investimentos - Canal : O jornal da bioenergia

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investimentos - Canal : O jornal da bioenergia

Cartado editorMirian Toméeditor@canalbioenergia.com.brDois anos de conquistas20 RETROSPECTIVA: CANAL 2 ANOSConfira algumas das principais reportagens veiculadas no CANAL ao longo de doisanos de cobertura jornalística focada na produção de bioenergia e assuntos afins.paulo venturinifábio pozzebom/abr16 INVESTIMENTOS DA PETROBRASEmpresa brasileira e a japonesa Mitsuiinvestirão US$ 227 milhões no primeiroComplexo Bioenergético (CBio). Projeto prevêuma produção anual de 200 mil m3 de etanol.14 ORGANIZAÇÃO DA BIOENERGIARoberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura,propõe aos Estados da Região Centro-Sul acriação de uma estrutura nacional decoordenação do setor de bioenergia.Nesses dois anos de trabalho jornalísticopautado na ética e na qualidade da informação,o CANAL, Jornal da Bioenergia, cresceu eamadureceu como veículo de informaçãosegmentada. A abordagem torna-se a cada diamais ampla, diversificada e aprofundada, massem nunca perder o nosso foco principal, aprodução, o uso e o mercado de etanol, obiocombustível que transformou o Brasil e quetem todas as condições de ajudar o mundo adiminuir a dependência do petróleo.Ao comemorarmos esses dois anos decirculação, reafirmamos o compromisso desermos uma referência em informação dequalidade, sempre antenados com os fatos etendências mundiais relacionados direta ouindiretamente à bioenergia. Nesta ediçãocomemorativa, por exemplo, uma das matérias dedestaque tem como tema as mudanças climáticas,que concentram as atenções da mídia e doscientistas em todo o mundo. A reportagemmostra o que está sendo feito pela pesquisa paraque os impactos sobre a agroenergia e a produçãode alimentos sejam minimizados.As vantagens e desvantagens do lançamentode ações na Bolsa de Valores e os investimentose parcerias para a produção de etanol, entrevárias outras notícias, também são assuntosimperdíveis.Boa leitura. Obrigada pela sua companhianesses 2 anos.stock.xhng06 ENTREVISTA: PLÍNIO NASTARIPresidente da Consultoria Datagro,em entrevista exclusiva ao CANAL, explicaporque o cenário para os biocombustíveis,especialmente o etanol brasileiro,é promissor neste momento.32 ABERTURA DE CAPITALLançar ações no mercado de capitaisé uma alternativa de captação derecursos mais barata e lucrativa,mas requer novas atribuições.Assine o CANAL, o Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível nainternet no endereço: www.canalbioenergia.com.br e no www.sifaeg.com.brCANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41DIRETOR EXECUTIVO: César Rezendediretor@canalbioenergia.com.brGERENTE ADMINISTRATIVO: Fernanda Oianoopec@canalbioenergia.com.brGERENTE DE ATENDIMENTO COMERCIAL:Beth Ramos comercial@canalbioenergiaEXECUTIVOS DE ATENDIMENTO:Marcos Vaz e José Pedro de Azevedocomercial@canalbioenergiaDIRETORA EDITORIAL: Mirian Tomé DRT-GO - 629editor@canalbioenergia.com.brEDITOR: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694redacao@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Rhudy Crysthian,Evandro Bittencourt e Mirian ToméDIREÇÃO DE ARTE: Pauliana Caetanoarte@canalbioenergia.com.brASSISTENTE DE ARTE: Fábio AparecidoBanco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira deSão Paulo - www.unica.com.br, SIFAEG - Sindicato da Indústria deFabricação de Álcool do Estado de Goiás - www.sifaeg.com.br,Canal On Line www.canalbioenergia.com.brREDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno - Goiânia - GO- Cep 74 230-100 Fone(62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084email: canal@canalbioenergia.com.brTIRAGEM: 12.000 exemplaresIMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.brCANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos eopiniões emitidos nas reportagens e artigos assinados. Eles representam,literalmente, a opinião de seus autores. É autorizada a reprodução dasmatérias, desde que citada a fonte.


ENTREVISTA - Plínio Nastari, presidente da DatagroOportunidade nos EUAPARA O ANALISTA PLÍNIO NASTARI, NUNCA AS CHANCES DE ACESSO AO MERCADO DEETANOL NOS EUA FORAM TÃO BOAS, DEVIDO AOS PREÇOS ELEVADOS DOS COMBUSTÍVEISMírian ToméOpresidente da consultoriaDatagro, Plínio Nastari, semostra otimista em relaçãoà boa fase vivida pelosetor de bioenergia. Na entrevista aseguir, ele destaca que nunca o Brasilteve chances tão reais de conquistaro mercado norte-americanoe faz um alerta: os produtores deetanol devem, para o bem de seu própriomercado, transmitir à sociedadeos avanços que têm atingido na produçãosustentável do biocombustivel.Veja a entrevista concedida com exclusividadeao CANAL.Quais os cenários para os biocombustíveisdiante das críticas internacionaiscontra o etanol?O cenário continua muito promissor.As críticas colocadas contra osbiocombustíveis acabaram atingindoaqueles produzidos a partirde matérias-primas que afetam,direta e indiretamente, a produçãode alimentos: o etanol, a partir demilho e trigo, e o biodiesel de óleode soja. O etanol de cana, assimcomo a promessa do etanol de celulose,foram isentados da culpapor este tipo de impacto, e a mídiainternacional está bem esclarecidaa respeito da visão do meio científicoe acadêmico a este respeito.Qual o papel dos produtores e o queo governo federal precisa fazer?Os produtores de etanol devem,para o bem de seu próprio mercado,transmitir à sociedade os avançosque têm atingido na produçãosustentável do biocombustivel, dospontos de vista econômico, social eambiental. Cabe ao governo federalcombater a má informação,aquela que advém de má-fé, e temcunho protecionista, bem comodefinir parâmetros de avaliação sócio-ambientalque façam sentidopara a realidade brasileira. De concreto,todos devem trabalhar paraque não haja discriminação contrao etanol de cana produzido no Brasil,que é reconhecido mundialmentecomo o mais competitivo.Não falta uma postura mais próativa por parte do Brasil para romperpreconceitos e informar melhordiante da discussão da produção dealimentos e biocombustível?Concordo plenamente, e uma maneirade deixar a linha reativa epartir para uma ação pró-ativa deeducação e promoção comercialpassa pelo estabelecimento decritérios de certificação que façamsentido para a realidade brasileira.Muitas empresas já estãofazendo um trabalho muito interessante,mas ainda falta integraçãoe uma visão coordenada sobrequais devem ser os parâmetros emetas a serem atingidas.Quais são as chances reais de oBrasil conseguir que os EstadosUnidos acabem com as tarifas impostasao etanol produzido aqui?Nunca as chances de o Brasil terum acesso para o mercado de etanolnos EUA foram tão positivas.Os EUA sofrem hoje com os preçoselevados de gasolina e etanol demilho, e não se deve esperar que opreço do milho volte, no médioprazo, aos níveis de 2,1 USD porfoto: divulgaçãoQuando os importadores de etanol do Brasilpassarem a remunerar mais o álcool certificado,haverá uma corrida para que sejam atingidos oscritérios mínimos de sustentabilidade.bushel, mantendo-se no mínimoem 4 USD por bushel. Isso significaque o preço do etanol mudoude patamar, e para este mercadocontinuar expandindo de formasaudável é fundamental que o importadoproduzido a partir de cana,não só do Brasil, mas tambémde outros países amigos dos EUA,tenham um acesso mais facilitado.A consciência sobre este fatoestá crescendo, e esta é a hora denegociar um amplo acordo quegaranta o acesso do etanol brasileiroàquele mercado, de formaorganizada, entendendo que nãose pode imaginar uma situaçãoem que a indústria norte-americanafique muito ameaçada.Qual presidente eleito dos EstadosUnidos será mais parceiro do Brasilnessa área de bioenergia, BarackObama ou Jonh MeCain?Pelas declarações que circulamatualmente, McCain parece sermais liberal, e menos protecionista.No entanto, desde que se tornoucandidato único do partidodemocrata, temos observado umapostura menos protecionista emais equilibrada de Obama. Hámuitos interesses em jogo, e umdeles, muito importante, é o dasempresas de petróleo, que são hojeas maiores importadoras deetanol do Brasil. Esta é uma variávelque nenhum candidato deixaráde levar em conta.O desenvolvimento sustentável éprimordial para qualquer segmentoprodutivo. No setor de bioenergia,nem todos os agentes dessa cadeiaprodutiva parecem empenhados emfazer o dever de casa. Qual a saída?Há uma consciência cada vezmaior a este respeito no setor sucroalcooleiro.A solução passa pelomercado. Quando os importadoresde etanol do Brasil passarema remunerar mais o álcoolcertificado, haverá uma corridapara que sejam atingidos os critériosmínimos de sustentabilidade.Falta apenas haver um acordo sobrequais eles são.Quais as chances reais do programabrasileiro de biodiesel?O programa do biodiesel tem padecidoda falta de entrega de produto,aos preços contratados emleilão. Isso desmoraliza o programa,e compromete as metas definidaspelo governo, colocando aPetrobras numa situação muitodelicada, e que ela não merecesofrer. É preciso coragem nestemomento para punir os agentesque tem atrapalhado este mercado,e premiar aqueles que têmtrabalhado direito.As pesquisas brasileiras na área debiocombustíveis estão na vanguardaou começam a perder terreno?Há muito dinheiro sendo gasto forado Brasil em etanol de celulose,mas isso não quer dizer que estamosparados. Há muito o que serfeito, em R&D de etanol de celulose,em etanol de cana, e noaproveitamento deste etanol namobilidade do futuro. Temos queinvestir pesadamente na adaptaçãodo etanol aos veículos híbridose a células a combustível.06 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


