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SUMÁRIO4 Editorial5 CartasARTIGOS6 A observância das particularidades das empresashoteleiras para uma Contabilidade eficienteRevson Vasconcelos Alves8 Artigo 431-A, do Código de Pprocesso Civil:comentários sobre as obrigações do Perito JudicialAntonio Carlos Morais12 A 20ª Convenção dos Contabilistas do Estado de São Pauloe os meios privados de solução de conflitosJosé Rojo Alonso14 O capital intelectualAdemir Lopes Soares16 Educação empresarial: uma ferramenta para os nossos clientesPaulo Henrique Vaz da Silva18 Globalização dos serviçosCarlos A. Dariani20 A nova lei de falênciasAlexandre Violin GarciaJoão Marcos Scaramelli22 Nossos “valores” e “comunicações”Charles B. Holland24 A nova competitividadePaulo Araújo26 O preço da sobrevivênciaPaulo Mente28 O capital social da sociedade cooperativa diantedas Normas Brasileiras de Contabilidade e dasNormas Internacionais de Informações FinanceirasMassao Hashimoto30 Por que faltam jovens talentos?Maria Paula Bartolozzi Astrauskas


47 Balanço PatrimonialNOTÍCIASADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS32 CRC SP informatiza o plenário para agilizar trabalhosFISCALIZAÇÃO34 O exercício profissional merece cuidados no dia-a-diaDESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL36 Câmara e comissões do CRC SP promovem diversas açõesREGISTRO38 CRC SP e CDT assinam convênio para agilizar registrosESPECIAL39 Falta pouco para a 20ª Convenção dos Contabilistas44 Na comemoração do Dia do Contabilista, CRC SPconclama à excelência52 “Fórum 2016”: CRC SP inicia debate sobre planejamentoda profissão para os próximos 10 anos54 CRC SP vai divulgar programa de assistência àcriança e ao adolescente de São Paulo55 Convenções Regionais contribuem para a atualização profissional56 Papel social e mercado de trabalho são discutidos no3º Encontro dos Estudantes de Ciências Contábeis58 CRC SP dá continuidade às ações culturais59 XIV Seminário Cilea reúne profissionais daContabilidade em Goiás60 Legislação62 Entrevista: Nilson José Goedert66 Entrevista: Antônio Lopes de Sá70 Entrevista: Masayuki Nakagawa


EDITORIALO FUTURO DA PROFISSÃO CONTÁBIL DEPENDE DA NOSSA CORAGEM DEVENCER OS NOVOS DESAFIOSEm abril de 2007, o CRC SP sediou o “Fórum 2016: uma visão de futuro para a profissãocontábil”. Cada segmento contábil apresentou suas inquietudes convergidas para a necessidade deimplantação de um planejamento estratégico de longo prazo para a profissão contábil.O “Fórum 2016” é um projeto que se estenderá em nível nacional, dada a importância do temapara a nossa profissão e para a sociedade brasileira. Através de uma visão abrangente, tal projeto visaa discutir as seguintes áreas: setorial (de negócios), profissional (perfil técnico), de tecnologia, deformação (academia) e a de responsabilidade sócio-ambiental, entre outras da mesma importância.Precisamos unir os profissionais de todo o País para que possamos vencer os desafios impostos ànossa profissão e darmos um grande passo rumo à excelência, colocando-a entre as mais reconhecidaspela nossa sociedade.Somos 400 mil Contabilistas no Brasil, uma enorme força de trabalho que precisa atuar estrategicamentena gestão do conhecimento, integrando tecnologia da informação e comunicação, paragerar informações para a evolução dos negócios, da sociedade e das pessoas.A informação é a base para a tomada de decisões. Além de produzir informações, precisamosparticipar das determinações e ser responsáveis pelos rumos a serem seguidos. Temos que gerenciaro conhecimento com sabedoria e prudência.A ordem gera o desenvolvimento e produtividade, o progresso gera o crescimento. O poder daconvergência enriquecido com a reintegração de melhorias e inovações deverá buscar o valor daexcelência para a nossa profissão.Devemos entender as mudanças pelas quais a nossa profissão e a sociedade estão atravessando.Temos uma rica história marcada com vitórias e conquistas. Estamos agora fincando um marco euma bandeira a serem seguidos pelos anos vindouros. Com o “Fórum 2016”, estamos iniciando umajornada que levará a nossa profissão ao salto de excelência. Com certeza, um grande futuro aguardaesta profissão que continuará trabalhando, incessantemente, em prol da sociedade brasileira.Já demos um grande passo com o debate em andamento, em todo o Brasil, do Decreto-leinº 9.295/46. A conscientização de que é preciso mudar a lei de regência dos Contabilistas, instituídahá 61 anos, deve vir acompanhada da certeza de que devemos enfrentar os desafios quenos aguardam.Para falar mais sobre este projeto, vejo cada um de vocês na 20ª Convenção dos Contabilistasdo Estado de São Paulo, nos dias 15 a 17 de agosto, no maior evento contábil deste ano no nossoEstado, no Palácio das Convenções do Anhembi. Um forte abraço para todos.LUIZ ANTONIO BALAMINUTPresidente do CRC SP4


EXPEDIENTECARTASCONSELHO DIRETORPresidente: Luiz Antonio BalaminutVice-Presidente de Administração e Finanças: Sergio Prado de MelloVice-Presidente de Fiscalização: Domingos Orestes ChiomentoVice-Presidente de Desenvolvimento Profissional: Claudio Avelino Mac-Knight FilippiVice-Presidente de Registro: José Aref Sabbagh EstevesCâmara de Controle InternoCoordenador: Walter IórioVice-coordenador: Wanderley Antonio LaportaMembro: Márcia Ruiz AlcazarSuplentes: Ana Maria Costa, Telma Tibério Gouveia e Celina CoutinhoCâmara de RecursosCoordenador: Osvaldo MonéaVice-coordenador: Antonio Neves da SilvaMembros: Cláudio Aníbal Cleto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Arnaldo Longhi ColonnaI Câmara de FiscalizaçãoCoordenador: Vinício Martins PrestiVice-coordenador: Niveson da Costa GarciaMembros: Celso Aparecido Gonçalves, Sérgio Vollet e Zaina Said El HajjII Câmara de FiscalizaçãoCoordenador: Júlio Linuesa PerezVice-coordenador: Celso Carlos FernandesMembros: José Carlos Melchior Arnosti, Marilene de Paula Martins Leitee Daisy Christine Hette EastwoodIII Câmara de FiscalizaçãoCoordenador: Luiz Fernando NóbregaVice-coordenador: Julio Luiz BaffiniMembros: Carlos Augusto Nogueira, Cibele Costa Amorim e Neusa Prone Teixeira da SilvaCâmara de Desenvolvimento ProfissionalCoordenador: José Joaquim BoarinVice-coordenador: Marcelo Roberto MonelloMembros: José Donizete Valentina, Telma Tibério Gouveia e Clóvis Ioshike BeppuCâmara de RegistroCoordenador: Joaquim Carlos Monteiro de CarvalhoVice-coordenadora: Celina CoutinhoMembro: Ana Maria CostaConselheiros SuplentesAdilson Luizão, Almir da Silva Mota, Ana Maria Galloro, Ari Milton Campanhã, Camila SeveroFacundo, Carlos Carmelo Antunes, Carmem de Faria Granja, Cloriovaldo Garcia Baptista, DeisePinheiro, Dorival Fontes de Almeida, Edevaldo Pereira de Souza, Elza Nice Ribeiro Moreira,Francisco Montoia Rocha, Gilberto Benedito Godoy, Iracélio Perez, Joel Dias Branco, LázaroAparecido de Almeida Pinto, Leonardo Silva Tavares, Luciana de Fátima Silveira Granados, LuisAugusto de Godoy, Luiz Bertasi Filho, Manassés Efraim Afonso, Marco Antonio de CarvalhoFabbri, Oswaldo Pereira, Rita de Cássia Bolognesi, Sérgio Borges Felippe, Sérgio Paula Antunes,Setsuo Kaidei Junior, Silmar Marques Palumbo, Teresinha da Silva, Valdimir Batista, ValdirCampos Costa, Vera Lúcia Vada e Wanderley Aparecido Justi.Boletim CRC SPDiretor: Luiz Antonio BalaminutComissão de PublicaçõesCoordenador: Vinício Martins PrestiMembros: Antonio Luiz Sarno, Antonio Neves da Silva, Joaquim Carlos Monteiro de Carvalhoe José Joaquim BoarinJornalista responsável: Graça Ferrari - MTb 11347Jornalista: Michele Mamede - MTb 44087Registrado sob o nº 283.216/94 no livro “A” do 4º Cartório de Registro de Títulos eDocumentos de São PauloProjeto gráfico: OlhodeBoi ComunicaçõesPeriodicidade: TrimestralFotolito e impressão: Prol Editora e GráficaTiragem: 115.000 exemplaresA direção da entidade não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nasmatérias e artigos assinados.TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É proibida a reprodução total ou parcial,de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização.Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São PauloRua Rosa e Silva, 60 – Higienópolis – 01230-909 – São Paulo – SPTel.: 11 3824.5400, 3824.5433 (Teleatendimento)Fax: 11 3662.0035E-mail: crcsp@crcsp.org.brPortal: www.crcsp.org.br“Parabéns a todos os idealizadorese colaboradores envolvidos no Boletimnº 162, creio que o informativoé imprescindível para o sucessoda classe contábil e oferece umaabertura essencial do leque de atividadesde atuação preventiva quecontribuem para o futuro de umaorganização”.ANDRÉ LUCAS DA SILVA“Sempre nos traz satisfação recebero Boletim do CRC SP. Em todosos Boletins há novidades, informaçõesimportantes, notícias do queacontece no CRC SP e, muitas vezes,no Conselho Federal de Contabilidade,o que torna sua leituraindispensável para todos nós, mas,mesmo assim, não poderia deixarde agradecer e salientar o quantosão relevantes os artigos publicadosna edição nº 162”.JOÃO ALVES FILHO“Quando tomei ciência, pelo Boletimnº 162, que o CRC SP chegouaos sessenta anos no último mês dedezembro, percebi que o tempo inexoravelmentepassa, e, como, talvez,seja um dos poucos remanescentesdaqueles que primeiro se registraram,resolvi, embora tardiamente,felicitar o presidente Luiz AntonioBalaminut e sua diretoria e, por seuintermédio, a todos aqueles quepelo Conselho passaram, deixandosuas contribuições para o progressoda entidade, o que nos deixa orgulhosospor sabermos ainda existiralgo que não foi destruído e, sim,engrandecido”.ROBERTO F. A. ANGELI5


PORREVSON VASCONCELOS ALVESA OBSERVÂNCIA DAS PARTICULARIDADESDAS EMPRESAS HOTELEIRAS PARA UMACONTABILIDADE EFICIENTEO turismo tem se consolidadocomo atividade econômica das maisascendentes no mundo contemporâneo,principalmente no Brasil, quepossui uma infinidade de atrativos,tais como: clima favorável e convidativo,fauna e flora das mais ricas nomundo, recursos hídricos abundantes,um vasto patrimônio cultural e histórico.Como se só isso não bastasse,há anos o Brasil vem se tornandocentro de encontros e convençõesinternacionais, promovendo o chamado“turismo de negócios”.A quantidade de empresas de naturezaturística operando no mercado,agrupadas em hotéis, agências deviagens, alimentos e bebidas, entretenimentoe lazer, eventos, transportesetc. eleva ainda mais as dimensõesdesse segmento da economia, queacaba por atingir outros que atuamno fornecimento de bens e serviçosnecessários ao seu funcionamento,tornando-se o turismo um grandemultiplicador de renda e empregos,além de excelente arrecadador deimpostos e divisas para o país.Neste contexto a hotelaria assumepapel importante, em virtude da ofertade negócios de hospedagem que possibilitaa permanência dos fluxos devisitantes no espaço visitado.A Contabilidade, como não poderiadeixar de ser, é uma ferramentafundamental para a administração econtrole nas empresas do setor hoteleiro,abrangendo hotéis, pousadas,flats, spas, motéis, dormitórios, hospedariase albergues. Por meio dela é6que chegamos aos registros capazesde suprir as necessidades da gerênciae os interesses de outros usuários externos.O Contador é o profissionalque reúne condições de auxiliar emtodas as estruturas administrativas daempresa hoteleira, tanto nos aspectosda gestão, como nos normativos dalegislação fiscal e tributária.Porém, esse auxílio não se verificasem que se dispense a atenção devidaàs peculiaridades que cada entidadepossui. Para que a Contabilidade possacumprir de maneira eficiente o seuobjetivo, ou seja, o de registrar e demonstraros fatos que afetem a situaçãopatrimonial do hotel, o profissionalda Contabilidade deverá respeitar ascaracterísticas desse tipo de estabelecimento,cuja natureza é diversificadae distinta.Em perfeita sintonia com estacondição, o Conselho Federal deContabilidade editou a Resoluçãonº 956/03, aprovando a NormaBrasileira de Contabilidade NBC-T 10.6, em que estabelece critériose procedimentos específicos de avaliação,de registro e de estruturaçãodas demonstrações contábeis, e asinformações mínimas a serem divulgadasem nota explicativa dasentidades hoteleiras.A Norma esclarece que as demonstraçõescontábeis das entidades hoteleirassão as mesmas determinadas naNBC-T 3 e divulgadas seguindo osparâmetros descritos na NBC-T 6.Da mesma maneira, define que oshotéis estão sujeitos aos PrincípiosFundamentais de Contabilidade,bem como às Normas Brasileiras deContabilidade, suas interpretações eàs demais leis que regulamentam aContabilidade no Brasil.A NBC-T 10.6 dita os procedimentosa serem adotados naelaboração do plano de contas,contemplando as receitas, custos edespesas por cada tipo de serviçoou unidade de produção. Logo, oplano de contas deve ser elaboradode forma a discriminar as contas pordepartamento do hotel, divididos em


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOhospedagem, lavanderia, restaurantee bar, além de outros como lazer,turismo, aluguel de equipamentos,de salas de reuniões e de auditóriospara eventos. Essa preocupação tempor finalidade enriquecer ao máximoem detalhes as informações prestadaspela Contabilidade por meiode suas demonstrações contábeis eoutras que se fizerem necessáriaspara cada caso.A Norma também estabelece queas diárias e os consumos realizados porhóspedes, com pagamento a prazo,devem ser registrados em conta doativo circulante. A mesma regra valepara valores acertados, mas aindanão recebidos, das agências de viagense administradoras de cartões decrédito, controlados e acumuladospela entidade hoteleira. Já os adiantamentosde agências de viagens,operadoras de turismo e de outrosclientes para confirmação de reservasdevem ser registrados em conta dopassivo circulante.Aliás, um cuidado especial deveser tomado com as comissões cobradaspelas agências de viagens, sendoatribuído o devido custo, concomitantemente,com a respectiva receita.O fornecimento de refeições e deoutros serviços, como lavanderia esalões de beleza, inclusos no valordas diárias, devem ser apropriadosaos custos de hospedagem, a fim deque possa ser monitorada de formaadequada a atividade principalda empresa hoteleira. Tratamentosemelhante será dado aos gastos erecuperações com fornecimento debens e serviços aos funcionários, registrando-osem contas específicasde custos ou despesas.Para as contas de estoque, dosubgrupo do ativo circulante, devemser abertas rubricas individualizadas,abrigando utensílios, mercadorias emateriais de consumo pertencentes àsguarnições de cama, banho e mesa dorestaurante, sendo registrados comocustos e despesas à medida que requisitadospara uso.Os utensílios de vida útil superiora um ano serão considerados comobens do ativo imobilizado, sofrendo adedução da respectiva conta de depreciação.Sobre esse ponto, notamos queo Conselho Federal de Contabilidadebuscou uma orientação em consonânciacom a legislação do Imposto deRenda, que estabelece que os bensde vida útil inferior a um ano nãoprecisam ser imobilizados.CONCLUSÃOApoiados na premissa de que aContabilidade se constitui comopeça fundamental na organizaçãode qualquer empreendimento, podemosjulgar que esta é uma imposiçãoque se aplica, sobremaneira, noramo hoteleiro que, a depender deseu porte, pode comportar em suaestrutura uma variedade de sistemasoperacionais tão díspares, mas, namesma medida, indispensáveis àmanutenção da atividade-fim.É extremamente importante quesejam resguardadas as característicaspróprias pertencentes às empresas classificadasdentro do ramo hoteleiro, paraque a Contabilidade possa atender àsaspirações a que uma administraçãocompetente deve sempre buscar, maximizandoas receitas e reduzindo oscustos, com foco na geração de resultadospositivos para a entidade.REVSON VASCONCELOS ALVESBacharel em Ciências Contábeis epós-graduando em Administração,Finanças e Negócios.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASCONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO.Os Princípios Fundamentais de Contabilidade, as Normas Brasileiras de Contabilidade e oCódigo de Ética Profissional do Contabilista. São Paulo, 2003. 146 a 148 p.LUNKES, R. J. Manual de Contabilidade Hoteleira. São Paulo: Atlas, 2004. 63 a 91 p.ZANELLA, L. C. Contabilidade para hotéis e restaurantes. Caxias do Sul: Educs, 2002.11 a 32 p.7


PORANTONIO CARLOS MORAISARTIGO 431-A, DO CÓDIGO DE PROCESSOCIVIL: COMENTÁRIOS SOBRE ASOBRIGAÇÕES DO PERITO JUDICIALEste artigo foi introduzido noCódigo de Processo Civil por intermédioda Lei nº 10.358, de 27de dezembro de 2001, e logo no seunascedouro já trouxe desconfiançae muitos questionamentos para aspartes, Peritos, assistentes técnicose para grande parte daqueles quemilitam em processos judiciais. Elese refere ao conhecimento das partessobre o início dos trabalhos doPerito Judicial.Vejamos inicialmente o que oartigo em questão nos diz:Art. 431-A. As partes terão ciênciada data e local designados pelo juizou indicados pelo Perito para terinício a produção da prova.O artigo chegou em boa hora,até porque a sua ausência do CódigoProcessual Brasileiro já levou inúmerosquestionamentos para aquelesque exercem atividades forenses. A8atuação dos Peritos Judiciais devesempre ser aperfeiçoada e acompanhadade perto pela legislação a fimde que se adequem aos interesses dajustiça e também não saiam intentandocontra o direito das partes,por desconhecimento ou por falta dedirecionamento em alguns atos doprofissional, abandonando a sua únicafunção - colaborar com o Judiciáriono deslinde de questões forenses etrabalhistas.Antes do advento deste artigo eranormal o Perito iniciar seus trabalhosde buscas de provas cheio de peritites- uma doença que ataca alguns profissionaisdespreparados para o mister- como, aliás, ainda se vê e não davaa menor oportunidade para os PeritosAssistentes, em todos os sentidos,inclusive em saber quando e comoiriam dar curso ao seu labor.O Código era omisso quanto a estaparte e aí se assentavam os expertos paranão oferecerem nenhuma importânciaao demais profissionais que atuavam afavor das partes litigantes. Isso sem dúvidalevou a vários embates, tendo algunschegados aos tribunais administrativosdos Conselhos Profissionais e mesmovários questionamentos nos processosjudiciais, onde alegavam as partes quenão tinham a menor oportunidade defalar a respeito dos laudos periciais,em razão da falta de conhecimentodo início das provas ou mesmo queos Peritos oficiais só o fizeram já nosarremates do prazo de entrega do documentonos cartórios.Diziam os Peritos Assistentes queos Peritos Judiciais deveriam dar-lhesconhecimento das suas andanças arespeito do trabalho pericial e algunsqueriam mesmo atuar em conjuntocom o experto. O Conselho Federalde Contabilidade em boa hora publicoua Resolução nº 858/99, em 21 deoutubro de 1999, que normatizou aNBC T 13 e no item 13.3 EXECU-ÇÃO definiu:


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGO13.3.1 – O Perito Contador assistentepode, tão logo tenha conhecimentoda perícia, manter contatocom o Perito Contador, pondo-seà disposição para o planejamentoe a execução conjunto da perícia.Uma vez aceita a participação, oPerito Contador deve permitir oseu acesso aos trabalhos. (grifodo autor)Estava afastada a obrigação do PeritoContador trabalhar em conjuntocom o Perito Contador Assistente,como ocorria até aquela data. Estefato também trouxe descontentamentoentre vários assistentes judiciais, masficou aí uma possibilidade, porém,do livre arbítrio do Perito Oficial emaceitar ou não a participação do PeritoAssistente, porque se tirava as amarrasque anteriormente a própria normacolocou aos Peritos Contadores Judiciais,quando os obrigava a executaremsuas tarefas junto com dois outrosPeritos Assistentes, que por dever deofício tinham seus próprios interessesna causa.Com o advento desta nova NBCo Perito Oficial não pode aceitar aparticipação somente de um PeritoAssistente em detrimento do outro.Esta atitude só é aceita se um deles nãofor Contador registrado em Conselhode Contabilidade. Ou, ainda, se estivercom registro irregular e de algumaforma impedido de exercer a atividadeO PeritoOficial nãopode aceitar aparticipaçãosomente deum PeritoAssistente emdetrimentodo outro.Esta atitudesó é aceita seum deles nãofor Contadorregistrado emConselho deContabilidade.de executar tarefas periciais, equiparadoaos leigos em matérias contábeis e,por conseguinte, periciais da profissãodo Contador. Tal impedimento temamparo legal tanto nas normas doConselho Federal de Contabilidadecomo no Código de Processo Civil,artigo 145:Art. 145. Quando a prova do fatodepender de conhecimento técnicoou científico, o juiz será assistidopor Perito, segundo o disposto noart. 421.§ 1 o Os Peritos serão escolhidosentre profissionais de nível universitário,devidamente inscritosno órgão de classe competente,respeitado o disposto no CapítuloVl, seção Vll, deste Código.(Parágrafo acrescentado pela Leinº 7.270, de 10.12.1984).§ 2 o Os Peritos comprovarão suaespecialidade na matéria sobre aqual deverão opinar, mediantecertidão do órgão profissional emque estiverem inscritos. (Parágrafoacrescentado pela Lei nº 7.270, de10.12.1984).Retirada a obrigação do PeritoContador atuar em conjunto com oPerito Contador Assistente, que eraao nosso ver uma afronta à liberdadede trabalhar com a supervisão e aintervenção de terceiros, ambos comtotal interesse no resultado da causa,9


