Novo ministro da Agricultura - BM&FBovespa

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Novo ministro da Agricultura - BM&FBovespa

CARTA AO LEITORA Síntese Agropecuária traz como tema principal a escolha, pela presidente DilmaRousseff, de Mendes Ribeiro Filho para chefiar o Ministério da Agricultura, Pecuáriae Abastecimento. Embora não tenha experiência no setor, o novo ministro garanteque trabalhará com determinação para fazer o melhor para o Brasil e disse esperarencontrar uma equipe de qualidade extraordinária e que tem pedido aos técnicosque tenham muita paciência, por sua necessidade de aprender, de ouvir. “Eu sei noque posso ajudar, quero ser um facilitador naquilo que o Ministério precisa paradesenvolver seu trabalho em favor da agricultura brasileira.” O ministro algumasprioridades para a sua gestão: seguro agrícola, defesa sanitária, preço mínimo econtato com o setor.AGOSTO 2011 Nº 365O entrevistado desta edição é o coordenador científico do Cepea, Geraldo deCamargo Barros. Ele acredita que a resposta para o paradoxo existente nas relaçõesde comércio exterior do Brasil com seus parceiros comerciais está na escala dospreços internacionais das commodities associada aos ganhos de produtividadedos produtos brasileiros. Segundo o professor, não tem sido necessária mudançano câmbio para o setor agropecuário, pois o dólar barato ajuda na importação deinsumos e componentes derivados do petróleo dos quais o agronegócio depende.Outro tema abordado nesta Síntese é o projeto da Embrapa Instrumentação parauso sustentável do lixo na produção de adubos a partir de resíduos da indústria, docampo e da cidade promovendo, dessa forma, o manejo sustentável do agronegócio.Boa leitura!E X P E D I E N T EDiretor Presidente: Edemir PintoDiretoria Executiva: Cícero Vieira Neto, Eduardo R. Guardia, Luis Furtado e Marcelo MazieroConselho de Administração: Arminio Fraga Neto – Presidente, Marcelo Fernandez Trindade – Vice-presidente,Candido Bracher, Claudio Luiz da Silva Haddad, Craig Steven Donohue, José Roberto Mendonça de Barros, Julio de Siqueira Carvalho de Araújo, LuizStuhlberger, Renato Diniz Junqueira e René Marc KernJornalista responsável: Alcides FerreiraCoordenador editorial: Miguel Baia BargasEdição: Rosangela KirstCriação e produção: Rogerio Guerra e Ronald Capristo TrapinoFoto da capa: Beto Oliveira/Agência CâmaraReportagem: Fatima Lopes, Neila Baldi e Nelson RoccoRevisão: Rosangela Kirst e Rose JordãoColaboraram nesta edição: Fabiana Perobelli, Maria Isabel V. Bueno, LuizCláudio Cafagni e Matheus Levi GuryA Síntese Agropecuária é uma publicação mensal da BM&FBOVESPA. O conteúdodesta publicação não representa a opinião da Bolsa, nem deve ser interpretadocomo recomendação de compra ou venda de ativos. Os artigos assinados expressama opinião de seus autores. É proibida a reprodução parcial ou integral detextos contidos nesta publicação.ISSN 1984-7769As correspondências à Síntese Agropecuária devem ser enviadas paraRua XV de Novembro, 275, 5º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01013-001Telefone (11) 2565-4000SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


ÍNDICE14 204CLIPPINGENTREVISTA10CAPA14ECONOMIA E NEGÓCIOS20GERALDO DE CAMARGO BARROSPara o coordenador científico do Cepea, a respostapara o paradoxo existente nas relações de comércioexterior do Brasil com seus parceiros comerciais estána escala dos preços internacionais das commoditiesassociada aos ganhos de produtividade dos produtosbrasileiros.Mendes Ribeiro Filho é o novoministro da AgriculturaO deputado federal foi escolhido por Dilma Rousseffpara comandar o Ministério da Agricultura, Pecuáriae Abastecimento. A presidente optou não porum técnico, mas por um político. Mesmo sem terexperiência no setor, o novo ministro garante quetrabalhará com determinação para fazer o melhorpara o Brasil.A reciclagem de um lixo virtuosoA Embrapa tem projeto para produzir compostos orgânicospara adubação a partir de lixo existente e liberaro meio ambiente de resíduos degradantes.ESTRATÉGIA26MERCADOS303234363840Como utilizar o Índice deCommodities BrasilAçúcar e etanolNova estimativa reduz números da safra2011/12AlgodãoCom safra recorde, Brasil se consolidacomo 4° maior produtorBoi gordoEm ritmo lento, mercado físico apresentapequenas oscilaçõesCaféExportações brasileiras de café estão emelevaçãoMilhoPreços do milho permanecem firmes nomercado internoSojaRelatório aponta alta na produtividade dalavoura nos Estados UnidosAGOSTO 2011SÍNTESE AGROPECUÁRIA


4CLIPPINGFabiana Murer faz história e conquista ourono Mundial de DaeguSaltando 4,85m, Fabiana Murer levouas cores do Brasil ao topo do mundo. Aatleta do salto com vara do Clube de AtletismoBM&FBOVESPA mostrou ousadiae concentração e conseguiu a primeiramedalha de ouro do País em um mundialde atletismo. Ela entrou para a históriado esporte brasileiro, deixando para trása alemã Martina Strutz e a russa SvetlanaFeofanova.Fabiana foi ousada desde o começoda prova, quando deixou claro que queriabrigar pelo ouro. Assim como Isinbayeva,ela optou por não saltar 4,70m,indo direto para os 4,75m. Em sua primeiratentativa, ela mostrou que a decisãofoi correta e passou sem dificuldade.Bolsa homenageiaFabiana MurerFabiana Murer, do Clube de AtletismoBM&FBOVESPA, recebeu, em13 de setembro, 1kg de ouro da Bolsapor ter vencido o Campeonato Mundialde Atletismo no Daegu Stadium,Coreia do Sul, em 30 de agosto. Foi aprimeira medalha de ouro de um atletabrasileiro na história dos CampeonatosMundiais de Atletismo.Fabiana participou da aberturasimbólica do pregão com o toqueda campainha, com o presidente daBM&FBOVESPA, Edemir Pinto, ostécnicos Elson Miranda e RicardoD’Angelo, padrinho do projeto de categoriasde base apresentado tambémem 13 de setembro pelo InstitutoBM&FBOVESPA, Vanderlei Cordeirode Lima, e duas crianças participantesdo novo projeto.Atleta destaca apoio daBM&FBOVESPADurante evento, Fabiana Murerdestacou o apoio do Clube de AtletismoBM&FBOVESPA como um dosfatores fundamentais para a conquistado ouro no Mundial. “Sempre faloque tive sorte de começar com umagrande equipe, que me deu tranquilidadepara treinar e alcançar meusonho. Não foi fácil, no começo nãotínhamos condições para treinar, mastodos meus patrocinadores acreditaramque era possível desenvolver osalto com vara, que não tinha tradiçãonenhuma no Brasil”. Na Bolsa, elamostrou publicamente, pela primeiravez desde que chegou ao Brasil, a medalhaque trouxe da Coreia do Sul.Edemir Pinto lembrou que a medalhade ouro conquistada por Fabianano mundial, comprova, maisuma vez, que o Clube está no caminhocerto: “Focamos num trabalhoconsistente junto aos atletas, visandoresultados no longo prazo”. Ele acrescentouque o Clube também vai premiaros recordistas sul-americanos doSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


5ano com barras de ouro e que a novasede – um ginásio indoor – está emconstrução em São Caetano do Sul.Neste ano, Fabiana tambémtem um compromisso com a seleçãobrasileira em disputa que nãoé exclusiva de atletismo: os JogosPan-Americanos de Guadalajara,no México, em outubro. A saltadoradescansará alguns dias e retomará apreparação para defender o títulode campeã, conquistado em 2007,nos Jogos do Rio.Fabiana venceu o Mundial comsalto de 4,85m em prova que contoucom a recordista mundial, a russaYelena Isinbayeva e com a líder doranking da temporada, a norte-americanaJennifer Suhr. Com o resultado,Fabiana igualou seu recorde sul-americanoe unificou os títulos mundiaisindoor e outdoor - foi campeã indoorem Doha, em 2010.Na temporada, Fabiana começoua competir em maio. Venceu oGP Brasil de Atletismo (4,65m), noRio de Janeiro, dia 26. Depois, foiao Sul-Americano de Buenos Airese conquistou o ouro (4,70 m), em 2de julho. Fez quatro provas preparatóriaspara o Mundial pela DiamondLeague, que venceu em 2010, masnão foi sua prioridade em 2011. Emjulho, levou a medalha de bronze emEugene (4,48m, dia 4) e de ouro emOslo (4,60m, dia 9), ficou em 5º lugarem Estocolmo (4,51m, dia 29).Em agosto, recebeu as medalhas deprata em Londres (4,71m, dia 5) ea de ouro no Mundial de Daegu, dia30 com 4,85m. Em 8 de setembro,fechou a temporada internacional doatletismo conquistando medalha debronze na etapa de Zurique (4,62m)e como terceira colocada do mundono salto com vara pela Diamond League(10 pontos).Lançamento da Categoriade BaseO projeto Categoria de Basetambém foi anunciado pelo diretorpresidente da BM&FBOVESPA,Edemir Pinto, em 13 de setembro.O Clubinho, instalado em Paraisópolis,no Espaço Esportivo e CulturalBM&FBOVESPA, é integradoao Instituto BM&FBOVESPA e vaiproporcionar iniciação esportiva a 80crianças, de 6 a 11 anos. Haverá tambémtrabalho de formação no qualserão atendidos 90 jovens de 12 a 18anos. É uma proposta de desenvolvimentointegral, que tem início aos 6anos de idade e pode chegar até o altorendimento. Medalhista olímpico namaratona dos Jogos de Atenas, em2004, Vanderlei Cordeiro de Lima éo padrinho da Categoria de Base. Duranteo evento, Edemir Pinto reafirmouo compromisso da Bolsa com oClube de Atletismo, acreditando queo esporte é um excelente caminhopara contribuir com o desenvolvimentosocial do Brasil.Com a iniciativa, o ClubeBM&FBOVESPA pretende não sóampliar seu impacto no atletismonacional, ingressando na formaçãode atletas, e consolidar sua posiçãocomo principal agente de desenvolvimentodo atletismo no País, comotambém promover a inclusão socialpor meio do esporte e a geração deatletas de alto desempenho.No Clubinho, com coordenaçãotécnica de Ricardo D’Angelo,o programa de iniciação esportivaatenderá 80 crianças de 6 a 11 anosdivididas em duas turmas de 40 alunoscada. As aulas serão orientadaspor um professor e um assistente econtarão com equipamentos adaptadosao tamanho e à idade dos alunos(barreiras, varas para salto, dardoetc.). Os participantes serão selecionados,por ordem de inscrição, emParaisópolis, proporcionando maisintegração com a comunidade eaproximação das famílias com o atletismoe o Clube BM&FBOVESPA.O trabalho de formação, destinadoa crianças e adolescentes de 12a 18 anos, também coordenado porRicardo D’Angelo, visa ao desenvolvimentode polos que já fazem trabalhode formação no País, com aportefinanceiro para infraestrutura, bolsas,capacitação e coordenação técnica.A princípio, serão três polos,Campinas, São Caetano do Sul e SãoJosé do Rio Preto, com 30 participantesem cada um.AGOSTO 2011SÍNTESE AGROPECUÁRIA


