Êxodo cada vez mais precoce de craques derruba o ... - CNM/CUT

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Êxodo cada vez mais precoce de craques derruba o ... - CNM/CUT

Ponto de VistaPor Mauro SantayanaA monarquia como estorvoAo mandar que o presidenteHugo Chávez calasse aboca, o rei Juan Carlos prestouimenso serviço à causa daintegração sul-americana. Agrosseria escancarou a agressiva presençaespanhola na economia do continente. Jáantes – com a vitória dos espanhóis paraa exploração de rodovias federais – o empresariadobrasileiro protestara contra ossubsídios que o governo de Madri oferecea quem queira comprar empresas ou licitarserviços públicos no exterior. Frenteà arrogância de Juan Carlos, somaram-seaos protestos dos empresários latino-americanosas queixas de natureza política. Osespanhóis tratam os governantes do continentecomo se os quase 200 anos de independênciada maioria das antigas colôniastivessem sido intervalo ilusório.Durante séculos a política européia giravaem torno de Espanha, França e Inglaterra.As famílias dinásticas desses três reinoscasavam-se entre elas e intervinham,quase sem cerimônia, nos assuntos internosdos parentes. Essa convivência nãoimpedia, no entanto, que chegassem à guerra. Não era de estranharnas famílias reais o assassinato entre irmãos, o parricídio, ouxoricídio e até mesmo o matricídio.Desde o início do século 19 a dinastia dos Borbón se dividiu aomeio, com a briga entre os irmãos Fernando VII e Carlos. Os fernandistaslevaram a melhor, e Juan Carlos pertence a esse ramo.Mas os carlistas nunca desistiram do trono: em 1969, Carlos Mariade Borbón y Austria, Duque de Madri, pretendente de turno, foicompelido ao exílio por Franco, pouco antes de este decidir que,com sua própria morte, a monarquia seria restaurada. E designouo futuro rei, na pessoa de Juan Carlos, neto de Alfonso XIII, últimomonarca da Espanha, destronado em 1931 com a proclamação daRepública. Com isso Franco usurpava o trono de dom Juan, Condede Barcelona, de quem não gostava.Juan Carlos procedeu com discrição em questões políticas até1981. Naquele ano, militares a ele muito próximos patrocinaramJuan Carlos, reida EspanhaO que incomoda o rei daEspanha é que as reaçõesda Venezuela a um novodesembarque colonizadorde Madri ecoam tambémno Equador, Peru, Bolívia– e têm o respeito do Brasile da ArgentinaJon Nazca/REUTERSa tentativa de golpe contra o Parlamento,chefiada pelo tenente-coronel Tejero,da Guarda Civil. Na ocasião, Juan Carlossó se pronunciou para condenar o golpequando toda a Espanha já se encontravamobilizada nas ruas para a resistência.A partir de então, o comportamento deSua Majestade começou a trazer dúvidas.Em 2002, José Maria Aznar, o chefe degoverno espanhol mais próximo de JuanCarlos, não teria dado ordens ao seu embaixadorem Caracas para que apoiasse ogolpe contra Chávez sem antes consultaro monarca. Sabe-se em Madri dos interessesde Juan Carlos nas empresas espanholasque operam na América do Sul.Chávez não foi o único a denunciar, narecente reunião dos países ibero-americanosem Santiago, os processos de privatizaçõese a arrogância de Madri. Ele, noentanto, abriu caminho para a articulaçãoda resistência ao novo desembarquecolonial. Um empresário ibérico declarouao jornal El País (de 27 de novembro)que a Espanha não tem como pressionaro venezuelano, que nada deve aosestrangeiros. “Ele paga em dinheiro tudo o que compra.” O quetambém os incomoda, e muito, é que Chávez faz escola. Na Cordilheira,saltando sobre a Colômbia – sob dissimulada ocupaçãonorte-americana –, a palavra do mestiço ecoa no Equador, no Peru,na Bolívia. E os povos dos países maiores, como o Brasil e a Argentina,a respeitam.Por outro lado, Juan Carlos se confronta com um movimento,já evidente, para a instauração do regime republicano e federalistana Espanha. Catalães, bascos, aragoneses, asturianos, galegos eandaluzes, sem falar nos intelectuais de Madri, se organizam embusca de uma república federativa. Fotos dos reis da Espanha foramrecentemente queimadas em Girón. A monarquia pode tersido importante para que a transição da ditadura de Franco parao Estado democrático se fizesse sem derramamento de sangue.Com a União Européia, a monarquia deixa de ser necessária paraconstituir um estorvo.Mauro Santayana trabalhou nos principais jornais brasileiros desde 1954. Foi colaborador de Tancredo Nevese adido cultural do Brasil em Roma nos anos 80. É colunista do Jornal do Brasil e articulista de diversas publicações REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


Resumo PorPaulo Donizetti de Souza e Vitor NuzziO mundo é um moinhoReflexos da internacionalizaçãoe da concentração dosistema financeiro foram debatidospor mais de 200 dirigentessindicais de Brasil, Argentina,Paraguai, Chile, Uruguai,Colômbia, Peru, Costa Rica,Panamá, Guatemala e Espanha.Na 3ª Reunião Conjuntadas Redes Sindicais de BancosInternacionais – realizada emnovembro na ConfederaçãoNacional dos Trabalhadoresdo Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo –, emergiramproblemas semelhantes,como terceirização, desrespeitoà jornada e danos à saúdefísica e mental decorrentes demetas abusivas e do assédiomoral, mas em alguns paísesagravados pelo desrespeito àrepresentação sindical.No Peru, após a chegada demultinacionais que ameaçavamcom dispensa quem nãose desfiliasse, só restou umsindicato. No Chile, a terceirizaçãoé arrasadora, acordossão impostos sem negociaçãoe os estrangeiros, a pretextode expandir a “bancarização”,querem abrir agências por 24horas sem contratar. Na Colômbiae na Guatemala, dirigentessindicais são vítimas deatentados e execuções. Argentina,Brasil e Uruguai alcançamum patamar superior porforça dos acordos coletivos nacionaisde trabalho. Mas aindadistante da Espanha, tambémcom acordo nacional, onde arelação é mais próxima do civilizado,com nível de renda ede proteção social que permiteum padrão de vida mais digno.Em casos de fusão e incorporação,os trabalhadores contamcom poder de intervençãomaior.NeblinaEm relação à recente aquisiçãodo ABN pelo Santander,será enviado documentoao presidente mundial do grupo,Emílio Botin, e aos governosdos países em questão, emque os empregados reivindicamdiálogo e proteção contrademissões imotivadas. NoBrasil, o silêncio por ordem docomando espanhol tem marcadoas tentativas de negociação.Há cheiro de impasse noar. Edição da revista Exame nomês passado levantou indíciosde ausência de ventos para asnaus espanholas. Em nota, oeditor Marcelo Onaga apontaque por um suposto “descuido”ibérico a parte brasileira doABN não caberia ao Santander,mas a um sócio na compra, oRoyal Bank of Scotland (RBS)– impasse que estaria exigindoconversas mais sérias e preçosmais altos. Estaria em altatambém a tensão em torno doTerceirização,desrespeitoà jornadae danosà saúde:problemasem comumcurrículo de Fábio Barbosa,presidente do Real. Seria a síndromede Márcio Cypriano, oex-dirigente do BCN que acaboupapando a presidência doBradesco, seu comprador?gerardo lazzariAlmeida Rocha/Folha ImagemPadreJúlioNotícias do padre Júlio LancelottiDurante o inquérito em torno do caso do padre Júlio Lancelotti, vítima de extorsãopelo ex-interno da Febem Anderson Batista, apurou-se que o rapaz tem envolvimentoem outros golpes. O mais recente, roubar o próprio carro de um estacionamentopara enganar o seguro. O padre, da Pastoral do Povo de Rua e conhecido por acolhercrianças com aids, sofreu ameaças de ser “denunciado” por Anderson por prática depedofilia e por manter encontros amorosos com ele e outros jovens. Depoimentos detrês parceiros presos do ex-interno estavam repletos de contradições e não se encaixavamnas acusações contra Lancelotti. Outras testemunhas importantes apontadaspelos acusadores inocentaram veementemente o padre. O inquérito está perto deconfirmar sua inocência no caso. Resta saber se a imprensa estará disposta a repararos estragos causados à sua imagem enquanto as acusações garantiam espetáculo. REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


previdênciaDiscussão empatadaO Fórum da Previdênciateve o mérito de reunirgoverno, empresas,trabalhadores da ativae aposentados e deconstruir consensosimportantes. Masrestam aindadivergências queindicam: o jogo estálonge de terminarPor Vitor NuzziSistema paraa nova geraçãoMarinho: “Precisamosplanejar, olhar para afrente”José Cruz/ABrNo futebol, costuma-se dizerque um empate, muitas vezes,é bom para os dois times.Em 31 de outubro, o ministroda Previdência, Luiz Marinho,divulgou os resultados do Fórum Nacionalda Previdência Social, que consumiuoito meses e 12 reuniões – e atingiu 31 itensde consenso. Mas algumas decisões consideradasfundamentais ficaram de fora, oque deixou parte dos integrantes do fórumquestionando se o empate foi bom. Entre osprincipais impasses estão as formas de financiamentodo Regime Geral da PrevidênciaSocial (RGPS), as regras sobre idade mínimae tempo de contribuição e uma possível reavaliaçãode normas da pensão por morte.Para Marinho, a preocupação de proporuma reforma mais profunda agora era garantirum novo sistema para a próxima geração.“Precisamos planejar, olhar para a frente.Porque, se fizermos uma reforma daqui a30 anos, vai ser uma reforma dolorida, commudanças fortes para quem está trabalhandohá 30 anos. A idéia é dar previsibilidadepara as pessoas”, afirmou o ministro.O secretário de Políticas de PrevidênciaSocial, Helmut Schwarzer, ressalta a importânciade adaptar as regras à nova realidadedemográfica. “Se você não faz isso, está aumentandoo ônus da geração futura. Precisamosnos preocupar com o efeito dessa transiçãosobre as políticas públicas”, afirma. “Àmedida que o tempo for passando, vamos terde fazer ajustes cada vez mais duros.”10 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


economiaABolsae avidaO mundo das ações éfeito de interessadosem uma boa poupançade longo prazo, quecapitaliza o setorprodutivo; e tambémde gente capaz dearrebentar economiasem nome da ganância.Antes de entrar épreciso entenderPor Roberto RockmannNos últimos meses, na rodade amigos do advogadoEduardo Madeira, o assuntosão ações. Qual empresapode se valorizar mais nospróximos meses? Qual pode ser uma fria?Eduardo até decidiu abrir uma conta emuma corretora para poder ele mesmo negociarações na Bolsa de Valores de SãoPaulo (Bovespa). E não está sozinho. Cincoanos atrás, 82 mil pessoas físicas estavamcadastradas para comprar e vender papéisde empresas. Neste ano, já são mais de 300mil habilitados. O número ainda deve crescer,impulsionado pela economia aquecida.Cerca de 5% da poupança do país estáatrelada a ações. Em dez anos, estima-se,serão mais de 15%. Mas a promessa de ganhofácil e rápido está longe de ser certezaabsoluta. Existem inúmeros perigos no caminhoe apenas uma certeza: a Bolsa não12 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