PORANTONIO CARLOS MORAISofereceu no entanto o CFC a liberdadedo Perito Contador convidarou não o Perito Contador Assistentepara trabalho em conjunto e este,obviamente, tem o direito de aceitarou não o convite.Ocorria que os Peritos Judiciaisnão queriam, na maioria vezes, sequerreceber os Peritos Assistentes sob osmais diversos argumentos. Ou porqueentendiam que representavam osinteresses da justiça e se deixassem osassistentes tomarem conhecimento dassuas andanças em buscas de provas.Ou, sabedor que um Perito Assistenteera mais conhecedor da atividade que opróprio Perito do juízo, o que é bastantenormal na atividade pericial, faziamde tudo para cercear a participaçãodo assistente e até para mantê-lo bemlonge do laudo pericial.10Com a finalidade de colaborar coma celeridade processual, e evitando oargumento de cerceamento de defesa,o artigo 431-A veio, de alguma forma,tentar colocar as coisas nos devidoslugares, ou seja, agora o Perito Judicialestá obrigado a comunicar porescrito às partes, se o juiz não o fizer,anunciando dia, local e hora onde ostrabalhos periciais serão iniciados. Destacomunicação, os assistentes certamentetomarão conhecimento por intermédiodos advogados das partes.Não tendo as partes indicado seusPeritos Assistentes, a obrigação é amesma para o Perito Oficial, não lhecabendo imaginar que a ausência dessesprofissionais lhe assegura iniciar afeitura do laudo e a sua protocolizaçãoem cartório, sem o devido conhecimentodos advogados representantesdas partes.O Perito deve comunicar as partes,tendo ou não a participação deassistentes, porém esta obrigação dacomunicação tem soado como umsino de dupla sonorização para algunsassistentes. Uns entendem queisso é uma boa notícia para eles e jáse apressam em procurar o Perito eaté exigem participação conjunta notrabalho, outros, menos afoitos, apenasrecebem como uma informaçãotécnica, utilizando-a como forma debem prestar um bom trabalho aosseus clientes.Na verdade, a comunicação doinício dos trabalhos periciais servepara que as partes tenham ciência docomeço da Perícia e logicamente dodia provável da entrega do laudo emcartório. Da mesma maneira que oPerito Oficial tem poderes de arrecadarprovas para subsidiar o seu laudo osPeritos Assistentes têm direitos tambémde buscar as provas legais que entendamnecessárias para amparo dos seuspareceres. Vejamos o que nos ensinaos artigos seguintes, iniciando peloart. 332 do CPC:Art. 332. Todos os meios legais,bem como os moralmente legítimos,ainda que não especificados nesteCódigo, são hábeis para provar averdade dos fatos, em que se fundaa ação ou a defesa.A seguir, o artigo 429 nos esclareceos poderes de todos os Peritos, tantodo juízo como das partes, em procuraras provas que sejam necessárias, tantopara amparo dos laudos periciaisquanto para os pareceres técnicos dosassistentes.Art. 429. Para o desempenho desua função, podem o Perito e osassistentes técnicos utilizar-se detodos os meios necessários, ouvindotestemunhas, obtendo informações,solicitando documentosque estejam em poder de parteou em repartições públicas, bemcomo instruir o laudo com plantas,desenhos, fotografias e outrasquaisquer peças.Assim constatamos que o conhecimentodas datas para o início daPerícia é de suma importância tantopara aqueles que irão laborar juntamentecom os Peritos Oficiais quantopara os que irão procurar suas provasde forma individual, considerando oprazo para as partes se manifestarem arespeito do laudo do Perito Oficial serde 10 dias corridos e, mesmo assim,ser comum para ambas as partes.Art. 433. O Perito apresentará olaudo em cartório, no prazo fixadopelo juiz, pelo menos 20 diasantes da audiência de instrução ejulgamento. (Redação dada pelaLei nº 8.455, de 24.8.1992).Parágrafo único. Os assistentestécnicos oferecerão seus pareceresno prazo comum de 10 dias, apósintimadas as partes da apresentação


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOdo laudo. (Redação dada pela Leinº 10.358, de 27.12.2001).Conclusões deste trabalho:• O artigo 431-A obriga o PeritoContador judicial a comunicaràs partes o início da Perícia ou asbuscas das provas.• Obriga também a fazê-lo mesmonão havendo Perito Assistente indicadopara atuar na Perícia.• Desobriga o Perito Oficial a aceitara participação dos Peritos Assistentesa trabalharem em conjunto.• Não impede que todos trabalhem emconjunto e que possam até assinaro laudo pericial caso concordemcom o seu conteúdo.• Se entender que deve trabalharem conjunto, o Perito Judicialdeve convidar sempre os doisPeritos Assistentes, se estiveremlegalmente registrados em ConselhosProfissionais e em dia comsuas obrigações perante aqueleórgão.• Estando ambos legalmente autorizadosa atuarem em períciasjudiciais, tanto por seus ConselhosProfissionais, quanto peloCPC, art. 145, não pode aceitartrabalhar somente com um assistentee abandonar o outro àsua própria sorte.• Caso o Perito Oficial convide atodos e um assistente não queiraparticipar do trabalho em conjunto,estará este desimpedido paraexercer o seu mister com o expertooficial, podendo executar suastarefas totalmente independentee com todos os poderes legais quea lei lhe confere atuar.• Por último, criou a lei mais umaobrigação para o Perito Oficial,entretanto tornou o seu trabalhomais transparente no que diz respeitoao cumprimento dos prazospara diligenciar, arrecadar provase ofertar o laudo pericial no cartórioda respectiva vara judicialou do trabalho.ANTONIO CARLOS MORAISEx-vice-presidente do CFC,coordenador do Grupo de Normasde Perícias do CFC de 2000 atéjunho de 2006, Perito Judicial eExtrajudicial, professor de Períciaem pós-graduação lato sensu.11


PORJOSÉ ROJO ALONSOA 20ª CONVENÇÃO DOS CONTABILISTASDO ESTADO DE SÃO PAULO E OS MEIOSPRIVADOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOSDe 15 a 17 de agosto de 2007 serárealizada, em São Paulo, no Paláciodas Convenções do Anhembi, a 20ªConvenção dos Contabilistas do Estadode São Paulo, com um temárioque abrange várias áreas de atividadesda profissão contábil, entre as quaisdestacamos do Regulamento desseconclave, para este trabalho, a área“e”, do artigo 4º, como segue:“Artigo 4º - e - “Peritos/Mediação/Arbitragem e Conciliação”, a cargoda APEJESP (Associação dos PeritosJudiciais do Estado de São Paulo) eda FEBRAPAM (Federação Brasileiradas Associações de Peritos, Árbitros,Mediadores e Conciliadores).De modo especial, queremos nosreferir à Mediação, à Arbitragem e àConciliação, que são os três meiosprivados de solução de conflitos maisconhecidos, como detalhamos emnosso trabalho intitulado “A Arbitrageme a Profissão Contábil”, cujotexto, na íntegra, colocamos à disposiçãodos interessados que desejemconhecê-lo, desde que o solicitematravés de nosso endereço eletrônico:jr.alonso@alonso.com.br12Estes temas, juntos ou não, vêmsendo objeto de trabalhos apresentadose de discussões em Convençõessimilares à ora comentada, bem comoem outros conclaves da classe contábil,como, por exemplo, na 19 a Convençãodos Contabilistas do Estado de SãoPaulo, realizada de 7 a 9 de setembrode 2005, com o tema “Perícia eArbitragem”.Neste sentido, em nível estadual,foi pioneiro o XIII Encontro dasEmpresas de Serviços Contábeis doEstado de São Paulo, realizado emÁguas de São Pedro (SP), de 20 a 23de agosto de 1992, no qual apresentamoso trabalho “A Arbitragem eas Empresas de Serviços Contábeis”e, em nível nacional, o XIV CongressoBrasileiro de Contabilidade,realizado em Salvador (BA), de 18a 23 de outubro de 1992, ondeapresentamos, em parceria com osaudoso colega, Prof. Dr. AlbertoAlmada Rodrigues, o trabalho “AArbitragem no Brasil”.MEDIAÇÃO, ARBITRAGEM ECONCILIAÇÃOPara os esclarecimentos desteitem, aproveitamos vários conceitosextraídos do trabalho “A Arbitrageme a Profissão Contábil”, conceitosesses, como seguem:“Além da Arbitragem, há outrasalternativas ao Judiciário, das quais asmais usuais são a Negociação, a Mediaçãoe a Conciliação, sendo conhecidasessas quatro alternativas e outras, nosEstados Unidos, por ADR, as iniciaisA classe contábilpaulista esuas entidadesvão tomandoconhecimentodesse poderosoinstrumento queé a Arbitragem,assim como deoutros meiosprivados desolução deconflitos, entreas quais aMediação e aConciliação.


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOdas palavras Alternatives Disputes Resolutionou “Alternativas de Soluçãode Disputas”.“Na Mediação, uma pessoa neutraajuda as partes a obter sua própriadecisão”.“Na Conciliação, também, umapessoa neutra ajuda as partes a obtersua própria decisão, mas, diferentementedaquela, ao menos conceitualmente,espera-se que o Conciliadorproponha soluções para ser resolvidoo conflito”.“A Mediação é menos conhecida eutilizada no Brasil do que nos EstadosUnidos, enquanto que a Conciliaçãoé mais usual em nosso país, principalmenteem razão de ser muito utilizadapelo Poder Judiciário, especialmentepela Justiça do Trabalho e aqui adistinção entre ambas nem sempre éobservada”.“Isso ocorre também em váriospaíses e, em certos casos, as duas palavrastêm a mesma aplicação, como,por exemplo, no texto do Protocolosobre Mediação e Arbitragem, firmadoentre os Governos da Argentina,do Brasil, do Paraguai e do Uruguaiem 1975, que, em seu item 1.2.f,dispõe: “Para os fins deste Protocolo,o termo “Mediação” é sinônimo deConciliação” (grifos do autor).Finalizando este item, apresentamosa conceituação de Arbitragemconstante da Cartilha de Arbitragemeditada em dezembro de 2006 peloMinistério da Justiça, cujo texto é doseguinte teor: “A arbitragem é um meioprivado de solução de conflitos. Elapode ser usada para resolver problemasjurídicos sem a participação doPoder Judiciário. É um mecanismovoluntário: ninguém pode ser obrigadoa se submeter à Arbitragem contra asua vontade”.Dos meios privados de solução deconflitos referidos, em nosso país, oúnico que tem legislação própria é aArbitragem, por meio da Lei nº 9.307,de 23 de setembro de 1996.A classe contábil paulista e suasentidades, aos poucos, vão tomandoconhecimento desse poderoso instrumentoque é a Arbitragem, assimcomo de outros meios privados desolução de conflitos, entre as quais aMediação e a Conciliação.Neste sentido, por meio da Deliberaçãodo Conselho Diretor doCRC SP, nº 17/2006, datada de 23de janeiro de 2006, foi constituída aComissão de Estudos de Mediaçãoe Arbitragem, sob a coordenação doconselheiro Osvaldo Monéa, e da qualfazemos parte, que vem promovendouma série de reuniões e de estudosnessas áreas.Por outro lado, em AGE realizadaem 23 de novembro de 2006, aAssociação dos Peritos Judiciais doEstado de São Paulo, alterou seu Estatuto,cujo artigo 2º - letra a, passoua ter a seguinte redação, abrangendotambém os profissionais que atuam nocampo da Arbitragem, da Mediação eda Conciliação, quando antes incluíaexclusivamente Peritos Judiciais:“Artigo 2º - A APEJESP tem porobjetivos: a) congregar os profissionaispossuidores de diploma de grausuperior ou equiparado, legalmentehabilitados e dedicados à atividadepericial em Juízo, para o intercâmbioe aprimoramento técnico-científico,bem como agregar profissionais nocampo da Arbitragem, Mediação eConciliação”.Concluindo, desejamos conclamaros Contabilistas a participaremda Convenção estadual mencionadae aqueles que se interessarem pelosmeios privados de solução de conflitosreferidos a optar pela área que incluitais meios.JOSÉ ROJO ALONSOPresidente do CRC SP, gestão 1972-1973, do Ibracon (Instituto dosAuditores Independentes do Brasil)Nacional e 5 a Seção Regional e expresidenteda Apejesp (Associação dosPeritos Judiciais do Estado deSão Paulo).Ex-diretor da AIC (AssociaçãoInteramericana de Contabilidade) eex-presidente da Comissão de Ética ede Exercício Profissional da AIC.Árbitro e Mediador credenciado porvárias instituições de Arbitragem e deMediação, entre as quais a CCI, deParis (França).13


PORADEMIR LOPES SOARESO CAPITAL INTELECTUALEntre os vários itens que compõemo patrimônio de uma empresa, um dosmais importantes, senão o maior deles,é o capital intelectual. Constituídopelo potencial humano colocado àdisposição e apto a desenvolver todasas tarefas que envolvem as atividadesnecessárias à rotina empresarial.Tão importante é a sua classificaçãoque, conhecido como RecursosHumanos, vem mudando sua denominação,pois esse conjunto de talentosdeixou de ser um “recurso” e setransformou em “capital”, merecendoatenção especial do corpo diretivo nasua formação e manutenção.Empenhar-se ao máximo na buscade pessoas talentosas, responsáveise de total confiança, deverá ser apreocupação constante de todo empresárioque busca o sucesso de seuempreendimento.Há até quem diga que se você acharuma pessoa talentosa, contrate-a. Mesmoque ainda não tenha uma funçãodefinida para ela. Se tem talento, certamenteserá útil. Vai brilhar ondefor colocada.No processo de recrutamento eseleção utilize os meios disponíveis,para que os currículos cheguem atéa fase da contratação. Todo esforçodeverá ser envidado para colocar apessoa certa na função oferecida oucriada. Certamente, o pessoal delegadopara esta tarefa executou a contento ecercou-se de todos os meios disponíveispara localizar a pessoa adequada. Tudocerto, vamos efetivar a contratação.Agora, você que é empresário, temuma oportunidade ímpar. Não delegue,pois esta função é exclusivamentesua. Mesmo que seja breve. Conversecom o seu novo colaborador.Se já conversaram nas fases anteriores,lembre-se que eram assuntosligados a levantamento e análise dedados, com o candidato preocupadoem mostrar seu potencial, almejandoa vaga oferecida.Esta conversa sugerida é o momentode expor ao novo funcionárioos princípios e valores que norteiamas diretrizes da empresa. Discorra,ao menos sucintamente, sobre a culturaempresarial que se implantou.Ressalte os créditos conseguidos pormeio da tradição e do bom nome quesua empresa goza na praça. Reforceo bom desempenho conseguido pelaperseverança e dedicação da diretoriaatual e anterior, se houver.Diga, orgulhando-se disto, o quea sua empresa faz, como faz e porque faz. Procure “vender” a imagempositiva da atividade desenvolvida.14


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOFaça despertarno futuroparceiro umaponta deadmiração einteresse pelavaga que acaboude conquistar.Fale sobre seus clientes e do quantoeles são importantes. Em últimaanálise, o cliente é sempre o “patrão”de todos nós.Durante a conversa, oportunamente,o candidato ora contratadotambém vai se pronunciar. Aproveitetambém para conhecê-lo. Procuredescobrir o que ele pensa sobre suanova situação. Seus pontos fortes,os fracos, suas crenças, o que eledefende e o que não coaduna. Vocêsvão passar muitas horas juntos,durante o expediente empresarial,mas dificilmente terão momentoscomo este com a possibilidade deentrosamento.É de grande valia, passar e receberinformações para esta pessoa que oestará auxiliando e, ao mesmo tempo,dependendo economicamente da suaatividade profissional.Faça despertar no futuro parceirouma ponta de admiração e interessepela vaga que acabou de conquistar.Mostre-lhe que sua presença naempresa será motivo de satisfaçãopara todos e esforce-se para que istorealmente aconteça.Como todo bom anfitrião que,certamente, você é, dê-lhe as boasvindas!ADEMIR LOPES SOARESBacharel em CiênciasContábeis, Administração deEmpresas e Direito.15


PORPAULO HENRIQUE VAZ DA SILVAEDUCAÇÃO EMPRESARIAL: UMAFERRAMENTA PARA OS NOSSOS CLIENTESNas atividades efetuadas pelasempresas de prestação de serviçoscontábeis aos clientes, desenvolvem-seinúmeras tarefas importantespara a sua execução. Recebimentode documentos, processamento dosserviços, emissões de relatórios contábeis,fiscais e trabalhistas, elaboraçãode declarações para o Fisco Federal,Estadual e Municipal, entre outrastarefas realizadas mensalmente pelosprestadores de serviços contábeis, tomamum tempo expressivo.Entretanto, todas as atividadesmencionadas são relevantes para aexecução e a geração de informações.Todavia, para uma boa execução dastarefas mensais, a educação empresarialdos nossos clientes torna-setão importante quanto a execuçãodesses serviços.Para evidenciarmos esta importância,faremos a seguinte questão:qual cliente gera mais trabalho, a empresaorganizada ou a desorganizada?Provavelmente, a empresa organizadagera menos trabalho na ordenação dadocumentação recebida para contabilização,escrituração fiscal ou para16a elaboração da folha de pagamento.Vale ressaltar que esta relação deempresa organizada e desorganizadaestá restrita aos aspectos relacionadosaos documentos para a escrituraçãocontábil, fiscal e trabalhista.A educação empresarial, no exercícioda gestão dos nossos clientes, éfundamental para o relacionamentoprofissional entre as empresas de serviçoscontábeis e os clientes, já que umcliente consciente das necessidades decontroles das atividades administrativasresulta num trabalho visando àdiminuição dos riscos de problemasfiscais, extravio de documentos, pagamentosincorretos etc.Os aspectos educacionais são mencionadospor educadores, políticos,intelectuais, professores, empresáriosentre outros, como uma das maiseficazes ferramentas de melhorias nasociedade como um todo.Nós, Contabilistas, que por forçada legislação vigente, somos habilitadosa prestar serviços contábeis paraempresas de pequeno, médio e grandeporte em todo o País, em muitos casos,vivenciamos a necessidade de educaçãoempresarial dos nossos clientes, princi-


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOpalmente, para orientá-los quanto aoscontroles financeiros e contábeis.A educação empresarial é fundamentalpara a melhoria na qualidadedos serviços prestados pelas empresas deserviços contábeis. O cliente educadoempresarialmente valorizará muitomais os serviços prestados, entendendoque o profissional de Contabilidadenão é um “mal necessário”, e simum parceiro importante na gestãoda empresa, alguém que gerará valorà empresa.Se dedicarmos algumas horas nomês, incentivando e orientando nossosclientes a buscarem cursos de aperfeiçoamentoem Gestão Empresarial(Práticas Trabalhistas, Gerenciamentode Arquivos, Fluxo de Caixa etc.), oupromovermos treinamentos de educaçãoempresarial, teremos problemasde desorganização na documentaçãoenviada pelos nossos clientes em todoinicio de mês?Teremos tantas empresas morrendoantes dos cinco primeiros anos? Éclaro que são perguntas complexas esem respostas definitivas, visto quedemandam outras variáveis a seremanalisadas.Todavia, acredito que a educaçãoempresarial contribuiria para a melhoriana gestão empresarial dos nossosclientes, principalmente, no que tangeas informações contábeis, pelo fatode os nossos clientes ganharem consciênciada importância da assessoriade um profissional de Contabilidadeno processo de gestão das atividadesempresariais.Segundo a pesquisa realizada peloSebrae, 56% das empresas fecham antesde completar o 5º ano de atividade.As principais causas do fechamentode empresas são:• comportamento empreendedorpouco desenvolvido.• falta de planejamento prévio.• gestão deficiente do negócio.• insuficiência de políticas deapoio.• conjuntura econômica deprimida.• problemas pessoais dos proprietários.O CFC, em conjunto com o Sebrae,criou o programa “Contabilizando osucesso”. Este programa visa a capacitarprofissionais da Contabilidade para oauxílio ao pequeno e médio empresáriosna gestão empresarial dos seusnegócios, pois qual o profissional, quepresta serviços, que está mais próximodo pequeno e médio empresários nosaspectos relacionados à gestão empresarial?É claro que existem profissionaisque auxiliam os pequenos e médiosempresários na gestão empresarial:advogados, engenheiros, administra-A educaçãoempresarial dosnossos clientestorna-se tãoimportantequanto aexecução dessesserviços.dores, economistas, entre outros. Masnenhum profissional está tão ligado aopequeno e médio empresário quantoo Contabilista.Esta evidência é clara devido ànecessidade de se ter um Contabilistaresponsável pela empresa juntoà Receita Federal e, por força de lei(Código Civil), ao fato de as empresaspossuírem escrituração contábil,independentemente do porte.Acredito que nós Contabilistaspoderíamos contribuir significativamentepara o crescimento de nosso País,por meio da educação empresarial dosempresários, de programas, incentivose, principalmente, pelo trabalho deconscientização dos nossos clientes narelevância nos processos de controlesdas finanças empresariais.PAULO HENRIQUE VAZDA SILVATécnico em Contabilidade eprofessor universitário.17


