cana-de-açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

canalbioenergia.com.br

cana-de-açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

Cartado editorMirian Toméeditor@canalbioenergia.com.brAvanços continuarão em 200912 PREÇO DO AÇÚCARAnalistas prevêem melhores preços para o açúcar em 2009 e 2010. Demanda deve sermaior que a oferta, devido à diminuição da produção na Índia e Europa, principalmente.unicafotos: divulgação18 TRATOS CULTURAISManejo correto na aplicação de herbicidas eno controle de pragas reduz custos deprodução, mas exige monitoramento daárea de cultivo da cana-de-açúcar.20 TERCEIRIZAÇÃOContratação de serviços e máquinas ganhaespaço no setor sucroalcooleiro, assim comoa locação de equipamentos. Estratégiapermite direcionar recursos para outrasnecessidades da usina.22 CANA TRANSGÊNICAInstituições de pesquisa se apressam paralançar variedades comerciais de canatransgênica, tecnologia consideradaestratégica para a competividade do País.04 ENTREVISTAProfessor Luiz Augusto HortaNogueira fala sobre o livroencomendado pelo presidente Lula.Obra foi escrita para corrigirdesinformação sobre o etanol de cana.Assine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível nainternet no endereço: www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.brjalles machadoPassadas as primeiras turbulências da crisemundial, é hora de o setor produtivo se reorganizarpara seguir em frente. As dificuldades, quando seapresentam, assustam e levam a uma postura demaior cautela, mas por um período que não pode sealongar, pois o antídoto desse mal é o crescimento.As perspectivas são boas para o setorsucroalcooleiro. Os preços do etanol e do açúcardevem se tornar mais remuneradores e a maioriados projetos de novas usinas já iniciados terácontinuidade, pois os fundamentos dos mercadossão favoráveis. Esses são assuntos abordados emprofundidade nesta edição, em entrevistas comanalistas de mercado que antecipam as principaistendências relativas ao cenário econômico.O CANAL traz ainda matérias sobre práticasagrícolas fundamentais, como a rotação deculturas na produção da cana-de-açúcar e omanejo racional de pragas e invasoras. Emoutras reportagens, abordamos as pesquisas quevisam o desenvolvimento de variedades de canatransgênica e a ampla abrangência das ações deresponsabilidade social adotadas pelas usinassucroalcooleiras.Em 2009, os avanços na produção debiocombustíveis terão continuidade. A equipe doCANAL está confiante nisso e deseja aos nossosleitores e colaboradores paz, saúde, sucesso emuita energia no Ano Novo.Até janeiro !CANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41DIRETOR EXECUTIVO: César Rezendediretor@canalbioenergia.com.brGERENTE ADMINISTRATIVO: Fernanda Oianoopec@canalbioenergia.com.brGERENTE DE ATENDIMENTO COMERCIAL:Beth Ramos comercial@canalbioenergia.com.brEXECUTIVO DE ATENDIMENTO:Marcos Vazcomercial@canalbioenergia.com.brDIRETORA EDITORIAL: Mirian Tomé DRT-GO - 629editor@canalbioenergia.com.brEDITOR: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694redacao@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Rhudy Crysthian,Evandro Bittencourt, Fernando Dantas,Mirian Tomé e Glauco MeneghetiDIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santosarte@canalbioenergia.com.brREPRESENTANTE: SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO E BRASILIAFaster Representações fasterrepresentacoes@terra.com.brSRTVS Qd. 701 Edf. Assis Chateaubriand - Bloco 1 - Sala 321Bairro Asa Sul - 70340-00 - Brasilia/DFContato: Wisley Damião (61) 3701 1796/9982 6731Banco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira deSão Paulo - www.unica.com.br, SIFAEG - Sindicato da Indústria deFabricação de Álcool do Estado de Goiás - www.sifaeg.com.br,Canal On Line www.canalbioenergia.com.brREDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno - Goiânia - GO- Cep 74 230-100Fone (62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084email: canal@canalbioenergia.com.brTIRAGEM: 12.000 exemplaresIMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.brCANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos eopiniões emitidos nas reportagens e artigos assinados. Eles representam,literalmente, a opinião de seus autores. É autorizada a reprodução dasmatérias, desde que citada a fonte.


ENTREVISTA - Luiz Nogueira, autor do livro Bioetanol de Cana-de-AçúcarAposta na informaçãoGOVERNO BRASILEIRO CONTA AGORA COM UM LIVRO, PUBLICADO EM CINCO IDIOMAS,PARA CORRIGIR DESINFORMAÇÕES SOBRE A PRODUÇÃO E O CONSUMO DO ETANOLEvandro BittencourtLuiz Augusto Horta Nogueira,professor da Universidade Federalde Itajubá (Unifei), foi oresponsável pela organizaçãoe redação do recém-lançado livroBioetanol de Cana-de-Açúcar -Energia para o DesenvolvimentoSustentável, encomendado peloPresidente Luís Inácio Lula da Silva.O interesse do professor pela bioenergia,disse o autor da obra em entrevistaexclusiva ao CANAL, começouna graduação em engenharia.Ele foi diretor da Agência Nacionaldo Petróleo e, atualmente, é professorTitular da Universidade Federalde Itajubá (MG) e consultor das NaçõesUnidas, atividades que o credenciarama elaborar a obra baseadaem pesquisas realizadas por cercade 30 especialistas e que contoucom co-autores e colaboradores.O que levou o presidente Lula a encomendarum livro sobre o etanolde cana-de-açúcar ?O presidente Lula tem observadono cenário mundial, nesses últimosanos, uma situação contraditória.Há uma demanda por biocombustíveisque sejam ambientalmenteaceitáveis e competitivos,mas, ao mesmo tempo, emoutros países, fazem restrição aoetanol e o apontam como responsávelpela elevação dos preços dosalimentos. Em setembro do anopassado, o presidente Lula convocouuma reunião, que ocorreu nomês passado, e pediu ao BNDESquer preparasse um livro sobre oetanol de cana que, no âmbito doBrasil, também envolveu o Centrode Gestão de Estudos Estratégicos(CGEE). Num cenário mais amplo,foi também solicitada a incorporaçãoda FAO, Organização das NaçõesUnidas para a Agricultura e aAlimentação, e da CEPAL, ComissãoEconômica para a América Latinae o Caribe.Temos que mostrar que o álcool tem deser apresentado com nome e sobrenome:álcool de cana, de milho, etc.O livro tem a função de esclareceraspectos ainda mal-compreendidosda produção do etanol no Brasil?Sim, ele tem a função de esclarecer.A obra está baseada em umasérie de referências e estudos sobreo etanol. O que eu fiz foi reunirinformações de pesquisadoresnão só brasileiros, mas de todomundo que está ativo nessa área,incluindo os fundamentos do usoe produção do álcool, co-produtos,novas tecnologias, história doprograma do etanol no Brasil, aspectosde sustentabilidade e mercadointernacional. São assuntosque, na medida do possível, vãoajudar os tomadores de decisão.Por isso o livro também tem versãoem quatro outros idiomas:português, inglês, espanhol efrancês. É o esforço para uma informaçãomais correta.O senhor compara a eficiência dacana em relação a de outras matéria-primasutilizadas para a fabricaçãode biocombustíveis?Sim, e é notável essa diferença.Uma coisa é pensar os biocombustíveisem escala pequena, produçãofamiliar e limitada. Nesse caso,a gente pode aceitar outras rotase outros produtos. Mas, se estamosfalando em volumes importantesde energia, em participarrealmente da matriz energéticamundial, é preciso ter uma alternativaque tenha uma demandabaixa de recursos naturais e queseja eficiente; que gaste poucaágua, terra e energia. Nesse sentido,a cana-de-açúcar para a produçãode etanol é absolutamenteprivilegiada, ela está muito acimade qualquer outra alternativa. Vocêpode produzir 8 mil litros deetanol por hectare, e até 80 KW/hora de eletricidade por toneladade bagaço de cana.divulgaçãoEm relação à produção de energiahouve evolução tecnológica nos últimosanos, permitindo maior aproveitamentoda biomassa?Sim, o livro mostra como essa evoluçãotem se dado no Brasil, tomandocomo exemplo a Usina Valedo Rosário. O uso do álcoolcombustível no Brasil é obrigatóriopor lei desde 1930. Não começouem 1975 com o Proalcool. O programafoi, na verdade, um incremento.Nessa época, as usinasnão eram tão eficientes. Elas compravamparte da energia da concessionáriae geravam em torno de12 a 15 KW/hora por tonelada decana, até que foram introduzidosdiversos aperfeiçoamentos, nascaldeiras, turbinas, etc. Hoje, o negócioenergia elétrica é algo importantena formação da rendadas usinas. E isso é bom para a sociedade,pois estamos usando commais critério a tecnologia. Somesea isso o fato de agora estarmoscolhendo a cana crua, o que aumentaa biomassa sólida que geraenergia elétrica.O senhor aborda a evolução dastécnicas de cultivo. Quais aspectoso senhor destaca em relaçãoa esse processo?Hoje em dia, a área ocupada pelacana no Brasil, como efeito do incrementode produtividade, é 2,6vezes menor do que seria se estivéssemosmantendo a produtividadedos anos 70. Veja a quantidadede terra que se deixou deusar por conta de uma produtividademais elevada. A grande evoluçãode produtividade se deumais na área agrícola que na áreaindustrial, pois foi nela que ganhamosem qualidade da cana,estendemos a safra e aumentamosa produção. E do ponto devista de sustentabilidade tambémhouve avanço importante, pois areciclagem de nutrientes atravésda vinhaça e os métodos de controlebiológico de pragas e doençaspermitiram ganhos de produtividadecom vantagens econômicase menor impacto ambiental.Como o senhor vê e retrata nolivro a questão da demanda damão-de-obra diante da mecani-04 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


