UNDERGROUND ROCK REPORT - 2

maxmag

UNDERGROUND ROCK REPORT - 1


2 - UNDERGROUND ROCK REPORT


ÍNDICE

NervoChaos

Págs. 4, 5, 6, 7 e 8

Lascia

Págs. 9, 10 e 11

Pop Javali

Págs. 12 e 13

Blackning

Págs. 14 e 15

Crom

Pág. 16

Cemitério

Pág. 17

God Seed

Pág. 18

King Fear

Pág. 19

Creptum

Págs. 20 e 21

Valhalla

Págs. 22 e 23

Metalhead

Pág. 24

Comportamento

Págs. 26 e 27

Terra Santa

Págs. 28,29 e 30

Agamenon Project

Pág. 31

Releases

Págs. 32 e 33, 34

e 35

Acheron

Págs. 36 e 37

Fatal

Págs. 38 e 39

V8

Pág. 40

Palco Report

Págs. 41, 42 e 43

Santa Hates You

Págs. 44 e 45

EEditorial

UNDERGROUND

com respeito e dedicação

Apresentamos a vocês a Undergroud Rock Report #2.

O primeiro número lançado no final de setembro de 2014

obteve aceitação imediata do público, chegando a 9.500 visualizações

de seu conteúdo em um curtíssimo espaço de tempo.

Isso nos motivou e fomos atrás de novo material, para

que o segundo número fosse um pouco mais abrangente.

Agregamos colunistas, novas seções na revista e revisamos

algumas particularidades da Underground Rock Report, buscando

mais qualidade e facilitando o acesso a todos que se

interessem pelo conteúdo que a revista traz.

Assim como também colocamos as matérias principais e de

destaque em nosso blog, facilitando ainda mais o acesso do

CCapa

Nervochaos, incinerando a arte da vingança

Formado em Setembro de 1996, o NERVOCHAOS nasceu com a

ideia de fazer um som nervoso e agressivo, sem se prender a rótulos

pré-estipulados. Um mês depois é lançada a primeira demo-tape,

auto-intitulada “NervoChaos”. A banda então dá início a sua 1ª turnê,

percorrendo os quatro cantos do Brasil durante o ano de 1997 emeados

de 1998. Partindo para o primeiro disco, a banda entra no Mr Som estúdios

e grava o debut com a produção de Heros Trench (Korzus). “Pay

Back Time”, que foi lançado pela Tumba Records em dezembro 1998

a mistura feroz do grindcore inspirado em Napalm Death e o Thrash

Metal ‘anos 80’ quebraram todos os preconceitos de como uma banda

de Metal deve soar.

Já o novo album, ‘The Art Of Vengeance’ também foi lançado no

Brasil pela Cogumelo Records e no resto do mundo pela Greyhaze.

“The Art of Vengeance” é o sexto trabalho de estúdio da banda que vive

o mais expressivo momento, tanto em produtividade como em criatividade

de toda sua carreira.

leitor ao conteúdo editorial da revista.

Neste número a capa vem como o Nervochaos, banda veterana

do cenário Death Metal brasileiro e um dos representantes

de peso de nosso país.

Claro, estamos apenas no segundo número, orgulhosos dos

elogios e determinados a sanar alguns pontos negativos que

nos foram apontados. E claro, sempre enaltecendo o cenário

do Rock brasileiro e internacional e ampliando os horizontes

para levar ao leitor todas as manifestações culturais possíveis

e dentro do aspecto editorial de nossa publicação.

Este é apenas o segundo número! Apreciem a leitura!

JP Carvalho

Expediente

Editor responsável: JP Carvalho - Redator Chefe: Leonardo Morais - Jornalista Responsável: Laryssa Martins MTb:

52.455 Web Designer: Ygor Nogueira - Staff Editorial: Christiano K.O.D.A., Darlene Carvalho, Julie Sousa, Lary Durant,

Marcos Garcia, Maurício Martins, Michele Dupont, Vitor Hugo Franceschini, Ygor Nogueira, Wagner Cyco.

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- São Paulo - SP - CEP: 02081-070.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 3


RRock Report

Por Leonardo Moraes

Formado em Setembro de

1996, o Nervochaos nasceu

com a ideia de fazer um som

nervoso e agressivo, sem se

prender a rótulos pré-estipulados.

Um mês depois é lançada a

primeira demo-tape, contendo

quatro faixas, auto-intitulada

“NervoChaos”. A banda então

dá início a sua 1ª turnê (“Nervo

Tour”), percorrendo os quatro

cantos do Brasil durante o ano

de 1997 emeados de 1998. Durante

a turnê, o Nervochaos divide

o palco com grandes bandas

internacionais como DRI,

Biohazard, Napalm Death,

Kreator, Agnostic Front, além

das diversas bandas nacionais

de renome tais como Krisiun,

Korzus, Dorsal Atlântica entre

outras.

Partindo para o primeiro disco,

a banda entra no Mr Som

estúdios e grava o debut com

a produção de Heros Trench

(Korzus). “Pay Back Time”,

que foi lançado pela Tumba

Records em dezembro 1998

e foi um verdadeiro presente

para os fãs da cena metálica.

A mistura feroz do grindcore

inspirado em Napalm Death e

o Thrash Metal ‘anos 80’ quebraram

todos os preconceitos

de como uma banda de Metal

deve soar. Assim que o disco

foi lançado, caem na estrada

para realizar a sua 2ª turnê, a

“Pay Back Tour”, que se estende

até o final do ano de 1999.

Atingindo mais cidades brasileiras

do que na turnê anterior;

e chegando inclusive a tocar

fora o país, na Bolívia.

Uma legião de fãs começa a

acompanhar o grupo que sempre

manteve fortes laços com a

cena underground. Durante esta

turnê, o Nervochaos, mais uma

vez, divide palco com nomes de

expressão no cenário mundial,

tais como Disgorge, Deeds Of

Flesh, Vulcano e outras mais. O

debute álbum “Pay Back Time”

rendeu títulos como o de melhor

álbum do ano pela crítica

especializada, uma das melhores

capas e umas das bandas

favoritas do público.

O próximo passo, no início

de 2000, é o lançamento da segunda

demo-tape “Disfigured

Christ”. Novamente, assim que

a demo-tape é lançada, a banda

dá início a 3ª turnê brasileira a

“Disfigured Tour” que começa

em meados de 2000 e se estende

até o final do ano de 2001.

O novo trabalho mostra uma

banda mais madura com uma

sonoridade mais agressiva e

ainda mais brutal. A temática

da banda retrata desde a dura

realidade do dia-a-dia até temas

mais obscuros e satânicos.

Durante esta terceira turnê,

o Nervochaos divide o palco

com bandas como Siegrid Ingrid,

Rebaelliun, Funeratus, De

Incinerando a arte

da vingança

Menos Crime e muitas mais.

O ano 2002 marca uma nova

etapa na história da banda.

O Nervochaos assina com a

Destroyer Records para o lançamento

de seu 2º álbum “Legion

of Spirits Infernal”. São

14 faixas de um Death Metal

direto, tradicional e agressivo;

com letras ácidas e repletas de

blasfêmias. Assim que o trabalho

é lançado, a banda dá início

a sua 4ª turnê brasileira, a “Infernal

Legion Tour”. Apesar do

pouco trabalho de divulgação e

promoção da nova gravadora,

o disco é extremamente bem

recebido pela crítica e público,

elevando a banda ao patamar

de uma das principais bandas

da cena metálica, no underground

nacional.

O Nervochaos sempre manteve

fortes laços com a cena

underground, nunca deixando

de ser fiel às suas raízes e sem

se deixar levar pelos modismos

que assolam a cena. Durante a

4ª turnê a banda divide o palco

com artistas como Monstrosity,

Torture Squad, Pandemia,

TFD, Ocultan...

“Necro Satanic Cult” é o

nome da nova demo-tape da

banda. Descontentes com o

trabalho da Destroyer Records,

a banda opta por voltar ao seu

antigo selo, a Tumba Records.

A 3ª demo-tape traz 4 faixas

que mostram uma banda com

um som ainda mais trabalhado,

chegando próximo de atingir

uma sonoridade própria, sem

medo de inovar, mas ao mesmo

tempo, sem deixar de transitar

livremente entre o Death Metal,

Thrash Metal, Grindcore e até o

Black Metal. A temática deste

trabalho é mais focada no Splatter

Gore com um ‘feeling’ satânico.

Apesar desta demo-tape

ter sido lançada apenas no início

de 2004, o Nervochaos dá

início, em meados 2003, a sua

5ª turnê “Necro Satanic Tour”,

que se estende até o ano seguinte,

tocando ao lado de bandas

como Cannibal Corpse, Dismember,

Iconoclasm e outras.

A banda entra em estúdio,

entre 2004/2005, para a gravação

do seu mais novo trabalho.

“Quarrel in Hell” foi gravado e

mixado no 624 estúdios. O 3º

álbum contém 10 novas faixas

com participações especiais de

John Mcentee (Incantation),

Alex Camargo (Krisiun), Mark

“Barney” Greenway (Napalm

Death), Sanguine & Wrath

(Averse Sefira) e Emperor Magnus

Calígula (Dark Funeral).

No final de 2006 a banda dá

início a sua 6ª turnê, a “Age of

Quarrel Tour” que se estende

durante o ano de 2007. A banda

assina com a Ibex Moon Records

para o lançamento deste

3º CD nos Estados Unidos,

Canadá e México. O álbum foi

lançado em Junho 2007 com

nova arte gráfica, fotos e faixa

4 - UNDERGROUND ROCK REPORT


multimídia de bônus.

Em 2008, a banda parte para

a sua 1ª turnê europeia “Quarrel

Over Europe”, fazendo 24

shows em 25 dias por 10 países.

Assim que retornam ao Brasil,

dão sequência a sua turnê brasileira,

“Quarrel Over Brazil”.

Durante essa turnê a banda divide

o palco com Possessed,

Carcass, Asesion, Mayhem,

Sadistic Intent e muitas outras

mais. Foi a maior e mais bem

sucedida turnê da banda até o

momento, atingindo a marca

de 60 shows em 1 ano.

Em 2009, a banda entra em

estúdio para a gravação do seu

mais novo CD “Battalions of

Hate”, lançado em Março do

ano de 2010. “Battalions of

Hate” saiu em Digipack Luxo

em formato de cruz invertida

e o material foi aclamado pela

mídia especializada, mantendo

o nome do Nervochaos entre

as maiores bandas do cenário

nacional. Em Novembro a

banda volta aos palcos com a

sua mais nova turnê “Lords of

Chaos Tour”, que rodou Brasil,

América do Sul todo o ano de

2009 e 2010. Em 2011 a banda

partiu para sua segunda turnê

Europeia, com 31 shows em 31

dias, acompanhados pelo Ragnarok.

A turnê rendeu o álbum

ao vivo “Live Rituals”, que

contou com 10 músicas gravadas

durante a tour.

A banda iniciou 2012 com

uma extensa agenda de shows e

também iniciou a pré produção

do novo álbum. Intitulado “To

the Death” o novo material foi

lançado no Brasil pela renomada

gravadora Cogumelo Records

e nos Estados Unidos e Europa

pela Grayhaze Records. O álbum

foi extremamente bem recebido

pela crítica especializada,

levando o nome do Nervochaos

a entrar em várias listas de melhores

do ano. Considerado o

melhor álbum da banda pelos

críticos, To The Death foi eleito

o lançamento de 2012.

Em 2013 iniciou turnê que

novamente passou por grande

parte do mundo. Em paralelo

foi sendo preparado o lançamento

de “To The Death” em

vinil, também pela Cogumelo

Records, e um DVD, ainda não

intitulado, ambos para lançamento

ainda em 2013.

Já o novo album, ‘The Art

Of Vengeance’ também foi lançado

no Brasil pela Cogumelo

Records e no resto do mundo

pela Greyhaze.

O material foi gravado no

Rio de Janeiro no estúdio HR.

O novo álbum conta com a produção

de Alex Azzali, italiano

que também foi responsável

pela produção do disco anterior

da banda, ‘To the Death’

As gravações também contaram

com os engenheiros de

som Felipe Eregion e Daniel

Escobar.

“The Art of Vengeance” é o

sexto trabalho de estúdio da

banda que vive o mais expressivo

momento, tanto em produtividade

como em criatividade de

toda sua carreira, fazendo com

que “The Art of Vengeance”

não seja apenas um grande lançamento

do NervoChaos, mas

sim um marco no cenário Heavy

Metal brasileiro. Confira a

seguir nas palavras de Edu Lane

, tudo o que tem acontecido ao

NervoChaos ultimamente.

Underground Rock Report:

O novo álbum The Art

Of Vengeance acaba de ser

lançado e novamente tem

sido tratado como um dos

principais lançamentos do

ano. Vocês esperavam por

essa recepção?

Edu Lane: Na verdade não.

Quando compusemos o álbum

não ficamos pensando nisso,

alias, nunca pensamos nestas

coisas em qualquer álbum que

escrevemos. Focamos mais em

fazer o que nos agrada musicalmente;

também não nos preocupamos

em fazer um estilo

especifico, apenas buscamos a

nossa sonoridade própria e permanecemos

fies a nossa proposta

inicial. Com o novo álbum,

procuramos evoluir como banda,

tanto na parte sonora, como

lírica e ate na arte gráfica. A receptividade

tem sido extremamente

positiva e ficamos muito

contentes e honrados com isso.

Não sabíamos como as pessoas

iriam reagir ao novo trabalho

mas estamos muito satisfeitos

com o novo CD.

URR: É a segunda vez que

vocês trabalham com o italiano

Alex Azzali. A banda

encontrou o produtor certo?

Edu: Conhecemos o Alex na

tour pela Europa que fizemos

UNDERGROUND ROCK REPORT - 5


junto com o Ragnarok (Nor)

em 2011. Resolvemos mandar

o “To The Death” para ele

mixar e masterizar e gostamos

do trabalho dele. No “The Art

of Vengeance” chamamos ele

para participar do processo

todo, como produtor. Ele fez

também a mixagem e masterizacao.

Gostamos demais do

trabalho todo, acho que a parceria

ficou muito interessante.

URR: Conte-nos um pouco

sobre o DVD que acompanha

o lançamento do CD.

Edu: Fizemos o box-set com

2 DVDs e acabou sobrando

um monte de material. Resolvemos

concluir o ciclo iniciado

no box-set, em especial no

segundo DVD, e fizemos a

parte dois dele. Incluímos dois

shows na integra para aqueles

que sentiram falta de assistir

apenas ao show e incluímos

também alguns bônus. Assim

como no box-set, nao ha ‘overdubs’

ou correções de estúdio e

a parte sonora foi extraída direto

das câmeras, ou seja, não

foi gravado através da mesa de

som, dando uma ideia verdadeira

de tudo. Queríamos fazer

algo especial para a primeira

prensagem deste novo trabalho

e resolvemos incluir este DVD

com bonus no CD.

URR: Este ano o Nervo-

Chaos excursionou mais uma

vez pela Europa. Daria para

traçar um paralelo entre as

turnês europeias feitas pelo

grupo?

Edu: Ate o momento fizemos

cinco turnês pela Europa.

Todas foram especiais e importantes

a sua maneira, mas esta

ultima creio que foi a melhor

de todas que já fizemos. Isto

porque, aos poucos, estamos

conseguindo estabelecer uma

base solida de fãs, estamos

trabalhando forte assim como

estamos fazendo a anos no

Brasil. Os shows começam a

ter mais publico, aos poucos

estamos conseguindo entrar na

rota dos festivais, difundir e divulgar

mais o nosso nome e o

nosso trabalho, alem da venda

de merchandise que tem evoluído

muito bem também. Ha

muito que ainda precisar ser

feito e também que desejamos

fazer mas acreditamos estar no

caminho certo com esse formato

de trabalho.

URR: O NervoChaos está

sempre na estrada tocando.

Como é para conciliar a

agenda pessoal e profissional

com a da banda?

Edu: Boa pergunta! As vezes

nem eu sei como conseguimos,

mas de uma maneira ou de outra

temos sido bem sucedidos

nisso. Não É uma tarefa fácil e

demanda planejamento e dedicação.

URR: Vivemos em uma

época que cada vez menos

bandas lançam álbuns em

formato físico. Vocês já imaginaram

o NervoChaos lançando

discos apenas virtualmente?

Qual a opinião sobre

o formato?

Edu: Já temos quase todos os

nossos discos no mundo digital

mas ainda queremos lançar CDs

físicos. Acho interessante o formato

digital mas sou adepto, e

prefiro, o formato físico. Uso

muito o digital para ouvir ou

conhecer alguma banda, mas

quando gosto, compro o físico.

URR: Você considera que

Art of Vengeance representa

enfim uma estabilidade para

a banda, no que diz respeito

ao line up?

Edu: Espero que sim. Estamos

com o line-up estável já a

quase cinco anos e isso ajuda

bastante no ritmo de trabalho

que conseguimos ter com a

banda. Claro que também ajuda

demais na hora de compor e

assim espero que continuemos

desta forma e sem surpresas.

URR: Falando um pouco

sobre o To the Death, esse álbum

representou uma espécie

de divisor de águas para

a banda?

Edu: Todos os discos são importantes

para a banda, mas com

o “To the Death” certamente iniciamos

um novo capitulo. Foi

nosso primeiro disco com a Cogumelo,

foi a primeira vez que

saímos de São Paulo para gravar,

foi o primeiro disco com o Guiller

nos vocais e também a primeira

vez que trabalhamos com o Alex

Azzali e com o Joe Petagono. O

disco tem musicas muito fortes e

continua sendo muito bem aceito/vendido.

Este foi também o

primeiro CD que tivemos lançado

em formato de LP.

URR: To the Death foi lançado

em 2012, certo? Art of

Vengeance em 2014, a tendência

é que a banda solte

um novo disco a cada 2 anos

por questões contratuais? Ou

nada haver?

Edu: Na verdade, desde

2010, intensificamos a freqüência

de lançamentos da

banda. Lançamos em 2010 o

“Battalions of Hate”, em 2011

o “Live Rituals”, em 2012 o

“To The Death”, em 2013 o

box-set “17 Years of Chaos” e

6 - UNDERGROUND ROCK REPORT


agora em 2014 o “The Art of

Vengeance”. Intensificamos

também a freqüência de shows

e acredito que estamos no caminho

certo com essa estratégia.

Se for pensar em termos de

discos de estúdio com musicas

inéditas, acredito que a cada

dois anos seria o nosso objetivo,

não tem nada a ver com

questões contratuais.

URR: Como está a parceria

com a Cogumelo?

Edu: Tem fluido muito bem.

Estamos trabalhando forte com

os lançamento que fizemos

com eles e as vendas tem sido

muito boas. Estamos totalmente

satisfeitos em fazer parte do

cast da Cogumelo e acredito

que eles também estão satisfeitos

conosco. Acredito que essa

parceria deve durar e render

excelentes frutos para ambos.

URR: A versão que vocês

fizeram para Lightless ficou

fantástica,por que a escolha

de um cover do Head Hunter

DC, isso pode ser considerado

uma tendência para os

próximos álbuns do Nervo

Chaos,sempre ter um cover

de alguma banda?

Edu: Fico contente que você

gostou da versão que fizemos.

Fomos convidados a participar

do tributo ao Headhunter

DC e estávamos para entrar em

estúdio na ocasião. Gravamos

a versão e gostamos tanto que

resolvemos incluir no disco. Pedimos

autorização ao pessoal da

banda e acabou rolando. A gente

acha muito importante homenagear

as bandas que gostamos,

mas em especial as bandas nacionais…

Já fizemos versões

para musica do Vulcano, Sepultura,

Stomachal Corrosion e

agora o Headhunter DC.

URR: A capa de Art of Vengeance

está bem estilo British

Heavy Metal,mas o ouvinte

ao deparar com o CD, verá

que se trata de uma banda de

Death Metal, foi proposital a

escolha dessa capa?

Edu: Sim, foi proposital e

estamos muito satisfeitos com

o trabalho feito pelo Marco Donida.

Ele conseguiu captar exatamente

o que queríamos para a

capa e para o conceito do disco.

Nunca nos prendemos a determinado

estilo ou rotulo, sempre

navegamos livremente entre

as diversas vertentes da musica

extrema e fazemos apenas

aquilo que gostamos. Neste disco

resolvemos fazer as coisas

de forma diferente, buscando

evoluir e crescer como banda,

e acredito que fomos bem sucedidos.

Sem esta capa o processo

certamente estaria incompleto.

URR: Quais as diferenças

que você pontuaria entre To

the Death e Art of Vengeance

?

Edu: Creio que no novo disco

a gente conseguiu atingir a

nossa sonoridade própria que

tanto buscamos ao longo dos

anos. Vejo o novo trabalho

mais maduro, mais variado e

de mais fácil assimilação ao

ouvinte. Temos musicas mais

pesadas, algo inédito ate então

para a banda. Também temos

musicas mais cadenciadas,

mais Thrash Metal, algo de

Black Metal, alguma coisa de

Crossover e claro o bom e velho

Death Metal também continua

conosco. Conseguimos

evoluir sem deixar de ser fiel a

nossa proposta.

URR: O CD Art of Vengeance

contem a parte II do

DVD Warriors On the Road,

no qual a parte I está naquele

DVD comemorativo de 17

anos da banda. Esse material

em DVD não coube na edição

comemorativa por isso foi

lançado junto com o CD? Em

síntese,o material em vídeo do

Nervo Chaos até To the Death

se esgotou e agora entra uma

nova fase para a banda?

Edu: Exatamente, você

conseguiu captar a ideia.

Quando fizemos o box-set

incluímos o primeiro ano da

tour do “To The Death” e

acabamos ficando com um

extenso material, que não entrou

no box-set, referente ao

segundo ano desta tour. Queríamos

fazer algo especial

para a primeira edição deste

novo CD e então resolvemos

incluir este segundo ano de

tour do “To The Death” como

bonus DVD. Incluímos também

no DVD alguns bônus

como a gravação do novo

CD, as participações nos tributos

ao Headhunter DC e ao

Stomachal Corrosion e ainda

temos dois shows na integra

pra galera que sentiu falta nos

lançamentos anteriores.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 7


URR: Como foram as turnês

do Nervo Chaos em 2014

no Brasil e exterior, algum

show em particular que você

destacaria?

Edu: 2014 foi o nosso melhor

ano em termos de turnê

pois conseguimos atingir a

marca de 100 shows em um

ano. Tivemos a oportunidade

de fazer algumas turnês conjuntas

com duas ou três bandas que

também foram extremamente

positivas para todos. Saímos

em turnê no inicio do ano junto

com o War-Head, Headhunter

DC e Khorphus. Depois

fizemos uma turnê junto com

o Centurian e Warcursed pela

Europa. Em seguida saímos

em tour com o Funerus e Coldblood.

Atualmente estamos

em tour com o Amazarak e no

fim do ano sairemos em turne

junto com o Blood Red Throne.

Tivemos shows memoráveis

em diversos locais, dividimos o

palco com diversas bandas excelentes,

atingimos cidades/países

que antes nunca havíamos

tocado e o novo CD tem sido

muito bem recebido.

URR: Você tem sentido que

o cenário para bandas nacionais

está mudando, no sentido

de maiores oportunidades

podendo viver da música ou

isso ainda é uma realidade

muito distante?

Edu: O cenário tem as suas

dificuldades como em qualquer

lugar do mundo mas

acredito que as bandas que são

estradeiras e que realmente

batalham sentem e percebem

que o cenário esta forte, ativo

e crescendo. Não é tarefa fácil

viver de musica, ainda mais

no Brasil e dentro do estilo

que optamos por tocar, mas

não fazemos isso por dinheiro

ou qualquer outra baboseira

desta e sim por um idealismo e

por um estilo de vida. A grana

e conseguir viver da musica é

conseqüência de muito trabalho

e dedicação.

URR: A pergunta que não

quer calar: Todo mundo sabe

que você esteve a frente da

Tumba Records por anos,

trazendo bandas excepcionais

e shows memoráveis,

existe alguma possibilidade

de você reativar a Tumba

ou retornar com algum outro

projeto? Como você vê a

demanda de shows no Brasil

após o fim da Tumba?

Edu: Claro que existe a possibilidade

de eu reativar a Tumba

ou mesmo voltar com outro projeto

no futuro, mas no momento

estou focado e totalmente dedicado

a outras coisas. Foram 17

anos de muitos shows, tours e

onde aprendi demais e conheci

muitas pessoas legais também.

Chegou um momento que o ciclo

foi concluído e eu precisava

reconhecer isso e encerrar as

atividades. Passaram-se alguns

anos já e percebo que algumas

coisas mudaram em termos de

shows pelo Brasil, mas no geral

o cenário continua forte, ha

produtores decentes e que tem

movimentado a cena de forma

verdadeira e é claro, os aproveitadores

sempre existiram e

sempre irão existir. Cabe a gente

saber quem verdadeiramente

devemos apoiar ou apenas se

contentar num conformismo

idiota e ver toda a exploração

que rola solta em nossa cena-

….e todo mundo sabe quem é

quem.

URR: O que os fãs podem

esperar da banda para o final

deste ano e começo do ano

que vem?

Edu: Vamos seguir em tour

ate o final deste ano e daremos

sequencia no ano que vem inteiro

a divulgação deste novo

CD. Estamos trabalhando em

diversos projetos simultaneamente

mas para este ano esperando

conseguir ainda lançar

mais um vídeo clipe. Ano que

vem queremos relançar os dois

primeiros CDs da banda e alguns

‘splits’ também.

8 - UNDERGROUND ROCK REPORT


RRock Report

Lascia: eu aprendo, eu me renovo, me reinvento

Por: JP Carvalho

Lascia é uma banda brasileira de Heavy Metal, formada na cidade de

A São Paulo no final de 2012 pela vocalista Débora Nunes e pelo guitarrista

Diego Franco, que possui como característica o híbrido de riffs pesados

e letras sombrias e que aborda temas voltados para o terror e horror.

Logo após criar duas músicas para a sua primeira Demo, “Falling” e “Getting

Away”, a referida dupla, por volta do meio do ano de 2013, resolveu

buscar integrantes e, após divulgar o single “Nightmare”, em outubro do

mesmo ano, conseguiu uma formação estável, seguindo com o projeto de

criar um EP que levaria o mesmo nome do single.

Em agosto de 2014, o EP “Nightmare”, que contém quatro faixas, foi disponibilizado

para download gratuito no perfil da banda, no site Palco MP3.

Ainda em 2014, a Lascia está em pleno processo de composição do seu

debut álbum. O material tem previsão de lançamento para o primeiro semestre

de 2015, através da MS Metal Records, que resolveu apostar todas

as suas fichas nesta nova revelação da música pesada brasileira, garantindo

a distribuição do material nas principais lojas especializadas e MegaStores

do Brasil através da Voice Music.

Débora Nunes tem clareza imensa de ideias e posições muito claras a

respeito do que quer para sua banda e sua música, ela nos brindou com uma

conversa franca e muito proveitosa. Confiram!

Underground Rock Report: Olá Débora, obrigado pelo seu tempo

e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e

suas atividades.

Débora Nunes: Obrigada, é um imenso prazer participar dessa conversa.

É sempre um pouco complicado falar de nós mesmos (risos), vamos lá!

Sou bastante determinada, gosto de correr atrás de tudo o que idealizo,

sou bastante focada, criativa, um pouco pilhada até, amo música, amo cantar

e amo filmes de terror.

Eu sou bacharel em comunicação social e artes, rádio e televisão, trabalho

também com produção de TV e atuo como vocalista da banda Lascia.

A arte e a música sempre me atraíram, com 14 anos consegui realizar o

sonho de estudar música, violão, teclado, e então parti para aulas de canto,

UNDERGROUND ROCK REPORT - 9


URR: Como foi para você começar a cantar e por que a preferência

pelo Heavy Metal?

Débora: Eu sempre admirei a arte de cantar, mas nunca havia me arriscado.Começar

a cantar foi um achado dentro de mim, antes de conhecer o

rock, o metal, eu achava que apenas pessoas com vozes estabelecidas pelo

que tocava na mídia popular eram as certas para cantar, eu não tinha noção

da amplitude do negócio.

Em casa o som pesado não fazia parte da seleção de músicas, porém

havia muito material de músicas internacionais, LPS de novelas, que quase

sempre tinha uma balada de banda de Rock. Eu me identificava com aquelas

músicas, o som parecia fazer parte de mim, até que percebi que era confortável

cantá-las, comecei a comprar CDs, revistas, e queria cantar aquelas

músicas com técnica para conseguir fazer o que eu não conseguia sozinha.

Quanto ao estilo, fui atrás de cada banda com a qual me identificava, seja

pelo som, pela voz, pela letra ou ideologia. Primeiro nas bandas de Hard

Rock, e aí foi só um pequeno passo para o Heavy Metal.

Meu maior desejo era estudar canto para conseguir cantar tudo que parecia

difícil, minhas músicas preferidas e fazê-lo bem feito. A preferência

pelo Heavy Metal é porque é um som que mexe comigo de diversas formas,

eu me encontro nele, eu aprendo, eu me renovo, me reinvento.

no decorrer dos anos fiz aulas de coral, canto popular, técnica vocal, por

sete anos, e canto lírico. Logo montei minha primeira banda e passei a tocar

em diversas bandas covers, até me encontrar definitivamente na Lascia.

URR: E porque você optou por comunicação social?

Débora: Por incrível que pareça foi aos 45 do segundo tempo, eu estava

pronta para seguir carreira em ciência da computação, quando me ocorreu

que eu queria algo mais dinâmico, e aí o curso de comunicação tinha muito

a me oferecer, incluindo como lhe dar com as pessoas de forma geral. Em

especial, rádio e televisão era um conjunto de tudo que eu admirava e tinha

curiosidade em aprender e saber como funcionava, além de, na parte técnica,

oferecer muito conhecimento, isso ia fornecer os pilares essenciais para

desenvolver qualquer trabalho artístico com qualidade e objetivo.

URR: Dentro desses trabalhos artísticos, fora a banda, você tem planos

para esta área?

Débora: Eu trabalho com isso atualmente, mas tenho muito que aprender

ainda, tenho planos para trabalhar com edição, mas isso vai depender

de muita coisa.

URR: Você acha que todas as pessoas devem perseguir os seus sonhos,

independente da aparente distância que eles parecem ter?

Débora: Com certeza, acho que devemos ser persistentes, pois nunca

sabemos o quão distantes ou não nossos objetivos estão, tudo pode acontecer,

claro que as coisas não acontecem como mágica ,mas muito depende

da nossa vontade e determinação.

URR: Como é ser uma mulher em uma banda de homens?

Débora: É divertido! A parte da organização e os comunicados ficam

por minha conta, dou opinião nos looks para sessão de fotos. É uma honra,

me sinto lisonjeada, é gratificante, sempre me dei melhor com amizades do

sexo masculino, no caso da banda, um deles é meu namorado e os demais

são verdadeiros irmãos, amigos, pessoas maravilhosas e de muita confiança

que tive a sorte de encontrar e dividir o palco e as ideias.