mídiaComunicação,o desafio da esquerdaO Brasil ainda padece da falta de grandesjornais e outros meios de comunicação demassa independentes. Disputas políticas,ausência de anunciantes, menosprezo dogoverno federal e monopólio – da mídiacomercial e da distribuição em banca– são barreiras a ser vencidasPor Bernardo KucinskiPor que jornais e revistas de esquerda penam para decolarno Brasil? Boicote dos anunciantes? Sabotagemdos distribuidores? Incompetência dos profissionais?Falta do que dizer ou não saber como dizer? E, se forum pouco de tudo isso, como superar? O volume desesjornais e revistas hoje é insuficiente – em circulação ou tiragem– para fazer frente à imprensa conservadora. É verdade quepoucas atividades são tão arriscadas quanto o jornalismo. Aindamais em tempos de revolução tecnológica. Anunciantes pesadosdesaparecem de um dia para o outro. Basta lembrar casos comoVarig, Banco Santos, BRA. Os donos do dinheiro não investem nojornalismo impresso pela taxa de lucro, que é baixa; entram peloprestígio, para fazer política, ou para mamar em verbas de publicidadesgovernamentais.Mesmo assim, três dos maiores jornais brasileiros quebraram naúltima década. O Estadão virou refém de bancos credores. GazetaMercantil e Jornal do Brasil foram comprados por um empresárioespecializado em arrematar empresas na bacia das almas.A maior central sindical brasileira, a CUT, com milhares de sindicatosfiliados, em 24 anos de existência nunca conseguiu lançarum jornal ou revista de expressão nacional ou mesmo regional. OPT, um dos maiores partidos políticos do mundo, com 27 anos devida e mais de 800 mil filiados, só mantém uma anêmica revista,Teoria & Debate, de 6 mil exemplares bimestrais.No Chile, as dificuldades do mercado jornalístico devem ser aindamaiores, porque a população é muito menor, mas o Partido Comunistachileno, com menos de 5% dos votos, leva às bancas seujornal, toda semana. Na Bolívia, na Venezuela, na Argentina, empaíses da Europa, circulam jornais de diversos matizes de esquerda,que contestam as políticas dominantes. No Brasil, há meia dúziade revistas de baixa circulação e nenhum jornal diário. A esquerdabrasileira parece não atinar para a importância estratégicada comunicação.Uma das razões do fracasso de jornais e revistas declaradamentede esquerda é a dificuldade que bons projetos encontram para nãosucumbir ao sectarismo ou a disputas internas. Essa característicaenterrou quase toda a imprensa alternativa nos anos 70 e conmontagemcom fotos da sxc16 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


tribuiu para a crise do Jornal dos Trabalhadores e do Brasil Agora,duas tentativas de vida curta de fazer circular um órgão oficial deinformação do PT.Outro motivo dos fracassos é a linguagem, doutrinária, distantedo cotidiano do povão. Muitos slogans, poucos fatos e pouca reportagem.É o que acontece, por exemplo, com o jornal do MST,o Brasil de Fato. A linguagem tem de ser contemporânea, aberta, enão refletir pensamentos que não se renovam. O novo Pasquim ea revista Bundas, por exemplo, que não eram de esquerda, mas decontestação, fracassaram porque seu humor envelheceu.No mundo sindical, em que o lançamento de um jornal nacionalpoderia até mesmo economizar recursos, ao consolidar grandeuniverso noticioso, ainda predominam a atomização, o atrelamentoda comunicação aos interesses políticos do grupo dirigente ou,na melhor hipótese, às lutas locais da categoria. São centenas deveículos que influenciam a base social, mas não conseguem rompero monopólio dos grandes veículos oligárquicos de comunicaçãode massa.Focos de resistênciaHoje, o barateamento dos custos levou a uma explosão de revistasde pequena circulação, inclusive revistas temáticas de altopadrão editorial, em todos os campos do conhecimento e da atividadehumana. Nos últimos dez anos, de 1996 a 2006, o número detítulos de revistas aumentou em quase 80%, apesar da circulaçãototal ter caído 12%. A tecnologia tornou viáveis revistas de menorcirculação. É a fragmentação do mercado. Mesmo assim é ínfimoo número de revistas novas de esquerda, centro-esquerda.Algumas formas desse tipo de jornalismo, embora de circulaçãopequena, conseguem incomodar a grande imprensa. São empreendimentosdiferentes, mas liderados por personalidades jornalísticasfortes, que não entregam os pontos facilmente. Esse era otraço comum dos condutores dos jornais alternativos dos anos70. Três desses integrantes da “velha guarda” alternativa quepermanecem ativos são Raimundo Pereira, fundador deOpinião e Movimento, que hoje dirige o projeto Retratosdo Brasil; Elmar Bones, um dos fundadores doCoojornal e atualmente diretor do mensal Já e de seuassociado Jornal do Bairro, em Porto Alegre; e Sérgiode Souza, fundador do Bondinho, que há dez anos está àfrente da revista mensal Caros Amigos.Caros Amigos, mesmo com sua imagem consolidadae indiscutível prestígio, recebe pouquíssima publicidadee não sobreviveria se dependesse dela. A solução é diversificar.O site tem alguns anúncios e lojinha virtual. A editora, CasaAmarela, publica um fascículo paradidático e livros que “ajudamum pouco” a manter a empreitada, diz Sérgio de Souza. O site promovea revista, que por sua vez promove o site, ambos vendendolivros e assinaturas.Outro ingrediente forte de Caros Amigos, sua linha editorial, evitao ranço doutrinário e trata das questões mais pela ótica da contraculturae dos valores. Também valoriza a reportagem. A ediçãode novembro, por exemplo, traz uma entrevista inédita com HarryShibata, o médico que assinava atestados de óbitos fajutos das vítimasda ditadura. Nos últimos anos a revista assumiu mais claramenteuma posição à esquerda, em sintonia com o que vem sepassando no Brasil e na América Latina. Tira 40 mil exemplares etem 10 mil assinaturas.2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 17


fiascoDisputas internascondenaram osjornais do PTcomo acaba de acontecer com a comprada segunda maior distribuidora brasileira,a Fernando Chinaglia, que tinha 30%do mercado, pela Dinap, do grupo Abril,então dona dos outros 70%. A Abril, quejá concentra maioria esmagadora da publicidadeem veículos impressos, criou agoraum monopólio na distribuição aos pontosde-vendae ganhou muito mais poder paracomplicar a vida dos concorrentes.Para o jornalista Renato Rovai, fundadorda revista Fórum, já complicou: a nova empresa,Tree Log, exige agora tiragem mínimade 30 mil exemplares para distribuição nacional.Fórum nasceu do Fórum Social Mundial.Produto de uma geração de jornalistas contestadoresformada após a redemocratização do país, é assumidamentede esquerda e com muito custo e perseverançacompletou seis anos. Mas não tira ainda 30 mil exemplares.Os prejuízos são habituais. Quase sem publicidade, sobrevive graçasà venda de cotas a entidades ligadas ao movimento e à receita obtidapor outros produtos e serviços de sua editora, a Publisher Brasil.Raimundo Pereira minimiza o problema da circulação, dizendoque algumas minidistribuidoras fazem o serviço miúdo de coletae devolução do encalhe que as grandes rejeitam. Custa mais, masé uma alternativa ao obstáculo. Elmar Bones também enfrentouproblemas em banca. O papel do Já amarelava rapidamente e osjornaleiros tiravam da exposição. A tiragem de Caros Amigos estáacima do mínimo, mas abaixo da escala em que ganharia mercadodas revistas convencionais. Ajuda a boa base de assinantes.Nilson Viana, do MST, está assustado com a formação do monopóliode distribuição. Em entrevista ao site Observatório do Direitoà Comunicação, ele diz que há um mês a Fernando Chinaglia começoua impor uma série de exigências novas como parte da novagestão, inclusive “metas de venda”. É um caso claro de ameaça potencialà livre circulação da informação. A fusão deveria ser impedidaliminarmente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica(Cade), autarquia subordinada ao Ministério da Justiça. Mas quemconfia no Cade? Renato Rovai considera que uma solução seria acionaros Correios. Para ele, o governo deveriainstruir a estatal a criar um serviçopróprio de distribuição de revistas,para combater o monopólio ou ao menosservir de parâmetro para as tarifascobradas.O problema é que o governo nem sequertem uma política que estimule aprodução alternativa de comunicação.Adormece em Brasília há quatro anosuma proposta de distribuição mais equilibradadas verbas de publicidade, de modoa garantir uma cota que minimamente assegureos veículos alternativos – em respeitoao seu enorme público potencial eà democratização do acesso à informação.Além de deter o monopólio da audiênciae da distribuição, as grandes emissoras derádio e TV e a mídia conservadora comercialainda absorvem quase toda a receita publicitária dos órgãospúblicos e das estatais. O monopólio na distribuição ameaça principalmenteas revistas que almejam circulação ampla, capazes decompetir em escala com revistas da própria Abril, como é o casodesta Revista do Brasil, que já tira 360 mil exemplares distribuídospelas entidades sindicais que a criaram e está começando a chegaràs bancas (leia mais sobre o projeto no editorial, à pagina 5).Bernardo Kucinski é professor titular do Departamento deJornalismo e Editoração da ECA/USP. Foi produtor e locutor noserviço brasileiro da BBC de Londres e assistente de direção natelevisão BBC. É autor de vários livros sobre jornalismoA solução na internetSe eu fosse hoje fazer umprojeto de um jornal de influêncianacional, optaria por um sitena internet, de alto padrãojornalístico, capaz de gerar suaprópria reportagem, com colunasanalíticas e interpretativas euma janela de TV Web, paradebates. Uma espécie de UOL deesquerda.O UOL anuncia que tem 1,7milhão de assinantes e 9 milhõesde visitantes. Quase tanto quantoa tiragem total de todos osdiários brasileiros. A internet écomunicação de massa e é agrande chance do campo popular,pelo seu baixo custo de produção,modernidade, facilidade decirculação e acesso. E não precisade concessão do governo. Há noBrasil 40 milhões de internautase 866 mil domínios, ou seja, sites,jornais e blogs com o final “br”. Nomundo são 110 milhões de blogs.É um universo de comunicaçãototalmente interativo, dotado degrande capacidade de articulaçãodos movimentos sociais.Carta Maior, um dos maisimportantes sites de debatepolítico e ideológico no Brasil,é internet pura. Debates aovivo pela sua TV Web atraemmilhares de internautas numaúnica transmissão. RepórterSakamoto, dosite RepórterBrasilBrasil é outro projeto internetpura. Quando foi lançado porLeonardo Sakamoto, dedicavaseà denúncia de trabalhoescravo e degradante. Hojeconta com 30 jornalistas, umagrande diversidade de projetos emuitas fontes de patrocínio. Umsucesso.O site do ABCD Maior já étão importante quanto o jornalimpresso e se tornou o carrochefedo projeto local, que temtambém um programa diário derádio de 30 minutos, permitindoao público intensa participaçãonos debates dos problemas daregião. A esquerda já descobriu ainternet, mas ainda falta entenderseu potencial revolucionário.gerardo lazzari2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 19


saúdeexclusãoA febre daMalária, dengue, mal de Em junho passado, quando moravaem Teófilo Otoni (MG), o morado, um tio e um primo.grau”, conta. Além dela, adoeceram o na-Chagas, leishmaniose,estudante Lucas Cardoso Ramos,20 anos, contraiu dengue. de 500 mil brasileiros e matou pelo menosA epidemia, que neste ano afetou maistuberculose, entreoutras doenças, afetamForam 14 dias de febre alta, doresintensas pelo corpo e vômitos. Emagretodos casos expõe falhas e limitações na121, é 50% maior que em 2006. O aumen-90% da populaçãoceu e só não perdeu aula porque logo vieramas férias. “Do comércio do meu pai, to transmissor, o Aedes aegypti. “Areia nosprevenção focada no combate ao mosqui-mundial, a maioriapobre. Ignoradas por na frente do pronto-socorro, dava para ver vasos e nada de pneus e garrafas no quintalo entra-e-sai de gente com dengue”, conta ajudam. Só que as fêmeas põem seus ovoslaboratórios e governos, Lucas, que há dois meses mora em Cotia, na em poças deixadas pela chuva nas lajes dassão alvo de apenasGrande São Paulo. A estudante paulistana casas populares nas periferias, nas caixasIvana Cabral, 23 anos, moradora de bairro d’água abertas e até na cobertura de prédiosem regiões centrais”, opina Pedro Luiz10% das pesquisasde classe média da capital, viveu o mesmocientíficasdrama. “Depois de duas semanas, estava tão Tauil, professor e pesquisador do NúcleoPor Cida de Oliveirafraca que não conseguia subir nem um de-de Medicina Tropical da Universidade de20 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


