18 alcooldutos - Canal : O jornal da bioenergia

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18 alcooldutos - Canal : O jornal da bioenergia

Cartado editorMirian Toméeditor@canalbioenergia.com.br18 ALCOOLDUTOSEmpresas de logística e infra-estrutura seguem com investimentos em dutos para o etanol.Avanços e dificuldades fazem parte da rotina das operadoras na realização dos projetos.rentank25 AÇÚCARInovação tecnológica permite utilização doozônio, no lugar do enxofre, no processo declarificação do açúcar. Técnica agrega valor epode ampliar mercados para o produto.unicaO sucesso em nosso caminhoAs riquezas naturais e a capacidade inventiva doscientistas brasileiros são os grandes trunfos que temospara virar o jogo da elevada dependência deimportação de fertilizantes, o que coloca a agriculturabrasileira em situação de inadmissível vulnerabilidade.O leitor poderá se informar na matéria de capa destaedição sobre algumas das principais iniciativas quemarcam o esforço por um maior equilíbrio entre aprodução e a demanda por esses insumos.Poderá, também, conferir o avanço do setorsucroenergético no Estado do Mato Grosso do Sul,um exemplo de como é possível conciliar aprodução de etanol, açúcar e energia compreservação ambiental. O assunto é um dosdestaques da entrevista exclusiva concendida aoCANAL pelo presidente da Associação dosProdutores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul(BioSul), Roberto Hollanda Filho.A logística de escoamento é também o tema dereportagem que apresenta um panorama sobre asprinciais iniciativas de construção de alcooldutosno País. E não é só. Além de diversas outrasmatérias de interesse do setor, lançamos nestaedição a seção Mais Brasil, um espaço onde vamosdestacar personagens, aspectos de nossa cultura eda geografia de um País continental, que nosenche de orgulho e da certeza de que o sucessoestá em nosso caminho.22nielsandreas/unicafotos: divulgaçãoConfira Mais Brasil, a novaseção do CANAL concebidapara valorizar a multiplicidadecultural e as riquezas naturaisdo nosso País.10 DEFENSIVOSCana-de-açúcar é exemplo de racionalizaçãodo uso de defensivos. Uso do manejointegrado e controle biológico de pragas jáestão bem difundidos na cultura.12 PLÁSTICO VERDEPlanta industrial da Braskem para afabricação do eteno a partir de etanol, emTriunfo, no Rio Grande do Sul, deve estarpronta até o quarto trimestre de 2010.demanda potencial já mapeada para o produto éde 600 mil toneladas/anomanda potencial já mapeadade 600 mil toneladas/ano para o produtoBoa leitura e até a próxima ediçãoCANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41DIRETOR EXECUTIVO: César Rezendediretor@canalbioenergia.com.brGERENTE ADMINISTRATIVO: Fernanda Oianofinanceiro@canalbioenergia.com.brGERENTE DE ATENDIMENTO COMERCIAL:Beth Ramos comercial@canalbioenergia.com.brEXECUTIVOS DE ATENDIMENTO:Anderson Minarécanal.goiania@canalbioenergia.com.brMarcos Vazatendimento@canalbioenergia.com.brDIRETORA EDITORIAL: Mirian Tomé DRT-GO - 629editor@canalbioenergia.com.brEDITOR: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694redacao@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Evandro Bittencourt,Fernando Dantas, Luisa Dias,Mirian ToméESTAGIÁRIA: Maiara Douradojornalismo@canalbioenergia.com.brDIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santosarte@canalbioenergia.com.brREPRESENTANTESRIBEIRÃO PRETO E SERTÃOZINHO/SPFabiana Belentini Pierro representante@canalbioenergia.com.br(16) 3945-1916/8121-0585/7811-3518RIO DE JANEIRO E BRASILIAFaster Representações fasterrepresentacoes@terra.com.brSRTVS Qd. 701 Edf. Assis Chateaubriand - Bloco 1 - Sala 321 Bairro AsaSul - 70340-00 - Brasilia/DFContato: Wisley Damião (61) 3701 1796/9982 6731Banco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira deSão Paulo - www.unica.com.br, SIFAEG - Sindicato da Indústria deFabricação de Álcool do Estado de Goiás - www.sifaeg.com.br,Canal On Line www.canalbioenergia.com.brREDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno - Goiânia - GO- Cep74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084email: canal@canalbioenergia.com.brTIRAGEM: 12.000 exemplaresIMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.brCANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos nasreportagens e artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores. É autorizadaa reprodução das matérias, desde que citada a fonte.Assine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível nainternet no endereço: www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.br“Pois Deus não nos deu espírito decovardia, mas de poder, de amor, e deequilíbrio.” (2 Tm 1, 7)


Windows Media Player.lnkENTREVISTA - Roberto Hollanda Filho, presidente da BioSulVocação canavieiraCONHECIDO PELA NATUREZA EXUBERANTE E VASTO POTENCIAL AGRÍCOLA, MATO GROSSO DOSUL DESTACA-SE TAMBÉM PELO RÁPIDO CRESCIMENTO DA ATIVIDADE SUCROENERGÉTICAEVANDRO BITTENCOURTRoberto Hollanda Filho é pernambucanodo Recife, tem45 anos e formou-se emAdministração pela UniversidadeFederal de Pernambuco em1986. Na Espanha, cursou o Masterem Marketing no Centro de EstudiosEmpresariales, em Madrid, e, ao longode sua carreira, acumulou experiêncianos setores de comércio, publicidadee consultoria para, em 1998,ingressar no setor sucroenergético,como secretário-geral da AssociaçãoBrasileira da Indústria de Álcool(Alco). Após 4 anos, foi eleito Presidenteda entidade, sendo reconduzidoao cargo até 2008. À frente da Alco- uma das primeiras entidades dosetor sucroenergético que teve agestão profissionalizada, tambémconferiu à entidade um caráter comercial,consolidando operações decomercialização de álcool no mercadointerno e em pools de exportação.Em setembro de 2008 aceitou o convitepara conduzir a profissionalizaçãoda representação institucionaldo setor sucroenergético do Estadodo Mato Grosso do Sul e a criaçãoda Associação dos Produtores de Bioenergiado Estado de Mato Grossodo Sul (BioSul), entidade que atualmentepreside.Nossa produção, de pouco mais de 1 bilhãode litros de etanol na safra anterior, devechegar a 1,7 bilhão de litrosA Biosul é uma entidade nova, masque já nasce com expressiva forçade representação. Qual o objetivoda sua criação?A atividade sindical no Mato Grossodo Sul sempre foi muito bemtocada, mas o Estado teve o seuperfil de produção mudado, pois osetor cresceu muito. Com isso, osprodutores entenderam que erapreciso mudar a gestão institucionaldo setor, profissionalizando aentidade, e resolveram contrataruma pessoa com dedicação exclusiva.Fui incumbido de coordenaresse processo, o que para mim éuma honra. A BioSul, oficialmentecriada em dezembro de 2008, éuma associação que congrega ossindicatos de açúcar, álcool e bioenergiado Estado, ou seja, as trêsentidades estão agora sob o mesmoguarda-chuvas.Qual a sua opinião em relação aodesafio que representa a adequaçãoda logística de transporte aorápido crescimento do setor sucroenergéticono Estado do MatoGrosso do Sul?Entendo que esse é um desafiomuito importante. Há duas safras, aprodução era de 14 milhões de toneladasde cana, passou para 18milhões na safra passada, nesta safravai crescer muito e continuaráaumentando substancialmente. Oescoamento da nossa produção,evidentemente, é muito importante,até porque o perfil do Estado éexportador, seja para o mercado internoou externo, propriamente dito.A logística é um dos principaisdesafios institucionais aqui na Bio-Sul. Criamos comitês de trabalhoespecíficos para analisar este assuntoe temos debatido com o Governodo Estado, que está fazendoum projeto logístico, pois o Estadotem se desenvolvido bastante. Acana é um importante vetor, mashá outros produtos que tambémdemandam escoamento.Quais são as possibilidades maisconcretas em relação a novos modaispara transporte da produção?Temos a questão do alcoolduto, emque se fala muito, e há várias iniciativassendo estudadas. Outro canalmuito importante é a HidroviaTietê-Paraná. Hoje, estamos estudandoa integração dos diferentesmodais e isso tem sido feito commuita intensidade aqui na BioSul.Nossa produção, de pouco mais debiosul/divulgação1 bilhão de litros de etanol na safraanterior, deve chegar a 1,7 bilhãonesta safra, ou seja, a demandaaumenta de forma significativae com velocidade. Já existe umaestrutura à disposição - ferrovia erodovias - e estamos analisandoessas ofertas de novos modais. Paraisso, inclusive, criamos um comitêespecífico. Acredito que a necessidadeexiste, mas ela própria é omaior motor para que as coisasaconteçam. Acho que serão soluçõesdiferentes ao longo da históriada linha do tempo, pois o alcooldutorealmente demora mais aacontecer, mas teremos evoluçõesimportantes para reduzirmos oporcentual de utilização do modalrodoviário. Penso que, em curtíssimoprazo, vamos usar mais ferroviae também teremos uma participaçãoimportante no transporte hidroviário,até chegarmos ao duto.O Estado já utiliza a Hidrovia Tietê-Paraná para o escoamento de parteda produção de etanol e açúcar?Por enquanto, apenas um poucode açúcar, mas está previsto noPAC que sejam feitos investimentosem portos e eclusas, o que tornaráa hidrovia um importante canalde escoamento.Qual é a experiência do setor sucroenergéticono Estado do MatoGrosso do Sul no que se refere àsustentabilidade ambiental?O Mato Grosso do Sul é um Estadoque tem uma marca importanteno que se refere à produção dealimentos. Produzimos muita soja,gado e milho. Temos um patrimônioecológico exuberante, um setorsucroenergético com potencialpara grande expansão e que jácresce muito, de forma sustentável,sem causar nenhum tipo dedano ao meio ambiente e sem afetara produção de alimentos.Qual é, atualmente, a situação dozoneamento agroecológico da cana-de-açúcarno Estado do MatoGrosso do Sul?O governo do Estado já concluiu o04 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