zação da colheita?A indústria canavieira é e tende apermanecer como grande empregadoraem relação a outras indústriasenergéticas. Nos último anos,ela vem adotando na área agrícolaprocedimentos de maior produtividade,principalmente na colheita,que vão reduzindo a demandapor mão-de-obra. Isso épositivo, pois ninguém há de contarcomo uma grande vantagemda indústria gerar emprego de cortadorde cana. Mas é necessárioque o Estado valorize as atividadesque esses cortadores de cana desenvolvemno seu local de origem,pois cada vez menos será necessáriaessa mão-de-obra.O consumo atual é de 1 mil barris depetróleo por segundo. Achar que essecombustível vai ficar barato é ilusãoNo livro, o senhor afirma que oetanol é bastante competitivo como petróleo a até U$ 50 o barril. Naatual situação, esta competitividadefica ameaçada?Há uma volatilidade muito grandeno mercado, inclusive por contados preços do petróleo. As análisesde competitividade têm de ser feitassegundo cenários de preço debarril do petróleo e valor do dólarcompatíveis. Um segundo aspecto:os fundamentos que justificam acompetitividade da produção deálcool de cana permanecem vigentes.A demanda mundial tendea crescer muito, pois a Índia e aChina vão ter mais automóveis epassar a consumir mais combustível,o que será importante para avalorização do petróleo. Além disso,as reservas que nós conhecemos,até onde se sabe, são exauríveise mesmo as descobertas noBrasil - um dos poucos lugares domundo aonde se descobre petróleonos últimos anos - não são suficientespara atender a essa demanda.Toda essa exposição do potencialdas reservas representa algumassemanas ou meses de consumomundial. O consumo atual é de1 mil barris de petróleo por segundo.Achar que esse combustível vaificar barato é ilusão. Além disso,há uma questão ambiental muitograve, o clima do nosso planetaestá mudando, é preciso ter umnovo padrão energético. Por essestrês fatores, fica claro que o etanolde cana tem um papel de importânciacrescente, independentementedo preço atual do barril depetróleo.A principal crítica em relação aoetanol na Europa é a alegada competiçãocom a produção de alimentos.Como o senhor trata dessaquestão no livro?Esse equívoco não é tão simples dedesfazer porque, de fato, fazer álcoolde milho, de beterraba e detrigo traz problemas na produçãode alimentos. Então temos quemostrar que o álcool tem de serapresentado com nome e sobrenome:álcool de cana, álcool de milho,etc. No Brasil, que é o segundomaior produtor de etanol depoisdos Estados Unidos, a área dedicadaà produção de álcool correspondea 0,5% do País. Nós temos 200milhões de hectares em pastagem.Se tivéssemos um ganho de 1% naprodutividade dessas pastagens, játeríamos um acréscimo de áreaquase comparável à utilizada hojepara a produção de cana e um volumeetanol superior ao que consumimosde gasolina. Quem falaque o álcool de cana afeta a produçãode alimentos ou está absolutamentedesinformado ou commá-fé. No livro, no último capítulo,há uma série de manifestações depersonalidades importantes no cenáriomundial desmistificando isso.Foi por isso, inclusive, que quisemosque a própria FAO tivesse participaçãonesse trabalho.Quais as vantagens de a tecnologiade produção do etanol de cana-deaçúcarestar aberta ao mundo?Não convém a ninguém que nóssejamos a única fonte de etanol domundo, principalmente aos compradores.Por isso, é preciso quepaíses africanos, latino-americanose asiáticos, que têm recursosnaturais e clima adequados parapromover a produção de etanol, ofaçam. É bom para todos, pois essenão é um pacote tecnológico fechado.Nesse sentido, menciono nolivro que não se trata de uma tecnologiasensível e sofisticada, elaestá madura e dominada, acessívela todos os países interessados.E em relação à certificação doetanol, qual a sua opinião em relaçãoa esse processo?A certificação precisa ser vistacom cuidado, pois ela pode servirpara mascarar políticas comerciais,barreiras, etc. Ela também éum indicador que o etanol maiseficiente e sustentável vai ter espaço.A legislação americana agoraexige um nível crescente de mitigaçãode emissão de gases doefeito estufa. Isso vai, progressivamente,excluir a produção localdeles, mas se nós nos qualificarmos,tudo bem, podemos entrar. Éuma faca de dois gumes, tanto podenos atender, na medida em quevai reconhecer as vantagens donosso produto, quanto poderá servira propósitos escusos dos paísesimportadores. Seja como for, é umprocesso unilateral, pois normalmentecertifica quem compra. Temosque participar desse debate eestar presente nas discussões.O senhor acredita que o livro serábem-sucedido no intuito de subsidiaruma discussão mais profundasobre o etanol de cana-de-açúcar?Eu espero que sim, pois já é horade as coisas começaram a acontecerem países da nossa região queestão marcando passo há anos,tentando responder a essas questõescom teorias erradas. Tem paíseslatino americanos que são exportadoresde álcool para os EUA –produto que tem origem no Brasil,ou é produzido lá, no Caso da Guatemala– e, mesmo assim, importam100% da gasolina que usam acustos muito altos. Não usam 5%de álcool na gasolina porque dizemque o motor não anda bem,que tem problema de corrosão eoutras mentiras. Por isso tenhouma expectativa que o livro ajudea eliminar esses preconceitos, faláciase desinformações.O livro terá um cronograma paralançamento em outros países?O livro foi lançado aqui sem nenhumacerimônia formal. Ele foientregue ao presidente e a representantesde várias nações. Aidéia que se ventila, agora, é fazerum road show, uma visita emvários países.CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 05


