Crise divide os economistas

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Crise divide os economistas

CRISEmia vem perdendo dinamismo e entrouem período de contração.Para outros analistas da escola pessimista,o crescimento do desempregoé sinal adicional de recessão. A taxa deemprego vem caindo desde janeiro e oíndice de desemprego ultrapassou amarca de 5% em março. Embora esteseja menor do que o verificado em crisesanteriores, os economistas alertam quehá forte deterioração da taxade desemprego de longo prazo,medida pelo tempo em que aspessoas passam sem conseguirtrabalho formal. No momento,20% dos desempregados ficammais de seis meses sem conseguirnova colocação, o que secompara com 12% nas recessõesde 1990 e 2001.“Limitar os efeitos de umarecessão não é a mesma coisaque evitar uma recessão”,declarou o professor Barry Eichengreen,da Universidadeda Califórnia, outro pessimista,em conferência com diretoresfinanceiros de bancos e empresasem Londres. Para ele, “osEstados Unidos já se encontramem processo recessivo”. O diagnósticoque apresentou sobre aeconomia real é sombrio: “Alémde outros sinais de severa desaceleração,existe o estoque de nove meses de residênciasnão-vendidas a ser resolvido.Adicione-se a isso cerca de 10 milhõesde casas abandonadas por compradoresinadimplentes e que terão de ser vendidasa qualquer preço, e chegaremos aum quadro em que o setor de construçãocivil norte-americano ficará paradopelo menos até 2010. A retomada docrescimento econômico é impossívelsem a recuperação do setor de construçãocivil.”O presidente do FED, Ben Bernanke,reconheceu a severidade da crisedo setor imobiliário, no início de maio,em depoimento ao Congresso em defesade uma proposta de lei calculadapara conter a crise e evitar a repetiçãodo que ocorreu em 2007, quando nadamenos de 1,5 milhão de norte-americanosperderam suas casas, em processode desvalorização de ativos que afetouOutra corrente sustentaque as medidas do FederalReserve (FED) e do Tesouropara aliviar a escassez decrédito provocada pelacrise do subprime, a partirdo segundo semestre de2007, produziram o efeitoimediato desejado de evitara desestabilização do sistemafinanceiro global. Seriam,contudo, insuficientespara impedir uma recessãonos Estados Unidos e suarepercussão negativa naeconomia global.cidades e regiões inteiras e contribuiupara a contaminação da economia real.Se aprovado, o projeto de lei autorizaráa Administração Federal de Habitaçãoa investir US$300 bilhões em fundospúblicos em operações de renegociaçãode empréstimos inadimplentes. Bernankedeu a entender, no entanto, quea medida, mesmo sendo desejável, virátarde para desviar a economia norteamericanada recessão.Se as previsões mais agourentasse materializarem, as autoridades finan-ceiras terão menos instrumentos pararesponder do que tiveram até agora.Comentando a sétima redução consecutivada taxa básica de juros em oitomeses, anunciada pelo Federal Reserveem 30 de abril, Feldstein alertou queos Estados Unidos têm hoje juros reaisnegativos e que o FED já fez tudo o quepoderia fazer para minimizar, pela via doafrouxamento da política monetária, osefeitos da crise dos mercadosde crédito sobre o nível de atividadeeconômica. Agora, teráde se concentrar no combate àinflação – que voltou a mostrara cabeça – e enfrentar enormedificuldade para conciliar suastrês principais missões institucionais:manter a estabilidadedos preços, a máxima taxa deemprego e juros razoáveis nolongo prazo.O próprio FED deu claraindicação nesse sentido aosinalizar, em 30 de abril, quepode interromper o ciclo deflexibilização monetária. Doisdos dez membros da ComissãoFederal do Mercado, quedetermina a política monetária,votaram contra a redução dataxa. No comunicado oficialque divulgou para explicar ocorte dos juros, o FED informou que “osubstancial afrouxamento da políticamonetária até agora, combinado com asmedidas em curso para fomentar a liquidezdo mercado, deve ajudar a estimularo crescimento moderado ao longo dotempo”. O texto ressalva, porém, que“alguns indicadores de expectativas deinflação subiram nos últimos meses”.Reconhece também que a “atividadeeconômica permanece fraca”, que os“mercados financeiros continuam sobconsiderável estresse” e que “as condi-48

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