biodiesel - Canal : O jornal da bioenergia

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biodiesel - Canal : O jornal da bioenergia

Cartado editorTempo de crescerkelly costa10 PINHÃO-MANSO10Oleaginosa ganha espaço como opçãode cultivo para a produção dobiodiesel, principalmente naagricultura familiar. A planta destacasepela rusticidade e longo cicloprodutivo. Área ocupada pela culturana safra 2006/2007 nas regiõesCentro-Oeste, Norte e Sudeste devechegar a 20 mil hectares05 ÁLCOOL DE BATATAA batata-doce tem sidopesquisada pela UniversidadeFederal do Tocantins como opçãopara a produção de álcool. Entre asvantagens do uso do tubérculodestaca-se o seu aproveitamentototal, com a utilização dos resíduospara a fabricação de raçõesembrapaNovo ano. Novos desafios e oportunidades seapresentam. Os investimentos se multiplicam no setorde produção de bioenergia e até os mais pessimistasfazem previsões promissoras em relação aoscenários nacional e internacional. Nessa edição ouvimosalgumas das principais lideranças e consultoresdo setor e o resultado está na reportagem de capa.O título diz bem o que vem por aí: "Produção eMercado vão crescer em 2007".Estamos também dando seqüência à divulgaçãode iniciativas das empresas do setor sucroalcooleirona área de responsabilidade social. A usina SãoJosé da Estiva, localizada na cidade de Novo Horizonte(SP) é o destaque, dentro da série de reportagenssobre o tema iniciada na edição anterior.O CANAL Bioenergia mostra ainda uma entrevistasobre o biodiesel, com o consultor e especialistada área, Carlos Freitas. Ele fala sobre legislação,infra-estrutura e mercado para o combustívelque se apresenta como a grande vedete da agroenergia.Vedete que exige abundância de matériaprimae que tem no pinhão-manso, uma oleaginosapouco conhecida, mais uma alternativa paraprodução do combustível. Destaque também parauma reportagem sobre zoneamento agrícola. Afinal,torna-se cada vez mais estratégico para a agriculturaficar de olhos bem abertos nas condiçõesclimáticas, utilizando toda a tecnologia disponívelpara evitar prejuízos e ampliar a produtividade.E você, leitor, também pode participar da pautado CANAL. Envie sugestões de temas que gostariade ver abordados em nossas futuras edições.Boa leitura!SIFAEG18 ZONEAMENTOPesquisa aposta no zoneamento comorecurso para minimizar os efeitos doaquecimento global e outrasalterações climáticas que já causamprejuízos à agricultura. Esseinstrumento é eficaz na redução deperdas nas lavouras e determinantepara a concessão do crédito agrícola edo seguro rural brasileiro12 PERSPECTIVAS 2007Produção e mercado de açúcar ebiocombustíveis em 2007 têmcenários positivos. A safra de canacontinuará crescendo e novasunidades de fabricação de álcool ebiodiesel serão inauguradas, dandocontinuidade ao crescimento dosetor de bioenergia12embrapaO CANAL está disponível na internet no endereço: www. sifaeg.com.brCANAL, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação daMAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ: 05.751.593/0001-41DIRETOR EXECUTIVO: Joel Fragadiretor@canalbioenergia.com.brDIRETORA ADMINISTRATIVA: Ângela Almeidaadministracao@canalbioenergia.com.brDIRETOR COMERCIAL: César Rezendecomercial@canalbioenergia.com.brASSISTENTE COMERCIAL: Fernanda Oianoconsultor@canalbioenergia.com.brDIRETORA EDITORIAL: Mirian ToméDRT-GO - 629 editor@canalbioenergia.com.brEDITOR: Evandro BittencourtDRT-GO - 00694 redacao@canalbioenergia.com.brREPORTAGEM: Evandro Bittencourt, Mirian Tomée Rogério GuimarãesEDITORES DE ARTE: Pauliana Caetano e Fábio Aparecidoarte@canalbioenergia.com.brTRATAMENTO DE IMAGENS: Paulo RobertoBANCO DE IMAGENS: Clic Digital Photo - www.clicdigital.com.br,Studio 95/Museu da Imagem (62) 3095-5789, ÚNICA - União daAgroindústria Canavieira de São Paulo - www.unica.com.br,SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool doEstado de Goiás - www.sifaeg.com.br, Canal On Line -www.canalbioenergia.com.br REDAÇÃO: Av. T-63, 984 - Conj. 215 -Ed. Monte Líbano Center, Goiânia - GO- Cep 74 230-100 - Fone(62) 3275 4085 - Fax (62) 3093 4084www.canalbioenergia.com.br - email:canal@canalbioenergia.com.br TIRAGEM: 7.000 exemplares -IMPRESSÃO: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.brCANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelosconceitos e opiniões emitidos nas reportagens e artigos assinados.Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores. Éautorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte.


ENTREVISTA - Carlos FreitasBiodiesel,realidade mundialESPECIALISTA EM DESEVOLVIMENTO E GESTÃO INDUSTRIAL DE FÁBRICAS DE BIODIESEL NOSEUA GARANTE QUE O COMBUSTÍVEL SERÁ UM OCEANO DE OPORTUNIDADES NO BRASIL• Mirian ToméCarlos Freitas é engenheiro agrícola pelaUNESP Botucatu, tem pós-graduação emMarketing e Finanças pela FGV e é mestreem Engenharia Agrícola pela UFSCar. Ele é coordenadordo Programa de Gestão em AgronegóciosFEA-USP e tem 12 anos de experiência no desenvolvimentoe gestão industrial de fábricas de Biodieselnos Estados Unidos (Unioil - Grupo ChevronTexaco). É também consultor sênior pela TraceConsultoria em Agronegócios S/C; e colaboradorinternacional do "American Journal Of TropicalAgriculture". Ele falou ao CANAL Bioenergia sobreo mercado de biodiesel.CANAL - O Biodiesel tem mesmo futuro ou éuma "onda" que vai passar?O Biodiesel já é uma realidade mundial. Os EstadosUnidos ocupam liderança nas Américascom 1,6 MM de toneladas anuais, no entantoo Brasil é o País com maior potencial de crescimentoe consolidação no segmento de biocombustíveis.Na minha visão e experiência,vendo pela óptica dos cenários e potencialidadesdo agronegócio, diria que o biodieselnão é uma onda passageira, no caso do Brasilserá um oceano de oportunidades de crescimento.O Biodiesel veio para fincar moradanas terras brasileiras.A legislação brasileira em relação ao biodiesel éadequada ou precisa ser aprimorada?A legislação brasileira e as políticas fiscais aindasão protecionistas e ultrapassadas, elas protegemos interesses do setor petroquímico edeixam o segmento dos biocombustíveis semum norte. Gostaria de frisar que não será necessárioque o governo faça maiores estudos nestaárea legislativa e tributária. Basta seguirmos omodelo da Europa e dos Estados Unidos, ondeas regras são claras e permitem que os empreendedorespossam fazer seus investimentossem a preocupação com a engenharia fiscal etributária. A Argentina já está adiantada noprograma do biodiesel, lá existe uma visão demercado onde toda a cadeia do biodiesel é desoneradae portanto prevalece o bom senso. Ageração de emprego e renda ocorre de formanatural e formal, sem que aconteça a submissãode mão-de-obra em condições sub-humanascomo ocorre no semi-árido nordestino.“A legislação brasileira eas políticas fiscaisprotegem os interessesdo setor petroquímico edeixam o segmento dosBiocombustíveissem um norteE a certificação do biodiesel para o mercado internacional?Os padrões estão definidos ?A certificação do biodiesel para o mercado internacionalatende a rota metílica e estabeleceparâmetros para as culturas de colza e soja. Comotrabalhei no mercado americano, onde utilizávamoso padrão ASTM, entendo que estapadronização atende as exigências do mercadointernacional (Europa, Ásia e USA). O Brasil poderáadotar um parâmetro internacional de padronizaçãode seus produtos diferentemente dopadrão ANP, no entanto aquelas matérias-primasque fogem da padronização internacional,poderão atender aos ‘blends‘ do mercado nacionale serão adicionadas ao petrodiesel emproporções crescentes e seguras.O biodiesel é um negócio viável só para grandesinvestidores?A tendência será para grandes investimentos.Veja o que ocorre no setor alcooleiro e nas principaisplantas instaladas no Brasil e no mundo.“arquivo pessoalOs números de estabilização e viabilidade econômicasempre contemplam grandes empreendimentos,acima de 100 mil litros dia. O modelode negócio que deu certo e que prevalece nospaíses produtores de biodiesel é o de grandesplantas. No entanto, quando a necessidade deuma produção cativa se faz necessária, obviamenteque uma planta menor poderá atender auma necessidade específica.Qual o caminho que esses investidores devemtomar para evitar o fracasso da atividade?O insucesso de qualquer atividade econômica éfruto de uma ação mal planejada. O investidorprecisa ter o apoio de profissionais qualificadoscom conhecimento profundo no segmento eque tenha visão de mercado. Afinal, nosso concorrenteé o mercado internacional, e este éprofissional e impiedoso. Sempre recomendo aelaboração de estudos de viabilidade técnico/econômicaacompanhada de relatórios demercado para que os riscos do negócio possamser mensurados e qualificados.4 CANAL – janeiro/fevereiro de 2007


