L+D 53

editora.lumiere

Edição 53: Maio/Junho - 2015

R$ 19,20

ESPAÇO OLAVO SETÚBAL – COLEÇÃO BRASILIANA ITAÚ, SÃO PAULO (BRASIL)

1

E MAIS: SEDE DA SQUARE INC., SÃO FRANSCISCO (EUA) | LWL MUSEUM, MÜNSTER (ALEMANHA) | O MELHOR DA EUROLUCE 2015


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luz para

arquitetura

© Pedro Kok

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Mônica Luz Lobo

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Brasil

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Anna Sbokou

Anna Sbokou LD

Inglaterra

Lorna Goulden

Creative Innovation Works

Holanda

Serge van den Berg

het Energiebureau

Holanda

Dwayne Waggoner

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Alemanha

Cláudia Shimabukuro e Letícia Mariotto

Lit Arquitetura de Iluminação

Brasil

Isabelle Corten

By Corten Fryns, atelier lumière

Bélgica

Janna Aronson

RTLD

Israel

20 e 21 de agosto de 2015

Tivoli Mofarrej Conference Hotel

São Paulo | Brasil

Red Bull Station

São Paulo, Brasil

4 Triptyque Architecture 5

Estúdio Carlos Fortes L+D

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evento oficial:

5O⁄ANOS


6 7


SUMÁRIO

maio | junho 2015

edição 53

46

58

64

14

34

¿QUÉ PASA?

ESPAÇO OLAVO SETÚBAL

COLEÇÃO BRASILIANA ITAÚ

40

APARTAMENTO ITAIM BIBI

46

STRJIP-S EINDHOVEN

52

SEDE DA SQUARE INC.

150 40

58

58

LWL - MUSEU DE ARTE E

CULTURA DE MÜNSTER

52

64

MILÃO 2015

8 9


Romulo Fialdini

ESPAÇO OLAVO SETÚBAL –

COLEÇÃO BRASILIANA ITAÚ

Iluminação: Design da Luz Estúdio

Foto: Andres Otero

PUBLISHER

Thiago Gaya

EDITORES

Orlando Marques e Thiago Gaya

EDITORIAL

A edição de maio/junho da revista L+D chega repleta de

condecorações. Permanente aliado do talento desta publicação na

apuração de projetos diferenciados e atuais, o elemento “sorte” mais

uma vez se fez valer em nossas páginas: quando a revista já estava

prestes a entrar em gráfica para o início de sua impressão, foram

anunciadas duas das mais importantes premiações do lighting design

internacional: o Edison Awards, promovido pela GE, e o International

Lighting Design Awards, promovido pela IALD. Três dos seis projetos

aqui apresentados foram laureados.

O projeto de iluminação da sede da Square Inc. (EUA), desenvolvido

pelo escritório Banks Ramos, do qual é titular o brasileiro Claudio

Ramos, foi o grande protagonista do Edison Awards, que reconheceu

a destreza dos autores na apropriação das luzes natural e artificial para

definir espaços e, assim, modelá-los.

Também condecorado pelo Edison Awards, o Museu LWL é

apresentado por Gilberto Franco nesta edição. Liderado por Martina

Weiss, o projeto do escritório Licht Kunst Licht lança mão de soluções

inventivas para a iluminação de obras de arte e espaços.

Fechando o nosso “Que Pasa”, o impressionante Han Theatre,

projeto da equipe do Stufish, que faturou o Radiance Award, mais

importante categoria da premiação do IALD.

Para compor essa verdadeira sala de troféus, trazemos da

Holanda o superpremiado Light-S, condecorado com o Aurolalia

2014, cujo trabalho inovador em ruas e espaços públicos na cidade

de Eindhoven aponta para direções nunca antes experimentadas em

desenho de iluminação.

E mesmo com essa constelação de projetos, a estrela escolhida

para a nossa capa ainda não brilhou nas premiações internacionais, pois

foi inaugurada recentemente. Mas seguramente arrancará suspiros dos

jurados dos prêmios aos quais se candidatar. Fernanda Carvalho, do

Design da Luz Estúdio, assina o primoroso projeto de iluminação da

Coleção Brasiliana Itaú, no Espaço Olavo Setúbal e dá as boas-vindas

aos nossos leitores a essa edição memorável.

Boa leitura!

Thiago Gaya e Orlando Marques | Editores

DIRETORA DE ARTE

Thais Moro

REPORTAGENS DESTA EDIÇÃO

Carlos Fortes, Débora Torii, Fernanda Carvalho,

Gilberto Franco e Valentina Figuerola

IMPRESSA POR

PUBLICADA POR

REVISÃO

Deborah Peleias

ADMINISTRAÇÃO

Richard Schiavo

Telma Luna

CIRCULAÇÃO E MARKETING

Márcio Silva

PUBLICIDADE

Lucimara Ricardi | diretora

Liliane Dias | supervisora

Bruna Oliveira | assistente

PARA ANUNCIAR

comercial@editoralumiere.com.br

t: 11 2827.0660

PARA ASSINAR

assinaturas@editoralumiere.com.br

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TIRAGEM E CIRCULAÇÃO AUDITADAS POR

Editora Lumière Ltda.

Rua Catalunha, 350, 05329-030, São Paulo SP, t: 11 2827.0660

www.editoralumiere.com.br

10 11


12 13


Elliot Erwitt, 2011

Elliot Erwitt, 2013

¿QUÉ PASA?

Cortesia do Studio Roosegaarde

Carlotta de Bevilacqua-Paolo Dell’Elce: Copernico

Artemide Chicago Showroom

223 West Erie Street, 1S

Chicago, IL 60654

artemide.net

WATERLICHT

“As Luzes Nórdicas da Holanda”. Assim foi descrita

pelos primeiros visitantes a instalação “Waterlicht”, de Daan

Roosegaarde, cuja première mundial ocorreu em 25 de fevereiro

na cidade de Westervoort, no sudeste da Holanda. Apesar da

inevitável comparação, no entanto, a inspiração principal por trás

deste trabalho foi a água, como demonstra seu título.

À frente do premiadíssimo estúdio que leva seu nome,

Daan Roosegaarde é internacionalmente conhecido pelo desenvolvimento

de projetos interativos que exploram a relação

entre pessoas, tecnologia e espaço, sempre somados a uma

abordagem sustentável. Um ótimo exemplo é sua recente

instalação “Van Gogh Bycicle Path”, em Nuenen, na Holanda,

que obteve enorme visibilidade internacional desde sua inauguração,

novembro do ano passado.

Instalada às margens do Rio IJssel, Waterlicht é composta

por LEDs azuis posicionados perifericamente em uma área de

mais de quatro acres, cuja luz é projetada através de lentes,

formando feixes lineares que se cruzam em pleno ar. Os

visitantes têm a sensação de estar em um mundo subaquático,

graças a uma lenta movimentação vertical das luzes, uma alusão

às ondulações naturais da água.

Mais do que criar uma belíssima experiência visual e

sensorial, Roosegaarde busca, com esta instalação, conscientizar

os visitantes quanto às complexas e invisíveis obras de terraplenagem

para represamento de água e contenção de inundações,

que são as grandes responsáveis por possibilitar a existência de

Westervoort e diversas outras cidades holandesas.

A exposição ficou em cartaz somente até 1º de março,, mas

a intenção é que seja exibida em outras localidades da Holanda

nos próximos anos.

14 15


¿QUÉ PASA?

NOVA ILUMINAÇÃO

DA PONTE

ESTAIADA DE

TERESINA

A ponte estaiada João Isidoro França é uma forte

referência na paisagem da cidade de Teresina. Inaugurada em

2010, a ponte do sesquicentenário, como ficou conhecida,

ganhou nova iluminação. O projeto, concebido pelos lighting

designers Fabiano Xavier e Alain Maître, do Atelier Lumière,

e executado pela Citéluz, contemplou não somente o seu

mastro principal com os estais, mas também a estrutura de

concreto que sustenta o balanço do tabuleiro da ponte e,

ainda, sua iluminação viária, antes de vapor de sódio.

A iluminação de destaque da ponte é toda controlada por uma

unidade central, instalada na base da torre principal, a partir da qual

pode-se programar as mudanças de tonalidades e os movimentos

de luz promovidos pelos equipamentos de iluminação LEDs,

fornecidos pela Philips, instalados ao longo da ponte.

ILUMINAÇÃO E ARQUITETURA EM SINTONIA

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através de uma ampla linha de downlights sem bordas aparentes que permitem

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16 17

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¿QUÉ PASA?

COLOR QUALITY SCALE: UM NOVO

OLHAR SOBRE A REPRODUÇÃO DE COR

O tradicional método que conhecemos para a classificação

de fontes luminosas quanto à sua fidelidade na reprodução

de cores pode estar com seus dias contados. Desenvolvido

pela CIE (Comissão Internacional de Iluminação) inicialmente

para avaliação e classificação do desempenho de lâmpadas

fluorescentes, o IRC (Índice de Reprodução de Cor, ou CRI, em

inglês) vem enfrentando controvérsias quanto à adequação de

sua aplicação quando se tratam de LEDs.

