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GEOPOLÍTICA - Portal de Ensino do Exército

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ESCOLA DE COMANDO E<br />

ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO<br />

CURSO DE POLÍTICA, ESTRATÉGIA E<br />

ALTA ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO<br />

ENSINO A DISTÂNCIA<br />

CPEAEx / EAD<br />

URACI CASTRO BONFIM<br />

<strong>GEOPOLÍTICA</strong><br />

2005<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 1<br />

14/6/2005, 17:16


Sumário<br />

Como estudar .............................................................................. 5<br />

Objetivos e Conteú<strong>do</strong> ................................................................... 7<br />

INTRODUÇÃO ............................................................................... 9<br />

1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES .............................................. 10<br />

2. ORIGENS E FUNDAMENTOS...................................................... 15<br />

2.1. Origens ...............................................................................15<br />

2.2. Fundamentos ....................................................................... 20<br />

2.2. Conceitos ............................................................................ 22<br />

3. ESCOLAS DE PENSAMENTO GEOPOLÍTICO ................................... 27<br />

4. ELEMENTOS BÁSICOS DA <strong>GEOPOLÍTICA</strong> ..................................... 31<br />

4.1. Tendências <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s em face das condições geográficas.......... 32<br />

4.2. Formas <strong>do</strong>s territórios <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s .......................................... 34<br />

4.3. Posição <strong>do</strong>s territórios <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s.......................................... 38<br />

4.4. Linha periférica <strong>do</strong> território <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s ................................. 43<br />

5. TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S ......................................................... 55<br />

5.1. Teorias Geopolíticas Clássicas..................................................56<br />

5.2. Teorias Geopolíticas Novas ..................................................... 76<br />

6. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO ................................ 92<br />

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4<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

7. SíNTESE DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO .................................... 98<br />

8. CONCLUSÃO ....................................................................... 101<br />

9. REFERÊNCIAS ...................................................................... 103<br />

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Como Estudar<br />

Geopolítica<br />

Com esta publicação, tem início o estu<strong>do</strong> da Teoria Geopolítica, disciplina<br />

complexa e abrangente, tão importante para os governantes <strong>do</strong>s<br />

Esta<strong>do</strong>s-nação, como para os mais altos escalões das Forças Armadas.<br />

É <strong>de</strong> suma importância o conhecimento <strong>do</strong>s fundamentos teóricos<br />

<strong>de</strong>sta disciplina para se enten<strong>de</strong>r e melhor aplicar as expressões <strong>do</strong><br />

po<strong>de</strong>r nacional nas <strong>de</strong>cisões políticas e militares <strong>de</strong> alto nível, a fim <strong>de</strong><br />

se estar consoante com os interesses da nação em seu espaço geográfico.<br />

Durante este estu<strong>do</strong>, <strong>de</strong>ve-se procurar to<strong>do</strong> o tempo, com as <strong>de</strong>vidas<br />

proporções, transportar as idéias aqui expostas para a atualida<strong>de</strong>,<br />

concluin<strong>do</strong> sobre a sua valida<strong>de</strong> na conjuntura em que o mun<strong>do</strong> está<br />

viven<strong>do</strong>.<br />

O conteú<strong>do</strong> <strong>de</strong>sta publicação <strong>de</strong>verá ser o início <strong>do</strong> estu<strong>do</strong> <strong>de</strong>sta<br />

disciplina, a critério <strong>do</strong> interesse <strong>de</strong> cada leitor. Como complementação,<br />

é solicita<strong>do</strong> um pequeno exercício prático <strong>de</strong> análise geopolítica.<br />

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5


Objetivos e Conteú<strong>do</strong><br />

Objetivos<br />

Geopolítica<br />

• Analisar os fundamentos da Geopolítica.<br />

• Analisar as principais teorias da Geopolítica.<br />

• Analisar a relação entre o po<strong>de</strong>r e os espaços geográficos.<br />

• Analisar os principais aspectos da teoria das fronteiras.<br />

• Interpretar os principais conceitos relaciona<strong>do</strong>s à teoria das<br />

fronteiras.<br />

Socieda<strong>de</strong> e Política<br />

Teoria <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r<br />

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7


Introdução<br />

Geopolítica<br />

Esta disciplina preten<strong>de</strong> proporcionar um contato teórico inicial<br />

com este compartimento da Ciência Política, que estuda as ações<br />

<strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s na aplicação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional em todas as suas<br />

expressões.<br />

Tem como objetivos analisar a influência <strong>do</strong> espaço geográfico na<br />

política <strong>do</strong>s governantes quan<strong>do</strong> da aplicação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong><br />

com a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alcançar e manter os objetivos nacionais<br />

previstos; realçar a importância das características <strong>do</strong>s espaços geográficos<br />

na aplicação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r; e estudar a geopolítica <strong>do</strong>s <strong>de</strong>mais<br />

Esta<strong>do</strong>s para uma melhor inserção no contexto das nações.<br />

Inicialmente, serão apresentadas consi<strong>de</strong>rações sobre po<strong>de</strong>r<br />

<strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, seguidas <strong>do</strong> estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> suas origens e fundamentos.<br />

Na seqüência, serão apresentadas, sinteticamente, as escolas<br />

<strong>de</strong> pensamento geopolítico e suas teorias, clássicas e contemporâneas,<br />

mais conhecidas e aceitas, seguidas por breve apresentação<br />

da evolução acompanhan<strong>do</strong> a mudança <strong>do</strong> foco principal<br />

das ações políticas <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s no exercício <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r no contexto<br />

internacional, além <strong>de</strong> analisar-se sua efetivida<strong>de</strong> na conjuntura<br />

mundial da atualida<strong>de</strong>.<br />

A seguir, ter-se-á contato com uma síntese <strong>do</strong> pensamento<br />

geopolítico brasileiro para se concluir a presente abordagem.<br />

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1 0<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES<br />

Des<strong>de</strong> a origem <strong>do</strong>s homens ao longo <strong>de</strong> sua evolução, como<br />

seres sociais que se agrupam para se apoiarem e se <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>rem,<br />

objetivan<strong>do</strong> a satisfação das suas necessida<strong>de</strong>s naturais e psicológicas,<br />

encontra-se uma figura permanente: o po<strong>de</strong>r.<br />

Seja nas relações entre indivíduos ou grupos <strong>de</strong> pessoas ou, ainda,<br />

<strong>de</strong> socieda<strong>de</strong>s complexas, ganhan<strong>do</strong> sua maior expressão com a instituição<br />

jurídico-política <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, que a <strong>de</strong>tém e em torno da qual o mun<strong>do</strong><br />

sempre gira, está a figura <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r. Para Bertrand Russel, “Po<strong>de</strong>r é a<br />

capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> produzir os efeitos <strong>de</strong>seja<strong>do</strong>s por quem o <strong>de</strong>tém”.<br />

Dentre as estruturas sociais organizadas, o Esta<strong>do</strong> é a que <strong>de</strong>tém o<br />

maior grau <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r, correspon<strong>de</strong>n<strong>do</strong> a ele, portanto, o seguimento<br />

institucionaliza<strong>do</strong> <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional. Torna-se oportuno, então, mencionar<br />

o conceito <strong>de</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, segun<strong>do</strong> a ESG:<br />

“Po<strong>de</strong>r Nacional é a capacida<strong>de</strong> que tem o conjunto <strong>do</strong>s homens e meios<br />

que constituem a Nação, atuan<strong>do</strong> em conformida<strong>de</strong> com a vonta<strong>de</strong> nacional,<br />

para alcançar os Objetivos Nacionais”.<br />

Apesar <strong>de</strong> ser uno, o Po<strong>de</strong>r Nacional se faz representar por suas<br />

cinco expressões:<br />

- Expressão Política;<br />

- Expressão Econômica;<br />

- Expressão Psicossocial;<br />

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Geopolítica<br />

- Expressão Militar;<br />

- Expressão Científica e Tecnológica.<br />

O exercício e a aplicação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r se fazem por intermédio da<br />

Expressão Política <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, conceituada segun<strong>do</strong> a ESG como<br />

“a manifestação <strong>de</strong> natureza prepon<strong>de</strong>rantemente política <strong>do</strong> conjunto<br />

<strong>do</strong>s homens e <strong>do</strong>s meios que constituem o Po<strong>de</strong>r Nacional, pelos quais se<br />

integra e se expressa a vonta<strong>de</strong> <strong>do</strong> povo, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> a i<strong>de</strong>ntificar e a estabelecer<br />

os Objetivos Nacionais e orientar sua conquista e preservação”. A<br />

política seria, ao mesmo tempo, uma ciência e uma arte: ciência quan<strong>do</strong><br />

interpreta os interesses e aspirações <strong>de</strong> um povo e arte quan<strong>do</strong> i<strong>de</strong>ntifica<br />

e estabelece os Objetivos Nacionais, cuja conquista e preservação orienta;<br />

é ainda entendida por Bismark como “a arte <strong>de</strong> tornar possível o que<br />

é necessário”.<br />

Para Koogan e Houaiss, “Política é a ciência <strong>do</strong> governo <strong>do</strong>s povos”.<br />

Outro conceito muito difundi<strong>do</strong> é: “Política é a arte <strong>de</strong> organizar e<br />

governar um Esta<strong>do</strong> e <strong>de</strong> dirigir suas ações, internas e externas em busca<br />

<strong>do</strong> bem comum”.<br />

Em um senti<strong>do</strong> mais prático e objetivo, po<strong>de</strong>-se conceituar como:<br />

“Política (ou o exercício <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r) é a ciência e a arte <strong>de</strong> compatibilizar os<br />

contrários, <strong>de</strong> fazer convergir as divergências, <strong>de</strong> fazer conviver grupos<br />

antagônicos, <strong>de</strong> encontrar acertos no erro”.<br />

Meira Mattos, em sua obra<br />

Política é a arte <strong>de</strong> organi- “Geopolítica e Mo<strong>de</strong>rnida<strong>de</strong>”, cita o<br />

zar e governar um Esta<strong>do</strong> sociólogo francês Maurice Duverger,<br />

e <strong>de</strong> dirigir suas ações, in- quan<strong>do</strong> este afirma que “Política é Poternas<br />

e externas em bus<strong>de</strong>r”, referin<strong>do</strong>-se à prática, argumenca<br />

<strong>do</strong> bem comum.<br />

tan<strong>do</strong> que quem não tem po<strong>de</strong>r não<br />

po<strong>de</strong> perseguir objetivos políticos.<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

Apesar <strong>de</strong> possuir o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong>cisório, a Expressão Política não é<br />

in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte e onipotente. Necessita <strong>de</strong> condições econômicas e da capacida<strong>de</strong><br />

militar para garantir a segurança soberana <strong>de</strong> suas ações. Po<strong>de</strong>se<br />

concluir que, o valor e a convergência da Expressão Política, da Expressão<br />

Econômica e da Expressão Militar são os pilares dinâmicos <strong>do</strong><br />

Po<strong>de</strong>r Nacional no contexto mundial.<br />

Também é oportuno lembrar que estudamos a Expressão Política<br />

quan<strong>do</strong> analisamos seus fundamentos, fatores e órgãos/sistema <strong>do</strong>s fundamentos<br />

<strong>de</strong>stacamos o povo, o território e as instituições políticas.<br />

A potência e a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong>stas Expressões <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional<br />

<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>m diretamente da população em função <strong>de</strong> sua formação histórica<br />

e cultural, interesse e aspirações, tradições, além da sua estruturação<br />

social, assim como <strong>de</strong> sua capacida<strong>de</strong> tecnológica. Ou seja, abaixo das<br />

três expressões mais dinâmicas para o exercício <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, existe<br />

uma plataforma <strong>de</strong> suporte que vem a ser a Expressão Psicossocial e a<br />

Expressão Científico-tecnológica, como ilustra<strong>do</strong> na figura esquemática<br />

a seguir.<br />

Fig. 1. Esquema das Expressões <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional<br />

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Geopolítica<br />

Como a Geopolítica é um estu<strong>do</strong> <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s em sua relação no<br />

contexto mundial, é também recomendável rever-se o conceito <strong>de</strong> centros<br />

<strong>de</strong> po<strong>de</strong>r, como:<br />

Países, grupos <strong>de</strong> países, organizações internacionais, multinacionais<br />

ou transnacionais, que atuam no cenário internacional<br />

como elementos <strong>de</strong> pressão em relação ao atendimento <strong>de</strong><br />

seus interesses, influencian<strong>do</strong> ou participan<strong>do</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisões significativas<br />

quanto a políticas e estratégias <strong>de</strong> nações ou das <strong>de</strong>mais<br />

nações.<br />

É oportuno, nestas consi<strong>de</strong>rações, relembrar o entendimento <strong>de</strong><br />

Geoestratégia, para um melhor entendimento da importância da<br />

Geopolítica e sua relação com as estratégias a<strong>do</strong>tadas pelos Esta<strong>do</strong>s, além<br />

<strong>de</strong> dirimir dúvidas expostas pelas várias interpretações, muitas vezes<br />

incorretas sobre o que realmente vem a ser.<br />

Vimos que Política é a arte <strong>de</strong> fixar os objetivos pretendi<strong>do</strong>s, preparar<br />

e aplicar o po<strong>de</strong>r, para sua conquista e a manutenção, e que Estratégia<br />

é a arte <strong>de</strong> preparar e aplicar o po<strong>de</strong>r, para a conquista e manutenção<br />

<strong>do</strong>s objetivos fixa<strong>do</strong>s pela Política. Quan<strong>do</strong> a Política recebe<br />

influências geográficas na fixação <strong>do</strong>s seus objetivos, segun<strong>do</strong> Beckheuser<br />

e outros estudiosos <strong>do</strong> assunto, está-se tratan<strong>do</strong> <strong>de</strong> Geopolítica. Da mesma<br />

forma, quan<strong>do</strong> a Estratégia no preparo<br />

e aplicação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, para conquistar<br />

e manter os objetivos fixa<strong>do</strong>s pela Estratégia é a arte <strong>de</strong> pre-<br />

Política, recebe influência das condiparar e aplicar o po<strong>de</strong>r,<br />

ções geográficas, está-se tratan<strong>do</strong> <strong>de</strong> para a conquista e manu-<br />

Geoestratégia. Mafra, em “Doutrina <strong>de</strong> tenção <strong>do</strong>s objetivos fixa-<br />

Ação Política”, assim se exprime: <strong>do</strong>s pela Política.<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

“Geoestratégia é a arte <strong>de</strong> preparar e aplicar o po<strong>de</strong>r para a conquista e<br />

a manutenção <strong>do</strong>s objetivos fixa<strong>do</strong>s pela Política, quan<strong>do</strong> em <strong>de</strong>corrência<br />

das condições geográficas”.<br />

Feitas estas consi<strong>de</strong>rações preliminares, serão abordadas as origens<br />

e os fundamentos da Geopolítica.<br />

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Geopolítica<br />

2. ORIGENS E FUNDAMENTOS DA <strong>GEOPOLÍTICA</strong><br />

Ao longo da história da humanida<strong>de</strong>, tem si<strong>do</strong> uma constante por<br />

parte <strong>de</strong> estadistas, diplomatas, militares, filósofos, historia<strong>do</strong>res<br />

e geógrafos <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o mun<strong>do</strong>, a interpretação das características<br />

e fenômenos <strong>do</strong>s espaços geográficos das regiões visan<strong>do</strong> à<br />

formulação <strong>de</strong> soluções <strong>de</strong> caráter político para alcançar interesses<br />

específicos das nações ou <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s.<br />

2.1 Origens<br />

Encontram-se escritos sobre o assunto <strong>de</strong> maneiras não sistematizadas<br />

elaboradas na Ida<strong>de</strong> Antiga, principalmente na Grécia e em Roma<br />

(até 476 DC) por Heró<strong>do</strong>to, Hipócrates, Tucídi<strong>de</strong>s, Platão, Aristóteles,<br />

Lucrécio, Estrabão e Possidônio.<br />

Pelas características isolacionistas e corporativistas, houve acentuada<br />

queda <strong>de</strong> interesse pelo assunto durante a Ida<strong>de</strong> Média (até 1453);<br />

assim mesmo, encontram-se escritos <strong>de</strong> Marco Polo, Man<strong>de</strong>ville,<br />

Constantino VII, Marcelino e Alberto Magno sobre o assunto.<br />

Durante a Ida<strong>de</strong> Mo<strong>de</strong>rna (até 1789), Montesquieu, Maquiavel,<br />

Jean Bodin, Botero, Münster e outros escreveram sobre o tema, já relacionan<strong>do</strong><br />

os aspectos físicos da geografia com a organização <strong>do</strong>s Esta-<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

<strong>do</strong>s, com suas características culturais e econômicas. Já na Ida<strong>de</strong> Contemporânea<br />

(após 1789), intensificaram-se os estu<strong>do</strong>s a respeito, com<br />

observações <strong>de</strong> Humbolt, Ritter, Napoleão, Kant, Von Bullow, Friedrich<br />

List, Peschel e Friedrich Ratzel, este último o primeiro a elaborar estu<strong>do</strong>s<br />

sistematiza<strong>do</strong>s sobre o assunto, valen<strong>do</strong>-lhe ser reconheci<strong>do</strong> como o<br />

precursor da Geopolítica como ciência. Posteriormente, surgem estudiosos<br />

como Brunhes, Haushofer, La Blache, Bowman, Vallaux, Mahan,<br />

Mackin<strong>de</strong>r, Spykman, Roucek, Bor<strong>de</strong>n, Seversky e outros contemporâneos<br />

que se <strong>de</strong>dicaram ao estu<strong>do</strong> da Geopolítica, alguns chegan<strong>do</strong> a estabelecer<br />

teorias que servem <strong>de</strong> base para se analisar as ações políticas <strong>do</strong>s<br />

Esta<strong>do</strong>s.<br />

Conforme cita<strong>do</strong> acima, foram os trabalhos e conceitos sobre a natureza<br />

política, geográfica e social <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, <strong>de</strong> Friedrich Ratzel, que<br />

serviram como base para o estabelecimento da Ciência Geopolítica, valen<strong>do</strong><br />

o seu reconhecimento como o precursor <strong>de</strong>sta nova e importante<br />

ciência.<br />

Seu gran<strong>de</strong> mérito foi aproveitar os estu<strong>do</strong>s políticos, econômicos<br />

e humanos <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> um espaço geográfico, valen<strong>do</strong>-se ainda da História,<br />

estudan<strong>do</strong> o passa<strong>do</strong> e o momento<br />

É sobre o solo <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, atual <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s.<br />

espaço físico-político, que Friedrich Ratzel (1844 1904),<br />

o homem exerce suas ati- natural da Alemanha e professor <strong>de</strong><br />

vida<strong>de</strong>s, as quais, se enér- Geografia em Munique e em Leipzig,<br />

gicas, predispõem ao cria<strong>do</strong>r da Antropogeografia, no <strong>de</strong>sen-<br />

crescimento; se débeis, volvimento <strong>de</strong> seus estu<strong>do</strong>s escreve a<br />

predispõem ao seu enfra- obra “Geografia Política”, na qual conquecimento<br />

e até à extinção. si<strong>de</strong>ra o Esta<strong>do</strong> como resultante <strong>do</strong> binário<br />

solo-homem; o homem influen-<br />

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Geopolítica<br />

cian<strong>do</strong> o Esta<strong>do</strong> através <strong>de</strong> sua cultura e da ativida<strong>de</strong> política, enquanto o<br />

Esta<strong>do</strong> permanece liga<strong>do</strong> ao solo, como um organismo vivo e, por isso<br />

mesmo, sujeito a leis biológicas inevitáveis.<br />

É sobre o solo <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, espaço físico-político, que o homem<br />

exerce suas ativida<strong>de</strong>s, as quais, se enérgicas, predispõem ao crescimento;<br />

se débeis, predispõem ao seu enfraquecimento e até à extinção. Levan<strong>do</strong>-se<br />

em conta a visão <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r da época, nota-se que o conceito<br />

ratzeliano pressupõe como crescimento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, o crescimento <strong>do</strong> seu<br />

espaço físico em relação ao território original.<br />

Este conceito justificaria, posteriormente, a política expansionista<br />

<strong>de</strong> Hitler, quan<strong>do</strong> resolveu avançar nos territórios <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s vizinhos.<br />

A essência da teoria <strong>do</strong> espaço vital (lebensraum) foi base <strong>de</strong> sua<br />

obra, intitulada “Os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s da América” (1880). Nesse trabalho,<br />

são estuda<strong>do</strong>s os fundamentos <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r estatal exemplifica<strong>do</strong>s na<br />

hegemonia estaduni<strong>de</strong>nse no seio da família americana <strong>de</strong> nações. Essa<br />

teoria ganhou maior <strong>de</strong>senvolvimento e profundida<strong>de</strong> em Leis <strong>do</strong> Crescimento<br />

Territorial <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s (1896), amplian<strong>do</strong> ainda mais<br />

através das suas sete leis <strong>de</strong> expansão <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, na obra Geografia Política<br />

, publicada em 1897.<br />

Com os seus conceitos, entre outros, Ratzel <strong>de</strong>ixou <strong>do</strong>is pensamentos<br />

<strong>de</strong> alto grau <strong>de</strong> periculosida<strong>de</strong>:<br />

- “O Esta<strong>do</strong> é um organismo vivo”;<br />

- “Espaço é po<strong>de</strong>r”.<br />

Basea<strong>do</strong> nessas premissas e conceitos, formulou as chamadas “Leis<br />

<strong>do</strong> Crescimento <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s”, também conhecidas como “Leis <strong>do</strong>s Espaços<br />

Crescentes”, inspira<strong>do</strong>ras <strong>de</strong> outras leis básicas da Geopolítica,<br />

que serão apresentadas.<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

Ru<strong>do</strong>lf Kjëllén (1846 1922), natural da Suécia, professor na Universida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> Gotemburgo, foi, além <strong>do</strong> cria<strong>do</strong>r <strong>do</strong> termo “Geopolítica”,<br />

o responsável pelo reconhecimento da autonomia <strong>do</strong> seu estu<strong>do</strong>, elevan<strong>do</strong>-a<br />

à categoria <strong>de</strong> ciência aplicada e continuada por seus segui<strong>do</strong>res.<br />

Impressiona<strong>do</strong> pelas teorias <strong>de</strong> Ratzel, sobre a natureza orgânica<br />

<strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, aban<strong>do</strong>nou a orientação jurídico-filosófica que até então<br />

pre<strong>do</strong>minava no estu<strong>do</strong> da Ciência Política, passan<strong>do</strong> a analisar o fenômeno<br />

<strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> por processos rigorosamente científicos, nos mol<strong>de</strong>s<br />

usa<strong>do</strong>s pelas ciências físicas, naturais e sociais. Passou a analisar o Esta<strong>do</strong><br />

em sua estrutura mais íntima, sob o ponto <strong>de</strong> vista jurídico, social e<br />

econômico, procuran<strong>do</strong> em aspectos tangíveis as bases em que o mesmo<br />

se fundamenta.<br />

Para Kjëllén, não é possível analisar o Esta<strong>do</strong> somente sob o aspecto<br />

jurídico e subsidiariamente enriqueci<strong>do</strong> das contribuições da sociologia<br />

e da economia. Era necessário analisá-lo com visão global, investigan<strong>do</strong><br />

com igual ênfase to<strong>do</strong>s os fatores que o compõem. Dentro<br />

<strong>de</strong>sse raciocínio, a<strong>do</strong>tou um novo méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> da Política, analisan<strong>do</strong>-a<br />

sob os seguintes aspectos:<br />

- Geopolítica: <strong>de</strong>termina a influência <strong>do</strong> solo (situação, valor <strong>do</strong> território<br />

ocupa<strong>do</strong>) nos fenômenos políticos;<br />

- Ecopolítica (atualmente Geoeconomia): influência <strong>do</strong>s fatores econômicos<br />

nos fenômenos políticos;<br />

- Demopolítica: estu<strong>do</strong> <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> como nação (povo);<br />

- Cratopolítica: estuda a política <strong>do</strong> governo, como po<strong>de</strong>r.<br />

Além <strong>de</strong> cria<strong>do</strong>r e sistematiza<strong>do</strong>r <strong>de</strong>ssa nova maneira <strong>de</strong> estudar o<br />

Esta<strong>do</strong>, o arquiteto <strong>do</strong> novo ramo da Política, a Geopolítica, que estuda<br />

o Esta<strong>do</strong> como fenômeno <strong>do</strong> espaço, portanto como país, territorium e<br />

