Folha de Sala - Culturgest

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Folha de Sala - Culturgest

MÚSICA22, 26 SETEMBRO2 OUTUBRO ‘07FESTIVALEXPRESSO ORIENTEMúsica de Este a Oeste. Pela ORCHESTRUTOPICAIntegrado no ciclo ‘Os Filhos de Abraão’


Compositores e obrasAHMED ESSYAD1938, compositorNasceu em Salé (Marrocos) e resideem França desde 1962. Ahmed Essyadtem uma cultura musical dupla muitosólida, simultaneamente árabo-islâmica(Conservatório de Rabat) e ocidental(Conservatório Nacional Superior deMúsica de Paris). No Conservatório deParis foi aluno, a partir de 1962, de MaxDeutsch em composição e análise. Seráem breve o seu discípulo privilegiado.Aprende com ele a grande lição deSchoenberg, que fortifica o seu sentidoinato do rigor, do respeito pelo artesanal,da integridade artística e intelectual,o que contribuiu, sem dúvida, a parde problemas materiais reais, para umaprodução mais escassa, de alto nível,levando a cabo com uma acuidade cadavez maior a síntese da música áraboberbere,da qual é um eminente conhecedor,e da música europeia encarnadapela grande tradição clássico-românticavienense que leva a Schoenberg e aosseus discípulos.A escrita para voz constituiu trêsquartos da produção de Ahmed Essyad.A aprendizagem com Max Deutschpermite assumir a sua paixão pela voz.Durante trinta anos a escrita aprendidacom o seu único mestre (com a sua terranatal) segundo o qual «a música é vocal,senão não existe», guiou o seu trabalho.Guiou-o paralelamente a preocupaçãoda memória das origens culturais, marcada presença da terra e dos homens quenela vivem.Para Ahmed Essyad, «uma síntese culturalque não pusesse em primeiro lugara reflexão dos homens, que não enriquecesseo presente com uma experiêncianova, não poderia permitir a duplaadmiração, continente a continente, esteterritório onde o homem pode enfimperder-se».De 1991 a 1994, é compositor residenteem Chartreuse de Villeneuvelès-Avignonpara quem compõe umaópera-luz com libreto de Bernard Noël,O Exercício do Amor.Compositor residente noConservatório da Região de Estrasburgoem 1994. Recebeu o Grande PrémioNacional da Música em 1994. FoiCompositor convidado no FestivalMúsica 94.Mouq’Addimah (Prolégomènes) (1969)La mémoire de l’eau (1982), pianoANA SEARA1985, compositoraNasceu em Coimbra em 1985. Iniciouos seus estudos de ballet com apenastrês anos, ingressando mais tarde, em1991, no Conservatório de MúsicaCalouste Gulbenkian de Braga. Aquiprosseguiu os seus estudos de ballet einiciou os estudos musicais. É diplomadapela Royal Academy of Dance,com distinção. No ano lectivo de2000/01 matricula-se no 10.º ano deescolaridade no Curso Complementar deComposição no Conservatório de Braga(curso pioneiro no país, coordenado eleccionado pelo Professor Paulo Bastos).No âmbito deste curso, algumas peçassuas (incluindo peças electroacústicas)foram estreadas. Como aluna doConservatório de Braga, participa aindaem várias audições e recitais na classe depiano e coro, assim como em Cursos dePedagogia Pianística. É premiada, porquatro anos consecutivos, no ConcursoRegional de Piano realizado anualmenteem Braga. Em 2003 ingressa na EscolaSuperior de Música de Lisboa (ESML),no Curso de Composição, com a notafinal de ingresso de 18 valores. Concluiua Licenciatura em Composição da ESMLem Julho do presente ano com umamédia final de 19 valores. Foi aluna deprofessores como António Pinho Vargas,Christopher Bochmann, Carlos Caires,Luís Tinoco, João Madureira, SérgioAzevedo, Carlos Fernandes, RobertoPeréz, José Luís Ferreira, Vasco Pearcede Azevedo, Benoît Gibson, SandraBarroso, Nuno Bettencourt Mendes,Francesco Esposito. Como aluna daESML, participou na organização doprojecto Peças Frescas, com a coordenaçãodo Professor Luís Tinoco, em pareceriacom o S. Luiz Teatro Municipal(Lisboa). Este projecto tem como principalobjectivo estrear, em concerto, peçascompostas pelos alunos da classe decomposição da mesma Escola e, pontualmente,com intercâmbios com outrasEscolas, nomeadamente a Universidadede Aveiro e a Escola Superior de Músicae Artes do Espectáculo do Porto. EmSetembro de 2005, uma das suas peças(Resson[ÂNSIAS]…) foi apresentada noFestival Internacional Musica Viva, emOeiras. Fez parte da comissão organizadorae na produção do III, IV e VFestival de Música da ESML (comomembro da Direcção da Associaçãode Estudantes desta instituição deensino) também realizado no S. LuizTeatro Municipal. Com a sua peçaDiscursos concorreu à primeira ediçãodo Concurso de Composição do Festivalde Música da Póvoa de Varzim, obtendouma Menção Honrosa na categoria deMúsica de Câmara. No 2.º Concurso deComposição do Festival de Música daPóvoa de Varzim obteve o 2.º prémio nacategoria “Música de Orquestra” com asua peça Perpétuité que foi apresentadaao público pela Orquestra Sinfónica daPóvoa de Varzim.