descontroleFavela Igarapédo Tucunduba,na periferia deBelém, ondecentenas demoradorescontraíramdengue emabril passadoPaulo Santos/REUTERSBrasília. Vicente Amato Neto, do Departamentode Doenças Infecciosas e Parasitáriasda Faculdade de Medicina da USP,põe o dedo na ferida: “Para a maioria daspessoas com necessidades básicas e urgentespara suprir, evitar a proliferação do Aedesnão é prioridade”.O consenso entre especialistas é que sóa vacina pode barrar o avanço galopanteda dengue. O Instituto Butantan, ligado aogoverno estadual paulista, está testando umimunizante produzido em parceria com oMinistério da Saúde americano. Nos EstadosUnidos, a vacina mostrou-se eficaz emmacacos. No ano que vem, têm início ostestes em humanos. Se tudo der certo, em2010 começará a vacinação. Obter um sorocontra dengue é difícil. É preciso vencer osquatro tipos de vírus transmissores e, aomesmo tempo, não causar reação imunológicaque leve à febre hemorrágica – quepode matar. “Não faltaria conhecimentocientífico se houvesse estímulo financeiropara mais pesquisas”, diz o ministro da Saúde,José Gomes Temporão.NegligenciadasDo mesmo modo, malária, doença deChagas, hanseníase, leishmaniose, esquistossomose,elefantíase, doença africana dosono humano estão entre as incluídas na categoriadas doenças negligenciadas. Atingem90% da população mundial, debilitam,incapacitam para o trabalho e matam.rede pública As Regiões Norte e Nordeste do Brasil são pródigas em doenças “esquecidas”e em falta de profissionais qualificados para reconhecê-las. Ana Lúcia contraiu hanseníase eAna Paula, de 6 anos, leishmaniose. Depois de serem mal-diagnosticadas, ambas encontraramtratamento no Instituto Evandro Chagas, ligado ao Ministério da Saúde, em Belémfotos: DAVID ALVESComo as vítimas, em sua maioria, estão emregiões de extrema pobreza, sem dinheiropara comprar remédio, são ignoradas peloscentros de pesquisas, pelos laboratórios epelo mercado.Estima-se que 10% das despesas mundiaiscom pesquisas focam o tratamentodesses problemas, que, nas duas últimasdécadas do século 20, foram beneficiadoscom apenas 1% das 1.393 novas drogascriadas no período. A estagnação é denunciadapela organização humanitária internacionalMédicos Sem Fronteiras (MSF).Os fármacos para essas enfermidades sãoultrapassados, ineficazes pela resistênciabacteriana e cheios de efeitos colaterais.A malária é a doença parasitária tropicalcom maior impacto social e econômicoem mais de 90 países, segundo a OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS). Em númerode mortes perde só para a aids. Infecta 300milhões de pessoas todo ano, matando umquinto delas. No Brasil são registrados 500mil casos anuais. Aqui a doença não chegaa matar 0,1%, mas traumatiza.Sem trabalho, Kátia Silene Ataíde Lima,32 anos, deixou Belém rumo ao garimpo deSiquini, na Guiana Francesa, em 2006. Osonho de vida melhor logo virou pesadelo.A malária foi tratada sem acompanhamentomédico. Infectada pela segunda vez, voltoua Belém e tratou-se no Instituto EvandroChagas (IEC), vinculado ao Ministérioda Saúde e referência em doenças tropicais.Teimosa, retornou ao garimpo e adoeceunovamente. De volta ao IEC, recebe ali mesmoos medicamentos. Os efeitos colateraissão um sofrimento à parte. “Muita tontura,enjôos, diarréia e vômitos”, diz Kátia.O Instituto atende também casos deleishmaniose. Comuns no Nordeste, estãose espalhando pelas Regiões Norte e Centro-Oeste,chegando à periferia de Brasília.A pequena Ana Paula, de 6 anos, sentiu issoda pior forma. A ferida que surgiu no localda picada de um mosquito continuou aumentandomesmo com o uso de uma pomadareceitada no posto de saúde. A doençasó foi controlada quando passou a sertratada no IEC, época em que a menina tevemuitas dores de cabeça e nas articulações,náuseas e vômitos como reações. A dermatologistaSilvia Müller, que atende ali, dizque faltam na região médicos preparadospara cuidar desses casos. Daí as complicaçõese a subnotificação. “A cada dois diasaparecem sete novos casos de leishmaniosecutânea”, diz.2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 21


Terapias limitadasO Pará tem a maior média nacional dehanseníase. E, para piorar, jovens de 12 a18 anos estão adoecendo. Há dois anos, aagricultora Ana Lúcia Guedes Soares foicontaminada. Procurou um posto de saúdeno interior paraense, onde morava, econtinuou trabalhando na roça enquantose tratava. As reações da medicação a fizeramdesistir do tratamento. Com o avançoda doença, retomou-o na Universidade Federaldo Pará. Ficou internada por um mês.A cura depende do coquetel de drogas. Porém,se sua suspeita de gravidez for confirmada,terá de parar com os remédios, poishá risco de malformações fetais.Oitenta por cento dos casos de tuberculoseno mundo estão concentrados em22 países, entre os quais o Brasil é o únicoamericano presente, segundo a OMS. Sãoestimados 110 mil novos casos por ano. Avacina BCG, que faz parte do calendáriooficial, não imuniza contra todos os tiposda doença. O sanitarista belga Michel Lotrowska,do MSF, diz que a situação é grave.“O teste diagnóstico tem 100 anos, asdrogas de primeira linha têm mais de 30anos, o tratamento leva de seis a oito mesese há muitas reações. Quando há resistência,a terapia dura um ano e meio”, relata.O pior, segundo ele, está a caminho: umtipo mais resistente da doença para o qualnão há tratamento. A esperança está nos40 compostos em estudos que, na melhordas hipóteses, resultarão em dois remédios.“É necessário muito mais investimento empesquisas”, diz.A jornalista Maria Antonieta, que nãorevela a identidade com medo do preconceito,contraiu tuberculose há três anos nolocal de trabalho. Viveu um drama quenunca imaginou. “As pessoas me olhavamcom cara de nojo. Foi preciso muita forçade vontade para vencer também as reaçõesao tratamento”, lembra.O professor da Universidade Harvard,nos Estados Unidos, Madhuri Reddy – quepesquisa os obstáculos à longevidade humana–, disse à Revista do Brasil que faltaconhecimento até mesmo sobre os medicamentosdisponíveis. “Não sabemos quaisdevem ser as dosagens seguras e eficazes, osintervalos e a duração do tratamento paraas especificidades de cada população. Emuito menos como administrá-los em pessoasvulneráveis, como grávidas, lactantesou crianças muito pequenas. Por isso trazemtantas reações.”Transpondoa barreira declassesA paulistana Ivanaestá longe de seruma excluída social,mas a dengue nãopoupa ninguém.Anos de descaso atransformaram emepidemiaLógica do mercadoA fria lógica de mercado faz com que ascompanhias privadas só pesquisem e produzampara quem pode pagar. “O setorpúblico nacional e internacional foi, progressivamente,se afastando de suas responsabilidadese transferiu ao setor privado atarefa de produzir vacinas, medicamentose kits diagnósticos”, diz o ministro JoséTeimosia Em busca de trabalho no meioda selva, Kátia foi vítima da malária trêsvezes. Agora está em Belém para fazer otratamento adequadoDAVID ALVESGomes Temporão. Michel Lotrowska, dosMédicos Sem Fronteiras, diz que há parceriaspúblico-privadas gerando pesquisas demedicamentos, vacinas e diagnósticos. Masfaltam recursos para a fabricação, centrospara testes clínicos onde as doenças são endêmicas,e o acesso às pesquisas das multinacionaise das universidades esbarra napropriedade intelectual.Um relatório da OMS diz que o atual sistemade patentes, baseado no monopólio,impede o acesso das populações pobresaos fármacos. E cobra dos governos investimentosem inovação e acesso. “Fora o governoamericano, o maior financiador depesquisa e desenvolvimento é a FundaçãoMelinda & Bill Gates. Isso é inadmissível.A responsabilidade é dos governos”, disparaLotrowska.Em setembro, uma edição da revistaamericana Nature foi dedicada às doençasnegligenciadas. Carlos Morel, coordenadordo Centro de Desenvolvimento Tecnológicoem Saúde da Fundação OswaldoCruz (Fiocruz), e sua equipe são autores deum dos artigos publicados. O texto apontao histórico desequilíbrio entre pesquisa,desenvolvimento tecnológico e inovação,a falta de investimentos em educaçãoe de uma política que articule universidade,governo e setor produtivo, que resultamnesse quadro perverso.Vinculada ao Ministério da Saúde, a Fiocruzé reconhecida mundialmente no com-Gerardo Lazzari22 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