Usina Cerradinho fazcampanha deprevençãoO "Programa Saúde eCia", da Usina Cerradinho,levou no mês passado açõesde prevenção para ostrabalhadores rurais,orientando na prevenção dedoenças sexualmentetransmissíveis, dentro daprogramação alusiva ao DiaMundial de Combate àAIDS, comemorado em 1º dedezembro. A ação do GrupoCerradinho foi feita emparceria com o ProgramaMunicipal DST/AIDS.usina cerradinhojalles machado/divulgaçãoIvan Zannata (Qualidade e Meio Ambiente), Angélica Fernandes (GestãoAmbiental), Henrique Penna (Diretor Técnico) e Alam Tombini (Biólogo)Jalles Machado recebe Prêmio ANA 2008A Usina Jalles Machado, comsede em Goianésia, Goiás,recebeu o Prêmio ANA 2008.AJalles foi indicada para a fase finaldo prêmio ao lado de outras 18grandes empresas, queconcorreram em seis categorias:governo, empresas, organizaçõesnão-governamentais, organismosde bacia, imprensa e academia. OProjeto vencedor da usina goiana,"Gestão de Recursos Hídricos naJalles Machado - S/A" disputoua final com projetos da empresaPólo Ltda, de Camaçari, na Bahia,e da Companhia de SaneamentoBásico do Estado de São Paulo(Sabesp) – São Paulo.A iniciativada Agência Nacional de Águas(ANA) tem a finalidade devalorizar as ações que buscam aexcelência e a originalidade naconservação e no uso sustentávelda água. A premiação, promovidapela agência, tem o patrocínio daCaixa Econômica Federal e doBanco do Brasil.As 18 empresasque chegaram à fase final doprêmio foram selecionadas entre273 inscritos.Pós em biodieselA primeira turma da Pós-Graduação em Biodiesel do CEFETMorrinhos já está em atividade. Os50 alunos foram selecionados emoutubro por meio de prova eanálise de currículos. O curso égratuito, tem 380 horasministradas na própria instituiçãoaos sábados e domingos. Oobjetivo é o aumento da qualidadetecnológica envolvida no cultivo deplantas oleaginosas.Além disso,espera-se do especialista melhoriadas opções de prestação de serviçode análise da qualidade dobiodiesel, além da formação demão-de-obra especializada. Nafoto, a turma assiste à aula dadisciplina gestão ambiental, com oprofessor Odorico Neves.sergio jardim06 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


ECO POWER 2008Destaque para idéias inovadorasEXPOSIÇÃO DE POSIÇÕES ANTAGÔNICAS DE RENOMADOS PALESTRANTES MARCACARAM OFÓRUM INTERNACIONAL DE ENERGIAS RENOVÁVEIS E SUSTENTABILIDADE, EM SANTA CATARINAEnriquecer o âmbito de conhecimento focadoem energias renováveis, sustentabilidadee meio ambiente. Este foi o eixo centralda segunda edição do Fórum Internacionalde Energias Renováveis e Sustentabilidade,a Eco Power Conference, promovido em SantaCatarina no fim de novembro. A conferência reuniuimportantes nomes internacionais para umpúblico de quase mil participantes.Para o fundador do Worldwatch Institute edo Earth Police Institute, Lester Brown, a humanidadeestá no estágio inicial de uma nova economia,na qual o petróleo e o carvão serão substituídospor fontes como o sol, os ventos e ocalor do interior da Terra. Segundo ele, o desenvolvimentoe a adoção de energias renováveispodem gerar novos empregos, conduzindo aeconomia para a sustentabilidade.O especialista americano falou sobre os problemasecológicos que afetam o planeta, a eficiênciade energia e suas fontes alternativas.Brown calcou seu discurso em sua mais recenteobra, Plano B 3.0: A Mobilização para Salvar oMundo. Definindo qual seria o plano A, Brownresume: "são os negócios como sempre foramrealizados. Isso não é viável", disse, citando que48% de toda a eletricidade mundial vêm daqueima do carvão. "No plano B, 40% dessaenergia será eólica", explicou.Já o fundador e ex-presidente do Greenpeace,Patrick Moore, foi na direção contrária. "Energiaeólica só é gerada quando o vento está soprando,e isso ocorre apenas durante um terço do tempo.Ou seja, não é uma fonte confiável como sistemaprimário nem de suporte", declarou, ao abordar aprocura de energias sustentáveis para o futuro. Oatual presidente da consultoria Greenspirit atacoutambém o suposto excesso de preocupaçãoFritjof Capra, físico e ambientalista, Lester Brown, fundador do Worldwatch Instititute e do EarthPolice Institute e Patrick Moore, criador do Greenpeace, durante a Eco Power Conferencecom o aquecimento global. "Está provado que ogelo é inimigo da vida. Gelo só é bom para a vidaquando derrete e vira água", disse Moore, polêmicopor apoiar a energia nuclear.EFEITOS PERIGOSOSO assunto não passou despercebido pelo físico,ambientalista e escritor austríaco Fritjof Capra."Energia nuclear é exatamente o oposto de energiarenovável", disse. "É poluente, exige grandesinvestimentos e é centralizada, sem falar no riscode terrorismo ou no seu aproveitamento bélico",disse. Na opinião de Capra, a nova economia estácausando efeitos perigosos - "exclusão social, desigualdade,ruptura da democracia".O presidente do evento, Ricardo Bornhausen,afirmou que os objetivos do fórum, atingidos jána primeira edição, realizada no ano passado,continuam sendo disseminar conhecimento, trocarexperiências e gerar negócios", observou". Osciclos econômicos vêm e vão, enquanto a criseambiental é permanente", diagnosticou.O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, diagnosticouque o Brasil investe muito pouco emenergia eólica e que o próximo leilão da Câmarade Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) deveráser exclusivamente para fontes eólicas. O diretor-presidentedo Instituto Acende Brasil, CláudioJosé Dias Sales, por sua vez criticou os problemasque envolvem o licenciamento ambiental deempreendimentos energéticos, como prazos longose interferências indevidas nos processo.08 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


SÃO MARTINHOUsina bate recorde brasileiro de moagemAUsina São Martinho,controlada peloGrupo São Martinho(Bovespa:SMTO3), encerrou a moagemda safra 2008/2009 com onúmero recorde de8.004.220 toneladas de cana-de-açúcarmoídas - omaior volume já processadoaté hoje por uma usina noBrasil durante uma safra. Onúmero é18% maior que oregistrado por essa unidadena comparação com a safrado ano passado.Com o fim da safra naunidade de Pradópolis (SP),combinado com a moagemque será finalizada nos próximosdias nas Usinas Iracemae Boa Vista, tambémpertencentes ao Grupo SãoMartinho, a Companhia elevouo guidance de moagemdesta safra para 11,9 milhõesde toneladas de cana-deaçúcar,representando umcrescimento de 16% em relaçãoao total moído na safra2007/2008 (10,2 milhõesde toneladas).O Grupo São Martinho estima,ainda, produzir 557 miltoneladas de açúcar, 280 milm³ de álcool anidro e 383mil m³ de álcool hidratadona safra corrente. A marcahistórica anterior - moagemde mais de sete milhões detoneladas - também foi alcançadapela Usina SãoMartinho na safra 2005/06.A São Martinho S.A. é umadas maiores produtoras deaçúcar e álcool do Brasil. Nasafra 08/09, a Companhiaproduz açúcar e álcool emtrês usinas, Iracema, SãoMartinho e Boa Vista. A capacidadede moagem doGrupo, atualmente, é deaproximadamente 12,5 milhõesde toneladas por ano.CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 09


GESTÃOProduçãoSustentávelRESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL É UMA REALIDADE NOS PLANOS ESTRATÉGICOS DASEMPRESAS. A INICIATIVA BENEFICIA DIRETAMENTE MAIS DE MEIO MILHÃO DE BRASILEIROSAsociedade brasileira está cada vezmais interessada em conhecer, acompanhare analisar as ações do tripéeconômico-social-ambiental, realizadaspelas usinas de cana-de-açúcar, no que serefere ao respeito aos direitos da comunidadee preservação dos recursos naturais. Somenteas empresas filiadas à União da Indústria deCana-de-Açúcar (Unica) são responsáveis por618 projetos sociais que beneficiam cerca de500 mil pessoas.Essas ações estão longe do conceito de filantropiae têm como principal objetivo valorizaro trabalho dos funcionários de cada usina,desenvolver a comunidade, além, é claro,de agregar valor à imagem da empresa. Ao todo,esses projetos beneficiam 157 municípios emovimentaram aproximadamente R$ 158 milhõesem 2008, segundo a Unica.Por meio de seu Núcleo de ResponsabilidadeSocial, a Unica trabalha no envolvimentodo público interno para atuar na capacitaçãode profissionais e no desenvolvimento do processode responsabilidade social junto à cadeiade fornecedores e clientes das empresas do setorsucroalcooleiro. A entidade desenvolveparcerias com o Instituto Banco Mundial(World Bank Institute - WBI), Instituto Ethos,além de elaborar o balanço social do setor e oRelatório de Sustentabilidade no padrão GRI(Global Reporting Iniciatives).Segundo a assessora de responsabilidade socialcorporativa da Unica, Maria Luiza Barbosa,a entidade atualmente desenvolve macro-projetosfocados em capacitação de funcionários ede gestores, além de realizar seminários periódicosnas regiões das usinas associadas, cobrindoquestões relacionadas a esses temas e tambémprojetos que cada usina desenvolve. Isso éfeito com o objetivo de documentar e divulgaras realizações sócio-ambientais e de sustentabilidadedo setor sucroalcooleiro.Criado há sete anos com a meta de ajudar oempresário a administrar suas ações de sustentabilidadena região onde atua, o núcleosocial corporativo da Unica capacita e orientagestores e funcionários sobre a importância demanter esses trabalhos. "Certamente, algumasempresas já desenvolviam muito bem seusprojetos, mas a criação do Núcleo de ResponsabilidadeSocial tem ajudado a traçar as metasde atuação, organizar as iniciativas e tambéma capacitá-los a medir e comparar anualmenteseus desempenhos através do balançosocial e da aplicação dos indicadores socioambientais",observa Maria Luiza.Ela afirma que não basta a usina ter um projetosocial para a empresa se denominar sustentável."Responsabilidade sócio-ambientalestá na gestão e deve permear todas as áreasda empresa, a comunidade onde está inserida,sua cadeia produtiva e suas relações com os diferentespúblicos com os quais interage".EXEMPLOSComo exemplos, destacam-se projetos deapoio ao esporte que atendem jovens da comunidade,como os das usinas Della Coletta, Nardini,Cevasa, Pedra Agroindustrial, Santa Cruz,Santa Adélia, São José da Estiva e Usina São Luiz,entre outras. Geralmente, são empresas queentendem a importância do esporte na formaçãode cidadãos saudáveis e conscientes de seu papelsocial. Isso, por sua vez, contribui para despertarnas pessoas o espírito esportivo e promover a in-10 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


tegração entre a comunidade e asempresas. Iniciativas nas áreas deeducação e cultura também sedestacam e são desenvolvidas porempresas como a Usina Itapagipe,Vertente, Moema, Mandú, Cerradinho,Pitangueiras, São Martinho,Cosan, Santelisavale, Viralcool,Brenco, Equipav, São Domingose Cocal, que têm projetosvoltados tanto às crianças das comunidadeslocais, quanto aos jovense adultos trabalhadores dasempresas. São organizações queacreditam que cultura e educaçãosão dois pilares fundamentais parauma sociedade comprometidacom a inclusão social.A incorporação de conceitosde responsabilidade social tambémnorteia projetos relacionadosà qualidade de vida, com destaquepara as usinas São João deAraras, Caeté, Catanduva, e Pioneiros,bem como as ações educacionaisde meio ambiente, comoas desenvolvidos pelas usinas SãoManuel, São Franciscio, SantoAntônio, Santa Cruz, São Martinhoe Zilor, entre outras.Educação ambiental,assistência médica erealização de atividadeeducacionais e culturaissão alguns exemplos deiniciativas deresponsabilidade socialadotadas nas usinassucroalcooleirasObrigatoriedadedos investimentosOutros grupos empresariais, alémde terem uma política própria deproteção ao Meio Ambiente, investemtambém no cultivo de espéciesque possam fomentar a economiadas comunidades menos favorecidas.Mas uma análise da responsabilidadesocial das usinas do setor sucroalcooleiro,realizada pela Associação Brasileirade Custos (ABC), explica que osinvestimentos nessa área “não sãorealizados integralmente sob o conceitode responsabilidade sócio-empresarial,e sim sob uma obrigatoriedadelegal e fiscal e que o indicadorcom maior investimento correspondeao indicador social externo”.Dessa forma, a ABC considera queas usinas estão muito arraigadas àsexigências legais e não a um caráterempreendedor da cultura organizacionalvoltada ao investimento emáreas que vão além da obrigatoriedadecomum a todas as empresas.A Unica, maior representante dasusinas no País, acredita serem incoerentesessas afirmativas, pois os investimentosem valorização da comunidadesomam R$ 158 milhões, destinadosàs ações que ultrapassam a barreira dasexigências legais em responsabilidadesócio-ambiental. Esses investimentossão somente das empresas filiadas àUnica e não incluem as usinas das outrasregiões do País, no Nordeste, porexemplo, onde empresas de açúcar eálcool mantêm sítios de reservas ambientaise uma política de uso racionaldos recursos biológicos.CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 11


AÇÚCARMelhorespreços em 2009AUMENTO DA DEMANDA E DIMINUIÇÃO DA OFERTA DEVEMGERAR DÉFICIT EM 2009, BENEFICIANDO EXPORTADORESRhudy CrysthianOvolume de negócios continua fraco,mas de acordo com estimativas dosetor, os fundamentos do mercadovão pouco a pouco se consolidando,principalmente para o próximo ano. Issosignifica que cada vez mais se estabelece aidéia de que o mercado de açúcar terá preçosmelhores para 2009/2010. A estimativanão é nada exorbitante, mas o setor pode teruma remuneração mais justa, garantem especialistas.A expectativa é de que para os próximosdois anos-safra a demanda mundial de açúcarsupere a oferta. Isso devido à diminuiçãona produção da Índia, Europa e algumas regiõesdo Brasil. De acordo com dados da OrganizaçãoInternacional do Açúcar (OIA), com odeclínio na produção o montante ofertadoiria para 161,6 milhões de toneladas no anosafrade 2008-2009 e o consumo mundial seriade 165,5 milhões de toneladas no mesmoperíodo, segundo projeções. A estimativa daconsultoria é que o déficit deve aumentarainda mais no ano-safra de 2009-2010.Essa seria a segunda vez na última décadaque a produção de açúcar entraria em retração.Outras agências mundiais também prevêemuma redução na oferta de açúcar, comoa F.O Licht e a Sucden Karim Salamon.Essa última estima um déficit global de açúcarem 2009 de 1,3 milhão de toneladas,contra um excedente de 9,1 milhões de toneladasem 2008 e 8,5 milhões em 2007.Mas todas concordam que excedentes deprodução em 2007 e 2008 significam que arelação entre estoques e uso deve atingir umnível recorde no final de setembro de 2009,data do fim do próximo ano agrícola.Segundo a Sucden, foi revisada tambémpara baixo sua estimativa para a produção deaçúcar na região Centro-Sul do Brasil na safra2008/09, para 25,6 milhões de toneladas,ante previsão de 25,9 milhões e os 26,2 milhõesda temporada anterior. A agência explicaque a revisão foi feita com base em dadosdivulgados pela União da Indústria daCana-de-Açúcar (Unica), segundo os quais amoagem de cana na primeira metade deagosto caiu 21,5% em relação à segundaquinzena de julho.Mas calcula-se, também, que a disponibilidadede exportação do Centro-Sul deve subirem 2008/09, devido aos altos estoques depassagem, de 2 a 2,2 milhões de toneladas,provenientes de 2007/08. Segundo o economistaArnaldo Corrêa, a entrega de açúcareste ano mostrou como anda a demanda acurto prazo, principalmente no Centro-Sul."É muito açúcar sendo entregue, porque nãotinha ninguém pagando preço melhor".12 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


