A cidade e as Serras

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A cidade e as Serras

4. AS OBRAS MAIS IMPORTANTES:O CRIME DO PADRE AMAROLeiria, cidade provinciana influenciada pelo clero, écenário da corrupção e do caso amoroso entre o PadreAmaro e Amélia, moça solteira, filha da hospedeira, queacreditava piamente em padres. Ele faz um filho emAmélia e ela morre em decorrência de complicações doparto. Existiram, antes da versão oficial, outros doisdesfechos para o livro, em que Amaro matava o filho. Eçadesistiu do crime, porém o título conservou essa idéia.O PRIMO BASíLIOCrítica à burguesia lisboeta, sentimento de frustraçãofamiliar, falso moralismo e adultério. Luísa, românticafantasiosa e fútil, espera viver um grande amor como odas obras que lia; Basílio, rapaz de índole duvidosa queprocura divertir-se gratuitamente; e Juliana, revoltadaper manente mente com sua condição miserável de exis -tência, confrontam-se nesse Episódio da Vida Domés tica.OS MAIASVoltado para a alta sociedade de Lisboa, onde impe -ram jogatinas, festas, adultérios, corridas de cavalo e atéincesto.A CIDADE E AS SERRASA vida no campo, numa pequena aldeia, é a únicaforma de se obter a verdadeira felicidade. É onde Jacintoencontra a existência perfeita.A ILUSTRE CASA DE RAMIRESA obra preocupa-se em mostrar a expansão portuguesana África, sendo Gonçalo Mendes Ramires um fidalgode família tradicional, experiente fracassado, escritor deuma novela histórica em que Tructesindo MendesRamires, seu antepassado, tem seus feitos de glóriacontados no livro A Torre de D. Ramires (ele assistiu àmorte de seu filho e desejava vingar-se dos culpados).O objetivo de Gonçalo é conquistar sucesso políticoem Santa Irinéia, lançando-se gananciosamente a fim deobtê-lo. Junta-se a André Cavaleiro, governador civil, quesentia forte atração pela irmã de Gonçalo. Este colaboraarduamente no adultério de Gracinha para conquistarregalias. Perde, então, toda a dignidade e procura salvá-lacasando-se com Ana Lucena, que era rica e, dessa forma,restituiria a velha Torre. Porém, descobre que ela levavauma vida de moral duvidosa e afasta-se dela.Gonçalo procura restabelecer a consciência perdidaavisando, provavelmente através de carta anônima, ocunhado Barrolo da traição de Gracinha. Reequilibrado,pode terminar a novela que principiara a escrever. Chegaa ser deputado e ganha título de Marquês. Muda-se paraMoçambique, onde encontra riqueza, paz e recuperaçãoda saúde.5. RESUMO DA OBRA A CIDADE E AS SERRASJosé Fernandes (“Zé”) narra a história do amigo eprotagonista, o desabusado e entediado Jacinto deTormes, fidalgo, apresentando seu ponto de vista sobre acidade.Primeiramente, Zé Fernandes explica como conheceuJacinto e criou por ele uma amizade fraternal em Paris.Jacinto morava no 202 dos Champs-Elysées, emParis, onde nascera e vivia rodeado de todo conforto. Asaída de sua família de Portugal para a França, ou melhor,de Tormes para Paris, foi causada pela vontade do seuavô, Jacinto Galião, que acabaria morrendo de indigestão.A prole, Cintinho, ou a Sombra, une-se tempos depoiscom Teresinha Velho, vindo a ser pai do Jacinto emquestão, o de Tormes, que nascera três meses depois dofalecimento do pai, morto em decorrência de umatuberculose.Fidalgo, inteligente e rico, Jacinto de Tormes detestavao campo e colecionava em seu palácio livros nos quaisconseguia todo o conhecimento filosófico, científico etecnológico de que necessitava, acreditando que “o homemsó é superiormente feliz quando é superiormentecivilizado”.Já o narrador, José Fernandes, era o oposto de tudoem que Jacinto acreditava e que o fez romper totalmentecom o seu passado, voltado para