“A decisão empresarial decultivar pinhão-mansocoincide com a busca denovas opções para a produçãode óleo em patamaresde rendimentos maiscompetitivos.”Frederico Durães, chefe-geral da EmbrapaAgroenergia - junho de 2008“Temos informações deespecialistas europeus emenergia de que haverá umaqueda muito grande nasreservas de petróleo a partirde 2015. Com isso, tanto oetanol como o biodieselterão uma ascensão naturaljunto aos mercadosinterno e externo.”“Temos de conciliar o interesse privado em expandire gerar renda e lucro com o interesse da sociedadede proporcionar um desenvolvimento sustentável.”abr/roosewelt pinheiroFrancisco Barreto, presidente daBionasa - março de 2008“É importante conscientizar a populaçãode que os benefícios do etanol não serestrigem apenas ao bolso, é precisoreforçar a imagem de que o produto émuito menos poluente.”Maurício Sampaio, presidente daAssociação Brasileira de MarketingRural -janeiro de 2008“Os EUA estão mais preocupadoscom segurança energética, a Europa comquestões ambientais e o Brasil comeletricidade de biomassa.”Marcos Jank,Presidente da Unica - Abril 2008Manoel Bertone, Secretário de Produção e Agroenergia doMinistéio da Agricultura e Abastecimento - julho de 2008“Estimativas indicam que, sóem fotossíntese, a Amazôniaproduziria em energia o queo mundo gasta hoje. Será quenós não somos capazesde pesquisar algumaforma de aproveitamento departe dessa energiaproduzida, através da celulose,por exemplo?”Alysson Paulinelli,ex-ministro da AgriculturaSetembro de 2007fotos: divulgaçãoO mundo está repensandosua forma de gerar energia,buscando novos meios, e abioenergia é um doscaminhos mais prováveis paraessas mudanças.Marcelo Miranda, Governador doEstado do Tocantins - julho de 2007“O Brasil tem no momentouma responsabilidade muitogrande. Estamos no umbralda mudança da civilização,do produto fóssil para orenovável.”Roberto Rodrigues, co-presidenteda Comissão Interamericana doEtanol - agosto de 2008“Existe a necessidade deencontrar mercado para todaessa produção crescente deálcool e açúcar.”Pedro Luciano Pena, Responsávelpelo escritório do FórumNacional Sucroalcooleiro -março de 2007“A produção debiocombustíveis vai ajudar aagricultura familiar, no casodo biodiesel, e a agriculturacomercial, no caso doetanol”.Antônio Delfim Netto, ex-ministroda Agricultura e Planejamento -setembro de 2007“O Brasil precisa sair dodiscurso e ter açõesespecíficas na área deprodução de biodiesel.”Irenilza Alencar Naas, presidente daComissão Internacional deEngenharia Agrícola -outubro de 2006“Se tem muito álcool,você exporta, e se tempouco, reduz aexportação, montandoum equilíbrio de formaque os preços sejamremuneradores.”Ângelo Bressan Filho,diretor do Ministério daAgricultura - novembro de2007“O melhoramento genético nunca chega ao final.Isso porque os materiais são dinâmicos, e também há dinamismoem relação às doenças que atacam esses materiais.”André Luís Tomazela, supervisor da EstaçãoExperimental de Conchal, da CanaVialis - dezembro de 2006abr/antonio cruz08 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


Seminário de políticas degestão da qualidade do soloA Aesas, Associação Brasileira dasEmpresas de Diagnóstico eRemediação de Solos e ÁguasSubterrâneas, realizará nos dias 24 e25 de setembro deste ano, a 6ª ediçãodo Seminário de Políticas de Gestão daQualidade do Solo e das ÁguasSubterrâneas, no Centro Britânico, àRua Ferreira Araújo, 741, Pinheiros,São Paulo. O evento é voltado paraempresários, gestores, pesquisadores,técnicos e órgãos do governo ligados àtemática ambiental, em especial àágua e ao solo. "Encontrar, trabalhar eexpôr políticas que promovam agestão da qualidade da água e do solo,a fim de que os Objetivos deDesenvolvimento do Milêniopropostos pela ONU sejamcumpridos, é uma das metas para esseseminário", explica Jacinto CostanzoJúnior, presidente da Aesas.Ainda segundo ele, a promoção demesas-redondas e o aprofundamentode conhecimentos técnicos nesseâmbito possibilitam que pessoasligadas a atividades focadas emconsultoria e gestão ambientaispossam se reciclar e ter contato comexperiências de sucesso. A 6ª edição doSeminário tem como meta apresentarà sociedade e às empresas públicas eprivadas as diferentes faces da gestãoda qualidade ambiental do subsolo,englobando os enfoques de órgãosreguladores, indústrias, consultorias epesquisadores renomados no assunto.américo joséParceria para produzir etanolde segunda geração no BrasilBuscar parcerias com empresas eentidades brasileiras visando a produçãode etanol de segunda geração está entre osobjetivos da empresa Coskata. O vicepresidentede novos negócios da empresa,Wes Bolsen, esteve no Brasil no mêspassado e tratou do assunto na Unica. Oetanol de segunda geração é obtido, porexemplo, a partir de insumos como obagaço e a palha da cana-de-açúcar.Aempresa norte-americana já haviaapresentado sua tecnologia ao presidenteda Unica, Marcos Jank, durante visita doexecutivo brasileiro à sede da empresa emWarrenville, no Estado de Illinois (EUA),no mês de maio.Agora, foi a vez de orepresentante da Coskata visitar a Unica.A tecnologia da Coskata utiliza qualquermatéria-prima que contenha carbono,incluindo gramíneas, pedaços de madeira,resíduos agrícolas, como bagaço ou milho,e até pneus usados.Toyota investe em etanolCom uma previsão de moagem de cerca de4 milhões de toneladas de cana a ToyotaTsusho, trading da montadora japonesa,finaliza estudos para a construção de umausina de etanol em Itumbiara, Sudoeste deGoiás. O projeto da Toyota será em parceriacom a Petrobras e produtores de cana daregião. Elas serão sócias minoritárias, comcerca de 20% de participação cada uma. Osparceiros agrícolas responderão pela fatiarestante. Procurada, a Petrobras confirmouinteresse no projeto, mas não detalhou comoserão feitos os investimentos, que devemchegar a US$ 200 milhões.fotos: divulgaçãoAção ambiental da Usina SãoJosé da Estiva é destaqueNo dia 07 de julho, a CâmaraMunicipal de Novo Horizonte agracioua Usina São José da Estiva com oDiploma Beija-Flor, (foto) pelas açõesque a empresa desenvolve em prol domeio-ambiente. Representando a UsinaEstiva, estiveram presentes ao evento odiretor Sandro Cabrera e o coordenadorde gestão ambiental, Roberto Silva.Biocana completa 14 anosA Biocana -Associação deProdutores deAçúcar, Álcool eEnergia, localizadaem Catanduva, SP,comemorou no dia23 de junho o 14ºaniversário defundação. Aentidade, que atua pelo reconhecimentosustentável da agroenergia da cana-deaçúcarno cenário nacional, é presidida peloempresário, Luciano Sanches (foto). Sobreas metas da Biocana, o presidente afirma:"Vamos continuar evoluindo paraeliminar a queima da palha da cana epromover a abertura de mercadointernacional para o etanol,transformando-o em uma commoditie quetenha um mercado com liqüidez de fato.10 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


EVENTOA energia do conhecimentodivulgaçãoOKMBrasil 2008, Congressoanual da Sociedade Brasileirade Gestão do Conhecimento -SBGC, discutirá esse ano "A Energiado Conhecimento". Vem se investindoem empreendimentos de geração,transmissão e distribuição, maspouco se fala sobre o que há demais importante nas organizações:o seu conhecimento e as formas degeri-lo. Nos últimos anos, viu-seuma enorme dificuldade na formaçãoe retenção de talentos ligadosàs principais empresas do setor deenergia do País e o setor elétrico foium dos mais afetados. Isso aconteceu,principalmente, por dois motivos:grande número de aposentadoriasde técnicos experientes e, namaioria dos casos, as melhores condiçõesde trabalho encontradas porjovens talentos em empresas privadase outros setores do mercado dificultarama renovação dos profissionaisdo mercado. Com isso, aquelesque detêm o conhecimento adquiridocom a experiência de longosanos de trabalho têm cada vez menos"aprendizes", algo que preocupaos especialistas.Segundo Fernando Goldman,(foto) presidente do Pólo Rio de Janeiroda SBGC, hoje existe uma sériapreocupação em relação aoaprendizado organizacional e auma efetiva Gestão do Conhecimentoem empresas do setor deenergia, que engloba o setor elétrico."Antigamente, profissionais capacitadosqueriam trabalhar emempresas estatais, não só por contada estabilidade que ofereciam, maspor planos de carreira não tão focadosnos gerentes, amplas possibilidadesde desenvolvimento e bonssalários", afirma Fernando. Porém,com o passar do tempo, as empresasprivadas se tornaram mais promissoras,em especial para os engenheiros."Com isso, os novos profissionaisnão optam mais com tantafreqüência por ingressar nesse mercado,o que cria um vazio de conhecimento",explica.Durante o KMBrasil 2008, cujo focoda discussão será o conhecimentocomo item capaz de agregar valora uma organização, a mesa que discutiráo tema Energia será coordenadapelo engenheiro FernandoGoldman, que tem mais de 25 anosde experiência na área. Ele e importantespersonalidades do setor farãouma reflexão sobre a importância doconhecimento e seus processos parao setor de energia. Para isso, serãoapresentadas as visões de importantesagentes como Petrobras, ONS -Operador Nacional de Sistema Elétrico,Eletronuclear e do GESEL - Grupode Estudos do Setor Elétrico brasileiro.O evento será no período de27 a 29 de agosto de 2008, no HotelCentury Paulista - São Paulo.CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 11


OPINIÃOAs vantagens do biodiesel brasileiroDesde o mês de julho, de acordocom decisão do ConselhoNacional de Política Energética(CNPE), o percentual de biodieselque deve ser adicionado ao diesel comum,em todo o Brasil, subiu de 2%para 3%. Trata-se de um aumento tímido,que vai significar um acréscimode cerca de 400 milhões de litrosno volume demandado do biocombustívela cada ano. Nessa mesma direção,o ministro das Minas e Energia,Edison Lobão, já deu sinais deque existe a possibilidade de que ogoverno federal antecipe a adoção doB5 (com adição de 5% de biodiesel aodiesel comum) para 2010 - três anosantes do prazo atual.Esse movimento é importante parasinalizar ao mercado quais serãoos próximos passos do governo federalem relação aos biocombustíveis.Agora, é preciso ir além. Já está maisdo que na hora de se estabeleceruma cooperação entre o governo federale a indústria do biodiesel paraa elaboração de uma política clarapara o setor. O estabelecimento demarcos regulatórios é ainda maisimportante por se tratar de uma atividadeeconômica com forte presençado Estado, seja por meio de agênciareguladora ou no papel de maioracionista do principal player do mercado,a gigante Petrobras. Para umsegmento como o de biodiesel, queexige planejamento de médio e longoprazos, é fundamental que as regrasdo jogo estejam bem definidas.Só dessa forma será possível estruturaras atividades e os investimentosde toda a indústria.Com a adoção do B3, a demandapor biodiesel vai alcançar poucomais de 1,2 bilhão de litros ao ano. Aindústria está mais do que preparadapara aumentos ainda mais expressivosda mistura: a capacidade instaladado parque de usinas do País, atualmente,está em 2,5 bilhões de litrosde biodiesel ao ano.Antes que surja novamente qualquertipo de ilação precipitada ligandoo biodiesel brasileiro ao aumentomundial no preço dos alimentos, éimprescindível esclarecer que, noBrasil, não existe a dicotomia entrealimentos e biocombustíveis. O Brasilpossui - já deixando fora dessaconta toda a Amazônia e as reservaslegais - 321 milhões de hectares agriculturáveis.Desse total, somente 58milhões de hectares são utilizadospara todas as culturas.O Brasil é uma potência em relaçãoaos biocombustíveis: possui vastasterras agriculturáveis, tecnologia decultivo de ponta e uma das maioresprodutividades do mundo. Mais doque se orgulhar do biodiesel brasileiro,o País deve incentivar a incorporaçãogradual à matriz energética brasileiradessa nova fonte de energia - limpa,renovável e de grande potencialeconômico.Delmo Vilhena é membro doConselho de Administração daComanche Clean Energyfaeg/divulgaçãoCANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 13