CANA-DE-AÇÚCARRotaçãosó traz benefíciosMELHORIA DA FERTILIDADE DO SOLO E INTERRUPÇÃO DOCICLO DE PRAGAS SÃO ALGUMAS DAS VANTAGENSA soja é a opção preferencial paracultivo na rotação da cana naRegião Centro-Oeste, obtendo-secom a leguminosa elevadosíndices de produtividadeEvandro BittencourtArotação de culturas em áreas de produçãode cana-de-açúcar é consideradaimprescindível para assegurar omanejo sustentável do solo. Além debenefícios ambientais e agronômicos, a práticatambém proporciona uma importante fonteadicional de receita.Adotada por ocasião da formação e renovaçãodos canaviais, a rotação é realizadanormalmente com o plantio de culturas deverão, notadamente a soja, na Região Centro-Oeste,e o amendoim, no Estado de SãoPaulo. Em regiões de topografia plana, compatívelcom a mecanização, sobretudo noCerrado, a prática é adotada anualmente emaproximadamente 17% da área cultivadacom a cana-de-açúcar.Na implantação e renovação de canaviaisda Usina Jalles Machado, localizada no municípiode Goianésia (GO), por exemplo, todas asáreas são aproveitadas para a rotação de culturas,afirma Rogério Augusto Bremm Soares,gerente corporativo agrícola. "As opções sãoa soja, preferencialmente, para a produção degrãos, e a crotalária, como adubo verde."A soja é plantada por terceiros e a crotaláriapela própria usina, explica Rogério Bremm."As duas culturas apresentam benefícios parao solo, para o ambiente e, conseqüentemente,para a cana-de-açúcar. A vantagem da soja éque normalmente se utiliza uma adubaçãomais reforçada, pois investe-se mais em fertilizantenesta cultura e o excedente desse aduboé depois aproveitado na cana-de-açúcar."Alem de contribuir para a sustentabilidadedo negócio, quando se entra com a soja ououtra cultura econômica na rotação agregaseuma nova fonte de ganhos. Para RogérioBrem, "mesmo que haja empate entre lucro edespesa a rotação ainda é um excelente negóciospara a cana."A rotação de culturas sempre foi bem vistae há diversos trabalhos de pesquisa comprovandosua eficiência, afirma Edgar de Beauclair,Coordenador Executivo do Pólo Nacionalde Biocombustíveis e professor da Escola Superiorde Agricultura Luiz de Queiroz(Esalq/USP). Beauclair diz que ela só não é realizada,normalmente, em áreas de alta declividade,por limitações operacionais e de custo."Nesse caso, é mais comum optar pelaadubação verde."De forma geral, reforça Edgar de Beauclair,a prática é recomendada em todas as áreas decultivo de cana-de-açúcar. "A rotação coincidecom o período em que a terra ficaria parada,entre o último corte e o plantio da cana,que é geralmente o período de culturas de ciclocurto, como soja, amendoim crotalária,mucuna e diversos tipos de feijão".14 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


Prática promove aumento da produtividade das culturasA rotação de culturas gera ganhos em produtividadeque variam de 10 a 15 toneladas de canapor hectare, quando se entra com a rotaçãocom soja ou crotalária, diz Rogério AugustoBremm Soares, gerente corporativo agrícola daUsina Jalles Machado. "A rotação é feita, emmédia, após o quinto corte, mas isso dependeda área e do manejo do canavial. Aqui temoscana que foi renovada com 12 cortes."Alexandro Alves dos Santos, assessor técnicopara a Área de Cana-de-Açúcar da Federaçãoda Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás(FAEG), diz que há experimentos com vários tiposde culturas em áreas de cana-de-açúcar,por serem estas muito férteis, o que proporcionaaltas produtividades nas culturas que sãoimplantadas no rotacionamento, tanto da sojaquanto do amendoim. "A cultura recebe adubaçãopesada por ocasião do plantio e, nas safrasseqüentes, adubações de cobertura.Além disso, prossegue, a cultura da cana proporcionaao solo grande produção de matériaorgânica, graças à incorporação da palhada."Em São Paulo, por exemplo, a produtividadechega a até 200 sacas de 25 quilos de amendoimpor hectare, enquanto a média brasileira deprodução do grão é de aproximadamente 100sacas por hectare."No caso da soja, como o incremento da produtividadeé bastante significativo, as áreas derotação se tornam preferenciais para os arrendatáriosou terceiros cultivarem o grão. NoCentro-Oeste brasileiro, por exemplo, onde hágrande expansão da área de cana-de-açúcar,nos próximos anos, com a necessidade de renovaçãodos canaviais, deverá haver incrementosignificativo da produção de grãos coma participação dessas áreas.No passado, lembra Alexandro, a rotação tinhaapenas um efeito terapêutico, ou seja, quebrarciclo de doenças e pragas, mas hoje ela jácomeça a ser vista como uma agregadora de valorà atividade foco, no caso a cana-de-açúcar.Em nível de teste, a Usina Jalles Machadotambém já experimentou outras culturas na rotaçãocom a cana, a exemplo do girassol. Na regiãosul de São Paulo, segundo Edgar de Beauclair,há a presença de hortaliças na rotaçãode culturas, principalmente tomate e batata,que também são muito úteis, embora os cultivosocupem áreas pequenas.CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 15


Cultivo de leguminosas ajuda aproteger o solo da erosão e levanutrientes para camada maisprofundas do soloBenefícios agronômicos da rotaçãoNas áreas de Cerrado, onde se dá a grandeexpansão da produção de cana, a planta estásendo cultivada em áreas de pastagensdegradadas. Ali se observa baixo teor de matériaorgânica no solo em profundidades superioresa 5 centímetros, observa Edgar deBeauclair. "Por esse motivo, a rotação passaa ser fundamental para o sucesso do cultivono Cerrado, pois ela leva nutrientes para essascamadas mais profundas."A região do Cerrado tem tradição noplantio de soja. Com mais de 15 milhões dehectares plantados com o grão, conta comtoda a estrutura de beneficiamento e comercialização,o que faz da oleaginosa a culturapreferencial para a rotação.A cana, por sua vez, já ocupa quase 1 milhãode hectares no Cerrado e para Beauclairé muito importante que a prática da rotaçãoseja sempre adotada.CONTROLE DE PRAGASAs melhores opções para a rotação emáreas de cultivo de cana são as leguminosas,pois elas fixam nitrogênio ao solo, proporcionandoa redução dos custos com a aplicaçãode fertilizantes. Além disso, destaca oprofessor Edgar de Beauclair, a prática fazcom que se elimine uma série de pragas,mais difíceis de controlar com a presença dacana-de-açúcar."Quando se tem uma invasão de folha estreitanum canavial, que também é uma folhaestreita, os herbicidas têm de ser muitoseletivos e algumas invasoras escapam."Quando se trabalha com uma cultura de folhalarga, como a soja, as ervas daninhas defolhas estreitas, inclusive as mais persistentes,podem ser mais facilmente controladas euma série de insetos e patógenos nocivos àcultura, causadores de doenças, também têmo seu ciclo interrompido, explica o professorda Esalq.Produção dealimentos e energiaA prática da rotação de culturas na canade-açúcaré também considerada importantepara derrubar o argumento de que a canacompete com a produção de alimentos, reconheceEdgar de Beuaclair. Para ele, a cana, hámuito tempo, também deixou de ser umamonocultura.O professor da Esalq ressalta que a produçãocanavieira pode ser integrada não apenas coma soja, amendoim e hortaliças, mas tambémcom o gado. "A usina Barralcool, no MatoGrosso, por exemplo, tem junto uma planta debiodiesel. Outras unidades que fazem rotação,em sua maioria, produzem soja, uma commodityque entra na cadeia alimentar humana eserve para a produção de proteína animal."Nos confinamentos bovinos, o bagaço entrana ração como volumoso. "Temos várias usinasque mantêm confinamentos de gado cujaração é à base apenas de subprodutos da cana,como a ponta da folha, a sobra do melaço,como fonte de nitrogênio, e o fermento, comofonte protéica, ou seja, toda a alimentaçãoapenas com o subproduto da cana."16 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


