o_19iscq29snca1vocfqh187pkj9a.pdf
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
A PAZ DO SENHOR JESUS SEJA CONVOSCO<br />
Estamos vivendo tempos de sede espiritual, onde heresias têm procurado se<br />
instalar no meio da Igreja. Não basta apenas termos talentos naturais ou<br />
compreensão das conseqüências das crises que o mundo atravessa.<br />
Precisamos, exercer influências com nosso testemunho perante os que<br />
dispomos a ensinar a Palavra de Deus. Esse treinamento compacto e objetivo<br />
da Teologia Sistemática é muito importante porque nos dará ampla visão da<br />
teologia Divina, atrairá futuros líderes ao aprendizado e criará um ambiente mais<br />
espiritual na nossa Igreja (Koinonia). Aprendizados errados geram desastres e<br />
resistência à Obra de Deus.<br />
Somente o correto de forma correta leva ao sucesso, na consciência e<br />
submissão ao Espírito Santo que rege a Igreja. Temos que combinar estratégias<br />
de ensino com o nosso caráter revelado em nossas vidas; devemos incentivar a<br />
confiança dos alunos na Escritura, com coerência e potencial.<br />
Temos capacidade, em Deus, de mudarmos o mundo, começando do mundo<br />
interior das consciências humanas dos alunos, que se tornarão futuros<br />
evangelizadores capacitados na Palavra de Deus.<br />
Não preguemos a verdade para ferirmos os outros ou para destruir, mas para<br />
ajudar e corrigir as almas, com amor, esperando que Deus lhes conceda o<br />
entendimento do Reino dos Céus.<br />
3
DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA COM RESPONSABILIDADE<br />
DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA COM ORAÇÃO.<br />
A Palavra de Deus é discernida espiritualmente. Por isso, devemos orar pedindo<br />
a Deus que abra os nossos olhos para podermos ver as maravilhas de sua lei (1<br />
Co 2.14; Sl 119.18). Entender a Bíblia é uma virtude espiritual que somente<br />
Deus pode nos dar (Ef 1.17-19). A qualidade de nosso estudo teológico passa<br />
pela qualidade de nossa espiritualidade, que se manifesta numa vida de<br />
dependência de Deus pela oração.<br />
DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA COM HUMILDADE.<br />
A Bíblia diz que ―Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos<br />
humildes‖ (1 Pe 5.5). À medida que aprendemos das Escrituras, devemos ter o<br />
cuidado de não nos orgulharmos, assumindo assim uma atitude de<br />
superioridade em relação àqueles que não conhecem o que temos estudado.<br />
Para evitar o orgulho, devemos associar o conhecimento ao amor (1 Co 8.1).<br />
DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA COM A RAZÃO.<br />
Podemos e devemos usar nossa razão para estudar e tirar conclusões do<br />
estudo das Escrituras Sagradas, mas nunca fazer deduções que contradiga o<br />
que a própria Bíblia diz. Nossas conclusões lógicas podem muitas vezes ser<br />
errôneas, pois os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos<br />
pensamentos (Isaias 55.8-9). A Bíblia é a essência da verdade, e todo o seu<br />
conteúdo é justo e permanente (Salmos 119.160). Toda conclusão lógica que<br />
4
tivermos ao estudar teologia, deve estar em harmonia com toda a Bíblia. Caso<br />
contrário, nossa lógica está enganada, pois a Bíblia não se contradiz jamais.<br />
DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA COM A AJUDA DE OUTROS.<br />
Deus estabeleceu mestres na igreja e seminários de teologia (1 Co 12.28). Isso<br />
significa que devemos ler livros escritos por teólogos e seminários preparados<br />
como o Seminário Gospel. Conversar com outros cristãos sobre teologia é<br />
também uma excelente maneira de conhecer mais sobre Deus.<br />
DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA COMPILANDO PASSAGENS BÍBLICAS.<br />
O uso de uma boa concordância bíblica nos ajudará a procurar palavras-chave<br />
sobre determinado assunto. Resumir versículos relevantes e estudar passagens<br />
difíceis também ajuda. É grande a alegria ao descobrir temas bíblicos. É a<br />
recompensa do próprio estudo.<br />
DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA COM ALEGRIA.<br />
Não podemos estudar teologia de forma fria, pois ela trata do Deus vivo e de<br />
suas maravilhas. O estudo da Bíblia é uma maneira de amar a Deus de todo o<br />
coração (Dt 6.5), pois seus ensinamentos ―dão alegria ao coração‖, são grandes<br />
riquezas (Sl 19.8; 119.14). No estudo da teologia somos levados a dizer: ―Ó<br />
profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão<br />
insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem<br />
conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe<br />
5
deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as<br />
coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém‖ (Rm 11.33-36).<br />
CURIOSIDADES BÍBLICAS:<br />
A palavra Bíblia vem do grego, através do latim, e significa: livros.<br />
Os primeiros materiais utilizados para as escrituras foram: a pedra, usada por<br />
Moisés para receber os dez mandamentos (Êxodo 24:12 e 34:1); o papiro,<br />
material extraído de uma planta aquática desse mesmo nome (Jó 8:11; Isaías<br />
18:2); de papiro deriva o termo papel (II João 12) e o pergaminho, pele de<br />
animais, curtida e preparada para escrita, usado a partir do início do século i, na<br />
Ásia menor (II Timóteo 4:13).<br />
A Bíblia inteira foi escrita num período que abrange mais de 1600 anos.<br />
A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo após a invenção do prelo, em<br />
1452 em Mainz, Alemanha.<br />
A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748, a tradução foi feita a partir<br />
da vulgata latina e iniciou-se com d. diniz (1279-1325).<br />
A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense<br />
Stephen langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de cantuária pouco tempo<br />
depois.<br />
6
A divisão em versículos foi introduzida em 1551, pelo impressor parisiense<br />
Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e<br />
as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus;<br />
O versículo central da Bíblia é o Salmo 118:8, o qual divide a mesma ao meio.<br />
Os livros de Ester e cantares de Salomão não possuem a palavra ―Deus‖.<br />
A frase ―não temas‖, ocorre 365 vezes em toda a Bíblia, o que dá uma para cada<br />
dia do ano!<br />
Há 3573 promessas na Bíblia.<br />
O antigo testamento encerra citando a palavra ―maldição‖, o novo testamento<br />
encerra citando ―a graça de nosso Senhor Jesus Cristo‖.<br />
A Bíblia completa pode ser lida em 70 horas e 40 minutos, na cadência de leitura<br />
de púlpito. O antigo testamento leva 52 horas e 20 minutos. O novo testamento,<br />
18 horas e 20 minutos. Para ler a Bíblia toda em um ano basta ler 5 capítulos<br />
aos domingos e 3 nos demais dias da semana.<br />
7
COMO PODEMOS SABER SE A BÍBLIA É INFALÍVEL?<br />
A PRÓPRIA BÍBLIA O AFIRMA:<br />
A Bíblia afirma em várias passagens acerca de si mesma que ela é a palavra de<br />
Deus e não contem erros (II Timóteo 3:16-17; II Pedro 1:20-21; Mateus 24:35)<br />
A expressão "assim diz o senhor" e equivalentes encontram-se cerca de 3.800<br />
vezes na Bíblia.<br />
Se alguma falha for encontrada na Bíblia, será sempre do lado humano, como<br />
tradução mal feita, grafia inexata, interpretação forçada, má compreensão de<br />
quem estuda, falsa aplicação quanto aos sentidos do texto, etc. saibamos refletir<br />
como Agostinho, que disse: ―num caso desse, deve haver erro do copista, que<br />
não consigo entender...‖<br />
A BÍBLIA FAZ REFERÊNCIA A FATOS ATUAIS:<br />
A primeira citação da redondeza da terra é feita na Bíblia, e não por Galileu<br />
Galileu (Isaías 40: 22).<br />
O trânsito pesado e veloz, os cruzamentos e os faróis acesos aparecem<br />
descritos exatamente como são hoje (Naum 2:4).<br />
A mensagem através de "out-doors" é uma citação bíblica<br />
detalhada (Habacuque 2: 2).<br />
8
A primeira referência a impressões digitais aparece no livro mais antigo da<br />
Bíblia (Jó 37:7).<br />
A UNIDADE DA BÍBLIA É UM MILAGRE:<br />
Unidade da Bíblia só pode ser explicada como um milagre. Há nela 66 livros,<br />
escritos por cerca de 40 escritores, cobrindo um período de 16 séculos. Esses<br />
homens tinham diferentes atividades e escreveram sob diferentes situações.<br />
Na maior parte dos casos não se conhecem e nada sabiam sobre o que já havia<br />
sido escrito pelos outros. Tudo isto somando num livro puramente humano daria<br />
uma babel indecifrável!<br />
A BÍBLIA TEM UM ÚNICO TEMA CENTRAL:<br />
É o Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo declara em Lucas 24: 27, 44 e João 5:39.<br />
Considerando Cristo como o tema central da Bíblia, os 66 livros apontam para<br />
Ele:<br />
Gênesis: Jesus é o descendente da mulher (3:15)<br />
Êxodo: é o cordeiro pascal (12:5-13)<br />
Levíticos: é o sacrifício expiatório (4:14,21)<br />
Números: é a rocha ferida (20:7-13)<br />
Deuteronômio: é o profeta (18:15)<br />
Josué: é o príncipe dos exércitos do senhor (5:14)<br />
Juízes: é o libertador (3:9)<br />
Rute: é o parente divino (3:12)<br />
9
Reis e Crônicas: é o rei prometido (I Reis 4:34)<br />
Ester: é a providência divina (4:14)<br />
Jó: é o nosso redentor (19:25)<br />
Salmos: é o nosso socorro e alegria (46:1)<br />
Provérbios: é a sabedoria de Deus (8:22-36)<br />
Cantares: é o nosso amado (2:8)<br />
Eclesiastes: é o pregador perfeito (12:10)<br />
Profetas: é o messias prometido (Mateus 2:6)<br />
Evangelhos: é o salvador do mundo (João 3)<br />
Atos: é o cristo ressurgido (2:24)<br />
Epístolas: é a cabeça da igreja (Efésios 4:14)<br />
Apocalipse: é o alfa e o ômega (22:13)<br />
Podemos afirmar que a Bíblia é a palavra de Deus, nossa única regra de fé e<br />
prática e infalível, nenhuma de suas promessas jamais falhou e seguir suas<br />
orientações é garantia de sucesso em todas as áreas da vida.<br />
10
PRIMEIRO MÓDULO<br />
INTRODUÇÃO À TEOLOGIA SISTEMÁTICA<br />
A Teologia Sistemática é uma importante ferramenta em nos ajudar a<br />
compreender e ensinar a Bíblia de uma forma organizada.<br />
DEFINIÇÃO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA<br />
A palavra ―teologia‖ é derivada dos termos gregos theos, que significa ―Deus‖<br />
e iogos, que significa ―palavra‖, ―discurso‖, ―tratado‖ ou ―estudo‖. A Teologia<br />
pode então ser conceituada, do modo mais simples, como ―a ciência do estudo<br />
de Deus‖. O seu campo é estendido não apenas à pessoa de Deus, mas<br />
também às Suas obras, de forma que ela tem sido chamada de ―o estudo de<br />
Deus e de sua relação para com o Universo‖,―Sistematizar‖, por sua vez, é<br />
―reduzir diversos elementos a um sistema‖ ou ―agrupar em um corpo de<br />
doutrina‖. Sistemático, portanto, é aquilo que segue um sistema, uma<br />
ordenação, um método.<br />
Quando se aplica o adjetivo a essa disciplina da enciclopédia teológica não se<br />
quer dizer que outras disciplinas (como a exegese ou a teologia bíblica) não<br />
seguem qualquer sistema, mas que é a Teologia Sistemática que procura<br />
oferecer a verdade acerca de Deus e sua obra, apresentada na Bíblia, como um<br />
todo, como um sistema unificado.<br />
Teologia Sistemática é qualquer estudo que responda à pergunta: ―O que a<br />
Bíblia toda nos ensina hoje?‖ sobre qualquer assunto. (John Frame,<br />
11
Westminister Seminary, Escondido, Califórnia – EUA). Essa definição índica que<br />
Teologia Sistemática envolve coletar e compreender todas as passagens<br />
relevantes na Bíblia sobre vários assuntos e então resumir seus ensinos<br />
claramente de modo que conheçamos aquilo que cremos sobre cada assunto.<br />
OUTRAS DEFINIÇÕES DE TEOLOGIA<br />
ALEXANDER:<br />
A ciência de Deus. Um resumo da verdade religiosa cientificamente arranjada,<br />
ou uma coleção filosófica de todo o conhecimento religioso (W. Lindsay<br />
Alexander).<br />
CHAFER:<br />
Teologia sistemática pode ser definida como a coleção, cientificamente<br />
arrumada, comparada, exibida e defendida de todos os fatos de toda e qualquer<br />
fonte referentes a Deus e às Suas obras. Ela é temática porque segue uma<br />
forma de tese humanamente idealizada, e apresenta e verifica a verdade como<br />
verdade (Lewis Sperry Chafer).<br />
HODGE:<br />
A teologia sistemática tem por objetivo sistematizar os fatos da Bíblia, e<br />
averiguar os princípios ou verdades gerais que tais fatos envolvem (Charles<br />
Hodge).<br />
12
THOMAS:<br />
A ciência é a expressão técnica das leis da natureza; a teologia é a expressão<br />
técnica da revelação de Deus. Faz parte da teologia examinar todos os fatos<br />
espirituais da revelação, calcular o seu valor e arranjá-los em um corpo de<br />
ensinamentos. A doutrina, assim, corresponde às generalizações da ciência (W.<br />
H. Griffith Thomas)<br />
STRONG:<br />
A ciência de Deus e dos relacionamentos de Deus com o universo (A. H.<br />
Strong).<br />
SHEDD:<br />
Uma ciência que se preocupa com o infinito e o finito, com Deus e o universo. O<br />
material, portanto, que abrange é mais vasto do que qualquer outra ciência.<br />
Também é a mais necessária de todas as ciências (W. G. T. Shedd).<br />
DEFINIÇÕES ERRADAS:<br />
Para definir teologia foram empregados alguns termos enganadores e<br />
injustificados. Já se declarou que ela é "a ciência da religião"; mas o termo<br />
religião de maneira nenhuma é um sinônimo da Pessoa de Deus e de toda a<br />
Sua obra. Da mesma forma já se disse que ela é "o tratamento científico<br />
daquelas verdades que se encontram na Bíblia; mas esta ciência, embora extrai<br />
porção maior do seu material das Escrituras, extrai também o seu material de<br />
toda e qualquer fonte. A teologia sistemática também tem sido definida como o<br />
13
arranjo ordeiro da doutrina cristã; mas como o cristianismo representa apenas<br />
uma simples fração de todo o campo da verdade relativa à Pessoa de Deus e o<br />
Seu universo, esta definição não é adequada.<br />
OUTRAS AREAS DA TEOLOGIA ABORDADAS EM CURSOS DE<br />
BACHAREIS EM TEOLOGIA DO SEMINÁRIOGOSPEL.COM<br />
TEOLOGIA BÍBLICA:<br />
Investiga a verdade de Deus e o Seu universo no seu desenvolvimento<br />
divinamente ordenado e no seu ambiente histórico conforme nos apresentados<br />
diversos livros da Bíblia. A teologia bíblica é a exposição do conteúdo doutrinário<br />
e ético da Bíblia, conforme originalmente revelada. A teologia bíblica extrai o seu<br />
material exclusivamente da Bíblia, seu período compreende somente até o final<br />
da era apostólica.<br />
TEOLOGIA DOGMÁTICA:<br />
É a sistematização e defesa das doutrinas expressas nos símbolos da Igreja.<br />
Assim temos "Dogmática Cristã", por H. Martensen, com uma exposição e<br />
defesa da doutrina luterana; "Teologia Dogmática", por Wm. G. T. Shedd, como<br />
uma exposição da Confissão de Westminster e de outros símbolos<br />
presbiterianos; e "Teologia Sistemática", por Louis Berkhof, como uma<br />
exposição da teologia reformada.<br />
14
TEOLOGIA EXEGÉTICA:<br />
Estuda o Texto Sagrado e assuntos relacionados, através do estudo das<br />
línguas originais, da arqueologia bíblica, da hermenêutica bíblica e da teologia<br />
bíblica.<br />
TEOLOGIA HISTÓRICA:<br />
Considera o desenvolvimento histórico da doutrina, mas também investiga as<br />
variações sectárias e heréticas da verdade. Ela abrange história bíblica, história<br />
da igreja, história das missões, história da doutrina e história dos credos e<br />
confissões. A teologia histórica tem seu período compreendido desde a era<br />
apostólica até os dias atuais.<br />
TEOLOGIA NATURAL:<br />
Estuda fatos que se referem a Deus e Seu universo que se encontra revelado na<br />
natureza.<br />
TEOLOGIA PRÁTICA:<br />
Trata da aplicação da verdade aos corações dos homens trazidas pelos outros<br />
ramos da teologia, sobretudo a sistemática. Ela busca aplicar à vida prática os<br />
ensinamentos das outras teologias, para edificação, educação, e aprimoramento<br />
do serviço dos homens. Ela abrange os cursos de homilética, administração da<br />
igreja, liderança liturgia, educação cristã e missões.<br />
15
OBJETIVO DA TEOLOGIA<br />
―A coleção, o arranjo lógico, a comparação, a exposição e a defesa de todos os<br />
fatos de todas as fontes com respeito a Deus e Suas relações com o Universo‖<br />
(Paul Davidson, Vol. I, p. 2).<br />
―O papel da Teologia como ciência não é criar fatos, mas descobri-los e<br />
apresentar a relação deles entre si. Os fatos com que lida a Teologia estão na<br />
Bíblia‖ (Paul Davidson, idem).<br />
LIMITAÇÕES AO CONHECIMENTO TEOLÓGICO<br />
Limitações da mente humana (Rm 11:33; 2 Pe 3:16);<br />
Limitações da linguagem humana (2 Co 12:4);<br />
Restrições colocadas pelo próprio Deus (Deuteronômio 29:29; Provérbios 25:2;<br />
Marcos 13:32; Jô 16:12; Atos 1:7).<br />
Para chegarmos à organização que temos hoje, foram necessários anos de<br />
estudos e combate às heresias. Após a era apostólica (morte dos apóstolos)<br />
surgiram figuras de muita importância no cenário cristão, os apologistas,<br />
estudiosos cristãos que defendiam a fé diante das heresias que surgiam em sua<br />
época, como Justino Mártir, Tertuliano, Irineu entre outros (100 – 451 d.c.). Essa<br />
apologética contribuiu em muito para a organização das doutrinas bíblicas como<br />
as temos hoje.<br />
16
A NATUREZA DA DOUTRINA<br />
A Bíblia Sagrada dá grande relevância à doutrina, e afirma fornecer o material<br />
próprio para seu conteúdo. Ela é enfática em sua condenação contra o que é<br />
falso. Adverte contra as "doutrinas dos homens" (Cl. 2.22); contra a "doutrina<br />
dos fariseus" (Mt. 16.12); contra os "ensinos de demônios" (I Tim. 4.1); contra os<br />
que ensinam "doutrinas que são preceitos de homens" (Mc. 7.7); contra os que<br />
"são levados ao redor por todo vento de doutrina" (Ef.4.14).<br />
No entanto, se por um lado a Bíblia condena o falso profeta, por outro exorta e<br />
recomenda a verdadeira doutrina. Entre outras coisas para a doutrina que "da<br />
Escritura é... útil para o ensino" (2 Tim. 3.16). Portanto, nas Escrituras a doutrina<br />
é reputada como "boa" (I Tim. 4.6); "sã" (I Tim. 1.10); "segundo a piedade" (I<br />
Tim. 6.3); "de Deus" (Tt. 2.10), e "de Cristo" (II Jo.9).<br />
Para alguns cristãos, a palavra "doutrina" pode se mostrar um tanto<br />
ameaçadora. Ela evoca visões de crenças muito técnicas, difíceis e abstratas,<br />
talvez apresentadas de forma dogmática. Doutrina, entretanto, não é isso.<br />
A doutrina cristã é apenas a declaração das crenças mais fundamentais do<br />
cristão: crenças sobre a natureza de Deus; sobre sua ação; sobre nós, que<br />
somos suas criaturas; e sobre o que Deus fez para nos trazer à comunhão com<br />
ele.<br />
Longe de serem áridas ou abstratas, são as espécies mais importantes de verdades. São<br />
declarações sobre as questões fundamentais da vida, ou seja, quem sou eu? Qual é o<br />
sentido último do universo? Para onde vou? A doutrina cristã, portanto, constitui-se<br />
17
das respostas que o cristão dá àquelas perguntas que todos os seres humanos<br />
fazem.<br />
A doutrina lida como verdades gerais ou atemporais sobre Deus e sobre o<br />
restante da realidade. Não é apenas um estudo de eventos históricos<br />
específicos tais como o que Deus fez, mas da própria natureza do Deus que<br />
atua na história.<br />
Crenças doutrinárias corretas são essenciais no relacionamento entre o cristão e<br />
Deus. Assim, por exemplo, o autor de Hebreus disse: ―De fato, sem fé é<br />
impossível agradar a Deus, portanto é necessário que aquele que se aproxima<br />
de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam" (Hb.<br />
11.6).<br />
Também importante para um relacionamento adequado com Deus é a crença na<br />
humanidade de Jesus; João escreveu: " Nisto reconheceis o Espírito de Deus:<br />
todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus" (I Jo 4.2).<br />
Paulo destacou a importância da crença na ressurreição de Cristo: " Se você<br />
confessar com a boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o<br />
ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça,<br />
e com a boca se confessa para salvação" (Rom. 10.9,10,NIV).<br />
A IMPORTÂNCIA DA TEOLOGIA<br />
É comum em nossas igrejas, principalmente as pentecostais, existir um<br />
sentimento de negativismo em relação à teologia, certa vez ouvi um obreiro<br />
18
dizer o seguinte: “eu não compro uma Bíblia de estudo porque contém teologia de<br />
homens”, Bíblias de estudo à parte, esta opinião equivocada tem contribuído para que o<br />
ensino teológico seja colocado à margem, talvez por um desconhecimento da teologia e<br />
seus efeitos na vida cristã individual e da igreja. A importância da teologia se dá em<br />
alguns aspectos:<br />
SATISFAZ A MENTE HUMANA<br />
Deus quando criou o homem, deu-lhe uma capacidade especial, o intelecto, a<br />
razão, ou raciocínio, é da mente humana querer entender o que está ao seu<br />
redor, o homem não concebe viver sem entender a vida, já dizia o filósofo<br />
Sócrates ―uma vida sem reflexão não merece ser vivida‖. A teologia como<br />
ciência humana, vem para tentar preencher a lacuna do entendimento humano<br />
acerca de Deus, fundamentando-se no que Ele revelou em sua Palavra, a Bíblia,<br />
que é a fonte primária da teologia (Mateus 22.37).<br />
AJUDA NA FORMAÇÃO DO CARÁTER CRISTÃO<br />
A teologia injeta em nosso intelecto um conhecimento sobre Deus que influi no<br />
desenvolvimento do nosso caráter cristão, moldando a nossa mente para tornarse<br />
parecida com a de Cristo, ter uma mente cristã é ver o mundo com a lente<br />
dos ensinamentos de Cristo.<br />
―Ter a mente cristã é compreender o mundo ao nosso redor, influenciados pela<br />
verdade de Deus, a ponto de, mesmo imperfeitamente, pensarmos os<br />
pensamentos de Deus a respeito de qualquer assunto: desde o salário digno de<br />
uma empregada doméstica que tem duas crianças para cuidar e alimentar até as<br />
implicações éticas da biogenética. Entre outras coisas, ter a mente cristã é<br />
19
também fazer a análise de um filme ou de uma novela, à luz do ensino do evangelho.” (R.<br />
RAMOS, 2003, p. 20)<br />
SERVE PARA PUREZA E DEFESA DO CRISTIANISMO<br />
Ao longo da história da Igreja, surgiram, e ainda surgem muitas teorias,<br />
doutrinas, correntes, heresias e afins. Para que a igreja esteja preparada para<br />
combater isso e manter uma doutrina bíblica pura, sua teologia precisa estar<br />
fundamenta da Bíblia, alguns movimentos religiosos têm sua doutrina<br />
fundamentada em teorias que foram combatidas ainda pelos pais da igreja, a<br />
doutrina da trindade é um exemplo disso.<br />
CONTRIBUI PARA O AVANÇO DO EVANGELHO<br />
A Igreja avança de forma sadia quando compreende o significado do evangelho,<br />
sendo capaz de dar uma explicação inteligível da verdade a outrem. Os líderes<br />
da Igreja têm a responsabilidade de cuidar do desenvolvimento do rebanho (Ef.<br />
4.11-14).<br />
FUNDAMENTA A PRÁTICA CRISTÃ<br />
Para o cristão é imprescindível entender as escrituras para por em prática os<br />
seus mandamentos, a qualidade da nossa espiritualidade é proporcional à<br />
qualidade do nosso entendimento da Bíblia.<br />
20
AS ESCRITURAS<br />
2 Timóteo 3.16,17 ―Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para<br />
ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem<br />
de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.‖<br />
O termo ―Escritura‖, conforme se encontra em 2 Timóteo 3.16, refere-se<br />
principalmente aos escritos do Antigo Testamento(3.15). Há evidências, porém,<br />
de que escritos do Novo Testamento já eram considerados Escritura<br />
divinamente inspirada por volta do período em que Paulo escreveu 2 Timóteo<br />
(1Tm 5.18, cita Lc 10.7; 2Pe 3.15,16). Para nós, hoje, a Escritura refere-se aos<br />
escritos divinamente inspirados tanto do Antigo Testamento quanto do Novo<br />
Testamento. São (os escritos) a mensagem original de Deus para a<br />
humanidade, e o único testemunho infalível da graça salvífica de Deus para<br />
todas as pessoas.<br />
Paulo afirma que toda a Escritura é inspirada por Deus. A palavra ―inspirada‖ (gr.<br />
theopneustos) provém de duas palavras gregas: Theos, que significa ―Deus‖, e<br />
pneuo, que significa ―respirar‖. Sendo assim, ―inspirado‖ significa ―respirado por<br />
Deus‖. Toda a Escritura, portanto, é respirada por Deus; é a própria vida e<br />
Palavra de Deus. A Bíblia, nas palavras dos seus manuscritos originais, não<br />
contém erro; sendo absolutamente verdadeira, fidedigna e infalível. Esta<br />
verdade permanece inabalável, não somente quando a Bíblia trata da salvação,<br />
dos valores éticos e da moral, como também está isenta de erro em tudo aquilo<br />
21
que ela trata, inclusive a história e o cosmos cf. 2Pe 1.20,21; veja também a<br />
atitude do salmista para com as Escrituras no Salmos 119).<br />
Os escritores do Antigo Testamento estavam conscientes de que o que<br />
disseram ao povo e o que escreveram é a Palavra de Deus (ver Dt 18.18; 2Sm<br />
23.2). Repetidamente os profetas iniciavam suas mensagens com a expressão:<br />
―Assim diz o Senhor‖.<br />
Jesus também ensinou que a Escritura é a inspirada Palavra de Deus até em<br />
seus mínimos detalhes (Mateus 5.18). Afirmou, também, que tudo quanto Ele<br />
disse foi recebido da parte do Pai e é verdadeiro (Jo 5.19, 30,31; 7.16; 8.26). Ele<br />
falou da revelação divina ainda futura (a verdade revelada do restante do Novo<br />
Testamento), da parte do Espírito Santo através dos apóstolos (Jo 16.13; cf.<br />
14.16,17; 15.26,27).<br />
Negar a inspiração plenária das Sagradas Escrituras, portanto, é desprezar o<br />
testemunho fundamental de Jesus Cristo (Mateus 5.18; 15.3-6; Lc 16.17; 24.25-<br />
27, 44,45; Jo 10.35), do Espírito Santo (Jo 15.26; 16.13; 1Co 2.12-13; 1Tm 4.1)<br />
e dos apóstolos (3.16; 2Pe 1.20,21). Além disso, limitar ou descartar a sua<br />
inerrância é depreciar sua autoridade divina.<br />
Na sua ação de inspirar os escritores pelo seu Espírito, Deus, sem violar a<br />
personalidade deles, agiu neles de tal maneira que escreveram sem erro (3.16;<br />
2Pe 1.20,21; ver 1Co 2.12,13 notas).<br />
22
A inspirada Palavra de Deus é a expressão da sabedoria e do caráter de Deus e<br />
pode, portanto, transmitir sabedoria e vida espiritual através da fé em Cristo<br />
(Mateus 4.4; Jo 6.63; 2 Timóteo 3.15; 1Pe 2.2).<br />
As Sagradas Escrituras são o testemunho infalível e verdadeiro de Deus, na sua<br />
atividade salvífica a favor da humanidade, em Cristo Jesus. Por isso, as<br />
Escrituras são incomparáveis, eternamente completas e incomparavelmente<br />
obrigatórias. Nenhuma palavra de homens ou declarações de instituições<br />
religiosas igualam-se à autoridade delas.<br />
Qualquer doutrina, comentário, interpretação, explicação e tradição deve ser<br />
julgado e validado pelas palavras e mensagem das Sagradas Escrituras (ver Dt<br />
13.3).<br />
As Sagradas Escrituras como a Palavra de Deus devem ser recebidas, cridas e<br />
obedecidas como a autoridade suprema em todas as coisas pertencentes à vida<br />
e à piedade (Mateus 5.17-19; Jo 14.21; 15.10; 2 Timóteo 3.15,16; ver Êx 20.3).<br />
Na Igreja, a Bíblia deve ser a autoridade final em todas as questões de ensino,<br />
de repreensão, de correção, de doutrina e de instrução na justiça (2 Timóteo<br />
3.16,17). Ninguém pode submeter-se ao senhorio de Cristo sem estar submisso<br />
a Deus e à sua Palavra como a autoridade máxima (Jo 8.31,32, 37).<br />
Só podemos entender devidamente a Bíblia se estivermos em harmonia com o<br />
Espírito Santo. É Ele quem abre as nossas mentes para compreendermos o seu<br />
sentido, e quem dá testemunho em nosso interior da sua autoridade (ver 1Co<br />
2.12).<br />
23
Devemos nos firmar na inspirada Palavra de Deus para vencer o poder do<br />
pecado, de Satanás e do mundo em nossas vidas (Mateus 4.4; Ef 6.12,17; Tg<br />
1.21).<br />
Todos devem amar, estimar e proteger as Escrituras como um tesouro, tendo-as<br />
como a única verdade de Deus para um mundo perdido e moribundo. Devemos<br />
manter puras as suas doutrinas, observando fielmente os seus ensinos,<br />
proclamando a sua mensagem salvífica, confiando-as a homens fiéis, e<br />
defendendo-as contra todos que procuram destruir ou distorcer suas verdades<br />
eternas (ver Fp 1.16; 2 Timóteo 1.13,14 notas; 2.2; Jd 3). Ninguém tem<br />
autoridade de acrescentar ou subtrair qualquer coisa da Escritura (ver Dt 4.2<br />
nota; Apocalipse 22.19 nota).<br />
Um fato final a ser observado aqui. A Bíblia é infalível na sua inspiração somente<br />
no texto original dos livros que lhe são inerentes. Logo, sempre que acharmos<br />
nas Escrituras alguma coisa que parece errada, ao invés de pressupor que o<br />
escritor daquele texto bíblico cometeu um engano, devemos ter em mente três<br />
possibilidades no tocante a um tal suposto problema:<br />
(a) as cópias existentes do manuscrito bíblico original podem conter inexatidão;<br />
(b) as traduções atualmente existentes do texto bíblico grego ou hebraico podem<br />
conter falhas; ou<br />
(c) a nossa própria compreensão do texto bíblico pode ser incompleta ou<br />
incorreta.<br />
24
A DOUTRINA DE DEUS<br />
DEFINIÇÕES BÍBLICAS:<br />
As expressões "Deus é Espírito" (Jo. 4: 24) e "Deus é Luz " ( I Jo.1:5), são<br />
expressões da natureza essencial de Deus, enquanto que a expressão "Deus é<br />
amor" ( I Jo. 4:7) é expressão de Sua personalidade. ( I Tm.6:16)<br />
DEFINIÇÃO CRISTÃ DO BREVE CATECISMO:<br />
Deus é um Espírito, infinito, eterno e imutável em Seu Ser, sabedoria, poder,<br />
santidade, justiça, bondade e verdade.<br />
DEFINIÇÃO FILOSÓFICA DE PLATÃO:<br />
Deus é o começo, o meio e o fim de todas as coisas. Ele é a mente ou razão<br />
suprema; a causa eficiente de todas as coisas; eterno, imutável, onisciente,<br />
onipotente; tudo permeia e tudo controla; é justo, santo, sábio e bom; o<br />
absolutamente perfeito, o começo de toda a verdade, a fonte de toda a lei e<br />
justiça, a origem de toda a ordem e beleza e, especialmente, a causa de todo o<br />
bem.<br />
DEFINIÇÃO COMBINADA: Deus é um espírito infinito e perfeito em quem todas<br />
as coisas têm sua origem, sustentação e fim (Jo. 4:24; Ne. 9:6; Apocalipse l:8;<br />
Is. 48:12; Apocalipse 1:17).<br />
25
A EXISTÊNCIA DE DEUS<br />
TEORIAS SOBRE A EXISTÊNCIA DE DEUS:<br />
ATEÍSMO: Nega a existência teórica e prática de Deus.<br />
DEÍSMO: Deus criou, mas se retirou e deixa a criação à sua própria sorte. Não<br />
interfere.<br />
PANTEÍSMO: Deus é uma força impessoal que está presente em tudo.<br />
TEÍSMO: Existe um Deus, vivo e pessoal, que criou e governa todas as coisas.<br />
Não se pode duvidar da existência de ateus práticos, visto que tanto a Escritura<br />
como a experiência a atestam. A respeito dos ímpios o Salmo 14.1 declara: ―Diz<br />
o insensato no seu coração: não há Deus‖ (Salmos 10.4b). E Paulo lembra aos<br />
Efésios que eles tinham estado anteriormente ―sem Deus no mundo‖, Efésios<br />
2.12. A experiência também dá abundante testemunho da presença deles no<br />
mundo. Eles não são necessariamente ímpios notórios aos olhos dos homens,<br />
mas podem pertencer aos assim chamados ―homens decentes do mundo‖,<br />
embora consideravelmente indiferentes para com as coisas espirituais.<br />
Tais pessoas muitas vezes têm a consciência do fato de que estão em<br />
desarmonia com Deus, tremem ao pensar em defrontá-lo e procuram esquecêlo.<br />
Parecem Ter um secreto prazer em exibir o seu ateísmo quando tudo vai<br />
bem, mas é sabido que dobram os seus joelhos em oração quando sua vida<br />
entra repentinamente em perigo. Na época presente, milhares desses ateus<br />
práticos pertencem à Associação Americana para o Progresso do Ateísmo.<br />
26
Para nós a existência de Deus é a grande pressuposição da teologia. Não há<br />
sentido em falar-se do conhecimento de Deus, se não se admite que Deus<br />
existe. A pressuposição da teologia cristã é um tipo muito definido. A suposição<br />
não é apenas de que há alguma coisa, alguma idéia ou ideal, algum poder ou<br />
tendência com propósito, a que se possa aplicar o nome de Deus, mas que há<br />
um ser pessoal auto-consciente, auto-existente, que é a origem de todas as<br />
coisas e que transcende a criação inteira, mas ao mesmo tempo é imanente em<br />
cada parte da criação.<br />
Pode-se levantar a questão se esta suposição é razoável, questão que pode ser<br />
respondida na afirmativa. Não significa, contudo, que a existência de Deus é<br />
passível de uma demonstração lógica que não deixa lugar nenhum para dúvida;<br />
mas significa, sim, que, embora verdade da existência de Deus seja aceita pela<br />
fé, esta fé, se baseia numa informação confiável.<br />
Embora a teologia reformada considere a existência de Deus como<br />
pressuposição inteiramente razoável, não se arroga a capacidade de demonstrar<br />
isto por meio de uma argumentação racional.<br />
Dr. Kuyper fala como segue da tentativa de fazê-lo: ―A tentativa de provar a<br />
existência de Deus ou é inútil ou é um fracasso. É inútil se o pesquisador<br />
acredita que Deus recompensa aqueles que O procuram. É um fracasso se, se<br />
trata de uma tentativa de forçar, mediante argumentação, ao reconhecimento,<br />
num sentido lógico, uma pessoa que não tem esta pistis‖<br />
27
ACEITAR A EXISTENCIA DE DEUS PELA FÉ<br />
O Cristão aceita a verdade da existência de Deus pela fé. Mas esta fé não é<br />
uma fé cega, mas fé baseada em provas, e as provas se acham, primariamente,<br />
na Escritura como a Palavra de Deus inspirada, e, secundariamente, na<br />
revelação de Deus na natureza. A prova bíblica sobre este ponto não nos vem<br />
na forma de uma declaração explícita, e muito menos na forma de um<br />
argumento lógico. Nesse sentido a Bíblia não prova a existência de Deus.<br />
O que mais se aproxima de uma declaração talvez seja o que lemos em<br />
Hebreus 11:6 ―… é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que<br />
Ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam‖. A Bíblia pressupõe a<br />
existência de Deus em sua declaração inicial, ―No principio criou Deus os céus e<br />
a terra‖. Ela não somente descreve a Deus como o Criador de todas as coisas,<br />
mas também como o Sustentador de todas as Suas criaturas. E como o<br />
Governador de indivíduos e nações. Ela testifica o fato de que Deus opera todas<br />
as coisas de acordo com o conselho da Sua vontade, e revela a gradativa<br />
realização do Seu grandioso propósito de redenção.<br />
O preparo para esta obra, especialmente na escolha e direção do povo de Israel<br />
na velha aliança, vê-se claramente no Velho Testamento, e a sua culminação<br />
inicial na Pessoa e Obra de Cristo ergue-se com grande clareza nas páginas do<br />
Novo testamento. Vê-se Deus em quase todas as páginas da Escritura Sagrada<br />
em que Ele se revela em palavras e atos. Esta revelação de Deus constitui a<br />
base da nossa fé na existência de Deus, e a torna uma fé inteiramente razoável.<br />
28
Deve-se notar, contudo, que é somente pela fé que aceitamos a revelação de<br />
Deus e que obtemos uma real compreensão do seu conteúdo. Disse Jesus, ―Se<br />
alguém quiser fazer a vontade dEle, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é<br />
de Deus ou se eu falo por mim mesmo‖, João 7.17. É este conhecimento<br />
intensivo, resultante de íntima comunhão com Deus, que Oséias tem em mente<br />
quando diz, ―Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor‖, Oséias 6.3.<br />
O incrédulo não tem nenhuma real compreensão da palavra de Deus. As<br />
palavras de Paulo são pertinentes nesta conexão: ―Onde está o sábio? Onde o<br />
escriba? Onde o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a<br />
sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o<br />
conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem, pela<br />
loucura da pregação‖, 1 Coríntios 1.20, 21.<br />
PROVAS RACIONAIS DA EXISTÊNCIA DE DEUS.<br />
No transcurso do tempo foram elaborados alguns argumentos em favor da<br />
existência de Deus. Acharam ponto de apoio na teologia, especialmente pela<br />
influência de Wolff. Alguns deles já tinham sido sugeridos, em essência, por<br />
Platão e Aristóteles, e outros foram acrescentados modernamente por<br />
estudiosos da filosofia da religião. Somente os mais comuns podem ser<br />
apresentados aqui.<br />
O ARGUMENTO ONTOLÓGICO.<br />
29
Este argumento foi apresentado em várias formas por Anselmo, Descartes,<br />
Samuel Clark, e outros. Foi apresentado em sua mais perfeita forma por<br />
Anselmo. Este argumenta que o homem tem a idéia de um ser absolutamente<br />
perfeito; que a existência é atributo de perfeição; e que, portanto, um ser<br />
absolutamente perfeito tem que existir. Mas é evidente que não podemos tirar<br />
uma conclusão quanto à existência real partindo de um pensamento abstrato.<br />
O fato de que temos uma idéia de Deus ainda não prova a Sua existência<br />
objetiva. Além disto, este argumento pressupõe tacitamente como já existente<br />
na mente humana o próprio conhecimento da existência de Deus que teria que<br />
derivar de uma demonstração lógica. Kant declarou, com ênfase, insustentável<br />
este argumento, mas Hegel o aclamou como um grande argumento em favor da<br />
existência de Deus. Alguns idealistas modernos sugeriram que ele poderia ser<br />
proposto de forma um tanto diferente, como a que Hocking chamou, ―O registro<br />
da experiência‖. Em virtude podemos dizer: ―Tenho idéia de Deus: portanto,<br />
tenho experiência de Deus‖.<br />
O ARGUMENTO COSMOLÓGICO.<br />
Este argumento tem aparecido em diversas formas. Em geral se apresenta<br />
como segue: Cada coisa existente no mundo tem que ter uma causa adequada;<br />
sendo assim, o universo também tem que ter uma causa adequada, isto é, uma<br />
causa indefinidamente grande. Contudo, o argumento não produz convicção, em<br />
geral. Hume questionou a própria lei de causa e efeito, e Kant assinalou que, se<br />
tudo que existe tem uma causa adequada, isto se aplica também a Deus, e,<br />
assim, somos suposição de que o cosmo teve uma causa única, uma causa<br />
pessoal e absoluta, e, portanto, não prova a existência de Deus. Esta dificuldade<br />
30
levou a uma construção ligeiramente diversa do argumento como, por exemplo,<br />
a que B.P.Bowne fez.<br />
O universo material aparece como sistema interativo e, portanto, como uma<br />
unidade que consiste de várias partes. Daí, deve haver um Agente Integrante<br />
que veicule a interação das várias partes ou constitua a base dinâmica da<br />
existência delas.<br />
O ARGUMENTO TELEOLÓGICO.<br />
Este argumento também é causal e, na verdade, é apenas uma extensão do<br />
imediatamente anterior. Pode ser exposto da seguinte forma: Em toda parte o<br />
mundo revela inteligência, ordem, harmonia e propósito, e assim implica a<br />
existência de um ser inteligente e com propósito, apropriado para a produção de<br />
um mundo como este. Kant considera este argumento o melhor dos três que<br />
mencionamos, mas alega que ele não prova a existência de Deus, nem de um<br />
criador, mas somente a de um grande arquiteto que modelou o mundo.<br />
É superior ao argumento cosmológico no sentido de que explicita aquilo que não<br />
é firmado no anterior, a saber, que o mundo contém evidências de inteligência e<br />
propósito. Não se segue necessariamente que este ser é o Criador do mundo.<br />
―A prova teológica‖. Diz Wright. ―indica apenas a provável existência de uma<br />
mente que, ao menos em considerável medida, controla o processo do mundo,<br />
suficiente para explicar a quantidade de teleologia que nele transparece‖. Hegel<br />
considerava este argumento válido, mas o tratava como um argumento<br />
subordinado. Os teólogos sociais dos nossos dias rejeitam-no, juntamente com<br />
todos os outros argumentos, como puro refugo, mas os neoteístas o aceitam.<br />
31
O ARGUMENTO MORAL.<br />
Como os outros argumentos, este também assumiu diferentes formas. Kant<br />
tomou seu ponto de partida no imperativo categórico, e deste deferiu a<br />
existência de alguém que, como legislador e juiz, tem absoluto direito de<br />
dominar o homem. Em sua opinião, este argumento é muito superior a qualquer<br />
dos outros. É o argumento em que se apóia principalmente, em sua tentativa de<br />
provar a existência de Deus.<br />
Esta pode ser uma das razões pelas quais este argumento é mais geralmente<br />
reconhecido do que qualquer outro, embora nem sempre com a mesma<br />
formulação. Alguns argumentam baseados na desigualdade muitas vezes<br />
observada entre a conduta moral dos homens e a prosperidade que eles gozam<br />
na vida presente, e acham que isso requer um ajustamento no futuro que, por<br />
sua vez, exige um árbitro justo. A teologia moderna também o usa amplamente,<br />
em especial na forma de que o reconhecimento que o homem tem do Sumo<br />
Bem e a sua busca de uma ideal moral exigem e necessitam a existência de um<br />
ser santo e justo, não torna obrigatória a crença em um Deus, em um Criador ou<br />
em um Ser de infinitas perfeições.<br />
O ARGUMENTO HISTÓRICO OU ETNOLÓGICO.<br />
Em geral este argumento toma a seguinte forma: Entre todos os povos e tribos<br />
da terra há um sentimento religioso que se revela em cultos exteriores. Visto que<br />
o fenômeno é universal, deve pertencer à própria natureza do homem. E se a<br />
natureza do homem naturalmente leva ao culto religioso, isto só pode achar sua<br />
explicação num ser superior que constituiu o homem um ser religioso. Todavia,<br />
32
em resposta a este argumento, pode-se dizer que este fenômeno universal pode<br />
ter-se originado num erro ou numa compreensão errônea de um dos primitivos<br />
progenitores da raça humana, e que o culto religioso referido aparece com mais<br />
vigor entre as raças primitivas e desaparece à medida que elas se tornam<br />
civilizadas.<br />
Ao avaliar estes argumentos racionais, deve-se assinalar antes de tudo que os<br />
crentes não precisam deles. Sua convicção a respeito da existência de Deus<br />
não depende deles, mas, sim, da confiante aceitação da auto-revelação de Deus<br />
na Escritura. Se muitos em nossos dias estão querendo firmar sua fé na<br />
existência de Deus nesses argumentos racionais, isto se deve em grande<br />
medida ao fato de que eles se negam a aceitar o testemunho da palavra de<br />
Deus. Além disso, ao usar estes argumentos na tentativa de convencer pessoas<br />
incrédulas, será bom ter em mente que de nenhum que nenhum deles se pode<br />
dizer que transmite convicção absoluta.<br />
Ninguém fez mais para desacreditá-los que Kant. Desde o tempo dele, muitos<br />
filósofos e teólogos os têm descartado como completamente inúteis, mas hoje<br />
os referidos argumentos estão recuperando apoio e o seu número está<br />
crescendo. E o fato de que em nossos dias tanta gente acha neles indicações<br />
satisfatórias da existência de Deus, parece indicar que eles não são inteiramente<br />
vazios de valor. Têm algum valor para os próprios crentes, mas devem ser<br />
denominados testimonia, e não argumentos.<br />
Eles são importantes como interpretações da revelação geral de Deus e como<br />
elementos que demonstram o caráter razoável da fé em um ser divino. Além<br />
disso. Podem prestar algum serviço na confrontação com os adversários.<br />
33
Embora não provem a existência de Deus além da possibilidade de dúvida e a<br />
ponto de obrigar o assentimento, podem ser elaborados de maneira que<br />
estabeleçam uma forte probabilidade e, por isso, poderão silenciar muitos<br />
incrédulos.<br />
CONCLUSÃO:<br />
Nada podemos saber de Deus, se Ele mesmo não quiser revelar. Todo nosso<br />
conhecimento de Deus é derivado de sua auto-revelação na natureza e nas<br />
escrituras sagradas, precisamos de um relacionamento pessoal intimo com ELE.<br />
ESSÊNCIA, NATUREZA DE DEUS:<br />
Quando falamos em essência de Deus, queremos significar tudo o que é<br />
essencial ao Seu Ser como Deus, isto é, substância e atributos.<br />
SUBSTÂNCIA DE DEUS:<br />
Há duas substâncias: matéria e espírito.<br />
Deus é uma substância simples: A substância de Deus é puro espírito, sem<br />
mistura com a matéria (Jo.4:24).<br />
ATRIBUTOS DE DEUS:<br />
Sua substância é Espírito e Seus atributos são as qualidades ou propriedades<br />
dessa substância. Atributos é a manifestação do Ser de Deus.<br />
34
CLASSIFICAÇÃO DOS ATRIBUTOS:<br />
NATURAIS E MORAIS:<br />
Também chamados de "intransitivos e transitivos", "incomunicáveis e<br />
comunicáveis", "absolutos e relativos", "negativos e positivos" ou "imanentes e<br />
emanentes".<br />
ATRIBUTOS NATURAIS:<br />
VIDA:<br />
Deus tem vida; Ele ouve, vê, sente e age, portanto é um Ser vivo (Jo.10:10;<br />
Salmos94:9,l0; IICr.16:9; At.14:15; ITs.1:9). Quando a Bíblia fala do olho, do<br />
ouvido, da mão de Deus, etc., fala metaforicamente. A isto se dá o nome de<br />
antropomorfismo. Deus é vida (Jo.5:26; 14:26) e o princípio de vida<br />
(At.17:25,28).<br />
ESPIRITUALIDADE:<br />
Deus, sendo Espírito, é incorpóreo, invisível, sem substância material, sem<br />
partes ou paixões físicas e, portanto, é livre de todas as limitações temporais<br />
(Jo.4:24; Dt.4:15-19,23; Hb.12:9; Is.40:25; Lc.24:39; Cl.1:15; ITm.1:17; IICo.3:17)<br />
35
PERSONALIDADE:<br />
Existência dotada de auto-consciência e auto-determinação (Ex.3:14; Is.46:11).<br />
a) Volição ou vontade = querer (Is.46:10; Ap. 4:11).<br />
b) Razão ou intelecto = pensar (Is.14:24; Salmos92:5; Is.55:8).<br />
c) Emoção ou sensibilidade = sentir (Gêneses 6:6, IRs.11:9, Dt.6:15; Provérbios<br />
.6:16; Tg.4:5)<br />
TRI-UNIDADE:<br />
UNIDADE DE SER:<br />
Há no Ser divino apenas uma essência indivisível. Deus é um em sua natureza<br />
constitucional. A palavra hebraica que significa um no sentido absoluto é<br />
yacheed (Gêneses 22:2), isto é, uma unidade numérica simples. Essa palavra<br />
não é empregada para expressar a unidade da divindade. A unidade da<br />
divindade é ensinada nas palavras de Jesus: Eu e o Pai somos um. (Jo.10:30).<br />
Jesus está falando da unidade da essência e não de unidade de propósito.<br />
(Jo.17:11,21-23, IJo.5:7)<br />
TRINDADE DE PERSONALIDADE:<br />
