12 energia - Canal : O jornal da bioenergia

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12 energia - Canal : O jornal da bioenergia

ENTREVISTA - Alexandre Strapasson,Diretor do Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da AgriculturaHora de retomar o crescimentoEM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO CANAL, ALEXANDRE STRAPASSON DESTACA ASINICIATIVAS DO GOVERNO PARA TRANSFORMAR O ETANOL NUMA COMMODITYEvandro BittencourtAlexandre Strapasson é EngenheiroAgrônomo formadopela Universidade Federal doParaná (UFPR), com pós-graduaçãoem Economia e Administraçãopelo Instituto Francês do Petróleo (IFP),em Paris, e Mestrado em Energia pelaUniversidade de São Paulo (USP). Entresuas experiências profissionais trabalhouno Ministério do Meio Ambiente,como consultor do Programa das NaçõesUnidas para o Desenvolvimento(PNUD), no setor privado e em organizaçõesnão-governamentais, comdestaque para as áreas de energia emeio ambiente. Atualmente, é diretordo Departamento de Cana-de-açúcare Agroenergia do Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento(Mapa) e Presidente da Câmara Setorialdo Açúcar e do Álcool, sendo responsávelpela gestão de políticas públicasvoltadas ao desenvolvimentosustentável dos biocombustíveis.O que o setor de biocombustíveispode esperar desse cenário que, noBrasil, já é chamado de pós-crise?O setor está passando por um períodode retomada, de recuperação.Os preços do açúcar e do álcoolderam um novo fôlego para osetor, que passou por momentosdifíceis nos últimos anos, por contados baixos preços dos produtose da crise internacional. Além disso,os fundamentos macroeconômicosdo setor são muito positivos.O consumo de etanol tende a continuarcrescendo no Brasil, o mercadointernacional tende a se abrirgradualmente, não só no curtoprazo, mas a médio e longo prazostambém.Quais as perspectivas, em curtoprazo, para o etanol e o açúcarbrasileiros?No curto prazo, o grande propulsordo programa de etanol vai sero mercado doméstico, com os veículosflex-fuel. O açúcar tem ummercado internacional, pois o consumodoméstico de açúcar já estáO Brasil já ocupa mais de 50% domercado internacional de açúcar eé o grande player internacionalpraticamente estável. O mercadointernacional continua crescendo,principalmente pelo aumento dademanda de açúcar pelas economiasemergentes. Países comoChina e Índia estão aumentando oseu consumo de açúcar, poisquando um país aumenta a suarenda per capita há um aumentotambém do consumo de açúcar. OBrasil já ocupa mais de 50% domercado internacional de açúcar eé o grande player internacional.Como esses dois cenários são bastantepositivos, há realmente umatendência de crescimento do setorpara os próximos anos.O senhor acredita que, para aproveitaresse bom momento do mercadode açúcar, pode haver um direcionamentoexcessivo das indústriaspara esse produto?As usinas já estão direcionandomais a produção para o açúcar.Mas há um limite técnico para issotambém. As indústrias têm um direcionamentoindustrial específico.Hoje, se pegarmos a produção brasileirade cana-de-açúcar, 55% sãodestinados à fabricação de etanol e45% estão indo para o açúcar. Nasafra anterior foi 58% para o álcoole 42% para o açúcar, ou seja,houve uma mudança no mix deprodução, mas as usinas têm umgrande volume de cana e são obrigadasa produzir os dois. Há umaopção, direcionada pelo mercado,mas não acredito em excesso.Temos visto, todos os anos, períodosem que o etanol deixa de sercompetitivo em relação à gasolinana maior parte dos Estados brasileiros.Por qual razão os preços, esteNiels Andreasano, subiram em plena safra?O mercado, cada vez mais, é autoreguladopelo consumidor. Há oetanol, a gasolina e uma relaçãomuito forte entre esses dois produtos.O consumidor opta entre umproduto e outro dependendo dopreço ou por algum outro fator dedecisão, como a motivação ambiental.Quando se tem uma menoroferta de produto o preço aumentae ocorre essa regulação, que é oque está acontecendo agora.A incidência de chuvas que temocorrido na Região Centro Sul nosúltimos meses foi muito acima damédia, basta analisar os dados depluviosidade para ver que a quantidadede chuvas que teve em setembro,outubro e novembro foimuito superior a do ano passado ea outros anos. Isso atrapalhou acolheita, diminuiu a moagem e reduziua concentração de açúcar nacana. Além disso, quando há muitachuva, leva-se muita impureza paraa indústria também.Essa situação impactou a ofertanesse período e, por isso, ocorre,imediatamente, o aumento dospreços, até porque há aumento docusto de produção. Isso faz comque, em algumas praças, o etanoltenha paridade com a gasolina e oconsumidor acaba consumindogasolina.E o que pode ser feito para atenuaressas oscilações?O etanol tem de ter uma comercializaçãomaior em mercado debolsa e em mercado de futuro, poisassim diminui essa volatilidade depreços. Para isso há um longo trabalhoa ser feito. Na última sextafeira(13 de novembro) nós publicamosuma Instrução Normativaque vai possibilitar a criação deuma empresa de comercialização,ou seja, uma empresa que opereentre a usina e a distribuidora. Elapode fazer compra, venda e estoquede etanol. São mais atores nomercado dando maior liquidez.E como o senhor avalia a estocagemdo etanol no Brasil?04 CANAL, Jornal da Bioenergia


Ferrugem laranja nacana-de-açúcarA ferrugem laranja é uma daspragas que mais ameaçam acultura da cana-de-açúcar,gerando elevados prejuízos.Segundo o Ministério daAgricultura, Pecuária eAbastecimento já foraminvestidos R$ 1 milhão emprojetos de controle de pragas nacana-de-açúcar, inclusive naprevenção da ferrugem laranja.No total, R$ 120 milhões estãosendo aplicados em estudos etrabalhos de defesa agropecuária,nas áreas animal e vegetal, pormeio do Conselho Nacional deDesenvolvimento Científico eTecnológico (CNPq). A ferrugemainda não foi detectada emcanaviais brasileiros, mas jácausou danos às plantações naNicarágua, Estados Unidos eAustrália. Segundo estudostécnicos, uma medida estratégicapara conter a ferrugem é adiversificação do plantio, comlimite máximo de 15% de áreapor variedade plantada noscanaviais.Jalles Machado poderá produzir diesel de canaA Jalles Machado foi escolhida poruma empresa dos Estados Unidospara possível implantação detecnologia inovadora e poderáproduzir diesel a partir do caldo decana já em 2010.A Usina recebeu,emoutubro,representantes da LS9Incorporation,especializada nodesenvolvimento de combustíveisrenováveis com a utilização derecursos da Biologia Sintética.A LS9,localizada em São Francisco –Califórnia,criou um novo processopara a fabricação de diesel e buscauma parceria inédita no Brasil para aconcretização do projeto.Pesquisadores da LS9 descobriramuma forma mais simples,que requermenos investimentos e oferece maiorprodutividade e rentabilidade do queos processos conhecidos.Elesmodificaram geneticamente umabactéria inofensiva,que existe nanatureza há cerca de 2 milhões deanos.Esse microorganismo consomeos açúcares contidos no caldo da canae libera bagaço,gás carbônico e odiesel pronto para o consumo.Dessaforma,não é necessário destilar,pois jáse obtém o produto na fase defermentação.Assim,a produção dessecombustível se torna menoscomplexa do que a de etanol,porexemplo.O presidente da LS9,BillHaywood,mestre em negócios pelaUniversidade Harvard e com mais de30 anos de experiência em refino depetróleo e marketing de combustíveis,ficou entusiasmado com o possívelacordo entre LS9 e Jalles Machado.São Martinho investe para produzir mais açúcarTributação simplificadaAs indústrias do setorsucroalcooleiro de Minas Geraisganharam, com o decreto 45.204,publicado dia 28 de outubro, noDiário Oficial do Estado, umaforma simplificada de tributação."Será um crédito presumido deICMS em que, na apuraçãocontábil, considerando que todas asindústrias que fizeram regimeespecial com o Estado, terão créditode 2,5%", afirma o subsecretárioda receita estadual PedroMeneguetti.Safra 2010/2011começará em marçoA safra sucroenergética vai até ofinal de dezembro por causa doatraso na colheita provocado peloelevado índice de chuvas. Segundoo presidente da União da Indústriade Cana-de-Açúcar (Unica),Marcos Jank, a safra 2010/2011deverá começar um mês mais cedo,em março, porque há a expectativade sobra de 50 milhões de toneladasde cana desse ano para o outro.O Grupo São Martinho vai investirR$ 18 milhões para ampliar suaprodução de açúcar na safra 2010/2011.O aporte financeiro, que será feito nasusinas São Martinho e Iracema, vaipermitir a produção de 24% maisaçúcar na próxima safra, totalizando840 mil toneladas. Segundo opresidente da companhia, FábioVenturelli, esse aumento deflexibilidade facilita a organização daprodução, pois é possível adaptar aoferta conforme a demanda do mercadoe o comportamento dos preços.fotos: divulgaçãoPINHÃO MANSOCongresso enfoca avanços das pesquisasOprimeiro Congresso Brasileiro de Pesquisacom Pinhão Manso foi realizado em novembro,no Distrito Federal, e reuniu mais de 400 participantes,que debateram o estado da arte destaoleaginosa, enfocando os avanços científicos e asnecessidades legais e políticas para inserção do pinhãomanso como matéria-prima para a produçãode biocombustível.O evento recebeu representantes de todos osEstados brasileiros e de oito países. Mais de 240trabalhos foram inscritos, dos quais 203 foramselecionados para apresentação e reproduçãoem CD-ROM. "Este resultado se deve à construçãocompartilhada de uma agenda com informaçõesbaseadas em dados e resultados de pesquisas",enfatizou Frederico Durães, chefe geralda Embrapa Agroenergia.Na abertura do congresso o ministro da Agricultura,Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes,afirmou que o pinhão manso é a matéria-primado futuro para atender o biodiesel, porém destacoua falta de dados de pesquisa mais concretos.Para Alessandro Berti, engenheiro da NóvabraEnergia Es AS, empresa de produção de energiasrenováveis, localizada na Itália, os trabalhos docongresso, considerando o curto prazo das pesquisas,foram bons em relação aos que já participouna Europa com a mesma temática. "Os dados discutidose apresentados ainda são preliminares. Masacredito que haja boas perspectivas para os próximoseventos", salienta.Já para o pesquisador Luiz Fernando Campuzano,da Corporación Colombiana de InvestigaciónAgropecuaria-Corpoica, a expectativa foi ver osresultados de pesquisa no Brasil, com dados. "Foisatisfatório. Esperávamos mais dados, mas entendemosque os trabalhos são recentes".O representante da Associação Brasileira dosProdutores de Pinhão Manso, o técnico LucianoPiovesan, disse que ficou muito satisfeito com osresultados obtidos no congresso e mostrou-se dispostoa ampliar as parcerias entre os produtoresdo fruto e as instituições de pesquisa para apressare consolidar a utilização da oleaginosa comomatéria-prima para obtenção do biodiesel.Para Napoleão Beltrão, chefe geral da EmbrapaAlgodão, o evento foi oportuno para que seconheçam os trabalhos de pesquisa com a plantaque estão sendo feitos no País. Beltrão ressaltaque as pesquisas estão em andamento e osdados ainda são preliminares para serem transferidosaos produtores, mas destaca que o pinhãomanso tem grande potencial para atender a cadeiado biodiesel.06 CANAL, Jornal da Bioenergia


