álcool e açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

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álcool e açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

Cartado editorInvestir é o caminhoInvestir, Investir, Investir. Nunca esse verbo foi tão conjugadopelos agentes do segmento de geração de energia comotem sido nessa década. Afinal, as maiores potências econômicasdo mundo sabem que o crescimento da atividade produtiva,seja ela de que natureza for, está diretamente condicionadoà oferta ampla de energia.Nesse cenário, não basta apenas quantidade. É estratégicotambém que essa energia seja limpa, renovável e produzidadentro de padrões de responsabilidade sócio-ambiental.Minas Gerais, o terceiro maior produtor sucroalcooleironacional, é um exemplo. O Estado dá passos largos nessecaminho. Os investimentos privados avançam e o número deunidades produtoras deve duplicar até 2015.O faturamento do setor previsto para 2007 será quase30% superior ao desse ano. E nessa trajetória de crescimento,o foco na questão ambiental está sendo ajustado.Os produtores de açúcar e álcool de Minas Gerais, representadospelos sindicatos das Indústrias de fabricação doálcool e açúcar (Siamig e Sindaçúcar), mantém parceriasimportantes com o governo estadual, ciente da necessidadede crescimento sustentado, pois se hoje as barreiras comerciaissão tarifárias, logo serão sociais e ambientais.Ainda nessa edição do CANAL, reportagem sobre licenciamentoambiental em Goiás, estado que lidera a atração denovos investimentos, mostra o rigoroso processo de análisedos projetos de instalação de novas usinas, quais são asexigências e os aspectos mais importantes para que sejamminimizados os impactos ambientais da atividade sucroalcooleira.O porcentual da mistura de álcool anidro à gasolina, aquestão dos estoques, as negociações para a regulamentaçãodo mercado do etanol, as vantagens do álcool combustívelna aviação, avanços na pesquisa agrícola e a criaçãoda Embrapa Agroenergia são alguns dos outros assuntosabordados na 3ª edição do CANAL, o jornal da bioenergia,que mantém a meta de investir numa abordagem amplae plural dos temas com a finalidade de oferecer o melhor aoleitorAté a próxima edição,Boa leitura05 ABASTECIMENTO EM DISCUSSÃOGoverno negocia com produtores e distribuidoresdo etanol mecanismos que garantam oabastecimento interno sem que seja necessáriolimitar a exportação do combustível.08 AVIÃO A ÁLCOOLA versatilidade e confiabilidade do etanol podemser comprovadas na frota nacional deaviões agrícolas. Mais de 800 aeronaves emoperação no Brasil já utilizam o combustível.11 TECNOLOGIA AGRÍCOLAPesquisadores da UNICAMP criam equipamentopara monitorar produtividade da lavoura decana-de-açúcar12 ÁLCOOL E AÇÚCAR EM MGMinas Gerais é o terceiro maior produtor nacionalde álcool e açúcar e é o segundo ematração de investimentos. Produtores e Governodo Estado buscam, juntos, os caminhosmais seguros para a expansão.16 LICENCIAMENTO AMBIENTALO processo de instalação de novas usinas seguecritérios rígidos, a exemplo da localizaçãoda indústria, para que os impactos provocadospela atividade sejam minimizados.0805DIVULGAÇÃO/ NEIVASIAMIGCanalcom o leitorCANAL, O JORNAL DA BIOENERGIA, é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ: 05.751.593/0001-41O jornalismo brasileiro ganha com o CANAL, oJornal da Bioenergia, uma publicação de altaqualidade, marcada pela seriedade e credibilidade deseus empreendedores. Parabéns e sucesso!Igor Montenegro Celestino Otto, presidenteexecutivo do Sifaeg/SifaçucarFoi com grande satisfação que recebemos a ediçãonº 1 do jornal CANAL. Parabéns pela iniciativa e pelaqualidade da publicação. Receba nossos votos desucesso crescente!Suzana Daudt, Antares AcoplamentosParabéns pelo artigo - Capital Humano, escrito porFernando Bezerra - Ele fala com propriedade sobre estetema, que é importantíssimo para resgatar a imageme a dignidade do trabalhador brasileiro rural.Humberto Arantes, Tropical PneusNossos cumprimentos pelo " CANAL, o Jornal daBioenergia". Parabenizamos pelo brilhante trabalhorealizado.Pedro Bittar, presidente da Acieg.O CANAL é um jornal de conteúdo, com umalinguagem apropriada para o mercado.Larissa Vieira, Canavialis S. A.Envie para o CANAL, o jornal da bioenergia,sugestões de assuntos para reportagense-mail: canal@canalbioenergia.com.brDIRETOR EXECUTIVO: Joel Fragadiretor@canalbioenergia.com.brDIRETORA ADMINISTRATIVA: Ângela Almeidaadministracao@canalbioenergia.com.brDIRETOR COMERCIAL: César Rezendecomercial@canalbioenergia.com.brASSISTENTE COMERCIAL: Fernanda Oianoassistente@canalbioenergia.com.brDIRETORA EDITORIAL: Mirian ToméDRT-GO - 629 editor@canalbioenergia.com.brEDITOR EXECUTIVO: Evandro BittencourtDRT-GO - 00694 redacao@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Evandro Bittencourt e Mírian Toméredacao@canalbioenergia.com.brARTICULISTAS: Eduardo Carvalho, FernandoBezerra, Sidnei Pimentel, Igor Montenegro,Iza Barbosa, Luciano de CastroEDITORES DE ARTE: Pauliana Caetano e Fábio Aparecidoarte@canalbioenergia.com.brTRATAMENTO DE IMAGEM: Paulo RobertoBANCO DE IMAGENS: Studio95/Museu da Imagem (62) 3095-5789, ClicDigital Photo www.clicdigital.com.br, ÚNICA - União da AgroindústriaCanavieira de São Paulo www.unica.com.br, SIFAEG - Sindicato daIndústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás www.sifaeg.com.br,Canal On Line www.canalbioenergia.com.brREDAÇÃO: Av. 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ENTREVISTA - Luís Carlos GuedesOlho nos estoquesA OFERTA DE ÁLCOOL NA ENTRESSAFRAPREOCUPA O GOVERNO FEDERALRADIOBRAS• Evandro BittencourtNo início de 2006, os estoques de álcool diminuírame o preço do combustível subiu aponto de se tornar menos competitivo que agasolina. Em entrevista exclusiva ao CANAL, o ministroda Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, 64anos, engenheiro agrônomo graduado pela USP, falasobre a entresafra e diz o que pode ser feito paraque o problema não se repita em 2007.CANAL - Um ponto vulnerável no abastecimentode álcool é a formação de estoques quepermitam uma autonomia prolongada da oferta,mesmo em situações desfavoráveis, como naentressafra e nos casos de queda de produção.Como o Governo Federal avalia essa questão?Luís Carlos Guedes Pinto - Estamos preocupados,mas essa decisão, em termos de garantiados estoques, vem sendo acompanhadade perto pela Agência Nacional do Petróleo.Essa é a razão, inclusive, pela qual a ANPcolocou em consulta pública uma medidaque estabelece contrato prévio por parte dasdistribuidoras de 70% do álcool que elas distribuemjunto aos produtores de álcool, paraassegurar o abastecimento do mercado.Estamos acompanhando atentamente paraque não se repita em 2007 o que ocorreu em2006. Essa é a razão pela qual ainda não fizemosuma revisão da porcentagem da misturado álcool anidro à gasolina.Historicamente, os preços aumentam naentressafra. No início desse ano, tivemos umaumento relativamente maior, mas a nossaexpectativa, face aos estoques existentes, éque isso não ocorra.Representantes do setor sucroalcooleirodizem que a estocagem do álcool no Brasilé feita nos postos de gasolina, o que significauma pequena e vulnerável capacidadede estocagem. Não seria necessário investirnuma estrutura de armazenamento comcapacidade suficiente para regular o mercadoe reduzir ou eliminar os efeitos dasazonalidade?LCGP - Sem dúvida, estoque é uma questãocrucial, mas veja que esse é um setor inteiramentelivre e não é responsabilidade do setorpúblico cuidar desse estoque, apesar de setratar de um combustível, um produto essencialpara o País. No caso do petróleo e dagasolina nós temos uma legislação própria,mas no caso do álcool, ainda não há essa legislação.O que o setor público tem feito éprocurar levar à prática medidas como essaconsulta pública que está sendo feita pelaANP, com vistas a criar mecanismos que levemo setor produtivo e o setor distribuidor,não apenas os postos, à formação desses estoques.Esses estudos já estão sendo realizadosA tendência, então, seria o governo oferecercrédito para que os produtores tenham suaspróprias estruturas de armazenamento?LCGP- Esta é um hipótese que está sendoanalisada e uma das questões que surgem é ataxa de juros. É claro que o setor reivindica jurosmuito abaixo dos juros de mercado e todavez que se coloca em prática juros abaixo daSelic isso significa ônus para o Tesouro Nacional.Essa é uma das questões que estão sendodiscutidas, além da formação de contratosfuturos das distribuidoras junto aos usineiros.No caso dos contratos futuros, os produtoresteriam receita antecipada?LCGP- Isso depende de uma negociação entreas partes. Creio que precisamos construirum novo modelo sobre o qual ainda não temosuma definição, mas a tendência é que ogoverno não participe diretamente dessa discussãoe que as articulações se dêem entre aspartes do setor privado.Qual a função do Ministério da Agricultura nadefinição do porcentual da mistura de álcoolanidro à gasolina e como estão os entendimentoscom o setor sucroalcooleiro quanto ao possívelaumento na misturaP - O Ministério da Agricultura preside o grupo detrabalho que avalia o porcentual de mistura do álcoolà gasolina e o que a legislação diz é que amistura deve variar entre 20% e 25%. Em janeiro,devido ao problema de abastecimento, houveuma redução da mistura de álcool anidro à gasolinade 25% para 20% .E há condições para que o porcentual de álcoolanidro à gasolina volte aos 25%?“A obrigaçãodo governo é trabalhar commuita cautela no sentido deassegurar o abastecimentodo mercado nacionalLCGP - Estamos em plena safra, há uma demandado setor produtor de álcool para quenovamente se aumente essa mistura e estamosprocurando fazer uma análise mais detalhada,aguardando o encaminhamento dedocumentação solicitada ao setor produtivosobre a razão dessa demanda.Quais são os motivos alegados pelo setor?LCGP - A demanda foi apresentada, inicialmente,de maneira informal, dizendo que a safraesse ano deve ser 12% superior a do anopassado, que não haveria problemas de abastecimento,que o mercado nacional não corre risco,apesar do crescimento bastante significativodas exportações de álcool, mas ainda não recebemospor parte das associação que representamos produtores de álcool uma solicitaçãoformal e justificada do retorno aos 25%.Uma vez confirmado esse aumento de safra, oporcentual voltará aos 25%?LCGP - A obrigação do governo é trabalharcom muita cautela no sentido de assegurar oabastecimento do mercado nacional, por issoprecisamos avaliar esses documentos queconfirmem a viabilidade dessa alteração.“4 CANAL – setembro/outubro de 2006


