Setembro de 2011 - Canal : O jornal da bioenergia

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Setembro de 2011 - Canal : O jornal da bioenergia

28 SegurançaProdução e uso debioeletricidade nas usinasexigem cumprimentorigoroso das normas deseguranças para evitaracidentes no ambiente detrabalho.Ismar Almeida/USJDenusa/divulgação24 MecanizaçãoMecanização da colheita dacana-de-açúcar avança emtecnologia e em área cultivada naRegião Centro-Sul, chegando a100% em muitas usinas.ABr/divulgação3 EntrevistaMarcos Jank, presidente daUNICA, fala sobre a perda decompetitividade do etanol frentea gasolina e o que é necessáriopara resgatá-la.12 IRRIGAÇÃOTécnicas de irrigação da cana,adotadas sobretudo em regiõesmais atingidas pela estiagem,podem aumentar aprodutividade em até 100%.Fotos: divulgação30 Mais brasilGoiandira do Couto e sua artesingular são homenageadascom a reedição da primeirareportagem do CANAL sobreessa brilhante artista goiana.canal, o Jornal da Bioenergia, é uma publicação da MAC Editora eJor na lis mo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41Diretor Executivo: César Rezende - diretor@canalbioenergia.com.brDiretora Editorial: Mirian Tomé DRT-GO-629 - editor@canalbioenergia.com.brGerente Administrativo: Patrícia Arruda - financeiro@canalbioenergia.com.brgERENTE de atendimento COMERCIAL: Beth Ramos - comercial@canalbioenergia.com.brExecutiva de atendimento COMERCIAL: Tatiane Mendonça - atendimento@canalbioenergia.com.brEditor: Evandro Bittencourt DRT-GO - 00694 - redacao@canalbioenergia.com.brReportagem: Aline Leonardo, Evandro Bittencourt, Fernando Dantas e Mirian ToméEstagiária: Gilana Nunes - jornalismo@canalbioenergia.com.brDIREÇÃO DE ARTE: Fábio Santos - arte@canalbioenergia.com.brBanco de Imagens: UNICA - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo: www.unica.com.br; SIFAEG - Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás: www.sifaeg.com.br; / Redação: Av. T-63, 984 - Conj. 215 - Ed. Monte Líbano Center, Setor Bueno - Goiânia -GO- Cep 74 230-100 Fone (62) 3093 4082 - Fax (62) 3093 4084 - email: canal@canalbioenergia.com.br / Tiragem: 9.000 exemplares / Impressão: Ellite Gráfica – ellitegrafica2003@yahoo.com.br / CANAL, o Jornal da Bioenergia não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidosnas reportagens e artigos assinados. Eles representam, literalmente, a opinião de seus autores.É autorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte .Capa: Fotomontagem de Fábio Santos“Sabemos que todas as coisascooperam para o bem daqueles queamam a Deus...” (Romanos 8:28)Carta do editorVida nova no interior do PaísMi ri an To méedi tor@ca nal bi o e ner gia.com.brO desenvolvimentoeconômico e a melhoria daqualidade de vida que chegamao interior do Brasil nos polosda indústria sucroenergética é a nova série dereportagens especiais que o Canal – Jornal daBioenergia inicia nesta edição.A tranformação que as usinas causam nas regiõesonde se instalam é facilmente constatada pela maioroferta de empregos, no aquecimento da economialocal, na geração de renda e na melhoria dosindicadores sociais, como um todo. E esse impacto émaior, sobretudo, em regiões onde predomina apecuária extensiva.Em grande parte, essa história é contada porpersonagens até então anônimos, mas que tiveramsuas vidas alteradas de forma significativa, graças àsoportunidades criadas com a chegada de indústriasque produzem energia limpa e renovável para o Brasil epara o mundo.Em nossa matéria de capa, Goiás é o foco destaprimeira etapa da série Polos Produtivos da IndústriaSucroenergética, que, nas edições seguintes, irámostrar aos nossos leitores os avanços que beneficiamas demais novas fronteiras da produção canavieira.Sempre empenhada em cobrir o dinâmico mundoda bioenergia, a equipe de jornalismo do Canal nãomede esforços para selecionar os temas maisimportantes e atuais, a cada nova edição, para quenossos leitores estejam sempre muito bem informados.Boa leitura e até a proxima edição!www.twitter.com/canalBioenergiaAssine o CANAL, Jornal da Bioenergia - Tel. 62.3093-4082 assinaturas@canalbioenergia.com.brO CANAL é uma publicação mensal de circulação nacional e está disponível na internet nos endereços:www.canalbioenergia.com.br e www.sifaeg.com.brSetembro de 2011 • 3


