Crise divide os economistas

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Crise divide os economistas

CRISEBob London/CORBIS/LatinStockções apertadas de crédito e o aprofundamento[da crise] do setor de moradiaprovavelmente pesarão nos próximostrimestres”. Para os analistas especializadosem decifrar a linguagem doscomunicados da autoridade monetáriados Estados Unidos, o FED sinalizouclaramente que sua preocupação com ainflação, provocada pela alta de preçosdos alimentos e dos combustíveis, passaa assumir peso maior em suas análisesdo que as ameaças que a instabilidadefinanceira representa para o crescimentoeconômico. Ainda assim, alguns analistasressaltam a extrema “maleabilidade”e a grande capacidade de respostada economia norte-americana, que écapaz de absorver choques e recuperarserapidamente mesmo diante de crisespreocupantes, como aconteceu nas recessõesde 1990 e 2001.A eficácia das medidas adotadaspelo FED para conter a crise do mercadosubprime é apenas parte da controvérsiacausada pela turbulência na maioreconomia do planeta. Um aspecto dodebate fadado a continuar mesmo depoisque a crise estiver contida e superadaenvolve a própria credibilidade dainstituição. Sob o título “O FED flexível”,o Wall Street Journal fustigou ossucessivos cortes de juros comandadospelo presidente do banco central, BenBernanke, em editorial publicado naedição de 28 de abril. Segundo o jornal,a flexibilização monetária permitiua volta da inflação. Dias antes, VincentReinhardt, que foi economista-chefe doFED até o ano passado, afirmara, empalestra no American Enterprise Institute,que a operação de resgate do BearStearns entrará para a história como o“pior erro estratégico dessa geração,comparável à contração de crédito queagravou a recessão dos anos de 1930 eà grande inflação dos anos de 1970”.Para Reinhart, ao promover a operaçãode socorro de uma instituição fora desua jurisdição normal e que tomara decisõeserradas de investimento, o bancocentral norte-americano perdeu a credibilidadepara atuar como “árbitro” dosistema financeiro.Para o presidente do Reserve Federalde Nova Iorque, Timothy Geithner,a resposta à crise coordenada por Bernankereforçará a autoridade do FED,depois que a crise passar e a economiavoltar a crescer. Um democrata que foisubsecretário internacional do Tesourona administração Clinton e, como tal,um dos integrantes da equipe que enfrentouas crises financeiras do México,da Ásia, da Rússia e do Brasil, na décadapassada, Geithner defendeu a decisãodo FED de injetar US$30 bilhõesna operação de salvamento do BearStearns, o que permitiu a absorção dobanco de investimentos por um concorrente,o JP Morgan Chase. Lembroutambém, em depoimento ao Congresso,em 3 de abril, que “as conseqüênciasnegativas para os donos e os empregadosdo Bear Stearns foram reais”. Geithnerdisse que, ao mesmo tempo emque “sabíamos claramente que nossasações, tanto no contexto da transaçãocom o JP Morgan Chase como a criaçãoda Primary Dealer Credit Facility, afetariamincentivos para os participantes domercado financeiro e aumentaria o riscode moral hazard, acreditamos que a liçãodos resultados para os detentoresde ativos servirá para conter ou diminuiros incentivos para a tomada indevida deriscos”.Segundo ele, “ao reduzir a probabilidadede uma crise financeira sistêmica,as ações do FED desde o dia 14 demarço ajudaram a evitar danos substanciaisà economia e trouxeram calma aosmercados financeiros globais”.Paulo SoteroJornalista e diretor do Brazil Institute doWoodrow Wilson International Center forScholars, em WashingtonE-mail: paulo.sotero@wilsoncenter.org49

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