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Geopolítica<br />

<strong>do</strong>minium, no livro “O Esta<strong>do</strong> como for-<br />

Ainda segun<strong>do</strong> Kjëllén, a<br />

ma <strong>de</strong> vida” (1918), concebeu o Esta<strong>do</strong><br />

interpretação <strong>do</strong>s fenô-<br />

como ser vivo, organicamente uni<strong>do</strong> ao<br />

menos políticos influenci-<br />

solo, em luta constante por maior espaço.<br />

a<strong>do</strong>s pelos fatores geo-<br />

Introduziu, também, a idéia <strong>de</strong><br />

gráficos se daria sob três<br />

Nacionalismo, que daria a expressão<br />

enfoques: Topolítica, Mor-<br />

característica <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. Território e<br />

fopolítica, Fisiopolítica.<br />

espaço passam a ser reabasteci<strong>do</strong>s pelo<br />

misticismo com a inclusão <strong>do</strong> conceito<br />

<strong>de</strong> nacionalismo que, por sua ampla e sugestiva significação, po<strong>de</strong> alimentar<br />

as idéias <strong>de</strong> expansionismo.<br />

Ainda segun<strong>do</strong> Kjëllén, a interpretação <strong>do</strong>s fenômenos políticos<br />

influencia<strong>do</strong>s pelos fatores geográficos se daria sob três enfoques:<br />

• Topolítica: influência da posição <strong>do</strong> espaço físico;<br />

• Morfopolítica: influência da forma e da extensão <strong>do</strong> território;<br />

• Fisiopolítica: influência das riquezas naturais contidas nesse espaço.<br />

COMENTÁRIOS:<br />

Verifica-se que as concepções cria<strong>do</strong>ras da Ciência Geopolítica vão<br />

se antecipar, inspirar ou justificar o comportamento e a or<strong>de</strong>nação <strong>do</strong><br />

mun<strong>do</strong> no século XX.<br />

Políticas expansionistas, alianças, áreas <strong>de</strong> influência, políticas <strong>de</strong><br />

“equilíbrio <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r”, políticas <strong>de</strong> contenção, entre outras, vieram comprovar<br />

a veracida<strong>de</strong> daquelas idéias. Surgiram e ainda surgem várias<br />

“teorias geopolíticas”, frutos <strong>de</strong>ssa nova ciência, objetivan<strong>do</strong> novos posicionamentos<br />

<strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s no contexto mundial ou, ainda, estu<strong>do</strong>s prospectivos<br />

e estabelecimento <strong>de</strong> cenários futuros, para formulação <strong>de</strong><br />

geoestratégias.<br />

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2 0<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

2.2. Fundamentos<br />

Pelo exposto nas origens da Geopolítica, observa-se que os fundamentos<br />

iniciais e não sistematiza<strong>do</strong>s <strong>do</strong> pensamento geopolítico se baseiam<br />

no po<strong>de</strong>r e nos espaços geográficos que os Esta<strong>do</strong>s ocupavam.<br />

Conclui-se, também, que a geopolítica se <strong>de</strong>senvolve em função da percepção<br />

<strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s e na relação entre os Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>,<br />

logo, na procura <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r mundial.<br />

Geopolítica se <strong>de</strong>senvolve<br />

A partir <strong>do</strong>s estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> Ratzel e<br />

em função da percepção Kjëllén, foram elaboradas leis e postu-<br />

<strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s e na la<strong>do</strong>s que se tornaram os fundamentos<br />

relação entre os Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> da Geopolítica.<br />

mun<strong>do</strong>, logo, na procura <strong>do</strong> As sete “Leis <strong>do</strong> Crescimento <strong>do</strong>s<br />

po<strong>de</strong>r mundial.<br />

Esta<strong>do</strong>s” ou “Leis <strong>do</strong>s Espaços Crescentes”,<br />

<strong>de</strong> Friedrich Ratzel, são:<br />

1 - A necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> espaço cresce com a cultura <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>.<br />

2 - O crescimento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> segue outras manifestações <strong>do</strong> <strong>de</strong>senvolvimento<br />

<strong>do</strong> povo, <strong>de</strong>ven<strong>do</strong>, necessariamente, prece<strong>de</strong>r o <strong>de</strong>senvolvimento<br />

<strong>do</strong> próprio povo.<br />

3 - O crescimento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> manifesta-se pela adição <strong>de</strong> outros Esta<strong>do</strong>s,<br />

menores, <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong> processo <strong>de</strong> amalgamação.<br />

4 - A fronteira é o órgão periférico <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong><br />

5 - Em seu crescimento, o Esta<strong>do</strong> luta pela absorção das seções politicamente<br />

importantes.<br />

6 - O primeiro ímpeto para o crescimento territorial vem <strong>de</strong> outra civilização<br />

superior.<br />

7 - A tendência geral para a anexação territorial e amalgamação transmite<br />

o movimento <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> para Esta<strong>do</strong> e aumentan<strong>do</strong> a sua intensida<strong>de</strong>.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 20<br />

14/6/2005, 17:16


Geopolítica<br />

Posteriormente, Ratzel elabora mais algumas leis complementan<strong>do</strong><br />

suas idéias iniciais, que são:<br />

a - A área mundial está dividida em zonas <strong>de</strong> influência, <strong>de</strong>ntro das<br />

quais cada Esta<strong>do</strong> tem uma importância relativa, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com<br />

seus aspectos particulares.<br />

b - Os Esta<strong>do</strong>s encrava<strong>do</strong>s entre outros mais po<strong>de</strong>rosos se vêem sempre<br />

no dilema <strong>de</strong> optar pela política <strong>de</strong> um <strong>de</strong>les.<br />

c - A posição relativa i<strong>de</strong>al para um Esta<strong>do</strong> é a <strong>de</strong> ser ro<strong>de</strong>a<strong>do</strong> <strong>de</strong> outros<br />

<strong>de</strong> menor potencialida<strong>de</strong>; Esta<strong>do</strong>s fracos, vizinhos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s po<strong>de</strong>rosos,<br />

correm o risco <strong>de</strong> cair na órbita <strong>de</strong> influência <strong>de</strong>stes; Esta<strong>do</strong>s<br />

po<strong>de</strong>rosos e vizinhos, mas <strong>de</strong> interesses opostos, criam ambiente<br />

<strong>de</strong> intranqüilida<strong>de</strong>, cuja solução, às vezes única, é a guerra..<br />

d - Em casos típicos <strong>de</strong> excesso <strong>de</strong> população, os efeitos da pressão<br />

<strong>de</strong>mográfica transpõem as fronteiras e penetram pelos vizinhos; é o<br />

efeito expansionista.<br />

“Postula<strong>do</strong>s” <strong>de</strong> Ru<strong>do</strong>lf Kjëllén:<br />

a - Esta<strong>do</strong>s vitalmente fortes, com áreas <strong>de</strong> soberania limitada, são <strong>do</strong>mina<strong>do</strong>s<br />

pelo categórico imperativo político <strong>de</strong> dilatar seus territórios,<br />

pela colonização, pela união com outros Esta<strong>do</strong>s ou pela conquista.<br />

b - Aos Esta<strong>do</strong>s pequenos parece reservada,no mun<strong>do</strong> da política internacional,<br />

sorte idêntica à <strong>de</strong> povos primitivos no mun<strong>do</strong> da cultura;<br />

são repeli<strong>do</strong>s para a periferia, manti<strong>do</strong>s em áreas marginais<br />

ou em zonas fronteiriças, ou <strong>de</strong>saparecem.<br />

c - Quanto mais o mun<strong>do</strong> se organiza, mais os vastos espaços como<br />

Esta<strong>do</strong>s gran<strong>de</strong>s, fazem sentir sua influência e, quanto maior o <strong>de</strong>senvolvimento<br />

<strong>do</strong>s gran<strong>de</strong>s Esta<strong>do</strong>s, menor a importância <strong>do</strong>s pequenos.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 21<br />

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2 1


2 2<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

É importante lembrar que em to<strong>do</strong> esse perío<strong>do</strong>, o território era o<br />

gran<strong>de</strong> símbolo <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r. Logo, essas leis e postula<strong>do</strong>s serviram como<br />

justificativas para ações belicosas <strong>de</strong> vários governantes.<br />

2.3 Conceitos<br />

Após um estu<strong>do</strong> sucinto sobre a origem da Geopolítica como ciência<br />

e sobre seus fundamentos iniciais, torna-se oportuno apresentar<br />

alguns <strong>do</strong>s diversos conceitos elabora<strong>do</strong>s pelos estudiosos <strong>do</strong> assunto,<br />

ao longo <strong>do</strong>s tempos, proporcionan<strong>do</strong> condições para análise comparativa<br />

entre as linhas <strong>de</strong> pensamento geopolítico existentes e para reflexões<br />

sobre sua evolução.<br />

Seu precursor, Friedrich Ratzel, influencia<strong>do</strong> em seus estu<strong>do</strong>s pelos<br />

fatores espaço (“raum” área ocupada por um Esta<strong>do</strong>) e posição (“lage”<br />

situação geográfica), origem <strong>do</strong> termo “lebensraum” (espaço vital), a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong><br />

por Mackin<strong>de</strong>r e Haushofer, estabeleceu duas premissas: “o Esta<strong>do</strong> é<br />

um organismo vivo” e “espaço é po<strong>de</strong>r”. Essas premissas serviram <strong>de</strong><br />

base para a elaboração <strong>do</strong>s primeiros princípios e leis da Geopolítica,<br />

mas não para conceituá-la.<br />

Foi Ru<strong>do</strong>lf Kjëllén, cria<strong>do</strong>r <strong>do</strong> vocábulo Geopolítica em 1899, que<br />

em uma conferência universitária, utilizou-o pela primeira vez e, posteriormente,<br />

em seu trabalho “O Esta<strong>do</strong> como forma <strong>de</strong> vida”, publica<strong>do</strong><br />

em 1916, ocasião em que <strong>de</strong>finiu: “Geopolítica é a ciência que estuda o Esta<strong>do</strong><br />

como organismo geográfico, isto é, como fenômeno localiza<strong>do</strong> em certo reich”. *<br />

* “Reich”: palavra <strong>de</strong> difícil tradução em português, porque contém o senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> solo<br />

político (território e tu<strong>do</strong> o que nele se encerra), isto é, o “<strong>do</strong>minium” propriamente<br />

dito, no senti<strong>do</strong> latino <strong>do</strong> vernáculo.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 22<br />

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Geopolítica<br />

Dos diversos conceitos elabora<strong>do</strong>s<br />

“Geopolítica é a ciência que<br />

pelo renoma<strong>do</strong> Instituto <strong>de</strong> Geopolítica<br />

estuda o Esta<strong>do</strong> como or-<br />

<strong>de</strong> Munique (Alemanha), serão apreganismo<br />

geográfico, isto é,<br />

senta<strong>do</strong>s somente <strong>do</strong>is, por possuírem<br />

como fenômeno localiza<strong>do</strong><br />

maior isenção científica e serem menos<br />

em certo reich”.<br />

influencia<strong>do</strong>s pelas i<strong>de</strong>ologias radicais<br />

da época:<br />

“Geopolítica é a consciência geográfica <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>”.<br />

“Geopolítica é a ciência das relações da terra com os processos políticos”.<br />

O general e geógrafo alemão Karl Haushofer, que impressionou<br />

A<strong>do</strong>lf Hitler por sua visão geopolítica, assim a conceituava: “Geopolítica<br />

é a ciência que trata da <strong>de</strong>pendência <strong>do</strong>s fatos políticos em relação ao<br />

solo”.<br />

Mais tar<strong>de</strong>, em 1928, Haushofer, Obst, Lautensach e Otto Maull,<br />

quatro <strong>do</strong>s gran<strong>de</strong>s geopolíticos da época, emitiram uma <strong>de</strong>claração conjunta<br />

na qual conceituaram: “Geopolítica é a ciência da vinculação geográfica<br />

<strong>do</strong>s acontecimentos políticos”.<br />

Para outro geopolítico Heinz Kloss, “Geopolítica é tanto ciência<br />

como política. É uma ciência política nacional”.<br />

O professor holandês naturaliza<strong>do</strong> americano cria<strong>do</strong>r <strong>de</strong> uma das<br />

importantes teorias clássicas da Geopolítica, Nicholas John Spykman,<br />

assim conceitua: “A Geopolítica po<strong>de</strong> ser aplicada ao planejamento da<br />

segurança política <strong>de</strong> um país, em termos <strong>de</strong> seus fatores geográficos”.<br />

De acor<strong>do</strong> Hans Weigert, outro estudioso <strong>do</strong> assunto, “Geopolítica<br />

é a geografia aplicada à política <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r nacional e à sua estratégia, na<br />

paz e na guerra”.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 23<br />

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2 4<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Mais recentemente, o coronel americano F. Cabaugh <strong>de</strong>fine: “Geopolítica<br />

é a ciência que combina geografia, história e política, com o<br />

objetivo <strong>de</strong> explicar e prever o comportamento das nações”.<br />

Concluin<strong>do</strong> esta série <strong>de</strong> conceitos, elabora<strong>do</strong>s por expressivos estudiosos<br />

estrangeiros, não se po<strong>de</strong>ria omitir o <strong>de</strong> Griffith Taylor, pela<br />

concepção muito atual, indican<strong>do</strong> nova tendência <strong>do</strong> assunto em pauta:<br />

“Geopolítica é o estu<strong>do</strong> <strong>do</strong>s mais relevantes aspectos da situação e <strong>do</strong>s<br />

recursos <strong>de</strong> um país, com vistas à <strong>de</strong>terminação <strong>de</strong> sua posição relativa<br />

na política mundial”.<br />

Na seqüência, serão apresentadas as concepções <strong>do</strong>s mais consistentes<br />

estudiosos brasileiros sobre o tema, <strong>de</strong> forma a se <strong>de</strong>linear o pensamento<br />

geopolítico no Brasil.<br />

Segun<strong>do</strong> o professor Everar<strong>do</strong> Backheuser, consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> o precursor<br />

da Geopolítica brasileira com obras no final da década <strong>de</strong> 20 e um<br />

<strong>do</strong>s mais importantes geopolíticos brasileiros: “Geopolítica é a política<br />

feita em <strong>de</strong>corrência das condições geográficas”.<br />

O general Mário Travassos, em sua obra publicada em 1931, ocasião<br />

em que lança os fundamentos da Geopolítica brasileira <strong>de</strong>fine:<br />

Geopolítica é um processo interpretativo <strong>do</strong>s fatos geográficos,<br />

em seus aspectos negativos e positivos, <strong>de</strong> cuja soma algébrica<br />

<strong>de</strong>ve resultar um juízo da situação <strong>de</strong> um país, no momento consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>,<br />

não como um julgamento <strong>de</strong>finitivo fruto <strong>de</strong> uma<br />

pre<strong>de</strong>stinação <strong>de</strong> caráter <strong>de</strong>terminista e, muito menos, <strong>de</strong> uma<br />

forma <strong>de</strong> seleção coletiva, visan<strong>do</strong> a objetivos políticos nem sempre<br />

confessáveis.<br />

Na opinião <strong>do</strong> general Golbery <strong>do</strong> Couto e Silva, reconheci<strong>do</strong> como<br />

um marco no pensamento geopolítico nacional, mais direciona<strong>do</strong> para<br />

o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> Brasil:<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 24<br />

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Geopolítica<br />

Geopolítica é a fundamentação geográfica <strong>de</strong> linhas <strong>de</strong> ação políticas,<br />

quan<strong>do</strong> não, por iniciativa, a proposição <strong>de</strong> diretrizes políticas<br />

formuladas à luz <strong>do</strong>s fatores geográficos, em particular <strong>de</strong><br />

uma análise calcada, sobretu<strong>do</strong>, nos conceitos básicos <strong>de</strong> espaço<br />

e posição.<br />

Para o general Carlos Meira Mattos, outro expoente da Geopolítica<br />

brasileira, com várias obras editadas sobre o assunto: “Geopolítica é a<br />

arte <strong>de</strong> aplicar a política nos espaços geográficos”.<br />

Finalizan<strong>do</strong> esta série <strong>de</strong> conceitos <strong>de</strong> geopolíticos nacionais, <strong>de</strong><br />

inegável valor e luci<strong>de</strong>z, a professora Therezinha <strong>de</strong> Castro assim se expressa:<br />

Convertida na consciência geográfica <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, a Geopolítica<br />

po<strong>de</strong> prestar serviços às causas da guerra como também às da paz,<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> que a<strong>de</strong>quadamente formalizada. Po<strong>de</strong>rá, assim, traçar metas<br />

para um bom governo fundamentan<strong>do</strong> suas diretrizes no setor<br />

da integração, no aproveitamento sistemático <strong>de</strong> seu espaço e<br />

posição.<br />

Concluída esta parte que versa sobre os conceitos <strong>de</strong> Geopolítica,<br />

serão apresentadas a seguir as escolas geopolíticas e as teorias geopolíticas<br />

consagradas na literatura.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 25<br />

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2 6<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

COMENTÁRIOS:<br />

É oportuno citar um <strong>do</strong>s comentários feitos por Yves Lacoste, respeitável<br />

geógrafo e geopolítico francês da atualida<strong>de</strong>, em obra<br />

publicada em 1988, para se ter idéia da complexida<strong>de</strong>, da tendência<br />

e da importância da Geopolítica: “Contrariamente às afirmações<br />

<strong>de</strong> certos gran<strong>de</strong>s teóricos, uma situação geopolítica não é<br />

<strong>de</strong>terminada, no essencial, por tal da<strong>do</strong> <strong>de</strong> geografia física, mas ela<br />

resulta da combinação <strong>de</strong> fatores bem mais numerosos,<br />

<strong>de</strong>mográficos, econômicos, culturais, políticos, cada qual <strong>de</strong>les <strong>de</strong>ven<strong>do</strong><br />

ser visto na sua configuração espacial particular”.<br />

Nota-se perfeitamente nos diversos conceitos a constante <strong>de</strong> idéias<br />

fortes como: espaço, Esta<strong>do</strong>, política e po<strong>de</strong>r. Na evolução <strong>de</strong>sses<br />

conceitos, percebe-se o crescimento <strong>de</strong> outros aspectos como economia,<br />

população e cultura, tornan<strong>do</strong> gradativamente mais complexos<br />

e <strong>de</strong>safiantes os estu<strong>do</strong>s da ciência Geopolítica.<br />

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Geopolítica<br />

3. ESCOLAS DE PENSAMENTO GEOPOLÍTICO<br />

Quan<strong>do</strong> se trata <strong>de</strong> um assunto tão complexo como a Geopolítica,<br />

que atiça a elaboração <strong>de</strong> pensamento e está sujeito às mais diversas<br />

interpretações, antagônicas ou não, é natural que se formem<br />

grupos <strong>de</strong> pensa<strong>do</strong>res com visões similares e <strong>de</strong>fendam o<br />

tronco comum das interpretações <strong>de</strong> cada grupo. Vamos conhecer<br />

os princípios.<br />

Como não podia <strong>de</strong>ixar <strong>de</strong> ser, os a<strong>de</strong>ptos da nova ciência se<br />

aglutinam em torno <strong>de</strong> idéias e bases específicas semelhantes forman<strong>do</strong><br />

as escolas geopolíticas, que na atualida<strong>de</strong>, são três:<br />

-Escola Determinista (alemã);<br />

-Escola Possibilista (francesa);<br />

-Escola da Geopolítica Integralizada (mais mo<strong>de</strong>rna).<br />

A título <strong>de</strong> ilustração, anteriormente, até os anos 50, existiam também<br />

três escolas: a da Paisagem Política (francesa), por somente observar,<br />

inventariar e analisar to<strong>do</strong>s os elementos políticos da paisagem cultural<br />

e sua integração em configurações espaciais, ten<strong>do</strong> como seus<br />

segui<strong>do</strong>res Whittlesey e Hartshorne; a da Ecologia Política, também<br />

conhecida como Contemplativa, que estudava os ajustamentos políticos<br />

<strong>do</strong>s grupos sociais ao meio natural com interpretação geográfica das<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 27<br />

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2 8<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

relações internacionais, porém não propon<strong>do</strong> intervenções, ten<strong>do</strong> como<br />

segui<strong>do</strong>res White, Renner e Van Valkenburg; e, a Organicista, fundamentada<br />

nas idéias <strong>de</strong> Kjëlkén que estudava o organismo político e sua<br />

estrutura, com vistas à formulação <strong>de</strong> uma política espacial, ten<strong>do</strong> como<br />

segui<strong>do</strong>res Ratzel e Haushofer.<br />

A primeira, por falta <strong>de</strong> dinamismo <strong>de</strong> seus segui<strong>do</strong>res, permitiu<br />

que alguns <strong>de</strong> seus estudiosos se juntassem à segunda, dan<strong>do</strong> origem à<br />

Escola Possibilista, e a terceira, <strong>do</strong>s organicistas, <strong>de</strong>u origem à Escola<br />

Determinista.<br />

3.1. Escola Determinista (alemã)<br />

Também conhecida como Escola <strong>do</strong> Fatalismo Geográfico, teve<br />

início com as idéias <strong>de</strong> Ratzel e Kjëllén, sen<strong>do</strong> segui<strong>do</strong>res entre outros:<br />

Haushofer, Mahan e Sir Mackin<strong>de</strong>r, to<strong>do</strong>s cria<strong>do</strong>res <strong>de</strong> teorias<br />

geopolíticas consagradas, que influenciaram <strong>de</strong>cisivamente as justificativas<br />

das gran<strong>de</strong>s conquistas por Hitler, no início da 2ª Gran<strong>de</strong> Guerra.<br />

Para esta escola, o ambiente físico exerce influência <strong>de</strong>terminante<br />

na ativida<strong>de</strong> humana, ten<strong>do</strong> como lema: “o homem é produto <strong>do</strong> meio”.<br />

Admite que o ambiente físico é<br />

Escola Determinista fator prepon<strong>de</strong>rante, com influência<br />

Para esta escola, o ambien- marcante e irresistível na vida humana<br />

te físico exerce influência e, por extensão, o será na vida <strong>do</strong>s Esta-<br />

<strong>de</strong>terminante na ativida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s. Por conseqüência, as característi-<br />

humana, ten<strong>do</strong> como lema: cas, as ativida<strong>de</strong>s e o <strong>de</strong>stino <strong>do</strong>s ho-<br />

“o homem é produto <strong>do</strong> mens e <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s estarão vincula<strong>do</strong>s<br />

meio”.<br />

à localização e à extensão <strong>do</strong> território,<br />

assim como a altitu<strong>de</strong>, fronteiras e outros<br />

aspectos geográficos.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 28<br />

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Geopolítica<br />

3.2. Escola Possibilista (francesa)<br />

Escola Possibilista<br />

Surge a Escola Possibilista, que<br />

Tem como lema: “a natureza<br />

não aceita a sujeição <strong>do</strong> homem e <strong>do</strong><br />

propõe e o homem dispõe”.<br />

Esta<strong>do</strong>, como entida<strong>de</strong> política orgânica,<br />

unicamente ao “fatalismo geográfico”,<br />

mas, também à unida<strong>de</strong> cultural e nacional, com suas ativida<strong>de</strong>s<br />

dirigidas pela consciência coletiva <strong>do</strong>s cidadãos, por possuírem capacida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> pensar e terem vonta<strong>de</strong> própria. Para os <strong>de</strong>fensores <strong>de</strong>sta escola,<br />

o ambiente físico não exerce influência <strong>de</strong>terminante na ativida<strong>de</strong> humana,<br />

mas, sim, apresenta uma gama <strong>de</strong> possibilida<strong>de</strong>s, caben<strong>do</strong> ao<br />

homem escolher o seu <strong>de</strong>stino, da mesma forma que ao Esta<strong>do</strong> compete<br />

estabelecer as ações a a<strong>do</strong>tar. Tem como lema: “a natureza propõe e o<br />

homem dispõe”.<br />

Não aceita, também, que a existência nacional seja fundamentada<br />

na luta por espaço geográfico e procura <strong>de</strong>monstrar a fraqueza <strong>de</strong>sse<br />

conceito, apresentan<strong>do</strong> exemplos <strong>de</strong> pequenos Esta<strong>do</strong>s que têm sobrevivi<strong>do</strong><br />

e contribuí<strong>do</strong> significativamente para o <strong>de</strong>senvolvimento cultural,<br />

ao longo da história da humanida<strong>de</strong>. Seu expoente maior foi o francês<br />