Entrevista Marcos Sawaya Jank, presidente da UnicaComo fazer o etanol sernovamente competitivoMarcos Jank explica por que o etanol perdeu competividade e o que é necessáriopara que o biocombustível volte a ganhar espaço no mercado internoEvandro BittencourtMarcos Sawaya Jank é presidente daUnica desde junho de 2007. Foiidealizador e ex-presidente doInstituto de Estudos do Comércio eNegociações Internacionais (Icone). Durante 20anos foi professor da Universidade de SãoPaulo, no Instituto de Relações Internacionais(IRI) e na Escola Superior de Agricultura “Luizde Queiroz” (Esalq). É Livre Docente eengenheiro agrônomo pela Esalq, Doutor pelaFEA e Mestre em Políticas Agrícolas no IAM deMontpellier, França. Integrou a divisão deintegração, comércio e assuntos hemisféricosdo BID, em Washington, e foi professorvisitante nas Universidades de Georgetown eMissouri-Columbia, nos EUA. Consultor ecoordenador de projetos em várias instituições,é conselheiro da Presidência da República noConselho de Desenvolvimento Econômico eSocial (CDES), membro do conselho consultivoda Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e doconselho consultivo do setor privado (Conex)da Câmara de Comércio Exterior do GovernoFederal (Camex). É também membro doConselho Diretor do Diálogo Inter-Americano edo Brazil Institute do Woodrow WilsonInternational Center for Scholars. NaFederação das Indústrias do Estado de SãoPaulo (Fiesp), Jank é diretor do Departamentodo Agronegócio e membro dos conselhossuperiores de comércio exterior (Coscex) e doagronegócio (Cosag).ismar almeida/divulgaçãoA produção insuficiente de etanol em relaçãoao aumento da demanda no mercado internopode inviabilizar o projeto de torná-lo umacommodity?De 2000 a 2008 nós crescemos 10% aoano. Quando entrei na Unica, em 2007, oproblema que me levou à entidade foi justamentea sobra de produto e não a falta.De 2008 em diante tivemos uma crise queatingiu, principalmente, as empresas quetinham investido muito em 2006, quandotivemos um ciclo de 112 novas usinas, muitasdelas, inclusive, no Estado de Goiás.Em 2008, por conta da crise financeira global,boa parte dessas empresas que nãotinham nem começado a produzir sofreramdemais com a crise e mudaram de mãos. Osetor continua tendo investimentos, masem vez de ser novas unidades, o que temosvisto é a compra de empresas em dificuldade.É o que se chama de consolidação e éisso que faz com que a produção cresçamenos que a demanda, principalmente pelocrescimento da frota de carros flex e, agora,pelo mercado internacional. Por esses motivosa oferta não acompanhou.Nós entendemos que, se forem desenhadasas políticas corretas, principalmente emrelação ao hidratado, que é o álcool purovendido nas bombas, e se conseguirmosrecuperar a competitividade do hidratadofrente à gasolina, que está com preços congeladosdesde 2005, eu acho que o setortem tudo para voltar a crescer 10% ao anoe, desse modo, atender aos mercados internoe externo de açúcar e de etanol. Dessemodo poderemos anunciar esse novo ciclode crescimento que vai fazer o setor atendera todos esses mercados.Em todo o mundo, o Brasil é o País que temas melhores condições para fazer crescer aprodução de cana-de-açúcar, pela suaexperiência, pelas condições das terras epela disponibilidade de água.Qual pode ser o impacto da crise econômicasobre o setor sucroenergético?Eu acho que essa crise, assim como asdemais, não deve afetar muito o setor. Oque houve em 2008, por exemplo, foi umenxugamento da liquidez que afetou osprojetos em andamento no nosso setor, masse olharmos em termos de mercado, elescontinuaram a crescer.Uma crise agora não vai ter tanto impactoporque não tem novos projetos e, no meuentendimento, o crescimento da frota flex eo crescimento do mercado de açúcar nãovão mudar muito, pois as pessoas não deixamde comer açúcar porque estão vivendouma crise. O que pode acontecer, talvez,seja um impacto no mercado de etanol nosEstados Unidos, mas eu não acho que esseseja o maior problema.E qual é o maior problema?O que está dificultando o setor crescer é afixação do preço da gasolina desde 2005,no mesmo nível, na bomba. Nós tivemosaumento de custo e hoje o preço do etanolhidratado, que tem de ser no máximo 70%do preço da gasolina, é inferior ao custo deprodução. E é por causa disso que asempresas não estão investindo.O etanol tende a perder espaço, devido a essaconcorrência predatória?Hoje, se traduzirmos todos os carros flex emum só tanque de combustível, ele teria 55%de gasolina e 45% de etanol. Há três anosesses números eram invertidos. O que estáO setor continua tendo investimentos, mas,em vez de ser novas unidades, o que temosvisto é a compra de empresas em dificuldade.”acontecendo hoje é que se nós não tivermosas políticas públicas necessárias, embreve o etanol terá sua participação reduzidanesse grande tanque de combustível quesão todos os carros flex. E é por isso que agente tem de fazer ele crescer.O maior risco que temos hoje é as pessoasusarem mais e mais gasolina nos seus carrosflex e isso não é bom para o meioambiente, para a saúde pública e nem paraesse setor brasileiro que se tornou um dosmais conhecidos no mundo. O carro flexdepende demais do preço da gasolina que,como se sabe, tem sido administrado pelogoverno, não é um preço de mercado.4 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Quais são os fatores que precisam serreestruturados para que a competitividade doetanol seja restabelecida?Nós temos falado em três ou quatro pontos. Eestamos nos referindo ao hidratado, pois oanidro, misturado à gasolina, crescerá semprecom a gasolina e crescerá também pelademanda que virá de fora, dos Estados Unidos,por exemplo. A primeira coisa que nós queremossaber é qual é o mecanismo de fixação depreço da gasolina. Você não pode investir emum setor se não se sabe quando e como opreço do seu concorrente vai mudar. Deveriahaver pelo menos uma regra, dizer, por exemplo,que a gasolina vai seguir uma média dopreço do petróleo nos últimos anos ou qualquercoisa assim, ou seja, uma política defixação do preço da gasolina de longo prazono Brasil. Outra coisa que nós temos falado éque se o governo não quiser aumentar o preçoda gasolina ele deveria, pelo menos, mexer nosimpostos que são cobrados atualmente sobreo etanol. Em relação à matriz de impostos, oque nós solicitamos é que a alíquota do etanolseja pelo menos igual à do diesel, que tem umestímulo de impostos mais baixos. Isso envolve,aqui no Estado, por exemplo, a questão doICMS. Em Goiás, a alíquota do ICMS sobre oetanol é quase semelhante à da gasolina. Alémdisso, obviamente, temos que trabalhar aredução de custos na cadeia produtiva, o queinclui custos agrícolas, industriais e aumentode produtividade. Isto nós temos que fazer e éum problema nosso, do setor. E, finalmente,uma melhoria dos motores flex, para que elesestejam preparados para usar o etanol deforma mais eficiente.Qual é a situação, nesse momento de produção deetanol inferior à demanda, em relação às metasde exportação de etanol, que ajudaria obiocombustível a se tornar uma commodity?Hoje estamos com uma oferta muito justa eprecisamos de quatro anos para colocar umausina em operação, mas até três anos atrástínhamos etanol sobrando. Eu diria que o fatomais relevante da abertura do mercado americanoé que ele sinaliza para que o etanol sejauma commodity global, como é o açúcar.Hoje, 70% do nosso açúcar é exportado e nósnão tivemos grandes dificuldades de ocupar omercado mundial. Atualmente, só 7% donosso etanol é exportado. Por que não podeser, no ano que vem, 10% e, depois, 20%?Acho que essa meta de ter uma commodityque atende ao mundo, por ser uma alternativaao petróleo, um produto de baixo carbono,pode ser totalmente atingida. Se nós estamosusando 1,5% das terras aráveis para fazer etanolpodemos usar 2% ou 3%, pois essa é umasolução muito inteligente para o País. Nós nãotemos uma restrição de tecnologia, de climade terra ou de gente. A nossa restrição hoje éem relação às políticas públicas e privadasquer fariam esse setor crescer.Ismar Almeida/USJEm relação àmatriz deimpostos, o quenós solicitamosé que a alíquotado etanol sejapelo menosigual à do diesel,que tem umestímulo deimpostos maisbaixos.”Quais são as soluções para aumentar aprodutividade das lavouras de cana a curto e amédio prazos?O aumento da produtividade das lavouras éfundamental pois, quando o Proálcool começou,a gente tirava 3 mil litros por hectare.Hoje estamos em 7,5 mil litros e temos tecnologiapara chegar a 14 mil litros por hectare.Para isso precisamos, claramente, de avançarmais rápido no processo de pesquisa denovas variedades, incluindo as transgênicas,que ainda não estão disponíveis, assim como aparte de marcadores. Acho que tem muitacoisa que pode ser feita no manejo da cultura,desde mudanças no espaçamento e umamelhor sistematização para acompanhar amecanização, pois hoje estamos colhendo commáquinas e essa é uma outra forma de operar.Acho que um ponto importantíssimo é aquestão do recolhimento da palha, fruto damecanização, que vai aumentar a nossa capacidadede fazer bioeletricidade, bem como ouso de caldeiras maiores, mudanças na fermentação,uma melhor logística, tirando oaçúcar dos caminhões e jogando em trens etirando o etanol dos caminhões e jogando noetanolduto que está sendo construído.Outra coisa importante é usar o bagaço e apalha não só para gerar eletricidade, como agente faz hoje, mas também para fazer o chamadoetanol de segunda geração. Quando nóstivermos isso vamos conseguir fazer muito maisetanol por hectare. Essas são áreas em que agente está trabalhando para ganhar eficiência.Esse aumento de produtividade depende, emgrande parte, de tecnologias que ainda estãosendo desenvolvidas?A gente sabe que, com as tecnologias queainda não chegaram ao campo, estão noslaboratórios, é possível dobrar a quantidade deenergia por hectare, ou seja, a soma biocombustívele eletricidade. Eu acho que essa é umaboa meta para os próximos 10 anos.Que avaliação o senhor faz dos modelos derelação entre produtores fornecedores de canade-açúcare as indústrias?Acho que sempre há melhoras que podem serfeitas, mas o sistema que nós criamos hoje éexemplo para várias cadeias produtivas. A canaé pioneira na criação do Consecana, ummodelo em que o preço da cana-de-açúcar nocampo é fruto do preço de nove produtosfinais, entre açúcar e etanol, convertidos emcana por meio dos custos de produção. Achoque esse mecanismo que gera uma referênciade preços para negociação livre entre produtorese usinas é muito inteligente, tanto quecadeias produtivas do café, citros e do boiestão todas estudando o nosso sistema, o quesignifica que ele é bom, pois o nível de conflitoé muito mais baixo que em outras cadeias.Conforme levantamento da Unica, para atender ademanda por etanol na próxima década seriamnecessários investimentos de R$ 80 bilhões. Comoviabilizar esses investimentos?Cerca de130 novas usinas, que gerariam mais440 milhões de toneladas de cana, demandariamesse investimento de R$ 80 bilhões queproporcionaria imensa geração de empregosem todo o interior. Goiás é um exemplo emque a cana chega a um município e muda aqualidade de vida no local. A agriculturaquando chega em áreas onde tem pastagempromove uma grande diferença. Mas eu achoque esses investimentos só acontecerão se aequação econômica for resolvida. Eu nãoacho que a prioridade de política pública parao setor é a parte de financiamento. A prioridade,hoje, é resgatar a competitividade dohidratado frente à gasolina e é isso o que nóstemos que conversar com o governo, poishoje não vale a pena construir mais um projetogreenfield para fazer etanol. Se ela forresgatada vai fluir investimento para essesetor naturalmente, pelo sistema bancário,pelo BNDES e por dinheiro que virá de fora.Todos estão olhando para o nosso setor, tantoque nas últimas semanas recebi várias delegaçõesde outros países querendo conhecermais a produção de etanol. Ou seja, na horaque estiver resolvido o problema econômicovão surgir diversos formatos que vão permitiresse investimento.Agricultura de alto desempenho:fazer mais com menosCom o grande crescimento do consumo mundial degrãos, proteínas e biocombustíveis, além de outrosprodutos vindos da terra, e com a escassez de recursosbásicos necessários para essa produção, ganhaconsenso mundial a necessidade de melhorar o desempenhodas cadeias agroindustriais.O modelo que passa a vigorar é o de fazer mais usandomenos. Como fazer isso?No uso e na gestão da terra é preciso aumentar a produtividade,encurtar os ciclos de produção vegetal, aumentar aeficiência na operação e no gerenciamento da terra e buscartecnologias com menor impacto ambiental.A produção vegetal necessita extrair mais o potencial existentenos grãos para gerar energia ou proteína, variedades deplantas mais eficientes na transformação dos escassos recursosnaturais e que sejam resistentes às condições adversas,como doenças, secas e outras restrições.Na produção animal, é preciso melhor compreensão dasnecessidades nutricionais para todas as espécies e na absorçãode nutrientes vegetais, no controle de doenças, na geraçãode proteínas alternativas (como algas), microencapsulaçãocontrolando a oferta de nutrientes e desenvolvimento genéticopara sexagem animal.A agricultura necessita ampliar as ferramentas para análisee redução das perdas de alimentos (em residências, supermercadose restaurantes, indústrias, fazendas, armazenamentoe transporte) e fortalecer os processos para reciclar e usarsubprodutos, particularmente os provenientes da crescenteprodução de biocombustíveis.A nova agricultura exige revolucionar a difusão e a transferênciade conhecimento, usando redes integradas e meios digitaisna comunicação da inovação e na atividade de extensão,com transferência de tecnologia, acessibilidade pelos menosfavorecidos e adaptação visando soluções localizadas.A agricultura de alto desempenho não pode conviver coma logística que aí está. É necessário investir para aperfeiçoar otransporte, as capacidades de armazenamento e o uso defontes de combustíveis renováveis, reduzindo as emissões decarbono.Na arquitetura de pesquisa e inovação é necessário construiralianças com os bancos, universidades, institutos de pesquisae até com os concorrentes para uma melhor utilizaçãodos ativos e desenvolver trabalho conjunto com os agentes deregulação, lutando pela harmonização dos sistemas reguladoresem todo o mundo.Finalmente, a agricultura de alto desempenho vai exigir,para diminuir seus custos, governos que busquem inovaçãoe eficiência em sistemas de gestão pública, quepromovam a formalização de cadeias ilegais e informais,quem promovam e facilitem os fluxos financeiros e investimentospara a agricultura.Alto desempenho é o que a sociedade mundial exige daagricultura. E o Brasil, por possuir esses recursos em abundância,é visto como solução ao problema e passará porradicais transformações nos próximos dez anos. Será divertidoacompanhar.OpiniãoArquivo pessoalMARCOS FAVA NEVES é professortitular de planejamento na FEA/USP no campus Ribeirão Preto ecoordenador científico do Markestrat.6 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 7


