW-SD

Cláudia Brollo 1 , Rejane Giacomelli Tavares 2

1 - Biomédica

2 - Professora Titular do Curso de Biomedicina do Centro Universitário Feevale

Trabalho desenvolvido no Centro Universitário Feevale, Novo Hamburgo, RS,

em colaboração com o Laboratório Exame, Novo Hamburgo, RS

Resumo

Summary

Avaliação comparativa dos parâmetros hematológicos

RDW-CV e RDW-SD

Nos contadores hematológicos da linha Sysmex existem dois

tipos de RDW: o RDW-CV e o RDW-SD. O RDW-CV é o coeficiente

de variação da curva de distribuição das hemácias e é um índice

calculado e que se correlaciona com o VCM. O RDW-SD é uma

medida direta da curva de distribuição das hemácias e reflete

com maior exatidão variações no tamanho das células. Os dados

obtidos neste trabalho demonstram que o RDW-CV é influenciado

não só pela variação do tamanho das células vermelhas (SD),

mas também pelo VCM. Nossos resultados demonstram que o

RDW-SD está aumentado nos casos de anemias macrocíticas,

enquanto que o RDW-CV está erroneamente normalizado. Assim,

o RDW-SD apresenta uma melhor especificidade na avaliação da

anisocitose e uma melhor relação com a dispersão do tamanho

das células vermelhas.

Comparative evaluation of hematologic parameters

RDW-CV and RDW-SD

Upon the Sysmex hematological counters two different types

of RDW are found RDW-CV and RDW-SD. The RDW-CV is a

coefficient of variation of red cell volume distribution and is a

calculated index, related with MCV. The RDW-SD is a direct

measure of the width of the red cell distribution curve, and more

accurately reflects variation in size in a red cell population. The

results show that RDW-CV is influenced not only by the red cell

size variation (SD) but also by MCV. Our results showed that

RDW-SD is increased in macrocytic anemia, while RDW-CV is

erroneously normal. Thus, RDW-SD has better specificity in evaluation

of anisocytosis and a more accurate and linear relationship

to the size dispersion of red blood cells.

Keywords: RDW-CV, RDW-SD, MCV

Palavras-chave: RDW-CV, RDW-SD, VCM

Introdução

O

RDW (Red Cell Distribution

Width) é uma medida derivada

da curva da distribuição

dos glóbulos vermelhos, gerada

em analisadores automatizados em

hematologia. Esse novo parâmetro,

derivado da tecnologia eletrônica,

teve seu uso consagrado e tornou-se

rotineiro do eritrograma (2).

Este índice fornece a expressão

numérica da variação no tamanho das

células vermelhas, ou seja, anisocitose,

hemácias de tamanhos variados,

provavelmente uma consequência de

deficiências associadas ou de fornecimento

intermitente na medula óssea

dos elementos necessários para a

formação da hemoglobina e para as

divisões celulares (8).

O RDW é usado juntamente com

outros índices e se correlaciona com

o VCM (Volume Corpuscular Médio).

Geralmente um RDW elevado indica

uma população heterogênea de células

vermelhas, e um RDW normal

164

NewsLab - edição 103 - 2010


ou diminuído indica uma população

homogênea.

A tecnologia atual fornece duas

medidas de RDW: RDW-CV (coeficiente

de variação) e RDW-SD (desvio

padrão), sendo expressos em porcentagem

(%) e em fentolitros (fL),

respectivamente.

O RDW-CV é o coeficiente de variação

da distribuição de hemácias e é um

índice calculado (12). Calcula-se a partir

de uma equação, onde 1SD é medido

na altura de 68,2% acima da base da

curva de distribuição dos volumes das

hemácias (Figuras 1 e 2) (1, 7). Como

podemos ver pela equação, o RDW-CV

é correlacionado com valores de VCM.

RDW CV% = 1SD x 100

VCM

Figura 1. Fórmula para cálculo do RDW-CV

O RDW-SD é obtido através da

medida direta da largura da curva de

distribuição das hemácias de acordo

com o volume eritrocitário, sendo avaliado

no nível de 20% da linha de base

da referida curva, onde se encontra a

maior variação do tamanho das células

(Figura 3) (7, 11).

