Abril de 2012 Ano 6 N° 66 - Canal : O jornal da bioenergia

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Abril de 2012 Ano 6 N° 66 - Canal : O jornal da bioenergia

Sifaeg em AçãoPesquisaEtanol de “mandioca açucarada”Comitê de RH,conquistas e novos desafiosOpiso dos trabalhadores nasindústrias de etanol e açúcarsubiu para 700 reais. Aconquista foi comemoradapelo Comitê de Recursos Humanosdos Sindicatos das Indústrias deFabricação de Etanol e Açúcar doEstado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar),que realizaram as negociações, juntamentecom representantes daFederação dos Trabalhadores daIndústria do Estado de Goiás (FTIEG),na convenção coletiva negociadaem fevereiro. Os demais saláriosforam reajustados em 6%.“Foi uma negociação extremamenteeficiente, feita em um tempo curtoe com resultado muito favorável aotrabalhador da indústria”, afirmou onovo presidente do comitê, MarceloSilveira (BP Biocombustíveis), que,juntamente com o vice-presidente,Marilúcio Melo (Goiasa), e o secretárioAltamiro Júnior (Centroálcool),compõem a nova gestão do comitê.Vencer a escassez de mão-de-obraqualificada para o setor é uma dasprincipais missões da novacoordenação do comitê, quepretende se valer de entida-EVENTOS COMITÊ DE RH 2012:AbrilMaioJunhoJulhoAgostoSetembroOutubroNovembroDezembroReuniãoReuniãoReuniãoReuniãoReuniãoSeminárioReuniãoReuniãoEncerramentodes como SENAI e o SENAR para superaro problema, tanto na área industrialquanto agrícola.Marcelo Silveira quer promover, ainda,a inclusão de pessoas com necessidadesespeciais nas indústrias do Estado. “Estaé, sabidamente, uma força de trabalhoescassa e não-formada. Mas precisamosmudar esse quadro”, disse.Dia 20 - Sexta FeiraDia 18 - Sexta FeiraDia 22 - Sexta FeiraDia 20 - Sexta FeiraDia 17 - Sexta FeiraDia 14 - Sexta FeiraDia 18 - Quinta FeiraDia 23 - Sexta FeiraDia 10 - Segunda FeiraAlém destas duas grandes bandeiras,o comitê vai dar continuidade aoseventos voltados para a informação eaprimoramento dos gestores nasempresas, como o já tradicionalSeminário realizado sempre nosegundo semestre do ano comtemas ligados a RecursosHumanos.AEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa) está avaliando os resultados doprimeiro ano do projeto sobre a “mandiocaaçucarada”, conhecida também como “mandiocaba”,na produção de etanol combustível. A mandiocatem alto teor de açúcar e é inadequada paraprodução de farinha. A Embrapa Amazônia Ocidental,em Manaus (AM), tem plantios dessas variedades demandioca no Campo Experimental Caldeirão, emIranduba (AM). O projeto é liderado pelo pesquisadorda Embrapa Roraima, Everton Diel Souza, e conta coma participação de pesquisadores da Embrapa AmazôniaOcidental (AM) e Amazônia Oriental (PA), EmbrapaAmapá (AP) e Embrapa Roraima (RR). A pesquisabusca desenvolver e testar tecnologias com o propósitode identificar e adaptar genótipos de mandiocasaçucaradas com potencial para serem cultivados emdiferentes ecossistemas da região norte amazônica, afim de maximizar as características produtivas e aqualidade do produto para fins industriais.De acordo com o pesquisador da EmbrapaAmazônia Ocidental, Miguel Dias, a mandioca açucaradapossui bastante água, baixo ácido cianídrico,maior concentração de açúcar e menor quantidadede amido em relação à média das outras mandiocas.O pesquisador informa que a mandioca açucarada érejeitada pela maioria dos agricultores na produçãode farinha, mas é utilizada para mingau e um tipo demelaço.Os pesquisadores do projeto consideram que amandioca açucarada ou mandiocaba é nativa daAmazônia, sendo uma mutação genética natural deoutras mandiocas. A planta foi encontrada apenas emalguns locais da região amazônica. A equipe do projetoinformou que nas coletas foram encontradascerca de 18 variedades de mandiocas açucaradas. Essematerial foi coletado em localidades do Baixo-Amazonas (AM), Nordeste Paraense (PA) e Oiapoque(AP) e está sendo avaliado para cultivo e utilizaçãocomo matéria-prima para biocombustível.A pesquisa trabalha com a possibilidade de usoda mandiocaba como alternativa para a produçãode etanol na região norte, uma vez que a principalmatéria-prima para a produção do etanol no Brasiltem sido a cana-de-açúcar, que por sua vez temrestrições para cultivo na Amazônia, por impedimentodo zoneamento agroecológico. Segundoinformações do projeto, a composição de açúcaresda mandiocaba permite uma agilidade no processode conversão em álcool, uma vez que na etapa dafermentação não é necessário o processo de hidrólisedo amido por meio de enzimas, o que reduz ocusto energético em 40%. (Canal com dados daEmbrapa Amazônia Ocidental).Mandioca açúcarada , ou mandiocaba,é considerada uma mutação genéticanatural de outras mandiocas.8 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 9


PanoramaEmbrapa reforçapesquisas com macaúbaUma rede de pesquisa, formada porunidades da Embrapa - Empresa Brasileirade Pesquisa Agropecuária - euniversidades, está implementandoestudos sobre a macaúba visandofortalecer a espécie como matéria-primapara uso como alimento e também naprodução de energia. No final de março, aEmbrapa Agroenergia reuniu, em Brasília,os pesquisadores envolvidos nos trabalhoscom macaúba que fazem parte doProPalma. O líder do projeto, AlexandreAlonso, explica que o objetivo do eventofoi permitir o encontro de pesquisadoresque trabalham em diferentes regiões doPaís para fortalecer a rede de pesquisa.Alonso conta que “já se avançou naprodução de mudas e resultadossignificativos estão sendo obtidos emtemas envolvendo a macaúba, tais comoadubação, colheita e características doóleo – potencial matéria-prima para aprodução de biodiesel”.Além da macaúba, o projeto Propalmatambém estuda as palmeiras oleíferasbabaçu, inajá e tucumã, típicas dasregiões Norte e Nordeste do Brasil. Fazemparte da rede de pesquisa nove unidadesda Embrapa (Agroenergia, Agroindústriade Alimentos, Amapá, AmazôniaOcidental, Amazônia Oriental, Cerrados,Meio Norte, Recursos Genéticos eBiotecnologia, Roraima), e asUniversidades de Brasília, Estadual deMontes Claros, Federal de Lavras, Federaldo Maranhão, Federal de Minas Gerais,Federal do Paraná, Federal do Piauí eFederal de Viçosa. (Canal com dados daEmbrapa Agroenergia)Turbinas eólicas em condomínioPrimeiro empreendimento residencial doBrasil com a iniciativa de captação de energialimpa dos ventos, o condomínio Neo NextGeneration em Florianópolis teve instalada,recentemente, sua primeira turbina de geraçãoeólica. As duas turbinas eólicas combinadas compainéis solares localizadas no topo das torresirão suprir 100% da energia necessária paraaquecer toda a água quente utilizada pelocondomínio a partir de energias exclusivamentelimpas – sem uso de combustíveis fósseis – erepresentar uma economia anual estimada emR$ 43 mil no consumo potencial de energiaelétrica do condomínio localizado no bairroNovo Campeche.Mais que o apelo ecológico-sustentável douso de energias renováveis, a autossuficiênciana geração de água quente do edifício ofereceráaos futuros moradores um importante atrativoeconômico, levando em conta que oaquecimento de água representa cerca de 50%de uma conta de luz residencial.O conceito Next Generation surgiu daVolkswagen testa diesel de canaA fabricante de óleos renováveis,biocombustíveis e bioprodutos Solazyme, Inc.anunciou acordo com a Volkswagen of America,subsidiária norte-americana da Volkswagen AG,para a realização de testes do diesel renovávelderivado de microalgas e sacarose de cana,SoladieselRD, em veículos da montadora.Segundo informe disponibilizado à imprensa, oobjetivo das avaliações, que também incluirãobiocombustíveis de outras empresas, é gerardados para o processo de aprimoramentocontínuo dos modelos a diesel da Volkswagen. Asavaliações terão um ano de duração e serãorealizadas em versões a diesel de veículos depasseio. Durante este período o desempenho e oteor de emissões do biocombustível avançado daSolazyme serão monitorados de perto pelosengenheiros da montadora.A Solazyme é uma companhia norteamericanasediada em South San Francisco,decisão do arquiteto paulista JaquesSuchodolski de criar edifícios residenciais dereconhecido padrão arquitetônico e quereúnam as melhores tecnologias disponíveis desustentabilidade e geração de energias limpasna construção civil.Com uma equipe multidisciplinar deconsultores técnicos, coordenados pela AsasEngenharia e Habitat Ltda, ele realizou pesquisasespecíficas sobre o padrão dos ventos na regiãodo Campeche, optando pela instalação daturbina 4K da empresa norte-americana UrbanGreen Energy, com potência nominal de 4.000 We que apresenta um silencioso sistema de eixoduplo de ação vertical.“Após um ano de medições no local e ocruzamento de dados relativos às curvas depotência e desempenho dos seis principaisfornecedores de pequenas turbinas no mundo,optamos por este modelo que tem a melhorprodução de energia a partir dos ventos demoderada intensidade da costa catarinense”,explica Jaques.Califórnia, especializada na fabricação de óleosrenováveis e bioprodutos. Além da produção debicombustíveis, os óleos Solazyme possuemdiversas aplicações, como em plásticos,especialidades químicas, cosméticos, produtos delimpeza, higiene, beleza e até alimentos. Os óleosrenováveis Solazyme são produzidos a partir deuma plataforma biotecnológica inovadora, capazde transformar açúcares de diferentes fontes emóleos personalizados. Esta transformação épossível graças a microalgas especialmentemelhoradas para converter açúcares em óleos pormeio de processos comuns de fermentação.O resultado são óleos crus de alta qualidadeque podem ser personalizados com qualquertamanho de cadeia carbônica e níveis desaturação, capazes de substituir similares deorigem fóssil, vegetal ou animal ou ainda comporcom eles blends de alto desempenho e custocompetitivo.Uma pauta recorrente hoje em dia é a necessidadede gerar energia utilizando fontes não-poluentese renováveis. No Brasil, cerca de 95% da energia geradaprovém de fontes hidrelétricas. A disponibilidadetérmica, cerca de 13% do total de capacidadeinstalada, responde, principalmente, pela garantiade atendimento contínuo à demanda total. A energiahídrica é ainda uma das fontes menos poluentesdo ponto de vista de emissão de carbono. Dados daUnião Europeia apontam uma emissão de carbonode 400 kg/MWh por turbinas a gás natural com ciclocombinado, contra 28 kg/MWh por aerogeradores e25 kg/MWh pela geração hidrelétrica.Temos, ainda, potencial eólico estimado em 140GW. É mais que toda a