OS QUATRO CANTOS DA MODA - Sebrae

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OS QUATRO CANTOS DA MODANa medidacertaAndrei Bonamin/LuzUm grupo de micro e pequenasempresas paulistas dosetor de confecções tem tudopara encerrar 2008 com novasperspectivas de crescimento elucratividade. A razão dessecenário otimista é a participaçãono projeto Os Quatro Cantos daModa, que envolve os EscritóriosRegionais do Sebrae-SP nacapital (Norte, Sul, Leste e Oeste)e Guarulhos. Fruto de umaparceria entre a entidade e a AssociaçãoBrasileira da IndústriaTêxtil e de Confecção (Abit), oprograma capacita os empresáriose aproxima os elos da cadeiaprodutiva – indústria, comércioe oficinas de costura –, de modoa ampliar a competitividade e aparticipação no mercado.Iniciado em 2006, com cercade 60 empresas da capital, o projetose destaca pelos consistentesresultados obtidos em menos dedois anos. “Mudamos o layoutProjeto em parceiracom a Abit capacitaempreendedores detrês segmentos dosetor de confecçãona capital e emGuarulhos eobtém resultadossignificativos empouco tempoda fábrica, montamos uma célulade produção, implantamosplanilhas de cronoanálise, queajudam a controlar o quanto seproduz em determinado tempo,e conseguimos aumentar aprodutividade em 20%, o quepara nós é muito significativo”,afirma Ricardo Di Nisio, proprietárioda Picks Piccolina,malharia especializada em modainfanto-juvenil instalada no Tatuapé,Zona Leste da capital. “Mas oimportante é que vamos sair desseprograma mais competentes emais profissionais”, acrescenta.Esse é exatamente o objetivodo programa, segundo CristianeRebelato, gestora no EscritórioRegional Capital Leste do Sebrae-SP.Ela lembra que a capitalconcentra 50% da indústria deconfecções do estado e 30% docomércio varejista. Somente emSao Paulo e Guarulhos estão estabelecidas44,6 mil micro e pequenasempresas de confecção.No entanto, apesar do grande númerode negócios, o setor sofre afalta de capacitação de gestorese funcionários e a carência deinformação de qualidade.“É um segmento econômicoimportante, mas que hoje estádisperso, sem integração entreos pólos da cadeia de produção.O projeto aproxima as empresase verifica dificuldades e gargalos.Feito o diagnóstico, buscaConexão 27


OS QUATRO CANTOS DA MODAformas não só de melhorar aprodutividade dos empreendimentos,que enfrentam forteconcorrência dos produtos importados,mas também de aproximaros diferentes segmentospara que se integrem, trabalhemem sintonia, falem a mesma linguageme busquem metas maisambiciosas”, destaca Cristiane.Rafael Cervone Netto, presidentedo Sinditêxtil-SP e gerentedo Programa Texbrasil (ProgramaEstratégico da Cadeia TêxtilBrasileira), criado pela Abit emparceria com a Apex-Brasil, dizque o projeto está em total sintoniacom os objetivos das entidades:“O importante é que oprograma tem como foco não sóproteger as empresas, mas tambémdesenvolvê-las nacional einternacionalmente”.Segundo Cervone, o papelda Abit é montar ações decapacitação das empresas,como as clínicas de adequaçãode produtos, semináriose oficinas de processo Criativos.“Com isso, buscamosfacilitar a inserção e a competitividadedessas empresasnos mercados interno eexterno”, destaca, acrescentandoque o próximo passodo trabalho será o desenvolvimentode projetos depromoção comercial.Novos mercados – Para RicardoDi Nisio, a expansãodo mercado é uma realidadeRicardo Di Nisio, proprietário da PicksPiccolina: participação em feiras na Europae projeção de aumento de 50% nas vendas28 Conexãocada vez mais próxima: “Fomosa uma feira no Panamá, em março,e já estamos prontos para participarde outra em Valência, naEspanha”. Entre os planos para2009 estão a ampliação em 50%da produção e das vendas, deolho no mercado externo. A PicksPiccolina, instalada há seteanos, produz 5 mil peças pormês, aumentou de 10 para 15 onúmero de funcionários fixos e,no fim de 2007, conseguiu apoiotécnico do Senai para desenvolveruma linha de biquínis. “Setivéssemos de pagar estilistas,não conseguiríamos lançar essalinha, pois o investimento seriamuito pesado. Como participamosdo projeto, não houvecustos para a elaboração daspeças-piloto. A primeira coleçãoficou muito bonita e já iniciamosa distribuição”, conta Di Nisio.Cristiane Rebelato explica que,na primeira etapa do projeto, em2006, o Sebrae-SP e seus parceirospromoveram 134 palestraspara empreendedores dos trêssegmentos. O foco foi o relacionamentocom o público alvo, comatendimento a mais de 3,6 milpessoas da cadeia produtiva.Desse universo, foram selecionadosempresários paraa participação em oficinas deplanejamento participativo, nasegunda fase do projeto, em queos interessados trocaram experiênciase receberam orientaçãode entidades como Abit, Senai eSenac. “Depois de concluir umdiagnóstico de cada empresa,organizamos grupos por especialização,para então desenvolveras oficinas, atendendo às necessidadesespecíficas dos participantes”,relata Cristiane.Passou-se então à terceirafase, em 2008, em que osempresários participaramde sessões de negociação ede missões empresariais. “Aprimeira sessão, em maio,deu bons resultados e jáestamos preparando outrapara setembro ou outubro”,acrescenta a gestora.Milton Mansilha/LuzMudanças no comércio– No comando de três lojasem Guarulhos, a empresáriaPaula Campanha, proprietáriada Grissi Confecções,afirma que a participaçãono projeto foi de grandeimportância: “Especializadaem uniformes, a empresatinha períodos fortes de de-