Um possível sucessor é o CQS - Color Quality Scale, desenvolvido

por pesquisadores do NIST (National Institute of Standards and

Technology), instituto de medições do Departamento de Comércio

Norte-americano. O grande diferencial do CQS em relação ao CRI,

dentre diversas outras melhorias propostas, é a introdução de

parâmetros ligados à preferência dos usuários em sua classificação.

Intuitivamente, podemos dizer que a luz do dia é aquela que

preferimos e à qual estamos mais acostumados. Sob a luz natural,

as cores dos objetos tendem a parecer mais vívidas e saturadas

do que sob luzes artificiais. Portanto, pode parecer óbvio dizer que

se uma lâmpada trouxer um pouco mais de saturação às cores,

irá gerar uma iluminação preferível à percepção humana. Apesar

disso, o CRI penaliza tanto as fontes luminosas que dessaturam as

cores, quanto aquelas que as saturam, atribuindo baixos índices à

sua classificação, na escala de 0 a 100.

Como resultado de inúmeras pesquisas e testes, o CQS

propõe a utilização de 15 amostras de cores saturadas e mais

uniformemente distribuídas no diagrama de cores e saturação do

CIE, além de tolerar, até certo nível, o aumento na saturação das

cores pelas fontes luminosas testadas sem que haja decréscimos

em sua avaliação final.

O pesquisador Marcel van der Steen, da organização holandesa

Olino, explica: “Um IRC elevado não significa necessariamente que

obteremos uma melhor reprodução de cor. No entanto, com um alto

CQS podemos dizer, com muito mais confiança, que teremos uma

iluminação mais desejável e também uma imagem mais natural”.

No momento, os pesquisadores da Olino estão classificando

diversos equipamentos de LEDs. Os resultados e a comparação

entre IRC e CQS desses equipamentos, entre outras análises,

podem ser vistos no site olino.org.

Cortesia de Olino/ Marcel van der Steen

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18 19


65

60

FABRICADO

NO BRASIL

GARANTIA

E ASSISTÊNCIA

TÉCNICA LUXION

LIGHT SYMPOSIUM

PAPER COMPETITION

Com apoio da revista L+D, o evento internacional Light

Symposium, organizado pelo KTH Lighting Laboratory, do

Instituto Real de Tecnologia, em março último em Estocolmo,

Suécia, premiou o jovem lighting designer Dwayne Waggoner,

do escritório Lichtvision, de Berlim, como vencedor do Light

Symposium Paper Competition, com o trabalho “Conveying

Light” ou “Comunicando Luz”.

A competição teve mais de 80 inscrições, sendo que apenas

quatro finalistas tiveram a oportunidade de apresentar seus

trabalhos durante os dois dias do Light Symposium, para um

público formado por profissionais e pesquisadores provenientes

de vários lugares do mundo. Dentre eles estavam a canadense

Alexandra Manson com o trabalho “Arquitetura de Iluminação

em Saúde”; a brasileira Tatiana de Albuquerque com o trabalho

“Luz para Favelas” e James Duff com a apresentação “Projetando

Luz para o que Enxergamos”.

Como parte do prêmio, Dwayne apresentará seu trabalho

vencedor no 6º LEDforum, que acontecerá em 20 e 21 de agosto

deste ano no Tivoli Hotel, em São Paulo.

“A apresentação de Dwayne nos inspirou a refletir sobre

luz e iluminação como linguagem poética”, explica Orlando

Marques, editor da L+D e curador do LEDforum, convidado a

participar como membro do júri da competição.

“A luz pode muitas vezes significar tudo e também muitas

vezes não significar absolutamente nada. Acredito que esse

‘nada’, essa intangibilidade da luz, é que nos faz nos dedicar

ao máximo no exercício da profissão de lighting designers”, –

explica Dwayne.

Palestrante do

¿QUÉ PASA?

Plavec/Saric

LUZ ORGÂNICA

Encorajados pela crescente busca por eficiência energética e

fontes sustentáveis, cientistas da Universidade Tohoku,do Japão,

desenvolveram uma nova fonte de luz de alta eficiência e baixíssimo

consumo energético, conforme pesquisa publicada pelo periódico

científico Review of Scientific Instruments. Diferentemente dos

LEDs, que são diodos emissores de luz baseados em materiais

semicondutores cristalinos – como o silício, por exemplo –, esta

nova fonte luminosa se assemelha mais aos OLEDs por ser

também um fonte de luz orgânica e plana.

A inovação está na utilização de nanotubos de carbono,

estruturas resistentes e delgadas, que conduzem eletricidade.

Sob estímulo elétrico, estes nanotubos funcionam como

cátodos, emitindo feixes de elétrons que, ao alcançarem os

átomos de uma tela de fósforo (atuando como ânodo), emitem

a luz. Enquanto os LEDs, hoje considerados de alta eficiência,

são capazes de produzir por volta de 100 lúmens por Watt,

o novo sistema alcança a marca de 60 lúmens por Watt,

porém com consumo 100 vezes inferior aos LEDs, consumindo

impressionantes 0,1 Watt por hora.

A nova fonte segue a tendência já introduzida pelos OLEDs,

visando possibilitar sua aplicação em grandes superfícies, o

que pode multiplicar possibilidades luminotécnicas, além de

otimizar soluções no quesito homogeneidade. No entanto,

os OLEDs, à base de carbono, ainda não haviam alcançado

eficiência luminosa e custo-benefício que possibilitassem sua

comercialização e aplicação em larga escala. O novo sistema

plano, baseado nos nanotubos, parece promissor, mas ainda

deverá percorrer um longo caminho até a resolução de questões

relacionadas à qualidade da luz, como reprodução e temperatura

de cor, além da viabilidade de sua produção em larga escala, por

depender essencialmente da utilização de nanotubos de alta

qualidade para a obtenção de tamanha eficiência.

2014 AIP Publishing LLC/N. Shimoi

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Luminária pendente de luz direta pontual e indireta. Corpo em

alumínio extrudado anodizado ou pintado a pó nas cores branca

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20

geral indireta. A fonte de luz é o LED, disponível nas temperaturas

21

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23

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Atelier dada

¿QUÉ PASA?

MONDEAL SQUARE POR ATELIER DADA

O Atelier dada Architects of Light, com sedes em Paris,

na França, e Ahmedabad, na Índia, foi recentemente laureado

com dois prêmios (Prêmio pela Concepção Luminotécnica,

concedido pela ACE – Association des Concepteurs Lumière et

Eclairagistes, na França – e Melhor Projeto Comercial de 2014

no Real Estate Awards, na Índia) por seu projeto luminotécnico

para o Mondeal Square, em Ahmedabad, Índia.

Inaugurado em 2014, o conjunto conta com duas torres

com dez e 12 andares, conectadas em sua base por dois

pavimentos ocupados por lojas e restaurantes. Os alemães

do Blocher & Blocher, responsáveis pelo projeto arquitetônico,

se inspiraram nas culturas construtivas hindu e islâmica de

proteção à iluminação direta do sol e ventilação dos edifícios

para conceber o projeto de arquitetura. As antigas fachadas

esculturais, repletas de elementos vazados que ainda podem

ser apreciadas nas áreas mais antigas da cidade, foram

traduzidas em lúdicos brises em alumínio, que protegem a

extensa fachada envidraçada do projeto.

Desde o início, tanto o cliente quanto os arquitetos

tinham o desejo de que a fachada contasse com um projeto

de iluminação. Os lighting designers do Atelier dada

desenvolveram, então, uma complexa fachada multimídia

composta por perfis de LEDs RGB em diferentes comprimentos,

customizados especialmente para esse projeto.

Instalados de forma totalmente integrada aos brises,

em posições diagonais variadas, os LEDs cobrem uma área

de mais de 5.000 m 2 , criando um enorme desafio para o

desenvolvimento e programação do conteúdo a ser exibido.

Como resultado, foram criadas animações que se alteram

a cada hora, com duração total de cinco horas diárias, e

que apresentam redução gradual da luminosidade até seu

completo desligamento, à meia-noite.

Durante a semana, a programação é mais sóbria e

monocromática, em um tom branco quente. Enquanto que, aos

domingos e em datas comemorativas, as animações se tornam

mais festivas e coloridas, com conteúdo relacionado à data.

22 23


¿QUÉ PASA?

SCULPLIGHT CONTEST BRASIL 2015

A Schréder do Brasil, em parceria com a Prefeitura Municipal

de Paulínia, traz para o país o SculpLight Contest Brasil 2015,

um concurso cujo objetivo é valorizar ícones arquitetônicos por

meio da iluminação.

O concurso é destinado a todos os profissionais da área de

iluminação atuantes no Brasil para que apliquem sua experiência

na conciliação entre criatividade, tecnologia e arquitetura a fim

de valorizar o Theatro Municipal de Paulínia como patrimônio

público, cultural, arquitetônico e artístico. O desafio é conferir

ao espaço uma nova leitura com o uso da iluminação

artificial, ressaltando sua vitalidade, dinamismo, diversidade e

imponência, entregando aos moradores e turistas da cidade algo

original e atraente.

