entrevista - Canal : O jornal da bioenergia

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entrevista - Canal : O jornal da bioenergia

mentos no Brasil continuam significativos,os projetos não foramdescontinuados, a produção desseano permite uma exportação umpouco maior e os preços no mercadointerno estão fazendo com queo mercado se desenvolva. Essemercado é crescente, mas não estáremunerando bem o produtor decana e nem a própria usina. É ummercado pressionado, com ofertasuperior à demanda.Essa diferença entre custo de produçãoe remuneração aos produtorese usinas tem sido uma queixaconstante do setor. Esse problematende a se tornar um gargalo naatividade?Eu, particularmente, como conhecedorprofundo da área de produção,pois já fui superintendente deusina, acredito que sim. Essa euforia,por agora, está se sustentandoapenas em investimentosde pessoas que estão fora do sistema.O ano passado foi muito deficitáriopara o setor, tanto parausinas quanto para os fornecedores,apesar de que eles estão emmenor número, já que a grandemaioria dos cultivos está em terraprópria ou terra arrendada pelasusinas. Os projetos também estãomuito fundamentados em canaprópria. O impacto está sendo fortenas usinas, pois o aumento decustos é substancial, principalmenteda adubação. Esse problemapreocupa o Ministério da Agriculturae os investidores e colocouum pouco de água na fervura daeuforia. Os projetos que já estavamplanejados, no entanto, creioque continuam em andamento.As usinas estão operando no vermelhoou tem sido possível conseguiruma margem de lucro,Esse aumento nos preços dos alimentos, naverdade, é uma grande oportunidade para oBrasil, que está podendo mostrar ao mundoque está disposto a encará-la positivamenteainda que pequena?Não posso dizer por todas as empresas,mas pela minha sensibilidadeacho que estão no vermelho.As usinas precisam estar muitobem protegidas com operações dehedge. O dólar hoje está a R$1,61(dia 18 de junho) e o açúcar a12 centavos por libra/peso emNova Yorque, valor que representaprejuízo para o produtor.A realidade cambial tem sido umcomplicador?Sim, mas o problema não é só esse.Como se trata de um mercadoem crescimento, em que todomundo investiu para o mercadocrescer, isso pressupõe que a ofertaé maior que a demanda. E comisso o preço é pressionado e ficano limite. Além disso, a gente sabeque há uma alta concentraçãona ponta (as distribuidoras). Sabemosque isto está acontecendo eque o momento é difícil para usineirose fornecedores. A produçãoestá indo bem e crescendo, mas ospreços estão deprimidos.O senhor participa da Câmara Setorialda Cadeia Produtiva do Açúcare do Álcool. Como essa questãoestá sendo tratada nesse ambiente?A Câmara ainda não se reuniu esseano. Tivemos um encontro nofinal no ano passado, que não foiuma reunião da Câmara propriamentedita, pois ainda não estavaestabelecida, mas houve uma interlocuçãogrande com o setor.Estamos em vias de convocar umareunião e esse provavelmente seráum assunto em pauta.O senhor acredita numa solução acurto ou médio prazos para esseproblema?Acho que as exportações vão aumentarpara os Estados Unidos,também através do Caribe, e umpouco para a Europa. E o consumointerno também vai aumentar. Sógostaria que o preço estivesse uns10 a 15 centavos mais alto, o quenão representaria impacto significativoao consumidor, o mercadocontinuaria a se desenvolver epermitiria um equilíbrio na indústriae na produção de cana. Emboraessa seja uma diferença pequena,é difícil alcançá-la.O que o governo pode fazer emrelação a essa questão?O governo está fazendo todo opossível para que o setor seja respeitadointernacionalmente. Estamostrabalhando a questão dasustentabilidade e do zoneamentodas lavouras de cana, que é paragovernar um pouco essa expansãoe não gerar críticas internacionaisrelativas a problemasambientais e sociais. Estamosprocurando formular políticas emconjunto com o setor privado.E o zoneamento da cana-de-açúcar,sai mesmo neste mês de julho?Sai, mas é o trabalho técnico. O resultadopolítico desse trabalhotécnico, ou seja, qual decisão o governovai tomar para indicar ondea lavoura de cana pode se expandirsem prejudicar o meio ambienteé uma decisão política, que eunão sei se sai no mesmo mês.Essa decisão política envolvequais agentes?Envolve o Conselho Interministerial:Casa Civil, Itamaraty e os ministériosda Agricultura, das Minase Energia, Trabalho, Meio Ambiente,Desenvolvimento e Indústriae Comércio, entre outros.E que interesses estão envolvidosnessa decisão política?O interesse da sociedade brasileira,por isso ele é interministerial.Nós temos que conciliar o interesseprivado em expandir e gerarrenda e lucro com o interesse dasociedade de proporcionar um desenvolvimentosustentável, comequilíbrio nos aspectos sociais,ambientais e até econômicos. Esseinteresse está surgindo dianteda oportunidade de o Brasil mostrarpara o mundo que pode contribuirpara a paz mundial pormeio do fornecimento sustentávelde comida e de combustível.O Brasil tem aumentado a produçãoe o excedente exportável. Oconsumo interno vem aumentandocom a incorporação de umanova base de consumidores de alimentos,através dos programas sociaisdo governo, e o País temmostrado ao mundo que não fezrestrições às suas exportações. Ecomo elas têm aumentado, o Paíscontribui para que os preços dosalimentos não subam tanto, comosubiriam caso o Brasil não tivesseessa pujança.CANAL 5


O senhor acredita que os problemasrelacionados à produção dealimentos versus biocombustíveis,no que diz respeito ao etanol, especificamente,já estão em fasede superação na Europa ou aindahaverá desdobramentos?Eu diria que já está superada entreos grandes interlocutores, oslíderes e os formadores de opinião,mas ainda não está superadana opinião pública. Aindajornalistaspublicando matérias sobreo tema e organizações nãogovernamentais pressionando.Mas ontem, por exemplo (17 dejunho), nós tivemos aqui na minhasala uma reunião com a presençado embaixador da comunidadeeuropéia, João Pacheco, emais seis representantes da iniciativaprivada, e todos eles semostraram conscientes de que oBrasil é importante na produçãode alimentos e agroenergia e quedeve participar mais ativamentedesses mercados.Vão convidar o Brasil para fazerparte de uma mesa redonda emum congresso internacional, ondeo tema alimentos e agroenergiavai ser colocado do ponto devista positivo do próprio investidoreuropeu, pois o que fortalecetudo isso é a nossa abertura parainvestimentos. Grandes gruposempresariais europeus estão investindona produção de etanolno Brasil: o grupo Tereus, daGuarani, o grupo Dreyfus e o grupoAbengoa, por exemplo, que éespanhol e comprou a DediniAgro, entre vários outros.Como essa discussão pode sersuperada também na opiniãopública?Com o amadurecimento, a opiniãopública ficou com essa opiniãoporque as lideranças a tinhamprimeiro. A opinião pública nãogera decisões e com o tempo ficaráesclarecido que o etanol decana não causa esse problema.A Europa volta mais a sua atençãopara o etanol de segunda geração.Como o senhor avalia o níveldas pesquisas nessa área, atualmente,e quais as perspectivasem relação ao aproveitamento dacana-de-açúcar?É difícil dizer, pois mesmo os representantesde empresas queinvestem maciçamente, quandose reúnem aqui conosco, nãoconseguem dizer. Isso envolvedescobertas de enzimas, o quenão se pode prever. O que euvejo, no entanto, é que mesmoque essa tecnologia seja encontrada,a cana-de-açúcar continuarásendo uma das biomassasmais viáveis, pois poderemosutilizar essa mesma tecnologiapara transformar o bagaço emetanol também.A cana também tem grandepossibilidade de desenvolvimento,pois as pesquisas estão avançadasno sentido de aumentar aprodutividade. O que a gentepercebe é que isso não tira oBrasil do jogo, pois o País, pelasua característica de solo, de climae de água vai continuar sendoum grande produtor, aindaque descubram novas tecnologiasantes de nós. Até porque,quando essas tecnologias foremdescobertas, há grande possibilidadede os investimentos seremcanalizados para cá.O senhor acha viável a integraçãona produção, numa mesma área,da cana e de alimentos?Isso já acontece nas áreas de renovação,depois de cinco ou maiscortes. Muitas usinas e muitosfornecedores plantam grãos. Issoé perfeitamente factível e desejável.O que vai proporcionar aexpansão dessa prática é o preçode venda dessa alternativa.E em relação ao biodiesel. O biocombustívelvive um momentodelicado, em função do preço altoda soja. O senhor acredita que háuma saída para esse impasse?O programa é uma decisão política,mas eu também o consideroestratégico. O etanol de cana,quando começou, também nãoera completamente viável. É precisoapostar no programa, nodesenvolvimento tecnológico ena função que ele desempenhano ordenamento do mercadoagrícola. Os preços estão altoshoje, mas podem vir a ficar baixose com isso ele se viabilizariae proporcionaria uma estabilizaçãodo preço final dos produtos,ou seja, ele serve como um seguropara o Brasil, que é o segundomaior produtor agrícola do mundo.O preço das matérias-primasestá muito elevado e nós não temosopções muito propícias. Amelhor, que seria o óleo de palma(dendê), também está muitovalorizado, mas nós poderíamoster programas para aumentar aprodução desse óleo em algumasregiões. O biodiesel é uma grandealternativa, nós estamos propiciandocondições de expandiro pinhão-manso, apostando nodesenvolvimento tecnológicodessa cultura.6 CANAL