estudo, que vai agora para a AssembléiaLegislativa, para ser referendadoe implantado. Ele tem recebidoavaliações bastante positivas. É umdocumento construído sobre umabase técnica sólida e um exemplode debate com a sociedade, pois foramrealizados mais de 70 encontroscom diferentes segmentos emtodo o Estado. Quando foi apresentadoao governo federal, para ajudarno zoneamento em nível nacional,teve uma acolhida muito positiva.Quantas unidades de produção sucroenergéticaestão em atividadeno Estado do Mato Grosso do Sule quantas devem entrar em produçãoeste ano?Atualmente, temos 14 indústrias,mas, ao longo dessa safra, devementrar outras 7 ou 8 unidades.O Estado passou por um salto significativona produção canavieira nosúltimos anos. A que o senhor atribuiesse crescimento tão rápido?O Estado oferece condições muitopositivas de clima, solo e topografia.Por outro lado, existe uma boaoferta de terras, por ser um Estadotradicionalmente de agropecuáriae, evidentemente, com a modernizaçãodas técnicas de manejo dogado, existe uma oferta muitogrande de áreas de pastagens queestão subaproveitadas. Com isso, agente consegue no Estado ter umaboa oferta de terras a preços razoáveise a uma boa distância dosprincipais centros consumidoresdo País. Além disso, contamos comum bom ambiente institucional. Ogoverno está muito comprometidocom o desenvolvimento do Estadoe isso ajuda muito.Nossa primeira estimativa é chegar a 31milhões de toneldas de cana, já considerandoa instalação de novas unidadesQual a estimativa de safra de canade-açúcar,este ano, no Estado doMato Grosso do Sul?Nossa primeira estimativa é chegara 31 milhões de toneladas decana, já considerando a instalaçãodas novas unidades e que muitasindústrias ampliaram a capacidadede moagem.Há algum imprevisto relacionado àscondições de clima que possa levara uma reavaliação?Estamos com uma seca na Regiãode Dourados, no Sudeste doEstado, onde se concentra cerca de80% da produção. Esse é um problemagrave, que pode vir a causaruma redução na estimativa, masestamos esperando o desenrolar dasafra para fazer uma avaliação melhordesse impacto.E quais são as estimativas em relaçãoà produção de açúcar?Devemos produzir, aproximadamente,1,3 milhão de toneladas deaçúcar nesta safraQual é a atual situação do Estadono que se refere à produção deenergia elétrica a partir do bagaçoda cana-de-açúcar?O Estado tem uma perspectivabem interessante de produção deenergia. Com as novas unidades, acapacidade de produção instaladaé de 2,5 mil megawatts-hora. Paraaproveitarmos esse potencial, dependemosda consolidação dasusinas, o que está acontecendo. Aconstrução das linhas de transmissãoestá autorizada e algumasobras já estão sendo realizadaspara interligar essas unidades narede. Este é um dado importanteporque, no Estado, todo o consumoé de aproximadamente 600megawatts/hora. As unidades queestão se instalado já vem com amais moderna tecnologia disponível,com caldeiras de alta pressão.Considerando o início das atividadesdas novas indústrias, qual seráo número de empregos gerados pelosetor no Estado?Esperamos atingir entre 55 mil a60 mil empregos diretos geradospelo setor até o final desta safra.Quais são os porcentuais de consumode etanol e gasolina no Estado?Consumimos cerca de 166 mil metroscúbicos de álcool hidratadoem 2008, contra 105 mil metroscúbicos no ano anterior e o ritmode crescimento continua importante.Em pouco tempo deve seigualar ao da gasolina, que registrapequeno crescimento. Em 2008, oconsumo de gasolina C no estadofoi de 356 mil metros cúbicos.Qual é a área disponível para a expansãoagrícola no Estado?Temos entre 7 e 10 milhões dehectares disponíveis para novoscultivos. No Final desta safra,teremos ocupados 400 mil hectarescultivados com cana, ouseja, temos mais de 10 vezes aárea atual disponível para novasculturas. O setor pode crescerde forma geométrica, sem nenhumproblema.E se consideramos os demais projetosde indústrias sucroenergéticasque se encontram em diferentesfases de licenciamento?Se somarmos todos esses projetos,mais as usinas que já existeme as que efetivamente estãosendo implantadas, são mais de1 milhão de hectares. Ainda assim,há uma grande oferta deterra boa para a agricultura.Como o senhor vê o atual momentovivido pelo setor sucroenergéticoe as perspectivas de superaçãoda atual crise financeiramundial?A crise atingiu o setor em cheio,por ser um forte consumidor decapital. A escassez de dinheirocria uma bola de neve e os preçosvão para baixo. A dificuldade, infelizmente,é generalizada, mastemos a expectativa de que embreve teremos novos paradigmas.Nesse contexto, o setor sucroenergéticoemerge com uma novaforça, pois esse capital que erainvestido em títulos podres e nosubprime vai buscar destinosmais nobres. E não há destinomais nobre do que a produção debioenergia nesse momento denecessidade de substituição defontes não-renováveis.CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 05


Fenasucro &AgrocanaSerá realizada, entre os dias31 de agosto e 03 de setembro,no Centro de Eventos Zanini(Sertãozinho-SP), a nonaedição do Brasil Cana Show2009, com participantes detécnicos da América Latina eCaribe que buscam no Brasilconhecimentos sobretecnologia sucroenergética. Oevento será realizado pelaSTAB - Sociedade dos TécnicosAçucareiros e Alcooleiros doBrasil, simultaneamente àFenasucro & Agrocana. Agrande aposta desta edição é asetorização e maiorparticipação das empresasapoiadoras na oferta deinformações qualificadas paraos participantes. O Brasil CanaShow é um programa de apoioaos profissionais e técnicos dosetor sucroenergético deoutros países que vem para oBrasil visitar aFenasucro&Agrocana.fotos: unica/divulgaçãoOeste Paulista e MS se unem para vender etanolUsinas e destilarias da regiãoOeste do Estado de São Paulo e doMato Grosso do Sul criaram omais novo canal decomercialização de etanol do País,a Brasil Etanol Business Center(Brasil EBC), com sede emAraçatuba/SP.A iniciativa partiudas próprias usinas, que decidiramse unir e com o novo canal decomercialização, estreitar asrelações com o mercado e assimgerar mais oportunidades denegócios tanto dentro quanto forado Brasil. O objetivo é organizar osistema de informação sobreofertas e demandas de etanol,oferecendo informações para oprocesso decisório de cadaassociado na comercialização,colaborando também no processode negociação. “A origem daBrasil EBC se dá por váriosfatores, como a desorganização eforte expansão da produção doOeste Paulista e do MS no que serefere à comercialização de etanol,e os baixos preços dobiocombustível no mercadointerno, que há duas safras nãoremuneram sequer os custos deprodução de forma satisfatória”,diz o coordenador da Brasil EBC,Fernando Perri.“Trata-se de umaunião importante para o setor, afim de melhor atender aosinteresses das usinas e domercado cada vez mais crescentede etanol nos mercados interno eexterno”, destacou PasqualMicali, representante das usinasdo Oeste de São Paulo no grupo.Grupo Otávio Lage recebe financiamentoO Grupo Otávio Lage reberá doBNDES um total de R$ 256milhões para investimento nosprojetos agrícola e industrial danova destilaria de açúcar e etanoldo grupo, em Goianésia. Segundoo diretor-técnico da empresa,Henrique Penna, o investimentona nova usina será de R$ 332,46Fernando Perri, coordenador daBrasil Etanol Business Centermilhões. O BNDES vai financiar77% do total e o Grupo OtávioLage desembolsará os outros23%.As obras civis deverão seriniciadas em agosto.A produçãode cana-de-açúcar já começou.“Queremos começar a produzirálcool na nova usina já na próximasafra”, afirma Henrique Penna.A SCA-SociedadeCorretora de Álcool colocouno ar seu novo site:www.scalcool.com.brCentro Energia do SaberO Grupo Cerradinhoinaugurou o Centro deAprendizagem eDesenvolvimento - Energia doSaber. O CAD tem o objetivo deestimular e oferecerdesenvolvimento profissional enovos conhecimentos a todos oscolaboradores do Grupo atravésde cursos e açõescomportamentais, técnicas e dequalidade. Segundo a gerente dedesenvolvimento de pessoas,Josiane Renata Moraes, as açõesacontecerão periodicamente e oscursos serão abertos a todos oscolaboradores que seinteressarem e se inscreveremantecipadamente . O CADoferece laboratório deinformática, sala de estudos,sala de leitura, biblioteca,videoteca e apoio ao colaboradorcom relação a dúvidas de cursos,entre outros serviços.06 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


OPINIÃOUso racional dos insumosACom a Revolução Verde, aagricultura partiu de um estadoprimitivo até chegaraos patamares tecnológicos atuais,tendo como suporte o aumento nademanda de energia fóssil, fazendocom que o cultivo deixasse de ser a"arte de colher o sol", para se tornarum processo de transformação depetróleo, gás natural e eletricidadeem alimento, fibra e energia. NoBrasil, o aumento de produtividadese deu em uma taxa menor que oaumento do uso de insumos, poishá certos limites para a intensificaçãodos sistemas de produção.Assim, políticas quanto ao desenvolvimentoda produção agrícolasão necessárias para reduzir o consumopelos sistemas de produção,promovendo um grau maior de sustentabilidade.Com o aumento douso de insumos, aumenta a demandade energia nos processos de produçãodesses produtos agrícolas (defensivos,máquinas, fertilizantes). Aenergia gasta é vital para determinarse uma cultura é fonte ou dreno deenergia e qual a energia líquida eladisponibiliza ao ser utilizada comomatéria-prima energética.O Brasil obtém mais de 46% daenergia consumida a partir de fontesrenováveis, muito acima da médiaglobal (12,7%) e da média dospaíses desenvolvidos (6,2%). E, em2007, pela primeira vez, a hidroeletricidade(14,7%) perdeu o papelde principal fonte de energia renovávelpara a cana-de-açúcar(16,0%). Ressalta-se o potencialque a produção de biodiesel, e, consequentemente,as culturas oleaginosasdevem passar a ter na matrizenergética nacional. De toda a energiaconsumida, os setores industrial(40,6%) e de transportes(28,3%), são os principais consumidores.No setor de transportes, oóleo diesel é o principal combustível,o que propicia o grande potencialpara a utilização de biodieselcomo substituto. Além disso, o biodieselapresenta um grande potencialambiental, pela possibilidadede utilizá-lo em transportes públicos,o que pode lhe conferir índicesde emissão de gases por quilômetrorodado per capita mais favoráveisque o do etanol, que é utilizadoem transportes individuais.O conhecimento de como a agriculturagasta e produz energia éfundamental para a definição depolíticas de estímulo à produção,ou de restrição do consumo, emfunção da importância estratégicaque ocupa como potencial produtorade excedentes para outros setoresda economia.A análise de fluxos de energia deculturas com fim energético é fatorde fundamental importância para aeleição de uma matéria-prima comofonte de energia. Na determinaçãodesses fluxos são identificados equantificados todos os insumos utilizados.Os fluxos de energia consideramnão somente o combustível empregadopor tratores, mas também afabricação dos insumos.Com a corrida pelas fontes deenergia alternativas às fósseis, algumasculturas oleaginosas têm recebidoincentivos ao aumento de produtividadee de produção. Porém são tratadascomo se a produção fosse destinadaà produção de alimentos. Entretanto,por se tratar de uma fonte deenergia, a produção no nível do ótimoeconômico pode não atender apremissa de que uma fonte deve fornecerum recurso em maior quantidadeque a demandada para a sua obtenção,determinado pela razão entrea energia obtida e a energia investida.Quando diferentes culturas foramavaliadas para a produção deetanol, na década de 1970, observou-seque para a cultura do milho,o melhor retorno sobre a energiaaplicada via fertilizante nitrogenadose dava com a aplicação de 60% doque se aplicava para atingir a produtividadeótima (5,8 t ha-1 usando135 kg N ha-1 contra 7,0 t ha-1 usando225 kg N ha-1). Isso ressalta a importânciado manejo cultural, pois ogasto energético é o mesmo em umaoperação bem ou mal feita, porémcom efeitos diversos.Um aspecto muito importante éque não há incentivo econômico paraprodutores que adotem práticasagrícolas com menores impactosambientais, o que pode prejudicar aelegibilidade de algumas culturasou sistemas de produção como legítimasfontes de energia. Políticas deincentivo ao aumento na produçãode biocombustíveis deveriam buscara racionalização do uso de insumos.Assim implantadas, promoveriamum grau maior de sustentabilidade,no que se refere ao desenvolvimentode recursos energéticosadicionais e tecnologias para reduziro consumo de energia pelos sistemasde produção.THIAGO LIBÓRIO ROMANELLI,Professor Doutor do Departamento deEngenharia Rural, ESALQ/USP.romanelli@usp.brdivulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 07


