MBE: uma nova metodologia de aplicação do ... - Unimed Cuiabá
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Boletim Informativo da Comissão Técnica da <strong>Unimed</strong> <strong>Cuiabá</strong> | Edição 15 | Dezembro <strong>de</strong> 2009<br />
<strong>MBE</strong>: <strong>uma</strong> <strong>nova</strong> <strong>meto<strong>do</strong>logia</strong><br />
<strong>de</strong> <strong>aplicação</strong> <strong>do</strong> conhecimento<br />
O extraordinário <strong>de</strong>senvolvimento tecnológico na área médica<br />
apresentou, nas últimas décadas, um crescimento quase exponencial,<br />
provocan<strong>do</strong>, com a mesma velocida<strong>de</strong>, a obsolescência<br />
<strong>de</strong> muitos conhecimentos. Durante muitos anos, as <strong>de</strong>cisões eram<br />
baseadas apenas em da<strong>do</strong>s fisiopatológicos, na experiência individual<br />
<strong>do</strong> médico ou nos ensinamentos <strong>de</strong> alg<strong>uma</strong>s autorida<strong>de</strong>s<br />
acadêmicas. Hoje, a maneira <strong>de</strong> buscar atualizações e conhecimentos<br />
apoia-se em um tripé forma<strong>do</strong> pela epi<strong>de</strong>miologia clínica,<br />
pesquisa clínica e informática. A essa <strong>nova</strong> <strong>meto<strong>do</strong>logia</strong> <strong>de</strong> busca<br />
e <strong>aplicação</strong> <strong>do</strong> conhecimento <strong>de</strong>u-se o nome <strong>de</strong> Medicina Baseada<br />
em Evidências (<strong>MBE</strong>).<br />
A <strong>MBE</strong> fundamenta a conduta médica nas informações advindas da<br />
investigação. É <strong>uma</strong> ferramenta para condutas e <strong>de</strong>cisões baseadas<br />
em provas científicas. Dá menos valor à experiência individual<br />
e socializa o conhecimento para to<strong>do</strong>s que a praticam. Hoje, com<br />
essa ferramenta, qualquer médico, em qualquer município brasileiro,<br />
po<strong>de</strong>rá tomar a mesma conduta que um colega médico em São<br />
Paulo, Londres ou Boston. Para isso é necessário saber acessar os<br />
bancos <strong>de</strong> da<strong>do</strong>s disponíveis na internet e avaliar criticamente as<br />
informações encontradas.<br />
A <strong>Unimed</strong> <strong>Cuiabá</strong> sempre esteve atenta a este fato e, nos últimos<br />
anos, oportunizou a capacitação <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os coopera<strong>do</strong>s em áreas<br />
como a informática e, na <strong>MBE</strong>, o acesso às bases <strong>de</strong> da<strong>do</strong>s científicos<br />
da área médica. Recentemente, o Conselho <strong>de</strong> Administração<br />
aprovou o projeto <strong>de</strong>nomina<strong>do</strong> “Sala <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s ou Atualização<br />
médica permanente”, com o objetivo <strong>de</strong> estruturar um espaço para<br />
“facilitar ao coopera<strong>do</strong> o acesso a informação atualizada em todas<br />
as áreas e/ou especialida<strong>de</strong>s médicas”.<br />
Esperamos que, com sua prática, possamos, cada vez mais, prestar<br />
<strong>uma</strong> assistência médica embasada nos melhores e mais atualiza<strong>do</strong>s<br />
da<strong>do</strong>s sobre a patologia.<br />
Que as felicitações e prendas natalinas sejam<br />
robustas evidências da amiza<strong>de</strong>.<br />
Um belo e feliz Natal!<br />
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Imunoglobulina h<strong>uma</strong>na para<br />
sepse em adultos<br />
1ª Edição, 03/11/2009<br />
Descrição:<br />
O uso <strong>de</strong> Imunoglobulina h<strong>uma</strong>na intravenosa tem si<strong>do</strong> proposto como<br />
tratamento adjuvante para pacientes com sepse com base na fisiopatologia<br />
da modulação da cascata inflamatória nestes pacientes – embora os<br />
reais mecanismos <strong>de</strong> ação da Imunoglobulina, nestes casos, não estejam<br />
completamente elucida<strong>do</strong>s. Este <strong>do</strong>cumento objetiva avaliar a efetivida<strong>de</strong> da<br />