URR: Fale sobre a Lascia.

Débora: Adoro essa parte (risos), a Lascia marcou uma nova era para

mim, foi quando resolvemos deixar de vez de fazer cover e pegar pesado

com o som próprio. No início ainda estávamos um pouco em dúvida com

relação ao estilo, quem ouviu as demos sabe que era algo bem mais alternativo,

com sampler e voz mais limpa, mas está no sangue (risos). Som pesado

e vocal rasgado era a preferência, e não demorou muito para encontrar

10 - UNDERGROUND ROCK REPORT


o estilo ideal para a banda, logo associamos a temática das letras, a paixão

pelos filmes de terror, e as fórmulas da Lascia começaram a ganhar consistência.

Demorou um pouco para encontrarmos as pessoas certas, com

as ideias certas, dispostas a um trabalho sério praticamente começando do

zero, não foi fácil, mas como costumo dizer, valeu a pena esperar, e agradeço

a cada não de outros integrantes, porque esse time é exatamente o que

eu buscava desde o inicio. É um time de peso, que faz a banda ser o que

é. O Diego sempre opta por riffs marcados e de peso, o Humberto é muito

criativo nas linhas de bateria, o Allan sempre percebe os detalhes, cria dedilhados

lindos e melódicos, o Denis sempre acrescenta peso e cria ótimas

linhas para baixo. Acho que a Lascia tem muita sorte, embora haja muito a

ser feito, vamos crescer muito juntos, sempre aprendo com cada um.

URR: Vocês lançaram agora o EP “Nightmare”, como vem sendo a

aceitação do material?

Débora: Sim, acabamos de lançar o “Nightmare” e é uma grande realização

para todos nós, estamos muito felizes com esse momento, e por

outro lado temos muito trabalho com nosso futuro álbum que está em fase

de composição. A aceitação tem sido bastante adequada, recebemos críticas

muito positivas, tivemos um retorno bem bacana principalmente por se tratar

de uma banda relativamente nova no cenário, muitos estão descobrindo

a Lascia agora, através desse lançamento, é bem legal ver pessoas desconhecidas,

e até mesmo de outros países, nos parabenizando pelo trabalho,

por enquanto estamos divulgando a versão on-line do material, mas vamos

fazer as cópias físicas também.

URR: Apesar de intimamente ligado ao estilo, poucas bandas hoje em

dia abordam temas de terror. Por que vocês seguiram por este caminho?

Débora: Bem, o macabro tem lá seu charme (risos), além de gostarmos

muito de filmes do gênero, seria a deixa perfeita para nossas letras , não

queríamos trabalhar com temas pessoais apenas, queríamos algo abrangente,

e esse tema tem muito a nos oferecer, além de que podemos dizer muito

nas entrelinhas, é uma inspiração para a parte sonora também, as composições

ganham um “Q” a mais baseadas nisso , o clima de mistério é bem

atrativo e nos dá uma ampla visão para performances e para a construção

do show, o peso do som colabora para deixar tudo extremamente favorável.

URR: E como é o desenvolvimento da parte lírica?

Débora: É preciso inspiração mesmo tendo um tema pré-estabelecido,

dependendo do personagem, tento captar o melhor, a essência, e tento ao

máximo expressar com palavras o tipo de sentimento do personagem ou

da cena em questão, dor, agonia, adrenalina. Tento viver aquilo por alguns

instantes para retratar da melhor forma. Não é apenas contar uma história,

é preciso senti-la.

Já trabalho isso em cima das bases da música, quando percebo, a melodia

também está criada.

URR: Então você se vale da literatura para criar suas letras? O que

você pensa da literatura de terror brasileira?

Débora: Atualmente estamos mais voltados para filmes norte americanos,

alguns clássicos, outros não, mas a literatura está presente o tempo

todo, até porque boa parte dos bons filmes vem de bons livros e, em alguns

casos, até quadrinhos, como é o caso do Corvo. Quanto à literatura de terror

nacional, eu considero bastante atrativa, creio que dariam bons filmes

também, temos ótimos autores aqui, que

não devem nada para os grandes mestres

do horror estrangeiros, em quem provavelmente

se inspiraram.

URR: Como vem sendo os shows da

Lascia? Você acha que o público prestigia

e dá força para os eventos de bandas

nacionais?

Débora: Então, a Lascia vai começar

os shows agora, nós preferimos finalizar

o EP antes de qualquer coisa, e por isso

nos privamos dos shows durante o período

de composições e gravações, agora

vamos descobrir de fato.

Quanto ao apoio do público, infelizmente

muitos ainda preferem ir a shows de bandas covers, porém muitos

não frequentam shows de bandas autorais pelo fato de não conhecê-las, por

outro lado, os que frequentam são bastante fiéis.

URR: Na sua visão, qual seria a fórmula mágica para mudar essa

realidade?

Débora: É complicado, acho que não existe uma formula mágica, talvez

mais eventos voltados para bandas autorais, mais mídias, talvez a partir do

momento em que as bandas autorais tiverem mais espaço, o público vai

crescer, o público não pode apoiar ou gostar de algo que não conhece, que

não os atinge. Precisamos atingir essas pessoas, por outro lado falta um

pouco de interesse do público, pois quem procurar bandas autorais de som

pesado, com certeza vai encontrar diversas, muito boas, creio que por parte

das bandas todos fazem o possível, mas precisamos de mais apoio.

URR: Mas a mídia especializada está aí, nos mais diversos formatos

e segmentos. Não será por que o brasileiro tem o péssimo hábito de

se colocar em segundo lugar, e com isso não valorizar sua cena e suas

bandas por achar que têm menor qualidade?

Débora: Essa é uma boa questão, eu também sou muito fã de bandas

internacionais, as minhas maiores influencias são internacionais. É verdade,

a mídia especializada esta aí, mas no país do samba, sertanejo, pagode

e funk, ainda temos pouco espaço, na cultura brasileira tem pouquíssimo

espaço para o rock. A cena cresce a cada dia, mas não dá para dizer que somos

maioria, não acho que o brasileiro se coloca em segundo lugar por ser

fã ou valorizar bandas de fora, aqui existem ótimas bandas, e se forem de

qualidade e tiverem o espaço merecido, vamos gostar e apoiá-las da mesma

forma. Existem bandas com qualidade e sem qualidade em qualquer lugar,

se uma banda é realmente boa e tem os elementos certos, ela vai aparecer

no cenário mais cedo ou mais tarde, ela pode não ficar super famosa, mas

terá seu trabalho destacado onde for. Não posso julgar ninguém por ser fã

de grandes nomes do metal internacional, mas acredito que com um bom

trabalho temos reconhecimento em qualquer lugar do mundo.

URR: Planos para o futuro?

Débora: Meus planos para o futuro têm tudo a ver com a Lascia, muitos

shows, muitos álbuns e o que de melhor possa vir a nós.

URR: Resuma Débora Nunes em uma frase ou palavra.

Débora: Essa é difícil, vou tentar: Determinação!

URR: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo

bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Débora: Eu que agradeço o tempo e espaço cedidos, foi um grande prazer

poder falar um pouco de mim, e em especial da Lascia, esse momento

está sendo muito bom para a banda.

Bem, a mensagem que eu deixo é: Corram atrás de seus objetivos, e

ouçam nosso primeiro EP, que acabou de ser lançado.

Obrigada a toda equipe da Underground Rock Report, muito sucesso a

vocês.

Não poderia deixar de citar nosso slogan:

Stay Awake, Stay Alive.

Obrigada JP, foi um prazer.

URR: Qual a sua opinião sobre o cenário

da música pesada brasileira?

Débora: O cenário da música pesada

brasileira tem bandas muito boas, mas

uma grande parte delas com pouquíssima

divulgação, infelizmente existe pouco espaço,

espero que esse cenário cresça cada

vez mais e conquiste o espaço merecido.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 11


RRock Report

Jogando as Cartas da Incerteza

com muito Hard Rock

Marcos “Big Daddy” Garcia

nome do Power Trio Pop Javali , vindo de Americana (SP), se torna mais e mais

O uma certeza na cena brasileira, fruto de muitos anos de lutas e esforços e de dois

discos fortes, onde a mistura do Hard Rock limpo e pesado com elementos de Rock

Progressivo e Rock setentista anda angariando fãs e mais fãs, ainda mais tendo em

seu currículo shows como “Opening Act” de bandas como Deep Purple, Uriah Heep,

Ugly Kid Joe, além de dividirem palco com nomes como André Matos e Nando Reis.

Mas sua música pode ser conferida em seus dois trabalhos, o “No Reason to Be

Lonely” e o mais recente, o ótimo “The Game of Fate”.

Aproveitando o bom momento, fomos bater um papo com Marcelo Frizzo, baixista

e vocalista do trio, e conhecer um pouco mais da história, planos, conquistas e

metas do Pop Javali.

Underground Rock Report: Primeiramente, permita-me agradecer pela oportunidade

de entrevistar você, e vamos começar com a mais clichê das perguntas:

como foi que surgiu a idéia de forma o Pop Javali, ainda no início dos anos 90?

E como o estilo musical de vocês foi se formando? E um fato que sempre me chamou

a atenção é que vocês são de Americana, uma cidade com história no Metal

nacional (Nota: foi em Americana que o Vulcano gravou o famoso “Live”, disco

que lançou a banda para o sucesso no underground brasileiro), e por falar nisso,

a distância até a cidade de São Paulo não chega a ser um inconveniente?

Marcelo Frizzo: Eu que agradeço e destaco que é uma honra falar contigo!

Eu, o Loks e o Jaéder já nos conhecíamos, pois todos tocavam na mesma cidade,

somos “nativos”. Como havia um respeito mútuo entre os músicos e uma vontade

comum de fazer um som autoral, decidimos juntar as forças, em princípio por hobby.

Mas logo de cara deu pra perceber que não daria pra ficar só na brincadeira,

pois desde o início sentimos uma energia bem positiva, uma química muito acima

da média, não só pela musicalidade dos integrantes, mas principalmente por uma

amizade que é sincera e sólida até hoje. Começamos, ali, uma “família”. A música

foi uma conseqüência.

Hard Rock com pitadas de Progressivo: era isso o que a gente queria logo de cara,

e continuamos fazendo até hoje. Nos mantemos fiéis à proposta por mais de 20 anos,

e isso nos alegra e nos realiza.

Levamos 1 (uma) hora e 15 minutos pra ir até a capital, isso não atrapalha em

nada. É mais rápido do que atravessar a marginal de uma ponta a outra (risos).

URR: A mais comum de todas as perguntas: o nome Pop Javali é bem incomum,

então, de onde ele surgiu? Existe uma idéia principal, ou motivação para ele?

MF: Sim. A idéia principal é que a banda precisava ter um nome (risos)... e as

primeiras sugestões foram terríveis...

Então decidimos que seria assim: escrevemos várias palavras aleatoriamente em

pedacinhos de papel e colocamos tudo pra sorteio. Ficou decidido que seriam duas

palavras... e teríamos que aceitá-las sem questionar... Saíram “Javali” e “Pop”. E

é assim até hoje. Nós gostamos muito! Por fim, não queríamos um nome em inglês,

mas em português pra destacar que a banda é brasileira.

12 - UNDERGROUND ROCK REPORT

A motivação você mesmo destacou na sua pergunta: É bem incomum, e isso é

ótimo! Não tem chance de se achar dois iguais no Google (risos).

URR: Uma coisa um pouco incomum é que levaram quase 20 anos para gravarem

seu primeiro disco, “No Reason to be Lonely”. Qual, ou quais, seriam os

fatores que influenciaram nessa demora?

MF: Falta de grana, em primeiro lugar (risos). Isso é mais do que comum nesse meio...

Mas também tivemos outros projetos musicais e pessoais ao longo dos anos o que

acabou por atrasar o primeiro CD.

E isso foi excelente! Tínhamos mais de 50 composições em 20 anos de carreira.

Em 2007 fizemos um EP Demo, com 6 músicas. Colocamos na internet e chamou a

atenção da Oversonic Music, gravadora que decidiu lançar o “No Reason...”.

Então escolhemos as 10 músicas que achávamos as melhores.

O resultado foi ótimo, ficamos bastante satisfeitos.

URR: E por falar em “No Reason to be Lonely”, como foi a repercussão do

álbum? Chegou a ser o que esperavam?

Superou as expectativas em termos de repercussão de mídia, crítica e público.

Éramos totalmente desconhecidos, mais uma banda do interior disputando o concorrido

espaço underground. Com “No Reason...”, tivemos projeção com clipe na

MTV, VH1, pintaram shows de grande porte, e a imprensa especializada se manifestou

de forma muito favorável. O disco rendeu muitos elogios.

URR: Bem, vocês abriram shows de bandas bem famosas para promover o “No

Reason to be Lonely”, como o Ugly Kid Joe e o Deep Purple. Como foi fazer esses

shows? E imagino que o coração bateu mais forte quando estiveram perto do Purple,

pois de certa forma, é uma referência sonora para muitas bandas como o Pop Javali...

MF: “Opening acts” são eventos poderosos em termos de projetar o nome da

banda. Nesses eventos há uma grande concentração de público e quase a totalidade

ainda não conhece a ‘banda de abertura’. Então é algo que funciona muito bem pra

divulgar o trabalho.

Tocar com o “Purple”, no mesmo palco, passar o dia todo com os caras nos camarins

foi um sonho. Cresci ouvindo os caras, sempre foram meus ídolos! Foi um

evento daqueles em que a ficha demora pra cair (risos).

E os caras o “UKJ” esbanjaram simpatia conosco. Muito gente boa!

Experiências únicas!

URR: Falando de “The Game of Fate”, qual foi o conceito por trás do nome? E quais

seriam as maiores diferenças entre ele e “No Reason to be Lonely” em sua visão?

MF: “The Game of Fate” mostra o amadurecimento da banda.

Evidentemente que não somos mais “jovens rebeldes”, mas senhores que sabem

o que querem em termos de música. O tempo é – realmente – senhor da razão, a

despeito do chavão (risos). O fato é que nós queremos deixar uma mensagem, além

do entretenimento natural que a música promove.

Neste sentido, queremos compartilhar um sentimento de que você faz o seu des-


famílias andam tendo com suas crianças e jovens. E como falamos em Rock’n’Roll,

lidamos muito com a rebeldia. Como vocês, que são um pouco mais experientes, lidam

com isso? Mesmo porque acho que alguns de vocês já devem ser pais...

MF: Tenho dois filhos, o Jaéder tem 2 filhos e 1 neto, o Loks tem 3 filhos e 3 netos

(risos)! Sim, somos experiente!!! (risos)

Nós temos consciência de nossa responsabilidade enquanto “entertainers”, por

isso nos esforçamos por resgatar os bons momentos do Rock e suas vertentes na

intenção de deixar um legado pra gerações futuras.

Vejo bandas com jovens de 25 anos hoje em dia que fazem uma música de gosto

muito questionável... e ainda se arriscam a rotular como “rock”... Mas não é culpa

deles. Pare pra pensar: que música eles ouviam há uns vinte anos, quando estavam

formando seus primeiros conceitos e tendo seus primeiros contatos com a música?

Eu creio muito na geração dos adolescentes de hoje! Eles foram “salvos”, por volta

do ano 2000, pelo vídeo game, o “Guitar Hero” que ensinou o que é rock pra eles

enquanto ainda eram crianças! Surgirão bons músicos daqui há alguns anos fazendo

muito rock do jeito que deve ser feito!

tino; não pode culpar os outros quando algo dá errado, nem mesmo ficar esperando

por eles pra que algo dê certo. Está tudo em você mesmo. Esse é o segredo do jogo!

URR: Em “The Game of Fate”, vocês trabalharam no estúdio Sonata 84, e

trabalharam com dois produtores de peso, os irmãos Ivan e Andria Busic do Dr.

Sin. Como foi trabalhar com essa dupla? E digamos de passagem: o trabalho deles

na produção, mixagem e masterização foi fantástico! E invejo vocês, que já os

encontraram, enquanto eu ainda não (risos).

MF: Nunca escondemos que temos uma forte influência do Dr Sin. E os caras são

nossos amigos pessoais. Isso facilitou demais o entrosamento entre as partes.

O trabalho primoroso deles deu o requinte ao CD do jeito que esperávamos. Trabalhar

com os Busic, além de ser uma honra, é agradável demais. A gente deu risada

juntos o tempo todo!

URR: Ao ouvirmos as músicas de “The Game of Fate”, fica evidente que vocês

se esforçaram bastante em termos de composição, mas ao mesmo tempo, a diferença

de tempo entre ele e “No Reason to be Lonely” é de dois anos. Como foi o

processo de composição das 11 faixas? E por um acaso existem aquelas famosas

“guardadas” que vão estar em um futuro EP ou coletânea?

MF: “No Reason...” trazia composições feitas entre 1992 e 2011. “The Game...”

traz 11 compostas entre 2012 e 2013. Foram peças feitas “sob medida” para este CD.

Felizmente, temos uma boa facilidade de processo criativo e grande entrosamento

na hora de compor.

Já temos material para o próximo CD (essa notícia é um “furo”, em primeira mão

pra você). E temos muita música “antiga” que (quem sabe) podem ser aproveitadas.

URR: Um aspecto que chama bastante a atenção é que as letras parecem ser

um ponto de preocupação de vocês, pois “The Game of Fate”, “Healing no More”,

“Free Men”, e mesmo “A Friend that I’ve Lost” mostram uma necessidade de

expressar idéias, não apenas de dar uma estrutura vocal. Isso é fato? E de onde

vem as inspirações para as letras?

MF: É fato. Como eu disse, temos interesse total em passar uma mensagem.

Por isso escolhemos o idioma inglês (apesar do nome da banda ser em português),

por ser o “primeiro idioma” e universalmente falado.

A inspiração vem das “coisas da vida”. Nada complexo, filosófico. Mas que tenha

otimismo, positivismo.

URR: Voltando a falar de música: vocês, este ano, foram “opening act” para o

URIAH HEEP em São Paulo. Inclusive, o Rock Expresss elogiou bastante o show

de vocês. Quais as melhores lembranças do show? Acreditam que ganharam mais

alguns fãs nele?

MF: Sem dúvida a melhor parte dos “openings” é a divulgação pra um público

que, em sua maioria, ainda não conhece seu trabalho. Podemos medir as reações com

os comentários, elogios e pelos novos amigos que fazemos nas redes sociais. Isso é

muito gratificante!

URR: E por falar em shows, a quantas andam os shows de vocês? Já existem

propostas e planos para saírem de SP e irem a outros estados? Espero futuramente

vê-los aqui no RJ!

MF: A “copa do mundo” atrapalhou muito. Agora estamos retomando com tudo.

Paraná, Minas e Rio estão no roteiro. Em breve teremos a divulgação das datas!

URR: Ainda é cedo, mas a quantas anda a repercussão e vendas de “The Game

of Fate”? E já existem planos para um sucessor dele?

MF: Sites e revistas especializados tem elogiado muito o álbum. Os fãs também

gostaram demais e até aqueles que já acompanham a banda há 20 anos se surpreenderam

com o trabalho. Tem sido muito bom!

Nossos planos são, principalmente, termos saúde física, mental e espiritual pra

mais 22 anos de Rock (risos) e neste tempo todo fazer vários novos álbuns com a

mesma disposição!

URR: Bem, é isso. Agradeço demais pela paciência, e o espaço é de vocês para

sua mensagem final.

MF: Galera, bom humor é sinal de inteligência! Portanto, seja inteligente e bem

humorado o tempo todo!

Mantenha o astral lá em cima e – pode acreditar – o Rock’n’Roll é uma das

melhores fórmulas pra isso! Big Daddy, sabes que tens nosso respeito e admiração!

Muitíssimo obrigado pelo espaço! Saúde!

Stay close to Us:

Pop Javali na WEB:

www.facebook.com/popjavali

https://www.youtube.com/channel/UCdEge5MUAdo-gIo5k-iczRA

http://popjavali.com.br/site

Entrevista concedida e originalmente publicada no site

Metal Samsara - http://metalsamsara.blogspot.com/

URR: A pergunta pode parecer meio alienígena, mas o tema corrido dos famosos

downloads ilegais chega a afetar vocês de alguma forma? O espaço é de vocês.

MF: O artista (pelo menos o de pequeno e médio porte) não vive mais de venda

de discos, isso é sabido.

De certa forma, os ‘downloads’ funcionam como um propulsor de divulgação do

trabalho. Se o público gosta da banda, vai acabar indo ao show, que é onde o artista

consegue “ganhar seu pão”.

Mas nada substitui a cópia física do trabalho em mãos, poder ver o encarte, com

fotos, letras, ficha técnica... sem contar que a sonoridade do CD é muito melhor e

mais fiel ao que foi gravado no estúdio do que qualquer download.

Infelizmente, pouca gente atualmente valoriza a arte musical com essa visão. A

“virtualidade das coisas” é uma característica contemporânea e me parece – pelo

menos hoje – algo de difícil reversibilidade...

URR: Vocês soltaram há um tempo o vídeo de divulgação de “Healing no More”,

uma das melhores faixas do CD (por favor, sem desmerecer as outra, longe disso). Como

foi a escolha justamente dela para vídeo promocional? E como foi o alcance dela?

MF: “Healing no More” foi a primeira música que disponibilizamos pra audição

na internet, bem antes do lançamento do CD. E obteve um êxito surpreendente.

Quando começamos a fazer os primeiros shows de lançamento observamos que já

tinha gente cantando o refrão junto. Nosso amigo e produtor Luciano Piantonni também

teve participação decisiva na escolha, sugerindo-a para o clipe.

Ela tem um potencial radiofônico, bem “oitentista”. Nos dias atuais em que os

veículos de massa insistem em perder - e fazer perder - a referência musical, um

pouco de “Old School” faz um bem danado! (risos)

URR: Bem, hoje vemos uma sociedade ao nosso redor que, de certa forma, é fútil.

Vemos pessoas usando e trapaceando outras, ao mesmo tempo em que a desonestidade

e corrupção parecem devorar a todos nós. E um dos pontos mais citados

como problemático é justamente a desestruturação e mesmo irresponsabilidade que as

UNDERGROUND ROCK REPORT - 13


RRock Report

Seja feita sua vontade

Por JP Carvalho

Blackning é uma banda

A nova, formada em dezembro

de 2013, mas isso não significa

que é formada por novatos. Pelo

contrário, é formada por veteranos

da cena, que em muito contribuíram

e contribuem para a

disseminação e o crescimento do

cenário Heavy Metal brasileiro.

Formada pelo guitarrista e

vocalista Cleber Orsioli do Andralls,

pelo baixista Francisco

Stanich, ex-Woslom e pelo baterista

Elvis Santos, ex-Postwar, o

power trio Blackning, como você

pode perceber tem suas raízes

fincadas no Thrash Metal, absorvendo

influências e referencias

dos ícones do estilo, o que deter-

mina que sua música seja rápida,

agressiva com groove interessante

e melodias bonitas.

Com apenas quatro meses de

sua formação a banda trouxe a

vida seu primeiro trabalho, Order

of Chaos, um CD de qualidade

inquestionável, com gravação e

produção muito acima da média,

comandada por Fabiano Penna,

renomado músico que já passou

por bandas como Andralls, Blessed,

Horned God, Konsfearacy,

Rebaelliun e The Ordher, e que

trouxe toda a sua bagagem musical

ao Blackning e brinca o ouvindo

com som cristalino e pesado

em seus mais de 35 minutos.

Além do vídeo clipe muito interessante

para a música que abre

o CD, Thy Will Be Done.

Com tanta urgência em seus

trabalhos de estréia, se tornou impossível

não ir atrás de uma banda

tão determinada, se tornou quase

imperativo descobrir como agregaram

tanta qualidade e conteúdo

em um só produto. Conversamos

com o baixista Francisco Staniche

e descobrimos muito mais do

que trabalho, percebemos também

uma vontade imensa de tocar, de

compor e como não podia deixar

de ser, continuar trilhando o caminho

escolhido por eles: o Heavy

Metal. Confiram a seguir!

Underground Rock Report:

Antes de começarmos, obrigado

pelo seu tempo e por nos

dar o privilégio dessa conversa.

Agora, fale-nos sobre você e

suas atividades.

Francisco Stanich: Eu agradeço

a oportunidade! Este ano

foi um ano muito corrido. Em

junho saí oficialmente da banda

Woslom, banda que montei e

que atuei por 17 anos. Meu último

trabalho na banda foi o DVD

“DestrucTVision”, trabalho que

não vi finalizado, pois saí da banda

antes do seu lançamento. Logo

após minha saída, fui convidado

pelo Cleber Orsioli e pelo Elvis

Santos a fazer parte de uma nova

banda que eles estavam montando,

a Blackning. E é nesta banda

que minhas atividades estão concentradas

no momento. Nestes

quase quatro meses de banda estamos

em um processo de trabalho

muito corrido, mas também

14 - UNDERGROUND ROCK REPORT


muito gratificante. Neste tempo

finalizamos as músicas, letras,

gravamos, fizemos o videoclipe

e todas as atividades necessárias

para poder lançar nosso primeiro

CD, “Order Of Chaos”, que

inclusive já está na fábrica sendo

prensado, com previsão para

lançamento ainda este ano. Posso

dizer que está sendo muito gratificante.

Na Blackning, os caras

têm sangue nos olhos, não têm

frescura. Imaginar que estamos

pra lançar nosso primeiro CD em

praticamente quatro meses de trabalho

da banda, sendo que apenas

nós três fazemos as correrias, é

algo que mostra que a banda virá

com tudo, com o bom e velho

Thrash Metal. E graças ao foco

que estamos tendo, já conseguimos

algumas parcerias importantes

para a banda.

URR: E qual foi a grande diferença

no modo de trabalho?

Você acredita que, como um

trio, a fórmula se torna mais

dinâmica?

Francisco: Na Blackning são

três pessoas com experiência e

vivência de outras bandas. E estamos

podendo unir toda essa

experiência, tanto nos erros como

nos acertos, fazendo as coisas

de forma mais rápida do que estávamos

acostumados. E por ser

algo novo, estamos aprendendo

mais ainda. Com certeza, por ser

apenas três integrantes, as coisas

fluem mais rápido. Estamos focados

em fazer o melhor para a Blackning.

Mas o que faz a fórmula

da banda ser mais dinâmica, além

de sermos um trio, é o “sangue

nos olhos” de cada um de nós em

fazermos a banda crescer. Estamos

bem alinhados no nosso trabalho

e no que temos que fazer,

visando o melhor para a banda.

URR: E como foi para você

estar fora do Woslom, depois

de 17 anos?

Francisco: Bem, sinceramente,

nos primeiros meses foi meio

difícil, acompanhar a banda nas

redes sociais e ver que eu não

estava mais lá, mas após o convite

para entrar na Blackning,

isto mudou. Nada como voltar à

ativa para as coisas voltarem ao

normal. Aproveito para desmentir

alguns boatos que surgiram,

dizendo que eu saí do Woslom

para entrar na Blackning. Não sei

quem inventou isto e também não

quero saber. Saí porque era contra

a postura que a banda tinha internamente,

minha saída não teve

nada a ver com estilo musical e

nem com a forma da banda trabalhar,

mas sim de como a banda

estava agindo internamente,

na minha visão. Quando saí do

Woslom, saí com um sentimento

de não querer tocar mais profissionalmente,

simplesmente guardei

meu baixo no armário, pois

sempre me imaginei tocando com

meus irmãos. Porra, era a banda

que eu montei junto com o Fê, a

qual demos o nome, tive momentos

difíceis e alegres durante anos.

Mas um tempo depois da minha

saída, depois que anunciamos oficialmente

que eu não fazia mais

parte da banda, o Cleber Orsioli

mandou uma mensagem falando

que estava montando uma banda

e estava procurando um baixista.

No primeiro momento eu recusei,

mas pensando depois nesta possibilidade

e conversando com ele,

percebi que tocar estava dentro

de mim, no meu sangue. Quando

ele mandou alguns riffs das futuras

músicas eu não tive como negar,

e aceitei imediatamente, pois

vi amor e paixão à música!

Com tudo isto que aconteceu,

aprendi algo: se você ama o que

faz, faça, não importa como, mas

faça sempre com respeito, amor

e sem ferrar ninguém. Pelo menos

pra mim, não conseguiria

estar no Woslom infeliz e também

não iria conseguir estar na

Blackning me lamentando de ter

saído do Woslom. Quando entrei

na Blackning foi pra começar do

zero, por ser algo que amo fazer.

Espero e desejo que a Blackning

tenha um futuro próspero e também

agradeço por poder tocar

com profissionais de alto nível

como meus novos irmãos Cleber

Orsioli e Elvis Santos. Sobre

o Woslom, foi uma questão de

ponto de vista de cada um, não há

culpados. Continuo amando eles

e a banda, e desejo todo sucesso

ao novo integrante. Não tenho

como apagar meu passado e nem

quero. Espero poder estar um dia

bebendo com todos meus irmãos

sem mágoas. Desejo a eles toda a

sorte que quero pra mim e para a

Blackning.. E como sempre digo,

nos veremos na estrada!

URR: Com a sua colocação,

acredito que foi colocada uma

pedra nessa questão. Explique,

por favor, qual a fórmula mágica

do seu processo de composição

e gravação do debut da

Blackning, já que tudo foi feito

de forma muito rápida.

Francisco: Sim, bola pra frente

(risos). Fórmula mágica não

teve, teve muito trabalho mesmo

(risos). Na verdade, quando entrei

na Blackning, os riffs já estavam

criados e o Cleber e o Elvis

já estavam numa rotina de ensaios

constantes para montar as

estruturas das músicas. Estavam

faltando as melodias de voz,

letras e o arranjo do baixo. Aí

foi questão de nos encontramos

para finalizar esta parte. Durante

a semana, eles, por morarem

perto um do outro, se encontravam

quase que diariamente e eu

me juntava de final de semana,

dando continuidade ao processo.

E isto fez com que as músicas

fossem finalizadas mais rapidamente.

Algo que ajudou muito

para cumprirmos os prazos foi

ter tudo planejado com data certa

para terminarmos, e isto nos

permitiu ficarmos focados em

entregar cada atividade dentro

do cronograma estipulado.

URR: Então o que podemos

esperar para um próximo trabalho

da Blackning, já que agora

vocês irão compor juntos?

Francisco: Acho que é cedo

para falar de um futuro trabalho,

pois ainda estamos trabalhando

neste primeiro álbum. Estamos

no momento de divulgação do

“Order Of Chaos” e estamos loucos

pra começar a tocar em todos

os cantos pra mostrar a Blackning

pra galera. Mas acho que o processo

não mudará muito, deveremos

trabalhar desta mesma forma

no futuro. Mesmo eu tendo entrado

depois, já tive muito trabalho

(risos), o que mudará para o próximo

é que a banda terá uma participação

minha desde o começo

de todo o processo.