PORCARLOS A. DARIANIGLOBALIZAÇÃO DOS SERVIÇOSEconomistas norte-americanostêm reunido dados e estatísticas paradimensionar o impacto real do internationaloutsourcing, ou seja, daterceirização internacional, paraavaliar, além dos dados empíricos,a relação real entre a criação de empregosfora do país e a destruição deempregos nos Estados Unidos. Ocaso mais evidente se refere à Índiae ao seu setor de tecnologia.Esse não é um fenômeno isolado.A Unece (Comissão Econômica paraa Europa das Nações Unidas), emsua sigla em inglês, tem se debruçadosobre o assunto, pois a terceirizaçãointernacional tem ocorrido em todaa Europa, principalmente no LesteEuropeu.Essa terceirização, no geral identificadanos setores de tecnologia,informação e comunicação, alcançauma grande variedade de serviços,como embalagem, montagem, logística,entre outros. Analisados àdistância, o que vemos é a globalizaçãodo setor de serviços que ocorre semalarde, sem requerer marcos regulatóriose em uma velocidade maiorque a capacidade dos governos deregulamentá-lo.O Brasil não está fora dessatendência. O Ministério do Desenvolvimento,Indústria e ComércioExterior divulgou, recentemente,números revelando que a média decrescimento de exportação de serviçosfoi de 10,8% em 2005, o triploda média internacional. Passamos aocupar o 7º lugar em crescimento deexportação de serviços, o 31º em volumede exportações (US$ 15 bilhões)e o 24º em volume de importações,com mais de US$ 22 bilhões.Há, basicamente, dois tipos deinserção num mercado globalizado.18Uma boa parte dosetor de serviçosnão saiu de seuspaíses para seglobalizar, masfoi acessadointernacionalmenteem sua base local.No modelo presencial, a empresadeve se instalar no local onde está ademanda e, aí, cabe um sem númerode conexões e formas de trabalhocom a matriz. No outro modelo, quepodemos chamar de exportador, aempresa não precisa estar onde está ademanda. Os dois se aplicam tambémà área de serviços.Há poucos anos, discutíamos sobrea inserção do setor de serviçosna ALCA e as barreiras indicavamque os governos protegeriam seusmercados contra a entrada dos estrangeiros.Discutia-se a imposição deequivalência curricular para os serviçosprofissionais e a necessidade de umsócio natural do país-hóspede fazerparte de uma empresa prestadorade serviços. Também se cogitava alimitação percentual do capital socialque poderia ficar em mãos estrangeiras,além de barreiras operacional,financeira e tributária.A discussão mostrou como fomospouco criativos, como nossacapacidade de prever o futuro élimitada. Uma boa parte do setorde serviços não saiu de seus paísespara se globalizar, mas foi acessadointernacionalmente em sua base local.Sem sair do seu país, as empresasprestam serviços a todo o mundo e oBrasil se adaptou a esse padrão.O interessante nesse modelo,no qual o Brasil tem tido um desempenhoacima da média, é quena maioria dos casos, ele quebra o


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOparadigma clássico da globalizaçãopelo qual se imaginava a massificaçãodos bens e produtos. Seria impossívelpara um hindu atender a uma dúvidade um cliente nos Estados Unidossem se adequar à cultura do país.Da mesma forma como é impossívelvender um software brasileiro degestão para outro país sem adequá-loaos padrões financeiros, tributáriose operacionais daquele país.Na área de serviços profissionais,há exemplos interessantes, como naadvocacia, só para citar um em quetemos experiência diária. Nesse setor,empresas globais contratam, do exterior,escritórios locais. A contrataçãopode ser desde uma Auditoria na filialbrasileira, uma consulta sobre nossalegislação ou até a participação emum projeto global.Há ainda atuações na linha corporativa,quando um cliente quecoordena corporativamente todasas plantas da América Latina, apartir do Brasil, decide implantarum projeto com alcance regional,como um Banco de Horas que emtodos os países respondam a ele. Oescritório aciona sua rede e coordenalocalmente a implantação do projetointernacional contando com sua redeglobalizada. O cliente, localmente,atua internacionalmente por meiodo escritório local, aciona parceirosem toda a região e coordena oprojeto.Nestes casos, embora a legislaçãoseja local, a forma do atendimento, avelocidade das informações, o padrãode qualidade, o formato de apresentaçãoe a forma de faturamento sãoadequadas ao cliente internacional.Na empresa, deve-se falar em inglêse o fuso horário, principalmente daEuropa, exige rapidez para que o prometidopara aquele dia ou o seguintenão chegue depois do expediente doseu cliente.Este nível de globalização seriaimpossível sem o estágio de desenvolvimentotecnológico em que vivemos.O fascinante da globalização dosserviços é que ela pode ser ampliadapara uma prestação de serviços demaneira ainda mais complexa, atendendoa cadeias de clientes aindamais dispersos. Porém, nunca serámassificada.CARLOS A. DARIANIDiretor administrativo-financeiro.19


PORALEXANDRE VIOLIN GARCIAJOÃO MARCOS SCARAMELLIA NOVA LEI DE FALÊNCIASO Congresso Nacional, após 11 anosde tramitação, no dia 9 de fevereirode 2005, sancionou a nova Lei deFalências, que está sendo consideradade fundamental importância para aeconomia brasileira e é definida porespecialistas como uma das mais modernasdo mundo. A nova lei dispõe sobreos processos de falência, recuperaçãojudicial e recuperação extrajudicial,tendo como objetivo principal a preservaçãodas empresas.O processo falimentar ocorrequando o empresário ou a sociedadeempresária, de alguma forma,encontra dificuldades em cumprircom os seus deveres e obrigações,caracterizando um estado de insolvência.Estará sujeito à falência todoe qualquer profissional que exerceatividade profissional empresária. Adecretação da falência é feita pelojuiz, que determina, se for preciso, oseqüestro dos bens do devedor paraque, por meio de leilão ou pregão,sejam vendidos e com o montanteapurado na venda, sejam satisfeitosos seus créditos.A espinha dorsal da nova lei é arecuperação das empresas, pois obje-20tiva a superação da crise econômica efinanceira do devedor, a fim de permitira manutenção da fonte produtora,do emprego e dos interesses dos credores,constituindo-se em estímulo àatividade econômica. Na recuperaçãojudicial, o processo é peculiar e oobjetivo principal é a reorganizaçãoda empresa explorada pela sociedadeempresária devedora. Todo processoé realizado sob controle da Justiça.A viabilidade para a realização doprocesso de recuperação judicial deveser feita pelo Judiciário em funçãode vetores como importância social,mão-de-obra empregada, o tempode mercado da empresa e o valor deseu ativo e de seu passivo.Dentre as mudanças, destacamos:para as microempresas e empresas depequeno porte, conforme o Decreto-leinº 11.001, de 9 de fevereiro de 2005,em seu artigo 70, “as microempresas eempresas de pequeno porte, conformedefinidas na lei, poderão apresentarplano especial de recuperação judicial,desde que afirmem sua intenção defazê-lo na petição inicial...” (Brasil,2005, p. 1281), em função da pequenacomplexidade na recuperação das MENa recuperaçãojudicial, oprocesso épeculiar eo objetivoprincipal é areorganizaçãoda empresaexploradapela sociedadeempresáriadevedora.


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOe das EPP, o plano de recuperaçãodeverá ser regido pelo parcelamentodas dívidas quirografárias (*).Muitas vezes um plano de recuperaçãojudicial pode ser reprovado emdecorrência da resistência de algunscredores a qualquer tipo de proposta derenegociação. Quando isso acontece, édecretada imediatamente a falência dodevedor e, para que não seja frustradaa recuperação da empresa apenas pelanão anuência de uma minoria dos credores,foi criado o plano de recuperaçãoextrajudicial, que também apresenta apossibilidade de todos os seus credoresvirem a receber seus créditos. Para queseja aprovado o plano de recuperaçãoextrajudicial, a lei prevê que a maioriados credores deve aderir ao plano, vindoa estender-se aos demais, mesmo quecontra sua vontade.É neste contexto que a PeríciaContábil surge como ferramenta fundamental.É a tentativa de resolverdificuldades surgidas para os juízes,no julgamento dos processos. A leidetermina a contratação de profissionaisou empresas especializadas na áreacontábil, a fim de auxiliar na buscada veracidade dos fatos, utilizando-sede laudos periciais na formação dadecisão. O laudo pericial tem emseu corpo um levantamento claro epreciso dos motivos que levaram aempresa ao estado de insolvência,baseado em uma vistoria geral daspossíveis irregularidades que tenhamocorrido por parte do devedor e seusadministradores, vindo desta maneiraa responder pelos seus atos.A nova Lei de Falências deve propiciarmaior estabilidade à economianacional, visando assim a manter asempresas economicamente ativas eviáveis para o Brasil. Além de retirarde circulação aquelas que nãotêm condições de voltar a exercersuas atividades econômicas e trazero empresário à responsabilidade derepensar meios e novos caminhos paramanter-se no mercado.ALEXANDRE VIOLIN GARCIA eJOÃO MARCOS SCARAMELLIGraduandos em Ciências Contábeis.(*)Dívidas quirografárias são os credores por títulos de crédito, como notas promissórias, duplicatas, dentre outros.21


PORCHARLES B. HOLLANDNOSSOS “VALORES” E “COMUNICAÇÕES”Na última reunião de trabalho deum grupo fechado de donos e presidentesde empresas, um participantejaponês fez suas considerações sobreos fenômenos eleitorais no País. NoBrasil, as comunicações e a difusão deinformações são precárias. Por exemplo,no Japão, com 128 milhões de habitantes,os três maiores jornais vendemdiariamente 32 milhões de exemplares.Lá, os mais simples fazendeiros delocais remotos lêem o mesmo jornalque o imperador. No Brasil, com umapopulação de 185 milhões, os trêsmaiores jornais vendem 1 milhão deexemplares. Quais seriam o comportamento,os valores e as atitudes dosbrasileiros se todos lessem e tivessemacesso a leituras de conteúdo, comonos países mais desenvolvidos? Certamente,os poucos que lêem jornais dequalidade não pensam e agem comoas pessoas que nada ou pouco lêem.No nosso sistema democrático, osvotos dos poucos bem informadosvalem tanto quanto dos poucos ounada informados. Para isto, siste-22Uma tarefanobre paraa nossasociedade serádiscutir comodisponibilizar etornar acessíveisas informaçõesrelevantes deconteúdo.mas de comunicações de conteúdodifundidos e acessíveis à sociedade,como nos países mais adiantados, sãoessenciais para o fortalecimento danossa democracia.Recentemente, participei de umareunião de conselho, em que uma partedo tempo foi dedicada à divulgação,aderência e cumprimento do códigode ética da empresa. Códigos de éticaobjetivam aderência a valores. Cadapovo, comunidade ou empresa temseus valores. Porque variam, inclusiveno tempo, é essencial fazer campanhasfreqüentes e repetitivas para fixaçãojunto a todos os colaboradores de cadaempresa. Perguntei como o códigode ética se aproximava dos valoresda empresa. A seguir, como curioso,levantei da cadeira para ler os “nossosvalores” pendurado na sala de reunião.Eram magistrais! E eram mais enxutosque os 10 mandamentos de Deus. Setodos seguissem os valores definidospela empresa, inexistiriam desvioséticos. Todavia, na minha experiência,a maioria dos “valores” definidospelas empresas não é adequadamentedifundida e, conseqüentemente, nãoé praticada na sua íntegra.E por falar em valores, ouvi umsermão de padre que contou umahistória instigante. Segundo ele, noVelho Testamento cada osso do corpohumano era representado por ummandamento. Como temos 206 ossos,há 3.500 anos tínhamos o mesmonúmero de mandamentos. Então,segundo a interpretação da Bíblia,todos os ossos são imprescindíveis. Damesma forma, os 206 mandamentos,de todas as tribos da época tambémeram essenciais e importantes. Oproblema é que com tantos mandamentos,poucos sabiam distinguiros mandamentos essenciais dos nãoessenciais.Ninguém tinha paciênciapara tantos mandamentos. Finalmente,em torno de 1.400 a.C., Moisés subiuo Monte Sinai para dialogar comDeus. Desceu da montanha com umaversão enxuta de 10 mandamentos,que foi aceita pelos seus seguidores.A aceitação dos 10 mandamentos foivertiginosa, certamente influenciadapela inteligência e pelo conteúdo devalores. Temos atualmente bilhõesde seguidores e praticantes dos 10mandamentos, na nossa religião cristãe nas outras seitas.Isto me faz pensar na nossa Constituição,com seus 250 artigos, todosbem intencionados, que são a nossadefinição de valores. Lá, existemmuitos artigos brilhantes tais comoo Art. 5º: “Todos são iguais perante


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOa lei, sem distinção de qualquer natureza,garantindo-se aos brasileirose aos estrangeiros residentes no Paísa inviolabilidade do direito à vida, àliberdade, à igualdade, à segurança eà propriedade.” Ali, nossos legisladoresde 1988 optaram por engessar oartigo com 87 parágrafos detalhandoo significado e alcance do artigo,inserindo “seus sentimentos de justiça”,“desejos” e “formas de gestão”de forma bem detalhada. A maioriados 250 artigos também está repletade parágrafos explicativos de naturezasemelhante. De maneira ideal, desejos ecritérios de gestão deveriam estar noutrosinstrumentos legais, para não ofuscara importância dos artigos de “valores”efetivamente importantes. Como naépoca das tribos, nossos legisladores de1988 misturaram “desejos” com “va-lores”, criando uma Constituição quenunca será cumprida na sua íntegra e éfreqüentemente descumprida. Afinal,a nossa Constituição não prioriza osartigos de cumprimento obrigatóriodaqueles que representam desejos. Semfoco nos valores efetivamente importantespara nossa sociedade, somosobrigados a conviver com excesso dedesvios de “valores” importantes paraa nossa sociedade.Sem comentários, os valores explicitadosnos 10 mandamentos de Deusestão contidos em 66 palavras e em 12linhas. Nossa Constituição, com nossosvalores, desejos, boas intenções e formasde gestão estão anotados em mais de80 mil palavras e em 7.300 linhas. NosEUA, a Constituição deles está anotadaem 7.600 palavras, ou seja, menos de10% da nossa Constituição.Resumindo, uma tarefa nobre paraa nossa sociedade será discutir comodisponibilizar e tornar acessíveis asinformações relevantes de conteúdo,ora só acessíveis para uma minoria,e definir de forma prática os “nossosvalores”. Talvez precisemos pedirajuda a Deus para designar alguém,ou o próximo Congresso Nacional,para definir, de forma enxuta, “nossosvalores” e resolver nosso dilema decarência de comunicações de conteúdode qualidade como um todo.CHARLES B. HOLLAND,Contador, conselheiro de empresas,vice-presidente de GovernançaCorporativa da Anefac (Associaçãodos Executivos de Finanças,Administração e Contabilidade).23


PORPAULO ARAÚJOA NOVA COMPETITIVIDADEA busca frenética por maior competitividadeé uma luta neurótica porparte de muitos profissionais. O sujeitoacorda, come e dorme pensando emcomo melhorar os resultados da suaempresa e ainda sonha em atingir ouextrapolar suas metas.É certo que não basta mais sercompetitivo somente pelo métodousual, ou seja, pelo tripé preço, qualidade/tecnologiae serviços. Estes trêsitens não perderam sua importânciae relevância e a competitividadeusual é extremamente importantesendo a base de sobrevivência dequalquer negócio.O que gera crescimento sustentávele a longevidade da sua empresaestá ligado ao que chamo de novacompetitividade, ou seja, um novopadrão de excelência, crenças, posturae, principalmente, comportamentos,quando as lideranças devem ser omaior exemplo.Vejamos alguns pontos da novacompetitividade e como isso ajuda nasua organização e na sua carreira.Gestão do capital intelectual. Otema é atual e a teoria esplêndida,mas a prática deixa muito a desejar.Como gerir o capital intelectual deuma empresa onde muitas delas aindanão conseguem nem sequer manteros dados atualizados de seus clientes?Lembro que o capital intelectualtambém inclui fornecedores, parceiros,clientes e comunidade. Quantosprofissionais com curso superior aindaestão em funções rotineiras? Ou quantosestudam a vida inteira uma novalíngua e nunca a praticam? A questão,o maior desafio é organizar o capitalintelectual e criar novos fatos, deixar acriatividade fluir, dar mais espaço paranovos projetos e talentos, valorizandoquem os sugeriu e negociando a suaimplantação.Gestão do equilíbrio entre vidapessoal e profissional. Sim, gestão!Enquanto as empresas ficarem somenteno discurso de que é precisomaior qualidade de vida, os resultadoscontinuarão os mesmos: pessoas estressadas,esgotadas, alta rotatividadee altos custos com planos de saúde.É tudo o que ninguém quer! A novacompetitividade está baseada no talentohumano, no conhecimento, nainovação e criatividade, mas tenho aimpressão de que a maioria das empresasprefere matar a galinha dos ovosde ouro – a saúde de seus profissionaise seus relacionamentos amorosos e24


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOInteragir coma comunidade,contribuir para odesenvolvimentode bons valores,da ética e daeducação éinvestimentode longo prazo,mas com retornogarantido.familiares. As empresas devem investirna qualidade do trabalho e não apenasnas horas trabalhadas. E o governo nãopode continuar atrasando a reformatrabalhista necessária para flexibilizara relação capital – trabalho. Tenha acerteza de que vale a pena implantarprogramas de qualidade de vida paraseus colaboradores.Investir na cidadania. Só seremosum país de primeiro mundo quandotivermos um povo de primeiro mundo.O governo não faz, ou faz muitopouco e mal feito, então não tem jeito.Esse papel terá de ser cumprido pelasempresas. Não me parece justo, masnão vejo outra solução mais efetiva,pelo menos a curto prazo. Interagircom a comunidade, contribuir parao desenvolvimento de bons valores,da ética e da educação é sempre uminvestimento de longo prazo, mas comretorno garantido. Afinal, são as pessoasque formamos hoje que serãonossos consumidores e o diferencialcompetitivo no futuro. Proporcionaracesso a atividades culturais e esportivasdesenvolve maior senso crítico eé a base de qualquer país de primeiromundo.A nova competitividade está, emminha opinião, baseada nos pontosacima, e sei que é um caminho longo,árduo, cheio de desafios, mas tambémde recompensas.Pois como diria o publicitário NizanGuanaes: “Pensar em todos é a melhormaneira de pensar em si”.PAULO ARAÚJOEscritor.25


PORPAULO MENTEO PREÇO DA SOBREVIVÊNCIAO aumento da expectativa devida dos idosos vem sendo divulgadocomo uma das grandes conquistas dassociedades modernas, inclusive noBrasil. Mas, ao lado de significar uminegável avanço nas relações humanas,esse fenômeno traz consigo o debatemais intenso sobre o financiamentodos benefícios sociais à massa idosa,onerando orçamentos públicos e deforma substantiva.Já nem se fala, somente, dos impactosque o aumento da expectativade vida impõe sobre a previdênciasocial, onde as rendas vitalícias têmde ser mantidas por períodos maislongos quando as regras para concessãonão são prontamente adaptadas,postergando-se as idades de entradaem aposentadoria. A Europa fez issojá há muitos anos, mas contando coma colaboração dos baixos níveis denatalidade, fazendo com que a disputapelos empregos pudesse ser menosproblemática. Na América Latina,a postergação das idades de entradaem aposentadoria tem influênciamaior no mercado de trabalho jácombalido.Nos Estados Unidos, a reforma daseguridade social revela preocupações26Na AméricaLatina, apostergaçãodas idades deentrada emaposentadoriatem influênciamaior nomercado detrabalho jácombalido.mais importantes com a necessidadede financiamento crescente dos gastoscom a assistência à saúde gerada peloaumento da expectativa de vida. Aconclusão é simples: viver mais custacaro. O mais problemático é que apopulação idosa, hoje beneficiada pelosprogramas sociais, viveu a época domutualismo e espera que sua proteçãotenha origem no mesmo sistema.As gerações jovens, trabalhadoras,financiadoras potenciais e principais dosistema mutual, já começam a discutir,senão a contestar, sua efetiva responsabilidadepara com as gerações anteriores.As teorias modernas, neoliberais,são tendentes aos seguros individuais,onde cada um poupa para si próprio.Nestes termos, em algum momento,se essa teoria surgir repentinamente,os idosos estarão irremediavelmentedesamparados, à mercê de orçamentospúblicos mais modestos. De outro lado,num sistema de transição, os jovensterão que arcar em dobro, pois alémde proverem suas próprias poupançaspara o futuro, terão que continuarsustentando, por um tempo, a manutençãodo mutualismo.Uma das teses de sustentação neoliberal,apresentada ao Congresso Americano,nas discussões sobre o orçamentopúblico para 2006, mostrou uma preocupaçãoparalela de impacto sobre aeconomia, na hipótese das populaçõesjovens continuarem a financiar esses


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOcustos, enfatizando que a canalizaçãode recursos crescentes para os segurossociais estaria reduzindo a forçade consumo e produzindo um fatornegativo ao crescimento econômico.Efetivamente, nesse mesmo trabalho,mostrava-se que o custo atual do segurosocial americano, englobandoa previdência e o sistema de saúde,de US$ 900 bilhões, corresponde a7,8% do PIB e, nos próximos 25 anos,atingirá o nível de 15% do PIB. Ea previdência, hoje responsável porpouco mais de 50% desse montante,não representará mais que 1/3 em umquarto se século.O Brasil tem um modelo de segurosocial bem comparável ao dos americanos.Temos a previdência socialpública, a previdência privada, temosa saúde pública e a saúde privada.Comparativamente, nosso segurosocial público, financiado em partepelas contribuições sociais e em partepor impostos, já custa mais de R$ 100bilhões por ano, o que iguala a fatiaque separamos de nosso PIB à fatiaamericana.Já praticamos algumas reformasimportantes na Previdência, com aadoção de critérios etários nas concessões,mas nosso sistema ainda careceda imposição de limites máximos nosbenefícios, mais compatíveis com a rendamédia do todo populacional, inclusiveno funcionalismo público. Mas é naárea da saúde, entretanto, onde hoje aparticipação pública representa apenas38% do todo assistencial, que o exemploamericano pode sugerir impactossignificativos para o futuro.Enquanto o custo per capita coma Previdência tende à estabilidade, ouaté à redução com novas reformas,o custo da assistência médica crescede forma real e há poucas chances daassistência privada evoluir além dos62% de hoje. Há, portanto, umatendência de majoração nos custosdo seguro público.O tom que se tem dado à necessidadede nova reforma previdenciáriatalvez deva ser menos grave que oreclamado, preventivamente, na áreada saúde.PAULO MENTEEconomista, com especialização emmercado de capitais, ex-presidenteda Abrapp (Associação Brasileiradas Entidades Fechadas dePrevidência Privada).27