PANORAMAPonta Porã teráusina de etanolPonta Porã, no Mato Grosso doSul, será sede de uma modernausina. Em maio de 2009 entrará emoperação a MonteverdeAgroenergética. A unidade estásendo construída às margens da BR463, com investimentos estimadosem R$ 300 milhões.A usina irágerar cerca de 2 mil empregosdiretos e indiretos.A produçãoprevista é de 100 milhões de litrosde álcool e de 2,7 milhões de sacasde açúcar. O empreendimento teráainda unidade de co-geração deenergia elétrica, a partir dautilização do bagaço da cana.9ª Corrida InternacionalMatilat NardiniA CorridaMatilat Nardiniacontecerá nodia 24 de agosto,em Catanduva."Acrescentamoso título de"internacional"ao nome da corrida por ser oterceiro ano consecutivo queparticipam atletas estrangeiros,principalmente quenianos",explica Andressa Hattori,analista de marketing daNardini. Outra novidade é ainclusão da prova no RankingPaulista de Corridas de Rua daFederação Paulista de Atletismo.Como o ano passado a Corridateve recorde de participantes,ultrapassando o limite de 700inscrições, para a edição deste anoa organização está preparada parareceber até mil atletas.Grupo Cerradinho constrói nova unidade emGoiás, no município de Chapadão do CéuA Usina Porto das Águas,do Grupo Cerradinho, já temo escritório administrativofuncionando de formadefinitiva na sede da unidade,inclusive com todo o sistemade telefonia e internet.Segundo o supervisoradministrativo, OswaldoFontes Maronezi, aimplantação do parqueindustrial no Município deChapadão do Céu, em Goiás,também continua a todoPetrobras lança Centro de ExcelênciaA Petrobras lançou o Centrode Excelência em Engenharia,Suprimento e Construção, como objetivo de promover oalinhamento tecnológicomundial com a disseminaçãodas boas práticas deplanejamento, engenharia e deconstrução e montagem deinstalações. De acordo com aassessoria da empresa, o Centrode Excelência conta com oapoio do BNDES, do Ministériode Minas e Energia e empresasdo setor, como Shell (Holanda),Statoil/Hydro (Noruega) eRepsol YPF (Espanha),empresas da cadeia deengenharia, suprimento econstrução, além de entidadescomo a Associação Brasileira deEngenharia Industrial (Abemi),Instituto Brasileiro de Petróleo,Gás e Biocombustíveis (IBP),Organização Nacional daIndústria do Petróleo (Onip),vapor."As obras de terraplanagemestão em andamento, assimcomo a implantação dostanques de álcool, de águabruta e torres deresfriamento. Temos tambéma montagem da parte defermentação e decantadores,que estão em processo deimplantação. Na área agrícola,após fortes e volumosos níveisde chuva, o plantio prometebons resultados", destacouPedro Barusco, diretor daPetrobras, e Larlete Galhardo,presidente do Centro de ExcelênciaFederação das Indústrias doEstado do Rio de Janeiro(Firjan) e de diversasinstituições de ensino. Segundoa Petrobras, o Centro deExcelência é fruto de umprojeto do Programa deMobilização da IndústriaNacional de Petróleo e GásNatural e está sendo criadocomo uma Organização daSociedade Civil de InteressePúblico (Oscip).stéferson faria/agência petrobrasusina porto das águas/divulgaçãoConsumidores preferemempresas ecológicasA grande maioria dosconsumidores prefere comprar deempresas que tentam reduzir suacontribuição para o aquecimentoglobal e parte deles está inclusivedisposta a pagar mais pelosprodutos. O Brasil aparece como oPaís mais positivo em relação àdisposição para mudanças e omais preocupado em relação aoproblema. Esse é o resultado deuma pesquisa sobre o impacto dasmudanças climáticas nosnegócios, feita pela empresaHavas Digital. De acordo com apesquisa, 91% dos entrevistadosestão muito preocupados com oproblema e querem contribuir,como consumidores, para aredução do efeito estufa. Apesquisa, feita pela internet,abrangeu os EUA, Inglaterra,Espanha, Brasil, Alemanha,China, Índia, França e México.CANAL 7


PRAGASFerrugem laranjaDOENÇA QUE AFETOU CANAVIAIS AUSTRALIANOS PODE CHEGAR AO BRASIL. PRAGA JÁFOI DETECTADA NA FLÓRIDA, NOS ESTADOS UNIDOS E TAMBÉM NA GUATEMALAEvandro BittencourtProdutores e técnicos da áreaagronômica que atuam naprodução canavieira em todoo mundo vivem momentode apreensão com um novo tipode ferrugem que também ameaçachegar ao Brasil. Trata-se da ferrugemalaranjada (Puccinia kuehni),doença fúngica atualmente disseminadano leste Asiático, na Austráliae países vizinhos. Até pouco tempo,essa era uma doença de importânciasecundária, mas como naAustrália foi plantada uma grandequantidade de uma variedade suscetível,as lavouras foram severamenteatacadas.No mês de agosto de 2007, a doençafoi detectada na Flórida, nosEUA, e em novembro do mesmo anofoi detectada na Guatemala, o quesignifica que já está na América,Sizuo Matsuoka, diretor depesquisa da CanaVialispreocupa-se o diretor de Pesquisa edesenvolvimento da CanaVialis, SizuoMatsuoka. "E como esse fungose dissemina pelo vento, a tendênciaé que chegue ao Brasil. Temos umavariedade, a RB 72454, que há muitosanos enviamos para a Austrália elá foi constatado que ela é suscetívela essa praga."A variedade que se mostrouRiscos decorrentes da bioglobalizaçãoO crescimento dos setores deagricultura e alimentação dependede uma maior liberalização do comércio,mas o incremento das relaçõescomerciais com outros paísespossibilita a movimentação de insetose microrganismos (bactérias, vírus,fungos, nematóides e ácaros),patógenos que podem causar danosirreversíveis à agricultura, pecuáriae florestas. A ferrugem asiática (foto)que ataca a soja, por exemplo,entrou no Brasil em 2001, disseminou-serapidamente em todo o territórionacional e já causou expressivasperdas decorrentes de quedade produtividade nas lavouras e daaplicação de grande quantidade deembrapaFerrugem asiática chegou em2001 e disseminou-se rapidamentefotos: canavialissuscetível foi durante muito tempoa mais plantada no Brasil e aindaé bastante cultivada, o que aumentaa apreensão com a possibilidadede a praga chegar aos canaviaisbrasileiros, onde tambémpode causar danos consideráveis."Esses danos são difíceis de ser dimensionados,pois dependem dainteração com o meio ambiente edo grau de suscetibilidade de outrasvariedades plantadas, queainda não sabemos qual é."Sizuo Matsuoka explica que aavaliação de suscetibilidade de outrascultivares demanda longo tempo.A quarentena necessária paraintroduzir uma variedade em outropaís, por exemplo, leva cerca de doisanos. Superada essa etapa, ainda énecessário multiplicar mais cana paraplantar. E além de ser longo esseprocesso, é necessário que sejam firmadosacordos bilaterais.fungicidas. Este fenômeno, chamadode bioglobalização, consiste nodeslocamento intencional de organismosvivos entre países e mesmoentre diferentes regiões de um mesmoPaís. No Brasil, para evitar a entradade pragas originárias de outrasregiões do mundo, cientistas daEmpresa Brasileira de PesquisaAgropecuária (Embrapa), do InstitutoAgronômico de Campinas (IAC) ede outras instituições nacionais desenvolvemsistematicamente açõesde quarentena vegetal.Essas ações se baseiam na análiseem laboratórios das plantas introduzidasno País para fins de pesquisa,visando verificar se estão contaminadaspor pragas que possamcomprometer a agricultura brasileira.Quando a praga detectada é passívelde erradicação, o material étratado, mas quando é exótica, ouseja, ainda não ocorre no Brasil, asamostras vegetais são incineradas.Pragasinterceptadaspor equipes dequarentenaAlgumas das pragas interceptadaspelas equipes de quarentenavegetal poderiam terresultado em danos severos paraas culturas agrícolas no Brasil.Entre essas, destaca-se ofungo Tilletia Indica, que atacaa cultura do trigo. O patógenofoi detectado pelos pesquisadoresda Embrapa Recursos Genéticose Biotecnologia, unidadeda Embrapa localizada emBrasília, em plantas oriundasdo México e do Uruguai. Aocontaminar a cultura do trigo,esse fungo impregna as plantascom um odor desagradável, similarao de peixe, tornando-asimprestáveis ao consumo humano,podendo ser usadasapenas para fabricação de raçãoanimal.Várias pragas de oliveira foramtambém interceptadas pelaequipe de quarentena daUnidade, como o ácaro Oxycenusmaxwelli e os fungos Coniothyrumoleae, Cycocloniumoleaginum, Phyllosticta panizzeie Cercospora cladosporioides.Essa cultura, embora aindaseja incipiente, é consideradapromissora para o Brasil, especialmentenas regiões Sul eNordeste do País.CANAL com Fernanda Diniz (Embrapa)8 CANAL