6CLIPPINGBM&FBOVESPA lança aplicativo para navegadorGoogle ChromeDesde 15 de setembro, os usuários do navegador Google Chrome podembaixar, gratuitamente, um aplicativo que permite verificar as cotações das açõesdas empresas listadas na Bolsa e acompanhar a movimentação, em tempo real,dos principais índices do mercado de capitais.Com a ferramenta, o internauta conseguirá personalizar sua própria carteirade ações, armazenando as companhias que deseja acompanhar diariamente na abaFavoritos. O aplicativo também traz filmes com explicações sobre o investimentoem ações, formação de patrimônio e educação financeira. Mostra também as mensagensenviadas ao canal da BM&FBOVESPA no twitter @info_bmfbovespaPara obter o aplicativo BM&FBOVESPA Google Chrome, o usuário precisainstalar o navegador Google Chrome, acessar a loja Google Web Store e baixar oarquivo em https://chrome.google.com/webstore.Redes sociaisA BM&FBOVESPA mantém perfis nas redes sociais Orkut e Facebook, ondeatua em comunidades acompanhando o debate, por meio de postagens com informaçõesrelacionadas aos seus mercados. A Bolsa também envia calendáriosdos cursos gratuitos, podcasts das rádios Mulheres em Ação e Desafio, vídeoseducativos, fechamento do Ibovespa e outros conteúdos sobre educação financeira.A participação nas redes sociais abre um canal de comunicação direto comos usuários, que podem postar dúvidas que serão esclarecidas o quanto antes poruma equipe que trabalha diariamente para atender aos internautas. Atualmente,são cerca de 20 mil seguidores no Twitter e mais de 7 mil fãs que curtem a páginada Bolsa no Facebook.Negócios realizados nomercado de commoditiesda BolsaEm agosto, foram negociados252.193 contratos futuros e de opçõessobre futuro de commodities, ante227.749 em julho. No final do mês,foram registrados 136.855 contratosem aberto, ante 118.555 em julho.As opções sobre futuro de commoditiestotalizaram 41.561 contratos ante33.183 no período anterior.Os novos derivativos de soja comliquidação financeira, lançados emjaneiro, registraram negociação de14.528 contratos ante 8.020 no mêsanterior. O grande salto se deve ao aumentodo volume negociado no mercadode opções de soja financeira, com10.461 contratos em agosto ante 2.697no mês anterior.O número de contratos negociadosde futuros e de opções de boigordo foi de 124.299 ante 124.623 emjulho. O milho fechou o período comtotal de 57.033 contratos, entre futurose opções, ante 51.953 no mês anterior.O café arábica encerrou agostocom 47.632 contratos, enquanto emjulho o total foi de 35.927. O mercadofuturo de etanol hidratado registrou8.701 contratos negociados ante7.226, em julho.Escola Dr. Mathias Otávio Roxo Nobre vence 4ª eliminatória do DesafioBM&FBOVESPACom rentabilidade de 86,82% em sua carteira de ações, jovens do Ensino Médio da Escola Estadual Dr. Mathias OtávioRoxo Nobre, de São Bernardo do Campo, conquistaram o melhor resultado nas simulações de investimentos da 4ª eliminatóriado Desafio BM&FBOVESPA 2011, realizada no sábado, dia 27 de agosto, no Espaço Raymundo Magliano Filho,na BM&FBOVESPA. O Colégio Galileu Instituto de Educação e Cultura, de Guarulhos (com 85,34%), o Colégio MundoNovo, de Sorocaba (com 81,13%), o Colégio Renascer, de Sorocaba (com 77,90%), e a Escola Estadual Ana Maria Poppovic,de Diadema (com 70,94%), completaram a lista das cinco instituições classificadas para a final da competição.A disputa contou com a presença de aproximadamente 300 pessoas, entre estudantes, professores e torcida. Participaram35 escolas públicas e privadas do Estado de São Paulo, cada qual representada por equipes de três a cinco alunos e umprofessor orientador. Os alunos assistiram a um curso sobre os principais conceitos relacionados à educação financeira e aomercado de ações. Depois, testaram os conhecimentos na prática, participando de cinco rodadas de simulação de investimento,com o objetivo de obter as maiores rentabilidades.A 5ª eliminatória está marcada para 24 de setembro. Ao todo, são seis etapas ao longo do ano, envolvendo mais de 1.500pessoas. Na final, prevista para 26 de novembro, as cinco equipes que conquistarem os maiores rendimentos nas simulaçõesreceberão prêmios que vão de R$2,5 mil a R$25 mil, em créditos em ações para investir.SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


Consumo mundial de suco de laranja está em queda7O consumo mundial de sucode laranja recuou 5,3% entre 2003 e2010, redução equivalente a 127 miltoneladas do produto, volume maiordo que foi consumido pelo Canadáno ano passado. Isso corresponde aperdas de US$254 milhões.Nos Estados Unidos, maiorcomprador do produto, só de 2009para 2010 houve queda de 5%, ou42 mil toneladas a menos de suco.O volume corresponde ao total desuco industrializado consumido noBrasil no último ano. Alemanha eReino Unido, dois mercados importantespara o setor, tiveram decréscimode 22,8% – 58 mil toneladas– e 2,5%, respectivamente. Asconclusões estão num estudo encomendadopela CitrusBr, a associaçãonacional dos exportadores desuco de laranja, que reúne as quatroempresas do setor (Citrosuco; Citrovita;Cutrale; e Louis Dreyfus).“A principal razão dessa reduçãoé a concorrência acirrada com outrasbebidas como energéticos,isotônicos, águas, powerdrinks, dentreoutros. São bebidasque vêmcrescendo ataxas elevadas eque possuem umgrande apelo juntoaos consumidores, principalmenteos mais jovens. Alémdisso, temos constatado que a imagemdo suco de laranja está um poucoenvelhecida no mercado”, avaliao presidente da entidade, ChristianLohbauer.Ainda de acordo com o estudo,a situação dos países emergentessegue na direção oposta, com crescimentode demanda. Brasil, Rússia,Índia e China, os BRICs, tiveramaumento de 41% no consumo, o quecorresponde a 78 mil toneladas desuco de laranja. Só a China teve 99%de crescimento, 44 mil toneladasa mais. Mas a CitrusBr alertapara o fato de que isso não compensaas perdas, visto que nos outros 35países analisados pelo trabalho, deixaramde ser consumidas 204 miltoneladas, queda de 9,2%.Para Lohbauer, os números mostramque a indústria terá de se reinventar.“O estudo demonstra crescimentodos mercados emergentes,mas ainda são volumes pequenos.Mas no médio, longo prazo talvez,esses mercados se tornem relevantes.Uma das medidas em que estamostrabalhando é a de tentar rejuvenescere modernizar a imagem do sucode laranja. Para tanto, lançamos hápouco mais de três meses uma campanhaglobal para estimular o consumode suco de laranja chamada “I feelorange”. Trata-se de uma campanhafeita em parceria com a Apex-Brasil,voltada para o Exterior, principalmenteEstados Unidos e Europa,com foco nas redes sociais, que irátrabalhar para aproximar a bebida dopúblico jovem”, explicaPOR FATIMA LOPESAGOSTO 2011SÍNTESE AGROPECUÁRIA


8CLIPPINGMulheres criam NúcleoFeminino do AgronegócioO grupo é bem variado. Tem gentede 25 anos, tem gente de 60. Temgente do Maranhão, de Rondônia, doParaná, de Mato Grosso, do Piauí...Algumas características, no entanto,são comuns: são 20 mulheres empreendedoras,todas pecuaristas – umascom mil bois, outras com 70 mil – etodas elas buscando avidamente trocarinformações sobre a administraçãodiária de uma fazenda, a gestãoda empresa e as inovações do setor.Este foi o cenário que norteoua criação, há menos de dois anos,do Núcleo Feminino do Agronegócio,uma associação independentedas organizações de classe do setor.“Esse núcleo surgiu exatamente porquequeríamos ter um espaço emque pudéssemos trocar experiências,numa visão igual. Ali, são mulherescom basicamente o mesmoperfil: mulheres que tocam suas fazendas,que têm experiência do diaa dia. Encontramos no núcleo umaforma de nos ajudar, de trocar váriasexperiências, desde contratação decapatazes até manejo em currais”,explica a presidente do grupo, CarlaFreitas, pecuarista em Rondônia,para quem esse setor ainda é muitomachista.O tema que ela escolheu para trabalharà frente da presidência mostrabem a preocupação: gestão. “Gestãonuma fazenda é um assunto importante,um assunto que hoje faz a diferençaentre o pecuarista moderno e oresto”, explica.Para discutir as várias faces dessetema, são organizadas reuniões compalestras de especialistas. A última incluiuuma visita à BM&FBOVESPA,para aprender um pouco sobre o usodos mercados derivativos. As duaspróximas reuniões também já têmassunto definido: financiamento –pretendem chamar o ex-ministro daAgricultura, Luís Carlos Guedes Pinto,“para que ele dê uma noção paraas mulheres sobre como o pecuaristapode hoje pegar recursos em bancopara alavancar essa nova pecuária,que é uma pecuária de tecnologia”,diz Carla; e, na sequência, o tema seráa integração lavoura-pecuária, “outraalavanca para mudar a tecnologiadentro da empresa e para modernizara fazenda”.De acordo com Carla, o grupoque coordena tem alguns pontos depreocupação específicos, além doaprendizado e da troca de experiênciasdo dia a dia. “Acho que há umainsegurança bastante grande, falta deinformação, falta de profissionais”, resume.A questão da insegurança estábasicamente relacionada ao ambientejurídico, por conta de mudançasconstantes que afetam o campo. “Agente não saber, por exemplo, comovai ficar essa questão do Código Florestal,deixa todo mundo apreensivo.Não sabemos se estamos dentro oufora da lei. Por isso, há uma insegurançajurídica”, explica Carla.A questão da mão de obra decorreda modernização do agronegócioe da necessidade de ter profissionaisque conheçam novas técnicas. CarlaFreitas também lembra que há muitaincerteza quanto à saúde de gruposdo setor. “Outra coisa que vejo é queas pessoas têm muito medo; hoje,você sempre negocia com medo dosfrigoríficos. Você nunca sabe a saúdefinanceira deles. Futuramente, quemsabe, nosso núcleo poderá formar umgrupo que possa vender em conjuntonossa produção. Atualmente, é umproblema a comercialização”, diz ela,já pensando numa possível solução.POR FATIMA LOPESPrêmio BM&FBOVESPA deJornalismo 2011Estão abertas as inscrições parao Prêmio BM&FBOVESPA de Jornalismo2011, que chega à 23ª edição.A Gerência de Imprensa daBM&FBOVESPA já está recebendomatérias publicadas na mídia impressa eon-line de 23 de outubro de 2010 a 21de outubro de 2011. A ficha de inscriçãoe o regulamento estão disponíveispara download na sala de imprensa emwww.bmfbovespa.com.br/imprensa.Serão distribuídos cinco prêmios, deR$6 mil cada, para as seguintes categorias:Jornal – São Paulo/Rio de Janeiro:concorrem matérias sobre o mercadode capitais, publicadas em jornais deSão Paulo e do Rio de Janeiro.Revista – São Paulo/Rio de Janeiro:concorrem matérias sobre o mercadode capitais, publicadas em revistas deSão Paulo e do Rio de Janeiro.Mídia impressa – demais Capitais eInterior: concorrem matérias sobreo mercado de capitais, publicadas emjornais e revistas de cidades brasileiras,exceto Rio de Janeiro e São Paulo.Mídia on-line: concorrem matériassobre o mercado de capitais, veiculadasem agências de notícias, sites e portaisdo Brasil. Podem concorrer tambémreportagens publicadas em língua estrangeira,em agências, sites e portais deoutros países, desde que produzidas porjornalistas que atuam como correspondentesno Brasil.Derivativos: concorrem matérias sobrederivativos financeiros e agropecuários,publicadas em jornais, revistas e mídiaon-line de todo o País.Cada jornalista poderá inscreverno máximo três trabalhos, individuaisou realizados em parceria, até o dia 21de outubro de 2011, data-limite para oenvio das matérias à BM&FBOVESPApor meio eletrônico.Criado em 1988, o prêmio tem porobjetivo o reconhecimento das matériasque representem uma contribuição efetivapara o desenvolvimento dos mercadosbrasileiros de capitais e de derivativos.SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