PESQUISAGeração de energia a partir dedejetos de animaisBábara LauriaOBrasil possui a tradição de utilizar fontes renováveisde energia, com destaque para a energiahidroelétrica, que é responsável por 80% de todaeletricidade consumida no País, seguida peloetanol. Mesmo assim, possuímos outras fontes deenergia que não são tão aproveitadas como, por exemplo,a biomassa, dejetos de animais e outros resíduosdiversos da agroindústria.Buscando uma maior exploração dessas outras fontes,o engenheiro agrícola Carlos Henrique Freitas iniciou, emjulho de 2006, um experimento em unidade piloto que jáestá em operação na Universidade Estadual Paulista(Unesp). "Estamos analisando rendimento, produção e viabilidadeeconômica. Recentemente iniciamos trabalhode avaliação de desempenho". Segundo ele, os resultadosobtidos até agora comprovam a viabilidade técnica eeconômica da cogeração de energia a partir dos dejetosresultantes da criação comercial de aves e suínos.08 CANAL, Jornal da Bioenergia


Os criatórios de suínos e avesgeram um volume diário considerávelde dejetos, que são compostosorgânicos de alto teorenergético, ricos em matéria orgânica.Estes dejetos são frequentementeutilizados como fontesde adubação de forragens. Porém,quando aplicados sem tratamentopassivo ambiental, aumentamo potencial de poluição. As aplicaçõesde dejetos diretamente nanatureza, sem os devidos tratamentosambientais, promovem aliberação de gases de efeito estufa.No entanto, com a intervençãodos biodigestores, a geração degases pode ser reduzida em até80%, afirma Carlos Henrique.Com a necessidade de reduziro impacto ambiental é precisobuscar a exploração defontes energéticas alternativas.O aproveitamento da biomassae de pequenos potenciaishidráulicos são economicamenteviáveis, em determinadascondições, para as atividadesagrícolas.fotos: stock.xchngCANAL, Jornal da Bioenergia 09


COMO SERÁ GERADA A ENERGIAA energia será obtida a partir do biogás geradopor dejetos da suinocultura e avicultura. Esseprocesso será feito com a utilização do motor decombustão interna convertido para o biogás eacoplado a um gerador elétrico. O processo degeração de energia é semelhante em ambos oscasos. Porém, na produção de gás metano pormeio de dejetos de suínos, é necessária maiorquantidade de água, enquanto que, com dejetosprovenientes de aves, utiliza-se menor quantidadede água.ECONOMICAMENTE VANTAJOSOOs dejetos são importantes matérias-primaspara produção de biogás, um combustível semelhanteao gás natural que pode ser convertidoem energia elétrica, térmica ou mecânicadentro da própria propriedade, reduzindo oscustos de produção.O valor da energia gerada por fontes renováveisapresenta o melhor preço. "A princípio, o custo deinstalação é significativo, no entanto, ao longo dotempo, o custo da energia é baixo, o que remunerade forma positiva o empreendimento. Todos osnossos clientes que implantaram sistemas de cogeraçãode energia em suas propriedades estãoampliando a capacidade de geração e aproveitamentoda biomassa total."O engenheiro Carlos Henrique alerta que, parater um melhor desempenho econômico, é necessáriaa contratação de uma empresa experientee com tradição no segmento de cogeraçãode energia. Somente técnicos com experiêncianesta área são capacitados a projetar e instalaros equipamentos de forma adequada.Ele diz ainda que as propriedades que dispõemde excedente de dejetos podem utilizá-lospara cogeração de energia e, posteriormente,aplicar na agricultura. O retorno do investimentovai depender da capacidade de geração deenergia e a dimensão do equipamento, ocorrendoentre um a dois anos.fotos: divulgãoMEIO AMBIENTEEmbora o Brasil ocupe posição de destaque nageração e utilização de energia a partir de fontesrenováveis, do ponto de vista tecnológico aindaexistem inúmeras barreiras a ser superadas. Osdejetos expelidos por aves e suínos degradam omeio ambiente e o desenvolvimento do experimentotem a função de fortalecer ainda mais aideia de aproveitar recursos renováveis para apreservação do meio ambiente.O biogás, composto por uma mistura de gasesque tem sua concentração determinada pelascaracterísticas do resíduo e as condições de funcionamentodo processo de digestão, é constituído,principalmente, por metano (CH4) e dióxidode carbono (CO2). Geralmente apresenta em tornode 65% de metano, o restante é composto,na maior parte, por dióxido de carbono e algunsoutros gases, como nitrogênio, hidrogênio e monóxidode carbono, entre outros.O gás metano, por sua vez, é um dos grandesresponsáveis pela poluição do meio ambiente edestruição da camada de ozônio. Com a difusãodo aproveitamento econômico desses gases, aredução do impacto causado à camada de ozônioserá intensificada.10 CANAL, Jornal da Bioenergia


PETROBRASBiocombustível mobilizaagricultores familiares no PiauíAPetrobras Biocombustível, emparceria com o Ministério do DesenvolvimentoAgrário, promoveu,em São Raimundo Nonato, no Piauí,o Encontro de Mobilização para a Safra2009/2010. O evento, que está emsua terceira edição, reuniu produtoresde oleaginosas e entidades representativasdo Estado. O primeiro encontrofoi em Montes Claros (MG) e,o segundo, em Irecê (BA). Os eventosincentivam os agricultores familiaresdas regiões, onde a Petrobras atua, aproduzir oleaginosas, como mamonae girassol, dentro do programa de suprimentode matéria-prima para aprodução de biodiesel.De acordo com o diretor de SuprimentoAgrícola da Petrobras Biocombustível,Jânio Rosa, a produção de biodiesel incluios agricultores familiares na agendaenergética do século XXI. "Hoje, no Piauí,existem cerca de 420 contratos paraplantação de oleaginosas. Até a próximasafra teremos um aumento significativo,chegando a mais de dois mil", informouo diretor. Ele citou ainda o convênio firmadocom o Banco do Brasil como umgrande diferencial para os produtores,porque viabiliza condições de acesso doagricultor ao crédito.O governador do Piauí, Wellington Dias,durante o evento, reafirmou a parceriacom a Petrobras e o Ministério do DesenvolvimentoAgrário para garantir opreço mínimo de mercado nos contratoscom o agricultor e a importância destesprojetos para o crescimento do Estado.A Petrobras Biocombustível desenvolveum programa para estimular omercado agrícola regional, envolvendoa agricultura familiar. Fazem parte dasações – detalhadas no encontro – aprestação de assistência técnica, o fornecimentode sementes certificadas e alogística para transporte da produção.A empresa também firma contratos –com prazo de cinco anos – que são negociadosjunto às entidades de classedos agricultores familiares.stock.xchngCANAL, Jornal da Bioenergia 11


