(49\252 Edi\347\343o.qxd) - Canal : O jornal da bioenergia

canalbioenergia.com.br

(49\252 Edi\347\343o.qxd) - Canal : O jornal da bioenergia

16

alberto gonzaga

28 FERRUGEM ALARANJADA

Doença fúngica tende a aumentar a área de lavouras de cana-de-açúcar

afetada na próxima safra, com a chegada das chuvas na Região Centro-Sul

16 FEIRAS

Fenasucro e Agrocana 2010

movimentaram mais de R$ 2,4

bilhões, ultrapassando em 10% o

volume de negócios gerados em 2009

04 ENTREVISTA

Miguel Tranin, presidente da Alcopar,

fala sobre perspectivas para a

agroenergia no Paraná e no Brasil em

entrevista exclusiva ao CANAL

28

04

24

24 MAIS BRASIL

Fundada em 1727, a cidade de

Pirenópolis, Patrimônio Histórico

Nacional, oferece aos turistas atrativos

diversos e natureza exuberante

08 PROJETO AGORA

Professores municipais e estaduais de

cidades goianas, onde se desenvolve a

atividade canavieira, recebem formação

continuada do Projeto AGORA

www.twitter.com/canalBioenergia

Assine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.br

O CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível na

internet no endereço: www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.br

sizuo matsuoka

foto: arquivo pessal/divulgação

goias turismo/divulgação

CARTA DO EDITOR

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

Paradigmas da sustentabilidade

Caminhamos para o fim de mais um ano de

grandes avanços para a agroenergia no País.

Foram várias as novas unidades de produção

sucroenergética inauguradas, o que amplia

significativamente a capacidade de fabricação

de etanol, açúcar e bioeletricidade. O

segmento de produção de biodiesel, já mais

consolidado, também é motivo de orgulho para

os brasileiros e apresenta boas perspectivas

para os seus empreendedores.

Paralelamente, avançam as tecnologias de

produção, a base para o crescimento

sustentável da bioenergia no Brasil. Nesta

edição, por exemplo, o leitor poderá conferir a

expansão do plantio mecanizado nas principais

regiões do Brasil. Um passo importante para a

obtenção de ganhos em produtividade,

melhoria das condições de trabalho no campo

– com a consequente qualificação da mão de

obra – e redução de custos com a operação, o

que favorece a competitividade dos produtos.

A edição traz, ainda, informações

atualizadas sobre vários assuntos de interesse

dos que participam da cadeia produtiva

sucroenergética, a exemplo da difusão da

ferrugem alaranjada pelos canaviais brasileiros

e as iniciativas que vêm sendo adotadas para

controlar a doença, evitando que cause maiores

prejuízos aos produtores.

Enfrentando os desafios e percalços que

surgem no caminho, a agroenergia brasileira

avança com solidez, dando ao mundo um

exemplo de que é possível criar novos

paradigmas de sustentabilidade, produzindo

energia e alimentos em harmonia com o meio

ambiente.

Boa leitura!

CANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação da

MAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41

DIRETOR EXECUTIVO: César Rezende - diretor@canalbioenergia.com.br

DIRETORA EDITORIAL: Mirian Tomé DRT-GO-629- editor@canalbioenergia.com.br

GERENTE ADMINISTRATIVO: Patrícia Arruda- financeiro@canalbioenergia.com.br

GERENTE DE ATENDIMENTO COMERCIAL: Beth Ramos - comercial@canalbioenergia.com.br

EDITOR: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694 - redacao@canalbioenergia.com.br

REPORTAGEM: Evandro Bittencourt, Fernando Dantas,

Luisa Dias e Mirian Tomé

DIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santos - arte@canalbioenergia.com.br

REPRESENTANTE: SÁ PUBLICIDADE E REPRESENTAÇÕES LTDA. BRASÍLIA,

GOIÁS, TOCANTINS, MATO GROSSO, MATO GROSSO DO SUL, REGIÕES NORTE

E NORDESTE. Thiago Sá Thiago@sapublicidade.com.br (61) 3201 0073 (62) 3275 7678

BANCO DE IMAGENS: UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo:

www.unica.com.br; SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de

Goiás: www.sifaeg.com.br; / REDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano

Center, Setor Bueno - Goiânia - GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62)

3093 4084 - email: canal@canalbioenergia.com.br / TIRAGEM: 12.000 exemplares /

IMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.br / CANAL, o Jornal da

Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos nas reportagens e

artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores. É autorizada

a reprodução das matérias, desde que citada a fonte.

“Faça-me Senhor conhecer os teus caminhos,

ensina-me as tuas veredas."(Salmo 25:4)


Uma das reivindicações mais frequentes

do setor produtivo tem sido

a equalização da carga tributária sobre

o etanol. Em sua opinião qual

seria o índice mais adequado para o

setor, capaz de tornar o etanol competitivo

sem comprometer a remuneração

do produtor?

A questão tributária está muito

vinculada, atualmente, a cada Estado.

Se chegarmos a qualquer governador

e solicitarmos uma redução

de impostos, ninguém estará

disposto – ou mesmo podendo –

abrir mão de receita neste momento.

Eu acredito que isso possa ser

feito de uma forma gradativa, com

o governo federal atuando no sentido

de fazer com que os Estados

possam realizar essa adequação.

Acho que, num planejamento de

cinco a dez anos, é possível, sim,

fazer uma adequação em todos os

Estados. Com esse crescimento da

bioenergia em outros Estados, tais

como Goiás, Minas Gerais, Mato

Grosso do Sul e o próprio Mato

Grosso, naturalmente a tendência é

que lá seja criada uma massa de

consumo maior. E uma vez que haja

esse crescimento do consumo e

de produção em cada Estado, automaticamente

ele viria a suprir esse

déficit de caixa que seria gerado.

Essa seria a base do diálogo que

pretendemos ter com os governadores

e com o governo federal.

Os dois principais candidatos à

presidência abraçaram a ideia de

uma alíquota de ICMS de 12%. O

senhor considera esse percentual

satisfatório?

Acho que sim. Esse é o imposto que

já existe no Estado de São Paulo e

acho que ele fica dentro de um nível

ENTREVISTA - Miguel Rubens Tranin, presidente da Alcopar

Perspectivas para

a agroenergia

EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO CANAL, MIGUEL TRANIM FALA SOBRE

OS DESAFIOS AO SETOR SUCROENERGÉTICO NO PARANÁ E NO BRASIL

Evandro Bittencourt

Miguel Rubens Tranin, natural de Paranavaí

(PR), é engenheiro agrônomo pela

Universidade Federal do Paraná e pósgraduado

em Comercialização de Commodities

pelo Cepea/USP. Atualmente exerce as funções

de conselheiro da Federação das Indústrias do

Estado do Paraná (Fiep) - Regional de Paranavaí;

conselheiro fiscal da Organização das Cooperativas

do Estado do Paraná (Ocepar); diretor da Álcool

do Paraná Terminal Portuário S.A.; diretor

04 CANAL, Jornal da Bioenergia

presidente da CPL Par Holding S.A; diretor presidente

do Sindicato da Industria de Produção de

Biodiesel do Estado do Paraná (Sibiopar); viceprefeito

de Nova Londrina- PR. Acumula, ainda,

os cargos de diretor Presidente do Sindicato das

Industrias de Fabricação do Álcool do Paraná (Sialpar);

diretor Presidente do Sindicato das Industrial

de Fabricação de Açúcar do Paraná (Siapar);

diretor presidente da Associação dos Produtores

de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcoopar) e

diretor Presidente da Cooperativa Agroindustrial

do Noroeste Paranaense (Coopagra).

“Creio que, a partir de 2011, haverá uma

alavancagem de investimentos no Paraná, a sim

como vem ocorrendo em outros Estados”

aceitável, em que há uma boa arrecadação,

e que também permite uma

boa remuneração aos produtores.

Qual é a atual situação do projeto

do alcoolduto para ligar Maringá ao

Porto de Paranaguá?

Nós já constituímos as empresas

Central Paranaense de Logística

(CPL Par) e CPL Holding, uma reúne

os produtores e a outra congrega

terminais e armazéns gerais,

além de um operador portuário. O

grande gargalo que eu vejo em relação

ao Estado e mesmo em todo

o Brasil é a questão da logística. O

alcoolduto vai trazer um ganho

direto para toda a sociedade, pois,

ao transportarmos cerca de 4 mil

metros cúbicos/ano por esse duto

evitamos cerca de 130 mil caminhões

trafegando por ano nas estradas.

Então veja a economia que

isso proporciona e o quanto pode

evitar de consumo de combustíveis,

além de gerar redução de

custos e evitar a emissão de uma

grande carga de poluentes na atmosfera,

aproximadamente 61 mil

toneladas de CO2 a cada ano.

Qual a extensão do alcoolduto e o

estágio do projeto, atualmente?

A extensão é de, aproximadamente,

500 quilômetros. Nós já contratamos

a empresa que está realizando

o levantamento planialtimétrico

para escolhermos o melhor traçado.

É preciso, também, analisar bem as

questões ambientais, os parques biológicos,

áreas quilombolas. Enfim,

é bastante complexa essa escolha

do traçado, não é só escolher o mais

reto ou o menos acidentado, há

uma série de tratativas. Após esse

levantamento vamos buscar que o

governo nos conceda a cessão de

uso dessa área, uma faixa em torno

de 30 metros de largura, desde Maringá,

passando por Araucária, até o

Porto de Paranaguá.

De onde virão os recursos para a

construção da obra?

Uma vez concluído o levantamento

planialtimétrico, nós passaremos

a uma segunda etapa, que é

juntar os produtores e fazer um

chamamento aos eventuais investidores

nesse segmento. Já existem

grupos interessados em investir

na atividade, mas estamos

aguardando a conclusão do levantamento

para que possamos, com

isso nas mãos, verificar e analisar

a melhor proposta e os parceiros

que podem participar do projeto.

Quais prazos já foram estabelecidos

em relação ao alcoolduto?

O levantamento tem de estar pronto

até novembro para que o governador,

ainda neste mandato, possa

expedir a sessão de uso dessa área.

Devemos estar com esse estudo e

essa cessão de uso prontos até o

fim do ano. O início das obras está

projetado para 2012.

foto: arquivo pessal/divulgação

Quantas usinas estão em atividade no

Estado, atualmente, e quantas devem

ser inauguradas nos próximos anos?

Temos 30 unidades no Paraná, atualmente,

e temos quatro projetos

em andamento. Na verdade, o que

acontece no Paraná é muito mais a

expansão de unidades já existentes

do que a construção de unidades

novas. No extremo Noroeste nós

temos ainda uma área em que a

cana apresenta boa competitividade

em relação à pastagem. A não

ser em áreas em que as pastagens

são cultivadas com alta tecnologia,

a cana teria um espaço muito bom

para crescer, estabelecendo uma

concorrência positiva para a região.

Qual é a produtividade média da

cana-de-açúcar no Estado e como

está sendo tratada essa questão, já

que o aumento da produtividade é

uma forma concreta de aumentar

a produção sem a necessidade de

expandir muito a área ocupada

pela cultura?

A produtividade média da canade-açúcar

no Estado é de 92 toneladas

por hectare, aproximadamente.

Nós já temos um convênio

com a Universidade Federal do

Paraná para o aprimoramento de

variedades. Além disso, estamos

desenvolvendo todo um trabalho

envolvendo solos, microorganismos

e micronutrientes, um processo

bem complexo para buscar

esse aumento de produtividade e

não crescer tanto em área e sim

em produtividade e na concentração

de açúcar na cana. Certamente,

no futuro, também teremos

variedades transgênicas, que podem

contribuir com essa concentração

maior de açúcar na cana.


Esse esforço também vale para os

alimentos, pois dificilmente nós

conseguiríamos uma expansão de

área que acompanhe o crescimento

da população.

Qual é o indíce de mecanização da

colheita da cana no Estado do Paraná,

atualmente?

No Paraná a colheita mecânica

representa, atualmente, cerca de

30% da área plantada. Desenvolvemos,

junto ao governo do Estado,

um Protocolo Agroambiental

que vai trazer todas as tratativas,

não só relativas ao processo de

despalha da cana, que é a queima,

como também a questão da

destinação de resíduos e efluentes.

É um protocolo bastante

abrangente, que contempla todo

o processo.

E como o poder público e as entidades

de representação do setor

sucroenergético estão lidando

com a questão da requalificação

da mão de obra dispensada com o

avanço da mecanização?

O Protocolo Agroambiental envolve

a Fetaep, a Ocepar e várias

outras entidades representativas

do Estado para que essa questão

seja bem organizada. Se por um

lado podemos ter um ganho ambiental

com a mecanização da

colheita, por outro lado precisamos

ver os reflexos sociais e econômicos.

Nós temos muitos municípios

aqui que enfrentariam

problemas. Posso citar o caso da

nossa unidade em Nova Londrina

onde, se tivéssemos uma mecanização,

fatalmente isso geraria um

problema social por essa mão de

obra não ter, ainda, uma qualificação

para realizar outros tipos

de serviço. Por esse motivo, o

processo de mecanização deve

ser feito de uma forma gradativa,

para que haja uma acomodação

da massa de trabalhadores.

Além dos aspectos ambientais e sociais,

quais outras implicações a

mecanização da colheita pode trazer

à atividade canavieira?

Ainda há muito o que ser aprimorado

na colheita mecanizada da

cana-de-açúcar. A tendência é

buscarmos o desempenho máximo

da cultura e a colheita mecânica

vai se somar ao aproveitamento de

toda essa palha que hoje é queimada.

Precisamos fazer o aproveitamento

disso e levar para dentro da

usina para transformá-la em energia,

o que, sem dúvida, irá agregar

mais valor para o setor no futuro.

Quantas usinas, atualmente, fazem

a cogeração de energia elétrica no

Paraná ?

Acredito que seis unidades já fazem

a cogeração no Paraná, pois

temos unidades ainda pequenas.

