Canal : O jornal da bioenergia

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Canal : O jornal da bioenergia

Carta do editor10 TRANSPORTE FLUVIALO Brasil é tão rico em recursos hídricos que suas vias fluviais poderiam escoar a maior parte daprodução agrícola e outras cargas, com grandes vantagens, mas potencial ainda é subutilizado.fotos divulgação08 TRABALHOO mercado de carbono representa nova epromissora possibilidade de ingresso nomercado de trabalho para profissionaisde diversas categorias. Bons salários sedestacam como um dos atrativos.28 ENERGIA DO ESGOTOEstação de Tratamento de Esgoto noEstado do Paraná está implantando umanova alternativa para o reaproveitamentode resíduos de esgoto e produção deenergia renovável.04 ENTREVISTAAdhemar Altieri, diretor de ComunicaçãoCorporativa da Unica, concede entrevistaao CANAL, em que fala sobre o desafio deexplicar ao mundo a experiênciabrasileira com o etanol.Na Região Nordeste de Goiás está uma das maisimportantes e belas reservas do bioma Cerrado, oParque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Destinoecoturístico atrai visitantes de vários países. 20wilson dias/abrMirian Toméeditor@canalbioenergia.com.brLições do amadurecimentoOs desafios foram muitos, mas ao comemorarmostrês anos de circulação do CANAL – Jornal daBioenergia, temos a certeza de que todos eles apenasnos ajudaram a consolidar o nosso projeto editorial.Junto com o setor, amadurecemos. Estamos aindamais conscientes da grande responsabilidade que éinformar os agentes que atuam no setorsucroenergético, que também se mostram hábeis nasuperação dos obstáculos que se apresentam diantedos que buscam, sempre, avançar.Nesta edição de aniversário, seguimoscomprometidos com nossa missão de bem informar,enfocando temas de destaque relacionados àprodução de açúcar, etanol e outras energiasrenováveis. Na entrevista exclusiva com o diretor deComunicação Corporativa da Unica, Adhemar Altieri,o leitor poderá perceber a evolução no trato dainformação, da incessante construção da imagem dosetor sucroenergético, um dos mais importantespapéis da representação dessa atividade. Na matériade capa, o assunto diz respeito aos investimentos emtecnologias da informação e da automação, umcaminho obrigatório para os querem se mantercompetivos no dinâmico mercado da bioenergia. Aimportância estratégica do transporte através dehidrovias, a produção de energia renovável a partir doesgoto e muitos outros assuntos interessantes podemser conferidos nas páginas seguintes.Obrigada pela sua confiança nesses três anos decirculação.Até a próxima edição!CANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41DIRETOR EXECUTIVO: César Rezendediretor@canalbioenergia.com.brGERENTE ADMINISTRATIVO: Fernanda Oianofinanceiro@canalbioenergia.com.brGERENTE DE ATENDIMENTO COMERCIAL:Beth Ramos comercial@canalbioenergia.com.brEXECUTIVOS DE ATENDIMENTO:Marcos Vazatendimento@canalbioenergia.com.brDIRETORA EDITORIAL: Mirian Tomé DRT-GO - 629editor@canalbioenergia.com.brEDITOR: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694redacao@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Evandro Bittencourt,Fernando Dantas, Luisa Dias,Mirian ToméESTAGIÁRIA: Maiara Dourado e Bárbara Lauriajornalismo@canalbioenergia.com.brDIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santosarte@canalbioenergia.com.brREPRESENTANTESRIBEIRÃO PRETO E SERTÃOZINHO/SPFabiana Belentani Pierro representante@canalbioenergia.com.br(16) 3945-1916/8121-0585/7811-3518RIO DE JANEIRO E BRASILIAFaster Representações fasterrepresentacoes@terra.com.brSRTVS Qd. 701 Edf. Assis Chateaubriand - Bloco 1 - Sala 321 Bairro AsaSul - 70340-00 - Brasilia/DFContato: Wisley Damião (61) 3701 1796/9982 6731Banco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira deSão Paulo: www.unica.com.br; SIFAEG - Sindicato da Indústria deFabricação de Álcool do Estado de Goiás: www.sifaeg.com.br; MUSEU DA IMAGEM:studio95@terra.com.brCONTATOS DA EDIÇÃO: Marco Coghi, diretor técnico do CBTA: Tel. (19) 3287-7909. E-mail:Coghi@CBTAnet.com.br; Fábio da Silva, pesquisador da Embrapa InformáticaAgropecuária: silvafabio11@gmail.comREDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano Center, Setor BuenoGoiânia - GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084email: canal@canalbioenergia.com.brTIRAGEM: 12.000 exemplaresIMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.brCANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos nasreportagens e artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores. É autorizadaa reprodução das matérias, desde que citada a fonte.Assine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível nainternet no endereço: www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.br“A terra tem produzido o seu futuro; e Deus, onosso Deus, tem nos abençoado.” (Salmo 67, 6)


ENTREVISTA - Adhemar Altieri, diretor de Comunicação Corporativa da UnicaComunicação proativaEM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO CANAL, ADHEMAR ALTIERI EXPLICA COMO E PORQUE AUNICA MUDOU SUA POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO COM A IMPRENSA E O COM O PÚBLICOEvandro BittencourtDiretor de ComunicaçãoCorporativa, AdhemarAltieri juntou-se à equipeda Unica em novembrode 2007 após dois anos emeio como Diretor de AssuntosInstitucionais da Amcham-Brasil.Formado em jornalismo peloHumber College, de Toronto, étambém Bacharel em Comunicação/Jornalismopela ECA/USP,com Mestrado em Jornalismo pelaNorthwestern University, deChicago. Ao longo da carreira jornalística,iniciada em 1978, atuouem grandes veículos de comunicaçãodo Brasil, Canadá, EstadosUnidos e Inglaterra. Atuou aindacomo professor universitário.Quais são os desafios em relaçãoà comunicação que a Unica enfrentaneste momento?O principal desafio, entre muitos,é fazer com que as análisese opiniões emitidas a respeitodo etanol sejam baseadas emciência, em fatos concretos enão em achismos e opiniõesmuitas vezes baseadas em informaçõesdefasadas. Muitasvezes temos marinheiros de primeiraviagem na mídia, principalmente,que se interessam peloassunto e que produzem matériascom base em alguma pesquisano Google, mas que nãotem mais a ver com a realidadeatual do setor. Há muito interessepelo etanol e o Brasil temo hábito de reagir ao interesseexterno. É o único País onde setransforma em notícia a notíciapublicada por um veículo externo,o que não é feito em nenhumoutros País do mundo.É preciso olhar o que existe hoje ecomparar com 5, 10, 20 anos atrás e verpara onde estamos caminhando.E como a Unica lida com esse tipode abordagem?Isso toma muito tempo nosso.Somos obrigados a ter, em todosos momentos, estudos recentese dados para poder fornecer,pois sempre que algo assim aparece,os questionamentos naturalmentesurgem, pois é um assuntoque está no holofote. Temosaté 50 demandas de mídia,por dia, na Unica. E são questionamentoscomplexos, construçõesde informações que precisamosparar, pensar e envolveralguns consultores para poderatender. Ou seja, o grande desafioé fazer com que as análisessejam baseadas em fatos concretos,estudos críveis de entidadessérias e que não resvalempara o lado do achismo.E já é possível notar uma mudançade postura em relação a essetrato da informação?Nos últimos dois anos nós progredimosbastante. Já vemosuma preocupação maior com odado concreto, com o contexto.A Unica nunca vai - e seria umabobagem fazer isso - dizer queno nosso setor não tem problemas.O setor tem problemas, comoqualquer outro que emprega1 milhão de pessoas tambémtem. E é aí que entra a questãodo contexto. É preciso olhar oque existe hoje e comparar com5, 10, 20 anos atrás e ver paraonde estamos caminhando.E qual é esse caminho?Estamos caminhando, claramente,para melhor, nos sentidos quemais preocupam a opinião públicaem geral, que são as questõesambiental, social, econômica e asustentabilidade. Os questionamentosnão são apenas dos jornalista,mas também de autoridadesgovernamentais, pesquisadoresque vêm para cá e queremconhecer melhor a experiênciabrasileira e fazem algumas dessasmesmas perguntas com baseNiels Andreasem informações pouco confiáveisou, às vezes, criadas para ser tendenciosasintencionalmente. Ouseja, ainda enfrentamos um poucodisso, mas está diminuindo.Estamos vendo que já existe umcorpo bastante sólido de especialistase jornalistas bem informadosem vários países.O senhor acredita que houve umageneralização por parte da mídia ?Se você pega um setor que tem400 usinas em atividade, aproximadamente,e acha problemasem 4 ou 5, estamos falando de1% da indústria. Se o jornalistaconstatou o problema, documentou,tem depoimentos e estátudo na mão, então faça sua matéria,mas contextualize. Se nãofor assim é priorizada uma coisaque não é representativa dosetor atualmente.Essa grande demanda por notíciassobre o setor aumentou com adiscussão alimentos versus bioenergia.Isso exigiu uma nova posturade comunicação das entidadesrepresentativas do setor, comdestaque para a Unica?Logo depois da vinda do MarcosJank para a Unica (presidente daentidade), novas ideias estavamcomeçando a sair do discurso ecomeçavam, efetivamente, a seraplicadas. Quando cheguei naentidade, depois de muita conversacom o Marcos Jank, busqueialinhar aquilo que eu acreditavaque precisa ser feito e tercerteza que a casa estava deacordo. Esse trabalho é baseadoem atender todas as demandas:pequenas médias ou grandes.Hoje estamos com um índice deatendimento que fica entre75% e 80% das demandas, umlevantamento feito mensalmentepela nossa assessoria. Isso émuito importante, porque haviauma sensação relativa ao setorde que escondia-se informações,de que não se abria paraconversas, que determinadosassuntos eram tabus.04 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


E o que mudou, efetivamente?Já estamos há quase dois anosmostrando que não tem assuntotabu, nada que a gente se recusea discutir. Temos especialistas paradiferentes áreas de atuação dosetor e vamos colocá-los à disposição.O segundo passo foi nãopermitir mais que informaçõesfactualmente erradas, e que eramuma constante naquele período,ficassem sem uma reação. A posturaanterior era de não reagir,mas não se pode mais pensar assime achar que, daqui a pouco,isso vai ser esquecido. É claro quealguns erros são admissíveis, masquando ocorrem erros muitoabrangentes e temos dados suficientespara sustentar que aquilonão é verdade, cientificamente, agente responde. Isso gerou umasituação nova, pois ninguém estavahabituado a ver carta ao editorou releases divulgando quedeterminada matéria tem equívocose onde estão as informaçõescorretas.Criamos um canal de informação regularsobre o que o setor está fazendo, o que estáacontecendo aqui e o que a gente pensaFoi preciso mobilizar todo o corpotécnico da Unica para isso?Sem dúvida, temos alguns campeõesde entrevistas, que sãomuito demandados, mas essa éuma necessidade, pois eles detêma informação. Além disso,deixamos para trás aquela posturade ficar esperando o jornalistatelefonar e passamos a serproativos, pois o volume de informaçõesinteressantes quepodem virar uma matéria jornalísticae que circula dentro daUnica é uma enormidade. Passamosa pensar essas informaçõesjornalisticamente e a questionaro interesse desse conteúdo.A partir daí nós pegamos otelefone e conversamos com osjornalistas. Às vezes há interessede divulgação por um veículoexterno, pois temos uma listaextensa de pessoas que a gentesabe que tem interesse no setore que podemos contatar.Quais prioridades já foram estabelecidasna política de comunicação?A Unica, no final de 2008, assumiucomo prioridade a questãodas mudanças climáticas e hojevemos noticiários de setores daindústria formando grupos parapropor detalhes do posicionamentoque o Brasil vai levar paraa Cop 15, na Dinamarca (Convençãodas Nações Unidas sobreMudanças do Clima), mas quemcomeçou esse processo foi a Unica,em novembro de 2008. Fomosa público, colocamos claramenteque o Brasil não pode nãoquerer assumir metas, que isso éuma postura menor, que tem deser revista. Do nosso ponto devista, isso é fundamental, pois oBrasil tem a matriz energéticamais limpa do mundo.Há erros de abordagem da mídia,a seu ver, em relação à Amazônia?Não raramente alguém aponta odedo para a indústria da canacomo se ela fosse, de algumamaneira, responsável. Há estudose especialistas diversos quedizem que nada tem a ver. OGreenpeace, por exemplo quetem prioridade de atuação naAmazônia, já disse que não é acana a responsável, são outrosfatores. Existem 23 milhões depessoas morando na Amazôniae muito pouca preocupaçãocom o que essas pessoas vão fazerpara sobreviver. Isso começaa explicar a questão da destruiçãoamazônica. CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 05