ETANOLAbastecimento em debateAGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO ESTUDA MEDIDAS DE CONTROLE PARA ASSEGURAR OABASTECIMENTO DO COMBUSTÍVEL NOS MERCADOS INTERNO E EXTERNOApolêmica declaração do presidente daAgência Nacional do Petróleo (ANP),Haroldo Lima, que aventou a possibilidadede o governo adotar medidas pararestringir a exportação de álcool, provocou revoltaentre os empresários, que consideraram aatitude do titular da ANP um banho de água friano esforço dos usineiros que trabalham para conquistarnovos mercados no exterior. A restrição àsexportações seria uma forma de garantir o abastecimentointerno, mas representantes do setorsucroalcooleiro e o governo já negociam outrosmecanismos para equilibrar oferta e demanda.A forte repercussão da declaração fez com queHaroldo Lima mudasse o tom de seu discurso. Emrecente visita à Goiânia (GO), onde concedeu entrevistacoletiva à imprensa local, o titular daANP justificou que, por setratar de um produto sazonale caso a produção deetanol venha a ser exportadanum nível bastantegrande, corre-se o risco de,na entressafra, faltar álcoolpara o mercado interno."Essa preocupação estáganhando as nossas atençõese temos trabalhadopara verificar como fazer oque a lei nos obriga, que égarantir o abastecimentode combustíveis no Brasil,sem criar uma limitaçãopara a exportação."Segundo Haroldo Lima,a ANP está definindo mecanismospelos quais asusinas ficariam obrigadas ainformar à ANP sobre oquanto vendeu e para que distribuidora. "A distribuidoratambém ficaria obrigada a nos informarquando vendeu para os revendedores. Assim cruzamosessas informações e verificamos o que estáacontecendo eventualmente de anormal."ANÁLISEO Governo está propondo a realização de contratosde longo prazo, até o limite de 70% do totaldo álcool anidro utilizado na mistura com agasolina, como uma forma de garantir estoquespara os períodos de entressafra e também umaforma de levar as distribuidoras a terem maior responsabilidadecom o abastecimento no mercadointerno nos períodos de entressafra. Segundo IgorMontenegro, presidente executivo do Sindicato daIndústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás,essa responsabilidade, atualmente, encontrasesobre os produtores de álcool do País.Para Igor Montenegro, é preciso analisar os doislados da questão. "É muito importante que haja aresponsabilidade compartilhada no abastecimentodurante a safra e a entressafra. E até acho que oGoverno Federal deve lançar mão dos instrumentosque têm para fazer esse papel de atribuir responsabilidadesa todos os elos da cadeia em relaçãoa esses estoques para evitar riscos futuros noabastecimento e fortes oscilações de preços quenão são benéficas nem para o produtor e nem parao consumidor."Igor ressalta, entretanto, o quanto o Brasilavançou nos últimos anos com a liberalização daprodução e da comercialização de álcool e açúcar."O País, durante toda a sua história, teve uma regulamentaçãomuitounicaforte no setor sucroalcooleiro,estabelecendoquanto iria se produzir, oque seria comercializado,o que seria exportadoe a que preço. Issotolheu o crescimento dosetor durante muitosanos."Durante a regulamentação,lembra Igor, oBrasil aproveitou algunsmomentos de bonançanos preços do açúcar,em outros, os produtorestiveram grandes dificuldadescom os preços dosprodutos, mas nuncahouve uma liberdademuito grande para trabalharo mercado.A liberdade de mercado - alcançada primeirocom o fim das cotas de produção, depois com ofim do Instituto do Álcool e Açúcar e por fim coma eliminação do controle de preços no País - éconsiderada o grande avanço que restituiu aoBrasil a oportunidade de voltar a ser o maior produtorde álcool e açúcar no mundo e a ocuparuma posição de liderança no mercado exportador.Para Igor Montenegro, a volta do intervencionismopode fazer com que todos esses avançoscaiam por terra. "Entendo que seja importanteque prevaleça a liberdade de mercado e que sejamencontradas fórmulas dentro da livre iniciativapara que haja um equilíbrio entre os produtores,os distribuidores e o governo para que todoseles sejam responsáveis pela estocagem e peloabastecimento de álcool."Igor Montenegro: intervencionismo podeser negativo para o setor sucroalcooleiroHaroldo Lima: ANP quer o controle dasinformações para monitorar o mercado“É importanteque exista aresponsabilidadecompartilhada naestocagem e noabastecimentoIgor MontenegroSIFAEGASSEMBLÉIA GO“CANAL – setembro/outubro de 20065