AGROENERGIAOrganizar para ser líderEX-MINISTRO ROBERTO RODRIGUES FALA SOBRE AS PRINCIPAIS DIFICULDADES ESOLUÇÕES PARA A CRIAÇÃO DE UM MERCADO GLOBAL NO SETOR DE AGROENERGIAMesmo com todas as potencialidades,muitas delas exclusivas do Brasil, o setorde agroenergia precisa de "playersmundiais" para se consolidar comomercado. Ter mais países produzindo biocombustíveisé uma das condições fundamentais para que omercado global de agroenergia se consolide, disseo ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues,em palestra proferida no Seminário Cooperativistade Agroenergia, realizado no mês de julho na sededo sindicato das cooperativas goianas. O evento foipromovido pela Organização das Cooperativas doBrasil (OCB-GO).Segundo Rodrigues, só a entrada de novos paísesprodutores ajudará a dar garantias de abastecimentoem escala mundial. "Estive uma vez comum alto funcionário do governo japonês. Ele meperguntou a troco de quê o Japão, que possui umagrande dependência de petróleo, trocaria sua matrizenergética por etanol, se pouquíssimos paísesdominam a produção de álcool. Quem garantiria oabastecimento japonês em caso de crise no paísque domina essa produção?", comentou Rodrigues.Os outros desafios listados pelo também presidentedo Conselho Superior de Agronegócios da Fiespsão a mistura compulsória de biocombustíveis emcombustíveis fósseis – estratégia global dos paísesprodutores (em especial o Brasil) – e a eliminaçãode mitos sobre o setor, como o de que a produçãode biocombustíveis implica em redução da produçãode alimentos e provoca o desmatamento daAmazônia."Plantar cana na Amazônia é logisticamente idiotae agronomicamente burro", provocou RobertoRodrigues, sempre em tom irônico e bem-humorado.Ele explicou que a produção de agroenergia secaracteriza por plantas industriais que estejampróximas do campo para obtenção de matériasprimase não muito longe dos centros consumidoresdos combustíveis.Com projeções de vários indicadores de diferentesfontes públicas e de mercado do Brasil e domundo, Rodrigues explicou ao público do seminárioo contexto que justifica sua esperança no negócioda agroenergia. Para ele, o País "tem umachance histórica" de liderar o processo global deprodução de agroenergia.Essa liderança, no entanto, depende de umamelhor organização e de se estabelecer estratégiaspara esse mercado. "Do jeito que está hoje, não dá.O governo brasileiro tem diversos ministérios e órgãosdiretos envolvidos na questão da agroenergia,mas está tudo desordenado, sem coordenação",afirmou o ex-ministro, que já há algum tempodefende a criação de uma secretaria executivanacional para o setor. Devido àsdificuldades políticas de o governofederal avançar nessa coordenação,Rodrigues chegou a sugerirque os maiores Estadosprodutores de biocombustíveisdo País (da Região Centro-Sul), se mobilizassem para criaressa estrutura.“O governo brasileiro temdiversos ministérios e órgãosdiretos envolvidos na questãoda agroenergia, mas está tudodesordenado”Roberto Rodrigues, sobre a criação de umasecretaria executiva nacional para o setor14 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


Petrobras avança no etanolO coordenador de exportações de álcoolda Petrobras, engenheiro químico Paulo deTarso Costa, abriu a programação de palestrasdo Seminário Cooperativista de Agroenergiadando a posição da Petrobras nocontexto de desenvolvimento dos biocombustíveis.Costa disse que apesar dos avançosdo programa nacional de biodiesel dogoverno federal (que estabeleceu isençõesde PIS/Cofins para o chamado combustívelsocial), o setor continua refém da soja,principal matéria-prima na fabricação debiodiesel no país hoje.A alta da soja, segundo disse, estáatrapalhando o mercado de biodiesel noPaís", disse o engenheiro, informando quedas únicas três plantas industriais própriasda Petrobras, uma está parada (em MinasGerais) e as outras duas estão comatraso de funcionamento (na Bahia e Ceará).Os entraves do mercado, no entanto,não estão desestimulando a companhia aoperar com biodiesel, garante o engenheiroCosta. Segundo ele, a Petrobras criouuma empresa só para o setor: a PetrobrasBiocombustíveis.No casodo etanol,afirmouCosta, tanto omercado nacional(puxado peloscarros flex), quantoo mercado global,continuam aquecidos, oque tem motivado a Petrobrasa investir no setor. Costamostrou projeções de que nasafra de 2015/2016 o Brasil produzirá44 milhões de metros cúbicosde etanol, dos quais 33,6 milhões serãodestinados ao mercado interno e 9,8 milhõesexportados."Só a Petrobras pretende exportar 4,7milhões de metros cúbicos até 2012", afirmouo coordenador de exportações da estatal,citando a parceria da empresa com ajaponesa Mitsui para um projeto conjuntono chamado CBios (usinas que vão operartodo o complexo de bioenergéticos, gerandocombustíveis fósseis e alternativos).Revoluçãotecnológica na canaO engenheiro agrônomo e diretor da Canaplan,empresa de consultoria do setor sucroalcooleiro,Luiz Carlos Corrêa Carvalho, afirmaque a cana está passando por uma revoluçãode pesquisa e usos que vai levá-la a ser umadas melhores fontes de geração de energia, enão só matéria-prima para etanol e açúcar."Este ano, na análise de balanços das empresasque fizemos, descobrimos que só teve ganhosmaiores quem trabalhou a cana comocogeradora de energia e não só como combustível",afirmou.Carvalho destacou novas variedades de canacapazes de atingir alta produtividade energética(a chamada "cana energia"), formas de plantio,mecanização, uso de defensivos, integração delavouras (cana e soja) e outras características epráticas produtivas mais vantajosas da "novaenergia". Segundo um dos vários estudos comparativosmostrados pelo consultor, a cana produzidaem Goiás é uma das mais qualitativas domercado brasileiro. O Estado também apresentaum dos maiores índices de mecanização, atingindo60% das lavouras.CANAL com Edson Wander (OCB-GO)CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 15


INVESTIMENTOSPetrobras investe naprodução de biodieselCRIAÇÃO DA PETROBRASBIOCOMBUSTÍVEL VAIPROPORCIONAR AINTEGRAÇÃO DE DIVERSASÁREAS DA EMPRESAdivulgação/petrobrasRhudy CrysthianEm conjunto com o lançamentoda pedra fundamental que deuinício às construções da primeirausina de biodiesel da Petrobras,no mês passado, em Candeias, na Bahia,a empresa anunciou também a criaçãode mais duas plantas que, juntas, irãoproduzir 940 milhões de litros do combustívelpor ano em 2012. Em agosto,será a vez de Montes Claros, Minas Gerais,e Quixadá, no Ceará. Em quatroanos, a Petrobras pretende investir US$1,5 bilhão no segmento.Segundo o presidente da Petrobras Biocombustível,Alan Kardec, a empresa foicriada para promover a integração de diversasáreas da empresa em torno do temabiocombustíveis. Para o executivo,duas questões são fundamentais para acriação desta nova empresa. "A primeiraé a questão ambiental. A nossa contribuiçãodireta para a redução do aquecimentoglobal. Outro ponto é o empresarial.Somos uma empresa de energia e énossa obrigação aproveitar a oportunidadeque temos aqui. Sem falar na funçãosocial que vamos desenvolver a partirda agricultura familiar", comentouKardec à imprensa, na ocasião do lançamentoda usina na Bahia.A diretora de Gás e Energia da Petrobras,Maria das Graças Foster, salientou aexcelente localização da usina de Candeias."É um dos melhores pontos, perto domercado consumidor, perto do terminalda Transpetro em Salvador, perto de umaunidade de esmagamento de grãos, alémda relativa proximidade com os própriosagricultores familiares".A criação da Petrobras Biocombustíveis,empresa subsidiária da Petrobras,vai dar o ponta-pé inicial da empresa naprodução de biodiesel e acelerar os investimentosda estatal em novas destilariasde cana-de-açúcar no Brasil (vejamatéria na próxima página). Segundo adiretora de Gás e Energia da empresa, oobjetivo é ser líder na produção nacionalde biodiesel e ampliar a participaçãono negócio de etanol, com foco no mercadointernacional.16 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


CBIOs irão custar US$ 227 milhõesDepois de anunciada a decisãode investirem juntas no projeto deprodução de etanol a partir da cana-de-açúcare definirem Itarumã,em Goiás, como o município a recebero primeiro Complexo Bioenergético(CBio), a Petrobras e a japonesaMitsui definem agora omontante dos ativos aplicados e aprodução anual. Segundo a estatalbrasileira, serão investidos US$ 227milhões pelas duas companhias. Oprojeto prevê uma produção anualde 200 mil m3 de etanol, em umaárea de 32 mil hectares, com a geraçãode energia elétrica a partirdo bagaço de cana. O CBio Itarumãserá responsável pela produção dacana-de-açúcar, industrialização,comercialização do etanol e a geraçãode energia.Segundo a gerência de imprensada estatal brasileira, as duas companhiasdecidiram investir no projetoconsiderando "sua viabilidadeambiental e econômica diante dogrande potencial de exportação dePetrobras e Mitsui vão cultivar 32 mil hectares de cana em Goiásjoão fariaetanol brasileiro para atender asdemandas internacionais por energiarenovável e diversificação energética,para redução das emissõesde gás do efeito estufa".Outra proposta da Petrobras é aimplantação de microdestilarias, comparticipação direta de pequenosagricultores, em sistema semelhanteao de agricultura familiar. Os agricultoresfornecerão a matéria-primapara a produção do biocombustível eserão responsáveis pela operação dasmicrodestilarias, com capacidade deprodução de mais de 500 litros deetanol por dia. Mas ainda de acordocom a gerência de imprensa da estatal,a empresa prefere não fornecermaiores detalhes porque o tema aindaestá em fase de 'gestação'.OUTRAS INDÚSTRIASAlém da destilaria da Petrobrasem Itarumã, Goiás vai receber outrosdois investimentos dos gruposCabrera e ADM, em Jataí e em Itarumã,novamente. A ADM vai ser sóciada unidade de Jataí e terá participaçãotambém na unidade de Itarumã,no mesmo Estado. A empresa assinouum pré-acordo de sociedadecom o Grupo Cabrera. (veja mais detalhessobre essa parceria na colunaCanal Flex desta edição).A empresa norte-americana ADM(Archer Daniels Midland), uma gigantenas áreas de etanol e grãos, játem outros investimentos em Goiás.No município de Catalão, por exemplo,possui uma unidade misturadorade fertilizantes. Nos Estados Unidos,a empresa é responsável por 20% daprodução de álcool a partir do milho.As duas empresas não confirmam aparceria, mas a ADM afirma que enviaráexecutivos da companhia paratratar do assunto com a imprensabrasileira ainda este mês.CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 17


