Karl Marx As Origens

saojose.palotinas.com.br

Karl Marx As Origens

Na produção artesanal européia da Idade Média e do renascimento, o trabalhador mantinha emsua casa os instrumentos de produção. Aos poucos, surgiram oficinas organizadas por comerciantesenriquecidos que produziam mais a baixo custo. A generalização desses galpões originou, emmeados do século XVIII, na Inglaterra, a Revolução Industrial. Esta possibilitou a mecanizaçãoampla e sistemática da produção de mercadorias, acelerando o processo de separação entre otrabalhador e os instrumentos de produção levando à falência dos artesãos. As máquinas e tudo omais necessário ao processo produtivo ficaram acessíveis somente aos empresários capitalistascom os quais os artesãos, isolados, não podiam competir. Assim multiplicou-se o número deoperários, isto é, trabalhadores expropriados, artesãos que não conseguiam competir com o sistemaindustrial e desistiam da produção individual, empregando-se nas indústrias, constituindo uma novaclasse social.O salárioO operário é o individuo que, nada possuindo é obrigado a sobreviver da sua própria força detrabalho. No capitalismo, ele se torna uma mercadoria, algo útil, que pode se comprar e vender. Pormeio de um contrato estabelecido entre ele e o capitalista, a quem é permitido comprar ou “alugarpor certo tempo” sua força de trabalho em troca de uma quantia em dinheiro, o salário.O salário é, assim, o valor da força de trabalho, considerada como mercadoria. Como a fora detrabalho não é uma coisa, mas uma capacidade, inseparável do corpo do operário, o salário devecorresponder à quantia que permita ao operário alimentar-se, vestir-se, cuidar de seus filhos,recuperarem suas energias e, assim, estar de volta ao serviço no dia seguinte. Em outras palavras,o salário deve garantir as condições de subsistência do trabalhador e sua família.O cálculo do salário depende do preço dos bens necessários à subsistência do trabalhador. Otipo de bens necessários depende, por sua vez, dos hábitos e dos costumes dos trabalhadores. Issofaz com que o salário varie de lugar para lugar. Além disso, o salário depende do própriotrabalhador. No cálculo do salário um operário qualificado deve-se computar o tempo que ele gastoucom educação e treinamento para desenvolver suas capacidades.Trabalho, valor e lucroO capitalismo vê a força de trabalho como mercadoria, mas é claro que não se trata de umamercadoria qualquer. Ela é a única capaz de criar valor. Os economistas clássicos ingleses jáhaviam percebido isso ao reconhecerem o trabalhador como a verdadeira fonte de riqueza dasociedade.Marx foi além Para ele, o trabalhador, ao s exercer sobre determinados objetos, provoca nestesuma espécie de “ressurreição”. Tudo o que é criado pelo homem, diz Marx, contém trabalhopassado, “morto” que só pode ser reanimado por outro trabalho. Assim, por exemplo, um pedaço decouro animal curtido, agulha, linha, etc. são todos produtos do trabalho humano. Deixados em simesmos, são coisas mortas, utilizadas para produzir um sapato, renascem como meios de produçãoe se incorporam em um novo produto, uma nova mercadoria, um novo valor.Os economistas ingleses já havia postulado que o valor da mercadoria dependia do tempo detrabalho gasto na produção. Marx acrescentou que esse tempo de trabalho se estabelecia emrelação a habilidades individuais médias e às condições técnicas vigentes na sociedade. Por isso,dizia que no valor de uma mercadoria era incorporado o “tempo de trabalho humano abstratosocialmente necessário” à sua produção.De modo geral, as mercadorias resultam da colaboração de várias habilidades profissionaisdistintas; por isso, seu valor incorpora todos os tempos de trabalho específicos. O valor dostrabalhos está embutido no preço que o capitalista para ao adquirir essas matérias primas einstrumentos, os quais, juntamente com a quantia para a título de salário, serão incorporados aovalor do produto.