Antes, uma usina com capacidade

para processar de 1 milhão a 1,5

milhão de toneladas de cana já

apresentava uma boa viabilidade

de investimento para a cogeração

de energia, mas, hoje, os investidores

sustentam que esse aproveitamento

deve ser realizado em

unidades maiores. No Paraná nós

teremos um crescimento gradativo

desse tipo de investimento,

mas acredito que isso será realizado

num tempo maior que nos

outros Estados. Os investimentos

de expansão no Estado foram um

pouco retardados em razão dos

dois últimos anos de dificuldades

pelos quais o setor passou, mas

eu creio que, já a partir de 2011,

haverá uma alavancagem de investimentos,

a exemplo do que

vem ocorrendo em outros Esta-

dos, assim como o governo deve

voltar a investir, pois, se o Brasil

continuar a crescer nesse mesmo

ritmo, fatalmente nós teremos

necessidade de mais energia e

vemos que a maneira mais rápida

de conseguir isso é o aproveitamento

da biomassa.

O que, em sua opinião, falta para

que o potencial da bioeletricidade

seja melhor aproveitado no Paraná

e no Brasil?

As linhas de crédito oferecidas pelo

BNDES, pelo que a gente percebe,

têm foco nos grandes grupos e há

O processo de mecanização deve ser feito

de forma gradativa, para que haja uma

acomodação da massa de trabalhadores

uma exigência muito grande de garantias.

Para unidades menores isso

se torna um fator de dificuldades.

Um trabalho que nós estamos procurando

fazer e que o governo poderia

ajudar é que hoje nós temos várias

unidades, não só particulares, como

cooperativas, que já apresentaram

excesso de garantias em operações

de financiamentos anteriores. Se fizéssemos

um reestudo e houvesse a

possibilidade da liberação disso, já

que nos últimos cinco anos o setor

teve uma valorização muito grande,

certamente muitas dessas usinas realizariam

novos investimentos.

Se temos uma unidade que está avaliada

em R$ 150 milhões, por exemplo,

e eu tenho uma garantia em torno

de 10 milhões, isso, infelizmente,

não me permite que eu busque mais

recursos, a não ser em segundo ou

terceiro graus, o que inibe muito os

investidores e os próprios agentes financeiros.

Sabemos que, naturalmente,

é preciso haver a garantia,

mas o ideal seria que ela ficasse restrita

à dívida existente ou fosse pro-

porcional a ela. Isso, sem dúvida,

permitiria novos investimentos e um

crescimento do setor, com foco,

também, na cogeração de energia e

no crescimento das unidades, especialmente

no Estado do Paraná.

Que análise o senhor faz em relação

aos atuais preços pagos ao produtor

pelo açúcar e pelo etanol?

O açúcar teve uma reação nos seus

preços desde o ano passado e já há

vários anos o produto não tinha uma

valorização tão grande no mercado.

Nós vemos essa retomada dos preços

com bastante otimismo, pois isso

é muito importante para o setor. E

acho que o etanol também está numa

retomada de preços. Infelizmente

o consumidor brasileiro acostumou-se

a ter um combustível barato.

Se fizermos uma análise voltando

no tempo, veremos que tínhamos

como balizador o etanol precificado

em um valor equivalente a 70% da

gasolina. Ou seja, temos, ainda, um

espaço para melhorar o preço, o que

permitiria uma melhor remuneração

a toda a cadeia produtiva.

O senhor acredita, então, que deveria

ser buscado um maior equilíbrio entre

remuneração e custo de produção?

Talvez seja utópico procurar um

equilíbrio perfeito de mercado, em

que ganhasse o produtor, a distribuidora,

os postos, a usina e os consumidores.

Sempre vai haver uma oscilação,

mas o preço líquido que praticamos

na unidade industrial, atualmente,

em torno de 90 centavos,

permite um ganho muito pequeno

para o produtor. No nosso caso, que

é uma cooperativa, por exemplo, eu

tenho de deduzir desde o preço final

do produto, impostos, despesas e outros,

o que deixa esse valor muito

perto do custo de produção do produtor.

Se pegarmos um produtor rural

que investiu há dois anos posso

dizer que, com o valor recebido

nesse tempo, ele ainda não viu resul-

CANAL, Jornal da Bioenergia 05


tado nenhum e a atividade tem que se manter compensadora

para todos, não só para o consumidor.

E quanto ao abastecimento de etanol no mercado

interno na entressafra. O senhor acredita que os recursos

liberados pelo governo, via BNDES, são suficientes

para a composição de estoques e redução da

oscilação de preços ao longo do ano?

E preciso ver isso com atenção, especialmente no

que diz respeito à velocidade de liberação desses recursos.

É preciso ter isso numa pauta, de forma que

não seja feito a cada ano. Nós sabemos que temos

um pico de safra que, geralmente, ocorre no meio do

ano. Mas, quando chega a entressafra, até se formar

todo esse mecanismo e até se destinar os valores necessários

a isso, nem sempre o recurso chega no momento

oportuno ou mais necessário. Deveríamos ter

isso estabelecido de forma definitiva para que o produtor

possa se estruturar com antecedência, de modo

que faça parte do planejamento e não haja, apenas,

a disponibilidade de recursos eventualmente,

como acontece hoje.

O setor já vem há algum tempo discutindo a ideia da

criação de uma entidade nacional para o setor. Como

o senhor vê essa discussão e quais são, em sua

opinião, os passos fundamentais para que seja viabilizada

essa entidade?

Eu já participei de duas reuniões do Fórum e vejo,

ainda, uma diversidade muito grande no setor como

um todo. Acho que é pela própria característica do

nosso País: muito grande. Embora todos nós sejamos

produtores são diferentes os momentos vividos pelo

Nordeste, por Goiás, Mato Grosso ou Paraná, por

exemplo, de modo que, a curto prazo, eu acho muito

difícil a concretização de uma entidade nacional

única. Acho que isso deve ocorrer com o tempo, com

um melhor amadurecimento do setor. Quem tem feito

esse trabalho é o Fórum Nacional Sucroenergético,

que tem desempenhado um papel, em alguns

pontos, comum ao setor, a exemplo das tratativas

sobre as relações de trabalho, em que buscamos algo

que seja comum a todos nós e também do interesse

da classe trabalhadora e do governo.

E quanto à sua gestão à frente da Alcoopar, quais

são as prioridades?

Nós estamos buscando uma continuidade do trabalho,

de forma a trazer todas as unidades industriais

do Paraná para participarem da Alcoopar. Esperamos

congregar todas as unidades. A nossa

proposta, desde quando participamos da eleição, é

fazermos um período de transição, para implantarmos

uma gestão profissionalizante da Alcoopar,

contratar uma empresa para fazer um levantamento

daquilo que somos e do que queremos, realizar

um planejamento e a contratar um presidente

executivo para a entidade.

Considerando os perfis dos dois candidatos à presidência

da República com os maiores índices de

intenção de votos, atualmente, o que se pode esperar

do próximo presidente em relação à agroenergia

no Brasil?

Pelas entrevistas que acompanho, acho que os dois

candidatos, neste cenário atual, de busca por energias

alternativas, principalmente, têm uma grande

acessibilidade pelo setor, devido às oportunidades e

benefícios que isso tem trazido ao nosso País, não só

na geração de divisas, mas também na geração de

empregos formalizados. Por tudo isso vejo os candidatos

com bastante simpatia e é muito provável que

nós tenhamos uma continuidade de acesso muito

boa a esses governos, assim como temos tido até hoje.

Estou bastante otimista em relação a isso.

06 CANAL, Jornal da Bioenergia

Combate às queimadas mobiliza

Usina S. Francisco do Grupo USJ

O combate às queimadas criminosas

mobiliza a Usina S.Francisco, em

Quirinópolis (GO). A maior usina de Goiás,

pertencente ao Grupo USJ, lançou em

setembro campanha de prevenção e

orientação para a população de Quirinópolis e

cidades vizinhas sobre os perigos do fogo

criminoso com o objetivo de reduzir os focos

de incêndio na região. A campanha educativa

é composta de duas partes: material de

divulgação adesivado nas partes traseiras dos

ônibus da frota da empresa e cartazes

espalhados em toda a cidade e programas de

rádio com orientações sobre a prevenção e o

combate às queimadas veiculados nas

emissoras locais. A campanha continuará

sendo divulgada até o fim do período de

estiagem. Os registros dos Ministérios da

Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente

revelam que, em 2010, já foram verificados

1.509 incêndios em parques florestais,

pastagens e áreas agrícolas no Estado.

Minas pode obter novo recorde

na produção de cana-de-açúcar

A Secretaria de Estado de Agricultura de

Minas Gerais prevê que o Estado pode

alcançar um novo recorde na produção de

cana-de-açúcar na safra 2010/2011,

alcançando 58,1 milhões de toneladas,

volume 16,50% superior ao registrado no

período anterior. Na safra de 2009/2010

avançou até 49,9 milhões de toneladas e de

acordo com a estimativa da Conab, na safra

2010/2011 Minas Gerais vai destinar 32,6

milhões de toneladas de cana-de-açúcar para

a produção de etanol. Este volume equivale

a cerca de 9% do total destinado pelo Brasil

para as usinas de etanol. O volume a ser

encaminhado para a produção de açúcar

deve alcançar 25,5 milhões de toneladas,

equivalentes a 8,6% do volume reservado

pelo Brasil para a fabricação do produto.

Assembleia da Udop elege

novo presidente e diretoria

A Assembleia da Udop – União dos

Produtores de Bioenergia, formada por

diretores das unidades associadas,

empossou, no fim de agosto, nova

diretoria, que comandará a entidade nos

próximos 2 anos. O novo presidente eleito

da Udop é o empresário Celso Torquato

Junqueira Franco, da Usina Pioneiros

Bioenergia, de Sud Mennucci. Celso

Junqueira substitui o presidente José

Carlos Toledo, que comandou a entidade

entre setembro de 2006, até hoje. Antonio

Cesar Salibe continuará exercendo a

função de presidente executivo da Udop.

Fórum sucroenergético

homenageia família de

Anísio Tormena

Na reunião do Fórum Nacional

Sucroenergético, no dia 22 de setembro, em

Maringá, no Paraná, foi feita uma

homenagem ao ex-coordenador do Fórum ,

Anísio Tormena, que faleceu aos 67 anos em

um acidente de carro, em maio desse ano.

A placa de homenagem foi entregue à

família de Anísio, em consideração e

agradecimento aos serviços prestados por

ele ao setor, sempre buscando a conciliação

e o consenso. Estiveram presentes vários

representantes do setor sucroenergético e

também da Associação de Produtores de

Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar),

da qual ele era presidente.

Conab prevê safra de

cana 7,8% maior

A Conab prevê que o setor

sucroenergético deverá esmagar na safra

2010/11 651,51 milhões de toneladas de

cana-de-açúcar, aumento de 7,8% na

produção total em relação ao ciclo

anterior, mantendo um recorde de

volume esmagado. A elevação desses

números se deve, além da entrada em

operação de novas usinas em alguns

Estados do Centro-Sul, ao bom regime de

chuvas no ano passado que, por outro

lado, prejudicou a colheita anterior. Do

total de cana a ser esmagada, quase 55%

serão destinados à produção de 28,4

bilhões de litros de etanol. Deste volume,

20,2 bilhões de litros são do tipo

hidratado e 8,2 bilhões do anidro.

fotos: divulgação


LOGÍSTICA ETANOL

Novo terminal

de transbordo

PARCERIA ENTRE CERRADINHO E ALL

LOGÍSTICA VAI ESCOAR PRODUÇÃO

DO BIOCOMBUSTÍVEL DE GOIÁS E

MATO GROSSO DO SUL

Carregamento de etanol no terminal de transbordo Porto das

Águas, localizado na cidade de Chapadão do Céu (GO)

Em parceria com a ALL Logística,

o Grupo Cerradinho inaugurou,

no início de setembro, o Terminal

de Transbordo Porto das Águas,

que vai escoar a produção de etanol

das usinas estabelecidas nos Estados

de Goiás e Mato Grosso do Sul para a

região de Paulínia – principal polo de

distribuição do combustível do Brasil.

O Terminal está localizado na cidade

de Chapadão do Céu (GO) e já entrou

em operação. Ele tem capacidade para

escoar até 2 mil metros cúbicos de

etanol por dia. Em 2009/10, as usinas

em atividades em Goiás produziram

1,709 bilhão de litros de hidratado e

485 milhões de anidro, de acordo com

dados do Cepea/Esalq.

O Terminal de Transbordo é uma

boa notícia para o setor sucroenergético,

que tem como maior desafio para

crescer o investimento em logística.

Mais de 100 novas usinas entraram

em operação entre 2005 e 2009 e a

distribuição do etanol passou a ser um

entrave para o crescimento das vendas

do produto no Brasil e no exterior.

Na região Centro-Oeste, onde a unidade

foi inaugurada, a produção de

etanol é muito maior que seu consumo

e o volume excedente é destinado

aos demais Estados e até a países estrangeiros.

O escoamento do produto

para o Norte e Nordeste do País deve-

rá tornar o etanol ainda mais competitivo

nestas regiões e em parte do Sudoeste,

o que deve motivar a criação

de projetos similares, que auxiliem no

escoamento eficiente da produção.

A construção do novo terminal foi

realizada pelo Grupo Cerradinho, assim

como as instalações para recepção,

armazenamento e transferência

do etanol para os vagões da ALL. Com

a inauguração do projeto é prevista a

movimentação diária de cerca de 2

mil metros cúbicos do produto na

primeira fase do projeto, divididos

em 50% de volume próprio e 50% de

terceiros. "Podemos tanto realizar o

armazenamento e transferência do

etanol que chega diretamente no

complexo quanto viabilizar o transporte

door to door, buscando o produto

diretamente das usinas", afirma

o gerente de Novos Negócios do Grupo,

Tulio Soubhia Ribeiro.

A Unidade Porto das Águas, inaugurada

em 2009, é a segunda usina

greenfield do Grupo Cerradinho e está

há apenas 40 km de distância do

ponto de embarque do terminal, o

que lhe confere uma posição estratégica

na região. O trajeto entre a usina

e a região de Paulínia é de aproximadamente

800 km. O terminal marca o

trabalho do Grupo Cerradinho de diversificação

da sua atuação.

CANAL, Jornal da Bioenergia 07

divulgação/usina cerradinho


COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL

08 CANAL, Jornal da Bioenergia

Municípios canavieiros de Goiás

recebem ação do Projeto AGORA

INICIATIVA OFERECE

FORMAÇÃO CONTINUADA DE

PROFESSORES, QUE RECEBEM

ORIENTAÇÕES PRESENCIAIS E

À DISTÂNCIA. CONTEÚDO

ESCLARECE IMPORTÂNCIA DA

ATIVIDADE CANAVIEIRA

OProjeto AGORA realizou uma

agenda intensa de ações educacionais

nos municípios canavieiros

de Goiás, durante os

meses de agosto e setembro. Foram

oferecidas oficinas para professores

municipais e estaduais de cinco cidades

goianas (Goiânia, Goianésia, Itumbiara,

Rio Verde e Goiatuba). O trabalho terá

continuidade até o mês de novembro.

