RUNning N.º 5

invesporte

As novidades do mundo do running para ler e partilhar!

Fevereiro 2015 | Bimestral | Distribuição gratuita | www.runningmag.pt

#5

TRAIL

RUNNING

As paixões

de André

Rodrigues

Bastidores

A Meia Maratona de

Lisboa comemora um

quarto de século

Wellness

Se a um já é bom,

a dois é melhor

Jack Daniels

em Portugal.

As histórias e os

ensinamentos

Sara Moreira

Temos

maratonista

Depois da estreia na distância-rainha com um terceiro lugar na Maratona

de Nova Iorque, Sara Moreira reflecte sobre o ano que mudou a sua vida


JUNTA-TE A NÓS NO FACEBOOK

www.sportzone.pt

Visita a nossa loja online.

Encontras-te no alcatrão de uma estrada ou no trilho de uma serra. Algures entre o quilómetro 8 e o 35.

Encontras-te quando o corpo diz “Já chega!” e tu não lhe dás ouvidos.

Encontras-te numa loja Sport Zone onde as melhores marcas e os melhores equipamentos

vão transformar as tuas corridas em momentos cheios de significado.


TUDO O QUE PRECISAS

EVERY ZONE

PARA TE ENCONTRARES.

IS A SPORT ZONE

01 02

App Every Zone - A voz que incentiva o treino

Quando a dor, o esforço e o cansaço parecem dizer “basta!”, há uma voz que lhe diz para

continuar, que o lembra que há recordes para serem batidos, desafios para serem superados, com

o objectivo único de vencer os seus limites. Essa voz é a App Every Zone, da Sport Zone.

“Prepara-te, o teu treino vai começar!”

A partir de agora, é esta a mensagem que ouve quando utiliza a

App Every Zone, da Sport Zone. Esta aplicação, que já “puxava por

si” durante o treino, está agora muito mais 03presente, através de

um sistema de voz, que o incentiva durante a corrida, apresenta

estatísticas, assinala recordes, relaciona o seu treino com o momento

do dia e compara as estatísticas com situações reais.

04

05

“Já queimaste o equivalente

a três pudins flan!”

Durante o treino será constantemente informado, sem necessidade de

olhar para o visor do telemóvel, sobre os quilómetros percorridos, o

tempo, a velocidade, o ritmo, e até as calorias perdidas. O Every Zone

traduz, ainda, os quilómetros percorridos e as calorias despendidas

em situações reais, como o número de campos de futebol a que

a distância realizada corresponde ou o número de pudins flan

correspondente às calorias perdidas. Tudo isto, com frases entusiastas

e de incentivo, como: “Já percorreste o equivalente a 10 campos

de futebol. Continua, porque para nós cada metro conta!” Ou ainda:

“Rebentaste com a escala de pudins flan do Every Zone. Agora não

pares, continua a queimar calorias!”

06 07

“Mesmo a chover, tu mostraste a garra

de quem não sabe desistir!”

A relação com o momento do dia e com as condições meteorológicas

nas quais está a realizar o treino é igualmente notada por esta nova

funcionalidade da App Every Zone, que nunca deixa de o incentivar.

Já imaginou como pode ser positivo e determinante para o treino

ouvir frases como: “Mesmo a chover, tu mostraste a garra de quem

não sabe desistir!” Ou: “Muitos já estão na inércia do sofá, mas tu és

diferente: tu és um guerreiro!” Provavelmente, poderá ser a diferença

entre continuar e desistir.

LOOK RUNNING MAN /01 T-Shirt Minotaur OUTPACE 5,99€ /02 Casaco Agon OUTPACE 14,99€

“Parabéns, bateste a tua velocidade média.

A este ritmo ninguém te vai parar!”

03 Meias Lower OUTPACE 9,99€ /04 Relógio Runner com GPS TOMTOM 169,90€

05 Boné Hat OUTPACE 9,99€ /06 Calção Hades OUTPACE 6,99€ /07 DOWNSHIFTER 5 NIKE 39,99€

Com a App Every Zone não há recorde pessoal que não seja notado

ou elogiado e, no final, oiça o relatório completo do treino que acabou

de fazer. Poderá, por exemplo, alongar enquanto ouve os quilómetros

percorridos, o tempo que demorou e o ritmo do seu treino. Experimente

já esta nova funcionalidade, que nunca o deixa sozinho e tem sempre um

incentivo, um elogio e uma palavra de força para o animar.

Saiba mais em everyzone.sportzone.pt/app-mobile

IMBATÍVEL


4 Editorial

RUNnings”

(como nos chama a inocência de uma criança),

Este primeiro editorial de 2015 é para vocês, para vos agradecer a dedicação,

o empenho e a coragem de nunca despirem a camisola de um projecto novo e

ambicioso, com todos os riscos inerentes à ousadia de querer ocupar um lugar

no mundo do running. É importante que os nossos leitores saibam de que material é

feito a RUNning. É daquele que dobra, mas não parte; que ainda não caiu e já se está

a levantar; que não deixa ninguém para trás; que não falha. Esperamos mostrá-lo na

Survivors Run (pág. 28).

Assim, obrigada Inês, por seres o braço direito e, por vezes, o esquerdo… nos

textos, nas distribuições, nas preocupações, nas descobertas, nas ideias malucas.

Filipe, foste tu que deste forma à RUNning e continuas a fazer magia. Obrigada pelos

rasgos de génio, mas também pela disponibilidade, pela confiança, pela prontidão.

Obrigada, Luciano, a máquina por detrás da câmara. Queremos ver-te mais nas

corridas! Rute e Celestino, obrigada pela entrega na arte das palavras e da fotografia.

Obrigada, Luis Lopes, pelas sábias palavras e também pelas pérolas históricas! Um

muito obrigada, do tamanho das montanhas de revistas encartadas, transportadas e

distribuídas ao Miguel Silva, ao João Pais, à Susana Pimenta, à Noémia e ao Eduardo

Coelho e ao Octávio Sousa. É com eles que os nossos leitores se encontram nas

corridas! Obrigada, ainda, João Carvalho, pelas palavras certas na hora exacta.

Com determinação e apoio se faz a RUNning

É esta a fibra que faz crescer e chegar a RUNning às suas mãos. Somos a prova de

que é possível. Com força e determinação – a mesma que levou atletas como Sara

Moreira ao pódio na Maratona de Nova Iorque, numa primeira incursão na distância,

e aos pódios por essa Europa fora (pág. 12); José Guimarães a passar de Sedentário

a Maratonista (pág. 34); ou André Rodrigues (pág.54) a dar cartas no trail – vamos

sempre trabalhar para superar expectativas (as dos leitores e as nossas).

Agradecemos as inúmeras manifestações de apoio – por e-mail, nas provas e

eventos, entre os atletas e organizadores de provas. Acreditem que são elas que nos

dão força para continuar. Mas queremos ser melhores. Por isso, usem e abusem dos

nossos contactos, para nos fazerem chegar ideias, críticas e opiniões. A RUNning é

vossa, nunca se esqueçam! E, sim, vamos ter assinaturas em breve. Fiquem atentos ao

nosso site (www.runningmag.pt) e Facebook (www.facebook.com/runningmagazine.pt).

Estamos prontos!

Estamos preparados para um ano cheio de corridas repletas de emoção, alegria,

competição e solidariedade, como acontece já no dia 29 de Março, na Corrida de

Solidariedade ISCPSI/APAV (pág. 40). Obrigada às organizações por receberem a

RUNning de braços abertos – Runporto; Maratona Clube de Portugal; HMS Sports;

Urban Events; Jesus Events; Horizontes; SportScience; Lap2Go; Survivors Run;

Corrida Noturna Parque das Nações; INATEL; Associação Desportiva O Mundo da

Corrida; Desportivo Operário do Rangel; Escola de Atletismo de Coimbra; entre muitas

outras –, mas também pela partilha de conhecimento e experiência. Inauguramos,

nesta edição, com uma entrevista ao director da Runporto, Jorge Teixeira (pág.26), uma

rubrica que pretende dar voz aos que estão nas trincheiras da modalidade.

Agradecemos também a confiança da Federação Portuguesa de Atletismo e do

Programa Nacional de Marcha e Corrida, que acreditaram na RUNning desde o

primeiro momento. Muito obrigada, ainda, às marcas que tiveram a capacidade de

ver além da maquete e que continuam a tornar o sonho possível: Sport Zone; Liberty

Seguros; TransActLat; Montepio; Adidas; GoldNutrition; Star Balm; Celeiro; Saúde

Cuf; Under Armour; Weventual; Brahmi; Holmes Place; Servilusa; TomTom; Fruut;

Travel&Flavours; Skechers; mYleggs; Bra&Company. Esperamos acrescentar muitos

mais nomes a este

parágrafo!

Encontramo-nos

nas corridas!

VanessaPais

Directora

Luciano Reis

RUNNING

Fichatécnica

www.runningmag.pt

www.facebook.com/runningmagazine.pt

Directora

Vanessa Pais

vanessa.pais@runningmag.pt

Redacção

Inês Melo

ines.melo@runningmag.pt

Rute Barbedo

rute.barbedo@runningmag.pt

Colaborações

Luis Lopes, Barbara Baldaia e

Cristina Logarinho

Apoio técnico e científico

Federação Portuguesa de Atletismo

Salomé Borregana (nutricionista Celeiro)

Vera Bilé (terapeuta Brahmi)

Tiago Botelho (terapeuta Brahmi)

Fábio Bernardino

(chef Travel&Flavours)

Bruno Brito (responsável O2 Life Center)

Paulo Teixeira (técnico O2 Life Center)

Fotografia

Celestino Santos

celestino.santos@runningmag.pt

Luciano Reis

luciano.reis@runningmag.pt

Design e paginação

Filipe Chambel

filipe.chambel@runningmag.pt

Direcção comercial

geral@runningmag.pt

Distribuição

Miguel Silva

João Pais

Susana Pimenta

Octávio Sousa

Noémia Coelho

Eduardo Coelho

Propriedade/Editora

Conteúdos Criativos, Lda.

Travessa da Palma, N.º 14

2705-859 Terrugem, Sintra

geral@ccriativos.pt

Depósito legal: 375188/14

N.º de registo na Entidade

Reguladora para a Comunicação

Social: 126496

Impressão

Monterreina

Área Empresarial Andalucia

28320 Pinto Madrid - Espanha


6

Nestaedição

07

Crónica

SLB-SCP e a centralização

vistos por Luis Lopes

08

Recomenda

Já conhece o novo

equipamento da Selecção

Nacional

10

PéDireito

Os portugueses que

andam a brilhar lá fora

11

ProRunners

Notícias dos

atletas de elite

12 Personalidade 16

Sara Moreira: temos

maratonista

(+)Rendimento

ícone

Entrevista a Jack

Daniels, um dos maiores

treinadores de sempre

20

(+)Rendimento

Vantagens e cuidados no

treino pliométrico

22

bastidores

ícone

Jorge Teixeira: o special

one que pôs o Porto a

correr

24

Bastidores

Survivors Run: quem

sobrevive a isto

26

Bastidores

25 anos de Meia Maratona

de Lisboa

29

metas

Um país a correr

34

Trabalho

deequipa

Nasceu uma escola

em Coimbra

Quemcorre

36 porgosto 38

José Guimarães: de

sedentário a maratonista

PNMC

Reportagem: aprender

a correr em Vila Real de

Santo António

40 Checkout 42

Provas para lá da

imaginação

BoasCausas

Correr por quem não

consegue fugir

44

opinião

Prevenção cardiovascular

primária

46

super-

-alimento

Coco,

sem Chanel

47

receita

Panquecas de coco e

cânhamo, by chef Fábio

Bernardino

50

wellness

Benefícios do

treino a dois

52

trail

Crónica

O elogio do trail,

por Barbara Baldaia

54

trail

Entrevista

A vontade de subir mais

alto de André Rodrigues

56

trail Metas/

/partidas

O adeus a 2014 e os

primeiros trilhos de 2015

58

agenda

Desafios para

todos os gostos


crónica 7

Benfica vence primeiro round

com o Sporting na estrada

O

início do ano atlético ficou marcado pelo

reencontro entre Benfica e Sporting, como

equipas dominantes, nos campeonatos

nacionais de estrada que se disputaram na

Maia. A vantagem foi toda para o Benfica, que

ganhou nas classificações colectivas com

largueza, em especial na masculina, e teve atletas seus, como

Rui Pedro Silva e Ana Dulce Félix, a renovarem os títulos

individuais. A derrota do Sporting, assumida de imediato por

Carlos Lopes, teve ainda contornos mais duros pelo facto de

terem sido duas as que se transferiram no defeso de Alvalade

para a Luz – Carla Salomé Rocha e Catarina Ribeiro –, que se

mostraram decisivas para a vitória encarnada nas mulheres,

pois ficaram no pódio, a seguir a Dulce Félix.

Na imprensa desportiva da capital fez-se eco, como algo

de muito positivo, sobre este retomar de uma tradição dos

embates Sporting-Benfica, os quais incluíam sobretudo o

crosse, e que se perdera há cerca de 20 anos. Este retomar

dos diálogos competitivos dos dois pólos da Segunda

Circular lisboeta foi apresentado como um facto que

potencialmente aumentaria o interesse pelo atletismo junto

do grande público, e, na verdade, se nos lembrarmos do

ciclismo e da perda de popularidade que se verificou quando

Porto, Sporting e Benfica acabaram com as suas secções,

isso pode fazer sentido.

Porém, no atletismo fora do estádio, quando Sporting

e Benfica desinvestiram, ainda ficou o Sporting de Braga

como grande potência no sector feminino, e depois o

Maratona, sobretudo, e também a Conforlimpa, acabaram

por dar futuro ao panorama. E foram soluções que

permitiram remunerar assaz bem, para o nosso pobre

meio, e ajudar à manutenção e ao profissionalismo de

alguns atletas, embora sempre se possa argumentar que

um Maratona-Braga nas mulheres, ou um Maratona-

-Conforlimpa, como tanto aconteceu nos homens, não

tenham o mesmo chamariz que um Benfica-Sporting.

Centralização do atletismo na capital

Agora, ao invés, a centralização quase total dos fundistas de

melhor nível nos dois maiores clubes de Lisboa soa mais a

dobre de finados do que a outra coisa. O Sporting, apesar

de ter recriado uma equipa para as provas de estrada,

desinvestiu globalmente no atletismo, e se esticou um

pouco a manta para um lado do espectro atlético, destapou

parcialmente o outro. Tudo isto é perfeitamente compreensível

na medida em que, fruto da lei da vida, o professor Moniz

Pereira passou a ter influência reduzida em Alvalade.

Usando menos meios para remunerar a sua equipa, não

foi por acaso que o Sporting perdeu para o Benfica atletas

decisivas, como as referidas acima, para esta temporada.

O Benfica, por seu lado, beneficia da conjuntura do

empobrecimento em que desgraçadamente vivemos, e do

encerramento do atletismo no Futebol Clube do Porto, que

poderia acolher atletas, já que quase todos os fundistas,

eles e elas, são do Norte do país; e também do stand-by

(sem solução aparente a médio prazo) do Maratona, depois

da extinção da equipa masculina da Conforlimpa, assim

conseguindo por muito pouco manter uma equipa de

excelentes atletas, para os tempos que correm.

Portanto, se um Benfica-Sporting pode ser mobilizador, a

imprensa deveria também reflectir no significado que tudo

isto tem hoje. Não será certamente bom para os atletas

– e devendo salientar-se que o atletismo é sobretudo um

desporto individual – ter a sua formação, treinar, organizar a

sua preparação e viver nas suas terras e regiões de origem e

depois irem competir onde for necessário por entidades que

nada tiveram a ver com elas no passado.

Nisto, a situação não é muito diferente de há 20 anos.

A diferença maior será a de que nessa época tinha-se

cortado com o malfadado ditado vindo dos tempos

aziagos do Dr. Salazar de que “Lisboa é Portugal, e o resto é

paisagem”, e agora há quem queira, e trabalhe, para que esse

ditado venha a ter nova vida, fôlego e credibilidade, e isto para

o atletismo, como para tudo o resto, não é nada bom.

LuisLopes

Jornalista e comentador de atletismo

Luciano Reis


8

recomenda

E você

veste Outpace!

Nos próximos três anos, a Selecção Nacional

de Atletismo vai ser equipada pela Sport

Zone, através da sua marca técnica de

corrida - a Outpace. Todas as peças são

produzidas em Portugal, o que permite

adaptá-las às necessidades dos atletas, bem

como comercializá-las em algumas das lojas

da marca, ficando disponíveis para o grande

público já em Março.

Já falta pouco para poder vestir a camisola da

Selecção Nacional de Atletismo. E o restante

equipamento também. Fruto da parceria

firmada, em Dezembro e por três anos, entre

a Sport Zone e a Federação Portuguesa de

Atletismo (FPA), o equipamento da marca

Outpace, criado e produzido em Portugal para os

atletas ao serviço da Selecção Nacional de Atletismo,

estará brevemente ao alcance dos runners nacionais em

algumas das lojas e no website (www.sportzone.pt) da

cadeia desportiva.

FPA e Sport Zone satisfeitas com a parceria

“É um privilégio esta associação com a elite desportiva

nacional. Trata-se de uma responsabilidade que nos

orgulha e que fortalece os valores da Sport Zone”,

refere Filipe Rios, director de Marketing da Sport

Zone. E acrescenta: “Esta parceria reconhece também

a qualidade dos equipamentos da Outpace, que

constituem uma real mais-valia para os atletas de alta

competição e para a generalidade dos portugueses

que diariamente elegem as nossas lojas para obterem

produtos desportivos de qualidade e aos melhores

preços.”


ecomenda

9

Por seu turno, Jorge Vieira, presidente da FPA,

destaca a satisfação desta entidade com o acordo

estabelecido com a Sport Zone, “uma empresa nacional,

que desenvolve e produz os equipamentos em Portugal,

o que permite um acompanhamento próximo e a

adaptação das peças às necessidades dos atletas”. Por

outro lado, sublinha ainda o presidente da FPA, “com

esta parceria consegue-se também concretizar uma das

ambições da FPA e da grande maioria dos praticantes

de running no nosso país - a comercialização dos

equipamentos da Selecção Nacional de Atletismo nos

mesmos modelos e com a mesma qualidade dos que

são usados pelos nossos melhores atletas”.

No mês do running vista a camisola da selecção

Várias peças, que fazem parte do equipamento da

Selecção, estarão disponíveis em algumas lojas Sport

Zone e no seu website durante o mês do running - de

12 de Março a 15 de Abril. Portugalidade, qualidade,

exigência, dedicação e paixão pelo desporto é o que

reflectem todas as peças, garante a marca, que foram

desenvolvidas e testadas em conjunto com os atletas.


10 pédireito

Portugueses

pelo mundo

Mais 2 000 árvores

na Serra d’Arga

Cortesia mariacristinafoundation.org

A espinha de

João Colaço

João Colaço alcançou o 18.º lugar

na Spine Race, considerada a

corrida mais dura da Grã-Bretanha.

De 10 a 17 de Janeiro, percorreu

431 quilómetros sagrando-se o

primeiro português a superar a

marca dos 336 km num ultratrail

de uma só etapa.

