açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

canalbioenergia.com.br

açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

Windows Media Player.lnkENTREVISTA - Cid Jorge Caldas, coordenador-geral de Açúcar e Álcool do MapaPolíticas para a agroenergiaCID CALDAS EXPLICA AS PROVIDÊNCIAS FINAIS EM RELAÇÃO AO ZONEAMENTO DACANA-DE-AÇÚCAR E O ESFORÇO PARA ABRIR NOVOS MERCADOS PARA O ETANOLEVANDRO BITTENCOURTCoordenador-geral deAçúcar e Álcool da Secretariade Produção eAgroenergia do Ministérioda Agricultura, Pecuária eAbastecimento, o economistaCid Jorge Caldas já atuou em diversoscargos da administraçãopública federal, nos ministériosda Fazenda, Planejamento, Indústriae Comércio e Agricultura,a exemplo da coordenação-geralde Planejamento do Instituto dePesquisas Econômicas e Sociais(IPEA), vinculado ao Ministériodo Planejamento, Orçamento eGestão. Nesta edição, ele concedeentrevista exclusiva ao CA-NAL, em que fala sobre os assuntosmais relevantes e atuaisdo setor sucroalcooleiro.Qual é a situação atual do projetode Zoneamento Agroecológicoda Cana-de-Açúcar?A parte técnica foi concluída em30 de junho, dentro do prazo estabelecidopelo ministro da Agricultura.Ela vai embasar as políticaspúblicas indutivas para aexpansão da cultura destinada àprodução de etanol e açúcar. Háalguns pequenos problemas paraserem solucionados, nos Estadosde Mato Grosso e Mato Grossodo Sul, e por esse motivo o corpotécnico foi ouvido novamente.Resolvida essa parte, vamos tratardas políticas públicas queirão induzir o zoneamento.Recebemos, com frequência, delegaçõesde outros países querendo saber comoé o programa de etanol do BrasilOs problemas que o senhor mencionouestão relacionados a restriçõesem determinadas áreas?Foi solicitado ao ministro quechamasse os técnicos dos doisEstados e os ouvíssemos em relaçãoao que se estava colocandocomo impeditivo para a cana emdeterminadas localidades. Os Estadostiveram a oportunidade demostrar o que estava sendo feitono zoneamento ecológico e econômico,feito dentro de cada Estado,sob a coordenação do Ministériodo Meio Ambiente. Tiverama abertura necessária paracolocar o ponto de vista técnicodeles. E é bom lembrar que o zoneamentoagroecológico foi feitopelos ministérios da Agricultura edo Meio Ambiente e uma série deinstituições que fizeram a parteoperacional. O trabalho teve aparticipação da Embrapa, Unicamp,Inemet, IBGE, CPRN, umasérie de instituições.E qual é a estimativa de tempopara que ele seja concluído?O projeto saiu das nossas mãos eestá na Casa Civil para que essesdetalhes sejam resolvidos. Agente acredita que até junho estarãodefinidas não só as áreasindicadas, como as políticas públicaspara essa expansão.carlos silva acs/mapaQual é a opinião do senhor emrelação à importância do zoneamentoda cana-de-açúcar?Não se pode apoiar a expansãode nenhum produto destinado àprodução de açúcar e etanol,principalmente no que se refereao álcool, onde ele não estejasustentado pelo tripé de sustentabilidadeeconômica, social eambiental. Na parte ambiental,por exemplo, foram excluídas asáreas com bioma amazônico, asáreas de reserva legal, as APPs,as de comunidades quilombolae comunidades indígenas. Tambémforam apartadas as áreascom declividade acima de12%, pois não dá para se falarem produção de combustívelecologicamente correto se éutilizada mão-de-obra em atividadepenosa.As áreas indicadas são áreas quepossam ser mecanizadas, o quecontempla o critério social. Ocritério econômico está contempladono fato de as áreas indicadasproporcionarem, em razãodas características de solo e declima e com as cultivares atualmentedisponíveis, uma produtividadede cana-de-açúcar maiordo que 65 toneladas por hectare.Diversos setores da economia foramfortemente impactados coma crise financeira e o setor sucroalcooleiroé um deles. O que ogoverno pode fazer ou já está fazendopara ajudar o setor a superaresse momento?A crise atingiu o setor como umtodo e uma série de investimentosque estavam sendo programados,principalmente com recursosde fundos internacionais,sofreram uma retração. O setorjá vem, há pelos menos duas safras,com os preços do etanol edo açúcar deprimidos. Isso vinhasendo sustentado porque havianovos investimentos e a perspectivade novos mercados.O que temos feito é continuarbuscando a abertura de novosmercados. Isso tem sido realizadopelo presidente, quando viaja,pela parte técnica do Itamaraty epor nós, do Ministério da Agricultura.Recebemos, com frequência,delegações de outrospaíses, querendo saber como é oprograma de etanol do Brasil, oque mostra o esforço pela aberturade novos mercados.Para o curto prazo, estamos implementandoo financiamentodos estoques de etanol. Na verdade,esse é um setor que produzem seis, sete meses e ele tem quecomercializar esse produto emdoze meses. Então, ele carrega,04 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


durante quatro, cinco meses, umvolume grande de produto, o quegera um custo muito alto. Por isso,estamos financiando a estocagemde forma que a cada litrode álcool financiado é precisodar em garantia pelo menos 1,5litro de álcool como garantia. Esteproduto, então, só retorna aomercado na entressafra, que começaem janeiro e vai até marçodo ano que vem. Ou seja, vamostentar fazer com que os preçosdo etanol não decaiam muito noinício da safra.Entendemos que esse é um dosmelhores mecanismos que podemosaplicar para poder minimizaressas perdas que o setortêm tido.E do que ainda depende a liberaçãodos recursos?Os recursos são da ordem de R$2,3 bilhões de reais e a normatizaçãonecessária para realizaçãoestá programada para a próximareunião do Conselho MonetárioNacional, que sempre aconteceno final de cada mês.Não é interessante para ninguém ter umálcool que cai de preço em todo início desafra e que sobe na entressafraO preço do etanol no mercado internotem sofrido quedas frequentes.Os recursos para a estocagempodem dar mais firmeza àscotações do biocombustível?Com o anúncio da política de financiaro estoque de etanol, opreço do combustível já deu umareagida. Não é interessante paraninguém ter um álcool que caide preço em todo início de safrae que sobe na entressafra. Quandocai, conforme já identificadopela ANP, esse preço demora ater um efeito para o consumidor,de aproximadamente oito semanas.Entretanto, quando ele sobe,três semanas depois já se notaum impacto na bomba. Por isso éimportante que haja uma linearidadeno preço desses produtos.A crise não arrefeceu o esforçodo governo de buscar novos mercadospara o etanol?Todo mundo diz que é nas crisesque surgem as oportunidades equem as busca nesse momentovai sair na frente. Continuamosno mesmo ritmo, na tentativa deabertura de mercados, o que temde ser feito nesse momento para,quando a crise passar, o setorestar preparado para atender aesses mercados.Em outubro do ano passado nósfizemos um curso técnico paramais de 30 representantes de 16países de língua espanhola,mostrando para eles como era aprodução de etanol e quais eramas políticas públicas empregadas,ou seja, tentando disseminara cultura da utilização doetanol. Este ano, vamos fazertambém em língua inglesa.E como estão os entendimentosentre os governos brasileiro e deoutros países, principalmente osEUA, no que se refere aos biocombustíveis?Estamos trabalhando em conjuntocom os Estados Unidos e aUnião Européia. A primeira coisaa fazer foi a identificação de umproduto que fosse comum aostrês mercados e isso está sendotrabalhado com o Inmetro, com aABNT e com os órgão técnicosdos países para tentar manterum tipo de padronização do etanolque atendesse aos três mercados.Em relação ao Brasil e aosEUA, por exemplo, há uma diferençatécnica muito pequena,superável. Ou seja, continuamostrabalhando a todo ritmo. Os EstadosUnidos são um grandemercado para o Brasil e podemosexportar via países do Caribe,sem o pagamento de taxas, até7% da demanda americana que,este ano, deve estar em torno de2,1 bilhões de litros.O Brasil tem atendido a toda essacota?Isso depende das negociaçõesentre as destilarias e os parceirosno Caribe. Acredito que sejaatendida entre 70% e 80%dessa cota.E em relação às barreiras ao etanolbrasileiro, o senhor acreditaque elas podem realmente cair?Eu não sei se é o momento paraisso, pois poderia até ter um certodesarranjo interno se abríssemosum mercado de tal magnitude.Eu acho que essas conversasestão evoluindo e vão evoluirpara uma abertura de mercado,mas acredito que um poucomais à frente.Qual é a perspectiva de exportaçãode etanol para os EstadosUnidos este ano?Acreditamos que este ano vamosatender a totalidade da cota e, sehouver espaço, poderemos atéexportar direto para os EstadosUnidos, como já ocorreu há doisanos. Mesmo pagando a tarifa,que é pesada, conseguimos colocaro nosso etanol lá com viabilidadeeconômica. Acredito queserá possível igualar os volumescomercializados no ano passadoou até crescer um pouco.As usinas têm aumentado a produçãode açúcar, mais valorizadono mercado, para fazer capital degiro e enfrentar esse momento dedificuldade. O senhor acreditaque isso pode causar impacto significativono mercado, a ponto dehaver queda no preço da commodity?O setor vai destinar mais canapara fazer açúcar pela facilidadede financiar externamente. Tivemosnovas unidades entrando nomercado e há um quantitativo decana-de-açúcar maior, em tornode 8%. A Conab está a campojustamente fazendo esse levantamentode safra. Mas entendemosque parte do açúcar que nãofoi produzido pela Índia vai serproduzido pelo Brasil e, com certeza,como o volume de cana ésuficiente, o mercado de etanolserá bem atendido. Não vemosnenhum problema que possa levara uma queda dos preços doaçúcar ou do etanol no mercadointernacional.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 05