A iniciativa atingirá, ao todo, 2.200

escolas públicas em 100 municípios de

seis Estados brasileiros, que concentram

90% da produção da cana-de-açúcar. O

Projeto AGORA, uma das maiores iniciativas

de marketing e comunicação do

agronegócio brasileiro, tem o apoio de

entidades e empresas parceiras do setor

sucroenergético.

De acordo com a assessora de relações

institucionais da Unica e coordenadora

do Projeto AGORA, Nayana Rizzo, o

grande diferencial da iniciativa é a formação

continuada de professores, que

recebem orientações presenciais e à distância,

incluindo dicas para trabalhos de

campo com os alunos.

"Estamos a pleno vapor com as

oficinas dos Estudos dos Municípios

Canavieiros, uma iniciativa na qual os

estudantes do ensino médio e fundamental

podem ter, de fato, uma noção

do que representa a indústria da

cana na sua comunidade. Em Goiás,

que é um dos maiores Estados produtores,

essa iniciativa mostra a importância

da cana para a família e para a

cidade dos estudantes", explica.

O presidente executivo do Sifaeg,

André Rocha, prestigiou as várias oficinas

realizadas em Goiás e afirmou

que o Estudo Municípios Canavieiros

tem grande importância para toda a

cadeia produtiva sucroenergética. "Ele

foi criado para levar informações técnicas

e cientificas sobre o setor. Acreditamos

que vamos colher ótimos resultados

a partir desse trabalho e outras

ações já estão sendo programadas

para dar sequência ao Projeto AGORA

em 2011”, explica Rocha.

FORMAÇÃO

O Estudo Municípios Canavieiros tem

como objetivo preparar professores para

serem agentes multiplicadores no

sentido de ajudar a conscientizar alunos

dos 7º e 8º anos do ensino fundamental,

em escolas estaduais e municipais, sobre

os benefícios gerados nas comunidades

onde a indústria da cana-de-açúcar

está presente.

As oficinas em Goiânia e Goianésia

foram ministradas pelo instrutor Erich

Lauer, da Editora Horizonte. Segundo ele,

os professores goianos mostraram um

grande interesse pelos conteúdos oferecidos

nas oficinas. "Repassamos informa-


Instrutor Erich Lauer ministrou oficinas em Goiânia e Goianésia

Vilma, professora de geografia, recebe conteúdos atualizados

sobre a atividade canavieira para abordar em sala de aula

fotos: comuncação sifaeg/divulgação

ções que detalharam um pouco da história

da atividade canavieira no Brasil e

apresentamos como é feito hoje o plantio

da cana e a produção do açúcar, do

etanol e da bioeletricidade".

De acordo com ele, o conteúdo repassado

foi muito importante para

combater "uma visão ainda preconceituosa

da atividade canavieira, principalmente

porque os profissionais

associam a ela condições de trabalho

ruins para os trabalhadores". A mudança

de pensamento é comprovada

pela professora Lucimar Macedo, de

Goianésia, que percebeu a evolução

do setor canavieiro. "Eu tinha uma

ideia muito negativa, de que a colheita

manual era uma realidade absoluta.

Descobri que a mecanização é hoje

uma realidade na colheita de mais de

70% das lavouras de cana. Vou ter

subsídios para trabalhar com meus

alunos a importância das usinas para a

geração de empregos e renda em nossa

cidade".

Para a professora Vilma Vieira,

que leciona Geografia e História em

Goianésia, a oficina foi fundamental

para mostrar os aspectos ambientais

que envolvem o cultivo da cana-deaçúcar.

"Acho importante levarmos

para nossos alunos esse debate sobre

as reais condições de trabalho nessa

atividade e também sobre o aspecto

ambiental. Vimos aqui, hoje, que a

produção da cana é pautada pela sustentabilidade",

afirmou ela, que ficou

surpresa com o nível de aproveitamento

dos resíduos da cana no preparo

do solo e na irrigação das lavouras.

A professora de Ciências Elda Barbosa

da Silva Lima, de Goiânia, afirmou que a

oficina realizada permitiu que ela e

seus colegas pudessem rever muitos

conceitos. "Nós trabalhávamos em sala

de aula só a questão botânica da planta,

mas, com estas informações, vamos

levar para o aluno a importância mais

ampla dos produtos derivados da canade-açúcar

para a economia de todo

nosso Estado".

Cada escola participante recebe

dois kits de material pedagógico,

contendo o Caderno do Professor,

com 52 páginas, um conjunto de oito

posters e um DVD multimídia com fotos

e vídeos. O Projeto Agora é uma

das maiores iniciativas de comunicação

integrada já implantada no Brasil,

unindo empresas e entidades que representam

a cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

CANAL, Jornal da Bioenergia 09


SIFAEG EM AÇÃO

O meio ambiente

na pauta das empresas

COM O OBJETIVO DE

MELHORAR A ATUAÇÃO

DAS EMPRESAS NESTA ÁREA,

SIFAEG E SIFAÇÚCAR APOIAM

COMISSÃO INTERNA PARA

TROCA DE EXPERIÊNCIAS

E DISCUSSÃO DE DESAFIOS

DO SETOR

Membros da comisssão de meio ambiente que

representam usinas em atividade no Estado de Goiás

10 CANAL, Jornal da Bioenergia

sifaeg/divulgação

Criada em 2008, a Comissão do Meio

ambiente dos Sindicatos da Fabricação

de Etanol e Açúcar do Estado de

Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar) é um reforço

às atividades da entidade na busca por ter o

trabalho de preservação realizado pelo setor

sucroenergético reconhecido pela sociedade e

por uma melhor integração com a legislação

ambiental atual. A Comissão é formada por

membros de todas as usinas filiadas à entidade

e se reúne mensalmente para discutir os novos

desafios de produzir com sustentabilidade.

Para o gestor de meio ambiente e qualidade

da Usina Jalles Machado, Ivan Zanatta,

que coordena a Comissão do Sifaeg, o principal

objetivo é “nivelar as empresas no quesito

práticas ambientais bem sucedidas, ou

seja, trabalhar na disseminação das melhores

práticas ambientais adotadas por algumas

empresas para aquelas que não as aplicam ou

não as têm”.

Entre as conquistas já alcançadas por esse

grupo destacam-se os bons resultados na

busca de atendimento mais ágil pelos órgãos

ambientais, responsáveis pela emissão das licenças

necessárias ao desenvolvimento da

atividade. “Há por parte dos empresários do

setor a boa vontade em realizar os seus projetos,

as suas atividades dentro do limite da lei,

mas nos órgãos ambientais públicos qualquer

solicitação de licença tem demorado, no mínimo,

um ano. Na atividade privada não podemos

nos dar ao luxo de esperar tanto, já

que o mercado não espera”, explica Zanatta.

O trabalho das usinas goianas, segundo

Zanatta, é pautado pela preservação do

meio ambiente. A Comissão, junto ao Sifaeg

/Sifaçúcar, tem buscado respostas mais

eficientes dos órgãos ambientais para que

todos os empresários possam atuar cada

vez mais de acordo com a legislação. “Nós

queremos fazer de maneira correta, mas

algumas vezes o descaso dos órgãos ambientais

nos desmotiva. E deveria ser exatamente

o contrário. Deveríamos ter por

parte desses órgãos, um estímulo para fazer

as atividades em perfeita sintonia

com o meio ambiente e as leis ambien-

tais, e, com isto, desenvolver a sustentabilidade”,

diz o coordenador da Comissão.

Para o gerente corporativo do Grupo Farias,

Simon Sala, a Comissão é um fórum extremamente

importante no encaminhamento

das questões de interesse do setor. “Num

setor como o nosso, onde todas as operações

são gigantescas, existem imensos desafios,

que vão desde os pesados investimentos necessários

para atender às exigências legais,

até a burocracia e a lentidão dos órgãos ambientais.

Graças ao trabalho da Comissão, temos

feito diversas reuniões com a Semarh e

com o IBAMA no sentido de discutir formas

de agilizar os processos, observando sempre o

marco legal”.

Sala ressalta que durante as reuniões da

Comissão são apresentadas as melhores práticas

para a promoção da sustentabilidade

ambiental no setor, pois é um espaço onde as

empresas trocam ideias sobre soluções para

problemas comuns. Outro desafio, segundo o

gerente, é mostrar à opinião pública tudo o

que o setor tem feito em prol do meio ambiente

no Estado de Goiás, onde as usinas

possuem um elevadíssimo nível de consciência

e comprometimento com a preservação

ambiental. A opinião é compartilhada por

Adrienne Brito, engenheira de segurança da

Centroalcool S/A, que vê nas reuniões mensais

da Comissão uma excelente oportunidade

de troca de experiências entre as diversas

áreas das usinas goianas.

O presidente executivo dos Sindicatos da

Indústrias de Fabricação de Etanol e Açúcar

do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), André

Rocha, afirma que o trabalho das Comissões

Técnicas do sindicato é fundamental

para aprimorar o nível das discussões

promovidas pela entidade e garantir

às usinas a participação efetiva na resolução

de situações importantes para o desenvolvimento

do setor. Além da Comissão

do Meio ambiente, o Sifaeg/Sifaçúcar possui

mais quatro comissões, todas com reuniões

periódicas e com temas importantes

para o crescimento do setor sucroenergético

em Goiás.


Aprovado pela Comissão Especial da Câmara

dos Deputados, o novo texto do Código

Florestal, que ainda será apreciado pelo

plenário, segue sob análise do Ministério do

Meio Ambiente. A ministra Izabella Teixeira já avisou

que o documento não é o ideal e que requer um

debate ampliado. Enquanto isso, nos bastidores, posicionamentos

e teorias vão surgindo, tanto da parte

de quem defende o texto do relator Aldo Rebelo

(PC do B-SP), como de quem o condena.

Criou-se uma disputa que parece ir além das fronteiras

do agronegócio nacional, polarizada por produtores

rurais e ambientalistas. Há novos personagens,

novos interesses, novas acusações de parte a parte.

Pode parecer fantasioso concluir que a atuação

das ONGs internacionais, profundamente preocupadas

com a preservação do nosso planeta, está colada

a interesses meramente econômicos de grandes

grupos norte-americanos e europeus que não querem

ver o agronegócio brasileiro crescer, agora que

alcançou maturidade para ser competitivo. Mas seria

mesmo um enredo de ficção?

Afinal, qual o motivo dessas ONGs não usarem

nos países onde foram criadas o mesmo discurso eloquente

e a mesma patrulha para defender a importância

da aprovação de uma lei ambiental que ga-

OPINIÃO

Edivaldo Del Grande é presidente da

Organização das Cooperativas do

Estado de São Paulo (Ocesp)

Um pouco de lucidez

ranta a preservação do ecossistema, como fazem no

Brasil? Estamos falando de países altamente poluidores,

como China, Estados Unidos e da Europa, que

já desmataram suas florestas e preferem nos pressionar

a se concentrar em recuperar o que por eles foi

devastado. Recusam-se a reduzir suas emissões de

gases de efeito estufa e não admitem se submeter às

regras que querem ver impostas aos brasileiros.

Não discuto a necessidade da preservação das

matas ciliares. O produtor rural, mais do que ninguém,

tem consciência de que é condição sine qua

non para que perdure a atividade agrícola. Mas, inoportunos

e intoleráveis são os radicalismos que podem

inviabilizar a atividade de milhares de produtores

rurais e até mesmo inviabilizar o agronegócio

em vários estados, São Paulo incluído.

Por que nós, brasileiros, temos que responder pela

preservação ambiental e pela compensação do

planeta? Não há motivo que justifique não preservar

as matas ciliares na Europa. Não vejo por que apenas

o Brasil deva se comprometer com percentuais

de reserva legal e ainda ser impedido de fazer compensação

ambiental dentro de seu próprio território,

enquanto que, para resolver o problema dos países

desenvolvidos, a saída proposta seja a compensação

aqui em nosso País, como indica o estudo “Fazendas

aqui, florestas lá”, encomendado pelas entidades

americanas National Farmers Union (União Nacional

dos Fazendeiros) e Avoied Deforestation

Partners (Parceiros pelo Desmatamento Evitado).

Está claro que preservar é uma responsabilidade

de toda sociedade. Sendo assim, deveriam todos

destinar 20% - percentual da reserva legal exigida

aos produtores rurais – de seu patrimônio para a

preservação ambiental, seja na indústria e comércio,

em serviços, salários e imóveis urbanos.

E vou além: não seria esse o papel do Estado, já

que é dele o compromisso de promover o bem de toda

a população? E se é assim, não seria oportuno

trazer novamente à tona a proposta da remuneração

pela preservação ambiental por aqueles países

que já não têm o que preservar?

São questões que esse embate entre ambientalistas

e ruralistas faz surgir. E é esse o mais importante

papel que essa disputa pode proporcionar: o de

manter essa necessária discussão candente, de permitir

que os interesses mais obscuros venham à tona

e que os vários pontos de vista possam ser avaliados.

Com todas as informações à mostra, que as melhores

decisões sejam tomadas, onde a fórmula seja o equilíbrio

da produção com a preservação. Um caminho

possível, mas que exige lucidez para ser trilhado.

CANAL, Jornal da Bioenergia 11

divulgação


INVESTIMENTO EXPANSÃO

BIOMASSA

12 CANAL, Jornal da Bioenergia

Cosan inaugura

usina em Mato

Grosso do Sul

ricardo stuckert

cosan/douglas gama

Oito usinas termelétricas movidas a biomassa

de cana-de-açúcar foram inauguradas

no dia 27 de setembro em municípios

paulistas. A solenidade, realizada

simultâneamente, contou com a presença do presidente

Luiz Inácio Lula da Silva na Termelétrica Barra

Bioenergia, em Barra Bonita (foto).

As usinas têm, juntas, 543 megawatts (MW) de

potência instalada e 194,6 MW médios de energia

assegurada ao sistema elétrico. A Termelétrica

Barra Bioenergia, em Barra Bonita, por exemplo,

tem potencial para produzir energia elétrica para

uma cidade com população de, aproximadamente,

1,2 milhão de habitantes.