Os temas Amazônia, biocombustíveisversus alimentos e as condiçõesde trabalho dos rurícolascontinuam sendo muito demandadospela imprensa?Todo esse quadro, gradativamente,está migrando para outras prioridades,mas é preciso entender queesses questionamento são absolutamentenormais, pois nós estamosacostumados com essa indústriahá décadas entre nós, mas foisó em 2007 que o Bush anunciouo projeto de biocombustíveis dosEUA, com metas ultra-ambiciosasde produção e utilização de etanol.De repente, o mundo acendeu aluz e perguntou: que negócio é essede etanol? Se a maior economiado mundo está investindo pesadonisso será que o etanol é para mimtambém? Depois dessas perguntas,o próximo passo foi querer saberquem mais fazia isso e vieram todospara cá.Ainda é grande o número de visitasde delegações recebidaspela Unica?Em 2008, a Unica recebeu 160 visitasde grupos estrangeiros. Mais de40 delas também envolveram visitasa usinas. São políticos, autoridadesgovernamentais, chefes deEstado, investidores, pesquisadores,técnicos, jornalistas e estudantes.Este ano, pelo total contabilizadoaté o final de junho, indica que essenúmero será maior. Isso significaque nós, de repente, fomos para oholofote. O resto do mundo quersaber, rápido, o que tem paraaprender sobre esse negócio de fazeretanol, pois eles querem tambémdecidir se é para eles, ou seja,se é para produzir ou para importar- e não necessariamente do Brasil -pois têm mais de 100 países nomundo que plantam cana.Faz parte da estratégia receber bem.Temos uma pessoa destacada parafazer esse relacionamento institucionalQual tem sido a repercussão sobreo Compromisso Nacional Trabalhistaassumido pelo setor?Estamos ainda atendendo solicitaçõesde interessados, principalmenteda mídia estrangeira, quequerem explorar bem essa questão.E isso é muito interessante,pois não há outro exemplo de umarranjo como esse, envolvendoempresários e trabalhadores, poistudo o que está nesse compromissofoi consensual entre as partes.Não é o mundo ideal, mas há umaestrutura que representa mudançaspara melhor, sobre as quaistodos concordaram. Esse é umprocesso dinâmico, pois, periodicamente,nós vamos sentar, revisar,identificar uma outra área quedá para ser ainda melhor e adotarmudanças que sejam consensuais.Qual é a adesão ao compromisso,atualmente?Os que gostam de criticar dizemque é voluntário, mas 330 usinasjá aderiram. Quando uma usinaadere, ela está se expondo a umaauditoria independente, que vaidizer se aquilo está bom ou não. Ausina se compromete a cumprir oque diz o protocolo e, se não forassim, ela vai passar pelo papelãode ser excluída.Como está sendo trabalhado, sobo ponto de vista da comunicaçãocorporativa, a relação entre aquestão ambiental e a produçãode bioenergia?Também com ciência. Temos todoo interesse em ser informados sobreestudos de todo o tipo e queestão sendo feitos em númerocrescente. A Unica virou um polode atração desse tipo de informação.Existem várias universidadese empresas bancando estudos.Nós mesmos estamos fazendo levantamentoscom os associados,às vezes extrapolando o quadropara ter uma base mais ampla. Hátodo um interesse em ter certezadas coisas, em responder com dadosconcretos e o impacto dissointernamente é que hoje temosuma área de dados estatísticosque está se estruturando e se organizandocontinuamente paranão apenas receber os dados, mastambém para que eles entrem nosistema de maneira organizada.A Unica inova ao utilizar novas ferramentas,como o Twitter, para secomunicar com outros perfis de público.Qual é a estratégia para trabalharcom a internet nessa novapostura de comunicação assumidapela entidade?Hoje nós temos uma área de produçãode conteúdo na Unica, poistínhamos muita informação importantecirculando aqui dentro eque não estava desaguando em lugarnenhum. Isso faz parte daquestão de ser proativo, tornar umhábito deflagrar o que aconteceaqui dentro. Quando começamos,o nosso noticiário diário era umacoisa interna, com 150 pessoas nomailing. Nós reformulamos, decidimoso tipo de informação que iríamosdivulgar e, quando possível,com o ponto de vista da Unica.A partir disso, nós abrimos anewsletter para todo mundo quequer receber, inclusive com umaversão em inglês. Criamos umcanal de informação regular sobreo que o setor está fazendo, oque está acontecendo aqui e oque a gente pensa. E o Twittertambém faz parte disso, já queestá criada essa ferramenta, commensagens curtas, imediatas egrátis. Vamos usar isso para umacoisa produtiva.Uma outra ação adotada pelaUnica foi o alinhamento das iniciativasde comunicação das empresasassociadas à entidade. Quala importância dessa medida?Foi muito importante e ainda temosde evoluir, mas não temos apretensão de dizer: alinhem-seconosco. O que a gente faz, naverdade, é explicar para as empresasdo setor, principalmente asassociadas, mas também aos sindicatosde outros Estados, o queestamos fazendo e priorizando. Éimportante ouvir todo mundo nahora em que se desenha qual vaiser a nossa estratégia lá fora.Quanto mais amplo conseguirmosser nesse trabalho, de forma a colherum pensamento bem representativodo setor, melhor será.Adotamos uma regrinha que é aseguinte: da porteira para dentro écom eles. Da porteira para fora écom a Unica. Isso já está bem organizadono setor e os empresáriosjá consultam muito a gente,pois eles são procurados não apenaspor jornalistas, mas tambémpor pesquisadores e empresasmultinacionais, por exemplo. Essademanda exige deslocar uma pessoaque fale inglês e não é todausina que tem alguém preparadopara receber, por exemplo, umgrupo de parlamentares japoneses.As usinas também estão sendomuito demandadas?Sim, tem usinas que, sozinhas, receberammais visitas que a Unicano ano passado, como a São Martinhoe a Cosan. As unidades próximasa São Paulo, especialmente,são muito demandadas.E qual é a política de comunicaçãocom o consumidor?Uma das mudanças no comportamento,com produção de informaçõese proatividade, foi o início deum trabalho baseado em campanhaspublicitárias, realizadas em2007 e 2008. Isso gerou uma sériede ações que não serão repetidasem 2009, pois este ano não haverácampanha. Haverá uma presençamuito pontual e esporádica da Unicacom mídia paga, pois nós estamosfocando em ações. A prioridadeé apoiar o projeto Agora, quepretende reunir a cadeia produtivaao redor dos produtos da cana ecriar um esforço de marketing bemmais robusto em nome da cadeiaprodutiva e não só de quem produz.Qual é o passo inicial desse projeto?A primeira ação do projeto, umainiciativa educacional, começouhá alguns dias. Chama-se DesafioMudanças Climáticas, um projetoimenso, com site próprio (www.desafiomudancasclimaticas.com.br).Esse projeto vai atingir mais de 2milhões de estudantes e 47 milprofessores de escolas públicas emoito Estados. Nós preparamos, comapoio de uma empresa externa,material didático que vai ser usadoem sala de aula para esclarecer aquestão do aquecimento global emudanças climáticas e, nessecontexto, explicar a importânciado uso de energias renováveis, entreelas o etanol. Isso vai redundarem um prêmio para cada um dosEstados participantes, que seráentregue no final de novembro. Otema da produção a ser feita pelosestudantes é: O aquecimentoglobal e a minha região - como fazera diferença?E quais serão os próximos passos?Teremos outras iniciativas do projeto.Ele vai se expandir, pois sevocê é dirigente de uma montadorade automóveis ou de uma indústriade autopeças, por exemplo,tem alguma dúvida de que precisaestar dentro do Agora? Nenhuma,pois 93% do carros vendidos noPaís são flex. Além disso, temosadubos, agroquímicos, logística,infraestrutura, indústria pesada egrandes fornecedores para a áreade bioletricidade, entre outros. Esseprojeto é o nosso grande foco enão mais pertence à Unica. Sãocinco as empresas que o lançaram:Itaú-unibanco, Monsanto, Dedini,SEW-Eurodrive e Basf, além daUnica e sindicatos de Açúcar eEtanol dos Estados.06 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


PARABÉNSParabenizo o CANAL poratuar no setor decomunicação comcompetência e ética,oferecendo aomercado nacionalcampanhas publicitárias, açõesde marketing e informaçõesvariadas de qualidade ecomprometidas com o sucesso docliente e a satisfação dacomunidade. Parabéns por maisum ano e pela nossa parceria.Thiago Rubião - Diretor da agênciaIdeia10 Comunicação IntegradaFicamos satisfeitos por, duranteesses três anos, poder contarcom informações de qualidade,pertinentes e inseridas em umbom trabalho de edição.Parabéns equipe CANAL, Jornalda Bioenergia!Henrique Penna,Diretor Técnico da Jalles MachadoNós, da Labcom, parabenizamos a equipedo CANAL por mais um aniversário.É gratificante ver um veículo de comunicaçãorompendo essa barreira com competência eseriedade. Buscando sempre a excelência comeditoriais técnicos e de responsabilidade com osseus parceiros. Parabéns pelo excelente trabalhorealizado nesses anos e que se multipliquem pormuitos outros.Michelle Marcon - Mídia – Labcom ComunicaçãoIntegrada.Ribeirão Preto (SP)."O trabalho da MMTec é predizer,portanto sabíamos, desde o início,que o CANAL seria um sucesso".Eng. LucianoMarques, GerenteComercial da MMtec - Manutençõese Projetos.Parabéns! Meorgulho em serparceiro doCANAL-Jornal daBioenergia, umveículo de comunicação queauxilia na gestão empresarialde todos os ramos envolvidosno setor de agroenergia,levando informaçãojornalística com foco nocrescimento do mercado.Ricardo Amadeu Silva -Presidente da TransEspecialista.CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 07