PanoramaAssembleia Legislativa debate atividade sucroenergética em GoiásA Assembleia Legislativa de Goiás realizou dia 20de setembro o Seminário “Cana-de-Açúcar e oDesenvolvimento de Goiás”. Diversos representantesdo setor sucroenergético goiano e agricultores devárias regiões do Estado prestigiaram o evento. Ainiciativa foi do deputado Daniel Vilela, do PMDB.Na palestra que fez , o presidente executivo doSindicato da Indústria de Fabricação de Etanol deGoiás (Sifaeg), André Rocha, citou que a Embrapaaponta Goiás como o Estado da Federação mais aptoa receber investimentos no setor canavieiro. AndréRocha falou ainda sobre os ganhos sociaisprovenientes do desenvolvimento da cultura da cana.“Em Goiás, as terras que experimentaram maiorvalorização foram aquelas que abrigam a produçãoda cana-de-açúcar. E os municípios goianos queapresentaram maior Índice de DesenvolvimentoHumano (IDH) foram aqueles onde se verifica aprodução da cana-de-açúcar”, disse. O executivocitou também dados oficiais que mostram o grandenúmero de empregos gerados pela cultura da cana,cerca de 100mil em Goiás. O prefeito de Jataí,Embrapa realiza 1º Simpósio Nacional de BiorrefinariasA Embrapa Agroenergia promoveu o 1ºSimpósio Nacional de Biorrefinarias, Brasílianos dias 29 e 30 de setembro, no auditório daEmbrapa Estudos e Capacitação. A AssociaçãoBrasileira de Química (ABQ) e a SociedadeIbero-Americana para o Desenvolvimento dasBiorrefinarias (SIADEB) foram parceiras narealização do evento.O Simpósio teve como meta diagnosticar osdesafios tecnológicos relacionados àsbiorrefinarias, “o que permitirá elaborarpropostas técnicas e de estratégias públicoprivadaspara alavancar os potenciais econômicoBrasil Ecodiesel aposta emcrescimento na área agrícolaEm assembleia promovida no dia 6 de setembro,acionistas da Brasil Ecodiesel aprovaram aincorporação total das ações da VanguardaParticipações. A negociação proporcionará àempresa maior diversidade na produção e umfaturamento anual estimado em R$ 1,5 bilhão.A Vanguarda é uma das maiores produtorasagrícolas do País, e, por meio da unificação, a BrasilEcodiesel visa acelerar seu crescimento na áreaagrícola, diversificando o leque de operações eampliando o mercado consumidor.Segundo o diretor presidente da Brasil Ecodiesel,José Carlos Aguilera, “a unificação com aVanguarda simboliza o nascimento de umaCompanhia preparada para capturar asoportunidades do comércio mundial nossegmentos de alimentos e de energia renovável”.A Brasil Ecodiesel é uma das principais empresasdo mercado de agrobusiness, com atuação nossegmentos de alimentos e energia renovável. Hoje,a companhia cultiva grãos como soja, milho ealgodão. É ainda pioneira na produção de biodieselem escala comercial e figura como uma dasmaiores produtoras brasileiras do biocombustível.e de sustentabilidade das mesmas, voltados paraprodução de energia e de produtos químicosrenováveis”, explicou o pesquisador da EmbrapaAgroenergia, Silvio Vaz Júnior.Os assuntos abordados no 1º SimpósioNacional de Biorrefinarias foram: cenáriosnacionais e mundiais das biorrefinarias,importância da química verde para asbiorrefinarias, esforços da EmbrapaAgroenergia relacionados ao tema, potencialeconômico das biorrefinarias, rotastecnológicas, parcerias público-privadas, eminimização de impactos ambientais.Pwc e Datagrofazem parceriaCarlos CostaHumberto de Freitas Machado, falou sobre os cenáriosda produção sucroenergética no município eassegurou: “ Jataí produz mais de dez tipos de grãosdiferentes. A cana-de-açúcar é bem-vinda já quedispomos de 250 mil hectares de área destinados aesta cultura”, avaliou. O prefeito de Quirinópolis epresidente da Federação Goiana dos Municípios,Gilmar Alves da Silva, também foi palestrante noevento. Segundo ele, a implantação das usinas SãoFrancisco e Boa Vista no município contribuiu e vemcontribuindo para sustentar cada dia mais ocrescimento de Quirinópolis.A PwC e a Datagro, duas dasmaiores consultorias do mundo no setorsucroenergético, selaram parceria e vãoatuar atendendo empresas na gestão decustos industriais, agrícolas, tributários eadministrativos. A parceria permite que PwC eDatagro atuem no diagnóstico,desenvolvimento, implementação demelhorias e apoio à operação para empresasdo setor sucroenergético. A experiência daPwC em projetos de gestão de custos permitiuo desenvolvimento de uma abordagemintegrada que engloba diversos componentesda estrutura do agronegócio. Já a Datagro, quetem como presidente PlínioNastari, desenvolveu ao longo dos últimos dezanos um centro de inteligência de processospara a otimização de custos de produção.“Com essa parceria queremos ajudar asempresas do setor sucroenergético aatenderem aos desafios de, praticamente,dobrar sua atual produção em 2020 face àsdemandas de mercado”, diz Ana Malvestio,sócia da PwC-Brasil.Fenasucro&Agrocana 2011A Fenasucro, 19ª Feira Internacional daIndústria Sucroalcooleira e a Agrocana, 9ªFeira de Negócios e Tecnologia da Agriculturada Cana-de-açúcar receberam esteano profissionais do setor sucroenergético de23 Estados brasileiros que puderam conferirlançamentos e novidades de 450 empresasexpositoras. Além disso um grande númerode visitantes internacionais, de 33 paísescomo África do Sul, Alemanha, Argentina,Austrália, Bolívia, Canadá, Chile, China,Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Cuba, ElSalvador, Equador, Espanha, Estados Unidos,França, Guatemala, Índia, Inglaterra, Itália,México, Nicarágua, Nigéria, Panamá, Paraguai,Peru, Porto Rico, Sri Lanka, Tailândia, Uruguai,Venezuela e Zimbábue também prestigiarama Feira, realizada de 30 de agosto a 02 desetembro, em Sertãozinho, São Paulo.O diretor da Reed Multiplus, FernandoBarbosa, afirma que essa visitação deprofissionais altamente qualificados e dediversos países mostra o quanto o setorespera a Fenasucro&Agrocana para conheceras novidades e lançamentos dos maisimportantes fornecedores da indústria. “Issoreforça mais uma vez a representatividade daFenasucro&Agrocana entre os eventos denovas matrizes energéticas, mais eficazes elimpas,” acrescenta Fernando.Augusto Balieiro, também diretor daempresa promotora da Fenasucro, destaca aprogramação de eventos simultâneos comoforma de consolidar esses eventos. “Possuiruma programação composta por eventostécnicos, seminários, workshops e, sobretudo,o principal Fórum de discussões sobre oEtanol, mostra a consolidação das feiras eainda estimula o setor a se relacionar e trocarexperiências a cada ano,” explica Balieiro.Os integrantes do Projeto Brazil SugarcaneBioenergy Solutions, realizado pelo APLA(Arranjo Produtivo Local do Álcool), emparceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileirade Promoção de Exportações eInvestimentos), prospectaram cerca de 200milhões de dólares em negócios durante osquatro dias de rodadas naFenasucro&Agrocana 2011. O eventopromoveu cerca de 480 reuniões, entre 44empresas e 30 compradores de mais de 15países, entre eles, África do Sul, Austrália,Guatemala e Honduras.Safra/ConabProdução de cana recuaEstudo da Companhia Nacional deAbastecimento estima queda de 5,6%Uma produção de 588,91 milhões de toneladasde cana-de-açúcar, com queda de 5,6% emrelação à safra anterior. Essa é a estimativafeita pelo 2° Levantamento da Safra 2011/12,realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento(Conab), em agosto desse ano.Deste total, 48,9% serão destinados para a confecçãode açúcar, enquanto que o restante (51,1%)para etanol. No ano passado, apenas 46% do produtoforam designados ao açúcar. O autor do estudosobre a cana, Wellington Silva Teixeira, vê um aspectopositivo quando analisa o fato. Segundo ele, essadiferença de 2,9% em relação 2010 demonstra que omercado se apresenta mais firme e com maiorexpectativa de crescimento na safra atual.Ainda de acordo com a pesquisa, foi a seca do anopassado que prejudicou a rebrota da cana colhida em2010. O fato atrasou o início da safra, já que a canaainda não apresentava tamanho e peso desejáveispara a colheita. “As perdas foram tão significativas queo incremento da produção proveniente das novasunidades não foi suficiente para garantir um volumesuperior à safra anterior”, especifica o documento.Outro ponto mencionado no estudo e que ajudaa entender os números é a crise enfrentada pelosetor sucroenergético há três anos. A falta de renovaçãoe tratos culturais, segundo Wellington, contribuíramfortemente para que a oferta de cana-deaçúcarsofresse drástica redução nesta safra.A previsão agora é que serão produzidos cercade 37,1 milhões de toneladas de açúcar, volume2,88% inferior ao produzido na safra 2010/11.Isso significa, ainda segundo os dados da Conab,que a produção de etanol terá redução de 14,17%em relação à safra anterior. Para o ciclo atualestão estimados 23,7 bilhões de litros, contra 27,6bilhões de litros na safra anterior. Embora a produçãode etanol anidro apresente aumento, aprodução de hidratado terá forte quebra.Já a produção mundial vem se recuperando, sem,entretanto, atingir nível suficiente para que a ofertaatinja um abastecimento que provoque redução dasIsmar Almeida/USJcotações. Além disso, a demanda pelo produto écrescente, segundo a pesquisa, uma vez que, com ocrescimento mundial, mais pessoas estão tendoacesso à alimentação.PerspectivasSegundo a Conab, permanece para safra2012/2013 a tendência de abertura de novas usinase expansão dos canaviais em Minas Gerais, Goiás,Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. “Sãoregiões que apresentam condições edafoclimáticasideais para o desenvolvimento da cultura, além degrandes extensões de pastagens degradadas,” apontao Estudo.Conforme os dados apurados no segundo levantamentode safra da Conab, as áreas de expansão dasusinas totalizam 621,5 mil hectares, sendo 95,9% naregião Centro-Sul. Isto representa as novas áreas deplantio que estão sendo incorporadas e que serãocolhidas na safra 2012/13. Considerando a produtividademédia de 100 toneladas por hectare em áreasde primeiro corte, estima-se que as áreas de expansãoirão contribuir com um adicional de 62,1 milhõesde toneladas para a próxima safra.“Portanto, caso o volume moído na safra 2012/13seja o mesmo verificado na safra atual, com o adicionalde 62,1 milhões de toneladas, ter-se-ia o totalde 651 milhões de toneladas a serem colhidas. Noentanto, há que se considerar o ganho de produtividadedas áreas de renovação que somam 911,1 milhectares. Assim, espera-se que os canaviais renovadosincorporem cerca de 45,5 milhões de toneladasde cana, chegando-se ao total de 696,5 milhões detoneladas a serem moídas no ano vindouro”, afirmao documento. A Conab prevê ainda nesse levantamentoque o mercado mundial do açúcar deverácontinuar aquecido, assim como as exportaçõesbrasileiras. “Portanto, o cenário que se vislumbrapara a safra 2012/13, do ponto de vista da comercializaçãoé de que os preços, no mínimo, continuemnos patamares atuais”, asseguram os técnicos eanalistas da Conab.10 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 11