SegurançabiológicaA conscientização da populaçãobrasileira para a importânciada segurança biológica é fundamentalpara proteger a agriculturae a economia dos ataquesdessas pragas. Produtores, processadores,consumidores e ambientalistasprecisam se unir parabuscar maneiras de se protegere se aprofundar nos assuntosde intercâmbio comercial, na cadeiaalimentar e na sustentabilidadeagropecuária e ambiental,alertam os pesquisadores. "Prevenirdanos ambientais é muitomais barato do que tentar recuperá-losmais tarde, especialmenteporque, na maioria dasvezes, são irrecuperáveis", alertaa pesquisadora da Embrapa RecursosGenéticos e Biotecnologia,Maria Regina Vilarinho.Para o pesquisador do IAC,Antônio Fernando Caetano Tombolato,a defesa vegetal é essencialem um País de dimensãocontinental como o Brasil, especialmentepor ser grande exportadorde produtos agrícolas.Os impactos econômicos causadospela entrada da ferrugemda soja, entre outras pragas, despertarama atenção do governoe de diversos segmentos acadêmicos.Mas barreiras fitossanitáriase ações de fiscalização nãosão suficientes para barrar a entradade pragas agrícolas em umpaís. Uma simples planta, trazidacomo souvenir de uma viagem,pode ser a porta de entrada deuma praga devastadora.Ataque de doença fúngicaem folhas de oliveiraembrapaPOLÍTICAAlternativas paraescoamentoENQUANTO A LOGÍSTICA DE ESCOAMENTO DA SAFRA NÃOMELHORA, SETOR PRIVADO COMEÇA A FORMAR PARCERIAS ECRIAR MEDIDAS ALTERNATIVAS PARA DRIBLAR A MOROSIDADERhudy CrysthianEm iniciativas de contraponto aos atrasosde projetos importantes de escoamentoda produção sucroalcooleira, previstos noPrograma de Aceleração do Crescimento(PAC), setor privado, lideranças políticas defensorasda atividade canavieira e entidades organizadasanunciaram recentemente uma enxurrada deinvestimentos. São melhorias de estradas vicinais,construção de dutos, portos e uma série deobras para dar suporte à deficiência em transportee logística do País. A região que mais vinha sedestacando neste sentido era o Estado de SãoPaulo, mas o cenário começa a tomar um caminhodiferente em direção à nova fronteira agrícolaonde está o destino da maioria dos futurosinvestimentos no setor.São parcerias como a iniciativa das usinas DellaColetta e da Cocal que, em conjunto com o governoestadual de São Paulo, começaram a reformaras vicinais de acesso às unidades industriais paramelhor escoar a sua produção. Recentemente oempresário Rubens Ometto, presidente da Cosan,adquiriu os ativos da Exxon Móbil por R$ 954 milhões.A medida, segundo Ometto, servirá para garantirque uma única empresa controle a produção,distribuição e comercialização de biocombustíveis.Sem correr o risco de depender de infra-estruturae logística falha.A construção de alcooldutos ligando as regiõesprodutoras aos portos de escoamento também éfomentada. A Cosan, Crystalsev e Coopersucar,por exemplo, pretendem construir um alcooldutoligando o litoral paulista (São Sebastião) aPaulínea, com ramais até os municípios de RibeirãoPreto e Conchas, no interior do Estado, cominvestimento de até R$ 1,5 bilhão. "São respostasà demora de projetos já anunciados", reclama oDeputado Federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), titularda Comissão de Energia e também integranteda comissão de Agricultura.O parlamentar lembra do alcooldutoligando Goiânia (GO) ao portode Paranaguá (PR), com previsão paraentrar em operação em 2011. Outro queliga a cidade de Senador Canedo (GO) aoporto de São Sebastião (SP) está atrasado.Recentemente, ele apresentou emendas aoOrçamento Geral da União para assegurarrecursos para o alcoolduto de Araçatuba.Entretanto, Jardim afirma que a participaçãoda Petrobras é fundamentalneste processo. "A estatal poderiaser uma parceira das unidades produtoras, fazendouso de transportes intermodais (como ferrovias,hidrovias, dutos e caminhões/tanque), nosentido de baratear o escoamento da produção eajudar na comercialização do etanol, com a construçãode terminais específicos para o embarquedo biocombustível", defende.BARREIRASO deputado reclama ainda que algumas normasregulamentares inibem a concorrência e estabelecemque as indústrias de etanol só podem comercializaro produto no mercado interno via distribuidoras.Ele alega que a produção de etanol contacom um grande número de fornecedores, são maisde 350 usinas e destilarias em todo o País. Todavia,existe um pequeno número de distribuidores, cercade 30, que controlam 90% do mercado; enquantoo número de postos passa de 33 mil no País. "Essaestrutura promove uma estrangulação de oferta,compromete a concorrência e pesa no bolso doconsumidor", lamenta.Jardim afirma que a participação de outros interessadosnos negócios envolvendo etanol combustívelé proibida, o que reduz o número de operaçõesna BM&F. Ele diz que a medida que proíbeo revendedor varejista com bandeira comercial(BR, Shell, Ipiranga etc.) de adquirir qualquer espéciede combustível de distribuidoras de outrasbandeiras ou sem bandeira é justificável no mercadode gasolina, diante dos altos índices de adulteraçãopor adição de solvente ou por elevadapercentagem de etanol anidro. "Mas no mercadode etanol não faz sentido."O parlamentar garante que o etanol vendido noPaís é um produto igual em todos os lugares, poisatende as especificações técnicas de produção definidaspela ANP. "Suas características físicas e químicasnão são modificadas pelas distribuidoras.Bastaria uma norma da Agência para afixação dasinformações do fornecedor para garantir o direitodo consumidor saber a procedência do produtoadquirido", sugere.CANAL 9


