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Centro de Educação Superior Barnabita – CESB

Curso de Administração

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O EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO COMO CHAVE PARA O SUCESSO

DA EMPRESA

RESUMO

Tânia Mara de Oliveira 1

Ana Cristina Marques de Carvalho (orientadora) 2

É crescente o número de organizações que têm incentivado atitudes

empreendedoras em seus empregados, como forma de desenvolver seus negócios.

O empreendedorismo corporativo ou intra-empreendedorismo se refere a pessoas

que, introduzem inovações em uma organização, de modo a gerar o

desenvolvimento da mesma e o reconhecimento próprio, assumindo riscos a procura

de valores adicionais. O objetivo deste artigo é apresentar a importância do

empreendedorismo corporativo, os fatores estimulantes à inovação, bem como,

exemplos de empresas que o utilizam.

Palavras-Chave: intra-empreendedorismo; inovação; organizações;

empreendedorismo corporativo.

1 INTRODUÇÃO

Em virtude de um ambiente cada vez mais competitivo, as organizações têm

buscado maneiras para se destacar no mercado. Uma das formas que vem a cada

dia sendo mais utilizada, é o aproveitamento das equipes de trabalho em realidades

produtivas e rentáveis, o que pode ser caracterizado como o empreendedorismo

corporativo. Para isso, é necessária a mobilização de todos os empregados e o

desenvolvimento do espírito competitivo das equipes.

1 Aluna do Módulo de “Gestão de Negócios” do Curso de Administração da Faculdade Padre

Machado – FAPEM, 2011.

2 Mestre em Ciência da Computação pela UFMG e Professora da disciplina “Organização, Sistemas e

Métodos” do módulo de Gestão Empreendedora, do curso de Administração da Faculdade Padre

Machado – FAPEM, 2011.


2

As equipes de trabalho estão se organizando de modo a trabalharem como

pequenas empresas agrupadas, atuando em rede, em prol de um objetivo em

comum. Entretanto, mais importante do que ter uma boa ideia é a organização

defender e acreditar, patrocinando os recursos necessários para que ela se torne

realidade.

2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS

2.1 Empreendedorismo

Ao se falar em empreendedorismo é natural que se ligue o tema à criação de novas

empresas sem muita estrutura, que aos poucos vão tomando forma com perspectiva

de sucesso.

De acordo com Dornelas (2009), empreendedorismo significa fazer algo novo,

diferente, mudar a situação atual e buscar novas oportunidades de negócio com

inovação e criação de valores. O importante é conseguir fazer a diferença utilizando

os recursos disponíveis de forma criativa, calculando os riscos a assumir e sempre

buscando oportunidades.

Dolabela (2008) caracteriza o empreendedor empresarial como:

indivíduo capaz de criar uma empresa, seja ela qual for;

pessoa que introduz inovações, assumindo riscos na compra de uma

empresa, seja como administrador, seja na forma de vender, fabricar,

distribuir ou fazer propaganda dos seus produtos serviços agregando novos

valores;

empregado que introduz inovações em uma empresa, provocando valores

adicionais.

2.2 Empreendedor

Ser empreendedor é uma forma especial e inovadora de se dedicar às atividades de

organização, administração, execução; na geração de riquezas, transformando

conhecimentos e bens em novos produtos / mercadorias ou serviços; gerando um


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novo método com o seu próprio conhecimento. O empreededor é um profissional

inovador que modifica, com sua forma de agir, qualquer área do conhecimento

humano e econômico, criando o que não existia.

De acordo com Dolabela (2008), um empreendedor é uma pessoa que imagina

desenvolve e realiza, é alguém que sonha e busca transformar seu sonho em

realidade. Acredita-se hoje que, o empreendedor é o “motor da economia”, um ser

que provoca mudanças. Conforme Degen (2009), o empreendedor é a pessoa que

empreende, assume riscos comerciais, legais e pessoais do empreendimento.