URR: Order Of Chaos tem

uma das capas mais bonitas que

vi. O que você pode nos falar

sobre o conceito e o trabalho do

artista Marcus Zerma, da Black

Plague Design de Curitiba?

Francisco: Que bom que gostou!

Sobre a capa, queríamos algo

simples e direto, mas que ao mesmo

tempo mostrasse a agressividade

e o conceito das músicas. Foi

muito tranquilo o trabalho com o

Marcus, da Black Plague. O Cleber

já conhecia o trabalho dele.

Nós mostramos algumas músicas

e ele sacou na hora como deveria

ser o conceito da capa. Foi um

processo muito rápido. Já na primeira

versão que ele enviou, nós

fechamos a ideia e aí fomos fazendo

alguns ajustes.

URR: Desejo toda a sorte do

mundo a vocês! Fica aqui o espaço

para suas considerações e uma

mensagem aos nossos leitores.

Francisco: Queria agradecer a

oportunidade de poder falar um

pouco sobre a Blackning. Como

sempre, é um prazer poder falar

com vocês, que estão sempre

apoiando o cenário underground!

Para quem quiser conhecer mais

sobre a Blackning, é só entrar no

site www.blackning.com, acompanhar

a banda em sua página

no facebook. Também tem o videoclipe

que acabamos de lançar,

Thy Will Be Done. Vamos nos

ver na estrada!

Contatos:

Site: www.blackning.com

Management:

www.metalmedia.com/blackning

Booking (shows) e Merchandising:

blackningthrash@gmail.com

Fone: +55 11 9 8607 8281

UNDERGROUND ROCK REPORT - 15


RRock Report

Heavy Metal Tradicional feito seguindo

a cartilha da velha escola

Por JP Carvalho

Muita técnica, energia e

sentimento. O Crom prova

que manter as raízes e continuar

sendo honesto é imprescindível

para que a música continue

a fluir!

A banda de Heavy Metal Crom

foi formada em 1992 pelo guitarrista

Altemar Lima e pelo então

vocalista Cezar Heavy, que logo

assumiu também o posto de baixista,

cargo que comanda até

hoje.

Cezar começou cedo sua carreira

na música, aos dezesseis

anos, e já passou por bandas de

Heavy, Rock e mesmo Grind,

com a banda Sanitário. Multi-

-instumentista, Cezar tem, além

do Crom, uma carreira sólida

com a banda de Hard/Stoner/

Blues Tublues.

O Crom teve um começo meteórico,

e no mesmo ano de sua

criação, lançou seu primeiro

registro, a Demo ‘The Hate Of

World’, trabalho que rendeu

elogios e status ao grupo, além

de várias apresentações memoráveis.

Mesmo com este resultado

positivo, a banda não resistiu

e encerrou suas atividades em

1997.

Atividades que ficaram paradas

por exatos vinte anos, até

sua reativação em 2014 com uma

nova e sólida formação, contando

com músicos que já passaram

pela banda e novos talentos.

A dupla de guitarras é formada

pelo membro fundador Altemar

Lima e Pedro Luiz Marcondes.

Altemar é músico profissional e

já tocou em diversas bandas em

todo o território nacional nos

mais variados estilos musicais.

Pedro Luiz, que também teve

uma passagem pelo Crom nos

anos 90, desenvolveu o gosto pela

música desde criança através do

pai formado em violão clássico,

que deixou grande influência.

As baquetas são comandadas

por Claudivam Silva, baterista

nato, que desde 1991 vem professando

seu amor pelo instrumento.

Também teve seu nome registrado

na primeira encarnação do

Crom, nos anos 90, e já tocou em

bandas como Madre Nua, The

Clavion, Viudecavêz, além de dividir

seu trabalho como baterista

a atividades com violão, voz,

percussão e trabalhos free lances.

Completando o lineup, o Crom

conta com os talentosos vocais de

Robson Luiz, que por influência

do irmão Cezar começou a cantar

logo cedo. Já emprestou sua

voz para bandas de rock, metal

e blues, tendo sempre destaque

cantando covers do Manowar.

No ano de 2014, com o Crom de

volta à ativa, a banda se prepara

para enfim lançar novo material

e voltar a excursionar. Aguardem

Informações:

www.facebook.com/crombrazil

cezar-heavy@bol.com.br

16 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Metal Extremo ‘old school’

Por Vitor Hugo Franceschini

Despretensiosamente, Hugo Golon (Blasthrash, Comando

Nuclear, Infected, Side Effectz, ex-Em Ruínas, entre

outros) resolveu gravar um trabalho e chamar seu projeto

de Cemitério. Um álbum auto-intitulado foi o fruto disso e

é uma verdadeira ode às raízes do Metal extremo. Conversamos

com Hugo, que de forma simpática e sincera, falou

sobre sua nova empreitada.

Underground Rock Report: Primeiramente conte-nos

como surgiu a ideia de criar o Cemitério?

Hugo Golon - Eu sempre quis gravar e produzir algo sozinho

e, com a facilidade que se tem hoje em dia, de investir

pouca grana e comprar bons equipamentos, gravar em casa

da maneira que lhe agrada, sem ilusão, sem pressão e sem

gastar tubos de dinheiro, me vi na obrigação de correr atrás, sempre com a ajuda do

meu parceiro Ronaldo Bodão.

URR: E como foi o processo de composição do primeiro álbum?

Hugo - O processo foi o mais espontâneo e instantâneo possível. Foram duas semanas

nas quais eu fazia até três músicas por dia e, quando criava o riff, já o gravava

e é o que está no disco. Quando estava na segunda ou terceira música, nem lembrava

mais da primeira, no dia seguinte chegava a serem quase inéditas pra mim. Gravei a

bateria por último, tocando de duas em duas peças no controlador de midi (teclado),

sem sequenciar e editar, com erro mesmo!

URR: A sonoridade voltada ao Metal Extremo ‘old school’ sempre foi o seu

objetivo?

Hugo - Sem dúvidas! Minha inspiração principal foi a sonoridade dos primeiros

discos do Death, Possessed e do Pestilence.

URR: Você integrou e integra diversas bandas de estilos distintos. De alguma

forma isso influenciou o som do Cemitério ou você procurou fugir disso?

Hugo - Algo do Side Effectz pode me influenciar, mas bem pouco, pois o Side

Effectz tinha riffs de Thrash em meio à porradaria Death/Grind. Já no Cemitério,

os riffs são macabros e os vocais mais cavernosos. Eu estou com uma banda nova

também com elementos de Death Metal ‘old school’, o Virgin’s Vomit. Porém, nosso

som vai do Motorhead, passa pelo “Show No Mercy” do Slayer vai até o “Scream

Bloody Gore” do Death, pitadas de “Altars Of Madness” do Morbid Angel, com

vocais na linha do Kam Lee (Mantas, Massacre). Chamamos de Speed/Death Metal

e a banda conta comigo na batera e vocal, Whipstriker no Baixo e Poisonhell na

guitarra, ambos do Farscape e meus irmãos de estrada.

URR: Além da veia ‘old school’, “Cemitério” mostra uma sonoridade que nos

remete a nomes nacionais como Dorsal Atlântica e Vulcano. Essas bandas fazem

parte da sua influência?

Hugo - Certamente! Os primeiros do Dorsal são foda e o Vulcano nem se fala!

No caso do Dorsal, houve mais um acaso na parte vocal, pois é em português. Se eu

cantasse em inglês, ninguém citaria a influência. Vários riffs foram inspirados pelos

primeiros do Sepultura, Mutilator, Chakal, Vulcano, Dorsal... Inclusive se eu fosse

citar influências em vocal nacional, seriam o Uruka do Vulcano e o Korg do Chakal,

que pra mim são dos melhores do mundo! Para escrever as letras, eu pensava nas

métricas do Slayer, Possessed e do Pestilence.

URR: A temática do disco aborda temas de filmes de horror. Por que decidiu

abordar estes temas?

Hugo - Ouço Metal e vejo filmes de terror desde muito criança. Fazer letra

sempre foi a parte mais chata pra mim, então quando fui fazer

a primeira letra, pensei em ‘A Volta dos Mortos Vivos’

(N.E.: filme de 1985 com direção de Dan O’Bannon), que

encaixava perfeitamente com o riff. Então, não pestanejei

em seguir adiante com a temática.

URR: Qual critério você usou na escolha dos filmes?

Algum filme que você queria colocar no álbum chegou a

ficar de fora?

Hugo - Primeiramente, procurei escolher filmes que

gosto e, junto com o Bodão selecionei títulos que não repetissem

palavras, o que é muito comum em filmes de terror

(sinistro, macabro...). Ficaram vários filmes de fora e, tenho

uma lista pra mais dois discos e um EP, só esperando pelas

músicas e letras, que já estão começando a serem gravadas.

URR: O trabalho todo, inclusive a produção foi feito por você. Por que decidiu

trabalhar dessa forma, ou seja, completamente sozinho?

Hugo - Eu sempre quis aprender a gravar e produzir. Hoje em dia a informação

está muito fácil, então fui atrás de vídeos no YouTube que dão dicas, baixei os

programas necessários e não perdi tempo. Ou eu gravava sozinho ou esse play não

seria gravado, pois não tinha ninguém com tempo livre na ocasião. Foi tudo feito no

meu quarto, só saí dele pra gravar os vocais, no quarto que minha mãe passa roupas!

URR: Somente na arte gráfica você contou com a ajuda de Wanderley Perna

(Genocído). Como chegou até ele e como foi trabalhar com Perna?

Hugo - Eu sou fã do Genocídio desde o início dos anos 90, inclusive vi um show deles

com o Dorsal no Aeroanta! Eu conheço ele faz bastante tempo, inclusive fez a capa do

CD “Traitors Execution” (2002) do Side Effectz. Foi muito tranquilo pois o cara manja

muito e é brother, consertou minhas cagadas e adicionou coisas sensacionais!

URR: Como tem sido a repercussão de “Cemitério” até então? E como está o

trabalho com a Kill Again Records, que lançou o disco?

Hugo - Para um projeto despretensioso, que talvez não saísse do meu computador

e, só saiu por insistência de amigos, principalmente o Bodão, sem link patrocinado,

assessoria e jabá zero, está muito boa e verdadeira a repercussão! O trabalho

realizado pelo Rolldão da Kill Again é referência, isso é sabido por todos que vivenciam

de fato a cena underground. Fiquei muito surpreso quando ele entrou em

contato comigo. Logo mais sairá em vinil, não vejo a hora!

URR: Você pretende montar uma banda para te acompanhar em apresentações?

Hugo - Eu teria que dispor de muito tempo e dinheiro, pra passar todas as músicas

para uma banda inteira. Se um dia eu tiver tais condições, certamente o farei e

até tenho quem me acompanhe e, poderia ter diferentes formações, de acordo com a

disponibilidade do pessoal, porém falta grana e tempo mesmo.

URR: Muito obrigado pela entrevista, pode deixar uma mensagem.

Hugo - Muito obrigado você Vitor, pelo interesse no meu projeto e parabéns

pelo trabalho! Queria agradecer ao Ronaldo Bodão, Antonio Rolldão & Kill Again,

Wanderley Perna e Daniel Golon e todos que compraram o CD, valeu mesmo!

Contatos:

https://www.facebook.com/cemiteriodeathmetalbrasil

cemiteriodeathmetal@gmail.com

Matéria originalmente publicada no site Arte Metal

http://blogartemetal.blogspot.com.br/

UNDERGROUND ROCK REPORT - 17


RRock Report

Deixando o passado

para trás

Por Leonardo Moraes

Quem acompanha o universo Black Metal sabe muito bem que o God

Seed surgiu após uma ruptura entre os membros do Gorgoroth. De um

lado, tivemos King ov Hel e Gaahl e de outro, Infernus numa disputa judicial

pelos direitos do nome Gorgoroth, que se arrastou entre os anos 2008 e 2009,

culminando com a vitória do Infernus. Após meses e meses de tentativas de

contato, finalmente King ov Hel atendeu à Underground Rock Report e nos

concedeu uma entrevista falando brevemente sobre a era Gorgoroth, além do

último trabalho do God Seed, intitulado I Begin, e de seus outros projetos paralelos.

Confiram:

Underground Rock Report: King, obrigado por nos conceder essa entrevista.

Para começar, você poderia comentar sobre o impacto que I Begin

teve na mídia?

King: Pra ser sincero não prestei muita atenção na reação dos fãs depois

que ele foi lançado. A intenção não era causar nenhum impacto. Eu vejo esse

álbum mais como uma realização pessoal. Gaahl e eu usamos todas as nossas

influências das bandas dos anos 70 na composição do álbum e o resultado final

foi a criação de um som bem diferente e que ninguém havia feito antes. Foi do

mesmo modo como desenvolvíamos nossas músicas no Gorgoroth. A intenção

é continuarmos mantendo essa linha nos próximos álbuns.

URR: Qual o significado por trás do título I Begin?

King: Ele representa a perspectiva individual do God Seed. Em outras palavras

representa a solidão, você pode estar num grupo com várias pessoas, mas

sempre no final você acaba sozinho. Representa a liberdade de quando você está

completamente só e essa liberdade que a solidão traz representa um novo começo.

URR: I Begin era pra ter sido lançado entre 2009 e 2010 e acabou saindo

só em 2011, você poderia comentar um pouco sobre as implicações do atraso

na época?

King: Naquela época, Gaahl e eu tivemos um monte de problemas por conta

do processo judicial do Gorgoroth. Foi um período muito estressante. Tínhamos

um material já gravado na ocasião e tivemos alguns encontros com o baterista

do Slipknot, Joey Jordison, para ele ser o baterista em I Begin. Porém, durante

esses encontros, decidimos fazer algo totalmente novo e não utilizar esse material

gravado. Ao mesmo tempo, Shagrath, do Dimmu Borgir, me procurou para

gravarmos um projeto juntos e acabamos utilizando esse material já gravado

para lançarmos o OV HELL. De repente, Gaahl decidiu dar um tempo nas atividades

como vocalista, isolando-se, o que atrasou um pouco mais o lançamento

de I Begin. Felizmente, Gaahl retornou alguns meses depois e desistimos de

contratar Joey como baterista e recrutamos novos membros e compusemos material

totalmente novo que está no I Begin.

URR: A música This From the Past é uma espécie de resposta para o fim

do período que você e Gaahl viveram no Gorgoroth?

King: Simbolicamente representa a passagem do Gorgoroth para o God

Seed. Mas como foi o Gaahl que escreveu as letras, ele certamente colocou

muito mais simbolismo nela e só ele poderia responder melhor essa pergunta.

Mas, musicalmente falando, faz totalmente sentido a associação que você fez.

URR: Falando um pouco sobre o Live at Wacken, por que a decisão de

lançar um álbum ao vivo antes de ter um primeiro álbum de estúdio lançado?

Os fãs podem considerar esse álbum como o primeiro do God Seed?

King: Sim, devem considerar! Até porque nós quisemos lançar esse álbum

para já sermos conhecidos pelos fãs antes de lançarmos qualquer material novo.

Para nós não faria sentido lançar o Live At Wacken depois de I Begin, porque

aquele material foi gravado enquanto Gaahl e eu estávamos no Gorgoroth.

URR: Como você vê o Gorgoroth hoje em dia? Você ainda tem contato

com o Infernus?

King: Não tenho nenhum tipo de contato e nem quero ter. Não faço a menor

ideia de como está o Gorgoroth hoje em dia e acho que não é da minha conta

também. Pra mim, o Gorgoroth não existe mais, não tem nada mais a ver comigo,

é uma página virada.

URR: Enquanto as atividades do God Seed estavam suspensas, você

montou com Shagrath o OV HELL. Há alguma chance de ter um segundo

álbum desse projeto?

King: Acho muito difícil isso acontecer tão breve. Tanto eu como Shagrath

estamos ocupados com nossas outras atividades e projetos. Mas a ideia de um

segundo álbum do OV HELL não está totalmente descartada. Shagrath é um

músico extremamente talentoso e um grande amigo.

URR: Lembro que você tinha mencionado que o God Seed seria uma das

atrações do Zombie Ritual Fest no Brasil ano passado, por que isso acabou

não rolando?

King: Acabou ficando só na especulação na ocasião. Atualmente estamos negociando

outras ofertas de nos apresentarmos ai no Brasil entre novembro e dezembro

desse ano, por enquanto nada confirmado ainda. Espero que se concretize.

URR: Planos para o sucessor de I Begin?

King: Já temos oito músicas prontas. Não começamos as gravações do novo

álbum, mas eu acredito que o lançamento deve se realizar entre o final desse ano

e começo do ano que vem.

URR: Para terminar, vi que você iniciou um projeto com Dani Filth, intitulado

Temple of Black Moon. Poderia nos contar mais sobre esse projeto?

King: Na verdade, temos só uma única música completa, a Infernal Desire

Machine. Os vocais do Dani Filth estão todos gravados. Em julho de 2013, fui

para Los Angeles e finalizamos a bateria com John Tempesta (The Cult, Rob

Zombie). O problema é que Rob Caggiano está muito ocupado com o Volbeat

e, apesar de já termos contrato assinado com gravadora, não tenho como dar

uma previsão de quando o álbum estará definitivamente terminado, é um longo

projeto. (Risos)

18 - UNDERGROUND ROCK REPORT


RRock Report

Decretos sobre o Medo e o Gelo

Por: Marcos “Big Daddy” Garcia

King Fear é um novo nome entre os maníacos por Black Metal no mundo inteiro,

em parte devido à boa recepção que seu primeiro álbum, o sombrio e obscuro

“Frostbite”, lançado ano passado, ter tido uma boa recepção por parte da imprensa

especializada.

E como a Shinigami Records lançou a versão brasileira do álbum, tendo alguns

grandes bônus, tivemos a oportunidade de entrevistá-los e falar sobre várias coisas.

URR: Antes de tudo, queremos agradecer muito pela entrevista, e vamos começar

com uma pergunta bem clichê: por favor, nos conte um pouco sobre a

história do King Fear, como se juntaram, e até chegar ao lançamento de “Frostbite”.

E o quais eram as bandas onde você sestavam antes do King Fear surgir?

Mål Dæth: Oi, Big Daddy, aqui é Mål, guitarrista e compsitor do King Fear. Obrigado

por nos entrevistar!

Somos uma banda de Black Metal de Hamburgo/Alemanha. O King Fear começou

suas atividades em 2011, fundado por mim. Nosso vocalista, Nachtgarm,

chegou um pouco depois. O baterista BoneInn era um músico contratado no início,

mas logo se juntou a banda no início das gravações de “Frostbite”. E claro que

tocamos ou ainda tocamos em outras bandas antes. Bullbar, Eisenvater e Negator

para citar alguns. Nachtgarm tembém foi vocalista do Dark Funeral e até chegou

a excursionar no Brasil.

URR: Quando vimos a arte de “Frostbite” pela primeira vez, a coisa que

mais chamou a atenção foi o uso de branco, cinza e azul na are, contrastando

com a maioria das bandas de Black Metal que preferem tons de prento, branco

e cinza escuro. Como tiveram esta idéia? É ela uma arte que expressa a alma

da banda, ou tentaram quebrar algumas pré concepções com ela? Se existe um

significado mais profundo, poderia nos dizer qual é?

Mål: Como você disse, o álbum é chamado “Frostbite”, e então quisemos manter

a capa a mais fria possível. As fotos que você vê no encarte Eu recebi de um amigo.

No minuto em que as vi, , sabia que elas se ajustavam perfeitamente ao que queríamos.

Ele tirou as fotos em Spitzbergen, um dos lugares mais inóspitos da terra. Se

quis dizer por que a arte não é feita em tons de preto, branco e cinza escuro, em nossa

visão, ela é ainda mais ameaçadora em tons de branco.

URR: E as letras? De onde vem a inspiração para elas? E tem algum significado

mais profundo nelas que poderia nos dizer?

Mål: A parte lírica do King Fear tem sido sempre muito importante para nós. Para

o trabalho de “Frostbite”, fomos ainda mais longe e criamos um álbum conceitual. O

conceito é baseado em “Conquest of the Useless” (NR: aparentemente, a referência

é um livro de Herman Herzog) - o possessivo desejo da humanidade de atingir os

picos das montanhas mais altas. Todas as canções seguem aquela linha de estória. De

morte, frio extremo, tempestades até contos das mais inacreditáveis campanhas de

conquista... Mitos de sobre deuses vivendo nas montanhas, ou no mal preso dentro

da montanha... Este tópico oferece tudo que um disco de Black Metal precisa!

URR: Esta é para Natchgarm: você foi vocalista do Dark Funeral por algum

tempo, mas nos parece que foi pouco após sua saída que o primeiro EP da banda,

“King Fear”, foi lançado. Isso é certo? Ou o King Fear estava trabalhando

de uma forma paralela antes de você sair?

Mål: Como eu disse antes, Nachtgarm estava no Dark Funeral, mas o King Fear

foi fundado antes dele se juntar a eles. Tudo que fizemos até então fizemos de forma

paralela, porque nunca seria um problema para nós, já que nunca pretendemos sair

excursionando.

URR: Me perdoem por tocar nesse assunto, mas muitas coisas foram ditas

sobre a excursão brasileira do Dark Funeral

de 2011, quando um monte de pessoas

culparam você, Natchgarm, por todo o ocorrido na época. Mas o Metal

Samsara acredita que você tem o direito a dizer algo sobre tudo aquilo, pata

mostrar o seu lado na questão. O espaço é todo seu.

Mål: Desculpe, mas não sei de nada sobre aquilo... Enquanto eles estava excursionando,

eu estava na Áustria e escrevi o “Frostbite”.

URR: Voltando a falar sobre o King Fear, tanto o EP como “Frostbite” são

mostras de Black Metal na linha da Second Wave, sendo cru, áspero e agressivo,

mas também obscuro e mórbido. Mas ao mesmo tempo, eles possuem uma boa

qualidade sonora, e o resultado final é muito bom. Acha que fãs mais ortodoxos

podem dizer algo estranho sobre “Frostbite”? E a qualidade mais limpa foi algo

espontâneo ou planejado desde o início?

Mål: Sim, claro que foi planejado! Quero dizer, tudo que fazemos é, de alguma

forma, planejado. Quando criamos música, dificilmente fazemos sem ter uma visão.

É preciso que saibam que não estamos mais nos anos 90. Não me entendam mal,

ainda gosto do Black Metal dos anos 90, mas estamos em outro tempo agora. Nosso

objetivo é de criar música negra, e para mantê-la real, nós a fazemos como NÓS

fazemos agora, não como os outros fizeram antes.

Se algumas pessoas da Velha Escola não entenderam o que fazemos... OK, então

eles devem comprar outro disco.

URR: Vocês são um trio, como você, Mål Dæth, tocando todas as guitarras e

baixo no álbum, mas acreditamos que o King Fear é uma banda que toque ao

vivo, que realmente gostaria de fazer alguns shows. Estamos ceros sobre isso? E

se sim, um quaro membro se juntará ao King Fear? Ou algum músico contratado

fará os shows, e a formação para gravações será a mesma?

Mål: Não, o King Fear não é uma banda que toca ao vivo, pelo menos até agora.

Então, não temos que nos preocupar com isso.

URR: “Frostbite” recebeu muitas boas resenhas da imprensa especializada

em Metal por todo o mundo, mas sabe dizer algo sobre a recepção dos fãs?

Como as coisas estão se saindo com os fãs de Metal?

Mål: A mesma coisa de sempre: muitas pessoas parecem ter gostado de nosso

novo material. Ainda estamos esperando por reações ruins. Como uma banda de

Black Metal, é muito bom sermos odiados também (risos)...

URR: Aqui no Brasil, a Shinigami Records lançou uma versão para “Frostbite”,

tendo o primeiro EP como um bônus para os fãs. Quais são suas impressões

para essa versão? Quem sabe se um dia vocês não venham tocar para nós.... E

por favor, esqueçam as coisas ruins, pois temos promoters honestos por aqui,

trabalhando de forma séria para fazer os shows acontecerem aqui de formas

boas tanto para o público quanto para as bandas.

Mål: Acho que é uma boa idéia para os fãs brasileiros. Mas os fãs mais extremos

deveriam ter todas as versões com certeza. Não tocamos ao vivo, mas quem sabe se

o Brasil não nos faz mudar de idéia (risos).

URR: Agradecemos demais pela entrevista. Por favor, deixe sua mensagem

para os fãs.

Mål: Obrigado pelo apoio! Longa Vida ao REI!

Gostaríamos de agradecer a Shinigami Records por tonar esta entrevista

possível, bem como a Mål Dæth por sua cortesia e gentileza.

Entrevista concedida e originalmente publicada no

site Metal Samsara - http://metalsamsara.blogspot.com/

UNDERGROUND ROCK REPORT - 19


RRock Report

Animus Atra (bateria)

Tanatos (guitarra/vocal)

Deimous Nefus (guitarra)

O retorno da escuridão

Por JP Carvalho

ano zero foi 2001, com o nome de Nekros,

O formada por Tanatos e Animus Atra em São

Paulo, Brasil.

Sem grandes pretensões do mainstream, o objetivo

era destilar o Black Metal em sua vertente

mais crua, com riffs simples e letras diretas, influenciados

por bandas como Gorgoroth, Marduk

e Sarcófago.

Em 2003, após a definição do line-up com

Tanatos (vocal/guitarra), Animus Atra (bateria),

Deimous Nefus (baixo) e Anduscias (guitarra),

foi gravado o primeiro material, “...make this

world burn”.

Mesmo após a boa receptividade do público

à primeira demo, e com novos sons preparados,

Tanatos deixou a banda em 2004.

No mesmo ano, com uma nova formação,

Animus Atra (bateria), Deimous Nefus (guitarra),

Necro Occult Lord (vocal) e Phlegethon

(baixo), a banda gravou seu segundo material de estúdio, “The Age of

Darkness”.

Após concluírem as apresentações de divulgação deste trabalho, a banda

resolveu se afastar por um tempo dos palcos e estúdio. Este hiato durou

cerca de oito anos, com o retorno anunciado em 2013.

Em 2014 é anunciado o definitivo retorno, com a regravação da demo

“The Age of Darkness” e o lançamento de um novo material, com músicas

inéditas para o segundo semestre.

Mas é muito comum olharmos de fora do cenário Black Metal e termos

uma visão completamente errada do que realmente é o estilo. Conversamos

com Tanatos, vocalista e guitarrista da banda Creptum, que nos

atendeu prontamente e mostrou ser um cara ligado com o cenário como

um todo, e também deixou bem claro o que o Black Metal e sua banda,

Creptum, significam para ele. Confiram.

Underground Rock Report: Antes de começarmos,

obrigado pelo seu tempo e por nos

dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-

-nos sobre você e suas atividades.

Tanatos: Primeiramente, eu agradeço pelo

espaço e apoio. Sou vocalista, guitarrista e um

dos fundadores da banda Creptum.

A ideia de criar o Creptum surgiu em 2001

junto com Animus Atra (atualmente baterista)

com a amizade e afinidades na música e nas

ideologias que temos desde adolescentes. Nessa

época, escutávamos muito bandas como Slayer,

Marduk, Dark Funeral, Immortal, e isso fez com

que crescesse uma vontade de, à nossa maneira,

poder tocar e dizer coisas como eles.

Sempre estudei e trabalhei com design, isso

ajudou bastante a criar uma identidade para o

Creptum, não só musical, mas também estética.

Depois de gravar a demo “...make this world

burn”, em 2003, e com o aumento gradativo da

quantidade de shows, decidi, por motivos pessoais, me afastar da banda.

Assim, não só me afastei da banda, como também da cena. Deixando o

Creptum nas mãos do Animus. Depois de quase nove anos sem contato

direto, nos encontramos casualmente e vimos que a amizade e a ideia

do Creptum poderia voltar com uma força ainda maior, devido à nossa

experiência de vida adquirida nesses anos.

Nesta nova reunião, preparada com paciência e cuidado, procuramos

adotar uma nova postura (inclusive visual) para a banda, não é mais um

projeto de adolescentes. Estamos mais velhos e o negócio não é sermos

‘rockstar’. Queremos espalhar o metal negro ríspido e cru, porém com

profissionalismo e maturidade. Ainda abordamos temas como ocultismo,

principalmente o desprezo aos dogmas religiosos, sabendo que isso é um

assunto muito mais profundo do que simplesmente pintar a cara e dizer

que vai matar todo cristão no mundo.

20 - UNDERGROUND ROCK REPORT


URR: O que você acha de bandas que banalizam o ocultismo e a

ciência negra e partem para a agressão propriamente dita? Não seria

por casos como este que o público em geral tem uma visão um tanto

distorcida do que o Black Metal se tornou?

Tanatos: Não acho que seja apenas uma banalização. Vejo mais como

uma dificuldade de interpretar as coisas. Se você pegar uma religião de

dogmas como o cristianismo, “virar de ponta cabeça” e começar a cagar

regras e verdades absolutas, você faz exatamente as mesmas coisas, não

há diferença. Talvez seja por isso que uma grande parte das pessoas com

a mente mais fechada tende a abandonar o estilo e se juntar à religião. Há

uma necessidade de seguir regras, e fica difícil se desvincular. Acredito que

uma emancipação do ser humano seja a ideia mais próxima de um Black

Metal puro.

URR: Não é desestimulador para você ver essa fraqueza nos seres

humanos e saber que você leva a ideologia apenas aos já “convertidos”?

Tanatos: Sinceramente não. Posso tocar pra dez pessoas, isso pra mim

está de bom tamanho. Se a pessoa teve algum interesse no Creptum, seja

pelo som, letra ou até pela capa do disco, sei que esta pessoa tem alguma

coisa em comum com nossa ideologia e isso já me deixa satisfeito.

URR: E,na sua visão, como é o cenário Black Metal como um todo

hoje?

Tanatos: Atualmente vejo com bons olhos. Apesar do que falamos anteriormente,

sobre uma interpretação equivocada do estilo por algumas pessoas,

o cenário nacional é muito rico.

Tendo em vista o acesso mais fácil aos grandes nomes internacionais,

que agora vêm com mais frequência ao Brasil, o cenário nacional precisou

sair um pouco do amadorismo e criar uma maturidade.

Grande parte das bandas aqui não devem nada para as de fora. A qualidade

é notada desde as gravações de alto nível e até a parte gráfica dos álbuns

e demos. Sou extremamente chato com isso (risos).

URR: E como tem sido o comparecimento do público aos shows?

Tanatos: Vou responder pelos eventos que tenho ido, pois o Creptum

voltará aos palcos somente em novembro.

Apesar da grande qualidade da maioria das bandas nacionais, não vejo

uma presença efetiva do público. É claro, em alguns shows internacionais

isso muda de figura, mas aí é que está a dificuldade das bandas brasileiras, a

galera fala muito de apoio à cena underground, mas poucos o fazem de verdade.

Gasta-se um bom dinheiro em ingressos, onde no cast colocam apenas

uma ou duas bandas locais, e em eventos undergrounds onde o ingresso

custa de dez a vinte reais, a galera não comparece com a mesma frequência.