a vida no campo. Porém,o “hipercivilizado” Jacinto, repleto de um tédio irreme -diável, cansado da sua vida civilizada, com idéias deter -minadas pela moda filosófica e científica circulante emParis, conta a Zé Fernandes sua decisão de partir paraPortu gal a fim de reconstruir sua casa em Tormes, levan -do para lá todos os confortos encontrados no Champs-Elysées.Em companhia de Zé Fernandes, lá vai Jacinto devolta à província natal, no Minho. Porém, o criado Griloatrapalhou-se com a bagagem e remeteu-as para Alba deTormes, na Espanha, fazendo com que Jacinto chegasse àsua terra só com a roupa do corpo.Começa, então, o contato de Jacinto com a naturezapela qual se deixa contagiar lentamente, renovando-se,primeiro liricamente e depois intelectualmente, quandopassa a aplicar seus conhecimentos científicos ao campo.Com as reformas sociais e tecnológicas que Jacinto vaiintroduzindo no campo, a produtividade cresce.A neurose da civilização vai se dissipando, já que nãocondiz mais com o íntimo de seu caráter. Jacinto conheceo amor através de Joaninha, prima de Zé Fernandes,simples, pura, o que lhe vai completando a felicidade. Porela nutre um afeto sincero e puro, já perdido e pelo qualprocurava inutilmente.Assim Jacinto encontra seu caminho: um casamentofeliz num cotidiano campestre e uma aurea mediocritasque faz com que “o Príncipe da Grã-Ventura” abandone– 3


definiti va mente a mentalidade progressista e artificialparisiense em favor de uma vida em uma provínciasimples lusitana, onde encontra, finalmente, a paz e oencanto antes perdi dos, ou melhor, a “Suma Felicidade”.6. ANÁLISE CRÍTICA DA OBRA– A Cidade e as Serras é a obra-prima da 3 a fase deEça de Queirós, tendo surgido somente em 1901, depoisda morte do autor. Talvez possamos dizer que o máximoda criatividade de Eça de Queirós esteja nesta obra, que,sem dúvida alguma, apresenta uma perfeição estilística eriqueza de detalhes que levam o leitor a questionarconjuntamente as duas concepções de vida preconizadasno livro. Grande parte da revisão da obra foi feita porRamalho Ortigão, uma vez que Eça de Queirós já haviafalecido.Os contos “Suave Milagre”, “Adão e Eva no Paraíso”e, principalmente, “Civilização”, considerado a sementede A Cidade e as Serras, já antecipavam uma postura naqual se defendia a idéia de que a felicidade estaria naNatureza. Essa tese de que o homem só é feliz longe dacivilização, na vida simples do campo, distante doprogresso, da máquina, contém a virada na carreira deEça de Queirós, dirigida, a partir daí, à superação daironia e sátira dissolventes em prol de uma concepção devida mais larga e humanitária, na crença substituindo oceticismo anterior.O homem estaria sendo esmagado pela técnica e peloprogresso, e o reencontro com a Natureza e outros valoresmenos sofisticados e automáticos traria a concretizaçãode um mundo melhor. Observado por esse prisma, o livrodesvia-se para a defesa da direita, tentando lançar a idéiade que a esperança há de substituir a descrença. Surge umescritor de tom memorialista e idealista, utópico pensadorque pensa no transcendental da existência. Mesmo assim,Eça de Queirós não abre mão de sua perspectiva crítica edo toque irônico.A oposição feita no livro apresenta-nos a industria -lizada e avançada Paris e uma pequena aldeia portuguesa.Ressalta-se positivamente a simplicidade da vida rústica,talvez numa espécie de abandono dos ideais realistas eaproximação com a ideologia simbolista, na busca dotranscendente e do alimento do espírito. Defende-setambém a possibilidade de que a conciliação dos doisaspectos, progresso e simplicidade, traria a solução paraos pro ble mas do homem, realizando-se a