Safra 2013/2014 - Canal : O jornal da bioenergia

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Safra 2013/2014 - Canal : O jornal da bioenergia

Entrevista Marcos Jank, especialista em temas globais do agronegóciomarço até julho, ou seja, durante todo oprimeiro semestre.E o que o governo federal pode fazer paraamenizar a situação no menor tempopossível e como deve se preparar, desde já,para que tenha um nível de competitividaderelativa à infraestrutura comparável à dospaíses desenvolvidos, ainda que em longoprazo?É importante ressaltar, em relação a essapergunta, que há uma grande concentraçãodessas commodities em dois portos, ode Santos e o de Paranaguá. Mais de 50%dos grãos e, com certeza, mais de 70% doaçúcar saem por esses portos. E quandose tem chuva, por exemplo, não é possívelcarregar e estamos terminando um períodochuvoso grande, o que constitui maisum agravante importante. Acredito quenão haja uma solução de curto prazo. Pormais que se fale de uma rodovia que vaiser lançada no ano que vem, a BR-163,que vai até Santarém, isso não resolvepois não adianta ter uma rodovia nova senão há capacidade no porto.Qual seria, então, a saída para essa situação?Eu só vejo duas saídas. Uma é a melhoriados marcos regulatórios, no sentido deatrair mais investimentos privados. A grandedificuldade é que o governo investemuito pouco, pois não tem recursos parainvestir. O governo tem que regular, masnão pode fazer isso de uma maneira queafugente o capital e, infelizmente, a gentetem visto isso acontecer. A parte de ferrovias,por exemplo, ainda não está bemregulada para atrair capital. Em relação aosportos há agora esse debate sobre a MedidaProvisória 595, que é chamada de MP dosPortos, e que gera um grande debate sobrea atração do capital privado, se será criadaa figura do terminal de uso privativo quepermitiria esses investimentos. Ainda hámuitas questões pendentes nessa MP. Háinteresse de muita gente e capital nomundo para isso, mas todo mundo estácom muito medo do nível de intervençãodo governo em algumas áreas.O governo tem queregular, mas não podefazer isso de umamaneira que afugenteo capital e infelizmentea gente tem visto issoacontecer.”Em que áreas, por exemplo?A de produção de etanol é um exemplo.Hoje não há atração de grandes investimentosporque ninguém sabe o que vai acontecercom o preço da gasolina. Recentementeo governo também mudou a regra das concessionáriasde energia elétrica, isso tambémafugentou o capital, fez com que ovalor de mercado das empresas elétricas decapital aberto caísse. E agora isso tambémestá acontecendo com a infraestrutura. Osgrandes investidores não sentem segurança,ainda, em investimentos no montante que agente precisa.Retomando a questão sobre a competitividaderelativa à infraestrutura, qual seria a outrasaída a qual o senhor se referiu?O segundo ponto – e isso vale especificamentepara grãos no Centro-Oeste, é conseguirfazer a saída pelo chamado Arco doNorte, que seria pelas hidrovias, rodovias,ferrovias e os portos das regiões Norte eNordeste, servidos por sistemas multimodais.Nesse caso, temos a Ferrovia Leste-Oeste, a Norte-Sul, a Transnordestina.Tudo isso entra nesse rearranjo da logísticaque permitirá que fiquemos menosdependentes de Santos e Paranaguá. Maseu acredito que tudo isso ainda vai demoraralguns anos para acontecer. No curtoprazo, o que pode ser feito é melhorar acapacidade de armazenagem, mas eu diriaque na logística mesmo, na parte de infraestruturade transporte, isso vai levar maisalguns anos para conseguirmos resolveresses problemas.O senhor acredita que a Medida Provisória 595será eficiente para resolver ao menos emparte os problemas dos portos?Conceitualmente sim. A ideia da MP é justamentecriar mecanismos que permitam amodernização do sistema portuário, que éum dos setores mais retrógrados da economiabrasileira e, principalmente, por meio daatração de investimentos privados. Na prática,temos visto que isso depende de comofica a questão do arrendamento dos terminaisque estão dentro de portos organizados.Existe ainda muita incerteza em relaçãoa qual vai ser o novo sistema que vai seaplicar para quem hoje arrenda terminaldentro de porto organizado, como no setorsucroenergético acontece com a Copersúcar,a Cosan e outras empresas que arrendamesses terminais, pois o sistema deixaria deser de arrendamento e passaria a ser demodicidade tarifária, que é o que o governoquer, ou seja, a tarifa mais baixa possívelpara o maior volume de carga. É umamudança de conceito e tem muita genteque não está confortável com isso. Existemmuitas polêmicas e debates em relação avários temas.Qual é a diferença entre o Brasil e seusprincipais concorrentes na produção agrícola eagroindustrial no que se refere à armazenagemdos seus produtos?O Brasil armazena muito pouco, cerca de60% da safra. Então, quando estamos noauge da colheita da safra, como falta armazénsé preciso usar o caminhão, que virauma armazém sobre rodas. E essa é maisuma razão pela qual existem tantos caminhõesnas estradas numa época tão pequenado ano. Os Estados Unidos armazena133% da safra. Lá existe um sistema queeles chamam de elevators, que são armazenadoresprivados que conseguem armazenara safra logo depois que ela é colhida.Acho que aqui no Brasil a gente ainda pre-cisa fazer investimentos nessa área e, obviamente,isso passa também por uma questãoregulatória.Qual é o modal de transporte no Brasil que,em sua opinião, poderia substituir em maiorparte o modal rodoviário no transporte daprodução e que vantagens ele traria?Existem dois modais no Brasil que sãonecessários para essas regiões que estão amais de 1,5 mil quilômetros dos portos, queé onde hoje se concentra a grande expansãoda agricultura: Mato Grosso, Goiás, Bahia,Mato Grosso do Sul. Acho que nessas regiõesa gente tem que combinar ferrovia comhidrovia. A solução é conseguir transportargrandes volumes de carga por meio de barcaças,pelos rios que vão para o Norte. Hojejá existem barcaças no rio Madeira, masagora também existe a possibilidade de sairpelo Teles Pires, Tapajós, Tocantins e outrosrios da região. Além disso, existem essasnovas ferrovias. Hoje em dia o que estásendo construído é a ferrovia Norte-Sul.Para poder escoar direito é necessário construiraquelas interligações da FerroviaNorte- Sul para o Oeste e o Leste, a Ferroviade Integração do Centro-Oeste (Fico) e aFerrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Aconclusão dessas ferrovias já favoreceriabastante esse escoamento por via ferroviária.Por via hidroviária são esses grandes riosque cruzam o Estado do Amazonas e oEstado do Pará.O baixo nível dos reservatórios das hidrelétricaspode resultar em problemas de abastecimentode energia elétrica em 2013. Nesse contexto,como senhor avalia a atenção dada pelogoverno à energia da biomassa?O governo acabou de rever o sistema, vaicolocar tudo em leilão, novamente, baseadono mecanismo de modicidade tarifária.Obviamente, esse critério vem prejudicandoa bioeletricidade, porque os leilões são feitos,atualmente, de uma forma que existeuma competição entre fontes diferentes deenergia. Nesses leilões, tipo A-3 e A-5, frequentementeocorre uma competição entreas energias eólica, de biomassa e PCHs. Elassão diferentes. Não dá para colocá-las competindode igual para igual porque têmcaracterísticas diversas. A biomassa temuma vantagem muito grande porque ela éuma energia regular durante vários mesesdo ano e que entra, principalmente, no períodoseco, quando o nível dos reservatóriosestá mais baixo. Deveria haver leilões diferenciadospor fontes, isso não acontece e éuma das razões que explicam porque a biomassatem perdido em todos esses leilões.Hoje temos três usinas de Belo Monte adormecidasnos canaviais ou 14 mil MWsmédios de energia potencial e o País corre orisco de ter blecautes. É uma situação triste,pois não estamos explorando esse potencialde energia renovável como deveríamos.Em 2009, o etanol respondia por 54% doconsumo no mercado de automóveis.Atualmente essa participação é estimada emcerca de 35%. O que é necessário para que ocombustível volte a ocupar o espaço que játeve no Brasil?O mais importante é resgatar a competitividadedo hidratado. É ele quem está pagandoa conta, pois perdeu a competitividade essesanos todos, em função do preço fixo dagasolina, e o carro flex. O Brasil tende aexportar cada vez mais etanol anidro, já queexiste um claro diferencial de preço entre oetanol de cana e o de milho, produzidopelos Estados Unidos. Nós temos um usocrescente de etanol misturado na gasolina,que tem crescido na matriz. Por isso, o desafiomaior é esse, resgatar a competitividadedo hidratado.6 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 7


PanoramaMário Campos é efetivado comosecretário executivo da SIAMIGA Associação das IndústriasSucroenergéticas de Minas Gerais – SIAMIGefetivou Mário Ferreira Campos Filho comosecretário executivo da entidade. MárioCampos já acumulava o cargo de gerenteexecutivo e secretário executivo interino daSIAMIG. Mário já participa dos vários fóruns dosetor, como do Fórum NacionalSucroenergético (FNS), Câmara Setorial doAçúcar e do Álcool do Ministério da Agriculturae Abastecimento e da Mesa Tripartite(envolvendo governo, produtores edistribuidores), coordenada pelo Ministério dasMinas e Energia (MME). Além doacompanhamento de todas as ações junto àAgência Nacional do Petróleo, Gás Natural eBiocombustíveis (ANP), atual órgão reguladordo setor.ESALQ realiza simpósio sobre cana-de-açúcarO 6º Simpósio: Tecnologia de Produçãode Cana-de-Açúcar, será realizado entre 10e 12 de julho de 2013, em Piracicaba (SP).O ex-ministro da Agricultura RobertoRodrigues abrirá o evento, que deve reunircerca de 600 profissionais, empresários,técnicos, estudantes e representantes deinstituições privadas e públicas paradiscussões de novas tecnologias do setorsucroenergético. O simpósio tambémpropõe o aprofundamento do debate sobremanejo de fitossanitários ebioestimulantes, além de fertilidade enutrição - com ênfase em magnésio,nitrogênio e micronutrientes -mecanização e sistematização do canavial,ANDEF lança livro sobre a história da agricultura para jovensA área de educação da ANDEF (AssociaçãoNacional de Defesa Vegetal) promoveu olançamento do livro “Pequenas histórias deplantar e de colher”, da autora RuthBellingini.A obra traz conceitos e retrata a história daagricultura: como apareceram as culturas, aajuda das máquinas, a ciência das plantas, arevolução verde e a agronomia como ciênciae o agro. “Nosso objetivo é levarconhecimento sobre o dia a dia do campopara as escolas de todo o Brasil. Queremosaproximar a cidade das áreas rurais,apresentando informações ricas para osnossos jovens que serão os nossosconsumidores e profissionais do futuro”,explica José Annes Marinho, gerente deeducação da ANDEF.O livro pode ser usado entre o 5º e 9º anodo Ensino Fundamental. Dentro dele há umencarte chamado de Guia do Professor paraauxiliar os docentes. A distribuição é gratuitae tem sido feita pela própria ANDEF, porém aassociação procura apoio do governo eentidades afins para ampliar o envio doscom destaque a tecnologias inovadoras.Um dos mais importantes eventos dosetor sucroenergético, o simpósio reúneespecialistas, possibilitando acesso dosparticipantes às mais novas tecnologiasdisponíveis, além das perspectivas do setor equeda de produtividade após adoção dacolheita mecanizada.O Simpósio é promovido em parceriapela Escola Superior de Agricultura(ESALQ), Fundação de Estudos AgráriosLuiz de Queiroz (FEALQ) e pelo Grupo deApoio à Pesquisa e Extensão (GAPE).Inscrições e Informações:FEALQ -Telefone: (19) 3417-6604 -http://www.fealq.org.br | cdt@fealq.org.brlivros. “Queremos que os livros cheguem paratodas as escolas, porém não temos acesso atodas elas. Se tivermos uma colaboração deprefeituras ou órgãos estaduais, poderemosalcançar mais alunos”, finaliza Marinho. (Canalcom Assessoria de Imprensa da ANDEF)Cresce comercialização debiodiesel no BrasilA Abiove divulgou dados sobre a comercializaçãode biodiesel que mostram um significativocrescimento na comercialização do produto. Asentregas de biodiesel pelas usinas às distribuidoras decombustíveis aumentaram 15,4% no primeirobimestre de 2013, ante o mesmo período do anopassado. Ao todo, a comercialização via leilões daAgência Nacional do Petróleo, Gás Natural eBiocombustíveis (ANP) totalizou 455.490 m³ nos doisprimeiros meses do ano, em