CRÉDITO DE CARBONONovas oportunidadesno mercado de trabalhoESPECIALISTASSINALIZAM NOVA ONDADE EMPREGOS NOMERCADO DE CRÉDITOSDE CARBONOMaiara DouradoPara engenheiros, biólogos, economistas,advogados e administradores, o mercadode carbono tem se apresentado comonova e promissora possibilidade de ingressona área profissional. Segundo o vice-presidenteda Associação Brasileira das Empresas doMercado de Carbono (Abemc), Nuno da Cunha eSilva, a comercialização desses créditos é a quemais cresce em volume de mercado. "Os discursosde todos os líderes mundiais influentes, nessemomento de crise financeira, falam em umanova economia, calcada na necessidade de reduzira emissão de gases que provocam o aquecimentoglobal. Muitas oportunidades surgirãonos próximos anos e, portanto, aqueles que estiverempreparados poderão se habilitar a estemercado novo e cada vez mais demandante demão-de-obra especializada", prevê.As oportunidades para profissionais nessa árease tornam especialmente interessantes pela possibilidadede evolução de carreira, investimentoem um mercado de enorme perspectiva e pelaforça e importância que tem adquirido ao longodos anos. São cerca de 30 empresas envolvidascom projetos de créditos em carbono registradaspela associação e mais 8 empresas de auditoria everificação de projeto.A demanda tem crescido tanto que a AmbioSoluções Ambientais firmou parceria com a PontifíciaUniversidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio) no sentido de aproveitar os profissionaisprovenientes dos cursos de pós-graduação eextensão voltados à questão de créditos de carbono."Um programa de estágio que permite formarpessoal para atender as necessidades da empresa",explica Nuno. Há cerca de dois anos, os projetosdessas empresas eram desenvolvidos na Inglaterra.De acordo com Ricardo Neuding, diretor daempresa Ativos Técnicos e Ambientais (ATA), hoje,somente empresas estrangeiras importam esse tipode mão-de-obra. "O Brasil tem qualificação",garante o diretor. O profissional que se interessarpelo setor deve atentar para algumas exigênciasdo mercado, como fluência em línguas estrangeiras,sobretudo em língua inglesa, conhecimentoem informática, matemática financeira e, principalmente,em projetos de créditos de carbono.Em contrapartida, o salário se destaca, semdúvida, como uma das grandes vantagens do setor."Além do salário fixo, há um salário variável,em função do total de comercialização anual decréditos de carbono. As empresas dividem os lucroscom os funcionários", explica o vice-presidenteda Abemc. O salário varia entre R$4 mil eR$12 mil reais, podendo chegar a R$ 20 mil o salárioinicial para executivos do setor.08 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


TRANSPORTEHidrovias podemsalvar País de colapso logísticoPAÍS DESPERDIÇA OPOTENCIAL HIDROVIÁRIO QUEPOSSUI. APROVEITAMENTOATUAL REPRESENTA APENAS7% DO TRANSPORTE DAPRODUÇÃO BRASILEIRALuisa DiasOtransporte de cargas por hidrovias noBrasil representa cerca de 7% do totalda produção brasileira, de acordo com aAssociação Brasileira de Empresas e Profissionaisde Logística (ABEPL). A riqueza do Paísem recursos hídricos permitiria às empresas brasileirasque este fosse o principal modal de transporte.Com um custo 20 vezes menor que o dasrodovias, as hidrovias são, comprovadamente, menospoluentes, garantem maior segurança à cargae são essenciais para garantir o crescimento daeconomia nacional.Mas com 65% das cargas transportadas por caminhõesnas precárias rodovias brasileiras e poucosrecursos, os governos federal e estaduais seequilibram para garantir a manutenção e a segurançadas rodovias e investem, paralelamente, nasferrovias, que transportam 18% da carga brasileira.O que sobra para as hidrovias são planos futurose a expectativa de ser a grande salvadora deum colapso logístico que o País deve viver nospróximos anos.Segundo o presidente da ABEPL, Luciano Rocha,os estudos indicam que se o Brasil crescer em média5% nos próximos três anos, a infraestrutura logísticanão irá suportar o escoamento deste crescimento."O país é manco na questão de transporte",afirma Rocha. O exemplo mais recente, citadopor ele, foi a incapacidade das transportadoras ematender a demanda, em 2007, quando o País teveum crescimento de cerca de 5%. "Todos saemperdendo, pedidos são cancelados, acontecematrasos e os fretes se tornam ainda mais caros,o que eleva o custo de produção. E onde hámuita demanda é normal que o preço dofrete suba", destaca.Ele aponta como principais problemas da malhade transporte a dependência quase exclusivadas rodovias, a debilidade da infraestrutura detodos os modais (aeroportos, portos, rodovias, hidroviase ferrovias) e a falta de comunicação entreos mesmos. A solução apontada em coro unânimede especialistas é a hidrovia. Além de ser ummodelo de transporte com menor custo, as condiçõesgeográficas brasileiras são incentivadoraspara investimentos no setor. "Não queremos apenasapontar o problema, queremos propor solução.As rodovias sempre serão usadas, porque é oúnico modal capaz de buscar o produto onde eleé produzido, mas o uso precisa ser estratégico e ainterligação com as hidrovias é importante. Se osrecursos são poucos, vamos chamar a iniciativaprivada e tornar o negócio viável", afirma Rocha,que defende uma parceria público-privada.A previsão é que, com o alargamento das capacidadesdas hidrovias, o empresariado brasileiroiria economizar o suficiente para refazer asrodovias, desgastadas pelo intenso transporte decargas. Cada barcaça (unidade que compõe aembarcação) pode transportar até 1.500 toneladasem cargas, o que significa retirar 50 carretaspor operação das rodovias com um único motor."Além das condições favoráveis das hidrovias,sem buracos e pedágios, ainda são mais seguras,devido ao alto índice de roubo de cargas nasnossas estradas. E para quem usa as estradas, haveriaqualidade para o tráfego de pessoas, muitasvezes prejudicadas pelas cargas".O fator segurança é um apelo que ganha oapoio da sociedade, que também acaba sendovítima da marginalidade nas rodovias. Só em2007 foram registrados 11.700 roubos de carganas rodovias federais. Em São Paulo, no primeirosemestre deste ano, foram 634 ocorrências,14,50% a mais do que no ano anterior, de acordocom a Secretaria de Segurança Pública do10 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


Estado de São Paulo. O prejuízo avaliado peloSindicato das Empresas de Transportes de Cargaé de cerca de 100 milhões de reais. No principalEstado brasileiro, o modal hidroviário representaapenas 0,5% de todo o transporte feito, contrao percentual de 70 a 75% que representa otransporte rodoviário.INVESTIMENTOSO Brasil possui 13 mil quilômetros de vias navegáveis.Só o sistema Tietê-Paraná tem 2.400 quilômetros,interligando os cinco Estados com maiorprodução de soja no País. Com obras de infraestrutura,o potencial de navegação é de até 44 milquilômetros de extensão. Mesmo com pouca utilização,o sistema hidroviário cresce cerca de 20%ao ano e o governo brasileiro começa a perceber anecessidade de uma integração de todas as matrizesde transportes existentes no País.Para isso foi lançado o Plano Nacional de Logísticado Transporte, que visa estimular outrasmatrizes modais que não a rodoviária. Em SãoPaulo, outra novidade é o Plano Diretor de Desenvolvimentode Transporte, que quer aceleraro crescimento do modal hidroviário e aumentaro seu uso de 0,5% para 6% até 2020.Outros desafios citados pelo presidente da AssociaçãoBrasileira de Empresas e Profissionaisde Logística (ABEPL) estão relacionados a investimentosnas hidrovias. "É preciso melhorar asnossas eclusas e também as barcaças". Ele aindacita que o leque de produtos transportados pelosrios brasileiros terá que ser ampliado. Hoje, ashidrovias são utilizadas, basicamente, para otransporte de commodities.wilson dias/abrCHINAPara Rocha, não existe hoje um País que possaser um modelo para o Brasil em uso do sistema hidroviário."A China pratica investimentos de 4% a5% do PIB (Produto Interno Bruto) em infraestrutura,por isso conseguiu crescer tranquilamenteuma média de 13%, nos últimos seis anos, mas elanão segue um modelo ideal dos recursos hídricos.No Brasil, os investimentos são da ordem de 0,3%a 0,4% do PIB. Devíamos ser o modelo para o restodo mundo, porque poderíamos usar com criatividadee competência o que Deus nos deu comorecurso natural do nosso País", afirma.PACO último levantamento feito pelo Ministériodos Transportes por meio do PNLT (Plano Nacionalde Logística e Transportes) mostra que osfretes hidroviários podem ser até 62% mais baratosdo que os rodoviários, gerando economiapara os cofres públicos. Mesmo assim, os investimentospropostos no Plano devem mostrar resultadosefetivos em apenas 20 anos, com aumentoem 50% do transporte no sistema.Os recursos são oriundos, principalmente, doPlano de Aceleração do Crescimento (PAC) e seconcentram nos corredores Oeste-Norte, Araguaia-Tocantins,Transmetropolitano do Mercosule do Sudoeste e nas eclusas de Tucuruí e deLajeado. A previsão é que investimento total doPAC, na região amazônica, seja de R$ 700 milhõese sejam construídos 67 terminais hidroviáriospara atender embarcações fluviais. CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 11


Investimentos em Goiás passam pela Hidrovia Paranaíba-Paraná-TietêAndré Rocha, presidente do Sifaeg, Sérgio Caiado,secretário de Infratestrutura e Paulo Afonso,presidente da Fieg, durante o seminário No último dia 7 de agosto, a Federação da Indústriado Estado de Goiás (Fieg), em conjuntocom a Secretaria de Infraestrutura, realizou, naCasa da Indústria, o seminário Hidrovia Paranaíba-Paraná-Tietê.Foi apresentado, no evento, oPlano Diretor da Hidrovia Paraná-Tietê, elaboradono âmbito do Grupo G5+1, composto pelos Estadosde Goiás, Minas Gerais, São Paulo, MatoGrosso do Sul e Paraná mais o governo federal.Para Goiás, a discussão é especialmente importante,pois as cargas oriundas do Estado saem apartir do Porto de São Simão, percorrem um trechode 336 km até o Rio Tietê e mais 585 km aolongo da via hídrica, perfazendo uma extensão de921 km, onde é feito, no Terminal de Pederneiras,o transbordo para o modal ferroviário para acessoao Porto de Santos. Hoje, somente as cargasque partem de São Simão já retiram cerca de 30mil carretas por ano das estradas, com um milhãode toneladas embarcadas por ano. As cargas oriundasde Goiás são responsáveis por cerca de70% do carregamento ao longo do Rio Tietê. OPorto de São Simão possui capacidade operacionalde 2.250 toneladas por hora e tem seus terminaisde cargas operados por cinco empresas.Os investimentos no Plano Diretor para a Hidrovia,elaborado pelo Grupo G5+1, prevê investimentosem quatro grandes blocos e que cntemplama eliminação de gargalos, com correções emvãos de navegação de pontes e outras obras demenor porte (tramo norte, tramo sul e ao longodo Rio Tietê); a intermodalidade com criação desérgio araújonovos pontos de interconexão entre a Hidrovia edemais modais, a extensão de novos trechos, paraampliação da Hidrovia, com a construção deeclusas e a duplicação de outras já existentes, paraaumentar a capacidade de cargas.Para a ampliação da hidrovia ao longo do Rio Paranaíbaserá necessária a construção de eclusas nasbarragens de São Simão, Cachoeira Dourada e Itumbiara.O custo é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão,o que permitiria a navegação num trecho adicionalde 452 km a montante do Porto de São Simão. Numaprimeira fase, pretende-se priorizar a construçãodas eclusas das barragens de São Simão e CachoeiraDourada e, mais tarde, da eclusa na barragem deItumbiara. Com a ampliação da hidrovia, está sendoprevista a implantação de duas Plataformas LogísticasIntermodais, sendo uma em Itumbiara – integradacom a Ferrovia Norte-Sul e BR-153 – e outraem Cumari/Catalão – integrada com a Ferrovia CentroAtlântica e a BR-050. Além dessas plataformaslogísticas, deverão ser criados também terminais hidro-rodoviáriosnos municípios existentes ao longoda extensão da hidrovia.CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 13


