27.04.2014 Visualizações

PUBLICAÇÃO - CP/ECEME - Portal de Ensino do Exército

PUBLICAÇÃO - CP/ECEME - Portal de Ensino do Exército

PUBLICAÇÃO - CP/ECEME - Portal de Ensino do Exército

SHOW MORE
SHOW LESS
  • Nenhuma tag encontrada…

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITOCURSO DE PREPARAÇÃO E SELEÇÃO – 2008PUBLICAÇÃO - <strong>CP</strong>/<strong>ECEME</strong>POLÍTICA E ESTRATÉGIA2 0 0 8


DISCIPLINA - POLÍTICA E ESTRATÉGIAObjetivos particulares:- Caracterizar os principais conceitos <strong>de</strong> política, da estratégia e suas relações.- Explicar as manobras para a solução <strong>de</strong> crises e conflitos.- Explicar as estratégias <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa nacional.- Apresentar as linhas <strong>de</strong> pensamento estratégico.- Expor os conceitos <strong>de</strong> segurança e <strong>de</strong>fesa.UD I – POLÍTICA E ESTRATÉGIA – ASPECTOS GERAIS (20 horas)Ass 1. OS FUNDAMENTOS DA ESTRATÉGIA (05 horas)Objetivos específicos:I-1 - Caracterizar Objetivo Nacional, Objetivo Fundamental, Objetivo <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> e Objetivo <strong>de</strong> Governo.I-2 - Caracterizar Objetivo, Política, Po<strong>de</strong>r e Estratégia suas relações.1. Objetivos Nacionais (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)1.1 - Objetivos Nacionais (ON)1.1.1 – ConceituaçãoA evolução histórico-cultural da comunida<strong>de</strong> nacional, ao promover a integração <strong>de</strong> grupos sociaisdistintos, gera o surgimento <strong>de</strong> valores, necessida<strong>de</strong>s, interesses e aspirações que transcen<strong>de</strong>m àsparticularida<strong>de</strong>s grupais, setoriais e regionais e, ao mesmo tempo, conformam as ações individuais ecoletivas.Os valores, fundamentação para qualquer <strong>de</strong>finição <strong>de</strong> objetivos, foram anteriormente analisa<strong>do</strong>s.As necessida<strong>de</strong>s são, primeiramente, i<strong>de</strong>ntificadas no indivíduo para, a partir daí, servirem comoreferencial para os grupos e para a própria Nação.Ao la<strong>do</strong> <strong>do</strong>s interesses nacionais, e em nível mais profun<strong>do</strong>, como uma verda<strong>de</strong>ira dimensãointegra<strong>do</strong>ra que emana da consciência nacional, estão as aspirações nacionais. Estas e aqueles po<strong>de</strong>mestar revesti<strong>do</strong>s <strong>de</strong> um significa<strong>do</strong> tal que acabam por se confundir com o próprio <strong>de</strong>stino danacionalida<strong>de</strong>.A síntese última, <strong>de</strong>corrente <strong>do</strong> atendimento <strong>de</strong>ssas necessida<strong>de</strong>s, interesses e aspiraçõesnacionais, é o que se po<strong>de</strong> <strong>de</strong>nominar Bem Comum.Para melhor orientar esses esforços, traduz-se o Bem Comum como objetivo síntese <strong>do</strong>sObjetivos Nacionais.Objetivos Nacionais (ON) – são aqueles que a Nação busca satisfazer, em <strong>de</strong>corrência dai<strong>de</strong>ntificação <strong>de</strong> necessida<strong>de</strong>s, interesses e aspirações, em <strong>de</strong>terminada fase <strong>de</strong> sua evoluçãohistórico - cultural.Os Objetivos Nacionais são classifica<strong>do</strong>s segun<strong>do</strong> sua natureza, em três grupos:- Objetivos Fundamentais (OF)- Objetivos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> (OE)- Objetivos <strong>de</strong> Governo (OG).1.1.2 - Objetivos Fundamentais (OF)1.1.2.1 - ConceituaçãoQuan<strong>do</strong> se tratar <strong>de</strong> pontos <strong>de</strong> referência capazes <strong>de</strong> respon<strong>de</strong>r ao projeto que a Nação tem <strong>de</strong>seus <strong>de</strong>stinos, os Objetivos Nacionais são <strong>de</strong>nomina<strong>do</strong>s Objetivos Fundamentais, e perduram por longotempo.


Objetivos Fundamentais (OF) – são Objetivos Nacionais (ON) que, volta<strong>do</strong>s para oatingimento <strong>do</strong>s mais eleva<strong>do</strong>s interesses da Nação e preservação <strong>de</strong> sua i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>, subsistempor longo tempo.1.1.2.2 – I<strong>de</strong>ntificaçãoOs Objetivos Fundamentais (OF) não são estabeleci<strong>do</strong>s nem fixa<strong>do</strong>s. Derivam <strong>do</strong> processo históricoculturale emergem, naturalmente, à medida que as necessida<strong>de</strong>s e interesses da comunida<strong>de</strong> secristalizam na consciência nacional, representan<strong>do</strong> aspirações que, in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> classes, região,cre<strong>do</strong> religioso, i<strong>de</strong>ologias políticas, origens étnicas ou outros atributos, a to<strong>do</strong>s irmanam.Os Objetivos Fundamentais <strong>de</strong>vem ser i<strong>de</strong>ntifica<strong>do</strong>s; para essa i<strong>de</strong>ntificação, papel <strong>de</strong> <strong>de</strong>staquecabe às elites, a quem incumbe captar os interesses e aspirações nacionais.Refletin<strong>do</strong> o continua<strong>do</strong> processo <strong>de</strong> mudança sociocultural e institucional, os ObjetivosFundamentais, representam o referencial maior a nortear to<strong>do</strong> planejamento em nível nacional.1.1.2.3 - CaracterizaçãoA Nação Brasileira tem como Objetivos Fundamentais:Democracia, Integração Nacional, Integrida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Patrimônio Nacional, Paz Social, Progresso eSoberania.Para o correto entendimento <strong>do</strong> significa<strong>do</strong> <strong>de</strong> cada Objetivo Fundamental, faz-se necessária suacaracterização, com base na evolução histórica da Nação e na atuação <strong>de</strong> suas elites, além <strong>do</strong> exame <strong>do</strong>sfatores condicionantes humanos, físicos, institucionais e externos, crian<strong>do</strong> percepções diferenciadas.a) DemocraciaA Democracia, como Objetivo Fundamental, tem <strong>do</strong>is significa<strong>do</strong>s essenciais:- Em primeiro lugar, é a incessante busca <strong>de</strong> uma socieda<strong>de</strong> que propicie um estilo <strong>de</strong> vidai<strong>de</strong>ntifica<strong>do</strong> pelo respeito à dignida<strong>de</strong> da pessoa, pela liberda<strong>de</strong> e pela igualda<strong>de</strong> <strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong>s.- Em segun<strong>do</strong> lugar, é a a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong> um regime político que se caracterize fundamentalmente por:* contínuo aprimoramento das instituições e da representação política, bem como suaa<strong>de</strong>quação aos reclamos da realida<strong>de</strong> nacional; e* legitimida<strong>de</strong> <strong>do</strong> exercício <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r político, através <strong>do</strong> governo da maioria e <strong>do</strong> respeito àsminorias.- Organização <strong>de</strong> um esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> direito, significan<strong>do</strong>:* participação da socieda<strong>de</strong> na condução da vida pública;* garantia <strong>do</strong>s direitos fundamentais <strong>do</strong> Homem;* pluralida<strong>de</strong> partidária;* divisão e harmonia entre os po<strong>de</strong>res <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> (Executivo, Legislativo e Judiciário);* responsabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> governantes e governa<strong>do</strong>s pela condução da ação política;* alternância no po<strong>de</strong>r.b) Integração NacionalConsolidação da comunida<strong>de</strong> nacional, com solidarieda<strong>de</strong> entre seus membros, sem preconceitosou disparida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> qualquer natureza, visan<strong>do</strong> à sua participação consciente e crescente em to<strong>do</strong>s ossetores da vida nacional e no esforço comum para preservar os valores da nacionalida<strong>de</strong> e reduzir<strong>de</strong>sequilíbrios regionais e sociais. Incorporação <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o território ao contexto político e socioeconômicoda Nação.c) Integrida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Patrimônio NacionalIntegrida<strong>de</strong> <strong>do</strong> território, <strong>do</strong> mar patrimonial, da zona contígua, da zona econômica exclusiva e daplataforma continental, bem como <strong>do</strong> espaço aéreo sobrejacente. Integrida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s bens públicos, <strong>do</strong>srecursos naturais e <strong>do</strong> meio ambiente, preserva<strong>do</strong>s da exploração predatória. Integrida<strong>de</strong> <strong>do</strong> patrimôniohistórico-cultural, representada pela língua, costumes e tradições. Enfim, a preservação da i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>nacional.d) Paz SocialNa visão <strong>de</strong> uma socieda<strong>de</strong> que cultua valores espirituais, a paz constitui condição necessária eefeito <strong>de</strong>seja<strong>do</strong>. A Paz Social reflete um valor <strong>de</strong> vida, não imposto, mas <strong>de</strong>corrente <strong>do</strong> consenso, em


usca <strong>de</strong> uma socieda<strong>de</strong> caracterizada pela conciliação e harmonia entre pessoas e grupos,principalmente entre o capital e o trabalho, e por um senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> justiça social que garanta asatisfação das necessida<strong>de</strong>s mínimas <strong>de</strong> cada cidadão, valorizan<strong>do</strong> as potencialida<strong>de</strong>s da vida emcomum, benefician<strong>do</strong> a cada um, bem como a totalida<strong>de</strong> da socieda<strong>de</strong>.e) ProgressoO Progresso, como fato, é uma constatação com base no passa<strong>do</strong> e no presente; como idéia, tomao fato por base, mas se projeta no futuro sob a forma <strong>de</strong> objetivo. Neste enfoque, tem, <strong>de</strong>ntre outras, asseguintes características:- a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong> crescimento econômico;- justa distribuição <strong>de</strong> renda;- aperfeiçoamento moral e espiritual <strong>do</strong> homem;- capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> prover segurança;- padrões <strong>de</strong> vida eleva<strong>do</strong>s;- ética e eficácia no plano político; e- constante avanço científico e tecnológico.f) SoberaniaManutenção da intangibilida<strong>de</strong> da Nação, assegurada a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> auto<strong>de</strong>terminação e <strong>de</strong>convivência com as <strong>de</strong>mais Nações em termos <strong>de</strong> igualda<strong>de</strong> <strong>de</strong> direitos, não aceitan<strong>do</strong> qualquer forma <strong>de</strong>intervenção em seus assuntos internos, nem participação em atos <strong>de</strong>ssa natureza em relação a outrasNações.1.1.3 - Objetivos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> (OE)São objetivos intermediários, estabeleci<strong>do</strong>s para o atendimento <strong>de</strong> necessida<strong>de</strong>s, interesses easpirações da socieda<strong>de</strong> nacional, <strong>de</strong>correntes <strong>de</strong> situações conjunturais, mediatas ou imediatas,consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s <strong>de</strong> alta relevância para a conquista e manutenção <strong>do</strong>s Objetivos Fundamentais. OsObjetivos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong>vem traduzir a visão prospectiva que a socieda<strong>de</strong> nacional tem <strong>de</strong> seu futuromediato e a efetiva vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> ver concretiza<strong>do</strong>s seus anseios. São, assim, objetivos que ultrapassam oscompromissos que caracterizam a ação governamental. Mesmo que não estejam chancela<strong>do</strong>s porconsenso nacional, <strong>de</strong>vem resultar <strong>de</strong> amplo <strong>de</strong>bate e aceitos pela maioria, condição que <strong>de</strong>staca aimportância da participação das Elites no seu estabelecimento.Objetivos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> (OE) - são Objetivos Nacionais intermediários, volta<strong>do</strong>s para oatendimento <strong>de</strong> necessida<strong>de</strong>s, interesses e aspirações, consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s <strong>de</strong> alta relevância para aconquista, consolidação e manutenção <strong>do</strong>s Objetivos Fundamentais.Os Objetivos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>, embora sejam estabeleci<strong>do</strong>s por um Governo, <strong>de</strong>vem refletir um consensonacional sobre aspirações relevantes e assim <strong>de</strong>verão ser busca<strong>do</strong>s por seus sucessores, através <strong>de</strong>outros objetivos intermediários.1.1.4 – Objetivos <strong>de</strong> Governo (OG)Na permanente busca da conquista e preservação <strong>do</strong>s OF a dinâmica da conjuntura impõecondições distintas quanto à caracterização e atendimento das necessida<strong>de</strong>s, interesses e aspiraçõesnacionais, levan<strong>do</strong> à fixação <strong>de</strong> objetivos intermediários a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>s àquelas condições: são os Objetivos<strong>de</strong> Governo.Portanto, são objetivos fixa<strong>do</strong>s por um Governo para o atendimento imediato <strong>de</strong> necessida<strong>de</strong>s,interesses e aspirações da socieda<strong>de</strong>, <strong>de</strong>correntes <strong>de</strong> situações conjunturais que influem nos ambientesinterno e externo da Nação.São objetivos intermediários fixa<strong>do</strong>s por um ou mais Governos. Os Objetivos <strong>de</strong> Governo <strong>de</strong>verãopreservar os OF, como referencial síntese.Objetivos <strong>de</strong> Governo (OG) – são Objetivos Nacionais intermediários, volta<strong>do</strong>s para oatendimento imediato <strong>de</strong> necessida<strong>de</strong>s, interesses e aspirações, <strong>de</strong>correntes <strong>de</strong> situaçõesconjunturais em um ou mais perío<strong>do</strong>s <strong>de</strong> Governo.


Política <strong>de</strong> Governo é o conjunto <strong>do</strong>s Objetivos <strong>de</strong> Governo, bem como a orientação para oemprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, atuan<strong>do</strong> em consonância com a conjuntura.Para consecução <strong>de</strong> suas políticas, os Governos <strong>de</strong>vem consi<strong>de</strong>rar a capacida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>rNacional Atual, evitan<strong>do</strong> a fixação <strong>de</strong> objetivos cuja exeqüibilida<strong>de</strong> não esteja assegurada; essacaracterística visa reduzir a probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> frustrações que po<strong>de</strong>m se instalar na socieda<strong>de</strong> nacional eameaçar o equilíbrio institucional.2.4 – Des<strong>do</strong>bramento da Política <strong>de</strong> GovernoQuan<strong>do</strong>, da fixação <strong>do</strong>s Objetivos <strong>de</strong> Governo, <strong>de</strong>ve-se discernir sobre as necessida<strong>de</strong>s ligadas àpreservação e às <strong>de</strong> evolução <strong>do</strong>s interesses e aspirações nacionais, bem como o âmbito, interno ouexterno, da atuação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional. Justifica-se, pois, o <strong>de</strong>s<strong>do</strong>bramento da Política <strong>de</strong> Governosegun<strong>do</strong> os <strong>do</strong>is gran<strong>de</strong>s campos <strong>de</strong> atuação: Segurança e Desenvolvimento, <strong>do</strong>s quais <strong>de</strong>rivam asPolíticas Setoriais, Regionais e Específicas.As Políticas Setoriais dizem respeito às ativida<strong>de</strong>s próprias <strong>do</strong>s vários segmentos em que sedivi<strong>de</strong> a administração pública (transporte, comunicações, agricultura, educação, saú<strong>de</strong> e outros). NumEsta<strong>do</strong> Fe<strong>de</strong>rativo, o planejamento e a execução das Políticas Setoriais não <strong>de</strong>vem prescindir <strong>de</strong> estreitaarticulação e cooperação entre os vários níveis governamentais: União, Esta<strong>do</strong>s e Municípios.As Políticas Regionais têm uma abordagem espacial, envolven<strong>do</strong> a atuação conjunta, numa<strong>de</strong>terminada área geográfica, <strong>de</strong> vários órgãos e entida<strong>de</strong>s fe<strong>de</strong>rais, estaduais e municipais, geralmentesob coor<strong>de</strong>nação fe<strong>de</strong>ral.As Políticas Específicas ou Especiais são a<strong>do</strong>tadas para o conjunto <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>s consi<strong>de</strong>radas,por um <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> Governo, <strong>de</strong> fundamental relevância ou para a solução <strong>de</strong> problemas emergenciaisgraves. Normalmente são realizadas com a participação <strong>de</strong> vários segmentos da administração publica.3. Po<strong>de</strong>r Nacional e suas expressões (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários e Vol II –Assuntos Específicos, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)3.1 Po<strong>de</strong>r Nacional3.1.2 - ConceitoO Po<strong>de</strong>r se apresenta como uma conjugação inter<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> vonta<strong>de</strong>s e meios, voltada parao alcance <strong>de</strong> uma finalida<strong>de</strong>. A vonta<strong>de</strong>, por ser um elemento imprescindível na manifestação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r,torna-o um fenômeno essencialmente humano, característico <strong>de</strong> um indivíduo ou <strong>de</strong> um grupamento <strong>de</strong>indivíduos.A vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> ter satisfeita uma necessida<strong>de</strong>, interesse ou aspiração não basta. É preciso que àvonta<strong>de</strong> se some a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alcançar tal satisfação, ou seja, é preciso que existam os meiosnecessários e suficientes que integralizam o Po<strong>de</strong>r. Para satisfazer àquelas necessida<strong>de</strong>s, interesses easpirações, que se traduzem como objetivos, o Homem, movi<strong>do</strong> por sua vonta<strong>de</strong> e, ao mesmo tempo,direcionan<strong>do</strong>-a, <strong>de</strong>ve utilizar-se <strong>de</strong> Meios a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>s e disponíveis, entre os quais ele mesmo se inclui.A dimensão <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> um grupo social tem como base o conjunto <strong>de</strong> meios à disposição davonta<strong>de</strong> coletiva, isto é, da vonta<strong>de</strong> comum aos subgrupos e aos indivíduos. O Po<strong>de</strong>r Nacional refletesempre as possibilida<strong>de</strong>s e limitações <strong>do</strong>s Homens que o constituem e <strong>do</strong>s Meios <strong>de</strong> que dispõe, nas suascaracterísticas globais e nos efeitos <strong>de</strong> seu emprego.A visualização <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional como um sistema complexo é coerente com o reconhecimentoda integralida<strong>de</strong> como uma <strong>de</strong> suas características marcantes. O senti<strong>do</strong> interagente das relações entreos Homens que o constituem e os meios <strong>de</strong> que dispõe aquele Po<strong>de</strong>r, bem como a afirmativa <strong>de</strong> ser eleuno e indivisível, aspectos mais evi<strong>de</strong>ntes quan<strong>do</strong> vistos sob enfoque <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r em ação, reafirmam essaintegralida<strong>de</strong> e reforçam seu caráter sistêmico. Entretanto, sen<strong>do</strong> a manifestação <strong>de</strong> um sistema social e,em si mesmo, um sistema, o Po<strong>de</strong>r admite didaticamente a sua subdivisão para a análise <strong>de</strong> suascaracterísticas e <strong>de</strong> seu valor.A Nação, ao organizar-se politicamente, escolhe um mo<strong>do</strong> <strong>de</strong> aglutinar, expressar e aplicar o seuPo<strong>de</strong>r <strong>de</strong> maneira mais eficaz, mediante a criação <strong>de</strong> uma macroinstituição especial - o Esta<strong>do</strong> – a quem


<strong>de</strong>lega a faculda<strong>de</strong> <strong>de</strong> instituir e pôr em execução o processo político-jurídico, a coor<strong>de</strong>nação da vonta<strong>de</strong>coletiva e a aplicação judiciosa <strong>de</strong> parte substancial <strong>de</strong> seu Po<strong>de</strong>r.Assim:Esta<strong>do</strong> é a Nação politicamente organizada.Não só para evitar a violência e a anarquia entre os indivíduos mas, principalmente, para <strong>do</strong>tar oGoverno <strong>do</strong>s meios para garantir a or<strong>de</strong>m instituída, torna-se o Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong>tentor monopolista <strong>do</strong>s meioslegítimos <strong>de</strong> coerção.O Po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> ou Po<strong>de</strong>r Estatal correspon<strong>de</strong>, portanto, ao segmento politicamenteinstitucionaliza<strong>do</strong> <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional.O conceito <strong>de</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional <strong>de</strong>staca o papel <strong>do</strong> Homem em sua composição, para que ele nãofigure apenas como mais um daqueles meios <strong>de</strong> que o Po<strong>de</strong>r dispõe, valorizan<strong>do</strong>, assim, sua tríplicecondição <strong>de</strong> componente <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, <strong>de</strong> agente principal <strong>de</strong> seu emprego e <strong>de</strong> <strong>de</strong>stinatário final<strong>do</strong>s resulta<strong>do</strong>s assim obti<strong>do</strong>s.Po<strong>de</strong>r Nacional é a capacida<strong>de</strong> que tem o conjunto <strong>de</strong> Homens e Meios que constituem aNação para alcançar e manter os Objetivos Nacionais, em conformida<strong>de</strong> com a Vonta<strong>de</strong> Nacional.Neste conceito estão conti<strong>do</strong>s os elementos <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional: o Homem, a Vonta<strong>de</strong> e os Meios,sen<strong>do</strong> a Vonta<strong>de</strong> Nacional entendida como a interpretação pelas Elites, <strong>do</strong>s anseios da socieda<strong>de</strong>nacional.3.2 - ExpressõesO Po<strong>de</strong>r Nacional <strong>de</strong>ve ser sempre entendi<strong>do</strong> como um to<strong>do</strong>, uno e indivisível. Entretanto, paracompreen<strong>de</strong>r os elementos estruturais anteriormente referi<strong>do</strong>s, po<strong>de</strong>mos estudá-lo segun<strong>do</strong> suasmanifestações, que se processam através cinco Expressões, a saber:3.2.1 - Política;3.2.1.1 ConceituaçãoDentro <strong>do</strong> conjunto da socieda<strong>de</strong> nacional, organizam-se historicamente meios que, em interação,têm as funções <strong>de</strong> interpretar os interesses e aspirações <strong>do</strong> Povo, i<strong>de</strong>ntifican<strong>do</strong> e estabelecen<strong>do</strong> osObjetivos Nacionais, cuja conquista e preservação orientam. Esses meios em interação, com funções taisconstituem a forma pela qual a Nação se expressa politicamente; daí <strong>de</strong>nominar-se a esse conjuntoparticular Expressão Política.Expressão Política <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional é a manifestação <strong>de</strong> natureza prepon<strong>de</strong>rantementepolítica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, que contribui para alcançar e manter os Objetivos Nacionais.Os anseios e aspirações <strong>do</strong> Povo, mais ou menos difusos, processam-se na Expressão Política,transforman<strong>do</strong>-se em objetivos articula<strong>do</strong>s que, nas socieda<strong>de</strong>s <strong>de</strong>mocráticas, retornam ao Povo, ou aseus representantes, sob a forma <strong>de</strong> propostas <strong>de</strong> normativida<strong>de</strong>, planos e projetos estatais ou <strong>de</strong>cisõesespecíficas. As ações ou omissões necessárias à conquista e preservação <strong>do</strong>s Objetivos Nacionais,transformadas em normas, projetos ou <strong>de</strong>cisões, po<strong>de</strong>m ser impostas coercitivamente pelo Esta<strong>do</strong>, <strong>de</strong>s<strong>de</strong>que em atendimento à Vonta<strong>de</strong> Nacional. Eis uma característica específica da Expressão Política: é nelaque se resolve a alocação coercitiva <strong>de</strong> valores (normas, parâmetros <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão, <strong>de</strong>cisões) consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>smais relevantes pelo Povo, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong>, para tanto, o Esta<strong>do</strong>, como instituição da Nação, valer-se,legitimamente, da força <strong>de</strong> que dispõe.Ao Esta<strong>do</strong> soberano, máxima instituição da Expressão Política <strong>de</strong> um da<strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, cabeexercer, em nome da Nação e sempre em benefício <strong>de</strong>la, titular que é da soberania, a coerção social. OEsta<strong>do</strong> o faz através <strong>do</strong> <strong>de</strong>sempenho <strong>de</strong> três funções básicas: a normativa, a administrativa e ajurisdicional. Contu<strong>do</strong>, o Esta<strong>do</strong>, embora constitua o centro <strong>do</strong> processo <strong>de</strong>cisório nacional, não esgota aExpressão Política da Nação: participam <strong>do</strong> processo <strong>de</strong> integração e expressão da Vonta<strong>de</strong> Nacionaloutros componentes e interações que, conquanto se relacionem com a esfera estatal, a ela não


pertencem. Nas socieda<strong>de</strong>s <strong>de</strong>mocráticas, se o Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong>tém uma parcela importante <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r, não o<strong>de</strong>tém to<strong>do</strong>, estabelecen<strong>do</strong>-se um contrapeso necessário para assegurar-se um regime <strong>de</strong> liberda<strong>de</strong>.3.2.2 - Econômica;3.2.2.1 ConceituaçãoExpressão Econômica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional é a manifestação <strong>de</strong> natureza prepon<strong>de</strong>rantementeeconômica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, que contribui para alcançar e manter os Objetivos Nacionais.A característica fundamental da Expressão Econômica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional consiste em acionarmeios pre<strong>do</strong>minantemente econômicos, através <strong>do</strong>s quais o homem busca, não só satisfazer àsnecessida<strong>de</strong>s vitais (alimentação, proteção e procriação), mas aten<strong>de</strong>r aos requisitos <strong>de</strong> bem-estarorigina<strong>do</strong>s pelo evoluir constante da capacida<strong>de</strong> intelectual <strong>de</strong> que dispõe, tornan<strong>do</strong> crescentes suasnecessida<strong>de</strong>s e, portanto, a <strong>de</strong>manda por consumo <strong>de</strong> bens e serviços.Tais consi<strong>de</strong>rações não <strong>de</strong>vem constituir enfoque materialista e limita<strong>do</strong>r para a ExpressãoEconômica pois, embora voltada para o atendimento <strong>de</strong> requisitos <strong>de</strong> bem-estar, ela enfatiza o respeitoaos pressupostos éticos como exigência <strong>do</strong> caminho para atingir os objetivos finalísticos <strong>do</strong> emprego <strong>do</strong>Po<strong>de</strong>r Nacional.Entre os aspectos mais característicos da Expressão Econômica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, avulta aimportância das inovações tecnológicas para a economia das Nações, modifican<strong>do</strong> processos <strong>de</strong>produção e alteran<strong>do</strong> <strong>de</strong>mandas pelos fatores produtivos.A história da humanida<strong>de</strong>, vista sob a lente da economia, constitui-se na luta para superar oproblema da escassez <strong>de</strong> recursos em face <strong>de</strong> necessida<strong>de</strong>s crescentes. No entanto, em razão das<strong>de</strong>sigualda<strong>de</strong>s entre produção e consumo, sempre se concentra nas mãos <strong>de</strong> <strong>de</strong>termina<strong>do</strong>s segmentos,<strong>de</strong>s<strong>de</strong> indivíduos até Nações, um exce<strong>de</strong>nte não consumi<strong>do</strong> que constitui a poupança, a qual <strong>de</strong>vereverter em investimentos para que haja aumento da produção.Por isso, sem <strong>de</strong>scurar <strong>do</strong>s aspectos éticos envolvi<strong>do</strong>s no processo, a economia se preocupa comtarefas básicas, a partir <strong>do</strong> questionamento sobre o quê, quanto e como produzir e distribuir.Para aten<strong>de</strong>r às necessida<strong>de</strong>s e aspirações, consubstanciadas em Objetivos Nacionais, asocieda<strong>de</strong> enfrenta problemas diversifica<strong>do</strong>s e complexos, caben<strong>do</strong> <strong>de</strong>stacar os seguintes:- aplicação eficiente e eficaz <strong>do</strong>s recursos produtivos;- criação e aperfeiçoamento <strong>de</strong> instituições econômicas;- melhoria da repartição da renda;- elevação <strong>do</strong>s padrões <strong>de</strong> consumo e <strong>do</strong> bem-estar; e- ampliação das oportunida<strong>de</strong>s econômicas.Enten<strong>de</strong>-se, que o sistema econômico funciona melhor quan<strong>do</strong> é capaz <strong>de</strong>, asseguran<strong>do</strong> liberda<strong>de</strong><strong>de</strong> escolha, suprir as necessida<strong>de</strong>s humanas e aten<strong>de</strong>r às aspirações sociais, uma vez que este sistema<strong>de</strong>ve estar orienta<strong>do</strong> para o Bem Comum.Na realização das tarefas econômicas, são necessárias vonta<strong>de</strong> e capacida<strong>de</strong> para exercê-las. Avonta<strong>de</strong>, como atitu<strong>de</strong> racional, tem no homem o seu intérprete; a capacida<strong>de</strong> é proporcionada pelosmeios <strong>de</strong> toda or<strong>de</strong>m que a Nação possui.3.2.3 - Psicossocial;3.2.3.1 ConceituaçãoA Expressão abrange pessoas, i<strong>de</strong>ais, utopias, instituições, normas, estruturas, grupos,comunida<strong>de</strong>s, recursos e organizações, integra<strong>do</strong>s num vasto complexo orienta<strong>do</strong> para o alcance <strong>de</strong>objetivos sociais valiosos, situa<strong>do</strong>s no seu campo <strong>de</strong> interesse, ou além, que po<strong>de</strong>m satisfazer àsnecessida<strong>de</strong>s, interesses e aspirações da socieda<strong>de</strong>.Expressão Psicossocial <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional é a manifestação <strong>de</strong> naturezapre<strong>do</strong>minantemente psicológica e social <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, que contribui para alcançar e manteros Objetivos Nacionais.3.2.4 - Militar;


3.2.4.1 ConceituaçãoA Expressão Militar <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional tem no emprego da força ou na possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> usá-la, acaracterística mais marcante. Manifesta-se, seja por efeito <strong>de</strong> <strong>de</strong>sestimular possíveis ameaças, seja pelaatuação violenta <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional para neutralizá-las.Expressão Militar <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional é a manifestação <strong>de</strong> natureza prepon<strong>de</strong>rantementemilitar <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, que contribui para alcançar e manter os Objetivos Nacionais.3.2.5 - Científica e Tecnológica.3.2.5.1 ConceituaçãoA Expressão Científica e Tecnológica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional representa a manifestação <strong>de</strong>ste Po<strong>de</strong>rnos setores da ciência e da tecnologia. Engloba todas as ativida<strong>de</strong>s relacionadas à geração, disseminaçãoe aplicação <strong>do</strong>s conhecimentos científicos e tecnológicos. Compreen<strong>de</strong>, essencialmente, os homens queatuam e meios que são utiliza<strong>do</strong>s naqueles setores, caracterizan<strong>do</strong> a capacitação nacional em ciência etecnologia.Expressão Científica e Tecnológica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional é a manifestaçãoprepon<strong>de</strong>rantemente científica e tecnológica <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, que contribui para alcançar emanter os Objetivos Nacionais.Para a análise das Expressões <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r, estabelecem-se algumas categorias úteis àcompreensão <strong>de</strong> seus elementos estruturais. Assim, temos: Fundamentos, Fatores, e, finalmente, Órgãose Sistema. Incluem-se aqui não só elementos essenciais <strong>de</strong> cada expressão, como outros que,pre<strong>do</strong>minantemente <strong>de</strong> natureza diversa, produzem, por seus comportamentos e ações, efeitos relevantesna Expressão. (para completo conhecimento sobre as expressões <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, consultar o manualbásico da ESG, Vol II – Assuntos Específicos)O estu<strong>do</strong> <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional em cinco Expressões (política, econômica, psicossocial,militar ecientífica tecnológica) visa facilitar o trabalho <strong>de</strong> sua avaliação e, em conseqüência, <strong>de</strong> sua racionalaplicação <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> um processo <strong>de</strong> planejamento.Neste tipo <strong>de</strong> análise, os Fundamentos <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional manifestar-se-ão diferentemente emcada uma das Expressões. Assim, esses Fundamentos (HOMEM – TERRA - INSTITUIÇÕES)apresentam-se diferencia<strong>do</strong>s conforme o seguinte quadro resumo:Cada Expressão <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional caracteriza-se por ser constituída, pre<strong>do</strong>minantemente, porelementos <strong>de</strong> uma mesma natureza.Deve-se, no entanto, observar que:- Uma Expressão <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, além <strong>de</strong> produzir efeitos em sua dimensão específica, causanormalmente reflexos nas <strong>de</strong>mais Expressões.- Uma Expressão <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional po<strong>de</strong> ser constituída <strong>de</strong> elementos <strong>de</strong> qualquer natureza,embora nela pre<strong>do</strong>minem os que lhe são peculiares.


Consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong> a unida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, é necessário ressaltar que cada Expressão, aomesmo tempo em que se caracteriza pela produção <strong>de</strong> efeitos prevalentes <strong>de</strong> uma certa natureza, nãopo<strong>de</strong> jamais ser consi<strong>de</strong>rada isoladamente.Ressalta-se que, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> à característica finalística <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, qual seja, a <strong>de</strong> alcançarobjetivos, e por ser a Expressão Política aquela que os fixa, esta Expressão sobressai entre as <strong>de</strong>mais,po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> ocorrer, entretanto que, em função <strong>de</strong> situações conjunturais, qualquer uma das outras possaocupar essa primazia, sem que o caráter <strong>de</strong> unida<strong>de</strong> seja perdi<strong>do</strong>.Enfim, analisan<strong>do</strong>-se o Po<strong>de</strong>r Nacional sob enfoque <strong>de</strong> suas manifestações (política, econômica,psicossocial, militar e científicotecnológica), constata-se a vantagem didática e, sobretu<strong>do</strong>, prática <strong>de</strong>admitir-se como categorias analíticas, diferentes Expressões <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, caracterizan<strong>do</strong>-se cadaqual pela prevalência <strong>do</strong>s efeitos a serem obti<strong>do</strong>s, em função <strong>do</strong>s elementos correspon<strong>de</strong>ntes à natureza<strong>de</strong> cada uma <strong>de</strong>las.4. Óbices (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)Os Óbices, existentes ou potenciais, po<strong>de</strong>m ser, ou não, <strong>de</strong> or<strong>de</strong>m material. Resultam, às vezes,<strong>de</strong> fenômenos naturais, como secas e inundações, outras vezes, <strong>de</strong> fatores sociais, como a fome, apobreza e o analfabetismo, ou, ainda, da vonta<strong>de</strong> humana. Representam, em sua essência, condiçõesestruturais ou conjunturais, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> variar, também, em intensida<strong>de</strong> e na maneira como se manifestam.Os óbices classificam-se em Fatores Adversos e Antagonismos.Fatores Adversos são óbices que se interpõem aos esforços da socieda<strong>de</strong> ou <strong>do</strong> Governopara alcançar e preservar os Objetivos Nacionais.Quan<strong>do</strong> os Óbices assumem uma forma lesiva aos esforços da socieda<strong>de</strong> na conquista <strong>do</strong>sObjetivos Fundamentais, <strong>de</strong>nominam-se Antagonismos.Antagonismos são Óbices <strong>de</strong> toda or<strong>de</strong>m, internos ou externos, que se contrapõem aoalcance e à preservação <strong>do</strong>s Objetivos Fundamentais.5. Estratégia Nacional (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)5.1 - ConceituaçãoQuan<strong>do</strong> estudamos o emprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional para alcançar os objetivos fixa<strong>do</strong>s pela PolíticaNacional, estaremos consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong> to<strong>do</strong>s os tipos <strong>de</strong> Óbices que se antepõem, em escalas tãosignificativas, quanto às parcelas <strong>de</strong> Po<strong>de</strong>r empregadas. A Estratégia Nacional, tem os ObjetivosFundamentais como sua síntese.Estratégia Nacional é a arte <strong>de</strong> preparar e <strong>de</strong> aplicar o Po<strong>de</strong>r Nacional para, superan<strong>do</strong> osÓbices, alcançar e preservar os Objetivos Nacionais, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a orientação estabelecida pelaPolítica Nacional.Como Óbices enfrenta<strong>do</strong>s pela Estratégia Nacional, incluem-se não somente os componentes <strong>do</strong>universo antagônico, externos e internos, como também Fatores Adversos, muitos <strong>de</strong>les, potencialmentegera<strong>do</strong>res <strong>de</strong> Antagonismos; para enfrentá-los a Estratégia Nacional vale-se <strong>do</strong>s Homens e <strong>do</strong>s Meiospolíticos, econômicos, psicossociais, militares e científicotecnológicos que integram o Po<strong>de</strong>r Nacional.5.2 – Correlação com a Política NacionalA Política e a Estratégia precisam ser coor<strong>de</strong>nadas e ajustadas em todas as conjunturas, níveis eáreas <strong>de</strong> atuação, <strong>de</strong>ven<strong>do</strong> estar harmonizadas entre si e com as reais necessida<strong>de</strong>s e disponibilida<strong>de</strong>s<strong>de</strong> meios, como condição básica para po<strong>de</strong>rem alcançar os êxitos <strong>de</strong>seja<strong>do</strong>s. Muitos planos e programasfracassam por não aten<strong>de</strong>rem a esse condicionamento.A Política, ao i<strong>de</strong>ntificar e <strong>de</strong>finir objetivos, orienta os <strong>de</strong>stinos da socieda<strong>de</strong>, organizan<strong>do</strong> a or<strong>de</strong>msocial e o Esta<strong>do</strong>, estabelecen<strong>do</strong> a distinção entre os setores público e priva<strong>do</strong>, e asseguran<strong>do</strong> os direitos


individuais. Preocupa-se, fundamentalmente, com a evolução e a sobrevivência da Nação, procuran<strong>do</strong>aten<strong>de</strong>r aos interesses e aspirações nacionais.Os referenciais fixos da política são a justiça e a ética, sem os quais a or<strong>de</strong>m social é <strong>de</strong>struídae a própria Nação se <strong>de</strong>sagrega. Assim, a Política indicará o que fazer.A Estratégia envolve uma forma <strong>de</strong> luta que emprega os meios <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r para superar to<strong>do</strong>s osobstáculos que se antepõem aos supremos interesses da socieda<strong>de</strong>. Nesse senti<strong>do</strong>, sua diretrizpermanente é a eficácia, isto é, o compromisso com a consecução <strong>do</strong>s objetivos estabeleci<strong>do</strong>s pelaPolítica, sem <strong>de</strong>scurar, no entanto, da eficiência, ou seja, da obtenção <strong>do</strong> rendimento máximo <strong>do</strong>s meiosdisponíveis. Princípio Estratégico da Eficácia: Os meios <strong>de</strong>vem ser aplica<strong>do</strong>s no momentooportuno, no valor e no local exatos em que po<strong>de</strong>rão produzir, da melhor forma, os efeitos<strong>de</strong>seja<strong>do</strong>s.O mo<strong>do</strong> <strong>de</strong> empregar o Po<strong>de</strong>r, o como fazer, que é característico da Estratégia, tem seu campo <strong>de</strong>ação limita<strong>do</strong> por uma orientação política que subordina o princípio estratégico da eficácia aospostula<strong>do</strong>s éticos da Política.Por sua vez, a Política <strong>de</strong>ve conhecer as necessida<strong>de</strong>s da Estratégia. Quan<strong>do</strong> os meios foreminsuficientes ou ina<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>s, cabe à Política orientar a obtenção <strong>de</strong> outros meios ou formular objetivosmais mo<strong>de</strong>stos.6. Estratégia <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> e Estratégia <strong>de</strong> Governo (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários,Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)6.1 - Estratégia <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>A Superação <strong>de</strong> Óbices que possam comprometer a consecução e manutenção <strong>de</strong> objetivos <strong>de</strong>alta relevância para a vida da Nação e que compõem as Políticas <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong>ve ser fator prioritário <strong>do</strong>sgovernos, uma vez que têm a responsabilida<strong>de</strong> <strong>do</strong> emprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Estatal que lhe é <strong>de</strong>lega<strong>do</strong>. Nessemister os governantes têm que ser seletivos e atribuir priorida<strong>de</strong>s com eficácia e, acima <strong>de</strong> tu<strong>do</strong> semcompromisso com resulta<strong>do</strong>s imediatos. A escolha <strong>de</strong> sua trajetória estratégica po<strong>de</strong>rá transformá-los emautênticos e reconheci<strong>do</strong>s estadistas.Estratégia <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> é a forma como o Governo prepara e aplica o Po<strong>de</strong>r Estatal para,superan<strong>do</strong> Óbices <strong>de</strong> alta relevância, alcançar e preservar os Objetivos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com aorientação estabelecida pela Política <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>.6.2 - Estratégia <strong>de</strong> GovernoEm nível governamental, são também consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s os elementos básicos (meios, óbices, e fins aatingir) e os fatores condicionantes (espaço e tempo) da Estratégia. Da inter-relação <strong>de</strong>sses fatores eelementos e consi<strong>de</strong>rada a orientação estabelecida pela Política <strong>de</strong> Governo, quanto aos prazos e àspriorida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> aplicação <strong>do</strong>s meios, serão estabelecidas as Estratégias mais a<strong>de</strong>quadas para que sejamconquista<strong>do</strong>s e manti<strong>do</strong>s os respectivos Objetivos.Estratégia <strong>de</strong> Governo é a forma como o Governo prepara e aplica o Po<strong>de</strong>r Nacional para,superan<strong>do</strong> Óbices, alcançar e preservar seus Objetivos, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a orientação estabelecidapela Política <strong>de</strong> Governo.As Estratégias <strong>de</strong> Governo <strong>de</strong>vem ser estabelecidas levan<strong>do</strong>-se em conta a superação <strong>de</strong> Óbicesque permitem o atendimento imediato <strong>de</strong> necessida<strong>de</strong>s e aspirações nacionais.Ass 2. OS PRECUSSORES E FUNDADORES DO PENSAMENTO ESTRATÉGICO (02 horas)Objetivos específicos:


I-3 - Apresentar os aspectos relevantes <strong>do</strong> pensamento estratégico <strong>de</strong> SUN TZU, JOMINI, CLAUSEWITZe MAQUIAVEL.1. Sun Tzu (<strong>ECEME</strong>, Evolução da Arte da Guerra e <strong>do</strong> Pensamento Militar - Coletânea <strong>de</strong> NotasSuplementares, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)1.1 Síntese biográfica e cenáriosNasceu e viveu no perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 453 a 221 AC, na época <strong>do</strong>s “Reinos Combatentes”, quan<strong>do</strong> a Chinapossuía forças regulares comandadas por profissionais e as guerras buscavam o expansionismo territorial.É possível que SUN TZU tenha comanda<strong>do</strong> o exército <strong>do</strong> Rei Holu, no Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> Wu.A sua principal obra é “A Arte da Guerra” (400 a 320 AC ), pulverizada em treze capítulos.É um <strong>do</strong>s precursores <strong>do</strong>s princípios da arte da guerra.1.2 Síntese <strong>do</strong> pensamento político-estratégicoO Comandante <strong>de</strong> exército, filósofo e pensa<strong>do</strong>r chinês, que viveu num cenário <strong>de</strong> quatro séculosantes da era cristã, estabeleceu princípios e fundamentos que ultrapassaram os tempos e, hodiernamente,são estuda<strong>do</strong>s e aplica<strong>do</strong>s nas diversas expressões <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r.A síntese <strong>de</strong> seus princípios, traduzida no seu livro “A Arte da Guerra”, transmitem conhecimentosfundamentais para a preparação e a condução da guerra nos seus múltiplos aspectos.Especificamente, no campo político-estratégico as colaborações <strong>de</strong> Sun Tzu são mais intensasquanto à expressão militar sem, no entanto, <strong>de</strong>ixar <strong>de</strong> realizar consi<strong>de</strong>rações fundamentadas para as<strong>de</strong>mais expressões.De sua época manteve o entendimento <strong>de</strong> Estratégia como a “Arte <strong>do</strong> General” e <strong>de</strong>ixatransparecer uma tênue e mútua <strong>de</strong>pendência entre a Guerra e o Po<strong>de</strong>r.Estimulou a disciplina <strong>do</strong> general em relação ao soberano, cuja transcendência abrange a paz e aguerra, refletin<strong>do</strong> uma subordinação <strong>de</strong>mocrática da expressão militar em relação ao Chefe <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>.Ao escrever sobre o vínculo <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r com a Guerra, remete esta à população, estabelecen<strong>do</strong> umelo importante para a consecução <strong>do</strong>s objetivos <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s pela Política e daí visualizava a tendência <strong>de</strong> umexército nacional, no tocante à mobilização e que, mais tar<strong>de</strong>, viria a se consagrar na França.Ao salientar que o Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong>ve ser forte o faz, com a idéia <strong>de</strong> proporcionar-lhe condições <strong>de</strong>dissuasão, conceito este ainda perene entre os Esta<strong>do</strong>s mo<strong>de</strong>rnos.Foi prático, realista e profissional, afirman<strong>do</strong> que as coisas da guerra <strong>de</strong>veriam ficar com o ChefeMilitar, não <strong>de</strong>ven<strong>do</strong> ocorrer ingerências <strong>do</strong> soberano. A evolução da dimensão estratégica nem sempretestemunhou tal assertiva.Sua posição em relação ao não cumprimento eventual <strong>de</strong> or<strong>de</strong>ns <strong>do</strong> soberano, suscita ilações,embora bastante compreensível a idéia para o cenário consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>, em virtu<strong>de</strong> da distância física entre abatalha e o po<strong>de</strong>r e a conseqüente dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> comunicação. Atualmente, tal procedimento ten<strong>de</strong> aexistir quan<strong>do</strong>, consensual e legitimamente, as expressões <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r aceitem que a <strong>de</strong>sobediência váresultar na preservação <strong>do</strong>s mais altos valores da Nação.Apologista <strong>do</strong> méto<strong>do</strong> da ação indireta para o emprego <strong>de</strong> forças militares, enaltece também aestratégia da aliança, ambos <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> aplicação estratégica nos dias atuais por quase to<strong>do</strong>s os países<strong>do</strong> mun<strong>do</strong>.I<strong>de</strong>alista, estabeleceu também conceitos estratégicos volta<strong>do</strong>s para as expressões econômicas epsicossociais, buscan<strong>do</strong> preservar o Homem e o Esta<strong>do</strong>, quan<strong>do</strong> em guerra.Define, magnificamente, os princípios <strong>de</strong> guerra <strong>de</strong> massa e <strong>de</strong> economia <strong>de</strong> forças, estuda<strong>do</strong>s eaplica<strong>do</strong>s por estrategistas <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os tempos.Genial e criativo, exalta e orienta o emprego da rapi<strong>de</strong>z, da dissimulação e da “malícia” naaplicação da estratégia indireta.Comandante Militar que foi, apresenta conceituações fundamentais sobre o inimigo e o terreno,essenciais para o estu<strong>do</strong> da tática e da estratégia, permanecen<strong>do</strong> imutáveis até os dias atuais.Encerran<strong>do</strong> a síntese <strong>do</strong> pensamento político-estratégico <strong>de</strong> Sun Tzu, conclui-se pela abundância<strong>de</strong> ensinamentos <strong>de</strong>ixa<strong>do</strong>s, particularmente, nos aspectos:- da relação, subordinação e <strong>de</strong>pendência entre a Estratégia, a Política e o Po<strong>de</strong>r;


- <strong>de</strong> todas as teorias sobre a arte da guerra, a única razoável é aquela que, fundamentada noestu<strong>do</strong> da história militar, admite um certo número <strong>de</strong> princípios regula<strong>do</strong>res, mas <strong>de</strong>ixa ao gênio natural amaior parte da conduta <strong>de</strong> uma guerra, sem tolhê-la com regras exclusivas;- ao contrário, nada é mais apropria<strong>do</strong> para liquidar o gênio natural e fazer triunfar o erro <strong>do</strong> queessas teorias pedantes , baseadas na fácil idéia <strong>de</strong> que a guerra é uma ciência positiva, cujas operaçõespo<strong>de</strong>m ser reduzidas a cálculos infalíveis.”Jomini enfatiza ainda que “não será” a leitura <strong>de</strong> um simples capítulo <strong>de</strong> princípios que dará, <strong>de</strong>imediato, o talento para conduzir um exército, pois como em todas as artes o “saber” e o “saber fazer” sãocoisas bastante diferentes.2.3 Política e guerraNo que se refere à política em relação à guerra, Jomini nos diz que ao estadista cabe formular,através da política, o objetivo da guerra. Aponta seis espécies <strong>de</strong> guerra, nas quais o esta<strong>do</strong> po<strong>de</strong> serenvolvi<strong>do</strong>:- guerra para reivindicar direitos ou <strong>de</strong>fendê-los;- guerra para proteger ou manter gran<strong>de</strong>s interesses;- guerra para manter o equilíbrio <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r;- guerra para propagar, <strong>de</strong>struir ou <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>r teorias políticas ou religiosas;- guerra para aumentar a influência ou o po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> por aquisição <strong>de</strong> território;- guerra para satisfazer mania <strong>de</strong> conquista.A conceituação <strong>de</strong>ssas espécies <strong>de</strong> guerra possibilita uma base para a configuração global daEstratégia Geral ou Nacional e da Estratégia Militar, porque a Política <strong>de</strong> Guerra formulada a nível Chefe<strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> vai dizer a razão pela qual o Esta<strong>do</strong> está in<strong>do</strong> à guerra.Esta conceituação, das espécies <strong>de</strong> guerra, nos indica, ainda, quais as dimensões <strong>do</strong> quemo<strong>de</strong>rnamente enten<strong>de</strong>mos como expressões <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional e irá representar a essência <strong>do</strong>pensamento estratégico.2.4 LogísticaJomini estuda, também, a logística, entendida na época como “a arte prática <strong>de</strong> movimentar osexércitos”.A logística <strong>de</strong>ixa <strong>de</strong> referir-se apenas às minúcias das marchas e estacionamentos, ganhan<strong>do</strong>maior abrangência.Relaciona to<strong>do</strong>s os aspectos que julga importantes para organizar o movimento <strong>de</strong> um exército:- estu<strong>do</strong>s, planos e or<strong>de</strong>ns para cada caso da campanha;- preparação <strong>do</strong>s <strong>de</strong>slocamentos;- informações sobre o inimigo e levantamento <strong>de</strong> suas possibilida<strong>de</strong>s;- segurança das operações e instalações.2.5 EstratégiaO estu<strong>do</strong> das campanhas <strong>de</strong> Napoleão fez com que Jomini concluísse que a concentração <strong>de</strong>forças no ponto <strong>de</strong>cisivo, visan<strong>do</strong> a batalha principal, seja o foco da estratégia e das manobras táticas.Nisto concordava com Clausewitz, e ambos achavam que a aplicação <strong>de</strong>sse postula<strong>do</strong> seriafunção da iniciativa e da surpresa.Analisa a política militar “que compreen<strong>de</strong> as consi<strong>de</strong>rações políticas, relativas às operações <strong>do</strong>sexércitos, que não pertencem nem à diplomacia, nem à estratégia e nem à tática”.Estão neste bojo observações sobre: a geografia militar, as instituições militares, da<strong>do</strong>sestatísticos, espírito militar, moral da tropa, características <strong>do</strong>s comandantes inimigos.Jomini <strong>de</strong>fine, também , Teatro <strong>de</strong> Guerra como “to<strong>do</strong> território sobre o qual duas potências po<strong>de</strong>matacar uma à outra, quer esse território pertença a elas, ou a seus alia<strong>do</strong>s, quer a esta<strong>do</strong>s mais fracos,que po<strong>de</strong>m ser arrasta<strong>do</strong>s à guerra por me<strong>do</strong> ou interesse”.Lança, ainda, as bases <strong>do</strong> que hoje seria um levantamento prospectivo, analisan<strong>do</strong> os novosarmamentos e as modificações conseqüentes na organização <strong>do</strong>s exércitos e no emprego tático.


Deste mo<strong>do</strong>, observa que “os meios <strong>de</strong> <strong>de</strong>struição estão se aproximan<strong>do</strong> da perfeição comassusta<strong>do</strong>ra rapi<strong>de</strong>z”. Estas observações foram feitas em virtu<strong>de</strong> das inovações tecnológicas e táticas quesurgiam na época, levan<strong>do</strong> à previsão da necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> limitar os meios <strong>de</strong> guerra através <strong>de</strong> “leisinternacionais”.No seu ponto <strong>de</strong> vista a estratégia permanece inalterada <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a antigüida<strong>de</strong>.“A Estratégia é a arte <strong>de</strong> fazer a guerra pela carta, compreen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> o conjunto <strong>do</strong> TO.A Gran<strong>de</strong> Tática é a arte <strong>de</strong> dispor no campo <strong>de</strong> batalha, conforme as características <strong>do</strong> terreno,<strong>de</strong> pô-las em ação, <strong>de</strong> combater no terreno, o que a distingue <strong>do</strong> planejamento na carta”.A logística compreen<strong>de</strong> os processos e medidas que permitem a execução <strong>do</strong>s planos daestratégia e da tática. “A ESTRATÉGIA DECIDE ONDE AGIR, A LOGÍSTICA LEVA A TROPA A ESTEPONTO E A GRANDE TÁTICA DECIDE O MODO DE EXECUÇÃO E EMPREGO DAS TROPAS.”Para Jomini “a Estratégia compreen<strong>de</strong>:- <strong>de</strong>finição <strong>do</strong> teatro <strong>de</strong> guerra e das diferentes combinações que esta oferece;- a <strong>de</strong>terminação <strong>do</strong>s pontos <strong>de</strong>cisivos que resultam <strong>de</strong>ssas combinações é a direção maisprovável para as operações;- a escolha e o estabelecimento <strong>de</strong> base fixa e da zona <strong>de</strong> operações;- a <strong>de</strong>terminação <strong>do</strong> ponto objetivo, seja ofensivo seja <strong>de</strong>fensivo;- as frentes estratégicas, linhas <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa e frentes <strong>de</strong> operações;- a escolha <strong>de</strong> linhas <strong>de</strong> operações que conduzem ao ponto-objetivo ou à frente estratégica;- para uma <strong>de</strong>terminada operação, a melhor linha estratégica e as diferentes manobrasnecessárias, que consi<strong>de</strong>rem to<strong>do</strong>s os casos possíveis;- as bases <strong>de</strong> operações eventuais e as reservas estratégicas;- as marchas <strong>do</strong>s exércitos consi<strong>de</strong>radas como manobras;- as relações entre as posições <strong>de</strong> <strong>de</strong>pósitos e marchas <strong>do</strong> exército;- as fortalezas consi<strong>de</strong>radas como meios estratégicos, como refúgio para um exército ou como umobstáculo à sua progressão; os cercos a fazer e a cobrir;- os pontos para campos entrincheira<strong>do</strong>s, as cabeças <strong>de</strong> ponte, etc;- as diversões a serem feitas e os gran<strong>de</strong>s <strong>de</strong>stacamentos necessários.”O “princípio fundamental da guerra constante <strong>de</strong> todas as operações militares”, é apresenta<strong>do</strong>através <strong>de</strong> quatro máximas, que revelam a mecânica <strong>de</strong> uma manobra estratégica:-“levar, por combinações estratégicas, o grosso das forças <strong>de</strong> um exército, sucessivamente, sobreos pontos <strong>de</strong>cisivos dum teatro <strong>de</strong> guerra, e tanto quanto possível sobre as linhas <strong>de</strong> comunicações <strong>do</strong>inimigo, sem comprometer as suas próprias;- manobrar para engajar esse grosso das forças contra apenas frações <strong>do</strong> exército inimigo;- na batalha, dirigir o grosso das forças sobre o ponto <strong>de</strong>cisivo ou sobre a parte da linha inimigaque importa <strong>de</strong>struir;- arranjar as coisas <strong>de</strong> tal mo<strong>do</strong> que essas massas não estejam somente presentes sobre o ponto<strong>de</strong>cisivo, mas que sejam aí postas em ação no momento oportuno e com ampla energia.”Portanto, para Jomini, a “base estratégica” era “a arte <strong>de</strong> dar a direção apropriada às massas”, masenfatiza que isto não é tu<strong>do</strong>, haven<strong>do</strong> necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> talento executivo, habilida<strong>de</strong>, energia e perfeitacompreensão <strong>do</strong>s acontecimentos.Diferencian<strong>do</strong> a Estratégia da Tática <strong>de</strong>fine:“A Estratégia é a arte <strong>de</strong> levar a maior parte das forças <strong>de</strong> um Exército sobre o ponto importante <strong>do</strong>teatro <strong>de</strong> guerra ou zona <strong>de</strong> operações. A Tática é a arte <strong>de</strong> empregar essas massas sobre os pontossobre os quais <strong>de</strong>vem ser conduzidas as marchas bem concebidas e preparadas; em resumo, é a arte <strong>de</strong>fazê-las atuar no momento e no ponto <strong>de</strong>cisivo <strong>do</strong> campo <strong>de</strong> batalha.”Jomini foi ainda o primeiro pensa<strong>do</strong>r militar a escrever sobre “operações <strong>de</strong> <strong>de</strong>sembarque”,basea<strong>do</strong> nas observações colhidas nos preparativos feitos por Napoleão para invadir a Inglaterra (1803 a1805).Assim, tece consi<strong>de</strong>rações surpreen<strong>de</strong>ntes sobre pontos <strong>de</strong> <strong>de</strong>sembarque, condições atmosféricase <strong>do</strong> mar, transporte da tropa para a praia, emprego da artilharia, <strong>de</strong>fesa da cabeça-<strong>de</strong>-praia, conquista <strong>de</strong>portos para apoio às operações, entre outras.2.6 Conclusão


Pelo exposto, conclui-se que Jomini foi um homem à frente <strong>de</strong> sua época e, como já afirmamos,forma com Clausewitz a dupla <strong>de</strong> pensa<strong>do</strong>res militares mais surpreen<strong>de</strong>nte e notável <strong>do</strong> século passa<strong>do</strong>.Embora menos conheci<strong>do</strong> que seu contemporâneo, foi certamente, por sua objetivida<strong>de</strong> nacodificação <strong>do</strong>s diversos aspectos da guerra, <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> utilida<strong>de</strong> àqueles que tiveram <strong>de</strong> cumprir a difícilmissão <strong>de</strong> comandar exércitos em luta.3. Clausewitz (<strong>ECEME</strong>, Evolução da Arte da Guerra e <strong>do</strong> Pensamento Militar - Coletânea <strong>de</strong> NotasSuplementares, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)3.1 IntroduçãoCarl von Clausewitz foi um <strong>do</strong>s escritores militares menos compreendi<strong>do</strong>s da história. Pregava aprimazia da política em contraposição ao militarismo. Seu pensamento influenciou as <strong>do</strong>utrinas militares<strong>do</strong>s séculos XIX e XX. Em particular, nos Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s o interesse por sua obra ganhou corpo após aguerra da Coréia, quan<strong>do</strong> o Gen Mac Arthur passou a estudar <strong>do</strong>is problemas que o autor havia analisa<strong>do</strong>com profundida<strong>de</strong>; o relacionamento entre civis e militares na condução <strong>de</strong> uma guerra e a condução daguerra com objetivos limita<strong>do</strong>s, isto é, com objetivo menor que a <strong>de</strong>struição total <strong>do</strong> inimigo.3.2 Clausewitz e sua obraClausewitz nasceu em 1780. Escritor e solda<strong>do</strong> prussiano, serviu na campanha <strong>do</strong> Reno <strong>de</strong> 1793 a1794. Entrou para a Aca<strong>de</strong>mia <strong>de</strong> Berlim em 1801 on<strong>de</strong> estu<strong>do</strong>u Kant. Aí atraiu a atenção <strong>de</strong> Scharnhorst,a quem mais tar<strong>de</strong> aju<strong>do</strong>u a reformar o exército prussiano. Foi captura<strong>do</strong> durante a campanha <strong>de</strong> Iena, em1806, contra as forças <strong>de</strong> Napoleão. Em 1812, quan<strong>do</strong> a Prussia se viu forçada a uma aliança com aFrança, passa a integrar o exército Russo. No perío<strong>do</strong> em que serviu nesse exército, <strong>de</strong>sempenhouimportante papel nas campanhas <strong>de</strong> Moscovo, <strong>de</strong> 1812 a 1813, combaten<strong>do</strong> contra as tropasnapoleônicas. Ao reintegrar-se no serviço Prussiano tornou-se chefe <strong>do</strong> esta<strong>do</strong>-maior <strong>do</strong> corpo militar <strong>de</strong>Thielmann’s em Ligny. De 1818 a 1830, foi diretor da Aca<strong>de</strong>mia Militar <strong>de</strong> Berlim.Era mais um filósofo <strong>do</strong> que um solda<strong>do</strong>, e sua fama perdura no livro “Da Guerra”, sen<strong>do</strong> esse seulega<strong>do</strong> mais significativo. Sua obra tornou-se a base da teoria mo<strong>de</strong>rna da guerra, condição que mantématé os dias atuais. Clausewitz morreu em 1831. “Da Guerra” foi publica<strong>do</strong> postumamente por sua mulherem 1832. Seu maior mérito foi apresentar uma visão filosófica e abstrata da guerra, consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong>-a uminstrumento da política e totalmente subordinada à ela.Clausewitz tratava as questões dialeticamente, evitan<strong>do</strong> afirmativas categóricas e qualquertendência para o pragmatismo. Somente pronunciava suas próprias opiniões e convicções sobre oassunto após discuti-las <strong>de</strong>talhadamente. Sua obra “Da Guerra” é caracterizada por três elementos: é umtrabalho filosófico, por resultar <strong>do</strong> processo dialético <strong>de</strong> pensamento e exame <strong>do</strong> assunto; é um trabalhopolítico, na medida em que não estuda a guerra como um fenômeno isola<strong>do</strong>, mas sempre como uminstrumento da política e é um trabalho científico militar, uma vez que examina as questões fundamentaisda guerra.As idéias <strong>de</strong> Clausewitz sobre as relações entre a guerra e a política são a parte mais importante esignificativa <strong>do</strong> trabalho. Consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong> a guerra em sua dimensão nacional rejeitava a teoria mecanicistada guerra, uma vez que não admitia um ambiente <strong>de</strong> solda<strong>do</strong>s mercenários que se combatiam uns aosoutros, enquanto a burguesia cuidava <strong>de</strong> seus negócios da mesma forma que nos tempos <strong>de</strong> paz. Aguerra <strong>de</strong>veria ser nacional para que to<strong>do</strong> o esforço <strong>de</strong> uma nação fosse mobiliza<strong>do</strong> ao serviço <strong>do</strong>objetivo militar.Uma das críticas apresentadas contra Clausewitz é que ele teria ignora<strong>do</strong> a ética, por não discutiras causas da guerra e por não questionar as políticas que conduzem à guerra. A moralida<strong>de</strong> <strong>de</strong> fazer aguerra era, para ele, uma questão <strong>de</strong> ética política, não dizen<strong>do</strong> respeito à teoria <strong>de</strong> guerra.3.3 Pensamento político-estratégico3.3.1 Natureza da guerra