Há três Pessoas no Ser divino: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A palavra<br />
hebraica que significa um no sentido de único é echad que se refere a uma<br />
unidade composta. Esta palavra é empregada para expressar a unidade da<br />
divindade. Esta palavra é usada em Dt.6:4; Gêneses 2:24 e Zc.14:9 (Veja<br />
36
também Dt.4:35;32:39; ICr.29:1; Is.43:10;44:6;45:5; IRs.8:60; Mc.10:9;12:29;<br />
ICo.8:5,6; ITm.2:5; Tg.2:19; Jo.17:3; Gl.3:20; Ef.4:6).<br />
ELOHIM:<br />
Este nome está no plural e não concorda com o verbo no singular quando<br />
designativo de Deus (Gêneses 1:26;3:22; 11:6,7;20:13;48:15; Is.6:8)<br />
HÁ DISTINÇÃO DE PESSOAS NA DIVINDADE:<br />
Algumas passagens mostram uma das Pessoas divinas se referindo à outra<br />
(Gêneses 19:24; Os.1:7; Zc.3:1,2; IITm.1:18; Salmos110:1; Hb.1:9).<br />
AUTO EXISTÊNCIA<br />
Jerônimo disse: Deus é a origem de Si mesmo e a causa de Sua própria<br />
substância. Jerônimo estava errado, pois Deus não tem causa de existência,<br />
pois não criou a Si mesmo e não foi causado por outra coisa ou por Si mesmo;<br />
Ele nunca teve início.<br />
Ele é o Eterno EU SOU (Ex.3:14), portanto Deus é absolutamente independente<br />
de tudo fora de Si mesmo para a continuidade e perpetuidade de Seu Ser. Deus<br />
é a razão de sua própria existência (Jo.5:26; At.17:24-28; ITm.6:15,16).<br />
37
INFINIDADE OU PERFEIÇÃO<br />
É o atributo pelo qual Deus é isento de toda e qualquer limitação em seu Ser e<br />
em seus atributos (Jó.11:7-10; Mt.5:48). A infinidade de Deus se contrasta com o<br />
mundo finito em sua relação tempo-espaço.<br />
ETERNIDADE<br />
A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade. Deus é<br />
Eterno (Salmos 90:2; 102:12,24-27; Salmos 93:2; Ap.1:8; Dt.33:27; Hb.1:12). A<br />
eternidade de Deus não significa apenas duração prolongada, para frente e para<br />
traz, mas sim que Deus transcende a todas as limitações temporais (IIPe.3:8)<br />
existentes em sucessões de tempo. Deus preenche o tempo. Nossa vida se<br />
divide em passado, presente e futuro. mas não há essa divisão na vida de Deus.<br />
Ele é o Eterno EU SOU. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e<br />
de toda a sucessão de momentos, e tem a totalidade de sua existência num<br />
único presente indivisível (Is.57:15).<br />
IMENSIDÃO<br />
A infinidade de Deus em relação ao espaço é denominada imensidão ou<br />
imensidade. Deus é imenso (Grande ou Majestoso; Jó.36:5,26; Jó.37:22,23;<br />
Jr.22:18; Salmos145:3). Imensidão é a perfeição de Deus pela qual Ele<br />
transcende (ultrapassa) todas as limitações espaciais e, contudo está presente<br />
em todos os pontos do espaço com todo o seu Ser PESSOAL (não é<br />
panteísmo).<br />
38
A imensidão de Deus é intensiva e não extensiva, isto é, não significa extensão<br />
ilimitada no espaço, como no panteísmo. A imensidão de Deus é transcendente<br />
no espaço (intramundano ou imanente = dentro do mundo – Salmos 139:7-12;<br />
Jr.23:23,24) e fora do espaço (supramundano = acima do mundo; extramundano<br />
= além do mundo; emanente = fora do mundo - IRs.8:27; Is.57:15).<br />
ONIPRESENÇA:<br />
É quase sinônimo de imensidão: A imensidade denota a transcendência no<br />
espaço enquanto que a onipresença denota a imanência no espaço. Deus é<br />
imanente em todas as Suas criaturas e em toda a criação. A imanência não<br />
deve ser confundida com o panteísmo (tudo é Deus) ou com o deísmo que<br />
ensina que Deus está presente no mundo apenas com seu poder (per<br />
portentiam) e não com a essência e natureza de ser Ser (per essentiam et<br />
naturam) e que age sobre o mundo à distância.<br />
Deus ocupa o espaço repletivamente porque preenche todo o espaço e não está<br />
ausente em nenhuma parte dele, mas tampouco está mais presente numa parte<br />
que noutra (Salmos 139:11,12). Deus ocupa o espaço variavelmente porque Ele<br />
não habita na terra do mesmo modo que habita no céu, nem nos animais como<br />
habita nos homens, nem nos ímpios como habita nos piedosos, nem na igreja<br />
como habita em Cristo (Is.66:1; At.17:27,28; Compare Ef.1:23 com Cl.2:9).<br />
IMUTABILIDADE:<br />
É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em Deus, em sua<br />
natureza, em seus atributos e em seu conselho.<br />
39
A "BASE" PARA A IMUTABILIDADE DE DEUS:<br />
É Sua simplicidade, eternidade, auto-existência e perfeição. Simplicidade porque<br />
sendo Deus uma substância simples, indivisível, sem mistura, não está sujeito a<br />
variação (Tg.1:17). Eternidade porque Deus não está sujeito às variações e<br />
circunstâncias do tempo, por isso Ele não muda (Salmos 102:26,27; Hb.1:12 e<br />
13:8). Auto-existência porque uma vez que Deus não é causado, mas existe em<br />
Si mesmo, então Ele tem que existir da forma como existe, portanto sempre o<br />
mesmo (Ex.3:14). E perfeição porque toda mudança tem que ser para melhor ou<br />
pior e sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais sábio, mais<br />
santo, mais justo, mais misericordioso, e nem menos. Por isso Deus é imutável<br />
como a rocha (Dt.32:4).<br />
IMUTABILIDADE NÃO SIGNIFICA IMOBILIDADE:<br />
Nosso Deus é um Deus de ação (Is.43:13).<br />
IMUTABILIDADE IMPLICA EM NÃO ARREPENDIMENTO:<br />
Alguns versículos falam de Deus como se Ele se arrependesse (Ex.32:14,<br />
IISm.24:16, Jr.18:8; Jl.2:13). Trata-se de antropomorfismo (Nm.23:19; Rm.11:29;<br />
ISm.15:29; Salmos110:4).<br />
IMUTABILIDADE DE DEUS EM SUA NATUREZA:<br />
Deus é perfeito em sua natureza por isso não muda nem para melhor nem para<br />
pior (Ml.3:6).<br />
40
IMUTABILIDADE DE DEUS EM SEUS ATRIBUTOS:<br />
Deus é imutável em suas promessas (IRs.8:56; IICo.1:20); em sua misericórdia<br />
(Salmos103:17; Is.54:10); em sua justiça (Ez.8:18); em seu amor (Gêneses<br />
18:25,26).<br />
IMUTABILIDADE DE DEUS EM SEU CONSELHO:<br />
Deus planejou os fatos conforme a sua vontade e decretou que este plano seja<br />
concretizado. Nada poderá se opor à sua vontade. O próprio Deus jamais<br />
mudará de opinião, mas fará conforme seu plano predeterminado (Is.46:9,10;<br />
Salmos33:11; Hb.6:17).<br />
ONISCIÊNCIA<br />
Atributo pelo qual Deus, de maneira inteiramente única, conhece-se a Si próprio<br />
e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples. O<br />
conhecimento de Deus tem suas características:<br />
É ARQUÉTIPO:<br />
Deus conhece o universo como ele existe em Sua própria idéia anterior à sua<br />
existência como realidade finita no tempo e no espaço; e este conhecimento não<br />
é obtido de fora, como o nosso (Rm.11:33,34).<br />
41
É INATO E IMEDIATO:<br />
Não resulta de observação ou de processo de raciocínio (Jó.37:16)<br />
É SIMULTÂNEO:<br />
Não é sucessivo, pois Deus conhece as coisas de uma vez em sua totalidade, e<br />
não de forma fragmentada uma após outra (Is. 40:28).<br />
É COMPLETO:<br />
Deus não conhece apenas parcialmente, mas plenamente consciente (Salmos<br />
147:5).<br />
CONHECIMENTO NECESSÁRIO:<br />
Conhecimento que Deus tem de Si mesmo e de todas as coisas possíveis, um<br />
conhecimento que repousa na consciência de sua onipotência. É chamado<br />
necessário porque não é determinado por uma ação da vontade divina.<br />
Por exemplo: O conhecimento do mal é um conhecimento necessário porque<br />
não é da vontade de Deus que o mal lhe seja conhecido (Hc.1:13) Deus não<br />
pode nem quer ver o mal, mas o conhece, não por experiência, que envolve uma<br />
ação de Sua vontade, mas sim por simples inteligência, por ser ato do intelecto<br />
divino (veja II Co.5:21 onde o termo grego ginosko é usado).<br />
42
CONHECIMENTO LIVRE:<br />
É aquele que Deus tem de todas as coisas reais, isto é, das coisas que existiram<br />
no passado, que existem no presente e existirão no futuro. É também chamado<br />
visionis, isto é, conhecimento de vista.<br />
PRESCIÊNCIA:<br />
Significa conhecimento prévio; conhecimento de antemão. Como Deus pode<br />
conhecer previamente as ações livres dos homens? Deus decretou todas as<br />
coisas, e as decretou com suas causas e condições na exata ordem em que<br />
ocorrem, portanto sua presciência de coisas contingentes (ISm.23:12;<br />
IIRs.13:19; Jr.38:17-20; Ez.3:6 e Mt.11:21) apoia-se em seu decreto.<br />
Deus não originou o mal mas o conheceu nas ações livres do homem<br />
(conhecimento necessário), o decretou e preconheceu os homens. Portanto a<br />
ordem é: conhecimento necessário, decreto, presciência. A presciência de Deus<br />
é muito mais do que saber o que vai acontecer no futuro, e seu uso no N.T. é<br />
empregado como na LXX que inclui Sua escolha efetiva (Nm.16:5; Jz.9:6;<br />
Am.3:2).<br />
Veja Rm.8:29; IPe.1:2; Gl.4:9. Como se processou o conhecimento necessário<br />
de Deus nas livres ações dos homens antes mesmo que Ele as decretasse? A<br />
liberdade humana não é uma coisa inteiramente indeterminada, solta no ar, que<br />
pende numa ou noutra direção, mas é determinada por nossas próprias<br />
considerações intelectuais e caráter (lubentia rationalis = auto-determinação<br />
43
acional). Liberdade não é arbitrariedade e em toda ação racional há um porquê,<br />
uma razão que decide a ação.<br />
Portanto o homem verdadeiramente livre não é o homem incerto e imprevisível,<br />
mas o homem seguro. A liberdade tem suas leis - leis espirituais - e a Mente<br />
Onisciente sabe quais são (Jo.2:24,25). Em resumo, a presciência é um<br />
conhecimento livre (scientia libera) e, logicamente procede do decreto,<br />
"...segundo o decreto sua vontade" (Ef.1:11).<br />
SABEDORIA:<br />
A sabedoria de Deus é a Sua inteligência como manifestada na adaptação de<br />
meios e fins. Deus sempre busca os melhores fins e os melhores meios<br />
possíveis para a consecução dos seus propósitos. H.B. Smith define a sabedoria<br />
de Deus como o Seu atributo através do qual Ele produz os melhores resultados<br />
possíveis com os melhores meios possíveis.<br />
Uma definição ainda melhor há de incluir a glorificação de Deus: Sabedoria é a<br />
perfeição de Deus pela qual Ele aplica o seu conhecimento à consecução dos<br />
seus fins de um modo que o glorifica o máximo (Rm.ll:33-36; Ef.1:11,12;<br />
Cl.1:16). Encontramos a sabedoria de Deus na criação (Salmos19:1-7;<br />
Salmos104), na redenção (ICo.2:7; Ef.3:10) . A sabedoria é personificada na<br />
Pessoa do Senhor Jesus ( Provérbios .8 e ICo.1:30; Jó.9:4; veja também Jó<br />
12:13,16).<br />
44
ONIPOTÊNCIA<br />
É o atributo pelo qual encontramos em Deus o poder ilimitado para fazer<br />
qualquer coisa que Ele queira.<br />
A onipotência de Deus não significa o exercício para fazer aquilo que é<br />
incoerente com a natureza das coisas, como, por exemplo, fazer que um fato do<br />
passado não tenha acontecido, ou traçar entre dois pontos uma linha mais curta<br />
do que uma reta. Deus possui todo o poder que é coerente com Sua perfeição<br />
infinita, todo o poder para fazer tudo aquilo que é digno dEle. O poder de Deus é<br />
distinguido de duas maneiras:<br />
Potentia Dei absoluta = absoluto poder de Deus<br />
Potentia Dei ordinata = poder ordenado de Deus.<br />
- HODGE E SHEDD<br />
Definem o poder absoluto de Deus como a eficiência divina, exercida sem a<br />
intervenção de causas secundárias, e o poder ordenado como a eficiência de<br />
Deus, exercida pela ordenada operação de causas secundárias.<br />
- CHANOCK<br />
Define o poder absoluto como aquele pelo qual Deus é capaz de fazer o que Ele<br />
não fará, mas que tem possibilidade de ser feito, e o poder ordenado como o<br />
poder pelo qual Deus faz o que decretou fazer, isto é, o que Ele ordenou ou<br />
45
marcou para ser posto em exercício; os quais não são poderes distintos, mas<br />
um e o mesmo poder.<br />
O seu poder ordenado é parte do seu poder absoluto, pois se Ele não tivesse<br />
poder para fazer tudo que pudesse desejar, não teria poder para fazer tudo o<br />
que Ele deseja. Podemos, portanto, definir o poder ordenado de Deus como a<br />
perfeição pela qual Ele, mediante o simples exercício de Sua vontade, pode<br />
realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou conselho.<br />
E' óbvio, porém, que Deus pode realizar coisas que a Sua vontade não desejou<br />
realizar (Gêneses 18:14; Jr.32:27; Zc.8:6; Mt.3:9; Mt.26:53). Entretanto há<br />
muitas coisas que Deus não pode realizar: Ele não pode mentir, pecar, mudar ou<br />
negar-se a Si mesmo (Nm.23:19; ISm.15:29; IITm.2:13; Hb.6:18; Tg.1:13,17;<br />
Hb.1:13; Tt.1:3), isto porque não há poder absoluto em Deus, divorciado de Sua<br />
perfeições, e em virtude do qual Ele pudesse fazer todo tipo de coisas<br />
contraditórias entre Si (Jó.11:7). Deus faz somente aquilo que quer fazer<br />
(Salmos115:3; Salmos135:6).<br />
EL-SHADDAI:<br />
A onipotência de Deus se expressa no nome hebraico El-Shaddai traduzido por<br />
Todo-Poderoso (Gêneses 17:1; Ex.6:3; Jó.37:23 etc).<br />
EM TODAS AS COISAS:<br />
A onipotência de Deus abrange todas as coisas (ICr.29:12), o domínio sobre a<br />
natureza (Salmos107:25-29; Na.1:5,6; Salmos33:6-9; Is.40:26; Mt.8:27; Jr.32:17;<br />
46
Rm.1:20), o domínio sobre a experiência humana (Salmos91:1; Dn.4:19-37;<br />
Ex.7:1-5; Tg.4:12-15; Provérbios .21:1; Jó.9:12; Mt.19:26; Lc.1:37), o domínio<br />
sobre as regiões celestiais (Dn.4:35; Hb.1:13,14; Jó.1:12; Jó 2:6).<br />
NA CRIAÇÃO, NA PROVIDÊNCIA E NA REDENÇÃO:<br />
Deus manifestou o seu poder na criação (Rm.4:17; Is.44:24), nas obras da<br />
providência (ICr.29:11,12) e na redenção (Rm.1:16; ICo.1:24).<br />
SOBERANIA OU SUPREMACIA<br />
Atributo pelo qual Deus possui completa autoridade sobre todas as coisas<br />
criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gêneses 14:19; Ne.9:6; Ex.18:11;<br />
Dt.10:14,17; ICr.29:11; IICr.20:6; Jr.27:5; At.17:24-26; Jd.4; Salmos22:28;<br />
47:2,3,8; 50:10-12; 95:3-5; 135:5; 145:11-13; Ap.19:6).<br />
VONTADE OU AUTO-DETERMINAÇÃO:<br />
A perfeição de Deus pela qual Ele, num ato sumamente simples, dirige-se à Si<br />
mesmo como o Sumo Bem (deleita-se em Si mesmo como tal) e às Suas<br />
criaturas por amor do Seu nome (Is.48:9,11,14; Ez.20:9,14,22,44; Ez.36:21-23).<br />
A vontade de Deus recebe variadas classificações, pois à ela são aplicadas<br />
diferentes palavras hebraicas (chaphets, tsebhu, ratson) e gregas (boule,<br />
thelema).<br />
VONTADE PRECEPTIVA:<br />
47
Na qual Deus estabeleceu preceitos morais para reger a vida de Suas criaturas<br />
racionais. Esta vontade pode ser desobedecida com freqüência (At.13:22;<br />
IJo.2:17; Dt.8:20).<br />
VONTADE DECRETÓRIA:<br />
Pela qual Deus projeta ou decreta tudo o que virá a acontecer, quer pretenda<br />
realizá-lo causativamente, quer permita que venha a ocorrer por meio da livre<br />
ação de suas criaturas (At.2:23; Is.46:9-11). A vontade decretória é sempre<br />
obedecida. A vontade decretória e a vontade preceptiva relacionam-se ao<br />
propósito em realizar algo.<br />
VONTADE DE EUDOKIA:<br />
Na qual Deus deleita-se com prazer em realizar um fato e com desejo de ver<br />
alguma coisa feita. Esta vontade, embora não se relacione com o propósito de<br />
fazer algo, mas sim com o prazer de fazer algo, contudo corresponde àquilo que<br />
será realizado com certeza, tal como acontece com a vontade decretória<br />
(Salmos115:3; Is.44:28; Is.55:11).<br />
VONTADE DE EURESTIA:<br />
Na qual Deus deleita-se com prazer ao vê-la cumprida por Suas criaturas. Esta<br />
vontade abrange aquilo que a Deus apraz que Suas criaturas façam, mas que<br />
pode ser desobedecido, tal como acontece com a vontade preceptiva (Is.65:12).<br />
A VONTADE DE EUDOKIA:<br />
48
Não se refere somente ao bem, e nela não está sempre presente o elemento de<br />
deleite (Mt.11:26). A vontade de eudokia e a vontade de eurestia relacionam-se<br />
ao prazer em realizar algo.<br />
VONTADE DE BENEPLACITUM:<br />
Também chamada Vontade Secreta. Abrange todo o conselho secreto e oculto<br />
de Deus. Quando esta vontade nos é revelada, ela torna-se na Vontade do<br />
Signum ou Vontade Revelada. A distinção entre a vontade de beneplacitum e a<br />
vontade de signum encontra-se em Deuteronomio.29:29.<br />
A VONTADE SECRETA:<br />
É mencionada em Salmos 115:3; Dn.4:17,25,32,35; Rm.9:18,19; Rm.11:33,34;<br />
Ef.1:5,9,11, enquanto que a vontade revelada é mencionada em Mt.7:21;<br />
Mt.12:50; Jo.4:34; Jo.7:17; Rm.12:2). Esta vontade está mui perto de nós<br />
(Dt.30:14; Rm.10:8). A vontade secreta de Deus pertence a todas as coisas que<br />
Ele quer efetuar ou permitir, tal como acontece na vontade decretória, sendo<br />
portanto, absolutamente fixa e irrevogável.<br />
LIBERDADE:<br />
A perfeição de Deus no exercício de Sua vontade. Deus age necessária e<br />
livremente. Assim como há conhecimento necessário e conhecimento livre, há<br />
também uma voluntas necessária = vontade necessária e uma voluntas libera =<br />
vontade livre. Na vontade necessária Deus não está sob nenhuma compulsão,<br />
49
mas age de acordo com a lei do Seu Ser, pois Ele necessariamente quer a Si<br />
próprio e quer a Sua natureza santa.<br />
Deus necessariamente se ama a Si próprio e Suas perfeições. As Suas criaturas<br />
são objetos de Sua vontade livre, pois Deus determina voluntariamente o que e<br />
quem Ele criará; e os tempos, lugares e circunstâncias de suas vidas. Ele traça<br />
as veredas de todas as Suas criaturas, determina o seu destino e as utiliza para<br />
Seus propósitos (Jó.ll:10; Jó.23:13,14; Jó.33:13. Provérbios .16:4; Provérbios<br />
.21:1; Is.10:15; Is.29:16; Is.45:9; Mt.20:15; Ap.4:11;Rm.9:15-22; ICo.12:11).<br />
ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS<br />
SANTIDADE:<br />
É a perfeição de Deus, em virtude da qual Ele eternamente quer manter e<br />
mantém a Sua excelência moral, aborrece o pecado, e exige pureza moral em<br />
suas criaturas. Ser Santo vem do hebraico qadash que significa cortar ou<br />
separar. Neste sentido também o Novo testamento utiliza as palavras gregas<br />
hagiazo e hagios. A santidade de Deus possui dois diferentes aspectos,<br />
podendo ser positiva ou negativa (Hb.1:9;Am.5:15; Rm.12:9).<br />
SANTIDADE POSITIVA:<br />
Expressa excelência moral de Deus na qual Ele é absolutamente perfeito, puro e<br />
íntegro em Sua natureza e Seu caráter (IJo.1:5; Is.57:15; IPe.1:15,16; Hc.1:13).<br />
A santidade positiva é amor ao bem.<br />
50
SANTIDADE NEGATIVA:<br />
Significa que Deus é inteiramente separado de tudo quanto é mal e de tudo<br />
quanto o aborrece (Lv.11:43-45; Dt.23:14; Jó.34:10; Provérbios .15:9,26;<br />
Is.59:1,2; Lc.20:26; Hc. 1:13; Provérbios .6:16-19; Dt.25:16; Salmos5:4-6). A<br />
santidade negativa é ódio ao mal. Além de possuir dois aspectos a santidade de<br />
Deus possui também duas maneiras diferentes de manifestar-se:<br />
RETIDÃO:<br />
Também chamada justiça absoluta, é a retidão da natureza divina, em virtude da<br />
qual Ele é infinitamente Reto em Si mesmo (santidade legislativa).<br />
Salmos145:17; Jr.12:1; Jo.17:25; Salmos116:5; Ed.9:15.<br />
JUSTIÇA:<br />
Também chamada justiça relativa, é a execução da retidão ou a expressão da<br />
justiça absoluta (santidade judicial). Strong a chama de santidade transitiva. A<br />
retidão é a fonte da Santidade de Deus, a justiça é a demonstração de Sua<br />
santidade.<br />
A justiça de Deus pode ser retributiva e remunerativa. A justiça retributiva se<br />
divide em punitiva e corretiva. A justiça punitiva é aquela pela qual Deus pune os<br />
pecadores pela transgressão de Suas leis. Esta justiça de Deus exige a<br />
execução das penalidades impostas por Suas leis (Salmos 3:5;11:4-7 Dt.32:4;<br />
51
Dn.9:12,14; Ex.9:23-27;34:7). A justiça corretiva é aquela pela qual Deus "pune"<br />
Seus filhos para corrigi-los (Hb.12:6,7).<br />
Aqueles que não são Seus filhos, Deus pune como um Juiz Severo (Rm.11:22;<br />
Hb.10:31), mas aos Seus filhos, Deus "pune" (corrige) como um Pai Amoroso<br />
(Jr.10:24;30:11;46:28; Salmos89:30-33; ICr.21:13) A justiça remunerativa é<br />
aquela pela qual Deus recompensa, com Suas bênçãos, aos homens pela<br />
obediência de Suas leis (Hb.6:10; IITm.4:8; ICo.4:5;3:11-15; Rm.2:6-10; IIJo.8)<br />
IRA:<br />
Esta deve ser considerada como um aspecto negativo da santidade de Deus,<br />
pois em Sua ira Deus aborrece o pecado e odeia tudo quanto contraria Sua<br />
santidade (Dt.32:39-41; Rm.11:22; Salmos95:11; Dt.1:34-37; Salmos95:11).<br />
Podemos, então, dizer que a ira é a manifestação da santidade negativa de<br />
Deus (Rm.1:18; IITs.1:5-10; Rm.5:9 etc). A ira é também designada de<br />
severidade (Rm.11:22).<br />
BONDADE:<br />
É uma concepção genérica incluindo diversas variedades que se distinguem de<br />
acordo com os seus objetos. Bondade é perfeição absoluta e felicidade perfeita<br />
em Si mesmo (Mc.10:18; Lc.18:18,19; Salmos33:5; Salmos119:68;<br />
Salmos107:8; Na.1:7).<br />
A BONDADE IMPLICA NA DISPOSIÇÃO DE TRANSMITIR FELICIDADE.<br />
52
BENEVOLÊNCIA:<br />
É a bondade de Deus para com Suas criaturas em geral. E' a perfeição de Deus<br />
que O leva a tratar benévola e generosamente todas as Suas criaturas<br />
(Salmos145:9,15,16; Salmos36:6;104:21; Mt.5:45;6:26; Lc.6:35; At.14:17).<br />
THIESSEN<br />
Define benevolência como a afeição que Deus sente e manifesta para com Suas<br />
criaturas sensíveis e racionais. Ela resulta do fato de que a criatura é obra Sua;<br />
Ele não pode odiar qualquer coisa que tenha feito (Jó.14:15) mas apenas àquilo<br />
que foi acrescentado à Sua obra, que é o pecado (Ec.7:29).<br />
BENEFICÊNCIA:<br />
Enquanto que a benevolência é a bondade de Deus considerada em sua<br />
intenção ou disposição, a beneficência é a bondade em ação, quando seus<br />
atributos são conferidos.<br />
COMPLACÊNCIA:<br />
É a aprovação às boas ações ou disposições. É aquilo em Deus que aprova<br />
todas as Suas próprias perfeições como também aquilo que se conforma com<br />
Ele (Salmos35:27; Salmos51:6; Is.42:1; Mt.3:17; Hb.13:16).<br />
LONGANIMIDADE OU PACIÊNCIA:<br />
53
O hebraico emprega a palavra erek'aph que significa grande de rosto e daí<br />
também lento para a ira. O grego emprega makrothymia que significa ira longe.<br />
Portanto longanimidade é o aspecto da bondade de Deus em virtude do qual Ele<br />
tolera os pecadores, a despeito de sua prolongada desobediência. A<br />
longanimidade revela-se no adiamento do merecido julgamento (Ex.34:6;<br />
Salmos86:15; Rm.2:4; Rm.9:22; IPe.3:20; IIPe.3:15)<br />
MISERICÓRDIA:<br />
Também expressa pelos sinônimos compaixão, compassividade, piedade,<br />
benignidade, clemência e generosidade. No hebraico usa-se as palavras<br />
chesed e racham e no grego eleos. É a bondade de Deus demonstrada para<br />
com os que se acham na miséria ou na desgraça, independentemente dos seus<br />
méritos (Dt.5:10; Salmos57:10; Salmos86:5; ICr.16:34; IICr.7:6; Salmos116:5;<br />
Salmos136; Ed.3:11; Salmos145:9; Ez.18:23,32; Ex.33:11; Lc.6:35;<br />
Salmos143:12; Jó 6:14).<br />
A paciência difere da misericórdia apenas na consideração formal do objeto,<br />
pois a misericórdia considera a criatura como infeliz, a paciência considera a<br />
criatura como criminosa; a misericórdia tem pena do ser humano em sua<br />
infelicidade, a paciência tolera o pecado que gerou a infelicidade. A infelicidade<br />
e sofrimento deriva-se de um justo desagrado divino, portanto exercer<br />
misericórdia é o ato divino de livrar o pecador do sofrimento pelo qual ele<br />
justamente e merecidamente deveria passar, como conseqüência do desagrado<br />
divino.<br />
54
GRAÇA:<br />
É a bondade de Deus exercida em prol da pessoa indigna. Portanto graça é o<br />
ato divino de conceder ao pecador toda a bondade de Deus a qual ele não<br />
merece receber (Ex.33:19). Na misericórdia Deus suspende o sofrimento<br />
merecido, na graça Deus concede bênçãos não merecidas. Todo pecador<br />
merece ir para o inferno; assim Deus exerce Sua misericórdia livrando o pecador<br />
da condenação.<br />
Nenhum pecador merece ir para o paraíso; assim Deus exerce a Sua graça<br />
doando ao pecador o privilégio de ir gratuitamente para o paraíso. Essa<br />
diferença entre misericórdia e graça é notada em relação aos anjos que não<br />
caíram. Deus nunca exerceu misericórdia para com eles, posto que jamais<br />
tiveram necessidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos<br />
da maldição. Todavia eles são objetos da livre e soberana graça de Deus pela<br />
qual foram eleitos (ITm.5:21) e preservados eternamente de pecado e colocados<br />
em posição de honra (Dn.7:10; IPe.3:22).<br />
AMOR:<br />
A perfeição da natureza divina pela qual Ele é continuamente impelido a se<br />
comunicar. É, entretanto, não apenas um impulso emocional, mas uma afeição<br />
racional e voluntária, sendo fundamentada na verdade e santidade e no<br />
exercício da livre escolha. Este amor encontra seus objetos primários nas<br />
diversas Pessoas da Trindade. Assim, o universo e o homem são<br />
desnecessários para o exercício do amor de Deus. Amor é, portanto, a perfeição<br />
55
de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação. Ele<br />
ama a Si mesmo, Suas virtudes, Sua obra e Seus dons.<br />
VERDADE:<br />
É a consonância daquilo que é asseverado com o que pensa a Pessoa que fez a<br />
asseveração. Neste sentido a verdade é um atributo exclusivamente divino, pois<br />
com freqüência os homens erram nos testemunhos que prestam, simplesmente<br />
por estarem equivocados a respeito dos fatos, ou então por pura incapacidade<br />
fracassam em promessas que fizeram com honestas intenções. Mas a<br />
onisciência de Deus impede que Ele chegue a cometer qualquer equívoco, e a<br />
Sua onipotência e imutabilidade asseguram o cumprimento de Suas intenções<br />
(Dt.32:4; Salmos119:142; Jo.8:26; Rm.3:4; Tt.1:2; Nm.23:19; Hb.6:18; Ap.3:7;<br />
Jo.17:3; IJo.5:20; Jr.10:10; Jo.3:33; ITs.1:9; Ap.6:10; Salmos31:5; Jr.5:3;<br />
Is.25:1). Ao exercê-la para com a criatura, a verdade de Deus é conhecida como<br />
sua veracidade e fidelidade.<br />
VERACIDADE:<br />
Consiste nas declarações que Deus faz a respeito das coisas, conforme elas<br />
são, e se relaciona com o que Ele revelou sobre Si mesmo. A veracidade<br />
fundamenta-se na onisciência de Deus.<br />
FIDELIDADE:<br />
Consiste no exato cumprimento de Suas promessas ou ameaças. A fidelidade<br />
fundamenta-se na Sua onipotência e imutabilidade (Dt.7:9; Salmos36:5;<br />
56
ICo.1:9; Hb.10:23; Dt.4:24; IITm.2:13; Salmos89:8; Lm.3:23; Salmos 119:138;<br />
Salmos119:75; Salmos89:32,33; ITs.5:24; IPe.4:19; Hb.10:23).<br />
NOMES DE DEUS<br />
Este é o chamado Tetragrama Sagrado יהוה)) YHVH ou YHWH (transliteração<br />
mais adotada pelos estudiosos), é literalmente O Nome de Deus, na grafia<br />
original, refere-se ao nome do Deus de Israel em forma escrita já transliterada<br />
(substituição dos símbolos gráficos hebraicos por letras do alfabeto ocidental<br />
atual – A, B, C...); etimologicamente tetragrama é uma palavra de origem grega<br />
que significa quatro letras (Tetra = quatro / gramma = letra). Esta forma de<br />
escrita (e leitura) é feita de trás para frente em relação às formas de escritas<br />
ocidentais. Originariamente, em aramaico (hebraico), as palavras são escritas e<br />
lidas horizontalmente, da direita para esquerda; ou seja, HVHY. Formado por<br />
quatro consoantes hebraicas — Yud ( ( י Hêi (ה) Vav (ו) Hêi (ה) ; o Tetragrama<br />
YHVH tem sido latinizado para JHVH já por muitos séculos.<br />
A forma da expressão ao declarar o nome de Deus YHVH (ou JHVH na forma<br />
latinizada) deixou de ser utilizada há milhares de anos na pronúncia correta do<br />
hebraico original (que é declarada como uma língua quase que completamente<br />
extinta).<br />
57
Os homens deixaram de pronunciar O Nome de Deus por medo de pecar por<br />
pronunciar O Nome de Deus em vão - "Não tomarás o nome de YHWH, teu<br />
Deus, em vão, pois YHWH não considerará impune aquele que tomar seu nome<br />
em vão." ( Êxodo 20:7) - e com isso perderam a capacidade de pronunciar de<br />
forma satisfatória e correta, pois a língua (que quem pronunciava O Nome de<br />
Deus no idioma original) precisaria se curvar (dobrar dentro da boca) de uma<br />
forma muito difícil, para muitos impossível de ser pronunciada corretamente.<br />
Para alguns eruditos a o nome YHVH pode se identificar mais com as<br />
palavras: YaHVeH (vertido em português para Javé), ou YeHoVaH (vertido em<br />
português para Jeová). Essas palavras são transliterações possíveis nas línguas<br />
portuguesas e espanholas; já outros eruditos a forma mais correta de escrever O<br />
Nome de Deus seria Javé (Yahvéh ou JaHWeH). Ainda alguns destes<br />
estudiosos concordam que a pronúncia Jeová (YeHoVaH ou JeHoVáH), seria a<br />
mais a forma mais correta de pronunciar O Nome de Deus, sendo este o<br />
pensamento mais aceito pelos teólogos da atualidade.<br />
Contudo o significado exato do Tetragrama YHVH ainda é objeto de controvérsia<br />
entre os especialistas. Em Êxodo 3:14, YHVH disse a Moises: ―Ehiéh ashér<br />
ehiéh.‖ Segundo muitas traduções da Bíblia, esta expressão, encontrada no<br />
texto hebraico significa: ―EU SOU O QUE SOU‖ . E disse mais: "Assim dirás aos<br />
filhos de Israel: 'EU SOU' me enviou até vós.".<br />
Esta expressão ―EU SOU O QUE SOU‖ é usada como título para Deus, para<br />
indicar que Ele realmente existe antes que houvesse dia (Isaias 48. 17); isso<br />
58
corresponde às expressões: "Eu sou aquele que é", "Eu sou o existente". YHVH<br />
assim confirma a Sua própria existência.<br />
O Tetragrama YHWH na maioria das versões bíblicas utilizadas no século XX e<br />
XXI foi substituído pela palavra SENHOR com todas as letras maiúsculas, para<br />
evitar erros e problemas gramaticais.<br />
O certo mesmo é que a pronúncia verdadeiramente correta dO Nome de Deus<br />
(YHVH) se perdeu no tempo e hoje nenhum ser humano sabe exatamente como<br />
pronunciar este Nome. Mesmo assim os nomes Javé e Jeová são formas que os<br />
homens encontraram para tentar pronunciar e invocar O Nome de Deus Pai.<br />
Devemos também considerar que quando uma criança de 04 (quatro) anos se<br />
dirige a seu pai terreno, ela não o chama pelo nome e por sua vez o genitor<br />
dessa criança não vai deixar de dar-lhe atenção porque ela não sabe pronunciar<br />
o seu nome. Deste modo, é importante dizer que sabendo ou não pronunciar<br />
corretamente O Nome dEle, todas as pessoas que se dirigirem a Deus, com um<br />
espírito quebrantado e um coração contrito, chamando-O de PAI, serão ouvidas<br />
por Ele, porque independente do Seu Nome, ELE gosta de Ser Chamado assim.<br />
Alguns dos nomes de Deus dizem respeito a Ele como sujeito: Jeová, Senhor,<br />
Deus; outros são atribuídos como predicados que falam dEle ou a Ele, como:<br />
Santo, justo, bom, etc. Alguns nomes expressam a relação entre Deus e as<br />
criaturas: Criador, Sustentador, Governador, etc. Alguns nomes são comuns às<br />
três pessoas, como; Jeová, Deus, Pai, Espírito. E outros são nomes próprios<br />
usados para expressarem Sua obra e Seu caráter.<br />
59
O nome de Deus é o que Ele é: representação do Seu caráter. Mas o Criador é<br />
tão grande que nome algum jamais será adequado à Sua grandeza. Se o céu<br />
dos céus não O pode conter, como pode um nome descrever o Criador?<br />
Portanto, a Bíblia contém vários nomes de Deus que O revelam em diferentes<br />
aspectos de Sua maravilhosa personalidade.<br />
ELOÌM<br />
Este é o primeiro nome de Deus encontrado nas Escrituras (Gênesis 1:1), e aqui<br />
o nome encontra-se em sua forma plural, mas o verbo continua no singular,<br />
indicando a pluralidade das pessoas na unidade do Ser. Este nome denota a<br />
grandeza e o poder de Deus. Este nome encontra-se somente no relato da<br />
criação (Gênesis 1:1-2:4); é o Seu nome de criação. Eloím é sempre traduzido<br />
no português, como Deus em nossa Bíblia. De acordo com a opinião mais<br />
ponderada entre os estudiosos, esta palavra é derivada duma raiz na língua<br />
árabe que significa "adorar".<br />
Esta opinião é fortalecida quando observamos que a mesma palavra é usada<br />
inapropriadamente para anjos, dos homens, e falsas divindades. No Salmo 8:5 a<br />
palavra anjos é eloím no texto original, e vemos que certas vezes os anjos são<br />
impropriamente louvados. No Salmo 82:1,6 eloím é traduzido deuses, e é usado<br />
para homens. Em Jeremias 10:10-12 temos o verdadeiro Deus (eloím)<br />
contrastado com os "deuses" (eloím) que não fizeram os céus nem a terra,<br />
implicando assim que ninguém, não ser Deus, é objeto próprio de adoração.<br />
EL-SHADAI<br />
Este nome composto é traduzido "Deus o Todo poderoso" (El é Deus e Shadai é<br />
Todo poderoso). O título El é Deus no singular, e significa forte ou poderoso. El<br />
60
é traduzido 250 vezes no Velho Testamento como Deus. Este título é<br />
geralmente associado com algum atributo ou perfeição de Deus, como; Deus<br />
Todo poderoso (Gênesis 17:3); Deus Eterno (Gênesis. 21:33); Deus zeloso<br />
(Êxodo 20:5); Deus vivo (Josué 3:10).<br />
Shadai, sempre traduzido Todo-poderoso, significa suficiente ou rico em<br />
recursos. Pensa-se que a palavra é derivada duma outra que significa seios. A<br />
palavra seio nas Escrituras simboliza bênção e nutrição. Na pronúncia da última<br />
bênção de Jacó sobre José quando morria, entre outras coisas disse: "Pelo<br />
Deus (El) de teu pai o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso (Shadai), o qual te<br />
abençoará com bênçãos dos céus de cima, com bênçãos do abismo que está<br />
debaixo, com bênçãos dos peitos e da madre". Gênesis 49:25.<br />
Isaías, ao descrever a excelência futura e as bênçãos de Israel, diz: "E mamarás<br />
o leite das nações, e te alimentarás dos peitos dos reis; e saberás que eu sou o<br />
Senhor, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Possante de Jacó". Isaías 60:16. O<br />
povo de Deus será sustentado pelos recursos das nações e dos reis porque seu<br />
Deus é El-Shadai - O poderoso para abençoar.<br />
Satanás tenta competir com Deus e é um falsificador de Suas obras. Portanto,<br />
podemos esperar encontrar nas religiões pagãs imitações de Deus em vários<br />
aspectos de seu caráter e governo. Este fato é bem demonstrado na seguinte<br />
citação tirada do livro de Nathan J. Stone concernente aos nomes de Deus no<br />
Velho Testamento.<br />
"Tal conceito de um deus ou divindade não era estranha nem incomum aos<br />
antigos. Os ídolos dos antigos pagãos são às vezes chamados por nomes que<br />
indicam seu poder em suprir as necessidades dos seus adoradores. Sem<br />
dúvida, porque eram considerados como grandes agentes da natureza ou dos<br />
61
céus, dando chuva, fazendo com que da terra brotassem águas, para trazer<br />
abundância e frutos para manter e nutrir a vida.<br />
Havia muitos ídolos com peitos, adorados entre os pagãos. Um historiador<br />
mostra que o corpo inteiro da deusa egípcia, Isis, era coberto de peitos, porque<br />
todas as coisas são sustentadas e nutridas pela terra ou natureza. O mesmo se<br />
vê com a deusa Diana dos efésios no capítulo 19 de Atos, pois Diana<br />
simbolizava a natureza e todo o mundo, com todos os seus produtos.<br />
Este nome de Deus primeiramente aparece em conexão com Abrão. Gênesis<br />
17:1-2. Anos antes e em diferentes ocasiões, Deus prometera a Abraão que<br />
faria dele uma grande nação e uma numerosa descendência. Os anos se<br />
passaram e o filho prometido a Sara e Abrão não vinha.<br />
Foi então que ele recorreu aquele expediente carnal que trouxe Ismael e o<br />
Islamismo ao mundo. E a promessa de Deus ainda não havia se cumprido. E<br />
agora, de acordo com as leis da natureza, era muito tarde: Abrão contava com<br />
99 anos de idade e Sara com 90. A esta altura é que Deus lhe aparece como o<br />
Deus Todo-poderoso (El-Shadai) e repete Sua promessa.<br />
E aqui é que seu nome foi mudado de Abrão a Abraão, que significa "pai de<br />
muitas nações". Aqui temos uma promessa desconcertante, mas Abraão não<br />
vacilou, pois ele "era forte na fé, dando glória a Deus". Romanos 4:20. A fé forte<br />
de Abraão era baseada sobre esta nova revelação de Deus como Deus Todopoderoso<br />
(El-Shadai). "Ele não considerou mais seu corpo como morto... nem a<br />
madre de Sara como infrutífera"; pois seus pensamentos estavam sobre um<br />
Deus Todo-suficiente. Esta é uma bela ilustração da diferença entre a lei da<br />
natureza e o Deus da natureza. As leis da natureza não podiam produzir um<br />
62
Isaque, mas isto não era problema para o Deus da natureza. Não importa, se<br />
todas as coisas forem contra Deus; Ele é Todo-suficiente nele mesmo.<br />
ADONAI<br />
Este nome de Deus está no plural, denotando assim a pluralidade das pessoas<br />
na Divindade. É traduzido como Senhor em nossa Bíblia e denota uma relação<br />
de Senhor e escravo. Quando usado no possessivo, indica a posse e autoridade<br />
de Deus. A escravidão é uma bênção quando Deus é o Dono e Senhor. Nos<br />
dias de Abraão, a escravidão era uma relação entre homem e homem e não era<br />
um mal implacável. O escravo comprado tinha a proteção e os privilégios não<br />
gozados pelos empregados assalariados. O escravo comprado devia ser<br />
circuncidado e tinha permissão de participar da Páscoa. Êxodo 12:44.<br />
Esta palavra no singular (Adon) refere-se a homem mais de duzentas vezes no<br />
Velho Testamento e é traduzida várias vezes como; Senhor, Mestre, Dono. Este<br />
nome de Deus é usado pela primeira vez no Velho Testamento em conexão com<br />
Abraão. Abraão foi o primeiro a chamar Deus de Adonai.<br />
Abraão como dono de escravos reconhecia Deus como seu mestre e<br />
proprietário. Quando Abraão retorna da sua vitória sobre os reis, depois de ter<br />
libertado Ló, o rei de Sodoma queria gratificá-lo, mas ele recusou recompensas.<br />
E "depois destas coisas veio a palavra do Senhor (Jeová) a Abraão dizendo:<br />
"Não temas, Abraão, Eu sou teu escudo e tua grande recompensa, e Abraão<br />
disse: Senhor Deus" (Adonai Jeová). Ele que possuía escravos reconhecia a si<br />
próprio como escravo de Deus.<br />
63
JEOVÁ<br />
Este é o mais famoso dentre os nomes de Deus e é predicado dele como um<br />
Ser necessário e auto-existente. O significado é: AQUELE QUE SEMPRE FOI,<br />
SEMPRE É E SEMPRE SERÁ. Temos assim traduzido em Apocalipse 1:4:<br />
"Daquele que é, e que era, e que há de vir".<br />
Jeová é o nome pessoal, próprio e incomunicável de Deus. No Salmo 83:18<br />
lemos: "Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome Jeová, és o<br />
Altíssimo sobre toda a terra". Os outros nomes de Deus são às vezes<br />
empregados a criaturas, mas o nome Jeová é usado exclusivamente para o<br />
Deus vivo e verdadeiro.<br />
Os judeus tinham uma reverência supersticiosa por este nome e não o<br />
pronunciavam quando na leitura, antes o substituíam por Adonai ou Eloím. Este<br />
é o nome de Deus no concerto com o homem. Este nome aparece<br />
aproximadamente sete mil vezes e na maioria é traduzido como "Senhor". Como<br />
já dissemos ele inclui todos os tempos; passado, presente e futuro. O nome vem<br />
de uma raiz que significa "Ser."<br />
A. W. Pink tem comentários esclarecedores sobre a relação entre Eloim e Jeová<br />
em seu livro: A Inspiração Divina da Bíblia, e citamos: "Os nomes Eloim e Jeová<br />
são encontrados nas páginas do Velho Testamento diversas mil vezes, mas<br />
nunca são usados de modo negligente nem alternadamente.<br />
Cada um destes nomes tem um propósito e significado definido, e se os<br />
substituirmos um pelo outro a beleza e a perfeição de muitas passagens seriam<br />
destruídas. Como ilustração: A palavra "Deus" aparece em todo o capítulo de<br />
Gênesis 1, mas "Senhor Deus" no capítulo 2. Se nestas duas passagens os<br />
64
nomes fossem invertidos; falha e defeito seriam o resultado. "Deus" é o título de<br />
criação, enquanto que "Senhor" implica relação de concerto e mostra Deus<br />
tratando com Seu povo.<br />
Portanto, em Gênesis 1, "Deus" é usado, no capítulo 2 "Senhor Deus" é<br />
empregado e através do resto do Velho Testamento estes dois nomes são<br />
usados discriminadamente e em harmonia com seus significados neste dois<br />
primeiros capítulos da Bíblia.<br />
Um ou dois exemplos serão o suficiente. "E entraram para Noé na arca, dois a<br />
dois de toda carne que havia espírito de vida. E os que entraram, macho e<br />
fêmea de toda carne entraram, como Deus (Eloím, C. D. Cole) lhe tinha<br />
ordenado; "Deus", porque era o Criador exigindo o respeito de Suas criaturas;<br />
mas no restante do mesmo versículo, lemos: "e o Senhor (Jeová, C. D. C.)<br />
fechou-a por fora, (Gênesis 7:15-16) isto porque a ação de Deus para com Noé<br />
estava baseado na relação de concerto.<br />
Quando saiu para enfrentar Golias, Davi disse: "Neste dia o Senhor (Jeová) te<br />
entregará na minha mão (porque Davi tinha um concerto com Deus) e ferir-te-ei,<br />
e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às<br />
aves dos céus e às bestas da terra; e toda a terra saberá que há Deus (Eloím)<br />
em Israel; E saberá toda esta congregação (que estava em relação de concerto<br />
com Ele) que o Senhor (Jeová) salva não com espada nem com lança". 1<br />
Samuel 17:46-47. Mais uma vez: "Sucedeu pois que, vendo as capitães dos<br />
carros a Josafá disseram: É o rei de Israel e o cercaram para pelejarem, porém<br />
Josafá clamou, e o Senhor (Jeová) o ajudou. E Deus (Eloim) os desviou dele". 2<br />
Crônicas 18:31. E assim temos exemplos através todo o Velho Testamento.<br />
65
OS TÍTULOS DE JEOVÁ<br />
O nome Jeová é muitas vezes usado de modo composto com outros nomes<br />
para apresentar o verdadeiro Deus em algum aspecto de Seu caráter,<br />
satisfazendo certas necessidades de Seu povo. Existem quatorze destes títulos<br />
de Jeová no Velho Testamento, mas neste volume não há espaço para se tratar<br />
de cada um separadamente. Teremos que nos satisfazer com uma<br />
apresentação dos títulos e algumas referências onde são usados:<br />
JEOVÁ-HOSENU, "Jeová nosso criador". Salmo 95:6.<br />
JEOVÁ-JIRÉ, "Jeová proverá". Gênesis 22:14.<br />
JEOVÁ-RAFÁ, "Jeová que te cura". Êxodo 15:26.<br />
JEOVÁ-NISSI, "Jeová, minha bandeira". Êxodo 17:15.<br />
JEOVÁ-M?KADDÉS, "Jeová que te santifica". Levítico 20:8.<br />
JEOVÁ-ELOENU, "Jeová nosso Deus". Salmo 99:5 e 8.<br />
JEOVÁ-ELOEKA, "Jeová teu Deus". Êxodo 20:2,5,7.<br />
JEOVÁ-ELOAI, "Jeová meu Deus". Zacarias 14:5.<br />
JEOVÁ-SHALOM, "Jeová envia paz". Juízes 6:24.<br />
JEOVÁ-TSEBAOTE, "Jeová das hostes". 1 Samuel 1:3.<br />
JEOVÁ-ROÍ, "Jeová é meu pastor". Salmo 23:1.<br />
JEOVÁ-HELEIÓN, "Jeová o altíssimo". Salmo 7:17; 47:2.<br />
66
JEOVÁ-TSIDKENU, "Jeová nossa justiça". Jeremias 23:6.<br />
JEOVÁ-SHAMÁ, "Jeová está lá". Ezequiel 48:35.<br />
OS NOMES DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO<br />
TEOS.<br />
No Novo Testamento grego este é geralmente o nome de Deus, e corresponde a<br />
Eloim no Velho Testamento hebraico. É usado para todas as três pessoas da<br />
Trindade, mas especialmente para Deus, o Pai.<br />
PATER.<br />
Este nome corresponde ao Jeová do V. T., e denota a relação que temos com<br />
Deus através de Cristo. É usado para Deus duzentas e sessenta e cinco vezes e<br />
é sempre traduzido como Pai.<br />
DÉSPOTES.<br />
(Déspota no português). Este título denota Deus em Sua soberania absoluta, e é<br />
semelhante a Adonai do V. T. Encontramos este nome apenas cinco vezes no<br />
N. T., Lucas 2:29; Atos 4:24; 2 Pedro 2:1; Judas 4; Apocalipse 6:10.<br />
KÚRIOS.<br />
Este nome é encontrado centenas de vezes e traduzido como; Senhor<br />
(referendo a Jesus), senhor (referendo ao homem), Mestre (referendo a Jesus),<br />
67
mestre (referendo ao homem) e dono. Em citações do hebraico usa-se muitas<br />
vezes em lugar de Jeová. É um título do Senhor Jesus como mestre e dono.<br />
CHRISTUS.<br />
Esta palavra significa o Ungido e é traduzida Cristo. Deriva-se da palavra "chrio"<br />
que significa ungir. É o nome oficial do Messias ou Salvador que era por muito<br />
tempo esperado. O N. T. utiliza este nome exclusivamente referindo-se a Jesus<br />
de Nazaré.<br />
Destes nomes todos do Ser Supremo, aprendemos que Ele é o Ser eterno,<br />
imutável, auto-existente, auto-suficiente, todo-suficiente e é o supremo objeto de<br />
temor, confiança, adoração e obediência.<br />
AS OBRAS DE DEUS<br />
O DECRETO DE DEUS<br />
É o eterno propósito de Deus, segundo o conselho da sua vontade, pelo qual,<br />
para a sua própria glória, ele determinou tudo o que acontece.<br />
O DECRETO DE DEUS É SOMENTE UM:<br />
Embora muitas vezes usemos esse termo no plural, em sua própria natureza o<br />
decreto é somente um único ato de Deus. Esse ato é imediato e simultâneo, não<br />
sucessivo como o nosso, e a sua compreensão é sempre completa. Não<br />
existem, pois, uma série de decretos de Deus, mas somente um plano que<br />
abrange tudo o que se passa.<br />
68
A RELAÇÃO DO DECRETO COM O CONHECIMENTO DE DEUS:<br />
O decreto de Deus tem a mais estreita relação com o seu conhecimento. o<br />
decreto de Deus não refere-se ao ser essencial de Deus, nem às suas<br />
atividades imanentes dentro do ser divino. Deus não decretou ser santo e justo,<br />
nem existir como três pessoas numa essência, nem gerar o filho. Essas coisas<br />
são como são necessariamente e não dependem da vontade optativa de Deus.<br />
Aquilo que é essencial ao ser divino não pode fazer parte do conteúdo do<br />
decreto. O decreto não se limita aos atos realizados pessoalmente por Deus,<br />
mas abrange também as ações das suas criaturas livres. Algumas coisas Deus<br />
faz pessoalmente, outras ele faz com que aconteçam por meios secundários, os<br />
quais ele vitaliza e sustenta pelo seu poder.<br />
O DECRETO NÃO É O ATO PROPRIAMENTE DITO:<br />
Deve-se fazer distinção entre o decreto e sua execução. O decreto para criar<br />
não é a criação em si, nem o decreto para justificar é a justificação em si.<br />
Ordenar Deus o universo de tal modo que o homem seguirá certo curso de ação,<br />
também é bem diferente de ordenar-lhe que aja desse modo. O decreto não é<br />
dirigido ao homem e não é de natureza estatutária, tampouco impõe compulsão<br />
ou obrigação à livre vontade do homem.<br />
69
AS CARACTERÍSTICAS DO DECRETO DIVINO:<br />