capacidade instalada hojeem geração de energia, e a biomassa participa nãoapenas da geração da energia elétrica, mas também,do uso final como térmica e começa a ser importantecomo origem de combustíveis líquidos. Adota-sehoje, para essas fontes de energia, um termo que àluz da atual regulamentação brasileira, engloba ascaracterísticas de renovabilidade e adequação ambiental:energia incentivada, que goza de alguns privilégioslegais para permitir sua expansão e competitividade.Estas tecnologias podem ser mais caras que aenergia convencional. Embora os preços da energiaeólica tenham caído com o declínio da demanda internacionale pela evolução tecnológica, e a bioeletricidadeseja naturalmente competitiva, dado seucaráter de complementariedade à atividade daagroindústria, a energia solar e a energia gerada apartir do biogás dos aterros de lixo são tecnologiasalternativas ainda não maturadas.O incentivo estatal dá-se de várias maneiras: leilõesespecíficos, Regime Especial de Incentivos parao Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), criadopela Lei 11.488/2007, e redução percentual sobre osencargos de uso das redes de distribuição e transmissão.Esta última forma tem contribuído sobremaneirapara a expansão da oferta de fontes ditasalternativas, sendo o desconto estabelecido em leide 50% a 100%, e auferido tanto pelo gerador incentivadoquanto pelo consumidor que adquire aenergia por ele gerada. Já que do lado do consumo atarifa de demanda é bastante significativa no custototal de aquisição do serviço de energia elétrica, oincentivo tem sido bastante atrativo.Ademais, estão em discussão alterações regulatóriasque pretendem reduzir as barreiras existentespara a conexão de geração distribuída de pequenoporte na rede de distribuição, e que propõem alteraros descontos nas tarifas de uso das redes para usinasque utilizam a fonte solar (fotovoltaica e termossolar).O conjunto de medidas de estímulo traduz-se emcrescimento contínuo da participação das fontes incentivadasna matriz de produção de eletricidade.Dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), publicadosno último Plano Decenal de Expansão deEnergia, apontam que a participação dessas fontesno total da oferta brasileira passará dos 9 GW instaladosem 2010 a 18 GW, o dobro, em 2014, e a intençãodos planejadores é aumentar essa fatia até 27GW em 2020, ou 16% da oferta total.Uma questão relevante para a expansão das fontesincentivadas é o mercado consumidor que elaatinge. Estudo recente, analisando as várias alternativasde redução dos limites legais de tensão epotência para migração ao Ambiente de ContrataçãoLivre, conclui que esse mercado, cujo tamanho éde 26% do consumo total brasileiro, pode chegar a46% desse total, com a liberação de consumidoresna faixa entre 500 kW (consumidores especiais, quesó podem comprar de fontes incentivadas) e 1 MW.Alguma discussão ocorre hoje em torno do chamado“mercado cativo” para fontes incentivadas:justamente os consumidores especiais, que só podemmigrar para o ambiente livre com contratosoriundos dessas fontes. Haverá perda de competitividadecom o fim da exigência de contratação defontes incentivadas? Tudo indica que não. A atratividadedo mercado livre para esses consumidores étanto maior quanto mais pesado é o custo da demandacontratada em sua tarifa. Ora, quanto maisbaixa a tensão de atendimento, mais alta a tarifa deuso da rede, e maior o ganho com o desconto nessatarifa. O percentual de 16% de fontes incentivadasprojetado pela EPE para 2020 será certamente absorvidopelo mercado livre potencial. Fontes renováveise não poluentes encontram hoje, no Brasil, ambientepropício para o seu desenvolvimento.OpiniãoBrasil apresenta cenário propício para odesenvolvimento de fontes renováveis de energiadifícilEstá encontrarsuporte de verdade?conheça aPARAFUSOSparafusos - ferramentas - máquinas - epi’sabrasivos - cabos de aço - consumíveisAv. Circular, 561 Setor Pedro Ludovico - Goiânia/Goiás.Regina Pimentel é Assessora de Gestãode Risco e Regulação da Trade Energy,comercializadora independente deenergia com foco principal em fontesincentivadas e consumidores especiais,atendendo ao seu compromisso com asustentabilidade ambiental.Preocupada sempre em comercializar e distribuir produtosde qualidade diferenciada e tecnologia de ponta, a CircularParafusos vem destacando-se no cenário nacional aoespecializar-se cada vez mais no atendimento a usinas eindústrias do segmento sucroenergético.Televendas(62) 3241-1613circularparafusos@hotmail.com10 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 11


Palha da canaTecnologia em campoCaminhosustentávele produtivoMáquinas e tecnologiasaplicadas para o recolhimentoda palha de cana-de-açúcartêm proporcionado ganhono processo de operação eprodutividade em campoFernando DantasNa teoria, desenvolvimento sustentávelé um termo que já setornou corriqueiro em qualquersegmento. Na prática, odesafio tem sido utilizar os recursosnaturais sem comprometer as geraçõesfuturas e ainda aumentar a produtividade.No agronegócio, talvez a chavepara isso esteja em saber utilizar tecnologiasdisponíveis no mercado paramelhorar as práticas agrícolas e industriais,e reaproveitar resíduos e materiaissem utilização em lavouras.O setor sucroenergético tem buscadose tornar referência no assunto, já queano após ano são descobertas novasutilidades para os materiais que sobramem usinas e canaviais. Um exemplo é apalha deixada na colheita mecanizada,recurso rico e abundante no Brasil quepode ser aproveitado tanto para finsagronômicos quanto para fins de geraçãode energia para as próprias usinas.Quando picada e lançada à superfíciedo solo durante a operação de colheita,é utilizada como cobertura vegetal nosistema de plantio direto, influenciando,entre outros fatores, o microclima, amicrofauna, e o controle da erosão e daumidade do solo. Atualmente, outradestinação que tem sido dada à palha éa geração de energia nas usinas sucroenergéticas.A palha da cana-de-açúcarpode ser diretamente queimada nasfornalhas das caldeiras, visando àobtenção de energia térmica e elétricanecessária para o acionamento dosequipamentos industriais. Segundo oengenheiro agrícola da Unicamp, DaniloCarlos Silva, estudos recentes indicaramviabilidade técnica de conversão dacelulose presente na biomassa da cana--de-açúcar em álcool, através de processosquímicos de quebra de moléculas(etanol de segunda e terceira geração).“Como ambos os aproveitamentossão viáveis e benéficos do ponto devista ambiental, o que se tem praticadoé a recuperação de parte da palha docanavial para fins de aproveitamentoenergético, sendo deixada no campo aparcela restante, visando à conservaçãodo solo”, reforça.Esse reuso da palha reflete tambémem redução de gastos e ganho emcompetitividade para as unidadesindustriais, pois um hectare de cana éresponsável pela produção de 10 toneladasde palha, o que resulta ainda emgeração de energia suficiente para oconsumo de cinco pessoas por ano.Um projeto desenvolvido em parceirapela New Holland e Centro de TecnologiaCanavieira (CTC) tem buscado, exatamente,utilizar a palha da cana-de-açúcar– gerada na colheita mecanizada –para produção de energia. A pesquisa,baseada na aplicação da enfardadoraBB9000 da New Holland, está sendodesenvolvida desde maio de 2010 e jáapresenta resultados favoráveis. Aliado àquestão da sustentabilidade, o projetotem um viés econômico para as usinas, jáque se trata de uma matriz com menorcusto por geração de MW/h. “O usineirocompleta o ciclo produtivo da cadeia,pois tem aproveitamento de resíduos,podendo, inclusive, tornar-se autossuficienteem energia elétrica e até mesmolucrar com o excedente”, afirma Samirde Azevedo Fagundes, responsável pelosprojetos de biomassa desenvolvidos pelaNew Holland.EtapasO processo começa pelo acúmulo dapalha gerada após a colheita mecanizadada cana-de-açúcar. A palha permaneceexposta ao tempo por um períodode até 10 dias para que seque. Quandoo material está com cerca de 10% deumidade é feito o aleiramento, quereúne a palha em linhas (leiras). Emmédia, são cerca de 150 quilos de palhaseca para cada tonelada colhida, o quetotaliza, aproximadamente, 15 toneladasde palha por hectare por ano.Após o acúmulo da palha em leiras, aenfardadora BB9000 acoplada ao tratorpassa recolhendo o material e fazendoos fardos. Chamados de “gigantes”, cadaum tem cerca de 2 metros de comprimentoe 450 quilos. Por último, a carretarecolhedora de fardos encaminha o materialpara o ponto de carregamento, de ondeseguem para a usina. De acordo com Samirde Azevedo Fagundes, este processo possibilitaum custo menor em relação a outrosmétodos, trazendo maiores vantagens aoprodutor. A máquina produz fardos de 120centímetros de largura, 90 centímetros dealtura e até 250 centímetros de comprimento.Com sistema de amarração duplo, aBB9080 possibilita maior densidade defardo, menor esforço sobre o sistema deamarração e maior confiabilidade nos nós.As enfardadoras são equipadas com omonitor colorido IntelliView IIITM, que possibilitavisualizar informações completas damáquina, assim como controlar diversossistemas de dentro da cabine. Com sistemasexclusivos, a BB9000 fornece informaçõesdetalhadas das condições da colheita.De acordo com Samir, na usina a palhada cana-de-açúcar passa por um processode trituração para que fique do mesmotamanho do bagaço da cana, com o qualserá mesclada para a queima na caldeira.