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CONTRA-REFORMA - Martinsvianna.net

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~...,....do então

~...,....do então trocou a sua diocese pela rica abadia de St.Denis. O episódio deixa claro que o Concílio não conseguili eliminar a disposição do clero para encarar seus; postos quase como propriedade particular. Em Veneza,membros de algumas das famílias patrícias dominantes- os Comer, os Grimani, os Pisani - continuarama transmitir aos parentes as dioceses mais ricasdo império continental da cidade exatamente comofaziam antes do Concílio de Trento.Apenas uma minoria dos bispos dos séculos XVIe XVII poderia ser devidamente descrita como reformadoreszelosos. Na França, por exemplo, havia 108bispos em atividade em 1614, dos quais muitos possuíamoutros postos além do bispado: pelo menos quarentadeles ocupavam outros cargos eclesiásticos, e trintae oito exerciam funções no governo real; apenas quarentae um eram graduados em teologia ou direito; trezeou mais tinham menos de vinte c sete anos quando desua nomeação; um quarto não havia sido ordenado;e apenas trinta e oito haviam convocado o sínodo diocesano.Fica claro, portanto, que, mesmo após terem-sepassado cinqüenta anos, as diretivas do Concílio aindanão eram estritamente observadas. Mas seria errôneoconcluir que os bispos, que obviamente não se empenhavamcomo dedicados reformadores, fossem todosnecessária e escandalosamente corruptos ou incompetentes:a explicação é em geral mais prosaica. Poucosbispos foram capazes de estabelecer uma completaautoridade em suas dioceses, a despeito dos decretosde Trento. Eles nem sempre controlavam todasasnomeações para as paróquias: mesmo depois de Trento,patronos particulares podiam indicar seus próprioscandidatos para muitos benefícios, e o bispo só podia,quando muito, postergar a nomeação de indivíduosinadequados. Em algumas áreas, como no caso de Nápoles,o próprio papa retinha o direito de nomeação.As ordens religiosas ainda podiam requerer e obter aisenção da autoridade episcopal, e os bispos amiúdese queixavam de que o papado havia concedido novasisenções aos clérigos de suas paróquias, ou passado porcima das ordens diocesanas nos tribunais romanos.Os bispos também tinham de levar em consideraçãoos desej os e interesses de seus governos seculares.As autoridades costumavam se preocupar com os acontecimentoseclesiásticos locais: os governantes católicosnaturalmente desejavam assegurar certo grau deuniformidade religiosa em seus territórios, mas nemsempre ficavam contentes ao ver que a Igreja ampliavasua área de competência, ou talvez até mesmo suaeficácia de ação. Vários governos, portanto, consegui-~-ªm arrancar do papada concessões que lhes possibilitavamcontrolar as nomeações e as finanças da Igreja.Depois de assinar a Concordata de Bolonha como papa em 1516, a coroa francesa adquiriu o direitode nomear seus próprios bispos. Um exemplo aindamais extremo de controle estatal foi a Espanha. Em1508, o papa Júlio H concedeu à coroa espanhola ofamoso patronato real, ou seja, o direito irrestrito deçonceder benefícios eclesiásticos no Novo Mundo; e,em 1523, Roma confirmou o direito de Carlos V denomear todos os prelados da Espanha. O governo espanhol,com o passar dos anos, também conseguiu ocontrole de muitos proventos da Igreja: todas as rendasda Igreja no Novo Mundo passaram a ser controladaspelo governo que retinha também um terço dosdízirnos pagos em Castela, e recolhia, na Espanha, Sicília,Sardenha e América, o tributo originalmente destinadoa levantar dinheiro para as cruzadas. Os clérigosda Espanha e seu império eram muitas vezes vistospor seus contemporâneos como meros funcionáriosda coroa, e nenhuma reforma eclesiástica podiaser implementada sem a aprovação do governo.30 31- I 4