Como espectador, é claro que gosto de ver as bandas que nunca pensei

em ver ao vivo. Os produtores poderiam equilibrar, dar mais espaço para as

bandas novas aparecerem, em vez de inflar um festival com cinco bandas

gringas e uma única brasileira. Um grande exemplo positivo é o Zoombie

Ritual, um festival de grandes proporções com quinze atrações internacionais,

porém quase trinta bandas nacionais. Mais eventos como este poderiam

rolar por todo o país.

URR: Será que as condições tributárias do nosso país impedem uma

maior realização desse tipo de evento?

Tanatos: Nossa questão tributária é bem complicada mesmo, mas não

pode ser usada como desculpa sempre. Existe, é claro, uma dificuldade

financeira em produzir um evento de qualidade, mas o interesse em fazer

um festival com determinadas bandas internacionais e não equilibrar o cast

com bandas daqui é escolha da organização do evento.

A questão é aproveitar a oportunidade onde é esperada a presença do

público em maior número, como em shows internacionais, para poder dar

uma força às bandas locais.

Já cheguei a ouvir casos que há produtores cobrando para colocar bandas

nacionais para abrir shows gringos. É inadmissível que uma banda precise

pagar para ter espaço junto a bandas internacionais no Brasil!

Metal. Concordo que hoje o acesso aos “ídolos” ficou mais fácil, mas isso é

positivo. É fácil dizer isto quando as tais bandas obscuras sempre tocaram

na sua cidade. Quando adolescente, comprava revistas gringas mais antigas

nos sebos próximos à galeria do rock pra conhecer essas bandas. A internet

trouxe isso mais próximo de nós, e como banda independente, levou o

Creptum para onde eu nunca pensei que pudesse chegar.

URR: E com a facilidade de acesso, não teria o público banalizado o

acesso às informações e se acomodado, já que basta querer e estão lá,

fotos, releases, CDs completos?

Tanatos: Não vejo dessa maneira. Talvez porque sempre fui daqueles

que, mesmo tendo acesso a tudo de uma banda, vê-la ao vivo sempre agradou

muito mais. E não só as grandes bandas de fora, tenho muita amizade

com o pessoal do Amazarak e o Paolo do Desdominus, por exemplo. E

mesmo tendo acesso direto a eles, vê-los tocando ao vivo é sempre gratificante.

Facilitar o acesso ao que oferecemos é um dever nosso. Não é porque em

outros tempos era mais complicado e “suado” conseguir as coisas, que vou

querer que uma pessoa interessada no Creptum passe por isso. Fazemos

música para ser ouvida, não importa se é em CD original, mp3 via torrent,

youtube ou ao vivo.

URR: O Creptum lançou duas demos em 2003 e 2004 e só voltou a

lançar material agora em 2014, por que a demora?

Tanatos: Eu deixei o Creptum em 2004 mesmo, pouco antes da gravação

da segunda demo. A banda continuou com outra formação até meados de

2005. Após isso, o pessoal foi deixando de ensaiar até parar totalmente.

Animus já estava no Carpatus e Nefus estava envolvido em outros projetos.

Então, apenas em 2012, se não me engano, reencontrei os dois ocasionalmente.

Percebemos que o Creptum poderia voltar, e com a formação mais

próxima da original.

URR: E você percebeu uma evolução na cena de 2005 para cá? Ou

quando voltou sentiu que tudo ainda era igual?

Tanatos: Bem, posso dizer que houve uma evolução. Principalmente

quanto à quantidade e à qualidade dos shows. Mas houve uma ligeira diminuição

do público. Fui inúmeras vezes à Fofinho aqui em São Paulo, com

casa cheia, a galera dando apoio de verdade. Recentemente fui a um evento

lá, com bandas de altíssima qualidade e que raramente tocam em SP, porém

o público deixou muito a desejar, a casa estava bem vazia.

URR: Planos para o futuro?

Tanatos: Atualmente estou focado na volta aos palcos, que vai ocorrer

em novembro, com o Creptum. Já fechamos mais algumas datas e em paralelo

trabalhamos em um material totalmente inédito para ser lançado no

primeiro semestre de 2015.

URR: Resuma Tanatos em uma frase ou palavra.

Tanatos: Verdadeiro. Não estou aqui de brincadeira.

URR: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo

bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Tanatos: Gostaria de agradecer a oportunidade e o apoio que tem dado

não só a mim e ao Creptum, mas à cena underground como um todo. Essas

atitudes deveriam ser mais vezes repetidas.

Peço aos leitores da Underground Rock Report que participem, apoiem

efetivamente a cena. Vão aos shows do seu bairro, conheçam as bandas à

sua volta e valorizem-nas.

Vida longa ao metal underground!

URR: Concordo com você. Como você usa a internet como ferramenta

para a divulgação do seu trabalho?

Tanatos: É impossível não usar as ferramentas web. Principalmente para

bandas independentes como nós.

Atualmente fazemos uso dos principais canais como: facebook, youtube,

bandcamp, reverbnation, lastfm, bandsintown (que, aliás, é uma das ferramentas

que considero mais interessantes para bandas atualmente), instagram

e outras mais.

Até muito pouco tempo atrás, coisa de dez anos, ainda era bem difícil

conseguir material de bandas independentes. De lá pra cá, essas ferramentas

só fizeram ajudar na divulgação.

Recentemente li uma entrevista com o vocalista do Emperor, Ihsahn, falando

que com a internet perdeu-se o mistério por trás das bandas de Black

UNDERGROUND ROCK REPORT - 21


RRock Report

Por Julie Sousa

Propondo um Death Metal agressivo e pesado, a Valhalla

iniciou sua longa e intensa trajetória em 1990, liderada

pela então vocalista e fundadora Andréa Tavares. Inicialmente,

havia uma proposta despretensiosa e o passo inicial foi

dado quando as irmãs Andréa e Adriana montaram no final

de 1988 a banda Phobia. Sem registrarem material sonoro,

nem se apresentarem ao vivo, a Phobia se extingue com a

saída da guitarrista Adriana. Entretanto, o gosto musical e a

mesma ideologia uniram a Andréa e sua outra irmã Alessandra

Tavares (guitarra) na empreitada de iniciar as atividades

da Valhalla, compondo músicas e apresentando-se ao vivo.

No início de 1992 a banda registra oficialmente seu primeiro

trabalho com a gravação da primeira Demo-tape, que traz

também de volta a irmã Adriana Tavares (guitarra) na formação,

agregando uma conduta mais extrema, que vem sendo

mantida ao longo desses 20 anos de existência da banda.

No intuito de progredir musicalmente a banda lança em

1994, pelo já extinto selo Sub Way, o LP intitulado “... In The

Darkness of Limb”. Este registro proporcionou um maior reconhecimento

destas mulheres na mídia especializada, além da

admiração de muitos. Porém, devido a constantes mudanças de

componentes na banda, a Valhalla ficou desativada por algum

tempo. O retorno se deu em 1999, com novas composições e a

realização de alguns shows locais. Em 2000 ocorre mais uma

baixa na formação: Andrea deixa a banda, ficando por conta

das irmãs guitarristas a continuidade ao trabalho iniciado.

Recrutando novos componentes, as guitarristas conseguem

manter a Valhalla na ativa. Com a intenção de divulgar as músicas

com a nova formação, a banda grava o MCD For The

Might Of Chaos … For The Force Inside, contendo quatro

faixas. Esse MCD proporcionou várias apresentações ao lado

de conceituadas bandas do cenário mundial, além de ótimas

críticas em zines, sites e revistas. O resultado não poderia ser

diferente: a banda assinou um contrato com a Hellion Records

lançando em 2001 o principal trabalho de sua história, o CD

Petrean Self. O álbum foi distribuído em mais de 28 países e

novos convites para shows nacionais e turnê no exterior foram

recebidos pela banda, mas a instabilidade na formação impe-

22 - UNDERGROUND ROCK REPORT


diu que a Valhalla galgasse caminhos internacionais.

Dentre os vários problemas em consolidar a formação, encontrar

um baterista que estivesse disposto a levar a Valhalla com

seriedade foi sem dúvida o maior deles.

Nos idos de 2005, Ariadne Souza assume definitivamente as baquetas

da banda e assim, a Valhalla torna-se então, exclusivamente

formada por mulheres.

Mesmo com a ausência temporária da guitarrista e fundadora

Alessandra, a banda gravou em 2009, três músicas que compõe o

MCD Innerstorm com o objetivo de divulgar a formação, que até

então a Valhalla mantinha, e mostrar que a ideia inicial prevalecia:

fazer Death Metal.

Atualmente, a Valhalla segue sua em sua jornada consolidada

como um power trio. E que trio!

Adriana Tavares – Guitarra

Alessandra Tavares – Baixo

Ariadne Souza – Bateria e vocal

Foto: Henrique François

Underground Rock Report: Primeiramente gostaria de

agradecer sua disponibilidade em fornecer essa entrevista

para que os leitores possam conhecer um pouco mais do seu

trabalho como musicista.

A Valhalla é uma banda com vários anos de estrada, e além

de bastante conceituada na cena Metal brasileira, lançou alguns

trabalhos em vinil/cd’s, com diferentes formações. O que

significa pra você fazer parte dessa história, e como surgiu a

oportunidade de tocar com a banda?

Ariadne: Tenho grande orgulho em poder participar da história

da Valhalla, ainda mais por ser a primeira baterista mulher efetiva

na banda. Em 2005, eu tocava em algumas bandas, então a Alessandra

me procurou para fazer um teste na Valhalla. Tirei algumas

músicas do cd Petrean Self e desde então estou na banda.

URR: Você é considerada uma das melhores bateristas de

Metal Extremo do país. Como você lida com isso, e o que a fez

dedicar-se a tocar esse gênero?

Ariadne: Obrigada pelo elogio. Desde o início sempre tive

interesse em tocar estilos mais agressivos, como o death metal, e

foi até por isso que já comecei a tocar bateria com o pedal duplo.

Segui esse direcionamento naturalmente pelo meu gosto musical.

O esforço e o grau de dificuldade desse estilo são superados

pelo prazer em tocar death metal.

URR: Sobre se profissionalizar no instrumento, quais são

seus planos e objetivos nesse sentido?

Ariadne: Os dois primeiros anos em que estudei bateria foram

muito proveitosos, mas em razão da minha profissão, meu tempo

para dedicação ao instrumento foi bastante reduzido. Contudo, espero

reorganizar minha rotina para poder aumentar esse estudo.

URR: A Valhalla consolidou sua formação em um trio.

Quais são os planos da banda para 2015 e onde os leitores

podem conferir o trabalho de vocês?

Ariadne: No início deste ano lançamos de forma independente

o EP “Evil fills me”, com quatro faixas. No segundo

semestre assinamos um contrato com a gravadora inglesa,

Secrets Services Records, para o relançamento especial desse

EP “Evil fills me”. Será um trabalho divulgado em vários

países, inclusive no Brasil, e contará com músicas de álbuns

anteriores e algumas regravações. Além disso, até o final do

ano sairá o DVD “Território Metálico”, com uma excelente

produção, gravado aqui em Brasília com diversas bandas locais.

Aguardem!

URR: Ariadne, esse espaço é seu. Fique à vontade para dar

o seu recado e suas considerações finais.

Ariadne: Para mim foi uma honra receber o convite para participar

dessa entrevista. Tenho um grande prazer em divulgar o

novo trabalho da Valhalla aqui. Muito obrigada pelo apoio e parabéns

pela iniciativa de vocês.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 23


MMetalhead

A importância da figura feminina no Underground

Por Michele Dupont

Machismo. Isso é a primeira

característica do mundo

Metal. Ledo engano. O Underground,

bem como suas bandas,

sempre colocou a mulher como

a figura e tema principal de suas

músicas. Sempre existem a lúxuria,

o coração partido e a devoção.

A beleza das formas femininas,

inclusive em vertentes mais “lado

b” ainda, como o gore/grind. O

ponto é: existe a admiração pela

figura feminina nos encartes, capas

de álbuns, banners, etc.

Mulheres tendem a se sentirem

ofendidas com o corpo feminino

ou masculino nu, algo

que a igreja cristã criou como

dito pecado. Infelizmente, mesmo

quem não segue religiões

tem essa tendência, porque desde

pequeno aprende que a nudez

é algo ruim.

O Underground aderiu aos

símbolos que são contra o sistema,

como nudez, sexo, heresia

e objetos satanistas ou imorais,

como necrofilia, sadismo, e o

próprio capiroto. Sempre foi

uma forma de dizermos: não fa-

zemos parte do que vocês querem

que façamos.

E claro, a figura feminina,

com suas curvas pecaminosas,

são o centro de tudo isso. Surge

então Lilith, Kali Ma , bruxas e

succubus , todas representando a

força da mulher. Temos que ver

pelo lado figurativo de cada uma

delas, sexo, morte e devastação.

O metal é tudo isso e tem mais,

tem aquilo que te dá animo para

continuar lutando.

Gostaria de citar algumas

grandes mulheres do Underground,

sem ordem, somente

as que me lembro no momento.

Jinx Dawson, vocal da eterna

Coven. A primeira a perpetuar o

satanismo como tema musical.

Também uma das primeiras a

usar o famoso “horns up”, obrigatório

em todo show metal.

Outras mulheres da quais me

orgulho de comentar aqui são integrantes

de duas bandas de Black

Metal nacional, a Morrigan,

vocal e tecladista do Profane

Souls e a Joycethorns, baixista

da mesma banda. Não poderia

deixar de falar, claro, da Lady of

Blood (Diana Lob), guitarrista

da Ocultan e Khaotic, um trabalho

sensacional. Mulheres a serem

admiradas, por mostrarem

respeito à cena e às mulheres

que fazem parte dela.

Quer fazer sua parte? Seja autêntica.

Apresentadora na Dark Radio

Brasil, modelo e mulher

24 - UNDERGROUND ROCK REPORT


UNDERGROUND ROCK REPORT - 25


CComportamento

A tatuagem nossa de cada dia

Por: JP Carvalho

tatuagem (também referida como

A tattoo na sua forma em inglês) ou

dermopigmentação é uma das formas

de modificação do corpo mais conhecidas

e cultuadas do mundo. Trata-

-se de um desenho permanente feito

na pele humana que, tecnicamente,

é uma aplicação subcutânea obtida

através da introdução de pigmentos

por agulhas, um procedimento que

durante muitos séculos foi completamente

irreversível (embora dependendo

do caso, mesmo as técnicas de

remoção atuais possam deixar cicatrizes

e variações de cor sobre a pele). A

motivação para os cultuadores dessa

arte é ser uma obra de arte viva, e

temporal tanto quanto a vida.

História

Existem muitas provas arqueológicas

que afirmam que tatuagens foram

feitas no Egito entre 4000 e 2000 a.C.

e também por nativos da Polinésia,

Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia

(maori),tatuavam-se em rituais ligados

a religião.

A Igreja Católica na Idade Média

baniu a tatuagem da Europa (Em 787,

ela foi proibida pelo Papa), sendo

considerada como uma pratica demoníaca,

comumente caracterizando-a

como pratica de vandalismo no proprio

corpo, afirmando em sua doutrina

como maneira de vilipendiar o

templo do Espirito Santo, o corpo,

levando seus fiéis a uma forma verdadeiramente

reta de louvor a Deus.

O termo tatuagem, pelo francês

tatouage e, por sua vez, do inglês tattoo,

tem sua origem em línguas polinésias

(taitiano) na palavra tatau 2 e

supõe-se que todos os povos circunvizinhos

ao Oceano Pacífico possuíam

a tradição da tatuagem além das

dos Mares do Sul.

James Cook

O pai da palavra “tattoo” que conhecemos

atualmente foi o capitão

James Cook (também descobridor

do surf), que escreveu em seu diário

a palavra “tattow”, também conhecida

como “tatau” (era o som feito

durante a execução da tatuagem,em

que se utilizavam ossos finos como

agulhas e uma espécie de martelinho

para introduzir a tinta na pele). Com

a circulação dos marinheiros ingleses

a tatuagem e a palavra Tattoo entraram

em contato com diversas outras

civilizações pelo mundo novamente.

Porém o Governo da Inglaterra adotou

a tatuagem como uma forma de

identificação de criminosos em 1879,

a partir daí a tatuagem ganhou uma

conotação fora-da-lei no Ocidente.

Aparelho elétrico para

se fazer tatuagens

Em 1891, Samuel O’Reilly desenvolveu

um aparelho elétrico para

fazer tatuagens, baseado em outro

aparelho extremamente parecido que

havia sido criado e patenteado pelo

próprio Thomas Edson

Durante a Segunda Guerra Mundial,

a tatuagem foi muito utilizada

por soldados e marinheiros, que gravavam

o nome da pessoa amada nos

seus corpos.

Perspectiva religiosa

Cristianismo: Historicamente, o

declínio na tatuagem tribal na Europa

ocorreu com a expansão do Cristianismo.

No entanto, alguns grupos

cristãos como os Cavaleiros de São

João de Malta ainda tinham o costume

de fazer tatuagens em seus membros.

O declínio ocorreu em outras

culturas durante a tentativa europeia

de se converter povos aborígenes

ao cristianismo, alegando que as

práticas de se fazer tatuagens eram

práticas pagãs. Em algumas culturas

indígenas a tatuagem era realizada

no contexto da passagem da infância

para a fase adulta.

A maioria dos cristãos não vê problemas

com a prática, enquanto uma

minoria usa a visão dos Hebreus contra

as tatuagens baseado no livro de

Levítico da Bíblia. Não ha proibição

por parte da Igreja Católica contra as

tatuagens, não sendo considerada sacrilégio,

blasfêmia ou obscena.

Mórmons: Membros da A Igreja

de Jesus Cristo dos Santos dos

Últimos Dias são avisados por seus

líderes a não tatuar seus corpos. Os

mórmons acreditam que o corpo é um

templo sagrado, assim dito no Novo

Testamento , e que seus fiéis devem

deixar seus corpos limpos. A prática

da tatuagem é desencorajada e não

recomendada.

Islamismo: Tatuagens são proibidas

no Sunismo, mas permitidas no

Xiismo. Vários muçulmanos sunitas

acreditam que se tatuar é um pecado,

pois isso envolve em mudar a criação

de Alá (Surah 4 Verso 117-120). No

entanto existem opiniões diferentes

entre os sunitas do porque as tatuagens

serem proibidas.

Alguns muçulmanos, baseando-

-se num hadith duvidoso, dizem que

o Profeta Maomé teria amaldiçoado

quem se tatua, mas convenientemente

se esquecem de que ele disse: “Em

verdade, não fui enviado ao mundo

pra amaldiçoar, mas sim como um

exemplo de misericórdia.”

Judaísmo: As tatuagens são proibidas

no Judaísmo, baseado no livro

de Levítico do Torah (19:28).

A proibição é explicada por rabinos

contemporâneos como sendo parte

da proibição geral de modificações

do corpo (com a exceção do ritual da

circuncisão) que não sejam feitas por

razões médicas. Maimonides, líder

judeu do século 12, explicou que a

proibição da tatuagem é uma resposta

judia contra o paganismo.

Nos tempos modernos, a associação

da tatuagem com o Holocausto

e com os campos de concentração

durante a Segunda Guerra Mundial,

devido ao fato dos prisioneiros serem

26 - UNDERGROUND ROCK REPORT


tatuados para identificação, fez com

que a tatuagem seja vista com um

nível maior de repulsa dentro da religião.

A crença de que qualquer judeu

com tatuagens não poder ser enterrado

em cemitérios judaicos é um mito.

Hinduísmo: No Hinduísmo, fazer

uma marca na testa é encorajada,

pois se acredita que isso aumente o

bem-estar espiritual. Várias mulheres

hindus tatuam seus rostos com pontos,

especialmente ao redor dos olhos

e queixo, para espantar o mal e aumentar

a beleza. Tribos locais usam a

tatuagem para se diferenciar de certos

clãs e grupos étnicos.

Uma das deusas do Hinduísmo,

Lirbai Mata, é representada com tatuagens

nos braços e nas pernas. Ela

é venerada pelos grupos Marwari e

Rabari.

Tatuagem no Brasil

No Brasil a tatuagem elétrica é

uma arte muito recente, surgiu em

meados dos anos 60 na cidade portuária

de Santos e foi introduzida

pelo dinamarquês Knud Harld Lucky

Gregersen (também conhecido como

Lucky Tattoo), que teve sua loja nas

proximidades do cais, onde na época

era a zona de boemia e prostituição

da cidade de Santos.

Isto contribuiu bastante para a disseminação

de preconceitos e discriminação

da atividade. A localização

da loja era zona de intensa circulação

de imigrantes embarcados, muitas

vezes bêbados, arruaceiros e envolvidos

com drogas e prostitutas; gerando

um estigma de arte marginal que perdurou

por décadas.

Hoje em dia, devido à circulação

de informação pela televisão e por

meios de comunicação como a internet,

a tatuagem vem atingindo todas

as camadas das populações brasileiras

sem distinções.

Temas

Os temas são infinitos e variam

tanto quanto as personalidades - dos

tatuadores e tatuados. As motivações

são inúmeras, e não há uma forma

definida ou percurso que explique o

desejo e sua efetivação na realização

da tatuagem, um evento a princípio

antinatural (biologicamente). Portanto

considera-se um movimento do ser

simbólico-social, que supera o instinto

de autopreservação, uma característica

absolutamente humana.

O contexto, o ambiente, a época,

o nível cultural, as influências, modismos,

ideologias, crença e espírito

despojado são alguns dos níveis

que podem dar vazão ao processo.

Nenhuma teoria psicológica, psicanalítica,

religiosa, antropológica ou

médica apresenta uma explicação exclusiva

e final para a tatuagem. Considera-se

um movimento complexo

sobredeterminado, desde sua origem

histórica até o contínuo uso na contemporaneidade.

Cuidados antes e pós-tatuagem

Certos cuidados devem ser tomados

antes de se fazer uma tatuagem.

Primeiramente deve-se se fazer uma

pesquisa e visitar os possíveis estúdios

de tatuagens a serem escolhidos,

procurando saber se eles são certificados

pela Anvisa e se seguem todas

as normas e regulamentações de

segurança determinadas pelo órgão,

como ter um ambiente esterilizado e

o uso de materiais descartáveis utilizados

para a realização da tatuagem,

por exemplo. É possível consultar se

o estúdio escolhido é certificado pela

Anvisa através de seu site.

Também é importante fazer uma

pesquisa de preço, consultando diferentes

estúdios e não dar preferência

para aqueles que cobram mais barato,

lembrando que a tatuagem é algo permanente

e que muitas vezes o barato

pode sair caro.

Vários são os cuidados a serem

tomados depois de se realizar a tatuagem,

sendo extremamente recomendável

seguir as orientações passadas

por tatuadores profissionais no que se

deve fazer depois de realizar o procedimento.

Em casos adversos e não

esperados, procure um médico para

diagnosticar doenças, indicar tratamentos

e receitar remédios.

Muitos tatuadores recomendam o

recobrimento do local da tatuagem

recém-feita com plástico de embalar

alimentos, por pelo menos três dias.

No entanto, nem todos os tatuadores

compartilham da mesma opinião,

pois alega-se que a pele recoberta por

plástico, com resíduos de pele e líquidos

(linfa, sangue, tinta, suor) podem

gerar uma ambiente propício para a

formação de colônias de bactérias.

Alguns recomendam manter por no

mínimo cinco horas, tempo suficiente

para cicatrização inicial, e depois

retirar só recolocando à noite para

não grudar no lençol, no primeiro ao

terceiro dia.

A recomendação de uso do plástico

também está associada ao contato da

tatuagem recente com tecidos: a cicatrização

que pode ocorrer logo após o

processo ou à noite, com vazamento

de linfa e consequente aderência do

lençol ou roupa ao desenho, gera o

risco de remoção da camada (epiderme

e derme ) superficial onde estão

alojadas as tintas. A consequência

pode ser a formação de falhas em alguns

pontos

Deve-se lavar a região com sabonete

neutro durante o banho, após

algumas horas, para manter o local

limpo, já que a pomada também sairá

na lavagem. Além disso, os resíduos

podem criar uma superfície de risco

por falta de assepsia.

A água é um elemento importante

para o processo químico de cicatrização,

fazendo parte da cadeia de fixação

do colágeno. A pele muito seca

pode perder mais células ou demorar

mais para cicatrizar. Por outro lado,

o excesso de água também prejudica,

ao amolecer a casquinha. Por isso, é

muito importante não deixar a tatuagem

exposta ao sol, não ir à praia,

piscinas, saunas, nem tomar banhos

longos, e não esfregar com buchas

abrasivas ou sabonetes fortes.

Procure o seu médico para diagnosticar

doenças, indicar tratamentos

e receitar remédios.

Não se deve puxar a crosta. É o

conselho de todo tatuador. Para algumas

pessoas, uma tarefa fácil. Para

outras, nem tanto: é um ritual viciante

e somado à curiosidade, puxar as

crostas para que “cicatrize logo”

pode abrir buracos nos desenhos,

mesmo quando a crosta parece fina e

superficial. Além disso, uma coceira

frequente devido à retração da pele

provoca o desejo de se encravar as

unhas no local. Via de regra, jamais

arranque a crosta.

Deve-se tomar cuidado com a ingestão

de alimentos que possam causar

alergia no período de cicatrização

do trabalho, pois em algumas pessoas

a pele pode adquirir um comportamento

reativo e comprometer o resultado

da tatuagem.

Costuma-se recomendar a suspensão

de alimentos muito gordurosos,

carne de porco, frutos do mar, comida

japonesa , chocolates e pimentas.

Elementos que determinam o

resultado da tatuagem:

Ajuste da máquina: Para contorno,

a agulha deve penetrar aproximadamente,

em torno de 1,7mm na

pele. Para preenchimento também,

mas eventualmente um pouco mais:

2,5mm. Estas medidas são aproximadas,

e dependem do tatuador, do tipo

de ponta e do tipo de traço pretendido.

Frequência de vibração e força

da máquina: Máquinas fracas nem

sempre conseguem introduzir a agulha

na pele, conforme o local. Já a frequência,

se for muito alta pode “rasgar”

a pele ao invés de marcar o traço, e

depois perde-se tinta na cicatrização.

Qualidade das tintas: Algumas

tintas podem gerar alergia, dependendo

do tipo de pele. Não há uma regra,

mas há predominância do vermelho,

por exemplo, entre os pigmentos que

geram alergia. Mas todos podem gerar,

dependendo da pessoa. Além disso,

há no mercado muitas tintas para

iniciantes, que são mais “lavadas”. O

pigmento mais inócuo é o preto, por

ser feito (normalmente) à base de carvão

de origem animal ou vegetal, e

portanto, quimicamente muito estável.

Tipo de pele e o local do corpo: Algumas

pessoas incorporam mais a tinta,

e outras eliminam quase toda a tinta.

Procedimento: Como foi executado

o desenho.

Padrões de soldagem: Textura e

espessura das agulhas

Cor da pele: Mesmo em peles de

tons médios, a tatuagem inicialmente

fica bem colorida, mas depois o pigmento

natural da pele (melanina), que

é produzido acima da camada onde se

aloja a tinta, cobre o desenho, escurecendo-o.

Assim, este é outro motivo

para evitar o sol.

Profissional: É o responsável pela

maior parte dos itens listados acima.

Remoção de tatuagem

Apesar das tatuagens serem consideradas

permanentes, é possível a

remoção delas, total ou parcialmente,

com o uso de tratamentos a laser.

Normalmente, o preto e algumas

tintas coloridas usadas nas tatuagens

podem ser removidas com mais facilidade

do que tatuagens que usem

outros tipos de tintas. O custo e a

dor de se retirar uma tatuagem são

tipicamente maiores do que o custo

e dor de se aplicar uma. Métodos de

remoção pré-laser incluem dermoabrasão

e salabrasão (esfregar a pele

com Sal), mas esses métodos antigos

foram quase completamente substituídos

pelo uso do laser, que se mostra

mais eficaz e rápido.

Fonte: Wikipédia

UNDERGROUND ROCK REPORT - 27


RRock Report

...a musica vai além das notas, e

as letras vão alem de um texto...

Por: JP Carvalho

João Pedro “Jilão” Oliveira, guitarrista e vocalista da banda Terra Santa, originada

em Miguel Pereira, região serrana do Rio de Janeiro e que pratica uma mistura

bem inusitada de Reggae e Death Metal. Estranhou? Eu também, mas depois de ouvir

o trabalho dos caras e verificar na fonte que por mais estranho que posso parecer,

a banda consegue sim, unir os dois estilos e ainda fazer um trabalho digno de nota

e atenção. Com o primeiro trabalho de estudio já gravado, o álbum com 13 faixas

intitulado “NyahGrooves”, o Terra Santa segue gravando seu segundo álbum “População

Chorume”, e trazendo em seus shows muita atitude, energia e peso, em um

elenco de musicas que trazem, além das musicas autorais, clássicos como Sepultura,

Megadeth e outros.

Jiláo nos concedeu esta entrevista e deixou claro porque dessa mistura e diversos

outros assunto muito interessantes, confiram!

Underground Rock Report: Antes de tudo, obrigado pelo seu tempo e pro nos

dar o privilégio dessa conversa. Agora, nos fale sobre você e suas atividades.

Jilão: Olá JP, primeiro fica aqui também o nosso muito obrigado pela oportunidade.

Bem, Somos a Terra Santa, uma banda de Thrash/ Roots/ Goove Metal de

Miguel Pereira, região serrana do Rio de Janeiro. Começamos a banda em meados

de 2011 e de lá pra cá já gravamos um álbum com 12 faixas e estamos caminhando

para o segundo, buscando sempre evoluir a banda sem perder as raizes da porradaria.

URR: Conte-nos um pouco sobre a Terra Santa.

Jilão: Terra Santa é uma banda de Thrash/ Roots Metal com fortes influências no

Reggae, na cultura e nas raízes brasileiras, a banda traz um som rústico e de grande

peso, buscando sempre cultivar nossas origens e as verdadeiras atitudes a serem

tomadas. Com o primeiro trabalho de estúdio já gravado, intitulado “NyahGrooves”,

o Terra Santa segue gravando seu segundo álbum, e trazendo em seus shows muita

atitude, energia e peso, em um elenco de musicas que trazem, além das musicas

autorais, clássicos como Sepultura e Megadeth.

Buscamos realmente unir estilos musicais e fazer algo irreverente no metal, que

ninguém nunca tenha chegado a um ponto tão extremo de mesclagem como nós.

Bem, esse é o nosso release padrão (risos), mas assim, a Terra Santa é uma banda

que nos deu e dá apesar de tudo, muitos bons frutos e trabalhos satisfatórios e aqui

na nossa região, até que somos conhecidos, tocamos em eventos e a galera curte

bastante. Aqui na nossa cidade as pessoas até cantam nossa canção “Morte Súbita”

em coro nos shows e é muito maneiro, é um retorno em escala e dimensão muito menores,

mais que nos causam grande satisfação, e acredito que até nos prepare e nos

inspire para situações maiores e com maiores proporções, que é o rumo que estamos

querendo tomar com o lançamento dos novos singles.