“Esta queima gera um vapor que, por meiode um gerador, é transformado em energia.Parte da energia produzida é consumidana própria usina e o excedente évendido”, ressalta.Goiânia - GO(62) 3271-1300Av. Castelo Branco Nº 3676Bairro RodoviárioGoiânia - GO®Na moto com você.CÂMARAS DE ARPEÇAS PARA MOTOSMÁQUINAS EFERRAMENTASARTIGOS PARABORRACHARIAA rede de concessionárias Valtra, empresado Grupo AGCO, lançou no mercado a tambémenfardadora LB34B que atua com forragem,feno e restos de cultura, como palha de cana emilho. Entre os diferenciais da máquina está aalimentação homogênea da palha, feno ouforragem gerando fardos com densidade maisconsistente, alcançando, em alguns casos, maisde 400 quilos. O sistema de gerenciamento dedensidade é controlado eletronicamente peloConsole I ou II que medem a carga nos sensoresdos pistões, ajustando automaticamente apressão hidráulica nas paredes laterais e notrilho superior.O destaque da enfardadora está no sistemade nó duplo, que ao invés das demais máquinasde nós simples, faz dois nós, um que terminao fardo anterior e outro que inicia o próximofardo. A enfardadora conta ainda com umsistema de ventilação para a limpeza do mecanismode nós, que garante menor desgaste e,por consequência, menos paradas para manutençãodo equipamento. “O investimento emmecanização para reaproveitamento da palhacrescerá nos próximos anos, pois essa tecnologiapermite aumentar a cogeração de energiapor meio do uso da biomassa deixada nocampo. Anualmente, nos canaviais, sobramentre 12 a 15 toneladas de palhiço e palha decana por hectare e esse material pode ser aproveitadopor meio do seu recolhimento, enfardamentoe posterior queima nas usinas, cogerandoenergia de uma forma ambientalmentecorreta, ou seja, energia renovável preservandoATACADO E VAREJOATACADOE VAREJOLojas:Goiânia - GOTrindade - GOAnápolis - GO(MOTOS, AGRÍCOLAS, CARGAS, INDUSTRIAIS)Rio Verde - GOJataí - GOPNEUS(MOTOS, AGRÍCOLAS, CARGAS, INDUSTRIAIS) Catalão - GOPalmas - TOAraguaína - TOGurupi - TOAnanindeua - PACastanhal - PAMarabá - PACuiabá - MTBarra do Garças - MTo meio ambiente”, explica o gerente de marketingde produtos colheitadeiras, DouglasVincensi.DesafioApesar dos avanços em tecnologias lançadasno mercado, o engenheiro agrícola daUnicamp, Danilo Carlos Silva, garante queainda existem deficiências quanto às máquinasespecíficas para o recolhimento e adensamentoda palha da cana-de-açúcar, sem que hajacontaminação da mesma com solo ou matériaestranha. “A solução praticada atualmente temsido o uso de enfardadoras de fardos prismáticosou cilíndricos convencionais, provenientesda cultura do feno, que são máquinas complexas,pouco versáteis e de baixo rendimentooperacional. Ressalta-se ainda que essas enfardadorasincorporam matéria mineral indesejávelna palha, visto que a mesma entra emcontato com o solo antes de ser recolhida eadensada”, enfatiza.Uma possível solução apontada pelo engenheirocontemplaria o recolhimento e adensamentoda palha sem enfardá-la durante aprópria colheita da cana crua, evitando que amesma entre em contato com o solo. “Dessaforma, as pesquisas tecnológicas na área demecanização agrícola apontam para o desenvolvimentode equipamentos compactos parao adensamento da palha que operem em regimecontínuo e de baixa complexidade construtiva,viabilizando o seu acoplamento diretamenteà colhedora de cana crua”, completa.(62) 3271-1300(62) 3505-5008(62) 3943-7050(64) 3612-6610(64) 3636-2175(64) 3443-1640(63) 3215-2214(63) 3413-2595(63) 3313-3939(91) 3255-6757(91) 3721-4471(94) 3322-1621(65) 3055-3655(66) 3407-242412 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 13


Florestas energéticasMudançade estratégiaagrônomo e mestre em Economia Agrária pelaUSP, Xico Graziano.Em Goiás, a Cooperativa Agroindustrial dosProdutores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo)desenvolve, desde 1984, projeto de reflorestamentocom eucalipto com o objetivo de preservaráreas nativas e gerar energia para abastecer aindústria. Cerca de 80 profissionais da cooperativaestão envolvidos no trabalho.VantagensAs estimativas de geração de emprego variamao redor de 4,5 milhões de pessoas, que trabalhamdiretamente na atividade, somados aos empregosindiretos que estimula existir em toda a cadeiaprodutiva, chegando ao comércio de madeiras ederivados, papel e outros produtos de origemflorestal. O agrônomo ressalta ainda que os benefíciosambientais trazidos pelas florestas plantadassão evidentes, e múltiplos. “Primeiro, atravésda fotossíntese, sequestram carbono da atmosfera,armazenando-o no material lenhoso. Segundo,conservam o solo, evitando a erosão; terceiro,ajudam a proteger a biodiversidade nas matasciliares, pois a preservação das matas nativas dosempreendimentos florestais situa-se acima de35% da área cultivada, quer dizer, os investimentosnos plantios homogêneos se realizam com ocompromisso de proteger as áreas naturais e aReserva Legal de 20% das propriedades”, lista.Xico Graziano explica ainda que é precisotempo para serem maturados os investimentos,Utilizações do eucalipto• Celulose• Carvão vegetal parasiderurgia• Madeira serrada• Construção civil• Lenhas para biomassacomo fonte de energia• Óleos essenciais• Produtos apícolas• Produtos fármacosexigindo uma boa programação financeira paracarregar os custos, que não são tão elevados doponto de vista operacional, mas se acumulam atéserem compensados pela renda da exploraçãoflorestal. “Mas que ninguém duvide: hoje, umhectare de eucalipto rende bem acima da atividadebovina, e mesmo da canavieira. Plantar florestasse assemelha a uma poupança verde. Vale apena”, enfatiza. Após o primeiro corte do eucalipto,a rebrota da floresta apresenta bons rendimentosno segundo e terceiro cortes. A indicação éque seja adotada a prática de plantio em módulosanuais, já que após o sexto ano o produtor poderáter receita líquida por 18 anos consecutivos,acima da média de outras culturas do agronegóciobrasileiro.Mercado temdescoberto quedinheiro pode nascerem árvore sim, aoaproveitaro cultivo de espéciesflorestais plantadaspara a geração deenergiaFernando DantasDesde a década de 70, a silviculturapassou a ganhar força noBrasil e a avançar incentivadapor benefícios fiscais. Mas, como progresso tecnológico, tanto na genéticadas variedades cultivadas quanto nomanejo das plantações, e contando como aquecimento do mercado de celulose epapel, o setor florestal se firmou paraalém da tradicional produção de madeira.Aos poucos, produtores e empresastêm descoberto que as florestas plantadas,principalmente de eucalipto, possuemoutra serventia no mercado. Oresultado é que estão repensando suasestratégias e passando a investir no cultivodas espécies florestais para a geraçãode energia, como alternativa renovávelao petróleo e ao carvão mineral.As experiências na geração de energiaa partir da queima da madeira ainda sãopoucas, mas o Brasil tem cenário propícioa esse segmento por causa do clima,boa genética, solos e pelo fato de jáserem cultivados quase 8 milhões dehectares com várias espécies, sendo queo eucalipto ocupa 65% da área das florestasplantadas. O potencial brasileiro ébem maior, podendo alcançar 15milhões de hectares até 2020. O eucaliptose destaca pela adaptação agronômicada espécie australiana ao climasubtropical e aos profundos solosnacionais, somado ao investimento emtecnologia, que resultam em uma árvorede rápido crescimento e excelentefibra de celulose. Os métodos de plantio,com mudas clonadas em laboratório,têm facilitado sua predominância.Comparado aos países europeus, ou aosEstados Unidos, o rendimento florestalno Brasil, medido em metros cúbicos demadeira por hectare plantado/por ano,é superior ao desses países em até 4vezes, devido ao avanço tecnológico e àtropicalização do eucalipto.Os estados que lideram a produçãosão Minas Gerais, com 1.440 milhão dehectares, seguido de São Paulo, com1.200 milhão de hectares e Paraná, com850 mil hectares. “Mas na Bahia a atividadese expande fortemente, também noMato Grosso do Sul, mostrando potencialespalhado pelo País afora”, ressalta oComparação de investimento entre setor florestal e demais segmentosA cadaUS$ 1milhãode investimentossão gerados85empregos nosetorautomotivo;111empregos nosetor deconstrução civil;149empregos nosetor decomércio;160empregosno setorflorestal.Fonte: Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas14 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 15


ÚnicaCogeraçãoBioeletricidade avançano Mato Grosso do Sulenergética brasileira tende a crescer. Oimpulso governamental é essencial, etudo caminha para o sucesso na produçãode energia em Mato Grosso do Sul.Das 22 usinas existentes no Estado, novejá realizam o processo de geração. Aesperança é de que logo toda a regiãoCentro-Sul também participe.”Como é geradaApós a cana ser colhida e levada até ausina, ela passa por três moendas. O produtoda primeira moagem vai para aprodução de açúcar, já o da segunda eterceira moagens consiste em álcoolcombustível. O que resta da cana é obagaço, que é levado por uma esteira atéa caldeira que realiza a queima. Depois depassar pelas turbinas e geradores, o vaporproduzido na combustão gera a energiaelétrica. A fuligem originada, retida emfiltros, é aproveitada para a produção deadubo. Como nada sobra após este processo,que é totalmente inserido dentroda linha de produção das usinas, o seudano ambiental é mínimo.Por que é verde?Como é produzida a partir da cana-de--açúcar, que é renovável e um dos maioresabsorventes naturais de gás carbônico, asemissões de CO2 não são consideradas. Atémesmo os subprodutos da cana são aproveitados,como a palha que fica no solo eevita a erosão, diminuindo o uso de agrotóxicos,e a vinhaça, que pode ser um fertilizantenatural e uma fonte de biogás. Alémdisso, o setor canavieiro assumiu o compromissode eliminar a queima de cana nocampo, tornando-se a única cultura agrícolado País que vai crescer com o “desmatamentozero” de florestas ou qualquer tipode vegetação nativa. Esses são alguns dosmotivos da defesa aberta da produção debioeletricidade por organizações ambientaiscomo o World Wildlife Fund (WWF) e oGreenpeace.Tecnologia inteligenteA tecnologia que envolve a produçãode bioeletricidade é totalmente brasileira.Além de fortalecer a indústria nacional egerar empregos nos polos tecnológicosno interior do Brasil, a sua implantação érápida (entre 24 e 30 meses). Os projetossão de menor porte, o que evita riscos deatrasos e problemas nas construções,atraindo mais investidores. O pico de produçãoda energia acontece nos mesesentre abril e novembro, meses de seca naregião Centro-Sul, funcionando comouma alternativa segura no período deníveis baixos de água nos reservatóriosdas hidrelétricas.“CO2 em números”Entenda como acontece a emissão e absorção de gás carbônicodurante todas as etapas da produção de etanol e bioeletricidade:• Cultivo e colheitaTratores, colheitadeiras e insumos agrícolas emitem gás carbônico.A colheita manual, que precisa da queima da palha da cana,também gera emissões. Emissão: 2.961 kg CO2.• CrescimentoA cana-de-açúcar atua como uma “esponja” de gás carbônico,absorvendo grandes volumes dele enquanto atinge o ponto decorte. Absorção: 7.650 kg CO2.• ProcessamentoA fermentação e a queima do bagaço para a geração debioeletricidade emitem CO2. Emissão: 3.604 kg de CO2.• BioeletricidadeO uso do bagaço para geração de energia evita emissões do gásna atmosfera. Emissão evitada: 225 kg de CO2.• TransporteO etanol é transportado para os postos de combustível emcaminhões movidos a óleo diesel. Emissão: 50 kg de CO2.