Sillas Oliva - Canal : O jornal da bioenergia

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Sillas Oliva - Canal : O jornal da bioenergia

Oportunidades e desafiosCartaao leitor10Paulo rezende08fotos: unica08 CRÉDITO DE CARBONOA primeira transação de créditos decarbono envolvendo destilarias no Brasil,protagonizada pela Jalles Machado, deGoianésia (GO), selou o início daparticipação do setor sucroalcooleiro emum mercado que cresce vertiginosamente.10 NOVA FRONTEIRAOs caminhos da expansão da produçãosucroalcooleira passam por São Paulo,Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, MatoGrosso do Sul e Tocantins.14 ALCOOLDUTOPetrobras segue com arealização dos projetos de engenharia ede viabilidade econômica. O início dasobras está previsto para o próximo ano.18 PESQUISAA expansão do setor sucroalcooleiro emGoiás está amparada na pesquisa devariedades de cana adequadas àscondições do Estado.20 LEI NR 31Especialistas alertam para a necessidadede adequação à NR 31 como forma deevitar penalidades e ações judiciais.O Jornal CANAL Bioenergia é uma publicação especializada no setorde produção de energia limpa e renovável, como o etanol e o biodiesel.O destaque dessa primeira edição é a reportagem especial sobre a novafronteira do setor sucroalcooleiro e as implicações desse intenso movimentode expansão agroindustrial. O etanol ganha espaço como principalalternativa ao petróleo não só no Brasil, mas também em grandespotências do primeiro mundo, como os Estados Unidos, Japão e, emquestão de tempo, a China, os maiores consumidores do combustívelfóssil que se torna mais caro e escasso a cada dia.Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Tocantins -estados que constituem a área de cobertura da publicação – concentramas maiores extensões de terra adequadas ao cultivo da cana-deaçúcarem todo o planeta, uma vantagem competitiva sem comparaçõescom outros países. Essa condição privilegiada tem atraído investimentosde empresas do setor sucroalcooleiro nacional e de gruposeconômicos de todo mundo.A demanda pelo etanol cresce internamente com a preferência dos consumidoresbrasileiros pela tecnologia Flex Fuel. Cerca de 80% dos veículosde passeio comercializados em 2006 no Brasil trazem incorporada essa tecnologia,elogiada e, em pequena escala, já adotada pelos Estados Unidos.Os EUA são um dos maiores produtores de álcool no mundo e programaminvestimentos de bilhões de dólares em pesquisas nos próximos anos, masnão têm as mesmas condições de competitividade do Brasil no que se refereà produção do etanol.Cresce também a demanda mundial. Os grandes consumidores docombustível fóssil já programam a adição de álcool à gasolina comoforma de diminuir a dependência do petróleo como matriz energética ereduzir a emissão de poluentes na atmosfera.Aos olhos do mundo, o Brasil se tornou modelo para o desenvolvimentode programas de produção de energia alternativa ao petróleo. E é salutarque outros países sigam o mesmo caminho, já que o aumento do númerode produtores de álcool no globo é considerado um fator de importânciapara que o etanol se consolide como combustível.O mundo precisa de uma matriz energética que não o tornedependente de alguns poucos países, a exemplo do que acontece hojeem relação aos detentores das grandes reservas do combustível fóssil. Opresente é animador e delineia um futuro de amplas possibilidades dedesenvolvimento que trará benefícios a toda a população. Mais empregos,aumento da arrecadação de impostos, redução de poluentes naatmosfera e independência energética são alguns deles.Para que isso se torne realidade, no entanto, é imprescindível que aspolíticas de incentivo ao setor produtivo tenham continuidade e sejamfeitos investimentos pesados em infra-estrutura e logística, criando ascondições necessárias para a produção agroindustrial e escoamento acustos competitivos.14fotos: sifaegCANAL Bioenergia é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. – CNPJ: 05.751.593/0001-41DIRETOR EXECUTIVO: Joel Fragadiretor@canalbioenergia.com.brDIRETORA ADMINISTRATIVA: Ângela Almeidaadministracao@canalbioenergia.com.brDIRETOR COMERCIAL: César Rezendecomercial@canalbioenergia.com.brASSISTENTE COMERCIAL: Fernanda Oianoassistente@canalbioenergia.com.brDIRETORA EDITORIAL: Mirian ToméDRT-GO - 629 editor@canalbioenergia.com.brEDITOR EXECUTIVO: Evandro BittencourtDRT-GO - 00694 editoria@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Evandro Bittencourt e Mirian Toméredacao@canalbioenergia.com.brARTICULISTAS: Iza Barbosa e Igor Montenegro Celestinoiza@unica.com.br.igor.otto@sifaeg.com.brEDITORES DE ARTE: Pauliana Caetano e Fábio Aparecidoarte@canalbioenergia.com.brDo diretorcomercialAbrindo fronteiras1820BANCO DE IMAGENS: Clic Digital Photo – www.clicdigital.com.br,UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulowww.unica.com.br, SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação deÁlcool do Estado de Goiás – www.sifaeg.com.br,Canal On Line – www.canalbioenergia.com.brREDAÇÃO: Av. T-63, 984 - conj 215 - Ed. Monte Líbano Center,Goiânia - GO - Cep 74 230 100 - Fone (62) 3275 4085 - Fax (62)3255 4426, www.canalbioenergia.com.bremail: canal@canalbioenergia.com.br Tiragem: 7.000 exemplaresImpressão Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.brO Jornal CANAL Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos eopiniões emitidos nas reportagens e artigos assinados. Elesrepresentam, literalmente, a opinião de seus autores.O Jornal CANAL Bioenergia chega ao mercado num momento degrandes oportunidades de negócios para os agentes da cadeia produtivado açúcar, do álcool, da cogeração de energia e do novíssimo biodieselque, juntamente com o etanol, representam os grandes trunfos doBrasil na nova corrida mundial por alternativas realmente viáveis paraa substituição do petróleo.É preciso divulgar as ações implementadas para tornar realidadeesse potencial, mostrar quem são os agentes dessa vigorosa transformaçãojá em curso, os investimentos, as políticas de incentivo, as tecnologias,as relações com o homem e o meio ambiente e as demandasque precisam ser superadas para que o Brasil possa assumir um papelde relevância sem precedente em todo o mundo, o de líder mundial naprodução de energia limpa e renovável.O Jornal CANAL Bioenergia assume a responsabilidade de ser oveículo pioneiro na cobertura da nova fronteira da produção de energia,compreendida pelos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso,Mato Grosso do Sul e Tocantins. O compromisso está firmado: vamosreportar aos nossos leitores informação de qualidade e estimular a discussãode assuntos relevantes para o amadurecimento do setor comética, transparência e agilidade.Não fique fora dessa verdadeira revolução energética, posicione suamarca nesse mercado, divulgue produtos e serviços e assuma com oJornal CANAL Bioenergia o desafio de crescer e ajudar a transformar anova fronteira no grande pólo energético mundial da energia limpa erenovável.Sucesso!


ArtigoIgor MontenegroBiomassa, Biotecnologiae BiodiversidadeAs novas fontes de energia, mais limpas e principalmenterenováveis, são a grande aposta da humanidade para sustentaro desenvolvimento. A biomassa se habilita como grandeestrela desse mundo renovadoAnatureza levou centenasde milhões de anos paracapturar energia radiantedo sol e condensá-la àscamadas do solo, na forma de petróleo.Para deixar como herança essamagnífica fonte de matérias-primas,a natureza precisou fazer uma faxinana atmosfera. Trocou metano e gáscarbônico, que predominavam noprincípio, por oxigênio e outros gases.Com isso, tornou o meio adequadoaos animais. O homem, um retardatário,viria muito depois.Porém, levaria apenas 100 anospara reduzir à fumaça grande partedo tesouro acumulado. A farra vaiacabar. Só não é possível dizer quando,mas pode ser antes que se esgotemas últimas reservas petrolíferas.A queima de combustíveis fósseis jádevolveram à atmosfera bilhões detoneladas de gás carbônico, além deoutros gases e partículas perigosas.O fantasma do efeito estufacomeça a assustar. Seria melhor nãopagar para ver as conseqüências. Aalternativa é correr atrás dosrecursos energéticos renováveis enão poluidores.Ao final do século XX já se falavaque a “biomassa” seria o futuroda produção energética – o argumentode Rogério Furtado, no livro“Agribusiness Brasileiro”, da ABAG,é de clareza meridiana. Agora, jáno início do século XXI, o mundotem essa certeza .No entanto, o professor IgnaeySachs da Escola de Altos Estudos eCiências Sociais de Paris, que dirigiupor muito tempo o Centro de Pesquisassobre o Brasil Contemporâneolembra: “O País ainda não despertoucompletamente para o enormepotencial que significa o tripébiodiversidade, biotecnologia e biomassapara a produção sustentávelde trabalho, renda e riquezas”. Naverdade, o Brasil é um País pioneiroe vanguardista na produção de energiada biomassa, especialmente dacana-de-açúcar, mas um mundo deoportunidades ainda nos aguardanesse campo da economia.A economia mundial, baseadapredominantemente no petróleo,caminha para um colapso aindanesse século. As novas fontes deenergia, mais limpas e principalmenterenováveis, são a grandeaposta da humanidade para sustentaro desenvolvimento. A biomassase habilita como grande estreladesse mundo renovado.Junto com a biomassa caminha abiotecnologia. A ciência e a tecnologiatêm papel fundamental na criaçãode novos bioprodutos e de inovadorasutilizações da biodiversidade.O aumento da produtividade e daresistência das plantas economicamenteviáveis também fazem partedo acervo de conquistas obtidasgraças à biotecnologia. Essa atividadepode contribuir significativamentepara melhorar a economia nacional.Por fim, a utilização racional enão predatória da biodiversidade,que garanta o equilíbrio ambiental,pode colocar o Brasil como principalsupridor de produtos de origem animale vegetal do mundo. Com aagregação de valor à matéria-primaaqui produzida, através da industrialização,podemos gerar ainda maisempregos e riqueza, nos aproximandoda solução das mazelas econômicascausadas pelo grande fossosocial ainda existente em nosso País.A agroindústria sucroalcooleirabrasileira, por ser um dos principaisinvestidores do tripé biomassa, biotecnologiae biodiversidade, tem tudopara se tornar um dos mais modernossegmentos da economia nacional,contribuindo ainda mais, social eeconomicamente, com o Brasil, ajudando-oa subir, num futuro próximo,para um lugar junto às nações maisdesenvolvidas do mundo.Igor Montenegro é presidente executivo doSifaeg/Sifaçúcar, vice-presidente do ConselhoTemático do Agronegócio da Fieg e integrantedo Fórum Nacional SucroalcooleiroCANAL - junho de 2006 5