zembro a março, mas depois aatividade caía. Com a ajuda dosconsultores, encontramos alternativaspara manter as vendas aolongo de todo o ano. Investimosmais em novidades como agasalhose roupas de ginástica,que agora representam cerca de50% do nosso mix de produtos”,conta.Paula relaciona outros benefíciosproporcionados peloprograma: “Fiz cursos de marketing,vendas e atendimento.Tudo isso ajuda bastante, e tentotransmitir as informações aosfuncionários. Outro passo seráencontrar bons representantesde vendas em outros estadose aprender um pouco mais decontrole de estoques”, diz.Nas rodadas de negociaçãocom as outras empresas dosegmento, Paula fez bons contatose obteve informações para,mais adiante, trabalhar tambémcom uma linha de moda praia.“Estamos conhecendo o trabalhode outros fabricantes, trocan-Tecendo novas parceriasA ampliação da rede de parcerias é uma das principais metas do projetoOs Quatro Cantos da Moda para 2009. Cristiane Rebelato, que coordena oprograma na capital paulista, diz que, além da participação de entidades comoAbit, Senai e Senac, está sendo ampliada a colaboração com outros atoresde peso nos setores público e privado que participam das reuniões deplanejamento da área têxtil e de confecções para esse território. “Queremosdialogar com o maior número possível de agentes estratégicos e, juntos,vamos pensar no que pode ajudar o setor a avançar nos próximos seteanos, com sugestões para que as micro e pequenas empresas ganhem em qualidade, preçoe competitividade e abram espaço no mercado externo e no mercado local”, afirma Cristiane.Também já está em andamento, neste segundo semestre, o processo de seleção e formação deum novo grupo de empresas da indústria e do varejo e oficinas de costura.do idéias e cartões. A informaçãocircula entre as empresas e é issoque vai nos abrir oportunidadesde negócio”, diz Paula.Paula Campanha, da GrissiConfecções: “A informação é umaarma para conquistar mercados”Andrei Bonamin/Luz“Tábua de salvação” – Hoje, oprojeto envolve a participaçãode 34 empresas industriais, 20 docomércio e 14 oficinas de costura.A gestora Cristiane Rebelato dizque os resultados das três primeirasetapas ainda estão sendomensurados, mas os participantesjá registraram crescimentomédio de 30% na produtividadee alguns aumentaram em 40% ofaturamento em dois anos.“Nosso faturamento cresceu30%. Pagamos as máquinas,melhoramos o visual da oficinae trocamos a iluminação. Temosum produto de melhor qualidadee somos mais valorizadospelos clientes”, conta Luiza Marilaque,sócia de uma oficina decostura em Sapopemba, na capital,para quem a participaçãono projeto foi “uma verdadeiratábua de salvação”. “Melhoramostudo, desde a relação comos funcionários até a maneira defazer as compras, o contato comos clientes e a forma de visualizaros parceiros e o mercado.”Há 16 anos à frente da oficina,que tem 10 funcionários fixos,Luiza começa a comercializaruma linha própria de roupas:“Se der tudo certo, será um novocaminho para a empresa”.Por Sandra MottaColaborou: Marisa Cavalcante EmídioConexão 29

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