ate às doenças parasitárias. “Em 2008vamos lançar um medicamento contramalária desenvolvido em parceria com aDNDi (Iniciativa de Medicamentos paraDoenças Negligenciadas, na sigla em inglês)”,adianta Morel. Em julho a instituiçãofirmou acordo de cooperação científicacom o laboratório americano Genzyme.A primeira fase prevê o desenvolvimentode novos fármacos contra a doença deChagas. A criação, em 2003, da Secretariade Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicosdo Ministério da Saúde é outra iniciativano combate à tuberculose, dengue,doença de Chagas e hanseníase. O orçamentoda secretaria, então de 15 milhõesde reais, é de 79 milhões em 2007. Parapesquisadores brasileiros, ainda é pouco,mas é um começo.Em 1975 a OMS criou um departamentoespecífico para cuidar das doenças entãochamadas tropicais. Em 2000 a ONU fixouos oito Objetivos de Desenvolvimento doMilênio, a serem cumpridos até 2015 pelospaíses signatários, entre eles o Brasil. Um delesé o combate a aids, malária, tuberculosee o acesso a medicamentos essenciais (osoutros sete são acabar com a fome e a miséria;educação básica de qualidade para todos;igualdade entre os sexos e valorizaçãoda mulher; reduzir a mortalidade infantil;melhorar a saúde da gestante; qualidade devida e meio ambiente; e todo o mundo trabalhandopelo desenvolvimento).Mais recentemente, a causa vem ganhandoadeptos entre celebridades. Ainda quepor trás do discurso de solidariedade e justiçasocial esteja a urgência de conter as fe-Doenças negligenciadas no BrasilDoença Sintomas Tratamento PrevençãoDengueInfecciosa febril aguda, aparece deforma branda ou grave. Depende do tipodo vírus, incidência anterior, doençascrônicas (diabetes, asma, anemia)Doença de ChagasCausada por protozoários das fezes demosquitos como o barbeiro, ou chupão.Provoca danos irreversíveis ao coração.HanseníaseInfecciosa e contagiosa, sua evoluçãodepende do sistema imunológico. Afetanervos, pele, olhos. Foram registrados49.506 casos em 2005.Leishmaniose visceralInfecciosa, não contagiosa, afeta fígado ebaço. Pode aumentar volume abdominal.Transmitida por picada de inseto(mosquito-palha, birigüi, asa-branca,tatuquira) ou por cães infectados. Em2005 houve 3.220 casos, 223 mortes.Leishmaniose cutâneaTransmitida pela picada do insetotransmissor do protozoário leishmania.Há no Brasil sete espécies. Foramnotificados 24.291 casos em 2005.MaláriaInfecciosa, é transmitida pela picada dafêmea de mosquito (carapanã, muriçoca,sovela, mosquito-prego, bicuda). Etambém por transfusão de sangue e usode agulhas infectadas. Em 2005 foram597.907 casos, 95 mortes.TuberculoseCausada pelo Bacilo de Loch, bactériaque afeta pulmões, mas pode atingirossos, rins e meninges. Transmitidapelo espirro e tosse. Pessoas com aids,diabetes, insuficiência renal, desnutridas,idosos, alcoólatras, viciados em drogas efumantes são mais propensas.Fonte: Ministério da SaúdeFebre, dores de cabeça, náuseas. Podenão apresentar sinal. Dor abdominal fortee contínua, vômitos, manchas na pele,sangramentos no nariz e gengivas podemindicar evolução para dengue hemorrágica.Inchaço no local da picada. Na fase aguda,o doente perde o apetite, tem mal-estar, dorde cabeça e nas articulações, alteraçõescardíacas, febre e calafrios.Formigamento, fisgadas ou dormência nasextremidades dos membros, manchas brancasou avermelhadas, geralmente com perda desensibilidade a calor, frio, dor e tato, diminui aforça muscular.Febre, aumento do volume do fígado e dobaço, emagrecimento, complicações cardíacas,apatia e palidez. Tosse, diarréia, respiraçãoacelerada, hemorragias e sinais de infecções.Não tratada, pode levar à morte até 90% dosdoentes.Lesões na pele e mucosas de nariz,boca e garganta. No nariz podem causarentupimentos, sangramentos, coriza e feridas.Na garganta, dor, rouquidão e tosse.Febre alta, calafrios, suor excessivo e dor decabeça, intermitentes.Pode não haver sinais, mas em geral noinício aparece tosse seca. Presença desecreção por mais de 4 semanas provoca namaioria das vezes tosse com pus ou sangue.Cansaço excessivo; febre baixa geralmenteà tarde; sudorese noturna; falta de apetite;palidez; emagrecimento; rouquidão; fraqueza;prostração.bres da exclusão social – que rompem osbolsões de miséria, chegam aos países ricos,rondam as mansões e os condomíniosda classe média –, parece que os interessesde mercado, enfim, começam a se movimentar.“É que sem tratamento adequadoas doenças se alastram e não escolhem classesocial”, avisa a especialista Cléa Bichara,do Instituto Evandro Chagas.Colaborou Elielton Amadorfiocruz/dovulgaçãoIngestão de líquidos.Não devem ser tomadosremédios à base de ácidoacetilsalicílico.Não existem drogaseficazes para adultos. Sópara as crianças.Feito gratuitamentenos postos de saúde,com a administração deremédios.Oferecido gratuitamentepelo SUS, à base deremédios, repouso ealimentação adequada.Oferecido gratuitamentepelo SUS, à base deremédios, repouso ealimentação adequada.Medicamentos ouassociações de fármacos,dependendo da espéciedo protozoário.O tratamento deve durarno mínimo 6 meses, seminterrupção. São utilizados3 medicamentos. Quasetodos os pacientes queseguem tratamentocorretamente sãocurados.Aedes aegypti,o mosquitotransmissordo vírus dadengueEliminar criadourosdo mosquito. Fêmeaspõem ovos em locaiscom água limpa eparada.Não existe vacina. Épreciso combater oinseto transmissor.Não há vacina. Aqualquer alteraçãode sensibilidadena pele, deve-seprocurar um médico.Combate aos insetostransmissores e usode repelentes.Combate aos insetostransmissores e usode repelentes.Não existe vacina.Evitar contato como mosquito, usarrepelentes e colocartelas nas janelas eportas.Imunizar criançasde até 4 anos com avacina BCG. Criançassoropositivas ourecém-nascidas comsintomas de aids nãodevem receber avacina.2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 23


Pelo positivo Décio: “Isso tem que servalorizado para as pessoas associarem aperiferia a coisas boas também”futuro Fernanda: “Tudo isso é modernopara o nosso tempo e é história. Estamosquebrando barreiras com a arte”fraterno Reginaldo: “A idéia é genial,mas esse discurso sobre ‘o outro lado daponte’ é muito agressivo”motivo de crítica, de riso, mas é sempre assim:quando a gente de alguma forma ultrapassaa ponte, é vista como ameaça. Issotudo é moderno para o nosso tempo e é história,porque vai ser contado para e pela minhafilha, por exemplo. Estamos quebrandobarreiras com a arte”, acredita.Para todosO diretor do espetáculo X, Robson Moisés,convidado para participar da Semana,adorou. Acredita que está levando o teatroaonde ele geralmente não é visto. “Nossacompanhia é da periferia e também tem oobjetivo de levar teatro para quem não temacesso. Já que o poder público não faz o papeldele, a gente se reúne e faz. É uma aulade produção independente, pois não tempatrocínio.”No sábado 10, encerramento, foi dia demúsica na Casa de Cultura M’Boi Mirim,em Piraporinha. O ambiente, com famílias,jovens, catadores de latinhas e até um bêbadodançando em frente ao palco, era de festacomunitária e de paz. A cada apresentação,alguém subia ao palco para lembrar da barreirainvisível, do “outro lado da ponte”, oque chamam de segregação.O funcionário público Reginaldo Barreto,40 anos, veio do Rio de Janeiro só paraacompanhar o evento. Gosta do que vê,mas com ressalvas. “Acho a idéia genial,mas esse discurso sobre ‘o outro lado daponte’ é muito agressivo para quem vê defora. Aparta ainda mais, ao invés de unir. Naminha opinião, tem de receber bem quemvem do outro lado. Foi isso que o funk cariocafez. Tem muita gente boa querendovir”, afirma, enfatizando o que pensa de culturapara todos.O ajudante-geral Décio Ferreira dos Santos,de 23 anos, estava indo para casa, a duasquadras do evento. Ouviu música boa e paroupara conferir. Nem sabia do que se tratava.Quando soube, disse que achava importante.“Isso tem que ser valorizado paraas pessoas associarem a periferia a coisasboas também. Tem muito mais coisas boasque ruins. A prova é isso aqui”, bradou, jáque as caixas explodiam Saudosa Maloca,com o grupo Trio Porão, nascido ali ao lado,no Jardim Lídia.Empolgada, logo à frente, dançava a assistentecontábil Iara Melo Gouveia, quemorou muitos anos entre o Jardim Ângelae o Capão Redondo, mudou-se, massempre aparece com o marido, André LuizGouveia, vocalista do Trio Porão, para osensaios da banda e uma cervejinha com osamigos. “Isso é uma opção de cultura e lazerpara as pessoas da periferia. É também umjeito de superar um pouco os problemas.”André disse que o trio nasceu num porãoda periferia e conhece bem a dificuldade depropagar o trabalho de músico: “A elite favoreceos artistas que interessam a ela. Nóstemos CD gravado, participamos de váriosprojetos, mas é difícil conseguir espaço”.Chapinha, músico e um dos idealizadoresdo tradicional Samba da Vela, roda desamba semanal feita lá mesmo, na zona sul,cantou seus sambas para outro público quenão aquele que freqüenta a Casa de CulturaSanto Amaro às segundas-feiras.Uma quadra e um palco eram o cenárioque foi “bombando” com o passar das horas.Os pés paulistanos são de samba e ziguezaguearambonito. “A cultura está aqui.Na periferia está a matéria-prima, da melhorqualidade. Cultura não é só orquestrasinfônica. É também. É por isso que tem dehaver vontade política para trazer teatrose museus, pois, se tiverem acesso, as pessoaspodem gostar. Mas é preciso valorizaro que já temos.”Sambas, maracatus, hip-hop, soul. Noambiente era possível perceber que a Semanade Arte Moderna da Periferia ficapara a história. Pela ousadia de mostrar quedali vertem versos, notas musicais, cenas,gestos, grafites e pinceladas que vão muitoalém da importância que se dá à arte comomoeda. Ali está o valor da mudança.Fé na moçadaChapinha: “Na periferia estáa matéria-prima, da melhorqualidade”2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 25


Artesanato“Linha de montagem”dos charutos naDannemann: nada demecanização2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 27


Por ali a Revolução Industrialnão passou, muito menos atecnológica, e nem sequer sedispõe de ferramentas paraaumentar a produtividade. Háquem aposte que, justamente por isso, aqualidade não se perdeu. O cheiro do tabacoé forte, o trabalho é lento e minuciosoe ao final do dia é possível observar que aspilhas de charutos que saem das mãos degrupos de mulheres são uniformes, nuncaiguais. No mundo da charutaria de altaqualidade não há espaço para mecanizaçãoe a mão-de-obra exclusivamente femininasabe disso. Estamos falando de uma fábricacubana? Não, é um pouquinho mesmode Brasil.O cenário que remete a tempos antigosestá cravado na região do Recôncavo Baiano.Em uma das mesas de madeira está RosáliaSilva, de 48 anos, na sede da fábricaMenendez & Amerino, na cidade de SãoGonçalo dos Campos, a 100 quilômetrosde Salvador. Rosália é sinônimo de controlede qualidade. É ela quem verifica charutopor charuto, lote por lote, para selecionaras 25 unidades que vão compor uma caixade marcas como o Dona Flor.Na fila de análise está o lote Marilúcia.Não, não é outra marca, mas sim o registroda trabalhadora que o confeccionou. Asartesãs, depois de transformar folhas secasem charutos, anotam seu nome e deixam olote para o crivo de Rosália. “Se encontraralgo fora do padrão, eu sei pra quem devolver”,revela a artesã das folhas que, pela largaexperiência, sabe exatamente o que os apreciadoresde charuto esperam ao abrir umacaixa. É simples, mas funciona. A cada 450charutos, apenas um é barrado no controlede qualidade. A informalidade e a quasefamiliaridade observadas no interior da fábricanão tiram a hierarquia e a liderança:“As mulheres que trabalham na produçãonão podem reclamar comigo caso algumcharuto precise ser refeito. É preciso sempremuito capricho, e essa é a minha função.Todas respeitam”, explica Rosália.A supervisora é uma das 90 empregadasda fábrica, em cuja produção só mulher temvez. Além do capricho, a presença femininatem a ver com a tradição, desde os temposem que charutos eram enrolados nas coxasdas índias, desde os tempos em que o tabacoera utilizado como moeda na comprade escravos. E quando o assunto é charuto,ensinam os cubanos, a tradição pode ser osegredo do sucesso.Montagem naMenendezNovataMarilu Araújo:“Aprendi fácil, eminhas amigasdizem que éporque já estáno sangue”Seleção dotabaco28 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