RESPONSABILIDADE SOCIALJalles Machado ampliainvestimentos sociaisRECURSOS DESTINADOSÀS AÇÕES SOCIAISCHEGAM A 2% DOFATURAMENTO COM OALCOOL ANIDRO EHIDRATADO E 1% DARECEITA OBTIDA COM APRODUÇÃO DE AÇÚCARCom previsão de investimentos da ordem deR$ 3,9 milhões para a área social neste ano,a empresa demonstra, na prática, um dos diferenciaisque a tornou reconhecida no setor sucroenergéticono País e até no exteriorA Jalles sempre investiu de forma planejadae organizada em ações de responsabilidade social.Foi praticando esta política arrojada que aempresa saiu na frente e foi a primeira do setorsucroalcooleiro na região Centro-Oeste a publicaro Balanço Social Anual, tornando públicasas suas ações e os investimentos nesta área.Atualmente, os programas desenvolvidospela Jalles Machado geram um reflexo diretonão apenas para os mais de 2.600 colaboradoresdiretos da empresa, mas também,para os seus familiares e a comunidade deGoianésia - município localizado a 170 quilômetrosde Goiânia.São iniciativas diversas como: doação de alimentosproduzidos na horta orgânica para entidadesque assistem pessoas carentes; projetode educação de jovens e adultos; cursos dequalificação técnica que a empresa viabilizaatravés de uma rede de parcerias e, ainda, oensino regular, oferecido por meio da EscolaLuiz César, onde os filhos dos acionistas, diretores,funcionários e também de pessoas dacomunidade (quando há disponibilidade de vagas)têm acesso à formação da primeira até asegunda fase do ensino fundamental.O diretor comercial da Jalles Machado, SegundoBraoios Martinez, destaca que, atualmente,os recursos destinados às ações sociaisalcançam patamares de 1% da receita do faturamentodo açúcar, 2% da receita do álcoolanidro e 2% da receita do álcool hidratado. Emvalores, no ano passado, isso correspondeu a08 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


um orçamento de nada menos que R$3.618.079,22. Para 2009, o valor está estimadoem R$ 3.979.113,16. É uma receita maior, porexemplo, que o total do IPTU arrecadado em Goianésia,no exercício de 2008 - cerca de R$ 2,8milhões.O diretor presidente Otávio Lage de SiqueiraFilho, observa que os investimentos sociais nãosão decorrentes de imposição legal. Mas, sim, umdesafio e um compromisso permanente da empresa.“A responsabilidade sócio-ambiental tornou-seuma marca registrada da Jalles Machadoe fez com que ela se tornasse, efetivamente, umaempresa de referência no setor sucroalcooleiro,reconhecida no País e no exterior”, ressalta.Conforme lembra, o compromisso social daJalles Machado está na sua origem. O seu pai,Otávio Lage de Siqueira, que foi prefeito de Goianésiae governador de Goiás, quando fundou aempresa teve como objetivo criar uma alternativapara a geração de empregos e renda no município.“Nosso foco é ter uma empresa humana,valorizando o trabalhador e colaborando paracom a melhoria da qualidade de vida das famíliasda nossa região”, sublinha Otávio Lage Filho,o Otavinho, que recentemente concluiu o segundomandato como prefeito da cidade e retornouao comando da empresa.fotos: jalles machadoUsina Jalles Machado,localizada no município deGoianésia (GO). Acima, fotosde exame clínico emfuncionário da empresa eda horta orgânica, cujaprodução é doada aentidades beneficientes.CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 09


AGRÍCOLAUSO SEGUROA Associação Nacional de DefesaVegetal (Andef) estabelece algumasrecomendações para o uso seguro dedefensivos agrícolas:Aquisição Produtos fitossanitários sódevem ser adquiridos mediantereceita agronômica emitida porprofissional habilitado Certifique-se de que a quantidadede produto que está sendo adquiridaé suficiente para tratar apenas aárea desejada. Evite comprarproduto em excesso Verifique o prazo de validade naembalagem do produto Verifique se o produto indicadopossui registro no Ministério daAgricultura e o cadastro estadual Verifique se a embalagem estálacrada, para evitar falsificações O rótulo e a bula devem estarem perfeitas condições parapermitir a leitura Certifique-se de que oequipamento de aplicação quevocê possui é apropriado paraaplicar o produtoDestinação correta das embalagensde agrotóxicos: cuidado indispensávelCana é modelo em usoracional de defensivosMANEJO ADEQUADO DO SOLO E MAIOR EMPREGO DE MÉTODOSNATURAIS REDUZ NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOSMaiara DouradoOuso e aplicação de defensivos agrícolas pareceser inevitável. No entanto, em um País ondese criou a cultura de que só se pode praticaragricultura baseando-se no uso intensivode insumos, o cultivo de cana tem se revelado umaexemplar exceção à regra.Entre culturas de uso racional e culturas de uso exagerado,a cana-de-açúcar se mostra econômica nademanda por agroquímicos. Tradicionalmente, o cultivode cana faz uso do controle biológico e utiliza poucoagrotóxico. Em geral, só um pouco de herbicida, quenormalmente é menos tóxico aos animais, e quase nadade inseticida e fungicida. Para o professor da UniversidadeFederal de Goiás, Paulo Marçal, a cultura dacana é modelo e uma das mais seguras e interessantesdo País. Além dos impactos ambientais mínimos, o seucultivo promove a proteção do solo, pois incorpora palhae matéria orgânica.Marçal explica que as empresas de agrotóxicos têmdificuldade em inserir produtos químicos na cultura decana, já que ela se desenvolve a partir da aplicação docontrole biológico e, principalmente, pelo fato da maisimportante praga da cana-de-açúcar, a broca da cana,inpevse localizar em local de difícil acesso na planta. "Essalagarta não pode ser atingida por aplicação de inseticidasquímicos. A única saída foi a introdução de inimigosnaturais que entram na galeria da cana, localizama lagarta, parasitam e a matam" , esclarece o professor.Em razão dessa dificuldade, a cana caminhou nosentido contrário das outras culturas, ou seja, da nãoutilização preferencial do controle químico. Marçal entendeque o uso racional de agrotóxicos pode ser viávela qualquer cultura. Para isso, recomenda que o produtoresteja atento ao manejo do solo, o que inclui rotaçãode culturas, conservação do solo, adubação corretae ajuste de nutrientes. A ideia é equilibrar solo eplanta, pois afirma que, com uma planta equilibrada, asuscetibilidade a pragas será menor."Temos que pararde fazer uma agricultura sustentada por insumos eprodutos milagrosos. Para isso é necessário manejo eequilíbrio. Esse é o uso correto e é para esse rumo quea agricultura deve caminhar", alerta o professor.No entanto, há casos em que a aplicação de produtosdefensivos pode ser imprescindível e, quando issoocorrer, os cuidados devem ser redobrados. Os defensivossão tóxicos e, na maior parte das vezes, de efeitodesconhecido. Para isso, o alerta é um só. Nunca negligencieos riscos ao manusear agrotóxicos!Armazenamento Produtos fitossanitários devem serarmazenados em local próprio,devidamente identificados O local deve ser ventilado, cobertoe com piso impermeável A construção deve ser de alvenariaou de material não carburante Os produtos devem ficar com osrótulos voltados para fora da pilha,para facilitar a identificação Se o produto for guardado numgalpão de máquinas, a área deve serisolada com telas ou paredes Não faça estoques de produtosalém das quantidades previstas parauso a curto prazo Os produtos devem serseparados por classe (fungicida,inseticida, herbicida, acaricida eoutros) para evitar confusões econtaminação cruzada Mantenha sempre o produto naembalagem original Para manusear embalagens que játenham sido abertas, use luvas No caso de rompimento deembalagem, vista os EPI's e use umrecipiente para conter o vazamentoManuseio e Aplicação Leia cuidadosamente as instruçõesdo rótulo e/ou bula do produto antesda aplicação Vista os equipamentos de proteçãoindividual recomendados Verifique a calibragem doequipamento aplicador usandoapenas água Verifique se o equipamentoaplicador possui vazamentos eelimine-os antes de preparar a calda Misture a quantidade certa deproduto para preparar a calda queserá usada no tratamento Faça a tríplice lavagem oulavagem sobre pressão dasembalagens vazias enquanto estiverpreparando a calda Escolha as horas mais frescas dodia para realizar a pulverização Não aplique o produtona presença de ventos fortes,evite a deriva.10 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