• Motor dos automóveisA queima do etanol gera 1.520 kg de CO2.Resultado: Apenas 260 kg de CO2 são lançados na atmosfera aofim do processo.Fonte: Projeto AGORA - Agroenergia e Meio Ambiente.Estado se revela comoum dos maioresprodutores de energialimpa e sustentável,usando como fonteprimária o bagaço dacana-de-açúcarRoberto Hollanda Filho, presidente da Biosul,defende a realização de leilões regionaisGuilherme BarbosaUsinas de cana-de-açúcar produzem,basicamente, açúcar e etanol.Correto? Não atualmente. As usinasdo Estado de Mato Grosso do Sulprovam que a bioeletricidade, gerada a partirdo bagaço da cana, pode também ser umaimportante fonte de recursos para a indústria.Tanto para consumo interno quantopara comercialização. Apenas em 2011, porexemplo, a exportação do excedente de energiacogerado em Mato Grosso do Sul foi de1.100 Giga Watts hora (GWh), quase o dobrodo que foi consumido por todo o setor industrialsul-mato-grossense em 2010. A bioeletricidadejá é considerada no Estado como aterceira fonte de receita das usinas.A busca pela autossustentabilidade energéticainiciou-se por volta de 2001. Após acrise do “apagão”, quando 90% da energiabrasileira era gerada por hidrelétricas, ogoverno brasileiro começou a se preocuparem diversificar as suas fontes. As usinas, porsua vez, precisavam descobrir uma forma deutilizar a imensa quantidade de bagaço que égerada durante as colheitas. O total de bagaçoproduzido representa 25% do total decana moída e, na última safra do Estado, essaprodução chegou a 8,4 milhões de toneladas.Unindo ambas as questões, a bioeletricidadese mostrou uma saída limpa e rentável.Conforme dados apresentados pelaAssociação dos Produtores de Bioenergia deMato Grosso do Sul (Biosul), com apenas oitousinas cogerando energia elétrica é possívelatender a necessidade de mais da metade dasresidências do Estado. Segundo a Secretariade Meio Ambiente, Planejamento e Tecnologia(Semac), o consumo elétrico das residênciasde Mato Grosso do Sul em 2010 foi de 1.260GWh. Até 2021, a expectativa é de que oBrasil consiga cogerar um potencial elétricoequivalente a três usinas Belo Monte.É claro que existem percalços e desafiospara a produção de bioeletricidade no Estado.O produto pode ser comercializado de duasformas: venda direta aos grandes consumidorese por meio de leilões. Nos leilões, abioenergia concorre com outras energiasrenováveis, que podem ser mais atrativas acertas regiões brasileiras. Como existem custoslogísticos, que incluem questões como otransporte dessa energia, a sua competitividadeno mercado acaba sendo enfraquecida.Roberto Hollanda Filho, presidente da Biosul,comenta que uma possível saída contra oenfraquecimento do comércio da bioeletricidadeseria a realização de leilões regionais. “Nósdeveríamos pensar da seguinte forma: diferentesregiões, diferentes vocações energéticas.Repensando a forma de se fazer o leilão, todaa energia que é gerada em cada região brasileirapode ser adequada na demanda da própriaregião. Os leilões regionais evitariam, inclusive,problemas como a dissipação dessa energiapelo transporte em longas distâncias, quechega a 20% do total”, afirma Roberto.Outra importante questão para a difusãoda geração de energia pelas usinas é o apoiogovernamental. Roberto Hollanda coloca que“a visibilidade da bioeletricidade na matrizGOIÂNIAAv. Castelo Branco, 3581Bairro Rodoviário - Goiânia/GOCEP: 74430-130Fone: (62) 3272-3400ACREUNARua Rio Branco, Área 2, n. 129Setor Industrial - Acreúna/GOCEP: 75960-000Fone: (64) 3645-2555URUAÇURodovia BR 153 - Gleba 1BSetor Boa Vista II - Uruaçu/GOCEP: 76400-000Fone: (62) 3357-3006JUSSARARod. BR 070, Qd. 01, Lotes16/17, n. 229 - Setor SonhoDourado - Jussara/GOCEP: 76270-00016 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 17


Transporte de canaLogística,um caminho de desafiosPrincipal meio paratransportar cana eseus derivados, malharodoviária recebeumais veículos nosúltimos 10 anos emenos investimentosdos governos. Precáriascondições dasestradas e rodovias,aumento do númerode acidentes e dopreço do frete de cargasão problemas quepreocupam o setorJari de Souza, engenheiro agrônomo e gerente de Colheita daUsinas Itamaraty: preocupação com a agilidade e segurançaFernando DantasOsetor de transporte exerce um papelimportante como agente indutor deriqueza e desenvolvimento para os países,principalmente para o Brasil, quepossui mais de 1,5 milhão de quilômetros deestradas. É por meio de rodovias, ruas, estradas edemais vias pavimentadas que é feita a integraçãoentre áreas de produção e de consumo.Apesar das tentativas de inserir outros modais nalogística de transporte de cargas, o rodoviárioainda prevalece no Brasil. Os números comprovamisso, já que 60% da carga transportada noPaís são escoadas pelo modal rodoviário, quase odobro da somatória do transporte por ferrovias(33%) e hidrovias (7%), segundo dados daAssociação Brasileira das Indústrias de ÓleosVegetais (Abiove). O setor sucroenergético nãofoge a essa realidade, pois o cenário que se vênos canaviais e usinas é de caminhões transportandoa cana-de-açúcar da área agrícola para aindústria. A distribuição de etanol e açúcar parao mercado interno, segundo a Embrapa, ocorreprincipalmente por rodovias. O sistema ferroviárioe o naval são pouco utilizados.Com base em análises e estatísticas, percebe-seque a tendência é manter essa mesmaestrutura de logística. Pesquisa divulgada noano passado pela Federação Nacional daDistribuição de Veículos Automotores(Fenabrave), por exemplo, revela que a frota deveículos aumentou 118% no período de 2001 a2011, passando de 31,15 milhões para 67,95milhões. Apesar dos avanços expressivos, o Paíspassou a enfrentar novos e mais complexosdesafios e gargalos. O principal deles é a faltade condições das estradas para tráfego.Para se ter uma ideia, apenas 13% do 1,5milhão de quilômetros de estradas brasileiras sãopavimentadas, segundo informações doDepartamento Nacional de Infraestrutura eTransportes (DNIT). Rodovias em má qualidadeafetam a economia e a qualidade de vida daspessoas. Os veículos acabam trafegando emmenor velocidade, aumentando o consumo decombustível e elevando a emissão de poluentes.As estradas em condições inadequadas elevamainda o frete do transportador de cargas. O custodisso é repassado ao consumidor e aos produtostransportados.Outro resultado está diretamente relacionadoao número de acidentes. Dados de 2010 doDepartamento de Polícia Rodoviária Federal(DPRF) revelam que ocorreram cerca de 183 milacidentes nas rodovias federais policiadas, 25 mila mais que no ano de 2009. Além de mortes, osprejuízos econômicos gerados possuem efeitoscomo quebra da cadeia de logística, perda deprodução, custos ambientais e judiciais.O governo federal acenou com perspectivas deinvestimentos em logística para reduzir e tentarsanar esses problemas, porque reconhece queboa parte da riqueza do País trafega pelas rodoviase estradas. De acordo com o Programa deAceleração do Crescimento (PAC II), serão investidosR$ 109 bilhões no setor de transportes.Desse total, R$ 48,5 bilhões serão direcionadospara a malha rodoviária no período de 2011 a2014. Segundo a Empresa de ConsultoriaPricewaterhousecoopers (PwC), com relação àsrodovias, o projeto do PAC II visa expandir 7.919quilômetros e fazer a manutenção de 55 mil quilômetros.Fator positivoPor outro lado, o aumento de veículos circulandopara transportar cargas reflete positivamentena criação de postos de trabalho. Hoje, 5milhões de pessoas estão empregadas no Brasilno segmento do transporte rodoviário de cargas.Aroldo da Silva Carvalho é uma delas. Casado, 56anos, pai de três filhos adultos, ele dedicou metadeda vida à profissão de motorista de caminhãoe, o melhor, na mesma empresa: Usinas Itamaraty.Aroldo trabalha no transporte da cana para aárea industrial da unidade e afirma que, apesarda rotina puxada, não escolheria outra profissão.446,7 455,6Aroldo da SilvaCarvalho,motorista decaminhão daUsinasItamaraty hámais de 25anos“Já atuei na área militar, mas como sempre gosteido volante, fui ser motorista. E na vida devemostrabalhar no que mais gostamos de fazer. No meucaso é ser motorista. Pretendo me aposentarnessa profissão”, declara.Assim como Aroldo, outros 232 motoristasatuam na Usinas Itamaraty, sendo 197 notransporte de cargas e caminhão pipa. A segurançaé a principal preocupação da unidade.Por isso, todos, diariamente, participam do DDS– Diálogo de Área de Segurança - , quandorecebem instruções para manuseio do veículo,planilha de trabalho e demais dicas essenciaispara evitar acidentes. Além disso, frequentementea unidade oferece cursos e treinamentospara capacitar o profissional, com orientaçõessobre direção defensiva, política ambiental,Evolução do transporte de carga rodoviária - milhões de toneladas455,51.104,81.137,2manutenção preventiva e corretiva dos 45caminhões que integram a frota etc. Segundo oengenheiro agrônomo e gerente de Colheita dausina, Jari de Souza, são informados ainda ospontos que requerem maior atenção pelosmotoristas, como áreas de Serra, já que 14% dotransporte de cana efetuados na unidade estãonessas regiões.O gerente explica também que para garantir asegurança dos colaboradores e agilizar as atividades,a Itamaraty trabalha com um software queauxilia no gerenciamento da frota. Por meiodessa tecnologia é possível monitorar os veículos,enviar informações ao motorista, explicaçõessobre as condições de tráfego e das estradas. “Éum sistema que facilita a tomada de decisões ereduz riscos de acidentes”, garante Jari.1.173,81.121,32003 2004 2005 2006 2007 2009 20101.170,71.200,01.00,0800,0600,0400,0200,00,0018 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 19