As plantas de usinas de biodiesel em conjuntocom usinas de álcool são o melhor caminho?A integração é uma das alternativas de reduçãode custo de instalação, no entanto existem outraspossibilidades que poderão contribuir paraa viabilização do negócio. Em minhas palestrasprocuro valorizar as diversas alternativas de integração,pois cada empreendimento apresentarácaracterísticas próprias.O governo federal vê no biodiesel uma alavancapara a agricultura familiar. O que o senhorpensa sobre isso?A agricultura familiar é um complemento paraa produção de grãos ou frutos com destinaçãoà produção de oleaginosas. O maior volumee oferta de produção indiscutivelmenteestá na agricultura empresarial, não podemospensar na sustentação de um programa debioenergia baseado na agricultura familiar.Sou engenheiro e trabalho há 12 anos combiocombustível e minha visão cartesiana meimpede de acreditar que a agricultura familiarpoderá dar sustentação a este programa. Ademanda é crescente e somente a produçãoem escala poderá atender ao crescimento dobiodiesel no Brasil e no mundo. Mais uma vezvamos voltar nossas atenções aos modelos denegócio que estão dando certo .E a infra-estrutura para estocar, transportar,vender internamente e exportar o biodiesel?Quanto à infra-estrutura de distribuição nomercado interno, já existem avanços por parteda Petrobras Distribuidora e outros distribuidoresindependentes. Afinal, a partir de 2008 aadição de 2% de biodiesel ao diesel será obrigatóriae as bases deverão estar equipadas paraeste novo cenário. Todas as grandes fábricasde biodiesel instaladas no Brasil já prevêem armazenagempara, pelo menos, 15 dias de produçãoe isto serve para regular a distribuiçãointerna. No entanto, em relação à capacidadede armazenamento nos portos, onde o produtoserá destinado à exportação, as condições aindanão atendem aos padrões internacionais,nem mesmo a capacidade instalada de tanquese terminais de descarga.“Sou engenheiro e trabalhohá 12 anos combiocombustível e minhavisão cartesianame impede de acreditarque a agricultura familiardará sustentação aoprograma do biodiesel“PESQUISAfotos: kelly costaProdução de álcool a partir dabatata-doceAprodução de álcool a partirda batata-doce faz parte doPrograma de Apoio à Criaçãode Oportunidades em MercadosAlternativos em Áreas Rurais doEstado do Tocantins, concebido paraatender a pequenos produtoresrurais das comunidades, assentamentose associações de agriculturafamiliar.A unidade piloto está implantadano Centro Experimental da UniversidadeFederal do Tocantins e maisduas mini-usinas vão ser construídasnos municípios de Porto Nacionale Palmas. Juntas elas terão a capacidadede produção de 1,2 mil litrosde álcool por dia.Os pesquisadores da UniversidadeFederal do Tocantins fizeram umtrabalho de seleção e conseguiramdesenvolver cultivares de batatadocebastante resistentes a doençase adaptadas à região.Segundo o professor da universidade,Márcio Silveira, as cultivarespossuem 27% a 30% a mais deamido que as cultivares originais,alcançando produtividade de até60 toneladas por hectare.Entre as vantagens do uso dabatata-doce para a produção deálcool, destaca-se o aproveitamentototal do tubérculo. Além da extraçãodo combustível, os resíduosda batata são utilizados para a fabricaçãode ração destinada à alimentaçãode aves, peixes e outrosanimais. Os resíduos são tambémempregados na indústria farmacêuticae bioquímica.A unidade experimental deprodução fica na UniversidadeFederal do TocantinsCANAL – janeiro/fevereiro de 20075


IMÓVEIS RURAISBrasil terá novomapa fundiárioIMPLEMENTAÇÃO DO CADASTRO NACIONALDE IMÓVEIS RURAIS PODE REVOLUCIONARSISTEMA DE INFORMAÇÕES FUNDIÁRIASstock.xchingUm termo de compromissoassinado pelasinstituições que possuemcadastros de terrase a criação de um grupo técnicorepresentam o ponto de partidapara a implantação do CadastroNacional de Imóveis Rurais(CNIR) em 2007. O cadastro permitiráa unificação, em uma basecomum, das informações estruturaisde outros cadastros edados de imóveis rurais distribuídosem diversos órgãos, aexemplo da Secretaria da ReceitaFederal, do Ibama, da FundaçãoNacional do Índio (Funai),da Secretaria do Patrimônio daUnião e demais órgãos dos governosfederal e estadual.Segundo o diretor de Ordenamentoda Estrutura Fundiária doIncra, Marcos Alexandre Kowarik,a implantação do CNIR representauma revolução completano sistema de informaçõesfundiárias do País. O CNIR estaráligado ao Sistema Nacional deCadastro Rural (SNCR), cuja modernizaçãojá está contratada, oque garantirá grande quantidadede acessos simultâneos, operaçãona internet e compartilhamentode vários bancos dedados. O SNCR, gerenciado peloIncra, reúne informações sobre ouso e posse da terra, provenientesdo Cadastro de Imóveis Rurais,Cadastro de Proprietários eDetentores de Imóveis Rurais,Cadastro de Arrendatários e ParceirosRurais e Cadastro de TerrasPúblicas. O CNIR, explica Kovarik,é uma feição do SNCR.Depois de implantado, o CNIRserá gerenciado em conjunto peloIncra e pela SRF. Com essas informações,o Incra poderá planejare executar de forma sistemáticaas ações de desconcentraçãofundiária, o combate à grilagem ea fiscalização do uso da propriedaderural no País.As informações disponibilizadasno CNIR terão o componentegráfico, ou seja, a planta doimóvel georreferenciada. Com aintegração do sistema de cadastro(SNCR) aos serviços registraisde cartório, o poder públicoterá maior controle sobre aestrutura fundiária. Isso vai possibilitaruma fiscalização maisefetiva contra a apropriação indevidae a transferência fraudulentade terras particulares epúblicas, bem como as invasõesde áreas de preservação ambiental,de territórios indígenase a evasão fiscal.