As inscrições estão abertas até 31 de maio de 2015. Para

mais informações sobre o SculpLight Contest Brasil 2015,

acesse: www.schreder.com/sculplightcontestbrasil

24 25


Chris Fraser

¿QUÉ PASA?

PORTAS DA PERCEPÇÃO

O artista norte-americano Chris Fraser é conhecido pelo

marcante uso da luz em suas instalações e intervenções,

compostas por ambientes interativos nos quais traz uma nova

visão a respeito de fenômenos cotidianos, em uma tentativa de

aguçar a curiosidade e reflexão de seus visitantes a respeito da

natureza do mundo onde vivem e sua relação com ele.

Em sua mais recente exposição, “Revolving Doors”, que

esteve em cartaz esse ano na galeria de artes fotográficas SF

Camerawork, em São Francisco, nos Estados Unidos, não poderia

ser diferente.

Em uma montagem aparentemente simples, Fraser – que

tem forte influência da fotografia – apresenta um espaço

que remete a uma câmera obscura, porém delimitado por

portas pivotantes. Luzes com diferentes cores, posicionadas

externamente à caixa, iluminam o espaço de formas variadas

através das frestas e aberturas das portas. Tão simples quanto

essa montagem, também parece ser a interação dos visitantes,

que são convidados a adentrar o espaço e manipular essas

portas, em um mecanismo que se assemelha ao obturador e

ao diafragma das câmeras fotográficas.

A intenção por trás dessa montagem, porém, é bem mais

complexa. O artista constrói um paralelo com a evolução das

cidades e sua influência na arquitetura, em especial em relação

ao bairro no qual está inserida a galeria, que vem passando por

uma forte transição devido à, cada vez maior, atração das grandes

companhias do setor tecnológico (como o Twitter), o que acaba

forçando a saída daqueles com menos recursos e influência. A

interação do público com as grandes portas pivotantes pode ser,

ao mesmo tempo, divertida e perigosa, à medida que a galeria

fica mais cheia. As ações de cada um afetam diretamente a

experiência de outros, à medida que o espaço se reconfigura a

cada reposicionamento dos painéis. Desta forma, Fraser espera

gerar a compreensão de um modelo de cidade em que é preciso ter

senso de cooperação, civilidade e responsabilidade, ressaltando as

disparidades no processo de evolução das cidades, cujo processo

de transição ele classifica como vital, porém muitas vezes cruel.

26 27


¿QUÉ PASA?

CONSCIÊNCIA

ESPACIAL

© Olafur Eliasson Courtesy of the artist; Stevenson, Cape Town and Johannesburg; neugerriemschneider, Berlin; Tanya Bonakdar Gallery, New York

Em seus trabalhos, o artista Olafur Eliasson geralmente

faz uso de elementos primários tais como luz, água e terra,

compondo experiências empíricas nas quais esses elementos –

e aqueles derivados de suas interações – modificam a percepção

do observador no espaço e também o espaço físico em si.

“Space Minding”, primeira exposição solo de Eliasson na

África do Sul, aconteceu no começo do ano na galeria Stevenson,

na Cidade do Cabo, e as duas obras selecionadas para estrelar a

mostra sul-africana são essencialmente focadas na luz.

A obra de maior destaque é intitulada “Mono Scanner”,

uma criação de 2004, exibida originalmente na exposição

“Colour Memory and Other Informal Shadows”, no Museu de

Arte Moderna de Oslo. Constituída por uma lâmpada de vapor

metálico e um conjunto de lentes montadas em um pedestal,

a instalação projeta um delgado feixe de luz branca no piso,

paredes e teto, que delimita as seções do ambiente. A impressão

é de que a luz se dobra nos cantos da sala, resultado possível

graças à também utilização de espelhos e de uma lente Fresnel

cilíndrica na montagem. O conjunto todo, movido por um

motor, se rotaciona em velocidade constante em torno de seu

eixo horizontal, fazendo com que o feixe de luz varra lentamente

todas as superfícies do ambiente – uma volta completa leva

cerca de um minuto e meio.

Duas de suas outras obras, “Plane Scanner” e “Four Corners

of Light”, exibidas na mesma exposição em Oslo, já lidavam

com os temas de flexão da luz e reconhecimento espacial, os

quaisforam, inicialmente, abordados por Eliasson em 1999

em obras como “Hot Air Scanner”. Porém, “Mono Scanner” é

a primeira a reproduzir o efeito através de um único feixe de

luz e somente na cor branca, como se fosse um escâner em

três dimensões, criando um “raio X” do espaço aos olhos dos

expectadores.

“É apenas uma luz branca em uma parede branca”, define

Eliasson. No entanto, mais do que isso, sua criação pode ser

definida como uma reflexão sobre espaço e tempo.

28 29


Photograph Reproduced Cortesy of Stufish

¿QUÉ PASA?

AS LUZES DO TEATRO-ESPETÁCULO:

VENCEDOR DO IALD RADIANCE AWARD 2015

Dois mil assentos móveis, uma piscina performática com

capacidade para dez milhões de litros d’agua e os três maiores

telões de LED do mundo. Estes elementos poderiam ser

facilmente imaginados como itens de um parque de diversões.

Porém, trata-se do The Han Show Theatre, inaugurado em

dezembro de 2014 em Wuhan, na China, como parte do novo

Distrito Cultural Central desta cidade.

Concebido especialmente para abrigar o espetáculo The Han

Show, dirigido pelo diretor italiano Franco Dragone, o teatro tem

projeto de arquitetura e iluminação assinados pelo escritório

britânico Stufish Entertainment Architects, fundado em 1977 por

Mark Fisher (cocriador de The Han Show). Em quatro anos de

processo, desde o início do projeto até a inauguração do teatro,

os arquitetos tiveram de lidar com uma série de desafios – a

começar pelo falecimento de Fisher em 2013, além de algumas

peculiaridades projetuais, considerando-se que o espaço a

ser criado iria abrigar um show que conta com três níveis de

performance: aéreo, aquático e submerso.

O destaque, no entanto, fica por conta da fachada, uma

monumental releitura das tradicionais lanternas de papel

chinesas. O coroamento do edifício é estruturado por oito anéis

tubulares de aço que se cruzam, remetendo às estruturas de

bambu das lanternas e conferindo aspecto leve à imponente

construção com mais de 70 m de altura. Os vazios entre os anéis

são preenchidos por delicados cabos de aço tensionados, nos

quais foram fixados 18 mil discos côncavos de alumínio pintados

na cor vermelha. Cada um desses discos – cujo formato baseouse

nos tradicionais discos Bi chineses, artefatos manufaturados

em jade e populares durante a dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) –

contém uma malha circular de LEDs vermelhos separados em 4

zonas individuais de controle, possibilitando, através de sistema

de controle DMX, a reprodução de vídeos com resolução de até

600 x 120 pixels.

O toque final é dado pelos elementos na base do edifício:

as borlas das lanternas são representadas, em todo o seu

perímetro, por esbeltas colunas com acabamento dourado,

cuja intersecção com as bordas inferiores dos anéis de aço do

coroamento evoca o formato curvo dos tradicionais telhados de

templos e palácios chineses.

O edifício do Han Show Theatre ou A “Lanterna Vermelha”,

como foi carinhosamente apelidado, é permeado por simbologias

minuciosamente integradas e detalhadas, que o tornam um

edifício icônico e, ao mesmo tempo, único por seu programa

diferenciado e perfeita inserção em seu contexto urbano.

30 31


32 33


DETALHES E MINÚCIAS

Texto: Valentina Figuerola | Fotos: Andres Otero

Aberta ao público em dezembro de 2014, com a inauguração

do Espaço Olavo Setúbal no Instituto Itaú Cultural, em

São Paulo, a “Coleção Brasiliana Itaú” reúne obras que

contam cinco séculos de história do Brasil. Dividido em módulos,

o precioso acervo de 1.300 peças encontra-se distribuído em

dois pavimentos do instituto, protegido por vitrines que mantêm

a temperatura e umidade controladas no ambiente. E são estes

mesmos vidros que protegem pinturas, mapas, moedas e livros

antigos que impuseram alguns dos principais desafios enfrentados

pela lighting designer Fernanda Carvalho na criação do projeto

de iluminação.

“Busquei uma luz homogênea e bem distribuída, sem cantos

escuros”, explica Fernanda. Uma das estratégias adotadas para

evitar ofuscamentos nas vitrines de piso a teto, apelidadas

de “panos de vidro” pela lighting designer e pelos autores do

projeto de cenografia, Daniela Thomas e Felipe Tassara, foi a

de iluminar as obras pelo lado de dentro do vidro. Embutido

no forro de gesso, o LED linear (25W/m, 4.000K) com perfil

metálico e difusor proporciona uma luz de contorno no museu,

eliminando os indesejáveis cantos escuros. “A luz branca com

4.000K evitou que o branco da arquitetura ficasse com uma

aparência envelhecida, o que teria acontecido se tivéssemos

adotado 3.000K”, explica Fernanda.