Três telas de Barcelona (2007)Três Telas de Barcelona é composto portrês pequenos andamentos. No entantodeverão ser interpretados ininterruptamente.Gaudì, Mirò e Dalì são as três figuras daarte catalã a serem exploradas musicalmente.Concentrei-me na construção e cordo lagarto do Parc Güell em Barcelona deGaudì; no quadro A Estrela Matinal doconjunto Constelações de Mirò e no famosoA Persistência da Memória de Dalì. Comum estilo arquitectónico muito peculiar,Gaudì encheu a cidade de Barcelona de cor eformas ondulantes, cheios de mosaicos ondese juntam o estilo gótico, a art noveau e atradição espanhola. Os mosaicos coloridosque revestem todo o Parc Güell transmitemideias musicais. Vários motivos, ondulante,com diferentes cores tímbricas... Depois doinício da Segunda Grande Guerra, Miròvai para a Normandia. É um momento degrande introspecção, onde o céu, a noitee os astros têm uma especial importânciapara o pintor. Assim nascem os quadros deConstelações. São 23 aguarelas que parecemreflectir a ordem do cosmos, a ordemsocial, a paz. Musicalmente, A EstrelaMatinal é mais lenta, com mais ruídos,aqueles que ouvimos durante a noite. Maissilenciosa e com estrelas aqui e ali a aparecerem...até se juntarem para repor a ordemdo cosmos. Dalì, pai do surrealismo, transmiteneste quadro algum horror, ansiedade.A memória de toda a peça é tratada nestemomento. Recorre-se a material anteriorpara fechar um ciclo. A memória é persistente.Os motivos em constante rotação sobresi próprios conferem esta ideia de repetiçãoem espiral. Forte, rápido e incisivo. Paraesta peça foram criados, em Composer, cincoacordes. Existe uma ambiência do espectrode Mi forte. Estes acordes foram trabalhadosem figuras que se metamorfoseiam ao longodos três momentos como uma teia. Houve umespecial cuidado na construção da figura,do fluir rápido do material e das ideias. Foiuma tentativa de quebrar com os movimentoslentos que insistentemente apareciam naminha produção musical.copyright © 2007 ana searaARNOLD SCHOENBERG1874-1951, compositorArnold Schoenberg, oriundo de umafamília judaica ortodoxa húngara,nasceu em Viena a 13 de Setembro de1874. As suas primeiras influências artísticasvieram do seu tio Fritz Nachod,admirador da poesia e literatura francesas.Aos oito anos de idade, inicioua sua educação musical tendo aulas deviolino, compondo, nessa época, as suasprimeiras músicas. Com a morte do pai,a família passou a enfrentar dificuldadesfinanceiras; Schoenberg, com apenas 16anos de idade, empregou-se num banco,onde trabalhou durante cinco anos. Osseus irmãos David Josef Bach e OskarAdler eram os seus parceiros nas discussõessobre música, filosofia e literatura.Foram eles que o encorajaram a seguira carreira de músico e lhe despertarama necessidade de buscar seus própriosideais artísticos. Juntos, formaram umconjunto musical que permitiu a Arnoldexperimentar e explorar o repertórioclássico da música de câmara e comporpara quartetos.Em 1894, passou a ter aulas de composiçãocom Alexander von Zemlinsky,aluno do Conservatório de Viena. FoiZemlinsky o responsável pela sua formaçãoteórico-musical e pelos ensinamentosdos princípios gerais de composição,tornando-se uma referência importantena carreira musical de Schoenberg.Em 1897, escreveu o seu Quarteto deCordas em Ré maior, cuja alteração doscursos formais da composição foi a suaresposta ao criticismo de Zemlinsky.Embora a apresentação desta obra tenhasido muito bem recebida pelo público,a primeira audição pública das Cançõesop.1, 2 e 3 foram ouvidas sob protestosda plateia. A partir de então, segundo opróprio compositor, os escândalos nãopararam mais.Após o seu casamento com MathildeZemlinsky, em 1901, Schoenberg passoua residir em Berlim, onde se tornoumaestro de uma orquestra no teatro devariedades. Nesse período, terminoude compor A Noite Transfigurada, queiniciara em 1899, Gurrelieder (1900), opoema sinfónico Pelléas e Mélisande,op.5 (1902-1903), Melodias op.6 e op.8,Quarteto em Ré menor, op. 7 (1904-1905),ganhando renome na vanguarda musicalalemã.Inaugurava assim um novo estilo decompor, rompendo barreiras e convenções.Passou a ser conhecido como opai do dodecafonismo – utilização daescala de 12 notas cromáticas de mesmotemperamento, arranjadas de formaoriginal: invertidas, repetidas ou alternadas.Schoenberg via a arte e a músicacomo expressões da personalidade e dahumanidade. Assim, adoptou o expressionismocomo postura estética. Os contrastesde sua personalidade são sentidosem sua música, reflectindo as suas paixõesque pareciam beirar a loucura. Oradicalismo da postura de Schoenberg,negando o equilíbrio clássico, tornou-sea essência de uma nova música. A novapostura estética voltava-se contra asociedade burguesa do início do século,os seus valores superficiais, a sua falsamoral e seu artificialismo. Schoenbergdefendia a veracidade da arte, procurandodespertar a sensibilidade atravésdo incómodo e da alteridade.A sua opção pela atonalidade nasceucomo necessidade de expressão, aomesmo tempo que marcou a independênciada dissonância. As três peças parapiano, op.11 (1909), suas primeiras obrasatonais, foram completamente inovadoraspara a época. Os 15 Lieder de StefanGeorge, op. 15: Buch der Hängeden Gärten(1908) constituem o primeiro ciclo decomposições desenvolvidas com imagensde grande inspiração poética que,segundo o compositor, “derruba, a partirde um novo ideal e expressão, todas asbarreiras de uma estética superada”.Como professor da AcademiaPrussiana de Artes, foi mestre de Berg,Werbern e Wellez. Em 1933, expulso deBerlim pelos nazistas, emigrou para osEstados Unidos, passando a leccionar naUniversidade da Califórnia. Schoenbergfaleceu em 1951. Descoberta por novasgerações de músicos, a sua obra alcançouum enorme sucesso após a sua morte.