Por ser uma medida direta, o RDW-

SD é independente do VCM e reflete

com exatidão a variação no tamanho

de uma população de células vermelhas,

sendo de grande utilidade como

auxiliar na discriminação laboratorial,

principalmente das anemias (12).

Assim, este trabalho tem como

objetivo analisar a correlação entre os

valores de RDW-CV, RDW-SD e VCM,

associando os valores numéricos destes

índices às alterações morfológicas

observadas na microscopia, validando

o uso do RDW-CV e RDW-SD na rotina

laboratorial e nos casos de anemias

microcíticas e macrocíticas.

RDW-CV

68,2%

L1 L2

Figura 2. RDW-CV

Materiais e Métodos

Foram analisadas 110 distensões

sanguíneas juntamente com seus

resultados, com valores de RDW-SD

alterados. Os resultados foram separados

em três grupos, classificados

de acordo com o VCM (microcíticas,

normocíticas, macrocíticas).

As distensões sanguíneas foram

provenientes do Laboratório Exame

- Novo Hamburgo, que utiliza em

suas análises o equipamento XT-1800

(Sysmex ® ), que detecta ambos os

parâmetros.

As amostras de sangue foram colhidas

em tubo contendo EDTA como anticoagulante

e a distensão sanguínea foi

100%

20%

RDW-SD

Figura 3. RDW-SD

corada com May-Grünwald, e analisada

por dois observadores à microscopia

ótica, usando objetiva de 100X.

Os valores considerados normais

para RDW-CV, RDW-SD e VCM foram:

RDW-CV < 15% e RDW-SD < 49.1 fL

e VCM entre 80-100 fL (7).

Resultados

A Figura 4 mostra os valores

de RDW-CV e RDW-SD obtidos a

partir da população definida como

microcítica (VCM diminuído), onde

se observa que os valores de RDW-

CV aparecem aumentados, embora

os valores de RDW-SD estejam

Figura 4. Distribuição dos valores de RDW-CV e RDW-SD em presença de microcitose (n = 41)

NewsLab - edição 103 - 2010

165


Figura 5. Distribuição dos valores de RDW-CV e RDW-SD em presença de normocitose (n = 33)

Figura 6. Distribuição dos valores de RDW-CV e RDW-SD em presença de macrocitose (n = 36)

Tabela 1. Valores médios de RDW-CV e RDW-SD em função dos valores de VCM. Os dados

são expressos em média ± desvio padrão

Variável Média±DP Limites

dentro da faixa de normalidade. O

exame microscópico das distensões

sanguíneas não revelou a presença

significativa de anisocitose.

Nas anemias normocíticas (Figura

5), encontramos valores de RDW-

CV normais, porém com valores de

RDW-SD levemente aumentados,

indicando uma precocidade na detecção

da anisocitose por este parâmetro.

O exame microscópico das

distensões sanguíneas, neste caso,

não foi conclusivo, visto que as variações

numéricas foram extremamente

pequenas e a acuidade visual não

proporciona tamanha perfeição na

comparação do tamanho das hemácias

nestas condições.

Em relação às anemias macrocíticas,

nossos dados demonstram

a maior sensibilidade do RDW-SD,

pois todas as distensões sanguíneas

examinadas microscopicamente apresentaram

anisocitose visível, embora

o RDW-CV tenha apresentado valores

normais (Figura 6).

Na Tabela 1 apresentamos os valores

médios obtidos para cada um

dos índices (RDW-CV e RDW-SD), nas

diferentes populações (microcítica,

normocíticas e macrocíticas). Os valores

são expressos em média ± desvio

padrão, bem como os limites máximos

e mínimos para cada parâmetro.

RDW-CV Microcitose 18,0 ± 2,42 15,2 - 26,6

RDW-SD Microcitose 41,3± 3,61 31,4 - 47,2

RDW-CV Macrocitose 14,06 ± 0,75 12,3 - 15,0

RDW-SD Macrocitose 52,95 ± 3,26 49,3 - 62,7

RDW-CV Normocitose 14,48 ± 0,39 13,7 - 15,0

RDW-SD Normocitose 50,21 ± 0,81 49,1 - 51,8

Discussão

A utilização de contadores eletrônicos

implementou as contagens

globais de células através da citometria

de fluxo e melhorou em

muito a rapidez e a precisão dos

dados fornecidos, pois um expressivo

número de células é analisado

individualmente, o que não era possível

anteriormente, além de que a

avaliação microscópica do tamanho

166

NewsLab - edição 103 - 2010


das hemácias apresentava limitações

devido à subjetividade significativa

associada à inspeção visual (4, 5).