IrrigaçãoCana mais produtivaTécnicas diversas garantem efeitos positivos noplantio da cana-de-açúcar e ganham destaque nasregiões castigadas por longos períodos de secajamento é calculada em até 90%.Mesmo com resultados positivos e promissores,em especial para garantir a longevidade docanavial, a irrigação ainda não está na agendade todos os produtores, como em outras lavouras.A comparação dos resultados e dos investimentosainda afasta o produtor da tecnologia.Falta entrar nas planilhas de planejamento osbenefícios da técnica para o aumento da longevidadee da produtividade da cultura da cana--de-açúcar.De acordo com a experiência do produtor PauloHenrique Garcia, de Goiatuba (GO), uma das regiõesque mais sofrem com a seca no Cerrado, o investimentoem irrigação já entrou na pauta dos seusnegócios, uma exceção na região onde está instalado.Ele adotou nos seus canaviais a irrigação de salvamentona cana-de-açúcar, logo após o corte da cana.“Ela é de extrema importância e é um ponto a maispara viabilizar a cana em Goiás, onde temos um períodode seca muito forte”. Na propriedade de 550hectares, a irrigação é usada em 220 hectares, a umcusto de 300 reais por hectare irrigado. Segundo oprodutor, o investimento total foi de 60 mil reais, nasafra passada, com a aquisição de equipamentos. “Éum trabalho pioneiro e que está me oferecendo muitosbenefícios”, afirma.Bons resultadosNa irrigação de salvamento, a prática é aplicadaapenas em um estágio do cultivo. No caso dePaulo Henrique, o período escolhido foi entrejunho e agosto. Neste manejo, é aplicado, via irrigação,a água de lavagem da cana e/ou água comvinhoto em duas ou três aplicações de 60 milímetrospor mês, após o plantio ou o corte.Para quem resolve investir no manejo, a produtividadeapós três safras pode aumentar em até100%. É o que atesta um estudo da Embrapa Meio-Norte, coordenado pelo pesquisador AdersonAndrade Júnior e concluído este ano. A pesquisadefiniu a lâmina de irrigação e os níveis de nitrogênioe potássio a serem aplicados por meio da fertirrigação,na Usina Comvap, em União (PI).Foi usada uma lâmina de irrigação de 300 milímetros,no primeiro ano de execução do projeto,em 2007, com um resultado de produtividade decolmos de 138 toneladas por hectare, superandoem quase 100% a média histórica de 75 toneladaspor hectare alcançada no mesmo local.Na segunda safra, da média de 75 toneladaspor hectare, a produtividade pulou para 170 toneladaspor hectare. Neste experimento, foi aplicadauma lâmina de água de 490 milímetros. E, naúltima safra, a produtividade de colmos ficou em158 toneladas por hectare com o uso de umalâmina de água de 512 milímetros.O trabalho pioneiro no Nordeste, onde a seca éuma característica marcante, mostrou que anecessidade hídrica da cana-de-açúcar, nas condiçõesde solo e clima da microrregião de Teresina,obtida na pesquisa, foi superior à estabelecidapela FAO (Organização das Nações Unidas paraAgricultura e Alimentação), que é de 1,25. (coeficientede cultivo) O estudo constatou que anecessidade hídrica da cana-de-açúcar noNordeste foi de 1,5, o que sustenta a importânciade estudos locais para definir a exigência hídricada cultura. A Embrapa Norte continua pesquisa naregião para definir a necessidade hídrica, em umtrabalho que deve durar todo o ano de 2011.Luisa DiasOs produtores de cana-de-açúcar do Brasiltêm como aliados da produtividade a irrigaçãoe a fertirrigação da cultura. A planta seadapta aos climas tropical e subtropical comuma exigência de umidade entre 55% e 85%, um doentraves para a produtividade canavieira no Brasil,onde a seca afeta toda a região produtora em longosperíodos durante o ano.Estudos mostram que o uso de técnicas cada vezmais comuns nas regiões mais atingidas pela estiagem,pode aumentar em até 100% a produtividadenos canaviais. O déficit hídrico afeta vários aspectosdo crescimento vegetal, o que pode reduzir otamanho e o açúcar da cana. A dificuldade de atecnologia chegar ao campo está nos custos aindaelevados, o que pode tornar o sistema inviável parapequenos e médios produtores de cana-de-açúcar.Dos cerca de 9,5 milhões de hectares ocupados porcanaviais no Brasil em 2010, apenas pouco mais de2% são irrigados com água.Ao mesmo tempo em que o País é reconhecidopelo etanol, o combustível verde capaz de ajudara limpar a matriz energética mundial, a produçãode cana não é suficiente para atender a demandainterna do próprio combustível e a maioria doscanaviais brasileiros ainda depende das chuvaspara o seu desenvolvimento. O investimento emirrigação traz dois excelentes resultados: oaumento da produtividade e a redução da ocupaçãoda cana em área de plantio.O uso da irrigação ganhou até um movimentodentro do setor sucroenergético, criado por empresasfornecedoras de equipamentos. O projeto “Cana pedeágua”, gerenciado pela Consultoria RPA, foi lançadoem agosto com o objetivo de divulgar os benefícios dairrigação dentro da cadeia produtiva da cana.TiposAtualmente, o mercado oferece diferentes técnicaspara o setor sucroenergético: pivô central,linear, pivô rebocável, carretel enrolador e gotejamento,além da irrigação de salvamento. A irrigaçãoda cultura busca oferecer à planta uma quantidadede água precisa em intervalos ideais. Parairrigar a cana, é feita uma estimativa da quantidadede água a ser aplicada em cada irrigação, e o intervalonecessário entre as irrigações, para atender ascondições específicas entre solo, clima e planta.Ao adotar a irrigação, o produtor deve estaratento ao desperdício de água e até a eventuaisprejuízos, pois a irrigação deve ser programada deacordo com a variação da necessidade de água,que é diferente nos vários estágios de desenvolvimentoda planta e, também considerar a variaçãoclimática da sua região. Uma boa forma de monitoraro clima para planejar o investimento é utilizaras previsões do Ministério da Agricultura disponíveisno site www.agritempo.gov.br.Uma das técnicas mais modernas é o gotejamento.Nela, são calculados intervalos diários eadotada uma estratégia de baixo volume de águacom alta frequência. A água é levada sob pressãopor tubos, até ser aplicada ao solo diretamentesobre a zona da raiz da planta. A eficiência do gote-Fotos: Jalles Machado/Divulgação12 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 13


Irrigação no CerradoO D-500 é umgotejadorautoregulável,de parede maisfina, que seráenterrado nocultivo de canade-açúcarnaocasião doplantio.”Tereza Reis é gerente devendas da Water no BrasilNovidadeO crescimento do mercado de irrigação levou aempresa Deere&Co a investir na área, com a criaçãoda John Deere Water, em 2009. A operação aconteceudepois que a companhia comprou, em 2006, aprimeira empresa do segmento, a americana RobertsIrrigation. Em 2008, para aumentar o seu portifólio,foi a vez da aquisição da também americanaT-System e da Israelense Plastro, que possuía unidadesna America do Sul, com fábricas no Chile,Argentina e Brasil. Com a união do capital tecnológicoe de negócios das três empresas, foi fundada aJohn Deere Water, localizada em Uberlândia, comcapacidade de produção de mais de 6 milhões demetros/mês de irrigação.A Water oferece no mercado a tecnologia detubogotejadores, entre eles o D-500. “Ele é um gotejadorautoregulável, de parede mais fina, que seráenterrado no cultivo de cana-de-açúcar na ocasiãodo plantio”, explica Tereza Reis, gerente de vendaspara o Brasil. O diferencial é que, com o gotejadorautoregulável, podem ser feitas linhas mais longas,evitando o corte dos talhões para passagem detubulações de PVC, o que normalmente encarece aimplantação da irrigação. Este tipo de gotejador,segundo Dominguez, por ter vazão constante numafaixa de pressão, confere ao sistema maior precisãono fornecimento de água e nutrientes.O valor do investimento divulgado pela JohnDeere Water é de aproximadamente R$ 6.000,00 porhectare, considerando o sistema de irrigação completocom filtros, controles eletrônicos, injeção defertilizantes, válvulas de segurança e o gotejamentoem si, além do sistema de bombeamento para pressurizaçãodo sistema. Para Dominguez, a vantagemdeste investimento está no aumento de produtividadee longevidade do canavial. “Pode-se produzirmais, melhor e por mais tempo. É a verticalização dacultura por meio do uso da tecnologia de ponta”.FertirrigaçãoAliada à irrigação, outra técnica que também estána agenda dos grandes produtores de cana-de- açúcardo País é a fertirrigação O canavial é responsávelpela produção de uma grande quantidade de biomassa,o que demanda em seu desenvolvimentouma maior quantidade de nutrientes. Para isso, têmsido desenvolvidas técnicas de aperfeiçoamento douso do fertilizante para obter mais benefícios.A fertirrigação aplica no cultivo, simultaneamente,água e nutrientes através do sistema de gotejamento,garantindo que os nutrientes sejam supridoscom precisão na área com maior atividade de raiz.De acordo com as necessidades de desenvolvimentodas plantas e tipo de solo, a técnica pode somarresultados no final da safra com aumento da produçãode cana e de açúcar.A empresa goiana Jalles Machado possui umdos mais modernos projetos de fertirrigação doBrasil. Localizada em Goianésia, a usina utilizavaa vinhaça para fertirrigar 10 mil hectares e, como novo projeto, pode expandir a área de aplicaçãoem 5,7 mil hectares. Com investimento orçadoem R$2,37 milhões, a expectativa da JallesMachado é retornar todo o capital investido até2012, com a economia resultante da aplicaçãode potássio e nitrogênio.O novo projeto adotado pela usina substitui aadubação convencional no trato de soqueira eamplia a área de distribuição de vinhaça para asáreas mais distantes da usina, o que evita a saturaçãode potássio no solo pelo seu uso contínuo.A fertirrigação utilizou equipamentos modernosde RPVC e PVC para a condução da vinhaça. Ostanques de reservatório são revestidos de mantaPAD e cercados de tela, o que impede a entrada deanimais no local.De acordo com o gerente corporativo agrícola daJalles Machado, Rogério Bremm, a vinhaça já foiconsiderada um problema no setor, pois, ao ser descartada,causava danos ao meio ambiente. Mas,segundo ele, com o novo uso, ela ganhou papelestratégico na área agrícola. “A aplicação de vinhaçano canavial proporciona aumento da produtividadee ainda diminui a utilização de adubos químicos e ouso de água para irrigação”, ressaltou.“O processo de irrigação é complexo e depende deuma série de variáveis.” Em palestra ministrada naUniversidade Federal de Goiás (UFG) durante o 2ºSeminário de Irrigação em Cana-de-Açúcar na Regiãodo Cerrado, o professor da Universidade Federal deViçosa (UFV), Everardo Mantovani, explicou que paraimplantar um sistema de irrigação é preciso realizaranálises a fim de identificar e diagnosticar os problemase as necessidades de cada área.Com a expansão das áreas de produção de cana parao Centro-Oeste brasileiro, a cultura passou a ficar expostaa maiores níveis de déficit hídrico ao longo do ano,principalmente em função da ocorrência de maiorestemperaturas durante o inverno, maior insolação, soloscom menor capacidade de retenção hídrica e períodosde estiagem mais prolongados. Este contexto climáticopropiciou um aumento de resposta da cultura ao uso dairrigação.Segundo Mantovani, que também é consultor daIrriger, empresa que presta serviço de gerenciamentonessa área, “é preciso derrubar o mito de que a canairrigada é a mesma coisa que a cana de sequeiro maiságua”. Hoje em dia, a tecnologia para agricultura irrigadaevoluiu muito e, “com o uso de softwares e planejamentoestratégico, é possível alcançar resultadossurpreendentes”, afirma.Dessa forma, é necessário implantar um programade gerenciamento de irrigação que inclua um estudofísico-hídrico do solo, a análise da eficiência dos equipamentos,monitoramento climático e configuraçãodo uso de água da cultura. O consultor explica que, nofim do processo, essas informações são reunidas emum software de balanço hídrico, que realiza o cálculodo déficit hídrico diário, dando referência técnica paraa decisão da irrigação de cada área específica.O uso da irrigação na cultura da cana terá importânciacada vez maior, principalmente nas áreas demaior déficit hídrico. Uma forma de auxiliar os produtoresa aumentar a produtividade e a rentabilidade desua lavoura é justamente buscar assessoramento paraestruturar projetos calcados em parâmetros técnicos,seguidos de implantação de sistema de gerenciamentode irrigação que proporcione altos níveis de produtividadee uso racional de água e energia.Gilana NunesBenefícios da irrigação nacultura da cana de açúcarEntre os principais benefíciospropiciados pela irrigação de cana,podem ser citados:1 Aumento da produtividade.2 Ampliação da longevidadedo plantio.3 Redução da área plantada(redução nos custos do plantio e demanutenção).4 Diminuição da infraestrutura(estradas e outros, equipe técnica ede campo).5 Estabilização e planejamento daprodutividade (diminui avariabilidade da produção).6 Menor custo de colheita etransporte (menores áreas, talhõesmais produtivos, menoresdistâncias).7 Sinergia com uso da fertirrigação.8 Utilização racional da vinhaça.Vantagens da fertirrigaçãocom vinhaça- Rica em potássio e nitrogênio- Diminui custos comadubação química- Reduz o uso de água na irrigação,contribuindo para sua preservação,principalmente nas estações secas- Aumenta a longevidade docanavial e o teor de matériaorgânica no solo.Tubogotejador D-500: maior precisão nofornecimento de água e nutrientesFotos: John Deere WaterdifícilEstá encontrarsuporte de verdade?conheça aPreocupada sempre em comercializar e distribuir produtosde qualidade diferenciada e tecnologia de ponta, a CircularParafusos vem destacando-se no cenário nacional aoespecializar-se cada vez mais no atendimento a usinas ePARAFUSOSparafusos - ferramentas - máquinas - epi’sabrasivos - cabos de aço - consumíveisAv. Circular, 561 Setor Pedro Ludovico - Goiânia/Goiás.indústrias do segmento sucroenergético.Televendas(62) 3241-1613circularparafusos@hotmail.com14 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 15