Crédito de carbonoMercado amploe lucrativoO Protocolo de Kyotodeu origem a ummercado de milhõesde dólares fundamentadono estímulo ao usode tecnologias limpasque reduzam aemissão de poluentesna atmosfera epromovam odesenvolvimentosustentado. O setorsucroalcooleiro já estávendendo créditos decarbono para paíseseuropeus. A primeiratransação envolvendodestilarias no Brasil foirealizada no começodesse ano pela JallesMachado, deGoianésia, Goiás.8CANAL – junho de 2006


Desenvolvimento SustentadoAprimeira transação decréditos de carbono envolvendodestilarias noBrasil, protagonizada pelaJalles Machado, de Goianésia(GO), selou o início da participaçãodo setor sucroalcooleiro em ummercado que já movimenta milhõesde dólares em todo o mundo e quetende a crescer vertiginosamente.A empresa goiana conquistou obenefício graças à adoção da tecnologiade cogeração de energiaelétrica a partir do aproveitamentodo bagaço da cana-de-açúcar.A tecnologia permite a redução degases do efeito estufa, o que a enquadranas normas do Mecanismo deDesenvolvimento Limpo (MDL), preconizadopelo Protocolo de Kyoto, assinadoem 1977 e que teve a comercializaçãode créditos de carbono liberadaem fevereiro de 2005.Em entrevista ao CANAL Bioenergia,Marcelo Junqueira, sócio daEconergy - empresa americana especializadaem comercializar créditosde carbono -, aborda aspectosdesse novo e importante mecanismode preservação ambiental e diversificaçãode renda.Junqueira explica que o mercadode créditos de carbono é uma formade fomentar o uso de tecnologiasmais limpas que reduzam a emissãodos Gases de Efeito Estufa (CO ² ),Metano, Óxido Nitroso, HidrofluorCarbono, Perfluor Carbono e Hexafluoretode Enxofre). Entre as indústriasque podem se beneficiar dessemercado, explica o sócio da Econergy,destacam-se as de geração de energiaslimpas (cogeração com biomassa,eólicas etc.) e empresas quereduzam emissões em projetos específicos,como os de captura e queimade metano em aterros sanitários ouredução de emissão de óxido nitrosoem indústrias petroquímicas.Ele informa que atualmente aEconergy também desenvolve projetoinovador na implementação deuma hidroelétrica de 200 MW noParaguai com financiamento do governoJaponês e que irá permitir aredução de emissões de gases deefeito estufa no Brasil.PONTO DE PARTIDAPara se enquadrar nesse mercado,explica Junqueira, o projeto deve servoluntário, apresentar benefício real,mensurável e de longo prazo para aredução de emissão dos gases deefeito estufa e auxiliar o país hospedeiroa atingir o desenvolvimentosustentado. A providência inicial paraparticipar do mercado é a elaboraçãode um documento de Concepção doProjeto (Project Design Document)que será submetido a um auditorpara validação e, posteriormente, serencaminhado à Brasília para aprovaçãojunto a Comissão Interministerialde Mudanças Globais do Clima noMinistério das Ciências e Tecnologias.Após a aprovação do governo, o projetoé submetido a registro junto àsNações Unidas.No caso das empresas sucroalcooleiras,a oportunidade de se inserir nomercado de crédito de carbono estáno aproveitamento da biomassa dobagaço. "Trata-se de uma fonte deenergia renovável que se beneficiados créditos de carbono por gerarenergia elétrica". Em Goiás, no setorsucroalcooleiro, diz Junqueira, a Econergydesenvolve parceria com aGoiasa, além da pioneira Jalles Machado,empresa com que a Ecoenergyestabeleceu parceria em dois projetos.VALOR PAGOAtualmente, segundo MarceloJunqueira, o mercado tem pagoaproximadamente 10 euros por toneladade Co ² que deixa de ser lançadana atmosfera. Os pagamentos vêm deempresas, instituições ou organismoslocalizados em países industrializados,que têm metas para com o Protocolode Kyoto.Nesse mercado, a empresa certificadoraatua como uma entidade operacionalno âmbito do Protocolo deKyoto. É dela a responsabilidade paragarantir a integridade do projeto."Para tanto, as entidades operacionaissão encarregadas de validaçãoe/ou verificação dos projetos."Fotos: Paulo Rezende (p.n. chapada dos veadeiros e rio araguaia)FLEXIBILIDADE CRIOU MERCADO DE CRÉDITOO mercado de créditos de carbononasceu em dezembro de 1997 com aassinatura do Protocolo de Kyoto,motivado pela preocupação de paísesintegrantes da Organização das NaçõesUnidas com a preservação domeio ambiente. Trata-se de umacordo para tentar controlar as intervençõesdas atividades humanas sobreo clima. Efetivamete, esse mercadoteve início com a ratificação doProtocolo, em fevereiro de 2005.O Protocolo de Kyoto determinaque os países signatários desenvolvidos,reduzam suas emissões de gasesde efeito estufa em 5,2%, em média- relativas ao ano de 1990 - entre2008 e 2012.Para que não haja comprometimentodas economias desses países ecaso seja impossível atingir as metasestabelecidas por meio da redução dasemissões dos gases, os países podemcomprar créditos de outras naçõesque possuam projetos de Mecanismode Desenvolvimento Limpo (MDL).Esse mecanismo é fruto de uma propostabrasileira à Convenção dasNações Unidas sobre Mudança doClima (CQNUMC). Consiste no comérciode créditos de carbono a partir deprojetos de seqüestro ou mitigação. OMDL é um instrumento de flexibilizaçãoque permite a participação nomercado dos países em desenvolvimento,ou nações sem compromissosde redução, como o Brasil.Os países que não conseguirematingir suas metas terão liberdade parainvestir em projetos MDL de países emdesenvolvimento. Através dele, paísesdesenvolvidos podem comprar créditosde carbono (em toneladas de Co ² ) depaíses em desenvolvimento responsáveispor esses projetos.


“Nova fronteiraETANOL TRANSFORMA GOIÁSEM PÓLO ENERGÉTICOBrasil desponta com vantagens estratégicas significativas para consolidarsua liderança na produção de energia limpa e renovável10CANAL – junho de 2006Ocrescimento do setor sucroalcooleiro no Brasil éo reflexo nítido da expansão de mercados doetanol no mundo inteiro, com destaque, éclaro, para o mercado interno, o maior domundo atualmente. O País, com a difusão da tecnologiaflex, passou a consumir volumes de álcool muito superioresàs médias dos anos anteriores.Enquanto em 2005 as vendas de veículos flex começaramo ano com 24% do total de veículos leves no Brasil, este anoo porcentual subiu para 75%. O significativo crescimentonão deixa dúvidas que o consumidor brasileiro definitivamenteassumiu a preferência por carros que tenham essatecnologia embarcada.Como conseqüência, o consumo de 14 bilhões de litrosprevistos para esse ano no mercado brasileiro deve saltarpara mais de 21 bilhões de litros até 2010, números que,mesmo analisados isoladamente, revelam o significativoavanço em curso do setor sucroalcooleiro. Igor MontenegroCelestino Otto, presidente executivo doSindicato da Indústria de Fabricação de Álcool noEstado de Goiás também destaca o crescimento aindapequeno, mas consistente, da venda de etanol parapaíses importadores da Ásia e da Europa, principalmente."As vendas hoje estão na casa de 2,2 bilhõesde litros, mas até 2010 prevemos que elapoderá chegar a 5 bilhões de litros."Enquanto o crescimento de consumo de etanolpuxa fortemente a expansão da atividade paraatender a uma demanda mundial que pode atingirnúmeros até pouco tempo impensáveis, omercado de açúcar não se altera significativamente.Nesse caso, o crescimento de consumo éconsiderado vegetativo, algo entre 2,5% e 3%ao ano, compara o presidente executivo doSifaeg. "É claro que, em escala mundial, é umcrescimento de demanda importante e o Brasiltem conseguido atendê-lo."A vitória do Brasil, da Tailândia e da Austráliana Organização Mundial do Comércio,no ano passado, é um fator de reflexoseconômicos importantes para o Brasil nomercado de açúcar e que deve se traduzirno crescimento da produção nos próximosanos. A queda de barreiras comerciais naOMC fará com que o mercado de exportaçãode açúcar seja ampliado emcerca de 4 milhões de toneladas.Esse crescimento é importante para ospaíses exportadores. O aumento de demandaestimado corresponde a mais de20% da exportação brasileira. "Esses doisfatores conjugados estão fazendo comque o segmento sucroalcooleiro cresçaem todo o Brasil e em outras partes domundo. Goiás não poderia ficar foradesse contexto", finaliza Igor.• Evandro Bittencourt“A queda de barreirascomerciais na OMCproporcionará a ampliação domercado de exportaçãode açúcar em aproximadamente4 milhõesde toneladas