equação SumaCiência x Suma Potência = Suma Felicidade.7. ANTOLOGIATEXTO IPor uma conclusão bem natural, a idéia de Civiliza -ção, para Jacinto, não se separava da imagem de Cidade,de uma enorme Cidade, com todos os seus vastos órgãosfuncionando poderosamente. Nem este meu supercivi -lizado amigo compreendia que longe de armazénsservidos por três mil caixeiros; e de mercados onde sedespejam os vergéis e lezírias de trinta províncias; e debancos em que retine o ouro universal; e de fábricasfumegando com ânsia, inventando com ânsia; e debibliotecas abarrotadas, a estalar, com a papelada dosséculos; e de fundas milhas de ruas, cortadas, por baixoe por cima, de fios de telégrafos, de fios de telefones, decanos de gases, de canos de fezes; e da fila atroante dosônibus, tramways, carroças, velocípedes, calhambeques,parelhas de luxo: e de dois milhões de uma vagahumanidade, fervilhando, a ofegar, através da Polícia, nabusca dura do pão ou sob a ilusão do gozo – o homem doséculo XIX pudesse saborear, plenamente, a delícia deviver!Quando Jacinto, no seu quarto n o 202, com as varandasabertas sobre os lilases, me desenrolava estas imagens,todo ele crescia, iluminado. Que criação augusta, ada Cidade! Só por ela, Zé Fernandes, só por ela, pode ohomem soberbamente afirmar a sua alma!...— Oh Jacinto, e a religião? Pois a religião não provaa alma?Ele encolhia os ombros. A religião! A religião é odesenvolvimento suntuoso de um instinto rudimentar, comuma todos os brutos, o terror. Um cão lambendo a mãodo dono, de quem lhe vem o osso ou o chicote, já constituitoscamente um devoto, o consciente devoto, prostrado emrezas ante o Deus que distribui o Céu ou o Inferno!... Maso telefone! o fonógrafo!— Aí tens tu, o fonógrafo!... Só o fonógrafo. ZéFernandes, me faz verdadeiramente sentir a minha superioridadede ser pensante e me separa do bicho. Acredita,não há senão a Cidade. Zé Fernandes, não há senãoa Cidade!E depois (acrescentava) só a Cidade lhe dava asensação, tão necessária à vida como o calor, da solidariedadehumana. E no 202, quando considerava em redor,nas densas massas do casario de Paris, dois milhões deseres arquejando na obra da Civilização (para manter naNatureza o domínio dos Jacintos!), sentia um sossego, umconchego, só comparáveis ao do peregrino, e avista alonga fila da caravana marchando, cheia de lumes e dearmas...Eu murmurava, impressionado:— Caramba!Ao contrário no campo, entre a inconsciência e aimpassibilidade da Natureza, ele tremia com o terror dasua fragilidade e da sua solidão. Estava aí como perdidonum mundo que lhe não fosse fraternal; nenhum silvadoencolheria os espinhos para que ele passasse; se gemessecom fome nenhuma árvore, por mais carregada, lhe estenderiao seu fruto na ponta compassiva de um ramo.4–


Depois, em meio da Natureza, ele assistia à súbita ehumilhante inutilização de todas as suas faculdades superiores.De que servia, entre plantas e bichos — ser umGênio ou ser um Santo? As searas não compreendem as“Geórgicas”; e fora necessário o socorro ansioso deDeus, e a inversão de todas as leis naturais, e um violentomilagre para que o lobo de Agubio não devorasse S.Francisco de Assis, que lhe sorria e lhe estendia osbraços e lhe chamava “meu irmão lobo!” Toda aintelectualidade, nos campos, se esteriliza, e só resta abestialidade. Nesses reinos crassos do Vegetal e doAnimal duas únicas funções se mantêm vivas, a nutritivae a procriadora. Isolada, sem ocupação, entre focinhos eraízes que não cessam de sugar e de pastar, sufocando nocálido bafo da universal fecundação, a sua pobre almatoda se engelhava, se reduzia a uma migalha de alma,uma fagulhazinha espiritual a tremeluzir, como