Vidal <strong>de</strong> La Blache, que se <strong>de</strong>clarou contrário ao <strong>de</strong>terminismo<br />

geográfico, porém, admitiu, <strong>de</strong> certa forma, um <strong>de</strong>terminismo geo-histórico.<br />

Teve como segui<strong>do</strong>res, <strong>de</strong>ntre outros, os franceses Jean Brunhes,<br />

Camile Vallaux, Lucien Fébvre e o americano Isaiah Bowman.<br />

3.3. Escola da Geopolítica Integralizada (mais mo<strong>de</strong>rna)<br />

Surge posteriormente, buscan<strong>do</strong> integrar as idéias das duas escolas<br />

citadas e propon<strong>do</strong> uma posição intermediária, cuja idéia-força é: “o<br />

possibilismo age mas, não raro, em função <strong>de</strong> um <strong>de</strong>terminismo”.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 29<br />

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2 9


3 0<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Não tem posição extremada como<br />

Escola da Geopolítica<br />

as anteriores e <strong>de</strong>fen<strong>de</strong> a idéia <strong>de</strong> que se<br />

Integralizada<br />

<strong>de</strong>ve levar em conta, nas suas análises e<br />

Surge propon<strong>do</strong> uma po-<br />

projeções, não somente o homem, o tersição<br />

intermediária, cuja<br />

ritório e as águas, mas, também, o es-<br />

idéia-força é: “o possibipaço<br />

aéreo, <strong>de</strong> on<strong>de</strong> po<strong>de</strong>m surgir amelismo<br />

age mas, não raro,<br />

aças com alto po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> <strong>de</strong>struição,<br />

em função <strong>de</strong> um <strong>de</strong>termi-<br />

causan<strong>do</strong> graves transtornos ao Esta<strong>do</strong>.<br />

nismo”.<br />

Preconiza, ainda, consi<strong>de</strong>rar o <strong>de</strong>senvolvimento<br />

científico-tecnológico, o que<br />

até então não havia si<strong>do</strong> consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> pelas escolas anteriores.<br />

Como seus a<strong>de</strong>ptos exponenciais, encontram-se: John Spykman e<br />

Alexandre Severky, cria<strong>do</strong>res <strong>de</strong> teorias geopolíticas consagradas, e os<br />

estudiosos Joseph Roucek e William Bor<strong>de</strong>n, além <strong>de</strong> outros.<br />

O geopolítico brasileiro coronel Francisco Ruas Santos, assim enten<strong>de</strong><br />

essa escola com perfeição: “o homem não é um autômato, sem<br />

<strong>de</strong>terminação ou vonta<strong>de</strong> própria. A liberda<strong>de</strong> é concedida ao homem à<br />

proporção que a ciência e a técnica avançam (possibilismo), embora tal<br />

liberda<strong>de</strong> seja, <strong>de</strong> certo mo<strong>do</strong>, limitada pela natureza (<strong>de</strong>terminismo)”.<br />

Após estas breves consi<strong>de</strong>rações sobre as escolas <strong>do</strong> pensamento<br />

geopolítico, serão apresenta<strong>do</strong>s elementos básicos <strong>de</strong> geopolítica,<br />

que serviram <strong>de</strong> suporte para os estu<strong>do</strong>s geopolíticos <strong>do</strong>s<br />

Esta<strong>do</strong>s.<br />

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14/6/2005, 17:16


4. ELEMENTOS BÁSICOS DA <strong>GEOPOLÍTICA</strong><br />

Geopolítica<br />

No <strong>de</strong>correr <strong>do</strong>s estu<strong>do</strong>s e trabalhos relativos à Geopolítica, surgi-ram<br />

elementos que passaram a ser consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s básicos na <strong>de</strong>finição<br />

da influência <strong>do</strong>s fatores geográficos nas análises e <strong>de</strong>cisões<br />

políticas com relação ao po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> no contexto mundial,<br />

assunto <strong>do</strong> próximo texto.<br />

Com a evolução científico-tecnológica <strong>do</strong>s últimos anos e a complexida<strong>de</strong><br />

das diversas variáveis que passaram a influir na aplicação<br />

<strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, elementos básicos tornaram-se importantes para uma análise<br />

geopolítica inicial <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, mostran<strong>do</strong> a tendência <strong>de</strong> suas <strong>de</strong>cisões.<br />

Ficaram consagra<strong>do</strong>s na literatu- Elementos básicos da<br />

ra sobre o tema como elementos bási- geopolítica:<br />

cos da geopolítica:<br />

- tendência <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s em<br />

- tendência <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s em face face das condições geográ-<br />

das condições geográficas;<br />

ficas;<br />

- forma <strong>do</strong>s territórios <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s;<br />

- forma e posição <strong>do</strong>s territórios<br />

<strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s; e<br />

- posição <strong>do</strong>s territórios <strong>do</strong>s Es-<br />

- linha periférica <strong>do</strong> territa<strong>do</strong>stório<br />

<strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s.<br />

- linha periférica <strong>do</strong> território <strong>do</strong>s<br />

Esta<strong>do</strong>s.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 31<br />

14/6/2005, 17:16<br />

3 1


3 2<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Para melhor entendimento <strong>de</strong>sses elementos básicos, faremos sucintas<br />

consi<strong>de</strong>rações sobre cada um.<br />

4.1. Tendência <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s em face das condições geográficas<br />

Entenda-se como as melhores condições geográficas <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> ou<br />

a sua tendência <strong>de</strong> possuí-las politicamente, facilitan<strong>do</strong> suas relações<br />

com o restante <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>:<br />

Acesso à totalida<strong>de</strong> das bacias hidrográficas<br />

Quan<strong>do</strong> a bacia hidrográfica encontra-se<br />

totalmente no território <strong>de</strong> um Quan<strong>do</strong> a bacia hidrográ-<br />

Esta<strong>do</strong>, ele possui, naturalmente, o <strong>do</strong>fica encontra-se totalmenmínio<br />

total <strong>de</strong>ssa bacia. No entanto,<br />

te no território <strong>de</strong> um Es-<br />

quan<strong>do</strong> a compartilha com Esta<strong>do</strong>s vita<strong>do</strong>,<br />

ele possui,<br />

zinhos, só o acesso lhe será garanti<strong>do</strong>.<br />

naturalmente, o <strong>do</strong>mínio<br />

Neste caso, se a nascente da bacia en-<br />

total <strong>de</strong>ssa bacia.<br />

contra-se em seu território, o Esta<strong>do</strong><br />

terá <strong>do</strong>mínio sobre a mesma e procurará<br />

acesso à foz para articular sua navegação fluvial com as rotas oceânicas.<br />

Se, a foz encontra-se em seu território, o Esta<strong>do</strong> possui o seu <strong>do</strong>mínio,<br />

porém, naturalmente procurará acesso às suas nascentes e aos rios<br />

forma<strong>do</strong>res da bacia. Desta maneira, tem a vantagem quem possui o<br />

<strong>do</strong>mínio da foz pela sua articulação natural com as rotas oceânicas. O<br />

compartilhamento <strong>de</strong> uma bacia hidrográfica, normalmente, se torna<br />

um potencial <strong>de</strong> atrito entre Esta<strong>do</strong>s vizinhos.<br />

Posse <strong>de</strong> uma ou mais saídas para o mar<br />

A saída para o oceano é <strong>de</strong> extrema importância para um Esta<strong>do</strong>,<br />

pelo fato <strong>de</strong> proporcionar acesso às rotas oceânicas, fundamentais para o<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 32<br />

14/6/2005, 17:16


Geopolítica<br />

seu maior <strong>de</strong>senvolvimento. Caso seja<br />

A saída para o oceano é <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong> mediterrâneo, estará sem-<br />

extrema importância para pre <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> um vizinho. Os Es-<br />

um Esta<strong>do</strong>, pelo fato <strong>de</strong> ta<strong>do</strong>s não se satisfazem com as saídas<br />

proporcionar acesso às ro- para o mar em um só senti<strong>do</strong>, normaltas<br />

oceânicas.<br />

mente procuram acesso também no senti<strong>do</strong><br />

oposto, o que po<strong>de</strong>rá ser obti<strong>do</strong><br />

através <strong>de</strong> ações políticas e pacíficas com Esta<strong>do</strong>s vizinhos, mediante<br />

“corre<strong>do</strong>res <strong>de</strong> exportação”. A situação i<strong>de</strong>al é a que o Esta<strong>do</strong> possua<br />

acesso territorial aos mares opostos.<br />

Acesso às costas opostas<br />

O acesso às costas opostas contém alto grau <strong>de</strong> importância por<br />

facilitar a projeção pacífica <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> aos seus confrontantes, através<br />

<strong>de</strong>ssa fronteira sem gran<strong>de</strong>s obstáculos, que são os mares. Des<strong>de</strong> a Antiguida<strong>de</strong>,<br />

a História constata a forte atração pelo <strong>do</strong>mínio físico das costas<br />

opostas, o que na atualida<strong>de</strong> serve para facilitar as relações sócioeconômico-culturais<br />

entre os Esta<strong>do</strong>s.<br />

Acesso às gran<strong>de</strong>s rotas <strong>de</strong> suprimento marítimo<br />

As gran<strong>de</strong>s rotas marítimas <strong>de</strong> suprimento foram e ainda são altamente<br />

importantes para assegurar o progresso <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s e, por vezes,<br />

a própria existência <strong>de</strong> alguns. O acesso direto a essas rotas facilita a<br />

inserção <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> no contexto mundial.<br />

Estabelecimento <strong>de</strong> bases aéreas<br />

Quanto mais bases aéreas tiverem os Esta<strong>do</strong>s, distribuídas pelo<br />

território, maior será sua condição <strong>de</strong> segurança e, principalmente, <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>senvolvimento e integração <strong>de</strong> áreas distantes em seu espaço estatal.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 33<br />

14/6/2005, 17:16<br />

3 3


3 4<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Com o <strong>de</strong>senvolvimento crescente das aeronaves no que se relaciona a<br />

velocida<strong>de</strong> e autonomia <strong>de</strong> vôo, não necessariamente se obriga à instalação<br />

<strong>de</strong> bases distantes, alivian<strong>do</strong> possíveis tensões que sua instalação<br />

possa provocar em vizinhos.<br />

Forma e posição <strong>do</strong>s territórios <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

Esses <strong>do</strong>is fatores geográficos exercem significativa influência nas<br />

<strong>de</strong>cisões políticas <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, tanto no aspecto econômico quanto no<br />

social, e, ainda, com relação à sua segurança, chegan<strong>do</strong> a refletir até<br />

mesmo em suas relações internacionais.<br />

4.2. Formas <strong>do</strong>s territórios <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

A forma <strong>do</strong> território <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong> é o espaço geográfico que ocupa,<br />

limita<strong>do</strong> por suas fronteiras, existin<strong>do</strong> formas mais favoráveis à coesão<br />

e à <strong>de</strong>fesa, outras menos favoráveis<br />

e, outras, ainda, <strong>de</strong>sfavoráveis, possibi-<br />

A forma <strong>do</strong> território <strong>de</strong> um litan<strong>do</strong> cisão ou <strong>de</strong>sarmonia, assim<br />

Esta<strong>do</strong> é o espaço geográ- como dificultan<strong>do</strong> a <strong>de</strong>fesa.<br />

fico que ocupa, limita<strong>do</strong> Há dificulda<strong>de</strong> muito gran<strong>de</strong> em<br />

por suas fronteiras. se padronizar a classificação <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

pela sua forma, ten<strong>do</strong> em vista as<br />

mais diversas formas territoriais existentes. Para facilitar esta i<strong>de</strong>ntificação<br />

em seus estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> Geopolítica, Renner estabelece quatro formas<br />

básicas, as quais <strong>de</strong>vem enquadrar to<strong>do</strong>s os Esta<strong>do</strong>s, ainda que por aproximação.<br />

É uma meto<strong>do</strong>logia simples e plenamente aceita. São elas:<br />

- compacta (Ex.: França, Espanha, Venezuela, Alemanha, Brasil);<br />

- alongada (Ex.: Chile, Itália, Vietnã, EUA);<br />

- recortada (Ex.: Grécia, Canadá, Suécia, Dinamarca);<br />

- fragmentada (Ex.: Japão, Grã-Bretanha, In<strong>do</strong>nésia).<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 34<br />

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Geopolítica<br />

Renner estabelece quatro<br />

Forma compacta<br />

formas básicas, as quais Esta forma é a mais favorável à<br />

<strong>de</strong>vem enquadrar to<strong>do</strong>s os coesão <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> pelo seu centripetis-<br />

Esta<strong>do</strong>s, ainda que por mo cultural e político-administrativo;<br />

aproximação.<br />

favorece, ainda, um crescimento eco-<br />

- compacta<br />

nômico mais equilibra<strong>do</strong> pela maior<br />

- alongada<br />

facilida<strong>de</strong> no intercâmbio comercial<br />

- recortada<br />

interno, facilita<strong>do</strong> pela circulação inter-<br />

- fragmentada<br />

na; contém uma maior área concentrada<br />

<strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> um mesmo perímetro,<br />

além <strong>de</strong> suas fronteiras estarem também<br />

relativamente eqüidistantes <strong>do</strong> centro, favorecen<strong>do</strong> suas ações <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>fesa.<br />

Fonte: Renner<br />

Forma alongada<br />

Fig. 2. - Exemplos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s com forma compacta<br />

Quanto maior for o alongamento, maior será sua vulnerabilida<strong>de</strong><br />

pela distância <strong>de</strong> seus pontos extremos. Esta forma possui duas direçoes<br />

básicas diferentes que proporcionam efeitos diversos.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 35<br />

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3 5


3 6<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

A forma alongada na direção <strong>do</strong>s meridianos (norte-sul) normalmente<br />

possibilita a <strong>de</strong>sarmonia pela antropologia cultural diferenciada,<br />

influenciada principalmente pelas características climáticas distintas,<br />

po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> ocasionar até antagonismos sociais e políticos. Além disso, suas<br />

extremida<strong>de</strong>s (em relação ao maior eixo) criam dificulda<strong>de</strong>s para a administração<br />

central. Economicamente, é favorável pela complementarida<strong>de</strong><br />

da produção agrícola diversificada e, quanto à <strong>de</strong>fesa, é muito vulnerável,<br />

po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> o território ser dividi<strong>do</strong> nas suas partes mais estreitas.<br />

A forma alongada na direção <strong>do</strong>s paralelos (leste-oeste) tem maiores<br />

possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> manter a coesão, por não haver tanta diferença na<br />

sua antropologia cultural, diminuin<strong>do</strong> os riscos <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarmonias sociais<br />

e antagonismos políticos. Permanecem as vulnerabilida<strong>de</strong>s apontadas<br />

na forma anterior no que diz respeito às dificulda<strong>de</strong>s, apesar <strong>de</strong> menores,<br />

para a administração central e para a <strong>de</strong>fesa.<br />

Fig. 3. - Exemplos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s com forma alongada (direções norte-sul e<br />

leste-oeste)<br />

Fonte: Renner<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 36<br />

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Forma recortada<br />

Geopolítica<br />

Esta forma também possui duas variantes que produzem efeitos<br />

diversos.<br />

A forma recortada <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s mediterrâneos, proporcionan<strong>do</strong><br />

reentrâncias penetrantes em seu território, facilita influências externas,<br />

po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> criar pólos <strong>de</strong> atração por parte <strong>de</strong> vizinhos e possibilitan<strong>do</strong><br />

áreas <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarmonia e antagonismos. Dificulta a coesão social e política,<br />

além <strong>de</strong> causar gran<strong>de</strong> vulnerabilida<strong>de</strong> no que diz respeito à <strong>de</strong>fesa <strong>de</strong><br />

suas fronteiras.<br />

A forma recortada <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s litorâneos apresenta a vantagem <strong>de</strong><br />

possibilitar a existência <strong>de</strong> vários portos marítimos em suas reentrâncias,<br />

facilitan<strong>do</strong> as relações sócio-econômicas com outros Esta<strong>do</strong>s por meio<br />

da navegação <strong>de</strong> longo curso. Porém, apresenta gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>svantagem relacionada<br />

ao grau <strong>de</strong> vulnerabilida<strong>de</strong> para sua <strong>de</strong>fesa territorial.<br />

Fonte: Renner<br />

Fig. 4. - Exemplos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s com forma recortada<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 37<br />

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3 8<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Forma fragmentada<br />

Dentre todas as formas <strong>de</strong> território esta é a mais <strong>de</strong>svantajosa,<br />

tanto no aspecto cultural, político e econômico quanto no administrativo,<br />

na <strong>de</strong>fesa <strong>de</strong> sua unida<strong>de</strong> e <strong>de</strong> sua soberania. Essa <strong>de</strong>scontinuida<strong>de</strong><br />

territorial po<strong>de</strong> ser terrestre ou marítima. Na terrestre, há possibilida<strong>de</strong><br />

da criação <strong>de</strong> enclaves, causa<strong>do</strong>res <strong>de</strong> problemas por vezes insolúveis.<br />

Fonte: Renner<br />

Fig. 5. Exemplos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s com forma fragmentada<br />

Concluin<strong>do</strong>, foram apresenta<strong>do</strong>s resumidamente aspectos quanto<br />

às formas territoriais <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, a serem consi<strong>de</strong>radas no processo da<br />

análise geopolítica, juntamente com outras variáveis.<br />

4.3. Posição <strong>do</strong>s territórios <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

Quanto à posição <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, a Geopolítica não se pren<strong>de</strong> somente<br />

à localização <strong>do</strong> seu espaço físico no planeta, <strong>de</strong>fini<strong>do</strong> por coor<strong>de</strong>nadas<br />

geográficas, que acarretam conseqüências <strong>do</strong> ponto <strong>de</strong> vista climático, <strong>de</strong><br />

habitabilida<strong>de</strong> e <strong>de</strong> recursos naturais, e até crian<strong>do</strong> pre<strong>de</strong>stinações polê-<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 38<br />

14/6/2005, 17:16


Geopolítica<br />

micas para os Esta<strong>do</strong>s. Leva em consi-<br />

A Geopolítica consi<strong>de</strong>ra em<br />

<strong>de</strong>ração também e principalmente sua<br />

seus estu<strong>do</strong>s os seguintes<br />

situação no âmbito mundial, no espaço<br />

aspectos: latitu<strong>de</strong> ; conti-<br />

regional e no relacionamento inter-renentalida<strong>de</strong><br />

ou maritimidagional.<strong>de</strong>;<br />

situação relativa aos<br />

Por isso mesmo, a Geopolítica<br />

Esta<strong>do</strong>s vizinhos; relevo<br />

consi<strong>de</strong>ra em seus estu<strong>do</strong>s os seguintes<br />

aspectos:<br />

a) latitu<strong>de</strong> (suas coor<strong>de</strong>nadas geográficas);<br />

b) continentalida<strong>de</strong> ou maritimida<strong>de</strong> (espaço sujeito à acessibilida<strong>de</strong>);<br />

c) situação relativa aos Esta<strong>do</strong>s vizinhos (esferas <strong>de</strong> influência ou pressões);<br />

d) relevo (formas <strong>de</strong> relevo).<br />

Latitu<strong>de</strong> – <strong>de</strong>finida pelas coor<strong>de</strong>nadas geográficas <strong>do</strong> espaço físico<br />

ocupa<strong>do</strong> pelo Esta<strong>do</strong> no planeta. Além das diversas teorias altamente<br />

polêmicas sobre as influências <strong>de</strong>terministas acerca <strong>do</strong> <strong>de</strong>senvolvimento<br />

ou não das socieda<strong>de</strong>s humanas localizadas nesta ou naquela latitu<strong>de</strong>,<br />

influencian<strong>do</strong> a habitabilida<strong>de</strong> e o potencial em recursos naturais, é<br />

importante se analisar a acessibilida<strong>de</strong> às rotas internacionais <strong>de</strong> tráfego<br />

marítimo e aéreo, principalmente em relação ao seu grau <strong>de</strong> <strong>de</strong>pendência<br />

<strong>do</strong> comércio exterior, assim como a análise da proximida<strong>de</strong> ou<br />

não <strong>do</strong>s centros dinâmicos <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, que <strong>do</strong>minam ou influem na<br />

conjuntura <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> e <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>.<br />

Continentalida<strong>de</strong> ou maritimida<strong>de</strong> - é a relação entre a extensão<br />

da fronteira terrestre e a soma da extensão da fronteira terrestre com a<br />

extensão da fronteira marítima <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, geran<strong>do</strong> o quociente <strong>de</strong><br />

continentalida<strong>de</strong> (QC).<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 39<br />

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3 9


4 0<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

A continentalida<strong>de</strong>, ou seja, situação <strong>de</strong> mediterraneida<strong>de</strong> da base<br />

física <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong>, será constatada quan<strong>do</strong> o resulta<strong>do</strong> for mais próximo<br />

<strong>de</strong> 1, chegan<strong>do</strong> ao máximo <strong>de</strong> sua continentalida<strong>de</strong> quan<strong>do</strong> o resulta<strong>do</strong><br />

for igual a 1, ou seja, que o Esta<strong>do</strong> é totalmente mediterrâneo. Quan<strong>do</strong><br />

o resulta<strong>do</strong> for igual a 0, encontramos o máximo <strong>de</strong> maritimida<strong>de</strong>.<br />

Quanto maior for a continentalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong>, tanto menor<br />

será seu grau <strong>de</strong> liberda<strong>de</strong>, maior será sua <strong>de</strong>pendência <strong>do</strong>s vizinhos;<br />

logo, tanto maior será a ameaça à sua soberania.<br />

A maritimida<strong>de</strong> é dada também pelo cálculo inverso ao da<br />

continentalida<strong>de</strong>, ou seja:<br />

Quan<strong>do</strong> o resulta<strong>do</strong> for igual a 1, ter-se-á a total maritimida<strong>de</strong> ou<br />

insular e quan<strong>do</strong> for igual a 0, tem-se a continentalida<strong>de</strong>.<br />

A maritimida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong> é fator favorável ao intercâmbio<br />

social e econômico com o resto <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>, proporcionan<strong>do</strong> gran<strong>de</strong> liberda<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> movimento e fortalecen<strong>do</strong> sua soberania.<br />

Com relação a este aspecto, os Esta<strong>do</strong>s po<strong>de</strong>m ser classifica<strong>do</strong>s em:<br />

- marítimos: quan<strong>do</strong> há pre<strong>do</strong>minância <strong>de</strong> fronteiras litorâneas. Ex.:<br />

Japão, Inglaterra e In<strong>do</strong>nésia; Esta<strong>do</strong>s com o grau máximo <strong>de</strong><br />

maritimida<strong>de</strong> (QM = 1).<br />

- continentais: quan<strong>do</strong> há pre<strong>do</strong>minância <strong>de</strong> fronteiras terrestres. Ex.:<br />

Suíça, Paraguai e Bolívia; Esta<strong>do</strong>s com o grau máximo <strong>de</strong><br />

continentalida<strong>de</strong> (QC = 1).<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 40<br />

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Geopolítica<br />

- mistos: quan<strong>do</strong> existem tanto fronteiras terrestres quanto marítimas.<br />

Seu quociente é que fornecerá a maior ou menor proporcionalida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> uma ou <strong>de</strong> outra. Ex.: Brasil, Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, Argentina.<br />

Fig. 6. Exemplo <strong>de</strong> continentalida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Brasil<br />

Situação relativa aos países vizinhos - é um aspecto muito importante<br />

na análise geopolítica <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, levan<strong>do</strong>-se em conta o maior ou<br />

menor po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s vizinhos, pois possibilita: i<strong>de</strong>ntificar as áreas<br />

<strong>de</strong> influência externa sobre o espaço continental; i<strong>de</strong>ntificar as zonas <strong>de</strong><br />

fricção atuais e latentes, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> estimar ações ou reações necessárias;<br />

consi<strong>de</strong>rar o dinamismo da osmose fronteiriça e i<strong>de</strong>ntificar e balizar as<br />

vias naturais <strong>de</strong> penetração. Deve-se levar em conta que Esta<strong>do</strong>s po<strong>de</strong>rosos<br />

po<strong>de</strong>rão exercer pressão sobre Esta<strong>do</strong>s vizinhos pequenos, atrain<strong>do</strong>-os<br />

para sua área <strong>de</strong> influência, principalmente mediante assinaturas<br />

<strong>de</strong> acor<strong>do</strong>s ou alianças, chegan<strong>do</strong>, por vezes, a pressões tão fortes que<br />

venham a ameaçar sua soberania. Torna-se evi<strong>de</strong>nte que esses aspectos<br />

são fundamentais para o planejamento <strong>de</strong> política externa aproximada.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 41<br />

