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CONTRA-REFORMA - Martinsvianna.net

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..,..-..,..lkil,ill','i dcn: ro da Igreja. Para entendermos as objel,.·()(Sdoutrinárias do protestantismo e a reação católica,devemos, portanto, examinar primeiro algumas dascaracterísticas da vida religiosa na Baixa Idade Média.A Igreja anterior à Reforma não era de forma algumao deserto devocional condenado pelos seus críticosprotestantes. Um dos mais importantes reflorescimentosdos séculos XIV e XV foi a Devotio Moderna,que se originou nos Países Baixos. Uma de suasproduções mais célebres provavelmente é A Imitaçãode Cristo, publicada pela primeira vez em 1418 e comumenteatribuída a Tomás de Kempis. O objetivo desselivro era aprimorar a vida espiritual de seu leitor,incentivando-o a estabelecer uma relação mais pessoalcom Cristo. Portanto, sua ênfase recaía principalmentesobre a religião como experiência subjetiva, emboranão contivesse nenhuma sugestão de deslealdade para,a Igreja como instituição. A Devotio Moderna não foi,evidentemente, o único reflorescimento do período,mas as idéias de Tomás de Kempis encontram ressonânciaem muitos outros autores religiosos. A intuiçãoera colocada acima da argumentação, e as obras-ábaixo da prece e da meditação. Richard Rolle, um erernitade Yorkshire, não tinha dúvidas, em 1343, de quea contemplação era superior à ação: "um homem nãose torna mais santo ou excelente pelas obras físicas queexecuta. Pois Deus, que lê em nossos corações, recompensaa intenção e não a obra ... Portanto, a vida ativadeve ser devidamente colocada em segundo lugar,dando-se preferência à vida contemplativa" (Rolle,1971, p. 111).Duas características dessa abordagem são dignasde nota. A primeira é que, na sua relação com o homem,Deus toma a iniciativa: o cristão deve ser apenasum receptor passivo, abandonado à vontade deDeus. Como disse o autor de Nuvem do Desconhecido,obra anônima do século XIV: "isso é obra exclusivade Deus, deliberadamente realizada na alma porEle escolhida, sem levar em consideração os méritosdessa alma." A segunda é que ª conseqüência dessaexperiência subjetiva era muitas vezes um desejo de seafastar ainda mais do mundo: "tanto quanto possível,evita a companhia dos homens", aconselhava Tomásde Kempis.Nessa atmosfera de introspecção, preocupada como cultivo da espiritualidade pessoal, a natureza e o significadodo pecado e da graça eram assuntos popularesnas discussões teológicas. O "pecado" pode ser definidocomo um ato deliberado de desobediência à vontademanifesta de Deus; sendo um conceito um poucomais preciso que o de "imoralidade" refere-se diretamenteapenas a Deus e ao pecador. A "graça" é a assistênciade Deus, que pode ajudar o pecador a evitarO pecado. Quando o indivíduo é reconduzido do pecadoà obediência, diz-se que ele (ou ela) experimentoua justificação. À primeira vista, esses conceitos teológicosreferentes à experiência religiosa pessoal parecemrelativamente simples; contudo, eles se tornaramo foco central de quase todas as discussões doutrináriasimportantes durante o período da Reforma, e constituemo pano de fundo para os primeiros escritos doutrináriosde Lutero.Lutero acreditava que o efeito do pecado origi- 'nal na alma humana era tão drástico que nenhum indivíduoseria capaz de executar qualquer tipo de açãovirtuosa pelo exercício do livre-arbítrio. Devido à nossaprópria natureza, opomo-nos a tudo o que é desejadopor Deus; conseqüentemente, é-nos impossível experimentara justificação de maneira voluntária. Somenteo favor da graça divina pode dar início ao processode justificação. E, mesmo depois de termos sido justificadospor Deus, Lutero acreditava que ainda estamossujeitos à tentação do pecado. Portanto, não podemosmerecer a salvação: ela também deve ser uma6 7