MUNDO DA BIOENERGIAIgor Montenegro Celestino OttoExecutivo do Grupo USJA saga do etanol comocombustível nos EUA14,5bilhões de galõesé a estimativa deprodução da indústriade etanol nos EUA jápara o próximo anoVerdade seja dita, foram os EUA os responsáveispela divulgação mundial doetanol como alternativa ao petróleonesta década. Muito tempo atrás, o Brasil jáutilizava o etanol como combustível, desde alongínqua época da Segunda Guerra mundial.O Proálcool brasileiro começou no final da décadade 70 e atingiu o seu auge durante a décadade 80. A tecnologia flex fuel transformouo panorama da indústria automobilísticaem nosso País a partir de 2004. Todos esses fatossão exemplos claros de sucesso do nossocombustível renovável, que poderiam ter influenciadodecisões de governo em outrospaíses mundo afora. Poderiam, mas não foi oque aconteceu. A entrada firme dos EUA naera do etanol foi o que realmente provocouuma discussão mais profunda sobre o temaem todo o planeta.Até o ano de 2001, a produção de etanol nos EUA nunca havia ultrapassado2 bilhões de galões/ano. O uso do etanol americano eraprincipalmente para fins industriais, e ele ainda não havia sido utilizadocomo combustível em larga escala. O preço do petróleo caminhavacom certa estabilidade, flutuando na faixa de US$ 10,00 a US$40,00 o barril, desde a década de 80. O ano 2001 foi o primeiro do governode George W. Bush e também o do ataque terrorista em NovaYork. Nos anos seguintes, os EUA iniciaram duas guerras simultâneasno Oriente Médio, no Afeganistão e no Iraque, o que provocou umagrande insegurança quanto a regularidade no suprimento de petróleono mundo. Além disso, a economia mundial passou a experimentar overtiginoso crescimento do consumo de países emergentes como Brasil,Rússia, Índia, China, Indonésia e África do Sul, dentre outros, o queocorreu com muita força durante esta década. Também neste períodohouve uma forte aceleração da economia nos países desenvolvidos,sentida mais fortemente nos EUA. A combinação desses principais fatoresprovocou uma elevação abrupta do preço do petróleo, que superouUS$ 60,00/barril em 2004, US$ 80,00/barril em 2006 e chegou amais de US$ 140,00/barril em 2008. Nesse cenário, passou a fazermuito sentido econômico aumentar a produção de etanol para finscombustíveis dentro dos EUA.O crescimento da produção de etanol passou a ter um forte apoiodo governo americano. Foi criada por lei a mistura de etanol à gasolina.Um subsídio público à comercialização de etanol foi aprovado eentrou em vigência. Foram abertas novas linhas de financiamento àprodução. Mais e mais plantas industriais foram construídas. Houvesignificativo avanço na área de plantio de milho, para servir de matéria-prima.Os resultados foram supreendentes, pois a produção de etanolde milho saltou de 2 bilhões/galões em 2002 para 10 bilhões/galõesneste ano de 2009. A estimativa atual é de que a capacidade deprodução da indústria de etanol nos EUA vai superar 14,5 bilhões/galõesjá para próximo ano.Milhares de empregos foram criados, uma nova economia surgiu emtorno do combustível renovável. Os preços do etanol estavam remunerandomuito bem os produtores. Algumas indústrias retornaram o investimentoem três anos, apenas. O preço do etanol nos EUA atingiu oextraordinário valor de US$ 3,50/barril no mês de junho de 2006. Nadaparecia deter a força crescente do etanol demilho. O sucesso do programa de etanol americanoganhou notoriedade mundial. Mas as liçõesda física reveladas por Newton não poderiamser revogadas, posto que são eternas, ouseja, a toda ação corresponde uma reação emcontrário, na mesma intensidade. Então, passamosa ver uma forte reação ao crescimento doetanol como alternativa energética em todo oplaneta. A principal jogada de marketing dosopositores do etanol foi a construção do mitode que o etanol iria provocar a redução da produçãode alimentos em uma escala planetáriajamais vista. Ganharam força os questionamentossobre a sustentabilidade ambiental, sociale econômica da produção de etanol.Os ataques partiam de diversas frentes: governosde países não produtores, alguns organismosinternacionais, empresas de energia e petróleo, laboratórios depesquisa e tecnologia, ONGs e etc. Contudo, o golpe mais duro contrao etanol nos EUA foi desferido pelo mercado. Os preços caíram dramaticamentedesde o final de 2006, chegando ao início deste ano de2009 a pouco mais de US$ 1,00/galão. Hoje, o preço está na casa deUS$ 1,70/galão.A indústria de etanol nos EUA vive agora um momento de reestruturação,a exemplo do que ocorre com a própria economia daquelepaís. Muitas companhias desse setor ainda são pequenas perto das gigantesdo petróleo (apesar de também haver gigantes como a ADM)e existe uma clara tendência de concentração no futuro. O consumode etanol, por lá, também é pequeno em relação ao consumo de gasolina,mas com perspectivas de crescimento contínuo.No geral, pode-se dizer que o futuro continua sendo muito promissorpara o etanol americano. As projeções do preço do petróleo são dealta, seja pela volta do crescimento do consumo, seja pelos limites daprodução no tempo. A capacidade de aumentar a adição de etanol àgasolina na América do Norte também é enorme. O conceito do veículoflex fuel está ganhando muitos adeptos no mercado automobilísticoamericano. O presidente Barack Obama tem demonstrado maiorpreocupação com o aquecimento global e com o suprimento de energia.Por isso, o seu governo está realizando ações concretas no sentidode criar uma nova economia baseada na sustentabilidade e na independênciaenergética do país. Para completar, estão muito avançadasas pesquisas para a segunda geração do etanol, já apelidada degrassoline (gasolina de grama, em uma tradução livre). Essa segundageração do etanol tem potencial para substituir até metade da gasolinacomum consumida nos EUA, nas próximas duas décadas.A saga do etanol como combustível veicular nos EUA ainda estáapenas começando. Certamente, a história do etanol americano seráde muito sucesso, a exemplo do que acontece no Brasil hoje. Os EUA eo Brasil são e continuarão sendo os dois principais produtores de etanoldo mundo. Está na hora desses dois países escreverem juntos umnovo tempo para o etanol, para o bem do planeta Terra. Podemos começaressa história parando de pensar somente em tarifas e indo diretoao trabalho para construir uma aliança estratégica que contenhauma visão de futuro promissora, que nos una em torno de objetivoscomuns. Seria um ótimo começo.14 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


MECANIZAÇÃOQualidade dosolo garantidaCOLHEITA MECANIZADA DE CANAAUMENTA ESTOQUE DE CARBONO NO SOLOOestoque de carbono nosolo deve aumentarcom a colheita mecanizadada cana-de-açúcar.É que a terra passa a ficarcoberta de palha que, aos poucos,se decompõe, em comparaçãocom o processo inteiramentemanual, fundamentado na queimadas folhas para facilitar ocorte. A conversão de pastagensdegradadas em canaviais tambémdeve colaborar para o aumentoda quantidade de carbonono solo. A conclusão é do pesquisadorMarcelo Galdos, do Centrode Energia Nuclear na Agricultura(Cena) da Universidade de SãoPaulo (USP). Ele esteve à frentedas análises do fluxo de carbonode canaviais do Brasil, da Austráliae da África do Sul."O que temos de fazer é usar aagricultura conservacionista,transferindo o CO2 (gás carbônico)do ar para a planta e para osolo", comentou Carlos ClementeCerri, professor do Cena que orientouesses dois trabalhos, dosquais participaram pesquisadoresda Universidade do Estado do Colorado,Estados Unidos, e do Institutode Pesquisa de Cana-de-açúcarda África do Sul. "A cana colhidacom queima reduz o estoquede carbono no solo, mas sema queima aumenta", afirma Cerri.Segundo ele, a colheita mecânicapode fazer o solo reter até 3 toneladasde carbono por hectare emtrês anos, "um resultado importantepara deduzir das emissõesde gases do efeito estufa geradospela produção de etanol".Ainda não há consenso sobreesses valores, no entanto. "Nãotemos encontrado grande benefícioem deixar palha sobre o solo",comentou Urquiaga, pesquisadorda Embrapa Agrobiologia. Elechegou a ganhos mais modestos,de apenas 300 quilogramas decarbono por hectare ao longo dos16 anos de acompanhamento decanaviais em Pernambuco. "Nãopodemos nos preocupar apenascom carbono, temos de pensar nadinâmica da matéria orgânica eno papel do nitrogênio", disse. "Senão fosse assim, bastaria enterrarbagaço de cana para transferircarbono para o solo."Segundo o pesquisador, aquantidade de carbono estocadodepende dos resíduos, do grau dedegradação (solos mais degradadosretêm mais que os mais bemconservados) e da própria capacidadedo solo de acumular carbono."No início, o solo acumulamuito, depois menos", observou.Carlos Henrique de Brito Cruz,diretor científico da Fapesp, motivouos pesquisadores brasileiros afazer estudos cujos resultados sejamapresentados em revistas decirculação internacional. Geralmenteos "resultados ficam escondidosem publicações em línguaportuguesa", comentou. "Precisamoster mais presença mundialnesse assunto." Para ele, um dosdesafios à frente é "produzir umaciência que seja competitivamundialmente", aumentando onúmero de cientistas e a capacidadecientífica nessa área, paramanter a liderança na tecnologiade produção de etanol.(CANAL com Agência Fapesp)unica/divulgação


EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIOCANAL, três anos de comprEm todas as edições já publicadas,acompanhamos desde os investimentose as políticas públicas direcionadaspara a bioenergia, passandopelos avanços da pesquisa e osgargalos relacionados à infraestruturae logística de escoamento, atéaspectos específicos do setor produtivo,como a ameaça das pragas queafetam as culturas e as tecnologiasque promovem melhorias de desempenhono processo produtivo. Reveja.Dezembro 2006SAFRA CRESCENTEO aumento da área colhida para cerca de 4,5milhões de hectares (crescimento de 12%), refletiaa expansão do setor, com o início da produção devárias novas usinas sucroalcooleiras.Janeiro 2007DIFERENCIAL COMPETITIVOAções de responsabilidadesocioambiental desenvolvidaspelas empresas do setorsucroalcooleiro foram o temaprincipal da edição.Abril 2007LULA E BUSCH SE ENCONTRAM NO BRASIL EDISCUTEM O FUTURO DO ETANOLO encontro chamou a atenção do mundo para adisposição dos dois países de disseminar a tecnologiade produção entre nações com potencial para aprodução de álcool a partir da cana-de-açúcar.RESPONSABILIDADE SÓCIOAMBIENTALA melhoria das condições de trabalho dos rurícolas,paralelamente ao avanço da mecanização e oplanejamento de medidas para redirecionar a mãode-obraforam o foco dessa ediçãoMaio 2007Julho 2006FOCO DE INVESTIMENTOSA primeira edição do CANAL –o Jornal da Bioenergia, emjulho de 2006, fez um amplolevantamento sobre osinvestimentos na nova fronteira daprodução de etanol.Novembro 2006OURO DE MINASMinas Gerais, terceiro maior produtor deálcool e açúcar do País, e um dos líderesna atração de novos investimentos nosetor sucroalcooleiro, foi destaque naedição de novembro.Fevereiro 2007SALTO NA PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCARNo início de 2007, os dirigentes do setorsucroalcooleiro e analistas de mercado já previamum aumento acentuado da produção de etanol.MOVIMENTAÇÃO DOS INVESTIDORESGrupos empresariais investem na construçãode novas unidades sucroalcooleiras emvários Estados do Brasil, notadamente naRegião Centro-Sul, acompanhando aexpansão do mercado interno e asperspectivas de abertura das exportações.Março 2007Junho 2007MECANIZAÇÃO DAS LAVOURASO avanço da mecanização na colheitada cana-de-açúcar mereceu destaquena 10ª edição do CANAL.Julho 2007A BIOENERGIA NO NORTE DO PAÍSAs potencialidades do Estado do Tocantinspara a produção de bioenergia.16 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


misso com a informaçãoAgosto 2007BIOMASSA, FONTE ESTRATÉGICA DE ENERGIAA produção de bioeletricidade nas usinassucroalcooleiras e o amplo potencial que a biomassarepresenta como fonte estratégica de energia para oBrasil foram os destaques da edição número 12.Setembro 2007DIFICULDADES NO MERCADO DE AÇÚCARA situação do mercado de açúcar em 2007 e asperspectivas de remuneração para o produto foramabordadas na 13ª edição do CANAL.Dezembro 2007RETOMADA DE INVESTIMENTOSLevantamento do CANAL mostrou que Goiás,Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso doSul teriam juntos 198 novas usinas.BIOGÁS, ENERGIA AINDA POUCO APROVEITADAA coleta de biogás e a produção de energia elétrica nosaterros sanitários brasileiros foram os assuntos de destaqueda 17ª edição do CANAL.Janeiro 2008Abril 2008PRODUÇÃO DE CANA EM CRESCIMENTOAnalistas de mercado e levantamentos daConab apontavam aumento significativo daprodução canavieira em todo o País.Maio 2008O DESAFIO DE EXPORTARA conquista de novos mercados para oetanol no exterior e a ampliação dos jáexistentes foi o tema da 21ª ediçãoOutubro 2007DEFICIÊNCIAS DE LOGÍSTICAE ESCOAMENTO DA PRODUÇÃOMostramos que as condições paratransporte dos produtos agrícolasestão aquém da necessidade eapontamos os entraves à expansão daprodução de biocombustíveisAUMENTO DO CAPITAL ESTRANGEIRO NO SETORA crescente participação do capital estrangeiro nosetor sucroalcooleiro nos últimos anos foi o destaqueda edição de número 15.Novembro 2007Fevereiro 2008FERROVIA NORTE-SUL PASSO-A-PASSOO CANAL vem acompanhando regularmente oandamento das obras da Ferrovia Norte-Sul e, naedição de número 18, informou sobre a construçãodo trecho de 280 quilômetros entre Ouro Verde eUruaçu, no Estado de Goiás.PREVENÇÃO E CONTROLE DE PRAGAS DA CANAForam relacionados os insetos e doenças querepresentam ameaça à cultura e quais as providênciasnecessárias para garantir a sanidade nas lavouras.Março 2008Junho 2008CERTIFICAÇÃO PARA OS BIOCOMBUSTÍVEISA criação de um projeto de certificaçãointernacional para os biocombustíveis, lideradopelo governo alemão, por meio do Ministério deAgricultura, Alimentação e Proteção aoConsumidor e da Agência de Recursos Renováveis(FNR), foi a reportagem de capa da 22ª ediçãoESTRADA PARA O ETANOLA construção do trecho daFerrovia-Norte-Sul entre Palmas (TO)e Uruaçu (GO), com conclusão previstapara 2010, foi destacada naedição número 23Julho 2008CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 17


Janeiro 2009PERSPECTIVASA primeira edição de 2009, o CANAL destacou odesenvolvimento de novas tecnologias deprodução capazes de tornar as usinas maisprodutivas.Maio 2009CAMINHO SUSTENTÁVELO leitor se informou sobre como épossível conciliar a produção de etanol,açúcar e energia com preservaçãoambiental.MAIS AÇÃO E MENOS PESSIMISMOSeis meses após o começo da crise financeira mundialmostramos iniciativas no sentido de recuperar a economia.Reportagens bem embasadas registratam novas usinasentrando em operação, a moto flex chegando ao mercado, ospreços do açúcar em franca recuperação, dentre outros temas.Fevereiro 2009Março 2009BOAS NOTÍCIASO crescimento da produçãosucroalcooleira se mantémna safra 2009Junho 2009DEIXANDO A CRISE PARA TRÁSNovas usinas entram em operação em várias regiõesbrasileiras, mesmo diante dos abalos provocados pela crisefinanceira mundial. A dificuldade de acesso ao crédito nomercado financeiro é uma realidade, mas os segmentoseconômicos buscam alternativas.unica/divulgaçãoAbril 2009TECNOLOGIAS QUE FAZEM DIFERENÇAA utilização de modernas tecnologias e aformação de uma consciência de preservação egestão racional dos recursos hídricos estão searraigando na agroindústria canavieira.Julho 2009ESTAMOS VIRANDO O JOGOAbordamos em nossa matéria principal a discussãosobre o Código Florestal Brasileiro. Em outrasreportagens e artigos, assuntos diversos de interessedo setor sucroenergético, tais como a exportação deetanol, bioeletricidade e a importância damanutenção preventiva de máquinas18 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


Secretaria para créditode carbonoO presidente Lula pretendecriar uma Secretaria deCrédito de Carbono. Ela seriavinculada ao Ministério doDesenvolvimento, Indústria eComércio. Hoje, existe umacomissão interministerialvinculada à pasta da Ciência eTecnologia que discute e analisaprojetos do chamado Mecanismode Desenvolvimento Limpo.Reino Unido quermais energias limpasO Ministério de Energia eMudanças Climáticas do ReinoUnido quer alcançar suas metasdomésticas de redução deemissões de carbono -estabelecidas pela Lei deMudanças Climáticas aprovadano fim do ano passado - quedeterminam o corte de pelomenos 34% até 2020, emrelação aos níveis de 1990.O sucesso dasmotos flexLevantamento divulgado nofinal de julho pela Abraciclo(Associação Brasileira dosFabricantes de Motocicletas,Ciclomotores, Motonetas,Bicicletas e Similares mostra queos modelos Honda CG Titan MIX(biocombustível), de 150cilindradas, já representamaproximadamente 12% do totalde motocicletas comercializadasno País de março a junho de 2009.A comercialização da versão MIX,do modelo CG Titan 150 - capazde rodar com etanol, gasolina ou amistura dos dois combustíveis emqualquer proporção - supera todasas expectativas da Honda.Açúcar bate recordes de exportaçãoAs exportações brasileiras deaçúcar estabeleceram novorecorde. O valor das exportaçõesde açúcar no primeiro semestrecresceu 53%, registrando o maioraumento entre as principaiscommodities agrícolas exportadaspelo Brasil. No total, asexportações de açúcar atingiram10,4 milhões de toneladas entrejaneiro e junho de 2009, somandoUS$ 3,19 bilhões contra poucomais de US$ 2bilhões registradosno mesmo período do anopassado, para 7,6 milhões detoneladas exportadas. De acordocom o diretor técnico da UNICA,Antonio de Padua Rodrigues, "odéficit mundial de açúcar e aincerteza em relação à produçãode alguns países fizeram com queos preços mundiais de açúcardisparassem, o que permitiu umincremento substancial nasexportações brasileiras". Emmédia, a remuneração obtida peloprodutor brasileiro com a vendade açúcar, no primeiro semestrede 2009, foi 51% maior que areceita gerada com o etanolhidratado vendido no mercadodoméstico. Isso tem estimuladouma maior produção de açúcarpelas unidades produtoras,acrescentou Rodrigues.Os principais destinos dasexportações brasileiras de açúcarforam: Rússia (1,7milhão detoneladas, 16% do total), Ìndia(1,6 milhão de toneladas, 15% dototal), Bangladesh (0,6 milhão detoneladas, 6% do total), EmiradosÁrabes Unidos (0,5 milhão detoneladas, 5% do total) e Nigéria(0,5 milhão detoneladas, 5% dototal). Esses cinco países foramresponsáveis por 47% dasexportações brasileiras de açúcarno primeiro semestre deste ano.CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 19


foto: joão fernandesSaltos do Rio Preto:Parque Nacional da Chapadados Veadeiros20 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