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4 1


4 2<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Fig. 7. Situação relativa <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s vizinhos <strong>do</strong> Brasil<br />

Fonte: ESG (modifica<strong>do</strong>)<br />

Relevo - este aspecto é também da maior importância na análise<br />

geopolítica <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong>, ten<strong>do</strong> em vista que suas características <strong>de</strong>terminarão<br />

as condições favoráveis ou <strong>de</strong>sfavoráveis para as ativida<strong>de</strong>s humanas,<br />

<strong>de</strong>terminan<strong>do</strong> as possibilida<strong>de</strong>s da atuação <strong>do</strong> homem sobre a<br />

terra e os possíveis fluxos <strong>de</strong> sua circulação.<br />

As planícies e os planaltos sempre facilitaram a circulação humana<br />

e a exploração da terra, ou seja, favorecem as condições da vida humana.<br />

Já as montanhas, foram por muito tempo obstáculos ao <strong>de</strong>senvolvimento<br />

humano, tornan<strong>do</strong>-se fator dispersivo da civilização por<br />

dificultar seu trânsito; na atualida<strong>de</strong>, com o avanço tecnológico, esta<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 42<br />

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Geopolítica<br />

dificulda<strong>de</strong> está muito atenuada. Exceção se faça a montanhas <strong>de</strong> gran<strong>de</strong><br />

elevação, que ainda oferecem limitações à vida animal e vegetal.<br />

Os rios, conseqüentes das elevações, quan<strong>do</strong> navegáveis, são excelentes<br />

meios <strong>de</strong> integração terra-mar, quan<strong>do</strong> têm a foz no mar ou no<br />

oceano, e <strong>de</strong> integração interior, quan<strong>do</strong> correm <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong> próprio território<br />

ou também em território <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s vizinhos. Neste último caso,<br />

por vezes, po<strong>de</strong>m ocasionar antagonismos e até conflitos.<br />

Quan<strong>do</strong> não navegáveis, apresentan<strong>do</strong> quedas ou saltos, são valiosas<br />

fontes <strong>de</strong> energia elétrica, fator <strong>de</strong> crescimento econômico e <strong>de</strong>senvolvimento<br />

social.<br />

Segun<strong>do</strong> Golbery, o espaço e a posição são essenciais para:<br />

Um fator capital - a circulação - pois esta é que vincula os espaços<br />

políticos internos ou externos, que conquista, <strong>de</strong>sperta e vitaliza o<br />

território, que canaliza as pressões e orienta as reações <strong>de</strong>fensivas<br />

e que dá significação concreta à extensão, à forma e à situação.<br />

4.4 Linha periférica <strong>do</strong> território <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

Embora o assunto seja abrangente e apresente várias abordagens,<br />

aqui será feita apenas uma, sintética, <strong>de</strong> alguns conceitos, funções e<br />

tipos <strong>de</strong> fronteiras, para facilitar a análise geopolítica preliminar <strong>de</strong><br />

um Esta<strong>do</strong>.<br />

A “linha periférica <strong>do</strong> território <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong>”, mais conhecida<br />

por fronteira, é a <strong>de</strong>marcação <strong>do</strong>s limites <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, sejam terrestres,<br />

marítimos ou aéreos, até on<strong>de</strong> o mesmo exerce sua soberania. Segun<strong>do</strong><br />

Ratzel, em sua “Lei <strong>de</strong> Ratzel”, também conhecida como “Lei da Fronteira-Faixa”,<br />

“a faixa fronteiriça é o real, a linha é uma abstração, meramente<br />

simbólica”.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 43<br />

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4 3


4 4<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Segun<strong>do</strong> Kjëllén, “a epi<strong>de</strong>rme <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>”.<br />

Já para Sieger, em sua “Lei <strong>de</strong> Sieger” ou “Lei da Artificialida<strong>de</strong><br />

das Fronteiras”, “as fronteiras, mesmo as chamadas naturais, são resulta<strong>do</strong>s<br />

<strong>de</strong> convenções (normalmente bilaterais) ou <strong>de</strong> imposição (unilaterais)”,<br />

e ainda, “não há fronteiras naturais nem artificiais: todas são<br />

convencionais”.<br />

O Prof. Delga<strong>do</strong> <strong>de</strong> Carvalho enten<strong>de</strong> que : “fronteira é obra <strong>de</strong><br />

força política, indica o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> expansão a que chegou o corpo social que<br />

envolve”.<br />

Finalmente, no entendimento <strong>de</strong> Meira Mattos, “a fronteira é o<br />

limite da soberania nacional”, frisan<strong>do</strong>, ainda, que: “as fronteiras são<br />

regiões geopoliticamente sensíveis”.<br />

Após os conceitos <strong>de</strong> fronteiras acima menciona<strong>do</strong>s, serão apresentadas<br />

algumas consi<strong>de</strong>rações, <strong>de</strong>ntre várias, sobre as funções, os tipos<br />

e a evolução das fronteiras.<br />

a) Funções das fronteiras<br />

Vários estudiosos têm entendimentos<br />

diferentes<br />

sobre as funções das fronteiras.<br />

Porém, quase to<strong>do</strong>s<br />

concordam que elas servem<br />

para: separar, unir, isolar,<br />

aproximar e proteger.<br />

Da mesma forma que nos conceitos,<br />

vários estudiosos têm entendimentos<br />

diferentes sobre as funções das fronteiras.<br />

Porém, quase to<strong>do</strong>s concordam<br />

que elas servem para: separar, unir, isolar,<br />

aproximar e proteger. Já Ratzel observava<br />

que “só o mar oferece as características<br />

<strong>de</strong> uma fronteira completa,<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 44<br />

14/6/2005, 17:16


Geopolítica<br />

pois separa, protege, isola ou favorece o intercâmbio, conforme a conveniência”.<br />

O geógrafo alemão Maull, em seus estu<strong>do</strong>s sobre fronteiras,<br />

afirma que elas possuem as seguintes funções:<br />

- distinguir o meu <strong>do</strong> teu, fundamenta<strong>do</strong> no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> posse <strong>do</strong> ser<br />

humano, <strong>de</strong>monstra<strong>do</strong> pelas cercas e muros das proprieda<strong>de</strong>s;<br />

- proteger o território nacional, objetivo principal <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>: na paz,<br />

garantin<strong>do</strong> os seus interesses econômicos, políticos e sociais, através<br />

<strong>do</strong>s postos alfan<strong>de</strong>gários, policiais e sanitários; na guerra, representan<strong>do</strong><br />

a linha ou faixa a ser <strong>de</strong>fendida na preservação da inviolabilida<strong>de</strong><br />

<strong>do</strong> território;<br />

- isolar, quan<strong>do</strong> necessário, evitan<strong>do</strong> influências <strong>de</strong> seus vizinhos; e,<br />

facilitar o intercâmbio, quan<strong>do</strong> conveniente aos seus propósitos.<br />

Ainda fruto <strong>de</strong> seus estu<strong>do</strong>s, distingue-as como <strong>de</strong> convergência,<br />

que facilitam o controle e a <strong>de</strong>fesa, tais como: montanhas que conduzem<br />

a passagens obrigatórias ou rios caudalosos que restringem sua passagem<br />

a locais controláveis: e, <strong>de</strong> dispersão, abertas, sem obstáculos,<br />

que dificultam o controle e a <strong>de</strong>fesa, como as planícies. Para Vallaux,<br />

“As fronteiras não servem apenas <strong>de</strong> meios <strong>de</strong> separação, mas também<br />

<strong>de</strong> interpenetração <strong>de</strong> culturas, interesses e objetivos diferentes”. Finalmente,<br />

na opinião <strong>de</strong> Jacques Ancel, “a<br />

fronteira separa mas também po<strong>de</strong> apro-<br />

No <strong>de</strong>correr <strong>do</strong>s tempos<br />

ximar, quan<strong>do</strong> se trata <strong>de</strong> países alta-<br />

observamos constante premente<br />

civiliza<strong>do</strong>s”.<br />

ocupação <strong>de</strong> se estabelecerem<br />

limites em linhas ni-<br />

b) Tipos <strong>de</strong> fronteiras<br />

tidamente i<strong>de</strong>ntificadas,<br />

Como nos <strong>de</strong>mais assuntos <strong>de</strong> que<br />

porém, nem sempre isto<br />

trata a Geopolítica, a literatura sobre os<br />

foi possível.<br />

tipos <strong>de</strong> fronteiras é muito vasta, segun<strong>do</strong><br />

os vários <strong>do</strong>s estudiosos.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 45<br />

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4 6<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

No <strong>de</strong>correr <strong>do</strong>s tempos observamos constante preocupação <strong>de</strong> se<br />

estabelecerem limites em linhas nitidamente i<strong>de</strong>ntificadas, porém, nem<br />

sempre isto foi possível.<br />

Na seqüência, serão apresenta<strong>do</strong>s vários tipos <strong>de</strong> fronteiras sob<br />

diversos enfoques:<br />

Quanto à sua natureza<br />

Naturais - são estabelecidas utilizan<strong>do</strong>-se aci<strong>de</strong>ntes geográficos naturais,<br />

como:<br />

• mar ou oceano – tipo <strong>de</strong> fronteira i<strong>de</strong>al por ter a característica <strong>de</strong><br />

separar, proteger, isolar ou unir, conforme os interesses; as dificulda<strong>de</strong>s<br />

iniciais <strong>de</strong> seu estabelecimento, em vista da sua instabilida<strong>de</strong><br />

física, foram superadas pela aceitação <strong>do</strong> conceito <strong>de</strong> águas<br />

territoriais, esten<strong>de</strong>n<strong>do</strong> a soberania <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s além da costa, inicialmente<br />

por 3 milhas, visan<strong>do</strong> somente aos interesses <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong><br />

território; posteriormente, por interesses <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa e econômicos, o<br />

conceito <strong>de</strong> plataforma marítima ou plataforma continental, consi<strong>de</strong>rada<br />

um bem patrimonial da nação pela Convenção <strong>de</strong> Genebra<br />

<strong>de</strong> 1958, ampliou a soberania <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s até 200 metros <strong>de</strong> profundida<strong>de</strong>;<br />

basea<strong>do</strong> nesse conceito, alguns Esta<strong>do</strong>s ampliaram sua plataforma<br />

continental para 200 milhas, o que não conta com o consenso<br />

internacional; a<strong>do</strong>tam esta nova extensão <strong>de</strong> soberania:<br />

Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Peru, Equa<strong>do</strong>r, Costa Rica, Salva<strong>do</strong>r<br />

e Nicarágua;<br />

• rios – com o progresso da tecnologia, os rios que, no passa<strong>do</strong> eram<br />

excelentes obstáculos ou separa<strong>do</strong>res entre os Esta<strong>do</strong>s limítrofes,<br />

passaram a ser aproveita<strong>do</strong>s para navegação mais intensa, abasteci-<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 46<br />

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Geopolítica<br />

mento <strong>de</strong> água das cida<strong>de</strong>s, geração <strong>de</strong> energia e para irrigação das<br />

lavouras; em conseqüência <strong>de</strong>ssas múltiplas utilizações, também<br />

passaram a ser <strong>de</strong> interesse <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s a que serviam <strong>de</strong> limites;<br />

surge o problema da soberania sobre os rios, que, inicialmente, foi<br />

resolvi<strong>do</strong> mediante o estabelecimento <strong>de</strong> linhas convencionadas<br />

pelos vizinhos, <strong>de</strong> formas diferentes, crian<strong>do</strong> antagonismos e atritos<br />

em várias oportunida<strong>de</strong>s.<br />

Com o passar <strong>do</strong>s tempos, alguns critérios foram consagra<strong>do</strong>s em<br />

trata<strong>do</strong>s internacionais e os principais mais aceitos atualmente são:<br />

- limite em uma margem: nesse caso, o <strong>do</strong>mínio <strong>do</strong> rio cabe a somente<br />

um <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s vizinhos; muito a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>, está se tornan<strong>do</strong> cada vez<br />

mais raro, obviamente;<br />

- limite <strong>de</strong> talvegue: este critério, mais a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong> na atualida<strong>de</strong>, possui<br />

vários conceitos que <strong>de</strong> certa forma ainda dificultam seu estabelecimento,<br />

como:<br />

• linha <strong>de</strong> sondagem mais profunda na vazante;<br />

• canal principal <strong>do</strong> rio <strong>de</strong> maior profundida<strong>de</strong> e mais fácil e franca<br />

navegação (Brasil-Paraguai);<br />

• linha <strong>de</strong> nível mais baixo no leito <strong>do</strong> rio em toda a sua extensão<br />

(Brasil-Guiana).<br />

O limite <strong>de</strong> talvegue permite o con<strong>do</strong>mínio das águas para a navegação<br />

e sua exploração <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong> estabeleci<strong>do</strong> nos trata<strong>do</strong>s. Existem vários<br />

inconvenientes na escolha <strong>do</strong> talvegue. Os principais são: a <strong>de</strong>terminação<br />

<strong>do</strong> canal mais profun<strong>do</strong> em trechos on<strong>de</strong> existe mais <strong>de</strong> um<br />

canal; a instabilida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s canais mais profun<strong>do</strong>s em face da acumulação<br />

<strong>de</strong> sedimentos no fun<strong>do</strong> <strong>do</strong>s leitos; e as ilhas forma<strong>do</strong>ras <strong>de</strong> mais <strong>de</strong><br />

um canal, que, pelo motivo anterior, po<strong>de</strong>m ocasionar a mudança da<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 47<br />

14/6/2005, 17:16<br />

4 7


4 8<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

linha <strong>de</strong> talvegue, varian<strong>do</strong> a soberania <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s sobre as mesmas.<br />

Para evitar esses inconvenientes, possíveis causa<strong>do</strong>res <strong>de</strong> atritos, é aconselhável<br />

a inclusão <strong>de</strong> cláusulas sobre a instabilida<strong>de</strong> da linha <strong>de</strong> fronteira,<br />

quan<strong>do</strong> da assinatura <strong>do</strong> trata<strong>do</strong>. Vejamos as principais:<br />

- linha média: lugar geométrico <strong>do</strong>s pontos eqüidistantes das margens;<br />

muitas vezes preferida por aten<strong>de</strong>r aos interesses <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

confrontantes; é mais visível <strong>do</strong> que o talvegue e divi<strong>de</strong> a massa líquida<br />

ao meio; favorece o con<strong>do</strong>mínio da navegação, porém, traz inconvenientes<br />

como: a modificação das margens pela erosão, alteran<strong>do</strong> a linha<br />

média, agrava<strong>do</strong> nos rios <strong>de</strong> planície, que, às vezes, mudam completamente<br />

o seu leito; e, no caso das ilhas, o problema <strong>de</strong> dupla soberania<br />

sobre elas ou a mudança <strong>de</strong> soberania pelo estreitamento <strong>de</strong> um <strong>do</strong>s<br />

canais.<br />

As pontes e outros tipos <strong>de</strong> obras <strong>de</strong> arte que ligam <strong>do</strong>is Esta<strong>do</strong>s<br />

confrontantes <strong>de</strong>vem ser objeto específico <strong>do</strong>s trata<strong>do</strong>s, <strong>de</strong>terminan<strong>do</strong>se<br />

on<strong>de</strong> passa o limite entre eles e que critérios foram a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s.<br />

• lagos – sen<strong>do</strong> mares interiores, <strong>de</strong>vem ser a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s os mesmos critérios<br />

utiliza<strong>do</strong>s para os rios, preferencialmente o da linha média;<br />

convencionou-se que, quan<strong>do</strong> a largura <strong>do</strong> lago é superior a 6 milhas,<br />

cada Esta<strong>do</strong> confrontante estenda a sua soberania até 3 milhas<br />

<strong>de</strong> sua margem, fican<strong>do</strong> o restante das águas em <strong>do</strong>mínio comum.<br />

• montanhas – são consi<strong>de</strong>radas ótimo tipo <strong>de</strong> fronteira, levan<strong>do</strong>-se em<br />

conta que proporcionam condições vantajosas <strong>de</strong> isolamento e <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>fesa, apesar da evolução tecnológica <strong>do</strong>s dias <strong>de</strong> hoje; quan<strong>do</strong> se<br />

utilizam as ca<strong>de</strong>ias <strong>de</strong> montanhas e cordilheiras, por sua conformação<br />

estrutural, convergem a circulação pelos passos ou <strong>de</strong>sfila<strong>de</strong>iros,<br />

facilitan<strong>do</strong> o controle aduaneiro e a <strong>de</strong>fesa; prevalecem, no caso<br />

das montanhas, <strong>do</strong>is critérios no estabelecimento das linhas <strong>de</strong> fron-<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 48<br />

14/6/2005, 17:16


A fronteira natural não é<br />

tão nítida e tão isenta <strong>de</strong><br />

interpretações como se<br />

po<strong>de</strong> presumir.<br />

Geopolítica<br />

teira: a linha <strong>de</strong> picos, <strong>de</strong> difícil <strong>de</strong>marcação<br />

e a linha <strong>de</strong> divisão das vertentes<br />

ou a linha <strong>do</strong> “divortium aquarum” <strong>de</strong><br />

mais fácil <strong>de</strong>marcação, além <strong>de</strong> assegurar<br />

que as nascentes <strong>de</strong> água fiquem na<br />

posse <strong>de</strong> um só Esta<strong>do</strong>.<br />

A fronteira natural não é tão nítida e tão isenta <strong>de</strong> interpretações<br />

como se po<strong>de</strong> presumir. Sempre existirá possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> contestações,<br />

principalmente no que diz respeito às fronteiras das águas <strong>de</strong> rios e lagos,<br />

da<strong>do</strong> o potencial <strong>de</strong> seu aproveitamento múltiplo. A internacionalida<strong>de</strong><br />

<strong>do</strong>s rios e lagos é reconhecida tanto quan<strong>do</strong> separam <strong>do</strong>is Esta<strong>do</strong>s<br />

(internacionalismo contíguo), como quan<strong>do</strong> cruzam sucessivamente<br />

o território <strong>de</strong> vários Esta<strong>do</strong>s (internacionalismo sucessivo).<br />

Conforme afirmativa <strong>do</strong> geopolítico Backheuser: “as fronteiras<br />

naturais nunca satisfazem por completo”.<br />

• Artificiais: são estabelecidas através <strong>de</strong> linhas imaginárias, astronômicas<br />

e geodésicas ou matemáticas. As linhas imaginárias po<strong>de</strong>m<br />

ser <strong>de</strong>terminadas por processos <strong>de</strong> rastreamento <strong>de</strong> satélites como os <strong>do</strong><br />

sistema NNSS ou pelos atuais GPS, que indicam as coor<strong>de</strong>nadas geodésicas<br />

<strong>do</strong>s pontos ou marcos que i<strong>de</strong>ntificam as referidas linhas. Sejam<br />

eles <strong>de</strong>marca<strong>do</strong>s por processos <strong>de</strong> astronomia, por transporte <strong>de</strong> coor<strong>de</strong>nadas<br />

<strong>de</strong> ca<strong>de</strong>ias <strong>de</strong> triangulação ou polígonos existentes, no terreno, na<br />

forma <strong>de</strong> marcos <strong>de</strong> concreto ou perfei-<br />

Artificiais: são estabelecidas tamente reconheci<strong>do</strong>s por aci<strong>de</strong>ntes na-<br />

através <strong>de</strong> linhas imagináturais, esses marcos i<strong>de</strong>ntificarão linhas<br />

rias, astronômicas e geodé- que os ligam, crian<strong>do</strong> o conceito <strong>de</strong> <strong>de</strong>sicas<br />

ou matemáticas. limitação.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 49<br />

14/6/2005, 17:16<br />

4 9


5 0<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Quanto à antropogeografia<br />

São fronteiras estabelecidas pelos aspectos culturais homogêneos<br />

<strong>do</strong>s agrupamentos humanos (antropologia cultural), <strong>de</strong>fendida por Ancel,<br />

como: língua, etnia, religião e cultura.<br />

Na prática, a a<strong>do</strong>ção da fronteira antropológica não dispensa o estabelecimento<br />

<strong>de</strong> uma linha <strong>de</strong> fronteira convencional, principalmente<br />

com a evolução <strong>do</strong>s meios <strong>de</strong> comunicações e da miscigenação das raças,<br />

tornan<strong>do</strong> essa meto<strong>do</strong>logia impraticável. Baseia-se no argumento<br />

<strong>de</strong> que, principalmente pela língua, distingue-se melhor “o meu <strong>do</strong> teu”.<br />

Quanto ao grau <strong>de</strong> ocupação<br />

As fronteiras po<strong>de</strong>m ser classificadas<br />

em:<br />

Quanto ao grau <strong>de</strong> ocupação<br />

• ocupadas: quan<strong>do</strong> a linha divisória As fronteiras po<strong>de</strong>m ser<br />

é habitada. Se habitada no la<strong>do</strong> <strong>de</strong> classificadas em:<br />

um só Esta<strong>do</strong>, é <strong>de</strong>sfavorável ao que<br />

- ocupadas, vazias.<br />

não possui habitante, por possibilitar<br />

a chamada invasão branca, afetan<strong>do</strong> <strong>de</strong> certa forma a sua soberania,<br />

po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> ser uma área <strong>de</strong> atrito futuro; se for habitada nos <strong>do</strong>is<br />

la<strong>do</strong>s, favorece as relações políticas, econômicas e culturais locais entre<br />

eles, porém, será potencialmente uma zona <strong>de</strong> fricção;<br />

• vazias: quan<strong>do</strong> a linha <strong>de</strong> fronteira não é habitada; haverá sempre<br />

nessa área um grau <strong>de</strong> vulnerabilida<strong>de</strong> com relação à <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong> território<br />

para ambos os Esta<strong>do</strong>s confrontantes.<br />

Quanto à situação jurídica<br />

Segun<strong>do</strong> o jurista brasileiro Hil<strong>de</strong>bran<strong>do</strong> Acioly, as fronteiras são:<br />

- <strong>de</strong> jure - quan<strong>do</strong> foram estabelecidas por um acor<strong>do</strong> entre as partes;<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 50<br />

14/6/2005, 17:16


Geopolítica<br />

- em litígio - quan<strong>do</strong> a linha <strong>de</strong> fronteira é contestada por uma ou ambas<br />

as partes e encontra-se em processo <strong>de</strong> negociação;<br />

- em conflito - quan<strong>do</strong> a linha <strong>de</strong> fronteira é contestada por uma ou<br />

ambas as partes, o processo <strong>de</strong> negociação está interrompi<strong>do</strong> e existe<br />

um Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> tensão entre elas.<br />

Quanto à legislação <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s mo<strong>de</strong>rnos<br />

Esta legislação a<strong>do</strong>ta a seguinte classificação <strong>de</strong> fronteiras:<br />

- terrestres - rios, lagos, ilhas fluviais, montanhas, cordilheiras e pontes;<br />

- marítimas - mar territorial (12 milhas)<br />

zona econômica exclusiva (+188 milhas, perfazen<strong>do</strong><br />

200 milhas)<br />

plataforma continental (variável)<br />

- aéreas - espaço aéreo sobrejacente ao território e ao mar territorial.<br />

Quanto à estabilida<strong>de</strong><br />

- permanentes ou <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> - como são consi<strong>de</strong>radas as fronteiras<br />

naturais.<br />

- flexíveis ou <strong>de</strong> movimento - Consi<strong>de</strong>radas todas as outras que surgiram<br />

ao longo da história.<br />

Quanto à proteção militar<br />

São chamadas <strong>de</strong> fronteiras estratégicas, construídas próximo aos<br />

limites <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s.<br />

Quanto ao controle e à <strong>de</strong>fesa<br />

- <strong>de</strong> concentração da circulação - são como passagens obrigatórias em<br />

montanhas, pontes sobre rios, que facilitam o seu controle;<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 51<br />