A maioria das obras, documentos, livros e gravuras, recebe

uma iluminação de 50 lux, com exceção das pinturas a óleo,

para as quais foram adotadas iluminâncias de 80 ou 90 lux.

Mesmo assim, tem-se a sensação de que a quantidade de luz

é igual em todo museu. “Nivelei a luz em percepção e não em

quantidade. Como o papel devolve mais luz do que a pintura a

óleo, que é mais escura, tem-se a sensação de que a quantidade

34 35


O LED linear instalado na

parte interna das vitrines

proporciona uma luz de

contorno no homogênea no

museu, e bem distribuída,

evitando o ofuscamento nos

grandes planos de vidro.

Spots de LED tiveram a sua

intensidade luminosa ajustada

conforme as necessidades

das obras. Uma a uma, as

peças tiveram sua posição

ajustada em relação à luz.

Distribuídos em bandejas, os

textos-legenda são iluminados

por spots de LED externos

às vitrines, presos a trilhos

pendentes nos corredores

de luz está sempre igual em todo o museu”, explica Fernanda.

Embutidos no forro, dentro das vitrines, spots de LED (13W,

3.000K) com lentes wallwasher banham de luz as paredes de piso

a teto, valorizando as antiguidades. As obras de baixo, situadas

na porção inferior das paredes, foram minuciosamente inclinadas

em direção ao forro para receber mais luz. “Uma por uma, as

obras foram ajustadas em função da luz, processo que exigiu um

trabalho minucioso de ajuste fino”, completa a lighting designer.

Ao discorrer sobre o projeto, Fernanda associa o bom resultado

ao trabalho em equipe que viabilizou o ajuste caso a caso ou

vitrine por vitrine, com a checagem das posições de cada uma

das obras em relação à luz, trabalho que durou meses. “A equipe

de montagem fina disponibilizou dois técnicos que ficaram ao

longo de uma semana apenas ajustando essas obras conosco,

o que foi fundamental para o sucesso do projeto”, acrescenta a

autora do projeto de iluminação.

A meticulosidade se estendeu, também, ao ajuste da intensidade

luminosa das luminárias de LED, que foram individualmente

dimerizadas nos spots de acordo com as necessidades lumínicas

das peças. “A dimerização e o ajuste da inclinação das obras

foram feitos juntos, pois um depende do outro”, complementa

Fernanda, que optou pela dimerização on-board para ter maior

precisão e o controle individual de cada peça.

As vitrines parecidas com janelas são banhadas pela luz de

projetores de LED com lente wallwasher e IRC acima de 90, que

garantem uma excelente reprodução de cor para as obras. A luz

emanada por esses projetores que, desta vez, estão do lado de

fora dos vidros, é complementada pela iluminação oriunda do

LED linear que fica dentro das vitrines, eliminado as sombras

provocadas pela luz externa.

Distribuídos em placas horizontalizadas ou bandejas, os

textos-legenda são iluminados por spots de LED (13W, 3.000K)

com lentes ovais, presos a trilhos pendentes nos corredores, ou

seja, externos às vitrines. O projeto fez com que os refletores e

trilhos, cuja altura foi ajustada caso a caso, desaparecessem em

meio às caóticas instalações técnicas do teto, mantidas aparentes.

Um dos espaços do museu que mais chama a atenção do

visitante é o saguão de entrada de pé-direito duplo, onde 300

gravuras da fauna e flora brasileiras permanecem expostas

em suportes de acrílico presos individualmente às paredes.

36 37


As gravuras da fauna e flora

brasileiras que cobrem todo o saguão

de entrada de pé-direito duplo são

iluminadas de maneira homogênea

por spots de LED presos ao teto e por

luminárias de LED embutidas no piso

Novamente, a meta era obter uma luz homogênea e com 50 lux.

“A parede com pequenas curvas e a escada, que poderia gerar

muita sombra, impuseram muitos desafios”, diz a lighting designer.

Presos ao teto, spots de LED (13W, 3.000K) com lentes

wallwasher banham grande parte das obras, mas sem lavar a

parede até o chão. Embutidas no piso, luminárias de LED (3W,

3.000K) com lentes wallwasher e difusores jogam a luz para

cima, espalhando-a de maneira homogênea graças à inclinação

de 3º do equipamento. “Neste espaço, o downlight e o uplight

se completam, eliminando as sombras”, diz a autora do projeto

de iluminação.

Fernanda especificou o mesmo projetor de LED (13W,

3.000K) para as vitrines de piso a teto, hall e corredores, mas

com variações de lente em função das necessidades do objeto

a ser iluminado. Os spots dos corredores que iluminam as

bandejas dos textos-legenda, por exemplo, incorporam lentes

ovais, enquanto que aqueles destinados a dar destaque a livros

e objetos apresentam lentes spot.

ESPAÇO OLAVO SETÚBAL

COLEÇÃO BRASILIANA ITAÚ

São Paulo, Brasil

Projeto de iluminação

Design da Luz Estúdio – Fernanda Carvalho. Colaboradores: Renata

Fongaro e Charly Ho

Museografia

T+T – Daniela Thomaz e Felipe Tassara

Comunicação Visual

PS2 – Fábio Prata e Lisa Moura

Montagem Fina

Manuseio

Fornecedores

E:light/Erco e Lumini

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MOLDURAS DE LUZ

Texto: Valentina Figuerola | Fotos: Andres Otero

As vigas de concreto aparente reveladas pela reforma foram valorizadas por sancas de luz laterais com

lâmpadas de cátodo frio dimerizáveis, feitas sob medida para o espaço. Como uma moldura luminosa,

a solução desenha os ambientes com uma luz contínua e bem amarelada (2.400K), que proporciona

conforto e aconchego ao apartamento, juntamente com a madeira do piso e mobiliário

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Afastado da parede

que é percorrida pelo

banco de madeira, o

rasgo de luz ilumina

apenas as superfícies,

sem evidenciar os

mecanismos das

persianas roll on que

cobrem as janelas

Integração espacial. Foi esse o principal objetivo do arquiteto

André Becker ao realizar o projeto de reforma deste apartamento

no Itaim, em São Paulo. Paredes foram postas abaixo para

que o imóvel, de planta originalmente compartimentada, fosse

convertido em uma morada com espaços de estar amplos e

integrados. Abundante, a madeira que cobre o piso confere

unidade visual ao espaço, onde se sobressaem peças de mobiliário

leves de designers contemporâneos brasileiros, com destaque

para a marcenaria de Paulo Alves.

A exposição clara das vigas de concreto aparente, um dos

pontos importantes do projeto arquitetônico, trouxe desafios ao

lighting designer Gilberto Franco, autor do projeto de iluminação

do apartamento. “A ideia do projeto foi criar uma ambientação

de conforto para o proprietário e, ao mesmo tempo, valorizar o

despojamento arquitetônico, de vigas aparentes”, explica Franco.

Para tanto, criou sancas de luz laterais, de tonalidade

amarelada, utilizando lâmpadas de cátodo frio dimerizáveis

(20 W/m, 2.400K), feitas sob medida para o local. “A luz que

emana lateralmente pelos sulcos traz acolhimento e desenha

o contorno, criando uma moldura luminosa que aumenta a

sensação de profundidade. E, para que a luz não realçasse os

mecanismos das persianas roll on que cobrem as janelas da

sala de estar, afastamos o rasgo da parede nesse trecho, de

forma a iluminar apenas as superfícies, enquanto preservamos

os mecanismos na penumbra”, completa.

Ao discorrer sobre o cátodo frio, tecnologia que usa pela

primeira vez em um projeto residencial, Franco destaca algumas

vantagens, como o fato de proporcionar luz continua, sem

as lacunas ou sombras geradas por outros tipos de fonte,

como a fluorescente. “Com consumo energético e durabilidade

similares ao do LED, o cátodo frio é uma solução dimerizável

e econômica, que nos permite obter uma tonalidade bem

amarelada e aconchegante, sem a necessidade de colocação

de filtros redutores”, esclarece.

O sistema é complementado por luminárias de embutir

com lâmpadas dicroicas dimerizáveis (35W, 36°), que realçam

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A luz emitida pelas sancas laterais é complementada pelas luminárias de embutir com lâmpadas dicroicas.

No quarto, as sancas proporcionam uma luz difusa e agradável, e realçam a textura da viga de concreto,

elemento marcante no projeto de arquitetura

móveis e quadros. A dimerização das dicroicas permite, também,

aproximar sua temperatura de cor – originalmente de 3.000K

– à da sanca, harmonizando, assim, o ambiente.

Integrada à sala de jantar por portas de correr de madeira, a

cozinha, depois da reforma, passou a contar com amplas janelas.

A bancada de trabalho é iluminada por duas luminárias lineares,

como se fossem rasgos, com lâmpadas T5 (25W, 3000K),

complementada por luminárias quadradas sem moldura para

lâmpadas dicroicas (35W, 3.000K, 36°) embutidas no forro de

gesso. Pequenas luminárias em LED, integradas às prateleiras

da estante, finalizam a cena.