Uma portuguesa

no Guinness

É a terceira vez que

Maria Conceição

é distinguida pelo

“Guinness World

Records”. Por

ter participado

no desafio 777 –

sete corridas em

sete continentes,

durante sete

semanas –, é “a

mulher que mais

dias consecutivos

fez em corrida de

ultramaratonas”.

Juniores

no topo europeu

Portugal destacou-se com nove

atletas juniores no top 20 dos

rankings europeus de juniores

de 2014. Teresa Carvalho foi a

portuguesa mais bem colocada,

atingindo o segundo lugar no salto

em comprimento (6,52 metros).

Eis os restantes atletas, divulgados

pela Federação Portuguesa de

Atletismo:

Cortesia Carlos Sá Nature Events ®

Graças a uma acção de limpeza e de reflorestação com a colaboração

da Desnível Positivo e da Câmara Municipal de Caminha, a Serra d’Arga

tem, desde o dia 10 de Janeiro, 2 000 novas árvores. A iniciativa integra a

campanha “Um participante, uma árvore”, no âmbito do Grande Trail Serra

d’Arga 2014 (onde não foi permitido o uso de copos de plástico e garrafas

nos abastecimentos, entre outras medidas), e contraria a vaga de incêndios

de que a zona tem sido alvo nos últimos verões.

A preparar

os Olímpicos

A Federação Portuguesa de

Atletismo prevê investir 10

milhões de euros entre 2015

e 2020, através do Plano de

Apoio ao Alto Rendimento

(PAR). O principal foco do

PAR, que integra 155 atletas,

é a preparação para os

Jogos Olímpicos de 2016

e 2020, de acordo com o

organismo.

Quem vai aos

Europeus

A fase de qualificação para os

Europeus de Pista Coberta, em

Praga, termina a 22 de Fevereiro.

Há dois anos, na Suécia, Portugal

competiu com 12 atletas,

destacando-se pela vitória de

Sara Moreira nos 3 000 metros, e

pelos lugares cimeiros de Marco

Fortes (lançamento de peso), Hélio

Gomes (1 500 metros) e Patrícia

Mamona (triplo salto).

Um ano de corridas

10.º - Victor Korst

Salto em altura – 2,16 metros

11.º - André Pereira

3 000 metros obstáculos – 9m1s76’

13.ª - Mara Ribeiro

10 000 metros marcha – 47m48s33’

17

Corridas em

média por fim-

-de-semana

117

Provas em Junho,

o mês mais

concorrido

16.ª - Jessica Inchude

Lançamento de peso – 14,66 metros

18.ª - Ana Oliveira

Salto em comprimento - 6.20 metros

18.ª - Mariana Mota

10 000 metros marcha – 50m18s81’

*Fonte jornal i

37

Corridas em

Agosto, o mês

mais pobre

872

Eventos oficiais de

running em território

português


EM COMPETIÇÃO PRORUNNERS 11

Duelo de campeões

na Maratona de Londres

O coração do atletismo mundial

está em alvoroço. Os quenianos

Dennis Kimetto e Wilson Kipsang

vão finalmente cruzar-se numa

competição, nas ruas da capital

britânica. Kipsang vai tentar a terceira

vitória na Maratona de Londres, a

26 de Abril, depois de ter visto o

recorde do mundo escapar das suas

mãos para o peito do compatriota,

em Berlim. Os dois arqui-rivais são

companheiros de treino no Quénia,

mas nunca mediram forças na

distância-rainha. O duelo, já apelidado

de “Clash of the Champions”,

promete aquecer esta edição, mas

não é o único. Na elite feminina, Edna

Kiplagat, campeã do mundo e da

prova londrina, vai alinhar com duas

antigas vencedoras da corrida e com

a atleta mais rápida da história na

meia maratona. Com o quarteto de

luxo seguem também as portuguesas

Ana Dulce Félix e Sara Moreira. Na

elite masculina, Pedro Ribeiro é o

único nome nacional, estreando-se na

distância em Londres.

Shannon Stapleton/Reuters

O adeus de Paula Radcliffe

A britânica Paula Radcliffe, recordista mundial

da maratona, anunciou que vai abandonar a alta

competição depois da Maratona de Londres. A

atleta de 41 anos venceu a prova nas edições

de 2002, 2003 e 2005, alcançando o recorde

feminino da distância na segunda participação,

com o tempo de 2h15m25s. Paula Radcliffe

regressa à estrada depois de um longo período

de lesões – a última vez que disputou uma

maratona foi em 2011, em Berlim, quando

terminou na terceira posição.

Escândalo de doping na Rússia

Tem sido um início de ano difícil para o atletismo

russo. No dia 20 de Janeiro, a Agência Anti-Doping

da Rússia (RUSADA) suspendeu cinco atletas,

entre os quais três campeões olímpicos de marcha,

por irregularidades no passaporte biológico –

sistema para monitorizar o perfil biológico ao

longo da carreira desportiva. As sanções, com

efeitos retroactivos a partir de Outubro de 2012,

deixaram no centro do escândalo Valeri Borchin,

Olga Kaniskina, Serguei Kirdiapkin, Serguei Bakulin

e Vladimir Kanaykin. A semana culminou com a

demissão do director técnico da Federação Russa

de Atletismo, Valentín Maslákov. Recorde-se que no

início de Dezembro, o canal público alemão ARD

exibiu um documentário acusando a Rússia de

dopar massivamente os seus atletas e de controlar

as amostras de sangue testadas.

Rafa Gomez

Maratona mais generosa do

mundo premeia atletas da Etiópia

Os etíopes Leme Berhanu e Aselefech

Mergia receberam um cheque no valor de

200 mil dólares (cerca de 178 mil euros),

cada um, pelas vitórias na Maratona do

Dubai, a 23 de Janeiro. Berhanu cortou

a meta com um tempo de 2h05m28s,

batendo o compatriota Lelisa Desisa,

vencedor em Boston e no Dubai em 2013.

Já Aselefech Mergia (2h20m02s) alcançou

a vitória pela terceira vez, na final mais

renhida da história da prova. No Dubai,

os atletas da Etiópia não deram hipótese

– na prova masculina, os dez primeiros

classificados eram etíopes.

Bubka na corrida pela

presidência da IAAF

O lendário atleta Serguei Bubka, campeão

olímpico e seis vezes melhor do mundo

no salto com vara, vai candidatar-se à

presidência da International Association of

Athletics Federations (IAAF). Na oficialização

do anúncio, a 28 de Janeiro, Bubka

explicou que os seus objectivos passam

por “assegurar que a IAAF está entre as

melhores organizações em termos de ética,

transparência, gestão comercial e integridade

desportiva”. Nesta corrida, o atleta de 51

anos terá como rival o ex-fundista britânico

Sebastian Coe, bicampeão olímpico.


12 PRORUNNERS personalidade

saramoreira

A maratona

é especial

porque se

pensa muito,

às vezes a

cabeça foge

Um ano depois de ter sido mãe, a campeã europeia dos 3 000 metros em pista coberta fez-se à

estrada. Em Novembro, estreou-se na prova-rainha do atletismo com um terceiro lugar na mítica

Maratona de Nova Iorque. Encontrámos Sara Moreira no Parque Urbano da Rabada, em Santo

Tirso, de onde é natural, durante um treino com Pedro Ribeiro, marido e treinador. Aos 29 anos, a

atleta do Sporting é uma das principais fundistas nacionais da actualidade.

Texto: InêsMelo

Fotografia: LucianoReis

Tiveste um ano repleto de

conquistas. Foi um ponto de

viragem na tua vida

Foi um ano de mudança – de vida, de

clube, de desafios. Começou com o

título de campeã europeia dos 3 000

metros em pista coberta [Março de

2013], que já ambicionava há muito

tempo. Trabalhei bastante e sei

que podia ter chegado lá dois anos

antes, em Paris, se não fosse um erro

administrativo [por lapso, a Federação

Portuguesa de Atletismo inscreveu-a

na prova dos 1 500 metros].

Foi um momento difícil

Depois de trabalhar tanto, de abdicar

de tanta coisa... foi complicado. Decidi

que ia estar presente na competição

e sei que dei tudo o que podia [foi

sétima nos 1 500 metros], mas ver a

final dos 3 000 metros fora da pista foi

PERCURSO

2007

Campeã nacional nos 3 000 metros

obstáculos (2007, 2008, 2009 e 2011) e

nos 3 000 em pista coberta (2007, 2008,

2009, 2010) | Bronze no Campeonato da

Europa Sub-23, em Debrecen, Hungria

2008

Campeã nacional de crosse curto

(2008, 2009 e 2011) | Representa

Portugal nos Jogos Olímpicos

de Pequim, nos 3 000 metros

obstáculos

2009

Prata nos 3 000 metros do Campeonato da

Europa de Pista Coberta, em Turim, Itália |

Campeã Nacional de Estrada (2009, 2010, e

2013) | Medalha de ouro nas provas dos

5 000 metros e 3 000 metros obstáculos

nas Universíadas, em Belgrado


13

muito marcante. No dia seguinte só

tinha um pensamento: “Não foi agora,

mas vai ser.” Por outro lado, sempre

quis ser mãe antes dos 30 anos. Com

o apuramento para o Europeu de

Gotemburgo decidimos adiar essa

vontade, mas as coisas precipitaram-se.

Sem saber, já estava grávida quando

ganhei a medalha de ouro.

Como foi gerir o desafio da

maternidade

Era um objectivo pessoal...foi

muito bom. No entanto, agora era

campeã europeia e sentia uma série

de expectativas à minha volta.

Aproximava-se o Campeonato do

Mundo, já tinha marcado provas,

acordado cachês... Tive de parar um

pouco e mentalizar-me: “Sara, esquece

o atletismo, agora só para o ano.”

Apesar de ter muitas saudades da

corrida, aproveitei ao máximo a gravidez

– talvez por saber que ia voltar.

Em Portugal, poucas mulheres

regressam à alta competição depois de

serem mães. Eu não conhecia nenhum

exemplo. Aliás, muita gente questionou

se tinha sido uma boa aposta. Esses

comentários mexeram comigo, mas

deram-me mais vontade de provar que

era possível. Fui mãe a 1 de Novembro

de 2013 e 25 dias depois já estava a

correr. Entretanto, aproximava-se o

Campeonato da Europa de Atletismo.

Começava o contra-relógio…

Foi uma luta contra o tempo. Comecei

por caminhar 10 minutos e logo nesse

dia consegui correr sem dores. Tive

algumas lesões que me condicionaram,

mas no final de Fevereiro já estava a

treinar sem limitações. Se queria estar

em Zurique, tinha de fazer mínimos

e para isso era preciso estar bem

preparada. Tive de aprender a gerir as

necessidades do Guilherme, os nossos

novos horários e os treinos.

A prioridade era o meu filho e trabalhei

em função do que ele me deixou... tive

sorte [risos]! Sou ambiciosa, acredito

sempre, mas sem a ajuda das pessoas

que me estão mais próximas teria sido

impossível. Consegui mínimos para

os 5 000 e os 10 000 metros, mas não

estive tão bem como gostaria. Sei que

uma medalha nos 10 000 estava ao meu

alcance [terminou em quinto]... não foi

desta, mas será!

Foi então que decidiste dar uma

oportunidade à estrada

A competição em pista é, sem dúvida, o

que mais me fascina. É mais motivante,

com treinos mais rápidos e maior

superação de tempos. A passagem

para a estrada foi tardia, mas natural.

No início custou um pouco, mas depois

os resultados começaram a surgir. Em

relação à maratona, sempre fui muito

reticente. As minhas colegas faziam

provas e diziam que eu era a próxima,

mas nunca cedia: “Tantos quilómetros

Vocês são é malucas!” A estreia surgiu

por acaso, com o convite de uma

grande maratona. Apesar de não estar

nos meus planos, achei que era uma

boa altura para experimentar.

SÍTIO ONDE SÃO FEITOS OS SONHOS

Qual é a sensação de estar na linha de

partida da Maratona de Nova Iorque

É diferente de tudo o que já vivi.

Diziam-me que era incrível, sobretudo

pelas pessoas que estão nas ruas…

uma coisa é ouvir, outra é viver!

Quando chegou o dia, nada era

parecido. Acordámos muito cedo,

fomos para a linha de partida sem os

treinadores, num autocarro só para

atletas – todas muito nervosas. Depois

é tudo rápido, quase não te apercebes

de aquecer e, de repente, estás pronta

para a tua primeira maratona. Estava

muito frio e muito vento, mas naquele

momento só pensei que ia correr tudo

bem. Parti descontraída, concentrada

e motivada. Lembro-me de ver

bandeiras portuguesas e de ouvir as

pessoas gritarem pelo meu nome:

“Go Sara! Go Sara!”

Em Portugal,

poucas mulheres

regressam à

alta competição

depois de serem

mães

Qual era a tua estratégia

Não tinha estratégia, apenas um plano

para controlar os ritmos. Levei o relógio

e um pulsómetro com banda peitoral

– sabia em que ritmos podia correr e

só isso é que estava na minha cabeça.

Foi por isso que decidi arriscar e tomar

a dianteira da corrida, porque o ritmo

estava mais lento do que aquilo que eu

sabia que podia correr.

2010

Prata nos 5 000 metros do Campeonato da

Europa de Atletismo, em Barcelona, com um

tempo de 14m54s71’; tornando-se na terceira

portuguesa a completar a distância em menos

de 15 minutos | Campeã Nacional de pista em

1 500 metros (2010 e 2012)

2011

Ouro nos 10 000 metros

da Taça da Europa, em

Oslo | Medalha de prata

nos 5 000 metros das

Universíadas de Shenzhen,

na China

2012

Bronze nos 5 000 metros do

Campeonato da Europa de

Atletismo, em Helsínquia |

Representa Portugal nos Jogos

Olímpicos de Londres, nos 10 000

metros | Ouro nos 10 000 metros da

Taça da Europa, em Bilbau

2013

Medalha de ouro na

prova dos

3 000 metros do

Campeonato da

Europa de Pista

Coberta, em

Gotemburgo, Suíça


14 PRORUNNERS personalidade

E quando te apercebes que estás na

frente da corrida

A maratona é especial porque se

pensa em muita coisa. Fui sempre

concentrada, mas há alturas em que a

cabeça foge. Para não custar tanto, a

cada cinco quilómetros, recomeçava a

Boost para

chegar mais longe

corrida na minha cabeça. À passagem

da meia maratona, percebi que estava

longe do objectivo de terminar em

2h27m e acelerei. Entretanto, antes

dos 30 quilómetros, aumentou o ritmo

e acabei por descolar do grupo. Sabia

que estava bem preparada e que tinha

de colar novamente. Passei para sétimo

e nessa altura decidi que gostava de

ficar entre as cinco primeiras…

A motivação foi fundamental. Passei

para sexto, voltei a descolar e tive

novamente a vontade de ser quinta...

Estas pequenas conquistas deram-

-me a sensação de que tudo ia correr

apanhei um susto! Um homem na

multidão gritou que a quarta vinha a 10

segundos. Nem olhei para trás: corri o

mais rápido que as pernas conseguiam.

Só tive a certeza de que ela não me

apanhava nos últimos 500 metros

[terminou a prova em 2h26m].

Esta medalha mudou alguma coisa

Em mim não mudou nada. Claro que

fiquei muito contente, era uma coisa

que não esperava. De certa forma,

talvez tenha aumentado a minha

responsabilidade e as expectativas

em relação aos meus resultados. O

É muito difícil controlar a emoção de poder

ser terceira na Maratona de Nova Iorque

As imagens da vitória de Sara Moreira

na Maratona de Nova Iorque correram

o mundo e, com elas, a curiosidade

sobre as Adizero Adios Boost. Foi com

as “sapatilhas voadoras” da Adidas

que a atleta cortou a meta de uma das

mais importantes provas do atletismo

mundial. “Assim que regressei da

gravidez, comecei a treinar com a

tecnologia boost. Senti realmente

a diferença e, neste momento,

não consigo treinar com outras

sapatilhas”, conta a embaixadora da

Adidas em Portugal. Direccionadas

para longos percursos, as Adizero

Adios Boost têm uma malha respirável

no topo, tecnologia QuickStrike e

Torsion System.

bem. Quando as duas primeiras atletas

deram o último avanço, estava em

quinto. Decidi aproveitar o lance e

quando passei a quarta, passei também

a terceira.

Foi o momento mais difícil de gerir

Sim. É muito difícil controlar a emoção

de poder ser terceira na Maratona de

Nova Iorque. E agora Estava nos

36 quilómetros, faltavam apenas seis

para o final, mas não era assim tão

pouco. Até aos 40 quilómetros foi

muito doloroso, são dois quilómetros

praticamente sempre a subir, em

que não se vê o fim da estrada. Ia

sozinha e só pensava que não queria

ser alcançada. Afinal, se eu estava

cansada, as outras também estavam.

Foi preciso ter sangue frio. Depois

que mudou foi o reconhecimento.

Não imaginava que a medalha tivesse

este impacto. Quando fui campeã

da Europa, não foi a mesma coisa...

Agora passo na rua e as pessoas

reconhecem-me! A maioria pensa que

este foi o meu primeiro bom resultado.

Portugal ganhou uma maratonista

Calma [risos]! Primeiro preciso

de fazer outra maratona [já está

confirmada para a Maratona de

Londres, em Abril]. Neste momento,

os objectivos passam pelas provas

do Sporting, especialmente pela

Taça dos Campeões Europeus, que o

clube nunca ganhou. Primeiro quero

perceber quais são os meus limites,

para depois começar a preparar os

Jogos Olímpicos do Rio [2016].


16 (+)rendimento ícone

jackdaniels

Quando não conseguir

acompanhar os líderes,

corra mais depressa

do que eles

“Every day we make it,

we’ll make it the best we

can.” O lema pertence a uma

conhecida marca de whiskey,

mas a inspiração é a mesma

que acompanha Jack Daniels

há mais de cinco décadas.

A entrevista a um dos mais

carismáticos treinadores do

mundo da corrida, para ler

de um trago.

texto: inêsmelo

Fotografia: LucianoReis

Encontrámos Jack

Daniels entre palestras,

durante o V Congresso

Internacional da Corrida,

organizado pelo Programa

Nacional de Marcha e

Corrida, em Dezembro. Aos 81 anos,

conserva no corpo franzino o mesmo

espírito irrequieto que um dia o deixou

fascinado pelos aspectos fisiológicos

do exercício. “Sempre fui um péssimo

corredor, mas pelo menos aprendi

como treinar”, conta numa gargalhada.

Antigo campeão olímpico no pentatlo

moderno, Jack Daniels orientou

alguns dos principais atletas mundiais

de longa distância – sobretudo

em equipas universitárias –, tendo

publicado vários estudos sobre ritmos

de treino e repetições. É também o

autor de um dos mais aclamados livros

de corrida, “Daniels' Running Formula”,

que já vai na terceira edição.