14/6/2005, 17:16<br />

5 1


5 2<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

- <strong>de</strong> dispersão da circulação - são fronteiras abertas, sem obstáculos,<br />

como planícies e <strong>de</strong>sertos, que dificultam o seu controle.<br />

c) Evolução das fronteiras<br />

A noção <strong>de</strong> fronteira vem evoluin<strong>do</strong> através <strong>do</strong>s tempos, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> os<br />

povos primitivos, quan<strong>do</strong> os aglomera<strong>do</strong>s<br />

humanos eram separa<strong>do</strong>s por<br />

A noção <strong>de</strong> fronteira vem<br />

gran<strong>de</strong>s áreas vazias, até aproximada-<br />

evoluin<strong>do</strong> através <strong>do</strong>s temmente<br />

a Ida<strong>de</strong> Média. Com o<br />

pos, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> os povos primi-<br />

surgimento <strong>do</strong> Cristianismo, teve inítivos,<br />

quan<strong>do</strong> os aglomecio<br />

o processo <strong>de</strong> ocupação <strong>do</strong>s espaços<br />

ra<strong>do</strong>s humanos eram<br />

vazios pelos catequistas evangélicos<br />

separa<strong>do</strong>s por gran<strong>de</strong>s áre-<br />

propagan<strong>do</strong> a fé cristã, alteran<strong>do</strong> a noas<br />

vazias, até aproximadação<br />

<strong>de</strong> ocupação <strong>de</strong> terras <strong>de</strong>sprezíveis<br />

mente a Ida<strong>de</strong> Média.<br />

<strong>do</strong> ponto <strong>de</strong> vista político na Europa,<br />

na África e na Ásia.<br />

Esse novo interesse foi ganhan<strong>do</strong> proporções, principalmente no<br />

perío<strong>do</strong> <strong>do</strong>s <strong>de</strong>scobrimentos, com a criação <strong>de</strong> novos impérios e a repartição<br />

<strong>do</strong>s territórios coloniza<strong>do</strong>s.<br />

Muitos <strong>de</strong>sses limites foram traça<strong>do</strong>s por linhas astronômicas antes<br />

da ocupação <strong>do</strong>s territórios, as chamadas fronteiras traçadas “a priori”,<br />

principalmente na África e na América.<br />

Note-se que as fronteiras, anteriormente, eram gran<strong>de</strong>s espaços<br />

vazios, passan<strong>do</strong> a faixas <strong>de</strong> terras inicialmente <strong>de</strong>socupadas, até chegar<br />

às linhas <strong>de</strong> fronteiras <strong>de</strong>finidas fisicamente por acor<strong>do</strong>s bilaterais ou<br />

multilaterais, esses normalmente após conflitos.<br />

Para os geógrafos franceses Brunhes e Valaux, segun<strong>do</strong> o estágio<br />

<strong>de</strong> evolução, as fronteiras classificam-se em:<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 52<br />

14/6/2005, 17:16


Geopolítica<br />

- esboçadas - são as fronteiras que não adquiriram características <strong>de</strong>finitivas,<br />

pelo <strong>de</strong>sinteresse ou <strong>de</strong>sconhecimento <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s<br />

confrontantes, normalmente <strong>de</strong>spovoa<strong>do</strong>s ou povoa<strong>do</strong>s por grupos<br />

sociais primitivos;<br />

- vivas ou <strong>de</strong> tensão - quan<strong>do</strong> ligadas por interesses políticos, econômicos<br />

ou militares; normalmente povoadas com gran<strong>de</strong> ou pequena<br />

intensida<strong>de</strong>;<br />

- mortas - quan<strong>do</strong> per<strong>de</strong>ram o interesse e entraram em <strong>de</strong>cadência,<br />

normalmente com diminuição progressiva <strong>de</strong> seu povoamento.<br />

Para Backheuser, com enfoque da evolução histórica, as fronteiras são:<br />

- vazios <strong>do</strong> ecúmeno - fronteiras primitivas;<br />

- largas zonas inocupadas - fronteiras <strong>de</strong>socupadas ou fracamente ocupadas,<br />

normalmente por pequenos grupos nativos;<br />

- faixas inocupadas relativamente estreitas - fronteiras-faixa, correspon<strong>de</strong>n<strong>do</strong><br />

a um povoamento progressivo <strong>do</strong> interior <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> para os<br />

seus limites;<br />

- fronteira-linha - <strong>de</strong> um <strong>do</strong>s tipos apresenta<strong>do</strong>s anteriormente, já acordada<br />

entre as partes confrontantes, normalmente em fase <strong>de</strong> ocupação<br />

ou já ocupada.<br />

Apesar <strong>de</strong>, na atualida<strong>de</strong>, muito se preconizar sobre a queda das<br />

fronteiras pelas tendências globalizantes, percebe-se que, efetivamente,<br />

apesar da formação <strong>de</strong> blocos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s, nenhum <strong>de</strong>les<br />

abre mão <strong>de</strong> sua base territorial como fundamento <strong>de</strong> preservação<br />

da soberania.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 53<br />

14/6/2005, 17:16<br />

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5 4<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Primeira ativida<strong>de</strong>:<br />

Você receberá, um pedi<strong>do</strong> por e-mail, cuja solução <strong>de</strong>verá ser encaminhada<br />

ao CPEAEx/EAD.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 54<br />

14/6/2005, 17:16


5. TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S<br />

Geopolítica<br />

Para melhor compreensão das teorias geopolíticas, cabe relembrar<br />

o significa<strong>do</strong> <strong>do</strong> vocábulo teoria.<br />

O seu entendimento filosófico é o seguinte: “conjunto <strong>de</strong><br />

conhecimentos não ingênuos, que apresentam graus diversos <strong>de</strong><br />

sistematização e <strong>de</strong> credibilida<strong>de</strong>, e que se propõe a explicar,<br />

elucidar, interpretar ou unificar um da<strong>do</strong> <strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> fenômenos<br />

ou <strong>de</strong> acontecimentos que se oferecem à ativida<strong>de</strong> prática”.<br />

Isto posto, po<strong>de</strong>-se i<strong>de</strong>ntificar a valida<strong>de</strong> das teorias<br />

geopolíticas, por tratar <strong>de</strong> conhecimentos reais, com credibilida<strong>de</strong>,<br />

buscan<strong>do</strong> explicar, interpretar, elucidar ou unificar acontecimentos,<br />

objetivan<strong>do</strong> uma ativida<strong>de</strong> prática que é a política <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong><br />

influenciada pelas condições <strong>do</strong>s espaços geográficos.<br />

Po<strong>de</strong>-se reconhecer também as referidas teorias como cenários<br />

possíveis, que po<strong>de</strong>rão ser concretiza<strong>do</strong>s, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> das<br />

ações políticas a serem realizadas pelos Esta<strong>do</strong>s.<br />

As teorias geopolíticas serão expostas em <strong>do</strong>is blocos: o<br />

primeiro, com as teorias geopolíticas clássicas, elaboradas <strong>do</strong> início<br />

<strong>do</strong> Século XX até o final da Guerra Fria; o segun<strong>do</strong>, com as<br />

teorias (ou cenários) geopolíticas novas, elaboradas após a<br />

extinção da bipolarida<strong>de</strong> EUA X URSS.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 55<br />

14/6/2005, 17:16<br />

5 5


5 6<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

5.1. Teorias Geopolíticas Clássicas<br />

São as teorias geopolíticas elaboradas pelos estudiosos <strong>do</strong> assunto<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> a primeira publicação <strong>de</strong> Ratzel sobre o assunto até o fim da<br />

bipolarida<strong>de</strong> mundial, com a <strong>de</strong>sagregação da URSS, em 1990.<br />

5.1.1. TEORIA DO PODER MARÍTIMO (1890)<br />

Autor: almirante Alfred Thayer Mahan (americano)<br />

Foi o primeiro geopolítico a reconhecer a importância <strong>do</strong>s mares<br />

na consecução da política nacional em seu livro “Influência <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r<br />

Naval na História”.<br />

A idéia básica <strong>de</strong> sua teoria é que:<br />

A terra é quase sempre um obstáculo, o mar quase to<strong>do</strong> uma planície<br />

aberta; uma nação capaz <strong>de</strong> controlar essa planície, por<br />

meio: <strong>do</strong> po<strong>de</strong>rio naval, e que ao mesmo tempo consiga manter<br />

uma gran<strong>de</strong> marinha mercante, po<strong>de</strong> explorar<br />

as riquezas <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>.<br />

Para Mahan, o po<strong>de</strong>r marí-<br />

Para Mahan, o po<strong>de</strong>r marítimo é<br />

timo é elemento vital para<br />

elemento vital para o crescimento, a<br />

o crescimento, a prosperi-<br />

prosperida<strong>de</strong> e a segurança nacionais.<br />

da<strong>de</strong> e a segurança nacio-<br />

Afirma, ainda, que:<br />

nais.<br />

O po<strong>de</strong>r marítimo não é o sinônimo <strong>de</strong><br />

po<strong>de</strong>r naval, pois não compreen<strong>de</strong> apenas<br />

o potencial militar que, navegan<strong>do</strong>, <strong>do</strong>mina o oceano ou parte<br />

<strong>de</strong>le pela força das armas, mas também o comércio e a navegação<br />

pacífica que, <strong>de</strong> um mo<strong>do</strong> vigoroso e natural, <strong>de</strong>ram<br />

nascimento à esquadra e, graças a ela, repousam em segurança”.<br />

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5 7<br />

‘TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S CLASSICAS”<br />

Geopolítica


5 8<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Baseia sua teoria nos estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> História reportan<strong>do</strong>-se ao lema <strong>de</strong><br />

Temístocles, o vence<strong>do</strong>r <strong>de</strong> Salamina – “aquele que comanda o mar,<br />

comanda todas as coisas” –- e à afirmativa <strong>de</strong> Ratzel – “o mar era a fonte<br />

<strong>de</strong> to<strong>do</strong> o po<strong>de</strong>r nacional”. Reforça suas idéias com os sucessos em todas<br />

as guerras vencidas nos Séc. XVII e XVIII, ten<strong>do</strong> como cerne <strong>de</strong> suas<br />

teoria o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> Portugal, <strong>do</strong> Oriente ao Oci<strong>de</strong>nte, com sua colônias,<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> o Séc. XIV. Assim como na Inglaterra, com suas 13 colônias.<br />

Ambos, com respeitável po<strong>de</strong>r marítimo (atuante marinha mercante e<br />

forte po<strong>de</strong>r naval), nos seus perío<strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio.<br />

Sintetiza sua teoria em 4 fatores que julgava <strong>de</strong> importância <strong>de</strong>cisiva,<br />

expostos em “The Influence of the Sea upon History” (Boston:1880):<br />

1º - Posicionamento e fisiopolítica (sem continentalida<strong>de</strong>);<br />

2º - Extensão territorial (posições estratégicas);<br />

3º - Aspectos psicossociais, população e caráter nacional (ligação vital<br />

com o mar ou com a terra);<br />

4º - Política <strong>de</strong> governo (volta<strong>do</strong> para o mar).<br />

Em seu <strong>do</strong>gma, conclama a aproximação entre Inglaterra e EUA,<br />

pela i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> psicossocial comum <strong>de</strong> origem.<br />

Construiu um cenário <strong>de</strong>sejável para os EUA, com a formação <strong>de</strong><br />

um respeitável po<strong>de</strong>r marítimo, presente em to<strong>do</strong>s os mares <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>,<br />

com pontos <strong>de</strong> apoio em to<strong>do</strong>s os continentes, para comércio e bases<br />

para sua armada, cenário este que seguramente proporcionaria “explorar<br />

as riquezas <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>”.<br />

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5.1.2. TEORIA DO PODER TERRESTRE (1904)<br />

Geopolítica<br />

Autor: professor e geógrafo Sir Halford J. Mackin<strong>de</strong>r (inglês)<br />

Analisan<strong>do</strong> o mapa mundi, ele observou que 75% das terras <strong>do</strong><br />

Globo eram constituídas <strong>de</strong> Europa, Ásia e África; com cerca <strong>de</strong> 90% da<br />

população mundial, <strong>de</strong>nominan<strong>do</strong> esse conjunto <strong>de</strong> “Ilha <strong>do</strong> Mun<strong>do</strong>” e<br />

<strong>de</strong>stacan<strong>do</strong>-o como eixo central no hemisfério norte. Constatou, ainda,<br />

que as conquistas <strong>do</strong>s bárbaros para oeste e <strong>do</strong>s cossacos para leste partiram<br />

<strong>do</strong> centro-oriental, conceben<strong>do</strong> que no interior <strong>de</strong>sse eixo, numa<br />

área central, se instalaria o po<strong>de</strong>r terrestre. Denominou-se essa área <strong>de</strong><br />

“Terra Central” ou “Terra Coração” (Heartland), autêntica área pivô da<br />

História. A seguir, <strong>de</strong>duziu que quem a controlasse <strong>do</strong>minaria a “Ilha<br />

<strong>do</strong> Mun<strong>do</strong>” e, como conseqüência, controlaria o mun<strong>do</strong>.<br />

Isola<strong>do</strong> <strong>do</strong>s oceanos e com gran<strong>de</strong> mobilida<strong>de</strong>, teria o po<strong>de</strong>r terrestre,<br />

instala<strong>do</strong> no “heartland”, a facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se expandir na direção<br />

<strong>do</strong>s países posiciona<strong>do</strong>s nas extremida<strong>de</strong>s costeiras, região que chamou<br />

<strong>de</strong> “crescente interno marginal”, ten<strong>do</strong> nas extremida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> oci<strong>de</strong>nte a<br />

Inglaterra e <strong>do</strong> oriente o Japão. Se associasse o po<strong>de</strong>r terrestre a essas<br />

duas extremida<strong>de</strong>s com potencial <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r marítimo, estaria assegura<strong>do</strong><br />

o <strong>do</strong>mínio <strong>do</strong> mun<strong>do</strong> e se po<strong>de</strong>ria partir para o “arco exterior insular”,<br />

a que chamou <strong>de</strong> “crescente externo insular”, abrangen<strong>do</strong> a América<br />

e a Austrália.<br />

Apresentou sua teoria em uma monografia intitulada “O Eixo Geográfico<br />

da História”, na Real Socieda<strong>de</strong> Geográfica <strong>de</strong> Londres, em 1904.<br />

Como presenciou, na 1ª Gran<strong>de</strong> Guerra, o surgimento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r<br />

aéreo e o resulta<strong>do</strong> da 2ª Gran<strong>de</strong> Guerra, teve tempo <strong>de</strong> complementar<br />

sua teoria sugerin<strong>do</strong> a união complementar entre Inglaterra e os EUA.<br />

Estabeleceu um novo conceito – o “Midland Ocean” –, centra<strong>do</strong> no Atlântico<br />

Norte.<br />

2a prova geopolítica- 2005 -.p65 59<br />

14/6/2005, 17:16<br />

5 9


2a prova geopolítica- 2005 -.p65 60<br />

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6 0<br />

TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S CLÁSSICAS<br />

Uraci Castro Bonfim


Geopolítica<br />

Sugeriu, então, a França como cabeça-<strong>de</strong>-ponte, a Inglaterra como<br />

aeródromo protegi<strong>do</strong> e os EUA como reserva bem entrosada e com recursos<br />

agrícolas e industriais.<br />

Suas idéias inspiraram Hitler durante a 2ª Gran<strong>de</strong> Guerra, que,<br />

após a conquista da Europa Central, invadiu a Rússia rompen<strong>do</strong> o trata<strong>do</strong><br />

bilateral <strong>de</strong> cooperação.<br />

Estas idéias fundamentam a criação <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s-tampões , com a<br />

finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> separar a Rússia da Alemanha, forman<strong>do</strong> o chama<strong>do</strong> “Cordão<br />

Sanitário”.<br />

Ainda basea<strong>do</strong> nessa linha <strong>de</strong> raciocínio, inspirou, mais tar<strong>de</strong>, a<br />

elaboração <strong>de</strong> uma teoria geopolítica que daria origem à “estratégia <strong>de</strong><br />

contenção”, utilizada na Guerra Fria.<br />

5.1.3. TEORIA DAS PAN-REGIÕES (1930)<br />

Autor: general, professor e geógrafo Karl E. N. Haushofer (alemão)<br />

Ten<strong>do</strong> como cerne <strong>de</strong> sua teoria as idéias difundidas por Kjëllén (a<br />

Europa li<strong>de</strong>rada pela Alemanha, num espaço vital que se estendia da<br />

Escandinávia à Turquia), <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong>s<br />

princípios da “fronteira orgânica” <strong>de</strong> Haushofer chegou à con-<br />

Ratzel, chegou à conclusão <strong>de</strong> que a clusão <strong>de</strong> que a posição da<br />

posição da Alemanha no centro da Eu- Alemanha no centro da Europa<br />

era geoestrategicamente vulneráropa era geoestrategicavel,<br />

por se encontrar cercada <strong>de</strong> Estamente vulnerável, por se<br />

<strong>do</strong>s dinâmicos tanto a leste quanto a<br />

encontrar cercada <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s<br />

dinâmicos tanto a les-<br />

oeste.<br />

te quanto a oeste.<br />

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6 2<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Difundiu, em seus trabalhos, alguns pontos que consi<strong>de</strong>rava básicos<br />

para os Esta<strong>do</strong>s no contexto mundial:<br />

- como um <strong>do</strong>s pontos básicos para as nações estaria a “autarquia”, que<br />

seria a auto-suficiência nacional no senti<strong>do</strong> econômico, assim consi<strong>de</strong>rada<br />

pelos geopolíticos alemães da época;<br />

- a idéia <strong>do</strong> “espaço vital” (lebensraum), como sen<strong>do</strong> o direito <strong>de</strong> um<br />

Esta<strong>do</strong> ampliar o seu espaço geográfico visan<strong>do</strong> ao <strong>de</strong>senvolvimento<br />

da sua população, nos campos econômico e cultural;<br />

- outra idéia básica é a visão da situação <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r marítimo x po<strong>de</strong>r<br />

terrestre, concluin<strong>do</strong> que: as bases marítimas diminuem sua segurança<br />

em relação ao Esta<strong>do</strong> com controle <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> massa terrestre à sua<br />

retaguarda, pois po<strong>de</strong>ria mediante forte ação terrestre, conquistá-la;<br />

e, ainda, que o po<strong>de</strong>r marítimo não é eterno, pelo seu natural <strong>de</strong>sgaste<br />

e pela <strong>de</strong>pendência <strong>de</strong> território;<br />

- finalmente, as fronteiras quan<strong>do</strong>, explica: “as fronteiras são simplesmente<br />

a expressão das condições <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r político em um momento<br />

consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>”. Na sua opinião, elas normalmente são gran<strong>de</strong>s causa<strong>do</strong>ras<br />

<strong>de</strong> conflitos, em <strong>de</strong>corrência <strong>de</strong> discordâncias entre os interesses<br />

políticos <strong>do</strong>s confrontantes.<br />

Criou, então, a “Tese das Pan-Regiões” - conjugação <strong>do</strong>s espaços<br />

vitais na direção <strong>do</strong>s meridianos, em eixos norte-sul - envolven<strong>do</strong> variada<br />

gama <strong>de</strong> recursos e mais apropriada à Alemanha pelo seu posicionamento<br />

vulnerável.<br />

Seguin<strong>do</strong> a tese das “áreas geograficamente compensadas”, os <strong>de</strong>nomina<strong>do</strong>s<br />

“espaços vitais ativos”, possui<strong>do</strong>res <strong>de</strong> indústria e tecnologia,<br />

instala<strong>do</strong>s no norte, seriam li<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s por um Esta<strong>do</strong>. Em<br />

contrapartida, os “espaços vitais passivos”, ao sul, seriam manti<strong>do</strong>s como<br />

simples fornece<strong>do</strong>res <strong>de</strong> matérias-primas, sem tecnologia, conforma<strong>do</strong>s<br />

a se manterem na mais estreita inter<strong>de</strong>pendência <strong>do</strong> norte.<br />

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TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S CLÁSSICAS<br />

Bonfim<br />

Geopolítica


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Uraci Castro Bonfim<br />

Haushofer concluiu que a conjugação <strong>do</strong>s espaços vitais em eixos<br />

na direção norte-sul seria bem mais propícia ao estabelecimento da paz,<br />

eliminan<strong>do</strong> a tendência expansionista <strong>do</strong>s “Esta<strong>do</strong>s diretores” no senti<strong>do</strong><br />

da lateralida<strong>de</strong>.<br />

Assim, i<strong>de</strong>alizou quatro pan-regiões:<br />

- Euráfrica, composta por Europa Oci<strong>de</strong>ntal, África e Península Arábica,<br />

sob a li<strong>de</strong>rança da Alemanha, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> ser auxiliada pela Inglaterra;<br />

- Pan-América, formada pelo Continente Americano mais a<br />

Groelândia, sob a li<strong>de</strong>rança <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s;<br />

- Pan-Rússia, formada pela URSS, subtrain<strong>do</strong> a Sibéria, mas compensan<strong>do</strong><br />

com a anexação da Índia, com uma saída para o “mar quente”,<br />

o Índico, sonho <strong>de</strong>s<strong>de</strong> os tempos <strong>de</strong> Pedro, o Gran<strong>de</strong>;<br />

- Pan-Ásia, abrangen<strong>do</strong> a parte oriental da Ásia, a Austrália e os <strong>de</strong>mais<br />

arquipélagos e ilhas da área. Os japoneses optaram por chamála<br />

<strong>de</strong> “Zona <strong>de</strong> Co-Prosperida<strong>de</strong> Asiática”.<br />

Estava, portanto, o mun<strong>do</strong> reparti<strong>do</strong> pelas gran<strong>de</strong>s potências e estabeleci<strong>do</strong><br />

o princípio diferencial <strong>do</strong> eixo norte-sul.<br />

Com a aceitação <strong>de</strong>ssa instituição teórica <strong>de</strong> “espaços conjuga<strong>do</strong>s”,<br />

surgiu a idéia <strong>de</strong> uma “nova or<strong>de</strong>m mundial”. O neocolonialismo, regi<strong>do</strong><br />

pela multipolarida<strong>de</strong> <strong>de</strong> quatro “Esta<strong>do</strong>s diretores”, proporcionava<br />

ações <strong>de</strong> anulação <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> bloco, inicialmente no campo econômico<br />

e, na etapa seguinte, no campo político, minimizan<strong>do</strong> gradativamente<br />

o conceito <strong>de</strong> soberania <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, em nome <strong>de</strong> uma<br />

paz estável.<br />

Toman<strong>do</strong> conhecimento <strong>de</strong>sta concepção, Hitler tentaria implantála,<br />

fazen<strong>do</strong> aliança com a União Soviética na tentativa <strong>de</strong> evitar a entrada<br />

da Inglaterra e <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s na 2ª Gran<strong>de</strong> Guerra. Fracassan-<br />

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Geopolítica<br />

<strong>do</strong> em seu intento, voltou-se para a im-<br />

Toynbee afirma que o <strong>de</strong>splantação<br />

da “Teoria <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Terrestino<br />

<strong>do</strong>s povos está nas<br />

tre”, <strong>de</strong> Mackin<strong>de</strong>r, com a qual também<br />

mãos <strong>de</strong> suas elites dirigen-<br />

fracassou.<br />

tes e aceita a Geopolítica<br />

Diante das forças <strong>de</strong> influência da<br />

como conselheira e<br />

Europa e da Rússia, Haushofer vislum-<br />

indica<strong>do</strong>ra <strong>de</strong> soluções<br />

para essas elites.<br />

brou a criação <strong>de</strong> uma barreira <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s<br />

que classificou como “Cinturão <strong>do</strong><br />

Diabo”, <strong>de</strong>finin<strong>do</strong>-a como um espaço<br />

vital ocupa<strong>do</strong> por países com mera aparência <strong>de</strong> soberania e in<strong>de</strong>pendência,<br />

que serviria <strong>de</strong> área amortece<strong>do</strong>ra entre esses <strong>do</strong>is pólos <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r.<br />

A partir <strong>de</strong> 1945, a Europa se dividia geopoliticamente perante<br />

essas forças dan<strong>do</strong> origem à “Cortina <strong>de</strong> Ferro”.<br />

5.1.4. TEORIA DO DESAFIO E RESPOSTA (1934)<br />

Autor: sociólogo e historia<strong>do</strong>r Arnold Toynbee (inglês)<br />

Toynbee afirma que o <strong>de</strong>stino <strong>do</strong>s povos está nas mãos <strong>de</strong> suas<br />

elites dirigentes e aceita a Geopolítica como conselheira e indica<strong>do</strong>ra <strong>de</strong><br />

soluções para essas elites.<br />

Depois <strong>de</strong> analisar a trajetória <strong>de</strong> 21 civilizações, <strong>do</strong>s sumérios<br />

aos tempos mo<strong>de</strong>rnos, conclui que as civilizações que aceitaram e venceram<br />

os <strong>de</strong>safios, traduzi<strong>do</strong>s por obstáculos ou inferiorida<strong>de</strong>s, se afirmaram<br />

e se <strong>de</strong>senvolveram nos contextos em que estavam inseridas. E<br />

as civilizações que não aceitaram, ou não mais tiveram <strong>de</strong>safios a enfrentar,<br />

estagnaram, regrediram e até se <strong>de</strong>sagregaram. Daí, estabelece<br />

sua teoria na obra “Um Estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> História”:<br />