Ser empreendedor não é só querer ganhar muito dinheiro, ser independente ou ser

criador e realizador de algo. Muitos não estão dispostos a pagar o custo do

empreendedorismo, já que, é preciso dedicação de mais de quarenta horas de

trabalho semanais. Sabe-se que, mesmo os empreendedores muito bem sucedidos,

geralmente trabalham quase o dobro das horas estipuladas pela CLT (Consolidação

das Leis Trabalhistas). O preço do sucesso e da independência econômica pode ser

muito alto para o empreendedor que investe tantas horas em trabalho sacrificando

muitos aspectos de sua vida, como o lazer e a família. Mas, para a maioria dos

empreendedores, vale a pena o sacrifício pessoal para a realização do seu próprio

negócio.

De acordo com Degen (2009), muitas pessoas não fazem a opção de serem

empreendedores por dois principais motivos. O primeiro, por não terem a

necessidade de realizar seu próprio negócio ou por não serem motivadas por ganhar

muito dinheiro. Estas são pessoas felizes com seu próprio trabalho, procurando

realizações nele. Segundo, são pessoas que não estão dispostas a pagar o preço

pessoal para iniciar um negócio próprio. Preferem a vida tranquila ao lado da família,

ganhar o seu salário devido por quarenta horas semanais trabalhadas, com direito a

férias e aposentadoria no seu tempo certo. Para Degen (2009), os principais fatores

que inibem as pessoas a se tornarem empreendedores são: a falta de capital social,

a indisponibilidade em assumir os riscos de sua escolha, a imagem social perante a

família e amigos (que fica comprometida por falta de tempo) e a visão de que suas

atividades profissionais são mais satisfatórias.


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2.3 Empreendedorismo corporativo

O empreendedorismo corporativo se faz através de indivíduos ou grupos de

indivíduos que, associados a uma organização existente, agem independentemente,

instigados a renovar e inovar, podendo criar até uma nova organização. Os

empreendedores corporativos têm características especiais. Eles questionam,

ousam, querem sempre algo diferente, gostam do que fazem e não se consideram

mais um na sociedade, querendo por isso, serem conhecidos e reconhecidos.

De acordo com o último ranking de empreendedores corporativos apresentado pela

Revista Exame (2006), há fatores estimulantes à inovação nas empresas. Estes não

se restringem ao aumento de salários ou promoção de cargos. Devem ser aí

incluídos, os seguintes fatores: a satisfação pessoal e o reconhecimento pelo

trabalho desempenhado. Neste caso, os colaboradores se sentem úteis e capazes

de propor melhorias na organização. O quadro a seguir detalha os principais fatores

estimulantes à inovação.

Os fatores que mais estimulam a inovação nas empresas

Satisfação Pessoal 34%

Contribuição para a imagem e o crescimento da empresa 22%

Possibilidade de facilitar o próprio trabalho 17%

Reconhecimento Moral dos Chefes e colegas 12%

Aumento de Salário 9%

Promoção de Cargo 6%

Fonte: Estudo Exame – Inovação e Empreendedorismo – 03/2006

De acordo com esta mesma pesquisa, há também, fatores que atrapalham as

iniciativas dos colaboradores no desenvolvimento de projetos na organização.

Dentre estes, se destacam a falta de reconhecimento e políticas de recompensa. O

quadro a seguir detalha alguns destes fatores.

Os fatores que mais atrapalham as iniciativas

Ausência de políticas de reconhecimento e recompensa 25%

Falta de comprometimento das pessoas 22%

Falta de incentivo de chefes e colegas 21%

Despreparo e desinteresse dos funcionários 16%

Escassez de recursos 16%

Fonte: Estudo Exame – Inovação e Empreendedorismo – 03/2006


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2.4 Ambiente favorável para o empreendedorismo coorporativo

De acordo com Dornelas (2009), o empreendedorismo corporativo só será efetivo

em uma organização, caso o ambiente corporativo seja propício para que isso

ocorra. Tem que fazer parte da cultura organizacional, definir metas, estabelecer

programas de treinamento; sempre passando para os colaboradores que o

empreendedorismo é a chave para o sucesso da empresa.

A organização deve incorporar o empreendedorismo em suas estratégias de

negócio, definindo metas de inovação e implementando meios para atingí-las.

Podem existir nesse processo, barreiras que precisarão ser transpostas. Estas

podem estar ligadas a aspectos comportamentais e de hierarquia, competições

internas ou incompatibilidade com os resultados que a empresa espera atingir no

futuro.

A organização deve criar mecanismos para manter a filosofia empreendedora

fazendo com que, todos os colaboradores entendam o propósito da inovação e

como ela é importante, precisando ser priorizada pela organização.