Qual foi a sua experiência mais

memorável como treinador

Boy, that's tough... Lembro-me de

uma miúda da terceira divisão que

venceu os 10 km de Penn Relays, o

maior evento de pista dos EUA, em

33m01s, um ano depois da graduação

em Cortland [a equipa da Universidade

de Cortland venceu oito campeonatos

nacionais, 30 títulos individuais e

mais de 130 All-America Awards sob

a orientação de Jack Daniels]. Nunca

treinei ninguém com tanta capacidade

de progressão. Claro, também não

esqueço a medalha da Lisa Martin

nos Jogos Olímpicos de Seul [1988].

Como treinador, acompanhei de

perto a maratona e, deixe-me que lhe

diga, a Rosa Mota era incrível! Aliás,

lembro-me de uma história que talvez

vá gostar...


17

Sobre a Rosa Mota

Acerca de um dos princípios do sucesso.

No dia antes da maratona, os jornalistas

perguntaram a opinião da Lisa sobre a

prova. Disse que achava que a Rosa

era a melhor maratonista do mundo e

ela a segunda melhor. Não assisti às

declarações, mas vi a corrida. Estavam

lado a lado, faltavam 7 km para o final,

a Rosa ganhou algum avanço e a Lisa

não a acompanhou. A Rosa ficou 50

segundos à frente, mas no final ganhou

por apenas 13 segundos. Isto não

significa que a Lisa pudesse ter hipótese,

mas as expectativas são sempre muito

importantes... Bem, a verdade é que

tive a sorte de trabalhar com atletas

excepcionais.

Mas a sua reputação não se deve

apenas ao acaso...

Talvez não, mas ajuda. Quando orientei

a Selecção Nacional de Atletismo do

Peru, trabalhei de perto com o Larry

Snyder – um homem fascinante. O Larry

foi treinador na Universidade de Ohio

e tinha na equipa um atleta chamado

Jesse Owens. Durante o tempo em que

estivemos no Peru, costumava dizer-me:

“Os treinadores não fazem atletas, os

atletas é que fazem bons treinadores.

E foi o Jesse que fez de mim um bom

treinador.” Aprendi imenso com o Larry,

especialmente sobre a psicologia do

treino.

Treinar é uma arte ou uma ciência

O treinador ideal deve ter um

entendimento geral sobre ciência, mas

também deve saber gerir as emoções

dos seus atletas. E, sobretudo, as suas

expectativas... Há cerca de sete anos,

a Janet Cherobon-Bawcom veio ter

comigo: “Estou farta de fazer 25 provas

de estrada por ano e ganhar pouco mais

de 4 mil dólares. Preciso de correr menos

e fazer mais dinheiro.” A Janet e o marido

são enfermeiros – houve uma altura em

que trabalhavam seis meses no Quénia e

os restantes meses nos EUA. O dinheiro

que ela ganha a correr é para comprar

electricidade para a família.

Qual é a sua opinião sobre os atletas

do leste de África

Está tudo aqui [aponta para a cabeça]...

Claro que também há uma forte

componente genética mas, ao contrário

do que muitos defendem, não está

relacionado com o treino em altitude.

A chave é a motivação. Quando sou

convidado para palestras em academias

de corrida, pergunto sempre aos miúdos

porque é que escolheram a modalidade.

Apenas 12% dos jovens americanos

que correm a alto nível quer ser corredor,

a maioria está a preparar-se para outro

desporto.

O que o motivou a escrever o livro

“Daniels’ Running Formula”

Quando fui para Cortland, as pessoas

começaram a escrever-me com

pedidos de dicas para potenciar os

treinos. Já estava tão farto de tantas

cartas, que decidi escrever um livro.

Não resultou... entretanto apareceram

os e-mails [risos]. Este livro oferece

uma explicação simples, mas

pertinente, sobre como o corpo reage

ao stresse do exercício e do ambiente;

identifica as diferentes necessidades

de cada pessoa e os tipos de treino

para colmatar essas necessidades;

oferece planos de treino que podem

ser adaptados e permite ao corredor

projectar um plano face aos seus

objectivos pessoais.

É um assumido defensor da corrida

minimalista...

Todos os recordes do mundo foram

batidos com calçado minimalista.

O propósito da sapatilha é reduzir o

choque da abordagem ao solo, embora

actualmente as pistas já permitam

absorver essa energia. A razão pela

qual as pessoas precisam de calçado

numa maratona é porque correm na

rua... Há uns anos, testámos atletas

com sapatilhas de pesos diferentes.

Percebemos que por cada 100 gramas

que se adiciona ao calçado, o esforço

da corrida aumenta 1%. Isto representa

cerca de um minuto perdido numa

maratona.

Que três conselhos daria a um atleta

recreativo

Primeiro, se estiver indeciso entre dois

treinos... opte sempre pelo menos

exigente. Segundo, em qualquer prova,

deve ser capaz de responder à pergunta:

qual é o propósito desta corrida Se

não souber a resposta, aconselho-o a

ficar em casa a ver televisão. Terceiro,

os maiores erros são cometidos no

início da corrida. Muitos atletas perdem

o rumo porque vão muito depressa –

contra mim falo, porque sou viciado em

começar rápido. Quarto conselho (este é

de borla!), corra sempre com os líderes e

quando não os conseguir acompanhar...

corra mais depressa do que eles.

VO 2

Máximo

“Qualquer esforço implica

gasto de energia, o que envolve

queimar calorias. Como

Através do oxigénio. Quanto

mais calorias queimamos,

mais energia produzimos. O

VO 2

Máx é a quantidade máxima

de oxigénio que conseguimos

consumir, independentemente

do esforço. Normalmente, a

análise do consumo de oxigénio

é feita numa passadeira, sendo

importante para determinar

ritmos de treino.”

Economia

“Todos temos um VO 2

Máx, a

forma como o usamos é o factor

economia. Quando determinamos

o perfil aeróbico de um atleta,

identificamos o vVO 2

Máx

(velocidade no VO 2

Máx), que é

o reflexo da sua economia. Este

valor será o mesmo para todos

os indivíduos com a mesma

capacidade de corrida, porém

um atleta pode registar o seu

vVO 2

Máx com grande economia

e um VO 2

Máx escasso, enquanto

outro pode fazê-lo com menos

economia e um valor mais

elevado de VO 2

Máx.”

VDOT

“Nos anos de 1970, eu e o

Jimmy Gilbert testámos as

performances e o VO 2

Máx

de vários atletas de elite.

Apesar de registarem valores

de VO 2

Máx diferentes no

laboratório, numa prova real

atingiram perfis aeróbicos

semelhantes. A esse “pseudo-

-VO 2

Máx” (baseado apenas na

performance) demos o nome

de VDOT. Trata-se do valor

ideal para definir intensidades

de treino, já que os treinos de

repetições, intervalos e ritmos

ou as corridas de longa distância

são mais bem executados em

fracções específicas do VDOT

de cada atleta. Nesse contexto,

desenvolvemos tabelas de

intensidade de treino, que

relacionam as performances

com diferentes distâncias.” As

tabelas VDOT desenvolvidas

por Jack Daniels podem ser

encontradas no livro “Daniels

Running Formula” ou em

runsmartproject.com.


18 musthave

Heatgear

Armourvent

Compression

Shortsleeve T

PVP 45€

Launch 5” Reflect

Short PVP 40€

Storm Launch

Run Jacket

PVP 65€

Speedform Gemini

PVP 135€


19

Fly-By Compression

Legging PVP 50€

Fly Fast Mesh

Shortsleeve

PVP 35,95€

W Micro G Mantis 2

PVP 100€

Qualifier Woven

Jacket PVP 75,90€

Fotos: Luciano Reis


20 (+)rendimento

por umas pernas

mais fortes

A vida é feita de altos e baixos. A corrida

também. Saiba o que é o treino pliométrico,

para quem está indicado, como funciona e

de que forma contribui para desenvolver a

sua agilidade, potência e força muscular.

texto: inêsmelo*

Fotografia: LucianoReis

CONCEITO

O treino pliométrico, também conhecido como treino

reactivo, é uma forma de exercício que recorre a movimentos

explosivos para promover o desenvolvimento

muscular. Trata-se de uma forma de treino em que o

atleta usa o chão como apoio, para conseguir gerar

força que lhe permita sair do solo com a máxima rapidez

e velocidade.

FUNCIONAMENTO

No treino pliométrico, tal como na corrida, existem três fases.

A fase excêntrica é a fase da desaceleração ou preparação.

É o momento que antecede a activação muscular, como se

fosse um elástico que é esticado e se prepara para armar. Corresponde

à fase de colocar o pé no chão, o que na corrida se

chama pronação.

A fase de amortização é a que envolve estabilização dinâmica,

mediando a fase excêntrica e a concêntrica. Também é

conhecida como a fase de transição, já que é uma transição

electromecânica entre as outras duas. Uma fase de amortização

muito longa pode denotar um défice na eficiência neuromuscular,

enquanto o oposto corresponde a uma resposta

mais potente.

A fase concêntrica ocorre após a amortização. É a

fase que promove a performance muscular, tornando

o atleta mais forte e reactivo. Corresponde à fase de

sair do chão, ou seja, à supinação.

*Em parceira com Bruno Brito, responsável do O2 Life Center


21

VANTAGENS

Os exercícios pliométricos aumentam

a excitabilidade dos

músculos, a reactividade neuromuscular

e o número de fibras

“recrutadas”, tornando o atleta

mais forte e veloz. Um treino de

pliometria é concebido para aumentar

a eficiência muscular, a

taxa de produção de força e a força

excêntrica funcional.

1

2 3

Salto no

plano frontal

Parte da posição inicial –

neste exemplo, ao lado de

umas escadas –, salta para a

frente, aterra e estabiliza em

agachamento.

DESVANTAGENS

Para realizar este tipo de treino é

preciso alguma preparação, caso

contrário o risco de lesão pode

aumentar. Como tal, é importante

que o atleta tenha um abdómen

forte, estabilidade articular

e amplitude articular. O treino

pliométrico é desaconselhado a

indivíduos com doenças crónicas

e quaisquer limitações músculo-

-esqueléticas.

1

Salto no plano

transverso

Parte da posição inicial – neste

exemplo, atrás do step –, salta

lateralmente, aterra e estabiliza em

agachamento, mas virado para a

frente. Tratando-se de um exercício

com step, o atleta está mais alto,

exigindo maior controlo e potência.

IMPORTANTE

Especificar o volume de treino, a

intensidade, a frequência e a duração;

2 3

Na escolha dos exercícios, perceber

limitações de idade, os objectivos

do exercício adaptados à

corrida (ou a outra modalidade), o

nível de condição física;

Garantir a sua segurança e assegurar

todas as variáveis de segurança

passiva e activa, para evitar

acidentes. Não se esqueça de que

se trata de um treino cujas más

decisões e a falta de segurança

podem acarretar lesões;

Numa fase inicial, trabalhar com

moderação e, após cada salto, esperar

entre 4 a 5 minutos na fase

de amortização. Só gradualmente

poderá passar a movimentos mais

explosivos e reactivos.

1

2 3

Salto no

plano sagital

É o plano usado na marcha e

na corrida. Parte da posição

inicial, salta para a frente, aterra

e estabiliza em agachamento.

Sendo uma caixa, logo um

objecto mais alto, exige ainda

mais controlo, força e potência.


22 BASTIDORES

Reconheço

que sou o maior

responsável

pela evolução

do running

em Portugal

Decorridas duas décadas sobre a primeira São Silvestre do Porto, Jorge Teixeira é o

rosto da organização de provas de corrida no Norte do país. Ambicioso, exigente

e polémico, não esconde a competição “feroz” com Lisboa.

texto: inêsMelo

Fotografia: LucianoReis

Quando é que se cruzou com a

corrida

Há mais de 30 anos, quando encontrei

na corrida uma forma de bem-estar

físico e mental. A par dessa mudança de

vida, sempre fui muito empreendedor.

Poucos anos depois de começar a

correr, fui responsável pela criação

e dinamização de vários clubes de

atletismo, nomeadamente da Terbel. Foi

assim que nasceu a São Silvestre do

Porto, para ajudar a financiar a equipa, e

foi assim que eu nasci como organizador

de provas... já lá vão 21 anos! De alguma

maneira, tenho que reconhecer – e isto

é colocar-me em bicos de pés – que

sou o maior responsável pela evolução

do running em Portugal. Se a Runporto

não existisse no Norte do país, com

toda a sua cultura de organização e

comunicação de eventos, talvez não

existissem muito mais provas além das

históricas.

Que memórias guarda da primeira

São Silvestre do Porto

Chovia diluvianamente! Na altura,

tinha telefone no carro e lembro-me

de receber uma chamada da ANOP

[Agência Noticiosa Portuguesa], porque

se constava que não ia haver prova.

Estive com os meus dois filhos à

espera que o temporal acalmasse para

montar as barreiras e prender a faixa

da meta a dois postes de electricidade,

mas até isso foi com o vento. Certo

é que a corrida se realizou, com 391

participantes a cruzarem a meta. Hoje,

é um evento que cresce de forma

exponencial. Posso já não estar cá,

mas garanto-lhe que a São Silvestre do

Porto terá 40 mil participantes, tantos

quantos Madrid. Vou ter de alterar

o percurso e fazer adaptações na

morfologia da prova, mas vai acontecer.

O próximo passo é que seja a corrida

portuguesa mais participada de todos

os tempos, já este ano.

Qual é a sua maior preocupação

quando organiza um evento

Repare, eu só tenho três clientes.

O político – posso ter meios para

organizar uma prova, mas se não me

deixarem passar numa rua não consigo

fazer nada; o patrocinador – que espera

ver concretizados os sonhos que lhe

vendemos; e o participante – sem o

qual não haveria provas. E se eu até

conheço razoavelmente bem os dois

primeiros, os outros são entidades

anónimas, dos mais variados estratos

sociais, de todas as faixas etárias,

pessoas que gostam de mim e outras

que me odeiam. Respondendo à sua

pergunta, a principal preocupação é

que o evento me agrade e depois que

agrade aos clientes, sendo certo que

nunca agradará a todos. Ainda assim,

porque sou um homem que busca

constantemente a perfeição, garanto-

-lhe que os nossos eventos são sempre

muito bons.

Tem receio de que a máquina

ainda possa falhar

Qual é a máquina que não falha Todos

os eventos de rua estão sujeitos a

muitas condicionantes. Basta haver um

temporal e, num minuto, está tudo no

chão. A qualidade de uma estrutura vêse

na capacidade de resposta. Quando

comecei a organizar corridas, havia

indivíduos que desligavam as tomadas

para os insufláveis caírem, derrubavam

as grades, deitavam as placas dos

quilómetros ao rio. Agora temos de

lutar contra outras coisas, que nem

convém muito divulgar. Há uma série

de estratagemas, sobretudo com os

dorsais, que temos de aprender a gerir.

Claro que isso imputa custos ao evento.

Depois ouvimos: “Epá, as inscrições

estão caras...” Pois é, mas às vezes

são os próprios atletas que as tornam

dispendiosas.


23

Como é que se vê o funcionamento

de uma organização

No final do evento, quando toda

a gente já foi embora e nós

ainda estamos motivados para o

desmontar. E a Runporto tem eventos

verdadeiramente complexos. Há

muita gente que questiona: “Isto

é demasiado grande... para quê”

Pois, mas eu não sei pensar de outra

maneira.

Lembra-se da situação mais difícil

que teve de gerir

Com excepção do combate ao

tempo, francamente, não me recordo

de nada. O motivo Temos tudo

extremamente bem delineado. Quatro

semanas antes do evento entrego o

plano à discussão da equipa e duas

semanas depois voltamos a reunir.

No dia da prova, ninguém pode vir ter

comigo e dizer: “Estava a pensar...”

Pensar era antes! Se alguém tem de

tomar uma decisão no momento, nem

precisa de me dar satisfações. Foi

feito em conformidade com a nossa

exigência Então tudo certo.

Dou-lhe um exemplo concreto da

exigência do planeamento. Na Meia

Maratona do Porto Sport Zone existem

36 autocarros que têm entre as 7h30

e as 9h30 para transportar as pessoas

da chegada para a partida. Para eu ter

a certeza de que não há veículos no

percurso, tenho alguém que me liga

quando embarca no primeiro autocarro

– olho para o relógio e está na hora

planeada – e quando sai do último –

olho para o relógio e não falha. Agora

imagine o que seria se um desses

autocarros avariasse e bloqueasse

a pista. Se acontecer, tenho dois

camiões-grua estrategicamente

posicionados para tirarem o veículo

da estrada.

Qual é a importância de ter os seus

dois filhos na equipa

Por terem crescido neste meio, sei

que também sentem os eventos como

sendo deles. Na minha perspectiva,

são a consolidação daquilo que é o

futuro da Runporto. Os projectos não

vivem só de uma pessoa – isso é o

pior que pode acontecer. Posso ser,

de facto, a alma mater da empresa,

mas tenho uma equipa com pessoas

muito jovens, que foram formadas para

chefiar. Actualmente, quase todas as

chefias da Runporto estão a cargo

de pessoas com menos de 40 anos.

Não tenho hipótese absolutamente

nenhuma se não tiver os meus filhos

comigo, porque não sei fazer metade

daquilo que eles sabem – sobretudo

com as novas tecnologias. Já lhes

disse, quando quiserem, despeçam-

-me! E talvez nem seja preciso...

Sonho muitas vezes que um dia vou

adormecer no dia do evento e, quando

der por isso, já foi o tiro de partida.

Isso é um sonho ou um pesadelo

Sei lá! Mas já não é a primeira vez que

me levanto atarantado a meio da noite.

Não tenho hipótese absolutamente

nenhuma se não tiver os meus filhos

comigo

“Da estrada ao .com”

Nasceu a 5 de Março de 1955,

no Porto

Começou a correr aos 32 anos,

quando tinha mais 15 kg

do que o peso ideal e fumava

três maços de cigarros por dia

Em 1991, na Maratona de

Nova Iorque, alcançou o seu

recorde pessoal na distância,

com um tempo de 2h39m

Foi o principal responsável

pela criação do Clube de

Atletismo Terbel, que se

destacou a nível regional e

nacional nos anos noventa

do século passado

Runporto.com, empresa da

qual é director-geral, começou

por ser o nome de um site,

criado para divulgar eventos

Acordo a minha mulher e só depois

é que respiro de alívio: “Afinal não é

hoje...”

O que veio a Runporto mudar

no panorama da organização de

corridas em Portugal

Mudou tudo. Actualmente, em

Portugal, posso dizer sem receios

que não temos comparação. Em

2014, organizámos 22 provas, fizemos

nascer nove corridas e passaram

pelos nossos eventos 145 mil atletas.

Há alguém em Portugal ou na Europa

com estes números Se eu fosse

um novo organizador, uma das

minhas preocupações seria ver como

trabalham os melhores. Foi isso que eu

fiz durante muitos anos e continuo a

fazer. Grande parte da nossa atenção

está focada na inovação.

Ao longo destes anos, qual foi a sua

maior conquista

Neste momento, não escondo que

tenho uma competição feroz com

Lisboa. Por isso, dá-me um grande

gozo saber que somos detentores da

esmagadora maioria das participações

em eventos, com exceção da Meia

Maratona de Lisboa – que vou

ultrapassar dentro de pouco tempo.

Agrada-me especialmente o facto

de termos tido quase o dobro de

chegadas na Maratona do Porto

em relação à de Lisboa. Aliás, neste

momento, já temos cinco mil inscritos

na Maratona de 2015.