IMPOSTOSGoiás reduzICMS doetanolPresidente executivo do Sifaeg, AndréRocha, governador Alcides Rodrigues,secretário da Fazenda, Jorcelino Braga e opresidente do Sindiposto, Luiz PuccisifaegLuisa DiasCom 29 unidades produtoras de etanol em funcionamento,o Estado de Goiás passa a contar coma terceira menor alíquota do Imposto sobre Circulaçãode Mercadorias e Serviços (ICMS) do País sobre oetanol. O tributo caiu de 26% para 20% e motivou aqueda do preço do litro do álcool hidratado de R$1,59 para até R$ 1,47, valor ainda muito superior aospraticados em São Paulo, onde vigora a menoralíquota do País (12%), o que permite preços aindamais competitivos. Mesmo ainda não tendo alcançadoa primeira posição, produtores e revendedores deetanol comemoraram a decisão que tirou o Estado daúltima posição no ranking do ICMS.O decreto autorizando a diminuição do tributofoi assinado no início do mês de maio pelo governadorAlcides Rodrigues, durante evento realizadono Sindicato das Indústrias de Fabricação de Álcool(Sifaeg) e segue uma tendência nacional de diminuiçãoda carga tributária, aumento da arrecadaçãoe redução da sonegação. De acordo com o advogadotributarista Flávio Rodovalho, os governantesbrasileiros, depois de muito tempo, perceberamque, quanto menor a alíquota, menor é a sonegação."Este é um raciocínio que deve sempre ser feitoquando se é aplicado um tributo, porque a taxaalta pode gerar uma forte sonegação. No caso doetanol, acredito que a arrecadação do Estado irá facilmenteaumentar, porque estimula o consumo".A expectativa é que haja um aumento daarrecadação em Goiás de até 40%. Na última redução,entre 2004 e 2008, o consumo do etanol cresceu35%. O aumento é prerrogativa para a manutençãodo decreto, que não tem data de vencimento.O governador do Estado, Alcides Rodrigues, afirmouque confia na cadeia do setor sucroenergético."Acreditamos no aumento da arrecadação, da geraçãode renda e da manutenção dos empregos nas indústriase nos postos. Todos serão beneficiados e, emespecial, os consumidores", disse o governador.Atualmente, de acordo com dados do Sindicatodo Comércio Varejista dos Derivados do Petróleo doEstado de Goiás (Sindiposto), a proporção de vendapara o consumidor é de 60% para a gasolina e 40%para o etanol. "Acredito que, com a queda do preço,esta situação irá se reverter e o etanol será omaior responsável pelas vendas nos postos", afirmouo presidente da entidade, Luiz Pucci.O presidente do Sifaeg, André Luiz Lins Rocha,comemora a decisão conquistada pelo setor juntoao governo. Para ele, as indústrias terão preços maiscompetitivos e poderão ampliar a atuação no mercado.Atualmente, 85% da produção de etanol doEstado são consumidos em Goiás. Outra meta é ampliaro consumo no Distrito Federal, onde o ICMSainda é um entrave, e as indústrias goianas são responsáveispor 50% do abastecimento.CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 11


TECNOLOGIAPlástico àbase de etanolPLÁSTICO DE POLIETILENO VERDE ESTARÁÀ DISPOSIÇÃO DO MERCADO EM BREVEMaiara DouradoOplástico de polietileno verde sai dos laboratórios de pesquisa epassa para a produção em escala industrial. A novidade é que aBraskem já deu início as obras da primeira indústria do mundo autilizar etanol de cana-de-açúcar para a produção em escala comercialde eteno e polietileno de origem 100% renovável.A indústria, com sede em Triunfo, no Rio Grande do Sul, investiu cerca deR$500 milhões no projeto e calcula uma produção de 200 mil toneladas porano de eteno (matéria-prima para o polietileno). A empresa pretende construiruma planta industrial para a fabricação do eteno a partir de etanol, quedeve estar pronta até o quarto trimestre de 2010. A operação comercial estáprevista para começo de 2011.O projeto de produção do plástico verde deve utilizar cerca de 470 milhõesde litros de etanol por ano. O volume será adquirido de outras regiões e serátransportado por cabotagem até o terminal de Santa Clara, em Triunfo, edepois transferido via duto para a fábrica de polietileno.Em entrevista exclusiva ao CANAL, João Freire, gerente de relaçõesinstitucionais da Braskem, no Rio Grande do Sul, fala das perspectivaspara o novo empreendimento da empresa e das expectativas do produtofrente ao mercado.João Freire, gerentede relações institucionaisda BraskemQual a expectativa de mercado para o produto?A unidade terá capacidade para produzir 200 mil toneladas/anode eteno verde, a partir do etanol, que serãotransformadas em volume equivalente de polietileno emunidades industriais já existentes, no próprio Polo de Triunfo.A partida da nova planta está prevista para o quartotrimestre de 2010 e o início da operação comercial parao começo de 2011. Estima-se uma demanda potencialjá mapeada de 600 mil toneladas/ano para o produto, portanto,três vezes maior do que a capacidade inicialmenteinstalada.Qual será o destino da produção do biopolietileno?A Braskem vem estabelecendo, desde o ano passado, umasérie de parcerias com renomados clientes nacionais e internacionais,principalmente da Europa, Estados Unidos eJapão, interessados em reforçar a associação de suas marcasao conceito de sustentabilidade. Cabe ressaltar osacordos firmados e já passíveis de comunicar ao mercado,com o Grupo Toyota, e Shiseido, renomado fabricante decosméticos voltados ao segmento de alto padrão, além daBrinquedos Estrela e Cromex (fabricante de pigmentos).Há a intenção de se exportar a tecnologia?A Braskem desenvolveu tecnologia para seu uso próprio.De qualquer forma, já fomos procurados por várias empresaspara poder desenvolver associações ou mesmo vendera tecnologia. Atualmente, estamos focando as competênciasda Braskem na construção deste primeiro empreendimentopara, posteriormente, avaliar outras oportunidadesde negócios.Quais as vantagens e desvantagens do plástico verde?As características de aplicação e propriedades do polímeroverde são idênticas às do plástico tradicional, o quepermite às indústrias de transformação aproveitar todo oseu parque fabril atual para processar a resina de fonte renovável.A vantagem é que o polietileno verde retira CO2da atmosfera ao longo do seu ciclo de vida, do cultivo dacana à reciclagem do produto após seu uso. Ele ainda temaplicação em mercados como o automobilístico, indústriade brinquedos, embalagens sopradas para alimentos eprodutos de higiene e embalagens injetadas para utilidadesdomésticas.Tendo em vista o início das obras no Polo Petroquímico deTriunfo e a perspectriva de comercialização do produto,qual o próximo passo da empresa?Firmar novas parcerias para fornecimento do polietilenoverde a empresas comprometidas com a sustentabilidadee dar continuidade aos estudos de viabilidade de produçãoem escala comercial do polipropileno verde.fotos: divulgação12 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


BIOCOMBUSTÍVELProduto tipo exportaçãoBRASIL TENTA, A CADA ANO, MELHORAR A PERFORMANCE DO ETANOL DE CANA NO MERCADOEXTERNO. ESTIMATIVAS REVELAM QUE A TENDÊNCIA É DE CRESCIMENTO NAS EXPORTAÇÕESRhudy CrysthianOetanol tem ganhado destaque no cenáriomundial em meio a discussões sobremudanças climáticas, perante a crescentedemanda internacional por fontesde energia limpas e a preocupação dos paísesem reduzir sua dependência de petróleo. Este cenáriomelhora a imagem do País como fornecedormundial, pois também usa como matériaprimaum produto considerado mais eficiente acada dia e com maior poder de redução de emissõesde gases causadores do efeito estufa.Estados Unidos e União Europeia, por exemplo,têm programas para promover o consumode biocombustíveis e deverão aumentar a misturade etanol nos próximos anos. Além disso,avanços tecnológicos a médio prazo, como oetanol de segunda geração, produzido a partirde materiais hoje descartados, como sobras decolheita ou palha e bagaço de cana, deverãopermitir aumentar a produção sem necessidadede ampliação de área.De acordo com cálculos da consultoria Ernst& Young, as exportações brasileiras do etanoldeverão crescer 8,9% ao ano. As barreiras enfrentadaspelo produto no mercado internacional,como tarifas de importação, tendem a serreduzidas gradualmente. Já a previsão do governobrasileiro é de aumentar a produção deetanol em 150% até 2020.Segundo o diretor técnico da União da Indústriade Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio dePadua Rodrigues, imaginar que o crescimentodo etanol significa uma substituição do petróleoé ilusão. A entidade é ponderada em suasestimativas, para não causar grandes expectativasno setor, mas Padua afirma que há umgrande caminho para o etanol ganhar maisdestaque no mercado nacional. "O etanoltem primeiro o desafio de se tornar umacommodity global".MERCADOSPadua diz que uma estratégiapara atingir mercados maisfechados é utilizar barreiras tarifárias de outrospaíses. Com o objetivo de isentar o etanol deuma tarifa de importação norte-americana,grandes quantidades do produto brasileiro exportadopara os Estados Unidos passam, porexemplo, pelo Caribe. Os Estados Unidos fecharamuma brecha que permitia que empresas petrolíferasimportassem etanol sem tarifas.Segundo o diretor da Unica, a abertura de umescritório da entidade em Bruxelas também temajudado o etanol brasileiro a ganhar mais forçalá fora. Ele afirma que a entidade entende a realnecessidade de abrir novos mercados, de melhoraro diálogo e as negociações para aumentar aexportação com base na argumentação de que oetanol é uma solução ecológica.A possibilidade de a Europa cortar as emissõesde CO2, o que provocará uma maior utilização deetanol, também é um passo vigiado a cada instantepela Unica, pois também representa umaoportunidade de ampliar o mercado.A Petrobras também pretende expandir suasfronteiras bioenergéticas. A empresa quer transformaro Brasil no maior fornecedor de combustívelrenovável do mundo. Segundo a estatal, omercado mais promissor é o Japão, mas a empresatambém negocia com outras praças, como aasiática, a africana e a norte-americana.Há quase dois anos, em parceria com a JapanAlcohol Trading, a Petrobras criou a CompanhiaBrasil Japão Etanol para promover o uso do combustívelem veículos e seu emprego na geraçãode energia. Para garantir o fornecimento, a estatalanalisa 40 projetos com empreendedores nacionaispara a construção de usinas de etanol.Acesso aos mercadosO etanol ainda enfrentará uma longa caminhadaaté se tornar uma commodity mundial. AUnião das Nações Unidas (ONU), por exemplo, jápropôs a criação de uma série de critérios paraque os biocombustíveis tenham acesso a grandesmercados internacionais.Os critérios de produção e investimentodevem incluir garantias de acesso a alimentos,de que pequenos agricultores não serão expulsosde suas terras e casas, de remuneração justa aostrabalhadores e de proteção dos direitos de indígenase mulheres. O acesso aos mercados internacionaissó poderia ocorrer se o etanol fosseproduzido nessas bases.A ONU sugere até mesmo uma reforma nasleis da Organização Mundial do Comércio (OMC)para dar fim a todos os esquemas de subsídios eincentivos fiscais nos países ricos para a produçãode etanol, o que estaria gerando uma distorçãonos mercados e um comércio artificial.CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 13