Ode a Napoleão (1942), op.41A Liga dos Compositores pediu-me, em1942, que escrevesse uma peça de música decâmara para a sua temporada de concertos.Deveria ser para um número limitado deinstrumentos. Tive desde logo a ideia queesta peça não poderia ignorar a agitaçãoda humanidade contra os crimes que estaguerra originou. Lembrei-me das Bodasde Fígaro de Mozart, apoiando a repulsado jus prime noctis, Guilherme Tell deSchiller, Egmont de Goethe, a Heróica deBeethoven e Victory de Wellington, e soubeque era um dever moral da intelligentsiaassumir uma posição contra a tirania.Mas este foi apenas o meu motivo secundário.Sempre especulei sobre o significadomais profundo da filosofia Nazi. Havia umelemento que me intrigava profundamente: aparecença entre o não valor da vida de cadaser individual em relação ao todo comunitárioou aos seus representantes: a Rainha ou oFührer. Não consegui perceber porque é queuma geração de abelhas ou de alemães deveriaviver apenas para produzir uma novageração do mesmo tipo, que por seu ladodeveriam fazer o mesmo: manter a raça viva.Eu até supus que as abelhas (ou formigas)instintivamente acreditam que o seu destinoé ser os sucessores da humanidade, quandoela se tiver destruído a si própria da mesmaforma que os seus antecessores, os Gigantes,os Magos, Dragões, Dinossáurios e outrosse destruíram a si e ao seu mundo, e assimos primeiros homens apenas conheciamalguns especimens isolados. A capacidadedas abelhas e das formigas para formarestados e viver de acordo com leis – insensíveise primitivas, parecem-nos a nós – estacapacidade, única entre animais, tinha umasemelhança atractiva à nossa própria vida; ena nossa imaginação nós podíamos inventaruma história, em que elas cresciam até umpoder, tamanho e forma dominadores e criavamum mundo delas próprias, com muitopoucas parecenças com a colmeia original.Sem este objectivo a vida das abelhas,com a matança dos zangãos e os milharesde filhos da Rainha pareceria fútil.Paralelamente todos os sacrifícios daHerrenvolk alemã [Raça Superior] nãoteriam sentido, sem um objectivo de domíniodo mundo – no qual o indivíduo seria investidode interesse.Antes de ter começado a escrever estetexto consultei A vida das abelhas deMaeterlinck. Esperava encontrar aí exemplosque apoiassem a minha atitude. Masaconteceu o contrário: a filosofia poética deMaeterlinck embeleza tudo o que não é jábelo. E as suas explicações são tão maravilhosasque nos podemos recusar a refutá-las,mesmo sabendo que são mera poesia. Tiveque abandonar este plano. Tive que encontraroutro tema que se enquadrasse com omeu objectivo.copyright © arnold schoenbergEITAN STEINBERG1955, compositorEitan Steinberg, um dos mais proeminentese activos compositores de Israel,ganhou o prémio Primeiro-Ministrode Israel para compositores 2007, e aCátedra do Departamento de Música daUniversidade de Haifa. Graduou-se naAcademia de Música Rubin de Jerusaléme estudou depois na Academia Chigiana,em Siena, Itália. Fez um doutoramentoem composição musical na Universidadeda Califórnia, em Berkeley. Entre osseus professores contam-se o compositorMark Kopytman, Richard Felciano,Luciano Berio, Peter Maxwell-Daviese Franco Donatoni. Tendo crescido emIsrael, estudado em Itália e na Califórniae depois voltado para Israel onde vive,compõe e ensina, a sua música revelaa convergência de culturas diferentes,e é inspirada por material popular etradicional de todo o mundo. O trabalhode Eitan Steinberg com a sua mulher,a cantora Etty Ben-Zaken, originoumais de trinta obras vocais estreadospor ela, muitos deles com textos emvárias línguas. A sua música foi tocadapela Orquestra Filarmónica de Israel,a Orquestra Sinfónica de Jerusalém,a Orquestra de Câmara de Israel, oEnsemble Contemporâneo de Israel, oBoston Musica Viva, o Kuss Quartet(Alemanha), pelos pianistas SarahCahill, Greg McCallum, e o violinistaKim Kashkashian. As suas peças foramgravadas pela etiqueta New AlbionRecords, Rádio Israel, a TV Israel, arádio alemã WDR e pela BBC.Stabat Mater – a human prayer (2004),voz, quarteto de cordas e electrónicaO poema latino medieval Stabat MaterDolorosa que descreve a dor de Maria aover o seu filho morto, foi largamente utilizadoao longo da história da música. Estapeça é uma interpretação contemporânea epessoal, inspirada em elementos folclóricose medievais, e ao mesmo tempo enraizadana actualidade de Israel. A oração latino-‐cristã foi o nosso ponto de partida, a partirdo qual avançámos para a descrição daexperiência universal da aflição maternae a perda de filhos em guerras (a perda deum filho na guerra). O texto inclui doispequenos excertos da oração latina, ladoa lado com duas canções populares: umlamento judaico-espanhol em Ladino, tradicionalmentecantado em dias de luto, e umabalada revolucionária de guerra americana(baseada numa canção popular irlandesa).Estão todas ligadas numa história originalde perda e mágoa, cura e esperança. Asinstruções de interpretação para o cantorincluem contar histórias em hebraico eem árabe, cantar com técnicas folclóricas,improvisação, e tocar num acordeão decriança. A interpretação de hoje é umaversão de concerto da peça. A versão teatraloriginal foi encomendada e apresentada em2004, no Festival The Voice of Music naGalileia, Israel.copyright © 2007 eitan steinberg& etty ben-zakenEURICO CARRAPATOSO1962, compositorEurico Carrapatoso licenciou-se emHistória na Faculdade de Letras da


Universidade do Porto, em 1985.Estudou depois composição com JoséLuís Borges Coelho (1985-87) e fugacom Cândido Lima no Conservatóriode Música de Lisboa (1987-88). Estudoucomposição com Constança Capdevillena Escola Superior de Música de Lisboa(1988-91) e com Jorge Peixinho (1991-93)onde se formou com distinção.Entre as distinções que obteve destacam-seo Cantonigròs Prize (Barcelona,1995), o Prémio Lopes-Graça da cidadede Tomar (1998-99), o prémio Franciscode Lacerda (1999, com Mare nostrum etmare vostrum e Raios de Extinta Luz), oPrémio da Identidade Nacional (2001),e a Comenda da Ordem do Infante DomHenrique do Presidente da República(2004). As suas obras têm sido apresentadasem Portugal, por duas vezesno Rostrum da UNESCO (1998-99)bem como no Brasil, China, França,Alemanha e nos EUA e tem recebidoencomendas de numerosas instituições,orquestras e teatros como a Casa daMúsica do Porto, a Fundação Serralves,a Orquestra Nacional do Porto, aOrquestra Sinfónica Portuguesa, a RDP,o Teatro Aberto, o Teatro Nacional deSão Carlos e o Teatro Nacional de