FOGO CONTROLADO, CORTE E PASTOREIO - ESAC

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FOGO CONTROLADO, CORTE E PASTOREIO - ESAC

Fogo Controlado, Corte e Pastoreio. Resposta da Vegetação a Diferentes Técnicas de

Gestão

Filipa Manso 1, , João Bento 1 , Francisco Rego 2

1 Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Quinta de Prados, 5001-911 VILA REAL

Codex

2 Instituto Superior de Agronomia, Centro de Ecologia Aplicada Prof. Baeta Neves, 1349-017

LISBOA

Resumo. Homem, fogo e pastoreio constituem três elementos duma relação estreita

estabelecida de longa data nas comunidades rurais em áreas de influência mediterrânica. O

processo de evolução das paisagens locais foi condicionado pelas perturbações daí

decorrentes. É reconhecida e normalmente valorizada a presença dum mosaico diversificado

de vegetação, que garanta a quantidade e qualidade de forragem disponível para a nutrição

animal.

Com o objectivo de estudar as consequências da utilização de diferentes técnicas de gestão da

vegetação arbustiva, foram instalados dois campos experimentais na região Norte de Portugal.

Utilizaram-se procedimentos alternativos de fogo, corte mecânico e pastoreio. A eficácia das

diferentes técnicas e das suas combinações foi estudada durante dois anos, através da

avaliação de parâmetros como a percentagem de coberto vegetal, recorrendo ao método da

linha de intercepção e da medição da respectiva altura média, o que possibilitou a estimativa

do biovolume. Por análise de variância multivariada, foram avaliados os efeitos dos

tratamentos na cobertura, altura e biovolume da vegetação, considerando igualmente o efeito

dos factores sazonais de variação nas quatro épocas de medição.

Os resultados evidenciam a eficácia do fogo controlado na redução da cobertura e altura da

vegetação, assim como, do biovolume de combustível. O pastoreio mostrou, essencialmente,

um papel importante na manutenção dos efeitos das intervenções de fogo controlado e corte,

alargando os seus intervalos de execução.

Palavras-chave: Limpeza de vegetação, pastoreio, biovolume.

Introdução

As tarefas de controlo da vegetação arbustiva são normalmente reconhecidas como

indispensáveis à manutenção e crescimento dos povoamentos florestais, contribuindo para

uma diminuição da competição interespecífica, em simultâneo com a redução da carga

combustível, garantindo uma diminuição do perigo de incêndio. São diversas as técnicas

possíveis de ser adoptadas, de acordo com as condições fisiográficas locais, a idade do

povoamento e o desenvolvimento da vegetação em presença. Dentro destas técnicas

destacaremos o fogo controlado, o corte mecânico e o pastoreio.

O fogo será, seguramente, a técnica de limpeza mais antiga que terá sido utilizada. Segundo

Fernandes et al. (2002b), os pinhais geralmente toleram o fogo de baixa intensidade. A sua

produtividade justifica o investimento em protecção e o fogo controlado pode contribuir para

aumentar a diversidade em espécies e habitats, permitindo usos que complementem a

produção lenhosa. O estabelecimento dum mosaico que permita manter a quantidade, a

qualidade da forragem e uma composição florística diversificada constituem os objectivos de

gestão em áreas de pastoreio extensivo. Desta forma, deverão ser conciliáveis os objectivos

tanto da prevenção de incêndios, como da utilização dos povoamentos pelo gado.

O fogo controlado é uma técnica que pressupõe uma execução segura, perante correctas

condições meteorológicas e processos de ignição apropriados às características do

combustível existente e da topografia da região. Segundo Rego (1986), os riscos de efeitos


ecológicos negativos são minimizados perante um fogo correctamente planeado e executado.

Bunting (1990) refere que, desta forma, o fogo poderá contribuir para um aumento da

fertilização do solo, já que poderá acelerar a decomposição da matéria orgânica e a reciclagem

dos nutrientes.