...---,.-- fi!\ despeito das dificuldades enfrentadas pela reformaepiscopal, pode-se afirmar que a qualidade dosclérigos paroquiais em algumas áreas realmente começoua melhorar. Um número maior deles passou a residirnas paróquias, e, em 1672-]673, registravam-seapenas seis curas ausentes, de um total de 138, no arquidiaconadode Paris. Em muitas áreas, aumentoua produção de benefícios concedidos a clérigos formadospor seminários ou universidades, e os padres passarama gozar de maior segurança financeira. Algumascifras sugerem que a imoralidade clerical foi reduzida:em partes da Bretanha, por exemplo, a concubinagemapresentava-se como problema em 35 porcento das paróquias em 1554, número que caiu para3 por cento em 1665. A ambição de Trento de enfatizara condição social dos clérigos também se fez sentirem muitos dos regulamentos das dioceses: em 1658,os estatutos de La Rochelle insistiam que "os clérigosde nossa diocese devem pôr em evidência o fato de teremsido elevados a uma condição tão sublime e tãosanta" (Pérouas, 1966, pp. 34-5), e essa distinção entreo clero e os leigos foi reforçada quando os bisposexigiram que os padres usassem batina em todas as ocasiões.A diocese de Vannes tentou romper os laços familiarese de amizade dos clérigos locais ao ordenarque nenhum padre recebesse um benefício em sua áreanatal. Mais educados que seus rebanhos e levando umestilo de vida visivelmente mais moral e menos inseguro,um crescente número de padres podia agora servira seu rebanho sem o empecilho de qualquer envolvimentoprofundo com os negócios da comunidade.Mas não foi fácil manter essas reformas paroquiais.O clero secular nem sempre se distribuía de maneirauniforme: em partes da diocese de Léon, na Bretanha,durante o século XVII, havia um padre paraaproximadamente cada cem habitantes enquanto empartes da Lorena havia apenas um para cada quinhentoshabitantes. E muitos padres ainda se recusavam aresidir na paróquia. Em 1649, por exemplo, dizia-se queo pároco de Bondy "nunca estava presente na ... paróquia,mas residia a maior parte do tempo em Paris e outroslocais"(Delumeau, 1977, p.184). Portanto, algumasparóquias inevitavelmente ficaram sem pastores,e muitas continuaram a ser atendidas por padres temporáriosou de meio expediente, a despeito das determinaçõesde Trento. Os fiéis de Bourgneuf, na Bretanha,afirmavam em 1659 que "de vez em quando padresdesconhecidos visitam a paróquia, para logo iremembora ... sem estabelecer qualquer compromisso real"(Croix, 1981, pp. 1]55-6). Em algumas áreas, o cultovirtualmente deixou de existir: os habitantes de Changé,em Anjou, queixavam-se em 1645 do "abandonodos serviços regulares em sua igreja" (Avenel, 1886, p.335). Muitos padres ainda exibiam um treinamento inadequado:em 1617, Vicente de Paulo deparou-se comum padre da Picardia que nem sequer conhecia as palavrasda absolvição. E no século XVII as visitas episcopaiscontinuaram a revelar a existência de clérigos imoraise escandalosos. Ao visitar os 400 padres seculares"de Córdova em 1638, o bispo Domingo Pimentel constatouque cinqüenta e sete deles não viviam em castidade,quarenta usavam sua propriedade para a venda devinho, vinte dirigiam casa de jogos, oito portavam armas,e seis eram tidos como agiotas. Também há provasda existência de padres negligentes e indignos de confiança.Em 1639, o decano de Saint-Germain-I' Auxerroisteve de emitir uma ordem proibindo os cônegos de"levar seus cães para o coro, dormir, trocar de lugar,tagarelar e ler livros durante os serviços" (Avenel, 1886,p. 332). Ainda na segunda metade do século XVII, umclérigo de Anjou afirmou ter visitado áreas onde os paroquianoshaviam lhe dito "que nem uma única vez haviamse confessado com os padres e confessores da paróquia"(Abel1y, 1664, p. 2).32 33

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