FERTILIZANTESCaminhos para aautossuficiênciaGOVERNOBRASILEIRO TOMAA DECISÃOPOLÍTICA DE LIVRARO PAÍS DA FORTEDEPENDÊNCIA PORFERTILIZANTESIMPORTADOSnew holland/abr/divulgaçãoEvandro BittencourtAexpressiva elevação dos preços dos fertilizantesem 2008 impactou fortemente aatividade canavieira e a produção de soja,entre várias outras culturas. A realidade levouprodutores, autoridades e grande parcela da sociedadeà preocupante constatação de que o Brasil,a despeito de ser um dos maiores produtores agrícolasdo mundo, é altamente dependente dos fertilizantesproduzidos a partir de matérias-primas obtidaem jazidas de outros países. E mais, que a comercializaçãodesses produtos no País está na mãode, basicamente, três grandes empresas multinacionais,uma situação de alta vulnerabilidade que levouo governo federal a reagir e tentar reverter ou,pelo menos, reduzir a concentração do mercado e odesequilíbrio entre produção e demanda desses insumos,imprescindíveis para a atividade agrícola.Em recente participação no Congresso Brasileirode soja, realizado em Goiânia, no mês de maio, o Ministroda Agricultura, Reinhold Sthepanes, revelouao público presente os motivos que levaram o governoa elaborar o Plano Nacional de Fertilizantes. Otrabalho é desenvolvido pelo Mapa, em conjuntocom outros ministérios e instituições, para reduzir adependência do Brasil das importações de insumos,sobretudo do nitrogênio, fósforo e potássio.Como exemplo, o ministro destaca que há, basicamente,quatro países no mundo que produzeme dominam as reservas de potássio e três empresasque controlam a comercialização. “Por isso,a gente já pode ver o tamanho do problemaque temos e vamos ter pela frente. Numa situaçãoassim, essas empresas têm toda uma condiçãode regular o mercado. Precisamos achar uma soluçãopara conviver de uma forma mais equilibradacom essa realidade”, defende o ministro.O detalhamento do Plano Nacional de Fertilizantesestá previsto para ser apresentado no final domês de junho, mas Reinhold Stephanes, em suaapresentação no Congresso Brasileiro de Soja, dissecouaos quase 2 mil participantes do evento o perfilda dependência do Brasil, destacando que as importaçõesrespondem por 73% do consumo nacional defertilizantes. Garantiu, ainda, que o Brasil tem jazidasainda não exploradas suficientes para tornar oPaís auto-suficiente em um prazo de 10 anos.PÓ DE ROCHAParalelamente ao esforço do governo, instituiçõesde ensino e de pesquisa, com destaque para aEmbrapa e Universidade de Brasília, buscam soluçõesalternativas de fertilizantes cuja matéria-primaseja abundante e barata e, o que é mais importante,esteja disponível aqui mesmo, no Brasil.Pesquisadora associada da Universidade de Brasíliae funcionária da Petrobras, Suzi Huff Theodoro,que há vários anos desenvolve pesquisas sobreo uso de pós de rochas na agricultura, destaca queo Brasil é um País extremamente geodiverso. Trata-sede uma riqueza inexplorada, que pode ajudara diminuir a dependência por fertilizantes.As rochas que podem ser utilizadas para adubar,explica a pesquisadora, são aquelas que, por sua naturezagenética, apresentam quantidades significativasdos principais macro e micronutrientes requeridospelas plantas, a exemplo das rochas ultra-potássicas,fonte de potássio. “Quando consideramos que 91% dopotássio consumido no Brasil é importado, percebe-14 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


mos o quanto é importante encontrarfontes alternativas.”Outros tipos de rocha, prossegueSuzi Huff Theodoro, sãofonte de cálcio, magnésio e fósforo.“Consideramos que a presençadesses nutrientes é umaparte da razão do sucesso deprodutividade. Além deles, osmicronutrientes desempenhamuma função muito especial”.Segundo a pesquisadora, aagricultura moderna convencionaldeixou de lado grandeparte dos micronutrientes. Deuma lista de muitos, usam-se,basicamente, apenas 10 deles e,ainda assim, eventualmente.“Com isso, os alimentos deixamde ter esses nutrientes, porqueeles já se exauriram no solo. Oalimento consumido não temesses elementos e, portanto, oorganismo deixa de assimilar asquantidades necessárias de molibdênioe vanádio, por exemplo,o que acaba acaba acarretandoproblemas à saúde.”Bactérias fixadoras de nitrogênioA consistência dos resultadosobtidos em uma pesquisa sobreinoculantes com bactérias fixadorasde nitrogênio para aplicaçãoem cana-de-açúcar, liderada porVerônica Massena Reis, da EmbrapaAgrobiologia, promete revolucionara aplicação de fertilizantesnitrogenados na cultura.Ensaios em larga escala da aplicaçãodas bactérias já estão sendorealizados em várias usinas parceirasda Embrapa no desenvolvimentoda tecnologia. “Estamosfazendo testes de campo em canaplanta e já tentando aplicar abactéria na cana soca”.Segundo a líder da pesquisa, háum grande esforço sendo realizado,no momento, para desenvolverprocessos de aplicação em largaescala do inoculante, de umaforma fácil e que reduza a necessidadede adubação nitrogenadaconvencional em 100% na canade primeiro ano. Na cana soca,provavelmente, essa redução deveficar em torno de 50%. Esse é oporcentual que estamos preconizando,embora tenhamos trabalhadocom até 100% de redução,sem perda de produtividade.”A tecnologia já foi repassada àindústria, informa Verônica MassenaReis. “Fizemos um editalaberto à indústria nacional e quatrocompanhias se habilitaram,receberam as estirpes e agora elastêm até dois anos para lançar oproduto final, pois serão as responsáveispelo inoculante que serácomercializado no mercado.”A princípio, segundo VerônicaMassena, o produto deverá ser recomendadopara todas as regiõesdo País. “Estamos trabalhandocom várias usinas do Nordeste, deSão Paulo e vamos começar noParaná e no Rio Grande do Sul,regiões mais frias, mas onde a canatambém está avançando, e naregião do Cerrado.”Reinhold Stephanes diz que oBrasil tem condições de se tornarauto-suficiente em fertilizantesCANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 15


Origem do trabalhoA pesquisa sobre inoculantes combactérias fixadoras de nitrogênio paraaplicação em cana-de-açúcar nasceucom a utilização de bactérias que possuemuma enzima denominada nitrogenase.Essas bactérias são capazes de fixarnitrogênio atmosférico de uma formaassimilável para as plantas.Um exemplo é o rizóbio da soja, jámuito conhecido e usado no Brasil. VerônicaMassena Reis, pesquisadora daEmbrapa Agrobiologia, explica que aTecnologia consiste em não aplicar o nitrogênioconvencional e sim o inoculante,com bactérias vivas. Esses microrganismos,numa relação de simbiose,fazem com que a demanda de nitrogênioda planta seja retirada do ar, alémde uma parte que é absorvida pelo solo,eliminando a necessidade do fertilizanteconvencional.O trabalho de fixação biológica denitrogênio em cana-de-açúcar teveinício na década de 1950, com a pesquisadoraJoana Dobëreiner, descobridorada bactéria Beijenrinckia fluminensis,que vive associada às plantas.O feito lhe rendeu especial distinçãono meio científico mundial.Desde aquela época, conta VerônicaMassena, o grupo de pesquisadorescresceu e novas bactérias foram descobertas,formando-se uma coleção commais de 8 mil microrganismos identificadose testados nas plantas de interesseagronômico, como o milho, o trigo, oarroz e a soja, além da cana-de-açúcar.A cana teve uma grande ênfase, segundoa pesquisadora, a partir de1992, quando os pesquisadores da Embrapaconseguiram desenvolver umametodologia que quantificava a contribuiçãodessas bactérias em plantasnão leguminosas. “Foi constatado queaté 70% do nitrogênio que a cana acumulavavinha da fixação aérea de nitrogênio,o que só as bactérias são capazesde fazer. Isso representou diferençana pesquisa, pois até então nãose acreditava que plantas que não tivessemnódulos eram capazes de tertanto nitrogênio acumulado por meioda fixação biológica.”A partir dessa descoberta, os pesquisadorescomeçaram a fazer um estudointensivo de seleção de estirpes de bactériaspara aplicação como inoculantes.Depois de vários anos de trabalho, chegarama uma mistura de cinco espéciesde bactérias, todas isoladas da cana-deaçúcarplantada no Brasil, ou seja, quejá estão na natureza.Apoio às pesquisas com o pó de rochaO governo federal está convencido de quevale a pena apostar em alternativas para aprodução de fertilizantes naturais, afirma apesquisadora associada da Universidade deBrasília, Suzi Huff Theodoro, que no Brasil liderapesquisas com o pó de rocha na agricultura,tecnologia denominada rochagem. Segundoela, já existe um grupo de trabalho coordenadopelo ministério de Minas e Energiae outros grupos, em várias unidades da Embrapa,que formam uma rede denominadaAgriRocha.A Petrobras, exemplifica a pesquisadora, temuma área de exploração de petróleo a partir deuma rocha chamada xisto, pertencente à formaçãoIrati, que está distribuída desde SantaCatarina até o Sul de Goiás. “O subproduto dessaexploração é um material de excelente qualidadepara utilizar como fertilizante. A Embrapavem colaborando nessa pesquisa e achandoresultados bem interessantes do ponto de vistada alteração dos níveis de fertilidade no solo.”Suzi Huff Theodoro explica que o trabalhoestá no nascedouro. Existem dados de pesquisa,mas ainda há uma restrição para a comercializaçãodo pó de rocha, pois esse produtonão está inserido em nenhuma das categoriasem que a comercialização é permitida peloMinistério da Agricultura. “É preciso definircomo viabilizar a comercialização de rochasque sejam interessantes. Estamos trabalhandojunto com o Mapa para criar uma categoria eviabilizar esse tipo de atividade comercial. Acriação de uma categoria para o produto e deuma licença de comercialização é importante,segundo a pesquisadora, para evitar que sejamintroduzidos no mercado pós de rocha quenão sejam ricos em nutrientes interessantes,mas vendidos como produtos de eficácia, ouque tenham algum tipo de contaminante.A produção de biocombustíveis, um doscarros-chefe do governo e a mais concretaalternativa para o país diversificar sua matrizenergética, poderia ser muita beneficiadacom o uso do pó de rocha no cultivo das matérias-primas,acredita Suzi Huff. “Do pontode vista da fertilidade do solo, a cana-deaçúcaré uma consumidora voraz de nutrientese temos experimentos com a cultura quemostram que o pó de rocha aplicado, desdeque o manejo não seja superintensivo, permaneceno solo por mais de cinco anos.”É nítida a mudança visual verificada no solo após a aplicação do pó de rocha e do manejoagroecológico. Níveis de fertilidade melhoram significativamente nos experimentosfotos: suzi huff theodoro16 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