Em seu discurso, o presidente destacou o papel

que as usinas à biomassa representam na expansão

INVESTIMENTOS NA UNIDADE

PRODUTORA DE ETANOL SOMAM

RECURSOS DE R$ 530 MILHÕES

Ogrupo Cosan inaugurou em Caarapó (MS),

uma nova planta de açúcar e etanol. A cerimônia

foi realizada no dia 22 de setembro,

com a presença de diversas autoridades,

do presidente do Conselho de Administração da

Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, do presidente

do Grupo Cosan, Marcos Marinho Lutz e do presidente

da Cosan Açúcar e Álcool, Pedro Mizutani. Segundo

o presidente da Cosan, Marcos Marinho Lutz,

a usina de Caarapó vai gerar, aproximadamente,

2.100 empregos diretos e indiretos.

O grupo vem contratando e treinando profissionais

da região para o desempenho de funções em diferentes

áreas da usina. Uma das iniciativas é o Curso Técnico em

Açúcar e Álcool, oferecido gratuitamente a cerca de 130

alunos, dos quais 30 já atuam na empresa. "Priorizamos

a contratação de mão de obra local, contribuindo para

a melhoria na geração de renda da região", diz o presidente

da Cosan, Marcos Marinho Lutz."

A nova unidade, a primeira do grupo no Estado do

Mato Grosso do Sul, contou com investimento de R$ 530

milhões, dos quais R$ 275 milhões foram contratados

por meio de financiamento com o Banco Nacional do

Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A capacidade

instalada da nova planta permitirá a moagem e

processamento de 2,5 milhões de toneladas de cana de

açúcar, com produção de 90 milhões de litros de etanol

e 185 mil toneladas de açúcar por safra.

COGERAÇÃO DE ENERGIA

A usina foi concebida para realizar a cogeração de

energia elétrica a partir do aproveitamento do bagaço e

da palha da cana. A capacidade atual instalada é de 76

MW, o suficiente para abastecer uma cidade de 500 mil

habitantes. A unidade de Caarapó possui um contrato

bilateral de venda de energia, com a comercialização

prevista de 143 mil MWh anuais.

(CANAL com assessoria de comunicação da Cosan).

Inauguradas usinas

térmicas a bagaço de cana

do uso de energias mais limpas e o exemplo que o

Brasil vem dando ao mundo. “O Brasil é, hoje, o país

do mundo que tem a energia mais limpa do planeta.

Ninguém pode empinar o nariz para conversar

com o Brasil sobre energia. Quando alguém quiser

utilizar a palavra energia limpa, esteja onde estiver,

em qualquer lugar do mundo, ele tem que olhar o

mapa e saber que um país chamado Brasil não fala,

faz a energia mais limpa do planeta”, disse.

Além da usina em Barra Bonita, vão entrar em

operação as plantas de Narandiba, Mirante do

Paranapanema, Queiroz, Iacanga, Pitangueiras,

Sebastianópolis do Sul e Cosmópolis. Os

empreendimentos geraram, aproximadamente, 6

mil empregos diretos, com investimento total de

R$ 993 milhões. (CANAL com Agência Brasil).


LIDERANÇA AGRONEGÓCIO

14 CANAL, Jornal da Bioenergia

José Mário Schreiner

é reeleito para a presidência da Faeg

INAUGURAÇÃO

José Mário Schreiner

AETH Bioenergia, empresa da Organização

Odebrecht, lançou a sua sexta unidade,

Morro Vermelho, localizada no município de

Mineiros (GO), no fim de agosto. A nova usina

recebeu investimentos da ordem de R$ 1 bilhão

nas áreas agrícola e industrial para produzir etanol

e energia elétrica. Ela é a primeira do Polo

Araguaia, que terá outra três unidades localizadas

em Goiás e Mato Grosso, e faz parte da estratégia

da empresa em organizar as usinas em polos para

potencializar os investimentos em infraestrutura e

logística. O objetivo da ETH é se posicionar entre

os líderes do mercado em 10 anos.

A nova unidade, que gerou 1500 novos empregos,

tem capacidade instalada para processar 3,8

milhões de toneladas de cana por safra, volume

suficiente para produzir 360 milhões de litros de

etanol e 380 GWh de energia elétrica. A previsão

é que, já nesta safra, a Morro Vermelho produza 90

milhões de litros de etanol.

Com mais cinco unidades em operação, a ETH

AFederação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg)

realizou, no dia 14, eleições para referendar a diretoria

que administrará a entidade pelo triênio 2010/13.

A chapa única e de consenso liderada pelo atual presidente,

José Mário Schreiner, foi legitimada por 99% dos votos dos

Sindicatos. Em seu pronunciamento, após a apuração dos

votos, Schreiner agradeceu a expressiva votação e adesão

dos Sindicatos Rurais à chapa e reiterou o compromisso de

representação dos cerca de 60 mil produtores rurais filiados

à entidade. A solenidade oficial de posse da nova diretoria

será realizada no dia 14 de dezembro, em Goiânia.

TRAJETÓRIA

José Mário Schreiner esteve na vice-presidência da Faeg

nas diretorias dos triênios 2001/2004, 2004/2007 e

2007/2010. Assumiu a presidência da Federação e do

Conselho Administrativo do Serviço Nacional de

Aprendizagem Rural (Senar) em maio de 2008, após o

falecimento do então presidente Macel Félix Caixeta.

Nascido em 8 de fevereiro de 1961, em Porto União (SC),

Schreiner é filho de pequenos produtores rurais. Formou-se

como técnico agropecuário pela Universidade Federal de

Santa Catarina e, em 1981, mudou-se para o município de

Mineiros (GO). É produtor rural nas áreas de grãos, algodão e

pecuária de corte em Perolândia, Portelândia e Mineiros.

Começo do

Polo Araguaia

ETH BIOENERGIA

AVANÇA NA SUA

ESTRATÉGIA DE

CRESCIMENTO E

INAUGURA

UNIDADE QUE

CONSOLIDA

MODELO DE POLOS

DE PRODUÇÃO

Bioenergia deve moer 12 milhões de toneladas

de cana e produzir 850 milhões de litros de

etanol nesta safra. As operações agrícolas da

nova unidade são 100% mecanizadas, do plantio

à colheita da cana.

OUTRAS UNIDADES

A próxima unidade a entrar em operação será a

Alto Taquari, no Mato Grosso. A previsão é que a

usina comece a produzir em novembro deste ano.

Em meados de 2011 será a vez de Costa Rica, no

Mato Grosso do Sul, e Água Emendada, em Goiás,

serem inauguradas.

As quatro usinas que compõem o Polo Araguaia

terão capacidade para produzir, cada uma, 360

milhões de litros de etanol e 380 GWh de energia

elétrica, a partir da cogeração do bagaço da cana.

"A concentração de nossas usinas em polos reduz

custos de logística de produção e distribuição, nos

dando vantagem competitiva", explica o presidente

da companhia, José Carlos Grubisich.


Bioeletricidade: e agora,

como sair da inércia?

Nos últimos leilões do mercado regulado,

assistimos a uma mudança significativa

na participação das fontes de

energias alternativas e, principalmente,

na relação de competitividade das fontes de

biomassa e eólica.

A energia eólica, considerada, até então, uma

fonte cara e não competitiva, surpreendentemente

se apresentou bastante competitiva no último

leilão, demonstrando força para competir

com a energia de biomassa.

A busca pela competitividade deve existir

sempre, portanto o resultado alcançado pela

energia eólica, deve ser analisado por todos os

ângulos, desde as questões institucionais, logísticas,

normativas, fiscais, até as tecnológicas e

conjunturais. Não se pode ignorar, especialmente,

o grande avanço tecnológico ocorrido

com essa fonte.

Já ouvimos alegações de que esse significativo

avanço das eólicas e a supremacia obtida nos

resultados dos leilões foram meramente conjunturais,

baseado num momento de falta de mercado,

no mundo, para os fabricantes de equipamentos

aerogeradores. Portanto, com altos estoques

e capacidade ociosa nas fábricas, a situação

permitiu aos empreendedores eólicos significativa

redução nos valores dos investimentos e

consequente aumento da competitividade, fato

que não deve se repetir nos próximos leilões.

Além disso, devido à falta de capacidade da

energia eólica competir com as outras fontes, foram

dados incentivos fiscais e condições de financiamento

com taxas vantajosas por meio do

Banco do Nordeste. Nesse cenário, ela surge nos

leilões muito competitiva, até mesmo superando

os empreendimentos de biomassa.

Para quem acredita que os fatores acima fo-

OPINIÃO

mam as bases desse repentino aumento de competitividade,

existem alguns contrapontos a serem

considerados. O principal são os ganhos de

eficiência no fator de capacidade dos projetos

eólicos. De um fator de capacidade de 28 a 30%

chegou-se a um fator de capacidade em torno de

55%, conjugando ganho na eficência dos aerogeradores,

que subiram para uma faixa de 43 a

49%, e no aumento da altura das torres, de 80

para 100 metros, o que permitiu um ganho de

ventos da ordem de 5 a 7%. Esses ganhos, se confirmados,

são inquestionávelmente significativos

e precisam ser respeitados.

Em resposta, a esse novo cenário, o Dr. Maurício

Tomalsquim, em recente evento realizado em

São Paulo, procurando manter elevado o nível de

interesse de todos, manifestou ser importante as

duas fontes de energia, afirmando ser a eólica

estratégica para abastecer o submercado Nordeste.

A da biomassa, por sua vez, é necessária

para atender o mercado onde se concentra o

maior centro de carga do País, o que tecnicamente

está correto.

A dúvida para a implementação prática dessa

afirmação é encontrar mecanismos que viabilizem

todos os diversos aspectos envolvidos entre

as duas fontes, consideradas renováveis, limpas

e complementares.

Uma vez confirmado o grande aumento competitivo

das eólicas, como voltar ao equilíbrio de

competição entre elas, com um tratamento isonômico,

em termos fiscais e de custos do financiamento?

Será possível adotar medidas normativas

para estabelecer espaços garantidos para

a biomassa no Sudeste/Centro-oeste e eólicas no

Nordeste, como declarou o Presidente da EPE ?

Se essas medidas não forem adotadas, a biomassa

ficará com a responsabilidade de bus-

Onório Kitayama é

Consultor em Bioeletricidade

car a competitividade a qualquer custo, para

poder aproveitar os efeito sinérgico de aumentar

a própria competitividade com seus outros

dois produtos?

Certamente, as entidades de classe do setor

sucroenergético estarão se movimentando, como

sempre fizeram, buscando recuperar condições

de viabilidade para a biomassa, mas desde já fica

claro a necessidade de o setor rever alguns

conceitos, entender diferenças entre mercado regulado

e mercado livre, energia incentivada e

energia convencional, energia complementar de

safra e energia "flat" de ano e discutir projetos

que permitam agregar ganhos competitivos e,

assim, poder participar do mercado de energia

elétrica do país.

Felizmente, no caso da biomassa da cana,

existe um potencial para ganhos de competitividade,

o que parece não estar acontecendo com

as PCHs, que não estão conseguindo manter o

nível de competição diante dos avanços das outras

fontes.

Existe um programa sendo iniciado no Estado

de São Paulo, da qual participamos efetivamente,

para sua viabilização, com objetivo de

tirar da inércia as usinas existentes que precisam

de "retrofit", e que se enquadram perfeitamente

dentro desse novo cenário de competição

que se estabeleceu no mercado de energias

renováveis e limpas.

Seria interessante tentar desenvolver um programa

semelhante em outros Estados, que pudesse

permitir o aproveitamento do potencial

existente nos geradores do setor sucroenergético,

cujo aproveitamento seria desenvolvido por

etapas, dentro de condições que viabilizam os

empreendimentos na atual situação em que se

encontram.

CANAL, Jornal da Bioenergia 15

divulgação


EVENTOS OTIMISMO

16 CANAL, Jornal da Bioenergia

fotos: fernando gonzaga/divulgação

Negócios na Fenasucro

e Agrocana 2010

ultrapassam R$ 2,4 bi

VOLUME DE NEGÓCIOS ULTRAPASSA EM 10% A

MOVIMENTAÇÃO DAS DUAS FEIRAS DO ANO PASSADO

Rhudy Crysthian

Especial para o CANAL

Maiores eventos do Brasil em geração

de negócios e intercâmbio de informações

e tecnologias, a Fenasucro e

Agrocana 2010, feiras realizadas no

início de setembro em Sertãozinho, interior de

São Paulo, movimentaram mais de R$ 2,4 bilhões,

ultrapassando em 10% o volume de negócios

gerados em 2009. Mais de 33 mil visitantes

do Brasil e de outros 31 outros países, como

a Índia, China, Inglaterra e os Estados Unidos,

passaram pelos pavilhões das feiras, onde 450

expositores mostraram suas novidades e tecnologias

para o setor.

A abertura do evento este ano contou com a

presença do presidente da República, Luiz Inácio

Lula da Silva, que recebeu o título de Embaixador

do Etanol. O presidente Lula percorreu os estandes

e falou com representantes do setor. Durante a visita,

ele esteve acompanhado dos ministros da

Agricultura, Wagner Rossi, da Secretaria da Presidência

da República, Luiz Dulce, e das Minas e

Energia, Márcio Zimmermann.

Na época, em plena campanha eleitoral por

Dilma Rousseff, o presidente evitou falar sobre

política e fez questão de afirmar que o seu governo

foi um dos mais incentivadores do setor ao

longo dos últimos anos, principalmente pela humanização

da atividade, com a requalificação de

trabalhadores do campo.

Ele aproveitou, ainda, para defender o setor

sucroenergético brasileiro como o mais eficiente

Abertura Oficial das feiras contou com a presença do presidente Lula

do mundo e disse ser necessário estabelecer uma

certificação que garanta a qualidade do etanol.

Com a visita do presidente Lula, a Fenasucro e

Agrocana ganharam ampla repercussão atraindo

também os principais empresários brasileiros do

setor, como Rubens Ometto, da Cosan, presidente

de honra da Fenasucro.

Outro aspecto que retrata o balanço positivo

das feiras foram os eventos simultâneos, como

eles o Fórum de Abertura, que teve com a presença

da candidata Marina Silva (PV).