Brasil será referência em combustíveis limposEvandro Mantovani, superintendenteda Embrapa,defende a parceria do governocom a iniciativa privadaEdward Madureira, reitor daUFG, acha que os recursosgarantidos para a EmbrapaAgroenergia são poucosDIVULGAÇÃO/ EMBRAPAIMPRENSA/ UFGEspecialistas afirmam que oBrasil vai ser o grande fornecedorde agroenergia para o mundodaqui pra frente. "O potencialde cultura energética do País éenorme, mas esse tipo de lavouradeve conviver em harmoniacom o meio ambiente e com anossa evolução como sociedade,da forma mais completa", afirmao engenheiro agrônomo e reitorda Universidade Federal de Goiás(UFG), Edward Madureira. Paraele, o mundo tem que voltar osolhos para o Brasil e para a regiãoCentro-Oeste. "Estados comoGoiás têm terra, clima e tecnologianecessários para a produçãode biodiesel", ressalta. O reitortambém afirma que não há comoos combustíveis alternativos,como o biodiesel, suprir toda ademanda de petróleo do mundo.Se países como Estados Unidose Japão precisarem de outrasmatrizes energéticas, vaiser preciso buscar outras alternativas,já que não existe áreano mundo suficiente para oplantio de cultivares.O reitor da UFG acha pouco oinvestimento de 10 milhões dereais liberados para a EmbrapaAgroenergia: "em termos depesquisa, esse valor não representamuito. Os investimentosdo governo federal deveriam sedar na estrutura de pesquisa jámontada no País", conclui. Nessesetor, Madureira destaca aRIDESA, Rede Interuniversitáriapara o Desenvolvimento do SetorSucroalcooleiro.A rede envolve sete universidadesfederais que ficam no Riode Janeiro, Paraná, Goiás, SãoPaulo, Pernambuco e Alagoas.Sessenta por cento das pesquisasfeitas pela RIDESA conduzempara o desenvolvimento de novascultivares de cana para o País.Daí a idéia de investir em projetosjá consolidados. "O trabalhode redes como a RIDESA játem experiência para investir emmelhoramento genético e agoravai começar a discutir a participaçãoem todas as áreas da produçãode cana. As universidadesjá estão prontas pra isso", afirmao reitor da UFG.Um dos desafios para o sucessodo investimento em fabricaçãode combustível é a incorporaçãode áreas de agricultura deenergia, sem competição com aagricultura de alimentos e, claro,a preservação do meio ambiente.Para os técnicos do setor rural, oBrasil possui áreas grandes nasregiões Centro-Oeste e Norte,principalmete de pastagens degradas,algo entre 20 e 30 milhõesde hectares que podem seraproveitados. Um desafio para osgovernos e produtores é achar oequilíbrio entre esses três pilares.Mais do que um negócio lucrativo,a produção de biodieselé uma ajuda e tanto ao meioambiente. Com os combustíveisfósseis, apontados como um dosresponsáveis pelo aumento doefeito estufa na Terra, o mercadose abre para a biomassa. Especialistasprevêem que, nas próximasdécadas, o agronegóciomundial estará estruturado emquatro macro segmentos: alimentaçãoe fibras, biomassa,plantas ornamentais e nichos especializados.A biomassa será abase da energia renovável etambém servirá como insumopara a indústria química, devendoesse segmento movimentar omaior volume de recursos dastransações agrícolas internacionais,a partir de 2050.CANAL – setembro/outubro de 20067


AVIÃO A ÁLCOOLJE Mídia VisualVoando altoDAS 1.200 AERONAVES DA FROTA AGRÍCOLA BRASILEIRA,800 SÃO MOVIDAS A ÁLCOOL. TECNOLOGIA É EXEMPLO DAVERSATILIDADE DO COMBUSTÍVEL.VANTAGENS DOMOTOR A ÁLCOOL• Menor agressão ao meioambiente• Motor roda mais frio• Possível extensão da revisãodo motor• Aumento de potência• Diminuição do custooperacionalCOMPARATIVOGanhos calculados sobre umafrota de 600 aviões coma álcool:• Elimina a demanda de 16,8milhões de litros de gasolinapor ano• Gera demanda de 21,6milhões de litros de álcoolpor ano• Reduz em US$ 13,5milhões por ano o custooperacional da frotaFonte: NeivaPrimeira aeronave de série no mundo a sair dafábrica certificada para voar com o álcoolcombustível, o avião agrícola Ipanema, produzidopela Neiva, subsidiária da Embraer instaladaem Botucatu (SP), é mais uma prova da qualidadeda tecnologia de aviação alcançada pelo Brasil e daversatilidade do etanol como substituto da gasolina.O álcool é de três a quatro vezes mais barato que agasolina de aviação, deixa menos resíduos no motor, émenos poluente pela inexistência de chumbo no combustívele apresenta uma melhora de 5% em seu desempenho,o que se reflete em menores custos de operaçãoe manutenção.A Indústria Aeronáutica Neiva recebeu a certificaçãodo Centro Técnico Aeroespacial (CTA) para o Ipanemamovido a álcool em 2004. A escolha do combustível,segundo a fabricante, deve-se ao fato de o Brasilser um grande produtor de etanol e de usá-lo nosautomóveis nacionais há mais de 20 anos.O Ipanema é o campeão de vendas da Neiva, commais de 30 anos de produção ininterrupta e cerca de1,2 mil unidades comercializadas. A versão a álcooltorna-se agora o maior atrativo da aeronave, o quepode ser comprovado pela grande demanda de conversõesdo motores à gasolina para o álcool.No prazo de três a quatro anos, a Neiva estima queo volume de conversões atinja 600 aviões. O custo deconversão gira entre US$ 24 mil e US$ 27 mil, mas aempresa garante que o retorno do investimento se pagaem menos de um ano.Na esteira do sucesso da tecnologia flex fuel, adotadanos veículos automotivos de passeio, em brevetambém o Ipanema terá um motor bicombustível. OCentro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dosCampos, São Paulo, prepara os instrumento que serãoembarcados no motor e a empresa Magnetti Marellidesenvolve um sistema de gerenciamento eletrônicopara motor aeronáutico. Com isso, a aeronave nacionalserá, mais uma vez, a primeira do mundo a operartanto com gasolina de aviação quanto com o etanol.Eficiência e economiaO Estado do Mato Grosso tem hoje o maior númerode empresas de aviação agrícola. São cerca de 50. Oempresário Astor Schindewin, proprietário da AmericasulAeroagrícola, de Campo Verde (MT), mantém emsua frota aviões importados e o Ipanema. Para ele, ofato de a aeronave brasileira já representar aproximadamente80% da frota em atividade no mercado nacional,não deixa qualquer dúvida da eficiência e competitividadeda aeronave. É um avião de pequeno porte,robusto, de fácil manutenção e econômico, principalmentena versão a álcool, o que diminui a emissãode poluentes.O álcool usado nos aviões é o mesmo vendido nospostos e usado nos veículos de passeio, a única diferençaestá nos cuidados necessários para a sua armazenagem.Normalmente, as empresas têm seu abastecimentopróprio e com isso conseguem um padrão deestocagem de melhor qualidade.