Clausewitz compara a guerra a um duelo, no qual o objetivo imediato <strong>de</strong> um oponente é <strong>de</strong>rrotar ooutro pelo uso da força física. “A guerra é um ato <strong>de</strong> violência <strong>de</strong>stina<strong>do</strong> a forçar o inimigo a submeter-se ànossa vonta<strong>de</strong>”. A violência (força) é portanto um meio da guerra; impor nossa vonta<strong>de</strong> ao inimigo é seupropósito. Para garantir tal propósito é necessário <strong>de</strong>ixar o inimigo impotente, e este é o objetivo daguerra. Observa-se uma distinção clara entre o propósito político (impor nossa vonta<strong>de</strong>) e o objetivo daguerra (<strong>de</strong>ixar o inimigo impotente).3.3.2 Guerra absoluta e guerra realSegun<strong>do</strong> Clausewitz, a guerra é “um ato <strong>de</strong> força e não há limite lógico à aplicação <strong>de</strong>ssa força”.Não se trata da “aplicação <strong>de</strong> uma força contra uma massa inerte (a complacência total não caracterizariauma guerra) mas sempre o choque <strong>de</strong> duas forças vivas”. Nenhum <strong>do</strong>s la<strong>do</strong>s tem pleno controle <strong>de</strong> suasações, já que cada oponente força o outro e, na medida em que esse tenta superar aquele, seus esforçosvão escalan<strong>do</strong>. “Um choque <strong>de</strong> forças operan<strong>do</strong> livremente e obe<strong>de</strong>cen<strong>do</strong> unicamente a sua própria lei”acaba por atingir um extremo, a guerra absoluta, que é a violência absoluta, culminan<strong>do</strong> na <strong>de</strong>struiçãototal <strong>de</strong> um la<strong>do</strong> pelo outro.Porém, uma <strong>de</strong>terminada guerra não preten<strong>de</strong> a <strong>de</strong>rrota total <strong>do</strong> inimigo, mas uma meta maismo<strong>de</strong>sta. Nem mesmo a teoria requer que se escale até os extremos. A violência continua a ser aessência, a idéia regula<strong>do</strong>ra, mesmo para guerras limitadas, com fins limita<strong>do</strong>s. Esta é a guerra real, a queocorre condicionada pela política e <strong>de</strong>ntro da realida<strong>de</strong> da vida. Nesses casos, a essência da guerra nãorequer sua expressão máxima. O conceito <strong>de</strong> guerra absoluta e o conceito da guerra limitada formamjuntos a natureza dual da guerra.Apesar da guerra absoluta jamais ocorrer, certas tentativas <strong>de</strong> tribos primitivas em eliminar tribosrivais, aproximaram-se <strong>de</strong>las. Se transposto o conceito para os nossos dias, a guerra absoluta seria aguerra total e a sua máxima e final manifestação seria a guerra nuclear.3.3.3 A guerra é a continuação da política por outros meiosClausewitz consi<strong>de</strong>ra a política como a ação representativa <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os interesses da comunida<strong>de</strong>.Em sua visão, o processo político representava to<strong>do</strong>s os interesses humanos, harmonizan<strong>do</strong>-os entre si eaos seus conflitos, tanto no campo <strong>do</strong>méstico como no da política externa. Daí o seu entendimento <strong>de</strong> que“a guerra é a continuação da política por outros meios”. Clausewitz aceita que o general tenha o direito <strong>de</strong>pleitear que os rumos da política sejam consistentes com os meios que lhe são colocadas à disposição,mas não po<strong>de</strong>rá nunca fazer mais <strong>do</strong> que limitar o objetivo político. “O objetivo político é a meta, a guerraé o meio <strong>de</strong> chegar até ela, e os meios não po<strong>de</strong>m jamais ser consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s isoladamente <strong>do</strong>s propósitos”.Bastante afeta<strong>do</strong> por sua experiência pessoal, Clausewitz rejeitava a influência <strong>do</strong>s militares sobre aformulação da linha <strong>de</strong> ação política e não aceitava <strong>de</strong>ixar a <strong>de</strong>cisão da paz e da guerra nas mãos <strong>do</strong>smilitares. Política, para Clausewitz, refere-se, portanto, aos atos políticos que levam à guerra, <strong>de</strong>terminamo seu propósito, influenciam sua conduta e preparam sua terminação.3.3.4 A racionalida<strong>de</strong> da guerraO uso da violência <strong>de</strong>ve traduzir o propósito político e fazê-lo <strong>de</strong> maneira racional e utilitária. Elenão <strong>de</strong>ve tomar o lugar <strong>do</strong> propósito político e nem obliterá-lo. Consequentemente a li<strong>de</strong>rança política<strong>de</strong>ve exercer o controle supremo e dirigir a condução da guerra. Deve evitar exigir o impossível e <strong>de</strong>vecolaborar com os chefes militares no <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> uma política global.Porque a guerra é a continuação da política, “não po<strong>de</strong> existir nenhum problema em uma gran<strong>de</strong>questão estratégica, cuja avaliação seja exclusivamente militar e nem um esquema puramente militar pararesolvê-lo. Se o propósito político assim o requer, as forças armadas tem que resignar-se com umamobilização parcial <strong>de</strong> recursos e com resulta<strong>do</strong>s limita<strong>do</strong>s; por outro la<strong>do</strong>, <strong>de</strong>vem estar preparadas para osacrifício e nem a socieda<strong>de</strong> e nem o governo <strong>de</strong>vem consi<strong>de</strong>rar tal sacrifício como além <strong>de</strong> sua missão,caso isso seja uma expressão da política racional”.Numa guerra, hoje chamada <strong>de</strong> generalizada, é mínimo o conflito entre o propósito político e oobjetivo militar, o mesmo não ocorren<strong>do</strong> em uma guerra limitada. A racionalida<strong>de</strong> da guerra consiste noprima<strong>do</strong> da política. Caso essa perca a primazia aquela torna-se irracional.


3.3.5 A tría<strong>de</strong> estratégicaSegun<strong>do</strong> Clausewitz, a guerra é travada por uma “tría<strong>de</strong> extraordinária” composta <strong>de</strong> governo,forças armadas e povo. O governo estabelece o objetivo político, as forças armadas propiciam os meiospara se alcançar tal objetivo e o povo proporciona a vonta<strong>de</strong> - motor da guerra. To<strong>do</strong>s os três sãocomponentes indispensáveis da tría<strong>de</strong> estratégica <strong>de</strong> Clausewitz.Uma teoria que ignorasse qualquer um <strong>de</strong>sses três elementos ou que procurasse fixar umrelacionamento arbitrário entre eles entraria <strong>de</strong> tal maneira em conflito com a realida<strong>de</strong> que só por essemotivo se tornaria inteiramente inútil. Exemplo notável foi o envolvimento <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s no conflito<strong>do</strong> Vietnam, confrontan<strong>do</strong> a opinião pública da nação. Acabou não ten<strong>do</strong> como prosseguir, uma vez que oCongresso, pressiona<strong>do</strong> pelo clamor público, cancelou as verbas <strong>de</strong>stinadas ao custeio da guerra.3.3.6 Uso limita<strong>do</strong> da forçaClausewitz analisa ainda porque algumas guerras são e <strong>de</strong>vem ser limitadas em duração eobjetivo, tanto quanto em intensida<strong>de</strong> e meios. “Des<strong>de</strong> que a guerra não é um ato <strong>de</strong> paixão insensata,mas controlada por seu propósito político, o valor <strong>de</strong>sse <strong>de</strong>ve <strong>de</strong>terminar os sacrifícios a serem feitos parasua conquista em magnitu<strong>de</strong> e também em duração. Uma vez que o dispêndio <strong>de</strong> esforços exceda o valor<strong>do</strong> propósito político, este <strong>de</strong>ve ser renuncia<strong>do</strong>, seguin<strong>do</strong>-se a paz”. O comandante que prefere qualquerestratégia outra que não a <strong>de</strong>struição das forças inimigas “<strong>de</strong>ve, primeiro, assegurar-se <strong>de</strong> que seuoponente não a<strong>do</strong>tará o combate como forma <strong>de</strong> solucionar o problema ou <strong>de</strong> que não terá o veredictocon<strong>de</strong>natório (opinião pública), caso o faça”.3.3.7 Gênio militarPara facilitar sua análise, Clausewitz <strong>de</strong>senvolveu <strong>de</strong>termina<strong>do</strong>s conceitos <strong>de</strong>ntre os quais o maisabrangente é o <strong>do</strong> gênio militar. Consi<strong>de</strong>rava que “qualquer ativida<strong>de</strong> complexa, para ser conduzida comalgum grau <strong>de</strong> virtuosida<strong>de</strong>, requer <strong>do</strong>ns apropria<strong>do</strong>s <strong>de</strong> intelecto e temperamento. Se forem notáveis erevelarem-se em feitos excepcionais, o seu possui<strong>do</strong>r é chama<strong>do</strong> <strong>de</strong> gênio”.Ele i<strong>de</strong>ntifica o gênio militar como “a mente inquisitiva em lugar da cria<strong>do</strong>ra, a abordagemabrangente em lugar da especializada, a cabeça calma em lugar da excitável”.O sucesso <strong>do</strong> gênio resi<strong>de</strong> em saber quan<strong>do</strong> quebrar as regras.3.3.8 A fricçãoOutro importante conceito <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong> por Clausewitz foi o da fricção. “A fricção é o únicoconceito que mais ou menos correspon<strong>de</strong> aos fatores que distinguem a guerra real da guerra no papel. Amáquina militar é basicamente muito simples e, portanto, fácil <strong>de</strong> manejar. Mas <strong>de</strong>vemos ter em menteque nenhum <strong>de</strong> seus componentes consiste <strong>de</strong> uma peça única: cada parte é composta <strong>de</strong> indivíduos,cada um <strong>do</strong>s quais retém seu próprio potencial <strong>de</strong> fricção.... um batalhão é composto <strong>de</strong> indivíduos, omenos importante <strong>do</strong>s quais po<strong>de</strong> acontecer <strong>de</strong> atrasar coisas ou, <strong>de</strong> alguma forma, fazê-las dar erra<strong>do</strong>.Os perigos inseparáveis da guerra e as exigências físicas que ela impõe agravam o problema...”“Essa tremenda fricção, que não po<strong>de</strong>, como na mecânica, ser reduzida a uns poucos pontos, estáem contato com o acaso em to<strong>do</strong> lugar e produz efeitos que não po<strong>de</strong>m ser medi<strong>do</strong>s. Um, por exemplo, éa meteorologia. A cerração po<strong>de</strong> impedir que o inimigo seja avista<strong>do</strong> a tempo, um canhão <strong>de</strong> atirar quan<strong>do</strong><strong>de</strong>via, uma informação <strong>de</strong> chegar até o comandante”.“A ação na guerra é como um movimento em um elemento resistente. Da mesma forma que o maissimples e natural <strong>do</strong>s movimentos, o andar, não po<strong>de</strong> ser conduzi<strong>do</strong> com facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong>ntro d’água, naguerra, é difícil que esforços normais alcancem sequer resulta<strong>do</strong>s mo<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s”.“A fricção, como resolvemos chamá-la, é a força que torna tão difícil o que é aparentemente fácil”.Pelo menos até certo ponto a inteligência e a <strong>de</strong>terminação po<strong>de</strong>m superar a fricção, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> aindaexplorar o acaso e transformar o imprevisível em um trunfo.3.3.9 Guerra: ciência ou arte?


Clausewitz consi<strong>de</strong>rava que os estu<strong>do</strong>s até então existentes sobre a guerra limitavam <strong>de</strong>mais asidéias, isto é, não levavam em conta suas “infinitas complexida<strong>de</strong>s” , além <strong>de</strong> se restringirem “apenas aproblemas físicos e ativida<strong>de</strong>s unilaterais”.Seu entendimento é o <strong>de</strong> que se <strong>de</strong>veria ter em mente que, na guerra, “tu<strong>do</strong> é incerto e os cálculostêm que ser feitos com quantida<strong>de</strong>s variáveis”. Para ele a conduta da guerra é muito mais uma arte <strong>do</strong> queuma ciência e “não po<strong>de</strong> haver uma formulação suficientemente genérica para merecer o nome <strong>de</strong> lei”.3.3.10 Centro <strong>de</strong> gravida<strong>de</strong>“O propósito da guerra <strong>de</strong>veria ser aquele que o seu próprio conceito encerra - <strong>de</strong>rrotar o inimigo”.Entretanto, para <strong>de</strong>rrotá-lo po<strong>de</strong> não ser necessário <strong>de</strong>struí-lo. O que é preciso é quebrar a sua vonta<strong>de</strong><strong>de</strong> lutar. Para tanto, <strong>de</strong>ve-se ter em mente as caraterísticas <strong>do</strong>minantes <strong>de</strong> ambos os beligerantes. A partir<strong>de</strong>ssas características <strong>de</strong>senvolve-se um certo centro <strong>de</strong> gravida<strong>de</strong>, eixo <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o po<strong>de</strong>r e movimento <strong>do</strong>qual tu<strong>do</strong> <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>. “Esse é o ponto contra o qual todas as nossa energias <strong>de</strong>veriam ser dirigidas”.É fundamental, portanto, i<strong>de</strong>ntificar o centro <strong>de</strong> gravida<strong>de</strong> <strong>do</strong> inimigo. Po<strong>de</strong> ser seu exército, suamarinha, sua capital, seu alia<strong>do</strong>, etc. A tomada da capital <strong>do</strong> inimigo po<strong>de</strong>, por vezes, ser mais significativa<strong>do</strong> que <strong>de</strong>struir seu exército e, se for o caso <strong>do</strong> inimigo possuir um alia<strong>do</strong> mais forte <strong>do</strong> que ele próprio, osobjetivos po<strong>de</strong>m ser melhor alcança<strong>do</strong>s num confronto contra esse alia<strong>do</strong> <strong>do</strong> que com a parte mais fraca.“Se po<strong>de</strong>mos vencer nossos inimigos por meio da <strong>de</strong>rrota <strong>de</strong> um <strong>de</strong>les, essa <strong>de</strong>rrota <strong>de</strong>ve ser o nossoprincipal objetivo <strong>de</strong> guerra”.Deve-se consi<strong>de</strong>rar, “a priori”, se é possível <strong>de</strong>rrotar o inimigo. Para tanto serão necessárias forçasa<strong>de</strong>quadas para garantir uma vitória <strong>de</strong>cisiva sobre o inimigo e, também, a exploração <strong>de</strong>ssa vitória “até oponto em que o balanço não possa mais ser reverti<strong>do</strong>”. Clausewitz enfatizou a importância <strong>de</strong> se adquirir ese manter o “momento” (alavanca).Os conceitos apresenta<strong>do</strong>s com relação ao centro <strong>de</strong> gravida<strong>de</strong> valorizam os princípio da massa eda economia <strong>de</strong> meios.3.3.11 Defensiva e ofensivaClausewitz consi<strong>de</strong>rava que a <strong>de</strong>fesa é uma forma mais vigorosa <strong>de</strong> combate <strong>do</strong> que o ataque,pois é “mais fácil manter <strong>do</strong> que conquistar o terreno. Defen<strong>de</strong>r é mais fácil <strong>do</strong> que atacar, se ambos osla<strong>do</strong>s possuem meios iguais”.Cumpre <strong>de</strong>stacar que a concepção <strong>de</strong> Clausewitz não coloca a <strong>de</strong>fesa numa situação meramentepassiva, pois valoriza as ações dinâmicas da <strong>de</strong>fesa, principalmente o contra-ataque: a forma <strong>de</strong>fensiva<strong>de</strong> guerra não é a <strong>de</strong> um simples escu<strong>do</strong>, mas, sim, um escu<strong>do</strong> constituí<strong>do</strong> <strong>de</strong> golpes bem dirigi<strong>do</strong>s.Mesmo quan<strong>do</strong> o único objetivo da guerra é o <strong>de</strong> manter o “status quo” continua váli<strong>do</strong> que tãosomente aparar o golpe contraria a natureza essencial da guerra, que certamente não consistemeramente em resistir.Por outro la<strong>do</strong>, Clausewitz consi<strong>de</strong>rava uma contradição a própria idéia da guerra admitir a <strong>de</strong>fesacomo seu objetivo final, aceitan<strong>do</strong> seu emprego somente quan<strong>do</strong> se encontrasse em inferiorida<strong>de</strong> <strong>de</strong>meios, <strong>de</strong>ven<strong>do</strong> aban<strong>do</strong>nar a postura <strong>de</strong>fensiva tão logo se esteja forte o suficiente para a<strong>do</strong>tar umobjetivo positivo (ofensiva).Segun<strong>do</strong> Clausewitz: “A partir <strong>do</strong> momento em que o <strong>de</strong>fensor obtém uma vantagem importante, a<strong>de</strong>fesa <strong>de</strong>sempenhou o seu papel”, chegan<strong>do</strong> o momento da “po<strong>de</strong>rosa transição para a ofensiva”.3.4 ConclusãoO pensamento político-estratégico <strong>de</strong> Clausewitz marcou profundamente a mentalida<strong>de</strong> militarOci<strong>de</strong>ntal nos séculos XIX e XX. Sua influência foi tão <strong>de</strong>cisiva, que motivou Lenine, durante o seuperío<strong>do</strong> no exílio, a <strong>de</strong>dicar-se profundamente à pesquisar sua obra, adaptan<strong>do</strong>-a aos conceitosrevolucionários que viabilizaram a implantação da revolução Russa.Por se tratar <strong>de</strong> uma obra inacabada, em virtu<strong>de</strong> <strong>do</strong> falecimento prematuro <strong>do</strong> autor, surgiramvárias interpretações <strong>do</strong> seu pensamento político-estratégico, sugerin<strong>do</strong> uma necessária cautela aos quepreten<strong>de</strong>rem estudá-lo com profundida<strong>de</strong>.


No momento em que nos encontramos envolvi<strong>do</strong>s na dinâmica da revolução <strong>do</strong> conhecimento,impõe-se o <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> avaliarmos se as idéias <strong>de</strong> Clausewitz farão parte ativa das concepções <strong>do</strong>sexércitos <strong>do</strong> século XXI, ou se comporão, <strong>de</strong>finitivamente, capítulos ultrapassa<strong>do</strong>s da história militar.4. Maquiavel (<strong>ECEME</strong>, Evolução da Arte da Guerra e <strong>do</strong> Pensamento Militar - Coletânea <strong>de</strong> NotasSuplementares, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)4.1 Síntese biográfica e cenáriosNasceu em Florença, na Itália, em 1469, em pleno início <strong>do</strong> Renascimento.Ingressou no serviço público como escrivão e foi secretário <strong>de</strong> Chancelaria da RepúblicaFlorentina. Daí ser cita<strong>do</strong> também como o Secretário Florentino.Desempenhou o papel <strong>de</strong> encarrega<strong>do</strong> <strong>de</strong> missões no estrangeiro, o que lhe permitiu, graças à suainteligência aguda e ao seu po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> observação, angariar experiência sobre as relações entre os povos.São <strong>de</strong> sua autoria os trabalhos “Mo<strong>do</strong> Che Tenne Il Duca Valentino Per Ammazar VitelozzoVitelli”, “Discorso Sulla Provisione Del Danaro”, “Decennali”, “Ritratti Delle Cose di Francia”, a comédia “LeMaschere” e “O Príncipe”, escrito quan<strong>do</strong> no exílio, em 1512, por ter si<strong>do</strong> bani<strong>do</strong> com a queda <strong>do</strong> regimerepublicano <strong>de</strong> Florença. Até 1527, quan<strong>do</strong> veio a falecer, publicou ainda os trabalhos “Discorsi Sopra LaPrima Deca Di Tito Lívio”, “Arte Della Guerra”, “Vita Di Castruccio”, “ La Mandragora”, “Belgafor” e “HistorieFiorentine”, para alguns, esta última a sua melhor obra.Foi por duas vezes embaixa<strong>do</strong>r à Corte <strong>de</strong> Roma e por três vezes à <strong>de</strong> França.4.2 Síntese <strong>do</strong> pensamento político-estratégicoO pensamento político-estratégico <strong>de</strong> Maquiavel po<strong>de</strong> ser sintetiza<strong>do</strong> em quatro premissasbásicas:- fortalecimento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>;- <strong>de</strong>finição clara <strong>de</strong> objetivos;- aplicação violenta e inescrupulosa <strong>do</strong>s meios; e- aplicação <strong>do</strong>s meios, subordinada à vonta<strong>de</strong> <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>.- ao afirmar que “nenhuma Província po<strong>de</strong> estar segura e feliz a menos que faça parte <strong>de</strong> umaRepública ou <strong>de</strong> um Reino”, Maquiavel preconizava a criação <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>-Nação, como forma <strong>de</strong> conjugaresforços, aumentan<strong>do</strong> o Po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, através da mobilização das mentes na busca <strong>de</strong> objetivosrealmente nacionais, justifican<strong>do</strong> sua teoria pela necessida<strong>de</strong> que o Esta<strong>do</strong> tem <strong>de</strong> se expandir e<strong>de</strong>senvolver sob pena <strong>de</strong> arruinar-se. Na busca <strong>do</strong> fortalecimento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, não escondia suapreferência pelo absolutismo e afirmava ser o Esta<strong>do</strong>, “um fim em si mesmo”.Fortaleci<strong>do</strong> o Esta<strong>do</strong> e a vonta<strong>de</strong> política, o governante tinha como obrigação, na visão <strong>de</strong>Maquiavel, “manter o po<strong>de</strong>r e a segurança <strong>do</strong> país”, não <strong>de</strong>ven<strong>do</strong> hesitar em a<strong>do</strong>tar qualquer meio paraatingir o seu objetivo. Maquiavel preconizava a relação <strong>de</strong> <strong>de</strong>pendência e subordinação <strong>do</strong> “como fazer”ao “o que fazer” e sobretu<strong>do</strong> da vonta<strong>de</strong> política <strong>de</strong> fazer, <strong>de</strong>ixan<strong>do</strong> clara a importância da <strong>de</strong>finição, apriori, <strong>do</strong> objetivo político, consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong>-o o farol a indicar os rumos das ações subseqüentes. Sem dúvidaestava <strong>de</strong>finida a Política como hoje a interpretamos - <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>ra <strong>de</strong> rumos e estipula<strong>do</strong>ra <strong>de</strong> objetivos anível nacional.O senso estratégico <strong>de</strong> Maquiavel se manifesta quan<strong>do</strong> ele trata da aplicação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>para atingir os objetivos <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s, os propósitos <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. No que tange ao Po<strong>de</strong>r Militar e à Guerra,consi<strong>de</strong>rava-os <strong>de</strong> forma abrangente e como fator <strong>de</strong>cisivo na configuração da Política, usan<strong>do</strong>-a comomaio para atingir o fim, o que fica claro quan<strong>do</strong> afirma: “<strong>de</strong>ve-se fazer a guerra para garantir a paz e nuncaperturbar a paz para ter a guerra”.Pregava Maquiavel que, coerente com o senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>-Nação, o exército tinha que estarimbuí<strong>do</strong> <strong>do</strong> seu caráter nacional, crian<strong>do</strong> o sentimento <strong>de</strong> Nação Armada, apta a <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>r-se dasameaças e aplicar a sua vonta<strong>de</strong> para atingir seus propósitos, mudan<strong>do</strong> o relacionamento <strong>de</strong>sta com aPolítica <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. Entendia, portanto, a guerra como responsabilida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> na garantia da suaintegrida<strong>de</strong> e soberania, para o que preconizava não a aplicação <strong>do</strong>s meios existentes, mas <strong>do</strong>snecessários à sua eficácia e consecução da vitória, sem regras fixas ou códigos preestabeleci<strong>do</strong>s.


Justifican<strong>do</strong>, citava o rei da França: “Examinan<strong>do</strong> as vitórias e as <strong>de</strong>rrotas <strong>do</strong> rei da França, vereis que elevenceu os italianos e os espanhóis, cujos exércitos eram semelhantes aos seus. Mas agora que ele temesta<strong>do</strong> lutan<strong>do</strong> contra nações armadas, como os suíços e os ingleses, só tem perdi<strong>do</strong>, e está o perigo <strong>de</strong>logo não ter mais o que per<strong>de</strong>r”.Mas é na forma <strong>de</strong> aplicar os meios que Maquiavel se caracteriza como estrategista <strong>de</strong>termina<strong>do</strong>,resoluto e implacável, ao afirmar que “um príncipe <strong>de</strong>ve ser raposa para conhecer os laços e armadilhas eleão para aterrorizar os lobos” ou “em política se <strong>de</strong>vem ter mais em conta os resulta<strong>do</strong>s em si, <strong>do</strong> que osmeios pelos quais eles foram obti<strong>do</strong>s” ou, ainda, “é a vitória e não o méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> lográ-la, que confere glóriaao vence<strong>do</strong>r”. Com esses pensamentos, Maquiavel <strong>de</strong>finia a perseguição e consecução <strong>do</strong>s objetivos,sem preocupar-se com o la<strong>do</strong> ético da questão, já que nenhuma lei moral podia limitar a autorida<strong>de</strong> <strong>do</strong>governante. O soberano precisava ter duas caras e mostrar aquela mais apropriada à ocasião, pois: “oshomens são tão simplórios, e se <strong>de</strong>ixam <strong>de</strong> tal forma <strong>do</strong>minar pelas necessida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> momento, queaquele que saiba enganar achará sempre quem se <strong>de</strong>ixa enganar”.Embora <strong>de</strong>spreocupa<strong>do</strong> com ética ou moral, Maquiavel preconizava o ajustamento permanenteentre a ação <strong>de</strong>senvolvida e os <strong>de</strong>sígnios <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, fazen<strong>do</strong> da estratégia o instrumento da política parao atingimento <strong>do</strong> fim por ela proposto.Como conclusão po<strong>de</strong>-se dizer que Maquiavel, subverten<strong>do</strong> a or<strong>de</strong>m político-social da épocapregava a criação <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>-Nação como fonte <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, o Exército Nacional como instrumento da açãoestratégica, subordinan<strong>do</strong>-o à vonta<strong>de</strong> política da nação e aplican<strong>do</strong> esse po<strong>de</strong>r para a consecução <strong>do</strong>sobjetivos nacionais <strong>de</strong> forma total.Quanto a valida<strong>de</strong> <strong>do</strong> pensamento maquiavélico, a conquista e a preservação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r não po<strong>de</strong>mjustificar a conduta política, que <strong>de</strong>ve se submeter à ética e ao direito. Aí resi<strong>de</strong> uma das maiores falhas<strong>de</strong> Maquiavel, por não aceitar o substrato ético transcen<strong>de</strong>nte, por tornar a moral, a religião e o direitoescravos <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, cuja razão <strong>de</strong> ser, para ele, é a própria existência e expansão.3. OS PENSADORES DO SÉCULO XX (02 horas)I-4 - Apresentar os aspectos relevantes <strong>do</strong> pensamento estratégico <strong>de</strong> ANDRÉ BEAUFRE, sir BASILLIDDEL HART, RAYMOND ARON e MAO TSE TUNG.1. André Beaufre (<strong>ECEME</strong>, Evolução da Arte da Guerra e <strong>do</strong> Pensamento Militar - Coletânea <strong>de</strong> NotasSuplementares, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)


1.1 O homemAndrés Beaufre nasceu em 25 <strong>de</strong> janeiro <strong>de</strong> 1902, em NEULLY-SEINE, na FRANÇA.Após a experiência como intérprete em uma Divisão <strong>de</strong> Infantaria <strong>do</strong> Exército <strong>do</strong>s EUA, ingressa,em 1921, na Aca<strong>de</strong>mia Militar <strong>de</strong> Saint-Cyr, on<strong>de</strong> teve como mestre em História Militar o então CapCHARLLES DE GAULLE.Forma<strong>do</strong> em Infantaria, foi <strong>de</strong>signa<strong>do</strong> para ARGEL, on<strong>de</strong> participou, como voluntário, <strong>do</strong><strong>de</strong>sembarque <strong>de</strong> ALHUCEMAS, ação combinada hispano-francesa contra ABD-EL-KRIM. Nesse perío<strong>do</strong>,é feri<strong>do</strong> em combate e recebe a Cruz Militar.Apesar <strong>de</strong> jovem, ingressa, em 1925, na Escola Superior <strong>de</strong> Guerra, e, ainda Capitão, forma-secomo oficial <strong>de</strong> esta<strong>do</strong>-maior e vai servir no norte da ÁFRICA.Em seguida, BEAUFRE é <strong>de</strong>signa<strong>do</strong> para o Esta<strong>do</strong>-Maior <strong>do</strong> Exército Francês, on<strong>de</strong> constata, aoconviver com a elite <strong>do</strong> Exército <strong>de</strong> sua pátria, o formalismo burocrático asfixiante da Força conduzida peloGeneral GAMELIN. Nesse perío<strong>do</strong>, irrompe a II Guerra Mundial.Após o armistício entre a ALEMANHA e o governo <strong>de</strong> Vichy, BEAUFRE vai trabalhar na ARGÉLIA,on<strong>de</strong> participa da resistência no norte da ÁFRICA.É um perío<strong>do</strong> <strong>do</strong>loroso, mas rico em experiências. BEAUFRE é preso por seus compatriotas etransferi<strong>do</strong>, ¨ex-ofício¨, para a Reserva. Nessa ocasião, escreve sua primeira obra: ¨O Drama <strong>de</strong> 1940¨.Em 1942, é reintegra<strong>do</strong> ao serviço ativo, sen<strong>do</strong> <strong>de</strong>signa<strong>do</strong> para uma Divisão em MARSELHA.Nesse perío<strong>do</strong>, participa <strong>de</strong> uma reunião secreta, com o General MARK CLARK, na qual se planejou ainvasão aliada da ITÁLIA.Em 1943, como Chefe <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>-Maior <strong>de</strong> uma Divisão Marroquina, participa da reconquista daCÓRSEGA, integran<strong>do</strong>-se posteriormente às forças francesas que combatiam na ITÁLIA. Em 1944 e1945, participou <strong>de</strong> todas as operações, já como Oficial-<strong>de</strong>-Operações <strong>do</strong> I Exército Francês.Finda a guerra, volta ao MARROCOS, on<strong>de</strong>, promovi<strong>do</strong> a Coronel, comanda o 1º Regimento <strong>de</strong>Atira<strong>do</strong>res.Em 1947, prestou serviços no ALTO TONKIN, participan<strong>do</strong> da Guerra da INDOCHINA,presencian<strong>do</strong> a <strong>de</strong>rrota francesa perante a estratégia <strong>de</strong> HO-CHI-MIN.Em 1949 é promovi<strong>do</strong> a General -<strong>de</strong>-Brigada, sen<strong>do</strong> nomea<strong>do</strong> Subchefe <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>-Maior <strong>do</strong>Coman<strong>do</strong> <strong>do</strong>s Exércitos da Europa Oci<strong>de</strong>ntal.Após um breve perío<strong>do</strong> no Extremo Oriente, retorna à Europa, on<strong>de</strong>, na qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Chefe <strong>do</strong>Grupo <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s Táticos Interalia<strong>do</strong>s, contribui <strong>de</strong>cisivamente para a atualização <strong>de</strong> conceitosestratégicos e táticos, relaciona<strong>do</strong>s agora ao novo inimigo em potencial: a UNIÃO SOVIÉTICA.Em 1955, já como General-<strong>de</strong>-Divisão, coman<strong>do</strong>u a 2ª Divisão <strong>de</strong> Infantaria Mecanizada, ocasiãoem que colocou em prática, com êxito, nova organização, pentômica, que o Exército Francês a<strong>do</strong>tara atítulo experimental.Ainda em 1955, coman<strong>do</strong>u as operações na ARGÉLIA e, no ano seguinte, o Corpo <strong>de</strong> ExércitoFrancês na expedição a Suez, quan<strong>do</strong> da crise <strong>do</strong> canal.Em 1958 exerceu o cargo <strong>de</strong> Chefe <strong>de</strong> Logística <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>-Maior <strong>do</strong> Coman<strong>do</strong> Supremo da OTAN,e, em 1960, já como General-<strong>de</strong>-Exército, <strong>de</strong>sempenhou a função <strong>de</strong> Chefe da Delegação Francesa noCorpo Permanente da OTAN, em WASHINGTON.Em 1962, por haver atingi<strong>do</strong> a ida<strong>de</strong> limite permitida pela legislação francesa, é transferi<strong>do</strong> para areserva, fundan<strong>do</strong> no mesmo ano, o Instituto Francês <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s Estratégicos.A partir daí, <strong>de</strong>senvolve uma série <strong>de</strong> obras e ensaios <strong>de</strong> Estratégia, com passagens tanto pelapolítica como pela tática.Faleceu em 13 <strong>de</strong> fevereiro <strong>de</strong> 1975, em plena produção intelectual.1.2 A obraA obra <strong>de</strong> BEAUFRE po<strong>de</strong> ser dividida em três fases distintas: a histórica, a estratégica e aprospectiva.Seu primeiro trabalho foi ¨O Drama <strong>de</strong> 1940¨, escrito quan<strong>do</strong>, em 1940, foi transferi<strong>do</strong>compulsoriamente para a reserva.São ainda obras <strong>de</strong>ssa fase inicial: ¨Memórias¨, ¨A Revanche <strong>de</strong> 1945¨ e ¨A Expedição <strong>de</strong> Suez¨.