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Mendes Ribeiro Filhoé o novo ministro daAgriculturaPOR NEILA BALDIA presidente Dilma Rousseff escolhe o deputadofederal Mendes Ribeiro Filho para ocupar o cargode Wagner Rossi no comando do Ministério daAgricultura, Pecuária e Abastecimento. Mesmosem ter experiência no setor, o novo ministrogarante que trabalhará com determinação parafazer o melhor para o Brasil.15Foto:ACS / Ministério da AgriculturaAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


16CAPAMendes Ribeiro Filho foi escolhidopela presidente Dilma Rousseffpara comandar o Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento,no lugar de Wagner Rossi, que pediudemissão após uma série de denúnciasna pasta. Dilma optou por ocupara vaga não por um técnico, mas porum político. Mendes assumidamentenão conhece o setor, não tem ligaçõeshistóricas com o campo. Antes deempossado, era líder do governo noCongresso Nacional e exercia o quintomandato consecutivo na Câmara dosDeputados.Na posse, ocorrida em 23 de agosto,a presidente afirmou que uma dasprincipais heranças deixadas por Rossié o Plano Safra 2011/2012. “O planoagrícola será agora executado pelo ministroMendes Ribeiro e tenho certezade que será bem executado. Os avançosdeste Plano Safra envolvem a simplificaçãoe a desburocratização do acessoao crédito, mais apoio aos médios produtorese envolve o fortalecimento daagricultura de baixo carbono.”Porto-alegrense de 57 anos, o advogadoJorge Alberto Portanova MendesRibeiro Filho – cujo pai, falecido,foi comunicador e político do PMDBrio-grandense – é um típico gaúcho,pelo jeito de falar. Não que tenha osotaque do interior – até porque nãoé de lá –, mas pela forma incisiva e defensivacomo os gaúchos costumamfalar – que soa, por vezes, como umaindelicadeza. É como se estivessemprontos sempre para a guerra. Foi esteo tom de Mendes na coletiva, após aposse, no Palácio do Planalto. Se, nodiscurso de posse, em frente à presidente,pareceu humilde, ao pedir quetenham paciência consigo, na coletiva,parecia que esperava dos repórteresalgumas alfinetadas. Como a maioriados jornalistas que cobrem o agronegócioem Brasília é sulista, o clima nãoesquentou.A presidente cumprimenta Mendes Ribeiro Filho.Mendes é o sexto gaúcho a assumiro Ministério nos últimos 40 anos.O cargo já havia sido ocupado porLuiz Fernando Cirne Lima, NestorJost, Pedro Simon, Francisco Turra eMarcus Vinicius Pratini de Moraes.De todos, apenas Cirne Lima e Turratinham familiaridade com o meio. Oatual ministro já ocupou três secretariasestaduais: a primeira, da Justiça,quando tinha apenas 24 anos; ObrasPúblicas, Saneamento e Habitação; eCasa Civil.Torcedor do Grêmio, o deputadoestava de azul em sua posse e, na coletiva,chegou a brincar com as coresdo auditório: verde e amarelo. Mesmonão sendo do setor, Mendes foi prestigiadopor representantes de entidadesde classe em sua posse – muitos, inclusive,seguiram para o Ministério paracumprimentá-lo. Entre os presentes,dois ex-ministros: Pratini de Moraese Francisco Turra, ambos do governode Fernando Henrique Cardoso.Pratini teria, inclusive, aconselhadoMendes antes da posse: de nãocontratar quem não puder demitire evitar parentes. Atualmente trabalhandocomo conselheiro do GrupoJBS, Pratini defendeu maior liberdadede ação para a agricultura no Paísa fim de serem abertas novas frentesde mercado, sem interferência do governo.“Primeiro, as empresas vão lá eabrem o mercado; depois, chamam ogoverno.”Para Turra, que é presidente daUbabef – entidade que reuniu a UniãoBrasileira da Avicultura e a AssociaçãoFoto: Roberto Stuckert Filho/PRSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


17Foto: Roberto Stuckert Filho/PRDilma Rousseff discursa durante posse do ministro da Agricultura.Brasileira dos Exportadores de Frango–, o novo ministro tem muitos desafios,sem destacar a inexperiência no setor.Entre os problemas a enfrentar, Turracitou o seguro agrícola e a questãoda Rússia (embargo a alguns estados)que, para ele, deveria envolver até mesmoa presidente. “O discurso do ministroreuniu humildade de quem é muitodistanciado do setor, mas disposto aaprender. O importante é que tem achancela da Presidência. Esse diálogocom a presidente é fundamental.”O distanciamento do setor fezcom que muitos representantes daárea fossem reticentes em opinar sobrea escolha de Mendes. Dentre os quequiseram se pronunciar, o presidenteda Associação Brasileira dos Produtoresde Algodão (Abrapa), Sérgio deMarco, disse que a expectativa é que se“inicie um novo tempo no Ministérioda Agricultura com a nomeação do ministroMendes Ribeiro, oriundo de umestado com larga tradição em agricultura,portanto, sensível aos anseios dosetor”. Ele afirmou também que esperaque sejam adotadas medidas e tomadasiniciativas “que visem amenizar osefeitos da crise econômica mundial nadefesa dos interesses do agronegócio epromovendo o crescimento deste setorque é tão importante para o Brasil.”“Estamos confiantes que o novoministro da Agricultura fará um bomtrabalho. Ele sempre defendeu a agropecuáriado Rio Grande do Sul e agorafará o mesmo pelo Brasil”, disse a presidenteda Confederação da Agriculturae Pecuária do Brasil, senadora Kátia“Eu sei no queposso ajudar,quero ser umfacilitador naquiloque o Ministérioprecisa paradesenvolver seutrabalho em favorda agriculturabrasileira.”Mendes Ribeiro FilhoAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


18CAPAAbreu. Uma semana após a posse,Kátia Abreu reuniu-se com o ministro,quando discutiu a adoção de umselo de qualidade para os produtosagrícolas brasileiros vendidos no Exterior,envolvendo aspectos sanitário,ambiental e de bem-estar animal.Também afirmou que esperava quea questão ambiental fosse resolvidacom a aprovação, pelo Senado, donovo Código Florestal Brasileiro, assimcomo implantada uma nova políticaagrícola.Em seu discurso de posse, Mendesafirmou que trabalhará para garantira renda do produtor rural eprometeu buscar mais recursos paraa política de garantia de preços mínimos(PGPM), para o Programade Subvenção ao Prêmio do SeguroRural (PSR) e para a defesa sanitária.Disse também que buscará pessoascompetentes. “Vou buscar a melhorequipe disponível para esta tarefa, osmais qualificados, com a determinaçãode fazer o melhor para o Brasile para os brasileiros. Isto eu possogarantir.” Sua primeira escolha foi ofuncionário de carreira do Banco doBrasil, José Carlos Vaz, que ocupavao cargo de secretário de PolíticaAgrícola e agora será o secretário--executivo. Também afirmou que irábuscar parceria com a Frente Parlamentarda Agropecuária por mais dinheiropara a agricultura. E assumiu,diante da presidente, dois compromissos:ouvir e dialogar. “Essa é minhahistória”, disse.Carta-brancaAlvo de denúncias de corrupção,a Companhia Nacionalde Abastecimento (Conab) foium dos temas discutidos porMendes, em coletiva, após suaposse. Apesar de, desde o segundomandato de Lula a instituiçãoter sido presidida por políticos enão por técnicos, Mendes foi enfáticoao afirmar que “a política faz parte da administraçãopública. Se não tivesse esta convicção, nãoestaria sentado hoje como ministro da Agricultura.Eu sou político, eu acredito que político pode fazerum bom trabalho”.Ele ressaltou ter carta-branca da presidente paramexer em qualquer peça do Ministério, inclusive naConab. Afirmou que serão necessários, pelo menos,30 dias para agir, pois a instituição está passando porauditoria da Controladoria Geral da União (CGU),processo que, segundo sua experiência como advogado,não termina em menos de 30 a 45 dias.Em todo o Ministério, Mendes disse esperar encontraruma equipe de qualidade extraordinária e quetem pedido aos técnicos que tenham muita paciência,por sua necessidade de aprender, de ouvir. “Eu sei noque posso ajudar, quero ser um facilitador naquilo queo Ministério precisa para desenvolver seu trabalho emfavor da agricultura brasileira.”Tanto em seu discurso de posse como na coletiva,Mendes destacou o trabalho da Empresa Brasileira dePesquisa Agropecuária (Embrapa) e disse que é fundamentalque ela tenha 100% de seu orçamento. “Acho a Embrapafundamental. Vou conversar com o presidente da Embrapa eas prioridades da empresa serão minhas prioridades.”PrioridadesO novo ministro destacou várias prioridades para asua gestão. O seguro agrícola – e a garantia de recursospara ele – é uma delas. Outra é a defesa sanitária. Tambémdisse que o contato com o setor, por intermédio dascâmaras setoriais, é outra prioridade. “Tenho de priorizara questão que diz respeito ao endividamento. Tenho degarantir dinheiro para a safra. Mas preciso cuidar, de cer-SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