ESTADOS UNIDOSEtanol de milho não terá recuoUm grupo de 10 produtoresbrasileiros de milho,incluindo membros dadiretoria da AssociaçãoBrasileira dos Produtores de Milho(Abramilho) reuniu-se recentemente,em visita aos EUA, comtécnicos do Departamento deAgricultura daquele país.Do encontro, o presidente-executivoda Associação, OdacirKlein, disse ter tido certeza de queos EUA não recuarão na questãodo etanol de milho e de que, peloquadro mundial traçado pelo US-DA, com a demanda ascendentede proteína pelos países emergentes,a única saída para o Brasil seráproduzir mais milho, tanto parao consumo interno como paraexpandir sua participação nomercado internacional. "Temos destock.xhngDiante da certeza de que os EUA não deixarão de produzir etanol a partirdo milho, Brasil deve se preparar para atender ao mercadoperseguir o aumento de produtividade,incluindo a intensificaçãodo uso de recursos biotecnológicos,e trabalhar muito de pertocom a cadeia produtiva no Brasil,atendendo as necessidades da indústriade ração destinada à produçãode proteína", observou. Paraele, dessa forma, o Brasil ganharámesmo se diminuir o volumede exportações de milho innatura. "Nossa meta deverá ser abusca por exportação de milhocom valor agregado. Se ele seguirpara o mercado externo em formade proteína, melhor para oBrasil", assinalou.Em relação à questão do etanolamericano, Odacir levantou umaspecto sobre o qual pouco se temfalado. Do total de milho que osamericanos destinam à produçãode etanol, cerca de 30% constituemresíduo alimentar para animais."Eles retiram a energia, masreaproveitam o resíduo do milho,de alto valor protéico", informouo presidente da Abramilho.CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 19


EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIOCANAL, dois anosJá na primeira edição do CANAL, oJornal da Bioenergia, firmamos ocompromisso com os nossos leitoresde oferecer a melhor coberturada expansão sucroalcooleira e daprodução de biodiesel. E assim fizemos,qualitativa e quantativamente.Em todas as edições já publicadas,acompanhamos desde os investimentose as políticas públicas direcionadaspara a bioenergia, passando pelosavanços da pesquisa e os gargalos relacionadosà infra-estrutura e logísticade escoamento, até aspectos específicosdo setor produtivo, como aameaça das pragas que afetam asculturas e as tecnologias que promovemmelhorias de desempenho noprocesso produtivo.Confira abaixo algumas das principaisreportagens do CANAL publicadasmensalmente ao longo dessesdois anos de cobertura jornalística especializadano setor de agroenergia.Novembro 2006OURO DE MINASNa terceira edição do CANAL, o destaque foi MinasGerais, terceiro maior produtor de álcool e açúcar do Paíse um dos líderes na atração de novos investimentos nosetor sucroalcooleiro. Condições de clima e solofavoráveis e localização privilegiada, notadamente aRegião do Triângulo Mineiro e Vale doParanaíba, são alguns dos atrativosdo Estado, onde o governo, já em2006, buscava o ordenamento daprodução canavieira, de forma aproporcionar desenvolvimentoequilibrado, evitando a concentraçãode usinas em um mesmo município.Setembro 2006FOCO DE INVESTIMENTOSA primeira edição do CANAL, o Jornal daBioenergia, em julho de 2006, fez um amplolevantamento sobre a situação do Estado deGoiás em relação à agroenergia. O Estado foi oescolhido como destaque da edição por ser opólo de maior atração de investimentos na novafronteira da produção de etanol, tambémintegrada por Minas Gerais, Mato Grosso,Mato Grosso do Sul e Tocantins.A matéria detalhou as condiçõespropícias encontradas na região centraldo Brasil para a produção de cana- deaçúcar,os 37 projetos aprovados denovas usinas à época, os incentivosoferecidos pelo governo estadual e aimportância do alcoolduto para otransporte da produção.PREVISÃO DE PROBLEMAS COMA PRODUÇÃO DE BIODIESELNa Edição de número 2, o assunto de destaque foi oPrograma Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, à épocaainda incipiente. A reportagem já antevia alguns dosproblemas enfrentados na atualidade, como avalorização da soja no mercado mundial, aprincipal matéria-prima utilizada para a produção dobiocombustível. Diversos grupos nacionais e estrangeirosiniciavam seus investimentos em plantasindustriais espalhadas por todo o País.Dois anos depois, o setor vive odrama da falta de oleaginosas apreços de mercado competitivospara a produção do biodiesel, o quelevou muitas indústrias aparalisarem suas atividades. Aindaassim, o governo cumpriu a promessade antecipar metas, elevando para 3% oporcentual da mistura dobiocombustível ao diesel.Outubro 2006Dezembro 2006SAFRA CRESCENTE EM 2006O desempenho da safra nacional de cana deaçúcar em 2006 mereceu reportagem de capa naquarta edição do Jornal da Bioenergia. O aumentoda área colhida para cerca de 4,5 milhões dehectares (aumento de 12%), refletia a expansão dosetor, com o início da produção de várias novasusinas sucroalcooleiras em todo o País. A ocorrênciade alguns problemas localizados, como as restriçõesrelacionadas à queima da cana, trouxe custos etranstornos, mas nenhuma unidade chegou a parara moagem de cana devido à proibição da queima.20 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


formando opiniãoJaneiro 2007DIFERENCIAL COMPETITIVOAções de responsabilidade social eambiental desenvolvidas pelas empresasdo setor sucroalcooleiro foram o temaprincipal da quinta edição. Areportagem mostrou como a adoção deuma postura administrativa pautada naética e focada na preservação domeio-ambiente, na saúde, segurança eformação de seus trabalhadores podetrazer benefícios aos negócios. Trata-seda construção de uma imagem a serrefletida para o mundo, pois é esse operfil das empresas que alcançam osucesso nos mercados externos.A MOVIMENTAÇÃODOS INVESTIDORESVários grupos empresariais investemna construção de novas unidadessucroalcooleiras em vários Estados doBrasil, notadamente na RegiãoCentro-Sul, acompanhando a expansãodo mercado interno e as perspectivasde abertura das exportações. Este era ocenário do setor sucroalcooleiro emmarço de 2007, quando foi publicada a7ª Edição do CANAL, que detalhoualguns dos diversos empreendimentosem construção à época.Março 2007Maio 2007RESPONSABILIDADESÓCIO-AMBIENTALA construção de uma imagem positivado setor sucroalcoleiro passa peloaprimoramento das relaçõestrabalhistas, através da livre negociação.A melhoria das condições de trabalhodos rurícolas, paralelamente ao avançoda mecanização e o planejamento demedidas para redirecionar a mão-deobradispensada como conseqüênciadesse processo, são algumas das açõesde responsabilidade socialimplementadas pelas usinas. O tema foiretratado na matéria de capa da 9ªedição do CANAL.Fevereiro 2007SALTO NA PRODUÇÃODE CANA-DE-AÇÚCARNo início de 2007, os dirigentes do setorsucroalcooleiro e analistas de mercado jápreviam um aumento substancial da safra decana-de-açúcar e, conseqüentemente, de etanol.Com o título Horizonte de Oportunidades, a 7ªEdição do CANAL mostrava como a forteexpansão do setor criava um clima favorável àatração de investimentos diversos.As projeções positivas viriam se confirmarposteriormente, com a moagem de 431,1 milhõesde toneladas de cana-de-açúcar na safra2007/2008, aumento de 15,64% sobre as 372,8milhões de toneladas do ano anterior.Abril 2007VISITA DE BUSCH MARCA AAPROXIMAÇÃO DE OBJETIVOSA visita ao Brasil do presidente dos EUA,George W. Bush, para tratar com opresidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silvado desenvolvimento de um mercado globalde etanol foi um passo histórico rumo àtransformação do biocombustível emcommodity. O encontro chamou a atençãodo mundo para a disposição dos dois paísesde disseminar a tecnologia de produçãoentre nações com potencial para a produçãode álcool a partir da cana-de-açúcar.MECANIZAÇÃODAS LAVOURASO avanço da mecanização na colheitada cana-de-açúcar mereceu destaque na10ª edição do CANAL. Uma amplareportagem sobre o tema mostrou osmotivos que desencadearam esseprocesso, analisou as tecnologiasdisponíveis e a reconfiguração domercado de máquinas, pressionado pelocrescimento da demanda.Junho 2007CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 21


Julho 2007A BIOENERGIA NONORTE DO PAÍSAs potencialidades do Estadodo Tocantins para a produção debioenergia, a destinação da glicerinaresultante do processo de produção dobiodiesel e o perigo que a cigarinharepresenta para os canaviais foram asprincipais reportagens da 11ª edição. Emlonga entrevista concedida comexclusividade ao CANAL, o governador,Marcelo Miranda, explicou os incentivosconcedidos pelo Estado para atrair novasempresas e a preocupação de conciliardesenvolvimento com sustentabilidade.DIFICULDADES NOMERCADO DE AÇÚCARA situação do mercado de açúcar em2007 e as perspectivas de remuneração parao produto foram abordadas na 13ª ediçãodo CANAL. A reportagem mostrou que, nodecorrer do ano, em vários momentos, opreço de mercado ficou abaixo dos custosde produção. E revelou ainda como cadausina, em situações como essa, adotaestratégias próprias para enfrentar um ciclode mercado adverso.Novembro 2007AUMENTO DO CAPITALESTRANGEIRO NO SETORA crescente participação do capitalestrangeiro no setor sucroalcooleiro nosúltimos anos foi o destaque da edição denúmero 15. A reportagem mostrou queessa participação saltou de 5,7% para12%, em um prazo de apenas um ano.Os efeitos positivos dessesinvestimentos, num mercado altamentepulverizado, em que o fortalecimentodepende de capital abundante, foramcomentados por alguns dos maisrespeitados analistas do setor.Setembro 2007Dezembro 2007Agosto 2007BIOMASSA, FONTEESTRATÉGICA DE ENERGIAA produção de bioeletricidade nas usinassucroalcooleiras e o amplo potencial que abiomassa representa como fonte estratégica deenergia para o Brasil foram os destaques daedição número 12. As entrevistas com osprincipais agentes desse segmento retrataram aatual situação da produção de bioenergia noBrasil, as dificuldades relacionadas àcomercialização deste produto no setor e osfrutos que já são colhidos pelas indústrias queapostaram na cogeração de energia.DEFICIÊNCIAS DE LOGÍSTICAE ESCOAMENTO DA PRODUÇÃOAs deficiências de infra-estruturapara escoamento da produção de etanole açúcar e para a distribuição da energiaproduzida a partir da cogeração nasusinas foram os assuntos abordados na14ª Edição do CANAL. A reportagemmostrou que as condições paratransporte dos produtos agrícolas estãoaquém da necessidade e apontou osdemais gargalos que representamentraves à expansão da produção debiocombustíveis e das matérias-primasutilizadas para a sua fabricação.Outubro 2007RETOMADA DEINVESTIMENTOSSuperado o breve período de retração oureavaliação dos investimentos em usinas deprodução de álcool e açúcar, o setorsucroalcooleiro voltou a mostrar vigor econfiança na expansão do mercado de energiasrenováveis. Levantamento do CANAL mostrouque havia 98 projetos de instalação de novasusinas programados apenas para Goiás à època.Somados aos dos demais Estados consideradosnovas fronteiras para a produçãosucroalcooleira - Minas Gerais, Mato Grosso eMato Grosso do Sul - os projetos chegavam a198 novas unidades.22 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