No quarto de casal, duas sancas com cátodo frio dimerizável

proporcionam iluminação difusa, além de valorizar a textura de

uma viga de concreto aparente, analogamente ao que foi feito

na sala. “As vigas de concreto, que poderiam ser obstáculos

para o projeto de iluminação, foram transformadas em seu

ponto de partida”, finaliza Franco.

APARTAMENTO ITAIM BIBI

São Paulo, Brasil

Projeto de iluminação

Franco Associados – Gilberto Franco

Arquitetura

ABPA – André Becker

Fornecedores

Ventana Lighting Solutions (cátodo frio das sancas), Wall Lamps

(pendentes da sala de jantar – Prandina), Lumini (embutidos e

fluorescentes), Steluti (automação – Lutron)

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QUEBRANDO

PARADIGMAS

Texto: Orlando Marques | Fotos: Serge van den Berg e Verse Beeldwaren

Um laboratório urbano dedicado à criação de um ambiente

público inteligente e inspirador, pensado para o futuro.

Assim é definido Light-S, projeto vencedor do prêmio

Auroralia em 2014.

Light-S integra o plano para a requalificação do Strjip-S, parte

do complexo industrial de propriedade da Philips entre 1916 e

2004, localizado em Eindhoven, sul da Holanda. Seus 66 hectares

são compostos por diversos edifícios, dentre eles o emblemático

NatLab, notório pela pesquisa em inovação tecnológica; o edifício

usado na fabricação dos vidros utilizados na produção de lâmpadas;

o Klokgebouw, usado no processamento de baquelite e diversos

outros edifícios.

O conceito do Strjip-S foi inspirado no premiado livro Creating

a Public Lighting Experience, escrito pela então Diretora de Criação

e Gerente de Inovação da Philips, Lorna Goulden. Suas ideias se

apropriam da luz como instrumento para entender como a iluminação

pública pode efetivamente impactar na percepção do espaço.

Para o desenvolvimento do projeto, foram utilizados quatro

princípios conceituais: Experimentação – como uma evolução dos

princípios de interatividade entre ser humano, seu meio e tecnologia;

Contexto – no sentido histórico e cultural dos habitantes do Strjip-S;

Valor – no sentido de importância e relevância; e, finalmente, o

princípio do Tempo, onde o projeto e suas ideias são concebidos

de maneira a permitir, tanto no futuro quanto a qualquer hora,

mudanças no projeto, novas abordagens, ideais e tecnologias.

A primeira iniciativa no desenvolvimento do projeto foi dialogar

com todas as partes interessadas e criar uma visão comum. Palavras

como ‘’singular’’, ‘’luz’’, ‘’experimentação’’ e ‘’sustentabilidade’’

integraram o léxico inicial do projeto.

“O que faz o conceito do projeto singular é o fato de termos

combinado diferentes questões uma só.” explica Lorna Goulden. “No

lugar de nos concentrarmos somente em questões de sustentabilidade

46 47


Na página de abertura, foto

da instalação de Daan

Roosegaarde Crystal-S, na qual

pedras de cristais luminosas

são carregadas por meio de

energia sem fio. Na página

ao lado e acima, imagens de

iluminação urbana com sistema

de variação de cor, de acordo

com programação específica

ou em iluminação funcional ou arquitetural, por exemplo, nós

combinamos esses elementos com conceitos de interatividade e

recreação, de maneira a atender à diversidade sociocultural dos

futuros moradores e usuários do Strjip-S”, continua.

Tal fato poderia explicar, por exemplo, porque desde o início

ficou decidido o uso de tecnologia LED como principal fonte de luz

para a iluminação do Strjip-S. Segundo Lorna Goulden, essa decisão

poderia ter se tornado, ao mesmo tempo, uma limitação técnica –

pela incipiência desta tecnologia na época – assim como também

uma fonte de inspiração que a tecnologia LED poderia permitir.

Mas de que forma aplicar esses princípios conceituais num

projeto programado para ser concluído em diversas etapas ao longo

de 20 anos e utilizando uma tecnologia ainda em desenvolvimento?

Uma das estratégias foi imaginar situações múltiplas na vida

cotidiana dos futuros habitantes do Strjip-S. Como, por exemplo, ver

a cidade acordando ainda no escuro de uma segunda-feira, visitar

um amigo no meio da semana depois do trabalho, sentar no banco

da praça, voltar para casa depois de um jogo de futebol no estádio

local, decidir pela bicicleta no lugar do carro, se socializar etc. Para

cada situação, foram criadas histórias ilustradas, compostas por uma

série de personagens, cenários e, é claro, diversas possibilidades

na utilização e experimentação da luz.

A primeira etapa do projeto, inaugurada em 2014, consiste na

iluminação de 6 km de avenidas e boulevards do Strjip-S, por meio

de postes com 15 e 6 m de altura e luminárias customizadas com

LEDs RGB, branco quente e branco frio.

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Os postes mais altos, utilizados na iluminação do ambiente

urbano, possuem quatro luminárias cada, sendo duas delas fixadas

no topo e outras duas a 6 m de altura.

O poste mais baixo, de 6 m de altura, também possui duas

luminárias fixadas no seu topo, que foram usadas para a iluminação

do passeio de pedestres e das ciclovias. Quanto ao conjunto óptico,

foram especificados equipamentos que permitissem um maior

espaçamento possível entre os postes.

Cada luminária consume até 20 Watts nos postes de 15 m e

até 24 Watts nos postes mais baixos, provendo de 5 a 10 lux de

iluminância no piso. O consumo dos equipamentos e níveis de

iluminância podem variar de acordo com a programação dos níveis

de luz do sistema de controle de iluminação.

“O sistema possui sensores de luz fixados na estação

meteorológica da cidade, que permitem a ativação de 12 cenas de

luz pré-programadas”, explica Serge van den Berg, implementador

e coordenador do Light-S. “Então, às 5h, por exemplo, enquanto

a cidade ainda está acordando, a programação dos níveis de luz é

diferente dos programados às 7h da manhã, quando as ruas têm

mais gente”, continua.

Além disso, as cenas pré-programadas também podem ser

mudadas. “Elas podem ser influenciadas, por exemplo, pelas condições

meteorológicas e pelas diferentes condições de luminosidade

presentes ao longo das estações do ano e, também, ainda em fase

de implementação, pelo volume de tráfego de veículos, pedestres

e bicicletas nas ruas, captadas por câmeras e microfones”, conclui.

Outra inovação é o desenvolvimento e implementação das

ideias relacionadas ao princípio de experimentação. Segundo Lorna

Goulden, esse conceito é uma evolução dos já tão explorados

princípios de interatividade. O sistema permite, por exemplo, que

os habitantes e usuários do Strjip-S programem a luz de acordo

com a sua preferência, por meio de aplicativos disponíveis para

computadores e dispositivos móveis conectados à Internet.

Ainda limitado para um pequeno numero de usuários e em fase

de teste, o aplicativo pode incorporar qualquer cena pré-programada.

Essa iniciativa, além de permitir a interatividade do usuário com a

cidade, permite testar as preferências das pessoas quanto à luz na

sua cidade. “Queremos aprender o que as pessoas ‘desenham’ com

a luz quando lhe são dadas essas oportunidades”, comenta Serge.

As inovações não param por aí. Há diversas outras instalações

envolvendo luz dinâmica e experimentação. Uma delas é a faixa

de pedestres projetada com pontos luminosos que mudam de cor

de acordo com o tráfego ou a situação. À aproximação de uma

ambulância ou veículo com prioridade na via, por exemplo, as luzes

que compõem a faixa de pedestres mudam de cor e começam a

piscar, alertando os pedestres e veículos.

Outro exemplo é a instalação Crystal-S do designer Daan

Roosegaard para o edifício do NatLab, no Strjip-S. Nesse trabalho,

o designer desenvolveu pedras de cristais que brilham quando

tocadas. Os cristais contêm LEDs que são carregados por meio

de energia sem fio através de um piso magnético, que podem ser

levantados até 10 cm do chão sem perder o brilho da luz. “Esse

projeto foi desenvolvido como um exemplo de pesquisa que mostra

que a luz não é uma coisa necessariamente e somente atrelada à

eletricidade”, explica Serge.

Ideias como essas ainda são somente o começo no Light-S. Seus

princípios conceituais, elaborados em cooperação multidisciplinar,

permitem uma série de ideias inovadoras, o que também caracteriza

o Strjip-S como uma cidade inteligente do futuro. Além de recriar um

ambiente público atraente e democrático, por exemplo, iniciativas

como estas provam que o modelo tradicional da captação de

recursos para o desenvolvimento das cidades pode ser ampliado

de forma a abranger disciplinas e setores da indústria até então

desconsiderados no processo do planejamento urbano. Tudo isso

graças à luz.