20ECONOMIA E NEGÓCIOSSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


21A reciclagem deum lixo virtuosoPOR FATIMA LOPESA Embrapa aposta firme no manejo sustentável do agronegócio. Incentivando a produçãode adubos a partir de resíduos da indústria, do campo e da cidade, mata dois coelhos com umacajadada só: produzir compostos orgânicos para adubação a partir de lixo já existentee liberar o meio ambiente de resíduos degradantes.AGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


22ECONOMIA E NEGÓCIOSAs áreas urbanas brasileiras geramanualmente cerca de 90 milhões detoneladas de resíduos sólidos. No anopassado, as usinas de açúcar e álcoolproduziram 20 milhões de toneladasdo resíduo chamado torta de filtro, 270bilhões de litros de vinhaça (10 litrospara cada litro de etanol produzido) e100 milhões de toneladas de bagaço(15% da cana processada). Na indústriade cítricos, o bagaço da laranja correspondea 45% em massa dos mais de14 milhões de laranjas processadas emSão Paulo. E da suinocultura sobram30 milhões de toneladas de resíduossólidos e mais de 10 bilhões de resíduoslíquidos anualmente.Parte desse lixo todo é usada naprodução de energia, como o bagaçode cana. Mas a imensa maioria é descartadapura e simplesmente, muitasvezes com grande impacto ambiental.É justamente esse cenário que movea Embrapa Instrumentação a focaresforços num amplo projeto parauso sustentável de resíduos agrícolas,agroindustriais e urbanos. “Não é difícilperceber que se tem um desafioimportante pela frente para evitar osimpactos negativos do descarte inadequadodesses materiais e, mais doque isso, gerar alternativas, inéditasou não, mas com benefícios econômicos,sociais e ambientais”, explicao professor-doutor Ladislau MartinNeto, coordenador do LaboratórioVirtual da Embrapa (Labex) nos EstadosUnidos.Dentro do esforço da Embrapaestá a produção de trabalhos voltadospara esse objetivo. Um deles, recentementepublicado, é a dissertação demestrado da aluna Lívia Favoretto,do Instituto de Química de São Carlos,“Compostos orgânicos de origemagroindustrial e urbana aplicados àprodução vegetal e fertilidade do solo”.O objetivo de Lívia foi avaliar a influênciade diferentes compostos orgânicosna produção de uma planta medicinalchamada Ocimum selloi, o famosoatroveran, em comparação com fertilizantesminerais.Orientador do trabalho, o professorMartin Neto lembra que a compostagemorgânica é processo antigo, queacabou sendo esquecida nos últimosanos graças às facilidades e ao custodos adubos minerais. O assunto, noentanto, está na pauta do dia, com aspreocupações ambientais e a questãocada dia mais presente do descarteSomente investimentos continuados eempenho para manter e melhorar a qualidadede nossas pesquisas e gerações de inovaçõesde impacto permitirão ao Brasil avançar comsegurança, pois cada vez mais se acirrará acompetição internacional como um todo e asexigências dos consumidores.consciente de resíduos. Mas as plantastambém agradecem.“Com a compostagem, em vez douso do resíduo orgânico sem qualquertratamento, você entrega para o solo epara as plantas um produto com graumais avançado de estabilidade químicae que proporciona benefícios inequívocos,como aumento da fertilidade dosolo, ajuda na agregação das partículasdo uso, reduzindo processos de erosão,por exemplo, e auxílio na microbiologiado solo, com estímulo ao desenvolvimentode micro-organismos benéficos.Em algumas situações pode aumentar oconteúdo de matéria orgânica do solo, oque para solos tropicais é extremamenteimportante, dado os baixos valores,menores que 2% em geral, naturalmentepresentes. Quando se fala especificamenteem agricultura orgânica podehaver importante impacto econômicopositivo com o uso do composto, vistoque se paga prêmio pelo produto de origemorgânica”, enumera o professor.Segundo as conclusões de LíviaFavoretto, ficou constatada a viabilidadedo uso de compostos orgânicoscomo alternativa ao uso de fertilizantesminerais, “contudo, o manejo e asimplicações na nutrição de plantas e aplena produtividade das culturas aindarepresenta desafio importante para aspesquisas”.Para o professor Ladislau MartinNeto, as dificuldades no uso da tecnologiacompreendem vários fatoreshoje: a disponibilidade de material dequalidade e a preços competitivos nomercado; a motivação dos produtoresrurais para substituir a adubação mi-SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


23Labex Estados Unidos: o posto avançado virtual daEmbrapa dentro do USDAA iniciativa é antiga, remonta a 1998: implantar“laboratórios virtuais” da Embrapa no Exterior, buscandodesenvolver pesquisas avançadas, com equipesexperientes e de alto nível científico, com gentede todo o mundo, e fazer o que o pessoal de lá chamade prospecção tecnológica, procurando antecipartendências.E por que virtual? “Porque não se propôs [a Embrapa]a construir seus próprios laboratórios, masusar em pesquisas, em cooperação, as instalaçõesde instituições parceiras norte-americanas, como doDepartamento de Agricultura dos Estados Unidos(USDA), por intermédio do Serviço de Pesquisa Agrícola(ARS), considerado um dos melhores institutosde pesquisa agrícola do mundo; do Serviço Florestal(FS); e das universidades norte-americanas com pesquisasagrícolas. Outras questões diferenciais do Labex,desde o início, foram: trabalho com áreas estratégicasdefinidas em seu planejamento estratégico eaprovadas pela alta direção da Embrapa; esforço paraatrair pesquisadores de alto nível da instituição, comum processo competitivo de seleção interna abertopara todos os pesquisadores elegíveis do país e períodomínimo de dois anos no Exterior; e optar porpesquisas na fronteira do conhecimento, visando antecipartendências e agilizar processos de incorporaçãode tecnologias avançadas e competitivas”, diz oatual coordenador do Labex EUA, professor LadislauMartin Neto, o quinto desde sua criação.Atualmente, as áreas prioritárias do Labex EUAsão: recursos genéticos, mudanças climáticas globais,sanidade animal, biotecnologia vegetal e novoscompostos bioativos da biodiversidade, segundo seucoordenador. Além destas, a Embrapa conseguiu implantarem 2011 o que Martin Neto chama de LabexInvertido – trazer pesquisadores de outros paísespara o Brasil.Segundo ele, dois profissionais do USDA já iniciaramseus trabalhos nas unidades da Embrapa deSão Carlos (Instrumentação) e de Campinas (Monitoramentopor Satélite). “Os temas das pesquisassão novos materiais e nanotecnologia, em São Carlos,e mudanças climáticas e florestas, em Campinas,o que deve trazer sinergia adicional ao programaLabex EUA. Nos Estados Unidos, por sua vez, implantamosem 2011 o primeiro cluster de pesquisadoresda Embrapa vinculados ao Programa Labex, em recursosgenéticos vegetais e animais, no ARS em FortCollins, no Colorado, com oito pesquisadores atuandode forma integrada sob a coordenação de umpesquisador-líder do Labex EUA, o cientista AlfredoAlves”, informa.A expectativa, de acordo com o coordenador, éa ampliação das atividades e resultados de impactosem área estratégica e trabalhar com agendas de médioe longo prazos na cooperação internacional. “Entendoque existem muitas oportunidades e devemosatualizar nossas estratégias de cooperação mundial,pois, felizmente, ganhamos respeito internacionalem nossas pesquisas e, sem dúvida, nos tornamostambém referência em pesquisa agrícola, especialmentenos trópicos”, diz.Além do Labex EUA, a Embrapa possui laboratóriosvirtuais na Europa, Ásia, África e Américas.“Com a compostagem, em vez do uso do resíduo orgânicosem qualquer tratamento, você entrega para o solo e para asplantas um produto com grau mais avançado de estabilidadequímica e que proporciona benefícios inequívocos, comoaumento da fertilidade do solo.”Ladislau Martin Neto, coordenador do Laboratório Virtual da Embrapa (Labex) nos Estados UnidosAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


24ECONOMIA E NEGÓCIOSneral e/ou para estruturar seu própriosistema de produção de composto,pois é um processo relativamente simples;a mudança de cultura para incorporarprocessos mais sustentáveis naspropriedades; e a existência de suficienteinformação e dados científicose técnicos atualizados para apoiar osprodutores com a mudança de práticasde adubação, o que a Embrapa tambémvem buscando com seus projetos.Martin Neto, no entanto, consideraque o caminho é por aí mesmo, comas pesquisas com compostos orgânicosseguindo na direção da “sustentabilidadegeral do agronegócio, reduzindoimpacto de resíduos anteriormentedescartados no ambiente, minimizandocustos de produção pela substituiçãode parte da adubação mineral eainda propiciando produtos agrícolasde melhor qualidade nutricional parasaúde dos consumidores”.O professor lembra que não setrata de uma substituição de produtos,uma vez que o cenário mais provável éde coexistência de diferentes processosde adubação, baseados em minerais,em compostos orgânicos e num mixdos dois: os organo-minerais. “O totalpredomínio do mineral que atualmenteexiste poderá ser reduzido”, acredita.Além da questão da cultura parauso dos produtos orgânicos, MartinNeto lembra que existem limitaçõesditadas pelos aspectos de logística emesmo o estabelecimento de umanova indústria de adubo. “É um grandedesafio, mas também uma importanteoportunidade. No cenário atual imaginosoluções regionais e locais, devidoa custos de transportes e das característicasdos compostos orgânicos.Em algumas agroindústrias isto vemacontecendo em escala maior do quese imagina como é o caso da produçãode cana com uso de resíduos das usinasde cana na própria agroindústria(produção de energia elétrica) ou nocampo (substituição de adubação mineral).Com resíduos de suínos e aves,outro projeto da Embrapa chamadoRede FertBrasil, liderado pelo pesquisadorVinicius Benites, da EmbrapaSolos, disponibilizou tecnologia para oestabelecimento de uma indústria-pilotode adubos organo-minerais pele-SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