APAGÃOSistema energético em xequeCOGERAÇÃO DE ENERGIAATRAVÉS DO BAGAÇODA CANA PODE SER UMAFORTE ALIADA DO SISTEMAENERGÉTICO EM PERÍODOSDE SECAElisa GonçalvesNo Brasil, quase 70% da energia são geradospor meio das hidrelétricas. Os30% restantes vêm de fontes de energiaalternativas, como termoelétricas,biomassa, gás, óleo diesel e termoelétrica nuclear.E é justamente em um momento como esse,de efeito pós-apagão, que toma força a discussãosobre como robustecer a produção e distribuiçãode energia no Brasil, dando assim maissegurança energética ao País.Segundo Marcos Jank, presidente da Uniãoda Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o governopriorizou a energia produzida por termoelétricasque utilizam combustível fóssil ecarvão, em vez da bioeletricidade gerada apartir do bagaço de cana. "Existem duas Itaipusnos canaviais brasileiros. O setor sucroenergéticopoderia produzir 15% da energia de que oBrasil necessita. Se a energia do bagaço da canafosse utilizada amplamente, o que ocorreuem Itaipu não provocaria um apagão generalizadono País. E teríamos um fornecimento regionalassegurado", afirma Jank.De acordo com dados do Instituto Brasil Acende,a participação da bioeletricidade na matrizenergética brasileira é de 3%, o que equivale aaproximadamente 1.400 megawatts médios. Aestimativa é de que em 2020 serão de 14.400MW. Atualmente, o volume de biomassa da canatem um potencial de produção de cerca de 10 gigawatts,apenas no Sudeste. Mas, somente 3,1GW são efetivamente aproveitados.A discussão tomou conta do Simpósio Tecnológicodo Centro-Oeste Brasileiro (Simpoeste2009), realizado nos dias 12 e 13 de novembro,em Goiânia. Especialistas do setor energético presentesao evento discutiram o blecaute que atingiu18 Estados brasileiros, deixando grande parteda população sem energia elétrica, causando umrastro de prejuízos até o restabelecimento totaldo fornecimento de energia, que só ocorreu cincohoras depois do apagão e provocou uma sériede discussões técnicas e políticas sobre a segurançada matriz energética brasileira.O Diretor Técnico da MCE Engenharia e Projetos,o engenheiro José Campanari Neto, ressaltaque a cogeração de energia, principalmente dabiomassa, vem fortalecer o suprimento de energiaem época de seca. "É uma energia limpa, renovável,que pode auxiliar muito, porque já éproduzida de uma maneira distribuída, pois asusinas de açúcar estão estrategicamente espalhadasem todo o território nacional".O engenheiro explica que o País consome cercade 75 gigawatts de energia e que a usina de Itaipucorresponde por 20% desse consumo no País."Se essa unidade falha, não há como evitar o efeitodominó que faz com que as demais usinas térmicase hidrelétricas caiam num efeito cascata,como ocorreu no dia do apagão", conclui.Segundo estudo divulgado este ano pela Unica,o atual desenho do sistema elétrico brasileiroestá em transição. A perspectiva é de que aquantidade de energia gerada pelos rios cresçasem novos reservatórios de grande porte, o quereduziria a capacidade de armazenar água e deregularizar a geração hídrica.Ainda de acordo com o estudo, a evolução daenergia não tem sido acompanhada pelo aumentocorrespondente na capacidade de armazenamento.Em 2000, os reservatórios tinhamcapacidade para armazenar seis vezes mais aenergia equivalente a seis meses de consumo. Estima-seque, em 2012, consigam armazenar apenasquatro vezes e meia. E nos próximos anos,sem novos, reservatórios de porte, a capacidadede regularizar a geração de energia diminuirácada vez mais.E é nessa fase que os especialistas defendem ouso da biomassa do bagaço da cana como fonte12 CANAL, Jornal da Bioenergia


RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTALCompromisso com o ser humano e omeio ambientePROJETOSDESENVOLVIDOSPELO SETORSUCROENERGÉTICO SEESPALHAM PELO PAÍS,BENEFICIANDODIRETAMENTE CERCA DEMEIO MILHÃO DEPESSOAS. EM MUITOSCASOS, EMPRESAS FAZEMMAIS DO QUEDETERMINAM ASOBRIGAÇÕES LEGAISFernando DantasAs ações de responsabilidade socioambientaltêm conquistado cada vez maisespaço no setor sucroenergético. Antesconsiderado um custo para as usinas ouempresas, hoje investir em atividades ou projetosvoltados para a preservação do meio ambiente,bem-estar do colaborador, familiares e comunidade,e na promoção da sustentabilidadedos recursos naturais, tem sido um diferencial demercado, que traz resultados positivos, até mesmoeconômicos, para quem atua no setor.Especialistas afirmam que há pressão por parteda sociedade, mídia e de órgãos governamentaisou não-governamentais para a realização deações sociais e ambientais em todos os setoresprodutivos mundiais. Mas eles esclarecem que asempresas ultrapassaram as obrigações legais eoptam por relações transparentes com a sociedade,investem em tecnologias limpas que reduzemo impacto negativo no meio ambiente e seinteressam pela qualidade de vida de seus funcionários,cuidando da segurança, saúde e condiçõesde trabalho.A União da Indústria de Cana-de-Açúcar(Unica), com o intuito de mapear as ações sociaise ambientais realizadas pelas empresas do setorsucroalcooleiro, elaborou no ano passado oRelatório Socioambiental do Setor SucroenergéticoBrasileiro. O documento mostra que as 119empresas associadas à entidade, em 157 municípiosbrasileiros, são responsáveis por 618 projetossocioambientais distribuídos nas áreas de saúde,qualidade de vida, esporte, cultura, educação,capacitação e meio ambiente, que juntostotalizam investimentos de R$ 158 milhões ebeneficiam meio milhão de pessoas.Os dados do relatório e alguns cases de sucessode usinas e empresas (ver ao lado) comprovamque o setor sucroalcooleiro, que movimenta, porano, US$ 68 bilhões (7,5% do PIB nacional e 27%do agronegócio) e que é responsável pela criaçãode cerca de 4 milhões de empregos diretos e indiretos,tem mesmo investido em ações socioambientais,o que torna o setor referência para outrasáreas agrícolas. O retorno dos investimentossociais e ambientais tem chegado às usinas de diversasformas. "A empresa tem aumentado seuslucros à medida que o modo de produção sustentávelestá se tornando determinante para a competitividadede seus produtos, tendo inclusivemelhora da reputação e da imagem da organização,assim como o aumento da credibilidade", informaa consultora ambiental Paula Carneiro, especialistaem Gestão Ambiental, Direito Ambientale Gestão da Sustentabilidade.EFICIÊNCIA E RENDIMENTOSegundo ela, ações pautadas na responsabilidadesocioambiental proporcionam, além da inovaçãode processos, mudanças consideráveis, comoa busca de economia de material, reutilizaçãoou reciclagem de insumos de produção, melhorutilização de subprodutos, economia de energia,conversão dos desperdícios em forma de valor,eliminação e redução do custo das atividades envolvidasnas descargas ou no manuseio, transportee descarte de resíduos, programas de prevençãoà poluição e otimização no uso da água. "Tudoisso ajuda, de forma siginificativa, a reduzircustos e aumentar a eficiência e rendimento doprocesso produtivo nas usinas e empresas do setorsucroalcooleiro", reforça.Especificamente na área de responsabilidadesocial, Paula diz que fornecer um conjunto deprogramas nas áreas de saúde, educação, cultura,esporte e lazer, e segurança, que beneficieo funcionário e sua família, resultam emum ambiente de trabalho mais humano e funcionáriosmais motivados. O ideal, ressalta aespecialista em Gestão de Sustentabilidade, éter uma política de recursos humanos que priorizetalentos e desenvolvimento de pessoas,em que os colaboradores estejam dispostos acontribuir e exceder em performance, comprometidoscom o próprio desenvolvimento e oresultado global da empresa.14 CANAL, Jornal da Bioenergia