TRANSGÊNICOImpasse preocupa cotonicultoresmonsantoNo momento em que o setoralgodoeiro tenta se recuperarda crise que afetoufortemente a cultura e reduziua área plantada em aproximadamente30%, na safra2005/2006, a ameaça de destruiçãode lavouras de algodão transgêniconão aprovado pela CTNBiocausa certa apreensão ao setor.Os produtores cobram a mesmatolerância que foi dada à soja transgênica,quando os grãos geneticamentemodificados foram cultivadosno País à revelia da legislação.Para o Ministro da Agricultura,no entanto, trata-se de coisas diferentes."No caso da soja já haviaautorização por parte da CTNBiopara o uso das sementes de materialtransgênico. O problema queocorreu foi o uso do grão colhidopelo próprio produtor como sementes,e os bancos exigiam queeles tivessem sementes certificadaspara poder financiar. No casodo algodão apreendido pelaCTNBio, o gen identificado não foiautorizado pela CTNBio, é ilegal."Segundo Luís Carlos GuedesPinto, o Ministério da Agriculturavai fazer uma ampla campanhapara o uso de sementes certificadase vai trocar o grão por semente."Mas é preciso estar claro a necessidadede autorização legal parao plantio daquele gen."O Brasil, apesar de estar emcondição desfavorável de competitividadeem relação a outros grandespaíses produtores, em razão deter uma única variedade de algodãotransgênico liberada (bolgard),oscila entre o 3º e o 4º lugar entreos maiores exportadores de algodãodo mundo, em 2005 e 2006respectivamente, mas caminha nadireção de ocupar o 2º lugar nomercado externo.A área plantada de algodão deverácrescer 22,2% com a recuperaçãodos preços internacionaisocorrida nos últimos meses,processo que deve ter continuidadeem 2007. Esse número poderá serainda maior, caso os preços internacionaissigam em evolução.stock.xchngGordura animal e biodieselO Biodiesel é a bola da vez. Os investimentosem usinas se multiplicama cada dia que passa e as pesquisastambém. Uma das últimasnovidades na área vem da EmpresaBrasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa). A empresa está estudandoa transformação de gordura animalem biodiesel. A proposta é aproveitaros rejeitos de abatedouros desuínos e aves para gerar o combustível.O projeto é liderado pelo pesquisadorPaulo Abreu e tem a participaçãodos pesquisadores Martha Higarashi,Cláudio Bellaver, Anildo CunhaJúnior, Airton Kunz, ValériaAbreu, Paulo Armando de Oliveira eArlei Coldebella.De acordo com o Ministério daAgricultura, a intenção é disponibilizarnos próximos anos uma metodologiapara a geração de biodiesel apartir da gordura animal provenientede resíduos de abatedouros.Biocombustíveis em GoiásGoiás deve se consolidar como um dos maiores produtores brasileirosde biodiesel. Segundo a Secretaria de Indústria e Comérciodo Estado de Goiás, 6 projetos de indústrias já foram aprovados peloPrograma Produzir e mais 2 encontram-se em análise pelo ConselhoDeliberativo do Programa. Entre as usinas de biodiesel que seinstalarão em Goiás, destacam-se as plantas das empresas Caramurue Granol. O Estado é também líder de investimentos no setor sucroalcooleiro,com 37 projetos aprovados, 15 usinas já instaladas,outras 12 em instalação e 3 novos projetos em análise, informaLuiz Maronezi, secretário executivo do Produzir.Recorde nas exportações doBrasil para o Oriente MédioO agronegócio é o grandepropulsor das exportaçõesbrasileiras para o OrienteMédio. De acordo com a Câmarade Comércio ÁrabeBrasileira, a previsão é deque as exportações para oOriente aumentem 20% esteano, mantendo o crescimentodos últimos cincoanos. Em agosto, essas exportaçõesbateram um recordehistórico, com vendasde US$ 648,8 milhões. Issoé 5,6% maior do que o quefoi registrado no mesmomês em 2005 quando a marcafoi de US$ 615,7 milhões.Esse ano, até meados desetembro, os embarquesbrasileiros para os 22 paísesda Liga dos Países Árabesatingiram US$ 3,96 bilhões,com aumento de 19,7%. Naárea do agronegócio, os produtosmais vendidos para oOriente Médio são açúcar,carnes bovina e de frango,soja em grão, óleo, farelo ecafé. Os países do OrienteMédio que mais compraramdo Brasil são Egito,Emirados Árabes, ArábiaSaudita, Marrocos e Argélia.10 CANAL – setembro/outubro de 2006


TECNOLOGIANovidade nalavouraPESQUISADORES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINAS DESENVOLVEM EQUIPAMENTOPARA MONITORAR A PRODUTIVIDADE NAS LAVOURAS DE CANA-DE-AÇÚCAR• Mírian ToméQuem produz precisa manter o focona qualidade e perseguir o aumentoda produtividade. Isso exige a incorporaçãoconstante de novas tecnologias.No caso da cana-de-açúcar, essaquestão passa a ter, a partir de 2007, um poderosoaliado. Graças ao trabalho da Faculdade deEngenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, já estáem fase final de testes um monitor de produtividade,específico para a cultura. No Brasil,já são aproximadamente 5,5 milhões de hectaresplantados com cana-de-açúcar, movimentandoanualmente cerca de R$ 13 bilhões, oequivalente a 2,3% do PIB brasileiro.O professor Domingos Guilherme Cerri, daequipe de pesquisadores da Feagri, aposta que onovo sistema deve contribuir para um melhor gerenciamentoda produção agrícola, reduzindocustos e aumentando a competitividade.As pesquisas começaram em 1999, com o Prof.Dr. Paulo Graziano Magalhães. "No ano passadofizemos uma parceria com a empresa ENALTAInovações Tecnológicas, de São Carlos, São Paulo,com o objetivo de transformar esse sistema emum equipamento comercial. Agora, chegamos aoestágio final. Dois protótipos estão sendo testadosem colhedoras das usinas Catanduva e SãoDomingos, em Catanduva”, afirma.Como FuncionaA nova tecnologia é uma contribuição ao sistemade gerenciamento da cultura da cana-de-açúcar."O equipamento faz uma radiografia da propriedade,identificando onde a produtividade é maiorou menor, permitindo assim que a produção de cana-de-açúcar,tradicionalmente mais atrasada doque a cultura de cereais, tenha um avanço significativo"ressalta Domingos Cerri.O sistema utiliza células de carga como instrumentode determinação do peso da matéria-primacolhida e é capaz de mensurar o fluxo de rebolosque passa pela esteira antes de serem lançados aoveículo de transbordo. Esses dados, juntamentecom as informações obtidas por um GPS instaladona colhedora, permitem, com o auxílio de um SIG,a elaboração de um mapa digital que representa asuperfície de produção para a área colhida.Além destes equipamentos, foram instalados namáquina sensores para indicar a rotação da esteira,ângulo do elevador e status de operação."Quanto às partes mecânicas, a estrutura para fixaçãodo sistema de pesagem no assoalho do elevadorda colhedora foi projetada de forma a permitira instalação em qualquer máquina apenas substituindoo assoalho original pelo assoalho equipadocom o nosso sistema de pesagem. Na parte eletrônica,os sensores e módulos microcontrolados sãoinstalados sem alterar os componentes originais da2311- Sensor deRotação daesteira2 - Balança3 - Sensor deÂngulo4 - GPS5 - Monitormáquina", diz o pesquisador da Unicamp.Quando chegar ao mercado, o equipamento, queserá vendido pela empresa Enalta, deverá ter o preçoaproximado de R$ 25.000,00. Valor relativamentepequeno diante do custo de uma colhedora,em torno de R$ 700 mil.Ele poderá ser instalado diretamente nas fábricasde colhedoras ou comprado avulso pelos donosde usinas para equipar sua frota. A compra isoladado monitor de produtividade SIMPROCANA, não45aumenta a lucratividade por hectare, mas é umaimportante ferramenta para iniciar o processo deaumento de lucratividade.Adotando o gerenciamento localizado, oagricultor poderá aumentar a lucratividade, umavez que vai conseguir reduzir a aplicação de insumose até mesmo aumentar a produtividade. Alémdisso, será possível diminuir a poluição do solo eágua, pois não haverá mais excessos nas aplicações"finaliza o professor Domingos Cerri.fotos: unicamp


CANA-DE-AÇÚCARO ouro verdede Minas• Evandro BittencourtMINAS GERAIS DEVEALCANÇARFATURAMENTODE 1, 6 BILHÃO NASAFRA 2006/2007,UM CRESCIMENTO DEQUASE 30%OEstado de Minas Gerais é o terceiromaior produtor de álcool e açúcar doPaís e um dos líderes na atração denovos investimentos no setor sucroalcooleiro,perdendo apenas para o Estado de Goiás.O Triângulo Mineiro e o Vale do Paranaíba sãoas duas regiões mais procuradas para a instalaçãode usinas, empreendimentos de grupos nordestinose paulistas, principalmente, que expandemseus negócios em áreas com condições topográficas,insolação e pluviometria favoráveis àsatividades de produção e processamento da cana-de-açúcar.A construção do alcoolduto que ligaPaulínia (SP), Sertãozinho, Uberaba (MG),Uberlândia e Senador Canedo (GO), prevista paraser iniciada até o final de 2007, é outro importantefator de atração, pois possibilitará que aprodução seja escoada a preços mais competitivos,viabilizando também a exportação do etanol.Outra saída para a produção do Triângulo será oporto de Vitória, no Espírito Santo.Fotos: siamig, stock.xching, sifaegJosé reibaldo da fonseca/Wiquipédia