Pioneira A Dannemann começou a produção de charutos no Recôncavo em 1873Os vínculos com a ilha, aliás, são claros noRecôncavo. A Menendez & Amerino nasceuda união do baiano Mario Amerino Portugalcom o cubano Félix Menendez. A duplatrabalha há mais de cinco décadas com oscharutos. Como e quando os pés de tabacochegaram à Bahia não é certo, mas o fato éque a adaptação criou uma matéria-primalocal e oportunidades de trabalho. Assimcomo em Cuba, a planta manhosa precisade um microclima ideal para dar origem afolhas longas, inteiras, sem quebras, indicadaspara as capas dos charutos. O relevo, afertilidade do solo, chuvas amenas e regulares,o Recôncavo é a Pinar del Rio brasileira.A região de Pinar, em Cuba, produz as folhasque dão origem aos caríssimos Cohiba,Monte Cristo e Romeu & Julieta.Mas não são Menendez ou Amerino ospioneiros na produção baiana de charutosnem na idéia de empregar mulheres. Em1873 Geraldo Dannemann veio da Alemanhae deu início à primeira produção de charutosdo Recôncavo, onde a fábrica, mesmoLições de Cubaapós sucessivas fusões, permanece em atividade.Se na Menendez o carro-chefe é oDona Flor, na Dannemann a vitrine vem doArtist Line e, sob chuvas, ventos e terra perfeitos,as melhores artesãs são selecionadas enasce o cobiçado Artist Line Reserva.A presença da mulher é importante tambémno cultivo, plantando, colhendo e depoiscomandando um processo cuidadosode secagem, classificação e fermentaçãopois as folhas precisam ser sobrepostas pararessaltar sabores e aromas típicos das qualidadesMata Fina e Mata Norte, cultivadasem cidades como Cruz das Almas, tambémdo Recôncavo.Nas fábricas as charuteiras são trabalhadorasem regime de carteira assinada, nasplantações as relações contratuais variam.Os produtores tanto mantêm campos próprioscomo compram as folhas de tabaco defamílias e cooperativas, muitas delas criadasa partir de projetos de incentivo daspróprias fábricas carentes de mão-de-obrade boa qualidade.O cubano Félix Menendez deixou a ilha em 1960, quando a revolução liderada por Fidel Castroestatizou a produção de charutos, negócio que por décadas garantira a riqueza de sua família.Seu pai, Alonso Menendez, era dono da marca Monte Cristo, considerada uma das melhores domundo. Depois de viver na Espanha, Menendez encontrou no Brasil terreno fértil. Apesar da famados charutos cubanos, ele é otimista em relação ao produto feito no Brasil, principalmente o baiano.“Felizmente, está perdendo força a idéia de que charuto bom é só charuto cubano. Temos aqui naBahia produtos do mesmo nível”, afirma. Em Cuba, a tradição na montagem dos charutos está nasmãos dos homens. “As mulheres são mais concentradas e mais delicadas”, diz o empresário, queoferece uma das poucas alternativas de trabalho no pobre Recôncavo Baiano. “Infelizmente, emSão Gonçalo não há muita oportunidade. A alternativa é ir para Salvador, mas as mulheres aindapreferem ficar na cidade de sua família.” (João Correia Filho)Logo cedo as mulheres chegam para ocultivo, ora plantando, ora indo e vindocom as folhas que acabaram de cortar deforma cuidadosa, que serão penduradas esecas em grandes galpões. Nesse momentoa presença do homem pode ser notada.Com tetos altos, é preciso fazer “escaladas”para atingir a altura ideal de secagem, e alio tabaco permanecerá em busca de cor etextura ideais.O tabaco já viveu períodos de ouro. Emmeados do século passado chegou a umaprodução anual de 250 milhões de unidades.No final dos anos 1990 as fábricasvoltaram a investir nas lavouras e, com adesvalorização do real frente ao dólar naocasião, o mercado local venceu o preconceitoe começou a conquistar novosapreciadores. Foi aí que os fabricantes seaproximaram dos lavradores para treinar,fomentar e, por fim, comprar a produção.Só a Dannemann conta com 300 produtoresparceiros.O fumo, caprichoso, tem várias manias.No campo, as mulheres revelam que a folhada parte baixa do pé tem sabor diferente dafolha da parte alta, e é da mescla que surgeo sabor do charuto. O processo continua nafábrica, pois, na hora de montar, as folhasnão são pegas de forma aleatória; a misturade tipos de folhagem é outro segredo dessenegócio secular e artesanal.Marilu Araújo, de 23 anos, é uma das novatasda fábrica. “Aprendi fácil, e minhasamigas dizem que é porque já está no sangue.Minha mãe, que trabalhou aqui 27anos, era uma das melhores charuteiras dacidade.”FélixMenendez2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 29


entrevistaTodas as línguas docineastaNelson Pereira dos Santos explica como Graciliano,Rosa, Jorge Amado, Machado e Nelson Rodriguesforam vitais para que seu cinema passasse a falaras várias línguas do povo brasileiro Por Guilherme BryanOcineasta Nelson Pereira dos Santos já pensa em comemorarseus 80 anos, em outubro de 2008, com arestauração de sua obra completa. Ao mesmo tempodedica-se à divulgação do documentário Português,a Língua do Brasil, que reúne depoimentos de19 imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), à qual ingressouno ano passado, ocupando a cadeira número 7, cujo patrono éCastro Alves. Precursor do Cinema Novo, Nelson nasceu em SãoPaulo e se formou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.Foi revisor no Diário da Noite, Diário Carioca e Jornal do Brasil.Estreou como assistente de direção de Rodolfo Nanni em O Saci,de 1951, e na direção com o clássico Rio 40 Graus, de 1955. Autodidata,desenvolveu a generosidade de ensinar. Criou o primeirocurso de cinema do Brasil, na Universidade de Brasília, e maistarde na Federal Fluminense. É membro do Conselho Superiorda Escola de Cinema, de Havana, e lecionou nas universidades daCalifórnia e da Colúmbia, em Nova York. Mas foi com GracilianoRamos, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Machado de Assis e NelsonRodrigues que aprendeu a entender e a falar as várias línguasdo povo brasileiro.Qual foi sua preocupação na hora de realizar o documentárioPortuguês, a Língua do Brasil, com alguns imortais da ABL?A idéia era realizar o filme com cada acadêmico em sua região,para, além dos depoimentos, haver um pouco das raízes de cadaum. Como havia limitações, inclusive financeiras, o caminho foicada acadêmico escolher um local da ABL para dar seu depoimento,com a minha presença em cena – um acadêmico principiante –,que ajudaria a transformar o filme numa conversa informal e emalgo mais espontâneo e desenvolto. Muitas pessoas têm a idéia deque a Academia é um lugar em que apenas se toma chá. Estou contentede ter feito assim e ter contracenado com esses atores (risos),que sabem falar tão bem sobre as tantas coisas que dominam. Aotodo eram 19 acadêmicos falando por, no mínimo, meia hora. Aíentrou minha experiência de copidesque do Jornal do Brasil, de extraira idéia principal do pensamento. Recebia o discurso do presidentecom dez laudas e precisava transformar em uma e meia.A língua portuguesa está presente de maneira muito forte emtoda a sua obra cinematográfica. Em Como Era Gostoso o MeuFrancês (1971), você mistura tupi com português e francês.Era um projeto antigo mostrar o encontro do europeu que chega,principalmente na costa do Rio de Janeiro, com a cultura tupinambá.Evidentemente que não é o tupi, digamos, autêntico, mas o idiomado século 16, registrado pelos jesuítas e com o qual o HumbertoMauro trabalhou. Eu pedi que ele escrevesse os diálogos em tupi. Eassim foi feito. Mesmo os índios não são de verdade (risos). É umatribo de Ipanema.Você foi um dos primeiros a registrar, em Rio 40 Graus e Rio ZonaNorte, a linguagem do morro carioca. De onde veio a idéia?Na época, o cinema estava subordinado ao registro formal da língua,assim como o teatro. O Nelson Rodrigues rompeu com isso.Antes, os autores de teatro escreviam o português de Portugal e atéos atores brasileiros tinham sotaque português. Rio 40 Graus, ambientadono morro, tem colocação pronominal popular. Isso deuverossimilhança àqueles meninos, falando no português habitualdo ambiente. É o primeiro filme que busca essa linguagem parecida.Outra coisa foi ter um elenco afro-brasileiro de verdade. Antes, umator como Grande Otelo só fazia papel cômico e, quando queriamfazer língua popular, era a gíria esculachada, caricatura.A trilha musical também tinha muita importância.O compadre Zé Kéti foi meu grande cicerone na verdadeira vidacultural carioca, porque eu sou paulista. Cheguei ao Rio em 1952,trabalhei como assistente de direção num filme e escrevi o Rio 40Graus. Um amigo meu, repórter e cronista policial, Vargas Junior,que foi ator nesse filme e em Rio Zona Norte e é também letristade samba, me trouxe o Zé Kéti. A gente tomou chope na calçada e,quando ele cantou “Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmosim, senhor/ Quero mostrar ao mundo que tenho valor...”, eu disse:“É essa aí”. Depois fui com ele em favela, escola de samba, RádioMayrink Veiga e onde os músicos se encontravam. O Rio Zona Norteé inspirado no Zé Kéti. Fiz um curta, Meu Cumpadre Zé Kéti (2001),de 12 minutos, que conta a história dele.30 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


odrigo queiroz2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 31


Antesde NelsonRodrigues,os autoresde teatroescreviamo portuguêsde Portugale até osatoresbrasileirostinhamsotaqueportuguêsrodrigo queirozDepois você adaptou para cinema outra linguagemcarioca, a da zona norte, do Nelson Rodrigues?Boca de Ouro foi o primeiro filme baseado em NelsonRodrigues. O Jece Valadão me convidou para fazê-lo. ONelson Rodrigues marcou muito minha formação quandoeu vi Vestido de Noiva (1943), com Ziembinski dirigindoe Maria Della Costa atuando. Foi um acontecimento navida do teatro brasileiro. Eu e alguns amigos começamos adiscutir muito a questão do falar, a criticar filmes da VeraCruz. Diziam que eu era de esquerda – saí do Partido Comunistaem 56 –, e os comunistas não gostavam do NelsonRodrigues. Era proibido. O Boca de Ouro situa umaárea interessante e sedutora da sociedade carioca. Criei nofilme um prólogo, no qual coloquei todo o passado do bicheiropara que, quando o espectador entrasse na história,já soubesse por que ele é o Boca de Ouro.Em que a linguagem do Machado de Assis difere ese aproxima da sua e da de Nelson?Machado é realmente a bíblia. Ele e Lima Barretosão dois escritores cariocas importantíssimos na minhaformação. O Nelson Rodrigues é um carioca mais ousadoe com outro linguajar e outra temática. O Rio deMachado é um curta que fiz com a enciclopédia Barsae o Jornal do Brasil. Está sendo restaurado para ser exibidono ano que vem durante o centenário do escritor.Pincei o que ele escreveu sobre a cidade, como se fosseele contando a relação com o Rio. E tem uma coisa importantenesse filme: a narração de um grande escritor epoeta mineiro-carioca, Paulo Mendes Campos. A Missado Galo é um média-metragem, inédito, com a IsabelRibeiro, o Olney São Paulo e o Nildo Parente.Dois marcos na sua filmografia são adaptações deGraciliano – Vidas Secas e Memórias do Cárcere.Meu primeiro filme profissional, do qual fui assistentede direção, é O Saci. O fotógrafo Ruy Santos me viu lendoe brincando de fazer roteiro de São Bernardo, por exercício.Perguntou se eu gostava do romance e se queria fazeraquele filme: “Eu falo com o Graça”, disse. O Ruy Santospediu autorização e ele deu. Sentei para escrever o roteiro,só que, lá pelas tantas, achei que a Madalena não deviamorrer. Me apaixonei por ela (risos). Escrevi uma cartapara o Graciliano, explicando, e ele respondeu: “Tudobem, mas tira meu nome disso” (risos). Na segunda parteda carta, dirigida ao Ruy, falou que o mais importante dosuicídio é que, sem ele, o Paulo Honório não escreveriaum livro. Acabei não terminando o roteiro.Mas continuou com o sertão na cabeça.Em 1958 comecei a trabalhar com documentário efui filmar em Juazeiro, na Bahia, onde teve uma grandeseca. Eu vi os flagelados que lia no Jorge Amado, ecomecei a escrever um roteiro. Superficial, pois não tinhacondições de penetrar naquele universo. Foi quandopercebi que o que eu queria estava no meu livro de