COGERAÇÃOJalles Machado recebeprêmio do governo federalA Jalles Machado é a primeira e únicaempresa do setor sucroalcooleiro a serescolhida pelo Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento (MAPA) parareceber, em sua primeira edição, o Prêmio"Iniciativas para o DesenvolvimentoSustentável da Agropecuária Brasileira", umreconhecimento pelo seu pioneirismo nacomercialização de créditos de carbono.Em 2004, a Jalles Machado recebeu dacertificadora Det Norske Veritas (DNV), daNoruega, o certificado de validação doprojeto de crédito de carbono, proveniente dacogeração de energia a partir do bagaço dacana. Desde então, a empresa passou porvárias outras etapas para entrar emdefinitivo no Projeto de Redução deEmissões de Gases do Efeito Estufa no Brasil,através de Mecanismos de DesenvolvimentoLimpo (MDL), cujas regras estãoestabelecidas no protocolo de Kyoto.sifaegFINEPFinanciadora aplicará recursos para reduzir efeito estufaA Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) vaiaplicar até 2009 cerca de R$ 80 milhões em projetosque proporcionem a redução do efeito estufa e,conseqüentemente, do aquecimento global. Anovidade é fruto do Programa de Apoio a Projetosde Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (Pró-MDL), lançado em dezembro passado. São duasmodalidades de financiamento, a dos reembolsáveise a dos não-reembolsáveis. Os reembolsáveiscompreendem as linhas de apoio a projetos de préinvestimentoe de desenvolvimento tecnológico desoluções. Já os não-reembolsáveis, que pressupõema cooperação entre empresas e InstituiçõesCientíficas e Tecnológicas (ICT's), têm uma linhavoltada para a criação de novas tecnologias e outrafocada na pesquisa de metodologias de linha de base,cálculo de emissões e monitoramento.Açúcar Guarani gera mais empregosCom a incorporação de duas unidadesindustriais nos municípios de Colina e deTanabi em 2006, a Açúcar Guarani chegou aofinal da safra 2006/2007 superando asexpectativas em relação à geração deempregos. A empresa conta com 6.833funcionários nas três unidades emPaíses que mais emitem dióxido de carbono(porcentagem do total emitido no mundo)Estados Unidos 36,10%Rússia 17,40%Japão 8,50%Alemanha 7,4%Reino Unido 4,3%Canadá 3,3%Itália 3,1%Polônia 3%França 2,7%Austrália 2,1%Espanha 1,9%Países Baixos 1,2%República Checa 1,2%Romênia 1,2%(Fonte: Finep)funcionamento, em Olímpia, Severínia eColina, e em trabalhos de campo nasunidades de Tanabi e Pedranópolis. Aunidade de Tanabi entrará em operação emagosto, com processamento estimado de 500mil toneladas de cana e produção de 40milhões de litros de álcool.


ARTIGO – Sidnei C. PimentelReforma tributária eprofecias de ano novoNa década de 80, o escritorLuís Fernando Veríssimo,ironizando as indefectíveisprofecias de ano novocostumava sempre dizer em tom definitivo:"este ano eu asseguro que oSerginho Chulapa [um atacante comfama de encrenqueiro] vai ser expulsode campo e a inflação vai continuarsubindo". Não errava uma. Utilizandoa mesma técnica de predizero óbvio, já antecipamos aqui nessemesmo espaço alguns meses atrásque o novo governo iria começar falandode reformas e mais reformas,principalmente a tributária.Pois então, o novo mandato deLula começa exatamente como oprimeiro, aliás como começaram osde todos os outros presidentes dahistória recente do País, com promessade promover, dentre outras,uma boa reforma tributária. Essaconversa tem se repetido com umafreqüência quase irritante por doismotivos básicos, o primeiro, e óbvio,é que pouca coisa prática foi feita.O segundo podemos chamar de umfalso consenso: todos concordam,mas cada um ao seu modo.Estamos de acordo que nãoagüentamos mais pagar tanto impostoe o governo reconhece quesobra quase nada para investir nainfra-estrutura do País. Portanto,todos queremos uma mudança derumos. Mas o entendimento se esgotaaí. Os Estados do Norte/Nordestee Centro-Oeste têm uma idéiade reforma tributária, enquanto osdo Sudeste/Sul têm outra completamentediferente. Isso sem falar particularmenteno caso de São Pauloque se julga o grande perdedor dasúltimas décadas e acha que é horade reverter o jogo.Num clima desses, será precisomuita habilidade política e extremacompetência técnica para que maisessa oportunidade não seja desperdiçada.Muita gente lúcida vem advertindoque um dos erros é apostarnuma reforma definitiva, aquelaque irá resolver todos os problemas,o que não passa de ilusão.A última tentativa no Congresso,no ano de 2003, foi um desses momentosde muito calor e pouquíssimaluz. Os desencontros eram semelhantesaos de agora com um agravantesério: o País estava numa recessão,situação em que, dada aperspectiva de perda de receitas,não há governo nesse mundo queconcorde com qualquer flexibilizaçãoem matéria de carga tributária.Ao invés de apostar em algumasmudanças pontuais, falava-se emreformulações drásticas, como porexemplo o ICMS Federal, tirando dosgovernadores todo o poder sobre otributo que sustenta os Estados. Estae outras idéias podem até ter os seusfundamentos, mas é preciso que hajaas condições políticas para leválasadiante. O resultado, como todossabemos é que nada de relevante seconseguiu, a não ser a prorrogaçãoda CPMF. "Belo" precedente!Portanto, para que não se repitao fiasco de quatro anos atrás seriade muito bom senso que nossas liderançasmedissem primeiro a viabilidadepolítica das propostas paradepois tentarem a sua implementação.Um dos assuntos que certamentenão vai faltar à mesa de discussões(como em 2003) é a pregaçãodo fim das políticas de incentivoindustrial, que os Estados do Sulchamam apenas de "Guerra Fiscal".Transformar esse tema numa espéciede "guerra de secessão" é meiocaminho andado para o fracasso. Éclaro que os incentivos fiscais, em algumascircunstâncias, precisam sermelhor dosados. Mas antes de elegêlosvilões da integridade nacional épreciso lembrar que por muitos anosno Brasil políticas indutoras de desenvolvimentoregional foram tomadascomo sinônimo de palavrão.Foi nesse clima de salve-se quempuder, que os Estados sacaram suaspolíticas próprias de desenvolvimentoe conseguiram reduzir, aindaque levemente, a enorme concentraçãodo parque industrial, pulverizandoempregos por esse Brasil afora.Essa alternativa agora pode atédar sinais de fadiga, mas antes deexterminá-la é preciso ver o que temospara substituí-la.Talvez sabendo da resistênciaque encontrará dos Estados menosindustrializados, é que os técnicosdo Ministério da Fazenda já tenhamfalado em ir além do que foiproposto em 2003 e também de"alternativas mais baratas à guerrafiscal", num sinal de que o GovernoFederal estaria disposto a oferecerà nação uma nova política dedesenvolvimento regional.O problema é o histórico de desconfiançaentre União e as unidadesfederadas. Ninguém consegue esquecerque depois da Constituiçãode 88, o Governo Central investiupesado na criação das contribuiçõesprevidenciárias porque elas não precisamser partilhadas com estados emunicípios. Mais recentemente temoso calote aplicado pelo GovernoCentral nos tesouros estaduais, aonão reembolsá-los devidamente dasperdas sofridas com a desoneraçãodas exportações de produtos primáriose semi-elaborados.Este é o estado em que a Naçãose encontra para mais uma vez tentardar um mínimo de racionalidadeao nosso "manicômio tributário".O produto final, inevitavelmente,será o resultado das qualidadesdos operadores da mudança,ou da falta delas. Por isso mesmo éque, mais do que simples espectadores,precisamos encontrar mecanismosde agir como atores desseprocesso, de preferência reivindicandoo papel de protagonistas, aoqual faz jus todo contribuinte.Sidnei C. Pimentel é Advogado Tributarista,sócio do escritório Terra Pimentel e Vecci,Advogados Associados . É graduado em direitopela UCG, em Jornalismo pela UFG e pós-graduadoem Controladoria e Finanças pela FGV.sidnei@capitalempresarial.com.br“arquivo pessoalOs Estados doNorte/Nordeste eCentro-Oeste têmuma idéia de reformatributária, enquantoos do Sudeste/Sultêm outracompletamentediferente“CANAL – janeiro/fevereiro de 20079