comparação a 394.627m³ em janeiro e fevereiro de 2012. Os númerosmostram ainda que Rio Grande do Sul, comparticipação de 28%, Goiás e Mato Grosso, com 21%e 12%, respectivamente, foram os maioresprodutores. O Centro-Oeste se destaca com 41% daprodução nacional, seguido das regiões Sul (33%) eSudeste (12%). Em termos de matérias-primas, asprimeiras informações, de janeiro de 2013, mostramque o óleo de soja respondeu por 67% da produçãode biodiesel, seguido do sebo bovino (22%) e do óleode algodão (5%).Governo federal lança PlanoInova EnergiaO Plano Inova Energia, lançado em março desteano pelo governo federal, vai investir R$ 3 bilhões nodesenvolvimento da área energética no País. Paraisso, o BNDES disponibilizará um orçamento de R$1,2 bilhão, que formará o fundo de financiamentocom mais R$ 1,2 bilhão da Financiadora de Estudos eProjetos (Finep) e R$ 600 milhões da AgênciaNacional de Energia Elétrica (Aneel). Com esseorçamento, empresas sediadas no Brasil poderãoreceber créditos com taxas reduzidas, subvenções edinheiro não reembolsável para o desenvolvimentode pesquisas.O plano abrange quatro linhas de inovação: redesinteligentes, que distribuem a energia de maneiramais eficiente; melhoria na transmissão de longadistância em alta tensão; energias alternativas, comoa solar e termossolar; e desenvolvimento dedispositivos eficientes para veículos elétricos, quepossam contribuir para a redução na emissão depoluentes nas cidades. Canal com dados da AgênciaBrasilRaízen produz energia noperíodo de entressafraA Raízen antecipou em um mês o início de seuprocesso de cogeração de energia, que até entãoacontecia durante aproximadamente oito meses, noperíodo da safra - de abril a novembro. Esses 30 diasadicionais possibilitaram um aumento da ordem de5% na capacidade de produção da unidade de Jataí,interior de Goiás. “O estoque de biomassaremanescente das safras anteriores existente emJataí foi o fator decisivo na hora de escolher aunidade que começaríamos o projeto”, comentaAntonio Valezi, gerente de projetos de Bioenergia daRaízen. Durante o período de entressafra, apenas doismeses podem ser utilizados para a cogeração, já queos outros dois são utilizados para a manutenção dosequipamentos da indústria.8 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 9


EtanolSustentabilidade é a grande vantagemO combustível quepode iluminar o PaísGeradoresabastecidos como biocombustívelpermitem umamelhor distribuiçãode energia limpa,mas são barrados porfalta de incentivosEm todos os países o estudo e planejamentoenergético são necessários,em maior ou menor intensidade,para assegurar um suprimento deenergia confiável e a preços razoáveis. Umadas maiores preocupações quanto a estedesafio é maximizar a sustentabilidadeambiental, medida principalmente pelasemissões de gases poluentes. No Brasil, éreconhecida a grande disponibilidade ediversificação de fontes para a produção deenergia limpa e, dentre as opções quenosso território fornece, o etanol tem sedestacado. Durante as últimas décadas,problemas surgiram e atrasaram o desenvolvimentode tecnologias para o uso emlarga escala de geradores movidos a etanol.Oscilações de mercado e políticas públicasdesfavoráveis, além de questões ambientaisadversas, agravaram e afastaram estaideia. Porém, com o cenário positivo previstopara a safra 2013/2014, o desenvolvimentodas tecnologias necessárias podesair do papel.Com o devido incentivo à tecnologia defabricação de tais geradores, o Brasil teriacondições de exportá-la para outros paísestropicais, que possuem problemas na distribuiçãode energia por seu território. Umatermoelétrica projetada para uso de etanolpoderia, tomando como exemplo as cidadesisoladas nos Estados da região Norte, serecologicamente alimentada com etanolproduzido por agricultores locais. Este fatomostra que o combustível é estratégico parao fornecimento elétrico em casos emergenciaise um potencial substituto para o óleocombustível e o carvão mineral. Países comoHaiti e Cuba, que já são produtores de canade-açúcar,poderiam ser amplamente beneficiados.Consequentemente, o Brasil, quedomina a fabricação de motores e geradores,colheria os frutos da exportação dosequipamentos.Para as usinas do setor sucroenergético,algumas características positivas dizemrespeito ao tamanho extremamente compacto,a alta eficiência do motor e o custode investimento reduzido. Comparandocom o tradicional ciclo a vapor, os geradoresmovidos a etanol são 60% mais eficazese seus valores de implantação na indústriasão 50% menores, se considerarmos amesma faixa de potência.ValoresUm modelo automático deste geradordevidamente cabinado, com abafador,potência de 90 cavalos e 70 kVA, custa R$48,3 mil, enquanto a sua versão manual saipor R$ 43,5 mil. Comparados aos modelosconvencionais movidos a diesel, os que funcionama base de etanol são, aproximadamente,20% mais caros, mas possuem umteor de poluentes emitidos significativamentereduzido.Uma desvantagem que deve ser consideradaé o volume maior de etanol exigido.Devido à diferença de poder calorífico entreos combustíveis, é preciso um volume quase50% superior de etanol. Essa logística precisaser estudada cuidadosamente. Para se teruma ideia, uma turbina gerando 43 MW depotência consome, aproximadamente, 18mil litros por hora de etanol hidratado. Ouseja, a viabilidade econômica dos geradoresmovidos a etanol está diretamente ligada aovalor comercial do combustível. Uma regrabásica, usada pelos motoristas ao abastecer,também pode ser aplicada neste caso. Se oetanol estiver com seu preço 70% abaixo dovalor da gasolina, a troca é economicamenteviável.O aspecto ambiental desta tecnologia tem provadoser a sua grande vantagem. Primeiramente, oetanol de cana-de-açúcar é um combustível renovável,ao contrário do diesel e da gasolina, o quereduz substancialmente a emissão atmosférica dedióxido de carbono. As emissões causadas pelo usodo etanol são 75% menores que as decorrentes douso do diesel e 40% menores que aquelas geradaspelo gás natural, considerando as mesmas condiçõesde operação. Dados da União da Indústria daCana-de-Açúcar (Unica) apontam que as emissõesde gases agravantes do efeito estufa são reduzidasem 68% com esta tecnologia. Por fim, eles zeram aemissão de particulados e, virtualmente, eliminam aemissão de compostos de enxofre.Por seu tamanho compacto, estes geradorestambém facilitariam a distribuição de energia emlocais que não possuem linhas de transmissão,como as comunidades ribeirinhas do Estado doAmazonas. Esta parte da população brasileira viveuma realidade um tanto quanto diferente.Dependentes de geradores movidos a diesel, aenergia é falha e interrompida frequentementedevido a ausência de combustível nas regiõespróximas. Pesquisadores da Universidade Federaldo Amazonas (Ufam) e do Instituto Energia eDesenvolvimento Sustentável (Inedes) estudam aimplementação de geradores movidos a etanol demandioca, já que há pouca disponibilidade decana-de-açúcar na região, por motivos climáticose ambientais. O projeto, que é uma iniciativa daEletrobrás Amazonas Energia, teve investimentosde R$ 3,8 milhões.Em uma cidade como São Paulo existem mais dedois mil geradores a diesel, muitas vezes sendo utilizadosem horários de pico. O impacto positivo queseria gerado, não apenas na capital paulista, mas emqualquer área urbana populosa, se esses geradoresfossem substituídos por modelos a etanol, é evidente.A GE Power & Water investe em pesquisas paraa ampliação da gama de combustíveis possíveis aestes geradores. Um de seus projetos, na China,utiliza o gás residual do processo de fabricação deaço para a geração de energia. A empresa tambémjá realizou a implantação de turbinas em navios decruzeiros que utilizam biodiesel como combustível.AntártidaO Brasil se firmou como o primeiro país a possuirum gerador movido a etanol em funcionamentona Antártida, onde reconstrói a sua baseapós o incêndio ocorrido em fevereiro de 2012. Atecnologia, desenvolvida pela Vale Soluções emEnergia (VSE) em parceria com a Petrobras, quebrouas barreiras impostas pelo clima inóspito daregião e garantiu a geração de energia suficientepara iluminar a estação científica brasileira. Oprojeto, que substituiu o combustível dieselmineral, demandou um investimento inicial daordem de R$ 2,5 milhões. Ao contrário de motoresde veículos movidos a etanos, este geradornão precisou de um aditivo extra e funcionouapenas com o etanol hidratado puro.Com capacidade de gerar 250 kw/h, o equipamentorecebeu 350 mil litros de etanol, cedidos pelaPetrobras, volume necessário para que as operaçõesda Estação Antártica Comandante Ferraz tivessemcontinuidade. A tecnologia funcionou da mesmaforma que os demais geradores a diesel, porém, comuma emissão de dióxido de carbono muito menor.10 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 11


MelhoramentoDe olho no mercado,empresas lançam novasvariedades de canaOferta constante de cultivares melhoradas ajuda produtores a elevarprodutividade das lavouras, sobretudo em novas fronteiras da culturaFernando DantasAcada ano, novas variedades de canade-açúcarsão lançadas no mercadocom a proposta de melhorar a eficiência,a produtividade, a resistência adoenças da planta e para satisfazer uma necessidadeque é de todo agricultor: reduzir custosde produção. As novas cultivares são criadas paraatender, ainda, demandas ou características dealgumas regiões do Brasil. É o caso do Cerradobrasileiro, que concentra hoje importantes áreasde cultivo de cana, como o Estado de Goiás, queintegra esse bioma e é o segundo maior produtorde cana e de etanol do Brasil.Por causa desse cenário e da crescente demandapor etanol, açúcar e demais produtos derivadosda cana-de-açúcar, pesquisadores têm ido acampo para plantar, testar, avaliar, replantar, examinarde novo e estudar novas variedades decana-de-açúcar para serem lançadas no mercado.É um ciclo que, às vezes, demoramais que uma safra, porém queenvolve especialistas e estudosem diferentes situações.Para 2013, a Monsanto, por meio da marcaCanaVialis, e o Centro de Tecnologia Canavieira(CTC) estão colocando à disposição do produtornovas variedades de cana que buscam contemplarbenefícios e vantagens em campo, seja noplantio, adaptação ao clima e região e em ganhode produtividade de 30% a 40%.Nas lavourasAtendendo toda a região Centro-Sul do País– São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grossodo Sul e Goiás -, a variedade de cana CV0470 é anovidade que a Monsanto, através da CanaVialis,lançou no mercado nos meses de março e abrildeste ano. Segundo o analista de marketing decana-de-açúcar da empresa, Thiago Rondinelli,entre as principais características da variedadeestão vigor e produtividade. “Ela se destaca peloexcepcional desenvolvimento e estabilidade. Éuma excelente opção para colheita a partir deagosto, podendo ser manejada em ambientesfavoráveis e intermediários”, enfatiza.As pesquisas realizadas para chegar até a novavariedade foram feitas para atender demandasnacionais. Porém, explica Thiago, otime de especialistas de desenvolvimento técnicode produto é responsável por posicionar adequadamenteos materiais desenvolvidos nacionalmente,de acordo com as características de umaregião específica, extraindo assim o melhorpotencial de uma determinada variedade parauma região específica.Durante a pesquisa são avaliadas todas asdemandas do setor sucroenergético e fatoresdeterminantes no desenvolvimento de novasvariedades, como resistência a doenças, adaptaçãoao plantio e colheita mecanizada, adaptabilidadee estabilidade e, principalmente, a buscapor variedades de alto potencial produtivo erendimento agroindustrial. Thiago explica que ostestes da área de melhoramento genético começamdesde o planejamento do cruzamento, passandopela seleção anual, que ocorre durantecerca de 10 anos, até o lançamento de variedadepré-comercial, nas estações de pesquisas daCanaVialis, em Maceió (AL), Mandaguaçu (PR),Conchal (SP) e Araçatuba (SP). “Após o trabalhode melhoramento inicia-se os testes do time dedesenvolvimento técnico de produto”, conclui oanalista de marketing da CanaVialis.Adaptadas ao CerradoEvandro BittencourtOs produtores de cana-de-açúcar naregião do Cerrado passam a contar comas três primeiras variedades específicaspara o cultivo na região do bioma, ondeestão localizadas as principais novas fronteirasda atividade sucroenergética. Asérie CTC9000, que contém as cultivaresCTC9001, CTC9002 e CTC 9003, foi desenvolvidapelo Centro de TecnologiaCanavieira (CTC).As novas variedades, em média, apresentamprodutividade 20% maior que asduas cultivares tradicionais mais utilizadasna região. A CTC9001, por exemplo,apresentou 29% a mais de pol (sacarosepor peso) por hectare e também destaca--se por possuir longo período útil deindustrialização.As novas cultivares também são adaptadasà mecanização, processo que avançarapidamente no País. “Diferentementedo que era feito há dez anos, hoje o plantioe a colheita mecanizados é uma realidadecada vez mais crescente nas plantações.Além disso, a queima da palha dacana será proibida por lei no Brasil apartir de 2017. Portanto, a variedade decana plantada hoje deve ser compatívelcom este contexto modernizado”, afirmaMarcos Virgílio Casagrande, gerente deDesenvolvimento de Produto do CTC.O bom desempenho diante das condiçõese solo e clima encontradas da regiãodo Cerrado são algumas das vantagens quedevem levar à substituição expressiva devariedades tradicionais pelas novas cultivares.Segundo Marcos Casagrande, o materialfoi concebido com a preocupação de encontrara melhor forma de adequá-lo ao climarestritivo do Cerrado (níveis 3, 4 e 5 - emescala de 1 a 5) e às suas peculiaridades,como solos ácidos e com baixa capacidadede armazenamento de água, chuvas intensase concentradas, mas com secas de atéseis meses de duração, além do clima favorávelao florescimento da cana, o que reduza produção de açúcar e etanol.Casagrande ressalta, ainda, que a altaprodutividade é resultado de uma combinaçãobem feita entre manejo, condiçõesclimáticas e de solo e uma planta de qualidade.