Ao lado desta evolução, houve

a introdução de novos parâmetros

de medida, como o RDW-CV e

RDW-SD. O RDW é um indicativo do

grau de anisocitose das hemácias,

ou seja, da variação de tamanho

destas células, sendo um dado

adicional para a distinção de alguns

tipos de anemia e que, em última

instância, proporciona um encaminhamento

mais rápido para testes

específicos (5, 10, 11).

Nos contadores hematológicos da

linha Sysmex Ò existem os dois tipos

de RDW: o RDW-CV, que abrange

um total de 68,2% da população,

quando utilizada uma curva de distribuição

gaussiana, e o RDW-SD,

que corresponde ao valor médio do

tamanho das hemácias que estão

situadas, no máximo até 20% acima

da linha de base do histograma eritrocitário.

Nesta área encontramos

a maior variação no tamanho das

hemácias (1, 7, 11).

Estudos já comprovaram a eficiência

destes parâmetros, especialmente

do RDW-SD, na diferenciação

de anemias microcíticas ferroprivas

e b-talassemias. Em relação à anemia

ferropriva, sabe-se que é um

achado importante a ocorrência de

anisocitose relacionada tanto ao

RDW-CV quanto ao RDW-SD, já que

podemos encontrar hemácias de

diferentes tamanhos, formadas em

estágios progressivos da deficiência

de ferro, causando mistura de células

normocíticas e progressivamente

microcíticas (4, 6, 12).

Observa-se também um valor

calculado de RDW-CV mais distante

do valor de normalidade do que os

valores medidos para RDW-SD. Esta

observação é decorrente da utilização

dos valores de VCM para o cálculo do

RDW-CV, já que nestes casos encontramos

valores de VCM diminuídos

(anemia microcítica).

Já nas b-talassemias, não ocorre

flutuação na produção de hemoglobina

e a medula óssea produz

uma população mais uniforme de

eritrócitos (3, 4, 6, 12). Nestes

casos, é frequente a observação de

microcitose, porém sem alteração

significativa do RDW-SD. Nestes

pacientes, o RDW-CV apresenta-se

pouco fidedigno, já que seus valores

podem encontrar-se falsamente

aumentados, em função deste parâmetro

ser calculado, levando em

consideração o VCM (7).

Assim, parece-nos ser extremamente

importante a avaliação dos

valores de VCM e RDW-SD, juntamente

com os resultados de RDW-CV,

para um diagnóstico mais preciso. Em

nosso trabalho, observamos haver

concordância com estes achados, em

relação à anemia microcítica, conforme

demonstrado na Figura 4.

Nossos dados mostraram haver

uma interessante correlação entre a

avaliação dos índices de anisocitose

(RDW-CV e RDW-SD) em se tratando

de anemias macrocíticas. Segundo

Grotto (comunicação pessoal), a

grande valia do RDW-SD consiste no

diagnóstico precoce das anemias macrocíticas.

Estas anemias são causadas

por deficiências nutricionais, de

folato ou vitamina B12, que sempre

causam uma heterogeneidade no tamanho

dos eritrócitos. Em deficiências

nutricionais iniciais, o RDW-SD

é alto enquanto o RDW-CV continua

dentro dos valores normais (5, 9).

Em anemias normocíticas, os valores

de RDW-CV e RDW-SD também

podem ser usados para a avaliação

das anemias em fase inicial, normalmente

das anemias carenciais (Figura

5). Em deficiências nutricionais

iniciais, o RDW-SD apresenta-se

discretamente elevado, enquanto o

RDW-CV e o VCM continuam dentro

da faixa de normalidade, indicando

uma precocidade de detecção de

alterações na distribuição do tamanho

das hemácias, possuindo assim

este índice uma maior sensibilidade

nestas pequenas variações.

Para o analista clínico, quando

da sua observação microscópica das

distensões sanguíneas, a análise

conjunta dos resultados de RDW-CV,

RDW-SD, VCM, hematócrito e hemoglobina

pode facilitar a interpretação

dos dados, colaborando para um

diagnóstico mais preciso (5).