Intercâmbio depesquisas sobre etanolIniciativa apoiada peloDepartamento de Estado doGoverno Americano prevê a criaçãoda Rede de Educação Superior e dePesquisa entre Brasil e EUA (TheFulbright Commission forEducational Exchange betweenBrazil and the United States ofAmerica). Docentes, cientistas eestudantes farão um intercâmbio deinformações sobre oportunidadesde financiamento de projetosligados aos biocombustíveis eplanos conjuntos de pesquisa.Usina Caeté iniciareflorestamentoPesquisadores da UniversidadeFederal de Alagoas (Ufal) e técnicosda Usina Caeté deram continuidade auma ação de reflorestamento damata ciliar do Riacho Retiro,quedeságua no Rio São Miguel.Aatividade foi realizada complanejamento e orientação dospesquisadores e apoio técnico elogístico da usina.Somando-se às300 mudas já reintroduzidas na área,foram plantadas cerca de 200mudasde 32 espécies nativas da MataAtlântica,resultantes do projetodesenvolvido há um ano e seis mesespelos pesquisadores da Ufal.Missa na NardiniA Nardini AgroindustrialLtda realizou dia 13 de abriluma missa para marcar ocomeço de sua 37ª safra, comprevisão de moagem de 3,2toneladas de cana. Dentro destaestimativa, a produção da safra2009/2010 pode chegar a 160milhões de litros de etanol e 4milhões de sacas de açúcar.Realizada em um dos armazénsde açúcar da usina, atradicional Missa de Início deSafra reuniu cerca de 500colaboradores.Novo pacto climáticoA cidade de Bonn, naAlemanha, recebeu em marçocerca de 2500 delegados de175 países, incluindorepresentantes de governos,indústrias, institutos depesquisa e organizaçõesambientais, para a primeirade três reuniões que têmcomo objetivo traçar umesboço do tratado quesubstituirá o Protocolo deQuioto em 2012. "Foifundamental para trazer omundo mais próximo de umasolução política para asmudanças climáticas. Otempo está passando e ospaíses têm muito o quefazer", afirmou o SecretárioExecutivo da ConvençãoABERTURA DE SAFRACulto ecumênico na Usina OuroesteA Usina Ouroeste realizouno dia 25 de março um cultoecumênico para comemorar oinício da safra 2009/2010. Acelebração reuniu cerca de 300pessoas entre colaboradores,autoridades, convidados ediretores dos grupos Arakaki eMoema. “A Usina Ouroeste éhoje uma realidade, referênciano Brasil e no exterior. Issograças ao esforço e dedicação denossa equipe, que temtrabalhado incessantementepara que as metas sejamcumpridas. Deus tem nosacompanhado em todos ospassos de nossas vidas, nosdando saúde, ânimo e a certezade que Ele é a solução paratodos os problemas que possamaparecer”, disse KosukeQuadro das Nações Unidassobre Mudanças Climáticas(UNFCC), Yvo de Boer. Asdiscussões foramcentralizadas em medidaspara a redução das emissõesde gases do efeito estufa,assim como melhorias nosesquemas de comércio decarbono e de preservação deflorestas. Especialistasesperam que o novo acordoestabeleça uma redução de25% a 40% nas emissões noano 2020, comparado com osdados de 1990. Já em 2050, oalvo é uma queda de 50% a80%. Estes cortes seriam onecessário para manter oaumento da temperaturadentro do limite de 2°C.Equipe da Usina Ouroeste econvidados se uniram emculto ecumênico para pediruma boa safraArakaki, diretor presidente doGrupo Arakaki. A previsão demoagem para esta safra é de1,7 milhões de toneladas decana-de-açúcar.fotos: divulgaçãoCampanha EtanolVerde tem parceiraPara esclarecer a sociedadesobre as vantagens do etanole a necessidade de se investirno crescimento tecnológicosustentável do Brasil, Unicae Basf formaram parceria emtorno da campanha EtanolVerde – uma atitudeinteligente. A campanha serádifundida por meio de umacartilha, que explica passo apasso o etanol brasileiro, suasfunções e vantagens.Usinas a todo vaporA Brenco e a ETH estãodando sequência aos seusprojetos de usinas. A Brencodará início no segundosemestre deste ano àsoperações de suas primeirasduas unidades produtoras - ade Morro Vermelho, emMineiros (GO) e a de AltoTaquari, no Mato Grosso.Cada planta processará 3,6milhões de toneladas quandotodos os investimentosestiverem concluídos.O plano da Brenco émontar um grande polo deprodução de etanol, com dezunidades produtorasconcentradas no Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul,Goiás e Mato Grosso). Já aETH, criada em julho de2007, adquiriu duas usinasem operação - Alcídia, emSão Paulo, e Eldorado, noMato Grosso do Sul - e deuinício à construção deunidades. A partir de julho,coloca em operação trêsplantas novas: Conquista doPontal, em São Paulo, SantaLuzia, em Mato Grosso doSul, e Rio Claro, em Goiás.06 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


OPINIÃOÉ hora de mais alívio tributárioAo primeiro sinal de desaquecimentona indústriaautomobilística, o Governoreagiu com um pacote significativode desoneração de IPI, umdos principais tributos dessa cadeiaprodutiva. O fez com a convicçãode que precisa salvar batalhõesde empregos e um bom nacodo prometido crescimento do PIB.Mas é preciso que a agilidade nessasiniciativas anticíclicas se dêtambém em outras cadeias produtivas,como a da bioenergia, umdos setores com maior potencialde geração e manutenção de empregosnesses tempos difíceis.E o grande espaço para aliviaros custos do setor está na desoneraçãodo investimento, um temaque deveria estar permanentementena agenda de qualquer governo,não apenas em momentode crise. Embora não haja umacarga de IPI, como no caso dosprodutos finais da indústria automobilística,o setor de bens de capitalcomporta uma série de outrasmedidas que talvez nos tragamresultados ainda melhores. Ecom reduzido custo fiscal.Enquanto a reforma tributárianão avança no Congresso, seria demuito bom tom que o Governo Federaldesse uma demonstração deser verdadeiro o propalado apreçopelos biocombustíveis, reduzindodrasticamente a carga de PIS/Cofinssobre máquinas e equipamentosadquiridos para implantação,expansão ou renovação de parquesindustriais. Isso pode vir emduas frentes: rebaixando as alíquotasnas aquisições desses equipamentosou liberando o creditamentoimediato e integral (porparte das usinas) do tributo embutidonessas operações.Mas as iniciativas não devem ficarrestritas ao governo federal.Os Estados também dispõem debons instrumentos de desoneraçãode investimentos. O Estado deGoiás, por exemplo, já aplica permanentementeuma política deisenção do diferencial de alíquotas(a parcela do imposto que lhecaberia) quando o empreendedorindustrial adquire máquinas eequipamentos.É uma boa política, que podeser ainda melhorada com a reduçãoda burocracia na aplicação danorma. Atualmente, por causa deinterpretações divergentes sobre oque se trata realmente de ativoimobilizado, a fiscalização temexigido, notadamente das usinasde álcool, que o contribuinte pague,antes de qualquer discussão,o diferencial de alíquotas de umalista enorme de itens e depois busqueuma restituição.A justificativa para tal exigênciaé que grande parte dos ativos,principalmente aquelas máquinase equipamentos de maior porte,chegam desmontados e em muitasremessas, dificultando a identificaçãodo que é ativo e do que ésimples peça para manutenção oureposição. De qualquer maneira,exigir que se antecipe o imposto,para depois o contribuinte buscarde volta, desvirtua todo o espíritoda lei, que tem como finalidadedesonerar os investimentos.Outros Estados também podemseguir essa trilha da isenção do diferencialde alíquotas, de preferênciasem os obstáculos burocráticos.É uma ideia que merece ser levada,inclusive, ao Confaz, o fórumque congrega as secretariasestaduais de fazenda e homologaas políticas de incentivos e benefíciosfiscais.Não estamos falando de guerrafiscal ou algo similar, mas de medidasque buscam pavimentar o caminhopara o investimento, sem,necessariamente, criar vantagemadicional para este ou aquele Estado.Se mesmo nos tempos de bonança,a decisão de investir passa,necessariamente, pela carga tributária,em tempos de crise esse custoganha ainda mais relevância.Além da desoneração do investimento,há, nas demais etapas dacadeia produtiva dos biocombustívei,uma série de outros itens quecomportam medidas similares. Oreceituário anticíclico que andavafora de moda, mas que agora estámais vivo do que nunca, inclui dosesconsideráveis de redução decarga tributária, visando a liberaçãode mais recursos para que a sociedadepossa consumir e investir.Num Brasil de descalabros históricosnas contas públicas, e no momentoem que União, Estados emunicípios começam a reclamar deperdas de arrecadação, a idéia dadesoneração pode até parecer exóticademais. Mas não podemos esquecerque nossa carga tributáriatambém foge ao senso comum e,além disso, uma indesejável recessãopode tragar o caixa de todos,com muito mais virulência, levandojunto milhões de empregos.SIDNEI C. PIMENTELAdvogado Tributarista, sóciodo escritório Terra Pimentel eVecci, Advogados Associados . Égraduado em direito pela UniversidadeCatólica de Goiás, em Jornalismo pelaUniversidade Federal de Goiás e pósgraduadoem Controladoria e Finançaspela Fundação Getulio Vargas.sidnei@capitalempresarial.com.brdivulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 07