Marx demonstra primeiro a armadilha da economia vulgar, aquela queconsiste em se ater apenas às aparências do jogo de oferta e procura paraanalisar os fenômenos do mercado.LALLEMENT, Michael. História das ideias sociológicas. Op. Cit, pág.128Sabemos que o capitalista produz para obter lucro, isto é, que ganhar com seus produtos maisdo que investiu. Partindo da dinâmica que executamos em sala de aula, gerou uma duvida no iniciod processo, pois, se o valor do produto é apenas a soma dos gastos no processo anterior, entãoqual é o lucro do capitalista?De acordo com analise de Marx, não é no âmbito da compra e venda da mercadoria que seencontram as bases estáveis para o lucro dos capitalistas individuais nem para a manutenção dosistema capitalista. Ao contrário, a valorização da mercadoria se dá no âmbito de sua produção.As relações políticasApós a análise detalhada do modo de produção capitalista, Marx passa ao estudo das formaspolíticas produzidas no seu interior. Ele constata que as diferenças entre as classes sociais não sereduzem a diversas quantidades de riquezas, mas expressam uma diferença de existência material.Os indivíduos de uma mesma classe partilham de uma situação de classe que lhes é comum,incluindo valores e comportamentos, regras de convivência e interesses.A essas diferenças econômicas e sociais segue-se uma distribuição de poder. Diante daalienação do operário, as classes economicamente dominantes desenvolveram formas dedominação política que lhes permitem apropriar-se do aparato de poder do estado e, com ele,legitimar seus interesses sob a forma de leis, planos econômicos e políticos.Cada forma assumida pelo estado n sociedade burguesa, seja sob o regime liberal,monárquico, constitucional ou ditatorial representa as diferentes maneiras pelas quais ele setransforma num “comitê para gerenciar os negócios da burguesia”, sob quaisquer regimes jápropostos, dos mais liberais aos mais ditatoriais.Para Marx, as condições especificas do trabalho geradas pela industrialização tendem apromover a consciência de que há interesses comuns, para o conjunto da classe operaria e,consequetemente, tendem a impulsionar a sua organização política para a ação. A classetrabalhadora, portanto, vivendo uma mesma situação de classe e sofrendo progressivoempobrecimento em razão das formas cada vez mais eficientes de exploração do trabalhador, acabapor se organizar politicamente. Essa organização é que permite a tomada de consciência da classeoperária e sua mobilização para a ação política.Materialismo HistóricoPara entender o capitalismo e explicar a natureza da organização econômica humana, Marxdesenvolveu uma teoria abrangente universal, que procura dar conta de toda e qualquer formaprodutiva criada pelo homem. Os princípios básicos dessas teorias estão expressos em seusmétodos de análise – o materialismo histórico.Marx parte do princípio de que a estrutura de uma sociedade qualquer reflete a forma como oshomens se organizam para a produção social de bens que engloba dois fatores fundamentais: asforças produtivas e as relações de produção.As forças produtivas constituem as condições materiais de toda a produção.Qualquer processode trabalho implica determinados objetos – matérias primas identificadas e extraídas da natureza – edeterminados instrumentos – conjunto de forças naturais já transformadas e adaptadas pelos


A amplitude da contribuição de MarxO sucesso e a penetração do materialismo histórico, que no campo da ciência – ciênciapolítica, econômica e social – quer no campo da organização política, se deve ao universalismo deseus princípios e ao caráter totalizador que Marx imprimiu às suas ideias. Deve-se também aocaráter militante das ideias propostas, voltadas para a ação prática e para a práxis revolucionária.Além desse universalismo da teoria marxista – mérito que a diferencia de todas as teoriassubseqüentes – outros questões adquiriram nova dimensão com os princípios sustentados por Marx.Um deles foi à objetividade científica, tão perseguida pelas ciências humanas. Para Marx, a questãoda objetividade só se coloca como consciência crítica. A ciência, assim como a ação política, sópode ser verdadeira e não ideológicas se refletir uma situação de classe e, consequetemente umavisão crítica da realidade. Assim, objetividade não é uma questão de método, mas de como opensamento cientifico se insere no contexto das relações de produção e na História.A ideia de uma sociedade “doente” ou “normal”, preocupação dos cientistas sociais positivistas,desaparece em Marx. Para ele, a sociedade é constituía de relações de conflito e é de sua dinâmicaque surge a mudança social. Fenômenos como luta, contradição, revolução e exploração sãoconstituintes dos diversos momentos históricos e não disfunções sociais.A partir do conceito de movimento histórico proposto por Hegel, assim como do historicismoexistente em Weber, Marx redimensiona o estudo da sociedade humana. Suas ideias marcaram demaneira definitiva o pensamento científico e a ação política dessa época, assim como dasposteriores, formando duas diferentes maneiras de atuação sob a bandeira do marxismo. A primeiraé abraçar o ideal comunista, de uma sociedade em que estão abolidas a relação de classes sociaise propriedade privada dos meios de produção. Outra é exercer acrítica à realidade social,procurando suas contradições, desvendando as relações de exploração e expropriação do homempelo homem, de modo a entender o papel dessas relações no processo histórico.Não é preciso afirmar a contribuição da teoria marxista para o desenvolvimento das CiênciasSociais. A abordagem do conflito, da dinâmica histórica, das relações entre consciência e realidadee da correta inserção do homem e de sua práxis no contexto social foram conquistadas jamais foramabandonadas pelos sociólogos. Isso sem contar a habilidade com que o método marxista possibilitao constante deslocamento do geral para o particular, das leis macrosociais para suas manifestaçõeshistóricas, do movimento estrutural da sociedade para a ação humana individual e coletiva.

More magazines by this user
Similar magazines