PORMASSAO HASHIMOTOO CAPITAL SOCIAL DA SOCIEDADE COOPERATIVADIANTE DAS NORMAS BRASILEIRAS DECONTABILIDADE E DAS NORMAS INTERNACIONAISDE INFORMAÇÕES FINANCEIRASO capital social, como em outrostipos de sociedade, correspondeaos recursos investidos na sociedadecooperativa pelos associados cooperados.A exemplo do que ocorre nasociedade limitada hoje, com o NovoCódigo Civil, Sociedade Empresáriaou Sociedade Simples, na SociedadeCooperativa (incluída como sociedadesimples, mas com legislação específica–Lei nº 5.764/71) o capital é divididoem quotas –partes cujo valor unitárioda quota-parte não poderá ser superiorao salário mínimo vigente no país; naprática o valor unitário da quota-partecorresponde a R$ 1,00.O estatuto social estabelece aquantidade mínima que cada cooperadodeve subscrever e, conformea Lei nº 5.764/71, estabelece queo associado poderá subscrever, nomáximo, até 1/3 do total do capitalsocial. Salvo nas sociedades em quea subscrição deva guardar proporcionalidadeao movimento financeiroou quantitativo do cooperado, nestecaso, deverá haver previsão em seusestatutos de revisões periódicas como intuito de ajustar a participaçãodas quotas-partes ao total da atualmovimentação.A única vantagem que pode seratribuída ao capital, se assim dispuseremos estatutos da cooperativa, se éque podemos chamar de vantagem, éa distribuição de juros de até 12% aoano sobre o capital integralizado, aindaassim pouco atrativa. Nem mesmo opoder de administração da sociedadeé atribuído às quotas-partes, portanto,independentemente da participação doseu capital social, cada associado temdireito a um voto nas assembléias.É muito importante observar que,quando o associado sai, é a cooperativaque desembolsa o valor do capital socialpara o cooperado, descapitalizando-a.No caso de uma sociedade anônima,por exemplo, o sócio que se desligarvende as suas ações no mercado; ouno caso de uma sociedade empresárialimitada ou sociedade simples, osócio retirante transfere para o outrosócio, sem haver necessariamente umadescapitalizacão da sociedade.Diante desta observação, os cooperadosconsideram a integralizaçãodo capital social somente como umaobrigação, devendo as cooperativasdemonstrar que a necessidade do capitalsocial é para lhes dar melhorescondições de trabalho. Neste caso, ascooperativas devem viabilizar um sistemade capitalização para melhorar oatendimento aos próprios associados,aumentando os postos e suas condiçõesde trabalho. Muitas cooperativasutilizam parte das sobras do exercício,com aprovação da Assembléia Geral,retendo a distribuição, para aumentode capital social, e reforçando o capitalde giro, muitas vezes, até frustrandoos cooperados.A NBC T 10.8 (Norma Brasileirade Contabilidade Técnica) reforça acontabilização, quanto ao capital social,demonstrando uma das característicasda Sociedade Cooperativa: a sua va-28


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOriabilidade. Quando é admitido novocooperado, o capital social subscritoaumenta e, com o desligamento docooperado, diminui. O estatuto socialda cooperativa também estabeleceo prazo de devolução, que ocorreapós aprovação das contas do exercício,durante a Assembléia GeralOrdinária.A NIIF (Normas Internacionaisde Informação Financeira), a NIC32, no item Interpretação CINIIF2, contribuições de associados de entidadescooperativas e instrumentossimilares, contém requisitos que classificamo valor do capital social, nogrupo do patrimônio líquido ou nopassivo financeiro.Mensalmente, nos seus demonstrativoscontábeis, a cooperativa deveráapresentar e informar parte docapital social na conta do patrimôniolíquido (cooperados ativos) e partedos cooperados que se demitiram,transferir para o passivo financeiro– grupo exigível a curto prazo, queserá devolvido, conforme os estatutossociais, após a aprovação das contasdo respectivo exercício.Com o critério acima, embasadono instrumento legal dos estatutossociais das cooperativas, na sua formade devolução, os Contabilistas estarãoatendendo, com transparência,a uma das normas de informaçãofinanceira.MASSAO HASHIMOTOContador29


PORMARIA PAULA BARTOLOZZI ASTRAUSKASPOR QUE FALTAM JOVENS TALENTOS?No ambiente das organizações,que precisam compreender e se adaptarrapidamente às mudanças quegarantem a sobrevivência de umaempresa, busca-se um novo perfilprofissional. Mais do que bons técnicosadministrativos espera-se queos líderes possuam criatividade e flexibilidade,entre outras habilidades.Mas reunir todas ou boa parte destascompetências é o grande desafio domomento.Em 1990, iniciavam-se os primeirosprogramas de trainees, ou detalentos, em que empresas investiamalto em processos seletivos rigorosos,com duração mínima de três meses,com o objetivo de escolherem os melhoresrecém-formados que, além depossuírem um bom nível cultural,apresentassem, durante as etapas doprocesso, competências que facilitassemseu desenvolvimento dentroda empresa. Assim que aprovados, aempresa investia mais uma boa verbapara iniciarem o programa que,geralmente, tinha duração mínimade um ano.Eram realizados treinamentos técnicose comportamentais e um jobrotation com a finalidade do recém-30contratado conhecer diversas áreasda empresa e desenvolver uma visãogeneralista do processo para assumiruma posição de destaque no términodo programa.Mas os problemas surgiam quandoalgumas empresas não conseguiamcumprir o programa proposto, oque gerava grande insatisfação nojovem ambicioso. Além disso, tais“jovens potenciais em pleno desenvolvimento”passaram a ser assediadose receber outras propostas derecolocação e, muitas vezes, nemterminavam o programa na empresaonde iniciaram.Mesmo com estas dificuldades,várias empresas mantiveram estes programasque ainda são bem atraentes aosolhos dos recém-formados. Algumasempresas remodelaram sua estratégiade seleção e o conteúdo do programade desenvolvimento objetivando aretenção desses “talentos”.Acompanhando os últimos artigospublicados em várias revistas, noteique muitos empresários passarama queixar-se da dificuldade de hojeidentificar jovens com talentos nosprocessos seletivos. Muitas vezes, asempresas não conseguem fechar oSe não houverum movimentona área daeducação, comcerteza, asempresas terãocada vez maisdificuldadesem encontrartalentos.número de vagas abertas por falta debons candidatos.Então questiono: o que aconteceu?Será que os níveis das graduações estãodeixando a desejar? Ou os universitáriosestão presos à teoria, e não à prática,


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ARTIGOdo que a graduação lhe propõe? Oumais, as mudanças são realmente tãohábeis e diversas, que nem chegam aosuniversitários, que ao candidatarem-seaos famosos programas de trainees sãosurpreendidos com questões, dinâmicas,jogos empresariais, atividades estas quenão fazem parte da grade de ensinode quase nenhum curso?Bom, sabemos que no Brasil espertezanão falta, ao se notar queesta dificuldade passou a reduzir onúmero de aprovados. Hoje, existemcursinhos preparatórios para que ouniversitário seja treinado para enfrentara maratona dos processosseletivos lançados geralmente nosegundo semestre do ano.Mesmo assim, não há como umapessoa com pouca vivência empresarialexpressar tantas competências e habilidadesnos vários processos em quese inscreve, rodeado de concorrentese sendo observado pelos avaliadores.Chega ao stress.Já que empresas multinacionaiscom unidades no Brasil e empresasnacionais buscam e prezam tanto esteperfil chamado de “talento”, está aí umgrande desafio para as instituições deensino, pois para chegar a este nívelde preparação do jovem universitárioé necessária a quebra de paradigmasdos modelos de ensino. É preciso queas instituições agreguem o desenvolvimentode módulos comportamentais,para o desenvolvimento da inteligênciaemocional, do autoconhecimento,apontar o que é subjetivo e o que éintuitivo. Implementar novos conceitosde metodologias não basta. É necessáriorever o conteúdo da grade curricular. Omodelo expositivo-auditivo não bastapara o desenvolvimento de comportamento,pois esta aquisição depende devivência, mesmo que simulada.Em outros países já existem experiênciasque reúnem aulas tradicionaiscom exercícios de integração,dinâmica e jogos empresariais. Oobjetivo é estimular o desenvolvimentode todas as capacidades ehabilidades, como exercícios voltadospara criatividade, memorização,comunicação em público,equilíbrio emocional, entre muitosoutros aspectos que proporcionam oauto-conhecimento, acompanhadospor profissionais que os estimulamà reflexão e posteriormente à discussãodas experiências vivenciadas,nos exercícios onde os participantesdividem suas emoções com os outrosjovens e com os facilitadores,que conduzem os exercícios e dãofeedback no fechamento.Concluo, então, que a prioridadedeveria ser a reformulação nas gradesdo ensino universitário, porque semos desafios simulados por meio dosexercícios situacionais e comportamentais,os estudantes das universidadesnão poderão se dar conta das suascompetências natas e das que devemser desenvolvidas.Cabe esta reflexão: se não houverum movimento na área da educação,com certeza, as empresas terão cadavez mais dificuldades em encontrar“talentos” com os requisitosque almejam para oxigenar seuquadro de pessoal e se manteremna vanguarda.MARIA PAULA BARTOLOZZIASTRAUSKASPsicóloga.31


NOTÍCIASADMINISTRAÇÃO E FINANÇASCRC SP INFORMATIZA O PLENÁRIOPARA AGILIZAR TRABALHOSA tarde do dia 7 de maio de 2007reservava uma grande surpresa para osconselheiros do CRC SP. Era dia desessão plenária e ao se dirigirem ao 1ºandar, onde está situado o Plenário,os 36 conselheiros encontraram, nolugar das pilhas de papel que sãousadas em todas as reuniões, ummonitor de computador.Começou, assim, a informatizaçãodo Plenário do CRC SP,fruto do trabalho de quase um ano,desenvolvido pelo TI (Departamentode Tecnologia da Informação)e pela Comissão de Informáticado CRC SP, sob a coordenação daconselheira Marcia Ruiz Alcazar ea supervisão do vice-presidente deAdministração e Finanças, SergioPrado de Mello.O moderno sistema de informatizaçãoé composto por monitores,teclados e mini-mouses, sendoque o servidor está localizado no32A informatização traz economia de papel.TI. Os conselheiros poderão acessaros serviços online do Portal doCRC SP, terão e-mail e os programasWord, Excel, Power Point e AcrobatReader.O gerente do TI fez uma exposiçãoaos conselheiros, lembrando que, pornão ter HD ou CD, o material teráOs conselheiros acessarão documentos com mais rapidez.mais facilidade de manutenção, portanto,uma vida útil mais longa.O vice-presidente de Administraçãoe Finanças, Sergio Prado de Mello,disse que a informatização do Plenárioé um marco histórico do CRC SP,pois agiliza os trabalhos e acaba coma manipulação de papéis.“Agilidade, facilidade de acessardocumentos e economia de papel sãoos pontos fortes da informatização”,enfatizou Sergio Prado. “Além defacilitar o trabalho dos conselheiros,estamos colaborando com a economiade papel, importante passo paraquem está preocupado com o meioambiente do planeta.”As novidades da informática noCRC SP não param por aí: brevemente,as salas onde as Câmaras se reúnemreceberão o mesmo tipo de materiale o plenário terá uma tela maior paratodos poderem acompanhar os textosdas atas discutidos pelos conselheirosdurante a plenária.


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NOTÍCIASFISCALIZAÇÃOO EXERCÍCIO PROFISSIONAL MERECECUIDADOS NO DIA-A-DIANo desempenho de sua atribuiçãode fiscalizar o exercício da profissãocontábil, o Departamento de Fiscalizaçãodo CRC SP tem se deparadocom uma situação que merece a devidadivulgação e a transmissão de orientaçõespara prevenir a ocorrência.Existe, atualmente, no Departamentode Fiscalização um total de588 denúncias atribuídas a escritóriose Contabilistas. O que chama maisa atenção é a natureza das denúncias:34% são de irregularidades nasDemonstrações Contábeis; 20% deapropriação indevida de valores; 19%de retenção de documentos e os 27%restantes são de outras ocorrências.Estes fatos, com certeza, podemser evitados, se o Contabilista tomaralguns cuidados e procurar observara legislação vigente, que está disponívelno Portal do CRC SP: www.crcsp.org.br.O prestador de serviços contábeisdeve, primeiramente, firmar por escrito,com todos os seus clientes, oContrato de Prestação de Serviços,34em conformidade com a ResoluçãoCFC nº 987/03. Depois de assinadoesse contrato e iniciada a efetivaexecução dos trabalhos, o Contabilistadeve emitir recibos, protocolose outros documentos que garantamque o serviço está sendo feito.Na realização dos trabalhos,deve-se levar em conta a finalidadedo Código de Ética, que é a de deixarexplícito o comportamento consideradoaceitável para os profissionaisda Contabilidade.Assim como determina o artigo 1ºda Resolução CFC nº 803/96, quetem por objetivo “fixar a forma pelaqual se deve conduzir os Contabilistas,quando no exercício profissional”, oexercente da Contabilidade deve seguiruma diretriz ética na elaboração dostrabalhos ou na relação com outrosprofissionais.O Código aborda também os deverese proibições dos Contabilistasno exercício da profissão. Os deveresestão previstos no artigo 2º, incisos Ia IX, da Resolução CFC nº 803/96,válidos para todas as modalidades deprestação de serviços contábeis, sejacomo autônomo, empregado ou empregador,definindo os princípios evalores fundamentais que devem serobservados pelos Contabilistas.Também existem regras para a execuçãodas atividades profissionais dosContabilistas. No artigo 3º, incisos Ia XXII, da mesma Resolução, estãoexplicitadas as vedações aos Contabilistasno desempenho de suas funçõesprofissionais, independentemente damodalidade em que o serviço estiversendo prestado.Quanto à correta realização dasDemonstrações Contábeis, deve oprofissional contábil sempre observara Resolução CFC nº 751/93, quedispõe sobre as Normas Brasileiras deContabilidade.As Normas Brasileiras de Contabilidadeestabelecem regras de condutaprofissional e procedimentostécnicos a serem observados quandoda realização dos trabalhos previstosna Resolução CFC nº 560/83, de 28de outubro de 1983, em consonânciacom os Princípios Fundamentais deContabilidade.De acordo com a ResoluçãoCFC nº 751/93, artigo 2º, as Normasclassificam-se em Profissionaise Técnicas, sendo enumeradas seqüencialmente:§ 1º As Normas Profissionaisestabelecem regras de exercícioprofissional, caracterizando-sepelo prefixo NBC P.


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007§ 2º As Normas Técnicas estabelecemconceitos doutrinários,regras e procedimentos aplicadosde Contabilidade, caracterizandosepelo prefixo NBC T.Art. 3º As Normas Brasileiras deContabilidade (NBC) podem serdetalhadas através de InterpretaçõesTécnicas que, se necessárias,incluirão exemplos.Parágrafo único. As InterpretaçõesTécnicas são identificadaspelo código da NBC a que sereferem, seguido de hífen, siglaIT e numeração seqüencial.Art. 4º O Conselho Federal deContabilidade poderá emitirComunicados Técnicos quandoocorrerem situações decorrentesde atos governamentais que afetem,transitoriamente, as NormasBrasileiras de Contabilidade(NBC).Parágrafo único. Os ComunicadosTécnicos são identificadospela sigla CT, seguida de hífene numeração seqüencial.Art. 5º A inobservância de NormaBrasileira de Contabilidade constituiinfração disciplinar, sujeita àspenalidades previstas nas alíneas“c”, “d” e “e” do artigo 27 do Decreto-leinº 9.295, de 27 de maiode 1946 e, quando aplicável, aoCódigo de Ética Profissional doContabilista.35


NOTÍCIASDESENVOLVIMENTO PROFISSIONALCÂMARA E COMISSÕES DO CRC SPPROMOVEM DIVERSAS AÇÕESO CRC SP investe cada vez mais em desenvolvimento profissional e pessoal e em ações sociais. Veja algumas dasatividades desenvolvidas pela Câmara e por Comissões da entidade.CÂMARA DEDESENVOLVIMENTOPROFISSIONALO cronograma para o primeirosemestre de 2007, formatado pelosmembros da Câmara de DesenvolvimentoProfissional, tem o objetivode atender a diversos segmentoscomo empresários da Contabilidade,Auditores, Contabilistas deempresas e autônomos.Nas atividades promovidas,em parceria com o Sescon de SãoPaulo, Campinas e Santos e comos Sindicatos dos Contabilistas,houve enfoque na projeção da profissãocontábil e do Contabilista,bem como no aperfeiçoamentoprofissional dos professores deCiências Contábeis. Sessenta docentesparticiparam de semináriospara coordenadores e professoresda Contabilidade, que ocorreramem São Paulo e que serão tambémorganizados em cidades do interiordo Estado.Para o segundo semestre, aCâmara está elaborando um cronogramacom foco nas áreas pública,agropastoril, de Perícia, detecnologia da informação voltadapara Contabilidade digital, da éticaprofissional, entre outras.COMISSÃO DO CICLO DE DEBATES CONTÁBEISA Comissão do Ciclo de Debates Contábeis está promovendovisitas aos Centros de Estudos, organizados pelos Sindicatos dosContabilistas, no Estado de São Paulo. Desde janeiro de 2007,a Comissão já promoveu debates nas cidades de Bauru, Campinas,Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São José dos Campos eSorocaba. No total, mais de 640 Contabilistas já participaramdos debates.Valorizando sempre a discussão de temas atuais e de interessedos profissionais contábeis, nos últimos encontros, o assunto demaior destaque foi a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas.O cronograma de debates programados está disponibilizadono Portal do CRC SP (www.crcsp.org.br).COMISSÃO DE PROJETOS SOCIAISTambém conhecida como CRC Social, a Comissão de ProjetosSociais está reeditando a cartilha “Uma ação que vale um milhão”,para ser relançada ainda no primeiro semestre de 2007. Além doenvolvimento das Entidades Congraçadas (CRC SP, Fecontesp,Sindcont-SP, Sescon-SP, Aescon-SP, Ibracon 5ª Seção Regional eApejesp), o projeto tem o apoio da Receita Federal.O CRC Social também está promovendo ações para capacitaçãode profissionais visando à prestação de contas para entidades doTerceiro Setor. O objetivo é qualificar profissionais para garantirserviços mais eficientes e, conseqüentemente, ocasionar melhorasna gestão. Seminários sobre o tema já ocorreram em São Paulo,Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto. Mais de 500pessoas já participaram das atividades realizadas.As atividades continuarão durante o segundo semestre de2007. Informações sobre datas e locais poderão ser obtidas noPortal do CRC SP.36


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007COMISSÃO CRC JOVEMCom o intuito de dar maior visibilidade aos trabalhos dosalunos de Contabilidade, foi criado o projeto “CRC Jovemdestaca talentos” para divulgar as pesquisas acadêmicas desenvolvidasnas instituições de ensino de Ciências Contábeis.Os trabalhos selecionados serão publicados, semanalmente,no site do CRC Jovem, conforme a ordem de chegada. Paraincentivar a relação entre alunos e docentes, os professoresserão encarregados de encaminhar os trabalhos para a ComissãoCRC Jovem.Os autores dos trabalhos publicados e seus respectivosprofessores serão convidados a participar de atividades doCRC SP, ocasião em que receberão certificados pela sua contribuição.Para atender às demandas específicas de cada região doEstado de São Paulo, o CRC Jovem está instituindo subcomissõesem diversas cidades. Já foram instalados gruposem Araçatuba, Bauru, Campinas, Grande ABCD, Marília,Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José doRio Preto e Sorocaba. Na Grande São Paulo, foi criada umasubcomissão para atender às faculdades da Zona Norte deSão Paulo e dos municípios de Guarulhos e Osasco.Outras subcomissões serão instaladas em Araraquara, SãoJoão da Boa Vista, Jundiaí, Santos e São José dos Campos,além de uma segunda subcomissão para a Grande São Paulo,que atenderá às Zonas Oeste, Leste e Sul.Até o momento, 42 instituições de ensino superior colaboramna implementação desses grupos.COMISSÃO DE EDUCAÇÃOPROFISSIONAL CONTINUADASeguindo a Resolução CFC nº 1.074/06,que dá nova redação à NBC P 4, a Comissãode Educação Profissional Continuada analisoudiversos cursos para o Programa.No Estado de São Paulo foram revalidados717 cursos. Houve 132 credenciamentospara novos cursos, eventos e seminários.No nível estadual, 849 estão aptos paracontribuir com o programa de EducaçãoProfissional Continuada. Três capacitadorasforam credenciadas em 2007 e a soma totalpassou a ser de 49, incluindo o CRC SP eo Ibracon 5ª Seção Regional.Durante o ano de 2006, 1280 profissionaiscumpriram o mínimo de horas estabelecidopela Resolução CFC nº 1.074/06.37


NOTÍCIASREGISTROCRC SP E CDT ASSINAM CONVÊNIOPARA AGILIZAR REGISTROSO CRC SP firmou convêniocom o CDT (Centro de Estudose Distribuição de Títulos e Documentos),no dia 28 de maio de2007, para instalação de um postode atendimento aos Contabilistasregistrados e adimplentes, na sededo Conselho.Os objetivos do acordo são a agilizaçãonos registros e a regularizaçãodas sociedades em geral. Além disso,busca-se a valorização do profissionalcontábil e a conseqüente melhorianos serviços profissionais prestadospor Contabilistas à sociedade.Os Contabilistas poderão usufruirde todos os serviços oferecidos peloCDT, por meio do convênio como CRC SP, e também atuar comointermediários dos seus clientes. Osfuncionários que atuarão no postodo CDT estarão à disposição paraesclarecer quaisquer dúvidas sobresociedades.De acordo com os termos do convênio,o CRC SP e o CDT, em comumacordo, deverão elaborar um modelopadrão de contrato social para registro.O CDT compromete-se a efetuar oregistro no prazo máximo de três diasúteis, nos casos em que não houverentidade homônima.O CDT vai recepcionar os títulosapresentados pelos Contabilistas pararegistro, as notificações extrajudiciaise as novas pessoas jurídicas (sociedadessimples, associações, organizaçõesreligiosas e fundações), encaminhálospara um dos registradores e, apósqualificá-los e registrá-los, colocá-losà disposição dos solicitantes.O CDT agrega os dez cartóriosde registro civil de pessoas jurídicasna cidade de São Paulo. Ele foi criadohá cinco anos para padronizar osserviços de registro e oferecer maisfacilidade para os usuários.38