Crise não reduziráoportunidades no setorAs oportunidades profissionaisoferecidas pelo setor sucroenergéticonão serão abaladas pela crisefinanceira internacional. A afirmaçãofoi feita pelo assessor econômico daUnião da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Luciano Rodrigues."A crise financeira não atingirá osfundamentos do setor no médioprazo, portanto, oportunidadescontinuarão a surgir para aqueles quequiserem investir profissionalmentedentro do setor sucroenergético.Além das perspectivas para o etanolno cenário internacional, devido àbusca por alternativas para reduzir adependência do petróleo e mitigar osefeitos do aquecimento global, omercado doméstico se mostrou oponto principal da indústriabrasileira, alavancado principalmentepelo crescimento das vendas deveículos flex," afirmou. Os veículosflex, introduzidos no mercado emmarço de 2003, são responsáveis porcerca de 90% das vendas deautomóveis leves no País.Previsão é de aumento na demanda por etanolA Empresa de PesquisaEnergética (EPE) prevê que ademanda de etanol carburanteno mercado interno passe de 20bilhões de litros em 2008 para53 bilhões de litros em 2017,um crescimento de 165%. Ébastante expressivo. Se nósconsiderarmos que 75% doscarros "flex full"(bicombustíveis) usam etanol emais os 25% que têm de etanolmisturado à gasolina, nósvamos chegar em 2017 com80% de abastecimento dosveículos a álcool sendo supridospor etanol - afirma o presidenteda EPE, Maurício Tolmasquim.Tolmasquim disse que, emrelação à demandainternacional, a expansão dasexportações brasileiras tem sidoalavancada por fatos externos,como ocorre atualmente com aslegislações dos Estados Unidos eEuropa, que têm ampliado asmetas do uso debiocombustíveis. Nesse cenário,a expectativa é que o Brasil saiade um total de uma exportaçãode 4 bilhões de litros de etanolpara 8 bilhões de litros em2017, sendo o Japão o mercadomais promissor no momento.O Inmetro e acertificação deBiocombustíveisO Programa Brasileirode Certificação deBiocombustíveis doInmetro tem a meta deajudar o etanol e o biodieselbrasileiros a serem maiscompetitivos e aindavalorizar a imagem dobiocombustível nosmercados interno e externo.Os dispositivos formais doRegulamento de Avaliaçãoda Conformidade paraEtanol prevê normas,critérios e indicadoresrelacionados às áreas social,ambiental, trabalhistae de produção. São aindarequeridos para as usinascritérios mínimos contidosnas Normas Brasileirasde Regulamentação(NBR ISO 9001, 14001 e16001), da AssociaçãoBrasileira de NormasTécnicas (ABNT).CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 17


PRAGASManejo pode reduzir custosMONITORAMENTOCONSTANTE DAÁREA AGRÍCOLAPERMITE CONHECERA FLORA DE PLANTASDANINHAS, O QUEAJUDA A TOMAR ASDECISÕES MAISEFICAZES EECONÔMICASRhudy CrysthianReduzir custos de produçãoé o principal desafio dequalquer produtor hoje.Alguns dos principais responsáveispela variação desse itemnas lavouras estão relacionados aomanejo na aplicação de herbicidase controle de pragas. Para efetuarum manejo eficiente, o produtorprecisa conhecer sua área e realizarum monitoramento constante. Ummanejo adequado pode resultar ematé 20% de economia com a aplicaçãode herbicidas em uma unidadede produção agrícola.O Pesquisador e Extensionista daEsalq - USP - Área de Biologia e Manejode Plantas Daninhas, PedroChristoffoleti, explica que manejode plantas daninhas em cana é ajunção, basicamente, de três aspectos.São eles a utilização de herbicidas,o aspecto ambiental e a viabilidadeagronômica. Christoffoletitambém é mestre em agronomia ePh.D. em plantas daninhas e contaque o aspecto econômico é levadoPedro Christofoleti, pesquisadorda Esalq/USPfotos: esalq/divulgaçãoem consideração em primeiro plano,com a intenção de reduzir custos.Mas ele alerta que é necessárioobservar o nível de infestação deplantas daninhas, o que está ligadoao banco de sementes existente nosolo. "O produtor precisa conhecera flora daninha que existe na áreapara, em algumas situações, utilizarprodutos economicamente maisbaratos ou até deixar de aplicarherbicidas".Ele afirma que reduzir custos dependede muitos aspectos técnicoagronômicos,bem como conhecimentosde sistema de produção eda biologia da planta daninha. "Oprodutor precisa saber quando e emque situação ela germina, além deavaliar se a planta daninha vai causarcompetição com a cana".BANCO DE SEMENTESSegundo o pesquisador, o principalproblema é a produção de sementesde plantas daninhas que, conseqüentemente,vai servir de base para aumentara população nos anosseguintes, o que gera a necessidadede reaplicação de mais herbicida.Os herbicidas podem ser usadosem duas situações nesses casos. Antesda emergência da planta daninhaaplica-se o produto no solo, assima planta o absorve e é controlada,mas nessa situação é preciso saberqual espécie de planta daninhaexiste na área através do monitoramento.O outro momento é na horada emergência. Espera-se a plantaemergir para avaliar a espécie e assimdecidir qual herbicida aplicar.Rotação ajuda no controle de plantas daninhasCrotalária é opção de aduboverde indicada para reduzirgastos com a adubaçãonitrogenadaA rotação de culturas quebra ociclo biológico da planta e evitaque algumas espécies se especializemem cana-de-açúcar. Segundoo pesquisador Pedro Christoffoleti, da Esalq - USP, isso significaque o produtor vai ter uma menorinfestação, menor exigência decontrole e uma possibilidade deusar produtos mais baratos, demenor eficácia e maior diversidade."Isso permite misturar herbicidas,uma prática usual, que melhoraa aplicação seqüencial doproduto. Sem contar com a melhoradas propriedades químicasdo solo, esclarece.Ele conta que a cultura mais utilizadana rotação é a soja e adubosverdes, como a crotalária e a mucuna-preta,plantas que têm a finalidadede fixar e fortalecer o nitrogêniono solo. "O nitrogênio é essencialpara a cana e quando fornecidopor adubação química é muito caro.A rotação possibilita esse retornoa um custo bem menor".18 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