fotos: embrapaBIODIESELPinhão-manso,rústico e produtivoPLANTA SE ADAPTABEM A SOLOS DEPOUCA FERTILIDADE,APRESENTA 35% DERENDIMENTO MÉDIODE ÓLEO NASEMENTE E TEMREDUZIDO CUSTO DEPRODUÇÃOOpinhão-manso tem despertadoo interesse demuitos produtores e empresáriosinteressados naprodução do biodiesel. Algumas desuas principais características, comoa rusticidade e o longo cicloprodutivo, que se estende por maisde 40 anos, são os motivos responsáveispela difusão da planta peloPaís e que levaram a Embrapa Semi-Áridoa abrir uma linha de pesquisasobre a oleaginosa.Segundo José Barbosa dos Anjos,pesquisador da Embrapa Semi-Árido(foto), atualmente muitos pequenosplantios de pinhão-mansoestão sendo iniciados em todo oBrasil. O pesquisador acredita que,por ser uma cultura perene, as perspectivaspara a Região Nordeste sãoboas em virtude de ser uma plantade clima tropical e informa que aplanta também pode ser cultivadaem regiões temperadas.A área plantada com pinhãomansoem 2006/2007 nas regiõesCentro-Oeste, Norte e Sudeste devechegar a 20 mil hectares, estimaMauricio Möller, diretor da RuralBiodiesel, empresa sediada em Eldorado(MS), que se dedica à produçãoe comercialização de sementesda planta. O empresáriotoma como base 15 projetos espalhadospor diversos municípios,implantados com a finalidade deproduzir biodiesel.Em cinco destes projetos, 2.850agricultores familiares e assentadosiniciaram o plantio das lavouras depinhão-manso no início da estaçãochuvosa, no mês de outubro, emregiões de Minas Gerais, São Paulo,Mato Grosso do Sul, Mato Grosso eTocantins.CONVÊNIOSA Usina Barralcool S/A, produtorade açúcar e álcool em Barra doBugres (MT), inaugurou recentementesua planta com capacidadede produção de 57 milhões de litros/anode biodiesel. A indústriafez convênio com 14 prefeituras doVale do Rio Paraguai e já tem cadastrados600 pequenos agricultoresque vão plantar, numa primeiraetapa, 3.200 ha de pinhão-manso.Segundo Silvio Rangel, um dosdiretores da Barralcool, a intençãodo grupo é substituir pelo menos40% do óleo de soja consumido pelausina de biodiesel pelo óleo depinhão-manso. Para isso, a área de3.200 ha a serem plantados teráque ser ampliada em pelo menosquatro vezes.Ele calcula que, a partir do segundoano após o plantio destasprimeiras lavouras, terá início asubstituição do óleo de soja consumidopela indústria pelo óleo depinhão-manso. A Barralcool, pormeio de convênios com as prefeituras,oferece assistência técnica,garantia da compra da produção einsumos básicos para a implantaçãodas lavouras. Os agricultoresfamiliares entram com a terra e amão-de-obra.10 CANAL – janeiro/fevereiro de 2007


Agricultores familiares apostam no baixo custo de produçãoNo Mato Grosso do Sul, no município de Terenos,50 agricultores do Assentamento NovaQuerência plantaram 200 ha de pinhão-manso.O projeto é coordenado pela Cooperativa deAgricultores Familiares do Assentamento, que jáconseguiu financiamento e está montando umamáquina esmagadora e extratora de óleo quevai produzir 2.300 litros de óleo por dia, empregandoseis trabalhadores do próprio assentamento.Outros seis técnicos agrícolas, filhos dospróprios assentados, já estão empregados no setorde produção de mudas e assistência técnicado projeto.Segundo Francisco Hélio da Silva, presidenteda Associação de Agricultores Familiares do AssentamentoNova Querência (Assafra) e coordenadordo projeto piloto, eles pretendem expandi-lopara outros quatro assentamentos (Paraíso,Patagônia, Campo Verde e Santa Mônica)instalados na região e que abrigam 1.400 famíliasde agricultores. O plantio do pinhão-mansoserá consorciado com lavouras de amendoim,também para a produção de óleo. Este ano, segundoo presidente da Assafra, a área plantadacom o pinhão vai crescer para 500 ha, plantadospor 159 famílias do assentamento.Antes de optar pelo plantio do pinhão-manso,segundo Francisco Hélio, várias culturas foramestudadas, entre elas a mamona e o girassol."Optamos pelo pinhão porque é uma culturaperene, de custo baixo para a implantação emanutenção, de alta produção, fácil extração ealto rendimento de óleo. Acreditamos que orendimento será de aproximadamente 1,5 toneladade óleo por hectare, a partir do terceiroano após o plantio. “Mais cultivos em Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso do SulA Ponte di Ferro S/A, de Sidrolândia e MutumAgropecuária Ltda., de Ribas do Rio Pardo, ambasno Mato Grosso do Sul, têm contrato deparceria com outros 800 agricultores de 10 assentamentos.Segundo o diretor das empresas,Osvaldo Aguiar, já foram plantados cerca de2.500 hectares e até o final de janeiro devem serplantados mais mil hectares.Aguiar preparou mais de um milhão de mudaspara o plantio. Ele fornece as sementes oumudas, financia a implantação da lavoura e umpequeno adiantamento para o produtor comprarcesta básica. Tudo será pago com a própriaprodução da lavoura. A indústria da Ponte diFerro deve processar cerca de 50 milhões delitros de biodiesel até julho de 2007, obtidos apartir do sebo bovino e óleo vegetal de diversasfontes. Osvaldo Aguiar destaca como vantagensdo pinhão-manso o fato de ser uma lavoura perene,que pode ser consorciada com lavouras demilho e feijão, por exemplo.A Biotins S/A, empresa instalada no Tocantins,tem contrato firmado com 200 agricultoresfamiliares para o plantio de áreas de trêshectares, em média. E com outros 60 agricultoresde médio porte, áreas entre 15 ha e 50 hade pinhão-manso em nove municípios da regiãoMeio-Oeste do Estado. Os agricultores recebemassistência técnica, mudas, preparo desolo e outros insumos da empresa e vão pagaresta conta em cinco anos com a própria produçãoda lavoura. Eduardo Bundyra, que comandaa Biotins, salienta que os agricultores são orientadosa não plantar o pinhão nas melhores terrasda propriedade.A planta industrial da Biotins está localizadano município de Paraíso do Tocantins. A indústriafoi importada da Áustria e tem capacidade,em sua primeira etapa, de processar8,7 milhões de litros de biodiesel por ano. Aprincípio, o combustível será produzido a partirde sebo bovino e óleos de diversas palmas.Bundyra acredita que, dentro de 3 ou 4 anos,a empresa conseguirá substituir estas fontespelo óleo de pinhão-manso.A Biodiesel Triângulo, empresa instalada emIturama (MG), pretende plantar, até 2008, 140mil hectares de pinhão-manso em Minas e SãoPaulo (região de São José do Rio Preto). A produçãovai alimentar de matéria-prima sua plantaindustrial com capacidade para processar 100mil toneladas de biodiesel por ano. O projeto daTriângulo conta com investimentos de empresáriosalemães, italianos, franceses e japoneses.Cerca de 70% da produção será destinada aomercado externo e 30% ao mercado nacional. ATriângulo já tem mais de mil hectares plantados.VANTAGENS: Severo na natureza, pode crescer e sobreviver compoucos cuidados em terra marginais (de poucafertilidade) Crescimento rápido e planta de vida longa Planta de fácil propagação Sementes não comestíveis (não sãolevadas por pássaros e outros animais) Suportou com sucesso secas em Orissa, na Índia Biodiesel produzido foi testado analiticamente porDaimler Chrysler e recebeu status de promissor Controle de erosão (redução da erosão provocadapelo vento e água) Melhoria da fertilidade do solo Aumento da renda para produtores rurais Redução da saída de dinheiro das áreas ruraispara os centros urbanos Produção de energia nas áreas rurais A torta pode ser usada como aduboorgânico e fertilizante Planta altamente adaptável, com grande habilidadepara crescer em locais de solo pobre e secosDESVANTAGENS Baixa resistência ao frio Má qualidade da madeira Sementes tóxicas A torta que sobra não pode ser usada paraa alimentação animal, devido às suaspropriedades tóxicasFonte: pinhaomanso.com.brCANAL – janeiro/fevereiro de 200711