25tizados, em Goiás. Lógico que é muitodistante de substituir completamenteo adubo mineral, o que entendo tambémnão ser o caso, mas são inovaçõesde potencial impacto”, conclui.Desafio para mais de metroConseguir um agronegócio ambientale economicamente sustentável,na verdade, é talvez a grande meta dentrea montanha de desafios que o setorvem enfrentando. Para o coordenadordo Labex, isso pode ser visto de outraforma. “O agronegócio brasileiro é umceleiro de oportunidades para o Brasil,em diferentes áreas”, afirma. Comoexemplos cita a “tão demandada” produçãode alimentos, a segurança alimentar,para consumo interno – “comdemanda crescente em função da melhoriada situação econômica do País”– e para exportação, diz, lembrandoque as estimativas de especialistas sãode crescimento significativo da populaçãomundial, que deve bater os 9 bilhõesem 2050. Gente que precisa comer.A produção de biocombustíveis éoutro ponto desse contexto.Segundo Martin Neto, a produçãoagropecuária também precisa focar esseponto, “em um cenário demandante poralternativas sustentáveis e para assegurarnossa segurança energética e aindase tornar [o País] exportador e importanteplayer em energia renovável”, afirma.E ainda produzir para novas aplicações,como as exigências de produtosde origem agrícola ou natural para usona área de produtos químicos renováveis,fármacos, plástico biodegradável eoutros na mesma linha.A iniciativa de implantar “laboratóriosvirtuais” da Embrapa no Exterior é antiga.Ela busca desenvolver pesquisas avançadas,com equipes experientes e de alto nívelcientífico, com pessoas do mundo inteiroe fazer o que alguns cientistas chamamde prospecção tecnológica, procurandoantecipar tendências.“Manter e avançar esta agenda deprodução agrícola é um desafio formidávelque o Brasil tem”, assegura MartinNeto. Para dar a dimensão do problema,ele lembra que isso ainda vemtemperado com as velhas questões delogística para escoamento de safrase custos dos transportes. E as novasquestões relativas a possíveis impactosna produção a partir das mudançasclimáticas que, para ele, passam necessariamentepelas pesquisas em vulnerabilidade,adaptação e mitigação dossistemas produtivos.“Vai desde trabalhar com cenáriosde aumento de temperatura ecomo pode ser alterada a produção dedeterminada cultura em uma regiãoou localidade do País, até como anteciparcenários e gerar variedades deplantas adaptadas às novas condiçõesclimáticas, com uso de biotecnologiaavançada e melhoramento genéticoclássico, passando por uso preciso denutrientes e defensivos [agricultura deprecisão], com redução de impactosambientais dos sistemas de produção,e ainda monitorando e reduzindo asemissões de gases do efeito estufa e/ou sequestrando carbono, nas plantas[florestas plantadas] ou no solo, pelosmanejos conservacionistas, comoplantio direto, integração lavoura-pecuária-silvicultura,agricultura orgânicae outros, a chamada agriculturade baixo carbono”, enumera o professor,agrupando o que chama de novoscomponentes e complicações em uma“indústria a céu aberto inerentementecomplexa”.Mas a coisa não é tão cinza quantoparece ao primeiro olhar. Para LadislauMartin Neto, mesmo com essa montanhade desafios, o Brasil ainda tem umbom número de cartas na manga. Paraele, o País tem vantagens comparativassignificativas e, com planejamento,gestão eficiente e integração sinérgicados diferentes segmentos da agricultura,há muito por onde avançar e muitoa conquistar. “Somente investimentoscontinuados e empenho para mantere melhorar a qualidade de nossas pesquisase gerações de inovações de impactopermitirão ao Brasil avançar comsegurança, pois cada vez mais se acirraráa competição internacional comoum todo e as exigências dos consumidores”,conclui.NEILA BALDI É JORNALISTA.AGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


26ESTRATÉGIAComo utilizar o Índice deCommodities BrasilÍndice diário reflete o comportamento dos preços das commodities negociadas na BolsaDesde 1º de agosto de 2008, a BM&FBOVESPAdivulga a cotação do Índice de Commodities Brasil(ICB). É um índice diário, cotado em pontos, que refleteo comportamento dos preços das commoditiesnegociadas na Bolsa.Pretende-se que o ICB sirva como referência(benchmark), para que fundos de investimento, tesourarias,administradores de carteira e outros investidorespossam avaliar o desempenho de seus negócioscom commodities e compará-los ao de outrosativos ou aplicações financeiras.Diversos estudos mostram os benefícios da diversificaçãodos ativos na carteira de investimento, poispermite a redução de riscos sem afetar o retorno totaldo portfólio. Do ponto de vista conceitual, todo índicetem por objetivo refletir o comportamento dospreços de um conjunto de ativos: ações, commoditiesou títulos.Inédito, o ICB é o primeiro índice que retrata asvariações dos preços futuros e a importância relativadas commodities na matriz produtiva brasileira. Éimportante que o índice reflita não só o comportamentodos preços futuros, mas também sirva comoreferência ou sinalização do mercado a vista. Paratal propósito, o ICB baseia-se nos preços futuros do1º vencimento em aberto, que pode ser consideradouma aproximação do preço a vista. A diferença entreos preços a vista e futuro é o custo de carregamentoda commodity. Os demais vencimentos futurostambém refletem o custo de carregamento, mas paraum período de tempo maior, de modo que os futurosmais longos incorporam o custo de oportunidade docapital e as questões sazonais (safra e entressafra).O ponto de partida do ICB é o dia 2 de janeiro de2004, data em que o índice foi calibrado em 10.000pontos. Poderá compor o ICB qualquer commodity– produto agrícola, pecuário ou florestal, metaisou energia – que tenha um contrato futuro naBM&FBOVESPA, na qual são negociadas açúcarcristal, boi gordo, café arábica, etanol anidro, etanolSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


27hidratado milho, ouro e soja, e minicontratos futurosde boi gordo, café arábica e ouro. Entretanto, nem todasessas mercadorias fazem parte do ICB, da mesmaforma que é diferente o peso de cada uma delasna composição do índice. O ICB é um índice a vista,pois é formado sempre pelo preço de ajuste do primeirovencimento em aberto.Os preços dos produtos negociados em dólaressão convertidos em reais pela taxa de câmbio referencialBM&FBOVESPA. Diariamente, são calculadosos retornos do preço de ajuste das commodities, ouseja, a variação do preço em relação ao pregão anterior.Em seguida, os retornos são ponderados pelaparticipação de cada commodity no índice para calcularo retorno global no dia, que é adicionado aofechamento do ICB no dia anterior para se chegar àpontuação do índice no dia.O ICB tem ponderação fixa 1 por quatro meses,com revisão no primeiro dia útil dos meses de janeiro,maio e setembro. A ponderação leva em conta doisaspectos: a relevância econômica (peso de 1/3) e aliquidez (peso de 2/3). A primeira é dada pelo cálculoda participação da commodity no valor total daprodução nacional das mercadorias negociadas naBolsa. A relevância em termos de liquidez é medidapelo volume financeiro (em dólares) dos contratosnegociados de cada mercadoria em relação ao total.A metodologia de dar peso de 1/3 para o valor deprodução e de 2/3 para a liquidez é a mesma utilizadano índice desenvolvido pela Goldman Sachs (S&PGSCI Commodity Index). 1/3 do peso do ICB advémda relevância econômica, assim obtida: anualmente, écalculado o valor financeiro, em dólares, da produçãonos últimos cinco anos de café, soja, boi gordo e deoutros produtos que estiverem no índice. Em seguida,calcula-se a média nos cinco anos do valor da produçãode cada mercadoria, o valor total da produçãodo conjunto de produtos do ICB e a participação percentualde cada mercadoria nesse valo total.A participação relativa de cada mercadoria apuradano primeiro dia útil do ano permanece fixa porum ano inteiro, até ser alterada por novo recálculo naponderação que vigorará no primeiro dia útil do anoseguinte. O valor da produção é calculado a partir dedados de produção – estimativas levantadas por fontespúblicas ou privadas e divulgadas pela Bolsa.1No caso de uma commodity ser descontinuada, a ponderação será redistribuída e permanecerá até a próxima ponderação.AGOSTO 2011SÍNTESE AGROPECUÁRIA


ESTRATÉGIA28Dois terços do ICB são dados pela liquidez doscontratos negociados na BM&FBOVESPA. Entende--se por liquidez o volume financeiro (quantidade decontratos vezes o preço), em dólares, dos contratosnegociados de cada mercadoria nos últimos meses.Nas reponderações de maio e setembro, o ICB éimpactado pela mudança na ponderação da liquidezrelativa dos produtos (2/3 do índice), enquanto narevisão de janeiro são alterados ambos os componentesdo índice, o fator de relevância econômica e de liquidez.A tabela a seguir mostra a ponderação atualdo ICB, válida até 29 de dezembro de 2011. Em 2 dejaneiro de 2012, a ponderação será revista por contada mudança do fator liquidez.O ICB é um índice a vista, pois é formado pelopreço do primeiro vencimento em aberto. No entanto,como os vencimentos futuros expiram, há necessidadede promover a rolagem do índice, ou seja,a substituição do primeiro vencimento (encerrado)pelo seguinte, que passa a ser o futuro com a primeiraentrega. A rolagem do ICB é mensal, ocorrendo entreo 8º e o 12º dia útil, porém nem todos os produtostêm rolagem mensal, cada produto seguirá o seu calendáriode negociação. O contrato de boi gordo possuivencimentos mensais, por isso a rolagem ocorretodo mês; os demais têm rolagem sempre que estiverempróximos do início do período de entrega. Ocafé tem cinco vencimentos por ano – março, maio,julho, setembro e dezembro. Dessa forma, se hoje for1º de agosto e – dado o objetivo de se ter uma proxydo preço a vista – o chamado primeiro vencimentoserá setembro. Como os contratos futuros expiram, apartir de determinado momento a liquidez começa aminguar, até a época do aviso de entrega. Para fazeruma rolagem “mais suave” ou gradual, a metodologiaestabelece que esta seja feita durante cinco dias,a uma taxa de 20% ao dia. E nos produtos que preveementrega física, antes de iniciar tal período. Assim,no 1º dia de rolagem (8º dia útil do mês), o preço écomposto por 100% do preço do 1º vencimento. Nosegundo dia de rolagem (9º dia útil do mês), o preçoque fará parte do ICB será resultado da ponderaçãode 80% do preço do 1º vencimento e 20% do preço do2º vencimento, e assim sucessivamente – 60%/40%,40%/60% e 20%/80% (no 12 º dia útil) até chegar a100% do preço do segundo vencimento 2 .Observa-se que, no período de rolagem, o preçoque faz parte no índice é constituído por um mix dosdois vencimentos. Portanto, a rolagem é feita sempreque um contrato for expirar, sendo que cada um temseus respectivos meses de rolagem.O ICB é calculado a partir das posições futurasdos contratos da BM&FBOVESPA e tem uma basetransparente e fácil de ser recriada por fundos de investimentose outros players interessados no seu monitoramento.A característica de replicabilidade pormeio da modelagem do índice é fundamental para suautilização pelos participantes de mercado.Além dos critérios de ponderação (relevância econômicae liquidez) e rolagem, o ICB tem regras auxiliarespara determinar se uma mercadoria deve ou nãoparticipar dele. Para entrar no cálculo do índice, a commoditydeve atender, pelo menos, a dois de três critérios:a) ter sido negociada em mais de 80% dos pregões;b) responder por volume financeiro, em dólares,superior a 1% do volume financeiro total do período,isto é, nos últimos doze meses; e c) apresentar um índicede negociabilidade 3 , no mesmo período, superiora 1%. Com o lançamento do ICB, a BM&FBOVESPAespera atender à demanda de participantes do mercado,nacionais e estrangeiros, interessados em alavancarnegócios baseados nas commodities brasileiras.Para informações sobre o histórico do ICB (índicediário e reponderação), clique aqui.2Critério também utilizado pelo índice GSCI, da Goldman Sachs.3O índice de negociabilidade é a relação entre o número de negócios e o volume financeiro de cada commodity, ajustado ao tamanho do mercado.SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