Medidas preventivasAs usinas e indústrias mostram-se preocupadascom seus colaboradores, desenvolvendo ações,convenções de trabalho e regras específicas paragarantir a segurança do motorista e da cargatransportada. Entretanto, de forma geral, existemleis que regulam o transporte rodoviário no Brasil.São regulamentações que dispõem sobre qualveículo pode transportar determinada carga,quem pode exercer a atividade e obter o RegistroNacional de Transportadores Rodoviários deCargas (RNTRC), limites de peso e dimensões paraveículos trafegaram por vias terrestres.No caso do escoamento da cana-de-açúcar aolongo do sistema viário nacional, o transportadordeve tomar algumas medidas para proteção, tantoda carga a ser transportada, quanto do veículo edo próprio motorista. É preciso ter um conhecimentoprévio de medidas que podem ser adotadaspara auxiliar na redução de acidentes e tambémna perda do produto transportado em decorrênciada execução de procedimentos inadequados.Segundo informações do Sest Senat, os cuidadosenvolvem desde o carregamento da cana-de-açúcaraté o descarregamento, já que podem ser realizadosmecânica ou manualmente. A cana pode sertransportada picada ou inteira, o que exige procedimentosdistintos para o transportador. É fundamental,ainda, que o motorista acompanhe comcuidado o processo de carregamento para evitarque o caminhão tenha uma carga acima de suacapacidade, pois a quantidade de produto colocadono veículo nunca deve ultrapassar a capacidademáxima de carga.O artigo 2º, da Resolução do Conselho Nacionalde Trânsito (Contran) nº 210/2006, estabelece oslimites máximos de peso bruto total e peso brutotransmitido por eixo de veículo, nas superfíciesdas vias públicas. De acordo com o Sest Senat,estando em sintonia com o estabelecido, a segurançado próprio motorista e seu veículo estarágarantida, evitando acidentes provocados peloexcesso de carga.Já o transporte de etanol é considerado perigosopor caracterizar transporte de substância inflamável.Para cada tipo de líquido inflamável transportado,existem informações sobre os riscos àsaúde e ao meio ambiente, além de orientaçõessobre segurança no transporte e as providências aserem tomadas, em caso de acidente e/ou vazamento.Para operacionalizar o deslocamento deprodutos inflamáveis devem ser observadas medidasde segurança em relação às condições dosveículos, dos equipamentos, no embarque, no itinerárioe no desembarque de todo o material.Nesses casos, o condutor deve possuir, além dasqualificações e habilitações exigidas pela legislaçãode trânsito, treinamento específico segundoprograma aprovado pelo Contran, ter experiênciano transporte de cargas, ser fisicamente capaz,cuidadoso, merecedor de confiança, alfabetizadoe não estar habituado a qualquer tipo de droga oumedicamento que possa lhe diminuir os reflexos(bebida alcoólica, entre outras).Gilmara Firmino de Araujo, controladora de atividades agrícolas e líder ambiental do Corte,Carregamento e Transporte (CCT), ministra treinamento para os motoristas da Usinas ItamaratyServiço pode ser terceirizadoExistem no mercado empresas especializadasna prestação de serviços de transportede cana, que oferecem aluguel de equipamentos,principalmente os de apoio acolheita como colhedoras, tratores, transbordosde arrasto, caminhões com caixastransbordos, caminhões bombeiros, comboios,oficina, plantadoras, reboques esemi-reboques, cavalos mecânicos, entreoutros. O trabalho para essas empresas queatuam na terceirização de serviços no setorsucroenergético é maior no período dasafra, que normalmente se dá em oitomeses do ano.É assim para a Ouro Verde Locação deEquipamentos e Serviços, que atende 45usinas espalhadas pelos Estados de SãoPaulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso,Paraná, Tocantins etc. Segundo o gerenteda empresa, Sebastião Adão de Oliveira, nasafra 2012/2013 a Ouro Verde estará comcapacidade instalada para o transporte de12 milhões de toneladas de cana, o querepresenta, aproximadamente, 60 mil toneladaspor dia durante os meses previstospara a safra.Nesse período, esclarece Sebastião, aempresa fica disponível 24 horas aocliente para executar o transporte decana picada da frente de colheita até aindústria para a moagem. São 550 motoristas,que recebem treinamento e capacitaçãopara o desempenho das atividadesem turnos distintos.A Ouro Verde possui ainda mecânicos,técnicos operacionais, borracheiros, recursoshumanos e demais profissionais. Deacordo com o gerente, a empresa tem umafrota de 450 itens e mais de 700 caminhõesde apoio.Sebastião explica que os caminhõespara o transporte da cana são especiais,com tração 6x4 e normalmente acima de420CV. Seus motoristas seguem as instruçõesdo manual técnico do fabricante.As revisões nos veículos são mensais, acada 15 mil quilômetros, com inspeçõesdiárias e semanais. “Todos os caminhõessão preparados para operações canavieiras,recebendo implementos e melhoriaspara melhor desempenho e performancedas operações”, acrescenta.Goiás, fronteira primordialpara o setor sucroenergéticoCultivada desde a época colonial, a cana-de-açúcaré uma das principais culturas agrícolas no Brasil,tendo crescimento notável do cultivo no decorrerdos últimos anos. A importância dos combustíveisalternativos no contexto mundial e os altos preçosdo açúcar no mercado internacional trouxeram novosinvestimentos para o setor em época recente.Despontando com crescimento de mais de 130%da safra 2007/08 para 2011/12, o estado de Goiásvem se consolidando a passos largos no setor, sendoresponsável por quase 10% de toda moagem de cana,mais de 6% na produção de açúcar e mais de13% em etanol quando comparado com os dados doCentro-Sul na safra 2011/12.O Estado de Goiás se destaca hoje como terceiropolo produtor na região, atrás apenas de São Pauloe Minas Gerais. No contexto de expansão do setor,Goiás recebeu consideráveis investimentos em modernizaçãoe novas áreas de cultivo nos últimosanos e hoje apresenta área disponível à expansão,variedades genéticas adaptadas ao solo e clima local,produtividade significativa e incentivos tributários.Contudo, apesar de todo o crescimento, fatoresimportantes como clima, necessidade de investimentos,idade do canavial, entre outros, são de extremaimportância para que o desenvolvimento futurodo setor aconteça de forma sustentada. Um cenáriocom a predominância conjunta destes acontecimentosresulta no que foi visto na safra 2011/12na região Centro-Sul, para a qual se estimava, aoinício, uma moagem de 550 milhões de toneladas.Já para a safra que se inicia, as primeiras projeçõesde produção no Centro-Sul sofreram pelo impactoclimático nos meses precedentes à aberturada moagem. Se por um lado a antecipação do inícioda safra seria financeiramente benéfica para as usinas,o desenvolvimento da matéria-prima postergouestes planos. Os números de projeção de safra apontampara um crescimento marginal tanto na moagemquanto na produção.No entanto, novas revisõessão passíveis de ocorrer, dada a impossibilidade deprevisão das condições climáticas nos próximosmeses.Finalmente, quanto ao panorama futuro, a crescentedemanda mundial por energia limpa e alimentoscoloca Goiás como fronteira primordial para odesenvolvimento do setor sucroenergético no Brasil.A vocação agrícola do Estado e o amplo espaço aoinvestimento em novas áreas trazem uma oportunidadepara a consolidação na moagem de cana entreos principais Estados sucroenergéticos da regiãoCentro-Sul, na medida em que atrai investimentos edesenvolvimento no setor em Goiás.Palavra do especialistaRafael B. M. Crestana é Consultor emGerenciamento de Risco – Açúcar &Etanol da INTL FCStone, um grupo degestão de risco e execução de serviçosfinanceiros em commodities, moedas etítulos internacionais.20 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 21


Controle biológicoReforço no combate àsTécnica que utilizainimigos naturais paracontrolar insetos e pragasno setor sucroenergéticotem conquistado maisespaço no mercadoBroca da cana, uma das pragas que podeser combatida com o controle biológicopragasFernando DantasEngana-se quem pensa que o tamanhodo inseto ou da praga é condição paradefinir a dimensão do estrago que serácausado nos canaviais. Para se ter umaideia, insetos de pequenas proporções comolagartas, cigarrinhas, cupins e formigas sãocapazes de destruir plantações, reduzir a produtividadeda cana e causar grandes prejuízosfinanceiros. Mesmo pequenas, essas pragasprecisam ser encaradas como gigantes eos produtores não devem subestimá-las nomomento de elaborar estratégias de controlee combate.Uma alternativa que tem se mostradosatisfatória nos canaviais é o controle biológico,ou seja, a adoção de inimigos naturaissobre uma população de praga, com o intuitode manter uma densidade populacional quenão cause danos econômicos à cultura.Segundo especialistas, com essa medida asusinas conseguem reduzir em 35% os custosde manejo e aumentar a produtividade ematé 10%, além de agregar valor sustentável àempresa, já que não sobram resíduos tóxicosno canavial.O controle biológico deve começar com oreconhecimento das pragas-chave que causamdanos à cultura a ser trabalhada e, apartir disso, o agricultor pode criar condiçõesambientais desfavoráveis à multiplicação detais pragas ou adotar a prática de reproduçãode seus principais inimigos naturais.Atualmente, as principais pragas que atingemo setor sucroenergético são a broca dacana-de-açúcar, cigarrinhas das raízes,cupins, formigas e outras espécies de lagartas(ver quadro com os principais agentes decontrole de cada praga).Segundo o coordenador de Fitossanidadedo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC),Enrico De Beni Arrigoni, as etapas de controlebiológico incluem a realização de monitoramentodas áreas e a determinação dosníveis populacionais da praga. Enrico exemplificaque após esse processo, no caso dabroca da cana, é liberado os parasitóides(Cotesia flavipes e/ou Trichogrammagalloi), que são produzidos em laboratóriosdas próprias usinas ou adquiridos de laboratóriosde terceiros. Ele reforça que essa técnicanão representa nenhum risco, por serrealizada com espécies inócuas ao homem, àsdemais espécies de animais e ao meioambiente.O engenheiro agrônomo Fernando BonaféSei e a entomologista Maria Silvia PereiraLeite, da Turfal Indústria e Comércio deProdutos Biológicos e Agronômicos, listamtambém como vantagem do controle biológicoa especificidade e a seletividade deparasitas ou patógenos como vírus, fungos eprotozoários. De acordo com eles, é possívelaplicá-los em doses maiores sem causargrandes riscos de desequilíbrio ao meio, jáque não afetam insetos benéficos à agricultura,como é o caso das abelhas. “Além disso,essa técnica possui um excelente custo benefício,acrescentando-se ainda o equilíbrioambiental que acompanhará durante algunsanos após a adoção do manejo”, destacaFernando.BiolaboratóriosA produção de fungos e insetos que controlampragas como a broca da cana e acigarrinha-da-raiz é realizada em biolaboratórios.A Raízen tem oito laboratórios espalhadospelos Estados de São Paulo e Goiás – oprimeiro foi criado em 1973 – e todos estãodestinados a atender as 24 unidades da empresa.Certificados pela ISO 9001, trabalham alinhadoscom os mais avançados institutos detecnologia do País, como Embrapa, Esalq e CTC,tendo como foco a responsabilidade ambientalem todos os processos da companhia.Dentre os laboratórios, cinco produzem mensalmentecerca de 130 milhões de vespasCotesia flavipes, que combatem a larva brocada cana (Diatraea saccharalis). Dos outros trêssaem 13 toneladas de esporos do fungoMetharizium anisoplea, que controla naturalmentea cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata).Segundo o gerente Corporativo dePlanejamento e Desenvolvimento Agronômicoda Raízen, Rodrigo Rodrigues Vinchi, o monitoramentodas pragas é realizado em todo ocanavial, sendo que a aplicação do controlebiológico é feita por meio de equipamentosterrestres e aéreos nas áreas em que a infestaçãopode causar prejuízos significativos para aplantação. Ele ressalta que os equipamentospara aplicação são operados por funcionáriosqualificados e a atividade não representa riscospara os colaboradores e para o meio ambiente.