Como alternativa ao fogo, pode-se considerar o corte mecânico, o qual poderá

inevitavelmente ter de ser utilizado em certas situações. Por exemplo, nos casos em que se

pretende efectuar uma limpeza numa área coberta de matos altos e densos e em que seja

arriscada a intervenção com fogo. Outra circunstância será aquela em que não se quer

favorecer ainda mais a proliferação de espécies, como por exemplo as que possuem sementes

que são estimuladas pelo fogo, sendo a recuperação após corte mais lenta (Étienne et al.,

2002).

Todavia, quer o fogo controlado, quer o corte deverão ser considerados como técnicas de

abertura ou de primeira limpeza, destacando-se posteriormente, o pastoreio como técnica de

manutenção. Étienne (1996) afirma que efectivamente o pastoreio é cada vez mais utilizado

na manutenção das áreas intervencionadas, como complemento do fogo ou de tratamentos

mecanizados. A adequada interacção entre o fogo e o pastoreio na gestão racional das

comunidades arbustivas, torna-se uma combinação imprescindível, uma vez que o fogo

controlado é uma técnica de baixo custo, não produzindo, em condições adequadas, danos no

sistema ecológico, capaz da manutenção da vegetação numa condição produtiva e que

satisfaça as necessidades do pastoreio (Manso, 1996). Fernandes et al. (2002b) referem-se ao

aumento em disponibilidade e respectivo valor nutritivo das espécies forrageiras após um

fogo de moderada intensidade. Por seu lado, o pastoreio vai, não só consumir e manter a

vegetação num nível desejado, como consegue aumentar o espaço de tempo entre duas

intervenções de limpeza, uma vez que os caprinos consomem as folhas e extremidades mais

tenras dos ramos das espécies arbustivas (Manso, 1996).

O objectivo principal do estudo apresentado consiste na avaliação de diferentes formas de

intervenção, relativamente à redução do biovolume de combustível, de modo a determinar as

estratégias mais adequadas de gestão, ao conciliar e fazer interagir as técnicas de fogo controlado,

corte mecânico e pastoreio, não desprezando as possíveis respectivas influências na

regeneração natural arbórea.

Segundo Fernandes et al. (2002a), a quantidade de combustível pode ser estimada a partir de

características estruturais desse mesmo combustível, nomeadamente a percentagem de

coberto e altura, parâmetros a partir dos quais se pode determinar o volume. A morosidade e

os custos associados aos métodos destrutivos inviabilizam o seu uso pelas entidades que

gerem os espaços florestais. A alternativa é dada por abordagens indirectas que normalmente

assentam no estabelecimento de relações preditivas entre a carga de combustível e variáveis

de fácil medição, como o coberto e a altura.

A eficácia das técnicas utilizadas foi estudada através da avaliação de parâmetros como a

percentagem de coberto vegetal, recorrendo ao método da linha de intercepção e à avaliação

da respectiva altura média, o que permitiu a estimativa do biovolume nas diversas parcelas em

estudo, sujeitas aos diferentes tratamentos. Na impossibilidade de apresentar todos os

resultados disponíveis, serão apenas referidos os aspectos decorrentes das avaliações do

biovolume.

Material e Métodos

Caracterização dos locais estudados

O dispositivo experimental foi instalado em dois locais situados na Serra do Marão, tendo as

parcelas sido designados por Vila Cova e Campeã, uma vez que estas eram respectivamente


as aldeias mais próximas. As características das duas parcelas são comuns ao nível do solo,

leptossolos úmbricos de xisto (Agroconsultores-Coba, 1991), temperatura média anual, 12ºC

e precipitação média anual, 1200mm. As características mais específicas de cada local estão

resumidas no Quadro 1.

Quadro 1 - Características específicas dos locais em estudo

Vila Cova

Campeã

Altitude 980 m 950 m

Declive 20 % 30 %

Exposição SE E

Floresta dominante Pinus pinaster Ait. Pinus nigra Arnold

Ao nível das principais espécies e agrupamentos vegetais definidos, verificou-se ser a

carqueja (Pterospartum tridentatum (Spach) Koch) a espécie mais representativa. Esta em

conjunto com as espécies do género Erica spp., que no caso das parcelas de Vila Cova

surgiam apenas representadas pela Erica umbellata L., enquanto na Campeã surgiam a Erica

umbellata L. e a Erica cinerea L. constituíam o estrato arbustivo. A vegetação herbácea é

fundamentalmente constituída por gramíneas (Agrostis curtisii Kerguélen, Agostis truncatula

Parl., Avenula sulcata (Boiss.) Dumort. e Pseudarrhenatherum longifolium (Thore) Rouy,

embora com baixa representatividade.