Imunoglobulina h<strong>uma</strong>na em pacientes adultos com sepse.<br />
Perguntas<br />
O uso <strong>de</strong> Imunoglobulina h<strong>uma</strong>na, em pacientes adultos com sepse, gera<br />
redução da mortalida<strong>de</strong>?<br />
Levantamento bibliográfico<br />
Pesquisas realizadas até 02/11/2009 no MEDLINE, National Gui<strong>de</strong>luines<br />
Clearinghouse, Biblioteca Cochrane, CRD Databases, NICE, Blue Cross Blue Shields,<br />
Medicare coverage center e Associação Médica Brasileira (AMB) selecionaram:<br />
• 03 revisões sistemáticas da literatura com meta-análise;<br />
• 02 revisões sistemáticas da literatura;<br />
• 01 Estu<strong>do</strong> clínico, prospectivo e ran<strong>do</strong>miza<strong>do</strong>;<br />
• 03 Diretrizes clínicas.<br />
Conclusão<br />
Após a análise <strong>do</strong>s estu<strong>do</strong>s encontra<strong>do</strong>s nossa conclusão é:<br />
Em geral, os estu<strong>do</strong>s clínicos avalian<strong>do</strong> o uso <strong>de</strong> Imunoglobulina para pacientes<br />
adultos com sepse são <strong>de</strong> baixa qualida<strong>de</strong> meto<strong>do</strong>lógica e têm pequena<br />
amostra <strong>de</strong> pacientes. Quan<strong>do</strong> os estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> melhor qualida<strong>de</strong> meto<strong>do</strong>lógica<br />
são analisa<strong>do</strong>s, o uso <strong>de</strong> Imunoglobulinas não gera redução em mortalida<strong>de</strong><br />
nestes pacientes – não há, ainda, impacto em tempo <strong>de</strong> internação em UTI<br />
ou tempo <strong>de</strong> uso <strong>de</strong> ventilação mecânica. Embora haja um potencial para que<br />
<strong>do</strong>ses maiores <strong>de</strong> Imunoglobulinas (ex.: <strong>do</strong>se > 1g/Kg) tenham algum efeito<br />
em redução <strong>de</strong> mortalida<strong>de</strong>, não há estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> a<strong>de</strong>quada que<br />
confirmem tal possibilida<strong>de</strong>. Diretrizes clínicas não recomendam o emprego <strong>de</strong><br />
Imunoglobulinas para pacientes adultos com sepse.<br />
Recomendações <strong>do</strong> Parecer<br />
2 |<br />
Não recomendamos o emprego <strong>de</strong> Imunoglobulina h<strong>uma</strong>na intravenosa para<br />
tratamento adjuvante <strong>de</strong> pacientes com sepse.
Complexo Protrombínico<br />
1ª Edição 23/09/09<br />
Descrição:<br />
Complexo protrombínico é um concentra<strong>do</strong> prepara<strong>do</strong> <strong>de</strong> Plasma h<strong>uma</strong>no –<br />
submeti<strong>do</strong> a inativação viral – conten<strong>do</strong> os fatores da coagulação II, IX e X – alguns<br />
complexos protrombínicos contêm, ainda, fator VII em diferentes concentrações<br />
(Prothomplex® não contém fator VII e Prothomplex - T® contém este fator). Assim,<br />
o uso <strong>de</strong> complexo protrombínico tem potencial utilida<strong>de</strong> em pacientes com<br />
<strong>de</strong>ficiências na produção <strong>de</strong>stes fatores, como pacientes sob anti-coagulação oral,<br />
pacientes com hemofilia e pacientes hepatopatas, quan<strong>do</strong> expostos a risco <strong>de</strong><br />
sangramento ou quan<strong>do</strong> já apresentam sangramento.<br />
Termos utiliza<strong>do</strong>s no <strong>do</strong>cumento:<br />
ACO = Anticoagulação oral;<br />
ICC = Insuficiência Cardíaca Congestiva;<br />
PCC = Complexo protrombínico;<br />
PFC = Plasma fresco congela<strong>do</strong>;<br />
RCT = Estu<strong>do</strong> clínico prospectivo, ran<strong>do</strong>miza<strong>do</strong> e controla<strong>do</strong>;<br />
RS = Revisão sistemática da literatura.<br />
Análise das Evidências<br />
Complexo Protrombínico para reversão da anticoagulação oral<br />
O emprego <strong>de</strong> PCC, em associação ao uso <strong>de</strong> Vit. K, mostrou capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
reverter o efeito da ACO rapidamente: Em indivíduos com RNI>2 (mediana = 3,2)<br />