morta,sobre um naco de matéria; e nessa matéria dois instintossurdiam, imperiosos e pungentes, o de devorar e o degerar. Ao cabo de uma semana rural, de todo o seu sertão nobremente composto só restava um estômago e porbaixo um falo! A alma? Sumida sob a besta. Enecessitava correr, reentrar na Cidade, mergulhar nasondas lustrais da Civilização, para largar nelas a crostavegetativa, e ressurgir reumanizado, de novo espiritual ejacíntico!E estas requintadas metáforas do meu amigo expri -miam sentimentos reais — que eu testemunhei, que muitome divertiam, no único passeio que fizemos ao campo, àbem amável e bem sociável floresta de Montmorency. Ohdelícias de entremez, Jacinto entre a Natureza! Logo quese afastava dos pavimentos de madeira, do macadame,qualquer chão que os seus pés calcassem o enchia dedesconfiança e terror. Toda a relva, por mais crestada,lhe parecia ressumar uma humanidade mortal. De sobcada torrão, da sombra de cada pedra, receava o assaltode lacraus, de víboras, de formas rastejantes e viscosas.No silêncio do bosque sentia um lúgubre despovoamentodo Universo. Não tolerava a familiaridade dos galhosque lhe roçassem a manga ou a face. Saltar uma sebe erapara ele um ato degradante que o retrogradava aomacaco inicial. Todas as flores que não tivesse jáencontrado em jardins, domesticadas por longos séculosde servidão ornamental, o inquietavam como venenosas.E considerava de uma melancolia funambulesca certosmodos e formas do Ser inanimado, a pressa esperta e vãdos regatinhos, a careca dos rochedos, todas ascontorções do arvoredo e o seu resmungar solene e tonto.Depois de uma hora, naquele honesto bosque deMontmorency, o meu pobre amigo abafava, apavorado,experimentando já esse lento minguar e sumir de almaque o tornava como um bicho entre bichos. Só desanu -viou quando penetramos no lajedo e no gás do Paris — ea nossa vitória quase se despedaçou contra um ônibusretumbante, atulhado de cidadãos. Mandou descer pelosBoulevards, para dissipar, na sua grossa sociabilidade,aquela materialização em que sentia a cabeça pesada evaga como a de um boi. E reclamou que eu o acompa -nhasse ao teatro das Variedades para sacudir, com osestribilhos de Femme à papa, o rumor importuno que lheficara dos meiros cantando nos choupos altos.Este delicioso Jacinto fizera então vinte e três anos,e era soberbo moço em quem reaparecera a força dosvelhos Jacintos rurais. Só pelo nariz, afilado, comnarinas quase transparentes, de uma mobilidadeinquieta, como se andasse fariscando perfumes,pertencia às delicadezas do século XIX. O cabelo aindase conservava, ao modo das eras rudes, crespo e quaselanígero; e o bigode, como o de um celta, caía em fiossedosos, que ele necessitava aparar e frisar. Todo o seufato, as espessas gravatas de cetim escuro que umapérola prendia, as luvas de anta branca, o verniz dasbotas, vinham de Londres em caixotes de cedro; e usavasempre ao peito uma flor, não natural, mas compostadestramente pela sua ramalheteira com pétalas de floresdessemelhantes, cravo, azaléa, orquídea, ou tulipa,fundidas na mesma haste entre uma leve folhagem defuncho.TEXTO IIJacinto, magnífico, de grande chapéu serrano, jaqueta,e polainas altas, de novo me abraçou:— E esse Paris?— Medonho!De novo abri os braços para o bravo Jacintinho.— Então para que é essa bandeira, meu cavaleiro?— Do castelo! — declarou ele com uma bela seriedadenos seus grandes olhos.A mãe ria. Desde essa manhã, logo que soubera dachegada do Tio-Zé, apareceu de bandeira, feita peloGrilo, e não a largara, com ela almoçara, com eladescera de Tormes!— Bravo! E, oh prima Joaninha, olhe que está magnífica!Eu, também, venho daquelas peles meladas deParis... Mas acho-a triunfal! E o tio Adrião, e a tiaVicência?