TERRASValores em altaÁREAS DESTINADAS AOCULTIVO DE MATÉRIAS-PRIMASPARA A PRODUÇÃO DEBIOENERGIA SE VALORIZAMACIMA DA MÉDIARhudy CrysthianCom uma maior destinação de terras paraa produção de etanol e grãos para esmagamentona fabricação de biocombustíveis,as áreas agricultáveis nasfronteiras agrícolas registraram saltos no preçode até 40,1% nos últimos 36 meses em algumasregiões do Brasil. Com grande participação de investidoresestrangeiros e a limitação de terrasagrícolas em outros países produtores de bioenergia,como os Estados Unidos, a tendência é devalorização ainda maior para o próximo ano.Na média do período março-abril, o Centro-Oeste teve a maior valorização: 40,1% nacomparação com 36 meses atrás. No Nordeste,a alta foi de 39,3%. As regiões Sudeste e Nortetiveram valorizações médias de 35,4% e35,2%. A Região Sul apresentou 29,7% de valorizaçãoe já ultrapassa os preços médios daRegião Sudeste. De forma geral, o preço médiopor hectare no País saltou para R$ 4,135 mil -16,3% a mais quando comparado ao valorpraticado há 12 meses (R$ 3,555 mil) e 35,2%maior quando o período de comparação é ampliadopara 36 meses (R$ 3,059 mil).Os dados são referentes a um relatório produzidobimestralmente pela empresa de consultoriaem agronegócio AgraFNP, referente aos mesesde março e abril deste ano. Segundo a responsávelpelo estudo, Jacqueline Bierhals, pesquisadorada AgraFNP, essa elevação nos preçosdas terras pode ser analisada por duas vertentes."Uma é que o produtor, muitas vezes endividadoe insatisfeito, não vê outra saída a não servender sua propriedade. A outra é a entrada fortede investidores estrangeiros que enxergam noBrasil uma alternativa de lucro", define.A entrada de capital estrangeiro no setor teveseu auge no ano passado. Naquela época, aUnião da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica)registrou que a demanda mundial pelo álcoolbrasileiro fez com que empresas estrangeirasrepresentassem 6,3% de toda a moagem de canado Brasil, 28 milhões de toneladas da safra.Se depender do mercado estrangeiro, o setorpode esperar novos aumentos nos preços dasterras. Segundo a assessoria de imprensa do Cepea/Esalq,tem crescido o número de investidoresinternacionais que procuram informaçõessobre os indicadores de venda do álcool no Brasil,principalmente da Índia. Mas o incrementonos preços das terras também é favorecido pelascommodities de açúcar e o álcool. Como atendência é de estagnação, a especialista acreditaque a valorização das terras este ano serácom menor intensidade, mas ainda positiva.Em muitas regiões do País, além da cana, asoja é o indexador do valor do hectare. Assim,com um mercado aquecido, o custo das propriedadesrurais acompanha a subida da oleaginosanas bolsas internacionais. Bierhals lembraque se os valores estão tão altos é porque os investidoresenxergam retorno.10 CANAL


Áreas mecanizáveis são as mais procuradasagrafnp/divulgaçãoAinda segundo dados da AgraFNP, o preço dohectare de terra na região de Lucas do Rio Verde(MT) saltou de R$ 6,145 mil em maio e junho doano passado para R$ 8 mil em março e abril desteano. Em Rondonópolis (MT), o salto foi de R$5,708 mil para R$ 8 mil, também no mesmo intervalode tempo. Já na região de Luís EduardoMagalhães (BA) a alta foi ainda maior, quase odobro, de R$ 4,482 mil para R$ 8,4 mil.Quando essas mesmas áreas possuem uma característicatopográfica de Cerrado, mais propíciapara a mecanização da cultura da cana, a valorizaçãodas terras é maior. Na Bahia, em umaregião de Cerrado, como Luís Eduardo Magalhães,a alta nos preços das terras foi de R$ 2,067mil em maio e junho do ano passado para R$ 3,5mil, em março e abril deste ano.Em Goiás, segundo produtores e sindicatos ruraisdo Estado, a elevação média é de 15% das terras.Na região de Rio Verde, por exemplo, umas dasáreas mais disputadas para cultivo agrícola no Estado,o hectare da terra valia R$ 5 mil ano passadoe este ano está valendo mais de R$ 6 mil. Quandoa distância da usina é de 20 a 30 quilômetros,esse valor se eleva em até 50% a mais, principalmentenas terras de arrendamento, mesma realidadeda região de Santa Helena e Jataí, mais aoSudoeste de Goiás. Segundo o analista da Federaçãoda Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg),Pedro Arantes, quando existe alguma usina porperto, a terra pode chegar a uma valorizaçãotrês vezes maior.Jacqueline Bierhals, pesquisadora da AgraFNP,destaca entrada do capital estrangeiro no PaísCURSOEngenhariasucroalcooleiraAUniversidade de Campinas(Unicamp) abriu inscriçõespara o curso de Especializaçãoem Engenharia Sucroalcooleira,com duração de quatro meses.O conteúdo abrange desde oplantio, passando pela área industrial,até a obtenção dosprodutos finais, álcool e açúcar.A iniciativa vem atender a crescentedemanda por engenheirosespecializados para atuação nasunidades de produção.Segundo Antônio Pádua Rodrigues,diretor técnico da Unica,cursos como os da Unicampdisponibilizam profissionais deconhecimento mais aprofundado,em comparação com aquelesjá inseridos no mercado.Nos últimos quatro anos, 84novas usinas passaram a operarno Brasil. A previsão de expansãoindica que até 2012 devemser construídas mais de 90 outrasunidades e o desequilíbrioentre a oferta e a demanda porprofissionais especializados podecomprometer o ritmo decrescimento do setor. "É fundamentalgarantir que a oferta demão-de-obra acompanhe a expansãoda atividade canavieirano Brasil", ressalta o diretor técnicoda Unica.Os profissionais graduadosem engenharia química, biologiae tecnólogos de áreas afinspoderão se inscrever até o dia 1ºde agosto no site da Unicamp(www.ct.unicamp.br/extecamp/).Outras informações podemser obtidas pelo email extensão@feq.unicamp.brCANAL 11