Nova fronteiraTERRAS DISPONÍVEISGoiás dispõe de vastas áreas para a expansão da produção sucroalcooleiraArquivo SifaegDetentor de uma das áreas deexpansão agrícola mais expressivas eadequadas ao cultivo da cana-deaçúcardo mundo, Goiás tem se colocadoem posição destacada aos olhosde grandes grupos empresariais detodo o globo, ultrapassando o Estadode Minas Gerais e já figurando emsegundo lugar na atração de investimentos.O primeiro lugar continuaocupado por São Paulo. "Isso, definitivamente,coloca o Estado no mapados grandes produtores de açúcar eálcool do Brasil e, conseqüentemente,do mundo", festeja Igor Montenegro.Para o presidente executivo doSifaeg e do Sifaçúcar isso vai gerarganhos importantes para a economiade Goiás e que deverão ser percebidosem breve. Pesa em favor doEstado o fato de ainda contar commuita área para expansão sem a necessidadede matar vegetação docerrado, diferentemente de São Paulo,onde as unidades produtivas jáencontram limitações para crescer.A maior proximidade dos mercadosconsumidores e dos portos, em relaçãoa outros estados que também vãofazer parte desse crescimento, aexemplo do Tocantins , Mato Grosso eMato Grosso do Sul é outra vantagema favor de Goiás. "Além disso, o Estadotem uma política de atração de investimentosagressiva e isso tambémconta", destaca Igor Montenegro.REVOLUÇÃO LIDERADA PELA LIVRE INICIATIVAArquivo SifaegA explosão de crescimento dosetor sucroalcooleiro desta vez se dáem bases sólidas. Diferente do queaconteceu com o Proálcool, criado emantido com fartos subsídios peloGoverno Federal nas décadas de 70 e80, a revolução que agora testemunhamosé liderada pela livre iniciativae abrange o contexto mundial.O mercado para o etanol é muitomaior do que o criado no Brasil coma tecnologia flex fuel, instalada emquase 80% dos carros vendidos atualmenteno País. O álcool é a alternativamais viável para ser usadacomo mistura à gasolina nos tanquesda frota global de veículos e atecnologia dos motores bicombustíveisjá está pronta e consolidada noBrasil, um modelo que vem sendoatentamente observado pelas grandespotências mundiais.Enquanto nos Estados Unidos opresidente George W. Bush faz elogiosà tecnologia brasileira e a imprensaamericana lamenta o fato deo País não ter acordado mais cedopara essa nova realidade, países produtoresde cana-de-açúcar, principalmenteda África e Ásia, como Nigéria,Jamaica e Índia, tentam agoraseguir os passos iniciados pelo Brasilhá mais de 3 décadas.Grandes grupos econômicos, aexemplo da Cargill, já investem naprodução de álcool no Brasil. NosEUA, onde atualmente o álcool respondepor apenas 2,5% do consumode combustíveis, a meta é chegar aos30% até 2030. Situação semelhanteocorrerá em outros grandes mercados,com destaque para a China.NOVAS USINASLevantamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento, daIndústria e Comércio (MDIC) revela que Goiás está atrás apenas deSão Paulo no número de novas usinas a serem implantadas a curtoprazo. A construção do alcoolduto que escoará o produto goiano diretamentepara Paulínea (SP), é vital para aumentar a competitividadedo Estado nos mercados interno e externo.


Nova fronteiraGOIÁS É VICE-LÍDER NA ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOSO Estado de Goiás está definitivamenteinserido no mapa deexpansão do setor sucroalcooleirono Brasil com os 37 projetos denovas destilarias já aprovados peloConselho Deliberativo do ProgramaProduzir, da Secretaria de Indústriae Comércio de Goiás.O número impressiona, sobretudo,quando se considera que noEstado, atualmente, existem 15indústrias em funcionamento e outrascinco em processo de instalação,a exemplo da Usina São João,em Quirinópolis, que deve começara operar até o mês de agosto.As 37 novas destilarias respondempor um investimento de R$ 4, 4bilhões, suficientes para elevar aprodução de álcool de quase 900milhões de litros para 3, 3 bilhõesde litros anuais e mais do que quadruplicara produção de açúcar que,das 18 milhões de sacas atuais, passariapara 84 milhões de sacas, umcrescimento inimaginável até algunsmeses atrás e que supera asmais otimistas expectativas de expansãodo setor.Essa, no entanto, é uma projeçãoque reflete apenas o momentoatual. Mesmo que alguns dessesprojetos não venham a ser concretizados,já há uma série de outrosesperando pela apreciação, informaSérgio Duarte de Castro, gerenteexecutivo de atração de investimentosdo Programa Produzir.As áreas de maior atração deinvestimentos estão localizadas nasregiões Sul e Sudoeste, o que é atribuídoà qualidade das terras, aofato de a agricultura já estar consolidadae ao projeto de construção doalcoolduto, que deverá ter um ramalem Itumbiara, estratégico para o escoamentoda produção, favorecendo,inclusive, usinas já instaladasem Minas Gerais, próximas àdivisa com o Estado de Goiás.As empresas têm um prazo deaté 4 anos para a implementaçãode seus projetos, explica SérgioDuarte de Castro, enquanto otempo médio de montagem de umausina varia de 18 a 24 meses. Emmenos de seis anos, portanto, oparque industrial sucroalcooleiroem Goiás estará totalmente redimensionado.Tamanha efervescência já levaalguns analistas do setor a prevera instalação de 160 usinas até2012. O número pode até parecerexagerado, a princípio, mas já nãopode ser considerado impossível,diante da forte atração para investimentosque o Estado de Goiásvem despertando entre grupos nacionaise estrangeiros, inclusive deáreas distintas do agronegócio,mas que passaram a enxergar aprodução de etanol como uma dasmais sólidas oportunidades deinvestimento.MAPA DA EXPANSÃOOs caminhos da expansão daprodução sucroalcooleira estãobem definidos. Começa por SãoPaulo, já próximo do limite de crescimentoda atividade, e se estendepor Goiás, Minas Gerais, MatoGrosso e Mato Grosso do Sul (Vejamatéria pág. 13).Nesse mapa, Goiás figura com asmelhores oportunidades de negócios,por apresentar elevada disponibilidadede terras propícias aocultivo da cana-de-açúcar e umapolítica de incentivos de altacompetitividade, em que se destacao financiamento de 73% doICMS por um prazo de até 15 anose a redução do imposto de 25%para 15% sobre o álcool hidratado.A alíquota favorece, sobretudo,os grupos que tencionam produzir ocombustível para o consumo interno,destaca Sérgio Duarte de Castro,do Programa Produzir.NOVOS PROJETOSVALE DO VERDÃO AÇÚCAR EÁLCOOLInvestimento: Expansão da unidadede Turvelândia e implantação de2 novas usinasMunicípios: Itumbiara e outromunicípio ainda não divulgadoCODORA ÁLCOOL E ENERGIA(JALLES MACHADO)Investimento:Implantação de nova usinaMunicípio: GoianésiaGRUPO SÃO JOÃO/ USINA SÃOFRANCISCOInvestimento: Implantação denova usina (operação a partirde agosto/06)Município: QuirinópolisGRUPO CAMENInvestimento: Implantação denova usinaMunicípio: MorrinhosGRUPO SÃO MARTINHOInvestimento: Implantaçãode nova usinaMunicípio: QuirinópolisGRUPO MAÊDAInvestimento: Implantação de novausinaMunicípio: EdéiaGRUPO FARIASInvestimento: Implantação denova usinaMunicípio: ItapurangaUSINA GOIANÉSIAInvestimento: Implantaçãode nova usinaMunicípio: São SimãoGOIASAInvestimento: Implantaçãode nova usinaMunicípio: (na região Sul,próximo à atual unidade)Arquivo SifaegAPOIO AO BIOCOMBUSTÍVELO Programa Estadual de Apoio aoBiocombustível é mais uma contribuiçãopara que Goiás assuma umpapel de liderança na produçãosucroalcooleira. Ele prevê a criaçãodo Fundo Estadual de Biocombustíveise contempla o etanol. Dásuporte à pesquisa no desenvolvimentode novas variedades decana-de-açúcar e alternativas parao aproveitamento dos subprodutosdo processo de fabricação do álcoole do açúcar.Estão previstos investimentos emsuporte à produção e na expansãoda rede agrometeorológica doEstado, o que permitirá a avaliaçãodos recursos hídricos disponíveis e,conseqüentemente, o planejamentoe uso racional dos mananciais nairrigação das lavouras de cana.Segundo Sérgio Duarte de Castro,o programa inclui zoneamentosócio-econômico e ambiental, o quepossibilitará a regulamentação dalocalização das usinas, de modo queseja respeitada uma distânciamínima entre as destilarias. O quese quer com isso é evitar a concentraçãode indústrias, o que acarretaprejuízos ao meio ambiente.As medidas do Programa Estadualde Apoio ao Biocombustível estãoamparadas em um modelo de desenvolvimentoque valorize a economiaregional, com distribuição da rendae estabelecimento de parcerias entreindústrias e produtores.A cogeração de energia será estimuladapelo programa medianteparceria com a CELG. A intenção,segundo o gerente executivo doProduzir, é aproveitar ao máximo ossubprodutos da indústria. "Cada12CANAL – junho de 2006