“Com nosso conhecimento e bagagemem pesquisa, buscamos sempredesenvolver e integrar tecnologias disruptivaspara a indústria sucroenergética”,finaliza.Principais características“Além de valorizar o potencial para o agronegócio,cana-de-açúcar e soja, a Prefeitura Municipaltambém investe no crescimento turístico da cidade.”CTC9001Desenvolvida em climasrestritivos, foi testada nosúltimos oito anos na região doCentro-Oeste. Apresentou 29%a mais de toneladas de POL/ha(sacarose em peso por hectare)do que as duas variedades maispresentes no mercado. Ela éadequada para o plantiomecanizado, possui estabilidade,riqueza de açúcares e tambémum PUI longo (Período Útil deIndustrialização).CTC9002Tem o porte ereto, é tolerante àseca e ao plantio mecanizado,apresenta longevidade e podeser cultivada em solos maisrestritivos. Mostrou ter 25% amais de POL/ha do que as duasvariedades mais cultivadas noBrasil.CTC9003Apresenta altoperfilhamento, está apta aoplantio mecanizado e éprecoce. Além disso, nãofloresce e tem um PUI longo.Possui 18% a mais de POL/ha do que as outras duasvariedades testadas.O dia das mães é sempre no segundo domingo de maio, mas para nós deParaúna essa data merece muito mais que um dia de comemoração.Todas as horas, dias, semanas e meses do ano são delas.Parabéns a todas as mães do Brasil!12 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 13


CertificaçãoQualidade alimentar édesafio para os produtoresPara se adequar àsexigências dos grandescompradores, usinassucroenergéticasinvestem em inovaçõesna gestão e no processoprodutivoIgor Augusto PereiraUma das metas de grande parte das usinassucroenergéticas é entrar para o seletorol dos fornecedores de empresas dealcance mundial. Mas para fazer partedesse grupo é preciso empregar investimentos degente grande, que garantam a confiabilidade detodo o processo produtivo e da gestão dessasempresas.Maior indústria de refrigerantes do mundo, aCoca-Cola é uma das maiores compradoras doaçúcar não refinado brasileiro. Hoje, cerca de 35usinas do Nordeste e Centro-Sul destinam o produtopara a multinacional. Todas devem seguirpadrões internacionalmente reconhecidos emtermos de segurança, meio ambiente, responsabilidadesocial e, claro, qualidade alimentar.“Nenhuma empresa é aprovada pela Coca-ColaBrasil sem um rigoroso processo de homologaçãoe, uma vez na nossa cadeia produtiva, o fornecedorpassa a ser avaliado continuamente nos critériosdo Supplier Maturity Continuum (ferramentadesenvolvida pelo escritório sede da companhia)”,explica a diretora de Qualidade da empresa,Mariana Azevedo. Se não cumprem os requisitosformais, as usinas podem ser descredenciadas.Entre as principais exigências das empresascompradoras estão a aplicação de sistemas e certificaçõesde qualidade alimentar. No setor sucroenergético,as principais são a de Boas Práticas deFabricação (BPF), o sistema de Análise de Perigose Pontos Críticos de Controle (APCCC) e a ISO22000 – entenda a diferença entre elas no quadro.Além disso, muitas empresas realizam auditoriaspróprias.“A maior motivação para a implantação de sistemasde qualidade e segurança não vem dosórgãos de fiscalização, mas dos clientes. As empacotadorasde açúcar querem um açúcar mais clarinho.As indústrias de refrigerante precisam deum alimento com baixo nível de floco alcoólicopara não comprometer seu rendimento industrial,por exemplo. Assim, determinam seus níveis deaceitação, normalmente mais rigorosos que ospreconizados pela lei”, explica o consultor da AlfaQualidade, Nilson Gomes Jaime, especialista noassunto.A segurança de alimentos garante um açúcartotalmente seguro para o consumidor, sem riscospara sua saúde e integridade física. Esse processoé baseado em normas objetivas, mensuráveis erastreáveis em toda a cadeia do açúcar, de formaque cada critério seja atestado cientificamente.“A cor, por exemplo, é um dos atributos de qualidadedesejáveis pelo consumidor, que quer oproduto o mais branco possível. No entanto,podemos ter um açúcar clarinho e ele estar, eventualmente,contaminado por metais pesados,agrotóxicos ou partículas magnetizáveis”, ressalta.O avanço das tecnologias de fabricação vêmcolaborando para a maior segurança dos alimentosproduzidos nas usinas sucroenergéticas. Hoje,a incorporação de equipamentos inoxidáveis aoprocesso produtivo gera uma diminuição nos riscosde contaminação. Por outro lado, explicaNilson Gomes Jaime, os investimentos devem serainda mais expressivos.“É preciso trabalhar com mudanças de rumo equebras de paradigmas, o que demanda tempo,diálogo, treinamento, conscientização e vontade.Normalmente, o processo de implantaçãode um novo sistema de gestão alimentarvaria de nove meses a dois anos”, argumenta.O mercado internacional acompanha deperto a implantação de normas mais rigorosasde qualidade alimentar na produçãodo açúcar brasileiro. De olho na rastreabilidadee na agregação de valor ao produto,muitos compradores chegam a deixar opreço em segundo plano na hora de decidirquem serão seus fornecedores.“Há empresas multinacionais instaladasaqui no Brasil que chegam a pagar R$10,00 a mais por saco de produto em casosde certificações”, afirma o consultor NilsonGomes Jaime, da Alfa Qualidada, que destaca,ainda, que esse tipo de medida podeevitar perdas e custos desnecessários.Os números da última safra confirmamessa tendência. Em um momento em quese discute a rastreabilidade do produto, foiregistrado um aumento de 7,4% nas exportaçõesde açúcar brasileiro em relação aoperíodo anterior. Segundo a União daIndústria de Cana-de-Açúcar (Unica), maisde 26,7 milhões de toneladas foram embarcadas.Reconhecida como uma das empresasde maior peso no setor sucroenergético emtodo o País, a Jalles Machado dispõe dasprincipais certificações de qualidade alimentar.“Assim, garantimos, também, todauma segurança ao longo de toda a cadeiaprodutiva, de logística e de consumo final.Ao utilizar o nosso açúcar, o consumidorterá a plena certeza de que está levandoum produto seguro para si e sua família”,reforça o gestor de Qualidade e MeioAmbiente da empresa, Ivan César Zanatta.“Nosso papel vai muito além de exigircertificados. O objetivo aqui é capacitar osegmento, dando subsídios para que eleconsiga oferecer um produto com qualidadee condições cada vez melhores paraseus funcionários, sem impacto ao meioambiente. Para que nossa empresa sejasustentável, precisamos que nossos fornecedorestambém sejam”, conclui MarianaAzevedo, da Coca-Cola Brasil.Como conseguir uma certificação de qualidade alimentar?Contratar uma auditoria externa não é garantia de que a empresa poderá ostentar umacertificação em seus produtos. O processo para receber um selo de qualidade é muitas vezeslongo e pode exigir intensas transformações internas nos procedimentos de trabalho. Paraisso, as empresas contam com o apoio de consultorias especializadas, que ajudam na adequaçãoaos padrões internacionais. Mas quando contratar e quem? Para ajudar os gestoresa responder essa pergunta, o CANAL – Jornal da Bioenergia elaborou um passo a passo quemostra, de maneira simplificada, as principais etapas desse trabalho. Confira abaixo.1Definição da norma: Na fase inicial, a empresa decide a certificaçãopleiteada e contrata uma consultoria para auxiliá-la.234567Revisão de rotinas: Escolhida a norma que se deseja pleitear, a empresa monta umcomitê responsável por estudar os aspectos formais do certificado. Esse grupo ajuda arepensar os procedimentos e rotinas de trabalho de acordo com as diretrizes propostas.Avaliação de adequação: É um tipo de pré-auditoria, em que as transformações feitasantes são testadas. Se a avaliação for negativa, o processo da fase anterior se repete.Documentação e auditoria interna: Quando é verificada a conformidade com asregras da certificação, a empresa entrega sua documentação e realiza uma auditoria interna.Auditoria externa: Uma nova empresa, responsável direta pela certificação, écontratada. Ela faz uma varredura de todos os aspectos relacionados à norma pleiteada.Validação: Ao ser aprovada pela certificadora, a empresa recebe o selo final. O prazo devalidade depende de cada norma.Manutenção: Para garantir a melhoria contínua dos processos, devem ser promovidasauditorias anuais relacionadas à certificação.difícilEstá encontrarsuporte de verdade?conheça aPreocupada sempre em comercializar e distribuir produtosEntenda a diferençade qualidade diferenciada e tecnologia de ponta, a CircularParafusos vem destacando-se no cenário nacional ao• Boas Práticas de Fabricação (BPF) – É umprograma direcionado aos aspectos pessoais,instrumentais e ambientais que possam evitar acontaminação do açúcar. Cuida de temas comohigiene pessoal dos colaboradores, das instalações edos equipamentos, controle integrado de pragas,potabilidade da água, qualidade dos insumos, entreoutros.• Análise de Perigos e Pontos Críticos deControle (APCC) – É um sistema desenvolvido pelaagência espacial norteamericana para garantir asegurança dos astronautas. Posteriormente, foiadotado pela Organização das Nações Unidas comoum padrão para o mundo. Estabelece um fluxogramaem que prevê riscos físicos, químicos e biológicos,apontando soluções para a prevenção.• ISO 22000 – Norma aceitainternacionalmente, ela define os requisitosde um sistema de gestão de segurançaalimentar do campo até a mesa.Reúne elementos como comunicação interativa,sistema de gestão, controle de perigos, melhoriacontínua e atualização dos critérios. O BPF e o APCCsão pré-requisitos para esta certificação.PARAFUSOSparafusos - ferramentas - máquinas - epi’sabrasivos - cabos de aço - consumíveisAv. Circular, 561 Setor Pedro Ludovico - Goiânia/Goiás.especializar-se cada vez mais no atendimento a usinas eindústrias do segmento sucroenergético.Televendas(62) 3241-1613circularparafusos@hotmail.com14 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 15