Em termos das características do pastoreio nos dois locais, devemos referir que a zona das

parcelas de Vila Cova era regularmente utilizada por 6 pastores possuindo um total de cerca

750 caprinos que efectuavam um percurso entre Pardelhas e Vila Cova. Concretamente, após

a instalação das parcelas foi estabelecido um acordo com um desses pastores, o qual possuía

um rebanho com cerca de 130 caprinos, para utilizar as parcelas propriamente ditas com a

maior frequência possível, embora alternando este percurso com o das parcelas da Campeã.

Estas últimas, por sua vez, estando submetidas a regime florestal, estiveram impedidas de

utilização pelo pastoreio por largos anos. Deste modo, o rebanho de 130 caprinos ia

alternando os dois percursos, embora devido a uma maior habituação do pastor, este fosse

mais assíduo no percurso para Vila Cova.

Dispositivo experimental

O dispositivo experimental utilizado neste trabalho, consistiu na delimitação duma área com

60 por 20 metros. Dentro dessa área estabeleceram-se três repetições contíguas de 20 metros x

20 metros. Por sua vez, dentro de cada uma dessas repetições, foram instaladas quatro

parcelas de 5 metros de largura por 20 de comprimento, submetidas a diferentes tratamentos,

sendo eles o fogo (F), o corte anterior ao fogo (C+F), o corte (C) e a testemunha (T).

Devemos, contudo, assinalar que na Campeã apenas conseguimos concretizar as avaliações

pretendidas em 2 repetições.

O pastoreio de caprinos foi um outro tratamento testado neste esquema, pois, foi instalada

uma cerca de 60 metros de largura e 5 de comprimento (isto é, abrangendo toda a largura do

dispositivo experimental), na zona central do dispositivo, ou seja, aos 7,5 metros de

comprimento. Dentro dessa cerca não seria possível o pastoreio, mas toda a área circundante à

mesma, estava ao alcance dos animais, podendo ser pastoreada (Fig. 1). No Quadro 2

apresenta-se o número total de casos para cada factor de variação.


Figura 1 – Dispositivo experimental utilizado no ensaio

A implementação dos tratamentos, fogo, corte + fogo e corte, foi efectuada em Janeiro de

1998. O corte em ambos os locais, quer após fogo, quer como tratamento isolado foi efectuado

por uma motorroçadora. O acompanhamento da vegetação foi bissazonal, em função das

principais estações de crescimento: Outono e Primavera. As primeiras avaliações da resposta

da vegetação iniciaram-se no Outono de 1998 e prolongaram-se até à Primavera de 2000.

Quadro 2 – Factores de variação (número de casos)

Avaliação da evolução da vegetação

Local Vila Cova 36

Campeã 24

Tratamento F 15

C+F 15

C 15

T 15

Pastoreio N.Past. 20

Past. 40

No centro de cada uma das parcelas, para cada tratamento, foi estabelecido um transecto com

20 metros de comprimento. Este transecto, como já foi referido, foi dividido em três partes

distintas, duas delas foram submetidas ao pastoreio (primeiros e últimos 7,5 metros de

comprimento) e a parte central que estando cercada encontrava-se obviamente protegida dos

herbívoros (5 metros centrais).

Para a avaliação da percentagem de coberto utilizou-se o método da linha de intercepção

(Canfield, 1941), calculando-se o referido parâmetro por meio da seguinte fórmula:

Cv = ( ∑ Lv / L) * 100,

onde:

Cv - % coberto de cada agrupamento vegetal definido

∑ Lv - somatório dos comprimentos de cada agrupamento vegetal definido


L - comprimento total da linha.