Janeiro 2008Maio 2008Julho 2008BIOGÁS, ENERGIA AINDAPOUCO APROVEITADAA coleta de biogás e a produção deenergia elétrica nos aterrossanitários brasileiros foram osassuntos de destaque da 17ª edição doCANAL. A reportagem mostrou ogrande potencial inexplorado e asvantagens de aproveitamento dosresíduos sólidos urbanos (RSUs), comoa redução de gases do efeito estufa e aconseqüente possibilidade decomercialização de crédito decarbono. A matéria mostrou quaisempreendimentos já se encontravamem atividade no Brasil e a capacidadeinstalada de geração de energia.PREVENÇÃO E CONTROLEDE PRAGAS DA CANAA expansão da cultura dacana-de-açúcar nas novas fronteiras deprodução canavieira deve estaracompanhada de cuidados preventivospara evitar que as principais pragas dacultura se disseminem nessas áreas,mostrou a reportagem de capa da 19ªedição do CANAL. Em amplareportagem sobre o tema, foramrelacionados os insetos e doenças querepresentam ameaça à cultura e quaisas providência necessárias para garantira fitossanidade nas lavouras.Março 2008O DESAFIODE EXPORTARA conquista de novos mercados para oetanol no exterior e a ampliação dos jáexistentes foi o tema da 21ª edição doCANAL. A reportagem mostrou asprojeções de aumento da exportação e osmotivos da melhora de desempenho emrelação a anos anteriores. A matériadestacou ainda as dificuldades paratransformar o produto em commoditye ea intranqüilidade que representa para osprodutores o mercado spot, onde asvendas são realizadas sem que haja ummaior planejamento, e no qual ainda sãorealizadas a maioria das vendas dobiocombustível brasileiro.ESTRADA PARAO ETANOLA construção do trecho daFerrovia-Norte-Sul entre Palmas(TO) e Uruaçu (GO), comconclusão prevista para 2010, foidestacada na edição número 23do CANAL. A reportagem reveloua existência de estudos para ainstalação de 44 usinassucroalcooleiras ao longo daferrovia, que servirá aoescoamento a baixo custo deetanol e açúcar, aumentando acompetitividade desses produtosno mercado externo. A matériainformou ainda que só em Goiásserão criados mais cinco pólos decarga, nos municípios deAnápolis, Uruaçu, Santa Isabel,Porangatú e Jaraguá.Fevereiro 2008FERROVIA NORTE-SULPASSO-A-PASSOO CANAL vem acompanhandoregularmente o andamento das obras daFerrovia Norte-Sul e na edição de número18 informou sobre a construção do trechode 280 quilômetros entre Ouro Verde eUruaçu, no Estado de Goiás. A matériadestacou a importância da via férrea parao transporte da produção agrícola em suaregião de influência, como a diminuiçãodos custos com o frete em até 30% e aredução do movimentode caminhões sobreas rodovias.Abril 2008PRODUÇÃO DE CANAEM CRESCIMENTODesde o início da colheita da cana,em abril de 2008, na RegiãoCentro-Sul, onde se concentram 86%da produção nacional, analistas demercado e levantamentos da Conabapontavam aumento significativo daprodução. À época, as primeirasestimativas indicavam umcrescimento de até 10%, mas com aevolução da colheita, a União daIndústria da Cana-de-Açúcarredimensionou as previsões para 16%,chegando a aproximadamente 498milhões de toneladas.CERTIFICAÇÃO PARAOS BIOCOMBUSTÍVEISA criação de um projeto de certificaçãointernacional para os biocombustíveis, lideradopelo governo alemão, por meio do Ministério deAgricultura, Alimentação e Proteção aoConsumidor e da Agência de RecursosRenováveis (FNR), foi a reportagem decapa da 22ª edição do CANAL. A matéria,produzida na Europa, mostrou osprincipais marcos regulatórios sobre oassunto em vigor nocontinente e na Alemanha, paísque, com a sua iniciativa,mostrou ser a certificação algomenos complicado do quepossa parecer.Junho 2008CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 23


MENSAGENS"Parabenizo o jornalCANAL pela amplacobertura destinada aosegmento deagroenergia. Trazer aoconhecimento de todos,com conteúdoqualificado, o que demais importanteacontece na indústriasucroalcooleira do Brasilcertamente contribuipara o desenvolvimentodo setor".Marcelo Junqueira,CEO da Clean Energy Brazil“Parabéns para esse veículo quecom um jornalismo sério ecompetente tem sido literalmenteum CANAL entre o setorprodutivo e a sociedade.”André Rocha,Presidente executivo do SIFAEG/SIFAÇÚCAR"Parabéns pelos doisanos de uma publicaçãoséria e que já se mostramadura, com assuntosque envolvem o setorsucroalcooleiro,nacionalmente!Luiz Custódio Cotta Martins,Presidente SIAMIG-MGA Tria Assessoria emMarketing e Comunicaçãoparabeniza o CANAL emnome de toda a sua equipe eclientes pelos dois anosde informações queenriquecem o dia-a-dia dosseus leitores, refletindo umtrabalho ético movido pelaenergia da notícia!Parabéns!joão fariaVejo o CANAL como umadas principais publicaçõesdo setor produtivonacional. É também umaoportunidade de negóciospara empresasinteressadas na produçãode agroenergia. Temosuma parceriacom resultadossatisfatórios.Wesley Carvalho Souto,Presidente da Via Hidráulica.“O CANAL, Jornal da Bioenergia, tem hoje uma penetraçãonacional. Tido por todos como uma publicação séria erespeitada, chegando às mãos dos grandes formadores deopinião e, com isso, consegue ajudar o setor sucroalcooleiro ase firmar de maneira positiva. Parabéns. Vocês confirmama grandeza de seus ideais e de suas competências,através da portentosa obra que estão realizando afavor da bioenergia brasileira.”Igor Montenegro C. Otto, Administração e RI Grupo USJ“Elegemos o CANAL –Jornal da Bioenergia paradivulgar os produtos Volvo eo Viking Center VolvoSuécia, uma das filiais daSuécia Veículos,concessionária Volvo emGoiás, Tocantins e TriânguloMineiro. Estamos de olho noperfil do exigente leitordeste veículo. Parabénspelos primeiros dois anosde existência. Contamoscom esta excelentepublicação, pois nossaparceria é para sempre!”Paulo César ,Gerente Suécia Veículos-Volvo“Acreditamosno CANAL,desde asprimeirasedições, poissabíamos que oresultado seria umsó: sucesso.”Alvicto Ozores Nogueira,Diretor da A&S Máquinas Agrícolasfotos: divulgaçãoÉ um orgulho estarcom vocês desde a 1ªedição, tanto por seranunciante, tendoretorno comercialcom o veículo, como tambémpela importante divulgação queeste conceituado jornal faz parao setor de bioenergia. O CANALé hoje referência nacional, comconteúdo de primeiraqualidade. Sucesso e parabéns.Domingos Pereira de Ávila Jr, CotrilMáquinas Diretor Comercial"Parabenizo o CANAL – Jornalda Bioenergia. Composto poruma equipe competente epautado na ética e seriedade,ele é sem duvida um dosmeios de comunicação maisimportantes do segmento.“Charles André de Oliveira,Diretor de Operações - Parafusolândia" Nessa data tão especial,nós da equipe Serquímicaqueremos fazer umbrinde em homenagemao CANAL da Bioenergia.Sucesso Sempre!"24 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


PALAVRA DO ESPECIALISTAEscassez de alimentos é passageira?São muitas as variáveis que contribuírampara a atual situaçãode escassez de alimentos. Queremtransformar a produção de bioenergiano vilão desta história, mas elaé apenas uma das variáveis que veioagravar uma situação que já vinha seconcretizando desde 2001. Essa crise éum desequilíbrio entre a oferta e a demandamundial dos três principais tiposde grãos consumidos no mundo:trigo, milho e arroz. Juntos, eles correspondema cerca de 1,8 bilhão de toneladaspor ano, representando 88,5% dototal de grãos produzidos que, efetivamente,tiveram seus estoques mundiaisreduzidos em 199 milhões de toneladasentre 2001 e 2007.O quarto produto de importânciana alimentação mundial é a soja, quecorresponde a cerca de 11,5% desta demanda.Mesmo apresentando uma posiçãoconfortável de estoque no momento,os preços da soja foram elevadosem decorrência da interação dosmercados. No caso do Brasil, temosque incluir o feijão como um dos produtosda alimentação básica que, apesarde não fazer parte do contexto doconsumo mundial, sofreu grande elevaçãode preços devido a problemas deprodução interna em 2007.Essa crise é causada por problemasestruturais, de solução a médio e longoprazos, e por fatores conjunturais,como os problemas climáticos. Dentreos fatores estruturais, o que pareceser de mais difícil solução são os subsídiosconcedidos pelos países e continentesdesenvolvidos, como os EstadosUnidos e a Europa. Eles dificultamum livre mercado mundial degrãos, foram os responsáveis pelosbaixos preços internacionais nos anosde 2004 a 2006 e, conseqüentemente,pela redução na produção dos paísesque não subsidiam seus produtores,como é o caso do Brasil. Já na questãoda demanda, o aspecto estruturalmais importante é o consumo, cujatendência é de aumentar, principalmenteem países com elevadas taxasde crescimento econômico e muitopopulosos, como a China e a Índia.Para agravar este contexto de ofertae demanda de grãos, tivemos nasduas últimas safras o crescimentomuito acentuado do consumo de milhonos Estados Unidos para a produçãode etanol. A conseqüência destecenário é uma grande insegurançaem todo o mundo quanto à disponibilidadede alimentos. Ele também gerauma discussão desfocada da realidadedos problemas.Discussão que não abarca, por exemplo,a concentração de renda no mundoe a alta excessiva nos preços dos insumos.Essa alta irá inibir um maior crescimentona produção de grãos nas próximassafras. Isso fará com que os preçosse mantenham em níveis elevados,fora do alcance das populações mais carentes,que sofrem com a grande concentraçãode renda.Pedro Arantes é economista eanalista de mercado da Federaçãoda Agricultura e Pecuária deGoiás (Faeg)faeg/divulgaçãoCANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 25