Nova fronteirausina é capaz de gerar 80 KWs portonelada de cana, o que pode produziruma renda adicional de até28% à produção". Esses investimentossão especialmente estratégicosem razão da cana gerar energia noperíodo de entressafra de produçãodas hidrelétricas, quando os lagosdas usinas têm o volume de águasignificativamente reduzido.Biocombustíveis produzidos comoutros tipos de matéria-prima alémda cana também serão promovidos.Atualmente já existem cinco projetospara produção de biodiesel aprovados,sendo que um deles, da empresaGranol, será inaugurado nos próximostrês meses na cidade de Anápolis.Segundo o secretário de Indústria eComércio, Ridoval Chiareloto, o Produzirpromoverá não apenas a atraçãoe promoção de investimentos emnovas usinas, como já vem ocorrendo,também atuará no incentivo à vindade empresas de outros segmentos daatividade, de modo a completar e darmaior competitividade à cadeia produtivado álcool. "A intenção é tambémincentivar investimentos internosem empresas de produção deequipamentos, de serviços técnicosespecializados, de aproveitamentodos subprodutos e dos resíduos, afirmao secretário."Ridoval Chiareloto acredita quenenhum outro estado brasileiro temmelhores condições do que Goiáspara assumir a dianteira do processode expansão da produção de etanol."Temos ampla disponibilidade deáreas agricultáveis, planas e férteis,abundância de recursos hídricos elocalização estratégica, sem perderde vista a preocupação com o desenvolvimentosustentável".AJalles Machado-Arquivo SifaegCada usina é capaz de gerar 80 KWs portonelada de cana, o que pode produzirrenda adicional de até 28% à produçãoVIZINHOS PARTILHAM CRESCIMENTOO setor sucroalcooleiro de MatoGrosso do Sul tem previsão de investimentossuperiores a R$ 4,5 bilhões,conforme relatório do Conselho deDesenvolvimento Industrial (CDI) daSecretaria de Estado da Produção eTurismo (SEPROTUR), que divulgou oregistro de 31 projetos de instalaçãode usinas em Mato Grosso do Sul. Aprevisão do CDI é que os atuais156,4 mil hectares de cana sejamampliados para 710,5 mil hectaresaté 2009, quando as novas unidadesjá deverão estar em funcionamento.A expansão do setor no Estado deverátriplicar o número de empregosdiretos, que passará de 15.074 para43.238, de acordo com a AgênciaPopular de Notícias do Governo doEstado. Mato Grosso do Sul possuidez usinas instaladas e uma em fasede construção, localizadas nos municípiosde Aparecida do Taboado,Dourados, Iguatemi, Maracaju, Naviraí,Rio Brilhante, Sidrolândia,Brasilândia e Sonora. Segundo osecretário de Estado da Produção edo Turismo, Wilson Gonçalves, comos novos projetos o número de municípiosque sediam indústrias deverásubir para 21.Em entrevista ao CANAL Bioenergia,José Pessoa, presidente doSindicato das Indústrias de Fabricaçãodo Açúcar e do Álcool doMato Grosso do Sul (Sindalcool -MS), ressaltou que o Estado temgrande potencial de produção, mastambém desafios a superar no quese refere à logística, principalmentepara o escoamento da produção. Avenda recente da Brasil Ferroviaspara a América Latina Logística podeviabilizar uma opção mais competitivalevando os produtos paraos portos de Santos e Paranaguá,acredita o dirigente.Hoje, toda a produção do estado éescoada pela malha rodoviária, o queencarece os custos finais dos produtos.Mato Grosso do Sul produz atualmente600 milhões de litros deálcool e 6 milhões de sacas de açúcar.O Grupo José Pessoa tem duas usinasno Estado, nos municípios de Brasilândiae Sidrolândia. A projeção deexpansão para as duas unidades emum prazo de 5 anos, é de 50%.MINAS GERAISNos Estado de Minas Gerais,onde já existem 26 usinas instaladas,a expansão do setor sucroalcooleirosegue em ritmo acelerado.Protocolo de intenções assinado nomês de maio na Secretaria de Estadode Desenvolvimento Econômicoprevê a instalação de mais trêsunidades industriais no TriânguloMineiro (duas em Uberlândia euma em Uberaba). Os empreendimentoslevam a marca da CompanhiaEnergética de Açúcar eÁlcool do Triângulo Mineiro Ltda.,que tem como sócios José Franciscode Fátima Santos, José RaimundoSilva Santos e o ex-pilotoEmerson Fitipaldi.Cada um dos projetos tem investimentosprevistos de R$ 200 milhõese, somados, vão gerar 1,8 milempregos diretos e 2 mil indiretos.Nas novas unidades serão produzidosálcool anidro, álcool hidratadoe subprodutos obtidos a partir dacana-de-açúcar, além de cogeraçãode energia, o que possibilitaráo comércio de créditos de carbono.Em recente reunião de representantesdo governo de MinasGerais e de lideranças do setorsucroalcooleiro no estado e doBanco Interamericano de Desenvolvimento,foram iniciadosentendimentos para a formataçãode linhas de financiamento dainstituição para as usinas sucroalcooleirasno Estado.Os representantes do BID conheceramo plano do governo paraatrair novas empresas, o perfil atualda indústria sucroalcooleira mineirae as perspectivas de novos investimentospara os próximos anos.REDUÇÃO DO ICMS SOBRE O ÁLCOOL REFLETE NO CONSUMOA redução do ICMS, de 26% para 15% emGoiás, surtiu os efeitos desejados, o preço doproduto ao consumidor caiu significativamente,o que fez o consumo aumentar. O secretárioda Fazenda do Estado de Goiás,Oton Nascimento, acredita que em breveestará concluída a avaliação precisa doimpacto da medida na arrecadação."O preço do produto, que estava sendocomercializado a mais de R$ 2,00 no iníciodo ano, caiu para menos de R$ 1,60 nos postos.A tendência de manter uma alíquotadiferenciada para o álcool, posicionada entreas menores do País, também está amparadana vontade política de promover a produçãode energia limpa, com efeitos diretos na geraçãode empregos e distribuição de renda,disse o secretário. "Goiás é a bola da vez paraa expansão do setor sucroalcooleiro", afirmaOton Nascimento.O secretário da Fazenda acredita quemedidas de incentivo, como as que vêmsendo adotadas, farão com que o setorsucroalcooleiro, sozinho, dobre o PIB goianoem poucos anos. O presidente do Sindicatoda Indústria de Fabricação de Álcool doEstado de Goiás, Igor Montenegro, ressaltaque o ICMS do álcool hidratado tem impactomuito grande no preço final do produto. Elembra que, quando a alíquota do impostoera de 26%, Goiás estava entre os estadosque registravam os maiores preços ao consumidorpara o álcool combustível, apesar deo estado ser um grande produtor de etanol.No final do ano de 2005, o então governadorMarconi Perillo tomou a decisão dereduzir a alíquota, posteriormente ratificadapelo governador Alcides Rodrigues, reduzindoo imposto para 15%, a partir do mês demaio de 2006. A medida fez com que oEstado passasse a ter a segunda menoralíquota de ICMS sobre o álcool do Brasil e osegundo menor preço de álcool hidratado dopaís, no mercado interno.A redução é considerada fundamental parao crescimento do consumo de álcool hidratado."Tenho visto que o preço nas bombas emoutros estados ainda está bastante elevado.Goiás está na frente e isso fortalece o mercadointerno de álcool hidratado e a relaçãoque os produtores tem com os consumidores",constata Igor Montenegro.A alíquota menor, na avaliação do presidenteexecutivo do Sifaeg, está provocandoo crescimento dos investimentos na produçãode cana-de-açúcar e de álcool hidratadono Estado para atender à maior pressãode demanda. Como conseqüência, aumentamas contratações de mão-de-obra paraampliar a produção agrícola e industrial.Outro reflexo econômico que se destaca é ainversão de investimentos para Goiás. "É umdos mercados internos que mais cresce noPaís, afirma o presidente do Sifaeg.A expectativa dos consumidores, dosagentes que atuam no setor de produção ecomercialização é que, diante dos resultadospositivos da medida, a alíquota de15% de ICMS, prorrogada pelo governadorde Goiás até o fim do ano, seja mantidadefinitivamente. A medida provisória -editada inicialmente com prazo de validadede 3 meses para avaliar o impactodessa redução e prorrogada até o final doano - mostrou ser eficaz o bastante paratransferir a redução do imposto integralmentepara o consumidor, o que revelarepasse integral do benefício por parte dasindústrias sucroalcooleiras, distribuidorase revendas.Alíquotas de ICMSGoiás tem a segunda menor tributação sobre o álcool hidratadoAL - 25%DF - 25%GO - 15%MT - 25%MS - 25%MG - 25%PA - 30%PR - 17%PE - 25%RJ - 31%RS - 25%RO - 25%RR - 17%SP - 12%TO - 25%CANAL – junho de 2006 13