Através da percentagem de coberto e das alturas médias de cada espécie avaliada estimou-se o

biovolume, para cada agrupamento de vegetação.

Análise Estatística

Para testar os efeitos dos tratamentos e do pastoreio na cobertura, altura e biovolume da

vegetação, considerando igualmente o efeito dos factores de variação nas quatro épocas de

medição, sendo estas portanto, também variáveis dependentes, utilizou-se uma análise de

variância multivariada (MANOVA), através do teste de Wilk’s Lambda (Reis, 1997). Assim, foi

analisado um modelo de efeitos fixos com interacções (Pestana e Gageiro, 2000). O local foi

igualmente estudado como efeito e não como covariável, devido ao conhecimento prévio das

diferenças de intensidade de pastoreio.

A percentagem de coberto foi normalizada, para se proceder à comparação de médias, por

meio da transformação angular [y = arcsen(√x)].

A implementação das análises estatísticas foi efectuada através da aplicação informática SPSS

11,5 (SPSS Inc, 2002).

A significância estatística refere-se ao nível de 5% (P


Vila Cova Campeã

Fogo Controlado

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Corte + Fogo

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Corte

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Testemunha

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Pterospartum tridentatum (m3/ha)

3500.00

3000.00

2500.00

2000.00

1500.00

1000.00

500.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Figura 2 - Resposta do volume de Pterospartum tridentatum aos efeitos do pastoreio e dos tratamentos, nos dois

locais e ao longo dos quatro inventários


Quadro 4 - Volume total de Pterospartum tridentatum. Análise de variância multivariada entre a generalidade

dos factores de variação

Efeito Wilks' Lambda F Hipótese de G.l. Erro de G.l. P>F

Intercepção 0.184 45.464 4.000 41.000 0.000

Local 0.785 2.799 4.000 41.000 0.038

Tratamento 0.305 5.131 12.000 108.767 0.000

Pastoreio 0.399 15.467 4.000 41.000 0.000

Local *Tratamento 0.636 1.689 12.000 108.767 0.079

Local*Pastoreio 0.704 4.308 4.000 41.000 0.005

Tratamento*Pastoreio 0.718 1.211 12.000 108.767 0.285

Local* Tratamento* Pastoreio 0.805 0.775 12.000 108.767 0.675

No que diz respeito à diferença entre épocas, não se verificando diferenças entre locais,

constata-se contudo a diferença significativa da tendência do aumento volume de carqueja do

Outono para a Primavera e obviamente dos primeiros para os últimos inventários. Estas

variações são, contudo, atenuadas nas parcelas pastoreadas. Entre parcelas pastoreadas e não

pastoreadas só no período inicial, Outono de 1998 é que a diferença não é significativa.

Posteriormente, vão-se acentuando as diferenças entre volumes nos dois regimes de pastoreio.

Valderráno & Torrano (2000) encontraram as mesmas variações sazonais para uma arbustiva

leguminosa, a Genista scorpius, igualmente com um pastoreio efectuado por caprinos. Estes

autores consideraram que desde que se salvaguarde a conjugação do encabeçamento com a

época do pastoreio, uma vez que a Genista scorpius se mostrou sensível ao pastoreio de

Outono, esta técnica pode ser utilizada para controlar o referido arbusto, não existindo riscos

de danos para as árvores.

Quanto às espécies do género Erica spp, só os tratamentos, afectaram significativamente o

volume (Quadro 5 e Fig. 3), efeito que se revelou em todas as épocas. O pastoreio não afectou

qualquer dos parâmetros estudados para esta espécie.

Quadro 5 - Volume total de Erica spp.. Análise de variância multivariada entre a generalidade dos factores de

variação

Efeito Wilks' Lambda F Hipótese de G.l. Erro de G.l P>F

Intercepção 0.225 35.341 4.000 41.000 0.000

Local 0.885 1.332 4.000 41.000 0.274

Tratamento 0.116 11.401 12.000 108.767 0.000

Pastoreio 0.842 1.925 4.000 41.000 0.124

Local *Tratamento 0.886 0.424 12.000 108.767 0.951

Local*Pastoreio 0.857 1.716 4.000 41.000 0.165

Tratamento*Pastoreio 0.601 1.921 12.000 108.767 0.039

Local* Tratamento* Pastoreio 0.767 0.958 12.000 108.767 0.493

Num outro ensaio realizado em Mafra (PRAXIS nº3/3.2/FLOR/2108/95, 2001) as conclusões

para a Erica scoparia apontam no mesmo sentido.