As inferiorida<strong>de</strong>s geográficas, os obstáculos, são <strong>de</strong>safios que se<br />

antepõem ao processo <strong>de</strong> afirmação das nações. Ou estas supe-<br />

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6 6<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

ram esses <strong>de</strong>safios e se afirmam, ou não os superam, e são con<strong>de</strong>nadas<br />

à estagnação ou à <strong>de</strong>sagregação”.<br />

Afirma, ainda, que:<br />

Após uma etapa <strong>de</strong> crescimento, algumas socieda<strong>de</strong>s humanas<br />

entraram em colapso, pela perda <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r cria<strong>do</strong>r das minorias<br />

dirigentes que, à míngua <strong>de</strong> vitalida<strong>de</strong>, per<strong>de</strong>m a força mágica <strong>de</strong><br />

influir sobre as massas não cria<strong>do</strong>ras e <strong>de</strong> atraí-las.<br />

Em seu estu<strong>do</strong>, quan<strong>do</strong> se <strong>de</strong>dica à interação entre o homem e o<br />

ambiente físico, conclui que “a facilida<strong>de</strong> é inimiga da civilização” e que<br />

“o estímulo humano aumenta <strong>de</strong> força na razão direta da dificulda<strong>de</strong>”.<br />

Nesse estu<strong>do</strong>, divi<strong>de</strong> os estímulos em duas classes:<br />

- para o ambiente físico: as regiões ásperas e os solos novos;<br />

- para o ambiente humano: os reveses, as pressões e as inferiorida<strong>de</strong>s.<br />

Para corroborar com seu pensamento, entre outras citações, apresenta<br />

a afirmativa <strong>de</strong> Heró<strong>do</strong>to (424 a.C.): “terras férteis, homens in<strong>do</strong>lentes;<br />

terras ásperas, homens duros”.<br />

Conclui-se que esta teoria, referente aos Esta<strong>do</strong>s, po<strong>de</strong> ser aplicada<br />

individualmente aos homens, na condução <strong>de</strong> suas vidas.<br />

5.1.5. TEORIA DO PODER AÉREO (1921-1942)<br />

Autores: general Giulio Douhet (italiano)<br />

avia<strong>do</strong>r Alexsan<strong>de</strong>r Seversky (russo naturaliza<strong>do</strong><br />

americano)<br />

No momento em que a teoria <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r terrestre procurava se sobrepor<br />

à <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r marítimo, estourava a 1ª Gran<strong>de</strong> Guerra, levan<strong>do</strong> os<br />

estudiosos a procurarem aspectos geopolíticos mais globais no âmbito<br />

das relações internacionais.<br />

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Geopolítica<br />

Em 1921, o general italiano Douhet passou a difundir o emprego<br />

<strong>do</strong> avião como arma estratégica no ensaio “Il Dominio Dell’Aire, publica<strong>do</strong><br />

em Roma. Nessa ocasião, afirmava que, mesmo diante da importância<br />

das forças <strong>de</strong> terra e <strong>do</strong> mar, em pouco tempo tão importante seria<br />

o <strong>do</strong>mínio <strong>do</strong> ar. Preconizava o emprego <strong>do</strong> avião no interior <strong>do</strong>s países<br />

adversários, <strong>de</strong>struin<strong>do</strong> objetivos econômicos, sociais, políticos e militares,<br />

pois, além <strong>do</strong>s prejuízos materiais, abalaria a vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> lutar <strong>do</strong><br />

inimigo, facilitan<strong>do</strong> a condução da guerra, com a seguinte afirmativa:<br />

“A arma aérea, a arma suprema, podia ela só irromper sobre os inimigo e obter<br />

a <strong>de</strong>cisão, atacan<strong>do</strong> em massa os centros vitais <strong>do</strong> adversário”. Era o<br />

surgimento <strong>do</strong> conceito <strong>de</strong> “bombar<strong>de</strong>io estratégico”, que viria reforçar<br />

a “guerra total”, preconizada pelo general alemão Lu<strong>de</strong>n<strong>do</strong>rf, durante a<br />

1ª Gran<strong>de</strong> Guerra.<br />

Defendia a idéia da conquista <strong>do</strong> <strong>do</strong>mínio <strong>do</strong> ar, e só através <strong>de</strong>le<br />

po<strong>de</strong>r-se-ia gozar da gran<strong>de</strong> vantagem <strong>de</strong> toda a articulação <strong>do</strong> inimigo<br />

no terreno e no mar. Concluin<strong>do</strong> que “o <strong>Exército</strong> e a Marinha não <strong>de</strong>vem<br />

por isso ver na Aeronáutica apenas um meio auxiliar e sim como<br />

um terceiro po<strong>de</strong>r mais jovem, mas nem por isso menos importante na<br />

família guerreira”.<br />

Douhet difundiu com persistência suas novas idéias sobre a aplicação<br />

da nova arma, o avião, a ponto <strong>de</strong> modificar <strong>de</strong> maneira marcante a<br />

concepção estratégica <strong>de</strong> guerra e <strong>de</strong> provocar gran<strong>de</strong> transformação na visão<br />

geopolítica <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. Influenciou <strong>de</strong>cisivamente na formação<br />

e no <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r aéreo em vários Esta<strong>do</strong>s, principalmente<br />

na Inglaterra e nos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, com larga aplicação por ocasião<br />

da 2ª Gran<strong>de</strong> Guerra, tornan<strong>do</strong>-se o precursor da teoria <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r aéreo.<br />

Teve como um <strong>do</strong>s mais fervorosos segui<strong>do</strong>res <strong>de</strong> suas idéias o<br />

coronel avia<strong>do</strong>r americano William Mitchell, que participou da guerra<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

comandan<strong>do</strong> uma das maiores concentrações <strong>de</strong> aeronaves até então organizadas<br />

ten<strong>do</strong> si<strong>do</strong>, posteriormente, subchefe da aviação americana.<br />

(avia<strong>do</strong>r) ALEXSANDER SEVERSKY<br />

Natural da Rússia, foi avia<strong>do</strong>r combaten<strong>do</strong> os alemães na 1ª Gran<strong>de</strong><br />

Guerra, chegan<strong>do</strong> a chefe da aviação naval russa. Depois da Revolução<br />

Comunista, naturalizou-se cidadão americano on<strong>de</strong> foi aproveita<strong>do</strong><br />

como construtor e piloto <strong>de</strong> prova, ten<strong>do</strong> em vista sua experiência anterior.<br />

Com a produção <strong>do</strong>s po<strong>de</strong>rosos aviões B-36 pelos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s,<br />

com alcance <strong>de</strong> 5.000 milhas, Serversky observa que: “a guerra aérea<br />

transoceânica, inter-hemisférica é não somente possível, mas inevitável”.<br />

Destaca, ainda:<br />

O B-36 é um exemplo <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r aéreo estratégico <strong>de</strong> longo alcance que<br />

revolucionará nossas idéias sobre estratégia militar. Tais aviões po<strong>de</strong>m<br />

levantar vôo <strong>do</strong> nosso próprio continente e, sem necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> bases<br />

em ultramar, golpear quase em qualquer ponto <strong>do</strong> território <strong>de</strong> um inimigo<br />

europeu ou asiático, regressan<strong>do</strong> em seguida”.<br />

Em sua obra “A Vitória pela Força Aérea”, publicada em 1942,<br />

Seversky elabora um mapa <strong>de</strong> projeção azimutal eqüidistante, com centro<br />

no Pólo Norte, dividin<strong>do</strong> o mun<strong>do</strong> em duas gran<strong>de</strong>s áreas <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio<br />

aéreo:<br />

-área <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio aéreo <strong>do</strong>s EUA, centrada no seu coração industrial,<br />

com um raio <strong>de</strong> 5.000 milhas, cobrin<strong>do</strong> quase to<strong>do</strong> o continente<br />

americano, parte norte da África, Europa e gran<strong>de</strong> parte da Ásia;<br />

-área <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio aéreo da URSS, centra<strong>do</strong> no coração industrial<br />

russo, também com um raio <strong>de</strong> 5.000 milhas, cobrin<strong>do</strong> toda a Eurásia,<br />

quase toda a África e a América <strong>do</strong> Norte até o sul <strong>do</strong> México.<br />

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TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S CLÁSSICAS<br />

Geopolítica


7 0<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

Observa que as duas áreas se sobrepunham em algumas regiões<br />

on<strong>de</strong> se forma a <strong>de</strong>nominada “área <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão”, envolven<strong>do</strong> praticamente<br />

to<strong>do</strong> o hemisfério norte, na qual, segun<strong>do</strong> Seversky, os EUA <strong>de</strong>veriam<br />

manter a o pre<strong>do</strong>mínio aéreo para sua segurança.<br />

Estabelece, ainda, uma “área <strong>de</strong> suprimento” para cada uma das<br />

gran<strong>de</strong>s potências tratadas, que seriam as áreas fora da área <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio<br />

aéreo <strong>do</strong> opositor. A <strong>de</strong> apoio em alimentos e materiais estratégicos <strong>do</strong>s<br />

EUA seria a América <strong>do</strong> Sul; e a da URSS seria a África <strong>do</strong> Sul, conhecida<br />

como “área in<strong>de</strong>cisa” e que, segun<strong>do</strong> a <strong>do</strong>utrina <strong>do</strong> general russo<br />

Gorshkov, po<strong>de</strong>ria servir <strong>de</strong> trampolim para alcançar o Brasil e a Argentina.<br />

Esta teoria esteve presente ativamente durante to<strong>do</strong> o perío<strong>do</strong> da<br />

Guerra Fria, com os EUA manten<strong>do</strong> o pre<strong>do</strong>mínio aéreo na “área <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>cisão”, culminan<strong>do</strong> com o “Projeto Guerra nas Estrelas”. Viria, ainda,<br />

influir <strong>de</strong>cisivamente no surgimento e no <strong>de</strong>senvolvimento da Escola<br />

da Geopolítica Integralizada.<br />

5.1.6. TEORIA DAS FÍMBRIAS (1942)<br />

Autor: professor Nicholas John Spykman (holandês naturaliza<strong>do</strong><br />

americano).<br />

Doutor em filosofia e diretor <strong>do</strong> “Instituto <strong>de</strong> Relações Internacionais”<br />

<strong>de</strong> Yale, nos EUA, basea<strong>do</strong> na teoria <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r terrestre <strong>de</strong> Mackin<strong>de</strong>r,<br />

que preconizava a idéia <strong>de</strong> que quem <strong>do</strong>minasse o “Coração da Terra”<br />

<strong>do</strong>minaria o mun<strong>do</strong>, imaginou que a única <strong>de</strong>fesa possível contra essa<br />

possibilida<strong>de</strong> seria ocupan<strong>do</strong> as bordas da “Ilha <strong>do</strong> Mun<strong>do</strong>”, ou seja, as<br />

“fímbrias”, que ele chamou <strong>de</strong> “Rimland”.<br />

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TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S CLÁSSICAS<br />

Bonfim<br />

Geopolítica


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Uraci Castro Bonfim<br />

Uma vez ocupa<strong>do</strong> o “Rimland” (fímbrias), não seria possível a<br />

expansão para a “Ilha <strong>do</strong> Mun<strong>do</strong>”, por parte <strong>de</strong> quem ocupasse o “Coração<br />

da Terra” (Heartland). Conseqüentemente, não teria acesso ao resto<br />

<strong>do</strong> mun<strong>do</strong>, ou seja, o “Crescente Exterior ou Insular”.<br />

Basea<strong>do</strong> nessa teoria, após a ocupação <strong>do</strong> “Coração da Terra” pela<br />

URSS, o mun<strong>do</strong> oci<strong>de</strong>ntal passou a ocupar as “Fímbrias”, com o objetivo<br />

<strong>de</strong> impedir a expansão <strong>do</strong> comunismo para o restante <strong>do</strong> globo. Estabelecen<strong>do</strong><br />

acor<strong>do</strong>s e trata<strong>do</strong>s, materializou a conhecida “Geoestratégia<br />

da Contenção”, durante to<strong>do</strong> o perío<strong>do</strong> da Guerra Fria, da seguinte<br />

forma:<br />

- com a Organização <strong>do</strong> Trata<strong>do</strong> <strong>do</strong> Atlântico Norte (OTAN), ocupou<br />

as “fímbrias” <strong>do</strong> oeste europeu;<br />

- com a Organização <strong>do</strong> Trata<strong>do</strong> <strong>do</strong> Centro (OTCEN), ocupou as “fímbrias”<br />

<strong>do</strong> centro-sul da Eurásia, com base no Irã;<br />

- com a Organização <strong>do</strong> Trata<strong>do</strong> <strong>do</strong> Su<strong>de</strong>ste da Ásia (OTASE), ocupou<br />

o oeste da Ásia, com base no Japão.<br />

Assim se presencia a aplicação efetiva <strong>de</strong>ssa teoria geopolítica pelo<br />

mun<strong>do</strong> oci<strong>de</strong>ntal, criada em antagonismo à utilizada pela URSS.<br />

Quan<strong>do</strong> a “Geoestratégia <strong>de</strong> Contenção” começou a ser relegada,<br />

em virtu<strong>de</strong> da <strong>de</strong>sativação da OTCEN provocada pelo Irã <strong>do</strong>s aiatolás, e<br />

a OTASE se <strong>de</strong>smoronou com a queda <strong>do</strong> Vietnã, simultaneamente o<br />

expansionismo comunista sofreu gran<strong>de</strong> perda com a <strong>de</strong>sagregação da<br />

URSS.<br />

5.1.7. TEORIA DO PODER PERCEPTÍVEL (1975)<br />

Autor: coronel e professor Ray Cline (americano)<br />

Estabelecida a bipolarida<strong>de</strong> no mun<strong>do</strong>, ten<strong>do</strong> como pólos as su-<br />

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Geopolítica<br />

Fonte: ECEME<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

perpotências EUA e URSS, surge a preocupação <strong>do</strong>s cientistas políticos<br />

e <strong>do</strong>s governantes no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> visualizar, com antecedência, as possíveis<br />

tendências <strong>do</strong> surgimento <strong>de</strong> outros Esta<strong>do</strong>s dispostos a participar<br />

da disputa pelo po<strong>de</strong>r mundial.<br />

Cria o “conceito politectônico”, que <strong>de</strong>fine como “estruturação<br />

política”, através <strong>de</strong> uma fórmula matemática que propõe <strong>de</strong>terminar o<br />

potencial <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, em seu trabalho “Avaliação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r<br />

Mundial”. Justifica o termo “conceito politectônico” afirman<strong>do</strong> que sua<br />

intenção:<br />

Foi <strong>de</strong>notar a formação e o esfacelamento <strong>do</strong>s grupos internacionais<br />

<strong>de</strong> Po<strong>de</strong>r, principalmente regionais, mas também conforma<strong>do</strong>s<br />

por forças culturais, políticas, econômicas e militares que<br />

<strong>de</strong>terminam o equilíbrio verda<strong>de</strong>iro das interrelações atuais das<br />

Nações.<br />

Formula, assim, a Teoria <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Perceptível, que <strong>de</strong>fine como: a<br />

capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> fazer a guerra e/ou <strong>de</strong> impor sua vonta<strong>de</strong><br />

no contexto político e econômico mundial.<br />

Esse po<strong>de</strong>r seria calcula<strong>do</strong> para cada Esta<strong>do</strong> pela fórmula:<br />

PP = (C+E+M) x (S+W) on<strong>de</strong>:<br />

PP - Po<strong>de</strong>r Perceptível<br />

C - Massa crítica (população e território)<br />

E - Capacida<strong>de</strong> econômica (economia, principalmente a capacida<strong>de</strong><br />

industrial)<br />

M - Capacida<strong>de</strong> militar (conjunto da expressão militar)<br />

S - Objetivo estratégico (concepção estratégica)<br />

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Geopolítica<br />

W - Vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> executar a estratégia militar (vonta<strong>de</strong> política nacional)<br />

Cada fator é submeti<strong>do</strong> à análise <strong>de</strong> um grupo <strong>de</strong> pesquisa<strong>do</strong>res,<br />

consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong>:<br />

C - Massa crítica: para território - sua posição, extensão, e recursos<br />

naturais; para população - efetivo, cultura e qualida<strong>de</strong>.<br />

E - Capacida<strong>de</strong> econômica: produção industrial (quantida<strong>de</strong> e<br />

qualida<strong>de</strong>); nível <strong>de</strong> avanço tecnológico.<br />

M - Capacida<strong>de</strong> militar: efetivo; a<strong>de</strong>stramento das forças; indústria<br />

bélica; <strong>de</strong>s<strong>do</strong>bramento estratégico.<br />

S e W - história <strong>do</strong> <strong>de</strong>sempenho <strong>do</strong> país nos últimos 30 anos.<br />

É interessante observar que há somatório e multiplicação <strong>de</strong> fatores<br />

mensuráveis e não mensuráveis.<br />

Cline aplica sua fórmula por duas vezes para calcular o Po<strong>de</strong>r Perceptível<br />

<strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s. A primeira vez em 1975, publicada em 1978, e a<br />

segunda em 1978, publicada em 1980, com a seguinte classificação:<br />

Tab. 1 Tabela com os resulta<strong>do</strong>s das pesquisas <strong>de</strong> Cline em 1978 e em 1980<br />

Fonte: Terezinha <strong>de</strong> Castro<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

Os resulta<strong>do</strong>s <strong>de</strong>monstra<strong>do</strong>s são excessivamente otimistas com<br />

relação ao Brasil, ou seja, capaz <strong>de</strong> impor sua vonta<strong>de</strong> no contexto mundial.<br />

Apesar <strong>de</strong> reconhecida, esta teoria não <strong>de</strong>tém bom grau <strong>de</strong> credibilida<strong>de</strong><br />

por parte <strong>do</strong>s geopolíticos, em virtu<strong>de</strong> <strong>de</strong> alguns critérios a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s<br />

pelo pesquisa<strong>do</strong>r e da complexida<strong>de</strong> <strong>de</strong> sua aplicação.<br />

De qualquer forma, seus estu<strong>do</strong>s se fundamentam no princípio<br />

geopolítico da dinâmica territorial, que se baseia:<br />

- na presença, consi<strong>de</strong>rada a amplitu<strong>de</strong> da área ou espaço, que poucos<br />

Esta<strong>do</strong>s possuem;<br />

- no posicionamento, que qualquer Esta<strong>do</strong> ocupa, in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong><br />

sua área estar em local que por qualquer razão se torna vital;<br />

- na capacida<strong>de</strong> econômica, <strong>de</strong> difícil avaliação pela sua complexida<strong>de</strong>,<br />

que a<strong>do</strong>tou o Produto Nacional Bruto – PNB - como indica<strong>do</strong>r<br />

econômico, utilizan<strong>do</strong> somente cinco fatores consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s por ele fundamentais,<br />

como: energia, minerais críticos, produção industrial, produção<br />

<strong>de</strong> alimentos e comércio exterior.<br />

O general Meira Mattos sugere a inclusão <strong>de</strong> mais um elemento<br />

subjetivo, que seria P - Po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> Persuadir, que seria a força <strong>de</strong> persuasão<br />

ou capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> impor sua vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong> contexto político e<br />

econômico.<br />

5.2. Novas Teorias Geopolíticas<br />

Houve gran<strong>de</strong>s mudanças na organização mundial na última década<br />

<strong>do</strong> século XX, principalmente após a <strong>de</strong>sagregação da URSS, com<br />

o fim da bipolarização e <strong>do</strong> conflito leste-oeste.<br />

Com o fim da era da bipolarida<strong>de</strong>, <strong>de</strong>sfeita em 1990, segun<strong>do</strong><br />

Tocqueville, somente os EUA seriam uma efetiva potência mundial e,<br />

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Geopolítica<br />

sen<strong>do</strong> candidatos em potencial: China, Brasil, Canadá, Austrália e Índia,<br />

estes <strong>do</strong>is últimos em 9º e 10º lugares na classificação <strong>de</strong> Cline.<br />

Esses países preeenchem as sete condições básicas que caracterizam as<br />

“nações emergentes” no âmbito das relações internacionais, segun<strong>do</strong><br />

Terezinha <strong>de</strong> Castro, que são:<br />

1 - superfície territorial maior que 5 milhões <strong>de</strong> km2 ;<br />

2 - continentalida<strong>de</strong> territorial;<br />

3 - acesso direto e amplo ao oceano;<br />

4 - recursos naturais estratégicos essenciais;<br />

5 - população maior que 100 milhões <strong>de</strong> habitantes;<br />

6 - <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong>mográfica maior que 10 hab./km2 ;<br />

7 - homogeneida<strong>de</strong> racial.<br />

A partir <strong>do</strong> fim da bipolarida<strong>de</strong> e <strong>do</strong> início <strong>de</strong> uma possível<br />

multipolarida<strong>de</strong>, surgem os mais varia<strong>do</strong>s “cenários prospectivos” possíveis<br />

no mun<strong>do</strong>, fundamenta<strong>do</strong>s por uma gama enorme <strong>de</strong> estudiosos.<br />

Dentre os vários conceitos <strong>de</strong> cenário, cita-se: “Conjunto forma<strong>do</strong><br />

pela <strong>de</strong>scrição da situação futura <strong>de</strong> um sistema e <strong>de</strong> ca<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> acontecimentos<br />

que permite que se passe da situação presente à situação futura. Configura um<br />

conjunto coerente e plausível <strong>de</strong> acontecimentos,<br />

seria<strong>do</strong>s e simultâneos, aos quais<br />

Um cenário se estrutura<br />

estão associa<strong>do</strong>s atores, pessoas, grupos e ins-<br />

em:<br />

tituições”.<br />

-um conjunto <strong>de</strong> variá-<br />

Um cenário se estrutura em:<br />

veis representativas <strong>do</strong><br />

-um conjunto <strong>de</strong> variáveis repre-<br />

sistema;<br />

sentativas <strong>do</strong> sistema;<br />

-um conjunto <strong>de</strong> atores;<br />

-uma trajetória.<br />

-um conjunto <strong>de</strong> atores;<br />

-uma trajetória.<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

Assim sen<strong>do</strong>, os cenários se constituem em teorias geopolíticas <strong>de</strong><br />

vez que, além <strong>de</strong> aten<strong>de</strong>rem aos requisitos <strong>de</strong> uma teoria, <strong>de</strong>ixam claramente<br />

visíveis as condições geográficas embasan<strong>do</strong> as <strong>de</strong>cisões políticas<br />

que possibilitam aten<strong>de</strong>r.<br />

5.2.1. TEORIA DOS BLOCOS (1991)<br />

Autor: conselheiro econômico Jacques Perruchan <strong>de</strong> Brochard<br />

(francês).<br />

Em 1991, especialista em estratégia econômica e empresarial,<br />

Brochard apresenta sua “Teoria <strong>do</strong>s Blocos”, também conhecida como<br />

“Teoria das Casas Comuns” ou das “Zonas Monetárias”, em seu livro “A<br />

Miragem <strong>do</strong> Futuro”, ocasião em que divi<strong>de</strong> o mun<strong>do</strong> em quatro blocos,<br />

engloban<strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s hemisférios norte e sul, cada um <strong>de</strong>les li<strong>de</strong>ra<strong>do</strong><br />

preferencialmente por um ou mais Esta<strong>do</strong>s que compõem o grupo<br />

<strong>do</strong>s sete gran<strong>de</strong>s (G7).<br />

Em cada bloco, vigoraria a moeda <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s lí<strong>de</strong>res, com o valor<br />

por eles controla<strong>do</strong>, os quais seriam também responsáveis pelo intercâmbio<br />

com os <strong>de</strong>mais blocos.<br />

Os Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> sul, por serem mais pobres, forneceriam produtos<br />

primários como alimento e as matérias-primas<br />

para a produção industrial<br />

A composição <strong>do</strong>s blocos<br />

<strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s mais <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong>s <strong>do</strong><br />

seria:<br />

“Bloco” e absorveriam seus produtos<br />

Fe<strong>de</strong>ração das Américas<br />

Confe<strong>de</strong>ração Euroafricana<br />

industrializa<strong>do</strong>s.<br />

União das Repúblicas Sobe- A composição <strong>do</strong>s blocos seria:<br />

ranas<br />

-“Fe<strong>de</strong>ração das Américas” (“Casa<br />

Liga Asiática<br />

Comum <strong>do</strong> Dólar”), constituída pelos<br />

Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> continente americano, sob<br />