24 BASTIDORES

Nome de código:

Survivors

Run

Missão: Viver emoções positivas e experiências

inesquecíveis numa corrida de obstáculos

Data: 7 de Fevereiro

Hora: A partir das 8h00 (levantamento de dorsais).

Primeira partida às 9h00

Local: Academia da Força Aérea, Sintra

Detalhes: 9 quilómetros; 30 obstáculos; equipas com

um mínimo de 3 survivors; uso obrigatório de luvas

texto: VanessaPais

Esta corrida não é

para meninos. É para

survivors! São nove

quilómetros com 30

obstáculos preparados

cirurgicamente para testar

limites e, principalmente, o espírito de

equipa e entreajuda. Muros de assalto,

paralelas, redes de abordagem, mini-

-barreiras (que de mini têm só o nome),

valas ou escalada são alguns dos

obstáculos a ultrapassar. A RUNning foi

aos bastidores da Suvivors Run e já os

viu… Acredite, não vai ser nada bonito!

Será que aceitamos a missão

A Survivors, entidade organizadora

desta prova, chamou-lhe impossível

e desafiou a participar todos os que

quiserem ser “heróis por um dia”.

Mas será que é mesmo impossível

“Cada obstáculo foi concebido por

especialistas na matéria e será,

durante a prova, monitorizado por

técnicos”, ressalvou Cristiano Almeida,

responsável de operações da Survivors

Run (cá para nós, querem é ver se

não contornamos os obstáculos…). O

objectivo, acrescentou, “é proporcionar

momentos únicos de divertimento,

emoção e superação pessoal e

colectiva, promovendo o espírito de

equipa e a entreajuda, num evento

reconhecido pela qualidade a todos os

níveis”.

Humm… Será que estamos

preparados Filipa Diamantino,

coordenadora da equipa de saúde e

responsabilidade social, esclareceu:

“O percurso foi construído para

dicas

imbatíveis

1. Gestão

de esforço

2. Entreajuda

3. Espírito

de missão

4. Espírito

de equipa

ser seguro e foi estudado antes de

alocados os recursos. Nas partes mais

exigentes, os participantes terão um

acompanhamento maior por parte

da equipa técnica e de saúde. Além

de uma tenda de campanha e das

ambulâncias e respectivos tripulantes

obrigatórios em todas as provas,

temos uma equipa de enfermagem e

fisioterapia preparada para, em caso

de necessidade, intervir no terreno

e resolver todas as situações no

momento.”

A missão

em números

60

colaboradores

30

obstáculos

9

quilómetros

3

abastecimentos

1 200

águas

1 equipa de

cronometragem

(Jesus Events)

5

professores para

o aquecimento

2

ambulâncias

5

enfermeiros

1 000

inscrições

110

equipas


25

Kit Survivor

T-shirt técnica

Banho

Aquecimento

Estacionamento

Local para guardar

a chave do carro

Abastecimentos

Dorsal personalizado

Bilhete para

o Museu do Ar

Prémio finisher

Alguns dos parceiros

que tornam esta

missão possível

Gimnica “Associámo-nos a esta

prova, pois tem uma boa exposição

para os nossos produtos - em

especial o TRX ® - além da história

militar que lhes é comum. Assim,

vamos disponibilizar uma estrutura

de suspensão e 20 TRX ® para o

treino e oferecer um TRX ® Force Kit

para o 1.º classificado masculino

e um TRX ® Home para a 1.ª

classificada no escalão feminino.”

Luís Branco, administrador-geral

da Gimnica.

Brinde da Força Aérea

Portuguesa

Palavras de ordem:

divertimento, segurança e solidariedade

Bem, já podemos escorregar na lama

à vontade. Sim, haverá lama… E

autocarros também. E não é só para

nos transportar para a prova. E mais

não dizemos, se não temos de falar

da Muralha da China e da Ponte dos

Himalaias e não queremos estragar a

surpresa. Mas podemos afirmar, com

toda a certeza, que criatividade não vai

faltar nesta prova - nos obstáculos,

no conceito e na forma de divulgação/

/comunicação. Leonardo Cruz,

responsável de inovação e criatividade

é um dos principais culpados por este

facto. “Toda a comunicação da prova

leva os participantes, desde o momento

da inscrição, a sentirem-se envolvidos

numa missão, havendo periodicamente

contacto com novidades pertinentes

sobre a mesma”, destacou.

Um website (www.survivorsrun.com),

que se quer inovador, actualizado e

intuitivo, e uma newsletter servem

de suporte a esta estratégia de

comunicação. “Apostámos também

na divulgação de um vídeo baseado

na prova do ano passado, para que as

pessoas possam ter uma noção mais

clara da missão que vão cumprir”,

explicou Leonardo Cruz.

E a solidariedade “Além da

entreajuda promovida pela prova,

temos simultaneamente uma missão

de responsabilidade social que não se

vai esgotar no donativo de um euro

por cada inscrição que vamos fazer a

uma instituição de apoio às crianças

no concelho de Sintra. Vamos procurar

ajudar essa instituição de forma

contínua também com voluntariado”,

sublinhou Filipa Diamantino.

Ora bem, a Survivors Run permite

correr e ultrapassar obstáculos em

equipa, de forma divertida e criativa,

em segurança, ao mesmo tempo que

contribuímos para uma causa social.

Só faltava haver prémios. “E há!”,

atalhou Cristiano Almeida. “A mulher

mais rápida recebe um TRX Home e

o homem mais rápido um TRX Force

Kit. Há também prémios para os três

elementos mais rápidos da primeira

equipa a cortar a meta”, acrescentou.

Já não restam dúvidas: missão aceite!

Câmara Municipal de Sintra

Academia da Força Aérea

Vimeiro

Aura Lounge Cafe

Apartamentos do Lago

“Esta parceria surgiu de um

desejo comum de tornar o mundo

melhor. Os Apartamentos do

Lago, proporcionando um local

de bem-estar, através da prática

de yoga e meditação, num

cenário de natureza em estado

puro; e a Survivors Run, criando

a oportunidade de as pessoas

ultrapassarem obstáculos em

conjunto, fortalecendo laços. Os

vencedores do prémio equipa vão

poder viver a experiência de duas

noites para duas pessoas nos

Apartamentos do Lago.” Ricardo

Cristóvão, Director-fundador

e facilitador de yoga nos

Apartamentos do Lago.

Belouracar “A Survivors

Run chamou-nos à atenção,

desde logo, pelo formato, que

infelizmente ainda se vê pouco

em Portugal. Por outro lado, na

Belouracar identificamo-nos muito

com os valores da corrida - a

vontade de inovar, de arriscar, de

nos desafiarmos -, pelo que

quisemos estar presentes. Iremos

ter uma zona de exposição dos

nossos automóveis, para que

os participantes os possam

conhecer, na qual iremos ter

também alguns brindes. A nossa

equipa de colaboradores não quis

deixar escapar a oportunidade e

vai participar na prova.” Gonçalo

Viegas, gestor de marketing da

Belouracar.

Fotos: Cortesia da Survivors Run


26 BASTIDORES

A dois meses do arranque, a EDP Meia Maratona de Lisboa já tinha 20 mil inscritos

prontos a atravessar a Ponte 25 de Abril. Na comemoração do quarto de século de

uma prova que ajudou a democratizar o atletismo em Portugal, fomos conhecer a

“máquina invisível” que se lança à estrada nos dias 21 e 22 de Março.

Texto: INÊSMELO

tanto medo,

que nem sequer

me atrevi a olhar

para baixo. Durante

muitos metros,

“Tive

fechei os olhos

para não me assustar”, partilhou

Rosa Mota, anos mais tarde, com

a organização. A experiência já era

habitual noutras cidades do mundo,

mas em Lisboa era a primeira vez que

um grupo de pessoas atravessava

a Ponte 25 de Abril pelo próprio pé.

A ideia de Carlos Moia, presidente

do Maratona Clube de Portugal,

ganhava asas no dia 17 de Março

de 1991 – 70 metros acima do nível

médio das águas do Tejo. Estava

também dado mais um impulso para

a democratização do atletismo em

Portugal.

“A Meia Maratona de Lisboa

permitiu uma revolução de

mentalidades, trazendo as pessoas

para a rua; para correr, marchar

1991

Na primeira edição da Meia Maratona

de Lisboa, inscrevem-se na prova

3 973 atletas e cruzam a meta 3 102

participantes

ou andar. Hoje parece que tudo é

fácil, mas para chegarmos a este

patamar foi preciso ultrapassar muitos

obstáculos, burocráticos e financeiros,

e também muitos preconceitos,

nos primeiros anos”, recorda o

responsável. Quem espreita de fora,

percebe que o êxito se reflecte na

longevidade da prova e no número

crescente de inscritos, mas o pulso

desta organização não se mede em

pouco mais de 21 quilómetros.

Como um relógio meticulosamente

afinado, a equipa liderada por

Carlos Moia, com o apoio de

Reinaldo Gomes e Rafael Marques

(da direcção do Maratona Clube de

Maratona

logística

150 000

garrafas de água

12 000

garrafas de bebida energética

80 000

pacotes de leite

40 000

bananas

7 180

metros de grades

3 000

metros de fita delimitadora


27

Plano de festas

Quinta-feira, dia 19 de Março

10h00-20h00: Abertura oficial da

SportExpo – Feira do Desporto e Lazer

Sábado, dia 21 de Março

09h30: Início da “Vitalis 7Km

Jamor-Lisboa”

11h00: Início do Passeio Mimosa

Avós e Netos

16h00 : Início da Mini Campeões EDP

Domingo, 22 de Março

07h00-09h45: Transporte para a partida

10h25: Partida da CTT Weelchair Racing

10h30: Partida da Meia Maratona de

Lisboa EDP e da Mini Maratona Vodafone

Portugal), começa a trabalhar na

edição seguinte mal termina uma

prova. Entre a logística, a segurança

e os transportes, um evento desta

dimensão exige uma “operação

gigantesca” e uma equipa sempre

atenta a todos os detalhes. A partir de

Abril, a “máquina invisível” trabalha

numa versão mais reduzida, mas

ganha um novo fôlego nos últimos

dois ou três meses antes da prova.

DR

1998

O vencedor é o português António

Pinto, que obtém a melhor marca

mundial de sempre. Nesta edição,

a prova de Lisboa é considerada a

Melhor Meia Maratona do Mundo

3 000

metros de publicidade estática

90 000

sacos para brindes

Quem calça as sapatilhas apenas

no dia não imagina a quantidade de

voluntários que é preciso mobilizar,

as toneladas de mantimentos que

é necessário transportar e colocar

nos pontos de reabastecimento, as

preocupações com a segurança ou

com os dispositivos médicos. E é

mesmo assim que deve ser, defende

Carlos Moia: “Os participantes só têm

de estar preparados para correr e para

se divertirem.”

Afirmar a Meia

Este ano, por se tratar de uma edição

especial, não vai faltar divertimento.

Logo na véspera da prova, terá

lugar a “Vitalis 7 Km Jamor-Lisboa”,

uma corrida/treino limitada a 2 000

participantes e com chip para controlo

100 000

alfinetes

2000

O queniano Paul Tergat bate o tempo

mais rápido da distância. A marca não

é considerada recorde do mundo por

existir uma diferença de mais de um

metro de altitude entre a partida e a

chegada, mas o facto fica registado

no “Guinness World Records”

600

elementos de staff no dia do evento

de tempos. De resto, as novidades

vão girar em torno da celebração

da 25.ª edição. “Desde a emissão

de um selo comemorativo dos CTT,

passando pela produção de um

documentário que será exibido na

RTP sobre a história deste quarto

de século, até à produção de uma

medalha comemorativa que será

distribuída a todos os participantes.

Vai tudo andar à volta do número 25!”,

revela Carlos Moia.

Pela dimensão que alcançou –

em 2014 recebeu cerca de 38 mil

inscrições –, não persistissem dúvidas

2005

Lançamento do livro comemorativo

“Meia Maratona de Lisboa – 15

Anos”, com prefácio do Presidente

da República Jorge Sampaio

sobre o impacto da Meia Maratona

de Lisboa na prática desportiva dos

portugueses, mas também no turismo

nacional. Como recorda o responsável

do Maratona Clube de Portugal, o

Governo declarou esta prova como

sendo de “interesse público”, num

despacho publicado em Diário da

100

profissionais de saúde

2006

Participação do indiano

Fauja Singh, na altura, o

maratonista mais idoso em

actividade. Conhecido como

o “Tornado de Turbante”,

Singh viajou para Lisboa

aos 94 anos

300

elementos policiais

Fotos: Cortesia do Maratona Clube de Portugal


28 BASTIDORES

Fotos: Cortesia do Maratona Clube de Portugal

2009

Participação de

seis elementos da

tribo Zulu, a maior

da África do Sul,

na mini maratona

República. “Para mim, isto é um motivo

de orgulho. Não há marketing que

resulte se não houver qualidade e total

entrega da organização a todos os

inscritos”, defende Carlos Moia.

Ainda assim, a gestão de meios

na organização de um evento desta

dimensão tem muito que se lhe

diga. Como explica Maria Manuel

Simões, responsável pela assessoria

de imprensa do Maratona Clube de

Portugal e co-autora do livro “Manual

2008

Meia Maratona de Lisboa conquista

o título de “Gold Road Race”, a

mais alta distinção da Internacional

Amateur Athletic Federation (IAAF)

de Organização e Gestão de

Eventos”, actualmente, os eventos

são preciosos para as marcas,

proporcionando proximidade com

o seu público-alvo. “Ao longo dos

anos, a grande novidade que os

eventos vieram trazer às marcas foi

a promoção das mesmas de forma

mais discreta e o envolvimento

mais emocional com o seu público.

Sendo bem sucedidos, constituem

uma excelente ferramenta de

comunicação.”

2010

Zersenay Tadese bate o recorde do

mundo da distância, com o tempo de

58m23s. Na comemoração da 20.ª

edição, o Maratona Clube de Portugal

lança o hino da prova, da autoria de João

Gil e, no mesmo ano, Carlos Moia recebe

a Medalha de Mérito da Cidade de Lisboa

No caso da Meia Maratona de

Lisboa, os principais patrocinadores

mantêm-se desde as primeiras edições

do evento, o que facilita a relação de

parceira com as marcas. Ainda assim,

ano após ano, as exigências, os

“Os hábitos dos

portugueses

mudaram. Basta

recuarmos alguns

anos, para recordarmos a imagem de

milhares de pessoas à beira da estrada

para ver passar os corredores. Hoje, as

pessoas deixaram de estar à margem

para fazerem, elas próprias, parte das

corridas. É com enorme satisfação que

a EDP assiste a este crescente

entusiasmo da população pela prática

desportiva e, consequentemente, pela

adopção de hábitos saudáveis. É esta

energia que nos move há mais de 20

anos. Obrigado por fazerem parte dela.”

Paulo Campos Costa, director de Marca

e Comunicação da EDP

“A ligação da

Vodafone ao

desporto é já uma

tendência com

vários anos. A empresa posiciona-se no

panorama nacional do desporto como

uma aposta consistente com os valores

da marca, tais como o dinamismo,

velocidade, vida saudável e paixão pelo

mundo que nos rodeia – valores

partilhados na Mini Maratona Vodafone.

O apoio e a promoção da prática

desportiva ao ar livre permite à

Vodafone estar mais perto dos seus

clientes e com eles partilhar uma

experiência única. Assim, a operadora

decidiu continuar a juntar-se a este

grupo como patrocinador oficial da

Mini Maratona Vodafone e, no 22 de

Março, estará lá para partilhar os

melhores momentos dos atletas dos

nossos dias.” Sara Oliveira, directora

de Comunicação e Marca da Vodafone

Portugal

2014

A suíça Manuela Schar (categoria T53)

alcança o recorde mundial na prova

feminina em cadeira de rodas, com o

tempo de 50m06s

desafios e as expectativas continuam

a crescer para todos. “Em todas

as edições houve dificuldades e

imprevistos, naturalmente. Mas a forma

madura e flexível como encaramos

todas as situações facilita a resolução

de tudo em tempo útil”, remata Maria

Manuel Simões.


metas

29

Carlos Pereira/VP

Encontro com a história

Na emblemática Praça do Império, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, mais

de 2 500 pessoas embarcaram na 2.ª Meia Maratona dos Descobrimentos,

a 7 de Dezembro. Inspirados pelas viagens das caravelas, os participantes

percorreram as rotas da história no tempo de uma meia maratona, uma

corrida de 10 km e uma caminhada. Luís Pinto, do Sporting, venceu a

prova mais longa (1h05m28s), com Vera Nunes, do Benfica, a impor-se no

sector feminino (1h16m05s).

De volta a Paranhos

Há mais de cinco décadas que

a freguesia de Paranhos, no

Porto, é anfitriã de uma das mais

carismáticas provas do calendário

nacional. Em dia feriado (8 de

Dezembro), 1 798 participantes

concluíram os 10 km da 57.ª Volta

a Paranhos, organizada pelo Sport

Clube de Salgueiros. O etíope

Getinet Gedamu (30m21s) e a

atleta do Sporting Leonor Carneiro

(34m04s) foram os mais rápidos.

Marcelino Almeida

Portugal Running

Grande Prémio de Natal

Quando se junta tradição e solidariedade, o resultado é uma onda de esperança

nas principais praças e avenidas de Lisboa. No dia 14 de Dezembro, perto

de 1 800 pessoas marcaram presença no 57.º Grande Prémio de Natal,

apoiando o Banco Alimentar com a sua inscrição. Além da Caminhada de

Natal, teve lugar uma corrida de 10 km, ganha por Nelson Cruz (30m28s), atleta

do Clube Pedro Pessoa, e pela russa Irina Sergeyeva (34m34s).

Guerra dos sexos

Pela quarta vez consecutiva,

as mulheres não deram

hipótese na El Corte Inglés

São Silvestre de Lisboa, a 27

de Dezembro. A atleta Dulce

Félix (32m17s), do Benfica, foi

a primeira a cortar a meta, em

plena Avenida da Liberdade. No

sector masculino, que arrancou

com uma diferença de 2m37s,

foram os leões que levaram a

melhor, com Hermano Ferreira a

terminar em 29m54s. Ao longo

de um percurso de 10 km, cerca

de 10 000 pessoas sentiram o

pulsar do coração da capital.

Cortesia da organização

Uma corrida,

quatro estações

Depois da etapa do Verão, a 2.ª

Corrida 4 Estações Cidade de Coimbra

foi para a estrada numa manhã amena

de Outono. No dia 14 de Dezembro,

cerca 300 atletas correram os 12 km

do percurso com partida e chegada

junto ao Estádio Cidade de Coimbra.

Uma corrida por cada estação do ano é o mote desta iniciativa, que no Outono

premiou Baltazar Sousa (43m07s), do Boavista FC, e Márcia Martins (49m23s), do

Clube Campinho. O Inverno corre-se a 15 de Março.

Celestino Santos


30 metas

Cortesia Runporto

E vão seis!