TEM SEU FUNDAMENTO NA SABEDORIA DIVINA<br />
(Efésios. 3:10,11, Salmos. 104:24, Provérbios 3:19, jr. 10:12, 51:15, Salmos.<br />
33:11, Provérbios . 19:21.)<br />
É ETERNO<br />
( Atos. 15:18, Efésios. 1:4, ii tm. 1:9.)<br />
É EFICAZ<br />
( Salmos. 33:11, is. 46:10.)<br />
É IMUTÁVEL<br />
( jó 23:13,14, lc. 22:22, at. 2:23.)<br />
É UNIVERSAL E TOTALMENTE ABRANGENTE<br />
(Efésios. 1:11, Efésios. 2:10, Provérbios . 16:4, at. 4:27,28,Gêneses 45:8, 50:20,<br />
Salmos. 119:89-91, ii ts. 2:13, Efésios. 1:4, jó 14:5, Salmos. 39:4, at. 17:26)<br />
OBJEÇÕES À DOUTRINA DO DECRETO:<br />
É INCOERENTE COM A LIBERDADE MORAL DO HOMEM<br />
A Bíblia revela que Deus decretou a liberdade do homem e este, no pleno uso<br />
de sua liberdade sempre leva a efeito o decreto absoluto de Deus. ex.: foi<br />
decretado que Jesus seria crucificado, todavia os homens foram perfeitamente<br />
livres em seu procedimento e responsabilizados por este crime.<br />
70
Ademais, o decreto divino só dá certeza aos eventos, mas não implica que Deus<br />
os realizará ativamente. A questão é: a certeza prévia de Deus se coaduna com<br />
a livre ação. o fato de se estar razoavelmente certos quanto ao curso de ação<br />
que alguém que conhecemos seguirá não implica em infringir sua liberdade.<br />
O DECRETO ELIMINA A TODOS OS MOTIVOS PARA ESFORÇO<br />
O decreto divino não é dirigido para o homem como uma regra de ação, visto<br />
que o conteúdo dele só se torna conhecido pela sua concretização, e depois<br />
desta. há porém uma regra de ação incorporada na lei e no evangelho e essa<br />
sim, deve ser seguida à risca. o decreto não inclui somente os diversos fatos da<br />
vida humana, mas também as livres ações humanas, logicamente anteriores aos<br />
resultados e destinadas a produzi-lo. em at. 27 era absolutamente certo que<br />
todos os que estavam no navio com Paulo seriam salvos, mas era igualmente<br />
certo que, para assegurar este fim, os marinheiros tinham que permanecer a<br />
bordo.<br />
O DECRETO FAZ DE DEUS O AUTOR DO PECADO<br />
Esta se fosse verdadeira, seria uma objeção insuperável, pois Deus não pode<br />
ser o autor do pecado. Isto está claro na lei de Deus. (Salmos. 92:15, ec. 7:29,<br />
tg. 1:13, i jo. 1:5). O decreto faz de Deus simplesmente o autor de seres morais<br />
livres, eles próprios os autores do pecado. Deus decreta sustentar a livre<br />
agência deles, regular as circunstâncias da sua vida, e permitir que a livre<br />
escolha deles seja exercida numa multidão de atos, dos quais alguns são<br />
pecaminosos.<br />
71
Por boas e santas razões, ele dá como certo que esses atos acontecerão, mas<br />
não decreta acionar efetivamente esses maus desejos ou más escolhas nos<br />
homens. O problema da relação de Deus com o pecado continua sendo um<br />
mistério ainda não resolvido por nós. O decreto de Deus apenas permitiu a<br />
entrada do pecado no mundo. Não significa que tem prazer nele.<br />
5. A CRIAÇÃO<br />
O estudo do decreto nos leva naturalmente à consideração da sua execução, e<br />
esta começa com a obra da criação. O conhecimento desta doutrina só se aceita<br />
pela fé. (hb. 11:3).<br />
Em distinção à geração do filho, que foi um ato necessário do pai, a criação do<br />
mundo foi um ato livre do Deus triúno. A criação esteve eternamente na vontade<br />
de Deus e, portanto, não produziu mudança nele.<br />
Antes da criação o tempo não existia, dado que o mundo foi trazido à existência<br />
juntamente ―com o‖ tempo, antes que ―no‖ tempo. a igreja, de um modo geral,<br />
sustenta que o mundo foi criado em seis dias comuns, no entanto alguns vultos<br />
da história da igreja, como Agostinho, afirmavam que os dias seriam dias<br />
eternos, já que ―para o Senhor um dia é como mil anos‖.<br />
Alguns também sugerem que transcorreu um longo período de tempo entre a<br />
criação primária de Gêneses 1:1,2 e a criação secundária dos versículos<br />
subseqüentes. A Bíblia está repleta de provas sobre a criação do mundo por<br />
parte de Deus:<br />
72
Passagens que salientam a onipotência de Deus na obra da criação.<br />
(is. 40:26,28, am. 4:13)<br />
Passagens que indicam sua exaltação acima da natureza.<br />
(Salmos. 90:2, 102:26,27, at. 17:24)<br />
Passagens que se referem à sabedoria de Deus na obra da criação.<br />
(is. 40:12-14, jr. 10:12-16, jo. 1:3)<br />
Passagens que vêem a criação do ponto de vista da soberania e do propósito de<br />
Deus.<br />
(is. 43:7, rm. 1:25)<br />
Passagens que falam da criação como a obra fundamental de Deus.<br />
(i co. 11:9, cl. 1:16)<br />
Passagens que revelam explicitamente Deus como o criador.<br />
(ne. 9:6, is. 42:5, 45:18, Apocalipse 4:11, 10:6)<br />
A crença da Igreja na criação do mundo vem expressa já no primeiro artigo<br />
confissão de fé apostólica: ―creio em Deus pai, todo-poderoso, criador dos céus<br />
e da terra‖.<br />
A Igreja primitiva entendia o verbo ―criar‖ no sentido estrito de ―produzir do nada<br />
alguma coisa‖. No entanto deve-se notar que nem sempre a escritura usa a<br />
palavra hebráica ―bará‖ e o termo grego ―ktizein‖ nesse sentido absoluto.<br />
73
Também emprega esses termos para denotar uma criação secundária, na qual<br />
Deus fez uso de material já existente, mas que não podia causar por si mesmo o<br />
resultado indicado. (Gêneses 1:21,27, 5:1, is. 45:7,12, 54:16, am. 4:13, i co.<br />
11:9, ap.10:6).<br />
Dois outros termos são utilizados como sinônimos de termo ―criar‖: fazer, do<br />
hebraico ―asah‖ e do grego ―poiein‖ e formar, do hebraico ―yatsar‖ e do grego<br />
―plasso‖.<br />
DEFINIÇÃO:<br />
A criação é o livre ato de Deus pelo qual ele, segundo a sua vontade soberana e<br />
para a sua própria glória, produziu no princípio todo o universo, visível e<br />
invisível, em parte do nada e em parte de material que, por sua natureza, nada<br />
poderia produzir, e assim lhe deu uma existência distinta da sua própria, e, ainda<br />
assim dele dependente.<br />
A CRIAÇÃO É UM ATO DO DEUS TRIÚNO:<br />
Embora o pai esteja em primeiro plano na obra da criação (i co. 8:6), esta é<br />
também reconhecida como obra do filho (jo. 1:3) e do espírito santo (Gêneses<br />
1:2, jó 26:13). Todas as coisas são, de uma só vez, oriundas do pai, por meio do<br />
filho e no espírito santo. Pode-se dizer, de modo geral, que o ser provém do pai,<br />
a idéia provém do filho e a vida provém do espírito santo.<br />
74
A CRIAÇÃO É UM ATO LIVRE DE DEUS:<br />
A Bíblia nos ensina que Deus criou todas as coisas segundo o conselho da sua<br />
vontade. (ef. 1:11, Apocalipse 4:11) e que ele é auto-suficiente e não depende<br />
de suas criaturas, de modo nenhum. (jó 22:2,3, at. 17:25)<br />
A CRIAÇÃO É UM ATO TEMPORAL DE DEUS:<br />
A Bíblia começa com a singela declaração: ―no princípio criou Deus os céus e a<br />
terra‖. (Gêneses 1:1) o termo hebráico ―bereshith‖ (no princípio) é indefinido e,<br />
naturalmente, surge a questão: princípio de quê? parece melhor tomar a<br />
expressão no sentido absoluto, como uma indicação do início de todas as coisas<br />
temporais e do próprio tempo. não é correto presumir que já existia o tempo<br />
quando Deus criou o mundo e que ele, em certo ponto desse tempo existente,<br />
deu ―princípio‖ a produção do universo. está claro na escritura que o mundo teve<br />
começo em passagens como Salmos 90:2, 102:25, mt. 19:4,8, mc. 10:6, jo.<br />
1:1,2, hb. 1:10.<br />
O FIM ÚLTIMO DA CRIAÇÃO:<br />
São duas as teorias sobre qual teria sido a finalidade das coisas criadas:<br />
A FELICIDADE DA HUMANIDADE<br />
Alguns teólogos afirmam que a bondade de Deus o induziu a criar o mundo. Ele<br />
desejava se comunicar com suas criaturas e a felicidade destas era o fim que<br />
ele tinha em vista. No entanto é certo que esse fim ainda não foi alcançado,<br />
75
levando em consideração todos os sofrimentos que há no mundo. Não podemos imaginar<br />
que um Deus sábio e onipotente escolhesse um fim destinado a falhar no todo ou em<br />
parte. (jó 23:13)<br />
A GLÓRIA DECLARATIVA DE DEUS<br />
A Igreja de Jesus Cristo encontrou o verdadeiro fim da criação, não em alguma<br />
coisa que esteja fora de Deus, mas em Deus mesmo. O fim supremo de Deus<br />
na criação é a manifestação de sua glória. (is. 43:7, 60:21, 61:3, lc. 2:14, rm.<br />
9:17, 11:36, i co. 15:2)<br />
A INTERPRETAÇÃO DE GÊNESES 1:1,2:<br />
Alguns interpretam Gênesis 1:1 com um título do restante da criação, não<br />
possuindo um sentido independente, mas isso é objetável por, pelo menos, duas<br />
razões:<br />
1. Porque a narração subsequente está ligada ao primeiro versículo pela<br />
partícula ―e‖ (waw), o que não aconteceria se fosse um título.<br />
2. Nos versículos seguintes não contêm o relato da criação dos céus.<br />
A interpretação mais aceita é que Gêneses 1:1 registra a criação original e<br />
imediata do universo, chamado ―céus e terra‖. Nessa expressão, a palavra céus<br />
refere-se à ordem invisível das coisas, (não deve ser confundido com os céus<br />
cósmicos, como nuvens, astros e estrelas) e a palavra terra refere-se à ordem<br />
76
visível original. Dos que aceitam essa teoria, muitos acham que a terra era um<br />
lugar de habitação de anjos, vindo a se tornar um caos com a rebelião de lúcifer<br />
e a expulsão dos rebeldes (vs. 2). A terra então foi transformada numa habitação<br />
adequada para os homens.<br />
O CONCEITO DE QUE FORAM DIAS LITERAIS:<br />
Apesar de sempre ter havido os defensores de que foram longos períodos de<br />
tempo, a ideia predominante na Igreja sempre foi que os dias de Gêneses<br />
capítulo 1 devem ser entendidos como dias literais, eis as razões:<br />
Em seu significado primário, a palavra ―yom‖ denota um dia natural, e é boa<br />
regra de exegese não abandonar o sentido original de uma palavra.<br />
O autor de gênesis parece ter-nos aprisionado absolutamente na interpretação<br />
literal acrescentando, quanto a cada dia, as palavras: ―houve tarde e manhã‖,<br />
cada dia teve uma tarde e uma manhã, coisa que dificilmente se aplicaria num<br />
período de mil anos.<br />
Se cada dia fosse um longo período de tempo, o que seria da vegetação depois<br />
que esta foi criada?<br />
Em ex. 20:9-11 ordena-se a Israel que trabalhe seis dias e descanse no sétimo,<br />
porque Jeová fez os céus e aterra em seis dias e descansou no sétimo,<br />
presume-se nesse texto que os dias eram da mesma espécie tanto para Deus<br />
como para os homens.<br />
77
Os últimos três dias certamente foram dias comuns, pois foram determinados<br />
pelo sol, embora se possa admitir que os dias anteriores tenham sido um pouco<br />
diferentes em termos de duração, é extremamente improvável que diferissem<br />
como períodos de milhares de anos.<br />
A OBRA DOS DIAS SEPARADOS:<br />
O PRIMEIRO DIA:<br />
Foi criada a luz, e pela separação de luz e trevas, o dia e a noite foram<br />
constituídos. Muitos contestam esse versículo devido ao sol só ter sido criado no<br />
quarto dia. porém a própria ciência mostra que a luz não emana do sol, mas é<br />
refletida por ele, como ondas de éter produzidas por elétrons energéticos. o<br />
próprio sol é descrito como luzeiro.<br />
O SEGUNDO DIA:<br />
A obra do segundo dia também foi de separação, o firmamento foi estabelecido<br />
com a divisão das águas de cima e as águas debaixo, as águas de cima são as<br />
nuvens e, não, o mar de vidro ou o rio da vida como dizem alguns.<br />
O TERCEIRO DIA:<br />
A separação é levada avante com a divisão entre mar e terra seca. Acrescido a<br />
isso, foi estabelecido o reino vegetal de plantas e árvores em três grandes<br />
classes: ―deshe‖ , plantas que não dão flores e não frutificam umas das outras de<br />
78
maneira usual, ―´esebh‖, vegetais e grãos que dão sementes e ―´ets peri‖ árvores<br />
frutíferas , que dão fruto segundo a sua espécie. O versículo 12 mostra que as<br />
diferentes espécies de plantas foram criados por Deus, e não que se<br />
desenvolveram umas das outras.<br />
O QUARTO DIA:<br />
Sol, lua e estrelas são criados com uma variedade de propósitos: dividir dia e<br />
noite, servir de sinais, ou seja, pontos cardeais, servir de estações, dividindo<br />
dias, semanas, meses e anos, transmitir luz a terra possibilitando a existência de<br />
vida orgânica.<br />
O QUINTO DIA:<br />
Criação das aves e dos peixes, habitantes das águas e dos ares. Também<br />
criados segundo a sua espécie, não evoluindo uns dos outros.<br />
O SEXTO DIA:<br />
Descreve a criação dos animais, empregando mais uma vez o termo "―produza a<br />
terra...". não se deve entender que os animais brotaram naturalmente da terra,<br />
mas que foram criados pala palavra de Deus, de maneira definida conforme diz<br />
o versículo 25, onde diz que Deus fez os animais selváticos, domésticos e todos<br />
os répteis da terra, conforme a sua espécie. a criação do homem se distingue<br />
pelo solene conselho que lhe precede ―façamos o homem à nossa imagem e<br />
semelhança‖. os dois termos ―imagem e semelhança‖ (tselem e demuth) não<br />
significam exatamente a mesma coisa, mas a idéia é que a imagem é de todos<br />
79
os modos semelhante ao original. o homem em todo o seu ser é a própria<br />
imagem de Deus.<br />
O SÉTIMO DIA:<br />
O descanso de Deus é como o repouso do artista que, após completar a sua<br />
obra prima, agora a observa com profunda admiração e deleite, e se satisfaz<br />
perfeitamente contemplando sua produção. ―viu Deus todo quanto fizera, e eis<br />
que era muito bom‖. ela respondeu bem ao propósito de Deus e correspondeu<br />
ao ideal divino. daí, Deus de regozija com a sua criação, pois reconhece nela o<br />
reflexo das suas gloriosas perfeições.<br />
A Doutrina da Trindade<br />
INTRODUÇÃO:<br />
Embora a palavra ―TRINDADE‖ não apareça nenhuma vez nas escrituras, são<br />
abundantes às vezes em que ela nos apresenta Deus como uma pluralidade de<br />
pessoas, mesmo sendo ele uma só essência Divina.<br />
A TRINDADE DEFINIDA<br />
Talvez o sentido da Trindade de Deus nunca foi afirmado melhor do que está por<br />
A. H. Strong – "em a natureza do Deus único há três distinções eternas que se<br />
nos representam sob a figura de pessoas e estas três são iguais" (Systematic<br />
Theology, pág. 144).<br />
80
Os princípios do Seminário estabelecem a doutrina da Trindade como segue:<br />
"Deus nos é revelado como Pai, Filho e Espírito Santo, cada um com atributos<br />
pessoais distintos, mas sem divisões de natureza, essência ou ser".<br />
A TRINDADE CONSISTE DE TRÊS DISTINÇÕES.<br />
A doutrina da Trindade não quer dizer que Deus meramente Se manifesta em<br />
três diferentes maneiras. Há três distinções atuais na Divindade. A verdade disto<br />
aparecerá mais claramente depois.<br />
ESTAS TRÊS DISTINÇÕES SÃO ETERNAS.<br />
Isto está provado, de um lado, pela imutabilidade de Deus. Se já houve um<br />
tempo em que estas distinções não existiram, então, quando vieram a existir,<br />
Deus mudou. Provado está outra vez pelas Escrituras, as quais afirmam ou<br />
implicam a eternidade do Filho e do Espírito Santo. Vide João 1:1,2; Apocalipse<br />
22:13,14; Hebreus 9:14.<br />
"Não é resposta a isto, que as expressões "gerado" e "procedido de" envolvem,<br />
a idéia da existência antecedente do que gera e de quem há processão, porque<br />
estes são termos da linguagem humana aplicados a ações divinas e devem ser<br />
entendidos ajustadamente a Deus. Não há aqui dificuldade maior do que em<br />
outros casos em que este princípio está prontamente reconhecido (Boyce,<br />
Abstract of Systematic Theology, págs. 138, 139).<br />
81
ESTAS TRÊS DISTINÇÕES NOS SÃO REPRESENTADAS SOB A<br />
FIGURA DE PESSOAS, MAS NÃO HÁ DIVISÃO DE NATUREZA,<br />
ESSENCIA OU SER.<br />
A Doutrina da Trindade não quer dizer triteismo. Quando falamos das distinções<br />
da Divindade como pessoas, devemos entender que usamos o termo<br />
figuradamente. Não há três pessoas na Divindade no mesmo sentido em que<br />
três seres humanos são pessoas. No caso de três seres humanos há divisão de<br />
natureza, essência e ser, mas Deus não é assim. Tal concepção de Deus está<br />
proibida pelo ensino da Escritura quanto à unidade de Deus.<br />
OS TRÊS MEMBROS DA TRINDADE SÃO IGUAIS.<br />
Muitos dos mesmos atributos atribuem-se a cada membro da Trindade e os<br />
atributos assim atribuídos são tais como não podiam ser possuídos sem todos<br />
os outros atributos divinos. A igualdade dos membros da Trindade mostra-se<br />
ainda pelo fato de cada um deles ser reconhecido como Deus, como veremos<br />
depois.<br />
A TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO:<br />
O termo plural ―ELOHIM‖ é usado muitas vezes no antigo testamento como<br />
designativo de DEUS e é um forte argumento a favor da TRINDADE (Gênesis<br />
14:19-20, Números 24:16, Isaías 14:14);<br />
82
Deus fala de si mesmo no plural (Gênesis 1:26, 11:7);<br />
A presença das três pessoas na criação (Gênesis 1:1, 1:2, João 1:1-2);<br />
O anjo de Jeová (JESUS), ora é citado como o próprio DEUS, Ora é distinto<br />
dEle (Gênesis 16:7,9,13, Malaquias 3:1).<br />
A TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO:<br />
Se no antigo testamento Jeová é apresentado como o redentor e salvador de<br />
seu povo (Jó 19:25, Salmos 19:14), no novo testamento o Filho é que tem essa<br />
capacidade (Mateus 1:21).<br />
Se no antigo testamento é Jeová quem habita em Israel (Salmos 74:2, Zacarias<br />
2:10,11), no novo testamento é o Espírito Santo quem habita na igreja<br />
(Romanos 8:9).<br />
O novo testamento revela Deus enviando seu Filho ao mundo (João 3:16) e o<br />
pai e o Filho enviando o Espírito Santo (João 14:26, 15:26).<br />
O novo testamento mostra o pai dirigindo-se ao Filho (marcos 1:11), o Filho ao<br />
pai (Mateus 11:25), o Espírito Santo ao pai (Romanos 8:36).<br />
No batismo de Jesus o pai fala e o Espírito desce em forma de pomba (Mateus<br />
3:16,17).<br />
83
O batismo cristão deve ser em nome do pai, do Filho e do Espírito Santo<br />
(Mateus 28:19).<br />
A única passagem que fala explicitamente da tri-unidade de Deus é I João 5:7,<br />
mas não devemos construir doutrinas usando textos que aparecem na Bíblia<br />
entre colchetes, pois os mesmos não aparecem em todos os manuscritos<br />
originais.<br />
COMO ENTENDER A TRINDADE?<br />
HÁ NO SER DIVINO APENAS UMA ESSÊNCIA INDIVISÍVEL<br />
Deus é um em seu ser essencial, ou seja, em sua natureza constitucional.<br />
(Deuteronômio 6:4; Tiago 2:19)<br />
NESTE ÚNICO SER DIVINO HÁ TRÊS PESSOAS OU SUBSISTÊNCIAS<br />
INDIVIDUAIS: O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO SANTO.<br />
Em Deus não temos três indivíduos separados uns dos outros, mas somente<br />
auto-distinções pessoais dentro da única essência divina. As três subsistências<br />
são relacionadas umas com as outras e distintas entre elas por suas<br />
propriedades incomunicáveis (Mateus 3:16; 4:1; João 1:18; 5:20-22)<br />
84
TODA A INDIVISÍVEL ESSÊNCIA DE DEUS PERTENCE IGUALMENTE A<br />
CADA UMA DAS TRÊS PESSOAS<br />
Isso que dizer que a essência não é dividida entre as três pessoas, mas está<br />
com a totalidade absoluta da sua perfeição em cada uma das pessoas.<br />
A SUBSISTÊNCIA E AS OPERAÇÕES DAS TRÊS PESSOAS DO SER<br />
DIVINO SÃO ASSINALADAS POR CERTA ORDEM DEFINIDA<br />
Quanto à subsistência pessoal o pai é a primeira pessoa, o Filho é a segunda<br />
pessoa e o Espírito Santo é a terceira, esta ordem não significa prioridade de<br />
tempo ou de dignidade, mas somente à derivação lógica: o pai não é gerado por<br />
nenhuma das duas pessoas, nem delas procede; o Filho é eternamente gerado<br />
pelo pai e o Espírito Santo procede do pai e do Filho desde toda a eternidade.<br />
HÁ CERTOS ATRIBUTOS PESSOAIS PELOS QUAIS SE DISTINGUEM AS<br />
TRÊS PESSOAS<br />
Conquanto sejam obras das três pessoas conjuntamente, atribui-se a criação<br />
primariamente ao pai, a redenção ao Filho e a santificação ao Espírito Santo.<br />
ANALOGIAS:<br />
A árvore: com a sua raiz, o seu tronco e seus ramos (mesma essência, várias<br />
partes);<br />
85
A água: em seus estados líquido, sólido e gasoso (mesma essência, várias<br />
formas);<br />
AS OBRAS ATRIBUÍDAS PARTICULARMENTE AO PAI:<br />
Em algumas obras do Deus trino o pai está em primeiro plano:<br />
Planejamento da obra da redenção (Salmos 2:7-9, Isaías 40:6-9);<br />
Criação e providência, principalmente em seus estágios iniciais (I Coríntios 8:6);<br />
É aquele que recebe e responde as orações dos santos (João 15:16,23, Mateus<br />
6:6,9).<br />
A DIVINDADE DO FILHO:<br />
Os argumentos da Bíblia a favor da divindade do Filho são:<br />
Ela o assevera explicitamente (João 1:1, 20:28, Romanos 9:5, Filipenses 2:6,<br />
Tito 2:13, i João 5:20);<br />
Ela aplica a Ele nomes Divinos (Isaías 9:6, 40:3, Jeremias 23:5, 6, Joel 2:32, I<br />
Timóteo 3:16);<br />
86
ELA ATRIBUI A ELE PERFEIÇÕES DIVINAS, TAIS COMO:<br />
Existência eterna<br />
(Apocalipse 1:8, 22:13)<br />
Onipresença<br />
(Mateus 18:20, 28:20, João 3:13)<br />
Onisciência<br />
(João 2:24, 25, 21:17, Apocalipse 2:23)<br />
Onipotência<br />
(Filipenses 3:21)<br />
Imutabilidade<br />
(Hebreus 1:10-12, 13:8)<br />
ELA FALA DELE COMO REALIZANDO OBRAS DIVINAS, TAIS COMO:<br />
Criação<br />
(João 1:3,10, Colossenses 1:16, hebreus 1:2,10)<br />
Providência<br />
(Lucas 10:22, João 3:35, 17:2, Efésios 1:22, Colossenses 1:17)<br />
Perdão de pecados<br />
(Mateus 9:2-7, marcos 2:7-10, Colossenses 3:13)<br />
Ressurreição e juízo<br />
(Mateus 25:31,32, atos 10:42, 17:31, II Timóteo 4:1)<br />
87
AS OBRAS ATRIBUÍDAS PARTICULARMENTE AO FILHO:<br />
Mediação, não só na esfera espiritual como na esfera natural (I Coríntios 8:6)<br />
Atributos de misericórdia e graça (II Coríntios 13:13, Efésios 5:2,25)<br />
A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO:<br />
A Bíblia lhe dá designativos de pessoa (João 14:26, 15:26, 16:7 o chama de<br />
―parakletos‖, que só admite como tradução ―consolador‖)<br />
SÃO LHE ATRIBUÍDOS CARACTERÍSTICAS DE PESSOA, TAIS COMO:<br />
Inteligência<br />
(Romanos 8:16)<br />
Vontade<br />
(Atos 16:7, I Coríntios 12:11)<br />
Sentimentos<br />
(Isaías 63:10, Efésios 4:30)<br />
Ele realiza atos próprios de pessoa, como sondar, falar, testificar, ordenar,<br />
revelar, lutar, criar, interceder, vivificar, etc. (gênesis 1:2, 6:3, Lucas 12:12, João<br />
16:8, Atos 8:29, 13:2, Romanos 8:11, I Coríntios 2:10,11).<br />
ELE É COLOCADO LADO A LADO COM OUTRAS PESSOAS:<br />
Com os apóstolos<br />
(Atos 15:28)<br />
88
Com cristo<br />
(João 16:14)<br />
Com o pai e o Filho<br />
(Mateus 28:19, II Coríntios 13:13, I Pedro 1:1,2, Judas 20,21)<br />
A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO:<br />
Pode se estabelecer a veracidade da divindade do espírito com base nas<br />
escrituras:<br />
São lhe dados nomes Divinos (Êxodo 17:7, Hebreus 3:7-9, atos 5:3,4, I Coríntios<br />
3:16, II Timóteo 3:16, II Pedro 1:21).<br />
SÃO LHE ATRIBUÍDAS PERFEIÇÕES DIVINAS, COMO:<br />
Onipresença<br />
(Salmos 139:7-10)<br />
Onisciência<br />
(Isaías 40:13,14, Romanos 11:34, I Coríntios 2:10,11, Romanos 15:19)<br />
Onipotência<br />
(I Coríntios 12:11)<br />
Eternidade<br />
(Hebreus 9:14)<br />
89
ELE REALIZA OBRAS DIVINAS, COMO:<br />
Criação<br />
(Gênesis 1:2, Jó 26:13, 33:4)<br />
Regeneração<br />
(João 3:5,6, Tito 3:5)<br />
Ressurreição<br />
(Romanos 8:11)<br />
É lhe prestada honra divina (Mateus 28:19, Romanos 9:1, II Coríntios 13:13)<br />
CONCLUSÃO:<br />
Embora seja muito difícil que nossa mente consiga discernir o mistério da<br />
TRINDADE, essa verdade é absoluta na Bíblia e precisamos crer nela, ainda<br />
que pela fé, a igreja confessa que a Trindade é um ministério que transcende a<br />
compreensão do homem. Certamente entenderemos perfeitamente quando<br />
estivermos face a face com o Senhor.<br />
90
SEGUNDO MÓDULO<br />
A DOUTRINA DOS ANJOS<br />
ANGELOLOGIA: A DOUTRINA DOS ANJOS<br />
INTRODUÇÃO<br />
A doutrina dos anjos, é fundamentalmente o estudo dos ministros da providência<br />
de Deus ( são os agentes especiais de Deus ). Como em toda doutrina, há uma<br />
negligência muito grande desta, nas igrejas e entre os Teólogos. Considerado<br />
pelos estudiosos contemporâneos como a mais notável e difícil das matérias.<br />
Marco da implantação de grandes seitas e heresias, do mundo atual.<br />
VEJAMOS TRÊS ASPECTOS DE NEGLIGÊNCIA DESTA DOUTRINA:<br />
PRIMEIRO.<br />
Desde a antigüidade, os gnósticos prestavam adoração aos anjos (Cl 2:18);<br />
depois então, na Idade Média, com as crenças absurdas dos rituais de bruxarias<br />
com culto aos anjos, e agora em nossos dias, os estudos cabalísticos<br />
personalizados no meio esotérico e místico, ensinam novamente o culto aos<br />
anjos, por meio de bruxos sofisticados e modernos. Sabendo que antes de tudo,<br />
a existência e ministério dos anjos são fartamente ensinados nas escrituras, por<br />
isso, não podemos negligenciar os ensinamentos sagrados.<br />
91
SEGUNDO.<br />
A evidência de possessão demoníaca e adoração a demônios de forma<br />
veemente em nossos dias. O apóstolo Paulo parece travar grande luta com a<br />
grande idolatria que considerava adoração a demônios ( I Co.10:19-21 ). Nos<br />
últimos dias, esta adoração aos demônios e a ídolos deve aumentar bastante<br />
(Apocalipse 9:20-21 G.Trib.). A negligência deixa de existir para dar lugar à um<br />
crescente pensamento sobre o assunto, especialmente do lado do mal. Não<br />
podemos negligenciar tal doutrina.<br />
TERCEIRO.<br />
A prática acentuada do espiritismo que crescerá assustadoramente nos últimos<br />
dias, conduzindo homens, mulheres e crianças a profundos caminhos de trevas<br />
e cegueira espiritual ( I Tm. 4:1-2 ). E ainda a obra de satanás e dos espíritos<br />
maléficos, atrapalhando o progresso da graça em nossos próprios corações e a<br />
obra de Deus no mundo ( Ef. 6:12 ).<br />
Ao nosso redor há um mundo espiritual poderoso, populoso e de recursos<br />
superiores ao nosso mundo visível. Bons e Maus espíritos passam em nosso<br />
meio, de um lugar para o outro, com grande rapidez e movimentos<br />
imperceptíveis. Alguns desses espíritos se interessam pelo nosso bem estar,<br />
outros, porém, estão empenhados em fazer-nos o mal. Muitas pessoas<br />
questionam se existem realmente tais espíritos ou seres, quem são, onde se<br />
encontram e o que fazem.<br />
92
A palavra de Deus é a única fonte de informação que merece confiança, e que<br />
possui respostas para estas perguntas. Ela deixa claro que há outra classe de<br />
seres Diferente do homem. Esses seres habitam nos céus e formam os<br />
exércitos celestiais, a inumerável companhia dos servos invisíveis de Deus.<br />
Esses são os anjos de Deus, os quais estão sujeitos ao governo divino, e o<br />
importante papel que têm desempenhado na história da humanidade torna-os<br />
merecedores de referência especial. Existem também aqueles, pertencentes a<br />
mesma classe de seres, que anteriormente foram servos de Deus mas que<br />
agora se encontram em atitude de rebelião contra seu governo.<br />
A doutrina dos anjos segue logicamente a doutrina de Deus, pois os anjos são<br />
fundamentalmente os ministros da providência de Deus. Essa doutrina permitenos<br />
conhecer a origem, existência, natureza, queda, classificação, obra e<br />
destino dos anjos.<br />
A ORIGEM DOS ANJOS<br />
A época de sua criação não é indicada com precisão em parte alguma, mas é<br />
provável que tenha se dado juntamente com a criação dos céus (Gênesis1:1 ).<br />
Pode ser que tenham sido criados por Deus imediatamente após a criação dos<br />
céus e antes da criação da terra, pois de acordo com Jó 38:4-7, rejubilavam<br />
todos os filhos de Deus quando Ele lançava os fundamentos da terra. Que os<br />
anjos não existem desde a eternidade é mostrado pelos versículos que falam de<br />
sua criação ( Ne 9:6 , Salmos 148:2,5; Cl 1:16 ). Embora não seja citado número<br />
definido na Bíblia, acredita-se que a quantidade de anjos é muito grande ( Dn<br />
7:10; Mateus26:53; Hb 12:22 ).<br />
93
TERMINOLOGIA<br />
O termo anjo da língua portuguesa tem origem na palavra latina angelu, que por<br />
sua vez se deriva do termo aggelov (aggelos) do grego. Em hebreu, a palavra<br />
traduzida como anjo é K)lm (mal'ak).<br />
A palavra malak ocorre 214 vezes no Antigo Testamento, e a palavra aggelos<br />
ocorre 188 vezes no Novo Testamento, sendo que ambas tem o significado de<br />
mensageiro, representante, enviado ou embaixador.<br />
Pela terminologia também podemos entender que os anjos têm gênero<br />
masculino, pois são assim invariavelmente referidos. Não cabe, portanto, a idéia<br />
de que anjos não teriam gênero definido. Se assim o fosse, seriam estes<br />
representados por palavras de gênero neutro nas línguas de origem, ou em<br />
ocasiões seriam representados utilizando-se palavras de gênero masculino e em<br />
outras de gênero feminino; fatos estes que nunca ocorrem.<br />
A NATUREZA DOS ANJOS<br />
SÃO SERES ESPIRITUAIS E INCORPÓREOS.<br />
Os anjos são descritos espíritos, porque diferentes dos homens, eles não estão<br />
limitados às condições naturais e físicas. Aparecem e desaparecem, e<br />
movimenta-se com uma rapidez imperceptível sem usar meios naturais. Apesar<br />
de serem espíritos, têm o poder de assumir a forma de corpos humanos a fim de<br />
tornar visível sua presença aos sentidos do homem (Gênesis 19:1-3). Que os<br />
94
anjos são incorpóreos está claro em Efésios 6.12, onde Paulo diz que "a nossa<br />
luta não é contra a carne nem sangue, e sim contra os principados e potestades,<br />
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do<br />
mal, nas regiões celestes". Outras referências: Salmos 104:4; Hb 1:7,14; At<br />
19:12; Lc 7:21; 8:2; 11:26; Mateus8:16; 12.45. Não têm carne nem ossos e são<br />
invisíveis ( Cl 1:16).<br />
SÃO UM EXÉRCITO E NÃO UMA RAÇA.<br />
As Escrituras ensinam que o casamento não é da ordem ou do plano de Deus<br />
para os anjos (Mateus 22:30; Lc 20:34 -36 ), portanto não se caracteriza uma<br />
raça. No Velho Testamento por cinco vezes os anjos são chamados de "filhos de<br />
Deus" ( Gênesis6:2,4; Jó 1:6; 2:1; 38:7 ) mas nunca lemos a respeito dos "filhos<br />
dos anjos". Os anjos sempre são descritos como varões, porém na realidade<br />
não tem sexo, não propagam sua espécie ( Lc 20:34-35 ).<br />
Várias passagens das Escrituras indicam que há um número muito grande de<br />
anjos (Dn 7:10; Mateus26:53; Salmos 68:17; Lc 2:13; Hb 12:22 ), e são<br />
repetidamente mencionados como exércitos do céus ou de Deus. No<br />
Getsêmani, Jesus disse a um discípulo que queria defendê-los dos que vieram<br />
prendê-lo: "Acaso pensas que não posso rogar ao meu pai, e ele me mandaria<br />
neste momento mais de doze legiões de anjos"? ( Mateus26:53 ). Portanto, seu<br />
criador e mestre é descrito como "Senhor dos Exércitos".<br />
É evidente que eles são criaturas e portanto limitados e finitos. Apesar de terem<br />
mais livre relação com o espaço e o tempo do que o homem, não podem estar<br />
em dois ou mais lugares simultaneamente.<br />
95
SÃO SERES RACIONAIS MORAIS E IMORTAIS.<br />
Aos anjos são atribuídas características pessoais; são inteligentes dotados de<br />
vontade e atividade. O fato de que são seres inteligentes parece inferir-se<br />
imediatamente do fato de que são espíritos (2 Sm 14:20; Mateus24:36 , Ef 3:10;<br />
1 Pe 1:12; 2 Pe 2:11). Embora não sejam oniscientes, são superiores ao<br />
homens em conhecimento (Mateus24:36) e por ter natureza moral estão sob<br />
obrigação moral; são recompensados pela obediência e punidos pela<br />
desobediência.<br />
A Bíblia fala dos anjos que permanecerem leais como "santos anjos" (<br />
Mateus25:31; Mc 8:38; Lc 9:26; At 10:22; Apocalipse 14:10) e retrata os que<br />
caíram como mentirosos e pecadores (Jo 8:44; 1 Jo 3:8-10).<br />
A imortalidade dos anjos está ligada ao sentido de que os anjos bons não estão<br />
sujeitos a morte (Lc 20:35-36), além de serem dotados de poder formando o<br />
exército de Deus, uma hoste de heróis poderosos, sempre prontos para fazer o<br />
que o Senhor mandar ( Sl 103:20; Cl 1:16; Ef. 1:21; 3:10; Hb 1:14) enquanto que<br />
os anjos maus formam o exército de Satanás empenhados em destruir a obra do<br />
Senhor (Lc 11:21; 2 Ts 2:9; 1 Pe 5:8 ). Ilustrações do poder de um anjo são<br />
encontradas na libertação dos apóstolos da prisão ( At 5:19; 12:7) e no rolar da<br />
pedra de mais de 4 toneladas que fechou o túmulo de Cristo (Mateus28:2 )<br />
A CLASSIFICAÇÃO DOS ANJOS<br />
ANJOS BONS E ANJOS MAUS<br />
96
Há pouca informação sobre o estado original dos anjos. Porém no dia de sua<br />
obra criadora Deus viu tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Pressupõese<br />
que todos os anjos tiveram um boa condição original (Jo 8:44; 2 Pe 2:4; Jd 6).<br />
Os anjos bons são chamados "anjos eleitos" (1 Tm 5:21) e evidentemente<br />
receberam graça suficiente para habilitá-los a manter sua posição de<br />
perseverança, pela qual foram confirmados em sua condição e agora são<br />
incapazes de pecar . São chamados também de "santos anjos ou anjos de luz"<br />
(2Co 11:14). Sempre contemplam a face Deus (Lc 9:26), e tem vida imortal ( Lc<br />
20:36 ). Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus ( Ne 9:6; Fp 2:9-11; Hb<br />
1:6; Jó 38:7; Is 6:3; Salmos 103:20; 148:2 Apocalipse 5:11).<br />
QUATRO TIPOS DE ANJOS BONS:<br />
ANJOS BONS.<br />
Tanto no grego quanto no hebraico a palavra "anjo" significa "mensageiro". São<br />
exércitos como seres alados (Dn 9:21; Apocalipse 14:6) para nos favorecer.<br />
Desde a entrada do pecado no mundo, eles são enviados para dar assistência<br />
aos herdeiros da salvação (Hb 1:14). Eles se regozijam com a conversão de um<br />
pecador (Lc 15:10), exercem vigilância protetora sobre os crentes (Salmos 34:7;<br />
91:11), protegem os pequeninos (Mateus18:10), estão presentes na igreja (1 Tm<br />
5:21) recebem aprendizagem das multiformes riquezas da graça de Deus<br />
(Efésios 3:10; 1 Pe 1:12) e encaminham os crentes ao seio de Abraão (Lc<br />
16:22,23). A idéia de que alguns deles servem de anjos da guarda de crentes<br />
individuais não tem apoio nas Escrituras. A declaração de Mateus18:10 é geral<br />
97
demais, embora pareça indicar que há um grupo de anjos particularmente<br />
encarregado de cuidar das criancinhas. At 12:15 tampouco o prova, pois esta<br />
passagem mostra apenas que, naquele período primitivo havia alguns, mesmo<br />
entre discípulos, que acreditavam em anjos guardiões.<br />
Embora os anjos não constituam um organismo, evidentemente são organizados<br />
de algum modo. Isto ocorre do fato de que ao lado do nome geral "anjo", a Bíblia<br />
emprega certos nomes específicos para indicar classe de anjos. O termo grego<br />
"angelos" (anjos = mensageiros ) também e freqüentemente aplicado a homens<br />
(Mateus11:10; Mc 1:2; Lc 7:24; 9:52; Gl 4:14). Não há nas Escrituras um nome<br />
geral, especificamente distintivo, para todos os seres espirituais. Eles são<br />
chamados filhos de Deus, (Jó 1:6; 2:1) espíritos (Hb 1:14), santos (Salmos<br />
89:5,7; Zc 14:5; Dn 8:13 ), vigilantes (Dn 4:13,17). Contudo, há nomes<br />
específicos que indicam diferentes classes de anjos.<br />
ANJOS BONS: QUERUBINS.<br />
São responsáveis pela guarda da entrada do paraíso (Gênesis3:24), observam o<br />
propiciatório (Ex 25:18,20; Salmos 80:1; 99:1; Is 37:16; Hb 9:5) e constituem a<br />
carruagem de que Deus se serve para descer à terra (2 Sm 22:11; Salmos<br />
18:10). Como demonstração do seu poder de majestade, em Ez 1º e Apocalipse<br />
4º são representados simbolicamente como seres vivos em várias formas. Mais<br />
do que outras criaturas, eles foram destinados a revelar o poder, a majestade e<br />
a glória de Deus, e a defender a santidade de Deus no jardim do Éden, no<br />
tabernáculo, no templo e na descida de Deus à terra.<br />
98
ANJOS BONS: SERAFINS.<br />
Mencionados somente em Is 6:2,6, constituem uma classe de anjos muito<br />
próxima dos querubins. São representados simbolicamente em forma humana<br />
com seis asas cobrindo o rosto, os pés e duas prontas para execução das<br />
ordens do Senhor. Permanecem servidores em torno do trono do Deus<br />
poderoso, cantam louvores a Ele e são considerados os nobres entre os anjos.<br />
ANJOS BONS: ARCANJOS.<br />
O termo arcanjo só ocorre duas vezes nas escrituras (1 Ts 4:16; Jd 9), mas há<br />
outras referências para ao menos um arcanjo, Miguel. Ele é o único a ser<br />
chamado de arcanjo e aparece comandando seus próprios anjos (Apocalipse<br />
12.7) e como príncipe do povo de Israel (Dn 10:13,21; 12.1). A maneira pela qual<br />
Gabriel é mencionado também indica que ele é de uma classe muito elevada.<br />
Ele está diante da presença de Deus (Lc 1:19) e a ele são confiadas as<br />
mensagens de mais elevada importância com relações ao reino de Deus (Dn<br />
8:16; 9:21).<br />
PRINCIPADOS, POTESTADES, TRONOS E DOMÍNIOS.<br />
A Bíblia menciona certas classes de anjos que ocupam lugares de autoridades<br />
no mundo angélico, como principados e potestades (Efésios 3:10; Cl 2:10),<br />
tronos (Cl 1:16), domínios (Efésios 1:21; Cl 1:16 ) e poderes (Efésios 1:21 , 1 Pe<br />
3:22). Estes nomes não indicam espécies de anjos, mas diferenças de classe ou<br />
de dignidade entre eles. Embora em Efésios 1:21 a referência parece incluir<br />
tanto anjos bons quanto os maus, nas outras passagens essa terminologia se<br />
refere definitivamente apenas aos anjos maus (Rm 8:38; Efésios 6:12; Cl 2:15).<br />
Veja mais abaixo.<br />
99
ANJOS MAUS<br />
Os anjos foram criados perfeitos e sem pecado, e como o homem dotado de<br />
livre escolha. Sob a direção de Satanás, muitos pecaram e foram lançados fora<br />
do céu (2 Pe 2:4; Jd 6). O pecado, no qual eles e seu chefe caíram foi o orgulho.<br />
Alguns tem pensado que a ocasião de rebelião dos anjos foi a revelação da<br />
futura encarnação do Filho de Deus e a obrigação deles o adorarem.<br />
Segundo as Escrituras, os anjos maus passam o tempo no inferno (2 Pe 2:4) e<br />
no mundo, especialmente nos ares que nos rodeiam. (Jo 12:31; 14:30; 2 Co 4:4;<br />
Apocalipse 12:4,7-9). Enganando os homens por meio do pecado, exercem<br />
grande poder sobre eles (2 Co 4:3,4; Efésios 2:2; 6:11,12); este poder está<br />
aniquilado para aqueles que são fieis a Cristo, pela redenção que ele consumou<br />
(Apocalipse 5:9; 7:13,14). Os anjos não são contemplados no plano da redenção<br />
(1 Pe 1:12), mas no inferno foi preparado o eterno castigo dos anjos maus<br />
(Mateus25:41).<br />
Os anjos maus são empregados na execução dos propósitos de Satanás, que<br />
são opostos aos propósitos de Deus, e estão envolvidos nos obstáculos e danos<br />
contra a vida espiritual e o bem estar do povo de Deus.<br />
O texto de efésios 6:12 traz uma noção de como são organizados os anjos<br />
caídos:<br />
100
ANJOS MAUS PRINCIPADOS<br />
No grego ―archás‖ – essa palavra é usada para descrever uma série de ―líderes,<br />
reis, majestades ou governadores‖. Isso mostra que o reino satânico está bem<br />
organizado. Satanás é o chefe e sob seu domínio está uma fila de espíritos de<br />
altas posições. Algumas passagens do antigo testamento nos dão base para<br />
supormos que esses príncipes são colocados sobre regiões específicas, com o<br />
único objetivo de fazer o mal (Daniel 10:13; Ezequiel 28:2). Isso talvez explique<br />
por que determinadas regiões apresentem sistematicamente o mesmo tipo de<br />
problema no decorrer de sua história: corrupção, violência, divórcio, prostituição,<br />
homossexualismo, suicídio, desemprego, seca, etc. esse pode ter sido o motivo<br />
por que os demônios que saíram do gadareno pediram para não serem<br />
mandados para fora do país (marcos 5:9, 10).<br />
ANJOS MAUS POTESTADES<br />
No grego ―exousías‖ – é a palavra traduzida por ―autoridades‖. Os espíritos<br />
imundos estão investidos de autoridade para realizar seu propósito maligno.<br />
Essa autoridade vem do seu chefe (o diabo), obviamente por permissão de<br />
deus, e foi dada por causa do pecado. Dentro do propósito eterno de deus, está<br />
previsto que até que a criação seja redimida completamente, o que se dará após<br />
o arrebatamento da igreja, satanás tem autoridade para agir (i João 5:19;<br />
apocalipse 12:12). no entanto o crente tem autoridade maior, inclusive sobre os<br />
espíritos imundos (Lucas 10:17-19).<br />
101
ANJOS MAUS DOMINADORES DESTE MUNDO<br />
No grego ―kosmokrátoras‖ – que também é traduzido por ―príncipes deste<br />
século‖ ou ―deuses deste século‖ (ii coríntios 4:4). Quando adão caiu por seu<br />
próprio pecado, satanás ganhou domínio sobre o mundo. Em Mateus 4:9 ele<br />
oferece a Jesus a glória deste mundo se recebesse adoração. Não vemos Jesus<br />
respondendo que ele não poderia oferecer isso, que não era dele, mas<br />
resistindo à sua proposta pela palavra de deus dizendo que preferia oferecer<br />
culto a deus.<br />
ANJOS MAUS FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL<br />
No grego ―dunamys‖ - que pode ser traduzido como ―poderes‖. Esse texto<br />
mostra que os poderes das trevas estão unidos num só propósito: o mal. Jesus<br />
já havia alertado em João 10:10 que ―o ladrão vem somente para roubar, matar<br />
e destruir‖. Ainda que satanás se disfarce em anjo de luz e atraia muitas<br />
pessoas, seu propósito é sempre maligno.<br />
A QUEDA DOS ANJOS MAUS<br />
O FATO DA SUA QUEDA<br />
Tudo nos leva a crer que os anjos foram criados em estado de perfeição. No<br />
capitulo 1º de Gênesis, lemos sete vezes que o que Deus havia feito era bom.<br />
No ultimo versículo deste capitulo lemos "Viu Deus tudo o quanto fizera, e eis<br />
que era muito bom". Isso certamente inclui a perfeição dos anjos em santidade<br />
quando originalmente criados. Algumas pessoas acham que Ez 28:15 se refere<br />
102
a Satanás. Se for assim, ele é definitivamente mostrado como tendo sido criado<br />
perfeito. Mas diversas passagens mostram alguns dos anjos como maus (Sl<br />
78:49; Mateus25:41; Apocalipse 9:11; Apocalipse 12:7-9). Isto se deve ao fato<br />
de terem deixado seu próprio principado e habitação apropriada (Jd 6) e pecado<br />
(2 Pe 2:4). Não há duvida que Satanás tenha sido o chefe da apostasia. Is 14:12<br />
e Ez 28:15-17 parece lamentar a sua queda.<br />
A ÉPOCA DE SUA QUEDA<br />
Nas Escrituras não há referência de quando ocorreu a queda dos anjos, mas<br />
deixa claro que se deu antes da queda do homem, já que Satanás entrou no<br />
jardim na forma de serpente e induziu Eva a pecar (Gênesis3).<br />
A CAUSA DE SUA QUEDA.<br />
De acordo com as Escrituras o universo e a criatura eram originalmente<br />
perfeitos. A criatura tinha originalmente a capacidade de pecar ou não. Ela foi<br />
colocada na posição de poder fazer qualquer uma das duas coisas sem ser<br />
obrigada a optar por uma delas. Em outras palavras, sua vontade era autônoma.<br />
Portanto, conclui-se que a queda dos anjos se deu devido a sua revolta<br />
deliberada e auto determinada contra Deus. Grande prosperidade e beleza<br />
parecem ser apontadas como possíveis causas. Em Ez 28:11-19, o rei de Tiro<br />
parece simbolizar Satanás e diz-se que ele caiu devido a essas coisas. Ambição<br />
desmedida e o desejo de ser mais que Deus parecem ser outra causa. O rei da<br />
103
Babilônia é acusado de ter essa ambição, ele também parece simbolizar<br />
Satanás (Is 14.13-14).<br />
Em qualquer um dos casos o egoísmo, descontentamento com aquilo que tinha<br />
e o desejo de ter tudo o que os outros tinham, foi a causa da queda de Satanás<br />
e de outros anjos que o seguiram.<br />
O RESULTADO DE SUA QUEDA<br />
Todos eles perderam a sua santidade original e se tornaram corruptos em<br />
natureza e conduta (Mateus10:1; Ef 6:11-12; Apocalipse 12:9); Alguns deles<br />
foram lançados no inferno e estão acorrentados até o dia do julgamento (2 Pe<br />
2:4); Alguns deles permanecem em liberdade e trabalham em definida oposição<br />
à obra dos anjos bons (Apocalipse 12:7-9; Dn 10:12,13,20,21; Jd 9); Pode<br />
também ter havido um efeito sobre a criação original. A terra foi amaldiçoada ao<br />
pecado de Adão (Gênesis3:17-19) e a criação está gemendo por causa da<br />
queda (Rm 8:19-22).<br />
Não é improvável, portanto, que o pecado dos anjos tenha tido algo a ver com a<br />
ruína da criação original no capítulo 1º de Gênesis; Eles serão, no futuro,<br />
atirados para a terra (Apocalipse 12:8-9), e após seu julgamento (1 Co 6:3), no<br />
lago de fogo e enxofre (Mateus25:41; 2 Pe 2:4; Jd 6).<br />
OS DEMÔNIOS<br />
As Escrituras não descrevem a origem dos demônios. Essa questão parece ser<br />
parte do mistério que rodeia a origem do mal. Porém, as Escrituras dão claro<br />
testemunho da sua existência real e de sua posição (Mateus12:26-28). Nos<br />
104
Evangelhos aparecem os espíritos maus desprovidos de corpos, que entram nas<br />
pessoas, das quais se diz que têm demônios. Os efeitos desta possessão se<br />
evidenciam por loucura, epilepsia e outras enfermidades, associadas<br />
principalmente com o sistema mental e nervoso (Mateus9:33; 12:22; Mc 5:4,5).<br />
O indivíduo sob a influência de um demônio não é senhor de si mesmo; o<br />
espírito fala através de seus lábios ou emudece à sua vontade; leva-o aonde<br />
quer e geralmente o usa como instrumento, revestindo-o às vezes de uma força<br />
sobrenatural.<br />
Quando examinam as Escrituras, algumas pessoas ficam em dúvida se os<br />
demônios devem ser classificados juntamente com os anjos ou não; mas não há<br />
dúvida de que na Bíblia, há ensino positivo concernente a cada um dos dois<br />
grupos.<br />
Ainda que alguns falem em "diabos", como se houvesse muitos de sua espécie,<br />
tal expressão é incorreta. Há muitos "demônios", mas existe um único "diabo".<br />
Diabo é a transliteração do vocábulo grego "diabolos", nome que significa<br />
"acusador" e é aplicado nas Escrituras exclusivamente a Satanás. "Demônio" é a<br />
transliteração de "daimon" ou "daimonion".<br />
A NATUREZA DOS DEMÔNIOS<br />
São seres inteligentes (Mateus8:29,31; 1 Tm 4:1-3; 1 Jo 4:1 e Tg 2:19),<br />
possuem características de ações pessoais o que demonstra que possuem<br />
personalidade (Mc 1:24; Mc 5:6,7; Mc 8:16; Lc 8:18-31); São seres espirituais<br />
(Lc 9:38,39,42; Hb 1:13,14; Hb 2:16; Mateus8:16; Lc 10:17,20); São reputados<br />
105