consultas, Vidas Secas. Mas quando fui fazer o filme,começou a chover e o rio invadiu a cidade. Foi uma loucura.Inventei então outro filme, chamado MandacaruVermelho (1961). Em seguida, fiz Boca de Ouro. Quandoterminei, o Herbert Richers me perguntou qual filmeeu gostaria de fazer. Nem assisti ao lançamento deBoca de Ouro. Fui direto para Alagoas, na fazenda quefoi da família do Graciliano, onde estava o irmão dele,Clóvis, que aparece no filme. Isso me deu condições deconhecer mais aquela realidade. Entrei naquele minimalismodo sertão e do sertanejo. Eles falam com muitaprecisão, muito pouco e transmitem tudo.E Memórias do Cárcere?Em Memórias do Cárcere o Graciliano diz que temuma história em sua cabeça que há dez anos está evitandoescrever e, o que é genial, que entre a gramática e acensura o escritor tem muito espaço. Ele afirma que contaria,baseado apenas em sua memória, acontecimentosvividos por muitos. Para isso, seria obrigado a utilizarum pronomezinho antipático, o “eu”, e algo como “prometome esconder atrás dele para melhor observar osoutros”. O personagem do Graciliano está em todas ascenas, participando ou observando. Tem uma passagemengraçada em que, lá pelas tantas, o Carlos Vereza baixouno hospital, pois, absolutamente profissional, não comiae fumava sem parar (risos). Na primeira cena do filme,em Maceió, o assistente disse: “O Vereza não vai entrarem cena”. “Como? Por quê?” “A roupa dele não está completa.Ele quer a cueca de época.” “Por que isso?” “Porquena cena quinhentos e tanto ele chega à Ilha Grande e ocara pede para ele tirar toda a roupa e ficar pelado.” “Masisso vai filmar daqui a um mês ou dois.” “Mas ele já quersentir como é usar uma cueca de época” (risos).Como foi o contato com a linguagem baiana de JorgeAmado em Tenda dos Milagres e Jubiabá?Jorge Amado influenciou muita gente também.Quando eu cheguei ao Rio, não havia cineasta que nãopensasse em fazer um filme baseado em Jorge Amado.No Rio 40 Graus, por exemplo, tem uma presença doJubiabá, de Capitães de Areia, desses meninos da favelaque vivem na cidade.Em A Terceira Margem do Rio você passa para oGuimarães Rosa. Como foi o trabalho?Fiz uma história linear com cinco contos. São poucosos momentos em que há fala. É mais a sensação. Eu reproduzitudo o que está no livro, e tive a sorte de contarcom uma menina muito especial, que completou 4 anosdurante as filmagens e decorava tudo. Até corrigia osoutros atores. Cada história representa uma sociedadeem que as leis vigentes estão ali, não escritas, e sem apresença de nenhuma autoridade. A sociedade brasileiraé assim em qualquer lugar e em qualquer tempo.Você também foi um dos primeiros a visitar a músicasertaneja, ao realizar Na Estrada da Vida (1980),com a dupla Milionário e José Rico.Eu estava preparando um filme sobre Castro Alves(só lançado em 1998, com o título Guerra e Liberdade– Castro Alves em São Paulo), com uma equipe depesquisadores da USP, e apareceu o convite: “Quer fazerum filme sobre essa dupla sertaneja?” Rapaz, fuiao Parque São Jorge e tinha 50 mil pessoas assistindoa Milionário e José Rico. Pensei: “É um fenômeno”. Eutinha um preconceito, mas me lembrei de meu pai, dooeste de São Paulo, e dos programas caipiras do rádio,e de meus irmãos e eu pedindo para mudar de estação.Segui a dupla por várias cidades do interior de São Paulo,norte do Paraná e sul de Minas. Aonde chegavamtinha uma multidão, de todas as posições sociais. OChico Botelho foi o fotógrafo. O Goulart de Andrade,o produtor. Então eu disse: “Olha, vamos escutar Milionárioe José Rico até gostar, pois não podemos fazeralgo sem gostar. E vamos entender”.Em meio a tanta imersão cultural não havia comonão chegar ao documentário Raízes do Brasil, umaCinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda (2004).Quando comecei a filmar, a dona Maria Amélia (viúvade Sérgio Buarque) tomou conta e eu não poderia cortaro que ela estava contando. Tive a sorte de ter o neto delacomo meu assistente, o Zeca Buarque, com quem ela conversava,enquanto eu filmava. E era tanta coisa sobre oSérgio Buarque que dividi o filme em dois. Um é o retratoafetivo dele e o outro, o livro Raízes do Brasil. No retratoafetivo tive a sorte enorme de achar um filme que o LuizBonfá fez em Nova York quando a Miúcha casou com oJoão Gilberto, e o doutor Sérgio aparece de smoking, segurandoum cigarro e um uísque. Já para a outra parte, aMiúcha, a quem eu sempre fui muito ligado, encontrou,datilografada pelo Sérgio, uma cronologia da sua vida quetem muita ironia e é a história do Brasil no século 20. Emalguns momentos, a Sílvia Buarque (filha do Chico) fazuma rima com algumas frases conclusivas do Raízes.E agora você está trabalhando com a Miúcha numdocumentário sobre o Tom Jobim?No “Tom Jobim” estou trabalhando com o mesmopensamento: primeiro, um retrato afetivo, com os amigose a família, em três atos; e depois a obra. O primeiroato vai ser contado pela irmã dele, Helena, e é maisou menos baseado no livro dela (Antonio Carlos Jobim,1996). O segundo é o depoimento da Teresa, que acompanhouo Tom desde a juventude na praia até a separação.E o terceiro é contado pela Ana, que viveu a faseecológica do Tom. Já a parte da obra terá seus três temaspreferidos: Rio de Janeiro, mulher e natureza.Nesta entrevista faltaram o sul e o norte. Você pensaem filmar essas regiões?Eu quase fiz um filme sobre o Chico Mendes. BobRedford me deu uma carta e 1 milhão de dólares paracomprar os direitos da viúva, só que um produtor brasileiropassou na frente, deu 100 mil reais e comprou.Rapaz, fuiao ParqueSão Jorgee tinha 50mil pessoasassistindoa Milionárioe José Rico.Pensei:‘É umfenômeno’.Eu tinha umpreconceito,mas melembrei demeu pai, dooeste de SãoPaulo e dosprogramasdo rádiorodrigo queiroz2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 33


cidadaniaZona FMVem aí a primeira emissora comandada porprostitutas. Em Salvador, a rádio das minorias quercombater o machismo, o racismo e a homofobiacom programação de qualidade e atéradionovela eróticaPor Tom Cardoso. Fotos de Fernando VivasRádio dasminoriasMaria de Fátimae Marilene Silva:“Se políticos têmrádio, prostitutaspodem ter”34 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


Entre 1985 e 1990, o então presidenteJosé Sarney e o ministrodas Comunicações, AntônioCarlos Magalhães, outorgaram1.028 concessões de emissorasde rádio e TV – 168 delas para veículos deparlamentares que ajudaram a aprovar aemenda que esticou o mandato presidencial.A farra começa a mudar de lado e achegar às mãos de gente mais nobre. A RádioZona FM, comandada apenas por prostitutas,deve estrear em breve em Salvador.A concessão já foi prometida pelo governo.E nem o patrocínio do Ministério da Cultura(180 mil reais) deslumbrou as meninas:na Zona FM “coroné” não dá pitaco. “Seráa rádio das minorias, vai combater o machismo,o racismo, a homofobia e a estigmatizaçãodas prostitutas”, diz Fátima Medeiros,coordenadora-geral da Associaçãodas Prostitutas da Bahia (Aprosba). “Se políticostêm rádio, prostitutas podem ter.”Maria de Fátima e Marilene Silva comandamcom mãos de ferro a associação, últimosopro de resistência contra a “OperaçãoLimpeza”, liderada por Antônio CarlosMagalhães no início dos anos 90. ACM escolheracomo principal bandeira política arevitalização do Centro Histórico de Salvador.A ordem era, até o fim do mandato,ter o Pelourinho, sempre associado àmarginalidade, transformado num grandeshopping a céu aberto. Famílias inteiras foramdespejadas na surdina, às vésperas doNatal de 1992 – os casarões foram lacradospara ninguém voltar. Foram removidos95% dos moradores – entre prostitutas, travestis,músicos, capoeiristas e sapateiros.Enquanto franquias da Benetton e do Boticáriobrotavam sobre as pedras cabeça-denegrono Pelourinho, Fátima e Marilene faziamfaxina na delegacia, para onde eramlevadas as que mantinham ponto no “novo”Centro Histórico de ACM. Muitas, cansadasdo xilindró, foram pescar fregueses emoutras bandas. Mas Fátima e Marilene decidiramse profissionalizar. Foram ao cartóriomais próximo e fundaram, em 1998, aAprosba. O tabelião se recusava a fazer o registro.As próprias prostitutas, lembra Fátima,não gostaram do nome – preferiam algoque não desse tanta bandeira. Um nome chegoua ganhar força, Associação das MulheresProfissionais do Sexo da Bahia, mas asfundadoras, avessas a eufemismos, bateramo pé: quem tivesse vergonha do ofício quearrumasse emprego no Boticário.A Aprosba iria se juntar a outras 24 associaçõesde prostitutas pelo país. Uma daspioneiras, a do Rio de Janeiro, prestou recentemente“consultoria” para a atriz CamilaPitanga. “Foi a primeira vez que eu viuma atriz fazendo uma puta de verdade.Antes era tudo muito falso. A Bebel pareciaas meninas aqui da Cidade Baixa”, elogiaFátima, 41 anos. Foi justamente para lutarcontra velhos estereótipos que Fátima eMarilene deram o mais ousado passo desdeque resolveram peitar o tabelião: abrira primeira rádio do Brasil comandada porprostitutas.O estúdio da Zona FM foi improvisadonuma acanhada sala da sede da Aprosba,no quarto andar do Edifício Bonfim,na Rua das Vassouras, a poucosmetros da Ladeira da Montanha.“Será uma emissora basicamentede serviço, mas sem ser chatae séria demais. Teremos,claro, muito sexo, a radionovelaerótica, encenadapelas próprias prostitutas,promete, mas nãovamos deixar, por exemplo,de fazer programasde prevenção à aids ou dedenunciar abusos contra anossa classe”, diz Fátima.Dona do pedaçoA Ladeira da Montanha é a Rua BarãoHomem de Mello, ligação entre a CidadeAlta e a Cidade Baixa. Lá começou ocarnaval de rua mais famoso do país, em1951, quando Dodô e Osmar encheram dealto-falantes um forde-de-bigode e criaramo primeiro trio elétrico. Estréia solitária,já que nenhum “morador” tinha tempopara vadiagem. As meretrizes seguiam àrisca a cartilha dos cafetões e policiais:nada de pôr o pescoço fora das janelas.Ali desfilava, segura do anonimato, genteda sociedade. Tabuletas às portas diziam:“Aqui família, favor não importunar”. JorgeAmado e o pintor Carybé eram talvez osúnicos habitués que se faziam notar. Apartir dos anos 60 a Ladeira da Montanhaseguiu a decadência do Centro Histórico.Casarões coloniais, os “castelos”, viraramcortiços. Raparigas antes discretíssimaspassaram a disputar clientes a tapa. Acafetina Maria da Vovó, dona do pedaçonos áureos tempos da Ladeira, culpou aclasse pela esculhambação: “Depois queas ‘amadoras’ começaram a dar, estelugar não foi mais o mesmo”. Agora, duasforasteiras começaram a recuperar parteda dignidade perdida. “A Ladeira faz partedo Patrimônio Histórico das Prostitutas.Deveria ser tombada”, diz Fátima. E nãoduvide do seu poder de persuasão.A Ladeira da Montanha não foiincluída no projeto de restauraçãodo Pelourinho. As moças resistirame continuam lá. Acima, Marilenedistribui camisinhas à clientela2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 35