No dia 28 de Dezembro,

a Liberty Seguros São

Silvestre do Porto

proporcionou um fim

de tarde mágico nas

principais ruas da cidade

Invicta. Na 21.ª edição

do evento, a organização

recebeu cerca de 17 000

inscrições e viu 8 786

participantes concluírem

os 10 km da prova

principal, com início

e fim na Avenida dos

Aliados. Rui Pedro Silva,

do Benfica, que já era

detentor do maior número de triunfos na história da corrida, conquistou a sexta

vitória consecutiva, terminando em 29m48s. Na prova feminina, Filomena Costa, da

ACD Jardim da Serra, cortou a meta com o tempo de 33m36s.

Cumprir a tradição

Perto de 2 000 pessoas aqueceram a noite fria de 30 de Dezembro, dando

pernas à mais antiga São Silvestre da cidade alfacinha. Os atletas do

Sporting Luís Pinto (26m57s) e Susana Francisco (30m37s) foram os grandes

vencedores na distância de 9 km da 26.ª São Silvestre Go Fit Olivais. Para os

menos resistentes à intempérie polar que assaltou a capital no final do mês, a

freguesia de Olivais também abriu as portas para uma caminhada de 4 km.

Coimbra a subir

Com um dos percursos

mais exigentes do país,

devido à geografia da

cidade dos estudantes,

a 37.ª São Silvestre

Cidade de Coimbra reuniu

cerca de um milhar de

participantes, na noite

de 28 de Dezembro.

Numa prova marcada

pela animação e pelo

desportivismo, os atletas

da Etiópia Getinet Gedamu

(28m36s) e Tigist Bikila

(32m30s) foram os mais

rápidos a completar o

percurso de 10 km. Este

ano, a organização contou

ainda com a colaboração

da recém-criada Escola

de Atletismo de Coimbra.

Corrida de reis

Na noite de 13 de Janeiro,

mais de 500 pessoas

iluminaram o caminho

da 2.ª Grande Corrida

dos Reis, em Paredes.

Na chegada à meta, a

luta foi tão renhida que

quem assistia à prova

não conseguiu identificar

o vencedor. Carlos

Rodrigues, do FC Parada,

venceu por milésimos de

segundo, com um tempo

de 32m57s. A organização

do evento ficou a cargo

da Parjovem – Associação

Juvenil de Paredes.

DR

Virar o ano a correr

É uma das mais

emblemáticas provas de

final de ano – pela tradição,

pela dificuldade, pelo apoio

das centenas de pessoas

que compõem a moldura

do percurso. Na noite de

31 de Dezembro, a São

Silvestre da Amadora

comemorou quatro décadas.

Num pódio masculino em

tons de vermelho, Rui Pinto

conquistou o lugar mais

alto, completando os 10 km

do percurso em 29m49s.

Na prova feminina, Doroteia

Peixoto destacou-se na parte

final e terminou em 34m45s.

Marcelino Almeida


Escalões Jovens | 09h30

Benjamins, infantis, iniciados e

juvenis – masculinos e femininos

Serão atribuídos troféus para os

cinco primeiros classificados por

escalão e género.

Saco com camisola técnica para

os atletas chegados à meta.

Prato para as cinco primeiras

equipas (contam os primeiros

10 atletas chegados à meta por

escalão e género).

PROVA 10 km | 10h30

Seniores

Masculinos

1.º - 200€

2.º - 100€

3.º - 80€

4.º - 60€

5.º - 50€

Seniores/Juniores

Femininos

(escalão único)

1.ª - 200€

2.ª - 100€

3.ª - 80€

4.ª - 60€

5.ª - 50€

Veteranos

Femininos

F-35 e F-45

1.ª – 80€

2.ª – 60€

3.ª – 40€

4.ª – 25€

5.ª – 20€

Veteranos

Masculinos

M-35, M-40, M-45,

M-50, M-55 e M-60

1.º – 80€

2.º – 60€

3.º – 40€

4.º – 25€

5.º – 20€

Juniores

Masculinos

1.º – 80€

2.º – 60€

3.º – 40€

4.º – 25€

5.º – 20€

Garrafeira em madeira + garrafa de vinho para os três primeiros classificados por escalão e género.

Saco com camisola técnica e garrafa de vinho para todos.

Prato pintado à mão para as cinco primeiras equipas (contam os primeiros quatro atletas por equipa chegados à meta).

INSCRIÇÕES

Devem ser enviadas até ao dia 26 de Fevereiro de 2015 no caso dos atletas portugueses. Os atletas estrangeiros devem efectuar a sua

inscrição até ao dia 24 de Fevereiro de 2015. Deverá constar nessa inscrição o nome, data nascimento, género e se é federado ou não.

Gratuitas para os escalões jovens.

Para a corrida de 10 km será de 5€ por atleta (limitada a 400 atletas com pagamento efectuado).

Envio de inscrições: XISTARCA

Calçada da Tapada n.º 71 A, 1349 – 012 Lisboa | Tlf.: (+351) 213 616 160 | Fax: (+351) 213 616 169

A inscrição por transferência bancária deve ser realizada para o NIB 0033 0000 0014 0578 4150 5. É necessário o envio do

comprovativo de pagamento para inscricoes@xistarca.pt com o respectivo boletim de inscrição.

Corrida para todos “ Dê Vida aos Anos… “ | 10h30 (Limitada a 800 inscrições)

As inscrições são gratuitas e devem ser enviadas até ao dia 26 de Fevereiro de 2015 para:

Associação Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Novo

Largo Bento Jesus Caraça, 7050 – 112 Montemor-o-Novo | Tlf.: (+351) 266 899 180 | Fax: (+351) 266 899 188 | e-mail: marquesjpa@sapo.pt

Podem participar todas as pessoas dos 3 anos aos 99 anos que a correr ou a caminhar consigam percorrer uma distância

de 3 000 metros.

PRÉMIOS: Saco com camisola técnica para todos os participantes na prova.

ORGANIZAÇÃO

apoios


32 metas

Entre a serra

e o mar

A beleza natural da serra, a

dureza do percurso e a chegada

junto ao mar, mesmo no fim

do velho continente, fazem do

Grande Prémio “Fim da Europa”

uma prova ímpar. A 25.ª edição

reuniu cerca de 2 300 pessoas,

ao longo de um percurso de

aproximadamente 17 km, entre

o centro de Sintra e o Cabo

da Roca, no dia 25 de Janeiro.

Bruno Loureço (individual) foi o

primeiro a cortar a fita da meta,

com 1h00m10s de prova. Laura

Sanzberro (Fasttriatlon Club)

levou a melhor em seniores

femininos, terminando em

1h12m55s.

De Sedentario a Maratonista

Meia Maratona Manuela Machado

Vinte anos depois de Manuela Machado se ter sagrado campeã

do mundo, em Gotemburgo, Viana do Castelo acolheu a 17.ª Meia

Maratona com o nome da atleta portuguesa, a 18 de Janeiro.

Daniel Pinheiro (Maia AC) foi o grande vencedor da prova, com

um tempo de 1h6m12s. Filomena Costa (Jardim da Serra) foi

a mais rápida no grupo das senhoras, com 1h12m47s. Mais

de 2 400 pessoas alinharam na partida, que deu início ao

programa de comemorações para assinalar as duas décadas da

conquista do ouro português.

Homenagear António Pinto

Cortesia Fullsport

(Re)volta da Marinha Grande

No 81.º aniversário da revolta operária de 18 de Janeiro de

1934, a Marinha Grande recebeu mais de duas centenas de

pessoas, no 9.º Grande Prémio 18 km do Vidreiro. Organizada

pelo Sindicato dos Trabalhadores da Industria Vidreira, a prova

aconteceu a 25 de Janeiro e consagrou Pedro Nogueira (Mafra

Com Vento/Estabil), que concluiu o percurso em 59m49s. Na

classificação geral feminina, Patrícia Carreira (Offtel Runners)

terminou em 1h08m44s.

Um dia de festa desportiva, para homenagear um

dos maiores maratonistas de sempre. Foi assim que

Amarante despertou na manhã de 25 de Janeiro. Mais

de um milhar de pessoas participaram na 1.ª Meia

Maratona António Pinto, que teve como pano de fundo

as margens do rio Tâmega, o centro histórico da cidade

e a beleza natural da região. Os vencedores foram Rui

Teixeira (Maia AC), com 1h06m45s, e Doroteia Peixoto

(individual), com 1h08m15s. Recorde-se que António

Pinto, atleta natural de Amarante, ainda hoje detém o

recorde europeu de maratona (2h06m36s).

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34 trabalhodeequipa

Coimbra tem

mais encanto

na hora da corrida

Com as portas abertas desde Outubro, a Escola de Atletismo de Coimbra quer

mudar o fado e fazer renascer a modalidade no concelho. Os primeiros versos são

um elogio à qualidade técnica e à inovação dos serviços.

texto: inêsMelo

Fotografia: LucianoReis

deviam era

ver isto há trinta

anos, quase não

havia espaço

na pista para

“Vocês

tantas pernas!”

O apito firme de Manuel Oliveira

Gomes continua a marcar o passo

no Estádio Cidade de Coimbra.

Aos 68 anos, este histórico do

atletismo coimbrão lamenta que não

se tenha sabido manter a “chama do

associativismo”, mas jura de boné ao

peito que a pista está a ganhar nova

vida. Desde Outubro que divide a

solidão dos treinos com os alunos da

recém-criada Escola de Atletismo de

Coimbra.

“O nosso objectivo é fazer renascer

o atletismo nesta zona do país. Nos

anos de 1980, havia cerca de 20

clubes no concelho, hoje são menos

de metade...”, recorda Mário Teixeira,

ex-atleta do Sporting e coordenador

técnico do projecto. Embalada por

uma paixão comum, a ideia já estava

a ser cozinhada há algum tempo com

o amigo Luís Gaspar, também com

fortes ligações ao atletismo, agora

como organizador de provas. Quando

Mário abrandou o ritmo na alta

competição, ambos perceberam que

tinha chegado o momento.

Depois de um período marcado

por uma crise de dirigismo e pela

dificuldade em incutir a identidade

da modalidade nos jovens, a Escola

de Atletismo de Coimbra deu o tiro

de partida em três frentes: formação,

competição e recreação. Nesta primeira

fase, os coordenadores estão a apostar

na divulgação do projecto em diversas

plataformas, tendo a formação como


35

principal bandeira. Quando a RUNning

visitou Coimbra, em Dezembro, já

estavam a trabalhar com seis jovens

iniciados.

Numa altura em que o país tem

poucas referências no atletismo,

sobretudo na vertente masculina, um

dos principais desafios desta equipa

tem sido captar a atenção dos mais

novos. “É importante explicar-lhes que

se trata de uma modalidade variada

– com corrida, saltos e lançamentos.

Por isso, as disciplinas que vamos

implementar também irão depender

da vocação dos atletas”, revela Luís

Gaspar. Para já, os treinos de corrida

acontecem às segundas, terças e

quintas-feiras.

Formação para todos os ritmos

Em cidade de estudantes, formação

não é palavra de ordem apenas para

principiantes. A Escola tem ainda

um grupo competitivo, com o qual

colabora nos treinos e na marcação de

presenças em provas, e é responsável

pela dinamização de um grupo

não-competitivo. A jóia anual de

50 euros dá direito a equipamento,

acompanhamento médico e orientação

técnica. Como sublinham os

coordenadores, qualquer praticante

recreativo que se inscreva no projecto

tem direito às mesmas condições do

que um atleta de competição, incluindo

a inscrição na Associação Distrital de

Atletismo de Coimbra.

“Uma das nossas maiores

apreensões com o crescimento da

corrida em Portugal prende-se com

a falta de preparação dos chamados

atletas de pelotão. Um dos erros mais

flagrantes é o excesso de treino. Há

pessoas que fazem treinos de três

horas, várias vezes por semana! O

treino de corrida é apenas metade do

compromisso. Depois há o trabalho

de preparação física, reforço muscular,

alongamentos, flexibilidade... É esta

orientação metodológica que queremos

proporcionar aos nossos atletas”,

realça Mário Teixeira.

O acompanhamento médico é outro

dos aspectos valorizados. Todos os

atletas fazem uma avaliação clínica,

para saber se estão habilitados à

prática desportiva. Como explica Luís

Gaspar, a diferença desta estrutura

também se materializa num conjunto

diversificado de serviços, que resultam

da ligação jurídica à Associação

Desportiva Casaense. “Temos um

Departamento de Psicologia, um

Departamento Médico, com consultas

de fisioterapia e nutrição, e um

Departamento Técnico. Não queremos

ser os melhores, mas queremos ser

diferentes e inovadores”, assegura.

Para já, estão a conseguir ser

as duas coisas. Em Janeiro, a

Escola de Atletismo de Coimbra

alcançou excelentes resultados nos

Campeonatos Distritais de Pista

Coberta – 1.º lugar nos 3 000 metros

e 2.º lugar nos 1 500 metros. Também

tiveram uma prestação meritória no

22.º Campeonato Nacional de Estrada

e em várias provas de estrada. Uma

das figuras da equipa de competição é

o veterano Álvaro Coelho, com quem

nos cruzámos no dia da reportagem:

“Os atletas sentem-se acarinhados

e com muita vontade de representar

condignamente a equipa. O meu

conselho para quem vai ler a revista

Venham experimentar!”

Marque na agenda!

Além da aposta na formação, a

Escola de Atletismo de Coimbra

tem procurado dinamizar a prática

desportiva na região através da

organização de eventos de corrida.

Calce as sapatilhas e parta à

descoberta dos encantos da Beira

Litoral na 2.ª Sanfil Corrida Académica

de Coimbra, no dia 28 de Junho.


36 quemcorre

porgosto

Joséguimarães

De sedentário

a malabarista

Passar dos três aos 42,195 km em poucos meses não é para todos. Mas José

Guimarães soube dar a volta e criou um espaço na web para partilhar esta e outras

voltas da corrida – e da vida – com o mundo.

TExto: Rutebarbedo

Fotografia: Magma.pt

Num dia José passou

de sedentário a

maratonista. No

outro, abandonou o

desemprego e fez-se

à pista freelance. É

a velha convicção de que quando

surgem os ventos da mudança, tudo

acontece ao mesmo tempo. Ou, nas

palavras deste atleta amador: “Às

vezes desejamos tanto uma coisa que

o universo encarrega-se de dá-la.”

Neste caso não é difícil

saber o que veio primeiro. O dia

(chuvoso) em que José Guimarães,

marketeer, runner e criador do site

desedentarioamaratonista.com,

decidiu correr junto ao mar de

Carcavelos marcou um ponto de

viragem no ano cinzento de 2011.

Era “uma altura conturbada”, conta,

explicando que uma das “coisas

difíceis de enfrentar” foi a repentina

situação de desemprego com que

se deparou. “Tinha tempo a mais

em mãos e não fazia a mínima ideia

de como usá-lo”, sintetiza José,

que depressa fez das mãos cabeça:

“Comecei a escutar-me a mim

próprio e a tentar perceber o que me

fazia vibrar mais. Um dia, sem saber

muito bem porquê, peguei numa

coisa que eu nem sequer gostava por

aí além, que foi correr.”

A partir daí passou a contar

quilómetros: dos 10 aos 20,

passando aos 40 e ultrapassando os

100. Tudo a partir de muita disciplina,

uma forte renúncia à inércia e

aprendizagem contínua. “Um amigo

dizia-me: Tens dores Se calhar

devias tomar suplementos, ou se

calhar devias treinar mais assim…”,

exemplifica.

Quando José Guimarães decidiu

concretizar a sua primeira maratona

(Munique, Setembro de 2011), pôs

o pensamento digital à obra – “Fui à

Internet, comprei um plano de treino

de quatro meses e cumpri-o à risca”

– , porque acredita que “só com

metas concretas, claras, conscientes

e realistas – e procurando não fazer

as coisas com muita ansiedade – se

consegue chegar onde se quer”.

Treinar para a maratona fê-lo

perceber que tudo faria mais sentido

se fosse partilhado. Então, voltou

a acender as luzes do design e do

marketing digital para criar o site

desedentarioamaratonista.com (a

página do Facebook já tem mais

de 8 000 fãs), onde aliou o melhor

dos seus dois mundos. “Tenho tido

muito feedback. Dizem-me que foi

graças ‘àquele post que comprei


37

determinado calçado ou que aprendi

alguma dica’ e isso, para mim, é o

grande valor deste projecto”, resume

José, clarificando que apesar de

não ser treinador desportivo, tem

sido frequentemente abordado para

acompanhar praticantes. “Muitas

pessoas querem começar a correr,

mas não sabem como, e eu ajudo-as

nesse ‘como’”, explica.

No flow da criação, surgiu uma

nova ideia: fundar, com um amigo,

uma empresa dedicada ao marketing

digital que é hoje a base profissional

de José, em paralelo com a formação

na mesma área, em diferentes centros

de Lisboa. De alguma forma, conta

o runner, “há aqui um paralelismo:

estabelecer, nas corridas, um

objectivo realista e metas intermédias

para cumprir esse objectivo é uma

coisa que todos nós podemos fazer

na vida real, com o trabalho, por

exemplo. Se eu estou desempregado,

como estava, e quero um determinado

emprego, se calhar tenho de

estabelecer metas intermédias para

conseguir chegar lá”.

Chegámos

em último. Foi

uma experiência

inesquecível!

Maratona: check!

Menos 15 kg depois, corpo e mente

mais saudáveis e uma maratona

concluída, as questões não pararam

de saltar: “E agora Faço outra

Melhoro os tempos O que posso

fazer de novo” Mais uma vez, a

Internet ajudou. “Um dia, o Carlos Sá

apareceu-me à frente com fotografias

e vídeos de corrida na montanha.

Tinha ficado muito bem classificado

na Marathon des Sables, e eu

pensei: ‘Mais de 280 quilómetros no

deserto…’ Então eu e a minha irmã

inscrevemo-nos no Trail da Serra

d’Arga.” E assim começou a incursão

no trail running, onde José encontrou

o que mais gosta na corrida: “A

capacidade de descobrir alguma

coisa e de geri-la até ao fim, com um

objectivo a conquistar.”

Da serra minhota, o runner guarda

a experiência e a memória: “Estava

muito mau tempo – chuva, granizo,

vento, nevoeiro que não se via um

palmo à frente do nariz… Chegámos

em último. Foi uma experiência

inesquecível! E aquela coisa de estar

lá a organização à espera dos últimos

gatos-pingados com a medalhinha

para nos entregar tocou-me bastante.

Depois, não é a corrida pela corrida,

mas sim o facto de se conseguir

chegar ao fim e conquistar o desnível,

aquela tecnicidade... Isso faz toda a

diferença.”

Objectivos e sonhos

Ultra Trail du Mont-Blanc 2015 - em

2014, José Guimarães concluiu o Ultra-

-Trail du Mont-Blanc em 41 horas. Este

ano, pretende melhorar a marca.

Escrever um livro - José já lhe conhece

o título: “De Sedentário a Maratonista”,

claro.

Continuar a movimentar a Corrida

Noturna Parque das Nações - a iniciativa,

que ocorre todas as terças-feiras, foi

criada há um ano e meio por José e Diogo

Madaleno, e envolve 600 pessoas.

Combater o sedentarismo - criar uma

organização sem fins lucrativos que incite

à prática de exercício físico.