nardinifotos: jalles machadoInvestimentos com resultadosO Grupo USJ Açúcar e Álcool, que possui as usinasSão João, em Araras (SP), e São Francisco, em Quirinópolis(GO), acredita que seu crescimento no mercadobrasileiro está ligado a diversos fatores, inclusiveaos investimentos em responsabilidade socioambiental.O Grupo realiza nas unidades de Goiás e São Pauloo projeto Margem Verde, lançado em 1999 na cidadede Araras. O projeto busca o reflorestamento deregiões próximas às duas usinas com o plantio de mudase a manutenção de áreas verdes.Segundo o diretor do Grupo USJ, Ricardo Ometto,a expectativa é que, até o final de 2009, um milhãode mudas tenham sido plantadas nas regiões de Ararase Quirinópolis. Todas as mudas utilizadas no plantiosão retiradas dos viveiros localizados nas usinas,onde também são formados banco de sementes. Ricardoinforma que as sementes são doadas tambémpara Faculdades e Escolas próximas às unidades doGrupo USJ.Em Araras, 400 hectares foram reflorestados peloGrupo, principalmente nas margens das estradas e dasdez nascentes próximas ao município. Já em Quirinópolis,o reflorestamento chega a 200 hectares, commudas típicas do bioma Cerrado, como ipê, barú, curriola,barriguda, sucupira e plantas frutíferas. SegundoRicardo Ometto, os resultados e benefícios com osinvestimentos na área ambiental para o Grupo e comunidadeslocais são grandiosos. "Houve o aparecimentode animais em extinção, melhoria dos recursoshídricos das regiões e reconhecimento pelo trabalhodesenvolvido pelo Grupo, com a visita de representantesde outras instituições para conhecer a nossaexperiência com o Margem Verde", destaca.Os investimentos do Grupo USJ na área ambientaltambém são realizados por meio de ações sustentáveis,para garantir o aproveitamento correto dos recursosnaturais. A empresa utiliza o sistema de reúsode 100% da água consumida na indústria, nas duasunidades do Grupo. O sistema de coleta de água é feitopor meio de canaletas e depois direcionado a umreservatório. "O tratamento das águas residuárias dasusinas serve para a irrigação da lavoura e, assim, háredução do consumo de água, com retorno ambientale econômico", informa o gerente de Gestão de QualidadeAmbiental, Marcos Fernando Carlotti.Com mais de 8,5 mil colaboradores diretos, o GrupoSão Martinho, que inclui as usinas São Martinho,em Pradópolis (SP), Iracema, em Iracemápolis (SP), eBoa Vista, em Quirinópolis (GO), também possui práticasde gestão estratégica socioambiental. As açõescomeçam na fabricação de açúcar e álcool, com o reaproveitamentodo bagaço, vinhaça, torta de filtro ecinzas das caldeiras. Ao invés de serem eliminados oudespejados na natureza, são reaproveitados comocombustível nas caldeiras, gerando energia elétrica,na fertirrigação e como adubos, entre outros usos.EDUCAÇÃO AMBIENTALDo total de 13 milhões de toneladas de cana que ogrupo estima colher na safra 2009/2010, que se iniciouem abril, cerca de 84% será na forma mecanizada ecrua, ou seja, 11 milhões de toneladas serão colhidascom máquinas e sem queima. O Grupo promove aindauma série de atividades visando a educação ambientalnas comunidades em que está inserido. Um exemplo éo Centro de Educação Ambiental (CEA), projeto queestá há quase uma década em operação na Usina SãoMartinho e, desde 2009, na Usina Boa Vista.O centro recebe cerca de seis mil visitantes por ano,a maioria estudantes dos ensinos médio e fundamental.Com infraestrutura e equipamentos, o CEA foi criadopara conscientizar sobre a necessidade de preservaçãodos recursos naturais do planeta. Ainda na linhade educação ambiental, o Grupo São Martinho,especificamente a Usina Boa Vista, em Quirinópolis,em parceria com o BNDES, construiu em sua sede aAssociação Galeatus, Organização Não-Governamentalque tem o objetivo de defender, preservar e restauraro meio ambiente.Na área social, o Grupo possui programa de capacitaçãopara o primeiro emprego, realizado com oapoio de entidades localizadas nos municípios emque atua. O projeto proporciona experiência e trabalhopara 45 jovens, de 16 a 18 anos, que têm ocompromisso de estudar e prestar serviços na áreaadministrativa das usinas. Já o Programa Capacitaçãoda Comunidade é promovido em parceria com oBNDES e o Senai - Serviço Nacional deAprendizagem Industrial de Rio Verde (GO), proporcionandoaprendizado e crescimento profissionalpara as comunidades de Quirinópolis e do municípiovizinho de Paranaiguara (GO).CANAL, Jornal da Bioenergia 15


Exemplo de gestão integradaCom investimentos de mais de R$ 2,5 milhõesem ações sociais, a Jalles Machado S/A, localizadano município de Goianésia (GO), é exemplo deempresa que adota a política de Gestão Integradade Qualidade, Meio Ambiente, Segurança e SaúdeOcupacional, realizando diversos projetos voltadosaos colaboradores, familiares e comunidade local.O Projeto Horta Escolar é um deles. O objetivo, segundoo gestor de Apoio Administrativo da JallesMachado, Luiz Carlos Braga, é oferecer uma alimentaçãosaudável e rica em vitaminas e nutrientesaos alunos da Escola Luiz César de SiqueiraMelo – Fundação que atende aos filhos dos colaboradores,e auxiliar na prática pedagógica comolaboratório de pesquisa.O excedente da produção é doado regularmentepara entidades filantrópicas de Goianésia.A empresa investe no Projeto Dentisão, que atende315 alunos da Fundação Jalles Machado, comatendimento semanal. O objetivo é fazer a prevençãoe despertar o interesse das crianças e dospais pela saúde bucal. Outro programa voltadopara os funcionários, dependentes e comunidadeé o Projeto Educação do Trabalhador, que visa melhorara qualificação dos colaboradores, por meiode uma parceria entre a Jalles Machado, Sesi ePrefeitura de Goianésia. "Esta postura de investirem ações sociais implica em muitos benefícios àempresa, que alcança maior visibilidade no mercado,conquista a fidelização dos clientes e temassociado à sua imagem o reconhecimento de seucompromisso com o bem-estar da comunidade",destaca Luiz.A Jalles Machado atua ainda com o compromissode utilizar de forma inteligente os recursosnaturais, reduzindo, gradativamente, os impactosambientais. Para alcançar esse objetivo, a empresafaz uso da queima do bagaço da cana para produçãode energia elétrica própria, responsável peloabastecimento da usina. Com a cogeração deenergia, a Jalles está apta a comercializar créditosde carbono, obtidos por meio da geração de energiade biomassa e pela substituição de óleo dieselnos equipamentos de irrigação pela energia elétrica,contribuindo, desta forma, para a redução doefeito estufa. Com a adoção da colheita mecanizadada cana-de-açúcar, que reduz a emissão deCO2 na atmosfera, a empresa percebeu que teriaque demitir funcionários. Para que isso não ocorresse,foi criado o Projeto Seringueira, que é realizadopor meio da produção de mudas e incentivoao plantio da seringueira na região. A atividadeabsorveu a mão-de-obra da cana para a realizaçãoda coleta de látex. Além da manutenção dosempregos, o projeto transformou a região de Goianésiana maior produtora de borracha natural deGoiás, movimentando a economia e criando novospostos de trabalho diretos e indiretos.Resultado do trabalho ambiental realizado nausina, a Jalles Machado conquistou, em 2004, acertificação ISO 14001, de gestão ambiental, emitidoàs empresas que realizam o gerenciamentoambiental, envolvendo ações que visam a reduçãodos impactos negativos na fauna e flora do Cerrado,programas de conscientização ambiental juntoàs comunidades, entre outros. "A Jalles Machado,desde o seu início, percebeu o meio ambientee os investimentos sociais como parceiros. Tanto éque a empresa nasceu da ideia de criar empregosem um período que as alternativas de cultura naregião de Goianésia estavam decadentes. Comoesse foi o objetivo de criação da Jalles, com certezacontinuaremos a investir na responsabilidadesocioambiental", garante o diretor técnico daJalles Machado, Henrique Penna.16 CANAL, Jornal da Bioenergia