CANA-DE-AÇÚCARPara a pesquisadora, a rochagempode ser uma alternativa importantepara viabilizar o setor de biocombustíveiscom custos menores,ainda que o fertilizante natural fosseutilizado em apenas parte dasáreas de cultivo, devido às grandesdimensões das áreas de lavoura.“Além disso, haveria ganhos ambientaisao deixar de acrescentar aosolo fertilizantes solúveis, que podemcontaminar o meio ambiente.Nos experimentros em que seutilizou o pó de rocha no cultivo dacana, os pesquisadores observarammelhor perfilhamento das plantas emaior quantidade de massa verde –o que é especialmente interessantepara a produção canavieira. “Constatamosque o enraizamento dasplantas é bem maior (foto à esquerda)e, quando se tem plantascom sistema radicular mais estruturado,evita-se a formação de erosões,”diz a pesquisadora.A primeira conferência internacionalsobre o uso do pó de rochana agricultura foi realizada em2004 e contou com representantesdos cinco continentes. O eventoofereceu uma perspectiva do queestava sendo realizado no mundoem relação ao tema. “Verificamosque, especialmente no Brasil e emalguns países da África, as pesquisasestavam bem adiantadas.”CONGRESSOO 1º Congresso Brasileiro de Rochagem,informa Suzi, será realizadoem Brasília (DF), de 21 a 25 desetembro de 2009. O evento, umarealização dos ministérios de Minase Energia, Ciência e Tecnologia, Petrobrase Embrapa, contará com oapoio de diversas instituições brasileirasligadas à pesquisa, à regulamentação,à produção mineral eaproveitamento de resíduos mínero-industriaise à comercializaçãode seus produtos.Outra apoiadora do congresso éa Fundação Internacional Rocks forCrops, representante de uma redeinternacional que busca as informaçõese as divulga por meio detrabalhos científicos. Dela participamBrasil, Portugal, China Japão ecinco países africanos.verônica massena reisCana-de-açúcar tratada com o inoculante e pronta para ser plantada no campoBIODIESELDiversificação dasmatérias-primasEstudos para a diversificação dasmatérias-primas para a produçãode óleo a ser misturado ao dieselmineral foram debatidos nareunião da Câmara Setorial de Oleaginosase Biodiesel no último mês.De acordo com o presidente daCâmara e coordenador-geral deAgroenergia da Secretaria de Produçãoe Agroenergia do Ministérioda Agricultura, Pecuária e Abastecimento(Mapa), Denílson Ferreira,todos os segmentos da cadeia dobiodiesel voltaram a se reunir após19 meses e discutiram culturas alternativas,como pinhão manso,dendê e mamona. Atualmente, asoja é a principal matéria-primana composição do biodiesel.O Ministério de Minas e Energiavai aumentar de 3 para 4% a misturado óleo ao diesel (B4), em julhodeste ano. A frota brasileiraconsumiu cerca de um bilhão delitros de biodiesel em 2008. Cercade 36 mil agricultores familiarestrabalharam, em 2008, nas lavourasde mamona (Estados do Nordeste),dendê (Estados do Norte) esoja e canola (RS).A expectativa é de que este númeroavance para 82 mil agricultores.O Programa Nacional de Produçãoe Uso do Biodiesel leva emconsideração a sustentabilidadeambiental, o balanço energético e aquestão social. Estão autorizadas afuncionar 46 usinas de biodiesel.rogério reis/petrobrasCANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 17


LOGÍSTICAAlcooldutos à vistaMaior parte da produção de etanolainda é transportada emcaminhões-tanqueMaiara DouradoRecessões e crises à parte, empresas delogística, algumas criadas pelas própriasusinas, enxergam no setor sucroenergéticoboas oportunidades de absorveras demandas de transporte do etanol.Para isso elas projetam a construção de dutoscomo forma alternativa, rápida e eficiente paraotimização do serviço de escoamento do combustível.A introdução desse modal pode vir arepresentar a possibilidade de ampliação da capacidadecompetitiva e de sustentabilidade doetanol fora do País.De acordo com a pesquisadora do Centro deCiência de Tecnologia do Bioetanol (CTBE), MirnaIvonne Gaya Scantidiffio, cerca de 90% dotransporte de etanol, atualmente, é feito porcaminhões-tanque. O sistema rodoviário é escolhidocomo principal via de escoamento nãopela sua eficiência, mas por falta de alternativascapazes de realizar o transbordo do etanolpor ferrovia ou hidrovia.O alcoolduto, sem dúvida, é a melhor opçãopara o transporte do etanol. "Tanto do ponto devista econômico, como ambiental", completaMirna. No entanto, o setor pode vir a enfrentaralguns desafios. "Para viabilizar o custo da construçãode dutos dedicados ao transporte de etanol,é necessário garantir um volume mínimo deescoamento do combustível renovável, seja paraos pontos de distribuição no mercado interno oupara exportação", explica a pesquisadora.Atualmente, o transporte de etanol atravésde dutos no País é praticamente insignificante.Segundo estatísticas do Centro de Gestão e EstudosEstratégicos (CGEE), o número não chegaa 2%. Porém, em 1981, no auge do Proálcool, otransporte rodoviário representava apenas 37%do transporte de álcool e as dutovias, 13%. "Ainfra-estrutura atual do País para o escoamentode etanol não apresenta grandes mudançasquando comparada à da época da criação doProálcool, na década de setenta, embora o Programativesse como objetivo o abastecimentodo mercado interno", relata Mirna.O cenário, no entanto, está mudando. Éperceptível o interesse de empresas de logísticae infra-estrutura no investimento de dutoviáriosexclusivos para álcool. Por essemotivo, a reportagem do CANAL escolheu ostrês projetos de alcooldutos que estão emmaior evidência no País, a fim de levantar osavanços e as dificuldades encontradas pelasoperadoras para implantação dos projetos.São elas a Centro-Sul/Brenco, Uniduto eTranspetro/Petrobrás. Para isso, conversamoscom diretores das empresas em questão nointuito de buscar informações sobre o andamentodos projetos. Somente a Petrobrásnão forneceu informações quanto ao andamentode seu projeto.UNIDUTOEm março desse ano, a recém-criada Uniduto,empresa de logística voltada para o escoamentode etanol, anunciou a primeira fase de seu projeto,que irá contemplar a região paulista, ligandoSertãozinho (interior de São Paulo) ao Portode Santos. O projeto ainda prevê uma segundafase, na qual serão construídos pontos coletoresno Estado de Goiás, na região de Itumbiara, e emMinas Gerais, na região de Uberlândia.A etapa que liga Sertãozinho ao Porto deSantos conta com uma rede de dutos de 618km. De Itumbiara até Sertãozinho, a rede chegaa 400 km, ou seja, mais de mil quilômetros ligandoo centro do País ao litoral. Na primeiraetapa, estão previstos três pontos coletores,localizados em Juqueritiba, Conchas e Sertãozinho,todos no interior de São Paulo. Há,ainda, duas bases de distribuição, uma em Paulíniae a outra em local ainda não definido, mascom grandes chances de ser na região metropolitanade São Paulo.O projeto vai muito além da construção doduto para escoamento de etanol, isso porque aUniduto pretende sanar outro grande problemalogístico do setor, o portuário. Para isso,consta em seu projeto a construção de um portopróprio, em Guarujá (SP).De acordo com o presidente da Uniduto,Sérgio van Klaveren, já foi comprada a área parao início das obras do porto, em 2010. O investimentoda fase paulista do projeto deve chegara R$1,8 bilhão. O projeto segue em fase de licenciamentoambiental, de engenharia básica ede levantamento de recursos financeiros. "Começamoso licenciamento em setembro de 2008e a perspectiva é de ter as licenças a partir do finaldesse ano ou início de 2010", relata Sérgio.As extensões de Goiás e Minas Gerais ainda estãosem previsão de início, pois dependem deestudos de viabilidade e produção.18 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


OBRAS DO PRIMEIRO ALCOOLDUTO DO PAÍS ESTÃO PROGRAMADAS PARA COMEÇAR EM 2011.TRÊS PROJETOS, DA INICIATIVA PÚBLICA E PRIVADA, ESTÃO EM FASE MAIS ADIANTADAfotos: stock.schng/unica/dir oper centrosul/paulo venturiniInvestimentos contemplam diversas possibilidades comerciaisA Uniduto tem em seu projeto possibilidadesdiferenciadas. O porto não vai servir somentepara exportação, servirá também para cabotagem,para mandar etanol para regiões comoNorte, Nordeste e Sul do país, além da criaçãode bases de distribuição em outras regiões,explica Sérgio van Klaveren.A dinâmica de um sistema de transporte seamplia ao compor com outros modais. É o casodo alcoolduto da Uniduto, que se liga a outrostipos de sistema de transporte, como o hidroviárioe o ferroviário. Isso porque as localizaçõesde seus pontos coletores são estratégicas, jáque o ponto de Juqueritiba estabelece conexãocom uma ferrovia, o de Conchas desemboca noporto do rio Tietê e o de Sertãozinho está na direçãodo Triângulo Mineiro e Goiás.A Uniduto tem se apresentado no mercadocomo uma empresa que visa melhorar a infra-estruturalogística do setor sucroenergético.A ideia pode parecer um tanto idealista,mas não para um grupo de produtoresde etanol, composto por mais de 80 unidadesprodutoras, que entendem a construção deum alcoolduto como uma necessidade realde otimizar o serviço de transporte de seuproduto.Implantação de alcoolduto demanda grandesvolumes para viabilizar investimentoMoacir Megiolaro, diretor de Operaçõesda Centro Sul Transportadora DutoviáriaBRENCOA Centro Sul Transportadora Dutoviária foi criadapela Brenco Companhia Brasileira de EnergiaRenovável. Na mesma lógica comercial que a Uniduto,a empresa não pretende atender somente aassociados, mas também a outros produtores deetanol interessados no escoamento via dutos. A escolhado trajeto contempla o primeiro polo de produçãode biocombustível da Brenco, localizado emAlto Taquari (MT), se estendendo até o porto deSantos (SP). A opção pelo porto paulista se deve aofato de o sudeste de São Paulo ser uma importanteregião de produção de etanol e de alto consumodo biocombustível.A implantação de um sistema dutoviário exigedo empreendedor investimentos altos e, principalmente,um volume de escoamento, no mínimo, razoávelpara garantir investimentos. De fato, essa jánão é mais uma preocupação da Brenco. O projetojá prevê a participação de 90 produtores e capacidadede escoamento de 8 milhões de metroscúbicos por ano.O diretor de operações da Centro Sul TransportadoraDutoviária, Moacyr Megiolaro, garante que"o projeto é de alta atratividade". Ele explica que,dos 90 produtores, 14 representam 70% da capacidadede escoamento do alcoolduto. "Só a Brencoproduz 4 milhões de metros cúbicos por ano".São mais de mil quilômetros de extensão, cincopontos coletores e três bases de distribuição. Dentreos pontos coletores estão Alto Taquari (MT), Caçu(GO), Paranaíba (MS); Noroeste I, ainda em negociação,mas que deve se instalar entre Fernandópolise Votuporanga e Noroeste II, com possibilidadesde se implantar entre Uchôa e Catanduva.Já os terminais de distribuição estão previstos emPaulínia, mediações de Santo André e BaixadaPaulista, que pode ser na margem esquerda doporto de Santos - Ilha Bernabé ou Cubatão.Um dos grandes diferenciais do projeto está noterminal de distribuição na região de Santo André.De acordo com Megiolaro, ele é o único próximoda região de maior produção de etanol do País, aregião de São Paulo. Além disso, o terminal oferecetoda a tecnologia necessária para um serviçorápido de carregamento de caminhões. "Normalmente,os terminais possuem poucas ilhas de carregamentode caminhão e este novo terminal estápreparado para atendê-los simultaneamente" explicao diretor da Centro Sul.Competitividade do etanol dependede escoamento eficiente e de baixo custoCUSTOSO custo da obra, cerca de R$ 2,7 bilhões, deveser dividido entre Brenco, fornecedores e bancos.Cerca de 30% do valor do projeto será custeadocom recursos próprios e os outros 70% financiadosjunto a instituições financeiras. O diretor daempresa diz que a Centro Sul está aberta a parceriase que, atualmente, estão sendo feitas negociaçõescom produtores de etanol.CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 19