idênticos aos espíritos imundos, no Novo Testamento; São seres numerosos<br />
(Mc 5:9) de tal modo que tornam Satanás praticamente ubíquo por meio desses<br />
seus representantes; São seres vis e perversos - baixos em conduta (Lc 9:39;<br />
Mc 1:27; 1 Tm 4:1; Mateus4:3); São servis e obsequiosos (Mateus12:24-27).<br />
São seres de baixa ordem moral, degenerados em sua condição, ignóbeis em<br />
suas ações, e sujeitos a Satanás.<br />
AS ATIVIDADES DOS DEMÔNIOS<br />
Apossam-se dos corpos dos seres humanos e dos irracionais (Mc 5:8, 11-13);<br />
Afligem aos homens mental e fisicamente (Mateus12:22; Mc 5:4,5); Produzem<br />
impureza moral (Mc 5:2; Efésios 2:2);<br />
SATANÁS<br />
ORIGEM DE SATANÁS<br />
Alguns afirmam que Satanás não existe, mas observando-se o mal que existe no<br />
mundo, é lógico que se pergunte: "Quem continua a fazer a obra de Satanás<br />
durante a sua ausência, se é que ele não existe?"<br />
Satanás aparece nas Escrituras como reconhecido chefe dos anjos decaídos.<br />
Ele era originalmente um dos poderosos príncipes do mundo angélico, e veio a<br />
ser o líder dos que se revoltaram contra Deus e caíram. De acordo com as<br />
Escrituras, Satanás era originalmente Lúcifer ("o que leva a luz"), o mais glorioso<br />
dos anjos.<br />
106
Mas ele orgulhosamente aspirou a ser "como o Altíssimo" e caiu "na<br />
condenação (Ez 28:12,19; Is 14:12-15). O nome "Satanás" revela-o como "o<br />
adversário", não do homem em primeiro lugar, mas de Deus. Ele investe contra<br />
Adão como a coroa da produção de Deus, forja a destruição, razão pela qual é<br />
chamado Apolion (destruidor), Apocalipse 9:11, e ataca Jesus, quando Este<br />
empreende a obra de restauração.<br />
Depois da entrada do pecado no mundo ele se tornou "diabolos" (acusador),<br />
acusando continuamente o povo de Deus, Apocalipse 12:10. Ele é apresentado<br />
nas Escrituras como o originador do pecado (Gênesis3:1,4; Jo 8:44; 2 Co 11:3; 1<br />
Jo 3:8; Apocalipse 12:9; 20:2,10) e aparece como reconhecido chefe dos que<br />
caíram (Mateus25:41; 9:34; Efésios 2:2). Ele continua sendo o líder das hostes<br />
angélicas que arrastou consigo em sua queda, e as emprega numa desesperada<br />
resistência a Cristo ao seu reino.<br />
É também chamado "príncipe deste mundo" (Jo 12:31; 14:30; 16:11) e até<br />
mesmo "deus deste século" (2 Co 4:4). Não significa que ele detém o controle<br />
do mundo, pois Deus é quem o detém, e Ele deu toda autoridade a Cristo, mas o<br />
sentido é que Satanás tem sob controle este mundo mau, o mundo naquilo em<br />
que está separado de Deus (Efésios 2:2).<br />
Ele é mais que humano, mas não é divino; tem poder, mas não é onipotente;<br />
exerce influência em grande escala, mas restrita (Mateus12:29; Apocalipse<br />
20:2), e está destinado a ser lançado no abismo (Apocalipse 20:10).<br />
107
CARÁTER DE SATANÁS<br />
Presunçoso<br />
(Mateus 4:4,5);<br />
Orgulhoso<br />
(1 Tm 3:6; Ez 28:17);<br />
Poderoso<br />
(Efésios 2:2);<br />
Maligno<br />
(Jó 2:4);<br />
Astuto<br />
(Gênesis3:1; 2 Co 11:3);<br />
Enganador<br />
(Efésios 6:11);<br />
Feroz e cruel<br />
(1 Pe 5:8).<br />
108
ATIVIDADES DOS ANJOS MAUS:<br />
A NATUREZA DAS ATIVIDADES:<br />
Perturbar a obra de Deus<br />
(1 Ts 2:18);<br />
Opor-se ao Evangelho<br />
(Mateus 13:19; 2 Co 4:4);<br />
Dominar, cegar, enganar e laçar os ímpios<br />
(Lc 22:3; 2 Co 4:4; Apocalipse 20:7,8; 1 Tm 3:7);<br />
Afligir e tentar os santos de Deus<br />
(1 Ts 3:5).<br />
O MOTIVO DE SUAS ATIVIDADES:<br />
Ele odeia até a natureza humana com a qual se revestiu o Filho de Deus. Intenta<br />
destruir a igreja porque ele sabe que uma vez perdendo o sal da terra o seu<br />
sabor, o homem torna-se vítima em suas mãos inescrupulosas.<br />
SUAS ATIVIDADES SÃO RESTRITAS:<br />
Ao mesmo tempo que reconhecemos que Satanás é forte, devemos ter cuidado<br />
de não exagerar o seu poder. Para aqueles que crêem em Cristo, ele já é um<br />
inimigo derrotado (Jo 12:31), e é forte somente para aqueles que cedem à<br />
109
tentação. Apesar de rugir furiosamente ele é covarde (Tg 4:7). Não pode tentar<br />
(Mateus4:1), afligir (1 Ts 3:5), matar (Jó 2:6), nem tocar no crente sem a<br />
permissão de Deus.<br />
SUA ATUAÇÃO<br />
Não limita sua operações aos ímpios e depravados. Muitas vezes age nos<br />
círculos mais elevados como "um anjo de luz" (2 Co 11:14).<br />
Deveras, até assiste às reuniões religiosas, o que é indicado pela sua presença<br />
no ajuntamento dos anjos (Jó 1:6), e pelo uso dos termos "doutrina de<br />
demônios" (1 Tm 4:1) e "a sinagoga de Satanás" (Apocalipse 2:9).<br />
Freqüentemente seus agentes se fazem passar como "ministros de justiça" (2<br />
Co 11:15).<br />
O SERVIÇO DOS ANJOS BONS<br />
SERVIÇO COMUM:<br />
É definido como serviço comum dos anjos seus louvores a deus dia e noite<br />
(Isaías 6:3, salmos 103:20, apocalipse 5:11), dão assistência aos herdeiros da<br />
salvação (Hebreus 1:14), protegem os crentes (Salmos 34:7), protegem os<br />
pequeninos (Mateus 18:10), estão presentes na igreja (i coríntios 11:10, I<br />
Timóteo 5:21) e encaminham os crentes ao céu (Lucas 16:22).<br />
110
SERVIÇO ESPECIAL:<br />
A queda do homem tornou necessária a atuação extraordinária dos anjos.<br />
Muitas vezes eles são intermediários das revelações especiais de deus a seu<br />
povo e executam o juízo sobre seus inimigos.<br />
É certo que os anjos estão a serviço do ser humano (hebreus 1:14), mas não se<br />
deve usar os textos de Mateus 18:10 e atos 12:15 para tentar argumentar sobre<br />
a existência de anjos da guarda específicos para cada um. Também não é<br />
correto ao homem dar ordens diretamente aos anjos, pois é o senhor quem dá<br />
ordens aos seus anjos a nosso respeito (Salmos 91:11).<br />
DERROTA DOS ANJOS MAUS<br />
Deus decretou sua derrota (Gênesis 3:14,15). No princípio foi expulso do céu;<br />
durante a grande tribulação será lançado da esfera celeste à terra (Apocalipse<br />
12:7-9); durante o milênio será aprisionado no abismo (Apocalipse 20:1-3), e<br />
depois de mil anos será lançado no lago de fogo (Apocalipse 20:10). Dessa<br />
maneira a Palavra de Deus nos assegura a derrota final do mal.<br />
111
A DOUTRINA DO HOMEM<br />
ANTROPOLOGIA<br />
Esse termo é usado tanto na Teologia (homem em relação a Deus), como na<br />
Ciência (História Natural da Raça, Psicologia, Sociologia, Ética, Anatomia,<br />
Fisiologia e História Natural).<br />
O conhecimento dessa doutrina servirá de alicerce para entender melhor as<br />
doutrinas sobre o ‗pecado‘, o ‗juízo‘ e a ‗salvação‘, as quais se baseiam no<br />
homem.<br />
CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO<br />
Hoje em dia, provavelmente nenhuma questão é mais debatida em diferentes<br />
esferas da sociedade do que a origem do homem. O debate sobre a inerrância<br />
das Escrituras acertadamente tem incluído uma discussão sobre a historicidade<br />
da narrativa que Gênesis faz da criação. Muitos pontos de vista diferentes<br />
procuram ser aceitos, alguns defendidos inclusive por evangélicos.<br />
EVOLUÇÃO ATEÍSTA:<br />
Evolução significa simplesmente uma mudança em qualquer direção. Mas<br />
quando essa palavra é usada para se referir às origens do homem, seu<br />
significado envolve a origem com base em um processo natural, tanto no<br />
surgimento da primeira substância viva quanto no de novas espécies. Essa<br />
teoria afirma que, bilhões de anos atrás, substâncias químicas existentes no<br />
112
mar, influenciadas pelo Sol e pela energia cósmica, acabaram unindo-se por<br />
obra do acaso e dando origem a organismo unicelulares. Desde então, vêm se<br />
desenvolvendo por intermédio de mutações benéficas e de seleção natural,<br />
formando todas as plantas, animais e pessoas.<br />
EVOLUÇÃO TEÍSTA:<br />
Afirma que Deus direcionou, usou e controlou o processo da evolução natural<br />
para ‗criar‘ o mundo e tudo o que nele existe. Normalmente, essa visão inclui as<br />
seguintes idéias: os dias da criação de Gênesis 1, na verdade, foram eras; o<br />
processo evolutivo estava envolvido na criação de Adão; a Terra e as formas<br />
pré-humanas são extremamente antigas.<br />
CRIAÇÃO:<br />
Ainda que existam variantes no conceito de criacionismo, a principal<br />
característica desse ponto de vista é que ele tem a Bíblia como sua única base.<br />
A ciência pode contribuir para nosso entendimento, mas jamais deve controlar<br />
ou mudar nossa interpretação das Escrituras para acomodar suas descobertas.<br />
A Bíblia claramente nos ensina que o homem foi uma criação especial de Deus.<br />
Nunca existiu uma criatura subumana ou um processo de evolução. Gênesis<br />
1:26 – 27: ―...Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o<br />
criou; homem e mulher os criou.‖<br />
113
Os criacionistas possuem diferentes pontos de vista em relação aos dias da<br />
criação, mas para alguém ser um criacionista é preciso acreditar que o registro<br />
bíblico é historicamente factual e que Adão foi o primeiro homem.<br />
Embora a Bíblia não seja um livro de Ciência, isso não significa que ela não seja<br />
precisa quando revela verdades científicas. Com certeza, tudo o que ela revela<br />
sobre qualquer área do conhecimento é verídico, preciso e confiável. A Bíblia<br />
não responde a todas as perguntas que desejamos fazer a respeito das origens,<br />
mas o que ela revela deve ser reconhecido como verdade.<br />
Somente o registro bíblico nos dá informações precisas sobre a origem da<br />
humanidade. Duas características principais do ato da criação do homem<br />
destacam-se no texto.<br />
Foi planejada por Deus (Gênesis 1:26); Ocorreu de forma direta, especial e<br />
imediata (Gênesis 1:27; 2:7)<br />
Imago dei (A Imagem de Deus no Homem)<br />
Da mesma forma que se discute a origem do homem, discute-se também o<br />
propósito da criação do mesmo, de todas as criaturas que Deus fez só de uma<br />
delas, o homem diz-se ter sido feita ―à imagem de Deus‖. O que isso significa?<br />
Podemos usar a seguinte definição: O fato de ser o homem à imagem de Deus<br />
significa que ele é semelhante a Deus e o representa.<br />
114
Quando Deus diz: ―Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa<br />
semelhança‖, isso significa que ele pretende fazer uma criatura semelhante a si.<br />
As palavras hebraicas que exprimem ―imagem‖ e ―semelhança‖ se referem a<br />
algo similar, mas não idêntico, à coisa que representa ou de que é uma<br />
―imagem‖. A palavra imagem também pode ser usada para exprimir algo que<br />
representa outra coisa.<br />
Os teólogos gastam muito tempo tentando especificar uma característica do<br />
homem ou bem poucas delas, em que se vê primordialmente a imagem de<br />
Deus. Alguns já cogitam que a imagem de Deus consiste na capacidade<br />
intelectual do homem, ou no seu poder de tomar decisões morais e fazer<br />
escolhas voluntárias. Outros conceberam que a imagem de Deus era uma<br />
referência à pureza moral original do homem, ou ao fato de termos sido criados<br />
homem e mulher, ou ao domínio humano sobre a terra.<br />
Dentro dessa discussão, melhor seria concentrar a atenção primeiramente nos<br />
significados das palavras ―imagem‖ e ―semelhança‖. Esses termos tinham<br />
significados bastante claros para os primeiros leitores:<br />
IMAGEM: (no Hebraico = Tselem; no Grego = Eikon; no Latim = Imago) significa:<br />
molde, modelo, imagem, representação. Uma representação formada, concreta.<br />
SEMELHANÇA: (no Hebraico = Damuth; no Grego = Homoiosis; no Latim =<br />
Similitudo) significa: similitude, semelhança. Uma similaridade abstrata,<br />
imaterial, ideal.<br />
115
Embora alguns venham tentando fazer uma distinção entre as duas palavras<br />
para ensinar que existem dois aspectos na imagem de Deus, nenhum contraste<br />
grande entre eles tem apoio na lingüística. Os termos são sinônimos<br />
potenciais/facultativos. O uso ocasional dos dois termos juntos sugere um<br />
reforço de um termo por sua associação com outro. Ao usar as duas palavras<br />
juntas, o autor bíblico parece estar tentando expressar uma idéia muito difícil, na<br />
qual deseja deixar claro que o homem, de alguma maneira, é o reflexo concreto<br />
de Deus, mas, ao mesmo tempo, deseja espiritualizar isso, em direção à<br />
abstração. Para os primeiros leitores, Gênesis 1:26 significava simplesmente:<br />
―Façamos o homem como nós, para que nos represente‖.<br />
Como ―imagem‖ e ―semelhança‖ já carregavam esses significados, as Escrituras<br />
não precisam dizer algo como:<br />
―O fato de ser o homem à imagem de Deus significa que o homem é como Deus<br />
nos seguintes aspectos: capacidade intelectual, pureza moral, natureza<br />
espiritual, domínio sobre a terra, criatividade, capacidade de tomar decisões<br />
éticas, capacidade relacional e imortalidade.‖<br />
Tal explicação é desnecessária, não só porque os termos tinham significados<br />
claros, mas também porque nenhuma lista desse tipo faria justiça ao tema: o<br />
texto precisa afirmar que o homem é como Deus, e o restante das Escrituras<br />
fornece mais detalhes que explicam esse ponto. De fato, na leitura do restante<br />
da Bíblia, percebemos que uma compreensão da plena semelhança do homem<br />
a Deus exigiria uma plena compreensão de quem é Deus no seu ser e nos seus<br />
atos, e uma plena compreensão de quem é o homem e o que faz. Quanto mais<br />
sabemos sobre Deus e o homem, mais semelhanças reconhecemos, e mais<br />
116
plenamente compreendemos o que as Escrituras querem dizer ao afirmar que o<br />
homem existe à semelhança de Deus. A expressão se refere a todo aspecto em<br />
que o homem é como Deus. Na verdade, em toda a Escritura, o alvo do homem<br />
é o de ser semelhante a Deus.<br />
HOMEM X MULHER<br />
Um dos aspectos da criação do ser humano à imagem de Deus foi sua feitura<br />
como homem e mulher (Gênesis 1:27). O mesmo elo entre criação à imagem de<br />
Deus e criação como homem e mulher se faz em Gênesis 5:1 – 2. Embora a<br />
criação do ser humano como homem e mulher não seja o único aspecto da<br />
nossa criação à imagem de Deus, ele é tão significativo que as Escrituras o<br />
mencionam logo no mesmo versículo em que descrevem a criação do homem<br />
por Deus. Podemos resumir da seguinte maneira os aspectos segundo os quais<br />
a criação dos dois sexos representa algo da nossa criação à imagem de Deus:<br />
A criação do ser humano como homem e mulher revela a imagem de Deus em<br />
(1) relações interpessoais harmoniosas, (2) igualdade em termos de<br />
pessoalidade e de importância e (3) diferença de papéis e autoridade.<br />
A ESTRUTURA DO HOMEM<br />
De quantas partes compõe-se o homem? Todos concordam que temos um<br />
corpo físico. A maioria das pessoas sente que também tem uma parte imaterial –<br />
uma ‗alma‘ que sobreviverá à morte do corpo.<br />
117
Mas aqui termina a concordância. Algumas pessoas crêem que, além do ‗corpo‘<br />
e da ‗alma‘, temos uma terceira parte, um ‗espírito‘ que se relaciona mais<br />
diretamente com Deus.<br />
A concepção de que o homem é constituído de três partes chama-se tricotomia.<br />
Embora essa seja uma idéia comum no ensino bíblico evangélico popular, hoje<br />
poucos estudiosos a defendem. Segundo muitos tricotomistas, a alma do<br />
homem abarca o seu intelecto, as sus emoções e a sua vontade. Eles sustentam<br />
que todas as pessoas têm alma, e que os diferentes elementos da alma podem<br />
ou servir a Deus ou ceder ao pecado. Argumentam que o espírito do homem é<br />
uma faculdade humana superior que surge quando a pessoa torna-se cristã. O<br />
espírito de uma pessoa seria aquela parte dela que mais diretamente adora e<br />
ora a Deus.<br />
Outros dizem que o ‗espírito‘ não é uma parte distinta do homem, mas<br />
simplesmente outra palavra que exprime ‗alma‘, e que ambos os termos são<br />
usados indistintamente nas Escrituras para falar da parte imaterial do homem, a<br />
parte que sobrevive após a morte do corpo. A idéia de que o homem é composto<br />
de duas partes chama-se dicotomia. Aqueles que sustentam essa idéia muitas<br />
vezes admitem que as Escrituras usam a palavra espírito mais freqüentemente<br />
com referência à nossa relação com Deus, mas que esse uso não é uniforme e<br />
que a palavra alma é também usada em todos os sentidos em que se pode usar<br />
espírito.<br />
As duas opiniões têm defensores no mundo cristão de hoje. Embora a dicotomia<br />
tenha sido mais geralmente sustentada ao longo da história da Igreja, e seja<br />
118
em mais comum entre os estudiosos evangélicos de hoje, a tricotomia também<br />
teve e tem muitos defensores.<br />
ORIGEM DA ALMA<br />
Sabemos que a primeira alma veio a existir como resultado de Deus ter soprado<br />
no homem o Espírito de vida. Então surge uma pergunta: Como chegaram a<br />
existir as demais almas desde esse tempo? Em que momento a alma é<br />
formada?<br />
A respeito da origem da alma existem três teorias principais:<br />
PREEXISTÊNCIA<br />
Deus teria criado todas as almas antes da queda e antes de cessar a sua<br />
atividade criadora. Desse estoque de almas Deus daria a cada corpo uma alma.<br />
DEFESA:<br />
A origem do Imaterial não pode ser material.<br />
DIFICULDADES:<br />
A preexistência não tem respaldo nas Escrituras. Têm associações com teorias<br />
não-Bíblicas como transmigração da alma e reencarnação. Contradiz os ensinos<br />
de Paulo de que todo pecado e morte são resultado do pecado de Adão (1<br />
Coríntios 15:21 – 22).<br />
CRIACIONISMO<br />
119
Deus estaria criando cada alma em algum momento da fecundação, unindo-se<br />
ao corpo imediatamente. A alma se tornaria pecaminosa por causa do contato<br />
com a natureza humana, pela culpa herdada dela.<br />
DEFESA:<br />
Passagem das Escrituras que falam de Deus como criador da alma e do espírito:<br />
Números 16:22; Salmo 104:30; Eclesiastes 12:7; Zacarias 12:1; Hebreus 12:9. A<br />
alma (imaterial) não pode ser meramente transmitida. Explica porque Cristo não<br />
assumiu a natureza pecaminosa de Maria.<br />
DIFICULDADES:<br />
A atividade criadora de Deus cessou no sexto dia em Gênesis 2:1 – 3, e não<br />
pode ser que Deus crie uma alma diariamente, a cada hora e momento. Por que<br />
Deus criaria uma alma pura para colocá-la numa situação de pecado e provável<br />
condenação eterna?<br />
TRADUCIONISMO<br />
A Raça Humana foi criada em Adão, tanto o corpo como a alma, e os dois são<br />
propagados a partir dele pelo processo de geração natural.<br />
DEFESA:<br />
Esta teoria se harmoniza perfeitamente com as Escrituras, com a Teologia e<br />
com uma concepção correta da natureza humana. No Salmo 51 Davi reconhece<br />
que herdou a alma depravada de sua mãe; em Gênesis 46:26, almas que<br />
descenderam de Jacó; em Atos 17:26, Paulo nos ensina que Deus ―de uma vez<br />
120
fez toda a raça humana‖. É melhor explicado o ―pecado hereditário‖ e a<br />
―transmissão da natureza pecaminosa‖.<br />
DIFICULDADES:<br />
Quem é responsável pela comunicação ou transmissão da alma? Como<br />
acontece a formação da alma? Como Cristo nasceu sem pecado?<br />
SIGNIFICADO TEOLÓGICO DA CRIAÇÃO DO HOMEM<br />
O fato de terem sido criados significa que eles não têm existência<br />
independente. Tudo o que temos e somos vem do Criador. Toda nossa vida é<br />
por direito dele.<br />
Humanidade faz parte da criação; isto nos diz que deve haver harmonia entre<br />
nós e o restante da criação. A ecologia ganha um significado rico (Mandado<br />
Cultural).<br />
Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Dos animais diz-se que foram<br />
feitos. Isso significa que os homens não alcançam a plenitude quando todas as<br />
suas necessidades animais são satisfeitas. Há um elemento transcendente.<br />
Há um vínculo comum entre todos os seres humanos.<br />
Há limitações definidas sobre a humanidade. Somos criaturas, finitas. Nosso<br />
conhecimento é incompleto. Somos mortais. Só Deus é inerentemente eterno.<br />
Qualquer possibilidade de viver para sempre depende de Deus.<br />
121
A limitação não é inerentemente má (Gênesis 1:31).<br />
O homem é algo maravilhoso. Apesar de criaturas somos a mais elevada<br />
dentre elas. Fomos feitos pelo melhor e pelo mais sábio dos seres!<br />
ALIANÇAS ENTRE DEUS E O HOMEM<br />
Como Deus se relaciona com o homem? Desde a criação do mundo o<br />
relacionamento entre Deus e o homem tem sido definido por promessas e<br />
requisitos específicos. Deus revela às pessoas como ele deseja que ajam e<br />
também faz promessas de como agirá com eles em várias circunstâncias. A<br />
Bíblia contém vários tratados a respeito das provisões que definem as diferentes<br />
formas de relacionamento entre Deus e o homem que ocorrem nas Escrituras, e<br />
freqüentemente chama esses tratados de ‗alianças. Podemos apresentar a<br />
seguinte definição das alianças entre Deus e o homem nas Escrituras: ―Uma<br />
aliança é um acordo imutável e divinamente imposto entre Deus e o homem, que<br />
estipula as condições no relacionamento entre as partes.‖<br />
OUTRAS DEFINIÇÕES:<br />
AURÉLIO:<br />
―[Do francês alliance]. Ato ou efeito de aliar(-se). Ajuste, acordo, pacto. União<br />
por casamento. Cada um dos pactos que, segundo as Escrituras, Deus fez com<br />
os homens‖.<br />
122
ENCICLOPÉDIA HISTÓRICO-TEOLÓGICA:<br />
―Um pacto ou contrato entre duas partes, que as obriga mutuamente a assumir<br />
compromissos de cada uma em prol da outra. Teologicamente (usado a respeito<br />
dos relacionamentos entre Deus e o homem) denota um compromisso gracioso<br />
da parte de Deus no sentido de benevidiar e abençoar o homem, e<br />
especificamente, aqueles homens que, pela fé, recebem as promessas e se<br />
obrigam a cumprir os deveres envolvidos neste compromisso‖.<br />
DICIONÁRIO INTERNACIONAL DE TEOLOGIA:<br />
No grego é ―ditheke‖ (dia + tithemi, ―por, colocar, expor, dispor‖ = ―Expor<br />
mediante um testamento‖). Significa, portanto, uma decisão irrevogável, que não<br />
pode ser cancelada por pessoa alguma. Uma condição prévia da sua eficácia<br />
diante da lei, é a morte do testador (―Porque onde há testamento é necessário<br />
que intervenha a morte do testador‖ – Hebreus 9:16).<br />
AS ALIANÇAS DE DEUS<br />
POR QUE DEUS FAZ ALIANÇA COM O HOMEM?<br />
Porque através das alianças Deus expressa seu pensamento, seus propósitos.<br />
Porque mediante alianças com o homem Deus lhe aumenta a fé.<br />
123
Para dar-lhe garantia. ―Ao fazer uma aliança, Ele informa claramente ao homem<br />
qual o intento do coração divino.‖ (Watchman Nee)<br />
AS PRINCIPAIS ALIANÇAS ENTRE DEUS E O HOMEM<br />
Adão: Gênesis 2:15 – 17.<br />
Noé: Gênesis 6:18.<br />
Abraão: Gênesis 17:1 – 8.<br />
Moisés: Êxodo 19:5 – 6.<br />
Davi: Salmo 89:20 – 37 (2 Samuel 7:12 – 17).<br />
OUTRA FORMA DE DIVIDIR AS ALIANÇAS<br />
Aliança das Obras<br />
Aliança da Redenção<br />
Aliança da Graça<br />
―Um elemento muito importante nas alianças que Deus tinha em Israel achavase<br />
no duplo aspecto da condicionalidade e da incondicionalidade. As Suas<br />
124
promessas solenes, que tinham a natureza de um juramento obrigatório, deviam<br />
ser consideradas passíveis do não-cumprimento, caso os homens deixassem de<br />
viver à altura das suas obrigações para com Deus? Ou havia um sentido em que<br />
os compromissos que Deus assumiu segundo a aliança tinham absoluta certeza<br />
de cumprimento, sem levar em conta a infidelidade do homem? A resposta a<br />
esta pergunta tão debatida parece ser: (1) que as promessas feitas por Jeová na<br />
aliança da graça representam decretos que Ele certamente realizará, quando as<br />
condições forem propícias ao seu cumprimento; (2) que o benefício pessoal – e<br />
especialmente o benefício espiritual e eterno – da promessa de Deus será<br />
creditado somente àqueles indivíduos do povo, da aliança divina que<br />
manifestarem uma fé verdadeira e viva (demonstrada por uma vida piedosa).<br />
Sendo assim, o primeiro aspecto é ressaltado pela forma inicial da aliança com<br />
Abraão, em Gênesis 12:1 – 3; não há sombra de dúvida de que Deus não<br />
deixará de fazer Abraão uma grande nação, de tornar grande o seu nome e de<br />
abençoar todas as nações da terra através dele e da sua posteridade. É assim<br />
que o plano de Deus é exposto desde o início; nada o frustrará.<br />
Por outro lado, os filhos de Abraão devem receber os benefícios pessoais<br />
somente à medida em que manifestarem a fé e a obediência de Abraão; assim<br />
diz Êxodo 19:5. Ou seja, Deus cuidará para que o Seu plano de redenção seja<br />
levado a efeito na história, mas também fará com que nenhum transgressor das<br />
exigências de santidade participe dos benefícios eternos da aliança. Nenhum<br />
filho da aliança que Lhe apresente um coração infiel será incluído nas bênçãos<br />
da Aliança.‖ (Enciclopédia Histórico-Teológica)<br />
125
NOVA ALIANÇA<br />
É digno de nota que, embora ―aliança‖ ocorra quase 300 vezes no AT, ocorre<br />
somente 33 vezes no NT. Quase metade destas ocorrências se acham em<br />
citações do AT, e outras 5 claramente se aludem a declarações no AT.<br />
A NOVA ALIANÇA É SUPERIOR PORQUE O MEDIADOR É SUPERIOR.<br />
Hebreus 8:6. ―Posto que uma aliança envolve duas partes contratantes, o<br />
mediador é intermediário cuja tarefa é manter as partes em comunhão uma com<br />
a outra. Num caso em que Deus é uma das partes e o homem é a outra, a idéia<br />
da aliança é inevitavelmente unilateral. A apostasia é sempre do lado do<br />
homem, e, portanto, a tarefa do mediador é principalmente agir em prol do<br />
homem diante de Deus, embora também deva agir em prol de Deus diante dos<br />
homens‖ (Donald Guthrie),<br />
A NOVA ALIANÇA É SUPERIOR PORQUE É INSTITUÍDA COM BASE EM<br />
SUPERIORES PROMESSAS.<br />
Regeneração<br />
Purificação<br />
Justificação<br />
Vida e Poder<br />
O que significa ‗receber‘ a Jesus? Podemos afirmar que ‗receber‘ a Jesus é<br />
fazer uma aliança com Ele, o que implica em fidelidade até o fim. ―Ora, como<br />
recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados e<br />
edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações<br />
de graça‖ (Colossenses 2:6 – 7).<br />
126
A Doutrina do Pecado<br />
A Doutrina de Cristo<br />
HAMARTIOLOGIA<br />
ORIGEM DO MAL<br />
O problema do mal que há no mundo sempre foi considerado um dos mais<br />
profundos problemas da filosofia e da Teologia. É um problema que se impõe<br />
naturalmente à atenção do homem, visto que o poder do mal é forte e universal,<br />
é uma doença sempre presente na vida em todas as manifestações desta, e é<br />
matéria da experiência diária na vida de todos os homens.<br />
Como podemos então explicar o relacionamento entre Deus e o mal? Alguns<br />
afirmam o mal e negam a realidade de Deus (Ateísmo). Outros afirmam a Deus<br />
e negam a realidade do mal Panteísmo). Outros, no entanto, procuram afirmar<br />
um em oposição eterna com o outro (Dualismo). Já o Teísmo explica o<br />
relacionamento entre Deus e o mal com um Deus infinitamente bom e poderoso<br />
que permitiu o mal para produzir um bem maior. Ou seja, esse mundo livre é a<br />
melhor maneira de produzir o melhor mundo.<br />
Deus não é o autor do mal. Ele livremente criou o mundo, não porque precisava<br />
fazê-lo, mas sim, porque desejava criar. Deus criou criaturas semelhantes a Ele<br />
mesmo, que poderiam amá-lo livremente. No entanto, essas criaturas poderiam<br />
também odiá-lo. Ele deseja que todos os homens o amem, mas não forçará<br />
nenhum deles a amá-lo contra sua vontade.<br />
127
Deus persuadirá os homens a amá-lo tanto quanto for possível. Ele outorgará<br />
àqueles que não querem amá-lo a escolha livre deles eternamente (ou seja, o<br />
inferno). Finalmente, o amor de Deus é engrandecido quando retribuímos seu<br />
amor (visto que primeiramente nos amou), bem como quando não o retribuímos.<br />
Ele demonstra assim quão grandioso Ele é amando até mesmo aqueles que O<br />
odeiam.<br />
No final, deus terá compartilhado Seu amor com todos os homens. Ele terá salvo<br />
tantos quanto podia salvar sem violar o livre arbítrio dos homens. John W.<br />
Wenham afirma: ―A devoção de um ser livre é de um nível mais elevado... A<br />
outorga de liberdade de escolha ao homem envolve a possibilidade (na<br />
presciência de Deus envolve certeza) de pecar, com todas suas horríveis<br />
conseqüências.<br />
Todavia, parece que esta liberdade foi um pré-requisito para um conhecimento<br />
profundo de Deus. A devoção de um ser livre e racional é de um nível mais<br />
elevado e mais bela do que a de um animal, muito embora o amor entre os<br />
seres humanos e os animais possa ser notável. Entretanto, esta liberdade<br />
humana envolve a possibilidade de crueldade, imoralidade, ódio, e guerra...<br />
todavia, apesar de todas essas coisas, nenhum homem convertido desejaria<br />
mudar sua situação para a de um animal ou de uma máquina.‖<br />
DADOS BÍBLICOS A RESPEITO DA ORIGEM DO PECADO.<br />
Na escritura, o mal moral existente no mundo, transparece claramente no<br />
pecado, isto é, como transgressão da lei de Deus.<br />
128
NÃO SE PODE CONSIDERAR DEUS COMO O SEU AUTOR.<br />
O decreto eterno de Deus evidentemente deu a certeza da entrada do pecado<br />
no mundo, mas não se pode interpretar isso de modo que faça de Deus a causa<br />
do pecado no sentido de ser Ele o seu autor responsável. Esta idéia é<br />
claramente excluída pela Escritura.<br />
Longe de Deus o praticar ele a perversidade e do Todo-poderoso o cometer<br />
injustiça... (Jó 34:10). Ele é o Santo Deus... (Is 6:3). Ele não pode ser tentado<br />
pelo mal e ele próprio não tenta a ninguém... (Tg 1:13). Quando criou o homem,<br />
criou-o bom e à sua imagem. Ele positivamente odeia o pecado, (Dt 25:16 , Sl<br />
5:4 , 11:5 , Zc 8:17 , Lc 16:15) e em Cristo fez provisão para libertar do pecado<br />
do homem.<br />
O PECADO SE ORIGINOU NO MUNDO ANGÉLICO.<br />
A Bíblia nos ensina que na tentativa de investigar a origem do pecado devemos<br />
retornar à queda do homem, na descrição de Gn 3 e fixar a atenção em algo que<br />
sucedeu no mundo angélico. Deus criou um grande número de anjos, e estes<br />
eram todos bons, quando saíram das mãos do seu Criador, (Gn 1:31). Mas<br />
ocorreu uma queda no mundo angélico, queda na qual legiões de anjos se<br />
apartaram de Deus (Ez 28:15; Ez 23:13 – 17; Is 14:12 – 15). A ocasião exata<br />
dessa queda não é indicada, mas em (Jo 8:44) Jesus fala do diabo como<br />
assassino desde o princípio e em (1 Jo 3:8 ) diz João que o Diabo peca desde o<br />
princípio.<br />
129
A ORIGEM DO PECADO NA RAÇA HUMANA.<br />
Com respeito à origem do pecado na história da humanidade, a Bíblia ensina<br />
que ele teve início com a transgressão de Adão no paraíso e, portanto, com um<br />
ato perfeitamente voluntário da parte do homem. O tentador veio do mundo dos<br />
espíritos com a sugestão de que o homem, colocando-se em oposição a Deus,<br />
poderia tornar-se semelhante a Deus.<br />
Adão se rendeu à tentação e cometeu o primeiro pecado, comendo do fruto<br />
proibido. Esse pecado trouxe consigo corrupção permanente, corrupção que<br />
dada a solidariedade da raça humana, teria efeito não somente sobre Adão, mas<br />
também sobre todos os seus descendentes.<br />
Como resultado da queda, o pai da raça só pode transmitir uma natureza<br />
depravada aos pósteros. Dessa fonte não Santa o pecado fluí numa corrente<br />
impura passando para todas as gerações de homens corrompendo tudo e todos<br />
com que entra em contato. É exatamente esse estado de coisas que torna tão<br />
pertinente a pergunta de Jó: ―Quem da imundície poderá tirar cousa pura?<br />
Ninguém‖ (Jó 14:4).<br />
Adão pecou não somente como pai da raça humana, mas também como chefe<br />
representativo de todos os seus descendentes, e, portanto, a culpa do seu<br />
pecado é posta na conta deles, pelo que todos são possíveis de punição e<br />
morte. É primariamente nesse sentido que o Pecado de Adão é o pecado de<br />
todos. É o que Paulo ensina em (Rm 5:12). ―Portanto, assim como por um só<br />
homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a<br />
morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.‖<br />
130
Adão era o representante de toda a raça. Adão pecou, e como representante<br />
transmitiu seu pecado a toda raça (Os 6:7). Adão continha nele toda a<br />
posteridade da raça, por isso, o seu pecado foi imputado a todos, porque todos<br />
estavam em Adão.<br />
Por causa do pecado de Adão a culpa foi imputada imediatamente à raça<br />
humana, e por sermos da mesma raça de Adão a natureza pecaminosa é<br />
transmitida por ‗hereditáriedade‘.<br />
Deus atribui a todos os homens a condição de pecadores, culpados em Adão,<br />
exatamente como adjudica a todos os crentes a condição de justos em Jesus<br />
Cristo. É o que Paulo quer dizer, quando afirma: ―Pois assim como por uma só<br />
ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por<br />
um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que<br />
dá vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos se<br />
tornaram pecadores; assim também por meio da obediência de um só, muitos se<br />
tornarão justos.‖ ( Rm 5:18,19).<br />
O primeiro homem desobedeceu à vontade de Deus, e trouxe sobre si e sobre<br />
todos os seus descendentes as conseqüências da sua desobediência. Aquele<br />
estado de comunhão perfeita entre Deus e o homem foi quebrado, formando<br />
uma barreira (pecado) entre a criatura e o criador.<br />
131
A NATUREZA DO PECADO OU DA QUEDA DO HOMEM.<br />
O pecado é uma transgressão, um erro de caminho ou alvo (tortuosidade ou<br />
perversidade), contrário à ‗retidão‘ que é um andar reto num ideal ou alvo<br />
colocado por Deus.<br />
SEU CARÁTER FORMAL:<br />
Pode-se dizer que numa perspectiva puramente formal , o primeiro pecado do<br />
homem consistiu em comer ele dá arvore do conhecimento do bem e do mal.<br />
Quer dizer que não seria pecaminoso, se Deus não tivesse dito: ―Da árvore do<br />
conhecimento do bem e do mal não comerás.‖ A ordem dada por Deus para não<br />
se comer do fruto da árvore serviu simplesmente ao propósito de por à prova a<br />
obediência do homem. Foi um teste de pura obediência desde que Deus de<br />
modo nenhum procurou justificar ou explicar a proibição.<br />
SEU CARÁTER ESSENCIAL E MATERIAL:<br />
O primeiro pecado do homem foi um pecado típico, isto é, um pecado no qual a<br />
essência real do pecado se revela claramente. A essência desse pecado está no<br />
fato de que Adão se colocou em oposição a Deus, recusou-se a sujeitar a sua<br />
vontade a vontade de Deus de modo que Deus determinasse o curso da sua<br />
vida, e tentou ativamente tomar a coisa toda das mãos de Deus e determinar ele<br />
próprio o futuro. Naturalmente pode-se distinguir diferentes elementos do seu<br />
primeiro pecado: No intelecto, revelou-se como incredulidade e orgulho na<br />
vontade como o desejo de ser como Deus, e nos sentimentos como uma ímpia<br />
satisfação ao comer do fruto proibido.<br />
132
A QUEDA – O PECADO ORIGINAL<br />
A CULPA ORIGINAL:<br />
A palavra ‗culpa‘ expressa a relação que há entre o pecado e a justiça, ou, como<br />
o colocam os teólogos mais antigos, e a penalidade da lei. É a condenação a<br />
qual todo homem está sujeito por causa do pecado. Quem é culpado está numa<br />
relação penal com a lei. Podemos falar da culpa em dois senetidos, a saber,<br />
como reatus culpae (réu convicto) e como reatus poenae (réu passível de<br />
condenação). O sentido habitual, porém, em que falamos de culpa na teologia, é<br />
o de reatus poenae. Com isto se quer dizer merecimento de punição, ou<br />
obrigação de prestar satisfação à justiça de Deus pela violação da lei, feita por<br />
determinação pessoal. Isso é evidenciado pelo fato de que, como a Bíblia<br />
ensina, a morte, como castigo do pecado, passou de Adão a todos os seus<br />
descendentes: (Rm 5:12 - 19, Ef 2:3, 1 Co 15:22).<br />
DEPRAVAÇÃO TOTAL:<br />
O significado Teológico da palavra é ‗que todos os homens são por natureza<br />
pecadores, totalmente depravados‘, ou seja, todas as inclinações mentais (que<br />
são o princípio das ações externas) são completamente corrompidas. Em vista<br />
do seu caráter impregnante, a corrupção herdada toma o nome de depravação<br />
total; muitas vezes esta frase é mal compreendida, e portanto requer cuidados<br />
discriminação. Esta depravação total é negada pelos pelagianos, pelos<br />
socinianos e pelos arminianos do século dezessete, mas é ensinada claramente<br />
na Escritura. (Jo 5:42, Rm 7:18, 23, 8:7, Ef 4:18, 2Tm 3:2 – 4, Tt 1:15, Hb 3:12).<br />
133
O CONCEITO BÍBLICO DE PECADO.<br />
Errar Alvo, dívida, transgressão, queda, derrota (Ver. Gn. 6:5; 1 Jo.1:18;<br />
Hb.12:5)<br />
A história da raça humana que se apresenta nas Escrituras é primordialmente a<br />
história do homem num estado de pecado e rebelião contra Deus e do plano<br />
redentor de Deus para levar o homem de volta a Ele. Portanto, convém agora<br />
ponderar acerca da natureza do pecado que separa o homem de Deus.<br />
O conceito bíblico de pecado vem do estudo das palavras usadas nos dois<br />
testamentos para falar do pecado. Existem pelo menos oito palavras básicas<br />
para falar de pecado no AT e uma dúzia no NT. Assim teríamos uma definição<br />
correta e final, ainda que muito longa. Talvez seja uma melhor idéia defini-lo da<br />
seguinte forma: Pecado é errar o alvo, maldade, rebelião, iniqüidade, desviar-se<br />
do caminho, impiedade, desgarrar-se, crime, desobediência à Lei, transgressão,<br />
ignorância e queda.<br />
De maneira mais sucinta, pecado geralmente é definido como transgressão à Lei<br />
(1 João 3:4). Essa é uma definição correta quando entendermos o pecado em<br />
seu sentido mais amplo, ou seja, afastamento dos padrões estabelecidos por<br />
Deus. Augustus Strong apresenta um bom exemplo quando define pecado como<br />
―inconformidade à Lei moral de Deus, seja por meio de atos, disposição ou<br />
estado‖.<br />
134
Pecado também pode ser definido como algo contra o caráter de Deus. Buswell<br />
define assim: ―Pecado pode ser definido como qualquer coisa na criatura que<br />
não expresse ou que seja contrário ao caráter santo do Criador‖. Certamente a<br />
principal característica do pecado é que ele é direcionado contra Deus.<br />
Qualquer definição que deixe de refletir isso não é bíblica. O lugar comum que<br />
considera os pecados divididos em categorias, como pecados contra a pessoa,<br />
contra os outros e contra Deus, acaba não enfatizando que, no final, todo<br />
pecado é contra Deus.<br />
Não nos esqueçamos de que o pecado é terrível aos olhos de um Deus santo.<br />
Habacuque disse de forma sucinta: ―Tu és tão puro de olhos, que não podes ver<br />
o mal e a opressão não podes contemplar‖. (Hc 1:13). Lembre-se de que o<br />
pecado é tão destrutivo que somente a morte do Filho de Deus pode retirá-lo (Jô<br />
1:29).<br />
CONCEITO DE PECADO:<br />
É a falta de conformidade com a lei de Deus, em estado, disposição ou conduta.<br />
PARA INDICAR ISSO, A BÍBLIA USA VÁRIOS TERMOS, TAIS COMO:<br />
Pecado<br />
(Sl 51.2; Rm 6.2);<br />
Desobediência<br />
(Hb 2.2);<br />
135
Transgressão<br />
(Sl 51.1; Hb 2.2);<br />
Iniqüidade<br />
(Sl 51.2; Mt 7.23);<br />
Mal, maldade, malignidade<br />
(Pv 17.11; Rm 1.29)<br />
Perversidade<br />
(Pv 6.14; At 3.26);<br />
Rebelião, rebeldia<br />
(1Sm 15.23; Jr 14.7);<br />
Engano<br />
(Sf 1.9; 2;Is 2.10);<br />
Injustiça<br />
(Jr 22.13; Rm 1.18);<br />
Erro, falta<br />
(Sl 19.12; Rm 1.27);<br />
Impiedade<br />
(Pv 8.7; Rm 1.18);<br />
Concupiscência<br />
(Is 57.5; 1Jo 2.16);<br />
Depravidade, depravação<br />
(Ez 16.27,43,58).<br />
O diabo quer que pequemos, afirmando que não estamos crescendo na<br />
presença de Deus ou estamos falhando. Verdadeiro crescimento contra o<br />
pecado é cooperar como Espírito Santo batalhando.<br />
136
EXISTEM GRAUS DE PECADO?<br />
Serão alguns pecados piores do que os outros? A pergunta pode ser respondida<br />
de modo afirmativo ou negativo, dependendo do sentido que se lhe dê.<br />
CULPA LEGAL:<br />
No tocante à nossa posição legal perante Deus, qualquer pecado, mesmo aquilo<br />
que nos pareça um pecado leve, torna-nos legalmente culpados perante Deus, e<br />
portanto, dignos de castigo eterno. Adão e Eva aprenderam isso no jardim do<br />
Éden, onde Deus lhes disse que um só ato de desobediência resultaria na pena<br />
de morte.<br />
E Paulo afirma que ―o julgamento derivou de uma só ofensa, para a<br />
condenação‖. Esse único pecado tornou Adão e Eva pecadores perante Deus, já<br />
incapazes de permanecer na santa presença divina. Portanto, em termos de<br />
culpa legal, todos os pecados são igualmente maus, pois nos fazem legalmente<br />
culpados perante Deus e nos constituem pecadores.<br />
CONSEQÜÊNCIAS NA VIDA E NO RELACIONAMENTO COM DEUS:<br />
Por outro lado, alguns pecados são piores do que outros, pois trazem<br />
conseqüências mais danosas para nós e para os outros e, no tocante ao nosso<br />
relacionamento pessoal com Deus Pai, provocam-lhe desprazer e geram ruptura<br />
mais grave na nossa comunhão com Ele.<br />
137
Segundo as Escrituras, porém, todos os pecados são ‗mortais‘, pois mesmo o<br />
mais leve deles nos torna legalmente culpados perante Deus e merecedores do<br />
castigo eterno. No entanto, até o mais grave dos pecados é perdoado quando a<br />
pessoa se entrega a Cristo em busca de salvação. Ou seja, os pecados podem<br />
variar segundo as conseqüências e o grau em que perturbam nosso<br />
relacionamento com Deus. No entanto, pecado, é pecado!<br />
PECADO IMPERDOÁVEL<br />
Diversas passagens da escritura falam de um pecado que não pode ser<br />
perdoado, após o qual é impossível a mudança do coração e pelo qual não é<br />
necessário orar. É geralmente conhecido como pecado ou blasfêmia contra o<br />
Espírito Santo. O Salvador fala explicitamente dele em (Mt 12:31 – 32) e<br />
passagens paralelas, e em geral se pensa que (Hb 6:4 – 6, 10:26 – 27 e 1 Jo<br />
5:16), também se referem a esse pecado.<br />
CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO<br />
A Bíblia nos ensina que o pecado afetou toda a criação de Deus, trazendo<br />
conseqüências tanto no céu como na terra.<br />
NO CÉU: O pecado de Satanás afetou as regiões celestes contaminando aos<br />
anjos caídos que lutam contra os crentes (Efésios 6:11 – 12).<br />
138
NA TERRA: Por causa do pecado de Adão houve rompimentos nos<br />
relacionamentos do homem.<br />
Do homem com Deus:<br />
Gênesis 3:8 – 10 (se esconderam de Deus)<br />
Do homem com Ele mesmo:<br />
Gênesis 3:10 – 16 (Tiveram medo)<br />
Do homem com seu semelhante (Humanidade):<br />
Eclesiastes 7:20; Gênesis 3:16 (Adão culpou Eva)<br />
Do Homem com a Natureza:<br />
Gênesis 3:17 – 18; 9:1 – 3; Romanos 8:18 – 23 (Espinhos e Abrolhos)<br />
MORTE ESPIRITUAL<br />
O pecado separa de Deus o homem, e isso quer dizer morte, pois é só na<br />
comunhão com o Deus vivo que o homem pode viver de verdade. A morte<br />
entrou no mundo por meio do pecado (Rm 5:12), e que o salário do pecado é a<br />
morte (Rm 6:23). A penalidade do pecado certamente inclui a morte física, mas<br />
inclui muito mais que isso.<br />
PALAVRA PECADO NO ANTIGO TESTAMENTO:<br />
139
* hajx chatta‟ ah ou tajx chatta‟ th - pecado, envolvendo condição de pecado,<br />
culpa pelo pecado, punição, oferta e purificação dos pecados de impureza<br />
cerimonial . (Gn. 4:7), procedente de chata‘ - pecar, falhar, perder o rumo, errar<br />
o alvo ou o caminho do correto e do dever , incorrendo em culpa, p/sofrer<br />
penalidade pelo pecado, perder o direito.<br />
* evp pesha„ - transgressão, rebelião contra indivíduos, nação contra nação ou<br />
contra Deus. (Jó.34:6);<br />
* hum matstsah - conflito, contenda (Pv.17:19), vem de natsahdevastado,desolado,em<br />
ruínas e estar como montes arruinados.<br />
NATUREZA DO PECADO NO ANTIGO TESTAMENTO:<br />
Existe uma variedade de termos, estudando-se o hebráico para expressar esse<br />
mal da ordem moral.<br />
NA ESFERA MORAL:<br />
Errar o alvo, reunindo 3 idéias: • errar como arqueiro erra o alvo; • errar como<br />
viajante erra caminho; • errar como ser achado em falta na balança; (Gn.4:7)-<br />
Pecado é a besta pronta para tragar;<br />
Tortuosidade ou perversidade, contrário de retidão, tornando-se não reto e sem<br />
ideal reto; c) Mal, pensamento de violência ou infração, violando a lei de Deus. O<br />
pecado sem perdão é a incredulidade (Mt 12.31-32)<br />
140
NA ESFERA DA CONDUTA FRATERNAL:<br />
Violência ou conduta injuriosa, homem maltrata/oprime os seus (Gn.6:11 e<br />
Pv.16:29);<br />
NA ESFERA DA SANTIDADE:<br />
Ofensor já teve comunhão com Deus; como cada israelita era santo e sacerdote,<br />
mas profanaram e tornaram imunda a Lei, sendo irreligiosos, transgressores e<br />
criminosos.<br />
NA ESFERA DA VERDADE:<br />
Inútil e fraudulento; falar e tratar falsidade, representar e dar falso testemunho,<br />
numa vaidade vazia e s/valor, onde a mentira iniciou o 1ºpecado e o 1º pecador,<br />
pois todo o pecado contêm elemento do engano (Hb. 3:13).<br />
NA ESFERA DA SABEDORIA:<br />
Impiedade por não pensar/não querer pensar corretamente, para<br />
descuido/ignorância.<br />
O homem natural não desenvolveu na direção do bem, mas se inclina<br />
naturalmente para o mal, ouvindo, mas esquecendo, conduzido para o pecado<br />
(Mt.7:26). O castigo do pecado é a morte física, espiritual e eterna (Rm 6.23).<br />
O homem sem entendimento precipita em julgar coisas que não sabe,impio;nega<br />
o que é dado de graça (Pv.8:1-10);<br />
141
O insensato se prende às coisas da carne e não se disciplina, podendo fazer o<br />
bem (Pv.15:20);<br />
O homem ímpio justifica a impiedade c/argumentos racionais ateísticos;<br />
escarnece infiel (Sl.1:1 e Pv.14:6).<br />
PALAVRA PECADO NO NOVO TESTAMENTO (EM GREGO):<br />
amartia hamartia- não ter parte; errar o alvo; desviar-se do caminho de retidão e<br />
honra, fazer ou andar no erro; desviar-se da lei de Deus, violar a lei de Deus,<br />
uma ofensa, violação da lei divina em pensamento ou em ação ou<br />
coletivamente, o conjunto de pecados cometidos seja por uma única pessoa ou<br />
várias. (Mt.12:31);<br />
krisis - separação, divisão, repartição, julgamento, sentença de condenação,<br />