Faixa de pedestres luminosa,

com sistema de variação de

cor. Além da programação

de cores tradicional,

a faixa também pode

piscar, alertando para a

aproximação de ambulâncias

ou veiculos similares

STRJIP-S EINDHOVEN

Holanda

Visão, Conceito e Plano Diretor de Iluminação

Lorna Goulden (Creative Innovation Works), Serge van den Berg

(HetEnergieBureau)

Projeto de Iluminação Arquitetural

Willem Hoebink (3Mans)

Projeto de Iluminação

Ellen De Vries (Het Lux Lab)

Projeto de Planejamento Urbano

Adriaan Geuze (West8)

Fornecedores

Schrèder (postes e luminárias), Beking Moxa, Compass (componentes

de automação)

Palestrante do

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MODERNO, FUNCIONAL

E SUSTENTÁVEL

Texto: Fernanda Carvalho | Fotos: Matthew Millman Photography

O

projeto arquitetônico da nova sede da empresa de pagamento

eletrônico para dispositivos móveis Square Inc. em São

Francisco, Estados Unidos, inaugurado em 2013, segue

com clareza os conceitos fundadores da empresa: colaboração e

transparência. Distribuído nos 16.000 m 2 de pavimento, o imenso

escritório expressa os ideais de organização do trabalho, colaboração

entre funcionários e fluidez dos espaços. Pelo projeto de iluminação,

o escritório Banks Ramos foi premiado com o primeiro lugar na

premiação IESNA SF Section Illumination Award 2015 e também

nas categorias Award of Excellence e Environmental Design do

Prêmio GE Edison Award 2014, agraciado em maio último.

Instalações aparentes, vidros, madeiras e poucas cores aparecem

na medida certa e marcam as fronteiras sutis entre os espaços,

que se organizam com clareza e sem monotonia, alternando

diferentes escalas. Em harmonia com o design moderno e funcional

proposto pela arquitetura, o projeto de iluminação desenvolvido

pelo escritório Banks Ramos tem papel fundamental na criação

de um ambiente ao mesmo tempo aconchegante e estimulante

para o trabalho colaborativo.

Um extenso boulevard central organiza toda a planta do projeto.

O corredor central – espinha dorsal do escritório – ordena os demais

espaços, funcionando como uma espécie de avenida principal,

de onde é possível visualizar os demais pontos de referência que

quebram a imponência da escala gigantesca.

Esse extenso corredor de mais de 150 m de comprimento adquire

Acima, uma extensa sequência de luminárias

lineares reforça o caráter estrutural do boulevard

que atravessa todo o andar do escritório. Como

se fosse uma importante avenida, o boulevard

central organiza a circulação e conduz o usuário

ao demais ambientes. Abaixo, o boulevard

é ladeado por algumas cabanas totalmente

revestidas por tecido para oferecer um retiro para

os funcionários. Uma luz suave é emitida por

luminárias lineares de LED, embutidas em nichos

estreitos entre a perde e o teto

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itmo a partir das luminárias especialmente desenhadas para o projeto,

atuando como uma espécie de fita métrica a reforçar a extensão do

edifício. São luminárias pendentes com LEDs dimerizáveis de 3.500K,

com aproximadamente 3,6 m de comprimento cada, dispostas lado

a lado ao longo de toda a extensão do boulevard. Essa sequência

ritmada traz a ideia de constante movimento e passagem. Com a

intenção de promover uma luz suave e homogênea, foi escolhido

um equipamento com baixa emissão de luz, cuja fonte é controlada

por meio de dimerização, fornecendo baixos níveis de iluminância

e evitando brilho excessivo e ofuscamentos.

Ao longo dessa circulação central estão dispostas variadas estações

de encontro e trabalho colaborativo, como mesas comunitárias com

bancos altos, salas para reuniões envidraçadas e aconchegantes

“cabanas” que funcionam como estações de parada. Esses pequenos

espaços comunitários permitem que os funcionários escolham com

liberdade onde e com quem querem trabalhar. Neste caso, a luz

adquire a função de reforçar a identidade de cada “comunidade” e

facilitar a identificação e localização de cada uma.

Totalmente integrada ao forro acústico, a iluminação da recepção

conta com trilhos eletrificados e projetores de LED (15W, 55lm/W,

3.500K). Recuados em rasgos lineares formados pela distribuição

das placas do forro, a luz dos projetores confere destaque ao balcão

da recepção e ao mobiliário das salas de espera. Além do destaque

do plano horizontal, essa luz “sobra” para as paredes, criando um

movimento sutil nos planos verticais longitudinais. Para finalizar, uma

sanca com fluorescentes T5 (28W, 3.500K) enfatiza a flutuação do

forro acústico, banhando as paredes de maneira uniforme.

Para o lounge, foram utilizadas luminárias pendentes em alturas

variáveis, humanizando a escala e criando um ambiente mais

aconchegante, estimulando a permanência nesse espaço. As lâmpadas

utilizadas são fluorescentes compactas de 32W com temperatura

de cor mais quente do que as áreas de circulação (3000K), mais

harmônicas com relação às divisórias vermelhas perfuradas, as

quais promovem acolhimento sem perda de permeabilidade visual.

Complementando essa luz difusa, uma linha de bandejas montadas

logo acima das divisórias e junto às vigas, iluminam o ambiente de

maneira indireta e suave.

Nas áreas de transição entre o boulevard e salas mais espaçosas

de reunião, as luminárias lineares se ajustam às lâminas de madeira

do forro. Nas bordas do forro se escondem trilhos eletrificados com

Ao lado, o forro acústico da recepção parece flutuar com a iluminação indireta proveniente de lâmpadas fluorescentes, que

banham as paredes de forma uniforme. Projetores em trilhos eletrificados recuados em rasgos estreitos dão destaque ao balcão

de atendimento e às mesas de espera. Acima, no lounge, luminárias pendentes em alturas variáveis sugerem um ambiente de

parada. A temperatura de cor quente harmoniza com as telas perfuradas vermelhas criando um ambiente acolhedor.

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A iluminação natural

é parte fundamental

do projeto, cuja

densidade de potência

de iluminação está

29% abaixo do padrão

ASHRAE 90.1 para

escritórios, o que lhe

garante padrão Ouro

de certificação LEED

projetores para lâmpadas do tipo refletoras LED MR16 (7W,65lm/W,

3.000K) usadas para iluminar comunicação visual e obras de arte.

Ao longo das áreas dos escritórios, uma luz fluida indiretarente às

vigas unifica os espaços, impondo sua linearidade e amplificando a

percepção do espaço até pontos distantes. Essa luz é proveniente de

luminárias pendentes rentes às vigas aparentes com duas lâmpadas

T5 (28W, 3.500K) paralelas e com distribuição assimétrica. De

acordo com a variação da luz natural disponível, é possível operar

com uma ou duas linhas de lâmpadas acesas, permitindo maior

eficiência energética.

A iluminação natural é parte fundamental do projeto, que propõe

uma transição suave entre a luz natural nas áreas próximas aos

caixilhos com a luz artificial indireta no miolo da planta. A utilização

de sensores que reconhecem a luz natural disponível permite o uso

inteligente e racional da luz artificial. A densidade de potência do

projeto de iluminação está 29% abaixo do padrão ASHRAE 90.1

para escritórios, o que lhe garante padrão Ouro de certificação

LEED. A escolha das tecnologias de iluminação utilizadas (LED

e fluorescente), os modos de controle e aproveitamento da luz

natural fazem desse projeto um exemplo de design sustentável

com a garantia de alto padrão de conforto para seus usuários.

Pendentes em LED linear foram

perfeitamente posicionadas

entre as lâminas de madeira

do forro, dando continuidade à

solução do boulevard. As obras

de arte e comunicação visual

são iluminadas por projetores

em trilho eletrificado escondidas

atrás do forro

SEDE DA SQUARE INC.

São Francisco, EUA

Projeto de Iluminação

BANKS|RAMOS ARCHITECTURAL LIGHTING DESIGN (Cláudio

Ramos, Hiram Banks, Erin Sudderth, Matthew Landl)

Projeto de Arquitetura

Bohlin Cywinski Jackson

Fornecedores

Aion Lighting, Pinnacle Lighting, USAi Ilumination, Vibia Lighting,

Philips, Birchwood, Artemide, Ledalite, Prudential, Litelab, Tech

Lighting, Peerless Lightedge, Vode Lighting, Mark Lighting, Amerlux

Lighting, Delray Lighting, Focal Point (luminárias); GE Lighting, SoLux

Lighting, Soraa (lâmpadas)

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Na fachada para a praça, uma escultura luminosa impõe

personalidade ao edifício, enquanto balizadores convidam ao

acesso e permanência na escada

GENTILEZA

Texto: Gilberto Franco | Fotos: Marcus Ebener

Inaugurado em setembro de 2014, o anexo do Museu de Arte e

Cultura de Münster, Alemanha, destina-se a agregar uma série

de novas salas de exibição ao museu, além de outras funções,

como biblioteca, auditório, livraria, restaurantes e salas recreativas.

Encaixado entre a praça Rotherburg, no centro da cidade, e o

edifício histórico, o bloco, de autoria do escritório Staab Architekten,

possui linhas contemporâneas e forma afilada, esgueirando-se

nos interstícios entre praça e edifício, como que “respeitando-o”,

ao mesmo tempo em que se abre generosamente para a praça

do lado oposto, o que resulta em uma potente interligação de

todo o conjunto.