URR: Por mesclar a sonoridade do Death Metal com a Cultura Nyahbinghi?

Jilão: Sim. Não é porque é a minha banda, mas eu realmente acho que somos uma

banda versátil e estamos fazendo algo realmente diferente e fora dos padrões comuns

que se vê no metal atual. Acredito que as pessoas sentem certa insegurança ou talvez

até preconceito com nosso som, por mesclar culturas que “não tem ligação alguma”.

Mas quando as pessoas passam por essa barreira e escutam alguma musica nossa,

muitas vezes se surpreendem e tem uma reação positiva, o que é muito bom! Tenho

certeza que apesar dessa nova ideia que estamos tentando passar no metal, ainda

pouco conhecida, deixamos claro para quem ouve nosso som, que mesmo com a

mistura de ideias e culturas, não perdemos as raízes nem a verdade dos nossos ideais

e da nossa mensagem. Somos todos amantes do reggae e da cultura que o rodeia, e

principalmente, compomos e tocamos o que nós queremos, gostamos e acreditamos,

e acho que esse seja o principal motivo de estarmos tão a vontade e satisfeitos com

nossa música. A cultura Nyahbinghi é uma cultura muito antiga ligada à igualdade,

prosperidade e, principalmente à vida! Somos uma banda de Metal extremo que

enaltece a vida e os direitos iguais, somos totalmente positivos e tentamos alertar as

pessoas da situação em que vivemos atualmente, principalmente no nosso estado,

o Rio de Janeiro e lembrar a elas as atitudes que realmente deveriam ser tomadas.

Tudo isso de forma violenta musicalmente, e pacífica idealmente. Buscamos fazer

isso através de dois dos estilos musicais que mais representam uma verdade e um

ideal, o Metal Extremo e o Reggae/ Dub.

URR: Você não acha que a princípio, as pessoas vão estranhar essa sonoridade?

Digo tanto do lado do Metal, quanto do lado do Reggae?

Jilão: Acho sim JP, na verdade a maioria das pessoas tem muito medo e repreensão

pelo “diferente” em geral. Não considero a Terra Santa como uma banda de reggae.

Somos uma banda de Metal extremo e isso fica claro no nosso som. Mas somos

três caras com um turbilhão de ideias 24 horas na mente, com varias influencias e

28 - UNDERGROUND ROCK REPORT


por sempre termos ouvido muita musica, de todos os estilos, e julgado o que era bom

pra nos, não queremos deixar nenhum tipo de criação ou ideia de fora das nossas

composições, para nós, toda ideia é válida, não importa se está ou não no “padrão”

das bandas do nosso estilo. Somos uma banda de metal fixada no rastafarianismo,

que é uma religião que admiramos de coração, e não somos os primeiros a fazer

algo assim. Existem outras bandas pacíficas e diferentes no metal, com influências

de estilos até parecidas com as nossas. Bandas como o próprio Sepultura no álbum

“Roots”, Soulfly, Eyesburn, enfim, já mesclaram de certa forma esses dois estilos

musicais, mas realmente acho que não chegaram a um ponto tão extremo como nós.

Talvez realmente sejamos uma banda complicada de compreender a principio, agora,

os amantes de Metal extremo não tem motivos para não nos classificar nesse estilo

musical, Nossa raiz da porradaria, está presente em tudo, inclusive em alguns reggaes

que compomos e resolvemos gravar, que estão no nosso álbum “NyahGrooves”.

Quem quiser, é só conferir!

URR: E como se dá o processo de composição da Terra Santa?

Jilão: Bom, a maioria das musicas é composta basicamente por mim, e depois se

necessário, tem algumas coisas alteradas no baixo ou bateria de acordo com a ideia

que os outros integrantes tenham em seu próprio instrumento. As letras também

são todas minhas. Sempre que começamos a ensaiar alguma musica nova acabamos

mudando muita coisa e deixando a musica com a cara que ela vai ficar, com a pegada

individual de cada um, que acaba se unindo e dando a característica específica da

nossa banda. Dê uns tempos pra cá, começaram a surgir mais ideias coletivas e nosso

próximo álbum já tem musicas que foram compostas por toda a banda, coisa que não

aconteceu no NyahGrooves. Nosso baixista, Lucas (Çuça), é parte muito importante

nesse processo de criação também, ele é quem produz a banda, mixa e faz todas essas

coisas e manda muito bem. Ele tem muitas influencias de Jazz e principalmente

do DUB, e depois que as musicas estão gravadas, ele senta naquele PC e dá um

molho legal nas canções, colocando elementos eletrônicos diversos e psicodelia, em

meio a toda a porradaria do Metal.

Uso bastante o Guitar Pro no processo de composição, para escrever o “esqueleto”

das musicas e não deixar nenhum resquício de ideia passar despercebido.

URR: E quais são os temas que você abrange em suas letras?

Jilão: As letras falam basicamente de igualdade de direitos para todos, Críticas

sociais (Que apesar de ser um “clichê” de letras de metal, no mundo em que vivemos

hoje em dia é meio difícil não lidar com esse assunto), abominação a qualquer tipo

de racismo ou preconceito religioso, cultural, ou qualquer outro. Nossa mensagem

é: Se você é uma boa pessoa, tem bom caráter, lembre-se que existimos para vivermos

juntos e em paz, não podemos deixar os hipócritas e canalhas controlarem nossas

vidas e nossas atitudes. Vamos celebrar a união, a comunhão, viver de maneira

simples e obtermos, cada um, sucesso físico e espiritual. Só continuaremos nossa

evolução de onde paramos, quando aprendermos a viver unidos, com simplicidade

e paz, e livre de preconceitos e lavagens cerebrais. Já passou da hora de a humanidade

começar a consertar seus vários erros e ninguém parece se importar com isso,

estão todos acomodados com tamanha hipocrisia, e nós escrevemos as musicas para

alertar a sociedade.

URR: Então você acredita que através da música é possível mostrar tanto o lado

bom, quanto o lado ruim das coisas?

Jilão: Com certeza. Esse foi um ponto bom que você tocou. A grande maioria das

bandas, principalmente de Metal, falam sempre sobre o lado ruim das coisas. Nós

falamos sim, do lado ruim das coisas, mas também procuramos enaltecer o lado

bom, que sempre existe, a luz no fim do túnel da esperança cada um. A música, em

minha opinião, é o melhor veículo para passar uma mensagem, principalmente quando

você toca e escreve com amor no que está fazendo. A música vai além das notas,

e as letras vão além de um texto. Música envolve sentimento, e uma vez despertado

esse sentimento em alguém, ele nunca mais vai embora. Fazemos nossas musicas e

letras com muito amor, fé e esperança de estar ajudando a propagar uma ideia válida

que possa ser boa para alguém.

URR: Você acha que o ser humano precisa de melhores exemplos para se tornarem

melhores? Ou vai da carga genética de cada um?

Jilão: Não somente exemplos. Os exemplos são uma maneira ótima de atingir alguém,

porém, a verdade, é que infelizmente a maior fonte de “exemplos” que temos

no Brasil hoje, são as redes de jornal e televisão, que sugam as famílias e crianças

ao redor do país, introduzindo, mesmo que subliminarmente, hipocrisia e imundice,

como qualquer um pode ver em reportagens e informações alteradas, cenas de novela,

etc. Que parecem muito inocentes e responsáveis, mas em minha opinião, lá

no fundo da consciência de cada um, acaba atingindo e alterando uma coisa muito

importante que é a índole. Na questão da genética, não sei se é tão influente, pois seja

você de qualquer crença, cultura raça, ou “classe social”, o caráter e o verdadeiro

sentido de estarmos aqui, vivos, já está embutido dentro de cada um de nós, desde

sempre, resta é ter certeza e atitude para não deixar isso morrer dentro de você colocar

em prática e tentar, despertar essa virtude, da maneira que você conseguir, passar

isso para outras gerações, coisa que já vem sendo feita a muitas décadas, seja através

da música, texto, vídeos ou qualquer outro meio, mas que para mim, até hoje não

pareceu surtir efeito na grande maioria, maioria essa que assiste TV Globo e compra

álbuns de sertanejo universitário da som livre, para ouvir enquanto enche a cara em

uma festinha, ou fazendo uma putaria, sem pensar no que está por trás de tudo isso

que os meios de comunicação ensinam que é bacana e “tá na moda”, e em como isso

afeta o país e a humanidade de maneira geral.

URR: E você também acredita que com uma educação de qualidade, maior

exposição a diferentes culturas e artes, as pessoas podem crescer e se desenvolver

de forma mais... Humana?

Jilão: Certamente. É claro que o que a pessoa é, é totalmente influenciado pelo que

ela viveu, pela educação e a qualidade de vida em todos os aspectos. Não acho que se

deva vitimizar pessoas que fazem merda, que sabem que são erradas, por ela ser pobre

ou algo do tipo. Mas também não creio que devamos condenar. Isso é um problema

social, causado na grande maioria, pelo descaso do governo com todas as principais

atividades que deveriam ser de primeira qualidade em qualquer país, como educação,

saúde e cultura, e que infelizmente, são postas em segundo plano quando se trata de

Brasil, quando se trata da galera mais humilde. E nas favelas, onde por mais que os

moradores queiram uma qualidade de vida melhor, existe muita dificuldade em ter

acesso ao que precisam, o que os torna, na grande maioria, os “monstros” e o “resto”,

como são classificados inconscientemente pela sociedade “perfeita”, que inclui

os mentirosos, canalhas, soberbos e ricos, que dão valor ao dinheiro acima de tudo, e

não tem a menor ideia do que é sentir certas coisas na própria pele, por isso se acham

no direito de julgar. Nosso próximo álbum, vai se chamar “População Chorume”, está

sendo gravado nesse momento e trata justamente sobre esse assunto.

URR: Como você vê hoje o cenário da música pesada no Brasil?

Jilão: Bem, o cenário Underground do Metal, já teve seus anos dourados ao redor

UNDERGROUND ROCK REPORT - 29


do mundo, e não é atualmente. Mas apesar disso, eu vejo sim, muitas bandas ótimas,

verdadeiras e o principal, fazendo seu trabalho de maneira independente e conseguindo

um lugar pra si. As grandes gravadoras não estão muito interessadas nesse estilo

musical ultimamente, o que não impediu o cenário Underground do Brasil de continuar

vivo, graças ao trabalho das bandas, e aos fãs de música pesada, que já tem o rótulo

muito bem colocado de serem fiéis! Nós já tivemos a oportunidade de dividir o palco

com bandas conhecidas do Rio de Janeiro, muito boas, como Orrör, Demolishment, e

conheço uma galera de bandas Underground muito brabas e boas, como a Not Dead

de Nilópolis. Isso me deixa muito alegre e faz eu não perder o tesão de acreditar nesse

estilo musical, acredito que não importa o que nos imponham o que aconteça, o cenário

do peso sempre vai estar ai, pra quem quiser conhecer. Um dos principais meios

de propagar esse cenário, para mim, é com as bandas trocando ideia e perdendo um

pouco do seu tempo sim, ajudando as outras reciprocamente. Na verdade isso gera

frutos muito maiores, em dimensões muito maiores. Quando você ajuda uma banda,

você perde o tempo que poderia estar divulgando mais a sua, mas ajuda a manter um

cenário que até hoje não conseguiram eliminar. Por mais que esse estilo de música sofra

todos os preconceitos que sofre, todos nós que trabalhamos duro (e sabemos disso)

para manter uma banda, mostramos a todos que estamos aqui sim, e para ficar, sempre!

URR: As bandas, atualmente, reclamam muito da falta de espaço para shows

de bandas autoriais. Estando em Miguel Pereira, como você vê essa reclamação?

Jilão: É uma reclamação que faz todo o sentido sim. As únicas bandas autorais que

você vê hoje em dia com um espaço considerável nas mídias, são hipster, ou indies

ou seja lá como quer que chamem. Muitas bandas também se sentem oprimidas para

tocar canções autorais e caem nessa de fazer cover para poder mostrar seu talento, o

que eu não acho bacana. Aqui em Miguel Pereira, até temos nosso espaço, pequeno,

mas temos. É uma cidade ligeiramente pequena, com trinta mil habitantes, onde todo

mundo acaba se conhecendo pessoalmente e se tornando amigo. Isso é bom, porque

o fato da geral nos conhecer e parar no bar com a gente e tal, cria certa intimidade,

pois grande parte do público dos festivais de bandas que rolam aqui são nossos

amigos e nos dão a maior força, porque tem contato direto com qualquer novidade e

música autoral da banda, não nos deixando em posições sem graça ao tocar nossas

músicas autorais. Graças a Deus, em todos os lugares que tocamos músicas autorais,

tivemos um ótimo resultado, mas infelizmente essa não é a realidade da maioria das

bandas novas e independentes.

URR: E na sua visão, qual seria a solução para este problema?

Jilão: A solução eu não sei te dizer, acho que no fundo essa repressão contra o

Underground da “massa” acaba dando o intuito da parada, a magia. Porque é muito

trabalho e muitas exigências para conseguir um espaço sem se vender ou tocar covers

ou algo do tipo. É difícil conseguir renda, que não deixa de ser algo necessário

para a existência de uma banda com músicas autorais. Só quem chega lá ou pelo ou

menos conseguem, se manter, são os verdadeiros, aqueles que estão ali para representar

e cultivar uma cena. A maioria adora repreender o “diferente”, e nós adoramos

o “repreendido”. Isso dá mais vontade de gritar uma idéia cada vez mais alto.

URR: Você acha que os incentivos fiscais dados pelo governo ou até mesmo o

apoio financeiro as artes em geral, seria uma forma de tentar reativar esse cenário

com produções de shows melhores?

Jilião: Então, o governo mais parece estar interessado naquilo que lhe convém, ou

seja, lucro e boas jogadas de politicagem (não cabe dizer política), portanto o cenário

que vemos, são de grandes espetáculos com conteúdo artístico duvidoso, atualmente

o cenário artístico vem buscando alternativas de forma independente, muitas vezes

até contra as permissões do governo. (Bailes Funks, músicos que tocam nas praças

públicas por exemplo.) Essa “clandestinidade” da arte poderia ser evitada se houvesse

mais diálogo direto com os governantes e que esses respeitassem a liberdade

de expressão e reconhecerem o poder cultural que isso tem. As leis de incentivo são

ótimas formas para conseguir elaborar novos projetos, no entanto, o processo é burocrático

e há grande dificuldade de conseguir bons acordos com a iniciativa privada.

O que mais vemos são artistas que não conseguem viver de sua arte e precisam optar

por outros caminhos que não satisfaçam seus desejos pessoais.

URR: Planos para o futuro?

Jilão: Bem, finalizar a gravação do nosso novo trabalho, “População Chorume”, buscar

novos contatos e apresentações para divulgar nossa ideia e material. Compartilhar

nosso sentimento com outras tribos e eventos, em picos conhecidos do Underground.

URR: Resuma Jilão em uma frase.

Jilão: Bem, Jilão em uma frase? Difícil (risos). Bem é uma frase simples e minha,

que está na canção Morte Súbita: “O que se leva da vida, é a consciência” acho que

essa frase traduz um pouco de todos os membros da banda.

URR: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo,

deixa aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Jilão: Galera que está aqui sacando um pouco do nosso trampo e da nossa opinião,

muito obrigado. Abram os olhos de todos ao seu redor, vamos escutar mais música,

vamos melhorar nossa condição! Só depende de nós! Vamos manter as bandas e o

cenário Underground vivo, e não deixar que enterrem nossos ideais! Espero que curtam

essa entrevista e procurem saber mais sobre nossa banda e passar adiante! Um

grande abraço em todos os leitores e ao blog HM Breakdown! Muito obrigado JP,

por esse espaço e continue com seu trabalho aqui que é magnífico e muito importante

mesmo! E é isso. Terra Santa Porra!

Entrevista concedida e originalmente publicada pelo site

Heavy Metal Breakdown - http://hmbreakdown.blogspot.com.br/

30 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Por Christiano K.O.D.A

projeto é totalmente na veia Grind/Crust Death. Toda a barulheira feita

por um só ser, nominado Arthu. É ele o responsável pelo grande

O

Agamenon Project, cuja discografia só deve perder para a da Agathocles

em termos de quantidade. Aliás, enquanto você lê a entrevista, é capaz de

já ter saído material novo! Brincadeiras à parte, o criador fala sobre sua

banda, revelando sua paixão pelo underground e a vontade de seguir em

frente sempre.

Underground Rock Report: Conte um pouco da trajetória da Agamenon

Project e de onde saiu o nome dessa one-man-band?

Arthu: Pode até ser que soe clichê, mas antes de tudo, valeu mesmo

pelo espaço e pela força que você tem dado ao projeto... Assim, chamo de

projeto, mas é praticamente a minha banda até porque toma mais tempo

que a minha de verdade (risos). Então, o primeiro lançamento foi em 2007,

um split com outro projeto sueco (Social Success Project) e em tape, que eu

mesmo lancei. Então assim, foram dois lançamentos de uma vez, o Agamenon

Project e o Who Cares? Records, que criei para fazer os lançamentos

do projeto. A ideia de fazer algo nessa linha é um pouco mais antiga, creio

que em 2004/2005, quando um grande amigo me mostrou Vomitorial Corpulence

e falou que o cara fazia tudo sozinho, aí veio a luz. A ideia mesmo

tomou mais força quando soube da existência do Besthoven e da fama que

tinha. Então decidi inventar essa coisa de one-man band. O interessante foi

que veio tudo de uma vez, o projeto, o selo e as ideias de gravar em casa.

Quanto ao nome, eu queria algo que soasse como Armagedom, mas não

igual, e na época eu trabalhava alimentando banco de dados de uma empresa,

e apareceu o nome “Agamenon bla bla bla”. Cara, na hora me deu um

estalo e pensei: ‘taí o nome do projeto!’. Tanto que o primeiro logo que eu

fiz é praticamente a cópia do logo do Armagedom.

URR: O quão complicado (ou não) é compor músicas sozinho?

Arthu: Confesso que tenho mais facilidade em fazer tudo sozinho do

que com pitaco de outras pessoas. Às vezes uma opinião aqui ou ali se faz

necessário, mas não é sempre. Gosto de tomar as rédeas e fazer tudo de

uma vez, testando mil opções de batidas, riffs, timbres, andamentos etc.

Às vezes as coisas não fluem tão facilmente, mas quando sai... Podem ser

umas doze músicas (ou até mais, dependendo) em uma semana.

URR: Em termos de números de registros lançados, você ainda vai

passar o Agathocles (risos). É intencional soltar tanto material assim?

Arthu: Assim, Agathocles é referência tanto para o som que faço quanto

pela quantidade de lançamentos que possui. A intenção é espalhar o

meu som por cada canto possível do planeta! Exageros à parte, não tenho

pretensão alguma em ganhar dinheiro, até porque, só gasto (risos), mas é

gratificante ver alguém do Japão curtindo, um cara da Alemanha elogiando,

pessoas de outros países lançando e por aí vai. Às vezes chego a desanimar,

pois todo esforço que eu coloco no projeto, para muitos pode ser que soe

forçado, mas não, não é. Faço realmente porque

gosto, praticamente por amor mesmo ao Grind/

Crust/Death Metal e demais estilos que me agradam.

URR: Aliás, qual o lançamento mais atual?

O que pode dizer sobre ele?

Arthu: Em termos de ‘full’, é o “Waiting The

Bombs Fall”, que em breve vai ser lançado na Tailândia

em tape por um selo que eu não me recordo

agora, mas porra... gratificante pra caramba! Demorei

pouco mais que quatro meses nele, gravei

duas guitarras, baixo, vocais, fiz a mix e a master

com mais calma, e se comparado com o ‘full’ anterior,

“Faces of Death”, ele soa melhor, mas não

chega a ser tão trabalhado quanto. As músicas do

“Waiting...” são mais pesadas e diretas, confesso

que tentei fazer um lance mais Death Metal ‘old

school’ mesmo e ele não tem tanto rodeio. Fiquei satisfeito com o resultado

que tive, porém, ainda não o lancei em CDR PRO. Estava correndo atrás

de alguns selos, mas vou fazer sozinho mesmo e em quantidades limitadas,

no máximo cinquenta e no mínimo 25. Por enquanto, está disponível no

bandcamp (www.agamenonproject.bandcamp.com) para download gratuito,

exceto que na versão física vou incluir o cover que fiz do Carcass,

“Tools of the Trade”.

URR: Falando nessa quantidade, consegue dizer, até hoje, qual o

material da A.P. que você mais curte?

Arthu: Não consigo mesmo. Teve uma música que regravei há pouco

tempo, que se chama “Get a Head”. O inglês deve estar errado (risos),

mas acho a música sensacional. Gostei muito do resultado da regravação

e quem sabe não vira bônus quando lançar o “Waiting...” no físico? Agora,

em se tratando de um split ou qualquer outro lançamento, não consigo

chegar a um preferido.

URR: E claro, o que vem pela frente com a A.P.?

Arthu: Bom, apesar do desânimo que aparece com frequência, não tenho

intenção de parar... Tenho alguns splits pendentes até. Sempre lanço

uns EPs virtuais e estou sempre à procura de bandas para lançar split.

Tenho planejado o lançamento de outro ‘full’ que está pronto. São doze

músicas, apenas dez minutos, e um cover do ROT.

URR: Você se apresenta ao vivo? Se não, já pensou nessa possibilidade?

Arthu: Não, nunca me apresentei, mas já tive vontade... Já pensei sim

e alguns amigos até se propuseram a ajudar, mas sempre deixei pra outra

hora, que nunca chegou (risos).

URR: Aliás, não pensa em transformar a one-man-band em um negócio

com integrantes de verdade, além obviamente de você?

Arthu: Acho que não, a coisa quando vira uma banda mesmo toma

outra proporção e sei lá, tem mais dificuldades também. É aquela coisa de

depender da disponibilidade de um pra poder ensaiar, de juntar grana pra

poder gravar num estúdio de verdade etc, acaba que tudo dificulta e até pelo

estresse que “ter uma banda” causa, prefiro mesmo ficar apenas eu. Pelo

menos ao se tratar do Agamenon Project.

URR: Valeu demais pela entrevista! Manda um salve pra quem a leu!

Arthu: Pô, mais uma vez, muito obrigado mesmo por todo espaço que

você tem dado no seu blog, e não deixe isso morrer nunca, por favor! Hoje

em dia precisamos de pessoas assim. Muitos deixam de oferecer tal espaço

por ego ou até mesmo por preconceito idiota. O

underground não precisa de pessoas assim... Enfim,

espero que quem tenha lido a entrevista, tenha

curtido, claro.

E curta a página no facebook (www.facebook.

com/agamenongrindproject), ouça as músicas no

bandcamp (agamenonproject.bandcamp.com) e

acesse a “página” às vezes (agamenonproject.wordpress.com).

Em breve vão sair alguns materiais

bem legais e tudo em cópias limitadas! E como

sempre... Trocas são mais que bem-vindas e não

faço questão de vender ou ter lucro, a ideia é simplesmente

espalhar o meu som! Muito obrigado

mesmo!

Matéria originalmente publicada

no site Som Extremo

http://somextremo.blogspot.com.br/

UNDERGROUND ROCK REPORT - 31


RReleases

Apoteom

Alienation

MS Metal Press - nacional

Você olha a bela capa e o encarte,

bastante caprichados, com layout

refinado, enfim, e alimenta expectativas

à altura da parte gráfica. Ao dar o play,

percebe que o som desse pessoal de Santa

Maria, Rio Grande do Sul, toca Metal que

transita pelo Thrash (o mais marcante), o

Heavy e até, lá e cá, pelo Death Metal.

As músicas são pesadas e agressivas,

com diversas mudanças de andamento

e ‘groovie’ para dar e vender. Mostram

que potencial não falta no ‘debut’.

Se alguém pensa que o vocal de Pedro

Ferreira (também guitarrista) vai pro

gutural ou berrado, engana-se: o sujeito

manda ver em sua voz limpa, porém áspera,

potente e com um timbre bacana.

Parece que tudo acabará bem, né?

Parece... com um investimento na mencionada

parte gráfica e no poderio das

composições, por que diabos também

não pegaram firme em um dos mais importantes

aspectos, a gravação?

Estou torcendo para que tenha sido

algum problema unicamente no CD

que recebi. Afinal, parece um registro

amador, retirado de alguma antiga fita

cassete lá do início da década de noventa,

com sérios problemas na sonoridade

da bateria (o bumbo é lamentável) e das

cordas, especialmente nos riffs mais

distorcidos. Apenas a voz se salvou

aqui. E sim, isso fez com que a nota baixasse

consideravelmente.

Como deixaram acontecer? Um negócio

bem abafado, ‘clipado’, enfim,

um fiasco. Esse fator colocou tudo a

perder, sério. Desperdício de talento.

Repito: torço para que o problema tenha

sido somente na minha cópia do material.

Se sim, podem desconsiderar tudo o que

foi relatado sobre a gravação e o aumento

da nota será substancial. Mas se todos estão

assim... puxa, nem quero pensar.

Que a banda tem futuro, não há dúvida.

Mas falta um tratamento profissional

no próximo registro.(CK)

Beastkrieg

Beastkrieg (demo)

Independente – Nacional

amor pela música extrema é tão

O marcante que, por mais que já te-

32 - UNDERGROUND ROCK REPORT

nham anunciado um zilhão de vezes

que o Metal irá morrer (ou que está

morto), sempre haverá aqueles que resgatam

o estilo. Neste caso específico, os

primórdios do Black e do Death Metal.

A Beastkrieg, de São Carlos/SP, nos

brinda com uma homenagem muito

bem executada, primando pelo primeiro

estilo mencionado. Até os pseudônimos

dos integrantes têm seu charme: Emperor

of Evil Chants (vocal/baixo), Gordo

Butcher (guitarra) e Perversor of The

Holy Order (bateria).

A sonoridade é algo demoníaco,

como já era de se esperar, não muito

veloz (claro que há exceções), mas violento

a ponto de causar pesadelos, com

uma aura malévola e empolgante. As influências?

Surrupiando da própria página

da banda: Sarcófago, Mystifier, Holocausto,

Mutilator, Venom, Bathory,

Hellhammer, Sabbat, Blasphemy. Seis

faixas de alto quilate!

A gravação, felizmente, está muito

boa (para os padrões), coisa que ainda

não era possível ter lá nos anos oitenta.

Portanto, escutar essa demo é uma

tarefa (tarefa?) ainda mais prazerosa.

Mas não esperem algo cristalino saindo

das caixas de som não, hein? É sujo na

medida certa!

E nessa atmosfera maligna, merece

menção também a bonita capa, criada por

Emerson Maia. Mais “true”, impossível.

Está aí uma grata surpresa do nosso

underground, que merece ser espalhada

mundo afora. No que depender desse

trio, as raízes da música extrema sempre

estarão a salvo! (CK)

Brutal Exuberância

Território Perdido

Independente – 2012 – Brasil

Manaus/Amazonas está bem barulhenta!

Dez anos de experiência

no Crossover/Thrash Metal trazem um

‘debut’ de repeito por parte da Brutal

Exuberância! E chama a atenção o fato

de o pessoal cantar quase todas as músicas

em português. Sabe que ficou interessante

o resultado?

Pois então, com essa proposta de

estilo, o negócio não poderia ser outra

coisa senão extremo e veloz. São faixas

relativamente simples, bem na fuça, dotadas

de uma energia que te faria entrar

no ‘mosh pit’ sem pensar duas vezes.

Porrada mesmo, meu amigo!

A paixão dos integrantes pela música

pesada está devidamente registrada

com “Metal, Essa é Minha Vida”. Mas

nem precisava desse título para constar

que os caras realmente gostam do que

fazem.

Enfim, é algo bem tradicional e ‘old

school’, com uma produção acima da

média (o timbre do baixo está lindo!) e

uma arte bem bonita do encarte. É curto

– pouco mais de vinte minutos -, mas

faz um bom estrago! Fãs de Thrash/

Crossover, isso é pra vocês!(CK)

Cemitério

Cemitério

Kill Again Records – Nacional

Vou ser sincero: poucas vezes vi

um projeto assim dar tão certo

e ser tão agradável! Trata-se de

uma one-man band cujo responsável

é Hugo Golon, que também atua na

Blasthrash, Side Effectz e em outras

podreiras. Aqui, o negócio é Thrash/

Death Metal bem ‘old school’. Fantástico!

O músico investe na velocidade em

quase todo o registro, seja na bateria

(mas não chega nos ‘blast beats’),

seja nos riffs brutais e extremamente

inspirados. Sim, a guitarra aqui é um

elemento de muito destaque no CD.

O timbre vocal de Golon lembra

uma boa mistura entre Chuck Schuldiner

da primeira fase da Death, com

John Tardy (Obituary). Falando nisso,

vale mencionar que o cara canta muito

rápido, com poucos momentos para

pegar fôlego. Ficou demais!

Por sua vez, as letras também são

um show à parte: homenageiam diversos

filmes clássicos de terror com

letras que contam uma espécie de

resumo das películas. Tudo muito divertido.

Além da sonoridade, a produção

cuidadosamente suja e crua deixou

o material ainda mais interessante,

assim como a arte gráfica que, embora

seja bastante simples, ilustra bem

cada um dos filmes abordados.

Enfim, um dos mais empolgantes e

viciantes discos do ano, em um resgate

fenomenal da velha escolha. Kill

Again Records (www.killagainrec.

com.br): vocês se superaram mais

uma vez! (CK)

Creptum

The Age of Darkness

Independente – 2014 - Brasil

Caramba, como uma banda desse

nível ainda não é tão conhecida

assim no nosso cenário extremo? Falo

na cara: uma das melhores demos de

2014, e fim! É um Black Metal furioso,

barulhento, sem frescuras. Ah,

e trata-se de uma regravação do material,

lançado originalmente há uma

década.

Velocidade máxima, quase ininterrupta,

riffs típicos, vocal rasgado/

rouco/sombrio, enfim, esses itens de

qualidade estão todos presentes, de

modo que fã nenhum do estilo terá do

que reclamar.

São seis faixas, sendo que as duas

últimas são na verdade bônus do primeiro

registro dos caras, a também

demo “...Make This World Burn”.

Vale lembrar que a blasfêmia veio

num envelope caprichado, profissional

mesmo, bem no clima obscuro

da sonoridade da banda. E a gravação

está excelente, com o charme da aura

noventista nórdica. Um show!

Mas não temam, afoitos por Metal

negro bem feito, pois é possível fazer

download gratuito dessa maravilha!

Bem, agora vou intimar: e aí, Creptum,

quando sai o ‘debut’?? Porque

isso aqui instiga demais, rapaziada!

Passou da hora de presentear ainda

mais o nosso underground, hein?