CAPAProdução e mercado vãocrescer em 2007CENÁRIO É POSITIVO PARA A PRODUÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR,MAS PREÇO DA SOJA PODE SER UM PROBLEMA PARA O BIODIESEL• Evandro BittencourtOs dirigentes do setor sucroalcooleiro não se arriscam a estimaro crescimento da produção brasileira de açúcar e álcool,mas é certo que a quantidade de cana-de-açúcar moídana safra 2007/2008, na Região Centro-Sul, será significativamentemaior que as 371 milhões de toneladas processadas em2006. Analistas estimam que ela deverá crescer de 10% a 15%, aexemplo do que vem ocorrendo nos últimos anos.O cenário é favorável para o setor sucroalcooleiro em 2007, avaliaJosé Vicente Ferraz, da FNP Consultoria. "O álcool vai continuar bastantevalorizado e a produção vai ser muito boa, devendo se colocarentre 20 e 21 bilhões de litros. O açúcar terá um mercado menos favorável,mais complicado, pois puxada pela produção de álcool a deaçúcar também está crescendo muito."É certo que a demanda por álcool no mercado internacionalcontinuará crescente. Embora os Estados Unidos (principal mercadoexterno) esteja aumentando a capacidade de produção, já próximados 20 bilhões de litros anuais, o país norte-americano deverámanter a importação do etanol produzido no Brasil, provavelmentenos mesmos níveis de 2006, quando foram embarcados 1,4bilhão de litros, acredita Ferraz.O mercado interno, puxado pela venda de carros flex-fuel, tambémapresentará crescimento significativo. Estima-se que em 2007a frota de carros flex possa se elevar a mais de 1 milhão de veículos.A demanda por álcool no mercado interno é estimada emaproximadamente 16 bilhões de litros. Em 2007, o Brasil deverámanter as exportações de álcool na faixa de 3 bilhões de litros, oque corresponde aos volumes embarcados em 2006, conforme aSecretaria de Comércio Exterior (SECEX).Para o analista de mercado José Vicente Ferraz, os EUA podem atéreduzir a importação de álcool, mas não vão deixar de comprar etanoldo Brasil. "Eles estão desenvolvendo um programa de álcool demilho que é altamente subsidiado e não têm nenhuma capacidadede competir com o Brasil."Teoricamente, destaca Ferraz, questiona-se muito se vale a penaos americanos utilizarem seus gigantescos estoques de milho para aprodução do etanol. "Seria muito mais inteligente eles abasteceremo mercado mundial com milho, como sempre fizeram, e importar oálcool do Brasil, embora exista uma questão estratégica por trás disso,mas o fato é que não vejo sentido numa grande redução das importaçõesde etanol."José Vicente Ferraz ressalta que os gargalos de logística estão sendotrabalhados numa velocidade um pouco menor do que a desejávele que o problema do álcool não é falta de mercado e sim de oferta."Muitos países do mundo não ampliam mais o uso do álcool comocombustível porque não querem trocar a dependência dos paísesárabes pela do Brasil."12 CANAL – janeiro/fevereiro de 2007


Eduardo de CarvalhoSetor vai mantercrescimento em 2007Igor MontenegroBoas perspectivas para omercado de açúcar e álcoolINVESTIMENTOSPara Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União daAgroindústria Canavieira de São Paulo (UNICA), o setor continuaráseu processo de crescimento este ano, em decorrência dos investimentosrealizados no aumento da produção. "Esse incrementode produção - ainda não dimensionado - será suficiente paraatender ao aumento do mercado interno de álcool, o crescimentovegetativo do mercado interno de açúcar, bem como para supriras necessidades externas dos dois produtos."Em relação ao cenário político em 2007, o presidente da UNICAtambém revela otimismo. "Tenho convicção de que o presidenteLula irá continuar a considerar o etanol como produto estratégicoe fundamental para a política de desenvolvimento sustentado quepretende ver acelerada no País. Quanto ao governador José Serra,de São Paulo, nossa expectativa é de parcerias construtivas nosentido de fortalecer a atividade, cuja importância para a economiaestadual tem sido crescente.”GOIÁSO setor sucroalcooleiro em Goiás deve manter em 2007 a curvade crescimento na quantidade de cana moída para a fabricaçãode álcool e açúcar. O presidente executivo do Sindicato daIndústria de Fabricação de Álcool e Açúcar do Estado de Goiás,Igor Montenegro Celestino Otto, afirma que uma estimativamais aproximada desse crescimento só será possível a partir domês de fevereiro. Mas, caso não haja grandes interferências climáticas,a quantidade de cana moída continuará aumentando, aexemplo dos últimos anos, bem como a produção de álcool eaçúcar, combinando-se o aumento da área plantada com canade-açúcar,da capacidade produtiva de algumas usinas e o inícioda operação de novas indústrias, a exemplo da Usina São Francisco,no município de Quirinópolis.Conforme balanço final da safra divulgado pelo Sifaeg, a safra2006/2007 em Goiás apresentou aumento de 10,76% na quantidadede cana-de-açúcar moída, número um pouco superior ao desempenhoda Região Centro-Sul, que apresentou variação positivade 10,14%. A produção de álcool aumentou 12,41% e a de açúcar2,30%, pouco abaixo das expectativas de produção, em razãodo excesso de chuvas nos últimos meses da colheita. A perspectivapara 2007 é de crescimento do mercado interno de etanol emrazão da consolidação da tecnologia flex-fuel, incorporada emmais de 80% dos veículos novos comercializados no País, podendochegar a 85% até o final de 2007.EXPORTAÇÕESEm 2006, o Estado de Goiás exportou cerca de 60 milhões de litros,um pouco menos de 10% da produção goiana. Segundo Igor,a intenção é continuar dando prioridade para o mercado internoque está em expansão, mas sempre com o objetivo de destinar oexcedente para o mercado externo, que começa a ser aberto.O mercado de açúcar teve um crescimento importante em 2006,depois se estabilizou e agora os produtores observam como ele vaise comportar após a saída da União Européia dos mercados de exportação,em razão da vitória obtida pelo Brasil na OrganizaçãoMundial do Comércio. "Temos a expectativa de começar a ocuparcerca de 30% a 40% do espaço que vai se formar gradualmente".Em termos quantitativos, segundo o presidente executivo doSifaeg, o espaço a ser ocupado pode representar, numa avaliaçãoconservadora, algo próximo a 4 milhões de toneladas de açúcar.No mercado interno, onde a demanda se caracteriza pela estabilidade(ou crescimento vegetativo), o incremento deve ser deaproximadamente 2%. " Temos uma produção de cerca de 800 miltoneladas de açúcar, quase toda destinada ao mercado interno. Asexportações respondem por algo entre 20% a 30%", compara.O Estado de Goiás, como está em uma região privilegiada sobo ponto de vista da logística para o mercado interno, abasteceoutros mercados que não tem produção suficiente, tais como DistritoFederal e Estados do Norte e Nordeste.fotos: granol, daiane souza/unb, unica, canalCANAL – janeiro/fevereiro de 200713


MINAS GERAISPara o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcoolno Estado de Minas Gerais (Siamig), Luiz Custódio Cotta Martins,no ano de 2007 haverá aumento de produção de açúcar e álcool,mas acredita que o Estado, assim como o País, deve exportarmenos etanol que em 2006 para os Estados Unidos. "Vendemosmais de 1 bilhão de litros no ano passado, quando os EUA precisaramimportar muito etanol para suprir a demanda interna. Agoranão devem comprar tanto, pois o preço do petróleo caiu e terãoum superávit de produção em alguns estados."Segundo Luiz Custódio Cotta Martins, os empresários do setor,liderados pelo sindicato, estão trabalhando para reduzir o ICMScobrado sobre o álcool combustível no estado, independente daReforma Tributária aguardada para 2007, pela qual espera-se umaequalização da alíquota em 12% em todo o País. Em Minas, lamentaLuiz Custódio, a alíquota de 25% está impedindo a formação deum mercado consumidor do produto.Enquanto os outros estados da federação apresentam crescimentono consumo, em Minas Gerais, em 2006, registrou-se umaqueda de 11% em relação ao ano anterior, apesar de o estado sero terceiro maior produtor de álcool do País. O álcool produzido emMinas está sendo destinado para a exportação, para outros paísese estados vizinhos, explica o presidente do Siamig. Ainda assim, oestado tem sido um dos mais procurados para a implantação denovas usinas, com a previsão de US$ 3 bilhões de investimentosnos próximos seis anos.Para 2007, Luiz Custódio defende uma discussão do setor com aPetrobras e a Vale do Rio Doce para que se encontrem rápidas soluçõesde logística para o escoamento da produção a custos maiscompetitivos, principalmente através do alcoolduto, que começaráa ser construído em 2007, e pela malha ferroviária.Luiz Custódio MartinsRedução do ICMSsobre o álcoolTendência de aumento dopreço da soja é vista comoum complicadorOs prognósticos em relação ao biodiesel em 2007 são incertos,em razão da tendência de recuperação de preços dos grãos,puxada pelo próprio milho no mercado internacional, uma boanotícia sobretudo para os produtores de soja. No que se refereà produção do biodiesel, a viabilidade econômica estará em risco,caso o grão atinja cotações acima de R$ 30,00, embora esselimite dependa muito da tecnologia utilizada pela indústriae de uma série de outros fatores.O analista de mercados da FNP, José Vicente Ferraz, vê umcerto açodamento em relação ao tema e compara o ProgramaNacional de Produção e uso do Biodiesel com o Proálcol. "Houvetodo um trabalho, que foi o desenvolvimento tecnológicode motores, na área industrial de produção de álcool e na áreaagronômica, da produção da cana-de-açúcar, e foi isso que viabilizouo álcool." Ele acredita, no entanto, que o biodiesel nãovai levar muito tempo para se viabilizar de forma definitiva,José Vicente FerrazPrograma requer intensaevolução tecnológica