com sangramento agu<strong>do</strong> ou com indicação <strong>de</strong> cirurgia ou procedimento invasivo<br />
<strong>de</strong> emergência, o uso <strong>de</strong> PCC (Beriplex®) levou a normalização <strong>do</strong> TNI (valor <br />
1,3), <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> 30’, em 93% <strong>do</strong>s pacientes – valor que se manteve estável durante<br />
avaliação em 48 horas. Um pequeno RCT comparan<strong>do</strong> PCC (Prothomplex®) com a<br />
Vitamina K em pacientes com over<strong>do</strong>se <strong>de</strong> ACO, mostrou que PCC leva a correção<br />
<strong>do</strong> RNI mais rapidamente (30’ versus 24 horas).<br />
A diretriz clínica <strong>do</strong> American College of Chest Physicians (EUA) sobre manejo <strong>do</strong>s<br />
antagonistas da Vit. K, recomenda o emprego <strong>de</strong> PCC ou <strong>de</strong> PFC em pacientes com<br />
RNI eleva<strong>do</strong> e com sangramento sério ou com risco à vida (além <strong>de</strong> suspensão da<br />
ACO e <strong>de</strong> uso associa<strong>do</strong> <strong>de</strong> Vit. K). De acor<strong>do</strong> com esta diretriz, em pacientes com<br />
RNI eleva<strong>do</strong> (mesmo que acima <strong>de</strong> 5) e com indicação <strong>de</strong> cirurgia, a indicação é <strong>de</strong><br />
suspensão <strong>de</strong> ACO com uso <strong>de</strong> Vit. K, com expectativas <strong>de</strong> normalização <strong>do</strong> RNI em<br />
24 horas. A diretriz clínica da Australasian Society of Thrombosis and Haemostasis<br />
sobre reversão da ACO, recomenda o emprego conjunto <strong>de</strong> PFC e PCC em pacientes<br />
com elevação <strong>de</strong> RNI associada a sangramento clinicamente significativo e em<br />
pacientes com RNI > 9 e com risco <strong>de</strong> sangramento (ex.: cirurgia há menos <strong>de</strong> 14<br />
dias, úlcera péptica ativa, uso <strong>de</strong> antiplaquetários).<br />
Complexo Protrombínico para pacientes com insuficiência hepática<br />
O emprego <strong>de</strong> PCC em pacientes com hepatopatia severa e coagulopatia,<br />
com indicação <strong>de</strong> cirurgia ou procedimentos invasivos <strong>de</strong> urgência, levou a eficácia<br />
clínica “muito boa” (não especificada) em 76% <strong>do</strong>s pacientes, sem eventos adversos<br />
relata<strong>do</strong>s (estu<strong>do</strong> com 22 pacientes).<br />
Uma diretriz clínica da American Association for the Study of Liver Diseases (EUA)<br />
sobre biópsia hepática, afirma que “não há um nível específico <strong>de</strong> RNI acima <strong>do</strong> qual<br />
um episódio <strong>de</strong> sangramento possa ser confiavelmente predito” e que “a efetivida<strong>de</strong><br />
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<strong>de</strong> profilaxia com Plasma, inibi<strong>do</strong>res <strong>de</strong> fibrinólise ou fatores recombinantes não<br />
está estabelecida” para estes pacientes. Uma diretriz clínica <strong>do</strong> British Commitee<br />
for Standards in Haematology sobre o uso <strong>de</strong> PFC, consi<strong>de</strong>ra que, embora não haja<br />
evidência <strong>de</strong> benefício em se usar PFC ou PCC em pacientes com hepatopatia e<br />
tempo <strong>de</strong> protrombina 4” mais longo que o controle, quan<strong>do</strong> se quer corrigir a<br />
coagulopatia, nestes indivíduos, a preferência é pelo uso <strong>de</strong> PFC.<br />
Complexo Protrombínico em pacientes com hemofilia<br />
Uma diretriz clínica da Associação Cana<strong>de</strong>nse <strong>do</strong>s Diretores <strong>de</strong> Clínicas <strong>de</strong> Hemofilia<br />
recomenda que, em pacientes com Hemofilia com inibi<strong>do</strong>res, o uso <strong>de</strong> rFVIIa e <strong>de</strong><br />
PCC são opções. Uma diretriz <strong>de</strong> “Recomendações internacionais para diagnóstico e<br />
tratamento <strong>de</strong> Hemofilia A adquirida”, recomenda rFVIIa ou PCC como alternativas em<br />
pacientes com sangramento severo.<br />