Palha ajuda a reduzir custos com herbicidasCorda-de-viola: Invasora daslavouras de cana-de-açúcarSegundo Pedro Christoffoleti,pesquisador da Esalq - USP, a palhareduz a infestação de plantas daninhas,mas desde que seja em grandequantidade, algo em torno de 10 a15 toneladas de palha. Nessa situação,o nível de infestação é bemmenor que na cana queimada. Porém,ele esclarece que, mesmo nessasquantidades, existem algumasplantas que conseguem transpor apalha e emergir em baixa freqüência.Entre elas estão a corda-de-viola,amendoim bravo e outras."Onde se tem grande quantidadede plantas daninhas ocorreuma mudança da flora. O cenáriomigra de alta infestação de gramíneasmisturadas com folhas largaspara infestação de folhas largasnas áreas de cana colhida crua".Ele conta que a grande dificuldadena situação de palha com herbicidaspré-emergentes é que elesprecisam atingir o solo. Por isso,devem ser escolhidos produtosque têm maior capacidade de suportaressa condição de luz e temperaturasobre a palhada.Existem ainda casos de áreas compalhada em que não há necessidadede aplicação de herbicidas. Sãoáreas onde o nível de infestação ébaixo e a quantidade de palha égrande. Nessa situação seria necessáriaapenas uma catação, ou seja,aplicação dirigida para o controle dealgumas ervas que consigam atravessara palha.CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 19


Aluguel é alternativa à aquisição de máquinasUma alternativa para as usinas realizarem as operaçõesno campo sem precisar investir em equipamentosé a locação de máquinas. Se na terceirização a empresaou o "terceiro" executa o serviço, quando se loca, aatividade agrícola é executada pela própria usina, utilizandoa máquina alugada.“Nosso negócio é o aluguel corporativo com contratosde cinco anos, em que fornecemos toda a manutençãoe o equipamento fica em poder do cliente duranteo ano inteiro. E a cada cinco anos nós trocamos amáquina antiga por uma nova", exemplifica AlmiroSantana, gerente de locação de uma empresade máquinas agrícolas.Ele afirma que a principal vantagem para ocliente é que ele não tem gastos com manutençãodas máquinas, apenas com o combustívele o operador. Geralmente, todos oscustos de manutenção já estãoinclusos no valor do aluguel,com exceção das manutençõescorretivas por falhas deoperação, ficando a cargo dolocatário somente as manutençõesdiárias, como lubrificaçõese limpeza, entre outros.Esse sistema é vantajoso para a empresaporque permite que se alugue somente quandoprecisa, não tendo de arcar com custos fixos, e os equipamentosalugados podem complementar uma atividade,evitando desperdício ou alavancando a eficiência,desde que se aproxime do custo próprio.De acordo com a representante da Associação Brasileirada Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),Elen Melissa, alugar máquinas é vantajoso paraambas as partes. "Mas é preciso lembrar que é um outrosegmento distinto de se produzir e comercializar.Exige uma estrutura diferenciada, bastante técnica,pois não são somente aluguéis de máquinas, mas simexecução de serviços", lembra.Ela afirma que em momentos de crise a terceirizaçãose mostra como uma boa alternativa de viabilidadedo negócio, pois é uma forma de continuar aprodução, mantendo os funcionários ativos e comum novo negócio.Mas alerta que contrato de prestação de serviços nãopode ser de curto prazo, pois pode inviabilizar o negócio."Deve ser de cinco anos, no mínimo, e o ideal é ter umalocação a mais racional possível, para não ficar comequipamentos ociosos. As empresas de bioenergia estãocada vez mais preocupadas em produzir com custo menorseu produto final. Estão investindo pesadamente,inclusive, dentro da fabricação (indústria), incluindo amanutenção dos equipamentos, e procurando utilizarterceiros para produzir sua matéria-prima".CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 21


Um obstáculo chamado CTNBioEmpresas e institutos de pesquisareclamam da resistência aos transgênicospor parte de órgãos autorizativosbrasileiros, principalmente aComissão Técnica Nacional de Biossegurança(CTNBio). Desde a criaçãodo órgão, em 2005, foram aprovadasliberações comerciais de transgênicoscomo a soja RR, resistente à pesticida;o algodão BT e BT1, resistentea insetos; e o milho BT, resistente aoherbicida glufosinato de amônio.A entidade explica que a demoranas aprovações de novas variedadesocorrem porque as decisões precisamser ratificadas pelo Conselho Nacionalde Biossegurança, criado paraexaminar o assunto pelos ângulos daconveniência e oportunidade socioeconômicae do interesse nacional.Segundo a assessoria da CTNBio, entrea aprovação de uma variedadetransgênica pela entidade e sua chegadaao mercado pode transcorrerum prazo de cerca de dois anos - foraas dificuldades jurídicas.Pesquisadores afirmam que apósa liberação da CTNBio ainda são necessáriosconcluir todos os testes decampo, bem como mais testes comprodutores, para depois obter liberaçãocomercial. Eles dizem que essatecnologia é decisiva para o Brasilcontinuar como principal exportadormundial de açúcar e de etanolno futuro.VARIEDADES EM TESTE Resistente a bactéria Leifsonia xyli Resistente ao fungo-do-carvão Livre do vírus do mosaico Variedade com aumento da sacarose Gene que combate fungos Planta resistente ao glifosato(herbicida que elimina plantas invasoras) Plantas com capacidade de matarinsetos agressores (sem o uso de inseticida) Variedade mais resistente à seca Resistente à broca gigante Cana-de-açúcar como bioreator,capaz de produzir compostos químicos deinteresse para a indústria farmacêuticaCANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 23


Terminou o impasse. A Agência Nacional deEnergia Elétrica (ANEEL) promoveu no fimde novembro um leilão que finalmente definiuas instalações de conexão das usinas de biomassa.Com deságio médio de 16,15%, as 36 linhase 22 subestações foram arrematadas porempresas e consórcio do Brasil e da Espanha emsessão pública conduzida pela BM&FBovespa.As concessões leiloadas destinam-se à construção,operação e manutenção de aproximadamente2 mil quilômetros de novas linhas detransmissão e 22 subestações integrantes da RedeBásica, das Instalações de Transmissão de InteresseExclusivo das Centrais de Geração paraConexão Compartilhada (ICG) e das Instalaçõesde Interesse Exclusivo e de Caráter IndividualBIOELETRICIDADEConcessões definidasdas Centrais de Geração (IEG).As instalações de transmissão irão conectar 27usinas de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas(PCHs) dos Estados de Goiás e Mato Grossodo Sul ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Osempreendimentos deverão entrar em operaçãoem 18 meses, após a assinatura dos contratos deconcessão. Os investimentos totais para a construçãodas linhas estão estimados em R$ 1 bilhão.Na avaliação do consultor de bioeletricidadeda União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica)e vice-presidente da Associação Paulista deCogeração de Energia (Cogen-SP), Carlos RobertoSilvestrin, a bioeletricidade ganhou umimportante avanço com a solução do acesso econexão à rede de transmissão.MATÉRIA-PRIMAOferta de canacresce em 2009/10As usinas do Centro-Sul do País deverãoprocessar na próxima safra, a 2009/10,520 milhões de toneladas de cana. Se confirmadasas estimativas, será um crescimentode 8,3% sobre o ciclo anterior, de 480 milhõesde toneladas, de acordo com a consultoriaDatagro, em sua primeira previsão desafra para o próximo ciclo. No Brasil, a moagemem 2009/10 deverá ser de 588 milhõesde toneladas, alta de 7,6%.A consultoria estima que a moagem poderiaser ainda maior, uma vez que há maiordisponibilidade de matéria-prima nos canaviais.No entanto, cerca de 40 milhões de toneladasde cana deverão ficar em pé em2009/10, o mesmo volume previsto para esteatual ciclo, 2008/09. "Se não fosse o atualcenário (de crise financeira global), a produçãode cana para 2009/10 superaria os600 milhões de toneladas", disse Plínio Nastari,da Datagro.Para 2009/10, a produção de açúcar noBrasil será de 32,9 milhões de toneladas, altade 8,4% sobre o ciclo anterior.24 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008