38 PNMC

Programa nacional de marcha e corrida

Vila Real de Santo António

Motivação para correr

e pedir por mais

Com mais de duas centenas de inscrições, o Centro Municipal de Marcha e Corrida

de Vila Real de Santo António é o terceiro maior do país. Uma história de sucesso,

com pernas para andar e correr, dos 13 aos 67 anos.

TExto: InêsMelo

Fotografia: CristinaLogarinho

“Desporto e pedagogia,

Se os juntassem, como irmãos,

Esse conjunto daria,

Verdadeiros cidadãos! (...)”

O termómetro marca sete graus. Em

Vila Real de Santo António (VRSA),

as ruas estão quase desertas quando

batem as 18h30. Mas na serenidade

aparente de uma noite de Inverno, o

silêncio reina por pouco tempo. No

Complexo Desportivo da cidade, mais

de uma centena de pessoas começa

agora a aquecer para dar pernas e

coração aos versos do conterrâneo

António Aleixo. É assim todas as

semanas, caia chuva ou faça sol.

Para os mais desatentos, há mais

de duas décadas que existe um

Calendário Regional de Marcha e

Corrida que põe os algarvios a mexer

ao fim-de-semana. Nos últimos anos,

estas actividades (coordenadas pelo

Instituto Português do Desporto e

Juventude) ganharam uma nova

dimensão com o lançamento do

Programa Nacional de Marcha e

Corrida. Foi assim que, em 2011,

surgiu a ideia de criar uma estrutura

em VRSA para apoiar as pessoas que

praticavam regularmente, mas sem

orientação, estas modalidades.

“Começámos por organizar treinos

de marcha, mas num espaço de

dois anos o grupo cresceu de forma

inesperada. Formou-se um conjunto

muito heterogéneo, com pessoas

altamente motivadas, que estavam

em franca progressão física”, recorda

Carlos Afonso, coordenador do Centro

Municipal de Marcha e Corrida de VRSA.

A certa altura, tornou-se difícil responder

às necessidades de todos e o projecto

avançou para uma nova etapa. Surgia

assim a colaboração de Ana Dias, ex-

-atleta olímpica, na parte da corrida.

Em 2012, quando abandonou a alta

competição, a atleta do Sporting viu-

-se cercada de incertezas. Natural de

Faro, Ana Dias confessa que o convite

para orientar o grupo da corrida foi

uma “oportunidade única”. Começou

por treinar sete ou oito pessoas – hoje

são mais de cinquenta. “Muitas vieram

do grupo da marcha, outras já corriam

há mais tempo. O problema é que

o treino era sempre igual: correr até

não poder mais. Não faziam reforço

muscular, técnica de corrida, treino

intervalado... Muitas nem percebiam

a importância de uma alimentação

adequada.”


39

PNMC: Linhas de acção

O Programa Nacional de Marcha e Corrida (PNMC) visa a promoção da

prática desportiva de forma regular, considerando os seguintes objectivos:

Desenvolvimento de um conjunto de recursos capazes de mobilizar a

população para a prática da marcha e da corrida;

Disponibilização de serviços nacionais de apoio à prática consciente,

orientada e regular de exercício físico;

Criação de iniciativas locais que aumentem as oportunidades para a

prática individual ou em grupo destas actividades.

Projecto de sucesso

O Centro de VRSA tem treinos todas

as segundas, quartas e sextas-feiras,

entre as 18h30 e as 19h30, com

sessões de reforço muscular a meio

da semana. “Desde que abrimos as

portas, nunca falhámos um treino.

Somos muito dinâmicos e temos

uma grande regularidade de trabalho

durante a semana”, revela Carlos

Afonso. Actualmente, a equipa de

técnicos é constituída por cinco

professores e dois estagiários – duas

pessoas dedicadas exclusivamente

à corrida e as restantes ao grupo da

marcha, onde há mais intensidades

de treino para gerir.

Marlene Cortez coordena o grupo

da marcha desde o primeiro dia.

“Começámos um pouco a medo,

mas com a convicção de que

era um projecto muito aliciante.

Nunca imaginámos que depois de

cinco épocas teríamos quase 200

inscrições [alcançaram as duas

centenas no dia em que RUNning

visitou VRSA]. Uma das principais

preocupações é ir ao encontro

daquilo que os alunos procuram e

precisam”, explica. Por isso, antes

de aceitarem uma inscrição, os

técnicos incentivam as pessoas a

experimentar primeiro os treinos e a

sessão de reforço muscular.

Depois de oficializada a inscrição,

é feita uma avaliação antropométrica

para apurar a condição física da

pessoa. Consoante a assiduidade,

essa informação é registada numa

base de dados, para que se possa

traçar a sua evolução. Esta época

desportiva, o Centro passou também

a fazer mensalmente o teste de

Cooper, para avaliar a resistência

dos alunos. Na opinião de Carlos

Afonso, as condições de excelência

– “por um valor acessível” –, o

impacto na saúde, os resultados

técnicos e a componente social do

grupo são factores que contribuem

para o sucesso.

Gerir a motivação dos alunos

é agora o principal desafio deste

Centro. O entusiasmo que por vezes

escasseia no grupo da marcha, com

menos cultura desportiva, sobra no

grupo da corrida. “A maioria das

pessoas teve grandes evoluções,

algumas de sete ou oito minutos.

Tenho alunos com mais de 60 anos

que continuam a bater recordes

pessoais! É muito motivador, mas

não devemos esquecer que o nosso

grande objectivo está centrado

na promoção da saúde, evitando

exageros e lesões”, adverte Ana

Dias.

Novos Centros de

Marcha e Corrida

Fruto do envolvimento cada vez mais

interessado de várias instituições com o

PNMC – na procura de condições para

a prática desportiva e apoio técnico

qualificado –, estão previstas várias

inaugurações de centros por todo o país.

No primeiro trimestre, vão abrir estruturas

em: Alcanena, Celorico de Basto, Amarante,

Agualva-Cacém/Mira Sintra, Miranda do

Douro, Gondomar, Estádio Universitário

de Lisboa, Lumiar (Lisboa), Moimenta

da Beira e Lousada. Com o reforço da

Rede Nacional de Centros de Marcha e

Corrida, será possível aumentar o número

de actividades no âmbito do PNMC, bem

como o número de participantes.

Caminhar pelas

freguesias

No dia 11 de Janeiro, os Centros de Marcha

e Corrida de Albergaria-a-Velha e Branca

deram início ao projecto “Caminhar pelas

freguesias”. A primeira actividade decorreu

em Alquerubim, onde foram realizadas uma

caminhada de 8 km e um trail de 14 km.

Cerca de 300 pessoas marcaram presença

nesta iniciativa, cujo principal objectivo é

promover a prática de actividade física e dar

a conhecer o concelho a toda a população.

Formação sobre os

benefícios da corrida

O Centro Municipal de Marcha e Corrida

de Oliveira de Azeméis realiza, nos dias

6 de Março e 8 de Maio, duas acções de

formação relacionadas com a prática da

marcha e da corrida. O evento acontece

no Auditório da Biblioteca Ferreira

de Castro e vai abordar as seguintes

temáticas: benefícios da marcha e

da corrida; a marcha e a corrida na

terapêutica do cancro e da asma; nutrição

e desporto.

Workshop para

praticantes

No âmbito da formação técnica para

praticantes, o Centro de Marcha e Corrida

do Juventude Vidigalense está a organizar

um workshop, no dia 14 de Fevereiro, às

10h00, no Estádio Municipal de Leiria.

Destinada a praticantes, esta iniciativa

pretende apresentar formas de abordar

o início da prática da corrida, bem como

estratégias para melhorar o desempenho

durante a realização desta actividade física.


40 check-out

CorridasLoucas

Correr no topo do

mundo – literalmente

Vem aí a mítica Maratona do Pólo

Norte, uma prova onde as principais

constantes são as temperaturas abaixo

dos - 30˚ C sobre placas de gelo com

uma espessura de 1,8 a 3,6 metros.

Uma módica inscrição de 12 mil euros

e muita coragem formam o passaporte

para a corrida que decorre a 9 de Abril.

Na edição de 2014, o vencedor, Mike

Wardin (EUA), declarou à BBC tratar-se

da competição “mais difícil” da sua vida.

Saiba mais em

www.northpolemarathon.com

Iditarod Trail

Invitational – Alasca

1 609 km constituem

a distância máxima

do Iditarod Trail

Invitational, a prova

de Inverno mais longa

do mundo, que este

ano se inicia a 1 de

Março, no Alasca.

Seguindo um trilho

de corrida de trenós

com cães, a rota pode

levar mais de um mês

a ser percorrida e,

dadas as exigências,

aceita um máximo

de 50 atletas. Não

esquecer que no

isolamento total

não há postos de

abastecimento!

1 600 palmos de terra

E que tal correr 1 600 pés (cerca de 488 metros) abaixo do nível do mar A

Crystal Mine Marathon acontece a 22 de Fevereiro, na Alemanha, e é feita para

isso. Testar a claustrofobia que paira em cada um de nós é um dos maiores

objectivos da prova, já que se desenrola nos túneis de uma antiga mina de sal. As

temperaturas – não se assuste – rondam os 21˚ C.

Inscrições (este ano já esgotadas) em werrataltriathlon.de

Heiko Matz DR

Mais pormenores em

www.iditarodtrailinvitational.com

DR


41

Provavelmente, a corrida menos saudável do mundo

“Drinking beer and running a mile.” Estes são os requisitos

obrigatórios de uma das corridas menos saudáveis do mundo – a

Beer Mile. Existem várias réplicas do evento em diferentes países

e, na verdade, ninguém sabe ao certo quando e como terá surgido

a primeira, mas a geografia do acontecimento circunscreve-se aos

Estados Unidos da América. O site www.beermile.com tem mais

de 90 000 entradas e 5 000 registos de corridas na sua base de

dados, números que mostram bem a dimensão do fenómeno.

Isto é lama, senhores

Há uma série de provas pelo mundo em que o solo preferido não é

bem terra, nem asfalto e muito menos tartan. Tough Mudder é um

conceito de corridas com distâncias entre os 18 e os 20 km sobre

a lama que surgiu para pôr à prova a capacidade de trabalhar em

equipa, a força mental e a destreza física na ultrapassagem dos

obstáculos. Diz o jornal The New York Times que a “ideia não é

ganhar mas ter uma história para contar”.

Consulte o calendário em www.toughmudder.com

DR Lukas Keapproth

Perguntas para

queijinho

sabia que...

… o site dos Trilhos do Paleozóico

foi especialmente desenvolvido por

desempregados de Valongo

Quarenta desempregados de

Valongo juntaram-se para mostrar

a sua proactividade e aptidões na

área das novas tecnologias. Com

recurso ao 3D e a uma mascote

sui generis – a Cuca Macuca –, o

portal (www.trilhopaleozoico.com)

serve não só para divulgar os

trilhos que este ano acontecem a

14 e 15 de Março, como também

as potencialidades do concelho.

O site foi lançado no ano passado

e resultou de uma parceria entre a

Câmara Municipal de Valongo e os

centros de emprego do Porto e de

Valongo.

… os criadores (e concorrentes) da

Puma e da Adidas são irmãos

Tudo começou bem. Nos anos de

1920, os irmãos Adolf e Rudolph

Dassler fundaram a empresa

Dassler Brothers Sports Shoe

Company, com sede na Alemanha.

Adolf desenvolvia o calçado

e Rudolph vendia. Apesar de

alegadamente nazis, como relata

a CNN, convenceram o campeão

americano Jesse Owens a calçar

as suas sapatilhas nos Jogos

Olímpicos de 1936, ano em que

a marca explodiu. Mas em 1948,

os irmãos separaram-se por

incompatibilidade. Foi aí que Adolf

criou a Adidas e Rudolph a Ruda

(que mais tarde nomeou de Puma),

continuando como gigantes no

mundo desportivo.

adolf

Rudolf

… a maior velocidade alcançada por

um homem é de 44,72 km/h

O jamaicano Usain Bolt é o autor

da proeza realizada em 2009,

em Berlim, na distância dos 100

metros. O velocista tem superado

os seus próprios recordes e já

conquistou seis medalhas de ouro

em Jogos Olímpicos e oito em

mundiais de atletismo.

DR


42 boascausas

VENHA CORRER

POR QUEM NÃO

CONSEGUE

FUGIR.

ISCPSI/APAV

E MARCHA DAS FAMÍLIAS

29 DE MARÇO 10H30

ALCÂNTARA / BELÉM

Guia prático

A corrida parte pelas

10h30 do dia 29 de Março

junto ao edifício do ISCPSI,

em Alcântara, e termina no

Mosteiro dos Jerónimos, em

Belém.

A Marcha das Famílias, com

3,5 quilómetros, não tem cariz

competitivo.

Uma vez que 2015 marca os

25 anos de actividade da APAV,

a corrida deste ano reserva

“surpresas especiais”.

Todos os participantes

têm direito ao kit do evento,

constituído por um saco, uma

t-shirt e brindes.

São premiados os primeiros

cinco classificados masculinos

e femininos; os primeiros

classificados (masculino

e feminino) inscritos nas

categorias de PSP, ISCPSI e

APAV; e o grupo de corrida

mais numeroso.

Mais informações em

www.corridadesolidariedade.org

que coordenam a corrida), as doações

são bem-vindas.

Em 12 anos, a APAV angariou cerca de 80 000 euros

www.corridadesolidariedade.org

facebook.com/corridadesolidariedade

para apoiar milhares de vítimas de crime em Portugal

através da prática desportiva. A 29 de Março, reforçam-se

os músculos desta manobra com mais uma Corrida de

Solidariedade ISCPSI/APAV.

TExto: Rutebarbedo

Sentados de farda azul-

-marinha numa sala

de aulas do Instituto

Superior de Ciências

Políticas e Segurança

Interna (ISCPSI), seis

cadetes do quarto ano explicam por

que razão organizam a 12.ª Corrida de

Solidariedade ISCPSI/APAV. “Raras

são as oportunidades que temos de

dar algo mais às vítimas, e esta é

outra forma de conhecermos essa

realidade e de intervir na sociedade”,

resume António Ochoa, ao centro.

São os futuros polícias, em formação

pela segurança do amanhã e que hoje

tentam melhorar o apoio às vítimas de

violência angariando fundos com uma

prova cujo slogan resume na perfeição

o seu foco: “Venha correr por quem

não consegue fugir.”

Perfazendo-se os 2 500 corredores

e caminhantes nos percursos de 10 e

3,5 km ao longo do rio Tejo (número

limite definido pela organização), no

final, a Associação Portuguesa de

Apoio à Vítima (APAV) terá na sua

conta bancária um montante mínimo

de 20 mil euros. Mínimo, porque cada

inscrição vale oito euros mas quem

quiser dá mais; e também porque,

mesmo não correndo (como são os

casos de Telma, Cátia, António, Telmo,

Joaquim e Nilton, alunos do ISCPSI,

Apoio psicológico,

jurídico e social

A iniciativa arrancou em 2003 e,

desde então, foram arrecadados

aproximadamente 80 mil euros com

um destino muito concreto, como

enumera Nuno Catarino, assessor

técnico da direcção da APAV: “o apoio

psicológico, jurídico e social que os

técnicos prestam às vítimas de todos

os crimes, na nossa rede nacional de

Gabinetes de Apoio à Vítima”. Para

além da “importância monetária”,

esta é também uma “acção muito

especial”, considera o responsável,

uma vez que “leva a mensagem da

APAV até às pessoas por outras vias”,

contribuindo em simultâneo para “o

incentivo à prática desportiva”.

Em 25 anos de actividade, a APAV

ajudou aproximadamente 270 mil

vítimas de violência em território

nacional. A maioria foram mulheres

envolvidas em crimes ocorridos no

seio familiar. Só em 2002, o ano

mais negro no plano da violência

doméstica, foram registados 7 543

casos carentes de intervenção.


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44 opinião

DR

Foto: Gonçalo Madeira

PauloTeixeira

Técnico de exercício físico e responsável

pelo “Programa Mais Coração” do O2 Life

Center

Grupos de risco

Apesar de os atletas estarem

teoricamente mais sujeitos a esforços

que os obrigam a atingir os seus

limites – pela busca constante de

melhores resultados –, geralmente,

este grupo específico é bem

controlado em termos físicos e

apresenta uma boa aptidão cardio-

-respiratória. Pelo contrário, os

desportistas regulares e sobretudo os

ocasionais evidenciam, normalmente,

uma menor condição física e não

controlam de forma tão regular e

rigorosa a sua saúde, o que os torna

um grupo de alto risco.

O início da prática regular

da corrida deverá ter como

principais objectivos a melhoria

da aptidão cardio-respiratória e,

consequentemente, da qualidade

de vida e do bem-estar. No entanto,

caso não seja feita uma avaliação

inicial rigorosa, os resultados obtidos

podem não ser os esperados,

podendo originar complicações na

saúde do praticante.

Inicie ou mantenha a prática da

corrida, mas faça-o em segurança,

consultando um médico e um

especialista em exercício físico, que

o irá auxiliar na definição do seu

programa de treino.

A

prática regular da corrida

origina um conjunto de

adaptações fisiológicas

no organismo,

nomeadamente

cardiovasculares,

promovendo uma melhoria da saúde e

do bem-estar. No entanto, embora seja

benéfica para a maioria dos indivíduos,

é importante avaliar os riscos inerentes à

sua prática. Nesse sentido, preconiza-se

a realização de uma avaliação médica

rigorosa, em função da qual o indivíduo

é ou não aconselhado a iniciar esta

actividade.

Sobre este assunto, as

recomendações da European Society

of Cardiology (ESC) corroboram as

directrizes emitidas pelo International

Olympic Committe (IOC), aconselhando

a realização de exames completos

a todos os desportistas de forma

sistemática e com uma frequência a

cada dois anos. Alguns estudos referem

que uma avaliação inicial rigorosa é a

estratégia mais eficiente para prevenir

episódios de morte súbita (MS). Isto

quando se sabe que a maioria das

vítimas são portadoras de cardiopatias

não diagnosticadas ou já conhecidas

anteriormente.

A referida avaliação deverá ter

como principal objectivo detectar

as condições, principalmente

cardiovasculares, que possam colocar

o indivíduo em risco, caso não sejam

atempadamente identificadas. A

presença de patologias pré-existentes,

mesmo que assintomáticas, pode

ser suficiente para que a corrida

actue como um “gatilho”, levando ao

desencadeamento de acontecimentos

graves, nomeadamente a MS.

Prevenir é a melhor estratégia

A avaliação médica deverá ser

constituída por anamnese e exame

clínico. O intuito é pesquisar a existência

de casos de cardiopatias congénitas

e de MS na família do indivíduo,

identificar a existência de factores de

risco cardiovasculares e detectar sinais

e sintomas sugestivos de doenças

cardiovasculares, metabólicas ou do

aparelho locomotor. A avaliação deve

ser complementada com análises

laboratoriais e exames cardiovasculares

(electrocardiograma, teste ergométrico,

teste ergoespirométrico, ecocardiograma

e outros), não existindo a obrigatoriedade

da realização de todos, dependendo do

parecer do médico.