Na investigação estratégica, publica a trilogia básica <strong>de</strong> seu pensamento estratégico: ¨Introdução àEstratégia¨, ¨Dissuasão e Estratégia¨ e ¨Estratégia da Ação¨. Complementou essa fase com a obra ¨AOTAN e a EUROPA¨, na qual analisa a problemática da OTAN e propõe estratégias <strong>de</strong> revitalização <strong>do</strong>sistema <strong>de</strong>fensivo europeu.Posteriormente, BEAUFRE envereda pelo campo da prospectiva, em ¨A Aposta da Desor<strong>de</strong>m¨ e¨Construir o Futuro¨, sua última obra.Todas as obras citadas foram editadas entre 1964 e 1969.1.3 O pensamentoRefletin<strong>do</strong> sua condição <strong>de</strong> militar, com larga experiência na participação em conflitos, querglobais, quer totais ou mesmo nacionais, nos quais se fizeram presentes as formas <strong>de</strong> estratégiauniversalmente aceitas, BEAUFRE apresenta, em suas obras, uma gama consi<strong>de</strong>rável <strong>de</strong> idéias sobre aPolítica, a Estratégia e mesmo sobre a Tática.Por absoluta fi<strong>de</strong>lida<strong>de</strong> aos pressupostos <strong>do</strong> trabalho, serão apresenta<strong>do</strong>s, a seguir, os principaistópicos <strong>de</strong> seu pensamento estratégico.1.3.1 Conceito <strong>de</strong> EstratégiaBEAUFRE contesta as conceituações <strong>de</strong> LIDDEL HART, MOLTKE e RAYMOND ARON,consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong>-as incompletas, ao posicionarem-se tão somente no âmbito militar.Argumenta que a Estratégia engloba, invariavelmente, as expressões política, econômica,psicossocial, militar e diplomática (dan<strong>do</strong> um tratamento especial, <strong>de</strong>svincula<strong>do</strong> da política, a qual serefere aos fatores internos <strong>do</strong> país), no que <strong>de</strong>fine como Estratégia Total.Em consequência, conceitua Estratégia como ¨a arte da dialética das vonta<strong>de</strong>s que empregam aforça para resolver seus conflitos¨, com a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ¨alcançar os objetivos estabeleci<strong>do</strong>s pela política,utilizan<strong>do</strong> da melhor forma os meios <strong>de</strong> que se dispõe¨.Como se observa, BEAUFRE globaliza o conceito <strong>de</strong> Estratégia, e, ainda, percebe-se na leitura <strong>de</strong>sua obra, uma crescente valoração da expressão psicossocial na formação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r.Nesse contexto, ressalta a importância da liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação, que resulta da conjunturainternacional e constitui-se em elemento <strong>de</strong> capital importância da Estratégia, particularmente após oadvento da ameaça nuclear.1.3.2 Mo<strong>de</strong>los EstratégicosBEAUFRE consi<strong>de</strong>ra que todas as possíveis ações estratégicas, resultantes da elaboração <strong>do</strong>splanejamentos estratégicos, po<strong>de</strong>m ser enquadradas em um <strong>do</strong>s cinco mo<strong>de</strong>los a seguir apresenta<strong>do</strong>s,nos quais os parâmetros consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s são os meios disponíveis, a importância dada ao objetivo e amargem <strong>de</strong> liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação que se dispõe.MODELO MEIOS OBJETIVOSAmeaça Direta(Dissuasão)Muito PotentesMo<strong>de</strong>stosLIBERDADEDE AÇÃOA<strong>de</strong>quada,apoiada naameaça nuclearESTRATÉGIADireta


Pressão Indireta(ações políticas,econômicas oudiplomáticas)AçõesSucessivasConflitoProlonga<strong>do</strong> <strong>de</strong>Baixa Intensida<strong>de</strong>Conflito Violento,ten<strong>de</strong>nte à vitóriamilitarInsuficientes Mo<strong>de</strong>stos Reduzida IndiretaReduzi<strong>do</strong>s Importantes Reduzida Direta ou IndiretaEscassosImportantes, mas<strong>de</strong>siguais entreos adversáriosGran<strong>de</strong>IndiretaPotentes Importantes A<strong>de</strong>quada DiretaConstata-se a existência, para BEAUFRE, <strong>de</strong> <strong>do</strong>is tipos <strong>de</strong> estratégias: a direta, oriunda <strong>de</strong>CLAUSEWITZ, e outra indireta, na qual a capitulação moral ou psicológica <strong>do</strong> adversário, com apermanente busca da liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação, é perseguida.Nos mo<strong>de</strong>los anteriormente apresenta<strong>do</strong>s, a gran<strong>de</strong> contribuição <strong>de</strong> BEAUFRE é, realmente, aAmeaça Direta, por ele criada, baseada na dissuasão nuclear.A Pressão Indireta baseia-se nas estratégias <strong>de</strong> HITLER e soviéticas.As Ações Sucessivas são baseadas em LIDDEL HART, quan<strong>do</strong> <strong>do</strong> exame da AproximaçãoIndireta.O Conflito Prolonga<strong>do</strong> é o que melhor respon<strong>de</strong> às guerras <strong>de</strong> libertação, e é basea<strong>do</strong> nospensamentos <strong>de</strong> MAO-TSÉ-TUNG.O Conflito Violento correspon<strong>de</strong> à estratégia clássica napoleônica, amplamente teorizada porCLAUSEWITZ.No mun<strong>do</strong> contemporâneo, ante a ameaça nuclear, a globalização da informação e a crescenteinfluência da mídia na formação da opinião pública, BEAUFRE advoga a importância da estratégiaindireta, e valoriza sobremo<strong>do</strong> os aspectos morais e psicológicos na formação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, na otimização<strong>do</strong>s meios e na incessante busca da liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação.Nesse contexto, BEAUFRE <strong>de</strong>fine a Estratégia Indireta como ¨a arte <strong>de</strong> saber tirar o maior proveitoda margem estreita <strong>de</strong> liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação, fugin<strong>do</strong> à dissuasão pelas armas atômicas, e <strong>de</strong> alcançarsucessos <strong>de</strong>cisivamente importantes, malgra<strong>do</strong> a extrema limitação <strong>do</strong>s meios militares¨. Enfim, enfatizao <strong>de</strong>sejo da <strong>de</strong>cisão por outros meios que não os militares.1.3.3 Níveis da EstratégiaBEAUFRE preconiza a existência nos seguintes níveis <strong>de</strong> Estratégia <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong>:- Estratégia Total, no âmbito <strong>do</strong> Chefe <strong>de</strong> Governo (ou <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>), encarrega<strong>do</strong> <strong>de</strong> conceber adireção da guerra, combinan<strong>do</strong> as ações <strong>de</strong> cada uma das expressões <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r.- Estratégia Geral, <strong>de</strong>senvolvida em cada expressão <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, no âmbito <strong>de</strong> cada Ministério(Estratégia Geral Política, Estratégia Geral Militar etc);- Estratégia Operacional, no âmbito militar, ou similar, em cada expressão <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, on<strong>de</strong> seharmonizam planejamento e execução, equacionan<strong>do</strong>-se a trilogia: o que se quer, o que se <strong>de</strong>ve e o quese po<strong>de</strong> fazer.Permean<strong>do</strong> a Estratégia Operacional, BEAUFRE advoga a necessida<strong>de</strong> da existência <strong>de</strong> uma¨Estratégia Logística¨ ou ¨Estratégia Genética¨, direcionada, nos tempos <strong>de</strong> paz, à produção <strong>de</strong>armamentos sofistica<strong>do</strong>s que superem os <strong>do</strong>s adversários, <strong>de</strong> forma a que o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong>s meios<strong>de</strong>va originar-se <strong>de</strong> uma concepção estratégica total.A concepção é ilustrada pela figura da pirâmi<strong>de</strong>estratégica, encimada Altapela Alta Política, em uma claraPolítica<strong>de</strong>monstração <strong>do</strong> posicionamento <strong>de</strong> BEAUFRE quanto aoaspecto hierárquico entre Política e Estratégia.Estratégia TotalEstratégias GeraisEstratégias Operacionais e Estratégias


1.3.4 Princípios da EstratégiaBEAUFRE realiza, em sua obra, ampla análise das diferentes regras e listagens <strong>de</strong> princípios <strong>de</strong>Estratégia preconiza<strong>do</strong>s por CLAUSEWITZ, LIDDEL HART, LENIN e STALIN, MAO-TSE-TUNG e FOCH,para concluir que, na busca incessante da melhor estratégia para a consecução <strong>do</strong>s objetivos, é primordial¨alcançar o ponto <strong>de</strong>cisivo, graças à Liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> Ação conseguida mediante uma boa Economia <strong>de</strong>Forças¨.Mais uma vez, BEAUFRE enfatiza a importância da Liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> Ação na execução <strong>de</strong> umaconcepção estratégica, preconizan<strong>do</strong> que ¨a luta das vonta<strong>de</strong>s se reduz a uma luta pela Liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong>Ação¨.1.3.5 A Estratégia atômica e a dissuasão nuclearPor ser a contribuição mais efetiva e peculiar <strong>de</strong> BEAUFRE, em termos <strong>de</strong> Concepção Estratégica,são apresenta<strong>do</strong>s, a seguir, alguns aspectos relevantes <strong>de</strong> seu pensamento quanto ao emprego <strong>do</strong>smeios nucleares, ainda que <strong>de</strong> forma dissuasória.A Estratégia Atômica situa-se no contexto da guerra total, e <strong>de</strong>ve incorporar o seu po<strong>de</strong>r científicotecnológicopara a <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. A Dissuasão Nuclear surge da problemática da utilização <strong>do</strong>s meiosatômicos.Consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong> que o emprego da arma nuclear seria extremamente prejudicial a qualquer <strong>do</strong>sconten<strong>do</strong>res, a fase <strong>de</strong> preparação da Estratégia é muito mais importante que a própria execução.Assim, avulta <strong>de</strong> importância a Dissuasão Nuclear, colocada como ¨a Estratégia que visa paralisaro inimigo pelo risco <strong>de</strong> ser <strong>de</strong>struí<strong>do</strong> pela represália nuclear¨. É baseada em fatores materiais epsicológicos e sua essência, segun<strong>do</strong> o autor, é a incerteza.1.4 ConclusõesSintetizam o pensamento filosófico e estratégico <strong>de</strong> BEAUFRE as seguintes assertivas:-¨a guerra é um fenômeno social por <strong>de</strong>mais completo para tentar-se resolver por meio <strong>de</strong> qualquerforma simples, ... a estratégia <strong>de</strong>ve constituir-se em uma disciplina a empregar na busca <strong>de</strong> soluções aeste fenômeno;- somente por meio <strong>do</strong> conhecimento da Estratégia as lutas inevitáveis po<strong>de</strong>rão ser conduzidas enumerosos conflitos po<strong>de</strong>rão ser evita<strong>do</strong>s;- a Estratégia é somente um meio. A <strong>de</strong>finição <strong>do</strong>s objetivos pertence ao âmbito da Política. O<strong>de</strong>stino <strong>do</strong> homem <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> da filosofia que escolhe e da estratégia que a viabilize¨.2. Sir Basil Henry Lid<strong>de</strong>ll Hart (1895-1970) (<strong>ECEME</strong>, Evolução da Arte da Guerra e <strong>do</strong> PensamentoMilitar - Coletânea <strong>de</strong> Notas Suplementares, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)


2.1 IntroduçãoConsi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> por alguns o “Clausewitz <strong>do</strong> século XX” e por muitos a maior autorida<strong>de</strong> em guerramo<strong>de</strong>rna <strong>de</strong> seu tempo, o Cap Lid<strong>de</strong>ll Hart foi reforma<strong>do</strong> <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> a graves ferimentos recebi<strong>do</strong>s em 1916,durante a I GM.Com cerca <strong>de</strong> 40 obras publicadas, nasci<strong>do</strong> na França, <strong>de</strong> pais ingleses, exerceu gran<strong>de</strong> influênciasobre chefes e pensa<strong>do</strong>res militares <strong>de</strong> vários países, entre eles o Gen Heinz Gu<strong>de</strong>rian, o i<strong>de</strong>aliza<strong>do</strong>r dasGU blindadas <strong>do</strong> Exército alemão.Estu<strong>do</strong>u com profundida<strong>de</strong> a história das guerras, nela buscan<strong>do</strong> inspiração e conhecimento paraanálise das possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> emprego <strong>do</strong>s novos meios que surgiam, principalmente o avião e o carro <strong>de</strong>combate, daí tiran<strong>do</strong> conclusões sobre a possível evolução da “arte <strong>do</strong>s generais”.2.2 Pensamento militarAmigo e admira<strong>do</strong>r <strong>de</strong> Fuller, o maior responsável pela introdução <strong>do</strong>s blinda<strong>do</strong>s no Exército inglês,<strong>de</strong>le divergia no que diz respeito ao emprego da infantaria junto às forças blindadas. Enquanto Fulleradvogava que os carros atuariam isola<strong>do</strong>s, Lid<strong>de</strong>ll Hart <strong>de</strong>fendia a tese <strong>do</strong> emprego da infantaria junto aeles (binômio infantaria-carro).Visualizava a guerra <strong>do</strong> futuro como uma guerra mecanizada, com operações <strong>de</strong> forças altamentemóveis, e para isto elaborou o primeiro manual da força mecanizada que estava sen<strong>do</strong> organizada naInglaterra no final <strong>do</strong>s anos 20.Pregava, no que diz respeito à tática, ampla utilização <strong>do</strong>s ataques noturnos e das ações indiretas,além da máxima mobilida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s blinda<strong>do</strong>s, já citada anteriormente.Propunha mudanças no conceito <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa, enfatizan<strong>do</strong> a <strong>de</strong>fesa móvel e o contra-ataque, através<strong>do</strong> emprego <strong>de</strong> forças blindadas.Defendia o fim da conscrição universal e a criação <strong>de</strong> um exército profissional, pequeno, bemtreina<strong>do</strong> e <strong>do</strong>ta<strong>do</strong> <strong>de</strong> equipamentos mo<strong>de</strong>rnos, aptos para operar em qualquer TO, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> osinteresses da Inglaterra. A maior parte <strong>de</strong>ste exército (2/3) seria <strong>de</strong> unida<strong>de</strong>s blindadas.2.3 Atuação políticaPor ocasião da escalada nazista, procurou alertar seu governo sobre a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong><strong>de</strong>senvolver um plano <strong>de</strong> reforma nas FA e, principalmente, no Exército.Em 1937, <strong>de</strong>signa<strong>do</strong> assessor <strong>do</strong> novo Ministro da Guerra, buscou implementar suas idéias,encontran<strong>do</strong> dificulda<strong>de</strong>s junto ao esta<strong>do</strong>-maior imperial e ao tesouro inglês.No entanto, o agravamento da situação política européia (1938) contribuiu para que muitas <strong>de</strong> suaspropostas fossem executadas.2.4 Resumo <strong>do</strong> pensamento estratégicoLid<strong>de</strong>ll Hart, em 1937, publicou no Times três artigos que resumiam seu entendimento sobre aestratégia militar, naquela época. Sobre tais artigos o Cel Almerino Raposo, nosso insigne mestre <strong>de</strong>estratégia, diz o seguinte:“No âmbito da estratégia militar, relembrou o papel histórico da Grã-Bretanha e sua longaexperiência <strong>de</strong> guerra, traduzida em guerras <strong>de</strong> riscos limita<strong>do</strong>s, prevalecen<strong>do</strong> o po<strong>de</strong>r marítimo; propôs oemprego <strong>de</strong> forças expedicionárias reduzidas; chamou atenção para o papel que caberia à Grã-Bretanhae os riscos que teria que enfrentar, juntamente com a França e o Oci<strong>de</strong>nte; sugeria ampla reformulaçãodas FA britânicas, <strong>do</strong>tan<strong>do</strong>-as <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> po<strong>de</strong>r ofensivo para aten<strong>de</strong>r à guerra mo<strong>de</strong>rna; pregava umaestratégia ofensiva -<strong>de</strong>fensiva, com <strong>do</strong>utrina <strong>de</strong>fensiva, eminentemente ativa e móvel, `a base <strong>de</strong> contraataquesem vários níveis. Sugeriu uma nova <strong>do</strong>utrina militar, com ênfase para o fortalecimento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>raéreo e <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r marítimo, pre<strong>do</strong>minan<strong>do</strong> no po<strong>de</strong>r terrestre a qualida<strong>de</strong> sobre a quantida<strong>de</strong>; as divisõesblindadas não <strong>de</strong>veriam ser lançadas para emprego na França, mas serem mantidas na Inglaterra, comoreserva estratégica principal para emprego nos Países Baixos e no Oriente Próximo”.Estas idéias foram republicadas, em 1939, no livro “A Defesa da Inglaterra” juntamente com outrosestu<strong>do</strong>s.


Embora tal livro sofresse severas críticas no âmbito nacional e internacional, várias <strong>de</strong> suaspropostas foram executadas, embora um pouco tar<strong>de</strong>.Em suas obras posteriores à II GM, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>u insistentemente a “ação indireta” como a melhorforma <strong>de</strong> concepção estratégica, seja no âmbito da gran<strong>de</strong> estratégia (estratégia nacional), seja naestratégia militar. Dentre outros motivos argumentava com a inviabilida<strong>de</strong> <strong>do</strong> uso <strong>do</strong>s engenhos atômicos,que teria resulta<strong>do</strong>s catastróficos, vin<strong>do</strong> daí a impossibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> usá-los e a necessida<strong>de</strong> da estratégiaindireta.Crítico <strong>de</strong> Clausewitz, principalmente no que concerne ao conceito <strong>de</strong> “busca da batalha <strong>de</strong>cisiva”,Lid<strong>de</strong>ll Hart coli<strong>de</strong>, frontalmente, com a opinião <strong>de</strong> renoma<strong>do</strong>s pensa<strong>do</strong>res, entre eles Aron, os quais nãose cansam <strong>de</strong> proclamar os acertos e a permanência das teorias clausewitianas.Em sua obra “Estratégia”, ainda no dizer <strong>do</strong> Cel Almerino, não chega ao nível conceitual-filosófico,permanecen<strong>do</strong> nos níveis teórico-<strong>do</strong>utrinário e <strong>do</strong>utrinário-operacional e, por isto mesmo, seus estu<strong>do</strong>spertencem, via <strong>de</strong> regra, à estratégia militar.No enten<strong>de</strong>r <strong>de</strong> Hart, à estratégia cabe estabelecer os planos <strong>de</strong> guerra, orientar o<strong>de</strong>senvolvimento das diferentes campanhas que a compõem e regular as batalhas que serão travadas emcada uma <strong>de</strong>las.Em sua visão, a estratégia seria um conceito volta<strong>do</strong> para o preparo e o emprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>rNacional, com ênfase no Po<strong>de</strong>r Militar.Dentre outras idéias, enfatiza que a conduta da guerra <strong>de</strong>ve consi<strong>de</strong>rar a situação da paz que se<strong>de</strong>seja. Se isto não for consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>, aí po<strong>de</strong>rão estar presentes os germes da próxima guerra, e que esterisco aumentará caso a guerra seja feita por uma coalizão.A essência <strong>de</strong> seu pensamento estratégico e tático po<strong>de</strong> ser traduzida através <strong>do</strong>s seguintesaxiomas:2.4.1 Positivos- Ajuste seus fins a seus meios.- Conserve seu objetivo sempre em mente, quan<strong>do</strong> tiver <strong>de</strong> adaptar seu plano à situação.- Escolha a linha <strong>de</strong> ação menos provável (<strong>do</strong> ponto <strong>de</strong> vista inimigo).- Explore a linha <strong>de</strong> menor resistência, enquanto a mesma o conduzir a qualquer objetivo quepossa contribuir para obtenção <strong>do</strong> fim colima<strong>do</strong>.- A<strong>do</strong>te uma linha <strong>de</strong> ação que conduza a objetivos diferentes.- Assegure-se <strong>de</strong> que seu plano e seus dispositivos sejam flexíveis e adaptáveis à situação.2.4.2 Negativos- Não empenhe o grosso <strong>de</strong> suas forças numa ação quan<strong>do</strong> o inimigo estiver em guarda, isto é,quan<strong>do</strong> ele estiver em boa situação para contê-lo ou evitá-lo.- Não repita um ataque na mesma direção (ou da mesma forma) que fracassou anteriormente2.5 ConclusãoCom certeza, Lid<strong>de</strong>ll Hart, em sua obra, po<strong>de</strong>rá ter cometi<strong>do</strong> erros e enganos, passíveis <strong>de</strong> críticase reprovações; no entanto, o seu valor fica caracteriza<strong>do</strong> quan<strong>do</strong> é cita<strong>do</strong> por aqueles que, em<strong>de</strong>termina<strong>do</strong> momento, foram seus maiores inimigos. O Gen Gu<strong>de</strong>rian disse o seguinte:“Foi, sobretu<strong>do</strong> por livros e artigos <strong>de</strong> ingleses, como Fuller, Lid<strong>de</strong>ll Hart e Martel, que fixei meuinteresse e que obtive material para pensar. Estes esclareci<strong>do</strong>s militares, já naquela época, viam no carro<strong>de</strong> combate algo mais <strong>do</strong> que uma arma <strong>de</strong> apoio à Infantaria. Eles o analisavam em correlação com acrescente motorização <strong>de</strong> nossos tempos. Assim, se erigiam como pioneiros <strong>de</strong> uma nova concepção <strong>de</strong>guerra em larga escala.”Dan<strong>do</strong> fé a Gu<strong>de</strong>rian, ficaríamos com aqueles, cita<strong>do</strong>s nas primeiras linhas <strong>de</strong>ste trabalho, queconsi<strong>de</strong>ram Lid<strong>de</strong>ll Hart a maior ou uma das maiores autorida<strong>de</strong>s em guerra mo<strong>de</strong>rna <strong>de</strong> seu tempo, semjulgá-lo como estrategista, o Clausewitz <strong>do</strong> século XX.


3. Raymond Aron (<strong>ECEME</strong>, Evolução da Arte da Guerra e <strong>do</strong> Pensamento Militar - Coletânea <strong>de</strong> NotasSuplementares, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)3.1 O homemFrancês, <strong>de</strong> origem judaica, R. ARON nasceu em PARIS, em 1905, e faleceu em 1983.Filósofo, politólogo, professor universitário, sociólogo e jornalista, foi autor <strong>de</strong> inúmeros artigos eensaios, abordan<strong>do</strong> temas <strong>de</strong> natureza político-i<strong>de</strong>ológica, político-partidária, histórica, econômica,sociológica e outros <strong>do</strong> campo das relações interestatais.Foi professor na Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Paris e no ¨Collége <strong>de</strong> France¨, exercen<strong>do</strong> ainda intensaativida<strong>de</strong> jornalística, inician<strong>do</strong> sua participação no ¨La France Libre¨, durante a II Guerra Mundial.Posteriormente, como profissional, trabalhou no jornal ¨Le Figaro¨ e no semanário ¨L’Express¨.Anticomunista ferrenho, preconizava sua opção por regimes constitucionais pluralistas,embasa<strong>do</strong>s nos valores oci<strong>de</strong>ntais. Daí, sua visão ¨europocêntrica¨.Área relevante <strong>do</strong>s estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> ARON é a teoria política e sua aplicação nos estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong> Estratégia,bem como sua contribuição no plano das relações e <strong>do</strong>s sistemas internacionais.Seu pensamento foi influencia<strong>do</strong> por duas principais circunstâncias: sua formação na FRANÇA <strong>de</strong>pós-I Guerra Mundial e seus estu<strong>do</strong>s na ALEMANHA (<strong>do</strong>utora<strong>do</strong>, perío<strong>do</strong> 1930/33).Enfatiza o fenômeno político em sua forma mais abrangente, a política <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r das relaçõesinterestatais, base para a Diplomacia e para a Estratégia.3.2 A obraConsi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> um <strong>do</strong>s filósofos políticos mais respeita<strong>do</strong>s <strong>de</strong>ste século, ARON é autor <strong>de</strong> numerosaobra intelectual, da qual se po<strong>de</strong> citar: ¨Paz e Guerra entre as Nações¨, ¨Pensar a Guerra-Clausewitz¨,¨As Etapas <strong>do</strong> Pensamento Sociológico¨, ¨A República Imperial¨, ¨18 Lições sobre a Socieda<strong>de</strong> Industrial¨,¨O Ópio <strong>do</strong>s Intelectuais¨ e ¨Estu<strong>do</strong>s Políticos¨. Dessas, as duas primeiras são <strong>de</strong> interesse maispróximo para o estu<strong>do</strong> político-estratégico.Com relação à ¨Paz e Guerra entre as Nações¨, seu trabalho vem sen<strong>do</strong> cita<strong>do</strong> por muitosanalistas como um <strong>do</strong>s mais influentes <strong>do</strong> pensamento político, esten<strong>de</strong>n<strong>do</strong> sua abrangência àSociologia, História, Filosofia, Economia e Relações Internacionais.ARON, por muitos anos, <strong>de</strong>dicou-se ao estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> CLAUSEWITZ, citan<strong>do</strong>-o com frequência emseus trabalhos. No seu livro ¨Pensar a Guerra - Clausewitz¨ preten<strong>de</strong>u dar contornos mais níti<strong>do</strong>s aopensamento daquele estrategista, o qual não havia encontra<strong>do</strong> sua forma <strong>de</strong>finitiva quan<strong>do</strong> morreu, vítima<strong>de</strong> cólera, em 1831. No primeiro volume - ¨A Era Européia¨ - procurou fazer uma reconstrução rigorosa <strong>do</strong>sistema intelectual <strong>de</strong> CLAUSEWITZ, enquanto que no segun<strong>do</strong> - ¨A Era Planetária¨ - propôs-seapresentar os principais conflitos <strong>do</strong> século XX à luz <strong>do</strong>s princípios clausewitzianos. Sua argumentaçãomostrou-se interessante ao revelar a abrangência da aplicabilida<strong>de</strong> das idéias <strong>do</strong> general prussiano e oserros cometi<strong>do</strong>s pelas interpretações equivocadas <strong>de</strong> sua obra inacabada.3.3 O pensamentoO pensamento político-estratégico <strong>de</strong> ARON, expresso em sua obra ¨Paz e Guerra entre asNações¨ é fortemente influencia<strong>do</strong> por sua formação sociológica e filosófica.Para ARON ¨a história humana nunca foi comandada, <strong>de</strong> maneira comprovada, pela razão, pois oque se enten<strong>de</strong> como racional e razoável nunca nos dá a garantia <strong>de</strong> que se realizará ou não.¨ Esteposicionamento, influencia<strong>do</strong> pela teoria weberiana da compreensão, o coloca como um relativista erealista.ARON repele o <strong>de</strong>terminismo histórico, o quantitativismo da Geopolítica e a avaliação aritimética<strong>do</strong>s fatores político-estratégicos. Segun<strong>do</strong> ele, o valor militar, <strong>de</strong>mográfico e econômico <strong>de</strong> uma áreamuda <strong>de</strong> forma imprevisível com as técnicas <strong>de</strong> combate e <strong>de</strong> produção, com as relações humanas e asinstituições.Da pesquisa realizada, po<strong>de</strong>-se concluir que, como pensa<strong>do</strong>r político, ARON apresenta teoriasoriginais sobre a Política. O mesmo não se po<strong>de</strong> dizer quanto ao seu pensamento estratégico.