.......,.graça divina. Lutero estava convencido de que esse erao ensinamento da Bíblia, que, para ele, era a única fonteautorizada de revelação.Lutero começou a formular sua teoria sobre a justificaçãodepois da célebre "Experiência da Torre",ocorrida provavelmente em 1513 ou 1514; mas não foio único nem o primeiro teólogo a adotar essa teoria.Na Espanha, Pedra Ruiz de Alcaraz já ensinava o mesmotipo de teologia desde 1510. E, em 1511, GasparoContarini, um patrício veneziano, passou por uma "experiência"similar na ilha de S. Giorgio Maggiore durantea Páscoa. Na verdade, muito daquilo em que eleacreditava quase não se distinguia dos ensinamentosde Lutero. como ele mesmo por vezes reconhecia. Contariniresumiu sua doutrina da justificação em uma car-. ta de 1523:Cheguei à firme conclusão (que, entretanto, experimentei pormim mesmo, através de minhas leituras) de que ninguém, emnenhuma época, pode se justificar através de suas obras, oupurificar a mente de suas inclinações.Devemos voltar-Ilos para a divina graça obtida através da féem Jesus Cristo, como afirma São Paulo ... Devemos nos justificarda probidade de outrem, ou seja, do Cristo, e quandonos unimos a Ele, Sua probidade torna-se também nossa.(Fenton, 1972, pp. 10-11)A crença de Contarini de que não podemos eliminaras nossas inclinações inerentemente pecaminosaspelo exercício do livre-arbítrio, a conseqüente certezade que a justificação deve ser alcançada pela graçade Deus, e mesmo a sua confiança na autoridadedas Escrituras- tudo isso se aproxima da compreensãoteológica de Lutero. Entretanto, Contarini e Alcaraznão influenciaram Lutero: eles simplesmentecompartilharam uma experiência religiosa comum, quedescreveram de maneiras comparáveis. Ep-odemos detectaressa mesma linha de pensamento bem antes doséculo XVI _ por exemplo, na obra de Gregório de8Rimini, filósofo do século XIV, e, em última análise.:na teologia de São Paulo, expressada no Novo Testa-:mento. Entretanto, no início do século XVI, ela se ter- "nara um tema dominante, reforçado por uma intensa Iinvestigação acadêmica da Bíblia e dos primeiros Doutoresda Igreja, especialmente Santo Agostinho.Esseinteresse anterior à Reforma pelo problemadajusti ficação não era necessariamente herético ounão-ortodoxo. As autoridades católicas não haviamfQrmulado uma doutrina definida sobre o assunto, eo compromisso com a tradição paulina não implicavaqualquer hostilidade inevitável para com a Igreja: GasparoContarini, cuja experiência da justificação precedeuà de Lutero, tornou-se cardeal em 1535. Mas odesenvolvimento dessas teorias por Lutero levou-o, oq!i:e era de esperar, a rejeitar a necessidade teológicadeurna Igreja institucionalizada. Se o indivíduo podeser justificado pela livre vontade de Deus, simplesmente'l..ãg existe a necessidade de Igreja, papado, sacerdotes...•sacramentos, santos e indulgências. Portanto, Lu- dtero e seus seguidores alemães foram levados ao cismae separaram-se formalmente de Roma. Por voltade 1540, era evidente que a simpatia pela Reforma cresciatambém ao sul dos Alpes, e as autoridades da Igrejapassaram a temer cada vez mais o risco de um cismaem cidades italianas como Lucca, Milão, Módena, Nápolese Veneza. O clero católico pouco podia fazer para'evitar isso, pois ainda não sabia com certeza o que deviaensinar. Portanto, era essencial apresentar um pronunciamentooficial sobre as doutrinas em debate.Em 5 de abril de 1541, foi aberta uma conferênciasobre teologia em Ratisbona. Entre os teólogos protestantesestavam Melanchthon e Bucer; os católicoseram representados por Eck, Pflug e Gropper. Contariniera o núncio papal. Os participantes não tinhampoder para discutir uma reforma administrativa, maschegaram a um acordo sobre a doutrina da justifica-9

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