MUDANÇAS CLIMÁTICASAmeaça àagroenergiaPESQUISADORES DEINSTITUIÇÕES DO BRASILE DE OUTROS PAÍSESUNEM ESFORÇOS PARAPREVER ALTERAÇÕES ETENTAR EVITAR IMPACTOSNA AGRICULTURAEvandro BittencourtAs mudanças climáticas são uma realidadeconstatada por cientistas em todo o mundo.Os estudos estão voltados para os efeitosno regime de chuvas, nos oceanos e emuma das áreas produtivas mais sensíveis e vitais paraa vida humana: a agricultura. No Brasil, uma redeformada por dezenas de pesquisadores de diversasinstituições públicas e parcerias com centros internacionaisque investiga o problema, trabalha nosentido de prever e evitar os efeitos negativos dofenômeno.Os esforços ganham importância em razão de asmudanças afetarem diretamente a produção de alimentos,a agroenergia, a biodiversidade e a populaçãomundial como um todo, já que a sobrevivênciahumana na terra depende de uma agricultura produtiva,capaz de atender à demanda mundial e promovera segurança alimentar. A cada dia, as mudançasclimáticas ganham mais espaço na mídia e a elaé atribuída a possível culpa por uma série de catástrofesnaturais no nosso planeta. A má notícia é queo aumento das temperaturas, um dos fatores de maiorimportância na relação da produção de alimentoscom o clima, já está cientificamente comprovado.Conforme os cenários previstos pelo Painel Intergovernamentalde Mudanças Climáticas (IPCC),as mudanças de temperatura, na média, poderiamocorrer entre 1°C, numa visão otimista, e 4°C, numavisão pessimista, num período de 100 anos. O IPCCchegou a considerar uma elevação de 5,8°C, mas reduziuesse limite por ser esta uma possibilidadeconsiderada catastrófica pelos cientistas e poucoprovável. "Se viesse a acontecer, tornaria a vidamuito difícil, pois resultaria em temperaturas até10°C maiores, o que na prática é uma diferençamenor entre as temperaturas do dia e da noite,com maior variação da temperatura mínima, ouseja, noites e madrugadas mais quentes", explicao chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária,Eduardo Delgado Assad."Embora o IPCC tenha reduzido as projeções, como aumento de 4°C os efeitos também seriam grandes",afirma o pesquisador Jurandir Zullo Júnior, diretordo Centro de Pesquisas Meteorológicas e ClimáticasAplicadas à Agricultura (Cepagri) da UniversidadeEstadual de Campinas, que assim comoEduardo Assad e suas respectivas instituições, participamdas pesquisas.AGROENERGIAO impacto das mudanças climáticas sobre asenergias renováveis no Brasil é o foco de uma pesquisapatrocinada pela Petrobras e coordenada pelopesquisador Carlos Nobre, do Centro de Previsão deTempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do InstitutoNacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Diversas outrasinstituições estão envolvidas, como a EmbrapaInformática Agropecuária (Campinas, SP). Os efeitosnas culturas de agroenergia estão sendo analisadospela Embrapa, em parceria com o Cepagri. Oprojeto tem vários componentes, com destaque parao meteorológico, o agrometeorológico e o de tecnologiada informação.foto montagem com imagens da stock.xchng26 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


“O Brasil é o quarto maioremissor de CO2 nomundo. Basicamentedevido às queimadas edesmatamentos. Separarmos o primeiro ediminuirmos o segundo,deixamos de ser vilão epassamos a ser mocinho”.Eduardo AssadChefe-geral da Embrapa Informática AgropecuáriaMamona, girassol, milho e canola serão muito afetadosO chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária,Eduardo Delgado Assad, em entrevistaexclusiva ao CANAL, diz que os resultados dos estudosainda são preliminares, mas que já é possívelafirmar que as Regiões Nordeste e Sul do Brasilserão muito atingidas e ,conseqüentemente, asfontes renováveis de biocombustíveis implantadasnessas áreas.A mamona, por exemplo, será, provavelmenteuma das mais afetadas, disse Assad. A cana-deaçúcar,de maneira geral, não será prejudicada,por ser uma planta tropical, mais robusta. O aumentode temperatura é benéfico para a cultura."Quando se aumenta o CO2, a temperatura e aágua, ela também aumenta o seu potencial deprodução. O que nós temos de evitar é temperaturasmuito elevadas para ela não florescer – poisnesse caso, a cana perde potencial de produçãode etanol – e temperaturas muito baixas, paraevitar geada." Isso significa, explica Eduardo, quea cultura vai ter um pouco de restrição nas regiõesNorte e Sul, mas, de modo geral, não sofreráimpacto negativo.Segundo Eduardo Assad, outras culturas importantespara a agroenergia, como a canola, girassol,a soja e o amendoim sofrerão restrições.Grãos como o arroz, o feijão e o milho tambémserão muito afetados no Sul do Brasil e no Nordeste,embora ainda não seja possível precisar adimensão do problema.Os estudos se concentram no aumento da temperatura,explica. "Nós usamos como base o zoneamentode risco climático, uma política públicado governo, que determina onde é que se vai recebero crédito. Fazemos a seguinte simulação: oque vai acontecer com esse zoneamento dentrode 10, 20 ou 70 anos, conforme os cenários demudança de temperatura previstos pelo IPCC.Nós refizemos as simulações dos zoneamentos paraestas culturas nesse período, levando em consideraçãoo ciclo das plantas, ciclo de solo, aumentode temperatura e regime de chuvas “.Indagado se já é possível constatar uma mudançano regime de chuvas, ele diz que sim, masque ainda de forma muito reduzida. O que se podedizer com segurança, segundo o chefe-geralda Embrapa Informática Agropecuária, é que jáse observa uma tendência bem clara de elevaçãoda temperatura mínima. Em relação ao impactodas mudanças climáticas em culturas como a mamona,o girassol e a soja, Eduardo Delgado ressalvaque o esforço da pesquisa deve se direcionarpara o desenvolvimento de variedades mais resistentesao calor, de modo a atenuar os efeitosdas mudanças climáticas. "Nesse primeiro estudo,nós avaliamos a vulnerabilidade. O segundo aspectoé o da adaptabilidade, ou seja, o que é quenós temos de fazer para minimizar esses efeitos.Vamos verificar o quanto e aonde será afetado.A partir daí começamos a desenhar essa plantapara que, a partir de manipulações genéticas oudo melhoramento vegetal, consigamos variedadesque possam tolerar mais o aumento datemperatura e a deficiência hídrica."O pesquisador acredita que esse trabalho traráresultados rápidos para algumas culturas, como asoja, que poderá passar por um processo de melhoramentoem 4 ou 5 anos, mas para o café e amamona, por exemplo, isso se dará de forma maislenta, 10 anos ou mais, prevê.CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 27


MUDANÇAS CLIMÁTICASEquilíbrio entre a produção de alimentos e de bioenergiaA soja será umadas culturas maisafetadas com asmudançasclimáticas, mas apesquisa prometerespostas rápidasao problema.Embora a cana-de-açúcar seja amenos prejudicada com as mudançasclimáticas e possa até se beneficiarcom ela, Eduardo Delgado Assad nãoacredita que a cultura venha a substituira produção de alimentos em funçãode restrições climáticas, mesmonum cenário mais pessimista, de alteraçõesmais elevadas na temperatura."A proposta que estamos fazendo éque a cana se instale naquelas áreasque estão degradadas ou em processo de degradação, ouseja, são aquelas áreas que não são utilizadas para a produçãode grãos. A área de expansão em terras com essacondição vai de 170 a 200 milhões de hectares, tornandopossível expandir a cana sem competir com grãos e sementrar na Amazônia."O pesquisador afirma ainda: "A cana será sim favorecidaclimaticamente, mas se for feita uma boa política deocupação de solo, de abastecimento e de produção noBrasil, o País terá etanol e grãos em dobro. É preciso verse nossos dirigentes estão dispostos a fazer isso."O fato de a cana-de-açúcar ser beneficiada com o aumentode temperatura decorrente das mudanças climáticastende a reforçar nos países desenvolvidos a aposta naplanta como matéria-prima para a produção de etanol?Eduardo Adad responde ressaltando que a redução do consumode combustíveis fósseis representa uma proposta demudança no modelo de produção de energia e os biocombustíveissurgem como a primeira opção. "A segunda opção,que o mundo inteiro está pesquisando, é transformarqualquer tipo de biomassa emcombustível, o etanol de lignocelulose.Florestas energéticas, capime resíduos agrícolas podem serfontes produtoras de energia. Issoé muito bom, porque tira de nósessa dependência do petróleo."Sobre o impacto das mudançasclimáticas nos mananciais deágua e, conseqüentemente, nadisponibilidade de energia hídrica,ele diz acreditar que provavelmente haverá uma reduçãode chuvas em algumas regiões e aumento em outras."Pode-se ter, portanto, uma redução de vazão em algunsrios. Recentemente, o colega Roberto Schaffer, membrodo IPCC e professor do Programa de Planejamento Energéticoda Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)apresentou um trabalho mostrando que poderá haveruma forte redução de vazão no Rio São Francisco e, poroutro lado, um aumento no Rio Paraná.”Este impacto, no entanto, prevêem os cientistas, serámuito pequeno, da ordem de 2% num cenário de 100anos. "Somos um País abençoado por Deus", brincaEduardo Assad. "As mudanças climáticas vão afetar muitoas regiões pobres. Se não forem buscadas soluçõesimediatas para a região semi-árida, para a região Amazônicae parte de algumas regiões no interior, o Brasil poderáser muito prejudicado. Porém, essa é uma das maioresoportunidades que temos de mostrar nossa capacidadede superar dificuldades. Nós temos tecnologias, recursosnaturais e outras condições favoráveis para isso."2%é o impacto estimado naredução da disponibilidadede energia hídrica


Trabalho de detecção busca outros efeitosAlém do aumento de temperatura já é possível afirmarque há outros efeitos resultantes das mudançasclimáticas globais? Segundo o pesquisador JurandirZullo Júnior, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicase Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri),da Universidade Estadual de Campinas, é difícil afirmarque há outras alterações.Os pesquisadores acompanham o comportamentodo clima e levantam dados históricos para identificarse está ocorrendo alguma alteração. "O que nós conseguimosidentificar até o momento, em alguns locaisque têm estação de dados longa, é uma tendênciade elevação de temperaturas mínimas, das máximasnós ainda não encontramos." afirma Jurandir.Em Campinas (SP), por exemplo, onde existe uma estaçãocentenária, já foram constatadas variações dastemperaturas mínimas. Na Embrapa de Sete Lagoas,uma região essencialmente rural e onde não há nenhumainfluência urbana, pesquisadores da unidade sediadano município encontraram o mesmo comportamento,que também tem sido identificado em vários lugaresdo mundo, sempre que os estudos podem contarcom uma base longa de dados, de pelo menos 30 anos.Para algumas culturas, essas mudanças são significativas.No caso do milho, a temperatura noturna éimportante para a fisiologia da planta. Frutíferas declima temperado também necessitam de horas de frio.Temperaturas noturnas elevadas fazem com que hajauma dificuldade de produção desse tipo de fruta, aexemplo do pêssego, nectarina, ameixa e maçã.SIMULAÇÕES NO CENTRO-OESTENas simulações que estão sendo feitas, segundo oprofessor, boa parte da região Centro-Oeste continuasendo favorável à agricultura, mesmo com um aumentode temperatura entre 1 e 3 graus. Isso porqueesses aumentos não são limitantes e a disponibilidadehídrica é boa na época de chuvas.O mesmo não se pode dizer da Região Sul, onde oaumento de temperatura se constituirá em fator limitante.Questionado se a cana-de-açúcar realmentenão será afetada, o professor confirmou que osestudos realizados até agora indicam isso. "Fizemossimulações em São Paulo e Goiás. Nos Estados doCentro-Oeste, o problema maior é que não têm quasenada de chuva na época do inverno, enquanto emSão Paulo ainda tem um pouco, o que ajuda a segurara cultura. No Centro-Oeste, talvez se torne necessárioirrigar para que a cultura se desenvolva noperíodo de inverno."CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 29