SEGURANÇA NO TRABALHOQuestãode vidaALÉM DE FORNECER EQUIPAMENTOS DEPROTEÇÃO AO TRABALHADOR, É PRECISOINVESTIR NA CONSCIENTIZAÇÃORhudy CrysthianCom o início da nova safra de cana-de-açúcar as lavourase os parques industriais das usinas começam a teruma circulação mais intensa de funcionários e colaboradores,aumentando assim o risco de acidentes detrabalho. E apesar das empresas fornecerem gratuitamente osEquipamentos de Proteção Individual (EPI), o que se vê muitasvezes é a negligência por parte do trabalhador em relação aouso desses equipamentos.Os EPI's são regulamentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego,que os avalia e aprova antes de serem colocados no mercado.Segundo o consultor em segurança e saúde no trabalho,Fábio Pizza, um aspecto relevante se refere à falta de atenção dopróprio trabalhador. "A desatenção tem origem no hábito adquirido.Algo que se obtém pela consciência, conforto e praticidadeque aquela atitude gera para a pessoa", diz.Muitas vezes, não é a empresa que deixa de fornecer algumEPI e sim o próprio trabalhador que deixa de usá-lo por se sentirdesconfortável. Por isso mesmo, existe a necessidade de fazeruma trabalho constante junto ao quadro de funcionários ecolaboradores sobre a real importância desses equipamentos.FALTA DE CONSCIÊNCIAConsultor afirma que é necessário eliminar os excessos, ou seja,a utilização de EPIs desnecessários. Fábio conta que muitasempresas generalizam o uso desses equipamentos para toda aempresa sem foco nas áreas que, de fato, têm o risco instalado,o que, muitas vezes, gera desconforto e falta de credibilidadequanto à sua real proteção. "É imperativo que se compreendaque o EPI não evita acidentes. Ele diminui a possibilidade de umalesão (doença) no caso da ocorrência de um acidente. A prevençãode acidentes só é possível pela atitude do homem", explica.Mas, nesses casos, o consultor conta que a falta de conscientizaçãosobre prevenção não ocorre apenas entres os trabalhadores.Segundo ele, se o empregador não dá importância à prevenção deacidentes, o funcionário não se esforçará em executá-la. "O maiorinimigo da prevenção é a falta de conscientização. A consciênciasobre a prevenção leva ao hábito seguro e à melhora do comportamentodo indivíduo quanto a sua própria segurança", diz.PRINCIPAIS CAUSAS DE ACIDENTES Operar sem autorização Utilizar equipamento demaneira imprópria ou operar emvelocidades inseguras Usar equipamento danificado Lubrificar, limpar, regular ouconsertar máquinas em movimento Utilizar ferramenta imprópria Assumir posição ou postura insegura Fazer brincadeiras inapropriadas Não usar o Equipamento deProteção Individual (EPI) disponível08 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


Análise de riscos é indispensávelPRINCIPAIS EQUIPAMENTOS DEPROTEÇÃO INDIVIDUAL NAS USINASOs equipamentos de proteçãosão definidos pela análise dos riscosdo ambiente de trabalho. Deacordo com a técnica em segurançado trabalho, Edilene Matias, umdos EPI's mais comumente encontradosnas usinas são botinas desegurança com biqueiras de aço,que protegem contra perfurações.Ela afirma ainda que outros equipamentossão indispensáveis naárea industrial da usina. "Luvas deraspa com palma em vaqueta, paramanipulação de cana-de-açúcar,protetor auricular e óculos desegurança", exemplifica.De acordo com o consultor FábioPizza, nas atividades realizadas emuma usina de cana-de-açúcar estãopresentes tanto os riscos físicos,químicos e biológicos quanto os ergonômicose mecânicos. "O ruídoindustrial é ainda um dos maioresvilões. Destaque-se que as posturasinadequadas, movimentação manualde cargas e o levantamento depeso (riscos ergonômicos) geramsérios problemas lombares aos trabalhadores".Segundo Fábio, a falta de proteçãoem máquinas e equipamentos eacessos livres a eles representamriscos que podem gerar graves lesões.Outro risco considerável existentenas usinas é a possível presençade animais peçonhentos quepossam ter sido involuntariamentetransportados da área do cultivopara a área industrial.Quanto aos riscos químicos, noprocesso de refinamento do açúcar,por exemplo, Fábio alerta que é indispensávelo controle de manipulaçãoe dos produtos utilizados noprocessamento, como no caso doenxofre. "Esses processos, hoje emdia, são, na maior parte das usinassucroalcooleiras, enclausurados,evitando-se, com isso, a exposição econtaminação do homem", diz. Capacete contra objetose choques elétricos Capuz para protegerdo calor do sol Máscara de solda, protetorpara os olhos e rosto contra pó,luminosidade intensa e respingosde produtos químicos Protetor de ouvido Respirador purificadorde ar contra pó Vestimentas de segurançacomo macacão, calça e blusão,jaqueta ou paletó Luva para proteger de agentesabrasivos, cortantes, perfurantes,choques elétricos, agentesquímicos e radiações Creme protetor dosmembros superiores contraagentes químicos Manga para proteção do braço eantebraço contra choqueselétricos, cortes e perfurações Perneira para proteção contracortes e perfuraçõesCANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 09


Levantamento do Sesi apontaprincipais problemas de saúdeDores na coluna, pressão alta, tendinitee depressão estão entre osprincipais problemas de saúde enfrentadospelos trabalhadores da indústria,de maneira geral. Problemasnos rins e diabetes também incrementamessa lista. Este quadro é oretrato de um levantamento divulgadorecentemente pelo Serviço Socialda Indústria (Sesi), denominado "Diagnósticode saúde e estilo de vida".Não existe um estudo específicopara o setor sucroalcooleiro, mas deacordo com informações da União daIndústria de Cana-de-Açúcar (Unica),a maioria das usinas já faz a lição decasa. A Cosan, por exemplo, oferecea todos os trabalhadores agrícolasdas unidades do grupo ginástica laboralantes de iniciar suas atividadesdiárias. Essa prática alcançou, no anopassado, 100% dos trabalhadores nocorte de cana. As usinas do GrupoUSJ oferecem ambulância e ambulatóriomédico, para o caso de algumaemergência. São realizadas orientaçõesconstantes aos trabalhadores decomo eles devem se comportar dentroda empresa para evitar possíveisacidentes. São promovidas ainda palestrase cursos constantes nas usinaspara explicar a importância do trabalhadorficar atento à necessidadede cuidar de sua saúde e de sua integridadefísica na empresa.Na Usina Cerradinho, em São Paulo,o colaborador participa constantementede palestras e avaliações médicas.A Usina São Manoel, também emSão Paulo, mantém profissionais daárea de saúde acompanhando as condiçõesclínicas e realizando avaliaçõesfísicas dos trabalhadores em campo.Geralmente, as usinas que mantémum acompanhamento da saúde deseus colaboradores checam a pressãoarterial e fazem o controle de diabetes,além dos exames médicos.DOENÇASDO TRABALHO Asma Ocupacional - Adquiridapor meio da inalação de poeira eresíduos sólidos manuseado nasindústrias Dermatoses ocupacionais -Causadas por contato com agentesbiológicos, físicos e químicos LER/DORT - Decorrente deproblemas com o local de trabalhoe com os movimentos repetitivos Perda auditiva induzida peloruído (Pair) - Diminuigradativamente a audição dostrabalhadores por exposiçãocontinuada a níveis muito elevadosde ruído Pneumoconioses - Doençaspulmonares ocasionadas pelainalação de poeiras químicas, comoa da sílica e dos asbestos, quecausam silicose e asbestose Distúrbios mentais - Mais difíceisde detectar e principalmenterelacionar ao trabalho, podem terdiversos graus de desenvolvimentoe ligação com diferentescircunstânciasFonte:Portal Normas Regulamentadoras,segurançae saúde no trabalho10 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


SAFRA 2009/10Centro-Sul deve moer9% a mais de canaPREVISÕES DE SAFRA REALIZADAS PELAS CONSULTORIASCANAPLAN E DATAGRO SÃO SEMELHANTESDe acordo com as primeirasprojeções para asafra da cana-de-açúcar2009/10, que começaoficialmente em maio, o cicloda cana este ano deve moer9,12% a mais do que a safra passadana região Centro-Sul. Asusinas estimam a moagem de558,83 milhões de toneladas decana, em média. A variação giraentre um mínimo de 543,32 milhõesde toneladas e um máximode 561,08 milhões de toneladas.Os dados são de uma projeçãorealizada pela consultoria Canaplan.A Datagro calcula númerossemelhantes. Segundo a consultoria,serão processados 535 milhõesde toneladas de cana nessasafra. A moagem 2009/10 terá32,4 milhões de toneladas extras,ou 5,72% acima da safra anterior.Esses dados representam umaalta 6,08% sobre as 499,6 milhõesde toneladas da safra 2008/09. AUnião da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) pretende anunciarnos próximos dias sua projeção.Mas de acordo com a entidade, noano passado foram moídas 500milhões de toneladas do produto.A safra deste ano também deveráser mais açucareira, segundoa projeção da Canaplan. A estimativaé que as usinas processem43% de açúcar, o equivalentea 31,9 milhões de toneladas. Oetanol responderá por 57% daprodução –25,9 milhões de litros.Na safra passada, a proporçãoestava mais alcooleira: 37% daprodução foi para açúcar e 61%para etanol.Segundo o diretor da Canaplan,Luiz Carlos Carvalho, as usinasproduziram mais álcool do que ademanda, na safra anterior, e agoradevem compensar as perdas depreço do álcool produzindo maisaçúcar. Outro fator que empurra oaçúcar é o preço, mais atrativo nomercado internacional.Mas, de acordo com a Datagro,a produção de açúcar este anodeve chegar a 30,1 milhões detoneladas, uma alta de 12,5% emrelação a safra passada. Já as exportaçõesdo produto deverãoatingir 20,7 milhões de toneladas,ante as 16,8 milhões de toneladasdo ano passado. A Datagroainda estima que o mix deprodução deva ser de 58,2 % parao álcool contra 60,26% do anopassado. A consultoria afirmaque a safra 2009/10 ainda seráalcooleira, mas a redução no mixdo álcool será destinada para oaumento da produção de açúcar.9,12%é o crescimentoestimado para amoagem nestasafra535milhões de t e561,08 milhõesde t é a faixaentre o máximoe o mínimo decana que deveráser moída500milhões detoneladas decana forammoídas na safrapassadaFonte: consultoriasCorte antecipadogera empregoSegundo a Federação das Indústriasdo Estado de São Paulo(Fiesp), no período fevereiromarçohouve um saldo positivode 7.500 postos de trabalho, variaçãopositiva de 0,31%. É aprimeira vez, em seis meses decrise, que o nível de ocupaçãoindustrial em São Paulo registrouvariação positiva. Nos mesesde dezembro de 2008 e janeirode 2009, o índice de empregofoi de –1,3%.A razão das contratações naprodução de álcool e açúcar foia antecipação da colheita da canaem São Paulo, geralmentefeita nos meses de abril. Foi precisoantecipar a colheita paraque o setor gerasse fluxo de caixapara capital de giro, explicoua Fiesp. "Em vez de pegar dinheiroemprestado, os produtoresresolveram espremer cana"completou o economista da entidade,André Rebelo.A curva do nível de empregona indústria desenhada pela Fiesprepete padrão já verificadopelo Instituto Brasileiro de Geografiae Estatística (IBGE), com aPesquisa Mensal de Emprego, epelo Ministério do Trabalho eEmprego, com o Cadastro Geralde Empregados e Desempregados(Caged).As três pesquisas usam metodologiase recortes diferentes. Apesquisa da Fiesp se baseia emamostra de 3 mil empresas informantes(representando 50%do produto industrial) e consideraocupações formais divididaspor 22 subsetores do Estadode São Paulo.A pesquisa do IBGE baseia-se,também, em dados amostrais eé realizada para medir o númerode ocupações em seis regiõesmetropolitanas; enquanto o Cagedtem caráter de registro censitárioe é elaborado para medira variação de postos com carteirade trabalho assinada em 15subsetores agrupados. Além davariação setorial, a Fiesp verificoudiferenças regionais nos níveisde ocupação e emprego.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 11


