Crise divide os economistas

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Crise divide os economistas

CRISEAs análises não poderiam ser maiscontrastantes. De um lado, há os querespiram aliviados, pois acham que opior já passou. De outro, estão os profetasdo apocalipse, segundo os quaisa crise mal começou e o pior ainda estápor vir.As duas hipóteses resumem asavaliações que economistas, analistase operadores fazem sobre a crise financeiradesencadeada em agosto passadonos Estados Unidos pelo estouro dabolha especulativa no mercado imobiliário.Uma corrente minoritária acreditaque os mercados já tocaram o fundodo poço e apostam na gradual normalizaçãoaté o fim do ano. Para essesanalistas, a heterodoxa e controvertidaoperação de salvamento do banco deinvestimentos Bear Stearns e as váriasmedidas anunciadas em abril pelo FederalReserve Board e pelo Departamentodo Tesouro, para garantir a liquidez nomercado financeiro, funcionaram.Embora tenham tido vários efeitospolíticos adversos, dentre os quais ode alijar o secretário do Tesouro, HenryPaulson, do manejo da crise, por causade suas ligações históricas com omercado de investimentos [Paulson foipresidente do Goldman Sachs antes deassumir seu atual posto no governo], asmedidas comprovaram a disposição dasautoridades financeiras para intervir demaneira decisiva para evitar um colapsosistêmico, restaurar a confiança dosinvestidores e impedir que a crise iniciadano setor imobiliário contagiasse aeconomia real. Seus resultados estariamvisíveis na recente recuperação de WallStreet, no retorno de empréstimos bancáriosao setor privado, bem como naqueda na cotação dos títulos públicosdo Tesouro dos Estados Unidos, para osquais os investidores haviam migradoem massa no auge da crise, fugindo dosinvestimentos privados, de risco maiselevado.A visão menos rósea – e majoritária– é lastreada nas opiniões de analistase operadores de peso, como MartinFeldstein, professor da Universidade deHarvard, e Mohamed El-Erian, chefeexecutivo da Pimco, o maior fundo deinvestimentos privados do mundo. Elessustentam que as medidas do FederalReserve (FED) e do Tesouro para aliviara escassez de crédito provocada pelacrise do subprime (empréstimos imobiliáriosdados a cliente de segunda linha),a partir do segundo semestre de 2007,produziram o efeito imediato desejadode evitar a desestabilização do sistemafinanceiro global. Seriam, contudo, insuficientespara impedir uma recessãonos Estados Unidos e sua repercussãonegativa na economia global. Essesanalistas alertam para riscos iminentesrepresentados pela fragilidade já visívelem outros segmentos do mercado,como os papéis garantidos por imóveispara escritório e os créditos futuros deempresas privadas, conhecidos como recebíveis.Para eles, o momento atual derelativa tranqüilidade seria como a calmariaque acontece no intervalo entreo primeiro impacto e o olho de um furacão.Ou seja, a crise iniciada no setorfinanceiro contamina agora a economiareal e a instabilidade deve aprofundarsenos próximos meses. “Os persistentesdeslocamentos financeiros fazem que aeconomia real se transforme, ela própria,em fonte potencial de disrupção”,escreveu El-Erian no final de abril, noFinancial Times. “Haverá nos próximosmeses reversão na direção da causalidade:o adverso e o incomum contágio daeconomia real dos Estados Unidos pelosetor financeiro está se metamorfoseandoem um fenômeno mais comum, noqual forças recessivas ameaçam minarColorBlind Images/Corbis/LatinStock46

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