Seja nosso parceiro!Conte com a experiência da equipe de profissionais da Votorantim Corretora.Solidez, Confiança, Transparência e Agilidade, são valores que aliados aos do Banco Votorantim permitem à suaempresa trabalhar de forma mais segura com o dia a dia das suas operações.Para isso, oferecemos aos nossos clientes um serviço exclusivo de calls diários, relatórios, análises e projeções, quepermitem manter-lhes informados e mitigar os riscos das oscilações nos seguintes mercados:Futuro de moedas (USD/EUR/AUD/MXN/GBP/JYP);Opções de moedas e commodities;Boi Gordo;Café;Milho;Soja;Etanol;Ouro.A Votorantim Corretora é certificada pelo “PQO - Programa de Qualificação Operacional” da BM&FBOVESPA.Usufrua das melhores práticas das operações de hedge e minimize os riscos da sua empresa.Entre em contato e agende uma visita: cor-empresas@votorantimcorretora.com.br ou 5511 5171 5001.• Sac: 0800 728 0083, Deficientes Auditivos e de Fala 0800 701 8661 - 24 horas por dia, 7 dias por semana, ou e-mail sac@bancovotorantim.com.br.• Ouvidoria: 0800 707 0083, Deficientes Auditivos e de Fala 0800 701 8661 de 2ª a 6ª feira - 9h às 18h.


30AÇÚCAR E ETANOLMERCADOSNova estimativa reduz números dasafra 2011/12Safra de cana avança e ultrapassa 63% da moagem estimadaSegundo relatório divulgadopela União da Indústria da Cana-de--Açúcar (Unica) em 12 de setembro,o volume de cana-de-açúcar processadopelas unidades produtorasda região Centro-Sul atingiram, até1° de setembro, 338,14 milhões detoneladas. Esse volume representa63,4% do total da safra estimada de533,5 milhões de toneladas.Deste total, 47,7% foi destinadoà produção de açúcar e 52,3% à produçãode etanol. Com isso, já foramproduzidos 20,3 milhões de toneladasde açúcar, 9,4% abaixo do mesmoperíodo de 2010; 5,2 bilhões delitros de etanol anidro; e 8,5 bilhõesde litros de etanol hidratado.De acordo com dados preliminaresda balança comercial de agostode 2011, divulgada pela Secretariade Comércio Exterior (Secex), asexportações de açúcar em bruto aumentaram16,5% frente ao mês anterior,passando de 2,29 milhão de toneladaspara 2,67 milhão, totalizandoreceita de US$1,5 bilhão. Mesmocom o câmbio desfavorável, o preçomédio dos embarques foi um dosatrativos para o aumento das exportações,visto que a média de agostofoi 1,8% superior à média de maiode 2011 (início da safra), atingindoUS$564,91/tonelada. Já o açúcarrefinado reduziu os embarques emrelação ao mês anterior, concluindocom receita de US$438,1 milhões,decorrente das 632 mil toneladasembarcadas.Em julho, o volume exportadode etanol aumentou mais de 50 milhõesde litros, se comparado ao mêsanterior. Foram embarcados 298milhões de litros, gerando receitade US$214,9 milhões. Porém, noSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


3114,00012,00010,0008,0006,0004,0002,0000mai-10jun-1014,00012,00010,0008,0006,000acumulado janeiro-agosto, 2011 estábem abaixo de anos anteriores, com1,09 bilhão de litros embarcados,menor número desde 2003 para operíodo.Ainda que com o avanço da safraultrapassando os 60% e proporcionandoaumento pontual da oferta deetanol, as distribuidoras têm diminuídosuas compras nas usinas, poisobservou-se redução nas vendas aoconsumidor final.Nas primeiras semanas de setembro,houve breve recuo dospreços, mas os indicadores de preçosdos etanóis seguem em alta. Oindicador Cepea/Esalq do anidro(estado de São Paulo) foi cotadoa R$1,2205/litro, permanecendoestável em relação à semana anteriore, no período de um mês, tevealta de 5,9%. O indicador diário doetanol hidratado Esalq/BM7FBO-VESPA – Paulínia, o qual é utilizadopara liquidação do contrato futuro,encerrou cotado, em 13 de setembro,a R$1.255,00/m3, alta de 4%em um mês.Segundo dados da ANP (AgênciaNacional do Petróleo, Gás Naturale Biocombustíveis), o etanol,desde a segunda semana de setembro,perdeu a competitividade emrelação à gasolina C. Considerando-seo patamar de preço do etanolequivalente a até 70% do preço dagasolina, apenas em Goiás e MatoGrosso o etanol esteve vantajosono período de 4 a 10 de setembro.Essa perda de competitividade éconsiderada normal apenas no finalda safra, em meados de dezembro,porém a queda da produtividade dasafra atual fez com que esse eventofosse antecipado. Em São Paulo,a relação média entre os preços aoconsumidor do etanol e da gasolinaC chegou a 70,9%, o que significaque, para quem possui veículo flex,compensa utilizar a gasolina.Para conter a alta dos preços docombustível e minimizar a reduçãoda oferta durante a entressafra, ogoverno brasileiro decidiu reduzirde 25% para 20% a mistura de etanolanidro à gasolina a partir de 1°de outubro, em meio a uma ofertaapertada do biocombustível no País.Com as perspectivas de que a safrado ano que vem não sofra grandesalterações, essa medida vigorará portempo indeterminado.Na BM&FBOVESPA, o contratode etanol hidratado com liquidaçãofinanceira negociou 8.701contratos em agosto, crescimentode 20,4% em relação ao mês anteriorcom 7.226 contratos. Do totalde agosto, foram negociados 345contratos de opção sobre futuro. Noacumulado do ano, já soma 68.951contratos negociados, sendo 57.328de futuros e 11.623 de opções. Essenúmero representa 4,4% do total negociadono mercado de commoditiesda Bolsa.Em relação ao total de contratosem aberto, esse contrato encerrouagosto com 8.272 contratos,sendo 6.256 contratos futuros e2.016 contratos de opções. Já em14 de setembro, esse número já haviacrescido 20% com 9.952 contratosem aberto.Preço médio de algodão em brutoexportadojul-10ago-10set-10out-10nov-10Gráfico 1 -­‐ Contratos negociados de etanol hidratado por mês Opçõesdez-10jan-11fev-11Futurosmar-11abr-11mai-11jun-11jul-11ago-11Fonte: Secex/MDICAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


32ALGODÃOMERCADOSCom safra recorde, Brasil se consolidacomo 4° maior produtorPreço médio dos embarques foi um dos atrativos para o aumento das exportaçõesEm pouco mais de um mês, ascotações da pluma no mercado internoalternaram entre baixa e alta.Entre o final de julho e a primeirasemana de agosto, com 11 dias úteisseguidos de reajustes positivos, acumularamvalorização de 24,2%. Porém,o interesse de venda passou aprevalecer, num momento em quecompradores se afastaram. Com isso,seguiram-se oito dias úteis de variaçõesnegativas, de 5 a 16 de agosto,acumulando queda de 11,1%.No acumulado de agosto, o IndicadorCepea/Esalq com pagamentoem 8 dias teve ligeira queda de0,34%, com média de R$ 1,8117/lp,6,5% maior que a de julho de 2011.Diante dessas alternâncias, a volatilidadeobservada no mercado físicoteve média, em agosto, de 29,4%ao mês, ante 14,6% no mesmo períodode 2010. A volatilidade apresentadanesse mês teve como causasos aumentos tanto na demanda, porparte das indústrias, como na oferta,por parte dos produtores.Na primeira semana de agosto,a maior demanda impulsionou fortementeas cotações do algodão empluma no mercado brasileiro. Segundoo Cepea, a colheita e o beneficiamentoavançaram em ritmo maislento que em anos anteriores, e a entregade alguns contratos não estavasendo cumprida. Dado esse cenário,muitos compradores intensificaramas aquisições naquele período, receososde que os preços subissem aindamais.Do lado produtor, conforme acolheita e o beneficiamento avançavam,a prioridade era o cumprimentode contratos de exportação. Geralmente,a maior parte da pluma detipos finos é direcionada ao mercadoexterno. Vale lembrar que muitosprodutores ainda não estavam comSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


33números exatos sobre a produtividade,que deve ser menor que a prevista.Desse modo, o volume de plumadisponível para comercialização nomercado físico no início de agostofoi baixo e qualquer reação da demandainfluenciou as cotações.De acordo com dados preliminaresda balança comercial de agostode 2011, divulgada pela Secretariade Comércio Exterior (Secex), as exportaçõesde algodão em bruto aumentaram61,7% em relação ao mesmomês de 2010, passando de 72,7mil toneladas para 117,5 mil toneladas,totalizando receita de US$251,2milhões. Mesmo com o câmbiodesfavorável, o preço médio dos embarquesfoi um dos atrativos para oaumento das exportações, visto quea média de agosto de 2011 foi 31,7%superior à média de agosto de 2010,atingindo US$2.137,95/tonelada.Já os embarques totais de produtostêxteis (exceto algodão) reduziramem relação a 2010, concluindo comreceita de US$122 milhões.Em setembro, a Conab divulgouos resultados do 12º Levantamentode Avaliação de Safra 2010/2011e pouco alterou em comparação aorelatório de agosto. A safra recordede algodão em pluma foi revista para1,957 milhão de toneladas, acréscimode 0,2% em relação ao relatório anterior.Com isso o Brasil se consolidacomo 4º maior produtor de pluma domundo, contribuindo com 7,9% daprodução global, atrás apenas de China,Índia e Estados Unidos.Esse levantamento praticamentedefine a área plantada com algodãono País para a safra 2010/11 em1.400,3 mil hectares, 67,6% superiorà cultivada na safra anterior. Em valoresabsolutos representam 564,6mil hectares a mais. A alta no preço ea redução dos estoques mundiais sãofatores que justificam tal incremento.O relatório de oferta e demandado USDA (Departamento de Agriculturados Estados Unidos), divulgadoem 12 de setembro, confirmouessa redução nos estoques finais. Emrelação ao relatório de agosto, houvequeda de 1,4% nos estoques mundiais.Os estoques de Índia e Paquistãoreduziram 16,2% e 4,7%, respectivamente.A produção mundial permaneceuestável com apenas 0,2% de aumento(devido à estimativa de 3% decrescimento na safra da China). Asexportações recuaram 0,8%, assimcomo o número de importação queteve queda 0,7%.Cotações do mercado futuro de algodão na ICE (US$¢/lb)US$ FOB/tonelada2,8002,6002,4002,2002,0001,8001,6001,4001,2002009 2010 2011jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dezFonte: Secex/MDICAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