RESULTADOS

O gerente de Marketing da Unica, Leandro Pampin,

afirmou que a entidade ficou entusiasmada

com os resultados obtidos pelo evento. A entidade

aproveitou a oportunidade para divulgar diversos

projetos desenvolvidos para o setor. Um deles é o

Projeto RenovAção, voltado à requalificação profissional

de até sete mil trabalhadores rurais/ano

que atuam no corte manual da cana. "Divulgamos

nossas ações internacionais e demonstramos as

ferramentas que usamos para promover o etanol

brasileiro em outros mercados", destacou.

Para os diretores da promotora dos eventos, a

Multiplus Feiras e Eventos, Fernando Barbosa e

Augusto Balieiro, as Feiras deram mais um passo

na consolidação como principal palco mundial de

intercâmbio comercial e tecnológico do setor. "Os

bons resultados contemplam o prestígio adquirido

com uma visitação qualificada, incluindo o

aumento da participação de estrangeiros, a geração

recorde de negócios e o impacto positivo dos

eventos simultâneos", destacam.


Flávio Castelar, secretário-executivo

do Apla, estima mais US$ 120

milhões em negócios que devem ser

realizados até o mês de novembro

divulgação

Apla realiza rodada de negócios de 5,5 milhões

O Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla),

em parceria com a Agência Brasileira de Promoção

de Exportações e Investimentos (Apex-

Brasil), promoveu rodadas de negócios com

diversos países durante a edição 2010 da Fenasucro.

Em coletiva de imprensa realizada no

último dia da Feira, a entidade já tinha realizado

mais de 340 reuniões, com nove negócios

firmados, gerando uma soma de mais de

US$5,5 milhões.

Para Flávio Castelar, secretário executivo do

Apla, a estimativa é de que outros 120 milhões

de dólares em negócios sejam fechados ao longo

dos próximos dois meses. "A Fenasucro é

uma importante oportunidade para as empresas

divulgarem novidades tecnológicas e fechar

negócios com os principais mercados do setor

canavieiro", explicou.

Segundo ele, 44 empresas brasileiras participaram

das rodadas. As empresas selecionadas

para participar das negociações com os exportadores

brasileiros foram de países como Porto

Rico, Peru, Uruguai, Guatemala, Colômbia, Cuba,

Venezuela, Paraguai e Argentina.

De acordo com Maria Fernanda Escobar, diretora

executiva de uma publicação colombiana

voltada para o setor, a estimativa de crescimento

da produção de cana no país é de 6% a

8% nesta safra. "Os países da América Latina

voltaram suas atenções nos últimos anos para o

aumento da produção de cana de açúcar para a

fabricação de etanol", disse. É justamente neste

mercado em expansão que o Apla está de olho.

Castelar afirma que existem convênios de

Cooperação Técnica com outros cinco países da

América Latina. "Queremos aproximar nossas

empresas brasileiras desses mercados para ajudá-los

a deslanchar seus programas de biocombustíveis",

disse. Ele destacou, ainda, que a entidade

pretende expandir seu leque de atuação

em países da África.

Para o empresário do ramo de irrigação e

transporte de vinhaça, Arnaldo Gatto, a iniciativa

é uma forma para que empresas e entidades

participantes do projeto possam vender e

expor tecnologia e equipamentos para o setor

de bioenergia.

O projeto desenvolvido em parceria pelo

Apla e pela Apex-Brasil promove, desde 2006,

missões comerciais visando auxiliar empresas

na exportação dos produtos, equipamentos, e

serviços do setor sucroenergético. Os principais

objetivos da ação visam a realização de novos

contatos, divulgação do potencial brasileiro em

equipamentos e serviços, expansão de fronteiras

comerciais e a consolidação do Brasil como

referência internacional em tecnologia para a

indústria do setor sucroalcooleiro.

CANAL, Jornal da Bioenergia 17


TECNOLOGIA CANA-DE-AÇÚCAR

Mecanização do plantio

avança no País

MELHORAS NA PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA E A EFICIÊNCIA

NAS LAVOURAS SÃO BENEFÍCIOS DA MECANIZAÇÃO QUE

EXTRAPOLAM O CAMPO E CHEGAM ÀS COMUNIDADES

Impulsionados pelo advento da colheita mecanizada,

escassez de mão de obra e busca do

melhor aproveitamento do potencial produtivo

da área, além da redução de custos, os usineiros

e empresários do setor sucroenergético

têm investido cada vez mais no plantio mecanizado.

Na região Centro-Sul do País, que concentra

a maior parte da produção de cana-de-açúcar do

Brasil, a utilização de máquinas e implementos

agrícolas para o plantio deverá ter um acréscimo

de 20% na próxima safra, se comparado a safra

2010/2011, segundo especialistas do setor, que

confirmam, ainda, a utilização de mais de 800

equipamentos em operação nas lavouras. São

Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul são Estados

que devem se destacar nesse cenário.

Para o diretor de marketing da DMB Máquinas

e Implementos, Auro Pardinho, esse crescimento

na demanda se deve ao fato dos empresários do

setor conhecerem as vantagens do plantio mecanizado,

que envolvem desde as questões econômicas

às operacionais, como a possibilidade de

redução da circulação de veículos pesados na

área de cultivo, diminuição do excesso de variabilidade

espacial da cultura e melhoria do parale-

18 CANAL, Jornal da Bioenergia

lismo entre fileiras. "Todas essas características favoráveis

têm motivado usinas, que até então não

investiam em novas tecnologias, a buscar se adequar

ao mercado. Exemplo é Goiás, com as usinas

novas que estão sendo instaladas já voltadas para

o plantio e colheita mecanizados", destaca.

Atentas a essa prática recente e inovadora,

empresas têm desenvolvido novas tecnologias e

equipamentos que garantam retorno operacional

e financeiro. A DMB Máquinas e Implementos

Agrícolas, por exemplo, atua desde 1964 no

mercado e há mais de 10 anos com a produção

de máquinas para o plantio de cana. A empresa

disponibiliza ao mercado a plantadora de cana

picada PCP 6000. O equipamento, com projeto

industrial desenvolvido em parceria com o

Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), realiza

o plantio mecanizado da cana-de-açúcar,

efetuando todas as operações do plantio da

cultura de uma só vez, em duas linhas, com

desempenho operacional de aproximadamente

1 hectare por hora.

A plantadora é tracionada por trator, com potência

mínima sugerida de 180 hp, por meio de

torre com engate em três pontos com articula-

fotos: daniel janini


ção tipo pino-bola para facilitar as manobras. A distribuição das mudas é feita por

meio de duas esteiras transportadoras compostas por 16 fendas, cada uma disposta

alternadamente para proporcionar uma distribuição uniforme das mudas no sulco.

As esteiras são acionadas por um motor hidráulico com válvula de regulagem de

fluxo de óleo, por meio da qual é possível regular a velocidade das esteiras e, consequentemente,

a quantidade de gemas por metro linear de sulco.

Por causa da crescente demanda pelo equipamento, a DMB está com sua linha de

produção compromissada até fevereiro de 2011. "Se um usineiro ou produtor procurar

a empresa em busca dessa máquina, só terá sua demanda atendida em março do ano

que vem. Isso mostra que os empresários buscam a tecnologia e estão interessados em

investir no campo", garante Auro Pardinho.

PRÁTICAS

Desde o início de sua operação, há três anos, a ETH utiliza o plantio mecanizado

nas seis unidades da empresa – Eldorado (MS), Santa Luzia (MS), Alcídia

(SP), Conquista do Pontal (SP), Rio Claro (GO) e Rio Vermelho (GO, MT e MS). Para

a ETH, o alto desempenho do plantio mecanizado, a redução dos impactos

ambientais e o custo menor diante do plantio convencional são os grandes diferenciais

nas operações agrícolas. Essa prática inovadora trouxe redução de

custos à empresa e permitiu a viabilidade de plantar mais de 80 mil hectares de

cana-de-açúcar somente na safra passada.

Segundo a ETH, a mecanização de todas as operações agrícolas permite que os canaviais

da empresa cresçam no mesmo ritmo que a capacidade de processamento e

produção de etanol e energia elétrica das unidades operacionais. Por esse motivo, a

utilização de máquinas e implementos agrícolas em todas as etapas de produção será

uma das ações para que empresa consiga alcançar sua meta de expansão para os

próximos anos. Em 2012, a ETH contará com nove unidades e capacidade instalada

para processar 40 milhões de toneladas de cana por safra. Isso representa o plantio

de cerca de 600 mil hectares. Atualmente, a ETH conta com 10 mil integrantes, 7 mil

deles na área agrícola. O número total saltará para 14 mil até 2012.

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

A introdução do plantio mecanizado, seguindo a linha da colheita mecanizada,

permitiu uma mudança no cenário estrutural das empresas do setor sucroenergético.

A entrada de máquinas e implementos agrícolas no campo modificou a relação

de trabalho, favorecendo a qualificação do trabalhador rural e geração de renda nas

comunidades atendidas pelas empresas do setor. Segundo o diretor técnico da União

da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, a mecanização

resultou no fim da mão de obra sazonal e profissionalização permanente no campo.

"As empresas têm se preocupado em investir na qualificação, já que, do ponto de vista

econômico, não podem entregar um máquina que vale R$ 1 milhão a um profissional

desqualificado", ressalta.

A ETH é um exemplo. No início, a empresa teve problemas de recrutamento de

mão de obra qualificada para atuar no plantio, por isso precisou formar equipes qualificadas

rapidamente para acompanhar o ritmo de crescimento da empresa. O mercado

não consegue suprir a demanda e, por isso, é preciso investir fortemente em

formação e capacitação desses profissionais. Na empresa não houve dispensa de mão

de obra e sim recrutamento nas comunidades próximas às seis unidades da empresa

hoje em operação. Os integrantes tiveram de passar por processos intensos de formação

e capacitação profissional para atuar nas operações agrícolas mecanizadas.

Esse tipo de iniciativa gerou oportunidades e elevou a qualidade dos empregos e a

renda média das comunidades locais.

Plantio Mecanizado

Possibilita a mecanização

total das operações de

plantio, que envolvem

sulcação, adubação,

distribuição de rebolos e

cobrimento.

Semi-mecanizado

A diferença desse plantio, que

também pode ser denominado

de manual, é que envolve

operações manuais e

mecanizadas. A sulcação é

mecanizada, a distribuição de

mudas é manual, a picação e o

alinhamento das mudas dentro

do sulco é manual, e a cobrição

dos sulcos é mecanizada.

CANAL, Jornal da Bioenergia 19


Para 2011, a ETH anuncia a contratação de elevado

número de novos integrantes para seu quadro

profissional, entre motoristas, mecânicos, eletricistas

e operadores, que vão passar por capacitação

profissional por meio de programas específicos de

treinamento e parcerias com instituições de ensino,

como Senai e Instituto Paula Souza. Além de

aprender a operar os equipamentos, os alunos vão

adquirir conhecimentos sobre legislação trabalhista,

saúde, segurança, meio ambiente, liderança, relacionamento

interpessoal, desenvolvimento de

equipes e diálogos construtivos.

Também preocupada com a realidade que permeia

o setor sucroenergético, a Unica realiza o

Projeto Renovação no Estado de São Paulo, em

parceria com a Federação dos Empregados Rurais

Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp),

com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento

(BID) e patrocínio das empresas Syngen-

20 CANAL, Jornal da Bioenergia

ta, Case IH e John Deere. Considerado o maior programa

de requalificação profissional já implantado

pelo setor sucroenergético mundial, o projeto

tem o objetivo de capacitar até sete mil trabalhadores

por ano para atividades dentro das usinas ou

em outros setores da economia em que haja demanda.

Até 2017, de acordo com o Protocolo

Agroambiental firmado em 2007 entre os produtores

e o governo paulista, as máquinas substituirão

a colheita e plantio manual, com exceção das

áreas onde a inclinação do terreno não permite o

emprego de máquinas colhedoras.

DESAFIOS FUTUROS

"Para melhorar ainda mais o rendimento e eficiência

nas lavouras, alguns desafios precisam ser superados

nos próximos anos". A observação é do

professor da Esalq/USP, Tomaz Caetano Cannavam

Ripoli. De acordo com ele, as empresas fabricantes

de plantadoras precisam investir para atender os

pequenos e médios fornecedores de cana. "Não há

máquinas de valores de compra compatíveis com o

poder de aquisição dos pequenos produtores. O futuro

é hoje e causa preocupação com a sobrevivência

destes fornecedores que perderão rentabilidade

e competitividade se não tiverem acesso à mecanização",

destaca.

Já o gerente geral de produtos do Centro de Tecnologia

Canavieira (CTC), Luiz Antônio Dias Paes,

acredita que o maior gargalo está na qualidade do

plantio. "Deve existir a preocupação com o dano na

muda, inclusive na etapa de colheita. Além, é claro,

das doenças e ataques de fungo, que podem inviabilizar

o plantio", observa. Para Luiz, a solução

está no desenvolvimento tecnológico de produtos

que possam controlar os fungos de forma massiva.

"Com isso, haverá um ganho operacional enorme e,

por consequência, econômico também", reforça.

divulgação/john deere


Introdução no campo

As máquinas e implementos para o

plantio mecanizado começaram a ser oferecidas

no mercado, efetivamente, em

2004, por empresas como Civemasa, DMB,

Santal e Tracan. Diversos fatores motivaram

a introdução de novidades tecnológicas

voltadas especialmente para o plantio

no setor sucroalcooleiro, como diminuição

da disponibilidade de mão de obra,

necessidade de se obter melhor homogeneização

na operação e busca da redução

de custos. Porém, segundo o professor

da Esalq/USP, Tomaz Caetano Cannavam

Ripoli, os primeiros investimentos em

plantio mecanizado foram feitos há mais

de 30 anos no Brasil.

Um exemplo citado por Ripoli é a empresa

Motocana, localizada em Piracica-

Inovação integrada às máquinas

Além da tecnologia direcionada às máquinas

e implementos, outras técnicas estão

sendo testadas para a etapa de plantio

da cana-de-açúcar. A tecnologia Plene,

que substitui o tolete tradicional – um

pedaço de cana de aproximadamente 40

cm – por gemas que medem cerca de 4

cm e são tratadas com produtos da

Syngenta é uma novidade no mercado.

Por meio dessa tecnologia, o processo de

plantio pode ser mecanizado com máquinas

mais leves e ágeis, reduzindo o número

de passagens de máquinas pela área a

ser plantada, gerando menos impactos no

solo. Os principais benefícios estão ligados

à eficiência da tecnologia, sustentabilidade

e modernização significativa nos

métodos atualmente utilizados nos canaviais.