ARON é um discípulo <strong>de</strong> CLAUSEWITZ e, como cientista político, no campo da Estratégia, poucoacrescenta às teorias <strong>do</strong> mestre, consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong>, à semelhança <strong>do</strong> ilustre prussiano, que a Estratégiapermeia tão-somente o campo militar.Da leitura <strong>de</strong> ¨Paz e Guerra entre as Nações¨ é possível <strong>de</strong>stacar alguns <strong>de</strong> seus pensamentospolítico-estratégicos, particularmente quanto às relações interestatais, que são apresenta<strong>do</strong>s a seguir.3.3.1 Política Externa: Diplomacia e Estratégia¨As relações internacionais apresentam um traço que as distinguem das <strong>de</strong>mais relações sociais:elas se <strong>de</strong>senvolvem à sombra da guerra, as relações entre os esta<strong>do</strong>s implicam, essencialmente, na paze na guerra¨.¨Em tempo <strong>de</strong> paz, a política se utiliza <strong>de</strong> meios diplomáticos, sem excluir o recurso às armas, pelomenos a título <strong>de</strong> ameaça. Durante a guerra, a Política não afasta a Diplomacia, que continua a conduziro relacionamento com os alia<strong>do</strong>s e neutros e com o inimigo, ameaçan<strong>do</strong>-o da <strong>de</strong>struição ou abrin<strong>do</strong>-lheuma perspectiva <strong>de</strong> paz¨.¨Estratégia é o comportamento relaciona<strong>do</strong> com o conjunto das operações militares e Diplomacia ointercâmbio com outras unida<strong>de</strong>s políticas. Tanto a Estratégia como a Diplomacia estão subordinadas àPolítica, que traduz o interesse nacional¨.¨A dimensão humana <strong>do</strong>s acontecimentos e fatos históricos gera um certo grau <strong>de</strong> incerteza, daí, aação <strong>de</strong> diplomatas e estrategistas se fundamentar em probabilida<strong>de</strong>s¨.¨O diplomata, no exercício <strong>de</strong> suas funções, é a unida<strong>de</strong> política em nome da qual fala; no campo<strong>de</strong> batalha, o solda<strong>do</strong> é a unida<strong>de</strong> política em nome da qual mata o seu semelhante¨.¨A alternativa da paz e da guerra permite elaborar os conceitos fundamentais das relaçõesinternacionais¨.Para ARON a Diplomacia e a Estratégia são vetores, complementares e opostos, <strong>de</strong> que seutilizam os esta<strong>do</strong>s no seu interrelacionamento. Em <strong>de</strong>corrência, consi<strong>de</strong>ra que o diplomata e o solda<strong>do</strong>,e somente eles, agem como representantes das coletivida<strong>de</strong>s a que pertencem.3.3.2 Guerra Absoluta e Guerras ReaisARON coloca essa classificação <strong>de</strong> CLAUSEWITZ como <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte direta <strong>do</strong> grau <strong>de</strong> controle daPolítica sobre as ações belicosas.A Guerra Real ten<strong>de</strong> para a forma absoluta, na medida em que o conflito escape <strong>do</strong> controlepolítico e os objetivos militares passem a ter maior prepon<strong>de</strong>rância <strong>do</strong> que os objetivos políticos da guerra.Para ele, a Guerra Absoluta só se justifica se o objetivo político <strong>de</strong> um esta<strong>do</strong> for a aniquilação <strong>do</strong>po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> combate <strong>de</strong> seu oponente.3.3.3 Relação entre Política, Estratégia e GuerraARON consi<strong>de</strong>ra que a relação entre Política, Estratégia e Guerra é vertical.A Política <strong>de</strong>ci<strong>de</strong> pelo uso da força e pela intensida<strong>de</strong> <strong>de</strong> sua aplicação e estabelece os fins. Destaforma, a Estratégia e a Guerra se subordinam à Política.Apesar <strong>de</strong>ssa subordinação, a Política <strong>de</strong>ve, ao estabelecer objetivos, ter em consi<strong>de</strong>ração osmeios disponíveis para a Guerra.A Política não po<strong>de</strong> se limitar à concepção <strong>do</strong> conjunto da Guerra e à fixação <strong>de</strong> objetivos. Ela<strong>de</strong>ve conduzir a Guerra, corrigin<strong>do</strong> rumos, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> a direcioná-la e a utilizar seus resulta<strong>do</strong>s <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> ena medida <strong>do</strong> interesse <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>. Isso não implica em conduzir as operações militares no campo <strong>de</strong>batalha, função precípua <strong>do</strong> militar, mas manter a guerra nos limites <strong>do</strong> interesse <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> em suasrelações externas.3.3.4 Estratégia: Objetivos da Guerra e Meios Disponíveis¨A escolha <strong>de</strong> uma Estratégia Militar <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>do</strong>s objetivos <strong>de</strong> guerra e <strong>do</strong>s meios disponíveis¨.Com base nessa assertiva, ARON coloca como alternativa suprema, a nível da Estratégia, aescolha entre ganhar ou não per<strong>de</strong>r.


Uma estratégia po<strong>de</strong> visar uma vitória <strong>de</strong>cisiva sobre as forças armadas <strong>do</strong> inimigo, para impor-lhea vonta<strong>de</strong> quan<strong>do</strong> da paz vitoriosa ou, quan<strong>do</strong> a relação <strong>de</strong> forças exclui tal possibilida<strong>de</strong>, a Estratégia<strong>de</strong>ve ter como objetivo não per<strong>de</strong>r, <strong>de</strong>sencorajan<strong>do</strong> a vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> vencer <strong>do</strong> inimigo.3.3.5 Alia<strong>do</strong>sARON, ao abordar a guerra executada por uma coalizão <strong>de</strong> países, coloca a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> que,além da hostilida<strong>de</strong> comum em relação ao inimigo, <strong>de</strong>ve-se levar em conta as rivalida<strong>de</strong>s potenciais entreos alia<strong>do</strong>s.¨Impõe-se uma distinção radical entre alia<strong>do</strong>s permanentes e alia<strong>do</strong>s ocasionais¨.Alia<strong>do</strong>s permanentes, segun<strong>do</strong> ARON, são Esta<strong>do</strong>s que não têm a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> seencontrarem em campos opostos no futuro previsível, qualquer que seja a oposição <strong>de</strong> alguns <strong>de</strong> seusinteresses.Alia<strong>do</strong>s ocasionais têm em comum a hostilida<strong>de</strong> em relação ao inimigo, mas po<strong>de</strong>m ser umaameaça a médio ou longo prazo.Dentro <strong>de</strong>ssa ótica, a condução da guerra <strong>de</strong>ve levar em consi<strong>de</strong>ração o fortalecimento que oconflito e seus resulta<strong>do</strong>s po<strong>de</strong>m trazer aos alia<strong>do</strong>s no pós-guerra.3.3.6 O Po<strong>de</strong>r <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>Para ARON o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong> é o resulta<strong>do</strong> <strong>de</strong> três elementos: o espaço ocupa<strong>do</strong> pelaunida<strong>de</strong> política; os recursos materiais disponíveis e o conhecimento que permite transformá-los emarmas, o número <strong>de</strong> homens e a arte <strong>de</strong> transformá-los em solda<strong>do</strong>s; e a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação coletiva,que engloba a organização <strong>do</strong> exército, a disciplina <strong>do</strong>s combatentes, a qualida<strong>de</strong> <strong>do</strong> coman<strong>do</strong> civil emilitar e a solidarieda<strong>de</strong> <strong>do</strong>s cidadãos.Durante a guerra, o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> um esta<strong>do</strong> é representa<strong>do</strong>, principalmente, pelo po<strong>de</strong>rio bélicodisponível e pela capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> mobilização. Em tempo <strong>de</strong> paz, embora se apoie no po<strong>de</strong>r militar,utiliza<strong>do</strong> como ameaça potencial, o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> impor a vonta<strong>de</strong> sobre seu oponente se apoia em meios nãoviolentos, implican<strong>do</strong> no uso <strong>de</strong> procedimentos econômicos, políticos (diplomáticos) e psicológicos.Para submeter um Esta<strong>do</strong> oponente, po<strong>de</strong>-se recorrer a pressões econômicas <strong>de</strong> diversos tipos,particularmente ao bloqueio econômico, e a pressões psico-políticas, através da diplomacia e dapropaganda.3.4 ConclusãoDa análise <strong>do</strong> pensamento aroniano, conclui-se que o ilustre filósofo francês foi, sobretu<strong>do</strong>, um fieldiscpípulo <strong>de</strong> CLAUSEWITZ, quan<strong>do</strong> propugna pela importância <strong>do</strong> emprego <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r militar naconcepção da Estratégia Direta.ARON subordina, entretanto, a Estratégia à Política Nacional, ainda que visualize a Estratégiacomo a arte <strong>de</strong> solução <strong>de</strong> conflitos pelo emprego <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r militar.4. Mao Tse Tung (<strong>ECEME</strong>, Evolução da Arte da Guerra e <strong>do</strong> Pensamento Militar - Coletânea <strong>de</strong> NotasSuplementares, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)4.1 BiografiaMao Tse-Tung nasceu na China, província <strong>de</strong> Hunan, em 1893 e faleceu em 1977, comoPresi<strong>de</strong>nte da República e Secretário-Geral <strong>do</strong> Comitê <strong>do</strong> Parti<strong>do</strong> Comunista Chinês (PCC).Filho <strong>de</strong> uma família camponesa <strong>de</strong> classe média, só completou os estu<strong>do</strong>s primários esecundários.Em 1917, incorporou-se à biblioteca da Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Pequim, vinculan<strong>do</strong>-se aos gruposmarxistas, quan<strong>do</strong> passou a <strong>de</strong>dicar-se ao estu<strong>do</strong> das teorias <strong>de</strong> Marx, Engels, Trotsky e Lenin.


Em 1920, já era um comunista convicto e aspirava à criação <strong>de</strong> uma China nos mol<strong>de</strong>s da <strong>do</strong>utrinamarxista-leninista. Em 1921, ingressou no PCC.Com o advento da revolução contra o impera<strong>do</strong>r, na qual Chiang Kai-Shek assumiu o coman<strong>do</strong> <strong>do</strong>Exército Nacional Revolucionário (1926), Mao regressou à sua província natal com o objetivo <strong>de</strong> organizara sublevação <strong>do</strong> campesinato. Mas a aliança <strong>de</strong> Mao com os nacionalistas foi rompida em Abr 27, quan<strong>do</strong>estes, surpreen<strong>de</strong>ntemente, passaram a eliminar os comunistas.Assim, para evitar sua <strong>de</strong>struição, Mao refugiou-se no sul <strong>do</strong> país, on<strong>de</strong> se <strong>de</strong>dicou à organização<strong>de</strong> suas forças, em zona liberada.A partir daí, Mao se posiciona como o condutor da facção <strong>do</strong> PCC que <strong>de</strong>fendia a tese <strong>de</strong> que arevolução <strong>de</strong>veria se apoiar no campesinato ao invés <strong>do</strong> proletaria<strong>do</strong> urbano. Seu argumento era que, naChina, não havia o estamento social <strong>de</strong> proletários nos mol<strong>de</strong>s <strong>do</strong> Oci<strong>de</strong>nte. Em 13 Dez 1930, Mao tomouuma <strong>de</strong>cisão radical ao aban<strong>do</strong>nar a linha política preconizada por Moscou e passou a estruturar omovimento revolucionário com base no campesinato chinês. Des<strong>de</strong> então, tornou-se o lí<strong>de</strong>r da revolução,assumin<strong>do</strong> o po<strong>de</strong>r político e militar <strong>do</strong> movimento.De sua experiência pessoal em operações <strong>de</strong> guerrilha contra o impera<strong>do</strong>r, contra as forçasjaponesas e contra o Exército Nacionalista <strong>de</strong> Chiang Kai-Shek, Mao consoli<strong>do</strong>u valiosas conclusões.Os copiosos escritos, elabora<strong>do</strong>s durante o largo perío<strong>do</strong> em que conduziu os <strong>de</strong>stinos da China,foram compila<strong>do</strong>s sob o título <strong>de</strong> “Obras escolhidas <strong>de</strong> Mao Tse-Tung”, publicadas em 1951, em quatrovolumes. A mais difundida <strong>de</strong>las é a “Guerra <strong>de</strong> Guerrilhas”(1937), on<strong>de</strong> apresenta claramente suaconcepção.4.2 PensamentoO aspecto principal da teoria <strong>de</strong> Mao é que a base <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r revolucionário encontra-se nocampesinato e, como tal, as principais ações <strong>de</strong>veriam contar com o apoio <strong>do</strong> meio rural.“A revolução é, essencialmente, um fenômeno i<strong>de</strong>ológico e o aspecto que distingue a guerrarevolucionária da convencional. Portanto, o <strong>do</strong>mínio da mente <strong>do</strong> adversário é um objetivo prioritário”.“O fator psicológico é o que provavelmente distingue a guerra revolucionária da convencional.Nesta, tem gran<strong>de</strong> importância a conquista <strong>de</strong> território. Na guerra subversiva não se trata <strong>do</strong> <strong>do</strong>míniofísico <strong>do</strong> terreno; o objetivo é outro e consiste, essencialmente, na conquista da população. Entretanto,não se busca a <strong>do</strong>minação material <strong>de</strong>sta, ainda que seja importante, mas o fim persegui<strong>do</strong> é suaconquista psicológica, a apropriação <strong>de</strong> sua mente. A possessão das mentes se realiza medianteestruturas administrativas organizadas”.“As ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> guerrilha <strong>de</strong>vem ser coor<strong>de</strong>nadas estrategicamente com as operações das forçasconvencionais, porquanto aqueles não po<strong>de</strong>m, por si só, lograr o êxito das batalhas”.“Em uma guerra <strong>de</strong> caráter revolucionário, as operações <strong>de</strong> guerrilha são parte necessária. isto éparticularmente verda<strong>de</strong>iro em uma guerra pela emancipação <strong>do</strong> povo que habita um vasto território”.“A guerra <strong>de</strong> guerrilhas tem aspectos e objetivos que lhe são peculiares. É uma arma que umanação, inferior em armamento e equipamentos militares, po<strong>de</strong> empregar contra outra mais po<strong>de</strong>rosa”.“À medida que as hostilida<strong>de</strong>s avançam, as forças <strong>de</strong> guerrilha se convertem, gradualmente, emforças regulares, que operam coor<strong>de</strong>nadamente com outras unida<strong>de</strong>s <strong>do</strong> exército regular. Assim, astropas regulares, as forças <strong>de</strong> guerrilha que alcançaram esse status e as que ainda não chegaram a talnível, combinam-se para formar o po<strong>de</strong>r militar <strong>de</strong> uma guerra revolucionária nacional. Não há dúvida <strong>de</strong>que o resulta<strong>do</strong> final <strong>de</strong> tu<strong>do</strong> isso será a vitória”.“As operações <strong>de</strong> guerrilha são conduzidas por pequenas unida<strong>de</strong>s organizadas sobre basesterritoriais, com apoio da população e <strong>de</strong>sempenham o papel principal através <strong>de</strong> ações <strong>de</strong>scentralizadas”.“No momento em que esta guerra <strong>de</strong> resistência se <strong>de</strong>svincula das massas populares, é aoportunida<strong>de</strong> exata para aban<strong>do</strong>nar toda esperança <strong>de</strong> vitória final”.“Todas as unida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> guerrilha <strong>de</strong>vem ter condução política e militar, qualquer que seja suaorigem ou efetivo. As unida<strong>de</strong>s po<strong>de</strong>m ter origem local, na massa popular; também po<strong>de</strong>m ser formadaspor um misto <strong>de</strong> tropas regulares e grupos populares ou, ainda, ser totalmente formadas por unida<strong>de</strong>s <strong>do</strong>exército regular, tampouco o seu tamanho afeta a questão; as forças <strong>de</strong> guerrilha po<strong>de</strong>m consistir <strong>de</strong> umafração e poucos homens, <strong>de</strong> um pelotão, <strong>de</strong> um batalhão com centenas <strong>de</strong> homens ou <strong>de</strong> um regimentocom alguns milhares. Todas essas unida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>vem ter chefes inquestionáveis em sua política, resolutos,leais, sinceros e com robustez física. Esses homens <strong>de</strong>vem estar bem prepara<strong>do</strong>s na técnica


evolucionária, <strong>de</strong>vem ser <strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s <strong>de</strong> autoconfiança e ser capazes <strong>de</strong> estabelecer uma férrea disciplina e<strong>de</strong> neutralizar a contrapropaganda”.“As operações <strong>de</strong> guerrilha caracterizam-se pela flui<strong>de</strong>z na execução, pela permanente mobilida<strong>de</strong>,pela finta, pela surpresa e pela ofensiva”.“Quan<strong>do</strong> as forças <strong>de</strong> guerrilha se <strong>de</strong>param com tropas mais fortes, <strong>de</strong>vem se retirar quan<strong>do</strong> elasavançam; <strong>de</strong>ve hostilizá-las quan<strong>do</strong> elas se <strong>de</strong>têm; <strong>de</strong>vem atacá-las quan<strong>do</strong> estiverem <strong>de</strong>scuidadas eperseguí-las quan<strong>do</strong> elas se retiram”.“Ainda que as forças <strong>de</strong> guerrilha possuam bases, seu campo <strong>de</strong> atuação está na retaguarda <strong>do</strong>inimigo. As forças <strong>de</strong> guerrilhas em si não possuem retaguarda”.“Existem três formas <strong>de</strong> guerra: <strong>de</strong> movimento, <strong>de</strong> posição e <strong>de</strong> guerrilhas. Como estas formas nãoproduzem os mesmos resulta<strong>do</strong>s, geralmente se faz distinção entre a guerra <strong>de</strong> <strong>de</strong>sgaste e a guerra <strong>de</strong>aniquilamento”.“Destruir as forças inimigas significa <strong>de</strong>sarmá-las ou privá-las <strong>de</strong> sua capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> resistência enão aniquilá-las fisicamente”.“As campanhas <strong>de</strong> aniquilamento constituem o meio para se atingir o objetivo <strong>de</strong> <strong>de</strong>sgasteestratégico <strong>do</strong> inimigo. Neste senti<strong>do</strong>, a guerra <strong>de</strong> aniquilamento é uma guerra <strong>de</strong> <strong>de</strong>sgaste. Para po<strong>de</strong>rsustentar uma guerra prolongada, o méto<strong>do</strong> principal que a China emprega é <strong>de</strong>sgastar o inimigoaniquilan<strong>do</strong> suas forças”.“Mas o objetivo <strong>de</strong> <strong>de</strong>sgaste <strong>do</strong> inimigo po<strong>de</strong>-se alcançar também através <strong>de</strong> campanhas <strong>de</strong><strong>de</strong>sgaste. Em termos gerais, a guerra <strong>de</strong> movimento cumpre a tarefa <strong>de</strong> aniquilamento; a guerra <strong>de</strong>posição, a <strong>de</strong> <strong>de</strong>sgaste e a guerra <strong>de</strong> guerrilhas, ambas as tarefas ao mesmo tempo. Assim, as trêsformas <strong>de</strong> guerra se diferenciam entre si”.“A retaguarda <strong>do</strong> inimigo é a frente <strong>de</strong> combate das guerrilhas, que, por sua vez, não possuemretaguarda. Os problemas logísticos da guerrilha são resolvi<strong>do</strong>s <strong>de</strong> forma direta e elementar: o inimigo é aprincipal fonte <strong>de</strong> armas, equipamentos e munições...”O pensamento estratégico <strong>de</strong> MAO TSE-TUNG exerceu marcada influência em várias regiões <strong>do</strong>mun<strong>do</strong> on<strong>de</strong> eclodiram revoluções comunistas, como Vietname, Cuba, Argélia, etc, além da própria China.Ass 4. O CONFLITO, A CRISE E A SUA SOLUÇÃO (03 horas)Objetivos específicos:I-5 - Explicar conflito e crise.


I-6 - Explicar as técnicas para resolução <strong>de</strong> conflitos e a manobra <strong>de</strong> crise.1. Conflitos e Crises (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)1.1 ConceituaçãoAs relações sociais são marcadas por constantes choques <strong>de</strong> interesses que geram <strong>de</strong>sequilíbriosexigin<strong>do</strong>, por vezes, ações necessárias à retomada <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> equilíbrio. Este fenômeno atinge asrelações entre indivíduos, entre grupos sociais e entre nações. Assim, sociologicamente, um choque <strong>de</strong>interesses, <strong>de</strong> qualquer natureza, é compreendi<strong>do</strong> como Conflito.Depen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> <strong>de</strong> sua magnitu<strong>de</strong>, um Conflito também po<strong>de</strong> se constituir em Óbice para o emprego<strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r. Quan<strong>do</strong> se trata <strong>do</strong> emprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional na conquista e preservação <strong>do</strong>s ObjetivosNacionais, Óbices <strong>de</strong>ssa origem <strong>de</strong>vem ser criteriosamente estuda<strong>do</strong>s. Este entendimento, leva ànecessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se conhecer a natureza, as causas e os atores envolvi<strong>do</strong>s nos Conflitos, para quepossamos eliminar ou minimizar seus efeitos.De outra forma, quan<strong>do</strong> o Conflito, influencia<strong>do</strong> por fatores internos e/ou externos ao seu ambiente,se agrava, atinge um esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> tensão ao qual <strong>de</strong>nominamos Crise. Neste estágio, o Conflito, se nãoadministra<strong>do</strong> a<strong>de</strong>quadamente, corre o risco <strong>de</strong> sofrer um agravamento, até a situação <strong>de</strong> <strong>de</strong>frontação ouenfrentamento entre as partes ou atores envolvi<strong>do</strong>s. Quan<strong>do</strong> envolve o emprego <strong>de</strong> armamento, oenfrentamento é entendi<strong>do</strong> como Conflito Arma<strong>do</strong>.Portanto, a Crise não subenten<strong>de</strong>, ainda, a <strong>de</strong>frontação ou o enfrentamento.Crise é um esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> tensão, provoca<strong>do</strong> por fatores internos e/ ou externos, sob o qual umchoque <strong>de</strong> interesses, se não administra<strong>do</strong> a<strong>de</strong>quadamente, corre o risco <strong>de</strong> sofrer umagravamento, até a situação <strong>de</strong> enfrentamento entre as partes envolvidas.A solução da Crise não significa, obrigatoriamente, a extinção <strong>do</strong> Conflito que a originou.1.2 – Tipos <strong>de</strong> CriseQuanto ao âmbito <strong>de</strong> influência, os Conflitos po<strong>de</strong>m se instalar <strong>de</strong>ntro ou fora da Nação. Os <strong>de</strong>âmbito interno, po<strong>de</strong>m resultar da exploração <strong>de</strong> insatisfações quanto ao não atendimento <strong>de</strong>necessida<strong>de</strong>s vitais da socieda<strong>de</strong> nacional, anseios políticos, exclusão social, aspirações separatistas,contestação às Instituições, entre outras, que po<strong>de</strong>m gerar Crises internas e se projetarem nas diversasExpressões <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional. Assim, po<strong>de</strong>mos tipificá-las em:• Políticas• Econômicas• Psicossociais• Militares• Científico-TecnológicasQuanto aos Conflitos <strong>de</strong> âmbito externo, geralmente <strong>de</strong>correm <strong>de</strong> choques <strong>de</strong> interesses entreEsta<strong>do</strong>s Nacionais. Esses Conflitos quan<strong>do</strong> tardam a encontrar solução por via diplomática ou jurídica,po<strong>de</strong>m gerar Crises Internacionais que, antes <strong>de</strong> atingir o nível <strong>de</strong> confrontação armada, po<strong>de</strong>m incluir aparticipação, <strong>de</strong> forma prevalente, da Expressão Militar <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, como elemento <strong>de</strong> dissuasãopara respaldar as gestões diplomáticas, visan<strong>do</strong> ao atingimento <strong>de</strong> soluções favoráveis. As CrisesInternacionais são consi<strong>de</strong>radas político-estratégicas quan<strong>do</strong> têm em sua gênese alguns fatores <strong>de</strong>relevante importância estratégica, tais como:- Ameaça à integrida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Patrimônio Nacional;- Ameaça à Soberania;- Acesso à Tecnologia;- Apoio Externo à insurreição interna;- Dever <strong>de</strong> ingerência;- Antagonismo histórico.Na formulação das Políticas <strong>de</strong> Governo, <strong>de</strong>vem ser consi<strong>de</strong>radas as Crises em andamento, sejamelas <strong>de</strong> âmbito interno ou externo. Administra-las é um <strong>de</strong>ver <strong>do</strong> Governo.


Quan<strong>do</strong> se tratar, especificamente, <strong>de</strong> Conflitos <strong>de</strong> natureza Político-Estratégica, po<strong>de</strong>rão advircondições irreversíveis que, ao se agravarem, levam as partes ao Conflito Arma<strong>do</strong>.Daí <strong>de</strong>correm <strong>do</strong>is conceitos importantes para o planejamento governamental:Hipótese <strong>de</strong> Crise Político-Estratégica (H<strong>CP</strong>E) é a antevisão <strong>de</strong> um quadro, nacional ouinternacional que exija o emprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, por meio <strong>de</strong> ações pre<strong>do</strong>minantemente,diplomáticas ou militares, capazes <strong>de</strong> administrar crises <strong>de</strong> qualquer natureza, <strong>de</strong> origem externa, quecomprometem o alcance e a preservação <strong>do</strong>s Objetivos Nacionais.A evolução <strong>de</strong> uma Crise Político-Estratégica <strong>de</strong>ve ser cuida<strong>do</strong>samente acompanhada, ante apossibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> que sua evolução possa levar ao Conflito Arma<strong>do</strong>. Portanto, trata-se <strong>de</strong> uma Hipótese aser sempre consi<strong>de</strong>rada, quan<strong>do</strong> tratamos <strong>do</strong> emprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional.Hipótese <strong>de</strong> Conflito Arma<strong>do</strong> (HCA) é a antevisão <strong>de</strong> um quadro, nacional ou internacional,que exija o emprego violento <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional como último recurso para superar conflitos <strong>de</strong>natureza político-estratégica.2. Formas <strong>de</strong> resolução <strong>de</strong> conflitos (EME, Manual <strong>de</strong> Campanha C 124-1 - Estratégia, 3ª Edição, 2001)Os Esta<strong>do</strong>s po<strong>de</strong>m a<strong>do</strong>tar para a resolução <strong>de</strong> seus conflitos, basicamente, três formas:persuasão, dissuasão e coerção.a. Persuasão - É uma forma não-violenta que emprega processos e técnicas inerentes aos meiosdiplomáticos, jurídicos e políticos.(1) Diplomáticos - Negociações diretas, bons ofícios, mediação, congressos, conferências esistemas consultivos.(2) Jurídicos - Arbitragens, soluções judiciárias, comissões internacionais <strong>de</strong> inquéritos, comissõesmistas, etc.(3) Políticos - Interferências <strong>de</strong> organismos internacionais, como a ONU, a OEA e outros.b. Dissuação - É uma forma intermediária entre a persuasão e a coerção, que está presente<strong>de</strong>s<strong>de</strong> o tempo <strong>de</strong> paz, consistin<strong>do</strong> <strong>de</strong> medidas <strong>de</strong> natureza militar, que venham a <strong>de</strong>sencorajar ooponente <strong>de</strong> tomar atitu<strong>de</strong>s que levem a uma escalada da crise. Po<strong>de</strong>m ser cita<strong>do</strong>s os seguintesexemplos: <strong>de</strong>slocamento <strong>de</strong> unida<strong>de</strong>s militares, realização <strong>de</strong> manobras militares, aumento <strong>do</strong> po<strong>de</strong>rmilitar na área on<strong>de</strong> ocorre a crise.c. Coerção - É uma forma violenta <strong>de</strong> solução <strong>de</strong> conflitos, por meio da utilização, em nívelvaria<strong>do</strong>, da capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> coagir <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional.(1) Po<strong>de</strong>-se verificar a coerção, por intermédio <strong>do</strong> emprego <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional, com pre<strong>do</strong>minânciaeventual <strong>de</strong> ações estratégicas, <strong>de</strong> qualquer uma <strong>de</strong> suas expressões.(2) Caracteriza-se a pre<strong>do</strong>minância <strong>de</strong> uma expressão sobre as <strong>de</strong>mais quan<strong>do</strong> esta expressãoatua <strong>de</strong>cisivamente para a solução <strong>do</strong> conflito.(3) Como exemplos <strong>de</strong> formas coercitivas, sem que haja prepon<strong>de</strong>rância da expressão militar,po<strong>de</strong>m ser citadas: a expulsão <strong>de</strong> agentes diplomáticos; a ruptura <strong>de</strong> relações diplomáticas; a proibição <strong>do</strong>uso <strong>do</strong> espaço aéreo, marítimo ou terrestre; embargos e boicotes; congelamento <strong>de</strong> bens; campanhasinternacionais, etc.(4) Os Esta<strong>do</strong>s em conflito po<strong>de</strong>m empregar um ou mais tipos <strong>de</strong> coerção, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com oseguinte esquema: por iniciativa própria, antece<strong>de</strong>n<strong>do</strong> qualquer ação <strong>do</strong> oponente; como retorsão, queconsiste na aplicação das mesmas medidas impostas pelo oponente; como represália, que consiste naaplicação <strong>de</strong> medidas diferentes da a<strong>do</strong>tada pelo oponente.