Estudos geológico e de impacto ambientalEm processo de licenciamento ambiental,a Centro Sul TransportadoraDutoviária, da Brenco, aguarda conclusãodos estudos geológicos e deimpacto ambiental na área onde oduto será construído. Megiolaroacredita que até novembro o grupoterá a licença prévia para operaçãodo alcoolduto. No entanto, esse nemsempre é um percurso fácil, já que oacesso às terras para o início dasobras exige negociação com quasecinco mil proprietários de cerca de70 municípios.O curioso é que o projeto está sendolicenciado como poliduto, mas vaitransportar só etanol. O diretor explicaque no Brasil não existe órgão que regulealcooldutos. Por isso, a Centro Sulfez o licenciamento via Agência Nacionalde Petróleo, como duto polivalente.Oito milhões de metros cúbicos de escoamentoanual. Essa é a expectativa daCentro Sul para um período de até seteanos. "Acredito que até o quinto ano defuncionamento se atinja os oito milhõesde metros cúbicos", confia Megiolaro.PETROBRASPrevisto dentro do projeto Corredorde Exportação de Etanol, o alcooldutoda Petrobras caminha a passos lentos.Desde 2006, a instituição negocia o iníciodas obras do duto, que deverá ligarSenador Canedo (GO) a São Paulo, totalizandouma extensão de duto de 1056km. Há duas possibilidades de saída parao mar, Ilha D'água (RJ) ou São Sebastião(SP). Atualmente, a conclusão está previstapara 2012.O projeto conta com entidades parceiras,como Mitsui e Camargo Côrrea,que devem garantir a estrutura de produçãoe logística do alcoolduto. O investimentototal é estimado em US$ 2 bilhões,e a capacidade de escoamento de12 milhões de metros cúbicos por ano.Em reunião em Goiânia, o presidentedo consórcio Petrobras, Mitsui e CamargoCorrêa (PMCC), Alberto Guimarães, afirmouque o trecho em Goiás é incerto, jáque depende de viabilização econômica.No entanto, o trajeto de Uberaba ao Portode São Sebastião (RJ) tem previsão detérmino em setembro de 2012.Com mais de três anos de negociação,o alcoolduto da Petrobras está estacionadoe tem incitado iniciativasprivadas a movimentar o setor de infra-estruturavoltado para a produçãoalcooleira. No entanto, o antigo jogo deforças entre iniciativa publica e privadanão se aplica nesse cenário. O objetivo,segundo Moacyr Megiolaro, não é aconcorrência entre os empreendimentosde infra-estrutura. Isso porque háabertura para sinergia com outros projetos.Mesmo porque não existe umchoque entre os trajetos que irão percorrercada projeto. Além do mais, "nãohá concorrência, porque são clientesdiferentes", explica Megiolaro.Haveria uma exceção no caso do percursorealizado pela Centro Sul/Brenco eUniduto, já que se chocariam no trajetode Paulínia até porto de Santos. No entanto,Megiolaro diz que, a partir dePaulínia, existe interesse em parcerias."A parceria com a Uniduto é um desejo.Só há uma dificuldade temporal, já queo projeto da Brenco está mais avançado",revela o diretor da Centro Sul.20 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


2° Encontro deComunicaçãoda UnicaRibeirão Preto sediou,no dia 13 de maio, o 2°Encontro Unica deComunicação. O eventoteve o objetivo de alinhar asiniciativas das equipes decomunicação de empresasassociadas à Unica aotrabalho desenvolvido pelaentidade, particularmente nasáreas ambiental e trabalhista.O evento reuniurepresentantes deimportantes grupos eentidades ligadas ao setorsucroenergético nacional emarcou também olançamento, em RibeirãoPreto, da versão em inglêsdo Relatório deSustentabilidade da Unica,além da apresentação dolivro “Imagens do EtanolBrasileiro” para amídia local.Cresce colheita mecanizada em São PauloA colheita mecanizada naslavouras de cana em São Pauloalcançou 49,1% da área colhida nasafra 2008/09. A informação é doInstituto Nacional de PesquisasEspaciais (Inpe). Na safra2008/09, que teve 3,9 milhões dehectares (ha) de área colhida noEstado, a mecanização avançou em157 mil ha, em comparação aoB4 passará a vigorarno mês de julhoO governo vai adicionar, apartir de julho, 4% de biodieselno diesel comercializado nasbombas, o chamado B4. Oanúncio foi feito pelo ministrode Minas e Energia, EdisonLobão.A mistura atual prevê3% de biodiesel no diesel. Lobãodisse também que, a partir de2010, o acréscimo será de 5%.ciclo 2007/08, equivalendo a maisde 2 milhões de hectares.Vendas de carros flexAs vendasde carros flexfuel atingiram197.981unidades nomês de abril,recuo de 8,7% sobre o mesmomês de 2008, segundolevantamento da AssociaçãoNacional dos Fabricantes deVeículos Automotores (Anfavea).No acumulado do ano, as vendasatingiram 760.301 unidadesMesmo com crise,houve crescimento derenováveis em 2008Mesmo com a criseeconômica, a capacidade deenergia global vinda de fontesrenováveis cresceu 16% em2008, alcançando 280 milmegawatts (MW), aponta orelatório “REN21 –Renewables Global Status”,divulgado pela Rede dePolíticas de EnergiaRenovável para o século 21(REN21). “O crescimentorecente do setor ultrapassoutodas as previsões, mesmoaquelas feitas pela própriaindústria”, afirmou opresidente da REN21,Mohamed El-Ashry. Osbiocombustíveis tiveramdestaque com a produção debiodiesel e de etanol, subindo34%. Em seguida, o melhordesempenho veio do setoreólico, o qual teve umincremento de 29%.CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 21


Clarissa BezerraCom almade Cerrado"Era meio de tarde e euestava com muita fome naporta de um supermercadode Goiânia, tentandovender um picolé. Passouum senhor que eu nuncatinha visto antes e disse: 'Você ainda seráreconhecido meu rapaz. Asdificuldades passarão' ". Alembrança, que mais tardese revelou uma profecia, édo empresário Clóvis Joséde Almeida, 56 anos,proprietário da marcaFrutos do Cerrado, que hápouco tempo contava parauma equipe decorrespondentes do NewYork Times comoaproveitar o Cerrado parafabricar sorvetes comsabores desconhecidos damaioria das pessoas.Cagaita: fruta do Cerrado de sabor exóticoNa composição dos sorvetes, nada de chocolate,flocos ou até frutas mais comuns, comomorango e limão. Os sabores são exóticos. Resultam,por exemplo, da combinação do pequibatido ao leite e congelado em um palitinho.Diariamente, são fabricadas mais de 10 milunidades na Sorveteria Frutos do Cerrado.Assim como arroz e feijão, a combinaçãoClóvis e os frutos da vegetação nativa que cobrea maior parte do Planalto Central brasileirodeu mais do que certo. A ideia de usar mangaba,murici, cagaita, entre outros frutos típicosdo Cerrado, veio da experiência de infância."Sou de um tempo que não existiam médicos àdisposição, e muito menos remédios. Na minhaterra, para se ter uma ideia, curava-se anemiade mulher, que tinha dado a luz, com cascas dejatobá e macaúba fervidas no leite", diz, referindo-sea plantas medicinais de ocorrência comumno Cerrado.Clóvis sabe bem do que está falando, já queexistia uma espécie de curandeiro na família,ajudando a todos na região com seus remédiosextraídos do Cerrado. O atual empresário era ofiel companheiro do seu avô raizeiro, nas matasdo então distrito de Bom Jesus - hoje municípioemancipado da região Sul do Estado deGoiás. Nessas andanças, aos seis anos de idade,ele aprendeu uma lição fundamental que é abase do seu presente e o horizonte do futuro."Meu avô dizia que fruto que passarinho comepode alimentar o ser humano." E, claro, o bolsotambém. Atualmente, a marca Frutos doCerrado tem instalações industriais em três Estadosbrasileiros, sendo uma em Goiás (Goiânia),e as outras duas em São Paulo (Limeira) eMina Gerais (Uberlândia), além das lojas-modelo,onde o sorvete é comercializado.Em 1956, quando tinha apenas três anos devida, o pai de Clóvis resolveu mudar-se com a22 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


família para a cidade de Morrinhos. "Foi uma viagem de doisdias em caminhão e mais um em carro de boi", lembra o empresárioque, junto com mais outros nove irmãos, se alimentavamde frutos do mato. "Hoje, tudo isso acabou, o Cerradopraticamente virou lavoura e são poucas as reservas. Masacredito que essa realidade mude, pois, pra mim, o Cerrado émais importante do que a Floresta Amazônica."SUOR E PACIÊNCIAEm 1996, após um negócio mal sucedido em São Luiz deMontes Belos, Clóvis veio com a família para Goiânia, commuitas dívidas e sem emprego. "Era preciso tentar a sorte acusta de muito suor e paciência", afirma Clóvis, que primeirofoi limpar lotes particulares, já que tinha como ferramentaapenas uma enxada. Depois, chegou a vender picolés nas ruas,quando ouviu do senhor desconhecido as palavras quetanto o intrigaram.Dias depois do comentário de incentivo, o telefone tocou.Do outro lado da linha, o representante de uma fábrica demáquinas de fazer picolés propunha a Clóvis que experimentasseum de seus equipamentos, sem compromisso. "Eu nãotinha nada a perder. Eu e minha mulher pegamos a máquinae começamos a fabricar picolés por conta própria. A ideia foiboa e no primeiro dia ganhamos 40 reais. "Andando pelas ruas de Goiânia, Clóvis decidiu comprar cincofrutas de cupuaçu para tentar fazer picolés. "Fui vendê-losnas ruas e não sobrou um", relembra. Foi aí que surgiu a ideiade utilizar os frutos de plantas típicas do Cerrado e a experiênciade toda uma vida na roça foi determinante. Durante umaviagem, Clóvis pegou frutos na região de Israelândia, Iporá eArenópolis. "Fui para a rua com os picolés de murici, mangaba,pequi e outros. Não sobrou um", recorda.Vender picolés do Cerrado nas ruas de Goiânia não faziaparte dos planos do atual empresário, mas estava muito bom,até que o repórter de uma emissora de televisão de Goiânia viuele anunciando aqueles sabores estranhos, até então, e resolveufazer uma matéria com a curiosidade. "Foi a virada de páginana minha vida. Daí para o reconhecimento, foi um pulo ",explica Clóvis, ainda citando: " Fantástico, Globo Rural, além devários outros, quiseram saber esta relação entre sorvete e Cerrado.Agora, até o New York Times ", fala sorridente.Mesmo sem ter tido a oportunidade de fazer um curso superior,atualmente Clóvis dá palestras para públicos diversosBrasil afora, inclusive para estudantes de doutorado na áreade meio ambiente. Até mesmo corretores de imóveis ruraisque participaram de um simpósio realizado recentemente emGoiânia quiseram saber um pouco mais sobre as riquezas epotencial produtivo do Cerrado preservado.Clóvis, ao lado de placaque indica a diversidadedos sabores obtidos comos frutos nativos da regiãocentral do Brasil, comoaraticum e mangaba(fotos)fotos: divulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 23