GOVERNO E INICIATIVA PRIVADAO Governo do Estado de Minas Gerais e empresáriosdo setor sucroalcooleiro já estabelecemcontatos com a Companhia Vale do Rio Doce paraque o escoamento da produção até o Porto sejarealizado pela Ferrovia Vitória-Minas. Em outrafrente, os grupos João Lyra, Carlos Lyra, TércioWanderely (Alagoas) e Coinbra (Minas Gerais) desenvolvemprojeto para a construção de um terminalde álcool no Porto de Vitória (ES).Segundo informações do Siamig, o terminal,que tem o apoio da Cia. Vale do Rio Doce e daCompanhia de Docas do Espírito Santo, terá capacidadede armazenamento e movimentação deaproximadamente 25 milhões de litros de álcool.O investimento, estimado em US$ 7 milhões, proporcionaráum novo canal de escoamento paraexportação, ampliando também a capacidade deequilíbrio entre a oferta e preços no mercado interno.A região compreendida pelo Triângulo Mineiro eAlto Paranaíba (veja quadro), concentra o maior númerode usinas sucroalcooleiras. São 13 indústrias,de um total de 27 espalhadas em diversas regiõesdo estado. A safra 2005/2006 deve fechar com amoagem de 24,5 milhões de toneladas de cana e aprodução de 1,74 milhão de toneladas de açúcar e950 milhões de litros de álcool. A atividade deve gerarum faturamento da ordem de R$ 1,250 bilhão.Com estes resultados, Minas Gerais alcançaráuma participação de quase 7% na produção nacionalde cana, de 7,3% na fabricação de açúcar e de7% na de álcool. Para a safra 2006/2007, a previsãoé a moagem de 28,8 milhões de toneladas de canae a produção de 1,9 milhão de toneladas de açúcare 1,2 bilhão de litros de álcool.“O álcoolproduzido a partirdo milho nos EUAtem custo deproduçãoequivalente aodobro do que éproduzido com acana no Brasil.”Crescimento irreversívelLuiz Custódio Cotta Martins acredita que o crescimentodo setor é um processo irreversível, sustentadopor um mercado interno que tende a crescercada vez mais com o aumento da produção edas vendas de carros flex. Para que esse processose consolide de forma equilibrada, no entanto,afirma ser necessário uma alíquota de ICMS únicaem todos os estados brasileiros. "Existe uma emendana refoma tributária que estabelece que a alíquotasobre o biocombustível nunca pode ser maiorque a menor alíquota incidente sobre um combustívelfóssil, no caso o diesel, tributado em 12%."Para atender ao mercado interno até 2010, segundoLuiz Custódio Cotta Martins, estudos indicamque será necessário aumentar a área de cana em 1milhão e 800 mil hectares. "Tudo o que se fabricade álcool hoje é vendido e há até alguma dificuldadeem atender a demanda."O mercado externo, lembra o dirigente, tambémestá sendo desenvolvido, pois está em curso umamudança gradual da matriz energética e mesmo quese considere apenas o mercado dos Estados Unidos,o crescimento da demanda será substancial.Na safra passada, lembra Luiz Custódio Martins,os Estados Unidos produziram 16 bilhões de litrosde álcool e o Brasil 15 bilhões. Nesta safra, enquantoo Brasil deve produzir 16 bilhões de litros,os EUA devem chegar a 18 bilhões. É preciso considerarque o percentual de álcool na gasolinaamericana é de apenas 2,5% e, provavelmente, seráaumentado no futuro.Apesar de uma carga tarifária e tributária equivalentea 25%, mais US$ 0,14 por litro, só no primeirosemestre de 2006 o Brasil exportou 1 bilhãode litros para o EUA, o que mostra a competitividadedo produto brasileiro. Independente de outrosmercados que interessam ao Brasil, a exemplo daChina e do Japão, os EUA representam um importantecomprador, que tende a ganhar ainda maisimportância no futuro.O álcool produzido a partir do milho nos EUAtem custo de produção equivalente ao dobro doproduzido a partir da cana-de-açúcar no Brasil,destaca o presidente do Siamig.SIAMIGLuiz Custódio Cotta Martins, presidentedo Siamig


NOVAS USINAS EM INSTALAÇÃO2007/08G5 Agropecuária Ltda -Cidade de João PinheiroFrutal (Vale do Rosário/Moema)2008/09Cev - Central Energética de Veríssimo Ltda(Grupo Santo Ângelo)Santa Vitória (Crystalsev)Uberaba (Grupo Balbo)Usina Ituiutaba Bionergia (Santa Elisa)2009/10Carneirinhos (Grupo Coruripe)Nova Ponte (Grupo Tenório)Usina Cerradão/Frutal (Grupo Pitangueiras)Usina Bambuí (Grupo Total AgroindústriaCanavieira S.A)Cabrera Central Energética Açúcar e Álcool(Antônio Cabrera/Limeira do Oeste)Cia Energética de Açúcar e Álcool doTriângulo Mineiro (Confrio-Citrus-EmersonFitipaldi) em Uberaba(Região Vale do Tijuco)PRODUÇÃO E INVESTIMENTO DASNOVAS UNIDADES ATÉ 2009/10Total de moagem:19,4 milhõesde toneladasInvestimentos industriais:US$ 776 milhõesInvestimentos agrícolas:US$ 407,4 milhõesInvestimento total: US$ 1,183 bilhãoUSINAS ANUNCIADAS -PREVISTAS ATÉ 201502 unidades Cia Energética de Açúcar eÁlcool do Triângulo Mineiro (Confrio/Citrus-Emerson Fitipaldi) em Uberlândia03 unidades do Grupo Carlos Lyra(Uberlândia/Sacramento/Uberaba)03 unidades Grupo Coruripe (União deMinas/Prata)03 unidades Grupo Santa Elisa01 unidade em Prata (Grupo Zanin)01 Tupaciguara (Grupo Alvorada)01 Usina Planalto (Ibiá)01 usina em Santa Vitória (Andrade)01 em Paracatu (José Luis Sabonge)Crescimento ordenadoÁrea plantadaA área plantada com cana em Minas Gerais aindaé relativamente pequena diante das dimensões doEstado, lembra o presidente do Siamig. Enquanto todoo Estado tem 360 mil hectares ocupados pelacultura, só o município de Uberaba tem 450 mil hectares."À medida que a área de cana cresce, fala-seem monocultura, mas não há como se falar nisso."A área ocupada pela cana em todo o TriânguloMineiro, segundo dados do Siamig, é de 251 mil hectares,enquanto toda a região abrange uma área de5,3 milhões de hectares. A cultura da soja ocupa 437mil hectares e o milho 182 mil hectares. A maiorparte das terras é formada por pastagens, principalmenteno município de Uberaba, onde a pecuáriaresponde por aproximadamente 40% da extensãodo município.CADEIA PRODUTIVAO Setor Sucroalcooleiro em Minas Gerais apóia ainiciativa de ordenamento da atividade no Estado eA expansão do setor agrícola em Minas Gerais teráum ordenamento por parte do Governo estadualpara que o crescimento não ocorra de forma desequilibrada,informa o presidente dos sindicatos daIndústrias de Fabricação do Álcool e de Açúcar noEstado de Minas Gerais (Siamig). "Não queremoscometer os erros do passado", disse.Esse ordenamento, segundo o presidente do Siamig,evitará a concentração de renda. "Vamos trabalharcom a cadeia produtiva e tentar ordenar alocalização das empresas, obedecendo a critérios,de modo que os municípios não tenham mais de30% da área ocupada por uma única cultura e hajauma distância adequada entre as usinas."Os critérios para ordenar a expansão do setorestão sendo estudados pela Secretaria de DesenvolvimentoEconômico em conjunto com a Universidadede Lavras.Entre os motivos do esforço para evitar a concentraçãode usinas em um mesmo município, Luiz CustódioCotta Martins destaca a elevação dos preçosdas terras cultivadas com a cana, provocada pelaconcorrência entre as indústrias. Além disso, destacao presidente do Siamig/Sindaçúcar, os municípiosseriam menos impactados em caso de crise no setor.Os empresários mineiros estão conscientes deque as barreiras tarifárias impostas pelos mercadosexternos serão substituídas, no futuro, por barreirasambientais e sociais, afirma Luiz Custódio Martins.O dirigente lembra que essa já é uma cobrançamundial e que o desenvolvimento dessa cultura noBrasil é fundamental.dele participa ativamente. Esse processo, segundoLuiz Custódio Martins, vai além do zoneamento daatividade agroindustrial e de limitações à ocupaçãode área por uma determinada cultura.A intenção é ampliar, dentro do Estado, os negóciose oportunidades relacionadas à atividade sucroalcooleira,desde a criação de uma estrutura de formaçãoprofissional para gerar mão-de-obra qualificada,até o apoio às empresas do Estado que tenhampotencial para atuar no setor no suporte à produção,criando-se, dessa maneira, uma autonomia em relaçãoaos centros de referência nesses serviços, localizadosno Estado de São Paulo.Luiz Custódio Martins acredita que mais de 150empresas mineiras poderão ser agregadas à cadeiaprodutiva, o que trará significativo impacto econômicoe social para o Estado de Minas Gerais. "Fizemosum workshop com representantes de indústriasque podem se adaptar e atuar no fornecimento deequipamentos e serviços para o setor".14 CANAL – setembro/outubro de 2006