Infra-estruturaAlcooldutoObras devem começar em 2007Nem tudo é favorável aodesenvolvimento do setorsucroalcooleiro na regiãoque lidera os investimentosem novas usinas de produçãode açúcar e álcool, compreendidapelos estados de Goiás, MinasGerais, Mato Grosso e Mato Grossodo Sul. Alguns problemas sériosainda precisam ser vencidos, comdestaque para as deficiências delogística no escoamento da produçãode açúcar e etanol.Esses problemas precisam ser minimizadoscom investimentos a médioe a longo prazos em dutos, ferrovias,recuperação e adequação damalha viária. Deficiências como a situaçãoprecária das estradas - quepodem ser sanadas em curto prazo -afetam de forma significativa acompetitividade de Goiás, fazendocom que o Estado enfrente dificuldadespara fazer chegar seus produtosaos portos e principais mercadosdo Brasil, alerta o presidenteexecutivo do Sindicato da Indústriade Indústria de Álcool no Estado deGoiás, Igor Montenegro.O escoamento por rodoviasestaduais e federais às unidadesprodutoras torna-se crítico em períodosde chuva, principalmente nasestradas vicinais. Esse problema éresponsável por prejuízos decorrentesdo atraso de entregas e encargoscom multas. "É muito importantepara o Estado de Goiás queesses problemas sejam sanados",afirma Igor Montenegro.No período da seca, quando sãofeitos os embarques para a exportaçãode açúcar, é preciso cumprir uma sériede formalidades relativas à qualidadee a poeira que entra nos caminhõesafeta a qualidade do produto final queserá entregue nos portos. Com isso, oprêmio pago pelos importadores peloaçúcar goiano é reduzido.O setor sucroalcooleiro, afirma odirigente, também se ressente deproblemas relacionados à mão-deobraqualificada. Como o crescimentodo setor superou as projeçõesmais otimistas, os recursoshumanos necessários para atendera demanda criada pela expansãorevelam-se insuficientes.Esses entraves, no entanto - entreoutros problemas que atrapalham osetor a alcançar o crescimento esperado- tendem a ser superados, emrazão da importância que o etanolganha a cada dia no cenário econômiconacional e mundial, acreditao presidente executivo do Sindicatoda Indústria de Fabricação de Álcool,Igor Montenegro. Segundo CarlosAlberto Orzari, gerente de divisãoadministrativo financeiro da UsinaSão João Açúcar e Álcool, a empresa,que se encontra em fase final deinstalação em Quirinópolis, já estádiscutindo com o Governo do Estadoa necessidade de maiores investimentosem estradas, pontes, terminaisde embarque e linhas de transmissãode energia elétrica.Orzari lembra que a implantaçãoda plataforma multimodal, emAnápolis, foi projetada para melhorara infra-estrutura de transporte,escoamento e distribuição e potencializaras vantagens do estado deestar estrategicamente localizadona região central do País. Atravésdo Grupo São João, o açúcar e oálcool produzidos em Goiás vãoconquistar mais espaços no mercadoexterno, uma vez que a empresajá exporta para a África, Ásia,Oriente e Estados Unidos.Site: sxc.huO contrato firmado entre o Governode Goiás e a Petrobras designaresponsabilidades mútuas para aexecução do projeto do alcooldultoque ligará o terminal de combustíveisde Senador Canedo, na regiãometropolitana de Goiânia (GO), aPaulínea (SP). A Petrobras seguecom a realização dos projetos de engenhariae de viabilidade econômica.O início das obras está previstopara o próximo ano.Esse prazo deve ser cumprido, naopinião de Igor Montenegro, por serimprescindível para a Petrobras criaras condições de atingir os mercadosnovos que estão sendo criados. APetrobras abriu recentemente umaempresa no Japão para a exportaçãode etanol em parceria com gruposeconômicos japoneses e precisa doalcooduto atender esses e outroscontratos de exportação.Para a empresa seria temeráriodepender de um ou dois estados,apenas, para suprir toda a necessidadede etanol que será criada. Oalcoolduto cria condições para queoutros fornecedores entrem nessemercado, dando mais tranqüilidadetambém para o comprador.Goiás e Minas Gerais passariamentão a ser estados importantespara abastecer novos mercadosconquistados pela Petrobras. Aconstrução do alcoolduto será facilitadapela existência do poliduto,que traz de Paulínea combustíveisfósseis para Brasília, SenadorCanedo, Triângulo Mineiro ressaltaIgor Montenegro. Dificuldades ecustos relacionados às licençasambientais e desapropriações jáforam amortizados, pois a mesmafaixa de domínio do poliduto podeser utilizada para colocar, paralelamente,o duto de álcool, dessa vezdescendo o combustível de Goiás14CANAL – junho de 2006


Infra-EstruturaMinistério dos transportes/valecaté Paulínea e da cidade paulistaaté os portos, uma alternativa muitomais barata que quaisquer outrosmeios de transporte.Estudos divulgados pelo Sifaegpara saber quais os tipos de modaissão utilizados para o escoamentode álcool e açúcar mostram quemais de 96% do escoamento se dápor meio de rodovias, o que encarecemuito o produto, dificultandoa entrada da produção goiana emoutros mercados. Além disso, ascondições das estradas estão extremamenteprecárias, o que aumentaainda mais o custo.DivulgaçãoFERROVIASNo que se refere ao modal ferroviário,a Centro Atlântico, que ligaGoiás e Minas Gerais ao Porto deTubarão, em Vitória, no EspíritoSanto, é uma importante opção deescoamento. A ferrovia, que precisade algumas adequações paraatender ao setor sucroalcooleirono transporte de açúcar e álcool jáestá recebendo investimentos porparte da Vale do Rio Doce. "É praticamentecerto que serão feitosinvestimentos na aquisição devagões e locomotivas para atenderà expansão da demanda dessesprodutos". A médio e longo prazo,outra solução esperada com ansiedadepelos empreendedores estabelecidosem toda região é a utilizaçãoda Ferrovia Norte-Sul, que jáchegou ao Estado do Tocantins."Recebemos com alegria a notíciado presidente Luís Inácio Lula daSilva que a Ferrovia Norte-Sul éprioridade para o Governo Federal".Juquinha das Neves, presidenteda Valec, empresa responsávelpela construção da ferrovia,tem dito que, desta vez, a obraserá concluída. "Esse também éum trecho de modal ferroviárioimportantíssimo para o escoamento,já que vamos ganhar umaexpressiva economia em milhasnáuticas para chegar até os portosdos Estados Unidos, Europa, Áfricae Ásia", destaca o presidente doSifaeg. Para o dirigente, a conclusãoda Ferrovia Norte-Sul, aentrada em operação do alcooldutoe a utilização da FerroviaCentro Atlântico deixarão Goiásinteiramente inserido no mercadomundial de açúcar e etanol.Site: sxc.huEstradas em bom estado de conservação,como nos EUA, agilizam o transportedos produtos e tornam os custos deescoamento mais competitivosQUADRO DE DEFICIÊNCIA COMPROMETE EXPANSÃOA matriz de transportes de Goiásé incompatível com a produção deálcool e açúcar já instalada, admiteo secretário de Infra-Estrutura deGoiás, René Pompêo de Pina. O quadrode insuficiência em ferrovias ehidrovias, agravado por estradas emsituação precária são deficiênciasque comprometem a expansão dosetor. A construção do alcoolduto,no entanto, que pode começar aoperar em um prazo relativamentecurto, de aproximadamente 18 meses,colocaria a competitividade daprodução goiana em pé de igualdadecom a de São Paulo. A viabilidade doalcoolduto depende de um acréscimode produção e o setor produtivodepende do investimento eminfra-estrutura, o que exige umaarticulação conjunta para que aobra se torne realidade. Esse trabalhovem sendo feito pela Secretariade Infra-Estrutura, o órgão responsávelpelas matrizes energéticase de transporte do Estado. Goiásproduz atualmente quase 900 milhõesde litros de álcool anidro ehidratado e para 2007 esse volumedeve chegar a 1 bilhão de litros,conforme dados do Sindicato da Indústriade Fabricação de Álcool noEstado de Goiás (Sifaeg), um volumejá bem próximo dos 1 bilhão delitros, número considerado suficientepara que o alcoolduto entreem operação. Paralelamente às gestõesjunto à Petrobras, instituiçõesfinanciadoras e organismos internacionais,o governo goiano desenvolveações para que empresários dosetor sucroalcooleiro já estabelecidosem Goiás e grupos de outrosestados e países ampliem ou iniciematividades em Goiás.René Pompêo ressalta que não sóo alcoolduto deve ser priorizado,mas também a adequação e recuperaçãoda malha rodoviária, já que oproduto precisa ser transportado dasusinas até o alcoolduto. Esses investimentossão estratégicos paraGoiás, ressalta o secretário, poiscausam significativo impacto econômico."Em 5 ou 6 anos podemosSilvio Simõesdobrar o PIB do Estado".Os custos totais para a construçãodo alcoolduto são estimados ematé R$ 800 milhões, segundo informaçõesda Secretaria de Infra-Estrutura.Esses recursos serão obtidosem fontes diversas, tais como instituiçõesfinanceiras, a exemplo doBanco do Brasil e BNDES, iniciativaprivada, Petrobras e linhas externasde financiamento.O secretário René Pompêoreconhece que Goiás precisa deinvestimentos elevados paramelhorar toda a infra-estruturade transportesINCLUSÃO SOCIALO papel da Secretaria de Infra-Estrutura, além da articulação entreos diversos elos da cadeia produtivapara tornar possível a adequaçãoda infra-estrutura, é o decatalisar as diversas oportunidadesde desenvolvimento, integração edistribuição de renda que iniciativasdessa natureza e dimensõesproporcionam. A proposta básica éincentivar a expansão do setor apartir da consolidação de sistemasintegrados de produção, que envolvamos produtores rurais decada região onde estão instaladasas usinas.Assim, explica o secretário, seconstrói um modelo de desenvolvimentomais justo, com capacidadede inclusão social muito maior doque os modelos de produção sucroalcooleiraadotados no passado.Dessa forma as empresas podemconcentrar seus investimentos noparque industrial em aprimoramentotecnológico, por exemplo, sem anecessidade de arcar com os custosde aquisição de grandes extensõesde terra. Há também a intenção deincentivar a formação de cooperativasde produtores, que passarão aparticipar do processo produtivocomo arrendatários ou parceiros.CANAL – junho de 2006 15