Além disso, trata-se de uma tecnologia

que garante a introdução de práticas

agrícolas sustentáveis, já que reduz

tanto a compactação do solo quanto a

emissão de dióxido de carbono pelas máquinas

usadas no plantio.

Para plantar um hectare de cana no sistema

convencional são necessárias de 15 a

18 toneladas de cana. Uma das vantagens

do sistema Plene é que, para plantar a

mesma área, é necessária apenas uma to-

ba-SP, que lançou, na década de 70, uma

plantadora simples, de colmos inteiros.

"Na época, não havia a necessidade de

utilização do plantio de forma mecanizada.

Por esse motivo, a adoção de máquinas

não ocorreu no setor. A realidade foi

o trabalho manual e semi-mecanizado

nas lavouras", acrescenta.

Tomaz relata, ainda, que desde o início

do processo de implantação do plantio

mecanizado, até os dias atuais, a principal

dificuldade tem sido a qualidade das mudas.

Segundo ele, o ideal são mudas de 6

a 8 meses, mas a maioria utiliza mudas de

10 a 12 meses, com problemas de sanidade

e gemas danificadas. "Isso obriga a aumentar,

excessivamente, a quantidade de

mudas por hectare plantado", informa.

nelada. Outro grande avanço é que a tecnologia

agrega proteção contra doenças e

pragas e apresenta pureza varietal superior,

sanidade e rastreabilidade garantida.

A tecnologia já passou pela fase de

testes em 300 campos demonstrativos

nos Estados de São Paulo, Mato Grosso,

Goiás e Paraná. Os testes foram conduzidos

não somente em estações experimentais

da empresa, mas especialmente

com plantio na área das próprias usinas

interessadas na tecnologia. As primeiras

avaliações de campo confirmaram que é

um processo de plantio diferenciado,

com mudas sadias, pureza varietal, rastreabilidade,

a partir de práticas mais

simples, sustentáveis e com melhor retorno

sobre os investimentos.

Em agosto deste ano a Syngenta

anunciou o fechamento de seu primeiro

contrato comercial da tecnologia com a

Usina Guaíra. A empresa negocia uma

carteira de US$ 200 milhões para a comercialização

da tecnologia Plene com as

principais usinas do país. O montante

previsto inclui o contrato da Guaíra. Os

custos de investimento oscilam dependendo

da variedade da cana, do frete e

do nível de tecnologia da usina.

eth bioenergia/divulgação

fotos: daniel janini

Ensaio com tecnologia Plene, que substitui o tolete

tradicional por gemas que medem cerca de 4 cm. Nas fotos

acima operação convencional de plantio e adubação.

CANAL, Jornal da Bioenergia 21


Leilão de biodiesel

movimenta R$1 bilhão

O 19º leilão de biodiesel,

realizado no começo de

setembro, registrou preço

médio final de R$ 1,743/litro,

com um deságio de 25% em

relação ao valor inicial de R$

2,320. Segundo o Ministério de

Minas e Energia, este foi o

menor preço histórico obtido

num leilão do biocombustível,

desde o início da

obrigatoriedade legal da adição

da substância no diesel, em

janeiro de 2008.

Ao todo, foram negociados

615 milhões de litros, de forma

a garantir a mistura B5 (5% de

biodiesel no diesel fóssil) no

quarto trimestre de 2010.

Segundo o órgão, o valor dessa

transação, que envolveu cerca

de 50 empresas, superou a

quantia de R$ 1 bilhão. Em

relação ao leilão anterior, que

negociou 600 milhões de litros,

houve um crescimento de 2,5%

no volume comercializado e

diferença de 17,3% no valor

obtido (R$ 2,106).

22 CANAL, Jornal da Bioenergia

Lançamento regional de variedades de cana

O Programa de Melhoramento

Genético da Cana de Açúcar

(PMGCA), do Centro de Ciências

Agrárias (CCA), Campus Araras

da UFSCar, realizou no começo de

outubro, o Lançamento Regional

de duas variedades de cana-deaçúcar,

desenvolvidas em parceria

com Rede Interuniversitária de

Desenvolvimento do Setor

Sucroalcooleiro (Ridesa).

Crescem vendas de colhedora de cana

As usinas sucroenergéticas avançam

na mecanização da colheita da

cana-de-açúcar. Com isso, a indústria

de máquinas aproveita para

ampliar suas vendas, devendo comercializar

1.500 unidades neste

Interatividade com o leitor

Participe das nossas pautas! Mande suas sugestões de assuntos para o

CANAL-Jornal da Bioenergia. Envie e-mail para:

editor@canalbioenergia.com.br

redacao@canalbioenergia.com.br

As novas RBs desenvolvidas

pelo CCA (RB965902 e

RB965917) são adaptadas aos

climas específicos das diversas

regiões de cultivo do País e

resistentes à ferrugem alaranjada.

Apresentam, ainda, como

diferencial, a alta produtividade e

ótima brotação, além de excelente

comportamento sob colheita

mecanizada.

ano, 60% a mais do que na safra

anterior. Isso ocorre devido à entrada

em operação de novos projetos -

onde a mecanização é obrigatória- e

ao avanço da utilização de colhedoras

em unidades tradicionais.

O CANAL–Jornal da Bioenergia tem parceria com o CEISE (Centro Nacional das Indústrias do

Setor Sucroalcooleiro e Energético). Associados têm DESCONTO especial em anúncio no jornal.

Informações:comercial@canalbioenergia.com.br

R$ 17,5 bi no leilão de

fontes alternativas

O segundo leilão de fontes

alternativas, realizado no final

de agosto, contratou a demanda

complementar das

distribuidoras em 2013.

Segundo a Câmara de

Comercialização de Energia

Elétrica (CCEE), a licitação

movimentou R$ 17,5 bilhões e

negociou 129,4 milhões de

megawatts-hora (MWh). A

CCEE informou que 56 usinas

venderam no leilão, sendo cinco

pequenas centrais hidrelétricas

(PCH), uma térmica a bagaço da

cana-de-açúcar e 50 usinas

eólicas. Desse montante, 12,6

milhões de MWh são relativos a

PCHs, cujos contratos são de 30

anos. O preço médio foi de R$

146,99 por MWh, deságio de

5,16% em relação aos R$ 155

por MWh iniciais. Os outros

116,7 milhões de MWh são

referentes a térmica a biomassa

e usinas eólicas, cujos contratos

são de 20 anos. O preço médio

foi de R$ 134,23 por MWh,

deságio de 19,6% em relação ao

preço-teto de R$ 167 por MWh.


Encontro da história de Goiás e das

belezas do Cerrado

Cidade antiga do interior

sempre tem histórias que

recheam as conversas na praça

da igreja e ajudam a aguçar o

sentimento de aventura do

turista. Esta sensação

podemos sentir na cidade de

Pirenópolis, que fica a 117

quilômetros de Goiânia,

tombada pelo Instituto do

Patrimônio Histórico Nacional.

foots: goias turismo/divulgação

24 CANAL, Jornal da Bioenergia

Clarissa Bezerra

Uma das histórias contadas pelos moradores mais

antigos da cidade diz que, no princípio do século 19,

o comendador Joaquim Alves de Oliveira, uma espécie

de rei da cidade – e quase que do Estado todo –

construiu um monumental casarão com 365 janelas.

Uma para cada dia do ano.

A construção, no imaginário do povo ficou conhecida

como o Palacete do Comendador. A obra

teria sido levantada bem no centro da cidade e ocupado

o mesmo espaço da casa do Museu da Família

Pompeu, na Rua Nova até a proximidade do Campo

das Cavalhadas.

Uma mega edificação com a forma da letra H e

que chegaria a 30 mil metros quadrados de área

construída. Após a morte do Comendador, que não

tinha herdeiros, contam que a população em peso

demoliu a casa para procurar tesouros como garrafas

de ouro. A madeira, esteios e janelas, teriam sido

utilizadas para a construção de várias casas nas adjacências

da Rua do Rosário e Rua Aurora.

A história da casa fantástica do comendador é

bonita, mas não há nenhum registro ou documento

que comprove sua existência. Há aqueles pirenopolinos

que juram ter visto as ruínas dos alicerces e se

baseiam nos desenhos de alguns artistas e na maquete

que está, atualmente, nos jardins da pousada

Quinta Santa Bárbara. Devaneios ou não, ainda hoje

muitos acreditam que megapalacete do comendador

realmente existiu.

TERRA, PICO E ESTRELAS

Pirenópolis já se chamou Minas de Nossa Senhora

do Rosário de Meia Ponte. "Meia Ponte" porque,

num passado distante, metade da ponte sobre o rio

das Almas foi levada por uma enchente. A cidade

passou a se chamar Pirenópolis em 1890, por estar

entre duas grandes elevações que formam a Serra

dos Pireneus, de onde se extrai as famosas pedras de

calçamento e que atrai, inevitavelmente, o olhar admirado

dos turistas.

Um dos pontos turísticos é o seu pico central,

com 1.385 metros de altura, e que fica a apenas 18

quilômetros da região central da cidade. Mas não é

apenas o pico o atrativo da charmosa Pirenópolis. A

cidade, de cerca de 20 mil habitantes, também encanta

pelo clima agradável e acolhedor.

Todos os fins de semana a cidade recebe cerca de

6 mil turistas de várias partes do País e do mundo.

A maioria é de, por sua proximidade – cerca de 150

quilômetros de distância. Entre as atrações do município,

fundado em 1727 pelos Bandeirantes, estão

os edifícios históricos que integram um conjunto

arquitetônico colonial formados por museus e casas

residenciais antigas, com fachadas bem preservadas.

Nos arredores da cidade a natureza se expressa

de forma mais eloquente em cachoeiras exuberantes.

Festas populares tradicionais, como as Cavalhadas

e a Festa do Divino, recentemente elevadas ao

título de Patrimomio Imaterial Brasileiro, também

atraem grande quantidade de turistas.

A experiência do secretário de Turismo de Pirenópolis,

Sérgio Rady, mostra que o incremento do

turismo no local é devido à proximidade com o

Distrito Federal. “ Esse fluxo ocorre há 20 anos. O

turismo só perde, como fonte de negócios, para a

extração do quartzito. As famosas pedras de Pirenópolis

“, explica.

Um cenário exuberante como esse não é desperdiçado

nem pelo mundo das telenovelas. Em julho,

último, um forte aparato do núcleo de novelas da

Rede Globo esteve na cidade para a gravação da nova

novela das 18 horas: Araguaia.

A cena típica foi uma simulação das Cavalhadas.

O grupo de atores foi encabeçada por Murilo Rosa,

caracterizado como imperador das Cavalhadas com

o batalhão de 12 cavalheiros de azul (cristãos) e 12

mouros (vermelhos) subindo a ladeira rumo à Igreja

Matriz.

E vale ressaltar que essa não é a primeira vez que

a Globo se interessa pelo cenário pirenopolino. Em

2001 foram gravadas cenas na cidade para a novela

Estrela Guia, que tinha como protagonistas Guilherme

Fontes e a cantora Sandy.

ENTRE DEUS E A ARTE

O céu e a terra se fundem na cidade que conta

com um museu de arte sacra e outro dedicado à festa

do Divino Espírito Santo. Os dois estão instalados


em prédios antigos. Foram restaurados e reinaugurados

no ano passado. As atrações são gratuitas.

O Museu de Arte Sacra respira ao lado da Igreja

de Nossa Senhora do Carmo. Erguido há 260 anos,

o prédio fica à margem direita do Rio das Almas,

logo após a famosa ponte de madeira. Ele passou

por pequenas adaptações para receber imagens de

santos, sinos e outros itens religiosos. De todo acervo

a peça mais valiosa artisticamente é uma imagem

de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, do

século 18, assinada pelo escultor Veiga Valle, um

mestre do barroco goiano.

Parte do acervo exposto no Museu de Arte Sacra

integrava a ornamentação da Igreja Nossa Senhora

do Rosário dos Pretos, demolida em 1944

por ordem da Diocese de Goiás. Esse templo foi

construído a poucos metros da Igreja Matriz Nossa

Senhora do Rosário, entre 1743 e 1757, por escravos

da região.

Sem as jóias e o ouro que os portugueses empregaram

na ornamentação das igrejas dos brancos,

a de Nossa Senhora do Rosário de Pirenópolis

recebeu trabalho primoroso de entalhes e pinturas

em madeira, características do barroco brasileiro.

Mas acabou desfigurada por sucessivas reformas.

Após a demolição da edificação feita e frequentada

por escravos e descendentes, suas obras de arte

foram levadas para outras igrejas ou vendidas.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo foi erguida

por escravos entre 1750 e 1754. O templo foi erguido

pelo minerador Luciano Nunes Teixeira para servir

de capela. Mais de um século depois o lugar pas-

sou por alguns melhoramentos. Há quase 130 anos,

em 1992, mais precisamente, o Instituto do

Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) fez uma nova

restauração e pequenas adaptações para a guarda

do acervo sacro do que viria a ser um museu.

A Igreja passou por outra restauração em 2001.

Nessa época o templo permaneceu fechado, abrindo

duas vezes ao ano: para as procissões de Nosso

Senhor dos Passos (sábado antes do Domingo de

Ramos) e do Encontro (Domingo de Ramos). Esse

templo foi o início para a transformação das três

igrejas de Pirenópolis em espaço de cultos religiosos

e de contemplação dos turistas.

De frente para o Museu de Arte Sacra, do outro

lado da ponte sobre o Rio das Almas, fica o prédio

da Casa de Câmara e Cadeia, agora sede do Museu

do Divino Espírito Santo. Por meio de peças, fotografias,

texto e vídeo é contada a história da Festa

do Divino em Pirenópolis, a mais significativa das

festas do gênero no País. Ela é comemorada na cidade,

desde 1819, 50 dias após a Páscoa, e reúne

desfiles das bandas de música, congadas, bailes,

entre outros eventos, durante 12 dias.

O ponto alto da festa são as Cavalhadas, encenação

da luta entre mouros e cristãos no ano 800.

Para os estudiosos da história local e alguns autores

da criação de mais este museu, a ideia é dar informação

ao turista sobre essa manifestação e as

demais, relacionadas à Festa do Divino, mesmo fora

da época do evento. Neste museu o turista encontra

panfletos em quatro idiomas e em braile,

além de guia de áudio.