BIODIESELMatéria-prima idealPESQUISADORES DISCUTEM AVANÇOS DA PESQUISA SOBREMATÉRIAS-PRIMAS PARA PRODUÇÃO DO BIOCOMBUSTÍVELChefe da EmbrapaAgroenergia fala daimportância da cooperação eda competitividade nonegócio agroenergético.gustavo porpinoAequipe do projeto de pesquisa FontesAlternativas Potenciais de Matérias-Primas para Produção de Agroenergiase reuniu em março, na Embrapa Cerrados,em Planaltina-DF, para avaliar as pesquisasconduzidas com pequi, macaúba e tucumã,entre outras espécies. O estudo é conduzido porvinte e uma unidades da Empresa Brasileira deAgropecuária (Embrapa) e parceiros.A pesquisa avalia o teor e a qualidade do óleo,a viabilidade para produção de biodiesel, resistênciaa pragas e doenças das espécies, entre outrosaspectos. "A pesquisa começou como umacorrida. Largaram várias plantas, hoje algumas lideram",diz o pesquisador Nilton Vilela Junqueira,da Embrapa Cerrados, líder do projeto.Junqueira comenta que as pesquisas visamdomesticar espécies silvestres de plantas nativasdo Brasil para produção de óleo. O pesquisadorexplica que o estudo, que prossegue até 2011, jáevoluiu e que a equipe irá selecionar duas outrês espécies para aprimorar as pesquisas.No encontro foram abordados temas comoproteção intelectual e registro comercial decultivares. José Robson Sereno, chefe geral daEmbrapa Cerrados, e Frederico Ozanam Durães,chefe geral da Embrapa Agroenergia, destacarama importância do trabalho de parceria emtorno de um tema capaz de contribuir para adiversificação da matriz energética brasileira."O Brasil tem uma agenda pública para o negóciode agroenergia", afirma Durães. Ele salientaque a agroenergia é um negócio de alta competitividadee cooperação, com o incrementodo fator inovação para fazer diferença no mercado.Para Durães, a substituição da matriz fóssilpor combustíveis renováveis é possível comcompetitividade, inovação e cooperação. O pesquisadordefende os arranjos produtivos locaise regionais de biocombustíveis para produção econsumo no mesmo local. "É um princípio básicoda energia renovável", diz.Alexandre Strapasson, diretor do Departamentode Cana-de-Açúcar e Agroenergia doMinistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(MAPA), destaca que "há grande expectativaem torno das pesquisas da Embrapa", tantono âmbito nacional como também em outrospaíses. "A Embrapa tem condições de atender atoda essa expectativa de desenvolvimento detecnologia para a agroenergia, trabalhando emconjunto com o ministério", diz o diretor.Strapasson salienta ainda que as novas espéciespara produção de biocombustível podemser uma alternativa de renda para os produtores."Para não derrubar floresta, é preciso convencero produtor sobre a viabilidade econômica".O diretor do MAPA lembra que o "cenáriode muita demanda para a pesquisa e a crisemundial" é um momento propício para reflexõesconjuntas sobre políticas públicas para aagroenergia. Em 2008, segundo dados do Ministériodas Minas e Energia, o uso do biocombustívelevitou a importação de 1,1 bilhão delitros de diesel de petróleo, o que rendeu aproximadamenteUS$ 976 milhões para o Brasil. Opaís bateu recorde na exportação de etanol,com um total de 5,16 bilhões de litros vendidosno ano passado. (CANAL, com informações daassessoria de imprensa da Embrapa)12 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


AÇÚCARCenário apertado,mas positivoniels andreas/unicaAUMENTO DO CONSUMOMUNDIAL E PREÇOS DOETANOL EM QUEDA SÃOOS FATORES QUE,ATUALMENTE, MAISINFLUENCIAM OMERCADORhudy CrysthianOs preços do açúcar disparam constantementenas bolsas internacionais. A notíciade que a Índia suspendeu a tarifa de60% sobre a importação de açúcar refinadopara compensar a queda na produção localtambém já faz muitos especialistas reverem seuscálculos. Segundo o consultor do Centro de EstudosAvançados em Economia Aplicada (Cepa/Esalq),Edmundo Farias, a produção brasileirade açúcar atinge seu limite, mas ainda não é suficientepara suprir o déficit mundial. “A boa notíciaé que, em 2008, foi registrado elevado excedentede produção de açúcar no Brasil, o que fortaleceunossos estoques.”, diz. Farias conta que, háum mês, os preços do açúcar praticados pela tradeIce Futures estavam 38,67% acima do álcool hidratadodo mercado doméstico brasileiro.Segundo perspectivas da International SugarOrganization (ISSO), nas regiões onde a crise econômicateve os efeitos mais fortes, como na UniãoEuropéia, a população constitui um fator preponderantee não houve redução no consumo deaçúcar. Mas o consultor afirma que o protecionismoainda é a principal barreira para o setor.Segundo avaliação da União da Indústria de Canade-Açúcar(Unica), em relação ao protecionismo, oaçúcar pode ser considerado o item mais protegidono mercado global, em função de picos e cotastarifárias, que dificultam a entrada do produto emnovos mercados.Segundo a Unica, as exportações brasileiras deaçúcar são dominantes em relação à exportaçãode álcool. A entidade é um tanto conservadoraquanto ao aumento das exportações, tanto deaçúcar quanto de álcool, e acredita que um processode recuperação de vendas no mercado externosó deve se iniciar em 2010, mas concordaque o cenário ainda será mais favorável para oaçúcar do que para o álcool este ano.PREÇOSDe acordo com dados da Copersucar, o açúcarvem apresentando crescimento inferior a 1%, porconta da crise econômica mundial, mas, segundo oconsultor da Safras e Mercado, Miguel Biegai, o resultadonão chega a ser negativo, já que o consumomundial é crescente. Em 2005, o consumomundial atingiu 200 milhões de toneladas. Hoje,chega a 600 milhões de toneladas.Miguel acredita que os preços atuais ainda estãomuito abaixo da média registrada em 2005 e 2006.Já em valores reais, os preços estão apenas 9% acimado registrado na última década. "Neste momento,os fatores que mais influenciam os preços são oaumento do consumo mundial e os preços do álcoolem queda", ressalta.TENDÊNCIA DE SAFRASegundo dados da Consultoria Datagro, os preçosdo açúcar no mercado interno, praticados no fim demarço, na Região Centro-Sul, estavam remunerando83,86% mais que os do álcool hidratado. Acotação mais vantajosa para o açúcar deve levar osetor sucroalcooleiro a confirmar uma safra maisaçucareira em relação à registrada na safra 2008/09.Biegai acredita que os próximos meses serãoextremamente dependentes da informação de qualserá o desempenho das vendas e dos preços obtidospelo etanol. “Preços fracos para o etanol significarãomaior produção de açúcar. Preços firmes parao etanol tendem a reduzir o interesse das usinas emproduzir açúcar”, diz.Com mais etanol sobrando no mercado interno euma demanda interna firme, mas não tão grande aponto de absorver todo o excesso de oferta, passou ahaver uma percepção de que as usinas passariam aproduzir mais açúcar, cujos preços estavam maiscompensadores. “Assim, os contratos futuros em NovaYorque e Londres passaram a hesitar em sua tendênciaaltista, mudando de um canal de alta, na sua linhaprincipal, para um canal lateral”, completa.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 13