Longa vida ao trio Animus Atra

(bateria), Deimous Nefus (guitarra/

baixo) e Tanatos (guitarra/vocal), que

espalha a ótima maldade sonora (sub)

mundo afora! (CK)

The Assault

The Assault (demo)

Independente – 2014 – Brasil

Eis o primeiro registro da araraquarense

The Assault, que traz

um Heavy/Thrash Metal porrada na

face. É uma sonoridade trabalhada,

cheia de mudanças de andamento e

que realmente caminha nessa linha

tênue entre os dois estilos mencionados.

O vocal de Artur Rinaldi, também

guitarrista, é venenoso, meio rasgado

e rouco. Acreditem, tem um quê

surpreendente de... Janis Joplin! Mas

calma, a semelhança (pouca) é só no

timbre vocal e nada mais! (mesmo

assim, sei que vão falar que viajei na

comparação)

São seis faixas executadas com

raça, bem “fala você mesmo”, com

destaque para “Jump of Death (D-

Day)” e sua agressividade desenfreada.

Frescura aqui passa bem longe!

Apesar de a produção mostrar bem

o baixo (bacana!), ela ficou um tanto

crua. O reverb no vocal também ficou

meio esquisito, mas é muito legal

constatar que a demo está cheia de

boas ideias e que sim, a The Assault é

uma banda promissora.

Inclusive há até um cover de “Troops

of Doom” (Sepultura), pra mostrar

que essa molecada está cercada de

boas influências para evoluir.

Parece que agora estão investindo

no ‘debut’! Se levarmos em consideração

o que foi apresentado aqui, a

expectativa para o vindouro ‘full’ é

positiva! (CK)


Symphony Draconis

Supreme Art of Renunciation

Eternal Hatred Records/Misanthopic

Records/Corvo Records – Nacional

Black Metal nacional vem ganhando

cada vez mais força (não me

O

diga...)! E importante reforçar: com

bandas que realmente têm qualidade!

Apesar de surgida em 2006, foi em

2013 que a Symphony Draconis soltou

seu ‘debut’. É latente que os anos de estrada

trouxeram ótimos resultados para

o registro.

E engana-se quem acha que o som

tem aquela pegada mais modernosa,

com teclados, orquestrações, diferentes

vocais ou coisas do tipo. Não, a banda

consegue fazer um ótimo trabalho tocando

o tradicional do estilo. Ponto pra ela!

Mas não se trata daquele Black ríspido

e movido a pura velocidade não:

é algo mais trabalhado, sem deixar de

ser extremo, e muito, muito bem feito e

hipnotizante.

Os bumbos do baterista Helles Vogel

quase não cessam, o que dá uma pegada

ainda mais agressiva às músicas que, por

sua vez, contam com certa quantidade de

melodia. Mas calma, é aquela melodia

típica do Black Metal! Portanto, há um

equilíbrio no quesito brutalidade.

Veja bem, isso não significa que só

tem faixas cadenciadas não, hein? Confiram,

por exemplo, as mortais “The Visions

and Mysteries of the Great Ones”

e “Crushing the Concepts”.

A capa é linda, assim como o restante

do caprichado encarte. E a gravação

está tinindo, pesada na medida certa!

Souberam fazer um investimento profissional!

Nota 10!

Pode ser pretensão, mas parece que

estamos diante de uma boa revelação

do Metal negro tupiniquim. Tá dado o

recado! (CK)

Slasher

Katharsis

Programa de Ação Cultural do

Estado de São Paulo – Nacional

Esse aqui já é certeza: estará em diversas

listas de melhores de 2014.

Impossível ficar fora delas. A Slasher

soltou um dos mais surpreendentes discos

dos últimos tempos. Afinal, anteriormente,

já estavam bem cotados com

“Pray for the Dead” (2011), um Thrash

Metal comum, mas bem executado.

Agora, essa obra prima “Katharsis”

impressiona – E MUITO – pelo fato de

eles alcançarem outro nível em termos

de qualidade. Sério, é quase incomparável

com o ‘full’ anterior!

O que antes era mais veloz e direto

recebeu uma belíssima roupagem cheia

de ‘groovie’ e uma refinada geral nas

composições. Mas não deixaram de ser

agressivos em nenhum momento. Aliás,

talvez o novo petardo esteja até mais

violento, e essa impressão aumenta

quando percebemos o competente vocal

de Skeeter, que deixou a sonoridade da

banda ainda mais extrema.

A aula de Thrash Metal é tanta, que

destacar uma ou outra canção é tarefa

inexecutável. E pra que se importar com

isso, quando todas elas são absolutamente

fodas? Mas só pra registro, a faixa

“Hostile” é a mais porrada, como o título

sugere, enquanto a que fecha o disco,

“All Covered in Blood”, destoa um pouco

das músicas restantes, com variações

vocais e estruturas mais trabalhadas.

Ah, e também tem um cover de “Suffocated”,

da Mosh. O que já era bom,

ficou mais assassino.

A produção está espetacular, seja na

gravação pesadíssima e límpida, seja na

parte visual, cujo capricho nos brindou

com a ilustração fantástica da capa e o

lançamento em digipack.

Sem exagero, isso aqui tem tudo pra se

tornar um clássico do Metal extremo nacional.

Ainda está lendo aqui??? Que perda

de tempo... cara, sai correndo pra adquirir

esse material excepcional! Não haverá arrependimentos.

Só dores no pescoço.(CK)

Scourge – Hate Metal

Cogumelo Records/Greyhaze

Records – Nacional

Pra situar: banda de Death Metal vindo

de Minas Gerais, e cheirando a

registros noventistas daquele estado.

Pronto, já é motivo para você se preocupar

em ir atrás desse material. Incrivelmente,

até a gravação remete àquela

época. Calma, ela é muito boa, refinada

mesmo.

E que clima sombrio e malévolo tem

esse petardo! Varia a velocidade, puxando

vez ou outra até para o Doom (no

andamento), e outras, para os ‘blast beats’

característicos do Death. A técnica

está acima da média.

Pois bem, se passou pela sua cabeça

Sarcófago com o descrito até o momento,

você pensou em uma boa referência

sobre “Hate Metal”. É perceptível a

influência aqui, a começar pelo próprio

nome da banda.

A qualidade fala alto no disco, já que

as composições são bem elaboradas,

coesas, pesadas, desgraçadas. Tanto é

que se você escolher aleatoriamente alguma

para escutar, vai se empolgar com

a mesma intensidade em cada uma. Em

outras palavras, o destaque real é para

todas as faixas, inclusive a “Intro - Sentenced

to Die”. Apenas para constar,

a que fecha o play, a faixa-título, nos

invoca a berrar junto o refrão: “HATE

METAL, HATE METAL”!

É no bom sentido que direi isso, obviamente:

se quer um exemplo de uma

sonoridade maldita, violenta e densa,

Scourge é a opção, com um dos melhores

álbuns recentes retratando o underground

nacional do início dos anos

noventa. (CK)

Tellus Terror

EZ Life DV8: Easy Life Deviate

Independente – Nacional

Mesclando os mais variados gêneros

derivados do rock n’ roll, o

Tellus Terror, banda carioca de Niterói

foi fundada exatamente no dia 17 de

Novembro de 2012.

Tiveram como primeiro desafio definir

o próprio estilo da banda, para o

som idealizado, e com isso foi criado o

M.M.S – Mixed Metal Styles -, deixando

a banda livre para misturar em suas

composições o Death Metal, Black Metal,

Thrash Metal, Doom Metal, Gothic

Metal, Heavy Metal, Power Metal,

Splatter, Grindcore, Hard Rock e etc.

Criatividade, muita técnica e ousadia

em excesso definem muito bem

o Tellus Terror, que é sem duvidas,

uma magnifica miscelânea de ritmos e

timbres do metal. O talento que esses

grandes músicos tem para diferenciar e

impressionar o ouvinte em uma musica

para outra é monstruosamente avassalador!

Não é repetitivo, nem cansativo.

É exclusivo, inesperado, energético e

muito precisamente bem elaborado.

“EZ Life DV8: Easy Life Deviate“

é de um vasto conteúdo musical e

lírico. O disco, como define Felipe Borges,

vocalista: “conta um pouco sobre

como nossa vida começou, como tudo

começou a ser formado (de acordo com

o que nossa espécie conhece atualmente),

sobre como Tellus (Tellus significa

Planeta Terra em Latim), tomou forma,

sobre o posicionamento do nosso planeta

em nossa galáxia, falando um pouco

também sobre fenômenos naturais, a

adaptação do ser Humano na Terra, e de

como somos capazes de gerar grandes

conflitos por poder, em que na verdade

onde nós vivemos é o verdadeiro inferno,

refletindo sobre como seria o nosso

definitivo Panorama do Fim dos Tempos,

e finalmente a conclusão de que

nós não sabemos nada, e que tudo que

possamos imaginar sobre o fim do mundo

ou a continuação da nossa espécie é

um Erro.”

O mais impressionante é que cada

vez que se escuta ”EZ Life DV8”, descobrimos

algo novo. Um som, um timbre,

um arranjo, um compasso. O disco

é realmente cheio de detalhes, que você

só vai percebendo aos poucos. Relativamente

nova, a banda acertou em cheio

quando decidiu não optar por um EP ou

uma DEMO, logo de início nos trouxeram

10 faixas viciantes e instigantes

para apreciadores do metal.

Se o primeiro disco já tem arrancado

respeito e admiração de muitos headbangers,

estou ansioso para ver o que

pode vir num provável segundo disco!

Tellus Terror é uma banda na qual eu pagaria

para ver uma apresentação, e conferir

tudo isso na primeira fileira! (YN)

Mutran

A Life Preview

Black Legion Productions – Nacional

full-length “Yellow Pictures”

O (2013) da banda carioca Mutran

já mostrava suas qualidades com um

Hard/Classic Rock de primeira, que

trazia influências de Blues e da Black

Music.

“A Life Preview” já tem início com

uma faixa potente, pois Signor Luiz já

abre o trabalho de forma enérgica e empolgante,

com um refrão muito legal e

uma mescla de estilos bem característico

da banda. Preste bastante atenção na

letra e proposta da canção no clipe do

final da resenha.

O novo EP mostra que é uma continuação

natural de “Yellow Pictures” e

a evolução é latente. Hungry mostra o

lado Blues e Progressivo da banda, com

ótimos arranjos, enquanto Close Your

Eyes, mesmo sendo cadenciada, é uma

das faixas mais pesadas da banda com

um ótimo riff.

O EP ainda conta com três composições

ao vivo em estúdio que mostra

a coesão da banda e dá uma noção da

qualidade dos músicos. São elas Galactic

Tales: The Legend Of Captain Pollen,

Are You Still Out There? e Crossroad.

Não há dúvidas que o Mutran é uma

banda diferenciada. (VHF)

Crown of Scorn

Agenda 21

Alldead Records/Black Legion

Produtions – Nacional

Desta vez a assessoria e selo Black

Legion Productions trouxe

uma banda das terras do Tio Sam que

debuta neste trabalho curiosamente

chamado “Agenda 21”. O quarteto

formado em 2012 conta com Allyan

Lang Lopes (de origem brasileira) no

vocal, Don Dumond (guitarra), Steve

Grayson (baixo) e Alan Alsheimer

(bateria) – sendo que Rob Cadrain

gravou a guitarra, mas não faz mais

parte da banda.

O som da banda transita entre o

Thrash Metal e o Death Metal, assim

como as influências caminham entre

uma tênue linha entre o ‘old school’

e o contemporâneo. Portanto, sua música

possui elementos tanto do Metal

UNDERGROUND ROCK REPORT - 33


das antigas quanto uma roupagem

mais atual.

O som passa longe de tendências,

e o mérito que o faz não soar datado é

da produção a cargo da banda e Steve

McCabe, que conseguiram tirar uma

ótima sonoridade carregada e de muito

peso dos instrumentos. E não tem

como negar a positividade deste fato

que engrandece o disco.

Muito bom o trabalho das guitarras

abafadas que dão um peso absurdo

às músicas, principalmente quando se

aliam a uma cozinha tão consistente

e de pegada forte. Allyan tem um potente

gogó e sua versatilidade faz com

que seu timbre vá do gutural ao rasgado

da forma mais natural possível.

Destaque para a ótima Corporatocracy,

que sabiamente foi escolhida

como primeiro single, Earth Is No

More e a bela inclusão de vocais ‘cleans’,

além da rifferama e a ótima quebrada

em Sustainable Developments.

A arte gráfica é do brasileiro Gustavo

Sazes (Sepultura, Morbid Angel) dispensa

apresentações. (VHF)

Necrobiotic

Death Metal Machine

Songs For Satan/Culto ao Metal

Distro – Nacional

Uma verdadeira ode ao Death Metal!

É isso que propõe o quarteto

oriundo de Divinópolis/MG que chega

ao seu segundo álbum. A banda

tem 20 anos de fundação, mas ficou

11 inativa, o que não significa que

desaprenderam ou perderam a linha,

até porque o debut também foi lançado

após o retorno.

Bebendo nas melhores fontes

‘old school’, a banda faz questão de

focar suas composições em algo visceral

e mais orgânico. Ainda há resquícios

de Thrash Metal, principalmente

em alguns andamentos, mas a

paixão e conhecimento de causa fazem

com que o som da banda transite

mesmo pelo Metal da morte.

Os pontos fortes do disco ficam

entre a variação rítmica que deixa

o som mais atraente, além do ótimo

trabalho de guitarras com riffs

típicos e solos na medida certa e a

agressividade equilibrada. Importante

ressaltar como a banda consegue

explorar vários caminhos em músicas

curtas.

A opção em cantar em inglês e

português pode tirar um pouco da

identidade do Necrobiótic, já que

sua linha de composição parece soar

mais forte quando o grupo opta por

cantar na língua estrangeira. Mas, as

faixas cantadas na língua pátria passam

longe de serem inferiores.

A produção a cargo do baixista

Fabrício Franco e da banda mostra

certa rusticidade e combinou com

o som proposto, principalmente pelos

timbres escolhidos e por fugir

dos padrões ‘plastificados’ atuais. A

curiosidade fica por conta da banda

não trazer muita influência do Metal

extremo mineiro antigo, já que o grupo

é oriundo daquele estado. (VHF)

Land of Tears

The Ancient Ages of Makind

Black Legions Productions – Nacional

segundo álbum da banda fluminense

Land of Tears, este “The

O

Ancient Ages of Mankind”, é memorável

e no mínimo empunha a bandeira

do Metal extreme nacional, além

de honrá-lo com maestria.

Afinal, trata-se de um disco

abrangente, com variação rítmica e

uma pegada digna do Metal feito no

Brasil. Unindo o Death Metal, o Black

Metal e o Doom Metal, além de

uma aura épica, a banda destila nove

hinos com elegância e a brutalidade

necessária, sem exageros.

Explorando bastante a variação

rítmica, o quarteto mantém um bom

equilíbrio e sabe também dosar a

agressividade. Sem extrapolar na velocidade,

a banda consegue equalizar

essa agressividade tanto nos momentos

rápidos, quanto nos cadenciados,

gerando uma sonoridade muito interessante.

Com um baixo vibrante de S.

Vianna, riffs de guitarras carregados

e ótimos solos da dupla Robson

Night Arrow (também vocalista) e

Leandro Xsa, a banda possui uma

base excelentíssima que dá bastante

espaço para a bateria de Orion Gobath

destilar sua técnica e explorar os

pratos de uma forma diferenciada. Os

vocais urrados de Robson casam perfeitamente

com a música da banda.

The Colossus of Rhodes e sua

dinâmica, a melódica e emotiva The

Ancient Ages of Makind, a diferenciada

Mega Alexandros e a vibrante

e hino de guerra Pentekontoros são

os grandes destaques e parte do disco

conceitual que aborda temas antigos

da humanidade. O levíssimo abafamento

na produção fez um ‘risquinho’

na lataria dessa bela máquina do

Metal extremo, mas isso é culpa do

‘detalhismo’. (VHF)

Espiritual Void

I

Independente – Nacional

Muitos sabem fazer o stoner metal,

mas poucos sabem se manter

dentro dele. Mas, os cariocas da Spiritual

Void fazem isso com todo gás e

compromisso. Liderada pelos vocais

marcantes de Thiago Norviço, a banda

com mais de dois anos de carreira,

mostra-se preparada alavancar novos

caminhos.

Seu primeiro EP, intitulado “I”, traz

4 faixas de stoner fucking metal de primeira.

Bem executado, bem planejado,

refrões que grudam na mente e rítmos

que te fazem lembrar grandes nomes

como Kyuss, Melvins, Queens OF The

Stone Age e Orange Globin.

Gravado e mixado em Janeiro de

2014, no Anderson Engel Stúdio, de

forma independente, “I” ganha sua

atenção logo de cara com a canção

“Fall in Disgrace”, numa balada contagiante

que logo dá lugar para velocidade

de “Hate & Pride”, e em seguida

o peso arrastado de “The Shadow“,

finalizando com “ (You Need To) Find

Your Way“. A capa ficou a cargo de

Wendell Frank – guitarrista da banda

- e a agência Nós Desing, chamando

atenção por seu estilo desgastado e ao

mesmo tempo sombrio.

Apesar de ainda bem jovial, Spiritual

Void vem obtido uma excelente

reposta com seu primeiro trabalho e

conquistado um bom público a cada

apresentação. (YN)

Bandanos - Nobody Brings

My Conffin Until I Die

Läjä Rekords – Nacional

Crossover tem reaparecido e

O estado em muita evidência nos

últimos tempos, fruto de um fenômeno

bem comum em termos de Metal:

nenhum estilo morre, apenas sai dos

grandes veículos de imprensa, conforme

as pessoas começam a sentir-

-se empazinadas. Foi assim e sempre

será, mas há um lado positivo: sempre

surgem ótimas bandas, que tendem

a permanecer ativas e mantendo

a chama acesa. E no Brasil, antenado

com a realidade mundial, não é diferente,

pois uma nova safra de bandas

de Crossover andam aparecendo, e

bem. E um dos nomes mais famigerados

é do quarteto paulista Bandanos,

que é bem conhecido pela energia e

força de sua música, e da insanidade

em seus shows. E provando que são

raçudos até os ossos, acabam de lançar

“Nobody Brings My Coffin Until

I Die”, seu novo trabalho, cuspindo

raiva para todos os lados em forma

de música.

Conseguindo realmente associarem

o Thrash Metal (em termos de

peso e arranjos) e o HC (a energia,

velocidade e garra), o quarteto não

está para brincadeiras, já que a banda

é raivosa, com uma música cheia de

vida e energia, que empolga qualquer

um que se atreva a ouvir sua música.

Os vocais são ótimos, com timbres

rasgados e boa dicção, os riffs de

guitarra são ganchudos, agressivos e

bem diretos, baixo com boa técnica

e sabendo dar peso à base rítmica, e

a bateria mostra-se muito bem, em

levadas pesadas, boas conduções nos

bumbos e viradas técnicas. Embora a

banda não tenha um trabalho voltado

à técnica, podemos dizer que “Nobody

Brings My Coffin Until I Die” é o

disco onde esse aspecto do Bandanos

ficou mais evidente, embora banda

continue despojada e furiosa, gerando

uma música em que o que importa

é o todo, não destaques individuais.

Produzido pelo próprio grupo junto

com Ciero nos estúdio Da Tribo,

sendo que esta aliança mixou e masterizou

o disco. O que fica claro é

que buscaram uma sonoridade mais

seca e despojada, evocando o espírito

dos primeiros discos de Crossover

dos anos 80, mas sem abrir mão de

uma qualidade que permita ao ouvinte

reconhecer cada instrumento

musical, ao mesmo tempo em que a

proposta é ser o mais próximo possível

de uma apresentação ao vivo.

E digamos de passagem: ficou bem

próximo mesmo.

A arte, um trabalho combinado da

banda com Jeff Gaither (para a capa)

e outros artistas, ficou muito, muito

bom. O mesmo feeling despojado

que temos ao ver discos seminais

de bandas como D.R.I., SUicidal

Tendencies, C.O.C., S.O.D. e outros

mestres está ali, presente e visualmente

de bom gosto. E outro ponto:

no encarte temos as traduções das letras

da banda para o inglês.

O Bandanos não brinca em serviço,

verdade seja dita, descendo a

marreta na cara de quem meter os

bedelhos com sua música. Mas nem

por isso podemos dizer que seu trabalho

é simplista, longe disso. a banda

faz bons arranjos musicais, capazes

de prender o ouvinte no lugar até o

disco terminar, com boa dinâmica em

cada canção e refrões muito fortes e

ganchudos.

Destaques no meio de 13 pauladas:

a bruta e dura “Fato ou Mentira”

(com belos solos e trabalho fantástico

do baixo), a forte e irônica “Vynil

Addiction” (com refrão em inglês,

com muitos bons vocais), a raivosa

e intensa “Falsas Ambições” (que

começa mais cadenciada, antes de

explodir com a velocidade característica

do Crossover, onde a bateria dá

um show à parte), “Meus Inimigos”

(onde vemos uma queda mais para o

lado do Thrash Metal, com boa dinâmica

guiada pelos riffs ferozes), a

ótima “Urban Thrash Skate Maniacs”

(outra onde o baixo mostra um excelente

trabalho, com o detalhe de ser

cantada em inglês), a homenagem

ao Bay Area Thrash Metal em “Bay

Area Seduction”, a destruidora de

tímpanos “Idiossincrasia”, a paulada

na cara de “Velhos Heróis” (belas

vocalizações, diga-se de passagem),

e a puro mosh pit chamada “Escravo

do Relógio”. Mas o disco é excelente

como um todo, logo, é apertar a tecla

“play” e se preparar para aturar os

vizinhos reclamando em seu portão

(mas no fundo, a maioria merece).

Excelente disco, e pede a compra

de uma cópia física. Downloads ilegais

são coisa de pela-sacos... (MG)

34 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Nitrominds

Tributo ao Nitrominds

Two Hands Records – Nacional

Tributos são em sua grande maioria

uma caixinha de surpresa, ou CD

no caso, né? A verdade é que juntando

várias bandas tocando clássicos de

uma banda venerada e reconhecida fica

muito difícil agradar todo mundo.

Quando a banda convidada para

o tributo tem interesse em fazer uma

versão da música original então, quase

sempre é alvo fácil de críticas, narizes

torcidos e muita aporrinhação. Mas o

que difere um ótimo e interessante tributo

daquele álbum típico caça-níquel

está na qualidade das bandas e também

no artista homenageado, claro.

Além disso, a diferença também

pode estar na união das bandas em prol

do projeto, na vontade e garra que cada

grupo se entrega para a música a ser

interpretada. Por isso é possível dizer

que o álbum Many Minds, tributo ao

Nitrominds, é uma das pérolas lançadas

neste ano e que merecem toda a sua

atenção. O motivo vamos contar agora,

tenha paciência, pois eu sei que você

já deve ter lido sobre este álbum em

algum lugar por aí. Vamos tentar fazer

algo diferente para te dar uma real

ideia da importância deste tributo.

Para começar este tributo surgiu

da cabeça de um fã da banda, o Fabio

Chagas, proprietário do selo Two

Hands Records. O selo já assume pra

si um papel fundamental neste projeto.

Em seguida vêm as parcerias: Monophono

Estúdio (masterização), Q

Arte Studio (arte e encarte), além do

apoio do Chagaz Tattoo Studio. Logo

depois estão as bandas, cada uma com

a sua história, importância e peso, e

bota peso nisso.

Antes é preciso dizer que o Nitrominds

foi uma das bandas mais importantes

do país, não só pela qualidade

musical do trio formado por André,

Lalo e Edu, mas também pela sua coragem

de botar a mão na massa, organizando

as próprias turnês, lutando todo

dia contra um tubarão e sobrevivendo

por quase 20 anos na estrada. É muita

história pra contar, muitos shows, muita

música, tudo muito. Muito foda!

O bom de um tributo como este é que

faz ressurgir um novo público que nunca

deve ter escutado Nitrominds e que

irá procurá-los só para saber se os caras

eram tudo isso. Já consigo imaginar uma

galera boquiaberta constatando o óbvio:

sim, eles eram tudo isso. E o primeiro

som do tributo só dá provas disso…

O álbum começa te jogando na parede,

é com a música “Imperialism” se

encaixando perfeita com a banda Ação

Direta que o álbum mostra ao que veio.

Não espere menos, logo você estará

ouvindo o som no último volume. Tenho

dó dos seus vizinhos (mentira, que

se fodam os seus vizinhos).

Depois vem a banda Austin apresentando

a melódica “Down and Away”. A

música com maior frescor de juventude

do álbum. Me fez lembrar dos tempos

que ficava vadiando pela rua, com

meu tênis All Star quase rasgando, ainda

num tempo que arranhava um pouco

de guitarra, saia na madruga para beber

pinga com Coca-Cola com os amigos.

Bons tempos, mas acho que acabei divagando

um pouco, vamos voltar para

o tributo.

Em seguida vem a música “Something

to Believe”, interpretada pela

Kacttus, banda do qual nunca negou

possuir Nitrominds em suas veias.

Uma das melhores músicas do álbum,

sem dúvida nenhuma.

A banda Q.I? traz “About The

Truth” com uma introdução bem bacana.

Não sei o que o André, Lalo ou

Edu pensaram a respeito quando ouviram

este som, mas acredito que ficaram

bem orgulhosos, não consigo ver onde

é possível reclamar dessa faixa.

Fiquei feliz em saber que pelo menos

um dos sons do Nitrominds cantados

em português tenha recebido a

devida menção. A banda La Marca,

formada em 2009, manteve a pegada

da música original, mas é claro que é

possível ver que existem elementos da

banda na música. Afinal, é tributo, não

cover.

Minha favorita, a que ouvi repetidas

e repetidas vezes é “Room With Parasites”.

A banda Bambix dá o recado

e mostra toda a sua qualidade nessa

maravilhosa faixa. Vale citar que a participação

da Bambix nesta coletânea

é mais do que sincera, a banda já fez

algumas turnês com o Nitrominds e até

podemos dizer que existem influências

mutuas. Essa música já vale o álbum,

mas ainda tem muita coisa boa.

O céu desaba na sétima faixa, Sistema

Sangria apresenta/representa “Policemen”.

Grindcore, punk/ metal. Tudo

junto e tudo muito bom. Repare que no

meio da música surge uma referência ao

Black Sabbath, reparou? Não? Volte para

o início do álbum e escute tudo de novo!

A música “Fences All Over” é outra

versão incrível contida neste álbum.

Interpretada pela banda Gagged. Não

sou do tipo que fica dando nota para

álbuns e bandas, como se isso significasse

alguma merda. Mas é preciso

dizer que ficou nota dez essa versão…

hehehehe

A banda Nox entra com a faixa

“Flowers and Common View”, dá pra

sentir uma pegada também melódica,

um pouco diferente da original no começo

da música, porém também boa.

De qualquer forma me fez procurar

pela banda na web.

Na décima faixa surge “Sick Man”

pelas mãos da banda Caffeine Blues.

Excelente ideia de cantar o refrão dessa

música em português, deixando até

mais forte a canção. Outra banda nascida

em Santo André, deixando claro

também que além das influências naturais

pelo estilo de som, o Nitrominds

também foi uma inspiração para o surgimento

de diversas bandas no ABC.

Em seguida vem a banda Typhoon

Motor Dudes com “Sun Shines Outside”.

Confesso que na primeira vez que

ouvi não curti muito, mas na segunda

vez, prestando um pouco mais de atenção,

reparei que essa música ficou com

uma levada meio Billy Idol. E não, isso

não é uma crítica, é um elogio!

Logo depois vem a banda Taiko

com “We Need To Realize”. Não vou

bancar o sabichão aqui, não conhecia

a banda. Uma ótima surpresa, essa versão

mais gutural e com a batera super

trabalhada deu um grande peso para a

música.

Ao contrário de vários sites por aí

que ignoraram algumas das bandas

presentes neste tributo, algo que considero

meio ilógico porque justiça

deve ser feita (ou se fala de todas ou

de nenhuma), achei estranho o pouco

que foi citado dessa versão do Mollotov

Attack para “Fire and Gasoline”.

Porradaria digna de nota e bem como

citou a resenha do Resgate HC, é um

hardcore lindo mesmo!

Como na música “Punk Inglês” do

Fogo Cruzado, eu diria que “aqui não

é Londres para entender inglês”. Pois

é, com essa prévia diria que a banda

FISTT desempenhou com muita dignidade

a música “Seeds In The Ground”.

Vale lembrar que os caras estão na ativa

desde 1994, por isso todo o respeito

a banda pela sua história.

Na décima quinta faixa está a banda

350ml com a bela “On the road”.

Os caras vieram com a mesma pegada

da canção original. Acredito que neste

caso fizeram o certo mesmo, pra que

tentar criar algo em cima de algo que

já está ali, ótimo.

A música “Usefull For Losers” ficou

com a banda Bullhead que mudou o

início da música dando um tom mais

“we are the world” pra mesma, mesmo

assim ficou bacana. É o clima de

despedida do álbum, chegamos aos últimos

sons do tributo.

A banda Visão Vermelha fez algo

incrível na “Gunshot”, música instrumental

do Nitrominds. Parecia que a

polícia tinha invadido a minha casa e

começado a metralhar tudo. Impressionante

a energia depositada pela banda

nessa música. Baixo sujo, guitarra

distorcida e bateria simplesmente fodástica.

Para fechar o tributo tem “Modern

Family” interpretada apenas na bateria

pelo Daniel Blume. Confesso que

senti muito a falta da guitarra e do

baixo, mas quem conhece pelo menos

um pouco de bateria sabe o quanto foi

corajoso o Daniel. Mas no fim não é

de coragem que se precisa, mas de técnica

e qualidade. Isso foi apresentado

de sobra.

Como não poderia ser diferente, o

próprio Nitrominds encerra o álbum.

Os caras aparecem com uma versão

ao vivo de “We Can Only Live Now”.

Os mais saudosistas devem ter chorado

nesta parte, quase fui um deles.

Tributo incrível e que merece toda a

sua atenção. Para ouvir o álbum acesse

o Bandcamp da Two Hands Records

(http://selotwohandsrecords.bandcamp.com/).

(MM)

Begative Control

Além do seu Limite

Independente – Nacional

Antes mesmo do fim do primeiro

compasso da faixa de abertura,

“Mostre sua verdade”, já dá pra ter

uma certeza sobre o álbum: o Negative

Control não vai aliviar! Com o respaldo

de uma cozinha perfeita, fruto dos

anos de entrosamento entre o baterista

Pingo e o baixista Junior, a guitarra

dispara riffs certeiros, como na roleta

russa de diversões sádicas, que soam

ainda mais fortes sobre a ótima linha

de baixo, enquanto a vocalista Cláudia

dá uma pequena amostra de toda a

agressão que está por vir.