FERROVIA NORTE-SULObras a todo vaporSÃO 44 PROJETOS DE USINAS AO LONGO DA VIA FÉRREA.IDÉIA É UTILIZÁ-LA COMO SE FOSSE UM ALCOOLDUTORhudy CrysthianApós o início das obras da Ferrovia Norte-Sul, nos trechos de Anápolis a Ouro Verdee do km zero até Jaraguá, agora é avez do trecho de Jaraguá a Porangatu,em Goiás. A ordem de serviço foi assinada no mêspassado pela Valec, empresa do governo federalresponsável pela construção da via férrea. Serãogastos recursos da ordem de R$ 900 milhões noEstado de Goiás.A empresa pretende iniciar os trabalhos daconstrução do trecho entre Palmas (TO) e Uruaçu(GO) já no segundo semestre, visando a sua conclusãoem 2010. Só em Goiás, serão cinco canteirosde obras. Para este ano, a projeção da Valec érealizar o serviço de terraplanagem e de superestrutura,como construção de pontes e viadutos. Acolocação dos trilhos vai ser iniciada no próximoano, segundo informou a companhia.De acordo com o presidente da empresa, JoséFrancisco das Neves, mais conhecido como Juquinha,só em Goiás serão implantados cinco pólosde carga, em Anápolis, Uruaçu, Santa Isabel, Porangatúe Jaraguá. Juquinha explica que serãopreparados 44 projetos para a instalação das usinasao longo da ferrovia, nos trechos que passampor Goiás e Tocantins. "A idéia final é de que oplanejamento dos pólos da Valec, interligados, viremum alcoolduto", informa."Precisamos ter garantias de escoamento deprodução para nos firmarmos como um Estadopotencialmente rico", acrescenta o secretário dePlanejamento de Goiás, Oton Nascimento. Esperaseque duas montadoras de automóveis, além daprimeira fábrica de monitores de tela plana, tambémsejam levadas pelos trilhos da Ferrovia Norte-Sul,conforme expectativa da Secretaria Estadualde Indústria e Comércio de Goiás.Para tanto, autoridades e empresários locaisse organizaram e formaram um Grupo de Trabalho(GT) que vai elaborar o plano de desenvolvimentoda área de influência da Ferrovia Norte-Sul em Goiás. O GT tem até outubro para apresentarum relatório. Um dos primeiros trabalhosfoi a realização, no dia 02 de junho, de uma AudiênciaPública no município de Rio Verde, SudoesteGoiano, para discussão da implantaçãoda Ferrovia Norte-Sul.Rio Verde é um importante pólo do agronegócioe de escoamento de grãos no Centro-Oeste."Mais do que fomentar a economia de todaTRECHOS TRECHO ARAGUAÍNA (TO) -GUARAÍ (TO)- Extensão: 226 km(70% concluído)- Previsão de entrega dotrecho até 30/12/2008 TRECHO GUARAÍ (TO) -PALMAS (TO)- Extensão: 132 km (5% concluído)- Previsão de entrega até o 2° semestrede 2009 TRECHO PALMAS (TO)STA FÉ DO SUL (SP)Palmas (TO) - Anápolis (GO)- Extensão: 844 km- Previsão de entrega das obras atémaio de 2010Anápolis (GO) - Rio Verde (GO)- Extensão: 300 km- Previsão de entrega da obra atédezembro de 2011Rio Verde (GO) - Sta Fé do Sul (SP)- Extensão: 380 km- Previsão de entrega daobra até Julho de 2011- Conclusão dos estudos prevista paraoutubro de 2008- Audiências públicas previstas paraoutubro de 2008- Análise do TCU prevista paranovembro/dezembro de 2008- Publicação do Edital prevista parajaneiro de 2009 TRECHO ALVORADA (TO) -ILHÉUS (BA)- Extensão: 1.500 km- Edição imediata de MedidaProvisória incluindo trechos da novaferrovia no PNV- Conclusão do EIA/RIMAaté 30/12/2008 e emissão deLP até 31/03/2009- Elaboração pela Valec damodelagem e do projetobásico até 30/12/2008- Conclusão do EVTE até 30/12/2008- Aprovação do modelo de concessão(CND/TCU) até 28/02/2009- Licitação da subconcessãoaté 31/03/2009 TRECHO URUAÇU (GO) -VILHENA (RO)- Extensão: 1.500 km- Conclusão dos estudos dedemanda até 30/04/2008- Publicação do Edital de licitação doEIA/RIMA até 30/04/2008 TRECHO AÇAILÂNDIA (MA) -BELÉM (PA)- Estudos de engenharia eEIA/RIMA em andamento TRECHO PALMAS (TO) -URUAÇU (GO)- Recursos no valor de R$ 300milhões já empenhados- Necessidade de reestruturação daValec conforme proposto na minutada Medida Provisória encaminhadapelo MT à Casa Civil- Ordem de serviço a ser dadaem abril de 2008 TRECHO URUAÇU (GO) -ANÁPOLIS (GO)- Extensão: 280 km (5% dos serviçosexecutados)- Previsão de entrega atéo 2º semestre de 2009- Necessária a liberaçãode R$ 100 Milhões adicionais TRECHO STA FÉ DO SUL (SP)PANORAMA (SP)PORTO MURTINHO (MS)- Início dos estudos de viabilidadetécnico-econômico e ambientalaté 29/08/2008fotos: valec12 CANAL


Obras seguem em várias frentes de serviço. Ainda no segundo semestre de 2008 deverá ser iniciado o trecho entre Palmas (TO) e Uruaçu (GO)a região, otimizando o trabalho dos produtores, aferrovia será um marco na história de Goiás e doBrasil", acrescenta o secretário de Agricultura daqueleEstado, Leonardo Veloso.A Ferrovia Norte-Sul foi projetada para promovera integração nacional, minimizando custos detransporte de longa distância e interligando as regiõesNorte e Nordeste ao Sul e Sudeste, atravésdas suas conexões, com 5 mil quilômetros de ferroviasprivadas. A integração ferroviária das regiõesbrasileiras abrangerá uma área de aproximadamente1,8 milhão de km2, correspondendo a21,84% da área territorial do País, onde vivem15,51% da população brasileira.O traçado inicial da Norte-Sul previa a construçãode 1550 quilômetros de trilhos, cortando os Estadosdo Maranhão, Tocantins e Goiás. Com a Lei nº. 11.297,de 09 de maio de 2006, da Presidência da República,que incorporou o trecho Açailândia-Belém ao traçadoinicialmente projetado, a Ferrovia Norte-Sul terá,quando concluída, 1980 quilômetros de extensão.Frentes de serviço no Norte e Centro-OesteO trecho ferroviário ligando as cidadesmaranhenses de Estreito e Açailândia jáestá concluído e em operação comercialdesde 1996. Esses 215 quilômetros de linhaferroviária se conectam a Estrada deFerro Carajás, permitindo o acesso ao Portode Itaqui, em São Luís.TOCANTINSFoi concluído o trecho Aguiarnópolis -Araguaia, num total de 153 km, até o pátiomultimodal de Araguaia, inauguradoem maio de 2007. O trecho seguinte, deaproximadamente 53 km, até o córregoGavião, está com as obras de terraplanagemem fase adiantada de execução,segundo informações da Valec.GOIÁSJá está em construção a parte daFerrovia Norte-Sul que liga os municípiosde Anápolis a Ouro Verde, com 40 quilômetros.Recentemente, foi assinada a ordemde serviço para o início dos trabalhosde construção de todo o trecho de 280quilômetros, que vai de Anápolis a Uruaçu.A Valec estima que serão gastos recursosna ordem de R$ 900 milhões paraa conclusão das obras.O trecho entre Palmas, no Estado doTocantins e Uruaçu, em Goiás, já está todolicitado e a empresa pretende, já nosegundo semestre deste ano, iniciar ostrabalhos de sua construção, visando aconclusão já em 2010.CANAL 13


Agrário (MDA) não o reconhece em função da faltade pesquisas". Para Delleva, uma solução viávelseria uma maior sensibilização dos órgãos de fomento,para que não falte matéria-prima destinadaa atender as metas do governo para adição de percentuaiscrescentes de biodiesel a todo óleo dieselconsumido no Brasil.Sobre a falta de crédito para novas culturas, o coordenadorde Biocombustíveis da Secretaria deAgricultura Familiar do MDA, Jânio Rosa, diz quequalquer política de financiamento para o pinhãomansopassa, obrigatoriamente, pelos processos deindicação e recomendação técnica obtidas com ozoneamento agrícola, incluindo a produção do pinhão-mansoentre outros modelos produtivos passíveisde financiamento, a exemplo da mamona, girassol,amendoim, gergelim, canola, dendê e outras."A cultura do pinhão-manso necessita de mais estudose recomendações técnicas para um domíniocompleto da cadeia de produção, dos impactos ambientais,mapeamento de doenças, pragas e sistemasde controles", enfatizou.divulgaçãoEntraves impostos pela burocraciaO Banco do Brasil possui um programa voltadopara o biodiesel, mas dispõe de financiamentosapenas para culturas como mamona, soja,dendê, girassol, e canola. Atualmente, cerca deR$ 100 milhões já foram liberados.O gerente de Agronegócio do Banco do Brasil(sede Brasília - DF), Reinaldo Yokoyana, dizque não há pesquisa suficiente para consolidara cultura do pinhão-manso. Ele prevê um prazode dois anos para que o banco tenha condiçõesde financiar a cultura. "A política do bancoé que os produtores apresentem um projetode geração de renda e garantam o pagamentodo financiamento."O Banco Nordeste alega que existe inadimplênciaem relação ao público alvo do Programa,os agricultores familiares, por outras questõesnão relacionadas ao biodiesel, mas afirmouque a dívida está sendo renegociada. No nortede Minas, a agência deu uma esperança aosagricultores. Devido à implantação da usina daPetrobras no Estado e de alguns plantios particulares,o banco patrocina uma pesquisa juntoà Empresa de pesquisa Agropecuária de MinasGerais (Epamig), para estudar a viabilidade deimplantação do pinhão-manso em sequeiro.Pesquisas com pinhão-manso se multiplicam“Ainda não temos áreascomerciais, pois não hácrédito. O plantio é feitocom recursos própriosAagash Tominagapesquisador e produtor de pinhão-manso“A Embrapa, há cinco anos, desenvolve pesquisascom a cultura. Há estudos também empaíses como Índia, Israel, Cuba e até nos EUA,no Estado da Flórida. No Tocantins, universidadese órgãos públicos intensificam as pesquisase plantios em áreas experimentais doCentro Agrotecnológico de Palmas e em plantaçõesparticulares. A Embrapa também jáconta com uma unidade de pesquisa no Estado.Segundo o Chefe Geral da Embrapa Agroenergia,Frederico Ozanan Durães, os resultadosexperimentais permitem considerar grandepotencial de rendimento de óleo para finsde produção e uso de biodiesel.Ele acredita que com o melhoramento genéticoe aprimoramento do sistema de produção,o pinhão-manso possa produzir acima de 4 milkg/ha de óleo por hectare. O pinhão-manso éconsiderada uma oleaginosa promissora paraas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste doBrasil, com perspectivas de apresentar altaprodução de sementes e óleo por unidade deárea. Mas, para Durães, é grande a necessidadede acelerar a formação de um consenso técnico-científicoe empresarial sobre a cultura. Segundolevantamento da Embrapa, estima-seque o Brasil conta atualmente com plantios depinhão-manso com tempo de cultivo variandoentre três a quatro anos e que, somados, totalizam24 mil hectares plantados. Nestes projetos,busca-se adequação das práticas agronômicascom a geração de emprego e renda paraa agricultura familiar.O consultor técnico e engenheiro agrônomono Estado de São Paulo, Salvador Rossatto,acredita que a cultura é a mais apta ao Programade Produção e Uso do Biodiesel. "A culturaé perene e tem baixo custo de formação, alémde ser precoce e rústica, fatores que viabilizamo seu desenvolvimento".