INVESTIMENTOSCOSAN lança pedrafundamental da novaunidade de JataíDescerramento da placa que marcou olançamento da pedra fundamentalUNIDADE DEVERÁ ENTRAR EM FUNCIONAMENTONO SEGUNDO SEMESTRE DE 2009 E PRODUZIRÁCERCA DE 370 MIL M3 DE ÁLCOOLOGrupo COSAN, maior produtor eprocessador de cana-de-açúcar domundo, lançou, no último dia 7, apedra fundamental da unidade deJataí, em Goiás. O evento marcou o início dasobras de construção do novo projeto da companhiae contou com a presença do Governadorde Goiás, Alcides Rodrigues Filho; do Prefeitode Jataí, Fernando Henrique Peres, e doDiretor Presidente da COSAN, Rubens OmettoSilveira Mello."A chegada da COSAN ao Centro-Oeste aumentaráa geração de emprego e renda, já quepretendemos contratar 100% da mão-de-obralocal. Durante a construção da usina cerca de1,5 mil empregos diretos serão gerados, totalizandoaproximadamente 4,5 mil empregos entrediretos e indiretos quando o projeto estiverconcluído", destaca o gerente Agrícola regionalda COSAN Centroeste, João Saccomano.A planta industrial faz parte da expansão daCOSAN e contempla ainda mais dois projetosgreenfields no Estado, nas cidades de Montividiue Paraúna. Serão investidos R$ 1,35 bilhãona construção das plantas, que juntas ampliarãoem 25% a atual capacidade de moagem dacompanhia, que atualmente é de 44 milhõesde toneladas de cana-de-açúcar por safra, saltandopara 55 milhões de toneladas.A usina de Jataí terá investimento de R$450 milhões e deverá ser concluída no segundosemestre de 2009. A nova planta terá capacidadede moagem de 4 milhões de toneladasde cana, com produção de cerca de 370mil m3 de álcool por safra. A unidade tambémrealizará a cogeração de energia elétrica provenientedo bagaço e da palha da cana, queirá produzir até 105 megawatts de energia.A produção de cana-de-açúcar será realizadaem grande parte com a compra de fornecedorese franqueados da região. As mudas decana já estão sendo plantadas pela companhiadesde junho do ano passado, garantindo amatéria-prima para o funcionamento de suasnovas usinas no Estado. Mantendo o compromissocom a preservação ambiental e proteçãoà biodiversidade as unidades de Goiás daCOSAN terão o corte de cana-de-açúcar mecanizadoem 95% da colheita.O escoamento da produção aproveitará ossistemas modais, utilizando hidrovia, rodovia eferrovia. O álcool seguirá por hidrovia de SãoSimão (GO) até Anhembi (SP) ou Pederneiras(SP), onde será escoado pelos os sistemas ferroviárioe rodoviários até Paulínia (SP).O Grupo COSAN possui atualmente 18unidades produtoras em São Paulo, três emconstrução no estado de Goiás, duas refinarias,dois terminais portuários e mais de 1500postos de combustíveis, devido a recenteaquisição da ESSO. A companhia é o maiorgrupo sucroalcooleiro individual do País eocupa também lugar de destaque no cenáriointernacional. É a maior produtora e processadorade cana-de-açúcar do mundo; terceiramaior produtora de açúcar, segunda maiorprodutora de álcool e maior exportadoramundial de álcool.Presidente da COSAN e governador de Goiásplantam árvore na cerimôniaMello e Alcides Rodrigues comprovam aimportância da parceria entre público e privadoPresidente da COSAN Rubens OmettoSilveira Mello durante discurso no eventoJoão Batista Saccomano, gerente Agrícolaregional da COSAN Centroeste30 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


ADM estréia na produção deetanol no BrasilA empresa norte-americana fabricantede etanol e grãos Archer DanielsMidland (ADM) deve anunciar nessemês sua estréia na produção de álcool noBrasil. A companhia vai ser sócia de umausina em Jataí (GO) e terá umaparticipação em outra unidade no mesmoEstado. A empresa assinou um préacordode sociedade com o GrupoCabrera, comandado pelo ex-ministro daAgricultura, Antônio Cabrera, que temdois empreendimentos sucroalcooleirosno Estado de Goiás: um em Jataí, noSudoeste goiano, e outro projetado paraser construído em Itarumã. A ADMdeverá ser acionista majoritária daunidade de Jataí e terá participaçãominoritária na unidade de Itarumã.Fundada em 1902 e com sede emDecatur, Illinois, a ADM é uma dasmaiores indústrias agrícolas do mundo,com faturamento líquido de US$ 44bilhões em 2007. Gigante em grãos, aADM também é a maior produtora deetanol de milho dos EUA.Álcool feito de "lixo"A empresa britânica Ineos Bioanunciou que já tem a tecnologia paracomeçar a produzir álcool a partir delixo biodegradável em escala industrialdentro de dois anos. Segundo aempresa, a tecnologia já foi testada emum projeto piloto nos Estados Unidos.Conforme a Ineos Bio, a transformaçãoacontece da seguinte forma: o lixo ésuperaquecido para a obtenção de gás.Este gás é usado para alimentarbactérias anaeróbicas (biocatalizadoras)que produzem o álcool. No estágiofinal, o álcool é purificado para serusado como combustível puro oumisturado à gasolina.Bunge deve construirtrês usinas no TocantinsA americana Bunge planeja expandirsuas operações no segmentosucroalcooleiro, construindo três usinasno Estado do Tocantins. Para tal, nacidade de Pedro Afonso, a empresa jácomeçou a plantar cana. De acordo com ogoverno do Tocantins, os projetos daBunge devem somar aportes de R$ 1bilhão. A primeira unidade entrará emoperação em 2011. A Bunge começou oplantio dos viveiros de cana e criou umaempresa para fazer as contratações detrabalhadores. "A empresa protocolou noinício deste ano os projetos de três usinas.E também deverá construir umaesmagadora de soja no Estado", afirmaRoberto Saihum, secretário deAgricultura de Tocantins.fotos: divulgaçãoCANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 31


BOLSA DE VALORESBioenergia S.A.ABRIR O CAPITAL PODE SERUM BOM NEGÓCIO, MASEXIGE QUE A EMPRESADIVULGUE SUAS CONTASAOS ACIONISTAS EDISTRIBUA LUCROSRhudy CrysthianLançar ações no mercado decapital aberto pode ser umaalternativa a empréstimospara empresas do setor sucroalcooleiropara aumentarem suacapacidade de produção e aquisiçõesde máquinas, entre outras necessidades.Essa captação de recursos,muito mais baratos e lucrativosque financiamentos, traz tambémnovas atribuições que muitas vezeso empresário não está preparadocomo, por exemplo, abrir as contasda empresa aos acionistas, dar satisfaçõessobre eventuais prejuízos,distribuir lucros e ganhos."Há vantagens e desvantagens,que são difíceis de mensurar, e dependemde cada caso. As principaisvantagens são financeiras, e as principaisdesvantagens são de possívelredução de liberdade na tomada dedecisão dos principais mandatáriosdas empresas. Principalmente paraaquelas tradicionais e conservadoras,de administração familiar", afirma oconsultor da agência Safras & Mercado,Miguel Biegai.Mas ele garante que o quadro geralé promissor para as ações de empresassucroalcooleiras cotadas embolsa. Apesar das turbulências recentese da alta volatilidade, há umainegável maior facilidade de captarrecursos, quando se tem uma empresacujas ações estão listadas na Bovespae/ou na NYSE (Bolsa de Valoresde Nova York). "As empresas focadasna produção de etanol e bioenergiatêm um bom horizonte de retornosfinanceiros e expectativa de crescimentode vendas", diz.Segundo ele, a verticalização dacadeia do etanol, como a que é promovidapela Cosan, é um belo exemplodo cenário que os produtores deetanol podem ter pela frente. Doponto de vista dos investidores, Biegaigarante que essas ações são bonsativos para "encarteiramento" delongo prazo. Na data de sua estréiana Bovespa, há cerca de dois anos, aCosan, viu suas ações valorizarem250% só nos cinco primeiros meses.32 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


Empresas de destaque no mercado de açõesAlém da Cosan, a São Martinho e a Guaranitambém se destacam no mercado de ações dosetor de energia renovável. A exemplo dessaspioneiras, a Infinity Bio-Energy já protocoloupedido de registro de oferta pública junto à Comissãode Valores Mobiliários (CVM) para emitirBDRs (Brazilian Depositary Receipts) no País,com esforços para colocação internacional.A Renova Energia, empresa holding do grupocomposto pela Enerbras Centrais Elétricas epela Energética Serra da Prata, também pretendeentrar neste mercado de ações em buscade recursos para expandir seus negócios degeração de energia elétrica por fontes alternativas.A Renova também já entrou com pedidode abertura de capital junto à CVM. Os papéisserão ofertados no Brasil e nos Estados Unidos.ACIONISTASO potencial do álcool brasileiro funcionatambém como um gerador de combustívelquando o assunto é Bolsa de Valores. Recentemente,uma corretora de ações no Brasil alterousuas recomendações para ações do setorsucroalcooleiro. Em um único dia atípico, o potencialde valorização de algumas ações dessasempresas foi de 5,4%. Como essas ações, emalguns casos, atingiram o preço-alvo, a recomendaçãoda corretora para os acionistas, naocasião, deixou de ser para compra e passou aser para venda, devido à possibilidade de lucro.Porém, como o mercado de ações não é umsetor previsível dentro da economia, em determinadosmomentos as ações que há poucoregistraram margens de lucro para os acionistaspodem passar a registrar queda. Os papéisdas empresas sucroalcooleiras brasileiras jáoperaram em baixa na Bolsa de Valores deSão Paulo (Bovespa), com índices que variaramde 0,09% a números mais alarmantes,1,03% para baixo.Analistas do setor dizem que, no caso dosinvestidores, há perdas momentâneas que refletemalguma reação do mercado sucroalcooleiro.Para a maioria, basta esperar (hold),termo em inglês usado pelos corretores, emanter os ativos estagnados na iminência denovas valorizações.CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008 33