Cabe ressaltar que neste trabalho

não foram correlacionadas as

variáveis hematócrito, hemoglobina,

sexo ou idade dos pacientes analisados,

bem como sua avaliação

médico-clínica. Entretanto, tomouse

o cuidado de utilizar os dados

referentes somente à população

considerada anêmica (hemoglobina

média= 9,7 g/dL).

Embora muitos estudos publicados

na literatura especializada relacionem

a importância da avaliação

do RDW-SD principalmente para a

diferenciação dos casos de anemias

microcíticas e b-talassemias, vários

trabalhos têm sido feitos no intuito

de relacionar este importante parâmetro

também com o diagnóstico das

anemias macrocíticas.

De acordo com nossos dados,

percebe-se que a avaliação do RDW-

SD é muito mais fidedigna do que a

avaliação do RDW-CV naqueles pacientes

onde encontramos valores de

VCM aumentados (Figura 6). Quando

comparados os valores numéricos

obtidos para estes dois parâmetros

com a avaliação microscópica, observa-se

a presença de anisocitose

NewsLab - edição 103 - 2010

167


em praticamente todas as distensões

sanguíneas. Cabe ressaltar que todas

as distensões sanguíneas foram

avaliadas por dois observadores.

Assim, deve-se ter cuidado ao

interpretar o RDW-CV, visto que

um VCM elevado pode normalizar

o resultado, mesmo que haja uma

variação significativa do tamanho

das células. Inversamente, uma

população homogênea de células

vermelhas com VCM diminuído

resultará em um RDW-CV erroneamente

aumentado, já que o VCM

é o resultado da média de todos os

tamanhos das hemácias analisadas

e, consequentemente, só apresentará

um valor alterado quando existir

uma determinada quantidade de

hemácias menores ou maiores (12).

Podemos concluir que o RDW-SD

representa mais uma ferramenta

fornecida pela automação dos

exames hematológicos, devendo

ser analisado em conjunto com as

demais medidas hematimétricas

fornecidas, auxiliando no diagnóstico

dos processos anêmicos e das consequentes

alterações morfológicas

dos eritrócitos.

Agradecimentos

Agradecemos ao Exame Laboratório

de Análises Clínicas Ltda. pela colaboração

em fornecer as informações

e dados necessários para a realização

do presente trabalho.

Correspondências para:

Rejane Giacomelli Tavares

tavares.rejane@gmail.com

rejanetavares@feevale.br

Referências Bibliográficas

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10. Silva PH, Zaroni M, Comar SR, Hemerson BA. Estabelecimento dos valores normais do RDW para a população de Curitiba. Rev.

Bras. Anal. Clin. 32(3):233-5, 2000.

11. Villas Boas MCV, Araújo FMO, Gilberti MFP, Grotto HZW. Utilidade do RDW-SD como auxiliar na interpretação das alterações

morfológicas dos eritrócitos. NewsLab, São Paulo, 41: 8-9, 2000.

12. Walters J. Hematology Review: RDW Measurements and Their Meaning. Disponível em: http://www.acllaboratories.com/

lablink/3-2002.pdf.

168

NewsLab - edição 103 - 2010


Humberto Façanha da Costa Filho

Rosa Mayr Prestes da Costa

É uma grande honra apresentar a segunda

edição do livro do Dr. Humberto

Façanha! Quantos laboratórios já

se beneficiaram com a ajuda fantástica

que este brilhante profissional lhes proporcionou

Dezenas! E posso afirmar

que estão todos muito felizes. Por quê

Porque eles sabem que com o negócio

de laboratório de análises clínicas

pode-se obter lucratividade, desde que

haja uma gestão financeira profissional.

O meu respeito pelo Dr. Humberto

continua crescendo pela forma como

ele se coloca sempre disponível e dar

a seu profissionalismo a uma humanidade

marcada e tratar seu interlocutor

com profundo respeito.

Na Assembléia Francesa uma vez me

deparei com esta frase: “Os homens

procuram a luz em um jardim frágil,

onde fervilham as cores”.

Desejo que Dr. Humberto traga a luz

para que alguns possam encontrar sua

própria luz...