3. Manobra <strong>de</strong> Crise (EME, Manual <strong>de</strong> Campanha C 124-1 - Estratégia, 3ª Edição, 2001)3.1 Conceitos e Princípios BásicosA estratégia <strong>de</strong> crise, no seu senti<strong>do</strong> mais amplo, é a intencionalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> gerar ou agravar umaperturbação nas relações nacionais ou internacionais como forma <strong>de</strong> alcançar objetivos políticosimportantes. A manobra <strong>de</strong> crise é a técnica da condução <strong>de</strong>ste processo.Na manobra <strong>de</strong> crise <strong>do</strong>is princípios <strong>de</strong>vem ser leva<strong>do</strong>s em conta por aqueles que têm aresponsabilida<strong>de</strong> pela sua condução. O primeiro <strong>de</strong>les refere-se à autorida<strong>de</strong> que irá gerenciar oprocesso. É importante ter-se consciência <strong>de</strong> que a manobra <strong>de</strong> crise <strong>de</strong>ve se constituir em atribuição <strong>do</strong>mais alto nível <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional e possuir rapi<strong>de</strong>z <strong>de</strong> resposta, ou seja, os que tomam as <strong>de</strong>cisões<strong>de</strong>vem ser os mesmos que as aprovam. O segun<strong>do</strong> refere-se à gran<strong>de</strong> flexibilida<strong>de</strong> que os procedimentos<strong>de</strong> planejamento <strong>de</strong>verão admitir, pois as crises se constituem em eventos dinâmicos e flui<strong>do</strong>s. Asativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> planejamento <strong>do</strong> grupo <strong>de</strong>cisor <strong>de</strong>vem basear seus procedimentos no tempo disponível e naimportância <strong>de</strong> cada crise.3.2. Regras Gerais da Manobra <strong>de</strong> CriseAlgumas regras gerais para a condução da manobra <strong>de</strong> crise serão enumeradas a seguir:- manter inegociáveis os objetivos nacionais, uma vez que as crises são conflitos <strong>de</strong> interesses enão <strong>de</strong> princípios;- manter o autocontrole sobre o próprio comportamento e procurar exercer controle sobre o <strong>do</strong>oponente;- evitar o excesso <strong>de</strong>libera<strong>do</strong> <strong>de</strong> violência e prevenir o inadverti<strong>do</strong>, pelo efetivo controle político dasações <strong>de</strong> toda a natureza;- evitar a diversificação <strong>de</strong>snecessária <strong>do</strong>s objetivos e propósitos;- evitar opções irreversíveis, manten<strong>do</strong> a liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação para escalar ou disten<strong>de</strong>r;


- <strong>de</strong>ixar aberturas para o entendimento e saídas honrosas para o oponente;- procurar o apoio das opiniões públicas nacional e internacional, influin<strong>do</strong> permanentemente nasmesmas;- manter abertos canais diretos <strong>de</strong> comunicação com o parti<strong>do</strong> oposto;- refrear o curso <strong>do</strong>s acontecimentos, empregan<strong>do</strong> as forças com flexibilida<strong>de</strong> e controle, para quesejam repensadas e diminuídas as tensões emocionais;- não atribuir importância a eventos e fatos aparentemente pequenos, que possam gerar umcrescente aumento no grau <strong>de</strong> complexida<strong>de</strong>;- reconhecer os dilemas <strong>do</strong> oponente, que estará também em busca <strong>de</strong> um resulta<strong>do</strong> final queatenda aos seus interesses;- servir-se <strong>de</strong> constante e íntimo relacionamento entre os <strong>do</strong>mínios das consi<strong>de</strong>rações políticas,econômicas, psicossociais e militares;- controlar as informações ao público e exercer ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> operações psicológicas;- empregar as Forças Armadas em ações não facilmente classificáveis como atos <strong>de</strong> guerra, maiscomo ameaça para dissuadir ou persuadir, ou para <strong>de</strong>monstrar a disposição <strong>de</strong> escalar, sen<strong>do</strong> a violênciaarmada compatível com os interesses em jogo;- manter prontidão permanente <strong>do</strong>s segmentos <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional que estão sen<strong>do</strong> ou po<strong>de</strong>rão seremprega<strong>do</strong>s no <strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> conflito;- exercer pressões políticas e diplomáticas;- explorar indiretamente personalida<strong>de</strong>s, dissi<strong>de</strong>ntes e grupos <strong>de</strong> opinião;- obter e usar o apoio <strong>de</strong> alia<strong>do</strong>s ou alinha<strong>do</strong>s;- exercer pressões econômicas;- realizar <strong>de</strong>monstrações <strong>de</strong> força por meio da mobilização, ativação da estrutura <strong>de</strong> guerra emovimentação <strong>de</strong> forças militares.3.3 Comportamento PolíticoA manobra <strong>de</strong> crise é uma ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong> cunho estratégico <strong>de</strong> alto risco, pelos valores que estão emjogo durante a sua realização. Muitas vezes uma <strong>de</strong>cisão oportuna e inteligente, durante uma crise, po<strong>de</strong>ser distorcida ou anulada no <strong>de</strong>correr da sua execução por fatores, fatos ou atos que fogem ao controledaqueles que a conceberam. Pela passionalida<strong>de</strong> que normalmente acompanha uma crise, osacontecimentos às vezes tomam rumos inespera<strong>do</strong>s ou são fácil e intencionalmente distorci<strong>do</strong>s. Cumpreàs autorida<strong>de</strong>s condutoras <strong>do</strong> processo o estabelecimento <strong>de</strong> diretrizes, normas e regras <strong>de</strong> fácilinterpretação, que traduzam com fi<strong>de</strong>lida<strong>de</strong> as diretrizes <strong>de</strong> procedimento para os diversos níveis que,mesmo inadvertidamente, tenham ou possam vir a ter interação com a crise.A primeira condição a ser <strong>de</strong>finida é o comportamento político a ser a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>, ou seja, qual apolítica <strong>de</strong> manobra <strong>de</strong> crise a ser seguida. Os comportamentos po<strong>de</strong>m ser <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s pela seleção <strong>de</strong> umadas três tendências básicas, passíveis <strong>de</strong> serem a<strong>do</strong>tadas por um <strong>do</strong>s parti<strong>do</strong>s: escalar, estabilizar oudisten<strong>de</strong>r.(1) Escalar - Aceitar o risco sugeri<strong>do</strong> no <strong>de</strong>safio, com o objetivo <strong>de</strong> testar a firmeza <strong>do</strong> oponente oucriar uma nova situação que apresente um grau consi<strong>de</strong>rável <strong>de</strong> risco para o oponente.(2) Estabilizar - Neutralizar o <strong>de</strong>safio <strong>do</strong> oponente, no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> aguardar ou provocar conjunturasmais propícias ou ganhar tempo para reunir novas forças.(3) Disten<strong>de</strong>r - Diminuir as tensões, minimizan<strong>do</strong> os riscos <strong>de</strong> uma escalada inoportuna e crian<strong>do</strong>condições <strong>de</strong> negociação em níveis mais baixos <strong>de</strong> hostilida<strong>de</strong>s.3.4 Políticas <strong>de</strong> Manobra <strong>de</strong> CriseA seguir, apresentam-se quatro tipos <strong>de</strong> política <strong>de</strong> manobra <strong>de</strong> crise, que po<strong>de</strong>m servir <strong>de</strong>esquema para a elaboração das regras <strong>de</strong> engajamento para os atores <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional (corpodiplomático, Forças Armadas e forças policiais), que po<strong>de</strong>rão vir a ser protagonistas <strong>de</strong> ocorrênciasimprevistas envolven<strong>do</strong> o po<strong>de</strong>r oponente.a. Desescalar a to<strong>do</strong> custo - O governo procura diminuir a intensida<strong>de</strong> da crise. Suas forças<strong>de</strong>vem evitar qualquer comportamento que se possa transformar em pretexto para que sejam hostilizadasou provocadas pelas forças oponentes. As ações autorizadas pelas regras <strong>de</strong> engajamento em vigor só


serão executadas em resposta a ações hostis, aceitan<strong>do</strong> o governo o risco <strong>de</strong> um ataque <strong>de</strong> surpresa <strong>do</strong>oponente e, até mesmo, ce<strong>de</strong>r na <strong>de</strong>fesa <strong>de</strong> algum interesse.b. Desescalar - O governo não tem a intenção <strong>de</strong> elevar a intensida<strong>de</strong> da crise, não autorizan<strong>do</strong> aexecução <strong>de</strong> ações que possam ser interpretadas como provocação. As ações autorizadas pelas regras<strong>de</strong> engajamento em vigor serão executadas somente como resposta a uma ação ou intenção hostil.c. Escalar se for o caso - Como conseqüência <strong>de</strong> provocações, o governo <strong>de</strong>ve manter atitu<strong>de</strong>firme e aceitar o risco <strong>de</strong> aumentar a intensida<strong>de</strong> da crise. As ações autorizadas pelas regras <strong>de</strong>engajamento em vigor <strong>de</strong>vem ser rapidamente executadas, <strong>de</strong> forma clara e firme, como reação aqualquer hostilida<strong>de</strong> ou provocação.d. Escalar - Com o propósito <strong>de</strong> comprovar a credibilida<strong>de</strong> psicológica, o governo aceita o risco <strong>de</strong>elevar a intensida<strong>de</strong> da crise, <strong>de</strong>ven<strong>do</strong> suas forças a<strong>do</strong>tar atitu<strong>de</strong> provoca<strong>do</strong>ra com relação às forçasoponentes.3.5 Regras <strong>de</strong> EngajamentoA fim <strong>de</strong> gerir da melhor maneira o emprego das Forças Armadas no curso <strong>de</strong> uma crise,controlan<strong>do</strong> sua evolução <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> consoante com os objetivos políticos, utiliza-se o concurso das regras<strong>de</strong> engajamento. Tal termo <strong>de</strong>fine, no que diz respeito às Forças Armadas, uma série <strong>de</strong> instruçõespre<strong>de</strong>finidas que orientam o emprego das unida<strong>de</strong>s que se encontram na zona <strong>de</strong> operações, consentin<strong>do</strong>ou limitan<strong>do</strong> <strong>de</strong>termina<strong>do</strong>s tipos <strong>de</strong> comportamento, em particular o uso da força, a fim <strong>de</strong> permitir atingiros objetivos políticos e militares estabeleci<strong>do</strong>s pelas autorida<strong>de</strong>s responsáveis. As regras <strong>de</strong> engajamentoterão por base a política <strong>de</strong>finida nos escalões <strong>de</strong>cisórios e <strong>de</strong>verão ser tão minuciosas e específicas,quanto o permitam o conhecimento sobre a situação criada e as reais intenções <strong>do</strong> oponente.As regras <strong>de</strong> engajamento servem, ainda, para harmonizar três elementos potencialmentecontraditórios: a intenção política, o limite operacional imposto pelo or<strong>de</strong>namento jurídico e pela opiniãopública e a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> auto<strong>de</strong>fesa das unida<strong>de</strong>s militares. A ação política exige que a presençamilitar seja ostensiva e, como tal, vulnerável. As regras <strong>de</strong> engajamento aten<strong>de</strong>m normalmente aopressuposto <strong>de</strong> que é direito e <strong>de</strong>ver <strong>do</strong> comandante <strong>de</strong> uma unida<strong>de</strong> garantir a segurança <strong>de</strong> seussubordina<strong>do</strong>s e <strong>do</strong>s civis coloca<strong>do</strong>s sob sua proteção, observan<strong>do</strong> o princípio da necessida<strong>de</strong> e daproporcionalida<strong>de</strong> <strong>do</strong> uso da força.3.6 Etapas e Níveis da Manobra <strong>de</strong> Crise3.6.1 Etapas da Manobra <strong>de</strong> CriseA manobra <strong>de</strong> crise <strong>de</strong>verá compreen<strong>de</strong>r três etapas, cada uma <strong>de</strong>las comportan<strong>do</strong> umameto<strong>do</strong>logia distinta.Na primeira etapa são visualizadas as nossas vulnerabilida<strong>de</strong>s e as intenções <strong>do</strong>s possíveisoponentes, incluin<strong>do</strong> a eclosão <strong>do</strong> <strong>de</strong>safio.Na segunda etapa realiza-se o planejamento e executa-se uma reação a partir <strong>do</strong> <strong>de</strong>safio ocorri<strong>do</strong>.A terceira etapa caracteriza-se pela condução da crise durante o processo <strong>de</strong> escalada, <strong>de</strong>estabilização ou <strong>de</strong> distensão, até o acor<strong>do</strong> ou compromisso final.3.6.2 Níveis da Manobra <strong>de</strong> CrisePo<strong>de</strong>-se atribuir à manobra <strong>de</strong> crise basicamente quatro níveis <strong>de</strong> planejamento e execução, osquais irão se relacionar, em maior ou menor grau, com as ativida<strong>de</strong>s a serem <strong>de</strong>senvolvidas pela forçaterrestre: o político, o estratégico, o estratégico-operacional e o tático.Ao nível político compete respon<strong>de</strong>r pela condução da primeira etapa, da manobra <strong>de</strong> crise, umavez que esta se confun<strong>de</strong> com o próprio processo <strong>de</strong> planejamento da ação governamental. Porintermédio da equipe <strong>de</strong> governo, a partir <strong>do</strong>s objetivos nacionais e das diretrizes presi<strong>de</strong>nciais, este nívelrealiza a avaliação da conjuntura e estabelece a concepção política nacional, a qual <strong>de</strong>finirá basicamenteos objetivos nacionais para o perío<strong>do</strong> consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>. Tal concepção é estruturada com base nos cenárioselabora<strong>do</strong>s durante a avaliação da conjuntura e <strong>de</strong>senvolve-se por meio <strong>do</strong> estu<strong>do</strong> das hipóteses <strong>de</strong>emprego, estabelecen<strong>do</strong>, em <strong>de</strong>cisão política, o cenário <strong>de</strong>seja<strong>do</strong>.O nível político da manobra <strong>de</strong> crise <strong>de</strong>verá ser conduzi<strong>do</strong> pela estrutura responsável peloestabelecimento da concepção política nacional, cujos integrantes <strong>de</strong>verão acompanhar constantemente asituação nacional e internacional, avalian<strong>do</strong> o progresso das medidas implementadas e as reações<strong>de</strong>senca<strong>de</strong>adas pelos pólos <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r por elas afeta<strong>do</strong>s. Serão os responsáveis, portanto, por não sermos


surpreendi<strong>do</strong>s por uma crise provocada por um oponente ou por sabermos explorar oportunamente umavulnerabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> outro ator, agravada por fatores <strong>do</strong> momento. No seu trabalho em relação às crises, osseguintes pontos <strong>de</strong>verão ser prioritariamente <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong>s:(1) avaliação diária da conjuntura;(2) levantamento e acompanhamento das vulnerabilida<strong>de</strong>s das partes envolvidas;(3) levantamento e análise <strong>de</strong> fatos porta<strong>do</strong>res <strong>de</strong> futuro;(4) <strong>de</strong>terminação da existência ou não <strong>de</strong> intenção nos fatos levanta<strong>do</strong>s;(5) busca <strong>de</strong> relacionamento entre os fatos porta<strong>do</strong>res <strong>de</strong> futuro, sejam eles contemporâneos ounão;(6) levantamento <strong>do</strong>s possíveis atores intervenientes e <strong>de</strong> suas possíveis e prováveis intenções;(7) <strong>de</strong>terminação da abrangência e da importância da crise potencial, caso <strong>de</strong>senca<strong>de</strong>ada;(8) estu<strong>do</strong> prospectivo das condições i<strong>de</strong>ais para sua eclosão, seja como alvo ou provoca<strong>do</strong>r;(9) atualização da concepção política, quan<strong>do</strong> se fizer necessário.No momento da eclosão <strong>do</strong> <strong>de</strong>safio, o nível político será o responsável por <strong>de</strong>finir o comportamentopolítico a ser a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>, ou seja, a política <strong>de</strong> manobra <strong>de</strong> crise a ser seguida - basicamente a<strong>do</strong>tan<strong>do</strong> um<strong>do</strong>s quatro mo<strong>de</strong>los apresenta<strong>do</strong>s - e o cenário <strong>de</strong>seja<strong>do</strong> ao final da crise, <strong>de</strong>finin<strong>do</strong> ainda o que <strong>de</strong>veráser conquista<strong>do</strong> e o que po<strong>de</strong>rá ser negocia<strong>do</strong>.A concretização <strong>de</strong> tal cenário <strong>de</strong>verá ser o objetivo da fase seguinte: a fase estratégica.Ao nível estratégico cabe <strong>de</strong>finir os processos a serem a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s para atingir os objetivos <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s,ou seja, o estabelecimento das estratégias <strong>de</strong> crise, embora a condução <strong>do</strong> processo permaneça comoatribuição <strong>do</strong> mais alto nível <strong>de</strong>cisório.Nesse nível é realizada uma análise das trajetórias que levam ao cenário imposto e seleciona<strong>do</strong> omelhor caminho para a sua concretização. A partir daí, é elaborada a concepção estratégica nacional, quese constitui em uma coletânea <strong>de</strong> diretrizes estratégicas que servirão <strong>de</strong> base para os planos nacionaissetoriais, cuja execução será função <strong>de</strong> prazos e orçamentos.O gabinete <strong>de</strong> crise realizará um estu<strong>do</strong> prospectivo visan<strong>do</strong> <strong>de</strong>terminar os possíveis caminhospara atingir o cenário <strong>de</strong>seja<strong>do</strong>, aten<strong>de</strong>n<strong>do</strong> às restrições impostas pelo nível político. A seleção <strong>do</strong> melhorcaminho <strong>de</strong>finirá a opção estratégica para a crise e a sua correspon<strong>de</strong>nte diretriz estratégica. Basea<strong>do</strong>nesta diretriz será elabora<strong>do</strong> pelo gabinete o plano <strong>de</strong> crise, que <strong>de</strong>finirá as ações a serem executadasnos cinco campos <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r para concretizar o <strong>de</strong>safio ou para <strong>de</strong>senca<strong>de</strong>ar a resposta. O plano <strong>de</strong> criseestabelecerá ainda os procedimentos alternativos para o caso <strong>de</strong> escalada não <strong>de</strong>sejada e estabeleceráas regras <strong>de</strong> engajamento, regulan<strong>do</strong> <strong>de</strong>sta forma também a terceira etapa.Os níveis estratégico-operacional e tático são exerci<strong>do</strong>s respectivamente pelos coman<strong>do</strong>soperacionais das forças singulares e pelas unida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>s<strong>do</strong>bradas no TO.


Ass 5. A GUERRA (04 horas)Objetivos específicos:I-7 - Apresentar o conceito e a classificação das guerras.I-8 - Caracterizar Objetivo Político <strong>de</strong> Guerra, Centro <strong>de</strong> Gravida<strong>de</strong>, Liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> Ação e Concepção daAção Militar.I-9 - Apresentar os Princípios <strong>de</strong> Guerra.I-10 - Apresentar as Estratégias <strong>de</strong> Defesa Nacional.I-11 - Estabelecer o alinhamento entre o Méto<strong>do</strong> da Estratégia Nacional, a Forma <strong>de</strong> Resolução <strong>do</strong>Conflito, o Mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Planejamento Estratégico, Objetivo Político <strong>de</strong> Guerra e Objetivo Militar.1. A Guerra – conceituação (EME, Manual <strong>de</strong> Campanha C 124-1 - Estratégia, 3ª Edição, 2001)1.1 Guerra e pazVários filósofos, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a antigüida<strong>de</strong>, vêm se preocupan<strong>do</strong> com o fenômeno bélico, manifestação<strong>de</strong> violência coletiva conduzida e coor<strong>de</strong>nada por um lí<strong>de</strong>r ou por um grupo.Atualmente, os estu<strong>do</strong>s sobre a guerra a inserem num espectro mais amplo, o <strong>do</strong>s conflitos. Asmo<strong>de</strong>rnas investigações sobre suas origens e causas buscam um campo <strong>de</strong> pesquisa relativo ao conflitohumano, que abrange também o tempo <strong>de</strong> paz. Partem <strong>do</strong> princípio que se po<strong>de</strong> admitir a existência <strong>de</strong>aspectos comuns entre os vários tipos <strong>de</strong> conflitos humanos, entre os quais, como fenômeno social, existeum grau máximo: a guerra.No conflito, a hostilida<strong>de</strong> não se manifesta apenas pela violência física, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> evi<strong>de</strong>nciar-se poroutras formas (econômicas, psicológicas e diplomáticas). O conflito pressupõe um choque intencional queimplica numa vonta<strong>de</strong> hostil, ou seja, a intenção <strong>de</strong> causar danos ou prejuízos ao adversário.Em conseqüência, para ser possível <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>r a nação numa guerra, a estrutura militar <strong>de</strong>ve estarsempre em condições <strong>de</strong> atuar com eficácia, pois quan<strong>do</strong> a guerra surge não há tempo paraimprovisações nem oportunida<strong>de</strong> para arrependimentos tardios: é necessário empreen<strong>de</strong>r ações<strong>de</strong>cisivas, coor<strong>de</strong>nadas e objetivas, criteriosamente planejadas <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o tempo <strong>de</strong> paz.1.2 Guerra e estratégiaA guerra ultrapassa em muitos aspectos a estratégia. É possível admitir, pelo menos teoricamente,uma guerra sem estratégia, pois entre muitos povos primitivos a guerra não era propriamente conduzida,mas antes travada como um fenômeno espontâneo e irrefleti<strong>do</strong>, ou seja, sem estratégia. A estratégiaimplica a existência <strong>de</strong> uma vonta<strong>de</strong> consciente para dirigir e coor<strong>de</strong>nar os esforços, o que pressupõe umplano <strong>de</strong>libera<strong>do</strong> <strong>de</strong> ação.Da mesma forma, a estratégia também ultrapassa o “ato <strong>de</strong> guerra” em si, pois busca proporcionara uma unida<strong>de</strong> política as melhores condições <strong>de</strong> segurança. Participa <strong>de</strong> uma série <strong>de</strong> ações em todasas expressões <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r, que permitirão enfrentar da forma mais a<strong>de</strong>quada as eventuais ameaças e ashipóteses <strong>de</strong> guerra admitidas. A estratégia envolve, também, a concepção <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> to<strong>do</strong>sos tipos <strong>de</strong> forças, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com as potenciais ameaças, compatibilizan<strong>do</strong>-as com a capacida<strong>de</strong> <strong>do</strong>po<strong>de</strong>r nacional. Neste âmbito, o seu papel é permanente.Assim, a estratégia prevê o uso da força, o que po<strong>de</strong> incluir ou não seu emprego em combate.Situações há em que o efeito <strong>de</strong>seja<strong>do</strong>, imposição da vonta<strong>de</strong> ao adversário, é obti<strong>do</strong> por outras formas<strong>de</strong> tirar parti<strong>do</strong> da força. Em resumo, a estratégia trata não só da aplicação da força, mas também da suaexploração e, ainda, da promoção <strong>do</strong> seu <strong>de</strong>senvolvimento. O seu papel não é, portanto, intermitente, maspermanente. Relaciona-se com medidas a a<strong>do</strong>tar em tempo <strong>de</strong> guerra e com ações a<strong>do</strong>tadas em tempo<strong>de</strong> paz, que visam a <strong>de</strong>terminadas ameaças e hipóteses <strong>de</strong> emprego.À estratégia militar cabe não só o planejamento das ações militares previstas nas hipóteses <strong>de</strong>emprego, mas, também, o planejamento volta<strong>do</strong> para o preparo da expressão militar.2. Classificação das guerras (EME, Manual <strong>de</strong> Campanha C 124-1 - Estratégia, 3ª Edição, 2001)


2.1 Guerra regularConflito arma<strong>do</strong> no qual as operações são executadas, pre<strong>do</strong>minantemente, por forças regulares.Caracteriza-se por ser extrema e entre Esta<strong>do</strong>s; <strong>de</strong>clarada, embora tal condição não venha sen<strong>do</strong>observada na atualida<strong>de</strong>; reconhecida pelos organismos internacionais; e utilizan<strong>do</strong>, em princípio, a plenacapacida<strong>de</strong> das forças militares.- Guerra convencional - É a forma <strong>de</strong> guerra realizada <strong>de</strong>ntro <strong>do</strong>s padrões clássicos e com oemprego <strong>de</strong> armas convencionais, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> ser total ou limitada, quer pela extensão da área conflagrada,quer pela amplitu<strong>de</strong> <strong>do</strong>s efeitos a obter. É o principal objetivo da preparação e <strong>do</strong> a<strong>de</strong>stramento dasForças Armadas da gran<strong>de</strong> maioria <strong>do</strong>s países.- Guerra nuclear - É a forma <strong>de</strong> guerra caracterizada pelo uso <strong>de</strong> armas nucleares estratégicas(gran<strong>de</strong> po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> <strong>de</strong>struição e lançamento por vetores <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> alcance, tais como, aviões e mísseisbalísticos intercontinentais) ou <strong>de</strong> combate nuclear tático (menor po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> <strong>de</strong>struição e lançamento porvetores <strong>de</strong> curto e médio alcance, tais como, aviões, mísseis táticos e artilharia).Po<strong>de</strong> ser total ou limitada, tanto pela extensão da área conflagrada, quanto pelos efeitos<strong>de</strong>seja<strong>do</strong>s.2.2 Guerra irregularConflito arma<strong>do</strong> executa<strong>do</strong> por forças não-regulares, ou por forças regulares fora <strong>do</strong>s padrõesnormais da guerra regular, contra um governo estabeleci<strong>do</strong> ou um po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> ocupação, com o emprego <strong>de</strong>ações típicas da guerra <strong>de</strong> guerrilha.- Guerra insurrecional - Conflito interno, sem apoio <strong>de</strong> uma i<strong>de</strong>ologia, auxilia<strong>do</strong> ou não <strong>do</strong>exterior, em que parte da população empenha-se contra o governo para <strong>de</strong>pô-lo ou obrigá-lo a aceitar ascondições que lhe forem impostas.- Guerra revolucionária - Conflito interno, geralmente inspira<strong>do</strong> em uma i<strong>de</strong>ologia e auxilia<strong>do</strong> <strong>do</strong>exterior, que visa a conquista <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r pelo controle progressivo da nação.- Guerra <strong>de</strong> guerrilha - É a forma <strong>de</strong> guerra conduzida por grupos ou forças não-regulares, contraum governo estabeleci<strong>do</strong> ou um po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> ocupação, com a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>sgastar sua capacida<strong>de</strong>militar.- Guerra <strong>de</strong> resistência nacional - É a forma <strong>de</strong> guerra na qual as Forças Armadas <strong>de</strong> um paísmilitarmente fraco emprega táticas <strong>de</strong> guerrilha, ou forças irregulares, para resistir e expulsar um invasormilitarmente mais po<strong>de</strong>roso, contan<strong>do</strong> com o apoio da totalida<strong>de</strong> ou <strong>de</strong> parcela pon<strong>de</strong>rável da população.2.3 Guerra totalÉ a forma <strong>de</strong> guerra na qual os beligerantes usam to<strong>do</strong> o seu po<strong>de</strong>r militar, sem restrições quantoaos méto<strong>do</strong>s e engenhos e mesmo quanto às leis convencionais <strong>de</strong> guerra.2.4 Guerra limitadaÉ o conflito arma<strong>do</strong> entre Esta<strong>do</strong>s ou coligação <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s, sem a amplitu<strong>de</strong> da guerra total,caracteriza<strong>do</strong> pela restrição implícita ou consentida <strong>do</strong>s beligerantes, tais como espaço geográfico restritoou limitação <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r militar emprega<strong>do</strong>, pelo menos por um <strong>do</strong>s beligerantes.2.5 Guerra externaConflito arma<strong>do</strong>, total ou limita<strong>do</strong>, entre Esta<strong>do</strong>s ou coligações <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s.2.6 Guerra internaConflito arma<strong>do</strong> no interior <strong>de</strong> um país, regular ou não, visan<strong>do</strong> aten<strong>de</strong>r tanto a interesses <strong>de</strong> umgrupo ou <strong>do</strong> povo como a objetivos políticos <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong> ou coligação <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s.3. Concepção da ação militar (EME, Manual <strong>de</strong> Campanha C 124-1 - Estratégia, 3ª Edição, 2001)3.1 Objetivos <strong>de</strong> guerra


A concepção da ação militar <strong>de</strong>ve estar calcada no objetivo que o Esta<strong>do</strong> preten<strong>de</strong> atingir aotérmino <strong>do</strong> conflito. Esse objetivo <strong>de</strong>nomina-se “objetivo político <strong>de</strong> guerra” ou simplesmente “objetivo <strong>de</strong>guerra”, e tem como propósito a paz subseqüente à guerra.São exemplos <strong>de</strong> possíveis objetivos <strong>de</strong> guerra:- rendição incondicional;- manutenção <strong>do</strong> “status quo”;- conquista <strong>de</strong> uma faixa <strong>de</strong> segurança;- ampliação territorial;- manutenção <strong>do</strong> equilíbrio <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r;- conquista da in<strong>de</strong>pendência;- difusão <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ologias políticas ou religiosas;- substituição <strong>de</strong> governo;- implantação <strong>de</strong> novo regime político-econômico;- conquista <strong>de</strong> posições <strong>de</strong> alto valor estratégico;- extinção <strong>de</strong> um Esta<strong>do</strong>.Logicamente, um objetivo <strong>de</strong> guerra <strong>de</strong>ve ter condições <strong>de</strong> ser alcança<strong>do</strong> pelo emprego <strong>do</strong> po<strong>de</strong>rnacional e vai condicionar tanto a finalida<strong>de</strong>, quanto a intensida<strong>de</strong> <strong>do</strong> esforço a ser <strong>de</strong>spendi<strong>do</strong>.3.2 Centro <strong>de</strong> gravida<strong>de</strong>Centro <strong>de</strong> gravida<strong>de</strong> é o ponto no organismo <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> adversário (militar, político, territorial,econômico ou social) que caso seja conquista<strong>do</strong>, ou o inimigo <strong>de</strong>le perca o efetivo controle, toda suaestrutura <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r <strong>de</strong>smoronará.O conhecimento <strong>do</strong> centro <strong>de</strong> gravida<strong>de</strong> condiciona o objetivo ou os objetivos <strong>de</strong> guerra, que<strong>de</strong>vem ser escolhi<strong>do</strong>s.3.3 Liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> açãoA política nacional, responsável por estabelecer os objetivos <strong>de</strong> guerra, po<strong>de</strong> sofrer limitações<strong>de</strong>correntes <strong>de</strong> diversas circunstâncias, que influenciarão ou não a liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação. Caso o Esta<strong>do</strong> leveem consi<strong>de</strong>ração essas limitações, sua liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação estará reduzida. Caso contrário, o Esta<strong>do</strong>manterá sua liberda<strong>de</strong> <strong>de</strong> ação à custa <strong>de</strong> sensíveis riscos políticos, econômicos, psicossociais oumilitares. Aceitan<strong>do</strong> limitações, a política nacional po<strong>de</strong>rá impor condicionantes à formulação da estratégiamilitar, tais como:- ritmo a imprimir às operações;- intensida<strong>de</strong> e extensão da violência;- emprego <strong>de</strong> força aérea e/ou <strong>de</strong> mísseis estratégicos;- bloqueio naval;- áreas restritas.3.4 Concepção da ação militarConsi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong> os objetivos <strong>de</strong> guerra e as condicionantes impostas pela política nacional àcondução da ação militar, os planeja<strong>do</strong>res <strong>de</strong>vem estar em condições <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminar a concepção da açãomilitar.A concepção da ação militar abrange os seguintes aspectos:- <strong>de</strong>finição <strong>do</strong>s objetivos militares que <strong>de</strong>vem permitir alcançar o objetivo político <strong>de</strong> guerra;- estabelecimento <strong>do</strong>s meios militares necessários à ação militar;- ações estratégicas militares que <strong>de</strong>vem ser implementadas;- ajustamento da concepção da ação militar;- <strong>de</strong>terminação <strong>do</strong>s objetivos estratégicos.A escolha <strong>do</strong>s objetivos militares <strong>de</strong>ve levar em conta as seguintes idéias:- os objetivos militares jamais po<strong>de</strong>m ser maiores (mais amplos) que o objetivo <strong>de</strong> guerra (casoocorra tal absur<strong>do</strong>, configura-se um <strong>de</strong>scompasso, com possíveis evoluções incontroláveis da situação);- o objetivo <strong>de</strong> guerra condiciona os objetivos militares, quanto ao esforço da expressão militar naárea geográfica em que esse objetivo <strong>de</strong> guerra <strong>de</strong>verá ser atingi<strong>do</strong>;- caso o objetivo <strong>de</strong> guerra se refira ao exercício <strong>de</strong> soberania sobre uma área em disputa, hámuita probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> que o objetivo militar venha a se relacionar também com a mesma área;