julgamento condenatório, condenação e punição por colégio dos juizes (um<br />
tribunal de sete homens nas várias cidades da Palestina; distinto do Sinédrio,<br />
que tinha sua sede em Jerusalém) (Mc. 3:29). Da morte espiritual/eterna escapa<br />
quem chega a Jesus .(Rm 3.21;8.39).<br />
NATUREZA DO PECADO NO NOVO TESTAMENTO:<br />
• Errar o Alvo, na mesma idéia do A.T.;<br />
• Dívida, p/não guarda dos mandamentos de Deus e o homem é incapaz de<br />
pagar e necessita de uma remissão ou fiador.<br />
142
• Desordem, pois o pecado é iniqüidade; o pecador rebelde, idólatra quebra o<br />
mandamento por sua vontade, fazendo uma lei para si e constituindo o seu<br />
―EU‖ como uma divindade, numa obstinação;<br />
• Desobediência, ou ouvir mal, sem atenção. (Hb.2:2 e Lc.8:18);<br />
•Transgressão, ir além do limite (Rm.4:15);<br />
• Queda,cair para um lado sem conduta, no pecado (Ef.1:7);<br />
• Derrota, rejeitando Jesus e perdendo o propósito (Rm.11:12);<br />
• Impiedade, sem adoração ou reverência(Rm.1:18 e 2 Tm.2:16), dando pouca<br />
ou nenhuma importância a Deus ou às coisas sagradas, sem temor/reverência;<br />
• Erro, decisões erradas p/desconhecer,quando o homem decide fazer o mal,<br />
sem avaliar conseqüências, mais do que falta pela debilidade.<br />
CONSEQUÊNCIAS DO PECADO NA PESSOA:<br />
Pecado é ato; rebelião contra a lei e pecaminoso contra Deus, tendo 2<br />
resultados:resultados dos atos e castigos futuros:<br />
FRAQUEZA ESPIRITUAL:<br />
• DESFIGURA IMAGEM DIVINA<br />
Traz vergonha perante Deus. (Is.59:2; Tg.3:9); Será repreendido pelo mundo<br />
(Pv.3:35;1 Co.15:34).<br />
143
• PECADO INERENTE/ORIGINAL<br />
Traz engano (Is.64:7;Sl.66:18). - Inclinado para pecar(Sl.51:5), difere de pecado<br />
atual (efeito da queda), sendo maldito, estranho, enganoso, inimigo, escravo,<br />
morto e filho da ira. Deus vai lhe levar em abismos profundos (Sl.107:26-28).<br />
• DISCÓRDIA INTERNA<br />
Perdemos a comunhão com Deus. Desarmonia;divisão interna e<br />
fragilidade(conflitos); transforma a pessoa em perigosa de se estar perto pois a<br />
qualquer instante pode descer sobre ela a ira divina.(Mt.8:28; Mt.9:36;1<br />
Sm.31:4;Sl.78:31;Rm.1:18; Jo.3:36).<br />
PECADO NO CORPO (MANIFESTAÇÃO):<br />
• BOCA IMPURA<br />
Querer amoldar a Palavra à sua própria vontade<br />
(Salmos.50:16;Is.53:9;Tg.3:6;Is.58:9; Salmos.50:19-23).<br />
• OUVIDOS IMPUROS<br />
Querer ouvir apenas o que lhe agrada (Is.50:4-5; 2 Tm.4:3; 1 Rs.22:13; 2<br />
Cr.28:12;<br />
• OLHOS IMPUROS<br />
Julgar mentalmente as pessoas pelo que se vê (Is.11:3;Sl.50:20-21;Ap.3:18);<br />
144
• NARIZ IMPURO<br />
Símbolo de pessoas empinadas e orgulhosas (Is.65:5; Is.3:16-25; Ez.8:17);<br />
• CABEÇA IMPURA<br />
Menear a cabeça, reprovando as coisas de Deus (Jó.16:4; Is.1:5);<br />
• CORAÇÃO IMPURO<br />
Pessoa maliciosa que guarda mágoas (Sl.78:18; Sl.95:8; Mt.19:8;<br />
Rm.1:24;Ez.14:3). Dureza de coração tem haver com desprezar ouvir e rejeitar a<br />
Palavra de Deus (Pv.29:1), de 3 maneiras: * Negligenciar na oração e leitura;<br />
Fofocar no meio da igreja e acalentar pecados secretos (Mt.24:19). Envolve dois<br />
tipos de pessoas: Os que gostam de ouvir a Palavra de Deus e apreciam o culto,<br />
mas não praticam (Ez.33:31-32) e os que apenas querem sair do aperto,<br />
pedindo oração.<br />
• PESCOÇO IMPURO<br />
Pessoa que carrega e confia em fardos pesados de pecado (Is.10:27;Ez.21:29);<br />
• BRAÇOS IMPUROS<br />
Ficar de braços cruzados sem nada fazer para Jesus<br />
(Pv.6:10;Mc.10:16;Lc.2:28).<br />
• MÃOS IMPURAS<br />
Agir com roubo, violência e impureza (Jó.16:17; Sl.7:3; Sl.26:10; Sl.28:4;<br />
Sl.106:42);<br />
145
• ESTÔMAGOS IMPUROS<br />
Cheios de iniqüidade;desejam prostituir-se no mundo (Ez.7:19; Lc.15:16;1<br />
Co.6:13).<br />
• RINS IMPUROS<br />
Quando não se expeli de si, o que não presta., guarda o mal, como vingança<br />
(Jr.20:12)<br />
• VENTRES IMPUROS<br />
Quando apenas se pensa na glória terrestre, como o deus da prosperidade<br />
(GL.1:15)<br />
• PERNAS IMPURAS<br />
Quando não se encurva diante de Deus nem se ajoelha diante dele<br />
(Pv.26:7;Ez.21:7)<br />
• PÉS IMPUROS<br />
Quando se vacila,pisando nos outros, de modo impuro (Jó.12:5; Jó.18:8;<br />
Pv.6:18; Ez.34:18-19).<br />
• CORPO IMPURO<br />
Desonrar, prostituir-se em sensualidade escarnecedora e impia (Rm.1:24-27;1<br />
Co.6:15;Jd.1:19)<br />
CASTIGO POSITIVO:<br />
Separado da fonte da vida, pela MORTE: MORTE: 3 Fases: 1) morte espiritual<br />
na vida (Ef.2:1); 2) morte física (Hb.9:27) e 3) 2a.morte (Ap.21:8).<br />
146
OUTRAS CONSEQÜÊNCIAS:<br />
• Efeito do pecado nos animais;(doenças e morte (Gn.6:11; Gn.6:19-20; Gn.3:14;<br />
Lv.4:3; Lv.4:27-28; Ec.3:18);<br />
• Efeitos na terra e meio ambiente (Fome, furacão, falta d‖ água e enchentes,<br />
tsunamis; Poluição – (Jr.5:28-29; Gl.6:7; Sl.18:7; Gn. 3:17; Rm.1:26-32; Sf.1:3);<br />
• Efeitos do pecado nas nações (Guerras e desentendimentos – (Jr.30:12; 1<br />
Rs.8:46; Sf.2:11; 2 Rs.17:11; Am.9:9).<br />
COISAS BOAS QUE DEIXAM AS PESSOAS FORA DO CÉU:<br />
• Ter zelo pelas coisas boas, deixando de lado as coisas de Deus (Mt.6:33; Cl.<br />
3:2-3; Hb. 10:25).<br />
• Ter desatenção à Palavra e ser absorvido pelos próprios interesses (Lc.17:30;<br />
Jr. 2:31-32);<br />
• Estar tão ocupado com as coisas de Deus que não há tempo para buscá-lo.<br />
(Sl.32:6; Sl. 69:13);<br />
• Dar atenção parcial a Jesus (Cl. 1:18; Lc. 14:16-24);<br />
• Colocar a família antes do Senhor (Hb.11:7; Ef.2:19);<br />
• Não ser apaixonado por Jesus, não se protegendo o tempo todo ao seu lado<br />
(Jr.2:31-32; Lc.14:24).<br />
PERGUNTA-SE:<br />
Quando chegar o dia, Jesus nos conhecerá? (Jo.8:55; Mt.7:23; Lc.13:27);<br />
147
PERMANÊNCIA NO PECADO:<br />
POR QUE OS CRISTÃOS PERMANECEM NA PRÁTICA DO PECADO?<br />
• Não têm temor a Deus pela falta de graça e por não entenderem o completo<br />
perigo do pecado e suas conseqüências (Pv.16:6;Pv.3:7; Ap.3:15; Pv.4:23).<br />
• São super confiante em si mesmo achando-se superior às tentações (2 Co.1:3-<br />
7).<br />
• Têm o pecado oculto arraigado há anos dentro de seu coração. (Sl.32:5; 38:3).<br />
OBSERVAÇÃO: * Deus condena mais os perversos pecados dos cristãos que<br />
dos ímpios. (Dt.1:37;Jr.1:16). * Quanto mais tempo no pecado, mais se endurece<br />
(Hb.3:12-13); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta a vara de Deus<br />
(Sl.89:30-34); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta esvaziamento de<br />
paz e força (Sl.31:10; Sl.38:3); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta<br />
crescente dúvida e incredulidade (1 Sm.13:13-14).<br />
148
PECADOS PRINCIPAIS:<br />
IRA<br />
raiva,cólera ou agressividade exagerada em querer destruir os outros. (Jó.5:2);<br />
GULA<br />
Querer assimilar tudo, engolindo e não digerindo (Is.56:11);<br />
INVEJA<br />
Desgosto e pesar pelos bens dos outros; o outro é mais que eu (Pv.14:30);<br />
Ser melhor que outros (Sl.90:10);<br />
ORGULHO<br />
Não confiar em ninguém (Is.57:17);<br />
AVAREZA<br />
Não querer aprender nada.(Ec.10:8);<br />
PREGUIÇA<br />
LUXÚRIA<br />
(desfrutar do poder de dominar)-prazer pelo excesso (Jr.11:15);<br />
IDOLATRIA<br />
Não querer a Deus de modo exclusivo. (2 Rs.17:41; Dt.32:17; 1 Co.10:20; 1<br />
Co.10:14; Js.24:15; 2 Cr.24:18).<br />
149
TERCEIRO MÓDULO<br />
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO<br />
SOTERIOLOGIA<br />
DEFINIÇÃO:<br />
Soteriologia é a união entre dois termos gregos "Soteria" que significa Salvação<br />
e "Logia" que significa Estudo.<br />
Portanto Soteriologia é o Estudo da Salvação.<br />
INTRODUÇÃO:<br />
É fundamental que tenhamos convicção da nossa salvação. A Bíblia garante que<br />
podemos ter convicção da vida eterna.<br />
Sem esta convicção é impossível viver a vida cristã. Ao fazer o estudo, examine<br />
como está a sua convicção `a luz da Palavra de Deus.<br />
BREVE EXEGESE DE SALVAÇÃO<br />
De uma forma simples, podemos dizer que ―salvação é o fato do homem ser<br />
salvo do poder e dos efeitos do pecado‖.<br />
150
―O vocábulo português se deriva do latim salvare, ―salvar‖ e de salus, ―saúde‖,<br />
―ajuda‖, e traduz o termo hebraico yeshu‘a e cognatos (largura, facilidade,<br />
segurança) e o vocábulo grego sõteria, e cognatos (cura, recuperação,<br />
redenção, remédio, salvação, bem estar). Significa a ação ou o resultado de<br />
livramento ou preservação de algum perigo ou enfermidade, subentendendo<br />
segurança, saúde e prosperidade. Nas Escrituras, o movimento parte dos<br />
aspectos mais físicos para o livramento moral e espiritual. Assim é que as<br />
porções mais antigas do AT dão ênfase aos meios dos servos individuais de<br />
Deus escaparem das mãos de seus inimigos, a emancipação de Seu povo da<br />
escravidão e o estabelecimento dos mesmos numa terra de bundância; já as<br />
porções posteriores dão maior ênfase às condições e qualidades morais e<br />
religiosas da bem-aventurança, e estende suas amenidades além das fronteiras<br />
nacionais‖ (O Novo Dicionário da Bíblia, Vol-II, p 1464 – 5).<br />
Em primeira instância, o verbo sõzõ, ―salvar‖ bem como o substantivo sõtêria,<br />
―salvação‖, denotam o ―salvamento‖ e a ―libertação‖ no sentido de evitar algum<br />
perigo que ameaça a vida. Pode ocorrer na guerra ou em alto mar. Aquilo de<br />
que se recebe o livramento pode, no entanto, ser uma doença. Onde não se<br />
menciona qualquer perigo imediato, também podem significar ―conservar‖ ou<br />
―preservar‖. O verbo e o substantivo podem até significar ―voltar com segurança‖<br />
para casa.<br />
Na LXX sõzõ traduz nada menos do que 15 verbos hebraicos diferentes, mas os<br />
mais importantes são yãsa, que se emprega no hiphil para ―libertar‖ e ―salvar‖, e<br />
mãlat, niphal, ―escapulir‖, ―escapar‖, ―salvar‖. E embora Iahweh empregue<br />
agentes humanos, o israelita piedoso tinha consciência do fato do livramento vir<br />
151
do próprio Iahweh (Salmo 12:1; 121: 1 – 2); mas o conteúdo exato dessa<br />
libertação ou salvação varia de acordo com o contexto e as circunstâncias.<br />
A expressão ―o cálice da salvação‖ encontrada no Salmo 116:13, tem quatro<br />
interpretações sugeridas: (1) uma libação de vinho que fazia parte da oferta de<br />
ações de graças (cf, Num 28:7); (2) uma metáfora da libertação, e o antônimo da<br />
taça da ira de Iahweh (cf. Is 51:17; Jr 25:15); (3) um cálice em conexão com<br />
alguma ordalha específica (cf. Nm 5:16 – 28); (4) um cálice de vinho tomado na<br />
refeição de ações de graças (cf Sl 23:5); Prefiro a primeira dessas alternativas<br />
tendo em vista a sua associação com alguma coisa dada a Iahweh. É atraente,<br />
no entanto, a sugestão de que semelhante cálice, necessariamente, fica em<br />
contraste com o cálice da ira de Deus, e, portanto, esta idéia também pode ser<br />
presente.<br />
No Novo Testamento, o verbo sozõ ocorre 106 vezes, e o substantivo sõtêria, 45<br />
vezes. Sendo que a graça de Deus é a grande fonte de salvação (Ef 2:8 – 9), e o<br />
Filho de Deus é o Salvador do Mundo (Lc 2:11; 1 Jo 4:14).<br />
A VERDADEIRA IDÉIA DA SALVAÇÃO<br />
Há diversas idéias a respeito da salvação. Vamos mencionar algumas das mais<br />
importantes e apontar a que está mais de acordo com a idéia apresentada por<br />
Jesus Cristo.<br />
152
A SALVAÇÃO E O PASSADO<br />
Atos 17:30 Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda<br />
agora que todos os homens em todos os lugares se arrependam. Suponhamos<br />
que uma pessoa que não saiba nadar esteja prestes a afogar-se; mas,<br />
felizmente alguém o salva. A salvação nada tem haver com o passado da<br />
pessoa salva.<br />
A SALVAÇÃO E O FUTURO<br />
Imaginemos agora, um condenado a morte, porém perdoado por alguém cheio<br />
de bondade e amor. Este perdão garante ao condenado o livramento do castigo<br />
merecido. Esta salvação visou o livramento do castigo futuro.<br />
A SALVAÇÃO DE JESUS<br />
Lucas 9:24 Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; porém<br />
qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará. Suponhamos que<br />
temos um único grão de arroz no mundo em nossas mãos. Para salvar esta<br />
semente o que temos que fazer? A melhor maneira de salvá-lo é plantando-o,<br />
pois se colhera centenas deles<br />
A verdadeira idéia da salvação é, aquela que contempla mais aquilo para o que<br />
somos salvos do que aquilo de que fomos salvos.<br />
153
A salvação ensinada por Jesus acentua mais o céu com toda a sua glória do que<br />
o inferno com todo o seu horror. Não somos salvos para escaparmos da morte,<br />
mas para gozarmos a vida eterna.<br />
I Jo. 3 : 2 Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o<br />
que havemos de ser.<br />
ELEMENTOS BÁSICOS PARA A SALVAÇÃO<br />
Rom. 3 : 24 - 25 E são justificados gratuitamente pela sua Graça, pela redenção<br />
que há em Cristo Jesus. Deus o propôs para propiciação pela Fé no seu<br />
Sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes<br />
cometidos sob a tolerância de Deus.<br />
Os elementos básicos estabelecidos para salvação conf. escrito pelo Apóstolo<br />
Paulo aos Romanos são:<br />
A GRAÇA<br />
Tito 2:11 Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os<br />
homens. Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da<br />
parte de Deus. ( Favor não merecido). A graça de Deus aos pecadores revela-se<br />
no fato de que ele mesmo pela expiação de Cristo, pagou toda a pena do<br />
pecado. Por conseguinte, ele pode justamente perdoar o pecado sem levar em<br />
conta os merecimentos ou não merecimentos. A graça manifesta-se<br />
independente das obras dos homens. A graça é conhecida como Fonte da<br />
Salvação.<br />
154
O SANGUE<br />
I Jo. 1 : 7 O sangue de Jesus Cristo , seu Filho, nos purifica de todo pecado. Em<br />
virtude do sacrifício de Cristo no calvário, o crente é separado para Deus, seus<br />
pecados perdoados e sua alma purificada. Sangue é conhecido como a Base da<br />
Salvação.<br />
A FÉ<br />
Efésios 2 : 8 - 9 Pois é pela graça que sois salvos, por meio da Fé; e isto não<br />
vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.<br />
Pela fé reconhece o homem a necessidade de salvação, e pela mesma fé é ele<br />
levado a crer em Cristo Jesus. Heb. 11 : 6 Ora, sem Fé é impossível agradar a<br />
Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele<br />
existe, e que é galardoador dos que o buscam. A Fé conduz-nos ao Salvador, a<br />
Fé coloca a verdade na mente e Cristo no coração. A Fé é a ponte que dá<br />
passagem ao mundo espiritual, por isso concluímos que a Fé é o Meio para a<br />
Salvação.<br />
155
A NATUREZA DA SALVAÇÃO<br />
ASPECTOS DA SALVAÇÃO<br />
JUSTIFICAÇÃO<br />
Justificar é um termo judicial que significa absolver, declarar justo. O réu, ao<br />
invés de receber sentença condenatória, ele recebe a sentença de absolvição.<br />
Esta absolvição é dom gratuito de Deus, colocado a nossa disposição pela fé.<br />
Essa doutrina assim se define : "Justificação" é um ato da livre graça de Deus<br />
pelo qual ele perdoa todos os nossos e nos aceita como justos aos seus olhos<br />
somente por nos ser imputada a justiça de Cristo, que se recebe pela Fé.<br />
Justificação é mais que perdão dos pecados, é a remoção da condenação. Deus<br />
apaga os pecados, e, em seguida, nos trata como se nunca tivéssemos<br />
cometido um só pecado. Portanto Justificação é o Ato de Deus tornar justo o<br />
pecador. Romanos 3 : 24,30 Sendo justificados gratuitamente pela sua graça,<br />
pela redenção que há em Cristo Jesus... Concluímos, pois, que o homem é<br />
justificado pela fé sem as obras da lei. A justificação, é realizada no homem<br />
quando este passa a crer no Senhor Jesus Cristo como Salvador, logo que ele<br />
crê em Jesus, Deus o declara livre da condenação.<br />
Cristo Nossa Imputação Rom. 4 : 6 ...Bem-aventurado o homem a quem Deus<br />
imputa justiça sem as obras,... Imputar é atribuir a alguém a responsabilidade<br />
pelos atos de outro. Isto é Jesus Cristo assumiu nossos pecados, Deus permitiu<br />
que Jesus pagasse nosso débito.<br />
156
Cristo Nossa Substituição Gal. 3 : 13 Cristo nos resgatou da maldição da lei,<br />
fazendo ele próprio maldição em nosso lugar,... Como nosso substituto, Cristo<br />
Jesus ganhou esta justiça para nós, morrendo em nosso lugar, a fim de nos<br />
salvar e garantir o perdão dos nossos pecados. Somos agora aceitos por Deus,<br />
porque nos foi creditada a perfeita Justiça de Cristo.<br />
Justiça de Cristo I Cor. 1 : 30 Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para<br />
nós foi feito por Deus sabedoria, Justiça, e santificação, e redenção. Esta justiça<br />
foi adquirida pela morte expiatória de Cristo. Sua morte foi ato perfeito de justiça,<br />
porque satisfez a lei de Deus. Foi também um ato perfeito de obediência. Tudo<br />
isto foi feito por nós e posto a nosso crédito.<br />
REGENERAÇÃO REGENERAR SIGNIFICA<br />
Restaurar o que esta destruído. Quando se trata do ser humano, Regeneração é<br />
uma mudança radical, operada pelo Espírito Santo na alma do homem. Esta<br />
Regeneração, atinge, portanto todas as faculdades do homem ou seja :<br />
Intelecto, Volição e a Sensibilidade. O homem regenerado não faz tanta questão<br />
de satisfazer à sua própria vontade como de satisfazer à de Deus. Na<br />
Regeneração, ele passa a pensar de modo diferente, sentir de modo diferente e<br />
querer de modo diferente: tudo se transforma. II Cor. 5 : 17 Portanto, se alguém<br />
está em Cristo, Nova Criatura é; as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo.<br />
A bíblia descreve a regeneração como:<br />
Nascimento João 3 : 3 Jesus respondeu, e disse : Na verdade, na verdade te<br />
digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Uma<br />
pessoa, para pertencer a aliança feita a Israel e gozar de todos os seus direitos,<br />
157
precisava somente nascer de pais judaicos. Para pertencer ao reino do Messias,<br />
contudo, uma pessoa precisa nascer de novo. Ezeq. 36 : 26 Dar-vos-ei um<br />
coração novo, e porei dentro em vós um espírito novo; tirarei de vós o coração<br />
de pedra, e vos darei um coração de carne.<br />
Vivificação A essência da regeneração é um nova vida concedida por Deus,<br />
mediante Jesus Cristo e pela operação do Espírito Santo. Jo. 10 : 10 ... Eu vim<br />
para que tenham vida, e a tenham com abundância. Viver É estar com vida.<br />
Vivificar É dar vida. Vivificação: É o Ato, a Ação ou o efeito de viver. É usufruir<br />
da vida espiritual que Deus concedeu.<br />
Purificação Ato ou efeito de purificar. Tito 3 : 5 Não por obras de justiça que<br />
houvéssemos feitos, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante a<br />
lavagem da regeneração e renovação pelo Espírito Santo. A alma foi lavada<br />
completamente das imundícias da vida de outrora.<br />
SANTIFICAÇÃO<br />
Santificar é tornar sagrado, separar, consagrar, fazer santo. A Palavra santo tem<br />
muitos significados:<br />
Separação Representa o que está separado de tudo quanto seja terreno e<br />
humano. I Ped. 3 : 11 Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.<br />
Dedicação Representa o que está dedicado a Deus, no sentido ser sua<br />
propriedade. Rm 12 : 1 Portanto, rogo-vos, irmãos, pela compaixão de Deus,<br />
158
que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a<br />
Deus, que é o vosso culto racional.<br />
Purificação Algo que separado e dedicado tem de ser purificado, para melhor ser<br />
apresentado. (imaculado) II Cor. 7 : 1 Ora, amados, visto que temos tais<br />
promessas, purifiquemo-nos de toda a impureza tanto da carne, como do<br />
espírito, aperfeiçoando a nossa santificação no temor de Deus.<br />
Consagração No sentido de viver uma vida santa e justa. Lev. 11 : 44 Eu sou o<br />
Senhor vosso Deus; consagrai-vos, e sede santos, porque eu sou santo.<br />
Muito acentuada se acha no Velho Testamento a idéia de que a santificação<br />
consta de uma relação especial com Deus. As coisas consagradas ao Senhor<br />
eram consideradas santas: Arca do Concerto, O Templo, O Tabernáculo, O<br />
Altar, Os Vasos, Os Sacerdotes.<br />
No Novo Testamento, a idéia é a de que a santificação consiste no processo do<br />
homem ser perfeito como Ele é perfeito.<br />
Jesus ensinou que o homem deve procurar aperfeiçoar-se cada vez mais. "Bemaventurado<br />
os limpos de coração, porque eles verão a Deus".<br />
DIANTE DO EXPOSTO, PODEMOS ESTABELECER O SEGUINTE:<br />
Santificação é um processo O crente precisa esforçar-se para progredir em<br />
santificação. II Cor.7 : 1 Ora, amados, visto que temos tais promessas,<br />
purifiquemo-nos de toda a impureza tanto da carne, como do espírito,<br />
159
aperfeiçoando a nossa santificação no temor de Deus. O processo de<br />
santificação pode ser comparado ao crescimento de uma pessoa, porém<br />
condicionado à sua vontade.<br />
OS MEIOS DIVINOS DE SANTIFICAÇÃO<br />
O Sangue de Cristo I Jo.1: 7 O sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de<br />
todo o pecado.<br />
O Espírito Santo Fil. 1 : 6 Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós<br />
começou boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo.<br />
A Palavra de Deus Jo. 17 : 17 Santifica-os na verdade a tua palavra é a verdade.<br />
VEJAMOS A SEGUIR O QUE O ESPÍRITO SANTO SANTIFICA NO CRENTE<br />
I Tes. 5 : 23 O mesmo Deus de Paz vos santifique completamente. E todo o<br />
vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis<br />
para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.<br />
O CORPO Rom. 12 : 1 ... que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo,<br />
santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.<br />
A ALMA I Ped. 1 : 22 Tendo purificado as vossas almas<br />
Espírito Sal. 78 : 8 ... Geração de coração instável, e cujo espírito não foi fiel a<br />
Deus.<br />
160
Glorificação Glorificar significa honrar, dar glória.<br />
Deus em seu plano de salvação, manifestou a sua glória através de Cristo<br />
Jesus, o pecador pode experimentar esta manifestação pelo Espírito Santo.<br />
O ato final do processo da salvação será a glorificação do crente por Deus.<br />
A Glória de Deus em Nós Em todo o tempo a glória de Deus demonstra poder,<br />
autoridade, virtude e acima de tudo consagração.<br />
É manifestada através da fé.<br />
Foi nos dada através de Jesus e serve para manter a unidade da Igreja.<br />
Jô. 17 : 24 Pai, quero que onde eu estiver, estejam também comigo aqueles que<br />
me deste, para que vejam a minha glória, a glória que me deste, porque me<br />
amaste antes da criação do mundo.<br />
A Glorificação do Corpo Rom. 8 : 30 E aos que predestinou, a estes também<br />
chamou, e, aos que chamou, a estes também justificou; e, ao que justificou, a<br />
estes também glorificou.<br />
A Glorificação do corpo se dará por ocasião do arrebatamento, nosso corpo será<br />
transformado em um corpo glorioso. Neste ato, se dará a glorificação, quando<br />
estaremos em corpo incorruptível, e assim, estaremos para sempre com o<br />
Senhor.<br />
161
Conhecemos que a glória da roseira é a rosa e que a de qualquer árvore são os<br />
frutos; mas a glória do crente o que será?<br />
I Cor. 13 : 12 Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos<br />
face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei como também sou<br />
conhecido.<br />
Rom.8 : 18 Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo<br />
presente não são para comparar coma glória que em nós há de ser revelada.<br />
A Glorificação é o objetivo de nosso serviço realizado<br />
I Cor. 15 : 58 Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre<br />
abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é<br />
vão.<br />
O trabalho do cristão deve ser realizado da melhor forma possível.<br />
Com Amor, dedicação, voluntário, humilde, alegria, sacrificial, sabedoria etç...<br />
ARREPENDIMENTO<br />
Formada por duas palavras gregas (meta + nous), ―arrependimento‖ não<br />
significa, como muitos pensam, um rosto cuja face correm lágrimas de remorso,<br />
e cujos lábios proferem promessas de mudança e um voto de jamais cair no<br />
mesmo pecado. Na Palavra de Deus descobrimos que a palavra quer dizer<br />
―mudança de mente‖.<br />
162
―Esta experiência tem sido descrita como sendo o ato pelo qual o pecador, ao<br />
aceitar a Cristo, dá uma meia volta no rumo em que seguia na vida até então, e<br />
avança em direção diametralmente oposta. Isto significa uma mudança total de<br />
conduta ou procedimento. É o primeiro passo para a salvação. É a volta do<br />
pecador a Deus.‖<br />
VEJAMOS OUTRAS DEFINIÇÕES:<br />
É a mudança de pensamento para com o pecado e para com a vontade de<br />
Deus, o que conduz a uma transformação de sentimento e de propósito a seu<br />
respeito.<br />
É a verdadeira tristeza pelo pecado, incluindo um esforço sincero para<br />
abandoná-lo.<br />
É a conficção da culpa produzida pelo Espírito Santo ao aplicar a Lei Divina no<br />
coração.<br />
O Senhor Jesus nos dá uma ótima ilustração do conceito de arrependimento em<br />
Mateus 21:28 – 30.<br />
SUA NECESSIDADE<br />
Jesus começou Seu ministério pregando arrependimento (Mc 1:14 – 15). E isso<br />
seria mais que suficiente para comprovar a necessidade de arrependimento por<br />
parte do homem. Mas a Igreja Primitiva também anunciava a mesma mensagem<br />
163
(At 2:38; 17:30; 20:21; 26:20). E foi também uma ordem deixada pelo Senhor<br />
Jesus (Lc 24:47).<br />
―Deus só pode perdoar o pecador quando ele sinceramente se arrepende. Isto é<br />
forte o bastante para que continuemos a pregar a necessidade de<br />
arrependimento e a necessidade do homem ter a mesma atitude que Deus tem<br />
em relação ao pecado (Lc 13:3 – 5; 1 Tm 2:4; 2 Pe 3:9)‖.<br />
SUA NATUREZA<br />
Em 2 Coríntios 7:10, Paulo nos mostra que há uma relação entre tristeza e<br />
arrependimento quando diz: ―Porque a tristeza segundo Deus produz<br />
arrependimento para a salvação...‖. Você pode observar neste verso que tristeza<br />
e arrependimento não são de modo algum a mesma coisa. A tristeza realiza a<br />
sua obra, e quando isso acontece o resultado é o arrependimento e a<br />
conseqüência dessa mudança de opinião é a salvação. O apóstolo estabeleceu<br />
dessa forma uma progressão: tristeza, arrependimento e salvação. Neste verso<br />
descobrimos que arrependimento não é sentir somente tristeza pelos pecados,<br />
mas viver uma vida diferente.<br />
Cremos que o verdadeiro arrependimento envolve três faculdades básicas do<br />
homem: seu intelecto, suas emoções e sua vontade.<br />
164
O INTELECTO<br />
Arrepender-se significa mudar de pensamento. Langston afirmou que<br />
―intelectualmente falando, o arrependimento é uma mudança na maneira de<br />
pensarmos em Deus, em nosso pecado e em nossas relações com o nosso<br />
próximo‖. Há uma radical mudança na maneira de pensar. O filho pródigo é um<br />
clássico exemplo disso.<br />
AS EMOÇÕES<br />
Arrepender-se significa mudar de sentimentos. ―O homem arrependido deixa de<br />
amar ou apreciar o que antes amava ou apreciava. O prazer deixa de fixar-se<br />
nas coisas terrenas para descansar nas celestiais... O arrependimento chora<br />
seus pecados, mas chora ainda mais a falsa atitude que antes tinha para com<br />
Deus... O arrependimento verdadeiro fixa os olhos do arrependido mais em<br />
Deus do que no pecado cometido‖ (Langston). No Salmo 51 Davi, chora por<br />
seus pecados, mas lamenta muito mais a sua infidelidade diante de Deus. "Tem<br />
misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas<br />
transgressões segundo a multidão das tuas misericórdias. Contra ti, contra ti<br />
somente pequei, e fiz o que mau à tua vista, para que sejas justificado quando<br />
falares e puro quando julgares ".<br />
A VONTADE<br />
Arrepender-se significa mudar de propósitos. ―Antes de arrepender-se, o homem<br />
quer fazer a própria vontade, quer dirigir-se a si mesmo, quer andar no seu<br />
próprio caminho. No arrependimento, porém, ele quer fazer a vontade de Deus,<br />
165
quer ser dirigido por Ele, porque está convencido de que a vontade e a direção<br />
de Deus são melhores...‖ (Langston). Após o arrependimento, Davi orou: ―Cria<br />
em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito<br />
inabalável‖ (Sl 51:10).<br />
SUA PRATICIDADE<br />
Na prática, o arrependimento que é causado pela ―tristeza segundo Deus‖, é<br />
gerada por obra do Espírito Santo (Jô 16:8 – 11). Ao ouvir a mensagem do<br />
Evangelho (At:37 – 41) o homem sente-se tocado pelo dedo de Deus e, se o<br />
coração for fértil, a semente produzirá bons frutos (Mt 13:23).<br />
SEUS RESULTADOS<br />
O texto de Atos 3:19 é claro em mostrar um dos principais resultados do<br />
arrependimento: cancelamento dos pecados, que é outro modo de dizer que são<br />
perdoados os seus pecados (Cl 2:14).<br />
A alegria entre os anjos é um outro resultado do arrependimento (Lc 15:7).<br />
Sem o arrependimento, o Espírito Santo não virá habitar em qualquer coração<br />
humano (At 2:38; Ef 1:13).<br />
EXEGESE DOS TERMOS FÉ-CRER<br />
Originalmente, pistis significava o relacionamento fiel de partes de um contrato e<br />
a fidedignidade das suas promessas. Vieram a significar, num sentido mais lato,<br />
166
a credibilidade de declarações, relatórios e narrativas em geral, sejam sacros,<br />
sejam seculares. No grego do NT, obtiveram uma importância especial e<br />
conteúdo específico através da sua aplicação ao relacionamento com Deus em<br />
Cristo: a aceitação e reconhecimento, em plena confiança, daquilo que Deus fez<br />
ou prometeu através dEle.<br />
GREGO SECULAR<br />
Na literatura grega clássica, pistis significa a ‗confiança‘ que um homem pode ter<br />
nas pessoas ou nos deuses. Da mesma forma, pisteuõ significa ‗confiar‘ em<br />
alguém ou nalguma coisa.<br />
Originalmente, o grupo de palavras significava conduta que honrava um contrato<br />
ou obrigação. Daí a experiência da fidelidade e da infidelidade pertence à idéia<br />
da fé, desde o início. No grego secular, portanto, este grupo de termos<br />
representa um largo espectro de idéias. Emprega-se para expressar<br />
relacionamentos entre um homem e outro, e também para expressar o<br />
relacionamento como divino.<br />
ANTIGO TESTAMENTO<br />
Em hebraico, a raiz ‗aman, no niphal, significa: ―ser leal, digno de confiança, fiel‖.<br />
Pode se aplicar aos homens (Nm 12:7; servos – 1 Sm 22:14; a uma testemunha<br />
– Is 8:2; a um mensageiro – Pv 25:13; aos profetas – 1 Sm 3:20). Pode, no<br />
entanto, também ser aplicado ao próprio Deus, que guarda Sua aliança e dá<br />
graça àqueles que o amam (Dt 7:9).<br />
167
No AT o termo ―fé‖ é encontrado apenas duas vezes (Dt 32:20 e Hc 2:4). Isso<br />
não significa, entretanto, que a fé não seja elemento importante no ensino do<br />
AT, pois ainda que a palavra não seja freqüente, a idéia, o é. É usualmente<br />
expressa por verbos tais como ―crer‖, ―confiar‖ ou ―esperar‖, os quais ocorrem<br />
com abundância.<br />
NOVO TESTAMENTO<br />
No NT, a fé é altamente proeminente. O substantivo pistis e o verbo pisteuõ<br />
ocorrem ambos mais de 240 vezes, enquanto que o adjetivo pistos ocorre<br />
sessenta e sete vezes. No NT, o pensamento que Deus enviou Seu Filho para<br />
ser Salvador do mundo, é central. Cristo realizou a salvação do homem ao<br />
morrer expiatóriamente na cruz do Calvário.<br />
No quarto Evangelho, as formas de pensamento são diferentes de outras partes<br />
do NT. A fé surge do testemunho, que é autenticado por Deus, e nela os sinais<br />
também desempenham um papel (Jô 1:7). Por isso, quem é da verdade escuta<br />
esta chamada da parte de Deus (Jô 18:37). A fé e o conhecimento (Jô 6:69), o<br />
conhecimento e a fé (Jô 17:8), não são dois processos mutuamente<br />
independentes; pelo contrário, são coordenadas instrutivas que falam, a partir de<br />
pontos de vistas diferentes, do recebimento do testemunho.<br />
Há intima conexão entre a fé e a vida. Aquele que crê no Filho tem a promessa<br />
de que não perecerá mas que, pelo contrário, terá a vida eterna (Jô 6:16, 36;<br />
11:25).<br />
168
Portanto, a fé é atitude mediante a qual o homem abandona toda a confiança em<br />
seus próprios esforços para obter a salvação, quer sejam eles ações de<br />
piedade, de bondade ética, ou seja o que for.<br />
Em João, a fé ocupa um lugar importantíssimo, pois ali o verbo pisteuõ é<br />
encontrado noventa e oito vezes. Curioso é que o substantivo pistis – ‗fé‘, nunca<br />
é encontrado. Isso possivelmente se deve ao seu uso em círculos de tipo<br />
gnóstico.<br />
O enorme uso de pisteuõ em João se deve ao próprio objetivo claramente<br />
revelado no Evangelho em João 20:31.<br />
A fé não consiste meramente em aceitar certas coisas como verdadeiras, mas<br />
consiste em confiar numa Pessoa, e essa Pessoa é Jesus Cristo. E como a fé é<br />
fundamental ao Cristianismo, os cristãos são simplesmente chamados ‗crentes‘.<br />
E crer implica em:<br />
• Confiar (Jô 4:50)<br />
• Seguir (Jô 8:12)<br />
• Servir (Jô 13:12 – 15; 21:15 – 17)<br />
• Obedecer (Jô 14:23 – 24)<br />
A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO<br />
É possível alguém que aceitou à Cristo como salvador cair da graça?<br />
Os que seguem a doutrina de Calvino dizem que não e os que seguem a de<br />
Armínio diz que sim.<br />
169
Estudemos então as duas doutrinas:<br />
O CALVINISMO<br />
A salvação é inteiramente de Deus; o homem absolutamente nada tem a ver<br />
com a sua salvação.<br />
Romanos 8 : 35 Quem nos separará do amor de Cristo ? Será tribulação, ou<br />
angustia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?<br />
Isto porque a sua vontade se corrompeu com o pecado. Desta forma o homem<br />
não pode se arrepender sem a ajuda de Deus.<br />
Efésios 1 : 4 - 5 Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo,<br />
para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor. Nos predestinou<br />
para ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito<br />
de sua vontade.<br />
A doutrina calvinista ensina que Deus predestinou alguns para serem salvos e<br />
outros para serem perdidos. A predestinação é o eterno decreto de Deus, pelo<br />
qual ele decidiu o que será de cada um.<br />
O ARMINIANISMO<br />
A vontade de Deus é que todos os homens sejam Salvos, porque Cristo morreu<br />
por todos.<br />
170
I Tim. 2 : 4 O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao<br />
pleno conhecimento da verdade.<br />
As Escrituras ensinam uma predestinação, mas não individual. Ele predestina a<br />
todos os que querem ser salvos.<br />
Tito 2 : 11 Portanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os<br />
homens.<br />
O homem pode escolher aceitar a graça de Deus, ou pode resistir-lhe e rejeitála.<br />
Seu direito de livre arbítrio sempre permanece.<br />
REGENERAÇÃO<br />
Do lado divino, a mudança de coração é chamada de regeneração, de novo<br />
nascimento; do lado humano, é chamada de conversão. Na regeneração, a alma<br />
é passiva; na conversão, é ativa. Podemos definir a concessão de uma nova<br />
natureza (2 Pe 1:4) ou coração (Jr 24:7; Ez 11:19; 36:26), e a produção de uma<br />
nova criação (2 Co 5:17; Ef 2:10; 4:24). No entanto, a regeneração não é uma<br />
mudança as substância da alma. Hodge o diz muito bem:<br />
Como a mudança não é na substância nem no mero exercício da alma, ela<br />
ocorre naquelas disposições, princípios, gostos ou hábitos imanentes aos quais<br />
todo o exercício consciente está subordinado, e que determinam o caráter do<br />
homem e de todas as suas ações.<br />
171
A NECESSIDADE DA REGENERAÇÃO<br />
A Escritura declara repetidamente que o homem tem que ser regenerado antes<br />
de poder ver a Deus. Estas afirmações da Palavra de Deus são reforçadas pela<br />
razão e pela consciência.<br />
A santidade é uma condição indispensável para sermos aceitos na comunhão<br />
com Deus. Mas toda a humanidade é pecadora por natureza, e quando chega a<br />
consciência moral, torna-se culpada de transgressão real. Portanto, em seu<br />
estado natural, a humanidade não pode ter comunhão com Deus. Agora, esta<br />
mudança moral no homem somente pode ser feita por um ato do Espírito de<br />
Deus.<br />
Ele regenera o coração e comunica a este a vida e a natureza de Deus. As<br />
Escrituras mostram esta experiência como sendo um novo nascimento, pelo<br />
qual o homem se transforma em Filho de Deus (Jô 1:12; 3:3 – 5; 1 Jo 3:1). Por<br />
natureza, os homens são: (1) Filhos da ira – Ef 2:3; (2) Filhos da desobediência<br />
– Ef 2:2; (3) Filhos do Mundo – Lc 16:8; (4) Filhos do Diabo – Mt 13:38; 23:15; At<br />
13:10; 1 Jo 3:10. Esta última expressão é usada especialmente para os que<br />
rejeitaram a Cristo, em João 8:44. Somente o novo nascimento pode produzir<br />
uma natureza santa dentro dos pecadores de modo a tornar possível a<br />
comunhão com Deus.<br />
172
OS MEIOS DA REGENERAÇÃO<br />
A Escritura apresenta a regeneração como obra de Deus. Mas há numerosos<br />
meios e agências envolvidos na experiência, que faremos bem em notar.<br />
A VONTADE DE DEUS.<br />
Somos nascidos ―da vontade de Deus‖ (Jô 1:13). As palavras de Tiago<br />
esclarecem ainda mais: ―Pois, segundo seu querer, ele nos gerou pela palavra<br />
da verdade‖ (Tg 1:18).<br />
A MORTE E RESSURREIÇÃO.<br />
Precisamos nos lembrar que o novo nascimento é condicionado à fé no Cristo<br />
crucificado (Jô 3:14 – 16); e que a ressurreição de Cristo está igualmente<br />
envolvida em nossa regeneração (1 Pe 1:3).<br />
A PALAVRA DE DEUS.<br />
É um dos principais agentes para a nossa regeneração, como já vimos em Tiago<br />
1:18. O mesmo pensamento é expresso em Jô 3:5; 1 Pe 1:23. Que a água a que<br />
se refere João 3:5 não é o batismo é evidenciado pelo fato de que em Ef 5:26 a<br />
nossa purificação é relacionada à Palavra. Deve-se explicar Tito 3:5 da mesma<br />
maneira, pois é claro que a água não tem poder regenerador. Paulo havia<br />
gerado os coríntios mediante o Evangelho (1 Co 4:15), mas havia batizado<br />
apenas alguns deles (1 Co 1:14 – 16). Zaqueu (Lc 19:9), o ladrão arrependido<br />
(Lc 23:42 – 43, e Cornélio (At 10:47) foram declarados salvos antes de terem<br />
sido.<br />
173
BATIZADOS<br />
ESPÍRITO SANTO<br />
O Agente eficaz real na regeneração é o Espírito Santo (Jô 3:5; Tt 3:5). A<br />
verdade não constrange a vontade por si só; além disso, o coração não<br />
regenerado odeia a verdade até ser trabalhado pelo Espírito Santo. O Senhor<br />
Jesus disse acerca do Espírito Santo, em João 16:8: ―Quando ele vier<br />
convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo‖. Portanto, podemos<br />
afirmar que o Espírito Santo é tanto um Advogado quanto um Acusador. O<br />
rabino Eliezer bem Jacob diz: ―Quem cumpre um mandamento –conseguiu um<br />
advogado para si, e quem transgride um mandamento – conseguiu um acusador<br />
para si‖. Diz Strong:<br />
Não é um simples aumento na claridade que vai permitir que um cego veja; a<br />
enfermidade do olho tem que ser curada primeiro antes que os objetos externos<br />
se tornem visíveis... Apesar de trabalhada juntamente com a apresentação da<br />
verdade ao intelecto, a regeneração difere da persuasão moral por ser um ato<br />
imediato de Deus.<br />
Talvez seja de palavras como estas que afirmamos que alguns são<br />
―convencidos‖ mas não ―convertidos‖.<br />
174
RESULTADOS DA REGENERAÇÃO<br />
Aquele que é nascido de Deus vence a tentação (1 Jo 3:9; 5:4,18). O tempo<br />
presente em que todos esses verbos são usados indica uma vida de vitória<br />
contínua.<br />
A pessoa regenerada ama aos irmãos (1 Jo 5:1), à Palavra de Deus (Sl 119:97;<br />
1 Pe 2:2), seus inimigos (Mt 5:43 – 48), e as almas perdidas (2 Co 5:14).<br />
A pessoa regenerada também goza de certos privilégios como Filho de Deus,<br />
como a satisfação de suas necessidades (Mt 6:31 – 32), de uma revelação da<br />
vontade do Pai (1 Co 2:10 – 12), e de ser guardada (1 Jo 5:18).<br />
O homem que é nascido de Deus é herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo<br />
(Rm 8:16 – 17). Embora o entrar realmente no gozo da herança ainda esteja<br />
quase no futuro, o filho de Deus já agora tem um penhor dessa herança na<br />
dádiva do Espírito Santo (Ef 1:13 – 14). É claro que estes resultados não são<br />
diferentes visíveis aos olhos do mundo, mas são, não obstante, muito reais para<br />
aquele que nasceu para a família de Deus.<br />
NOVO NASCIMENTO<br />
O que é? O Novo Nascimento é um milagre do Espírito Santo operado na<br />
natureza do indivíduo, transformando-o completamente. De fato o Novo<br />
Testamento é um novo começo. Por mais maculado que seja o seu passado; por<br />
mais deformado que seja o seu presente; por mais sombrio que pareça o seu<br />
175
futuro, há uma saída, há uma possibilidade de começar tudo de novo, pelo<br />
NOVO NASCIMENTO. Não é esta uma notícia maravilhosa?<br />
Portanto, o Novo Nascimento é obra do Espírito Santo, não representa fruto do<br />
esforço ou boas qualidades do homem. Não há mérito humano na operação<br />
(João 3:6 – 7).<br />
O batismo não efetua o Novo Nascimento. É falsa a doutrina que prega a<br />
regeneração pelo batismo.<br />
Não se adquire por hereditariedade (João 1:12 – 13). A Igreja não tem poder<br />
de operar o Novo Nascimento. Como disse alguém:<br />
―Não serás um automóvel pelo fato de teres nascido em uma garagem‖.<br />
Ninguém nasce de novo por pertencer a esta ou àquela Igreja.<br />
Nenhum rito religioso, afinal, será capaz de efetuar o Novo Nascimento.<br />
Não representa fruto de resoluções humanas. Assim como o nascimento<br />
físico depende de fatores fora do eu, na regeneração o eu é passivo, ele recebe<br />
o Novo Nascimento (Jô 1:12 – 13).<br />
O Novo Nascimento é a penetração da vida divina no ser humano. O estado de<br />
pecado é um estado de morte, morte espiritual (Ef 2:1). O Novo Nascimento<br />
opera uma nova vida no ser humano.<br />
176
Como se vê, o fenômeno é inexplicável em seu alcance mais profundo. O<br />
próprio Nicodemos que era príncipe, um sábio, e mestre em Jerusalém, não<br />
entenderam isso pela mera exposição em palavras (João 3:4, 8, 9). Jesus<br />
insistiu na necessidade de experimentar o novo Nascimento. Em matéria de<br />
religião, de vida espiritual, o caminho para a compreensão é viver, experimentar<br />
primeiro para depois entender. A mera especulação mental não penetra os<br />
mistérios espirituais.<br />
A doutrina do Novo Testamento é amplamente encontrada nas Escrituras tanto<br />
no Novo, como no Antigo Testamento. É apresentada, às vezes, com palavras<br />
diferentes, mas a verdade é a mesma: que o homem não pode mover a si<br />
mesmo na direção do propósito de Deus; que como essa natureza total está<br />
comprometida com a corrupção do pecado é-lhe impossível andar retamente no<br />
caminho de Deus. É necessário uma mudança de natureza e é Deus quem nele<br />
opera a transformação, tornando-o um novo ser em Cristo.<br />
Há vários textos que merecem consideração e estudo para o conhecimento da<br />
doutrina, mas o capítulo 3 do Evangelho de João é o que mais longamente<br />
expõe o tema do Novo Nascimento. É o texto mais impressionante de toda a<br />
Bíblia; nenhum crente o pode ignorar como fato, muito menos na sua<br />
interpretação, pois a aplicação de seu eterno princípio de regeneração pela fé<br />
depende à entrada de qualquer um no Reino dos Céus.<br />
177
ANTES DE EXPOR A DOUTRINA PROPRIAMENTE, ESCLAREÇAMOS<br />
ALGUMAS EXPRESSÕES USADAS NO TEXTO:<br />
FARISEUS<br />
Constituíam umas três principais seitas do Judaísmo e era a melhor, ou a mais<br />
severa (Atos 26:5). Os Judeus foram combatidos por feroz perseguição de<br />
Antíoco Epifanes, rei da Síria, depois da volta do Cativeiro Babilônico. Os mais<br />
patriotas se organizaram em partido para resistirem à infiltração do Helenismo.<br />
Isso em 175 – 164 a. C. Logo, os fariseus tiveram uma nobre origem: visavam<br />
preservar a religião de Israel, as Escrituras Hebraicas, estimular o amor pátrio,<br />
etc. Mas seu nome aparece só lá pelos anos 135 – 105 a. C. Os fariseus criam<br />
na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, na existência do espírito, nas<br />
recompensas e castigos na vida futura (céu e inferno). E nisso se opunham aos<br />
saduceus que não aceitavam nem uma nem outra destas coisas (Atos 23:6 – 6).<br />
Mas em matéria de religião não basta ter conceitos teológicos corretos, é preciso<br />
ter uma vida consentânea com aquilo que se crê.<br />
Enfatizaram em extremo as formas externas de religião tornando-se legalistas.<br />
Chegaram a transformar a religião num montão de formalismos sem vida.<br />
Opuseram-se ferrenhamente a Jesus. Foram duramente acusados por João<br />
Batista e por Jesus. Apesar de tudo, tiveram em seu meio homens de grande<br />
capacidade intelectual e social: tais como Gamaliel (At 5:34; 22:3); Saulo de<br />
Tarso (Fp 3:5), que veio a se converter mais tade (At 9:1 – 22), e a ser chamado<br />
para o apostolado; Nicodemos (Jô 3:1), e outros de muito boa vontade (At 5:34;<br />
Jô 7:50).<br />
Os fariseus julgavam que por muito falarem seriam ouvidos em suas orações (Mt<br />
6:7).<br />
178
NICODEMOS<br />
Agostinho descreve-o como ―um dos crentes em quem Jesus não podia confiar<br />
logo‖ (Jô 2:24). A tradição rabínica o descreve como um dos três homens mais<br />
ricos de Jerusalém. Era de uma alta autoridade no Sinédrio, corpo legislativo,<br />
judicial e executivo entre os judeus.<br />
Aparentemente no início desta entrevista ele está convencido, mas não<br />
convertido. Jesus repudia o<br />
regime religioso do indivíduo Nicodemos e de toda a sua elite religiosa, e exige<br />
de lê radical transformação, se quer entrar no Reino dos Céus.<br />
É mencionado três vezes no Evangelho de João. A primeira vez, visitando Jesus<br />
de noite (Jô 3:1 – 15); a segunda, protestando contra a condenação de Jesus<br />
sem o ouvirem. Nicodemos estava tão impressionado com as palavras de Jesus<br />
que seu desejo era que seus colegas o ouvissem também (Jô 7:50 – 51); e a<br />
terceira vez, trazendo especiarias para ungir o corpo de Jesus em seu<br />
sepultamento (Jô 19:38 – 39).<br />
DE NOITE<br />
João 3:2, nos diz que Nicodemos ―foi ter com Jesus de noite‖. Por que de noite?<br />