Em termos internacionais, não

existe consenso relativamente aos

exames que devem complementar a

avaliação médica. A American Heart

Association (AHA) e o American

College of Sports Medicine (ACSM)

defendem apenas a aplicação de

um questionário e a realização de

um exame físico. No entanto, a ESC

Sabia que…

Vários estudos referem a

miocardiopatia hipertrófica

como a principal causa de MS

em atletas/desportistas com

idade inferior a 35 anos e doença

arterial coronária naqueles cuja

idade era superior a 35 anos.

e o IOC referem a necessidade de

exames complementares para todos

os indivíduos que pretendam iniciar

uma actividade física, numa vertente

de lazer ou de competição. A principal

razão da divergência prende-se com

a relação custo/benefício de uma

avaliação mais completa, devido à

baixa frequência de eventos de MS

(1:100 000-1:300 000/ano).

Nos últimos anos, os casos de MS

durante a prática desportiva ganharam

maior relevância devido à morte de

atletas de alta competição, tornando

esta problemática mais mediática, mas

não necessariamente mais frequente.

No entanto, continua a ser fundamental

minimizar os factores de risco que lhe

estão associados. Visto que a maior

prevalência de MS está relacionada

com desportos que exigem melhor

capacidade aeróbia – nos quais se

enquadra a corrida –, torna-se ainda

mais relevante que atletas, desportistas

regulares ou ocasionais desta actividade

façam um controlo rigoroso antes e após

iniciarem a prática da mesma.


46 receita

Panquecas

de coco e

cânhamo e seu

aveludado

Travel & Flavours by

Chef Fábio Bernardino

DR

Método de confecção:

1. Envolva a farinha com as sementes de cânhamo,

o iogurte natural, os ovos, o açúcar de coco

e o coco fresco.

2. Numa frigideira antiaderente bem quente

coloque pequenas porções da massa. Quando

começar a borbulhar, vire ao contrário e deixe

alourar.

3. À parte, introduza no copo liquidificador

o iogurte natural com o coco fresco, a raspa e o

sumo de lima, o açúcar amarelo e o cardamomo

a gosto. Emulsione.

4. Sirva as panquecas com o aveludado

e polvilhadas com sementes de cânhamo.

Massa das panquecas Quantidade

Farinha de trigo integral

100 g

Iogurte natural 1

Sementes de cânhamo

50 g

Ovos 2

Açúcar de coco

25 g

Coco fresco ralado

50 g

Aveludado

Quantidade

Iogurte natural 1

Coco fresco

200 g

Lima (raspa e sumo) 1

Açúcar amarelo

50 g

Cardamomo

Q.B.


superalimento

coco

Fonte de fibra,

hidratação

e energia

Fruto do coqueiro (Cocus nucifera L.),

o coco cresce nas regiões tropicais,

mas é cada vez mais utilizado em todo

o mundo pela sua versatilidade e,

sobretudo, pelas suas propriedades

benéficas.

47

Versatilidade no

uso e nos benefícios

A polpa do coco traz benefícios, devido essencialmente

ao seu alto teor de fibras. Pode ser consumida fresca ou

desidratada e tem diversas utilizações na culinária. Podem

ainda obter-se outros produtos como a farinha de coco, que

consiste na polpa desengordurada e moída, uma excelente

alternativa para utilizar em receitas sem glúten e sem trigo.

A água de coco encontra-se no coco ainda verde e, além

de saciar a sede, possui minerais e vitaminas, como o sódio

O poder do óleo

Recentemente, o óleo de coco tem sido alvo

de muitos artigos científicos, devido aos seus

benefícios para a saúde. Acredita-se que tem

um efeito positivo no aumento dos níveis do

considerado “bom colesterol” (HDL - high-

-density lipoprotein) e na redução do “mau

colesterol” (LDL - low-density lipoprotein),

apresentando um perfil lipídico elevado em

ácidos gordos saturados de cadeia média (ácidos

láurico, mirístico e palmítico).

As gorduras presentes no óleo de coco

são mais facilmente utilizadas na produção

de energia, o que resulta num menor grau de

armazenamento em tecido adiposo, motivo pelo

qual se tem proclamado o seu potencial em

dietas de emagrecimento. Para melhor usufruir

dos benefícios do óleo, opte por óleos de origem

biológica e extraídos a frio, conhecidos como

“virgens” ou “ virgens extra”.

No entanto, é preciso ter atenção, pois uma

colher de sopa de óleo de coco fornece-lhe, em

média, 117kcal e 14g de gordura (12g de ácidos

gordos saturados). Devido a um elevado valor

energético, aconselha-se um consumo moderado,

devendo ser enquadrado numa alimentação

variada e equilibrada.

SaloméBorregana

Nutricionista Celeiro

e o potássio. É, por isso, uma excelente bebida para

ingerir durante e após a prática desportiva, pois repõe

rapidamente as perdas desses minerais através da

urina e da pele, ajudando a evitar a desidratação.

Outros minerais encontrados na água de coco

são o cálcio, o magnésio, o fósforo, o ferro

e o zinco. Entre as vitaminas, destacam-se

algumas do complexo B (B1, B2, niacina e

ácido fólico) e C.

Também é possível utilizar-se o xarope

de flor de coco como adoçante, por

exemplo em panquecas, crepes ou outras

sobremesas. Quando este xarope é desidratado, obtém-

-se o açúcar de coco, que apresenta um sabor subtilmente

doce, semelhante ao açúcar mascavado, com um ligeiro

toque de caramelo. O seu índice glicémico é baixo (35),

pelo que a sua utilização em alternativa ao açúcar ou

edulcorantes pode ser uma vantagem.

Fotos: DR


De jogger a runner

Correr é um dos melhores exercícios físicos para se manter saudável. Diversos estudos demonstram

que a atividade física regular tem um impacto direto a nível cerebral, regulando a integridade da sua

estrutura e melhorando a função cognitiva. A missão do Celeiro é ajudá-lo a melhorar a sua performance

nos exercícios de endurance, como a corrida ou o jogging, assim como ajudá-lo na prática de um

estilo de vida mais cuidado.

Coma bem para correr melhor

Uma alimentação equilibrada e variada irá influenciar o rendimento do exercício físico. Deve ingerir

quantidades suficientes de todos os nutrientes: proteínas, hidratos de carbono, vitaminas, minerais,

entre outros. Não perca as sugestões de produtos Celeiro para utilizar antes, durante e depois de correr.

Multivitamine-se!

A prática de exercício físico

parece contribuir com o aumento

de necessidades de algumas vitaminas.

MULTIPOWER MULTI VITA+

Multivitaminas em cápsulas.

Complexo com cerca de 12 vitaminas,

entre as quais vitaminas do

complexo B e vitamina C.


PROMO

Regras para se superar a si mesmo:

Antes de uma corrida Durante o esforço físico Assim que terminar

Nunca inicie a prática de exercício físico em jejum.

O ideal é comer cerca de duas horas antes de iniciar

a corrida. Se gosta de correr logo de manhã, não

dispense um pequeno-almoço saudável que lhe

forneça proteínas, hidratos de carbono complexos,

fibra e vitaminas. As melhores opções são leite

magro ou bebida à base de soja com flocos de aveia

integral (adicione sementes de girassol, linhaça,

chia) e uma peça de fruta da época.

Muesli Natural

Jordans

Mistura de flocos de aveia

integrais com trigo e cevada,

sultanas, amêndoas e avelãs.

Sementes de chia

Naturefoods

A semente de chia pertence

às sementes mucilaginosas

(à semelhança do psílio e linhaça)

que, devido ao seu teor

em fibra solúvel, formam um

gel em contacto com a água.

Adicione-as aos cereais

ou a saladas.

Lembre-se da importância da hidratação durante

o treino. Tenha sempre consigo água ou uma bebida

isotónica para que possa repor a perda de líquidos

e minerais durante o exercício físico.

Isodrink Multipower

Bebida isotónica com

açúcar e edulcorantes. Beba

preferencialmente durante

o exercício físico.

Água de Coco

Dr. António Martins

A água de coco é uma bebida

refrescante que pode ser

denominada como a primeira

bebida isotónica natural.

É isenta de lactose e não

contém açúcares adicionados.

Nas horas seguintes após o exercício, consuma

hidratos de carbono para repor rapidamente

a energia e promover o armazenamento

de glicogénio no músculo. Eis o que deve fazer:

PRIVILIGIE O CONSUMO DE HIDRATOS

DE CARBONO COMPLEXOS L ibertam energia

durante um tempo mais prolongado e ajudam

a manter estável os níveis de açúcar no sangue.

Opte por alimentos como cereais, pão, massa,

arroz e leguminosas, assim como as versões

integrais, uma vez que são mais nutritivas

e contêm mais fibra na sua composição.

CONSUMA ALIMENTOS RICOS EM PROTEÍNA

Nutriente essencial para construir e manter

o tecido muscular. Prefira proteína com poucas

gorduras saturadas, como a soja, produtos à base

de soja, produtos lácteos magros, sementes

e leguminosas.

Fitness Shake Multipower

Bebida à base de proteína

lácteas, que fornece cerca

de 17 g de hidratos de carbono

e 25 g de proteínas por garrafa.

Para tomar de preferência

após o exercício.

L-carnitina Drink Multipower

Bebida aromatizada com

L-carnitina. Cada garrafa

fornece apenas 8 Kcal

e 1000 mg de L-carnitina.

Para beber antes ou durante

o exercício. Este produto deve

ser consumido no âmbito de

um regime alimentar variado

e equilibrado.

Barra Energética Banana

Naturefoods

Esta barra é uma forma

de aumentar a sua energia,

especialmente se pratica

exercício físico de forma

regular.

Barra Proteica Naturefoods

Barra com 25% de proteínas

lácteas, sabor iogurte-maçã.

Magnesium Líquido

Multipower

Magnésio líquido em ampolas.

Para tomar de preferência

após o exercício.

O magnésio contribui para

o equilíbrio dos eletrólitos

e para o normal funcionamento

muscular*.

*Uma ampola diária de acordo com o modo de toma descrito

contribui com a quantidade significativa da dose diária

recomendada de magnésio para se obterem os efeitos

benéficos. É importante seguir um regime alimentar

variado e equilibrado e um estilo de vida saudável.

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50 wellness

Treinar e relaxar...

Convidámos os atletas e organizadores do Ultra Trail da Serra de São Mamede – Vitorina Mourato

e João Carlos Correia – para treinar e relaxar no Brahmi. Uma aula de yoga seguida de uma

massagem deixaram estes apaixonados pelo trail (e um pelo outro) rendidos às técnicas orientais.

texto: Vanessapais

Fotografia: lucianoreis

T“

rail é poesia, mas a

preparação é ciência e

prática, quiçá arte.” A

frase está no Facebook

do Ultra Trail da Serra de

São Mamede (UTSM) e

resume a relação de Vitorina Mourato,

50 anos, e João Carlos Correia, 52 anos,

com a corrida de montanha, como se

chamava quando começaram nestas

andanças, há mais de 30 anos. Numa

tarde de Sábado, em Janeiro, o casal

aceitou o desafio da RUNning e veio

de Portalegre ao Brahmi, na Parede,

com a promessa de uma experiência

inesquecível.

Vestidos a rigor para uma aula

de yoga a dois, Vitorina e João

Carlos rapidamente deixaram de

lado o “nervoso miudinho” de

conceitos pré-estabelecidos sobre a

dificuldade desta prática no que toca

à flexibilidade. “Estica o braço”, dizia

João Carlos a Vitorina, entre uma

posição e outra. “É precisamente esta

a vantagem da prática do yoga em

Yoga

Melhora a flexibilidade

Aumenta a capacidade

respiratória

Contribui para a consciência

corporal

Torna a corrida mais leve

e consciente

Estimula a entreajuda

Saiba mais em www.brahmi.pt


51

massagem

Induz o relaxamento

Trabalha os sistemas

circulatório e linfático

Desbloqueia pontos

nos músculos,

tendões e articulações

Lubrifica as

articulações

Tem impacto no plano

físico, emocional e

energético

Saiba mais em www.brahmi.pt

dupla. É possível observar o outro

e corrigir posturas”, explicou Tiago

Botelho, professor de yoga no Brahmi,

enquanto demonstrava a posição

seguinte com a ajuda de Vera Bilé,

terapeuta de ayurveda.

Tal como nos treinos em conjunto,

que Vitorina e João Carlos tão bem

conhecem, em que “um puxa pelo

outro”, também a prática de yoga a

dois tem benefícios para quem corre.

“Além de corrigir posturas, há uma

motivação e um incentivo para um

benefício mais completo, como a

melhoria da flexibilidade, o aumento

da capacidade respiratória e o ganhar

consciência do corpo”, afirmou Tiago

Botelho. E acrescentou: “Isto permite

tornar a corrida mais leve e mais

consciente e, deste modo, atingir

melhores resultados.”

João Carlos e Vitorina concordam

com acenos. “O yoga parece-me

bastante útil, senti mesmo os efeitos,

mas ainda não sou capaz de praticar

sozinha”, expôs Vitorina. “Sim, não

é algo que possamos ver na Internet

e copiar ou aprender a ler um livro”,

concordou João Carlos. “É verdade. É

preciso orientação, pelo menos numa

fase inicial, passando a solução por

aulas de grupo ou com um professor

e por posturas menos complexas, e

depois ir evoluindo”, indicou Tiago

Botelho.

Relaxar também

faz parte do treino

Depois de uma parte mais activa,

a experiência continuou com uma

massagem de relaxamento. Mais

uma vez, o interesse do casal

focou-se não só nas sensações

proporcionadas, mas também

nas técnicas e na ciência que as

permitiram. Afinal, tal como no trail,

são a técnica, a prática, a ciência e a

arte que ditam os resultados.

E este casal sabe disso muito bem,

não só enquanto atletas (Vitorina já

completou 148 meias maratonas

e cinco maratonas e foi a primeira

vencedora do Campeonato Nacional

de Corrida de Montanha, que teve

início em Portugal em 1998, sob a

égide da Federação Portuguesa de

Atletismo), mas também enquanto

organizadores de provas e fundadores

do Atletismo Clube de Portalegre

(ACP), que este ano comemora

24 anos. “Quando começámos

éramos meia dúzia no ACP, hoje

somos dezenas de pessoas activas,

chegando a mais de duas centenas na

organização do UTSM”, notou Vitorina.

Depois da massagem, que

“trabalhou não só o lado físico,

como também o emocional e o

energético”, como explicou Vera Bilé,

reencontrámos Vitorina e João Carlos

muito mais relaxados. “Foi muito bom,

um miminho espectacular. Sentimos

mesmo a sintonia da Vera e do

Tiago”, disse Vitorina. “Tal como no

yoga, também a massagem foi muito

completa e terapêutica. E o ambiente

é completamente diferente do que

estamos habituados na massagem

desportiva”, acrescentou João Carlos.

Esse ambiente é, de facto,

essencial para induzir o relaxamento,

referiu Vera Bilé. E sublinhou: “Esta

massagem ajuda a prevenir lesões e

trabalha todo o sistema circulatório e

linfático, desbloqueia pontos ao nível

muscular e articular, contribuindo

para a lubrificação das articulações,

o que se reflecte necessariamente

nos resultados ao nível da corrida.”

Experiência aprovada. O casal prepara-

-se agora para o ultra desafio de

concretizar mais uma edição do UTSM

com energia renovada.

UTSM 2015: inscrições esgotam em menos de um dia

18 horas e 13 minutos. Foi o tempo que as inscrições para os 100 km do Ultra Trail

da Serra de São Mamede (UTSM) 2015, que se realiza a 16 de Maio, demoraram

a esgotar. A organização já anunciou que a partir de 1 de Fevereiro vai colocar à

disposição mais 200 inscrições. Recorde-se que o UTSM vai na quarta edição e

pontua para o Ultra Trail du Mont-Blanc. Saiba mais em www.utsmportalegre.com.


52 trail crónica

A montanha

é uma loja

de doces

uma miúda numa loja de

doces.” A frase dele era para o meu

de espanto a olhar para a natureza.

A natureza causa-me espanto, que

hei-de fazer Fico a olhar para uma

“Pareces

árvore como se fosse um rebuçado, o

rio que corre debaixo desta ponte de madeira é um saco

de gomas, um vale encravado entre duas montanhas é

um autêntico bolo brigadeiro. Acho que foi por isso que

me apaixonei pelo trail.

Foi a correr nos trilhos que descobri que os sons

podem ter cheiros. O som do restolhar das folhas cheira

a lareira, se estamos no Inverno, ou a limonada na relva,

se estiver calor. O som dum pássaro que chilreia cheira

a maçãs e o som duma rã que coaxa enquanto salta no

charco onde caímos cheira a castanhas assadas. Se não

temos tempo – ou disponibilidade – para cheirar os sons,

é porque estamos concentrados noutra coisa muito

comum no trail: fazer amigos. Acho que foi por isso que

me apaixonei pelo trail.

Podes ter conhecido aquela pessoa há cinco

minutos: é teu amigo. Podes nem saber o nome dela:

é tua amiga. Podes ter só abrandado para perguntar

se está tudo bem, se precisa de alguma coisa: é teu

amigo. As pessoas do trail são muito dadas a amizades.

Às vezes fazem amizades para a vida num posto de

abastecimento, um local onde se pára (ora aí está) para

abastecer. Os menus podem variar um pouco, mas giram

substancialmente à volta de água, coca-cola e bebidas

isotónicas, batatas fritas, amendoins e tomate com sal,

bananas e laranjas, bolos, marmelada e aletria. Acho que

foi por isto que me apaixonei pelo trail.

Os sabores duma corrida também se apreciam doutra

maneira. Passar a meta sabe a pato. Sentir um “empeno”

sabe a ginjas e ver as “máquinas” a correr é... “top”.

As pessoas do trail desenvolvem uma gíria própria (que

usam exaustivamente), estimulam a lógica grupal e o

sentimento de pertença e de comunhão. Acho que foi

por isto que me apaixonei pelo trail.

A lógica de partilha é também estendida a outras

áreas. Para além das manifestações de carinho, há o

compromisso de respeito para com a natureza. É um

compromisso de que todos comungam. É quase como

se fizessem um voto com o planeta Terra: “Querida

natureza, prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na

alegria e na tristeza, nos trilhos e nos riachos”. Esta

consciência ecológica passa por não deitar lixo ao

chão e deixar o terreno tão ou mais limpo do que o

encontraram. Não é raro ver pessoas que, durante uma

prova, apanham lixo que guardam na mochila. Acho que

foi por isto que me apaixonei pelo trail.

BarbaraBaldaia

Jornalista e autora do programa TSF Runners

Acho que também me apaixonei pelo trail, porque

as pessoas que correm nos trilhos têm um ar forte.

Parecem dióspiros de roer, daqueles que não se

esborracham: são rijos e têm músculos translúcidos.

Vestem umas roupas estranhas, quase parecem

astronautas que andam a voar nas montanhas. Parece

que não sentem a força da gravidade, como se

levitassem entre um passo e outro. Atiram-se pelas

descidas abaixo, saltitam em subidas sem fim.