- se a área litigiosa for muito ampla ou importante para um <strong>do</strong>s conten<strong>do</strong>res, é possível que o ou osobjetivos militares venham a ser estabeleci<strong>do</strong>s em relação a elementos <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r antagônico, ti<strong>do</strong>s comomais apropria<strong>do</strong>s para se obter a quebra da vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> lutar <strong>do</strong> oponente, in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>do</strong>posicionamento geográfico <strong>de</strong>ssa área;- nos conflitos <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> envergadura, a amplitu<strong>de</strong> <strong>do</strong>s objetivos <strong>de</strong> guerra ten<strong>de</strong> a liberargeograficamente os objetivos militares.Os objetivos militares <strong>de</strong>vem ser os que permitam uma variação favorável na relativida<strong>de</strong> <strong>do</strong>spo<strong>de</strong>res que se confrontam, por meio <strong>de</strong> uma ação militar direta. O potencial militar, o potencialeconômico e a vonta<strong>de</strong> combativa são os elementos passíveis <strong>de</strong> serem afeta<strong>do</strong>s diretamente por umaação militar.São exemplos <strong>de</strong> objetivos militares:- <strong>de</strong>struição ou neutralização das forças militares inimigas;- <strong>de</strong>struição ou ocupação <strong>de</strong> centros <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional adverso, particularmente nas expressõespolítica e econômica;- obtenção <strong>do</strong> controle da população;- seccionamento <strong>de</strong> ligações que transmitem e dinamizam o po<strong>de</strong>r nacional;- ocupação <strong>de</strong> um território, área, cida<strong>de</strong>;- corte <strong>do</strong> fluxo <strong>de</strong> suprimento;- neutralização <strong>do</strong>s meios <strong>de</strong> sustentação <strong>do</strong> esforço <strong>de</strong> guerra adversário;- manutenção <strong>de</strong> um <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> espaço geográfico, visan<strong>do</strong> ganhar tempo para outras ações;- <strong>de</strong>sgaste <strong>do</strong> inimigo <strong>de</strong> forma a vencê-lo pela resistência;- fixação estratégica das forças adversárias ou pulverização (dispersão) <strong>do</strong>s seus meios;- contribuição para dissociar o governo da população.Estabelecimento <strong>do</strong>s meios necessários - Defini<strong>do</strong>s os objetivos militares preliminares, <strong>de</strong>ve-seproce<strong>de</strong>r a uma avaliação <strong>do</strong>s meios necessários para conquistar tais objetivos, bem como fazer umlevantamento <strong>do</strong>s meios disponíveis.Levantamento das ações estratégicas - De posse da <strong>de</strong>finição <strong>do</strong>s objetivos preliminares e <strong>do</strong>smeios militares disponíveis, os planeja<strong>do</strong>res estabelecem as ações estratégicas que <strong>de</strong>vem, numaprimeira aproximação, permitir, em melhores condições, a conquista <strong>do</strong>s objetivos propostos.Ajustamento da concepção da ação militar - Da confrontação entre objetivo político <strong>de</strong> guerra,condicionantes políticas, quadro geográfico, relação <strong>de</strong> forças, objetivos militares preliminares e forçasdisponíveis, são realiza<strong>do</strong>s os reajustamentos necessários à concepção da ação militar. É possível que,nesta fase <strong>do</strong> processo, se chegue à conclusão, em virtu<strong>de</strong> das condicionantes ou <strong>do</strong>s meios disponíveis,que a missão é inexeqüível, ou seja, que a ação militar não po<strong>de</strong>rá atingir os objetivos preliminaresfixa<strong>do</strong>s. Neste caso, po<strong>de</strong>m-se levantar outras linhas <strong>de</strong> ação, tais como:- aban<strong>do</strong>nar <strong>de</strong>terminadas condicionantes e aceitar os riscos <strong>de</strong>correntes;- verificar a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alocar novos meios;- fixar objetivos militares menos ambiciosos;- modificar as ações estratégicas propostas, chegan<strong>do</strong> mesmo a alterá-las, <strong>de</strong> forma a aban<strong>do</strong>naruma estratégia direta e a<strong>do</strong>tar uma estratégia indireta;- rever o objetivo político da guerra e, por conseguinte, elaborar uma nova concepção da açãomilitar.Determinação <strong>do</strong>s objetivos estratégicos - Objetivo estratégico é aquele cuja conquista,<strong>de</strong>struição ou neutralização contribui para abater a estrutura política, militar, científico-tecnológica,psicossocial ou econômica <strong>de</strong> um <strong>do</strong>s oponentes, privan<strong>do</strong>-o <strong>do</strong>s recursos necessários aoprosseguimento da guerra.Os objetivos estratégicos, para efeito <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, po<strong>de</strong>m ser relaciona<strong>do</strong>s em <strong>do</strong>is gran<strong>de</strong>s grupos:- <strong>de</strong>correntes da concepção política (que tanto po<strong>de</strong>m estar implícitos como explícitos), on<strong>de</strong>po<strong>de</strong>m ser encontra<strong>do</strong>s os próprios objetivos estratégicos pretendi<strong>do</strong>s com a guerra e os centros vitais <strong>de</strong>uma área estratégica;- objetivos que <strong>de</strong>correm <strong>do</strong>s tipos e formas das operações que po<strong>de</strong>m ser realizadas numa<strong>de</strong>terminada área, referentes àqueles <strong>de</strong> interesse imediato para a execução das ações estratégicas


previstas (centros <strong>de</strong>mográficos e industriais, instalações <strong>de</strong> importância, aci<strong>de</strong>ntes geográficos notáveisda área, instalações militares e civis relacionadas com os transportes terrestres, marítimos ou aéreos, nósro<strong>do</strong>ferroviários, pontos críticos, usinas elétricas, represas, obras-<strong>de</strong>-arte).4. Princípios <strong>de</strong> Guerra (EME, Manual <strong>de</strong> Campanha C 124-1 - Estratégia, 3ª Edição, 2001)Do estu<strong>do</strong> das guerras, constata-se que elas têm aspectos <strong>de</strong> ciência e <strong>de</strong> arte. Do ponto <strong>de</strong> vistacientífico, a história das guerras é marcada pela evolução da tecnologia, resultan<strong>do</strong> no <strong>de</strong>senvolvimentoconstante <strong>do</strong>s engenhos e na conseqüente mudança das condições <strong>de</strong> batalha. Como arte, o estu<strong>do</strong>envolve uma análise crítica e histórica <strong>do</strong> ambiente bélico, <strong>de</strong> on<strong>de</strong> se po<strong>de</strong> extrair muitas lições, entre asquais alguns princípios fundamentais, suas aplicações e combinações ao longo <strong>do</strong> tempo. Um <strong>do</strong>sprodutos <strong>de</strong>ssas análises, tanto da arte quanto da ciência, é o conjunto <strong>de</strong> princípios <strong>de</strong> guerra, queexprimem os ensinamentos oriun<strong>do</strong>s da História. Não são, porém, princípios imutáveis nem casuísticos,nem eles por si só asseguram receitas infalíveis para a vitória. São aspectos gerais que se esten<strong>de</strong>m<strong>de</strong>s<strong>de</strong> a estratégia até a tática.A a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong>sses princípios tem apresenta<strong>do</strong> variações no espaço e no tempo, ou seja, osprincípios a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s em um país não são, necessariamente, os mesmos a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s em outros, ou osa<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s numa época são diferentes <strong>do</strong>s <strong>de</strong> outra. Essa variação ocorre até mesmo entre as própriasForças Armadas <strong>de</strong> um mesmo país, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> à diferente natureza <strong>de</strong> suas ativida<strong>de</strong>s. Quanto ao fatortempo, países ou forças militares têm a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong> princípios mais a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>s a <strong>de</strong>terminada conjuntura,<strong>de</strong>vi<strong>do</strong> a problemas que passam a enfrentar, relegan<strong>do</strong> a segun<strong>do</strong> plano princípios consagra<strong>do</strong>s atéentão.A análise <strong>de</strong>sses princípios po<strong>de</strong> também auxiliar na avaliação da concepção estratégica militar<strong>do</strong>s países ou forças que os a<strong>do</strong>tam e, em conseqüência, permite conhecer o enfoque <strong>do</strong>utrinário <strong>de</strong> cadaum. A seguir, é apresenta<strong>do</strong> um quadro comparativo <strong>do</strong>s princípios <strong>de</strong> guerra a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s no BRASIL pelasforças singulares.5. Estratégias <strong>de</strong> Defesa Nacional (EME, Manual <strong>de</strong> Campanha C 124-1 - Estratégia, 3ª Edição, 2001)5.1 Estratégias <strong>de</strong> Defesa Nacional5.1.1 Estratégia da Presença


Preconiza a presença militar em to<strong>do</strong> o território nacional, com a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> garantir os po<strong>de</strong>resconstituí<strong>do</strong>s, a lei e a or<strong>de</strong>m, assegurar a soberania e a integração nacionais e contribuir <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> eficazpara o <strong>de</strong>senvolvimento nacional.É efetivada não só pela criteriosa articulação das unida<strong>de</strong>s no território (presença seletiva), comotambém, pela possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> fazer-se presente em qualquer parte <strong>de</strong>le, quan<strong>do</strong> for necessário,configuran<strong>do</strong> a mobilida<strong>de</strong> estratégica.5.1.2 Estratégia da DissuasãoConsiste na manutenção <strong>de</strong> forças suficientemente po<strong>de</strong>rosas e aptas ao emprego imediato,capazes <strong>de</strong> se contrapor a qualquer ameaça pela capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> revi<strong>de</strong> que representam.A dissuasão se apóia nos fatores capacida<strong>de</strong>, credibilida<strong>de</strong>, comunicação e incerteza com relaçãoa <strong>de</strong>terminadas incógnitas, como por exemplo o comportamento <strong>de</strong> outras nações. A dissuasão não po<strong>de</strong>ser um blefe.A dissuasão é <strong>de</strong>fensiva quan<strong>do</strong> um Esta<strong>do</strong> dispuser <strong>de</strong> meios suficientemente potentes paraconter e revidar o golpe inicial <strong>do</strong> oponente e pu<strong>de</strong>r contar com <strong>de</strong>senvolvida capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> mobilização.O objetivo é dissuadir o oponente <strong>de</strong> tomar a <strong>de</strong>cisão <strong>de</strong> empregar seus meios <strong>de</strong> ataque, diante daincerteza <strong>de</strong> que alcançará resulta<strong>do</strong>s compensa<strong>do</strong>res.A dissuasão é ofensiva quan<strong>do</strong> a existência <strong>de</strong> meios potentes é um fator <strong>de</strong> convencimento dainutilida<strong>de</strong> <strong>do</strong> oponente se opor a uma ação que se pretenda realizar.A capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> conduzir uma guerra irregular, numa administração <strong>de</strong> crise preparada a partir <strong>de</strong>uma perspectiva <strong>de</strong> longo prazo, po<strong>de</strong> contribuir para a dissuasão <strong>de</strong> uma agressão potencial.Qualquer que seja a natureza da dissuasão, sua finalida<strong>de</strong> é evitar o conflito arma<strong>do</strong>.5.1.3 Estratégia da Ação In<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nteConsiste no emprego <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional <strong>de</strong> um país, particularmente <strong>de</strong> sua expressão militar, <strong>de</strong>forma in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte, por iniciativa e <strong>de</strong>cisão <strong>de</strong> seu governo, quan<strong>do</strong> estiverem ameaçadas a consecuçãoe a garantia <strong>de</strong> seus objetivos nacionais, com base no princípio da legítima <strong>de</strong>fesa e mesmo à revelia <strong>do</strong>sorganismos internacionais.5.1.4 Estratégia da AliançaConsiste no emprego <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r nacional com prepon<strong>de</strong>rância da expressão militar, conjugada àexpressão militar <strong>de</strong> um ou mais países, constituin<strong>do</strong> uma aliança ou coalizão <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s cujos objetivoscoincidam com seus interesses.5.1.5 Estratégia da OfensivaPreconiza a idéia <strong>de</strong> realizar as ações necessárias a enfrentar ameaças internas ou externas, pormeio <strong>de</strong> ações ofensivas realizadas num quadro <strong>de</strong> conflito arma<strong>do</strong>, mesmo em território estrangeiro, parafacilitar operações em curso, sem qualquer intenção <strong>de</strong> anexação e com a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> proteger osrecursos nacionais.5.1.6 Estratégia da DefensivaConsiste na realização das ações necessárias para garantir a integrida<strong>de</strong> <strong>do</strong> território nacional,para proteger a população e para preservar os recursos materiais <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>.Possui caráter eventual e transitório no âmbito da manobra estratégica, sen<strong>do</strong> <strong>de</strong> caráterpermanente no que concerne à <strong>de</strong>fesa territorial.5.1.7 Estratégia da Projeção <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>rConsiste na participação da expressão militar além fronteiras, em situações que favoreçam orespal<strong>do</strong> crescente <strong>de</strong> um país na cena internacional, seja por iniciativa própria ou por solicitação <strong>de</strong>organismos internacionais.Como exemplo, temos as forças <strong>de</strong> paz e as forças expedicionárias.5.1.8 Estratégia da Resistência


Consiste em <strong>de</strong>sgastar, por meio <strong>de</strong> um conflito prolonga<strong>do</strong>, um po<strong>de</strong>r militar superior, buscan<strong>do</strong>seu enfraquecimento moral pelo emprego continua<strong>do</strong> <strong>de</strong> ações não-convencionais e inova<strong>do</strong>ras, como,por exemplo, táticas <strong>de</strong> guerrilha.Essas ações po<strong>de</strong>rão ser conduzidas por forças regulares atuan<strong>do</strong> fora <strong>do</strong>s padrões operacionaisda guerra convencional e/ou por forças irregulares.Na execução <strong>de</strong>ssa estratégia, assumem papel prepon<strong>de</strong>rante as ações psicológicas paraconquista da opinião pública internacional, visan<strong>do</strong> o enfraquecimento da frente interna <strong>do</strong> oponente, bemcomo a conquista <strong>do</strong> apoio incondicional da totalida<strong>de</strong> ou <strong>de</strong> parcela pon<strong>de</strong>rável da população. Nessesenti<strong>do</strong>, a postura ética e humanitária no trato com o oponente contribuem para essas conquistas,po<strong>de</strong>n<strong>do</strong>, no <strong>de</strong>correr <strong>do</strong> conflito, inverter a direção da propaganda adversa.A eficácia <strong>de</strong>ssa estratégia baseia-se, fundamentalmente, nas seguintes premissas:- as ações <strong>de</strong>vem ser conduzidas no território nacional;- o TO <strong>de</strong>ve ser a<strong>de</strong>quadamente amplo, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> a favorecer a dispersão das ações;- os centros urbanos constituem-se em atrativos operacionais. Neste particular, o centro <strong>de</strong>gravida<strong>de</strong> estratégico <strong>do</strong> oponente <strong>de</strong>verá localizar-se em área urbana;- consi<strong>de</strong>rar que <strong>de</strong>termina<strong>do</strong>s pontos críticos e sensíveis, localiza<strong>do</strong>s em ambiente rural, tambémconstituem-se em atrativos operacionais;- a Força Terrestre <strong>de</strong>ve manter seus quadros a<strong>de</strong>stra<strong>do</strong>s, também, nas operações nãoconvencionais,seja em ambiente rural, seja em ambiente urbano;- a Força Terrestre, por intermédio <strong>de</strong> suas organizações militares <strong>de</strong>s<strong>do</strong>bradas no territórionacional, <strong>de</strong>ve manter-se permanentemente integrada à socieda<strong>de</strong>, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> a fortalecer sua credibilida<strong>de</strong>perante a opinião pública, facilitan<strong>do</strong> o ajustamento <strong>do</strong> caráter nacional a esse tipo <strong>de</strong> estratégia, quan<strong>do</strong>se fizer necessário; e- o sistema <strong>de</strong> inteligência <strong>de</strong>ve buscar o conhecimento das peculiarida<strong>de</strong>s e <strong>de</strong>ficiências <strong>do</strong>oponente, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> a transformá-las em vulnerabilida<strong>de</strong>s, por intermédio <strong>de</strong> ações seletivas das forças <strong>de</strong>resistência, minan<strong>do</strong> o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> combate <strong>de</strong>sse oponente.


Ass 6. SEGURANÇA E DEFESAObjetivos específicos:I- 12 - Explicar Segurança e Defesa Públicas, Segurança e Defesa Nacional, Ações <strong>de</strong> Defesa Externa eInterna.I-13 - Expor a Política <strong>de</strong> Defesa Nacional.1. Segurança e Defesa Públicas (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro,2006)1.1 ConceitosAbrangen<strong>do</strong> a segurança <strong>do</strong> Homem como ser individual e como ser social, os níveis Individual eComunitário conformam a Segurança Pública.1.1.2 Segurança PúblicaA garantia <strong>do</strong> exercício <strong>do</strong>s direitos individuais e a manutenção da estabilida<strong>de</strong> das instituições,bem como o bom funcionamento <strong>do</strong>s serviços públicos e o impedimento <strong>de</strong> danos sociais, caracterizam aOr<strong>de</strong>m Pública, objeto da Segurança Pública. Os serviços públicos incluem todas as ativida<strong>de</strong>s exercidaspelo Esta<strong>do</strong>, com ênfase nas administrativas, <strong>de</strong> polícia, <strong>de</strong> prestação <strong>de</strong> serviços, judiciárias elegislativas.Or<strong>de</strong>m Pública é a situação <strong>de</strong> tranqüilida<strong>de</strong> e normalida<strong>de</strong> cuja preservação cabe aoEsta<strong>do</strong>, às Instituições e aos membros da Socieda<strong>de</strong>, consoante as normas jurídicas legalmenteestabelecidas.A Segurança Pública pressupõe, portanto, a participação direta <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, da Socieda<strong>de</strong> e <strong>de</strong>seus membros, observadas as normas jurídicas que limitam e <strong>de</strong>finem suas ações. Enten<strong>de</strong>-se comocomponentes <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> o conjunto <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os níveis <strong>de</strong> competência da Administração Pública –Fe<strong>de</strong>ral, Estadual e Municipal .Segurança Pública é a garantia da manutenção da Or<strong>de</strong>m Pública, mediante a aplicação <strong>do</strong>Po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> Polícia, prerrogativa <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>.1.1.3 Defesa PúblicaA Segurança Pública é alcançada por meio <strong>de</strong> ações <strong>de</strong> Defesa Pública, para a preservação daOr<strong>de</strong>m Pública. Sen<strong>do</strong> garantia para assegurar a Or<strong>de</strong>m Pública, é campo <strong>de</strong> aplicação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r <strong>de</strong>Polícia, expressão <strong>do</strong> monopólio da força que o Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong>tém. Quanto à aplicação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, aDefesa Pública limita-se à parcela que é <strong>de</strong>legada ao Esta<strong>do</strong>, sob a responsabilida<strong>de</strong> <strong>do</strong> Governo.Defesa Pública é o conjunto <strong>de</strong> medidas, atitu<strong>de</strong>s e ações, coor<strong>de</strong>nadas pelo Esta<strong>do</strong>,mediante aplicação <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> Polícia, para superar ameaças específicas à Or<strong>de</strong>m Pública.2. Segurança e Defesa Nacionais (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro,2006)2.1 IntroduçãoA Segurança Nacional <strong>de</strong>corre da necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> proteção da socieda<strong>de</strong> como um to<strong>do</strong> e dapreservação <strong>do</strong>s Objetivos Fundamentais, através <strong>do</strong> atendimento das necessida<strong>de</strong>s, interesses easpirações nacionais, obti<strong>do</strong> pela consecução <strong>do</strong>s Objetivos <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> e <strong>de</strong> Governo.A preservação da Segurança Nacional é, fundamentalmente, um encargo <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, uma vezque ele é a instituição concentra<strong>do</strong>ra <strong>do</strong> po<strong>de</strong>r coercitivo por excelência e representa, por <strong>de</strong>legação, osinteresses da Socieda<strong>de</strong> Nacional. A responsabilida<strong>de</strong> pela preservação da Segurança Nacional, noentanto, não é exclusiva <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, mas <strong>de</strong> toda a Nação, cuja sobrevivência reclama a cooperação dacomunida<strong>de</strong> nacional e <strong>de</strong> cada indivíduo.2.2 Conceitos


2.2.1 Segurança NacionalMesmo sen<strong>do</strong> encargo <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, a Segurança Nacional envolve a aplicação <strong>de</strong> Po<strong>de</strong>r Nacionalcom um to<strong>do</strong>.Segurança Nacional é o sentimento <strong>de</strong> garantia para a Nação, da conquista e manutenção<strong>do</strong>s seus Objetivos Fundamentais proporcionada pela aplicação <strong>do</strong> seu Po<strong>de</strong>r Nacional.O conceito traz uma referência aos Objetivos Fundamentais da Nação, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> dizer-se que aSegurança Nacional consiste na garantia <strong>de</strong> que os objetivos <strong>de</strong> existência soberana, i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong><strong>de</strong>mocrática, integração social, integrida<strong>de</strong> patrimonial, progresso e paz social estão sen<strong>do</strong> busca<strong>do</strong>s epreserva<strong>do</strong>s.2.2.2 Defesa NacionalNo trato das ameaças, a Segurança Nacional abrange to<strong>do</strong> o universo antagônico, on<strong>de</strong> ocorrematitu<strong>de</strong>s que são ou po<strong>de</strong>rão ser lesivas aos Objetivos Fundamentais, exigin<strong>do</strong> que medidas, atitu<strong>de</strong>s eações sejam a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s na preservação <strong>de</strong>sses objetivos.No levantamento das ameaças que se po<strong>de</strong>m constituir em antagonismos sobrelevam as <strong>de</strong>origem externa, exigin<strong>do</strong> constante acompanhamento <strong>do</strong> ambiente internacional.Quan<strong>do</strong> o Po<strong>de</strong>r Nacional é aplica<strong>do</strong> efetivamente, através <strong>de</strong> ações visan<strong>do</strong> a superarAntagonismos, internos ou externos, que possam afetar o atingimento e/ou a manutenção <strong>do</strong>s ObjetivosFundamentais, fica materializada a Defesa Nacional.Defesa Nacional é o conjunto <strong>de</strong> atitu<strong>de</strong>s, medidas e ações <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, com ênfase naExpressão Militar, para a <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong> território, da soberania e <strong>do</strong>s interesses nacionais contraameaças prepon<strong>de</strong>rantemente externas, potenciais e manifestas.Há uma clara distinção <strong>de</strong> tratamento quan<strong>do</strong> se configuram ameaças à Segurança Nacional. Emcaso <strong>de</strong> Antagonismos, ou seja, óbices que, <strong>de</strong> forma lesiva, dificultem ou impeçam o alcance ou apreservação <strong>do</strong>s Objetivos Nacionais, as medidas serão pre<strong>do</strong>minantemente coercitivas, em diferentesgraus e níveis. Em caso <strong>de</strong> Fatores Adversos que passem a representar ameaça aos ObjetivosNacionais, as medidas serão pre<strong>do</strong>minantemente preventivas conduzidas em processo caracteriza<strong>do</strong> porsua emergência e excepcionalida<strong>de</strong>.3. Âmbitos <strong>de</strong> Atuação (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 2006)Ten<strong>do</strong> em vista a origem das ameaças, a Segurança Nacional <strong>de</strong>ve ser analisada sob <strong>do</strong>isâmbitos: Externo e Interno.Quan<strong>do</strong> proveniente <strong>de</strong> ameaças <strong>de</strong> qualquer origem, forma ou natureza, situadas no ambientedas relações internacionais, a Segurança Nacional será buscada por meio <strong>de</strong> ações <strong>de</strong> Defesa Externa.Diante <strong>de</strong> ameaças que possam manifestar-se ou produzir efeitos no âmbito interno <strong>do</strong> País, trata-se <strong>de</strong>Defesa Interna.Sen<strong>do</strong> assim, as atitu<strong>de</strong>s, medidas e ações planejadas para se contraporem às ameaças<strong>de</strong>verão caracterizar-se <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com o âmbito ou ambiente on<strong>de</strong> elas atuam.3.1 Ações <strong>de</strong> Defesa ExternaNas relações internacionais, a Defesa Externa está presente no estabelecimento da políticaespecífica e nas ações estratégicas concernentes ao fortalecimento <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional, uma vez que oaumento <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r significa aumento <strong>de</strong> possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> negociar, <strong>de</strong> dissuadir, coagir e, até mesmo, senecessário, atuar coercitivamente.Ações <strong>de</strong> Defesa Externa são atos planeja<strong>do</strong>s, aplica<strong>do</strong>s e coor<strong>de</strong>na<strong>do</strong>s pelo Governo,aplica<strong>do</strong>s no ambiente externo à Nação e que visam a superar ameaças que possam atentar contraos Objetivos Fundamentais.3.2 Ações <strong>de</strong> Defesa Interna


As Ações <strong>de</strong> Defesa Interna constituem respostas a ameaças específicas contra a SegurançaNacional no âmbito interno. Tais ameaças <strong>de</strong>vem caracterizar-se como infringentes da or<strong>de</strong>m jurídicalegitimamente estabelecida, estan<strong>do</strong> <strong>de</strong>vidamente evi<strong>de</strong>nciadas por iniciativas e atos que dificultem ouponham em perigo o atingimento ou a manutenção <strong>do</strong>s Objetivos Fundamentais. A resposta a essasatitu<strong>de</strong>s e a atos <strong>de</strong> manifesto antagonismo será a a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong> medidas e ações planejadas e coor<strong>de</strong>nadassob responsabilida<strong>de</strong> governamental, que <strong>de</strong>vem ser facultadas ou <strong>de</strong>terminadas pelo or<strong>de</strong>namentojurídico <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>.Ações <strong>de</strong> Defesa Interna são atos planeja<strong>do</strong>s e coor<strong>de</strong>na<strong>do</strong>s pelo Governo, limita<strong>do</strong>s e/ou<strong>de</strong>termina<strong>do</strong>s pelo or<strong>de</strong>namento jurídico, aplica<strong>do</strong>s sobre objetivos <strong>de</strong> âmbito interno da Nação eque visam superar situações que possam atuar contra os Objetivos Fundamentais.4. Política <strong>de</strong> Defesa Nacional (ESG, Manual Básico, Vol I - Elementos Doutrinários, Rio <strong>de</strong> Janeiro,2006)A orientação geral sobre o emprego <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional na execução das ações <strong>de</strong> Defesa <strong>de</strong>veconstar <strong>de</strong> <strong>do</strong>cumentação específica, que <strong>de</strong>fina os objetivos a serem persegui<strong>do</strong>s ou manti<strong>do</strong>s. Esse<strong>do</strong>cumento é <strong>de</strong>nomina<strong>do</strong> Política <strong>de</strong> Defesa Nacional.Política <strong>de</strong> Defesa Nacional é o conjunto <strong>de</strong> Objetivos <strong>de</strong> Governo bem como a orientação<strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> conquistá-los e mantê-los, superan<strong>do</strong> ameaças e agressões <strong>de</strong>qualquer natureza que se manifestem, ou possam manifestar-se, contra a Segurança e oDesenvolvimento da Nação.DECRETO N o 5.484, DE 30 DE JUNHO DE 2005Aprova a Política <strong>de</strong> Defesa Nacional, e dá outras providências.O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea "a", daConstituição, D E C R E T A :Art. 1 o Fica aprovada a Política <strong>de</strong> Defesa Nacional anexa a este Decreto.Art. 2 o Os órgãos e entida<strong>de</strong>s da administração pública fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong>verão consi<strong>de</strong>rar, em seusplanejamentos, ações que concorram para fortalecer a Defesa Nacional.Art. 3 o Este Decreto entra em vigor na data <strong>de</strong> sua publicação.Brasília, 30 <strong>de</strong> junho <strong>de</strong> 2005; 184 o da In<strong>de</strong>pendência e 117 o da República.LUIZ INÁCIO LULA DA SILVAJosé Alencar Gomes da SilvaJorge Arman<strong>do</strong> FelixPOLÍTICA DE DEFESA NACIONALINTRODUÇÃOA Política <strong>de</strong> Defesa Nacional voltada, prepon<strong>de</strong>rantemente, para ameaças externas, é o <strong>do</strong>cumentocondicionante <strong>de</strong> mais alto nível <strong>do</strong> planejamento <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa e tem por finalida<strong>de</strong> estabelecer objetivos ediretrizes para o preparo e o emprego da capacitação nacional, com o envolvimento <strong>do</strong>s setores militar ecivil, em todas as esferas <strong>do</strong> Po<strong>de</strong>r Nacional. O Ministério da Defesa coor<strong>de</strong>na as ações necessárias àDefesa Nacional.


Esta publicação é composta por uma parte política, que contempla os conceitos, os ambientesinternacional e nacional e os objetivos da <strong>de</strong>fesa. Outra parte, <strong>de</strong> estratégia, engloba as orientações ediretrizes.A Política <strong>de</strong> Defesa Nacional, tema <strong>de</strong> interesse <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os segmentos da socieda<strong>de</strong> brasileira, temcomo premissas os fundamentos, objetivos e princípios dispostos na Constituição Fe<strong>de</strong>ral e encontra-seem consonância com as orientações governamentais e a política externa <strong>do</strong> País, a qual se fundamentana busca da solução pacífica das controvérsias e no fortalecimento da paz e da segurança internacionais.Após um longo perío<strong>do</strong> sem que o Brasil participe <strong>de</strong> conflitos que afetem diretamente o território nacional,a percepção das ameaças está <strong>de</strong>svanecida para muitos brasileiros. Porém, é impru<strong>de</strong>nte imaginar queum país com o potencial <strong>do</strong> Brasil não tenha disputas ou antagonismos ao buscar alcançar seus legítimosinteresses. Um <strong>do</strong>s propósitos da Política <strong>de</strong> Defesa Nacional é conscientizar to<strong>do</strong>s os segmentos dasocieda<strong>de</strong> brasileira <strong>de</strong> que a <strong>de</strong>fesa da Nação é um <strong>de</strong>ver <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os brasileiros.1. O ESTADO, A SEGURANÇA E A DEFESA1.1 O Esta<strong>do</strong> tem como pressupostos básicos o território, o povo, leis e governo próprios e in<strong>de</strong>pendêncianas relações externas. Ele <strong>de</strong>tém o monopólio legítimo <strong>do</strong>s meios <strong>de</strong> coerção para fazer valer a lei e aor<strong>de</strong>m, estabelecidas <strong>de</strong>mocraticamente, proven<strong>do</strong>-lhes, também, a segurança.1.2 Nos primórdios, a segurança era vista somente pelo ângulo da confrontação entre Esta<strong>do</strong>s, ou seja, danecessida<strong>de</strong> básica <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa externa. À medida que as socieda<strong>de</strong>s se <strong>de</strong>senvolveram, novas exigênciasforam agregadas, além da ameaça <strong>de</strong> ataques externos.1.3 Gradualmente, o conceito <strong>de</strong> segurança foi amplia<strong>do</strong>, abrangen<strong>do</strong> os campos político, militar,econômico, social, ambiental e outros. Entretanto, a <strong>de</strong>fesa externa permanece como papel primordial dasForças Armadas no âmbito interestatal.As medidas que visam à segurança são <strong>de</strong> largo espectro, envolven<strong>do</strong>, além da <strong>de</strong>fesa externa: <strong>de</strong>fesacivil; segurança pública; políticas econômicas, <strong>de</strong> saú<strong>de</strong>, educacionais, ambientais e outras áreas, muitasdas quais não são tratadas por meio <strong>do</strong>s instrumentos político-militares.Cabe consi<strong>de</strong>rar que a segurança po<strong>de</strong> ser enfocada a partir <strong>do</strong> indivíduo, da socieda<strong>de</strong> e <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, <strong>do</strong>que resultam <strong>de</strong>finições com diferentes perspectivas.A segurança, em linhas gerais, é a condição em que o Esta<strong>do</strong>, a socieda<strong>de</strong> ou os indivíduos não sesentem expostos a riscos ou ameaças, enquanto que <strong>de</strong>fesa é ação efetiva para se obter ou manter ograu <strong>de</strong> segurança <strong>de</strong>seja<strong>do</strong>.Especialistas convoca<strong>do</strong>s pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Tashkent, no ano <strong>de</strong> 1990,<strong>de</strong>finiram a segurança como "uma condição pela qual os Esta<strong>do</strong>s consi<strong>de</strong>ram que não existe perigo <strong>de</strong>uma agressão militar, pressões políticas ou coerção econômica, <strong>de</strong> maneira que po<strong>de</strong>m <strong>de</strong>dicar-selivremente a seu próprio <strong>de</strong>senvolvimento e progresso".1.4 Para efeito da Política <strong>de</strong> Defesa Nacional, são a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong>s os seguintes conceitos:I Segurança é a condição que permite ao País a preservação da soberania e da integrida<strong>de</strong> territorial, arealização <strong>do</strong>s seus interesses nacionais, livre <strong>de</strong> pressões e ameaças <strong>de</strong> qualquer natureza, e a garantiaaos cidadãos <strong>do</strong> exercício <strong>do</strong>s direitos e <strong>de</strong>veres constitucionais;II Defesa Nacional é o conjunto <strong>de</strong> medidas e ações <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, com ênfase na expressão militar, para a<strong>de</strong>fesa <strong>do</strong> território, da soberania e <strong>do</strong>s interesses nacionais contra ameaças prepon<strong>de</strong>rantementeexternas, potenciais ou manifestas.2. O AMBIENTE INTERNACIONAL2.1 O mun<strong>do</strong> vive <strong>de</strong>safios mais complexos <strong>do</strong> que os enfrenta<strong>do</strong>s durante o perío<strong>do</strong> passa<strong>do</strong> <strong>de</strong>confrontação i<strong>de</strong>ológica bipolar. O fim da Guerra Fria reduziu o grau <strong>de</strong> previsibilida<strong>de</strong> das relaçõesinternacionais vigentes <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a 2ª Guerra Mundial.Nesse ambiente, é pouco provável um conflito generaliza<strong>do</strong> entre Esta<strong>do</strong>s.Entretanto, renovaram-se no mun<strong>do</strong> conflitos <strong>de</strong> caráter étnico e religioso, a exacerbação <strong>de</strong>nacionalismos e a fragmentação <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong>s, com um vigor que ameaça a or<strong>de</strong>m mundial.