Por que temia o povo? Envergonhava-se de Jesus? Ou apenas procurava uma<br />
entrevista mais longe do burburinho da multidão?<br />
179
Parece que o problema era mesmo um temor político e social. Não queria<br />
prejudicar sua posição (Jô 3:10). O texto expõe, sem rodeios, o motivo – ―por<br />
medo dos judeus‖ (Jô 19:38 – 39), em relação a José de Arimatéia. E<br />
Nicodemos? ―A sinceridade militava contra a timidez e a timidez contra a<br />
sinceridade no coração de Nicodemos‖ (O. Boyer). Pelo menos mostrou<br />
devoção a Jesus. Muitos que hoje censuram por ter procurado Jesus de noite,<br />
têm outros preconceitos que os arrastam de Jesus de dia e de noite, vivem<br />
longe dEle. Afinal, foi Nicodemos que cuidou (juntamente com José de<br />
Arimatéia), do corpo de Jesus e do seu sepultamento (Jô 19:38 – 39).<br />
―Rabi, SABEMOS que és Mestre...‖ – o verbo está no plural – ―sabemos‖ – Em<br />
nome de quem fala Nicodemos? Nicodemos fala por seu grupo. Era membro do<br />
Sinédrio e delegado único dos chefes dos judeus para saber de suas<br />
pretensões.<br />
O magno tribunal já havia investigado oficialmente acerca de João Batista (João<br />
1:19 – 31) nunca fez isso com relação a Jesus. E Nicodemos se queixa disso<br />
mais tarde (Jô 7:50), querendo que Jesus fosse ouvido em juízo. Ele mesmo<br />
ficara impressionado com a pessoa e o ensino de Jesus de ter estado com ele<br />
naquela noite memorável, posto que já estivesse anteriormente deslumbrado<br />
com seus milagres.<br />
REINO DE DEUS<br />
Os Judeus esperavam e criam que seria assinalada a vinda do Reino por<br />
manifestações de pompa e poderio político e militar. O Reino de Deus era a<br />
época Messiânica. Jesus aqui proclama uma ordem espiritual invisível aos<br />
180
olhos, aos sentidos. A regeneração é isso – o arrependimento para a remissão<br />
de pecados e a renovação pelo Espírito Santo; e esta experiência dupla é<br />
indispensável para a entrada no Reino dos Céus.<br />
O Reino dos Céus é o domínio de Deus e de Cristo e do Espírito Santo sobre a<br />
vida do discípulo, da Igreja (Lucas 17:20 – 21).<br />
É a vontade de Deus se consumando. É chamado o ―Supremo Bem‖. Não há<br />
nada melhor ou equivalente ao Reino de Deus na vida.<br />
NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO<br />
Muitas são as interpretações que tem sido dadas a estas palavras.<br />
C. H. Wright, erudito anglicano, interpreta como sinônimas as expressões.<br />
Assim, para ele, nascer da água e do Espírito é uma e a mesma coisa. Jesus<br />
apenas enfatiza a necessidade de nascer de cima.<br />
Outros evangélicos aceitam que a expressão toma o sinal (batismo) pelo<br />
significado (arrependimento), assim, nascer da água seria ―nascer do<br />
arrependimento‖.<br />
Há quem interprete ―nascer da água‖, como o primeiro nascimento, pelo aspecto<br />
impressionante do parto.<br />
181
Há os que fogem da idéia do Reino Espiritual e o identificam com as Igrejas, e<br />
dão ao batismo o valor de entrar nas igrejas, admitem nisso equivalência com<br />
entrar no Reino.<br />
Além de uma outra mais generalizada, tanto quanto mais falsa idéia<br />
sacramentalista que interpreta a expressão ―nascer da água‖, como uma<br />
referência do Mestre ao batismo. É a idéia católica da Regeneração Batismal,<br />
através do sacramento chamado batismo.<br />
SEGUINDO TAYLOR, OPOMOS AS SEGUINTES REFUTAÇÕES:<br />
Taylor não concorda que sejam sinônimas as expressões, embora admitindo a<br />
probabilidade de que o fossem. E, contudo, pode-se optar pela interpretação<br />
bastante inteligente do Dr. Wright, sem ferir qualquer doutrina bíblica, sem cair<br />
no sacramentalismo anti-bíblico. Pode-se, pois admitir as duas expressões –<br />
―nascer da água e do Espírito‖ – apenas como repetição da idéia para enfatizar a<br />
necessidade de uma transformação a operar por Deus. Neste caso as duas são<br />
uma e a mesma coisa – nascer de novo, nascer de cima.<br />
É arriscado supor que Nicodemos devesse entender como arrependimento o<br />
―nascer da água‖, ou como batismo ou qualquer forma de nascimento, muito<br />
menos ligá-lo à idéia de ―entrar na igreja‖.<br />
182
A IDÉIA SACRAMENTALISTA, QUE ADMITE O “NASCER DA ÁGUA” COMO<br />
SENDO O BATISMO REQUISITO AO NOVO NASCIMENTO, É<br />
CONTRADITÓRIA:<br />
Quando afirma que o único batismo conhecido era o de João;<br />
Que este era destituído da graça salvadora e do Espírito regenerador;<br />
Que o batismo cristão só começaria no dia de Pentecoste, de<br />
conformidade com o Concílio de Trento.<br />
É o mesmo que admitir que Jesus estivesse a afirmar algo mais ou menos<br />
assim: ―Nicodemos, se você não nascer de novo não poderá entrar no Reino dos<br />
Céus; entretanto, como você bem sabe isso é coisa absolutamente impossível<br />
no presente, pois o batismo ainda não foi instituído‖. Mas nós sabemos que<br />
Jesus tem melhor ―bom senso‖, do que o mero pregador.<br />
Quando admite que o batismo é o meio pelo qual se opera o Novo<br />
Nascimento. É ou não contraditório?<br />
Além de tudo isso, a idéia sacramentalista entra em contradição com todo o<br />
ensino claro das Escrituras sobre a doutrina bíblica do batismo, que não tem o<br />
poder de operar a regeneração; o batismo não salva. É para ser ministrado a<br />
pessoas que já tenham tido a experiência do Novo Nascimento.<br />
A participação dos ritos sacramentais de qualquer seita religiosa não abre a<br />
porta a ninguém para entrar no Reino de Deus, mas só pelo arrependimento e<br />
183
fé, caminhos bíblicos da regeneração. Pois, se fosse de outro modo (pelo<br />
batismo), não seria razoável censurar Nicodemos por não entender o ensino de<br />
Jesus. Sabemos, pois, que ―nascer da água‖, não é o mesmo que batismo.<br />
Mas, então, o que queria Jesus dizer com a expressão ―nascer da água e do<br />
Espírito‖?<br />
Um dos fatores indispensáveis na regeneração do pecador é a Palavra de Deus,<br />
o Evangelho. Vários textos ensinam isto: Jô 15:3; Ef 5:26; Hb 4:12; 10:22; Tg<br />
1:21; 1 Pe 1:22 – 23; etc. ―É doutrina bíblica inegável que o Espírito Santo<br />
regenera pela Palavra‖.<br />
TAYLOR, DEPOIS DE LONGA ANÁLISE E MUITAS CITAÇÕES, CONCLUI:<br />
―Essas considerações me levam a afirmar que aqui, como nas outras passagens<br />
estudadas nas páginas do Evangelho de João, Jesus ensina um Novo<br />
Nascimento com dois fatores sublimes: o poder purificador do Evangelho de<br />
salvação pelo sangue de Jesus e a obra vitalizadora do Espírito Santo que<br />
acompanha a pregação e opera no pecador ouvinte a graça e a Nova Vida‖.<br />
Esta interpretação concorda com outros textos mais claros da Palavra de Deus e<br />
justifica a circunstância de haver Jesus censurado a Nicodemos por não haver<br />
entendido o Seu ensino. E Nicodemos era profundo conhecedor dos textos<br />
vetero-testamentários, tais como Isaias 44:3; Ezequiel 36:25 – 26; etc; que<br />
tratam da regeneração como operação divina pelo Seu poder e pela Sua<br />
palavra.<br />
184
―Água, simboliza pois, a purificação efetuada no crente pelo Evangelho de<br />
Jesus, fator sublime na regeneração – Evangelho da purificação operada no<br />
pecador pelo sangue remidor de Jesus‖.<br />
Observe o versículo 6 do capítulo 3 do Evangelho de João: ―Todo o que é<br />
nascido do Espírito é espírito‖. Não apenas o crente batizado. Todo o crente tem<br />
a vida eterna, antes do seu batismo, quando crê. Haja vista o caso do ladrão<br />
convertido à cruz, foi salvo sem batismo, quando lhe prometeu Jesus: ―Hoje<br />
mesmo estarás comigo no Paraíso‖ (Lucas 23:43). Não é possível pois, que<br />
Jesus estivesse falando de batismo como meio de Nascer de Novo.<br />
EVIDÊNCIAS DO NOVO NASCIMENTO<br />
Uma nova visão e compreensão espiritual<br />
( 2 Co 4:6; Ef 1:18; 1 Co 2:14 )<br />
O coração sofre uma revolução<br />
( Ez 36:26; Ef 4:20 – 24 )<br />
Uma vontade transformada<br />
( Ef 5:15 – 17 )<br />
Uma atitude diferente para com o pecado<br />
( Rm 6:1 – 23 )<br />
185
Uma disposição de obedecer a Deus<br />
( 1 Jo 2:6 )<br />
Um coração habitado por Cristo<br />
( Jô 14:23; Cl 1:27 )<br />
Uma vida separada do mundo<br />
( Tg 4:4; 1 Jo 2:15 – 17 )<br />
Luz do mundo<br />
( Mt 5:14 – 16 )<br />
Sal da terra<br />
( Mt 5:13 )<br />
Bom Perfume<br />
( 2 Co 15:16 )<br />
JUSTIFICAÇÃO<br />
Por natureza, o homem não somente é filho do mal, mas é também um<br />
transgressor e um criminoso (Rm 3:23; 5:6 – 10; Cl 1:21; Tt 3:3). Na<br />
regeneração, o homem recebe uma nova vida e uma nova natureza; na<br />
justificação, uma nova posição. A justificação pode ser definida como o ato de<br />
Deus pelo qual Ele declara justo aquele que crê em Cristo. O Breve Catecismo<br />
afirma:<br />
186
―Justificação é um ato da livre graça de Deus, pelo qual ele perdoa todos os<br />
nossos pecados e nos aceita como justos a seus olhos, somente pela justiça de<br />
Cristo a nós imputada e recebida pela fé.‖<br />
A JUSTIFICAÇÃO É UM ATO DECLARATIVO. NÃO É ALGO OPERADO NO<br />
HOMEM, MAS SIM ALGO DECLARADO A RESPEITO DO HOMEM.<br />
A REMISSÃO DA PENA.<br />
A pena para o pecado é a morte (Rm 5:12 – 14; 6:23). Se o homem for ser<br />
salvo, esta pena terá que ser removida primeiro. Foi removida pela morte de<br />
Cristo, e é na morte de Cristo, que sofreu o castigo de nossos pecados em Seu<br />
próprio corpo no madeiro (1 Pe 2:24).<br />
A IMPUTAÇÃO DA JUSTIÇA.<br />
Como justificação é acertar a pessoa com a Lei, precisamos observar, como diz<br />
Strong, que ―a lei requer não simplesmente a ausência de ofensa<br />
negativamente, mas toda maneira de obediência e semelhança a Deus<br />
positivamente‖. Em outras palavras, o pecador precisa não apenas ser perdoado<br />
por seus pecados passados, mas também receber uma justiça positiva antes de<br />
poder ter comunhão com Deus. Esta necessidade é satisfeita na imputação da<br />
justiça de Cristo ao crente.<br />
Imputar é debitar a alguém (cf Sl 32:2; Rm 1:17; 1 Co 1:30; 2 Co 5:21; Fm 18).<br />
Devemos observar que este não é o atributo de Deus, pois a nossa fé nada tem<br />
187
a ver com ele; mas sim a justiça que Deus providenciou para aquele que crê em<br />
Cristo. Assim, Deus nos restaura ao favor imputando-nos a justiça de Cristo.<br />
Esta é a veste nupcial que está pronta para todo aquele que aceita o convite<br />
para o banquete (Mt 22:11 – 12; Lc 15:22 – 24).<br />
O MÉTODO DA JUSTIFICAÇÃO<br />
Não é pelas obras da Lei – Rm 3:20; Gl 2:16. Os homens não são salvos por<br />
―fazerem o melhor que podem‖, mas são salvos por ―crerem naquele que fez o<br />
melhor‖. A justificação pela Lei só acontece através do cumprimento ―total‖ da<br />
mesma!<br />
É pela Graça de Deus – Rm 3:24; Tt 3:7.<br />
É pelo Sangue de Cristo – Rm 5:9.<br />
É pela Fé – Rm 3:26 – 30; 4:5 – 12; 5:1; Gl 3:8, 24.<br />
ADOÇÃO<br />
A doutrina da adoção é puramente paulina. Os outros autores do NT associam<br />
as bênçãos que Paulo relaciona à adoção com as doutrinas da regeneração e<br />
da justificação. A palavra grega traduzida como adoção (huiothesia), somente<br />
ocorre cinco vezes nas Escrituras, e todas elas nos escritos de Paulo: Rm 8:15,<br />
23; 9:4; Gl 4:5; Ef 1:5. Uma vez é aplicado a Israel como nação (Rm 9:4); uma<br />
vez relaciona a completa realização da adoção à vinda futura de Cristo (Rm<br />
8:23); e três vezes, declara ser ela um fato presente na vida do Cristão.<br />
188
DEFINIÇÃO<br />
Como a palavra grega (huiothesia) indica, adoção é literalmente colocar na<br />
posição de filho. Scofield diz:<br />
Adoção, ―colocar na posição de filho‖ não é tanto uma palavra de<br />
relacionamento como de posição. A relação de filho do crente para com Deus<br />
resulta do novo nascimento (Jô 1:12 – 13), ao passo que adoção é o ato de<br />
Deus pelo qual aquele que já é filho, através de redenção da lei, é colocado na<br />
posição de filho adulto (Gl 4:1 – 5). O Espírito que habita no crente o leva à<br />
percepção disto em sua experiência presente (Gl 4:6); mas a plena<br />
manifestação de sua filiação aguarda a ressurreição, transformação e<br />
trasladação dos santos, e é chamada de ―redenção do corpo‖ (Rm 8:23; 1 Ts<br />
4:14 – 17; Ef 1:4; 1 Jo 3:2).<br />
Quer-nos parecer que Paulo considerava os crentes do AT como ―filhos‖ embora<br />
―de menor idade‖; mas os crentes do NT ele considerava tanto como ―filhos‖<br />
quanto ―filhos adultos‖. As principais vantagens da filiação, segundo Paulo, são a<br />
libertação da Lei (Gl 4:3 – 5) e a posse do Espírito Santo, o Espírito de Filiação<br />
(Gl 4:6). Resumindo: na regeneração, recebemos nova vida; na justificação, uma<br />
nova reputação; na adoção, uma nova posição.<br />
189
O TEMPO DA ADOÇÃO<br />
A ADOÇÃO TEM UM RELACIONAMENTO TRÍPLICE DE TEMPO:<br />
Nos conselhos de Deus, foi um ato do passado eterno (Ef 1:5). Antes mesmo de<br />
começar a raça hebraica, sim antes da criação, Ele nos predestinou para esta<br />
posição (cf Hb 11:39 – 40).<br />
Na experiência pessoal ela se torna verdadeira para o crente na hora em que ele<br />
aceita a Jesus Cristo (Gl 3:26).<br />
Mas a percepção plena da filiação aguarda a vinda de Cristo. É naquela hora<br />
que a adoção será plenamente consumida (Rm 8:23).<br />
OS RESULTADOS DA ADOÇÃO<br />
Talvez o primeiro dentre eles seja a libertação da lei (Rm 8:15; Gl 4:4 – 5). O<br />
crente já não está debaixo de ―guardiões‖.<br />
O penhor da herança, que é o Espírito Santo (Gl 4:6 – 7; Ef 1:11 – 14). O Pai<br />
ajuda o filho adulto a começar com a investidura do Espírito. É o pagamento<br />
inicial da herança total que ele receberá quando Cristo vier.<br />
190
SANTIFICAÇÃO<br />
SANTIDADE DE DEUS<br />
A palavra hebraica para ―santo‖ é quadash, derivada da raiz quad, que significa<br />
―cortar‖ ou ―separar‖. A idéia básica de santidade de Deus não é tanto uma<br />
qualidade moral de Deus, mas, sim, a posição ou relação entre Deus e alguma<br />
coisa ou pessoa. É dupla a idéia bíblica da santidade de Deus.<br />
Ele é absolutamente distinto de todas as suas criaturas e exaltado sobre elas em<br />
infinita majestade.<br />
Há um aspecto especificamente ético, e isto significa que em virtude de Sua<br />
santidade Deus não tem comunhão com o pecado (Jô 34:10; Hc 1:13; 1 Jo 1:5).<br />
DEFINIÇÃO DE SANTIFICAÇÃO<br />
SEPARAÇÃO PARA DEUS.<br />
A separação para Deus pressupõe separação da impureza. Isto se refere a<br />
coisas, lugares ou pessoas (2 Co 6:14 – 7:1).<br />
IMPUTAÇÃO DE CRISTO COMO NOSSA SANTIDADE.<br />
A imputação de Cristo como nossa santidade acompanha a imputação de Cristo<br />
como nossa justiça. Ele se tornou justiça e santificação para nós (1 Co 1:30).<br />
Paulo diz que somos ―santificados em Cristo Jesus‖ (1 Co 1:2; At 26:18; Ef 5:26).<br />
191
Assim, o crente é reconhecido como santo bem como justo por estar revestido<br />
com a santidade de Cristo.<br />
Neste sentido, todos os crentes são chamados de ―santos‖ sem levar em<br />
consideração suas conquistas espirituais (Rm 1:7; 1 Co 1:2; Ef 1:1; Fp 1:1; Cl<br />
1:1). É a conhecida ―santificação posicional‖.<br />
PURIFICAÇÃO DO MAL MORAL.<br />
Esta é a ―santificação progressiva‖. A pergunta do salmista é: ―de que maneira<br />
poderá o jovem guardar puro o seu caminho?‖. Tem como resposta,<br />
―observando-o segundo a Tua Palavra‖ (Sl 119:9). É um processo contínuo.<br />
CONFORMIDADE COM A IMAGEM DE CRISTO.<br />
A conformidade com a imagem de Cristo é o aspecto positivo da santificação,<br />
assim como a purificação é o negativo, a separação e imputação são o<br />
posicional. Alguns textos básicos para esta verdade são: Rm 8:9; 2 Co 3:18; Gl<br />
5:22 – 23; Fp 1:6; 3:10; 1 Jo 3:2). Claramente este é um processo que se<br />
estende por toda a vida e que só será consumado por completo quando<br />
estivermos com o Senhor.<br />
OS MEIOS DE SANTIFICAÇÃO<br />
―Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo‖ (Lv 19:2; 1 Pe<br />
1:16). Evidentemente que estamos nos referindo à ―santificação progressiva‖. O<br />
primeiro meio de santificação é a Palavra de Deus, ou seja, a meditação e a<br />
obediência à mesma (Sl 119:9; Jô 15:3; 17:17; Ef 5:26; 2 Tm 3:16; 1 Pe 1:22 –<br />
192
23). O segundo meio de santificação é a prática da auto disciplina através de<br />
jejum, oração, meditação, estudos, etc (1 Co 9:27). E o terceiro meio seria por<br />
meio do poder do Espírito Santo (Rm 8:13).<br />
PERSEVERANÇA<br />
―Se compreendida corretamente, esta doutrina oferece muito conforto; mas não<br />
deve-se abusar dela ou interpretá-la mal. As Escrituras ensinam que todos<br />
aqueles que, mediante a fé, são unidos a Cristo, que foram justificados pela<br />
graça de Deus e regenerados por Seu Espírito, jamais cairão total ou finalmente<br />
do estado de graça, mas certamente nele perseverarão até o final. Isto não<br />
significa que jamais escorregarão, jamais pecarão; ou que todo aquele que<br />
professa ser salvo, está salvo para a eternidade. Simplesmente significa que<br />
eles jamais cairão totalmente do estado da graça ao qual foram trazidos, nem<br />
deixarão de, no fim, levantar-se de novo quando escorregarem. A doutrina da<br />
segurança eterna só é aplicável àqueles que tiveram uma experiência vital de<br />
salvação‖ (Henry Clarence Thiessen, Palestras em Teologia Sistemática).<br />
POSIÇÕES FAVORÁVEIS À DOUTRINA<br />
O Propósito de Deus<br />
(Is 14:24; Rm 8:35 – 39)<br />
A Mediação de Cristo<br />
(Hb 7:25)<br />
A contínua capacidade de Deus de nos guardar<br />
(Fp 1:6; 2 Tm 1:12; Jd 24)<br />
A natureza da mudança no crente<br />
(2 Co 5:15)<br />
193
POSIÇÕES CONTRÁRIAS À DOUTRINA<br />
Introduz à Frouxidão e Indolência<br />
Rouba a Liberdade do Homem<br />
As Escrituras ensinam o contrário (Jô 15:1 – 6; Mt 24:13; Hb 6:4 – 6)<br />
Não pretendemos que esta seja uma conclusão completa sobre o assunto.<br />
Entretanto, o que queremos é ressaltar alguns fatos:<br />
As Escrituras mostram que a união do crente com Cristo é expressa de diversas<br />
formas: (a) a união entre o edifício e seu fundamento (Ef 2:20 – 22; Cl 2:27; 1 Pe<br />
2:4 – 5); (b) a união entre marido e mulher (Rm 7:4; Ef 5:31 – 32; Ap 19:7 – 9);<br />
(c) a união entre o Pastor e as ovelhas (Jô 10:27 – 28); (d) a união entre a<br />
videira e seus ramos (Jô 15:1 – 6); (e) a união entre a cabeça e o corpo (1 Co<br />
12:12; Ef 1:22 – 23).<br />
Nosso relacionamento com Cristo é também descrito em termos de ―Aliança‖ (cf<br />
Mt 26:28; 1 Co 11:25). Aliança, é ―um pacto ou contrato entre duas partes, que<br />
as obriga mutuamente a assumir compromissos cada uma em prol da outra.<br />
Teologicamente denota um compromisso gracioso da parte de Deus no sentido<br />
de beneficiar e abençoar o homem e, especificamente, aqueles homens que,<br />
pela fé, recebem as promessas e se obrigam a cumprir os deveres envolvidos<br />
neste compromisso‖ (Enciclopédia Histórico-Teológica)<br />
194
O que é um crente? A palavra grega (pistos) para ‗crente‘ é a mesma para ‗fiel‘.<br />
O PROBLEMA DA APOSTASIA<br />
Hebreus 6:4 – 8 é a passagem mais difícil da carta, e tem dado espaço para<br />
muita polêmica através dos séculos. Contudo, é bom lembrar que o propósito<br />
das Escrituras não é confundir a mente de ninguém, e sim iluminar, esclarecer<br />
(cf Sl 119:105; Jô 1:4; 8:12).<br />
Para aqueles que acreditam na possibilidade de apostasia pessoal, Hebreus 6:4<br />
– 8é obviamente uma das passagens mais importantes. É tão importante como<br />
Hebreus 10:26 – 31 e 2 Pedro 2:20 – 22; isto sem mencionar outras passagens<br />
significantes que providenciam a base para o ensino deste assunto.<br />
Cremos que uma série de perguntas devem ser levantadas para que possamos<br />
entender melhor este parágrafo (Hb 6:4 – 8).<br />
Qual é o tema de Hebreus? Já sabemos que a superioridade do evangelho de<br />
Cristo é um tema relevante em Hebreus. Mas, se observarmos bem,<br />
verificaremos que há várias advertências dentro desta carta, que estimulam os<br />
leitores a firmarem-se na fé (eg 2:1; 3:6, 12, 14; 4:14; 6:12; 10:23, 26 – 31, 35 –<br />
39). Portanto, a pergunta: qual a razão de ser de todas essas advertências? Por<br />
que avisar alguém de um perigo se é impossível que ele seja ferido por este?<br />
Hebreus 6:4 – 5 descreve a verdadeira experiência de salvação? A resposta<br />
só poderá ser dada mediante uma séria exegese do referido texto.<br />
195
PRIMEIRA EXPERIÊNCIA:<br />
―uma vez foram iluminados‖. O verbo grego photizomai significa dar alguém uma<br />
luz ou trazê-lo para a luz. A mesma exata descrição é usada em 10:32, onde<br />
também não há nenhuma razão para duvidar de que é um sinônimo para a<br />
conversão. ―A iluminação indica que Deus dá o entendimento e os olhos da luz<br />
espiritual‖.<br />
―A idéia da iluminação é característica do NT em relação à mensagem de Deus<br />
ao homem. Isto é especialmente verdadeiro no que diz respeito ao Evangelho<br />
segundo João em que Jesus declara ser a luz do Mundo (8:12). Outro paralelo é<br />
2 Co 4:4. Por isso, sempre que a luz tem brilhado nas mentes humanas tem<br />
vindo alguma compreensão da glória de Cristo‖ (Dondald Guthrie, Hebreus).<br />
A Palavra interpretada ―uma vez‖ (no grego hapax) tem a idéia de ―uma vez para<br />
sempre‖ ou ―uma vez eficaz‖. Esta mesma palavra é repetida em Hebreus em<br />
9:7, 26, 27, 28; 10:2; 12:26 e 27. Nestes outros lugares a palavra<br />
conscientemente implica alguma coisa feita de uma vez e de tal maneira que<br />
nenhuma repetição ou adição seja necessária para completá-la. Kent reconhece<br />
que ―o uso de ‗uma vez para sempre‘, direciona-se a alguma coisa completa ao<br />
invés de uma parcial ou inadequada‖.<br />
SEGUNDA EXPERIÊNCIA:<br />
―provaram o dom celestial‖. ―Provar‖ é o verbo grego geúdomai (provar,<br />
experimentar), e ―expressa o desfrutar real e consciente das bênçãos<br />
196
aprendidas em seu verdadeiro caráter‖. Cremos que ―o dom celestial‖ é algo que<br />
veio de Deus, obviamente. Paulo afirma em Efésios 2:8 que a salvação é ―dom<br />
de Deus‖. Portanto, se ela é ―dom de Deus‖, constitui-se num ―dom celestial‖.<br />
―A idéia de provar o dom celestial subentende mais do que um mero<br />
conhecimento da verdade. Subentende a experiência dela. Este é um uso<br />
lingüístico do AT (cf Sl 34:8). No NT, 1 Pedro 2:3 contém a mesma idéia. Há um<br />
desenvolvimento entre saber acerca do alimento, até mesmo gostar da<br />
aparência dele, e realmente prová-lo. Ninguém pode apenas fingir provar um<br />
alimento. Mas o que significa esta expressão? Em nenhuma parte do NT ―o dom<br />
celestial‖ é mencionado, embora a idéia de um dom de Deus ocorra várias<br />
vezes, principalmente em relação ao Espírito Santo (cf At 10:45; 11:17). Noutros<br />
casos, é ligado com a graça de Deus (Rm 5:15; Ef 3:7; 4:7), onde abrange a<br />
totalidade da dádiva da salvação. Na presente declaração, o conteúdo do dom<br />
não é definido, mas a sua origem é abertamente declarada – não é de feito<br />
humano‖ (Guthrie).<br />
TERCEIRA EXPERIÊNCIA:<br />
―se tornaram participantes do Espírito Santo‖. A palavra compartilhar (metochoi),<br />
que quer dizer ―para ter junto com‖, é aparentemente usada pelo autor de<br />
Hebreus, exclusivamente para se referir à participação comum do cristão em<br />
coisas relacionadas a sua salvação (cf 3:1, 14; 12:8). Qualquer uma destas três<br />
referências são em si mesmas adequadas para qualificar tal ―participante‖ como<br />
um cristão. E ninguém no NT se torna ―participante‖ do Espírito Santo sem<br />
tornar-se um cristão (At 2:38 – 39; Rm 8:9; 1 Co 12:13; Gl 3:14; 4:6). ―A idéia de<br />
participar do Espírito Santo é notável. Isto imediatamente distingue a pessoa<br />
daquela que não tem mais do que um conhecimento superficial do cristianismo‖<br />
(Guthrie).<br />
197
QUARTA EXPERIÊNCIA:<br />
―provaram a boa palavra de Deus‖. ―Não é por acidente qu o que é provado não<br />
é a própria palavra de Deus, mas, sim, a sua bondade. A distinção é importante.<br />
É possível abordar a palavra de Deus de modo sincero, mas sem efeito. No<br />
presente caso, os que provaram a bondade estavam bem imersos na<br />
experiência cristã. A frase descritiva ―palavra de Deus‖ (Theou rhêma) ocorre<br />
outra vez em 11:3 e nalguns outros lugares no NT, mas não é tão freqüente<br />
quanto a expressão mais geral, porém paralela (logos tou Theou), que ocorre<br />
nesta epístola em 4:12 e 13:7. A presente frase chama a atenção mais a uma<br />
comunicação específica de Deus do que a uma mensagem geral de Deus. De<br />
fato, pode, mas provavelmente referir-se à experiência de Deus que a pessoa<br />
conhece na conversão, quando a maravilhosa condescendência de Deus para<br />
com os pecadores raia sobre a alma em toda a sua beleza resplandecente<br />
(Guthrie). O evangelho é fruto da bondade de Deus (1 Pe 2:1 – 3).<br />
QUINTA EXPERIÊNCIA:<br />
―provaram os poderes do mundo vindouro‖. Alguns interpretam ―poderes‖<br />
(dynameis) como milagres, pelo fato do termo ter sido traduzido assim em outras<br />
partes do NT (cf Mt 13:58; Hb 2:4). Mas, quem experimenta a salvação em<br />
Cristo Jesus, já começa a ―provar‖ o ―mundo vindouro‖ (mellontos aiônios), ou<br />
―os poderes da era que há de vir‖ (NVI). Devemos lembrar que o Reino de Deus<br />
é tanto presente quanto futuro. Por isso, quem entra para o Reino já começa a<br />
provar agora, bênçãos que atingirá o clímax na segunda vinda do Senhor Jesus;<br />
é o famoso ―já e ainda não‖. Agora que fizemos esta exegese, podemos concluir:<br />
seria difícil encontrar uma melhor descrição de uma conversão genuína.<br />
198
ISTO DESCREVE A APOSTASIA DA SALVAÇÃO?<br />
A resposta está na interpretação da expressão ―e caíram‖ (v 6). O termo grego<br />
―parapíptõ‖ significa ―cair‖, ―cair para fora‖, ―desviar-se‖. Esta é a única vez em<br />
que este verbo é usado no NT; ela ocorre na LXX em Ezequiel 18:24. contudo,<br />
apesar da única ocorrência, outros versículos de Hebreus expressam a mesma<br />
idéia (eg 2:1; 3:12; 10:38; 12:25).<br />
QUAL É A NATUREZA DA REFERIDA IMPOSSIBILIDADE?<br />
―... é impossível outra vez renová- los para arrependimento, visto que de novo<br />
estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus, expondo-o à ignomínia‖ (v<br />
6). Guthrie afirma que esta declaração só pode ser ligada a uma ―apostasia<br />
completa‖. ―Talvez esteja pensando que tais apóstatas seriam mais culpáveis do<br />
que aqueles que originalmente clamaram ‗crucifica-o‘, que nunca conheceram<br />
coisa alguma acerca da maravilhosa graça de Deus através de Cristo‖. Tudo<br />
indica que esta ―apostasia completa‖ é uma forma de crucificar, expor, odiar e<br />
desprezar novamente o Filho de Deus.<br />
Esta passagem tem causado extensos debates, e tem resultado em muitos malentendimentos.<br />
O problema principal é se o escritor está dando a entender que<br />
um cristão pode cair tão longe da graça a ponto de ser culpado do pior delito<br />
contra o Filho de Deus. Se a resposta for sim, como explicaremos aquelas<br />
outras passagens que sugerem a segurança eterna dos crentes?<br />
199
Uma coisa precisa ser lembrada: a passagem inteira é vista do lado das<br />
responsabilidades do homem, e não uma exposição sobre a natureza da graça.<br />
Outra coisa é que o arrependimento é um ato que envolve a auto-humilhação do<br />
pecador diante de um Deus santo, e fica evidente porque um homem com uma<br />
atitude de desprezo para com Cristo não tem possibilidade de arrependimento.<br />
O processo do endurecimento fornece uma casca impenetrável que remove toda<br />
a sensibilidade para com o pleitear do Espírito. Chega-se a um ponto de nenhum<br />
retorno, quando, então, a restauração é impossível.<br />
Nos versículos 7 – 8, o autor ilustra o que acabou de afirmar com uma realidade<br />
da natureza. O Novo Testamento contém muitos exemplos de ilustrações<br />
agrícolas sendo usadas para recomendar verdades espirituais. Isto se deve ao<br />
fato de que as leis naturais estão ligadas com as leis espirituais, porque os dois<br />
tipos de leis têm o mesmo originador e, por esta razão, os fenômenos naturais<br />
podem servir de analogias espirituais. Negligenciar o cultivo da terra leva a<br />
resultados sem valor, da mesma maneira que a recusa de apegar-se às<br />
provisões da graça de Deus leva à bancarrota espiritual. Podemos afirmar então,<br />
que é uma parábola de dois campos para mostrar dois tipos de pessoas:<br />
200
Os dois campos pertencem ao mesmo dono: Deus.<br />
Os dois campos recebem o mesmo tratamento: Chuva.<br />
Os dois campos produzem coisas diferentes:<br />
Erva útil = bênção da parte de Deus<br />
Espinhos e abrolhos = será queimado.<br />
A Bíblia Viva diz: ―Quando a terra de um lavrador recebeu muitas chuvas e<br />
surgiram boas colheitas, aquela terra obteve a bênção de Deus sobre ela.<br />
Porém se continuar dando safras de ervas daninhas e espinhos, essa terra é<br />
considerada imprestável, e está pronta para ser condenada e queimada‖.<br />
Conclusão: Nossa rebeldia (apostasia) pode mudar a história da nossa salvação.<br />
A Doutrina do Espírito Santo<br />
A DOUTRINA DA IGREJA<br />
A DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS<br />
ESCATOLOGIA<br />
A RECONSTRUÇÃO DO TEMPLO DE JERUSALÉM<br />
A reconstrução do templo de Jerusalém já é debatida pelas autoridades de<br />
Israel. Donativos já estão chegando para isso. O parlamento de Israel já se<br />
ocupa do assunto. Essa construção pode ser muito rápida devido às<br />
201
moderníssimas técnicas empregadas em construção. Quando na guerra de<br />
1967, Israel retomou a parte antiga de Jerusalém, que encerra o remanescente<br />
das muralhas do templo, um idoso historiador judeu (citado pela revista TIME),<br />
disse: ―Agora chegamos ao mesmo ponto em que Davi chegou quando<br />
conquistou Jerusalém. Da conquista de Jerusalém por Davi, até o momento em<br />
que Salomão construiu o templo, houve apenas uma geração. Assim será<br />
também Conosco‖.<br />
O templo em consideração aqui é o da Tribulação (2 Ts 2.4; Mt 24.15), que será<br />
destruído naqueles mesmos dias. O profeta Zacarias diz que ―a cidade será<br />
tomada‖. Apocalipse 11.1 ,2 também fala da destruição desse templo. A<br />
passagem em apreço fala de medição do sentido de destruição. E também o<br />
caso de Salmo 60.6 e Lamentações 2.8. A destruição deste templo poderá ser<br />
causada também por terremoto, como os mencionados em Apocalipse 11.13 e<br />
16.18,19.<br />
O retorno total dos judeus à sua terra, dar-se-á por ocasião da revelação de<br />
Cristo para o estabelecimento do Milênio - um reino teocrático proeminentimente<br />
judaico (Mt 24.3 1; Is 11.11,12).<br />
PREDOMINÂNCIA DE UMA CONFEDERAÇÃO DE NAÇÕES<br />
No dia 23 de maio de 1957, foi assinado um tratado em Roma, o qual, sem<br />
dúvida, foi o primeiro passo do cumprimento de uma antiga profecia de Daniel<br />
sobre a existência de urna confederação de nações, como única forma de<br />
expressão do poder gentílico mundial. A profecia está no capítulo 2, e se repete<br />
no capítulo 7 de Daniel. No Apocalipse, ela é vista à partir do capítulo 13.<br />
202
O dito tratado teve vigência a partir de 1~ de abril de 1958. O objetivo<br />
fundamental do tratado é a unificação da Europa mediante a formação dos<br />
Estados Unidos da Europa. Os seis países membros fundadores foram: Itália,<br />
França, Alemanha Ocidental, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Novos membros<br />
foram admitidos mais tarde.<br />
SIGNIFICADO PROFÉTICO DESTA CONFEDERAÇÃO DE NAÇÕES.<br />
Esta coalização de nações a ser formada, segundo a profecia, na área<br />
geográfica do antigo Império Romano, está predita em Daniel 2.33,41-44;<br />
7.7,8,24,25; Apocalipse 13.3,7; 17.12,13. Não se trata de uma restauração literal<br />
e total do antigo Império Romano, tal como ele existiu, mas uma forma de<br />
expressão final dele, pois, conforme a palavra profética em Daniel 2.34, a pedra<br />
feriu a estátua, nos pés não nas pernas. As duas pernas representam o Império<br />
Romano dividido em dois, fato que teve lugar em 395 d.C. O império ocidental,<br />
com sede em Roma e, o oriental, com sede em Constantinopla. Foi nessa<br />
condição que ele deixou de existir como duas pernas. O império ocidental caiu<br />
em 476, e o oriental, em 1453 d.C.<br />
A profecia bíblica destaca: ―as pernas de ferro, os pés em parte de ferro, em<br />
parte de barro ―~(Dn 2.3 3). O Império Romano sob a forma das duas pernas, da<br />
profecia, já ocorreu, mas sob a forma de dez dedos dos pés (artelhos), nunca<br />
existiu. Portanto, está claro que Daniel 2.41-44 ainda não se cumpriu. Não é o<br />
caso dos versículos 3 2-40 que já pertencem à história. Basta ler os versículos<br />
40 e 41 para notar que, entre estes dois, há um hiato de tempo.<br />
203
DESTRUIÇÃO DA NAÇÃO DO “NORTE” E SEUS SATÉLITES.<br />
O aluno deverá, ao iniciar a leitura deste Texto, ler por inteiro os capítulos 38 e<br />
39 de Ezequiel e o capítulo 2 de Joel. Temos nessas profecias a descrição da<br />
invasão de Israel por uma nação do ―Norte‖, nos dias finais da era atual. Ver as<br />
expressões ―no fim dos anos ―, e ―nos ‗últimos dias‖, em Ezequiel 38.8,16.<br />
A INTERVENÇÃO DIVINA<br />
O invasor e seus aliados serão totalmente derrotados e arruinados no próprio<br />
território de Israel, por intervenção divina direta. ―Nos montes de Israel cairás, tu<br />
e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; a toda espécie de aves de<br />
rapina e aos animais do campo eu te darei, para que te devorem. Cairás em<br />
campo aberto, porque eu falei, diz o Senhor Deus. ―(Ez 39.4,5). Deus intervirá<br />
porque Israel é o Seu povo e Sua possessão. Em Ezequiel 38.16, Deus chama<br />
Israel de ―o meu povo ―, e ―a minha terra ―. Isto é altamente significativo e<br />
deveria servir de aviso a todos aqueles que se levantam contra Israel. Deus<br />
afirmou a Abraão no passado:<br />
―Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso<br />
das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e Dã tua<br />
descendência. Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações,<br />
toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus.‖<br />
(Gn. 17.7,8).<br />
Esta nação, de que trata as profecias já mencionadas, deverá, na época da<br />
invasão em apreço, ser muito poderosa belicamente, sabendo que a nação de<br />
204
Israel, desde há muito é líder reconhecida em matéria de estratégia de ataque e<br />
defesa. Nesse tempo Israel deve estar muito mais consolidada e fortalecida<br />
como nação, do que atualmente, e certamente possuindo maior território do que<br />
o atual (conforme Ez 3 8.8). Alguns estudantes da Bíblia julgam ser Gogue e<br />
Magogue símbolos dos poderes do mal contra o povo de Deus nos últimos dias,<br />
mas nesses capítulos de Ezequiel (38 e 39) vemos tratar-se claramente de<br />
povos e nações reais.<br />
Também em Gênesis 10.2 onde temos o rol das nações troncos originaram os<br />
demais povos, e também em 1 Crônicas 1.5, vemos que trata-se de povos reais<br />
e não simples símbolos do mal. O fatos importante nesses dois capítulos de<br />
Ezequiel é que Deus assegura que estará ao lado de Israel e intervirá<br />
sobrenaturalmente, abatendo esses inimigos do Seu povo: Gogue, o líder que<br />
intenta destruir Israel, juntamente com a coalizão de nações sob sua liderança.<br />
Duas vezes Deus afirma na citada profecia: ―Eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe<br />
e chefe de Meseque e Tubal.‖ (Ez 38.3; 39.1).<br />
Os países atuais que situam-se ao norte geográfico de Israel são os que<br />
compõem a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), a ex-União<br />
Soviética. Esse bloco de nações adotavam o comunismo ateu até recentemente<br />
como sistema político de governo, e ainda relutam nesse sentido. Metamorfoses<br />
políticas em grande escala vêm ocorrendo naquela parte do mundo, como é o<br />
caso da já citada CEI e também da UE (União Européia), antes conhecida como<br />
MCE (Mercado Comum Europeu).<br />
205
GOGUE INVADIRÁ ISRAEL<br />
O estudo meticuloso das profecias mencionadas no início deste Texto, mostra<br />
que Gogue - a nação ou bloco de nações do norte da Terra, em relação à Israel,<br />
invadirá esse pais nos últimos dias. A Bíblia localiza Gogue ao norte de Israel<br />
(Ez 38.6,1 5; 39.2; Jl 2.20). Essa poderosa nação do norte será ajudada nessa<br />
invasão por nações européias, asiáticas e africanas. Veja a lista completa<br />
desses atacantes: Magogue, Meseque, Tubal (Ez 3 8.2,3). Persas, etíopes,<br />
Pute, Gômer, Togarma, e muitos povos (Ez 38.5,6). Líbios (Dn 11.43).<br />
Pelo estudo dos capítulos 38 e 39 de Ezequiel, e 10 de Gênesis, vemos que<br />
muitos nomes geográficos estão hoje modificados devido a evolução das línguas<br />
e os problemas de tradução e transliteração. O estudo comparativo da etnologia<br />
antiga e moderna dessas regiões, facilitará a identificação das mesmas:<br />
Gogue. Magogue. Meseque. Tubal (Ez 3 8.2,3). No versículo 2, a ―Tradução<br />
Brasileira‖ emprega a expressão ―prínci,pe de Rós―, sendo ―Rôs‖ uma<br />
transliteração direta do hebraico, que muitos pensam significar ―Rússia‖, neste<br />
contexto da profecia de Ezequiel. As versões de Almeida ―Atualizada‖ e<br />
―Corrigida‖, empregam a expressão ―príncipe e chefe ―.<br />
Gogue, o próprio texto bíblico explica que se trata do governante de Meseque e<br />
Tubal, da terra de Magogue.<br />
Magogue. Meseque, Tubal. Regiões primitivas ocupadas pelos citas e tártaros,<br />
grandes remos do passado, correspondendo hoje à moderna CEI (Comunidade<br />
dos Estados Independentes). Josefo declara que Magogue ocupa a região das<br />
206
citas e tártaros (Josefo, Vol.1.6.1). Meseque converteu-se graficamente em<br />
Tubal é o moderno nome de Tobolsk, uma das principais cidades russas.<br />
Gômer, Togarma (Ez 38.6). Gômer veio a Germânia e modernamente a<br />
Alemanha, corresponde a Armênia e Turquia.<br />
Persas, etíopes. Pute (Ez 3 8.5). A Pérsia tem o moderno nome Ira. Ela adotou<br />
este nome em 1935. Em 1932 ela firmou um acordo com Moscou, que em caso<br />
de guerra as forças da Rússia terão permissão de cruzar seu território para<br />
atacar a Mesopotâmia. Segundo esta profecia de Ezequiel 3 8.5, o Irá tornar-seá<br />
comunista ou pró-comunista. A Etiópia moderna é fácil localizar pelo seu outro<br />
nome: Abissínia. A Etiópia original ficava na bacia dos rios Tigre e Eufrates (Gn<br />
2.14). Daí seus habitantes emigraram para a África e fundaram o extenso reino<br />
da Etiópia, do qual hoje a Abissinia é uma pequena fração. Etiópia é palavra<br />
grega; em hebraico é Cuxe ou Cush. Os etíopes originaram muitos povos<br />
africanos. Pute é a atual Líbia, vizinha do Egito. A Pute primitiva era uma região<br />
muito mais extensa. Esses dois últimos povos (líbios e etíopes) são também<br />
mencionados na profecia de Daniel 11.43, pertinente ao assunto em pauta.<br />
MOTIVOS DA INVASÃO DE ISRAEL POR GOGUE<br />
Os motivos da invasão de Israel por Gogue serão principalmente dois: as<br />
riquezas de Israel, inclusive as do Mar Morto (Ez 38.11,12), e a posição<br />
estratégica que Israel ocupa.―Assim diz o Senhor Deus: Esta é Jerusalém; pu-la<br />
no meio das nações e terras que estão ao redor dela. ― (Ez 5.5).<br />
207
Gogue será derrotado no próprio pais de Israel (Ez 39.4,5). Será uma<br />
sobrenatural intervenção divina (Ez 38.1 9,20). Haverá também rebelião entre as<br />
próprias tropas atacantes (Ez 38.2 1). Tremendos flagelos sobrenaturais<br />
atingirão em cheio o inimigo (Ez 3 8.22). O morticínio será incalculável (Ez 39.1<br />
2).<br />
Muitos confundem esta guerra de Gogue e seus aliados contra Israel, com a<br />
Batalha de Armagedom, de que tratamos noutra Lição. Há muita diferença entre<br />
os dois conflitos. O ataque de Gogue contra Israel começará no início da<br />
70ª ―semana‖ de Daniel 9.27, isto é, no início da Grande Tribulação (ou um<br />
pouco antes). Já o Armagedom ocorrerá no final da―semana ―. Na invasão de<br />
Israel por Gogue, apenas um grupo de nações participará; já no Armagedom<br />
participarão ―todas as nações‖ (Ap 16.14; 19.19; JL 3.2; Zc 12.3b; 14.2-4,9).<br />
Na época da invasão de Israel por Gogue, o bloco de dez nações, na área do<br />
antigo Império Romano, já está formado, e o Anticristo em evidência, ocultando<br />
sua verdadeira identidade e propósito.<br />
A queda total e irrecuperável de Gogue e seus aliados, originará um tremendo<br />
vazio e desequilíbrio na liderança do poder político e bélico mundial. O vazio<br />
deixado pela queda de Gogue deixará o caminho aberto para o surgimento<br />
imediato do Anticristo no cenário mundial, como líder e salvador da crítica<br />
situação mundial.<br />
208
CONVERSÃO EM MASSA DE JUDEUS.<br />
Como resultado da intervenção divina salvando miraculosamente Israel, os<br />
judeus e as nações da Terra reconhecerão que há um Deus que governa todas<br />
as coisas. ―Manifestarei a minha glória entre as nações, e todas as nações verão<br />
o meu juízo, que eu tiver executado, e a minha mão, que sobre elas tiver<br />
descarregado. Desse dia em diante, os da casa de Israel saberão que eu sou o<br />
Senhor seu Deus. ―(Ez 39.21,22). Isso resultará na conversão de muitos judeus<br />
e no derramamento do Espírito Santo.<br />
O CUMPRIMENTO PARCIAL DA PROMESSA DO ESPÍRITO SANTO<br />
Em Joel 2.20, vemos o Senhor destroçando o exército invasor que vem do norte,<br />
e, no versículo 28, temos a promessa do derramamento do Espírito Santo. Essa<br />
promessa cumpriu-se parcialmente no Dia de Pentecoste (At 2.16,17). Por que<br />
dizemos parcialmente? - Por duas razões: primeiro, em Joel 2.28 fala de<br />
derramar ―O‖ Espírito, o que significa um derramamento pleno. Já em Atos 2.17,<br />
a Palavra fala de derramar ―DO‖ Espírito, o que significa um derramamento<br />
parcial. São pequenas palavras que alteram grandemente o sentido habitual das<br />
coisas.<br />
Segundo, no Dia de Pentecoste, e desde então, não se cumpriram os sinais<br />
preditos em Joel 2.30,31, os quais ocorrerão somente durante a Grande<br />
Tribulação (Mt 24.29; Ap 6.12-14; At 2.19,20). Haverá, portanto, um grande<br />
despertamento espiritual entre os judeus, resultando em muitas conversões.<br />
209
Leia Joel 2.31,32, atentando bem para a conjunção ligando o versículo 31 ao<br />
32.<br />
―Então sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações,<br />
por causa do meu nome.‖ (Mt 24.9). Esta última referência é muitas vezes<br />
aplicada à Igreja, quando na verdade trata-se de Israel nesse tempo, e dai para<br />
a frente. O derramamento do Espírito Santo que teve inicio entre os judeus, no<br />
Dia de Pentecoste, foi interrompido, mas, terá então pleno cumprimento, e<br />
precederá de fato o ―Dia do SENHOR‖ (At 2.17,20).<br />
OS 144.000 JUDEUS SALVOS DURANTE A GRANDE TRIBULAÇÃO<br />
Esta obra começará nesse tempo. Serão selados por anjos de Deus. Esse selo,<br />
refere-se certamente ao que está descrito em Apocalipse 14.1, isto é, os<br />
144.000 são representantes das tribos. Certamente dentre eles sairão os<br />
missionários que levarão ao mundo a Palavra de Deus, conforme afirma a<br />
profecia de Isaias 66.1 9. Eles substituirão a Igreja na obra de testemunhar de<br />
Deus. Deus nunca ficou sem testemunho, nem mesmo durante a apostasia de<br />
Israel (1 Rs 19.19; Rrn 11.5). A mensagem que eles pregarão não é o<br />
Evangelho que conhecemos, mas o chamado ―evangelho do reino‖ (Mt 24.14), o<br />
qual anuncia a iminente volta do Salvador à Terra e o julgamento das nações<br />
impenitentes. Esse Evangelho foi anunciado por João Batista (Mt 3.2), por Jesus<br />
(Mt 4.23), e pelos doze apóstolos (Mt 10.7); mas, como os judeus rejeitaram o<br />
Rei, o Evangelho passou a ser anunciado a todas as nações (Mt 28.19).<br />
As palavras de Jesus em Mateus 10.23, sem dúvida referem-se a esse tempo<br />
em que os judeus pregarão o Evangelho antes da Sua volta. Os pormenores do<br />
210
contexto da passagem em foco, mostram tratar-se de eventos futuros. ―Quando,<br />
porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos<br />
digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho<br />
do homem.‖ O resultado do testemunho dos judeus durante a Grande Tribulação<br />
vê-se na grande multidão salva dentre todas as nações, na época da Tribulação<br />
(Ap 6.9-1 1; 7.9). Os mensageiros de Deus sofrerão muito (Mt 24.9). O<br />
Evangelho do reino é constituído de ensino, pregação e milagres (Mt 4.23).<br />
Logo, haverá muito milagre.<br />
Muita gente fica chocada por não ver despertamento espiritual em Israel<br />
atualmente. Ora, a Bíblia revela que primeiro virá o despertamento nacional,<br />
político. Isto está acontecendo perante os nossos olhos, hoje (Ez 37.1-8). Depois<br />
é que virá o despertamento espiritual (Ez 37.9-14).<br />
Por que dizemos parcialmente? - Por duas razões: primeiro, em Joel 2.28 fala de<br />
derramar ―O‖ Espírito, o que significa um derramamento pleno. Já em Atos 2.17,<br />
a Palavra fala de derramar ―DO‖ Espírito, o que significa um derramamento<br />
parcial. São pequenas palavras que alteram grandemente o sentido habitual das<br />
coisas.<br />
Segundo, no Dia de Pentecoste, e desde então, não se cumpriram os sinais<br />
preditos em Joel 2.30,31, os quais ocorrerão somente durante a Grande<br />
Tribulação (Mt 24.29; Ap 6.12-14; At 2.19,20). Haverá, portanto, um grande<br />
despertamento espiritual entre os judeus, resultando em muitas conversões.<br />
Leia Joel 2.31,32, atentando bem para a conjunção ~ ligando o versículo 31 ao<br />
32.<br />
211
―Então sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações,<br />
por causa do meu nome.‖ (Mt 24.9). Esta última referência é muitas vezes<br />
aplicada à Igreja, quando na verdade trata-se de Israel nesse tempo, e dai para<br />
frente. O derramamento do Espírito Santo que teve inicio entre os judeus, no Dia<br />
de Pentecoste, foi interrompido, mas, terá então pleno cumprimento, e<br />
precederá de fato o ―Dia do SENHOR‖ (At 2.17,20).<br />
A GRANDE TRIBULAÇÃO<br />
O TIPO DE PAZ QUE A TERRA GOZARÁ NESSA ÉPOCA<br />
As passagens bíblicas supracitadas e outras semelhantes, falam da paz e<br />
prosperidade que a Terra experimentará no princípio do governo centralizado da<br />