“A Cotesia e o Metharizium liberados noscanaviais não prejudicam a biodiversidade dosolo e ficam restritos à área aplicada. Estaalternativa também não deixa resíduos tóxicos,o que torna o controle ainda mais sustentável”,enfatiza Rodrigo.Como controlar• Broca da cana-de-açúcar - Causa danos apartir do período em que ocorre a formação dosprimeiros internódios. A cana apresenta quebrado colmo na região da galeria, redução dasacarose e até a morte da planta. Para controlaré utilizado o parasitóide Cotesia flavipe.Desde sua introdução nos canaviais, entre osanos de 1980 e 2002, a intensidade deinfestação da broca diminuiu de 11% para 2,8%.Outra forma de controle biológico é o Bacillusthuringiensis.• Cigarrinha das raízes - Quando adultas, ascigarrinhas (foto) injetam um complexo deenzimas e aminoácidos de ação fitotóxica queprovocam a morte de cloroplastos, oentupimento de vasos do floema e a morte detecidos. Durante o processo, o fluxo de água naplanta é interrompido, que apresenta sintomasde desnutrição e desidratação, perdendosacarose e podendo morrer. Está presente emquase todos os canaviais do Brasil. O controlebiológico pode ser realizado pela aplicação dofungo entomopatogênico Metarhiziumanisopliae. Outra forma de controlebiológico, porém ainda com estudosrecentes, é com nematóidesHeterorhabditis sp.• Cupins - O controle biológico é feito com ofungo Beauveria bassiana. Uma dose do fungoatinge 90% da colônia, incluindo a rainha. Ométodo biológico é seis vezes mais barato que oquímico, mas é mais lento e menos eficiente.• Formigas - As formigas de maior importânciana cana-de-açúcar pertencem ao gênero Atta eAcromyrmex e são popularmente chamadas desaúvas e quenquéns, respectivamente. O uso deparasitóides no controle biológico de saúvas temsido investigado principalmente no potencial deparasitismo das moscas Phoridae,Neodhorniphora sp., Myrmosicariusgrandicornis e Apocephalus attophilus.• Lagartas desfolhadoras - São consideradaspragas secundárias e encontradas em todas asregiões produtoras de cana-de-açúcar do Brasil,compreendendo as espécies Spodopterafrugiperda, Mocis latipes, Pseudaletia sequaxe Cirphis latiuscula. Os ataques começam pelasplantas daninhas migrando posteriormente àcana-de-açúcar, o controle destas pragas érecomendado em canas com até seis meses edeve-se iniciar com a aplicação de inseticidasbiológicos ou seletivos, como inibidores desíntese de quitina.22 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 23


Safra 2012/2013Moagem deve chegar a509 milhões de toneladasQuantidade de ATRpor tonelada decana deve crescer1,79% sobre o valorda última safraAregião Centro-Sul deve moer509 milhões de toneladas nasafra 2012/2013, crescimentode 3,19 % em relação ao totalprocessado em 2011/2012, que foi de493,26 milhões de toneladas. A projeçãofoi feita, recentemente, pela Uniãoda Indústria de Cana-de-Açúcar(UNICA), em conjunto com os sindicatose associações de produtores deetanol e açúcar da região e o Centro deTecnologia Canavieira (CTC).Os números indicam ainda quehaverá um crescimento de 3% na áreaplantada de cana-de-açúcar disponívelpara colheita na safra 2012/2013, principalmente,nos Estados do MatoGrosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Osdados são resultados de compilaçõesfeitas pela UNICA, bem como o mapeamentocom imagens de satélite daregião Centro-Sul feitas pelo InstitutoNacional de Pesquisas Espaciais(CANASAT – INPE).As projeções, entretanto, não prevêemmelhora no rendimento por hectare.“O crescimento da área para colheitadeve ser o fator determinante doaumento projetado na quantidade decana-de-açúcar disponível para moagem”,destaca nota emitida à imprensa.A incidência de florescimento, aprobabilidade de geada em algumasregiões, o índice de infestação e ataquede pragas e doenças, o nível derenovação e perfil do canavial, a evoluçãoda colheita mecanizada e ascondições climáticas foram variáveisobservadas e previstas para as áreasprodutoras.Segundo o diretor técnico da UNICA,Antonio de Padua Rodrigues, a secaintensa que atingiu a região nos mesesde fevereiro e março deste ano prejudicoufortemente o crescimento da planta.“Com as informações disponíveisaté o momento, não é possível imaginarum crescimento significativo daprodutividade agrícola, por issoestamos trabalhando com omesmo valor observadono último ano, que foide 68,7 toneladas decana por hectare”,afirma o executivo.Qualidade damatéria-primaA quantidade de ATR por toneladade cana-de-açúcar tem previsãode crescimento de 1,79% sobreo valor da última safra, passandode 137,53 kg de ATR por toneladade cana em 2011/2012 para 140,00Kg na safra 2012/2013.Existe ainda a expectativa deuma safra mais curta, que permitea concentração da colheita dacana no período mais propício paraa maturação da planta, e as condiçõesclimáticas observadas até omomento, não indicam induçãode florescimento nas principaisáreas produtoras.Em termos de totais produzidos,a safra 2012/2013 deverá ser5,04% superior à anterior, atingindo71,26 milhões de toneladas deATR contra 67,84 milhões produzidosna safra 2011/2012. O crescimentoé decorrência do incrementode matéria-prima a ser processadae da maior concentração deaçúcares na cana.Conheça as projeções da Unica para os seguintes setores:Novas unidades produtorasDuas novas unidades iniciarão suas atividades na safra2011/2012 na região Centro-Sul, mais especificamente noMato Grosso do Sul. O número fica abaixo do observadonos últimos anos e reflete a desaceleração do crescimentono setor após a crise global de crédito em 2008 e 2009.Foram 25 novas usinas na safra 2007/2008; 30 em2008/2009, 19 em 2009/2010; 10 em 2010/2011 e apenastrês unidades produtoras na última safra.Produção de açúcarQuase metade (48,75%) da moagem de cana-de-açúcarprojetada para a safra 2012/2013 será utilizada para aprodução de açúcar, praticamente o mesmo porcentualobservado na safra 2011/2012, que foi de 48,43%. Aprodução de açúcar projetada é de 33,10 milhões detoneladas, crescimento de 5,72% em relação as 31,31milhões de toneladas produzidas na safra 2011/2012.Produção de etanolComo nos anos anteriores, grande parte da cana colhida(51,25%) será destinada para a produção de etanol, que,por sua vez, deverá atingir 21,49 bilhões de litros. Issosignifica um aumento de 4,58% em relação à produção daúltima safra, que totalizou 20,55 bilhões de litros.Dos 21,49 bilhões de litros de etanol que deverão serproduzidos, 14,54 bilhões serão de etanol hidratado, comum crescimento de 11,14% em relação ao volumeproduzido na safra 2011/2012 (13,08 bilhões de litros). Orestante, 6,95 bilhões de litros, será representado peloetanol anidro - queda 6,91% em relação ao volumeobservado no último ano. Esta queda é justificada porque,durante seis meses da safra 2011/2012, a mistura doproduto na gasolina foi de 25%, acima do nível praticadoatualmente, que é de 20%.Mercado de açúcar e de etanolO volume de açúcar disponível para exportação na safra2012/2013 deverá ser de 24 milhões de toneladas, valor8,50% superior ao exportado pelo Centro-Sul na safra2011/2012. Poderá haver queda de 8,11% (1,70 bilhão delitros projetados para a safra 2012/2013, contra 1,85 bilhãoem 2011/2012), nas exportações totais de etanol, comaumento no volume exportado de anidro e queda no dehidratado. (Da redação, com informações da UNICA).24 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 25


Adubos e defensivosNutrientes necessários à plantaCuidado que resulta emganho de produtividadeNitrogênio: é o nutriente exigido em maiorquantidade pela maioria das culturas. No caso dacana-de-açúcar, geralmente é o segundo nutrientemais requerido, perdendo apenas para o potássio.Fósforo: apesar de o fósforo ser exigido pelas plantasem menores quantidades que o nitrogênio e opotássio, é um dos nutrientes que mais limitam aprodutividade. Deste modo, é preciso estar atento emcomo aplicar, qual a fonte, época de aplicação, outros.Busca por práticasculturais eficientescontribui paraaumentar, ano apósano, o volume devendas de adubos edefensivos no Brasil.Esse cenário incentivaempresas a inserir nomercado novas linhasde produtosOBrasil, como maior produtor mundialde cana-de-açúcar, tem a responsabilidadede se manter competitivo eeficiente. Os investimentos em áreasde produção estão cada vez mais limitados e,diante dessa realidade, é necessário o incrementode produtividade, obtido quando seadotam eficientes práticas culturais. A adubação,que consiste em suprir a carência de macroe micronutrientes, e a aplicação de defensivosagrícolas têm sua parcela de contribuição paragarantir o desenvolvimento e a sanidade dasculturas vegetais, além do tão almejado ganhoem produtividade.Assim como os demais segmentos agrícolas,o sucroenergético tem se mostrado receptivo àsinovações tecnológicas e aos lançamentos emprodutos, resultando no crescimento da vendade fertilizantes e defensivos no Brasil. Segundoa Agência Nacional para Difusão de Adubos(Anda), o volume de vendas de fertilizantes emjaneiro deste ano totalizou 1,86 milhão detoneladas, número 2,8% maior que o comercializadoem dezembro de 2011. Em relação ajaneiro de 2011, as vendas deste ano aumentaram8,5%. A explicação para esse incrementotalvez esteja no fato de as usinas terem queinvestir, nessa época do ano, na renovação emanutenção dos canaviais. Isso representa paraas empresas atuantes em pesquisa e comercializaçãode adubos e defensivos a oportunidadepara lançarem novos produtos e conquistar oprodutor rural.No Brasil há mais de 40 anos, aArystaLifeScience possui representantes técnicosnas principais regiões agrícolas do País, eatua fortemente nos mercados de soja, milho,algodão, cana-de-açúcar, hortaliças, frutas