PALAVRA DO ESPECIALISTAAdubação alternativaDevido à alta dos preços dosfertilizantes, os produtoresde cana-de-açúcar estão buscandoalternativas mais econômicasde adubação em suas áreas de produção.Com os preços dos produtos oriundosda cana em baixa, arcar comos custos de produção tem sido complicado.Para não reduzir na dosagemde aplicação, muitos têm investidona adubação orgânica.O setor sucroalcooleiro enfrentagrandes dificuldades para equilibrarcusto e manter a produtividade. NoEstado de São Paulo, por exemplo,após uma safra inteira com açúcar eálcool em baixa e o adubo em alta, osetor resolveu aderir, em grande escala,ao uso de dejetos de frango paraadubar os canaviais. O dejeto defrango é um dos compostos mais ricosem nutrientes e, por isso, sua utilizaçãose torna interessante.O produto possui 68% de matériaorgânica, pH básico e teores consideráveisde macro e micronutrientes degrande importância agronômica. Aeconomia estimada é em torno de50% em relação ao uso de fertilizantemineral. O dejeto utilizado não éaplicado in natura. Primeiro passapor um processo de compostagemantes de ir para a lavoura. Esse processo- feito com torta de filtro (resíduosque vêm do campo junto à canacolhida) - ameniza o odor dos dejetosde frango.Com a adesão de grande parte dosusineiros paulistas e, conseqüentemente,uma maior procura pelo produto,o preço deste insumo natural jáA alta dos preços defertilizantes mineraistambém fez aumentaro uso de fertilizanteslíquidos devido,principalmente,ao menor custose encontra em alta. O valor pago pelatonelada aumentou em 30% doinício do ano para cá e, agora, custaem torno de R$ 150 por tonelada noEstado de São Paulo.Em Goiás, o preço da tonelada variaconforme a localidade e a formade obtenção. Na região de Rio Verde,por exemplo, a cama de frango é comercializadana faixa de R$ 70 a R$85 a tonelada. Já na região de Piresdo Rio é vendida entre R$ 90 e R$150. A cama de frango mais cara étambém mais rica em nutrientes, especialmenteem nitrogênio.Para grande parte dos grupos usineirosque possui unidades em Goiáse, que já faz uso em unidades de outrosEstados, a expectativa é de queessa prática seja adotada de formamais ampla. Mas para isso, um problemadeve ser considerado. Nãoexiste uma boa distribuição logísticade granjas de aves em Goiás.Elas estão mais concentradas empólos de produção onde há indústriasde processamento de produtosavícolas, como Itaberaí, Rio Verde eJataí. Regiões que estão ainda em faseinicial de suas atividades sucroalcooleiras.Com isso, o frete poderia,em alguns casos, até inviabilizar ouso do esterco de galinha, especialmentenas regiões de grande expressividadena produção de cana e longedesses pólos de produção de dejetosde frango.A economia trazida pelo uso doadubo orgânico evidenciou a preocupaçãoem se buscar alternativas parabaixar os custos de produção. Tradicionalmente,esse tipo de produto éutilizado em larga escala na horticulturae na cafeicultura e observamosque o nicho de comercialização doproduto tem migrado para outrasculturas como a cana-de-açúcar.A alta dos preços de fertilizantesminerais também fez aumentar ouso de fertilizantes líquidos devido,principalmente, ao menor custo deaplicação. Como é o caso da misturado adubo mineral à vinhaça, chegandoa uma economia de 10% a 20%em relação ao método de aplicaçãotradicional.Sem dúvida, a prática da adubaçãoorgânica, inclusive com a utilizaçãode outros materiais, será largamenteutilizada na agriculturacomo um todo.Trata-se de uma prática viável, tantodo ponto de vista econômicoquanto do técnico e, com certeza,tende a crescer com o passar do tempo.Principalmente, pelo fato de quenão há perspectivas de baixa no preçodos fertilizantes minerais e dianteda tendência de os custos de produçãocontinuarem aumentando.Alexandro Alves, é engenheiroagrônomo e assessor técnico para a áreade cana-de-açúcar da Federação daAgricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008 25


Lula conhece caldeiras debiomassa da EquipalcoolA 1ª Exposição Internacional SobreBiocombustíveis, realizada no mês passadoem São Paulo, teve a Equipalcool Sistemas,de Sertãozinho, como um dos destaques. Aempresa é uma das maiores especialistasem caldeiras da América Latina e trabalhacom equipamentos exclusivamentemovidos à biomassa. Na exposição, aEquipalcool atraiu a atenção do presidenteLuiz Inácio Lula da Silva, que, em visita aoestande, pôde conhecer as ações em prol dasustentabilidade focadas pela empresasertanezina. "A Equipalcool sempreesteve preparada para atuar comtecnologia de ponta e respeito ao meioambiente", enfatiza a gerente demarketing, Alessandra Bernuzzi.A&S Máquinas passa a atuartambém em Minas GeraisA empresa A & S Máquinas, concessionáriaKomatsu para os estados de Goiás, Tocantins eDistrito Federal, é agora revendedora tambémpara Minas Gerais, um dos maiores mercados demáquinas pesadas do país. O diretor da empresaAlvicto Ozores Nogueira, o Kaká, informa que aA & S já tem negócios em Minas. SegundoAlvicto, das 620 máquinas, entre os modelos pácarregadeira, escavadeiras, motoniveladoras etratores de esteira, vendidas em Goiás,Tocantins e Distrito Federal, em 2008, quase ametade foi comercializada pela revendaKomatsu. O novo produto da empresa são asempilhadeiras. Alvicto acredita que, apesar dacrise, as obras de infra-estrutura, a produção debioenergia e demais atividades agrícolasmanterão o mercado de máquinas aquecido,além de irrigar a economia.Cotril inaugura novasede em GoiâniaDepois de mais de duas décadas naAvenida Independência, em Goiânia(GO), a Cotril Máquinas mudou paranova sede, na Avenida Perimetral Norte.Há 43 anos no mercado, 40 deles emGoiás, a empresa tem priorizado sempreo melhor atendimento, em espaços bemposicionados. "A nossa nova casarepresenta a força que temos e outrasconquistas que queremos ainda alcançar",afirma o Diretor Comercial do GrupoCotril, Domingos Pereira de Ávila Jr.ANew Holland - Construction, marcamundial da Fiat Group, possui máquinasque atendem as múltiplas demandas dossetores de construção civil e rodoviário,locação, indústria, extração mineral,usinas sucroalcooleiras e agricultura.ACotril Máquinas, com filiais em VárzeaGrande (MT), Palmas (TO),Araguaína(TO) e Brasília (DF), oferece tambémesses equipamentos.Ações ambientais da Smarreconhecidas pelo Ceise BrO diretor de marketing da Smar,César Cassiolato, recebeu o Certificadode Empresa Parceira do MeioAmbiente, destinado às empresas eindústrias que apóiam o projetodesenvolvido pelo Departamento deResponsabilidade Ambiental (DRA) doCeise Br. A Smar é uma destasempresas que firmaram o compromissode se adequar aos requisitos necessáriospara obter o Selo de ResponsabilidadeAmbiental. O evento foi realizado noAuditório do Centro EmpresarialZanini, no dia 26 de novembro.26 CANAL, Jornal da Bioenergia - DEZEMBRO 2008

More magazines by this user
Similar magazines