Besta. Daniel 11.36 diz que o seu govemo será próspero. Ela convencerá o<br />
mundo de que está raiando a era da paz e do progresso com que a humanidade<br />
sonhava. A política, a religião, a economia, e a ciência, serão suas metas<br />
principais. A ciência atingirá um ponto nunca alcançado. Todo esse progresso<br />
será falso, porque será superficial e durará pouco. Logo depois, a Besta revelará<br />
seu verdadeiro caráter maligno, ao mesmo tempo em que os juízos<br />
desencadeados do Céu, sob os selos, as trombetas e as taças registrados nos<br />
capítulos 6 a 18 de Apocalipse, porão tudo a descoberto, mostrando que as<br />
multidões foram completamente iludidas.<br />
212
O CAVALEIRO E SEU CAVALO (Apocalipse 6.2)<br />
O cavalo e sua cor branca, falam da conquista, vitória e paz. O cavalo nas<br />
guerras antigas era elemento de primeira necessidade. O arco do cavaleiro fala<br />
do longo alcance e amplitude de seus empreendimentos. A sua arrancada será<br />
a princípio, vitorioso, inclusive porque não enfrentará qualquer protesto e<br />
oposição da verdadeira Igreja. Nesse tempo ela já estará na glória com o<br />
Senhor.<br />
A coroa, o cavalo branco e a arrancada vitoriosa do Anticristo, tudo fala dele<br />
como o falso messias e solucionador das crises mundiais. Seu governo será a<br />
falsificação do milênio de Cristo. Sim, ele imita o Cristo verdadeiro, que monta<br />
outro cavalo branco. ―Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro<br />
se chama Fiel e Verdadeiro, e julga e peleja com justiça.‖ (Ap 19.11).<br />
Cristo quem abre o selo, conforme o versículo 1 que, juntamente com o<br />
versículo 2, tratam do cavaleiro e seu cavalo branco. O branco aí representa a<br />
paz e a prosperidade que o Anticristo a princípio promoverá. Além disso, os<br />
componentes de uma comitiva de Cristo, é de se esperar que sejam de melhor<br />
qualidade, e não como os que são vistos no capítulo 6 de Apocalipse. A comitiva<br />
de Cristo é de exércitos do Céu (Ap 19.14). Já aqui, em Apocalipse 6.3-8 vemos<br />
uma comitiva macabra, aterradora, infernal. No versículo 4 vemos discórdia, luta<br />
e morte. Logo, o cavaleiro e seu cavalo branco, em Apocalipse 6.2, falam da<br />
falsa paz e prosperidade mundial que o Anticristo forjará e apresentará ao<br />
mundo, ao emergir no cenário internacional (1 Ts 5.3).<br />
213
O NÚMERO DA BESTA: 666<br />
A Besta terá um nome, no momento desconhecido. O número resultante desse<br />
nome será 666 (Ap 13.17,18).<br />
Três coisas a Bíblia diz sobre a Besta: seu nome, número e marca. No<br />
momento, só o seu número nos é revelado: 666. A pessoa e o nome serão<br />
revelados após o arrebatamento da Igreja (2 Ts 2.7,8). Portanto, os que estão<br />
aguardando o arrebatamento da Igreja, não necessitam saber disso agora; os<br />
que aqui ficarem saberão ... O número repartido três vezes no nome da Besta,<br />
fala da suprema exaltação do homem, cujo número na numerologia bíblica é 6.<br />
As três vezes, pode significar o homem exaltando-se a si mesmo como se fosse<br />
Deus, como está dito em 2 Tessalonicenses 2.4. O número do Deus trino é 3.<br />
Quanto a Besta ter número, convém notar que as nações mais adiantadas<br />
projetam pôr em prática um sistema de números permanentes para todos os<br />
cidadãos, a partir do nascimento ou da naturalização, visando o controle total da<br />
população. Os computadores já estão fazendo isso, controlando animais e<br />
mercadorias. Entramos na era em que tudo será controlado à base de números.<br />
Em todos os países já há muita coisa controlada à base de números<br />
permanentes.<br />
ASSIM SERÁ A GRANDE TRIBULAÇÃO<br />
A palavra tribulação significa literalmente comprimir com força, como se faz com<br />
as uvas no lagar, ou com a cana de açúcar na moenda. A tribulação aqui<br />
214
tratada, abrange o período da ascendência e governo do Anticristo. O<br />
termo tribulum, da latim, também leva ao mesmo sentido.<br />
DURAÇÃO DA GRANDE TRIBULAÇÃO<br />
A Grande Tribulação abrangerá um período de sete anos, dos quais os piores<br />
serão os últimos três anos e meio. Quanto a esse período, diz a Escritura:<br />
―Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará<br />
.em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um<br />
tempo, dois tempos e metade dum tempo.‖ (Dn 7.25).<br />
―Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para<br />
agir quarenta e dois meses; e abriu a boca em blasfêmias contra Deus> para lhe<br />
difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu.‖ (Ap<br />
13.5,6).<br />
O sofrimento nesse tempo será de tal monta que, se durasse mais tempo<br />
ninguém escaparia com vida. ―porque nesse tempo haverá grande tribulação,<br />
como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá<br />
jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, e ninguém seria salvo, mas.,<br />
por causa dos escolhidos tais dias serão abreviados.―(Mt 24.21,22).<br />
215
A PIOR FASE DA GRANDE TRIBULAÇÃO<br />
A primeira menção bíblica da tribulação está em Deuteronômio 4.30: ―Quando<br />
estiveres em angústia, e todas estas cousas te sobrevierem nos últimos dias, e<br />
te voltares para o Senhor teu Deus, e lhe atenderes a voz. Outras passagens<br />
que podem ser lidas agora, são: Dt 31.29; Is 13.9-13; 34.8; Ez 20.33-37; Jr<br />
30.5,11; Dn 12.1; JJ 1.15. Como já dissemos, a pior fase da Grande Tribulação,<br />
será quando o Anticristo romper sua aliança feita com os judeus, e começar a<br />
persegui-los. Tal fato ocorrerá quando ele exigir adoração e os judeus<br />
recusarem oferecê-la. Os ―santos‖ perseguidos pela Besta, referidos em Daniel<br />
7.2 1,25 e Apocalipse 13.7, são, em primeiro plano.<br />
Ao romper sua aliança com os judeus, o Anticristo romperá também com a igreja<br />
apóstata, da qual ele recebeu apoio enquanto necessitou da sua influência para<br />
galgar o poder, e a destruirá (Ap 17.16). Ele destruirá a igreja falsa para<br />
implantar a nova forma de adoração dele mesmo.<br />
Apesar da Grande Tribulação visar em primeiro lugar os judeus, o mundo todo<br />
sofrerá os seus efeitos Jr 25.29-32; Ap 13.7,8). Deus entrará em juízo com o<br />
Seu antigo povo,_para expurgalo e levá-lo ao arrependimento e conversão (Ez<br />
20.33-39; Jr 30.7; Zc 14.2a; 13.8,9 12.9; Rm 11.26,27; Mt 23.39).<br />
A descrição mais detalhada e completa que temos da Grande Tribulação é a que<br />
se encontra em Apocalipse, capítulos 6 a 18. Os capítulos 6 a 9 abrangem a<br />
primeira parte, chamada Tribulação. Os capítulos 10 a 18 abrangem a segunda<br />
parte, denominada Grande Tribulação. Esta última parte é referida em<br />
Apocalipse e Daniel como ―quarenta e dois meses ―,―um tempo, dois tempos e<br />
216
metade de um tempo‖ e ―mil duzentos e sessenta dias‖ (Ap 11.2,3;<br />
12.6,7,14; 13.5; Dn 7.25).<br />
É nesse tempo de justiça divina que as sete piores pragas, sob as taças de<br />
juízo, serão derramadas na Terra, como vemos em Apocalipse, capítulos 15 e<br />
16. Nesse tempo, as forças da natureza que operam nos Céus entrarão em<br />
convulsão (Mt 24.29; Jl 2.20). É interessante notar em Apocalipse, a partir do<br />
capítulo 6, quantas vezes os Céus são mencionados como palco de tremendos<br />
eventos.<br />
Em Isaias 13.11, Deus afirma: ―Castigarei o mundo por sua maldade, e os<br />
perversos por causa da sua iniqüidade; farei cessar a arrogância dos atrevidos><br />
e abaterei a soberba dos violentos.‖<br />
Talvez porque nesse tempo de apostasia, o povo não crerá no Inferno (como<br />
milhões fazem hoje), haverá nesse mesmo tempo uma amostra do Inferno para<br />
eles, durante cinco meses. Apocalipse 9.1-6 dá conta disso.<br />
HAVERA SALVAÇÃO DURANTE A GRANDE TRIBULAÇÃO?<br />
Muitos perguntam: ―Haverá salvação durante a Grande Tribulação?‖ Sim,<br />
haverá. É fácil provar biblicamente. Uma única passagem como a de Apocalipse<br />
7.14 bastaria para isso. ―Respondi-lhe: meu Senhor tu o sabes. Ele, então, me<br />
disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras, e as<br />
alvejaram no sangue do Cordeiro. ‗A melhor tradução deste texto é a de Almeida<br />
Revista e Atualizada.<br />
217
O verbo ―vir‖ está de fato no tempo presente. Outras passagens que evidenciam<br />
a salvação durante a Tribulação: Ap 6.9-1 1;12,17; 7.9-11; 15.2; 20.4; JI 2.32,<br />
diz: ―E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo;<br />
porque no monte Sião e em Jerusalém estarão os que forem salvos, assim como<br />
o Senhor prometeu, e entre os sobreviventes aqueles que o Senhor chamar‖.<br />
COMO HAVERÁ SALVAÇÃO NESTA ÉPOCA?<br />
Muitos objetam aqui, dizendo: Como pode haver salvação nessa época quando<br />
a dispensação da Graça terá findado e o Espírito Santo terá arrebatado a Igreja?<br />
Perguntar assim é ignorar o plano de Deus através da Bíblia, para com o homem<br />
que Ele criou. A esta pergunta respondemos com outra pergunta: Como o povo<br />
se salvava antes da dispensação da Graça, e, como operava o Espírito Santo<br />
nessa época? O povo salvava-se pela fé no Redentor prometido que havia de<br />
vir. Isso era também salvação pela graça (At 15.11; Ef 1.4; 1 Pe 1.19,20; Ap<br />
13.8). Eles também tinham o Evangelho (Gl 3.8; Hb 4.2).<br />
Agora, uma coisa é certa: as condições espirituais prevalecentes durante a<br />
Tribulação, não serão favoráveis como hoje. Tremendas trevas espirituais<br />
envolverão o mundo. Haverá também oposição sem paralelo. Não poderá ser de<br />
outra maneira, pois trata-se do reino do Anticristo. Poderá haver, sim, salvos<br />
dentre os judeus e os gentios, todavia será muito difícil isto acontecer.<br />
Em Apocalipse 6.9-11 e 7.9-11, vemos uma multidão de gentios salvos no Céu,<br />
porém saídos da Terra, após sofrerem martírio. No meio dessa multidão estarão<br />
aqueles que não subiram no arrebatamento, e, despertados por tal fato,<br />
decidirão permanecer fiéis, a despeito de toda e qualquer prova e sofrimento.<br />
Sim, haverá santos durante a Grande Tribulação.<br />
218
AS DUAS TESTEMUNHAS (AP 11)<br />
Durante os negros dias da Tribulação haverá duas testemunhas especiais da<br />
verdade divina, profetizando aqui na Terra (Ap 11.3-12). Esses dois homens<br />
serão intocáveis até que cumpram a sua missão (Ap 11.7). Ambos serão mortos<br />
pela Besta. Comparando-se Zacarias 4.11-14 com Apocalipse 11.4, vê-se que<br />
essas duas testemunhas estão agora no Céu. Devem ser Enoque e Elias, do<br />
Antigo Testamento. Ambos não passaram pela morte (Gn 5.24 e 2 Rs 2.11).<br />
Moisés não pode ser um deles, pois morreu (Dt 34.5,6). E, aos homens está<br />
ordenado morrerem apenas uma vez (Hb 9.27); ao passo que essas<br />
testemunhas ainda morrerão aqui.<br />
O fato não é relevante para a Igreja do Senhor, uma vez que quando essas duas<br />
testemunhas atuarem aqui, a Igreja já estará com Cristo na glória. Certamente a<br />
permanência de Enoque e Elias no Céu (se são eles), em corpos fisicos, são<br />
casos especiais. As palavras ―Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de<br />
lá desceu, a saber o Filho do homem‖, de João 3.13, têm sentido diferente<br />
daquele que geralmente se pensa. Significam subir ao Céu por seu próprio<br />
poder.<br />
O MILÊNIO EM RELAÇÃO À IGREJA<br />
No Milênio a Igreja estará glorificada com Cristo. Ela é o Seu povo especial,<br />
como povo espiritual. ―o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda<br />
a iniqüidade e purificar para si um povo especial, zeloso de boas obras.‖ (Tt 2.14<br />
- ARC). Já Israel é um povo especial de Deus, para uma missão<br />
terrena. ―Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te<br />
escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há<br />
sobre a terra. ―(Dt 7.6).<br />
219
A IGREJA ESTARÁ GLORIFICADA NO MILÊNIO<br />
A Igreja estará glorificada com Cristo na Jerusalém celeste (Cl 3.4; 1 Pe 5.1; Rm<br />
8.17,18). Vemos assim, mais uma vez, que o Milênio será uma época de<br />
manifestação da glória de Deus: glória da Jerusalém celeste, glória no templo<br />
milenial, e glória na Igreja. Essa glória divina, o homem perdeu ao cair (Rm<br />
3.23), mas com o advento de Jesus em Belém, ela começou a ser-lhe<br />
restaurada (Lc 2.9,14).<br />
Os salvos virão à Terra sempre que quiserem. Teremos um corpo como o de<br />
Cristo ressurreto, que se locomovia sem limitações (Fp 3.21; Jo 20.19, 26;<br />
Lc 24.15,31).<br />
O CONHECIMENTO DE DEUS SERÁ UNIVERSAL<br />
O conhecimento divino, abundante durante o Milênio, não virá primordialmente<br />
pelo estudo. Será antes intuitivo (Is 11.9; Jr 3 1.34; Hc 2.14). Isso será<br />
maravilhoso! Os judeus, por sua vez, continuarão levando a efeito um grande<br />
movimento missionário (Is 66.19). Conforme Isaias 52.7, a evangelização estará<br />
em primeiro plano. Aí trata-se da pregação das boas-novas. Multidões serão<br />
salvas. A população da Terra crescerá rapidamente sob as benignas condições<br />
do Milênio. Se não houvesse salvação durante o Milênio, este seria uma<br />
decepção.<br />
220
A ÚLTIMA REVOLTA DE SATANÁS<br />
No final da execução do plano de Deus para este mundo, ocorrerão três grandes<br />
conflitos ou guerras. O primeiro é o que está registrado em Ezequiel, capítulos<br />
38 e 39. Um bloco de nações chefiadas pela nação do ―Norte‖ invadirá Israel no<br />
início da Tribulação (ou um pouco antes). Deus intervirá de maneira sobrenatural<br />
a favor de Israel e os atacantes serão totalmente destruídos.<br />
O segundo conflito armado é o de Zacarias 14.1-4; Joel 3.9,12 e Apocalipse<br />
16.13-16; 19.11-21. Aqui, o Anticristo chefiando todas as nações do mundo<br />
avança para exterminar Israel e lutar contra Deus. O Senhor Jesus então<br />
descerá do Céu e destruirá todos os exércitos atacantes.<br />
O Anticristo e seu Falso Profeta serão lançados vivos no lago de fogo e enxofre,<br />
e Satanás ficará preso por mim anos. Isso ocorrerá no final da Grande<br />
Tribulação.<br />
O terceiro conflito está descrito em Apocalipse 20.7-10. Aqui Satanás engana e<br />
subverte as nações contra Deus. Deus então derramará fogo do Céu e<br />
consumirá a todos. Satanás será lançado no seu lugar definitivo: o lago de fogo<br />
e enxofre. Isso se dará no final do Milênio. Desta maneira, os que nascerem<br />
durante o Milênio terão uma oportunidade de escolha: obedecer a Deus ou ao<br />
diabo. No princípio da história humana Adão teve tal oportunidade. Agora, no<br />
final da história humana, o homem igualmente tê-la-á. Será a última rebelião que<br />
Satanás instigará contra Deus.<br />
221
―Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão<br />
e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e<br />
Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do<br />
mar (Ap 20.7,8).<br />
QUEM É GOGUE E MAGOGUE, EM APOCALIPSE 20.8?<br />
Gogue e Magogue, em Apocalipse 20.8, são as nações rebeladas contra Deus,<br />
instigadas por Satanás, e conduzindo um furioso ataque contra os santos. Não<br />
se trata absolutamente de Gogue e Magogue relatados em Ezequiel, capítulos<br />
38 e 39. Vejamos na página seguinte as razões disso num quadro comparativo.<br />
POR QUE SATANÁS SERA SOLTO<br />
Após mil anos de paz, justiça e prosperidade para todos, sem o Tentador, este<br />
volta às suas atividades malignas.<br />
―Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão<br />
e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e<br />
Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do<br />
mar. Marcharam, então, pela superficie da terra e sitiaram o acampamento dos<br />
santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo,<br />
o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se<br />
encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados<br />
de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. ―(Ap 20.7-10).<br />
222
O Por que Dessa Soltura Momentânea Vejamos algo do por que disso; dessa<br />
liberdade tão curta de Satanás:<br />
Provar os que nasceram durante o Milênio. Lembremo-nos de que nem Jesus<br />
foi isento de tentação.<br />
Revelar que o coração humano não convertido, permanece inalterado,<br />
mesmo sob o reino pessoal do Filho de Deus. Hoje em dia o homem culpa o<br />
diabo por suas maldades, infortúnios, transgressões e quedas. Durante o Milênio<br />
não haverá diabo nenhum para tentar, mas ver-se-á que os mil anos de bênçãos<br />
inigualáveis sob Cristo, não transformará o homem. O problema não é de<br />
ambiente; é de coração.<br />
Demonstrar que Satanás é totalmente incorrigível. Veja que após passar mil<br />
anos na prisão, Satanás é o mesmo de sempre.<br />
Será essa uma revolta mundial. Aqueles que atualmente gostam de revoltas e<br />
de promovê-las, assim como contendas, divisões, rebeliões, saibam que tudo<br />
isso procede do Inferno. Essa úl tima revolta de Satanás será imediatamente<br />
neutralizada e os revoltosos, exterminados (Ap 20.9).<br />
Demonstrar pela última vez quão pecaminosa é a natureza humana, e que o<br />
homem por si mesmo jamais se salvará, mesmo sob as melhores condições. O<br />
homem falhou antes, sob todas as condições favoráveis possíveis; sob a Lei e a<br />
Graça, e, agora sob as condições gloriosas do Milênio. Esse fracasso final do<br />
homem é uma explicação de Tiago 1.14, onde vemos que o mal é residente,<br />
imanente em nós. Somos pecadores por natureza. A inclinação para pecar é<br />
223
imanente no homem, desde que nasce (Sl 58.3; 51.5). Só o sangue de Jesus<br />
Cristo pode purificar-nos de todo pecado (1 Jo 1.7).<br />
O JULGAMENTO DOS ANJOS CAÍDOS<br />
É consentâneo crer que os anjos decaídos, tanto os livres que trabalham agora<br />
para Satanás, como os aprisionados ‖... para o juízo do grande Dia...‖ (Jd v. 6) e<br />
ainda os demônios, serão julgados juntamente, com o diabo, a quem eles<br />
acompanharam, obedeceram e serviram (Ap 20.10; 2 Pe 2.4; Jd v. 6; Lc 8.3 1;<br />
Mt 8.29).<br />
A Igreja certamente estará associada neste juízo, pois travou renhido combate<br />
contra o diabo e suas hostes. E, pois justo que a Igreja os julgue também. ―Não<br />
sabeis que havemos de julgar os próprios anjos?... ―(1 Co 6.3). Este evento<br />
marcará o ponto final da libertação de ação do diabo, dos anjos decaídos e dos<br />
demônios. É o final da sua carreira maligna (Mt 25.41).<br />
O JUÍZO FINAL<br />
Nessa ocasião os ímpios falecidos, de todas as épocas, ressuscitarão com seus<br />
cornos literais e imortais, porém carregados de pecado (Ap 20.1 1-15; Mt 10.28).<br />
Esse julgamento será para aplicação de sentenças, pois o pecador já está<br />
condenado desde quando não crê no Filho de Deus como seu Salvador. João<br />
3.18, diz: ―Quem nele crê não é julgado; o que não crê á está julgado, porquanto<br />
não crê no nome do unigênito Filho de Deus.‖<br />
O GRANDE TRONO BRANCO<br />
224
―Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença<br />
fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.<br />
―Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono.<br />
Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os<br />
mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava<br />
escrito nos livros.‖<br />
(Ap 20.1 1,12). 1. ―De cuja presença fugiram a terra e o céu‖ At 20.11). Assim<br />
como o sol, ao nascer, ofusca a lua e as estrelas, e estes parecem recuar para o<br />
infinito, e não podem ser vistos devido a superior claridade do sol, o mesmo<br />
ocorrerá com a Terra e o Céu quando o Filho de Deus se manifestar na Sua<br />
excelsa glória para julgar os mortos. É a glória que eles (os mortos) se privaram<br />
de participar quando em vida escolheram viver no pecado. No Juízo das<br />
Nações, que ocorreu antes do Milênio, Jesus fez o mesmo ante os vivos,<br />
aparecendo cheio de glória e majestade (Mt 24.30; 25.31). 2. ―Os mortos, os<br />
grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono‖(Ap 20.12).<br />
―Grandes‖ e ―pequenos‖ aí, têm a ver com importância, posição, prestígio,<br />
influência, e não com tamanho ou idade. Veja à luz do original os seguintes<br />
contextos: Ap 11.18; 13.16; 19.5,18; Mt 10.42; At 8.10; 26.22.<br />
225
O JULGAMENTO E OS LIVROS NO CÉU<br />
―... Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os<br />
mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava<br />
escrito nos livros.‖ (Ap 20.12).<br />
ALGUNS DESSES LIVROS DEVEM SER:<br />
O livro da consciência<br />
(Rm 2.15; 9.1).<br />
O livro da natureza<br />
(Jó 12.7-9; Rm 1.20; S119.1-4).<br />
O livro da Lei<br />
(Rm 2.12); Ora, a Lei revela o pecado (Rm 3.20).<br />
O livro do Evangelho<br />
(Rm 2.16; Jo 12.48).<br />
O livro da nossa memória<br />
(Lc 16.25: ―Filho, lembra-te... ―); Mc 9.44 (aí deve ser uma alusão ao remorso<br />
constante no Inferno. Ver o contexto: versículos 44-48).<br />
Ler ainda Jr 17.1).<br />
O livro dos atos dos homens<br />
(Ap 20.12; Mc 12.36; Lc 12.7; Ml 3.16).<br />
O livro da vida<br />
(Ap 20.12; Sl 69.28; Dn 12.1; Le 10.20; I p43).<br />
226
Do ―livro da vida‖ nessa ocasião é certamente para provar aos céticos julgados,<br />
que seus nomes não se encontram nele (Mt 7.22,23).<br />
OS QUE MORRERAM SEM CONHECER O EVANGELHO<br />
Quanto aos que morreram sem conhecer o Evangelho, deixemos com Deus.<br />
Sendo Deus perfeito em justiça como é, terá uma lei para julgar os que pecaram<br />
sem lei, isto é, sem conhecerem a lei (Rm 2.12). De uma coisa estejamos certos:<br />
diante de Deus ninguém é inocente, inclusive os pagãos (Rm 2.15; 10.18; Is<br />
5.3b; S119.3,4; Já 12.7-9). O ―Juiz de toda a terra‖ saberá fazer justiça (Gn<br />
18.25). Só Ele é o juiz dos que morreram (Àt 10.42); e a Bíblia assegura que o<br />
juízo de Deus é ―segundo a verdade‖ (Rm 2.2), e que os juízos de Deus são<br />
verdadeiros e justos (Apocalipse 16.7).<br />
A RENOVAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA<br />
Satanás, seus anjos e demônios, ainda não estão ocupando o Inferno final, mas<br />
este já está preparado para eles (Mt 25.41). Desde que Satanás foi expulso do<br />
Céu, com os anjos que o seguiram na sua rebelião contra Deus, o espaço tem<br />
sido a sede de suas atividades, e a Terra, o seu principal campo (Ef 2.2; 6.12; Jó<br />
2.2). Durante a Grande Tribulação, ele foi expulso dos céus estelares para a<br />
Terra (Ap 12.8,9,12b).<br />
Uma vez Satanás lançado no lago do fogo e enxofre, Deus começará<br />
estabelecer o Seu reino eterno.<br />
227
NOVOS CÉUS E NOVA TERRA<br />
―Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido<br />
entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição<br />
dos homens ímpios.‖<br />
―Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com<br />
estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e<br />
as obras que nela existem serão atingidas.‖<br />
―Visto que todas essas cousas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como<br />
os que vivem em santo procedimento e piedade,‖<br />
―esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus,<br />
incendiados, serão desfeitos, e os derreterão.‖<br />
―Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos<br />
quais habita justiça.‖ (2 Pe 3.7,10-1 3).<br />
Somente obras humanas serão consumidas (Hb 12.27; 2 Pe 3.10). O mesmo<br />
Deus que preservou a sarça, de se consumir (Ex 3.2), e tornou imune ao fogo os<br />
três jovens hebreus (Dn 3.25), também pode preservar o povo salvo, saído do<br />
Milênio e tudo mais que Ele quiser, durante esta expurgação final dos Céus e da<br />
Terra. ―Ponho as minhas palavras na tua boca e te protejo com a sombra da<br />
minha mão, ara que eu estenda novos céus, onde nova terra e dia a Sião: Tu és<br />
o meu povo.‖ (Is 51.16)<br />
228
Quando o juízo divino caiu sobre o Egito por oprimir o povo de Deus, enquanto<br />
os primogênitos dos egípcios eram mortos, os judeus eram preservados pela<br />
providência divina através do sangue protetor (Êx 12.23). Milagre idêntico<br />
ocorrerá aqui.<br />
POR QUE CÉUS E NÃO SOMENTE TERRA SERÃO EXPURGADOS?<br />
Já dissemos que o espaço sideral está contaminado pela ocupação de Satanás<br />
e seus agentes (Jó 15.15; Mt 13.4,19; Ec 10.20). Assim vemos que esse ato<br />
divino extinguirá o pecado do universo todo. Aqui se cumprirá integralmente<br />
João 1.29: ―... Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!‖ Mundo aí,<br />
é kosmos no original, que na Bíblia implica não somente a humanidade, mas o<br />
próprio mundo físico em que ela habita, como já mostramos anteriormente.<br />
Cumprir-se-á então também, plenamente, Mateus 5.5: ―Bem-aventurados os<br />
mansos, porque herdarão a terra.‖ Não será uma Terra como a atual em que o<br />
pecado domina, mas aquela de que estamos tratando (S1 37.11,29; 115.16).<br />
Nesse tempo haverá perfeita harmonia entre o Céu e a Terra. ―e que, havendo<br />
feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo<br />
mesmo todas as co usas, quer sobre a terra, quer nos céus.‖ (Cl 1.20). Nesse<br />
tempo ―céu e terra hão de ser a mesma grei ―, como bem diz o poeta saqro. Sim,<br />
porque o muro de separação (o pecado), já foi desfeito totalmente.<br />
O ETERNO E PERFEITO ESTADO<br />
Durante Seu ministério terreno, Jesus fez menção de uma nova era que há de<br />
vir na consumação do atual sistema mundial; mas é nos capítulos 21 e 22 de<br />
229
Apocalipse que se encontram literalmente descritas as glórias desta maravilhosa<br />
era, quando Deus será tudo em todas as coisas. Aqui finda o tempo na história<br />
humana e começa g ―dia eterno‖, conforme 2 Pedro 3 18 (ou ―dia da<br />
eternidade ―, como registra a Versão Revista e Corrigida). A santa cidade de<br />
Jerusalém celestial baixará de vez sobre a Terra - a nova Terra, tendo seu<br />
relevo totalmente diferente, como jã mencionamos neste livro (Ap 2 1.2,10).<br />
Todas as coisas terão sido restauradas (At 3.21), enquanto que a Igreja, em<br />
estado de glória e felicidade eternas, governará a Terra sob o senhorio de Cristo<br />
(Dn 7.18,27).<br />
AS PERFEIÇÕES DO ETERNO E PERFEITO ESTADO<br />
SANTIDADE PERFEITA.<br />
―... Nunca mais haverá qualquer maldição‖(Ap 22.3). Isto é, não haverá mais<br />
pecado, o que resultará em santidade perfeita. Foi o pecado que trouxe toda<br />
sorte de maldição (Gn 3.17; Gl 3.13).<br />
GOVERNO PERFEITO.<br />
―... Nela (a Nova Jerusalém), estará o trono de Deus e do Cordeiro‖(Ap 22.3). O<br />
homem não tem sabido, nem podido governar bem a Terra. Todas as tentativas<br />
humanas nesse sentido fracassaram: os gregos, através da cultura; os romanos,<br />
através da força e da justiça; os governantes dos nossos tempos, através da<br />
ciência e da olítica. Mas Cristo exercera um governo perfeito, no Seu tempo.<br />
230
SERVIÇO PERFEITO.<br />
―... Os seus servos o servirão‖ (Ap 22.3). O maior privilégio do homem é servir a<br />
Deus. O trabalho de Deus será então perfeito. Culto perfeito. Atividades<br />
perfeitas. Certamente, a partir daí será ocupado o infinito Universo. Quantas<br />
maravilhas não aguardam os salvos!?<br />
VISÃO PERFEITA.<br />
―Contemplarão a sua face... ―(Ap 22.4). Somente com uma visão perfeita será<br />
isso possível. O que não será uma só mirada no seu rosto? Aqui neste mundo,<br />
servos dificilmente (e talvez nunca) vêem a face de seus senhores, chefes de<br />
nações, mas nós veremos o Senhor face a face.<br />
IDENTIFICAÇÃO PERFEITA.<br />
―... e na sua fronte está o nome dele. ―(Ap 22.4). Nome, na Bíblia, fala de caráter;<br />
daquilo que a pessoa de fato é. Haverá então uma perfeita identificação entre<br />
Deus e os Seus remidos. O sumo sacerdote levava gravadas numa lâmina de<br />
ouro puro, sobre a sua coroa sagrada, as palavras: ―... Santidade ao Senhor‖ (Êx<br />
39.30), mas naquela época de santidade perfeita, o próprio nome de Deus<br />
estará sobre a fronte dos Seus.<br />
ILUMINAÇÃO PERFEITA.<br />
―Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do<br />
sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles...‖ (Ap 22.5). O nosso<br />
231
conhecimento será então perfeito dentro do plano humano, serão ofuscadas<br />
pelo superior e abundante conhecimento divino (1 Co L1.12).<br />
A Bíblia menciona ainda uma sucessão de eras futuras. ―para mostrar-nos<br />
séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para<br />
conosco, em Crista Jesus.‖ (Ei 2.7). E como são insondáveis as riquezas de<br />
Cristo! (Ef 3.8). Certamente nessas eras bíblicas futuras, o imenso universo,<br />
com seus milhões e milhões de planetas, serão ocupados, pois Deus criou todas<br />
as coisas para determinados fins, segundo o Seu eterno plano e propósito. Deus<br />
será então tudo em todos, conforme está escrito em 1 Coríntios 15.28, e, para<br />
sempre continuará o eterno e perfeito estado.<br />
232
QUARTO MÓDULO<br />
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO ANTIGO<br />
TESTAMENTO<br />
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO NOVO<br />
TESTAMENTO<br />
NOVO TESTAMENTO<br />
INTRODUÇÃO<br />
O Cristianismo, desde o seu início, focalizou principalmente a pessoa de Cristo,<br />
antes que os seus ensinos. Essa pessoa sempre ocupou o primeiro plano, o que<br />
muito natural, especialmente nas epístolas do apóstolo Paulo, onde se<br />
encontram doutrinas tão maravilhosas acerca da pessoa de Cristo. Isto, porém,<br />
em nada pode diminuir a grandeza do corpo de doutrinas que Cristo mesmo<br />
ensinou. Este exame ligeiro das ideias que constituem o mundo intelectual e<br />
religioso em que Jesus esteve, mostraram quão ingrata era a terra em que Ele<br />
havia de lançar as sementes do verdadeiro Reino de Deus. Não é de admirar,<br />
pois, o não ser compreendidas pelo povo.<br />
233
DEFINIÇÃO<br />
Teologia do Novo Testamento é o ramo das disciplinas cristãs que seguem<br />
determinados temas através de todos os autores do NT, e que depois funde<br />
esses quadros individuais num só conjunto abrangente. Estuda, portanto, a<br />
revelação progressiva de Deus em termos da situação vivencial na ocasião da<br />
escrita, e depois delineia o fio subjacente que une todos os dados.<br />
A HISTÓRIA DA TEOLOGIA NO NOVO TESTAMENTO<br />
Analisaremos o processo progressivo da Teologia do NT, no transcorrer da<br />
história.<br />
A IDADE MÉDIA.<br />
Durante a Idade Média, o estudo bíblico esteve completamente subordinado ao<br />
dogma eclesiástico. A teologia Bíblica foi usada apenas para reforçar os ensinos<br />
dogmáticos da Igreja, os quais eram fundamentados na Bíblia e na tradição da<br />
Igreja. A Bíblia era interpretada pela tradição histórica e a Igreja a considerava<br />
como fonte da teologia dogmática.<br />
234
A REFORMA.<br />
Os reformadores reagiram contra o caráter não Bíblico da teologia dogmática e<br />
insistiram em que a teologia deve estar fundamentada apenas na Bíblia.<br />
Berkhof 1 diz que o lema dos reformadores era: "A Igreja não determina o que as<br />
Escrituras ensinam, mas as Escrituras determinam o que a Igreja deve ensinar".<br />
O princípio fundamental era: "Scriptura Scripturae interpres, isto é, a Escritura é<br />
intérprete da Escritura". 2 ESCOLASTICISMO ORTODOXO.<br />
Os resultados obtidos pelos estudos históricos da Bíblia, realizados pelos<br />
reformadores, logo se perderam no período imediatamente após a reforma, e a<br />
Bíblia foi mais uma vez utilizada sem uma perspectiva crítica e histórica, para<br />
servir de apoio à doutrina ortodoxa. A história foi completamente absorvida pelo<br />
dogma e a filologia tornou-se um ramo da dogmática.<br />
O ENSINO DE JESUS SEGUNDO OS EVAGELHOS SINÓTICOS<br />
A ATITUDE DE JESUS PARA COM O JUDAÍSMO<br />
Já foi observado que Cristo baseou os seus ensinos no Antigo Testamento. Ele<br />
veio, não para principiar uma coisa nova, mas para continuar uma obra já bem<br />
adiantada. Cristo não trouxe o propósito de introduzir uma religião nova;<br />
1 Louis BERKHOF. Princípios de Interpretação Bíblica. Ed. Cultura Cristã. 2000., p. 24.<br />
2 Idem.<br />
235
considerando porém, que havia no judaísmo duas correntes bem diversas, e que<br />
a grande maioria do povo acompanhava uma dessas correntes, a qual se ia<br />
desviando cada vez mais do eterno propósito de Deus.<br />
A RELIGIÃO JUDAICA ERA PROVISÓRIA E PREPARATÓRIA<br />
Na sua grande obra de salvação Deus sempre adaptou a sua ação às condições<br />
em que se achava o povo que queria salvar. Isto era necessário porque a<br />
salvação é sempre um ato moral, inteiramente ao alcance das pessoas a salvar.<br />
A religião judaica era por natureza provisória e preparatória, foi adaptada ao pvo<br />
daquele tempo, Mt 5.27-29,39,39.<br />
JESUS CUMPRIU A LEI NA SUA VIDA<br />
Em primeiro lugar, Jesus cumpriu perfeitamente a lei na sua vida pessoal. Tudo<br />
o que a lei exigia e tinha como alvo Ele satisfez e realizou plenamente na sua<br />
vida; seu caráter satisfez o mais alto ideal da lei. Nunca transgrediu a lei porque<br />
nunca viveu no baixo plano em que ela operava.<br />
A RELAÇÃO DO ANTIGO PARA O NOVO<br />
Diante disto perguntará alguém: "Então o Antigo Testamento perdeu o seu<br />
valor?" De modo nenhum. Será que a flor nada tem com o fruto? Como é que se<br />
há de compreender o fruto sem a flor? Como é que se há de compreender o<br />
homem sem o presente sem o passado? A objeção não tem razão de ser. O<br />
plano de Deus é um só. O princípio é tão necessário como o fim para a<br />
compreensão do plano todo.<br />
236
O REINO DE DEUS<br />
JESUS APARECEU ANUNCIANDO O REINO DE DEUS<br />
Jesus apareceu no meio do seu povo anunciando o evangelho do Reino<br />
de Deus, Mt 4.17. Esta frase é uma das mais comuns usadas por Jesus. Sem<br />
dúvida alguma, representa um dos seus ensinos mais fundamentais. De acordo<br />
com o evangelho segundo Marcos, Jesus começou a anunciar o seu evangelho,<br />
dizendo que o Reino de Deus estava próximo, Mc 1.16. Indaguemos agora qual<br />
é a verdadeira significação desta frase "O Reino dos Céus".<br />
AS DUAS FRASES "REINO DE DEUS" E "REINO DOS CÉUS”<br />
O que significa, pois, "Reino de Deus"? A idéia de um reino cujo rei é Deus é<br />
uma idéia muito comum no Antigo Testamento, e tem uma história longa. Vem<br />
ela dos primeiros tempos do povo judaico. Por isto precisamos em primeiro lugar<br />
estudar a sua relação para com o Antigo Testamento, para com a história do<br />
povo judeu.<br />
A CONCEPÇÃO DOS JUDEUS A RESPEITO DO REINO DE DEUS<br />
O pensamento religioso do povo judaico estava saturado com a idéia de um<br />
Reino de Deus. A idéia de uma teocracia achava-se impregnada na vida da<br />
nação judaica, influenciando todo o povo, Êx 19.5,6. Apesar desta expressão, "o<br />
237
Reino de Deus" não ocorrer no Antigo Testamento, a idéia verifica-se em toda a<br />
extensão da atividade profética.<br />
Há uma dupla ênfase sobre a soberania real de Deus.<br />
Ele é frequentemente referido como o Rei, tanto de Israel,<br />
(Êx 15.19; Nm 23.21; Dt 33.5; Is 43.15.)<br />
Como o Rei de toda a terra,<br />
(2 o Rs 19.15; Is 6.5; Jr 46.18; Sl 29.10; 99.1-4.)<br />
Isto leva à conclusão de que, embora Deus seja Rei, ele deve também tornar-se<br />
Rei, ou seja manifestar a sua soberania real no mundo dos homens e das<br />
nações.<br />
O judaísmo apocalíptico também possuía diversos tipos de esperança. Alguns<br />
escritores enfatizaram o aspecto terreno, histórico do Reino, ao passo que<br />
outros enfatizaram os aspectos mais transcendentais. Entretanto a ênfase é<br />
sempre escatológica.<br />
A comunidade de Qumran partilhava de uma esperança semelhante<br />
concernente ao Reino.<br />
A literatura rabínica desenvolveu uma escatologia semelhante, mas fez um<br />
pouco mais uso do termo "o reino dos céus". O Reino de Deus foi considerado<br />
como o domínio de Deus - o exercício de sua soberania.<br />
238
O REINO DOS CÉUS<br />
A expressão "o reino dos céus", aparece em Mateus, onde é mencionada<br />
cerca de trinta e quatro vezes. Várias vezes em Mateus, e em vários lugares no<br />
restante do Novo Testamento, a expressão "reino de Deus", é usada. O ―reino<br />
dos céus", é uma expressão semítica, na qual o vocábulo "céus" é um termo<br />
usado em substituição ao nome "divino" - Lc 15.18. Na realidade, ambas as<br />
expressões "o reino de Deus" e "o reino dos céus", raramente foram usadas na<br />
literatura judaica antes dos dias de Jesus.<br />
O REINO ESCATOLÓGICO<br />
É a vinda do Reino de Deus, Mt 6.10, ou seu aparecimento, Lc 19.11, que<br />
assinalará o fim da Era Presente e inaugurará a Era Vindoura.<br />
A vinda do reino de Deus significará a destruição total e final do diabo e seus<br />
anjos, Mt 25.41.<br />
A formação de uma sociedade redimida que não se mistura com o mal, Mt<br />
13.36-43.<br />
Comunhão perfeita com Deus no banquete messiânico, Lc 13.28,29.<br />
239
O FILHO DO HOMEM E O FILHO DE DEUS<br />
Acabamos de estudar a significação das frases: "Reino de Deus" e "Reino dos<br />
Céus"; temos agora para nossa consideração, duas outras expressões ainda<br />
mais difíceis de interpretar, a que são: "Filho do Homem" e "Filho de Deus".<br />
AS REFERÊNCIAS À FRASE "FILHO DO HOMEM"<br />
Que significam essas duas frases em relação a Jesus Cristo? Tomemos<br />
primeiramente esta, como assunto de nossa consideração. Os evangelhos<br />
sinóticos, tomando em apreço a sua relação para com o Antigo Testamento nos<br />
três primeiros livros, dividem-os em três classes de referências feitas a Jesus<br />
como Filho do homem:<br />
Em um grupo de passagens, onde se emprega esta expressão, faz-se referência<br />
à vida de Jesus aqui na terra, Mc 2.10, 28; Mt 8.20; Lc 19.10.<br />
Noutro grupo, a referência é aos sofrimentos e morte de Jesus, Mc 8.31; 9,31;<br />
Mt 14.21.<br />
E a última frase tem referência à Segunda vinda de Jesus, Mt 24.31; Mt 25.31.<br />
Diante destes três grupos de passagens, naturalmente levanta-se a questão da<br />
verdadeira significação da frase "Filho do homem".<br />
240
O FILHO DO HOMEM NOS EVANGELHOS SINÓTICOS<br />
O uso da expressão filho do homem nos sinóticos pode ser classificado em três<br />
categorias distintas: o Filho do Homem servindo na terra; o Filho do Homem no<br />
sofrimento e morte; o Filho do Homem na glória escatológica.<br />
O FILHO DO HOMEM TERRENO<br />
Mt 9.6; Mc 2.10; Lc 5.24<br />
Mc 2.27; Mt 12.8; Lc 6.5<br />
Mt 11.19=Lc 9.58<br />
Mt 8.20=Lc 9.58<br />
Autoridade para perdoar pecados.<br />
O Senhor do Sábado.<br />
O filho do homem veio comendo e<br />
bebendo.<br />
O Filho do homem não tem onde<br />
reclinar sua cabeça.<br />
O FILHO DO HOMEM SOFREDOR<br />
Mc 8.31; Lc 9.22<br />
Mc 9.12; Mt 17.12<br />
Mc 10.45; Mt 20.28<br />
Mc 14.41; Mt 26.45<br />
O Filho do Homem deve sofrer.<br />
O Filho do Homem irá sofrer.<br />
O Filho do Homem veio para servir e<br />
dar a sua vida.<br />
O Filho do Homem é entregue nas<br />
mãos dos pecadores.<br />
241
O FILHO DO HOMEM APOCALÍPTICO<br />
Mc 8.38; Mt 16.27; Lc 9.26<br />
Mc 13.16; Mt 26.64; Lc 22.69<br />
Lc 12.40; Mt 24.44<br />
Lc 17.24; Mt 24.27<br />
Sua vinda na glória do seu Pai com os<br />
santos anjos.<br />
Verão o Filho do Homem vinda nas<br />
nuvens e com grande glória.<br />
O Filho do Homem virá numa hora em<br />
que ninguém o espera.<br />
Como o relâmpago cruza o céu, assim<br />
será o Filho do Homem no seu dia.<br />
O FILHO DE DEUS<br />
A expressão messiânica ―Filho de Deus‖, é a mais importante no estudo da autorevelação<br />
de Jesus. Na história do pensamento teológico, esta expressão<br />
conota a divindade essencial de Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, ou seja,<br />
Deus o Filho, a Segunda pessoa da trindade divina.<br />
O título mais comum pelo qual Jesus é designado nos evangelhos sinóticos é o<br />
de "Filho do Homem". É somente no evangelho de João, que encontramos<br />
freqüentemente o outro título de "Filho de Deus".<br />
242
O SIGNIFICADO DA FRASE "FILHO DE DEUS"<br />
HÁ PELO MENOS QUATRO MODOS DIFERENTES:<br />
Uma criatura de Deus pode ser denominada o filho de Deus em virtude de dever<br />
sua existência à atividade criativa imediata de Deus - Lc 3.38; Êx 4.22;<br />
Esta expressão pode ser usado para descrever a relação que os homens podem<br />
manter com Deus como os objetos peculiares do seu cuidado amoroso. Êx 4.22.<br />
em todo o Novo Testamento, este conceito é carregado de um significado mais<br />
profundo, ao se fazer menção dos cristãos em termos da filiação para com<br />
Deus, quer por nascimento, Jo 3.3; 1.2; ou pela adoção, Rm 8.14,19; Gl 3.26;<br />
4.5.<br />
Este terceiro significado é messiânico; o rei da linhagem de Davi é designado de<br />
filho de Deus, 2 o Sm 7.14.<br />
E o quarto é teológico. Esta expressão Filho de Deus na teologia cristã, veio a<br />
Ter um significado mais elevado; Jesus é o Filho de Deus porque ele é Deus e<br />
participa da natureza divina. Este é o propósito do apóstolo João ao escrever<br />
seu evangelho. Fazendo uma análise mais consciente, vemos que Jesus, como<br />
o Filho de Deus, o Logos, era pessoalmente preexistente, ele era Deus, e<br />
encarnou-se com o propósito de revelar Deus aos homens.<br />
243
A NATUREZA HUMANA E O PECADO<br />
JESUS CONHECIA O HOMEM<br />
Jesus nunca discutiu formalmente a origem e a natureza do homem, contudo as<br />
suas referências ao homem são tantas e tais que podemos fundamentar nelas a<br />
doutrina do homem. Jesus conhecia o homem como nenhum outro o conheceu,<br />
Jo 2.25.<br />
JESUS VIU NA HUMANIDADE UMA MISTURA DE BEM E MAL<br />
Sem dúvida Jesus viu no homem ou na humanidade uma mistura de bem e do<br />
mal; por isso que Ele sempre condenava o mal e procurava estimular o bem.<br />
Zaqueu era um publicano, homem indigno, sem valor. Porém, Jesus viu nele um<br />
homem de muito valor. - Lc 19.1-10.<br />
O HOMEM IMORTAL<br />
Jesus também ensinou que o homem era imortal, embora não falasse muito da<br />
vida além-túmulo. Porém, o que Ele disse é o suficiente para estabelecer o fato<br />
da existência de uma vida além desta. - Mc 12.18-27.<br />
JESUS CORRIGE DOIS ERROS DOS SADUCEUS:<br />
Refuta a idéia de que a vida além túmulo seja uma alongamento aqui na terra.<br />
Corrige sua falsa concepção dos mortos nos tempos passados - v. 27.<br />
244
O PECADO<br />
Vejamos agora o que Jesus diz acerca do pecado. Como no caso deo homem,<br />
Jesus não discute a origem ou a natureza do pecado; mas reconhece que o<br />
pecado é problema muito sério.<br />
O PECADO É UNIVERSAL<br />
Jesus ensinou que o pecado é universal. É verdade que Ele fala de certas<br />
pessoas que não necessitam de arrependimento, mas essas pessoas eram<br />
justas só aos seus próprios olhos, Lc 15.7; 11.4; Mt 7.11;<br />
O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO<br />
Note-se, portanto, que o único pecado que não pode ser perdoado é o pecado<br />
contra o Espírito Santo, o qual consiste em negar ao Espírito Santo o poder de<br />
regenerar a alma do a homem. Aquele que negasse ao pão o poder de matar a<br />
fome, à água o poder de matar a sede e, conseqüentemente, não se utilizasse<br />
desses elementos e no caso de outros não haver, morreria irremediavelmente<br />
de fome e sede.<br />
245
A VERDADEIRA JUSTIÇA<br />
A LEI É A BASE ANTIGA DA JUSTIÇA<br />
Quando Jesus veio ao mundo, prevalecia a idéia de uma justiça muito diferente<br />
daquela que Ele viera pregar e exemplificar na sua vida. A justiça do fariseu era<br />
uma justiça legalista, adquirida pelo indivíduo mediante obediência às exigências<br />
da letra da lei. Era a justiça própria da pessoa que a possuía.<br />
Para o fariseu a lei era a pedra de toque de tudo. Quem estava bem com a lei e<br />
as suas exigências, estava bem em tudo.<br />
JESUS MUDOU A BASE<br />
Quando, porém, Jesus veio, substituiu essa relação para com a lei, isto é, a<br />
relação pessoal que o homem tem para com Deus e para com a humanidade -<br />
Lc 10.26,27. Em vez da lei então, como base da justiça, temos as duas grandes<br />
relações pessoais, uma com Deus e outra com a humanidade. Jesus<br />
estabeleceu, portanto, a justiça em outras bases, em bases pessoais. Substituiu<br />
a relação legalista pela relação pessoal; a lei, por Deus e a humanidade.<br />
O AMOR É A ESSÊNCIA DA JUSTIÇA<br />
No transferir a questão da justiça de uma relação legal para uma relação<br />
pessoal, Jesus afirmou que o coração é a usina donde sai a força que dá<br />
246
cumprimento às exigências das relações pessoais, segundo Deus, que é o<br />
amor. Lc 10.27; Mt 5.23,24,48. Segundo a concepção de Cristo não só todo o<br />
mandamento, mas toda a lei resumem-se no amor. - Mt 22.36-40.<br />
A VERDADEIRA JUSTIÇA<br />
É evidente destas considerações que Jesus achava a verdadeira justiça, não<br />
nos simples atos, mas nos móveis desses atos, na condição do coração do que<br />
executava. É verdade que Cristo exige bom procedimento, porém, reconhece<br />
que o bom caráter é a base e exclusiva garantia de boa conduta. Quem não é<br />
bom de coração não pode realmente praticar o bem, Mt 7.17,18.<br />
A LEI CUMPRIDA<br />
É fácil ver deste ponto de vista, a idéia de Jesus quanto ao cumprimento da lei.<br />
Já discutimos. É verdade, este assunto, porém, é bem oportuno lembrarmos-nos<br />
que o cumprimento da lei por Jesus, alcançou exatamente tudo quanto a lei<br />
visava. A lei, por exemplo, visava o estabelecimento de boas relações entre os<br />
indivíduos, ou a humanidade em geral.<br />
A LEI RITUAL<br />
Era justamente essa lei ritual que mais pesava, e influenciava a vida judaica, no<br />
tempo de Cristo. - Mt 23.4,24; 5.23,24. Ele veio para cumprir e não para destruir.<br />
Jesus visava sempre a condição do coração, que realmente servia de fundo a<br />
todas as questões da lei. Jesus queria converter em realidade o ideal da lei.<br />
247
A SALVAÇÃO MESSIÂNICA<br />
A idéia de mais realce que nos aparece no Novo Testamento é a da Salvação. -<br />
Lc 19.10. Esta salvação é oferecida por Jesus Cristo debaixo de certas<br />
condições.<br />
A missão messiânica de Jesus tinha como seu objetivo a preparação dos<br />
homens para o Reino de Deus futuro. Jesus constantemente lançou os seus<br />
olhares para a vinda do Reino escatológico, quando o julgamento final irá<br />
efetivar uma separação entre os homens, justos entrando para a vida e bênção<br />
do Reino, e os ímpois para o estado de punição. A igreja primitiva considerou a<br />