Um outro mundopor trás das montanhasQuando o Morro da Baleiacomeça a se desenhar nohorizonte vem a certeza deque aquele não é um lugarqualquer. E não é mesmoexagero dizer que a Chapadados Veadeiros é um dosrecantos mais especiais doPaís. Difícil definir o que maisimpressiona naquele localeleito pelos esotéricos comorefúgio do fim do mundo epelos hippies como umespaço que emana energiaspositivas. Ambos têm suaparcela de razão e por esses eoutros motivos a Chapadatornou-se um destinoturístico disputado porvisitantes de todo o Brasil edo exterior.Rios de águas límpidas, bucolismo do distritode São Jorge, formação rochosa no Cerrado ecenários ideais para para a prática do rapelLocalizada no Nordeste de Goiás, a região oferecepaisagens surpreendentes com suas planíciese montanhas. Os rios de águas límpidas despencamem enormes cachoeiras e escavam as rochas,formando cânions ao mesmo tempo assustadorese fascinantes. A vegetação do Cerrado é preservadaem grande parte da área e abriga uma flora riquíssima,com flores de cores vibrantes que sedestacam na aparente aridez.Com um pouco de sorte, pode-se também serpresenteado com a visão de um bando de ararasbarulhentas ao fim da tarde, ou observar animaiscomo o lobo guará e o tamanduá. Junto com tudoisso, a simplicidade acolhedora de seu povo e ariqueza de sua cultura, que se misturam com umclima de magia e esoterismo, fazem da Chapadados Veadeiros um lugar único.A região se estende por cinco municípios goianos,mas o turismo se concentra em Alto Paraísoe no distrito de São Jorge, que reúnem muitosatrativos e oferecem melhores condições dehospedagem. As pousadas são rústicas e reproduzemo astral alternativo do local, sem deixarde lado o conforto. Quem quer ficar longe dapoeira deve optar por Alto Paraíso (421 quilômetrosde Goiânia). A cidade é pequena, com algunsrestaurantes, bares, lojas e pousadas espalhadospelas ruas pavimentadas.O povoado de São Jorge é menor ainda. Lá nãoexiste posto de gasolina nem banco, e poucos estabelecimentosaceitam cartões de crédito. Por isso,é recomendável abastecer o carro e o bolso emAlto Paraíso, que fica a 37 quilômetros.Em São Jorge todo mundo se conhece e secumprimenta pelas ruas poeirentas - menos deuma dezena. O povoado, além da vantagem de ficara apenas 1 quilômetro da sede do Parque Nacionalda Chapada dos Veadeiros, proporcionacontrastes interessantes que surgiram com a chegadados turistas ao vilarejo pacato criado por garimpeirosque, no passado, fizeram do local umacampamento para a extração de cristal.À noite, esses contrastes ficam bem evidentes.Bem perto de precários botequins, onde se vendepinga de arnica, como o Bar de Seu Claro e o Bardo Pelé, pode-se encontrar charmosos bares ourestaurantes.É o caso da Pizzaria Lua de São Jorge, onde aconstrução de madeira, as fogueiras para espantaro frio e a luz de velas criam um ambiente desonhos. No Café Bambu o artesanal de bom gostotambém predomina, conferindo o mesmo climarústico-chique.E os turistas aproveitam de tudo - no Bar deSeu Claro para cervejadas e rodadas intermináveisde violão e, na pizzaria, para saciar a fomeao som de MPB. Enquanto isso, o forró pode estarcorrendo solto na Casa de Cultura Cavaleirode Jorge, ao mesmo tempo em que bandas derock levam o público ao delírio no palco do Raizama,um santuário ecológico localizado a 3 quilômetrosda vila.Durante o dia, as diferentes tribos de turistas seconfundem nas dezenas de cachoeiras da região.As opções são muitas e na hora de escolher é bomlevar em conta a disposição para caminhar. Há trilhaspara todos os gostos: longas, moderadas, curtase até passeio para terceira idade e cadeirantes.Nas proximidades de Alto Paraíso, entre as cachoeirasmais visitadas estão São Bento, Almécegas1 e 2, Macacos e Macaquinhos, a Catarata dosCouros, Loquinhas, Cristais, Moinho e o Poço Encantado,esta já no município de Teresina de Goiás.Nos arredores de São Jorge, os roteiros tambémsão imperdíveis: Morada do Sol, Raizama, Valedas Pedras, Encontro das Águas, Vale da Lua, aspiscinas naturais de águas termais (no municípiode Colinas) e as estonteantes paisagens do ParqueNacional Chapada dos Veadeiros (veja reportagemna página seguinte).Para as caminhadas mais pesadas é indispensávellevar lanche e água potável, mas em algunspasseios pode-se encomendar no local comidacaseira feita na hora, com ingredientes da fazenda.É o caso do Encontro das Águas, Morro Vermelhoe Éden (onde ficam as piscinas de águasquentes) e o Vale das Pedras.No povoado também há bons restaurantes decomida caseira, além de pizzarias, creperias ebufê de massas.Fotos: evandro bittencourt/secretaria de turismo e meio ambiente de alto paraísoCANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 21


Descobrindoo CerradoA emoção de conhecer a belezaagressiva do Parque Nacional daChapada dos Veadeiros compensatodo o cansaço da caminhada. Nãohá o risco de se arrepender de umdia de passeio pela reserva. Sãooferecidos dois percursos diferentes,que só podem ser feitos comacompanhamento de guias. Umdeles leva aos saltos 1 e 2 do RioPreto - duas belíssimas cachoeirasde 80 e 120 metros, respectivamente-, passando por outro trechodo rio chamado de Corredeiras, indicadopara um mergulho revigorante.O circuito total tem cerca de9 quilômetros.O outro passeio tem como destinoo Cânion 2(foto ao lado) e a cachoeiraconhecida como Carioquinhas.Os gigantescos blocos de rocha,as piscinas naturais de águasprofundas e a geografia acidentadacriam cenários misteriosos e inesquecíveis.No caminho, o Cerradose exibe com toda sua força e aliviao esforço da trilha. O roteiro tem10 quilômetros de ida e volta, amaior parte em terreno plano.Criado em 1961, o parque abriga65.514 hectares de Cerrado preservado,com diversas formações vegetais,nascentes e cursos d´água,além de áreas de antigos garimposde cristal. Em 2001, foi declaradoPatrimônio Mundial Natural pelaUnesco. A entrada na reserva sópode ser feita até o meio-dia, comguias turísticos que cobram emtorno de 10 reais por pessoa.Várias pousadas de São Jorgeoferecem para o turista o kit caminhada,que custa cerca de 9 reais,com lanche completo - sanduíche,fruta e barra de cereal - e água mineral.Tênis, boné e filtro solar tambémnão podem faltar. O sol é fortena região e há pouca sombra natrilha e nos locais de banho.Piscinas de águas quentesEncontro marcadode culturasHabitantes da região mais pobredo Estado de Goiás, que enfrentouo isolamento durante décadas, ospovos da Chapada dos Veadeirospreservaram uma cultura rica e autêntica,desconhecida na maiorparte do País. São músicas, festas edanças, como a sussa, a dança tradicionalda comunidade quilombolacalunga, que escolheu a regiãopara fugir da escravidão por causade seu acesso difícil. Ainda hoje osdescendentes dos negros escravosque vivem na comunidade mantêma tradição, cuja característica sãoos giros das mulheres equilibrandouma garrafa de pinga sobre a cabeça,ao som da viola, do pandeiro, dasanfona e do tambor.A riqueza dessas manifestaçõesestimulou a criação do Encontro deCulturas Tradicionais da Chapadados Veadeiros (fotos à direita), quejá chegou à sua nona edição. O festivalé realizado nos meses de julhoe reúne saberes e tradições curiosasda região e de outras partes do País,numa troca de experiências inusitada.Neste ano, o encontro, quese encerrou em 1º de agosto, teveparticipação de representantes de12 Estados brasileiros e dois países- a Colômbia e o México. Índios dediversas etnias também estiveramno encontro, pela terceira vez.Ao longo de 15 dias do festival,apresentaram-se na vila de SãoJorge grupos de várias origens, comapresentações artísticas como acongada de Catalão, a contradançade Santa Cruz, a Folia do Divino deFormosa, a Caçada da Rainha deColinas do Sul, a catira de São Joãod'Aliança, o maracatu de Pernambuco,o carimbó do Pará, o fandangodo Paraná, além dos índios, quemostraram rituais como a corridade toras dos craôs. Entre as montanhasda Chapada, junto à naturezaexuberante, cruzar pelas ruas comíndios, quilombolas, catireiros esanfoneiros e ter o privilégio de conhecerde perto sua cultura é umaexperiência sem igual, que faz a almaagradecer.22 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


fotos: evandro bittencourt/paulo rezendeSERVIÇOOs preços de hospedagem podem variar muito, de acordo com a época desejada. Vejaabaixo algumas dicas de pousadas em Alto Paraíso e São JorgeALFA E ÔMEGA - Alto Paraíso (62-3446-1225) - Preços para casal variamde R$ 80 a R$ 110 reais para fim desemana de agosto. O pacote para 7 desetembro, com três diárias, sai por R$590,00 a R$ 690,00, dependendo dotipo do apartamentoCAMELOT INN - Alto Paraíso (62-3446-1581) - Hospedagem nos fins desemana de agosto fica entre R$ 126,00a R$ 273,00. No feriado de 7 desetembro, está sendo oferecido pacotecom quatro diárias, com preços de R$865,00 a R$ 1.365,00.CASA DAS FLORES - São Jorge (61-3234-7493) - Diária para casal emagosto sai de R$ 197,00 a R$ 247,00.Preço do pacote do feriado comquatro diárias varia entre R$ 896,00 eR$ 1.463,00. Valor pode ser pagoem sete vezes.ÁGUAS DE MARÇO - São Jorge (61-9962-2082) - Apartamentos entre R$60,00 e R$ 100,00 para casal. Com trêsdiárias, o pacote de 7 de setembro vaivariar de R$ 331,00 a R$ 506,00TRILHA VIOLETA - São Jorge (62-3455-1088) - Em agosto, diárias de R$110,00 a R$ 130,00. Pacote do feriadode setembro, com três diárias, sai entreR$ 520,00 e R$ 580,00.CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 23


TECNOLOGIAS DIGITAISFerramentas da eficiênciaREDUÇÃO DE CUSTOSE AUMENTO DAPRODUTIVIDADEAGRÍCOLA EINDUSTRIAL PASSAMPOR INVESTIMENTOSEM FERRAMENTASDE TA E TIEVANDRO BITTENCOURTAs indústrias sucroenergéticas brasileiras, emsua quase totalidade, já possuem instrumentospara medição e controle de suas atividadesagrícolas e industriais. A Tecnologia daAutomação Digital (TA) já é muito utilizada e, hoje emdia, é considerada um pré-requisito indispensável paraa operação desses processos. Adotada há mais tempono setor, a Tecnologia da Informação Digital (TI),por sua vez, tem maior difusão.A necessidade de obter maiores níveis de eficiênciatem criado uma crescente demanda por sistemasde informação e automação. No caso da informática,embora ainda seja tímido o seu uso em empresasagrícolas, quando comparado a outros setores daeconomia, os setores sucroenergético e cítrico sedestacam como os mais avançados no meio rural.O processo de redução de custos e melhor utilizaçãode insumos descobriu na Tecnologia da Informaçãouma ferramenta aliada, constata FábioCésar da Silva, pesquisador da Embrapa InformáticaAgropecuária. A informática é um instrumentode gestão da informação na fábrica, está associadaaos sistemas de automação e é especialmenteútil na implantação de programas de qualidade."Ela entra na gestão de controle empresarial, ajudana redução de custos, agiliza e integra as informações,"exemplifica.A evolução do uso da tecnologia nos processosagroindustriais vem se dando gradualmente, tornando-semais acelerada nos últimos 10 anos, como crescimento da produção de etanol. Com essasferramentas é possível desenvolver programas dePlanejamento, Desenvolvimento, Correção e Ação(PDCA), auxiliando na progressão dos níveis deprodutividade.Na parte agrícola, a ferramenta auxilia na fase deplanejamento, de reforma dos canaviais, da escolhade áreas, definição da época de corte, na otimizaçãoda frota e em tudo o que se refere a fluxos. "Em todaa logística de corte, transporte e carregamento, ainformática já está sendo utilizada, desde a décadade 90, para otimizar o fornecimento da cana comqualidade e reduzir custos. O que vem depois é o usono plantio e nas áreas de reforma, tudo isso focadoem economia, com destaque também para a reduçãode perdas."SOLUÇÕES DE PROBLEMASA agregação de novos fatores ao cenário da produçãosucroenergética dificultou a tomada de decisõesnas usinas, acredita o pesquisador da EmbrapaInformática Agropecuária, o que levou as indústriasa investirem mais nessas ferramentas. "Problemasde múltiplas origens, como gestão ambiental,socioeconômica, dos funcionários, cadeia de suprimentose da qualidade forçam os administradores aavaliar uma gama enorme de variáveis e decisõesque, sem a ajuda da tecnologia da informação, seriaimpossível tomar. "A necessidade de aproveitar a rapidez das respostasproporcionadas pela TI estimulou uma sucessão de investimentosem tecnologia de informação. As empresassadias investem de 0,5% a 2% do faturamento, anualmente,em TI. Ao aplicar aproximadamente 1,5% da suareceita em sistemas e softwares, o setor sucroalcooleirose insere neste universo", diz Fábio César da Silva.fotos:usina boa vista/divulgação24 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