Pequifotos: fábio rodrigues/marcelo a. h. penna/divulgaçãoEncontrar matéria-prima é desafio constante“Convenciproprietários ruraisa deixarem dedesmatar para mefornecerem os frutosda reserva, em trocade uma compensaçãofinanceira”.Clóvis José de Almeidaproprietário da marca Frutos do CerradoFabricar milhares de picolés a cada dia comfrutos do Cerrado não é tarefa fácil. Mesmoem Goiás, não se encontra gabiroba, murici eburiti, por exemplo, nos supermercados ou naCentral de Abastecimento. O jeito é ir para omato. "Não há fornecedor que dê conta de entregaro que precisamos. É aí que entra a paciênciapara encontrarmos tudo o que é necessário.Às vezes, rodamos centenas de quilômetros",declara. Atualmente, o proprietárioda Frutos do Cerrado já conta com alguns fornecedores."Convenci proprietários rurais adeixarem de desmatar para me fornecerem osfrutos da reserva, em troca de uma compensaçãofinanceira".Colher o fruto também não é tarefa fácil,afinal, o Cerrado não é um pomar com a organizaçãodas frutas em espécies e sabores. Otempo de colheita de cada uma também é variado,o que faz necessário voltar ao mato diversasvezes, em algumas situações, para fazeruma pequena colheita. Além do mais, seu Clóvislembra que não se pode colher todos osfrutos de um pé: " E o que comeriam os passarinhos,por exemplo, se eu colhesse tudo ".Situação resolvida junto à fauna, Clóvis aindaressalta a necessidade de um trabalho dereplantio das árvores do Cerrado. "A minhaparte foi comprar uma área de três alqueiresna região de Arenópolis, onde cultivo 98 espéciesfrutíferas. E digo que é simples, além decrescerem muito rápido." E não é apenas emsua área particular que Clóvis atua comoagente recuperador do Cerrado. As sementesextraídas dos frutos para a fabricação de polpasseguem para viveiros e até escolas agrotécnicas.Para Clóvis, a doação é importantepara que se multipliquem as pesquisas e o cultivode mudas para posterior plantio nas propriedadesrurais. "Quem ainda tem o Cerradoem sua propriedade, tem uma mina de diamantes",finaliza.Fruto de mamacadelaClóvis de Almeida no processamento do sorveteGabiroba24 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009


AÇÚCARNova tecnologiade processamentoUSO DO OZÔNIO NO PROCESSO DE CLARIFICAÇÃO AGREGAVALOR AO PRODUTO E PODE ABRIR NOVOS MERCADOSLuisa DiasOaçúcar processado sem enxofre é anovidade para o consumidor brasileiro.O produto, que é consideradomais saudável, já é produzido emquatro usinas brasileiras – na Paraíba, Pernambuco,São Paulo e Paraná – e está sendo vendidono mercado interno com ampla aceitação.Além da melhoria da qualidade do açúcar,a retirada do enxofre do processo de clarificaçãoé considerada pelos especialistas um diferencialpara o mercado internacional. O atualaçúcar cristal brasileiro não é comercializadopara alguns países da Europa e dos EstadosUnidos, onde a adição do produto é proibida.A regra segue as recomendações da OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS). No Brasil, o usode até 20 miligramas de enxofre por quilo deaçúcar é permitido pela Anvisa.Também nomeado de sulfito, o dióxido deenxofre adicionado na produção do açúcarcristal serve para deixá-lo mais branco. O produtoé usado há cerca de 500 anos e tem restriçãoem vários países por ser consideradonocivo à saúde. Com a inovação tecnológica,no lugar do enxofre é utilizado o ozônio, obtidopela própria usina com máquinas desenvolvidaspara este fim (foto). O processo consisteem transformar o oxigênio em ozônioque, em seguida, é adicionado ao caldo de canapor meio de catalisadores, promovendo aoxidação da matéria orgânica. Entre as vantagensdo novo processo destacam-se a melhoriade qualidade nas condições de trabalho, aredução do custo de produção, a melhoria dosabor do açúcar e a abertura de novos mercados.De acordo com o engenheiro Raimundo Silton,proprietário da empresa Gasil Gases eequipamentos, a principal motivação que o levoua criar o equipamento foi a melhoria dascondições de segurança dos trabalhadores queaplicam o enxofre no açúcar. "Sempre procureioutras fontes de oxidação, porque o enxofreé muito agressivo para quem trabalha comele. Desta forma, agilizamos o processo e melhoramosa vida destas pessoas", afirma. Ostrabalhadores que lidam diretamente com ocomposto, explica, são expostos a gases nocivosà saúde. Além disso, a nova tecnologia temum custo até 10% menor que a tradicional.A Gasil pesquisou o processo durante 10 anose investiu cerca de R$ 2 milhões para o desenvolvimentoda tecnologia que substitui o enxofrepor ozônio. O gás é produzido na própria indústriaem um equipamento instalado pela Gasil,em regime de comodato. Atualmente, quatrousinas brasileiras já utilizam a tecnologia."O custo para as usinas é o equivalente ao queera gasto com insumos para o branqueamentocom enxofre. Apenas trocamos o processo antigopor outro mais adequado", explica Silton.Raimundo Silton acredita que, com o crescimentodo mercado, outras usinas que aindanão aderiram à tecnologia devem planejar amudança e padronizar o açúcar brasileiro. "Porcausa da crise, as negociações se tornarammais lentas, mas, com a reação do mercado,acredito que várias usinas irão aderir".Pioneirismo gerouaumentos das vendasA primeira empresa a implantar a técnicade clarificação de açúcar com o ozônio foi aUsina Monte Alegre, na Paraíba, que há quatrosafras tem toda a sua produção de açúcarprocessado sem enxofre. Segundo a gerenteindustrial da empresa, Marlene Oliveira, naúltima safra 922 mil sacos de 50 quilos foramproduzidos e distribuídos nos Estados de Pernambuco,Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará,Maranhão e Piauí, em parceria com oCarrefour. O produto foi embalado em sacosde 1 quilo com embalagem diferenciada, queressalta a ausência do composto químico.A mudança acarretou em aumento dasvendas e melhoria do valor agregado do produto."Fizemos uma ampla divulgação donosso açúcar com destaque para a ausênciado enxofre, a adição da vitamina A e o sabormais adocicado", afirma Marlene. Ela explicaque, somente com a saída do sulfito de enxofre,foi possível enriquecer o açúcar. Outroproblema causado pelo composto químicoera o sabor amargo, que deu lugar a um açúcarainda mais adocicado.MERCADO EXTERIORCom a alteração no processo de produção,o açúcar cristal brasileiro poderá finalmenteser exportado para países da Europa e dos EstadosUnidos que, atualmente, não compramo nosso açúcar embranquecido com enxofre.A mudança na composição do açúcaratende exigências internacionais, incluindoas do FDA, departamento responsável pelaqualidade dos alimentos e medicamentosdistribuídos nos EUA.Para o analista de mercado Miguel Biegai,da Safras e Mercados, a renovação tecnológicaabrirá portas para a exportação do produto."Atualmente, no Brasil, a venda de açúcarbruto representa o dobro do açúcar processado.No ano passado atingiram 10,6 mil toneladase 5,7 mil toneladas, respectivamente. Parao nosso País, é importante investir na exportaçãode produtos com valor agregado.”fotos: divulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009 25


Mercotubos diversifica negóciosGrupo Novatrac anuncia nova estruturaA Mercotubos, empresadistribuidora de tubos de açocarbono, comercializa osprodutos da V&M do Brasil eda TenarisConfab, entreoutros. Já bem posicionadanesta operação, a empresaquer ser reconhecida tambémpor seus negócios emEquipamentos e Engenharia."Tratam-se de operações aindapouco exploradas no mercado,nas quais podemos nosdestacar oferecendo umsuporte único aos nossosclientes" - afirma FernandoDel Roy, novo DiretorComercial e de Marketing daMercotubos. Recém-chegado àempresa, Del Roy é formadoem administração, com pósgraduaçãoem marketing e jápossui grande experiência naárea comercial do mercado dedistribuição de tubos de aço.Fundada em 2000, aNovatrac, sediada emPiracicaba/SP, consolidou-se nomercado como empresaespecializada em peças dereposição para tratoresCaterpillar. Agora, a Novatracdá um passo à frente e investeem novas estratégicas paraampliar a estrutura e apotencialidade de atendimentoda empresa. Assim, surge oGrupo Novatrac. A primeiraação foi incorporar a AGFEquipamentos Hidráulicos,empresa especializada emfabricação, reforma, usinagem ecromação de cilindros. Outroinvestimento importante foi naimplantação da NovatracService, uma oficina completa,cuja finalidade é suprir todas asnecessidades do cliente durantea manutenção de sua máquinaCaterpillar. Todos os produtos eserviços diferenciados forampotencializados em trêsempresas que atuam nocomércio, indústria e serviço. Oobjetivo dessa estratégia épromover uma aproximaçãocada vez maior do GrupoNovatrac com as necessidadesprioritárias de seus clientes.GMEC se reúne na NardiniA Nardini Agroindustrial Ltda sediou dia28/04, a reunião do GMEC, Grupo deMotomecanização do setor sucroalcooleiro. Areunião do grupo acontece todo mês com oobjetivo de discutir e trocar informações sobreserviços, peças e equipamentos que melhoremos problemas enfrentados em função dasespecificidades da agroindústria canavieira. Areunião teve a participação de cerca de 30 usinase dois convidados: Fredolino Pfeiffer, daCleanfix Brasil, e Flavio Roberto Finger, daFinger do Brasil. A Cleanfix apresentou erealizou uma demonstração de modelo deventilador reversível para limpeza deradiadores. A Finger também apresentou seuúltimo lançamento, o avançômetro, ummedidor dos índices de avanço, patinagem,lastreamento e indicação da pressão de ar dospneus em função da operação, velocidade e pesoem tratores agrícolas.26 CANAL, Jornal da Bioenergia - MAIO 2009

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