morte de Jesus como um dos eventos mais essenciais à realização de sua<br />
missão. – 1 a Co 15.1-3.<br />
O EVENTO DA CRUCIFICAÇÃO.<br />
Historicamente, a morte de Jesus foi uma tragédia relativa a um homem que foi<br />
apanhado pelos poderes da força política. Jesus havia incorrido na hostilidade<br />
mortal dos escribas e fariseus por rejeitar a interpretação que faziam da lei, o<br />
que implicava na destruição do fundamento do judaísmo rabínico como um todo.<br />
Como mestre religioso, ele foi uma ameaça à religião farisaica e sua<br />
popularidade com o povo o tornou paulatinamente perigoso, Jo 11.47,48.<br />
Quando o sinédrio condenou Jesus sob acusação de blasfêmia, Mc 14.64,<br />
estavam agindo de acordo com a compreensão que os seus membros possuíam<br />
do Antigo Testamento.<br />
248
PREDIÇÕES DA PAIXÃO<br />
Os evangelhos representam Jesus como predizendo claramente a sua paixão. O<br />
registro do Evangelho faz da confissão e Pedro, em Cesaréia de Filipe, um<br />
ponto divisório em seu ministério. Esta instrução sobre a sua morte iminente<br />
tornou-se um elemento importante no ensino dos dias subseqüentes, Mc<br />
9.12,31; 10.33; Mt 17.12; 20.18,19; Lc 17.25.<br />
A MORTE DE JESUS É MESSIÂNICA<br />
Essa conclusão é parcialmente deduzida da evidência já citada de que Jesus<br />
considerou a sua morte como elemento essencial em seu ministério totalmente<br />
em parte da linguagem usada em suas predições a respeito dos seus<br />
sofrimentos, Mc 8.31. A dádiva de sua vida é o objetivo para o qual Jesus veio; a<br />
consumação e o propósito de sua missão messiânica são incorporados no ato<br />
de entregar a sua vida, Mc 10.45.<br />
A MORTE DE JESUS É EXPIATÓRIA<br />
O significado redentor da morte de Jesus pode ser observado na declaração<br />
sobre o seu caráter expiatório encontrado em, Mc 10.45. Aqui estão inserido<br />
dois conceitos:<br />
249
A VIDA - o filho do homem dará a sua vida (psyche), por muitos;<br />
O RESGATE - e a idéia de resgate é (lutron), que envolvia o preço para redimir<br />
um escravo da servidão. Este conceito era comum no mundo helenista.<br />
A MORTE DE JESUS É SUBSTITUTIVA<br />
A morte de Jesus não é somente redentora; a expiação é realizada por meio da<br />
substituição. Um elemento substitutivo deve ser reconhecido tanto no conceito<br />
geral envolvido como na linguagem particular empregada.<br />
A MORTE DE JESUS É SACRIFICIAL<br />
A morte de Cristo não apenas redime por meio da substituição; é também uma<br />
morte sacrificial. A descrição do servo sofredor em Isaías 53, tem em vista o<br />
servo de Deus derramando sua alma como uma oferta pelo pecado, Is 53.10.<br />
A MORTE DE JESUS É ESCATOLÓGICA<br />
A morte de Jesus tem um significado escatológico, Mc 14.25. Sua morte cria<br />
uma nova esfera de comunhão, que será completamente realizada apenas no<br />
Reino de Deus escatológico. - 1 Co 11.26. A objeção de que este ensino sobre<br />
uma morte sacrificial e redentora dificilmente pode ser considerado como parte<br />
autêntica do ensino do Senhor, porque não tem consonância com o corpo de<br />
seu ensino a respeito da natureza de Deus e não pode ser afirmada e mantida<br />
de modo bem sucedido.<br />
250
A MORTE DE JESUS UMA VITÓRIA<br />
Algumas poucas declarações encontradas em João suscitam um outro<br />
aspecto no que tange ao significado da morte de Jesus. Já vimos que no âmago<br />
da missão de Jesus estava uma luta espiritual com os poderes do mal. A morte<br />
de Jesus significa que o dominador deste mundo é "lançado para fora‖, ou<br />
expulso - Jo 12.31.<br />
A IGREJA<br />
Em nosso estudo sobre o reino de Deus aprendemos que o reino era - e ainda é<br />
- um reino espiritual. Segundo a idéia predileta de Jesus, o reino não está tanto<br />
sobre nós como em nós.<br />
INDICAÇÕES DE QUE JESUS PRETENDIA CONSTRUIR A IGREJA<br />
Muito cedo no seu ministério, Jesus revelou a sua intenção de formar ou fundar<br />
uma sociedade composta das pessoas dentro do reino de Deus; porque Ele<br />
sabia que a vida pujante e poderosa da comunhão do homem com Deus, tinha<br />
necessidade de possuir um meio pelo qual pudesse manifestar-se clara e<br />
eficazmente ao mundo.<br />
A Igreja é o plano de Deus para unir toda a raça humana numa nova raça salva,<br />
por Jesus Cristo.<br />
251
1. A primeira indicação de que Jesus tencionava fundar a igreja, achar-se<br />
no modo dEle chamar alguns dos seus discípulos para O seguirem<br />
nas suas viagens evangelística. - Mc 1.18-20.<br />
2. Essa intenção de fundar uma igreja tornou-se ainda mais clara quando<br />
Jesus escolheu doze homens para estarem constantemente com Ele. -<br />
Lc 6.12-16.<br />
3. Também as exigências feitas por Jesus aos seus seguidores mostram<br />
que as suas intenções eram muito sérias e severas. - Mt 8.19-22;<br />
10.37-39.<br />
252
PARTE II<br />
A TEOLOGIA DE JOÃO<br />
INTRODUÇÃO<br />
Nos capítulos a respeito da missão e ensino de Jesus fizemos uso<br />
primariamente dos Evangelhos Sinóticos, com referência somente ocasional ao<br />
Quarto Evangelho. As diferenças entre João e os Sinóticos não devem ser<br />
encobertas. Tais diferenças na teologia são corolários às diferenças<br />
relacionadas a problemas de introdução.<br />
Seu Ministério » Sinóticos » Galiléia João » Jerusalém<br />
Páscoa » Sinóticos » 1 vez João » 3 vezes = 2.13;<br />
6.4; 13.1.<br />
Omissão do 4 o Evangelho:<br />
João:<br />
a. o nascimento de Jesus;<br />
b. o batismo;<br />
c. a transfiguração;<br />
d. a expulsão de demônios;<br />
e. a agonia no Getsêmane;<br />
f. a última ceia;<br />
g. o discurso no Monte das Oliveiras.<br />
Sinóticos:<br />
Mt; Lc;<br />
253
O uso literário, e estilo do grego, são pontos que revelam esta diferença entre os<br />
Sinóticos e o 4 o Evangelho.<br />
Por outro lado, ênfases Joaninas mais distintivas estão ausentes nos Sinóticos.<br />
Talvez a expressão peculiar mais distintiva de João seja a declaração [ego eimi]:<br />
"Eu sou o pão da vida", 6.35; "a luz do mundo", 8.12; "a porta", 10.7; "o bom<br />
pastor", 10.11; "a ressurreição e a vida", 14.6; "a videira verdadeira", 11.25;<br />
"antes que Abraão fosse, eu sou", 8.58.<br />
A DIVERSIDADE E UNIDADE DA BÍBLIA<br />
Quem tiver examinado, ainda que não muito profundamente, a Bíblia, há de ter<br />
notado duas coisas: a sua diversidade e a sua unidade. Do ponto de vista da<br />
sua diversidade o Novo Testamento divide-se naturalmente em seis grandes<br />
divisões:<br />
1. Os Evangelhos;<br />
2. O 4 o Evangelho e as cartas de João;<br />
3. Os Atos dos Apóstolos, as cartas de Pedro e Tiago;<br />
4. As cartas do apóstolo Paulo;<br />
5. A carta aos Hebreus;<br />
6. O Apocalipse.<br />
É tarefa da Teologia Bíblica definir bem as peculiaridades de cada uma destas<br />
grandes divisões, explicando os diversos tipos de ensino e os pontos de vista<br />
que se encontram nas Escrituras Sagradas.<br />
254
A PESSOA DE CRISTO, O CENTRO DE SUA TEOLOGIA<br />
Destas peculiaridades a primeira que queremos notar, é que para João a pessoa<br />
de Cristo é o centro de tudo. Na realidade Cristo é o centro de toda a teologia<br />
das diversas porções, ou livros, que compõem a Bíblia; há, porém, algumas<br />
diferenças no conceito.<br />
1. Na teologia de Paulo, a obra de Cristo, especialmente o sacrifício da<br />
cruz, é onde este vê toda a glória de Deus - Gl 6.14;<br />
2. Mas a ênfase de João é na própria pessoa de Cristo que se vê<br />
realmente a face e a glória de Deus. "quem me vê a mim vê o Pai" -<br />
Jo 14.9b. É a grande impressão que a própria pessoa de Cristo fez<br />
em João, que domina toda a sua teologia.<br />
O DUALISMO JOANINO<br />
Outra peculiaridade de João era a de pensar por antíteses e contrastes.<br />
Uma espécie de dualismo caracteriza os seus escritos. É bom notar, porém, que<br />
o seu dualismo não é um dualismo metafísico, mas um dualismo moral, que todo<br />
o mundo pode observar na vida cotidiana e também na história da raça humana,<br />
desde o seu começo.<br />
255
OS DOIS MUNDOS<br />
O dualismo dos Evangelhos Sinóticos é horizontal: um contraste entre duas eras<br />
- a era presente e a era vindoura.<br />
O dualismo de João é vertical, um contrates entre dois mundos - o mundo<br />
superior (de cima) e o mundo inferior (de baixo) - Jo 8.23. Os Sinóticos<br />
contrastam esta era com a era vindoura, e sabemos, através do uso Paulino,<br />
que "este mundo", pode ser um equivalente à expressão "esta era", em<br />
contraste com o mundo de cima. "Este mundo", é visto como mal, tendo o diabo<br />
como seu governante, 16.11. Jesus veio para ser a luz deste mundo, 11.9. A<br />
autoridade de sua missão não procede "deste mundo", mas do mundo de cima -<br />
de Deus, 18.36.<br />
OUTRAS EXPRESSÕES DUALÍSTICAS EM JOÃO:<br />
1. Trevas e Luz - 1.5; 8.12; 9.5; 11.9; 12.35,36,46.<br />
2. Carne e Espírito - 1.13,14; 3.6,12; 4.24; 6.63.<br />
3. Kosmos - é importante compreender o uso que ele faz da palavra<br />
"mundo", kosmoskosmos 3 - "ordem criada", 17.5,24; e a "terra em<br />
particular", 11.9; 16.21; 21.25.<br />
3<br />
1) o universo, o mundo (a soma das coisas criadas); a terra<br />
habitadas; os habitantes da terra toda; a raça humana; "a massa da humanidade<br />
ímpia, alienada de Deus e hostil à causa de Cristo" - Thayer; "afazeres mundanos, o<br />
agregado de bens, riquezas, vantagens, prazeres, etc., que embora ocos, vãos e<br />
passageiros estimulam a cobiça e constituem obstáculo a Cristo" - Thayer; "o padrão<br />
256
4. Por metonímia, kosmos pode designar não apenas o mundo, mas<br />
também aqueles que habitam o mundo: o gênero humano, 12.19;<br />
18.20; 7.4; 14.22. observe esta expressão: "o mundo inteiro vai após<br />
ele", 12.19, significa que Jesus assegura uma grande resposta.<br />
PECADO É DESCRENÇA<br />
Descrença em Cristo é uma outra manifestação de uma aversão básica por<br />
Deus. A presença de Jesus entre os homens trouxe a aversão deles por Deus a<br />
uma crise de tal forma que ela tornou-se claramente evidenciada como aversão<br />
por Cristo, 3.22-24; 8.24. Sendo assim, o pecado da descrença inflexível, por si<br />
mesma condena o homem a uma separação eterna de Deus. Por esta razão, o<br />
crer em Cristo (―pisteuoeis "), 20.31, recebe forte ênfase.<br />
Em João a palavra é encontrada treze vezes nas palavras de Jesus e<br />
vinte e nove vezes na interpretação de João. Descrença é essência do pecado,<br />
16.9; 3.36.<br />
A CONCEPÇÃO DA RELIGIÃO<br />
Resulta claro à luz destas considerações que João nos deu uma<br />
concepção puramente espiritual e ética da religião, e não uma concepção de<br />
formalidades e cerimônias. Como já notamos, o seu evangelho ensina que<br />
"Deus é Espírito", e qualquer um em qualquer tempo e lugar, pode adorá-lo<br />
da vida pagã" - Hort; "adorno". W.C.TAYLOR. Dicionário do Novo Testamento<br />
Grego. (doravante denominado de DNTG). Ed. JUERP. 1991., p. 121.<br />
257
desde que o faça "em espírito e verdade". Quase nada João disse a respeito das<br />
instituições, nem da igreja. Não mencionou a instituição da Ceia, e as<br />
referências que fez ao batismo estavam quase todas relacionadas com o<br />
batismo de João.<br />
DUALISMO GREGO<br />
O dualismo de João deve ser discutido contra o fundo contextual do dualismo<br />
grego, incluindo o gnosticismo e o dualismo judaico recentemente descoberto,<br />
conforme evidências da literatura de Qunran. De acordo com a pensamento<br />
filosófico de Platão, há dois versos nos quais se verifica a existência - o<br />
fenomenal e o numeral: o mundo mutável, transitório, visível e o mundo invisível,<br />
eterno, que é a esfera de ação de Deus. "Salvação" é para aqueles que<br />
dominam suas paixões; e, por ocasião da morte, suas almas serão libertadas de<br />
sua escravidão terrena, corpórea, a fim de, libertas, desfrutarem uma<br />
imortalidade abençoada. Filo seguindo esta perspectiva, ensinou que a<br />
libertação da escravidão terrena era resultado do conhecimento de Deus e do<br />
mundo; mas, ao passo que Platão atingia este conhecimento por meio do<br />
raciocínio dialético, Filo, em seu lugar, colocou a profecia, a revelação na Lei de<br />
Moisés.<br />
No gnosticismo plenamente desenvolvido, a matéria é ipso facto má, e o homem<br />
somente pode ser salvo mediante a recepção da gnosis concedida por um<br />
redentor, que desceu ao mundo inferior, ascendendo, depois, ao mundo mais<br />
elevado.<br />
258
A RELAÇÃO DE JESUS PARA COM DEUS<br />
INTRODUÇÃO<br />
O próprio evangelista declara o propósito de seu escrito: "Mas estes<br />
foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e,<br />
crendo, tenham vida em seu nome". 20.31 (NVI). Se o tempo presente foi<br />
adotado, o propósito de João é confirmar os cristãos em sua fé em Jesus como<br />
o Messias e Filho de Deus face às interpretações errôneas que estavam<br />
surgindo na Igreja. A CRISTOLOGIA é central ao livro, pois a vida eterna<br />
depende de um correto relacionamento com Jesus Cristo.<br />
A DOUTRINA DO VERBO OU LOGOS 4<br />
Uma das doutrinas mais distintivas do 4 o Evangelho é a doutrina do Logos, ou<br />
do Verbo - 1.1,14. O termo "Verbo", é empregado por João para designar a<br />
preexistência de Jesus, e porque ele não tomou tempo para explicá-lo torna-se<br />
evidente que ele já era mais ou menos conhecido do povo naquele tempo.<br />
A FRASE "FILHO DE DEUS" SIGNIFICA RELAÇÃO ESPECIAL<br />
4 A idéia do Logos recua aos tempos do filósofo Heráclito (VII séc. 500 a.C.). Ele<br />
ensinou que todas as coisas estavam em um estado de fluxo constante, que nada<br />
permanece o mesmo. Para ele, logos pode significar "discurso", "preleção didática", i.<br />
é, "ensino", e até mesmo "reputação". No mundo Gr. Secular, a palavra logos já<br />
assumiu uma significância para o pensamento especulativo muito antes da sua<br />
terminologia ter sido definida com mais exatidão. Colin BROWN. Dicionário<br />
Internacional de Teologia do Novo Testamento. (doravante denominado de<br />
DITNT). Edições Vida Nova. 1989., p. 392. Para uma análise mais acurada desta<br />
palavra na terminologia filosófica.<br />
259
O título Filho de Deus, com suas modificações, é aplicado a Jesus cerca de<br />
trinta vezes no evangelho de João, umas vinte nas suas epístola.<br />
Ninguém pode ler o Evangelho de joão sem chegar à conclusão de que a<br />
relação entre Jesus e o Pai é toda especial, é uma relação natural e metafísica,<br />
e não simplesmente uma ralação moral ou ética. Os homens podem ser feitos<br />
filhos de Deus, mas Jesus foi, é e será sempre Filho de Deus. - 1.12; 10.30;<br />
17.5,21;<br />
O TÍTULO NÃO É MESSIÂNICO ENTRE OS JUDEUS<br />
Este título "filho de Deus", não era geralmente usado entre os judeus com<br />
referência ao Messias. Como sabemos, a idéia do povo judaico a respeito do<br />
Messias era bem outra. O povo esperava um homem guerreiro, como Davi.<br />
Como o Filho ideal de Deus, Jesus aplica a si mesmo este título, a fim de<br />
revelar a sua relação única e toda especial com o Pai. "Cristo", é um título<br />
messiânico, "Filho de Deus", é uma designação pessoal e não oficial.<br />
260
A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO<br />
INTRODUÇÃO<br />
Uma das diferenças mais destacadas entre os Sinóticos e o Quarto Evangelho é<br />
o lugar que João da ao Espírito Santo, especialmente no sermão do cenáculo<br />
com seu ensino singular a respeito do Paráclito.<br />
PNEUMA NA RELIGIÃO HELENISTA<br />
Há, certamente, grande variedade na religião helenista. Os gregos geralmente<br />
pensaram a respeito do elemento mais essencial do ser humanocomo psyche,<br />
não pneuma. No dualismo grego, psyche é contrastado com o corpo da mesma<br />
forma como o mundo noumenal é contrastado com o mundo phenomenal.<br />
No pensamento gnóstico, o poder era concebido como se fora uma substância,<br />
e pneuma incluia o conceito de substância básica da vida. Deus é espiritual. No<br />
ato da criação, parte de sua substância espiritual unir-se com a matéria; mas<br />
essa parte ainda está por libertar-se. Redenção significa o reajuntamento de<br />
todas as partículas do pneuma.<br />
OS NOMES DADOS AO ESPÍRITO SANTO<br />
Vamos considerar em primeiro lugar os nomes pelos quais é chamado o Espírito<br />
Santo. Além da designação conhecida de Espírito Santo, há ainda o Parácleto,<br />
termo este que na tradução de Almeida é consolador, 14.16,26. O termo<br />
consolador (segundo a tradução de Almeida), vem de duas palavras latinas:<br />
261
com e fortis, igual a confortares. O termo significa aquele que fortalece, que<br />
conforta. Termo "parácleto", que é o termo original, é uma palavra grega que se<br />
encontra também aplicada a Jesus, e vertida por Almeida com a significação de<br />
"Advogado", em 1 a Jo 2.1.<br />
A MISSÃO DO ESPÍRITO SANTO<br />
Consideremos agora um pouco a questão da missão de Espírito Santo. Quanto<br />
a ele mesmo, sabemos já é uma pessoa distinta, embora intimamente<br />
relacionada com Jesus. Qual, porém, é a sua Missão?<br />
Há três pontos a considerar no estudo desta questão:<br />
1. qual é a missão do Espírito Santo em relação ao trabalho de Cristo?<br />
2. Qual é a missão do Espírito Santo em relação aos crentes?<br />
3. Qual é a missão do Espírito Santo em relação ao mundo?<br />
1) Em relação ao trabalho de Cristo, o Espírito Santo é enviando em nome de<br />
Jesus. Além de ser enviado em nome de Jesus, o Espírito Santo tem ainda a<br />
missão de relembrar aos crentes tudo aquilo que Jesus havia dito.<br />
2) Em relação aos crentes foi mudar o fundamento ou base da sua fé. Era, pois,<br />
necessário que a fé dos homens se transferisse do visível para o invisível, do<br />
material para o espiritual.<br />
262
3) Em relação com o mundo. Isto é, claramente exposto em Jo 16.8-11. O<br />
termo "convencerá", é um termo legal. O trabalho do advogado de acusação<br />
é fazer a acusação do réu, com as provas em mão.<br />
ESCATOLOGIA<br />
A UNIÃO COM CRISTO, ACENTUADA<br />
Dos escritos sagrados, é João o que mais acentua a união íntima e viva do<br />
crente com Cristo, união esta que desafia o tempo, por isso pouco se fala,<br />
comparativamente, no seu Evangelho, a vida vindoura. A vida eterna, por<br />
exemplo, é nos apresentada como uma realidade acessível enquanto estamos<br />
aqui na terra. Jo 11.24,25; 6.39,40,54; 5.24-27.<br />
AS PASSAGENS EXAMINADAS SOBRE A SEGUNDA VINDA DE JESUS<br />
O termo parousia, que se emprega para designar a volta final de Jesus a este<br />
mundo, usa-se uma vez nos escritos de João, em 1 a Jo 2.28. Esta é uma<br />
referência clara a Segunda vinda de Jesus.<br />
Mas, além desta passagem, há muitas outras alusões ao fim, fazendo supor que<br />
ele se aproximava - 1 a Jo 2.18; 3.2; 3. As passagens principais e ao mesmo<br />
tempo as mais difíceis em relação à vinda final de Jesus são os capítulos 14 e<br />
16 do seu evangelho.<br />
263
A RESSURREIÇÃO<br />
O ensino da ressurreição no quarto evangelho envolve tanto um evento futuro<br />
objetivo e escatológico como uma realidade espiritual presente. 11.25,26. A<br />
realidade da vida da ressurreição no presente é expressa vividamente em<br />
5.25,26.<br />
O JUÍZO FINAL<br />
Vamos notar agora que este processo de julgar, e o ato final de julgar estão<br />
intimamente ligados com a natureza do Evangelho e da verdade como coisas<br />
que por sua própria natureza julgam o homem aprovado-o ou condenando-o. -<br />
8.15,16,22; 12.47; 5.30; 9.39; 3.19. O futuro juízo é apenas a última crise no<br />
processo de julgar.<br />
264
PARTE III<br />
O PRIMITIVO ENSINO APOSTÓLICO<br />
A TEOLOGIA DOS "ATOS DOS APÓSTOLOS"<br />
INTRODUÇÃO<br />
O livro de Atos tem como propósito fornecer um esboço da história da Igreja,<br />
começando nos seus dias mais primitivos, em Jerusalém, até a chegada de seu<br />
maior herói - Paulo - na principal cidade do Império Romano. O livro fornece um<br />
programa do evangelho desde Jerusalém, na via Samaria e Antioquia, até a Ásia<br />
Menor, Grécia e, finalmente, Itália. Atos registra um número de sermões de<br />
Pedro, Estevão e Paulo, que nos fornecem as informações para o estudo da fé<br />
da igreja primitiva. Uma vez que tais sermões, particularmente os de Pedro, são,<br />
de modo ostensivo, a fonte primária para as crenças da Igreja em Jerusalém.<br />
NO PRINCÍPIO NÃO HAVIA SEPARAÇÃO COMPLETA<br />
ENTRE O CRISTIANISMO E O JUDAÍSMO<br />
Os primeiros discípulos então continuaram judeus, praticando as cerimônias da<br />
religião dos seus pais. - At 16.3; 21.20-28.<br />
265
A RESSURREIÇÃO DEU-LHES MAIS CORAGEM<br />
Os discípulos de Jesus apegaram-se firmemente à esperança do breve<br />
estabelecimento do Reino de Deus. Haviam argumentado sobre quem teria o<br />
status mais elevado no reino, Mt 18.1. justamente, quando era maior o seu<br />
desânimo, correu a notícia de que Jesus ressuscitara, Lc 24.9-11. Parece que<br />
foi nesta passagem dos Atos dos Apóstolos que os discípulos pela primeira vez<br />
procuraram entender a idéia da necessidade da morte do Messias.<br />
O KERYGMA ESCATOLÓGICO<br />
1. A era do cumprimento apareceu, At 2.16; 3.18,24;<br />
2. Este surgimento da era messiânica aconteceu através do ministério,<br />
morte, e ressurreição de Jesus, At 2123;<br />
3. Por causa da ressurreição, Jesus foi exaltado à direita de Deus, como<br />
o cabeça messiânico do novo Israel, 2.33-36; 3.13;<br />
4. O Espírito Santo, na Igreja, é sinal do presente poder e glória de<br />
Cristo, 3.21.<br />
266
O JESUS HISTÓRICO<br />
O kerygma primitivo tem seu ponto final na morte e exaltação de Jesus. O<br />
kerygma da igreja proclamou o destino de um homem real, o Jesus de Nazaré,<br />
At 2.22. No dia de Pentecostes, Pedro falou de uma pessoa a quem ele e seus<br />
ouvintes conheceram com base na experiência e observação pessoal, 10.38,39.<br />
A SALVAÇÃO<br />
Como Messias, Jesus é o portador da salvação, 4.12. Esta salvação é<br />
considerada tanto pessoal como nacional; inclui tanto o bem temporal como o<br />
bem espiritual, 2.38,39; 3.23.<br />
O PRINCÍPIO BÁSICO DA ORGANIZAÇÃO DA IGREJA<br />
É bom notar nesta conexidade que o o princípio básico da organização da igreja<br />
primitiva foi a necessidade de cuidar do serviço crescente. Havendo<br />
necessidade de fazer certo serviço a igreja podia, de acordo com este princípio,<br />
efetuar a organização que cuidasse de tal serviço.<br />
1. A Vida da Igreja Primitiva - A experiência do Pentecoste não levou os<br />
primeiros cristão a romper com o judaísmo, 2.46,47; 5.13.<br />
2. Batismo - A ekklesia recebia, em sua comunhão os que aceitassem a<br />
proclamação de Jesus como o Messias, se arrependessem e<br />
recebessem o batismo em água, Jo 3.22; 4.1,2; At 2.38,41;<br />
8.12,36,37; 10.47,48; 9.18; 16.14,15.<br />
267
3. A Comunhão Cristã - Um dos elementos mais admiráveis, na vida das<br />
igrejas primitivas, era o sentido de comunhão, 2.42,44,47; 5.4; 6.2;<br />
4. A Organização da Ekklesia - Examinando a organização da ekklesia,<br />
precisamos reconhecer o aparecimento de líderes da igreja além do<br />
período mais primitivo. A ekklesia não era como hoje: uma instituição<br />
organizada. Dos doze, três - Pedro, Tiago e João - ocuparam um<br />
papel de proeminência, como líderes sobre os outros nove, 1.13;<br />
6.1,2,8ss; por ocasião do concílio de Jerusalém, 15.2,22; 16.4;<br />
A TEOLOGIA DA EPÍSTOLA DE TIAGO<br />
INTRODUÇÃO<br />
O AUTOR - Esta epístola foi escrita por Tiago, irmão carnal de Jesus Cristo, Gl<br />
1.19; Tg 1.1. A epístola veio preencher certas lacunas que o livro de Atos dos<br />
apóstolos deixara, pois não há porção Bíblica que exiba a relação entre os<br />
ensinos de Jesus e os dos seus primeiros discípulos melhor do que esta.<br />
A QUEM FOI DIRIGIDA - É evidente que os crentes a quem a epístola foi<br />
dirigida eram pessoas pobres, 2.15. Também nota-se que estes dispersos<br />
estavam sendo oprimidos pelos seus senhores, 2.6. O evangelho pode revelar<br />
que rico é aquele que o é para com Deus, e pobre é aquele que só possui os<br />
bens da terra, 1.9-11.<br />
268
O PROPÓSITO DA CARTA - Consolar os oprimidos. Em geral, seu propósito é<br />
prático. Tiago vive na expectativa dos últimos dias - um tempo, conclui, em que<br />
a acumulação de tesouros terrenos será sem sentido. O retorno iminente<br />
(parousia) do Senhor é ainda uma esperança viva, 5.7-9. Tais referências de<br />
passagem deixam claro que a escatologia desempenha um importante papel no<br />
pensamento de Tiago.<br />
A IDÉIA DA LEI<br />
Deus, sendo perfeitamente bom, exige bondade do homem, e essa exigência<br />
está na sua lei. Esta lei para Tiago é a lei mosaica, 2.11,12.<br />
A IDÉIA DA JUSTIÇA<br />
Em Tiago temos a doutrina de justiça, apresentada em termos do Antigo<br />
Testamento, porém, de pleno acordo com os ensinos espirituais de Jesus Cristo.<br />
Isto naturalmente procede do uso e da concepção que Tiago tem da lei divina,<br />
4.12; 5.7.<br />
A IDÉIA DE SALVAÇÃO<br />
Estas considerações preparam o caminho para o estudo da idéia de Tiago sobre<br />
a salvação. A base da salvação e a boa vontade, a própria graça de Deus,<br />
1.18,22,23.<br />
269
TIAGO E PAULO<br />
O assunto que tem dado mais que falar em relação à epístola de Tiago é o da<br />
justificação. Pare existir na epístola de Tiago um conflito com os ensinos de<br />
Paulo.Tiago diz que é inútil afirmar que uma fé que não se pode provar, ou uma<br />
fé que não produz obra nenhuma possa salvar a alma. 2.20. Tiago em sua<br />
discussão não está falando de obras de mérito, obras em relação à lei, obras<br />
que precedem a salvação; mas está falando de obras motivadas pelo amor,<br />
obras que surgem ou aparecem em relações pessoais, obras da pessoa já<br />
salva.<br />
A TEOLOGIA DA PRIMEIRA EPÍSTOLA DE PEDRO<br />
INTRODUÇÃO<br />
A epístola de Pedro declara ter sido escrita pelo apóstolo Pedro, 1.1, um<br />
―ancião‖, que foi testemunha ocular dos sofrimentos de Cristo, 5.1. Ele tem um<br />
companheiro seu ―filho‖ Marcos 5.13. Uma forte tradição atribui esta epístola ao<br />
apóstolo Pedro que usou, como seu amanuense, ou secretário, Silvano (Silas;<br />
5.12).<br />
270
DUALISMO PETRINO<br />
O eruditismo recente tem enfatizado a similaridade na comum divisão de Pedro<br />
e dos sermões em Atos. O presente, no entanto, é a tensão escatológica entre o<br />
presente e o futuro, que não é meramente cronológica, mas também<br />
soteriológica, 1.11. A morte de Cristo não foi um mero evento histórico, mas um<br />
evento predestinado por Deus antes da fundação do mundo, 1.20. Através de<br />
sua morte, Cristo inaugurou o ―fim dos tempos‖, 1.20.<br />
A RESSURREIÇÃO DE CRISTO<br />
Partilha deste caráter escatológico, pois o Cristo ressuscitado foi para o céu, Ef<br />
1.22. Isto significa que Cristo já assumiu sua lei messiânica à mão direita de<br />
Deus, onde ele tem que reinar, 1 a Co 15.25. A ressurreição de Cristo não é<br />
simplesmente um evento do passado; é um evento em virtude do qual todo<br />
aquele que crê pode, em tempo subseqüente, entrar em novidade de vida,<br />
através da proclamação das boas-novas, 1.23.<br />
ESCATOLOGIA<br />
Assim, a escatologia desempenha um grande papel na epístola. Pedro não usa<br />
a palavra (parousia), mas fala, várias vezes, da revelação (apokalypsis), de<br />
Cristo, 1.7,13; 4.13; 5.4. O contraste entre o mundo mau e o céu é<br />
particularmente forte e desempenha um papel essencial no pensamento petrino,<br />
1.14,15,18,20; 5.9; 4.3; 2.5,9,11; 3.1; 2.18.<br />
271
DEUS<br />
O conceito de Deus por parte de Pedro contém a matéria-prima da teologia<br />
trinitária, mas sua expressão é, em geral, prática, e não teórica. Sua introdução<br />
contém referência a Deus, o Pai, ao Espírito Santo e a Jesus Cristo, 1.2.<br />
CRISTOLOGIA<br />
Pedro mantém, claramente, uma alta Cristologia, embora ele não fale de Cristo<br />
como o ―Filho‖, a par com o Pai. 1.20. Os crentes também foram predestinados,<br />
1.2,25; 3.12.<br />
A Vida Cristã<br />
Há duas ênfase notáveis, em Pedro, quanto á vida cristã. A primeira é a<br />
firmeza no sofrimento. Sofrer é a experiência normal do crente, porque o mundo,<br />
para ele, é uma terra estranha, 4.13. A Segunda é a do bom comportamento (o<br />
verbo agathopoieo, ―fazer o bem‖, ocorre quatro vezes em Pedro – 2.15,20;<br />
3.6,17 – mas em nenhum lugar em Pedro).<br />
A TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS:<br />
JUDAS E SEGUNDA DE PEDRO<br />
INTRODUÇÃO<br />
Devido à íntima relação entre a epístola de Judas e a 2 a de Pedro, vamos<br />
estudá-las em conjunto. Ambas tratam de certos erros e abusos que surgiram,<br />
272
devido a uma perversão do evangelho. Naturalmente não devemos esperar<br />
encontrar muita discussão doutrinária, como por exemplo nas cartas do apóstolo<br />
Paulo, porque o fim destas epístolas é, não tanto ensinar como corrigir. Por esta<br />
razão não há também uma ordem formal ou lógica na discussão. Portanto,<br />
vamos estudá-las do princípio ao fim, sem tentar organizar a matéria ao redor de<br />
temas específicos, de modo sistematizado como em geral acontece com os<br />
escritos sagrados.<br />
JUDAS<br />
O AUTOR<br />
Judas chama-se servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, 1.1. Sendo ele irmão<br />
de Tiago e Tiago irmão de Jesus, logo ele era também irmão de Cristo. Judas<br />
escreveu aos chamados e santificados. O assunto de que ele trata é a salvação<br />
que tanto ele como os ―chamados‖ estão gozando. O fim da epístola é exortar os<br />
chamados para que os frutos da salvação não sejam perdidos, 1.3.<br />
EXORTAÇÃO<br />
Falsos mestres chegam à Igreja, que ―negam o nosso único Soberano e Senhor,<br />
Jesus Cristo‖, v.4; que rejeitaram toda autoridade e ultrajaram os anjos, v. 8; que<br />
são escarnecedores, v.18;<br />
273
Os dois itens de interesse teológico são:<br />
1. A referência de Judas aos ―anjos que não guardaram o seu principado,<br />
v.6; ver 2 a Pe 2.4;<br />
2. E o seu uso da literatura apócrifa, v. 14.<br />
A SEGUNDA EPÍSTOLA DE PEDRO<br />
AUTOR<br />
Declara vir do punho do apóstolo Simão Pedro, 1.1, que foi testemunha ocular<br />
da majestade de Jesus, em sua transfiguração, 1.16-18, pouco antes de sua<br />
morte (de Pedro), 1.14.<br />
Começa com uma descrição da salvação, em que o cristianismo é considerado<br />
como o cumprimento da profecia.<br />
O termo chave nesta epístola não é ―esperança‖, como na primeira carta de<br />
Pedro, mas ―conhecimento‖, 1.13. A redenção por meio de Cristo Jesus é<br />
mencionada uma só vez nesta carta, e assim mesmo em mera alusão, 2.1. O<br />
autor escreve aos crentes novos, isto é, os que aceitaram Cristo pela pregação<br />
que, devido a perseguição, saíram de Jerusalém, At 8.4.<br />
274
VIRTUDES CRISTÃS<br />
Nos versos 5.7 do primeiro capítulo temos uma lista das virtudes que deviam<br />
adornar o caráter do crente. Os que cultivam estas virtudes terão em abundância<br />
este conhecimento tão precioso e tão desejável, 1.8. Os que não tem estas<br />
virtudes perderão o discernimento espiritual e voltarão à vida velha, 1.9.<br />
UMA EXORTAÇÃO<br />
Em vista deste fato, o autor exorta os crente a seguirem uma vida pura e santa,<br />
3.14,15. A epístola conclui com mais uma exortação, 3.17-18.<br />
A TEOLOGIA DE PAULO<br />
INTRODUÇÃO<br />
A teologia de Paulo não pode ser bem compreendida à parte de sua<br />
personalidade e história. Mas do que a de qualquer outro apóstolo, a sua história<br />
e experiência religiosa influíram na formação da sua teologia. A primeira coisa<br />
que precisamos fazer, pois, é dar em ligeiros traços a sua biografia.<br />
275
ORIGEM E CARACTERÍSTICAS<br />
Desde a sua mocidade Paulo manifestou um espírito religioso arrebatado até o<br />
fanatismo. Expunha francamente as suas convicções, e sinceramente vivia<br />
segundo aquilo que cria. Paulo nascera dentro da religião judaica, Fp 3.5,6. Foi<br />
educado dentro dessa religião; considerava as doutrinas do cristianismo falsas e<br />
perigosas. O messias do cristianismo, Jesus Cristo, era para Paulo um impostor,<br />
e de forma alguma correspondia às esperanças e concepções do povo judaico.<br />
Ter fé neste Messias era atraiçoar o culto do judaísmo, desprezar as leis de<br />
Moisés, e desprezas as mais brilhantes esperanças do judaísmo.<br />
Homem de grande zelo e ardor, dedicava-se de todo o coração a qualquer idéia<br />
que abraçasse. Não ficava jamais em meios termos, era ardente ou frio; morno<br />
nunca.<br />
PAULO COMO JUDEU E A LEI<br />
Esta hipótese de uma ascendência judaica nasce das pressuposições teológicas<br />
subjacentes de Paulo. Ele era um monoteísta inflexível, Gl 3.20; Rm 3.30; e<br />
rejeitava severamente a religião pagã, Cl 2.8; a idolatria, 1 a Co 10.14,21; e a<br />
imoralidade, Rm 1.26ss. Ele menciona o Antigo Testamento como a Sagrada<br />
Escritura, Rm 1.2; 4.3; a Palavra de Deus divinamente inspirada, 2 a Tm 3.16.<br />
Como rabino judeu, Paulo partilhava inquestionavelmente da fé judia na<br />
centralidade da Lei. Mesmo quando cristão, ele afirmou que a Lei é espiritual,<br />
Rm 7.14, santa e boa, Rm 7.12. A Lei, para um fariseu, era tanto a Lei escrita de<br />
Moisés como as ―tradições orais dos pais‖, Gl 1.14. O judaísmo tinha perdido o<br />
276
sentido da revelação de Deus e a sua fala através da voz viva da profecia. A<br />
doutrina judaica da revelação centralizava todo o conhecimento de Deus e sua<br />
vontade na Lei.<br />
Como rabino judeu, zeloso pela Lei, Saulo estava igualmente entusiasmado em<br />
exterminar este novo movimento religioso que exaltava a memória de Jesus de<br />
Nazaré. O livro de Atos localiza Paulo em Jerusalém de algum modo<br />
participando na morte de Estevão, At 7.58.<br />
A SUA TEOLOGIA<br />
A sua teologia não é a teologia acanhada dos judeus da Palestina. Devido às<br />
suas experiências com o povo grego, era mais liberal, menos preso pelo<br />
nacionalismo dos judeus da Palestina. Como já observamos, tinha a<br />
religiosidade do judeu, o discernimento do grego e a energia do romano. E é por<br />
isso que notamos nele, um grande fervor religioso, uma grande penetração nas<br />
doutrinas e no espírito do cristianismo, e uma energia nunca vista nos anais de<br />
qualquer religião.<br />
PAULO, O APÓSTOLO<br />
O senso de autoridade de Paulo não é particularmente seu, mas foi-lhe<br />
conferido, como apóstolo, pelo Senhor. É como apóstolo que Paulo reivindica<br />
uma alta autoridade. Sua experiência no caminho de Damasco não apenas o fez<br />
reconhecer Jesus como Messias ressuscitado e glorificado, At 9.15,16; 22.15;<br />
26.17,18. Como apóstolo, Paulo não mantinha uma autoridade exclusiva, mas<br />
uma autoridade que dividia com os outros apóstolos. Em sua lista de lideres na<br />
277
igreja, Paulo citou apóstolos em primeiro lugar, 1 a Co 12.28; Ef 4.11. As<br />
qualidades primárias de um apóstolo eram que ele fosse testemunha ocular da<br />
ressurreição, At 1.22; 1 a Co 9.1, e que recebesse um chamado distinto e<br />
incumbência do Senhor.<br />
O HOMEM SEM CRISTO<br />
A opinião de Paulo sobre o homem e o mundo ilustra sua visão escatológica<br />
básica. Ele sempre foi interpretado contra o pano de fundo do dualismo<br />
helenístico, que envolvia um dualismo cosmológico e bastante associado a um<br />
dualismo antropológico.<br />
1. O dualismo cosmológico – contrastava dois níveis de existência: o<br />
terreno e o divino;<br />
2. O dualismo antropológico – contrastava duas partes do homem:<br />
seu corpo e sua alma.<br />
2.1. O mundo – kosmos é uma palavra grega que não tem<br />
equivalentes nem em hebraico nem em aramaico, 1 a Co 1.20;<br />
3.19; 2.6.<br />
2.2. Poderes Espirituais – Paulo não se refere apenas a anjos bons e<br />
maus, a Satanás e aos demônios; ele usa um outro grupo de<br />
palavras, para designar as fileiras de espíritos angélicos. A<br />
terminologia é que se segue:<br />
a. ―potestades‖ ou ―domínio‖ (arche), 1 a Co 15.24; Ef 1.21; Cl 2.10;<br />
278
. ―potestades‖ (archai); RSV, ―principados‖, Ef 3.10; 6.12; Cl 1.16; 2.15;<br />
Rm 8.38.<br />
c. ―dominações‖ (kyriotes), Cl 6.2.<br />
CONSCIÊNCIA<br />
Não apenas tem os homens a responsabilidade de cultuar a Deus, tam também<br />
a responsabilidade de fazer o bem, por causa da consciência., Rm 2.14,15.<br />
PECADO<br />
A natureza do pecado pode ser vista a partir de um estudo de diversas palavras<br />
usadas por Paulo, mas a palavra mais profendamente teológica para pecado é<br />
―asebia‖, traduzida como ―impiedade‖ em Rm 1.18.<br />
LEI<br />
Paulo não considera a Lei meramente como padrão divino para a conduta<br />
humana, nem como parte da Sagrada Escritura, embora a Lei tenha origem<br />
divina e, portanto, sendo boa.<br />
CARNE<br />
Um dos inimigos finais do homem fora de Cristo, que apenas precisa ser<br />
mencionado aqui, é o carne. Como veremos em capítulos posteriores, ―carne‖,<br />
em Paulo, tem um uso distinto; designa o homem em sua queda, sua<br />
pecabilidade e sua rebelião. Gl 5.17; 6.8.<br />
279
A PESSOA DE CRISTO<br />
Cristo, O Messias<br />
( 9.5; 10.6; 1 a Co10.4; 15.22; 2 a Co 4.4; 5.10.)<br />
O Messias é Jesus<br />
( 1 a Co 11.23; Rm 1.3; Gl 1.19; Rm 15.8; Fl 2.7ss)<br />
Jesus, O Senhor<br />
( Rm 10.9; 1 a Co 12.3; 2 a Co 4.5; Mt 7.21. )<br />
Jesus como o Filho de Deus<br />
( Rm 1.3,4; 8.3; Gl 4.5; Cl 1.13; )<br />
Cristo, O último Adão<br />
( Rm 5.12; 1 a Co 15.45-47; Fp 2.6; )<br />
A OBRA DE CRISTO: EXPIAÇÃO<br />
O AMOR DE DEUS – Embora tanto o Novo Testamento como o Antigo, tem<br />
como base para a obra reconciliadora de Cristo, a ira de Deus, isto não tem que,<br />
de modo algum, ser interpretado como a transformação da ira de Deus em amor,<br />
2 a Co 5.19; Rm 3.21; 8.3,32;<br />
280
Expiatória<br />
( Rm 3.25; 8.3; 1 a Co 5.7; Ef 5.2;)<br />
Vicária<br />
( Mc 10.45; Rm 5.8; 1 a Tss 5.10; Ef 5.2; Gl 3.13; )<br />
Substitutiva<br />
( 2 a Co 5.14,21; Gl 2.20; 1 a Tm 2.6; Ef 2.8,9; )<br />
Propiciatória<br />
( Rm 1.18,32; 3.20,24,25; 6.23; 1 a Tss 5.9; Hb 9.5; Êx 25.17-20. )<br />
Redentora<br />
( Mc 10.45; 1 a Tm 2.6; 1 a Co 7.22,23; Gl 3.13; Ef 1.7; Tt 2.14; )<br />
A OBRA DE CRISTO: JUSTIFICAÇÃO E RECONCILIAÇÃO<br />
A Importância da Doutrina<br />
( Rm 4.7; Cl 1.14; 2.13; Ef 4.32; )<br />
O Embasamento da Justificação<br />
(Gl 2.21. Basicamente, ―justiça‖, é um conceito de relacionamento. É justo quem<br />
cumprir as exigências colocadas sobre si pelo relacionamento em que se<br />
encontra. )<br />
281
A Justificação é Escatológica<br />
(Rm 2.13; 5.1,9; 8.1; Gl 5.5; Mt 12.36,37; 1 a Co 6.11; )<br />
Imputação<br />
(Rm 4.5,8; 2 a Co 5.21; )<br />
RECONCILIAÇÃO<br />
Reconciliação é uma doutrina estreitamente aliada à da justificação. A<br />
justificação é absolvição, do pecador, de todo pecado; a reconciliação e a<br />
restauração do homem justificado ao relacionamento com Deus.<br />
Reconciliação Objetiva<br />
(Rm 5.8,10,11; )<br />
A Necessidade de Reconciliação<br />
( Cl 1.21; Rm 5.10; )<br />
O Caráter da Reconciliação<br />
(2 a Co 5.19; )<br />
Os Resultados da reconciliação<br />
( Traz paz com Deus, Rm 5.1; esta livre da ira de Deus, Ef 2.14-16. )<br />
282
A TEOLOGIA DO APOCALIPSE<br />
INTRODUÇÃO<br />
O livro do Apocalipse pretende ser uma revelação dos eventos que ocorrerão no<br />
fim do século e do estabelecimento do Reino de Deus. A teologia básica do livro<br />
tem emergido. A abordagem mais fácil do apocalipse é seguir sua própria<br />
tradição particular, como a opinião verdadeira, e ignorar as outras; mas o<br />
intérprete inteligente tem que se familiarizar com os vários métodos de<br />
interpretação, para que possa criticar e purificar sua própria opinião.<br />
O CONTEÚDO DO APOCALIPSE<br />
A primeira visão – 1.9-3.22<br />
Cristo é visto em pé, em meio a sete candeeiros, 1,12;<br />
Segunda visão – 4.1-16.21<br />
Retrata o trono celestial com um livro selado com sete selos na mão de<br />
Deus.<br />
Terceira visão –17.1-21.8<br />
É a grande prostituta, Babilônia.<br />
MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO<br />
Interpretação preterista;<br />
O método histórico;<br />
283
O método simbólico ou idealista;<br />
Interpretação futurista extrema: O dispensacionalismo;<br />
O ponto de vista futurista moderado;<br />
O PROBLEMA DO MAL<br />
O Apocalipse prevê um curto período de terrível mal na história no fim dos<br />
tempos. Como Mateus 24.15ss e 2 a Tessalonicenses 2.3ss, ele fala de um<br />
personagem maligno.<br />
O REINO VINDOURO<br />
Sua vinda é mostrada como destruição do mal – 19.11-16;<br />
Há um reino temporário, de mil anos - 20.4;<br />
A primeira ressurreição – 20.5;<br />
A Segunda ressurreição – 20.11-15;<br />
O julgamento é duplo: obras e o livro da vida – Rm 2.6-11.<br />
NUNCA PARE DE ESTUDAR TEOLOGIA<br />
―A teologia não termina em conhecimento teórico e abstrato, antes se planifica<br />
no conhecimento prático e existencial de Deus através das Escrituras e da<br />
iluminação do Espírito. Conhecer a Deus é obedecer a seus mandamentos.<br />
Fazer teologia é tarefa da Igreja; não é um estudo descompromissado feito por<br />
transeuntes acadêmicos.‖ (MAIA, 2007, p. 9)<br />
284
Cabe aos líderes cristãos investir no ensino teológico para que haja o<br />
aperfeiçoamento dos santos (Ef. 4.14), e a Teologia Sistemática está presente<br />
na vida da igreja como uma ferramenta poderosa para a compreensão das<br />
Sagradas Escrituras.<br />
285
PROVA DO CURSO:<br />
1. O que é Revelação segundo a Bíblia?<br />
2. O que é Inspiração da Bíblia? Justifique biblicamente a resposta.?<br />
3. Descreva sucintamente sobre as teorias da Inspiração da Bíblia?<br />
4. O que é um atributo quando relacionado a Deus?<br />
5. O que é atributo natural de Deus? Usando a Bíblia, mencione cinco<br />
deles.<br />
6. O que é atributo moral de Deus? Usando a Bíblia, mencione cinco<br />
deles.<br />
7. Defina o que é Trindade?<br />
8. Justifique biblicamente a existência da Trindade no Velho e no Novo<br />
Testamento.<br />
9. O que é a Providência de Deus? Cite três fatos bíblicos onde a<br />
Providência de Deus pode ser observada.<br />
10. A doutrina que estuda o homem do ponto de vista teológico chamase<br />
11. Em relação à constituição do homem, discorra sobre as teorias<br />
existentes. Embase com a Bíblia a sua preferência.<br />
12. Sobre a origem da alma, quais são as teorias existentes? Descrevaas<br />
sucintamente.<br />
13. O que é a imago Dei?<br />
14. O que é pecado?<br />
15. Quais as consequências do pecado sobre o ser humano?<br />
16. Justifique biblicamente a morte em seus aspectos físico, espiritual e<br />
eterno?<br />
17. Prove biblicamente a natureza humana de Cristo?<br />
18. Prove biblicamente a natureza divina de Cristo?<br />
19. O que é união hipostática das naturezas de Cristo. Justifique<br />
biblicamente a resposta.?<br />
20. Quais são os estágios do Estado de Humilhação de Cristo?<br />
Justifique biblicamente a resposta?<br />
286
21. Quais são os estágios do Estado de Exaltação de Cristo? Justifique<br />
biblicamente a resposta?<br />
22. Quais os Ofícios de Cristo? Descreva sucintamente cada um deles<br />
provando-os biblicamente.<br />
O que é Arminianismo e qual a seqüência dos passos ensinados pelo<br />
mesmo quanto à ordem dos decretos de Deus, no que se refere à<br />
salvação?<br />
23. O que é Calvinismo e qual a seqüência dos passos ensinados pelo<br />
mesmo quanto à ordem dos decretos de Deus, no que se refere à<br />
salvação?<br />
24. O que é Justificação segundo a Bíblia. Prove biblicamente a<br />
resposta.<br />
25. O que é Santificação segundo a Bíblia. Prove biblicamente a<br />
resposta.<br />
26. Quais os aspectos teológicos da morte de nosso Senhor Jesus<br />
Cristo. Use a Bíblia na resposta.<br />
27. A Bíblia prova a existência de Deus ou não? 3. Se prova, como o<br />
faz?<br />
28. Pode-se sustentara a posição de que não existem ateus?<br />
29. Que são anjos?<br />
30. Existe uma gradação entre os anjos (maus e bons)? Comente o<br />
assunto à luz da Bíblia.<br />
31. O que é Escatologia?<br />
32. Quais os assuntos tratados em cada uma dessa divisão da<br />
Escatologia?<br />
33. Prove biblicamente a Segunda Vinda do Senhor?<br />
34. Prove biblicamente o Arrebatamento da Igreja?<br />
35. O que é o Juízo Final? Comprove biblicamente o assunto.<br />
36. O que é o Estado Eterno. Comprove biblicamente o assunto.<br />
287
BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS:<br />
MAIA, Hermisten. Fundamentos da Teologia Reformada. Mundo Cristão, São Paulo,<br />
2007.<br />
RAMOS, Cristina Ferreira. Introdução à Teologia. Caicó, 2008.<br />
RAMOS, Robson. Evangelização no mercado pós-moderno. Ultimato, Viçosa, 2003.<br />
SEVERA, Zacarias de Aguiar. Manual de Teologia Sistemática. A. D. Santos Editora,<br />
Curitiba, 1999.<br />
R.N. CHAMPLIM. ―Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo‖. (doravante<br />
denominado de NTI), vol.1 à 6. Ed. Candeia. 1995.<br />
W.C. TAYLOR. ―Dicionário do Novo Testamento Grego‖. Ed. JUERP. 1991.<br />
Gerhard F. HASEL. ―Teologia do Novo Testamento‖. Ed. JUERP. 1988.<br />
Osmundo A. MIRANDA. ―Estudos Introdutório nos Evangelhos Sinóticos‖. Casa Editora<br />
Presbiteriana. 1989.<br />
Werner G. KÜMMEL. ―Síntese Teológica do Novo Testamento‖. Ed. Sinodal. 1983.<br />
Eduard LOHSE. ―Introdução ao Novo Testamento‖. Ed. Sinodal. 1985.<br />
George E. LADD. ―Teologia do Novo Testamento‖. Ed. JUERP. 1993.<br />
João F. ALMEIDA. ―Bíblia (ARA) Novo Testamento Trilíngüe – Grego, Português,<br />
Inglês‖. Ed. Vida Nova. Editor Luiz A.T. Sayão. 1998.<br />
João F. ALMEIDA. ―Bíblia (ARC)‖. CPAD. 1999.<br />
Bavinck, Geref. Dogm. II, p.52-74;<br />
Kuyper, Dirct. Dogm. De Deo I, P. 77-123;<br />
Hodge, Syst. Theol. I, p. 221-248;<br />
Dabney, Syst. And Polem. Theol, p.5-26;<br />
Macintosh, Theol. as an Empirical Sciense, p.90-99;<br />
Knudson, The Doctrine of God, p. 203-241; Beathie, Apologetics, p.250-444;<br />
Brightman, The Problem of God, p. 139-165;<br />
Wright, A Student‘s Phil of Rel., p.339-390;<br />
Edward, The Philosophy of Rel., p. 218-305;<br />
288
Beckwith, The Idea of God, p. 64-115;<br />
Thompson, The Chirstian Idea of God, p. 160-189;<br />
Robinson, The God of the Liberal Christian, p.114-149;<br />
Galloway, The Phil, of Rel., p.382-394<br />
289
.<br />
290