RECURSOS HÍDRICOSPara usar e preservarCONSCIÊNCIA DANECESSIDADE DEPRESERVAÇÃOAMBIENTAL E USORACIONAL DA ÁGUAJÁ SÃO REALIDADENA INDÚSTRIASUCROALCOOLEIRAEvandro BittencourtAágua é um insumo imprescindível paraa produção agropecuária, industrial epara a sobrevivência de homens e animais.A crescente pressão das atividadeshumanas sobre os mananciais e os sistemas ecológicosinterligados a essas fontes, no entanto,tem tornado a água um bem cada vez mais escassoe caro. Isso se dá, entre outros fatores, pelapoluição decorrente do lançamento de efluentesnão tratados, a exemplo dos esgotos domésticose industriais, e de outros processos degradantesdos mananciais, como o assoreamento doleito de rios e córregos.Visando tentar conciliar essa situação de demandasempre crescente e de redução da disponibilidadedo insumo, a utilização de programasde utilização racional da água vem ganhandocorpo nas atividades agrícolas e industriais, inclusiveno setor sucroalcooleiro, que se destacacomo um grande consumidor de água.Para Antônio Félix Domingues, coordenadorgeraldas assessorias da Agência Nacional deÁguas (Ana) e autor de várias obras sobre os recursoshídricos no Brasil, nos últimos anos houvesignificativo avanço na gestão da água. Isso sedeu, em sua opinião, em razão de parte da sociedadeter tomado consciência da limitação desserecurso no planeta e de que o seu uso por algunspode comprometer a disponibilidade para outros.Antônio Félix Domingues ressalta que, emmuitas regiões, o acesso à água é motivo decompetição. Para ele, a regulação do acesso aorecurso hídrico e a minimização de conflitos obtevegrande avanço por meio da Lei 9.433, de janeirode 1997, que criou o aparato institucionale os conceitos fundamentais sobre o uso racionalda água no Brasil. "Na sequência, o governofederal criou as instituições necessárias, o quefez que essa institucionalização passasse, efetivamente,a ter uma densidade. Digo isso em relaçãoà criação do Conselho Nacional de RecursosHídricos, da Secretaria de Recursos Hídricosno Ministério do Meio Ambiente e, por último,da Agência Nacional de Águas."Apesar dos avanços, Antônio Félix diz ser necessárioque a consciência sobre o uso racionalda água seja estendida a camadas mais amplasda sociedade. "O valor desse recurso deve se tornarum fato inquestionável."SETOR SUCROALCOOLEIROEm relação à atividade canavieira, o coordenador-geraldas assessorias da Ana acredita queo setor sucroalcooleiro vem fazendo a sua parte."Provavelmente, por ser muito importante doponto de vista econômico e de organização empresarial,o setor começou a fazer um esforçomuito grande, nos últimos anos, para racionalizaro uso da água."Em recente participação no Fórum Mundial daÁgua, em Istambul, na Turquia, Antônio Félixconta que fez, em sua palestra, uma defesa daestratégia brasileira de produção de biocombustíveis."Demonstramos que, por volta de 1997,havia a necessidade de 5, 97 metros cúbicos deágua por cada tonelada de cana processada. Essenúmero hoje está por volta de 1,8 metro cúbicoe nós podemos projetar, para daqui a 11 ou12 anos, cerca de 1 metro cúbico de água por toneladade cana processada. É um ganho significativo,obtido por meio de práticas de reúso.Além disso, avançamos em fronteiras tecnológicas,como a lavagem da cana a seco."Para se ter uma ideia do consumo de água naatividade canavieira, Antônio Félix diz que emSão Paulo, onde não se irriga as lavouras de cana,a atividade canavieira responde por quase40% do uso industrial da água no Estado.14 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


Reúso e novas tecnologiasO índice de reúso de água no setor sucroalcooleiroé considerado um dos mais significativosna atividade industrial brasileira. SegundoAndré Elia Neto, técnico ambiental do Centrode Tecnologia Canavieira (CTC), o setor utiliza,em média, 22 metros cúbicos de água por toneladade cana processada, em sistema de reúso,em que se recicla toda a água da própria usina.A necessidade média de água captada varia de1 a 2 metros cúbicos por tonelada de cana, umíndice de aproximadamente 95% no reaproveitamentodas águas.Esse índice, explica André Elia Neto, é atribuídoàs regiões Sul e Sudeste, em que se pode fecharo circuito e não se tem a necessidade deágua para a irrigação. "Em regiões onde há necessidadede irrigar a cana em algum período doano, as usinas praticam ainda o circuito aberto,visando reaproveitar os efluentes na irrigação, oque também é considerado um tipo de reúso,mas, nesse caso, a captação é maior." A condiçãodo reúso é proporcionada pelas tecnologias defechamento de circuito, um estágio de engenhariajá dominado no setor.LIMPEZA A SECOUma nova solução tecnológica capaz de reduzirsubstancialmente o uso de recursos hídricosna área industrial do setor sucroalcooleiro é o sistemade limpeza da cana a seco. "Há ainda tecnologiasem desenvolvimento, como a possibilidadede aproveitamento da água condensada dacana, a partir do tratamento e do seu retorno aoprocesso, o que se insere no conceito de usina deágua. Há também processos gerando menos vinhaça,em que se aproveita melhor a água."As tecnologias de recuperação de água da canarepresentam um conceito já largamente utilizadopelo setor, segundo André Elia Neto. "Asusinas têm os equipamentos necessários para isso,como os evaporadores, concentração de vinhaçae uma série de tecnologias em que se podeter a água da cana recuperada, mas que aindadeve ser tratada para ser reutilizada."A água residuária, explica André Elia, não élançada em corpos d'água. "Na maioria das usinasse pratica o lançamento zero. Isso é interessanteporque qualquer que seja o grau de tratamentodado ao resíduo, ainda há algum contaminante,mesmo que os níveis estejam dentro dalei, para que sejam descartadas nos rios. Reutilizandoessa água na lavoura como irrigação desalvamento, por exemplo, o rio é poupado dessacarga remanescente de poluentes.O técnico ambiental do CTC explica queexistem várias possibilidades de reciclagem deágua tratada no processo industrial. A água dalavagem de cana, por exemplo, é tratada apartir da decantação e correção do pH, paraque então seja retornada para o processo deprodução. As águas quentes, por sua vez, sãoresfriadas e retornam para o processo comoágua de resfriamento.unicaCANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 15


fotos: usina jalles machadoEntre as tecnologias de ponta voltadas para aracionalização do uso dos recursos hídricos, AndréElia destaca a limpeza da cana a seco e a concentraçãode vinhaça. A tecnologia já está sendo adotadapor várias usinas, impulsionada pela adesão aoprotocolo ambiental, proibição da queima da canae colheita mecanizada. "A mecanização implica colhercana picada, que não pode ser lavada, para quenão haja perda de açúcar nesse processo", explica otécnico ambiental.A limpeza a seco é feita em duas fases. Quando acana picada passa pela mesa, há um tipo de peneiraque permite a passagem e separação da sujeira,como terra e areia. Já na segunda etapa, quando acana está caindo da mesa para a esteira, a palha ésoprada por um equipamento. Por se tratar de impurezasvegetais, ela vai para uma câmara e é recolhidapor esteiras. "A grande vantagem é que elapode ser queimada na caldeira para a produção deenergia elétrica. Nesse caso, o uso de água na lavagemda cana é zerado."São quatro os maiores circuitos de água na usinae que representam cerca de 90% do uso da água(ou reúso, quando se trata de circuito fechado).Além da lavagem da cana, destacam-se o resfriamentoda fábrica de açúcar, da dorna de fermentaçãoe o resfriamento dos condensadores de álcoolna destilaria. Outro circuito que demanda muitaágua, embora em volume não tão expressivo quantoos demais, é a lavagem de gases da chaminé dacaldeira. "Graças ao reúso em circuito fechado, nãodemandam a captação de volumes expressivos. Acaptação é necessária apenas para repor a águaevaporada no sistema."Nas regiões em que as áreas de produção de cananecessitam de irrigação suplementar no períododo estio das chuvas, as usinas podem lançar mão desistemas que permitam aproveitar ao máximo osefluentes industriais. Esse recurso representa umaforma de racionalizar a questão, sem exercer pressãocom novas captações em corpos d'água.Existem, ainda, pequenos procedimentos que visamo benefício econômico por meio da redução dedesperdícios. "São ações realizadas no processo, comoa mudança de equipamentos ou procedimentosoperacionais que, somados, possibilitam uma reduçãosignificativa no uso da água. Esse também é umobjetivo importante a ser perseguido”.Aproveitamentodo esgoto tratadoO aproveitamento da água de esgototratatada na agricultura energéticaé, na visão de Antônio FélixDomingues, Coordenador-Geral dasAssessorias da Agência Nacional deÁguas (Ana), uma alternativa de reusoque merece especial consideração."Se há uma lavoura de cana-de-açúcarperto de uma cidade, não temsentido pegar a água que sai do tratamentode esgoto e jogar no rio.”Segundo Felix, já existem algunsprojetos em teste com essa concepçãoem várias regiões do no Brasil. "Éuma prática já usada largamente emoutros países, como os Estados Unidose Israel. Estamos fazendo umasérie de contatos para desenvolveralguns polos de pesquisa em relaçãoa esse tema", informa.16 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


ÁGUA BEM CUIDADAProgramas e projetos de conservaçãodos recursos hídricos da Jalles MachadoUsina goiana dá exemplo de uso racionalA usina sucroalcooleira Jalles Machado S/A(foto), localizada no Vale de São Patrício, municípiode Goianésia (GO), distinguiu-se entre osprodutores de bioenergia ao conquistar, em dezembrode 2008, o Prêmio Nacional de Gestãodos Recursos Hídricos, promovido pela AgênciaNacional de Águas (ANA). Apresentando o case"Gestão de Recursos Hídricos na Jalles Machado",a empresa foi a única da região Centro-Oestee a única do setor sucroalcooleiro a chegar àfinal e ganhar o primeiro lugar do concurso.Segundo Ivan Zanatta, gestor do Sistema deGestão Integrada da Jalles Machado, as práticasagrícolas e industriais adotadas pela usinatêm sido norteadas por programas e projetosque visam, entre outros objetivos, obter resultadospositivos na conservação dos recursos hídricos(veja quadro). Antônio Félix Domingues,Coordenador-Geral das Assessorias da AgênciaNacional de Águas (Ana), explica que o prêmiofoi criado para sinalizar ao conjunto de usuáriosda sociedade que é possível realizar o aproveitamentoeconômico da água, produzir e gerarriqueza com economia e racionalidade. "Oprêmio tem essa função de mostrar que sempreé possível fazer um pouco mais, mobilizando ascomunidades de funcionários e premiandoprojetos que sejam replicáveis".Programa de Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares: temcomo principal objetivo a preservação e recomposição de áreasnaturais, outrora degradadas, por práticas agrícolas que nãoestavam em consonância com o meio ambiente.Programa de Educação Ambiental para Conservação dosRecursos Hídricos: visa despertar a consciência ambiental paraque os colaboradores e fornecedores saibam da importância daconservação do meio ambiente de forma geral e da necessidadepremente da conservação dos recursos hídricos.Programa de Práticas de Uso Racional da Água: tem comoprincipal objetivo a construção de barragens de regularização devazão. Durante o período de estiagem, a irrigação é feita usandoa captação nestes barramentos, evitando o uso da captaçãodireta no manancial, preservando assim a vazão dos mesmos nosperíodos críticos de ausência de chuva.Programa de Práticas de Uso Racional do Solo: desenvolvidopelo Departamento Agrícola da empresa, visa colocar na práticametodologias e técnicas de conservação de solo para que dessaforma os recursos hídricos não sofram as consequências de seumanejo inadequado como erosões e assoreamentos.Programa de Controle Biológico de Pragas: práticasvoltadas para produção de um agente de combate naturalda broca da cana-de-açúcar. Visam evitar a contaminaçãodo ambiente com defensivos agrícolas que possam sercarreados para os cursos d'água.Programa de Uso Racional da Água no Ambiente Industrial:desenvolvido e coordenado por profissionais especializados naárea, tem suas atividades baseadas na utilização racional daágua no ambiente industrial e máximo reaproveitamento daágua dentro do processo de produção do açúcar e do álcool pormeio de circuito fechado.Programa de Uso Racional da Água no Ambiente Agrícola: Visaorganizar as ações que envolvam os corpos hídricos, comobarramentos e projetos de irrigação e também nomonitoramento da qualidade das águas desses corpos hídricos.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 17