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Bonfim<br />

Geopolítica


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Uraci Castro Bonfim<br />

a li<strong>de</strong>rança <strong>do</strong>s EUA, instituin<strong>do</strong> como moeda comum o dólar azul e o<br />

dólar ver<strong>de</strong> seria utiliza<strong>do</strong> nas operações com os <strong>de</strong>mais blocos;<br />

-“Confe<strong>de</strong>ração Euroafricana” (“Casa Comum <strong>do</strong> Euro”) abrangeria<br />

os Esta<strong>do</strong>s da Europa e da África, a<strong>do</strong>tan<strong>do</strong> como moeda comum o<br />

ECU (moeda da União Européia, atual Euro), sob a li<strong>de</strong>rança <strong>do</strong>s quatro<br />

Esta<strong>do</strong>s componentes <strong>do</strong> G7, a saber, Grã-Bretanha, França, Alemanha<br />

e Itália;<br />

- “União das Repúblicas Soberanas” (“Casa Comum <strong>do</strong> Rublo”), que<br />

englobaria os Esta<strong>do</strong>s da nova CEI (Rússia), Irã, Turquia, Iraque,<br />

Arábia Saudita e outros da região, sob a li<strong>de</strong>rança da Rússia, ten<strong>do</strong><br />

como moeda comum o rublo;<br />

- “Liga Asiática” (“Casa Comum <strong>do</strong> Iene”), constituída pelos Esta<strong>do</strong>s<br />

<strong>do</strong> extremo oriente (Japão, Tigres Asiáticos, Austrália, outros da região,<br />

na expectativa <strong>de</strong> contar futuramente com a China), a<strong>do</strong>tan<strong>do</strong><br />

como moeda comum o iene<br />

Nota-se perfeitamente que o autor preconiza esta divisão em blocos<br />

sob o enfoque econômico, mas fortemente influenciada pela divisão<br />

elaborada por Haushofer quan<strong>do</strong> divi<strong>de</strong> o mun<strong>do</strong> sob a ótica políticogeográfica<br />

em sua “Teoria das Pan-Regiões”.<br />

5.2.2. TEORIA DOS LIMES (1991)<br />

Autor: adi<strong>do</strong> cultural Jean Christophe Rufin (francês)<br />

Especialista em relações norte-sul, apresentou sua teoria no livro<br />

“O Império e os Novos Bárbaros”, edita<strong>do</strong> em 1991, momento em que,<br />

conforme o autor, “o enfrentamento Leste-Oeste morreu e o enfrentamento<br />

Norte-Sul o substitui”. Apresenta-se como opositora à a<strong>do</strong>ção da<br />

“Teoria das Pan-Regiões”, com gran<strong>de</strong>s perspectivas <strong>de</strong> seu <strong>de</strong>senvolvi-<br />

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mento a partir <strong>do</strong> fim da bipolarida<strong>de</strong>, ressuscitan<strong>do</strong> a i<strong>de</strong>ologia da <strong>de</strong>sigualda<strong>de</strong><br />

e da assimetria.<br />

Com o fim da bipolarida<strong>de</strong>, os Esta<strong>do</strong>s ricos não mais necessitam<br />

ajudar os Esta<strong>do</strong>s pobres <strong>do</strong> sul, como parceiros no contexto mundial,<br />

priorizan<strong>do</strong> tratar <strong>do</strong>s seus próprios problemas e <strong>de</strong> seu <strong>de</strong>senvolvimento.<br />

Em função da “nova or<strong>de</strong>m mundial”, fundamentada na<br />

“multipolarida<strong>de</strong>”, se caracteriza pelo fechamento <strong>do</strong> norte numa espécie<br />

<strong>de</strong> fortaleza que vem concorren<strong>do</strong> para a instalação crescente <strong>de</strong> zonas<br />

<strong>de</strong> instabilida<strong>de</strong>. Essas zonas cruciais estão localizadas ao longo da<br />

chamada periferia da região norte mais <strong>de</strong>senvolvida, forman<strong>do</strong> uma<br />

linha imaginária <strong>de</strong> confinamento <strong>do</strong>s “novos bárbaros”. Estas zonas <strong>de</strong><br />

contato, também conhecidas como “<strong>do</strong>bradiças”, são utilizadas para a<br />

criação <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s tampões ou <strong>de</strong> ações por parte <strong>do</strong>s “Esta<strong>do</strong>s diretores”,<br />

objetivan<strong>do</strong> barrar o acesso <strong>do</strong>s “novos bárbaros à “fortaleza” e a<br />

seus satélites imediatos.<br />

A partir <strong>de</strong>sse pensamento, Rufin elabora linhas <strong>de</strong> pensamento:<br />

- sob o enfoque <strong>de</strong>mopolítico, conter as hordas <strong>do</strong> sul para que não<br />

invadam o espaço privilegia<strong>do</strong> <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> diretor e <strong>de</strong> seus satélites<br />

imediatos;<br />

- sob o enfoque ecopolítico, projeta assistência aos “Esta<strong>do</strong>s tampões”<br />

que, apesar <strong>de</strong> serem <strong>do</strong> sul, encontram-se na linha limítrofe <strong>do</strong> norte.<br />

Portanto, usufruin<strong>do</strong> alguma assistência econômica e ten<strong>do</strong> assegurada<br />

a sua estabilida<strong>de</strong>, servem como um bloqueio à invasão <strong>do</strong><br />

espaço privilegia<strong>do</strong>;<br />

- sob o enfoque geoestratégico, aceitam-se nessa faixa limítrofe Esta<strong>do</strong>s<br />

totalitários <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que contribuam com a estabilida<strong>de</strong> da região,<br />

ou ainda, atacar um Esta<strong>do</strong>, por motivos nem sempre confessáveis,<br />

para proteger o espaço privilegia<strong>do</strong> <strong>de</strong> possível infiltração bárbara.<br />

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Geopolítica<br />

Ainda segun<strong>do</strong> o autor <strong>de</strong>ssa teoria, os problemas externos cria<strong>do</strong>s<br />

pelos “bárbaros” seriam resolvi<strong>do</strong>s pelo “Império”, utilizan<strong>do</strong> qualquer<br />

meio que julgue necessário, enquanto os problemas internos ficariam<br />

por conta <strong>do</strong>s próprios “bárbaros”, sob a supervisão <strong>do</strong> “Império”.<br />

Afirma, ainda, o autor que países da Europa Oriental e a própria<br />

Rússia <strong>de</strong>veriam receber ajuda financeira para acelerar seu <strong>de</strong>senvolvimento<br />

e se consolidarem no “Novo Império”.<br />

Exemplos <strong>de</strong> <strong>do</strong>bradiças: México, Haiti, Argélia e linha <strong>do</strong> Mediterrâneo,<br />

Oriente Médio, Irã, Mongólia e Coréia <strong>do</strong> Sul.<br />

Exemplos <strong>de</strong> supervisão: Peru, Equa<strong>do</strong>r, Venezuela, Timor, etc.<br />

5.2.3. TEORIA DA INCERTEZA (1992)<br />

Autor: estrategista Pierre Lellouche (francês)<br />

Esta teoria, também conhecida por “Teoria da Turbulência”, é apresentada<br />

no livro “O Novo Mun<strong>do</strong>: da Or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> Yalta à Desor<strong>de</strong>m das<br />

Nações”, em 1992, por Lellouche, construin<strong>do</strong> um cenário para o século<br />

XXI, após a <strong>de</strong>sagregação da URSS, afirman<strong>do</strong> que não será implantada<br />

uma “nova or<strong>de</strong>m mundial”, no senti<strong>do</strong> norte-sul, então preconizada<br />

pelos geopolíticos da época, e sim uma “<strong>de</strong>sor<strong>de</strong>m mundial” que<br />

po<strong>de</strong> durar até o ano <strong>de</strong> 2025.<br />

Defen<strong>de</strong> que essa “<strong>de</strong>sor<strong>de</strong>m mundial” será gerada por:<br />

- instabilida<strong>de</strong>s e possíveis revoluções a eclodirem nas antigas repúblicas<br />

soviéticas, ocasionadas pela pobreza e pela diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> grupos<br />

culturais na busca <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r regional;<br />

- explosão <strong>de</strong>mográfica nos Esta<strong>do</strong>s da África;<br />

- distúrbios raciais e étnicos nos EUA (controla<strong>do</strong>s);<br />

- ameaça nuclear <strong>de</strong> países islâmicos <strong>do</strong> norte da África contra a<br />

Europa;<br />

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Bonfim<br />

Uraci Castro Bonfim


Geopolítica<br />

- rearmamento <strong>do</strong> Japão;<br />

- abertura da China à tecnologia e comercialização com o Japão e o<br />

oci<strong>de</strong>nte.<br />

Nesse contexto, não vê os EUA em condições <strong>de</strong> <strong>do</strong>minar e conduzir<br />

a “nova or<strong>de</strong>m mundial”, proposta pelo <strong>de</strong>sgaste provoca<strong>do</strong> após<br />

a 2ª Gran<strong>de</strong> Guerra e o perío<strong>do</strong> da Guerra Fria.<br />

No cenário mundial que estabelece, não consi<strong>de</strong>ra a América <strong>do</strong><br />

Sul como “zona <strong>de</strong> turbulência”(incerteza), apesar das <strong>de</strong>sigualda<strong>de</strong>s<br />

internas, por ser relativamente protegida <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s revoluções possíveis,<br />

como a África, o mun<strong>do</strong> islâmico e a região <strong>do</strong> Cáucaso. Acredita<br />

ainda que os Esta<strong>do</strong>s <strong>de</strong>ssa região são perfeitamente administráveis.<br />

Em seu livro, ainda faz menção ao Brasil, sugerin<strong>do</strong> que <strong>de</strong>ve aproveitar<br />

esse perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> turbulência para sair da estagnação sozinho (se<br />

necessário), com um grupo <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s vizinhos (melhor) ou com to<strong>do</strong>s<br />

os Esta<strong>do</strong>s da América <strong>do</strong> Sul.<br />

Cita, ainda, três fatos que consi<strong>de</strong>ra importantes para esta região:<br />

a criação <strong>do</strong> Mercosul, principalmente se atrair outros Esta<strong>do</strong>s; tentativa<br />

<strong>de</strong> anulação <strong>do</strong> Mercosul pelos EUA com a criação da ALCA; e a<br />

busca <strong>de</strong> ligação da UE com o Mercosul, favorável a ambos os parceiros.<br />

5.2.4. TEORIA DA TRÍADE (1961- 1992)<br />

Autor: Clube <strong>de</strong> Roma<br />

A elaboração <strong>de</strong>ste cenário em 1961 surge das discussões e <strong>do</strong>s<br />

<strong>de</strong>bates entre os componentes <strong>do</strong> então <strong>de</strong>nomina<strong>do</strong>s “Clube <strong>de</strong> Roma”<br />

sobre a divisão <strong>do</strong> mun<strong>do</strong> em centros <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r, no exercício <strong>do</strong> <strong>do</strong>mínio<br />

<strong>do</strong> mun<strong>do</strong> sem maiores riscos <strong>de</strong> conflitos, portanto, sobre o po<strong>de</strong>r<br />

mundial mais “harmônico”. Consi<strong>de</strong>rada inoportuna sua implantação,<br />

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TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S CLÁSSICAS<br />

Bonfim<br />

Uraci Castro Bonfim


Geopolítica<br />

ten<strong>do</strong> em vista o <strong>de</strong>senrolar da Guerra Fria, <strong>de</strong>cidiu-se esperar um momento<br />

mais propício para sua implementação. Esse grupo <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s,<br />

na continuida<strong>de</strong> e com algumas modificações, transformou-se no atual<br />

“Grupo <strong>do</strong>s 7” (G-7).<br />

Com pequenas modificações e adaptações à nova conjuntura, esta<br />

teoria divi<strong>de</strong> o mun<strong>do</strong> em três gran<strong>de</strong>s blocos:<br />

- “Bloco Americano” - compreen<strong>de</strong> o continente americano, sob a li<strong>de</strong>rança<br />

<strong>do</strong>s EUA. A economia <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s integrantes <strong>do</strong> bloco seria<br />

“<strong>do</strong>larizada”, suas forças armadas seriam reduzidas e suas missões<br />

constitucionais alteradas, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a política a<strong>do</strong>tada pelo Esta<strong>do</strong><br />

lí<strong>de</strong>r <strong>do</strong> bloco;<br />

- “Bloco Europeu” - abrangen<strong>do</strong> a Europa, a Rússia (nova CEI), e os<br />

Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> norte da África, sob li<strong>de</strong>rança da Alemanha. A moeda<br />

forte seria o “marco alemão” ( ainda não existia o Euro) e a <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong><br />

bloco ficaria a cargo das forças conjuntas da União Européia.<br />

- “Bloco Asiático” - composto por Japão, China, Austrália, Índia, os Tigres<br />

Asiáticos e <strong>de</strong>mais Esta<strong>do</strong>s da região; a moeda corrente seria o iene.<br />

To<strong>do</strong>s os blocos ficariam sob a influência <strong>do</strong>s EUA, “lí<strong>de</strong>r <strong>do</strong> bloco<br />

oci<strong>de</strong>ntal e, agora, lí<strong>de</strong>r <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>”, segun<strong>do</strong> o Presi<strong>de</strong>nte Bush<br />

(pai) em seu discurso <strong>de</strong> abertura <strong>do</strong>s trabalhos <strong>do</strong> Congresso Americano,<br />

em 1992.<br />

Nota-se que a configuração <strong>de</strong>sses blocos se inspira na teoria das<br />

pan-regiões <strong>de</strong> Haushofer, no que diz<br />

TEORIA DA TRÍADE: respeito à divisão <strong>do</strong>s espaços geográfi-<br />

Bloco Americano<br />

cos e <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r político militar regio-<br />

Bloco Europeu<br />

nal; <strong>de</strong> Brochard, na divisão <strong>do</strong> espaço<br />

Bloco Asiático<br />

econômico mundial e na a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong><br />

moedas únicas para cada um <strong>do</strong>s blo-<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

cos; e na <strong>de</strong> Rufin, o controle <strong>de</strong> áreas <strong>do</strong>bradiças como o nborte da<br />

África para impedir a invasão <strong>do</strong>s “bárbaros” <strong>do</strong> sul.<br />

Não há a menor dúvida, analisan<strong>do</strong> a situação mundial, que a partir<br />

<strong>do</strong> final <strong>do</strong> século XX se procura implementar esta teoria, por intermédio<br />

da diplomacia, da economia, e por vezes da, força.<br />

5.2.5. TEORIA DO CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES (1993/96)<br />

Autor: professor Samuel P. Huntington (americano)<br />

O autor <strong>de</strong>ste cenário, gran<strong>de</strong> estudioso da história das civilizações,<br />

parte <strong>de</strong> um conceito sociológico <strong>de</strong> cultura, quan<strong>do</strong> enten<strong>de</strong> como<br />

“civilização, o mais alto e mais amplo nível <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntificação <strong>de</strong> um indivíduo<br />

com os outros, em relação aos <strong>de</strong>mais seres humanos”.<br />

Em função <strong>de</strong>sses estu<strong>do</strong>s, faz as seguintes consi<strong>de</strong>rações sobre<br />

conflitos e guerras no mun<strong>do</strong>:<br />

- até a Revolução Francesa, os conflitos ocorreram entre os reis;<br />

- com a criação <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s-nação até a 1ª Gran<strong>de</strong> Guerra, os conflitos<br />

e guerras ocorreram entre nações;<br />

- da 1ª Guerra Mundial até a 2ª Gran<strong>de</strong> Guerra, eles ocorreram entre<br />

i<strong>de</strong>ologias (comunistas x fascistas, na Guerra Civil Espanhola; <strong>de</strong>mocratas<br />

e comunistas x nazi-fascistas, na 2ª Guerra Mundial; <strong>de</strong>mocratas<br />

x comunistas, na Guerra Fria);<br />

- após a Guerra Fria, prevê que as guerras dar-se-ão entre as civilizações.<br />

Com base nesse entendimento, Huntington passa a estudar as civilizações<br />

atuais e i<strong>de</strong>ntifica nove civilizações, a saber:<br />

a) - Oci<strong>de</strong>ntal - compreen<strong>de</strong> Europa Oci<strong>de</strong>ntal, América <strong>do</strong> Norte,<br />

Austrália e Nova Zelândia;<br />

b) - Islâmica - abrange os países mulçumanos <strong>do</strong> sul da Ásia e <strong>do</strong> norte da<br />

África;<br />

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TEORIAS <strong>GEOPOLÍTICA</strong>S CLÁSSICAS<br />

Bonfim<br />

Geopolítica


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Uraci Castro Bonfim<br />

c) - Sínica (Confucionismo) - existente na China e no su<strong>de</strong>ste da Ásia;<br />

d) - Budista - compreen<strong>de</strong> Mongólia, Nepal, Tailândia, Cambodja,<br />

Myanmar, Laos, Malásia e Bangla<strong>de</strong>sh;<br />

e) - Latino-americana - engloba os Esta<strong>do</strong>s da América Latina;<br />

f) - Orto<strong>do</strong>xa - centrada na Rússia, inclui os países balcânicos e eslavos;<br />

g) - Hindu - Índia e outros pequenos países próximos;<br />

h) - Africana - abrange países da África Central e Sul (o autor tem dúvida<br />

se realmente constituem uma civilização);<br />

i) - Japonesa - somente o Japão.<br />

Esta classificação provocou uma série <strong>de</strong> protestos principalmente<br />

por europeus, em virtu<strong>de</strong> da exclusão da América Latina como civilização<br />

oci<strong>de</strong>ntal, consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong> uma posição potencialmente perigosa, ten<strong>do</strong> em<br />

vista sua colonização e sua cultura serem fundamentalmente originárias <strong>de</strong><br />

Portugal e Espanha.<br />

5.2.6. TEORIA DO QUATERNO (1996)<br />

Autor: coronel Roberto Macha<strong>do</strong> <strong>de</strong> Oliveira Mafra (brasileiro)<br />

O autor <strong>de</strong>sta teoria, um <strong>do</strong>s mais competentes estudiosos da ciência<br />

geopolítica na atualida<strong>de</strong> brasileira, fundamenta sua elaboração na<br />

inferiorização atribuída ao Brasil e aos <strong>de</strong>mais Esta<strong>do</strong>s da América Latina,<br />

em que essa região vem sen<strong>do</strong> tratada por li<strong>de</strong>ranças mundiais e estudiosos<br />

como secundária.<br />

Com este espírito, constrói um cenário para o século XXI, dividin<strong>do</strong><br />

o mun<strong>do</strong> em quatro blocos e apresenta fatores que o justificam:<br />

- Bloco Norte-Americano - composto pelos Esta<strong>do</strong>s da América <strong>do</strong> Norte;<br />

- Bloco Sul-Americano – constituí<strong>do</strong>, inicialmente, pelos Esta<strong>do</strong>s da<br />

América <strong>do</strong> sul e, posteriormente, pelos Esta<strong>do</strong>s da América Central,<br />

<strong>do</strong> Caribe e <strong>do</strong> México;<br />

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Geopolítica<br />

- Bloco Europeu - abrangen<strong>do</strong> os Esta<strong>do</strong>s das Europas Oci<strong>de</strong>ntal e<br />

Oriental, da Rússia e <strong>do</strong> norte da África;<br />

- Bloco Asiático - composto pelos Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> su<strong>do</strong>este da Ásia.<br />

Justificativas:<br />

- criação <strong>do</strong> Mercosul;<br />

TEORIA DO QUATERNO: o<br />

- possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ingresso no mun<strong>do</strong> em quatro blocos:<br />

Mercosul pelos <strong>de</strong>mais Esta<strong>do</strong>s da Bloco Norte-Americano<br />

América <strong>do</strong> Sul, já com <strong>de</strong>monstra- Bloco Sul-Americano<br />

ção <strong>de</strong> certo interesse por parte <strong>de</strong> Bloco Europeu<br />

alguns, forman<strong>do</strong> um bloco econômico<br />

único;<br />

Bloco Asiático.<br />

- segregação da América Latina da<br />

-<br />

“Civilização Oci<strong>de</strong>ntal”, classificada como uma “civilização própria”,<br />

contida na teoria <strong>de</strong> Huntington;<br />

manifestações da União Européia no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> estabelecer relações<br />

comerciais com o Mercosul, antes da implantação da ALCA;<br />

- possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> atração da África Atlântica para a área <strong>de</strong> atuação <strong>do</strong><br />

Mercosul;<br />

- necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> tratamento <strong>do</strong> bloco sul-americano como parceiro e<br />

não como eterna colônia econômica por parte <strong>do</strong>s <strong>de</strong>mais blocos;<br />

- possibilida<strong>de</strong> da concretização da “Teoria da Incerteza”, <strong>de</strong> Lellouche,<br />

em trinta anos a partir <strong>de</strong> 1995.<br />

Nota-se na estrutura <strong>de</strong>sta teoria, com algumas modificações, uma<br />

forte influência da Teoria da Tría<strong>de</strong>, <strong>do</strong> Clube <strong>de</strong> Roma; da Teoria das<br />

Pan-Regiões <strong>de</strong> Haushofer, no que diz respeito à divisão <strong>do</strong>s espaços<br />

geográficos; da Teoria <strong>do</strong>s Limes, <strong>de</strong> Rufin; e da Teoria <strong>do</strong> Choque das<br />

Civilizações”, <strong>de</strong> Huntington. Em relação a esta última, como<br />

contestatória.<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

6. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO<br />

Des<strong>de</strong> a antigüida<strong>de</strong>, filósofos, sociólogos, militares, geógrafos e<br />

políticos, vêm-se preocupan<strong>do</strong> com o fenômeno <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r aplica<strong>do</strong><br />

aos espaços ocupa<strong>do</strong>s pelos grupos sociais, dan<strong>do</strong> origem a<br />

idéias esparsas sobre o assunto, tema a ser <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong> neste<br />

texto.<br />

A preocupação com o fenômeno <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r aplica<strong>do</strong> aos espaços<br />

ocupa<strong>do</strong>s pelos grupos sociais adquire características mais metódica,<br />

quan<strong>do</strong> Ratzel estabelece suas “Leis <strong>do</strong> Crescimento <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s”, justifican<strong>do</strong><br />

a expansão territorial <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, fundamenta<strong>do</strong> no conceito<br />

<strong>de</strong> que “espaço é po<strong>de</strong>r”, essência da Teoria <strong>do</strong> Espaço Vital<br />

(Lebensraum). Desperta a atenção <strong>de</strong> Kjëllén, cria<strong>do</strong>r da Geopolítica,<br />

que <strong>de</strong>senvolve o mesmo raciocínio sobre o espaço ser fundamental para<br />

a consolidação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, agregan<strong>do</strong> consi<strong>de</strong>rações mais amplas sobre os<br />

aspectos da população, da economia e da política. Fortalecen<strong>do</strong>, ainda,<br />

a idéia <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> com a criação <strong>do</strong> Nacionalismo.<br />

Surgem as teorias <strong>de</strong> Mahan, da expansão <strong>do</strong> <strong>do</strong>mínio <strong>do</strong>s mares<br />

pela qual, os Esta<strong>do</strong>s aumentariam seu po<strong>de</strong>r ao utilizar esse fácil acesso<br />

às riquezas terrestres <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o mun<strong>do</strong>, implican<strong>do</strong> maior crescimento<br />

econômico. Leva em conta o posicionamento, a extensão territorial e os<br />

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Geopolítica<br />

aspectos da população e seu caráter nacional. Novamente ressalta-se o<br />

valor <strong>do</strong> espaço.<br />

Segue-se a teoria <strong>de</strong> Mackin<strong>de</strong>r, fortalecen<strong>do</strong> o espaço como fundamento<br />

<strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, que i<strong>de</strong>aliza um território quase inexpugnável como<br />

foco irradia<strong>do</strong>r <strong>do</strong> <strong>do</strong>mínio <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>, mediante uma atitu<strong>de</strong> expansionista.<br />

Quem <strong>do</strong>minar o “Coração <strong>do</strong> Mun<strong>do</strong>” <strong>do</strong>minará seu entorno, a<br />

“Ilha <strong>do</strong> Mun<strong>do</strong>” como conseqüência <strong>do</strong>minará o mun<strong>do</strong>.<br />