Neste século, po<strong>de</strong>rão ser intensificadas disputas por áreas marítimas, pelo <strong>do</strong>mínio aeroespacial e porfontes <strong>de</strong> água <strong>do</strong>ce e <strong>de</strong> energia, cada vez mais escassas. Tais questões po<strong>de</strong>rão levar a ingerências emassuntos internos, configuran<strong>do</strong> quadros <strong>de</strong> conflito.Com a ocupação <strong>do</strong>s últimos espaços terrestres, as fronteiras continuarão a ser motivo <strong>de</strong> litígiosinternacionais.2.2 O fenômeno da globalização, caracteriza<strong>do</strong> pela inter<strong>de</strong>pendência crescente <strong>do</strong>s países, pelarevolução tecnológica e pela expansão <strong>do</strong> comércio internacional e <strong>do</strong>s fluxos <strong>de</strong> capitais, resultou emavanços para uma parte da humanida<strong>de</strong>. Paralelamente, a criação <strong>de</strong> blocos econômicos tem resulta<strong>do</strong>em arranjos competitivos. Para os países em <strong>de</strong>senvolvimento, o <strong>de</strong>safio é o <strong>de</strong> uma inserção positiva nomerca<strong>do</strong> mundial.Nesse processo, as economias nacionais tornaram-se mais vulneráveis às crises ocasionadas pelainstabilida<strong>de</strong> econômica e financeira em to<strong>do</strong> o mun<strong>do</strong>. A crescente exclusão <strong>de</strong> parcela significativa dapopulação mundial <strong>do</strong>s processos <strong>de</strong> produção, consumo e acesso à informação constitui fonte potencial<strong>de</strong> conflitos.2.3 A configuração da or<strong>de</strong>m internacional baseada na unipolarida<strong>de</strong> no campo militar associada àsassimetrias <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r produz tensões e instabilida<strong>de</strong>s in<strong>de</strong>sejáveis para a paz.A prevalência <strong>do</strong> multilateralismo e o fortalecimento <strong>do</strong>s princípios consagra<strong>do</strong>s pelo direito internacionalcomo a soberania, a não-intervenção e a igualda<strong>de</strong> entre os Esta<strong>do</strong>s, são promotores <strong>de</strong> um mun<strong>do</strong> maisestável, volta<strong>do</strong> para o <strong>de</strong>senvolvimento e bem estar da humanida<strong>de</strong>.2.4 A questão ambiental permanece como uma das preocupações da humanida<strong>de</strong>. Países <strong>de</strong>tentores <strong>de</strong>gran<strong>de</strong> biodiversida<strong>de</strong>, enormes reservas <strong>de</strong> recursos naturais e imensas áreas para serem incorporadasao sistema produtivo po<strong>de</strong>m tornar-se objeto <strong>de</strong> interesse internacional.2.5 Os avanços da tecnologia da informação, a utilização <strong>de</strong> satélites, o sensoriamento eletrônico einúmeros outros aperfeiçoamentos tecnológicos trouxeram maior eficiência aos sistemas administrativos emilitares, sobretu<strong>do</strong> nos países que <strong>de</strong>dicam maiores recursos financeiros à Defesa. Em conseqüência,criaram-se vulnerabilida<strong>de</strong>s que po<strong>de</strong>rão ser exploradas, com o objetivo <strong>de</strong> inviabilizar o uso <strong>do</strong>s nossossistemas ou facilitar a interferência à distância.2.6 Atualmente, atores não-estatais, novas ameaças e a contraposição entre o nacionalismo e otransnacionalismo permeiam as relações internacionais e os arranjos <strong>de</strong> segurança <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s. Os<strong>de</strong>litos transnacionais <strong>de</strong> natureza variada e o terrorismo internacional são ameaças à paz, à segurança eà or<strong>de</strong>m <strong>de</strong>mocrática, normalmente, enfrentadas com os instrumentos <strong>de</strong> inteligência e <strong>de</strong> segurança <strong>do</strong>sEsta<strong>do</strong>s.3. O AMBIENTE REGIONAL E O ENTORNO ESTRATÉGICO3.1 O subcontinente da América <strong>do</strong> Sul é o ambiente regional no qual o Brasil se insere. Buscan<strong>do</strong>aprofundar seus laços <strong>de</strong> cooperação, o País visualiza um entorno estratégico que extrapola a massa <strong>do</strong>subcontinente e incluiu a projeção pela fronteira <strong>do</strong> Atlântico Sul e os países lin<strong>de</strong>iros da África.3.2 A América <strong>do</strong> Sul, distante <strong>do</strong>s principais focos mundiais <strong>de</strong> tensão e livre <strong>de</strong> armas nucleares, éconsi<strong>de</strong>rada uma região relativamente pacífica. Além disso, processos <strong>de</strong> consolidação <strong>de</strong>mocrática e <strong>de</strong>integração regional ten<strong>de</strong>m a aumentar a confiabilida<strong>de</strong> regional e a solução negociada <strong>do</strong>s conflitos.3.3 Entre os processos que contribuem para reduzir a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> conflitos no entorno estratégico,<strong>de</strong>stacam-se: o fortalecimento <strong>do</strong> processo <strong>de</strong> integração, a partir <strong>do</strong> Mercosul, da Comunida<strong>de</strong> Andina <strong>de</strong>Nações e da Comunida<strong>de</strong> Sul-Americana <strong>de</strong> Nações; o estreito relacionamento entre os paísesamazônicos, no âmbito da Organização <strong>do</strong> Trata<strong>do</strong> <strong>de</strong> Cooperação Amazônica; a intensificação dacooperação e <strong>do</strong> comércio com países africanos, facilitada pelos laços étnicos e culturais; e aconsolidação da Zona <strong>de</strong> Paz e <strong>de</strong> Cooperação <strong>do</strong> Atlântico Sul .A ampliação e a mo<strong>de</strong>rnização da infra-estrutura da América <strong>do</strong> Sul po<strong>de</strong>m concretizar a ligação entreseus centros produtivos e os <strong>do</strong>is oceanos, facilitan<strong>do</strong> o <strong>de</strong>senvolvimento e a integração.


3.4 A segurança <strong>de</strong> um país é afetada pelo grau <strong>de</strong> instabilida<strong>de</strong> da região on<strong>de</strong> está inseri<strong>do</strong>. Assim, é<strong>de</strong>sejável que ocorram: o consenso; a harmonia política; e a convergência <strong>de</strong> ações entre os paísesvizinhos, visan<strong>do</strong> lograr a redução da criminalida<strong>de</strong> transnacional, na busca <strong>de</strong> melhores condições para o<strong>de</strong>senvolvimento econômico e social que tornarão a região mais coesa e mais forte.3.5 A existência <strong>de</strong> zonas <strong>de</strong> instabilida<strong>de</strong> e <strong>de</strong> ilícitos transnacionais po<strong>de</strong> provocar o transbordamento <strong>de</strong>conflitos para outros países da América <strong>do</strong> Sul.A persistência <strong>de</strong>sses focos <strong>de</strong> incertezas impõe que a <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> seja vista com priorida<strong>de</strong>, parapreservar os interesses nacionais, a soberania e a in<strong>de</strong>pendência.3.6 Como conseqüência <strong>de</strong> sua situação geopolítica, é importante para o Brasil que se aprofun<strong>de</strong> oprocesso <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento integra<strong>do</strong> e harmônico da América <strong>do</strong> Sul, o que se esten<strong>de</strong>, naturalmente,à área <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa e segurança regionais.4. O BRASIL4.1 O perfil brasileiro ao mesmo tempo continental e marítimo, equatorial, tropical e subtropical, <strong>de</strong> longafronteira terrestre com a quase totalida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s países sul-americanos e <strong>de</strong> extenso litoral e águasjurisdicionais - confere ao País profundida<strong>de</strong> geoestratégica e torna complexa a tarefa <strong>do</strong> planejamentogeral <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa. Dessa maneira, a diversificada fisiografia nacional conforma cenários diferencia<strong>do</strong>s que,em termos <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa, <strong>de</strong>mandam, ao mesmo tempo, política geral e abordagem específica para cadacaso.4.2 A vertente continental brasileira contempla complexa varieda<strong>de</strong> fisiográfica, que po<strong>de</strong> ser sintetizadaem cinco macro-regiões.4.3 O planejamento da <strong>de</strong>fesa inclui todas as regiões e, em particular, as áreas vitais on<strong>de</strong> se encontramaior concentração <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r político e econômico.Complementarmente, prioriza a Amazônia e o Atlântico Sul pela riqueza <strong>de</strong> recursos e vulnerabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong>acesso pelas fronteiras terrestre e marítima.4.4 A Amazônia brasileira, com seu gran<strong>de</strong> potencial <strong>de</strong> riquezas minerais e <strong>de</strong> biodiversida<strong>de</strong>, é foco daatenção internacional. A garantia da presença <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> e a vivificação da faixa <strong>de</strong> fronteira sãodificultadas pela baixa <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong>mográfica e pelas longas distâncias, associadas à precarieda<strong>de</strong> <strong>do</strong>sistema <strong>de</strong> transportes terrestre, o que condiciona o uso das hidrovias e <strong>do</strong> transporte aéreo comoprincipais alternativas <strong>de</strong> acesso. Estas características facilitam a prática <strong>de</strong> ilícitos transnacionais ecrimes conexos, além <strong>de</strong> possibilitar a presença <strong>de</strong> grupos com objetivos contrários aos interessesnacionais.A vivificação, política indigenista a<strong>de</strong>quada, a exploração sustentável <strong>do</strong>s recursos naturais e a proteçãoao meio-ambiente são aspectos essenciais para o <strong>de</strong>senvolvimento e a integração da região. Oa<strong>de</strong>nsamento da presença <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong>, e em particular das Forças Armadas, ao longo das nossasfronteiras, é condição necessária para conquista <strong>do</strong>s objetivos <strong>de</strong> estabilização e <strong>de</strong>senvolvimentointegra<strong>do</strong> da Amazônia.4.5 O mar sempre esteve relaciona<strong>do</strong> com o progresso <strong>do</strong> Brasil, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o seu <strong>de</strong>scobrimento. A naturalvocação marítima brasileira é respaldada pelo seu extenso litoral e pela importância estratégica querepresenta o Atlântico Sul.A Convenção das Nações Unidas sobre Direito <strong>do</strong> Mar permitiu ao Brasil esten<strong>de</strong>r os limites da suaPlataforma Continental e exercer o direito <strong>de</strong> jurisdição sobre os recursos econômicos em uma área <strong>de</strong>cerca <strong>de</strong> 4,5 milhões <strong>de</strong> quilômetros quadra<strong>do</strong>s, região <strong>de</strong> vital importância para o País, uma verda<strong>de</strong>ira"Amazônia Azul".Nessa imensa área estão as maiores reservas <strong>de</strong> petróleo e gás, fontes <strong>de</strong> energia imprescindíveis para o<strong>de</strong>senvolvimento <strong>do</strong> País, além da existência <strong>de</strong> potencial pesqueiro.A globalização aumentou a inter<strong>de</strong>pendência econômica <strong>do</strong>s países e, conseqüentemente, o fluxo <strong>de</strong>cargas. No Brasil, o transporte marítimo é responsável por movimentar a quase totalida<strong>de</strong> <strong>do</strong> comércioexterior.


4.6 Às vertentes continental e marítima sobrepõe-se dimensão aeroespacial, <strong>de</strong> suma importância para aDefesa Nacional. O controle <strong>do</strong> espaço aéreo e a sua boa articulação com os países vizinhos, assim comoo <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> nossa capacitação aeroespacial, constituem objetivos setoriais prioritários.4.7 O Brasil propugna uma or<strong>de</strong>m internacional baseada na <strong>de</strong>mocracia, no multilateralismo, nacooperação, na proscrição das armas químicas, biológicas e nucleares e na busca da paz entre asnações. Nessa direção, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong> a reformulação e a <strong>de</strong>mocratização das instâncias <strong>de</strong>cisórias <strong>do</strong>sorganismos internacionais, como forma <strong>de</strong> reforçar a solução pacífica <strong>de</strong> controvérsias e sua confiançanos princípios e normas <strong>do</strong> Direito Internacional. No entanto, não é pru<strong>de</strong>nte conceber um país semcapacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa compatível com sua estatura e aspirações políticas.4.8 A Constituição Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> 1988 tem como um <strong>de</strong> seus princípios, nas relações internacionais, orepúdio ao terrorismo.O Brasil consi<strong>de</strong>ra que o terrorismo internacional constitui risco à paz e à segurança mundiais. Con<strong>de</strong>naenfaticamente suas ações e apóia as resoluções emanadas pela ONU, reconhecen<strong>do</strong> a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong>que as nações trabalhem em conjunto no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> prevenir e combater as ameaças terroristas.4.9 O Brasil atribui priorida<strong>de</strong> aos países da América <strong>do</strong> Sul e da África, em especial aos da África Australe aos <strong>de</strong> língua portuguesa, buscan<strong>do</strong> aprofundar seus laços com esses países.4.10 A intensificação da cooperação com a Comunida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s Países <strong>de</strong> Língua Portuguesa (<strong>CP</strong>LP),integrada por oito países distribuí<strong>do</strong>s por quatro continentes e uni<strong>do</strong>s pelos <strong>de</strong>nomina<strong>do</strong>res comuns dahistória, da cultura e da língua, constitui outro fator relevante das nossas relações exteriores.4.11 O Brasil tem laços <strong>de</strong> cooperação com países e blocos tradicionalmente alia<strong>do</strong>s que possibilitam atroca <strong>de</strong> conhecimento em diversos campos.Concomitantemente, busca novas parcerias estratégicas com nações <strong>de</strong>senvolvidas ou emergentes paraampliar esses intercâmbios.4.12 O Brasil atua na comunida<strong>de</strong> internacional respeitan<strong>do</strong> os princípios constitucionais <strong>de</strong>auto<strong>de</strong>terminação, não-intervenção e igualda<strong>de</strong> entre os Esta<strong>do</strong>s. Nessas condições, sob a égi<strong>de</strong> <strong>de</strong>organismos multilaterais, participa <strong>de</strong> operações <strong>de</strong> paz, visan<strong>do</strong> a contribuir para a paz e a segurançainternacionais.4.13 A persistência <strong>de</strong> entraves à paz mundial requer a atualização permanente e o reaparelhamentoprogressivo das nossas Forças Armadas, com ênfase no <strong>de</strong>senvolvimento da indústria <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa, visan<strong>do</strong>à redução da <strong>de</strong>pendência tecnológica e à superação das restrições unilaterais <strong>de</strong> acesso a tecnologiassensíveis.4.14 Em consonância com a busca da paz e da segurança internacionais, o País é signatário <strong>do</strong> Trata<strong>do</strong><strong>de</strong> Não-Proliferação <strong>de</strong> Armas Nucleares e <strong>de</strong>staca a necessida<strong>de</strong> <strong>do</strong> cumprimento <strong>do</strong> Artigo VI, queprevê a negociação para a eliminação total das armas nucleares por parte das potências nucleares,ressalvan<strong>do</strong> o uso da tecnologia nuclear como bem econômico para fins pacíficos.4.15 O contínuo <strong>de</strong>senvolvimento brasileiro traz implicações crescentes para o campo energético comreflexos em sua segurança. Cabe ao País assegurar matriz energética diversificada que explore aspotencialida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os recursos naturais disponíveis.5. OBJETIVOS DA DEFESA NACIONALAs relações internacionais são pautadas por complexo jogo <strong>de</strong> atores, interesses e normas que estimulamou limitam o po<strong>de</strong>r e o prestígio das Nações. Nesse contexto <strong>de</strong> múltiplas influências e <strong>de</strong>inter<strong>de</strong>pendência, os países buscam realizar seus interesses nacionais, po<strong>de</strong>n<strong>do</strong> gerar associações ouconflitos <strong>de</strong> variadas intensida<strong>de</strong>s.Dessa forma, torna-se essencial estruturar a Defesa Nacional <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> compatível com a estatura políticoestratégicapara preservar a soberania e os interesses nacionais em compatibilida<strong>de</strong> com os interesses danossa região.


Assim, da avaliação <strong>do</strong>s ambientes <strong>de</strong>scritos, emergem objetivos da Defesa Nacional:I a garantia da soberania, <strong>do</strong> patrimônio nacional e da integrida<strong>de</strong> territorial;II a <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong>s interesses nacionais e das pessoas, <strong>do</strong>s bens e <strong>do</strong>s recursos brasileiros no exterior;III a contribuição para a preservação da coesão e unida<strong>de</strong> nacionais;IV a promoção da estabilida<strong>de</strong> regional;V a contribuição para a manutenção da paz e da segurança internacionais; eVI a projeção <strong>do</strong> Brasil no concerto das nações e sua maior inserção em processos <strong>de</strong>cisóriosinternacionais.6. ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS6.1 A atuação <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> brasileiro em relação à <strong>de</strong>fesa tem como fundamento a obrigação <strong>de</strong> contribuirpara a elevação <strong>do</strong> nível <strong>de</strong> segurança <strong>do</strong> País, tanto em tempo <strong>de</strong> paz, quanto em situação <strong>de</strong> conflito.6.2 A vertente preventiva da Defesa Nacional resi<strong>de</strong> na valorização da ação diplomática como instrumentoprimeiro <strong>de</strong> solução <strong>de</strong> conflitos e em postura estratégica baseada na existência <strong>de</strong> capacida<strong>de</strong> militarcom credibilida<strong>de</strong>, apta a gerar efeito dissuasório.Baseia-se, para tanto, nos seguintes pressupostos básicos:I fronteiras e limites perfeitamente <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s e reconheci<strong>do</strong>s internacionalmente;II estreito relacionamento com os países vizinhos e com a comunida<strong>de</strong> internacional basea<strong>do</strong> na confiançae no respeito mútuos;III rejeição à guerra <strong>de</strong> conquista;IV busca da solução pacífica <strong>de</strong> controvérsias;V valorização <strong>do</strong>s foros multilaterais;VI existência <strong>de</strong> forças armadas mo<strong>de</strong>rnas, balanceadas e aprestadas; eVII capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> mobilização nacional.6.3 A vertente reativa da <strong>de</strong>fesa, no caso <strong>de</strong> ocorrer agressão ao País, empregará to<strong>do</strong> o po<strong>de</strong>r nacional,com ênfase na expressão militar, exercen<strong>do</strong> o direito <strong>de</strong> legítima <strong>de</strong>fesa previsto na Carta da ONU.6.4 Em conflito <strong>de</strong> maior extensão, <strong>de</strong> forma coerente com sua história e o cenário vislumbra<strong>do</strong>, o Brasilpo<strong>de</strong>rá participar <strong>de</strong> arranjo <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa coletiva autoriza<strong>do</strong> pelo Conselho <strong>de</strong> Segurança da ONU.6.5 No gerenciamento <strong>de</strong> crises internacionais <strong>de</strong> natureza político-estratégica, o Governo <strong>de</strong>terminará aarticulação <strong>do</strong>s diversos setores envolvi<strong>do</strong>s. O emprego das Forças Armadas po<strong>de</strong>rá ocorrer <strong>de</strong> diferentesformas, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com os interesses nacionais.6.6 A expressão militar <strong>do</strong> País fundamenta-se na pacida<strong>de</strong> das Forças Armadas e no potencial <strong>do</strong>srecursos nacionais mobilizáveis.6.7 As Forças Armadas <strong>de</strong>vem estar ajustadas à estatura político-estratégica <strong>do</strong> País, consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong>-se,<strong>de</strong>ntre outros fatores, a dimensão geográfica, a capacida<strong>de</strong> econômica e a população existente.6.8 A ausência <strong>de</strong> litígios bélicos manifestos, a natureza difusa das atuais ameaças e o eleva<strong>do</strong> grau <strong>de</strong>incertezas, produto da velocida<strong>de</strong> com que as mudanças ocorrem, exigem ênfase na ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong>inteligência e na capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> pronta resposta das Forças Armadas, às quais estão subjacentescaracterísticas, tais como versatilida<strong>de</strong>, interoperabilida<strong>de</strong>, sustentabilida<strong>de</strong> e mobilida<strong>de</strong> estratégica, pormeio <strong>de</strong> forças leves e flexíveis, aptas a atuarem <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> combina<strong>do</strong> e a cumprirem diferentes tipos <strong>de</strong>missões.6.9 O fortalecimento da capacitação <strong>do</strong> País no campo da <strong>de</strong>fesa é essencial e <strong>de</strong>ve ser obti<strong>do</strong> com oenvolvimento permanente <strong>do</strong>s setores governamental, industrial e acadêmico, volta<strong>do</strong>s à produçãocientífica e tecnológica e para a inovação. O <strong>de</strong>senvolvimento da indústria <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa, incluin<strong>do</strong> o <strong>do</strong>mínio<strong>de</strong> tecnologias <strong>de</strong> uso dual, é fundamental para alcançar o abastecimento seguro e previsível <strong>de</strong> materiaise serviços <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa.


6.10 A integração regional da indústria <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa, a exemplo <strong>do</strong> Mercosul, <strong>de</strong>ve ser objeto <strong>de</strong> medidasque propiciem o <strong>de</strong>senvolvimento mútuo, a ampliação <strong>do</strong>s merca<strong>do</strong>s e a obtenção <strong>de</strong> autonomiaestratégica.6.11 Além <strong>do</strong>s países e blocos tradicionalmente alia<strong>do</strong>s, o Brasil <strong>de</strong>verá buscar outras parceriasestratégicas, visan<strong>do</strong> a ampliar as oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> intercâmbio e a geração <strong>de</strong> confiança na área <strong>de</strong><strong>de</strong>fesa.6.12 Em virtu<strong>de</strong> da importância estratégica e da riqueza que abrigam, a Amazônia brasileira e o AtlânticoSul são áreas prioritárias para a Defesa Nacional.6.13 Para contrapor-se às ameaças à Amazônia, é imprescindível executar uma série <strong>de</strong> açõesestratégicas voltadas para o fortalecimento da presença militar, efetiva ação <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> no<strong>de</strong>senvolvimento sócio-econômico e ampliação da cooperação com os países vizinhos, visan<strong>do</strong> à <strong>de</strong>fesadas riquezas naturais e <strong>do</strong> meio ambiente.6.14 No Atlântico Sul, é necessário que o País disponha <strong>de</strong> meios com capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> exercer a vigilânciae a <strong>de</strong>fesa das águas jurisdicionais brasileiras, bem como manter a segurança das linhas <strong>de</strong>comunicações marítimas.6.15 O Brasil precisa dispor <strong>de</strong> meios e capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> exercer a vigilância, o controle e a <strong>de</strong>fesa <strong>do</strong> seuespaço aéreo, aí incluídas as áreas continental e marítima, bem como manter a segurança das linhas <strong>de</strong>navegação aéreas.6.16 Com base na Constituição Fe<strong>de</strong>ral e em prol da Defesa Nacional, as Forças Armadas po<strong>de</strong>rão serempregadas contra ameaças internas, visan<strong>do</strong> à preservação <strong>do</strong> exercício da soberania <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> e àindissolubilida<strong>de</strong> da unida<strong>de</strong> fe<strong>de</strong>rativa.6.17 Para ampliar a projeção <strong>do</strong> País no concerto mundial e reafirmar seu compromisso com a <strong>de</strong>fesa dapaz e com a cooperação entre os povos, o Brasil <strong>de</strong>verá intensificar sua participação em açõeshumanitárias e em missões <strong>de</strong> paz sob a égi<strong>de</strong> <strong>de</strong> organismos multilaterais.6.18 Com base na Constituição Fe<strong>de</strong>ral e nos atos internacionais ratifica<strong>do</strong>s, que repudiam e con<strong>de</strong>nam oterrorismo, é imprescindível que o País disponha <strong>de</strong> estrutura ágil, capaz <strong>de</strong> prevenir ações terroristas e<strong>de</strong> conduzir operações <strong>de</strong> contraterrorismo.6.19 Para minimizar os danos <strong>de</strong> possível ataque cibernético, é essencial a busca permanente <strong>do</strong>aperfeiçoamento <strong>do</strong>s dispositivos <strong>de</strong> segurança e a a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong> procedimentos que reduzam avulnerabilida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s sistemas e permitam seu pronto restabelecimento.6.20 O <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> mentalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa no seio da socieda<strong>de</strong> brasileira é fundamental parasensibilizá-la acerca da importância das questões que envolvam ameaças à soberania, aos interessesnacionais e à integrida<strong>de</strong> territorial <strong>do</strong> País.6.21 É prioritário assegurar a previsibilida<strong>de</strong> na alocação <strong>de</strong> recursos, em quantida<strong>de</strong> suficiente, parapermitir o preparo a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong> das Forças Armadas.6.22 O emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da or<strong>de</strong>m não se insere no contexto <strong>de</strong>ste<strong>do</strong>cumento e ocorre <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com legislação específica.7. DIRETRIZES7.1 As políticas e ações <strong>de</strong>finidas pelos diversos setores <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> brasileiro <strong>de</strong>verão contribuir para aconsecução <strong>do</strong>s objetivos da Defesa Nacional. Para alcançá-los, <strong>de</strong>vem-se observar as seguintesdiretrizes estratégicas:I manter forças estratégicas em condições <strong>de</strong> emprego imediato, para a solução <strong>de</strong> conflitos;


II dispor <strong>de</strong> meios militares com capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> salvaguardar as pessoas, os bens e os recursos brasileirosno exterior;III aperfeiçoar a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> coman<strong>do</strong> e controle e <strong>do</strong> sistema <strong>de</strong> inteligência <strong>do</strong>s órgãos envolvi<strong>do</strong>s naDefesa Nacional;IV incrementar a interoperabilida<strong>de</strong> entre as Forças Armadas, amplian<strong>do</strong> o emprego combina<strong>do</strong>;V aprimorar a vigilância, o controle e a <strong>de</strong>fesa das fronteiras, das águas jurisdicionais e <strong>do</strong> espaço aéreo<strong>do</strong> Brasil;VI aumentar a presença militar nas áreas estratégicas <strong>do</strong> Atlântico Sul e da Amazônia brasileira;VII garantir recursos suficientes e contínuos que proporcionem condições efetivas <strong>de</strong> preparo e empregodas Forças Armadas e <strong>de</strong>mais órgãos envolvi<strong>do</strong>s na Defesa Nacional, em consonância com a estaturapolítico-estratégica <strong>do</strong> País;VIII aperfeiçoar processos para o gerenciamento <strong>de</strong> crises <strong>de</strong> natureza políticoestratégica;IX implantar o Sistema Nacional <strong>de</strong> Mobilização e aprimorar a logística militar;X proteger as linhas <strong>de</strong> comunicações marítimas <strong>de</strong> importância vital para o País;XI dispor <strong>de</strong> estrutura capaz <strong>de</strong> contribuir para a prevenção <strong>de</strong> atos terroristas e <strong>de</strong> conduzir operações <strong>de</strong>contraterrorismo;XII aperfeiçoar os dispositivos e procedimentos <strong>de</strong> segurança que reduzam a vulnerabilida<strong>de</strong> <strong>do</strong>s sistemasrelaciona<strong>do</strong>s à Defesa Nacional contra ataques cibernéticos e, se for o caso, permitam seu prontorestabelecimento;XIII fortalecer a infra-estrutura <strong>de</strong> valor estratégico para a Defesa Nacional, prioritariamente a <strong>de</strong>transporte, energia e comunicações;XIV promover a interação das <strong>de</strong>mais políticas governamentais com a Política <strong>de</strong> Defesa Nacional;XV implementar ações para <strong>de</strong>senvolver e integrar a região amazônica, com apoio da socieda<strong>de</strong>, visan<strong>do</strong>,em especial, ao <strong>de</strong>senvolvimento e à vivificação da faixa <strong>de</strong> fronteira;XVI incentivar a conscientização da socieda<strong>de</strong> para os assuntos <strong>de</strong> Defesa Nacional;XVII estimular a pesquisa científica, o <strong>de</strong>senvolvimento tecnológico e a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> produção <strong>de</strong>materiais e serviços <strong>de</strong> interesse para a <strong>de</strong>fesa;XVIII intensificar o intercâmbio das Forças Armadas entre si e com as universida<strong>de</strong>s, instituições <strong>de</strong>pesquisa e indústrias, nas áreas <strong>de</strong> interesse <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa;XIX atuar para a manutenção <strong>de</strong> clima <strong>de</strong> paz e cooperação nas áreas <strong>de</strong> fronteira;XX intensificar o intercâmbio com as Forças Armadas das nações amigas, particularmente com as daAmérica <strong>do</strong> Sul e as da África, lin<strong>de</strong>iras ao Atlântico Sul;XXI contribuir ativamente para o fortalecimento, a expansão e a consolidação da integração regional comênfase no <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> base industrial <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa;XXII participar ativamente nos processos <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão <strong>do</strong> <strong>de</strong>stino da região Antártica;XXIII dispor <strong>de</strong> capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> projeção <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r, visan<strong>do</strong> à eventual participação em operaçõesestabelecidas ou autorizadas pelo Conselho <strong>de</strong> Segurança da ONU;XXIV criar novas parcerias com países que possam contribuir para o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> tecnologias <strong>de</strong>interesse da <strong>de</strong>fesa;XXV participar <strong>de</strong> missões <strong>de</strong> paz e ações humanitárias, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com os interesses nacionais; eXXVI participar crescentemente <strong>do</strong>s processos internacionais relevantes <strong>de</strong> tomada <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão,aprimoran<strong>do</strong> e aumentan<strong>do</strong> a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> negociação <strong>do</strong> Brasil.Bom Estu<strong>do</strong>!

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!