PNEUSBoa fase aquece mercadoCORRETA UTILIZAÇÃODOS PNEUS DEMÁQUINAS AGRÍCOLASPROPORCIONA MAIORDURABILIDADE.INDÚSTRIA NACIONALOFERECE NOVASTECNOLOGIAS AOMERCADOEvandro BittencourtAboa fase do agronegócio brasileiro aumentousignificativamente a demanda por pneusagrícolas e tem obrigado as indústrias a promoverajustes e redirecionamentos em suaslinhas de produção para atender ao mercado. O cenáriode crescimento também tornou necessária a importaçãodo produto.Nesse contexto, as indústrias e revendas oferecemvariada gama de pneus para máquinas agrícolas, fabricadosno Brasil ou importados. Uma das novidadesem relação a esse segmento é a fabricação dos pneusradiais no País, pois até pouco tempo atrás a indústrianacional fabricava apenas pneus diagonais.Os pneus diagonais são feitos com malhas feitasde fibras sintéticas (nylon). Os radiais são fabricadoscom cintas de aço, o que garante ao produto maiorcapacidade de carga. A estrutura lateral mais resistenteproporciona maior deformação da banda, oque confere uma série de vantagens para o conjuntomáquina/pneu. “O inconveniente é o custo, umpouco mais elevado, mas essa diferença é absorvidacom o tempo de uso mais prolongado e pela maioreficiência”, explica Paulo Graziano, professor da Faculdadede Engenharuia Agrícola da Universidade deCampinas (Unicamp).A utilização adequada dos pneus começa por umaboa relação entre o seu dimensionamento e a carga aque será submetido. O pneu agrícola é projetado parasuportar uma carga elevada, mas para trabalhar embaixa velocidade. Além disso, é preciso considerar quetoda a carga aplicada ao pneu é transferida ao solo eisso acaba causando um problema para as áreas de lavoura,a compactação do solo, com conseqüências negativaspara a produtividade da área afetada, destacaPaulo Graziano.ALTA FLUTUAÇÃOEsse problema pode ser atenuado com a utilizaçãode uma outra tecnologia, os pneus de alta flutuação,mais largos e com uma maior área de contato com osolo. São pneus desenvolvidos para se deformaremmais, com uma pressão de insuflagem menor, o queresulta em uma menor compactação.No entanto, essa tecnologia deixa de atender aopropósito para o qual foi desenvolvida quando ospneus são levados ao seu limite de carga, ou seja, ousuário coloca o máximo de carga suportada pelopneu, o que faz que os pneus de alta flutuação causem,igualmente, a compactação no solo. Esse erro podese identificado nas áreas de produção agrícola dasusinas sucroalcooleiras, por exemplo, principalmentenos veículos de transbordo.case/divulgação18 CANAL


Conhecimento e cuidados aumentam a vida útilPara que o pneu tenha uma vida útil longa énecessário que sejam tomados alguns cuidados,alerta o professor Paulo Graziano. O principal énão exceder a carga e a velocidade. Também éimportante fazer sempre um balanço nos pneusdiagonais, colocando um lastro de água paraaumentar a massa do conjunto do trator e assimmelhorar a eficiência de tração.Outras providências importantes são a utilizaçãocorreta da pressão de insuflagem e aadequação do aro do pneu, conforme recomendaçãodo fabricante. Se o pneu fica combaixa pressão, ele acaba patinando sobre oaro, quando o trator é submetido a uma forçamaior, e isso provoca o desgaste das garras dospneus, o que geralmente acontece quando otrator está mal dimensionado para a carga queestá sendo transportada. Nesse caso, um pneuque poderia durar dois anos pode ter sua vidaútil reduzida para apenas seis meses.Trabalhar com uma pressão muito baixatambém resulta na deformação da banda dopneu, o que se observa pelo surgimento detrincas ou rachaduras, sinal que a estruturanão suportou o peso aplicado. Isso ocorre comtodos os tratores que trabalham no solo agrícola,explica o professor da Unicamp. O ideal éque a máquina patine entre 10% e 15%, nomáximo. Se a patinação é maior ou menor, aeficiência diminui. O mal dimensionamento doconjunto trator e carga, além de sobrecarregaros pneus, também resulta em gasto excessivode combustível e da própria máquina.ESTOCAGEMTodos os tipos de pneus apresentam vazamentonatural de ar. Quando ficam parados,vão perdendo, aos poucos, a pressão interna eapresentam deformação num único ponto,fragilizando a região submetida ao peso. Emperíodos longos de ociosidade das máquinas,durante a entressafra, por exemplo, o ideal écolocá-la sobre cavaletes, tirando totalmentea carga sobre os pneus. É importante que tambémfiquem protegidos do sol, por se tratar deum produto que leva em sua composição umasérie de compostos químicos derivados dopetróleo e que são afetados com a insolaçãoconstante.CANAL 19