AUTOMAÇÃOUma solução lucrativaAUTOMAÇÃO CRESCE COM A EXPANSÃO DO SETOR SUCROALCOOLEIRO. NAS INDÚSTRIAS,ALIADA A SISTEMAS DE GESTÃO INTEGRADA, MELHORA O CONTROLE E REDUZ CUSTOSRhudy CrysthianComponente de automação em sistemaindustrial da usina ItapagipesifaegFornecedores de soluções em automaçãoindustrial encontram oportunidades lucrativasno setor de bioenergia para promoverema habilidade de seus produtosem melhorar o controle da fábrica, reduzir custosoperacionais e conectar sistemas de automaçãoe de gestão integrada das empresas ligadas àcadeia produtiva de biocombustiveis. Pesquisaelaborada pela Frost & Sullivan, uma empresa deconsultoria e pesquisa de mercado, mostra queaté 2012 empresas de automação na AméricaLatina esperam expandir em 200% seus ativos.Enquanto esses fabricantes destacam seu aumentode mercado, usinas e companhias ligadasao setor de bioenergia comemoram seus ganhosfinanceiros, aumento na produtividade e controlede produção com os benefícios, a médio e longoprazos, obtidos com a implementação deequipamentos pelo setor de automação.Os tipos de dispositivos mecânicos ou eletroeletrônicosmais utilizados estão ligados a controladoreslógico-programáveis. Segundo especialistasda área, eles contribuem para umamaior agilidade do processo decisório e maiorconfiabilidade dos dados que suportam as decisõesdentro da empresa, para assim melhorar aprodutividade.Entretanto, os benefícios não ficam só nos sistemasadministrativos das usinas. Empresas comoa Smar oferecem soluções em recepção, preparoe moenda da cana, difusor e tratamento decaldo, entre outros. A fim de obter os melhoresresultados, na fabricação de açúcar, por exemplo,a empresa dispõe de um sistema de controleque realiza as medições de nível do cozedor,concentração e temperatura da massa, pressãode vapor vegetal, vácuo do cozedor e correntedo agitador.AÇÚCARA automação da fabricação de açúcar, em especialos cozedores a vácuo, tem uma grandeimportância na estratégia de operação, desenvolvimentoe modernização da produção de açúcar,uma vez que se trata de um processo produtivode grande complexidade, onde a automaçãopermite uma maior produtividade.Em se tratando de comunicação sem fio paraas unidades industriais, a SDC Engenharia de SistemasLtda, comercializa o Wireless Lan 195Eg."Com 1 Watt de potência, utilizando protocoloEEE 802.11g, o equipamento permite cobrir distânciasde até 12 Km. Com o rádio SDC195Eg ocliente tem maior banda para trafegar dados,voz e imagem com maior eficiência em um únicocanal de rádio", explica o gerente de marketingda empresa, David Lopes Cardoso.Segundo ele, as vantagens do equipamentopara usinas de cana e álcool não param por aí. Odispositivo evita investimentos em obras de infraestruturacivil e proporciona alta performanceaos dados trafegados. Ideal para instalações outdoor,possui elevado grau de segurança, o que reduzcustos com caixas de proteção.ETANOL E DIESELDe acordo com o diretor da WS ControlesLtda, Walter Strassburger Júnior, a empresa trabalhacom equipamentos para automação emturbinas a vapor, utilizadas em moendas e bombas;turbinas aplicadas em geradores e automaçãoem casa de força. "Também estamos em fasefinal de desenvolvimento de uma automaçãoque possibilita a utilização de álcool combustíveljunto com o diesel em caminhões de transportede cana sem alterar as características domotor", adianta.A Brapenta tembém está com lançamentos parao setor. A empresa oferece desde o mês passadoum equipamento para detecção de corpos estranhos,um modelo tipo Raio X. "Trabalhamoscom outros equipamentos vendidos para usinasde açúcar, que são os detectores de metais e controladoresde peso", diz o gerente de representantesda Brapenta, Renato Rossi De Déo. Wireless lan 195Eg, comunicação sem fio:(permite cobrir distância de até 2 Km e maiorbanda para trafegar voz e imagemfotos: divulgação34 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


SOLUÇÕES DIVERSASCom o foco na produção de sensores, indicadoresdigitais e painéis de controle eletroeletrônicos,a Servitel, há 15 anos no mercado,produz sensores de nível, indicadores digitaise painéis de controle para usinas e destilariasde álcool e indústrias alimentícias. "Osensor capacitivo MS-7000 usado na detecçãode nível de cana desfibrada no shut donelyé o nosso maior destaque entre os produtosdenominados periféricos. A qualidadede montagem e a eficiência de operação dosnossos painéis eletro-eletrônicos são destaquesde grande importância que oferecemosaos nossos clientes", garante o sócio diretorda empresa, Jean Carlos.Inversor vetorial de fluxo: permite atroca de placa de controle sem havernecessidade de desligar a fiação.A Yaskawa, tradicional fornecedora de soluções para automaçãoindustrial, desenvolveu o inversor regenerativo modeloDC5, voltado para aplicações que costumam apresentargrandes variações de carga, ou que possuem ciclo de frenagemfreqüente, como ocorre nas centrífugas empregadas nasusinas de açúcar e álcool. O dispositivo possui capacidade totalde regeneração da energia, apresentando baixíssimo nívelde distorção harmônica, estando de acordo com as recomendaçõesda IEEE 519/92 e fator de potência quase 1.Em comparação ao sistema de frenagem (resistores e módulos),o DC5 é geralmente menor e não apresenta perdas decalor, nem problemas associados à instalação, como o deaquecimento, por exemplo. Sua utilização pode propiciar reduçãode custos de operação significativa devido à reciclagemda potência, que é regenerada para a rede. O inversor da sérieDC5 opera com classe de tensão de 400V (tensão nominal desaída 660VCC) e de 600V (860VCC), apresenta controle tipoPWM Senoidal, fator de potência de entrada 0,95 ou superiore precisão na tensão de saída de aproximadamente 5%. O dispositivotambém apresenta funções de proteção e funcionaem temperaturas que variam de -10°C a +45°C.Soluções para otimizar desempenhosA empresa Yaskawa também disponibiliza asérie F7 capaz de atender às necessidades daindústria sucroalcooleira devido às diversasopções de configuração e parametrização. Odispositivo possui borneira extraível, o quepermite a troca de placa de controle sem havernecessidade de desligar a fiação. Os inversoresF7 trabalham com controle escalar, vetorialem malha aberta e vetorial de fluxo, econtam com controle de torque no modo vetorialde fluxo. Além disso, permitem alto torquede partida mesmo em baixas rotações eauto-ajuste com o motor rodando ou parado.Esses dispositivos oferecem, ainda, dois conjuntosde parâmetros e, com isso, é possívelque dois motores diferentes rodem com omesmo inversor, alternadamente.A Controall Tecnologia em Automação, especializadano segmento de instalação e automaçãoindustrial, disponibiliza uma linha deeletrodutos flexíveis que, em conjunto comconectores com alto grau de vedação IP68, garantemmelhor funcionamento dos ativos dasindústrias do setor sucroalcooleiro.Capazes de suportar temperaturas de até120º C, os eletrodutos são adequados para usoem todos os lugares que requerem a proteçãode fios e cabos, como por exemplo, nas moendasde cana, em sistemas de decantação, nascentrífugas e em processos onde possam ocorrerrespingos e pequenos jatos de líqüidos."Trata-se de um produto altamente resistentea vários tipos de materiais químicos e a óleoshidráulicos e minerais. Em condições normais,suportam variações de temperaturas de -50ºCaté 120ºC, podendo, inclusive, tolerar até150ºC, por um curto período de tempo", destacaRoberto Pereira, diretor da Controall.Eletroduto flexível: garante o melhorfuncionamento dos ativos das indústriasdo setor (proteção de fios e cabos)36 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008


Tesacom e Inmarsat lançamserviço de banda larga móvelA Tesacom do Brasil, empresa detelecomunicações especializada em soluçõessatelitais, foi escolhida pela Inmarsat,fornecedora de comunicações globais móveisvia satélite, como um dos representantesoficiais para comercialização da BGAN noBrasil e outras localidades da América Latina,como Argentina, Peru, Chile,Venezuela, etc.Com o aparelho BGAN, informações podemtrafegar com velocidade de até 492 kbps (VPNem conexão compartilhada) e 256 kbps (emstreaming dedicado). Os terminais sãoportáteis, leves e, com suporte para todos osprincipais produtos de VPN e normascriptográficas, podem ser utilizados nomundo inteiro, e têm as interfaces de usuáriopadronizadas. Jose Sanchez , CEO daTesacom, explica que a portabilidade é um dosprincipais benefícios do BGAN. "É possívelmontar um escritório no meio do deserto, naSelva Amazônica ou até mesmo manter acomunicação operante quando o avião estáem pleno vôo", diz. O executivo ressalta que omodelo de comercialização é sob demanda," ovalor cobrado está relacionado à quantidadeou tempo de uso de banda. Com este formato,usuários também se beneficiam da redução decustos." A empresa espera ampliar ofaturamento em até 50% em 2008 com acomercialização do BGANCotril Motors anuncia novos investimentos em GoiásA Cotril Motors expande força em Goiás elança novo Show Room em Goiânia e filial daempresa em Anápolis.As obras já começarame, em breve, ocorrerão as inaugurações.A capital goiana terá agora dois pontos dereferência da Mitsubishi.Além da sede na Av.85, no Setor Marista, os automóveis estarãoexpostos e à venda na Avenida Jamel Cecílio, n°3450, Jardim Goiás, em um Show Roommoderno e confortável. E os anapolinosganham concessionária da Mitsubishi na Av.Brasil, com uma variedade de vantagens emum mesmo lugar: exposição de veículos,vendas,Assistência Técnica, serviços defunilaria e pintura, Mit Seguro e MitFinanciamento, além, de uma boutique comprodutos exclusivos da Mitsubishi.O Diretor Comercial da Cotril, DomingosNova face da Electra EnergyA Electra Energy apresenta ao mercado suanova identidade visual, ressaltando seuposicionamento como comercializadora Pioneiraem Energias Renováveis.A empresa reforça seucompromisso em prestar serviços diferenciados ede alto valor agregado aos geradores de energiarenovável e aos consumidores livres, que desejemdemonstrar seu compromisso com asustentabilidade do planeta. A Electra Energy é acomercializadora do Grupo Electra.divulgaçãoPereira de Ávila Júnior, afirma que é um sonhoantigo abrir uma empresa em Anápolis e que aCotril Motors une forças nas trêsconcessionárias. "Nos sentimos em casa emAnápolis.Temos amigos lá.Acreditamos que aCotril Motors, representada em Goiânia eAnápolis, será uma das melhoresconcessionárias do Brasil", destaca.Guerra SA tem novo diretorRodmar Cardinali é o nome do novoexecutivo da Guerra SA, responsávelpela coordenação administrativa e doplanejamento estratégico da empresa.Um dos primeiros desafios do novodiretor é a reestruturação da Guerra,visando ao aumento da capacidade deprodução para atender a demandaaquecida do mercado de implementosrodoviários. "Estamos implementando osistema de administração por unidade denegócios, o que vai exigir a própriareestruturação das fábricas".Engenheiro e mestre em engenhariaMecânica pela Universidade deCampinhas e doutor pela Unicamp emparceria com a UniversitätKaiserslautern/Alemanha, RodmarCardinali também acumula experiênciaacadêmica de 23 anos como professor daUniversidade Estadual de Campinas.38 CANAL, o Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2008

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