seja pelas pressões ambientais ou pela escassez de petróleo,que tende a se agravar.O analista acredita que o programa deve passar por um processosério e intenso de evolução tecnológica, principalmentena área da produção. "Precisamos encontrar novas oleaginosas,que dêem maior rendimento. Precisamos avançar tecnologicamente.Acredito que o biodiesel se tornará uma realidademuito importante para o Brasil e acho que pode realmente redesenharo mercado de oleaginosas, mas em alguns anos, poisesse mercado é gigantesco e por enquanto trabalha-se comquantidades limitadas, por causa dos rendimentos obtidos."Ferraz confia que o preço da soja passará por um período derecuperação em 2007, até pelo efeito indireto da grande produçãode álcool nos EUA, a partir do milho, o que certamentevai mexer com o mercado mundial de grãos. "Os Estados Unidossão grandes produtores de soja, provavelmente o milho vaiocupar uma área muito maior no País e haverá uma ofertamenor de soja no mercado mundial."E pelo fato de o milho estar mais caro, lembra Ferraz, a tendênciaé que haja uma substituição pelo farelo de soja nacomposição da ração animal, até o limite técnico, o que ajudaráa impulsionar o preço da oleaginosa, embora não acreditenuma explosão de preços. Outras opções que têm sido estudadaspara a produção do biodiesel, como o nabo-forrageiro,o pinhão-manso e a mamona, não existem em quantidadesuficiente.Paulo Sérgio DonatoÁrea de soja deve crescerna próxima safraSELO SOCIALOutro problema a ser superado para a consolidação do mercadode biodiesel no País, segundo Paulo Sérgio Donato, diretoradministrativo da Granol, unidade de Anápolis (GO), é o selosocial, exigido para as vendas à Petrobras. "É custoso e obrigaa empresa a direcionar esforços numa atividade que não estárelacionada ao biodiesel. Para ter competitividade comocombustível/commodity, o biodiesel precisa de matérias-primasproduzidas em escala e baixo custo. A diversificação damatriz de matérias-primas irá exigir desenvolvimentos tecnológicose investimentos de longo prazo".As inaugurações de grandes plantas de biodiesel ao longode 2007/2008, prevê Paulo Sérgio Donato, seguramente intensificarãoa demanda pelos óleos vegetais, conduzindo para umnovo equilíbrio de preços no tripé grão/óleo/farelo, com valorizaçãodos óleo vegetais, matéria-prima para a produção dobiodiesel. "A disponibilidade de soja no Brasil ainda não terá osreflexos necessários, visto que o produtor perdeu dinheiro evoltou a se descapitalizar nestes ultimos 2 anos."Alcançados melhores preços para o óleo e consequentementepara a soja na safra 2007, o diretor da Granol acreditaque o Brasil poderá voltar a dar um salto no plantio de soja paraa safra 2007/2008 e assim aumentar a oferta de óleo para aprodução de biodiesel, revertendo a pressão de preços. Isso dependerá,ressalva Donato, do destino que terá a crescente disponibilidadede farelo. "Além disso, estarão se solidificando asdemandas pelo biodiesel, atendendo às exigências a seremcumpridas pelo protocolo de Kyoto, o que deverá elevar o preçodo biodiesel aos patamares necessários para bancar a altadas matérias-primas."


ÁLCOOL E AÇÚCAROportunidade para investidoresCLEAN ENERGY BRAZIL INVESTIRÁ R$ 400 MILHÕES NO BRASIL E CONFIRMA TENDÊNCIADE ABERTURA DE CAPITAL DAS EMPRESAS DO SETOR SUCROALCOOLEIRO NO PAÍSfotos: arquivo pessoalCastro: presidente do conselhoda CEB e diretor da FGVEmpresa de investimentoscriada com o propósito deoferecer aos investidores aopção de entrar no mercadode álcool e açúcar no Brasil, aClean Energy Brazil (CEB) captouR$ 400 milhões no Alternative InvestmentMarket (AIM), da LondonStock Exchange. A Oferta PúblicaInicial de ações (IPO na sigla em inglês)foi realizada na bolsa de valoresde Londres há cerca de um mês,gerando uma captação de 100 milhõesde libras. A CEB começa suasatividades em busca de ativos (usinas)ou de projetos que necessitemde capital para expansão.No Brasil, por enquanto, só háuma única usina com capital aberto,embora a abertura de capitaldas empresas do setor sucroalcooleiroseja considerada uma tendência.Outras quatro companhias jáanunciaram oferta pública inicialde ações. Esse tipo de investimentoé uma opção para o investidor queestá longe do negócio e quer diluiro risco com a intermediação deuma empresa especializada.Com o recurso do IPO, a CleanEnergy Brazil pretende investir empelo menos quatro negócios. Umdeles já está com contrato de intençõesassinado e outros dois projetosestão em fase de análise. Ameta é que, em 2012, a capacidadede produção das empresas da CEBtotalize o esmagamento de 30 milhõesde toneladas de cana/ano.A empresa escolheu o Brasil paraatuar por ser atualmente o Paíscom o custo de produção de açúcare álcool mais baixo em todomundo. Em 2006 o mercado de exportaçãode açúcar movimentoucerca de 40 milhões de toneladas.Desse total o Brasil responde pelametade, segundo a área de pesquisasda Czarnikow, líder mundial deserviços para o mercado de açúcar.No mercado de álcool, emboraos estudos sejam menos precisos,estima-se uma participação brasileirade quase 70% nas exportações,que seriam de 5 bilhões de litros.Levando-se em consideraçãotambém o mercado interno, o Brasilmovimentou em 2006 quaseUS$ 20 bilhões de receitas, somando-seálcool e açúcar.Segundo a Czarnikow, existem 6milhões de hectares com cana-deaçúcarno Brasil, contra 260 milhõesde hectares de área livre e inexploradapara cultivo e outros 54 milhõescom outros tipos de cultura. A CEBterá como "advisor" a Temple CapitalPartners, consultoria criada exclusivamentepara essa finalidade eque conta com a participação daCzarnikow, da Agropecuária OrlandoPrado Diniz Junqueira (AGROP), e oNumis Corporation, banco de investimentoscom forte atuação na áreade estruturação financeira.Empresas terão apoio para otimizar os resultadosJunqueira: empresário econselheiro da Clean EnergyAntonio Monteiro de Castro,presidente do conselho da CEB ediretor da Fundação Getúlio Vargas,explica que um dos diferenciais é oknow-how combinado na composiçãoda Temple Capital Partners,que será a gestora executiva daCEB. "Além de garantir uma seleçãode alto nível, apoiará as empresasque receberão os recursos de formaa otimizar os resultados", explica.A AGROP, de propriedade deMarcelo Schunn Diniz Junqueira,um dos conselheiros não-executivosda CEB, presta serviços deconsultoria em agronomia e serviçosde operação agrícola e industrial.A Numis Corporation é um bancode investimentos independente,com sede em Londres, que atua nasáreas de energias renováveis e reduçãode emissão de gases (créditosde carbono).