SãoJoão.Foi professor assistente de Históriaeconómica e social na UniversidadePortucalense e de composição em váriasescolas, incluindo a Escola de Música doPorto, a Escola Superior de Música deLisboa e a Academia Nacional Superiorde Orquestra. Ensinou também Análisee Técnicas na Academia de Amadoresde Música de Lisboa e no ConservatórioNacional de Música de Lisboa desde1989.La rue du chat qui pêche (serenata oníricaa Constança Capdeville) (2000)Esta obra resulta de uma encomenda daFundação Serralves que me foi feita porintermédio de meu amigo António PinhoVargas, ilustre compositor e pessoa deextrema erudição, a quem a obra é dedicada.A peça, por outro lado, canta também amemória da minha querida professora decomposição, Constança Capdeville, conformese pode depreender do subtítulo: serenataonírica a Constança Capdeville.A explicação do título La rue du chatqui pêche prende-se com uma situação pormim vivida em Paris no mês de Fevereirode 1996, por coincidência aniversário dofalecimento de Constança. Deambulando eupela cidade a pé e fazendo o itinerário entrea torre Eiffel e a catedral de Notre Damepela margem esquerda do Sena, deparo comuma pequena rua secundária, estreita, muitodiscreta, mas com um título qui m’a frappétout de suite. Pensei imediatamente naminha professora. O nome daquele sítio, Larue du chat qui pêche, de origem por certomedieval, época de prodígios tais como reistaumaturgos e gatos que pescam, tem umaressonância leve, arguta, lampeira, pícara,ágil, lendária, virtuosa, e mais toda umapanóplia de símbolos poéticos errantes queeu sinto plasmarem-se, não me perguntemporquê excepto as pessoas que não conhecerama Constança, numa mundividênciamuito próxima à nossa grande compositora.Perante a epígrafe daquela rua, naquele diafrio e húmido (como qualquer dia “medieval”que se preze), eu vi claramente visto o títuloda obra que um dia haveria de dedicar à suamemória. Mas não em forma de requiem.Sim, em forma de serenata onírica, porqueonírica era a sua presença, oníricas eram assuas aulas onde se sentiam as fragrâncias dosândalo. O seu porte era etéreo e caminhavasilenciosamente como quem voa baixinho.A forma da peça é a de uma composiçãopolicroma bizantina, uma espéciede políptico com rondó. A presença desserondó que se apresenta no piano logo noprincípio e que vai regressando ao longo dapeça com uma função de acalmia formal,fundamentalmente, é alternada com umasérie de episódios contrastantes, desde osmais tranquilos aos mais exaltados. Deentre estes episódios devem destacar-se trêsque contêm três breves citações: de umamelodia gregoriana de Natal (o inefávelPuer natus est nobis), do famoso DoctorGradus ad Parnassum (o primeiro númerodo maravilhoso Children’s corner dedicadopor Claude Debussy a sua filha Chouchou),e do quinto andamento da minha obraDeploração sobre a morte de JorgePeixinho (Paisagem onírica com anjos),usado no fim da peça quando a música se vaievanescendo. Este procedimento de “citação/colagem” era, aliás, muito caro a ConstançaCapdeville, por ela usado com incomparávelsabedoria e sensibilidade na obra Liberame, obra magistral e pináculo da composiçãonovecentista portuguesa.copyright © 2000 euricocarrapatosoFILIPE RAPOSO1979, compositor e pianistaPianista e compositor nascido emLisboa, estudou piano na Escola deMúsica do Conservatório Nacional,com Anna Tomasik e José Bon deSousa, estudou composição comEurico Carrapatoso, Luís Tinoco, JoãoMadureira, Sérgio Azevedo, CarlosCaires e frequenta o 4º ano da licenciaturaem Composição (ESML).Além da formação erudita estudoutambém música improvisada, comCarlos Bica, Jans Thomas, StanleyJordan, George Cables.Tem desenvolvido um trabalho a soloe em trio (contando com a participaçãode Carlos Bica), é um dos membros deTora Tora Big Band e YD Band (YuriDaniel) e colabora frequentementecom Amélia Muge, José Mário Branco,Fausto, privilegiando a ligação entremundos musicais diferentes.É pianista acompanhador da cinematecaportuguesa e tem participado eminúmeros festivais de cinema.Parto para este trabalho com um granderespeito por tudo o que tenho ouvido e comuma enorme vontade de criar um percurso deescuta e interacção com esta música (universal)que dentro de mim se move – é, de facto,uma arquitectura universal.


E, ainda, com a expectativa de continuara encontrar no passado um dos elos criadoresda raiz do meu futuro como ser humanoe como músico.Urban Roots (2007), piano e electrónicaImproviso sobre fita magnéticaVinda da vida, há uma sombra que encerraa vida que passa,e nessa sombra, outra sombra mais escuraque nenhuma,sonhando a luz que esvoaça”(Amélia Muge)copyright © 2007 filipe raposoG.I. GURDJIEFF18--/1948, compositor, professor,filósofo, místicoFilósofo, à procura da verdade, reconciliadorentre ciência e religião, professor,guru de artistas, escritores e músicos,Gurdjieff foi uma figura enigmática; atéo seu dia de anos é algo incerto: 1866ou 1877. Ele ensinou movimentos para“alterar ou aumentar a consciência” noseu Instituto para o DesenvolvimentoHarmonioso do Homem, situadonos arredores de Paris – um processoaltamente improvisado para o qual elecompôs música igualmente improvisada.Sem formação técnica, ele dependia deassistentes qualificados para levar a caboe escrever as sua ideias, e encontrou umnum discípulo devotado: o pianista/compositor ucraniano Thomas deHartmann, que altruisticamente suspendeua sua própria carreira e, depoisda morte de Gurdjieff em 1948, publicoue gravou alguns dos trabalhos em quecolaborou. Como compositor, Gurdjieff,nascido na fronteira entre a Arméniae a Turquia, foi influenciado peladiversidade étnica e cultural da região,pelas memórias de infância das músicasreligiosas e filosóficas improvisadas peloseu pai, um trovador grego, pelos hinosda igreja ortodoxa grega e pelas suas inúmerasviagens pela Europa e Ásia.Chants and HymnsAs suas composições não possuem omínimo vestígio de música étnica. Oque o autor faz é um subtil transferênciada essência da tradição antiga para oouvido moderno. Trata-se de uma obrade arquétipos culturais, mais do que decriação original no sentido de atingira essência do homem do ocidente.Utilizou em especial o piano, no quefoi apoiado pelo pianista ucranianoThomas de HartmannRitmos enfáticos estão presentes nasua música (em especial na música paramovimentos masculinos). A sua riquezamelódica não deve ser atribuída ao usode ornamentação, mas mais à utilizaçãode esquemas modais, largamente apoiadosna tónica.copyright © 2007 ou (adpt.)IVAN MOODY1964, compositorIvan Moody estudou música naUniversidade de Londres. A sua música,profundamente inspirada na espiritualidadeortodoxa, tem sido interpretadae gravada em CD’s em todo o mundopelas editoras Hyperion, Telarc, ECM eArs Musici. A sua maior obra até hoje, oAkáthistos Hymn, foi estreada nos EUAem Janeiro de 1999, e foi gravada em CDem 2001.Até 1998 foi professor de composiçãona Academia de Artes e Tecnologiasde Lisboa. Tem ministrado conferênciasem Inglaterra, Portugal, Holanda,Finlândia, Canadá, Brasil e Uruguai,e tem contribuído regularmente paraperiódicos internacionais, livros edicionários, produzindo artigos sobrea música sacra, tanto antiga comocontemporânea. Desde 1998 é colaboradordo Centro de Estudos de Sociologiae Estética Musical da UniversidadeNova de Lisboa. É membro do conselhode redacção da revista internacionalGoldberg e, desde 1993, é Director dasérie Music Archive Publications, daHarwood Academic Publishers. O seulivro The Golden Kithara: Studies in GreekContemporary Music foi publicado em2003, em Londres.Trisagion (2007)A palavra grega ‘Trisagion’ (pronunciada“trissaguion”) quer dizer “três vezes santo”;refere-se a um hino à Santa Trindade, usadocom grande frequência no rito bizantino (enoutras liturgias orientais): “Santo Deus,Santo Forte, Santo Imortal, tem piedade denós”. Normalmente é repetido três vezes, asua estrutura tripla reforçando a naturezatrinitária do texto.Como me foi pedido que esta obra reflectissealgo da minha fé (algo excepcionalna música de concerto), resolvi basear-meneste texto fundamental, utilizando a versãomusical de um manuscrito grego escrito emTessalónica no século xiv. Aqui, a naturezatripla do texto é mantida mas a primeiraparte é inteiramente orquestral, tentandoassim transmitir a ideia de “hesychia”, umaoração silenciosa, mística e interna.copyright © 2007 ivan moodyIYAD MOHAMMAD1976, compositorCompositor jordano nascido naAlemanha, vive agora entre a Bielo-‐Rússia e a Jordânia. As suas obras sãode música de câmara e foram tocadasna Ásia e na Europa. Mohammadestudou violoncelo e teoria musical no


Conservatório Nacional de Música daFundação Noor al-Hussein em Amande 1991 a 94 enquanto estudava flauta epiano particularmente. Estudou depoiscomposição com Larisa F. Murashkoe Viktor A. Voytik na Academia deMúsica da Bielo-Rússia, em Minsk, de1996 a 2001, onde obteve o diploma comdistinção, bem como o Doutoramento.Desde 2002 faz estudos de pós-graduaçãocom Elena M. Gorokhovik namesma Academia. Deu aulas de análise,composição, harmonia e outras disciplinasno Conservatório Nacional deMúsica da Fundação Noor al-Husseinem Amman desde 2003. Também foiprofessor de análise e harmonia naAcademia de Música da Jordânia, emAman, em 2004.Residindo na Jordânia desde os cincoanos, tem a nacionalidade alemã ejordana.Metamorphosis (2000), clarinete e pianoMetamorphosen é um ciclo de seisfragmentos para clarinete e piano escritonum estilo dodecafónico livre. É uma obracomposta em Fevereiro de 2000 e estreadaem Minsk em Junho desse ano. As seis peçaspossuem um carácter fragmentário não só naforma e na duração, mas também no estilo.São fragmentos de memórias nas quais aheterogeneidade estilística e o tipo de gestosse revela numa exploração básica e livreda técnica dos doze tons – a qual é em simesma um fenómeno histórico. Mais tardedecidi dar a estas peças títulos que reflectemimagens características com as quais nosrelacionamos desde sempre:I. Brahms FragmenteII. Rhythmus und Glocken IIII. PastoralIV. Rhythmus und Glocken IIV. Klarinettenlied in fis-mollVI. Prokofiev und Marschcopyright © 2004 iyad mohammadcopyright © 2007 ou (adpt.)JAMILIA JAZYLBEKOVA1971, compositoraNatural do Cazaquistão, JamiliaJazylbekova reside actualmente naAlemanha. As suas obras em grandeparte de música de câmara têm sidoapresentadas na Ásia Central, Europa eEUA.Jazylbekova estudou piano e flautatransversal na Escola de Música Estatalem Almaty de 1980 a 89. Estudoucomposição com Nikolay Sydelnikov eVladimir Tarnopolski no ConservatórioTchaikovsky em Moscovo (1990-95) eanálise com Günter Steinke, composiçãocom Younghi Pagh-Paan e voz comMaria Kowollik na Hochschule fürKünste de Bremen (1995-2002), com umabolsa DAAD (Deutscher AkademischerAustauschdienst). Também frequentouDarmstadt (1996), um cursovocal em Lichtenberg (1996), umamasterclass com Klaus Huber (1997), oKompositionsseminar em Boswil (2001),e Royaumont (2001).Recebeu várias distinções, incluindoo segundo prémio (não houve primeiroprémio) no concurso de músicade câmara em Almaty (1987, paraquarteto) e uma menção honrosano concurso Jiger em Almaty (1988,com Tolgau – Reflection). A sua peçaUschar foi seleccionada para ser oNachwuchsforum der Gesellschaftfür Neue Musik (1997). Recebeu umamenção honrosa no Gaudeamus MusicWeek (1998, com Uschar), o Franz LisztKompositionspreis da Hochschule fürMusik Franz Liszt em Weimar (2000)e o Kompositionsstipendium of theBerliner Senat (2000). Mais recentementeganhou o segundo prémio (nãohouve atribuição do primeiro prémio)no Internationaler Wettbewerb derDeutschen Gesellschaft für Flöte emFrankfurt (2001, com NYR).Fez residências na KünstlerhausSchloss Wiepersdorf (2000), naKünstlerinnenhof die HÖGE pertode Bremen (2000), na Villa Aurora emLos Angeles (2002), na KünstlerhausLukas em Ahrenshoop (2002), ena Künstlerhaus Schreyahn emNiedersachsen (2003).Le refus de l’enfermement I (2001),quarteto de cordasLUÍS TINOCO1969, compositorLuís Tinoco é natural de Lisboa eformou-se em composição na EscolaSuperior de Música de Lisboa e, posteriormente,com apoio da FundaçãoCalouste Gulbenkian e do CentroNacional de Cultura completou umMestrado em composição na RoyalAcademy of Music em Londres.Paralelamente à sua actividadeenquanto compositor, tem exercidofunções docentes na Escola Superior deMúsica de Lisboa e em outras instituiçõesde ensino. Enquanto programadore divulgador musical, destaca-se a suacolaboração com a Antena 2 da RTP,como autor e produtor de programasradiofónicos dedicados à nova música e,mais recentemente, assumindo a direcçãoartística do Prémio Jovens Músicos.Presentemente, encontra-se a trabalharna partitura de Evil Machines,um projecto de teatro musical comlibreto do ex-Monty Python TerryJones, que será estreado pela OrquestraMetropolitana de Lisboa, sob direcçãode Cesário Costa, no Teatro Municipalde S. Luiz, em Janeiro de 2008.A música de Luís Tinoco é publicadano Reino Unido pela University of YorkMusic Press.