Ricardo Rimoli/LancePressLucasIdade: 20 anosPosição: VolanteTime de origem: GrêmioTime atual: Liverpool (Inglaterra)EdcarlosIdade: 22 anosPosição: ZagueiroTime de origem: São PauloTime atual: Benfica (Portugal)ras viveu situação diferente do arqui-rivalna tabela de classificação, mas semelhanteem relação à sua mão-de-obra. O clube,que lutou até a última rodada por umavaga na Copa Libertadores da América,vendeu ainda no primeiro turno o jovemmeia Michael para o Dínamo de Kiev, tambémda Ucrânia, e depois teve problemaspara acertar a equipe.A debandada alviverde só não foi maiorpor causa de um projeto batizado de “cestade atletas”, lançado em junho, que permitiaaos torcedores investir uma determinadaquantia para ter participação navenda futura dos 15 atletas que aceitaramAtrás da granaJogadores brasileiros que se mudarampara gramados estrangeiros em 2007Getúlio VargasIdade: 26 anosPosição: GoleiroTime de origem: FlamengoTime atual: Westerlo (Bélgica)GladstoneIdade: 22 anosPosição: ZagueiroTime de origem: CruzeiroTime atual: Sporting(Portugal)participar do pacote. “Queríamos arrecadarmais dinheiro para o clube de uma maneiramais profissional e conseguimos. Senão fosse a cesta, teríamos vendido outrosjogadores importantes antes do fimdo campeonato”, admite o vice-presidentede futebol, Gilberto Cipullo. Ao todo, oPalmeiras angariou cerca de 2,5 milhõesde reais com os novos investimentos, quecessaram assim que Michael foi negociado,para impedir que investidores retardatáriostivessem prejuízo. O clube aindaestuda lançar uma segunda versão doprojeto no próximo ano, com um registrofeito na Comissão de Valores MobiliáriosCássioIdade: 20 anosPosição: GoleiroTime de origem: GrêmioTime atual: PSV Eindhoven (Holanda)Paulo HenriqueIdade: 18 anosPosição: AtacanteTime de origem: Atlético-MGTime atual: Heerenveen (Holanda)WendelIdade: 23 anosPosição: MeiaTime de origem: CorinthiansTime atual: Lask Linz (Áustria)Fellype GabrielIdade: 22 anosPosição: MeiaTime de origem: CruzeiroTime atual: Nacional (Portugal)Werder/divulgaçãoCarlos AlbertoIdade: 23 anosPosição: MeiaTime de origem: FluminenseTime atual: Werder Bremen (Alemanha)DiegoIdade: 22 anosPosição: GoleiroTime de origem: Atlético-MGTime atual: Almeria (Espanha)Carlos EduardoIdade: 20 anosPosição: AtacanteTime de origem: GrêmioTime atual: Hoffenheim (Alemanha)LúcioIdade: 28 anosPosição: Lateral-esquerdoTime de origem: GrêmioTime atual: Hertha Berlin(Alemanha)JosuéIdade: 28 anosPosição: VolanteTime de origem: São PauloTime atual: Wolfsburg(Alemanha)40 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


Giuliano Gomes/Folha Imagempara que as cotas de participação possamser negociadas no sistema de oferta pública– como fazem as empresas que abremseu capital na Bolsa de Valores.Antena ligadaCriatividade e planejamento parecem sera solução mais adequada para evitar a debandadadas revelações brasileiras. O SãoPaulo decidiu se adaptar ao mercado e, desde2003, aplica uma série de medidas paraimpedir que o rendimento do time diminuacom as constantes negociações de atletas.“Se um time consegue manter seu padrãode qualidade, como o São Paulo tem feito,e os outros vão caindo, a tendência é queos títulos venham cada vez mais cedo”, afirmao ex-diretor de futebol João Paulo deJesus Lopes. Uma das iniciativas é substituiros jovens brasileiros por veteranos emboa forma.“Montamos uma diretoria de planejamento,que trabalha em conjunto com ade futebol e acompanha o desempenhode diversos jogadores. Fazemos avaliaçõespessoais, acompanhamos o noticiárioda imprensa e ficamos atentos aos atletasque estejam em fim de contrato, em paísesda Europa e do Japão. Também olhamospara as revelações que surgem em paísesda América Latina, como Chile e Uruguai”,conta Lopes. Um dos jogadores que chegaramao Morumbi nessas condições foi oMichaelIdade: 24 anosPosição: MeiaTime de origem: PalmeirasTime atual: Dínamo de Kiev (Ucrânia)WillianIdade: 19 anosPosição: MeiaTime de origem: CorinthiansTime atual: Shakhtar Donetsk (Ucrânia)IlsinhoIdade: 21 anosPosição: Lateral-direitoTime de origem: São PauloTime atual: Shakhtar Donetsk (Ucrânia)RenanIdade: 22 anosPosição: VolanteTime de origem: São PauloTime atual: All-Ittihad (Arábia Saudita)Denis MarquesIdade: 26 anosPosição: AtacanteTime de origem: Atlético ParanaenseTime atual: Omya Ardija (Japão)Ricardo Rimoli/LancePressCaioIdade: 20 anosPosição: AtacanteTime de origem: CruzeiroTime atual: Atalanta (Itália)Alexandre PatoIdade: 18 anosPosição: AtacanteTime de origem: InternacionalTime atual: Milan (Itália)2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 41


qualidade técnica do espetáculo e a amplavantagem do São Paulo. A edição deste anodo Brasileiro registrou mais de 6 milhõesde espectadores, contra pouco mais de 4,5milhões no ano passado. O Flamengo foi oclube que mais gente levou para as arquibancadas– mais de 650 mil. “O torcedorfoi obrigado a se acostumar com o espetáculomedíocre. Os cariocas, por exemplo,brigam para saber quem fica na frente dosoutros conterrâneos, porque as chances deser campeão são pequenas. Mas, apesar detudo, o esporte ainda move o brasileiro”, resumeo especialista.risco Jorge Silveira, da seleção sub-15: “Digo para eles que, dos mais de 800 jogadorescom menos de 20 anos que deixam o Brasil por ano, apenas dois ou três fazem sucesso”Daniel Marencover uma nova fase na vida e, se souber aproveitar,terá benefícios para sempre”, opina.A ação dos agentes é nítida em torneiosmenores. O técnico da seleção brasileirasub-15, Jorge Silveira, conta que o assédiosobre os meninos foi grande durante a disputado campeonato sul-americano da categoria,no Rio Grande do Sul, em novembro.“As arquibancadas estiveram lotadas,com pais e empresários. Nós impedimosesse contato dos agentes, porque os clubesdeixam os garotos sob nossa responsabilidade.Mas muitos deles já chegam até nóscom contratos de representatividade assinados.Procuro não me intrometer muitonessa questão”, afirma.O que Silveira tenta mostrar a seus meninosé que na maioria dos casos a saídado país muito cedo não é um bom negócio.“Digo para eles que, dos mais de 800 jogadorescom menos de 20 anos que deixamo Brasil por ano, apenas dois ou três fazemsucesso. Sair cedo não é interessante, porqueum garoto com 16, 17 anos tem muitoa aprender”, avalia o técnico, que faz a ressalvado crescimento que pode ser ocasionadoao jogador por conhecer a estruturaoferecida fora do país. “O meu goleiro, LuizGuilherme, está indo fazer testes no Arsenal.Mas o time inglês tratou direto como Botafogo, é um relacionamento mais democrático.Ele já foi algumas vezes para aInglaterra e vai voltar, até a hora em que estiverpronto para ficar lá”, exemplifica.A ação predatória ocorre também em outrospaíses da América do Sul, principalmenteArgentina e Uruguai, cujos problemaseconômicos são parecidos com os doBrasil. Os uruguaios, porém, já sentem nacarne os prejuízos dessa política. Campeãmundial em 1930 e 1950, a seleção celestetem dificuldades, desde o início da décadade 1990, para montar uma equipe com atletasplenamente identificados com a torcida.De lá para cá ficou de fora de três das quatroCopas do Mundo; desde 1988 um clubeuruguaio não é campeão da América.Quem estuda o assunto não chega a preverum futuro tão sombrio para a seleçãobrasileira. “O Brasil é um país muito grandee sempre será capaz de produzir um númerosuficiente de jogadores para defender aseleção. A equipe nacional não deve sofrerpor causa dessa debandada, porque sempreserá possível chamar os astros que jogam naEuropa. No final das contas, é péssimo paraquem paga ingresso e vai até as arquibancadas”,aponta o professor Sá Earp, da UFRJ.Uma das saídas para os clubes pode serprestar mais atenção ao fanatismo do torcedor,comprovado com o aumento de públiconos jogos mesmo com a queda naVale tudoIncentivado por seu empresário,Robinho ficou sem treinar noSantos por dois meses até que oclube concordou em negociá-locom o Real MadridVictor Fraile/REUTERS


viagemQue a magia não acabeCom todos os seus encantos, Floripa está hoje entre os principaisdestinos turísticos do país e de quem tenta uma vida melhor em umanova cidade. Mas o crescimento desordenado pode castigar o paraísoPor Antonio BiondiLagoa daConceiçãoFérias. Muitos brasileiros, especialmentegaúchos, catarinenses,paranaenses e paulistas,elegem Florianópolis como umdos destinos mais especiais, assimcomo argentinos, chilenos, uruguaios eparaguaios. Praias e tradições, história e natureza,diversidade e perspectivas, gastronomiae hospedagem relativamente barata.Tudo tão convidativo que além de turistasa ilha tem atraído muitos novos moradores.Tanto que o crescimento verificado nosúltimos anos já deixa marcas. Se a cidadenão quer repetir os erros de outras capitaisbrasileiras, precisa começar a enxergar jáo seu futuro.Floripa tem mais de 40 praias, da tranqüilidadedo sul à badalação do norte. Domar calmo de Jurerê e Canasvieiras às ondulaçõesde Moçambique e Morro dasPedras. Na culinária, vale se programarpara provar a abundante seqüência de camarões,tradicional na região da Lagoa, assimcomo a Costa da Lagoa convida parasua seqüência de frutos do mar.Em locais como o Bar do Arantes, noPântano do Sul, e o Mercado Municipal –berço do badalado Box 32 e do aconche-Ricardo Ribas/Tyba (lagoa da Canceição e surfista)gante Spinoza –, a escolha fica ao gosto (eao bolso) do cliente: peixe ao forno, ostrasfrescas ou casquinha de siri podem ser odesfecho de um dia perfeito – desde que nãose abuse, claro, das boas cachaças da região,uma das tradições herdadas da colonizaçãoaçoriana. Com um rico folclore, Florianópolisé um relicário de histórias e personagensque valem a viagem e a prosa.Surfista de areiafaz manobras nasdunas da JoaquinaNo Caminho do Sertão do Ribeirão ficao Alambique do Zeca. O Zeca, aliás, corre orisco de ter de deixar o lugar, dentro do ParqueMunicipal da Lagoa do Peri – uma dasprincipais áreas de abastecimento de águada cidade. Ele protesta. “Tenho escritura,pago imposto. Só saio se pagarem muitobem. Vou morar embaixo da ponte?”Uma das opções para chegar ao Cami-44 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