AGRICULTURAZoneamento vai se estenderpor 180 áreas em 2007TECNOLOGIA É INSTRUMENTO DETERMINANTE PARA REDUZIR RISCO DEPERDAS PROVOCADAS POR ADVERSIDADES CLIMÁTICAS EM LAVOURASOzoneamento agrícola de risco climático,desenvolvido pela Embrapa (EmpresaBrasileira de Pesquisa Agropecuária) eexecutado pelo Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento (MAPA), será ampliadode 220 para até 400 áreas até o final de2007. Segundo Eduardo Delgado Assad, idealizador,coordenador nacional do projeto e chefe doCentro Nacional de Pesquisa em Tecnologia deInformática do MAPA, o zoneamento é feito paraavaliar qual o risco climático em determinadasáreas agrícolas e com isso evitar risco de perdadas lavouras devido à ocorrência de eventosclimáticos adversos.As alterações climáticas, provocadas principalmentepelo agravamento do efeito estufa em todoo mundo, levaram pesquisadores brasileiros ainiciar uma verdadeira corrida contra o tempo paraavaliar as possíveis conseqüências na agriculturano País. Os prognósticos do Painel Intergovernamentalsobre Mudanças Climáticas (IPCC, na siglaem inglês), indicam que haverá acréscimo na temperaturamundial entre 1° C e 5,8° C nos próximos100 anos (o que poderá provocar um aumento de15% na quantidade de chuva, neve ou chuvisco).Por causa dessa instabilidade climática, o zoneamentoagrícola acabou tornando-se um instrumentodeterminante do crédito agrícola e doseguro rural brasileiro. "O zoneamento trabalhacom a oferta climática na região, checa o consumode água das plantas e do solo. A partir deuma simulação, faz-se um estudo probabilísticopara saber em que data haverá uma chance desucesso de pelo menos 80% na produtividade",disse o pesquisador.18 CANAL – janeiro/fevereiro de 2007


País precisa de técnicas mais avançadasApesar do avanço obtido com o zoneamento de risco climático, há quemdiga que o Brasil ainda não está preparado para enfrentar estas novas situções.Segundo o agrônomo, pesquisador e chefe-geral da Embrapa Monitoramentopor Satélite, Evaristo Eduardo de Miranda, as técnicas brasileirasainda não conseguem prever determinados tipos de fenômenos, comoos que aconteceram recentemente a exemplo do "furacão" Catarina,ocorrido em março de 2004 na região Sul, a estiagem na Amazônia, no anopassado, mensurada como a maior em 50 anos, e a seca no Rio Grande doSul, também em 2005, que atingiu mais de 80% dos municípios gaúchos ecausou milhões de reais em perdas aos produtores.As simulações para o zoneamento utilizam técnicas de geoprocessamentoe modelagem climática e consideram tipo de solo, cultura, duração dociclo e diferentes datas de semeadura. Com isso, é possível quantificar asalterações nos períodos recomendados e nas áreas de cultivo para cadauma das culturas. Em uma das simulações feitas em lavouras de soja, verificou-seque com o aumento da temperatura de 5,8º C na Terra, a culturaseria drasticamente afetada. A área plantada de soja no Brasil, atualmenteem cerca de 3,4 milhões de quilômetros quadrados, seria reduzida paraalgo em torno de 1,2 milhão, se essa situação se confirmasse. O milho,provavelmente, também teria seu ciclo alterado, sendo drasticamente reduzidoem função da soma térmica. O projeto foi criado em 1983, mas ostestes de aplicação só começaram em 1993 em lavouras de arroz e feijãoem Goiás. Segundo Eduardo Assad, a técnica passou a ser política públicaem 1996. Atualmente, os zoneamentos são realizados em todos os Estadosbrasileiros em lavouras de arroz, feijão, milho, soja trigo, café, mandioca,algodão, maçã, banana, sorgo e calpi (feijão verde).A principal contribuição do zoneamento é prever quais regiões podemproduzir com maiores índices de rendimento conforme as condições climáticasde cada local. "Assim foge-se do risco climático, foge-se da seca, dageada, e o produtor é orientado a plantar em datas em que os riscos climáticossão minimizados. Os fenômenos climáticos, desequilibrados comoestão nos últimos tempos, reforçam ainda mais necessidade de se fazer ozoneamento climático."Assad diz ainda que o zoneamento da cana-de-açúcar está começandoagora. "Estuda-se a expansão de lavouras de cana na região Centro-Oeste. Aproposta é que a produção não fique concentrada no Estado de São Paulo".Para isso, serão verificados quais são os municípios onde se pode plantar combaixos riscos de perdas. Segundo estatísticas da Embrapa, o zoneamentoagrícola é responsável por uma economia de aproximadamente 150 milhõesde reais por ano no Brasil, evitando as perdas. "Com o zoneamento, planta-sena hora e locais certos, e cultiva-se corretamente", destaca o pesquisador. Oserviço de zoneamento é gratuito e está disponível em todas as agênciasbancárias que fazem financiamento agrícola. Mapas e tabelas relacionadosà técnica podem ser acessados no site www.agritempo.gov.br.embrapaFenômenosclimáticosdesequilibradosreforçam anecessidade dozoneamentoagrícola comoforma de reduzirperdas naslavourasCANAL – janeiro/fevereiro de 200719


EMPRESASSão José da Estivaconduta pautada na responsabilidadeCOM QUASE 1600 COLABORADORES, O GRUPO W.J DE BIASI DEMONSTRA CONSCIÊNCIA DANECESSIDADE DE HARMONIZAR SUA EVOLUÇÃO COMO EMPRESA E SER SOCIALfotos: são josé da estivaAUsina São José da Estiva,localizada no municípiode Novo Horizonte (SP), éimportante pólo geradorde empregos e alcançou projeçãono mercado pela capacidade produtivae investimentos em responsabilidadesocial. Por trás de um gigantescocomplexo industrial, ausina destaca-se no planejamentoe execução de projetos sociais,educacionais, culturais, ambientais,de saúde e lazer.Localizada a 400 quilômetros dacapital do Estado de São Paulo, acidade de Novo Horizonte possuicerca de 40 mil habitantes. O municípioacolheu a empresa em 31 demarço de 1964, quando era compostaapenas de uma quota e umaengenhoca, tudo o que os empreendedoresJosé Willibaldo de Freitas,Dr. Antonio Ribeiro do Vale eJuca Borges, seus fundadores, possuíam.O maquinário foi adquiridograças à determinação de outro pioneiro,Gino de Biasi.O foco em investimentos emtecnologia de ponta e a contínuabusca pela produtividade assegurouà empresa uma produção de2.126.859 toneladas de cana moída,o que resultou na produção de2.693.500 sacos de açúcar cristal e100.250.000 litros de álcool na safrade 2006/2007.Paralelamente às atividades econômicas,a empresa desenvolveprojetos de destaque, voltados paraos públicos interno e externo, taiscomo o Projeto Educar, que contemplaa alfabetização de adultos eensinos fundamental, médio e deinclusão digital, entre vários outros.Preservação do meio ambienteUsina São José da Estiva investe em açõesde responsabilidade social, como arealização de atividades que promovem arecreação e a interatividade entre oscolaboradores da empresaA preservação ambiental tambémé uma das preocupações daempresa. Segundo Rosmarli BarbosaGuerra, responsável pelaárea de responsabilidade social,a usina tem investido na recuperaçãode Áreas de PreservaçãoPermanente (APPs) e na reduçãodas áreas de queimada de canade-açúcar,entre outras ações.“Estamos estudando a instalaçãode uma Estação de Tratamentode Efluentes para tratar o esgotodomissanitário dos banheirose do refeitório.”A preocupação com o meio ambientejá rendeu para a empresa osprêmios Top Of Quality Ambiental,Mastercana 2006, Empresa do Futuro2006 e Visão da Agroindústria.Os investimentos em responsabilidadesocial e ambiental agregamvalor à empresa, reconheceRosmarli Barbosa Guerra, que destacaalguns dos retornos desses investimentos.“A Usina tem suaimagem fortalecida, tem mais facilidadede acesso a novos mercadose a crédito, contribui para o desenvolvimentoda comunidade e conseguereter talentos.”A imagem de uma empresa socialmentejusta e ambientalmenteresponsável passa a ser um diferencialde competitividade. “A empresasocialmente responsável tema sua reputação fortalecida e adquireum valor intangível, essencialaos negócios e que resulta em credibilidade”,define.20 CANAL – janeiro/fevereiro de 2007