— Tudo ótimo! — gritou Jacinto. — A serra, Deuslouvado, prospera. E agora, para cima! Tu hoje ficas emTormes. Para contar da Civilização. No pátio debaixo dafigueira, que revi com gosto, esperavam os três cavalos,e dois belos burros brancos, um com cadeirinha, para aTeresa, outro com um cesto de verga, para meter dentro oheróico Jacintinho, ambos levados à rédea por doiscriados. E ajudara a prima Joaninha a montar, quando ocarregador apareceu com um maço de jornais e papéis,que eu esquecera na carruagem. Era uma papelada, deque eu me sortira na estação de Orléans, toda recheada– 5


de mulheres nuas, de historietas sujas, de parisianismo,de erotismo. Jacinto, que as reconhecera, gritou rindo:— Deita isso fora!E eu atirei para um montão de lixo, ao canto dopátio, aquela podridão da ligeira Civilização. E montei.Mas, já ao dobrar para o caminho empinado da serra,ainda me voltei, para gritar adeus ao Pimenta, que euesquecera. O digno chefe, debruçado sobre o monturo delixo, apanhava, sacudia, recolhia com amor aquelasbelas estampas, que chegavam de Paris, contavam asdelícias de Paris, derramavam através do mundo asedução de Paris.Em fila começamos a subir para a serra. A tardeadoçava o seu esplendor de estio. Uma aragem trazia,como ofertados, perfumes de flores silvestres. As ramagensmoviam, com um aceno de doce acolhimento, assuas folhas vivas e reluzentes. Toda a passarinhadacantava, num alvoroço de alegria e de louvor. As águascorrentes, saltantes, luzidias, despediam um brilho maisvivo, numa pressa mais animada. Janelas distantes decasas amáveis flamejavam com um fulgor de ouro. Aserra toda se ofertava, na sua beleza eterna e verdadeira.E, sempre adiante da nossa fila, por entre a verdura,flutuava no ar a bandeira branca, que o Jacintinho nãolargava, dentro do seu cesto, com a haste bem agarradana mão. Era a bandeira do castelo, afirmava ele muitosério. E na verdade me parecia que, por aquelescaminhos, através da Natureza campestre e mansa — omeu Prín cipe, atrigueirado nas soalheiras e nos ventosda serra, a minha prima Joaninha, tão doce e risonhamãe, os dois primeiros representantes da sua abençoadatribo, e eu — tão longe de amarguradas ilusões e defalsas delícias, trilhando um solo eterno, e de eternasolidez, com alma contente, e Deus contente de nós,serenamente e seguramente subíamos — para o Casteloda Grã-Ventura!Exercícios1. Assinale a alternativa incorreta sobre A Cidade e asSerras:a) A obra traça um paralelo entre a civilização em queEça de Queirós sempre vivera e a pureza rústicados costumes que jamais vivenciaria.b) Impõe-se pelas belas descrições e as serenasevocações da serra portuguesa em contraste comos requintes da civilização parisiense.c) Zé Fernandes, o narrador, descreve a chegada aPortugal do seu amigo, o desabusado Jacinto deTormes.d) Jacinto, rico proprietário de terras em Portugal,abandona a França, onde vive, para encontrar naprovíncia lusitana a paz e a felicidade perdidas.e) A obra estabeleceu o contraste clássico entre orústico, a natureza (Tormes) e a civilização, amodernidade (Paris).2. Eça de Queirós soube castigar as fraquezas dasociedade portuguesa em várias obras e noutraspassou a exaltar a distância da civilização comoforma de desfastio. Cite obras que comprovem talafirmação.6–