E depois ainda abrem sorrisos para as fotografias

como se aquilo fosse fácil. Atiram-nos o polegar

levantado em sinal de aprovação, levantam os lábios

de alegria, chamam uns pelos outros, orgulham-se dos

braços arranhados e das pernas cheias de lama. Riem-

-se muito a mostrar felicidade precisamente porque

aquilo não é um passeio no parque. Exige sacrifício,

abnegação, treino e trabalho, dedicação. E sofrimento.

Sofre-se muito a correr nas montanhas. Mas se não se

sofresse, não tinha piada nenhuma. Não parecíamos

crianças numa loja de doces.

Séegio Moreira


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54 trail entrevista

AndréRodrigues

Corro de forma

apaixonada e

nervosa: a minha

maior qualidade e

o maior defeito

Serrano de gema

Tem 28 anos.

É natural de Alqueve, Arganil.

Cresceu e viveu na serra do Açor.

Veste a camisola do Juventude Vidigalense.

É técnico responsável pelo Centro de Marcha e Corrida de Leiria.

A corrida é o único hobby. “Trabalhar, treinar e tentar dar um

pouco de atenção a quem me rodeia não me deixa tempo para

mais nada.”

Domingo é o dia de ir à casa dos pais e treinar os declives do trail.

Uma palavra para descrever a montanha: “casa”.

Para André Rodrigues, “2014

foi uma autêntica montanha

russa”: a subir na ambição e a

descer nas muitas lesões que o

tornaram “mais completo”, como

avalia. Isso e os 290 pontos no

Circuito Nacional de Trail são as

bases de um corpo preparado

para o novo ano.

TEXTO: RuteBarbedo

Vamos ao Trail Aneto, em 2012, a

tua estreia na modalidade.

A viagem a Benasque foi, sem dúvida,

um momento de viragem. Fiquei

com muita vontade de participar em

mais uma prova e decidi, a convite

do mesmo grupo com quem tinha

ido a Benasque correr os 21 km do

Grande Trail da Serra D’Arga (GTSA).

Aí, sim, fiquei completamente viciado.

Passados três meses [já em 2013]

estava a correr os 50 km dos Trilhos

dos Abutres.

Acho que tive alguma sorte pelo

facto de as primeiras provas onde

participei terem sido o GTSA e os

Abutres, porque são de grande

qualidade e deixam qualquer um com

vontade de continuar…

Quais são as grandes diferenças

entre o André dessa altura e o de

hoje

Não consigo apontar grandes

diferenças. Evoluí um pouco,

naturalmente, mas continuo a correr


55

Cortesia Fundação INATEL

Fotos: DR

da mesma maneira. Em prova, ainda

corro de forma muito apaixonada

e nervosa, o que acaba por ser

ao mesmo tempo a minha maior

qualidade e o maior defeito.

Lembras-te dos “erros de

principiante”

Claro que sim! Aliás, continuo

a cometer muitos deles: correr

demasiados quilómetros, não dormir

como deve ser, ter uma alimentação

não condizente com o regime de treino,

não fazer o que os fisioterapeutas

mandam [risos]…

Fora as “desobediências”, agora

que se inicia 2015, quais são as tuas

prioridades

Pretendo iniciar gradualmente as minhas

aventuras internacionais e também

testar-me pela primeira vez na distância

de 100 km. Vou continuar a participar

apenas em provas que vão ao encontro

do que considero ser o trail running, com

toda a sua dureza e tecnicidade.

Mas o meu principal objectivo é

passar a época sem paragens forçadas

devido a lesões [em 2014, André

Rodrigues esteve fora de competição

de Abril a Julho], de forma a poder

cumprir o calendário a que me propus

e a conhecer novos locais e montanhas

fantásticas.

Estás em preparação para as

Skyrunning National Series, que

decorrem em Espanha, Andorra e

Portugal. São várias provas ao longo

do ano, a altitudes elevadas. Um

grande desafio…

Sim. É um evento com um nível

competitivo que me vai permitir correr

com atletas muito melhores do que

eu e, assim, fazer-me evoluir como

corredor. A altitude foi outra das

razões pela qual escolhi este circuito.

Inicialmente tinha pensado só no

Mundial de “ultras”, mas aí tinha o

entrave de a maior parte da prova

principal do circuito se desenrolar

acima dos 3 000 metros, e eu não tenho

possibilidade de fazer aclimatização

para correr a essa altitude. Já no

circuito ibérico, a maioria das provas

não passa dos 2 500 metros. Depois,

desenrolam-se quase sempre até aos

2 000 metros, uma altitude a que estou

habituado.

Qual será o teu grande enfoque a

nível de treino

Tenho de me adaptar e ser muito

criativo, porque vivo em Leiria, em

função do meu trabalho, e apesar de

considerá-la uma das cidades mais

runner friendly, é complicado treinar

para provas em que dezenas de

quilómetros são de subida contínua e

de grande inclinação. Portanto, tenho

de aproveitar os fins-de-semana para

treinar algo mais específico.

O que procuras no trail, em última

instância

Não sei. Eu sou uma pessoa de paixões

e de visão em túnel para aquilo que me

apaixona. Sei que para já quero correr e

não penso em muito mais do que isso.

O meu objectivo é ir participando em

provas cada vez mais competitivas…

No topo da minha lista está a Zegama-

-Askorri, que é de longe a prova de

trail mais competitiva do mundo. Se

tivesse de escolher um objectivo final

para as minhas aventuras na montanha,

seria, certamente, alcançar o top 3 em

Zegama, um dia.


56 trail metas

Ericeira Trail Run

Em pleno Inverno, o trail

juntou-se ao surf na praia de

Ribeira D’Ilhas, na Ericeira.

No dia 20 de Dezembro,

decorreu mais uma edição

do Ericeira Trail Run, sob

o sol de final do ano e as

paisagens inspiradoras do

mar. O primeiro a cortar a

meta dos 60 km foi Rui Luz,

com 5h40m09s. Entre as

mulheres, Sofia Roquete,

da equipa A Minha Corrida,

destacou-se com a marca de

7h06m43s.

Trail de Santa Iria

Nesta terra do Douro, começou-se a correr em 2013 com o fim de angariar fundos para

a Festa de Santa Iria de Branzelo. O evento pegou e “a vontade dos branzelenses em

promoverem a terra e acolherem os seus visitantes”, entre outros objectivos, fez com

que a 25 de Janeiro de 2015 se repetisse o feito.

Mais de mil participantes desafiaram três serras,

a conhecida “subida

impossível”, bem como os

sugestivos rio Mau e

Poço Negro.

Pedro Cunha

De Sedentario a Maratonista

João Pedro Costa

Trail Vicentino da Serra

O Circuito Nacional de Trail arrancou com o

Trail Centro Vicentino da Serra/Delta Cafés,

a 11 de Janeiro, na região de Portalegre. A

corrida master, com 36 km e um desnível

positivo de 1 489 metros, foi ganha pela

segunda vez consecutiva por André

Rodrigues (Juventude Vidigalense), que

atravessou a meta às 3h26m. Patrícia Carreira

(Offtel Runners) conquistou o primeiro lugar

com 4h01m.

Cortesia da organização

Trilhos dos Abutres

Com 1 500 praticantes ansiosos

por desbravar as agruras de

Miranda do Corvo, o V Trail dos

Abutres foi, mais uma vez, um

sucesso desportivo. Nos dias 30 de

Janeiro e 1 de Fevereiro, os atletas

percorreram distâncias de 50 e 25

quilómetros e os caminhantes um

trilho de 10 km. No final, não faltou

o debate sobre o panorama do trail

em Portugal e muita camaradagem.

Trilhos Noturnos

dos Templários

O ano começou em grande – e

sem uma única nuvem – para os

aventureiros de Santa Cita. Na noite

de 3 de Janeiro, a mística dos terrenos

de caça brava apurou uma corrida de

15 km (ganha pelo padrinho da prova,

Luís Mota, da Casa do Benfica em

Abrantes, com o tempo de 1h08m) e

uma caminhada de 10 km. Cármen

Henriques (A Minha Corrida) foi a

mulher mais rápida, ao conquistar a

meta em 1h27m15s.

Cross Laminha

Decorreu a 11 de Janeiro mais

uma edição do Cross Laminha,

com partida da aldeia da

Cumeira e 15 km de muita lama.

“O percurso de rara beleza é

muito duro e técnico”, avisava

a organização. Délio Ferreira

(Juventude Vidigalense) mostrou-

-se o mais rápido, alcançando

o lugar cimeiro do pódio com

1h09m58s. Sara de Brito bateu a

fúria feminina com 1h25m07s de

corrida.

Trilhos de Águeda

Os lugares e vilas em torno de

Travassô, no concelho de Águeda,

viram quase 500 pessoas a correr

e a caminhar na primeira edição do

evento. As distâncias de 25 e 15 km

foram batidas em primeiro lugar por

Romeo Gouveia (Escaravelhos Team)

e Giovanni Diaz (Desportivo Atlético

Recardães), respectivamente. No

plano feminino, tiveram destaque as

prestações de Liliana Silva (Rainha

Club) e Maria Isabel Areias (Oralklass-

-Amigos do Trail).


partidas

trail

57

Muito MIUT

De 9 a 12 de Abril, o Madeira Island Ultra Trail volta a desafiar os participantes a atravessar a

ilha de lés-a-lés, num trilho que começa e termina no mar, com passagem pelo ponto mais

alto da Madeira. Entre veredas, levadas e quedas de água, e sob a força da exuberante

floresta Laurissilva, o evento abre portas para a Ultra-Trail World Tour, um circuito de 12 provas

espalhadas pelos cinco continentes. Na Madeira, além da prova mais longa, de 115 km,

existem ainda distâncias de 85, 40 e 17 km. Saiba mais em www.madeiraultratrail.com

Voltemos às

corridas de aldeia

O Piódão é já por si uma

prova de beleza, mas,

para ajudar à celebração

de uma das aldeias mais

sui generis de Portugal,

a Fundação INATEL, em

parceria com a Associação

o Mundo da Corrida, põe-

-nos a correr distâncias de

50, 21 e 15 km em torno

do xisto. O Inatel Piódão

Ultra Trail, a 28 de Março,

sagra-se um up and down

de adrenalina e exigência.

Para mais informações,

consulte

www.ultrapiodao.com

Cortesia da organização

E o troféu vai

para… os bravos!

O ano arranca com

um campeonato pelas

montanhas do Minho.

A primeira edição das

Bravery Series congrega

quatro etapas no concelho

de Barcelos, com a

primeira prova – o Trail da

Franqueira – a decorrer a

22 de Fevereiro. Seguem-

-se o Trail Expedição ao

S. Gonçalo, a 5 de Julho, e

o Trail da Guarita, a 11 de

Outubro. Os três eventos

são constituídos por

distâncias de 43, 20 e 12

km. Saiba mais em

www.experienciar.pt

O santo ajuda a subir!

Chega a vez de o Santo Thyrso Ultra

Trail (STUT) dar a sua graça. A 14 e 15

de Fevereiro, três provas para adultos

(o ultratrail, o trail e a caminhada, de

48, 21 e 12 km, respectivamente)

e uma corrida projectada para as

crianças fazem do Monte da Assunção

um verdadeiro palco de atletas. Mais

informações em www.nast.pt

O circuito continua no Centro

Depois da prova de Proença-a-Nova, em Janeiro, o

Território Circuito Centro prossegue para mais três

etapas, nas distâncias de 20, 40 e 60 km e níveis

de dificuldade médios a elevados. A 7 de Fevereiro,

é a vez de Vila Velha de Ródão receber os runners.

As etapas seguintes decorrem a 7 de Março, em

Vila de Rei, e a 11 de Abril, na Sertã. Consulte as

características de cada prova em

www.territoriocc.com

Pedro Antunes

Até ao Paleozóico

Os Trilhos do Paleozóico

voltam a terras de Valongo

nos dias 14 e 15 de Março.

A corrida, que faz uso da

mascote Cuca Macuca

(inspirada na salamandra

lusitana que habita as serras

de Valongo) para animar os

mais novos, atravessa uma

grande parte do Parque

Paleozóico de Valongo,

onde se albergam vestígios

fósseis e um passado de

minas de ouro. As distâncias

são de 45, 21 e 12 km para

os diferentes percursos.

Saiba mais em

www.trilhopaleozoico.com

Gerês a pente fino

Um dia, Miguel Torga

disse: “Há sítios no mundo

que são como certas

existências humanas:

tudo se conjuga para

que nada falte à sua

grandeza e perfeição.

Este Gerês é um deles.”

A frase é lembrada pela

organização do Peneda-

-Gerês Trail Adventure,

que ocorre entre 26

de Abril e 3 de Maio. A

prova-rainha, de 280 km,

divide-se em oito etapas e

percorre os “trilhos mais

inóspitos e espectaculares

duma das zonas mais

restritas em termos de

legislação no nosso país”.

Saiba mais em www.

carlossanatureevents.com

Cortesia da organização


58 agenda

estrada

Dia Corrida Distância Onde

fevereiro 2015

1 Iron Brain Race -----

1 16.ª Prova de Atletismo de Cesar 8,2 km

Carregueira-

-Belas, Sintra

Cesar, Oliveira

de Azeméis

1 3.ª Corrida Rota da Fonte da Pipa 12,3/4 km Torres Vedras

1

13.º Grande Prémio Junta de Freguesia

de Grândola

10 km Grândola

1 Milha Urbana de Paio Pires 1,609 km Seixal

7 Survivors Run

9 km, 30

obstáculos

Sintra

8 Grande Prémio de Barcarena Várias Barcarena, Oeiras

8

8

8.º Grande Prémio de Atletismo de Mem

Martins

1.º Grande Prémio de Atletismo Adega

de Pegões

10 km

Algueirão-

-Mem Martins

10 km Pegões, Setúbal

15 20 Km Cascais 20/5 km Cascais

15 Corrida do Carnaval 10 km Lousada

15 Corrida dos Namorados 6 km Lisboa

22 Maratona do Funchal 42,125 km Funchal

22 Grande Prémio Ribeira da Laje Várias

Ribeira da Laje,

Oeiras

22 Maratona de Tóquio 42,195 km Tóquio, Japão

22 Maratona de Sevilha 42,195 km Sevilha, Espanha

22 Grande Prémio de Carnaval do Alto do Moinho Várias Seixal

22 Corrida do Atlântico 10 km

22

16.º Grande Prémio de Atletismo

Eirapedrense

março 2015

14/7 km

Costa da

Caparica

Eira da Pedra,

Fátima

1 Corrida da Árvore 10 km Lisboa

1

15.º Grande Prémio de Atletismo Cidade

de Montemor-o-Novo

10 km Montemor-o-Novo

1 Grande Prémio Monte Real Várias Cascais

7 Milha Urbana de Amora 1,609 km Amora, Seixal

6 Dia Internacional da Mulher Night Run 5 km Vendas Novas

8 Grande Prémio de Leião 10 km Oeiras

8 Corrida das Lezírias 15,50/5 km Vila Franca de Xira

14 3.ª Corrida CST 10 km

15 Grande Prémio de Fernão Ferro Várias

Quinta das

Conchas, Lisboa

Fernão Ferro,

Seixal

15 Corrida do Dia do Pai 10 km Porto

15

Corrida Solidária Refood Parque das

Nações

10/5 km Lisboa

21 Grande Prémio de Atletismo do Penteado Várias Moita

21

Vitalis 7K Jamor - Lisboa (Inserida na

Meia Maratona de Lisboa)

7 km

Cruz Quebrada-

-Dafundo, Oeiras

22 Maratona de Roma 21,097 km Roma, Itália

22 25.ª Meia Maratona de Lisboa Várias Lisboa

28 Milha Urbana de Corroios 1,609 km Corroios, Seixal

29 Corrida do Mar 10 km Leça da Palmeira

29 12 Km Salvaterra de Magos 12 km

Salvaterra de

Magos

29 Play Run 14 km Alcochete

29 Grande Prémio Bairro dos Navegadores Várias Oeiras

29 12.ª Corrida Solidariedade ISCPSI/APAV 10 km Lisboa

trail

Dia Corrida Distância Onde

fevereiro 2015

1 3.º Trail de Bucelas Aventura 27/15 km Bucelas, Loures

1 Cross Ana Dias Várias Montenegro, Faro

1 4.º Corta-mato do NAZA Várias Cascais

1

Campeonato do Alentejo de

Corta-mato

Várias

Nisa

1 Corta-mato do Linhó Várias Linhó, Sintra

7

7

Território Circuito Centro 2015 -

Vila Velha de Ródão

III Meeting Internacional de

Idanha-a-Nova

40/20 km Vila Velha de Ródão

Orientação

Idanha-a-Nova

7 Cross dos Moinhos Várias Torres Vedras

8 3.º Trail Santa Luzia 45/15 km Viana do Castelo

8

2.º Corta-mato Intergeracional

Azeméis

4 km Oliveira de Azeméis

8 IV Trail Montes Saloios 24 km Covas de Ferro, Sintra

13 a 17 Portugal "O" Meeting Orientação Mira e Vagos

15

Corta-mato de Santo António dos

Cavaleiros

Várias

Santo António dos

Cavaleiros, Loures

15 Santo Thyrso Ultra Trail 48/21/12 km Santo Tirso

15 Trilho do Castelejo 45/23/13 km Alvados, Porto de Mós

15 II Trail Serra da Burneira 32/16/10 km Carlão, Alijó

21 e 22 Troféu de Orientação do Minho Orientação

Terras do Bouro e

Vieira do Minho

21 Corta-mato do Vale da Amoreira Várias Moita

21 Corta-mato da Fonte Grada Várias Torres Vedras

22 Trail da Franqueira 43/20/12 km

Pedra Furada,

Barcelos

22 1.º Trail Serra do Muro 25/10 km Paredes

28 VI Trail de Conímbriga Terras de Sicó

7

março 2015

Território Circuito Centro 2015

- Vila de Rei

111/65/25/17

km

Condeixa-a-Nova

60/20 km Vila de Rei

7 MEO Urban Trail Coimbra 12 km Coimbra

8 Corta-mato de Vale Figueira Várias Loures

8

Trail Running Bombeiros de

Messines

A definir

São Bartolomeu de

Messines, Silves

8 Trail Running Cidade de Estremoz 30/15 km Estremoz

8 II Diver Trail Portugal 25/13 km Póvoa de Lanhoso

14 Trilhos do Paleozóico 48/23/12 km Valongo

15 Trilhos da Costa Saloia 21 km Mucifal-Colares

15 II Trail Off-Road da Barreira 25/10/7,5 km Barreira, Leiria

21 e 22 Costa Alentejana "O" Meeting Orientação A definir

21 Corta-mato Catujal Várias Loures

22 I Trail de Almeirim 30/17/8/4 km Almeirim

25 e 16

Campeonato Nacional de

Distância Longa e Sprint

Orientação

Gouveia

28 Corta-mato Atibá Várias Cascais

28 Inatel Piódão Ultra Trail 50/21/15 km Piódão, Arganil

29 Monsaraz Trail Running 25/12 km Monsaraz, Évora

29 Trail de Alvelos Amigos da Montanha 25/15 km Alvelos, Barcelos

29 VII Trilhos do Pastor 30 km São Mamede, Batalha

DR

DR

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