Integrar ilhas de informação é o desafioA partir das salas de controle e de ferramentas que conferemmobilidade, tecnologias facilitam integração e supervisão dos processosjalles machadodivulgaçãoO engenheiro Marco Coghi, DiretorTécnico do Centro Brasileiro de Tecnologiade Automação (CBTA), diz quedesde o fim da década de 80, até osdias de hoje, pouco se investiu emplanos diretores de implantação de TAe TI porque os gestores estão semprecom o orçamento apertado. "Eles têmse limitado a atender requisitos pontuaisdos usuários. Isso criou um cenáriode ilhas de informação. O desafiopara os próximos anos será o deintegrar essas ilhas em benefício donegócio e da gestão do conhecimentoda organização a que pertencem."Marco Coghi acredita que, independentedo cenário atual das instalaçõesde TA e TI, sempre existirão muitospontos a avançar, pois a ciência e tecnologianunca deixarão de evoluir, devidoao incessante trabalho de pesquisa.Os próximos avanços, que representaminvestimentos a curto ou médioprazos em unidades de produção sucroenergéticas,na visão do diretor técnicodo Centro Brasileiro de Tecnologiade Automação, serão a eliminação doscabos de ligação dos instrumentos aossistemas de controle; implantação deanalisadores de laboratório instaladosna linha de produção (softsensors) eintegração da engenharia, operação emanutenção, ampliando-se o conceitooperador-mantenedor.EXCELÊNCIA OPERACIONALAlém disso, haverá maior integraçãodas áreas agrícola e industrial –com a expansão dos horizontes dedecisão dos gerentes agrícola e industrial–, expandindo-se também ocampo de atuação dos gerentes comerciale de suprimentos do cliente."Os avanços ainda dizem respeito àexcelência operacional, à arquiteturaorientada a serviços e ao gerenciamentodos processos do negócio. Essesinvestimentos revolucionarão aforma de gerir e dirigir uma indústriasucroenergética."Na produção e no gerenciamentoindustrial, Marco prevê aplicação crescenteda comunicação sem fio entremedidores e válvulas (wireless). Haverá,ainda, evolução no acompanhamentodo custo de produção e preçode venda, possibilitando a decisão domix de produção em tempo real."A conexão dos computadores debordo da área agrícola com o Centrode Operação Industrial interferirá nasdecisões da colheita e logística da entregade cana, em tempo real, visandoaumento de produção e diminuiçãode custos." Haverá maiores investimentosna segurança operacional, porexigência de regulamentos governamentais,e na redução da emissão depoluentes, em razão dos benefíciosrelacionados ao crédito de carbono,entre outras soluções.Investimentos em tecnologias da automaçãoe informação são imprescindíveisno incremento da competitividade.Para Marco Coghi elas são disciplinas-chavepara a conquista dos objetivosestipulados pelo planejamentoestratégico de uma organização. “Torna-setática de sobrevivência para odirigente trabalhar os custos gerenciaisfixos e variáveis em tempo real,tanto da produção agrícola como paraa produção industrial. Só a TA e TI,integradas, permitem isso."O diretor técnico do CBTA diz que arealização de investimentos para integraçãonuma única safra é inviável.Isso tem sido feito, segundo diz, pormeio de planos diretores de TA e TIcom horizontes de 5 anos. CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 25


APRENDIZADO E RENOVAÇÃOComo uma indústria deve se preparar paraagregar ferramentas de TA e TI em sua rotina equais mudanças precisam ser realizadas na preparaçãode seus recursos humanos? Para MarcoCoghi, o empresário do setor sucroenergético deveriater uma perspectiva ligada ao aprendizadoe renovação, investindo mais na educação e culturade seus empregados. "Particularmente, se eufosse um empresário do setor, criaria um programaespecífico para reciclar funcionários que vestema camisa da empresa, independente de suaformação. E criaria outro programa paralelo deintegração empresa-escola mais eficiente, pararevelar os gestores do futuro da minha empresa."Entre as principais ferramentas de TA e TI jáutilizadas nas áreas agrícola e industrial das indústriassucroenergéticas se destacam os computadoresde bordo nas máquinas agrícolas, coletoresde dados com GPRS (TA) e softwares deplanejamento de reforma, plantio, colheita, logísticade transporte (TI).MOBILIDADENo que se refere à mobilidade, recursos humanosvitais para o bom andamento das atividadesprodutivas precisam se deslocar com frequência,mantendo-se afastados da indústria por longos períodos.Esses profissionais e a própria empresa, noentanto, podem se beneficiar da TA e TI para manterem-seà frente de suas responsabilidades, mesmoausentes, graças às ferramentas como CloudComputing, SOA e webservices. "Elas ditarão astendências mundiais para a nova era do conhecimento.A TA e TI serão a infraestrutura para essa revoluçãoe a mobilidade será ainda maior. Os computadoresdiminuirão de tamanho a cada dia e oscelulares incorporarão muitas funcionalidades que,hoje, ainda exigem ações presenciais dos gestores.”A obediência a alguns critérios básicos na escolhade produtos e serviços relacionados às tecnologiasda automação e informação podem assegurarmelhor relação custo/benefício, cronogramase orçamentos realísticos e maior segurança,pela mitigação de riscos ao investidor. ParaMarco Coghi, essas medidas começam pelainstituição de um comitê e implementação deuma gestão profissional de projetos.CAPACITAÇÃO E RECICLAGEMO nível de entendimento dos dirigentes (empreendedorese executivos) dos benefícios e alcancedas ferramentas de TI e TA no setor sucroenergéticoé considerado alto nas usinas comgestão profissionalizada. "Nas usinas com gestãofamiliar, no entanto, essa compreensão é de médiopara baixo", compara o diretor do CBTA.Para Marco Coghi, a segurança de empregabilidadedos gestores é inversamente proporcional aoanseio que o dirigente tem em busca de capacitaçãoe reciclagem de novos conhecimentos. "Essacondição praticamente obriga o dirigente (profissionalfuncionário) a estar sempre estudando eatualizando seus conhecimentos com o que existede mais atual em ferramentas de TA e TI no mercado.Desse modo ele obtém ajuda para cumprirobjetivos pelos quais foi contratado e mensalmenteserá cobrado. Via de regra, o dirigente familiaré mais tradicional e conservador nesse aspecto."Ferramentas de TA e TI também estãopresentes na área agrícola das empresasSOLUÇÕES PARA O SETOR SUCROENERGÉTICOEMI - Enterprise Manufacturing Intelligence: Integraçõesentre os aplicativos legados, levando indicadores deperformance no painel focal do gestor.SOA - Service Oriented Architecture ou Arquitetura Orientadaa Serviços: representará a nova era da atual tecnologiacliente-servidor, onde tudo será possível fazer pela Internet.BPM - Business Process Management: Mapeará o fluxo idealdas informações necessárias.SCM - Supply Chain Management: Integração agrícola versusindústria em tempo real.APS - Advanced Planning and Scheduling: representará aaplicação de novos algorítimos para planejar reforma, plantioe colheita integrados com as reais necessidades da indústria,em tempo real, aplicando a teoria das restrições (TOC).DVR - Data Validation and Reconciliation: representa aaplicação de reconciliadores de dados para cálculo de balançode massa e energia em tempo real.AM - Alarm Management: Análise e plano de ação sobreestatísticas de ocorrência de alarmes de operação e gerenciais.PAM - Plant Asset Management / EAM - Enterprise AssetManagement: Gerenciamento do ciclo de vida dosinstrumentos e equipamentos de processo (ativosimobilizados) pelo tempo de vida de sua operação(Implementação do conceito Operador-Mantenedor).PLM/D - Product Lifecycle Management/Design: Integraçãoda Engenharia com a Manutenção dos ativos patrimoniais.RtPM - Realtime Performance Management: Gerenciamentoda performance de equipamentos e máquinas de processo emtempo real para otimização de tempos e custos industriais naaplicação de OEE (Overall Equipment Effectiveness).CM - Collaborative Management: Catalisador da colaboraçãode fornecedores (agrícola), indústria, clientes e todosfuncionários envolvidos nos objetivos do planejamentoestratégico da organização.Fonte CBTAfotos: ufg/usina são martinho/divulgaçãoMetodologiaajuda a preverprodutividadeda canaEm pesquisa de pós-doutoradodenominada Modelagem e Simulaçãopara Previsão de Produtividadeem Cana-de-Açúcar, o pesquisadorFábio César da Silva, daEmbrapa Informática Agropecuária,avaliou, de maneira mais precisa,a potencialidade produtivada área a ser utilizada para oplantio, em função das condiçõesde clima e solo. Parte do trabalhofoi realizado na Escola Superiorde Agricultura "Luiz de Queiroz" -Esalq (Piracicaba, SP)."Calibrei ummodelo para previsão de produtividadede cana e de clima,denominado de BRcane."A pesquisa buscou uma formade identificar prováveis áreas parao plantio de cana-de-açúcar,usando técnicas de modelagemque, por meio de variáveis climatológicase de solos, simulam aspectospráticos de uma situaçãoreal. "A previsão de produtividadeé uma importante ferramenta deplanejamento na lavoura canavieira",ressalta Fábio da Silva.O pesquisador simulou a produtividadepotencial da culturacanavieira em áreas de expansão,em função das condições climáticas,a partir da aplicação de valoresmédios diários de temperatura,número de horas de insolação,radiação solar e frequência dechuvas. Também foi organizadoum conjunto de dados experimentais,com e sem irrigação,além de informações sobre climae solo na região canavieira de Piracicaba,comparadas com resultadosda Austrália.Fábio da Silva simulou a adaptaçãoda variedade para um determinadoambiente de produção,com e sem estresse hídrico, usandoa modelagem. A pesquisa tambémfocou o potencial de biomassa,para fins de energia.A Embrapa Informática Agropecuária,segundo o pesquisador,atualmente desenvolve pesquisassobre a diagnose nutricional dacana e, numa outra linha, de sistemasde produção de rotação deculturas e análises climáticas paraa expansão da cultura.CANAL com Assessoria deComunicação da Embrapa26 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