34BOI GORDOMERCADOSEm ritmo lento, mercado físicoapresenta pequenas oscilaçõesMercado futuro de boi gordo atinge 724 mil contratos negociadosAinda que a oferta de animais estivesserelativamente baixa durante o mêsde agosto, a pressão exercida por compradoresacabou limitando as altas nospreços. Além das aquisições realizadasde forma antecipada, que preenchiamparte das escalas de muitos frigoríficos,o receio quanto às vendas no mercadoatacadista também influenciou o recuode compradores do mercado na maiorparte de agosto.Em média, as escalas atenderam de6 a 7 dias. Assim, a baixa oferta e o recuocomprador resultaram na lentidão dasnegociações no mercado pecuário.Outro fator que diminuiu o ritmode negócios foi a insegurança dos participantesdo mercado em relação aosefeitos da crise financeira internacionalsobre o setor. Em meio a diversas dúvidase especulações sobre os possíveisimpactos, a primeira reação de agentesfoi de se afastar do mercado físico.Em 31 de agosto, o indicadorde preços do boi gordo Esalq/BM&FBOVESPA (avista, CDI –São Paulo, com Funrural) fechou aR$100,05/arroba e acumulou queda de2,2% no mês. Quanto à carne no atacado,o preço do traseiro encerrou o mêsa R$7,80/kg, alta de 1,3% no mês. Opreço do dianteiro recuou 7,8% ao longode agosto, negociado a R$4,70/kg.O valor médio da ponta de agulha tevequeda de 5%, fechando o mês a R$4,75/kg. Com isso, o equivalente físico tevequeda de 2,2% em agosto e encerrou omês a R$92,92/arroba, 7,1% abaixo doindicador de preços do boi gordo calculadopelo Cepea.Assim, com o mercado desaquecido,os preços médios tiveram apenaspequenas oscilações em todos os segmentosda cadeia pecuária, da reposiçãoà carne no atacado. O número de negóciosde boi gordo e também de carne foipequeno.Segundo dados preliminares daSecretaria de Comércio Exterior (Secex),em agosto, os embarques de carnebovina in natura geraram receita deUS$347,4 milhões, alta de 9,9% emrelação ao mês anterior e totalizando65,9 mil toneladas de carne. O preçomédio da tonelada nesse mês foi deUS$5.273,60, maior valor no ano e altasde 4,7% em comparação a julho/11e 29,1% em relação ao mesmo períodode 2010.As exportações carne suína in na-SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


35tura de agosto, ao contrário do que eraesperado, mantiveram bom ritmo, comrecuo de apenas 3,8% em relação ao volumevendido no mesmo mês de 2010.Em comparação a julho deste ano, houvecrescimento de 9%. Após o prejuízocausado pelo embargo sanitário russodecretado em 2 de junho, o Brasil elevousuas exportações para outros mercados,principalmente Hong Kong e Ucrânia.Entretanto, essa abertura para novosmercados resultou em redução de 8%nos preços recebidos pelos exportadoresbrasileiros.As exportações de carne de frangoin natura aumentaram 14,9% em relaçãoao mês anterior, gerando receita deUS$590,5 milhões. As exportações brasileirasde couro totalizaram, em agostode 2011, US$191 milhões, incrementode 23,5% sobre igual período de 2010.Dados de abate dos frigoríficos cadastradosServiço de Inspeção Federal(SIF) pelo Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento confirmarama diminuição dos abates nacionais. Emagosto, o Ministério registrou queda de6,6% no número de animais abatidosem relação a agosto de 2010. O acumuladodo ano (janeiro-agosto) apontaqueda de 4,9%, com 14,1 milhões deanimais abatidos. Em agosto, o abate deaves recuou 9,2% com 387 milhões deunidades abatidas e o abate de suínosregistrou alta de 4,1% com 2,6 milhõesde cabeças.Na BM&FBOVESPA, o contratofuturo de boi gordo encerrou agostoem queda. Durante o mês, o vencimentoagosto/11 apresentou máximade R$104,01/arroba e mínima deR$100,20/arroba (no último dia domês) e encerrou com queda de 4,1%. Osdemais vencimentos com posições emaberto apresentaram a mesma disposiçãoencerraram o mês em baixa. O vencimentooutubro/11, mês com maiorliquidez, encerrou a R$104,22/arroba(-4,4%).Em agosto, foram negociados124.299 contratos futuros e de opçõesde boi gordo na Bolsa, recuo de 11,4%em relação ao mesmo mês de 2010,contudo esse é o segundo maior volumeregistrado no ano. Desse total, 107.413foram contratos futuros e 16.886 contratosde opção. No acumulado do ano,o mercado de boi já totaliza 724.983contratos negociados, 3,2% superiorao mesmo período de 2010. Com isso,o mercado de boi gordo foi responsávelpor 45,8% do total do mercado de commoditiesno acumulado de 2011. EmGráfico 1 – Indicador de preços do boi gordo Cepea/BM&FBOVESPA (em R$/arroba)1081061041021009896jan-11jan-11jan-11jan-11jan-11fev-11fev-11fev-11fev-11mar-11mar-11mar-11mar-11abr-11abr-11abr-11abr-11mai-11mai-11mai-11mai-11mai-11jun-11jun-11jun-11jun-11jul-11jul-11jul-11jul-11ago-11ago-11ago-11ago-11ago-11set-11set-11Gráfico 2 – Exportações de carne bovina in natura noacumulado janeiro-agostomil toneladas1,0009008007006005004003002001000388577783780volume financeiro (futuros + opções),o mercado de boi gordo movimentouR$21,2 bilhões, crescimento de 30%em comparação ao mesmo período de2010.Em relação ao total de posições emaberto, o mercado de boi gordo, se comparadoao mês anterior, permaneceuestável. No mercado futuro, as posiçõesem aberto recuaram 7,4%, para 17.527 eno mercado de opções aumentou 4,8%,para 31.262 posições em aberto.9072003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011712610684536AGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


36CAFÉMERCADOSExportações brasileiras de café estãoem elevaçãoPreços futuros sobem na Bolsa e acumulam ganho de 19% em agostoApós algumas semanas de contraçãode preços em função da deterioraçãodo cenário internacional coma crise dos Estados Unidos e agravamentono gerenciamento da crise daUnião Europeia, o mercado voltou areagir. Os fundamentos indicam ofertade grãos restrita em relação à demandae, além disso, notícias relativasa baixas temperaturas nas principaisregiões produtoras do País e, ainda,levando-se em consideração que, nesteano, o Brasil estará colhendo umasafra curta (de bienalidade negativa)serviram de base para a atual oscilaçãopositiva dos preços. Comenta-seque o saldo da safra vietnamita praticamentese esgotou e que o início dapróxima colheita somente ocorreráem novembro.Daqui a quatro meses o invernocomeçará nos países do HemisférioNorte, época em que o consumo dogrão aumenta. Na bolsa de Nova York,os contratos com vencimentos para setembrode 2011 obtiveram ganho de20% em agosto. Na BM&FBOVESPA,os preços futuros de café também apresentaramganho expressivo, com altade 19% para os vencimentos setembro/11e dezembro/11 e recuperaçãode 15% para setembro/12. O primeirovencimento (setembro/11) obteve namédia, em agosto, volatilidade anualizadade 17,17% ante 12,27%, em julho.Segundo levantamento da CompanhiaNacional de Abastecimento(Conab), divulgado em 9 de setembro,a produção brasileira de café para a safra2010/11 está estimada em 43 milhõesde toneladas, contemplando asexpectativas do mercado.As exportações de café verde emagosto atingiram 2,59 milhões de toneladas,com aumento de 44% em relaçãoa julho. No acumulado do ano, o Brasiljá exportou 19,2 milhões de sacas ante17,5 milhões de sacas exportadas noacumulado 2010 (+10%). Já a receitatotal nos primeiros oito meses do anoatingiu US$5,3 bilhões, crescimentode 71% em relação a 2010. O café é oquinto item de maior importância napauta de exportação do agronegócioSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


37brasileiro, contribuindo com 8,7% detodas as receitas externas, o que representaentradas da ordem de US$4,5 bilhõessomente no primeiro semestre de2011. A elevação dos preços das commodities,nos últimos meses, foi outrofator que contribuiu para a elevação dasreceitas. A perspectiva é que a demandapor café no mundo e no mercado domésticocontinue em crescimento.Na BM&FBOVESPA, o númerode contratos negociados em agostoalcançou 47,6 mil contratos ou 4,7milhões de sacas, com aumento de32,6% sobre o mês anterior e recuo de44,8% sobre 2010. O volume financeiroatingiu R$2,5 bilhões, com elevaçãode 38% sobre 2010 e queda de 16,7%contra julho de 2011.O maior número de contratos negociadosde opções foram de call compreço de exercício de US$250,00/sacae prêmios entre US$56,00 e US$68,00e de put com preço de exercício entreUS$280,00/saca e US$290,00/saca, eprêmios variando entre US$5,00/sacae US$37,00/saca.No mercado interno, os preçostambém subiram. Na região da Zonada Mata, a saca do café arábica bicadura tipo 6 fechou o mês cotado emUS$502,50, alta de 14% em relação aoinício de agosto.Os estoques continuam baixos.No primeiro pregão de setembro, ocafé alcançou US$¢290,85/lb, picorecente de alta na bolsa de Nova York.No Brasil, o preço futuro de café bateuUS$375,10/saca.A colheita da safra 2011/12 jáestá praticamente encerrada, atingindo96% da produção em 31 deagosto. O comprometimento da safra,segundo a consultoria Safras &Mercado, atinge 42% da safra ante41% no ano passado. As atençõesagora se voltam cada vez mais para asfloradas. A justificativa é simples: asfloradas brasileiras são os primeirosindícios para o potencial da próximasafra nacional, e o tamanho da próximasafra brasileira interfere diretamentesobre o andamento dos preços.Em seminário no Rio de Janeiro,um analista da Conab estimou a produçãobrasileira de 2012 dentro dointervalo entre 52,1 e 55,4 milhõesde sacas, dando início ao período deexpectativas e especulações em tornoda próxima safra nacional.Gráfico 1 – Cotações futuras de café na BM&FBOVESPA– US$/saca –390.00380.00370.00360.00350.00340.00330.00320.00310.00300.00290.00280.0001/08/11 08/08/11 15/08/11 22/08/11 29/08/11 05/09/11Venc. U11 Venc. Z11 Venc. U12Fonte: BM&FBOVESPAGráfico 2 – Cotações futuras de café na bolsa de Nova York– US$¢/lb –300.00290.00280.00270.00260.00250.00240.00230.008/1/11 8/8/11 8/15/11 8/22/11 8/29/11 9/5/11Venc. Set/11 Venc. Dez/11 Venc. Mar/12 Venc. Maio/12Fonte: Bolsa de Nova YorkAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