Na generalidade das situações a influência dos vários factores considerados não afecta

significativamente o volume das gramíneas, verificando-se que o efeito dos tratamentos

apenas é significativo na Primavera de 2000, registando-se igualmente em Vila Cova um

maior volume de gramíneas nas parcelas tratadas com fogo controlado.


Vila Cova Campeã

Fogo Controlado

1050.00

1050.00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Corte + Fogo

1050.00

1050.00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Corte

1050.00

1050.00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Testemunha

1050.00

1050.00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim-00

Vol. de Erica spp. (m3/ha)

900.00

750.00

600.00

450.00

300.00

150.00

0.00

Out-98 Prim-99 Out-99 Prim - 00

Figura 3 - Resposta do volume de Erica spp. aos efeitos do pastoreio e dos tratamentos, nos dois locais e ao

longo dos quatro inventários


Conclusões

Dos resultados obtidos podemos fundamentalmente concluir que os tratamentos que incluem

o fogo controlado, associado ou não ao corte mecânico, produzem os efeitos mais eficazes na

redução da estrutura da vegetação e consequentemente da biomassa combustível.

O pastoreio também produziu efeitos interessantes relativamente à redução de vegetação e

manutenção dos efeitos dos tratamentos. No entanto, há que referir o seu efeito selectivo na

composição florística dado que existem agrupamentos vegetais evitados pelos caprinos

perante a disponibilidade de outros. Este é o caso concreto da não eficácia do pastoreio

perante as ericáceas, quando existe abundância de carqueja (leguminosa).

O corte mecânico como tratamento exclusivo da vegetação, tem um efeito um pouco menos

acentuado na redução da vegetação, sendo, no entanto, considerado como um outro

tratamento viável na redução da biomassa combustível.

De salientar que nos dois locais, quer nas parcelas pastoreadas, como nas não pastoreadas não

se verificou nem nos tratamentos, nem na testemunha qualquer registo de presença de

regeneração natural arbórea. É ainda assinalável que apesar da existência dum gradiente do

pastoreio de Vila Cova para a Campeã, tendo este último local estado impedido do pastoreio

por um considerável número de anos, não se observar uma evolução na frequência de

regeneração arbórea, nem nas testemunhas não pastoreadas.

Em suma, o fogo controlado revelou-se como a técnica mais eficaz de redução da biomassa

combustível, sendo o pastoreio também eficiente na complementação do fogo, uma vez que

permite aumentar o intervalo entre fogos. Fernandes & Rego (1996) demonstraram que após

fogo controlado as comunidades de Pterospartum tridentatum e Erica umbellata recuperavam

em 3 anos a uma taxa de 2ton/ha/ano, a qual vai diminuindo até atingir uma estabilização de

cerca de 14ton/ha nos povoamentos mais idosos. Rigolot et al. (1998) demonstraram que a

combinação de fogos controlados com baixas intensidades de pastoreio mas com elevadas

pressões, valorizam as potencialidades de pastorícia do local pela repetitiva supressão da

competição. Assim, surgem dois objectivos complementares que são o maneio adequado do

pastoreio e a prevenção de incêndios, ambos provenientes da adequada combinação destas

duas técnicas.

Étienne & Rigolot (2003) avaliaram o trabalho multidisciplinar do “Réseau Coupures

Combustible” (RCC), efectuado em áreas de maquis de Cistus spp. e na garriga de Quercus

coccifera, como uma prova de que não existia uma técnica miraculosa para controlar a

acumulação da biomassa combustível e concluíram que apenas as combinações de diferentes

técnicas permitem atingir uma certa eficácia. Estas também mostraram o interesse que existe

em integrar o pastoreio com as restantes formas de intervenção, tais como o corte e o fogo.

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