Cana-de-açúcarMicronutrientesaumentamprodutividadeEstudo do IAC demonstra crescimentode até 17% com a utilização de Zinco eMolibdênio. Objetivo agora é detectarquantidades seguras para aplicaçãoAline LeonardoSão animadores os resultados de pesquisa feita pelos estudiosos do InstitutoAgronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado deSão Paulo, Estevão Vicari Mellis e José Antônio Quaggio, sobre a utilização demicronutrientes em plantações de cana-de-açúcar. Houve um crescimentomédio de 17% na produtividade da planta com a aplicação de Zinco e de 10% naprimeira soqueira com o emprego de dez quilos por hectare de Zinco, na forma desulfato, no sulco de plantio.Outros micronutrientes estudados, principalmente o Molibdênio, apresentaramdesenvoltura considerável, mas numa intensidade um pouco menor. “Osefeitos obtidos nesse primeiro projeto são muito promissores. Além de produzirmais cana, observamos melhoria no perfilhamento da cultura com a adubaçãocom micronutrientes. O experimento tem chamado a atenção de todo o setorsucroenergético”, afirma Mellis, se referindo à menção honrosa recebida duranteo 1° Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST), eventorealizado no mês passado em Campos do Jordão.A pesquisa não é novidade e já foi desenvolvida anteriormente sem, entretanto,conseguir estabelecer uma recomendação sobre a aplicação dos micronutrientesna cana-de-açúcar de maneira economicamente viável e ambientalmente segura.O objetivo dessa nova etapa é, justamente, encontrar esse equilíbrio. “Vamos estudardoses, fontes e modos de aplicação dos micronutrientes para a cultura. Com oque já obtivemos nessa nova fase, conseguiremos estabelecer a medida adequadapara a cana-de-açúcar”, garante Mellis.VantagensEconomicamente, a principal vantagem da adubação com micronutrientes é oincremento da quantidade de colmos. Mas, segundo o pesquisador, os benefíciosdessa técnica podem ser ainda maiores. Ele explica que o processo pode ampliar aprodução por área, o que reduz a necessidade de expansão da lavoura, tornando oplantio de cana mais eficiente. “Quanto mais cana se produz por quadrante e quantomenor a distância dela das usinas, maior a lucratividade”, diz. Mellis ressalta, porém,que ainda é cedo para se falar sobre os proveitos econômicos da utilização dos micronutrientes.“O potencial é enorme, mas precisamos de mais informação para chegarao aconselhamento de adubação mais seguro”.Mas, diante das primeiras revelações, o pesquisador acredita que a melhor formapara se usar micronutrientes na cana seja no sulco de plantio, em quantidades suficientespara todo o ciclo da cultura.Benefícios ao meio ambienteA concentração do plantio em áreas menores pode trazer ainda benefíciosambientais. Motivo de críticas no cenário internacional, a necessidade de expansãodas plantações pode ser reduzida. “Esse aumento de produção por área vai diminuira substituição do cultivo de alimentos por cana-de-açúcar. Além disso, muitosambientalistas acusam os produtores de cana de serem diretamente responsáveis pordesmatamento na Amazônia”.O uso de micronutrientes em cana-de-açúcar não é adequado para todos os tiposde solo e somente será recomendado quando os teores desses elementos estiverembaixos. “Para isso, torna-se essencial aos produtores a realização de análise da fertilidadedo terreno”, explica Mellis.16 • CANAL, Jornal da Bioenergia


Polos sucroenergéticos GoiásNovo impulso ao interiorSetor sucroenergético promove mudanças no campo e nas cidades. Criação de empregos,arrecadação de impostos e crescimento da renda são impactos registrados nos municípiosJataíFernando DantasOque municípios goianos como Quirinópolis,Jataí, Goianésia, Goiatuba, Paraúna eItumbiara têm em comum? Todas essascidades passaram por mudanças no perfileconômico e social, depois que indústrias do setorsucroenergético se instalaram em suas regiões. Aimplantação das empresas resultou em mais empregos,impostos, maior geração de renda, incrementodo comércio e melhoria de indicadores sociais comosaúde e qualificação de mão de obra.Esse desenvolvimento contribuiu para que oEstado de Goiás assumisse, ainda, posição de destaqueno Brasil quando o assunto é cana-de- açúcare seus derivados. Atualmente, são 34 unidades emoperação, que segundo previsão do Sindicato daIndústria de Fabricação de Açúcar e Etanol emGoiás (Sifaeg) serão responsáveis por produzir 48milhões de toneladas de cana, 3 bilhões de litros deetanol e 1,8 milhão de toneladas de açúcar na atualsafra. Os números devem consolidar Goiás comosegundo maior produtor de etanol no Brasil, atrásapenas de São Paulo, segundo lugar na cogeraçãode energia e quarto na produção de açúcar.Segundo o assessor econômico da Federação dasIndústrias do Estado de Goiás (Fieg), CláudioHenrique de Oliveira, os benefícios diretos e indiretose as estatísticas positivas do segmento estimulamos governos estadual e municipais a incentivara vinda de usinas para o Estado de Goiás. De acordocom ele, o poder público oferece até mesmo isençãode determinados impostos, sem ferir a Lei deResponsabilidade Fiscal, para atrair as indústriaspara suas regiões. O assessor econômico destacaainda o efeito multiplicador da instalação das unidades,já que, junto às usinas, também são criadasindústrias satélites. “São prestadoras de serviços,rede hoteleira, empresas de terceirização, como delimpeza, entre outras”, revela.Para quem vive nos municípios-sede das indústriase em regiões próximas, os números do setorsão sinônimo não só de evidência, mas também deoportunidade e renda. É o que representou a instalaçãoda Raízen, em Jataí – cidade a 327 quilômetrosde Goiânia -, para a família de Cleumar FreitasSilva, de 39 anos. Líder de operação agrícola naunidade, casado e pai de três filhos, Cleumar viu arenda familiar subir para mais de seis salários mínimosdepois que passou a atuar na usina, há quasequatro anos. Na Raízen, trabalhou como operadorde transbordo e operador de colhedora. Tambémparticipou de cursos de qualificação oferecidos pelaempresa e, por isso, hoje ocupa melhor posição nausina. E o colaborador tem expectativas de crescimento.“Quero chegar ao cargo de encarregado”,anseia Cleumar.Se para algumas vagas não é possível encontrarmão de obra qualificada na região, as unidadesbuscam em outros municípios ou mesmofora das divisas de Goiás. Foi assim que o técnicoem Mecânica Silvanez de Souza Bezerra passoua integrar a equipe de colaboradores da Raízenhá pouco mais de dois anos. Natural deQuirinópolis, Silvanez diz que recebeu a propostade trabalho e visualizou a chance de crescerprofissionalmente. O técnico afirma que nem amudança representou dificuldade, pois ele e aesposa se adaptaram facilmente à nova realidade.“O filho teve um pouco mais de resistênciapor causa dos amigos. Mas agora fez novasamizades e está tudo certo”, enfatiza.Silvanez confessa que alguns pontos pesaramna hora de decidir pelo novo emprego, comoestabilidade financeira, estrutura física da cidadee melhor qualidade de vida. Hoje ele comemora oaumento da renda familiar, que ultrapassa R$ 4mil por mês, além dos benefícios conquistados,como plano de saúde, auxílio farmácia e convênioscom papelarias.Silvanez e Cleumar integram a lista de pessoasque conseguiram colocação profissional e melhoria da renda familiarcom a instalação da unidade da Raízen em Jataí. A usina é responsávelpela criação de 2 mil postos de trabalho diretos e mais de 2 mil indiretos.Do número de diretos, a maioria é de trabalhadores que residem em Jataí.Entre os benefícios com a chegada da usina na cidade está a dinamizaçãoda economia local, já que houve aumento de vendas de mercadorias devários segmentos no município, impulsionadas pelos empregos geradosna região. Os setores que mais se destacam são de farmácias, supermercados,imobiliárias, oficinas mecânicas, borracharias, concessionárias deveículos, revendas de máquinas e profissionais liberais, como médicos,dentistas etc.Segundo o gerente agrícola regional de produção da Raízen, JoãoSaccomano, a empresa injeta, só em salários, aproximadamente R$ 3,5milhões mensais na economia local. “Os fornecedores de cana de Jataíreceberam em 2010 cerca de R$ 20 milhões. E os prestadores de serviço,que hoje já são 71 empresas no município, receberam, em 2011, R$ 60milhões”, enumera João.Ele explica que a unidade chegou ao Estado atraída pela infraestruturae latente crescimento da região e oferta de terras, além de clima propícioà produção de cana-de-açúcar, realizada em grande parte por meiode fornecedores da região. “A chegada da Raízen no Centro-Oeste contribuipara acelerar o processo de desenvolvimento de Goiás, aumentandoa geração de emprego e renda, priorizando a contratação de mão deobra local. A empresa utiliza nesta unidade a mais moderna tecnologiadisponível empregada no campo e no processo industrial”, complementaSaccomano.O gerente agrícola da usina diz ainda que a atividade da indústriafavoreceu a arrecadação de impostos do município e Estado. Nocaso de Jataí, a unidade da Raízen foi responsável pela maior arrecadaçãode Impostos Sobre Serviços (ICMS) em 2009 e 2010. Emrelação à arrecadação de ICMS, a empresa está na lista das 50 maioresde Goiás.CapacitaçãoLocalizada no Sul Goiano, umas das principais regiões agrícolasdo Estado de Goiás, Quirinópolis é sede para duas importantesGoianésiaQuirinópolisusinas do setor sucroenergético – São Francisco e Boa Vista. Aprimeira está em operação desde 2007 e possui mais de três milcolaboradores. Na unidade, que atinge perto de 100% de mecanizaçãoda colheita e 60% do plantio, são produzidos a cadasafra cerca de 350 mil toneladas de açúcar, 150 milhões de litrosde etanol e 290,4 mil MW de energia elétrica.A Usina Boa Vista, da Nova Fronteira - joint-venture entre GrupoSão Martinho e Petrobras -, iniciou o processo para ser instalada naregião em 2002, período de expansão do setor sucroenergético eadvento do carro flex. Na época, o Grupo São Martinho identificoulocais com melhores oportunidades para construir uma nova emoderna unidade. Quirinópolis foi escolhido em função de algunsdiferenciais como disponibilidade, qualidade de terras e vantagenslogísticas, foi a escolhida.O empreendimento ficou pronto em prazo considerado recorde: dolançamento da pedra fundamental, em março de 2007, até entrar emoperação em caráter experimental, em junho de 2008, foram apenas15 meses de obras. A construção da Usina Boa Vista ajudou a mudaro perfil econômico da cidade. Foram criadas novas empresas e vagasde trabalho. No segmento de hotéis, por exemplo, foram construídosmais três e reformados os antigos. Isso fez com que houvesse umaumento considerável no número de acomodações. Tudo para atendermelhor as novas necessidades das usinas e da economia local.Atualmente, a unidade possui 1,5 mil pessoas trabalhando na áreaagrícola, 250 na área industrial e 250 na área administrativa. A funçãocom mais profissionais trabalhando é a de operador de máquinase veículos, num total de 600 pessoas, já que a colheita é 100%mecanizada, exigindo um contingente representativo de pessoas. ANova Fronteira anunciou em agosto os planos de expansão da UsinaBoa Vista. Serão investidos R$ 520,7 milhões voltados à ampliaçãoda capacidade de moagem da unidade para 8 milhões de toneladasde cana-de-açúcar já a partir da safra 14/15. Isso tornará a UsinaBoa Vista a maior do mundo na fabricação de etanol. Serão criados3 mil empregos, entre diretos e indiretos, na região de Quirinópolis,que será beneficiada também com novas oportunidades de desenvolvimento,arrecadação de impostos e geração de renda.Fotos: Divulgação18 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 19