Após a 1ª Guerra Mundial, Haushofer, fundamenta<strong>do</strong> na<br />

“autarquia”, estabelece a “Teoria <strong>do</strong> Espaço Vital”, estudan<strong>do</strong> as possíveis<br />

pressões <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s próximos, apresenta uma nova concepção expansionista<br />

<strong>de</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, modifican<strong>do</strong> o já tradicional eixo leste-oeste<br />

para o senti<strong>do</strong> norte-sul e crian<strong>do</strong> as pan-regiões, nas quais os<br />

Esta<strong>do</strong>s ricos <strong>do</strong> norte exerceriam o po<strong>de</strong>r sobre os pobres <strong>do</strong> sul.<br />

Sain<strong>do</strong> <strong>de</strong>sta linha <strong>de</strong> pensamento expansionista, surgem as idéias<br />

<strong>de</strong> Toynbee, nas quais permanece o espaço como elemento fundamental<br />

no crescimento ou no colapso das civilizações, agrega<strong>do</strong> à reação ou não<br />

<strong>do</strong>s seus componentes humanos diante das dificulda<strong>de</strong>s que se lhe apresentavam.<br />

Com o advento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r aéreo <strong>de</strong> Dowet e Seversky, o espaço geográfico<br />

permanece ainda como foco <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, pois será visto<br />

como um instrumento facilita<strong>do</strong>r e mais eficiente para o seu <strong>do</strong>mínio.<br />

Foi largamente a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong> por ocasião da 2ª Guerra Mundial, porém seu<br />

emprego é <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>do</strong> território apesar <strong>de</strong> já expandi<strong>do</strong> pela tecnologia<br />

aérea.<br />

Volta a possuir gran<strong>de</strong> importância o espaço geográfico, na teoria<br />

<strong>de</strong> Spykman, quan<strong>do</strong> utiliza as idéias <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r terrestre <strong>de</strong> Mackin<strong>de</strong>r<br />

para <strong>de</strong>senvolver a antítese das Fímbrias, na qual preconiza a limitação<br />

da expansão <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> quem <strong>de</strong>tém o <strong>do</strong>mínio <strong>do</strong> “Coração <strong>do</strong> Mun-<br />

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9 4<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

<strong>do</strong>”, no caso <strong>de</strong> se <strong>do</strong>minar as Fímbri-<br />

Com a <strong>de</strong>sagregação da<br />

as, ou seja, a “Ilha <strong>do</strong> Mun<strong>do</strong>”. Teoria<br />

URSS, selan<strong>do</strong> o fim da<br />

esta que fundamenta a criação da<br />

bipolarida<strong>de</strong> mundial, faz-<br />

“Estratégia <strong>de</strong> Contenção”, a<strong>do</strong>tada<br />

se necessária uma reorga-<br />

durante a “Guerra Fria”, no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

nização <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>.<br />

conter o expansionismo comunista.<br />

Já com a preocupação quanto ao<br />

po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s no século XXI, os cientistas procuram estabelecer<br />

méto<strong>do</strong>s prospectivos, surgin<strong>do</strong> a Teoria <strong>de</strong> Cline, que, por sua complexida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> cálculo e até certa subjetivida<strong>de</strong> <strong>de</strong> avaliação, não consegue a<br />

necessária aceitação por parte da comunida<strong>de</strong> técnico-científica <strong>de</strong>dicada<br />

ao assunto. Porém, <strong>de</strong> certa forma serviu <strong>de</strong> alerta com relação aos Esta<strong>do</strong>s<br />

potencialmente propensos a se tornarem potências mundiais no século<br />

em curso.<br />

Com a <strong>de</strong>sagregação da URSS, selan<strong>do</strong> o fim da bipolarida<strong>de</strong><br />

mundial, faz- se necessária uma reorganização <strong>do</strong> mun<strong>do</strong>. Com esta “nova<br />

or<strong>de</strong>m mundial”, surge também a idéia <strong>de</strong> uma multipolarização que<br />

provoca gran<strong>de</strong> mudança nas concepções da ciência geopolítica. A Geopolítica<br />

ganha com uma maior participação <strong>de</strong> pensa<strong>do</strong>res e estudiosos<br />

das mais variadas formações profissionais, não mais fican<strong>do</strong> restrita a<br />

geógrafos, militares, políticos e alguns poucos filósofos.<br />

Esta nova fase tem início a partir <strong>de</strong> 1991, com Brochard estabelecen<strong>do</strong><br />

um cenário novo para o mun<strong>do</strong>, dividin<strong>do</strong>-o em quatro gran<strong>de</strong>s<br />

blocos abrangen<strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> norte e <strong>do</strong> sul, <strong>de</strong> maneira semelhante à<br />

divisão em “pan-regiões” <strong>de</strong> Haushofer, fundamentan<strong>do</strong> sua tese no<br />

po<strong>de</strong>r econômico <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> norte como lí<strong>de</strong>res em seus respectivos<br />

blocos e com a a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong> uma só moeda para cada um <strong>de</strong>les, normalmente<br />

a <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> lí<strong>de</strong>r. Retornan<strong>do</strong> com isso a idéia <strong>do</strong> eixo nortesul.<br />

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Geopolítica<br />

No mesmo ano, com crescimento das áreas <strong>de</strong> atrito entre o sul e o<br />

norte, provocada pelo distanciamento econômico e cultural entre os mais<br />

pobres <strong>do</strong> sul e os ricos <strong>do</strong> norte, como conseqüência da multipolarida<strong>de</strong>,<br />

aumenta o enfrentamento <strong>do</strong> eixo norte-sul, ten<strong>do</strong> em vista não haver<br />

mais a necessida<strong>de</strong> da manutenção das parcerias entre os ricos e os pobres,<br />

tão procurada e mantida durante a bipolarida<strong>de</strong>. Agora, os ricos<br />

tratam somente <strong>de</strong> seus problemas, apesar <strong>do</strong> discurso <strong>de</strong> um mun<strong>do</strong><br />

gtlobaliza<strong>do</strong>.<br />

Segue-se a teoria <strong>de</strong> Lellouche, estabelecen<strong>do</strong> um cenário futuro<br />

<strong>de</strong> turbulência, basea<strong>do</strong>: na instabilida<strong>de</strong> sócio-econômica <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s<br />

oriun<strong>do</strong>s da antiga URSS; na explosão <strong>de</strong>mográfica no Continente Africano;<br />

no aumento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>rio armamentista <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s islâmicos da<br />

África; no <strong>de</strong>senvolvimento da China; e no rearmamento <strong>do</strong> Japão. Esta<br />

teoria baseia-se pre<strong>do</strong>minantemente no <strong>de</strong>senvolvimento econômico e<br />

tecnológico, na expansão populacional e nos conflitos sócio-econômicos.<br />

Apesar <strong>de</strong> não ser nova, a teoria elaborada pelo “Clube <strong>de</strong> Roma”<br />

é apresentada e tem início sua implementação com adaptações ao momento,<br />

reforçan<strong>do</strong> o eixo <strong>de</strong> enfrentamento norte-sul, dividin<strong>do</strong> o mun<strong>do</strong> agora<br />

em três gran<strong>de</strong>s blocos, cada um sob a li<strong>de</strong>rança <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong> rico <strong>do</strong><br />

norte, porém, to<strong>do</strong>s sob a influência da superpotência mundial, os EUA.<br />

Uma outra visão, analisan<strong>do</strong> o aspecto cultural das gran<strong>de</strong>s civilizações,<br />

serve como base para o <strong>de</strong>senvolvimento da tese <strong>de</strong> Huntington,<br />

que, observan<strong>do</strong> a história <strong>do</strong>s gran<strong>de</strong>s conflitos ocorri<strong>do</strong>s no mun<strong>do</strong>,<br />

estabelece um cenário em que os próximos conflitos serão regi<strong>do</strong>s pelo<br />

choque entre uma ou mais das oito civilizações classificadas em seus<br />

estu<strong>do</strong>s. O autor ainda segrega a América Latina da civilização oci<strong>de</strong>ntal,<br />

dan<strong>do</strong>-lhe classificação in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte, o que gera críticas <strong>de</strong> geopolíticos<br />

inclusive europeus.<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

Finalmente, Mafra elabora a “Te-<br />

A Geopolítica estrutura oria <strong>do</strong> Quaterno”, como uma não-acei-<br />

suas diretrizes em três potação à discriminação <strong>de</strong> Huntington,<br />

<strong>de</strong>res: real, latente, e pres- fundamentan<strong>do</strong> a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> o blotígio.<br />

Já a Geoestratégia co sul-americano ser trata<strong>do</strong> como par-<br />

segue seu enfoque apoiaceiro e não mais como uma colônia e<br />

da nos po<strong>de</strong>res: marítimo, ressaltan<strong>do</strong> as possibilida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> cresci-<br />

terrestre, aéreo e aeroespamento <strong>de</strong>ste bloco pela união <strong>de</strong> seus<br />

cial.<br />

Esta<strong>do</strong>s, assim como <strong>de</strong> sua parceria com<br />

a UE e os Esta<strong>do</strong>s da África Atlântica.<br />

Constata-se, assim, a evolução <strong>do</strong> pensamento geopolítico através<br />

<strong>do</strong>s tempos com uma dinâmica maior após o término da Guerra Fria,<br />

pela transformação <strong>de</strong> um mun<strong>do</strong> bipolar em um multipolar, em que o<br />

espaço ainda é importante, porém crescem as variáveis que vêm influenciar<br />

o po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s nas relações internacionais.<br />

Após este resumo da evolução <strong>do</strong> pensamento geopolítico até o<br />

momento atual, <strong>de</strong>ntro da “nova or<strong>de</strong>m mundial”, observa-se que:<br />

A Geopolítica estrutura suas diretrizes em três po<strong>de</strong>res:<br />

- o Po<strong>de</strong>r Real, aquele que o Esta<strong>do</strong> dispões efetivamente no momento;<br />

- o Po<strong>de</strong>r Latente, o que o Esta<strong>do</strong> possui em potencial, isto é, ainda<br />

sem sua utilização, mas possível <strong>de</strong> fazê-lo; se for consi<strong>de</strong>rável, provoca<br />

sua valorização no contexto mundial; e<br />

- o Po<strong>de</strong>r Prestígio, atribuí<strong>do</strong> a um Esta<strong>do</strong> pelos outros, em função da<br />

soma <strong>do</strong>s seus po<strong>de</strong>res real e latente.<br />

Já a Geoestratégia segue seu enfoque apoiada nos po<strong>de</strong>res:<br />

-marítimo;<br />

-terrestre;<br />

-aéreo;<br />

-aeroespacial.<br />

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Geopolítica<br />

Ainda como conseqüência <strong>do</strong> fim da bipolarida<strong>de</strong> e a transição<br />

para a multipolarida<strong>de</strong> até o retorno <strong>de</strong> uma nova bipolarida<strong>de</strong>, como<br />

um fenômeno natural das socieda<strong>de</strong>s e <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, surge uma classificação<br />

<strong>de</strong>signativa <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s, em que os mais <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong>s industrialmente<br />

passam a ser vistos como produtores ou transforma<strong>do</strong>res, antes<br />

consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s ricos; e, no outro extremo, encontram-se os extratores ou<br />

pobres, substituin<strong>do</strong> a antiga alcunha <strong>de</strong> sub<strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong>s, com a única<br />

tarefa <strong>de</strong> fornecer produtos naturais necessários às indústrias <strong>do</strong>s transforma<strong>do</strong>res.<br />

Ocupan<strong>do</strong> este gran<strong>de</strong> espaço entre os opostos, interpõemse<br />

os “Esta<strong>do</strong>s perturba<strong>do</strong>res”, que, como nações emergentes, vêm<br />

tentan<strong>do</strong> romper o círculo vicioso <strong>do</strong> sub<strong>de</strong>senvolvimento, a duras penas,<br />

contrarian<strong>do</strong> os interesses <strong>do</strong>s ricos.<br />

Esquematicamente, é apresenta<strong>do</strong> a seguir o quadro da atual classificação<br />

estrutural <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s elabora<strong>do</strong> pela professora Therezinha <strong>de</strong> Castro.<br />

ESTRUTURA GERAL DAS NAÇÕES ATUALMENTE<br />

INTER-REGIONAIS<br />

Classificação da Prof.ª Therezinha <strong>de</strong> Castro<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

7. SÍNTESE DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO<br />

BRASILEIRO<br />

Para realizar a síntese <strong>do</strong> pensamento geopolítico brasileiro, é váli<strong>do</strong> o<br />

apoio na obra “Geopolítica e Mo<strong>de</strong>rnida<strong>de</strong> - Geopolítica Brasileira”, <strong>do</strong><br />

geopolítico Gen. Meira Mattos, publicada em 2002, que realiza um belo e<br />

esclarece<strong>do</strong>r estu<strong>do</strong> sobre os pre<strong>de</strong>cessores e os geopolíticos brasileiros.<br />

Os primeiros passos forma da<strong>do</strong>s por José Bonifácio <strong>de</strong> Andrada e<br />

Silva, ao preconizar a interiorização da capital fe<strong>de</strong>ral e a criação <strong>de</strong> um<br />

sistema <strong>de</strong> transportes terrestres convergente para essa nova capital, <strong>de</strong>monstran<strong>do</strong><br />

o pensamento forte da integração territorial, segui<strong>do</strong> por<br />

Alberto Torres e Oliveira Viana, ao <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>r a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> o governo<br />

ajustar sua política às realida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> País.<br />

Dan<strong>do</strong> continuida<strong>de</strong>, <strong>de</strong>sponta o brilhante capitão Mário Travassos,<br />

que, preocupa<strong>do</strong> com a elevação <strong>do</strong> Brasil à primeira potência <strong>do</strong> Continente<br />

Sul-Americano, apresenta projetos para uma política <strong>de</strong> transportes<br />

terrestres no interior <strong>do</strong> país, como os atualmente chama<strong>do</strong>s “corre<strong>do</strong>res<br />

<strong>de</strong> exportação” e outros visan<strong>do</strong> a ligações com países vizinhos,<br />

como a ligação <strong>do</strong> Atlântico com o Pacífico pela transposição <strong>do</strong>s An<strong>de</strong>s.<br />

Previu, ainda, a importância da aviação nos transportes a longa distância<br />

e no transporte em sistemas intermodais. Tem seu foco principal<br />

na integração nacional e na interação e projeção nacionais no Continente.<br />

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Geopolítica<br />

Nesta época, ganha realce Backheuser, outro gran<strong>de</strong> estudioso e<br />

conhece<strong>do</strong>r <strong>do</strong> assunto, preocupan<strong>do</strong>-se com a articulação <strong>de</strong> uma geopolítica<br />

geral para o Brasil, apontan<strong>do</strong> uma gran<strong>de</strong> fraqueza na <strong>de</strong>fesa<br />

<strong>de</strong> nossas fronteiras continentais com pequenos contingentes militares<br />

encarrega<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vigiar gran<strong>de</strong>s extensões. Entre outras propostas,<br />

sugere a criação <strong>do</strong>s territórios fe<strong>de</strong>rais em nossas áreas lin<strong>de</strong>iras. Também<br />

volta<strong>do</strong> para a integração <strong>do</strong> território e sua <strong>de</strong>fesa.<br />

Na seqüência, o briga<strong>de</strong>iro Lysias Rodrigues acompanha o processo<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> transporte aéreo e sugere sua inserção no<br />

sistema viário nacional. Propôs e presenciou o emprego da aviação nas<br />

regiões limítrofes a oeste e na Amazônia. Segue a linha <strong>do</strong>s anteriores<br />

no senti<strong>do</strong> da integração <strong>do</strong> território.<br />

Nesta mesma época, a inteligência <strong>do</strong> general Golbery, outro gran<strong>de</strong><br />

conhece<strong>do</strong>r <strong>do</strong> assunto, <strong>de</strong>staca-se por sua visão geopolítica, que contribuiu<br />

com propostas objetivas no governo <strong>de</strong> Juscelino e na primeira<br />

fase <strong>do</strong>s governos militares. Suas indicações foram no senti<strong>do</strong> da<br />

rearticulação <strong>do</strong> território, visan<strong>do</strong> a sua integração <strong>de</strong>finitiva e ao <strong>de</strong>senvolvimento<br />

em to<strong>do</strong> o espaço nacional. Sua atenção maior era a imensa<br />

área interior, principalmente a Amazônica. No senti<strong>do</strong> da <strong>de</strong>fesa, além<br />

<strong>de</strong>sta estratégia, propôs uma sólida política <strong>de</strong> articulação diplomática<br />

objetivan<strong>do</strong> uma forte aliança <strong>do</strong> hemisfério. Sua idéia forte foi a integração<br />

<strong>do</strong> território, a <strong>de</strong>fesa e o prestígio nacional no continente.<br />

A seguir, <strong>de</strong>staca-se a professora<br />

General Golbery: sua aten- Therezinha <strong>de</strong> Castro, uma das granção<br />

maior era a imensa área <strong>de</strong>s estudiosas e intelectuais da Geopo-<br />

interior, principalmente a lítica brasileira, que <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>u a neces-<br />

Amazônica.<br />

sida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma estratégia brasileira <strong>de</strong><br />

presença ativa no Atlântico Sul; para<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

isso, a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> o Brasil ocupar área na Antártica e a importância<br />

<strong>de</strong> possuir uma política <strong>de</strong> estreitas relações com os países <strong>do</strong><br />

Cone Sul. Seguin<strong>do</strong> o pensamento geopolítico nacional, fundamenta<br />

suas idéias na integração <strong>do</strong> território, <strong>de</strong>senvolven<strong>do</strong> com muita<br />

força o objetivo <strong>de</strong> prestígio no âmbito <strong>do</strong> continente.<br />

Finalmente, é o general Meira Mattos, geopolítico brasileiro que<br />

volta-se, fundamentalmente, para o <strong>de</strong>senvolvimento sócio-econômico<br />

da Amazônia, objetivan<strong>do</strong> a integração nacional; para a <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong> território,<br />

preconiza a ocupação física das fronteiras <strong>do</strong> norte <strong>do</strong> País e a<br />

manutenção <strong>de</strong> efetivos militares a<strong>de</strong>stra<strong>do</strong>s na Região Amazônica.<br />

Em síntese, notam-se como eixo <strong>do</strong> pensamento geopolítico brasileiro<br />

as seguintes idéias-força: integração <strong>do</strong> território nacional;<br />

<strong>de</strong>fesa da integrida<strong>de</strong> <strong>do</strong> território nacional; estreito relacionamento<br />

com os <strong>de</strong>mais Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> continente, via diplomática,<br />

principalmente <strong>do</strong>s situa<strong>do</strong>s no “Cone Sul”; e ampliação <strong>do</strong> prestígio<br />

no âmbito continental.<br />

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8. CONCLUSÃO<br />

Geopolítica<br />

Opresente trabalho teve como objetivo possibilitar um rápi<strong>do</strong> contato<br />

com os aspectos teóricos da Ciência Geopolítica, procuran<strong>do</strong><br />

motivar os leitores para um aprofundamento nos estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong>ste assunto,<br />

pela sua importância e atualida<strong>de</strong>, além <strong>de</strong> proporcionar instrumental<br />

básico para o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> uma análise geopolítica, assim como<br />

fornecer subsídios para o acompanhamento da conjuntura mundial.<br />

Foram apresentadas suas origens, fundamentos iniciais, vários<br />

conceitos e visões a partir das quais esta ciência se <strong>de</strong>senvolveu até os<br />

dias <strong>de</strong> hoje.<br />

Foi exposta uma síntese das idéias básicas das Escolas <strong>de</strong> Pensamentos<br />

Geopolíticos da atualida<strong>de</strong>, agrupan<strong>do</strong> seus estudiosos nas tendências<br />

<strong>de</strong> análise da aplicação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s em função <strong>do</strong>s<br />

seus espaços geográficos.<br />

Na recordação <strong>do</strong>s Elementos Básicos da Geopolítica, ficou evi<strong>de</strong>nciada<br />

a importância das características fisiográficas <strong>do</strong>s territórios,<br />

realçan<strong>do</strong> sua forma e posição, além <strong>de</strong> outros aspectos que po<strong>de</strong>m influenciar<br />

as políticas sociais, econômicas e <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s.<br />

Com a apresentação das Teorias Geopolíticas, constata-se a evolução<br />

<strong>do</strong>s estudiosos sobre assunto tão complexo no planejamento <strong>do</strong>s<br />

Esta<strong>do</strong>s com relação a sua posição no contexto mundial.<br />

Finalizan<strong>do</strong>, também <strong>de</strong> maneira sintética, foi apresenta<strong>do</strong> o pensamento<br />

geopolítico <strong>do</strong>s estudiosos brasileiros.<br />

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Uraci Castro Bonfim<br />

Po<strong>de</strong>-se concluir que o estu<strong>do</strong> da Geopolítica é extremamente valioso<br />

para se estabelecer uma política nacional, <strong>de</strong>finida para cada<br />

expressão <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional, visan<strong>do</strong>-se a conquistar ou manter<br />

os objetivos nacionais.<br />

É um assunto muito amplo e complexo, necessitan<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

aprofundamento em seus estu<strong>do</strong>s, para, mediante análises consistentes,<br />

estabelecer cenários futuros que venham servir <strong>de</strong><br />

embasamento ao planejamento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>.<br />

Mostra que é necessário levar em consi<strong>de</strong>ração as concepções<br />

geopolíticas <strong>do</strong>s <strong>de</strong>mais Esta<strong>do</strong>s, principalmente as <strong>do</strong>s vizinhos<br />

e <strong>do</strong>s que se situam nos centros <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r.<br />

É da maior importância para o Brasil que surjam muitos estudiosos<br />

e pensa<strong>do</strong>res geopolíticos e geoestratégicos consistentes.<br />

Segunda ativida<strong>de</strong>:<br />

Você receberá, um pedi<strong>do</strong> por e-mail, cuja solução <strong>de</strong>verá ser encaminhada<br />

ao CPEAEx/EAD.<br />

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9. REFERÊNCIAS<br />

Geopolítica<br />

AZAMBUJA, Darcy. Introdução à ciência política. São Paulo: Globo, 1989,345 p.<br />

____________ Teoria geral <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. São Paulo: Globo, 1993, 397 p.<br />

CARVALHO, Delga<strong>do</strong>. Relações internacionais. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEX, 1971,<br />

279 p.<br />

CHÂTELET, François. História das idéias políticas. Rio <strong>de</strong> Janeiro: Zahar, 2000,<br />

399 p.<br />

CASTRO, Therezinha. Geopolítica: princípios, meios e fins. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEx,<br />

1999, 389p.<br />

ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA. Subsídios para estu<strong>do</strong> <strong>do</strong>s Fundamentos Doutrinários.<br />

Assuntos Específicos. Vol. II. Rio <strong>de</strong> Janeiro: ESG. 2000.<br />

LACOSTE, Yves. A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a Guerra. Campinas:<br />

Papirus, 1988. 263 p.<br />

MAFRA, Roberto Macha<strong>do</strong> <strong>de</strong> Oliveira. Geopolítica: introdução ao estu<strong>do</strong>. Rio <strong>de</strong><br />

Janeiro: ECEME, 1999. 63 p.<br />

______________Geopolítica e geoestratégia. Rio <strong>de</strong> Janeiro: ECEME, 2003. 63 p.<br />

MATTOS, Carlos Meira. Brasil: geopolítica e <strong>de</strong>stino. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEx, 1975.<br />

______________ Geopolítica e as Projeções <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEx, 1977.<br />

147 p.<br />

______________ Geopolítica e os Trópicos. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEx, 1984. 156 p.<br />

______________ Geopolítica e mo<strong>de</strong>rnida<strong>de</strong>. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEx, 2002. 156 P.<br />

RAFFESTIN, Clau<strong>de</strong>. Por uma geografia <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r. São Paulo: Ática, 1993, 269 p.<br />

RUFIN, Jean-Christophe. O império e os novos bárbaros. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEx,<br />

1996. 220 p.<br />

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103


104<br />

Uraci Castro Bonfim<br />

SARTORI, Giovanni. A Política. Brasília: UnB, 1997, 257 p.<br />

SILVA, Golbery <strong>do</strong> Couto. Geopolítica <strong>do</strong> Brasil. Rio <strong>de</strong> Janeiro: José Olympio, 1967.<br />

275 p.<br />

TOSTA, Octávio. Teorias geopolíticas. Rio <strong>de</strong> Janeiro: BIBLIEx, 1984, 103 p.<br />

VESENTINI, José William. Novas Geopolíticas. São Paulo: Contexto, 2000. 125 p.<br />

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