Estado retoma expansão produtivaO Triângulo Mineiroresponde por maisde 70% da produçãodo Estado econtinua recebendonovos investimentosNa década de 40, Minas Gerais chegou a ocupara liderança da produção nacional de açúcar.Com a derrocada do Proálcool, na década de 90 osetor viveu um dos seus períodos mais críticos.Cerca de 50% das unidades produtoras do Estadoforam desativadas. Das 45 destilarias de álcool localizadasem Minas Gerais, 23 fecharam as portas.Quatro usinas de açúcar, de um total de 15,também encerraram suas atividades.Depois de passar por um longo período de estagnaçãoe superada a fase crítica da desregulamentaçãodo setor, caracterizada pelos esforçospara a adequação à economia de mercado, a indústriasucroalcooleira de Minas Gerais iniciouum processo de retomada, especialmente no finalda década de 90, um período de expansão, nãoapenas pelo crescimento do parque industrial, comopela modernização administrativa e operacional,que resultou na crescente melhoria dos níveisde produtividade, qualidade e aumento da produçãoacima da média nacional.A retomada do setor em Minas Gerais coincidecom a desregulamentação do setor e a ocupaçãodefinitiva do Cerrado mineiro, em especial a regiãodo Triângulo Mineiro, pelos grandes gruposnordestinos João Lyra, Carlos Lyra e Tércio Wanderley(Coruripe).A atividade industrial, até então concentradana Zona da Mata e Sul do Estado, cedeu lugar aum novo pólo industrial. Atraídos pelas condiçõestopográficas, o clima e a proximidade comSão Paulo, os principais grupos empresariais doNordeste começaram a investir com sucesso noTriângulo Mineiro, um processo ainda em cursonos dias de hoje.Cada empresa instalada corresponde a um investimentode mais de R$ 200 milhões. O TriânguloMineiro hoje responde por mais de 70% da produçãomineira e continua em expansão. Agora, com achegada de grandes grupos paulistas como Moema,Vale do Rosário, Crystalsev, Balbo e Confrio/Citrus-Emerson Fitipaldi. (Mônica Santos/Siamig)USINAS ASSOCIADAS EM MINAS GERAIS: 27 UNIDADESZona da Mata02 USINAS: Atenas e JatibocaSul de Minas02 USINAS: Passos , Alvorada BebedouroTriângulo/Alto Paranaíba13 USINAS: Vale do Paranaíba; Triálcool; Alvorada;Iturama; Campo Florido; Santo Ângelo; Mendonça;Sanagro; Limeira do Oeste; Santa Juliana;Itapagipe; Planalto (Grupo Carolo Bortolo), Frutal(Grupo Moema); CEV (Veríssimo) e Cia EnergéticaTriângulo Mineiro (Vale do Tijuco).Alto São Francisco02 USINAS : Agropéu eCoimbra/LuciâniaNoroeste03 USINAS: WD e Rio do CachimboRegião do Mucuri Jequitinhonha02 USINAS: Dasa e AlcanaRegiâo Central01 USINA : RG Açúcar e Álcool Ltda.CANAL – setembro/outubro de 200615


LICENCIAMENTO AMBIENTALSustentabilidadeA LOCALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA, PARA NÃO INCORRER EM ERROS COMETIDOS NOPASSADO, É UM DOS PONTOS-CHAVES PARA A OBTENÇÃO DA LICENÇA AMBIENTAL.As implicações ambientais da atividadesucroalcooleira são aspectos queganham destaque na discussão quese estabelece entre os agentes envolvidosno intenso processo de crescimento dosetor no País. Cada vez mais rigorosa, a legislaçãoambiental brasileira, complementada pornormas estaduais específicas, resguarda os recursosnaturais e assegura a sustentabilidadenecessária a esse segmento da agroindústria.Nos dois últimos anos, os órgãos ambientaisresponsáveis pela concessão dos licenciamentosnos Estados do Centro-Oeste e MinasGerais têm sido sobrecarregados com um volumegrande de demandas. Em Goiás, um doslíderes na atração de investimentos do setorsucroalcooleiro, a Agência Ambiental analisapedidos de licenciamento para a instalação denovas usinas e para a reativação de outras queestavam paralisadas. Neuzelides Maria Rebelo,gerente de Uso do Solo da Agência Ambiental,explica que os critérios para o licenciamentodas novas usinas estão bem definidos. O primeiropasso é a elaboração do Estudo de ImpactoAmbiental e do Relatório de Impacto sobreo Meio Ambiente. As demandas relacionadasàs usinas antigas estão sendo analisadascaso-a-caso, para que seja definido qual o tipode estudo ambiental necessário para a concessãoda licença.O processo de obtenção do licenciamentopara novas usinas começa com a análise dadocumentação exigida, a exemplo do EIA-Rima.Para obter a licença prévia, a primeira aser obtida, é necessário que esses estudos estejamconcluídos, para que sejam submetidosà audiência pública. A licença prévia, no entanto,não dá autorização para nenhum tipode obra, apenas assegura que a indústria estáambientalmente apta a se instalar no Estado.Em seguida, inicia-se o processo de licenciamentoe funcionamento. O estudo de impactoambiental tem normatização própria, a ResoluçãoConama 001/86, que exige audiênciapública e é realizada no mínimo 60 dias apósa entrada do processo. O projeto fica durante45 dias à disposição da população. Vencidoesse prazo, tem-se 10 dias para definir a datada audiência pública e, após a audiência, setedias para qualquer manifestação por escrito.Só então a Agência Ambiental tem autoridadepara emitir algum tipo de parecer. “Nós estabelecemosde 90 a 120 dias para emitir o parecerfinal da licença prévia. Normalmente, temalguma condicionante, alguma pendência a sercomplementada nos estudos, como o detalhamentodo projeto e a apresentação de programasambientais, bem como o projeto da partede aproveitamento dos afluentes que são geradosa partir do funcionamento da indústria”,explica Luciano Ferreira, engenheiro agrônomoda Gerência de Uso do Solo da Agência Ambiental.No decorrer desse processo, as empresasprovidenciam a elaboração do projeto paraque só então seja concedida a licença de instalação,emitida geralmente em torno de 120 a150 dias após a entrada do processo.LOCALIZAÇÃOA indústria deve ser a mais afastada possívelde mananciais de água e nascentes. A direçãodos ventos também é avaliada, devido ao lançamentode poluentes no ar, assim como a partede aproveitamento de afluentes. A AgênciaAmbiental orienta no sentido de que a indústriase localize num ponto estratégico da área, paraque se faça a distribuição dos afluentes porgravidade, sem que haja a necessidade de bombeamentos,reduzindo-se os riscos de vazamentos,queima de bomba etc. Outra questãoobservada no processo de licenciamento é oraio mínimo a ser respeitado entre uma unidadee outra. "Em Goiás, estamos recomendandouma distância mínima de 25 quilômetros, umespaço razoável para a produção que a usinademanda e que também permite exploração deoutras atividades.”16 CANAL – setembro/outubro de 2006