ArtigoIza BarbosaIndústria doaçúcar e álcoolaprimora gestão“ São vários tópicos aserem revistos paraque as unidadesprodutoras secomprometam comesta nova gestão – avalorização dadiversidade, ainclusão de deficientes,compromissocom o futurodas crianças,melhores condiçõesde trabalho,responsabilidadecom as geraçõesfuturas, impactoambiental, seleção eavaliação dos seusfornecedores eclientes, relaçãocom seuscolaboradoresterceirizados etc“Osetor sucroalcooleiro temtradição de assistência naárea social e suas empresasexercem função importantíssima nosmunicípios onde estão instaladas,não só em termos econômicos, comotambém sociais e ambientais, comgeração de emprego e de renda.A responsabilidade social empresariale sustentável vai muito alémdos seus projetos sociais, ambientais,doações e cumprimento dalegislação. Considerada uma novaferramenta de gestão, modificaprocedimentos, revê e planeja açõesque busquem mais equilíbrio comtodos os seus públicos de interesse:clientes, fornecedores, meio ambiente,comunidade, governo, mídia,acionistas, sociedade e principalmentecom seus colaboradores.São vários os tópicos a seremrevistos para que as unidades produtorasse comprometam comesta nova gestão – a valorizaçãoda diversidade, a inclusão de deficientes,compromisso com o futurodas crianças, melhores condiçõesde trabalho, responsabilidadecom as gerações futuras,impacto ambiental, seleção eavaliação dos seus fornecedores eclientes, relação com seus colaboradoresterceirizados etc.O setor está buscando se moldarao processo sustentável, considerandoo equilíbrio dos aspectoseconômicos, sociais e ambientais,processo que tem na Unica – Uniãoda Agroindústria Canavieira de SãoPaulo – um de seus grandes incentivadorese realizadoresA Unica congrega 95 empresasque desenvolvem mais de 400 projetossociais nas áreas de educação,meio ambiente, saúde, qualidade devida e esportes. O Núcleo de ResponsabilidadeSocial vem desenvolvendo,pesquisando e articulandoimportantes iniciativas:– Em 2002, desenvolveu umestudo da cadeia produtiva dacana-de-açúcar com a Accountability,organização inter-nacionalsediada na Inglaterra, voltada aaprimorar o desempenho de organizações.O trabalho reforça a importânciae a complexidade da cadeiado setor sucroalcooleiro.– Desde 2003, as empresas têmelaborado o balanço social, usadocomo ferramenta de gestão e quecolabora para o direcionamento etomada de decisões. Para formalizaro balanço, a empresa checa suasrelações com todas as partes interessadas,compara e traça suasmetas para o próximo ano.Em 2005, o Núcleo de ResponsabilidadeSocial da Unica, em parceriacom o Instituto Banco Mundial,desenvolveu o programa de “ResponsabilidadeSocial Corporativa eCompetitividade Sustentável” para2400 pessoas.O principal objetivo do curso éoferecer uma introdução à análiseracional, à criação e à implementaçãode programas de ResponsabilidadeSocial e CompetitividadeSustentável.Esse curso fornece uma visão geralque pode ser aplicada a questões deresponsabilidade social sustentável etransformada em plano de ação.Participar desse programa foi umdegrau importante para os representantesdas empresas associadas àUnica. A dinâmica do curso envolveutrês seminários presenciais,onde os participantes tiveram a o-portunidade de se familiarizar comos conceitos de responsabilidadesocial e sustentabilidade, CD-ROM,internet etc.O curso cumpriu sua missão deconstruir uma base mais consistentepara a consolidação e entendimentodos conceitos de ResponsabilidadeSocial Corporativa epreparar para uma gestão maisconsciente.Em 2006, a Unica e o InstitutoEthos firmaram parceria, após doisanos de trabalho, para a implementaçãodos Indicadores Ethos nasunidades associadas.Para desenvolver esse trabalho,reunimos em cada empresa, pordois dias, um grupo formado por 21pessoas (no mínimo) de todos ossetores e hierarquias. Quanto maisdiversificado o grupo, melhor temsido o resultado.As questões respondidas e discutidaspara auto-avaliar cada empresaabordam os seguintes temas:– valores– transparência e governança– governo e sociedade– meio ambiente– consumidores e clientes– fornecedores– comunidade– público internoApós o preenchimento do questionário,será feito o diagnósticoconfidencial de cada empresa analisandoseu desempenho, além deum material consolidado elaboradopara a Unica.Se o setor produtor de açúcar eálcool do Brasil é, reconhecidamente,o mais avançado do mundo,tanto em desenvolvimento agrícola,como industrial, nada impedeque se mantenha na vanguarda – epara isso é fundamental aprimorara sua própria gestão. Afinal, aimplementação de políticas querepresentem a modernização dasrelações em toda a cadeia produtivacabe também às empresassucroalcooleiras.Iza Barbosa é consultora do Núcleo deResponsabilidade Social da Unica – União daAgroindústria Canaveira de São Paulo16CANAL – junho de 2006


Tecnologia AgrícolaCrescimentoSustentado na pesquisaOsetor sucroalcooleiro doBrasil encontra-se em francaexpansão em várias unidadesda Federação. Consequentemente,a cultura expande-se paraáreas não tão propícias ao seu desenvolvimento.No Estado de Goiás,isso não tem sido diferente, de modoque, em alguns casos, o melhor desempenhoprodutivo ainda não é alcançado.Uma das maneiras eficientesde melhorar os rendimentos nessesambientes é a disponibilidade devariedades adaptadas para condiçõesde cultivo e manejo específicas.Hoje, em Goiás, as variedades utilizadascomercialmente são importadasde programas de melhoramentodesenvolvidos para outrosEstados, em especial, São Paulo eMinas Gerais. Assim, problemas específicosaos quais a cultura se submetena região dos Cerrados, como,por exemplo, estresse hídrico, baixafertilidade dos solos e condições quefavorecem o florescimento dos canaviaispodem não ser priorizadosnessas seleções.A expansão do setor sucroalcooleiroem Goiás está amparada napesquisa de variedades de canaadequadas às condições do Estado.Há três anos teve início na UniversidadeFederal de Goiás o Programade Melhoramento da Cana-de-Açúcar (PMGCA), desenvolvido emparceria com as indústrias e integradoa uma rede interuniversitária.Uma equipe de pesquisadores daUFG, da qual fazem parte os professoresAmérico José dos SantosReis e Edward Madureira Brasil,que é também reitor da UFG, dedica-seà geração de variabilidadesem busca de características comoresistência à seca, menos florescimento,maior concentração deaçúcar e biomassa e adaptabilidadea colheita mecanizada.Uma vez ao ano os pesquisadoresgoianos deslocam-se para o Estadode Alagoas, em Serra do Ouro, ondeestá localizada a estação de cruzamentoadministrada pela UniversidadeFederal de Alagoas, para fazeros cruzamentos.As sementes são trazidas paraGoiás, germinadas e, a partir do nascimentodas mudas, começa a seleçãodos melhores clones. "Geramosmilhões de plantas por ano e, dessetotal, se sai uma ou duas para setornar uma cultivar comercial, já éuma grande vitória, explica o professorAmérico José dos Santos Reis, daEscola de Agronomia da UFG e pesquisadordo PMGCA.No programa de melhoramentoos esforços são empenhados paramaximizar a probabilidade de acharos genótipos mais adequados. A germinaçãodas sementes é feita emcampos de pesquisa na Escola deAgronomia, no Campus II, onde existematualmente cerca de 15 mil clonesem cultivo. Como o programa éaliado à iniciativa privada, grandeparte da experimentação é realizadana área das indústrias.A distribuição da pesquisa emregiões com características diversasé importante, segundo Américo Josédos Santos Reis, pois um materialselecionado por apresentar bomdesempenho nas condições da Escolade Agronomia pode não ter amesma performance em Goiatuba,Goianésia ou Santa Helena." Nummesmo município é possível encontrarcaracterísticas de solo e microclimacompletamente diferentes."Os melhoristas da UFG já têm“Fotos: Américo JoséGeramos milhõesde plantas por ano e sealguma delas se tornaruma cultivar comercial jáé uma grande vitóriaAmérico José dos Santos Reis“18CANAL – junho de 2006