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007FALTA POUCO PARA A20ª CONVENÇÃODOS CONTABILISTASA 20ª Convenção dos Contabilistas do Estado de São Paulo será realizada entre os dias 15 e 17 de agostode 2007, no Palácio das Convenções do Parque Anhembi. A expectativa é de que 3500 pessoas participem domaior evento da classe contábil paulista.Todas as atividades foram definidas com o objetivo de promover o desenvolvimento profissional dos participantes,sempre seguindo o lema, que, neste ano, é “Contabilidade: excelência na gestão”.A novidade desta edição é a programação que divide as atividades de acordo com as áreas de atuação emContabilidade. Confira a programação para a Convenção nas próximas páginas.Durante os três dias de evento, serão realizadas palestras simultâneas voltadas para Auditoria Externa, Empresasde Contabilidade, Profissionais, Auditoria Interna, Perícia e Área Pública. Isso garante aos profissionais ummaior direcionamento à sua área de atuação. No entanto, os Contabilistas inscritos poderão assistir a qualqueratividade que desejarem.No período da manhã, acontecerão eventos paralelos à Convenção organizados pelas comissões do CRC SP,além de atividades para professores, sobre sindicalismo e um encontro geral de delegados.Paralelamente às palestras, haverá a Feira de Negócios. Algumas das maiores empresas de softwares para aárea contábil e editoras especializadas em publicações para a Contabilidade já confirmaram presença. Será umaoportunidade para estabelecer bons contatos profissionais.As inscrições devem ser feitas via Internet, pelo site oficial do evento (www.convecon.com.br). Quem quisermais informações ou tiver sugestões para a Convenção pode telefonar para os números 11 3824.5409, 3824.5368ou 3824.5706. Também é possível entrar em contato pelo e-mail convecon@convecon.com.br.15 A 17 DE AGOSTO DE 2007 - PALÁCIO DAS CONVENÇÕES DO ANHEMBI - SAO PAULO - SP39


NOTÍCIAS“CONTABILIDADE: EXCELÊNCIA NA GESTÃO”Abertura13h às 18h ...................... CredenciamentoSecretariaPasta, crachá e material técnico20h ................................... SolenidadeGrande AuditórioSessão solene de abertura20h30 ............................... Evento culturalGrande AuditórioApresentação musical21h30........................................... CoquetelÁrea da Feira de Negócios15 de agosto14h às 15h30Palestras SAuditoria ExternaA CRIAÇÃO E A FUNÇÃDO CPC (COMITÊ DEPRONUNCIAMENTOSCONTÁBEIS)Alfried Karl PlögerAuditoria InternaNORMAS INTERNACIONAPARA O EXERCÍCIOPROFISSIONAL, CERTIFICAE PROGRAMA DE QUALIDDA AUDITORIA INTERNJosé Juarez de Paula FreireWagner Roberto PuglieseEventos Paralelos16 de agostoAuditoria Externa10h às 12hCRC MulherMULHER: FAZ ACONTECERBeatriz Zanella FettEunice Aparecida de Jesus PrudenteMaria Clara Cavalcante BugarimLívio Giosa - MediadorProfessoresSINAES - SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DAEDUCAÇÃO SUPERIORJosé Roberto Covac16h30 às 18hA EVOLUÇÃO DO MERCADE CAPITAIS NO BRASILIMPORTÂNCIA DA AUDITODAS DEMONSTRAÇÕECONTÁBEISCVMAuditoria InternaCOSO COMO MODELOCONTROLE E GESTÃORISCOS CORPORATIVOEventos Paralelos17 de agostoSilvio Alves de SouzaCRC SocialCRC JovemAuditoria Externa4010h às 12hINCENTIVOS FISCAIS PARAOS INVESTIMENTOS SOCIAISPedro Ernesto FabriCelso Gomes PegoraroGeraldo Salvador de SouzaCNPL - Novo Sindicalismo MundialTALK SHOW:CARREIRA DE SUCESSO: PROFISSIONAISAPAIXONADOS PELO QUE FAZEMAndrei Lopez BordinMarcia Ruiz AlcazarEntrevistadora: Thais AlvesXXXVIII Encontro Geral de Delegadosdo CRC SP18h às 19h30A EXPERIÊNCIA BRASILEDE ADAPTAÇÃO À LESARBANES – OXLEYAndré CoutinhoAuditoria InternaAUDITORIA GOVERNAMENO PAPEL DA CGU(CONTROLADORIA GERDA UNIÃO) NO SISTEMACONTROLE INTERNO FEDNivaldo Germano


NOTÍCIAS“CONTABILIDADE: EXCELÊNCIA NA GESTÃO”16 de agostoPalestras Simultâneas17 de agostos deadeÁBIL COMOSSIONALToigoDAM NOProfissionaisO PROFISSIONAL DACONTABILIDADE E AINTELIGÊNCIA FISCALJoão Miguel da SilvaÁrea PúblicaPARCERIAS PÚBLICO -PRIVADAS14h às 15h30Auditoria ExternaAS INSTITUIÇÕESFINANCEIRAS FRENTE ÀADOÇÃO DAS NORMASINTERNACIONAIS DECONTABILIDADEAmaro Luiz de Oliveira GomesAuditoria InternaSISTEMAS DE CONTROLEINTERNO NOS ESTADOS EMUNICÍPIOSEmpresas de ContabilidadeCASOS DE EMPRESÁRIOSDE SUCESSOMarco Antonio Pinto de FariaPeríciaOPORTUNIDADE DENEGÓCIO NA NOVA LEIDE RECUPERAÇÃOJUDICIAL E FALÊNCIAProfissionaisGOVERNANÇACONTÁBIL: TRIBUTAÇÃOE DESENVOLVIMENTOEMPRESARIALGilberto Luiz do AmaralÁrea PúblicaOS CONSÓRCIOSPÚBLICOSo SimõesIvan Barbosa RigolinRoberval da Silveira MarquesLino Martins da SilvaAlexandre Uriel Ortega DuarteDiógenes Gaspariniàs 16h30INTERVALO - 15h30 às 16h30s deadeÃORESAstasOS DAICIAL EICIALldeiraProfissionaisPERSPECTIVASPROFISSIONAIS DOSCONTABILISTASCarlos Roberto FaccinaÁrea PúblicaCONTROLE INTERNONO SETOR PÚBLICOMoacyr de Araújo Nunes16h30 às 18hAuditoria ExternaGOVERNANÇA CORPORATIVA:AS RESPONSABILIDADESDO AUDITOR FRENTE ÀLEGISLAÇÃO E ÀS NORMASDE AUDITORIAAna Maria ElorrietaAuditoria InternaA FUNÇÃO DA AUDITORIAINTERNA NO PROCESSO DEGOVERNANÇA DAS EMPRESASDE CAPITAL ABERTO NOBRASIL - PANORAMA ATUAL EPERSPECTIVASPesquisaAudibra/ Bovespa/ CVM/ IBGCEmpresas de ContabilidadeA CONTABILIDADE NAOPINIÃO DO GESTORSynésio Batista da CostaPeríciaA MEDIAÇÃO ECONCILIAÇÃO NO BRASILAdolpho Braga NetoProfissionaisA RESPONSABILIDADELEGAL DO PROFISSIONALDA CONTABILIDADE NOEXERCÍCIO DE SUA ATIVIDADEMaria Odete Duque BertasiÁrea PúblicaPLANO DE CONTASÚNICO E CONTAÚNICAPaulo Henrique Feijós deadeProfissionais18h às 19h30TERCEIRODADES ESMARKETING PESSOAL EMOTIVACIONALPalestra de EncerramentoGrande AuditóriooliFábio ArrudaCIA DOÉCNICODICIALÁrea PúblicaLEI DE RESPONSABILIDADEFISCAL - A POLÊMICA DOSRESTOS A PAGAR NASCONTAS PÚBLICASParticipe.www.convecon.com.br15 A 17 DE AGOSTO DE 2007 - PALÁCIO DAS CONVENÇÕES DO ANHEMBI - SAO PAULO - SPgioMoacir Marques da Silva42


n o 163 JUN/JUL/AGO/200720 a CONVENÇÃO DOS CONTABILISTAS DO ESTADO DE SÃO PAULOPARTICIPE.MAIS INFORMAÇÕES NO SITE:www.convecon.com.br15 A 17 DEAGOSTO DE 200715 A 17 DE AGOSTO DE 2007 - PALÁCIO DAS CONVENÇÕES DO ANHEMBI - SAO PAULO - SPPALÁCIO DAS CONVENÇÕESDO PARQUE ANHEMBI43


ESPECIALNA COMEMORAÇÃO DO DIA DO CONTABILISTA,CRC SP CONCLAMA À EXCELÊNCIAO presidente do CRC SP, LuizAntonio Balaminut, pediu aos Contabilistasque dêem um passo rumo àexcelência na prestação dos serviçoscontábeis, focando seu trabalho nagestão e consultoria das empresas,participando com mais ênfase dasdecisões, baseadas nas informaçõescontábeis.“Somos 2,5 milhões de Contabilistasno mundo, 400 mil no Brasil,110 mil no Estado de São Paulo.Somos uma grande classe, mas nãotemos idéia da nossa própria força.Chegou a hora de darmos um passoem direção à participação na sociedade,em todos os sentidos.”O presidente Balaminut falou auma platéia, que lotou o auditóriodo CRC SP, no dia 14 de maio de2007. A sessão solene comemorouo Dia do Contabilista, festejado em25 de abril, e contou com a presençade personalidades como o secretáriomunicipal de Assistência e DesenvolvimentoSocial, Floriano Pesaro,que representou o prefeito Gilberto44Diploma de Francisco D’Áuria doado para o Centro de Memóriada Contabilidade Paulista.Kassab; o secretário municipal de Participaçãoe Parceria, Ricardo Montoro;a deputada estadual Célia Leão(PSDB-SP); o conselheiro do CFC,Mauro Manoel Nóbrega, representanteda presidente do CFC, Maria ClaraCavalcante Bugarim; presidentes dasEntidades Congraçadas, empresáriose convidados.Marcada pela emoção dos Contabilistasque foram homenageadoscom medalhas, a solenidade foi abertacom a apresentação do Coral Idepac,formado por jovens da ONG Institutode Desenvolvimento Profissional.Em nome das Entidades Congraçadas,o presidente do Ibracon 5ª SeçãoRegional (Instituto dos AuditoresIndependentes do Brasil), José LuizRibeiro de Carvalho, louvou o climade congraçamento da festividade, aomesmo tempo em que convidava todosa refletirem sobre os desafios que aclasse contábil tem à frente.“São os desafios da educação e dainformação, desafios políticos e sociais”– disse o presidente do Ibracon, “queas Entidades Contábeis terão que enfrentarjuntas, descobrindo os caminhospara os próximos anos.”Homenagens – Nas solenidadesque festejam o Dia do Contabilista,profissionais ilustres são homenageadoscom medalhas. A Medalha JoaquimNo centro, o presidente Balaminut e os homenageados: Antonio Marangon,Pedro Natividade Ferreira de Camargo, Emanuel von Lauenstein Massaranie Sérgio Roberto Monello.


ESPECIALeste documento, cedido por CarlosD’Áuria, sobrinho do Contabilista,o passado se faz presente.”O Centro de Memória da ContabilidadePaulista recebeu tambémum álbum de fotografias da primeiraturma de bacharéis em Contabilidade,da Faculdade de Ciências EconômicasSão Paulo, de 1934, e outro álbum dosformandos do curso de Contadores, doLiceu Coração de Jesus, de 1931.Os álbuns foram doados por HelenaMaria Negrini Minto, filha doentão formando, Antenor Negrini.“Onde quer que esteja, meu pai deveestar muito feliz por saber que estasfotos vieram para o CRC SP” – disseHelena. “Ao lado de grandes figurasda Contabilidade, como Milton Improta,que tinha o registro número 2do CRC SP, e de Frederico HerrmannJúnior, meu pai, que saiu de Taubatépara realizar o sonho de ser Contabilista,exerceu a profissão com muitoentusiasmo.”Pelo social – Os secretários municipais,Ricardo Montoro (Participação eParceria) e Floriano Pesaro (Assistênciae Desenvolvimento Social), lembraramBalaminut: “Vamostrabalhar o futuro já”.A deputada estadual Célia Leão e Floriano Pesaro, Balaminut,Ricardo Montoro, Mauro Nóbrega e José Luiz Ribeiro de Carvalho.que o CRC SP e a Prefeitura de SãoPaulo assinaram, recentemente, umTermo de Cooperação.“Por esse Termo” - disse Pesaro,“os Contabilistas poderão informaros contribuintes que é possível doarparte do imposto devido para o FundoMunicipal da Criança e do Adolescente,contribuindo para tornar realidadeprojetos como as creches para 90 milcrianças.”Para Montoro, São Paulo tem opotencial de arrecadar 400 milhõesde reais, que poderão auxiliar criançase adolescentes. “Com a ajuda dosContabilistas, que são profissionaisem quem confiamos muito” – dissePesaro, “podemos melhorar a qualidadede vida de São Paulo.”A deputada estadual Célia Leãoparabenizou os Contabilistas pela comemoraçãode seu dia, “conseqüênciade um trabalho que eu aprendi aconhecer como grandioso” – disseela, “que fez a história passada e quegarante o futuro.”Brasil melhor – Ao encerrar a solenidade,o presidente do CRC SP, LuizAntonio Balaminut, fez um balanço doPlanejamento Estratégico implantadoem sua gestão, no início de 2006.Ele disse que o Planejamento para ospróximos 10 anos prevê a realizaçãode 60 projetos, muitos dos quais jáestão sendo implementados.O presidente enfatizou a importânciados profissionais contábeis, osresponsáveis pelas informações, “basedas decisões tomadas nas empresas,que devem ter a participação dosContabilistas.”O futuro, uma das grandespreocupações de Balaminut, devecomeçar a ser trabalhado já, comuma visão de mundo, com foco nasustentabilidade e responsabilidadesocial, pois “a Contabilidade deve serexercida para melhorar a economia,os índices sociais, o meio ambiente,a qualidade de vida, levando-se emconta a bandeira da excelência, porum Brasil melhor.”46


CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULOCNPJ - 63.002.141/0001-63Rua Rosa e Silva, 60 - Higienópolis - SPDEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ELABORADAS CONFORME A LEI N O 4.320/64,COM BASE EM 31 DE DEZEMBRO DE 2006 (em milhares de reais)BALANÇO PATRIMONIALAtivo 2006 2005Ativo Financeiro 8.808 9.369Disponibilidades Correntes 540 511Bancos Conta Movimento 506 488Bancos Conta Arrecadação 34 23Disponível Vinc. c/c Bancária 7.951 8.572Realizável 270 243Diversos Responsáveis 10 4Cheques em Cobrança 4 2Adiantamentos de Férias/ 141 126Vl. Refeição/TranspEntidades Públicas Devedoras 97 68Devedores da Entidade 18 43Resultado Pendente 47 43Despesas a Regularizar 18 16Emprestimo Compulsório 29 27Ativo Permanente 53.087 45.236Bens Patrimoniais 21.837 16.570Créditos 31.010 28.470Anuidades Parceladas 1.786 2.374Dívida Ativa 25.524 21.582Débitos Integrais 3.275 3.908Venda de Imóvel 425 606Valores 240 196Almoxarifado 240 196Ativo Compensado 7 7Valores de Terceiros 7 7Total do Ativo 61.902 54.612Passivo e Saldo Patrimonial 2006 2005Passivo Financeiro 8.823 5.927Dívida Flutuante 7.228 4.690Restos a Pagar 1.262 109Depósitos de Diversas Origens 25 18Consignações 172 150Créditos de Terceiros 1 9Entidades Públicas Credoras 5.768 4.404Provisões Trabalhistas 1.595 1.237Saldo Patrimonial 53.072 48.678Patrimônio 53.072 48.678Ativo Compensado 7 7Valores de Terceiros 7 7Total do Passivo 61.902 54.612BALANÇO FINANCEIROReceita 2006 2005OrçamentáriaReceitas Correntes 34.359 33.400Receitas de Capital 407 391Extra-orçamentária 35.873 25.254Saldo do exercício anterior 9.084 5.504Total 79.723 64.549Despesa 2006 2005OrçamentáriaDespesas Correntes 31.888 28.536Despesas de Capital 5.618 1.606Extra-orçamentária 33.726 25.323Saldo para o exercício seguinte 8.491 9.084Total 79.723 64.549RESULTADO ORÇAMENTÁRIO VERIFICADO NO PERÍODODescrição 2006 2005Receitas Correntes 34.359 33.400Receitas de Capital 407 391Despesas Correntes (31.888) (28.536)Despesas de Capital (5.618) (1.606)Resultado Orçamentário do Exercício (2.740) 3.649


DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAISVariações Ativas 2006 2005Dependente da Execução OrçamentáriaReceita Orçamentária 34.766 33.791Receitas Correntes 34.359 33.400Receitas de Contribuição 24.284 24.093Receitas Patrimoniais 1.499 1.477Receitas de Serviços 678 1.073Outras Receitas Correntes 7.898 6.757Receitas de Capital 407 391Alienação de Bens Móveis 407 391Mutações Patrimoniais 6.085 11.796Aquisição de Bens Móveis 1.826 1.103Construção de Bens Imóveis 3.786 519Almoxarifado 333 299Outros Valores 140 706Débitos Integrais - 9.169Total das Dependentes 40.851 45.587Independente da Execução OrçamentáriaInscrição da Dívida Ativa 8.246 12.384Incorporação de Bens Móveis 5 1.809Incorporação de Bens Imóveis 2 205Parcelamentos 10.993 10.175Débitos Integrais 35.575 -Outros Valores 3.537 2.554Empréstimo Compulsório 2 2Almoxarifado 38 58Total das Independentes 58.398 27.187Total das Variações Ativas 99.249 72.774Variações Passivas e Resultado Patrimonial 2006 2005Dependente da Execução OrçamentáriaDespesa Orçamentária 37.505 30.142Despesas Correntes 31.888 28.536Despesas de Custeio 25.215 22.034Transferências Correntes 6.673 6.502Despesas de Capital 5.617 1.606Investimentos 2.117 1.606Aquisição de Imóveis 3.500 -Mutações Patrimoniais 31.850 18.629Cobrança da Dívida Ativa 3.779 4.197Desincorporação de Bens Móveis - 16Alienação de Bens Imóveis - 429Parcelamentos 9.061 7.687Outros Valores 416 1.039Débitos Integrais 18.594 5.261Total das Dependentes 69.355 48.771Independente da Execução Orçamentária 25.498 8.928Cancelamento da Dívida Ativa 525 538Desincorporação de Bens Móveis 135 1.882Alienação de Bens Imóveis 215 826Parcelamentos 2.522 4.884Cancelamento de Créditos 17.631 -Outros Valores 4.144 422Almoxarifado 326 376Total das Variações Passivas 94.853 57.699Resultado PatrimonialSuperávit 4.396 15.075Total 99.249 72.774DEMONSTRAÇÃO DA EVOLUÇÃO DO SALDO PATRIMONIAL2006 2005Saldo dos Exercícios Anteriores 48.678 33.603Receitas Correntes 34.359 33.400Receitas de Capital 407 391Variações Patrimoniais Ativas Dependentes 6.085 11.796Variações Patrimoniais Ativas Independentes 58.398 27.187Subtotal 147.927 106.377Despesas Correntes (31.888) (28.536)Despesas de Capital (5.617) (1.606)Variações Patrimoniais Passivas Dependentes (31.850) (18.629)Variações Patrimoniais Passivas Independentes (25.498) (8.928)Saldo Patrimonial 53.074 48.678


NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS1. ATIVIDADESO CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DOESTADO DE SÃO PAULO, vinculado ao Conselho Federal deContabilidade, criado pelo Decreto - Lei nº 9295, de 27 de maiode 1946, é uma entidade que atua com a finalidade de registropúblico dos profissionais legalmente habilitados (formação escolar)e da fiscalização técnica e ética do exercício da profissão segundoos princípios fundamentais que regem a atividade especializada dosprofissionais, obrigatoriamente condicionados ao registro.2. APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEISAs demonstrações contábeis foram elaboradas e estão sendo apresentadasem conformidade com as disposições contidas na Lei nº 4320/64 elegislação específica posterior.3. PRINCIPAIS PRÁTICAS CONTÁBEISa - As aplicações financeiras- Cadernetas de poupança, junto à Caixa Econômica Federal,demonstradas pelos valores aplicados, acrescidos dos rendimentosauferidos até a data de aniversário de cada conta;- Certificados de Depósitos Bancários (CDB Flex; Fundo FIFPrático da Caixa Econômica Federal), demonstrados pelos valoresaplicados e acrescidos de rendimentos incorridos até a data doBalanço;b - O resultado pendente é composto, basicamente, por depósitosjudiciais referentes a ações trabalhistas, demonstradas ao custohistórico do depósito;c - Os bens móveis estão demonstrados ao custo de aquisição;d - O valor do imóvel Rosa e Silva está demonstrado ao custo deaquisição acrescido da construção e de reformas até 31 de dezembrode 2006 e o valor do imóvel 24 de Maio foi reavaliado conformeLaudo da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (vide nota 8);e - A dívida ativa está constituída pelas importâncias relativas amultas e créditos devidos até o exercício de 2006;f - A receita orçamentária está representada por arrecadação de anuidades(receitas de contribuição), rendimentos de aplicações financeiras(receitas patrimoniais), recebimento referente às inscrições e expediçãode carteiras (receitas de serviços) e multas, sobre anuidades em atraso epor ausências à eleição (outras receitas correntes);g - A despesa orçamentária está demonstrada, principalmente, pordespesas administrativas (despesas de custeio), 1/5 da arrecadaçãorepassada ao Conselho Federal de Contabilidade, 1% da arrecadaçãode anuidades ao Fundo de Investimento de Desenvolvimento Social- Fides (transferências correntes) e aquisições de bens do imobilizado(despesas de capital);h - Os Bens Móveis e Imóveis da Sede e Subsedes estão segurados nasseguintes modalidades: Responsabilidade Civil, Roubo, Incêndio eVeículos, em quantia considerada suficiente em caso de eventualsinistro.j - O Superávit do Exercício teve como principal relevância ainscrição e recebimento dos débitos integrais referentes ao exercíciode 2006, e de exercícios anteriores inscritos em Dívida Ativa.4. DISPONÍVEL VINCULADO - CONTA-CORRENTE BANCÁRIADescrição 2006 2005Bancos Conta Vinculada 5.460 4.130Aplicações Financeiras - CEF - POUP 10 9Aplicações Financeiras - CEF - CDB 2.481 4.433Total 7.951 8.5725. DÉBITOS INTEGRAISDescrição 2006 2005Anuidades do Exercício 2.736 3.682Anuidades do Exercício Anterior - 4Multas de Eleição 516 2Multas de Infração 23 221Total 3.275 3.9096. PARCELAMENTOS CONCEDIDOSDescrição 2006 2005Anuidades do Exercício 1.510 2.264Anuidades do Exercício Anterior - 1Multas de Eleição 223 -Multas de Infração 53 109Total 1.786 2.3747. DÉBITOS EM DÍVIDA ATIVADescrição 2006 2005Anuidades1998 1.526 1.6681999 2.826 3.0872000 3.069 3.3742001 2.017 2.2982002 1.938 2.2572003 1.947 2.2202004 2.890 3.5552005 4.434 1602006 1.353 -Sub-Total 22.000 18.619Multas de Infração1998 122 1251999 22 222000 16 332001 238 2442002 230 2552003 279 2762004 254 2592005 275 12006 86 -Sub-Total 1.522 1.215Multas de Eleição1999 652 7162001 420 4782003 466 5572005 464 -Sub-Total 2.002 1.751Total 25.524 21.585Comparando-se a posição dos débitos inscritos em dívida ativa atéo exercício de 2005 em relação à mesma posição em 2006, nota-se arealização parcial do saldo de 2005 no montante de R$ 2.406 mil referentea anuidades, R$ 213 mil de multa eleitoral e R$ 54 mil de multa deinfração, ou seja, uma realização de 12,4% do total da dívida em 2005;


NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS8. ATIVO PERMANENTEDescrição 2006 2005Bens Móveis 8.109 6.627Móveis e Utensílios de Escritório 1.374 1.257Máquinas e Aparelhos 1.595 909Instalações 636 376Utensílios de Copa e Cozinha 3 3Biblioteca 96 84Veículos 1.378 1.114Equipamentos de Processamento 2.328 2.304de DadosSistemas de Processamento de Dados 684 565Outros Bens Patrimoniais 15 15Bens Imóveis 13.728 9.942Total 21.837 16.569Após ter sido aprovada a venda do imóvel sito a rua 24 de maio, oCRC SP realizou a sua reavalição, com base no laudo de avaliaçãoemitido pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, pois seu ativoencontrava-se registrado com o valor de aquisição, atualizado pelasvariações monetárias até o momento, no montante de R$ 0,21,valor esse muito aquém da realidade do valor mínimo paravenda estipulado pela CEF, tal procedimento está amparado naLei n o 4.320/64 conforme prevê o Art. 106 § 3º.Em 2005 o CRC SP realizou a venda de 6 (seis) andares do imóvelsito a Rua 24 de maio no total de R$ 1.035.241,57 tendo recebidoaté o encerramento do exercício R$ 390.809,98 aplicado no fundopara aquisição de imóveis criado em 2004.Em 2006, o CRC SP realizou o pagamento da primeira parcelareferente à compra de imóvel na Rua Rosa e Silva nº 104incorporado ao patrimônio, no valor de R$ 3.500.000,00 em14/12/06. As demais parcelas do acordo de compra deverão serpagas durante o exercício de 2007 da seguinte forma:R$ 500.000,00 em 15/03/2007, R$ 500.000,00 em 15/06/2007,R$ 500.000,00 em 15/09/2007 e R$ 2.000.000,00 em14/11/2007, quando ocorrerá a outorga da escritura pública decompra e venda.9. DEPÓSITOS DE DIVERSAS ORIGENSDescrição 2006 2005Bradesco S/A 4 16Caixa Econômica Federal 5 2Nossa Caixa Nosso Banco S/A 9 -C.E.F. - Execuções Fiscais 7 -Total 25 1810. CREDORES DA ENTIDADEDescrição 2006 2005Créditos de Terceiros - 1Fornecedores - 8Depósitos em Caução - -Total - 911. ENTIDADES PÚBLICAS CREDORASDescrição 2006 2005INSS - Instituto Nacional Seg. Social 160 140FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço 93 82PASEP/PIS – Caixa Econômica Federal 15 13CRC SP - Fundo para aquisição de Imóveis 3.456 4.128CRC SP - Fundo para adaptação e Ampliação 2.003 -Outros 41 41Total 5.768 4.40412. PROVISÕES TRABALHISTASDescrição 2006 2005Férias Vencidas e Proporcionais 1.232 955Encargos Sociais sobre Férias (INSS/FGTS) 363 282Total 1.595 1.23713. ATIVO REAL LÍQUIDODescrição 2006 2005Saldo Inicial 48.678 33.603Resultado Orçamentário do Exercício (2.740) 3.649Resultado das Variações Patrimoniais 7.135 11.426do ExercícioResultado do Exercício 4.395 15.075Saldo Final em 31.12 53.073 48.67814. OUTRAS INFORMAÇÕESa) No final do Exercício, o cadastro de registros ativos do CRC SPapresentou a seguinte posição:Descrição 2006 2005Contabilistas 11040 11849Organizações Sociedades 8098 8058Organizações Individuais 9003 9335b) No final do Exercício, a inadimplencia ficou em:Descrição 2006 2005Contabilistas 13,90% 11,35%Organizações Sociedades 7,18% 7,65%Organizações Individuais 11,51% 12,97%São Paulo, 31 de dezembro de 2006LUIZ ANTONIO BALAMINUTPresidenteCT CRC 1SP132.021/O-7WILSON ROBERTO PEDROChefe do Depto. de Contabilidade e PatrimônioCT CRC 1SP153.400/O-0DELIBERAÇÃO DO CONSELHO DIRETOR Nº 11/2007BALANÇOS PATRIMONIAL E FINANCEIRO DE 2006PROCESSO “DCP” Nº 18/2006 - 31.12.2006O Conselho Diretor, analisando as peças constantes do referido processo, que trata dos balanços Patrimonial e Financeiro do exercício de 2006,DELIBERA:1 - Aprovar os BALANÇOS PATRIMONIAL E FINANCEIRO DO EXERCÍCIO DE 2006.2 - Submeter o assunto ao exame da Câmara de Controle Interno para parecer e a seguir ao Egrégio Plenário para decisão final.São Paulo, 29 de janeiro de 2007LUIZ ANTONIO BALAMINUTPresidenteCT CRC 1SP132.021/O-7SERGIO PRADO DE MELLOVice-Pres. de Administração e FinançasCT CRC 1SP058.000/O-9DOMINGOS ORESTES CHIOMENTO CLAUDIO AVELINO MAC-KNIGHT FILIPPI JOSÉ AREF SABBAGH ESTEVESVice-Pres. de Fiscalização Vice-Pres. de Desenvolvimento Profissional Vice-Pres. de RegistroCT CRC 1SP032.010/O-0 CT CRC - 1MG 016843/O-3 “T” SP TC CRC - 1SP 090980/O-7


PARECER DE AUDITORIA N° 04/07CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADEExaminamos os balanços patrimoniais do CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO, levantados em 31 dedezembro de 2006 e de 2005, e as respectivas demonstrações contábeis e variações que resultaram nas mutações patrimoniais, elaboradas e aprovadas sob aresponsabilidade de sua administração. Nossa responsabilidade é expressar uma opinião sobre estas demonstrações contábeis.Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria e compreenderam: a) planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dossaldos, o volume das transações, e o sistema contábil e de controles internos da entidade; b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registrosque suportam os valores e as informações contábeis divulgados; c) a avaliação das práticas e das estimativas contábeis mais representativas adotadas peloConselho, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto.Em nossa opinião, com base nas normas emanadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, conforme descrito no Relatório de Auditoria N° 04/07, asdemonstrações contábeis representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do CRC SP, em 31 de dezembrode 2006 e de 2005, o resultado de suas operações e as mutações patrimoniais, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.Quanto à gestão, consubstanciada nos trabalhos realizados, transcritos no Relatório de Auditoria N° 04/07 e, de acordo com os fatos apresentados, somosde PARECER PELA REGULARIDADE DA GESTÃO, para o exercício de 2006.São Paulo, 16 de fevereiro de 2007.PARECER DA CÂMARA DE CONTROLE INTERNOBALANÇOS PATRIMONIAL E FINANCEIRO DO EXERCÍCIO DE 2006PROCESSO “DCP” Nº 18/2006 - 31.12.2006Senhor Presidente.A Câmara de Controle Interno do CRC SP, reunida nesta data, no desempenho de suas atribuições regimentais examinando os Balanços Patrimonial eFinanceiro do Exercício de 2006, elaborados com base na Lei n o 4.320/64, aprovados pela Deliberação do Conselho Diretor nº 11/2007, desta data, é deopinião que os mesmos merecem a aprovação do Plenário, com posterior conhecimento do relatório da auditoria externa.São Paulo, 29 de janeiro de 2007WALTER IÓRIO WANDERLEY ANTONIO LAPORTA MARCIA RUIZ ALCAZARCoordenador Vice-Coordenador MembroCT CRC 1SP 084113/O-5 CT CRC 1SP 045451/O-2 CT CRC-1SP 160313/O-3DELIBERAÇÃO CRC SP Nº 27/2007 DE 29.01.2007APROVA OS BALANÇOS PATRIMONIAL E FINANCEIRO DO EXERCÍCIO DE 2006O plenário do CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO, no uso das atribuições que lhe são conferidaspelo item “IX” do artigo “9º”, de seu Regimento Interno, e tendo em vista o parecer favorável da Câmara de Controle Interno e o que consta doprocesso “DCP” nº 18/2006, de 31 de dezembro de 2006,DELIBERA:Aprovar os balanços Patrimonial e Financeiro do exercício de 2006.Sala das Sessões do Plenário, 29 de janeiro de 2007.LUIZ ANTONIO BALAMINUTPresidenteCT CRC- 1SP132021/O-7Contador Alexandre Freire de Castro GraçaCRC nº DF-011494/O-6-S-SPContador Dirceu Martins Batista JuniorCRC nº DF-11.845/O-3-S-SPCONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE - AUDITORIAIlmo. Sr.Presidente doConselho Regional de Contabilidade do Estado de São PauloSão Paulo - SPPARECER DOS AUDITORES INDEPENDENTES1. Examinamos os balanços patrimoniais do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, em 31 de dezembro de 2006 e 2005, bemcomo os balanços financeiros, balanços orçamentários e demonstrações das variações patrimoniais correspondentes aos exercícios findos naquelas datas,elaborados sob a responsabilidade de sua administração. Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis.2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria aplicadas no Brasil e compreenderam (a) o planejamento dos trabalhos, considerandoa relevância dos saldos, o volume de transações e o sistema contábil e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências edos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgados; e (c) a avaliação das práticas e das estimativas contábeis mais representativas adotadaspela administração da entidade, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto.3. Em nossa opinião, as demonstrações contábeis referidas no parágrafo 1 representam, adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posiçãopatrimonial e financeira do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, em 31 de dezembro de 2006 e 2005 e os superávits de suasatividades, correspondentes aos exercícios findos naquelas datas, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.23 de fevereiro de 2007HORWATH TUFANI, REIS & SOARES Auditores IndependentesCRC 2SP 015165/O-8Francisco de Paula dos Reis JúniorContadorCRC 1SP139268/O-6


ESPECIAL“FÓRUM 2016”: CRC SP INICIA DEBATESOBRE PLANEJAMENTO DA PROFISSÃOPARA OS PRÓXIMOS 10 ANOSO planejamento do futuro daprofissão contábil para os próximos10 anos foi a principal questão do“Fórum 2016: uma visão de futuropara a profissão”, que deu início auma série de reflexões, debatidas pelaslideranças contábeis no eventorealizado no dia 11 de abril de 2007,no auditório do CRC SP.O “Fórum 2016” é uma das tarefaspropostas pelo PlanejamentoEstratégico 2006-2015 do CRC SP econtou com a presença de liderançascontábeis, como a presidente do CFC,Maria Clara Cavalcante Bugarim, osrepresentantes das entidades contábeispaulistas e os vice-presidentesdo CRC SP Sergio Prado de Mello(Administração e Finanças), DomingosOrestes Chiomento (Fiscalização),Claudio Avelino Mac-Knight Filippi(Desenvolvimento Profissional) e JoséAref Sabbagh Esteves (Registro).“Temos que refletir sobre os próximos10 anos para propor aos profissionaisuma nova atitude”, disse o presidentedo CRC SP, Luiz Antonio Balaminut.Para ele, os Contabilistas devembuscar uma formação educacionalque os habilite a pleitear cargos dedireção nas empresas, a participardas tomadas de decisões nos negóciose a ter uma atenção maior à informatizaçãode trabalhos que não estarãomais a cargo dos Contabilistas, com aimplantação do SPED (Sistema Públicode Escrituração Digital) e da NotaFiscal Eletrônica, por exemplo.Para o vice-presidente de DesenvolvimentoProfissional do CRC SP,Claudio Filippi, os profissionais devemcomeçar a se comunicar externamentee precisam se interessar pelas entidadesda classe contábil.A presidente do CFC, Maria Clara,espera uma mudança no ensino daContabilidade e considera essencial queo profissional contábil esteja preparadopara o mercado globalizado, queaprenda novas línguas e amplie seuconhecimento das Normas Internacionaisde Contabilidade. “Faltam cursosque formem os professores de CiênciasContábeis” – disse Maria Clara. “Somos400 mil Contabilistas, mas temosapenas 1.513 mestres e 153 doutoresem Contabilidade”.Um profissional que dê valor aoplanejamento, valorize a qualidadedos serviços e a ética e seja um gestorestratégico. Este deve ser o profissionalda Contabilidade, na visão do empresáriode serviços contábeis José MariaChapina Alcazar, presidente do Sescon-SP(Sindicato das Empresas deServiços Contábeis e das Empresasde Assessoramento, Perícias, Informaçõese Pesquisas no Estado de SãoPaulo) e da Aescon-SP (Associaçãodas Empresas de Serviços Contábeisno Estado de São Paulo).O presidente da Fecontesp (Federaçãodos Contabilistas do Estadode São Paulo), Mauro De MartinoJúnior, aconselha mais investimentospara a Educação Continuada dos Contabilistaspara que possam ter maiorvisibilidade, enquanto que o AuditorJosé Luiz Ribeiro de Carvalho, presidentedo Ibracon 5ª Seção Regional(Instituto dos Auditores Independentesdo Brasil), disse que, no futuro, osprofissionais precisam interagir mais,conscientizar-se que a Contabilidadeé uma ciência social e que os Contabilistassão os responsáveis pelasdemonstrações financeiras, ferramentade negócios, suporte para a prestaçãode contas para a sociedade.O Perito Dorival Lasso Ortega,presidente da Apejesp (Associação dosPeritos Judiciais do Estado de SãoPaulo), acredita que a Contabilidade52Maria Clara Cavalcante Bugarim Luiz Antonio Balaminut Sergio Prado de Mello


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007José Luiz Ribeiro de Carvalho José Maria Chapina Alcazar Dorival Lasso Ortegaterá que se fortalecer e que as entidadescontábeis devem investir na educação,cultura e na ética, essenciais para arespeitabilidade da profissão.O coordenador da Câmara deDesenvolvimento Profissional, JoséJoaquim Boarin, falou do aspectoeducacional da profissão, lembrandoque o MEC instituiu a nova diretrizcurricular para os cursos de CiênciasContábeis, por meio da ResoluçãoCNE nº 10/04, sem levar em contaque, antes, é necessária uma reformado ensino fundamental.Atualmente, o País tem 940 instituiçõesque oferecem cursos de CiênciasContábeis, 35 escolas para Técnicosem Contabilidade, sendo, no total,90% noturnos. Boarin acredita queé necessário instituir por lei o Examede Suficiência e tornar obrigatória aEducação Continuada para todos osContabilistas.Ao final, o vice-presidente de Administraçãoe Finanças do CRC SP, SergioPrado de Mello, disse que espera queo CFC encampe a idéia da realizaçãode fóruns em que os CRCs tenham aoportunidade de discutir o futuro daprofissão nacionalmente.A presidente Maria Clara, encerrandoo “Fórum 2016”, disse que asreflexões sobre a profissão, provocadaspelo evento, motivam os Contabilistasa buscar o melhor caminho para ofuturo e a estarem unidos.53


ESPECIALCRC SP VAI DIVULGAR PROGRAMADE ASSISTÊNCIA À CRIANÇA E AOADOLESCENTE DE SÃO PAULOO CRC SP e a Secretaria de Assistênciae Desenvolvimento Social daPrefeitura de São Paulo celebraram, nodia 2 de abril de 2007, um Termo deCooperação para divulgar o programa“São Paulo Protege suas Crianças”.Dirigido às crianças e adolescentesque vivem nas ruas, o programa estádesenvolvendo a campanha “Dê maisque esmola. Dê futuro”, para erradicaro trabalho infantil.O Termo de Cooperação foi assinadopelo presidente do CRC SP,Luiz Antonio Balaminut, e pelo secretáriomunicipal de Assistência eDesenvolvimento Social, FlorianoPesaro. Como testemunhas, tambémassinaram o secretário municipalde Participação e Parceria, RicardoMontoro, o vice-presidente de Desen-volvimento Profissional do CRC SP,Claudio Avelino Mac-Knight Filippi,e o presidente do Comas (ConselhoMunicipal de Assistência Social) e coordenadordo CRC Social, MarceloRoberto Monello.O secretário Montoro lembrouque, entre outros problemas enfrentadospelas crianças, mais de 90 milmenores da capital paulista estão semvagas nas creches. “Essa deficiência”– disse Montoro – “passou a ser umaRicardo Montoro54Luiz Antonio BalaminutFloriano Pesaroquestão de segurança nacional já que,sem acompanhamento educacional,a criança de hoje poderá ser o adultoanti-social de amanhã.”O secretário Floriano Pesaro disseque São Paulo é uma cidade comum grande contraste social: produzas maiores riquezas do País, mas tambémtem o maior número de pobresda América Latina: três milhões depessoas, 1,4 milhão delas vivendo namais absoluta miséria.O programa quer erradicar otrabalho infantil, acabando com aexploração por adultos, que ficamcom dois terços do que é arrecadadonas ruas pelas crianças e adolescentes,e orientando a população adirecionar suas doações ao Funcad(Fundo Municipal da Criança e doAdolescente).“Mais de 200 milhões são dadosem esmolas, todos os anos, nas ruasde São Paulo” – disse o secretário. “OFuncad, no entanto, conseguiu apenasR$ 20 milhões em 2006, mas podearrecadar muito mais.”


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007Claudio Avelino Mac-KnightFilippiPesaro disse que realizou um sonhoao assinar o Termo de Cooperação como CRC SP. “Os 45 mil Contabilistasda Capital são os profissionais maiscapacitados a prestar todas as informaçõessobre a doação de imposto devido,são os ‘médicos’ indicados para curar afalta de doações e ajudar na ampliaçãodas ações voltadas ao atendimento decrianças e adolescentes.”O presidente Balaminut disse queo compromisso maior do CRC SP écom a sociedade. “Nossas premissase diretrizes estão direcionadas paraações sociais que contribuam para orespeito aos valores que tornam aspessoas cidadãs.”Balaminut lembrou que o CRC SPjá participa da campanha “Uma açãoque vale um milhão”, orientando osContabilistas a divulgar aos usuários daContabilidade a possibilidade de doarparte do imposto devido ao Funcad.Ele enfatizou que os Contabilistasquerem desenvolver ações sociais. “Assinandoeste Termo de Cooperação,queremos dar nossa real contribuição àsociedade. Vamos trabalhar com muitoafinco para divulgar aos Contabilistasesta campanha que muda o foco dotratamento à criança e ao adolescentede rua, aponta soluções e contribuipara o surgimento de uma sociedademais cidadã, igualitária e justa.”CONVENÇÕES REGIONAIS CONTRIBUEMPARA A ATUALIZAÇÃO PROFISSIONALVisando a promover o desenvolvimentoprofissional dos Contabilistas, oCRC SP, em parceria com a Fecontesp(Federação dos Contabilistas do Estadode São Paulo) e com o Sescon-SP(Sindicato das Empresas de ServiçosContábeis e das Empresas de Assessoramento,Perícias, Informações ePesquisas nos Estado de São Paulo),está organizando Convenções Regionaisem diversas cidades do Estadode São Paulo. O lema dos eventosé “o Contabilista preparado para osdesafios da atualidade”.Nos dias 15 e 16 de março de2007, foi realizada a Convenção Regionalde Contabilistas, Empresáriose Estudantes da Contabilidade deAraçatuba. No primeiro dia, houveum encontro de professores e atividadesprogramadas pela ComissãoCRC Jovem, focada em estudantesde Contabilidade e profissionais recém-formados.O dia 16 de marçofoi marcado por diversas palestrassobre temas variados como: segurançada informação, planejamentotributário e o papel do Contador nasociedade.A Convenção Regional de Contabilistas,Empresários e Estudantes daContabilidade de Bauru aconteceuentre os dias 21 e 23 de março de2007. O encontro de professores e aspalestras do CRC Jovem marcaram oprimeiro dia do evento. A atividadedo dia 22 esteve focada no assuntogestão empresarial, com destaque parao papel da mulher. O último dia destaConvenção abordou temas atuaiscomo o Super Simples e segurançada informação, entre outros.Nos dias 17 e 18 de maio de 2007,a Convenção Regional de Contabilistas,Empresários e Estudantes da Contabilidadede Presidente Prudente ofereceuuma programação enriquecedora.Logo no início, houve o encontro deprofessores e palestras promovidas peloCRC Jovem. No dia 18, exposiçõessobre Sped / Escrituração contábil efiscal, nota fiscal eletrônica, desenvolvimentoregional e capital social,entre outros temas.Seguindo o calendário das convenções,representantes do CRC SPtêm se reunido com autoridades políticaslocais para apresentar propostade convênio de fiscalização da atuaçãodos Contabilistas na região.Buscando a abragência total doEstado de São Paulo, o CRC SP estáprogramando outras convenções regionaispara os meses restantes de 2007. Aagenda pode ser consultada no Portalda entidade: www.crcsp.org.br.55