Vista o capacete, porque seja colocando

em cheque as escolhas da vida

moderna ou te desafiando a fazer a diferença

no mundo, é impossível não se

deixar contagiar pela energia do disco

e pelo vocal destruidor, que te faz querer

chutar até o teto da sala!

A qualidade excelente da gravação

colabora para tornar a audição desse

álbum uma experiência ainda mais

profunda. A produção é fantástica e te

leva por um passeio muito interessante,

principalmente à bordo de um bom

par de fones de ouvido, onde o trabalho

feito na mixagem fica ainda mais perceptível.

Difícil vai ser segurar a onda

no volume…

É tanto tapa na cara, que vale um

aviso aos mais impressionáveis. Muitas

vezes você irá perceber a vocalista

falando diretamente com você. Não

pense que é uma indireta. É um direto,

no queixo, daqueles que te deixam

falando fofo. E sempre acompanhado

de todo o peso das baquetas de Pingo,

com a habitual precisão e velocidade.

Mas não leve para o lado pessoal, eles

só precisavam aliviar o rancor.

Uma das novidades fica por conta

das guitarras. É nítida a opção da banda

por um timbre menos sujo, onde ficam

mais explícitas as qualidades do

guitarrista André, tanto na execução

dos riffs quanto no uso dos efeitos, que

em alguns momentos lembram bastante

a abordagem de Tom Morello (Rage

Against the Machine), deixando de se

dedicar exclusivamente às bases das

músicas, como nos trabalhos anteriores,

e trazendo novas texturas e ambiências.

Destaque para o riff de “Guerreiro”,

que faz sua cabeça balançar até

gastar as dobradiças do pescoço.

Claro que a crítica social não poderia

ficar de fora, e segue bem representada

pelas ótimas “Desocupação”

e “Onde está a paz?”, assim como o

bom e velho hardcore, que ainda corre

quente nas veias do quarteto, como nas

faixas “Insensível conduta” e “Suplantar

apatia”.

“Faça a diferença” e “Lado a lado”

tem um enorme potencial radiofônico e

não será nenhuma surpresa olhar pelo

vidro do carro e ver alguém se descabelando

ao som de uma delas, naquelas

programações da hora do rush das

‘rádio rock’ país afora. Um dos destaques

do disco fica por conta da faixa

“O preço do progresso”, com uma letra

que é uma verdadeira facada no rim da

geração Facebook/Instagram e ainda

tem uma linda linha de baixo.

O álbum, que ainda conta com

a participação especial de Priscila

(Trassas), dividindo os vocais com

Claudia na faixa “Mente positiva”,

vem pra reforçar o momento de ótimos

lançamentos da música independente

brasileira e deixar um recado: o

Negative Control está de volta, e não

está pra brincadeira.

Para fazer o download do álbum

basta acessar o link: http://migre.me/

mhGeD. (WC)

UNDERGROUND ROCK REPORT - 35


RRock Report

Enaltecendo o Culto ao Ódio

Por Leonardo Moraes

Fundada em 1988 pelo baixista/vocalista Vincent Crowley , o Acheron

(nome tirado da mitologia grega que quer dizer “rio da aflição”) é

uma das bandas que fizeram parte da cena inicial do Death Metal norte

americano no final dos anos 80 juntamente com Deicide, Morbid Angel e

Cannibal Corpse. Diferentemente dessas bandas, o Acheron ficou um tempo

popularmente conhecido pela associação do vocalista com a Church of

Satan (igreja fundada pelo já falecido Anton Szandor LaVey) e por ter participado

de debates religiosos com evangélicos pela TV nos EUA, apesar de

limitada produção de álbuns da banda nessa fase, o Acheron sempre contou

com a participação de músicos convidados ao longo da sua carreira. Em

2014 o line up da banda é: Vincent Crowley, Art Taylor, Vincent Crowley,

Bradon Howe and Shaun Cothron. Vincent Crowley atendeu gentilmente

a Underground Rock Report e conversamos um pouco sobre a Church of

Satan, turnês, mudanças de line up e sobre o último álbum confira:

Underground Rock Report: Se você não se importa, poderia nos contar

um pouco como foi seu envolvimento com a Church of Satan e se eles

ainda existem nos EUA?

Vincent Crowley: Eu já tinha ouvido falar da Church of Satan muitos anos

antes de eu entrar. Mas somente quando o Acheron trabalhou com Peter H

Gilmore (que atualmente é o sacerdote supremo da Church of Satan) foi quando

ele me apresentou outros membros da Ordem que me apresentaram ao

fundador da Church of Satan ,Anton Szandor LaVey. Depois de trabalhar junto

com o Dr La Vey, aí sim é que me tornei sacerdote da Church of Satan, por

uns 10 anos. Nesse tempo conheci muita gente interessante e talentosa no qual

aprendi muito, mas é claro, havia também aqueles que eu chamava de ovelha

negra dentro da organização, que davam o mesmo tipo de trabalho que dão

essas aberrações evangélicas. E eu tinha que corta-los do grupo ou de qualquer

outra atividade relacionada com a Church of Satan. Eu me dediquei a ordem

como um todo e a tudo a que se referia a ela, não apenas a um grupo de pessoas

isoladas ou determinados grupos afiliados a Church of Satan. Sim, eles ainda

existem mas não faço idéia como estão as coisas atualmente.

URR: Eu soube que você atualmente não faz mais parte da Church of

Satan ou de qualquer outra seita satânica. Por que você tomou essa decisão?

VC: Porque eu simplesmente não acredito mais em nenhum tipo de organização

religiosa. Satanismo é coisa pessoal, eu sou a igreja de mim mesmo,

não preciso freqüentar nenhum lugar pra confirmar minhas crenças. Eu posso

trabalhar com outras pessoas que compartilham o mesmo ponto de vista que

o meu e está ótimo pra mim. Acho que os seres humanos não deveriam confiar

tanto em nenhum tipo de associação religiosa, pois acabam deixando pra

trás seu verdadeiro estilo de vida por conta desta ou aquela afiliação religiosa.

URR: Você acredita que na época em que você esteve envolvido na

Church of Satan, foi bom pra promover a banda na mídia?

36 - UNDERGROUND ROCK REPORT


VC: Na verdade, nossa afiliação com a Church of Satan não nos ajudou

em nada (risos). Claro, não vou mentir que até tivemos uma pequena atenção

da mídia por conta disso mas, ao mesmo tempo tivemos muitos problemas

também como contrato de gravadora e shows cancelados. Agora está muito

melhor porque não temos vinculo com ninguém a não ser com nós mesmos.

URR: Em 2003, você gravou um álbum de covers, a Tribute to the Devils

Music. A escolha particular daquelas musicas tinham algo a ver com

Satanismo ou eram simplesmente seus grupos favoritos?

VC: Um pouco de cada coisa, mas na verdade eu cresci ouvindo aquelas bandas

(Iron Maiden, Judas Priest, Kreator, Venom), além disso, tínhamos anteriormente

gravado aqueles sons em outros álbuns tributos, alguns deles até difícil de

achar hoje em dia. Então a idéia era colocar tudo em um único cd, para nossos fãs

pegarem as musicas e não ter que sair comprando os outros CDs.

URR: Você poderia falar um pouco sobre Kult Des Hasses, o siginificado

da escolha desse titulo para o álbum e quais as diferenças entre o

ultimo álbum, The Final Conflit, the Last Days of God?

VC: Sim! Nós já tínhamos algumas músicas prontas há um bom tempo,

para o lançamento de Kult Des Hasses”: Satan Holds Dominion, Thy

Father Suicide, Whores And Harlots, Jesus Wept, Asphyxiation (Hands of

God), que inclusive estávamos executando ao vivo. Só estávamos a procura

de uma gravadora nova para lança-lo uma vez que não fazíamos mais

parte da Displeased Records, até que encontramos a Listenable Records,

que se interessou em lançá-lo. O significado do título está em alemão,

que inglês significa “Cult of Hatred” (Culto de ódio em português). Eu

pessoalmente acho que esse álbum foi o melhor escrito e composto que já

fizemos. Todas as músicas são cativantes mas sem perder a agressividade e

a obscuridade. Dan Swanno mixou e masterizou “Kult Des Hasses” dando

nos um resultado matador, que parece que estamos de volta aos primeiros

dias do Death Metal anos 80 e começo dos anos 90. Acho que o novo álbum

não perdeu a essência do que você pode ouvir em The Final Conflit, porém

ele está muito mais pesado, com mais riffs de guitarra, estamos muito satisfeitos

com o resultado.

URR: Porque o titulo Concubina do Diabo está em português? Uma

homenagem ao Brasil? Fale-nos um pouco mais...

VC: Nós fizemos nossa segunda turnê brasileira ao lado do Obituary em

2012 e foi um grande sucesso. Tivemos uma boa receptividade das pessoas

e fizemos grandes amigos nos lugares que passamos, eu senti que tínhamos

que retribuir de algum modo e achamos que colocar uma música com o

título em português seria uma ótima maneira de retribuir.

URR: Um bom tempo atrás eu lembro que você tinha publicado no

Facebook que achava um absurdo as pessoas perderem tempo publicando

falsas noticias, o que concordo com você. A notícia, então dizia que o

baterista Kyle Severn tinha deixado o Acheron, o que acabou acontecendo

algum tempo depois na verdade. Foi coincidência? E quais foram os

motivos que o levaram a deixar a banda? Vocês ainda são amigos?

VC: Foi coincidência! Kyle e eu trabalhamos juntos por anos. No passado

éramos amigos pessoais e isso fazia com que trabalhássemos melhor

juntos, mas as coisas mudam com o passar dos anos e foi o que exatamente

aconteceu. Eu não tenho nenhum ressentimento por isso e fico contente

dele ter feito parte da historia do Acheron. Mas, nenhum de nós quer trabalhar

juntos novamente isso já está definido. O Incantation é dele e o Acheron

é meu! Acho que nós dois estamos menos estressados agora (Risos)

URR: Você consideraria que o Line up do Acheron está muito melhor

atualmente?

VC: Através dos anos eu tenho trabalhado com muitos músicos talentosos,

então eu não gosto de afirmar que este line up é melhor que aquele

pois, cada pessoa é uma pessoa diferente e tem seu modo particular de

fazer as coisas. A única preocupação através dos anos foi reunir uma boa

energia juntos e botar pra quebrar. Atualmente eu também estou com músicos

talentosos e deixo para os fãs decidirem qual line up é melhor. Nossa

única preocupação é botar pra quebrar sempre ao vivo e gravar um próximo

álbum ainda melhor que Kult Des Hasses.

URR: Como está o relacionamento com a nova gravadora, a Listenable

Records? Melhor que a antiga Displeased Records?

VC: Melhor impossível! A Listenable Records apóia o Acheron em

100%! Eles são mil vezes melhor que a antiga gravadora Displeased Records.

Sem mencionar que o proprietário da Listenable, Laurent, é fã do

Acheron. Ele acredita na nossa música e quer elevar a banda no mais alto

nível, sinceramente eles têm sido a melhor gravadora que já trabalhamos.

URR: Qual sua opinião sobre o Death Tribute Project - DTA?

VC: Eu acho legal! Acredito que é uma homenagem à altura para os fãs

do Death, tenho certeza de que Chuck aprovaria.

URR: Como estão às turnês do Acheron em 2014? Você poderia dar

um resumo do que tem acontecido?

Vc: Infelizmente o Acheron não fez nenhuma turnê em 2014! Uma das

razões foi a procura de um novo baterista e um segundo guitarrista permanente,

se fizermos algum show será localmente entre novembro e dezembro,

mas não é certeza. Mas para 2015 nós planejamos colocar o pé na

estrada novamente.

URR: Atualmente você está envolvido em algum projeto que você gostaria

de mencionar?

VC: Sim, eu toco também no CRIMSON HEROIN mas não tem nada

haver com Death ou Black Metal. A banda é influenciada por industrial/

eletrônico/heavy metal, é bem diferente mas é algo legal de estar fazendo.

URR: Em sua opinião o Death metal pode ser composto de diferentes

e novos elementos na musica, como fez o Morbid Angel no ultimo disco?

Falando nisso o que você achou dos últimos álbuns do Deicide e Morbid

Angel?

VC: Depende muito da banda em questão e dos músicos. Acho que cada

um faz o que quiser. O resultado pode ser tanto positivo como negativo. O

ultimo álbum do Deicide eu curti muito, tem mantido a mesma linha mas

realmente eu não gostei do novo disco do Morbid Angel.

URR: o que você acha da atual cena do Death Metal nos EUA e no

mundo? Há alguma banda de Death Metal que você acha que tem se

destacado atualmente na cena atualmente?

VC: A cena só existe para quem realmente curte o estilo, mas infelizmente

nos Estados Unidos ela não é grande por conta de porcarias como Hip

Hop, Rap que predomina na cultura norte americana, destruindo o cenário

musical de outros estilos. Eu acho que o cenário Europeu é muito mais

aberto a todos os estilos de metal do que o norte americano, sem duvida.

Mas eu confesso a você que na America do Sul é aonde a cena Metal é a

maior do mundo. Os fãs nessa região são simplesmente demais. Acho que

o Belphegor tem se destacado bem atualmente na cena de Death Metal, eu

realmente tenho curtido seus últimos álbuns.

URR: Para terminar, o Acheron fez uma tour no Brasil no final de

2008, mas os fãs da cidade de São Paulo ficaram frustrados porque o

show foi cancelado. Você lembra o que aconteceu na época?

VC: Ah sim, eu lembro! Eu e Kyle (o então, baterista) ficamos presos no

aeroporto de Nova York por conta do atraso do vôo devido ao mau tempo e

acabamos perdendo o vôo de conexão que nos levaria para São Paulo. Foi

um verdadeiro pesadelo aquilo, principalmente porque o show de São Paulo

seria no dia do meu aniversário e tivemos que ficar num hotel até o dia

seguinte para pegar o próximo vôo. O restante da tour pelo Brasil ocorreu

bem. Apenas no final da tour, já no nosso ultimo dia antes de voltar é que

ficamos em São Paulo e demos uma volta pela Galeria do Rock, achei incrível

aquele lugar,varias lojas de CDs muito legais, tudo muito fantástico.

Felizmente pudemos fazer uma tour completa no Brasil em 2012 ao lado

do Obituary, e Nervo Chaos que simplesmente foi demais!! Não vejo a hora

de retornarmos ao Brasil e encontrar nossos fãs.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 37


RRock Report

Um brilhante caminho pela frente

Por JP Carvalho

Um dos prazeres desta vida está em descobrir as coisas! Sinto-me privilegiado

em poder conversar com tantas pessoas e descobrir um pouquinho

mais de cada um deles. Mas quando me deparo com pessoas muito

mais jovens do que eu, e que possuem conteúdo, mostram que sabem exatamente

o que querem da vida e lutam bravamente por isso, muitas vezes

chego perto das lágrimas. Com Renato Pestana, baterista da banda Fatal,

foi assim, já o conhecia de vista, mas ter esse bate papo repleto de sintonia

e caráter, me deixou feliz, e com certeza renovou minhas esperanças na

juventude deste país.

A banda Fatal pratica um Thrash Metal e nasceu na Zona Norte da cidade

de São Paulo em meados de 2012.

Desde que a formação se estabilizou com os músicos Julia Yago no

contrabaixo, Lucas Chuluc e João Dias nas guitarras, o já citado, Renato

Pestana na bateria e Abracax nos vocais, o grupo vem investindo em suas

composições, que possuem fortes influências do hardcore punk/crossover e

se inspirando em bandas como Exodus, Venom e Cro-Mags.

A temática das letras é, resumidamente, influenciada pelos pecados capitais,

com bases na literatura religiosa, cinema e na realidade humana.

Já tocou ao lado de bandas como FireStrike, Trevas, Bandanos, Imminent

Attack, Chemical, Rider, e muitas outras e em casas localizadas desde

o centro de São Paulo até lugares como Jandira. Entre essas casas, destaca-

-se o Inferno Club na Rua Augusta.

Atualmente, a banda está finalizando as gravações de seu EP, que tem

previsão de lançamento para Novembro de 2014.

Confira a seguir entrevista com o baterista Renato Pestana.

Underground Rock Report: Antes de começarmos, obrigado pelo seu

tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre

você e suas atividades.

Renato Pestana: Opa! Primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade,

estou bem feliz de poder conversar com vocês. Obrigado!

Bom, sou o baterista da banda Fatal, que mesmo existindo desde meados

de 2011 (com outros integrantes e até outro nome), tem aparecido um pouco

mais no cenário paulistano de Thrash Metal no ultimo ano.

Tenho estado bastante ocupado com os diversos shows e as gravações do

nosso primeiro EP que acabaram recentemente. Com o pouco tempo que

38 - UNDERGROUND ROCK REPORT

me sobra, me mantenho ativo estudando o instrumento, fazendo trabalhos

freelance, gravando para alguns amigos e até mesmo dando aulas.

A parte de tudo isso, tenho um projeto de rock progressivo que logo

entrará em estúdio e lançará material próprio também.

URR: Como você se tornou baterista?

Renato: Meu primeiro contato com a bateria foi aos 8 anos, eu acho.

Meu irmão estudava violão e um dia fui visitar a escola onde ele tinha as

aulas. Eu vi uma bateria pequena e posso dizer com certeza que foi amor a

primeira vista. Lembro que passei a tarde toda batendo nos tambores sem

ter a mínima noção do que estava fazendo (risos).

Mais tarde, lá pelos meus 10 anos de idade, minha mãe me viu fazendo

air drums e me prometeu que um dia me daria uma bateria. Ela cumpriu a

promessa e aos 12 anos ganhei meu primeiro kit.

Comecei a estudar sem saber muito bem o que queria com o instrumento.

Acho que passei praticamente um ano sem ter muita ideia do que queria.

Isso mudou completamente a partir do momento em que conheci o Ian Paice

e o Deep Purple. Foi ali, que decidi que me tornaria um verdadeiro baterista.

URR: E como foi o seu primeiro contato com um professor? Você acha

que aulas de música deveriam figurar na grade escolar de todo o país?

Renato: Com certeza! Música é cultura e, apesar de o Brasil ter uma

cultura muito rica, ela não é bem disseminada.

Creio que se lecionassem música nas escolas públicas como parte da

grade curricular, já haveria um grande avanço na disseminação cultural e

abriria mais espaço para música boa na mídia em geral. Nunca tive professores

de nome e nunca estudei em escolas de música famosas, mas devo

muito aos professores que tive, pois me ensinaram a gostar de tudo o que é

bom e bem feito. E me mostraram que música é, acima de tudo, sentimento.

URR: Fico muito feliz em ouvir isso! Como é a sua relação com outros

tipos de músicas que não o Heavy Metal ou o Rock em geral?

Renato: Não me prendo muito a estilos musicais. Sempre ouvi de tudo,

gosto de música em geral, desde que soe boa aos meus ouvidos.

Cresci ouvindo MPB, Bossa Nova e Samba e acho que isso contribuiu

muito para o meu gosto musical hoje em dia.

Gosto muito das músicas dos anos 60 e 70, pois foi uma época em que


havia muito experimentalismo, não haviam muitos limites na música e as

pessoas tinham liberdade pra criar, mudar e mesclar estilos a bel prazer.

E, por incrível que pareça, não sou um grande fã do Heavy Metal e nem

das suas vertentes mais pesadas. É um dos estilos que menos ouço, na verdade.

Não é algo que me influencia tanto.

URR: E isso de alguma forma influência na sua maneira de tocar,

melhor, você agrega diversos outros estilos na hora da criação das suas

linhas de bateria?

Renato: Sim, com certeza! Apesar de o Thrash Metal ter linhas de bateria

um tanto limitadas, tento sempre colocar um pouco do swing e do

feeling que trago do Jazz e do Funk.

Muitos bateristas de Metal atuais se esquecem de onde vieram. A história

da bateria esta intimamente ligada à história do Jazz e foi a partir dali que

a maioria dos estilos evoluiu.

Bateristas como John Bonham, Cozy Powell, Mitch Mitchel e Ian Paice

beberam da mesma fonte e essa fonte é o Jazz. E, se todos eles são admirados

hoje em dia, então por que não bebemos o mesmo que eles para, quem

sabe, sermos admirados num futuro distante?

URR: E como é a receptividade das suas ideias na banda Fatal?

Renato: Minhas ideias são sempre muito bem aceitas assim como as

dos outros integrantes, tanto na hora de compor quanto na hora de decidir

alguma coisa relacionada ao futuro da banda.

Somos bem unidos e pensamos de forma bem parecida, isso contribui

muito para as composições também. Sempre que discordamos em algum

ponto, tentamos melhorar aquilo de forma que todos fiquem satisfeitos.

URR: A banda é bem jovem, isso cria algum tipo de problema para

vocês na hora de agendar shows? E como tem sido a aceitação do público

aos shows de vocês?

Renato: Até hoje não tivemos muitos problemas com agendamento de shows

e, por sermos novos, temos até uma aceitação um pouco maior do publico.

A galera sempre acha legal gente da nossa idade fazendo um som direto e com

tanta influencia do Thrash dos anos 80. Mas para nós é normal, temos varias

bandas parceiras que fazem o mesmo tipo de som e não estranhamos nada disso.

URR: O que você pode nos adiantar sobre o EP da Fatal?

Renato: Se eu te contar, vou ter que te matar. (Risos)

Mas posso adiantar que vem coisa boa por aí! Como a maioria sabe,

gravamos no DaTribo e a rapaziada lá é bem qualificada e gente fina. Foi

um trabalho bem bacana, ficamos bem a vontade com eles e estamos bem

confiantes.

O EP será intitulado Fatal Attack e com certeza fará jus ao nome. Os sons

são rápidos e pesados, com riffs marcantes e vocais potentes e diretos. Há

inclusive uma faixa com partes mais cadenciadas e pesadas que, acho que

vai agradar bastante o publico.

Tenho certeza que a galera não vai se decepcionar!

mas com pouquíssimo apoio por parte da mídia e do publico.

Poucas pessoas compram o material das bandas, poucas pessoas divulgam

e poucas vão aos shows. Infelizmente essa é a realidade da cena nacional

nos últimos anos.

Na cena paulistana, é dado mais valor às bandas covers do que às bandas

autorais e isso é muito triste e faz com que algumas pessoas acabem desistindo

de seus trabalhos autorais por não receberem o prestigio merecido.

Diversos bares e casas de show simplesmente fecham as portas para bandas

autorais, isso quando não cobram uma fortuna para ter a banda tocando no

local.

Há também, um certo preconceito entre bandas, algumas são muito mal

vistas por alguns músicos e eles mesmos se fecham para o próximo. Isso

acaba ‘elitizando’ a cena e eu, pessoalmente, não gosto nem um pouco

disso. Deveríamos nos unir, e não nos separar ainda mais.

Mas creio também que houve uma certa melhora nos últimos tempos,

mas ainda há muito o que mudar. Mas isso vem com o tempo.

Vamos continuar lutando para que a cena independente do metal nacional

continue crescendo!

URR: Você acha que falta iniciativa do público em ir aos shows ou

a qualidade das bandas autorais fica devendo e por isso não desperta o

interesse das pessoas?

Renato: Com certeza falta iniciativa do publico. Há bandas sensacionais

na cena nacional, porém as pessoas estão acomodadas com o que conhecem

e não têm a mínima vontade de conhecer coisas novas, infelizmente é

a mentalidade de muitos brasileiros.

URR: O cenário Metal no Brasil é enorme, mas escassa dentro da sua

própria casa, você enxerga alguma mudança em um curto prazo e quais

deveriam ser nossas atitudes para que essa realidade mudasse?

Renato: É difícil saber. Como disse antes, tenho visto uma certa melhora

nos últimos tempos, mas ainda está longe de ser o que a maioria das bandas

idealiza.

Acho que quem deve tomar atitudes para mudar essa realidade não são

apenas os músicos e as bandas, que nunca deixam de correr atrás, mas os

produtores e administradores de bares e casas de show.

Algumas casas já começaram a mudar e estão aceitando mais bandas

independentes em seus palcos, como, por exemplo, o Inferno Club com o

Hell Metal Fest, que já na segunda edição está reunindo um line-up muito

bacana, recheado de bandas ótimas.

URR: Planos para o futuro?

Renato: Não tenho muitos planos para o futuro, não gosto muito de pensar

no amanhã... Só quero prosperar com a Fatal e com todos os meus projetos

paralelos e amadurecer profissionalmente, creio que sejam os meus

principais objetivos no momento.

URR: Resuma Renato Pestana em uma frase ou palavra.

Renato: Diria que sou um cara muito tranquilo e sereno e me dou bem

com todos à minha volta.

URR: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-

-papo, deixa aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Renato: Eu é que agradeço pela conversa e pela oportunidade, foi muito

bacana!

Quem curtiu o papo e estiver a fim de saber mais sobre a Fatal, curte a

pagina no Facebook e, se quiser saber sobre algum dos projetos paralelos,

me adicione! Valeu, abraço!

www.facebook.com/BandaFatal

URR: Certo! Quais são as temáticas líricas da Fatal e quais são as

expectativas da banda com esse futuro lançamento?

Renato: Bom, temos temáticas variadas. Nos inspiramos na literatura

religiosa, em filmes, em livros e na realidade humana.

É um pouco difícil de explicar, mas temos a ideia de seguir um conceito

baseado nos sete pecados capitais e através desse conceito ir trabalhando

nossas músicas de acordo com esse tema.

Quanto às expectativas, estamos bastante esperançosos. Depois do lançamento

pretendemos fazer um videoclipe com uma das músicas que estará no EP e

depois é provável que façamos uma pequena tour para promover o mesmo.

URR: Como você vê o cenário da música pesada brasileira?

Renato: É uma cena forte, que tem uma infinidade de ótimas bandas,

UNDERGROUND ROCK REPORT - 39


PProfile

Luchando Por El Metal

V8 foi uma banda de Heavy Metal oriunda da Argentina nos anos 80 (1980-

O 1987), e foi, depois da banda Riff, um dos primeiros grupos a ter destaque

dentro deste gênero na Argentina. Eles gravaram três álbuns de estúdio durante

sua existência, e a maioria dos seus membros mais tarde fez parte de outros grupos

de Heavy Metal da Argentina igualmente notáveis. Entre eles, se destaca, Ricardo

Iorio, que tem a maior trajetória discográfica mais extensa do gênero no país.

A história do V8 começa no final de 1979, quando Ricardo Iorio e Ricardo

Moreno Chofa, decidir deixar o grupo Comunión Humana, para formar um novo

grupo, tentando se mais pesado do que a anterior. Após dois meses de ensaios

em que haviam escrito canções como Voy a Enloquecer, Asqueroso, Cansancio

y Maligno, chega a hora de incorporar um baterista e publicado um anúncio na

revista Segunda Mano, que foi respondido por Gerardo Osemberg.

O grupo ainda não tinha nome, mas chegou a adotar alguns como, Hydra,

RGR e Bloke, mas uma reunião à tarde os três na vereda de Chofa, Anibal

Britos foi quem sugeriu-lhes para colocar V8, como o motor V8. Após prós e

contras concordaram que V8 seria o nome que os representaria, já que sugere

velocidade, potência e peso.

Em julho de 1980, ocorre a primeira apresentação ao vivo, no Clube Sahores

de Villa Park, Buenos Aires, com Ricardo “Chofa” Moreno (guitarra), Ricardo

Iorio (baixo) e Gerardo Osemberg (bateria).

Algum tempo depois, Iorio conheceu Alberto Zamambirde e tornaram-se

amigos. Quando “Beto” Zamambirde decidiu sair de sua antiga banda, W.C.,

devido a problemas com o guitarrista, passou a ser o novo vocalista do V8.

Até o ano de 1982, Osvaldo Civile (que se suicidou no ano de 1999, quando

terminou de gravar o último álbum do Horcas) tocava em uma banda chamada

Té De Brujas; era famoso por ter uma parede de Mihuras (um amplificador da

época). Em maio de 1982 entrou para o V8 substituindo Ricardo “Chofa” Moreno

(guitarrista fundador), que saía da banda por problemas de saúde. No primeiro

ensaio, o baterista Alejandro “Pesadilla” Colantonio destruiu a bateria com a

qual estava tocando; antes do ensaio seguinte, Iorio despediu o baterista, que foi

substituído por Gustavo Rowek (dono da bateria destruída, ex-companheiro de

Alberto Zamambirde na banda W.C e futuro baterista do Rata Blanca, na época).

Com o apadrinhamento de Norberto Pappo Napolitano, um guitarrista, cantor

e compositor de Blues, Rock e Metal argentino, conhecido artisticamento como

Pappo e apelidado “El Carpo” que é, sem dúvida o mais importante guitarrista da

Argentina. Tocaram ao vivo pela primeira vez no B.A. Rock do 82 (onde Piero

pedia isqueiros e dedos em formato da letra V para cantar Manso y Tranquilo),

no meio de grupos hippies que se recusaram plenamente.

O primeiro álbum, Luchando Por El Metal, foi lançado em março de 1983, na

etapa de maior popularidade do gênero musical, colocando-os como segunda banda

mais importante da Argentina, atrás apenas do legendário Riff. Os hits eram Hiena De

Metal (Com Pappo na guitarra), Destrucción (ambos haviam sido incluídos na demo)

e Brigadas Metálicas. No mês de julho abriram o show do Riff no estádio da equipe

de futebol Vélez Sarsfield (com uma performance muito ruim, devido às condições

da produção sonora) e do espanhol Barón Rojo, em outubro, no estádio Obras.

No dia 23 de dezembro apresentaram-se no campo da equipe de futebol

Platense. Em ambos os shows houve incidentes muito graves, feito que colocou

em perigo a continuidade não só da banda, mas de todo o Heavy Metal na Argentina.

Durante todo o ano de 1984 reduziram consideravelmente o número de

shows e dedicaram mais tempo à preparação do segundo álbum, Um Paso Más

En La Batalla. O disco recém-gravado foi posto à venda apenas em fevereiro de

1985; este período tão grande de inatividade reduziu a popularidade da banda.

Realizaram algumas apresentações em no Brasil, São Paulo, mas houve

desentendimentos que fizeram Iorio e Alberto Zamambirde voltarem a Buenos

Aires. Chamam logo Gustavo Rowek para retornar ao V8, mas este não quis

voltar à banda. Junto com Gustavo Rowek, Osvaldo Civile também se separa. A

solução foi substituir este dois integrantes por Gustavo “Turco” Andino (bateria),

Walter Giardino (guitarrista que mais tarde fundou o Rata Blanca) e Miguel

Roldán (guitarra). Oito meses e quatro shows mais tarde, Walter Giardino foi

expulso da banda, e junto com ele Gustavo “Turco” Andino também se afastou.

A última formação acabou por ser um quarteto, com Adrián Cenci na bateria.

Com a conversão de Alberto Zamambirde e Miguel Roldán ao cristianismo

(algo inimaginável poucos meses antes), a banda lança o último disco que o

contrato exigia, “El Fin De Los Inicuos”, de 1986. Os fãs não puderam acreditar

que estes músicos (agressivos e pesados), a quem idolatravam, agora cantavam

mensagens cristãs.