PRAGAS DA CULTURAEm relação às pragas que afetama cana-de-açúcar, o problema quemais preocupa em Goiás é a cigarrinha,que migra das pastagenspara a lavoura de cana-de-açúcare, dependendo do nível de infestação,pode até matar canaviais adultos.O inseto suga a planta e injetatoxinas que levam as plantas àmorte. "A cultura tem crescidomuito em Goiás e expandido principalmenteem áreas de pastagensdegradadas, que funcionam comofontes de inóculo desses insetos",explica o professor.O ataque de cupins, por ocasiãodo plantio, e a broca, que fura ocolmo deixando a planta suscetívelao ataque de fungos e afeta a qualidadeindustrial da cana tambémpreocupam. A cana-de-açúcar éindicativos de alguns clones potenciaispara se tornarem variedades.O lançamento desses materiais, noentanto, deve demorar no mínimo 5anos. Embora os programas de melhoramentotenham resultados apenasa médio e longo prazos, a partirdo momento que são disponibilizadasas primeiras variedades olançamento de novos materiaistorna-se regular e em intervalos detempo pequenos, de aproximadamente1 ano.Nenhuma das 50 variedades utilizadasem Goiás foi produzida noEstado. A maior parte foi trazida deSão Paulo, Minas Gerais e estados doNordeste. Quando se percebe umavariedade de cana se destacando emSão Paulo, por exemplo, ela é testadae se tiver resultados semelhantespassa a ser utilizada. Embora possaapresentar resultados muito bons,geralmente não expressa todo o seupotencial produtivo.A avaliação da viabilidade produtivade uma cultivar 'importada'não leva em conta apenas a produtividade.É preciso considerar, porexemplo, a quantidade de açúcarproduzida por hectare e o florescimento.Uma variedade pode ter altaprodutividade, mas se floresce aeficiência da extração do açúcar naindústria é reduzida. Outra possibilidadeé um material ter bom desempenhoem São Paulo, repetir amesma performance em Goiás, masapresentar suscetibilidade a pragas.Na cultura da cana, quando seconsidera o desempenho de umdeterminado material, um pequenoganho, de 1% a 2%, pode acarretarum aumento significativo na produçãofinal de álcool e açúcar, emfunção da escala, pois as usinasmoem milhões de toneladas decana a cada safra.Entre as características desejáveispara as variedades a serem lançadasem Goiás destacam-se a resistênciaou tolerância às pragas e ao estressehídrico, adaptação a solos mais fracose riqueza em fibras e quantidadetotal de biomassa, o que favorece acogeração de energia. A cana-deaçúcaré fonte de energia renovávelnão só pelo álcool. A queima dobagaço e da palha nas caldeiras étransformada em energia elétrica,retroalimenta as próprias usinas epode ser vendida para as companhiaselétricas.As usinas que investem mais emtecnologia, atualmente, já sãototalmente autônomas em relaçãoà energia e fazem da venda doexcedente uma outra fonte dereceita. A tecnologia também se fazpresente na mecanização da colheitae do plantio. Indústrias importantescomo a Jalles Machado ea Goiasa já colhem aproximadamente60% de suas áreas mecanicamente.A tendência é que a automaçãoaumente, tanto pela falta demão-de-obra quanto pela questãoambiental, evitando a queima doscanaviais, observa Américo José dosSantos Reis.As queimadas liberam gás carbônicona atmosfera, além da produçãode fuligem que afeta aspopulações dos núcleos urbanos.Trata-se, portanto, de uma tecnologiaque elimina numerosos postosde trabalho, mas que favoreceo meio ambiente.considerada uma cultura poucoafetada por doenças fúngicas, secomparada à soja e ao feijão, porexemplo.Embora elas existam, não seaplicam defensivos, pois os prejuízossão pequenos graças aos materiaisgenéticos com resistência e/outolerância a essas pragas.DOENÇASAs principais doenças são aescaldadura, o raquitismo da soqueirae a ferrugem da cana, quecomeçam a preocupar produtores etécnicos. Uma doença nova quesurgiu na Austrália é a ferrrugemlaranja, que ainda não existe noBrasil, mas que já desperta a atençãodos técnicos que atuam emprogramas de melhoramento.Avaliação de tolerância ao estresse hídrico em fases finais de seleção na UsinaGoiasa. Na parcela à direita, variedades mais resistentes ao clima secoMercado e TecnologiaOs investimentos na ampliaçãoe construção de unidadesvão duplicar até 2010 aprodução de açúcar e álcool noEstado. Um cenário que anima osetor de máquinas e equipamentos. Domingos Ávila Jr, diretorda Cotril New Holland, falasobre esse quadro:“ A Cotril New Holland vemse preparando para atendereste mercado nos últimosanos. Começamos a trabalharcom as Usinas em São Paulo,conhecendo o cliente, suasnecessidades e desenvolvendoequipamentos para este tipode trabalho. A fábrica da NewHolland no Brasil produz equipamentosde grande capacidadee volumes para atender ademanda, que será realmentegrande. Temos hoje três linhasde grande foco no setor. Noque se refere a pás carregadeiras,as máquinas NewHolland principalmente aW130 e W160, são referênciasno setor com alto desempenho,baixo custo e robustez.Entre as motoniveladoras,RG170, com sistema de traçãoauto blocante, tem sido elogiadaem todas as atividadesdas usinas. Em parceria com aCotril Rental, muitos clientestêm procurado através de testes,utilizar também este equipamentoem outros serviços.Na linha de tratores de esteiratemos dois equipamentos: oD170 e D130, de plataformamundial, melhora a economiae baixa custos. Nossa expectativaé de um incremento naordem de 15% no mercado deGoiás, que hoje é de 250 máquinaspor ano. A Cotril participacom 30 % dentro da linhacompleta da New Holland e os3 modelos mencionados são osmais vendidos para o setor. Porém,com a expectativa deimplantação de novas usinas,podemos adicionar escavadeirashidráulicas, retroescavadeirase rolos compactadores”.Divulgação


LegislaçãoNR–31Lei é rigorosa e apresenta dificuldades de adaptaçãoTer um ambiente seguro de trabalho é o desejo detodo trabalhador. Em algumas funções exercidaspelo homem essa necessidade se torna mais evidente.É o caso do corte da cana, nas milhares delavouras espalhadas pelo País. Há pouco mais de um anoentrou em vigor a Norma Regulamentadora 31. Explicase:para garantir o mínimo de segurança nos locais de trabalho,desenvolvidos no meio rural, o Ministério doTrabalho criou no Brasil as Normas Regulamentadoras, ouNRs. Além de garantir a segurança, a outra preocupaçãoé com a medicina do trabalho. A NR 31, como ficou conhecida,se aplica a vários tipos de atividades: agricultura,pecuária, silvicultura, exploração florestal e aqüicultura.É a lei específica para o trabalho rural e trata dasaúde, higiene e segurança para o setor. (veja quadro)Segundo especialistas, a melhor forma de adequaçãoà NR 31 é a consulta a um especialista que esteja atualizadoàs novas exigências, como forma de evitar penalidadese ações judiciais. A criação da Comissão Internade Prevenção de Acidentes de Trabalho Rural, Cipatr éfundamental. É a comissão que vai ajudar a realizaravaliações dos riscos, analisar causas de acidentes edoenças. A norma também cria o Serviço Especializadoem Segurança e Saúde no Trabalho Rural - SESTR, nasseguintes modalidades:Próprio: quando os profissionais especializados emsegurança e saúde no Trabalho tiverem vínculo empregatício;Externo: quando o empregador rural ouequiparado contar com consultoria externa dos profissionaisespecializados; Coletivo: quando um segmentoempresarial ou econômico coletivizar a contratação dosprofissionais especializados.Os estabelecimentos com mais de 10 e menos de 50empregados estão dispensados de constituir SESTR.Entretanto, os estabelecimentos com número superior a50, mesmo com empregados contratados por prazodeterminado, como na época da colheita (safra), estãoobrigados a contratar SESTR.“ É a norma específicapara o trabalho rural e trata dasaúde, higiene esegurança para o setor“