3. “O assunto do romance são os costumes contemporâneos...É um trabalho realista talvez um pouco violentoe cru…”Pode-se relacionar a afirmação de Eça de Queiróssobre O Primo Basílio ao romance A Ci-dade e asSerras? Explique.4. Eça de Queirós fez de sua obra um instrumento decrítica à sociedade portuguesa de seu tempo. Em ACidade e as Serras, sugere-se uma possível reformasocial, uma aproximação entre as classes sociais. Queatitude do protagonista poderia ilustrar o que se acabade afirmar?5. — Aqui tens tu, Zé Fernandes, (começou Jacinto,encostado à janela do mirante) a teoria que megoverna, bem comprovada. Com estes olhos querecebemos da madre natureza, lestos e sãos, nóspodemos apenas distinguir além, através da avenida,naquela loja, uma vidraça alumiada. Mais nada! Seum porém aos meus olhos juntar os dois vidrossimples de um binóculo de corridas, percebo, por trásda vidraça, presuntos, queijos, boiões de geléia ecaixas de ameixa seca. Concluo portanto que é umamercearia. Obtive uma noção: tenho sobre ti, quecom os olhos desarmados vês só o luzir da vidraça,uma vantagem positiva. Se agora, em vez destesvidros simples, eu usasse os do telescópio, decomposição mais científica, poderia avistar além, noPlaneta Marte, os mares, as neves, os canais, orecorte dos golfos, toda geografia de um astro quecircula a milhares de léguas dos Campos Elíseos. Éoutra noção, e tremenda! Tens aqui pois o olhoprimitivo, o da natureza, elevado pela civilização àsua máxima potência de visão. E desde já, pelo ladodo olho portanto, eu, civilizado, sou mais feliz que oincivilizado, porque descubro realidades do Universoque ele não suspeita e de que está privado. Aplicaesta prova a todos os órgãos e compreenderás o meuprincípio.Explique como o texto acima se relaciona com ocomportamento de Jacinto no decorrer de A Cidade eas Serras.– 7


6. Qual é a posição de Jacinto, no final de A Cidade e asSerras, quanto à sua defesa inicial do progressocivilizatório e tecnológico?8–


GABARITOOBRAS DA FUVEST/UNICAMP – 2007A CIDADE E AS SERRASPORTUGUÊS1) Em A Cidade e as Serras, último romance de Eçade Queirós, o autor traça um paralelo entre oespaço citadino (a luxuosa Paris, culta,“civilizada” e repleta de benesses trazidas peloprogresso) e o campo (a vida simples),primeiramente enaltecendo, por meio doprotagonista Jacinto, os avanços da sociedade doprogresso em detrimento do “atraso” da vida nocampo. No final, surge a conciliação entre os doisespaços: Jacinto escolhe viver no campo,incorporando à vida interiorana algumasconquistas da “cidade grande”. Trata-se do relatoda experiência vivenciada pela personagemJacinto e não pelo autor Eça de Queirós.Resposta: A2) Ao primeiro grupo se relacionam: O Crime doPadre Amaro, O Primo Basílio, Os Maias etc. Aosegundo, A Cidade e as Serras, A Ilustre Casa deRamires.3) Sim, pois em A Cidade e as Serras se critica oabandono da terra natal por parte das elitesportuguesas seduzidas pela cultura francesa, peloócio endinheirado e por uma idéia de civilizaçãocomo “armazenamento” de comodidades, e nãocomo fruto do trabalho.4) Ao fixar moradia no campo, Jacinto dá-se contadas precárias condições de vida dos trabalhadorese, apresentando-se como socialista, que para elesignificava “ser pelos pobres”, manda construirnovas moradias e melhora a renda dosempregados.5 No trecho transcrito, Jacinto faz, a partir de umexemplo, uma apologia do avanço científico etecnológico, fruto da vida civilizada e culta. Paraele, “o homem só é superiormente feliz quando ésuperiormente civilizado”. Essa é a posição inicialde Jacinto, que, depois, abandona essa crença.6) Jacinto reconhece inútil e artificial a mentalidadeprogressista que tinha quando vivia em Paris –representação do espaço urbano, “civilizado”, emoposição ao campo. No final, para ele, asconquistas tecnológicas só fazem sentido seacompanhadas do “progresso” social, humano,garantindo-se, desse modo, a “Suma Felicidade”.– 9

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