BiogásAutonomia energéticaem granjas avícolasDesenvolvidona Unesp,equipamentopromete gerarenergia suficientepara supriras demandasenergéticas nosegmentoDetalhes do equipamento desenvolvidona Unesp: aproveitamento dos resíduosAna Flávia MarinhoUm novo equipamento de produçãode biogás já está em fase de implantação.A novidade é que ele produzenergia a partir de dejetos de frangoque seriam descartados pelas granjas. O equipamento,criado durante elaboração da tesede doutorado de Airon Magno Aires, naUniversidade Estadual Paulista (Unesp), utilizacama de frango como matéria-prima. O resíduoda produção avícola passa por diluição(água reaproveitada de chuva) e uma separaçãode sólidos e líquidos e, então, está prontopara se tornar biogás e adubo natural.Com a invenção, a geração do biogás se dáatravés do processo de biodigestão anaeróbia,ou seja, são utilizados microorganismos paradegradar a matéria orgânica contida nos resíduos,gerando um composto de gases, o biogás.A cama de frango (ou cama avícola, jáque o equipamento trabalha com resíduos defrango de corte, cama de matizeiros e avozeirose dejetos de aves de postura), que forra ochão das granjas, é uma mistura de excreta,penas das aves, ração, e materiais comocapim seco, sabugo de milho, cascas deamendoim, arroz, ou café. Esses materiais têmse mostrado como uma excelente fonte nutricionalpara a geração do biogás.Airon explica que a engenharia do aparelhofoi pensada a partir da observação da digestãode ruminantes, que trituram os alimentospela boca, transformando-os em pequenaspartículas. Isso facilita a absorção e a fermentaçãoao longo da digestão do animal. “Ainovação se define por um equipamento querealiza a desaglomeração de partículas dacama de frangos e posterior separação defrações sólida e líquida”, explica. A fraçãolíquida concentra maiores quantidades denutrientes, boa veiculação hidráulica e fáciladesão para alimentação dos microorganismosque gerem o metano. Já a fração sólida éutilizada em um sistema de compostagemacelerada, misturado às carcaças das aves,geradas na produção avícola. Dessa forma,nenhum resíduo é gerado, já que todos osmateriais são reaproveitados na forma debiogás (energia elétrica e térmica), biofertilizanteslíquidos e adubos orgânicos.MotivaçãoA necessidade de se criar um projeto quefosse capaz de transformar os resíduos dagranja em bioenergia surgiu devido à carênciade equipamentos compatíveis com o mercado.“Os produtores foram atropelados comtecnologias nunca utilizadas”, acredita oinventor. Segundo ele, os biodigestores plugflow (fluxo tubular), utilizados em produçõesde suínos e de bovinos leiteiros, não são utilizadosde forma adequada, devido às diferentescaracterísticas químicas e físicas das cargas.O uso inadequado dos biodigestores podecausar danos como diminuição do volume útildo biodigestor, entupimentos na tubulação deentrada e saída dos biodigestores, deposiçãode sólidos fixos na camada inferior do biodigestor,o que também causa problemashidráulicos de deslocamento da biomassa.Para solucionar o problema, o equipamentofaz um pré-processamento dos resíduossemi-sólidos. Esse é o caso da cama avícola,que possui, em média, 25% de umidade. Eisum dos desafios a ser enfrentado. Para se teruma ideia, os dejetos de suínos e bovinosapresentam, após diluição, umidades próximasde 98%. “A proposta é inédita, pois sãoproblemas enfrentados há muito tempo porpaíses líderes na geração de biogás a partir deresíduos, como é o caso da Alemanha, EUA eChina”.Um dos problemas relacionados à implantaçãodo equipamento nas granjas está relacionadoao custeio do investimento. “Todainovação tecnológica possui barreiras deutilização, por questões culturais e de aprovaçãofinanceira em bancos rurais”, lamentaAiron. “Acredito que estas barreiras são osmaiores entraves de inserção da tecnologiano mercado nacional.” O criador do equipamentoressalta que sem a ajuda dogoverno, o produtor rural passa pordificuldades na aquisição de projetosde sustentabilidade ambiental,podendo ser inviável investir emsistemas de tratamento e aproveitamentoenergético de resíduos empequenas escalas de produção.EconomiaA transformação da cama defrango em biogás pode gerar umaeconomia considerável aos produtoresde aves. A ideia é que essaenergia seja consumida na própriaavícola. Ela poderá ser convertidaem energia elétrica, através de suaconversão em grupos geradores eenergia térmica a partir de trocadoresde calor e fornos de aquecimentode galpões já adaptados a biogás.Airon afirma que a energia do biogásgerado pela cama de frangopode suprir as demandas energéticasda granja ao longo do ano. Alémdisso, alguns projetos viabilizam acomercialização da energia elétricaexcedente para as concessionárias.Produtores das regiões Sul eCentro-Oeste estão comercializandoa cama avícola por valores quevariam de R$ 40,00 a R$ 80,00. Jána região Sudeste, os valores vão deR$ 70,00 a R$ 150,00. Se os produtoresinstalarem uma planta de biogás,vão conseguir uma valorizaçãomaior desse material, que não serátratado como resíduo, mas sim,como produto. “Concluímos quecom cada tonelada de cama avícolaé possível gerar uma receita brutade R$ 250,00 a R$ 350,00, comcusto operacional de 50 a 80 reaispor tonelada de cama avícola”. Nessecaso, a receita do produtor vêm pormeio da substituição da energiaelétrica convencional e térmica(lenha ou GLP) pela energia do biogás.Há também a comercializaçãode adubo orgânico (com agregaçãode valor, em função do tratamentoanaeróbio recebido), biofertilizantee em alguns casos, venda de energiaelétrica excedente.Outro projeto que se pretendeavançar é a utilização de uma compostageminovadora, que transformacarcaças de aves, resíduos deincubatórios e lodos de abatedourosem adubo orgânico. O sistema decompostagem in-vessel, utiliza omesmo pré-processamento da camaavícola que na tecnologia anterior,porém ao invés da fração líquida,ela utiliza a fração sólida, misturadaaos resíduos de produção de aves emicroorganismos selecionados, osquais são acompanhados por controlesautomatizados de temperatura(45º a 70ºC) constante, pH, umidadee injeção de O2.O processo ocorre em até trêsfases, sendo duas delas (anaeróbia eaeróbia) dentro do reator lacrado(portanto, sem emissão de gasespoluentes para atmosfera e compossibilidade de geração de biogás)e a terceira fase fora do reator, apenaspara estabilização do material. Acompostagem, que em um sistemaconvencional, pode demorar até150 dias para sua maturação, nestecaso chega, no máximo, a 30 dias deprocesso. Segundo o pesquisador,“as vantagens desse sistema sãomuitas, as indústrias ainda nãoconhecem a tecnologia, mas logovão se familiarizar, pois um sistemasimilar, esta sendo utilizado há maisde 10 anos na Europa Ocidentalpara tratamento de frações orgânicasde resíduos sólidos urbanos.Na avicultura, a utilização delenha em grande quantidade é fundamentalpara aquecer os galpõesde frangos de corte durante os primeiros15 dias de vida do animal.Airon explica que cerca de 30 m³ delenha são transformados em CO2durante apenas um lote, emitindocerca de 5 toneladas de CO2 equivalente.Com a substituição da energia dalenha pela do biogás, a redução degases de efeito estufa podem chegara 8 toneladas de CO2 equivalenteao ano por galpão avícola. Agrande vantagem do biogás é que setrata de um combustível renovável elimpo. “Isso sem contar com osbenefícios ambientais e econômicos,gerados com a substituição de adubosminerais pelos orgânicos, ouentão pela comercialização destesbiofertilizantes”, reitera Airon.De acordo com os estudos, o queé descartado em um galpão de frangosde corte pode gerar cerca de65.250 m³ de biogás que, se convertidosem energia elétrica, equivale a111 MW de energia. De uma maneiraprática, tem-se que a cada 2 toneladasde cama avícola, é possível geraraté 1MW de energia elétrica.A planta de funcionamento doequipamento tem necessidade deprodução anual mínima de 700toneladas de cama de frango paraque sua viabilidade econômica sejafavorável. Entretanto, fatoresexternos influenciam no cálculo.Entre eles, o custo da energia elétrica,térmica e preços de adubosorgânicos de mercado (regionais) equantidade consumida pelo produtor.“Para frangos de corte, amatéria prima gerada no galpão ésuficiente para uma completa sustentabilidadeenergética e térmica.Já em matrizeiros, existe a possibilidadede geração excedente deenergia para comercialização”,comemora Airon. (Mais informações:aironzootecnista@yahoo.com.br)Pesquisadores da Unesp operam o sistema de produção de biogásTecnologia permite a separação e aproveitamento de resíduos sólidos e liquídos16 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 17


Safra 2013/2014Setor sucroenergéticoestima resultados positivosAnálise de especialistase representantes dosegmento prevê quea safra, que se iniciaagora, será melhor quea anterior, tanto emprodutividade quantoem aumento da área decana disponívelFernando DantasAntes de cada safra de cana-de-açúcar,especialistas reúnem informações sobreresultados alcançados em anos anteriores,fatores climáticos que interferiramna cultura, investimentos, políticas, mercados,entre outros fatores, para traçar possíveis cenáriospara a atual safra. Tudo é avaliado na tentativade identificar soluções para problemas quepossam surgir durante o ano. Na maioria doscasos, as previsões são aproximadas, apenas comdetalhes diferentes em relação às expectativas, jáque alguns têm como foco a oferta de etanol,outros analisam a produção de açúcar, bioeletricidadeetc.Para 2013/2014, as previsões já foram reveladase as estimativas são positivas. A União da Indústriade Cana-de-Açúcar (Unica), em conjunto com oCentro de Tecnologia Canavieira (CTC), sindicatose associações do setor sucroenergético, estimampara a região Centro-Sul uma moagem de 589,60milhões de toneladas, crescimento de 10,67% emrelação aos 532,76 milhões de toneladas processadasna safra anterior. Os dados compilados pelaUnica, assim como o mapeamento com imagensde satélite da região Centro-Sul feitas peloInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Canasat– Inpe), indicam uma expansão de 6,50% na áreade cana-de-açúcar disponível para a colheita nasafra 2013/2014.Já a Companhia Nacional de Abastecimento(Conab) vai além do Centro-Sul e traça expectativaspara todo o Brasil, prevendo processamentototal de 653,8 milhões de toneladas de cana-deaçúcar,que representa um crescimento de 11% nacomparação com os 588,9 milhões de toneladasproduzidos em 2012/13. A instituição revela que oPaís terá, ainda, um acréscimo na área de cerca de408 mil hectares, aumento de 4,8% em relação àsafra 2012/13, reflexo do aumento de área daregião Centro-Sul.Os analistas, especialistas e representantes deentidades ligadas ao setor sucroenergético e aomercado financeiro avaliam ainda, com seus estudose estatísticas, que o clima será favorável e quea produção será mais dirigida ao etanol. Entre osgargalos e dificuldades estão a logística paraescoamento de produção e a falta de políticas deincentivo para o segmento. Nesta matéria, o Canal– Jornal da Bioenergia traz opiniões, expectativase previsões das principais entidades e consultoriasligadas ao setor sucroenergético sobre a safra queestá começando.receram o crescimento da planta.O elevado índice de renovação do canavial, queatingiu 20,49% da área total, diminuiu a idademédia da lavoura a ser colhida na safra 2013/2014.Como reflexo desse maior índice, estima-se umaumento de 3,10% na produtividade - o chamadoefeito tombamento, que relaciona a idade docanavial à produtividade agrícola média da área.Ainda, as condições climáticas favoráveis e demaisvariáveis que influenciam o rendimento agrícola(incidência de florescimento, probabilidade degeada, índice de infestação de pragas e doenças,etc) devem resultar em um crescimento adicionalprojetado de 4,57% na produtividade.Como resultado final, o rendimento de 74,30toneladas de cana-de-açúcar por hectare registradona safra 2012/2013 na região Centro-Suldeverá alcançar 80 toneladas por hectare na atualsafra, expressiva alta de 7,67%. O aumento de7,67% na produtividade agrícola e a mencionadaexpansão de 6,50% na área de colheita deveráresultar em um crescimento total superior a 14%na disponibilidade de cana-de-açúcar para a produçãode açúcar e de etanol. Representantes daUnica acreditam que não será possível processartodo este montante de matéria-prima até o finalde primeira quinzena de dezembro de 2013.Segundo o diretor Técnico da entidade, Antoniode Padua Rodrigues, o início desta safra foi muitochuvoso, comprometendo seriamente a moagemestimada para o final de março e para a primeiraquinzena de abril. “Dificilmente conseguiremoscompensar essa perda ao longo da safra e, portanto,assumimos que o valor histórico de 1,5% decana bisada poderá atingir 3,5% em 2013/2014,ou seja, 3,5% da matéria-prima disponível deverãoser processados apenas no começo da safra2014/2015,” concluiu.De fato, dados da safra atual apurados até omomento indicam uma moagem acumulada deapenas 8,82 milhões de toneladas até 15 de abril.Esse valor é significativamente inferior as 27,74milhões de toneladas moídas até a mesma data nasafra 2010/2011, quando o volume de cana-deaçúcardisponível para processamento tambémera elevado.Qualidade da matéria-primaA projeção indica uma qualidade da matériaprimade 136,70 kg de Açúcares Totais