O projeto de iluminação, do escritório Licht Kunst Licht –

liderado por Andreas Schulz e coordenado por Martina Weiss –

buscou desenvolver soluções em que iluminação natural e artificial

pudessem se complementar harmoniosamente, de modo a produzir

a melhor e mais econômica solução possível, além de sublinhar as

qualidades arquitetônicas, urbanísticas e funcionais do conjunto,

características, aliás, sempre presentes nos trabalhos de LKL.

ÁTRIO E ESCADA ESCULTURAL

Logo no saguão de entrada, de pé-direito triplo e com abundante

iluminação natural ao centro, vemos ao lado esquerdo uma grande

escadaria que dá acesso ao início da visita. Um delgado e retilíneo

sulco negro integra os minúsculos pontos de luz, que dão volumetria

e ritmo à escada, ao intercalar luz e ausência dentro da linha, sem

contudo iluminar as paredes. Projetores de luz direta agrupados

em pares, e fixados lateralmente nas paredes, complementam

a luz natural do átrio. Esta solução de iluminação por meio das

laterais veio a ser adotada também nos pátios internos e fachada,

contribuindo para a unidade visual do edifício.

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No átrio de acesso, banhado por luz natural, a escada escultórica é iluminada por um delicado sulco negro que alterna

luzes e ausências, dando-lhe dramaticidade. Projetores semiembutidos nas laterais iluminam o vazio, em elegante

solução, repetida no pátio interno. Abaixo, sequência de imagens das salas de exposição, mostrando possibilidades

dos acendimentos: à esquerda, membranas com difusores microprismáticos, acopladas a persianas e blackouts

modelam a entrada de luz natural. Ao centro, anel retangular de luz difusa complementa a luz natural de forma

controlada, quando necessário ou desejado. À direita, apenas a iluminação artificial – difusa e focada

SALAS EXPOSITIVAS

Uma solução bastante original, especificamente desenvolvida

para esse museu foi proposta para as salas expositivas, visando

perfeita homogeneidade de luz nas paredes. Trata-se de um anel

retangular difuso de luz artificial que as acompanha, cujo diferencial

é o arranjo dos espaçamentos entre as linhas fluorescentes. Para

se evitar um clarão no topo das paredes, esses espaçamentos

aumentam gradativamente à medida que se aproximam delas, de

forma que a luz resultante é perfeitamente homogênea. Um trilho

trifásico para projetores dimerizáveis em LED, com fachos de luz

intercambiáveis, complementa a flexibilidade de luz necessária,

bem como permite o atendimento a normas de conservação

quando requerido.

Nos pavimentos superiores, grandes claraboias permitem

a entrada de luz natural, através de espessos sanduíches de

vidro com camadas difusoras microprismáticas; um sistema

de persianas pode reduzir ou mesmo bloquear a entrada

de luz conforme a necessidade. Para “coletar” a luz natural

vinda dessas claraboias, o anel de iluminação artificial, que

é totalmente independente delas, é conectado a sensores de

luminosidade, localizados na cobertura e dimerizados conforme

as variações de luz natural.

RESTAURANTE

Dois cenários bastante distintos foram idealizados para a área

do restaurante – um predominantemente diurno, de luz vívida e

brilhante, outro para o entardecer, de aspecto mais introvertido.

Pendentes decorativos de muita personalidade, complementados

por downlights a pontuar as mesas, além de perfis de LED RGB

escondidos, compõem os ambientes para as diferentes horas.

ILUMINAÇÃO EXTERNA

As fachadas do edifício novo foram intencionalmente deixadas

sem luz, de modo a se perceber, sobretudo, o brilho emanante das

aberturas. No lado que dá para a praça Rothemburg, uma grande

escultura luminosa incrustada na fachada – "Silberne Frequenz"

(frequência prateada) – de autoria do artista Otto Piene, abre-se ao

espaço em um efeito único. Adicionalmente, as generosas escadas

sutilmente iluminadas por balizadores convidam os visitantes a

entrarem ou a se sentarem ali. Banners informativos do museu

podem ser iluminados por um sistema de projetores com gobos.

No lado oposto à praça, a fachada do edifício existente foi

iluminada de forma criativa e tênue, através de luminárias incrustadas

nas fachadas do novo edifício a iluminar o antigo, como que

expressando uma “gentileza” de um edifício para com o outro.

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Sequência de imagens acima, dois sistemas

independentes de iluminação permitem

a obtenção de diferentes resultados.

Acima, a iluminação difusa ilumina

homogeneamente a parede, evitando o

clarão superior. Ao centro, a combinação

de iluminação difusa e focada; na foto

inferior, apenas a iluminação focada.

Abaixo, a iluminação também permite

ambientações introspectivas. Na página ao

lado, pendentes de grande personalidade,

downlights e barras de LED RGB compõem

a ambientação do restaurante para as

diferentes horas do dia. Abaixo, a fachada

do edifício novo respeita as proporções

e afastamentos necessários ao edifício

histórico, além de iluminá-lo gentilmente

Palestrante do

LWL - MUSEU DE ARTE E

CULTURA DE MÜNSTER

Alemanha

Lighting Design

Licht Kunst Licht AG. Coordenação de Projeto: Martina Weiss

Arquitetura

Staab Architekten GmbH

Fornecedores

Bega, Erco, Filumen, Flos, Humboldt, Mawa, Meyer, Proled, Rentex,

Selux, Supersystem, Zumtobel, Xal

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A última edição da Euroluce, feira de iluminação bienal

paralela ao Salão do Móvel e à Semana de Design de

Milão, ocorreu entre 14 e 19 de abril. Em um ano em que

observamos o início da recuperação econômica de alguns

mercados europeus – caso da Espanha e da própria Itália –

e um certo pessimismo no Brasil, em relação ao momento

político e econômico que vivemos, constatamos que não

foi exatamente uma edição de grandes novidades, e, sim,

de consolidação e revisão de tendências e propostas

apresentadas nos últimos anos.

Apesar da crescente preocupação com a preservação

do meio ambiente, o uso da madeira como matéria-prima é

bastante intenso, tanto no mercado de iluminação quanto no

mobiliário. Com um olhar para as tradições de desenho dos

países nórdicos e para o Oriente – principalmente Japão e

China – percebemos uma grande valorização dos métodos do

fazer artesanal desses países. Podemos citar, como exemplo,

FUORI SALONE + EUROLUCE

MILÃO 2015

Texto e Curadoria: Carlos Fortes | Fotos: Divulgação

o trabalho desenvolvido pela Nendo – escritório japonês

liderado por Oki Sato, para a Industry +, de Cingapura, que

juntou a tradição artesanal das cestarias feitas nas Filipinas à

marcenaria tradicional, criando peças lúdicas e divertidas que se

destacam pelo olhar criativo e original. Nendo, aliás, foi um dos

destaques da semana, com uma bela instalação no Museo della

Permanente, Em uma exibição de produtos desenvolvidos para

diferentes marcas, apresentados de uma maneira minimalista e

eficiente, em um cenário em que a luz destacava e valorizava os

objetos, principalmente o mobiliário de vidro plano, produzido

para Glas Itália, exibido contra um fundo luminoso.

Se nos eventos Fuori Salone observamos uma

significativa participação do Brasil, em diversas locações

privilegiadas, sentimos falta de representação da indústria

brasileira na Euroluce, em anos anteriores bem representada

pela Lumini. Uma exceção – no caso de design de mobiliário

– talvez tenha sido a participação da Alotof, no Pavilhão 20

do Salão de Móveis, Em um estande projetado por Fernando

e Humberto Campana.

O coletivo Brasil S.A. esteve presente na Università degli

Studi di Milano, onde há anos a editora Mondadori, da revista

Interni, promove uma importante instalação multidisciplinar com

arquitetos e designers de origens variadas. A Lampe, Ômega e

Luxion estiveram presentes nessa mostra. A Made – Mercado,

Arte, Design, com curadoria de Valdick Jatobá e Bruno Simões,

participou pela primeira vez da Semana de Design de Milão,

com designers consagrados e novos talentos, que expuseram

suas criações no Palazzo Litta, no Corso Magenta. Ainda

apresentou uma coleção de bancos indígenas brasileiros, com

curadoria de Cláudia Moreira Salles. A empresa catarinense

Sollos, que produz as peças de Jader Almeida, também estava

bem representada, expondo praticamente toda a produção do

designer em uma mostra solo no Brera.

Na Zona Tortona, esteve presente o coletivo Rio + Design,

de designers cariocas. E mais uma vez, em meio a inumeráveis

mostras e coletivos apresentados sem grandes novidades, a

Moooi se destacou e repetiu a fórmula de apresentação de suas

novas coleções em uma exposição de forte apelo visual, sob a

direção artística de Marcel Wanders. O cenário é composto pela

nova coleção de tapetes da marca holandesa e por fotografias

de Andrew Meredith, com ampliações de grandes dimensões.

Impactante, porém previsível.