nho do Sertão é a trilha que liga o parqueao Ribeirão. Ao final da trilha está o bardo Sertão – e uma cidade parada no tempo:pequenos sítios, criações de gado e famíliasque ocupam há cerca de 200 anos amesma área.José Bernardino Vieira e sua mulher, Maria,vivem da roça e da criação. Às vezes, sobraalgo para vender. Vieira não quer deixaro local em que seus avós foram criados.“Tem de ter água para o povo. Mas tambémnão pode maltratar as pessoas.”Outra trilha que permite uma viagempela história de Florianópolis é a Cantodos Araçás–Costa da Lagoa, com seus engenhosde farinha e sobrados do século 19e seus restaurantes à beira da Lagoa, ornamentadade garças e biguás.As praias de Naufragados e Lagoinha doLeste também têm belas trilhas, cercadas devegetação exuberante, como um dos poucosmeios de acesso. No trajeto da praia daSolidão para Naufragados é possível observargolfinhos. Entre Matadeiro e Lagoinhado Leste, com alguma sorte podem-se avistarbaleias-francas no mar.Hoje, porém, o crescimento, a ocupaçãoFora da ordemCrescimento da populaçãode Florianópolis400.000187.880Fonte: IBGE255.3901980 1991 2007te de turistas triplicou. Mas, se por um ladoessas tendências não têm afetado a qualidadede vida na capital catarinense, por outronão dão sinais de reversão ou estagnação,prenunciando problemas crescentes– e preocupantes.A cena política de Florianópolis foi marcadapor conflitos em 2007. Em meio a operaçõesda Polícia Federal, investigações doMinistério Público, cassação de vereadores,embargo de empreendimentos e escândalosconstrangedores para o prefeito DárioBerger (PSDB), os moradores da cidadebuscam reagir. Ex-presidente do Institutoconsciência ambiental “o partido vencedoré o do lucro”.Os baixos índices de saneamento sãoum dos mais graves problemas. Segundo aCompanhia Catarinense de Águas e Saneamento(Casan), a coleta e o tratamento deesgoto alcançam somente 50% dos domicílioslocais. A Casan espera, com o ingressode recursos do PAC do governo federal, elevaro atendimento para perto de 70%.A carência habitacional também é perturbadora.O Sinduscon (entidade patronalda construção civil) aponta a existênciade 63 favelas em Florianópolis e um terçodos moradores da capital vivendo em situaçãode risco.Nos Ingleses, a poucos metros da praiae encravada nas dunas, a comunidade doArvoredo, mais conhecida como Favelado Siri, aguarda solução para as quase 200famílias que vivem no local. Vindas especialmentedo interior catarinense, quaseconquistaram a mudança para bairros próximos.Abaixo-assinados feitos nos bairrosde destino, porém, impediram a mudança.Glauceli Carvalho Ramos Branco, a Galega,da associação de moradores, reconheceMauro Vaz/divulgação Secr. Turismo FloripaPraia daLagoinhado LesteRendeira naFortaleza deSão José daPonta GrossaVander Fornazieriirregular e desordenada já não permitemrealizar uma volta à ilha, como às que selançavam ecoaventureiros até a década de1980, seguindo pelas praias e desbravandotrilhas, costões e o mar.De 1980 para cá, enquanto a populaçãodo Brasil cresceu 58%, a de Florianópolismais que dobrou. Ao mesmo tempo, empouco mais de duas décadas, o contingen-Brasileiro do Meio Ambiente e dos RecursosNaturais Renováveis (Ibama), MariaTereza Jorge Pádua mudou-se recentementepara a cidade e logo percebeu “as casassubindo até o alto dos morros, descendoquase até o mar ou feitas em dunas, restingase mangues”. Para seu marido, MarcDourojeanni, consultor do Banco Mundialna área ambiental, mesmo com a crescenteque o certo é deixarem a área, mas afirmaque “o problema não é só da gente”, e sim“de toda comunidade”.Planos, cenas e olharesFloripa atualmente discute um novo PlanoDiretor (lei que traz as diretrizes parao desenvolvimento do município nos próximosanos). Universidade, entidades de2007 dezembro REVISTA DO BRASIL 45


Praia dosNaufragadosclasse e associações de bairros buscam espaçopara intervir no plano. De acordo comIldo Rosa, diretor-presidente do Institutode Planejamento Urbano de Florianópolis eincumbido pela prefeitura de coordenar asdiscussões, o plano atual foi comprometido,com mais de 350 alterações. “Projetouseuma cidade com 1,5 milhão de habitantes,algo incompatível com a realidade dailha. Será uma luta bastante renhida, mas aexpectativa é de um plano mais restritivo,cidadão e humano.”Na década de 1980, casas recém-construídasna região da praia do Campeche (aosul da ilha, entre Joaquina e Morro das Pedras)lançavam esgoto direto no mar. Surfistas,pescadores e moradores antigos reagiam,entupindo com jornais os canos deesgoto das novas casas. Segundo Telma Piacentini,professora aposentada da UniversidadeFederal de Santa Catarina (UFSC), nosanos 1990 projetava-se um Campeche commais de 200 mil habitantes. Seriam construídasduas grandes vias expressas, uma sobreas dunas. “Barramos todo o projeto”, conta.Para Telma, embora o “grande capital internacional”pareça encantar a prefeitura e ogoverno do estado, é possível o Campechee Floripa se desenvolverem “de forma positivae dentro de sua vocação”.O presidente do Sinduscon, Hélio Barrios,chama a atenção para a ausência deum modelo que imponha regras e garantasustentabilidade à cidade, permitindo aproliferação de construções sem projeto,alvará nem habite-se, em ritmo de multiplicaçãosó superado pelo de moradias debaixa renda. Para Barrios, o Plano Diretore os de ordenamento náutico e de gerenciamentocosteiro devem induzir Florianópolisa exercer sua “vocação”, especialmenteem relação ao “turismo de alto padrão,Vander Fornaziericom a implementação de píeres, marinas,campo de golfe e porto turístico”.Para o padre Wilson Groh, que atua nascomunidades carentes do Maciço do Morroda Cruz, estão em jogo na Grande Florianópolisdois grandes projetos: “Um deinternacionalização da ilha e outro de umacidade inclusiva, humana”. Por isso, observao analista do Ibama Paulo Benincá, é precisose preocupar com quem dará as cartasfinais do Plano Diretor e quem financiará acampanha de quem nas eleições. “O grandeproblema ambiental de Florianópolis épolítico”, alerta.Vá alémComer bem – Diversidade e estrutura:Lagoa da Conceição, Barra da Lagoa, Ingleses,Canasvieiras e Beira-Mar. Tranqüilidade esimplicidade: Ribeirão da Ilha, Santo Antônio deLisboa, Pântano do Sul, Sambaqui. Bons preçose fartura: Floripa continental e cidades vizinhas,como São José e Palhoça.Onde ficar – Há opções de hotéis, pousadase locações residenciais para todos os bolsos.Alugar casa ou apartamento é sempre maisbarato e versátil. Há bons campings em RioVermelho, Campeche e Lagoa. A mobilidadefica mais prejudicada na alta temporada, pensenisso ao decidir onde se hospedar.Sites – Prefeitura: www.pmf.sc.gov.br– informações sobre hospedagens, estrutura,redes de apoio, história, folclore e tradições.Fortalezas e passeios a barco: www.fortalezas.ufsc.br.Mirantes – Lagoa, Praia Mole, Morro dasAranhas, Morro da Cruz.Navegantes – Conheça por barco os locaismais retirados, como a Ilha do Campeche, aCosta da Lagoa e as praias de Naufragados eLagoinha do Leste.Mauro Vaz/divulgação Secr. Turismo Floripaantonio BiondiTurismo insustentável O desmatamento ilegal e a ocupação intensa das praias do norte e das reservas de mata do interior assustamos moradores e comprometem o equilíbrio ambiental da ilha de Santa Catarina, onde está a maior parte da Grande Florianópolis46 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


Curta essa dica PorXandra Stefanel (xandra@revistadobrasil.net)Colonização na PinacotecaO Brasil do século 17 é o tema da exposição Coleção Brasiliana: Versões e Narrativas, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.Trabalhos dos pintores Johann Moritz Rugendas, Jean Baptiste Debret – que com sua arte “fotografavam” o Brasil a serviço dosportugueses – e do cartógrafo João Teixeira Albernaz revelam diferentes épocas. Uma delas é o mapa do país durante o períodoem que parte do Nordeste estivera sob domínio dos holandeses. Até outubro de 2008, de terça a domingo, das 10h às 18h.R$ 4 e grátis aos sábados. Informações: (11) 3324-1000.Revista das tropas destinadas aMontevidéu (1816), de DebretMaratonafotográficaAté janeiro Brasília será a capital da fotografia.O Festival Foto Arte 2007, um dos principaisdo Brasil e da América Latina, vai reunir 130exposições em mais de 60 espaços diferentes,algumas internacionais e inéditas no Brasil. Entreelas, está a Heróis, de Luiz Garrido, censurada noCongresso Nacional por exibir a transformistaRogéria vestida apenas de camisa e gravata (noalto, a foto sem a parte de baixo). As mostrasocuparão os espaços culturais tradicionais ealternativos, como bares, shoppings e restaurantes.Mas em dois meses dá para ver muita foto, não?Informações: www.fotoartebrasilia.com.brOsatoresJoãoMiguele PeterKetnathHistória de amizadeNa década de 40, um alemão que foge da guerraencontra um brasileiro que foge da seca. O que elestêm em comum? O sertão nordestino como cenáriode seu teatral comércio da milagrosa aspirina quetudo cura. Condições difíceis e histórias que foramcontadas ao diretor de Cinema, Aspirinas e Urubus(Europa Filmes, 2005), Marcelo Gomes, pelo avô. Uma história sobre aamizade. O filme foi sucesso de crítica e público, ganhou o Prêmio daEducação Nacional concedido pelo governo francês no Festival de Cannes,foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2007, e acabou desprezadopelas salas exibidoras. Vale conferir o DVD.48 REVISTA DO BRASIL dezembro 2007


Anti-heróiAs histórias de Harvey Pekar, cara mal-humorado, malsucedidono trabalho e nos relacionamentos e com uma vida chata de dardó, inspiraram Robert Crumb a criar um famoso personagem de HQ (American Splendor)e o canal HBO a produzir um filme. Anti-Herói Americano (HBO/Warner, 2003) mostraque uma vida medíocre pode ser bem complexa. O filme, já em DVD, alterna cenas como ator (Paul Giamatti) emoldurado e desenhado, como em quadrinhos, com depoimentosde conhecidos de Pekar. Não deixe de ver os extras do DVD, e checar o mau humor doverdadeiro Pekar.Carnavais inesquecíveisA historiadora Rosa Maria de Araújo e o jornalista e crítico Sérgio Cabral lançaram em CD eagora em DVD a compilação de marchinhas Sassaricando – E o Rio Inventou a Marchinha. Apesquisa nasceu com a primeira, Ó Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga,inspirada no cordão carnavalesco do bairro do Andaraí, Rosa deOuro. O DVD tem direção de Cláudio Botelho e apresenta um desfilede 100 marchinhas. Cabral afirma que poucas manifestações refletemcom tanta exatidão a criatividade do compositor do Rio e o espíritocarioca. “Verdadeiras crônicas, elas contam a história da cidade e asqualidades e os defeitos do seu povo, quase sempre sem abrir mão dodeboche e da malícia.” Relembre Lamartine Babo, Ary Barroso, Joãode Barro, Haroldo Lobo, Ary Monteiro, Hervê Cordovil, entre outros.DVD R$ 42 e CD duplo R$ 38.Para dançarPaul Giamattiem cena comHope DavisGarimpo deboas históriasAs vidasque nãoviramnotícia sãoo foco dajornalistagaúchaElianeBrum nointenso edeliciosolivro A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, 2007).Ela conta histórias como a deum carregador de malas de umaeroporto que nunca tinha saído dochão, do enterro de pobres e a dohomem que tentava ganhar a vidamastigando vidro e se machucavaprofundamente com a indiferença.Eliane as reuniu enquanto aindaera repórter do Zero Hora, emPorto Alegre. O livro mostra quede bons personagens a terra estárepleta. Basta reverenciá-los com adelicadeza de um bom texto. Paraler de uma vez só ou degustar cadahistória isoladamente.R$ 32, em média.JorgeBenJorO ápice das festas foi compilado pelo DJ Tony Hits na antologia Samba Rock Vol. 1(Humbatuque). São 15 músicas ligadas ao movimento de música negra que surgiu nos anos50 e teve seu auge nos 70 e 80. O suingue fica por conta de Jorge Ben Jor(um dos precursores do movimento), Toquinho, com a clássica CarolinaCarol Bela, Noriel Vilela, com 16 Toneladas, Erasmo Carlos (Estou DezAnos Atrasado) e Reginaldo Rossi (No Claro ou no Escuro), entre outrosmenos conhecidos, como Cléo Galante e Chocolate da Bahia. O ourodo CD vai para a deliciosa (e politicamente incorreta) versão de Eu BeboSim, com Elizeth Cardoso, em gravação de 1973. R$ 30, em média.

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