epastagem. Sediada em Tóquio, no Japão, ogrupo ArystaLifeScienceCorp. é a maior empresaprivada do mundo, no mercado de proteçãode plantas e ciências da vida, com faturamentoglobal de US$ 1,6 bilhão em 2011, sendo cercade US$ 500 milhões na Unidade de NegóciosAmérica Latina.Presente em mais de 125 países em todo omundo, a ArystaLifeScience é especializada nomarketing e distribuição de renomadas marcasde defensivos agrícolas. A empresa tem investidofortemente no mercado sucroenergético,desenvolvendo novas tecnologias e soluçõespara atender às necessidades de usinas e fornecedores.O principal produto da Arysta, quecompõe a extensa linha de herbicidas paracana, é o Dinamic, desenvolvido com o ingredienteativo amicarbazone que controla aBrachiariae Folhas Largas – Cordas de Viola -,produzindo um resultado agregado nas duas,que são as principais ervas dos canaviais, atualmente.Com o avanço do sistema de cana crua, acomunidade infestante vem sofrendo modificaçõese, com isto, surgem as Cordas de Viola eoutras plantas daninhas de folhas largas querepresentam um grande entrave para os produtostradicionalmente utilizados. O Dinamic é oproduto mais estudado e adaptado para o sistemaPalha/Cordas de Viola e outras folhas largas,quando é necessário residual de no mínimo180 dias para colheita no limpo. O produtotambém pode ser aplicado na seca e no períodoúmido, abrangendo todas as modalidades deaplicação - cana soca e cana planta.Outra inovação da ArystaLifeScience, para osegmento de nutrição, é o bioestimulanteBiozyme - um produto de origem natural -Marcus Brites, gerente de Marketingpara Cana e Citrus da Basfobtido a partir de extratos vegetais, através derigorosos processos específicos de biotecnologiaque, quando aplicado nas plantas, possuiação similar aos três principais promotores decrescimento vegetal: auxinas, giberelinas ecitocininas. “O Biozyme é a aposta do momentopor causa do excelente desempenho nocampo atestado por usuários de diversos mercados,não só em cana-de-açúcar”, relata oengenheiro agrônomo da empresa, FlávioIrokawa.Além desses produtos diferenciados, a linhade produtos da ArystaLifeScience oferece aindaao produtor o Lava 800 (tebuthiuron), quefacilita o manuseio e descarte das embalagens,de uso destacado em plantio, e o herbicidaDizone (hexazinona + diuron), molécula padrãode mercado para o manejo das principais espéciesde plantas daninhas, com excelentedesempenho em épocas de transição entreperíodo úmido e chuvoso. Completam a linhaArysta de produtos para cana-de-açúcar osherbicidas MSMA, 2,4 D, Sempra e o inseticidaImidacloprid.Os produtos comercializados pelaArystaLifeScience são desenvolvidos e testadospor meio de suas subsidiárias espalhadas emtodos os continentes. Regionalmente, os projetosde desenvolvimento são realizados nos paísesque compõem a Unidade de NegóciosAmérica Latina (Argentina, Bolívia, Chile,Colômbia, México, Paraguai e países da AméricaCentral), além de fábricas e laboratórios. NoEngenheiro agrônomo Flávio Irokawa,da ArystaLifeScienceBrasil, os laboratórios de desenvolvimento ficam localizados na cidade de Salto de Pirapora,interior de São Paulo, e no Centro de Pesquisa eDesenvolvimento Agrícola, em Pereiras, tambémno Estado de São Paulo. Todos os produtos sãotestados durante anos em situações de laboratórioe na prática, nas lavouras, de forma aassegurar o controle eficiente dos problemasenfrentados pelos produtores. “Além, é claro, depassar por todos os processos de avaliação eaprovação dos órgãos governamentais, queincluem os Ministérios da Agricultura, Anvisa eMeio Ambiente”, diz o engenheiro agrônomo daArysta, José Renato Gambassi.Os principais mercados agrícolas se localizamna região Central do País, com grande participaçãono Sul e Sudeste. Especificamente no mercadode cana-de-açúcar, o destaque são asregiões Centro-Sul e Nordeste, com novas áreasde expansão que abrangem os Estados do MatoGrosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.Atuante principalmente no Estado de SãoPaulo, a FMC Agricultural Products é líder nofornecimento de agroquímicos para o setorsucroenergético. O portfólio da empresa é compostopelos herbicidas Boral, Gamit e Discover;nematicidas Rugby Furadan e inseticidas comoCigaral e Capture. Além dos testes exigidos pararegistro que são feitos pela FMC, a empresarealiza um trabalho de geração de dados sobreos produtos que são realizados em instituiçõesde pesquisa, consultorias e em áreas de testenos clientes.Potássio: o potássio é o macronutriente requerido emmaior quantidade pela cana-de-açúcar. Quandosuprido adequadamente, o mesmo aumenta os teoresde sacarose, possibilitando maior resistência dasplantas a doenças.Cálcio: a cana-de-açúcar é bastante exigente emcálcio e o retira em quantidades bem superiores aofósforo. O cálcio estimula o desenvolvimento dasraízes e das folhas, pois faz parte das paredescelulares, dando estrutura para as plantas. Tambémajuda indiretamente na produção, melhorando ascondições para o desenvolvimento das raízes,estimulando a atividade microbiana e a absorção deoutros nutrientes. O baixo crescimento do sistemaradicular é um sintoma comum da deficiência decálcio.Magnésio: é um nutriente constituinte da clorofila econsequentemente está envolvido ativamente nafotossíntese, bem como no metabolismo do fósforo,na respiração da planta e na ativação de váriossistemas enzimáticos.Enxofre: a deficiência deste nutriente, por serconstituinte das proteínas, provoca retardamento docrescimento e clorose generalizada nas folhas maisnovas, que pode se estender por toda a planta; oscaules ficam finos e lenhosos.José Renato Gambassi, engenheiro agrônomo da ArystaLifeScience26 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 27


Novas tecnologias no campoA BASF também conta com uma linha de produtosespecíficos para o manejo de cana-de-açúcar. São os inseticidasRegent, o herbicida Plateau e o fungicida Comet.Regent é líder de mercado e combate importantes pragasde solo como os cupins e migdolus, protegendo a canacom apenas uma aplicação durante todo o ciclo e comsupressão à broca da cana, com ganhos em rendimentoindustrial.Já o Plateau auxilia no controle de diversas plantasdaninhas, como Corda de Viola, Tiririca e Capim-colchão.O Comet é um produto direcionado para o controle dapodridão do abacaxi, doença que prejudica a germinaçãoe o estabelecimento da cultura, que, somado a efeitosfisiológicos, proporciona maior enraizamento e arranquedas plantas e melhor stand.Uma das novidades da BASF para o mercado sucroenergéticoé o modelo de manejo integrado, intituladoSistema AgCelence® Cana-de-açúcar. Trata-se da combinaçãoda aplicação de Comet, Regent 800 WG e do fungicidader de mercado em soja, Opera, que agora obtevetambém o registro para cana. Segundo o gerente deMarketing pra Cana e Citrus da Basf, Marcus Brites, osestudos de desenvolvimento que validaram este modelode manejo foram realizados em parceria com instituiçõesde pesquisa e universidades, como a Universidade EstadualPaulista (UNESP) de Botucatu (SP).De acordo com Marcus, com este modelo o agricultorpode fazer uso de diversos produtos e procedimentos parasolucionar um problema, situações relacionadas ou, ainda,dificuldades diferentes que ocorram em um mesmomomento, agindo assim de forma integrada maximizandoos ganhos.Ele cita como exemplo uma área de plantio de cana--de-açúcar que tenha infestação de pragas subterrâneas(Cupins, Migdolus) e também enfrente doenças como apodridão abacaxi. “Nessa área, o uso de Regent em combinaçãocom Comet - Manejo Integrado de Pragas eDoenças - consegue, em uma única aplicação, resolverdois problemas, viabilizando a exploração econômica daárea, em casos mais extremos de ataque, ou simplesmenteaumentando a lucratividade da área. Assim, as principaisvantagens são ganho operacional e aumento de rendimentoe lucratividade de uma área”, destaca.Outra recente novidade apresentada pela BASF para omercado foi a nova embalagem de Regent. Trata-se daprimeira embalagem de um defensivo agrícola do portfólioda empresa à base de etanol. Diferente do processoconvencional de fabricação do polietileno - que tem comomatéria-prima o petróleo – a nova embalagem do inseticidaserá produzida a partir da transformação do etanolproduzido com cana-de-açúcar.Marcus explica que em sua tecnologia de fabricação oetanol é transformado no hidrocarboneto conhecidocomo eteno e, posteriormente, em polietileno, resina termoplásticaque serve de base para a fabricação da embalagem.Todo o polietileno utilizado é produzido pelaBraskem. Em seguida, o material é enviado aos fornecedoresda BASF que fabricam a embalagem à base de etanol,incluindo as tampas e frascos. Segundo estudos daFundação Espaço ECO (FEE), instituída pela BASF em 2005,este tipo de plástico retira até duas toneladas e meia decarbono da atmosfera para cada tonelada produzida.Desde janeiro de 2012, os lotes de Regent 800 WG já estãona nova embalagem.GPSEm 2011, a BASF lançou o serviço GPS Plateau, que tempor objetivo a aplicação de defensivos de maneira maiseficiente e segura, com melhor desempenho e economiade produto. A iniciativa consiste na instalação de um aparelhode GPS nos tratores de aplicação do herbicidaPlateau, possibilitando o conhecimento mais acurado epreciso da área tratada. A ação permite, inclusive, a aplicaçãode Plateau em momentos de difícil controle, duranteo período noturno, possibilitando ao produtor queconheça melhor cada metro quadrado de sua lavoura e,assim, possa manejar com melhor eficiência o controle deplantas daninhas, economizando tempo e produto.TestesA BASF possui no Brasil quatro Estações Experimentaisnas quais são realizadas pesquisas e também o desenvolvimentode novas tecnologias e que se destinam aomercado atual e também futuro. As estações atuamcomo elos na cadeia mundial de desenvolvimento deprodutos fitossanitários da BASF, realizando ensaios emcolaboração direta com o Centro de Pesquisas Agrícolasde Limburgerhof, na Alemanha. As estações visam adaptaros testes à realidade brasileira, levando em conta oclima, tipo de solo e diferentes técnicas típicas do Brasil,em comparação com os lugares de maior importânciaagrícola do mundo. Os principais estudos nelas desenvolvidossão nas áreas de fitopatologia, entomologia,herbologia, nematologia, acarologia, fisiologia e biotecnologia-,com os mais diversos produtos de moléculasdiferentes em vários grupos químicos.Nova embalagem de Regent, aprimeira de um defensivoagrícola do portfólio da