Sylvain Kernbaum

Editora Eskalab

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coloca à sua disposição os seguintes livros a preços promocionais:

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Microbiologia – 5°

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Autores: Flávio

Alterthum & Luiz Rachid

Trabulsi

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Técnicas Básicas de

Laboratório Clínico –

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Autoras: Barbara H. Estridge

e Anna P. Reynolds

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Tratado de

Infectologia –

4°edição – 2 volumes

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& Ricardo Veronesi

2320 páginas

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Manual de Medicina

Transfusional

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Bacteriologia e

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Laboratório Clínico

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Vias Urinárias

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Laboratoriais de

Rotina

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Urinálise e Fluidos

Corporais

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Strasinger, Marjorie

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Medicina

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Infec. e Parasitárias

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Nova Fronteira da

Medicina

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Microbiologia Clínica:

156 perguntas e

respostas

Autores: Caio Márcio

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Oplustil; Cássia Maria

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Laboratório Clínico

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Administração de

Laboratórios

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Bioquímica Clínica

para o Laboratório

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Interpretações

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Técnicas de

Laboratório

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Almeida Moura, Carlos S.

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Almeida

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Hemograma – Como

fazer e interpretar

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Preço: R$ 199,00

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Cheque anexo nº _______________e nominal à Editora Eskalab Ltda.

Por meio de depósito bancário, que será feito no Banco Itaú, Ag. 0262, conta corrente: 13061-0, a favor da Editora Eskalab Ltda., CNPJ 74.310.962/0001-83.

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AGENDA 2 0 1 1

XIX Simpósio Internacional

de Hematologia e Hemoterapia Evento

científico do Hospital

Israelita Albert Einstein

Data: 25 e 26 de março

Informações: www.einstein.br

XI Workshop de Resistência Bacteriana e

atualizações do CLSI 2011

Data: 2 de abril

Local: Hotel Blue Tree Towers Morumbi

São Paulo. SP

Informações: www.saudetotal.com.br/

microbiologia / consultoriamd@uol.com.br

Fone: (11) 5505-2480

IFCC-WorldLab Berlin 2011

21 st International Congress of Clinical

Chemistry and Laboratory Medicine

Data: 15 a 19 de maio

Local: Berlim. Alemanha

Informações: www.berlin2011.org

Hospitalar 2011

18ª Feira Internacional de Produtos,

Equipamentos, Serviços e Tecnologia

para Hospitais, Laboratórios,

Farmácias, Clínicas e Consultórios

Data: 24 a 27 de maio

Local: Pavilhões do Expo Center Norte,

São Paulo. SP

Informações: www.hospitalar.com

38° Congresso Brasileiro de Análises

Clínicas e 11° Congresso Brasileiro de

Citologia Clínica

Data: 26 a 29 de junho

Local: Expo Unimed, Curitiba. PR

Informações: www.sbac.org.br

AACC Annual Meeting and

Clinical Lab Expo

Data: 24 a 28 de julho

Local: Atlanta. EUA

Informações: www.aacc.org

45º Congresso Brasileiro

de Patologia Clínica/Medicina

Laboratorial

Data: 16 a 19 de agosto

Local: Florianópolis. SC

Informações: www.sbpc.org.br

ANALITICA LATIN AMERICA

Data: 20 a 22 de setembro

Local: Transamérica Expo Center,

São Paulo. SP

Informações: www.analiticanet.com.br

XXXVI Brazilian Congress of

Immunology

Data: 15 a 19 de outubro

Local: Foz do Iguaçu. PR

Informações: www.sbicongressos.com

CURSOS

ACADEMIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Cursos de Pós-Graduação

Hematologia Avançada: início em março

Análises Clínicas: início em junho

Hormônios: início em agosto

Banco de Sangue e Hematologia:

início em setembro

Biomolecular e Imunologia: início em

setembro de 2011

Informações: www.ciencianews.com.br

172

NewsLab - edição 103 - 2010


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funções:30 vagas para recepcionistas, 3 vagas

de telemarketing, 5 vagas para técnico

em patologia (necessário curso técnico em

patologia, poder falar ao telefone e rádio),

2 vagas administrativas.

ATENÇÃO:Habilidades para todas as funções:

ótima digitação, boa comunicação

verbal, boa audição, informática intermediária

pacote Office e Internet. Agendar

entrevistas pelo tel.: (21) 2536-6000 ramal