PESQUISAQuem disse quebagaço é resto?PESQUISA PARA PRODUÇÃO DE ETANOL DO BAGAÇO DA CANAPROVA QUE ESSA MATÉRIA-PRIMA AINDA TEM MUITO CALDOMaiara DouradoFoi-se o tempo em que o bagaço dacana-de-açúcar era consideradomero resíduo de produção, semgrandes utilidades e de poucoaproveitamento. A gama de possibilidadesque essa matéria-prima, hoje, podeoferecer não se restringe mais a alimentaçãode gado ou adubação da terra.Quem comprova isso são pesquisadoresbrasileiros que desenvolveram uma tecnologiaque permite produzir etanol apartir do bagaço da cana.Se levarmos em conta a tecnologia alcooleirapara produção de biocombustívelatravés de cana-de-açúcar, o Brasil é,sem dúvida, pioneiro. Na era do aquecimentoglobal e com a tendência de suprimircada dia mais a emissão de gasespoluentes, o estímulo para pesquisasdesse tipo tem aumentado.Nesse cenário, a pesquisa para obtençãode etanol do bagaço de cana apresenta-secomo alternativa adicional paraaproveitamento deste resíduo em benefícioda produção do biocombustível.Além disso, pode vir a contribuir para reduziros danos causados pela queima dobagaço ou seu descarte no meio ambiente.Para todos que trabalham com essetipo de pesquisa a expectativa é uma só:o aumento do volume do etanol produzidonas destilarias.De acordo com o professor da Escolade Engenharia de Lorena da Universidadede São Paulo (EEL-USP), Adilson Ro-montagem sobre foto: são joão abr/stock.schng18 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


erto Gonçalves, o objetivo é produzirmais etanol por tonelada decana cultivada e fazer um aproveitamentomais racional e eficientedos resíduos gerados, que, no caso,são principalmente o bagaço e apalha da cana-de-açúcar. Gonçalvesacredita que há uma enormedemanda internacional por fornecimentode etanol e que a produçãoconvencional não supriria nempequenas parcelas dessa demanda."O Brasil não pode almejar ser oúnico fornecedor de etanol domundo, mas deve ser um dos maisimportantes. Aumentar a produçãopor meio convencional significa oaumento da área plantada, o quegera maior custo e pode começar agerar problemas ambientais", crescentao professor.Em resumo, a ideia é aumentar aprodutividade sem aumentar a áreaplantada e sem, consequentemente,aumentar os impactos ambientais.No entanto, a pesquisa aindaestá em andamento, o que exigepaciência e maiores investimentosdo setor produtivo. Desse processo,conseguiu-se obter somente 3% deetanol, mas há a possibilidade de seatingir até 60% de obtenção doproduto.A professora doutora Cecília Laluce,da Universidade Estadual Paulista(Unesp), admite que a obtençãodos dados em pesquisa sejalenta, mas que a eficiência do projetodepende de pessoal bem formadoe treinado para atuar no setorprodutivo, além do desenvolvimentode sistemas de refrigeraçãomais eficientes das dornas (tanquesde fermentação) e do controle doscontaminantes no processo de obtençãode etanol.Mais dinheiro para pesquisasPara o projeto deslanchar, é precisoinvestimentos e financiamentoem bolsas para pesquisadores, alémde estabelecer parcerias com o setorindustrial e ainda escapar daburocracia para utilização dos recursospúblicos. "Projetos na escalaque estamos fazendo estão na ordemde R$100.000 ao ano o que émuito pouco, perto dos grandes investimentosna construção civil",lembra o professor da USP. Segundoele, ao atingir seu pleno desenvolvimento,o processo pode dobrara quantidade de etanol pela mesmaquantidade de cana colhida.Em contrapartida, o projeto traz apossibilidade de uma quebra na relaçãode interdependência entre etanole açúcar. Isso porque o preço desse biocombustívelestá atrelado ao preçodo açúcar. Segundo o professor Gonçalvesespera-se uma ruptura nesteparadigma e que o etanol passe a termaior competitividade que a gasolina.Uma outra cadeia de produção seriainstalada a partir do conceito de biorrefinariae vários outros profissionaisestariam envolvidos, como ocorre nacadeia produtiva do petróleo.Professora Cecília acredita que oimpacto da pesquisa sobre o mercadointerno vai depender do consumidore da oferta do combustível. Se asexportações não aumentarem, o preçopoderá se tornar menor com o aumentoda oferta do produto e suamaior disponibilidade no mercado.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 19


ESTADOS UNIDOS APOSTAMNO ETANOL CELULÓSICO.Os EUA continuaminvestindo em pesquisaspara o desenvolvimento doetanol celulósico, que podeser feito com madeira eresíduos vegetais. Metasestabelecidas peloCongresso Americanodeterminam que o consumode etanol celulósico atinja61 bilhões de litros por anoem 2022. As empresas queatuam nessas pesquisas, noentanto, enfrentamdificuldades para tornaressa nova tecnologia viáveleconomicamente. No total,existem, hoje, 24 usinas deetanol celulósico emconstrução ou emplanejamento nos EUA.Pesquisa de bioetanol ganha novos investimentosA pesquisa de desenvolvimentode etanol de segundageração, produzido a partirdo bagaço da cana-de-açúcar,vai receber novos investimentos.A Novozymes LatinAmérica, fabricante de enzimasindustriais, em parceriacom a Universidade Federaldo Paraná e o Centro de tecnologiaCanavieira (CTC), dePiracicaba, vai receber €1,6milhões para pesquisa do bietanolde segunda geração. Aempresa, com sede em Araucária,no Paraná, deve ganharainda a construção de um novolaboratório de pesquisa.O projeto envolve mais trêsentidades parceiras: a Novozymesda Dinamarca, dosEstados Unidos e a Universidadede Lund, na Suécia. Comum contrato de dois anos, oobjetivo é desenvolver umatecnologia de biocombustívellimpo e com boa relação custo-benefício.Para isso, a pesquisaconta com cerca de 150funcionários, revelando amaior ação em pesquisas empregadapela Novozymes.Segundo o vice-presidentede pesquisa e desenvolvimentoda Novozymes na Dinamarca,Steen Skjold-Jorgensen,até 2010 a empresa vaifornecer enzimas em grandeescala para a produção deetanol por biomassa de bagaçode cana.Ele afirma ainda que, com oatual bioetanol, obtido da cana-de-açúcar,será possível reduziras emissões de gases deefeito estufa em até 90%,comparado com a gasolina.Com a utilização do derivadode bagaço, o aumento do rendimentopor acre deve atingir50%, aproximadamente.Outros programas de desenvovimento da bioenergiaA pesquisa com bagaço decana ganhou abrangência nacionale obteve seu reconhecimentocomo matéria-primade potencial. As pesquisas naárea de bioenergia estão nomundo todo, o que as diferesão os laboratórios que as manipulam,a profundidade deseus conhecimentos e a criatividadedos pesquisadores. Hátrês anos, foi montada umarede brasileira chamada ProjetoBioetanol, custeado pelaFinanciadora de Estudos eProjetos (Finep). Ela abastececerca de 50 grupos de pesquisa,incluindo empresas e estudiososdo exterior. A intençãodo projeto é agrupar as especialidadese os conhecimentospara se obter o etanol por biomassade bagaço de cana.O Projeto Bioetanol possuiparcerias com outros projetosde instituições como UniversidadeEstadual de Campinas,Universidade de São Paulo eUniversidade Federal de Pernambuco.O programa daFundação de Amparo à Pesquisado Estado de São Paulo(Fapesp) de Pesquisa em Bioenergia- Bioen- é outro projetoatuante na área de bioenergia.Ele financia desdegrandes projetos pilotos atépequenos projetos na área debiocombustível.O resultado de tudo isso éa formação de profissionaiscapacitados e com potencialcrítico para trabalhar com osetor bioenergético. A ciênciabrasileira tem apresentadooriginalidade e boas soluçõespara setor produtivo eprovado sua referência emtecnologia alcooleira. "Umapesquisa depende mais decriatividade e conhecimentosobre os fenômenos envolvidosdo que do domínio detécnicas muito sofisticadas.O setor produtivo requer, sobretudoneste momento, desoluções rápidas e barataspara o controle de seus processos",confirma a pesquisadoraCecília Laluce.20 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