Invenção Sobre Paisagem (2001)Obra encomendada pela Porto 2001 –Casa da Música. Primeira audição absoluta:Setembro 2001, Remix Ensemble,Sarah Ioannidis.Nesta peça interessou-me o conceito deinvenção como um produto da imaginação– sem se reportar a nenhuma forma musicalespecífica, mais na sua íntima relaçãocom a ideia de paisagem, do que com umaimagem ou espaço físico concretos. Porém,a observação que proponho procura umsentido de mobilidade, isto é, suscita umaaudição que construa o espaço imaginado.Percorrendo-o.”copyright © 2001 luís tinocoSAED HADDAD1972, compositorSaed Haddad, residente na Alemanha,nasceu na Jordânia em 1972. Iniciouos estudos de piano muito cedo,dedicando-se mais tarde à composiçãoapós concluídos, em 1993, os estudosem filosofia na Universidade de Luvaina(Bélgica). Posteriormente foi premiadopela Academia de Música da Jordânia(1993-1996), tendo obtido o mestradoem composição na Academia de Músicae Dança de Jerusalém e na UniversidadeHebraica de Jerusalém em 1998-2001,sob a supervisão de Menachen Zur eAri Ben-Shabtai. Frequentou masterclassescom Andre Bom, Allain Gaussin,Hanna Kuelenty, Louis Andriessene Helmut Lachenmann. É doutoradoem composição pelo King’s Collegede Londres onde estudou com GeorgeBenjamin (2002-2005). Obteve numerososprémios em Israel, França e ReinoUnido, incluindo o New MillenniumPrize-Birmingham 2003. Possui umvasto leque de obras encomendadaspor prestigiados agrupamentos como oArditti Quartet, Nieuw Ensemble, AtlasEnsemble, Birmingham ContemporaryMusic Group, Fundação Eduard vanBeinum (Holanda), entre outros. Temtido numerosas estreias pela LondonSinfonietta, Ensemble Modern, IsraeliContemporary Players, PhilharmoniaOrchestra, etc., sob a direcção de ZsoltNagy, Franck Ollu, Martyn Brabbins,Lucas Vis e Ed Spanjaard. As suas obrastêm sido apresentadas em centros deprestígio como Asian Composers LeagueFestival, Aspekte Salzburg Festival,Proms/Gaudeamus Festival, CentrePompidou, Royal Festival Hall ou AlterOper-Frankfurt. De 2004 a 2005 foicompositor associado ao BirminghamContemporary Music. Tem dirigidocursos na Jordânia e em diversas universidadeseuropeias.L’Éthique de la Lumière (2004)A chave para a interpretação da músicade Saed Haddad pode ser encontrada nassuas próprias palavras sobre a sua condiçãode compositor: Sendo um árabe cristãoe compositor de música contemporâneaocidental, eu identifico-me como um “outro”no contexto cultural ocidental. No entanto,sinto-me também como um “outro” na minhaprópria herança cultural (onde não existemúsica contemporânea, e não é entendidanem apreciada).Este “outro” é um elemento de resistência,mas continua a ser uma parte de um todo.Procura uma expressão alternativa que sedistancia das duas tradições sendo ao mesmotempo testemunha de ambas. Dissimula asua cara usando máscaras, sombras e ilusõespara depois, surpreendentemente revelar asua realidade contrastante. Procura totalidadee harmonia enquanto mostra rudeza,contradição, ilógica e “alteridade”. Procuradefinição na busca de uma descobertapermanente.A “alteridade” está na base de um mistériotranscendental de contradições criadaspela minha contínua (in)compreensão sobreo que significa para mim a cultura árabe,sendo eu um marginal cultural que escrevemúsica ocidental.copyright © 2007 saed haddadSARA CLARO1986, compositoraSara Claro nasceu em 1986, no Porto.Residente em Braga, iniciou os estudosmusicais de Formação Musical e Pianoaos 8 anos e aos 9 anos ingressou noConservatório de Música CalousteGulbenkian de Braga. Na transição parao ensino secundário optou pela variantede composição, sob a orientação dePaulo Bastos, concluindo o 8.º grau dePiano e Formação Musical, e o 3.º graude Leitura de Partituras, laboratóriode composição, análise e técnicas decomposição e composição livre. Em 2003ingressou na Escola Superior de Músicade Lisboa (onde se encontra actualmentea concluir o curso de composição), estudandocom compositores de destaquena música contemporânea portuguesa,como Luís Tinoco, Carlos Caires eChristopher Bochmann, entre outros.Versus (2007)Versus para flauta, clarinete, fagote, violino,viola, violoncelo e percussão foi escritapara a ORCHESTRUTOPICA. O título estárelacionado com os vários tipos de gesto quecaracterizam a obra: esquerda vs. direita,trás vs. frente, solista vs. grupo, rápido vs.lento, agudo vs. grave, etc.A disposição única dos músicos em palcoimprime a sensação de panorâmica, tendoesse fenómeno de movimento sido tambémdesenvolvido a nível harmónico, rítmico edinâmico.”copyright © 2007 sara claro


IntérpretesARMANDO POSSANTE barítonoArmando Possante iniciou a sua formaçãomusical no Instituto Gregoriano deLisboa. Na Escola Superior de Músicade Lisboa concluiu o Bacharelato emDirecção Coral e as Licenciaturas emCanto Gregoriano e Canto (classe doprofessor Luís Madureira).Iniciou os estudos de canto com aprofessora Mariana Bonito d’Oliveira.Trabalhou com Max von Egmond,Christianne Eda-Pierre, LindaHirst, Richard Wistreich, ChristophPrégardien, Siegfried Jerusalem, JillFeldman e Peter Harrison. Desloca-secom regularidade a Viena, onde trabalhacom a Professora Hilde Zadek. É solistado Coro Gregoriano de Lisboa.Conquistou o 3.º prémio e o prémiopara a melhor interpretação de Bach no1.º Concurso Vozes Ibéricas, o 3.º prémioe o prémio para a melhor interpretaçãode obra portuguesa no Concurso LuisaTodi e o 1.º prémio no 7.