EntrevistaCertificados AmbientaisOs investimentos em ações socioambientaisno setor sucroenergético podem resultarem certificações ambientais, títulos importantespara a imagem corporativa daempresa, principalmente perante a sociedade.A obtenção de selos e certificadosauxilia a conquista de novos mercados, facilitaa obtenção de financiamentos, emvirtude da existência de linhas especiaispara crédito a empresas que adotam açõesambientais, além de mostrar a clientes, sociedadee acionistas a existência de um sistemaambiental bem estruturado.Mas para conquistar a certificação épreciso garantir uma gestão ambiental eficientee contínua. Os primeiros requisitospara a certificação de sistemas de gestãoambiental surgiram em 1993, definidos noRegulamento CEE 1836/93 de Eco-Gestão eAuditoria (EMAS). Em 1996, foram publicadasas primeiras normas internacionais, aISO 14001, mas só em 2001 ela foi adotadacomo o elemento do sistema de gestãoambiental, para atestar a responsabilidadeambiental no desenvolvimento das atividadesde uma organização.A norma adota vários princípios de sistemade gestão em comum com os princípiosestabelecidos na série de normas ISO9000 - gestão de qualidade. Segundo oespecialista e professor Omar Jorge Sabbag,para que uma usina consiga conquistarcertificação ambiental terá que realizaraltos investimentos, principalmenteem adequações ao sistema. "Por exemplo,num processo de auditoria externa, usinassucroalcooleiras precisam investir mais deR$ 1 milhão em ações que padronizem acertificação", relata Sabbag. Ele destacaque a empresa precisará de uma equipe deauditoria interna, que executará as principaisações ambientais, de forma que a usinaseja auditada eternamente por umaempresa certificadora, credenciada e reconhecidapelos organismos nacionais einternacionais.Nas auditorias são verificados o cumprimentode requisitos como utilizaçãocorreta da legislação ambiental, diagnósticoatualizado dos aspectos e impactosambientais de cada atividade, procedimentospadrões e planos de ação para eliminarou diminuir os impactos ambientaissobre os aspectos ambientais e pessoaldevidamente treinado e qualificado. "Emcaso positivo, a certificação é válida portrês anos. Há ainda a necessidade da organizaçãocertificada possuir em seu planode ação ambiental um sistema de avaliaçãoe monitoria, para que permaneça nummercado dinâmico e competitivo para oagronegócio", diz.divulgaçãoO que define uma empresa do setor sucroalcooleirocomo responsável sócio eambientalmente?A responsabilidade socioambiental deuma empresa é a forma de gestão que sedefine pela relação ética e transparentecom todos os públicos com os quais ela serelaciona e pelo estabelecimento de metasempresariais compatíveis com o desenvolvimentosustentável da sociedade,preservando recursos ambientais e culturaispara as gerações futuras, respeitandoa diversidade e promovendo a reduçãodas desigualdades sociais. As empresas dosetor sucroenergético, como as empresasde outros segmentos econômicos, estãono processo de busca da sustentabilidade,considerando que deve existir um equilíbrioentre os aspectos, ambientais econômicose o sociais.Que lucros as empresas do setor sucroalcooleiropodem ter ao investir na áreade responsabilidade socioambiental?Investimentos em responsabilidade socioambientaltornam as empresas aptas acompetir no mercado globalizado. A sustentabilidadeé a abordagem fundamentalpara que as mesmas protejam e cultivemos recursos indispensáveis ao sucesso.O lucro é a primeira obrigação social"Investimentos emresponsabilidade socioambientaltornam as empresas aptas acompetir no mercado globalizado"Desde 2001 atuando nas áreas social, ambiental e desustentabilidade, a gerente de Responsabilidade SocialCorporativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar(Unica), Maria Luiza Barbosa, é responsável por acompanharas ações e iniciativas das mais de 100 empresasassociadas à entidade. Nessa entrevista, Maria Luizaesclarece um pouco mais sobre responsabilidadesocioambiental no setor sucroenergético. Confira.de qualquer organização produtiva. Semlucro não há empregos, não há produção,nem fornecedores, nem impostos.O que é preciso avaliar quando se investeem ações socioambientais?Devemos avaliar os indicadores econômicos,internos e externos da empresa. Os temasmais relevantes que devem ser avaliadosnestes indicadores são governança, públicointerno, comunidade, governo e sociedade,meio ambiente, fornecedores, consumidorese clientes.Hoje, as empresas investem em ações ambientaispor causa da legislação em vigorou por que realmente conhecem a necessidadedesse tipo de investimento?Acredito que pelos dois motivos. Os nossosempresários conhecem a necessidadee a obrigatoriedade do cumprimento dalegislação em vigor, mas temos tambéminiciativas que superam a legislação. Oexemplo são as ações de adequações queas empresas vêm desenvolvendo parahonrar o protocolo ambiental. Lembrandoque o protocolo é por adesão voluntária eos compromissos vão muito além de antecipara mecanização das lavouras eacanar com as queimadas.18 CANAL, Jornal da Bioenergia


Mercado de carbono devecontinuar crescendoOs mercados mundiais de emissõesdevem continuar crescendo, acredita HenryDerwent, presidente da AssociaçãoInternacional de Comércio de Emissões(IETA). "Não vejo razão para que osmercados de carbono não continuemcrescendo da mesma forma que temosacompanhando nos últimos anos", disseDerwent à Agência Reuters.Aumenta o consumo de álcoolO consumo de etanol combustível nomercado interno brasileiro atingiu 2,07bilhões de litros no mês de outubro naregião Centro-Sul. O volume supera em3,88% o consumo de 1,99 bilhão de litrosde setembro e é o maior mensal desdejulho desta safra, quando foramconsumidos 2,13 bilhões de litros deetanol. O consumo total de etanol nomercado interno em outubro é ainda12,17% superior ao de igual mês do anopassado, de 1,845 bilhão de litros. Oconsumo de hidratado, combustível que éutilizado direto nos tanques dos veículosflex ou a álcool, cresceu 1,75%, de 1,528bilhão de litros para 1,554 bilhão delitros, entre setembro e outubro. O doanidro, que é misturado em 25% àgasolina, saltou 10,92%, se comparadosos mesmos meses, de 464,7 milhões delitros para 515,469 milhões de litros,segundo a Unica.Cana-de-açúcar apresenta boaprodutividade no CerradoA cana-de-açúcar no Cerrado poderá terprodutividade semelhante à das áreas delavouras tradicionais. Isso é o que apontam osprimeiros resultados de uma pesquisa daEmbrapa Cerrados que avalia diversos aspectosda cultura na região, considerada de expansãodo setor sucroalcooleiro. O projeto, que seiniciou no ano passado, aponta números acimada expectativa em algumas localidades dobioma que ainda não são produtoras. Noprimeiro ciclo da cana (cana-planta), aprodutividade ficou acima das 100 toneladaspor hectare, semelhante à das regiõestradicionais. O estudo avalia a produtividade eadaptação de cultivares indicadas para outrasregiões produtoras e usadas comercialmente.As cultivares estão sendo avaliadas no MatoGrosso do Sul, Maranhão, Tocantins e Goiás.Vendas de carros flexcontinuam em altaDados da Associação Nacional dosFabricantes de Veículos Automotores(Anfavea), mostram que as vendas de carrosflex aumentaram 26,2% em outubro,chegando a 245.608 unidades, nacomparação com os 194.613 veículosnegociados em outubro de 2008. De janeiroa outubro de 2009, a comercialização dosveículos flexfuel foi de 2,207 milhões deunidades, aumento de 8,8% sobre osprimeiros dez meses do ano passado.fotos: divulgaçãoFaturamento do setorEm 2008, o faturamento do setorsucroenergético foi de US$ 28,15 bilhões,equivalente a quase 2% do PIB nacional.Amovimentação financeira, que considera asomatória das vendas da cadeia, foi de US$ 86,8bilhões. Considerando-se apenas os impostossobre o faturamento (IPI, ICMS, Pis e Cofins),estima-se que, em 2008, o setor pagou US$9,86 bilhões. Os dados são de pesquisacoordenada pelo economista Marcos FavaNeves, da FEA-USP Ribeirão Preto.Brasil tem 434 usinasLevantamento do Ministério da Agriculturamostra que o Brasil tem hoje,em funcionamento,434 fábricas de açúcar e de etanol.Entre essasunidades 251 produzem açúcar e etanol,167fazem apenas etanol e 16 fabricam só açúcar.SãoPaulo tem 198 usinas,Minas Gerais 40,Paraná 34e Goiás tem 32 fábricas.BNDES investe R$ 7 bilhõesno setor sucroenergéticoOs investimentos do Banco Nacional deDesenvolvimento Econômico e Social(BNDES) em projetos de fomento ao setorsucroenergético brasileiro em 2009 vãochegar a R$ 7 bilhões. “ A maioria das açõesde fomento solicitadas são para usinas deetanol”, disse o gerente do Departamento deBiocombustíveis do BNDES, Arthur Milanez.CANAL, Jornal da Bioenergia 19