38MILHOMERCADOSPreços do milho permanecem firmesno mercado internoNos Estados Unidos, após relatório divulgado pelo USDA, o quadro de oferta e demandacontinua apertadoEm agosto, o número total de contratosnegociados atingiu 57 mil (1,54milhão de toneladas), com crescimentode 9,8% em relação ao mês anteriore 12,1% em comparação a agostode 2010. Destaque para o número deopções que cresceu quase o dobro emagosto em comparação com julho, com13,3 mil contratos de opções negociadas.Dentre os contratos de opções, osmais negociados foram os de venda(put) para vencimento março/12, compreço de exercício a R$22,00/saca eprêmio variando entre R$0,20/sacae R$0,30/saca. O volume financeiroatingiu a marca de R$597 milhões,com recuo de 2,8% em relação ao mêsanterior, porém 50% mais alto em relaçãoao ano passado.A média de contratos negociadosse manteve por volta de 2.592 contratosou 70 mil toneladas por dia. Oscontratos em aberto somaram 54 milcontratos em 31 de agosto, com aumentoda liquidez em 33,5% em relaçãoa julho passado.Em agosto, os preços futuros subiram7% para os contratos com vencimentoem setembro/11 e 6% para osde novembro/11 e janeiro/12. A cotaçãodo primeiro vencimento se situouacima de R$29,00/saca. O preço docontrato novembro/11 esteve em médiacotado a R$30,65/saca, e o vencimentojaneiro/12 registrou, na média,preços a R$31,13/saca.No mercado interno, os preçostambém subiram. Em Campinas, asaca de milho fechou agosto com altade 2%, cotada em R$31,35/saca. Jáos preços em Rio Verde (GO) e Rondonópolis(MT) subiram 8% e 15%,respectivamente, com a saca de milhocotada a R$24,50/saca e R$23,50/saca. Em Cascavel, os preços fecharamcom ligeira queda, com a saca cotadaem R$25,50/saca.A Companhia Nacional de Abastecimento(Conab) divulgou no iníciode setembro a previsão da produçãoda safrinha em 21,58 milhões de tone-SÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


39ladas, já contabilizando as perdas emMato Grosso, Paraná e Mato Grossodo Sul, devido às geadas que atingiramparte da produção. A oferta reduziu1,6% em relação à safra passada (21,93milhões de toneladas).A colheita do milho safrinha foiencerrada em Goiás e Mato Grosso.No Paraná e Mato Grosso do Sul, acolheita ainda está em andamento e aprevisão é de que os efeitos das geadasnão sejam tão drásticos. Em alguns estados,como no Mato Grosso, a vendaantecipada alcançava 66% nas primeirassemanas de agosto.No que tange às exportações, aoque tudo indica, agosto deverá ter umvolume exportado acima do registradono mesmo período do ano passado, emfunção do cumprimento dos contratosde venda da segunda safra, a qual umvolume considerável foi vendido antecipadamente.Entretanto, algunspaíses como a Ucrânia estão entrandono mercado exportador de milho bemmais competitivo que o Brasil, conformerelatos de alguns traders.No mercado externo, os preços noinício de agosto estiveram em alta e ascotações em Chicago voltaram a baterUS$7,00/bushel. Os principais fundamentospara a subida nos preços foramreforçados com a divulgação do relatóriodo Departamento de Agriculturados Estados unidos (USDA) no iníciode agosto, no qual previu consumomundial de 868,92 milhões de toneladasreferente à safra 2011/12, estandoacima da produção estimada de 860,5milhões de toneladas.Nos Estados Unidos, o relatórioindicou queda na produção de 14 milhõesde toneladas, e o estoque finalestimado ficou em 18,1 milhões ante22,09 milhões de toneladas previstasanteriormente, o que leva para umarelação estoque × consumo muitobaixa.O mercado de milho continuoudurante o mês com cotações acima dosUS$7,00/bushel, fundamentado peladesvalorização do dólar e, sobretudo,pelas condições das lavouras norte--americanas.Em 12 de setembro, o USDA divulgounovo relatório e reduziu em3,3% a produção norte-americana referenteà safra 2011/12 estimada agoraem 317,44 milhões de toneladas. Oconsumo também recuou 2,6% comprevisão de 282,21 milhões de toneladas.O estoque final nos Estados Unidosestá previsto para 17 milhões detoneladas, estando em patamar muitobaixo. A relação de estoque × consumocaiu de 6,3% para 6%.Gráfico 1 – Cotações futuras de milho na BM&FBOVESPA– R$/saca –33.0032.0031.0030.0029.0028.0027.0001/08/11 08/08/11 15/08/11 22/08/11 29/08/11 05/09/11800.00780.00760.00740.00720.00700.00680.00Venc. U11 Venc. X11 Venc. F12 Venc. H12Fonte: BM&FBOVESPAGráfico 2 – Cotações futuras de milho em Chicago– US$¢/bushel –660.008/1/11 8/8/11 8/15/11 8/22/11 8/29/11 9/5/11Venc. Set/11 Venc. Dez/11 Venc. Mar/12 Venc. Maio/12Fonte: Esalq/CepeaAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


40SOJAMERCADOSRelatório aponta alta na produtividadeda lavoura nos Estados UnidosNo mercado interno brasileiro, em agosto, os preços médios fecharam com cotaçõeselevadasNo fim da primeira quinzena deagosto, os contratos futuros de soja naBM&FBOVESPA, com vencimentosnovembro/11 e maio/12, voltaram asubir, acumulando no fim do mês ganhode 2%.Em 11 de agosto, o Departamentode Agricultura dos Estados Unidos(USDA) divulgou relatório de ofertae demanda considerado altista, ao indicara produção mundial para safra2011/12 em 257,47 milhões de toneladas,1,5% abaixo do relatório dejulho. Os estoques finais caíram para60,95 milhões de toneladas, estando11% abaixo da safra 2009/10. Destaforma, os dados divulgados serviramcomo suporte aos preços. A queda naprodução mundial esteve relacionadacom a redução da safra norte-americanaem função do clima seco e quenteque assolou as regiões produtorasdos Estados Unidos. Houve tambémredução da área plantada de soja estadunidense,que cedeu espaço para aprodução de milho.Em agosto, foram negociados naBM&FBOVESPA 14,5 mil contratosde soja, 392 mil toneladas. A médiadiária de contratos já atinge 660 contratospor dia (17,8 mil toneladas).Destaque para o número de contratosde opções, que triplicou em relaçãoao mês anterior, com 10 mil contratosnegociados. O maior número de contratosnegociados de opções refere-seàs de venda (put), com vencimentoem maio/12, preço de exercício deUS$23,00/saca e prêmios variandoentre US$0,25/saca e US$0,36/saca.Sobre a liquidez, no fim de agosto havia16 mil contratos em aberto de sojafinanceira.Considerando as expectativasde redução na oferta mundial frentea uma demanda aquecida, os fundamentosdo mercado sinalizavampara patamares de preços internacionaissustentados nesta temporada ena próxima. No mercado interno, ospreços médios recebidos fecharamagosto com cotações mais elevadasem relação a julho. Em Paranaguá,os preços subiram 7,8% em relação aSÍNTESE AGROPECUÁRIA AGOSTO 2011


41julho com a saca cotada a R$52,10 e,em Sorriso, a saca fechou em R$42,00(+10,5%).Em agosto, o Brasil exportou 3,6milhões de toneladas, volume umpouco abaixo de julho, porém 24%acima das exportações registradasno mesmo período em 2010 (2,9milhões toneladas). No acumulado,foram exportados 25,3 milhões detoneladas. Portanto, para que a projeçãode vendas de 34,85 milhõesde toneladas seja alcançada, os embarquesnos próximos cinco mesesprecisam alcançar 9,55 milhões detoneladas. A boa notícia para os exportadoresbrasileiros vem do menorvolume de vendas da safra nova dosEstados Unidos.Estima-se que até 12 de setembro,17% da produção prevista para apróxima safra já tenha sido comercializada,volume 31% maior do que emigual período em 2010, segundo a Conab.O preço de paridade de exportaçãopara os contratos de maio/12 porvolta de R$49,86/saca no porto tambémreflete o cenário de preços elevadospara a próxima temporada, que sesituam em patamares bem superioresaos praticados em maio de 2011.Em 12 de setembro, o USDAdivulgou relatório no qual indicouprodução norte-americana referenteà safra 2011/12 em 83,96 milhões detoneladas, acima da expectativa dosanalistas, que era de 82,32 milhõesde toneladas; e maior que a produçãoestimada em agosto de 83,17 milhõesde toneladas.A produtividade média norte--americana de soja projetada no ano--safra 2011/12 ficou em 46,85 sacaspor hectare contra 46,40 sacas dorelatório de agosto passado; e finalmentecontra 45,95 sacas conformeas expectativas dos traders e analistasde Chicago. Ou seja, quase todo omercado esperava redução da produtividademédia projetada e não seu incremento,como assinalou o relatóriodo USDA.O estoque final norte-americanopara a safra velha 2010/11 foi estimadoem 6,12 milhões de toneladas,considerado modestamente alto.Quanto ao estoque final de safra nova2011/12, o USDA projetou 4,49 milhõesde toneladas, acima da projeçãofeita em agosto de 4,22 milhões detoneladas e da expectativa do mercado,que esperava estoque de 4,14 milhõesde toneladas. Já as exportaçõestiverem um leve crescimento, 408,2mil toneladas, estimada em 38,51 milhõesde toneladas.Gráfico 1 – Cotações futuras da soja na BM&FBOVESPA– US$/saca –32.5032.0031.5031.0030.5030.0029.5001/08/11 08/08/11 15/08/11 22/08/11 29/08/11 05/09/1154.0052.0050.0048.0046.0044.0042.0040.0038.0036.00Venc. X11Venc. K12Gráfico 2 – Preço da soja no mercado físico– R$/saca –Fonte: BM&FBOVESPA34.0001/08/11 08/08/11 15/08/11 22/08/11 29/08/11 05/09/11ParanaguáSorrisoFonte: Safras & MercadosAGOSTO 2011 SÍNTESE AGROPECUÁRIA


COLOQUE NO ALGODÃO DOBRASIL O PESO DO SELO DEQUALIDADE DA MAIORBOLSA DA AMÉRICA LATINACERTIFICADO DEQUALIDADE+11 2565 4440+11 2565 4441dco@bvmf.com.br

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