Polos sucroenergéticos GoiásPrincipais polos dedesenvolvimento do setorsucroenergético em GoiásDistâncias de GoiâniaParaúna - 150 kmGoianésia - 170 kmGoiatuba - 178 kmItumbiara - 204 kmBom Jesus - 230 kmRio Verde - 238 kmQuirinópolis - 293 kmJataí - 327 kmParaúnaJataí Rio VerdeBom Jesus de GoiásQuirinópolisGoianésiaGoiâniaGoiatubaItumbiaraGoiás: tendência para a agriculturaPrincipais produtos agrícolas - 2010Produto Qtd. Produzida Participação(toneladas) Goiás/Brasil (%)Cana-de-açúcar 47.733.283 6,54Soja 7.344.570 10,72Milho 4.848.005 8,65Tomate 1.120.135 30,20Sorgo 616.091 40,95Feijão 290.348 9,01Algodão 176.018 6,00Abacaxi 46.622 3,22Alho 39.252 37,51Fonte: IBGEElaboração: SEGPLAN-GO / SEPIN / Gerência deEstatística Socioeconômica - 2011Para atender às exigências de mão de obra, ausina está constantemente investindo na capacitaçãode seus colaboradores, principalmenteem parceria com o Senai de Quirinópolis e RioVerde, segundo o diretor agroindustrial, RicardoAzevedo. “Atualmente, está em curso o programa‘Nova Fronteira do Conhecimento’, lançadoem junho último. Trata-se de uma parceriaentre a Nova Fronteira, o Senai e a prefeitura deQuirinópolis para a realização de cursos profissionalizantespara a população local. Ao todo,250 pessoas são beneficiadas por essa iniciativa”,ressalta.Formada em Geografia pela UniversidadeEstadual de Goiás (UEG), Fábia Rúbia de Souza,que há cinco anos trabalha na Usina Boa Vista,participou de 28 cursos de capacitação profissional,sendo 18 com o apoio da empresa. Eladiz que a capacitação contribuiu para que conseguisseevoluir profissionalmente na unidade,chegando ao cargo de gerente, após ter atuadocomo recepcionista, telefonista e assistente decoordenação. “Agora tenho e posso utilizardiversos benefícios como plano de saúde, cooperativade crédito, auxílio farmácia, cartão alimentaçãoe transporte”, lista.Polo empresarial sucroenergéticoEconomia estagnada era a realidade deQuirinópolis há 10 anos, assegura o prefeitodo município, Gilmar Alves da Silva. De acordocom ele, a instalação das unidades industriaisdo setor sucroenergético permitiu crescimentoeconômico à cidade, ajudando adiversificar o comércio local. “Houve umamudança da atividade rural da região.Produtores de soja e milho passaram a conciliarsuas atividades com o cultivo de canapara fornecer às usinas”, destaca.O prefeito esclarece que a oferta de empregosna região favoreceu o retorno de pessoasda cidade que tinham ido para outros municípios,Estados e países em busca de melhor vidafinanceira. Ele exemplifica que a criação depostos de trabalho tem sido gradual e positiva,inclusive com Quirinópolis tendo alcançado a3ª colocação na geração de empregos em2008, no ranking estadual. Gilmar cita aindacomo benefício a abertura de empresas comoconcessionárias de máquinas, implementos eveículos, além da implantação de instituiçõesde capacitação profissional, como ServiçoNacional de Aprendizagem Industrial (Senai),que tem contribuído para qualificar a mão deobra para as usinas.É essa nova realidade industrial, comercial eeconômica do município que tem incentivadoo prefeito Gilmar Alves da Silva a buscar apoioe parceria para a criação do Polo EmpresarialSucroenergético de Quirinópolis. O projeto, emfase de implantação, objetiva atrair maisempresas ligadas ao setor e que prestam serviçosàs usinas da cidade e às outras 30 instaladasem um raio de 150 quilômetros ao redordo município.DestaquesSe antes a paisagem que se via nas propriedadesrurais goianas era de soja, sorgo, milho epecuária, hoje esse cenário mudou e essas culturasabriram espaço para a cana-de-açúcar. Alémda queda do preço dos grãos nos últimos doisanos, o crescimento do setor sucroenergéticotornou a cana atrativa para diversos produtoresrurais, que passaram a ser arrendatários e fornecedoresdo produto às usinas.Municípios como Bom Jesus, Itumbiara,Goiatuba e Paraúna não fugiram à regra e tambémsão polos de desenvolvimento do setorsucroenergético de Goiás. Localizada na regiãoSul do Estado, a 204 quilômetros de Goiânia ena divisa com Minas Gerais, Itumbiara tem sedestacado no segmento, sendo sede para cincousinas. As unidades industriais contribuem paraque o município registre PIB de R$ 1,37 bilhão,segundo dados do Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística (IBGE), e receba comérciode apoio e centros de profissionalização.Já Paraúna, distante a 150 quilômetros dacapital goiana, possui usinas como Nova Gália eParaúna Açúcar e Álcool, e deve receber unidadeda Raízen, que tem projeto com orçamentoaprovado e com licenças ambientais obtidas.Outro destaque no Estado é Goiatuba, situadano sul de Goiás, que tem sua economia baseadana agricultura. O município é sede da goianaGoiatuba Álcool Ltda, empresa do GrupoConstrucap. A unidade, que produz etanol, açúcarVHP, açúcar cristal orgânico e energia elétrica– a partir da cogeração –, possui mais de 2,5mil colaboradores, sendo a maior indústriaempregadora de Goiatuba.Jalles Machado inauguranova unidade em GoianésiaCom capacidade para processar 650 mil toneladas de cana na primeirasafra, produzir 57 milhões de litros de etanol e gerar 40 Mwhde energia elétrica, a Unidade Otávio Lage (UOL) e a Codora EnergiaLtda. foram inauguradas oficialmente no início de setembro emGoianésia, apesar de estarem em operação desde junho deste ano.No total, foram investidos R$ 410 milhões, provenientes de recursospróprios e de apoio financeiro do Banco Nacional deDesenvolvimento Econômico e Social - BNDES. O projeto tambémcontempla a área social e ambiental, com recursos de R$ 2,25 milhõespara a construção de uma nova sede para a Escola Luiz César deSiqueira Melo, que atende 398 crianças de Ensino Fundamental deGoianésia e é mantida pela Fundação Jalles Machado.A Unidade Otávio Lage e a Codora Energia são responsáveis pelacriação de 1,5 mil empregos diretos, contribuindo com mais renda,impostos e desenvolvimento para a região. “Esse sonho começoucom o meu pai e ex-governador de Goiás, Otávio Lage de Siqueira,empreendedor e que era apaixonado por Goianésia e a sua população.Hoje, estamos muito orgulhosos de ter dado continuidadee poder ver a concretização desse projeto que ele tanto se empenhoupara realizar”, afirma o diretor-presidente da Jalles Machado,Otávio Lage de Siqueira Filho.O projeto para implantação da Unidade Otávio Lage e da CodoraEnergia Ltda se iniciou com o Grupo Otávio Lage, que queria expandiros seus negócios e gerar mais empregos e desenvolvimento para aregião. Uma das razões que levaram o Grupo a optar por investir emuma empresa do setor sucroenergético foi a maior rentabilidadeMaria Lúcia Gonçalvesproprietária de um mercado ede um restaurante emGoianésia: vendasaumentaram20 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 21


Mercado externoCaracterísticas do sistemade colheita mecanizadoSão autopropelidas, com sistemashidrostáticos e mecânicos para seudeslocamento;Dispõem de mecanismo para separar aslinhas e para levantar a cana deitadatransversalmente. Com o avanço dacolhedora, este mecanismo deita os colmosno sentido do eixo longitudinal da máquinapara tornar viável o processo de alimentação,depois do corte da base;Eliminador de ponteiros, situado na partefrontal superior da máquina;Mecanismo de corte de base: dois discos deaproximadamente 700 milímetros dediâmetro, com altura de corte controladapelo operador, que têm a função de cortar oscolmos em sua base, cerca de 10 a 20milímetros acima do nível do solo;Transportador de rolos com duas funções:transportar os colmos até o sistema depicagem e eliminar o grande volume de soloalimentado pelo cortador de base;Picador de colmo com capacidade de cortar95 % dos colmos entre 230 e 350 milímetros;Sistemas de limpeza composto pelo extratorprincipal, localizado logo após a picagem doscolmos, responsável por 90% do processo delimpeza (separação dos colmos das impurezasvegetais) e pelo extrator secundário situadono extremo superior da esteiratransportadora, antes do produto colhido serlançado ao veículo de transbordo;Esteiras transportadoras, capazes de girar emângulo de 180º, permitindo que a colhedorapossa cortar sempre o mesmo lado do talhão.Os equipamentos possuem transmissão e direçãoeletrônica por Joystick, que possibilita o menor esforçoe maior facilidade para operar a colhedora; omonitor AFS 200, com 6 telas, com até 12 indicadorescada, possibilitando a visualização de dados de acordocom as necessidades operacionais; console lateraldireito com alavanca multifuncional, com botões paraacionamento de todas as funções de colheita; GPS desérie; parabrisa ampliado e espelhos retrovisores,sendo dois externos bipartidos. Além disso, as máquinaspossuem assento do operador com ajuste pneumáticode altura, ajuste horizontal e lombar, apoio debraço e fita indicadora de peso do operador, assentode treinamento, cabine com isolamento termo acústico,pressurizada com ar condicionado, projeto de iluminaçãoexterna desenvolvido especificamente para acultura de cana-de-açúcar e iluminação do consolelateral direito para trabalho noturno.Outro diferencial é que a Case IH é a primeira fabricantede colhedoras de cana a disponibilizar comoitem de série um computador de bordo (Data Logger),que se comunica com software de agricultura deprecisão, o Case IH AFS Desktop Software. “Através doData Logger o cliente tem a sua disposição umaampla gama de parâmetros, como temperatura doóleo hidráulico, consumo de combustível em trabalho,rotação do motor, entre outros, que podem ser selecionadose registrados durante o período de trabalho,tudo isso através de uma interface interativa e desimples utilização”, completa Biasotto.No Case IH AFS Desktop Software todos os dadosregistrados no computador de bordo (Data Logger) dacolhedora de cana Case IH – série A8000 são transformadosem mapas e relatórios analíticos que possibilitamao gestor de mecanização visualizar, gerenciar econtrolar toda a operação de colheita. Além disso,todos os dados coletados em outros equipamentos ecomputadores de bordos podem ser importados parao Case IH AFS Desktop Software facilitando aindamais a gestão da operação de colheita mecanizada eoutras operações de mecanização agrícola.A4000Desenvolvida para atender às necessidades dospequenos e médios produtores de cana, a colhedora(fotos abaixo) tem como nicho principal o mercado doNordeste e áreas com solo de baixa fertilidade cujaviabilidade econômica se dá com o plantio com espaçamentoa partir de 1 metro. Criada para atender omercado de cana plantada com espaçamento entrelinhas reduzido - a partir de 1 metro - a A4000 permiteao operador colher uma linha por vez sem pisotearas soqueiras, aumentando a qualidade do corte, reduzindoos índices de perda e gerando maior longevidadepara o canavial. A colhedora A4000 também podeser utilizada em espaçamentos de plantio convencionais,conferindo maior versatilidade., além de trafegarcom desenvoltura em áreas pequenas e com até 7,5%de declividade, por ser compacta e leve.Fotos: Case/DivulgaçãoCertificações facilitamexportação à EuropaEmpresários e produtores goianos do setor de biomassas participaramde seminário, no dia 31 de agosto, sobre as exigênciaseuropeias para receber exportações brasileiras, em especial osbiocombustíveis. O treinamento ocorreu na Acieg, e contou compalestra da diretora da AgrenNewEnergy B.V, Tania Grave Curado.A executiva, representante do Brasil no Porto de Rotterdam, falousobre as adequações legais relacionadas aos produtos que entram nocontinente europeu e sobre a impossibilidade de exportação sem ascertificações necessárias. Conforme Tania, o objetivo do semináriofoi derrubar o tabu de que existem barreiras que dificultam o comérciocom a Europa. “Adquirir as certificações é um processo simples eque garante proteção e direitos aos produtores”, afirma. Segundo apresidente da Acieg, Helenir Queiroz, a palestra mostrou o potencialgoiano em ganhar mercados internacionais a partir da produção debioenergia. Helenir ressaltou também a importância do Porto deRotterdam, na Holanda, como a maior porta de entrada dos produtosbrasileiros na Europa.Ao final do encontro, foi assinado acordo entre o Estado de Goiás,representado pelo secretário de Indústria e Comércio, AlexandreBaldy, a Acieg e o governo holandês. A proposta da minuta é aumentaro papel da energia renovável no mix global, levando em consideraçãoa bioenergia e a biomassa produzidas em Goiás.Canal -Jornal da BioenergiaFonte: Embrapa26 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 27