MECANIZAÇÃOMelhoria de desempenhoda cana é desafio à pesquisaPROGRAMAS DE MELHORAMENTO EXISTENTES NO BRASIL, COMO OS DA CANAVIALIS E DO CTC,SEGUEM SUAS ESTRATÉGIAS PARA OFERTAR VARIEDADES CADA VEZ MAIS COMPETITIVASJosé Bressiani, lider de MelhoramentoGenético da CanaVialisEvandro BittencourtAmecanização dos processos produtivosda cana-de-açúcar é umatendência irreversível, principalmenteda colheita, o que tem exigidoda pesquisa a concentração de esforçospara produzir variedades cada vez maisadaptadas e, ao mesmo tempo, produtivas.Além disso, a eliminação da queima doscanaviais cria um novo contexto de produção.Mudam a biologia do solo, a retençãode água e novas pragas e doenças se manifestamnas condições que se formam sob apalha resultante da colheita mecanizada.José Bressiani, líder de Melhoramento Genéticoda CanaVialis, ressalta que o trabalhode melhoramento é um programa deciclo longo. Para produzir uma variedadenova de cana-de-açúcar, uma empresa depesquisa, como a CanaVialis, demanda até9 anos de trabalho.Segundo Bressiani, quando a CanaVialismontou sua estrutura inicial, em 2003, ecomeçou o programa de melhoramento, apesquisa já se dirigia à colheita de canacrua mecanizada. “Os critérios de seleçãode clones são muito específicos e todoseles estão focados no trânsito da máquinasobre o canavial, ou seja, como fica a canaou o perfil do canavial quando a máquinaentra para colher e o que vai acontecercom a cana que fica no solo, pois a plantaé cortada, os colmos são colhidos e levadospara a indústria, mas a base do sistema radicularficou no solo e vai brotar novamentemais alguns ciclos de colheita subsequentes.”VARIEDADES ADAPTADASO líder de melhoramento genético da CanaVialisexplica que é preciso ter variedadesde cana que, na parte aérea, favoreçam a colheita,mas é preciso também que tenham estruturasradicular e de rizoma suficientementedesenvolvidas, que permitam que a plantabrote depois. “Ou seja, ela tem de suportar otranco da máquina, a pressão das lâminas decorte, o dano mecânico na base dos colmosdurante o corte e a camada toda de palha quefica após o corte. A máquina passa, limpa ejoga pedaços do colmo para dentro do transbordoe as folhas voltam para o solo, ou pelomenos um bom volume delas, já que algumasusinas levam parte dessas folhas secas para aindústria e também as queimam para produzirenergia.”A colheita mecanizada forma um colchãode folhas e os rizomas da cana-de-açúcar, queestão por baixo, têm de brotar nessa condiçãoque, segundo Bressiani, é um fator de seleçãomuito forte dentro de um programa de melhoramento.“É preciso usar isso desde as suas primeirasetapas do programa de seleção.”Arnaldo José Raizer, coordenador de PesquisaTecnológica do Centro de TecnologiaCanavieira diz que disponibilizar material genéticoadaptado à mecanização é sempreuma preocupação da pesquisa. Qualquer materialque quebre muito, que apodreça depoisde cortado, que não aguente durante muitotempo entre o corte e o plantio, que sejamais suscetível à contaminação por doençase que não tenha uma rápida brotação podegerar perdas ao sistema. “Nós trabalhamosvários materiais para ver quais são as restriçõesque têm algumas variedades, para darmosrecomendações ao produtor, indicando aele onde estão os pontos de gargalo, para eletomar mais cuidado. Esses pontos são, principalmente,a colheita de mudas, da cana quevai para a indústria e das máquinas que fazemo plantio da cana.“RESISTÊNCIA AO ACAMAMENTOPara José Bressiani, da CanaVialis, quandose fala em colheita mecanizada é precisopensar na parte aérea da planta, ou seja, eladeve facilitar o rendimento do corte. “Umcanavial tombado, por exemplo, dificulta amecanização da colheita, por isso é precisoselecionar variedades que tenham uma maiorresistência ao acamamento, que resistammais aos ventos e permaneçam em pé.Todas as variedades desenvolvidas pela CanaVialise que vão ser lançadas nos próximosanos serão adaptadas à colheita mecanizada,diz José Bressiani. “A CanaVialis entende queexiste um tempo entre o lançamento do programade melhoramento e o plantio comercial.O melhoramento valida os materiais para osseus clientes e os multiplica dentro de uma escalacomercial, mas tentando entender, dentrodesse grupo de clientes, qual o melhor posicionamentodelas em relação a outras variedadesque eles já têm. O objetivo é proporcionarque o cliente consiga maximizar o ganhocom a nova variedade em sua propriedade.”20 CANAL, Jornal da Bioenergia


cana vialiscana vialisctcctcCV Pégaso CV Centauro CTC20 CTC19Condições regionais de cultivo apresentam diferenças marcantesO universo da atividade canavieira no Brasilapresenta contrastes de ambiente, clima, fertilidadee disponibilidade de água no solo e temperatura.Há solos mais férteis, intermediários e demenor fertilidade, exemplifica José Bressiani.“Existe um zoneamento de adaptação para a canade açúcar. A gente consegue imaginar, paracada região principal, uma combinação entre índicede fertilidade do solo e época de colheita domaterial durante a safra.”As variedades também se comportam demaneira diferente durante esse período de colheitae, nesse caso, destaca Bressiani, as variedadesque vão bem no Estado de São Paulonão são as mesmas que vão bem, por exemplo,em Goiás, porque a disponibilidade de água nosolo varia muita entre essas duas regiões. “Temosmacro e microrregiões. “As duas variedadesque nós estamos lançando, por exemplo,foram testadas no Paraná, em São Paulo, noTriângulo Mineiro, no Mato Grosso do Sul e emGoiás. Nós temos um posicionamento dessasvariedades com relação a cada uma dessas especificidadesde solo.”Arnaldo José Raizer, coordenador de PesquisaTecnológica do Centro de Tecnologia Canavieira,explica que, no caso da CTC, a regionalizaçãotornou-se um grande desafio. “Nos últimos cincoanos passamos de 40 usinas associadas para182. Estávamos restritos, basicamente, a SãoPaulo e hoje estamos presentes em todo o Brasil.O primeiro viés da sucessão de variedades doprograma genético que foi discutido foi a regionalização,ou seja, começar o desenvolvimento, ocruzamento e a produção de sementes para oinício do programa em cada região produtoraonde o CTC tenha associado.”REALIDADE DO PRODUTORSegundo Arnaldo José Raizer, hoje o CTC tem12 polos de pequisa em todo o Brasil e cada umestá colocado de acordo com as característicasde solo e de clima que representam a região ondeestão instalados. A estratégia é baseada,ainda, em condições de manejo específicas. Direcionamosas variedades do processo de seleçãopara a realidade do produtor. Feito isso temos defazer uma linha de produção de mudas e de avaliaçãode material para que o produtor vá conhecendo,a cada ano, as variedades, pois isso nãopode ser feito no término do programa, depoisde 10 anos de pesquisas e avaliações.”Raizer explica que, desse modo, o produtor vaiavaliando as novas variedades com tempo, juntocom os outros materiais já presentes na lavoura(padrões), para só ficar com aquilo que, sabidamente,dá maior retorno. Esse desempenho desejávelda variedade está relacionado à maior produção,longevidade, maior teor de açúcar, condiçõesde manejo e se é mais resistente a uma pragaou doença que é limitante para ela naquela região.“Vamos colocando o material à medida emque observamos dados e informações em nível experimentale em nível de campo, em lavoura.”A troca de materiais é realizada de forma paulatina,pois historicamente o produtor troca oplantel de variedades num porcentual de, aproximadamente,15% ao ano. “A cada ano ele destróiparte das variedades mais antigas no planteldele e planta novas variedades competitivas, recém-liberadasno mercado. A outra parte são asvariedades que estão no mercado, já consagradasa algum tempo. O produtor, com materiais novosdisponíveis, liberados e sabidamente superiores,leva de 6 a 7 anos para trocar todo o seu plantelde variedades. ”NOVOS LANÇAMENTOSAs primeiras variedades de cana-de-açúcardesenvolvidas pela CanaVialis para o mercadobrasileiro, CV Pégaso e CV Centauro, foram publicamenteapresentadas em setembro deste anocom a promessa de aumentar a oferta de adaptabilidadeda planta em diversas regiões do País.A CV Pégaso destacou-se nas primeiras fasesde seleção pelo aspecto visual desejável e capacidadede brotação. Apesar de não ser uma variedadesuperprecoce, apresentou boa respostaaos maturadores químicos. Em condições decampo, tem demonstrado alta resistência àsprincipais doenças e baixo índice de florescimento.Além disso, apresenta elevado desempenhoem brotação na palha e despalha fácil. Nos ensaiosrealizados observou-se baixos índices de infestaçãode broca.A CV Pégaso tem se destacado nos ambientesintermediários, comparado aos padrões, pelaalta sanidade e produtividade, e para colheitana época de transição entre as cultivaresprecoces e médias.A CV Centauro, por sua vez, tem se destacado,principalmente, por apresentar hábito de crescimentoereto e boa brotação sob a palha. A variedadeobtém bons resultados na colheita mecanizadade cana crua, com alta densidade de cargae rendimento de corte. O florescimento é maistardio que as demais cultivares precoces, tembaixa isoporização e mostrou-se resistente à escaldadura,ferrugem, carvão e mosaico.Devido ao seu hábito de crescimento ereto ealta responsividade, a variedade é recomendadaaos melhores ambientes para colheita mecanizadacrua, entre os meses de maio e julho. Não éindicado o manejo da CV Centauro como cana deano e tão menos no final de safra.VARIEDADES CTCA diretoria e o corpo técnico do CTC anunciaramno mês de novembro o lançamento e a liberaçãopara plantio das variedades de cana-deaçúcarCTC 19 e CTC 20, que formam a quintageração com a marca do CTC. O material é resultadode pesquisas realizadas em 26 unidadesprodutoras de açúcar, etanol e energia e que representamtodas as regiões do País.Segundo o diretor superintendente do CTC,Nilson Zaramella Boeta, tanto a CTC19 quanto aCTC20 são bem adaptadas ao método de colheitamecanizada de cana crua. O executivo explicaque a CTC19 é mais indicada para colheita domeio ao final da safra, enquanto a CTC20 "superao desempenho de suas concorrentes já no inícioda safra".O Coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento,Arnaldo José Raizer, explica que, a exemplodas cultivares lançadas no ano passado (CTC16,CTC17 e CTC18) a CTC19 e a CTC20 foram desenvolvidascom base em critérios 'edafoclimáticos',ou seja, considerando diversas combinações entresolo e clima encontradas nos diferentes ambientesde produção cultivados no Brasil.CANAL, Jornal da Bioenergia 21