Recomendações <strong>do</strong> Parecer<br />
Complexo Protrombínico para reversão da anticoagulação oral<br />
O emprego <strong>de</strong> PCC po<strong>de</strong> ser recomenda<strong>do</strong> em pacientes com RNI eleva<strong>do</strong> e com<br />
sangramento clinicamente significativo (ex.: hemorragia intracraniana, hemorragia<br />
digestiva) como <strong>uma</strong> alternativa ao uso <strong>de</strong> PFC, ou em associação a PFC –<br />
especialmente em paciente nos quais a sobrecarga hídrica é um risco (ex.:ICC).<br />
Em pacientes sob ACO com RNI eleva<strong>do</strong> e com indicação <strong>de</strong> cirurgias ou<br />
procedimentos invasivos <strong>de</strong> emergência, o uso <strong>de</strong> PCC po<strong>de</strong> ser recomenda<strong>do</strong><br />
como <strong>uma</strong> alternativa ao uso <strong>de</strong> PFC, ou em associação a PFC – especialmente em<br />
pacientes nos quais a sobrecarga hídrica é um risco (ex.: ICC).<br />
Em pacientes sob ACO e com RNI eleva<strong>do</strong> e com indicação <strong>de</strong> cirurgias ou<br />
procedimentos invasivos cuja realização po<strong>de</strong> aguardar pelo menos 24 horas, não<br />
recomendamos o uso <strong>de</strong> PCC – o uso <strong>de</strong> Vit. K é a primeira opção nestes casos.<br />
Complexo Protrombínico para pacientes com insuficiência hepática<br />
Não há um nível específico <strong>de</strong> RNI acima <strong>do</strong> qual um episódio <strong>de</strong> sangramento possa<br />
ser confiavelmente predito e a efetivida<strong>de</strong> <strong>de</strong> profilaxia com Plasma, inibi<strong>do</strong>res <strong>de</strong><br />
fibrinólise ou fatores recombinantes não está estabelecida. Entretanto, quan<strong>do</strong> se<br />
opta pelo uso <strong>de</strong> um <strong>de</strong>stes agentes em pacientes com coagulopatia e indicação<br />
<strong>de</strong> procedimentos invasivos (ex.: Biópsia hepática), PFC, e PCC são opções com<br />
efetivida<strong>de</strong> clinicamente equivalentes.<br />
Complexo Protrombínico em pacientes com Hemofilia<br />
Nestes casos, o uso <strong>do</strong> rFVIIa (Novoseven®) e PCC (FEIBA®) são alternativas equivalentes.<br />
Recomendamos o uso <strong>de</strong> rFVIIa pelo seu melhor perfil <strong>de</strong> custo-efetivida<strong>de</strong>.<br />
EXPEDIENTE<br />
Conselho <strong>de</strong> Administração<br />
Presi<strong>de</strong>nte:<br />
Kamil Fares<br />
Vice-presi<strong>de</strong>nte:<br />
Cetímio Vieira Zagabria<br />
Diretor financeiro:<br />
Roberto <strong>de</strong> Sabóia Bicu<strong>do</strong><br />
Diretor secretário:<br />
Erleno Pereira <strong>de</strong> Aquino<br />
Diretor <strong>de</strong> merca<strong>do</strong>:<br />
Rubens Carlos <strong>de</strong> Oliveira Júnior<br />
Boletim Informativo da Comissão Técnica da <strong>Unimed</strong> <strong>Cuiabá</strong><br />
Comissão Técnica<br />
A<strong>de</strong>mir Capistrano Pereira, Augusto<br />
César Regis <strong>de</strong> Oliveira, Eloar<br />
Vicenzi, João Bosco <strong>de</strong> Almeida<br />
Duarte, Nadim Amui Júnior e<br />
Salvino Teo<strong>do</strong>ro Ribeiro<br />
Comitê Educativo<br />
Ayr<strong>de</strong>s Benedita Duarte <strong>do</strong>s Anjos<br />
Pivetta, San<strong>do</strong>val Carneiro Filho,<br />
Zulei<strong>de</strong> A. Félix Cabral<br />
Comissão <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa profissional<br />
e cooperativismo<br />
Vival<strong>do</strong> Naves <strong>de</strong> Oliveira,<br />
Rodney Mady,<br />
Miguel Angel Claros Paz<br />
Conselho fiscal<br />
Clóvis Botelho, Márcio Alencar e<br />
Rodrigo Caetano<br />
PABX: (65) 3612-3100<br />
SAC 24 horas 0800-6473008<br />
para sur<strong>do</strong>s 0800-6473110<br />
Produção:<br />
Pau e Prosa Comunicação<br />
(65) 3664 3300<br />
www.paueprosa.com.br<br />
contato@paueprosa.com.br<br />
www.unimedcuiaba.com.br /<br />
ouvi<strong>do</strong>ria@unimedcuiaba.com.br<br />
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