º Concurso deInterpretação do Estoril.Apresentou-se como solista deoratória em obras como Missa em Si m eMagnificat (J. S. Bach), Messiah (Handel),Krönungsmesse e Missa em Dó m (Mozart),Die Schöpfung (Haydn), L’enfance duChrist (Berlioz), Carmina Burana (Orff) eRequiem (Fauré e Duruflé).Interpretou os papeis principaisdas óperas Così fan Tutte (Mozart),L’Amore Industrioso (Sousa Carvalho), AsVariedades de Proteu (António Teixeira),Dido and Aeneas (Purcell), A Floresta(Eurico Carrapatoso), e L’Elisir d’Amore(Donizetti).É professor no Instituto Gregorianode Lisboa. Orientou workshops de músicacoral no Canadá, Inglaterra e nasJornadas Internacionais de Música da Séde Évora.ETTY BEN-ZAKEN vozCantora, autora e artista pluridisciplinar,Etty Ben-Zaken, conquistouo aplauso das audiências e da críticapelas suas interpretações e gravações deobras contemporâneas, algumas escritasespecialmente para a sua voz. Grandeconhecedora das várias técnicas vocaisdo século xx, sente-se igualmente àvontade na música antiga e no repertóriopopular da sua herança sefardita.Uma mulher da renascença, tem umaintensa actividade como concertista ecriadora no ponto em que se cruzam amúsica o teatro e a literatura: em Israelforam publicadas duas novelas suas, ecinco espectáculos de teatro-musicalque elaborou, encenou e interpretouparticiparam em festivais em Israel,Alemanha e EUA. O seu primeiroálbum como solista foi lançado em 1999pela etiqueta americana New AlbionRecords. Etty Ben-Zaken estudou cantona Academia Rubin de Jerusalém eteatro na Escola de Teatro Visual deJerusalém. Actualmente faz parte docorpo docente do Departamento deTeatro da Universidade de Haifa.TAPIO TUOMELA maestroNatural de Kuusamo (Finlândia), omaestro e compositor Tapio Tuomelaformou-se na Academia Sibelius, ondeestudou piano com Tapani Valsta,direcção de orquestra com Jorma Panulae composição com Einar Englund,Eero Hämeenniemi, Magnus Lindberge Paavo Heininen. Paralelamentecomplementou os seus estudos de pianoe direcção de orquestra em Vilnius,no Conservatório da Lituânia e osseus estudos de composição (1988/89)com Christopher Rouse e JosephSchwantner na Eastman School ofMusic (Rochester, Nova Iorque), (ondeobteve o mestrado em Música em 1990);estudou ainda (1989/91) com WitoldSzalonek na Hochschule der Künste emBerlim. Frequentou também cursos decomposição com Witold Lutoslawski,George Crumb, Klaus Huber e BrianFerneyhough. Em 1997, participou noStage d’étée nos estúdios do IRCAM emParis.As obras de Tuomela têm sidoapresentadas em todos os paísesnórdicos (Nordic Music Days, porexemplo), nos EUA (ScandinaviaToday, North & South Consonance), naAlemanha, Inglaterra, França, Bégica,Holanda (Icebreakers), Portugal (EMCGulbenkian), Jugoslávia (Novi SadFestival), Roménia (ISCM World MusicDays) e Hungria. Em 1991, o Festival deHelsínquia dedicou uma série de concertosà música de Tapio Tuomela.Tuomela é também um maestro extremamenteactivo, dirigindo regularmentena Ópera Nacional Finlandesa, o Avanti!Chamber Orchestra e outros gruposeuropeus. O maestro Tapio Tuomeladirigiu um grande número de obras emprimeira audição absoluta mais recentementena Alemanha e em Espanha.Tem colaborado regularmente com aORCHESTRUTOPICA.PEDRO PINTO FIGUEIREDO maestroNascido em Lisboa, o maestro PedroPinto Figueiredo concluiu o Curso


Geral de Composição da Escola deMúsica do Conservatório Nacional deLisboa, e o bacharelato em Composiçãona Escola Superior de Música de Lisboa.Estudou composição com ConstançaCapdeville, com o professor e compositorChristopher Bochmann e como compositor Emmanuel Nunes, comquem trabalhou em Paris onde realizouainda paralelamente diversos cursosno IRCAM, tendo sido bolseiro daFundação Calouste Gulbenkiaen.Da sua produção musical, salientam-seobras como Germinal para octetode sopros e piano, Wake para clarinete eScindite para clarinete baixo, contraltoe orquestra de câmara. Tem tido comoprioridade na sua pesquisa musical a utilizaçãodas novas tecnologias, principalmenteno âmbito do tratamento do somem tempo real e da sua espacialização.Estreou, em 2002 a obra Ser para orquestrade cordas no Festival de Musicacontemporânea de Dunkerque, com aorquestra lírica da Opera de Paris.Foi membro da Direcção Pedagógicada Escola de Música do Orfeão de Leiria.É ainda Docente na ANSO (AcademiaSuperior de Orquestra), onde leccionaAnálise e Orquestração e na Escola deMúsica de Linda-a-Velha e dirige umAtelier de Música Contemporânea.Em 1997 iniciou os estudos deDirecção de Orquestra no Conservatóriode Dijon na classe do Maestro JeanSebastian Béreau, tendo conquistado,em 2002, a medalha de ouro do concursode finalistas. Trabalhou também com omaestro Peter Rundel na área da direcçãode música contemporânea.É o maestro da Orquestra doConservatório da Metropolitana, tendodirigido também a Orquestra SinfónicaJuvenil e a Orquestra Jovens Músicos,foi responsável por um Estágio deDirecção de Orquestra na ESART, e éresponsável pela direcção do EstágioInternacional de Orquestra de Leiria nasua 5.ª edição.Em 2002 iniciou os projectosOrquestra A2M – Arquivo da MemóriaMusical, e em 2003, o Grupo de músicacontemporânea Ensemble 20/21. Em2003 estreia-se em Portugal com aorquestra Filarmonia das Beiras, tendodesde então dirigido vários agrupamentose orquestras de onde se salientama Orquestra Gulbenkian e o RemixEnsemble.MúsicosKatharine Rawdon (1, 2) flautaLaura Marcos (1) oboéBruno Graça (1) clarineteNuno Pinto (2) clarinete e clarinete baixoDavid Harrison (1, 2) fagoteAntónio Quítalo (1) trompetePaulo Guerreiro (1) trompaHugo Assunção (1) tromboneRichard Buckley e Pedro Silva (1) percussãoJoão Tiago Dias (2) percussãoPaulo Pacheco (1) pianoElsa Silva (2, 3) pianoJosé Pereira (1) Vítor Vieira (2, 3) violino iAna Pereira (1) Juan Maggiorani (2, 3), violino iiCecliu Isfan(1) Jorge Alves (2, 3), violaGuenrikh Elessine (1) Marco Pereira (2, 3), violonceloPetio Kalomensky (1) contrabaixo1. concerto dia 22 Setembro2. concerto dia 26 Setembro3. concerto dia 2 Outubro