MAIS BRASILOURO DO CERRADOClarissa BezerraCrixás é conhecida pela exploraçãodo ouro, extraído das profundezasda terra pela Mineradora SerraGrande. Nos dados oficiais ela figuracomo um dos maiores produtores dominério do Brasil. Nesta época doano, no entanto, a cidade gira emtorno de outro produto, também decor amarela, mas com cheiro e saborbem característicos: o pequi. Acidade, que fica no norte do Estadode Goiás, a 320 quilômetros deGoiânia, organiza o Festival doPequi, que vem se tornandoreferência entre os eventos degastronomia no interior do País. Oouro dessa festa, o pequi, érealmente marcante. Uns nãogostam do sabor do fruto, mas temmuita gente que simplemente adora.Shows, barraquinhas com os mais variados pratose muita gente da região circulando fazem dafesta, que completa quatro anos, um momento parareverenciar e degustar o fruto de formas diversas.Para alguns, o pequi é considerado um remédio naturale, para os mais animados, um afrodisíaco.Pesquisadores vão ainda mais longe e acreditamque ele possa ser mais uma opção para a fabricaçãode biodiesel. Definitivamente, não há fruto maispopular nas regiões de Cerrado do País.Árvore de casca grossa, podendo atingir 10 metrosde altura e resistir até 150 anos, o pequizeiroapresenta raízes profundas, mas com capacidadepara se desenvolver horizontalmente em solos rasos.A árvore do pequi pode ser usada para a recuperaçãoe reflorestamento de áreas degradadas eprodução de madeira para xilografia, construção civile até naval.Muito comum em terras goianas, a fruteira nativatambém é encontrada na região Nordeste. No suldo Ceará, planta também é bastante comuns, fazendocom que, em época de safra, o sertanejo acordede madrugada para colher os pequis que ficam pelochão, seja para comer ou até comercializar nas pequenascidades e na capital, em Fortaleza.A realidade não é diferente em Goiás, onde se avaliao desenvolvimento de tabletes para utilização culinária,como os famosos caldos de carne e de galinha.Picolés, sorvetes e queijos já são uma realidadeque pode ser observada em Crixás durante os três diasde festa que sempre acontece no final de outubro.O Festival do Pequi de Crixás foi criado em 2006,como parte das comemorações do aniversário da cidade,no dia 30 de outubro. "O objetivo do festivalé transformar esse fruto típico do Cerrado goianoem fonte de renda para os moradores da cidade eenvolver o povo da região em uma grande festa,além de atrair visitantes e turistas ", explica o prefeitoda cidade, Olímpio César de Araújo Almeida.A estimativa dos organizadores é que cinquentamil pessoas participam do festival nos cinco dias doevento. Desde a primeira edição, os organizadoresdo festival definiram que toda a renda seja revertidaàs entidades assistenciais e de classe selecionadaspara participar do preparo e comercializaçãodos pratos durante o evento. E eles são de encher aboca daqueles que saboreiam o fruto. Há as tradicionaisreceitas, como a galinhada e a empada compequi (veja nesta matéria a receita do recheio) einovações, como pequi na pamonha.E não é necessário sofrer com as calorias. Segundoa especialista em nutrição clínica e esportiva,Nelisa Duarte de Souza, uma bela salada mista deentrada, frango caipira ao molho, arroz e pequi estãoautorizados. "Hum.... é de dar água na boca e,certamente, não vai alterar muito a quantidade decalorias ingeridas", explica.22 CANAL, Jornal da Bioenergia


Flor amarela-dourada do pequi,uma das belas imagens quepodem ser vistas no CerradoFitoterápico, conforme a crença popularUm fruto pode alcançar 300 gramas. A polpa é"carnuda" e amarelada, naturalmente recheadapor espinhos. Estes mesmos espinhos nutremanálises folclóricas, como a de que comer pequi éuma ciência, chegando a ser quase uma arte. Aspesquisas apontam que o pequi (Caryocar brasiliense)tem propriedades que podem fazer deleum alimento precioso para a saúde humana.Ele é rico em vitaminas A, C e E, flavonóides exantinas. Fornece boas doses de potássio, cálcio,magnésio e fósforo. Para completar, é rico emômega-6, apontado como inimigo da pressão arterialalta (hipertensão), combate o excesso decolesterol ruim e até o excesso de glicose.Tem mais: é abundante em betacaroteno, compropriedades antioxidantes, protegendo o organismoda ação danosa dos radicais livres.A castanha do pequi, que se encontra dentrodo caroço, é comestível e saborosa. Rica em zinco,ela é utilizada na indústria de cosméticos paraa produção de sabonetes e cremes feitos parafortalecer a pele.Na Universidade de Brasília (UNB) algumaspesquisas indicam que o pequi é capaz de protegero DNA das células dos violentos efeitoscolaterais dos quimioterápicos usados no tratamentode câncer, qualificando-o como coadjuvanteno tratamento da doença.A fruta não tem o poder de curar o mal, masaliviaria os efeitos devastadores da quimioterapia.Alguns testes estão sendo desenvolvidos no Paíspara a fabricação de comprimidos fitoterápicos.De aroma e sabor tão forte, ele só poderiamesmo despertar muitas teses científicas e atécrenças populares. Diz a cultura popular que operfume do pequi desperta paixões. O poeta cearensePatativa do Assaré chegou a associá-loao verdadeiro fruto proibido. Há quem garanta,ainda, que ele pode ser considerado um verdadeiroviagra natural.Para se transformar em afrodisíaco e tônicobastaria deixar, por vários dias, 15 a 20 caroçosde pequi em repouso na cachaça e tomarduas colheres de sopa ao dia. Mas é bom avisaraos animados que nada é confirmado pelaciência, apenas especulação popular. "O pequié um alimento que, com certeza, agrada o paladare o olfato de várias pessoas, conseguindoestimular o prazer", diz a especialista emnutrição Nelise Duarte.Uma outra dica folclórica do fruto dizrespeito ao tratamento das asmas, bronquites,coqueluche e resfriados, mas nada comprovadopela ciência. Segundo a crença popular, ésó ferver de 15 à 20 caroços de pequi e escorrera água até os caroços secarem. Depois,basta colocar em um frasco de vidro e completarcom óleo vegetal previamente esquentado.O produto deve ser consumido 2 vezes ao dianas principais refeições ou dissolver uma colherde café do óleo de pequi em uma colherde café de mel e tomar 2 vezes ao dia.fotos: fotos: stock.xchng/joão roberto/divulgaçãoFruto tem sabor marcante e émuito usado na culinária regionalCANAL, Jornal da Bioenergia 23


