Crise divide os economistas

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Crise divide os economistas

CRISEo sistema financeiro.” São avaliaçõescomo esta que informam o prognósticomais pessimista, segundo o qual a crisemal começou e os norte-americanoscontinuam a enfrentar o risco potencialde amargar sua mais profunda e prolongadarecessão em décadas.O livro The Trillion Dollar Meltdown,de Charles R. Morris, recentementepublicado nos EUA, estima que os prejuízosdiretos decorrentes da crise somamUS$460 bilhões em hipotecas,US$345 bilhões em prejuízos deempresas e bancos que investiramno mercado subprime e em outrospapéis lastreados por imóveis eUS$215 bilhões em perdas emoutros setores, como companhiasde seguros e cartões de crédito. Asperdas já quantificadas representariam,portanto, o equivalente aoPIB do Brasil. A exemplo de El-Erian e Feldstein, Morris acreditaque a crise ainda pode se alastrara outros setores e aumentar o tamanhodo dano à economia real.A expectativa pessimista,compartilhada pela maioria dosanalistas, orienta-se por um roteirosobre o possível encadeamentodas próximas etapas da crise. Osproblemas de oferta de créditoforçarão as empresas a reduzir investimentos.Da mesma forma, aprevisível perda de valor dos imóveis e,conseqüentemente, do poder aquisitivodas famílias deve acelerar a queda donível de confiança dos consumidores,que atingiu, no mês passado, seu pontomais baixo em um quarto de século. Avolta da pressão inflacionária e a desvalorizaçãodo dólar, acentuada pelorecente ciclo de corte de juros, contribuirãopara agravar o panorama sombriode queda da demanda e do nívelde investimento, com conseqüênciasobviamente adversas para a economiacomo um todo.Os próprios executivos norte-americanos,notórios por sua compulsão emminimizar os revezes militares no Iraquee manter a ilusão de uma vitória final,começam a cair na real e reconhecerde modo mais explícito as dificuldadesque enfrentam em lidar com a criseeconômica. Em entrevista coletiva queconcedeu em 29 de abril, o presidenteUma corrente minoritáriaacredita que os mercadosjá tocaram o fundo dopoço e apostam na gradualnormalização até o fim doano. Para esses analistas, aheterodoxa e controvertidaoperação de salvamentodo banco de investimentosBear Stearns e as váriasmedidas anunciadas peloFederal Reserve Board epelo Departamento doTesouro, para garantira liquidez no mercadofinanceiro, funcionaram.George W. Bush, que até então tinha senegado a admitir a possibilidade de recessão– definida pela contração do PIBpor dois trimestres consecutivos –, mudouo discurso dizendo que a situaçãoda economia desafia “consertos fáceis”.A mudança de tom adotada por Bushé especialmente significativa porqueocorreu no início do período de devoluçãode impostos a contribuintes – entreUS$600,00 por pessoa e US$1.200,00por casal – proposta pela administraçãoe aprovada pelo Congresso em janeirocomo parte de um pacote anti-recessãode emergência. Para bom entendedor, opronunciamento de Bush quer dizer queas medidas de estímulo surtirão menosefeito do que ele gostaria.A declaração de Bush e a reduçãode 0,25% da taxa básica de juro, anunciadano dia seguinte pelo FED, coincidiramcom a divulgação do Departamentode Comércio, segundo a qual a economianorte-americana cresceu àtaxa anual de 0,6% no primeirotrimestre de 2008. O resultado foimelhor do que previam os analistase investidores, mas foi insuficientepara mudar as avaliaçõespessimistas da maioria dos observadores.Feldstein alertou que osdados publicados são “enganosos”.Segundo ele, o relatório sugeriuque a atividade econômicacontinuou a crescer em janeiro,fevereiro e março passados. “Maso crescimento refere-se, na verdade,ao aumento do nível médio doquarto trimestre de 2007 comparadocom o do primeiro trimestrede 2008. Dados mensais desdejaneiro indicam que a atividadeeconômica e o PIB têm declinadodesde o início do ano”, afirmou oprofessor de Harvard.Voz igualmente notávelno coro dos pessimistas, o economistaNouriel Roubini, professor da Universidadede Nova Iorque, reforçou o argumentode Feldstein em seu blog. Paraele, a análise do resultado do primeirotrimestre, ainda que positivo, indica queos Estados Unidos já mergulharam narecessão. A elevação foi puxada peloaumento dos estoques nas lojas devidoa compras contratadas no passado, nãopela demanda interna ou pelas importações.Esse dado indicaria que a econo-47

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