CANAL, Jornal da Bioenergia 25


Cachoeiras e reservas ecológicas

Pirenópolis é detentora do maior número de Unidades de Conservação

de Goiás. São oito locais, ao todo, entre cachoeiras e reservas ecológicas.

As cachoeiras, por exemplo, são mais de 20 e ficam a poucos

quilômetros do centro da cidade. É o verdadeiro oásis das águas cristalinas,

que brotam nas rochas e nas alturas, do lado norte dos Pireneus.

O ingresso para ver e desfrutar destas beldades custa, geralmente, na

faixa de 5 a 15 reais por pessoa.

Entre as cachoeiras mais visitadas destacam-se a do Lázaro e a de

Santa Maria (também conhecida como Cachoeira do Inferno). Elas estão

dentro da Reserva Ecológica Vargem Grande. Há também a cachoeira

de Nossa Senhora do Rosário, uma queda de 42 metros, piscinas

naturais e, ainda, a magia de um arco-íris, que se forma no cair das

águas em determinados horários do dia. O local ainda oferece trilhas

ecológicas, pracinhas no meio da mata e a gruta de Nossa Senhora do

Rosário, que fica por detrás do véu da cachoeira.

PARQUE ESTADUAL DA SERRA DOS PIRENEUS

A Serra dos Pireneus é a grande dententora da explosão de beleza

natural na região. Por isso o parque foi criado, em 1987, com área de

2,833,26 ha. Está localizado a 20 km de distância da cidade. É uma área

de especial beleza. Seu tesouro é constituído de cerrados rupestres

(com vegetação que nasce sobre rochas) de altitude, formações rochosas

e nascentes de águas cristalinas.

No alto do pico da serra existe uma pequena capela dedicada à Santíssima

Trindade. Sua formação delimita o bordo do Planalto Central

Brasileiro, divisor das águas de duas das mais importantes bacias hidrográficas

do continente, a Platina e a Tocantinense.

O importante marco geográfico foi objeto de principal interesse da

Comissão Cruls, grupos de cientistas que estiveram em terras pirenopolinas

em 1892, para a demarcação do quadrilátero do Distrito Federal.

Havia entre os cientistas da época uma forte dúvida quanto a altitude

deste pico.

COPA DO MUNDO DE 2014

Pela distância relativamente pequena de Brasília, que será uma das

sedes da Copa do Mundo em 2014, Pirenópolis tem uma previsão orça-

26 CANAL, Jornal da Bioenergia

fotos: evandro bittencourt


mentária do Ministério do Turismo

(MTur) para investimentos públicos.

Um dos principais projetos na pauta

da Copa, segundo o secretário municipal

de Turismo, Sérgio Rady, é o de

requalificação da orla do Rio das Almas,

de onde saiu parte do ouro explorado

no Brasil colônia. O investimento

previsto é de US$ 3,4 milhões,

com recursos do Programa Nacional

de Desenvolvimento do Turismo

(Prodetur).

A cidade foi contemplada também

com recursos para a qualificação de

profissionais e empresários dos bares

e restaurantes locais. Uma ação cujos

resultados podem ser sentidos no

movimento local de valorização da

culinária goiana e na variedade de

produtos ofertados ao turista.

Nos últimos cinco anos, o MTur

investiu no município R$ 1,54 milhões

em obras de infraestrutura turística,

como a pavimentação de ruas,

construção do centro de atendimento

ao turista, praças e canteiros.

O museu das Artes do Divino, que recebeu

R$ 104 mil, foi incluído no

programa de Qualificação de Museus

para o Turismo, uma ação em parceria

com o Ministério da Cultura.

goias turismo/divulgação

Serra dos Pireneus, onde estão localizadas diversas cachoeiras da cidade histórica

CANAL, Jornal da Bioenergia 27


PRAGA FERRUGEM ALARANJADA

Veio para ficar?

Lesões provocadas pelo fungo

em folhas da planta de cana

reduzem fotossíntese

28 CANAL, Jornal da Bioenergia

RECÉM-CHEGADO AOS CANAVIAIS BRASILEIROS, FUNGO GANHA ESPAÇO NAS

LAVOURAS E PODE AMPLIAR ÁREA AFETADA COM A CHEGADA DAS CHUVAS

fonte: CTC

Luisa Dias

Oprimeiro caso de Ferrugem Alaranjada foi

registrado no Brasil em dezembro de 2009.

Antes de completar um ano de presença

nos canaviais brasileiros, a praga, causada pelo

fungo Puccinia kuehnii ganha forças e deve aumentar

a área de lavouras afetadas na safra 11/12.

A expectativa, segundo o coordenador de Pesquisa

Tecnológica do Centro de Tecnologia Canavieira

(CTC), Enrico Arrigoni, é ter 50% de focos a mais

na próxima temporada. "Neste ano, as ocorrências

devem começar a partir de outubro, dois meses a

mais da doença no canavial em relação ao ano anterior.

Por isso, há a perspectiva de um problema

maior para o produtor", afirma.

A estimativa é que a doença fúngica afete até

30% dos canaviais da região Centro-Sul do Brasil,

onde já foram registrados alguns casos. Os Estados

de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul,

Minas Gerais, Paraná e Goiás possuem as quatro

variedades suscetíveis ao fungo em suas lavouras

(SP-891115, RB 72454, SP-842025 e CV14) e devem

levar até quatro anos para realizar a substituição

das mesmas. Além disso, essas regiões reúnem

as condições climáticas ideais para a

disseminação da doença, que é transmitida

pelo ar (leia quadro informativo) e

se desenvolve com umidade e calor.

O fungo da ferrugem alaranjada ataca as folhas

da cana-de-açúcar, reduz o potencial de fotossíntese

da planta e de produção da sacarose. A

previsão inicial do Ministério da Agricultura é que

o setor tenha um prejuízo de até 300 milhões de

reais anuais até a substituição completa das variedades

suscetíveis à doença. "Para quem está realizando

a sua primeira colheita destas variedades,

haverá perdas muito grandes, que devem ser

tratadas com fungicida adequado e o planejamento

da substituição nas próximas safras", afirma

Arrigoni. Segundo ele, em algumas lavouras

paulistas, após os primeiros focos no fim do ano

passado, foram registradas perdas de até 30%.

De acordo com o assessor técnico de Cana-deaçúcar

e Bioenergia da Federação da Agricultura

de Goiás (Faeg), Alexandro Alves, em Goiás, desde

o começo da safra, já foram registradas oito ocorrências

da doença, nas regiões de Itumbiara, Jataí,

Serranópolis e Quirinópolis. "Nós não observamos,

a princípio, uma ocorrência severa, por causa do

efeito La Niña, que provocou um longo período

de estiagem e bloqueou a ocorrência de novos

casos", afirma o engenheiro agrônomo. Para ele, o

melhor controle que os produtores goianos e brasileiros

podem fazer é a renovação dos canaviais.

Nós temos que planejar a ação de troca das variedades

e, até lá, combater os focos localizados da

praga", explicou o técnico.


Enrico Arrigoni, do CTC, prevê maior

difusão da ferrugem alaranjada na

próxima safra. No mapa, distribuição

dos focos da doença no Brasil

CONTROLE

O combate à ferrugem alaranjada ainda esbarra

na limitação de produtos disponíveis. Até agora, o

Ministério da Agricultura só licenciou o uso do

fungicida Priori Xtra, da Syngenta, que já era usado

contra a ferrugem asiática nos cultivos de soja.

Segundo dados da empresa, ele possui alta performance

no controle das principais doenças e seu

principal diferencial está na combinação dos dois

ingredientes ativos que agem de forma sistêmica,

permitindo mais eficácia e robustez.

Ainda à espera de aprovação existe o fungicida

da Basf denominado Ópera. "Esta tecnologia tem

mostrado um resultado bastante promissor, porque

potencializa o ganho de açúcar", afirma o gerente

Técnico de Desenvolvimento de Mercados da Basf,

Antônio Azenha. O produto já foi registrado nos Estados

Unidos, onde a praga começou em 2007.

A expectativa dos produtores é que, o quanto

antes, o Ministério da Agricultura libere um novo

fungicida e as aplicações alternadas dos produtos

garantam um bom controle da praga. "É

muito importante que haja mais de um produto

disponível no mercado, para que o fungo não

crie resistência", afirma Arrigoni. Ele ainda cita

que, neste momento, é importante que os produtores

com canaviais com variedades suscetíveis

entrem em alerta e busquem, ao primeiro sinal

da doença, tratá-la.

Para o assessor da Faeg, a entidade, junto à

Confederação Nacional da Agricultura (CNA), vai

buscar acelerar o processo de licenciamento de

novos produtos junto aos órgãos competentes para

garantir preços competitivos e estoques razoáveis

para os produtores.

fotos: ctc/divulgação

CANAL, Jornal da Bioenergia 29


Hyundai intensifica ações

no setor sucroenergético

Visando ampliar sua atuação no mercado

sucroenergético brasileiro, a sul-coreana Hyundai

criou no primeiro semestre de 2010 sua unidade de

negócios de Ribeirão Preto (SP), região onde se

concentra o maior polo canavieiro do Brasil. Por

meio da KGC Máquinas e Equipamentos Pesados,

revendedora Hyundai no estado de São Paulo,a

empresa intensificou seus trabalhos de prospecção

neste segundo semestre e opera com a expectativa

de triplicar sua representatividade no segmento,

trazendo para a região os grandes diferenciais da

marca. Além de uma representação comercial

estruturada na região, a unidade conta com

consultores técnicos locados em Ribeirão Preto

disponíveis para atendimento de manutenções

corretiva e preventiva.A empresa aposta na já

consagrada reputação da marca para se desenvolver

nesse mercado. “Contamos com a confiabilidade da

marca Hyundai e, além disso, temos como principal

diferencial a preocupação com o pós-venda,

garantindo ao cliente rapidez e disponibilidade de

peças e o melhor custo-benefício para peças de

reposição”, afirma Carlos César Branco,

representante comercial da Hyundai em Ribeirão

Preto.A Hyundai possui equipamentos

especializados para operar em usinas, como a pá

carregadeira versão Sugar Cane, modelo HL757-7

de 14 toneladas, específica pra atuar com bagaço de

cana.Apesar da Hyundai estar há apenas quatro

anos no mercado de equipamentos, já consta entre

as cinco maiores do segmento do Brasil, sendo a

líder entre os equipamentos importados no país.

No mercado paulista,é a segunda em vendas de

Escavadeiras Hidráulicas com participação de 23,34%.

Contatos:www.kgcmaquinas.com.br (16) 8177-5911

30 CANAL, Jornal da Bioenergia

fotos: divulgação

Renova Energia comercializa 78 MW em leilão

A Renova Energia - única

companhia do Brasil de

energia alternativa no nível II

de governança corporativa da

BMF&Bovespa sob o código

RNEW11, comercializou 78

MW médios no Leilão de

Energia de Reserva (LER) de

seis parques de energia eólica,

que juntos somam capacidade

instalada de 153 MW.Todos

os parques serão construídos

na Bahia e possuem fatores de

capacidade médios acima de

50%. O contrato fechado

com a Câmara de

Comercialização de Energia

Elétrica (CCEE) tem o prazo

Suzano Papel e Celulose anuncia investimento no setor de energia

Além dos investimentos em celulose e

biotecnologia já anunciados ao mercado,a

Suzano Papel e Celulose anunciou a criação da

Suzano Energia Renovável, que marca a entrada

da empresa no mercado de biomassa para

geração de energia. A nova empresa atuará na

produção de pellets de madeira (wood pellets)

para exportação. O investimento está em linha

com seu processo de revisão estratégica, que

estudou as tendências globais,avaliou

profundamente seus ativos, competências e

oportunidades para o futuro. Com investimento

de 20 anos e prevê o início da

entrega de energia a partir de

setembro de 2013. Todos os

lotes foram vendidos ao preço

de R$121, 25 por MWh e a

previsão é de que gerem uma

receita bruta anual de cerca de

R$ 82,8 milhões. A Renova

adquiriu da General Electric

102 aerogeradores, com

capacidade de 1,6MW. A GE

será a responsável também

pelos serviços de transporte,

montagem e

comissionamento dos

aerogeradores. "Somando

nossa participação nos dois

leilões que participamos, além

das possíveis trocas de

equipamentos de 1.5MW para

1.6MW, alcançaremos quase

457.6MW de capacidade

eólica instalada em 2013 e

500MW de capacidade total",

afirma Roberto Honczar,

diretor financeiro e de

relações com investidores da

Renova Energia.

total de proximadamente US$ 800 milhões,a

Suzano Energia Renovável investirá em três

unidades produtoras de pellets de madeira no

Nordeste brasileiro com capacidade de 1 milhão

de toneladas cada e início de operação entre 2013

e 2014, e contará com serviços de gestão florestal

prestados pela Suzano Papel e Celulose.A

empresa ainda está avaliando alternativas de

estrutura de capital para a Suzano Energia

Renovável que minimizem a eventual

necessidade de aporte de recursos da Suzano

Papel e Celulose na nova companhia.


Senai/AL divulga

microdestilaria de etanol

Microdestilaria de Álcool

Combustível, desenvolvida por

dois técnicos do Serviço Nacional

de Aprendizagem Industrial de

Alagoas (Senai/AL), atraiu a

atenção do público que participou

da Fenasucro e Agrocana 2010.

Idealizada pelo diretor das

Unidades Operacionais, Marcelo

Carvalho, e pelo líder da área de

Petróleo e Gás, Ademir Ailton de

Oliveira, a microdestilaria simula,

em proporções reduzidas,a

operação de uma planta industrial

de fabricação de álcool

combustível. O objetivo é

contribuir para a formação

acadêmica de técnicos para o

segmento que apresenta uma das

maiores demandas de

empregabilidade do país.