Formação profissionalNa Usina São José da Estiva, a capacitação ereciclagem dos colaboradores é realizada combase num Plano de Competências desenvolvidopelo setor de recursos humanos juntamente comos supervisores dos setores e gerentes de área,pelo qual se descreve as principais característicasdos colaboradores (educação, treinamento, habilidadee experiência) necessárias à cada funçãoexercida dentro da usina.“Cada colaborador é avaliado pelo respectivosupervisor e gerente para avaliar o nível de atendimentoàs competências descritas para a funçãoque exerce.” A diferença entre as competênciasnecessárias descritas no plano e as competênciasque o colaborador já tem geram um planejamentode capacitação que é monitorado pelo setor deRH. Anualmente, o colaborador volta a ser avaliadode forma a verificar a eficácia das capacitaçõesdesenvolvidas, explica Rosmarli Barbosa.CLIMA ORGANIZACIONALA implantação de uma pesquisa de clima organizacionaltem possibilitado levantar opiniões,percepções e sentimentos dos colaboradores sobreos diversos fatores relacionados aos aspectosorganizacionais, operacionais, gerenciais e comportamentaisque afetam o dia-a-dia de trabalhona empresa.Essa ferramenta de gestão de recursos humanostem ainda a finalidade de diagnosticar situaçõescom vistas a obter subsídios para o planejamentode solução de problemas e promover adequaçõesnos aspectos passíveis de aperfeiçoamento.Os resultados da pesquisa podem ainda ser utilizadoscomo uma das principais referências parao planejamento estratégico. A prática continuadatorna efetiva a filosofia de melhoria contínua econtribui para a sustentação motivacional, entrevários outros benefícios.Alguns dos projetosdesenvolvidos pela usina Projeto Despertando a Criatividade Lendo com a Estiva na Moenda da Letras Sorriso Legal Bom de Bola Bom na Escola Projeto Jardim (voluntários) Reforço Escolar Vida Nova - Cresça SaudávelINDÚSTRIAMecat investe alto em tecnologiaEMPRESA ESPECIALIZADA NA FABRICAÇÃO DE FILTROS APRIMORA LINHA DE PRODUÇÃOAMecat, Filtrações IndustriaisLtda., empresa fundada em1983 por Attilio Turchetti,dá novo salto tecnológicocom a recente inauguração da Unidadede Comando Numérico em suafábrica localizada no município deAbadia de Goiás (GO). Trata-se deum centro de equipamentos para aprodução de peças com máxima precisãopara a montagem do turbo filtro,produto de grande demanda nosetor sucroalcooleiro.A tecnologia desenvolvida no Brasile exportada para outros países,principalmente os EUA, é uma soluçãoeficaz e econômica para a produçãode açúcar e álcool, com grandemelhoria na eficiência da filtraçãopara a remoção dos microbagacilhose dos colóides, bem como na limpeza,consumo de energia, custos de operaçãoe manutenção, se comparadaaos sistemas tradicionais de filtração.O sistema de turbofiltração, utilizadolargamente pelas indústrias desuco de laranja no Brasil e nos EstadoUnidos, foi adaptado - com poucasmodificações, segundo Turchetti- para atender também as necessidadesde usinas de açúcar e álcool.A Mecat já comercializou 65 filtrospara as principais indústrias sucroalcooleirasdo País e 139 para empresasdo setor de produção de cítricos.Attilio Turcheti atribui o sucessona comercialização do sistema deturbofiltração à eficácia da tecnologiano processo de filtragem da cana-de-açúcar,inclusive a colhidamecanicamente, que não é lavada econtém maior quantidade de sólidovegetal. E diz estar atento ao crescimentodos mercados de etanol e biodiesel,os caminhos que vislumbrapara a expansão de sua empresa.A Mecat tem um laboratório deprecisão em Bebedouro (SP) e um escritórionos EUA para atender aos clientesnorte-americanos. Turchetticomeçou sua carreira como gerentede produção industrial, seguiu a carreiracomo executivo da Mannesmann-Demage da Diemme S.A, situadaem Lugo, Itália, esta última amaior fabricante européia de filtrosdestinados ao tratamento de efluentesindustriais e residenciais. O empresáriotrabalhou por mais de 30anos no campo das pesquisas comtecidos sintéticos, tendo estagiadonos anos 70 na Sociedade de Filtraçãoda Bélgica, em Liege. Attilio Turchettitem registradas 12 patentesnos EUA, na "US Patent and TrademarkOffice" e, também, junto aoInstituto Nacional de Propriedade Industrial(INPI) do Brasil.fotos: mecatAttilio Turchetti, à esquerda, recebe convidados na inauguração da Unidade deComando Numérico, instalada na fábrica da Mecat, em Abadia de GoiásOs novos equipamentos representam maior qualidade e agilidade naprodução do turbo filtro, muito utilizado nas usinas sucroalcooleirasCANAL – janeiro/fevereiro de 200721


EMPRESAS E MERCADOS• Mírian Toméeditor@canalbioenergia.com.brTimken e o setorsucroalcooleiroA Timken do Brasil tem umalinha de rolamentosautocompensadores de rolosque são importados dasfábricas da empresa nos EUA,Europa e Ásia. Eles sãoindicados para diversasaplicações em setores comoaçúcar e álcool, siderurgia,petróleo, gás e outros. Nosegmento de açúcar e álcool, acompanhia marca presençatambém com os produtos dalinha Permatex. No Brasil, aTimken está presente desde1944, possui três unidadesindustriais, duas jointventurese emprega cerca demil funcionários.Tocantins atrai novausina de biodieselO Consórcio Global Agrienergy,formado pelas empresaspaulistas Vigna Brasil eAgropecuária Terra Vista, vaiconstruir uma unidade deprodução de biodiesel noTocantins, entre os municípiosde Paraíso e Palmas. O objetivo éatender a demanda da regiãoNorte do Brasil e exportarbiocombustível para outrospaíses. A usina, que exigiráinvestimentos de R$ 60 milhões,terá capacidade de processar 100milhões de litros do produto porano, quando estiver em plenofuncionamento, o que estáprevisto para meados de 2009.A empresa está programandopara o próximo semestre o iníciodo plantio de oleaginosas, comopinhão-manso e girassol quedeverá ser cultivado naentressafra da soja.Lécio Silva, Wécio F. Cruvinel e Adriel Alves de Oliveirareceberam o Prêmio Visão da Agroindústria pela UBYFOLUbyfol , a Empresa do Ano no IVPrêmio Visão da Agroindústria 2006A Ubyfol Agroquímica recebeu no final de 2006 emSertãozinho/SP, o IV Prêmio Visão da Agroindústria 2006.A iniciativa é um reconhecimento às empresas doagronegócio de maior destaque no ano. A Uby foi a eleitado segmento Adubos Foliares (micronutrientes). Acerimônia ocorreu no Maison V.S - Clube de Campo Valedo Sol em Sertãozinho e foi prestigiada por 600 convidadosentre premiados e autoridades.Woodward na Feicana 2007A Woodward confirmou sua participaçãocomo expositora da Feicana/FeiBio 2007, feirade negócios do setor de Energia, que serárealizada de 6 a 8 de março em Araçatuba(SP). A empresa apresentará os equipamentosPEAK 150, EGCP-3, 2301 D-ST, TUG, PEAK150, Micronet entre outros, além deinformações e novidades de novas tecnologiaspara o setor.Em 2007, a Woodward pretende ampliar oportifólio de produtos através de aquisições ealianças com parceiros estratégicos, bem comoaumentar a participação no mercadosucroalcooleiro e dar andamento àsmodernizações. A Woodward possui umalinha completa de produtos para a cogeraçãofotos: divulgaçãoCoruripe compratubos da AmitechA Usina alagoana Coruripeadquiriu no segundosemestre do ano passado,cerca de 11 km de tuboscentrifugados de poliésterreforçado com fibras de vidro(CPRFV) da Amitech. Astubulações, que transportamágua até as áreas de cultivo,entraram em operação nofinal do ano passado. Há trêsanos, cerca de 3 km de tubos -também fornecidos pelaAmitech, instalados pelausina para o transporte devinhaça e para irrigação dealgumas áreas da lavoura decana-de-açúcar. Subsidiáriabrasileira do grupo ÁrabeAmiantit, a Amitech é umadas principais fabricanteslocais de tubulações depoliéster reforçado comfibras de vidro e única capazde produzi-los a partir dosistema de centrifugação.divulgaçãode energia, que abrange desde o controle develocidade das máquinas, monitoração doprocesso, sincronização e controle de carga dogerador (foto) e da importação e exportação deenergia com a concessionária.produquímicaProduquímica compra ADESOLO Grupo Produquímica (foto), líder emmicrominerais para nutrição animal evegetal no mercado nacional e importantefabricante de produtos químicos efloculantes para tratamento de água, ampliasua atuação com a compra da marca,tecnologia de produção e equipamentos daADESOL. A empresa tem uma linha deprodutos para processos como antiespumantes,dispersantes, "anti-pitch",biocidas, polímeros, agentes de "release" etratamento de água. Assim, a Produquímicapassa a produzir químicos para processos emálcool, açúcar, papel, celulose, tratamento deágua, mineração, petróleo, petroquímicos,tintas e vernizes.22 CANAL – janeiro/fevereiro de 2007

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