Ter um forte comprometimento com a busca e o desenvolvimento de novos

produtos/serviços e processos é uma forma de estratégia inovadora que deve ser

vista como algo abrangente dentro da organização, onde todas as áreas devem

estar envolvidas na busca da inovação.

Embora não exista um padrão a ser seguido pelas empresas, o processo sistemático

de formação de empreendedores deve contemplar uma clara intenção da

administração da organização em aumentar a sua capacidade empreendedora.

Além disso, o processo de atribuição de responsabilidades deve ser revisto de forma

a fazer com que, os gestores adquiram maior capacidade em assumir riscos para

conduzirem o processo, reestruturar a organização em pequenas unidades, de

forma a desenvolver melhor os negócios e atender mais eficazmente o mercado e os

clientes. Um sistema de reconhecimento, acompanhamento e suporte deve existir a

fim de sustentar o modelo de organização de empreendedores.


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É importante que, os intra-empreendedores aprendam a internalizar suas ideias, não

as guardando em segredo, pois estas podem significar um negócio promissor. Antes

de serem colocadas em prática, as ideias devem, no entanto, serem discutidas e

criticadas.

2.5 Empresas que estimulam o empreendedorismo coorporativo

As empresas esperam todos os dias, mais de cada um de seus empregados,

entretanto, para que os mesmos se sintam motivados a criação e inovação é

necessário o incentivo das empresas.

Em 2008, o guia VOCÊ S/A / EXAME estabeleceu um ranking das empresas que

mais incentivam o empreendedorismo entre seus funcionários, onde se classificam:

N° Empresa Índice de Empreendedorismo

01 Volvo 80,69%

02 Caterpillar 77,73%

03 BV Financeira S/A 77,03%

04 Accor 74,98%

05 Serasa 73,70%

06 Plascar 73,38%

07 Nextel 72,84%

08 Monsanto do Brasil 72,74%

09 Accenture 70,80%

10 Losango 70,23%

Na Volvo, cada equipe tem autonomia para planejar o próprio trabalho, sugerir

melhorias, coordenar reuniões e atividades administrativas.

A Caterpillar é movida por boas ideias. Sendo assim, cada funcionário precisa

oferecer anualmente, ao menos cinco sugestões, de melhorias simples a redução de

custos consideráveis.

A BV Financeira S/A investe em programas de desenvolvimento de liderança tanto

para gestores experientes, (que estão no meio da carreira) quanto para quem está

pela primeira vez à frente de uma equipe.


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A Accor investe no desenvolvimento das pessoas, incentivando a educação formal e

desenvolvendo a capacidade de pensar, criar e tomar iniciativas. A empresa oferece

inúmeras oportunidades para quem quer se desenvolver.

3 CONCLUSÃO

As organizações estão cada vez mais, à procura de pessoas inovadoras, com ideias

diferentes, capazes de assumir riscos e colocar em prática tudo aquilo que possa

levar ao desenvolvimento da empresa. Porém, nem todo colaborador está motivado

a assumir este papel perante a organização. Esta por outro lado, nem sempre

reconhece o trabalho desempenhado.

A organização que está disposta a assumir esta responsabilidade com o

colaborador, está sujeita a várias mudanças, podendo estas, serem positivas ou

negativas, mas que com certeza, poderá impactar bastante na sociedade, de modo

a se destacar perante as outras organizações.

REFERÊNCIAS

CRA SP. Empreendedorismo Corporativo. GEEI – Grupo de Excelência -

Empreendedorismo e Inovação. Disponível em:

< http://www.crasp.gov.br/convivencia/emprend-inovação/empreendedorismo%20

corporativo.doc > dia 10/08/11 às 14h58min

DEGEN, Ronaldo Jean. O Empreendedor: Empreender como opção de carreira.

São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo Corporativo: como ser

empreendedor, inovar e se diferenciar na sua empresa. 2 ed.São Paulo:Elsevier,

2009.

DOLABELA, Fernando. O segredo de Luisa. Rio de Janeiro: Sextante, 2008

VOCE S/A. Ranking: as empresas que mais estimulam o empreendedorismo

corporativo. Disponível em: dia 10/10/11 as 21h02min

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