Recuperáveis(ATR) por tonelada de cana-de-açúcar na safra2013/2014, índice 0,83% superior aos 135,57 kgregistrados na safra passada. “No último ano, operíodo chuvoso se prolongou até o início dejunho. Nesta safra, a expectativa é de que isso nãose repita, viabilizando um aumento na concentraçãode açúcares na planta durante esse período”,explicou Rodrigues. Quanto à quantidade de produtostotais obtidos a partir da cana-de-açúcarprocessada, estima-se que seja 11,59% superior nasafra 2013/2014 relativamente à anterior, alcançando80,60 milhões de toneladas de ATR. Estecrescimento é decorrência do incremento dematéria-prima a ser processada e do maior teor deaçúcares na planta.Novas unidades produtorasNa avaliação da Unica, apenas três novas unidadesprodutoras iniciarão suas atividades nasafra 2013/2014 na região Centro-Sul. Este númeroé significativamente menor que o registradonos últimos anos, quando se observou até 30novas usinas em uma única safra. Além da reduçãona quantidade de novas unidades produtoras,12 usinas que processaram cana-de-açúcar nasafra passada poderão não operar este ano devidoa problemas financeiros. Caso esse número seconfirme, haverá uma perda de capacidade demoagem superior a 18 milhões de toneladas decana. Em relação ao açúcar, a perda de capacidadede cristalização estimada para a safra 2013/2014no Centro-sul é de 800 mil toneladas. Essa reduçãoserá apenas parcialmente compensada pelasnovas fábricas, que deverão incorporar uma capacidadede produção de 300 mil toneladas de açúcar.Portanto, a redução líquida estimada é de 500mil toneladas do produto.UNICAAlém do aumento na produção e da maior áreadisponível para colheita, a União da Indústria deCana-de-Açúcar (Unica) espera um crescimentosignificativo da produtividade agrícola. De acordocom estimativas divulgadas em abril pela entidade,o aumento decorre, principalmente, da reduçãoda idade da lavoura e da melhor condiçãoclimática observada nos últimos meses, que favo-18 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 19


Safra 2013/2014CONABA Companhia Nacional de Abastecimento(Conab) estima para a temporada 2013/14 que acultura da cana-de-açúcar vá continuar emexpansão. De acordo com informações da instituição,enquanto a região Centro-Sul terá crescimento,a Norte/Nordeste praticamente se mantémcom a mesma área para a próxima safra. SãoPaulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Suldeverão ser os Estados com maior acréscimo deáreas, com 141,4 mil hectares, 106,1 mil hectares,101,1 mil hectares e 43,5 mil hectares, respectivamente.Este crescimento se deve à expansão denovas áreas de plantio das usinas já em funcionamento.A expectativa é que no Centro-Sul as usinasinvistam mais em renovação de canaviais do queem expansão de novas áreas cultivadas. Essainformação também vale para a Região Nordeste,onde a maior seca dos últimos 40 anos afetou asafra 2012/13, deixando muitas usinas descapitalizadas,impedindo aumento de área. No Nordeste,também em função da seca, algumas usinasencerraram a moagem da temporada passadaantes do período normal, mas isso não refletiráem um período maior de desenvolvimento dacana para a próxima safra, uma vez que a colheitacontinuou em ritmo normal. O que ocorreu foiapenas a mudança de destino da cana colhida,sendo que algumas usinas moeram o final de suassafras em parceria, diminuindo o custo da produçãode açúcar e etanol, evitando assim um prejuízomaior do que o já ocasionado pela quebra deprodutividade. As adversidades climáticas noNordeste continuam nesse primeiro trimestre de2013, o que provoca um atraso no desenvolvimentodas lavouras.A área cultivada com cana-de-açúcar queserá colhida e destinada à atividade sucroenergéticana safra 2013/14 está estimada em8.893,0 mil hectares, distribuídas em todosestados produtores conforme suas características.A previsão é que Minas Gerais se torne osegundo maior estado produtor, ultrapassandoo estado de Goiás. O estado de São Paulo permanececomo o maior produtor, com 51,3%(4.560,88 mil hectares) da área plantada,seguido por Minas Gerais com 9,31% (827,97mil hectares), Goiás com 9,3% (827,03 milhectares), Paraná com 7,0% (624,02 mil hectares),Mato Grosso do Sul com 6,6% (586,22 milhectares), Alagoas com 5,0% (441,25 mil hectares)e Pernambuco com 3,3% (295,39 milhectares). Nos demais estados produtores asáreas são menores, com representações abaixode 3,0%.Produção de cana-de-açúcarA previsão de produção de cana-de-açúcar daRegião Centro-Sul deve ser de 594,07 milhões detoneladas, 11,5% maior que a produção da safraanterior. A Região Norte/Nordeste também sinalizaum aumento em torno de 6,8%, passando dosatuais 55,93 milhões de toneladas da safra2012/13, para 59,74 milhões na safra 2013/14. Aprevisão do total de cana-de-açúcar para sermoída é de 653,81 milhões de toneladas, comaumento de 11% em relação à safra 2012/13, quefoi de 588,92 milhões de toneladas, significandoque a quantidade que será moída deve ser 64,89milhões de toneladas a mais que na safra anterior.Previsões para açúcar e etanolUnicaConabETANOLO volume deverá atingir 25,37 bilhões delitros, alta de 18,77% quando comparadoà produção da última safra. Do total,14,17 bilhões de litros referem-se aoetanol hidratado, aumento de 12,18% emrelação à safra anterior. O restante, 11,20bilhões de litros, será representado peloetanol anidro – considerável alta de28,29% comparativamente ao volumeobservado no último ano. A maiorprodução de etanol anidro projetada sejustifica pelo aumento do nível de misturado produto na gasolina a partir de maio,quando o valor atualmente observado de20% passará a ser 25%.A produção de etanol é estimada em25,77 bilhões de litros, um incremento de2,13 bilhões de litros, alta de 8,99%. Destetotal, 11,37 bilhões de litros deverão serde etanol anidro, e 14,40 bilhões de litrosserão de etanol hidratado. Assim, o etanolanidro deverá ter um acréscimo de15,35% na produção, e o etanol hidratadoterá aumento de 4,45%, quandocomparados com a produção de etanol dasafra anterior. Este estudo aponta que aRegião Nordeste deve responder por 6,5%da produção de etanol do país. Aprodução deverá continuar concentradana Região Centro-Sul com 92,37% dototal produzido no país, principalmenteno estado de São Paulo (49,10%), Goiás(14,21%), Minas Gerais (9,79%), MatoGrosso do Sul (8,13%), Paraná (6,06%) eMato Grosso (4,05%).DATAGRODe acordo com informações divulgadas pelaconsultoria, os canaviais da região Centro-Sul esteano apresentam melhores condições do que asobservadas no mesmo período de 2012. O climafavorável na fase de crescimento da cana é a principalrazão para esta condição, e chuvas em quantidadesmaiores do que a normal histórica durantemarço e abril deste ano irão impactar positivamentea disponibilidade de cana a ser moída a partir domeio da safra. A Datagro aponta que a boa qualidadeda cana no Estado de São Paulo resultará emaumento significativo no rendimento agrícola,especialmente se comparado à safra anterior.No entanto, as chuvas resultaram também ematraso do início das operações de colheita paraalgumas usinas, enquanto outras apenas interromperama colheita mecanizada nos primeiros dias deabril deste ano. Esta precipitação acima do normalimpactou negativamente também o programa deplantio de 18 meses, que foi interrompido diversasvezes durante março e abril. Se as chuvas persistirem,o perfil do plantio poderá mudar de 18 mesespara 12 meses, impactando a próxima safra.A cana colhida no início da safra tem apresentadobom potencial produtivo, mas contém níveis deumidade acima do normal, reduzindo expectativasquanto ao ATR para o primeiro quarto da safra.Muitos produtores estão aguardando resultados dematuradores em uma tentativa de aumentar a concentraçãode açúcares. Chuvas intensas no início dasoperações de moagem estão também impactandonão só os níveis de ATR, mas também a quantidadeAÇÚCARDo total da moagem de cana-de-açúcarprojetada, a estimativa é que 46,22% terácomo destino a fabricação de açúcar,percentual inferior aos 49,54% registradosna safra anterior. Nesse cenário, aprodução de açúcar estimada totaliza35,50 milhões de toneladas, alta de 4,11%em relação as 34,10 milhões de toneladasfabricadas na safra 2012/2013.A previsão é de que a produção de açúcarcresça 13,61% nesta safra de 2013/14,chegando a 43,56 milhões de toneladas,novamente impulsionada pelocrescimento de 14,66% na Região Centro-Sul. 70,86% do açúcar no país deverá serproduzido na Região Sudeste, 10,78% naRegião Centro-Oeste, 9,87% na RegiãoNordeste e 8,35% na Região Sul. Com istoo Centro-Oeste produzirá 398,3 miltoneladas a mais que o Nordeste ,permanecendo no segundo lugar emprodução de açúcar. O percentual deaçúcar total recuperável (ATR) destinado àprodução de açúcar total na média geralnesta safra está estimado em 50,73% dototal quadro.(Com informações das assessorias de imprensa das consultorias e entidades)de impurezas vegetais colhidas, causando perdaindustrial pelas fibras processadas. Em geral, doençase infestações estão sob controle. Enquanto a presençade cigarrinhas está decaindo, o nível de infestaçãode broca está crescendo. Ervas daninhas são tambémpreocupantes no cenário atual, já que competemcom a cana pela água e nutrientes do solo.ARCHER CONSULTINGPara o gestor de riscos da consultoria, ArnaldoLuiz Corrêa, a safra 2013/2014 será maior que a doano passado, mas os investimentos e renovaçãoserão feitos por empresas melhor capitalizadas, querepresentam 30% do setor. Segundo ele, vão crescerneste ano apenas indústrias com projetos emandamento, já que a falta de transparência porparte do governo na formação de preços do etanol,essencial para atrair investimentos, vai prejudicar osetor. Entre os Estados, Arnaldo acredita que SãoPaulo continua na ‘ponta’, se consideradas as estatísticasdos últimos cinco anos.Falta de política, desconhecimento por parte dogoverno de como os mercados funcionam, interlocuçãodifícil e falta de transparência serão gargalosque poderão atrapalhar o resultado positivo da safra2013/2014. Outro desafio está localizado nos portosbrasileiros. O consultor ressalta que nada tem sidofeito há anos pelo governo em termos de infraestrutura.“Quem se encarrega das melhorias é a iniciativaprivada. Os terminais da iniciativa privada sãomodernos e possuem capacidade. Para chegar atéeles, precisamos de estradas, ferrovias. No que precisamosdo governo, aí está o nosso gargalo”, enfatiza.Medidas do governofederal visam melhorarprodutividade do setorEm abril, o governo federal anunciou pacote demedidas para aumentar a competitividade e a capacidadede investimentos do setor de açúcar e etanol.Os incentivos integram-se ao já anunciado aumentoda mistura do etanol anidro na gasolina, de 20%para 25%, a partir de maio. Uma dessas medidas éo incentivo fiscal, decorrente da criação de um créditopresumido de PIS (Programa de IntegraçãoSocial) e Cofins (Contribuição para Financiamento daSeguridade Social) ao produtor rural. Os dois tributosrespondem por R$ 0,12 para cada litro do etanol. Aprevisão é de que o benefício irá gerar uma renúnciafiscal de R$ 970 milhões em 2013.A melhoria dessa medida está na competitividadedo etanol hidratado frente à gasolina, em percentuaisque podem variar de estado para estadodevido aos níveis diferentes de cobrança de ICMS eoutros fatores que impactam o preço final para oconsumidor. A Unica destaca, porém, que o benefícionão será necessariamente ou integralmentepara o produtor, podendo ficar, parcialmente ouintegralmente, com os outros elos da cadeia decomercialização: a distribuição, o varejo ou o con-sumidor, no caso de uma redução do preço final.Também foram reduzidas as taxas de juros doProrenova, linha de financiamento do BNDES(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico eSocial) destinada à renovação e criação de novoscanaviais. Em 2012, a taxa para esta linha de créditoestava em 8,5% a 9,5% e passou para 5,5% aoano, com prazo de pagamento de 72 meses e 18meses de carência. De acordo com representantesda Unica, a decisão do governo de manter a ofertade crédito para renovação de canaviais com umataxa de juros mais atrativa para os produtores devecausar uma redução de 3 a 4 pontos percentuais nojuro final. Uma vez aprovada pelo ConselhoMonetário Nacional, a medida deve servir comoestímulo para a manutenção dos índices de renovaçãoe a expansão dos canaviais registrados naúltima safra (2012/2013), que já foram significativamentesuperiores à média histórica do setor.Foi reduzida ainda a taxa de juros, de 8,7% para7,7% ao ano, da linha de crédito para financiamentoda estocagem do etanol, que conta com recursosde R$ 2 bilhões, sendo metade do BNDES e o restanteproveniente da poupança rural. A Unicarevela que, a exemplo do que vem ocorrendo emanos anteriores, o governo volta a oferecer umalinha de crédito para a estocagem de etanol aolongo da safra, de forma a garantir estoques durantea entressafra. A medida é positiva, pois a estocagemtende a reduzir oscilações acentuadas depreço, típicas de períodos de safra e entressafra enão desejadas por produtores, consumidores ou opróprio governo.Para a União da Indústria da Cana-de-Açúcar(Unica), em linhas gerais as novas medidas anunciadas,assim como as anteriores, são importantes esimbolizam uma fase mais produtiva nas discussõesentre o setor sucroenergético e o governo.COM RESPEITO AO PRÓXIMO.É ASSIM QUE O GOVERNO DE GOIÁSE O DETRAN EVOLUEM NOSSO TRÂNSITO.Acompanhe nossos últimos avanços.Prova Eletrônica de Legislação de TrânsitoRedução do IPVA para motoristas sem infraçãoExpansão da Balada ResponsávelCampanhas Educativas nas EscolasSinalização de MunicípiosPrêmio Detran de JornalismoVapt Vupt Detran20 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 21