CogeraçãoEnergialimpa eseguraAtividades de instalação e serviços comeletricidade seguem normas do MTEAcrescente produção de energias renováveis no Brasil exige aadaptação das usinas a protocolos de segurança para garantir quea bioletrietricidade gerada, um de seus produtos mais nobres,também seja segura para quem a produz. Além do uso de equipamentosde segurança, os profissionais produtores de energia devem seguirnormas rigorosas para evitar acidentes, descargas elétricas e incêndios noambiente de trabalho.A bioeletricidade produzida a partir da cana-de-açúcar é consideradao futuro do setor sucroenergético. Em 2010, as usinas brasileiras geraramenergia suficiente para atender 20 milhões de brasileiros. O número aindaé pequeno e atende, apenas, a 2% da demanda nacional. Mas a tendênciaé que a produção aumente com a expansão da rede de transmissão.Menos de 30% das usinas do setor estão hoje ligadas à rede. Até 2020, oMinistério de Minas e Energia acredita que esta fonte será responsávelpelo abastecimento de 20% da demanda nacional.Um dos investimentos necessários para garantir este crescimento está nasegurança dos processos de cogeração. De acordo com o engenheiro eletricistaEdson Martinho, diretor executivo da Associação Brasileira (Abracopel),não existe estatística oficial de ocorrências de acidentes na área industrial,onde estão inseridas as usinas do setor sucroenergético. Segundo ele, osregistros da entidade, que acompanha notícias publicadas em todo o Brasil,mostram 143 ocorrências ligadas à rede de distribuição de energia e 14acidentes em empresas, no ano de 2010. No total, eles registraram 625acidentes com energia noticiados no País durante o período.Os acidentes com energia na área industrial, segundo Marinho, sãocausados principalmente por falhas no processo de segurança. “Na grandemaioria dos casos, os profissionais acabam burlando os requisitos desegurança e colocam suas próprias vidas em risco e também a dos colegas”,explica. Toda a segurança da geração de energia é regulamentadapela NR 10, que estabelece requisitos de segurança para que trabalhematentando a segurança do profissional.A Norma Regulamentadora 10 do Ministério do Trabalho e Emprego foiatualizada em 2004 e normatiza todas as atividades de instalação e serviçoscom eletricidade, incluindo fontes renováveis de energia. Além destanorma, as empresas devem estar atentas às outras normas técnicas ecritérios adotados pela ABNT. “Temos uma norma para cada tipo de geradore quem trabalha com eletricidade deve estar atento a elas”.Os principais passos para garantir a segurança nestes locais de cogeraçãoe distribuição da energia são a sinalização de alerta e o bloqueio deestranhos. Marinho também cita a necessidade de desenergização docircuito a cada manutenção, o uso de equipamentos específicos e protegidos,luvas e roupas adequadas para a classe de tensão do ambiente,capacetes com viseiras e capuz de carrasco, botas sem metal e, se o trabalhofor nas alturas, cinto anti-chamas.Os dispositivos de segurança aplicados na rede elétrica tiveram umaevolução muito grande, nos últimos anos. “As próprias empresas estãopreocupadas em minimizar os acidentes e buscam produtos com certificaçãocompulsória e voluntária, quando possível”, explica Marinho. Todosos equipamentos de proteção individual devem ser certificado por umórgão do Ministério do Trabalho e Emprego, que garantem a qualidade esegurança do mesmo. “Com a NR 10, aumentou a fiscalização e a preocupaçãocom a segurança. Mesmo sem números oficiais, percebemos aredução de acidentes”, explica.TreinamentoO item mais importante, segundo o especialista, é o treinamento dos colaboradoresdiretamente envolvidos com energia. Eletricistas, engenheiros etécnicos devem ter formação sobre a NR 10 para trabalhar na área. NaCentroalcool, localizada em Inhumas (GO), a energia é produzida apenas parao próprio consumo. De acordo com a engenheira de segurança da unidade,Adrienne Brito, todos os colaboradores, incluindo os de manutenção e limpeza,recebem treinamento em NR 10 e também em SEP (Sistema Elétrico dePotência), destinado a geração de energia. A função é considerada de risco, oque obriga a empresa a escolher colaboradores qualificados para o trabalho.Outro treinamento é o de combate a incêndio e primeiros socorros.Na Centroalcool, todos os equipamentos de segurança são testadosanualmente e as certificações são conferidas neste período. “É preciso quetudo esteja isolado e com funcionamento pleno. A maioria dos equipamentosnão consegue atingir um ano de uso e é trocada para garantir asegurança do seu usuário”, explica Adrienne. Na unidade, 14 pessoas trabalhamdiretamente nesta área.Em outra usina goiana, a Usina São Francisco, a produção de bioeletricidadeé exportada e a capacidade de produção é de 50 MW/dia. Segundo o gerenteindustrial da unidade, Hélio Belai, cerca de 60 pessoas trabalham na área.“Temos hoje um sistema muito seguro, porque, com a exportação, a indústriainvestiu na segurança para garantir um sistema de redundância e automaçãomuito eficientes”. Todos os eletricistas são treinados nas normas regulamentadoras,além dos fornecedores. “Todos os nossos fornecedores são auditados. Atéo local que ele agrega os seus colaboradores”.Hélio Belai também é coordenador do Grupo de Eficiência de MaximizaçãoEnergética Agroindustrial (Gemea) do Centro-Oeste e afirma que, na reuniãode outubro, os processos de segurança na produção e a qualificaçãode colaboradores estarão na pauta. “Hoje temos um ótimo índice de ocorrênciasde acidentes, mas o importante é saber como mantê-lo e esta seráuma discussão do grupo”.28 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 29


HomenagemArte feitade dedicaçãoGoiandira do Couto costumava afirmar: “Nuncavilusmbrei lucro financeiro com a a minha arte.”Homenagem aGoiandira do CoutoNesta edição, o CANAL reeditareportagem sobre uma das maisbrilhantes e queridas artistas de Goiás,falecida em Goiânia, no dia 22 deagosto, aos 95 anos de idade.Filha de Luís de Oliveira Couto, poeta, advogado e historiador, ede Maria Ayres do Couto, também artista plástica, Goiandirado Couto transformou a pintura em poesia na Cidade de Goiás,primeira capital do Estado e berço da renomada poetisa CoraCoralina, sua prima e amiga. As duas são tesouros desta rica cidade,onde se respira história. Há um ano e meio, quando entrevistada peloCANAL, ela disse: “Parei de trabalhar há dois anos, depois que fratureia bacia”, diz a artista, com voz firme e com pressa: “ Filha (se referindoà repórter ) me desculpe, mas preciso desligar o telefone logo,porque estou com o almoço no fogo. Apesar da idade avançada, euainda faço todo serviço da casa”, contou a artista, que fundou aEscola de Artes Plásticas Veiga Valle, criada nos anos 60, na Cidadede Goiás.Assim era Goiandira, a artista vilaboense que tem quadros expostosem vários países do mundo e nas embaixadas da Alemanha,Austrália, Paris, Chile, Japão, Iraque, Rússia, Israel, Mossambique e nasede da Organização das Nações Unidas (ONU), entre tantos outroscantos do mundo.Filha mais velha de doze irmãos e natural da cidade de Catalão,localizada na região sul do Estado de Goiás, aos seis anos de idademudou-se para a Cidade de Goiás. Aos 16 anos recebeu sua primeirapremiação, em reconhecimento à qualidade de sua arte. Dois anosdepois, Goiandira do Couto fazia sua primeira coletiva de quadros emóleo sobre tela.“Nunca vislumbrei lucro financeiro com minha arte. Sempre leveiem conta a minha profissão, professora de etiqueta. Lecionei até meaposentar”, contou à jornalista Clarissa Bezerra, autora da primeiramatéria que o CANAL fez com a artista. Goiandira nunca casou-se outeve filhos. Sua grande união foi mesmo com as artes, que pode serdividida em dois momentos. A primeira, a fase do óleo, de 1968.Voz inspiradoraEm sua longa jornada produtiva foram necessários34 anos para que Goiandira do Couto chega-seà pintura com areias de pedras trituradas da SerraDourada, técnica singular que a diferenciou e atornou reconhecida mundo afora. “Um dia eu estavadeitada, quando de repente uma voz falou: ‘Fazuma casa com areia”, relembra. Assustada, rezouum Pai-Nosso e, em seguida, pensou: Se já dispunhade uma coleção de vidrinhos com areias coloridas,por que não usá-las em suas telas? A partirdeste momento, a arte de Goiandira do Couto criaforça e começa a correr o mundo.Areia transformada em arteA técnica que Goiandira do Couto usava consistiaem riscar o desenho na tela (quase sempre traçosque retratam a Cidade de Goiás), passar a cola esalpicar areia nos espaços desenhados de formamilimétrica para obter o resultado preciso (fotos àdireita). Sua arte é composta por mais de 500 tonalidadesde cores diferentes de areias e, o que maisimpresisona, de cores naturais, sem adição de qualquerpigmento.Em sua casa centenária, localizada na ruaJoaquim Bonifácio, que fica atrás da igreja daAbadia, ela montou um espaço cultural com aexposição de seus incontáveis quadros, confeccionadosao longo de sua carreira. Goiandira sefoi, mas jamais será esquecida.30 • CANAL, Jornal da Bioenergia Setembro de 2011 • 31