ESPECIALPAPEL SOCIAL E MERCADO DE TRABALHOSÃO DISCUTIDOS NO 3º ENCONTRO DOSESTUDANTES DE CIÊNCIAS CONTÁBEISMais de 2.200 universitários doGrande ABCD reuniram-se para o 3ºEncontro dos Estudantes de CiênciasContábeis, no dia 10 de maio de 2007,no Cenforpe (Centro de Formaçãodos Profissionais de Educação), emSão Bernardo do Campo.Realizado pelo CRC SP e organizadopor instituições de ensino superior deSanto André, São Bernardo do Campo,São Caetano do Sul e Diadema, oevento contou com a participação,como palestrantes, da presidente doCFC, Maria Clara Cavalcante Bugarim,e do professor e autor de maisde uma centena de obras contábeis,Antônio Lopes de Sá.Do CRC SP, estavam presentes opresidente Luiz Antonio Balaminut, osvice-presidentes Sergio Prado de Mello(Administração e Finanças), DomingosOrestes Chiomento (Fiscalização),Claudio Avelino Mac-Knight Filippi(Desenvolvimento Profissional) e osconselheiros Celina Coutinho, DeisePinheiro, Telma Tibério Gouveia,José Carlos Melchior Arnosti e JoséJoaquim Boarin.Também participaram do evento opresidente do Sescon-SP e Aescon-SP,José Maria Chapina Alcazar, o presidentedo CFC, gestão 2004-2005, JoséMartônio Alves Coelho, e o diretor doSindcont, Élcio Valente, representandoo presidente Sebastião Luiz Gonçalvesdos Santos.O prefeito de São Bernardo doCampo, William Dib, foi representadopelo vice-prefeito José Robertode Melo.O presidente do CRC SP, LuizAntonio Balaminut, abriu o evento,afirmando aos estudantes que a Contabilidadeé a profissão de hoje e dofuturo. “Preparem-se, pois vocês podemocupar cargos de direção, cargosRealizadores, organizadores e palestrantes do 3º Encontro dos Estudantes.Vamosestudar parafazer a boaContabilidadeem benefícioda sociedade.de vereadores, deputados, prefeitos eoutros que vocês queiram.”Uma alegre platéia foi recepcionadapela música do Coral Idepac einteragiu com entusiasmo durante aspalestras. A presidente Maria Clara,antes de discorrer sobre “O papel socialda profissão contábil”, elogioua união das entidades de ensino naorganização do evento, lembrandoda importância dos professores parafortalecer a classe contábil.A palestrante falou com muitaênfase sobre o papel social que o novoContabilista deve ter para enfrentaro atual cenário mundial, onde 5,4bilhões de pessoas são subnutridas,24 mil morrem de fome todos os56


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007dias e 43% vivem sem saneamentobásico.Maria Clara citou, ainda, númerosimportantes para entender omundo contábil: de 2,5 milhões deContadores registrados no planeta,400 mil Contabilistas estão no Brasil,que ainda conta com 65 mil organizaçõescontábeis.Lembrando que “quem detém asinformações, detém o poder”, a primeiramulher presidente do CFC disse queo Brasil tem 5,2 milhões de micro epequenas empresas, um amplo campode trabalho para os Contabilistas. Eladisse que é dever de todos conhecera realidade, não perder a capacidadede se indignar com as mazelas domundo e trabalhar para mudar osbaixos índices sociais.“Vamos estudar” – finalizou ela.“Estudar muito para fazer boa Contabilidadeem benefício da sociedade.”Oportunidades em consultoria– Com a experiência de 61 anos naprofissão contábil, o professor AntônioLopes de Sá começou a sua palestrasobre “Consultoria e informação contábil”lembrando que a informáticatirou muitas tarefas que eram atribuídasaos Contabilistas, estreitandoo mercado de trabalho.O Centro de Formação de São Bernardo do Campo ficou lotado.“Mas foi a informática” – disseo professor de 80 anos, que usa umcomputador para trabalhar – “quetransformou o mercado de trabalho,facilitando muito a vida de todos.”Dentre as inúmeras atribuições queo Contabilista pode exercer, Lopesde Sá acha que a consultoria cabeperfeitamente ao profissional contábil,como gerenciador dos negócios,aquele que detém as informações eque, munido delas, pode dar a melhordireção a uma empresa.“A Contabilidade é uma ciência”– disse Lopes de Sá. “E como tal, sabendoporque e como se faz, pode-segerenciar qualquer tipo de negóciocom conhecimento de causa.”O professor admitiu que a informática,hoje, é um real apoio àconsultoria. Ele reafirmou como éticaa fidelidade ao cliente e lamentou opequeno número de cursos de mestradoe doutorado em Ciências Contábeisno Brasil, o que compromete a qualidadedo ensino.Presidente BalaminutMaria ClaraProf. Lopes de Sá57


ESPECIALCRC SP DÁ CONTINUIDADE ÀS AÇÕESCULTURAISMembros do Movimento Poético Nacional se apresentam pela segunda vez no CRC SP.Em maio, foi organizada a exposição“Visão Contemplativa do Real”, daartista Mitiko Yanagui. A abertura damostra aconteceu no dia 3 de maio de2007, e foi marcada pela apresentaçãoda Orquestra Paulista de Viola Caipira,fundada pelo maestro Rui Torneze.O repertório emocionou a todos ospresentes e a alegria dos músicosera contagiante. A orquestra prestouuma homenagem ao presidente doCRC SP, Luiz Antonio Balaminut,tocando “O Rio de Piracicaba”,música que faz referência à cidadena qual ele mora.O CRC SP e o IPH (Instituto deRecuperação do Patrimônio Históricodo Estado de São Paulo) promovem,todos os meses, eventos culturais voltadospara música e artes plásticas.Em março de 2007, o Espaço CulturalCRC SP recebeu a exposição “O OlharPrimitivo”, da artista Graciete FerreiraBorges, que começou sua carreira comoautodidata. Algumas das obras deGraciete já foram expostas na Galeriade Arte do Forte de São Francisco,em Portugal, e apresentadas na XX58O talento dos violeiros daOrquestra Paulista de ViolaCaipira encantou o público.Mostra Afro-brasileira dos Palmares, emLondrina, no Memorial do Alto Tietê,em Suzano, e no Espaço Cultural daCasa de Portugal, em São Paulo.No dia 1º de março de 2007, datada abertura da exposição, o CRC SPfoi palco do recital de poesia e cantorealizado pelo Movimento PoéticoNacional, sob coordenação artísticade Celeste Manzini e Walter Argentoe com acompanhamento de pianoexecutado por Yara Lopes.No mês de abril, foi inauguradaa exposição “Sinfonia da Natureza”,do artista espanhol Isidro Cistaré.Organizada com pinturas de óleosobre tela, a mostra era compostapor obras que retratavam flores epaisagens coloridas.A apresentação musical, queaconteceu no dia 12 de abril de2007, foi realizada pelo coral FantasiaItaliana, com acompanhamento dapianista Yara Lopes. Sob regênciado maestro Jaime Vieira, o coralemocionou a platéia com cançõestradicionais da Itália.A artista Mitiko Yanaguiapresenta suas delicadasobras de arte.O curador das exposições é osuperintendente do PatrimônioCultural da Assembléia Legislativado Estado de São Paulo, Emanuelvon Lauenstein Massarani. A aberturadas exposições e das apresentações éfeita pelo conselheiro e coordenadorda Comissão de Projetos Culturais,Joaquim Carlos Monteiro de Carvalho.Os eventos são mensais e abertos aopúblico e a entrada é sempre um quilode alimento não-perecível, que é doadopara instituições beneficentes.


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007XIV SEMINÁRIO CILEA REÚNE PROFISSIONAISDA CONTABILIDADE EM GOIÁSO presidente do CRC SP, LuizAntonio Balaminut, e o vice-presidentede Registro, José Aref SabbaghEsteves, participaram do XIVSeminário Internacional do Cilea(Comitê de Integração Latino EuropaAmérica), realizado entre os dias 6e 8 de maio de 2007, em Goiás.O evento reuniu cerca de 250profissionais liberais de Ciências Contábeise Econômicas, de 18 paísesda América e da Europa, que participaramde palestras e discussões.Houve também a apresentação depainéis e estudos de casos.A discussão de estratégias desucesso para gestão de micro e pequenasempresas foi o tema centralde todas as atividades. Outros assuntosabordados foram terceirização,planejamento tributário e fontes definanciamento.Devido à participação de profissionaisde outros países, o financiamentode micro e pequenas empresas naUnião Européia, as Normas Internacionaisde Informação Financeira,a Contabilidade e a reforma contábilna Espanha também foram temas dasapresentações.Participaram profissionais de diversospaíses, como: Argentina, Bolívia,Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba,Chile, Espanha, França, Itália, México,Paraguai, Peru, Porto Rico, Portugal,Romênia, Uruguai e Venezuela.HISTÓRICOO Comitê de Integração LatinoEuropa América foi criado em 1997,durante o XXX Congresso Nacionaldos Doutores em Contabilidade, porquatro países latinos: Argentina, Brasil,México e Uruguai; quatro paíseseuropeus: Espanha, França, Itália ePortugal; e por um representante daAIC (Associação Interamericana deContabilidade).O objetivo do comitê é dar maisdestaque às atividades desempenhadaspor profissionais das áreas contábile econômica, por meio da sinergiaentre os profissionais latinos dos doiscontinentes.O atual presidente é o Contador brasileiroJosé Maria Martins Mendes.59


ESPECIALLEGISLAÇÃOORGANIZAÇÕES CONTÁBEISO registro de empresas e a anotaçãodos profissionais legalmente habilitados,delas encarregados, serão obrigatóriosnas entidades competentes paraa fiscalização do exercício das diversasprofissões, em razão da atividade básicaou em relação àquela pela qual prestemserviços a terceiros (artigo 1º da Lei nº6.839, de 30 de outubro de 1980).As organizações contábeis queexploram serviços contábeis sãoobrigadas a efetuarem seu registrocadastral no CRC SP, sem o que nãopoderão iniciar suas atividades (artigo1º da Resolução CFC nº 868/99).Para efeito do disposto nesta Resolução,considera-se REGISTROCADASTRAL:I DEFINITIVO – é concedido pelo CRC SP, organizaçãojurisdicionada no Estado de São Paulo.II TRANSFERIDO – é concedido pelo CRC SP, organizaçãojurisdicionada no Estado de São Paulo.III SECUNDÁRIO – é concedido pelo CRC SP dejurisdição diversa daquela onde a organização contábilpossua registro cadastral definitivo ou transferido, paraque possa explorar atividades na sua jurisdição, sem mudançade sede e sem estabelecimento fixo.IV DE FILIAL – é concedido para que a organizaçãocontábil que possua registro cadastral definitivo ou transferidopossa se estabelecer em localidade diversa daquelaem que se encontra a sua matriz.As organizações contábeis, constituídassob a forma de sociedade,serão integradas por Contadores ouTécnicos em Contabilidade, sendopermitida a associação com profissionaisde outras profissões regulamentadas,desde que estejam registrados nosrespectivos órgãos de fiscalização,buscando-se a reciprocidade dessasprofissões.Na associação prevista no caputdeste artigo, será sempre do Contabilistaa responsabilidade técnica dosserviços que lhes forem privativos,devendo constar do contrato a discriminaçãodas atribuições técnicasde cada um dos sócios. (artigo 3º- ver Decreto-lei nº 9.295/46, artigo1.182, do Código Civil, Decretonº 64.567/69 e Resolução CFC nº560/83).60


n o 163 JUN/JUL/AGO/200761


ESPECIALENTREVISTAA MUDANÇA DE MENTALIDADE, OAPRIMORAMENTO CONSTANTE E APARTICIPAÇÃO TÊM SIDO RESPONSÁVEIS PELORECONHECIMENTO DA CLASSE CONTÁBILEMPRESÁRIO CONTÁBIL E CONSULTOR DE EMPRESAS, OPRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DESANTA CATARINA, NILSON JOSÉ GOEDERT, PÓS-GRADUADO EMGESTÃO EMPRESARIAL PELA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS,VEM PAUTANDO SUA ADMINISTRAÇÃO PELA ÊNFASE NAEDUCAÇÃO CONTINUADA DOS CONTABILISTAS.Em junho, Santa Catarina sediouo 6º Encontro Nacional da MulherContabilista. Nessa região, está havendoum aumento no número de mulheresque optam pela Contabilidade? Comoelas estão sendo recebidas pelo mercadode trabalho?Goedert: A receptividade nãopoderia ser maior. Informalmente,pesquisas feitas entre os empresáriosda Contabilidade mostram que, nahora de contratar, a maioria prefereas mulheres. Além da competência,pesa nesta decisão um fator muitoimportante: hoje elas têm, namédia, uma qualificação superior à62dos homens. Os dados do Registrodo CRCSC revelam que quase 70%(68,3%) das profissionais inscritassão Contadoras, ou seja, possuemcurso superior. Já entre os homens,esse percentual é de 51%.Infelizmente, o desemprego vem aumentandogradativamente em váriasregiões brasileiras. Em Santa Catarina,o profissional contábil encontra trabalhofacilmente?Goedert: Acho que a questão dodesemprego afeta todas as categorias.No caso dos Contabilistas, o que perceboé que há muitos profissionaisem busca de colocação e, no outrolado, um número também grandede empresários reclamando que nãoencontra mão-de-obra qualificada.Ou seja, para quem investe em suaformação e encara com seriedade osdesafios colocados pela profissão, achoque há mercado. Não é possível sairda faculdade e achar que é um profissionalpronto.O senhor acha que a Contabilidadeestá em processo de mudança?Goedert: Diria que a Contabilidadeestá se tornando, dia-a-dia, um excelenteinstrumento de gestão, deixando


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007de ser uma mera necessidade fiscal.Cada vez mais gestores públicos ouprivados, de pequenas ou médiasempresas, vêem na Contabilidade afonte de informação para a gestão deseus negócios. Se analisarmos sob esseaspecto, sim, a Contabilidade estáem processo de mudança.Na sua opinião, os Contabilistasestão preparados para as mudanças quea tecnologia vem trazendo, cada vezmais, para o dia-a-dia da profissão?Goedert: Diria que grande parte,sim, vem acompanhando o avançotecnológico, a globalização, o aumentoda competitividade. Em alguns casosas mudanças são muitas rápidas,porém as entidades contábeis vêmtrabalhando fortemente na EducaçãoContinuada, quer em cursos,em palestras e seminários, quer poroutros meios.NILSON JOSÉGOEDERT,presidente do CRCSCO ensino de Ciências Contábeis estáformando profissionais para um mercadoque se globaliza a cada dia?Goedert: Por mais bem intencionadosque sejam os cursos deContabilidade, e temos 53 em SantaCatarina, a formação oferecida estáaquém das necessidades demandadaspelo mercado, seja por se repassaraos acadêmicos um conteúdo muitoteórico e pouco prático, seja por nãocolocá-los a par dos novos camposde aplicação da Contabilidade. Essarealidade transparece numa pesquisarealizada pelo CRCSC entre os coordenadoresde cursos de CiênciasContábeis. Cerca de 80% reconhecemque os formandos saem parcialmentepreparados para atender as exigênciasdo mercado. Foi exatamente paraaprimorar a formação docente que oConselho Federal de Contabilidadee o CRCSC firmaram um convênio,no ano passado, com o cursode mestrado da FURB (UniversidadeRegional de Blumenau), em que égarantido um subsídio às mensalidadese um auxílio financeiro para os mestrandosparticiparem de congressose convenções.Quais são as ações que o CRCSCtem promovido com relação à EducaçãoContinuada?Goedert: Em média, o profissionalregistrado no CRCSC participou em2006 de um a dois cursos ou eventospromovidos ou apoiados pela entidade.Em doze meses foram 451, quecontaram com a presença de mais de25.408 participantes, um recorde nahistória do CRCSC, num quadro de15,7 mil inscritos. Em comparação como número de registros, Santa Catarinaé um dos Conselhos que mais investeem Educação Continuada dentro doSistema CFC/CRCs, tendo como baseo total de participantes.Desde 2003, os cursos do ProjetoEducação Continuada, normalmentecom duração de quatro ou oito horas,63


ESPECIALENTREVISTANILSON JOSÉ GOEDERTPrecisamosatualizar nossalegislação,editada em1946, fazendocom que reflitaos avançostecnológicos ede comunicaçãoverificadosnos últimos61 anos, bemcomo os novoscampos deatuação doprofissional daContabilidade.são oferecidos em parceria com as demaisentidades contábeis (os Sesconse a Fecontesc e sua rede de sindicatosfiliados). Isso tem permitido levar osprogramas de Educação Continuadapara os municípios menores e maisdistantes da Capital. Via de regra,um curso é oferecido em mais de 30cidades catarinenses.O senhor acredita que a Contabilidadepoderá ter procedimentos únicospara os países do Mercosul?Goedert: A globalização e formaçãode blocos econômicos tendem alevar para esse caminho. Nos paísesmembrodo Mercosul, pode ser quealgum dia isso se torne uma realidade.Hoje, porém, vejo isso como algodistante, pois os interesses individuaistêm se sobreposto aos interessesregionais. Além disso, no Brasil temostrês conselhos profissionais (deContabilidade, de Administração ede Economia), enquanto nos demaispaíses-membro existe apenas um conselhoprofissional.O que precisa mudar para que osContabilistas tenham um destaque maiorjunto à sociedade?Goedert: Destaque conquista-secom participação, quer nas decisões dasempresas e das entidades de classe, querno serviço público e no Parlamento– este último um fórum fundamentalpara que possamos apresentar propostasque aprimorem a legislação. Amudança de mentalidade, o aprimoramentoconstante e a participação têmsido responsáveis, nos últimos anos,por ganhos significativos no que serefere ao reconhecimento da classecontábil.Na sua opinião, o que pode ser aperfeiçoadono Sistema CFC / CRCs?Goedert: Enquanto profissão, temosmuitas inseguranças legais por contade uma legislação editada em 1946.Precisamos atualizá-la, fazendo comque reflita os avanços tecnológicos ede comunicação verificados nos últimos61 anos, bem como os novoscampos de atuação do profissionalda Contabilidade. Para um melhoraperfeiçoamento do ensino, precisamosinstituir o Exame de Suficiência, paraque as faculdades e profissionais sepreparem melhor para o mercado detrabalho. Precisamos, também, estarem dia com mudanças da economiae fortalecer a representação políticada classe contábil. Nesse sentido, consideroque o CFC vem trabalhandoem sintonia com os CRCs em váriasfrentes, quer no âmbito estadual, querno Congresso Nacional.64


ESPECIALENTREVISTAOS CONTADORES POSSUEM GRANDEPRESTÍGIO E NO BRASIL TAL FATO OCORREEM RAZÃO DAS NECESSIDADES SURGIDASCOM O AUMENTO DA BUROCRACIA ESTATAL,COMBATE À CORRUPÇÃO E PARTICIPAÇÃONAS GESTÕES DAS EMPRESASAOS 80 ANOS DE IDADE – 61 DELES DEDICADOS À PROFISSÃO– O PROFESSOR ANTÔNIO LOPES DE SÁ, ALÉM DE JUVENTUDEE SIMPATIA, ESBANJA INVEJÁVEL ENTUSIASMO PELACONTABILIDADE E PELO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO.CONTADOR, ADMINISTRADOR E ECONOMISTA, LOPES DESÁ, QUE CUMPRE UMA EXTENSA AGENDA DE TRABALHOS EPALESTRAS, DEDICA-SE COM AFINCO A ATUALIZAR OS 157LIVROS QUE ESCREVEU.Conte um pouco da sua vida comoContabilista: como começou, por queescolheu a Contabilidade, como era aprofissão naquela época, há quantosanos o senhor exerce a profissão?Lopes de Sá: Exerço a profissão há61 anos e na atualidade posso dizer que66possuo mais encargos em tarefas queantes. Sou parecerista e Perito Assistentede empresas que se inserem entre asvinte maiores de nossa nação e trabalhodas quatro da manhã até as vinte e trêshoras, apenas um ligeiro intervalo deduas horas no meio do dia.Iniciei meus estudos contábeis porsugestão de um diretor de empresa naqual eu trabalhava. Quando iniciei nãohavia o recurso dos computadores, alegislação fiscal era da maior singelezae o Brasil iniciava a sua marcha dedesenvolvimento industrial.