BASF àbase de etanol e o e o serviçoGPS Plateau: aplicação dedefensivos de maneira maiseficiente e seguraMercado de fertilizantes em altaAlexandre Mendonça de Barros: vendas crescentesOBrasil tem registrado nos últimostrês anos um crescimento na vendade fertilizantes. Em 2009, o volumealcançado foi de 22,5 milhões detoneladas, em 2010 passou para 24,5 milhõesde toneladas e, no ano passado, os índicesalcançaram patamares altos, com 28,4 milhõesde toneladas. A tendência para 2012 e próximosanos é manter essa escalada nas vendas,segundo o engenheiro agrônomo e consultorda MBAgro, Alexandre Mendonça de Barros.Essa demanda crescente se deve ao aumentopopulacional e à urbanização, acréscimo narenda dos emergentes e na procura por biocombustíveis,além da limitação de terrasagricultáveis na maior parte dos países domundo e o PIB per capita. “Cresce o númerode habitantes e, com isso, a demanda poralimentos. Com a necessidade de produzirmais, investimentos devem ser feitos naslavouras e, por consequência, no preparo dosolo”, enfatizou.Alexandre avalia que fatores interferem noaumento ou queda das vendas e no consumode fertilizantes no Brasil e demais países. Deacordo com ele, o produtor rural deve ficarsempre atento aos preços das principais commoditiesagrícolas mundiais, como soja, milhoe trigo, porque são essas culturas que determinamas vendas de fertilizantes. “Em 2011,houve um aumento considerável dos preçosdas commodities, o que elevou também oconsumo de fertilizantes. E o Brasil tem papelimportante nesse cenário, já que se transformouem grande importador do produto nomercado internacional”, revela.Segundo Alexandre, cinco mercados respondempor mais de 80% do consumo mundial defertilizantes. China ocupa a primeira posição,com 28%, seguida pela índia, com 16%, aAmérica Latina com 8% (Brasil, principalmente)e América do Norte com 5% (sendo os EUA comquase totalidade desse valor).GoiásSegundo dados da Federação daAgricultura e Pecuária do Estado de Goiás(Faeg), o consumo de fertilizantes cresceu16% no ano passado, somando 2,4 milhõesde toneladas. O Estado é ainda o sexto maiorconsumidor de produtos como potássio,nitrogênio e fósforo e importa cerca de 60%da matériaprima que utiliza para correçãoagrícola.28 • CANAL, Jornal da BioenergiaAbril de 2012 • 29


Lago AzulLocalizado em Três Ranchos, a 290 kmde Goiânia, na divisa entre os estadosde Goiás e Minas Gerais, o lago foinomeado por suas águas limpas,cristalinas e de cor azulada. Suaorigem foi devido a HidrelétricaEmborcação, que represou o RioParanaíba em 1982. São 444 km² deespelho d’água povoados por espéciesnobres de peixes como dourado, piau,tucunaré e outras espécies semescamas de grande porte.Onde ficar - Três Ranchos MarinaHotel Clube: (64) 3475-1600 / 3475-1201 / 3475-1490Lago das BrisasFormado pela barragem da Usina de Itumbiara, olago se encontra na cidade de Buriti Alegre, a202 km de Goiânia. São 778 km² em área, cercade duas vezes e meia maior que a baía deGuanabara. A principal atração para os turistassão os passeios de lanchas e jet-skis, além dosclubes em sua extensão. Como o lago seencontra a 27 km do centro da cidade, foi criadauma espécie de povoado ao seu redor para supriras necessidades dos turistas, que contam combares, restaurantes e supermercados.Onde ficar - Hotel Lago das Brisas: (62) 3215-3256 ou (64) 3559-1707Pousada Portal das Brisas: (62) 9986-8499 ou(62) 9978-0389Lago CorumbáConhecido por ser o portal daságuas quentes, o município deCaldas Novas é também o lar doLago Corumbá, que abastece aUsina Hidrelétrica de Corumbá I. Asua área de 65 km² é palco parapasseios de lancha, barco e jet-ski,levando a cachoeiras e bares aolongo do seu “litoral”. O ponto deencontro dos praticantes deesportes náuticos do estado oferece,ainda, eventos de pesca esportiva.Onde ficar - Náutico Praia Clube:(64) 3455-9148 / 3455-9149 /3455-9150Lago Serra da MesaÉ o segundo maior lago do Brasil, sendodividido entre seis municípios do noroestede Goiás. A sua formação foi feita para aconstrução da Usina Hidrelétrica de Serra daMesa, em uma área de 1784 km². Rodeadopor morros, o lago se tornou uma dasmelhores regiões para pesca esportiva deespécies como o tucunaré azul e amarelo.Por suas águas serem alcalinas, aproliferação de mosquitos é mínima, umbônus da região.Onde ficar - Pousada Germano: (62) 4053-7377 / 3354-9005 / 3354-9200 / 9967-5274Estância Serra da Mesa: (62) 3354-9022 /3354-9119 / 9222-7113Lago dos TigresSituado em Britânia, a cerca de 300km da capital, o Lago dos Tigres éconsiderado o maior lago natural daAmérica do Sul. É frequentadonormalmente por pessoas que gostamde esportes aquáticos, trilhas,camping e pesca esportiva. Seu nomederiva da quantidade de tigresencontrados na região no passado e,às suas margens, existe ummonumento que representa Cristocom os braços abertos sobre suaságuas calmas.Onde ficar - Hotel Britânia: (12)3663-1666wwOpções de turismo noslagos em Goiás“Pesque essa ideia!”Pescar e devolver o peixe para a água é a melhor forma de prevenir a extinção de espécies. Porém, muitos nãosabem que existem alguns cuidados essenciais para o sucesso desta operação. Veja abaixo algumas dicas:• É essencial não deixar o peixe forada água por muito tempo. Tire fotos,pese, meça, mas seja rápido. A faltade oxigênio é fatal para o seucérebro.• Delicadeza é fundamental. Nãocoloque dedos e unhas em suasguelras, aperte ou segure com mãossecas. Mantenha-o dentro da água sepossível, é uma boa maneira de evitarchoques entre seus órgãos.• Não use anzóis com farpa. Além daemoção da pescaria ser maior comanzóis simples, você evita cortes eferimentos desnecessários.• Cuidado com a diferença depressão. Assim como em nós, oscorpos dos peixes também sofremcom a mudança brusca de pressão. Seestiver em uma área de grandeprofundidade, puxe com calma,dando tempo para que ele seacostume com essa alteração.• Em alguns casos, não retire oanzol. Caso ele tenha entrado nocorpo do peixe, ou até mesmo em suagarganta, corte o empate e devolva-opara a água. As suas chances desobrevivência serão maiores.• A capacidade da linha deve sermaior que a exigida pela espécie. Aluta terá uma menor duração, o queevita a exaustão do peixe.Peixes encontrados em Goiás:Apapá (Pellona castelnaeana), Aruanã(Osteoglossum bicirrhosum), Barbado(Pinirampus pinirampus), Bicuda(Boulengerella sp), Cachara(Pseudoplathystoma fasciatum), Cachorra(Hydrolycus scomberoides), Curimbatá(Prochilodus lineatus), Jacundá (Crenicichlaspp), Jaú (Paulicea lutkeni), Jurupoca(Hemisorubim plathyrhynchos), Piavuçu(Leporinus sp), Pintado (Pseudoplathystomacorruscans), Piraíba (Brachyplathystomafilamentosum), Pirarara (Phractocephalushemeliopterus), Tambaqui (Colossamamacropomum) e Tucunaré (Cihla spp).As “praias de águadoce” goianasprometem cativarturistas, sejapela pesca, pelodescanso ouesportes aquáticosGuilherme BarbosaQuando pensamos sobreas águas nacionais écomum a lembrança daRegião Norte do Brasil.Afinal, a Bacia Amazônica é amaior do planeta, com impressionantessete milhões de quilômetrosquadrados. Mas nem só daAmazônia vive a hidrografia brasileira.O País inteiro é privilegiadonessa área. Na Região Centro-Oeste, por exemplo, existem verdadeiros“mares” de água doce.Paraísos para quem quer lazerregado a tranqüilidade e contatocom a natureza. Esse tipo de atraçãono Estado de Goiás, porexemplo, é repleto de opções,graças a uma grande variedadede lagos naturais e artificiais.Vantagem tanto para o turistainteressado em aventura quantopara quem busca sossego.O Estado de Goiás é banhadopor três grandes bacias hidrográficas:a do rio Paraná, do rio Tocantinse do Rio São Francisco. Os turistasprocuram os lagos para pescar eparticipar de eventos esportivos, sedivertir em esportes náuticos e,ainda, para aproveitar o tempolivre e descansar.Luís Felipe Moreira, estudantede Engenharia Elétrica, visita oLago Corumbá há mais de cincoanos. Apesar de gostar da vidaurbana, os esportes aquáticoschamam muito a sua atenção. “Oque mais me diverte no lago sãoos passeios de lancha e jet-sky”,ressalta. Alana Sales, também éestudante e prefere o climaameno e a calma das regiõespara descansar. “Até a minhainspiração para escrever parecemais forte. Dormir em uma rede,próxima às águas, é como sesentir em casa”, diz a futura jornalistabaiana.José Rubens, advogado, alia odescanso à pesca para combatero estresse da cidade grande.“Como sou do interior doEstado, pescar sempre foi umhobbie acessível, prazeroso erelaxante”, conta o antigo residentede Anicuns, Goiás. JáThiago Morais afirma ser umpescador nato. Praticante dapesca esportiva, ele alega seguirtodas as normas do esporte.“Não uso redes e não como ospeixes que pesco. Nunca gosteide comê-los, apenas de passarhoras e horas pescando. No sol,na chuva, dia e noite! Pesco edepois solto o peixe, devolvoele para o lago”, conta o publicitário.Quando perguntado sobre oimpacto ambiental gerado a partirda presença constante deturistas na região dos lagos, IvanGarcia, Secretário de Turismo domunicípio de Caldas Novas, afirmaque em seu município a situaçãoé controlada. O secretárioconta que é feita uma coleta delixo seletiva e que “os hotéis, emsua maioria absoluta, selecionamo lixo reciclável e repassam-no aentidades responsáveis. Já o restantedo lixo é destinado a umaterro controlado”.Dicas para não agrediro meio ambiente• A ajuda começa em casa: evite viajarcom embalagens e sacos plásticos. Pormais que tenha o cuidado de não deixálosna área dos lagos, os ventos podemfazer com que eles entrem nas águas ouna vegetação local, sem que você perceba.• Use um protetor solar que não dissolvana água. Dê preferência para os que nãosaem após o mergulho. As substânciaspresentes nos protetores, assim como emcremes ou loções, podem alterar oecossistema da região.• Sempre leve o lixo após o passeio. Alémde ser um ato grosseiro, deixar latas,garrafas e outras embalagens prejudicatodo o meio ambiente da área.• Não alimente os animais. O próprioecossistema provém tudo que elesnecessitam com nutrientes adequados. Pormais que pareça que esteja ajudando,muitas vezes eles acabam malacostumados e passam a roubar turistas.• Evite a pesca excessiva, principalmentenas épocas de reprodução. Que tal praticara pesca esportiva, sem levar os peixes paracasa?Fique atento: O Ibama, através de Portariada Agência Ambiental de Goiás, permite acaptura de apenas cinco quilos e de umaespécie de peixe (exceto pirarucu, pirararae filhotes de piraíba).

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