Empresas e MercadosABB recebe pedido de US$ 14 milhões paraintegração de rede de energia eólicaA ABB, grupo líder em tecnologias de energia e automação,recebeu um pedido no valor de aproximadamente US$ 14milhões da Galvão Energia SA, para fornecer uma subestaçãotransformadora e lançar cabos de força para efetuar atransmissão de energia de um parque eólico atualmente emconstrução no Rio Grande do Norte.A ABB vai entregar uma subestação em regime turn-key de34.5/138 kV (kilovolt) e irá instalar 60 quilômetros de cabos de34,5kV, conectando quatro novos parques eólicos com umacapacidade total de 94 MW (megawatt) à rede nacional. Algunsdos principais produtos a serem fornecidos incluem painéisisolados a gás de alta e média tensão, transformadoreselevadores de potência, transformadores de medição e para-raios.A ABB também vai fornecer o sistema de controle e proteção emconformidade com o padrão global de comunicações IEC 81850,bem como sistemas de telecomunicação, controle remoto esistema supervisório (SCADA). Eles irão possibilitar o controlelocal e à distância da subestação, juntamente com seumonitoramento e gerenciamento eficiente em tempo real.Como parte do projeto turn-key, a ABB é responsável peloprojeto, engenharia, fornecimento, montagem, comissionamentoe start-up da subestação, incluindo as obras civis. A previsão deentrega do projeto é setembro de 2012.ERB fecha parceria agrícola paraplantação de eucalipto sustentávelEstímulo da atividade rural, incremento de renda ao produtor agrícola erecuperação de pastagens degradadas. Esses são alguns dos benefícios do programaProdutor Parceiro ERB, criado pela ERB – Energias Renováveis do Brasil, que atuana geração de energia a partir de biomassa. A empresa acaba de firmar sua primeiraparceria para plantação de eucalipto, no município de Pedrão, que fica a 131quilômetros de Salvador (BA).Na prática, a ERB assume a execução de todo o processo, desde a avaliação daárea, passando pelo preparo da terra, plantio e manutenção da cultura, assim comoo corte da madeira. A estimativa do volume de biomassa é calculada no início docontrato e o pagamento dividido em parcelas anuais. “O produtor rural sabeexatamente quanto e quando irá ganhar, sem a necessidade de aguardar o primeirocorte do eucalipto. Quitamos o saldo ao final de cada ciclo, com correção calculadade acordo com a estimativa”, explica Paulo Vasconcellos, diretor executivo da ERB.Para os produtores, além da renda extra e de não precisarem vender suas terras, avantagem é a possibilidade de investir em melhorias na pastagem e manter aqualidade das cabeças de gado. Já para a ERB, o grande atrativo é contar com maisdisponibilidade de eucalipto na região, o que contribui para manter o homem nocampo e gerar renda para a comunidade.Rodofort expõe carrocerias específicas para o setorsucroenergético na Fenasucro e Agrocana 2011A Rodofort, tradicional fabricante deimplementos rodoviários de Sumaré, nointerior paulista, foi um dos expositoresde destaque na Fenasucro&Agrocana2011. O evento, que é uma das maisimportantes feiras do setor no país, foirealizado de 30 de agosto a 02 desetembro, no Centro de Eventos Zanini,localizado em Sertãozinho (SP).Essa é a sétima vez que a Rodofortparticipa do evento e nesta edição, aempresa levou para a feira um conjuntorodotrem de cana picada, umsemirreboque multiuso de cana/soja euma base para tanque de vinhaça.Carro-chefe da empresa no evento, orodotrem tem como principaisdiferenciais os mancais de articulação,que por serem auto-lubrificantes,eliminam a necessidade de parada doequipamento para lubrificação. Osemirreboque multiuso traz apossibilidade de carregar soja em umequipamento canavieiro, otimizandoassim a operação do transportador. Já abase para tanque de vinhaça da Rodoforté um equipamento de alta resistência,que possui capacidade para suportartanques de até 35 mil litros.BP amplia presença no setor sucroenergéticoA aquisição pela BP de 100% da TropicalBioEnergia e de mais 3% das ações daCompanhia Nacional de Açúcar e Álcool(CNAA) por um total de US$ 100 milhões sãonovos desdobramentos do processo deconsolidação em curso no setorsucroenergético brasileiro. Para o presidenteda União da Indústria de Cana-de-Açúcar(Unica), Marcos Jank, operações desse tiporefletem a busca por ganhos de eficiência eescala por parte das empresas.“Em 2005, os quatro maiores grupos do Paíseram responsáveis por 16% da moagemnacional de cana-de-açúcar, participação quecresceu para 28% na safra 2009/2010. Nasafra 2010/2011, os dez maiores gruposcontrolaram 32,77% da cana processada noBrasil,” observa Jank. Mario Lindenhayn,presidente da BP Biofuels Brasil, braço dapetrolífera no segmento de biocombustíveis,confirma a aposta no potencial dobiocombustível fabricado a partir da cana-deaçúcar.“Este acordo, somado a outrasaquisições recentes, estabelece uma sólidaplataforma para a expansão de nossaFotos: Divulgaçãocapacidade de fornecimento de etanol para osmercados doméstico e internacional,” afirma.Em negociação fechada por US$ 75milhões, a BP adquiriu os 50% restantes daTropical Bioenergia, formada pelascompanhias Maeda S.A. Agroindustrial (25%)e LDC-SEV Bioenergia S.A. (25%). A novaproprietária e operadora da usina em Edéia,Goiás (GO), prevê que, após expansão na áreaagrícola e industrial, a planta terá capacidadede moer cinco milhões de toneladas de canaem 2012. A pleno funcionamento, a usinaproduzirá anualmente cerca de 450 milhõesde litros de etanol e poderá tambémcomercializar 250 Gigawatts/hora (GWh) deenergia elétrica por meio da queima dobagaço de cana.Após adquirir, em abril de 2011, 83% dasações da CNAA por US$ 680 milhões, a BPresolveu agora investir outros US$ 25 milhõespara ficar com mais 3% da empresa, antescontrolada pela Louis Dreyfus Commodities(LDC). Isso eleva a participação da BP na CNAApara 99,97%, com duas usinas em operaçãoem Itumbiara (GO) e Ituiutaba (MG).Cetrel inaugura centro deinovação e tecnologiaambientalA Cetrel já colocou em funcionamento oprimeiro Centro de Inovação e TecnologiaAmbiental (CITA) para transformar resíduosindustriais em novos produtos. Cominvestimento de R$ 15 milhões, o CITA possuiuma área de 2,5 mil metros quadrados noPolo Industrial de Camaçari (BA), e abrigadiversos laboratórios, além de possuir áreaespecífica para a implantação de modernasplantas-pilotos. O centro completa aestratégia traçada pela empresa em 2006 deampliar seu portfólio de serviçostransformando resíduos industriais emmatérias-primas alternativas. A própriaunidade inédita no Brasil foi construída comalguns materiais transformados.A estratégia da Cetrel consiste emaproveitar sua experiência de 33 anos notratamento de efluentes sólidos, líquidos egasosos e aplicá-la no desenvolvimento detecnologias para melhor aproveitamento deresíduos com foco no desperdício zero e noaproveitamento máximo. “Não existe no Paíscentro de pesquisa e tecnologia como ocriado pela Cetrel em Camaçari. Queremosmostrar que todo e qualquer passivoambiental pode ser transformado paracontinuar atendendo à demanda daindústria”, afirma Ney Silva, diretorpresidente da CetrelMaktrator comemora9 anos de atividadeA Maktrator Comércio e Serviçocomemorou na semana do dia 24 deagosto seus 9 anos de atividade, com umaprogramação especial de eventos para seuscolaboradores. A semana foi encerradacom um grande jantar de aniversário, ondetodos os colaboradores, familiares eparceiros puderam conhecer a novaestrutura organizacional da empresa, oprojeto de responsabilidade social eempresarial “Vidas doando Vidas” e olançamento da Unidade Mineiros – Goiás.A Maktractor agradece o apoio de todos osparticipantes e colaboradores e reconheceque, juntos, poderão tornar-se umaempresa-modelo em gestão empresarialsustentável, ao garantir melhoria contínuade produtos e serviços, priorizando aresponsabilidade socioambiental nasrelações humanas e comerciais.www.ionixnet.com.br32 • CANAL, Jornal da BioenergiaSetembro de 2011 • 33


InternetSite ajuda na identificaçãode pragas agrícolasCom o objetivo de auxiliar os profissionaisenvolvidos nas produções agrícolas na identificaçãoe no controle de pragas, o agrônomoHenrique Moreira, especialista no assunto,criou o site Pragas Agrícolas (www.pragasagricolas.com.br).Trata-se, segundo o autor, do maiorportal brasileiro sobre pragas, que reúne informaçõesespecíficas sobre insetos, plantas daninhas edoenças de praticamente todas as lavouras cultivadasno Brasil, além de fornecer informaçõessobre como combatê-las.O portal dispõe de coletânea de manuais deidentificação impressos já lançados por Moreira etem a vantagem, com o site, de facilitar a buscae as orientações de manejo. Antenado com asúltimas tendências, o portal também tem formatopara ser acessado por celular e tablets.“O Pragas Agrícolas é fruto de anos de trabalhoe pesquisa. A ideia é que faculdades e cursos técnicospossam utilizá-lo como ferramenta de estudo.No futuro, queremos abrir espaço para que osvisitantes possam postar imagens e informaçõestambém, gerando um grande fórum de informaçõesna rede”, afirma Moreira.Para o professor doutor da Esalq, José OtávioMachado Mentem, “o portal é muito prático, ilustradoe fácil de ser utilizado. Uma ferramentamuito útil, pois a identificação correta da praga éfundamental para definir as medidas de manejo/controle”. Mentem acrescenta ainda que “o portalé de extrema importância para professores, já quepoderá ser utilizado para ilustrar diversas aulas,para os estudantes de Ciências Agrárias, pois colocaráà disposição informações essenciais ao aprimoramentodos conteúdos estudados em sala deaula, e também para os profissionais de campo,que fazem assistência técnica e extensão rural”.Segundo José Annes Marinho, gerente de educaçãoda Andef, “a iniciativa vem ao encontro dasnovas tendências na agricultura. A agilidade natroca de conhecimentos será de grande valorestratégico na busca da maior por maior eficiênciatécnica para recomendação adequada paracada alvo e cultura. Todo este processo buscautilizar e implantar as boas práticas, que resultamem uma agricultura forte e sustentável.”34 • CANAL, Jornal da Bioenergia

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