LegislaçãoAVALIAÇÕESdrt/goiásPara o Delegado Regional do Trabalhoem Goiás, Inocêncio Borges, arelação patrão-empregado ficoumais humanizada, na medida emque a Norma estabelece condiçõesde segurança, higiene e conforto noambiente de trabalho. A NR 31 disciplina,por exemplo, a utilização deagrotóxicos, o transporte de trabalhadores,a realização de examesmédicos e utilização de equipamentosde segurança.A NR 31 também foi bem recebidapela FETAEG, Federação dos Trabalhadoresna Agricultura emGoiás: “o avanço se torna evidente,porque a partir de agora temosbase para cobrar, desde um simplesexame médico, até alojamentosadequados", afirma o advogado daentidade, Milton Inácio Heinen,RESTRIÇÃOArnaldo Barros, advogado trabalhistada Martorelli e Associados, a-firma que a Norma não é específicapara as agroindústrias do setor sucroalcooleiro.Essa convicção vemdo disposto nos itens 31.2.1 e 31.2.2da NR-31 e no Art. 2º da Portaria nº86, baixada no dia 3/3/2005 peloMinistro do Trabalho e Emprego."Mas não se deve esquecer que,relativamente ao setor sucroalcooleiro,o campo de aplicação da NR-31 está restrito à parte agrícola daatividade, não alcançando os trabalhosque, mesmo quando realizadosno campo, tenham aproveitamentoe natureza diversos do trabalhorural. É o caso do transporte dacana colhida", afirma o advogado.Inocêncio Borges, delegado regionaldo trabalho em GoiásTRABALHADORESA NR 31 impõe obrigações aostrabalhadores rurais. Uma delas é ocumprimento das normas de segurançano trabalho. O trabalhadordeve adotar medidas de proteçãodeterminadas pelo empregador, sobpena de constituir ato faltoso arecusa injustificada. E a regra valetanto para o trabalhador rural, ochamado rurícula, quanto para oque trabalha na indústria."Desde a nova Constituição Federal,não pode haver discriminaçãoentre trabalhadores", afirma o DelegadoRegional do Trabalho, InocêncioBorges. É obrigação do trabalhadorsubmeter-se a exames médicosprevistos na NR e colaborar coma empresa na aplicação da norma.Mas é papel fundamental dos patrõesa implementação de ações desegurança e saúde, que previnam a-cidentes e doenças decorrentes dotrabalho. A FETAEG aponta certadificuldade para o cumprimento dalei: "muitos empregadores acabamnão se adequando à lei porque oserviço no canavial, por exemplo, ésó temporário", afirma o advogadoda entidade, Milton Inácio Heinen. Emesmo terceirizando o serviço, asregras têm que ser cumpridas.Existem obrigações tanto para otrabalhador quanto para o empregador.Assim sendo, ambos estão expostosa sanções por eventuais descumprimentos.O advogado trabalhista,Arnaldo Barros, tem a mesmaopinião que o Delegado do Trabalho,Inocêncio Borges, sobre a relaçãopatrão-empregado, no caso da NR31. Para os dois, a norma não contribuipara melhorar a relação entre osdois lados. Segundo Barros, o foco éoutro: "existem bens maiores a seremprotegidos e que devem ser colocadosacima dos interesses particularesde cada um, no caso a integridadefísica do trabalhador e a garantia daexploração econômica e racional daatividade rural". O Delegado InocêncioBorges vê a lei também como umincentivo para o trabalhador: "oempregado se sente mais valorizadoe, consequentemente, aumenta aqualidade do seu trabalho e sua produtividade".E o investimento doempregador para se adequar a lei ésinônimo de retorno: "num grandenúmero de casos, para atender àlegislação, esses investimentos sãobem pequenos. Nos casos onde háum investimento maior, o retorno,em termos de produtividade e qualidade,poderá ser logo percebido peloempregador", afirma Borges.DIFICULDADESUma das dificuldades, na adaptaçãoda lei pode ser cultural. Entre aexigências da NR 31 está a instalaçãode tendas para a refeição dostrabalhadores rurais durante ohorário de almoço. Muitos trabalhadoresnão estão acostumados aparar e sentar em um local arejadoe com sombra para almoçar. Casosassim são comuns no nordeste dopaís. Dificuldade como essa foienfrentada por uma Usina deMaceió, em Alagoas. Milton InácioHeinen, da FETAEG, lembra que essasituação também acontece poroutro fator: "o rurícula ganha porprodução. A empresa estabelecemetas que devem ser cumpridas.Pensando num salário melhor, otrabalho é feito até na hora dointervalo, o que pode levar à exaustão",completa o advogado. No casoespecífico de produtividade, oadvogado Arnaldo Barros tem outraopinião: " O preço unitário do serviçoé negociado e cabe ao trabalhadordosar sua força de trabalhopara atingir o parâmetro salarialque almejar", afirma Barros. Oadvogado também diz que no casodo corte da cana, a cada ano osvalores são negociados com as enti-Arquivo sifaegdades sindicais representativas dostrabalhadores e, normalmente, trabalhandomenos que oito horas diárias,os cortadores chegam a teruma remuneração até três vezessuperior ao piso da categoria.Para evitar problemas maiores,Delegacias Regionais do Trabalho eProcuradorias Regionais do Trabalhoestão negociando a assinaturade Termos de Ajustamento de Conduta,os TACs. Entre as sugestõesestão, por exemplo, a implantaçãode um pipimóvel a cada 80 trabalhadores,ônibus em vez de tendaspara refeição, tendas onde nãohouver ônibus e aplicação de herbicidasaté às 10 horas da manhã edepois das 15 ou 17 horas.“A NR-31 exige queos trabalhadoresrurais adotemtodas as medidasde proteçãooferecidas peloempregador“CANAL – junho de 2006 21


LegislaçãoArquivo sifaegFISCALIZAÇÃOTodos os detalhes passam pela fiscalização.Garantir os direitos do trabalhadorrural é uma prioridade parao Ministério do Trabalho e Emprego.Segundo a DRT-GO, essa fiscalizaçãoé rotineira, abrangendo tanto aspectosda legislação trabalhista quantoos conceitos de Segurança e Saúdeno Trabalho. Além disso, a fiscalizaçãoatende denúncias que chegamde diversas origens e, no caso de suspeitade trabalho escravo ou degradante,é acionada a equipe da fiscalizaçãomóvel que faz um trabalhodiferenciado na ação fiscal. O empregadorpoderá ser autuado pelodescumprimento aos itens da Normae, no caso de constatação de riscograve e iminente, poderá ser interditadoo setor de serviço, máquina ouequipamento em questão.Diante do descumprimento reiterado,o caso será levado ao MinistérioPúblico do Trabalho, através daProcuradoria Regional do Trabalho,que tomará ações pertinentes à suacompetência. Um dado apresentadopela DRT-GO, é preocupante: "nosetor sucroalcooleiro encontramoscasos de condições degradantes aostrabalhadores", afirma InocêncioBorges. Por outro lado, a DRT apontaque dentre as atividades rurais, osetor é um dos que registram osmaiores índices de regularizaçãoquanto à legislação trabalhista.“Quando a leinão é cumprida, oMinistério Públicodo Trabalho entraem ação“arquivo/pessoalOs advogados Arnaldo Barros, daárea patronal e Milton InácioHeinen, da Federação dosTrabalhadores na AgriculturaSOLUÇÕESEnquanto espera o tempo de adequação,os entendimentos sindicaispodem ser uma saída. O respeito àlegislação sempre foi prioridade paraos empresários. "Ocorre que a nossalegislação trabalhista é extremamentedensa, protecionista e detalhista.Essas características, aliadas àcada vez mais crescente presença eparticipação da Justiça do Trabalhona solução dos conflitos de interesses,são fatores inibidores da modernizaçãodas relações de trabalho e dopermanente exercício do diálogo,tendo a negociação como melhoralternativa", afirma Arnaldo Barros.Ele acredita que, talvez por isso,prevaleça o raciocínio de que ésempre mais vantajoso buscar oPoder Judiciário para resolver asquestões, já que, naquele fórum,não há espaço para flexibilização ea lei já assegura e esmiúça os direitosdos trabalhadores. Barros completa:"dessa maneira empregadose patrões só sentam à mesa paradiscutir os problemas de relacionamentopor ocasião da data-base dacategoria, sob a pressão de pactuaríndices de ajustes salariais".As dificuldades em obedecer a leinum setor onde são empregadasmilhares de pessoas podem começarna implantação de um planejamentoagrícola combinado com osproblemas de logística, passandopelas diferenças de culturas, interessese objetivos entre os trabalhadores.As condições específicasque caracterizam a atividade nãopodem ser deixadas de lado.É preciso fornecer um banheiroquímico para cada grupo de quarentatrabalhadores ou o refeitóriomóvel (tendas, ônibus, etc.), ou sedisponibilizar água tratada parahigiene pessoal, pois os trabalhadoresrurais exercem suas atividadesem locais diferentes a cada dia,obedecendo à maturidade da canae ao planejamento de corte. "Comomudar, por exemplo, o hábito derurículas que cresceram dormindoem redes para os quais, após 30 ou40 anos de vida, de nada valeráfornecer camas com colchões elençóis", afirma o advogado ArnaldoBarros.NR 31PRINCIPAISREGRAS PARAEMPREGADORES• Garantir condiçõesadequadas de trabalho,higiene e conforto.• Realizar avaliações dosriscos, analisar causase doenças, através daComissão Interna dePrevenção de Acidentes deTrabalho Rural (CIPATR)• Criação do ServiçoEspecializado em Segurançae Saúde no TrabalhoRural (SESTR)• Forma adequada do uso deagrotóxico, edificação rural,transporte de trabalhadores• Equipamentos de proteçãoindividuais• Instalações sanitárias ealojamentos e locaisapropriados para refeiçõesFonte: Ministério doTrabalho e EmpregoFeira Internacional deAgroenergia e Biocombustíveis –Enerbio/2006Data: 13 a 15 de Novembro de 2006Local: Transamérica Expo Center, São PauloPromoção: BrasilAgroPatrocínio: PetroCrystalE-mail: info@enerbio.com.br; site: www.enerbio.com.brEndereço: Av. Pentágono, 1100, MT-18 –Alphaville, fone (11) 4154-2366 - Cep 06540-900Santana do Parnaíba – SPPÚBLICO ALVO• Usineiros• Profissionais do setor sucroalcooleiro das áreasindustrial, agrícola, suprimentos, recursos humanos,serviço social, transportes, cogeração de energiaelétrica, tecnologia da informação, administrativae financeira• Produtores de cana-de-açúcar• Produtores de grãos• Indústrias de óleos vegetais• Indústrias de biodiesel• Cooperativas agropecuárias• Frigoríficos (sebo animal para a produçãode biodiesel)• Fornecedores de serviços, produtos e tecnologia• Investidores• Professores, estudantes e pesquisadores• Prefeitos, lideranças municipalistase gestores públicos22CANAL – junho de 2006

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