GE apresenta soluções

em automação

A GE IP com a GE Digital Energy

e Aquarius Software apresentaram,

este ano, soluções de hardware e

software, tais como a redundância de

hardware PACSystems RX3i,

PAC8000 (com remotas em rede

redundante Profibus), Cimplicity

8.1, iFix 5.1, o sistema Proficy

Process System (PPS) com sua nova

versão 2.0, Proficy Plant

Applications (Softwares para

medição de Eficiência, Qualidade,

Batelada e Gerenciamento de

produção), nova tecnologia para

WEB Global View, System Sentry e

Datamart 2.0. O PPS, com

redundância de hardware, permite a

agilidade e segurança de aplicações

robustas ou críticas que precisam de

disponibilidade 24 horas. O Proficy

Plant Applications é a solução ideal

para o atual cenário econômico, pois

oferece melhorias à gestão de

produção, apoiando o planejamento

de recursos existentes da empresa

com baixo investimento e retorno

garantido sobre o investimento PAC

8000 com remotas em redes

redundantes tanto em Tecnologia

Ethernet, como Tecnologia Profibus,

assim oferecendo tanto velocidade

como alta disponibilidade.

SKF lança correntes de transmissão

A SKF do Brasil lançou durante a Fenasucro

2010 uma linha de produtos voltados à

transmissão de potência composta por

acoplamentos, correntes, rodas dentadas, polias,

com ênfase nas correias SKF da série Xtra Power,

desenvolvidas para oferecer até 40 % a mais de

vida útil que as correias padrão e são consideradas

livre de manutenção. Além de otimizar a eficiência

32 CANAL, Jornal da Bioenergia

Trator New Holland

Durante a Fenasucro e

Agrocana deste ano, a New

Holland fez o lançamento

regional do trator de esteira

D150B, fabricado no Brasil.

Também estavam em exposição

no estande a motoniveladora

New Holland modelo RG170B e

a pá-carregadeira W170B.O

trator de esteiras D150B é o

maior trator hidrostático

produzido no Brasil e tem como

principais características a

potência do motor, respostas

rápidas e de baixo consumo de

combustível. O equipamento

também se destaca pelos baixos

níveis de ruído e emissão de

poluentes, estando de acordo

com a norma ambiental

europeia. Ele pode ser utilizado

para fazer curvas de nível. Para

Especial Fenasucro

realizar as curvas de nível –

necessárias para o plantio da

cana-de-açúcar – utiliza-se a

motoniveladora RG170, que

também é responsável pela

abertura de valas transversais na

plantação, necessárias para

controlar a erosão dos solos e

carreadouros (vias localizadas

entre a plantação) e aumentar a

umidade do solo. "Nossa

expectativa em relação à Feira é

dobrar o faturamento do ano

passado, em vista do

aquecimento do setor

sucroalcooleiro e da abertura de

novas fronteiras para o cultivo

de cana-de-açúcar nos Estados

de Mato Grosso e Minas

Gerais", destacou Paulo

Tagliaferri, gerente Comercial da

New Holland para a região.

Chevron lança produtos biodegradáveis

A Chevron, segunda maior

fabricante e comercializadora

de lubrificantes do país,

detentora da marca Texaco,

destacou as linhas Sugartex SS,

Chevron FM e Talcor durante a

Fenasucro e Agrocana 2010. A

linha Sugartex SS foi

especialmente desenvolvida

para a lubrificação de mancais e

engrenagens abertas de

moendas de usinas de açúcar e

álcool. Uma de suas principais

características é a

biodegradabilidade. O Chevron

FM é um produto que possui

grau alimentício, sendo

indicado para a indústria de

alimentos e bebidas, pois não

oferece risco de contaminação.

A linha Talcor foi criada para

lubrificação de engrenagens

industriais abertas ou

envelopadas, que permite uma

operação mais segura por não

conter solventes, funciona em

diversas temperaturas e

aumenta a vida útil dos

equipamentos, entre outras

características. São

lubrificantes que possuem alta

adesividade e formam uma

película com alta resistência à

pressão e ao cisalhamento,

permitindo proteção superior

às engrenagens.

das transmissões e incrementar a disponibilidade

dos ativos da planta, outro diferencial das correias

Xtra Power é oferecer uma redução nos custos de

conservação e no consumo de energia.

A empresa também apresentou dentro da série

de correntes de transporte e de transmissão as

Correntes de Engenharia SKF, desenvolvidas para

atender todos os tipos de necessidades do setor.

Bracol apresenta

calçado de segurança

A Braco levou à Fenasucro 2010

bota canavieira com bico de aço e

protetor metálico. O calçado protege

a biqueira do pé, apresenta um

solado de biodensidade e costuras

reforçadas que possibilitam uma

maior flexibilidade do trabalhador e

aumenta a vida útil da bota. Segundo

o representante comercial da

empresa, Geraldo Cesar, o calçado da

linha Bracol Flex aumenta, também,

a área de proteção do metatarso, não

inibe os movimentos do pé e atende

às normas de segurança do

Ministério do Trabalho.

Grupo Authomathika

lança novo produto

Empresa lança um medidor de

concentração por microondas para

medir a concentração em líquidos

diversos. Segundo o grupo, o uso

desse medidor encontra-se em

larga aplicação nas indústrias em

processo para a medição de

densidade e concentração de vários

produtos, o que possibilita alta

precisão ao longo das faixas de

medição, compreensão automática

de temperatura, agilidade e rapidez

na medição de até quatro níveis de

processo simultaneamente.

Areva Koblitz anuncia

escritório no Panamá

A empresa, que já atua em alguns

países da América do Sul, anuncia

agora um braço no Panamá,América

Central. De acordo com o presidente

do grupo, Luiz Otávio, a iniciativa

visa criar uma estrutura para

conduzir as tentativas comerciais da

empresa naquela região e para a

realização de seus projetos. Ele

explica que a Areva Koblitz atua com

soluções tecnológicas para a

produção de energia elétrica de

usinas hidrelétricas e de biomassa.

Máquina para fabricar

pente de moendas

A FAV apresentou durante a

Fenasucro 2010 um equipamento

que promete beneficiar usinas de

todo o Brasil, uma máquina de

fabricação de pentes para moendas

com Comando Numérico (CN).

Uma iniciativa que promete gerar

economia para o cliente. De acordo

com o engenheiro responsável pelo

equipamento, o projeto é 100%

nacional e está apto a funcionar

90% digitalmente.


Eaton mostra linha de

remanufaturados

A Eaton, líder mundial no

desenvolvimento de sistemas e

equipamentos de gerenciamento de energia

apresentou, durante a Fenasucro 2010, sua

linha de embreagens, transmissões e

sincronizadores remanufaturados.Trata-se

de um leque de produtos estratégico para a

companhia, considerando a tendência

global de se prover soluções funcionais,

duradouras e sustentáveis.

A caixa de câmbio remanufaturado

ECOBox Eaton, tem qualidade assegurada

pela fábrica, excelente relação custobenefício

e é disponibilizada ao cliente em

48 horas depois do pedido. Na mesma linha

de produtos remanufaturados estão os

sincronizadores para caminhões e ônibus,

com garantia de um ano e preços 40% mais

baixos que os mesmos produtos novos.

Um dos produtos, a embreagem SD 365

mm foi desenvolvida especialmente para

aplicações severas com a mais avançada

tecnologia, oferecendo o melhor custobenefício

do mercado, podendo ser aplicada

em caminhões e ônibus de 210 a 260 cv.O

grande diferencial está no revestimento

sintetizado do disco, que possui alta

resistência térmica e coeficiente de atrito

40% maior que o revestimento orgânico

convencional, garantindo melhor

capacidade de transferência de torque e

maior durabilidade.

Schneider Electric expõe

solução para usinas

A Schneider Electric,

especialista global na gestão de

energia, apresentou durante a

Fenasucro 2010 o PlantStruxure,

um sistema de automação de

processos que atende às

exigências de automação e

gerenciamento de energia. Tratase

de um sistema colaborativo

que permite gerenciar a fábrica,

reduzir os custos e a emissão de

CO2, diminuir o consumo de

energia e fornecer informações

rápidas e precisas do campo. Em

um ambiente único, medição de

energia e dados de processo

podem ser analisados e

usados para aumentar o

desempenho da usina.

Bernauer apresenta filtro eletrostático que reduz impacto ambiental

A Bernauer apresenta novo filtro eletrostático

que reduz impacto ambiental. Segundo Rodolfo

Bernauer, presidente da Bernauer , o filtro

eletrostático substitui com maior eficácia e

economia – principalmente na utilização de água –

os tradicionais lavadores de ar utilizados pelas

usinas no processo de exaustão de gases das

caldeiras, oriundos da queima de palha e bagaço.

O grande diferencial deste equipamento é a

economia com a dispensa das lagoas de tratamento

exigidas pelo uso dos lavadores de ar, que gera a

redução da utilização da água na operação das

usinas, bem como a redução nos custos de

transporte do resíduo separado pelo filtro

eletrostático em até 70%, em vista de se

transportar material seco. Entre os benefícios da

solução da Bernauer estão, ainda, o menor

consumo de energia elétrica, construção modular,

maior eficiência de separação das partículas

geradas pela queima garantindo os níveis de

emissão exigidos pelos órgãos ambientais.

Elipse Software lança novas soluções

Empresa lança o Elipse Plant Manager,

historiador de processos capaz de coletar,

consolidar e armazenar dados provenientes de

várias fontes de tempo real ou históricas. Uma

solução completa em termos de processamento

da informação e que possibilita desenvolver

aplicações de inteligência industrial e análise de

dados, auxiliando na tomada de decisões e na

Equilíbrio apresenta case de sucesso

Lançada na última edição da Fenasucro e

Agrocana no ano passado, a peneira rotativa à

pressão da Equilíbrio já apresenta números

positivos de eficiência e ganho produtivo.O

equipamento, que integra a linha já

consagrada de peneiras rotativas, sobretudo

para o setor sucroenergético, chegou ao

mercado com o desafio de contribuir com

ganhos de eficiência no segundo

peneiramento do caldo misto e operar de

forma sustentável.

De acordo com dados da usina Coprodia, em

Campo Novo do Parecis (MT), com capacidade

melhoria de toda a cadeia produtiva.

O Elipse E3 foi outro produto exposto na feira.

Com uma arquitetura totalmente direcionada à

operação em rede e aplicações distribuídas,a

solução é um sistema completo de supervisão e

controle de processos, desenvolvido para atender

os mais modernos requisitos de conectividade,

flexibilidade e confiabilidade do mercado.

de 250 m3/h o equipamento instalado na

unidade forneceu números animadores em

redução de insumos e resíduos no início do

processo, além de alto ganho operacional. A

Coprodia apresentou um acréscimo

significativo na moagem média diária em cerca

de 1.100 ton/dia, no comparativo 2009/2010.

Segundo Jean Claude Neves, gerente

industrial da usina, após a instalação da

peneira à pressão foi possível notar também

um aumento em mais de duas vezes no

intervalo do tempo para a manutenção dos

trocadores de calor.

Carlos Alberto Celeste Jorge, diretor da Equilíbrio, visita a usina Coprodia (MT) e colhe dados de

eficiência da peneira à pressão junto com Jean Claude Neves (escada), gerente industrial da usina

CANAL, Jornal da Bioenergia 33


SEMINÁRIO ATIVIDADE CANAVIEIRA

Goiânia sediará o

Seminário CANAL Sucroeste

EVENTO SERÁ VOLTADO PARA PROFISSIONAIS DO SETOR SUCROENERGÉTICO COM A

DISCUSSÃO DE NOVAS TÉCNICAS DE PLANTIO E NOVIDADES PARA PARQUES INDUSTRIAIS

BIODIESEL

34 CANAL, Jornal da Bioenergia

Os profissionais que atuam nas áreas

agrícola e industrial das usinas sucroenergéticas,

fornecedores e parceiros

do setor participarão no dia 21 de

outubro, das 8 às 17 horas, no Centro de

Convenções de Goiânia, do 1º Simpósio

CANAL Sucroeste, durante a programação

oficial da 7ª Feira de Fornecedores e Atualização

Tecnológica da Indústria de Alimentação

(Ffatia) e 2ª Mostra Sucroenergética

Centro-Oeste (Sucroeste). O evento,

que será realizado pelo CANAL – Jornal

da Bioenergia e Multiplus Eventos, em

parceria com Sifaeg e Sifaçúcar, discutirá

temas que vão desde as mais novas técnicas

de plantio e preparação do solo para a

cultura da cana-de-açúcar e tendências

de mercado até as principais novidades

em instalação e manutenção dos parques

industriais das usinas.

O evento marca os 4 anos do CANAL –

Jornal da Bioenergia, que publica mensal-

mente matérias sobre o setor sucroenergético.

Os interessados poderão se inscrever e

obter mais informações pelo email: assinaturas@canalbioenergia.com.br

ou pelo telefone:

(62) 3093-4082. No total estarão

disponíveis 150 vagas. Para o evento foram

convidados palestrantes nacionais

com grande conhecimento dos temas a serem

expostos.

A Ffatia e o Sucroeste serão realizados

entre os dias 19 e 22 de outubro de 2010,

das 14 às 21 horas, no Centro de Convenções

de Goiânia. A expectativa da organizadora

Multiplus Feiras e Eventos é que

mais de 25 mil pessoas e profissionais que

atuam no segmento da indústria de alimentação

e área sucroenergética visitem

os mais de 130 expositores dispostos no

Centro de Convenções de Goiânia nos

quatro dias do evento. A estimativa é que

seja gerado um volume de negócios de,

aproximadamente, R$ 180 milhões.

Caramuru inaugura nova indústria

Aempresa Caramuru inaugurou em setembro sua

segunda unidade de produção de biodiesel, no

município goiano de Ipameri. A indústria tem

capacidade para processar 225 milhões de litros do

biocombustível por ano, a partir de óleos vegetais e gordura

animal. Os investimentos na nova unidade são da ordem

de R$ 54 milhões, financiados pelo BNDES. A indústria será

responsável pela geração de 150 empregos diretos e mais de

1 mil indiretos.

Com as duas unidades de produção de biodiesel em Goiás,

nos municípios de São Simão e Ipameri, a Caramuru passa a

ter capacidade para produzir 450 milhões de litros de combustível

por ano. A empresa também passa a incorporar 668

agricultores com perfil familiar, cultivando em uma área

total de 44.503 hectares. Para viabilizar a participação da

agricultura familiar, um dos pressupostos do Programa

Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, a Caramuru presta

assistência técnica aos agricultores, visando a melhoria da

produtividade e da rentabilidade da atividades nas pequenas

propriedades.

A Caramuru está investindo no desenvolvimento de culturas

alternativas, como crambe e pinhão-manso, que vão se

tornar matérias-primas não-comestíveis para a produção de

biodiesel e representar novas fontes de geração de renda à

agricultura familiar.

More magazines by this user
Similar magazines