Um futuro sem espinhosCom um péna agroenergiaA equipe da Embrapa Cerrados(Planaltina -DF) envolvida no projetoFontes alternativas potenciais dematérias-primas para produção deagroenergia tem uma linha de pesquisaque abrange os "grandes desafiosnacionais". Especialistas estãofazendo visitas em áreas nativasde macaúba, pinhão manso e atépequi como fonte de matéria-primapara produção de óleo substitutodo diesel. . . O óleo do pequi, extraídode sua castanha, também serviriapara a fabricação de biodiesel.O projeto visa avaliar os impactossociais, econômicos e ambientais damacaúba e do pequi no Cerrado. Asvisitas dos pesquisadores e técnicosnas áreas de ocorrência dessasplantas oleaginosas começaram emsetembro de 2007. Foram coletados,também, frutos, folhas e flores depequi e feita a medição das árvoresna região de Montes Claros (MG).Além do estudo sobre a cadeiaprodutiva do pequi e da macaúba,o projeto também contempla pesquisascom pinhão manso, conduzidaspela Embrapa Milho e Sorgo,e tucumã, lideradas pela EmbrapaMeio Norte. O projeto acontece emrede e conta ainda com a participaçãoda Embrapa Soja, EmbrapaFlorestas e Universidade de Brasília.Todos estes levantamentos têmum motivo sério. É a entrada em vigorda Lei que marca o início daadição de 5% de biodiesel ao dieselmineral e as discussões sobre acompetição das culturas que servemcomo matérias-primas para aprodução do biodiesel com as queservem à produção de alimentos.A demanda potencial de biodieselprojetada para os próximosanos, levando-se em conta que amistura de 5% passa a ser obrigatóriaa partir de 2010, dá margema muitas discussões. Entre osquestionamentos, a pesquisa emandamento visa determinar quantose pode extrair de óleo por cadahectare das culturas que estãosendo estudadas.fotos: fotos: goiás turismo/joão robertoO espinho ainda é o grande vilão paraque o pequi se popularize por todo País.Por esse motivo, as autoridades dos setoresde pesquisa do Estado de Goiás e da Embraparesolveram investir no desenvolvimentode um fruto sem espinho e com saborainda mais generoso. Esta é a promessaque pode incrementar a culinária goianae até facilitar a a produção de óleo paraprodução de biodiesel.Será possível ver um fruto sem espinhos apartir de dezembro de 2011, quando a Secretariade Agricultura do Estado de Goiás (Seagro)terá em viveiro a quantidade ideal paradistribuição. A variedade sem espinho dofruto resulta de pesquisas iniciadas em 2002,conduzidas pela Seagro e Embrapa Cerrado/Transferênciade Tecnologias Rurais.Fruto rústico do Cerrado, o pequi é tradicionalmenteutilizado na elaboração dedoces, licores e pratos regionais do BrasilCentral, como o arroz e o frango com pequi.Ele é famoso pelos finos espinhos queenvolvem seu caroço e costumam machucaros desavisados que mordem a fruta emRECHEIO DO EMPADÃO GOIANO COM PEQUIIngredientes1 Peito de Frango pequeno2 colheres -sopa de raspas de pequi1 dente de alho amassado1/2 cebola média picada1/2 tomate sem sementes, cortado em cubossal e pimenta do reino a gosto2 1/2 xícara -chá de água para cozinhar50g de linguiça de porco fina 2 xícaras -chá caldo de frango, coado 4 colheres -sopa de cebola média picada 1/4 xícara -chá de milho verde 3 colheres -sopa de guariroba ou Palmito 1 colher -chá rasa de açafrão 1 colher -sobremesa de amido de milho 2 colheres -sopa de óleo 1 xícara -chá de queijo minas curado em cubo 2 colheres -sopa de salsinha ou cheiroverde bem picadovez de raspar cuidadosamente sua polpacom os dentes.HISTÓRIA DE SABORESOs pioneiros do Estado de Goiás contamque nas antigas vilas de Meia Ponte (hojePirenópolis), e Vila Boa, ainda no início doséculo XVIII, o pequi já era muito utilizadona culinária. No entanto, na região que circundaa cidade industrial de Catalão, o pequiera utilizado somente para a fabricaçãodo sabão de pequi, por conter propriedadesterapêuticas.Quando está na panela, o fruto pode serdegustado das mais variadas formas: cozido,no arroz, no frango, com macarrão, compeixe, com carnes, no leite, e na forma deum dos mais apreciados licores de Goiás.Dica importante dos especialistas emqualidade dos alimentos é o congelamentopara a entressafra, que deve ser feitorapidamente, logo após a colheita para aestabilidade dos pigmentos e, consequentemente,da vitamina A. Veja abaixouma dica de receita.Preparo1. Tempere o frango e cozinhe com o tomatee cebola até ficar macio. Acrescentandomais água, se necessário. Reserve o caldo.2. Enquanto isso frite a linguiça até dourar.3. Desfie o frango, parta a linguiçaem pedaços. reserve.4. Aqueça uma panela com o óleo. Adicione acebola e deixe murchar. Junte a guariroba erefogue mais um pouco. Coloque o milho verdee as raspas de pequi. Por último adicione o açafrão.Mexa ligeiramente e adicione o caldo de frango.Deixe cozinhar por 2 minutos.5. Coloque o amido de milho em uma xícara -chá,retire umas 3 colheres -sopa do caldo e dissolva oamido. Junte o amido dissolvido ao caldo da panelae fervar até engrossar. Retire do fogo e deixeesfriar.6. Em uma vasilha, misture o caldo com o frango, alinguiça, o queijo e a salsinha.7. Abra a massa do empadão, reservando parte damassa para a tampa. Espalhe o Recheio e tampe atorta, apertando bem as laterais. Leve para assar emforno médio-alto, por cerca de 25 minutos.8. Retire e Sirva quente.Acompanha: Arroz branco, batata ou banana frita,Salada de folhas.24 CANAL, Jornal da Bioenergia


MUDANÇAS CLIMÁTICASBrasil e França levamproposta conjunta paraConferência do ClimaOpresidente brasileiro, Luiz Inácio Lulada Silva, e o presidente francês, NicolasSarkozy, já confirmaram presença naconferência de Copenhague, no próximomês, e vão assinar um documento conjuntode compromisso de redução na emissãode gás carbônico. Os dois estiveram reunidos,neste mês de novembro, em Paris paradiscutir os termos do documento.Os dois governantes defendem a reduçãode 80% nas emissões de gás carbônico até2050 e, para os países em desenvolvimento,como o Brasil, redução de 39% até 2020.O País ainda deve reduzir em 80% o desmatamentoda Amazônia no mesmo prazo.O documento prevê também a criação daOrganização Mundial do Meio Ambiente.Juntos e fortalecidos, Brasil e França já fazemcríticas diretas à China e aos EstadosUnidos. “O que nós não temos o direito depermitir é que o presidente Obama e o presidenteJu Jintao façam um acordo com apenasas duas realidades políticas e econômicas dosseus países, sem se importar com a responsabilidadeque nós temos que ter com o conjuntoda humanidade”, diz o presidente Lula.A fala do presidente é uma resposta aoslíderes políticos da região asiática, dos EstadosUnidos e da Europa que já descartarama possibilidade de assinar um novo tratadoclimático internacional em Copenhague. Oacordo só deve acontecer em 2010, o quesignifica que as metas obrigatórias de reduçãode emissões de gases do efeito estufapara a segunda fase do Protocolo de Kyotoseriam definidas só no ano que vem.divulgaçãoCANAL, Jornal da Bioenergia 25


Brumazi amplia atuaçãoA Brumazi, com 20 anos depresença no mercado, passa a produzirCaldeiras ampliando assim suaatuação. Segundo Paulo Siqueira,diretor comercial da empresa, com afabricação deste equipamento aBrumazi está apta a entregar umausina completa.A empresa desenvolve,fabrica e monta Caldeiras não só para osetor sucroenergético, mas para osmais diversos segmentos de mercado.Relé de proteção térmicapara transformadoresA Siemens no Brasil desenvolveu orelé de proteção térmica digitalSimotemp, integralmente adequado àtecnologia de redes inteligentes.Asolução foi criada para proteçãotérmica de transformadores e éindicada para equipamentos onde sãonecessários o controle e proteçãoconfiáveis da temperatura.Guerra lança SR 4 Eixos para 57 toneladasO Gran G 4 Eixos é oprimeiro semirreboque no Paíscom PBTC de até 57 toneladas.Até hoje esta capacidade decarga era exclusiva dos modelosbitrem. O 4 Eixos chega aomercado como excelentealternativa ao bitrem, comA Equilíbrio participou nacidade de Maputo, emMoçambique do evento“Biocombustíveis:TecnologiaBrasileira para a AgroindústriaProdutora e Processadora deCana-de-Açúcar”.A empresateve contato com usinas deaçúcar e álcool de Moçambique,África do Sul, Uganda, Zâmbia eTanzânia. Roberta Toledo, doDepartamento de Comérciovantagens em redução de custoscom emplacamentos, ganhosem tara, maior manobrabilidadee utilização de cavalo trator 4 x2 ou 6 x 2, sem obrigatoriedadede um 6 x 4, conforme prevê aresolução do Contran para2011.Equilíbrio na África em encontro comercialExterior da Equilíbrio, afirma:“Fizemos uma apresentaçãosobre nossas atividades epercebemos um grande interessedos africanos em conhecer maissobre a tecnologia da Equilíbrio”.A empresa produz peneirasrotativas que otimizam aprodução das usinas, ventiladorese exaustores para caldeiras e,também, telas em aço inox paradiversas aplicações industriais.Tratores John Deere têmnova versão canavieiraUma nova versão dostratores 7715 e 7815,dedicada para a cana-deaçúcar,foi lançada pela JohnDeere. Os tratores vêmequipados com um novo eixodianteiro que permitetrabalhar com bitolas de 2,8ou 3,0 metros. Com estacaracterística, o trator podeoperar sem danificar assoqueiras da cana,contribuindo para uma maiorprodutividade do canavial.A nova versão conta com osistema FieldCruise, quelimita a rotação do motor emoperações com carga parcialcomo o transbordo de cana,reduzindo o consumo decombustível.26 CANAL, Jornal da Bioenergia

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