No ano de 1992 foi lançado “No Se Rindan”, uma coletânea que resume o

material mais compacto do grupo.

Em 1996, no Estadio Obras, juntou-se parte dos ex-membros da conhecida

formação do V8 para celebrar o Metal Rock Festival, como banda principal; a este

acontecimento somente faltou Iorio. Outras bandas que também tocaram foram

Vibrión, Horcas (de Osvaldo Civile), Logos (de Alberto Zamambirde e Miguel

Roldán) e Rata Blanca (de Walter Giardino). Isso fez com que circulassem rumores

que asseguravam a existência de promotores dispostos a colocar meio milhão de

dólares para realizar uma re-união formal do V8, o que infelizmente não aconteceu.

Formação mais importante da banda:

Alberto Zamambirde- Vocal

Osvaldo Civile- Guitarra

Ricardo Iorio- Baixo

Gustavo Rowek- Bateria

Discografia

1 - Demo - 1982

2 - Luchando por Metal - 1983

3 - Un mais passo na batalha - 1985

4 - El End of the Wicked - 1986

5 - No (coleção) rendição - 1991

6 - Homenaje (Live) - 1996

7 - No (versão remasterizada) Surrender - 2001

8 - Antología - 2001 - 4CD (alguns vivem)

40 - UNDERGROUND ROCK REPORT


PPalco Report

BRUJERIA

CLASH CLUB, São Paulo/SP,

9/03/2014

Dois anos depois de uma bem sucedida

apresentação em São Paulo, o Brujeria

retorna a capital paulistana para

uma das seis datas da turnê brasileira

que já passou por Curitiba, Brasilia,

Palmas e deverá encerrar a passagem

do grupo no Brasil passando por Rio de

Janeiro e Manaus.

O Clash Club abriu suas portas as 18

horas como estava no flyer, mas a banda

de abertura só entrou no palco às 19h45.

E por falar em banda de abertura,

achei bastante original a apresentação

do Test, principalmente pelo visual da

banda e o lance do vocalista tocar de

lado para o público e de frente pro baterista,

lembrando vagamente uma versão

grindcore do The White Stripes. A banda

é um duo formado por João Kombi nas

guitarras e vocais e Thiago Barata na bateria.

O Test já abriu pro Mayhem ano

passado e é bem conhecido no circuito

underground paulistano por fazer várias

apresentações gratuitas pela cidade.

O Test faz um grindcore splatter cantado

em português numa velocidade

descomunal que você acaba no final

das contas não ligando em qual idioma

o vocalista está cantando, único ponto

negativo foi o som embolado já no quase

final da apresentação do grupo que

durou perto de meia hora.

Era quase 21 horas, algumas figuras

inconfundíveis do público headbanger

como Shane Embury (Napalm Death)

Jeff Walker (Carcass) e Nick Barker (Ex

Dimmu Borgir, Cradle of filth e outros)

estavam acertando os últimos detalhes

da passagem de som antes de entrarem

definitivamente no palco. Não demorou

muito para os outros integrantes, Juan

Brujo, Fantasma, Ak, subirem no palco

e na seqüência, Jeff já caracterizado

como El Cynico, Shane já como Hongo

e Nick como Hongo Jr. Nos primeiros

acordes de Verga Del Brujo, uma roda

gigantesca se abriu no meio da Clash

Club, levando a todos a completa histeria,

o caos estava instalado, a galera

agitou sem parar durante todo o set de

1h15! O Brujeria completa, em 2014,

25 anos de estrada, anunciou que está

pra lançar um álbum novo até o final

desse ano mas ainda sem data definida,

sob o titulo Pocho Aztlan, música esta

que foi executada durante o set list.

O som não estava lá 100% no Clash

Club, alternava de embolado a guitarras

altas demais. Mas isso foi o de menos,

show do Brujeria é diversão garantida

isso é o que importa. O público parecia

não se importar nem mesmo no momento

em que os fios dos microfones de Juan

Brujo e Fantasma se embolaram nos fios

da guitarra de Hongo causando uma breve

pausa na apresentação e arrancando

risos dos músicos. O calor insuportável

que fazia dentro da Clash era regado

com os arremessos de garrafinhas de

água pelo baixista El Cynico entre suas

pausas para tomar uma cerveja.

A apresentação do Brujeria teve até

referências sobre os médicos cubanos

contratados pelo governo brasileiro que

serviu de introdução para a música Anti

Castro, música que faz uma critica ao

ex- ditador cubando Fidel Castro. Além

dessa música, o destaque ficou para as

canções mais conhecidas como La

Migra, Matando Güeros, División Del

Norte, Marcha de Odio, Brujerízmo e

Consejos Narcos, entre as batidas do

facão de Juan Brujo na caixa de som ou

em qualquer outra superfície no palco.

Outra coisa bem legal foi a interação

dos vocalistas Fantasma e Juan Brujo

com o público que foi muito grande

boa parte do tempo, arriscando até no

portunhol com a galera e um dos momentos

mais engraçado foi quando os

dois vocalistas simulavam negociações

de contrabando com o público.

Confira na integra o set list de mais

um show memorável do Brujeria na capital

paulistana, banda que certamente

deve retornar em breve como eles disseram

na despedida.

GUNS N ROSES

Arena Anhembi, São Paulo,

28/03/2014

Assistir um show do Guns N Roses é

no mínimo curioso.

Se você não é fã da banda, curiosidade

não é o suficiente para ir. É preciso

também se abstrair de conceitos e preconceitos

e encarar a atração como um

evento musical e artístico como qualquer

outro, aí a coisa flui bem.

Fundada há 29 anos, o Guns N Roses

na verdade só teve 7 anos que merecem

uma boa atenção. Quem viveu

a adolescência nesse período de 1987

a 1994, lembra perfeitamente que o

Guns N Roses foi um dos gigantes da

musica mundial, praticamente só se

ouvia falar deles no rádio e nas revistas

especializadas naquela época. A

banda vendeu horrores com os álbuns

Appetite For Destruction e GNR Lies,

foi um dos fenômenos mundiais que

lotou estádios em vários países com

turnês que duravam até dois anos e

meio na época dos álbuns Use Your

Ilusions I e II. Depois veio o inicio da

decadência com o álbum The Spaghetti

Incident, mudanças na formação, ficando

praticamente Axl Rose como único

membro original e surgiu um tenebroso

hiato que durou até o aparecimento de

Chinese Democracy, o que rendeu apresentações

esporádicas ao vivo do grupo

já reformulado,embora atualmente não

exista nenhuma previsão do Guns N

Roses gravar um álbum novo.

Um misto de devoção pelo que o

Guns N Roses foi um dia e curiosidade

levaram 22 mil pessoas a arena do

Anhembi em uma sexta -feira a noite.

A abertura do show de São Paulo ficou

por conta do Doctor Pheabes e do

Plebe Rude que fizeram um show curto

para aquecer a galera até a entrada do

Guns n Roses no palco que estava prevista

para às 22 horas, embora atrasos

já eram previstos pelos fãs, como é de

costume nas apresentações ao vivo do

Guns N Roses.

De repente as luzes se apagaram e

é tocada a introdução “Far From Any

Road” que pertence a um grupo de musica

country norte americano chamado

“ The Handsome Family”, enquanto nos

telões caveiras apareciam florescendo,

dando origem ao simbolo utilizado pelo

Guns N Roses. Axl Rose só entrou no

palco as 23h35, com uma hora e meia

de atraso iniciando os acordes com Chinese

Democracy, faixa titulo do último

álbum da banda que não empolgou a

galera de imediato, no sentido “que música

é essa?” e assim foi essa reação do

público com as outras músicas de Chinese

Democracy , que na minha opinião

é o álbum certo mas na época errada. Se

esse álbum tivesse sido lançado ainda

nos anos 90, acredito que a rejeição seria

bem menor atualmente. Talvez nem

existisse rejeição ou tanto desconhecimento

das músicas devido ao grande

numero de bandas novas que estouraram

nos anos 90 com muito experimentalismo

e novidade, diferente do que

vemos na cena metálica em geral dos

anos 2000 pra cá: a maioria das bandas

apresentando material no esquema mais

do mesmo do que outras bandas já fizeram

e Chinese Democracy se encaixa

perfeitamente nesse contexto.

A segunda música Welcome to The Jungle

fez a galera pegar fogo junto com os

efeitos de pirotecnia no palco e agitar seguidamente

nas musicas conhecidas como

Its so Easy, Mr Brownstone e Estranged.

Então foi a vez de Better mais uma

do Chinese Democracy pra dar um break

na galera. Na sequencia Rocket Queen

pra não deixar a peteca cair.

De repente, Axl Rose foi para os

bastidores trocar de jaqueta e chapéu,

foi a vez do guitarrista Richard Fortus

executar um solo de guitarra. Esse tipo

de apresentação solo se repetiu durante

o restante do set com os guitarrista

Dj Ashba e Ron Bumblefoot e teve

também com o pianista Dizzy Reed. A

impressão que ficou é que Axl cedeu

espaço para seus músicos não tão famosos

quanto Slash, Izzy e Duff brilharem.

Embora Axl esteja acompanhado atualmente

de excelentes músicos o resultado

final foi uma apresentação de técnica

instrumental solo bem chata, desnecessária

e interminável.

Axl retornou ao palco e foi a vez do

cover Live and Let Die, musica imortalizada

na voz de Paul McCartney

nos tempos do The Wings que agitou

a galera novamente. Depois um balde

de água fria com This I love, mais

uma do Chinese Democracy e para dar

uma esquentada nada como Holidays

in the Sun, cover do Sex Pistols com

o baixista Tommy Stilson fazendo os

vocais. Na sequencia um solo de piano

que introduziu mais uma do Chinese

Democracy, Catcher in the Rye. O solo

inconfundível da introdução de bateria

de You Could be Mine levou a galera

ao delírio, mas principalmente nessa

música ficou visível que a potência da

voz de Axl Rose nos agudos não é a

mesma dos tempos de Use Your Ilusion

I e II. Aliás nem o próprio Axl Rose é

o mesmo de antigamente. A impressão

que eu fiquei é que Axl Rose não quis

se mostrar muito para os fãs, de óculos

escuros boa parte do tempo, chapéu e

jaqueta fechada o show inteiro e fez

longos intervalos entre as músicas. Atitude

condizente com os boatos de sua

aparência física detonada.

Como já citado anteriormente, foi a

vez do excelente guitarrista Dj Ashba

fazer um solo que na sequencia foi a

introdução de Sweet Child o Mine, musica

que como as outras conhecidas a

galera cantou em coro.

Agora ao invés de solados, a banda

de Axl Rose fez uma jam, enquanto

os Roadies arrastaram um piano para

o palco, era a vez de November Rain,

mais uma das musicas famosas do Guns

ovacionadas pelos fãs.

A apresentação da música Abnormal

com o guitarrista Bumblefoot nos vocais

eu achei completamente desnecessária,

tipo encheção de linguiça assim

como os solos intermináveis durante os

intervalos ao longo do show. E por falar

em solos Bumblefoot solou o “Tema da

Vitória” em homenagem a Ayrton Senna,

mostrando grande admiração pelo

piloto de Formula 1 brasileiro.

O ponto alto da apresentação do

Guns N Roses foi nessa sequencia com

as musicas Dont Cry, Knockin on Heavens

Door ( Cover de Bob Dylan),Civil

War e Nightrain .

A parte final da apresentação do

Guns n Roses em São Paulo ficou mesclada

entre as jams totalmente dispensáveis

com as músicas Patience e The

Seeker que é um cover do The Who .

Paradise City fechou definitivamente

com chave de ouro em meio a uma explosão

de pirotecnia e chuva de papel

picado vermelho.

No final das contas, o saldo foi positivo

ver o Guns n Roses ao vivo durante

2h30 de show executando músicas

que marcaram época mesmo com essas

pausas com os solos e jams exagerados

demais que foram responsáveis pela

extensão do show. Ficou provado que

Axl Rose era a unica razão para 22 mil

pessoas estarem num Anhembi e ele se

esforçou para fazer jus a isso.

A banda retorna ao Palco do Anhembi

para agradecer os fãs e ainda com direito a

Axl Rose chutar o pedestal do microfone.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 41


HIM

HSBC Brasil, São Paulo

(30/03/2014)

Não há um consenso geral entre os

fãs do HIM sobre que estilo de música

o grupo pertence. Há quem diga que é

simplesmente Pop Rock, outros Gothic

Hard Rock, há também quem diga que

é Rock Gótico Progressivo, outros fãs

defendem que o grupo faz uma fusão

de todos esses estilos denominado Love

Metal, pelas letras do grupo abordarem o

tema amor e morte.

Enfim, rótulos não importam. O importante

é que foi mais um evento realizado

pela Radio& TV Corsário de grande

sucesso, era impressionante as filas ao

redor do HSBC Brasil que davam voltas

no quarteirão, dando quase lotação máxima

da casa em um Domingo a noite.

Um outro grande atrativo foi o fator

novidade: o HIM nunca tocou antes no

Brasil e sem dúvida foi uma das poucas

atrações inéditas previstas a passar pelo

Brasil em 2014.

O HIM existe desde 1991, começou

como qualquer banda, fazendo covers

de suas bandas preferidas. Mas eu só

fui me tocar da existência do HIM em

2005, exatamente quando eles lançaram

o álbum Dark Light, eu estava em Helsinque

na capital finlandesa. Não dei a

menor bola na ocasião, estava mais

interessado na coleção de compactos

raros do Venom, Darkthrone, Impaled

Nazarene e entre vários outros que um

amigo meu finlandês tinha na casa dele

do que ficar escutando HIM. Até que

a namorada dele apareceu com o CD

Dark Light dizendo que aquele CD era

melhor do que todas aquelas bandas que

estávamos ouvindo. Não que ela estivesse

100% certa na hora,mas o Dark Light

virou meu CD preferido deles anos depois,

o que me traz boas recordações da

minha visita a Finlândia até hoje.

Fazia tempo que não ia a um show

onde a histeria coletiva fosse do começo

ao fim, pontualmente às 21h30, a introdução

de Lucifers Chorale deu inicio

a passagem do HIM por São Paulo.

De repente os integrantes do HIM

um a um vão aparecendo no palco e

iniciam os acordes de Buried Alive by

Love, que foi cantada em coro pela galera.

Depois foi a vez de Rip Out the

Wings of a Butterfly levando a galera

em total êxtase e a uma comoção geral.

Para manter o clima foi a vez de Right

Here in My Arms. Kiss of Dawn trouxe

um dos momentos mais pesados do

show, levando ao público dentro de uma

atmosfera um tanto mais gótica.

All Lips Go Blue foi o momento

acústico do show que precedeu ao clássico

Join me in Death e na sequencia foram

Sweet Six,Six,Six, Passions Killing

Floor e Soul on Fire. Nesse ínterim, alguém

jogou uma camiseta da seleção

brasileira com o nome do vocalista do

HIM, Ville Vallo, estampado atrás, deixando

o vocalista extremamente agradecido.

Pouco depois alguém jogou

uma bandeira brasileira personalizada

com o simbolo da banda, o Hertagram e

contabilizo mais um sutiã que foi atirado

ao palco também pouco antes deles

tocarem Wicked Game, que é um cover

do cantor americano Chris Isaak.

Seria extremamente redundante ficar

mencionando toda hora a reação do

publico, que não parava de cantar todas

as musicas do set, algumas garotas

passaram mal durante o show e foram

atendidas pelos brigadistas de plantão e

talvez levadas para algum pronto socorro

próximo do HSBC Brasil. Mas nada

que impactasse o show. Até mesmo as

três invasões que ocorreram no palco,

algumas delas frustradas pelos seguranças,

de tentar abraçar Ville Vallo.

A partir de Tears on Tape um momento

de calmaria aparente se instalou na

casa mesmo após a sequencia Poison

Girl, For you e The Funeral of Hearts.

Uma situação bastante inusitada embora

um tanto perigosa em termos de segurança,

foi quando Ville Vallo acendeu um

cigarro em pleno palco, deixando o clima

do HSBC de balada de casa noturna. A

Rock Brigade soube que a produção do

show foi avisada em tempo de alertar o

musico dessa proibição, o que não causou

nenhum transtorno também.

Ville Vallo agredecia sempre o público

e interagia bastante, hora falando da

primeira vez no Brasil, hora das influencias

musicais de determinadas músicas.

O bis que encerrou esse primeiro show

histórico do HIM no Brasil contou com as

músicas Into the Night, Its All Tears (Drown

in this Love), When Love and Death

Embrace e Sleepwalking Past Hope.

Não fica barato uma viagem da Finlândia

para o Brasil, se pensarmos também

na quantidade de integrantes da

banda, roadies, cachês, hotel ,etc. Mesmo

assim acredito que o HIM retorne

em breve para o Brasil até mesmo para

mais de um show, ao menos é a impressão

que todos ficaram no HSBC Brasil

pelo excelente espetáculo.

Ghost

HSBC Brasil

São Paulo/SP, 5 de Setembro de 2014

Praticamente um ano depois da apresentação

da banda no Rock in Rio e na

arena do Anhembi em São Paulo, o Ghost

retornou ao Brasil para duas datas nas respectivas

cidades como parte final da turnê

Sul Americana de Infestissuman.

A grande diferença em relação a

apresentação do Ghost no Brasil ano

passado, é que dessa vez a banda trouxe

ao Brasil seu repertório completo baseado

nos três lançamentos do grupo:

Opus Eponymous, Infestissuman e If

You have Ghosts e ainda com direito a

cenário de palco imitando uma Igreja,

totalizando quase duas horas inacreditáveis

de show.

O HSBC Brasil abriu suas portas

ao público às 20 horas, o acesso estava

bem tranquilo nas dependências da

casa, podendo, sem afobes, comprar

uma cerveja ou o Merchandise Oficial

da banda, que estava simplesmente fantástico

e teve muita procura.

Como o show estava previsto pra

começar às 22 horas, o público foi chegando

gradualmente, porém, para uma

casa de grande porte como é o HSBC

Brasil a lotação no final ficou mediana

mas foi suficiente para testemunhar esse

grande evento.

Perto das 22 horas a ansiedade do público

já era contagiante com uma música

tipica de igreja que vinha de atrás do

palco, que convidava a todos a entrarem

no clima sombrio do Ghost.

De repente a galera veio a delírio durante

a introdução de Infestissuman ao

mesmo tempo que as cortinas se abriram

dando vista aos Nameless Ghouls

já posicionados e ao fundo os vitrais

de uma igreja satânica no melhor estilo

Anton La Vey. Surge então Papa Emeritus

II dando inicio a cerimônia religiosa

nada pouco convencional com Per Aspera

Ad Inferi.

A próxima musica, Ritual, conduziu

a multidão definitivamente ao universo

mágico do Ghost. A multidão de fieis

profundamente envolvidos naquela

atmosfera cantaram em coro praticamente

todas as musicas durante toda a

apresentação do Ghost, como em uma

cerimônia religiosa às avessas. Na sequência

foram Primer Mover e Secular

Haze. Papa Emeritus II soltou um “boa

noite” em português emendando frases

em inglês dizendo que era muito bom

estar aqui novamente numa simpática

interação com a platéia. Satans Prayer

praticamente foi cantada inteira pelo

público, os solos de guitarras em Con

Clavi Con Dio estavam magníficos ,

logo depois foi a vez da já considerada

clássica, Elizabeth. Ao término de

Elizabeth, Papa Emeritus II reservou

uma surpresa ao público, chamou duas

freiras ao palco para oferecerem hóstia

e o vinho que estas carregavam em

referência a próxima canção na sequência,

Body & Blood. Durante a curta

apresentação das freiras, Papa Emeritus

II pediu ao público para que se comportasse

diante das belas moças, imaginei

que rolaria um Strip Tease básico,mas

acabou só ficando no suspense. A música

seguinte foi a Death Knell que não

é tão comum deles tocarem ao vivo e

o resultado foi sensacional, na minha

opinião é bem nítida a referência de

Mercyful Fate nessa música.

Um outro grande momento foi a execução

do cover dos Beatles, Here Comes

42 - UNDERGROUND ROCK REPORT


the Sun e depois nada melhor do que a

excitante Stand By Him e a boa Genesis.

Year Zero deu a impressão de que

o HSBC ia explodir em um inferno na

terra num ensurdecedor coro de “Belial,

Behemoth, Belzebu, Asmodeus, Sathanas,

Lucifer.”

O cover de Roky Erickson, If you

have Ghosts do último lançamento deles

foi um momento bem descontraído.

Parecia que o show tinha terminado

com a saída deles do palco após If

You Have Ghosts, quando o público

gritava insistentemente por Ghuleh/

Zombie Queen alternando com um olê,

olê Ghostê, Ghostê como se estivessem

em um estádio. A banda retorna ao

palco atendendo o pedido e encerrou a

turnê de Infestissuman com a excelente

Monstrance Clock.

Quem teve a oportunidade de ver o

Ghost ao vivo ano passado no Rock In

Rio ou no Anhembi há de concordar que

a banda funciona melhor em uma casa

de show do que ao ar livre, a impressão

que eles passaram foi que a banda

pode ser bem melhor ao vivo do que no

CD, principalmente pelo teatralismo,

algo que ficou pouco explorado na curta

apresentação deles ano passado, o que

tornou essa apresentação bem superior.

A banda pretende agora se trancar em

estúdio para a gravação do próximo álbum

com previsão de lançamento para

2015, ainda sem titulo definido. O que

se sabe por enquanto é que Papa Emeritus

II será substituido por um novo

Papa, o que nas entrelinhas significa

que Tobias Forge,nome real do vocalista,

deverá surpreender os fãs da banda

com uma nova maquiagem do personagem

e que certamente renderá muitas

turnês pelo mundo.

Death DTA

Via Marquês

São Paulo, SP 7 de Setembro de 2014

A banda Death dispensa quaisquer

comentários, sinopse ou introdução

pra começar essa resenha, quem curte

o estilo Death Metal de verdade

sabe muito bem a história da banda.

A grande questão é que estamos

falando aqui do Tributo ao Death e

não da banda Death.

Foi incrível a quantidade de pessoas

que confundiram esse conceito nas redes

sociais, associando a apresentação

que ocorreu no ultimo 7 de Setembro a

de uma banda cover qualquer.

Para começo de conversa, banda

cover não é engajada em causas sociais,

só para ficar clara a diferença.

Até concordo com o argumento

de alguns que eu li por ai nas redes

sociais, “não existe Queen sem Freddie

Mercury, Metallica sem James

ou até mesmo Megadeth sem Dave”

e por ai vai, a lista estava grande. É

preciso ter cuidado com certos argumentos

que se lê por ai para não

tomar como verdade absoluta, nem

sempre uma banda que reúne antigos

membros, mesmo sem seu fundador

original, pode ser considerada oportunista.

Ainda mais se a questão é

reunir membros para fazer homenagem

ao vocalista falecido há mais

de 10 anos e ter uma causa social por

de trás do projeto, acho extremamente

louvável como é o caso do Death

DTA.

O projeto Death To All existe

desde 2012 e quando foi criado, 20

% da renda obtida dos ingressos e

merchandise foi destinada ao fundo

Sweet Relief, maiores informações

acesse: https://www.sweetrelief.org.

A Death to All Tour foi idealizada

por Gene Hoglan que tocou

nos albuns“Individual Thought Patterns”

e “Symbolic” do Death. Além

de Gene, temos Danny Walker que

toca no Intronaut, Bereft e Sean

Reinert que tocou no álbum Human

do Death. No baixo, temos o

grande Steve DiGiorgio que tocou

nos álbuns “Human” e“Individual

Thought Patterns” e Scott Clendenin

que tocou no álbum do Death “The

Sound Of Perseverance”. Os trabalhos

de guitarra estão sendo compartilhados

por Paul Masvidal que

tocou no álbum “Human”, Hamm

Shannon (“The Sound of Perseverance”)

e Koelble Bobby (“Symbolic”).

Enquanto isso, os vocais foram

sendo divididos desde o inicio

por Matt Harvey do Exhumed , Steffen

Kummerer do Obscura, Charles

Elliott do Abysmal Dawn e Bereft e

Max Phelps do Cynic.

O line up que tocou no Brasil

contou com Gene Hoglan (bateria),

Bobby Koelble (guitarra, ex-Death),

Steve DiGiorgio (baixo - ex-Death,

Autopsy, Testament, Iced Earth),

Max Phelps do Cynic a frente do

show a maior parte do tempo e Steffen

Kummerer do Obscura como segundo

vocalista.

A abertura ficou a cargo do Test

e do D.E.R que fizeram uma fusão

interessante no palco, transformando

duas bandas em uma unica banda

de abertura, prendendo a atenção da

galera e esquentando o público do

Via Marques que já se encontrava

lotado .

Aproximadamente uma meia hora

depois do término do Test/D.E.R as

cortinas se abrem e é executada uma

introdução de Out of touch do álbum

Individual Throught Patterns e a sequencia

não poderia ter sido melhor,

The Philosopher, para dar inicio a

esse show esperado por muitos fãs

há anos.

Max Phelps foi considerado por

muitos ali presentes como se tivesse

incorporado a alma de Chuck Schuldiner,

os vocais e os trejeitos dele no

palco eram bem semelhantes ao de

Chuck somado ao set list matador

apresentado por ele, fez muito marmanjo

barbado chorar. Quem conhece

o trabalho do Max no Cynic e viu

ele ao vivo no DTA, não diz que é a

mesma pessoa.

Max Phelps cantou as outras sete

músicas da primeira parte do show

que foram a dobradinha Leprosy/Left

to Die, na sequencia Living Monstrosity,

Suicide Machine, in Human

Form, Lack of Comprehension outra

dobradinha com Spiritual Healing/

Whitin the Mind e Flattening of

Emotions.

A segunda parte do show ficou

liderada pelo vocalista Steffen Kummerer

que tocou apenas quatro músicas,

as excelentes Symbolic e Zero

Tolerance e depois as Bite the Pain

e Overactive Imagination. Foi uma

apresentação cheia de personalidade

mas nada semelhante a apresentação

de Max Phelps, que retornou ao palco

para as três músicas finais.

O Encore ficou com a dobradinha

Zombie Ritual/Baptized in Blood e

depois foram Crystal Mountain e Pull

The Plug que encerraram a apresentação

de um grande show, onde muita

gente nem imaginava que um dia fosse

assistir, sem contar que tratou-se

de uma das poucas atrações inéditas

que passaram pelo Brasil em 2014.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 43


RRock Report

44 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Por Leonardo Moraes

Santa Hates You é uma banda alemã formada no Outono de 2007. A banda

tem quatro álbuns lançados, mas por fazerem parte de uma gravadora

bem underground, boa parte dos CDs é quase impossível de achar hoje em

dia, com exceção do último lançamento da banda “its Alive” de 2012.Os

membros e fundadores da banda são o ícone musical Peter Spilles (conhecido

pelo seus trabalhos a frente do Project Pitchfork) e a vocalista italiana,

a enigmática Jinxy. Diz a lenda que eles se conheceram no Ohlsdorfer

Cemitério em Hamburgo, onde dizem que eles acidentalmente “assustou o

demônio para fora de si” durante esse encontro. Aparentemente, foi então

que Peter notou a voz incomum de Jinxy, ele ficou bastante intrigado com

o que ouviu.

Depois de descobrir a sua paixão comum pela música obscura, artes macabras

e humor rebelde, os dois se tornaram amigos e logo decidiu começar

uma banda juntos.

Spilles lembra: “ Era uma noite fria e tudo que tínhamos era vinho tinto

e uma atitude insubordinada Isso é basicamente como Santa Hates You

nasceu ....Depois disso, tudo foi muito rápido! Era como se estivéssemos

embriagado, quase em transe de trabalho.... Noite após noite, logo tivemos

pistas suficientes para o nosso primeiro álbum. E o resto é história. “

Trabalhar à noite permaneceu uma das idiossincrasias peculiares da banda

e logo se tornou uma tradição.

Santa Hates You apresenta um moderno dark-electro, com características

industriais e batidas extremamente dançantes de um lado, e as sequências

cativantes, bem como elementos góticos e electro-punk, por outro.

Enquanto a banda descreve seu som como “suculento-electronic-gótico

industrial”, muitos outros tentaram, ao longo dos últimos anos, caracterizar

o estilo do Santa Hates You como :

“Um turbilhão musical”; “A trilha sonora perfeita para uma Rave ou Sex

Hardcore”; “bizarro e grotesco como uma espécie de sexy freak show”;

“som difícil de engolir, mas contagiante como o inferno” e “de mau gosto,

rebelde, maldoso, depravado e perigoso para a nossa juventude”.

Essas são apenas algumas das tentativas mais coloridas de tentar rotulá-

-los.

Há quem curte o estilo vocal da banda Santa Hates You, dizendo que são

poderosos vocais outro traço inconfundível do duo.

Santa Hates You na verdade é um projeto musical subversivo, e isso se

reflete nas letras e na imagem da banda.

A banda muitas vezes expressa seu amor pela literatura européia e da

arte do século 19 e início do século 20, e abertamente reconhece movimentos

artísticos como o simbolismo, o surrealismo eo movimento decadente

como uma fonte de inspiração estilística.

O conhecimento e paixão para diferentes perspectivas e abordagens psicológicas

também deve ser mencionado como um elemento inspirador imperdível

no processo criativo da banda.

Eles estão atualmente com a Trisol Music Group mas não há uma previsão

de lançamento de um novo álbum desde 2012... Confira abaixo uma

mini entrevista que fizemos com o Duo:

Underground Rock Report: Como foi a ideia de criar a banda?

Peter: Foi em 2007 que nos encontramos pela primeira vez, ela gostava

do meu trabalho com o Project Pitchfork e eu gostei da voz dela e foi isso...

URR: Por que a escolha do nome Santa Hates You?

Peter: Porque é um nome impactante e dificil das pessoas esquecerem,

eu sou Santa e Jinxy Hates You (risos).

URR: Qual é a sensação que você sente estando no palco?

Peter: É maravilhoso, quente, excitante e tudo de bom que você possa

imaginar.

URR: Você tem uma musica favorita entre várias outras que vocês já

compuseram?

Jinxy: Nãoooooo.

Peter: Eu gosto de todas, acho que cada uma delas traz algo divertido

para nós.

URR: Qual seus gostos pessoais, comida, musica, filmes, etc?

Jinxy: Comida é boooom.

Peter: Eu escuto jazz

Jinxy: Comida é boooom

Peter: Filmes? Gosto mais do clássico de terror, depende muito...

Jinxy: Quando estamos no estudio gravando assistimos uns pornôs (risos).

URR: Qual é a imagem que você quer passar para as pessoas com o

visual da banda?

Peter: A Bela e a Fera, medo, dominação...

URR: Quais são os planos para o futuro?

Peter: (longa pausa) Aterrorizar a casa dos pais dos nossos fãs...

UNDERGROUND ROCK REPORT - 45


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Fotografia

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