FlexDesempenho positivoO agronegócio brasileiroacumulou um crescimento de2,81% no primeiro trimestredeste ano contra 0,74% nomesmo período de 2007.Quanto ao Produto InternoBruto (PIB) da produçãoagropecuária, o crescimentochegou a 4,35% no trimestre,contra 1,49% registrado nostrês primeiros meses do anopassado.As exportações doagronegócio somaram US$ 27,2bilhões, de janeiro a maio, o quecorresponde a 37,8% dasexportações totais do Brasil. Osdados são da Confederação daAgricultura e Pecuária do Brasil(CNA).A explicação para essecrescimento, segundo aentidade, é a safra recorde e oaumento dos preços agrícolas.Biodiesel serácompetitivo ?O programa brasileiro debiodiesel tem futuro?Quando o combustível serácompetitivo? O ministro daAgricultura, ReinholdStephanes, afirma que apalma é a única matériaprimaque consegue sercompetitiva na comparaçãocom outras oleaginosas, jáque o valor do óleo de sojasubiu muito no mercadointernacional. "Todas asdemais precisam sersubsidiadas. Esse é o preço deiniciar uma experiência,preço que também já foipago no caso do etanol",disse o ministro Stephanes.Uso do etanol notransporte de massaO pesquisador JoséRoberto Moreira defendeu ouso do etanol nos veículos detransporte de massa, duranteo I Seminário Internacionalsobre Aquecimento Globalnas Cidades, realizado mêspassado em Curitiba.Moreira é coordenador devários relatórios do PainelIntergovernamental deMudanças Climáticas (IPCC)da Organização das NaçõesUnidas (ONU) e estáenvolvido em projetos devários países que estão maisavançados no uso do etanolcomo substituto do diesel notransporte coletivo.A Suéciaque, há 16 anos adotou oálcool em sua frota deônibus, lidera a aplicação docombustível renovável. Itália,Inglaterra e China tambémestão substituindo o dieselpor etanol. "Se na Suéciaque não produz nenhumagota de etanol e importa oproduto brasileiro aexperiência foi bemsucedida,não haveria por quenão dar certo no Brasil,maior produtor mundial deálcool a partir da cana.Padronização para etanol em discussãoEstados Unidos, Brasil eUnião Européia (UE) estãoacelerando medidas para criarpadrões mundiais para o etanole para tornar o combustívelalternativo uma commoditynegociada internacionalmente.Os métodos de estandardizaçãoAs exportações de álcool doCentro-Sul devem atingir 5bilhões de litros na temporada2008/2009, ante 3,1 bilhões delitros no ano-safra anterior,impulsionadas pela fortedemanda americana.A recenteEm 2007, no municípiopaulista de Limeira, o CTC -Centro de TecnologiaCanavieira, registrou aocorrência da broca gigante noscanaviais. Até então, a pragaera considerada comum naRegião Nordeste. SegundoTadeu Andrade, diretor dePesquisa & Desenvolvimentodo CTC, não existe ainda umatecnologia eficiente paracontrole da broca gigante. NoNordeste, a praga causaprejuízos anuais da ordem deR$ 35 milhões. Lá,diferentemente de SP, a broca éconhecida desde 1927. Depoisanálise das propriedades doetanol, como teor de água e deenergia, devem ser finalizadosaté dezembro, quatro anosantes do programado. Emseguida, o grupo começará afixar os padrões referentes aesses teores.Exportações de álcool atingirão 5 bilhões de litroselevação dos preços do álcoolnos EUA, após inundaçõesocorridas no Meio-Oesteamericano, região produtora degrãos, tornou mais atraentes asexportações diretas de álcoolbrasileiro para o país.Crescem prejuízos causados pela broca gigante400das infestações observadas emLimeira, o CTC traça umquadro preocupante para osetor sucroalcooleiro paulista.A dimensão da área plantadade cana no Estado, hojesuperior a 4 milhões dehectares, leva o centro depesquisas a projetar prejuízosna casa de R$ 400 milhões porsafra: "isso se o problema semantiver localizado apenas emSão Paulo", alerta. Andraderessalta que a brocapossivelmente chegou a SP emcaminhões de plantasornamentais, que sãohospedeiras da praga.Milhões de reais por safra são osprejuízos estimados com a praga22 CANAL


MEIO AMBIENTEDesafio para o crescimentoJuliana ServidoniOsetor sucroalcooleiro no Brasil precisa minimizaros impactos ambientais da atividadepara manter a liderança mundial. A rastreabilidade,tão difundida e exigida principalmente porpaíses europeus, chega às usinas, que têm a missãode mostrar que executam ações ambientais e sociaisresponsáveis. Esse foi um dos temas da 29ª ReuniãoAnual da Fermentec que debateu também apolêmica envolvendo biocombustíveis e produçãode alimentos em São Paulo.Para o professor da Fundação Getúlio Vargas eex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues,palestrante do evento, o etanol incomoda as potênciasligadas ao petróleo pela sua capacidade demudar a geopolítica no futuro. "Os países tropicaistêm clima favorável para a cultura da cana e nesteslocais o etanol vai gerar riqueza", afirma. Emrelação à ocupação da Amazônia para o plantio decana, o ex-ministro foi enfático ao explicar os entravesque impedem a cultura da cana na região."Na Amazônia chove quase todos os dias, não háuma logística adequada e existem áreas de agriculturaque estão mais perto dos grandes centrospara escoar a produção. Tudo isso inviabiliza o processonesta região", conclui.Já o professor da Esalq/USP, Carlos ClementeCerri, ressaltou que o Brasil deve estar atento e tomaratitudes em relação ao problema do aquecimentoglobal, pois a agropecuária é responsávelpor 25% do produto interno bruto do País. Cerriexplicou que a temperatura média no planeta aumentouem 0,76ºC. Parece pouco, mas esse ligeiroaumento pode causar fenômenos naturais extremose imprevisíveis, prejudicando seriamente aagricultura. "Agora, temos o desafio de descobrirquanto a produção do etanol gera de gases doefeito estufa e após essa pesquisa, com tecnologiaminimizar os impactos. Temos condições de fazerisso". O presidente da Fermentec, Henrique Viannade Amorim, procurou sensibilizar os participantescom exemplos que já foram colocados em práticapela consultoria. As mudanças vão desde o laboratórioao processo da fermentação. A Fermentecvem substituindo reagentes tóxicos por outrosprodutos menos nocivos ao meio ambiente. O sacarímetro(produto usado para medir a concentraçãode açúcar) dispensou o uso de sais de chumbo.O cianeto de potássio, que exige cuidados especiaispara ser descartado, não é mais utilizado. Já acoloração do DNA mitocondrial das leveduras agoraé feita no gel de agarose, em substituição aobrometo de etídio, um reagente considerado cancerígenoe mutagênico.A coloração é necessária para facilitar o estudoda levedura. Na parte industrial, a Fermentecdesenvolve pesquisas junto a Esalq para aumentaro teor alcoólico na fermentação. Trabalhandocom teor alcoólico de 15% é possível reduzir ovolume de vinhaça e economizar recursos naturais."Acredito que conseguimos conscientizarnosso público de que não há outra forma do Brasilconquistar o mundo com o etanol se não houveressa preocupação com todas essas questõesambientais", conclui Amorim.CANAL 23


PALAVRA DO ESPECIALISTAAvaliação analítica daqualidade dos biocombustíveisCom a atual preocupação no desenvolvimentodos biocombustíveis e a expansãodo uso do etanol brasileiro, um tema quecada vez mais apresenta sua relevância é o controlede qualidade analítico de tais produtos paraa certificação dos mesmos quanto às suas característicasfísico-químicas, tendo-se em vistauma garantia de mercado.A partir deste conceito, a química analíticadesenvolve papel fundamental no ciclo de vidade qualquer biocombustível, seja ele biodieselou etanol, ou os demais derivados da indústriabioenergética (bio-óleo, syngas, biodiesel, fischer-tropshe biogás).Para um melhor entendimento da avaliação daqualidade dos biocombustíveis através da aplicaçãode métodos analíticos laboratoriais e em temporeal, é importante que se conheça as etapas de obtençãode produtos energéticos advindos da biomassavegetal, para a aplicação de uma metodologiaanalítica integrada robusta. Tais etapas simplificadasde obtenção podem ser observadas noquadro 1 (página ao lado).Pode-se observar que são três os pontos deaplicação de uma metodologia analítica: a) caracterizaçãoda biomassa ou matéria-prima que seráutilizada no processo de produção, para que aqualidade da primeira esteja de acordo com asnecessidades do segundo, com a determinação deparâmetros analíticos como teor de açúcares eacidez (cana-de-açúcar) e teor de ácidos carboxílicose viscosidade (óleo vegetal), dentre outros; b)monitoramento do(s) processo(s) de produçãopara controle da eficiência do mesmo, com a determinaçãode parâmetros analíticos, como temperatura,pH do meio, dentre outros; c) controle ecertificação da qualidade do produto final, paraque se comprove a qualidade do biocombustívelproduzido e suas propriedades físico-químicas,se dando conforme escopo de parâmetros analíticosestabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo,Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para oetanol e o biodiesel. Para efeitos de certificação, éobrigatória a contratação de um laboratório químicoindependente.Conforme já comentado, a ANP é quem estipulaquais são os parâmetros analíticos de controledo etanol e do biodiesel, bem como os valoresmáximos ou mínimos permitidos para umdeterminado parâmetro. No caso de um biocombustívelnão estar de acordo com tais parâmetrosanalíticos, a venda de seu lote é suspensa. Aamostragem deverá compreender toda a cadeiaprodutiva, ou seja, o produtor, o distribuidor e ocomerciante, o que deve garantir a rastreabilidadeanalítica do produto, bem como sua origem,com tais itens compreendendo a certificação doproduto. No caso dos laboratórios que irão realizaras análises, é desejável que estes tenham ouobedeçam à norma ISO-17025 que garante aqualidade e confiabilidade dos dados analíticosgerados por meio de procedimentos-padrão auditadosperiodicamente por organismos certificadoresnacionais ou internacionais, como oInmetro. Cita-se como exemplo os parâmetrosanalíticos solicitados para o etanol pela ANP(veja quadro 2 na página seguinte).Os parâmetros analíticos para o biodisel e suasmisturas (B100, B20 e B5, respectivamente),bem como os métodos analíticos, ainda são objetode discussão e de pesquisa, já que é recentea implantação de uso do primeiro na matrizenergética brasileira. Já o etanol é satisfatoriamentecaracterizado a partir do escopo analíticoSílvio Vaz Júnior - Químico, Mestre emFísico-Química (IQSC/USP) e Doutorandoem Química Analítica (IQSC/USP), sóciodiretorda Hidrolisis (São Carlos/SP,www.hidrolisisbr.com). Desenvolvetrabalhos relacionados a novos processosde obtenção de etanol ligninocelulósico ecertificação analítica de biocombustíveis.E-mail: vazjr@yahoo.com.br.24 CANAL