PerfilPaixão pela pesquisaqualidade dos textos, o Jornal A Cidade frequentementededicava diversos espaços editoriais aosartigos e poesias produzidos pelos jovens.Do grupo, saíram figuras célebres, como JoãoCunha, deputado federal por quatro mandatos, eo médico sanitarista Sérgio Arouca, um dos íconesda criação do Sistema Único de Saúde (SUS)no Brasil. Boa parte dos membros seguiu carreirajurídica, despontando como advogados, juízes edesembargadores.HenriqueOs encontros semanais do grupo de RibeirãoPreto só foram interrompidos quando o grupoconcluiu o segundo grau e seus líderes tomaramcaminhos diferentes. Aprovado para o curso deAgronomia da Escola Superior de Agricultura Luizde Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba, o jovemHenrique abandonou o pseudônimo e o apelidocarinhoso da família.Ser conhecido apenas como Henrique na novacidade vinha a calhar, afinal, seriedade era fundamentalno ambiente de trabalho de expoentes daciência brasileira. E foi através de uma dessasfiguras que o jovem teve sua primeira inspiraçãopara seguir a carreira de pesquisador.O tio, que na época administrava a fazenda decacau da família, era um grande entusiasta do trabalhode um dos pesquisadores da Esalq, EurípedesMalavolta. “Ele o admirava muito, lia seus livros eaplicava as técnicas descobertas”, conta.O professor Eurípedes Malavolta dava aulas deBioquímica e produzia estudos que se tornaramreferência para a difusão da agricultura brasileira.Naturalmente, o jovem logo tratou de apresentaros dois. Do encontro, surgiu a ideia de desenvolverpesquisas relacionadas ao fruto.“Ele convidou e eu aceitei. Aí buscava sementesna Bahia e fazíamos a pesquisa em São Paulo”,explica. Assim, Henrique descobria a vocação pelomundo científico, endossada pelo método doorientador. “Ele não fazia nada por você paraganhar tempo. Se o aluno errasse, ele passava asinformações novamente e deixava em suas mãos”,declara.“Essa postura foi importante não apenas parameu aprendizado na época, mas para definir otipo de professor que me tornaria mais tarde”,revela. Autoridade em nutrição vegetal,Malavolta era reconhecido internacionalmenteem virtude das contribuições que trouxe aocenário agrícola.“Era um cientista nato, que pesquisou técnicasde adubação e foi peça-chave para o aumento daprodutividade nas lavouras brasileiras”, conta. Naépoca, os produtores aguardavam ansiosamenteas próximas descobertas científicas do professor.Aos poucos, a partir da experiência inicial deestágio, o estudante passou a desenvolver seuspróprios métodos e linhas de atuação. A graduaçãoaconteceu em 1967 e foi apenas o primeiropasso para uma carreira considerada brilhante.“Ser conhecidoapenas comoHenrique na novacidade vinha acalhar, afinal,seriedade erafundamental noambiente detrabalho deexpoentes da ciênciabrasileira.”Pesquisador antesde tudo, HenriqueVianna Amorim,presidente daFermentec,construiu comdedicação umacarreira brilhanteIgor Augusto PereiraHenrique Vianna Amorim é consideradoum nome forte para a pesquisa eos negócios do setor sucroenergéticobrasileiro. Seu currículo acadêmico eempresarial tem uma trajetória tão cheia denuances que sua história parece não caber emnossas páginas. Por outro lado, essa narrativaencaixa exatamente nas formas de tratamentoque recebeu ao longo dos anos. O homempor trás da Fermentec, maior empresa desoluções em fermentação alcoólica no Brasil,conta ao Perfil o que viveu, revela como contribuiupara o desenvolvimento do setorsucroenergético e aponta tendências para aatividade.HenriquinhoA vida corria livre para as crianças da famíliaAmorim. Embora vivessem na prósperacidade de Ribeirão Preto (SP), os pais haviamconstruído sua casa em um bairro aindapouco populoso, constituído principalmentepor chácaras. Sem os prédios e muros quedesenhavam o cenário urbano da capital doEstado, o lugar mantinha uma aura bucólica.Ali, aproveitavam a infância andando debicicleta, jogando futebol, observando os pássarose percorrendo livremente o espaçonatural quase preservado. O espaço não poderiaser mais perfeito para o espírito inquietode um dos cinco filhos.Henriquinho havia ganhado o nome do paina certidão de nascimento, mas, por força dohábito, fora carinhosamente “rebatizado” paraevitar confusões – até mesmo na hora dabronca.O patriarca da família era um respeitadomédico. A mãe, uma pianista. Assim, com ouniverso da ciência e das artes coexistindo tãonaturalmente no próprio lar, as crianças cresceraminteressadas em música, poesia, mastambém em biologia e matemática.Além do cenário semiurbano, o campopropriamente dito também sempre esteve navida da família. Os avós paternos cultivavamcacau na Bahia, enquanto o avô materno eragerente de uma fazenda nas redondezas.HenryEra o fim da década de 1950, períodoconhecido como os “anos dourados”. Na políticainternacional, o conflito entre EstadosUnidos e União Soviética, conhecido comoGuerra Fria, se intensificava. O Brasil ganhavasua primeira emissora de televisão e a SeleçãoBrasileira de Futebol conquistava seu primeirotítulo mundial.A bossa nova de Tom Jobim e João Gilbertocomeçava a dominar as rádios brasileiras,dividindo espaço na programação com a novaexplosão do segmento, os Beatles. Os jovenssecundaristas de Ribeirão Preto não passavamalheios a todas essas transformações.Aqueles com maior afinidade passaram acompartilhar não apenas suas inquietações,mas visões estéticas. Todas as semanas, osalunos do Instituto de Educação OtonielMotta se reuniam para contar o que estavamlendo, discutir a atualidade e encontrar novostemas para seus próprios textos.O Henriquinho de lá atrás tinha dado lugara Henry Miroma – pseudônimo que juntavauma redução do primeiro nome e um anagramado sobrenome da família. 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PerfilDoutor Henrique AmorimAgora bacharel, Henrique Amorim decidiumanter o ritmo de pesquisas. Assim, partiu paraos Estados Unidos, onde cursou mestrado emBotânica na Universidade de Ohio e avaliou aimportância do nitrogênio na produção defenóis nas plantas. De volta ao Brasil, produziuuma tese de doutorado sobre a relação entre oscompostos orgânicos do café verde e a qualidadeda bebida.Aos poucos, passou a aplicar seus conhecimentosno desenvolvimento de inovações relacionadasà cana-de-açúcar. A experiência lherendeu diversos convites para prestação deconsultoria em usinas sucroenergéticas. “Tinhamuita coisa a fazer e sabia que não conseguiriasozinho”, conta.À medida que a empresa ampliava seus trabalhos,o profissional despontava como referênciano segmento e passou a coordenar suaprópria equipe. Dessa necessidade, nasceu, em1977, a Fermentec, empresa pioneira com focona otimização da fermentação alcoólica.“No começo, foi muito difícil... Muito trabalho,muito aprendizado, mas logo os resultadoscomeçaram a chegar e nos animar”, contaAmorim. “A empresa transfere tecnologia, realizapesquisas e treina pessoas em produção deetanol e açúcar, setor que abriga, atualmente,“Embora o brasileironão acredite muitona pesquisa nacional,o trabalho quedesempenhamosoferece um retornoconsiderável para aeconomia do País.”mais de um milhão de empregos”.Líder absoluto de mercado, Amorim dá a dicapara os novos profissionais do setor. “É precisocomeçar por baixo, escutando muito e aplicandobons métodos analíticos”, ressalta. Em 1984,voltou à vida acadêmica, desta vez como professorda Esalq, instituição em que lecionou até2001, quando se aposentou.Mais de três décadas se passaram desde afundação da empresa, período em que a ciênciarevolucionou o rendimento do álcool produzidoa partir da fermentação da cana-de- açúcar.Um estudo recente do departamento deEconomia da Esalq demonstrou que as inovaçõesem fermentação desenvolvidas pelo pesquisadorjá se converteram em um lucro líquidode cerca de R$ 7 bilhões para, pelo menos, 32usinas brasileiras.Os próximos nomes“Embora o brasileiro não acredite muito napesquisa nacional, o trabalho que desempenhamosofereceu um retorno considerável para aeconomia do País. Não estou dizendo isso daboca para fora”, conta.Os números, de fato, falam por si. Hoje, cincoem cada oito usinas brasileiras já receberamtecnologia desenvolvida pela Fermentec. A confiançaem pesquisas científicas quando elasainda nem eram produtos é, de acordo com opesquisador, o grande diferencial para o sucessodessas empreitadas.Ao relatar sua própria história, HenriqueAmorim não fala apenas em um sentimento derealização, mas em projetos de futuro. “Estamostrabalhando na diminuição do uso da vinhaçapela metade e introduzindo leveduras personalizadas”,empolga-se. “Tudo o que colocamos àfrente conseguimos vencer, etapa por etapa. Eainda tem muita coisa para fazer”.Senar em AçãoQueima controlada de cana-de-açúcar é tema de capacitaçãoPara que uma atividade de queimacontrolada no canavial aconteça, énecessário seguir uma série de regras,uma vez que o fogo pode se alastrar eprovocar danos aos trabalhadores e aopatrimônio das empresas. Embora oavanço da mecanização tenha diminuídoo emprego da queima, o temaainda recebe a atenção do setor.Pensando nisso, o Serviço Nacional deAprendizagem Rural (Senar Goiás)desenvolveu um treinamento paraapresentar as boas práticas dessa ação.“A previsão é de que, a partir dopróximo ano, seja reduzida ou eliminadaa queima da cana-de-açúcar,ficando permitida apenas em áreasonde a topografia não é favorável àcolheita mecanizada”, avalia a instrutorado Senar Goiás Giany Aparecidade Freitas. Segundo o assessor técnicoda Federação da Agricultura ePecuária de Goiás (Faeg) AlexandroAlves, o percentual de mecanizaçãono Estado deve chegar a 95% na safra2013/2014.Para que a queima controlada faciliteo corte manual e não cause riscosà produção, as empresas deveminvestir na profissionalização de seuscolaboradores. “Os trabalhadoresmanuais dos canaviais estão sendoDurante o treinamento os trabalhadores rurais aprendem os cuidados que devem ser tomados antes, durante e depois da queimaDivulgação/Senardirecionados a programas de capacitação,em que aprendem a utilizarmáquinas com altos níveis de tecnologia”,afirma Alexandro Alves.O treinamento de queima controladaoferecido pelo Senar Goiás é direcionadoaos trabalhadores rurais.Durante oito horas, o produtor aprendea empregar o fogo como fator deprodução e manejo em atividadesagropastoris, com limites previamentedefinidos. É possível, também, entenderque cuidados devem ser tomadosantes, durante e depois da queima.Giany Freitas antecipa que, em breve,o Senar Goiás também irá oferecer treinamentode brigada de incêndio rural.“Para as usinas obterem esse treinamento,deverão entrar em contato como sindicato rural do município e agendá-lo”,afirma. Segundo a instrutora, ostreinamentos poderão ser realizados naprópria usina ou mesmo em locais comestrutura básica.24 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 25