OPINIÃOdivulgaçãoGUSTAVO GONELLA,engenheiro agrônomoSegredos para superar a crise“Ao contrário do quemuitos imaginam, ocenário de instabilidadeatual pode representarexcelentes oportunidadesde novos negócios”.Diante desse cenário de pouca liquidez ede sérias restrições de crédito no mercadosucroalcooleiro, o sistema de trocafoi a alternativa encontrada por muitas empresasdo setor sucroenergético para impulsionarseus negócios e impedir a redução de comprade insumos e defensivos agrícolas pelasusinas e produtores. Este sistema, apesar debastante utilizado em negociações de grãos, especialmentesoja e milho, era até então incomumem cana, e tem apresentado resultadospositivos para os que aderiram à solução.Acompanhar as tendências do mercado nãoé tão fácil como parece, já que nem todos possuemestrutura adequada ou estão preparadospara enfrentar uma turbulência na economia,esta muito menor do que se tem divulgado.Momentos antes da instalação da crise no país,o mercado sucroalcooleiro estava aquecido.Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) a produção brasileira atingiuna safra 2007/2008 mais de 493,3 milhões detoneladas. Estima-se que o acumulado do totalde cana produzida apenas na região Centro-Sul atingiu 431 milhões de toneladas, do inícioda safra até o final de junho, contra 372milhões de toneladas da safra anterior(2006/2007). A produção do etanol tambémapresentou crescimento quando comparadasas duas últimas safras. Em 2006/2007 foramproduzidos mais de 17,7 bilhões de litros doproduto, já na safra seguinte foram 22,4 bilhõesde litros.Já hoje, embora o Brasil se destaque comogrande produtor mundial e um dos mais importantesfornecedores de cana, o cenário é diferentee especialistas afirmam que os impactosda crise neste mercado devem ser negativosno que diz respeito ao volume de investimentono setor. Em relatório divulgado recentementea Companhia Nacional de Abastecimento(Conab) aponta que em 2010 haverásignificativa redução na quantidade de produçãoe de novas usinas, principalmente se essesnúmeros forem comparados aos verificadosem 2008, quando o cenário era positivo. Ouseja, apenas 20 das 35 usinas que deveriamentrar em operação apenas no Estado de SãoPaulo, este ano, vão iniciar suas atividades.De acordo com a Unica, este será um períodode reestruturação e consolidação devido àfragilidade financeira das empresas. A quedadas exportações de etanol também deve representarmudanças efetivas na produção brasileirade cana, que ao mesmo tempo, caminhapara um aumento nas vendas de açúcar, produtoque está em alta desde dezembro de2008. Este cenário é reflexo de uma reduçãonas safras de grandes produtores mundiais doproduto, como a Índia e a União Europeia epode ser uma saída interessante para os canavieirosdo país, que com uma adequação nasua produção podem manter o fluxo positivodos seus negócios.Vale ressaltar, porém que a demanda poretanol já voltou a apresentar índices positivos,com o aquecimento do mercado automobilístico,que se deu principalmente com a reduçãode impostos como o IPI, a partir do primeirotrimestre de 2009. Este aumento já previstona fabricação e venda de veículos flex,tanto para o mercado interno quanto externo,deve-se principalmente à necessidade dos paísesem reduzir a emissão de dióxido de carbono(CO2) na atmosfera.Há ainda outras opções criativas para osprodutores que querem sair do vermelho. Ageração de energia de bagaço da cana, porexemplo, pode ser um caminho bastante lucrativo.Este recurso vem sendo utilizado em largaescala pelas próprias usinas e também comercializadapara cobrir déficits financeiros.Apesar de não existir uma fórmula prontapara driblar os efeitos negativos da crise econômicaglobal, o segredo para minimizarprejuízos pode estar no diálogo entre a cadeiaprodutiva e os especialistas, tanto do setorprivado quanto de entidades governamentais.E ao contrário do que muitos imaginam,o cenário de instabilidade atual poderepresentar excelentes oportunidades de novosnegócios. Neste caso, a aquisição ou fusãode empresas pode amenizar os problemas.A eficiência do processo produtivo é oponto central de toda essa questão, pois cominvestimentos que possibilitem ao Brasilmanter as exportações de açúcar e álcool emníveis satisfatórios, será possível ganhar fatiasde mercados em crescimento, metas queaté hoje não foram alcançadas.CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 27


TECNOLOGIAResíduos de esgotogeram energia e economizam águaGERAÇÃO DE ENERGIA RENOVÁVEL E TRATAMENTO DE ÁGUA PARA REUSO DÃOSUSTENTABILIDADE AO SETOR DE SANEAMENTO NO PARANÁBárbara LauriaAEstação de Tratamento de Esgoto (ETE)Atuba Sul, que fica em Curitiba, estáimplantando uma nova alternativa parao reaproveitamento de resíduos deesgoto. Trata-se do tratamento físico-químicodos efluentes provenientes dos esgotos. Pararealizar esse processo, deverão ser reduzidos,inicialmente, os níveis de microorganismos, nitrogênio,alguns metais pesados, turbidez, cor, eodores. Posteriormente, com auxílio de pesquisasespecíficas, será realizada a redução de hormônios,fármacos e demais micro poluente químicos.Vale ressaltar que a unidade, que trata oesgoto gerado por cerca de 370 mil pessoas, é amaior estação do mundo em tecnologia de tratamentoanaeróbio de esgoto.A ETE Atuba Sul também está sendo preparadapara permitir o aproveitamento energético dos subprodutosdo tratamento do esgoto. O gás metano,por exemplo, será utilizado no reaproveitamento daágua, geração de energia elétrica e energia térmica.O projeto de produção de energia renovávelpela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar)é desenvolvido e coordenado pela diretorade Meio Ambiente e Ação Social da empresade saneamento, Maria Arlete Rosa, que tambémé responsável pelas pesquisas. "A Sanepar, dentroda política de atuação integrada interinstitucional,sempre que possível, estabelece parcerias,facilitando o desenvolvimento dos trabalhose a divulgação dos processos de inovaçãotecnológica. Para a ETE Ouro Verde, em Foz doIguaçu, onde o biogás é convertido em energiaelétrica, estabelecemos parcerias importantescom a Companhia Paranaense de Energia (Copel),com a Itaipu Binacional e Aneel, entre outrosórgãos", afirma Maria Arlete.Segundo o Presidente da Sanepar, Stênio Jacob,os trabalhos de pesquisa foram iniciadoshá alguns anos e os resultados obtidos indicamque adaptações e melhorias precisam, progressivamente,ser realizadas. "Esse projeto é tratadocomo prioridade dentro da Sanepar, vistoque, além de minimizar um passivo ambiental,com a utilização de um gás potencialmente poluidor,estamos gerando energia elétrica própria,reduzindo custos, além de, obviamente,contribuir para a minimização do aquecimentoglobal e nos tornando aptos para a possível geraçãode créditos de carbono nos sistemas queapresentam esta viabilidade", diz.BIOGÁSA Agência Nacional de Energia Elétrica -Aneel - concedeu, em setembro de 2008, autorizaçãopara que a Copel comercializasse energiaobtida a partir de biogás. Cada sistema geradorprecisa apresentar um registro junto àAneel, uma habilitação para vender energia elétricaao sistema nacional. Em 05 de janeiro de2009, a Copel realizou chamada pública para acompra de energia elétrica de empreendimentostermelétricos de geração distribuída queutilizem biogás oriundo de dejetos. Nesta oportunidade,a Sanepar habilitou-se a gerar estetipo de energia na planta da ETE Ouro Verde.O projeto de geração de energia elétrica a partirde biogás, subproduto do tratamento anaeróbiodo esgoto, teve início com a ETE Ouro Verde,em Foz do Iguaçu, em novembro de 2008. Devidoao sucesso, o projeto está sendo replicado emoutras estações de tratamento de esgoto degrande porte.28 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009


REÚSO DA ÁGUAA nova alternativa para o aproveitamento de água tratada, um dosmais volumosos subprodutos do tratamento do esgoto, tem importânciaecológica significativa. Segundo a diretora do meio ambiente, Maria ArleteRosa, com o novo processo deixa-se de emitir o gás metano, um dosgases que provocam o efeito estufa.Para tornar-se água de reúso, o efluente será tratado com ozônio.Também será utilizado carvão ativo granulado, para retirar os compostospresentes no efluente. Em laboratório estão sendo pesquisadas ascondições de tratabilidade para essa água e as complementações necessárias.A água tratada pode ser aproveitada na lavagem de pisos, preparo desolução de produtos químicos utilizados no tratamento de esgoto, diluiçãodos efluentes do tratamento da ETE e recirculação no processo deflotação na própria ETE, diz o Presidente da Sanepar, Stênio Jacob. "Posteriormente,após conhecimento e domínio do processo, esta água poderáser utilizada pela prefeitura municipal e indústrias, para lavagem deruas e pisos, rega de jardins de praças e combate a incêndios."ENERGIAUm sistema para o aproveitamento energético deve entrar em operaçãoem março de 2010. Os projetos executivo, estrutural e elétrico estãosendo contratados e o investimento previsto é de R$ 1,2 milhão."Com o aproveitamento energético do biogás devemos gerar energiaelétrica suficiente para tratar todo o esgoto que chega à estação, e energiatérmica para secar o lodo gerado no processo de tratamento do esgoto",afirma Maria Arlete. "A nossa expectativa é que a ETE Atuba Sulse torne autossuficiente em energia elétrica e, no futuro, possa gerar excedentea ser comercializado para a Copel". A estação consumiu, no anopassado, uma média de 90 mil kWh/mês.De acordo com o presidente da Sanepar, as obras civis para implantaro processo do tratamento já foram concluídas. O investimentochega a R$ 1, 3 milhão. A estação que irá tratar a água para reusotambém está pronta. Já estão em fase de conclusão o laboratórioe as instalações elétricas.Equipamentos e instalações da estação ETE Ouro Verde, em Foz do Iguaçufotos: stock.xchng/divulgaçãoStênio Jacob, presidenteda SaneparMaria Arlete Rosa, uma dasresponsáveis pelas pesquisasCANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009 29


Econegóciosem destaqueEntre os dias 1 e 3 desetembroserá realizada, emSão Paulo, a ECO BusinessShow 2009 - Feira eCongresso de Econegócios eSustentabilidade. Pelosegundo ano consecutivo, oevento realizado e organizadopela MES Eventos reúne, noCentro de ExposiçõesImigrantes, empresas elideranças nacionais einternacionais para debater asustentabilidade e suaimportância nos negócios.Ricardo Guggisberg, diretorexecutivo da MES Eventos,afirma que é fundamentalmostrar os projetos einiciativas que já estãoimplantadas e buscar cada vezmais alternativas para tornaros negócios economicamenteviáveis. A ECO BusinessShow 2009 surge como umagrande vitrine para asempresas e governosapresentarem suas ações queunem o equilíbrio ambiental,cultural, econômico e social",diz o executivo.Osram ilumina Shopping em São PauloO Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, tem umailuminação especial feita de acordo com práticas sustentáveis. Aarquiteta responsável pelo projeto de iluminação utilizoudiversos produtos e soluções que reduzem os impactos ao meioambiente. A OSRAM, escolhida como empresa parceira, teveseus produtos aplicados em todo o edifício do shopping. Foramutilizadas cerca de 500 lâmpadas OSRAM DULUX® que, alémde grande durabilidade, economizam cerca de 80% de energiaem relação às lâmpadas convencionais. Nos ambientes maisespaçosos, a arquiteta especificou 3.800 lâmpadas fluorescentestubulares LUMILUX® T5 HO, que entre suas característicasespeciais possui alta intensidade luminosa. "Nossa intenção eraa de criar uma iluminação difusa nos espaços sociais, fazendocom que as lojas tivessem destaque por meio da sua própriailuminação", ressalta a arquiteta Esther Stiller.fotos: osram/divulgaçãoBernauer na FenasucroA Bernauer, fabricante defiltros e ventiladoresindustriais, participa pelaprimeira vez da Fenasucro, de 1a 4 de setembro, emSertãozinho (SP), ondeapresenta o seu novo filtroeletrostático, que substitui commaior eficácia e economia ostradicionais lavadores de arutilizados pelas usinas noprocesso de exaustão de gasesdas caldeiras, oriundos daqueima de palha e bagaço e quegeram energia (biomassa) nasusinas. Os produtos e soluçõesem filtros e ventiladoresindustriais beneficiam o meioambiente e ajudam a preservara saúde das pessoas afetadaspela indústria detransformação em geral.30 CANAL, Jornal da Bioenergia - AGOSTO 2009

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