ORCHESTRUTOPICAA ORCHESTRUTOPICA (OU) é umagrupamento de câmara dedicado àpromoção da nova música, concebidocomo um instrumento para compositores.Fundada em 2001 – pelos compositoresCarlos Caires, José Júlio Lopes, LuísTinoco e António Pinho Vargas, e omaestro Cesário Costa –, foi saudadacom grande entusiasmo pelo público,pela crítica e pela comunidade musical.Ao fim de cinco anos já realizou maisde quarenta concertos, em Portugal eno estrangeiro. Mais do que um grupodedicado à nova música, de espíritoindependente de qualquer academismo,a OU apresenta-se como um espaço dediálogo e troca de experiências radicalmentediferente da atitude tradicional.Sempre que possível, os compositoresrepresentados nos programas da OUsão chamadas a participar em fórumsabertos de discussão com músicos,artistas e público. A OU acredita firmementena diversidade estética como amais saudável postura; a sua filosofia deprogramação não reconhece fronteirasentre campos musicais e entre disciplinasartísticas; a sua vitalidade dependede uma visão aberta e abrangente noque respeita à criação musical e artísticacontemporâneas.Nos concertos que já realizou, a OUapresentou inúmeras obras encomendadasa compositores portugueses emestreia absoluta e primeiras audições emPortugal de compositores estrangeiros,tendo podido contar até agora com acolaboração de maestros e solistas derenome internacional, como os maestrosYu Feng, David Allen Miller, Odalinede la Martinez, Tapio Tuomela, FabiánPanisello, Olivier Cuendet, as sopranosNicole Tibbels, Yeree Suh e MoniqueKrüs e o violinista sueco FredrikBurstedt, entre outros. A formação daOU apresenta alguns dos melhores músicosportugueses e estrangeiros residentesem Portugal, membros das principaisorquestras e agrupamentos do país. Égraças aos músicos que colaboram coma OU que as suas apresentações emconcerto e o seu projecto têm merecidoas melhores referências.A ORCHESTRUTOPICA beneficiade um subsídio plurianual do Ministérioda Cultura / Instituto das Artes e, desdea temporada de 2006/2007, é “orquestraem residência no CCB”.Direcção artística António PinhoVargas, Carlos Caires, José Júlio LopesDirector José Júlio LopesDirector musical Cesário CostaProdução Élio CorreiaPresidente da Mesa da Assembleia GeralPaula Gomes RibeiroPresidente do Conselho Fiscal André SáMachadoMaestros convidados Yu Feng (Chi),David Allen Miller (EUA), Odaline dela Martinez (GB), Tapio Tuomela (Fin),Fabián Panisello (ARG), Jean-SébastienBéreau (FR), Olivier Cuendet (SUI)Solistas convidados Ana Ester Neves,soprano (POR), Nicole Tibbels, soprano(GB), Fredrik Burstedt, violino (SE),Yeree Suh, soprano (COR), MoniqueKrüs, soprano (NL), GuillaumeGrosbard, violonceloCompositor-residente João Madureira(2004); Nuno Côrte-Real (2005).A ORCHESTRUTOPICA é umaAssociação Cultural Sem FinsLucrativos. Copyright © 2001, 2002,2003, 2004, 2005, 2006 e 2007,ORCHESTRUTOPICA e António PinhoVargas, Carlos Caires, Cesário Costa,José Júlio Lopes e Luís Tinoco. Todosos direitos reservados. O logótipo e adesignação ORCHESTRUTOPICA sãopropriedade da ORCHESTRUTOPICAACSFL. A ORCHESTRUTOPICA éuma estrutura apoiada financeiramentepelo Instituto das Artes – Ministério daCultura (2003, 2004; 2005/2008)Contactos:Largo do Carmo, 18 1º Esq. 1200-092Lisboa, Portugal.T+F + 351 213 474 148email: orchestrutopica@novascenas.ptwww.novascenas.pt/orchestrutopicaFestival EXPRESSO ORIENTE 2007 · 3ª edição · 57º, 58º e 59º concertosDirecção artística do projecto: José Júlio Lopes · Produção executiva: ORCHESTRUTOPICACo-produção: CULTURGEST/ORCHESTRUTOPICA · Conteúdos, traduções e adaptação de conteúdos: José Júlio Lopes · Traduções : Sofia Norton · Créditos da OU e/ou dos autores identificadosFestival Expresso Oriente ©® (incluindo textos), 2007, ORCHESTRUTOPICA ACSFLAgradecimentosA ORCHESTRUTOPICA deseja tornar público o seu agradecimento a: Embaixada de Israelem Lisboa, Maria João Câmara, Iyad Mohammad, Eitan Steinberg.


CULTURGEST, UMA CASA DO MUNDOInformações 21 790 51 55www.culturgest.ptEdifício Sede da CGDRua Arco do Cego1000-300 LisboaConselho de AdministraçãopresidenteManuel José VazVice-presidenteMiguel Lobo AntunesVogalLuís dos Santos FerroAssessoresDançaGil MendoTeatroFrancisco FrazãoArte ContemporâneaMiguel WandschneiderServiço EducativoRaquel Ribeiro dos SantosDirecção de ProduçãoMargarida MotaProdução e SecretariadoPatrícia BlázquezMariana Cardoso de LemosJorge EpifânioexposiçõesProdução e MontagemAntónio Sequeira LopesProduçãoPaula Tavares dos SantosMontagemFernando TeixeiraCulturgest PortoSusana SameiroComunicaçãoFilipe Folhadela MoreiraJoana GonçalvesJudite JóiaPublicaçõesMarta CardosoRosário Sousa MachadoActividades ComerciaisCatarina CarmonaServiços Administrativose FinanceirosCristina RibeiroPaulo SilvaDirecção TécnicaEugénio SenaDirecção de Cena e LuzesHorácio Fernandesassistente de direcção cenotécnicaJosé Manuel RodriguesAudiovisuaisAmérico Firmino Chefe de ImagemPaulo Abrantes Chefe de AudioTiago BernardoIluminação de CenaFernando Ricardo ChefeNuno AlvesMaquinaria de CenaJosé Luís Pereira ChefeAlcino FerreiraTécnico AuxiliarÁlvaro CoelhoFrente de CasaRute Moraes BastosBilheteiraManuela FialhoEdgar AndradeRecepçãoTeresa FigueiredoSofia FernandesAuxiliar AdministrativoNuno CunhaEMBAIXADA DE ISRAEL

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