OpiniãoEventoPotencialidades do guanducomo adubação verde* Tassiano Maxwell Marinho Câmaracom Rodolfo Godoy eFrederico de Pina Matta* Pesquisadores da EmbrapaGrande parte da produção de cana-de-açúcarem Alagoas está concentrada nos tabuleiroscosteiros, região litorânea com precipitação favorávelao desenvolvimento da cultura. Contudo,os solos de tabuleiros apresentam algumas limitaçõesagrícolas referentes à baixa resistênciamecânica a operações de preparo de solo, baixafertilidade natural e de retenção de água e nutrientes.Os solos são caracterizados, ainda, porapresentarem uma alta coesão natural dos horizontes,o que dificulta a penetração e desenvolvimentoradicular das plantas, a disponibilidadede água, a aeração e a absorção de nutrientes,podendo influenciar negativamente no desenvolvimentodas culturas.O cultivo contínuo e intenso da cana-de-açúcardurante várias décadas na região dos tabuleiroscosteiros demonstra aAo menos trezecultivares de guanduestão registradas noMinistério daAgricultura Pecuária eAbastecimento paracomercialização.”capacidade e adaptabilidadeda cultura às condições edafoclimáticaslocais. Contudo,a grande quantidade de operaçõesmecanizadas realizadasem curtos espaços detempo tem feito com que ossolos das áreas cultivadascom cana-de-açúcar sejamsubmetidos a pressões excessivasque favorecem ao processode degradação físico,proporcionando compactaçãoadicional àquela já naturalmenteexistente. Como formade reduzir os efeitos da compactação dos solos,a subsolagem tem sido incorporada as etapas depreparo do solo, visando romper as camadascompactadas e favorecer a penetração e desenvolvimentoradicular. Contudo, está é uma operaçãoque eleva consideravelmente os custos dopreparo do solo tendo em vista, principalmente,o alto consumo de combustível da operação.Uma prática que tem sido adotada por usinasé a adubação verde, com o plantio de leguminosas,como forma de promover a manutenção dafertilidade do solo, favorecer a descompactação,estruturação e aeração dos solos e a penetraçãodas raízes da cana-de-açúcar, principalmentenas áreas típicas de renovação do canavial. Sãocitados ainda, como benefícios da adubação verde,o aumento do teor de matéria orgânica e dadisponibilidade de nitrogênio, a redução da infestaçãopor vegetação espontânea e por pragas.Características como a fixação biológica doN2 atmosférico, sistema radicular pivotante eprofundo e a eficiência na absorção e reciclagemde nutrientes, favorecem o uso das leguminosascomo adubação verde.Das leguminosas consideradas com potencialpara adubação verde, o guandu (Cajanus cajan)apresenta diversos atributos de interesse. Dentresuas qualidades têm sido citadas a destacadatolerância ao estresse hídrico, adaptação a altastemperaturas, tolerância a solos de baixa fertilidadee rusticidade e adaptação a diferentes tiposde solos, alto potencial para fixação biológicade nitrogênio (em torno de 280 kg de nitrogênio/ha/ano),boa produção de biomassa mesmoem solos de baixa fertilidade e alta produção debiomassa em solos férteis. Apresenta sistema radicularvigoroso e profundo que, além de propiciarmaior resistência a déficits hídricos, possuia capacidade de romper camadas subsuperficiaiscompactadas do solo, o que reduz a necessidadede realização de arações profundas ou denumerosas gradagens, possibilitando a manutençãoda estrutura física dos solos.Ao menos treze cultivares de guandu estão registradasno Ministério da Agricultura Pecuária eAbastecimento para comercialização, e inúmerosoutros materiais têm sido coletados e catalogadosem diversas regiõesbrasileiras. Devido àgrande variabilidade daespécie, esses materiaispodem apresentar diferençasquanto ao porteda planta, uniformidadedo ciclo e da altura, hábitode crescimento, característicasde sementes,retenção de folhasem períodos secos, respostasao fotoperíodo esusceptibilidade a nematoides,que podempromover resultados insatisfatóriospara a cultura quando implantadaem determinada região. Ainda, várias das cultivarescomercializadas são desenvolvidas e avaliadassob condições diferentes das encontradasnos tabuleiros costeiros alagoanos, o que podeser fator decisivo no desempenho do guanduquanto a produção de biomassa e respostas favoráveisà descompactação de solos na região.Assim, faz-se necessária a avaliação de materiaispromissores quanto à produção de biomassae desenvolvimento de raízes para a descompactaçãode solos sob condições locais de cultivo.Na região sudeste, observações a campo emtalhões de cana-de-açúcar de materiais deguandu provenientes do programa de melhoramentoda cultura conduzido pela Embrapa PecuáriaSudeste (São Carlos – SP) demonstraram amaior habilidade que alguns materiais possuempara romper camadas compactadas do solo. Resultadosobtidos de uma série de ensaios em casade vegetação indicaram que materiais comog5-94 e g8-95 apresentaram sistema radicularmais adequado para penetrar camadas compactadasde solo. Materiais com essas característicaspoderiam ser testados nas áreas dos tabuleiroscosteiros cultivadas com cana-de-açúcarpara avaliar a potencialidade da biodescompactaçãodo solo promovida pelo guandu e o potencialpara a produção de biomassa nessas condiçõesde cultivo.Tecnoshow Comigo baterecorde de público e negóciosCerca de 500 empresasparticiparam da mostra eexpuseram seus produtosem uma área de 60hectares do CTC ComigoATecnoshow Comigo 2013, a maior feira detecnologia rural do Centro-Oeste, bateunovo recorde de público e negócios. Noscinco dias do evento (8 a 12 de abril), 82mil pessoas passaram pelo Centro TecnológicoComigo (CTC), em Rio Verde (GO) – foram 78 mil, em2012. O volume de negócio alcançou R$ 900milhões, 16% a mais que ano passado (R$ 780milhões). “Os números são positivos, uma vez que afeira teve aumento de expositores. O volume denegócios representa a realidade da feira, que é referênciano Centro-Oeste”, afirmou Antonio Chavaglia,presidente da Comigo.Os 60 hectares de área do CTC abrigaram esteano 500 empresas, número também recorde.Somente na área de máquinas e equipamentos,foram 250 expositores, que mostraram 2,3 milmáquinas de diferentes modelos. Nos 34 plotsagrícolas, 250 experimentos foram divulgados,com novidades no manejo de pragas e doenças,sistemas de gestão de informação e outras tecnologias,além do lançamento de cultivares. Aindaforam realizadas 100 palestras e dinâmicas depecuária e máquinas, levando conhecimento aoprodutor rural.“Dentro da feira, estão empresas relacionadasao agronegócio, nacionais e multinacionais, sejamde máquinas ou equipamentos, novas cultivares,insumos e defensivos. Na pecuária, todas as raçasestão em exposição. É uma feira que, de fato,representa o agronegócio brasileiro. Vamos continuartrabalhando para que, a cada dia, o produtorrural tenha mais conhecimento, mais tecnologiana busca de maior produtividade e, automaticamente,de resultados”, explicou o presidente daComigo.Para o próximo ano, a expectativa é de que maisexpositores participem da feira, que será realizadade 7 a 11 abril. No entanto, não existe, ainda, expectativaquanto ao volume de negócios. “Vai dependerdo momento econômico que estiver atravessando osetor agrícola. A gente não sabe o que vai acontecer,se a liquidez do produtor vai se manter positiva. Arealidade daqui um ano pode ser outra. Mas a feiravai continuar”, garantiu o presidente da Comigo.Para o próximo ano é esperada uma participação ainda maior de expositoresNúmeros da feira• Volume de negócios: R$ 900 milhões;• Público: 82 mil (nos cinco dias);• Estacionamento: 27.285 veículos e 426 ônibus• 80 toneladas de lixo recolhidas: 15 toneladas dematerial reciclado, 35 de não reciclado e 30 deorgânico;• 4,5 mil pessoas assistiram as palestras;• 1,1 mil crianças assistiram ao teatro;• 30 mil refeições foram servidas;• 12 mil pessoas visitaram o Circuito Ambiental.Visitas de estrangeirosUm grupo de estrangeiros de sete países visitou aTecnoshow. Vindos do Egito, Quênia, Nigéria, Gana,Maláui, Uganda e Moçambique, a comitiva era formadapor produtores rurais e autoridades ligadasaos governos. Acompanharam ainda um adido daEmbaixada Americana no Brasil e um representantedo Itamaraty. O grupo veio conhecer o sistema deprodução agrícola brasileiro, especificamente ogoiano, e também algumas questões da legislaçãosobre a agricultura.Solenidade e AberturaPrestigiada pelas principais autoridades ligadasao agronegócio no País, a solenidade de abertura da12ª edição da Tecnoshow lotou o Auditório 1 doCTC. Antonio Chavaglia, presidente da Comigo,aproveitou a oportunidade para conclamar os produtoresrurais, empresários e políticos a se unirempara cobrar melhorias para o setor juntos ao poderpúblico.O agronegócio responde por cerca de 80% doque Goiás exporta. “O agronegócio tem um pesomuito grande na balança comercial. Espero queDeus ilumine cada um de vocês (autoridades) paraque possamos, juntos, realizar investimentos eminfraestrutura, melhorar as estradas e portos econstruir novos armazéns, além de uma políticaagrícola de longo prazo”, afirmou Chavaglia.Dentre as autoridades presentes na solenidadede abertura, o governador em exercício, vicegovernadorJosé Eliton Júnior; o secretário dePolíticas Agrícolas do Ministério da Agricultura,Neri Geller; a senadora Lúcia Vânia; os deputadosfederais Ronaldo Caiado, Heuler Cruvinel, MoreiraMendes (RO) e Paulo César Quartiero (RR); secretáriosAntônio Flávio de Lima (Agricultura), AlexandreBaldy (Indústria e Comércio), Danilo de Freitas(Infraestrutura) e Vilmar Rocha (Casa Civil); o prefeitoJuraci Martins; deputados estaduais KarlosCabral e Francisco Gedda; o presidente do sistemaFaeg/Senar, José Mário Schreiner e José EduardoFleury, suplente do senador Wilder Morais; DourivanCruvinel, vice-presidente administrativo financeiroda Comigo, Aguilar Ferreira Mota, vice-presidentede operações da Comigo e destaque ainda paraMárcio Lopes de Freitas, presidente da OCB Nacional.Meio AmbienteEm sua 6ª edição, o Prêmio Gestão AmbientalRural Comigo homenageou os produtores ruraisque desenvolvem suas atividades em equilíbrio como meio ambiente. Houve ainda a distribuição de 10mil mudas de espécies nativas e do Manual de BoasPráticas Ambientais.Neste segmento, “As Boas Práticas Ambientaisnas Propriedades Rurais e o Código FlorestalBrasileiro” foram abordadas no Circuito Ambiental.Com 12 mil visitantes, apresentou uma visão voltadapara a sustentabilidade em torno de uma noçãode eficiência no uso dos recursos do planeta.Simultaneamente, demonstrou os principais pontosda legislação presente no Código Florestal de formasimplificada.30 • CANAL, Jornal da Bioenergia Fevereiro de 2012 • 31


Empresas e MercadoMartins & Sobrinhos na TecnoshowO concessionário John Deere Martins &Sobrinhos mais uma vez esteve presentena Tecnoshow Comigo, a maior Feira deTecnologia Rural do Centro-OesteBrasileiro, realizada em Rio Verde (GO), dodia 08 a 12 de abril.Pioneira no evento, a empresa foi umadas primeiras expositoras da feira, há 12anos. Mostrando boa parte do variadoportfólio da John Deere, o stand daMartins & Sobrinhos, foi um dos maismovimentados de toda a feira, comvisitas de aproximadamente 1500 pessoaspor dia. Dentre os visitantes destaquepara um grupo de estrangeiros,representandosete países da África (Egito,Quênia, Nigéria, Gana, Maláui, Uganda eMoçambique). A comitiva, formada porUzzi Filter desenvolve soluçãoinovadora em microfiltragem de dieselJá está disponível no mercado uma soluçãointegrada da Uzzi Filter para problemas comparticulados e incidência de umidadeproveniente da condensação de água dentrode tanques, carter e reservatórios quecontaminam os fluidos hidráulicos,lubrificantes e combustíveis. A empresa éespecialista na fabricação, venda edistribuição de filtros especiais paramicrofiltração de diesel e óleo hidráulico.Os microfiltradores são compostos porfiltro de celulose com algodão, que realizamo processo de 1 e 5 micras, reduzindo até90% da emissão de poluentes e gerandoprodutores rurais e autoridades, entreeles um adido da Embaixada Americanano Brasil e um representante doItamaraty, foi recebida pelo diretor daMartins & Sobrinhos Sr. Joaquim Ferreira,que apresentou a qualidade e tecnologiadas máquinas John Deere, a exemplo dosmodernos equipamentos para lavoura decana-de-açúcar.A Martins & Sobrinhos possuiconcessionárias nas cidades de Rio Verde,Jataí e Montividiu e se destaca pelaeficiência no pós-venda e por produtos dealta tecnologia. Com forte atuação nomercado bioenergético, a empresa contacom um moderno Centro de Distribuição depeças e lubrificantes para atender a tempo ea hora produtores e prestadores de serviço.economia no consumo. O produto, fabricadode acordo com as normas do ISO 4.406, temautonomia de 50 mil km ou 700 hs, tem seisanos de garantia.O portfólio da Uzzi Filter é voltado para alinha veicular, abastecimento, auliar,transferência, industrial e limpeza de tanquescom refis, contemplando aspectos que irãoproporcionar uma melhor autonomia nosequipamentos. Além disso, os produtos sãodesenvolvidos para aumentar a vida útil doscomponentes mecânicos, diminuindo oscustos com manutenção, horas paradas e aemissão de poluentes.Equilíbrio conquistaPrêmio Top QualidadeBrasil 2013A Equilíbrio BalanceamentosIndustriais Ltda, empresa com forteatuação no setor sucroenergético,conquistou pela primeira vez oPrêmio Top Qualidade Brasil 2013. Apremiação concedida pela Abrahm –Academia Brasileira de Honrarias aoMérito, entidade mantida peloCicesp – Centro de IntegraçãoCultural e Empresarial de São Paulo,reconhece as iniciativas deempresas do segmento industrial,comercial e serviços que sedestacaram no ano de 2012 pelagestão, incentivo ao talento, àprodutividade e contribuição aodesenvolvimento do País, trazendoessas instituições ao conhecimentopúblico.Os indicados passam por umprocesso rigoroso de avaliação feitopor examinadores do NPQ – Núcleode Pesquisa de Qualidade querealiza uma pesquisa entre osclientes e fornecedoresconsiderando critérios que vãodesde a filosofia empresarial,tradição no mercado e práticasoperacionais a pesquisas edesenvolvimentos de produtos,ações de responsabilidade social ecertificados de qualidadeconquistados.