imposto pela ANP (Tabela 1).As técnicas analíticas cromatográficas,espectroscópicas e eletroquímicastêm apresentado grandeinovação quanto à facilidade deoperação e interpretação de dados,o que diminui o tempo de emissãodo laudo ou relatório analítico, levandoà tomada de decisões técnico-econômicasmais eficazes.Os principais atores ou playersmundiais interessados no tema(Brasil, Estados Unidos e UniãoEuropéia) lançaram recentementeforça-tarefa tripartite objetivandouma unificação dos padrões analíticosde qualidade para os biocombustíveis,o que deve ser visto demaneira positiva para a integraçãode mercado.Um aspecto a ser considerado éa inovação tecnológica relacionadaaos biocombustíveis, que exerceinfluência direta nas necessidadesde controle e padronização daqualidade.QUADRO 1. FLUXOGRAMA RESUMIDO DE UM MÉTODO GENÉRICO DE AVALIAÇÃO ANALÍTICA DE BIOCOMBUSTÍVEIS.QUADRO 2. PARÂMETROS ANALÍTICOS PARA O ETANOLCaracterística (Parâmetro Unidade Especificações Método AnalíticoAnalítico)Aspecto -AEACLímpido e isento de impurezasAEHCLímpido e isento de impurezas -Cor - Incolor antes da adição de corante Límpido e isento de impurezas -Acidez Total (máxima) mg/L 30,0 30,0 ABNT-NBR 9866Condutividade Elétrica (máxima) µS/m 500,0 500,0 ABNT-NBR 10547Massa Específica à 200C kg/m3 791,5 (máximo) 807,6-811,0 ABNT-NBR 5992Teor Alcoólico 0INPM 99,3 (mínimo) 92,6-93,8 ABNT-NBR 5992pH - - 6,0-8,0 ABNT-NBR 10891Resíduo de Evaporação (máximo) mg/100mL - 5,0 ABNT-NBR 8644Teor de Hidrocarbonetos (máximo) % em volume 3,0 3,0 ABNT-NBR 13993Íon cloreto (máximo) mg/kg - 1,0 ABNT-NBR 10894, 10895Teor de Etanol (mínimo) % em volume 99,6 95,1 ASTM D 5501Íon Sulfato (máximo) mg/kg - 4,0 ABNT-NBR 894, 12120Ferro (máximo) mg/kg - 5,0 ABNT-NBR 11331Sódio (máximo) mg/kg - 2,0 ABNT-NBR 10422Cobre (máximo) mg/kg 0,07 - ABNT-NBR 10893CANAL 25


EMPRESAS E MERCADOSImaflora divulga estudo sobre oimpacto das certificaçõesPela primeira vez no Brasil é feito umestudo para avaliar o impacto produzidopelas certificações socioambientais nosempreendimentos que conquistaram osselos. A iniciativa partiu do Imaflora,Instituto de Certificação de ManejoFlorestal e Agrícola. A pesquisa, bem comoo desenvolvimento da metodologia, foiconduzida pela Escola Superior deAgricultura Luiz de Queiroz, da USP, quepara realizá-las passou cinco semanas emcomunidades extrativistas no Acre e seissemanas em fazendas de café em MinasGerais, comparando, respectivamente, omanejo florestal certificado e nãocertificado e a produção agrícola emfazendas certificadas e não certificadas.Os benefícios da certificaçãoforam constatados nas fazendas decafé, especialmente no que se refere àscondições de trabalho da mão-de-obraempregada: qualidade e limpeza dasmoradias, consultas médicas de rotina,respeito à jornada de trabalho,estabilidade de trabalhadores permanentese temporários, destino do esgotodoméstico, uso de agroquímicos de menortoxicidade, condições de depósito dosagroquímicos, treinamento e capacitaçãodos trabalhadores, uso de equipamentos deproteção, proteção das APPs, destino daágua de lavagem do café, entre outros.Nas comunidades florestais, osbenefícios da certificação forammenos evidentes, pois vários dosprincípios e pressupostos para a concessãodo selo fazem parte de políticas do governolocal e de outros setores do manejoflorestal do Estado.BASF apresenta produtos para maior produtividade do canavialA BASF participou entre os dias 25 e 27 dejunho da feira Agronegócios Copercana,voltada aos cooperados do sistema Copercanaem Sertãozinho (SP). No evento, a empresaapresentou sua linha de produtos destinadosao manejo da cana-de-açúcar, que combatempragas e plantas daninhas, além de aumentara produtividade com efeitos adicionaisproporcionados por seus defensivos. Odestaque do portfólio BASF é o inseticidaIhara lança herbicida flexpara cana-de-açúcarA Ihara, fabricante de defensivos agrícolascom mais de 40 anos de atuação no mercado,lança seu primeiro produto para a cultura dacana-de-açúcar.Trata-se do herbicidaFlumyzin, que está sendo chamado deherbicida flex, pois funciona tanto em épocassecas quanto úmidas, em cana planta e emcana soca, além de controlar folhas largas eestreitas. "O Flumyzin é um novo conceitode controle de plantas daninhas na cultura dacana porque funciona faça sol ou faça chuva.Além disso, é o único herbicida registradopara controle da Digitaria muda.A entradanesse mercado sucroalcooleiro representaum marco para a Ihara, pois a cana era aúnica grande cultura para a qual nãopossuíamos um produtoespecífico. Com esselançamento, pretendemosaumentar ainda mais nossaexpressividade nomercado de defensivoagrícola", afirma ocoordenador de marketingda Ihara, Eduardo Figueiredo.Regent 800 WG®, líder de mercado, quecombate com eficiência importantes pragas desolo como os cupins e migdolus, protegendo acana com apenas uma aplicação durante todoo ciclo. Além do Regent 800 WG®, aempresa apresenta outras eficientes soluçõesvoltadas à cana-de-açúcar: os herbicidasPlateau® e Contain®. Ambos auxiliam nocontrole de diversas plantas daninhas, comocorda de viola, tiririca e capim-colchão.Cotril expande negóciosna ExpoAgro 2008fotos: divulgaçãoA Cotril Máquinas levou para 44ªExpoAgro, em Cuiabá, a força mundial damarca New Holland. Com os setores deconstrução e agropecuária do Centro-Oesteem expansão, a Cotril usou potencial doevento para efetuar negócios, atendendo osmercados de construção civil e rodoviária,locação, indústria, extração mineral, usinassucroalcooleiras e agricultura. Entre os dias03 e 13 de julho, foram expostos e negociadosos lançamentos W170B e W190B (páscarregadeiras),E50.2SR (miniescavadeira), e175B (escavadeira hidráulica), além dasconceituadas L90 4x2 (retroescavadeira) e 12B(pá carregadeira). Para o gerente Comercial daCotril, Ricardo Lemos, o PAC (Programa deAceleração do Crescimento) gera umcrescimento considerável na venda demáquinas e equipamentos de construção. "Omercado está em ebulição por causa dessasobras.As miniescavadeiras e retroescavadeirasservem bem para o uso em lugares fechados,com limitações restritas e obras que requeremagilidade", afirma. Ele destaca também que,por causa do desenvolvimento do Estado emdiversos setores, inclusive agropecuário, asmáquinas estão em alta para atender asdiversas demandas.26 CANAL

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