TecnoshowComigo registrasaldo positivoMais de 56 mil visitantes conferiram asatrações da Tecnoshow ComigoEVENTOCom foco na preservação ambiental e na integraçãode culturas, a última edição daTecnoshow Comigo, realizada no mês de abril,em Rio Verde (GO) driblou os desafios e aumentouem 9% os negócios fechados, em relação a2008. A transferência de tecnologias necessáriaspara auxiliar o produtor rural foi outra vertentede destaque seguida pela feira tecnológicade Rio Verde deste ano que, segundo os organizadores,superou as expectativas do mercadocom a comercialização de R$ 180 milhõesem produtos. No ano passado, o volume comercializadofoi de R$ 165 milhões.Os mais de 56 mil participantes, número 10%maior em relação ao ano passado, puderam conferir,entre outras novidades, 25 pequenas mostrasde plantio, onde foram apresentadas novidadesem produtos, técnicas e formas de manejo,como o combate da mosca-branca e lagartafalsa-medideira.Os participantes contaram tambémcom 70 palestras que proporcionaram maisinformações e novidades referentes à agropecuáriae ao produtor rural.Outra atração do evento foi a exposição deum projeto de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta(ILPF) em uma área de oito hectares, ondesão geradas e difundidas tecnologias associadasà integração das atividades lavoura, pecuária efloresta, com a intenção de permitir a produçãosustentável de produtos agrícolas, preservar matasciliares, aumentar a produtividade e facilitara certificação da produção agrícola.MÁQUINASAs dinâmicas de máquinas da Tecnoshow Comigo2009 receberam cerca de mil pessoas, nosdias de realização das atividades. Produtoresagrícolas assistiram às apresentações das máquinasem pleno uso. Demonstrações de desensiladeiras,embutidoras de forragem, ensiladeiras decana-de-açúcar, ensiladeira de milho com espaçamentode 80 e 50 centímetros, ensiladeira decapim, plantadoras de grãos e pulverizadores fizeramparte das dinâmicas que reuniram diversasmarcas do segmento.Para a realização da Tecnoshow Comigo2009 foram investidos mais de R$ 1 milhão. Afeira tecnológica contou com sete pavilhõesde vários tamanhos, com áreas separadas destinadaspara abrigar diversas empresas e animaisde pequeno porte e bovinos, prestação deserviços e dinâmicas. O evento gerou cerca decinco mil empregos, sendo três mil diretos edois mil indiretos.O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,Reinhold Stephanes, o governadordo Estado de Goiás, Alcides Rodrigues, o prefeitode Rio Verde, Juraci Martins, senadores,deputados federais e estaduais e outras autoridadesconferiram de perto o evento.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 21


ETANOLMaiores margens decomercializaçãoOano de 2008 foi o melhor para a atividadede revenda de combustíveis desde aabertura de mercado, em 1995. Na composiçãodos preços dos combustíveis em 2008 asmaiores margens de comercialização integradas(distribuidora + revenda) ficaram com oetanol (23%) e as menores com o diesel (11%).A maior carga tributária ficou com a gasolina(41%) e a menor, com o diesel, (23%).Os dados são do Relatório Anual de Revendade Combustíveis 2009, lançado pela Fecombustíveis,no Rio de Janeiro. De acordocom o presidente da entidade, Paulo Miranda,a diferença é fruto do crescimento dospontos de abastecimento.Mesmo com a crise internacional, a perspectivade crescimento do mercado para2009 deve ficar em 1% acima do PIB. “Se nãohouver crescimento, mas também não houverqueda, achamos que pode ser um ano razoávelpara o setor de revenda de combustível.Nossas contas são em função do ganhoque o mercado teve ano passado, os recordesnas vendas de veículos em 2008 e a retomadadessas vendas nos três primeiros meses,em virtude da queda do IPI” conclui.Miranda defende ainda que a melhor maneirade reduzir o preço dos combustíveis paraaumentar o consumo é a reforma tributária.PROTESTOEstabilidade para todos os trabalhadores dacadeia produtiva sucroenergética, determinaçãopara que as distribuidoras só retiremo etanol das usinas a preços remuneradores,imediato anúncio do zoneamento agrícola dacana-de-açúcar e redução da carga tributáriafederal e estadual sobre as indústrias de bensde capital são algumas das reivindicações detrabalhadores e empresários das indústrias debase do setor sucroalcooleiro. Recentemente,eles organizaram um ato de protesto públicoem Sertãozinho (SP)O "Grito Pelo Emprego e Pela Produção" -mesmo nome dado ao evento promovido apartir de abril de 1999 e que trouxe profundasmudanças ao setor sucroenergético, buscaainda obrigar as distribuidoras a baixar, namesma medida, os preços aos postos e estesNa composição dos preços em 2008, asmaiores margens ficaram com o etanolSONEGAÇÃOA pesquisa da Fecombustível também revelouum fato preocupante para o setor,principalmente para quem está legalizado nomercado; a adulteração de combustível. Aentidade acrescenta ainda que a sonegaçãono mercado de distribuição de etanol ainda éum grande motivo de alerta.Os números mostram que 22% do etanolcomercializado no último ano têm procedênciaduvidosa. “Existem mais de 400 usinas nopaís e uma série de artifícios tributários e delogística. É um mercado muito mais difícil deser controlado” acredita. O relatório mostratambém que o consumo do biocombustívelcresceu 41,9% em 2008.Trabalhadores e empresáriosfazem manifesto em Sertãozinhoaos seus clientes. Ou seja, quando o etanolaumenta na usina, o mesmo aumento é repassadoimediatamente aos consumidoresnos postos. Já quando o preço baixa nas usinas,ele não é repassado aos consumidores.Os organizadores do Grito argumentamque a crise econômica tem impactado negativamentea grande maioria dos países. NoBrasil, os efeitos foram igualmente sentidos.Indicadores econômicos e de emprego sinalizamque quase todos os setores têm sentidoos efeitos desta crise. Alguns setores em especial,como o sucroalcooleiro, sentiram maissignificativamente os efeitos da crise justamentepor estarem em pleno crescimento. Osimpactos da queda no setor chegaram a todaa cadeia produtiva. Alcooleiro do país e domundo, sentiram.niels andreas/unicaBIOELETRICIDADEMedidas defomento àcogeraçãoOdeputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) conseguiua inclusão de propostas de sua autoriana MP 450. No total, são cinco medidas de fomentoà cogeração a partir da biomassa e asfontes alternativas de energia elétrica. Entre asmedidas aprovadas, está uma mudança no textopara garantir que as linhas de transmissão paraconexão e acesso à rede de empreendimentos degeração distribuída (sem limite de potência) sejamobjeto de concessões.Outra proposta estabeleceu a elevação do limitede potência injetada de empreendimentosde solar, eólica e biomassa para 50 MW, o quepermite que os mesmos possam comercializarenergia elétrica para o consumidor ou conjuntode consumidores reunidos, cuja carga seja maiorou igual a 500 kW. "Assim, cria-se cria um mercadocomplementar para os excedentes de cogeraçãode energia", afirma o deputado.Também se conseguiu, com a nova redação,alterar o conceito de novos empreendimentos degeração, como aqueles que podem participar deleilões de energia nova. De acordo com a redaçãoanterior, empreendimentos com outorga deconcessão ou autorização não se enquadravamcomo energia nova. A medida é um importanteavanço, pois favorece as usinas de bioeletricidadeao remover, pelo menos parcialmente, a restriçãoque havia para empreendimentos que játêm outorga", pontua Jardim.Por fim, a proposta de Jardim estabelece quecompete à EPE - Empresa de Pesquisa Energética,subordinada ao Ministério de Minas e Energia,a elaboração de estudo de inventário de potencialde energia elétrica proveniente de fontesalternativas, "Isto permitirá previsibilidade e planejamento,possibilitando ampliar a participaçãoda energia renovável em nossa matriz energética",destacou Jardim.divulgação22 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


Debate sobre vantagensdo biocombustívelAutoridades de Energia daAmérica Latina e do Caribe sereunirão no período de 28 a 30deste mês, na cidade de Cali,Colômbia, para analisar o uso debiocombustíveis comoalternativa energética para aregião. O evento é umapromoção da OrganizaçãoLatino-Americana de Energia(Olade). O 4º SeminárioRegional sobre Biocombustíveistem como objetivo discutir asnovas tecnologias testadas paraa produção e os avanços emprojetos que utilizam biomassaalternativa. O semináriocontará com a participação dedelegados dos ministérios deEnergia dos 26 países-membrosda organização, assim comorepresentantes de empresaspúblicas e privadas.Carros flex serão 50% dafrota nacional em 2012A União da Indústria deCana-de-Açúcar (Unica) estimaque a frota de carros modelobicombustível (flex) no Brasildeverá representar 50% da frotanacional em 2012. E essa fatiadeve subir para 65% em 2015.A participação atual gira emtorno de 28%, com cerca de 7milhões de unidades flex. Odesenvolvimento do carrobicombustível foi fundamentalpara o renascimento do setordesde 2003, quando o primeiromodelo flex foi disponibilizadono mercado.Piso sobre os preços do carbonoA PricewaterhouseCooperslançou relatório defendendo aadoção de um piso sobre ospreços do carbono. A empresadefende uma proposta mista,na qual mistura a segurançadas taxas com a flexibilidadedos esquemas de comércio deemissões, com a justificativade que é necessário oferecermaiores certezas para asempresas que investemem tecnologias combaixas emissõesde carbono. Colocarum piso sobre ospreços do carbonosignifica que os governosestabeleceriam umpreço-reserva abaixodo qual as permissões deemissão não poderiam serFontes alternativas de energiaNo Brasil, espécies comopequi, macaúba, dendê epinhão-manso estão chamandoa atenção de pesquisadores.Elaspoderiam ser cultivadas paraprodução de biocombustíveisem pastagens degradadas semhaver a necessidade de deslocaro boi criado para a produção dealimentos. Os primeirosresultados mostram que opinhão-manso, por exemplo,chega a produzir 1,5 mil litrosde óleo por hectare, três vezesmais do que a soja. Osvendidas. A introdução demedidas que limitem avolatilidade dos preçospermitirá que as empresasinvistam em tecnologias combaixas emissões e tenhamconfiança de que o preço docarbono justificará o projeto.pesquisadores da Embrapatambém estão atentos àpossibilidade de o dendê seadaptar a outras regiões, além daAmazônia. O dendê poderia sercultivado no Cerrado e Semi-Árido sob irrigação. Seria umaforma de tirá-lo da regiãoamazônica, onde ele temproblemas de doenças.Encontrada em todos os biomasdo país, a macaúba é a espécieque mais surpreendeu naspesquisas, pela resistência aofogo, seca, pragas e doenças.ANP autoriza a utilizaçãodo termo "etanol"A Agência Nacional doPetróleo, Gás Natural eBiocombustíveis (ANP) publicouno dia 2 de abril, no Diário Oficialda União, a resolução que autorizaos postos de combustíveis autilizar o termo "etanol" paraidentificar o álcool etílicocombustível vendido no mercadobrasileiro. Agora, os postos degasolina já podem optar pelautilização do termo "etanol" paraidentificar o produto nas bombas.A nomenclatura álcool etílicocombustível deverá ser mantidaem todos os documentos fiscais.Punição por venda decombustível adulteradoDistribuidores e postos quecomercializarem combustíveladulterado podem ter suainscrição no Cadastro Nacional daPessoa Jurídica (CNPJ) declaradainapta pela Receita Federal, apedido da Agência Nacional doPetróleo, Gás Natural eBiocombustíveis (ANP). A sançãoestá prevista em projeto dosenador Demóstenes Torres(DEM-GO) aprovado pelaComissão de Infraestrutura (CI),sob a forma de substitutivo. Orelator da matéria (PLS 96/05) naCI, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), sugeriu como substitutivo omesmo texto alternativo elaboradopela Comissão de Constituição,Justiça e Cidadania (CCJ).Amatéria tramita na CI em decisãoterminativa e será submetida aturno suplementar de votação.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 23