stock.xchingAverbação da Reserva LegalA instalação de novas usinas tem favorecidoa regularização das propriedades no que se refereàs reservas legais. Entre os documentossolicitados para dar entrada no processo de licenciamentoestá a certidão de registro doimóvel com a averbação da reserva legal. A indústriaé implantada em área própria e priorizaos fornecedores que tenham a reserva legalaverbada. "Essa é a primeira pergunta que o representantedas usinas faz quando avalia apossibilidade de fechar contrato com um usineiro",afirma Luciano Ferreira Coelho.Esse processo de expansão do setor sucroalcooleiro,destaca o agrônomo, está forçandoos fazendeiros a regularizarem a situação,numa reação em cadeia. "Sabemos que emGoiás grande parte das propriedades não têmreserva legal averbada, uma exigência da legislaçãoflorestal do Estado de Goiás, nº12.596, de 1995."Em caso de vistoria dos fiscais da AgênciaAmbiental, em propriedades que não tenham aárea de preservação permanente preservada,assim como a reserva legal, o proprietário éobrigado a cercar essas áreas para a regeneraçãonatural ou fazer o enriquecimento com espéciesnativas, um processo de fiscalização queencontra-se em andamento, afirma NeuzelidesMaria Rebelo Fonseca. Para a captação de águautilizada pelas usinas, é necessária a outorgaconcedida pela Secretaria de Meio Ambiente eRecursos Hídricos. Hoje, como a secretaria estámais exigente em relação à captação, difícilmenteela é feita diretamente nos mananciais.A prioridade é fazer barragens. A captaçãodireta só é feita quando o manancial permite.O setor tem investido na recirculação da água,que é submetida a um processo de resfriamentono chamado tanque spray e aproveitada emvários pontos do processo, constata o agrônomoLuciano Ferreira Coelho.Com isso, a demanda de água utilizada numaindústria, que era de 1 mil a 1,5 mil metroscúbicos por hora, agora está em torno de 500metros, ou seja, foi reduzida em até 1/3. Novasusinas instaladas em Goiás, segundo a AgênciaAmbiental, tem captação de 450 metros cúbicospor hora, em média, durante o período demaio a novembro.Uma vez concedida a licença, a Agência Ambiental- em decorrência de um fator de complexidadeprevisto na legislação ambiental -faz licenciamentos anuais. Para que a indústriatenha a licença renovada é necessário, no mínimo,uma vistoria por safra. "Tentamos fazerpelo menos 3 vistorias por safra, uma antes deconceder a licença, outra no decorrer da safrae outra no final", afirma Neuzelides Fonseca.Exigências relacionadas ao monitoramentoda qualidade da água são necessárias para arenovação da licença. A alegação da demoraem conceder a licença decorre do prazo legal aser cumprido. Há uma certa ansiedade, pelo rápidocrescimento do setor, em querer a obtençãoda licença rapidamente, mas o tempo mínimoé de seis meses, conforme prazo estabelecidopela resolução do Conama.O EIA-Rima pode levar 1 ano ou mais paraque seja concluído, mas concentrando esforçose realizando os estudos com equipes grandes épossível fazê-lo em nove meses. Se na audiênciapública houver um questionamento em queo Ministério Público ou alguém da comunidadelevante alguma falha no estudo é necessáriopedir uma complementação.CANAL – setembro/outubro de 200617


ARTIGO – Luciano Rogério de CastroPlanejamento eavanço ambientalDe todas as atividades doagronegócio nacional, pode-sedizer que o setor sucroalcooleirofoi um dos que maisevoluiu na busca de uma produçãosustentável aliada à preocupaçãosocial. Para permanecerem nocompetitivo mercado internacionalos produtores profissionalizarame reorganizaram suas empresas,introduziram práticas e tecnologiasmodernas de gerenciamentoagrícola e industrial.Com a visão de que o meio ambienteé hoje uma condicionantebásica para quem quer se manterno mercado, as empresas vêm tendouma grande atuação nessa área.Em Minas Gerais, a solução dosproblemas ambientais tem sido encontradaem parceria com os órgãosdo governo. No início de2003, o Sindicato da Indústria doAçúcar e do Álcool de Minas Gerais(Siamig/Sindaçúcar-MG) realizouum workshop para levantar osprincipais problemas ambientais dosetor e as propostas para solução.Como resultado foi assinado um"Termo de Compromisso" com oInstituto Estadual de Florestas (IEF),para a regularização das pendênciasambientais nas propriedadesagrícolas próprias e de terceiros, visandoa expedição dos referidos licenciamentos.Foram estabelecidasnormas para a regularização dasÁreas de Preservação Permanente(APPs), bem como a recuperaçãoimediata de veredas, nascentes e detoda a vegetação ao longo dos cursosde água. Avançou, também, napermissão para a criação de ReservasPrivadas do Patrimônio Natural(RPPNs), como alternativa às ReservasLegais, em outras microrregiõesdo Estado. O processo de compensaçãoda respectiva autorização paraaverbação das reservas, deveriapassar, previamente, pela análise eaprovação do corpo técnico e áreascompetentes do IEF. O Termo deCompromisso agilizou a regularizaçãoda situação ambiental dos produtoresmineiros, bem como já permitiua compensação de boa partedo déficit de reserva legal existente.As empresas sucroalcooleiras deMinas já contam com uma área emRPPNs, superior a 30 mil hectares.Nas RPPNs criadas, é precisomanter a biodiversidade intacta eprotegida de ações de degradação,implementar projetos de recuperaçãodos recursos hídricos e reflorestamento,bem como dar sustentabilidadesocial à comunidade em seuentorno. O destaque vai para a maiorreserva privada criada pelo GrupoCoruripe, denominada Porto Cajueiro,com 8,5 mil hectares, em Januária,no Norte de Minas. Outrosassociados do Siamig/Sindaçúcar-MG, como as usinas Santo Ângelo eAlvorada Açúcar e Álcool S/A, noTriângulo Mineiro, e Atenas, na Zonada Mata, já adquiriram áreas emregiões com as mesmas característicase estão com seus projetos emfase de análise e aprovação pelo IEF.O mecanismo adotado pelo IEFfoi uma ferramenta poderosa na soluçãode um crônico problema naárea ambiental do Estado. Ele resolve,de fato, o principal obstáculo damaioria das empresas, que é encontraráreas verdes no local de produção,para cumprir os 20% da exigênciade reserva legal destinada amanter a biodiversidade. No TriânguloMineiro, onde se encontram osmaiores projetos de cana-de-açúcar,a maior parte destas áreas já eraocupada por outras atividades comoa pecuária extensiva e a produçãode grãos, bem antes da cana e daedição do Código Florestal em 1965.Os produtores de cana partiram parauma substituição de culturas jáexistentes, ocupando áreas comgrande déficit florestal e rigorosamenteantropizadas. Um outro projetode preservação ambiental foi o"Termo de Cooperação Técnica" firmadoentre o setor e a FundaçãoEstadual do Meio Ambiente (Feam),para a realização de Estudo deAnálise de Riscos em todas as unidadesindustriais, além do respectivoPlano de Gerenciamento de Riscos(PGR), um pioneirismo para asunidades do setor. Ele visa o totalcontrole da produção de açúcar, álcoole energia com o menor riscopossível, envolvendo também asáreas de segurança do trabalho.Os trabalhos do EAR e PGR foramcoordenados pela Holos, umaempresa de consultoria na área.Foram realizadas visitas técnicas atodas as unidades de Minas, realizadoscálculos e medições, discutidosos problemas e as soluçõescom os técnicos de cada empresa.O trabalho será concluído com otreinamento das equipes e monitoramentodas medidas estabelecidasnos respectivos PGRs. Após a suaimplementação, as usinas mineirasestarão capacitadas a controlar,com o menor risco possível, todasas suas operações fabris e no campo,a destinação final dos seus resíduossólidos e líquidos e as emissõesde gases na atmosfera.Por outro lado, o planejamentoadotado para o licenciamento integradodas empresas sucroalcooleirasno estado permitirá, ainda,um melhor gerenciamentodos recursos hídricos disponíveis,dos consumos de água e energiaverificados, da destinação dosprodutos químicos, graxas e lubrificantesusados, além da proteçãocontra incêndios, explosõese demais acidentes. É certo, portanto,que as unidades do estadoestarão mais preparadas a atenderas exigências cada vez maisrigorosas do mercado quanto àpreservação ambiental e às práticasde responsabilidade social.Luciano Rogério de Castroé Superintendente do Sindicato da Indústriado Açúcar e do Álcool de Minas Gerais(SIAMIG/SINDAÇÚCAR-MG)“ O licenciamentointegradodas empresassucroalcooleiras emMinas permitiráum melhorgerenciamento dosrecursos hídricosdisponíveis.momomom“18 CANAL – setembro/outubro de 2006