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007A Contabilidade mudou muito nestasúltimas décadas? Conseguiu acompanharas grandes mudanças do século XX?Lopes de Sá: A Contabilidade,como todos os ramos do conhecimentohumano, comportou um grandeprogresso no século XX. Não houvemudança, mas evolução. As doutrinasclássicas, os procedimentos anteriores,comportaram modificações, mas nãodeformações ou anulações que pudessemrepresentar um “outro conhecimento”.Acompanhei e participei doprogresso da nossa ciência oferecendoa ela uma nova doutrina que aindaestá em evolução e que é o Neopatrimonialismo,hoje a mais modernaestrutura doutrinária, com centenasde milhares de adeptos e um númeroexpressivo de professores e escritoresque para tal tese contribuem. Trabalhohoje na prática utilizando-me dosbenefícios da Informática e no campoda Ciência, História e Ética. Não sóprocuro manter-me atualizado, comoestou contribuindo para a evoluçãocom novas doutrinas e técnicas, espelhadasem meus livros e artigos,que produzo com absoluta regularidadee freqüência. Procuro seguir osmeus mestres, Masi, D´Áuria, LopesAmorim, para apenas referir-me a trêsgrandes nomes, que foram homensque produziram enquanto viveram,mesmo na avançada idade.Participo do Conselho Editorial denada menos de 10 revistas do Brasil edo exterior, o que me obriga a ler tudoo que de novo vai sendo produzido.Recebo publicações de todas aspartes do mundo intelectual e na Internetacompanho várias páginas deatualização de conhecimento. O serhumano deve manter-se ativo e serútil enquanto viver e a idade nos dáa experiência e a sabedoria que nãodevem ser sonegadas aos que se iniciamou estão no meio de suas carreiras.O que lhe é mais grato: dar aulas,escrever ou exercer a profissão?Lopes de Sá: Tudo o que faço écom amor, logo, com prazer. Aindahá dias, ao terminar uma conferência,de mim se avizinhou uma assistente edisse-me que ela havia entendido queeu muito amava a profissão, pois sócom amor era possível falar com talentusiasmo e transmitir aos ouvintestal motivação. Respondi à jovem quesó o amor e o conhecimento permitemao espírito os seus grandes vôos porquesão as asas do mesmo.O CRC e os Contabilistas de SãoPaulo têm uma grande admiração peloseu trabalho. Há até o fato de que foi osenhor o intermediário da compra dedois andares do edifício onde era a sedeanterior do Conselho. Como é que foiessa história?Lopes de Sá: Nisso há uma interação,ou seja, uma reciprocidade.Aos colegas de São Paulo muito eudevo, quer por consideração, quer poroportunidade, quer por conhecimento.De Pedreschi a Balaminut, ou seja,do primeiro ao atual presidente doCRC de São Paulo, só recebi respeito,amizade e consideração. As oportunidades,também, pois as recebi emprimeira mão do saudoso professorArmando Aloe, redator da RevistaPaulista de Contabilidade, órgão noqual editei meu primeiro artigo emrevista especializada. Do saudoso LuizHerrmann, da Editora Atlas, recebiapoio para minhas edições. De D´Áuria,tive o prestígio dos elogios e da amizadepara elevar-me e a sabedoria paraentender que era preciso ambicionaruma “cultura brasileira de Contabi-PROF. DR. ANTÔNIOLOPES DE SÁAme aContabilidadecomo ciência,ame esta pátriaque é o espaçoque o destinolhe atribuiu paraque cumpra a suamissão cósmica.lidade”, sem submissão estrangeira.Um povo submisso culturalmenteé escravo de outro.Quanto à sede do CRC realmenteajudei a adquirir, facilitando a comprado imóvel do Banco da Lavoura, nosfins da década de 50, sem qualquerinteresse comercial. Consegui condiçõesfavoráveis ao pagamento e um67


ESPECIALENTREVISTApreço ao alcance do nosso CRC SPpois, na época, estava a assessorar apresidência do Banco da Lavoura deMinas Gerais (hoje Real), ocupadapelo competente Aloísio Faria. Obtivedo banco toda a receptividade e asconcessões feitas eu as transferi todasao CRC de São Paulo.O senhor acha que a tecnologiatrouxe grandes transformações para aContabilidade? O senhor se adaptouao computador?Lopes de Sá: O computador é hojemeu instrumento diuturno de trabalho.Eu mesmo digito meus textos, utilizomede recursos de rara valia para osescritos e cálculos como oferece o Excele de outros programas. Na Internet,mantenho minha página, hoje comquase três milhões de acessos, e respondodiretamente cerca de mil mensagenspor mês. Não consigo prescindir detal instrumento magnífico.O senhor acha que o Contabilistatem o reconhecimento que merece porparte da sociedade?Lopes de Sá: Entendo que poderíamoster mais reconhecimento, maspercebo que a partir da década de6880 acelerou-se o prestígio que haviasido cedido a outras classes que sãodedicadas também aos cuidados coma riqueza dos empreendimentos, comoa Economia e a Administração. Nospaíses de maior poder de produção, osContadores possuem grande prestígioe no Brasil tal fato está a ocorrer tambémnovamente agora em razão dasnecessidades surgidas com o aumentoda burocracia estatal, rigores fiscais,concorrência em face da globalização,combate à corrupção, quebra de éticano poder, ampliação de recursos informativose de participação nas gestõesdas empresas. Quando conseguimos aregulamentação do exercício de nossaprofissão foi o prestígio de nossos líderesque deu suporte ao evento.A Contabilidade brasileira vai conseguiracompanhar a globalização daeconomia?Lopes de Sá: Entendo que nossapolítica econômica ainda não é a queo País merece. O Brasil, os brasileirosprecisam adotar teses próprias, semcópias de modelos vetustos e importados.Dar oportunidade a quem desejatrabalhar e a quem o faz, prestigiar osempreendimentos, oferecer tranqüilidadee segurança, são fatores primordiais. Omodelo deve ser o de desenvolvimento,com menos prisão ao monetário. Emresumo, o que o Brasil precisa é apenasseguir o que está gravado em suabandeira: Ordem e Progresso. Se nosdedicarmos a vender mais tecnologiaque matéria-prima, se aproveitarmosa genialidade de nossos intelectuais ehomens de empresas como Gerdau,Abílio Diniz, Antonio Ermírio deMoraes, os Megale e outros, nossosucesso estará assegurado na globalização.É uma luta árdua que se teráque enfrentar com competência e sagacidadee sem submissão, emboracom habilidade.O senhor é a favor da adoção dasNormas Internacionais de Contabilidade?Lopes de Sá: Albert Einstein escreveuque quando só se ensina a fazer,sem ensinar porque se faz, o homemtende a ser um robô. Ou seja, comoum autômato, programado, tudo oque a este se assemelha tem o limite daprogramação. O que é universal comoconhecimento tende a ser o verdadeiro,mas só será deveras universal se emergirdo científico. Consenso apenas não éverdade. Uma coisa pode ser aceita pormuita gente e não ser sábia e, assim,já lecionava Buda há cerca de 2.500anos. Não é verdade, também, o queapenas um grupo particular admiteque o seja. A Física não se construiupor uma comissão, nem por uma instituição,nem por decreto, mas porGalileu, Faraday, Newton, Marconi,Einstein, Planck e tantos outros. Omesmo ocorreu com a Química, aBiologia e aos demais ramos do saberhumano. Essa é a razão de não aceitarsem restrições o que chega nãocomo realmente “internacional”, mas


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007ANTÔNIO LOPES DE SÁem defluência de submissão culturalproveniente do outro hemisfério,de instituição particular que vendeserviços, de instituições financiadase dominadas por especuladores demercado etc. Tão fortes e poderososeconomicamente, todavia, são osinteressados em impor critérios deinformação que a Contabilidade vemsofrendo desde a década de 60 taisinfluências (denunciadas inclusive peloSenado dos Estados Unidos). Entendoque só o tempo poderá reverter talpressão. Um Contador que tem pretensõesde aplicar seus conhecimentoscientíficos não pode sujeitá-los deforma absoluta às normas tais comotêm sido editadas. Isso não significaque todas as ditas internacionais estãoerradas ou são de má qualidade;apenas admito que devam ser sugestões,nunca imposições, sem o mitoda infalibilidade. Aceitar as normasinternacionais como compulsórias écomo curvar-se diante da imposição deum ordenamento jurídico alienígena.É ferir soberania, cultura, dignidadede um povo. Subordinar a consciênciahumana aos interesses dos investidoresde Bolsas é algo que foge aosprincípios adotados por minha consciênciaética e é nisto que reside aminha ressalva a tal engano. Possonão influir e nem decidir sobre talaceitação, mas não cometo o pecadoda omissão em refutar tal prática. Ahistória, certamente, me julgará.O que o senhor diria a um jovemContabilista?Lopes de Sá: Diria afetuosamente:viva o mundo atual sem estar totalmentede acordo com ele, ou seja, vivaentre os corruptos sem ser corrupto,entre incapazes procurando, todavia,ser capaz, viva entre violentos, mas,praticando a paz, ou seja, seja vocêmesmo, exercendo as propriedades doespírito e que são as de amor, conhecimento,trabalho e reflexão. Creia navida e faça que creiam em você. Creiaem você para que os outros tambémo façam. Ame a ciência porque elaé a transmissora da verdade, ame aContabilidade como ciência, ame estapátria que é o espaço que o destinolhe atribuiu para que cumpra a suamissão cósmica.Quais são os seus planos para ofuturo?Lopes de Sá: Um homem semplanos é como uma árvore sem frutos.A cada ano traço um planejamentoe o faço desde minha tenra idade.Meus projetos são ambiciosos, masse resumem em minha vontade detransferir o conhecimento que acumulei,enquanto isto me for permitido,de doar-me cada vez mais àcomunidade. A minha doutrina doNeopatrimonialismo, a única queconseguiu formar uma corrente depensamento científico de origem brasileira,prossegue sendo meu grandealvo. Tenho um vasto programa deedições. Este ano já lancei o livroÉtica e valores humanos, em Maceió,com a presença e o prestígio de nossailuminada presidente do ConselhoFederal de Contabilidade, Maria ClaraCavalcante Bugarim. Estou a concluiruma outra obra sobre o Ativo Intangívelque lançarei até junho e outrajá em curso que será entregue atésetembro deste ano sobre a Históriada Contabilidade no Brasil. Tenhoatualizado meus livros e pretendolançar uma ampliação considerávelde meu Dicionário de Contabilidade.O Congresso Internacional deContabilidade do Mundo Latino,o Prolatino, por mim criado coma ajuda do mestre Walter Crispimda Silva, presidente da centenáriaFundação Visconde de Cairu, já comoito realizações, inclusive uma naEuropa, em Portugal, pretendo darnova roupagem para comemorar o10º, que já está em planejamento,pois o 9º será em Brasília, em setembropróximo. Meus planos nãocessam e prosseguem em rara marchade aceleração, contando com apoiosde qualidade como os que me têmdado o sistema dos Conselhos deContabilidade, Regionais e Federal,e as centenárias Fundações ÁlvaresPenteado e Visconde de Cairu.O CRC de São Paulo, com maiseste prestígio que me dá de podertransmitir meu pensamento em entrevistaespecial, é uma inequívocaprova de tudo isso.Posso afirmar que se outra vidativer além da que já me foi possívelter, em outra estarei a planejar sempreambiciosamente no campo do amor,do conhecimento, da reflexão, do trabalhoe da perene reflexão.69


ESPECIALENTREVISTANOSSAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIORPRECISAM DE UM MODELO DE GOVERNANÇAEDUCACIONAL COMPATÍVEL COM A MISSÃO,VISÃO ESTRATÉGICA DE NEGÓCIO E SISTEMADE CRENÇAS E VALORESMEMBRO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE ATUÁRIA, MASAYUKINAKAGAWA É PROFESSOR TITULAR DE CONTABILIDADEDA FEA/USP (FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃOE CONTABILIDADE DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO) EPESQUISADOR SÊNIOR DA FIPECAFI (FUNDAÇÃO INSTITUTO DEPESQUISAS CONTÁBEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS). NESTAENTREVISTA, ELE ABORDA PONTOS IMPORTANTES DA EDUCAÇÃOE DO ENSINO DAS CIÊNCIAS CONTÁBEIS, ENFATIZANDO QUE “AQUESTÃO CENTRAL A SER RESOLVIDA PARA A MELHORIA DAQUALIDADE DO ENSINO CONTÁBIL NO BRASIL SÓ ACONTECERÁ,DE FATO, MEDIANTE A ADEQUADA INTEGRAÇÃO CONCEITUAL ESISTÊMICA DA CONTABILIZAÇÃO COM A CONTABILIDADE70


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007Qual é a avaliação que o senhor fazda Resolução nº 10/04 do CNE (ConselhoNacional de Educação)?Essa resoluçãocontribui para melhorar a qualidadedo ensino nos cursos de graduação emCiências Contábeis?Prof. Masayuki: Tenho certeza deque a Resolução nº 10/04 do CNE,de 16 de dezembro de 2004, poderácontribuir muito positivamente paraa melhoria da qualidade da educaçãocontábil no Brasil, porque seus princípiosbásicos estão fundamentadosna Proposta Internacional de DiretrizesEducacionais, editada pelo IFAC (InternationalFederation of Accountants),em maio de 1996. Essa proposta foiobjeto de discussão nas reuniões nacidade de Londres, na sede da ACCA(The Association of Chartered CertifiedAccountants), em 1999, das quais participeicomo professor da FEA/USPe representante da SESu/MEC, aconvite do professor L. Nelson deCarvalho, à época chairman do ISAR(Intergovernmental Working Group ofExperts on International Standardsof Accounting and Reporting). Dessareunião, participaram representantesde muitas nações e, como resultado,o ISAR trabalhou durantecerca de três anos num documento,cuja coordenação esteve a cargo dodoutor em Ciências Contábeis nosEstados Unidos, professor MohamedE. Moustafa, e que foi publicado pelaUNCTAD/ONU, em outubro de 2002,intitulado Global Curriculum for theProfessional Education of ProfessionalAccountants. Considero, assim, queas Diretrizes Curriculares Nacionaisdo CNE poderão ser de grande relevânciapara todos nós, coordenadoresde cursos de graduação em CiênciasContábeis. Entretanto, sua implementaçãocom sucesso é uma questão queficará na dependência de cada IES(Instituição de Ensino Superior) já terno seu sistema de gestão de negóciosum adequado modelo de GovernançaEducacional.A resolução atende às reivindicaçõesde alunos e professores para modernizaro curso de graduação em CiênciasContábeis?Prof. Masayuki: Quais são essasreivindicações? Acredito que os alunose professores têm a expectativa de quesua IES tenha todas as condições dePROF. DR. MASAYUKINAKAGAWAtransformar em realidade o desejo queo ingressante tem de se tornar umprofissional tão competente quantoos melhores do mundo. O que se temobservado, entretanto, não é isso. Infelizmente,com raríssimas exceções,as IES brasileiras estão focadas apenasno ensino das normas e técnicas daContabilização. Quando o enfoqueda esmagadora maioria das IES doBrasil passar a ser, como preconizadono documento da UNCTAD citado,voltado para um verdadeiro sistemade informação para apoio à tomadade decisões, principalmente econômicas,a modernização pretendidaterá sido alcançada.Após tantos anos de docência, comoo senhor vê o ensino das Ciências Contábeisno Brasil?Prof. Masayuki: Vejo com muitapreocupação o ensino das CiênciasContábeis no Brasil porque nossas IESapresentam-se ao mercado carentes dealgumas coisas fundamentais para agestão do seu negócio. A principal delasé de natureza administrativa: a faltade um modelo de Governança Educacionalque lhes permita a quitação da71


ESPECIALENTREVISTAsua plena obrigação de prestar contasdos resultados perante a sociedade eseus alunos. Embora minha respostaseja contundente, não posso omitirdiante dos meus colegas e amigos averdade das coisas após tantos anosde experiência com sucesso na coordenaçãodo curso de graduação emCiências Contábeis da FEA/USP.Meu profundo e verdadeiro desejo éde poder compartilhar essa experiênciacom todas as IES brasileiras.O que a academia oferece ao aluno,hoje, para que ele possa chegar preparadoao mercado de trabalho?Prof. Masayuki: Em minha opinião,o que a academia oferece ao aluno,hoje, é apenas uma espécie de doceilusão de que chegará preparado aomercado. Não tenho dúvidas de queos professores proporcionam aos seusalunos o melhor dos ensinamentos noque diz respeito às normas e ténicas decontabilização, eventualmente com umenfoque possivelmente exagerado naespecialidade Contabilidade Tributáriaa qual, embora importante, não é aúnica, nem necessariamente a principaldas especializações do bacharelem Ciências Contábeis. Mas, para omercado de trabalho na economiaglobalizada, o portador do diplomade Contador deve aliar a essesconhecimentos o da Contabilidadede tal maneira que o permitam serespecialista também no campo da análisehermenêutica das demonstraçõescontábeis, interpretação dos signoscontábeis e comunicação contábilcomo linguagem de negócios. Conhecimentosde Mercados Financeiros,Métodos Quantitativos e ElementosFundamentais de Comunicação deFenômenos Empresariais são tão relevantesquanto os conhecimentos deContabilização especificamente.72Aconselho os jovensContabilistas a lerem,compreendereme perceberemo significadodas implicaçõesestratégicas dosconceitos.Na sua opinião, a Contabilidademudou muito nos últimos anos?Prof. Masayuki: Em minha opinião,a Contabilidade é a mesma desde que,há aproximadamente 8.000 anos a.C.,o povo da Mesopotâmia, percebendoa necessidade de fazer contas e quitarsua obrigação perante seus deuses, reis esacerdotes, por meio de uma adequadaprestação de contas, acabou inventandoaquilo que hoje é conhecidocomo Contabilidade. Aliás, a noçãode prestação de contas já era conhecidae praticada pelo povo hebreu conformeconsta na Bíblia Sagrada, no livro deSão Mateus, capítulo 25, versículo 14.O que mudou foi o tremendo enganode se chamar de Contabilidade algoque na verdade é a contabilização.O senhor acredita que o mercado brasileiroestá preparado para a adoção das NormasInternacionais de Contabilidade?Prof. Masayuki: A necessidade deestar preparado é realidade. O BancoCentral já determinou que tais normassejam o padrão contábil dos balançosconsolidados de bancos a partir de 2010e a CVM acaba de manifestar-se nomesmo sentido para as companhiasabertas não-bancárias. As empresasque possuem filiais no exterior, e/outêm suas ações negociadas em Bolsasde Valores do mundo inteiro, jáconhecem e praticam ou as normasnacionais dos Estados Unidos (os USGAAP) ou as Normas Internacionais deContabilidade. Entretanto, olhando-seo universo de Contabilistas do Brasil,é possível que ainda haja a necessidadede grandes esforços para seremministrados cursos de ContabilidadeInternacional nas IES brasileiraspara ensinar as Normas Internacionaisde Contabilidade, a fim de quesuas demonstrações contábeis sejamcomparáveis às de outros países parafins de análise e estudos acadêmicos,sob a ótica da compreensibilidade. NaFipecafi e FEA/USP o ensino, pesquisae aplicação das Normas Internacionaisde Contabilidade já estão ocorrendoregularmente há algum tempo, tantoem nível de graduação, como de pósgraduação.Em nível de graduação,por exemplo, a disciplina Tópicos de


n o 163 JUN/JUL/AGO/2007MASAYUKI NAKAGAWAContabilidade Internacional está a cargodo Prof. Dr. L. Nelson Carvalho, oqual coordena, junto com o Prof. Dr.Lázaro Plácido Lisboa, o Laboratóriode Contabilidade Internacional,do Departamento de Contabilidadee Atuária da FEA/USP. Um pontoque merece destaque: no Brasil, emtermos de se buscar consenso com asNormas Internacionais de Contabilidade,a Constituição Federal impedeque órgãos governamentais deleguemfunções a outras instituições do setorprivado. Assim, não será possível termoso que ocorre em outros países,com os órgãos federais de controlesimplesmente deliberando por delegarseu poder de emitir normas a seus“CPCs” (FASB, IASB etc).O senhor é a favor do Exame deSuficiência para os profissionais recémformados?Prof. Masayuki: Sou absolutamentea favor desse tipo de exame paranossos profissionais serem aceitos pelomercado como Contador Certificadopelo sistema de Conselhos Regionaisde Contabilidade no Brasil. Algumaspreocupações que tenho com relação aesse tema dizem respeito ao resultadodo nosso Exame de Suficiência, emtermos de sua consistência e comparabilidadeaos melhores padrões domundo, porque nós, na verdade, jáestamos envolvidos em projetos deglobalização do profissional em Contabilidade.A Fipecafi, da FEA/USP,tem uma boa experiência internacionalnesse setor e está equipada e prontapara compartilhar com o CRC SP, emcoordenação com o CFC, as tecnologiasque domina nesse setor.Qual a sua opinião sobre a EducaçãoProfissional Continuada paraContabilistas?Prof. Masayuki: Em minha opinião,a Educação Profissional Continuada,por ser complementar e necessária àatualização do Contador em matériade conhecimentos técnicos requeridosao melhor desempenho do exercícioe fiscalização profissional da classe,sob uma adequada atitude e/ou comportamentoético-moral, não conflitacom os objetivos da Educação AcadêmicaContinuada. Esta é cada vez73


ESPECIALENTREVISTAMASAYUKI NAKAGAWAmais necessária devido às exigênciasdo mercado de trabalho nacional einternacional, com vistas a um Contadorqualificado como portador deconhecimentos acumulados, capazde reconhecer, mensurar, avaliar einterpretar o comportamento dosfenômenos sociais, políticos, econômicose financeiros de interesse daContabilidade.Quais os nichos da Contabilidadeque melhor atendem às demandas domercado, atualmente?Prof. Masayuki: De acordo como dicionário etimológico da línguaportuguesa de Antônio Geraldo daCunha, a expressão Cont/abilidadeé traduzida como sendo a habilidadede tornar alguém confiável, ouseja, cont/ável / cont/ábil peranteterceiros (o “v” se transforma em“b” devido ao fenômeno que, emlingüística, é conhecido pelo nomede sonorização). Neste sentido se ahabilidade desejada de um Contadoré de natureza gerencial, temos a ContabilidadeGerencial; se a habilidadedesejada está relacionada a negóciosinternacionais, temos a ContabilidadeInternacional; se a habilidadeestá relacionada ao reconhecimento,mensuração e gestão de custos, temosa Contabilidade de Custos e assim pordiante. Os nichos de Contabilidadede maior interesse para o sucessoprofissional do Contador depende74da escolha que ele fizer em funçãodas oportunidades do mercado. Seele deseja escolher o nicho mais compatívelcom o sucesso competitivo deuma empresa no contexto da economiaglobalizada, por exemplo, ele poderáse especializar em Logística Integradaà Controladoria e Negócios. Será,todavia, uma questão de se decidirapós a análise das oportunidades,riscos, ameaças e competências pessoaisde cada profissional.O profissional que está sendo formadona universidade tem uma preocupaçãosocial com o Brasil?Prof. Masayuki: Pelo que tenhoobservado, conceitos tais como commonlaw versus civil law e direitos decidadania no Brasil, ciência políticaversus ciência contábil, semiótica aplicadaà análise contábil, filosofia dasciências aplicada à teoria contábil,obrigação de prestar contas dos resultadose eficácia da prestação decontas, responsabilidade social versusresponsabilidade fiscal e tributária,sociologia do bem-estar e dignidadehumana, ecologia empresarial e tantosoutros ainda não são adequadamenteestudados em nossos cursos de graduaçãoem Ciências Contábeis. Aconclusão a que chego, portanto, éa de que o profissional formado emContabilidade no Brasil não tem umapercepção sobre a essência do que éa preocupação social no Brasil.O que o senhor aconselha aos jovensContabilistas?Prof. Masayuki: A fim de complementaros conhecimentos adquiridos emseus cursos de graduação, aconselho osjovens Contabilistas a lerem, compreendereme perceberem o significado dasimplicações estratégicas dos conceitosacima mencionados sobre a gestão dequalquer tipo e forma de instituição eseu desempenho econômico-financeirono mundo real de negócios. Entendoque a sociologia, filosofia, psicologia,política, engenharia, direito, economia,finanças e religião complementam apreparação do Contador em um mundoconstruído socialmente, cujas pressõesisomórficas devem ser do conhecimentode qualquer profissional.Qual a sua expectativa com relaçãoao futuro próximo do Brasil?Prof. Masayuki: Não tenho competênciapara falar do futuro social,político ou econômico do Brasil. Possotentar falar do futuro próximo doBrasil em termos de ensino e pesquisacontábil. Se não fizermos uma reformado ensino contábil no Brasil com oobjetivo de tirar a Contabilidade dassombras em que se encontra, aliás,como de resto também ocorre nomundo todo, jamais o Contador seráaceito no templo sagrado das ciênciastradicionais mais conhecidas e aceitascomo tais. Para tirarmos a Contabilidadedas sombras nem instituiçõescomo o CRC SP ou a Fipecafi, isoladamente,conseguirão fazê-lo comsucesso. Minha sugestão é a de que,sob a coordenação de ambos, se crieuma força-tarefa, como a que ocorreuem 2000, quando a AAA (AmericanAccounting Association) publicou oBoletim nº 16 intitulado AccountingEducation: Charting the Course througha Perilous Future.


n o 162 MAR/ABR/MAIO/200775

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