ADUBOSMercado surpreendeQUEDA DE PREÇOS DOS FERTILIZANTES GERA COMPRAANTECIPADA POR PARTE DOS PRODUTORES DE CANAMaiara DouradoQuem esperava redução de vendas e contençãode gastos para um momento decrise, se surpreendeu com o mercado defertilizantes nesse começo de ano. Deacordo com a Associação Nacional para Difusão deAdubos (Anda), o setor vinha apresentando quedasnas vendas desde setembro do ano passado. Noentanto, em janeiro de 2009, o mercado revelouvendas acima de 1,2 milhão de toneladas. A expectativaera vender apenas um milhão, mas a reduçãode 14% nos preços dos fertilizantes motivou oinesperado crescimento do comércio no setor.Em comparação aos altos preços nos meses dejulho e agosto, os fertilizantes tiveram queda de40% em dólar. Com a alta da moeda americana, aqueda em reais foi de 14%. Em abril, segundo levatamentoda Scot Consultoria, os preços das fórmulaspesquisadas cairam 5,5%, em média.Na verdade, a surpresa maior não foi o fato deo aumento nas vendas ter ocorrido em momentode recessão, mas por ter ocorrido em um períodode entressafra. Algumas empresas do segmentosucroalcooleiro aproveitaram a baixa dos preços eanteciparam suas compras de fertilizantes. O vicepresidenteda Anda, George Wagner Bonifácio eSousa afirma que alguns agricultores, em fase decolheita, sentiram que a relação de troca "commodities-adubo"estava boa. "O agricultor fez as contase achou que compensava comprar. Vamosacompanhar até quando haverá este mercado deantecipação, pois teremos, em contrapartida, problemasparalelos, como, por exemplo, o crédito",24 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


alerta o vice-presidente.Entre os fertilizantes que apresentam maiorbaixa nos preços se destacam os nitrogenados eos fosfatados. Os insumos à base de potássio aindavem sustentando seus preços, já que apresentamcerta indefinição no mercado. O Brasil importa90% deste insumo e há apenas 4 grandesprodutores mundiais. O cultivo de cana-de-açúcarrepresenta 14% do consumo de insumos à basede fósforo. Segundo George Wagner, a fórmulamédia de consumo de fertilizantes no Brasil éde 11% para os nitrogenados, 14% para os fosfatadose 17% para os potássicos.SETOR SUCROALCOOLEIROPara usineiros e produtores de cana, a queda depreço foi significativa, mas precisa de uma reduçãoainda maior ou a manutenção dos preços atuaispara que tenha caráter expressivo. Segundo JoãoMartins, gerente comercial do Grupo de UsinasSão João, a sustentação de preços dos insumos poderámanter os custos de produção dentro de umanormalidade. No entanto, Eva Maria de Miranda,responsável pelas compras de fertilizantes da UsinaGoiasa, acredita que a redução dos preços dosfertilizantes não irá mudar de imediato o cenáriosucroalcooleiro. "O produtor vinha pagando muitocaro pelo adubo nos últimos anos, se continuarcaindo, irá melhorar sim, já que o custo de produçãoirá reduzir. Mas, para esta safra, eu não acreditoque mude, pois os produtores de cana estavamtrabalhando no vermelho, por conta do preçoaltíssimo dos insumos", declara Eva.A possibilidade de manutenção de queda depreços ainda é vaga, mesmo porque o processoainda é de acomodação no setor. George Wagnerduvida que a redução nos preços dos insumos efertilizantes se mantenha e acredita que o momentodos custos mais baixos está ocorrendoagora. Com crise ou sem crise, o objetivo do produtorainda não mudou, ele quer manter a qualidadede produção. Para isso têm buscado produtosalternativos, novas maneiras de negociaçõese ações conjuntas de todos os setores paramanter a alta qualidade dos produtos. João Martinsrelata que para adequar custos de produçãoo grupo USJ precisou reduzir o uso de insumos ea área de plantio em até 50%.fotos: divulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 25


Ihara desenvolve herbicidaflex para cana-de-açúcarA Ihara, tradicional fabricante dedefensivos agrícolas, com mais de 40 anosde atuação no mercado, desenvolveu seuprimeiro produto para a cultura da canade-açúcar.Trata-sedo herbicida Flumyzin,que está sendo chamado de herbicida flex,pois funciona tanto em épocas secasquanto úmidas, em cana planta e em canasoca, além de controlar folhas largas eestreitas. "O Flumyzin é um novoconceito de controle de plantas daninhasna cultura da cana porque funciona no sole na chuva.Além disso, é o únicoherbicida registrado para controle daDigitaria Nuda.A entrada nesse mercadosucroalcooleiro representa um marco paraa Ihara, pois a cana era a única grandecultura para a qual não possuíamos umproduto específico. Com esse lançamento,pretendemos aumentar ainda mais nossaexpressividade no mercado de defensivoagrícola", afirma o coordenador demarketing da Ihara, Eduardo Figueiredo.Açúcar Caeté é líderde vendas no varejoPelo segundo ano consecutivo, oAçúcar Cristal Caeté alcançou o primeirolugar como líder de vendas no varejo doNordeste, de acordo com a AssociaçãoBrasileira de Supermercados (Abras). Oproduto é produzido pela Usina CaetéS/A, empresa pertencente ao GrupoCarlos Lyra. Para a empresa, o resultadoda pesquisa representa a consolidação damarca Caeté no mercado do varejonordestino. Não há, em seu processo deprodução e envase, nenhum contatohumano, o que garante ao consumidorfinal um produto seguro e capaz deatender aos mercados mais exigentes.Guerra registra faturamento recordeA Guerra SA obteve em 2008 o maior desempenhoeconômico de sua história, com uma ReceitaOperacional Líquida de R$ 410.606 milhões,apontando um crescimento recorde no mercadointerno de 41% em relação ao ano anterior. O índicegeral de crescimento no faturamento líquido ficou em12,4%, já que as exportações do período tiveram umdesempenho abaixo de 2007. Para 2009 estão previstosinvestimentos em pesquisa e tecnologia, por meio doCentro Tecnológico Guerra, orientadas para processosprodutivos com otimização de custos. A qualidade deprodutos e processos também está sendoincrementada pela empresa. A Guerra SA é destaqueentre os maiores fabricantes de implementosrodoviários da América Latina.Bitrem graneleiro Guerra, o equipamentomais vendido em 2008.Unica amplia quadro de associadas Pedra Agroindustrial S/A, localizada no município deNova Independência Usina Açucareira Furlan S/A, de Avaré Açucareira Virgolino de Oliveira S/A, situada nacidade de Monções Aralco S/A Açúcar e Álcool, Unidade Buritama,localizada em Buritama Vale do Parana S/A - Álcool e Açúcar - Unidade daUnialco localizada em Suzanópolis Biopav S/A Açúcar e Álcool, de Brejo Alegre e Biofuel Energy - Destilaria Paranapanema, deSandovalina.Arysta LifeScience temnovo diretor de MarketingA Arysta LifeScience, maiorempresa privada do mundo nomercado de proteção de plantas eciências da vida, promoveu AntonioCarlos Costa a Diretor de Marketing -América do Sul & Brasil com oobjetivo de reforçar seu time, visando ocrescimento de vendas de produtos emmercados estratégicos e expandindonegócios de forma sustentável. Costafica responsável pelos departamentosde Marketing e Comunicação daempresa, deixando a área de RecursosHumanos sob o comando de LuísRossini. Segundo o novo Diretor deMarketing, o objetivo da ArystaLifeScience é crescer no mercado eacompanhar as tendências do setor,consolidando sua posição deimportante player do agronegócio,conquistado ao longo dos seus 40 anosde atuação. "Assumi agora aimportante tarefa de potencializar ocrescimento da empresa comlucratividade, qualidade dos serviços eprodutos oferecidos, que se destacamno mercado nacional e internacional",conclui.Antonio Carlos Costa atua háquase 20 anos no setor de defensivosagrícolas, sendo 2 anos na ArystaLifeScience.fotos: divulgação26 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009

More magazines by this user
Similar magazines