EMPRESAS E MERCADOS• Mírian Toméeditor@canalbioenergia.com.brW130: VERSÁTIL E PRODUTIVAAs pás-carregadeiras W130 foram lançadas com a criaçãoda New Holland, em 2005, resultado de uma fusãoda Fiatallis com outras marcas continentais. O motorCummins 6BT5.9, um sistema de refrigeração diferenciado,a cabine confortável e o projeto moderno de designsão atributos que credenciam as novas carregadeiras aconquistar espaço no segmento da indústria de máquinasno Brasil. Outra característica são os braços com cinematismoem "Z" ou em paralelo: versão TC (TollCarrier). No Centro-Oeste, a New Hollandé distribuída pela Cotril Máquinas,empresa do Grupo Cotril.NEW HOLLANDTURBO FILTRAÇÃOA Mecat Filtrações Industriais Ltda., situada em Abadia de Goiás-GO, projeta e fabrica o turbo filtro, equipamento que atua na turbofiltração. Os serviços de pesquisa, teste, assistência técnica em garantia,supervisão operacional e assistência técnica pós venda, são executadospela Mecat Service Ltda. - Bebedouro e Mecat USA emOrlando - U.S.A. A propriedade intelectual é protegida por cincopatentes na U.S. Pantets Add Trademark - U.S.A, e seis patentesnacionais deferidas pelo I.N.P.I BR. A Mecat recebeu o prêmionacional FINEP 2004 de INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, conferidopelo Ministério da Ciência e Tecnologia.DIVULGAÇÃO RENTANKARMAZENAGEM, O DIFERENCIALO açúcar requer cuidados especiais como o controle da entrada depragas e da temperatura interna do armazém, pois o excesso de calorpode causar o amarelamento do produto, explica Silvio Hein, gerentecomercial da divisão Macrogalpões® da Rentank. Especializadaem soluções logísticas para armazenagem, a empresa tem uma linhade galpões específica para o armazenamento de açúcar. O produtoé o primeiro a atender as normas de segurança do setor e temclientes de peso como a Usina São Francisco e Usina Jacarezinho.JCB EQUIPAMENTOSA JCB é a 4a maior fabricante de equipamentos de construção nomundo, com fábricas na Grã-Bretanha, na Índia, nos EUA, na China,na Alemanha e uma no Brasil. A empresa tem 6.300 funcionários evendeu, em 2005, cerca de 45.000 equipamentos. A JCB produz 220diferentes tipos de equipamentos. Para o segmento agrícola, a empresaoferece manipuladores telescópicos e o único trator de alta velocidadedo mercado, o Fastrac tractor, capaz de atingir 80 km por hora.A Locagyn é a concessionária JCB em GO, DF e TO.CANAL – setembro/outubro de 200619


GRÃOSPlantio em quedaÁREA PLANTADA DE GRAÕS EM VÁRIAS REGIÕES DO BRASIL, NA SAFRA DE VERÃO,DEVERÁ SOFRER REDUÇÃO. CULTURAS DE SOJA E MILHO DEVEM SER AS MAIS AFETADASLideranças do agronegócio brasileiroafirmam que haverá redução de 9% daárea plantada de graõs na safra de verão2006/2007, caindo dos 38,8 milhõesde hectares (2005/2006) para 34,7 milhõesde hectares. A consultoria Agroconsultavalia que é a maior queda já registrada pelasafra de verão, puxada pela diminuição de14,5% na área plantada de soja e de 4,8% naárea de milho. A queda na área de soja está associadaaos maus resultados registrados em2005/2006, gerando inadimplência junto afornecedores de insumos (sementes, defensivose fertilizantes), tradings e bancos. Além disso,a perspectiva de uma grande safra de soja nosEstados Unidos e a manutenção do elevado nívelde estoques no mercado internacional determinampreços baixos para a cultura no Brasilna próxima safra. Resultado: rentabilidadenegativa para muitas regiões produtoras, emparticular no Centro-Oeste. Segundo a Agroconsult,o principal recuo se dará no MatoGrosso, onde a área deverá diminuir 26,4%.Em Goiás, a queda chegará a 17,7% e noMato Grosso do Sul, 22,3%. Em outros estados,como na Bahia, a queda será de 19,5%, enquantoem São Paulo, será de 14,5%. No Sul,onde as margens ainda se encontram próximasao equilíbrio financeiro, as reduções serão maistímidas, com 3,2% no Rio Grande do Sul e3,8% no Paraná.As áreas não plantadas de soja deverão migrarpara o algodão, milho de alta tecnologia, arroz,cana-de-açúcar e pastagens, porém, a maiorparte dessas áreas deverá ficar em pousio.Se consideradas condições normais de chuvae a repetição do baixo uso de tecnologia na safra,a expectativa é de uma colheita de 49 milhõesde toneladas de soja (2006/2007), contra52,9 milhões de toneladas na safra passada,com uma queda de 7,4%.Na cultura do milho, previsão de aumento deárea nas regiões com histórico de alta produtividade,seguindo e ampliando a tendência verificadana safra 2005/2006.Essas regiões representam de 10% a 15% dosprodutores no País e entre 20% e 25% da produçãobrasileira. Já nas regiões onde predominaa média tecnologia, a tendência é de redução deárea. Essas regiões somam de 50% a 60% daprodução nacional.Mais uma vez, o Estado do Mato Grosso deveráapresentar maior recuo da área plantada,com um índice de 34,6%. Já em área absoluta,a maior queda será em Minas Gerais, com 95mil hectares a menos. Por outro lado os estadosda Região Sul deverão ter um desempenhomais favorável, porém com queda de 3,1% noRio Grande do Sul e 3% no Paraná.stock.xching


INFORME ESPECIALParaúnaVocação para odesenvolvimentoConhecida por suas formações rochosas que lembramanimais, objetos e pessoas e também pelas belezas naturaisque atraem turistas, a cidade de Paraúna, a 157 quilômetrosde Goiânia, abre as portas para o desenvolvimento econômicoe colhe frutos do Programa Municipal de Estímulo à Industrialização(Lei 1.645/2005). Com isenção de impostos etaxas municipais, concessão de imóveis, serviços de terraplanagem,instalação de redes de energia elétrica e vias deacesso, além da doação de terrenos, o município atrai empresasde vários segmentos, inclusive do setor sucroalcooleiro.Duas usinas estão se instalando no município: a NovaGália, que começa a funcionar no ano que vem; e a ParaúnaAçúcar e Álcool.Em Paraúna, o desenvolvimento acontece em harmoniacom o meio ambiente e outros projetos fazem sucesso nomunicípio, como a produção de uvas no Cerrado e dezenasde pequenas indústrias, que empregam a mão-de-obra local.Outro projeto que promete alavancar ainda mais a economiada cidade é o reflorestamento. Os canteiros estãosendo formados e as florestas, a princípio, deverão ocuparuma área de 600 hectares, com o plantio de 1 milhão demudas de eucalipto e da variedade Acácia Mangium.Este projeto tem o apoio da Secretaria Estadual de Planejamentoe desperta o interesse de outros 18 municípios daregião. O reflorestamento tem aptidão múltipla, com a produçãode madeira, celulose, tanino e carvão vegetal.Outra empresa que se instala em Paraúna é a Rio BrancoAlimentos (Pif Paf), que recebeu incentivos como um terrenode 96.800 m 2 , isenção do recolhimento de ITBI, IPTU eISSQN por 25 anos, terraplanagem, abastecimento de águae rede de esgoto e instalação de rede de energia elétrica trifásica.Em troca, a empresa, que comercializa cortes de frango,suínos e produtos industrializados, se compromete acontratar mão-de-obra local e investir no município.O prefeito Sebastião Ferro de Moraes implantou um austeroprograma administrativo, que tem na Prefeitura a propulsorado desenvolvimento sócio-econômico e a valorização doser humano como foco fundamental das ações. Este conjuntode ações rendeu a Sebastião Ferro o primeiro lugar do PrêmioSebrae Prefeito Empreendedor, que este ano homenageou oex-governador de Goiás, Pedro Ludovico Teixeira.fotos: divulgaçãoCANAL – setembro/outubro de 200621

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