Também se destacou, na Via Tortona, o novo Museu da

Cultura de Milão – Mudec, com projeto do britânico David

Chiepperfield, que renega a obra devido à má execução e baixa

qualidade dos materiais utilizados. O museu foi implantado em

um pátio das antigas instalações da área industrial denominada

ex-Ansaldo, importante polo industrial que esteve em atividade

até os anos 1970.

64 65


EUROLUCE

ARTURO ALVAREZ

1

Outro representante da Espanha, Arturo Alvarez apresentou,

entre suas novas criações, a delicada coleção Blum (foto 7),

formada por ninhos de fios de aço pintados de branco, e o

pendente Luisa (foto 6), confeccionado em SIMETECH®, uma

malha de silicone desenvolvida e registrada pelo designer.

2

3

VIBIA

6 7

4

Mais uma vez um dos destaques da Euroluce, a espanhola

Vibia apresentou quatro novas coleções:

Curtain (foto 2), por Arik Levy, dá sequência à sua linha de

produtos concebidos como elementos arquitetônicos. Aqui, os

elementos podem ser agrupados formando uma luminária, uma

divisória ou simplesmente uma cascata de luz. As fitas de LED

podem estar na parte superior, inferior ou nas duas extremidades

do conjunto.

Flamingo (foto 5), por Antoni Arola, são luminárias compostas

por elementos que podem ser montados em diferentes composições,

criando variações da mesma luminária em um processo

de desconstrução e reintegração dos elementos. A posição da fonte

de luz pode variar em relação aos difusores translúcidos, criando

diferentes graduações da luz difusa.

Algorithm (fotos 1 e 3), por Toan Nguyen, é um produto que

dá sequência às famílias de luminárias componíveis, que criam

pendentes esculturais, cuja forma final é recriada a cada projeto.

Globos de vidro soprado, com LEDs de 2W, cada elemento não é

um produto acabado e, sim, parte de um elemento tridimensional

variável, concebido de acordo com o espaço e o projeto arquitetônico.

Pin (foto 4), por Ichiro Iwasaki, é uma família de luminárias

de piso ou de mesa para leitura, projetadas de maneira a

apresentarem o mínimo necessário para abrigar a fonte de luz.

BOCCI

A canadense Bocci, que a cada ano se fortalece como um

importante represente da indústria de luminárias decorativas

em vidro soprado, apresentou duas novas coleções, Bocci 16

(foto 9) e Bocci 73 (foto 8), demonstrando fôlego para criar

novas peças que surpreendem a cada edição da Euroluce.

9

8

66 67

5


2

1

ARTEMIDE E

DANESE MILANO

3

A Artemide reforçou seu posicionamento no mercado com

uma enorme quantidade de lançamentos, distribuídos em

várias linhas.

Para a Artemide Design, Arik Levy criou a família Reverso

(foto 2), em vidro soprado. Composta por dois elementos – um

interno, translúcido, e um externo, transparente – permite que

a posição de montagem do elemento externo seja invertida,

alterando a forma da luminária.

Discovery (foto 3), por Ernesto Gismondi, é uma luminária

em alumínio com uma superfície refratora, que transmite a luz

contida no anel externo da luminária. Transparente, quando

apagada, se transforma em um disco difuso quando acesa.

Clorophylia (foto 1), por Ross Lovegrove, dá continuidade à

parceria entre a Artemide e o designer inglês, que nos últimos

anos criou uma variedade de luminárias em alumínio e metacrilato

que exploram os efeitos de reflexão e refração, luz e sombra.

Para a Danese Milano, Arik Levy cria várias coleções. June

Bird (foto 6) é uma luminária que é também um objeto poético

– uma casa de passarinho transformada em luminária, em que

a lâmpada em seu interior serve de metáfora ao ovo. A tampa,

que abre e fecha, regula a quantidade de luz, funcionando como

um dimmer manual. Confeccionada em compensado com

acabamento natural.

Need (foto 5) é uma família confeccionada em papelão

corrugado do tipo honeycomb, utilizado para embalagens.

Stab Light (foto 4) é uma família formada por cúpulas

confeccionadas por vidros soprados e moldados em formas

de madeira. Podem ser agrupados em várias combinações ou

individualmente, conforme o modelo de canopla escolhido.

4

5

6

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EUROLUCE

1

5

2

6

TARGETTI

FLOS

A Flos dá sequência à parceria com Patricia Urquiola, que

criou a família Serena (foto 3) – difusores e refletores em forma de

folhas, em materiais diversos, como – cobre, madeira, alumínio,

entre outros.

Philippe Starck, outro habitual colaborador da Flos, criou uma

família de luminárias – Ether (foto 1) – também composta por

diferentes elementos e materiais que podem ser agrupados, em

inúmeras combinações.

Jasper Morrison cria Supernoon (foto 4), uma luminária

composta por um disco translúcido com um anel que abriga

a fonte de luz – mesmo princípio da luminária Discovery, de

Ernesto Gismondi para Artemide. O que vemos, mais do que uma

coincidência, são várias interpretações e respostas aos novos

materiais e tecnologias disponíveis, levando os designers ao

desenvolvimento de novas morfologias para as luminárias.

Copycat (foto 2), de Michael Anastassiades, é composta por

duas esferas – uma difusa, em vidro opalino, e a outra em metal

–ouro, alumínio, níquel ou cobre.

4

A Targetti nos apresenta uma boa coleção de projetores

(fotos 6 e 7) para áreas internas e externas, com uma vasta gama

de fixações, fachos e acessórios – como a coleção denominada

Light of Florence, desenvolvida para iluminação de museus,

obras de arte e edifícios históricos. A alta qualidade cromática

dos LEDs selecionados, os acabamentos para integração com a

arquitetura dos edifícios históricos e a flexibilidade do sistema são

as principais características dessa coleção.

Apresentou também o pendente Diva (foto 5) para iluminação

direta e indireta, para uso em escritórios, com difusor no polímero

Crystalplant®.

8

7

TOM DIXON

3

Tom Dixon mais uma vez se apresentou fora da Euroluce. Em

um cinema abandonado na região de San Babila, fez uma mostra

completa de sua linha de produtos, reafirmando o forte apelo

comercial de suas coleções. Dentre os produtos de iluminação,

destacamos a nova família Melt (foto 8), com acabamentos

cromado, ouro ou cobre, nos diâmetros de 30 e 50 cm.

E nesses tempos em que os designers se destacam e

assumem muitas vezes o papel de estrelas – antes Philippe Starck,

Karim Rashid, hoje Patrícia Urquiola, Marcel Wanders e Arik Levy,

entre outros – observamos na carreira de Tom Dixon um exemplo

de sucesso, em que o apelo pop e comercial da obra, muitas vezes

oferecendo produtos assinados de baixo valor (como acontece

com os perfumes e acessórios no mercado da moda), expôs um

pragmatismo necessário ao mercado globalizado e competitivo

de hoje.

70 71


EUROLUCE

FONTANA ARTE

1

FOSCARINI

Lake (foto 2), por Ludidi & Pevere, é uma arandela formada

por uma superfície assimétrica para iluminação difusa. A fonte de

luz fica escondida em um pequeno nicho na luminária.

Kurage (foto 3) é uma luminária de mesa, desenhada por

Nichetto e Nendo, que tem sua forma inspirada nas águas-vivas.

Sua cúpula é feita de papel Washi – um papel japonês feito da

casca da amoreira – e simplesmente se apoia sobre a base da

luminária, sem qualquer outra fixação. Extremamente delicada,

exprime a simplicidade e sofisticação do design japonês.

Também com inspiração no desenho das lanternas orientais,

Spokes (foto 1), de Vicente Garcia Jimenez e Cinzia Cumini, é feita

de finas hastes de metal, que fazem com que as luminárias se

assemelhem a gaiolas de pássaros. Suas hastes criam um efeito

de luz e sombra nas superfícies iluminadas.

1

A Fontana Arte consolida sua nova fase, com uma coleção

variada de bons produtos, que prometem uma boa aceitação.

Alisei (foto 1), de Matteo Nunziati, tem sua forma livremente

inspirada nas velas de um veleiro em movimento.

Nebra (foto 2), de Sebastian Herkner, em vidro moldado, tem

sua forma inspirada em um elemento arqueológico encontrado na

cidade de Nebra, Alemanha – um disco de bronze com aplicações

a ouro, considerado uma das mais importantes descobertas

arqueológicas do século XX.

2

2

3

3

FABBIAN

A Fabbian nos apresentou uma vasta coleção de itens focados

na sua expertise na produção de cristais transparentes de altíssima

qualidade. A família Eyes (foto 3), de Matali Crasset, apresenta

uma nova versão para o globo de luz.

72 73


Rome

Professional Lighting

Design Convention

28. – 31. October, 2015

www.pld-c.com

”An educated decision“

72 paper presentations

More than 1500 attendees expected

Latest know-how and research findings

Exhibition of leading manufacturers

Gala dinner and PLD Recognition Award

Marketplace for the PLD community

Excursions

Pre-convention meetings

Cities’ Forum

Experience rooms

Social events

The Challenge: Round IV

Self-running poster presentations

Programme

out now!

PLDC is a brand of the

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luz e forma

eclipse

design

fernando prado

lumini.com.br

76

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