“Fomos indicados pela primeiravez a receber este prêmio e ficamossatisfeitos com esta surpresa que sóvem confirmar a posturaempreendedora da Equilíbrio eminvestir sempre em pesquisa, novosdesenvolvimentos e qualidade dosprodutos e serviços para os diversosmercados industriais nacional einternacional“, pontuou CarlosAlberto Celeste Jorge, presidente daEquilíbrio.A entrega do troféu, do selo e docertificado de qualidade do PrêmioTop Qualidade Brasil 2013aconteceu neste mês em São Paulocom a presença das empresasindicadas, autoridades brasileiras eimprensa oficial do evento. Naocasião, foram comemorados os 80anos da APL – Associação Paulistade Imprensa, responsável pelo NPQ.Usina Adecoagro Vale do Ivinhema inicia suas atividadesA Usina Adecoagro Vale doIvinhema foi inaugurada dia 26de abril (foto). A unidade temum parque industrial que contacom capacidade inicial deprodução de 2 milhões detoneladas de cana-de-açúcarpor safra. Completa, ela serácapaz de processar até 6milhões de toneladas que,somadas à produção deAngélica (usina do GrupoAdecoagro, distante 45Km), asusinas atingirão a capacidadede 10 milhões de toneladas. OGrupo Adecoagro possui várias usinas em regiões produtivas do Brasil, Argentina e Uruguai, ondeproduz mais de um milhão de toneladas de produtos agrícolas, como: açúcar, etanol, eletricidade,milho, trigo, soja, arroz e produtos lácteos, entre outros. A Usina do Vale do Ivinhema contou cominvestimentos de mais de 480 milhões que, financiados pelo Banco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social em seu projeto de implantação, inclui a instalação de uma unidade de co-geraçãode energia elétrica de 120 megawatts (MW).John Deere na AgrishowUm hectare de área, mais de 70 produtosexpostos, cerca de 500 pessoas envolvidas.Assim foi a participação da John Deere na 20ªedição da Agrishow, uma das mais importantesfeiras agrícolas do País, realizada em RibeirãoPreto (SP) de 29 de abril a 3 de maio.Segundo Paulo Herrmann, presidente da JohnDeere Brasil, a participação no evento é ummotivo de orgulho para a empresa, queacompanhou a evolução da feira desde o início.“A Agrishow se desenvolveu muito nesses anos,assim como a tecnologia das máquinas queapresentamos”, diz. “A feira se tornou tambémum importante espaço para promover discussõespertinentes à indústria como um todo, além deuma importante vitrine para obter o feedback domercado.”Ao todo, são 35 concessionários, sendo 32 daárea Agrícola e 3 distribuidores de Construção,preparados para atender clientes e visitantes eáreas exclusivas destinadas à Agricultura e Cana,Consórcio, Sistemas de Irrigação Localizada,AMS, Banco John Deere e Construção, segmentoque fez sua estreia na feira.Outra novidade da Agrishow 2013 foi olançamento da campanha “Por gerações”, quevaloriza o comprometimento da companhia comos produtores agrícolas e sua visão de futuroquanto ao papel da empresa e dos brasileiros naprodução global de alimentos e infraestruturanas próximas décadas.A John Deere reservou uma área especial doestande para o segmento canavieiro. A versão2013 da colhedora de cana 3520, com aintrodução de grandes mudanças para aprimoraro modelo anterior, foi um dos destaques na feira.A nova versão oferece maior autonomia detrabalho com a ampliação da capacidade dotanque de combustível e a redução do consumodo motor proporcionada pela mudança nosistema Field Cruise.Também foi apresentada a colhedora 3522,que colhe duas linhas do canavial,proporcionando novas opções ao produtor. Outrainovação voltada para a cana é o simulador dacolheita, desenvolvido para o treinamento deoperadores das colhedoras. Da mesma forma queos simuladores de vôo projetados para pilotos deavião, ele facilita o treinamento, proporcionandodiferentes experiências e ajudando a atender aforte demanda das usinas brasileiras poroperadores capacitados para este trabalho. Defácil transporte, o simulador pode ser levado aáreas diferentes das usinas, facilitando o acessoao treinamento.A linha de tratores projetados especialmentepara as operações da cultura da cana exposta noestande também chamou a atenção dovisitantes. Ela apresenta cinco modelos da série6J, com motores que vão de 110 cv até 180 cv, etrês modelos de maior potência, o 7195J, 7210J,7225J e o 8335R, com motor de 335 cv, queoferece o recurso da suspensão independente ILS(Independent Link Suspension).Novas tecnologiaspara testes deestanqueidadeA IA TEST traz para o Estadode Goiás o que existe de maismoderno nos serviços de testesde estanqueidade. Para facilitare agilizar a execução dosensaios com o mínimo deinterferência, o máximo deconfiabilidade e com registro etransmissão dos resultados, osequipamentos utilizadosrealizam três procedimentosessenciais: São eles o Equitest,que realiza o ensaio nãovolumétrico e é capaz demonitorar o vácuo de váriaslinhas simultanemente; oAudiotest, equipamentoaudiométrico, de grandesensibilidade e de fáciloperação, e o Leaktest, sondavolumétrica, com altíssimaresolução, capaz de detectarpequenas variaçõesvolumétricas no tanque, sejapor perda de produto ou porinfiltrações.Os equipamentosenviam os dados de medição aosoftware, que exibe e registraem tempo real um gráfico dasituação da linha, facilitandoao técnico a identificação deum possível vazamento. Todosos dados ficam registrados nosistema.Os ensaios para confirmaçãode estanqueidade e verificaçãode vazamentos podem serrealizados em tanques aéreos esubterrâneos, linhas de sucção,linha de retorno, linha deeliminador de ar, linha dedescarga (local e à distância),linhas de respiro, etc.32 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2013 • 33


OpiniãoEnergia e comprometimento,metas para o setor sucroenergéticoJosé Osvaldo Bozzo é sócio daárea de Tributos do escritório deRibeirão Preto da KPMG no Brasil.Temos nos debruçado insistentemente, por meiode artigos, sobre o tema governança corporativano setor de agronegócios, mais especificamente,no sucroalcooleiro. Recentemente também tratamosda questão da sustentabilidade corporativa,do estímulo à indústria do etanol, da aplicaçãodas Tecnologias da Informação aos agronegócios,enfim, diversos assuntos correlatos.Em recente debate e pronunciamento da presidenteda República, Dilma Rousseff, foi discutidaa questão dos necessários investimentos nosetor sucroalcooleiro. Ressaltou-se que as organizaçõesprodutores de etanol e açúcar estãomais maduras, e a percepção que se tem é queas pessoas que atuam na área estão mais bempreparadas.Nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro noBrasil deu um salto no sentido do desenvolvimentoaplicado à produção.Nos últimosanos, o setorsucroenergéticono Brasil deu umsalto no sentido dodesenvolvimentoaplicado àprodução.”Fato é que esta situação, favorávelao setor, está totalmenteligada ao processo demodernização e também aoutros inúmeros fatores,tais como o surgimento docarro com motor flexível, oelevado preço do petróleo,além de preocupações relacionadasao meio ambiente,como a questão do aquecimentoglobal causada poremissões de gases, e, principalmente,a precisão de sebuscar fontes renováveis deenergia mais limpa.Certamente, este cenáriotende a ampliar a prosperidade do segmento,atraindo novos investidores para os próximosanos. Mas isso somente se houver uma intensificaçãonos estímulos por parte dos órgãos reguladoresno sentido de beneficiar a produção e aviabilização da sustentabilidade dos negócios.Temos notado a seriedade com que os empresáriostêm tratado a atividade canavieira nosdias de hoje, já que várias empresas têm se adaptadoà modernização na colheita da cana, respeitando,sobremaneira, questões de naturezaambiental e trabalhista. Ainda assim, o setor seguesendo um dos principais geradores de empregono país. Se considerarmos que haverá investimentosneste segmento, especialmente paraa valorização da mão de obra qualificada e profissionalizaçãoem virtude da completa mecanizaçãoda colheita, inúmeras serão as transformaçõesno perfil dos trabalhadores da área.Trata-se de um desafio necessário para quehaja efetivamente a capacitação e a valorizaçãodos profissionais, sobretudo pela escassez de recursoshumanos capacitados. É, portanto, essenciala recolocação dos trabalhadores agrícolas,antes cortadores de cana, que serão substituídosgradativamente pelas máquinas e por poucosprofissionais envolvidos em sua operação.Em várias ocasiões, já dissemos que o treinamentoe desenvolvimento serão indispensáveispara suprir as necessidades de trabalhadores capacitados,não disponíveis no mercado atual, emdecorrência da mecanização. É incontestável aimportância dos biocombustiveis no Brasil e nomundo e a cana-de-açúcar é considerada comoa mais eficiente fonte para a produção do etanol.Também as expectativas no setor sucroalcooleiroe suas prerrogativas são exemplos de como asempresas, que estão buscando a melhoria contínua,podem oferecer uma melhor qualidade devida aos seus trabalhadores.Sabe-se que o setor de biocombustíveis aindatem muito a crescer, o que gera grandes perspectivas.Quando se fala em dominar o mercado decombustíveis renováveis, notoriamente pelaconstante e diferenciada performance obtida,somos lembrados sempre pela excelência aplicadaà produção do Etanol. OBrasil, considerado o maiorfornecedor de álcool domundo, tem um potencialmuito grande para semanter no topo do setorsucroalcooleiro. Porém, épreciso haver comprometimento,não apenas na obtençãode lucro, mas simno sentido de consolidarmosum país com potencialpara ampliar o desenvolvimentode tecnologiasinovadoras, que possamcontribuir para um mundomelhor.Para se manter nessepatamar de crescimento, é essencial haver umincremento financeiro no setor, já que a expansãoprodutiva implicará na demanda por vultososrecursos. O BNDES, nesse sentido, tende a sera principal fonte de empréstimos de longo prazo,desempenhando um papel relevante no setor. Emoutras palavras, ainda é premente a necessidadede que sejam adotados incentivos focados no desenvolvimentoe estímulo ao setor sucroalcooleiro.Além disso, a promoção de políticas públicasespecíficas para este importante segmento produtivose torna indispensável.Em princípio, a adoção dessas políticas podevir a ser confundida com a simples prática deconcessão de subsídios. Porém, na verdade, taispolíticas de incentivo e estímulo - como aquelasdedicadas às fontes alternativas de produção deenergia elétrica (campo com atuação destacadado setor sucroalcooleiro) - são altamente indicadasem um país que desempenha um papel de liderançano campo da sustentabilidade. Ao final,tem de haver comprometimento, tanto do setorprivado, como das autoridades representantes dosegmento público, não apenas visando a obtençãode lucros, mas, sim, no sentido de construirmosum país diferenciado, com elevado potencialpara contribuir com a evolução do uso de fontesenergéticas mais adequadas e inteligentes.34 • CANAL, Jornal da Bioenergia

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